sábado, 30 de setembro de 2023

LEI DE RETORNO

------------- 3 Brasis | Travessia do Sususarão (Chico Lobo) | Instrumental Sesc Brasil ---------- Instrumental Sesc Brasil 8 de set. de 2017 Do encontro inusitado entre Chico Lobo (viola caipira), Márcio Malard (violoncelo) e Paulo Sérgio Santos (clarineta) nasceu o projeto "3 Brasis" que homenageia a cultura brasileira, a Folia de Reis, Guimarães Rosa e o maestro Heitor Villa-Lobos. Em diversas leituras e releituras, os músicos buscam desempenhar uma ponte entre o som das raízes do interior de Minas Gerais e o som produzido no presente. Entre a tradição e o contemporâneo, expande a expressão da viola caipira para além do regional. Formação: Chico Lobo - viola Márcio Malard - violoncelo Paulo Sérgio Santos - clarinete Gênero: Música Regional --- Show que ocorreu no Teatro Anchieta do Sesc Consolação dia 31/07/2017 https://www.youtube.com/watch?v=FJuQrnCLMQw ____________________________________________________________________________________________________________________ ---------- ---------- Cap. 127 - ESTUDANDO O LIVRO PÃO NOSSO - Lei de Retorno - Chico Xavier e Emmanuel ---------- Rabi Raboni 6 de dez. de 2015 Estudo do livro PALAVRAS DE VIDA ETERNA psicografado por Francisco Cândido Xavier através do espírito de Emmanuel - Áudio e Comentário de Lúgero Souza ---------- “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” — Jesus. (JOÃO, CAPÍTULO 5, VERSÍCULO 29.) Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação. Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível? As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz. Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório. É a volta à lição ou ao remédio. Não lhes surge diferente alternativa. A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus. Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas. Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina é muito mais rica e magnânima que parece. Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos. 127 LEI DE RETORNO http://limiarespirita.com.br/livros/pao_nosso.pdf ________________________________________________________________________________________________________________ -------------
------------ Histórico da antiga estação dos bondes de Sacramento | Cultura Sacramento - História • Patrimônio • Conhecimento • Arte ------------
------------- Colégio do Caraça ----------- "Para se avaliar a influência primordial que o Caraça representou na área educacional sacramentana é que nos dispusemos a trazer algumas notas informativas a respeito desse colégio a que se deve a visão pedagógica dos professores mencionados." EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO CORINA NOVELINO pp. 30 - 36 ___________________________________________________________________________________________________________________________ ------------ ------------ Guimarães Rosa: frases mostram que a sabedoria do autor de ‘Grande Sertão’ continua válida e atual ------------ Posted by Equipe Plena Uma seleção de frases e pensamentos para comemorar os 60 anos da publicação do “Grande Sertão: Veredas” (1956), de João Guimarães Rosa. “Conto ao senhor é o que eu sei e o senhor não sabe; mas principal quero contar é o que eu não sei se sei, e que pode ser que o senhor saiba.” O SERTÃO “O senhor tolere, isto é o sertão.” “O sertão está em toda a parte.” “O sertão é dentro da gente.” “O sertão é do tamanho do mundo.” “O sertão é sem lugar.” “O sertão é uma espera enorme.” “O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena.” “O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa.” “O sertão é confusão em grande demasiado sossego.” “O sertão me produz, depois me engoliu, depois me cuspiu do quente da boca.” “Sertão é isto o senhor sabe: tudo incerto, tudo certo.” “Sertão é o penal, criminal. Sertão é onde homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada.” “No sertão, até enterro simples é festa.” “Sertão: estes seus vazios. O senhor vá. Alguma coisa, ainda encontra.” “Sertão, – se diz -, o senhor querendo procurar, nunca não encontra. De repente, por si, quando a gente não espera, o sertão vem.” “Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.” “Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso…” “O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte.” “Sempre, nos gerais, é a pobreza, à tristeza. Uma tristeza que até alegra…” “Sertão sempre. Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera.” “A gente tem de sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele a dentro.” “Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e se abaixa. Mas que as curvas dos campos estendem sempre para mais longe. Ali envelhece vento. E os brabos bichos, do fundo dele.” “Mas nós passávamos, feito flecha, feito fogo, feito faca.” “Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!” DEUS “Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo o rio… uma só para mim é pouca, talvez não me chegue.” “O grande-sertão é a forte arma. Deus é um gatilho?” “A força de Deus quando quer – moço! – me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se discutindo, se economiza.” “Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale do Arassuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo.” “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.” O DIABO “Do vento. Do vento que vinha, rodopiado, Redemoinho: senhor sabe – a briga de ventos. Quando um esbarra com outro, e se enrolam, o doido do espetáculo.” “Fosse lhe contar… Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crianças – eu digo. Pois não ditado: menino – trem do diabo? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento… Estrumes. … O diabo na rua, no meio do redemoinho.” “Por mim, tantos vi, que aprendi. Rincha-Mãe, Sangue-d’Outro, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, Faca-Fria, o Fancho-Bode, um Treciziano, o Azinhavre… o Hermógenes… Deles, punhadão.” “Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo.” “E me inventei nesse gosto de especular ideia. O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias.” “Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia.” AS GENTES “Coração de gente — o escuro, escuros.” “O que lembro, tenho.” “Em Diadorim penso também. Mas Diadorim é minha neblina” “Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente.” “Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem o perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.” “O senhor não duvide – tem gente, neste aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta… vem o pão, vem a mão, vem o cão.” “O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” “Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias… Tanta gente – dá susto de saber – nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza…” “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.” “Mire veja: o que é ruim, dentro da gente, a gente perverte sempre por arredar mais de si. Para isso é que o muito se fala?” “As pessoas, e as coisas, não são de verdade! E de que é que, a miúde, a gente adverte incertas saudades? Será que, nós todos, as nossas almas já vendemos?” “A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.” AS VEREDAS “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” “Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto.” “Sozinho sou, sendo, de sozinho careço, sempre nas estreitas horas – isso procuro.” “Eu careço que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados. Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.” “O rio não quer ir a nenhuma parte, ele quer é chegar a ser mais grosso, mais fundo.” “Tempo que me mediu. Tempo? Se as pessoas esbarrassem, para pensar – tem uma coisa! -: eu vejo é puro tempo vindo de baixo, quieto mole, como a enchente duma água… Tempo é a vida da morte: imperfeição.” “Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas” “O senhor sabe o que silêncio é? É a gente mesmo, demais.” Guimarães Rosa, João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. Disponível em PDF em: http://ow.ly/Bw2w301G34t (Publicado originalmente na coluna Ipsis Litteris do site Isso Compensa). Assista aqui o depoimento de um dos vaqueiros que acompanhou a expedição de Guimarães Rosa em 1952. Fonte: TV Folha. https://portalplena.com/especiais/guimaraes-rosa-frases-mostram-que-a-sabedoria-do-autor-de-grande-sertao-continua-valida-e-atual/ ______________________________________________________________________________________________________________
----------- Há 70 anos, a travessia de Guimarães Rosa pelas veredas fez brotar um grande sertão Posted by Equipe Plena ---------- _________________________________________________________________________________________________________________ "A travessia, para o célebre escritor brasileiro João Guimarães Rosa, autor de “Sagarana” e “Grande Sertão: Veredas”, deveria ser a coisa mais importante a ser levada em conta por qualquer pessoa, e não os seus limites, como nos é mostrado na máxima dele: “Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é na travessia”. ..." Vida: a nossa travessia ___________________________________________________________________________________________________________________ ------------- ------------ Teca Calazans - Viver ----------- Tem que ligar suas antenas Captar melhor frequências Dimensões e vibrações Que no ar se sente Tem, tem que usar cinco sentidos Pra chegar a um relativo Significado justo, simples, coerente O mundo é bola rola rola A gente sai correndo atrás Passageiro desse trem O tempo brinca de seguir Leio aqui no seu futuro Uma estrela intensa clareando Viver, viver Eu pessoalmente me interesso Pelo destino desse trem O tempo mente muito, mente Fazendo crer que ele seguiu Leio aqui no seu passado Uma estrela intensa clareando Viver, viver, viver O amor é que alimenta a força de viver O amor é que alimenta A força de viver, viver O amor é que alimenta A força de viver O amor é que alimenta __________________________________________________________________________________________________________________ ------------ ------------ XXVIII - Preces Gerais, Oração Dominical "Pai Nosso" / Márcio ------------ CEFAK Transmitido ao vivo em 13 de mar. de 2018 Estudo Metódico do Evangelho - Histórico Centro Espírita Fraternidade Allan Kardec - CEFAK --------------- Oração dominical. 2. Prefácio. — Os Espíritos recomendaram que, encabeçando esta coletânea, puséssemos a oração dominical, não somente como prece, mas também como símbolo. De todas as preces, é a que eles colocam em primeiro lugar, seja porque procede do próprio Jesus (S. Mateus, 6:9 a 13), seja porque pode suprir a todos, conforme os pensamentos que se lhe conjuguem; é o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra-prima de sublimidade na simplicidade. Com efeito, sob a mais singela forma, ela resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão, o pedido das coisas necessárias à vida e o princípio da caridade. Quem a diga, em intenção de alguém, pede para este o que pediria para si. Contudo, em virtude mesmo da sua brevidade, o sentido profundo que encerram as poucas palavras de que ela se compõe escapa à maioria das pessoas. Daí vem o dizerem-na, geralmente, sem que os pensamentos se detenham sobre as aplicações de cada uma de suas partes. Dizem-na como uma fórmula cuja eficácia se ache condicionada ao número de vezes que seja repetida. Ora, quase sempre esse é um dos números cabalísticos: três, sete ou nove, tomados à antiga crença supersticiosa na virtude dos números e de uso nas operações da magia. Para preencher o que de vago a concisão desta prece deixa na mente, a cada uma de suas proposições aditamos, aconselhado pelos Espíritos e com a assistência deles, um comentário que lhes desenvolve o sentido e mostra as aplicações. Conforme, pois, as circunstâncias e o tempo de que disponha, poderá, aquele que ore, dizer a oração dominical, ou na sua forma simples, ou na desenvolvida. 3. Prece. — I. Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome! Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino inseto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças. https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/887/o-evangelho-segundooespiritismo/2081/capitulo-xxviii-coletanea-de-preces-espiritas ___________________________________________________________________________________________________________________ ------------
------------ Corte o negativo. A mente boa dá paz ao coração. ______________________________________________________________________________________________________________________

CRIATIVIDADE

------------- Teca Calazans - Villa Lobos - Rasga o Coração ---------------- CORO Se tu queres ver a imensidão do céu e mar Refletindo a prismatização da luz solar Rasga o coração, vem te debruçar Sobre a vastidão do meu penar A LUZ CAI LENTAMENTE NO PALCO FIM - 23 / 4 / 74 ----------- ------------ Rasga o coração Vicente Celestino _______________________________________________________________________________________________________________ -------------- Tom Jobim: arranjos - Corcovado (João Gilberto,1960) ------------ Gabriel Gonzaga 29 de jul. de 2020 Corcovado (Tom Jobim) . Arranjo de Tom Jobim para gravação de João Gilberto LP 'O amor, o sorriso e a flor' (1960) (Odeon MOFB 3151) . Transcrição e edição: Gabriel Gonzaga Acervo Instituto Antônio Carlos Jobim _____________________________________________________________________________________________ ------------ ---------------- Ao vivo: Roberto Barroso concede entrevista a jornalistas ------------ Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 4 horas #aovivo #stf #robertobarroso O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Roberto Barroso, concede entrevista a jornalistas nesta 6ª feira (29.set.2023), no Salão Branco da Corte. _______________________________________________________________________________________________ ------------- ------------ Gênio da publicidade, Washington Olivetto fala do Brasil e do comportamento na era digital ----------- MyNews Transmissão ao vivo realizada há 7 horas #MyNews #almoçodomynews #almoçodomynews No Almoço desta sexta-feira, 29 de setembro de 2023, Bosco Rabello e Alice Rabello conversam com o publicitário Washington Olivetto, um dos maiores gênios da criação brasileira, sobre as dinâmicas da sociedade contemporânea. ________________ -----------
----------
---------- Entre silêncio e som, um Tom Jobim harmonioso – Blog da Editora da --------- ------------- Garota de Ipanema- Versão original (Girl from Ipanema) Vinícius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto Cláudia Taffarel 9 de ago. de 2009 ---------- _________________________________________________________________________________________________________ "João - Tom, e se você fizesse agora uma canção que possa nos dizer, contar o que é o amor? Tom - Olha, Joãozinho, eu não saberia sem Vinicius para fazer a poesia. Vinicius - Para essa canção se realizar, quem dera o joão para cantar. João - Ah, mas quem sou eu? Eu sou mais vocês. Que bom se nós cantássemos os três." _________________________________________________________________________________________________________ ------------ Música MÚSICA João Gilberto e Tom Jobim - Garota de Ipanema [Raridade] (Musicalidade) ARTISTA Various Artists https://www.youtube.com/watch?v=5D_Lom2pjZQ _________________________________________________________________________________________________________________ --------------
---------- Por Gabriel de Lima A garota andava em preto e branco. Hoje, essa mesma garota desfila, banhada pelas cores matinais da paisagem carioca. A “Garota de Ipanema” globalizou-se, divulgando a genialidade de Antonio Carlos Jobim para o mundo. Tom Jobim, uma das principais vozes da música brasileira do século XX, ambicionou, por toda a sua vida profissional, que suas canções tivessem um alcance massivo dentro do cotidiano nacional. Contudo, mesmo tendo esse projeto de uma popularização musical, não se pode denotar que Tom Jobim utilizasse um mesmo molde harmônico ou composicional, ainda menos que ele seguisse inteiramente o estilo de canções da MPB nos anos 1960. https://blogeditoradaunicamp.com/2022/08/18/entre-silencio-e-som-um-tom-jobim-harmonioso/ _________________________________________________________________________________________________
----------- Maneiras estúpidas de morrer É hora de surgir no Brasil uma campanha como Dumb Ways to Die, explicando que o uso correto do celular pode evitar acidentes ----------- Maneiras estúpidas de morrer Há 5 dias Em Washington Olivetto É hora de surgir no Brasil uma campanha como Dumb Ways to Die, explicando que o uso correto do celular pode evitar acidentes Mais que conquistar muitos prêmios, a campanha entrou para a cultura popular e contribuiu para o número de acidentes nas estações de trem e nos lugares públicos da Austrália diminuir sensivelmente. Acidentes normalmente são descritos como inacreditáveis ou surpreendentes. Em 2013, o piloto Michael Schumacher — que praticava profissionalmente um dos esportes mais arriscados que existe, sem nunca ter tido nenhum problema grave — foi esquiar, coisa que fazia desde criança, e inacreditavelmente sofreu um acidente que o deixou com graves sequelas. No último mês de agosto, no jogo Fluminense x Argentino Juniors, o lateral esquerdo Marcelo, que jamais foi um jogador violento, surpreendentemente deu um pisão sem querer na perna de Luciano Sánchez, que sofreu uma luxação completa no joelho esquerdo e corre o risco de ter de encerrar a carreira. Acidentes tão inacreditáveis ou surpreendentes realmente acontecem, mas são exceções. Na verdade, a maior parte dos acidentes é resultado de alguma grande estupidez. https://oglobo.globo.com/opiniao/washington-olivetto/ ________________________________________________________________________________________________
---------- Criatividade vive crise no País --> Ontem, no jornal Folha de S.Paulo, saiu trechos de uma entrevista com o publicitário brasileiro Washington Olivetto, o melhor de todos (indiscutivelmente). Olivetto, sempre sensato e otimista, fala em especial sobre a sua bem-sucedida carreira, mas também tece comentários sobre outros temas, como a atual crise brasileira. Matéria do repórter Silvio Cioffi. Vale a pena conferir. --> Entusiasmado por natureza e um dos mais populares publicitários brasileiros, Washington Olivetto, 63, se diz preocupado com o "desotimismo que estamos vivendo" e, também, "com as investigações". Criador de campanhas antológicas para a Cofap, Brastemp, Bombril, Itaú e Valisère, entre outras, Olivetto, que nunca fez trabalhos de marketing político e nem publicidade para empresas públicas, diz ainda que "quando o anunciante governo encolhe, a propaganda brasileira também encolhe". Presidente da agência W/McCann e ganhador de 50 Leões de Ouro em Cannes (França), ele trabalha como "homem de criação" desde os 18 anos e, recentemente, se tornou no final de janeiro o primeiro não-anglo saxão a entrar para o Hall of Fame (hall da fama) do The One Club Creative, concedido há 54 anos, no Gotham Hall, em Nova York. Leia a seguir os trechos de sua entrevista exclusiva concedida à Folha. CRISE À BRASILEIRA Acho que a sociedade brasileira quer manter a estabilidade, mas parece que há uma certa "fadiga de material" no discurso do governo. No discurso atual, a diferença entre a versão e o fato ficou clara depois da eleição. É aterrorizante que coisas importantes para as pessoas que nasceram depois dos anos 1950, como a não inflação, possam estar em jogo. De todo modo, a sociedade brasileira tem capacidade de reinvindicar e de exigir estabilidade e normalidade, mesmo nesse momento difícil. De antemão, daria para dizer que fosse qual fosse o resultado da eleição, pela circunstância que o Brasil já vivia naquele momento, certamente as medidas tomadas depois por quem ganhasse seriam muito similares. O que possivelmente seria diferente é o astral com que essas medidas estão sendo recebidas. Tivemos uma disputa eleitoral violenta e, em empresas e em países, a administração do astral é tão importante quanto a administração do caixa. Mas vamos falar da publicidade hoje: do ponto de vista criativo e estético, não vive um momento brilhante, a situação do Brasil também não vive um momento brilhante –e estamos todos preocupados. Em momentos de crise, tanto a publicidade sofre, como as empresas podem anunciar mais. Muitas vezes digo aos clientes: se você me perguntar se num momento de crise a publicidade vai ajudar a vender mais, eu respondo que não necessariamente. Mas, se a pergunta for, se é oportuno fazer esse trabalho, eu vou dizer que certamente sim, porque nesse momento você pode lavrar uma imagem maior do que seus concorrentes e ficar mais preparado no momento em que tudo melhorar. Aliás, o profissional de publicidade no Brasil é um dos mais aparelhados para trabalhar em crise. Na minha carreira, foram raros os momentos que não trabalhamos em meio a crises. CAMPANHAS POLÍTICAS Nunca fiz marketing político. Dediquei toda a minha vida à iniciativa privada, foi uma opção. A sequência disso foi assim: quando comecei, não queria fazer porque no Brasil tinha ditadura política. Tinha a sorte de ser empregado pelos DPZ [agência dos publicitários Roberto Duailibi, Francesc Petit e José Zaragoza], que não me obrigaram e nem pediram para fazer. Não sei como seria se, aos 20 anos, eu trabalhasse numa agência que dissesse que eu tinha que fazer. A DPZ praticamente não fazia, mas lá eu fiquei como o cara que não fazia nem campanhas políticas e nem de empresas governamentais. E continuei não fazendo e essa relação, que começou intuitiva, fez com que eu determinado momento eu percebesse que essa postura era cômoda ideologicamente e, ao mesmo tempo, se transformava num diferencial meu. A Petrobras, para minha geração era uma referência, mas eu nunca fiz. E, quando apareceu a oportunidade de fazer campanha para os Correios, por coerência, também não fiz, mas até gostaria de ter feito... Quando fiz a fusão da W/Brasil com a McCann, coloquei isso na minha declaração de princípios. COMEÇO NA PROFISSÃO Foi curioso, até contei agora, no dia do prêmio Hall of Fame, como eu comecei a trabalhar numa agência de publicidade. No início do meu discurso lá em Nova York, disse que queria deixar claro que só estava lá porque meu pneu furou. Então eu tinha 18 ou 19 anos, e, antes disso, já na adolescência, havia descoberto para o que eu serviria na vida. Como aprendi a ler muito cedo, digo que devo minha vida ao Monteiro Lobato –eu até preferiria dizer que devo ao F. Scott Fitzgerald, mas não... E aos 13 anos, já sabia que queria viver de escrever. Por outro lado, meu pai era um vendedor, representante da fábrica de pincéis Tigre, de pelo de marta, uma espécie de vison dos pincéis. Ele era um vendedor daqueles exuberantes. Aliás, os grandes vendedores não vendem, eles criam confiança. Fazem na verdade o que faz um publicitário: criar predisposição de compra e não apenas vender. Na infância e na adolescência, me habituei a sair do colégio e eventualmente íamos juntos a depósitos de material de construção. E chegando lá, os clientes dele diziam para ele ver o que estava faltando e mandar. E eu ficava fascinado com essa relação da confiabilidade. Isso, no meu trabalho, tem relação com a busca pelo coloquial. Publicidade, para mim, era uma mistura de querer escrever e querer vender. Nessa época, fui encantadoramente atropelado pelo momento de profissionalização da propaganda brasileira: nada teria acontecido comigo se não fosse a geração anterior de publicitários, caso do Alex Periscinoto, indubitavelmente dos DPZ, do Mauro Salles, do encantador Neil Ferreira e com o respeito pela publicidade deles, que tinha menos brilho criativo, caso da Norton. E assisti a uma palestra do Neil quando eu tinha 18 anos –e ele devia ter 25. Eu queria ser ele e, anos depois, tive o prazer de contratá-lo. PNEU FURADO E CARREIRA Meu pai era um homem de classe média, que trabalhava muito, mas, quando entrei na faculdade, ele me deu um carro. E eu tinha uma tia, irmã do meu pai, que não tinha filhos e que era uma mulher sofisticada, que me ensinou a tomar chá na Vienense, cortar cabelo no Mappin, todas essas frescuras. O marido dela, que me ensinou a ser corintiano, tinha uma Karmann-Ghia vermelho. Mas minha tia não gostava dele andando nesse carro e trocou meu Fusca pelo carro dele. E, graças ao ciúme dela, eu ia para a faculdade no Karmann-Ghia, o que era uma relação desproporcional para um menino como eu, de classe média muito média. Um dia, o pneu desse carro vermelho furou na rua Itambé, onde tem o MacKenzie. Como não sei fazer algumas coisas que envolvem habilidade manual, como cortar unhas, trocar pneus era uma coisa traumática. Meu pai tinha critérios exacerbados de masculinidade, queria sempre que eu o ajudasse arrumar o carro. Mas eu não queria trocar pneu e, quando isso aconteceu, eu estava de jardineira, de cabelo comprido, e nesse momento eu vi o escritório da HGP Publicidade e pensei: vou pedir um estágio. Nesse momento começava a aparecer a palavra mídia. E a propaganda tinha grandes textos, já vendia muito bem até carros como o Simca Chambord, que era superbacana, mas ficou apelidado de "O Belo Antonio", que era um personagem do Marcello Mastroniani que era lindo, mas não funcionava muito bem. Para resumir, entrei na agência e disse que queria falar com o dono. O dono, que se chamava Juvenal Azevedo, que faleceu recentemente, apareceu e eu disse que ele deveria estar no dia de sorte, porque eu queria trabalhar lá e podia ser muito bom nisso. E disse ainda que meu pneu não costumava furar duas vezes no mesmo lugar. Era uma agência muito pequena e ele, que era muito legal, me contratou um mês depois. No terceiro mês ele me chamou e disse que eu tinha potencial e sugeriu que nos finais de tarde eu fosse mostrar meu trabalho nas agências mais importantes. Aí, é claro, eu não fui mais em faculdade nenhuma. E sou obsessivo e comecei trabalhar com muito prazer e muita alegria, com o Juvenal me ensinando. A geração de publicitários dele era uma geração de uma generosidade muito grande, que formou um caminhão de pessoas, como também acontecia com os jornalistas daquela época. Assim, graças ao Juvenal Azevedo, no final da tarde eu mostrava meus trabalhos para pessoas como Hercílio Tranjan –com ele, eu brincava dizendo que Hercílio foi a minha primeira agência de propaganda. LINHA DE TRABALHO Estou com 63 e estou desde os 18 anos nessa história. Participei de vários momentos de empresas e de marcas. E sempre queria que repetissem as coisas que eu criava, é onde me movimento melhor, minha obsessão. Nessa atividade repleta de dúvidas, é preciso ter ousadia, ter coragem e o profissional honesto quer entrar para a cultura popular. Tem campanha que é boa, mas não vende. Tem campanha que não é boa e vende. Mas as boas mesmo são as que são boas e que vendem. Acho que a publicidade no Brasil se situa, na média, entre as três maiores do mundo, depois da inglesa e da americana. Quando eu digo média é porque, na maioria das vezes, a qualidade da propaganda em todos os países é muito ruim. E da média em geral, os ingleses têm média um pouco melhor do que a gente. De uma certa maneira, antes mesmo de exisitir as redes sociais, eu queria que repetissem nas ruas as minhas campanhas. Eu não tinha isso racionalizado, mas eu sabia que esse seria meu caminho, minha obsessão foi, sempre, fazer a ligação disso com a cultura popular. Devo muito da visibilidade pessoal à geração que criou no Brasil a TV aberta, mas faço tudo com o maior prazer: propaganda para jornal, para revista etc. O profissional tem que ter o prazer, o tesão, a humildade e a pretensão de fazer tão bem feito desde o comercial de TV até o folheto que distribui no pedágio. Esse é o desafio do profissional de propaganda. Anúncios de oportunidade em jornal, nos anos 1970, foram trabalhos que eu fiz com enorme prazer. O anúncio de jornal tem que ter a cara e a instantaneidade do jornal. O primeiro que eu fiz, com genial Francesc Petit, para o Banco Itaú, que na época uma máquina de tirar dinheiro pioneira que se chamava Itaú-cheque. Na Semana Santa, quando o banco estava fechado, fiz um anúncio assim: o Itaú aproveita a Semana Santa para vender o seu peixe. Isso é um anúncio de jornal. É como você pegar o dia primeiro de abril e dizer que não é mentira, que você é o homem mais bonito do mundo! A mídia jornal permanecerá para sempre. E também a do rádio, Nossa Senhora!, para um criador de publicitário, o rádio joga com a imaginação e não existe cenário mais maravilhoso que a imaginação. Ciclicamente, acontece que toda a vez que aparecem novas mídias, as pessoas dizem que as velhas vão morrer. Muitas pessoas são lineares, primárias. O rádio não morreu com a TV, os jornais estão muito vivos. Somos um dos maiores países analógicos do planeta, graças particularmente à competência da Rede Globo, e somos um dos maiores países digitais também. Mas também somos um país onde há regiões sem luz elétrica; ano passado fizemos um comercial numa cidade do Piauí chamada Betânia. Lá, as crianças nunca tinham visto o Natal iluminado. REFERÊNCIAS CULTURAIS Amo um "caminhão" de profissionais da publicidade brasileira, mas meus grandes gurus são o Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, que trabalhou na Rede Globo] e o André Midani. Aliás está estreando um documentário sobre o André Midani, um cara que descobriu a Bossa Nova, o Tropicalismo e o rock'n'roll por aqui. Nesse momento, no começo, meu trabalho tinha uma relação íntima com o pop, com a cultura popular. Mas eu não tinha ainda uma organização mental para só querer isso o tempo todo. Quando comecei a ter um salário de redator de publicidade, fui virando um avião consertado em pleno voo. Sou um caso raro de poliglota analfabeto, falo perfeitamente mal várias línguas e faço palestra em todas elas. Adoro arquitetura, e para mim Le Corbusier era um troço. Mas não se imaginava que ele era um "se-achão", ele não chamava assim, mas se pôs um nome [Charles-Edouard Jeanneret-Gris (1887-1965), arquiteto franco-suíço, um dos mestres de Oscar Niemeyer (1907-2012]. E eu tenho um desenho do Corcovado feito por Oscar Niemeyer, que foi feito para um evento com o Tom Jobim entre os anos 2000 e 2001. Parece que "o arquiteto" disse, ao fazer, que só mesmo o Tom Jobim para fazê-lo desenhar um Cristo. No final deste ano eu desapareci [com voz grave, lembra o período em que foi sequestrado por 53 dias em 2002], eu dei uma sumida por bastante tempo... Quando eu "voltei", dois dias depois, como mencionei que havia adorado o desenho, ganhei esse desenho com dedicatória do Dr. Oscar! Sabe quem tem desenhos dele também, o Domenico De Masi [sociólogo contemporâneo italiano, autor do conceito de ócio criativo], que eu conheci em Ravello, onde fui fazer palestra e onde o Niemeyer projetou um teatro. E lá tomei negroni com Gore Vidal [nome de pluma de Eugene Louis Vidal (1925-2012), escritor americano que viveu na Itália]. GRANDE PRÊMIO O lugar onde a premiação acontece do Hall of Fame, o Gotham Hall, em Nova York, é realmente emocionante, construído entre 1922 e 1924. E a cerimônia mantém a coisa ritual, é uma festa black-tie e reúne 300 convidados, uma boa parte deles ganhadores desse prêmio. O primeiro prêmio, concedido a Leo Burnett, aconteceu em 1961, que não é um dos meus publicitários preferidos. Depois teve o David Ogilvy. Como o Hall Fame é dado a grandes figuras da propaganda e também do desgin, mais recentemente o Steve Jobs ganhou esse prêmio. E foi legal eu ter ganho isso vivo e ativo, porque há muitos que receberam o título post-mortem ou aposentados. Postado há 15th March 2015 por Giovanni Soares __________________________________________________________________________________________ -----------
------------ O publicitário Washington Olivetto Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo ------------- Washington Olivetto deixa a W/McCann e vai morar em Londres Em comunicado, a McCann WorldGroup informou que o publicitário, de 66 anos, passa a atuar como consultor O Globo 25/10/2017 - 18:29 / Atualizado em 25/10/2017 - 20:58 O publicitário Washington Olivetto Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo SÃO PAULO - Sete anos depois de unir sua agência, a W/Brasil, à gigante americana McCann WorldGroup, o publicitário brasileiro Washington Olivetto está deixando a operação brasileira da agência, que foi rebatizada de WMcCann, para morar em Londres. A mudança, que era objeto de especulação no mercado publicitário há algum tempo, foi confirmada ontem pelo conglomerado americano. - Eu já estou dividindo meu tempo entre São Paulo e Londres há um ano, porque meus filhos completaram 13 anos e queríamos que eles estudassem lá. E eu já me dividia entre o escritório da McCann lá, e o daqui. Foi uma opção pela educação dos meus filhos -- diz Olivetto sobre a decisão de mudar-se do país. “Sete anos atrás, Washington se juntou a nós ao fundir sua agência com a McCann no Brasil para criar uma das maiores e mais renomadas agências do mercado. Somos gratos por todas as suas contribuições. Foi uma parceria incrível que destaca a importância que criatividade e comunicação integrada assumiram para nós, em todo o mundo”, disse Luca Lindner, presidente global do grupo McCann. De acordo com comunicado do McCann WorldGroup, Olivetto continuará “disponível” como consultor, para prestar suporte aos clientes locais, sempre que solicitado. Definido no comunicado da McCann como “icônico executivo criativo brasileiro”, Olivetto, de 66 anos, é um dos publicitários mais premiados do mundo — ostenta mais de 50 leões de Cannes em sua galeria — e em 2014 recebeu o Clio Lifetime Achievement Award pela trajetória na publicidade. Lindner informou ainda que a agência no Brasil continuará a se chamar W/McCann. “A letra W é sinônimo de brasilidade, e o legado da associação com Washington é algo de que temos orgulho”, disse. Olivetto começou a carreira no início dos anos 1970 na DPZ, onde, ao lado do sócio e diretor de arte da agência Francesc Petit, ganharia o seu primeiro Leão de Ouro em Cannes. Entre as criações da dupla está o Garato BomBril, encarnado pelo ator Carlos Moreno, que entraria no Guinness Book por ter seus filmes veiculados por décadas. Em 1986, Olivetto fundou sua própria agência, em sociedade com o grupo suíço GGK, a WGGK. Que passaria a se chamar W/Brasil, e onde continuaria a ampliar sua galeria, com campanhas memoráveis como a do “primeiro sutiã”, para a Valisère, e a dos amortecedores Cofap, estrelada por um cachorrinho Dachshund. Desde a união da W/ com a McCann, em 2010, Olivetto presidia o Conselho da agência (chairman, no jargão corporativo), que já busca um nome para comandar a operação local. Hugo Rodrigues, que também, que é chairman da Publicis Brasil e, como Olivetto, vem da área de criação, estaria negociando com o grupo americano para sucedê-lo. https://oglobo.globo.com/economia/washington-olivetto-deixa-wmccann-vai-morar-em-londres-21991782 ______________________________________________________________________________________________ ------------
------------ Bisneto de Oscar Niemeyer expõe gravuras que dialogam com a obra do arquiteto Divulgação - Oscar Niemeyer POR AFFONSO NUNES Publicado em 25/12/2018 às 00:00 Alterado em 04/05/2023 às 10:11 Facebook Twitter Mais opções de compartilhamento Paulo Sérgio Niemeyer cresceu entre pranchetas e ideias de seu bisavô, Oscar Niemeyer. Colaborou estreitamente com o gênio da arquitetura mundial em seus últimos projetos por uma questão natural que se resume a três letras: DNA. “É claro que eu poderia ter meu trabalho influenciado por Le Corbusier ou qualquer outro grande nome da arquitetura, mas a minha referência estava ali, do meu lado, por toda a minha vida. Não poderia ser diferente”, explica o arquiteto, urbanista e designer que assina a exposição “Niemeyer: a arquitetura onde o passado e o futuro se completam”, na Breton, na Barra da Tijuca. Macaque in the trees O Sambódromo se tornou o grande palco urbano do Carnaval e inspirou outras construções (Foto: Divulgação) A mostra é um panorama da arquitetura brasileira, tendo o seu maior representante como fio condutor. “A proposta é relembrar nosso patrimônio e contextualizar a produção dos arquitetos do amanhã”, define Paulo Sérgio, que expõe gravuras inéditas, que fazem contraponto com criações do seu grande mentor, e maquetes desenvolvidas por estudantes de 16 faculdades de arquitetura – uma ideia que começou a ser materializada durante o Fórum Mundial Niemeyer, realizado em outubro. Inaugurada no último dia 15, data que se comemora o dia do arquiteto e aniversário do velho mestre, falecido em 2012, dez dias antes de completar 105 anos. Arquiteto do sonho de um mundo mais justo Cada equipe de uma universidade recebeu a missão de reproduzir em maquetes um projeto do mestre. De acordo com Paulo Sérgio, foi considerada mais a relevância social dos projetos do que os tradicionais critérios arquitetônicos. Essa era, assumidamente, uma prioridade para Niemeyer que costumava ensinar que “o importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos e esse mundo injusto que devemos modificar”. Macaque in the trees A gravura “Corcovado” faz parte da mostra, uma das iniciativas do bisneto, que se dedica à memória de Niemeyer (Foto: Divulgação) “Me sinto sempre na obrigação de falar do meu avô”, destaca Paulo Sérgio, que quase nunca se refere a Oscar como bisavô. “Parece um ato falho, mas é proposital. Morei na casa dele por muitos anos, numa proximidade muito grande”, justifica o arquiteto, que descobriu sua vocação muito jovem num processo quase de osmose. “Desde pequeno, eu desenhava junto dele. O que parecia uma brincadeira foi se revelando estudo, aprimoramento”, relata. Já adulto, colaborou no desenvolvimento de projetos de Oscar Niemeyer realizados em muitas cidades brasileiras, como o Caminho Niemeyer, o Palácio Arariboia, Portugal Pequeno, o restauro do Forte do Imbuí e o Solar do Jambeiro, em Niterói; a Torre de Natal, em Natal; o Auditório São Paulo, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo; o Memorial Luís Carlos Prestes, em Porto Alegre; e o edifício-sede do jornal L’Humanité, em Saint-Denis, na França. “Todos são projetos especiais, mas o Oscar tinha um grande carinho pelo memorial ao Prestes, um de seus grandes amigos”, lembra Paulo Sérgio – Niemeyer filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945. Macaque in the trees O Museu de Arte Contemporânea de Niterói tem o formato circular integrado à natureza (Foto: Divulgação) Em 2010, com seu bisavô, Paulo Sérgio criou o Instituto Niemeyer de Políticas Urbanas e Culturais – Inpuc, instituição sem fins lucrativos, pessoa jurídica com direito privado – com o qual procura não só preservar o legado do maior arquiteto brasileiro como desenvolver parcerias com várias cidades no sentido de torná-las mais humanas. Tags: ARQUITETO | EXPOSIÇÃO | GUARDA REVOLUCIONÁRIA | OSCAR NIEMEYER https://www.jb.com.br/cultura/2018/12/967973-bisneto-de-oscar-niemeyer-expoe-gravuras-que-dialogam-com-a-obra-do-arquiteto.html _____________________________________________________________________________________________ -------- -------------- Gênio da publicidade, Washington Olivetto fala do Brasil e do comportamento na era digital --------------- MyNews Transmitido ao vivo em 29 de set. de 2023 #MyNews #almoçodomynews #almoçodomynews No Almoço desta sexta-feira, 29 de setembro de 2023, Bosco Rabello e Alice Rabello conversam com o publicitário Washington Olivetto, um dos maiores gênios da criação brasileira, sobre as dinâmicas da sociedade contemporânea. ___________________________________________________________________________________________________________________ ---------- -------------- Corcovado (Quiet Nights Of Quiet Stars) Astrud Gilberto ------------ Quiet nights of quiet stars Quiet chords from my guitar Floating on the silence That surrounds us Quiet thoughts and quiet dreams Quiet walks by quiet streams And the window that look south On Corcovado, oh, how lovely This is where I want to be Here with you so close to me Until the final flicker Of life's ember I, who was lost and lonely Believing life was only A bitter tragic joke, have found with you The meaning of existence Oh, my love I, who was lost and lonely Believing life was only A bitter tragic joke, have found with you The meaning of existence Oh, my love Composição: Antonio Carlos Jobim. __________________________________________________________________________________________________________________ ---------------- ------------ Dindi Sylvia Telles ------------- Céu! Tão grande é o céu E bandos de nuvens que passam ligeiras Pra onde elas vão? Ah! Eu não sei, não sei... E o vento que fala nas folhas contando as histórias que são de ninguém... Mas que são minhas... E de você também... Ai, Dindi... Se soubesses o bem que te eu quero O mundo seria Dindi Tudo, Dindi, Lindo, Dindi... Ai, Dindi... Se um dia você for embora Me leva contigo, Dindi Fica Dindi... Olha, Dindi... E as águas desse rio onde vão eu não sei A minha vida inteira esperei Esperei por você, Dindi Que é a coisa mais linda que existe Ah, você não existe Dindi Deixa, Dindi Que eu te adore, Dindi Composição: Aloysio de Oliveira / Antonio Carlos Jobim. _________________________________________________________________________________________________________________ -------------- ---------------- Canção do Amor Demais Elizeth Cardoso A Faxineira Das Canções's _____________________________________________________________________________________________________________________ ------------ --------------- Ella Fitzgerald Ella Abraca Jobim ________________________________________________________________________________________________________________

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

MINORIAS

SUBLIMITAS ET MISERIA HOMINIS -----------
----------- "Grandeza e miséria do homem é o paradoxo que está no centro da reflexão e mensagem de Blaise Pascal, nascido há quatro séculos, em 19 de junho de 1623, em Clermont, no centro da França. Esta pergunta está gravada no coração de cada ser humano, em todo o tempo e lugar, de qualquer civilização e língua, independentemente da sua religião. Assim vemos Pascal interrogar-se: «Que é um homem na natureza? Um nada comparado com o infinito, um tudo comparado com o nada». [1] É o mesmo interrogativo que aparece encastoado lá no Salmo 8," CARTA APOSTÓLICA SUBLIMITAS ET MISERIA HOMINIS DO SANTO PADRE FRANCISCO NO IV CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE BLAISE PASCAL https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/20230619-sublimitas-et-miseria-hominis.html ____________________________________________________________________________________________ ----------- ----------- Todo O Sentimento Maria Bethania ------------ Preciso não dormir Até se consumar O tempo Da gente Preciso conduzir Um tempo de te amar Te amando devagar E urgentemente Pretendo descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez Que recolhe todo sentimento E bota no corpo uma outra vez Prometo te querer Até o amor cair Doente Doente Prefiro então parir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente Depois de te perder Te encontro com certeza Talvez no tempo da delicadeza Onde não diremos nada Nada aconteceu Apenas seguirei como encantado Ao lado teu Composição: Cristóvão Bastos - Chico Buarque Em discurso de posse, Barroso defende direito das minorias e independência entre Poderes Novo presidente do STF, ministro afirmou que ‘na hora decisiva, as Forças Armadas não sucumbiram ao golpismo’ GRASIELLE CASTRO ------------ 28/09/2023 19:28 Atualizado em 28/09/2023 às 23:24 -----------
------------ Luís Roberto Barroso toma posse como presidente do STF / Crédito: Fellipe Sampaio/SCO/STF ----------- Em seu discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso defendeu a independência entre os Poderes, disse que cabe ao Tribunal a proteção dos direitos fundamentais e fez uma ampla defesa da democracia. Em sua fala, ele disse que “em uma democracia não há Poderes hegemônicos” e que “garantindo a independência de cada um, conviveremos em harmonia, parceiros institucionais pelo bem do Brasil”. O ministro aproveitou a ocasião para acenar ao Congresso e às Forças Armadas. Ele disse que em todo mundo a democracia constitucional viveu momentos de sobressalto, com ataques às instituições e perda de credibilidade, mas que, no Brasil, as instituições venceram, “tendo ao seu lado a presença indispensável da sociedade civil, da Imprensa e do Congresso Nacional”. “E, justiça seja feita, na hora decisiva, as Forças Armadas não sucumbiram ao golpismo”, ressaltou. Antes, o ministro fez uma ressalva em relação à política e a judicialização ampla da vida no Brasil. Ele afirmou que a Constituição brasileira vai além de definir os direitos e garantias dos cidadãos. “Nossa Constituição contempla, também, o sistema econômico, o sistema tributário, o sistema previdenciário, o sistema de educação, de preservação ambiental, da cultura, dos meios de comunicação, da proteção às comunidades indígenas, da família, da criança, do adolescente, do idoso, em meio a muitos outros temas. Incluir uma matéria na Constituição é, em larga medida, retirá-la da política e trazê-la para o direito. Essa é a causa da judicialização ampla da vida no Brasil”, disse. Segundo ele, não se trata de ativismo, mas de desenho institucional. “Nenhum Tribunal do mundo decide tantas questões divisivas da sociedade. Contrariar interesses e visões de mundo é parte inerente ao nosso papel. Nós sempre estaremos expostos à crítica e à insatisfação. Por isso mesmo, a virtude de um tribunal jamais poderá ser medida em pesquisa de opinião.” Questões como casamento homoafetivo, direito das mulheres, ações afirmativas como as cotas raciais e direitos dos povos indígenas foram abordados pelo ministro como exemplos de esforços da Corte na preservação dos direitos fundamentais. “Nessa matéria, temos procurado empurrar a história na direção certa. (…) Há quem pense que a defesa dos direitos humanos (…) são causas progressistas. Não são. Essas são as causas da humanidade, da dignidade humana, do respeito e consideração por todas as pessoas”, acrescentou. Eixos da gestão Barroso afirmou que sua gestão será pautada em três eixos: conteúdo, comunicação e relacionamento. Ele explicou que o primeiro eixo consiste em procurar aumentar a eficiência da justiça, avançar a pauta dos direitos fundamentais e contribuir para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil. Na comunicação, a intenção é melhorar a interlocução com a sociedade, “expondo em linguagem simples o nosso papel”. Já o eixo relacionamento consiste em estar aberto para o mundo. “O Judiciário deve ser técnico e imparcial, mas não isolado da sociedade”, disse. Também no discurso em que sucede à ministra Rosa Weber na presidência, Barroso fez um agradecimentos aos pares e à ex-presidente Dilma Rousseff. Ele afirmou que a ex-presidente o indicou para o Supremo “da forma mais republicana que um presidente pode agir: não pediu, não insinuou, não cobrou”. “Procurei retribuir a confiança servindo ao Brasil sem jamais ter qualquer outro interesse ou intenção que não fosse a de fazer um país melhor e maior, um país justo, quem sabe um dia.” Leia a íntegra do discurso de posse de Luís Roberto Barroso na presidência do STF. GRASIELLE CASTRO – Editora do site em São Paulo. Responsável pela cobertura de política. Foi repórter no Correio Braziliense, repórter e editora no HuffPost e coordenadora de sucursais no Metrópoles. Email: grasielle.castro@jota.info COMPARTILHE _____________________________________________________________________________________________ ----------- --------------- Ao vivo: Barroso toma posse como presidente do STF Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 18 horas #aovivo #stf #robertobarroso O ministro Roberto Barroso, 65 anos, toma posse nesta 5ª feira (28.set.2023) na presidência do STF. Ele substitui a ministra Rosa Weber, que completa 75 anos na próxima 2ª feira (3.out). https://www.youtube.com/watch?v=kZsNsfglzdA _______________________________________________________________________________________________ ---------- GRATIDÃO, JUSTIÇA E O PAÍS QUE QUEREMOS Luís Roberto Barroso I. INTRODUÇÃO Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; Senhor Presidente do Congresso Nacional, Senador Rodrigo Pacheco; Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Arthur Lira; minha eterna Presidente, Ministra Rosa Weber, nas pessoas de quem cumprimento as autoridades dos três Poderes aqui presentes. Senhor Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, e Senhora Procuradora-Geral da República em exercício, Elizeta Ramos, nas pessoas de quem cumprimento todos os advogados e membros do Ministério Público aqui presentes. Queridos amigos, colegas e convidados: Dividi esse discurso, que prometo não será mais longo do que o necessário, em três partes. A primeira é dedicada à Gratidão, ao reconhecimento às pessoas que pavimentaram o meu caminho até aqui; a segunda ao Judiciário, nosso papel e nossas circunstâncias; e a terceira ao Brasil, essa paixão que nos une e os compromissos que devemos ter. Parte I GRATIDÃO I. AGRADECIMENTOS GERAIS Poder agradecer é uma bênção. Dedico esse momento a meus pais, Judith e Roberto, que encheram a minha vida de afeto e valores, e ainda me deram uma irmã adorável. Tereza, Luna e Bernardo foram minha inspiração, motivação e alegria pela vida afora. Sou grato, também, à legião de amigos que cruzaram o meu caminho em fases diferentes da vida e que a tornaram melhor e mais feliz. Muitos estão aqui presentes. Homenageio todos eles na pessoa de José Paulo Sepúlveda Pertence, que há pouco nos deixou. Meu agradecimento se estende a todos os servidores e assessores que estiveram comigo nesses dez anos de Supremo, permitindo não apenas que eu reduzisse 2 o acervo do gabinete de 9.500 processos para o mínimo possível – cerca de 900 –, mas também que eu vivesse muitas vidas em uma só. Minha gratidão vai também para a Presidenta Dilma Rousseff, que me indicou para o cargo da forma mais republicana que um presidente pode agir: não pediu, não insinuou, não cobrou. Procurei retribuir a confiança servindo ao Brasil sem jamais ter qualquer outro interesse ou intenção que não fosse a de fazer um país melhor e maior, um país justo, quem sabe um dia. Aproveito para saudar, também, o Presidente Lula e os Presidentes Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, que juntamente com este Supremo Tribunal Federal, simbolizam a solidez e os compromissos democráticos de nossas instituições. Mas há um agradecimento muito especial que eu gostaria de fazer. II. RECONHECIMENTO AOS MEUS PROFESSORES Eu nasci em Vassouras, uma graciosa cidade a duas horas do Rio de Janeiro, repleta de palmeiras imperiais, de um casario colonial preservado e de gente simples e generosa, como minha amada Tetê do Carmo. Estudei ao longo da vida no Colégio de Vassouras, da vovó Maria; na Escola Roma, de Dona Zoraide; no Colégio Pedro Álvares Cabral, de Dona Florinda; na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de Jacob Dolinger e José Carlos Barbosa Moreira. Também estudei em Yale, com Bruce Ackerman e Harold Koh, e em Harvard, onde convivi com acadêmicos como Mark Tushnet e Mangabeira Unger. Foi uma longa jornada até aqui. Meu agradecimento mais especial vai para todos os professores que iluminaram o meu caminho (o meu e o de todos nós) com princípios elevados, ideias e bons exemplos. A esse registro, acrescento uma constatação: sou convencido, por experiência própria, que a coisa mais importante que um país pode fazer pelos seus filhos é assegurar educação de qualidade e universal para todos, em todo o ensino básico, e com uma combinação de mérito e justiça distributiva – social e racial – no ensino superior. Três prioridades na vida de um país hão de ser: educação, educação de qualidade e educação para todos. Antes de seguir adiante, presto uma homenagem devida e merecida. 3 III. HOMENAGEM À MINISTRA ROSA WEBER Suceder a Ministra Rosa Weber não é tarefa fácil. Suceder, porque substituí-la seria impossível. Tornamo-nos amigos queridos desde o primeiro dia em que aqui cheguei. Sua figura doce e personalidade cativante fizeram do nosso convívio um privilégio sem tamanho para mim. Como juíza, sua carreira foi impecável, da Justiça do Trabalho de primeiro grau, no seu amado Rio Grande do Sul, passando pelo Tribunal Regional do Trabalho, pelo Tribunal Superior do Trabalho até chegar ao Supremo Tribunal Federal e depois ao Tribunal Superior Eleitoral. Uma vida completa. Por onde passou, deixou a marca da sua capacidade e uma legião de admiradores. Aqui no Supremo, foi relatora de processos memoráveis. No TSE, presidiu com firmeza e competência as polarizadas eleições de 2018. Também no Supremo, com habilidade imensa, obteve a aprovação de alterações regimentais importantíssimas. E, em um dos momentos mais dramáticos de nossa história, liderou a reconstrução deste Plenário em 21 dias, de modo a que estivesse pronto na reabertura do ano judiciário. Ministra Rosa Weber: sei que seu espírito reservado não é afeito a honrarias. Mas, em nome da nação agradecida, em nome dos que sabem distinguir as grandes figuras da história deste Tribunal, eu a reverencio pelos imensos serviços prestados ao Brasil. Que V. Exa. seja perenemente bendita. Parte II O PODER JUDICIÁRIO I. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Falo agora sobre o Poder Judiciário, começando pelo Supremo Tribunal Federal, que é o Tribunal da Constituição. Cabe a ele interpretá-la e, como consequência, preservar a democracia e promover os direitos fundamentais. Comento cada uma dessas missões. 1. A interpretação da Constituição A Constituição estrutura o Estado, demarca a competência dos Poderes e define os direitos e garantias dos cidadãos. Todas as constituições 4 democráticas fazem isso, a brasileira inclusive. Porém, a nossa Constituição vai bem além: ela contempla, também, o sistema econômico, o sistema tributário, o sistema previdenciário, o sistema de educação, de preservação ambiental, da cultura, dos meios de comunicação, da proteção às comunidades indígenas, da família, da criança, do adolescente, do idoso, em meio a muitos outros temas. Incluir uma matéria na Constituição é, em larga medida, retirá-la da política e trazê-la para o direito. Essa é a causa da judicialização ampla da vida no Brasil. Não se trata de ativismo, mas de desenho institucional. Nenhum Tribunal do mundo decide tantas questões divisivas da sociedade. Contrariar interesses e visões de mundo é parte inerente ao nosso papel. Nós sempre estaremos expostos à crítica e à insatisfação. Por isso mesmo, a virtude de um tribunal jamais poderá ser medida em pesquisa de opinião. Nada obstante, é imperativo que o Tribunal aja com autocontenção e em diálogo com os outros Poderes e a sociedade, como sempre procuramos fazer e pretendo intensificar. Numa democracia não há Poderes hegemônicos. Garantindo a independência de cada um, conviveremos em harmonia, parceiros institucionais pelo bem do Brasil. 2. A defesa da democracia Nós não somos um Tribunal de consensos plenos. Nenhum tribunal é. A vida comporta diferentes pontos de observação e eles se refletem aqui. Porém, estivemos mais unidos do que nunca na proteção da sociedade brasileira na pandemia. E, também, estamos sempre juntos, em sólida unidade, na defesa da democracia. A democracia constitucional é a composição de valores diversos, duas faces da mesma moeda. De um lado, soberania popular (amplo direito de participação popular), eleições livres e governo da maioria. De outro, poder limitado, Estado de direito e respeito aos direitos fundamentais. Um equilíbrio delicado e fundamental. Em todo o mundo, a democracia constitucional viveu momentos de sobressalto, com ataques às instituições e perda de credibilidade. Por aqui, as instituições venceram, tendo ao seu lado a presença indispensável da sociedade civil, da Imprensa e do Congresso Nacional. E, justiça seja feita, na hora decisiva, as Forças Armadas não sucumbiram ao golpismo. Costumamos 5 identificar os culpados de sempre: extremismo, populismo, autoritarismo... E de fato eles estão lá. Mas a recessão democrática fluiu, também, pelos desvãos da democracia: as promessas não cumpridas de oportunidades, prosperidade e segurança para todos. As democracias contemporâneas precisam equacionar e vencer os desafios da inclusão social, da luta contra as desigualdades injustas e do aprimoramento da representação política. 3. A proteção dos direitos fundamentais Por fim, cabe-nos a proteção dos direitos fundamentais, que são os direitos humanos incorporados à ordem jurídica interna. Direitos fundamentais são a reserva mínima de justiça de uma sociedade, em termos de liberdade, igualdade e acesso aos bens materiais e espirituais básicos para uma vida digna. Nessa matéria, temos procurado empurrar a história na direção certa. Temos sido parceiros da ascensão das mulheres, na luta envolvente por igual respeito e consideração, no espaço público e no espaço privado, bem como contra a violência doméstica e sexual. Também temos atuado, sempre com base na Constituição, em favor do heroico esforço da população negra por reconhecimento e iguais oportunidades, validando as ações afirmativas, imprescindíveis para superar o racismo estrutural que a escravização e sua abolição sem inclusão acarretaram. Do mesmo modo, a comunidade LGBTQIA+ obteve neste Tribunal o reconhecimento de importantes direitos, com destaque para a equiparação das uniões homoafetivas às uniões estáveis convencionais, tendo por desdobramento a possibilidade do casamento civil. Mas não foi só. Povos indígenas passaram a ter a sua dignidade reconhecida, bem como o direito a preservarem sua cultura e, ao menos, uma parte de suas terras originárias. Atuamos, ainda, para que pessoas com deficiência sejam valorizadas na sua diferença, no esforço de se proporcionar acessibilidade e inclusão. A proteção ambiental foi igualmente objeto de atenção do Supremo, que procurou enfrentar, dentro dos seus limites, o desmatamento e a mudança climática. São lutas 6 inacabadas, mas na vida devemos saborear os avanços e as vitórias. Há quem pense que a defesa dos direitos humanos, da igualdade da mulher, da proteção ambiental, das ações afirmativas, do respeito à comunidade LGBTQIA+, da inclusão das pessoas com deficiência, da preservação das comunidades indígenas são causas progressistas. Não são. Essas são as causas da humanidade, da dignidade humana, do respeito e consideração por todas as pessoas. Poucas derrotas do espírito são mais tristes do que alguém se achar melhor do que os outros. II. A JUSTIÇA NO BRASIL O Judiciário brasileiro é dos mais independentes e produtivos do mundo. Independente porque, para alguém se tornar juiz, o que se exige é haver cursado uma Faculdade de Direito e ter sido aprovado em um disputado concurso público. Não deve favor a ninguém. É certo que nos tribunais superiores há um componente político, como é em todo o mundo. Mas o DNA de independência não se perde. E a Justiça do Brasil é, também, uma das mais produtivas do planeta, julgando cerca de 30 milhões de processos por ano. Somos cerca de 18 mil juízes, sendo a magistratura, provavelmente, a instituição de maior capilaridade de todo o país. Juízes bem-preparados, íntegros e vocacionados são uma bênção para a democracia, para a Justiça e para a cidadania. Comprometo-me a contribuir para que sejam selecionados com rigor, sejam ouvidos e valorizados. Ainda assim, há dois pontos em que temos de melhorar. O primeiro: aumentar a participação de mulheres nos tribunais, com critérios de promoção que levem em conta a paridade de gênero. E, também, ampliar a diversidade racial. Além disso, com inovações tecnológicas e Inteligência Artificial, vamos procurar aumentar a eficiência e a celeridade da tramitação processual no Brasil. Para esse fim, venho mapeando os gargalos e pontos de congestionamento do Judiciário e vamos enfrentálos. Não há lugar para celebração aqui: precisamos melhorar a qualidade do serviço que prestamos à sociedade brasileira. III. AS DIRETRIZES DA MINHA GESTÃO 7 Com a bênção de Deus e a ajuda imprescindível dos colegas, pretendo fazer uma gestão em torno de três grandes eixos. O primeiro deles será o conteúdo, que consiste em procurar aumentar a eficiência da justiça, avançar a pauta dos direitos fundamentais e contribuir para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil. O segundo eixo será o da comunicação, melhorando a interlocução com a sociedade, expondo em linguagem simples o nosso papel, explicando didaticamente as decisões, desfazendo incompreensões e mal-entendidos. E o terceiro será o eixo do relacionamento. O Judiciário deve ser técnico e imparcial, mas não isolado da sociedade. Precisamos estar abertos para o mundo, com olhos de ver e ouvidos de ouvir o sentimento social. A gente na vida deve ser janela e não espelho, ter a capacidade de olhar para o outro, e não apenas para si mesmo. O Poder Judiciário, o Direito em geral, gravita em torno de dois grandes valores: a justiça e a segurança. Da justiça já falamos. Pretendo dar grande ênfase, também, à segurança, em três de suas dimensões: segurança jurídica, segurança democrática e segurança humana. Segurança jurídica para que haja um bom ambiente para o desenvolvimento da economia e dos negócios no país, com incentivo ao empreendedorismo, ao investimento e à inovação. Sem surpresas. Precisamos superar a desconfiança que ainda existe no Brasil em relação à livre iniciativa e ao sucesso empresarial. É daí que vem o emprego, a ascensão social e o progresso. Não menos importante é a segurança democrática, com eleições limpas, liberdades públicas, independência entre os Poderes e respeito às instituições. E, também, como princípio e fim, a segurança humana, que inclui o combate à pobreza, às desigualdades injustas e à criminalidade, com segurança pública e valorização das polícias, treinadas numa imprescindível cultura de respeito à cidadania e aos direitos humanos. Meus queridos colegas deste Tribunal: o Universo nos reuniu aqui porque temos uma missão. Somos um time, no qual cada um tem uma posição, mas também um objetivo comum. Por isso mesmo, vamos continuar a estreitar os laços de colegialidade e de institucionalidade. De minha parte, contem com o diálogo franco e a parceria afetuosa. Estar aqui é um desafio, um privilégio e um destino, que cumprimos 8 em conjunto. É muito bom tê-los ao meu lado. E eu ainda tenho a sorte de ter como Vice-Presidente, meu amigo de toda vida, o Ministro Luiz Edson Fachin, uma das melhores pessoas que conheci nessa jornada que já vai longa. Parte III O BRASIL I. O BRASIL QUE QUEREMOS A democracia venceu e precisamos trabalhar pela pacificação do país. Acabar com os antagonismos artificialmente criados para nos dividir. Um país não é feito de nós e eles. Somos um só povo, no pluralismo das ideias, como é próprio de uma sociedade livre e aberta. “Bastar-se a si mesmo é a maior solidão”, escreveu o poeta. O sucesso do agronegócio não é incompatível com proteção ambiental. Pelo contrário. O combate eficiente à criminalidade não é incompatível com o respeito aos direitos humanos. O enfrentamento à corrupção não é incompatível com o devido processo legal. Estamos todos no mesmo barco e precisamos trabalhar para evitar tempestades e conduzi-lo a porto seguro. Se ele naufragar, o naufrágio é de todos, independentemente de preferências políticas. No interesse da justiça, pretendo ouvir a todos, trabalhadores e empresários, comunidades indígenas e agricultores, produtores rurais e ambientalistas, gente da cidade e do interior. E, também, conservadores, liberais e progressistas. Ninguém é dono da verdade, ninguém tem o monopólio do bem e da virtude. A vida na democracia é a convivência civilizada dos que pensam diferente. E quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, mas meu parceiro na construção de uma sociedade aberta, plural e democrática. II. UMA AGENDA PARA O BRASIL Sem que ninguém precise abrir mão de qualquer convicção, é preciso que o país se aglutine em torno de denominadores comuns, de uma agenda para o Brasil. Com base na Constituição, é possível construir esses consensos. Aqui vão alguns deles: (i) combate à pobreza; (ii) desenvolvimento econômico e social sustentável; (iii) prioridade máxima para a educação básica; (iv) valorização da livreiniciativa, bem como do trabalho formal; (v) investimento em ciência e tecnologia; (vi) 9 saneamento básico; (vii) habitação popular; e (viii) liderança global em matéria ambiental. Subjacentes a qualquer agenda, há três elementos essenciais para se fazer um grande país: integridade, civilidade e confiança. Todos eles vêm antes da ideologia, antes das escolhas políticas pessoais. Na verdade, entre pessoas íntegras e civilizadas, a confiança brota espontaneamente. Sem confiança não há progresso. III. VALORES QUE DEVEM NOS GUIAR No dia da minha posse, em 26 de junho de 2013, eu publiquei um artigo de autoapresentação, onde escrevi: creio no bem, na justiça e na tolerância como valores filosóficos essenciais. Creio na educação, na igualdade, no trabalho e na livre iniciativa como valores políticos fundamentais. E no constitucionalismo democrático como forma institucional ideal. Passados dez anos, venho aqui renovar os mesmos votos. Com alguns novos aprendizados: os países, como as pessoas, passam pelo que têm de passar para amadurecerem e evoluírem; a vida no setor público é mais dura e difícil do que parece; se você estiver cumprindo a missão da sua vida, nem elogio nem crítica têm o poder de mudar a sua direção; só a verdade ofende: se for mentira, trate com indiferença; o Brasil é um país onde muita gente coloca as relações pessoais acima da correção e do dever; na vida, não basta estar certo, é preciso saber levar; e, muito importante: com boa-fé e boa-vontade, quase tudo é possível nesse mundo. Há uma última convicção que gostaria de compartilhar. A afetividade é uma das energias mais poderosas do universo. O sentimento sincero de fraternidade e empatia por todas as pessoas transforma o mundo. Viver sem malícia, sem espertezas, sem passar os outros para trás. Sem maledicência. Para alguns soará ingênuo. Mas esse é o caminho para a paz interior, o sucesso pessoal e o progresso social. A virtude é sua própria recompensa. O resto é aparência. A história é uma marcha contínua na direção do bem, da justiça e do avanço civilizatório. Basta olhar através dos tempos: viemos de épocas de sacrifícios humanos, despotismos cruéis, inquisições e holocaustos até a era dos direitos humanos. Ainda não plenamente concretizados, mas vitoriosos na maior parte dos corações e mentes. É certo que a história não é linear, mas feita de avanços e retrocessos. Porém, mesmo quando não se 10 consegue ver da superfície, ela continua fluindo como um rio subterrâneo na direção que tem de seguir. Essa a minha fé racional, a minha crença mais profunda. E porque assim é, tenho uma visão positiva e construtiva da vida, mesmo na adversidade. E nos momentos difíceis, quando tudo parece fora do lugar, quando as pessoas não se apresentam na sua melhor versão, eu me consolo com a máxima que rege a minha vida: não importa o que esteja acontecendo à sua volta: faça você o melhor papel que puder. E seja bom e correto, mesmo quando ninguém estiver olhando. Na minha sabatina no Senado Federal, aqui hoje representado por seu presidente Rodrigo Pacheco, eu me vali de uma parábola com a qual gostaria de encerrar esse discurso. Na vida nós estamos sempre nos equilibrando. Viver é andar numa corda bamba. A gente se inclina um pouco para um lado, um pouco para o outro e segue em frente. É assim para todo mundo, não importa se você está no palco ou na plateia. Às vezes, alguém olhando de fora pode ter a impressão de que o equilibrista está voando. Não é grave, porque a vida é feita de certas ilusões. Mas o equilibrista tem de saber que ele está se equilibrando. Porque se ele achar que está voando, ele vai cair. E na vida real não tem rede. Pretendo atuar, à frente do Supremo Tribunal Federal e do Poder Judiciário brasileiro, da forma como acho que a vida deve ser vivida: com valores, com empatia, com bom humor sempre que possível e, sobretudo, com humildade. Assumo a presidência do Supremo e do CNJ sem esquecer que sou, antes de tudo, um servidor público. Um servidor da Constituição. Que eu possa ser abençoado para cumprir bem essa missão. Muito obrigado. https://images.jota.info/wp-content/uploads/2023/09/discurso-de-posse-28set2023.pdf https://www.jota.info/stf/do-supremo/em-discurso-de-posse-barroso-defende-direito-das-minorias-e-independencia-entre-poderes-28092023 _______________________________________________________________________________________________ ---------- “Não são minorias, são maiorias minorizadas”, diz Lilia Schwarcz sobre mulheres e negros Roda Viva _________________________________________________________________________________________________ ----------
-------------- Nas entrelinhas: Barroso assume o STF com foco nos direitos das minorias Publicado em 29/09/2023 - 07:37 Luiz Carlos Azedo Brasília, Cidades, Comunicação, Congresso, Eleições, Ética, Governo, Justiça, Memória, Militares, Política, Política, Religião, Segurança Para o novo presidente do Supremo, as instituições, a sociedade civil, a imprensa, o Congresso Nacional e, “na hora decisiva”, as Forças Armadas barraram o golpismo Aprovado a toque de caixa pelo Senado, o marco temporal das terras indígenas foi um sinal de que vem aí uma grande queda de braço entre os líderes do Congresso, que são conservadores ou mesmo reacionários, e o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que tomou posse nesta quinta-feira, em cerimônia na qual era visível o constrangimento com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O ministro Edson Fachin é o novo vice. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está se preparando para uma cirurgia, compareceu à posse de máscara. Barroso foi enfático no discurso quanto aos direitos das minorias. Defendeu a paridade de gênero nos tribunais e maior diversidade racial na composição das Cortes. O ministro sempre pregou que os direitos dos indígenas e da comunidade LGBTQIA são uma questão de humanidade, não de progressismo. Barroso destacou que o momento é de pacificação, depois de derrotado o golpismo. “O país não é feito de nós e eles. Somos um só povo”, afirmou. O novo presidente do Supremo não vê incompatibilidade entre o agronegócio e a preservação ambiental, que é um dos focos de tensão entre a Corte e o Congresso. Mantém seu entendimento de que o combate à corrupção, com o devido processo legal, continua sendo uma prioridade. Mas compreende que as instituições republicanas devem fazer um pacto de solidariedade para evitar o naufrágio da democracia. A questão democrática permeou todo o seu discurso. Para Barroso, as instituições, a sociedade civil, a imprensa e o Congresso Nacional e, “na hora decisiva”, as Forças Armadas barraram o golpismo. Era visível o desconforto de Pacheco e Lira com o discurso, que aplaudiram ao final, sem muito entusiasmo. Ambos lideram agendas conservadoras que estão em choque com os rumos adotados pelo Supremo na gestão da ministra Rosa Weber e que Barroso pretende aprofundar. O novo presidente do Supremo acenou com uma bandeira branca: “Nada obstante, é imperativo que o tribunal aja com autocontenção e em diálogo com os outros Poderes e a sociedade, como sempre procuramos fazer, e pretendo intensificar. Numa democracia, não há Poderes hegemônicos. Garantindo a independência de cada um, conviveremos em harmonia, parceiros institucionais pelo bem do Brasil”, disse. Decano do Supremo, o ministro Gilmar Mendes fez a saudação ao novo presidente, na qual destacou a atuação de Barroso no combate à desinformação e em defesa dos direitos fundamentais. Ambos já estiveram em polos antagônicos no Supremo, que se divide em duas turmas. Uma, liderada por Gilmar, era chamada de Jardim do Éden pelos procuradores da Lava-Jato; a outra, na qual se destacava Barroso, era tratada pelos advogados dos réus como o “Inferno de Dante”. Três candidatos Com 65 anos, Barroso passou a fazer parte do Supremo em 2013, indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Fluminense de Vassouras, que já foi a cidade dos barões do café no século XIX, o novo presidente do Supremo é doutor em direito público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor titular de direito constitucional na mesma instituição. Seu mestrado foi feito na Universidade de Yale (EUA); o doutorado, na Uerj; e o pós-doutorado, na Universidade de Harvard (EUA). Foi professor visitante nas Universidades de Poitiers (França), de Breslávia (Polônia) e de Brasília (UnB). Um acervo de 4.889 processos aguarda o novo presidente do Supremo, em sua maioria recursos. Como se sabe, o Supremo deve fazer a guarda da Constituição de 1988, mesmo contra maiorias circunstanciais no Congresso. Não é só o povo que tem dificuldade para entender isso, existe uma forte corrente política iliberal no país hoje, como, de resto, em todo o mundo, que defende a chamada “ditadura da maioria”, ou seja, não respeita os direitos fundamentais da minoria. É aí que o choque com Barroso será inevitável. O Congresso tem dois lobbies fortíssimos, o do agronegócio e o dos evangélicos, com bancadas mais poderosas do que qualquer partido isolado, inclusive o PT. Os próximos anos não serão fáceis para Barroso, porque a sucessão das duas Casas, em 2025, pode acirrar essa contradição. No Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) é representante da fronteira agrícola em expansão na Amazônia; na Câmara, Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos, é um pastor da Igreja Universal, de Edir Macedo. Ambos são os mais cotados para a sucessão de Pacheco e Lira, respectivamente. Nos bastidores da sessão de posse, três candidatos à vaga da ministra Rosa Weber, que se aposenta, distribuíam tapinhas nas costas: o ministro da Justiça, Flávio Dino; o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas; e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Caso Lula não tire um coelho da cartola, a hipótese de uma mulher ser indicada para a vaga de Rosa Weber já está descartada, embora Barroso tenha defendido a necessidade de mais mulheres e negros na Corte. Compartilhe: ____________________________________________________________________________________________________ ----------
---------- Síntese do Artigo: "Nas entrelinhas: Barroso assume o STF com foco nos direitos das minorias" Luís Roberto Barroso assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) com destaque para a defesa dos direitos das minorias. Barroso enfatiza a importância da paridade de gênero nos tribunais e da diversidade racial nas Cortes como questão de humanidade, não de progressismo. Ele busca promover a pacificação após a derrota do golpismo e defende a harmonia entre os Poderes. Barroso enfrentará desafios significativos, especialmente no que diz respeito à resistência de líderes conservadores no Congresso, como Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. O artigo ressalta a importância do STF na proteção dos direitos fundamentais, mesmo contra maiorias circunstanciais no Congresso. A sucessão das duas Casas do Congresso em 2025, com possíveis candidatos ligados ao agronegócio e a grupos religiosos, pode aumentar a tensão entre o STF e o Legislativo. O artigo menciona os candidatos à vaga da ministra Rosa Weber, destacando a ausência de mulheres como favoritas para a indicação. Barroso, no entanto, defende a necessidade de mais mulheres e negros na Corte. O texto reflete a importância do novo presidente do STF e os desafios que ele enfrentará na defesa dos direitos das minorias e na busca pela harmonia entre os Poderes. ______________________________________________________________________________________________ ============ =========== Todo o Sentimento Maria Bethânia ---------- Preciso não dormir Até se consumar O tempo Da gente Preciso conduzir Um tempo de te amar Te amando devagar E urgentemente Preciso descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez Que recolhe todo sentimento E bota no corpo uma outra vez Prometo te querer Até o amor cair Doente Doente Prefiro então partir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente Depois de te perder Te encontro com certeza Talvez no tempo da delicadeza Onde não diremos nada Nada aconteceu Apenas seguirei como encantado Ao lado teu Composição: Chico Buarque / Cristóvão Bastos. __________________________________________________________________________________________________ -----------
---------- "A marcha do atraso: bancadas temáticas bolsonaristas se unem no Congresso contra governo e STF Essas bancadas reúnem parlamentares conservadores e fisiológicos, em sua maioria de partidos do Centrão Em 27/09/23 13:34 por Balaio do Kotscho Ricardo Kotscho, 75, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas, 5 netos e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano A grande tragédia bolsonarista ainda não terminou. Deixou sequelas em todas as instituições nacionais. No Congresso, pontificam as chamadas bancadas temáticas fortalecidas por Bolsonaro – da bíblia, do boi e da bala _ que agora se uniram contra decisões recentes do STF e constituem hoje a principal oposição ao governo de Lula 3. O objetivo não declarado é criar confusão e jogar um poder contra o outro para abalar a governabilidade. Essas bancadas reúnem parlamentares conservadores e fisiológicos, em sua maioria de partidos do Centrão, os mesmos que pleiteiam ministérios e verbas no governo e se vendem caro a cada nova votação. A mais poderosa é a bancada do boi, chamada de Frente Parlamentar Agropecuária (FPA)., que simplesmente não aceitou a derrubada, por 9 votos a 2, do marco temporal das áreas indígenas pelo Supremo Tribunal Federal e, com o apoio das outras, iniciou essa semana um processo de obstrução na Câmara. As bancadas temáticas planejam não marcar presença no plenário e em nenhuma comissão para impedir a formação de quórum e barrar votações em qualquer instância da Câmara, informa o Estadão desta quarta-feira. Eles estão com pressa. Para restituir o marco temporal, está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado um projeto de lei que deve ser votado ainda hoje, dia 27, no colegiado, para depois ir a plenário. O deputado Pedro Lupion, presidente da FPA, promete dias difíceis para o governo e o STF: “Precisamos fazer um movimento político que demonstra a insatisfação do Legislativo”. Foi isso que restou para a oposição bolsonarista que até hoje não conseguiu se unir a em torno de qualquer projeto que não seja de retrocesso institucional. É o caso também da pauta sobre o reconhecimento jurídico da união entre pessoas do mesmo sexo, que já havia sido aprovada, por unanimidade, pelo STF, em 2011, e voltou a ser discutida na semana passada na Comissão de Previdência e Família na Câmara dos Deputados. O projeto original foi apresentado em 2007 pelo então deputado Clodovil Hernandes, já falecido, a favor da união civil, mas agora foi entregue ao relator Pastor Eurico (Pl-PE) que, como toda bancada evangélica, quer simplesmente proibir casamentos homoafetivos em cartórios. Na marcha batida dessas bancadas, contra a civilização e a favor do retrocesso institucional, daqui a pouco algum parlamentar do grupo vai apresentar um projeto para revogar a Lei Áurea, de 1888, e liberar a compra e venda de escravos. Os mesmos que são a favor do marco temporal para liberar as áreas indígenas são também contra a fiscalização do Ministério e da PF para coibir o trabalho análogo à escravidão que viceja novamente no campo, com novas denúncias a cada semana. Se depender desse Congresso das bancas temáticas empoderadas, a vida dos brasileiros será uma eterna batalha entre a civilização e a barbárie, como foi nas últimas duas eleições presidenciais. Vida que segue." -----------
----------- Título: "Bancadas Temáticas Bolsonaristas Unem-se no Congresso Contra Governo e STF" Este artigo destaca a persistência da influência bolsonarista no cenário político brasileiro e seu impacto nas instituições nacionais: Influência Duradoura: A influência bolsonarista continua a afetar as instituições nacionais, criando uma série de desafios políticos e sociais. Bancadas Temáticas Fortalecidas: As chamadas bancadas temáticas, conhecidas como da "bíblia", do "boi" e da "bala", fortalecidas durante o governo Bolsonaro, agora se uniram contra decisões recentes do STF, tornando-se a principal oposição ao governo de Lula 3. Objetivo de Desestabilização: O objetivo não declarado dessas bancadas é criar confusão e conflito entre os poderes, a fim de minar a governabilidade. Composição Conservadora: Essas bancadas são compostas principalmente por parlamentares conservadores e fisiológicos, muitos dos quais fazem parte de partidos do Centrão, que frequentemente negociam ministérios e verbas em troca de apoio em votações. Bancada do Boi (FPA): A bancada do boi, ou Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), é particularmente influente e está mobilizada contra a derrubada do marco temporal das áreas indígenas pelo STF. Obstrução no Congresso: As bancadas temáticas planejam obstruir as atividades do Congresso, evitando a formação de quórum e impedindo votações em todas as instâncias da Câmara dos Deputados. Pressa na Legislação: A pressa é evidente, com um projeto de lei para restituir o marco temporal em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Desafios para o Governo e o STF: Os líderes dessas bancadas prometem dificultar a vida do governo e do STF, buscando demonstrar sua insatisfação com o Legislativo. Retrocessos Institucionais: A oposição bolsonarista tem se destacado mais por sua resistência a medidas progressistas do que por propostas construtivas. Civilização vs. Retrocesso: O artigo adverte que, se essas bancadas continuarem a ganhar influência no Congresso, o Brasil poderá enfrentar uma luta contínua entre a civilização e o retrocesso institucional. O cenário político descrito aponta para a persistência dos desafios políticos no Brasil e a necessidade contínua de vigilância democrática para proteger os avanços conquistados e evitar retrocessos institucionais. _______________________________________________________________________________________________