domingo, 24 de julho de 2022

O QUE FAZEMOS

"Osório Guedes foi um desses magníficos boêmios de trinta anos atrás, da equipe noturna de Sinhô, Zeca Patrocínio, Pequenino...Foi um seu companheiro que me contou essa história meiga e dramática." Paulo Mendes Campos ***
*** Vacina contra golpe A liquidação da fatura da eleição presidencial no primeiro turno oferece uma vacina contra sonhos golpistas. Na noite de 2 de outubro, 156 milhões de eleitores escolherão 27 senadores, 513 deputados federais, mais uns mil deputados estaduais. Estarão na disputa também os candidatos a presidente e a governadores, mas só serão eleitos aqueles que conseguirem maioria dos votos. Quando isso não acontecer, os dois mais votados irão para um segundo turno, no dia 30 de outubro. Quem quiser contestar o resultado de 2 de outubro estará contestando a vitória de pelo menos 1.513 eleitos. ************************* DEU RUIM. ***
*** domingo, 24 de julho de 2022 Dorrit Harazim - Silêncios O Globo Difícil dizer quem é o mais desprezível para o cargo que ocupa A horda de milicianos ideológicos que invadiu o Capitólio naquele 6 de janeiro de 2021, em Washington, seguiu a palavra de ordem lançada pelo próprio 45º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aquartelado na Casa Branca: interromper a qualquer custo o processo democrático em curso naquele dia. Isto é, impedir seu vice-presidente, Mike Pence, de certificar em ata a vitória nas urnas do democrata Joe Biden para lhe suceder. Como os amotinados traziam no peito graus variados de intoxicação cívica, prevaleceu a eclosão da fúria dirigida —aquela que se alimenta da falsa coragem coletiva. Houve mortos, mais de cem policiais do Legislativo ficaram seriamente feridos (dois se suicidaram nos dias seguintes), e Pence correu o risco real de ser degolado pela malta trevosa de Trump, o homem a quem servira com fidelidade por quatro anos. Ainda assim, Pence não emitiu até hoje uma condenação pública ao complô golpista envolvendo seus antigos parceiros de governo. Seu silêncio deve ser atribuído à submissão, medo? Ou faro político de candidato à Presidência em 2024? Covardia? Ou estratégia para um disputadíssimo livro de memórias? Pouco importa, Pence nada precisa falar. Sozinho, ele fez mais pela continuidade democrática dos EUA do que a soma dos agentes públicos daquelas horas caóticas — na hora H, ele decidiu concluir o rito de certificação de Joe Biden como vencedor nas urnas. Arriscou alto, meio que às cegas. Mas revelou ter serenidade cívica e consciência histórica. Isso não o torna menos ultraconservador no espectro político do Partido Republicano, nem menos retrógrado em questões de gênero. Mas faz dele um servidor público com direito a verbete encorpado. O que nos leva ao silêncio inglório de um Augusto Aras, de um Arthur Lira e demais associados trevosos do atual mandante nacional. Raras vezes, em tempos modernos, um presidente do Brasil conseguiu gerar uma avalanche de repúdio tão maciça a um ato oficial quanto Jair Bolsonaro na segunda-feira passada. Eram mais de 50 os integrantes do corpo diplomático estrangeiro convocados ao Palácio da Alvorada para uma apresentação que revelou ser uma arapuca, em que o anfitrião/candidato à reeleição falou por 45 minutos. Tema único, com transmissão pela TV Brasil, canal no YouTube e Facebook: críticas e calúnias ao sistema eleitoral brasileiro. Deu ruim. A comunicação formal de Bolsonaro de não respeitar o resultado do sistema eletrônico, a seu ver suspeito, virou bumerangue diplomático e levou quase uma centena de entidades de relevância nacional a despertar do torpor cívico. Há três anos e meio, notas de repúdio a atos bolsonaristas repetem o protocolar brado de impotência “é inadmissível” ou “é inaceitável” ou ainda “é intolerável”, quando, na realidade, já o admitimos, o aceitamos e o toleramos. Desta vez, o “inadmissível” — o presidente do país convocar plateia mundial para proclamar sua desconfiança no resultado das urnas — é de fato inadmissível. Cabendo, portanto, avaliação e encaminhamento jurídicos. Portanto, foco total no procurador-geral da República, Augusto Aras, invisível por estar de férias. Quando, por fim, materializou-se, após um hiato de três dias de silêncio sepulcral, apareceu a bordo de uma gravata tropicália numa gravação antiga, em que afirma que quem sair vencedor nas urnas será empossado. Baita coragem “diante dos últimos acontecimentos no país”, como o causídico classifica o golpismo explícito do presidente da República! Com o mutismo de Arthur Lira, presidente da Câmara que deve representar o voto e os anseios da população brasileira, a história é outra. Difícil dizer qual o mais desprezível para o cargo que ocupa. Em relação a Bolsonaro, Aras é devedor. Lira é avalista, pode mais. O primeiro foi reconduzido ao cargo sob aplausos do Senado, e o segundo comanda o latifúndio do orçamento secreto — portanto, até nova ordem, pode continuar a esquecer que algum dia foi servidor público. Quanto desperdício para um país ter de lidar com figuras desprezíveis — elas abundam na órbita bolsonarista —, quando a emergência maior deveria mirar na sustentabilidade da vida. Mas vamos em frente. Deveríamos ter aprendido melhor o que ensinou a pensadora mestra do século XX: somente depois de admitir que, em qualquer tempo, tudo é possível, conseguiremos nos confrontar honestamente com o que somos. E só então poderemos resistir à perigosa realidade chamada mundo. A receita de Hannah Arendt? — O que proponho é muito simples: nada além de pensar o que fazemos. ************************************************************************* GOT BAD FOR THE BIG VIRUS. ***
*** Thomas Shannon vê EUA preocupados com posição de presidente e afirma que Brasil ficaria isolado em caso de ruptura *** 23 de julho de 2022 | 09:19 Bolsonaro estudou Trump e parece preparar caminho para questionar eleições, diz ex-embaixador BRASIL Ex-embaixador no Brasil e referência nos Estados Unidos para temas da América Latina, o diplomata Thomas Shannon, 64, diz à Folha que Jair Bolsonaro (PL) parece preparar o caminho para questionar o resultado das eleições de outubro. Segundo ele, o presidente brasileiro e sua equipe estudaram a estratégia adotada pelo ex-líder americano Donald Trump, que em 6 de janeiro de 2021 insuflou uma invasão do Capitólio para tentar reverter a derrota no pleito presidencial. Hoje aposentado da diplomacia, Shannon argumenta que Washington não teria problema em trabalhar com um eventual novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje líder nas pesquisas, e diz que o Brasil ficaria isolado no caso de uma ruptura institucional. O que o sr. achou da reunião de Bolsonaro com embaixadores para propagar mentiras sobre o sistema eleitoral? Não entendo por que o presidente escolheu falar com o corpo diplomático sobre esse tema, mas acho que ele indicou um desejo de explicar para essa comunidade em Brasília —uma das maiores no hemisfério Ocidental, portanto ele falou para o mundo— por que não confia no sistema eleitoral. Acho totalmente surpreendente que um presidente, eleito por esse sistema e que chefia um governo que representa a vontade popular, coloque em questão o sistema eleitoral do próprio país. E fazer essa argumentação para uma audiência diplomática transforma o surpreendente em perigoso. Ele parece estar preparando o caminho para não aceitar o resultado das eleições. Acredita que isso confirma a análise de que Bolsonaro está imitando a estratégia de Trump? Acredito que Bolsonaro e sua equipe estudaram muito atentamente os eventos de 6 de Janeiro [de 2021] e chegaram a uma conclusão. Primeiro, que Trump fracassou porque dependia de uma multidão pouco disciplinada e não tinha apoio institucional —de lideranças partidárias, tribunais, Forças Armadas. Bolsonaro e sua equipe avaliaram que, na hipótese de tentar algo parecido, precisariam de apoio institucional. No entanto, na eleição de Joe Biden, embora no voto popular tenha ocorrido uma diferença de 7 milhões de votos, no Colégio Eleitoral houve um resultado bem apertado, o que permitiu que Trump argumentasse que houve fraude. No Brasil as pesquisas indicam no momento que a disputa não está apertada. Então a pergunta a ser feita é: qual o plano do presidente Bolsonaro? Esperar a votação ocorrer e declará-la inválida? Ou impedir que a eleição ocorra ao desqualificar todo o processo agora? O fato de Bolsonaro ter algum apoio institucional lhe dá mais chances de ser bem-sucedido numa eventual tentativa de ruptura? Depende muito das instituições brasileiras e como elas vão responder. Recai sobre elas a tarefa de deixar claro que têm confiança no sistema eleitoral brasileiro. E o sr. vê essa reação institucional ocorrendo? Está ganhando corpo, à medida que as pessoas entendem a gravidade da situação. Eu não sou brasileiro, não vou votar. Cabe aos brasileiros e às instituições brasileiras decidir o caminho que o país vai tomar. O sistema eleitoral brasileiro guiou o país no período democrático desde a década de 1980, ajudou o país a atravessar eleições presidenciais, dois impeachments, foi capaz de garantir transições pacíficas. É um sistema que ganhou o respeito do mundo, e é chocante que nesse momento não tenha o respeito do presidente. É um erro criticar o processo eleitoral brasileiro porque abre espaço para que as pessoas tentem questionar a eleição por meio da violência, não pelos canais normais e pelos tribunais. Isso não deveria ser aceito num líder político. A embaixada americana publicou uma nota em que manifesta confiança no processo eleitoral brasileiro. Como interpreta esse texto? Os EUA têm grande respeito pelo Brasil e pela democracia do país e estão preparados para trabalhar com qualquer liderança que o povo brasileiro escolher. Ricardo Della Coletta / Folha de São Paulo ******************************************************** CRÔNICAS ***
*** Crônicas A morte de um homem grande Paulo Mendes Campos https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13449/a-morte-de-um-homem-grande **********************************************************************************
*** domingo, 24 de julho de 2022 Elio Gaspari - A fritura de Trump O Globo A comissão da Câmara que investiga o comportamento de Donald Trump durante a insurreição de 6 de janeiro de 2021 fechou o foco em 187 minutos durante os quais o presidente dos Estados Unidos permaneceu em silêncio cúmplice. Graças às câmeras de vídeo, às mensagens com o registro da hora e dos minutos, bem como as listas de telefonemas da Casa Branca, produziu-se uma inédita reconstrução de fatos. Magnífica demonstração da eficácia do FBI e da Justiça. Os federais americanos já pegaram 840 pessoas e pelo menos 185 foram sentenciadas. Uma delas pegou cinco anos de cadeia por ter agredido um policial. Os 187 minutos começam às 13h10, quando Trump terminou de discursar perto da Casa Branca. Ele havia estimulado a marcha para o Capitólio, sugerindo que a acompanharia. Foi para a Casa Branca, onde ficou grudado nas televisões. Aqui vai o que aconteceu a quatro pessoas que provavelmente foram vistas por Trump enquanto curtia o dia. Entre 13h e 13h30, o veterano fuzileiro Carey Walden escalou uma parede do Capitólio. Preso em maio, declarou-se culpado e foi condenado a 30 dias de prisão domiciliar. Às 14h02, Richard Franklin Barnard entrou na Rotunda do Capitólio. Foi preso em fevereiro e contou ao FBI que pretendia chegar perto de Trump. Tomou 30 dias de prisão domiciliar e 60 horas de serviços comunitários. Troy Williams entrou no prédio às 14h39. Foi preso em fevereiro e condenado a 15 dias de cadeia e um ano de liberdade condicional. (Minutos depois, o vice-presidente Pence era retirado da sala onde estava e levado para um subterrâneo. O filho de Trump apelava para que ele condenasse a invasão. O presidente continuou assistindo ao espetáculo.) Duke Wilson entrou no Capitólio às 14h55, agrediu um policial, foi preso em abril e condenado a 51 meses de cadeia e três anos de liberdade condicional. Os 187 minutos do foco da Comissão terminam quando Trump postou seu vídeo pedindo à sua turma que fosse para casa. Essa foi a primeira vez em que ele disse isso. Dois minutos antes, o presidente eleito, Joe Biden, classificara a invasão do Capitólio como “limítrofe da sedição”. Diplomacia palaciana O episódio do cercadinho dos embaixadores marcou o apogeu da diplomacia palaciana do coronel Mauro Cesar Cid, chefe dos ajudantes-de-ordens de Bolsonaro e do almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos. Eles foram os diretores da cena do “brienfing” de segunda-feira. O coronel foi o revisor do texto de pelo menos um dos discursos de Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas. Quando os oficiais palacianos atropelam ministros, os resultados são desastrosos. No dia 30 de março de 1964, o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar, garantiu ao presidente João Goulart que era boa ideia ele ir à reunião de sargentos no Automóvel Clube. Dois dias depois, estava deposto. No dia 27 de agosto de 1969, o presidente Costa e Silva perdeu a fala durante um despacho. O capitão médico do palácio recomendou-lhe repouso, e mais nada. Em suas memórias, o general Jayme Portella, chefe do gabinete militar, repetiu dez vezes que, segundo o capitão, o caso não era grave. No dia seguinte, o marechal voltou a perder a fala. Quando a recuperou, perguntou ao capitão: Não é derrame? Não, senhor, derrame não é. Era uma isquemia, com efeitos semelhantes. Nela, a irrigação do cérebro é afetada por uma obstrução. Horas depois, Costa e Silva emudeceu de vez. Morreu em dezembro. Na manhã de 1º de abril de 1981, o presidente João Figueiredo recebeu a notícia de que na noite anterior explodira uma bomba no estacionamento do Riocentro, matando um sargento e aliviou-se: “Até que enfim os comunistas fizeram uma bobagem”. A bomba era do DOI, onde estavam lotados o sargento e o capitão que dirigia o carro. Um livro sobre o atraso da educação Está chegando às livrarias “O Ponto a que chegamos”, do repórter Antônio Gois. É o retrato da ruína da educação brasileira ao longo dos últimos 200 anos. Gois mastigou estatísticas e a boa bibliografia sobre a questão. Mostrou a sucessão de projetos vindos da esquerda (Anísio Teixeira) ou da direita (Francisco Campos) e a bola de ferro do atraso que leva o país a perder oportunidades. O livro é uma aula, sem estridências, para quem vive um tempo em que a roubalheira se encastelou no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (o FNDE dos pastores e dos milhares de laptops). Tudo cabe numa observação do professor José Goldemberg que foi ministro, secretário de Educação de São Paulo e reitor da USP. Depois de passar pelo Ministério da Educação, resumiu criticamente a posição: “Era um lugar formidável para fazer favores”. Gois mostra boas iniciativas, como o ProUni e o sistema de cotas, mas, lendo-o, vê-se o tamanho dos dois séculos de burrice do andar de cima nacional: montou um sistema excludente que não produziu qualidade. Boa notícia para 2023 No ano que vem, a banda moderna do agronegócio brasileiro anunciará a criação do Instituto Mato Grosso de Tecnologia de Alimentos. Empresários criarão um centro de ensino e pesquisas com a meta de se tornar um dos melhores do mundo. Hoje, numa lista das vinte melhores, o Brasil tem duas instituições (a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, e a Unicamp). A China tem nove, e os Estados Unidos, quatro. Estão nessa iniciativa dois nomes do agro brasileiro: Blairo Maggi e Otaviano Pivetta. Armando o meio de campo, está o empresário Guilherme Quintela. Nos Estados Unidos, a Purdue University nasceu em 1869, ajudada por John Purdue com uma doação de US$ 300 milhões em dinheiro de hoje. Ele começou a vida no setor de alimentos. Numa listagem de 2021, ela é a 25ª melhor do mundo. A Funai em Madri É do embaixador Azeredo da Silveira, um diplomata da carreira (e dos melhores), a observação de que há gente capaz de atravessar a rua para escorregar na casca de banana que está na outra calçada. O doutor Marcelo Xavier, presidente da Funai, atravessou o Atlântico para ir a uma reunião em Madri, onde se realizava a assembleia geral do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e Caribe. Peitado por um ex-funcionário que o chamou de “miliciano” e “assassino”, retirou-se do auditório. Um passeio até Madri vale alguns minutos de constrangimento? Vacina contra golpe A liquidação da fatura da eleição presidencial no primeiro turno oferece uma vacina contra sonhos golpistas. Na noite de 2 de outubro, 156 milhões de eleitores escolherão 27 senadores, 513 deputados federais, mais uns mil deputados estaduais. Estarão na disputa também os candidatos a presidente e a governadores, mas só serão eleitos aqueles que conseguirem maioria dos votos. Quando isso não acontecer, os dois mais votados irão para um segundo turno, no dia 30 de outubro. Quem quiser contestar o resultado de 2 de outubro estará contestando a vitória de pelo menos 1.513 eleitos. ************************************** *** Deu Ruim Molejo https://www.letras.mus.br/molejo/deu-ruim/ ******************************************

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