segunda-feira, 27 de julho de 2026

CONFLITO INTERIOR

Conflito Interior Martinho da Vila Eu não sei mais o que fazer Pra você não ir embora O nosso amor não acabou Mas há uma agonia É um conflito interior Comum na nossa geração Dá uma vontade de sumir Romper o laço umbilical Mas destransar eu sei É tão difícil amor Se ainda existe Uma atração carnala E agora já nem sei Se é bom você ficar Se eu constatei Vontades de voar Composição: Joao de Aquino, Martinho da Vila.
A charge mostra Brizola chegando ao aeroporto sob ataques agressivos, enquanto Mafalda comenta com ironia a hipocrisia política, cercada por “gatos esfomeados” como metáfora. O presidente da Argentina, Javier Milei, limitou-se a referir-se ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como “ladrão”. Não avançou para qualificações mais agressivas, como a expressão “ratón”, já utilizada em episódios anteriores da política brasileira. Há precedentes de embates retóricos mais ásperos, como aqueles dirigidos a Leonel Brizola por setores militantes durante seu retorno do exílio. À época, circularam acusações baseadas em supostas confidências atribuídas ao então presidente de Cuba, sem comprovação documental. O episódio remete ainda ao entrelaçamento de trajetórias políticas e ideológicas na região, incluindo a proximidade entre Frei Betto — posteriormente assessor de Lula — e movimentos católicos de base no ABC paulista, berço da atuação sindical que projetou o atual presidente brasileiro. “Cambalache” — Enrique Santos Discépolo “Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé…” Cambalache Enrique Santos Discépolo Cambalache Cambalache Que o mundo foi e sempre será uma porcaria, já sei Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé No quinhentos e seis e no dois mil também En el quinientos seis y en el dos mil también Que sempre teve ladrões, maquiavélicos e enganadores Que siempre ha habido chorros, maquiavélicos y estafadores Felizes e amargurados, valores e falsidades Contentos y amargados, valores y dubles Mas que o século vinte é um espetáculo Pero que el siglo veinte es un despliegue De maldade descarada, já não dá pra negar De maldad insolente, ya no hay quien lo niegue Vivemos atolados em um merengue Vivimos revolcados en un merengue E no mesmo lamaçal todos se sujando Y en un mismo lodo todos manoseados Hoje parece que é a mesma coisa ser honesto ou traidor Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor Ignorante, sábio, ladrão, generoso, enganador Ignorante, sabio, chorro, generoso, estafador Tudo é igual, nada é melhor Todo es igual, nada es mejor A mesma coisa um burro que um grande professor Lo mismo un burro que un gran profesor Não há reprovados, nem hierarquia No hay aplazados, ni escalafón Os imorais nos igualaram Los inmorales nos han igualado Se um vive na impostura Si uno vive en la impostura E outro rouba por ambição Y otro roba en su ambición Não faz diferença se é padre Da lo mismo que si es cura Torcedor, rei de paus Colchonero, rey de bastos Sem vergonha ou clandestino Caradura o polizón Que falta de respeito Que falta de respeto Que atropelo à razão Que atropello a la razón Qualquer um é um senhor Cualquiera es un señor Qualquer um é um ladrão Cualquiera es un ladrón Misturados com Stavisky Mezclados con Stavisky Vão Don Bosco e a Mignón Van Don Bosco y la Mignón Carnera e Napoleão Carnera y Napoleón Don Chicho e San Martín Don Chicho y San martín Igual na vitrine desrespeitosa Igual que en la vidriera irrespetuosa Dos cambalaches De los cambalaches A vida se misturou Se ha mezclado la vida E ferida por uma espada sem remaches Y herida por un sable sin remaches Vê a Bíblia chorar junto a um aquecedor Ves llorar la Biblia junto a un calefón Século vinte, cambalache, problemático e febril Siglo veinte, cambalache, problemático y febril Quem não chora, não mama, e quem não rouba é um otário El que no llora, no mama, y el que no afana es un gil Vai, não para, vai que vai Dale no más, dale que va Que lá no forno a gente vai se encontrar Que allá en el horno se vamos a encontrar Não pense mais, sente-se ao lado No pienses más, siéntate a un lado Que a ninguém importa se você nasceu honesto Que a nadie importa si naciste honrado Que é a mesma coisa quem trabalha Que es lo mismo el que labura Dia e noite como um boi Noche y día como un buey Que quem vive dos outros Que el que vive de los otros Que quem mata ou quem cura Que el que mata o el que cura Ou está fora da lei O esta fuera de la ley Vivemos atolados em um merengue Vivimos revolcaos en un merengue E no mesmo lamaçal todos se sujando Y en un mismo lodo todos manoseados Composição: Enrique Santos Discépolo. Essa informação está errada? Nos avise. Enviada por Camila.
Retórica, memória política e os limites do debate público O presidente da Argentina, Javier Milei, limitou-se recentemente a referir-se ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como “ladrão”. A escolha do termo, ainda que contundente, manteve-se dentro de um padrão retórico que, embora agressivo, não alcança níveis mais extremos já observados em outros momentos da política latino-americana. A história política brasileira oferece exemplos de embates muito mais ásperos. Durante o retorno de Leonel Brizola do exílio, não foram raras as manifestações de setores militantes que recorreram a qualificações pejorativas baseadas em alegações frágeis ou não comprovadas. À época, circularam acusações atribuídas a supostas confidências do então presidente de Cuba, sem que houvesse documentação que lhes conferisse credibilidade. O episódio ilustra como a retórica política pode, em determinados contextos, ultrapassar os limites do debate público responsável. Esse tipo de linguagem não surge no vácuo. Ele se insere em um tecido histórico marcado por relações ideológicas, trajetórias pessoais e redes de influência que atravessam fronteiras nacionais. A proximidade entre figuras como Frei Betto — posteriormente assessor de Lula — e os movimentos católicos de base no ABC paulista ajuda a compreender a formação política de lideranças que emergiram do sindicalismo e alcançaram o poder institucional. Ainda assim, reconhecer o contexto histórico não implica legitimar o uso de acusações sem comprovação como instrumento de disputa política. Ao contrário, reforça a necessidade de distinguir entre crítica fundamentada e retórica inflamatória. Democracias maduras dependem de um debate público que privilegie fatos verificáveis, argumentos consistentes e respeito institucional. Ao se observar o episódio recente à luz dessa trajetória, percebe-se que, embora a linguagem empregada por Milei seja criticável, ela se insere em uma tradição mais ampla de tensionamentos retóricos na política regional. O desafio contemporâneo permanece o mesmo de outrora: elevar o nível do debate público, evitando que ele se degrade em acusações vazias ou narrativas desprovidas de lastro factual. Em última instância, o que está em jogo não é apenas a relação entre líderes ou países, mas a qualidade do discurso político que sustenta as instituições democráticas. Manhattan Connection 26/07/2026

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