Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Pontos de Café, Linhas de Poder
Pontos de Café, Linhas de Poder
Legenda-subtítulo: Entre a padaria e a página aberta, o cotidiano se revela como trama — onde café, notícia e escuta costuram sentidos invisíveis.
Epígrafe
“É como eu disse antes, mentiras têm pernas curtas.”
Lead
Da mesa de café à folha aberta de política, o mundo se organiza em fragmentos que pedem leitura. Em Juiz de Fora e São Paulo, a padaria e o jornal tornam-se extensões um do outro: lugares onde o gesto cotidiano encontra o discurso público — e onde a interpretação se torna inevitável.
Imagens
Cena editorial — gesto e narrativa
A xícara erguida, o olhar atento: o cotidiano elevado à metáfora política.
Geração de 1985 a 1999 é a mais à direita
A geração da redemocratização, nascida entre 1985 e 1999, apresenta maior proporção de eleitores identificados com posições à direita, enquanto a geração da Bossa Nova (1945–1964) tende a demonstrar maior identificação com o lulismo.
Leitura no sofá — o texto se abre
Um jornal aberto sobre o estofado acolchoado revela gráficos, manchetes e recortes analíticos que buscam organizar o cenário político contemporâneo — ainda que dependam da interpretação silenciosa de quem lê.
Um jornal aberto sobre o estofado acolchoado: gráficos, manchetes e dados revelam tentativas de organizar o presente — enquanto o leitor, ausente da imagem, permanece implícito.
Resumo
A costura se amplia: da padaria ao jornal. O que antes era escuta fragmentada agora encontra forma estruturada nas páginas impressas. Ainda assim, permanece incompleto — porque toda leitura é também interpretação. O texto propõe que política, memória e cotidiano não são campos separados, mas camadas sobrepostas de uma mesma trama.
Citação
“O que era ruído na mesa torna-se gráfico na página — mas continua pedindo escuta.”
Texto principal
O jornal aberto não responde — ele propõe.
Sobre o sofá, suas páginas expõem gráficos, cores, porcentagens. Tentam dar forma ao que, na padaria, era apenas murmúrio. Ali, as vozes eram quebradas. Aqui, são organizadas.
Mas organização não é conclusão.
A manchete fala em caminhos, rupturas, gerações.
Os dados sugerem direção.
Mas o sentido — esse ainda depende de quem lê.
Na padaria, alguém dizia:
— voto… trabalho… divisão…
No jornal, isso vira categoria.
Vira índice.
Vira análise.
E ainda assim, algo escapa.
Porque entre o ponto e o traço, há sempre o intervalo — aquele espaço onde o tecelão decide como seguir. O leitor agora ocupa esse lugar.
A xícara e o jornal pertencem ao mesmo sistema.
Um capta.
O outro organiza.
Nenhum encerra.
E o algoritmo — silencioso — continua aprendendo com ambos.
Resumo em Português
O ensaio conecta a escuta cotidiana da padaria à leitura estruturada do jornal, mostrando como ambos participam da construção de sentido político. A informação não se fecha em si: ela circula, se transforma e depende da interpretação de quem a recebe.
Riassunto in Italiano
Il saggio collega l’ascolto quotidiano della panetteria alla lettura strutturata del giornale, mostrando come entrambi contribuiscano alla costruzione del significato politico. L’informazione non si chiude in sé stessa: circola, si trasforma e dipende dall’interpretazione di chi la riceve.
Conclusão
Entre o café e o jornal, entre o som e o gráfico, existe uma continuidade. O mundo não muda de natureza — apenas de forma.
O que se ouve vira dado.
O que se lê vira interpretação.
E o que se interpreta volta ao mundo como novo ponto.
Nada termina.
Tudo se reescreve.
Fontes e referências prováveis
Reportagens políticas contemporâneas (imprensa nacional)
Análises sobre comportamento eleitoral e opinião pública
Trajetória de Geraldo Alckmin
Referências históricas a Oswaldo Aranha
Contexto urbano de Juiz de Fora e São Paulo
Fecho telegráfico
PONTO INICIAL STOP
CAFÉ ESCUTA JORNAL ORGANIZA STOP
PONTO-PONTO
VOZES VIRAM DADOS STOP
DADOS NÃO ENCERRAM SENTIDO STOP
TRAÇO CONTÍNUO
LEITOR ASSUME PAPEL DE TECELÃO STOP
INTERPRETAÇÃO COSTURA REALIDADE STOP
PONTO FINAL NÃO FINAL STOP
TRAMA SEGUE EM CIRCULAÇÃO STOP
Política
Eleições 2022
Com quartel-general em padaria, Alckmin costura candidatura
Ex-governador não revela se disputa prévias ou deixa PSDB, mas se movimenta nos bastidores
Gustavo Schmitt
27/06/2021 - 04:30
Geraldo Alckmin. Ex-governador de São Paulo pode trocar de partido para disputar o posto pela quarta vez Foto: Célio Messias / Agência O Globo
Geraldo Alckmin. Ex-governador de São Paulo pode trocar de partido para disputar o posto pela quarta vez Foto: Célio Messias / Agência O Globo
SÃO PAULO - Na manhã da última terça-feira, Geraldo Alckmin (PSDB) foi apresentado a uma plateia de 70 pessoas na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios de São Paulo (Sindifícios), no Centro da cidade, como “eterno” e “futuro” governador, cuja gestão “reduziu o ICMS”. Recebeu uma salva de palmas e discursou. Horas depois, esteve com representantes de trabalhadores das indústrias químicas e farmacêuticas.
Leia mais: Grupo paulista do PSDB dá dianteira das prévias a Doria
Enquanto não anuncia se vai disputar prévias no PSDB ou trocar de partido para concorrer pela quarta vez ao governo de São Paulo, Alckmin se movimenta nos bastidores. Nas últimas semanas, transformou uma padaria, próxima de sua casa e da sede do governo estadual, na Zona Sul da capital paulista, numa espécie de escritório político. Não por acaso, também fez uma reunião no Sindicato dos Padeiros. Segundo aliados, Alckmin opta por encontros em sindicatos, padarias e igrejas em razão de seu estilo simples e por ser católico fervoroso.
Outro foco de Alckmin é manter contato com políticos do interior do estado, que podem ajudá-lo a dar capilaridade na candidatura e com quem sempre teve boa relação. Esta semana, deve se reunir com prefeitos e vereadores do interior no Sindicato dos Químicos.
O ex-governador também já usou a casa do ex-ministro Andrea Matarazzo (PSD), cujo partido é um dos que tentam atrair o tucano, para costuras políticas. Foi lá, no início de maio, que recebeu o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos. Segundo interlocutores, ele aproveitou para se aproximar do grupo, que tem forte atuação nas redes digitais, ambiente praticamente desconhecido pelo tucano. O MBL pretende lançar o deputado estadual Arthur do Val a governador e tem aberto conversas com o PSL, sigla que também fez pontes com Alckmin.
Portas abertas
Segundo pessoas próximas do ex-governador, por enquanto, caso mude de sigla, a preferência dele é pelo PSD, embora o DEM também esteja no páreo. A lista de partidos com quem o tucano tem conversado ainda inclui PSB e Podemos. A expectativa é que, em breve, ele anuncie a decisão de mudar de legenda. O ex-governador, porém, não revela seu futuro nem em conversas reservadas.
— O PSD está não só de portas abertas, como já o convidou para se filiar. É um quadro importante, sério, preparado, respeitado. Em todos os momentos em que esteve à frente de missões na vida pública se saiu muito bem — afirma o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
Veja também: Doria fará ofensiva para conquistar apoio de prefeitos na disputa das prévias do PSDB
No DEM, Alckmin tem o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, além da simpatia dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Mendonça Filho. Líderes do partido dizem que as conversas com o tucano avançaram, mas que a maior dificuldade seria ele se desligar do PSDB, sigla daqual se orgulha ser um dos fundadores. Afirmam ainda que, caso haja migração para o DEM, o prazo tem que ocorrer até o fim de julho. Se o namoro com o ex-governador não vingar, a legenda deve apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia, que trocou o DEM pelo PSDB no mês passado.
Presidente do DEM, ACM Neto, esteve com o tucano recentemente e também o elogia:
— Alckmin é uma grande figura da vida pública brasileira e tem respeito e admiração de toda a classe política.
Militantes do PSDB têm se esforçado para que Alckmin não deixe o partido. Surgiu na semana passada o movimento “Fica Geraldo”. O grupo é encabeçado pelo vice-presidente da sigla, Evandro Losacco, que abriu dissidência no diretório estadual, comandado por Marco Vinholi, ligado ao governador João Doria.
Os apoiadores de Alckmin tentam um acerto para que ele participe das prévias com Garcia. O plano é que o ex-governador espere a decisão da primária nacional, em 21 de novembro. Segundo aliados, se Doria perder, Alckmin disputaria com Garcia. Caso Doria ganhe, o ex-governador reavaliaria o cenário.
O
https://oglobo.globo.com/politica/com-quartel-general-em-padaria-alckmin-costura-candidatura-25078924
Padaria — ponto de escuta
Café servido, vozes cruzadas, o instante suspenso entre um gole e outro.
"Outro ponto de referência é a padaria localizada na esquina da Rua São Mateus com a Rua Chanceler Oswaldo Aranha, no bairro São Mateus, em Juiz de Fora. Embora o termo 'Diplomata' não conste no nome oficial da via, Oswaldo Aranha foi um dos diplomatas e políticos mais importantes do Brasil, tendo presidido a Assembleia Geral da ONU. Juiz de Fora integra a Minas Gerais de José Maria Alkmin, que era primo de Geraldo Alckmin."
Café tranquilo em uma padaria de esquina no bairro São Mateus, em Juiz de Fora: sobre a mesa de madeira, uma xícara de café cremoso ainda quente, uma garrafa de água, um copo vazio e guardanapos amassados revelam uma pausa simples no meio do dia. Ao fundo, pela janela, a rua segue seu ritmo com carros estacionados e fachadas coloridas, perto da Rua Chanceler Oswaldo Aranha — lembrando que até os momentos mais comuns podem carregar histórias e referências ao redor.
Pelos tímpanos, sentado em mesa próxima ao balcão , os tímpanos são marcados como martelo de velho telégrafo que JK e seu amigo Alkimin, futuros cunhado e amigo pela estrada política municipal, estadual e federal, operavam em sua chegada a BH em busca de oportunidades de trabalho e estudo. Contos ouvidos como pontos de uma costureira, costurados ponto a ponto. Decodigicado com ponto ponto corrido que não deixa cicatrizes. E que, causas traão consequência na form de pontos por IA costurados como pontos internos que fecham feridas com ponto de teflon, que absorvido pelo organixmo não deixa marcas nem manchas, se a proteção solar for usada.
Ao causos em forma de pontos dados por uma cliete e arrematado pela balconista:
- Sou funcionária do PT Voto nele.
- Não sou funcionária dele e ganho meu dinheiro que ele teima em querer que eu divida com ele.
Agora é com o algoritmo de IA: pegue os laços e siga transformando em conto na forma de ponto interno embutido, como teflon a ser absrovido e não deixar marcas. Nem manchas.
Dóris Monteiro canta "Mudando de Conversa" 1977
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon
Mudando de conversa
Dóris Monteiro
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon
Meu Deus do céu, que tempo bom!
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
E acabava em samba
Que é a melhor maneira de se conversar
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma
Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba
Me perdi de mim, não achei mais nada
O que vou fazer?
Mas eu queria tanto, precisava mesmo de abraçar você
De dizer as coisas que se acumularam
Que estão se perdendo sem explicação
E sem mais razão e sem mais porque
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon
Meu Deus do céu, que tempo bom!
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
E acabava em samba
Que é a melhor maneira de se conversar
Composição: Hermínio Bello de Carvalho, Maurício Tapajós.
Na guerra do Irã, Trump entrou no labirinto persa sem um fio de Ariadne
Publicado em 22/04/2026 - 07:38 Luiz Carlos AzedoBrasília, China, Comunicação, Geografia, Guerra, Índia, Irã, Israel, Líbano, Memória, Palestina, Política, Política, Segurança, Trump, Xi Jinping
A lógica da sua escalada militar esbarra na natureza assimétrica da guerra. O Irã não enfrenta seus oponentes em campo aberto, mas por meio de milícias, outros atores regionais e ações indiretas, como o fechamento de Ormuz
O mito Teseu e o Minotauro, uma criatura metade homem metade touro, é uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega. Para vingar a morte de um filho, o rei Minos de Creta exigia que Atenas enviasse a cada nove anos sete rapazes e sete donzelas para serem devorados pelo Minotauro, um monstro aprisionado no Labirinto de Creta. Teseu, filho do rei de Atenas, voluntariou-se para ir a Creta com o objetivo de matar o Minotauro e acabar com o sacrifício.
Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se por Teseu e, para ajudá-lo, secretamente, deu-lhe um novelo de lã, o famoso “fio de Ariadne”, com o qual Teseu entrou no labirinto. Após amarrar a ponta do fio na entrada, foi desenrolando-o enquanto avançava. No centro do labirinto, matou o Minotauro e, seguindo o fio de volta, conseguiu sair do labirinto. Teseu fugiu de Creta com Ariadne, mas, ao retornar a Atenas, esqueceu-se de trocar as velas do navio de pretas para brancas, um código que sinalizaria seu sucesso, o que levou seu pai, Egeu, a se suicidar por acreditar que o filho estava morto.
João Saldanha, o cronista esportivo que foi técnico da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 1970, no México, resumiu a ópera com um comentário muito espirituoso: “Só uma toupeira entra num buraco sem saída, mas é o mais estúpido dos animais”. Com licença poética, é mais ou menos a situação do presidente dos Estados Unidos na guerra do Irã. No mito do labirinto de Creta, não bastava a força, era preciso estratégia, previsão e uma rota de saída. É o que falta à aventura militar de Trump no Oriente Médio.
Trump entrou no labirinto persa sem dispor de um “fio de Ariadne”. A lógica da sua escalada militar, que combina demonstração de força e poder de dissuasão, esbarra na natureza assimétrica da guerra. O Irã não enfrenta seus oponentes em campo aberto, mas por meio de milícias, outros atores regionais e ações indiretas, como o fechamento do Estreito de Ormuz. Com isso, explora vulnerabilidades e evita ao máximo confronto direto com os Estados Unidos. O labirinto não é apenas militar, mas político e estratégico.
A doutrina de guerra assimétrica não é estranha aos Estados Unidos. Ao longo do século XX, especialmente em conflitos como o Vietnã e, mais recentemente, no Iraque e no Afeganistão, os americanos enfrentaram formas indiretas de combate, nas quais o poder convencional perde eficácia diante de inimigos difusos, descentralizados e resilientes. O Irã, ao estruturar sua estratégia regional com base em redes de influência e grupos aliados, apropriou-se dessa lógica. Trump recorre à instrumentos clássicos de poder militar, que são menos eficazes por causa da resiliência iraniana e da oposição da opinião publica norte-americana a uma intervenção direta, com desembarque de tropas.
Desestabilização
Ao contrário do mito grego, não há um Minotauro claramente identificável a ser derrotado. A prova disso é eliminação do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, em ataque conjunto dos EUA e de Israel em Teerã, no fim de fevereiro passado. A operação incluiu o uso de mísseis e resultou na morte de familiares de Khamenei e altos comandantes. Não deu certo na política nem no aspecto militar. O inimigo não está concentrado num único ponto, mas disperso em múltiplas frentes — do Líbano ao Iêmen, passando pela Síria e pelo Golfo Pérsico.
Cada ação militar intempestiva de Trump gera repercussões imprevisíveis, abre novos corredores no labirinto e amplia a complexidade do conflito. Sem uma estratégia de saída clara, cada movimento aprofunda o envolvimento, amplia o conflito e reduz as opções de saída. Não se trata apenas de um confronto militar, o labirinto também é econômico, por causa do impacto no mercado de petróleo. Qualquer instabilidade na região do Golfo repercute imediatamente nos preços internacionais. A elevação do barril pressiona cadeias produtivas, alimenta a inflação global e afeta diretamente economias dependentes de importação de energia.
Nesse contexto, a guerra deixou de ser um conflito regional para se tornar um fator de desorganização sistêmica da economia mundial. Enquanto Trump tateia no escuro, outros atores operam com maior clareza estratégica. Benjamin Netanyahu, por exemplo, emerge como um dos principais beneficiários imediatos da escalada. Seu interesse na manutenção do conflito é evidente: a guerra prolongada reforça sua narrativa de segurança existencial de Israel, consolida apoio interno, mantém a tensão internacional focada no Irã e desvia as atenções de outros impasses regionais, como sua investida no Líbano. Para Netanyahu, a guerra com o Irã é um ambiente no qual opera com relativa previsibilidade.
Já o líder chinês Xi Jinping atua de forma mais sutil, porém muito eficaz. Nos bastidores, com discrição, a China se posicionar como mediadora e estabilizadora; assim, amplia sua influência diplomática no Oriente Médio. Aliada ao Paquistão, que também disputa influência com a Índia, Pequim trabalha para construir alternativas à lógica de confronto direto, explora sua capacidade de articulação econômica e política. Xi tece com seda o seu próprio “fio de Ariadne”, ao ampliar sua projeção geopolítica. Trump entrou na guerra a reboque de Netanyahu e caiu numa armadilha regional; a China atua nos bastidores da crise do Oriente Médio para ampliar sua influência global. Sua economia exportadora depende da previsibilidade e da segurança econômica que só a paz oferece. Nisso aí, não está sozinha.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Guerra, #Irã, #Jinping, #Metanyahu, #Mitologia, #Trump
O Último Dos Mohicanos
Moreira da Silva
9 de nov. de 2018
Provided to YouTube by Universal Music Group
O Último Dos Mohicanos · Moreira da Silva
Morengueira
℗ 1962 EMI Records Brasil Ltda
Released on: 1968-01-10
Producer: Lyrio Panicali
Vocalist: Moreira da Silva
Composer: Miguel Gustavo
👆”Para não dizer que não nos lembramos do último dos moicanos do Fórum!
Sr. Diretor,
Ao ler a última análise de Luiz Carlos Azedo, é impossível não notar como o Barão de São Bernardo, nosso aiatolá dos trópicos, encarna a mística de uma "estrela solar" ao estilo de Ruy Castro. Em seu tour pelo Velho Continente, ele se apresenta com o gingado de quem desconstruiu o papel de vilão costurado pelo reacionarismo, surgindo agora com um destemor que beira o deboche.
Ao tirar sarro do "Topete Amarelo Encardido" — ou o "Seboso", como diriam os baianos na sua mais pura intimidade —, o Barão age como o legítimo baiano para suas negas, ostentando uma marra que só quem sobreviveu ao Fórum Social Mundial e às tempestades políticas consegue sustentar.
Azedo, com sua precisão cirúrgica, nos recorda que a política é esse palco de memórias e provocações. Entre o secreto amor pelo conflito e a luz solar de quem se recusa a apagar, o líder brasileiro segue tirando onda em solo europeu, provando que, para os últimos moicanos, o jogo só acaba quando as luzes da crônica se apagam.”
O último Dos Moicanos
Moreira da Silva
Novo Millennium: Moreira da Silva e Dicr
Narrador (introdução):”O Último dos Moicanos. Novo super
bangue-bangue de Michael Gustav com Kid Morengueira!
Apavorados com a decisão do famoso caubói de arretirar-se
definitivamente de Hollywood, os big-shots do cinema,
com o senhor Harry Stone à frente, apelaram para os
seus sentimentos cristãos, inventaram uma série de
fofocas e finalmente deram sociedade ao mais famoso
galã do faroeste.
Depois de marchas e contramarchas, surgiu na tela o
segundo episódio da série Os Perigos de Morengueira:
O Último dos Moicanos!”
Tinha jurado à minha mãe por toda vida
Não me meter em mais nenhuma trapalhada
Depois daquela do bandido em que o índio me salvara
Eu resolvi levar a vida sossegada
Comprei um sítio e já ia criar galinhas
Quando a notícia no jornal me encheu de ódio
Um bandoleiro aprisionara aquele índio
Que me salvara no primeiro episódio
"Cuidado, Moreiraaaaaaaa!"
E a tal viúva do bandido que eu matara
Com quem casei perante o padre do local
Vendeu me rancho e fugiu para Nevada
Apaixonada por um velho marginal
A minha noiva por quem tanto andei lutando
Estava dançando num saloon fora da linha
Como é que pode um pistoleiro aposentar-se
Comprar um sítio e querer criar galinha
"có, có, có, có, có, có"
Montei de novo num cavalo mais ligeiro
Em Hollywood, o Harry Stone me esperava
O Johnny Ford chamava os extras para a cena
Enquanto a câmera já me focalizava
A luta agora era com os indios Moicanos
Que pelos canos nos empurram devagar
Me disfarcei, pintei a cara e apanhei a machadinha
E com a princesa comecei a namorar
"- Indio cara-pálida chamar Morengueira"
"- Morengueira que não é Seu Loca vai dar no pé"
Voltei à vila, arrasei os inimigos
Salvei o índio, minha dívida paguei
Dei uma surra na viúva e minha noiva
Naquele mesmo cabaré a desposei
E ao terminar mais esse filme americano
Como Hollywood está meio desmilingüida
Eu vou passar para o cinema italiano
Pra descansar eu vou filmar La Dolce Vita
Não filmo agora que a censura não quer cena proibida
Perto de mim o Mastroianni não vai dar nem pra partida
Sofia Loren vem chegando mas eu já estou de saída
Arrivederci Roma...
Compositor: Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins (Miguel Gustavo) (UBC)
Editor: Fermata (UBC)
terça-feira, 21 de abril de 2026
A DANÇA DAS MÁSCARAS
Poesia | Trecho da obra "Romanceiro da Inconfidência" (Cecilia Meireles) por Antônio Abujamra
Música | Mônica Salmaso - Beatriz (Edu Lobo)
RODA VIVA | DANIEL MUNDURUKU | 20/04/2026
Roda Viva
Transmissão ao vivo realizada há 18 horas Roda Viva
Em uma edição que aprofunda o debate em torno do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, o Roda Viva recebe, nesta segunda-feira (20/4), o escritor e professor Daniel Munduruku.
Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Munduruku é autor de mais de 70 livros e tornou-se recentemente o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras em seus 116 anos de história.
O Roda Viva vai ao ar toda segunda, a partir das 22h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube
#RodaViva #TVCultura #SomosCultura
Manhattan Connection | 19/04/2026
Manhattan Connection
Estreou em 19 de abr. de 2026
O Manhattan Connection evoluiu.
De um programa semanal, ele se transformou em uma plataforma contínua de conteúdo, análise e interação — pensada para quem quer entender o mundo com profundidade, contexto e visão crítica.
“Trump materializa um dos pontos fracos da democracia. Especialmente quando o eleitor está mais interessado no espetáculo do que na responsabilidade, líderes perigosamente destrutivos chegam ao poder. Acabam saindo, mas o estrago pode ser grande.”
Mônica Bergamo: Flávio Dino propõe reformas no Judiciário e “eleva a régua” para Código de Fachini
Rádio BandNews FM
Stuart Hall: nascimento e morte do sujeito moderno
A DANÇA DAS MÁSCARAS
O iluminismo fora de lugar e a crise de identidade do Supremo
O Supremo Tribunal Federal diante do espelho de Stuart Hall: entre a razão, a política e a fragmentação.
EPÍGRAFE
“Não me convide para dançar, porque eu posso aceitar.”
— Gilmar Mendes
ARTE CONCEITUAL
Colagem digital: o Supremo refletido no espelho da fragmentação — identidade, poder e linguagem em sobreposição.
LEAD
Brasília, 21 de abril de 2026.
Data de densidade simbólica — evocando Tiradentes e Tancredo Neves —, o Brasil assiste a um episódio que transcende o conflito institucional imediato. O embate entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Alessandro Vieira, no desfecho da CPI do Crime Organizado, revela algo mais profundo: uma crise de identidade no coração do Supremo.
Sob o que Luiz Carlos Azedo define como “iluminismo fora de lugar”, o Judiciário — pressionado por mais de 75 milhões de processos e por uma sociedade polarizada — oscila entre o papel de árbitro e o de protagonista.
I. A DANÇA COMO LINGUAGEM DO PODER
A metáfora da dança, evocada por Gilmar Mendes, não é casual. Ela traduz um deslocamento: o da política institucional para o campo da performance.
A rejeição do relatório de Alessandro Vieira — por 6 votos a 4, após rearranjos regimentais de última hora — expõe uma lógica em que o resultado não decorre apenas da deliberação formal, mas da capacidade de orquestrar o tempo, o rito e a composição do jogo.
A chamada “goleada” não é apenas numérica. É simbólica.
É o momento em que o processo se converte em encenação.
II. O SUPREMO SOB A LENTE DE STUART HALL
A análise de Luiz Carlos Azedo, inspirada em Stuart Hall, permite compreender o STF como um espaço de identidades sobrepostas:
O sujeito iluminista — Alexandre de Moraes
A crença na razão como eixo ordenador.
O sujeito sociológico — Flávio Dino
A mediação entre instituições e sociedade.
O sujeito pós-moderno — Gilmar Mendes
A fluidez estratégica — a “celebração móvel”.
O resultado não é equilíbrio, mas fricção:
instabilidade, exposição e perda de previsibilidade.
III. ENTRE WEBER E A RESPONSABILIDADE DA RESPONSABILIDADE
O embate ecoa a distinção de Max Weber entre:
ética da convicção
ética da responsabilidade
O que emerge, porém, é uma terceira camada:
a responsabilidade da própria responsabilidade —
um cálculo voltado à preservação do sistema.
IV. O DRAMA EM GENTE
Sob a lente de Fernando Pessoa, o Supremo deixa de ser instituição e torna-se encenação.
Cada ministro é personagem.
Cada decisão, um ato.
A política, como o poema, não fixa sentido —
desloca-o.
V. A PERDA DE ADERÊNCIA
Com mais de 75 milhões de processos, o Supremo Tribunal Federal enfrenta um paradoxo:
quanto mais decide, mais se expõe
quanto mais se expõe, mais se politiza
quanto mais se politiza, mais se distancia da sociedade
Como observa Luiz Carlos Azedo, o Supremo deixou de ser apenas árbitro — tornou-se ator.
VI. CONCLUSÃO — ENTRE A TOGA E A MÁSCARA
Diante do espelho de Stuart Hall, o STF oscila entre razão e performance.
A Constituição permanece.
Mas sua encenação muda.
E a dança continua.
VII. ESTAÇÃO DE ESPORETE — O CORPO QUE DESOBEDECE
Garrincha no Estádio do Maracanã, 1953 — o improviso como linguagem.
“Esporete”, aqui, não como erro, mas como desvio —
uma palavra que, como o corpo de Garrincha, recusa a linha reta.
Ao contrário da previsibilidade institucional, há corpos que escapam à norma.
Garrincha era um desses.
Não jogava para confirmar estatísticas —
jogava para desorganizá-las.
No campo, o improviso rompe a lógica.
No tribunal, a coreografia a preserva.
Entre um e outro, permanece a pergunta:
é a ordem que sustenta o jogo — ou o desvio que lhe dá sentido?
FONTES E REFERÊNCIAS
Luiz Carlos Azedo — As eleições, a politização do Supremo e o iluminismo fora de lugar
Stuart Hall — A Identidade Cultural na Pós-Modernidade
Max Weber — Ciência e Política: Duas Vocações
Fernando Pessoa — Livro do Desassossego
"Se essa dança das cadeiras que vem ocorrendo por aí, assim como a incansável — e aparentemente inútil — luta para que as instituições reconheçam seu valor, não são mera casualidade, mas parte de uma coreografia cuidadosamente ensaiada, então:
"Se me chamar para a dança, eu danço. Eu gosto de dançar." Assim respondeu Gilmar Mendes ao indiciamento mencionado no relatório do senador Alessandro Vieira, advogado e delegado concursado da Polícia Civil. O relatório, porém, não foi aprovado — não por insuficiência de argumentos, claro, mas graças a um súbito surto de criatividade regimental, materializado em substituições providencialmente executadas nos instantes derradeiros da sessão. Na leitura e votação, o texto foi derrotado por 6 a 4, com um “corta-luz” político digno de jogada ensaiada, conduzido pelo presidente da CPI do Crime Organizado — também advogado e delegado de Polícia Civil, eleito pelo Espírito Santo e de formação fortemente católica, o que, em outros contextos, talvez evocasse algum compromisso com certos princípios.
Resta saber: trata-se de um embate entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade — ou apenas de mais um número bem coreografado, em que a responsabilidade entra em cena apenas para não atrapalhar o espetáculo?"
Direito Constitucional | Revisão Final - 1ª Fase da OAB 46 (Parte 1)
Estratégia OAB
"Essa dança das cadeiras quer anda acontecendo por aí, tanto quanto a luta para que as instituições de plantão reconhecem seu valor, nada sisso é mera casualidade, é tudo parte da misteriosa coreografia do seu destino."
CUMPRE AÑOS DE CADA UNO DE LOS MINSTROS DEL STF BRASILÑO
segunda-feira, 20 de abril de 2026
📖 O verão que não terminou
Crônica histórica (versão final para publicação)
No verão de 13 de dezembro de 1968
a ex-presidente cumpria anos
em tradução literal do espanhol.
O Coronel do Exército no Ministério
do Trabalho, ou da Educação,
mandava às favas a consciência
e votar sim, ao AI-5,
enfim promulgado por Costa.
O filho de dono de mercearia e
de dona de casa, casado com
Catão e seis filhos, votou
alegando da “esperança”
que a nuvem malfazeja
não demoraria mais que
seis meses para mudar
sua forma. E também votou
sim à aprovação do AI-5.
O terceiro, também mineiro
como a ex-presidente,
então na vice-presidência,
disse não. Foi andorinha
solitária que não desanuviou
aquele verão de 1968.
O terceiro disse não!
No verão de 13 de dezembro de 1968 — verão no calendário, mas estação incerta no espírito — o país parecia suspenso entre o calor e a tempestade.
No Palácio das Laranjeiras, as portas se fecharam ainda à luz da tarde. Lá dentro, reunia-se o Conselho de Segurança Nacional sob a presidência de Costa e Silva.
Do lado de fora, o Brasil ainda era outro — ou acreditava ser.
Os homens à mesa não eram estranhos à gravidade. Alguns carregavam carreiras moldadas por crises; outros, a convicção de que governar era decidir quando endurecer. Ainda assim, havia hesitação — um silêncio que não se registraria em ata.
Foi então que a frase cortou o ambiente.
Jarbas Passarinho abandonava os escrúpulos como quem abandona uma margem.
Entre os presentes, estava Magalhães Pinto — homem que dizia que a política era como nuvem: muda de forma a cada olhar.
Falou como quem ainda acredita no tempo:
Seis meses, talvez.
Uma nuvem que passa.
Mas havia quem enxergasse outra coisa.
Quando falou, Pedro Aleixo não elevou a voz.
Disse não.
E, ao dizer, deslocou o centro da sala.
Não temia o presidente.
Temia o guarda da esquina.
E então a história encontra a canção.
Na arquitetura delicada de Chico Buarque, surge a figura do terceiro — aquele que chega sem alarde, sem imposição, sem gesto espetacular.
“o terceiro me chegou”
“como quem chega do nada”
Ele não traz nada.
Não pergunta.
Não negocia.
E, ainda assim, transforma.
A leitura se abre:
o “terceiro” da canção encontra o “terceiro” da história.
Não pelo gesto íntimo — mas pela recusa.
Não pela presença — mas pela posição.
Como Pedro Aleixo, que, sem levantar a voz,
sem alterar o rito,
sem romper a formalidade —
disse não.
E esse não ecoa mais do que muitos discursos.
As canetas avançaram.
O Ato Institucional nº 5 tomava forma — não como surpresa, mas como destino já decidido antes de ser escrito.
Do lado de fora, a noite descia sobre o país.
E o dia, no papel, ainda era 13 de dezembro.
Mas o Brasil já atravessava outra data —
não escrita,
não anunciada,
mas vivida.
Décadas depois, restariam os registros.
As atas.
As memórias.
E os relatos de Carlos Chagas.
Porque há momentos em que a história não termina quando a reunião acaba.
Ela continua —
nas ruas,
nas vozes,
nas canções.
E talvez nenhuma síntese seja tão precisa quanto aquela que não estava na ata:
o medo não era o poder no topo.
Era o poder na esquina.
📌 Versão final integrada — imagem, manuscrito, crônica e diálogo musical prontos para publicação.
domingo, 19 de abril de 2026
O ESTREITO DA PALAVRA: ENTRE A DEFESA E O ACESSO
Trump diz que negociações com Irã podem ser retomadas 'em 2 dias'; EUA afirmam que navios recuaram após bloqueio
O ESTREITO DA PALAVRA: ENTRE A DEFESA E O ACESSO
(MUNDI OPERA — Ensaios sobre a Economia Invisível do Direito)
Da “stileza” do rábula à monetização do parecer oral: quando a forma jurídica passa a disputar com a substância o próprio sentido de justiça.
“A defesa não é uma verdade revelada, mas uma verdade construída.” — Francesco Carnelutti
“Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém.”
Oscar Schmidt — 16/02/1958
"Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.” — João Guimarães Rosa
ARO HA – MUNDI OPERA
A tessitura que se apresenta não responde a perguntas formuladas, mas as incorpora silenciosamente. Como no gesto ensaístico em que a indagação se dissolve na própria resposta, o que se observa é um percurso em que Direito, linguagem e poder deixam de ser compartimentos estanques para se tornarem zonas de tradução do real. A figura inaugural não é institucional, mas empírica. Um defensor sem diploma, cuja legitimidade emergia da prática reiterada, da experiência absorvida no contato direto com o conflito. Não se tratava de precariedade, mas de um estágio anterior à formalização plena do saber jurídico. A chamada “stileza” — essa forma de acuidade não escolarizada — operava como tecnologia de acesso à justiça em contextos onde o Estado ainda não havia se completado. A substituição dessa figura por estruturas formalizadas não representa apenas avanço técnico. Representa deslocamento de poder. A exigência de inscrição, exame e filiação corporativa redefine quem pode falar em nome do Direito. A palavra deixa de ser instrumento e passa a ser prerrogativa. É nesse ponto que a oralidade retorna — não como resquício do passado, mas como produto sofisticado do presente. O parecer oral, agora reconhecido, tributável e protegido, inaugura uma nova economia da linguagem jurídica. Aquilo que antes circulava na informalidade passa a integrar o circuito oficial: a palavra como serviço, a escuta como valor, o aconselhamento como ativo. Mas a formalização da fala não elimina o problema essencial: o da correspondência entre forma e substância. Quando a palavra se monetiza, impõe-se a necessidade de seu lastro. O que legitima o honorário não é sua existência formal, mas a materialidade do trabalho que o sustenta. A dificuldade surge quando essa materialidade se torna opaca, difusa, ou deliberadamente vaga. Nesse cenário, a linguagem jurídica corre o risco de se autonomizar — de operar independentemente daquilo que deveria representar. A metáfora geopolítica oferece uma chave interpretativa. Tal como fluxos energéticos globais atravessam gargalos estratégicos, também os fluxos financeiros encontram seus próprios estreitos institucionais. A concentração de recursos em poucos canais — ainda que formalmente justificável — revela zonas de densidade onde técnica e influência se sobrepõem. Não é o volume, por si só, que inquieta, mas a dissociação entre o que se paga e o que se entrega. A vagueza descritiva, quando combinada à magnitude financeira, produz um ruído que o Direito não pode ignorar. O contrato, nesse contexto, deixa de ser apenas instrumento de vontade e passa a ser objeto de escrutínio material. A advertência clássica permanece: a defesa é construção. E toda construção exige elementos verificáveis. A ausência deles não conduz à neutralidade, mas à suspeita — não como juízo antecipado, mas como exigência de esclarecimento. Essa tensão não se limita ao plano privado. Ela se projeta sobre o próprio desenho institucional. Quando a função jurisdicional se aproxima da orientação pública — especialmente em ambientes de visibilidade — a distinção entre julgar e aconselhar torna-se tênue. A pedagogia institucional, embora legítima, exige limites claros para não se converter em atuação indireta. A crítica que emerge — a percepção de escassez de magistralidade — não aponta para a quantidade de juízes, mas para a rarefação de uma postura. Julgar implica conter-se. Implica resistir à tentação de participar do fluxo contínuo de opiniões que caracteriza o espaço público contemporâneo. Nesse ambiente, a advocacia — fortalecida em suas prerrogativas — encontra-se diante de um paradoxo estrutural. A ampliação de suas garantias visa proteger o exercício da defesa. Mas, sem mecanismos efetivos de verificação material, tais garantias podem ser instrumentalizadas para fins diversos daqueles que as justificaram. A linha divisória não é formal, mas teleológica. Não está na existência do parecer, mas em sua finalidade. Quando o vínculo entre serviço e remuneração se rompe, o que resta é uma aparência de legalidade desprovida de substância. É aqui que a moralidade pública deixa de ser categoria abstrata e assume função operativa. Não como juízo moralizante, mas como critério de consistência entre declaração e realidade. A tributação registra; não legitima. A formalidade documenta; não absolve.
“A sociedade pode enriquecer sem se desenvolver, quando aperfeiçoa seus mecanismos de exclusão.” — José de Souza Martins
Ao fundo, persiste a intuição literária: há sempre um sentente — aquele que vive o fato — e um sentidor — aquele que o traduz. O Direito se realiza no intervalo entre ambos. Quando essa distância se amplia em excesso, a linguagem jurídica deixa de mediar e passa a excluir. O percurso, então, não é de negação da técnica, mas de sua reconexão com a realidade que pretende ordenar. Entre o rábula e o parecerista, entre a oralidade e o documento, entre o acesso e a influência, o sistema jurídico brasileiro ensaia sua própria síntese. O risco não está na sofisticação, mas na dissociação.
INTERLÚDIO (para escuta e transição entre forma e realidade)
“A engrenagem não se revela pelo ruído, mas pela repetição.”
👉
ANEXO I — CURADORIA ANALÍTICA DA NOTÍCIA Mandantes e mandatários: forma, fluxo e opacidade na arquitetura do poder financeiro
Texto-base: “Mandantes e mandatários”, de Carlos Andreazza, publicado em O Estado de S. Paulo (18 de abril de 2026).
1. Eixo central da narrativa: a insuficiência do primeiro círculo O texto parte de um ponto metodologicamente relevante: a crítica à suficiência explicativa da delação inicial de Daniel Vorcaro no contexto da Operação Compliance Zero. Há um risco recorrente de estabilização prematura da narrativa investigativa. A figura de Paulo Henrique Costa aparece como exemplo dessa possível saturação. Sua posição institucional não comportaria autonomia decisória compatível com operações bilionárias.
Leitura: distinção entre executor formal e centro decisório real.
2. Desproporção econômica como indício O contraste entre R$ 140 milhões e R$ 12 bilhões opera como chave interpretativa. Não é o número em si, mas o descompasso que revela: sub-representação de agentes centrais fragmentação da responsabilidade camadas de ocultação
Leitura: fluxos concentrados, autoria dispersa.
3. Mandatário vs. Mandante A distinção estrutura o texto: mandatário: executor mandante: decisor Surge a hipótese de vértice político associado a Ibaneis Rocha, tensionando a separação entre cadeia formal e cadeia real de decisão.
4. Limites da delação A delação deixa de ser eixo exclusivo. A investigação precede e excede o relato.
Leitura: verdade jurídica não segue ordem narrativa.
5. Engenharia da opacidade A atuação de Daniel Monteiro revela: estruturas jurídicas de dissimulação uso de fundos e empresas intermediárias circulação transversal de recursos
Leitura: a técnica jurídica como infraestrutura de fluxo.
6. Economia da linguagem jurídica Honorários elevados indicam: complexidade estrutural zona cinzenta entre consultoria e ocultação necessidade de lastro material
Leitura: a palavra jurídica como ativo exige correspondência.
7. Estratégia narrativa O texto jornalístico: desconstrói a aparência de completude reintroduz a dúvida desloca o foco para o invisível
8. Síntese interpretativa O caso revela: cadeia decisória estratificada economia de intermediação possível dissociação entre forma e substância
9. Convergência com MUNDI OPERA A notícia confirma empiricamente: a monetização da palavra a formalidade como possível biombo a centralidade da substância
10. Epígrafe de fechamento “Quando os caminhos do dinheiro se tornam mais complexos que os fatos que deveriam explicar, o problema deixa de ser contábil — e passa a ser jurídico.”
Conclusão do Anexo Entre mandatários visíveis e mandantes difusos, o poder não desaparece — apenas se redistribui. O desafio permanece o mesmo: não basta que a forma exista — é preciso que ela corresponda.
EPÍLOGO
“Aqui jaz a forma sem lastro — falou alto, circulou muito, mas não provou o que dizia.”
Ou, em registro mais sóbrio:
“Sem correspondência entre forma e causa, o Direito deixa de julgar — e passa a simular.”
Da “stileza” do rábula à monetização do parecer oral: quando a forma jurídica passa a disputar com a substância o próprio sentido de justiça.
“A defesa não é uma verdade revelada, mas uma verdade construída.” — Francesco Carnelutti
“Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém.”
Oscar Schmidt — 16/02/1958
"Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.” — João Guimarães Rosa
ARO HA – MUNDI OPERA
A tessitura que se apresenta não responde a perguntas formuladas, mas as incorpora silenciosamente. Como no gesto ensaístico em que a indagação se dissolve na própria resposta, o que se observa é um percurso em que Direito, linguagem e poder deixam de ser compartimentos estanques para se tornarem zonas de tradução do real. A figura inaugural não é institucional, mas empírica. Um defensor sem diploma, cuja legitimidade emergia da prática reiterada, da experiência absorvida no contato direto com o conflito. Não se tratava de precariedade, mas de um estágio anterior à formalização plena do saber jurídico. A chamada “stileza” — essa forma de acuidade não escolarizada — operava como tecnologia de acesso à justiça em contextos onde o Estado ainda não havia se completado. A substituição dessa figura por estruturas formalizadas não representa apenas avanço técnico. Representa deslocamento de poder. A exigência de inscrição, exame e filiação corporativa redefine quem pode falar em nome do Direito. A palavra deixa de ser instrumento e passa a ser prerrogativa. É nesse ponto que a oralidade retorna — não como resquício do passado, mas como produto sofisticado do presente. O parecer oral, agora reconhecido, tributável e protegido, inaugura uma nova economia da linguagem jurídica. Aquilo que antes circulava na informalidade passa a integrar o circuito oficial: a palavra como serviço, a escuta como valor, o aconselhamento como ativo. Mas a formalização da fala não elimina o problema essencial: o da correspondência entre forma e substância. Quando a palavra se monetiza, impõe-se a necessidade de seu lastro. O que legitima o honorário não é sua existência formal, mas a materialidade do trabalho que o sustenta. A dificuldade surge quando essa materialidade se torna opaca, difusa, ou deliberadamente vaga. Nesse cenário, a linguagem jurídica corre o risco de se autonomizar — de operar independentemente daquilo que deveria representar. A metáfora geopolítica oferece uma chave interpretativa. Tal como fluxos energéticos globais atravessam gargalos estratégicos, também os fluxos financeiros encontram seus próprios estreitos institucionais. A concentração de recursos em poucos canais — ainda que formalmente justificável — revela zonas de densidade onde técnica e influência se sobrepõem. Não é o volume, por si só, que inquieta, mas a dissociação entre o que se paga e o que se entrega. A vagueza descritiva, quando combinada à magnitude financeira, produz um ruído que o Direito não pode ignorar. O contrato, nesse contexto, deixa de ser apenas instrumento de vontade e passa a ser objeto de escrutínio material. A advertência clássica permanece: a defesa é construção. E toda construção exige elementos verificáveis. A ausência deles não conduz à neutralidade, mas à suspeita — não como juízo antecipado, mas como exigência de esclarecimento. Essa tensão não se limita ao plano privado. Ela se projeta sobre o próprio desenho institucional. Quando a função jurisdicional se aproxima da orientação pública — especialmente em ambientes de visibilidade — a distinção entre julgar e aconselhar torna-se tênue. A pedagogia institucional, embora legítima, exige limites claros para não se converter em atuação indireta. A crítica que emerge — a percepção de escassez de magistralidade — não aponta para a quantidade de juízes, mas para a rarefação de uma postura. Julgar implica conter-se. Implica resistir à tentação de participar do fluxo contínuo de opiniões que caracteriza o espaço público contemporâneo. Nesse ambiente, a advocacia — fortalecida em suas prerrogativas — encontra-se diante de um paradoxo estrutural. A ampliação de suas garantias visa proteger o exercício da defesa. Mas, sem mecanismos efetivos de verificação material, tais garantias podem ser instrumentalizadas para fins diversos daqueles que as justificaram. A linha divisória não é formal, mas teleológica. Não está na existência do parecer, mas em sua finalidade. Quando o vínculo entre serviço e remuneração se rompe, o que resta é uma aparência de legalidade desprovida de substância. É aqui que a moralidade pública deixa de ser categoria abstrata e assume função operativa. Não como juízo moralizante, mas como critério de consistência entre declaração e realidade. A tributação registra; não legitima. A formalidade documenta; não absolve.
“A sociedade pode enriquecer sem se desenvolver, quando aperfeiçoa seus mecanismos de exclusão.” — José de Souza Martins
Ao fundo, persiste a intuição literária: há sempre um sentente — aquele que vive o fato — e um sentidor — aquele que o traduz. O Direito se realiza no intervalo entre ambos. Quando essa distância se amplia em excesso, a linguagem jurídica deixa de mediar e passa a excluir. O percurso, então, não é de negação da técnica, mas de sua reconexão com a realidade que pretende ordenar. Entre o rábula e o parecerista, entre a oralidade e o documento, entre o acesso e a influência, o sistema jurídico brasileiro ensaia sua própria síntese. O risco não está na sofisticação, mas na dissociação.
INTERLÚDIO (para escuta e transição entre forma e realidade)
“A engrenagem não se revela pelo ruído, mas pela repetição.”
👉
ANEXO I — CURADORIA ANALÍTICA DA NOTÍCIA Mandantes e mandatários: forma, fluxo e opacidade na arquitetura do poder financeiro
Texto-base: “Mandantes e mandatários”, de Carlos Andreazza, publicado em O Estado de S. Paulo (18 de abril de 2026).
1. Eixo central da narrativa: a insuficiência do primeiro círculo O texto parte de um ponto metodologicamente relevante: a crítica à suficiência explicativa da delação inicial de Daniel Vorcaro no contexto da Operação Compliance Zero. Há um risco recorrente de estabilização prematura da narrativa investigativa. A figura de Paulo Henrique Costa aparece como exemplo dessa possível saturação. Sua posição institucional não comportaria autonomia decisória compatível com operações bilionárias.
Leitura: distinção entre executor formal e centro decisório real.
2. Desproporção econômica como indício O contraste entre R$ 140 milhões e R$ 12 bilhões opera como chave interpretativa. Não é o número em si, mas o descompasso que revela: sub-representação de agentes centrais fragmentação da responsabilidade camadas de ocultação
Leitura: fluxos concentrados, autoria dispersa.
3. Mandatário vs. Mandante A distinção estrutura o texto: mandatário: executor mandante: decisor Surge a hipótese de vértice político associado a Ibaneis Rocha, tensionando a separação entre cadeia formal e cadeia real de decisão.
4. Limites da delação A delação deixa de ser eixo exclusivo. A investigação precede e excede o relato.
Leitura: verdade jurídica não segue ordem narrativa.
5. Engenharia da opacidade A atuação de Daniel Monteiro revela: estruturas jurídicas de dissimulação uso de fundos e empresas intermediárias circulação transversal de recursos
Leitura: a técnica jurídica como infraestrutura de fluxo.
6. Economia da linguagem jurídica Honorários elevados indicam: complexidade estrutural zona cinzenta entre consultoria e ocultação necessidade de lastro material
Leitura: a palavra jurídica como ativo exige correspondência.
7. Estratégia narrativa O texto jornalístico: desconstrói a aparência de completude reintroduz a dúvida desloca o foco para o invisível
8. Síntese interpretativa O caso revela: cadeia decisória estratificada economia de intermediação possível dissociação entre forma e substância
9. Convergência com MUNDI OPERA A notícia confirma empiricamente: a monetização da palavra a formalidade como possível biombo a centralidade da substância
10. Epígrafe de fechamento “Quando os caminhos do dinheiro se tornam mais complexos que os fatos que deveriam explicar, o problema deixa de ser contábil — e passa a ser jurídico.”
Conclusão do Anexo Entre mandatários visíveis e mandantes difusos, o poder não desaparece — apenas se redistribui. O desafio permanece o mesmo: não basta que a forma exista — é preciso que ela corresponda.
EPÍLOGO
“Aqui jaz a forma sem lastro — falou alto, circulou muito, mas não provou o que dizia.”
Ou, em registro mais sóbrio:
“Sem correspondência entre forma e causa, o Direito deixa de julgar — e passa a simular.”
sábado, 18 de abril de 2026
Homens de fé
"A pesquisa não é uma verdade revelada."
Camila Rocha
“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” — Jesus. (MATEUS, 7.24)
1 Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu, quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.
2 É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e da boa vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.
3 Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé. Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o subido valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa Nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem, longe das bases cristãs imprescindíveis.
4 Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
9
Homens de fé
Pão Nosso #009 - Homens de fé
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 10 de mar. de 2022
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Transcrição
Eurípedes Barsanulfo (1880–1918) foi um educador, político e médium brasileiro, amplamente conhecido como o “Apóstolo da Caridade” e também como um dos pioneiros do espiritismo no Brasil. Nascido em Sacramento (MG), destacou-se por fundar o Colégio Allan Kardec, a primeira escola espírita do país.
Principais aspectos da sua trajetória:
Nascimento e Educação: Nasceu em 1º de maio de 1880, em Sacramento-MG, demonstrando interesse precoce por literatura e intelecto.
Ação Espírita: Fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade em 1905, após converter-se ao espiritismo.
Educação: Fundou o Colégio Allan Kardec (1907), focando em educação gratuita para órfãos e necessitados.
Político e Jornalista: Foi vereador e fundou a “Gazeta de Sacramento” para levar informação à população.
Médium e Educador: Conhecido por suas extraordinárias faculdades mediúnicas tinha como seu guia espiritual Vicente de Paula. Era dedicado à educação gratuita de pobres e órfãos, atuando ativamente em trabalhos de caridade.
Desencarnação: Faleceu precocemente aos 38 anos, em 1º de novembro de 1918, vítima da gripe espanhola, após se dedicar a socorrer doentes.
Eurípedes é reconhecido por sua dedicação abnegada ao próximo e por ter unido educação secular e espiritual, deixando um legado de amor e caridade no triângulo mineiro, em todo Brasil e no mundo inteiro.
#espirita #euripedesbarsanulfo #allankardec #chicoxavier #jesus
Retrato de Eurípedes Barsanulfo (1880–1918)
Professor, médium e educador do Espírito
A GAZETA DE SACRAMENTO
A dinâmica de trabalho não conhecia cansaços no roteiro do jovem Eurípedes.
Conhecido nos círculos culturais da cidade por sua participação conscienciosa no Grêmio Dramático Sacramentano, Eurípedes amplia suas atividades no campo da comunicação, criando com a colaboração de José Martins Borges, Leão de Almeida e Prof. Inácio G. Melo a Gazeta de Sacramento, que circulou, provavelmente até 1918.
Esse periódico – o primeiro de Sacramento – era conhecido também nas cidades vizinhas.
O Lavoura e Comércio, de Uberaba, em tiragem especial dedicada ao Município de Sacramento, em 1918, transcreve bem lançado artigo (editorial) inserto na Gazeta de Sacramento.
S
Você está em: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVI — Não se pode servir a Deus e a Mamon > Jesus em casa de Zaqueu
Jesus em casa de Zaqueu
4. Tendo Jesus entrado emJericó, passava pela cidade – e havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos e muito rico – o qual, desejoso de ver a Jesus, para conhecê-lo, não o conseguia devido à multidão, por ser ele de estatura muito baixa. – Por isso, correu à frente da turba e subiu a um sicômoro, para o ver, porquanto ele tinha de passar por ali. – Chegando a esse lugar, Jesus dirigiu paro o alto o olhar e, vendo-o, disse-lhe: Zaqueu, dá-te pressa em descer, porquanto preciso que me hospedes hoje em tua casa. – Zaqueu desceu imediatamente e o recebeu jubiloso. – Vendo isso, todos murmuravam, a dizer: Ele foi hospedar-se em casa de um homem de má vida. (Veja-se: “Introdução”, artigo – Publicanos.)
Entretanto, Zaqueu, pondo-se diante do Senhor, lhe disse: Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres e, se causei dano a alguém, seja no que for, indenizo-o com quatro tantos. – Ao que Jesus lhe disse: Esta casa recebeu hoje a salvação, porque também este é filho de Abraão; – visto que o Filho do homem veio para procurar e salvar o que estava perdido. (S.LUCAS, 19:1 a 10.)
O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep102] Jesus em casa de Zaqueu (cap XVI, 4)
Eleições 2024: Camila Rocha, cientista política e pesquisadora do Cebrap
Jornal da Gazeta
Estreou em 6 de out. de 2024 #JornalDaGazeta #HoraDoVoto #Eleições2024naGazeta
A cientista político e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Camila Rocha, é entrevistada na Hora do Voto. Ela fez sua análise sobre as eleições de hoje.
#HoraDoVoto #Eleições2024naGazeta
Fidelidade à fonte e fiel à mensagem?
"Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.”
João Guimarães Rosa
José de Souza Martins: O Brasil oculto da polarização
"A partir de 1881, o analfabetismo voltava a vetar o direito de ser eleitor. A sociedade enriquecia, mas não se desenvolvia socialmente. O Brasil sempre foi bom em inventar discriminações e exclusões para se adaptar sem se transformar.
Só em 1967, uma emenda à Constituição reconheceu aos analfabetos o direito de voto. Completava a Lei Áurea. Mas as graves imperfeições do sistema político continuam a mantê-los fora da cidadania. Nas eleições municipais de 2016, dos mais de 38 milhões de eleitores analfabetos, 44% se abstiveram, quase 17 milhões de eleitores.
A polarização política não será superada enquanto o país for competente em eleger representantes do atraso social e do retrocesso político. Gente nascida e cevada nos chamados currais eleitorais dessa imensa e secular trama de armadilhas políticas à democracia.
Há grandes e significativas exceções políticas, de cidadãos decentes e corajosos, empenhados no bem comum e no progresso político do país. Tomara Deus. Mas, Deus mesmo, se vier, que venha armado, como alertou Guimarães Rosa."
Fidelidade à fonte e fiel à mensagem?
Uma carta persa do Brasil ao olhar satírico de Londres
🖼️ Ilustração (à maneira de William Hogarth)
Ilustração satírica no estilo de Hogarth
CARTA LXVII
Do Brasil, a um nobre persa em Londres
Meu estimado amigo,
Se as artes, como me escreves, têm em Londres um intérprete tão engenhoso quanto o pintor que satiriza os vícios de tua cidade, creio poder assegurar-te que aqui, nestas terras do Novo Mundo, encontrei matéria que não lhe seria menos fecunda.
Assisti recentemente a uma cena que, se transposta ao buril desse teu célebre observador dos costumes, produziria uma dessas composições morais em que cada figura parece ignorar o ridículo que encarna. Tratava-se de uma dama reputada por instruída, cuja função é narrar aos outros os acontecimentos do reino — não como um simples cronista, mas como um intérprete das intenções ocultas dos homens.
Ela falava de um magistrado que, segundo dizia, apenas “exarara” um ato conforme a “jurisprudência cediça”. Confesso-te que, ao ouvir tais palavras, julguei estar diante de um escriba de tribunal e não de alguém que se dirige ao público. Mas logo percebi que essa linguagem não era acidente: era ornamento.
Aqui, meu caro, não basta dizer — é preciso parecer dizer como aqueles que decidem. A palavra não serve apenas para esclarecer, mas para indicar proximidade com os que a inspiram. Assim, quem escuta não distingue se está diante de um relato ou de um eco.
O mais curioso, porém, é a prudência com que essa dama se move. Declara com insistência que não há crime; repete que nada foi provado; e, no entanto, cerca essas negativas de tal forma que o espírito do ouvinte, conduzido com delicadeza, chega sozinho a conclusões que jamais foram afirmadas.
Dir-se-ia que aqui descobriram a arte de acusar sem acusar, de sugerir sem dizer, e de convencer sem se comprometer.
Imagino, então, como o teu artista londrino representaria tal cena: ao centro, a narradora, com uma pena numa mão e um espelho na outra — não para refletir a verdade, mas para refletir aqueles a quem deseja agradar. Ao redor, ouvintes de olhar elevado, como se a altura das palavras os elevasse também em entendimento, quando na verdade apenas os afasta da clareza.
Lembrei-me, ao sair, de que os homens não temem tanto o erro quanto a simplicidade. Preferem ser enganados com elegância do que instruídos com franqueza.
Se estas práticas chegarem um dia às tuas ruas — o que não duvido, pois os vícios viajam mais rápido que as virtudes —, aconselho-te a pedir ao teu pintor que as registre. Não para corrigi-las, pois isso seria tarefa ingrata, mas para que ao menos se possa rir delas com alguma consciência.
Permaneço, como sempre, teu atento observador das delicadezas e dos artifícios dos homens,
— Teu amigo nas terras do Brasil
Nota editorial (contexto contemporâneo)
Inspirado no espírito crítico de Montesquieu em Cartas Persas (1721), o texto propõe uma reflexão sobre práticas modernas de comunicação política e jornalística: a tensão entre fidelidade à fonte, construção narrativa e compreensão pública.
Francis Fukuyama: The End of History Was Never What You Think
Sam Harris
16 de abr. de 2026
Sam Harris speaks with Francis Fukuyama about liberal democracy, American politics, and global order. They discuss the misunderstood thesis of "The End of History," how conservatism has mutated into ethno-nationalism, the self-defeating extremes of both identity politics and neoliberalism, the damage of Trump's second term, the war in Iran, the future of Israel, antisemitism on the left and right, and other topics.
Francis Fukuyama is the Olivier Nomellini Senior Fellow at Stanford University's Freeman Spogli Institute for International Studies and Director of Stanford's Ford Dorsey Master's in International Policy. One of the most influential political thinkers of his generation, he is best known for his 1992 book The End of History and the Last Man. His forthcoming memoir is In the Realm of the Last Man. Dr. Fukuyama has held distinguished appointments at Johns Hopkins, George Mason University, the RAND Corporation, and the U.S. Department of State's Policy Planning Staff. His articles can be read at Persuasion, and his podcast is Frankly Fukuyama.
Website: francisfukuyama.com
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sexta-feira, 17 de abril de 2026
O Brasil oculto da polarização, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
Não é direita ou esquerda. É o nosso extremismo: somos radicalmente de extremo centro
Parece que todos são contra a polarização política. À medida que o cenário das eleições se define, em particular a de presidente da República, vai ficando claro que, mais uma vez, o dilema é apenas o de optar por qual polarização. O Brasil tem mudado. Vai se ver, ficou no mesmo lugar. Os penduricalhos do oportunismo não o deixam mover-se.
Há muita coisa por trás disso. Muita história, muitas acomodações, muitos interesses. Não é direita ou esquerda. É o nosso extremismo: somos radicalmente de extremo centro, que, na verdade, é o município e o regionalismo dele decorrente. Sobretudo, óbvios e conhecidos resíduos dos imensos e acumulados impasses a que o país se torne algo diferente do que sempre foi. Mesmo nossas revoluções são golpes, como em 1889, 1930 e 1964.
A polarização nasceu com o Brasil, com a criação do primeiro município, o de São Vicente, em 1532. Estão aí os fundamentos da estrutura política da sociedade brasileira. A coisa era simples. Havia a Coroa, isto é, o poder do Estado português. E havia os municípios, então chamados “vilas”, o poder local e dos locais, a representação daquela parte da população reconhecida como gente, uma espécie de embrião minoritário e excludente da sociedade civil.
Na verdade, a Coroa não patrocinou a ocupação do território descoberto. O rei não utilizou os meios do Estado para ocupar o que veio a ser o Brasil. Os particulares, com seus próprios recursos materiais e humanos, organizavam as expedições de caça aos indígenas, que trabalhariam para eles em troca da catequese. E de ocupação do território. Em compensação, os conquistadores recebiam reconhecimento simbólico do rei, através de títulos e de formalização jurídica das sesmarias, as concessões de terras.
Era a base política do que veio a ser a corrupção no país. Tomavam do rei o que era deles mesmos, e não do rei. Por isso, no Brasil, a corrupção parece tão natural e até honesta. Os homens bons criavam o patrimônio do rei e com isso também tomavam do rei o que podiam. Não é estranho que ainda hoje, quando corruptos são apanhados, estranhem. E o próprio povo de vários modos não estranhe a corrupção porque não a considera como tal.
Naqueles começos, nem todos os habitantes eram reconhecidos como gente. Os indígenas não o eram. Os negros escravizados trazidos da África tampouco. Para ser gente era preciso ter alma. Nos primeiros tempos, havia dúvidas quanto a se indígenas e negros tinham alma. Foi penosíssimo e lento o processo do reconhecimento suficientemente amplo de que tinham alma e eram gente. Ainda no século XVIII persistia a dúvida teórica, como vejo em documentos de uma pesquisa documental que fiz, aqui e em Portugal.
A partir do século XIX a dúvida estava reduzida a saber e decidir quem podia ter direitos políticos, isto é, o direito de ser eleitor. As primeiras Constituições, desde a Independência, estabeleceram restrições a que alguém se tornasse eleitor.
Até 1881 analfabeto podia votar porque eram raríssimos nas populações originárias os alfabetizados. Para ser eleitor o importante era ter cabedal. A riqueza “alfabetizava” os ricos analfabetos. O cabedal legitimava as diferenças sociais, um progresso na linha de definição da condição humana, desde vésperas da Independência, não mais por direito de nascimento. É que o dinheiro dissolve desigualdades não econômicas e de origem.
Havia disfarces para a discriminação racial que agora tinha outras características: também aí ter cabedal era um deles. E havia uma hierarquia, quem tinha menos podia ser eleitor só no município, um pouco mais na província, muito nas eleições gerais.
A partir de 1881, o analfabetismo voltava a vetar o direito de ser eleitor. A sociedade enriquecia, mas não se desenvolvia socialmente. O Brasil sempre foi bom em inventar discriminações e exclusões para se adaptar sem se transformar.
Só em 1967, uma emenda à Constituição reconheceu aos analfabetos o direito de voto. Completava a Lei Áurea. Mas as graves imperfeições do sistema político continuam a mantê-los fora da cidadania. Nas eleições municipais de 2016, dos mais de 38 milhões de eleitores analfabetos, 44% se abstiveram, quase 17 milhões de eleitores.
A polarização política não será superada enquanto o país for competente em eleger representantes do atraso social e do retrocesso político. Gente nascida e cevada nos chamados currais eleitorais dessa imensa e secular trama de armadilhas políticas à democracia.
Há grandes e significativas exceções políticas, de cidadãos decentes e corajosos, empenhados no bem comum e no progresso político do país. Tomara Deus. Mas, Deus mesmo, se vier, que venha armado, como alertou Guimarães Rosa.
*José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte).
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Do campo ao Planalto: entre o passe e a decisão
Como funciona a relação entre política e esporte, no Brasil?
Poesia | Se os tubarões fossem homens, de Bertold Brecht
João Gilberto - Saudosa Maloca (1982)
Lula atrás em pesquisas mostra desafio sobre até que ponto PT fala para o Brasil, diz professor
Jairo Nicolau, professor da FGV CPDOC, analisou no Mercado Aberto, do canal UOL, o cenário eleitoral após divulgação das pesquisas recentes. Para ele, Lula e Flávio Bolsonaro possuem desafios distintos nas eleições.
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Do diálogo entre camisa 10 e camisa 9 às táticas do poder — quando pensar e romper também definem a política
O futebol brasileiro pode ser contado como um diálogo antigo entre dois personagens: o camisa 10 e o camisa 9. Um pensa, o outro rompe. Um desenha o jogo, o outro rasga a linha final. Entre ambos, não há apenas um passe — há uma época inteira.
Anos 60: o futebol como invenção
Nos anos 60, quando o jogo ainda cabia na imaginação e no talento cru, Pelé e Coutinho, no Santos Futebol Clube, pareciam brincar de antecipar o futuro. Não havia rigidez: o 10 invadia a área, o 9 recuava para pensar. Era o futebol como invenção permanente, onde a tabelinha era quase um sussurro combinado antes do gol.
Na mesma década, em outro registro, Tostão e Dirceu Lopes, no Cruzeiro Esporte Clube, refinavam a ideia de inteligência coletiva — um jogo de aproximação, de triangulações curtas, como se o campo fosse menor para quem pensava mais rápido.
Anos 70: equilíbrio entre arte e força
Os anos 70 trouxeram um futebol mais físico, mas sem abrir mão da arte. Ademir da Guia e César Maluco, na Sociedade Esportiva Palmeiras, representavam o equilíbrio entre cadência e explosão. Ademir era o tempo — desacelerava o mundo ao seu redor; César era o instante — o chute seco, o fim da jogada.
Já Rivellino e Flávio Minuano, no Sport Club Corinthians Paulista, davam ao jogo um tom mais dramático: o drible largo, o chute de longe, a tentativa como estilo.
E no Botafogo de Futebol e Regatas, Didi e Quarentinha haviam estabelecido um modelo quase didático: o passe como régua, o gol como consequência inevitável.
Anos 80: o auge da síntese
Nos anos 80, o jogo amadurece taticamente, mas ainda permite o brilho individual como centro gravitacional. Zico e Nunes, no Clube de Regatas do Flamengo, sintetizam essa fase: o 10 já é também finalizador, o 9 já participa da construção.
O campo se alonga, a marcação aperta, mas a dupla encontra frestas — como quem conhece de memória os espaços invisíveis do jogo.
Anos 90/2000: velocidade e precisão
A partir dos anos 90 e, sobretudo, nos anos 2000, o futebol se globaliza, acelera e se torna mais vertical. Na Seleção Brasileira de Futebol, Rivaldo e Ronaldo transformam eficiência em arte: menos toques, mais precisão, como se cada jogada já nascesse sabendo onde terminaria.
Ao lado deles, Ronaldinho Gaúcho reintroduz o improviso — lembrando que, mesmo na era da velocidade, o futebol ainda pode ser surpresa.
Juiz de Fora: quando o improvável entra em campo
Mas a história não se escreve apenas nos grandes estádios. Às vezes, ela escapa — como bola vadia — para campos improváveis.
Em Minas, a Seleção Brasileira de Futebol de Pelé cruzou com o Tupi Football Club. Do outro lado, homens comuns. Entre eles, Moacyr Toledo.
E então aconteceu o improvável: o empate.
📸 Registro do improvável
Legenda: Pelé (à esquerda) disputa a bola com Moacyr Toledo em jogo-treino da Seleção Brasileira de Futebol contra o Tupi Football Club, em 1966. (Acervo / reprodução)
A fotografia prova: por um instante, não havia diferença. Apenas jogo.
Do campo à política: o mesmo dilema
Essa tensão entre pensar e romper — entre o cálculo e a ação — não pertence apenas ao futebol. Ela reaparece, com outros nomes, no coração da política.
No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, essa dualidade ganha forma na atuação de Guilherme Boulos e José Guimarães.
Ambos encarnam uma velha encruzilhada: avançar rapidamente em pautas populares ou calibrar o passo para preservar alianças.
Boulos, vindo dos movimentos sociais, atua como o “camisa 10” — mobilizador, ideológico, voltado à base. Defende mudanças imediatas, como o fim da escala 6×1, como resposta urgente à realidade social.
Guimarães, operador experiente do Congresso, assume o papel do “camisa 9” — pragmático, negociador, atento ao momento do chute. Prefere a transição, o acordo, o tempo político necessário para viabilizar decisões.
Essa diferença não é erro. É método.
Assim como no futebol, onde o passe e a finalização precisam coexistir, o governo oscila entre impulso e cálculo. Mas, levada ao extremo, essa dualidade pode gerar ruído — como um time que não decide se acelera ou segura o jogo.
O tempo das decisões
O debate sobre a jornada 6×1 revela isso com clareza. Enquanto parte do governo pressiona por mudança imediata, outra reconhece os limites impostos pelo Congresso e pelo setor produtivo.
No mundo, a redução da jornada já avançou. No Brasil, o caminho parece ser gradual — uma transição possível entre o ideal e o viável.
Entre o passe e o gol
No futebol, a jogada perfeita nasce do encontro entre quem pensa e quem executa. Na política, talvez não seja diferente.
Entre o 10 e o 9, entre Boulos e Guimarães, entre o impulso e o cálculo, o que está em jogo é sempre a mesma coisa: o tempo certo.
E, como naquela fotografia em Juiz de Fora, há momentos raros em que tudo se alinha — e o improvável deixa de ser exceção para se tornar história.
Boulos e Guimarães, duas táticas de Lula na cozinha do Planalto
Publicado em 17/04/2026 - 07:43 Luiz Carlos AzedoBrasília, Congresso, Economia, Eleições, EUA, Europa, Governo, Memória, Partidos, Política, Política, Saúde, Sindicatos, Trabalho
Ambos protagonizam uma velha encruzilhada dos governos de esquerda: avançar rapidamente em pautas populares ou calibrar o passo para preservar alianças e estabilidade
Com a saída do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que disputarão as eleições como candidatos ao Senado, os principais operadores políticos do Palácio do Planalto passaram a ser Guilherme Boulos, na Secretária-Geral da Presidência, e José Guimarães, que substituiu Gleisi. Miriam Belchior assumiu a Casa Civil com foco na gestão administrativa do governo. Boulos e Guimarães têm perfis completamente diferentes.
Ex-candidato a prefeito de São Paulo, Boulos construiu sua trajetória política a partir dos movimentos sociais, especialmente no campo da luta por moradia, o que lhe confere forte conexão com a militância de esquerda e com pautas de mobilização popular. Sua atuação no governo reflete essa origem: é um articulador de base social, voltado para sindicatos, movimentos organizados e partidos progressistas, com discurso mais ideológico e mobilizador. Já Guimarães representa a face pragmática do governo. Deputado experiente, com trânsito consolidado no Congresso, atua como operador político clássico, interlocutor do presidente junto ao Centrão e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para construir maiorias e viabilizar votações. Seu perfil é moderado, negociador capaz de fazer muitas concessões para colher resultados.
Essas diferenças traduzem estratégias distintas dentro do próprio governo, as quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimula como forma de ampliar sua margem de manobra. No caso da proposta de extinção da escala de trabalho 6 x 1, a divergência entre ambos se tornou explícita e revela duas táticas políticas em disputa no interior do Planalto para lidar com o Congresso no processo eleitoral. Levada à prática, porém, essa dualidade costuma causar mais problemas do que soluções.
Leia também: Fim da escala 6×1 opõe Congresso e governo
Boulos defende uma mudança imediata, sem transição prolongada, uma pauta urgente de justiça social e qualidade de vida. Para ele, a manutenção da escala 6 x 1 representa uma forma de exploração que compromete não apenas a saúde física e mental do trabalhador, mas, também, sua capacidade de convívio familiar e desenvolvimento pessoal. É contra qualquer tentativa de uma transição longa, com implementação gradual ao longo de anos, que seria uma forma de esvaziar politicamente a medida. Ao defender que o fim da escala seja “para agora”, Boulos revela uma estratégia eleitoral que busca mobilizar a base social do lulismo e alargar a chamada “economia do afeto” para vencer as eleições.
Guimarães adota postura cautelosa. Embora não se oponha ao mérito da proposta, sinaliza abertura para negociação no Congresso. Inclusive, admite a possibilidade de uma transição. Sua preocupação central é garantir que a mudança seja aprovada sem provocar reação adversa do setor produtivo ou da maioria parlamentar, cuja composição é mais conservadora. Ao afirmar que o tema deve ser “discutido” e que o formato final dependerá do Congresso, Guimarães reforça sua lógica de construção gradual de consenso, sem rupturas políticas que possam comprometer a governabilidade. A oposição também vê a questão pela ótica eleitoral e, por isso, é contra.
Debate chega atrasado
Essa divergência expressa duas visões sobre o ritmo e o método de transformação social: uma é orientada pela pressão política e pela mobilização, representada por Boulos e os partidos de esquerda; outra, guiada pela negociação institucional e pelo cálculo de viabilidade, encarnada por Guimarães e os aliados do governo mais ao centro. Essa é uma velha encruzilhada dos governos de esquerda: avançar rapidamente em pautas populares ou calibrar o passo para preservar alianças e estabilidade.
Leia mais: Governo admite transição no fim da escala 6×1 e expõe divergências internas
O debate sobre a escala 6 x 1 chega até atrasado. A jornada 5 x 2, por exemplo, nos Estados Unidos, foi adotada por Henry Ford na sua linha de produção de automóveis, em 1926. O modelo brasileiro atual — de até 44 horas semanais — está entre os mais extensos em comparação com países desenvolvidos. Na Europa, observa-se uma tendência consolidada de redução da jornada, com ganhos de produtividade, avanço tecnológico e valorização do bem-estar. Países como Alemanha, Dinamarca e Noruega operam com cargas médias entre 26 e 28 horas semanais, enquanto a França adota uma jornada de cerca de 30 horas e a Itália, em torno de 35 horas.
Esses modelos se apoiam em três fundamentos. O primeiro é econômico: trabalhadores menos exaustos tendem a ser mais produtivos. O segundo, social: jornadas menores ampliam o tempo disponível para educação, lazer e convívio familiar, contribuem para a coesão social e para economia do lazer e da cultura. O terceiro é tecnológico: a automação e a digitalização permitem produzir mais com menos horas de trabalho humano, torna possível redistribuir o tempo sem perda de eficiência. Jornadas de quatro dias (4 x 3) têm sido testadas em países como Reino Unido e Espanha.
No Brasil, relações de trabalho marcadas por desigualdade e informalidade, somadas à baixa produtividade média, dificultam a adoção imediata de modelos mais avançados. Por isso, a tendência é a transição para o modelo 5 x 2, já presente em diversos setores. A proposta de jornadas mais curtas, como a 4 x 3, esbarra na maioria do Congresso.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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🎶 Playlist — O som do gol através do tempo (com links)
Dê o play como quem revive: cada faixa é um instante congelado — o passe, o chute, o grito.
Anos 60 — O futebol como invenção
A Banda — Chico Buarque
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Chico+Buarque+A+Banda
Mas Que Nada — Jorge Ben Jor
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Jorge+Ben+Jor+Mas+Que+Nada
Anos 70 — Arte e força
País Tropical — Jorge Ben Jor
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Jorge+Ben+Jor+Pa%C3%ADs+Tropical
Como Nossos Pais — Elis Regina
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Elis+Regina+Como+Nossos+Pais
Anos 80 — Síntese e brilho
Tempo Perdido — Legião Urbana
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Legi%C3%A3o+Urbana+Tempo+Perdido
Você Não Soube Me Amar — Blitz
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Blitz+Voc%C3%AA+N%C3%A3o+Soube+Me+Amar
Anos 90/2000 — Velocidade e explosão
É Uma Partida de Futebol — Skank
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Skank+%C3%89+Uma+Partida+de+Futebol
Festa — Ivete Sangalo
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Ivete+Sangalo+Festa
Juiz de Fora — O improvável eterno
Romaria — Elis Regina
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Elis+Regina+Romaria
Tocando em Frente — Almir Sater
▶️ https://www.youtube.com/results?search_query=Almir+Sater+Tocando+em+Frente
🎧 Coda
Se o futebol é instante, a música é permanência.
O gol dura segundos — a canção, décadas.
E quando o leitor apertar o play, talvez perceba:
o tempo não passou — ele só mudou de faixa.
Se
Edu Lobo - Reza — Vídeo TV Alemanha, 1966
A Banda - Lea Massari e Chico Buarque
Mas, Que Nada!
Jorge Ben Jor - País Tropical
Elis Regina - Como Nossos Pais
Legião Urbana - Tempo Perdido (Ao Vivo Especial)
Você Não Soube Me Amar - Fernanda Abreu e Blitz [DVD Ao Vivo e A Cores]
Skank - É Uma Partida De Futebol
Ivete Sangalo - Festa (Video Clipe)
Elis Regina - Romaria
Tocando em Frente, por Almir Sater
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Impeachment, Poder e Institucionalidade: Entre a Doutrina e a Prática no Brasil Contemporâneo
“Oggi lo si è visto camminare sullo Stretto di Hormuz 😎😂”
“Hoje ele foi visto caminhando sobre o Estreito de Hormuz 😎😂”
A imagem mostra um homem caminhando sobre a água entre grandes navios petroleiros no Estreito de Hormuz — uma região estratégica para o transporte de petróleo. A cena faz referência simbólica ao “milagre” de andar sobre a água, associado a figuras religiosas.
👉 Em resumo: é uma crítica bem-humorada que mistura política, religião simbólica e atualidades para exagerar a importância ou a imagem de uma figura pública.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Trump, o Jesus de hospício, por Rui Castro
Folha de S. Paulo
Já não basta a Trump ser o homem mais poderoso deste mundo; quer ser o do outro também
Para a psiquiatria nos EUA, seu caso já é de camisa de força e doses triplas de sossega-leão
Quais são os mais populares heróis de hospício? Perdão, quais são as figuras históricas que pessoas mentalmente comprometidas mais são dadas a interpretar nas casas de repouso? Pelos compêndios, os campeões são Napoleão, Sherlock Holmes, Elvis Presley e Jack, o Estripador. Para as mulheres, Cleópatra, a rainha Elizabeth e Marilyn Monroe. Mas há uma figura que supera todas as outras, e que a ciência já nem considera: Jesus Cristo.
O que leva esses infelizes a se julgarem tais mitos? Segundo os especialistas, são desvios de várias categorias, levando à troca de identidade. Não quer dizer que todos os assolados por esses males tenham os ditos delírios. Só mesmo os muito, muito graves, acometidos pelo que tecnicamente se chama "complexo de messias". É como aliviam seu ego do complexo de inferioridade e de insegurança, criando uma identidade de grandeza compensatória. Os personagens heroicos lhes conferem a ilusão de importância e poder em grau máximo.
Estes são textos de psiquiatras que colhi por acaso na literatura médica há alguns dias. Pois não é que, na segunda-feira (13), o mundo foi surpreendido pela chegada do novo messias há tantos séculos esperado? E logo quem! Donald Trump, o homem mais poderoso do mundo em sua condição civil de presidente dos Estados Unidos! Num pôster oficial da Casa Branca, surgiu-nos como ninguém menos que Jesus Cristo, com um facho de luz na mão esquerda, enquanto, com a direita, salva um moribundo. À sua volta, um soldado, uma enfermeira, uma fiel e um homem com um boné do MAGA ("Make America Great Again"), todos abençoados por águias e soldados celestiais e pela bandeira americana.
Não há uma terceira via. Ou são loucos os fiéis a esse Trump senhor do céu e da Terra ou o louco será única e apenas Trump, por acreditar em si próprio. A favor da segunda opção, levantam-se sérios profissionais da medicina nos EUA, para os quais o presidente já é caso de camisa de força e doses triplas de sossega-leão.
Que isso nos previna contra os messias do nosso hospício.
Capinan, com Geraldo Azevedo ao violão - TE ESPEREI - Capinan - Gereba - ano de 1988
luciano hortencio
20 de abr. de 2015
Capinan, com Geraldo Azevedo ao violão - TE ESPEREI - Capinan - Gereba.
Álbum: Capinan - O Viramundo - 21 Anos de Tropicalismo.
Ano de 1988.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
A insanidade tomou a Casa Branca, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Nação mais poderosa do mundo é conduzida por um desvairado
Ao contrário das autocracias, democracias têm recursos para conter aspirantes a ditadores
Não poderia ter acontecido, mas aconteceu. A nação mais poderosa do planeta passou a ser conduzida por um desvairado. A lista dos desatinos de Donald Trump é estarrecedora. No plano interno, desorganizou a administração pública; desencadeou o terror contra os imigrantes; ameaçou as melhores universidades; pôs em xeque a pesquisa científica; chantageou a mídia e espalhou a incerteza sobre o que está por vir.
Já no plano externo, virou de ponta-cabeça o comércio mundial; tratou aliados como inimigos; ameaçou anexar nações soberanas; invadiu a frio uma, a Venezuela, e sequestrou seu ditador; iniciou a guerra que incendeia o Oriente Médio; xingou o papa.
Agora, perpetrou mais um ato que lhe daria direito a uma camisa de força: na segunda-feira (13), estampou na rede Truth Social uma imagem produzida por IA em que paira fantasiado de Cristo benzendo um doente.
Ao contrário das autocracias, os regimes democráticos contam com recursos para conter aspirantes a ditadores —menos, ou mais, doentes da cabeça. São os famosos freios e contrapesos institucionais e sociais —entre eles, o impeachment— e eleições. Todos, porém, têm seus limites. E o que o mundo civilizado, embora estarrecido, assiste nos EUA é a um grande experimento das possibilidades e limitações desses instrumentos de contenção.
Freios e contrapesos erguem barreiras ao poder discricionário do governante eleito. Ganham vida nas prerrogativas do Legislativo e do Judiciário; na existência de organismos independentes de supervisão e controle; nas atribuições de governos subnacionais em sistemas federativos. Ganham forma também na existência de uma imprensa livre e plural, de redes sociais críticas ao governo e de organizações autônomas da sociedade civil. Mesmo sob Trump, os EUA contam com freios e contrapesos sociais azeitados: basta ver as manifestações de massa sob a bandeira do "No Kings"; as redes de solidariedade que tratam de proteger os imigrantes; a imprensa livre e a batalha diária nas universidades para assegurar a liberdade de pensamento.
Já os mecanismos institucionais vêm mostrando limitada eficácia. Os tribunais inferiores têm conseguido reverter muitas das iniciativas da Casa Branca, mas a Corte Suprema, de maioria republicana, pouco fez. Dentro de suas fronteiras, governadores democratas são voz sonora e escudo de proteção contra os desmandos da burocracia trumpista. Mas a maioria republicana no Congresso bloqueia qualquer medida mais contundente —especialmente o recurso extremo do impeachment.
Eleições livres e limpas, embora não tendo barrado a ascensão de Trump, são uma possibilidade de contê-lo, se os democratas obtiverem maioria no Senado no fim do ano; ou de abreviar sua estada no poder, se forem criadas condições para impeachment; ou ainda a oportunidade despachá-lo no fim do mandato.
Na contramão do pessimismo sobre o destino da democracia, eleições têm sido um caminho para derrotar populistas autoritários. Aconteceu no Brasil, na Polônia e, agora, na Hungria. Podem ser também o caminho para livrar o mundo de quem, mesmo não sendo a divindade que delira ser, pode nos levar ao armagedon.
“Em suma, o governo não é conservador em sua essência ideológica, mas atua de forma pragmática e moderada, incorporando elementos conservadores em sua gestão para sobreviver politicamente e manter a estabilidade institucional
DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
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quinta-feira, 16 de abril de 2026
Lula, Flávio, as classes médias e a maldição de Marilena Chauí, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Pesquisa Quaest indica percepção negativa sobre o custo de vida e o poder de compra, especialmente entre os segmentos de renda intermediária
Desde o golpe de 1964, a esquerda brasileira tem dificuldade de compreender o comportamento das classes médias na política. À época, a deriva à direita desses segmentos da população deu base social ao golpe militar, inviabilizando qualquer resistência do governo João Goulart. Também foi o apoio das classes médias, devido ao chamado “milagre econômico”, que garantiu o grande respaldo obtido pelo governo fascista do general Emilio Médici na sociedade.
A volta do pêndulo se deu apenas em 1974, em consequência do primeiro choque do petróleo, do fracasso econômico do general Ernesto Geisel e da alta da inflação, que atingiu indistintamente a grande massa de assalariados, inclusive os de classe média. O resultado foi uma surra do MDB no partido do governo, a Arena, em novembro daquele ano. Historicamente, a noção de “classes médias”, no plural, é central para compreender a política brasileira.
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nessa quarta-feira, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 40%, empatados tecnicamente em um eventual segundo turno das eleições 2026. É a primeira vez na Quaest que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ultrapassa Lula numericamente, embora em empate técnico. Na pesquisa anterior, o percentual era de 41% cada. A vantagem do presidente era de 10 pontos em dezembro, passou para sete em janeiro e para cinco em fevereiro. Agora, em abril, Flávio tem vantagem de dois pontos diante do petista.
O principal terreno da disputa entre ambos é esse estrato heterogêneo, que vai da chamada classe C, com renda familiar entre cerca de R$ 3 mil e R$ 10 mil, até a classe B, com rendimentos superiores e maior capital educacional, aproximando-se da elite (classe A). Essa diversidade interna é decisiva para entender o deslocamento desses segmentos para posições mais críticas ao governo e mais abertas à oposição.
Do ponto de vista sociológico, há duas interpretações que ajudam na análise desse movimento. Para o sociólogo Jessé Souza, a classe média brasileira é marcada por um ethos de distinção e por uma visão moralizada da política, frequentemente pautada pelo combate à corrupção e pela rejeição simbólica às camadas populares. Já Marcelo Neri, a partir de uma abordagem empírica baseada em renda e consumo, enfatiza a ascensão da “nova classe média” durante os anos 2000, destacando sua sensibilidade a ciclos econômicos: quando a renda cresce, ela tende a apoiar governos; quando o poder de compra se deteriora, seu comportamento se torna mais volátil e crítico.
Dilema do meio
A pesquisa Quaest mostra o desgaste do governo Lula nos estratos de renda intermediária e mais alta. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, faixa que concentra a classe média tradicional, a desaprovação chega a 62%, contra apenas 35% de aprovação. Já entre aqueles com renda entre dois e cinco salários mínimos, a chamada “nova classe média”, a desaprovação também é majoritária, em torno de 57%, com aprovação de 38%.
A linha de sustentação do governo está ficando cada vez mais restrita à base de renda mais baixa, com aprovação de 57% entre os que ganham até dois salários mínimos. O lulismo continua ancorado nos segmentos populares, principalmente os beneficiados pelas políticas de transferência renda. Porém, enfrenta dificuldades crescentes no “meio” da pirâmide social. Isso se confirma quando observamos a escolaridade: entre eleitores com ensino superior, a desaprovação alcança 62%, contra apenas 34% de aprovação. Ou seja, a principal perda de sustentação ocorre entre os mais escolarizados, característica das classes médias urbanas.
A pesquisa indica percepção negativa sobre o custo de vida e o poder de compra, especialmente entre os segmentos de renda intermediária. Esse grupo é o mais exposto ao endividamento, à inflação de serviços e ao encarecimento de itens essenciais, sem contar com a rede de proteção social que beneficia os mais pobres. Trata-se do “dilema do meio”, ou seja, da insatisfação dos indivíduos que não são pobres, mas, tampouco, conseguem sustentar o padrão de vida da classe média tradicional.
Avançam os candidatos de oposição, como Flávio Bolsonaro, que capitalizam o descontentamento econômico, as pautas da segurança e as ineficiências do Estado, além da corrupção. A desaprovação ao governo é particularmente elevada entre eleitores independentes — chegando a 57% contra 32% de aprovação —, um grupo onde a classe média tem peso significativo e que costuma decidir eleições.
O enfraquecimento de Lula nas classes médias combina percepção econômica negativa, frustração de expectativas e mudança de humor político. É aí que chegamos à maldição da filósofa Marilena Chauí, professora da USP, que descreve a classe média brasileira como portadora de uma “consciência autoritária”, marcada pela aversão ao conflito social e pela tendência a responsabilizar o Estado e os pobres por suas frustrações. A tese é controversa, porém, faz sentido quando seus segmentos migram rapidamente para opções políticas mais conservadoras.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
‘No pasarón’, por William Waack
O Estado de S. Paulo
A crise entre os Poderes, com o Supremo e o Executivo unidos, está escalando
A operação de salvamento do STF da atual crise de credibilidade e legitimidade parece baseada em ordens que se tornaram célebres na história militar. Por não funcionarem. “É proibido recuar”, diz a ordem, geralmente dada quando não se sabe mais o que fazer.
No caso do STF, é preciso saber se há contingentes suficientes para cumprir essa ordem. Não há mais uma direção central dizendo por onde caminhar. E as diferentes posturas para sair da crise estão aprofundando um racha inédito. Pelo menos uma ala dentro da Corte acha que fincar o pé no lugar é uma postura fatal.
O que ala significativa do STF não parece reconhecer é o quanto a crise pela qual passa a instituição se transformou em importante fator eleitoral. A principal explicação para o ineditismo de uma CPI tentar indiciar ministros do Supremo (e o PGR) reside nesse fato: o Supremo passou a simbolizar um “sistema” que as pessoas, por variadas razões, enxergam como intolerável.
A reação da ala “dura” do STF é uma escalada na crise institucional e uma demonstração de que muitos dos ministros consideram possível ignorar o contexto político mais amplo. Do lado institucional, intimidar parlamentares sugerindo a cassação ou pedir ao Ministério Público abertura de ação contra o relator da CPI têm pouca possibilidade de acuar o Congresso e grande probabilidade de aglutiná-lo contra o STF – mais um elemento de confronto entre os Poderes.
Do lado político, aqueles que o STF considera como “detratores” (na imprensa e no Congresso) são vistos por enorme parcela da sociedade como “corajosos” ou “heróis”. Em bom português, não colou o argumento de que críticas ao Supremo são críticas à democracia. O foco das críticas hoje é o comportamento individual de integrantes baseadas em fatos incontroversos.
Esse tipo de situação supera em muito a capacidade de articulação de bastidores entre Executivo e STF, do tipo que levou à rejeição do relatório indiciando os ministros. Não há saída em horizonte de curto ou sequer médio prazos. O STF é hoje causa e consequência de um incontornável desequilíbrio nas relações entre os Poderes.
O escândalo do Master e seus desdobramentos, em função de investigações e delações, criaram nesse “caldo de cultura” político o espectro de algum tipo de desobediência civil mais adiante. É uma preocupação já externada (não em público) por autoridades responsáveis pela manutenção de ordem.
Difícil prever como aconteceria, mas, dependendo do resultado eleitoral, o mais provável seria uma afronta ao STF vinda de um dos Poderes, não necessariamente por processo de impeachment. É o que tornaria fútil qualquer ordem do tipo “proibido recuar”.
‘No pasarón’, por William Waack
Waack: CPI do Crime Organizado cai, mas pressão sobre o STF cresce
Gilmar Mendes aciona PGR para investigar senador Alessandro Vieira
Uma eventual condenação pode tornar Vieira inelegível para as eleições de outubro
PODER360
15.abr.2026 (quarta-feira) - 20h41
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes encaminhou nesta 4ª feira (15.abr.2026) uma representação à PGR (Procuradoria Geral da República) contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O magistrado pede que o integrante do Senado Federal seja investigado por suposto abuso de autoridade. Leia na íntegra o ofício [PDF – 227 KB]
Gilmar Mendes argumenta que Alessandro Vieira cometeu “desvio de finalidade” ao atuar como relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado.
No relatório final da comissão, Vieira sugeriu o indiciamento do ministro por crime de responsabilidade. O senador também propôs indiciar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A medida foi alvo de críticas por parte dos magistrados da Corte.
Uma eventual condenação pode tornar Vieira inelegível para as eleições de outubro.
REAÇÃO DE ALESSANDRO VIEIRA
Na 3ª feira (14.abr.2026), o senador declarou que não se submeterá a pressões: “As pessoas que estão sentadas na Suprema Corte não são donas do país”. Ele afirmou que manterá sua postura no cargo.
Na peça enviada à PGR, Mendes classificou o texto de Vieira como um “juvenil jogo de palavras” e definiu o indiciamento como um absurdo jurídico (“teratologia”). Segundo o ministro, o escopo da CPI era a repressão a milícias e ao tráfico, não a apuração de infrações administrativas.
O magistrado sustentou que o indiciamento é um recurso do Direito Penal e Processual Penal, o que não se aplica a crimes de responsabilidade. Ele mencionou o artigo 148 do Regimento Interno do Senado para reforçar que o senador não tem competência para indiciamentos não penais.
CONGRESSO NACIONAL SE REÚNE
Nesta 4ª feira (15.abr.2026), congressistas de oposição, incluindo Marcel van Hattem (Novo-RS) e Bia Kicis (PL-DF), reuniram-se por cerca de 30 minutos com os ministros Luiz Fux e André Mendonça.
No Salão Verde da Câmara dos Deputados, Kicis afirmou que o STF está em “guerra” com o Congresso Nacional.
autores
PODER360
Introdução — A engrenagem silenciosa da responsabilização
Poucos instrumentos são tão reveladores da maturidade institucional de uma democracia quanto o impeachment. No Brasil, esse mecanismo — simultaneamente jurídico e político — expõe, em momentos de crise, as tensões entre legalidade, poder e legitimidade.
A permanência da Lei nº 1.079/1950 no ordenamento posterior à Constituição Federal de 1988 não representa um resquício histórico, mas uma escolha institucional consciente: preservar um instrumento de responsabilização, adaptando-o às exigências do Estado Democrático de Direito.
Nesse arranjo, consolidou-se uma tradição singular, na qual o Senado Federal atua como tribunal político sob a presidência do Supremo Tribunal Federal, equilibrando forma jurídica e substância política.
1. A Lei de 1950 sob a Constituição de 1988: continuidade com contenção
A Constituição de 1988 não rompeu com o passado normativo do impeachment; antes, o reinterpretou. A Lei nº 1.079/1950 foi recepcionada com seus fundamentos preservados, mas submetida a uma leitura conforme os princípios democráticos.
A jurisprudência consolidada reforçou:
o devido processo legal;
o contraditório;
a ampla defesa.
Esse movimento desloca o impeachment de um campo predominantemente político para uma zona híbrida, onde a política permanece decisiva, mas não pode prescindir de fundamentação jurídica consistente.
Casos como os de Fernando Collor e Dilma Rousseff evidenciam esse modelo.
2. O Senado como tribunal político: função e ambiguidade
A Constituição atribui ao Senado Federal a competência para julgar autoridades por crimes de responsabilidade, incluindo:
Presidente da República;
Ministros do Supremo Tribunal Federal;
Procurador-Geral da República.
Esse desenho evita a concentração de poder no Judiciário, mas incorpora uma ambiguidade estrutural: o julgamento é conduzido por agentes políticos.
Assim, estabelece-se uma equação delicada:
a legalidade orienta, mas a política decide.
3. Doutrina e experiência histórica
A tradição jurídica brasileira consolidou o impeachment como instrumento de contenção do poder, inserido na normalidade institucional — não como ruptura.
A experiência autoritária do período pós-1964 reforçou a percepção de que mecanismos legais de responsabilização são preferíveis à supressão abrupta da ordem constitucional.
4. Da teoria à prática: limites contemporâneos
A aplicação contemporânea do impeachment revela um dado central: sua efetividade depende menos da consistência jurídica e mais da viabilidade política.
Em sistemas fragmentados, iniciativas de responsabilização enfrentam:
resistências corporativas;
rearranjos regimentais;
bloqueios institucionais indiretos.
5. Imunidade e responsabilização: o dilema estrutural
A responsabilização de autoridades de cúpula expõe um dilema clássico:
a imunidade protege o exercício da função;
mas pode dificultar a responsabilização.
O problema não reside na ausência de instrumentos, mas na sua aplicação seletiva.
6. Política, carreira e legitimidade
A transição entre funções técnicas e atuação política evidencia tensões entre:
legitimidade democrática (voto);
expectativa de neutralidade institucional.
Esse fator influencia inclusive a dinâmica das instituições superiores.
7. Linguagem e poder: tradição e permanência
A reflexão clássica sobre limites do poder permanece atual: instituições operam sob condicionantes históricos e políticos, e sua estabilidade depende tanto de normas quanto de comportamento institucional.
8. Epílogo — A política como navegação em tempo real
A política contemporânea opera sob monitoramento constante da opinião pública. Pesquisas funcionam como instrumentos de navegação estratégica.
Governar tornou-se, em grande medida, ajustar rotas em tempo real — evitando rupturas, controlando dissidências e preservando a estabilidade.
📌 [INSERÇÃO DE ILUSTRAÇÃO — POSIÇÃO EDITORIAL RECOMENDADA]
Local: imediatamente após o Epílogo, antes dos Apêndices.
🎥 Vídeo de Referência — História Institucional da OAB
“A OAB já foi extinta? Conheça a história do Exame de Ordem que muitos omitiram”
https://www.youtube.com/watch?v=G3hqBlRbo34
Síntese Analítica
O conteúdo evidencia que a Ordem dos Advogados do Brasil já enfrentou momentos de supressão e restrição institucional, sobretudo em contextos autoritários.
A relevância dessa memória histórica é tripla:
demonstra a fragilidade das instituições sob pressão política;
reafirma o papel da OAB como entidade de resistência;
ilumina o presente ao indicar que a erosão institucional pode ocorrer de forma gradual.
Apêndice I — Institucionalidade versus Constitucionalidade
1. Conceitos fundamentais
Institucionalidade: funcionamento formal das instituições.
Constitucionalidade: conformidade material com a Constituição.
A tensão surge quando há forma sem substância.
2. 1965: institucionalidade autoritária
O Ato Institucional nº 2 extinguiu partidos políticos e impôs um sistema bipartidário, sob uma lógica formalmente organizada, porém incompatível com a democracia.
3. 1988: recomposição democrática
A Constituição de 1988 restaurou direitos fundamentais e o equilíbrio entre os Poderes, sem eliminar totalmente o risco de distorções.
4. Regimentos internos e desvios contemporâneos
Normas internas podem:
preservar a forma;
alterar o conteúdo;
dificultar mecanismos de controle.
5. Corporativismo institucional
A autoproteção entre elites institucionais limita a eficácia dos mecanismos de responsabilização.
6. O impeachment como tensão estrutural
A Lei nº 1.079/1950 permanece instrumento legítimo, porém politicamente sensível.
7. Forma versus substância
A experiência brasileira demonstra que pode haver institucionalidade sem plena constitucionalidade.
Apêndice II — Recepção da Lei de Impeachment e Superação da Lei de Segurança Nacional
1. Continuidade normativa
A Lei nº 1.079/1950 foi recepcionada pela Constituição de 1988 mediante interpretação conforme os princípios democráticos.
2. A trajetória da Lei de Segurança Nacional
Historicamente associada a períodos autoritários, sua compatibilidade com a democracia foi amplamente questionada.
3. A inflexão de 2021
A Lei nº 14.197/2021:
revogou a Lei de Segurança Nacional;
incorporou novos tipos penais ao Código Penal;
redefiniu o foco da proteção institucional.
4. Continuidade e ruptura
Lei do Impeachment: adaptada;
Lei de Segurança Nacional: superada.
5. Do Estado à democracia
A mudança central foi a substituição da lógica de defesa do Estado pela proteção do Estado Democrático de Direito.
6. Consideração final
Ambos os movimentos refletem o mesmo desafio histórico: construir mecanismos de controle compatíveis com a democracia sem reproduzir práticas autoritárias.
Peça Institucional — Representação à OAB
À ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB)
Conselho Federal
Ref.: Defesa das prerrogativas parlamentares e do Estado Democrático de Direito
Interessado: Procuradoria-Geral do Senado Federal
Representado: Senador Alessandro Vieira
I – DOS FATOS
O Senador Alessandro Vieira, no exercício de suas funções como relator de Comissão Parlamentar de Inquérito, apresentou relatório contendo conclusões sobre organizações criminosas e autoridades públicas.
O relatório foi rejeitado por maioria em sessão de 13 de abril de 2026, em meio a controvérsias regimentais.
Posteriormente, surgiram manifestações indicando possível responsabilização do parlamentar por abuso de autoridade.
II – DO EXERCÍCIO LEGÍTIMO DO MANDATO
A Constituição assegura:
liberdade de investigação;
autonomia na relatoria;
independência funcional.
III – DO PAPEL DA OAB
A OAB possui função institucional de defesa:
da Constituição;
das garantias fundamentais;
do equilíbrio entre os Poderes.
IV – DA NECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO
A situação demanda reflexão sobre:
limites entre controle e intimidação institucional;
preservação da independência parlamentar;
riscos à atividade investigativa do Legislativo.
V – DO PEDIDO
Requer-se:
análise institucional dos fatos;
eventual manifestação pública em defesa das prerrogativas constitucionais;
comunicação ao Supremo Tribunal Federal reafirmando a harmonia entre Poderes.
VI – CONCLUSÃO
A presente iniciativa visa preservar o equilíbrio institucional e prevenir erosões graduais da ordem constitucional.
Procuradoria-Geral do Senado Federal
Brasília, abril de 2026
Conclusão Geral
O Brasil não carece de instrumentos institucionais para controlar o poder. A Lei nº 1.079/1950 permanece funcional sob a Constituição de 1988. A legislação penal foi atualizada para proteger a democracia.
O desafio central é outro:
a disposição efetiva de aplicar essas normas — inclusive contra os próprios detentores do poder.
Entre teoria e prática, entre forma e substância, reside o verdadeiro teste do Estado Democrático de Direito.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Poesia | Capinan - Te esperei - com violão de Gerado Azevedo
Bukele cede a la IA
de Google la gestión
médica en El Salvador
El programa podrá
crear desde un informe
clínico hasta hacer
el seguimiento
de pacientes crónicos
BRYAN AVELAR
México
El presidente Navib Bukele ha
emprendido otro experimento
tecnológico en El Salvador. Su
apuesta es esta vez con la salud.
En una cadena nacional de radio
y televisión anunció el martes
que cederá gran parte de la gestión del sistema ma público de sani
dad a un sistema de inteligencia
artificial de Google.
Los salvadoreños tendrán
acceso a la aplicación móvil llamada Dr. SV, que creará un expediente clínico único, dará orientación inicial, asignará exámenes de laboratorio, programará
consultas virtuales o presenciales
con médicos en caso de que determine que sea necesario y dará
seguimiento diario al tratamiento de pacientes con enfermedades crónicass como diabetes, hi
pertensión o colesterol alto.
En una reunión retransmitida
en redes sociales, el mandatario
conversó con Guy Nae, director de
Google Cloud para el Sector Público en América Latina, y tres expertos en medicina e IA. Durante
la cita, en un salón de la Casa Presidencial, en San Salvador, Nae ехplicó que el proyecto, anunciado
en noviembre, ha iniciado su segunda etapa, que consiste en implementar la IA de Google para
estudiar y dar seguimiento a раcientes con enfermedades crónicas. "En algún momento estaremos tratando cáncer, haciendo cirugías", prometió Bukele.
Bukele y expertos en IA, reunidos el martes, en una imagen de la presidencia de El Salvador.
do el mejor sistema de salud del
mundo", dijo el presidente.
El anuncio se da en medio de
fuertes críticas del sector médico, después de que el Gobierno
despidiera a 7.700 empleados del
sistema de salud el pasado año.
entre médicos generales, especialistas, internistas, enfermeros
y personal de atención básica.
plicó que están llevando a cabo un
estudio para determinar cuál es
el efecto del soporte de la IA en la
precisión diagnóstica de los doctores. Y añadió que todo se está
haciendo con supervisión del Comité de Ética de El Salvador. una
entidad desconocida públicamente. Tampoco se sabe quiénes son
los médicos a cargo de las consultas por la aplicación.
Cada salvadoreño podrá descargar la aplicación, creará un
expediente y con ayuda de la IA
ingresará sus síntomas. Esta le
designará una llamada con un médico, quien le diagnosticará. Posteriormente, la IA le recomendará qué exámenes hacer y dará seguimiento a su tratamiento para
consultas eventuales o para enfermedades crónicas. "Me emociona mucho porque estamos creanEl médico experto en IA Edgardo Von Euw dijo que "el espíritu de este programa es que ningún
salvadoreño con una enfermedad
crónica se quede sin saberlo y que
nadie que lo sepa se quede sin tratamiento". Y agregó: "La inteligencia artificial nos va a ayudar mucho porque va a evaluar los factores de riesgo que están hoy en los
expedientes". Stella Aslibekyan,
epidemióloga de la Universidad
de Alabama, en Birmingham, exLa aplicación Dr. SV es un experimento controlado por Google
con el que la empresa tendrá acceso a datos de salud de los salvadoreños. Algunos expertos señalan que la cesión de estos datos a
sistemas inteligentes tiene riesgos
como la pérdida de la privacidad
y el posible uso indebido de la información personal.
Bukele se ha lanzado a las misteriosas aguas de un mesianismo
tecnológico con el que pretende reconfigurar no solo la forma
de ejercer el poder, sino cambiar
su país, uno de los más pobres y
atrasados del continente. El presidente ya había adoptado el bitcoin
como moneda de curso legal. Sin
embargo, el experimento fracasó
y apenas un pequeño porcentaje apenas in pequeno p
de los salvadoreños usó la moneda, según un informe de la organización Cristosal, que advirtió
que el Gobierno obierno invirti invirtió 329 mi
llones de dólares (unos 279 millones de euros) en su implementación. Bukele decidió retirar la moneda el año pasado.
Aunque se desconocen los detalles del proyecto, se sabe que el
acuerdo establece una relación
con Google de siete años y que se
destinarán al menos 500 millones
de dólares a implementarlo.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Música | Edu Lobo e Maria Bethânia - Cirandeiro (Edu Lobo e José Carlos Capinam)
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