Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 17 de julho de 2026
O homem fez a sua travessia: O sertão está em silêncio.
código.html
O Último Compasso da Elegância
Mera notícia de folha corrida não dá conta do viver humano. A dor da gente, bem se sabe, teima em não sair no jornal.
Amanheceu o dia com um silêncio sem bula, desses que as ondas do rádio e da televisão divulgam sem o porquê, como se a morte carecesse de diplomacia. Naquela mesma paragem-emissora onde o de cujus gastou mais de quarenta anos de um laborar elegantíssimo, suando o linho sem jamais perder o garbo, o mistério matinal virou diagnóstico noturno: insuficiência do miocárdio.
Bobagem técnica de legista.
O coração — esse bicho emboscado que arma tocaias contra os homens de letras justo na hora da imortalidade — resolveu abreviar a passagem. Não foi falência por fraqueza. Quem conhece o avesso das palavras e o avesso da vida sabe a verdade definitiva:
Passou de insuficiência cardíaca.
Todos morremos de desritmiciência cardíaca
Quando para o coração.
O mestre não findou; desritmiciou-se.
O coração, que é o cofre das paixões e o motor das veredas profundas, perdeu o compasso do relógio do mundo para entrar no ritmo do eterno. Desse compasso quebrado, nenhuma rotativa de jornal dará conta.
O homem fez a sua travessia.
O sertão está em silêncio.
Use o código com cuidado.
Luiz Inácio Lula da Silva opera o Partido dos Trabalhadores (PT) como o maior e mais resiliente conglomerado político da América Latina, atuando como o seu principal acionista e gestor de marca.
Abaixo está o perfil corporativo-político de sua trajetória:Fundador e Controlador Majoritário:
Idealizou e estruturou o PT como uma "Empresa Eleitoral Permanente", garantindo o monopólio da marca na esquerda brasileira por mais de quatro décadas.
CEO Vitalício: Exerce o comando executivo final sobre as decisões estratégicas da organização, definindo fusões (coligações), aquisições de apoio e sucessões internas.
Ativo Intangível (Carisma): É o principal produto de exportação da "empresa", utilizando o carisma como um motor de atração orgânica para expandir a base de clientes (eleitores).
Gestão de Crise e Recall: Demonstra alta capacidade de recuperar o valor de mercado da sua marca após períodos de forte desvalorização (crises e rejeição), reavivando a simpatia do consumidor histórico.
Profissional do Poder: Acumula a liderança de cinco mandatos presidenciais da holding (três próprios e dois de sua sucessora indicada), consolidando-se como o negociador-chefe do portfólio político nacional.
Participações de Wilson Batista na Rádio Tupi em No Tempo de Noel Rosa
quarta-feira, 15 de julho de 2026
A direita está esfarelada, por Elio GaspariO Globo
Na segunda metade do século passado, a esquerda brasileira foi uma das mais divididas do mundo. Integrantes famosos de suas organizações geralmente passaram por três delas. Dilma Rousseff passou por quatro: Política Operária (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), todas clandestinas. Hoje é a direita que se esfarela. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, potencial candidato ao Planalto, resolveu ficar de fora. Restou o bolsonarismo dinástico. Ao tempo dos Bragança, D. Pedro II se dava mal com o cunhado, o Conde D’Áquila, mas a rusga ficou circunscrita ao palácio. Hoje, Michelle Bolsonaro grava vídeo alfinetando Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, tem o apoio do pai encarcerado.
Como ensina o repórter Octavio Guedes, eles se desentendem seguindo um roteiro de novelas de televisão, em capítulos sem vestígio de interesse público.
Da velha direita sobrou pouca coisa. Ronaldo Caiado e Romeu Zema ainda não conseguiram decolar. Flávio, por sua vez, arrisca ser abatido em voo.
O resultado desse esfarelamento está refletido nas pesquisas. O governo de Lula 3.0 é reprovado por um percentual maior que o dos que o aprovam, mas ele lidera as preferências eleitorais em todas as prévias.
A direita brasileira perfilou-se diante de Jair Bolsonaro em 2018, depois do terremoto provocado pela Operação Lava-Jato. Quatro anos depois e mais de 700 mil mortos na pandemia de Covid, uma parte considerável do voto conservador dispensou-o. Preservando-o, arriscou-se. Mantendo-se alinhada depois que o Supremo Tribunal Federal o encarcerou, dobrou a aposta. Acreditar que ela continuará alinhada depois que Bolsonaro assumiu, por necessidade, a posição de chefe de uma dinastia, exige que a aposta seja triplicada, o que parece ser improvável. Resultado: segundo o Datafolha, em junho, 19% daqueles que se dizem potenciais eleitores de Flávio Bolsonaro podem ser colocados à esquerda do espectro político, e 24% estariam à direita. (Só 3% dos que preferem Bolsonaro podem ser considerados de esquerda.) A conclusão provável é de que um pedaço da direita (leia-se conservadorismo) migrou.
Isso já aconteceu depois que, em 1981, a tigrada explodiu uma bomba no Riocentro, matando o sargento que a carregava no colo. Três anos depois, a campanha das Diretas teve o apoio de luminares do conservadorismo e até mesmo de alguns signatários do Ato Institucional nº 5, em 1968.
Lula busca essa direita. Não foi à toa que ele disse à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional que nunca foi esquerdista. Foi, e sempre será, uma “metamorfose ambulante”. (Palavras suas.)
A novela da famiglia Bolsonaro reflete perplexidade e, pelo lado dos eleitores, cansaço com a polarização. O arco antipetista de 2018 formado em torno de Bolsonaro se dissolveu.
Até agora, os candidatos de uma possível terceira via não sabem o que fazer com o voto bolsonarista e já se chegou à metade de julho. Pelo andar da carruagem, o rabo continuará correndo atrás do cachorro.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
PT é imbatível em tirar o corpo fora, por Hélio SchwartsmanFolha de S. PauloPartido tem longo histórico de empurrar para terceiros a responsabilidade por seus errosSe bastava uma canetada para limitar publicidade de bets, por que esperaram tanto?
Numa coisa os petistas são imbatíveis: empurrar a responsabilidade de seus erros para outros. Um histórico completo da tendência estouraria os limites físicos desta coluna, de modo que me limito a pincelar casos notórios.
Na visão do partido, o julgamento do mensalão não passou de uma farsa orquestrada pelo STF, pela oposição e pela mídia para enfraquecer a agremiação, que não havia feito nada que outras legendas não fizessem, que era utilizar-se dos tais "recursos não contabilizados", o popular caixa 2. A crise econômica gestada por Dilma Rousseff não foi mais do que o resultado da retração do preço das commodities apimentada pelas pautas-bombas da oposição. O próprio petrolão foi descrito por Lula como uma mancomunação entre elites brasileiras e o Departamento de Justiça dos EUA, que queria destruir a Petrobras.
Mais recentemente, o PT tentou empurrar a conta do escândalo do INSS para o governo Bolsonaro. Não há dúvida de que a gestão anterior tem seu quinhão de responsabilidade, mas não dá para ignorar que os descontos indevidos ganharam enorme tração nos dois primeiros anos do governo Lula, registrando crescimento de 253%. E isso apesar dos múltiplos alertas de que coisas erradas estavam acontecendo.
Petistas também tentaram pular fora das cobranças pela profusão da propaganda de bets. Quase me enganaram. É verdade que Temer e Bolsonaro têm muita culpa aí, por não ter regulamentado a publicidade. A gestão Lula, ao contrário das anteriores, se mexeu. Mas se mexeu mal.
Minha fé na narrativa petista começou a desmilinguir quando li reportagem da Folha mostrando que foi um funcionário do Ministério da Justiça de Lula que redigiu emenda que reduziu as restrições à publicidade no processo de regulamentação. A desilusão mesmo veio quando descobri que bastava uma portaria, isto é, a assinatura de um ministro, para limitar consideravelmente o espaço para abusos. Se não era necessário mais do que uma canetada, por que esperaram quase até o fim da Copa para tomar uma atitude?
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Trump como cabo eleitoral de Lula, por Vera MagalhãesO GloboNovo tarifaço não só dá ao petista chance de reforçar discurso de defesa da soberania como pode possibilitar edição de medidas no período vedado pela lei eleitoralDonald Trump vai se convertendo num poderoso cabo eleitoral para a esquerda.Lula como cabo eleitoral de Trump, por Uma paráfrase a procura de um autorUm como poste do outro como escoras mútuas no pisca-pisca
A análise sugere que medidas protecionistas de Donald Trump fortalecem o discurso nacionalista de defesa da soberania nacional do presidente Lula, funcionando como um cabo eleitoral para a esquerda brasileira. Além disso, o cenário internacional é utilizado por ambos os líderes como escora mútua para mobilizar bases e justificar narrativas internas. Mais informações podem ser encontradas no blogspot de Gilvan Melo.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
À sombra de Monroe, tarifaço é declaração de guerra comercial ao Brasil, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseA relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica norte-americana. A derrota do presidente brasileiro em 2026 passou a ser vista como objetivo por Trump
James Monroe nasceu no condado de Westmoreland, na Virgínia, então uma das 13 colônias da Inglaterra, no dia 28 de abril de 1758. Filho de um juiz, cresceu num clima de agitação por uma pátria livre. Com 16 anos, interrompeu os estudos para lutar pela independência do país. Recebeu de George Washington o posto de capitão.
Formado em direito e apadrinhado por Thomas Jefferson, em 1782, com 24 anos, foi eleito deputado na Virgínia. Fez parte do Congresso Continental, sendo um dos responsáveis pela aprovação da Constituição americana. Em 1790, elegeu-se senador. Em 1794, foi nomeado embaixador na França por George Washington.
De volta aos Estados Unidos, James Monroe foi eleito governador da Virgínia, em 1779, deixando o mandato em 1802. Nesse mesmo ano, designado pelo presidente Thomas Jefferson, negociou a compra dos territórios da foz do Rio Mississippi com a França e a Espanha. A seguir, foi eleito o quinto presidente dos Estados Unidos, o último da “Dinastia da Virgínia”. Seu mandato ficou conhecido como a “Era dos Bons Sentimentos”: o país prosperou, a Flórida foi adquirida da Espanha, e o Brasil teve sua independência reconhecida pelos EUA em 1824.
Declarada em 1823, a chamada Doutrina Monroe repudiava a intervenção ou a recolonização europeia no continente americano, expressa na máxima “A América para os americanos”. Originalmente, era um alerta às potências europeias para que não tentassem restaurar seus impérios coloniais no continente americano. Com o passar das décadas, a doutrina foi reinterpretada, ampliada e transformada em instrumento da hegemonia norte-americana.
Diferentes governos norte-americanos ampliaram seu alcance para justificar intervenções políticas, econômicas e militares. Dois séculos depois, agora rebatizada de “Doutrina Trump”, Monroe continua projetando sua sombra sobre as relações entre Washington e a América Latina.
No artigo A Longa Sombra de Monroe: o Trumpismo e a Restauração da Primazia Hemisférica, Flávio Contrera e Paulo Cesar Gregorio (Lua Nova, 126) sustentam que o movimento político liderado por Donald Trump resgatou essa tradição, adaptada à rivalidade contemporânea com a China e à disputa pelo controle da América Latina. O trumpismo seria uma tentativa de reafirmar sua primazia regional por meio de pressão econômica, alinhamentos políticos seletivos e contenção geopolítica e militar.
Autonomia relativa
A tensão com o governo Lula ocorre nessa perspectiva. A guerra comercial, as chantagens tarifárias e a politização da relação bilateral não são apenas ocasionais. Fazem parte de uma visão estratégica do movimento Maga e de lideranças republicanas como Marco Rubio, secretário de Estado, segundo a qual a América Latina deve ocupar posição subordinada à geopolítica de Washington.
A causa é a ascensão da China. Na América do Sul, Pequim tornou-se grande parceiro comercial, financiador de infraestrutura e investidor em setores estratégicos. Para os nacionalistas na Casa Branca, essa expansão representa uma ameaça direta aos Estados Unidos. Como maior economia da América Latina, integrante do Brics, o Brasil ocupa posição central nessa disputa ao manter relações simultâneas com Estados Unidos, China, União Europeia, Oriente Médio e África.
A autonomia relativa do Brasil incomoda àqueles que sonham com a volta ao século XIX. Não por acaso, ocorre a convergência entre pressões comerciais e disputas políticas domésticas. A relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica que marca o cenário norte-americano. A derrota de Lula em 2026 passou a ser vista como parte de um reposicionamento geopolítico mais amplo da América do Sul.
Essa percepção ajuda a explicar a aproximação explícita de setores conservadores norte-americanos com o clã Bolsonaro e outras lideranças da direita brasileira. A intenção não é apenas influenciar o debate interno do país, mas fortalecer atores considerados mais alinhados à estratégia hemisférica do movimento Maga.
Entretanto, o Brasil não é mais o país vulnerável do passado. Possui uma economia diversificada, o setor agrícola mais competitivo do mundo, reservas internacionais robustas e uma ampla rede de parceiros comerciais. Evidentemente, pressões econômicas vindas dos Estados Unidos podem produzir custos relevantes. Mas a capacidade brasileira de resistir é muito maior do que em outros momentos históricos. O comércio com os Estados Unidos representa apenas 2% do nosso PIB.
Entretanto, isso não significa que uma guerra comercial prolongada seja desejável. Pelo contrário. A escalada das retaliações produziria perdas significativas, reduziria investimentos, aumentaria incertezas e comprometeria décadas de integração econômica. Nenhum dos dois países tem interesse objetivo em ruptura comercial. O desafio do governo brasileiro neste momento é equilibrar firmeza e pragmatismo na eventual adoção da Lei de Reciprocidade.
A defesa da soberania nacional tende, sim, a ocupar lugar central na narrativa eleitoral de Lula. Diante das pressões externas e da associação de Flávio Bolsonaro ao campo político alinhado ao trumpismo, o Planalto vê na defesa da soberania nacional um eixo poderoso de mobilização política. Entretanto, o governo precisa evitar uma guerra comercial de desfecho imprevisível.
O novo tarifaço dos Estados Unidos, interpretado sob a ótica de uma atualizada "Doutrina Monroe" (agora batizada de "Doutrina Trump"), representa uma declaração de guerra comercial para conter a influência da China e reafirmar a hegemonia norte-americana na América Latina.
Alvo Político: A derrota do presidente Lula nas eleições de 2026 tornou-se um objetivo estratégico de Donald Trump.
Alinhamento da Direita: Setores conservadores dos EUA e o movimento MAGA aproximaram-se do clã Bolsonaro para fortalecer aliados ideológicos na região.
Guerra Geopolítica: Washington rejeita a autonomia do Brasil, que mantém forte relação comercial com Pequim e integra os BRICS.
Resistência Brasileira: O Brasil possui economia diversificada e agro competitivo, sendo que o comércio com os EUA representa apenas 2% do PIB nacional.
Estratégia do Planalto: O governo Lula usará a defesa da soberania como narrativa eleitoral central, mas precisa agir com firmeza e pragmatismo para evitar prejuízos econômicos duradouros.
O tarifaço de Trump vai influenciar a eleição de 2026? | Não é Bem AssimMeio
Estreou há 19 horas #donaldtrump #flaviobolsonaro #eleições2026
No Não é Bem Assim desta semana, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem como o tarifaço anunciado por Donald Trump, que ganhou espaço no debate político e passou a ser tratado por Lula e Flávio Bolsonaro como um dos principais temas da corrida presidencial. Mas será que essa é realmente a preocupação do eleitor?
O programa também aborda o desgaste de Flávio e a disputa por protagonismo com Michelle Bolsonaro.
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