Sorrir e Cantar Como Bahia
Novos Baianos
Mãe é mar
Mares não maré, água e terra
Mãe é mar
Mares não maré, água e terra
Mar, amar
Pra saber da árvore com galhos pra quebrar
Em secas folhas ao chão
Secos e duros gravetos
Em lenha pro fogo que cozinha esses anos todos
A grande panela do mundo
Mas mar é mar
Correndo tranquilo pela terra
Como o som, das águas dizendo
Que mãe só não pode entrar nessa
Muito pelo contrário
É sofrer e chorar como Maria
Sorrir e cantar como Bahia!
E o menino solto como o dia
E aí
Mãe pode ter e ser bebê
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
E até pode ser baby também
Composição: Moraes Moreira, Galvão.
Era no dous de julho. A pugna imensa. Travara-se nos cerros da Bahia... O anjo da morte pálido cosia. Uma vasta mortalha em Pirajá.
Poesia | Ode a 2 de Julho, de Castro Alves
Ode ao Dois de Julho, de Castro Alves, é um dos poemas cívicos mais famosos da literatura brasileira. Recitado pela primeira vez em 1868, o texto épico exalta a vitória das tropas brasileiras na Independência da Bahia, retratando o confronto em Pirajá como uma luta grandiosa entre a liberdade e a escravidão.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Galego tinha razão, por Julia Duailibi
Por O Globo
Demissão do amigo Galego ocorre como algo protocolar, cujo objetivo principal era estancar a crise
O presidente Lula fez ontem um elogio ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do seu governo no Senado. Em viagem à Bahia, Lula o chamou de irmão, o abraçou e posou no palanque a seu lado, uma semana depois de ele deixar o posto. Com seu gesto, o presidente mostrou o que realmente acha das denúncias apresentadas pela Polícia Federal, envolvendo os favores prestados a Wagner por um empresário que manteve conexões com o Master: uma grande bobagem.
Galego, como o senador é chamado por Lula, tinha razão, portanto, quando, semanas atrás, deu uma declaração dizendo achar que Lula não o demitiria e que o próprio presidente enfrentou problemas mais graves, como a prisão na Operação Lava-Jato. O abraço público dos dois ontem foi a comprovação de que Wagner sabia do que estava falando. No mérito, Lula não deu muita bola para as denúncias, e a preocupação dele sempre foi com o uso eleitoral delas pelos adversários.
Nesse contexto, a demissão de Wagner ocorre como algo protocolar, cujo objetivo principal era estancar a crise e dar ao presidente discurso para responder quando confrontado sobre o assunto na eleição. Aliás, o próprio senador cantou essa bola, dando a entender que Lula não havia comprado muito a história da PF sobre os favores pedidos ao empresário. Em entrevista a Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, depois da saída do cargo de líder, Wagner revelou que, no dia de sua demissão, Lula disse a ele que o “conhecia há 48 anos”, mas que agora teria de desmontar a “história” que “construíram” contra ele.
A postura de Lula em relação a Wagner descredibiliza as investigações da PF, ainda que elas não devam ser uma condenação prévia. A Justiça é quem dará a palavra final sobre se houve corrupção no pedido de Wagner ao empresário para que ele comprasse um apartamento de R$ 2,4 milhões para a filha do senador. Mas, uma vez que Wagner já está fora mesmo da liderança do governo e que a crise parece um pouco mais estancada, o mais conveniente para Lula agora foi ignorar as denúncias contra o aliado e tentar ajudar na reeleição dele ao Senado.
Além disso, assim como a maioria dos políticos brasileiros, Lula tende a normalizar as relações entre público e privado. Casos potenciais de corrupção são tratados pela nossa classe política como simples demonstração de amizade. Ninguém compra apartamento para filha de senador só para ser boa gente. Assim como nenhum empresário banca filme sobre vida de político pelo interesse no cinema nacional. Quando Daniel Vorcaro atende ao pedido do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e paga milhões para, como foi alegado, produzir “Dark Horse”, também age em troca de acesso ou blindagem.
Na nossa cultura política, o anormal é viajar em voo comercial ou ter de pegar financiamento imobiliário no banco para comprar um apartamento para a filha. Os favores privados fazem parte do jogo, e quem cobra prestação de contas sobre isso está a serviço dos adversários políticos. Ao abraçar Galego no palanque, Lula não deu só uma demonstração de amizade em relação a ele. Deixou claro que também considera ter havido uma “patacoada” da PF, expressão usada por Wagner em relação à operação de que foi alvo.
Lula acha denúncias contra Jaques Wagner uma grande bobagem
Demissão do amigo Galego ocorre como algo protocolar, cujo objetivo principal era estancar a crise
02/07/2026 00h05 Atualizado há 15 horas
O artigo analisa a demissão do senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado como uma medida mais protocolar do que punitiva, destinada a conter desgastes políticos. Segundo a coluna, o presidente Lula demonstrou publicamente apoio ao aliado ao elogiá-lo e aparecer ao seu lado pouco após a saída do cargo, sinalizando que não considera graves as denúncias levantadas pela Polícia Federal.
O texto argumenta que Lula teria priorizado o impacto político e eleitoral das acusações, mais do que seu mérito jurídico, tratando o afastamento como estratégia para reduzir danos. Também destaca que o próprio Wagner já indicava confiança de que manteria o respaldo do presidente.
A análise amplia a crítica para a cultura política brasileira, apontando uma tendência de naturalização de relações entre interesses públicos e privados, nas quais favores e benefícios são frequentemente tratados como gestos pessoais, apesar de levantarem suspeitas de troca de interesses.
Por fim, ressalta que a responsabilização sobre eventuais irregularidades cabe à Justiça, mas sugere que, no campo político, prevalece uma lógica de proteção de aliados e gestão de crises.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Trump inicia combate à lavagem de dinheiro do PCC nos EUA, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Ação permanece circunscrita à jurisdição norte-americana e ao combate à lavagem de dinheiro no plano jurídico. Entretanto, seu significado político é muito maior
A decisão de o governo Donald Trump classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras deixou de ser uma declaração política para se transformar em efetiva ação de Estado. As sanções anunciadas nesta semana pelo Departamento do Tesouro contra brasileiros e empresas acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC representam um novo patamar na nova estratégia americana ao combate ao narcotráfico.
Ontem, foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, bem como as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda; Wave Construções Inteligentes Ltda; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal) — todos acusados de movimentar de recursos provenientes do narcotráfico dentro do sistema financeiro americano.
Segundo o Tesouro dos Estados Unidos, Victor Shimada teria atuado como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, lavando mais de US$ 30 milhões mediante o uso de criptomoedas. As sanções bloqueiam bens, proíbem transações financeiras e expõem instituições que eventualmente mantenham relações comerciais com os sancionados ao risco de punições secundárias.
A ação permanece circunscrita à jurisdição norte-americana e ao combate à lavagem de dinheiro no plano jurídico. Entretanto, seu significado político é muito maior. Ao classificar PCC e CV como organizações terroristas, Washington passa a utilizar contra o narcotráfico brasileiro instrumentos originalmente concebidos para o enfrentamento do terrorismo internacional: sanções financeiras, cooperação internacional de inteligência, compartilhamento de informações e bloqueio de ativos.
Esse é um novo paradigma para a relação entre EUA e Brasil na área de segurança pública. Essa mudança não é acidental. Trump construiu boa parte de sua política externa a partir da associação entre imigração ilegal, narcotráfico e segurança nacional. Seu governo já havia endurecido a política contra cartéis mexicanos e organizações criminosas transnacionais. Agora, essa lógica alcança as facções brasileiras, que há anos expandem sua atuação para Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Europa e Estados Unidos.
É a presença crescente dessas organizações em território norte-americano que fundamenta a narrativa de Washington, ao classificar a questão não apenas como um problema brasileiro, porém, como ameaça direta à segurança nacional dos EUA. Nesse aspecto, o secretário de Estado, Marco Rubio, desempenha papel estratégico. Conhecido por posições duras contra a esquerda latino-americana e defensor histórico do endurecimento das políticas de segurança, propõe que o combate ao crime organizado deve ser uma prioridade da política externa americana.
Ponto fraco
A interlocução de Rubio com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e lideranças conservadoras brasileiras, desnuda a convergência ideológica em torno da pauta da segurança pública entre a Casa Branca e a oposição brasileira. Isso não significa coordenação institucional, até porque existe cooperação entre a Polícia Federal e as agências de segurança norte-americanas, mas em se tratando de terrorismo a agenda passa para a esfera da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana.
A segurança pública está entre as principais preocupações da população brasileira. Pesquisas recentes mostram que aproximadamente 60% dos brasileiros concordam com a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, embora rejeitem majoritariamente qualquer intervenção militar norte-americana direta no país. Também há divisão quanto à decisão dos EUA em si. A opinião pública apoia o endurecimento contra as facções, mas não abdica da soberania nacional.
Esse é o cenário que desafia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. O governo brasileiro sustenta, com fundamento na legislação nacional, que PCC e CV não se enquadram na definição jurídica de terrorismo, pois atuam predominantemente por motivação econômica e não política, ideológica ou religiosa. Essa interpretação é consistente com a Lei Antiterrorismo brasileira e vem sendo reiterada pelas autoridades federais, mas tem alcance jurídico e não político-eleitoral.
Ao assumir protagonismo no combate às facções brasileiras, Trump desloca o debate para um ponto fraco do governo Lula: a percepção da população de que não há eficácia no enfrentamento do narcotráfico, que amplia seu controle territorial na maioria das cidades brasileiras. Ou seja, deixa o Palácio do Planalto numa posição defensiva.
Ao contrário do que acontece com “tarifaço”, visto como uma agressão à soberania nacional, as críticas de Lula à decisão norte-americana abrem espaço para que a oposição o acuse de não combater o PCC e o CV como deveria. A ação de Washington também ocorre num momento de reorganização da geopolítica na América do Sul, com a eleição de governos de direita parceiros de Trump, que também defendem medidas extremas contra a criminalidade.
O artigo analisa a decisão do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e aplicar sanções financeiras a indivíduos e empresas supostamente envolvidos em lavagem de dinheiro ligada ao narcotráfico. A medida inclui bloqueio de bens, restrições a transações e possíveis punições a instituições que mantenham relações com os sancionados.
Embora juridicamente limitada à jurisdição norte-americana, a iniciativa é interpretada como uma mudança estratégica mais ampla, ao aplicar instrumentos típicos do combate ao terrorismo — como sanções e cooperação de inteligência — contra organizações criminosas brasileiras. O movimento se insere na política externa de Trump, que associa narcotráfico, imigração e segurança nacional.
O texto destaca que a crescente atuação internacional dessas facções sustenta a narrativa dos EUA de que o problema ultrapassa fronteiras brasileiras. Também aponta possíveis implicações políticas, incluindo convergências entre autoridades americanas e setores da oposição brasileira na pauta de segurança pública.
No Brasil, a classificação como terrorismo é contestada pelo governo, com base na legislação nacional, que diferencia crimes com motivação econômica de atos terroristas. Ao mesmo tempo, o tema ganha relevância no debate político interno, especialmente diante da percepção pública sobre segurança e combate ao crime organizado, colocando pressão sobre o governo federal.
Por fim, o artigo sugere que a iniciativa americana pode impactar o cenário político e geopolítico regional, ao reforçar agendas de segurança mais rígidas e influenciar o debate eleitoral no Brasil.
DO “BIRTHRIGHT” À DISPUTA CONSTITUCIONAL: CIDADANIA POR NASCIMENTO E OS LIMITES DO PODER EXECUTIVO NOS EUA
CIDADANIA POR NASCIMENTO VOLTA AO CENTRO DO DEBATE NOS ESTADOS UNIDOS
Itatiaia
30 de jun. de 2026 #Itatiaia #Jornalismo #Política
O princípio da cidadania por nascimento — conhecido como birthright citizenship — voltou ao centro do debate político e jurídico nos Estados Unidos, impulsionado por propostas que buscam restringir sua aplicação. A discussão envolve interpretações da 14ª Emenda da Constituição, que garante cidadania a todas as pessoas nascidas em território americano, com exceções historicamente limitadas.
Propostas de revisão desse entendimento têm sido defendidas por setores políticos que argumentam pela necessidade de redefinir critérios de nacionalidade diante de mudanças nos fluxos migratórios. Por outro lado, juristas destacam que qualquer alteração substancial enfrentaria barreiras institucionais significativas, seja pela necessidade de revisão constitucional formal, seja pela dependência de uma mudança de interpretação por parte da Suprema Corte.
Nesse contexto, especialistas ressaltam que o poder executivo possui limitações claras: medidas unilaterais, como ordens executivas, tendem a ser contestadas judicialmente caso entrem em conflito com dispositivos constitucionais consolidados.
Nota institucional: A Constituição dos Estados Unidos não pode ser alterada por decisão do presidente. Mudanças exigem aprovação qualificada no Congresso e ratificação por parte dos estados, ou revisão interpretativa pelo Judiciário.
ORIGEM E ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO AMERICANA
A Constituição dos Estados Unidos, em vigor desde o final do século XVIII, constitui um dos textos fundamentais mais duradouros da história contemporânea. Sua elaboração ocorreu em 1787, durante a Convenção da Filadélfia, um encontro de delegados estaduais convocado com o objetivo de substituir os Artigos da Confederação e fortalecer a estrutura federativa.
Diferentemente de modelos constitucionais posteriores, o documento não foi resultado de promulgação por autoridade executiva. À época, o cargo de presidente ainda não existia. O texto foi submetido à ratificação por convenções estaduais, refletindo uma lógica de legitimação descentralizada.
Dimensões institucionais do processo constitucional:
Elaboração:
Conduzida por delegados estaduais reunidos em convenção, sob a presidência de George Washington, a redação buscou equilibrar interesses regionais e estabelecer mecanismos de separação de poderes.
Ratificação:
O texto entrou em vigor após aprovação por um número mínimo de estados, conforme critérios previamente definidos, consolidando a base jurídica do novo sistema político.
Emendas e estabilidade institucional:
O modelo de emendas foi concebido para combinar flexibilidade e rigidez. Alterações exigem maioria qualificada no Congresso e ratificação pelos estados, o que reduz a frequência de mudanças e reforça a estabilidade normativa.
Agenda presidencial no Nordeste e sinalizações políticas O POVO 1 de jul. de 2026 #noticias #politica #brasil
No Brasil, movimentos recentes do Executivo federal indicam uma intensificação da presença institucional em regiões estratégicas. Durante agenda na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de inaugurações e eventos públicos ao lado de lideranças políticas, incluindo o senador Jaques Wagner.
O discurso adotado no evento combinou referências pessoais e sinalizações políticas, prática recorrente em agendas públicas com potencial de impacto eleitoral indireto. A aproximação com aliados regionais ocorre em um contexto de articulação política contínua, no qual obras, investimentos e presença territorial funcionam como instrumentos de consolidação de apoio.
LEITURA ANALÍTICA: DIREITO, POLÍTICA E INSTRUMENTOS DE PODER
Os dois contextos — o debate constitucional nos Estados Unidos e a dinâmica política no Brasil — evidenciam diferentes formas de interação entre ordenamento jurídico e estratégia política.
Nos Estados Unidos, a rigidez constitucional impõe limites claros à ação do Executivo, deslocando disputas estruturais para o campo judicial e interpretativo. Já no Brasil, onde a Constituição também estabelece freios institucionais, a atuação política se manifesta com maior ênfase na gestão de alianças e na execução de políticas públicas com visibilidade territorial.
Em ambos os casos, observa-se que o exercício do poder não se dá apenas por meio de normas formais, mas também por estratégias de comunicação, construção de legitimidade e articulação institucional — elementos centrais para a compreensão contemporânea da política.


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