terça-feira, 12 de novembro de 2019

Alegorias de um Carrasco



“Todo mundo sendo solto hoje… Com certeza vão soltar a Josiane também”


Os Donos dos Pedaços?


STN (Supremo Tribunal Noveleiro) X STF (Supremo Tribunal Federal)




Josiane estaria para Luiz Inácio assim como Maria da Paz estaria para o povo brasileiro?

Vilãzinha, Vilãozão, Guerreirona, Guerreirão?

Messianismo X Evangelismo ?




Sinopse de Novela A Dona do Pedaço de Walcyr Carrasco


Jô, vilã de ‘A Dona do Pedaço’, não sai da cadeia nem com ajuda do STF
Até o noveleiro Walcyr Carrasco brincou com a situação da assassina patricinha, cujo julgamento — em primeira instância — acontece nesta semana
Por Eduardo F. Filho
access_time11 nov 2019, 19h11 - Publicado em 11 nov 2019, 19h01



Agatha Moreira no papel de Jô  (João Cotta/TV Globo)

Em meio à soltura, no final da semana passada, de figurões presos na Lava Jato como o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu, uma pergunta passou a intrigar os fãs de novelas: quando é que Josiane (Agatha Moreira), a vilã patricinha de A Dona do Pedaço, será beneficiada pela decisão do STF? O julgamento da filha da boleira Maria da Paz (Juliana Paes) acontecerá nesta semana — ou seja, a rigor a moça nem deveria estar presa, pois ainda nem foi julgada em primeira instância. Mesmo assim, continua presa por dias e dias a fio. Uma injustiça com Jo — e com o pobre espectador.

A detenção de Jô virou um assunto quente nas redes sociais, e não só por sua longa duração na trama. Como boa parte dos lances da reta final da novela envolvem a personagem, sua cela virou palco de uma romaria de visitantes sem fim. É muita chave para pouca cadeia. Note-se que Jô, que é nojentinha mas elegantíssima, continua usando o mesmo tailleur impecável desde que entrou em cana.

Assumindo ares de ministro de um hipotético “STN” (Supremo Tribunal Noveleiro), o autor Walcyr Carrasco entrou na brincadeira. No domingo 10, ele escreveu em seu Instagram: “Todo mundo sendo solto hoje… Com certeza vão soltar a Josiane também”. Mas ainda falta passar muita água por baixo dessa ponte. Dentro da cadeia, consta que a vilãzinha se transformará em uma serva de Deus: ela se converterá em evangélica.





Os planos de Lula: ex-presidente quer viajar pelo Brasil e reorganizar oposição ao governo



O ex-presidente Lula está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) 26/04/2019 Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Carolina Brígido, Gustavo Schimitt e Sérgio Roxo

SÃO PAULO E BRASÍLIA — A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula vai pedir nesta sexta-feira sua imediata liberdade à 12ª Vara de Execuções Penais (VEP) de Curitiba. Caberá à juíza Carolina Lebbos autorizar a soltura do petista e de outros presos na mesma situação, como o ex-ministro José Dirceu.

A decisão, no entanto, não é automática. O juiz de execução pode ainda decretar prisão preventiva do petista, se assim for pedido pelo Ministério Público e se considerar que existem os requisitos previstos em lei para isso — como, por exemplo, periculosidade do réu e risco de fuga. Não há prazo definido em lei para que ele se manifeste.




Alegoria - Conceito, o que é, Significado


Símbolos alegóricos universais
A figura da pomba comunica uma ideia concreta: a paz. Da mesma forma, a raposa simboliza a astúcia; o leão a força; o corvo a fatalidade e a serpente o conceito de maldade.



A alegoria é um recurso literário que se baseia no significado oculto das palavras. Desta forma, uma narração com uma mensagem aparente esconde uma mensagem paralela diferente. Normalmente, as histórias alegóricas contam histórias simples sobre indivíduos e animais, mas no fundo se trata de uma reflexão sobre ideias abstratas.
Símbolos alegóricos universais
A figura da pomba comunica uma ideia concreta: a paz. Da mesma forma, a raposa simboliza a astúcia; o leão a força; o corvo a fatalidade e a serpente o conceito de maldade.
Além dos animais vistos como símbolos, a alegoria também recorre à personificação. Desta maneira, um personagem se apresenta como símbolo de uma ideia abstrata. Assim, a figura feminina com uma venda nos olhos e uma balança na mão representam a justiça; um guerreiro pode representar a coragem e um esqueleto com uma foice é a imagem mais conhecida da morte.
Na criação literária
Na literatura as fábulas gregas representam um dos primeiros relatos alegóricos. Nestas histórias existem dois tipos de leitura: a real e a simbólica ou metafórica. Assim, os acontecimentos com os animais são apresentados como uma analogia da realidade humana. A famosa fábula da cigarra e a formiga atribuída originalmente a Esopo nos transmitem uma clara mensagem moralista: o trabalho e a constância têm sua recompensa, enquanto que o comportamento preguiçoso é uma tentação muito perniciosa.
Na "Divina Comédia" de Dante Alighieri, o autor relata em primeira pessoa que está perdido em uma selva escura. Ao longo da narrativa aparecem três feras que impedem sua passagem e com o propósito de ajudar Dante aparece o poeta Virgílio que se oferece para ser seu guia.
Ambos percorrem o inferno e o purgatório antes de chegar ao paraíso. O desenvolvimento da obra se apresenta como uma alegoria, onde na realidade há uma reflexão sobre os pecados e as tentações humanas.
Distinção entre parábola e alegoria
Ambos são recursos literários que visam transmitir algum tipo de ensino. Apesar da clara semelhança entre um e outro, trata-se de diferentes narrativas. A parábola é um relato inspirado em acontecimentos cotidianos com o propósito de comunicar uma mensagem moralista. A alegoria tem uma dimensão metafórica mais complexa. Nela, muitas vezes, aparecem diferentes elementos simbólicos que dão margem a qualquer tipo de interpretação.
Imagem: Fotolia. Gregory Lee





A Agulha e a Linha


“Adaptação do conto "Um Apólogo" de Machado de Assis. Roteiro e direção: Emmy Barbanti Curta realizado para a disciplina do 2º termo de Rádio e TV "Prática de Produção em TV II" ministrada por Adriana Nogueira e Willians Cerozzi Balan da Universade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) - Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC)”





Um apólogo - Machado de Assis

“A clássica história da agulha e da linha de uma maneira que você nunca viu. Excelente!”





Um apólogo, de MACHADO DE ASSIS ou a agulha e a linha!

“Já que vocês elogiaram tanto minhas comprinhas da Bienal, aqui vai uma apresentação do conto: "Um apólogo" (1885), do nosso grande Machado de Assis.”



Referências

https://abrilveja.files.wordpress.com/2019/11/design-sem-nome-75.png?quality=70&strip=info&resize=680,453
https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/jo-vila-de-a-dona-do-pedaco-nao-sai-da-cadeia-nem-com-ajuda-do-stf/
https://extra.globo.com/incoming/24069339-190-d07/w640h360-PROP/xlula.jpg.pagespeed.ic.1hMZSRmTjA.jpg
https://extra.globo.com/noticias/brasil/os-planos-de-lula-ex-presidente-quer-viajar-pelo-brasil-reorganizar-oposicao-ao-governo-24069340.html
https://conceitos.com/wp-content/uploads/cultura/Alegoria-820x547.jpg
https://conceitos.com/alegoria/
https://youtu.be/6qjvG7ZRZQI
https://www.youtube.com/watch?v=6qjvG7ZRZQI
https://youtu.be/kYNCJXQ3Zac
https://www.youtube.com/watch?v=kYNCJXQ3Zac
https://youtu.be/GDuQXBk2pUs
https://www.youtube.com/watch?v=GDuQXBk2pUs

domingo, 10 de novembro de 2019

10 de novembro de 1937




No tempo que Mourão blefava no Andaraí

Fake News era Plano Cohen




Será que Dondom existiu mesmo? ("Esporte Espetacular", 08/02/2004)

O "Esporte Espetacular" de 8 de fevereiro de 2004 viajou no tempo pra conferir no Anadaraí, bairro do Rio de Janeiro, se o Dondom daquela música REALMENTE existiu.






Plano Cohen
O Plano Cohen foi um documento revelado pelo governo brasileiro, que continha um suposto plano para a tomada do poder pelos comunistas.
No dia 30 de setembro de 1937, o general Góes Monteiro chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, noticiou, através do programa radiofônico Hora do Brasil, a descoberta de um plano cujo objetivo era derrubar o presidente Getúlio Vargas. Segundo o general, o Plano Cohen, como passou a ser chamado, tinha sido arquitetado, em conjunto, pelo Partido Comunista Brasileiro e por organizações comunistas internacionais.
O plano, supostamente apreendido pelas Forças Armadas, anunciava uma nova insurreição armada, semelhante à Intentona de 1935. A invasão comunista previa a agitação de operários e estudantes, a liberdade de presos políticos, o incêndio de casas e prédios públicos, manifestações populares que terminariam em saques e depredações, além da eliminação de autoridades civis e militares que se opusessem à tomada do poder.
Como a autenticidade do documento apresentado como prova do plano comunista não foi questionada, no dia seguinte ao pronunciamento do general Góes Monteiro e diante da "ameaça vermelha", Getúlio Vargas solicitou ao Congresso Nacional a decretação do Estado de Guerra, concedido naquele mesmo 1º de outubro e, em seguida, usando dos poderes que esse instrumento lhe atribuía, deu início a uma intensa perseguição aos comunistas e também a opositores políticos, como o governador gaúcho Flores da Cunha, último grande obstáculo ao seu projeto autoritário. No dia 10 de novembro, a ditadura do Estado Novo foi implantada.
Algumas semanas depois, com o apoio de várias lideranças nacionais, com as quais havia se aliado desde a revelação do Plano Cohen, Getúlio autorizou o Exército a cercar o Congresso Nacional, no Rio de Janeiro. À noite, em pronunciamento ao país, o presidente anunciou a outorga da nova Constituição. Começava, assim, o período da Era Vargas, conhecido como Estado Novo, que terminaria apenas em 1945, com o afastamento de Vargas da presidência.
A revelação da farsa
Anos mais tarde, porém, ficaria comprovado que o documento foi falsificado com a intenção de justificar a instauração da ditadura do Estado Novo, em novembro de 1937.
Em 1945, com o Estado Novo já em crise, o general Góes Monteiro isentando-se de qualquer culpa no caso, revelou que o Plano Cohen não passara de uma fraude produzida oito anos antes, para justificar a permanência de Vargas no poder e reprimir qualquer tipo de ameaça comunista. Para garantir mais veracidade ao plano, a cúpula militar responsável pela "descoberta" do documento deu-lhe o nome de Cohen, numa referência ao líder comunista Bela Cohen, que governara a Hungria entre março e julho de 1919.
De acordo com o general Góes o documento, tinha sido escrito pelo capitão Olímpio Mourão Filho, na época, chefe do Serviço Secreto da Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de apoio ao governo Vargas. Mourão Filho, por sua vez, admitiu ter elaborado o documento, a pedido de Plínio Salgado, dirigente da AIB,  afirmando, porém, tratar-se de uma simulação de insurreição comunista, apenas para  efeito de estudos e utilizado exclusivamente no âmbito interno da AIB. No entanto, uma cópia do documento chegou ao conhecimento da cúpula das Forças Armadas, que, através do general Góes Monteiro, anunciou o Plano Cohen como uma ameaça iminente.
A revelação da farsa acabou colocando frente a frente às diferentes versões para o episódio. Segundo o capitão Mourão, Góes Monteiro, teve acesso ao documento através do general Álvaro Mariante, e dele se apropriou indevidamente. Mourão por sua vez, justificou seu silêncio diante da fraude em razão da disciplina militar a que estava obrigado. Já Plínio Salgado, líder maior da AIB, que participara ativamente dos preparativos do golpe de 1937 e que, para apoiar a decretação do Estado Novo, retirara sua candidatura presidencial, afirmaria mais tarde que não denunciou a fraude pelo temor de desmoralizar as Forças Armadas, única instituição, segundo ele, capaz de conter o "perigo vermelho".



Estado de Guerra era Estado Novo


Estado Novo
Por Natália Rodrigues
Mestre em História (UERJ, 2016)
Graduada em História (UERJ, 2014)
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O Estado Novo foi um regime ditatorial arregimentado por Getúlio Vargas, instituído em 10 de novembro de 1937. Desde 3 de novembro de 1930, Vargas governava o país. O primeiro período foi o Governo Provisório (1930-1934) que perdurou até a reconstitucionalização do país. Com a decretação da Constituição de 1934 iniciou-se o Governo Constitucional. A previsão das eleições presidenciais era para o ano de 1938, e em 1937 iniciaram as campanhas dos candidatos ao cargo. Candidataram-se às eleições o integralista Plínio Salgado, o governador de São Paulo Armando Vieira Sales, e o candidato situacionista José Américo Almeida. Getúlio Vargas não havia se candidatado, pois pretendia dar continuidade ao governo por meio de um golpe de Estado.
Assim, Getúlio Vargas não apoiou a candidatura de José Américo de Almeida, indicado para sucessão dele, provocando o esvaziamento da campanha eleitoral. Nos Estados de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul estimulou dissídios regionais para dificultar o pleito eleitoral e prolongar o governo. E desde o início do Governo Constitucional eram promovidas medidas de fortalecimento e centralização do exército nacional, imprescindíveis para o futuro golpe de instauração do Estado Novo.
Plano Cohen
O estímulo do governo ao anticomunismo cresceu desde as Revoltas Comunistas de 1935, e o subterfúgio utilizado para o Golpe de 1937 teve justamente esse mote. Um documento falso chamado Plano Cohen, criado pelo integralista Olympio Mourão Filho, dizia que os comunistas pretendiam promover insurreições no Brasil para tomar o poder. Esse documento foi largamente veiculado na mídia de massas, inclusive no programa radiofônico A Hora do Brasil.
O Plano Cohen ensejava a decretação do estado de guerra realizado em 2 de outubro de 1937, com a justificativa de que o país sofria a “ameaça comunista”. Evidentemente, essa alegação era falsa, as principais lideranças comunistas ainda estavam presas, e dentre essas Olga Benário e Elisa Berger haviam sido entregues à Gestapo, polícia do regime nazista alemão, em 1936. Em 1937, apenas tinham sido libertados presos políticos sem processo, a maioria deles não possuía ligação com o Partido Comunista ou com o Levante de 1935.
Constituição de 1937 (“Polaca”)
Aproveitando-se da instabilidade política no país, Getúlio Vargas referendou a carta constitucional elaborada por Francisco Campos. A nova Constituição foi inspirada na Carta fascista da Polônia, por causa disso ficou conhecida como “polaca”. O teor desse documento tinha caráter corporativista e chancelava a centralização do poder Executivo na administração política e econômica do país. Em 10 de novembro de 1937, o congresso Nacional foi fechado por Vargas, e a Constituição elaborada por Francisco Campos passou a vigorar. Desse modo, instaurou-se o regime autoritário do Estado Novo. O nome Estado Novo adotado para o regime varguista era o mesmo do regime fascista português de Antonio Oliveira Salazar que havia utilizado essa nomenclatura pela primeira vez.



Getúlio Vargas buscou concentrar os poderes nas mãos dele, assim extinguiu os partidos políticos e realizou uma cerimônia cívica de queima das bandeiras estaduais, em dezembro de 1937. A ausência de partidos possibilitaria a Vargas governar sem concorrentes à direção política do país. E o ato simbólico da queima das bandeiras estaduais possuía o sentido de refreamento das disputas regionais, comuns durante a Primeira República.
O Golpe de 1937
Apesar de ter apoiado o Golpe de 1937, a Ação Integralista Brasileira (AIB) foi posta na ilegalidade pelo regime varguista assim como os demais partidos políticos, em 3 de dezembro de 1937. Em janeiro de 1938, os integralistas começavam a engendrar uma revolta por conta da ilegalidade da AIB, e pretendiam rebelar-se em vários Estados do país. Além de integralistas, a conspiração contou com a participação de membros da marinha e de civis como o ex-governador do Rio Grande do Sul Flores da Cunha.
A primeira tentativa de sublevação foi frustrada, em 11 de março, com os rebelados presos antes da efetivação dos ataques. Em 11 de maio, realizaram o assalto ao Palácio Guanabara e a tomada do Ministério da Marinha, episódio que ficou conhecido como Intentona Integralista ou Revolta Integralista. Após essa sublevação, as normas do Tribunal de Segurança Nacional tornaram-se mais rígidas, e integralistas e pessoas de outras posições políticas foram presas. Os principais dirigentes integralistas escaparam e posteriormente foram exilados, como foi o caso de Plínio Salgado. Os demais foram presos, e alguns sofreram torturas.
Lei de Segurança Nacional
No período do Estado Novo a Lei de Segurança Nacional de 1935 continuou em vigência, e foi asseverada com mais dois decretos sobre a segurança do Estado (1938) e crimes militares (1942). O grupo político que mais sofreu com as penalizações dessa lei foi o comunista. Durante o Estado Novo não foi criada uma polícia política, no entanto a perseguição política e as torturas no cárcere foram cruéis, principalmente, no Distrito Federal em que a polícia foi chefiada por Filinto Müller. Luís Carlos Prestes permaneceu preso durante todo o Estado Novo devido à ligação estabelecida com a Internacional Comunista. Dentre os militantes torturados pelo regime, destacou-se o caso do comunista Ernest Ewert, cognominado Harry Berger, pois foi barbaramente torturado e perdeu a sanidade na cadeia. Sobre as torturas no cárcere do Estado Novo, há relatos da escritora Pagu, do militante Carlos Marighela e do escritor Jorge Amado.
Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP)
No regime do Estado Novo começou a se construir a imagem de Getúlio Vargas como o “pai dos pobres”, símbolo que se efetivou com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), em 1939. O DIP tinha por principal função censurar os meios de comunicação e realizar a propaganda do regime varguista. O DIP realizava manifestações cívicas e patrióticas, e difundindo a imagem de Getúlio Vargas. Esse tipo de propaganda estava presente inclusive em materiais didáticos para educação infantil.
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)
Dentre as medidas mais importantes do período estiveram as criações da Justiça do Trabalho, em 1° de maio de 1939, e da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1° de maio de 1943. A CLT unificou toda legislação trabalhista presente no Brasil até aquele momento, além de introduzir novos direitos trabalhistas. A CLT regulamentou as questões referentes ao horário de trabalho, férias, descanso remunerado, condições de segurança, salário mínimo e a relação entre patrões e empregados.
Sindicalismo “pelego”
A proibição da pluralidade sindical já ocorria desde 1931 com a criação do Ministério do Trabalho. Essa proibição foi reafirmada pela Constituição de 1934. E, em 1939, a legislação sobre a sindicalização tornou-se taxativa no que referiu à representação sindical única. Além de proibir a representação de mais de um sindicato por categoria de trabalhadores, a legislação trabalhista da época também vetou a possibilidade de alianças entre sindicatos. Essas medidas dificultavam a organização independente e autônoma dos trabalhadores nos sindicatos, e o engajamento em greves. Os sindicatos arregimentados por Vargas ficaram conhecidos como “pelegos”, em menção à pele de carneiro utilizada para amortecer a cavalgada em cavalos, assim, metaforicamente, o sindicato amainaria o peso sobre o trabalhador cavalgado pelo patrão.
O nacional-desenvolvimentismo varguista
O modelo político econômico adotado pelo regime varguista foi o nacional desenvolvimentista, dessa forma investiu-se na indústria de base nacional, em órgãos de administração pública, e em reformas nas forças armadas. Assim, foram criados para a administração pública o Conselho Nacional do Petróleo e o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), em 1938. No que se referiu às forças armadas, foi criado o Ministério da Aeronáutica e ampliado o efetivo de soldados do exército. Dentre algumas das principais indústrias públicas criadas durante o Estado Novo estiveram:
Companhia Siderúrgica Nacional (1941);
Companhia Vale do Rio Doce (1942);
Fábrica Nacional de Motores (1942);
Companhia Nacional de Álcalis (1943);
Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945).
O projeto nacional desenvolvimentista também abrangia a expansão populacional para a região Centro-Oeste e Norte, projeto conhecido como “Marcha para o Oeste”. Dessa maneira, foram criados os seguintes Estados: Amapá; Rio Branco que posteriormente passou a ser chamado de Roraima; Guaporé, atualmente designado de Rondônia; e Ponta Porã e Iguaçu, separados respectivamente dos Estados do Mato Grosso e Paraná, que foram extintos em 1946.
A “Marcha para o Oeste”
A “Marcha para o Oeste” pretendia estimular a formação de cidades, a abertura de estradas, a produção agrícola e pecuária, e implementar uma forma de vida considerada “moderna”. Na década de 1940 foi criado o Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), sob o comando de Cândido Rondon, para realizar o contato com os indígenas de forma pacífica. No entanto, a “Marcha para o Oeste” gerou muitos conflitos entre os migrantes e os indígenas, e muitas mortes resultaram desses conflitos. Sobretudo, dos indígenas afligidos, por exemplo, pelas doenças para as quais não possuíam resistência imunológica. Em 1943, os irmãos Vilas Boas adotaram a política de Rondon na expedição Rocador-Xingu, com contato pacífico com os indígenas e promoção de assistência médica.
Acordos de Washington e a Companhia Siderúrgica Nacional
A construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda – RJ decorreu dos Acordos de Washington. Esses acordos resultaram em uma aliança diplomática entre Brasil e Estados Unidos da América. A CSN foi financiada pelo Estados Unidos e o Brasil comprometeu-se em fornecer aço aos Aliados durante a Segunda Grande Guerra. A construção da CSN impactou no apoio brasileiro ao bloco dos Aliados na Guerra Mundial, até então o Brasil mantinha-se neutro no conflito. Além do fornecimento de aço para os Aliados, o Brasil comprometeu-se em permitir a instalação de bases militares e aeroportos nas regiões Norte e Nordeste do país. Devido a esse acordo os países do Eixo consideraram que o Brasil não estava mais neutro na guerra e atacaram submarinos brasileiros. Após esse ataque o Brasil ingressou definitivamente na guerra ao lado dos Aliados, em 22 de agosto de 1942.
Brasil na Segunda Guerra Mundial
O Brasil demorou a integrar de fato a guerra, somente no ano seguinte após a declaração de guerra que passou a combater no conflito. Devido a essa demora, tornou-se comum a expressão: “mais fácil a cobra fumar do que o Brasil ir combater nos campos de guerra europeus”. O então presidente estadunidense, Franklin Delano Roosevelt, veio ao Brasil para a Conferência de Natal para negociar com Vargas a exportação da borracha brasileira para o Estados Unidos. Essa conferência resultou no acordo de exportação da borracha e na criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) composta por cerca de 25 mil soldados que foram combater o fascismo na Itália, em meados de 1944. Assim, uma cobra fumando tornou-se o símbolo da FEB, e os soldados brasileiros lutaram na Europa até o término da guerra, em 8 de maio de 1945.
Com a iminência da derrota do nazi-fascismo, a defesa do regime autoritário de Getúlio Vargas no Brasil inviabilizou-se. Em 1945, acabou a censura à imprensa, a anistia foi decretada, os presos políticos foram libertos, e novos partidos políticos foram organizados.
Leia mais: Brasil na Segunda Guerra Mundial
O “Queremismo”
As eleições para presidente da República, deputados federais e senadores foram marcadas para 2 de dezembro de 1945. Em oposição ao regime varguista e ao comunismo foi fundada a União Democrática Nacional (UDN) que defendia o liberalismo econômico. Já o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi fundado para apoiar Vargas e foi composto por sindicalistas. Os interventores dos Estados organizaram-se no Partido Social Democrático (PSD) que tinham base política nos municípios do interior do país, sob influência das elites, também apoiavam Getúlio Vargas. E, por fim, foi reorganizado o Partido Comunista do Brasil (PCB) com o objetivo de combater a política fascista e apoiar a União Soviética.
Esses partidos lançaram candidaturas à presidência da República. A UDN lançou o brigadeiro Eduardo Gomes como candidato que recebeu forte apoio da imprensa. A coligação PTB-PSD projetou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra. E o PCB, o candidato Yedo Fiúza. As eleições foram rechaçadas por parcelas populares que desejavam a permanência de Getúlio Vargas no poder. Esse movimento ficou conhecido como “Queremismo” por causa das inscrições “Queremos Getúlio” que surgiram em muros nas grandes cidades na época.



Queremistas exigiam permanência de Getúlio Vargas na presidência. Foto: CPDOC/FGV.

As manifestações populares atemorizavam setores do exército e a UDN, antevendo a manutenção do regime varguista. Em 29 de outubro de 1945, a alta cúpula do exército liderou um golpe que retirou Getúlio Vargas do poder, e assumiu o governo o presidente do Supremo Tribunal Federal José Linhares. No entanto, as eleições foram mantidas e também ficou estabelecido que se formaria uma Assembleia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Constituição Nacional. Getúlio Vargas apoiou o candidato general Eurico Gaspar Dutra que saiu vitorioso do pleito com cerca de 55% dos votos. Getúlio Vargas tonou-se deputado, assim como Luís Carlos Prestes, e o Estado Novo foi abolido.
Referências bibliográficas:
FAUSTO, Boris (org.). O Brasil Republicano: economia e cultura (1930-1964). tomo 3, vol.4. Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 1995. (Col. História da Civilização Brasileira).
FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de A. N. (orgs). O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (Coleção O Brasil Republicano).
GOMES, Angela de Castro (org.). Olhando para dentro: 1930-1964. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p. 229 – 274.
MARTINS, Luciano. “Estado Novo” (Verbete). Rio de Janeiro: FGV/CPDOC.
MENANDRO, Heloísa. “Revolta Integralista” (Verbete). Rio de Janeiro: FGV/CPDOC.
Arquivado em: Brasil Republicano, Era Vargas





Verbete era verbete


Verbete

Nome: PLANO COHEN
Nome Completo: PLANO COHEN
Tipo: TEMATICO

Texto Completo:








No tempo que Dondon jogava no Andaraí









Tempo De Dondon

Nei Lopes




Tempo de Don-don
Nei Lopes

Ai no tempo!
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
Nossa vida era mais simples de viver

Não tinha tanto miserê, nem tinha tanto ti ti ti
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy

Propaganda era reclame, ambulância era dona assistência
Mancada era um baita vexame
E pornografia era só saliência, sutiã chamava porta-seio
Revista pequena gibi

No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy

Rock se chamava fox, e tiete era moça fanática
O que hoje se diz que é xeróx
Se chamava então de cópia fotostática
Motorista era sempre chofer, cachaça era parati
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy

22 era demente, minha casa era o meu bangalô
Patamo era socorro urgente
E todo cana dura era investigador
Malandro esticava o cabelo, mulher fazia misampli
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy

Desemprego era desvio
Loteria era contravenção
Metida era pessoa esnobe
E quem fazia lobby, era um bom pistolão
INSS não tinha
Só IAPC, IAPETC e IAPI
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy

Tinha cérebro eletrônico
E vitrola tocava Long Play
Afeminado, invertido
Gorgota e enrustido era o nome dos gay
Pedófilo era tarado
Moleque pequeno curi
Segue por aí
Transformista hoje é travesti
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
No tempo que Don-don jogava no Andarahy
Composição: Nei Lopes


Biografia de Nei Lopes
Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro, 9 de maio de 1942), ou simplesmente Nei Lopes, é um compositor, cantor e escritor brasileiro. Notabilizou-se como sambista, principalmente pela parceria com Wilson Moreira. Sambista, compositor popular e, hoje, cada vez mais escritor, Nei vem, desde pelo menos os anos 80, marcando decisivamente seu espaço, às vezes com guinadas surpreendentes. Ligado às escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro (como compositor) e Vila Isabel (como dirigente), hoje mantém com elas ligações puramente afetivas. Compositor profissional desde 1972, vem, desde os anos 90 esforçando-se pelo rompimento das fronteiras discriminatórias que separam o samba da chamada MPB, em parcerias com músicos como Guinga, Zé Renato e Fátima Guedes. Nei Lopes, é compositor e intérprete de música popular, escritor e estudioso das culturas africanas, no continente de origem e na Diáspora. Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, tem publicada em livro vasta obra toda centrada na temática africana e afro-originada. Entre seus livros publicados contam-se, principalmente os seguintes: A lua triste descamba (romance, Pallas, 2012); Dicionário da hinterlândia carioca (Pallas, 2012); Esta árvore dourada que supomos (romance, Babel Editora, 2011); Dicionário da Antiguidade Africana (Civilização Brasileira, 2011); Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana (Selo Negro, 4ª.ed., 2011); Oiobomé, a Epopéia de Uma Nação (romance, AGIR, 2010); História e Cultura Africana e Afro-brasileira (Barsa-Planeta, Prêmio Jabuti, paradidático, 2009); Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova (romance, Língua Geral, 2009); Vinte contos e uns trocados (Record, 2006) Novo Dicionário Banto do Brasil (Pallas, 2003 [2012]); Partido-alto, samba de bamba (Pallas, 2005). Atuando também como conferencista, em maio de 2010 apresentou na Academia Brasileira de Letras a conferência “O negro na literatura brasileira: autor e personagem”, publicada no nº.66 (jan – março, 2011) da Revista Brasileira, da ABL; e em setembro de 2011, participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, na seção “Café Literário” em conversa com o escritor angolano Pepetela, performance essa repetida em 2012, na Tarrafa Literária, em Santos, na companhia do romancista José Eduardo Agualusa, também angolano. Em 2001, seu Dicionário Banto do Brasil (1ª versão, 1996) subsidiava o repertório de bantuísmos consignados no Dicionário Houaiss da língua portuguesa (Rio, Ed.Objetiva), que acolheu algumas centenas de hipóteses etimológicas levantadas por suas pesquisas e referidas no corpo da obra. No mesmo ano, participava do projeto musical “Ouro Negro”, em homenagem ao ilustre maestro Moacir Santos, escrevendo letras para cinco temas do homenageado, em canções gravadas respectivamente pelos cantores Gilberto Gil (Disco 2, faixa 4. Maracatu, Nação do Amor (April Child)), Milton Nascimento (Disco 1, faixa 4. Coisa Nº 8 – Navegação (Make Mine Blue)), Djavan (Disco 1, faixa 8. Sou Eu (Luanne)), João Bosco (Disco 2, faixa 8. Oduduá (What’s My Name)) e Ed Motta (Disco 1, faixa 13. Orfeu (Quiet Carnival)). Em 2005, seu CD “Partido ao cubo” era eleito o melhor disco de samba no Prêmio da Musica Brasileira. Nesse mesmo ano, a carioca Pallas Editora publicava o livro O samba do Irajá e de outros subúrbios: um estudo da obra de Nei Lopes, resultado de tese de mestrado defendida pelo antropólogo Cosme Elias na UERJ; e em 2009, a paulistana Selo Negro inaugurava a coleção Retratos do Brasil Negro, com a publicação da biografia de Nei Lopes, escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino. No inicio de 2012, Nei gravava, para a posteridade, depoimento sobre sua trajetória no Museu da Imagem e do Som, MIS-RJ; e, em novembro recebia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro o título de doutor honoris causa. Antes disso, por seu trabalho como intelectual e artista, em 1998 Nei Lopes foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, conferida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro; em novembro de 2005 recebia, do Governo Brasileiro, a Ordem do Mérito Cultural, no grau de comendador; em junho de 2006 era focalizado pela Revista O Globo (nº.100, 25.06.06) na reportagem “100 brasileiros geniais”; e em 24 de janeiro de 2007 tinha artística foto sua publicada na seção “Retratos Capitais” da revista Carta Capital, com a seguinte legenda: “Em música e nas letras, a voz do samba e da consciência negra”. Em novembro de 2007, Nei Lopes era agraciado com a Medalha Tiradentes, outorgada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; e em 2009 era eleito “Homem de Idéias” do ano, pelo suplemento Idéias, do Jornal do Brasil. Além dessas, Nei tem em seu currículo homenagens prestadas pelas Câmaras municipais de Niterói, RJ; Seropédica, RJ; e Belo Horizonte, MG. Em abril de 2013 Nei vem de finalizar o romance “Rio Negro, 50”, sobre o Rio na década de 1950, do ponto de vista do povo negro; e trabalha, em parceria com Luiz Antônio Simas, no projeto de um Dicionário da História Social do Samba.





Zeca Pagodinho - Tempo de Don Don

Música
Tempo De Don Don
Artista
Zeca Pagodinho
Álbum
Zeca Pagodinho - Patota do Cosme - Digital





Referências

https://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/p4.php
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2008/04/estado-novo1.jpg
https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/04/queremismo1.jpg
https://www.infoescola.com/brasil-republicano/estado-novo/
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/plano-cohen
https://youtu.be/kAnlcX15ExE
Nei Lopes
https://www.letras.mus.br/nei-lopes/tempo-de-don-don/
https://www.letras.com.br/nei-lopes/biografia
https://youtu.be/iC9GLODzwqo
https://www.youtube.com/watch?v=iC9GLODzwqo

Panorama de uma República Ameaçada



"(...) É pasta fora do tubo.


(...) 

Processos judiciais são como um trem-parador, vão de estação em estação, até chegar ao fim do ramal. (...)"




Miguel Reale Jr: “Dilma foi um desastre;
9 de nov. de 2019


Miguel Reale Jr: “Dilma foi um desastre; Temer fez um ministério de presidiários e Bolsonaro solapa o processo democrático.”




Um grande panorama do Brasil no período de nossa complicada República.

Uma grande aula de um estudioso profundo.

Apesar da responsabilidade de trazer um Jr. no próprio nome!


Ainda havia uma outra jurista.




Roda Viva | Janaína Paschoal | 04/11/2019

No Roda Viva, Daniela Lima recebe Janaína Paschoal, a deputada mais votada na história do País.
Ao lado dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior, Janaína participou da elaboração do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que lhe garantiu projeção nacional.
Conhecida por adotar posições firmes e claras, é defensora da Operação Lava Jato, da prisão após condenação em segunda instância e é contra a anistia a políticos envolvidos em caixa 2.



E mais outro jurista responsável.




Roda Viva | Hélio Bicudo e Janaína Paschoal | 28/09/2015

Jurista e fundador do PT detalha requerimento de sua autoria, que pede impeachment da presidente Dilma Rousseff




DA REPÚBLICA
Marco Túlio Cícero


“(...) V. Na verdade, não devemos ouvir os subterfúgios que empregam os que pretendem gozar facilmente de uma vida ociosa, embora digam que acarreta miséria, e perigo auxiliar a República, rodeada de pessoas incapazes de realizar o bem, com as quais a comparação é humilhante, e em cujo combate há risco, principalmente diante da multidão revoltada, pelo que não é prudente tomar as rédeas quando não se podem conter os ímpetos desordenados do populacho, nem é generoso expor-se, na luta com adversários impuros, a injúrias ou ultrajes que a sensatez não tolera; como se, para os homens de grande virtude, animosos e, dotados de espírito vigoroso, pudesse existir causa mais justa de desejar o governo da República do que a de não sucumbir aos desejos dos ímprobos e impedir que menoscabem o Estado, tornando impossível salvá-lo quando necessário. (...)”




Eu sou cidadão de Roma, eu, que era de Rudies.

Moribus antiquis res stat romana uirisque Ênio (Cicero, Rep. 5.1)

O poder de Roma repousa sobre seus costumes antigos e seus guerreiros.
Ênio (239-169 a.C.)


"(...) É pasta fora do tubo.


(...) 

Processos judiciais são como um trem-parador, vão de estação em estação, até chegar ao fim do ramal. (...)"




domingo, 10 de novembro de 2019
Luiz Carlos Azedo - A jararaca está de volta

- Nas entrelinhas | Correio Braziliense

“Lula pretende percorrer o país para lutar contra o que chamou de “banda podre” do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e, é claro, contra o presidente Bolsonaro”

Para usar uma expressão do próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num ato político no Sindicato dos Bancários de São Paulo, após uma condução coercitiva determinada pelo então juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, hoje o ministro da Justiça do governo Bolsonaro, a jararaca está solta. Sim, porque foi com espírito de jararaca que Lula deixou a prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na sexta-feira, e anunciou que pretende percorrer o país para lutar contra o que chamou de “banda podre” do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e, é claro, contra o presidente Jair Bolsonaro, cuja eleição disse que foi “roubada”, embora não se possa questionar a legitimidade do pleito de 2018.

Quando Lula falou que a eleição fora roubada, numa alusão à derrota do candidato petista Fernando Haddad, não estava se referindo à lisura da votação e contagem dos votos pelo sistema eletrônico, que o presidente Jair Bolsonaro, diga-se de passagem, colocara em suspeição durante a campanha. Não, Lula se referia ao fato de não poder participar da disputa, por ter sido condenado em segunda instância e ter sua candidatura cancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A propósito, sua candidatura catapultou Haddad para o segundo turno, porém, ao mesmo tempo, lhe roubou qualquer identidade e limitou a possibilidade de tecer alianças mais amplas.

A libertação de Lula projeta um cenário de polarização com o presidente Bolsonaro para 2022. Simultaneamente, é um tremendo déja vù político, pois a saída da cadeia não absolve nem devolve os direitos políticos ao ex-presidente petista, cassados em razão da Lei da Ficha Limpa. Com duas condenações e réu em mais sete ações criminais, para que possa ser candidato, são necessárias absolvições, anulação de sentenças e a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. É pasta fora do tubo.

Lula passou 580 dias preso sob a acusação de aceitar a propriedade de um tríplex, no Guarujá (SP), como propina paga pela OAS, em troca de três contratos com a Petrobras. Apesar de negar sistematicamente esses crimes, a condenação foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com pena de oito anos, 10 meses e 20 dias. Também foi condenado em primeira instância no caso do sítio de Atibaia (SP), por receber vantagens indevidas das empreiteiras Odebrecht e OAS em troca de favorecimento às empresas em contratos da Petrobras. As reformas e benfeitorias realizadas pelas construtoras no sítio frequentado por Lula configuraram prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Emenda Manente
Lula pode aguardar a conclusão do processo em liberdade, mas isso não muda sua condição de condenado, que aguarda o trânsito em julgado do caso para cumprir a pena, graças ao princípio da presunção de inocência. Essa é a consequência da decisão de quinta-feira passada do Supremo Tribunal Federal (STF), que aboliu a jurisprudência que determinava a execução imediata da pena após condenação em segunda instância. Processos judiciais são como um trem-parador, vão de estação em estação, até chegar ao fim do ramal.

A propósito da mudança de entendimento do Supremo, todos sabiam do resultado antes da conclusão. Essa é uma característica da Corte, cujas sessões são televisionadas ao vivo e os votos dos ministros, quase sempre, antecipados nas entrevistas e apartes. No caso desse julgamento, interrompido duas vezes, seu resultado já era esperado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A rigor, nenhum dos três se dispôs a confrontar a decisão do Supremo, como é normal numa ordem democrática. O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, porém, pôs lenha na fogueira ao dizer que o Congresso poderia mudar o entendimento do Supremo alterando a Constituição. Ora, a exegese dos ministros que defenderam o fim da execução da pena em segunda instância invocava o artigo 5º. da Constituição como cláusula pétrea.

Tramita na Câmara uma emenda constitucional, de autoria do deputado Alex Manente (SP), do Cidadania, que estabelece como norma a execução da pena após condenação em segunda instância. Com o apoio do Novo e do Podemos, as três legendas catalisaram setores insatisfeitos da opinião pública com a decisão do Supremo e se declararam em obstrução a quaisquer votação, até que a PEC seja votada. Era tudo o que os movimentos pela ética na política precisavam para ter uma bandeira mobilizadora, para tentar reverter no Congresso a decisão do Supremo, mandando os condenados em segunda instância de volta à cadeia. Entretanto, não somente Lula estava interessado na mudança, há muitos políticos que pegam carona na decisão do Supremo. Talvez formem maioria no Congresso.





Referências

http://historiadaliteraturalatina.blogspot.com/2013/07/enio-239-169-ac.html
https://youtu.be/6BTDjerOzMs
https://www.youtube.com/watch?v=6BTDjerOzMs&feature=youtu.be
https://youtu.be/Yq4Uq5bzKk8
https://www.youtube.com/watch?v=Yq4Uq5bzKk8
https://youtu.be/LsDB9fCqGaQ
https://www.youtube.com/watch?v=LsDB9fCqGaQ
https://www.portalabel.org.br/images/pdfs/da-republica-marco-tulio-cicero.pdf
http://gilvanmelo.blogspot.com/2019/11/luiz-carlos-azedo-jararaca-esta-de-volta.html