sábado, 4 de junho de 2022

Ser...tão...Sertão

Ser...tões
De SERTÕES LUZ & TREVAS http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/euclides_da_cunha.html
Morro Velho *** Milton Nascimento *** Ouça Morro Velho No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão se deu Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás de passarinho Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, sempre pequeninos Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver Orgulhoso camarada, conta histórias prá moçada Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estação distante Não esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho ao deus-dará Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha prá apresentar Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá Já tem nome de doutor, e agora na fazenda é quem vai mandar E seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha. Ouça Morro Velho Composição: Milton Nascimento. Música | Mariana Aydar: Lamento Sertanejo *** Poesia | Ascenso Ferreira: Sertão *** 60 Frases de “Grande Sertão: Veredas” em comemoração aos seus 60 anos de publicação 19/08/2016 13:52 Por: Assessoria de Imprensa ​“Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa é uma das mais importantes obras literárias da literatura brasileira. Por sua linguagem e a originalidade de estilo presentes no relato de Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas lutas, seus medos e o amor reprimido por Diadorim. O romance foi publicado em 1956 e inicialmente chama atenção por sua dimensão – mais de 600 páginas – e pela ausência de capítulos. Guimarães Rosa fundiu nesse romance elementos do experimentalismo linguístico da primeira fase do modernismo e a temática regionalista da segunda fase do movimento para criar uma obra singular e inovadora. Separamos alguns dos melhores trechos de Grande sertão: veredas “O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”. “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. “Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo”. “Se eu fosse filho de mais ação e menos ideia, isso sim, tinha escapulido, calado “. “Um dia ainda entra em desuso matar gente”. “O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo”. “A gente morre é para provar que viveu”. “Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte”. “Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade”. “Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo no meio do fel do desespero”. “Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é”. “Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto”. “Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas”. “E a gente, isso sei, às vezes é só feito menino. Se tem alma, e tem, ele é de Deus”. “E o chiim dos grilos ajuntava o campo”. “Ah, a mangaba boa só se colhe já caída no chão, de baixo…”. ”A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”. “Viver é um descuido prosseguido”. “O senhor ache e não ache. Tudo é e não é …” “Passarinho que debruça – o voo já está pronto”. “Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração”. “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”. “Deus é paciência. O contrário é o diabo”. “O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando”. “A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”. “Quem-sabe, a gente criatura ainda tão ruim, tão, que Deus só pode às vezes manobrar com os homens é mandando por intermédio do diá?”. “O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo”. “Cavalo que ama o dono, até respira do mesmo jeito”. “Quem desconfia fica sábio”. “Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão”. “Ser ruim, sempre, às vezes é custoso, carece de perversos exercícios de experiência”. “O espírito da gente é cavalo que escolhe estrada”. “Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem”. “O jagunço Riobaldo. Fui eu? Fui e não fui. Não fui! – porque não sou, não quero ser”. “Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”. “Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho de Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente”. “A morte é para os que morrem”. “A vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia de ser como sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho”. “Preto é preto? branco é branco? Ou: quando é que a velhice começa, surgindo de dentro da mocidade”. “No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”. “Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”. “O bom da vida é para cavalo, que vê capim e come”. “E sei que em cada virada de campo, e debaixo de sombra de cada árvore, está dia e noite um diabo, que não dá movimento, tomando conta.” “Tudo que é bonito é absurdo – Deus estável”. “Liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no vão dos ferros de grandes prisões”. “Sertão é o sozinho”. “Sertão: é dentro da gente”. “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. “Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”. “Tudo que já foi, é o começo do que vai vir, toda a hora a gente está num cômpito”. “Um sentir é do sentente, mas o outro é o do sentidor”. “Para o prazer e para ser feliz, é que é preciso a gente saber tudo, formar alma, na consciência; para penar, não se carece”. “Obedecer é mais fácil do que entender”. “Onde é que está a verdadeira lâmpada de Deus, a lisa e real verdade?”. “Tive medo não. Só que abaixaram meus excessos de coragem”. “O sertão é sem lugar”. “Rir, antes da hora, engasga”. “Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só fazer outras maiores perguntas”. “Somente com a alegria é que a gente realiza bem – mesmo até as tristes ações”. “O senhor sabe o que é silêncio é? É a gente mesmo, demais”. Fonte: Portal Raizes https://www.upf.br/biblioteca/noticia/60-frases-de-grande-sertao-veredas-em-comemoracao-aos-seus-60-anos-de-publicacao

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