domingo, 28 de agosto de 2022

canhestramente

Não nasci pra dor E já não há amor Onde não tem cor Ação ***
*** POEMA/WISLAWA SZYMBORSKA Wislawa Szymborska – As Cartas dos Mortos Lemos as cartas dos mortos como deuses impotentes, mas deuses assim mesmo, porque conhecemos as datas posteriores. Sabemos quais dívidas não foram pagas. Com quem as viúvas rapidamente se casaram. Pobres mortos, mortos cegos, enganados, falíveis, canhestramente previdentes. Vemos as caretas e os sinais feitos pelas costas. Capturamos o som de testamentos sendo rasgados. Sentados comicamente diante de nós como no pão com manteiga, ou correndo atrás do chapéu que o vento lhes arrancou da cabeça. Seu mau gosto, Napoleão, vapor e eletricidade, seus remédios mortíferos para doenças curáveis, seu tolo apocalipse segundo são João, o falso paraíso na terra segundo Jean-Jacques… Observamos em silêncio seus peões no tabuleiro, só que movidos três casas à frente. Tudo que previam aconteceu totalmente de modo diverso, ou um pouco diverso, que é o mesmo que totalmente diverso. Os mais fervorosos nos fitam nos olhos com confiança porque, segundo suas contas, verão neles a perfeição. Trad.: Regina Przybycien Fonte: https://singularidadepoetica.art/2017/03/12/wislawa-szymborska-as-cartas-dos-mortos/ ******************************************************************************************************
*** domingo, 28 de agosto de 2022 Luiz Werneck Vianna* - Lembrar Maquiavel *** Ainda não chegamos, mas estamos bem perto de nos livrar do governo que, por todos os meios, atuou obsessivamente no sentido de erradicar a obra da democratização do país que culminou com a promulgação da Carta de 88. Na perseguição desse objetivo tinha em mira repor o regime do AI-5 maquiado a fim de remover obstáculos, sociais, políticos e culturais que travavam uma plena imposição de um capitalismo de estilo vitoriano seguindo as pistas abertas por Margareth Tatcher, Ronald Reagan que Trump visava atualizar. Ao contrário da aparência tosca e descuidada, a rigor o governo Bolsonaro nasce orientado por uma estratégia a que não faltava sofisticação e abrangência de propósitos, animado pela convicção de que lhe era necessário destruir as bases tradicionais sobre as quais se assentava nossa cultura política, no firme objetivo de enraizá-las em terreno tecnocrático refratário à política. Seu lema foi o de que não existe essa coisa chamada de sociedade, ecoando a frase célebre de Tatcher. A opção pelo capitalismo iliberal, defendida canhestramente por Paulo Guedes, seu ministro da Fazenda, emprestou roupagem nova ao capitalismo pirata que teve livre curso, em boa parte pela imobilidade forçada da sociedade pela disseminação da cruel epidemia que se abateu sobre o país. Esse fato funéreo foi comemorado pelo ministro do meio ambiente em tom álacre, Ricardo Salles, em frase imorredoura que aludiu a queda de resistência à passagem de boiadas à doença que mortificava o país. Não houve dimensão ignorada pelo afã destrutivo das hostes bolsonaristas, em especial na área da educação, na da saúde, e de todas as agências reguladoras do meio ambiente, sempre no objetivo declarado de torná-las docemente compatíveis à expansão da acumulação capitalista e seus valores. Havia, no entanto, uma pedra no caminho, as instituições provinham de um tempo em que se sentiu a presença da democracia e das forças que a traziam consigo, e assim como os romanos clamavam por delenda Cartago, cidade-estado que obstava a expansão do seu domínio, a grei defensora do capitalismo trumpista se volta contra a Constituição e seus defensores institucionais, que armaram uma renhida resistência em sua defesa, cujo momento culminante foi o do manifesto de juristas, de personalidades, de entidades empresariais, sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais dado à luz no simbólico dia 11 de agosto na Faculdade de Direito da USP. A partir daí se estreitam as possibilidades de reprodução do governo por vias estranhas às da institucionalidade democrática, como se anunciava na preparação de mais um 7 de setembro catastrófico, quando se cogitou de uma parada militar na Avenida Atlântica no Rio de Janeiro, coadjuvada pela presença de milícias armadas, a respaldarem as palavras de ordem “eu autorizo”, por isso significando a investidura do presidente Bolsonaro com um poder sem freios institucionais. Ao menos por ora, as expectativas continuístas se viram deslocadas para terreno eleitoral. Tal terreno, com o repertório de desastres acumulados ao longo de um governo mal avaliado pela população, com o passivo de 700 mil mortes na pandemia, não podia deixar de ser inóspito às suas pretensões eleitorais, tal como certificado pelas pesquisas e propício a candidaturas de oposição, como a de Lula que se preparava para a oportunidade e contava com um partido capaz de sustentar sua pretensão. Lula e seu estado-maior, na leitura que procederam das circunstâncias, acertadamente compreenderam que uma tal tarefa transcendia às suas forças, investindo na composição de uma frente política. Um largo e audacioso movimento deu forma a essa frente, com a composição da chapa Lula-Alkmin à frente de uma coligação de partidos de esquerda. Esse script surpreendente não resultou de uma simples leitura dos dados então disponíveis, foi, a todos títulos, uma invenção inesperada surgida no calor renhido das lutas políticas de políticos em busca de possibilidades de vitória. Estranho que intelectuais que se arvoram em cultores de Maquiavel, este fundador do pensamento político moderno, se desalinhem de um dos supostos fundamentais de suas lições, qual seja o de respeitar a verdade efetiva das coisas (“la veritá effetuale dele cose”), na vã pretensão de dobrar os processos humanos à sua discrição. Contudo, embora Lula-Alkmin tenha sido uma boa chave para a ação, nada lhe garante a vitória no final. O governo Bolsonaro deitou raízes fundas na sociedade, especialmente nas elites, a quem facultou novos e rentáveis negócios e, sobretudo, garantias de que seus privilégios são intocáveis. Mexeu com um, mexeu com todos, dizem agora os endinheirados em defesa dos empresários pegos com as mãos na botija conspirando contra a ordem democrática. Mais que isso, favoreceu o surto de novos negócios em atividades excusas como na mineração e na construção civil em que máfias se infiltram. E aos conservadores empedernidos de todos os matizes a esperança de que tudo que sempre aí esteve, como o patriarcalismo que nos trouxe ao mundo, sempre ficará. Remover esse governo que aí está é abrir portas para o moderno, cuja passagem tem sido interditada pela modernização autoritária que nos trouxe até aqui. Alargar essa frente democrática de que já temos em mãos o primeiro esboço, recusando idiossincrasias, ressentimentos, inclusive os justificáveis, é o mapa da mina com que poderemos retomar a democratização do país, obra que resta concluir. *Luiz Werneck Vianna, Sociólogo, PUC-Rio ***************************************************** Enfim, hão-de haver outros candidatos. Está correcta? A frase que refere está incorrecta, pois o verbo haver, no sentido de "existir", é impessoal, pelo que a frase correcta deverá ser Enfim, há-de haver outros candidatos. ***
*** carapuça *** Tweet Ver novos Tweets Conversa Jamil Chade @JamilChade Carta aos empresários golpistas: Por uma questão de egoísmo, optem pela democracia. Qualquer outro caminho é ilusão, coberta por mantos ideológicos, de profunda ignorância ou de simples maldade. Cada um de vocês saberá qual carapuça vestir. ***
*** noticias.uol.com.br Jamil Chade - Carta aos empresários golpistas: vocês ganham mais com a democracia Esta é parte da versão online da newsletter do Jamil Chade enviada ontem (27). Na 8:22 AM · 28 de ago de 2022·Twitter for iPhone https://twitter.com/jamilchade/status/1563849598703206406?s=24&t=LsEWBfV7KPB1SDA2Bii_Zg *****************************************************************************************
*** domingo, 28 de agosto de 2022 Luiz Carlos Azedo - Simone Tebet, uma grata surpresa no Jornal Nacional Correio Braziliense A candidata do MDB foi muito cobrada pelos entrevistadores da Globo por seu desempenho como vice-governadora do Mato Grosso do Sul, cargo que exerceu antes de ser eleita senadora Para a maioria dos eleitores que acompanharam as entrevistas dos candidatos à Presidência aos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos, no Jornal Nacional (Rede Globo), Simone Tebet (MDB) foi uma grata surpresa, quando nada porque era muito menos conhecida do que os seus concorrentes: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que governou por dois mandatos, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, e Ciro Gomes (PDT), que disputa o comando do Palácio do Planalto pela quarta vez. Simpática, bonita, firme, experiente, segura e com boas propostas, a entrevista serviu para que se descolasse dos caciques do MDB, que podem aumentar sua rejeição sem lhe dar um voto, e tentasse uma conexão direta com os eleitores, até porque não tem outra alternativa. Simone está sendo “cristianizada” abertamente pela ala da legenda engajada na volta de Lula ao poder, principalmente no Nordeste e no Sudeste, e as lideranças do Sul, Centro-Oeste e Norte do país que fazem parte da base de sustentação de Bolsonaro. Não foi à toa que citou como referências da legenda, além de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, apenas os ex-governadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcellos (PE), que estão vivos. Simone foi muito cobrada pelos entrevistadores da Globo por seu desempenho como vice-governadora do Mato Grosso do Sul, cargo que exerceu antes de ser eleita senadora. Ao responder os questionamentos sobre os índices locais da educação, aproveitou para dizer que será uma das cinco prioridades de seu eventual governo. Repetiu a estratégia quando foi questionada sobre os índices de violência de Mato Grosso do Sul, que atribuiu ao fato de o estado ser a porta de entrada para o tráfico de drogas e de armas, sem que os recursos que deveriam ser destinados ao combate aos crimes de fronteira chegassem ao destino. Propôs a recriação do Ministério da Segurança Pública e a integração das ações dos órgãos federais e estaduais contra o crime organizado em todo o território nacional. “Nós temos três reformas tributárias importantes no Brasil. Mas a mais importante, hoje, é a do consumo, porque quem mais paga imposto é o pobre, é o que mais consome”, afirmou, usando o tempo da resposta para falar com a população de baixa renda: “Proporcionalmente à renda, quanto você deixa no supermercado? Quanto eu deixo no supermercado? Quanto o pobre deixa no supermercado? Ele deixa metade, um pouco mais da metade do salário. Então, a reforma tributária mais emergente está pronta para votar no Congresso Nacional. Só não votou porque o presidente (Bolsonaro) não quis, porque nós tentamos votar na Comissão de Constituição e Justiça.” Simone falou em aliviar o imposto de renda da classe média e taxar os lucros e dividendos para tirar dos mais ricos. Segurança familiar A candidata do MDB luta para se manter no jogo a partir da campanha eleitoral no rádio e na televisão. Larga como uma candidata sem chances de chegar ao segundo turno e em risco de ficar no limbo eleitoral, apesar de tudo isso, por falta de uma campanha eleitoral estruturada de forma robusta. Quando disse que precisa apenas de um microfone e um caixote para fazer campanha, estava se referindo ao fato de poder andar na rua sem provocar reações de petistas e bolsonaristas, um pouco por sua fraqueza eleitoral e muito por ser mulher num universo de disputa machista e polarizado. Além da educação, segurança e reforma tributária, Simone apontou como prioridades a saúde e a geração de trabalho e renda. Defendeu um programa econômico liberal, cujas propostas mais inovadoras são uma poupança popular para os trabalhadores informais, que serviria como uma espécie de Fundo de Garantia, além de uma poupança para os jovens, que poderia ser sacada quando concluíssem o ensino médio. Simone está como um foguete que volta do espaço sideral para a atmosfera: se não pegar o ângulo correto na propaganda de rádio e tevê, pode resvalar e ficar perdida no espaço. Sua única possibilidade para crescer é deslocar Ciro, que tem pouco tempo de televisão — porém, o candidato do PDT é muito mais conhecido e resiliente. Tem duas semanas para fixar sua imagem e romper a bolha em que se encontra. No último Datafolha, de 18 de agosto, Lula contava com 47% das intenções de voto no primeiro turno; Bolsonaro (PL), com 32%; e Ciro, em terceiro, com 7%. Só uma grande alteração nesse quadro pode abrir espaço para Simone crescer, pois larga com 2%. Por isso, tenta explorar o protagonismo feminino e o foco nas crianças e nas famílias. Numa situação social como a que o país vive, a desestruturação das famílias de baixa renda é uma realidade muito cruel que Bolsonaro explora pelo ângulo dos costumes, mas que exige uma abordagem em termos de políticas públicas. Simone associa a segurança familiar às políticas de educação, saúde, segurança pública, trabalho e renda, com uma narrativa na qual se apresenta maternalmente. As pesquisas dirão se vai funcionar. ********************** *** Paulineia Rebeca Canhestro Ainda não temos a cifra desta música. Contribua! Concreto, brita e aparência Feita de ausência no lugar Embaraço visual Fone auricular Para conter o barulho, pavimentar O futuro é labirinto do dia Mas existe amor Eu vi num tijolo deitado na guia Xi, foi minha mãe quem me ensinou a revidar Me disse que se for Pra levar desaforo pra casa É melhor nem sair E aí, eu desapareci Não tá no jornal Na televisão No policial Na mão Do marginal Do cidadão Ah, grande irmão irreal Tem tanta destruição Tem tanta distração Vem cantar arguição Não nasci pra dor E já não há amor Onde não tem cor Ação https://www.cifraclub.com.br/rebeca-canhestro/paulineia/letra/ *****************************************************************

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