terça-feira, 14 de julho de 2026

"Primeiro amar a Deus, depois amar o mundo."

"Quién pudiera vivir entre los dos / Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios"
"Por Quem os Sinos Dobram" é um célebre romance do autor norte-americano Ernest Hemingway publicado em 1940. A obra narra três dias da vida de um voluntário norte-americano na Guerra Civil Espanhola, destacando a interdependência humana: a morte ou o sofrimento de qualquer pessoa afeta toda a humanidade.
segunda-feira, 13 de julho de 2026 O Ocidente está dobrando à direita, por Sergio Fausto O Estado de S. Paulo O mapa político europeu não está cristalizado. Mas a direção dos ventos – alguém diria o ‘espírito do tempo’ – é clara Olhe-se para a nossa vizinhança ou para a Europa, a extrema direita avança. Na América do Sul, nas três eleições ocorridas até aqui em 2026, venceram candidatos desse naipe político (Chile, Peru e Colômbia). A tendência é semelhante no velho continente. Em Portugal, o partido da extrema direita, o Chega, conquistou o segundo maior número de cadeiras da Assembleia da República nas eleições parlamentares de 2025. No Reino Unido, outro país que até recentemente parecia imune à ascensão da extrema direita, o Reform UK lidera todas as pesquisas de opinião. Na Espanha, o longo ciclo de poder de Pedro Sánchez entrou em fase terminal. Quem cresce é o partido da extrema direita, o Vox. O partido tradicional da direita, o Partido Popular (PP), depende cada vez mais da extrema direita. Nas quatro Comunidades Autônomas em que houve eleições este ano, o PP só conseguiu obter maioria parlamentar depois de aceitar representantes e reivindicações do Vox na formação do governo. É um sinal do que deve ocorrer nas eleições marcadas para 2027. Nesse processo, a direita tradicional se aproxima do nacionalismo xenófobo e protofascista, normalizando-o. Nos dois principais países europeus, a tendência de ascensão da extrema direita também é nítida. A AfD, Alternativa para a Alemanha, já é o segundo maior partido em número de cadeiras no Parlamento alemão, e as pesquisas indicam que seria o mais votado se as eleições fossem hoje. A perspectiva de a AfD integrar o governo federal dispara os alarmes dos órgãos encarregados da segurança nacional daquele país, pois são notórios os laços da extrema direita alemã com a Rússia. Relatório divulgado em junho pelo Departamento Federal de Proteção à Constituição mostra um aumento de 17% no número de pessoas consideradas extremistas de direita entre 2024 e 2025. Na França, todas as pesquisas indicam Jordan Bardella ou Marine Le Pen na liderança para as eleições presidenciais de maio do próximo ano. Com apenas 30 anos, Bardella é considerado uma extensão de Marine Le Pen, a real líder do partido xenófobo Rassemblement National. Ela recém recuperou o direito de se candidatar em 2027, depois que a Justiça francesa reduziu sua pena por malversação de recursos. O mapa político europeu não está cristalizado. Mas a direção dos ventos – alguém diria o “espírito do tempo” – é clara. A hipótese de a extrema direita chegar ao poder na França se tornou provável e na Alemanha, plausível. Sintoma disso é a discussão sobre uma eventual moderação da extrema direita, se essa hipótese se confirmar. Foi o que ocorreu na Itália, sob a liderança de Giorgia Meloni, que há quatro anos exerce, em coalizão, o mandato de primeira-ministra, o mais longo desde 2005. Sem antagonizar com a União Europeia nem se aliar à Rússia, ela governa como uma política normal de direita, embora tenha raízes na extrema direita. O exemplo de Meloni pode influenciar um eventual governo presidido por Bardella ou Le Pen na França. O partido de Marine Le Pen já não é mais o que foi nos tempos de seu pai, Jean-Marie Le Pen, um negacionista do Holocausto. Assim como Meloni, Le Pen, a filha, afastou-se da Rússia e abandonou o projeto de retirar a França da União Europeia (UE). Difícil dizer o quanto essa moderação é puramente tática ou não. Na Alemanha, não há sinal dela. A AfD se mantém em oposição frontal à UE e defende a deportação em massa dos imigrantes, a mesma bandeira dos demais partidos europeus de extrema direita. Embora não haja uma internacional de extrema direita formalmente constituída, os partidos, líderes e movimentos que a integram apoiam-se mutuamente. Dentro dessa rede, alguns dos donos das principais plataformas digitais do planeta ocupam um lugar estratégico. Não apenas pela capacidade quase infinita de aportar recursos a campanhas e candidatos, mas principalmente pelo poder exorbitante de que dispõe para amplificar ou reduzir seletivamente o alcance das informações e desinformações que transitam por essas plataformas, onde exércitos de robôs respondem por cerca da metade dos conteúdos disseminados. Alguns desses tecno-oligarcas se aliam à extrema direita, em geral, e a Trump, em particular, por oportunismo, outros têm convicções antidemocráticas autênticas, como Peter Thiel, adepto de uma tecno-monarquia absoluta. Em simbiose, a livre circulação de fake news e discursos de ódio nas mídias sociais alimenta a ascensão da extrema direita e enche os bolsos dos tecno-oligarcas. É este o ambiente internacional que cerca a eleição de outubro no Brasil. Na América Latina, junto com o México, somos os únicos países a resistir à subserviência a Donald Trump, cujo desprezo pela democracia, inclusive a dos Estados Unidos, e pela soberania nacional de outros países é bem conhecido. O ímpeto “disruptivo” do presidente dos Estados Unidos não irá se reduzir caso sofra um revés político nas eleições para o Congresso em novembro deste ano. Pode até mesmo se agravar. Nesse contexto, é crucial derrotar o clã Bolsonaro, a versão tupiniquim dessa onda extremista que avança no Ocidente. • JORNAL DA CULTURA | 14/07/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão iniciada há 50 minutos Jornal da Cultura | 2026 No Jornal da Cultura desta terça-feira (14), você vai ver: Donald Trump desiste de pedágio em Ormuz; Irã ataca navios de aliados americanos; proposta de Nunes Marques prevê prêmio para acertos dos institutos de pesquisa; e Espanha bate França por 2 a 0 e é a primeira finalista da Copa do Mundo 2026. Para comentar essas e outras notícias, Rodrigo Piscitelli recebe o jornalista Nelson Garrone, correspondente da TVI-CNN Portugal, e o advogado João Santana, sócio da Oby Capital. La Marseillaise Casablanca Casablanca (1942) Movie | Humphrey Bogart, Ingrid Bergman | Review and Reaction Bolero en la Madrugada – Ecos del Alma en La Habana html

Correio Braziliense

REDEGIT PAR LES PATRIOTES EXILÉS À PARIS

Distribuído na Corte do Rio de Janeiro, nas Províncias do Império e aos Brasileiros na Europa

ANNO DOMINI 2026 EDIÇÃO COMPLEMENTAR PARIS, FRANÇA

Da Cadeia ao Planalto:
Crônica da Faixa Invisível e dos Dois Messias

Por M. de A., com anotações de R. B. e J. N.

I.

Diz-se comumente que a mente dos homens políticos é um labirinto cuja chave se perdeu no dia da criação. Eis que, nesta Babel transatlântica a que chamamos República, um pretendente ao sólio presidencial faz ecoar dos muros de sua cela uma promessa de fazer inveja aos maiores taumaturgos: a de que governará o país de trás das grades, até que a última e tardia badalada do trânsito em julgado venha fechar-lhe as portas da esperança.

Ora, a lei — essa velha senhora que o nosso ilustre conselheiro Ruy Barbosa tanto defende com o seu latim impecável — garante ao cidadão não condenado em definitivo o direito de ver seu nome impresso nas urnas. É a consagração do princípio da inocência, essa ficção jurídica que assume que todos os homens são anjos até que os carrascos provem o contrário. Mas o exercício do poder, ah!, o poder é matéria de física, não de metafísica. Como haverá o eleito de assinar decretos entre a ração de sol e o silêncio da enxovia? Governar da prisão é o ápice do nosso surrealismo institucional: o chefe do Estado transforma-se em um fantasma que despacha por telepatia, deixando o trono ao seu Vice, que rirá de dentes fartos na cadeira presidencial.

II.

Contudo, o clímax desta comédia bufa deu-se quando o jovem delfim, o senador Flávio, assegurou ao público, em suas proclamações eletrônicas, que o "Messias" lhe passaria a faixa em janeiro vindouro. Como a mente do orador nos é interditada por falta de fendas no crânio, os ouvintes mais sofisticados da nossa Praça dos Três Poderes dividiram-se em duas correntes de exegese pura.

A primeira hipótese, de uma delicadeza quase monástica que faria o nosso Joaquim Nabuco sorrir em seus salões diplomáticos, evoca o Messias Nazareno. O Estado, conquanto laico na letra fria do papel, ajoelha-se diante da retórica sacra. Sob esta luz, a promessa não passaria de um ato de contrição e fé, uma intervenção divina onde o próprio Cristo desceria das alturas para condecorar o herdeiro político. É legal, é piedoso e, acima de tudo, perfeitamente inútil para a administração das alfândegas e dos quartéis.

A segunda hipótese, contudo, cheira mais ao bafio das nossas crônicas policiais e aos arranjos da nossa elite. O ouvinte atento recordar-seá, por certo, daquele curioso episódio em que o velho Paulo Maluf e seu filho Flávio partilharam, por artes do destino e da jurisprudência, a mesma cela na Papuda. Seria, pois, o prenúncio de uma coincidência dinástica? Flávio, o filho, pressente que poderá habitar o mesmo claustro que Jair Messias, o pai. Ali, no recôndito da cela comum, longe dos olhos do Supremo Tribunal e das guardas palacianas, o pai teceria uma faixa de brim ou de algodão e, num rito de transição estritamente doméstico, coroaria o filho como Imperador do Cárcere.

III.

Qual destas hipóteses é a verdadeira? O ceticismo manda responder que ambas e nenhuma. O tribunal da opinião pública apressar-se-á em gritar "Fake News!", esse neologismo bárbaro de que os modernos se servem para rotular a velha e boa mentira política. Mas sejamos justos: não há falsidade factual ali onde habita apenas o delírio ou a metáfora. A promessa de uma faixa entregue por um Messias — seja o divino, seja o consanguíneo — pertence ao domínio da poesia eleitoral, essa subcategoria da literatura de cordel.

Conclui-se que o Brasil continua a ser o país onde o rito oficial é uma peça de teatro enfadonha, enquanto o rito paralelo, o rito da cela e do simbolismo puro, é o que verdadeiramente comove a plateia. O candidato preso pode ser eleito; o pai preso pode coroar o filho. No grande livro do mundo, a faixa presidencial oficial continuará a vestir o tronco de quem de direito no Planalto, mas, no coração dos crentes, a faixa invisível costurada na prisão terá sempre maior utilidade dramática.

Typographia Imperialis Typis - Reimpressa em Paris para circulação transatlântica.
Use o código com cuidado.

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