terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Vejam as sutilezas do maroto!







"e eu tinha apenas seis anos".





30.



Ilustração de Portinari para o capítulo "O vergalho", in Memórias póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.



O menino é pai do homem
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de "menino diabo"; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce "por pirraça"; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo, – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um - "ai, nhonhô!" – ao que eu retorquia: – "Cala a boca, besta!".
(...)
Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Rio de Janeiro: Record, 1988, p. 32.

Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do narrador

 No trecho lido, Brás Cubas nos apresenta uma visão de fatos que se passaram em sua infância. Essa visão se amplia numa demonstração de como era sua família e o narrador compara os dois pontos de vista – o da personagem e o do homem já maduro – sobre os acontecimentos.
 O narrador maduro sabe mais que a personagem quando criança, pois quando relata sua infância na casa dos pais, olha para ela de modo distanciado, o que lhe dá uma visão crítica sobre o passado. Uma prova disso é o julgamento que faz sobre si mesmo no episódio do doce de coco: "e eu tinha apenas seis anos".
 A visão de Brás Cubas é parcial, já que narra os fatos a partir de um ângulo neles implicado – o de narrador personagem – contando apenas o que vê. Mas esse narrador é capcioso: conta também – e principalmente – as interpretações do que vê e o modo como as vê.
 No trecho em questão, o narrador tece considerações sobre sua infância e faz um balanço crítico de sua vida. Se quando menino era matreiro, opiniático e egoísta, não poderia ser diferente quando homem. Essa idéia está contida no título "o menino é pai do homem", significando que foi a partir desse menino matreiro que se originou o homem Brás Cubas.
 O ponto de vista do narrador maduro é o mesmo que o personagem possuía no próprio momento em que ocorreram os episódios de sua infância.





LIÇÃO 1 EXERCÍCIOS

O texto que segue é o capítulo LXVIII do livro Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

O VERGALHO

Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras:

— “Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!” Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.

— Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!

— Meu senhor! gemia o outro.

— Cala a boca, besta! replicava o vergalho.

Parei, olhei... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio, — o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediume a bênção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.

— É, sim, nhonhô.

— Fez-te alguma coisa? — É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.

— Está bom, perdoa-lhe, disse eu.

— Pois não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!

Saí do grupo, que me olhava espantado e cochichava as suas conjeturas. Segui caminho, a desfiar uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido; aliás, seria matéria para um bom capítulo, e talvez alegre. Eu gosto dos capítulos alegres; é o meu fraco. Exteriormente, era torvo o episódio do Valongo; mas só exteriormente. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato, fino, e até profundo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, — transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!

Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo, Ática, 1995. p. 100-1.




Ilustração de Portinari para o conto O vergalho.








O BRASIL NO DIVÃ
"O Analista de Bagé receberia Bolsonaro com um joelhaço", diz Luis Fernando Verissimo
Em entrevista, escritor imaginou como atuaria o seu célebre personagem diante de alguns temas contemporâneos
07/01/2020 - 11h51min

FOLHAPRESS
Roberto Dias






Luis Fernando Verissimo em sua casaMateus Bruxel / Agencia RBS
A convite da reportagem, Luis Fernando Verissimo imaginou como atuaria o Analista de Bagé diante de alguns temas contemporâneos.
Por exemplo: Jair Bolsonaro. O presidente seria recebido no consultório com uma das clássicas joelhadas de um dos mais famosos personagens criados pelo escritor gaúcho.
Lançado em 1981, O Analista de Bagé foi um sucesso instantâneo. Psicanalista heterodoxo, de traços gaúchos marcantes, o personagem ganhou um monumento em Bagé. Além de uma do próprio Verissimo, há estátuas do Analista e de sua secretária, Lindaura, fundamental para ajudá-lo a resolver os casos mais complicados.
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Aos 83 anos, Verissimo reclama dos males do corpo, mas não deveria ter nenhum motivo para se queixar da mente. Está intacto o pensamento aguçado e bem-humorado que fez dele um dos mais populares escritores brasileiros.
Sua fama o transformou numa vítima frequente de fake news nas redes sociais. 
— Já fui muito elogiado pelo que nunca escrevi — afirmou ele à Folha de S.Paulo há dois anos.
Nesta conversa, Verissimo escreveu. Optou por fazer a entrevista por email, após um encontro em São Paulo — onde ele participaria de uma homenagem ao pai, o também escritor Erico Verissimo (1905-1975).
À saída, diante do elevador, o repórter disse à mulher de Verissimo, Lúcia Helena, e às filhas Mariana e Fernanda que compreendia a opção pelo formato da entrevista: — Se eu escrevesse como ele, também preferiria responder por escrito.
Pergunta - Como seria uma consulta de Jair Bolsonaro com o Analista de Bagé?
LFV - O Analista receberia o Bolsonaro com um joelhaço, para inveja de muita gente.
E se Olavo de Carvalho estivesse na antessala com Lindaura, que indicação ela daria ao Analista?
LFV - Ela avisaria: "esse veio pelo SUS, doutor, que no caso dele quer dizer Sou Uber Sim".
O Analista de Bagé teria um tratamento para os aspectos que o escritor Luis Fernando Verissimo critica no governo Bolsonaro?
LFV - Teria, mas envolveria tratamento com águas, lobotomias e talvez uma nova eleição. Séria, desta vez.
Para encerrar essa jornada do Analista de Bagé: como o inventor do personagem narraria, em 2019, uma consulta de um transexual no consultório do Analista? O sr. se sente como o roteirista de De Volta para o Futuro ao pensar nisso?
LFV - O transexual procuraria o Analista por estar em revolta contra a sua porção mulher, o que poderia ser interpretado como homofobia.
Quando as fake news ganharam a visibilidade atual, imagino que o sr. tenha pensado algo como "bem-vindos ao meu mundo". As fake news chegaram a ser engraçadas para o sr.? Se sim, deixaram de sê-lo? Quando?
LFV - Na medida em que são formas de ficção, as fake news requerem alta dose de criatividade para competir com as news de verdade, estas sim, frequentemente incríveis. O Bolsonaro e alguns dos seus ministros são claramente figuras do realismo mágico, mas reais.
Uma hipótese: o sr. recebe muito mais comentários de leitores quando escreve sobre temas políticos do que sobre outro assunto. Se certa a hipótese, isso faz sentido? Por que tamanho fascínio das pessoas em discutir política?
LFV - A eleição de um candidato improvável como o Bolsonaro energizou o meio político. Parafraseando o que disse aquele irmão Karamázov do Dostoiévski sobre a ausência de Deus, se um Bolsonaro chegou à Presidência do Brasil, tudo é permitido.
As pessoas mundo afora se cansaram de fazer política no sentido de ganhar corações e mentes?
LFV - Eu acho que é o contrário, grupos que não sonhavam com o sucesso político, quase sempre de extrema direita, estão chegando ao poder pela via eleitoral em várias partes do mundo.
Quando o sr. navega em redes sociais, o que mais chama sua atenção?
LFV - O ódio das pessoas. Prova do que eu sempre digo: o mundo não é mau, é só muito mal frequentado.
É cansativo ser de esquerda? Ou seria mais cansativo não ser de esquerda?
LFV - Talvez ingenuamente, eu não entendo como uma pessoa que enxerga o país à sua volta, vive suas desigualdades e sabe a causa das suas misérias pode não ser de esquerda. Ser de esquerda não é uma opção, é uma decorrência. Mas que às vezes desanima, desanima.



Luis Fernando VerissimoMateus Bruxel / Agencia RBS

Como o sr. escolhe um tema para escrever uma coluna no jornal?
LFV - A crônica, ou a coluna, nos permite variar de assuntos e chamar o que sair de crônica. Não nos obriga nem a ser coerentes na escolha do tom, do "approach" como dizem na Mooca, ou do estilo. Pelo menos eu não me sinto obrigado.
Como é ser convidado a opinar sobre tudo? O sr. se impõe limites? (Por favor, não os estabeleça nesta entrevista).
LFV - É bom ter a liberdade de opinar sobre tudo, dentro dos limites da clareza e do bom senso que você mesmo se impõe. Eu comecei a ter um espaço assinado em jornal em 1969. Época do Médici, da censura à imprensa, dos assuntos proibidos. Sei bem como era. É triste constatar que voltam a falar em controle da mídia e ameaçar com uma nova edição do AI-5. No Brasil a nostalgia é uma força política ainda a ser estudada.
A possibilidade de o leitor reagir a qualquer mensagem hoje é muito maior. Em que medida isso altera a mensagem original? Quem escreve pode ficar com medo da polêmica? Ou, ao revés, escreve tão somente para procurá-la?
LFV - Não se deve escrever com medo da reação e da polêmica, ou atrás da reação e da polêmica. Deve-se aproveitar a liberdade que existe hoje, com todas as restrições econômicas combinadas com a revolução tecnológica que afetam os jornais e os jornalistas, antes que os censores e os nostálgicos voltem.
Eu não entendo como uma pessoa que enxerga o país à sua volta, vive suas desigualdades e sabe a causa das suas misérias pode não ser de esquerda.
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O sr. lê as mensagens que recebe?
LFV - Só os elogios.
O sr. gosta de lembrar que a medicina melhorou. E a literatura: melhorou?
LFV - Não estou capacitado para responder. Leio sempre com prazer o Milton Hatoum e o Sérgio Rodrigues, estou lendo o último Le Carré e o último Chico Buarque está na fila, mas não sou mais o leitor voraz e omnívoro que fui um dia.
A despeito de ela ter ou não melhorado, os escritores, como conjunto, têm menos impacto na sociedade do que já tiveram antes. Isso é irreversível?
LFV - Os escritores não têm mais o impacto que já tiveram na sociedade? Não sei. Talvez os atuais cronistas, como o time de humoristas da Folha, estejam recuperando o impacto que tiveram Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Antônio Maria, na época clássica da nossa crônica.
Voltando às fake news: elas são literatura? O que as aproxima ou as distancia disso?
LFV - As fake news que funcionam como fatos falsos e mentiras convincentes obviamente fracassam como literatura.
O sr. costuma ouvir poesia em podcast? O que lhe parece?
LFV - Ouço e leio pouca poesia. Culpa minha, não da poesia.
Quantos livros uma criança deveria ler? Quais? Que roteiro básico o sr. indicaria a um pai de uma criança de, digamos, dez anos, que lhe perguntasse isso de bate-pronto?
LFV - Os livros infantis ficaram muito bonitos, acho que a função do pai ou do avô deve ser a de fornecer beleza, torná-la disponível e deixar o ato da descoberta para a criança.
O sr. acredita que os vídeos assumiram ou assumirão o lugar dos livros na transmissão do conhecimento?
LFV - É a velha questão do veículo e do conteúdo, que existe desde os tabletes de barro da Mesopotâmia. O que é mais importante, veículo ou conteúdo? Um texto numa tela de computador ou num vídeo ainda é um texto, no caso o conteúdo é que vale. Ou o texto em qualquer outro veículo que não seja papiro, papel ou Kindle é inadmissível? Se o livro como nós o conhecemos e amamos vai desaparecer é outra questão. Já anunciaram a morte do livro várias vezes, mas era sempre boato.
É possível manter a profundidade de um livro num vídeo?
LFV - É. Depende do valor do conteúdo, não da natureza do veículo.
Como isso pode impactar a maneira como as pessoas raciocinam?
LFV - Estão dizendo que num futuro próximo os robôs raciocinarão por nós, portanto essa questão estará resolvida.
Escrever no celular algo para publicação: não vou perguntar ao sr. se esse outro mundo é possível porque eu mesmo o faço. Mas pergunto o seguinte: que consequências isso tem no que escrevemos?
LFV - O principal é não nos deixarmos intimidar pela técnica, esquecermos o veículo e nos concentrarmos no texto.
Como o sr. consome informação jornalística?
LFV - Zero Hora, Estadão, Folha e Globo pela ordem de entrega em casa, The New York Times, The Guardian, a revista The New Yorker, TV.
E não jornalística: como o o sr. consome ficção? Em que plataformas?
LFV - Confesso, envergonhado, que tenho lido pouca ficção, além da já citada. Plataforma zero.
A fotografia mais e mais trocou um papel de registro por um de comunicação – informar instantaneamente algo a outras pessoas. O texto sofreu transformação parecida? Ou, pelo contrário, as redes fizeram um desserviço à escrita?
LFV - Na medida em que voltamos ao texto telegráfico e a signos em vez de palavras acho que houve, sim, um desserviço à escrita tradicional, que depende de tempo e espaço para se desenvolver e se explicar.
E os desenhos, como quadrinhos e charges? Eles terão espaço razoável no mundo digital?
LFV - A charge é uma das tradições mais antigas e perenes do jornalismo internacional e continua forte na sua capacidade de resumir uma opinião ou um "insight" como faz desde o século 18.
O que será a tradução do papel das cartas nas artes em, digamos, 50 anos. A troca de tuítes? No que o ato de escrever uma carta é diferente disso?
LFV - Os robôs saberão o que fazer.
O futebol brasileiro ainda existe?
LFV - O futebol brasileiro hoje parece ser o Flamengo com um deserto em volta.
O que o sr. faz para tentar chegar bem até os cem anos?
LFV - Vamos com calma. Quando chegar aos 99, eu revelo como foi.



Luis Fernando VerissimoMateus Bruxel / Agencia RBS













Verissimo: "Não entendo como uma pessoa que enxerga o país à sua volta pode não ser de esquerda"


Morning Show
Verissimo: "Não entendo como uma pessoa que enxerga o país à sua volta pode não ser de esquerda"









LIÇÃO 1

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOÇÃO DE TEXTO

LIÇÃO 1

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOÇÃO DE TEXTO

Comecemos por definir quais são as propriedades de um texto:

A primeira é que ele tem coerência de sentido. Isso quer dizer que ele não é um amontoado de frases, ou seja, nele, as frases não estão pura e simplesmente dispostas umas após as outras, mas estão relacionadas entre si. É por isso que, nele, o sentido de uma frase depende do sentido das demais com que se relaciona.


Posfácio do prefácio


PREFÁCIO

É consensual o reconhecimento de que a escola brasileira não tem cumprido satisfatoriamente o compromisso de ensinar o aluno a compreender e produzir textos com proficiência. Ao final do ensino fundamental e do ensino médio, o estudante não tem se mostrado capaz de extrair do texto os sentidos que ele transporta nem de redigir textos que produzam o resultado planejado.

Submetidos a provas de avaliação junto com alunos de outros países, os nossos têm sido classificados nos últimos lugares. Esse resultado não seria tão preocupante se afetasse apenas o orgulho nacional e não comprometesse os três objetivos centrais perseguidos pelo ensino escolar em qualquer país: a preparação para o mundo do trabalho, para o exercício da cidadania e para a autonomia do aprendizado. Essa última meta da educação formal, da qual dependem em grande parte as duas primeiras, tem estreita relação com o aprendizado da compreensão e da produção de textos.

A capacidade de compreender textos com autonomia é indispensável para acompanhar os constantes e rápidos avanços do conhecimento, sem o que não há possibilidade de exercício competente da profissão; a de produzir textos é condição necessária para quem deseja ter participação ativa nas diversas esferas de atividade da vida em sociedade.

A força de tais evidências nos obriga a aceitar que compete à escola, em qualquer estágio do percurso do aprendizado, empenhar-se para melhorar cada vez mais o desempenho do aluno na compreensão e na produção de textos. A respeito desse objetivo existe unanimidade. As divergências surgem principalmente quando se discutem as competências consideradas necessárias para atingi-lo.

Há quem julgue vão o esforço de oferecer resposta para isso, pois as competências exigidas são tantas que a tentativa de enumerá-las não escaparia ao reducionismo que fatalmente obrigaria o texto a comprimir-se para caber em moldes.

Por outro lado, há aqueles que rejeitam a hipótese de uma leitura única, definitiva ou correta, mas não descartam a possibilidade de leituras cada vez mais ricas e abrangentes; que não acreditam na redação do texto perfeito, mas incentivam o esforço de aperfeiçoá-lo indefinidamente. É entre estes que se colocam os autores deste livro, que foi escrito para confirmar – e não para negar – a crença de que a compreensão do texto é um processo gradual e ininterrupto e de que a sua redação é sempre passível de melhora.

É preciso ressalvar, no entanto, que o reconhecimento dessa evolução gradual e contínua não implica a aceitação de que essa competência seja mero resultado da ação espontânea do tempo e da conjugação de motivações aleatórias, refratárias a qualquer esforço de sistematização.

Modernos estudos de análise do discurso e do texto descreveram inúmeros procedimentos de construção textual que se repetem com regularidade em qualquer texto. Conhecê-los pode aumentar consideravelmente a possibilidade de explorá-los com mais versatilidade, de aumentar o grau de controle sobre eles. Isso tanto para a compreensão quanto para a produção do texto.

Desse modo, se não é possível definir um conjunto limitado de fórmulas que, aplicadas, produzem automaticamente uma leitura definitiva, ao menos é possível sugerir procedimentos gerais, capazes de evitar desvios ou distorções no trabalho com o texto.

Sabe-se que nunca é possível atingir a leitura ou a construção perfeita de um texto, mas é sempre possível controlar interpretações que não encontram sustentação no texto ou redirecionar redações que se desviam do resultado desejado pelo enunciador. É esse o propósito destas Lições de texto.

Os autores
Platão & Florin
leitura e redação


Referências

https://ve.i.uol.com.br/simulado/images/20040527-15.jpghttps://vestibular.uol.com.br/simulado/poli10-3ve.jhtm
https://ve.i.uol.com.br/simulado/images/20040527-15.jpg
Ilustração de Portinari para o conto O vergalho.
http://www.faberj.edu.br/cfb-2015/downloads/biblioteca/portugues_instrumental/Li%C3%A7%C3%B5es%20de%20Texto%20Leitura%20e%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20-%20Fiorin%20e%20Plat%C3%A3o.pdf
https://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/25460483.jpg?w=700
https://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/25460483.jpg?w=700
https://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/25460484.jpg?w=700
https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2020/01/o-analista-de-bage-receberia-bolsonaro-com-um-joelhaco-diz-luis-fernando-verissimo-ck53xmml8021401od2ajnze6d.html
https://youtu.be/9LeLwhsFZoI
https://www.youtube.com/watch?v=9LeLwhsFZoI&feature=youtu.be
http://www.faberj.edu.br/cfb-2015/downloads/biblioteca/portugues_instrumental/Li%C3%A7%C3%B5es%20de%20Texto%20Leitura%20e%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20-%20Fiorin%20e%20Plat%C3%A3o.pdf

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