segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Imortal no show da vida

Fernanda Montenegro após ser eleita para ABL: 'Há necessidade de mais presença das personalidades negras lá dentro' Aos 92 anos, atriz foi eleita a nona mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Ao Fantástico, ela falou sobre o título, política, pandemia e o passar dos anos: 'Começa a vir também um pensamento de que eu não tenho futuro, sabe? Cada dia é um dia absoluto'. Por Fantástico 07/11/2021 21h59 Atualizado há uma hora ***
*** Fernanda Montenegro após ser eleita para ABL: 'Há necessidade de mais presença das personalidades negras lá dentro' Fernanda Montenegro após ser eleita para ABL: 'Há necessidade de mais presença das personalidades negras lá dentro' *** Aos 92 anos, Fernanda Montenegro começa um novo papel na vida. Na última quinta-feira, a atriz foi eleita imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL). Fernanda é a nona mulher a ostentar o título de imortal. Repórter: Muita gente diz que com a sua chegada à Academia, chega o público, o povão, as pessoas... Falam pop. Fernanda Montenegro: É isso? Se querem chegar a isso, ótimo. *** ‘Um Lugar ao Sol’: novela se aprofunda em relações humanas e fala do amor de diferentes ângulos Depoimentos de quem conviveu com Marília Mendonça mostram como ela era na infância Fantástico refaz trajetória de voo de Marília Mendonça e conversa com testemunhas de acidente *** Um ícone pop, construído em todos os palcos possíveis. Fernanda começou no rádio, se formou com os clássicos do teatro e é a única atriz brasileira indicada a um Oscar. Aos 84 anos, também conquistou um Prêmio Emmy por sua atuação em “Doce Mãe”. Desde se sua fundação, a ABL é aberta a pessoas de várias áreas, desde que tenham escrito um livro. Mas, até 1977, a entrada só era permitida para homens. “Tendo uma produção sólida em qualquer área onde a mulher possa se apresentar, na área médica, na área de Direito, na área de Sociologia. Se tem representantes nessas áreas lá dentro, homens, por que não mulheres? E também de qualquer raça, sabe? Há necessidade de mais presença das personalidades negras lá dentro. Existem poderosas, presentes”, diz. Há décadas, Fernanda Montenegro se dedica a textos de Nelson Rodrigues e da filósofa Simone de Beauvoir. “Quando completei 90 anos, eu tinha esses dois textos e o meu sonho era realmente cruzar o Brasil como eu sempre fiz. Não só os centros intelectualizados, mais informados, mas as periferias”, conta. ISSO É FANTÁSTICO *** *** 'VEIO PELO VOTO' Fernanda Montenegro diz que Bolsonaro no poder é pior do que a ditadura REPRODUÇÃO/TV GLOBO
*** Fernanda Montenegro em entrevista ao Fantástico neste domingo (7); ela criticou Jair Bolsonaro *** REDAÇÃO redacao@noticiasdatv.com Publicado em 7/11/2021 - 22h30 Após se tornar uma imortal da Academia Brasileira de Letras, Fernanda Montenegro concedeu uma entrevista ao Fantástico. Além de falar dos planos para o novo cargo, a atriz de 92 anos criticou o atual governo e disse que a era de Jair Bolsonaro no poder é pior do que o período da Ditadura Militar (1964-1985), já que a chegada do político ao poder foi legitimada pelo voto. "É pior [do que a ditadura], porque veio pelo voto, então há uma organização política por trás, tradicional, que opta por essa calamidade e por essa tragédia. Em todo governo de força, a primeira coisa é estrangular a cultura das artes, porque é um onde o país existe com a assinatura e com a opção de um futuro", falou ela para a repórter Sônia Bridi. Na década de 1980, Fernanda Montenegro recusou o convite de José Sarney para ser ministra da Cultura no primeiro governo civil após o período da Ditadura Militar (1964-1985). Na ocasião, ela escreveu uma carta em que dizia "pobre do país cujo governo despreza, hostiliza e fere os seus artistas. Esse Brasil acabou". Neste domingo (7), ela se corrigiu: "Esse Brasil não acabou. Nós estamos numa hora trágica, mas vai acabar. Uma hora acaba". Questionada qual seria a saída para isso, a artista respondeu que é o tempo. "O Brasil comprovou que não é possível ter reeleição, foi comprovado que a reeleição exige compra, venda e aluguel do poder político. Esse homem [Bolsonaro] não está no poder da noite para o dia", enfatizou. Tranquila ao criticar o governo, Fernanda falou que não está calma com a atual situação. "A contestação está igual, a visão trágica do momento que a gente vive está igual, mas não é que eu esteja calma. Às vezes eu tenho a impressão que temos um país em Brasília que coloniza o Brasil aqui, mas a gente deve cantar", pediu. Na Academia Brasileira de Letras, Fernanda Montenegro ocupará a cadeira 17, que antes era do diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, morto em março de 2020. "Primeiro eu tenho que ser empossada e aí saber o que eles querem de mim, o motivo para me aceitarem", comentou. A ABL é aberta para pessoas de várias áreas, desde que tenham escrito um livro. Até 1977, só homens eram permitidos. Fernanda é a nona mulher imortal. "Se tem representantes nas áreas, desde que tenham escrito um livro. Até 1977, só homens eram permitidos. Fernanda é a nona mulher imortal. "Se tem representantes nas áreas médicas, de Direito e de Sociologia lá dentro, por que não mulheres? E também de qualquer raça. Há necessidade de uma presença das personalidades negras lá dentro", defendeu. FONTE: notícas da tv Por Daniel Castro *** *** https://noticiasdatv.uol.com.br/ *** BLOG DO ACERVO - O GLOBO A carta de Fernanda Montenegro recusando convite para Ministério da Cultura do governo Sarney, há 35 anos WILLIAM HELAL FILHO MAY 06, 2020 ***
*** A atriz Fernanda Montenegro em foto de 9 de maio de 1985 A atriz Fernanda Montenegro em foto de 9 de maio de 1985 *** Aquele telefonema, num domingo à noite, caiu feito uma bomba na casa de . Era o então ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira, convidando a atriz para substituí-lo na pasta, durante o governo de José Sarney, há 35 anos. Vítima de censura e ameaça durante a ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985, a consagrada atriz tinha, então, a chance de se tornar a primeira mulher a assumir um cargo de primeiro escalão na Nova República ("A Velha República jamais pensaria em mim", disse ela, numa entrevista). Foram dias de muita reflexão. A notícia sobre o convite se espalhou rapidamente e, ao longo daquele 6 de maio de 1985, o telefone da casa da artista, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, não parou de tocar. Personalidades como Millôr Fernandes, Barbara Heliodora e Luiz Carlos Barreto, além de um punhado de representantes de grupos feministas, ligavam para manifestar seu apoio. - É uma decisão muito difícil. Porque implica em largar o palco e eu não sei se os deuses vão gostar disso. Por outro lado, à medida em que as pessoas telefonam, insistindo para que aceite o cargo, a tentação vai aumentando. E eu, sem saber o que fazer. Preciso conversar com Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso e avaliar que ressonância isso terá na minha própria classe - disse ao GLOBO a atriz de então 55 anos de idade. Entre outras coisas, Fernanda temia assumir uma posição figurativa no governo, gerindo um ministério sem orçamento à altura da cultura brasileira. - Por mais criativo e competente que um ministro seja, não há como fazer cultura sem dinheiro. Cultura custa caro. As áreas econômicas precisam concordar com isso para que um bom trabalho seja desenvolvido, ou então teremos um Ministério de sarau, totalmente esvaziado - comentou Fernanda, acrescentando que a cultura deveria nascer do povo. - Nossa deformação cultural nos faz pensar que cabe a um segmento da sociedade levar cultura a outro. Nós temos é que buscar a cultura no povo, dando condições para que ela brote. Só assim torna-se possível criar uma real identidade cultural. Mas, para isso, é necessário investimento. Por dois dias, a atriz se isolou num sítio em Teresópolis, na Região Serrana do Estado do Rio, com o marido, Fernando Torres, e refletiu muito. Sua decisão final, no dia 9 de maio daquele ano, apesar de desagradar o presidente, foi uma declaração de amor ao ofício do teatro, declarado numa carta ao ex-ministro. Leia abaixo. ***
*** Página do GLOBO do dia 10 de maio de 1985 *** "Querido amigo José parecido de Ollveira, Como cidadã sempre fiz do meu ofício um instrumento de participação política. Como artista fiz a minha participação política dentro do meu ofício, fora de flliação partidária, pois compreendo que o palco é, definitivamente, o espaço mais livre que o homem jamais criou. Se olharmos os palcos de um pais, saberemos exatamente que país é esse. Desde a adolescência venho, a princípio intuitivamente, mais tarde conscientemente, me expressando através dos mais variados textos, percorrendo, democratlcamente, os mais diversos gêneros teatrais, sem qualquer preconceito, na medida em que, para mim, um artista do palco tem que dar voz às mais diferentes manifestações da dramaturgia. Com isso, deixo claro que, no meu entender, o palco é o meu espaço também político. Comovida, feliz e honrada, vejo a lembranca do nome de uma atriz para o Ministério da Cultura como uma conquista histórica, culturalmente falando. Recentemente, artistas deste país foram convocados para um grande futuro e uma grande mudança. As oposições políticas armaram palanques, esses mesmos artistas, preparando o espetáculo, "esquentaram" as multidões nas praças, fortalecendo lideranças ainda não confiantes em si mesmas como comunicadores. Uma vez fortalecidas, essas lideranças políticas ocuparam o centro dos palanques. Os artistas, cumprida sua missão, recuaram. As massas humanas se impuseram. A partir daí, todos nós, irmanados, começamos a construção de um Brasil novo. Para aqueles que veem, preconceituosamente, a indicação de um artista para um tão alto cargo, respondo, sem exagero, que esse Brasil novo nasceu num palco armado na praça. Cogitar um artista para um Ministério é prova do amadurecimento político deste país, no seu todo. É um arejamento depois de tantos anos de asfixia. Pobre do pais cujo Governo despreza, hostiliza e fere seus artistas. Esse Brasil acabou. A sondagem que me foi feita, autorizada pelo presidente José Sarney, revela o gesto limpo, independente e original do homem que, dirigindo a Nação neste momento de tanta esperança, deposita sua confiança numa brasllelra entuslasmada e consciente. A esse convite devo responder com a mesma limpeza de propósitos. Vejo o Mlnistério da Cultura como o cerne do atual Governo. No meu entender, nenhum outro lhe é superior. Ele dará o tom da Nova República. E, para não ser assim, melhor seria não tê-lo criado, permita-me dizer-lhe com todo o respeito e confiança. A participação nessa esfera não pode ser exercida num quadro de nostalgia, de perda ou de degredo. Diante da sondagem que me foi feita, repasso minha vida e, feliz ou Infelizmente, compreendo que o meu amor profundo para com o exercício do Teatro ainda não foi esgotado. Ao contrário: está mais vivo do que nunca. Deixando agora o Teatro, a sensação que eu teria seria a de uma vida inacabada. Creio firmemente que cada cldadão deva exercer sua arte ou seu trabalho em conformidade com a sua vocação. Estaria sendo leviana se, pensando desse modo, agisse de outro. Não é fácil dizer nao. Não vejo que seja mais fácil decidir pelo Teatro. Ou mais seguro. O Teatro nunca foi fácil ou seguro. Mas é esse o meu lugar. Tenho certeza de que todos os intelectuals, artistas e entidades de classe que me demonstraram apoio, através de cartas, telegramas, telefonemas e visitas, compreenderão a minha opção. Pode parecer uma frase bombástica e teatral, mas não devemos temer nem o Teatro nem as palavras; não estou preparaa para partir. Nesses novos tempos, gostaria que você, Aparecido, assim como o Presidente José Sarney, entendesse que a melhor maneira de prestar meus serviços à cultura brasileira é permanecer no palco, onde continuarei à disposição do meu pais, humildemente. De sua amiga, cujo sentimento básico é a fidelidade" Fernanda Montenegro ***
*** Fernanda Montenegro no dia em que recusou o convite para Ministério da Cultura, em 1985 ***
*** PRÓLOGO, ATO, EPÍLOGO Memórias Fernanda Montenegro Livro Impresso *** No marco de seus noventa anos, as memórias de Fernanda Montenegro trazem o frescor de uma artista eternamente genial. Apresentação Em Prólogo, ato, epílogo, Fernanda Montenegro narra suas memórias numa prosa afetiva, cheia de inteligência e sensibilidade. Com sua voz inconfundível, ela coloca no papel a saga de seus antepassados lavradores portugueses, do lado paterno, e pastores sardos, do lado materno. Lidas hoje, são histórias que podem "parecer um folhetim. Ou uma tragédia" – gêneros que a atriz domina com maestria. Na turma de jovens que circulavam pela rádio estava Fernando Torres, que ela reencontrou nos ensaios da peça Alegres canções na montanha, quando começaram a namorar. Fernando largou a Panair, Fernanda largou a Berlitz, e o casal se entregou de corpo e alma à arte, paixão de uma vida. Constituíram uma família e realizaram juntos um sem-número de peças, ao lado dos principais nomes do teatro brasileiro. Em páginas de grande emoção, ela relembra os desafios de criar os filhos sobrevivendo como artistas; a busca permanente pela qualidade; a persistência combativa durante os anos de chumbo; a capacidade de constante reinvenção; o padecimento de Fernando; o inesperado sucesso internacional nos anos 1990; a crença na terra que acolheu seus antepassados imigrantes e a devoção por esse país. Fernanda encarna o melhor do Brasil. Não surpreende que alguém que passou a vida memorizando textos tenha desenvolvido notável capacidade de rememorar com sutileza fatos ocorridos décadas atrás. A atriz que há anos encanta multidões em palcos e telas pelo mundo agora se mostra uma contadora de histórias de mão-cheia. "Não estou romanceando. Tenho quase um século de vida, portanto posso dizer: 'Era no tempo do rei'." "Não se sabe o que mais admirar nela: se a excelência de atriz ou a consciência, que ela amadureceu, do papel do ator no mundo. Ela não se preocupa somente em elevar ao mais alto nível sua arte de representar, mas insiste igualmente em meditar sobre o sentido, a função, a dignidade, a expressão social da condição de ator em qualquer tempo e lugar." – Carlos Drummond de Andrade Ficha Técnica Título original: Prólogo, ato, epílogo Capa: Alceu Chiesorin Nunes Páginas: 392 Formato: 16.00 X 23.00 cm Peso: 0.661 kg Acabamento: Livro brochura Lançamento: 20/09/2019 ISBN: 9788535932553 Selo: Companhia das Letras Autor ***
*** Fernanda Montenegro Autor PRÓLOGO, ATO, EPÍLOGO (2019). *** *** https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14269 *** ***

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