Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Duas Estéticas, O Mesmo Sol
Luiz Carlos Barreto provou ter luz própria ao revolucionar o Cinema Novo através de uma ousada subversão técnica: o uso exclusivo da luz natural. Atuando como diretor de fotografia para dois diretores de estéticas opostas, ele demonstrou uma impressionante capacidade de adaptação, moldando o sol a favor de cada narrativa.
Originais do Samba -Tenha Fé - Mussum
ENSAIO ORIGINAIS DO SAMBA TV CULTURA
Trecho do Filme "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos SantosLuiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, foi o aclamado diretor de fotografia do clássico Vidas Secas, lançado em 1963 (e não em 1960). Ele ajudou a definir a estética crua e documental do Cinema Novo, usando luz natural intensa e sem filtros para transmitir o calor e a aridez do sertão.
A fotografia do filme tornou-se uma lenda no cinema nacional e internacional. Suas principais características incluem:
Ausência de luz artificial: A gravação foi feita inteiramente com a luz do sol, entrando pelas portas e janelas das locações.
Sem filtros: Barretão dispensou filtros de lente para diminuir a intensidade do contraste, permitindo que a luz natural chapada e ofuscante do sertão nordestino dominasse a tela.
Estética Neorrealista: O uso de câmera na mão e cenários reais ajudou a traduzir visualmente a miséria, a seca e a luta por sobrevivência da família de Fabiano e da cadela Baleia.
A obra marcou a estreia de Barretão como diretor de fotografia, consolidando sua trajetória que o tornaria um dos maiores produtores da história do audiovisual brasileiro.
Glauber Rocha- Terra em Transe (1967)- [Multi Subs]Clássicos da Sétima Arte
22 de nov. de 2015
Gênero: Drama.
País: Brasil.
Estrelas: Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy.
Direção: Glauber Rocha.
Sinopse:
Terra em Transe é um espetáculo poético, sobre o transe político pelo qual passavam os países da América Latina. Considerado o mais importante e polêmico filme de Glauber Rocha e um dos percursores do Cinema Novo e do movimento tropicalista, Terra em Transe tornou-se um clássico do cinema moderno, tendo conquistado, entre outros, o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes de 1967.
Legendas em Espanhol, Francês, Inglês e Português.
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Espaço Amplo
Direito Penal da Democracia?
Por Justo S. Justino
A democracia contemporânea opera a partir de um sistema complexo de mediações institucionais. O conflito político, longe de ser extirpado, deve ser absorvido e transformado por meio de mecanismos normativos e deliberativos. Contudo, quando tais mediações se fragilizam no tecido social, observa-se uma alarmante tendência de deslocamento desses dissensos para as esferas mais rígidas de controle social. Dentre elas, o Direito Penal desponta não mais como último recurso, mas como ator principal.
No Brasil recente, essa dinâmica assume contornos expressivos e preocupantes. A vertiginosa ruptura entre dois senadores de um mesmo estado nordestino, originalmente eleitos sob a mesma chapa majoritária e coalizão partidária, é paradigmática. Evidencia a dissolução da solidariedade intrapolítica e a ascensão de uma lógica de antagonismo absoluto. O episódio, marcado por acusações mútuas de instrumentalização e "vingança" na condução de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o crime organizado, revela a mutação da política em uma arena de deslegitimação estritamente simbólica e pessoal.
Simultaneamente a essa degradação paroquial das relações partidárias, o ordenamento jurídico brasileiro passou por uma inflexão estrutural relevante. A promulgação da Lei nº 14.197/2021 revogou a entulhada Lei de Segurança Nacional, inserindo no Código Penal novos dispositivos voltados especificamente à tutela do Estado Democrático de Direito. Tipificaram-se as condutas de abolição violenta da ordem democrática e de golpe de Estado. Tal movimento representa uma atualização legislativa, mas também uma perigosa reconfiguração do papel do Direito Penal na órbita pública.
Sob a perspectiva do garantismo clássico, formulado pelo jurista Luigi Ferrajoli, a intenção punitiva deve limitar-se à proteção de bens jurídicos fundamentais, balizada pela estrita legalidade. Nesse sentido, proteger a democracia das garras do autoritarismo violento pareceria um avanço civilizatório incontestável. Entretanto, a expansão penal sobre a atividade política demanda cautela extrema. Conforme a advertência clássica de Michel Foucault, o Direito Penal constitui uma refinada tecnologia de poder. Possui a capacidade imanente de produzir efeitos disciplinares que transcendem a letra da lei.
Na ausência de cultura institucional, o Direito Penal deixa de ser um escudo protetor e passa a operar como arma de destruição do adversário
Essa expansão flerta perigosamente com o fenômeno da judicialização da política. Como aponta a teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas, a transferência de decisões essencialmente políticas para o âmbito estrito do Judiciário esvazia a esfera pública deliberativa. Substitui-se o embate de ideias e projetos por provimentos tecnocráticos e sentenças condenatórias. No varejo da disputa pelo poder, a utilização de categorias criminais no discurso político funciona apenas como blindagem ou aniquilação reputacional. É o uso instrumental daquilo que Pierre Bourdieu conceituou como capital simbólico.
O caso da bancada sergipana ilustra perfeitamente a convergência entre a fragmentação partidária e a expansão da lógica punitiva. A desavença sobre os rumos de investigações parlamentares expõe o esgotamento dos pactos e a prevalência de vendetas individuais travestidas de legalidade. A atuação comunicacional dos agentes públicos, eivada de discursos de diferença identitária e alfinetadas indiretas nas redes sociais, soterrou o debate programático. Quando a política abdica de sua função mediadora, ela se aproxima do confronto policial permanente.
A incorporação da defesa democrática ao Código Penal pressupõe, para sua eficácia virtuosa, um ecossistema político comprometido com a própria institucionalidade. Caso contrário, a tipificação criminal servirá apenas como vocabulário de ódio e ferramenta de perseguição de maiorias ocasionais. A democracia não se sustenta de forma exclusiva ou duradoura por meio de normas proibitivas ou ameaças de cárcere. Sua preservação exige, fundamentalmente, práticas éticas responsáveis, cultura institucional sólida e um compromisso inegociável com o diálogo plural. Tratar a política habitual como caso de polícia, ainda que sob o manto de boas intenções, é o primeiro passo para asfixiar a racionalidade democrática.
Use o código com cuidado.
O fantasma da fraude eleitoral está de volta | Meio-Dia em Brasília - 22/07/2026O Antagonista
Transmissão ao vivo realizada há 3 horas Meio-Dia em Brasília | 2026
O programa Meio-Dia em Brasília desta quarta-feira, 22, aborda a fala do pré-candidato Flávio Bolsonaro durante reunião com embaixadores na qual ele fez alertas sobre eventuais fraudes eleitorais no país.
Além disso, o jornal também aborda o périplo bolsonarista em busca de um vice para o filho do ex-presidente da República e aborda o mais novo embate entre Michelle Bolsonaro e seus enteados.
Assista:
quarta-feira, 22 de julho de 2026
O fantasma de Cristiano e a sombra de futuro dos líderes de oposição, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseEstá em curso uma operação de cristianização do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que até agora se mantém como principal candidato de oposição
O mineiro Cristiano Machado (1893-1953) era advogado e diplomata quando se aventurou na política na disputa presidencial. Ex-prefeito de Belo Horizonte antes da Revolução de 1930, nas eleições de 1950 seu nome saiu da cartola dos caciques do PSD para enfrentar o candidato da UDN, Eduardo Gomes. Durante a campanha, porém, perdeu o apoio em seu próprio partido e de aliados para a candidatura de Getúlio Vargas. Essa traição recebeu um nome hoje consagrado na política brasileira: “cristianização”.
Foi uma espécie de conto da carochinha. Em 15 de maio de 1950, reunidos na casa de Cirilo Júnior (presidente do partido), os caciques do PSD indicaram Cristiano à Presidência. O político mineiro ficou de procurar Getúlio Vargas (PTB) e Ademar de Barros (PSP), oferecendo a vice-presidência na chapa. O general Góis Monteiro transmitiria essa escolha ao presidente Eurico Gaspar Dutra. Vargas não fez objeção.
Entretanto, a ala getulista do PSD do Rio Grande do Sul recusou-se a aceitar a candidatura de Cristiano. Membros do PSP comunicaram que também não apoiariam o nome de Cristiano, já que a candidatura de Vargas seria apoiada por Ademar. Mesmo assim, o nome de Cristiano Machado foi aclamado no dia 9 de junho. A convenção do partido não contou com a presença da maioria dos representantes gaúchos.
Vargas venceu as eleições de 3 de outubro de 1950 com 3.849.040 votos, grande parte de redutos do PSD. Seus caciques promoveram um processo de esvaziamento eleitoral que ficou conhecido no jargão político como “cristianização”. Com 1.697.193 votos, Cristiano ficou atrás de Eduardo Gomes, que teve apoio de 2.342.384 de eleitores.
Está em curso uma operação de cristianização do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que até agora se mantém como principal candidato de oposição, graças à força do bolsonarismo nas redes sociais. No mundo político e empresarial, entretanto, Flávio está sendo abandonado; em determinados segmentos evangélicos, também. A tese é de que não será capaz de vencer Lula no segundo turno, e um candidato conservador mais experiente e moderado teria o perfil ideal para derrotar o atual preesidente da República.
Quem pretende vestir esse figurino é o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que também corre risco de “cristianização”, mas ganhou novo fôlego. A escolha do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente do PSD, para vice reanimou sua candidatura, que busca o apoio do Centrão. Remanescente das eleições de 1989, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Caiado saiu do governo de Goiás com grande aprovação e sempre teve muito trânsito entre lideranças do agronegócio e da área médica mais conservadora.
Caiado agora disputa o apoio do União Brasil e do Progressistas, de Ciro Nogueira e Arthur Lira, que sempre foram contra a candidatura de Flávio, por achar que não seria páreo para Lula. Com apoio de Kassab, também costeia o alambrado do Progressistas, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aliado natural de Flávio Bolsonaro, mas que até agora não indicou a vice do candidato do PL.
Egoístas e altruístas
Para o neodarwinista Richard Dawkins, autor de Deus, um delírio, somos uma “máquina de sobrevivência” de um gene cujo objetivo é a autorreplicação, isto é, a perpetuação da espécie. No livro O gene egoísta ( Companhia das Letras), ao analisar a reprodução sexuada dos animais, Dawkins buscou uma explicação para a convivência entre o egoísmo dos genes e o altruísmo das espécies: uma espécie de “cluster” biológico garantiria a sobrevivência e replicação de ambos.
O cuco é uma das espécies mais egoístas: procria, mas não educa os filhos; põe os ovos no ninho de outras aves, aproveitando sua ausência. Quando o danado do cuco nasce, joga os demais ovos para fora do ninho, matando os filhotes legítimos para ser criado no lugar deles. Quando cresce, bate asas e vai embora. A analogia serve para muitos políticos.
Como no beisebol, na política é muito comum o sujeito achar que o bom rapaz terminará por último. O ardil, a dissimulação, a esperteza e a falta de escrúpulos parecem ser a regra do jogo. Mas a política também exige altruísmo, ou seja, a cooperação com os demais integrantes da espécie para não entrar em extinção. É aí que os bons rapazes podem virar o jogo e acabar em primeiro.
E a “sombra de futuro”? O conceito é dos militares britânicos, refere-se à estratégia de sobrevivência dos soldados ingleses, franceses e alemães no final da Primeira Guerra Mundial, quando eles começaram a cooperar tacitamente no front, em alguns casos abertamente. Esperavam os políticos e generais acabarem com a guerra. Como eram jovens, tinham uma expectativa de vida civil muito maior do que a deles. Até que ponto Tarcísio e Michelle Bolsonaro querem que Flávio ganhe as eleições? São potenciais candidatos em 1930. Caiado e Kassab estão se movimentando em busca dessa resposta.
Entrevista com Eduardo Giannetti | Warren Política | Episódio 26Warren Investimentos
22 de jul. de 2026 Warren Política
O Brasil ainda pode voltar a crescer de forma sustentável?
Neste episódio do Warren Política, Felipe Salto recebe o economista, sociólogo, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Eduardo Giannetti para uma conversa sobre os desafios econômicos e políticos do Brasil.
Uma conversa que combina economia, filosofia, política e história para entender os caminhos que o país pode seguir nos próximos anos.
Entre os temas abordados:
00:00-04:53 | Introdução
04:53-10:28 | Fim da hiperglobalização
10:28-14:03 | Os desafios da economia brasileira
14:03-17:32 | Ajuste fiscal
17:32-23:36 | Gastos públicos e previdência
23:36-26:28 | Juros no Brasil
26:28-32:48 | Polarização política
32:48-34:09 | A realidade fiscal
34:09-35:25 | Complexo de vira-lata
35:25-39:25 | Lula, Bolsonaro e liderança
39:25-42:29 | Reforma política
42:29-46:30 | Inteligência artificial e mercados
46:30-48:33 | Indicações de leitura
quarta-feira, 22 de julho de 2026
O sincericídio de Gabrielli, por Vera RosaO Estado de S. PauloCoordenador do programa de Lula, ex-presidente da Petrobras cita controle de capitais e é enquadrado
A disputa pelos rumos de um eventual quarto mandato do presidente Lula tem provocado atritos na cúpula da campanha petista. As principais divergências estão na seara econômica e há mal-estar no PT e na Fazenda com declarações de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo de Lula.
Na sexta-feira, por exemplo, Gabrielli se reuniu com representantes do mercado financeiro, em São Paulo, e defendeu o controle de capitais, além do aumento do salário mínimo para estimular a saída dos beneficiários do Bolsa Família.
Nada que o PT não pregasse antes, mas que, numa campanha agressiva como a atual, se tornou um “sincericídio”. Não é só: serviu para deixar a Faria Lima – mesmo aquele pedaço que rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) – com a pulga cada vez mais atrás da orelha.
Antes desse encontro, Gabrielli já havia destacado, em entrevistas, temas incômodos para a Fazenda, como a necessidade de mudanças no arcabouço fiscal para ampliar investimentos e gastos sociais.
Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, não gostou dessa abordagem.
Dario Durigan, atual titular da pasta, também não. Durigan, aliás, terá várias reuniões com o mercado nos próximos dias.
De qualquer forma, após o ruído com a Faria Lima, o Palácio do Planalto enquadrou o expresidente da Petrobras. Procurado, ele não quis se manifestar.
“Nós não precisamos de uma nova Carta ao Povo Brasileiro”, disse à coluna o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, numa referência ao documento lançado pelo então candidato do PT, em 2002, para garantir que não era um bichopapão e acalmar o mercado.
Questionado sobre a queda de braço nas fileiras do PT, Marco Aurélio afirmou que Lula não tem porta-voz e só ele fala sobre o seu programa. “Mas nós não daremos um cavalo de pau na economia nem faremos nada pirotécnico”, observou o advogado, que também coordena o grupo Prerrogativas.
O embate na cúpula do PT sobre a condução da economia não é de hoje. No primeiro mandato de Lula ficaram famosas as alfinetadas entre José Dirceu, então ministro da Casa Civil, e Antônio Palocci, à época titular da Fazenda. Em 2023, com Gleisi Hoffmann à frente do PT, o partido batizou o arcabouço de “austericídio fiscal”.
Nos bastidores, o coro que faz mais barulho no PT ainda assina embaixo dessa avaliação. Mas o Planalto editou a medida provisória do silêncio e nada disso aparecerá na plataforma de Lula. Se o presidente for reeleito, aí, sim, a briga terá novos capítulos. Todos com desfecho imprevisível.
Modinha Para GabrielaGal CostaGabrielli, iê, meus camarada!Modinha Para Gabriela · Gal CostaDivina, Maravilhosa
℗ 1975 Universal Music Ltda
Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela, iê, meus camarada!
Eu nasci assim, eu cresci assim
E sou mesmo assim, vou ser sempre assim
Gabriela, sempre Gabriela!
Quem me batizou, quem me nomeou
Pouco me importou, é assim que eu sou
Gabriela, sempre Gabriela!
Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela, iê, meus camarada!
Eu nasci assim, eu cresci assim
E sou mesmo assim, vou ser sempre assim
Gabriela, sempre Gabriela!
Quem me batizou, quem me nomeou
Pouco me importou, é assim que eu sou
Gabriela, sempre Gabriela!
Eu sou sempre igual não desejo o mal
Amo o natural, etc e tal
Gabriela, sempre Gabriela!
Eu nasci assim, eu cresci assim
E sou mesmo assim, vou ser sempre assim
Gabriela, sempre Gabriela!
Quem me batizou, quem me nomeou
Pouco me importou, é assim que eu sou
Gabriela, sempre Gabriela!
Eu sou sempre igual não desejo o mal
Amo o natural, etc e tal
Gabriela, sempre Gabriela!
Composição: Dorival Caymmi.
Duas Estéticas, O Mesmo SolVidas Secas (1963) — Direção de Nelson Pereira dos Santos:A estética: Minimalista, crua, documental e de forte teor neorrealista.A luz de Barreto: Para traduzir a miséria e a opressão da seca, Barretão aboliu refletores e filtros de lente. Ele capturou a luz estourada, chapada e ofuscante do sertão, fazendo com que o próprio sol se tornasse o antagonista implacável que castiga a família de retirantes.
Terra em Transe (1967) — Direção de Glauber Rocha:A estética: Barroca, operística, caótica, alegórica e expressionista.
A luz de Barreto: Na fictícia e delirante Eldorado, a luz natural ganhou contornos completamente diferentes. Barretão explorou o alto contraste, sombras dramáticas e reflexos agressivos da luz do dia para acentuar o transe político, a loucura e a opulência dos palácios, casando perfeitamente com a câmera frenética de Glauber.
Em ambos os clássicos, Barretão não apenas iluminou as cenas; ele provou que a luz natural podia ser crua ou dramática, dependendo de como o fotógrafo se adaptava a ela, consolidando-se como o verdadeiro farol estético do movimento.
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