sábado, 19 de setembro de 2020

 

Revisão Periódica de Gastos

Sem Truco Nem Blefe

 

A Hora da Onça Beber Água

 

CONSOLAÇÃO

 

Água de beber Camará

 

sábado, 19 de setembro de 2020

Adriana Fernandes - Cansaço

 

- O Estado de S.Paulo 

 

 O Renda Brasil não sai sem medidas duras que terão de ser aprovadas pelo Congresso 

 

O Renda Brasil se transformou no estranho caso do programa que nem mesmo nasceu, morreu e ressuscitou no dia seguinte. O disse me disse desta semana em torno do Renda Brasil do presidente Bolsonaro revelou a dificuldade que é colocar de pé um programa social com mais dinheiro e beneficiários, sem uma afinação entre as área econômicas e social, o Palácio do Planalto, líderes partidários e os parlamentares. 

 

O cansaço do debate está visível, como reclamou a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet. As semanas começam e terminam no mesmo ponto. Não há avanço concreto. Em alguns casos, retrocesso. E já estamos no final de setembro com o fim do auxílio emergencial chegando junto com o aumento da fome. 

 

É um erro achar que agora, com o apoio do Centrão, tudo poderá ser aprovado. O Centrão vai até aonde a corda estica. O imbróglio em torno da desindexação dos benefícios previdenciários, medida já tentada no passado e sempre abortada, mostrou o deslocamento entre o desejo antigo da equipe econômica e a realidade. 

 

Do jeito que está hoje o arranjo da política fiscal e o teto de gastos, o programa não sai sem medidas duras que terão que ser apresentadas pelo Congresso e aprovadas. 

 

Bolsonaro quer que os parlamentares aprovem o novo programa sem patrocinar nenhuma delas: nem para tirar dos “pobres para os paupérrimos” e nem para tirar dos “ricos e privilegiados para os pobres e paupérrimos”. Não tem jogo, embora a segunda opção esteja sendo cobrada pela sociedade e a maioria dos políticos continue cega para essa demanda. 

 

Tem muito negociador político que parece não entender esse ponto ou está de má-fé empurrando com a barriga a confusão para ver quem cai primeiro. 

 

A sucessão no início de 2021 do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM RJ), que abraçou a pauta econômica de Guedes e do mercado, deve ser o ponto final da inflexão de política econômica que começou com a pandemia. Quando fevereiro chegar lá, veremos o time mudar de campo de vez. Essa é o cálculo político de quem está embaralhando as cartas. Se nada mudar, provavelmente ficaremos nesse rame-rame até lá. 

 

Ganha força agora a ideia de aprovar o Renda Brasil no Orçamento com despesas condicionantes. A estratégia já foi usada na “regra de ouro” (que impede o governo de fazer dívida para pagar despesas correntes). 

 

Funciona assim: a fonte de financiamento fica carimbada no Orçamento com a condicionante de aprovação de uma determinada medida. O gasto só pode ser feito se a medida de corte de despesa for aprovada. Ou seja, o Renda Brasil aumenta além dos recursos destinados ao Bolsa Família em 2021 – R$ 35 bilhões – se as medidas forem votadas. 

 

Se for esse o caminho para arrumar mais dinheiro para a para a área social e os investimentos necessários à retomada, o Congresso deveria aproveitar o impasse fiscal em torno da criação do programa social para aprovar o projeto de revisão periódica de gastos. Resolveria de cara um problema recorrente: planejamento. 

 

É bom esclarecer que revisão de gastos não é o mesmo que avaliação da eficiência dos programas governamentais. 

 

A revisão (spending reviews, em inglês) tem como produto a obrigatoriedade de cortar os gastos, explica o economista do Senado Leonardo Ribeiro, que estuda o tema há quatro anos. Ribeiro ressalta que essa prática institucionalizada como regra passou a ser adotada por vários países depois da crise financeira internacional de 2008. 

 

Antes da crise, alguns países da Europa, como Dinamarca, Finlândia, Reino Unido, e a Austrália, já usavam esse modelo. Mas foi depois do terremoto financeiro que a maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passou a adotar a revisão. Historicamente, o Brasil tem dificuldade em cortar despesas e renúncias fiscais. Um ponto de partida importante foi essa semana inclusão da necessidade de uma revisão periódica de gastos no relatório da Comissão Mista do Congresso da covid-19. Pode ser um começo. Ou recomeço.

https://gilvanmelo.blogspot.com/2020/09/adriana-fernandes-cansaco.html

 

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2017 – COMPLEMENTAR

 

Dispõe sobre o Plano de Revisão Periódica de Gastos.

 

Art. 1º Inclua-se na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, o seguinte artigo 114-A:

 

“Art. 114-A O plano de governo a que se refere o art. 84, inciso XI, da Constituição, a ser remetido anualmente ao Congresso Nacional, incluirá, em anexo específico, o Plano de Revisão Periódica de Gastos, o qual conterá:

I – quadro plurianual de despesas públicas evidenciadas por funções de governo;

II – avaliação da economicidade e sustentabilidade fiscal das políticas públicas e programas governamentais, incluindo renúncias e incentivos fiscais;

III – evidenciação do impacto fiscal das despesas obrigatórias;

IV – medidas necessárias para o aprimoramento das políticas públicas e da gestão fiscal, incluindo a agenda legislativa prioritária; e

V – identificação de opções de economia orçamentária para reduzir o déficit fiscal ou criar espaço fiscal para programas de maior prioridade.

§ 1º O principal objetivo do Plano de Revisão Periódica de Gastos é servir de base para decisões sobre o nível de financiamento de programas e projetos existentes na administração pública federal a partir de repriorizações de gastos e identificação de ganhos de eficiência na execução de políticas públicas.

§ 2º O Plano de Revisão Periódica de Gastos será elaborado em conjunto pelo Ministério da Fazenda e pelo Órgão Central do Sistema de Planejamento e Orçamento Federal e contará com a participação de todos as unidades orçamentárias da administração pública federal.

§ 3º O Congresso Nacional deverá manter em permanente funcionamento a Comissão de Revisão de Despesas, que deverá avaliar sistematicamente o Plano de Revisão de Gastos de que trata o caput com apoio técnico da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal.

§ 4º No plano será apresentado cenário fiscal de referência e as medidas necessárias para o alcance e preservação do equilíbrio das contas públicas no curto, médio e longo prazo.

§ 5º O cenário fiscal de referência previsto no § 1º deverá:

I – conter projeções fiscais para receitas e despesas baseadas na legislação vigente no horizonte de três, dez e vinte anos;

II – ser atualizado permanentemente para refletir mudanças nas políticas fiscal, monetária e cambial, nas premissas macroeconômicas e em outras variáveis relevantes;

§ 6º O Plano de Revisão Periódica de Gastos divulgará avaliações de programas, de vinculações orçamentárias, de subsídios e subvenções, bem como de renúncias de receitas do governo federal, para servir de insumo ao processo orçamentário.

§ 7º As análises, os estudos e os diagnósticos do Plano de Revisão Periódica de Gastos serão considerados na elaboração do Plano Plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual.”

 

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

 

 

JUSTIFICAÇÃO

 

Este projeto de lei complementar tem por objetivo institucionalizar na administração pública federal um processo contínuo e transparente de revisão de gastos públicos. Trata-se de um plano do Presidente da República apresentado ao parlamento para aproximar os Poderes Executivo e Legislativo e a sociedade na tarefa de gerir os recursos públicos com responsabilidade fiscal.

 

A crise econômica é grave e força o país a olhar para experiências internacionais no que se refere à adoção de instrumentos de controle de gastos. Diversos países da OCDE institucionalizaram planos de revisão periódica de gastos públicos após a crise financeira de 2007. Na literatura internacional especializada, esses planos são conhecidos como “Spending Reviews” – SR.

 

Este plano de revisão de gastos nada mais é do que um processo transparente de elaboração e adoção de medidas de criação de poupança – ou redução de gastos – tendo como base um cenário de referência para as despesas públicas (chamado “baseline”).

 

O Reino Unido economizou cerca de 81 bilhões de libras no período 2010-2014 a partir do seu Spending Reviews estabelecido em 2010. O plano foi anunciado com total transparência para explicar à sociedade a necessidade de se cortar 20% dos gastos sujeitos à limitação. Outros países da OCDE, como Canadá, França, Austrália e Holanda, também obtiveram resultados positivos com a implementação de planos de revisão periódica de gastos.

 

As metodologias adotadas são diversas, em especial no que se refere à periodicidade – revisões podem ser anuais ou plurianuais – e à abrangência – planos que cobrem todas as despesas do orçamento e planos que selecionam áreas a serem afetadas pelos cortes orçamentários. O Plano de Revisão adotado em 2010 pelo Reino Unido durou 4 anos e impactou boa parte do orçamento.

 

A questão essencial é ter uma boa comunicação com o parlamento e a sociedade para explicar os detalhes de ajustes fiscais necessários. Com base nas experiências já testadas, o Brasil poderia institucionalizar planos de revisão de gastos para complementar propostas de limitação dos gastos ou da dívida. A ideia é apresentar à sociedade, com transparência, revisões dos gastos para equilibrar as contas públicas.

 

Na presença de um programa de Spending Reviews, a sociedade poderia acompanhar, com maior clareza, a evolução dos principais gastos do governo e a qualidade dos programas do ajuste. Trata-se de uma medida que incentiva a accountability e reforça o espírito da responsabilidade fiscal posto pela LRF.

 

Por fim, chamo a atenção do State of Union, nos Estados Unidos, que inspirou o caput do art. 114-A proposto por este projeto de lei. Todos os anos, o Presidente dos EUA apresenta ao parlamento o plano de governo, juntamente com a agenda legislativa para a qual ele precisa da cooperação do Congresso. Nesse encontro, hoje transmitido ao vivo em todo país na maioria das redes de comunicação, o Presidente recomenda as medidas legislativas necessárias e oportunas para a nação americana.

 

A Constituição brasileira prevê esse encontro entre os Poderes, mas o evento precisa de maior reconhecimento. De acordo com seu art. 84, cabe ao chefe do Poder executivo “remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias”. Essa seria a oportunidade em que o Presidente da República apresentaria ao Congresso a situação das contas públicas e as medidas legislativas necessárias para garantir sustentabilidade fiscal aos programas do governo federal.

 

Independente das posições ideológicas das autoridades que governam o país, precisamos de um Estado eficiente na arte de gerir os recursos públicos e que valorize os impostos pagos pela sociedade, sem desperdícios. A crise atual evidencia a importância da responsabilidade fiscal como vetor do crescimento sustentável da nação e o projeto que ora apresento foi buscar na experiência internacional o importante instrumento de gestão Spending Reviews para justamente colocar o país na rota dos país desenvolvidos.

 

Nesse sentido, conto com o apoio de todos os nobres senadores para aprovação deste importante avanço no campo institucional das finanças públicas do país.

 

 

Sala das Sessões,

 

 

Senador JOSÉ SERRA

PSDB-SP

file:///C:/Users/User/Downloads/2017-10-26-17-39-07-PL-Spending-reviews.pdf

 



https://youtu.be/zkCkIGqGyAI

Tom Jobim - Ao Vivo em Montreal - Água de beber

 

“Essa música é linda e tem história.”

 

https://www.youtube.com/watch?v=zkCkIGqGyAI

 



https://youtu.be/hxi_qliU3DE

‪"Consolação"‪ - Rosinha de Valença, 1966

 

Consolação (Baden Powell) From the German television broadcast "Folklore Der Welt - Bossa Nova do Brasil." Recorded in 1966. ‪Rosinha de Valença - Guitar ‪J. T. Meirelles - Flute Rubens Bassini - Tamborim Chico Batera - Drums Sergio Barroso – Bass

https://www.youtube.com/watch?v=hxi_qliU3DE

 



https://youtu.be/c0Tr1pjyJDI

Décio Rocha | A Hora da onça beber água (Décio Rocha) | Instrumental SESC Brasil

 

Assista ao show do instrumentista e compositor pernambucano Décio Rocha. O baixista, que tocou com músicos como Zeca Baleiro, Rita Ribeiro e Chico César, apresenta seu trabalho solo. Ele utiliza instrumentos feitos a partir do lixo, como a "Metrola" e a "Pirâmide". O resultado é uma música sem limite e ao mesmo tempo muito original. Formação: Décio Rocha - Voz, baixo elétrico, metrola Roberto Freitas - Bateria, pirâmide, rochimbau Pedro Augusto - Teclados Rodrigo Nogueira - Guitarra Gênero: Experimental Show que ocorreu no Teatro do Sesc Paulista dia 30/01/2007 • site oficial: http://instrumentalsescbrasil.org.br • assista aos shows ao vivo pelo http://facebook.com/sescsp

https://www.youtube.com/watch?v=c0Tr1pjyJDI

 





https://youtu.be/A8oNMcaopm8

Aprenda a jogar truco – BLEFE

https://www.youtube.com/watch?v=A8oNMcaopm8

 

Consolação

Baden Powell

 



https://youtu.be/70b1pNxMvHc

 

 

 

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa do amor
Ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei
É que ninguém nunca teve mais
Mais do que eu

Composição: Baden Powell / Vinícius de Moraes. 

https://www.youtube.com/watch?v=70b1pNxMvHc&feature=youtu.be

 

Meus caros condiscípulos:

”Amai muito, a fim de serdes amados.”

10. Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por meu intermédio: “Amai muito, a fim de serdes amados.” É tão justo esse pensamento, que nele encontrareis tudo o que consola e abranda as penas de cada dia; ou melhor: pondo em prática esse sábio conselho, elevar-vos-eis de tal modo acima da matéria que vos espiritualizareis antes de deixardes o invólucro terrestre. Havendo os estudos espíritas desenvolvido em vós a compreensão do futuro, uma certeza tendes: a de caminhardes para Deus, vendo realizadas todas as promessas que correspondem às aspirações de vossa alma. Por isso, deveis elevar-vos bem alto para julgardes sem as constrições da matéria, e não condenardes o vosso próximo sem terdes dirigido a Deus o pensamento.

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados a se elevarem ao infinito. Assim, não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vosso lado, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de conforto, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça.

Crede que esta sábia exortação: “Amai bastante, para serdes amados”, abrirá caminho; revolucionária, ela segue sua rota, que é determinada, invariável. Mas já ganhastes muito, vós que me ouvis, pois que já sois infinitamente melhores do que éreis há cem anos. Mudastes tanto, em proveito vosso, que aceitais de boa mente, sobre a liberdade e a fraternidade, uma imensidade de ideias novas, que outrora rejeitaríeis. Ora, daqui a cem anos, sem dúvida aceitareis com a mesma facilidade as que ainda vos não puderam entrar no cérebro.

Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. É que essas ideias correspondem a tudo o que há de divino em vós. É que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes ideias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos.

Grande conceito de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto em O livro dos espíritos; tu produzirás o portentoso milagre do século vindouro, o da harmonização de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação deste preceito bem compreendido: “Amai bastante, para serdes amados.” – Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)

A lei de amor Amar o próximo como a si mesmo Segundo o Espiritismo ALLAN KARDEC FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA Rio - Brasil 1944 Tradução de Guillon Ribeiro da 3ª edição francesa revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866

 

Céu com céu

 

“Mas  ajuntai  para  vós  tesouros  no  céu,  onde  nem  a  traça  nem  a  ferrugem  os  consomem,  e  onde  os  ladrões  não  penetram nem roubam.” 

JESUS (Mateus, 6:20) 

 

Em todas as fileiras cristãs se misturam ambiciosos de recompensa que presumem encontrar, nessa declaração de Jesus, positivo recurso de vingança contra todos aqueles que, pelo trabalho  e pelo devotamento, receberam maiores possibilidades na Terra.

O que lhes parece confiança em Deus é ódio disfarçado aos semelhantes.

Por não poderem açambarcar os recursos financeiros à frente dos olhos, lançam pensamentos de crítica e rebeldia, aguardando  o paraíso para a desforra desejada.

Contudo, não será por  entregar  o corpo ao laboratório da natureza que a personalidade humana encontrará, automaticamente, os planos da Beleza Resplandecente.

Certo, brilham santuários imperecíveis nas esferas sublimadas, mas é imperioso considerar que, nas regiões imediatas à atividade humana, ainda encontramos imensa cópia de traças e ladrões, nas linhas evolutivas que se estendem além do sepulcro.

Quando o Mestre nos recomendou  ajuntássemos tesouros no  céu, aconselhávamos a dilatar os valores do bem, na paz do coração. O homem que adquire fé e conhecimento, virtude e iluminação, nos recessos divinos da consciência, possui o roteiro celeste. Quem aplica os princípios redentores que abraça, acaba conquistando essa carta preciosa; e quem trabalha diariamente na prática do bem, vive amontoando  riquezas nos Cimos da Vida.

Ninguém se engane, nesse sentido.

Além da Terra, fulgem bênçãos do Senhor nos Páramos Celestiais, entretanto, é necessário possuir luz para percebê­las.

É da Lei que o Divino se identifique com o  que seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração.

156 Céu com céu Emmanuel Pão Nosso FEB COLEÇÃO FONTE VIVA 1950 30ª edição - 4ª impressão - 8/2017

 

Medite.

A sua alma cresce toda vez que você cresce no pensamento.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 PONTO FUTURO

O GENERAL EM ESTRELA

 

Bola no ponto futuro?

Quanto a esperar a bola no ponto futuro eu, um dia, chego lá. E agora eu vou tomar banho, porque eu ainda gosto de ficar na banheira.

 

Na orelha da bola

Teve um penóte O pessoal gosta de se reunir em volta do velho para ouvir suas histórias. Aos 80 e tantos, com um enfisema lhe escurecendo os pulmões, a memória continua cristalina. Todo mundo fala, às vezes ao mesmo tempo, e o assunto vira e mexe cai no futebol. Aí ele geralmente só ouve. Menos […]

https://tribunademinas.com.br/noticias/esportes/22-11-2012/na-orelha-da-bola.html

 

 

DEU NA REDE
O CIENTISTA CINCO ESTRELAS
Gui Carvalho

Atacado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que o chamou de “opositor” dentro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o cientista Gilberto Camara usou as redes para se defender.

“Bom dia, @GeneralMourao. Primeiro: não faço oposição ao governo, defendo o Brasil tanto quanto você. Segundo: não trabalho mais no INPE. Terceiro: em Ciencia, quem tem cinco estrelas sou eu”.

Alessandra Ribeiro, Adalberto Vitor Vansuita, Márcia Gomes e outras 2 pessoas curtiram isso.

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À reserva no início de 1962 na patente de general

 

CRUZOU A LINHA DA BOLA

O GENERAL COM CURSO DE ESTADO-MAIOR

Nelson Werneck Sodré

 

Sobre o problema da terra, e particularmente o da propriedade da terra, em nosso País, muito já se escreveu, e certamente muito se escreverá ainda. É natural que assim aconteça: o problema é dos mais complexos e dos menos conhecidos; tem sido assim por toda parte, assim é no Brasil;

(...)

M. Vinhas conhece e sabe transmitir o que conhece, de forma simples, direta, fácil, sem prejuízo da seriedade científica que é o seu traço essencial.

 



https://koha.inpa.gov.br/cgi-bin/koha/opac-image.pl?thumbnail=1&biblionumber=18181

 

Problemas agrário-camponeses do Brasil / M. Vinhas. –

 

Importante contribuição para o estudo do problema da propriedade da terra, é obra que se caracteriza por sua seriedade de espírito com que aborda o seu empolgante tema. Nesse livro metódico e objetivo, apoiado em farta documentação, M. VINHAS estuda, debate, conceitua e esclarece uma das mais complexas e controvertidas questões já propostas ao exame e deliberação dos responsáveis por sua justa solução.

Por: Vinhas, Moisés, 1915-.

Série: Retratos do Brasil; 65.Editora: [Rio de Janeiro]: Civilização Brasileira, [1968]Descrição: 244p. ; 22cm.Assunto(s): Reforma agrária -- Brasil | Sociologia rural -- BrasilClassificação Decimal de Dewey: 333.0081Recursos online: Clique aqui para acessar online

https://koha.inpa.gov.br/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=18181&shelfbrowse_itemnumber=24618

2ª edição

1972

 

Nelson Werneck Sodré nasceu no dia 27 de abril 1911, no Rio de Janeiro, filho de Heitor de Abreu Sodré e Amélia Werneck Sodré.

Cursou a Escola Militar do Realengo de 1931 a 1933. No ano seguinte, foi destacado para o 4o Regimento de Artilharia Montada, em Itu (SP). Nesse período, escrevia para o Correio Paulistano duas vezes por semana e começava a despontar como escritor. Após a decretação do Estado Novo (10/11/1937), tornou-se ajudante-de-ordens do general José Pessoa, designado comandante da 9ª Região Militar, em Mato Grosso, em março de 1938. Foi nessa ocasião, quando o Exército foi chamado a intervir em conflitos de terra entre grandes proprietários e agricultores pobres naquele estado brasileiro, que Sodré teria iniciado a sua rotação à esquerda, na direção do marxismo.

Ainda em 1938, publicou seu primeiro grande livro, História da literatura brasileira, uma análise das questões literárias a partir de das relações de propriedade e dos conflitos sociais. No início dos anos 1940, amigo pessoal de Graciliano Ramos, Jorge Amado e vários expoentes da literatura no período, já teria ingressado no Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil. Em 1944, iniciou o curso da Escola de Comando e Estado- Maior, concluindo-o em 1946. No ano seguinte, começou a lecionar na Escola, onde permaneceu até 1950 como chefe do Curso de História Militar.

Em maio de 1950, as eleições para a direção do Clube Militar foram ganhas pela chapa nacionalista, liderada pelos generais Newton Estillac Leal e Júlio Caetano Horta Barbosa. Participante entusiasmado da campanha nacionalista "O Petróleo é Nosso", Nelson Werneck Sodré foi convidado para dirigir o Departamento Cultural do Clube. Em represália, devido às sua posições políticas, foi transferido da Escola de Comando e Estado-Maior para o 5o Regimento de Artilharia, em Cruz Alta (RS), onde permaneceu durante quase cinco anos. Em 1956, de volta ao Rio, começou a colaborar com o vespertino Última Hora, onde escrevia a seção literária e os editoriais. Nesse período, passou a integrar a Comissão Diretora da Biblioteca do Exército e a colaborar com o jornal nacionalista O Semanário. Também foi, em 1955, que iniciou suas atividades como professor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), instituição que contava com a desaprovação dos militares conservadores.

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros (25/08/1961), apoiou a posse do seu sucessor legal, o vice-presidente João Goulart, que fora vetada pelos ministros militares. Por conta disso, foi preso e interrogado durante dez dias e destacado, contra a sua vontade, para servir em Belém. Insatisfeito, passou à reserva no início de 1962 n a patente de general, pois possuía o curso de Estado-Maior.

Desde então, entregou-se totalmente à atividade intelectual de escritor e ao exercício do magistério no ISEB, onde passou a chefiar o Departamento de História. Foi nesse período que desenvolveu o único trabalho em parceria de sua carreira, História nova do Brasil. Após a deposição do presidente Goulart (31/03/1964) pelos militares, teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Refugiado em uma fazenda de parentes em Fernandópolis (SP), foi preso no dia 26 de maio e enviado ao Rio de Janeiro, onde ficou detido durante 57 dias.

Como o regime militar havia tirado de Nelson Werneck Sodré o direito de ensinar, sua atividade passou a ser exclusivamente o estudo e a produção de novos livros. Um dos trabalhos em que continuou se empenhando foi História militar do Brasil, editado pela primeira vez em 1965. A última contribuição, e também sua 58a obra, foi publicada em 1995: A farsa do neoliberalismo.

Faleceu em Itu no dia 13 de janeiro de 1999.

Era casado com Yolanda Frugoli Sodré, com quem teve uma filha.

https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/biografias/nelson_werneck_sodre

 

Teve um penóte

O pessoal gosta de se reunir em volta do velho para ouvir suas histórias. Aos 80 e tantos, com um enfisema lhe escurecendo os pulmões, a memória continua cristalina. Todo mundo fala, às vezes ao mesmo tempo, e o assunto vira e mexe cai no futebol. Aí ele geralmente só ouve. Menos quando alguém lhe provoca.

– E futebol, o senhor já jogou?

– Eu? Já, já joguei… Mas o pessoal não gostava muito.

– Era muito perna de pau?

– Não, não… – diz ele sorrindo. – Não era isso não.

Então ele se ajeita na poltrona de couro, toma fôlego com um lento fechar de olhos e dá sequência.

– Na primeira vez que me chamaram pra jogar, me colocaram na defesa. Eu jogava em qualquer posição, não tinha isso de escolher lado do campo, nem chuteira tinha. E uma hora veio uma bola pererecando assim na minha frente, e o centroavante deles vinha atrás dela, embalado.

– E o senhor quebrou ele no meio!

– Não, não… eu nunca fiz uma coisa dessa. Mas dei um chute tão forte na bola, pro alto, que ela sumiu. Nunca mais caiu. Tiveram de ir buscar outra.

A rapaziada gargalha, dá um gole na cerveja, e acha que acabou.

– Por isso que eles não gostavam do senhor?

– Também -, e então é a vez do velho molhar a palavra. Sem pressa nenhuma, ele deposita o copo de volta na mesa e só então recomeça: – Mas não foi só isso.

– Ah, não?

– Não, senhor. Depois teve um penóte.

– Um pênalti?

– É, um penóte. Depois daquele chute, o compadre Marculino, que era capitão do time, foi lá e falou pra eu bater. Olha… eu nem tomei muita distância não, sabe? Corri pra bola e enchi o pé. Bem no meio do gol. No peito do goleiro.

– Perdeu o pênalti??

– Não, – riu o velho. – Foi bola, goleiro e tudo pra dentro do gol. Furou a rede e derrubou três pés de eucaliptos, um atrás do outro, em fila.

O pessoal lá morre de rir, enche seus copos e segue em frente.

Mas dizem que nas noite de lua nova, naquelas bem escuras, se você prestar atenção, vai ver no céu uma estrela que não brilha. E que, reza a lenda, nunca vai cair.

Na orelha da bola

https://tribunademinas.com.br/noticias/esportes/22-11-2012/na-orelha-da-bola.html

 

Camarada Saldanha, presente!

Em 12 de julho de 1990, João Sem Medo falecia em Roma durante a cobertura da Copa do Mundo

Por

 Júlio Carignano

12 de julho de 2020




  https://i1.wp.com/porem.net/wp-content/uploads/2020/07/JoaoSaldanha.jpg?resize=696%2C392&ssl=1

João Saldanha, o João Sem Medo. Foto: Arquivo EBC

Em 12 de julho de 1990, um dos maiores brasileiros de todos os tempos fazia sua partida final. Aos 73 anos, João Saldanha falecia em Roma, na Itália, quatro dias após a cobertura da final da Copa do Mundo que a disciplinada Alemanha derrotou a Argentina da dupla Diego Maradona e Cannigia.

Em um período em que o futebol foi transformado em mercadoria, em que dirigentes do esporte se aliam com o que há de mais retrógrado no país e que colocam os lucros acima de vidas, lembrar de João Saldanha é fundamental.

Apesar de ser conhecido como o jornalista esportivo mais consagrado do Brasil e o treinador que formou a maior seleção de todos os tempos, Saldanha dava mais importância para sua atuação política e é ela que irei brevemente destacar.

O ‘João Sem Medo’, apelido dado por Nelson Rodrigues, nasceu no município gaúcho de Alegrete, no ano da Revolução Bolchevique, e tornou-se um patrimônio do Rio de Janeiro. Porém, Saldanha também teve uma relação íntima com o Paraná em dois momentos de sua vida.

Antes de ganhar o Rio de Janeiro e o Rio ganhar Saldanha, o menino João morou com a família em Curitiba nos anos de 1920 e, no fim desta década, teve seu primeiro contato com aquela que seria sua grande paixão: a bola de futebol.

O menino mudou-se com a família para a capital paranaense em 1924, ano de fundação do Atlético. Quis o destino que o guri de Alegrete fosse morar perto de onde hoje está localizada a Arena da Baixada. Aos fundos da casa onde morava estavam as primeiras instalações do rubro negro do Paraná.

O pequeno João já batia bola com amigos nas redondezas rubro-negras e um dia resolver conhecer o campo do novo time que se instalava na cidade. Passou a ser um frequentador assíduos dos treinos das categorias de base do Furacão.

De tanto ir ao campo, acabou sendo escalado como goleiro dos ‘filhotes do Atlético’. Sua breve passagem pelas categorias de base do rubro negro é contada pelo jornalista André Iki Siqueira na biografia ‘João Saldanha – Uma Vida em jogo’. Foi neste momento que despertou para o futebol e escolheu seu primeiro time a torcer.

Depois da infância em Curitiba, Saldanha partiu para Cidade Maravilhosa, verdadeira casa sua e de seu “Botafogo do coração”. Foi lá que seguiu seus estudos, cursou Direito e ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro. Na sua fase mais militante e dedicada ao ‘Partidão’, o Paraná voltou a cruzar o caminho do João Sem Medo.

Saldanha foi assistente político do grupo que ajudou a organizar a guerrilha camponesa de Porecatu, no norte do estado. Ocorrida entre 1948 e 1951, o episódio – que é conhecido como “a guerrilha que os comunistas esqueceram” – foi um dos mais violentos conflitos agrários do Brasil no século 20.

Segundo biógrafos, João Saldanha estava ligado ao segundo homem na hierarquia do PCB, logo abaixo do secretário-geral Luis Carlos Prestes. Seu papel prestar assessoria aos posseiros que se organizavam para a luta armada.

Voltando ao futebol, mas sem deixar de lado a política – pois tudo está interligado – Saldanha nunca teve papas na língua como treinador e cronista esportivo. Enfrentava como ninguém os generais que tentavam ditar o tom da CDB (hoje CBF), comandada na época por Havelange, amigo do regime, que o contratou para acalmar críticas da imprensa e o descontentamento da população.

A passagem como treinador canarinho foi curta, mas providencial. João montou o “time de feras”, com Pelé, Gérson, Tostão, Rivelino, Jairzinho e cia. Foi demitido às vésperas da Copa de 1970, no México, por não concordar com interferências dos generais em suas escalações.

Um dos episódios mais conhecidos é o pedido de Médici, torcedor do Galo mineiro, para convocar o centroavante Dada Maravilha. Indagado por um repórter, Saldanha respondeu: “Eu não escalo o ministério, ele [Médici] não escala a seleção”.

No fim de 1969, após o assassinato de Carlos Marighella, seu amigo de longa data, distribuiu a autoridades internacionais durante passagem pelo México um dossiê em que citava o nome de perseguidos (especialmente jornalistas), presos políticos e centenas de mortos e torturados pela ditadura brasileira.

Mesmo após ser derrubado do cargo de treinador da Seleção, a perseguição não parou. Então contratado pela BBC para fazer artigos sobre a Copa de 70, Saldanha teve credenciais negadas pela CBD para acompanhar o escrete canarinho em virtude de seus comentários considerados “incendiários”.

Zagalo assumiu aquela seleção montada por Saldanha. O ‘velho lobo’ convocou Dada, atendendo os caprichos do general, porém não usou o centroavante em nenhum jogo no México.

João Saldanha foi intenso em tudo que viveu: no jornalismo, no futebol, na política e na militância. Participou dos principais momentos de luta de nosso país e hoje está no seleto time dos imprescindíveis. Nos ensinou que é preciso sempre tomar partido e, sobretudo, não ter medo. E hoje, em tempos quase distópicos, mais do que nunca nos serve de inspiração.

 

Júlio Carignano

Jornalista, atua na imprensa desde 2002. Trabalhou nos jornais Tribuna de Cascavel, Jornal Hoje e Gazeta do Paraná. Atuou no mandato do vereador de Cascavel Paulo Porto e na assessoria do Sinteoeste (Unioeste). É diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR).


Bola no ponto futuro?

Você sabe o que é uma bola no ponto futuro? Sabe não, né? Nem eu.

Os locutores de futebol do Brasil – e apenas do Brasil – são todos intelectuais. Eles sabem o que é uma bola no ponto futuro. Nós não.

O brasileiro quer ser moderno, quer ser Primeiro Mundo. No dia em que aquele doido disparou na plateia, o Brasil chorou lágrimas de país desenvolvido. O cara era branco, forte, curso superior, metralhadora de primeira, inocentes vítimas.

E é no futebol, onde a gente é o melhor do mundo (apesar dos técnicos), que os coleguinhas insistem em intelectualizar a coisa.

Lembra da melhor de três? Quer coisa mais brasileira do que uma melhor de três? Até na cama o brasileiro gosta de uma melhor de três. Pois agora não é mais melhor de três. Agora é playoff. Playoff! Influência americana. Não do futebol americano, mas do basquete, da tal da NBA.

Até há pouco tempo o jogador batia um escanteio. O que antes já era córner. Agora é tiro de canto. E o tiro de canto é mostrado pelo auxiliar de árbitro. Aquele mesmo que todo mundo sempre chamou de bandeirinha. Aquele que levantava o pau, a bandeira. Agora ele levanta o seu instrumento de trabalho. Instrumento de trabalho! Já pensou o cara saindo de casa para ir trabalhar e perguntando para a mulher: Você viu o meu instrumento de trabalho?

Até há pouco tempo também, o jogador gostava de fazer cera. Hoje, que ele faz mais cera do que nunca, dizem que ele está valorizando a posse da bola. Tá na cara que o sujeito tá fazendo cera. Mas vem um Galvão qualquer e o exime. Imagina, fazer cera. Está apenas valorizando a posse da bola.

Antigamente o jogador passava a bola. Dava um passe. Hoje ele não passa mais a bola. Ele faz uma assistência. Muito esquisito. Será que o jogador que recebeu o passe, gritou me assista, me assista!, e o cara assistiu? Sabe de onde vem isso? Dos americanos. Não do futebol americano, mas do basquete.

Vamos em frente. Lembra do drible da vaca? Apesar dos campos continuarem com a grama – menos em Brasília, onde comeram toda ela – tiraram a vaca de campo. O drible da vaca agora se chama overlap. É, tempo de computador. Deletaram a vaca.

E chapéu? Dar um chapéu. Hoje em dia não se dá mais chapéu. Dá-se (quem consegue, é claro) um voleio. Coisa de americano, também. Não do futebol americano, mas do tênis.

E aquele jogador que corria pela lateral? Tanto podia ser o beque ou o ponta. Pois agora os dois se chamam ala (basquete americano, de novo). Quando eu crescer vou jogar de ala. Pode? Tudo bem, já que o centroavante virou cabeça-de-área. Para desespero dos goleiros que antes defendiam ou com a mão direita ou com a esquerda. Hoje, defendem de mão trocada, depois de cuspirem na luva, coisa de hóquei sob (ou sobre) patins no gelo.

Lembra quando o sujeito dava uma rasteira no adversário? Não existe mais rasteira. É uma obstrução. E quando ele entrava de carrinho? Agora se chama falta pra cartão.

E ali por onde reinaram Zito, Dino, Dudu, Clodoaldo? Cada time tinha um só. Agora têm quatro e eles atendem pelo nome de volante. Logo mais serão seis os volantes. Coisa de loteria mesmo.

A trave do outro lado virou segundo pau. A bola nunca vai no primeiro pau, já notou? Mesmo quando chutada de rosca, que agora se chama de três dedos. Antes, um drible era para humilhar. Hoje, desmoraliza.

Cartola virou vice-presidente de futebol e saco virou virilha.

Morte súbita tá virando gol de ouro.

A segunda divisão chama-se série B…

Quanto a esperar a bola no ponto futuro eu, um dia, chego lá. E agora eu vou tomar banho, porque eu ainda gosto de ficar na banheira.

https://marioprata.net/cronicas/bola-no-ponto-futuro/