sábado, 26 de setembro de 2026

Per questo canto e canto te

Gota d'água Bibi Ferreira Já lhe dei meu corpo, minha alegria Já estanquei meu sangue quando fervia Olha a voz que me resta Olha a veia que salta Olha a gota que falta pro desfecho da festa Por favor Deixe em paz meu coração Que ele é um pote até aqui de mágoa E qualquer desatenção, faça não Pode ser a gota dágua
sábado, 26 de setembro de 2026 A falta que faz uma causa comum, por Marco Aurélio Nogueira* O Estado de S. Paulo O País está pedindo uma macrorreforma institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas A oito dias das eleições, o quadro da disputa está congelado. A eleição será, mais uma vez, decidida no photochart, com Lula e Flávio Bolsonaro batendo cabeça na reta final. Atordoado com tantos escândalos e tanta falta de sinalização, o eleitorado não sabe para onde o País irá. Desaprova o governo de Lula, mas não aprova Bolsonaro com ênfase. Tende a rejeitar quem mais o assusta ou incomoda. Voto defensivo, não programático, o que rebaixa a qualidade da disputa. Faltando ideias e propostas claras, sobram manobras eleitoreiras e jogos de cena. Bolsonaro é impulsionado pelo antipetismo, Lula pela “economia do afeto”, como fala o historiador Alberto Aggio. Há medo do continuísmo esgotado de Lula e medo do autoritarismo perverso e mal organizado do bolsonarismo. Os candidatos são completamente diferentes entre si. O governo Lula não é bem avaliado. Sua campanha pela reeleição é pífia, inexpressiva. Mas ele tem conseguido olhar para os mais pobres e resistir ao autoritarismo, sem transigir com a democracia. Já Bolsonaro surge inclinado para a extrema direita, “patriótica” para uns, “entreguista” para outros, sempre com tintas autoritárias e poucas ideias. Fala em “acabar com o sistema”, mas sua meta é aprisionar e desnervar a democracia. Se a escolha é defensiva, o que mais importa é defender a democracia. A que existe por aqui está sendo sabotada pelas manobras de um Legislativo incapaz de conter seus excessos e de um Executivo incapaz de ordenar o sistema de benefícios que corrói as finanças públicas. Tais benefícios, dirigidos às grandes maiorias pobres, tornaram-se com o tempo objeto de cobiça e disputa, chegando até a pessoas que a eles não fazem jus. O Estado brasileiro está emparedado pelo patrimonialismo histórico, pelo corporativismo e pela baixa densidade do republicanismo. Agentes privados, articulados por cima (na política) e por baixo (nos interesses particulares e familiares) aproveitam-se da dispersão e da desatenção da população para impulsionar a criação de inúmeras brechas na gestão pública e orçamentária. Abusam de gastos mal justificados, embolsam parte deles, multiplicam beneficiários de programas sociais, exploram até o osso a falta de consciência cívica da população e o atrito entre os Poderes do Estado. A polarização política e ideológica dá sua contribuição, ao esvaziar a possibilidade de melhores debates e negociações. Ela também funciona por cima e por baixo, produzindo desentendimentos paralisantes, por vezes artificiais. Quando há excesso de “afetos”, também surgem muitos “desafetos”: pessoas que não se sentem incluídas ou que invejam os incluídos. Além disso, benefícios institucionalizados viram direitos, passam a pesar menos nas decisões eleitorais. A polarização se infiltra nesse ambiente. A crise do Supremo Tribunal Federal (STF) deixou evidente que a cultura baseada no favor e nas relações pessoais atingiu o âmago do Estado, escancarando-o para a venalidade e a corrupção. Hoje, a Corte se degradou. Mas, a rigor, tudo o que está instituído claudica e bloqueia qualquer avanço. O sistema não está mais funcionando a contento. O País está pedindo uma macrorreforma institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas. O assunto não é eleitoralmente rentável, mas deveria estar na pauta. Bolsonaro se diz de oposição, mas nada fala a respeito de reformas. Joga atabalhoadamente no ataque. Lula deveria “despetizar” e ampliar sua campanha, de modo a torná-la declaradamente plural e firmemente embebida de saber técnico e científico. O PT está disposto a entregar seus anéis? Chegou a hora de exigirmos uma reforma ampla e profunda, algo que mexa com os arranjos cômodos que se instalaram entre nós. Precisamos de uma causa comum. Não bastará eleger um presidente que proteja a democracia, pois ele governará comendo o pão que o diabo amassou, arando um terreno onde todos os ratos são pardos. E terá pela frente uma sociedade desorganizada, encharcada de uma indignação passiva, de informações contraditórias e de desigualdades, sem lideranças com envergadura política e apoio social. Os venenos da polarização viraram matéria gasosa, estão na corrente sanguínea da sociedade. Continuarão a nos intoxicar mesmo depois de fechadas as urnas. Reformas são processuais. Demandam tempo, ideias, consensos, negociações. O atual sistema está com a língua de fora, mas os interesses que o corroem podem mantêlo vivo por aparelhos. Precisará ser pressionado e confrontado com uma nova e vigorosa ideia de país. Crises e fins de ciclos também abrem janelas de oportunidades. Onde estarão as frestas pelas quais descortinaremos um novo futuro? Necessitamos de normas universais, instituições zelosas de suas funções, equalização dos poderes, contenção dos interesses e dos beneficiários de apoios estatais não sustentáveis. Ainda não temos o combustível necessário para projetar uma reforma desse porte. Carecemos de articulações democráticas, lideranças consistentes e uma causa comum como guia. *Professor titular de teoria política da Unesp
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O Eco dos Festivais: Entre o Desencanto de 1968 e a Apatia de 2026


O ano de 1968 inscreveu-se na memória global como o epicentro de uma fratura geracional e política. Enquanto as ruas de Paris, Praga e Rio de Janeiro ferviam sob o signo da contestação e do confronto direto com as estruturas de poder, a Itália vivia o seu próprio Sessantotto — um período de intensas greves operárias, ocupações universitárias e questionamento radical dos valores burgueses. Ironicamente, foi nesse mesmo ano de convulsão que a melancolia intimista de "Canzone Per Te", interpretada por Sergio Endrigo e Roberto Carlos, sagrou-se vencedora do prestigiado Festival de Sanremo. Em vez dos hinos de marcha ou do tom panfletário que ditavam o espírito da época, a canção triunfou ao traduzir o luto de um fim, o isolamento afetivo e a dolorosa constatação de que "a festa mal começou e já terminou". Havia, por trás do lirismo amoroso, a captura sutil de um desencanto coletivo: a percepção de que as grandes promessas de modernidade e comunhão pareciam claudicar diante da realidade.

Quase seis décadas depois, o Brasil de 2026 projeta um reflexo invertido, mas igualmente melancólico, daquela atmosfera. Às vésperas de uma eleição presidencial crucial, o país não experimenta a efervescência utópica de 1968, mas o seu exato oposto: uma apatia generalizada e um profundo esvaziamento do debate público. O paralelo histórico não se dá pelo excesso de paixão das massas, mas pela institucionalização do silêncio e pela mercantilização da política de rua. Se em 1968 a música popular servia de refúgio lírico contra a saturação do ruído ideológico, em 2026 o lirismo melancólico de Endrigo ressoa como metáfora de um sistema representativo exaurido. As calçadas coloridas por bandeiras pagas e a polarização movida pelo medo, e não por projetos de futuro, evidenciam que a mística democrática nacional transformou-se em pura engrenagem processual — uma festa que parece ter terminado antes mesmo que o cidadão comum pudesse nela se reconhecer.

O Vazio por Trás das Bandeiras: A Fantasia da Plausibilidade e o Esvaziamento do Voto

Entre a propaganda totalitária de Arendt, a apatia mercadológica das ruas e a urgência de uma causa comum nas Eleições 2026.


A poucos dias do pleito de outubro, a paisagem urbana das cidades brasileiras ganhou uma profusão de cores artificiais trazida pelos abanadores de bandeiras assalariados. A análise do cientista político Jairo Nicolau no blog Política & Dados expõe uma realidade intrigante: em um pleito marcado pelo silêncio, pelo desinteresse generalizado e pelo desânimo do eleitorado, a rua se faz notar quase que exclusivamente por meio de uma força de trabalho contratada com recursos do Fundo Eleitoral. O antigo engajamento voluntário e ideológico cedeu espaço a uma engrenagem pragmática de subsistência econômica, sintetizada no lema popularizado pelos próprios cabos eleitorais: "é melhor pingar do que faltar".

Essa onipresença das bandeiras nas esquinas e sinais de trânsito não reflete o convencimento de ideias, mas uma estratégia de sinalização de sobrevivência. Diante de um calendário eleitoral oficial encurtado, os candidatos recorrem às bandeiras como os últimos recursos visuais disponíveis para fixar seus números na memória do eleitor. Esse cenário conecta-se diretamente ao diagnóstico severo de Marco Aurélio Nogueira sobre o impasse institucional brasileiro. A polarização defensiva — onde o eleitor vota para rejeitar quem o assusta em vez de apoiar um projeto — blinda as mazelas históricas do Estado, como o patrimonialismo e o corporativismo. Sem a costura de uma causa comum que uma a sociedade civil, o país corre o risco de sair das urnas mantendo o sistema operando "por aparelhos", intoxicado pelos gases de uma polarização que promete persistir muito além da apuração dos votos.

Esse esvaziamento do debate é o terreno fértil para dinâmicas históricas mais profundas. Como advertiu Hannah Arendt em sua obra seminal Origens do Totalitarismo, a engrenagem da dominação política não se inicia com a violência explícita, mas com a conquista das massas pela propaganda. Antes de isolar por completo uma sociedade sob o jugo do autoritarismo, os movimentos ideológicos buscam "parecer plausíveis" aos olhos de um público que ainda tem acesso a outras fontes de informação. Quando a política de rua se transforma em pura coreografia mecânica mercantilizada e o eleitorado abdica do pensamento crítico em prol do afeto ou do medo, a linha que separa a propaganda democrática da manipulação totalitária torna-se perigosamente tênue.

A ilusão das calçadas coloridas mascara a melancolia de um sistema que se esvaziou de sentido próprio. "A festa mal começou e já terminou", como se a mística democrática tivesse perdido o brilho, restando apenas o automatismo do processo. Diante desse ciclo que claudica, o ato de insistir na reflexão escrita e na vigilância cívica torna-se o nosso próprio manifesto particular: "per questo canto e canto te" — um registro de resistência e afeto pelo que resta de republicanismo, cultivando a consciência crítica como uma flor na solidão dos tempos áridos, na esperança de que um novo sonho, finalmente, nos pegue pela mão.

Opúsculo, à Guisa de Conclusão: Macunaíma no Poder


O diagnóstico sombrio sobre as engrenagens que movem a política e a sociedade encontra o seu desfecho analítico na tese do sociólogo José de Souza Martins. Ao evocar o clássico personagem de Mário de Andrade, o autor demonstra que os representantes políticos brasileiros, historicamente, operam como representantes de si mesmos, organizados em uma estrutura partidária fluida e sem compromisso programático — um verdadeiro "partido nacional macunaímico".

Não se trata de uma ausência de ideologia, mas da consolidação de uma deformação estrutural: o Brasil acabou por criar um "capitalismo anticapitalista", cuja dinâmica principal reside no lucro privado baseado no prejuízo coletivo. A coreografia vazia das ruas, a manipulação retórica das propagandas e o impasse institucional que paralisa o Estado são apenas os sintomas superficiais desse capitalismo do herói sem nenhum caráter. Sem que se confronte essa matriz patrimonialista e predatória, qualquer alternância de poder corre o risco de perpetuar uma sociabilidade do faz de conta, mantendo a sociedade civil alienada do verdadeiro pacto republicano.

Assista à apresentação histórica da música vencedora do Festival de Sanremo de 1968, ano profundamente simbólico para a história política ocidental, e acompanhe o lirismo melancólico que ecoa os impasses da nossa própria atualidade: Sergio Endrigo – Canzone per te (Festival di Sanremo del 1968) - live Sanremo and more 24 de out. de 2024 Sergio Endrigo – Canzone per te (Festival di Sanremo del 1968 la seconda e la terza serata) - live, stereo. Presenters - Pippo Baudo and Luisa Rivelli. Written-By – Sergio Bardotti, Sergio Endrigo. Directed By [Orchestra] – Giancarlo Chiaramello. "Canzone per te" ("A song for you"), written by Italian composer Sergio Endrigo and sung by Brazilian singer Roberto Carlos, was the Italian entrant to and winner of the 1968 edition of the Sanremo Music Festival. On the night of the contest, held in Sanremo, Italy, the song was performed by both Endrigo and Carlos. Construction from permitted video fragments, restoring by Vladimir Mastica (VM).

Use o código com cuidado.*Você também pode conferir e ler a composição poética completa acessando a Letra de Canzone Per Te no Letras.mus.br. O artigo está formatado e pronto para o ambiente de produção do seu blog. Se precisar de ajuda com as **tags/marcadores de indexação** (Ex: *Eleições 2026, Teoria Política, Cultura*) ou com a criação de uma **chamada curta** para divulgar o link nos seus canais, me avise!

Per questo canto e canto te PER SE MODUS FACIENDI html

DOCUMENTO HISTÓRICO AUDIOVISUAL

Estádio do Jornal da Noite: A Entrevista de Gilmar Mendes por Renata Lo Prete


(Som de fundo: o burburinho tenso das grandes decisões. Entra no ar a voz cadenciada, musical e inconfundível do mestre Waldir Amaral, direto do Estádio do Jornal da Noite...)

WALDIR AMARAL: Deixa eu ver... o relógio corre! No gramado iluminado dos estúdios da Globo, o decano da Corte Suprema, o camisa 10 Gilmar Mendes, avança com a bola no pé. Mas atenção, amigos! Na cobertura, colada nele, vem a zagueira de ferro Renata Lo Prete, com uma marcação cerradíssima, sem dar espaço para o atacante respirar! Ela aperta o cerco, estica o microfone e lança o bote: "Ministro, esse inquérito não virou uma ferramenta política?"

É o momento da verdade no Estádio da Notícia! Gilmar domina no peito... e o que é que ele faz? Olha para o tempo... O atacante estuda o lance, puxa a bola para a perna esquerda e começa o contra-ataque:

— "Eu... eu tenho a impressão... de que o inquérito... continua necessário."

E agora Gilmar faz aquela paradinha de Pelé! Ele amortece a bola, deixa a zagueira na saudade e solta uma bomba:

— "...E... ele vai acabar... quando terminar!"

Renata Lo Prete dá um leve sorriso de canto, aquele tique jornalístico de quem diz "estou de olho na jogada", e ameaça interromper. Mas Gilmar Mendes é raposa felpuda! Ele percebe o movimento da marcadora e emenda em alto e bom som, sem dar o rebote:

— "...E é preciso que isso seja dito... em alto e bom som. [Suspiro rápido] E o tribunal... o tribunal tem sido... vilipendiado."

Que categoria! Que frieza do camisa 10! Deixa eu pedir o comentário rápido de quem entende de tática... Fala daí, meu garoto, João Saldanha! O Gilmar passou pela marcação ou o inquérito tá em impedimento?

JOÃO SALDANHA: Olha, Waldir... o Gilmar é malandro, joga com o regulamento debaixo do braço! A Renata foi muito bem na marcação, apertou ali na lateral do campo perguntando da longevidade de um inquérito que já dura anos. Qualquer garoto novo ali espanava e chutava a bola para o mato. Mas o decano não. Ele usou a experiência, segurou o jogo com essas paradinhas e jogou a pressão de volta para a torcida. Só que a Renata não se entrega, Waldir! Veja que ela já está se posicionando para fechar o ângulo dele de novo!

WALDIR AMARAL: Tem toda razão, João! O jogo é lá e cá! Gilmar Mendes sente o cansaço, dá uma respirada profunda... e o ritmo cai. Ele baixa o tom de voz, esconde a jogada, quase num cochicho tático para enganar a marcação de Lo Prete, que só observa a linha de impedimento:

— "...Sem se fazer alarde disso. [Mudança brusca de direção] A questão... a questão aí... é o modus faciendi."

Renata Lo Prete ergue uma sobrancelha! Ela tenta o bote por baixo, quer saber quem manda na área do tribunal se o clima é de crise. Mas Gilmar dá um drible de corpo espetacular, divide as responsabilidades e solta a tese do jogo coletivo:

— "O presidente... o presidente não decide. [Outra paradinha de Pelé... ele olha bem nos olhos da zagueira] Aqui... aqui rege um parlamentarismo. [O silêncio ecoa no estádio] Presidente... não decide per se."

Fim de jogo na grande área jurídica! O atacante usou todo o repertório de pausas para prender a bola no ataque! Mas para selar essa transmissão com chave de ouro, o apito final é dele! O homem que já comandou clássicos e não esconde nada de ninguém. O nosso analista de arbitragem, o ex-juiz Mario Vianna! Com a palavra, o mestre do apito!

MARIO VIANNA:
(Voz rascante, enérgica, batendo na mesa)

"O JUIZ ERROU!!! O JUIZ ERROU, WALDIR!!!"

O Gilmar Mendes quis apitar o jogo sozinho e inventar uma regra que não tá no livro da Constituição! Inventou uma 'paradinha' no meio do tribunal! Na minha época, se o presidente do Supremo não decide nada sozinho e o tribunal é um parlamentarismo, então o juiz da partida perdeu o controle do jogo! Não pode ter dois pesos e duas medidas! A Renata Lo Prete foi na bola, foi legítima, cobrou o tempo de jogo e o Gilmar saiu de campo jogando bonito com o latim, mas sem resolver a encrenca do inquérito! O JUIZ ERROU!!!


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Use o código com cuidado. Aqui está o texto formatado em sua versão final, aplicando a correção formal das aspas e mantendo o conteúdo e a digitação exatamente iguais ao original: "Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário. E ele vai acabar quando terminar. E é preciso que isso seja dito em alto e bom som. E o tribunal tem sido vilipendiado. Sem se fazer alarde disso. A questão é o modus faciendi. O presidente não decide. Aqui rege um parlamentarismo. Presidente não decide per se." Deseja que eu formate este texto em algum padrão específico, como bloco de citação (itálico) ou em um arquivo para download?
sábado, 26 de setembro de 2026 Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária) › “Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um... O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões › O fim das bets e a campanha eleitoral Por O Povo (CE) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, emitiu medida provisóri... A falta que faz uma causa comum, por Marco Aurélio Nogueira* › O Estado de S. Paulo O País está pedindo uma macrorreforma institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas A oito dias das el... O governo Lula acerta ao proibir as bets no Brasil? Sim, por Ione Amorim › Folha de S. Paulo Rentabilidade se alimenta do risco, e apenas a regulação não acompanharia a escalada de danos Jogo fica disponível 24 ... 2 comentários: Flávio Bolsonaro dá dinheiro aos 'peixes' da milícia, por Alvaro Costa e Silva › Folha de S. 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Um comentário: https://gilvanmelo.blogspot.com/
O artigo de Marcus Pestana analisa a grave crise de credibilidade enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a polarização em torno da Corte no debate político atual. Para solucionar o desgaste institucional e resgatar a legitimidade do Judiciário, o texto propõe medidas como mandatos de dez anos, o fim de decisões monocráticas e a aprovação de um Código de Ética. Você pode ler o artigo completo no texto original de Marcus Pestana.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Lei de retorno

Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência. “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” — Jesus. (JOÃO, 5.29)
O versículo João 5:29 traz um ensinamento de Jesus sobre a responsabilidade das escolhas humanas e o destino após a morte: A ressurreição da vida: Destinada àqueles que praticaram o bem e creram na mensagem do Mestre. A ressurreição da condenação: Referente àqueles que persistiram de forma consciente na prática do mal. O Contexto da Passagem A voz do Filho do Homem: Pouco antes, no versículo 28, Jesus afirma que virá a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. O critério do julgamento: O texto aponta para a universalidade da ressurreição, abrangendo tanto justos quanto injustos, tendo as obras e a atitude do coração como reflexo do caráter de cada pessoa. Diferentes correntes religiosas interpretam o trecho de formas particulares: No Cristianismo Tradicional: Vê-se a passagem como a confirmação de um juízo final onde os salvos (pela fé demonstrada em frutos de justiça) herdam a vida eterna, e os perdidos enfrentam a separação de Deus. Você pode acompanhar reflexões devocionais sobre o tema na Bíblia Online. No Espiritismo: O trecho é frequentemente associado à lei de causa e efeito e à reencarnação, onde o espírito colhe em novas experiências aquilo que construiu em jornadas anteriores, conforme abordado em comentários literários como no Livro Pão Nosso. Passagens relacionadas na Bíblia Daniel 12:2 – Fala sobre os que dormem no pó da terra despertarem para a vida eterna ou para a vergonha eterna. Mateus 25:31 – Descreve a vinda do Filho do Homem em sua glória para o julgamento. Atos 24:15 – Menciona a esperança da ressurreição tanto dos justos quanto dos injustos. Pão Nosso #127 - Lei de retorno NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 14 de set. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 1 Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação. 2 Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível? 3 As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. 4 Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz. 5 Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório. 6 É a volta à lição ou ao remédio. Não lhes surge diferente alternativa. 7 A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus. 8 Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas. 9 Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina muito mais rica e magnânima que parece. 10 Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 127 Lei de retorno
Creia no seu poder interno. A energia positiva que há dentro de você é a felicidade em ação. Cuidar do corpo e do Espírito - O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Item 11 Canal CEIC Você está em: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVII — Sede perfeitos > Instruções dos Espíritos. > Cuidar do corpo e do Espírito. > 11 11. Consistirá na maceração do corpo a perfeição moral? Para resolver essa questão, apoiar-me-ei em princípios elementares e começarei por demonstrar a necessidade de cuidar-se do corpo que, segundo as alternativas de saúde e de enfermidade, influi de maneira muito importante sobre a alma, que cumpre se considere cativa da carne. Para que essa prisioneira viva, se expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar são, disposto, forte. Façamos uma comparação: Eis se acham ambos em perfeito estado; que devem fazer para manter o equilíbrio entre as suas aptidões e as suas necessidades tão diferentes? Inevitável parece a luta entre os dois e difícil achar-se o segredo de como chegarem a equilíbrio. Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra. Ao lado desses dois grandes partidos, formiga a numerosa tribo dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, são mornos no amar e econômicos no gozar. Onde, então, a sabedoria? Onde, então, a ciência de viver? Em parte alguma; e o grande problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa. Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito. Dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: esse o meio de o tornardes dócil à vontade de Deus e o único de alcançardes a perfeição. Jorge, Espírito Protetor. Paris, 1863.
O texto da imagem é o início do capítulo "15 - Testemunho e Definição", pertencente ao livro "Eurípedes - o Homem e a Missão" (página 173). Abaixo está o resumo dos pontos principais do trecho: Elogio à obra de Homilton Wilson: O texto se inicia com uma reflexão sobre os escritos de Homilton Wilson (irmão consangüíneo e discípulo de Eurípedes Barsanulfo), destacando como ele define com brilhantismo e fidelidade a posição de Eurípedes como um verdadeiro Espírita consciente de seus deveres perante a Doutrina de Salvação e o Cristo. O contexto de incompreensão: É mencionado que, em uma época de desmandos religiosos em que a pureza da Codificação Kardequiana enfrentava velhas fraudes, era natural que os adeptos do Espiritismo enfrentassem as sanções e a incompreensão do cotidiano. O testemunho de Homilton (1945): É citado o trecho de uma palestra proferida por Homilton Wilson em 28/06/1945, no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Ribeirão Preto (SP). Nela, ele afirma categoricamente: "Eurípedes foi Espírita" e que ele realizou diante de todos tudo o que é ressaltado no estudo e na meditação da Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec. Humildade e Liberdade de Pensamento: Homilton expressa sua modéstia diante da tarefa de falar sobre a vida de Eurípedes, afirmando que não busca revelar fatos que dificilmente se escreveriam tal qual foram na realidade. Ele destaca que seu principal título — e que lhe pertence por direito divino — é o da liberdade de pensamento e de ação concedido por Deus, permitindo-lhe falar livre de preconceitos e do convencionalismo social, seguindo apenas a sua consciência. Na canção popular brasileira, a palavra lenitivo carrega seu significado literal e poético mais puro: um bálsamo, um alívio ou consolo para as dores do corpo, da mente e da alma. Como a música popular é um dos campos mais sofisticados da nossa literatura, esse termo erudito é frequentemente usado por compositores para ilustrar aquilo que abranda o sofrimento diante das durezas da vida. O uso dessa palavra e o seu conceito aparecem na música brasileira de três formas principais: 1. A música e a arte como o próprio "lenitivo "Em muitas composições, o próprio ato de cantar, sambar ou ouvir música é colocado como o remédio para as frustrações cotidianas. Meu Lenitivo Manu Dias Um exemplo claro está no samba "Meu Lenitivo", interpretado por Manu Dias, onde a letra diz abertamente: "Somente o samba / Ameniza as dores que a vida nos traz / Eterniza amores que não temos mais / Quando as dificuldades me tiram a paz / Vou sambar". Aqui, o samba assume o papel de um fomento curativo para a falta de paz. 2. Elementos do cotidiano operando como alívio Os compositores costumam transformar elementos da cultura e do dia a dia no lenitivo necessário para suportar a realidade. Sem a cachaça, ninguém segura esse rojão | LITERATURA BRASILEIRA & CACHAÇA Outras Palavras Chico Buarque: Na clássica música "Meu Caro Amigo" (composta com Francis Hime), Chico narra a situação difícil do Brasil da década de 1970. Na letra, a cachaça é descrita poeticamente por analistas e críticos como o lenitivo da dureza — uma válvula de escape e um conforto físico e emocional contra o sufoco do período. Bonança Grupo Malícia Art Popular: No pagode "Bonança" (composição de Tauã Paiva Alves), a palavra aparece explicitamente para falar de superação amorosa: "Mas quem espera alcançar, pode confiar / A bonança irá despertar / Trazendo lenitivo pra dor / Renascendo um amor de raiz". O livro dos Espíritos Parte 2 Capítulo 6 P 320 329 Comemoração dos mortos Funerais Estudos Espíritas Você está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo VI — Da vida espírita > Comemoração dos mortos. Funerais. Comemoração dos mortos. Funerais. 320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra? “Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.” 321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Prestam-se para ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos? “Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.” a) – Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas? “Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.” b) – Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis? “Sob a que tinham quando encarnados.” 322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles? “Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o universo inteiro.” 323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa? “Aquele que visita um túmulo pode manifestar, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior desse pensamento. Já vos disse que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que seja feita com o coração.” 324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à sua inauguração, e experimentam algum prazer nisso? “Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.” 325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito? “Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele pedaço de terra a um Espírito elevado? Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?” a) – Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família? “Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.” 326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais? “Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.” 327. O Espírito assiste ao seu enterro? “Frequentemente assiste, mas algumas vezes não percebe o que se passa, se ainda está perturbado.” a) – Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterro? “Mais ou menos, conforme o sentimento que as anime.” 328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros? “Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.” 329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura? “É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.” Paciência - Lenine | LETRA 3. A associação poética com o nome de batismo É impossível falar de "lenitivo" e canção popular sem pensar na figura de Lenine. Embora o nome do cantor pernambucano seja uma homenagem direta ao líder político russo Vladimir Lenin, a sonoridade de seu nome evoca imediatamente os verbos lenir e o adjetivo lenitivo. Essa coincidência poética se reflete perfeitamente na sua obra. Músicas como "Paciência" (onde ele canta "mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma...") funcionam exatamente como um lenitivo para a velocidade e o caos do mundo moderno.

Uma mulher, uma loira e os mortos que ainda tocam

Música, poesia, memória e democracia para passar a régua — sem jamais fechar a conta

E agora podemos, enfim, passar a régua.

Mas não fechar a conta.

Porque certas contas — sobretudo as da música — continuam abertas depois da morte dos seus autores. Talvez seja esse o único espiritismo em que vale acreditar: aquele em que os mortos voltam não para assombrar os vivos, mas para serem novamente interpretados.

Imagine-se a cena.

No escuro, um violão.

A voz de uma mulher gaúcha.

E Una Mujer reaparece.

Não é Agustín Lara, como a memória apressada poderia sugerir. A canção vem de outro lugar, e justamente por isso a viagem fica ainda mais extraordinária. Paul Misraki, nascido em Constantinopla, em família judaica, tornou-se em Paris compositor, pianista e arranjador ligado ao jazz e à canção francesa. Sua obra atravessou França, América do Sul, Estados Unidos e cinema.

A canção atravessou ainda outra fronteira quando João Gilberto a gravou em João, de 1991, ao lado de um repertório que misturava samba, bolero, música italiana, Cole Porter, Noel Rosa e Charles Trenet.

E então, décadas depois, aparece Adriana Calcanhotto.

A loira gaúcha.

O violão.

A voz.

E a canção volta a respirar.

Não como relíquia, mas como matéria contemporânea.

É aí que a história fica maior do que uma simples genealogia musical. Não estamos diante de uma brasileira copiando uma francesa, nem de uma gaúcha imitando um mexicano, nem de João Gilberto reproduzindo uma canção estrangeira. Estamos diante daquela coisa misteriosa que a música popular faz melhor do que qualquer tratado cultural: ela incorpora o estrangeiro até que ele deixe de ser estrangeiro.

Misraki atravessou o Atlântico. João Gilberto o trouxe para dentro da gramática da bossa. Adriana o devolveu ao mundo com outra respiração.

E, ao lado dessa mulher, pode perfeitamente surgir uma loira.

A Uma Loira de Hervê Cordovil — compositor mineiro, parceiro de Noel Rosa em canções como Triste Cuíca e Não Resta a Menor Dúvida.

E então a brincadeira fica séria.

Porque Cordovil também pertence a esse estranho clube dos compositores que parecem continuar compondo depois de mortos. Basta Noel Rosa entrar pela porta.

Não é preciso imaginar uma sessão espírita.

É só colocar o disco para tocar.

Noel chega primeiro.

Cordovil responde.

João Gilberto aparece com aquele violão que parece ter inventado uma nova maneira de fazer silêncio.

E, de repente, lá está Adriana Calcanhotto, sozinha com seu instrumento, retomando Una Mujer.

O próprio percurso de Adriana confirma essa vocação para fazer a tradição conversar com o presente: seu trabalho com poesia inclui Mário Quintana, e Quintana pertence às suas memórias de infância em Porto Alegre.

É aqui que o Rio Grande do Sul entra — não como folclore, mas como atitude.

Adriana não precisa vestir o gaúcho como fantasia regional. Não precisa de bombacha, chimarrão ou monumento. Seu gaúcho está em outra parte: na independência, na desconfiança diante do óbvio, na capacidade de atravessar o Brasil sem pedir autorização a nenhum centro cultural.

E talvez seja justamente aí que Mário Quintana reconheceria a sua conterrânea.

Quintana, o poeta que gostava de deslocar o mundo alguns centímetros para que pudéssemos enxergá-lo melhor. Adriana, a cantora que faz operação semelhante com as canções: desloca-as um pouco, troca-lhes a luz, devolve-as ao público como se fossem recém-descobertas.

Ela não precisa ser apenas a intérprete de uma tradição.

É uma de suas continuadoras.

E isso vale reconhecer também por sua trajetória como mulher, compositora, cantora, instrumentista, artista e cidadã que assumiu posições públicas e políticas. Mas o mais interessante talvez seja que sua obra nunca precisou escolher entre o local e o universal.

O gaúcho, nela, não fecha portas: abre janelas.

Por isso a cena final poderia ser esta:

Hervê Cordovil sentado ao piano.
Noel Rosa encostado no balcão.
João Gilberto, silencioso, afinando o violão.
Paul Misraki chegando de Paris — ou talvez de Constantinopla, ninguém sabe mais.
Agustín Lara passando pela porta — porque, afinal, ele não pode faltar a este cabaré.

E, no palco, Adriana.

Uma mulher.

Uma loira.

Uma gaúcha.

Cantando uma canção que não é mexicana, não é brasileira, não é francesa, não é argentina — e, justamente por isso, é de todos nós.

Talvez seja essa a verdadeira vida eterna.

Não a permanência do corpo, mas a possibilidade de uma voz encontrar outra voz muitos anos depois. Um verso encontrar outro século. Um violão encontrar outro ouvido. Uma canção atravessar fronteiras, governos, modas, ideologias e mortes sem perder a capacidade de nos reunir.

Os mortos continuam vivos quando alguém ainda os canta.

Os poetas continuam entre nós quando seus versos ainda conseguem abrir uma janela.

E a democracia também é isso: o direito de continuar ouvindo, reinterpretando, discordando, criando e cantando juntos.

Porque nenhuma cultura permanece viva se for transformada em monumento. Ela permanece viva quando pode ser reinventada.

E talvez por isso a música seja uma das formas mais bonitas de liberdade: ela não exige que os mortos concordem com os vivos. Basta que os vivos tenham liberdade para fazê-los cantar novamente.

Pode passar a régua.

A conta não fecha.

A música ficou devendo.

E é exatamente por isso que amanhã alguém ainda vai voltar para ouvi-la.


Música. Poesia. Memória. Democracia.
Porque celebrar a vida eterna é também celebrar aquilo que continua vivo em nós.

Para o Blogger: cole esse conteúdo na aba HTML do editor, não na aba “Escrever/Compor”. Ele não contém page-break, iframe, CSS externo ou elementos que normalmente provoquem quebra artificial de páginas. O texto fica em fluxo contínuo, como uma crônica de blog, e o próprio Blogger fará a adaptação para celular. E o último movimento, acho que ficou no tom certo: não é um epitáfio para os artistas mortos; é justamente o contrário — é uma celebração de que eles continuam trabalhando entre nós toda vez que alguém abre um piano, pega um violão, lê um poema ou canta uma canção. Adriana Calcanhotto - Una Mujer (Ao Vivo) Una Mujer Adriana Calcanhotto Paixão e identidade feminina em “Una Mujer” de Adriana Calcanhotto “Una Mujer”, interpretada por Adriana Calcanhotto, questiona e provoca os conceitos tradicionais de feminilidade ao afirmar que uma mulher que não se entrega ao amor não merece ser chamada de mulher. A letra utiliza comparações diretas, como “una flor que no da aroma” (uma flor que não exala perfume) e “una leña que no sabe arder” (uma lenha que não sabe queimar), para reforçar a ideia de que a essência feminina estaria ligada à capacidade de viver e expressar a paixão. O texto destaca qualidades como ser sonhadora, coquete e ardente, sugerindo que a entrega ao amor é vista como uma característica fundamental da mulher idealizada na canção. A canção também traz a metáfora do “idioma mágico” da paixão, que só pode ser aprendido “con besos” (com beijos), indicando que o amor e o desejo são experiências sensoriais e intuitivas, não apenas racionais. Ao manter a letra original em espanhol, Adriana Calcanhotto demonstra respeito à obra e sua habilidade de transitar entre culturas musicais, valorizando a intensidade e a entrega sugeridas na letra. “Una Mujer” pode ser entendida tanto como uma celebração da paixão feminina quanto como uma provocação aos padrões sociais, questionando o que realmente define uma mulher e sugerindo uma crítica à repressão dos desejos e sentimentos. Identidade feminina Intensidade do amor Crítica social-política Composição: Misraki, Roos Georges.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Uma foto que pode mudar o rumo do hemisfério

O paradoxo do caçula democrático Há uma simbiose indissociável entre a solidez das instituições republicanas e o livre exercício do escrutínio público, uma engrenagem viva que se moveu com precisão na recente entrevista do ministro Gilmar Mendes à jornalista Renata Lo Prete, no g1. O diálogo, travado sob a habitual voltagem das crises de Brasília, evoca uma máxima fundamental para os dias correntes: "É legítimo que se faça a pergunta. E que se esclareça. E que as pessoas respondam." Nessa tríade reside o oxigênio de qualquer sociedade aberta. Historicamente, o Brasil acostumou-se a buscar bombeiros institucionais nos momentos em que o tecido institucional esgarça. Evoca-se, quase por instinto, a mítica conciliação mineira sintetizada no clássico brado: "Chamem o Tancredo!". No entanto, na complexa paisagem política contemporânea, onde o Supremo Tribunal Federal se equilibra entre o papel de guardião da estabilidade democrática e o de vidraça sob severo questionamento, a necessidade de mediação mudou de endereço. O imperativo de conciliação hoje passa, obrigatoriamente, pela prestação de contas à sociedade, sem o filtro protetor dos bastidores. É nesse ponto que sobressai a natureza do fazer jornalístico. Se, por um lado, o Judiciário se vê obrigado a calibrar as fronteiras de sua atuação — enfrentando críticas legítimas sobre a transparência e os limites de inquéritos excepcionais —, por outro, a imprensa cumpre seu papel de fricção necessária. Afinal, como lembra o adágio popularizado, "o jornalismo é filho caçula da democracia". Não há um sem o outro. A legitimidade da Corte não se fragiliza pela contundência das perguntas; ao contrário, é na capacidade de responder a elas que o tribunal se fortalece. As notícias que consumimos em ritmo frenético não nascem no vácuo; são herdeiras diretas dos desdobramentos de ontem e anteontem. Diante de um cenário em que as tensões institucionais se renovam a cada ciclo de vinte e quatro horas, a busca por respostas claras deixa de ser um mero exercício retórico para se tornar uma exigência de sobrevivência republicana. Quando a dinâmica do poder exige esclarecimentos e a sociedade demanda clareza, a ordem velada que ecoa nas redações e nas consciências cidadãs é uma só: chamem a fiscalização, façam a pergunta e exijam o esclarecimento.
Escudo de Trump mira ponto fraco de Lula e cerca as fronteiras do Brasil, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense O crime organizado virou uma patologia no Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) já não são somente quadrilhas dedicadas ao tráfico O beabá da sociologia moderna começa com uma grande provocação de seu criador, Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo e filósofo francês, que forma a santíssima trindade dos pensadores clássicos das ciências sociais com Karl Marx e Max Weber. O seu principal mérito foi emancipar a sociologia como disciplina autônoma, elaborando um método científico próprio e diferenciando-a da psicologia e da filosofia. A provocação foi afirmar que o crime é um fato social normal, em As Regras do Método Sociológico (Martins Fontes). Durkheim não pretendia justificá-lo. Ao contrário, assinalava que nenhuma sociedade conhecida havia eliminado as transgressões e que a reação a elas reafirmava as regras coletivas. Para o sociólogo, o “normal” é todo fenômeno recorrente em sociedades de um mesmo tipo e estágio de desenvolvimento. O “patológico” aparece quando esse fenômeno ultrapassa certos limites e compromete a vida coletiva. A fronteira, portanto, não separa sociedades com crime daquelas sem crime, mas sociedades capazes de fazer valer suas regras diante do crime daquelas em que o poder criminoso passa a disputá-las. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:26:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Renata LoPrete entrevista Gilmar Mendes g1 23 de abr. de 2026 #notícias #g1 HÁ CINCO MESES Aqui está a transcrição completa do texto manuscrito contido na imagem: "É legítimo que se faça a pergunta. E que se esclareça. E que as pessoas respondam. "Chamem a Renata! Palavra de ordem em Minas quando a democracia se sente ameaçada:Chamem o Tancredo! O jornalismo é filho caçula da democracia. As notícias de hoje são as caçulas das de anteontem.
Futuro nunca passou tanto pelo Senado quanto agora, por Maria Cristina Fernandes Valor Econômico Poder dos senadores sobre o mandato dos ministros do STF e sobre a reforma dos tribunais superiores despertou interesse inaudito na disputa A disputa pelo Senado sempre foi a que menos mobilizou o eleitor. Desta vez, é diferente. Não há exatamente entusiasmo pela disputa porque o desalento grassa em todas as campanhas e para todos os cargos. Mas os desatinos do Supremo Tribunal Federal despertaram o interesse pela disputa na Casa que não apenas sabatina e vota os indicados à Corte como também pode definir sua degola. Medir este interesse em pesquisa não é fácil por conta das duas vagas. Nomes que aparecem como segunda ou terceira opções do entrevistado podem acabar aparecendo na liderança pela soma das menções. Ainda que se dê o malefício da dúvida às pesquisas que circulam por aí, há convergência de que este basta ao STF não será suficiente para garantir uma maioria bolsonarista ao Senado. As projeções mais confiáveis indicam um equilíbrio entre Centrão e PL, ficando os partidos mais à esquerda como a terceira força da Casa. A renovação dará, ainda, um peso maior às mulheres. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest
O STF e as eleições, por William Waack O Estado de S. Paulo. Qualquer que seja o resultado eleitoral deste ano, a crise no Supremo vai se ampliar O quatriunvirato que se vê dono do STF provocou a fusão da crise dessa instituição com as eleições, transformadas por eles mesmos em questão existencial quando aberta e publicamente apostaram as fichas em Lula. Trouxeram uma luta pelo poder disputada nas urnas para dentro do STF. A Corte acabou sendo levada pelo mesmo quatriunvirato à condição de símbolo de proteção do patrimonialismo, isto é, quando grupos privados se apropriam do Estado em defesa de interesses próprios. É completa bobagem acreditar que uma derrota de Lula significaria o fim do patrimonialismo, ou do “sistema”, mas é desse jeito que uma enorme parcela do público “sente” a atmosfera política, fulanizada nas figuras dos ministros. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:54:00 Um comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest
STF tem encontro com código de ética, por Carolina Brígido O Estado de S. Paulo A depender das decisões tomadas, Corte poderá evitar ou acelerar interferência externa Passadas as eleições, dois assuntos que foram empurrados para debaixo do tapete vão pautar o Supremo Tribunal Federal. O primeiro é decidir o que fazer com indícios de que ministros receberam vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Em paralelo, Cármen Lúcia anunciou a pessoas próximas que vai apresentar o texto de um código de ética para os integrantes do tribunal. Hoje, a probabilidade de um código ser aprovado no tribunal é mínima. Ainda assim, o presidente Edson Fachin insiste no projeto. A estratégia não é teimosia, mas uma espécie de redução de danos. Para ele, apontar desvios éticos ou indícios de cometimento de crimes dos pares não tira credibilidade do tribunal – ao contrário, mostraria que a Corte tem mecanismos internos capazes de resolver as próprias crises. CONTINUAR LEITURA
Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. 🇧🇷 Tradução para o Português Uma foto que pode mudar o rumo do hemisfério No dia 23 de setembro, quando a ditadora Delcy Rodríguez foi fotografada sorrindo com Donald Trump em Nova York, muitos viram isso como puro espetáculo político. A foto chamativa, a reviravolta inesperada, a curiosidade de ver uma chavista com sua zona de conforto estendida aos EUA. E a apenas alguns quilômetros de onde seu antecessor, Nicolás Maduro, permanece trancado em uma cela. Entender isso como uma excentricidade divertida é um erro. Essa foto não é apenas mais uma imagem. É uma mensagem cifrada com várias camadas, e cada uma delas afeta uma liberdade que, até agora, considerávamos garantida na América Latina. 🇺🇸 Tradução para o Inglês (English Translation) A photo that could change the course of the hemisphere On September 23, when the dictator Delcy Rodríguez was photographed smiling with Donald Trump in New York, many saw it as political showbiz. The flashy photo, the unexpected twist, the curiosity of seeing a Chavista with her comfort zone extended to the US. And just a few miles away from where her predecessor, Nicolás Maduro, remains locked in a cell. Understanding it as an entertaining eccentricity is a mistake. That photo is not just another image. It is a coded message with multiple layers, and every single one of them touches upon a freedom that, until now, we took for granted in Latin America.A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas
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A Teoria da Ferradura (Horseshoe Theory), formulada pelo filósofo e escritor francês Jean-Pierre Faye, é um conceito da ciência política que serve para explicar por que a extrema-esquerda e a extrema-direita muitas vezes se comportam de maneira idêntica, apesar de estarem em lados opostos do espectro ideológico.

🧲 O Conceito Visual e Estrutural

A metáfora é simples e visual:

  • O modelo tradicional: Imagina a política como uma linha reta, onde a esquerda está em uma ponta, o centro no meio e a direita na outra ponta. Quanto mais você se afasta do centro, mais distante fica do lado oposto.
  • O modelo de Faye: Imagina a política como uma ferradura. As duas pontas continuam existindo, mas a linha se curva de tal forma que as extremidades se aproximam e quase se tocam.
[ CENTRO ] / \ [ESQUERDA] [DIREITA] | | | | [EXTREMA] <----> [EXTREMA] ESQUERDA DIREITA (Pontas quase se tocam)

🌐 O Significado Contextual no Texto do Autor

No texto publicado por Nacho Montes de Oca, a teoria é usada para ilustrar a convergência dos extremos. O autor contextualiza o conceito através de três características principais:

  • Nutrição Mútua e Aliança Oculta: O autor afirma que os extremos "não brigam mais, eles se nutrem". Na prática, a extrema-esquerda e a extrema-direita precisam uma da outra para existir, pois usam o medo do "inimigo" para engajar seus seguidores. O texto sugere que, no cenário latino-americano, eles chegaram a um ponto de convergência tão grande que formaram uma "parceria política" para uma "festa populista em estéreo".
  • Aversão ao Pensamento Crítico: Ambos os extremos convergem na rejeição ao debate democrático tradicional, à moderação e à reflexão. Para entrar nessa "festa", o autor diz que é preciso "se agachar para cruzar a entrada", significando que ambos exigem a submissão intelectual e a perda da dignidade dos indivíduos.
  • Métodos Idênticos para Fins Parecidos: Embora os discursos teóricos sejam diferentes (um foca na classe social, o outro no nacionalismo/costumes), na prática, ambos convergem no uso do populismo, do autoritarismo, do ataque às instituições democráticas e no alinhamento com regimes ou elementos criminosos (como sugere um dos comentários do post).

Em resumo, Nacho Montes de Oca utiliza Jean-Pierre Faye para alertar que, ao extremar o discurso, a política deixa de ser um debate de ideias e passa a ser um jogo de espelhos, onde o radical de esquerda e o radical de direita se tornam faces da mesma moeda totalitária.

Use o código com cuidado.
Nacho Montes de Oca no X: "Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores. El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea. Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes. El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre? El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir. Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington. El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita. Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar. Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes. En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no. Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo. Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad. Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder. Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista. Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica. Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta. No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político? Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero. La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta. La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo. Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido. Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos. Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos. Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada. PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre." @nachomdeo Nacho Montes de Oca @nachomdeo Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores. El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea. Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes. El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre? El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir. Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington. El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita. Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar. Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes. En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no. Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo. Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad. Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder. Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista. Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica. Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta. No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político? Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero. La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta. La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo. Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido. Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos. Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos. Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada. PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre.