Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Aldrabão de plantão
UMA OBRA POR VEZ - PIERRE AUGUSTE RENOIR
Roberto Carlos negro gato 1966 original
“ Quem com patacoada fere, com patacoada será ferido!"
O texto discute como a Guerra do Paraguai continua sendo um tema sensível para a diplomacia brasileira, frequentemente evitado por reabrir feridas históricas. Destaca a devastação sofrida pelo Paraguai — com enorme perda populacional — e a violência do conflito, incluindo a morte de Solano López e a destruição final de seu país.
O artigo também aborda controvérsias históricas (como o suposto papel da Inglaterra, considerado sem provas) e o caráter brutal da guerra, simbolizado pela apropriação de objetos e pela profanação do corpo de López.
No presente, o tema ainda gera tensões: declarações recentes de Lula sobre o conflito provocaram reação do Paraguai, evidenciando divergências de interpretação histórica. Esse atrito ocorre em meio a negociações estratégicas sobre Itaipu, energia e influência internacional, mostrando como o passado continua impactando as relações políticas e diplomáticas atuais.
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da nosssa diplomacia
Publicado em 31/07/2026 - 07:05 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Eleições, EUA, Geografia, Governo, Guerra, Inglaterra, Itamaraty, Literatura, Memória, Militares, Paraguai, Partidos, Política, Política, Segurança, Trump
O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado
Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, Xadrez, Truco e Outras Guerras, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau.
A guerra começou em 1864, com a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda e a invasão da então província de Mato Grosso pelas forças paraguaias, e terminou em 1870. O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. Não há provas de que a Inglaterra teria provocado a guerra para destruir um Paraguai industrializado e autônomo.
A memória do conflito permanece tão sensível que boa parte da documentação histórica é cercada por controvérsias sobre seu sigilo. Em 2004, o governo paraguaio chegou a pedir oficialmente acesso a arquivos brasileiros sobre a guerra e da posterior demarcação das fronteiras. Para o Itamaraty, mexer nesse passado sempre significa reabrir feridas que a integração bilateral procura cicatrizar.
Solano López morreu em Cerro Corá, ou Aquidabanigui, em 1º de março de 1870, na última batalha da guerra. Depois da derrota paraguaia em Campo Grande, em agosto de 1869, o que restava de seu exército havia sido reduzido a algumas centenas de combatentes, entre velhos, adolescentes e crianças, famintos, malvestidos e precariamente armados. Em 26 de fevereiro de 1870, o general José Antônio Correia da Câmara avançou contra o acampamento de López à frente de mais de 2 mil homens. Francisco, o Panchito, filho de López, com apenas 15 anos, morreu durante a resistência. Foi uma operação rápida e brutal, de cerco e aniquilamento.
Leia também: As descobertas que contradizem o que a escola ensinou sobre a Guerra do Paraguai
López tentou escapar acompanhado de poucos oficiais, mas foi alcançado por soldados brasileiros. A narrativa oficial sustenta que recusou a rendição e morreu em combate; outra hipótese é que tenha sido executado quando já estava gravemente ferido. O cabo José Francisco Lacerda, o Chico Diabo, atingiu-o com uma lança. Depois, houve um disparo de autoria controversa. Seu cadáver foi mutilado e seus objetos pessoais transformados em troféus.
A espada de López foi enviada ao imperador Dom Pedro II. Sua condecoração ficou com o então visconde do Rio Branco; o general Câmara, com seu relógio, mais tarde doado a um museu. Chico Diabo tomou para si uma faca de prata e ouro com as iniciais FL, de Francisco López. O saque dos objetos pessoais e a profanação do cadáver sintetizam uma campanha de extermínio, na qual a eliminação física de Solano López se confundiu com a destruição do que restava de seu país.
Terreno minado
Outro símbolo desse passado é o canhão El Cristiano, de 12 toneladas, hoje exposto no Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, no Rio de Janeiro. Fundido com o bronze dos sinos de igrejas paraguaias, foi capturado como troféu. Para os paraguaios, é uma lembrança material da devastação sofrida. Uma boa ideia seria devolvê-lo.
Lula pisou nesse terreno minado: “A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”. E simplificou um conflito complexo: o Paraguai invadiu territórios do Brasil e da Argentina, mas não invadiu o Uruguai, porque Solano López apoiava o governo blanco uruguaio e considerava a intervenção brasileira naquele país uma ruptura do equilíbrio regional.
Leia mais: Mal-estar com Paraguai se agrava e gera protesto diplomático
A reação de Assunção às declarações era previsível. O presidente Santiago Peña telefonou a Lula, e o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para receber uma nota oficial. Esse é um gesto formal de descontentamento. O Paraguai se enxerga como vítima de um massacre.
O estresse diplomático ocorre durante as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras e comerciais da energia produzida pela hidrelétrica. A tarifa foi fixada em US$ 19,28 por quilowatt até 2026, mas continua pendente a definição das regras para a comercialização do excedente paraguaio. Cada país tem direito a 50% da energia, e o Paraguai cede ao Brasil a parcela que não consome. Assunção quer negociar essa energia no mercado e obter uma remuneração maior. Itaipu é estratégica para o sistema elétrico brasileiro.
A relação já havia sido agastada pela revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência teria invadido sistemas do governo paraguaio para obter informações sobre a posição de Assunção nas negociações, no governo Jair Bolsonaro e no início da atual administração. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defende que o excedente energético seja utilizado para alimentar centros de dados e projetos de inteligência artificial das big techs, que seriam instalados no Paraguai. A alternativa fortalece o poder de barganha de Assunção.
Vale a pena ler de novo:
Livro conta a história dos soldados negros que morreram na guerra do Paraguai
Diplomacia do governo Lula tem dualidade insustentável
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Guerra, #Itaipu, #Paraguai, #Peña, Lula, Rúbio
Insensatez
Tom Jobim
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim?
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado
Ah, meu coração, pede perdão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
Ah, meu coração, pede perdão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
Composição: Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Jobim.
Se algo estivesse correto, sustentaria que estava errado; se estivesse errado, afirmaria o contrário. Não viera para provar ou edificar, mas, à maneira daquele célebre diálogo em que o Diabo expõe a Deus o intento de sua igreja, apenas para desfazer, desmanchar e negar.
Projeto não muito diverso do que, entre nós, já se viu propalado — seja pelo aldrabão de ocasião, seja pelo aldrabão literário — ambos afeitos mais à inversão das verdades do que à sua construção.
“O Brasil estava a dar um exemplo ao mundo, meu amigo. Aquilo é um aldrabão de primeira.”
O Aldrabão
Teatro Nacional D. Maria II
17 de out. de 2013
SALA GARRETT - 17 OUT A 17 NOV 2013
Pseudolus (titulo original), considerada uma das melhores comédias de Plauto, para alguns a sua obra-prima, é um dos textos centrais da dramaturgia ocidental. O tema da separação e do reencontro dos apaixonados é abordado nesta comédia de enganos, repleta de mal-entendidos e trocadilhos. A ação tem lugar numa rua de Atenas e centra-se na personagem do escravo Pseudolo e na forma como engana um proxeneta para lhe roubar uma cortesã amada pelo seu amo e que estava destinada a um soldado. As suas trapaças, a humilhação dos poderosos e sem escrúpulos servem para enaltecer esta personagem e o triunfo dos escravos.
de Plauto
tradução Luís Vasco, adaptada a partir da tradução francesa de Édouard Sommer
versão cénica e encenação João Mota
cenografia João Mota e Eric da Costa
figurinos Carlos Paulo
desenho de luz José Carlos Nascimento
música original, direção musical e sonoplastia Hugo Franco
movimento Jean-Paul Bucchieri
com Virgílio Castelo, Rui Mendes, João Ricardo, Fernando Gomes, Carlos Vieira de Almeida, Rui Neto, Miguel Costa, Miguel Raposo
figurantes Diogo Tormenta, Guilherme Gomes, João Dantas, João Ventura, José Leite, Nuno Rodrigues, Rafael Gomes, Ricardo Teixeira, Sérgio Coragem e Simão Biernat
músicos Luís Bastos (sopros), Rini Luyks (acordéon e teclados) e Gonçalo Santuns (percussão)
pintura de telão Silveira Cabral e Teresa Varela
confeção de adereços Teresa Varela
produção TNDM II
M/12
'Capítulo dos chapéus' de Machado de Assis | Audiobook do conto completo | Sussurros de Tinta
IA
Sussurros de Tinta
30 de jun. de 2024 #AudioBook #MachadodeAssis #LiteraturaBrasileira
Bem-vindos ao canal "Sussurros de Tinta"! Neste vídeo, vamos ler o conto "Capítulo dos chapéus" de Machado de Assis, uma das joias da coletânea "HISTÓRIAS SEM DATA de 1882". Acompanhe-nos enquanto exploramos a narrativa envolvente e as nuances deste conto clássico, discutindo seus personagens, temas e a magistral escrita de Machado de Assis. Se você é um amante da literatura brasileira ou simplesmente quer descobrir mais sobre este icônico autor, não perca este vídeo! Não se esqueça de se inscrever no canal e deixar seu comentário abaixo sobre suas impressões e interpretações do conto.
ALDO REBELO EXPLICA POR QUE ACEITOU ENTRAR NA CAMPANHA DE CAIADO
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sexta-feira, 31 de julho de 2026
O cerco americano ao capitalismo, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá
Para entender as aberrações de conduta política do presidente americano e de seu secretário de Estado em relação a países como o nosso, é sociologicamente incorreto imputar a Lula e às esquerdas a responsabilidade pela polarização ideológica que nos sufoca e cerceia.
Responsabilizá-los ainda é parte do jogo político da polarização promovida pelo “centro”. Em várias partes, as esquerdas da era pós-stalinista jogam o jogo já feito para nele identificar e superar seus erros, suas brechas, e ocupá-las.
As esquerdas já entenderam que não são elas que fazem o jogo político contemporâneo pois já feito pelas irracionalidades, pelas ambições de riqueza e poder, pela corrupção, que delas decorre. Há muito, o mundo não está polarizado entre capitalismo e comunismo. Está determinado pelo mero crescimento econômico a qualquer preço, de lucro imediato e desmedido, sem desenvolvimento social.
As esquerdas assumiram a função política de agentes de consciência social crítica das contradições autodestrutivas do capital.
Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá. Isso não é coisa de agora. Em relação a nós, vem de longe.
É preciso definir as temporalidades do crescente processo de ação americana em suas relações internacionais no sentido de monitorar e limitar economias do Terceiro Mundo e, no que nos interessa, cercear o desenvolvimento capitalista na América Latina e, em particular na Argentina, no México e no Brasil.
O capitalismo se desenvolveu mais típica e caracteristicamente na Inglaterra, onde ocorreu a primeira revolução econômica capitalista. O Brasil nasceu, como país independente, patrocinado e financiado pela Inglaterra, que concebeu nossa independência e a financiou como parte do projeto inglês de potência econômica colonial. Esse plano está num documento de 1805 da Biblioteca Britânica, de Londres.
Quando a crise do capitalismo abateu o capitalismo inglês, o eixo da economia internacional se deslocou para os EUA. Surgiu a “doutrina” da América Latina como quintal americano, agora ainda invocada pelo governo Trump. O chamado imperialismo surgiu geopoliticamente como um modo de impedir a expansão territorial do capitalismo, para concentrar na metrópole sua poderosa capacidade de produzir riquezas e distribuí-las parcimoniosamente por menos do que o apetecido pelos subdesenvolvidos.
Antes mesmo de consolidar-se a transferência da hegemonia econômica da Inglaterra para os EUA, os americanos já temiam e estavam preocupados com o desenvolvimento da indústria no Brasil. Nos anos 1920, o Departamento de Comércio realizou na Argentina e no Brasil uma pesquisa sobre o desenvolvimento industrial nos dois países.
Descobriu que ambos tinham um desenvolvimento industrial significativo, com capacidade ociosa para atender a demanda interna de produtos industrializados numa eventual crise que dificultasse a importação de bens de consumo. Nossa industrialização não nasceu da crise do café, como equivocadamente supôs Celso Furtado, que não examinou os documentos americanos para explicá-la.
Os nossos engenheiros, mesmo os formados nas escolas militares, e nossa mão de obra qualificada, foram capazes de inventar peças e máquinas, começaram a substituir importações substituindo peças desgastadas de máquinas importadas por peças fabricadas aqui mesmo, artesanalmente, com a reciclagem de ferro-velho. Ou importação de matéria-prima.
Mesmo a espionagem industrial entrou no jogo. Antônio Pereira Inácio, que seria sogro de José Ermírio de Moraes, expressão da burguesia nacional, fez isso em empresas americanas. Quando decidiu voltar ao Brasil e montar sua própria indústria, devolveu à empresa que espionara todos os salários recebidos.
O exemplo que entre nós evidencia o quanto o capitalismo americano é anticapitalista é o da biografia de Roberto Cochrane Simonsen, industrial e político. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os americanos montaram o Plano Marshall para aplicar recursos de rápido desenvolvimento econômico nos países vencidos, especialmente na Europa.
Roberto Simonsen foi aos EUA defender que o Plano Marshall fosse estendido à América Latina, que se transformaria numa potência econômica. Os americanos recusaram o apoio. Sem dizê-lo, não queriam que a América Latina se transformasse numa potência capitalista. Ficamos confinados nos limites bem definidos de um subcapitalismo, como o definiu Fernando Henrique Cardoso.
O texto argumenta que o capitalismo dos Estados Unidos estaria em decadência e que o país tenta se defender limitando o desenvolvimento capitalista de outras nações, especialmente na América Latina. O autor critica a ideia de que a polarização política atual seja responsabilidade das esquerdas, afirmando que elas hoje atuam mais como críticas das contradições do sistema capitalista.
Segundo o artigo, o mundo não está mais dividido entre capitalismo e comunismo, mas sim orientado por um crescimento econômico voltado ao lucro imediato, sem preocupação social. O autor também sustenta que, historicamente, potências como Inglaterra e depois os EUA atuaram para controlar ou restringir o desenvolvimento econômico de países como o Brasil.
Ele cita exemplos históricos, como a recusa dos EUA em incluir a América Latina no Plano Marshall e o apoio ao golpe de 1964, para defender a ideia de que houve uma estratégia de manter a região em um nível de “subcapitalismo”, evitando que se tornasse uma potência econômica.
O golpe de 1964 foi patrocinado pelo governo americano em nome da geopolítica da dominação econômica. Para não sermos o que tínhamos condições de ser.
Rogério Werneck
Escalada de insensatez
Nunca houve a menor dúvida de que Lula da Silva estaria disposto a "fazer o diabo" para vencer a disputa presidencial. Mas, desta vez, sobram razões para crer que o diabo pode se afigurar bem mais assustador do que já foi no passado.
À primeira vista, pareceria ser só uma recorrência do velho padrão de farra fiscal que se viu em 2014, na reeleição de Dilma Rousseff, e, em 2022, com Jair Bolsonaro, coadjuvado pelo próprio Lula, que com ele travou um torneio desvairado de promessas eleitoreiras de reajustes do Bolsa Família que redundou na triplicação dos custos do programa.
A verdade é que, desta vez, o "fazer o diabo" vem assumindo contornos ainda mais preocupantes do que em 2014. É bom ter em conta que até mesmo Dilma Rousseff, passada a pior fase do delírio da nova matriz econômica, tinha consciência de que a farra fiscal que vinha perpetrando era reprovável. Tanto é que fez das tripas coração para esconder do País, até o dia seguinte do segundo turno, que o superávit primário ainda vultoso que vinha prometendo para 2014 se transformara em déficit já avantajado.
No fundo, Dilma alimentava a fantasia de que, uma vez reeleita, poderia reverter seus desmandos na área fiscal. Foi o que tinha em mente ao nomear, para seu segundo mandato, um ministro da Fazenda com o perfil de Joaquim Levy.
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Festival de ideias tortas exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4
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O que agora se vê é bem diferente. O governo não vem dando qualquer indicação de que reconhece que a farra fiscal que vem promovendo é reprovável. Ou de que tem consciência de que os desregramentos de seus abusos eleitoreiros estão fadados a exigir medidas compensatórias ainda mais duras no futuro.
Muito pelo contrário, a equipe econômica do governo, agora, vem se empenhando em defender, em documentos oficiais, alegações sem pé nem cabeça que supostamente dariam respaldo à conclusão triunfalista de que a farra fiscal em curso não só faria todo sentido, como só traria benefícios ao País. Uma espécie de versão 2.0 da nova matriz econômica.
Some-se a isso a desajuizada iniciativa de Lula de recrutar na ala jurídica do PT quem possa delinear o que será seu programa de governo, caso venha a ser reeleito aos 81 anos. Falam por si as notícias de conversas tortas recentes, em instituições financeiras, em que figurões petistas se permitiram desfilar ideias estapafúrdias de todo tipo, mencionando até mesmo controle de capitais.
Salta aos olhos que se trata de outro jogo, assustadoramente mais insensato, que só exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4.
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ECONOMISTA, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE HARVARD, É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO
Com a elevação de 1,2 ponto percentual, o juro médio dessa modalidade atingiu o maior patamar em quase dez anos
José Cruz/Agência Brasil/Divulgação/JC
Agências
Publicada em 30 de Julho de 2026 às 14:05
Juro médio cobrado das famílias sobe a 64% em junho, maior patamar em quase 10 anos
Crédito Maior valor em quase 10 anos
Juro médio cobrado das famílias vai a 64% em junho
A taxa média de juros do crédito livre (em que as condições de financiamento são pactuadas diretamente entre bancos e clientes, sem subsídio do governo) para pessoas físicas subiu de 62,8% ao ano, em maio, para 64% em junho, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Segundo o chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, é o maior valor para a modalidade desde abril de 2017 (66,6%), puxado pelas operações de crédito pessoal sem consignação.Já a taxa cobrada das empresas oscilou de 24,9% (revisado, de 25,2%), em maio, para 24,4%.
Ainda pelos dados do BC, o volume de concessões de crédito livre aumentou 6,7% em junho, para R$ 468,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 9,3%. Os dados não têm ajuste sazonal.
MARIANNA GUALTER e CÍCERO COTRIM/BRASÍLIA
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