segunda-feira, 6 de julho de 2026

Moinho pelo tempo

Haaland decide, Brasil naufraga diante da Noruega e cai nas oitavas Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa Revolta | Poema de Guimarães Rosa com narração de Mundo Dos Poemas Mundo Dos Poemas Brasil dá adeus à Copa do Mundo após derrota para Noruega | Papo Antagonista - 06/07/2026 O Antagonista Transmissão iniciada há 20 minutos Papo Antagonista | 2026 No Papo Antagonista desta segunda-feira, 6, falamos sobre a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1. A desclassificação da seleção adia por mais quatro anos o sonho do hexa. Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores. Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
AO VIVO: Dá Jogo entrevista Juan Filho, o “sósia do Vini Jr.” Música | Monica Salmaso - A terceira margem do Rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso) Em 1965, o Camboja tentava manter sua neutralidade sob o governo do Príncipe Norodom Sihanouk, mas foi inevitavelmente arrastado para a Guerra do Vietnã. O aumento dos combates nas fronteiras causou uma crise humanitária e levou à chegada de agências como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Esse período também marcou o início de bombardeios norte-americanos secretos na região de fronteira. Esses ataques desestabilizaram o país e alimentaram o extremismo que, mais tarde, daria ascensão ao regime do Khmer Vermelho.
Exposição resgata histórias do Moinho Vera Cruz Fábrica desativada desde 2005 atuou por 52 anos em Juiz de Fora; moradores da Zona Norte e ex-funcionários contam histórias da época através de depoimentos e imagens Por Tribuna 25/05/2022 às 07h00
Exposição permite que os participantes interajam com as obras (Foto: Divulgação) O Moinho Zona Norte inaugurou a exposição “Moinho pelo tempo”. A proposta é recontar a história do Moinho Vera Cruz através do depoimento de dez pessoas – alguns ex-funcionários e outros moradores da Zona Norte. A indústria de moagem de trigo e derivados para o setor produtivo começou suas atividades nos anos de 1960 e encerrou em 2005. Atualmente, o lugar dá espaço ao Moinho, que mescla atividades que envolvem moradia, saúde, educação e comércio. Serafim Francisco, José Nery Dias, Luzia Ferraz, José Francisco de Souza, Marly Soares Silva, Antônio Almas, José Luiz Ribeiro, Francisco Neris Filho, Janaína Pires e Carlos José Ferraz são os personagens que dão rosto às memórias. A exposição reúne alguns depoimentos colhidos pelas organizadoras, Carú Rezende e Fernanda Lauro, além de retratos desses depoentes que foram impressos em papel que remete a proposta de uma polaroid, para dar ainda mais um aspecto de memória. Ao lado dessas imagens, estão ainda outras, em telas de tecido, que mostram como era o Moinho antigamente. Em preto e branco, alguns desenhos impressos em tecidos semi-transparentes ressaltam como era a antiga arquitetura do local e ilustram itens pessoais dos entrevistados, como carteiras de trabalho. Um vídeo de 12 minutos também está disponível na exposição. Nele, são apresentados os entrevistados que ainda foram convidados a estar no Moinho agora, depois da transformação. Esse reencontro foi todo registrado. “Toda história é feita por pessoas. Pessoas reais, com suas vidas cotidianas e extraordinárias, que vão construindo, dia após dia, aquilo que chamamos de memória. Com a exposição ‘Moinho pelo tempo’ queremos ressaltar essa história viva, pulsante, valorizando personalidades que têm suas vidas entrelaçadas ao espaço do Moinho”, dizem as organizadoras em comunicado enviado à imprensa. Interessante para você Serviço Moinho pelo tempo Seg. a sex., das 8h às 18h, no Moinho Zona Norte (Avenida Presidente Juscelino Kubitschek 900 – Francisco Bernardino). Classificação: Livre.
A Redonda, a Planilha e os Deuses do Futebol: O Pênalti da Cal ao Algoritmo Por um Cronista Moderno (À Moda de Mário Filho) O futebol brasileiro sempre teve mais necessidade de um culpado do que de uma explicação tática. No país que transformou a derrota em pecado capital e o revés em drama nacional, a cal do pênalti não mede apenas os onze metros que separam a glória do inferno; mede, acima de tudo, o tamanho do pescoço que se oferece à guilhotina da opinião pública. Historicamente, fomos a pátria dos bodes expiatórios. Moacir Barbosa, o maior goleiro de sua era, foi condenado à prisão perpétua sem direito a sursis pelo crime de não adivinhar o chute milimétrico de Ghiggia em 1950 — uma injustiça com indisfarçáveis contornos de preconceito racial que carregou até o túmulo. Zico, o semideus da Gávea, virou réu em 1986 porque o goleiro Bats interceptou sua cobrança no calor do México. Toninho Cerezo, em 1982, viu a beleza poética do meio-campo mais refinado do planeta ser reduzida a um passe lateral herético nos pés de Paolo Rossi. Roberto Carlos, em 2006, foi transformado em estátua de sal por ajustar uma meia enquanto Henry empurrava a bola para as redes. O tribunal da arquibancada — e, agora, o das redes sociais — é implacável: a derrota precisa de uma assinatura, de um CPF. E, na ausência de um, inventa-se o crime. A Noite da Calma em 1958: Quando Didi foi Rei Para entender o crepúsculo da autonomia do jogador moderno nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da pragmática Noruega, é preciso fazer a viagem de volta ao solo sagrado de Råsunda, na Suécia de 1958. O Brasil sofria o gol relâmpago de Liedholm aos 4 minutos. O fantasma de 1950, com suas correntes de complexo de vira-lata, ameaçava arrastar o scratch para mais um abismo psicológico. Bellini ostentava a braçadeira de capitão, mas a liderança daquela paróquia pertencia a Waldir Pereira, o Didi. O Senhor Futebol não correu. Não se desesperou. Caminhou até o fundo da rede de Gilmar, recolheu a bola com a solenidade de um pontífice carregando o Santo Graal e colocou-a debaixo do braço. Cruzou o gramado em passos calculados, ditando o ritmo do relógio e do coração dos aflitos. Olhou para os companheiros e sentenciou: "Vamos ganhar deles lá dentro". Didi não pediu autorização a Vicente Feola. Não consultou um manual de procedimentos. Sua autoridade era moral, empírica e soberana. O Brasil virou o jogo, goleou por 5 a 2 e descobriu-se gigante. Didi foi Didi porque a era lhe permitia a audácia de ser dono do próprio destino. A Tarde da Planilha em 2026: Quando Vini Jr. foi Ativo Sessenta e oito anos depois, no gramado do MetLife Stadium, a Seleção Brasileira reencontrou o peso de uma decisão contra a Noruega. Pênalti marcado a favor do Brasil no primeiro tempo, quando o placar ainda mostrava o equilíbrio nervoso do mata-mata. O roteiro romântico exigia que Vinicius Jr., o herdeiro legítimo da camisa 7 e artilheiro do time, pegasse a bola e resolvesse a fatura por puro instinto de realeza. Vini de fato pegou a bola com as próprias mãos. Mas o fez como um ator cumpre uma marcação cênica rigorosa. Protegeu o espaço físico, evitou o trash talk do goleiro norueguês Ørjan Nyland e, ato contínuo, entregou o couro nos pés de Bruno Guimarães. Não houve rebeldia; houve o cumprimento burocrático de um memorando interno. A justificativa de Carlo Ancelotti no Ge.Globo e de seu filho, Davide, veio fria e matemática: a comissão técnica trabalha sob o império dos analytics. Na ausência de Neymar (no banco), Raphinha e Igor Thiago, a planilha apontava Bruno Guimarães como o batedor de maior aproveitamento nos treinos prévios. Vini Jr., a despeito de seus quatro gols no torneio, estava fora do "Top 5" estabelecido pela comissão. O pragmatismo europeu silenciou o lirismo brasileiro. O pênalti foi defendido por Nyland, Erling Haaland puniu a desorganização nacional com dois gols no segundo tempo, e o Brasil acabou eliminado nas oitavas de final por 2 a 1. Aqui reside o paradoxo ético e comercial do esporte contemporâneo. A Copa do Mundo, organizada sob a égide do grande capital, é um festival de negócios onde o jogador não é apenas um atleta, mas um ativo financeiro global. Patrocinadores e gestores de imagem investem centenas de milhões de dólares na valorização do "produto" Vinicius Jr. Sob a ótica do fair play britânico moderno e da gestão de riscos corporativos, expor o principal embaixador da marca a uma cobrança onde as probabilidades matemáticas jogavam contra seria uma imperícia administrativa. Mitigar o risco de transformá-lo no novo Barbosa de 1950 ou no Zico de 1986 é uma decisão lógica de mercado. A inferência de que Vinicius Jr. "não pôde ser ele mesmo" é o diagnóstico mais lúcido desta era. O jovem de São Gonçalo foi engolido pela engrenagem que o consagrou. No futebol industrializado do século XXI, o espaço para o heroísmo intuitivo de Didi foi substituído pelo algoritmo de Ancelotti. Se batesse e errasse, Vini seria imolado no altar da cultura de bodes expiatórios. Como não bateu, foi acusado de omissão por analistas que ainda calçam as chuteiras da nostalgia. No ecossistema hipercrítico do futebol moderno, o craque está condenado à culpa de qualquer maneira. Didi jogava para a eternidade e para o povo; Vinicius Jr. joga para a eficiência e para o mercado. O Senhor Futebol pôde carregar a bola debaixo do braço para mudar a história porque a bola, naquela época, ainda era um brinquedo de couro. Hoje, a bola é um ativo circulante. E ativos circulantes não aceitam o risco do improviso. Post Scriptum: O Moinho de Cartola e a Espetada no Jardim Há quem corra ao jardim buscando respostas na pureza da terra. No entanto, se o cronista moderno estende o ouvido às roseiras, percebe que as rosas não falam. Elas simplesmente exalam o perfume efêmero da esperança e, logo em seguida, cobram o preço do toque em seus espinhos. Naquela tarde fria em Nova Jersey, o torcedor brasileiro sentiu o aroma do hexa dissipar-se no ar e, no segundo seguinte, a espetada seca da realidade perfurar a pele. O futebol atual assemelha-se à profecia musicada pelo mestre Cartola na clássica gravação de Beth Carvalho no Cifra Club: o mundo é um moinho, pronto para triturar os sonhos mais mesquinhos e reduzir as ilusões a pó. A engrenagem industrial do esporte transformou o drible em dado, o ídolo em produto e a cobrança de pênalti em uma fria operação de gerenciamento de risco. Ao aceitar a disciplina da planilha e entregar a bola a Bruno Guimarães, o jovem Vinicius Jr. agiu com a maturidade de quem sabe que não é Deus. Ele compreendeu, conscientemente ou não, que no topo da pirâmide corporativa os homens não têm mais o direito de falhar de forma poética. A moenda do futebol moderno tritura a rebeldia e canoniza o protocolo. Resta ao torcedor, destituído de sua identidade mítica, recolher as mágoas na calçada e cantar o samba que resta, ciente de que, no grande moinho da bola, a única coisa que a matemática de Ancelotti jamais conseguirá calcular é o tamanho exato da nossa melancolia.
A reportagem exibida na imagem, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ilustra de forma empírica as dinâmicas de gestão tática e retórica governamental discutidas anteriormente. O texto conecta diretamente a pressa do calendário institucional à criação de narrativas emocionais para justificar falhas logísticas nas vésperas do período de restrição eleitoral. O Contexto Pragmático e a "Papagaiada" A Realidade dos Fatos: A matéria detalha a maratona de inaugurações antes do prazo limite estipulado pela legislação (4 de julho). O episódio central foca na inauguração de um túnel de 6,5 km da transposição do Rio São Francisco, na Paraíba, que estava completamente seco no momento do evento oficial devido a um erro de cálculo do cronograma da obra. A Justificativa e a Reação: Diante do imprevisto que frustrou a expectativa pública de ver a água correr, o presidente recorreu à indignação contra a própria regra eleitoral de neutralidade, classificando as restrições institucionais como uma "papagaiada desgraçada". Para blindar-se do fracasso imediato da promessa visual, comparou-se historicamente a Getúlio Vargas e projetou uma peça de propaganda futura com o vídeo da água chegando à noite. A Aplicação Prática das Regras de Harford Analisando a página do jornal sob a ótica de Tim Harford em The Data Detective, percebe-se o choque exato entre números teóricos e a reação emocional: Gerenciamento de Expectativas: Assim como a comissão técnica de futebol focou em estatísticas prévias de aproveitamento de pênaltis que ignoravam o calor do jogo, o governo apoiou-se na métrica abstrata de "capacidade para transportar 20 metros cúbicos por segundo" para tentar atenuar o impacto visual e emocional de um túnel vazio perante os eleitores locais. Viés de Confirmação: O público afetado reage visceralmente ao símbolo (o canal sem água ou a fala incisiva), validando ou rejeitando a liderança conforme suas convicções prévias. O discurso em "ambiente controlado" busca ativar o sentimento de identidade ("nós" contra as regras ou contra a oposição) para desviar o foco da falha metodológica ou do erro de planejamento concreto. A Métrica do Erro: Racionalismo Abstrato e as Fraturas do Sentimento Popular O debate público contemporâneo é frequentemente capturado por um paradoxo: a tentativa de gerir a imprevisibilidade humana por meio de planilhas e o uso da retórica emocional para camuflar falhas logísticas. Quando comandantes de esferas distintas — o gramado e o Palácio do Planalto — tentam impor lógicas de gabinete sobre a realidade prática, o resultado costuma flertar com o absurdo. [Métrica Teórica / Planejamento Rígido] ──(Choque)──> [O Chão da Realidade / Fatos] │ ┌─────────┴─────────┐ ▼ ▼ [Fracasso Pragmático] [Reação Emocional] 1. O Viés de Harford e a Armadilha da Confirmação O economista britânico Tim Harford, em suas diretrizes sobre a interpretação de dados, estabelece que a primeira barreira para a compreensão do mundo é a nossa própria reação emocional. Tendemos a abraçar estatísticas que validam nossos preconceitos e a rejeitar visceralmente aquelas que nos contrariam. Na análise de cenários complexos, a dependência cega de recortes metodológicos sem o devido contexto atua como um mecanismo de blindagem que ignora o pragmatismo das situações reais. 2. A Planilha contra o Campo: O Caso do Pênalti A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo de 2026 ilustra a falência do racionalismo abstrato quando desconectado do momento geopolítico do jogo. O Cenário Teórico A comissão técnica de Carlo Ancelotti baseou-se em um ranking frio de aproveitamento anual de pênaltis. Diante da ausência dos três primeiros cobradores, a bola foi entregue a Bruno Guimarães (66,7% de aproveitamento), barrando a liderança natural e o momento de Vinícius Júnior. O Retrospecto ConcretoJogadorCritério de Escolha (Anual)Status Real no JogoResultado PráticoBruno Guimarães4º no Ranking de GabineteEm campo (Escalado)Pênalti DefendidoVinícius Júnior71,4% (Abaixo no recorte)Artilheiro com 4 golsBarrado pela regraA Justificativa: A imposição de uma burocracia estatística europeia sobre o "sentimento do mundo" do futebol brasileiro resultou em um pragmatismo estéril e, por fim, na eliminação. 3. A Liturgia Rompida: O Palácio e o Túnel Seco No plano político, a mesma desconexão se repete, invertendo-se os fatores: utiliza-se a paixão retórica para tentar obliterar o dado factual incômodo. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo expõe essa dinâmica com precisão cirúrgica. [Prazo Limite Eleitoral: 4 de Julho] ──> [Corrida de 19 Inaugurações] ──> [Túnel Seco na Paraíba] │ [Retórica de Blindagem] │ ▼ "Papagaiada Desgraçada" (Ataque às Regras) Gesto Obsceno no Planalto (Segmentação) A Anatomia do Fato A Falha Metodológica: Na pressa do calendário eleitoral, inaugurou-se um túnel de 6,5 km da Transposição do Rio São Francisco totalmente seco por erro de cálculo. A Reação Institucional: Em vez do reconhecimento técnico do erro de cronograma, o ambiente controlado do Palácio do Planalto foi palco de uma quebra de liturgia. O presidente utilizou termos chulos e gestos obscenos para atacar a legislação vigente, classificando as restrições de "papagaiada". 4. Conclusão: O "Nós" contra o "Eles" como Cortina de Fumaça O fio condutor que une o vestiário e o palácio é a criação de barreiras artificiais para justificar o injustificável. Seja através de uma planilha que ignora o protagonismo de Vini Jr., seja através da divisão maniqueísta entre um "nós" necessitado e um "eles" abstrato e opositor, o objetivo é o mesmo: evitar a responsabilização pelo resultado concreto. Quando o patrimônio declarado e os discursos de austeridade colidem com canais sem água e eliminações precoces, a realidade se impõe. Como professava Blaise Pascal, a tentativa de governar o sentimento puro — ou a paixão popular — através de métricas de conveniência produz apenas ruído, rejeição e uma crônica esquisitice institucional.
segunda-feira, 6 de julho de 2026 Numerologia já definiu quem será eleito, por Bruno Carazza Valor Econômico Escolha de números de urnas é muito mais do que um recurso mnemônico para o eleitor Num evento político no mês passado, o pré-candidato a governador subiu no palanque improvisado de um restaurante para declarar seu apoio a um correligionário. E afirmou: “Você será o meu candidato a deputado federal, e a prova disso é que o seu número de urna será XYXY”, onde XY é o número do partido deles. Numa eleição em que centenas ou milhares de políticos se engalfinham pelas poucas cadeiras em disputa, ter um número de urna fácil de ser lembrado pelo eleitor é um ativo importante - ainda mais num país em que candidatos e partidos em geral têm baixa conexão com os cidadãos. Em 2022, 137 dos 513 deputados federais eleitos escolheram como número de urna a repetição do algarismo do seu partido. Foi a opção preferencial dos vencedores, o que justifica a escolha do pré-candidato a governador para seu preferido. Essa opção é ainda mais forte nas agremiações que já têm como símbolo um dígito repetido. O PL é o campeão: elegeu vinte candidatos que tinham o número 2222. Na sequência vieram o Progressistas, com 16 eleitos com o número 1111, e o União Brasil, que fez 15 deputados 4444. As demais siglas seguem o mesmo padrão. O 1010 é o número mais frequente entre os eleitos do Republicanos (13 deputados), assim como o 1313 é o mais comum entre os petistas (10 eleitos) e o 1515 no MDB (8 deputados). No PDT, o 1212 foi superior até ao tentador 1234 (com o placar de 5 a 4). Grandes nomes do Congresso seguiram essa fórmula, de Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira (ambos 2222, um em São Paulo e outro em Minas) a Gleisi Hoffmann e Washington Quaquá (ela no Paraná e ele no Rio, mas os dois 1313), passando por Arthur Lira (1111) e Tábata Amaral (4040). O segundo padrão de numeração mais comum em 2022 foi o final 00, com 46 parlamentares no total. Outra predileção é o final 10, utilizado por 31 deputados eleitos. Em tempos de polarização extrema, políticos também usam a numeração para enviar um sinal claro para o eleitor. Assim, 28 congressistas se valeram de um combinado entre a indicação do seu partido e o numeral 22, associado a Jair Bolsonaro. Foi o quarto modelo mais utilizado, principalmente por integrantes do Centrão. Para os adeptos da numerologia, a escolha de um bom número é receita de sucesso. De fato, os dados indicam que, no pleito de 2022, candidatos que foram às urnas com uma numeração que repetia os dígitos de seu partido tiveram quase 4 vezes mais chances de serem eleitos do que os seus adversários: 19,4% daqueles que usaram números repetidos foram eleitos, contra uma taxa geral de 4,9% do total de postulantes à Câmara dos Deputados.
segunda-feira, 6 de julho de 2026 ‘I couldn’t care less’, digo eu, por Ruy Castro O Globo Em português educado, significa 'Não dou a mínima'; é como Trump se sente sobre Lula e o Brasil É como também me sinto sobre ter meu visto recusado e não poder voltar a Nova York Há pouco ("Trump gagá", 18/6), listei uma série de traços recentes da personalidade de Donald Trump —comportamento aloprado, falas sem nexo, cochilar em público e fazer da Casa Branca um puxadinho de Mar-a-Lago—, típicas talvez do stress provocado pelas guerras sem sentido em que ele mete os EUA e das quais não consegue sair. Ou das medidas presidenciais que toma e que, por acaso, multiplicam sua fortuna e a de seus filhos. Enfim, nada de que a própria imprensa americana não fale diariamente. Meus fiéis leitores trumpo-bolsonaristas se revoltaram. Para eles, tais ofensas a Trump revelam meu ódio pelos EUA e farão com que eu nunca mais consiga um visto de entrada no país. Quanto a essa última afirmação, é verdade. Meu visto caducou e, como disse o próprio Trump outro dia sobre o Brasil, "I couldn’t care less" —em português educado, "Não dou a mínima". Não pretendo renová-lo nem que o consulado americano me implore. Em 40 anos entrando e saindo de aviões a trabalho ou a lazer, a partir de 1972, fui umas 20 vezes a Nova York. Quase sempre me hospedei no centenário Earl, renomeado Washington Square Hotel, que já abrigou O. Henry, Ernest Hemingway, Mary McCarthy, Edmund Wilson, Dylan Thomas, Bob Dylan e até os Rolling Stones, quando todos eram pobres. Certa vez, dividi o quarto no Earl com um camundongo que morava lá. Mas, a serviço do Reader’s Digest (que jamais contrataria alguém que odiasse os EUA), hospedei-me também no Algonquin, quando ele ainda recendia aos charutos e uísques de James Thurber, Dorothy Parker e Robert Benchley. De cada ida a Nova York, voltei para o Rio com bateladas de livros, LPs, CDs, VHSs, laser discs e DVDs da grande cultura que os EUA produziram nos séculos 19 e 20. Tenho tudo isso até hoje, transbordando de estantes e gavetas. Esse material já me rendeu N artigos, livros e conferências. Sou mais culto do que Trump a respeito dos próprios EUA. Talvez por isso não reconheça o país que hoje ele preside. E quer saber? I couldn’t care less em conhecer.

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