domingo, 6 de março de 2022

DESMUNDO

O fim deste desmundo não está à vista. *** *** Dorrit Harazim: O desmundo O Globo A ordem emitida sugeria apenas um deslocamento forçado: todos os judeus da cidade de Kiev e vizinhanças deveriam se apresentar às 8 da manhã do 29 de setembro de 1941 na esquina de duas ruas específicas, munidos de documentos, dinheiro e pertences valiosos; além de roupas quentes e lençóis. Quem não obedecesse seria encontrado e fuzilado. O comando nazista que ocupara a cidade uma semana antes esperava atrair não mais de 5 mil vítimas, uma vez que 70% dos 225 mil judeus da cidade já haviam fugido. Restavam, portanto, entre 60 mil e 70 mil, e boa parte deles compareceu ao local. A logística montada para ludibriá-los foi eficiente, tipo linha de montagem. Mal chegavam, entregavam primeiro os pertences, depois capotes e sapatos, em seguida as roupas do corpo. Até ficarem nus. Tudo muito rápido e atordoante. Quando, finalmente, se aproximavam do ponto em que se ouviam disparos de metralhadora, já era tarde para recuar. Um barranco de 150 metros de comprimento, 30 metros de largura e 15 de profundidade os aguardava. Obrigados a deitar em fila sobre os já executados, cada nova fileira recebia uma rajada de tiros no pescoço. Não é fácil fuzilar individualmente 33.771 mulheres, crianças e homens. Os SSs de Hitler e seus colaboradores locais precisaram de 46 horas para completar o massacre de Babi Yar. Enquanto a Ucrânia esteve sob domínio soviético, e mesmo após a independência, em 1991, inúmeras foram as tentativas de erguer um monumento oficial aos fuzilados. Mas só em outubro do ano passado o imponente memorial que faz jus à História foi inaugurado em Babi Yar. Na presença de três presidentes: da Alemanha, de Israel e o ucraniano Volodymyr Zelensky —o mesmo que o líder russo Vladimir Putin pretendeu esmagar feito pulga com a invasão desencadeada em 24 de fevereiro. Nesta segunda semana de guerra, o memorial aos fuzilados em 1941 permanece milagrosamente de pé, apesar de o país estar em via de esmagamento físico pela Rússia. Também Zelensky continuava vivo à frente de sua já histórica resistência cívica. Onipresente, ora em bunkers, ora entre escombros da capital, ele angariou respeito mundial na marra e no improviso da necessidade. Calouro imprensado entre os interesses da Otan e do poderio militar da Rússia, optou pelo risco de resistir com seu povo. Em apenas uma semana de guerra, tornou-se estadista de uma terra arrasada, órfã de mães, avós e crianças em fugas dilacerantes, que deixam nas trincheiras da pátria seus maridos, pais e filhos entre 18 e 60 anos. Tudo indica que “o pior ainda está por vir”, como disse o presidente da França, Emmanuel Macron, após seu enésimo telefonema com o homem entrincheirado no Kremlin. Das 15 usinas nucleares operacionais distribuídas em quatro regiões do país, a maior delas, Zaporijia, espalhou calafrios mundo afora ao sofrer um ataque e ocupação russos que resultaram num incêndio. Espera-se que pelo menos o medo do imaginado “inverno nuclear” resista como linha vermelha a não ser atravessada pelos dois principais atores por trás dessa guerra: os países da Otan e a Rússia de Putin. Seria este o “iremos até o fim”, anunciado pelo chanceler Sergey Lavrov? Com cinzas a preencher a atmosfera, o bloqueio do nosso sol e o consequente colapso de nossos ecossistemas e da produção alimentar? Nunca é bom sinal quando o chefe da diplomacia de uma superpotência fala em “terceira guerra mundial nuclear e devastadora”. Mesmo o uso de bombas de fragmentação, não nucleares porém estraçalhantes, além de proibidas por uma convenção da ONU de 2008, é capaz de transformar as cidades ucranianas em cemitérios físicos e humanos. Apesar de a convenção ter sido assinada por mais de 111 países, foi solenemente desprezada por Estados Unidos, Rússia, Brasil e Arábia Saudita, entre outros, e faz parte do arsenal destinado a dobrar a resistência ucraniana. Um segundo tipo de bomba proibida, a de vácuo, capaz de sugar o ar e sufocar suas vítimas, também está a bordo do comboio bélico adentrando a Ucrânia pela fronteira norte. Ao longo de toda a primeira semana da guerra, o veterano Fred Pleitgen, um dos 75 profissionais da rede CNN americana (entre jornalistas, motoristas e intérpretes) atuando no front, conseguiu filmar a entrada desse material a partir do território russo. Cabe aqui abrir um meritoso parágrafo para o peso duplo de uma cobertura jornalística de guerra em país sem censura. Para a Ucrânia, o influxo de repórteres e cinegrafistas sustentados por sólidas estruturas planetárias foi uma dádiva. Enquanto a população russa vem sendo servida com açucaradas cenas da “operação militar especial” (o termo “guerra” continua proibido), intercaladas por coreografadas reuniões de Putin com assessores, os combatentes ucranianos extraem coragem da ininterrupta cobertura do que estão vivenciando. Graças à imprensa, sabe-se hoje que crematórios móveis fazem parte do arsenal russo enviado à Ucrânia para que seus mortos não sejam fotografados no abandono, nem sejam devolvidos às famílias quando a verdade se impuser. Mesmo que Putin consiga domínio sobre o território ucraniano, os russos pouco a pouco começarão a conhecer o tamanho do estrago. Virão à tona a extensão do despreparo de suas tropas e as humilhantes falhas iniciais da estratégia de ocupação. Será sentido com impacto pleno o encolhimento drástico da décima potência econômica mundial. Isso sem sequer ainda levar em conta um eventual confronto direto com o poderio assanhado da Otan. Putin prometeu a seu povo reconquistar a Ucrânia que lhe seria devida e convocou a alta cúpula do país invadido a decapitar o governo “neonazista” do judeu Zelensky e a implantar um novo, livre de “marginais drogados”. Contudo, caso o mundo continue de pé, é Putin que corre o risco não impensável, embora longínquo, de vir a ser ele o destronado pelos seus. O fim deste desmundo não está à vista. https://gilvanmelo.blogspot.com/2022/03/dorrit-harazim-o-desmundo.html#more ********************************************************************************
*** Desmundo (Alain Fresnot 2003) - Drama 3.674 visualizações23 de ago. de 2020 *** Povos Indígenas no Brasil 4,01 mil inscritos Baseado no livro homônimo de Ana Miranda, o filme “Desmundo” narra a história das órfãs portuguesas que, em 1570, foram enviadas ao Brasil para se casarem com os colonizadores. Sob o apoio da Igreja, o Estado português pretendia que os colonos tivessem casamentos “brancos e cristãos” reduzindo, assim, o nascimento de crianças mestiças oriundas das relações com índias e negras. A personagem Oribela (Simone Spoladore) é uma das órfãs portuguesa enviadas ao Brasil para o casamento forçado. Obrigada a casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), é levada para seu engenho de açúcar onde é violentada pelo marido. Tenta fugir, embarcar para um navio e voltar a Portugal, mas é recapturada por Francisco que a acorrenta em um pequeno galpão. Ali ela só conta com a ajuda de uma índia que lhe leva comida e aplica plantas medicinais em seus ferimentos. Quando ela sai de seu cativeiro, continua determinada em fugir, até que numa noite, ela se disfarça de homem e segue para a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias (Caco Ciocler), um cristão-novo que morava na região. Mantêm-se escondida no estabelecimento do cristão-novo até ser descoberta pelo marido. Novamente capturada, Oribela retorna à casa de Francisco. Passado algum tempo, Oribela dá à luz a uma criança, deixando-se em dúvida quem seria seu pai. O drama vivido pela personagem faz compreender o título do filme: a colônia, longe de ser o paraíso imaginado pelos primeiros colonizadores e nem mesmo uma reprodução do Reino, transformou-se num “desmundo”, isto é, um “não-mundo”, termo aportuguesado do latim. Fonte: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/... - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues Fonte: Canal SilentRevo https://www.youtube.com/channel/UCw1M... https://www.youtube.com/watch?v=8iJogR6xGN4 ***********************************************************
*** Ensinar História "Desmundo", o filme que mostra o Brasil do século XVI *** São Paulo, sexta-feira, 25 de outubro de 2002 FOLHA DE S.PAULO ilustrada 26ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO "DESMUNDO" Diretor Alain Fresnot adotou o português arcaico nos diálogos Filme reconstitui Brasil do século 16 com saga pessoal DA REPORTAGEM LOCAL Uma imagem de mar e terra invertidos introduz o espectador no relato de "Desmundo", produção brasileira do cineasta Alain Fresnot ("Ed Mort"), baseada no livro homônimo de Ana Miranda, que a 26ª Mostra Internacional de Cinema exibe hoje e no dia 29. O giro da personagem central Oribela -interpretada por Simone Spoladore em seu primeiro longa depois de "Lavoura Arcaica"- acontece no século 16, no sentido da matriz (Portugal) para a colônia (Brasil) e num contexto histórico de comércio de mulheres brancas sob o aval da igreja, que transforma a jovem de noviça em mulher de um imigrante (Osmar Prado). Importava evitar que os cristãos colonizadores se envolvessem com as índias nativas. O envio de órfãs portuguesas era a solução. Quando perseguiu à minúcia a reconstituição de época -no vestuário, mobiliário e costumes-, Fresnot enfrentou um dilema: adotar ou não o modo de falar próprio do período. "Adiei essa decisão, que foi superdifícil. Mas achei que o risco de usar o português coloquial num filme tão intensamente de época seria o de soar superficial. Acabei optando por um rigor mais completo na reconstituição", diz. Por essa razão, "Desmundo" é projetado com legendas da tradução para o linguajar atual do português arcaico dito pelos atores. A tradução inversa (para o arcaico) foi feita pelo professor Helder Ferreira, da USP. Além do casal formado por Spoladore e Prado, o filme tem no elenco Caco Ciocler, Beatriz Segall e Berta Zemel, que retorna ao cinema depois de décadas de ausência. "Fui vê-la em "Anjo Duro" [peça com que a atriz voltou aos palcos, em 2000, depois de 25 anos de ausência], e ela estava ótima. Para mim, é uma honra recolocá-la no cinema", diz Fresnot. "Desmundo" tem lançamento no circuito comercial previsto para maio de 2003. No próximo mês de novembro, o filme concorre pelos Candangos do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. (SILVANA ARANTES) DESMUNDO - Direção: Alain Fresnot. Produção: Brasil, 2002. Com: Berta Zemel, Simone Spoladore. Quando: hoje, às 20h, no Unibanco Arteplex; e dia 29, às 19h, no Market Place. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2510200222.htm ************************************************************************
*** Elio Gaspari: Em 1917, o czar não entendeu nada Aviso ao agro País de vocação e história agrícolas, a Ucrânia tem excelentes institutos de pesquisas. Assim como o antissemitismo trouxe para o Brasil destacados cientistas, a bola está rolando para os pés do agronegócio. https://gilvanmelo.blogspot.com/2022/03/elio-gaspari-em-1917-o-czar-nao.html ****************************************************************************** *** Gilberto Gil - Viramundo (1979) 59.499 visualizações26 de jul. de 2013 *** Chords and Tabs 3,57 mil inscritos Sugerido por Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) Repertório Popular - Gilberto Gil https://www.youtube.com/watch?v=ST9QRk8MpJM *** Viramundo Gilberto Gil Viramundo Sou viramundo virado Nas rondas da maravilha Cortando a faca e facão Os desatinos da vida Gritando para assustar A coragem da inimiga Pulando pra não ser preso Pelas cadeias da intriga Prefiro ter toda a vida A vida como inimiga A ter na morte da vida Minha sorte decidida Sou viramundo virado Pelo mundo do sertão Mas inda viro este mundo Em festa, trabalho e pão Virado será o mundo E viramundo verão O virador deste mundo Astuto, mau e ladrão Ser virado pelo mundo Que virou com certidão Ainda viro este mundo Em festa, trabalho e pão Composição: Gilberto Gil E Capinan https://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/viramundo.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário