domingo, 26 de julho de 2026

O Povo como Abstração e o Urubu de Estimação: A Ilusão das Profecias Eleitorais

"791. A civilização se depurará um dia, fazendo desaparecer os males que tenha produzido? — Sim, quando a moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência. O fruto não pode vir antes da flor."
sábado, 25 de julho de 2026 Lula já levou o tetra? Por Thaís Oyama O Globo Os votos que deixaram o candidato do PL parecem estar sendo absorvidos principalmente pelos indecisos A notícia não é boa para Lula. A pesquisa Datafolha divulgada ontem, ao mostrar um cenário inalterado em relação a junho, reforçou uma tendência já detectada por outros institutos. Desde maio, diferentes levantamentos vêm registrando desgaste de Flávio Bolsonaro sem um crescimento correspondente de Lula ou dos demais candidatos. O que a consistência desses dados sugere é que a disputa continua aberta. Os votos que deixaram o candidato do PL parecem estar sendo absorvidos principalmente pelo contingente de indecisos. Para onde eles migrarão a partir de agora é a questão que pode definir a eleição. Para alguns analistas, nem sequer é possível dizer que será Flávio o adversário de Lula num eventual segundo turno. Felipe Nunes, CEO da Quaest, diz que o destino dos votos perdidos pelo candidato do PL dependerá em grande medida do início da campanha, em especial da exposição que Flávio terá nos debates. Isso, naturalmente, se houver debates: até agora, nenhum dos mais bem colocados demonstrou entusiasmo pela ideia. Lula, por não ter nada a ganhar como favorito; Flávio, pela notória dificuldade em enfrentar situações do tipo e porque, quanto mais fica conhecido, maior é sua rejeição. — O brasileiro dá grande importância à performance dos candidatos. Um desempenho muito bom ou muito ruim de um nome pode fazer uma parcela importante do eleitorado mudar seu voto — diz Nunes. O economista Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia, é mais cético quanto à possibilidade de Flávio ser ultrapassado na corrida pelo segundo turno. Pelo Datafolha, Ronaldo Caiado, por exemplo, teria de tomar dele 15 pontos percentuais. Considerando os mais de 40% de desconhecimento do ex-governador, seu reduzido tempo de TV e tempo de campanha, Moura avalia que o goiano só chegaria ao segundo turno na hoje improvável hipótese de Flávio sair do páreo. Assim, a situação mais provável continua sendo uma disputa entre Lula e Flávio — uma contenda de assimetria inédita, a começar pelo peso político dos protagonistas. Lula, qualquer que seja o julgamento que se faça dele, pertence ao minúsculo grupo das figuras incontornáveis da história política brasileira. Em larga medida, as disputas nacionais das últimas quatro décadas se organizaram em torno dele, do partido que fundou e das forças que surgiram para enfrentá-lo — sendo o bolsonarismo a mais recente e eloquente delas. É diante dessa dimensão histórica que a pequenez política de Flávio Bolsonaro se revela em sua plenitude. Senador de trajetória medíocre, o primogênito de Jair chega à convenção do partido sem vice, incapaz de atrair aliados, cercado de denúncias e transformado em candidato por decisão exclusiva do pai. A situação escancara a segunda gritante assimetria da disputa: a diferença de capacidade estratégica das campanhas. Para o PT, disputar eleições é um ofício aperfeiçoado ao longo de 40 anos; para Flávio, tem sido um acúmulo de erros primários — de vídeos desfocados e declarações desastrosas à incapacidade de identificar os segmentos decisivos do eleitorado e falar com eles. Flávio já era o adversário preferido de Lula desde quando não se sabia quem seria o candidato do bolsonarismo. Entende-se agora por quê. A dez semanas da eleição, o petista chega à campanha em trajetória ascendente e com a máquina de governo trabalhando a seu favor em voltagem máxima. Flávio chega ao período decisivo no limite de suas dificuldades. Ainda assim — e essa é a notícia ruim para Lula —, se os votos que abandonaram o filho de Bolsonaro dificilmente migrarão para o petista e tampouco serão suficientes para impulsionar um terceiro nome, restam dois destinos possíveis: converter-se em brancos e nulos ou retornar ao próprio Flávio, que, num eventual segundo turno, pode acabar vitaminado pela polarização. Se hoje Lula avança rumo ao quarto mandato, não está sozinho. O antipetismo — como ele, uma sólida força da política brasileira — segue firme ao seu lado.
sábado, 25 de julho de 2026 A violência onipresente, por Marco Aurélio Nogueira* O Estado de S. Paulo Estamos sem saber como reagir a essa mescla diabólica de violências Quando falamos em violência, vem-nos à mente, antes de tudo, a violência explícita, ostensiva, aquela em que o sangue jorra e vidas são destruídas. Guerras, assassinatos, agressões selvagens, armas de fogo, facas, drones e canhões. Nem sempre consideramos as demais formas de violência que se manifestam em nosso cotidiano. A fome é violenta, assim como as desigualdades e a falta de serviços públicos de qualidade. Há outras, aparentemente pequenas. Não as processamos porque estão normalizadas: convivemos com elas como se fossem paisagens ou eventos entranhados no dia a dia. Violências quase invisíveis, às quais nos habituamos a ponto de as desprezarmos como problema. É o caso do barulho. Podemos assimilá-lo, mas não temos como inocentá-lo. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, ele causa malefícios silenciosos, que nos perturbam e nos tiram a concentração, além, obviamente, de prejudicar nosso descanso e nosso sono. Já há muitos estudos a respeito, nem é preciso insistir no tema. São Paulo é uma cidade sempre em construção, com prédios sendo erguidos sem parar, com caminhões circulando o tempo todo e obras madrugada adentro. Há o zumbido ininterrupto dos aparelhos de ar-condicionado, as algazarras gratuitas, os shows e cultos, os desfiles e paradas. Tem quem não se incomode, que entra na vibe e segue em frente. Outros vestem fones de ouvido com cancelamento de ruído. Pensemos no tempo que se gasta com deslocamentos. Nos horários de pico em São Paulo, pode-se levar quatro horas para ir de um ponto a outro da cidade. Imaginem chegar em casa depois de trabalhar oito horas e gastar mais quatro no ônibus ou no metrô? A pessoa sofre simplesmente porque precisa circular. Vai brincar com os filhos, relaxar, preparar o jantar? O barulho e o tempo gasto nem sempre são tratados como violência, e sim como um mal necessário, do tipo que não tem como ser controlado ou evitado. Não deveriam ser vistos como algo normal. Falase em São Paulo: se você quer silêncio, mude-se para o interior, vá para uma cidade pequena ou uma casa no campo. A violência ostensiva está mais perto do cotidiano do que imaginamos. Assaltos à mão armada, furtos, assédios, chantagens, acidentes de trânsito, feminicídios, estupro de crianças e adolescentes, brigas de torcedores, gritos racistas ou homofóbicos, balas perdidas. Palavras e gestos também podem agredir. O bullying e o cyberbullying, que são crescentes, entram fácil nesse rol. Todos são atos que compõem a primeira face da violência explícita, igualmente perigosa e repulsiva. Embora possam ser, em parte, atenuados com acréscimos de escolarização, educação cívica e campanhas de conscientização, nenhum deles pode ser normalizado. A segunda face abre-se toda para o mundo do crime. Ele é diversificado, clandestino, mas também anda pelas ruas. As facções criminosas são violentas por definição. Combatem-se umas às outras, matam policiais que as enfrentam, civis e “doleiros” com quem colaboram, fazem pactos de sangue. Usam o território nacional para atravessar armas e drogas trazidas do Paraguai, da Bolívia, da Colômbia e do Peru, para fazê-las chegar à Ásia e à Europa. É um repto à soberania nacional. Violentam o Estado de Direito quando hackeiam sistemas digitais brasileiros. Violentam a população quando ocupam territórios comunitários para neles instalar seus bunkers e suas plataformas de serviços. É inaceitável que tais territórios não sejam desocupados e devolvidos aos verdadeiros donos. O crime organizado também violenta quando corrompe policiais, políticos, juízes, banqueiros. Como o Brasil não dispõe de uma política de segurança pública e de uma força especializada no combate ao crime, ele rola solto. Operando em rede e por células, está sempre a se reproduzir e a desafiar quem o confronta. A violência policial desmedida e seletiva integra essa segunda face, como se fosse cópia do que fazem os criminosos. As diferentes violências devem, evidentemente, ser hierarquizadas. Algumas são mais graves e complexas do que outras. No limite, implicarão o uso da força, um aparato de inteligência e de informações, o apoio das Forças Armadas. As mais corriqueiras passam por ajustes educacionais e pela recomposição de laços sociais desfeitos pelo ritmo alucinante da vida e pelo uso intensivo de telas e redes sociais. Mas todas são violências a serem combatidas pelos meios que estiverem ao nosso alcance. Na verdade, estamos sem saber como reagir a essa mescla diabólica de violências. Num ano eleitoral, seria lógico que os candidatos falassem a respeito de modo substantivo, para esclarecer a opinião pública e sugerir passos concretos para que a segurança tenha um lugar ao sol no futuro próximo. Podemos esperar que o façam? O direito à segurança é básico e essencial. As coisas não podem ser deixadas ao deus dará, porque fazem sangrar a sociedade inteira e conspiram contra o progresso, a produtividade, a tranquilidade, a justiça, o Estado Democrático e republicano. *Professor titular de Teoria Política da Unesp
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TÍTULO: O MESTRE DA CURVATURA DA TERRA E A BALANÇA DA JUSTIÇA

PERSONAGENS:
MINISTRO KASSIO NUNES MARQUES: Juiz piauiense, elegante, terno bem cortado, postura formal, mas com um olhar que entrega a familiaridade com o sotaque da terra. Ri "amarelo" quando a formalidade jurídica bate de frente com a realidade nua e crua.
O CONSULTOR (MISTE CÁ) / O CABEÇA CHATA: Engenheiro estrutural, piauiense da gema, cabeça ligeiramente achatada (“efeito do calor do Trópico”, segundo ele). Veste um paletó de linho amassado sobre uma camisa sem gravata. Olhar faiscante, raciocínio na velocidade da luz e um humor que corta o protocolo como faca em manteiga.

CENÁRIO:
Antecâmara do gabinete do Ministro no TSE. Uma mesa de jacarandá reluzente. De um lado, pilhas de processos eleitorais. Do outro, uma lousa branca improvisada que o Consultor trouxe debaixo do braço, já rabiscada com equações de Gauss e um desenho de uma rapadura.

(A ação começa ao modo pirandelliano: o Consultor entra quebrando a quarta parede, olhando para o público/leitores, ajustando os óculos na ponta do nariz).

CONSULTOR: (Para o público) Vocês olham para esta cabeça ligeiramente achatada no topo e pensam: "Lá vem mais um carregador de piano". Engano de quem confunde volume com densidade! Minha assimetria craniana é contingência geográfica, meu povo. É o peso do Trópico de Capricórnio que esmaga os fracos, mas compacta o cérebro dos fortes. Sou engenheiro de estruturas. Se eu errar o cálculo, o teto cai na cabeça do inocente. Se o Ministro errar a estatística, cai a República. E entre o teto e a República, o peso é quase o mesmo!

(O Ministro Kassio entra, segurando uma pasta. Olha para o Consultor, depois para o público, confuso com a metalinguagem).

MINISTRO KASSIO: (Tossindo discretamente) Hum... Meu caro conterrâneo. O senhor já está despachando com o além? O pleito de 2026 está batendo à porta, a segurança das urnas é o tema da vez, e o senhor conversando com as paredes?

CONSULTOR: (Virando-se, abrindo os braços) Ministro, meu conterrâneo de Teresina! Eu não conversava com as paredes, conversava com a História! Mas venha cá, sente aí na sua cadeira de couro legítimo que o assunto hoje é sério. O senhor me chamou porque quer blindar os números da eleição de 2026, correto? Quer saber se o resultado que sai da urna é "sagrado".

MINISTRO KASSIO: Exatamente. No meio jurídico, buscamos a verdade real. Mas na boca do povo, e na tribuna dos partidos, as palavras voam. Eles confundem tudo. Quero que o senhor me explique, com a solidez da sua engenharia, a diferença exata entre Acurácia e Precisão. O Tribunal precisa dessa distinção técnica para os relatórios.

CONSULTOR: (Dá uma risadinha franca, bate no topo da própria cabeça) Ah, Kassio... posso te chamar de Kassio aqui no privado, né? Lá fora eu te chamo de Excelência. Veja bem, o direito gosta de palavras bonitas que cobrem o vazio. A engenharia gosta de números feios que sustentam o concreto. Vamos ao quadro!

(O Consultor pega um pincel atômico. Desenha um alvo de dardos clássico na lousa. Desenha três pontinhos colados um no outro, bem na borda externa do alvo, longe do centro).

CONSULTOR: Imagine que o senhor vai caçar preá no sertão com uma espingarda velha. O senhor dá três tiros. Os três tiros pegam exatamente no mesmo lugar: na orelha de uma vaca que estava a dez metros do preá. O senhor foi preciso? Foi! Teve uma precisão cirúrgica. Errou o alvo todas as vezes exatamente do mesmo jeitinho, com o mesmo desvio padrão. Isso é Precisão: repetibilidade, consistência no erro!

MINISTRO KASSIO: (Dá um riso amarelo, ajeita a gravata) Deus me livre... Se o TSE for "preciso" desse jeito, nós legitimamos o erro de forma consistente. O tribunal vira uma máquina de errar igual.

CONSULTOR: Exatamente! Agora olhe o outro lado. (Desenha outro alvo. Três pontinhos espalhados: um em cima, um embaixo, um na esquerda, todos longe do centro, mas se você tirar a média geométrica deles, o centro exato do desenho fica no meio).

CONSULTOR: O senhor dá mais três tiros. Um acerta o céu, outro acerta o chão, outro acerta o rabo do jumento. Na média... na média estatística, o preá morreu de susto no centro. Isso é Acurácia sem precisão. Você está perto da verdade na média geral, mas cada tiro individual é uma tragédia!

MINISTRO KASSIO: (Preocupado, coça a testa) Cruzes... Na eleição não pode ter "média de susto". Um voto para o candidato A não pode compensar um erro no candidato B na média final. Onde fica o ideal?

CONSULTOR: (Garante com o dedo indicador para cima) O ideal, meu nobre Ministro, é o que nós fazemos na engenharia de pontes e o que o TSE tem que fazer em 2026: Acurácia E Precisão juntas! (Desenha três pontos cravados exatamente na mosca do alvo). É acertar o preá no olho (acurácia) e fazer isso as cem vezes que o senhor atirar (precisão).

MINISTRO KASSIO: Entendi. A acurácia é a proximidade do valor real, e a precisão é a proximidade dos resultados entre si. Mas e os "outros bichos" que o senhor mencionou na proposta de consultoria?

CONSULTOR: Ah, os outros bichos! O bicho mais perigoso da estatística eleitoral chama-se "Viés" ou Bias, para os íntimos de Harvard. O viés é aquele erro sistemático, a calibração torta. Sabe quando a balança do mercado já começa marcando 100 gramas antes de você botar a carne?

MINISTRO KASSIO: Sei... o famoso "peso do papel de embrulho".

CONSULTOR: Pois é. Se o sistema tiver um viés, não importa si você rodar o algoritmo uma vez ou um milhão de vezes, ele vai errar sempre para o mesmo lado. Por isso, na minha terra, para testar se uma calçada está reta, a gente não confia só no nível de bolha do pedreiro que tomou uma cachaça. A gente joga uma bacia d'água. A água não tem viés ideológico, Kassio! Ela corre para onde a gravidade manda. O nosso trabalho aqui no TSE em 2026 é sermos a bacia d'água.

MINISTRO KASSIO: (Sorri, captando o espírito da coisa, mas mantendo a postura) Uma metáfora hidráulica para o processo eleitoral. Interessante. Mas me diga uma coisa, Consultor... e o fator humano? Como a estatística prevê o imponderável? O eleitor que muda de ideia na cabine, o boato de WhatsApp de última hora?

CONSULTOR: (Gargalha, batendo na mesa de jacarandá) Aí o senhor tocou no cálculo estrutural da alma humana! Na engenharia, a gente usa o Coeficiente de Cagaço... desculpe o termo, Excelência, no relatório eu escrevo "Fator de Segurança". Se uma viga aguenta uma tonelada, a gente projeta ela para aguentar quatro. Por quê? Porque sempre tem um abençoado que vai inventar de fazer uma festa de casamento em cima da viga.

MINISTRO KASSIO: (Dando o maior riso amarelo do dia) Fator de segurança... anotado. Vamos adotá-lo nos sistemas de contingência.

CONSULTOR: (Sério, olhando nos olhos do Ministro) Brincadeiras à parte, meu conterrâneo. A matemática é a única coisa que separa a civilização do caos. O Piauí nos deu a resiliência para aguentar o calor e a cabeça chata para aguentar a pressão. Use a acurácia para garantir que cada voto seja ele mesmo; use a precisão para provar que o sistema funciona hoje, amanhã e sob auditoria; e use o fator de segurança para os dias de tempestade política.

MINISTRO KASSIO: (Levanta-se, estende a mão) Excelente primeira entrevista, Consultor. O senhor me convenceu. Só peço que, nas reuniões plenárias com os outros ministros, o senhor reduza um pouco as menções a preás, jumentos e coeficientes de nomes impublicáveis.

CONSULTOR: (Pega a lousa debaixo do braço, pisca para o público) Fechado, Ministro! No plenário eu falo em Laplace, Gauss e Distribuição de Poisson. Mas aqui no gabinete, a gente sabe que o que segura o teto é o bom e velho cimento armado com uma pitada de malícia piauiense!

(O Consultor sai de cena assobiando. O Ministro Kassio olha para a lousa, suspira, limpa o suor da testa e volta aos processos).

FIM DO ESQUETE

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Rascunho

RASCUNHOS INAUGURAIS

Por Gustavo Franco

"A ilusão fiscal crônica é o ópio de governos que preferem gastar o futuro a enfrentar o presente."
— Armínio Fraga

I. O Real e o Labirinto da Memória: 32 Anos Depois

Recebi o convite da editoria do Valor Econômico para revisitar as origens do Plano Real com a incômoda certeza de que o passado, no Brasil, é um bicho instável. Quando olho para trás, vejo o grupo que se reuniu no Ministério da Fazenda em 1993 não como um panteão de heróis de bronze, mas como uma bancada de operários da teoria econômica, cansados de ver o país naufragar em planos mirabolantes. Fomos chamados de "a turma da PUC-Rio", um rótulo que carregava tanto de elogio técnico quanto de ranço político.

Mas a verdade é que o Real não nasceu em uma torre de marfim acadêmica; ele foi moldado no choque bruto entre a inflação inercial e a engenharia tributária, cambial e monetária.

O Real foi, antes de tudo, um exercício de desobediência civilizada contra o consenso da época. Nós vínhamos de uma sequência trágica de congelamentos de preços e confiscos que destruíram a poupança popular. Nossa premissa — gestada nos debates da PUC com Persio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha e Pedro Malan — era rigorosamente oposta: o preço não era o vilão, o indexador era.

A criação da URV (Unidade Real de Valor) foi a nossa vacina contra a inércia. Ela funcionou como uma moeda paralela e intangível, permitindo que a sociedade brasileira convertesse seus preços voluntariamente, sem o trauma da canetada estatal. Foi um truque de mágica psicológica ancorado em uma disciplina fiscal implacável.

Muitos críticos da época, e alguns historiadores de hoje, gostam de pintar a estabilização como um subproduto do cenário internacional ou de uma âncora cambial excessivamente rígida. Discordo frontalmente. A transição do governo Itamar Franco para a era Fernando Henrique Cardoso exigiu uma blindagem política que poucos economistas operacionais conseguiriam sustentar sozinhos.

Nós operávamos o Banco Central e o Ministério da Fazenda com um olho no balanço de pagamentos e o outro no Congresso Nacional. A estabilidade não é um evento que se encerra no dia da troca da moeda; ela é um processo diário de defesa das instituições monetárias contra o populismo fiscal.

Hoje, três décadas após aquela virada histórica, o Real enfrenta o teste do tempo e a constante tentação do retrocesso. O maior legado daquela equipe da PUC-Rio não foi apenas o fim da hiperinflação, mas a introdução de uma cultura de responsabilidade que o Brasil insiste em tentar esquecer.

Escrever sobre o Real para o público do Valor não é um exercício de nostalgia ou de autoelogio acadêmico. É um alerta sussurrado ao pé do ouvido da história: a moeda forte é o único patrimônio real dos invisíveis e dos vulneráveis. Quem brinca com o equilíbrio fiscal joga fora a maior conquista social da nossa geração.

II. O Povo como Abstração e o Urubu de Estimação

Há um parentesco incômodo entre certas práticas da nossa atual política econômica e as crônicas que Machado de Assis publicava no final do século XIX. O nosso maior bruxo, que conhecia as entranhas da burocracia e as manhas da nossa elite como ninguém, cansou de ver governantes verbalizarem o conceito de “povo” com uma salivação incontrolável, quase mística, enquanto, nos bastidores, os decretos serviam estritamente para consolidar privilégios herdados.

O "povo", nas bocas que hoje comandam o debate público, não é uma soma de indivíduos de carne, osso e bolso castigados; é uma convenção retórica vazia, um biombo moral usado para justificar o injustificável.

Recentemente, em entrevista de fôlego às Páginas Amarelas da revista Veja, disparou-se um alerta ácido que deveria ecoar não apenas nos gabinetes de Brasília, mais ainda nos tapetes escuros das grandes instituições financeiras. Há uma complacência cínica no ar.

Enquanto o discurso oficial se veste com os trapos de um populismo distributivo de mentira, as mesas de operação celebram o beneplácito indiferente de um governo que entrega juros reais estratosféricos e rolagens de dívida confortáveis. É o milagre da multiplicação dos discursos: saliva-se o "social" na tribuna para que as bancas financeiras se locupletem em silêncio no balcão.

O silêncio cúmplice do mercado diante da deterioração fiscal é o preço que se paga pela captura consentida.

Essa dinâmica nos empurrou para uma verdadeira mixórdia administrativa e conceitual. A desordem é tamanha, o pragmatismo fisiológico é tão rasteiro, que no jargão popular — seja no calor das esquinas cariocas ou na malandragem clássica do Bixiga paulistano — o governo já está chamando “urubu de meu louro”.

Passou-se da fase de mascarar os problemas para a fase de adotá-los com orgulho. Déficits crônicos viraram virtude; o inchaço da máquina pública é vendido como investimento; e o teto de gastos, outrora uma âncora, virou uma peça de ficção de mau gosto.

Quando a contabilidade pública passa a tratar a ave de rapina do rombo fiscal como se fosse o papagaio doméstico da responsabilidade, o limite do bom senso já foi ultrapassado.

Machado de Assis entendia de economia política muito mais do que supõe a nossa vã academia. Ele sabia que o pior tipo de elite é aquela que terceiriza a culpa da inflação e do atraso para as forças ocultas do mercado, enquanto extrai até a última gota de suor da classe média e dos vulneráveis por meio do imposto inflacionário e da asfixia tributária.

A história nos ensina que a engenharia monetária do Real não tolerava esse tipo de mistificação. Chamar o urubu da irresponsabilidade fiscal de "meu louro" não muda o seu apetite destruidor.

Cedo ou tarde, a realidade cobra o preço da saliva gasta em falso nome do povo, e o banquete das illusions sempre termina com a conta sendo paga pelos mesmos invisíveis de sempre.

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RascunhoRASCUNHOS INAUGURAISPor Gustavo Franco"A ilusão fiscal crônica é o ópio de governos que preferem gastar o futuro a enfrentar o presente."— Armínio FragaI. O Real e o Labirinto da Memória: 32 Anos DepoisRecebi o convite da editoria do Valor Econômico para revisitar as origens do Plano Real com a incômoda certeza de que o passado, no Brasil, é um bicho instável. Quando olho para trás, vejo o grupo que se reuniu no Ministério da Fazenda em 1993 não como um panteão de heróis de bronze, mas como uma bancada de operários da teoria econômica, cansados de ver o país naufragar em planos mirabolantes. Fomos chamados de "a turma da PUC-Rio", um rótulo que carregava tanto de elogio técnico quanto de ranço político. Mas a verdade é que o Real não nasceu em uma torre de marfim acadêmica; ele foi moldado no choque bruto entre a inflação inercial e a engenharia tributária, cambial e monetária.O Real foi, antes de tudo, um exercício de desobediência civilizada contra o consenso da época. Nós vínhamos de uma sequência trágica de congelamentos de preços e confiscos que destruíram a poupança popular. Nossa premissa — gestada nos debates da PUC com Persio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha e Pedro Malan — era rigorosamente oposta: o preço não era o vilão, o indexador era. A criação da URV (Unidade Real de Valor) foi a nossa vacina contra a inércia. Ela funcionou como uma moeda paralela e intangível, permitindo que a sociedade brasileira convertesse seus preços voluntariamente, sem o trauma da canetada estatal. Foi um truque de mágica psicológica ancorado em uma disciplina fiscal implacável.Muitos críticos da época, e alguns historiadores de hoje, gostam de pintar a estabilização como um subproduto do cenário internacional ou de uma âncora cambial excessivamente rígida. Discordo frontalmente. A transição do governo Itamar Franco para a era Fernando Henrique Cardoso exigiu uma blindagem política que poucos economistas operacionais conseguiriam sustentar sozinhos. Nós operávamos o Banco Central e o Ministério da Fazenda com um olho no balanço de pagamentos e o outro no Congresso Nacional. A estabilidade não é um evento que se encerra no dia da troca da moeda; ela é um processo diário de defesa das instituições monetárias contra o populismo fiscal.Hoje, três décadas após aquela virada histórica, o Real enfrenta o teste do tempo e a constante tentação do retrocesso. O maior legado daquela equipe da PUC-Rio não foi apenas o fim da hiperinflação, mas a introdução de uma cultura de responsabilidade que o Brasil insiste em tentar esquecer. Escrever sobre o Real para o público do Valor não é um exercício de nostalgia ou de autoelogio acadêmico. É um alerta sussurrado ao pé do ouvido da história: a moeda forte é o único patrimônio real dos invisíveis e dos vulneráveis. Quem brinca com o equilíbrio fiscal joga fora a maior conquista social da nossa geração.II. O Povo como Abstração e o Urubu de EstimaçãoHá um parentesco incômodo entre certas práticas da nossa atual política econômica e as crônicas que Machado de Assis publicava no final do século XIX. O nosso maior bruxo, que conhecia as entranhas da burocracia e as manhas da nossa elite como ninguém, cansou de ver governantes verbalizarem o conceito de “povo” com uma salivação incontrolável, quase mística, enquanto, nos bastidores, os decretos serviam estritamente para consolidar privilégios herdados. O "povo", nas bocas que hoje comandam o debate público, não é uma soma de indivíduos de carne, osso e bolso castigados; é uma convenção retórica vazia, um biombo moral usado para justificar o injustificável.Recentemente, em entrevista de fôlego às Páginas Amarelas da revista Veja, disparou-se um alerta ácido que deveria ecoar não apenas nos gabinetes de Brasília, mais ainda nos tapetes escuros das grandes instituições financeiras. Há uma complacência cínica no ar. Enquanto o discurso oficial se veste com os trapos de um populismo distributivo de mentira, as mesas de operação celebram o beneplácito indiferente de um governo que entrega juros reais estratosféricos e rolagens de dívida confortáveis. É o milagre da multiplicação dos discursos: saliva-se o "social" na tribuna para que as bancas financeiras se locupletem em silêncio no balcão. O silêncio cúmplice do mercado diante da deterioração fiscal é o preço que se paga pela captura consentida.Essa dinâmica nos empurrou para uma verdadeira mixórdia administrativa e conceitual. A desordem é tamanha, o pragmatismo fisiológico é tão rasteiro, que no jargão popular — seja no calor das esquinas cariocas ou na malandragem clássica do Bixiga paulistano — o governo já está chamando “urubu de meu louro”. Passou-se da fase de mascarar os problemas para a fase de adotá-los com orgulho. Déficits crônicos viraram virtude; o inchaço da máquina pública é vendido como investimento; e o teto de gastos, outrora uma âncora, virou uma peça de ficção de mau gosto. Quando a contabilidade pública passa a tratar a ave de rapina do rombo fiscal como se fosse o papagaio doméstico da responsabilidade, o limite do bom senso já foi ultrapassado.Machado de Assis entendia de economia política muito mais do que supõe a nossa vã academia. Ele sabia que o pior tipo de elite é aquela que terceiriza a culpa da inflação e do atraso para as forças ocultas do mercado, enquanto extrai até a última gota de suor da classe média e dos vulneráveis por meio do imposto inflacionário e da asfixia tributária. A história nos ensina que a engenharia monetária do Real não tolerava esse tipo de mistificação. Chamar o urubu da irresponsabilidade fiscal de "meu louro" não muda o seu apetite destruidor. Cedo ou tarde, a realidade cobra o preço da saliva gasta em falso nome do povo, e o banquete das illusions sempre termina com a conta sendo paga pelos mesmos invisíveis de sempre.💡
1) "Uma vez USP, uspiano até PUC-Rio renascer como Paloma!" 2) “Em entrevista à Revista Veja, o economista Armínio Fraga contesta a narrativa de austeridade do Ministério da Fazenda, classificando a gestão atual como desastrosa e com forte semelhança ao descontrole fiscal da era Dilma. Fraga argumenta que as ações da equipe econômica, sob liderança de Durigan e Ceron, representam uma maquiagem contábil que ignora sinais de recessão, como o encurtamento da dívida e a asfixia do crédito. Leia a entrevista completa em Revista Veja.” 3) "sábado, 25 de julho de 2026 'Efeito Gabrielli' mostra o velho na política de Lula, por Adriana Fernandes Folha de S. Paulo Durigan foi escalado para atuar como bombeiro após conversas de bastidor de coordenador de programa de governo Mas se quiser convencer, ministro da Fazenda deveria dar pistas mais claras do que pode vir por aí Substituto de Fernando Haddad na Fazenda, Dario Durigan atuou como bombeiro na campanha para a reeleição do presidente Lula, na tentativa de apagar os ruídos provocados por conversas de bastidores de representantes da Faria Lima com Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo. O ministro buscou consertar o "efeito Gabrielli" ao afirmar que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Para completar, disse que vai "melhorar o fiscal, custe o que custar" ao defender medidas para conter as despesas obrigatórias. Só a necessidade de dar explicações para contrapor o que disse Gabrielli sobre questões tão básicas a fim de evitar que o caldo entorne em 2027 mostra que a divisão no governo sobre os rumos da política econômica segue presente. Haddad encarou essa disputa. É por isso que as palavras de Durigan soam vazias para os analistas que buscam respostas sobre como será a economia num eventual quarto mandato de Lula. As declarações revelam o que há de retrógrado no governo: a aposta em medidas que deram errado e que fecham as portas para o novo. Não há espaço nem para discutir inovações com o objetivo de cortar despesas que são ineficientes. É desolador que a essa altura achem que consertar as contas públicas não é prioridade, mas sim submissão ao mercado, e que o problema seja a "centralidade da política de juros", como sugeriu Gabrielli. Faltando poucos meses para as eleições, ninguém acha que Durigan vai dizer o que pretende fazer para corrigir os problemas das contas públicas com medidas amargas. Certamente o ministro não repetirá Paulo Guedes, que nas eleições de 2022 enviou um projeto de Orçamento para o primeiro ano do governo eleito sem recursos para programas importantes, como o Farmácia Popular, e depois avisou que precisaria adotar medidas duras para refazer a peça orçamentária. Se quiser convencer, Durigan deveria dar pistas claras do que pode vir por aí. Para começar, precisa conter o pacote de bondades eleitorais, que não acaba. O alargamento do socorro às empresas afetadas pelo tarifaço é a prova disso." 4) "Congresso em Foco: E-mail Whatsapp Telegram Google News MUDANÇA NA ESPLANADA Quem é Dario Durigan, o "CEO" da Fazenda cotado para suceder Haddad Atual número 2 da equipe econômica e homem de confiança de Haddad, Durigan deve assumir a Fazenda com a missão de manter a política fiscal do governo em ano eleitoral. Congresso em Foco 17/3/2026 13:35 COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda esperada para os próximos dias, Dario Durigan desponta como o nome mais provável para assumir o comando da pasta. O próprio ministro já sinalizou que seu atual secretário-executivo é um nome natural para a sucessão, embora tenha ressaltado que a decisão final cabe ao presidente Lula. Nos bastidores, a eventual troca é tratada como a opção de continuidade da política econômica do terceiro mandato de Lula. A movimentação ocorre no momento em que o PT e o Palácio do Planalto trabalham para lançar Haddad ao governo de São Paulo. O ministro resistiu por meses à ideia de disputar a eleição, mas acabou sendo pressionado por Lula e pelo partido a enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, em uma disputa vista como estratégica para garantir ao presidente um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. Pelas regras eleitorais, ministros que pretendam concorrer em outubro precisam observar o prazo de desincompatibilização, que vence em 4 de abril. Durigan é homem de confiança de Fernando Haddad. Se for confirmado no ministério, deve dar continuidade ao trabalho do atual ministro. Durigan é homem de confiança de Fernando Haddad. Se for confirmado no ministério, deve dar continuidade ao trabalho do atual ministro.Gabriela Biló/Folhapress O número 2 da Fazenda Se a confirmação vier, Durigan chegará ao cargo como o "copiloto" de Haddad. Ele é secretário-executivo da Fazenda desde junho de 2023, quando substituiu Gabriel Galípolo, então indicado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central. Na prática, ocupa o posto de número 2 da pasta e já vinha sendo preparado para assumir mais protagonismo, tanto na gestão interna quanto na interlocução com outras áreas do governo e com o mercado. Dario Durigan é chamado nos bastidores de "CEO" da Fazenda porque, como secretário-executivo, exerce na prática o papel de gestor da engrenagem interna do ministério. É ele quem organiza fluxos, distribui tarefas, cobra entregas, centraliza informações e ajuda a transformar decisões políticas em execução administrativa. O apelido resume a imagem de Durigan como o operador que faz a máquina do ministério funcionar no dia a dia, mesmo sem ser o titular do cargo. Formação fora do figurino clássico O secretário-executivo nasceu em Bebedouro (SP), a 250 km da capital paulista, e tem 41 anos. Sua formação acadêmica foge ao perfil tradicional de ministro da Fazenda. Ele é advogado, formado em Direito pela USP, com mestrado pela UnB. Sua trajetória está mais ligada a políticas públicas, articulação institucional e desenho jurídico de políticas econômicas do que à economia acadêmica ou ao mercado financeiro tradicional. Ainda assim, esse perfil híbrido ajuda a explicar por que ganhou espaço dentro da equipe de Haddad: é visto como operador técnico, gestor e negociador, mais do que como formulador econômico de perfil clássico. Nesse ponto, ele se aproxima de outros ministros da Fazenda que não vinham da formação econômica tradicional. Fernando Henrique Cardoso era sociólogo; Antonio Palocci, médico. Haddad, por sua vez, é advogado e doutor em filosofia, embora tenha também mestrado em economia. Trajetória no setor público e relação com Haddad Antes da Fazenda, Durigan acumulou passagens por postos importantes da burocracia federal e da política paulista. Trabalhou na Casa Civil da Presidência entre 2011 e 2015, no governo Dilma Rousseff, em temas jurídicos e estratégicos. Depois, foi assessor especial de Haddad na Prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016, em funções ligadas à coordenação entre secretarias e à interlocução com a Câmara Municipal. Também passou pela Advocacia-Geral da União e, fora do governo, chefiou a área de políticas públicas do WhatsApp no Brasil entre 2020 e 2023. Essa trajetória ajuda a desenhar seu perfil político. Durigan é menos eleitoral e menos partidário do que Haddad, mas é profundamente integrado à rede de confiança do ministro e do Planalto. Sua passagem pela prefeitura paulistana consolidou a relação com Haddad; a ida à Fazenda transformou essa confiança em poder de gestão. O que ele pensa No conteúdo das falas públicas, Durigan aparece como defensor de uma linha de continuidade com viés fiscalista moderado. Em março deste ano, afirmou que a situação fiscal do país "melhorou muito" nos últimos três anos e defendeu uma estratégia de "gradualismo" para garantir estabilidade econômica. Na mesma fala, vinculou essa estratégia à revisão de benefícios fiscais, à preservação da trajetória de crescimento e à implementação da reforma tributária. Também há um traço moralizante em suas posições mais recentes. No início de março, Durigan defendeu que a reforma administrativa "deve começar no andar de cima", com regulamentação nacional dos supersalários e limitação de penduricalhos. Na agenda tributária, o secretário-executivo tem sido um porta-voz fiel da linha Haddad. Em outubro de 2025, disse que a gestão da Fazenda queria deixar como legado três pilares: "soberania, combate ao crime organizado e justiça tributária". Nessa formulação, justiça tributária significa tributar melhor a renda e o patrimônio, aliviar o peso sobre salários e sustentar medidas como a tributação de offshores, fundos exclusivos, apostas on-line e a revisão de incentivos fiscais. Nome de continuidade Esse perfil tende a ser bem recebido por parte do mercado justamente por sinalizar previsibilidade. Como Durigan já participa diretamente da implementação do arcabouço fiscal e da reforma tributária, sua eventual nomeação é lida como continuidade, não como ruptura. Ao mesmo tempo, esse pode ser seu principal desafio: se assumir, herdará uma pasta poderosa em ano eleitoral, mas sem o mesmo capital político de Haddad para arbitrar conflitos, negociar impasses com o Congresso e resistir a pressões por gasto. É por isso que, em Brasília, ele costuma ser descrito como o "CEO" do ministério: alguém que conhece a máquina, domina o fluxo decisório e fala a linguagem técnica sem romper com a lógica política do governo." 5) “Essa é uma referência histórica clássica ao debate econômico brasileiro! A menção à USP (Universidade de São Paulo) e à PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) evoca a tradicional — e muitas vezes acalorada — disputa intelectual entre as duas maiores escolas de pensamento econômico do país, que moldaram as políticas públicas nas últimas décadas.O Embate das EscolasA Tradição Uspiana: Historicamente ligada ao desenvolvimento nacional, à Unicamp e a correntes heterodoxas ou estruturalistas. Formou economistas que olham muito para o papel do Estado na indução do crescimento e na distribuição de renda. É a escola que moldou grande parte do pensamento econômico do PT, de Guido Mantega a Fernando Haddad (embha Haddad transite por uma linha mais pragmática).A Escola da PUC-Rio: O berço da ortodoxia e do liberalismo social no Brasil. Foi lá que se consolidou o pensamento que gerou o Plano Real, com nomes como Armínio Fraga, Pedro Malan, Gustavo Franco e Edmar Bacha. O foco sempre esteve na responsabilidade fiscal, controle da inflação, eficiência de mercado e reformas estruturais."Até PUC-Rio renascer como Paloma!"A metáfora do "renascer como Paloma" carrega uma ironia fina sobre a teimosia dos debates macroeconômicos no Brasil. Ela sugere que, para um autêntico "uspiano" de convicção, as teses ortodoxas e os economistas formados na Gávea (PUC-Rio) só teriam apelo ou validade se passassem por uma metamorfose completa — ou se o próprio cenário econômico mudasse de tal forma que a velha polarização deixasse de fazer sentido.Na prática do Ministério da Fazenda atual, vemos exatamente esse cabo de guerra: os técnicos de formação mais flexível precisando adotar e executar as metas de austeridade que os economistas da PUC-Rio (como Armínio Fraga) cobram do lado de fora, enquanto a militância mais tradicional à esquerda chia contra o que chamam de "ortodoxia disfarçada".” 6) “O que mudou de 2006 para 2026?O cenário político brasileiro passou por transformações profundas que inviabilizam uma repetição exata daquela dinâmica. As principais mudanças estruturais incluem:1. Fim da hegemonia PSDB x PT e a ascensão do BolsonarismoEm 2006: A disputa ocorria entre duas forças tradicionais (PT e PSDB) dentro de uma lógica de centro-esquerda versus centro-direita institucional.Em 2026: O polo opositor mudou totalmente de mãos. O PSDB perdeu protagonismo e a direita passou a ser liderada pela força ideológica do bolsonarismo, hoje representada no cenário nacional por nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).2. Níveis inéditos de polarização e rejeiçãoEm 2006: Havia maior migração e volatilidade de votos entre as rodadas. Lula conseguiu avançar sobre o eleitorado moderado no segundo turno.Em 2026: Os dados do Datafolha mostram um eleitorado cristalizado e altos índices de rejeição cruzada (acima de 45% para os principais líderes), reduzindo o espaço para viradas drásticas.3. Mudança na dinâmica de São PauloEm 2006: O PSDB paulista funcionava de forma independente e buscava uma identidade de eficiência gerencial.Em 2026: O governo do estado de São Paulo está diretamente acoplado à engrenagem da direita nacional, servindo como a principal vitrine executiva e base logística para as candidaturas de oposição ao Palácio do Planalto.A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas”

sábado, 25 de julho de 2026

CIVILIZAÇÃO: LEI DO PROGRESSO

"Eu disse: General, quem não lê inglês, não entende meu trabalho em português." Paulo Vanzolini diz não gostar de sua famosa composição "Ronda" (bloco 1) O LIVRO DOS ESPÍRITOS | Perguntas (790-793) Civilização - Allan Kardec IV – Civilização (Perguntas 790 a 793) – O Livro dos Espíritos Cap. 8 - Lei do Progresso 790. A civilização é um progresso, ou, segundo alguns filósofos, uma decadência da Humanidade? — Progresso incompleto, pois o homem não passa subitamente da infância à maturidade. 790-a. É razoável condenar-se a civilização? — Condenai antes os que abusam dela e não a obra de Deus. 791. A civilização se depurará um dia, fazendo desaparecer os males que tenha produzido? — Sim, quando a moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência. O fruto não pode vir antes da flor. 792. Porque a civilização não realiza imediatamente todo o bem que ela poderia produzir? — Porque os homens ainda não se encontram em condições, nem dispostos a obter esse bem. 792-a. Não seria ainda porque, criando necessidades novas, ela excita novas paixões? — Sim, e porque todas as faculdades do Espírito não progridem ao mesmo tempo; é necessário tempo para tudo. Não podeis esperar frutos perfeitos de uma civilização incompleta. (Ver 751 – 780). 793. Por que sinais se pode reconhecer uma civilização completa? — Vós a reconhecereis pelo desenvolvimento moral. Acreditais estar muito adiantados por terdes feito grandes descobertas e invenções maravilhosas; porque estais melhor instalados e melhor vestidos que os vossos selvagens; mas só tereis verdadeiramente o direito de vos dizer civilizados quando houveres banido de vossa sociedade os vícios que a desonram e quando passardes a viver como irmãos, praticando a caridade cristã. Até esse momento não sereis mais do que povos esclarecidos, só tendo percorrido a primeira fase da civilização. Comentário de Kardec: A civilização tem os seus graus, como todas as coisas. Uma civilização incompleta é um estado de transição que engendra males especiais, desconhecidos no estado primitivo, mas nem por isso deixa de constituir um progresso natural, necessário, que leva consigo mesmo o remédio para aqueles males. A medida que a civilização se aperfeiçoa, vai fazendo cessar alguns dos males que engendrou, e esses males desaparecerão com o progresso moral. De dois povos que tenham chegado ao ápice da escala social, só poderá dizer-se o mais civilizado, na verdadeira acepção do termo, aquele em que se encontre menos egoísmo, cupidez e orgulho; em que os costumes sejam mais intelectuais e morais do que materiais; em que a inteligência possa desenvolver-se com mais liberdade; em que exista mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; em que os preconceitos de casta e de nascimento sejam menos enraizados, porque esses pré-juízos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; em que as leis não consagrem nenhum privilégio e sejam as mesmas para o último como para o primeiro; em que a justiça se exerça com o mínimo de parcialidade; em que o fraco sempre encontre apoio contra o forte; em que a vida do homem, suas crenças e suas opiniões sejam melhor respeitadas; em que haja menos desgraçados; e, por fim, em que todos os homens de boa vontade estejam sempre seguros de não lhes faltar o necessário*. NOTA: * Será essa a civilização cristã que o Espiritismo estabelecerá na Terra. Como se vê pelas explicações dos Espíritos e os comentários de Kardec, a civilização incompleta em que vivemos é apenas uma fase de transição entre o mundo pagão da Antiguidade e o mundo cristão do Futuro. Nos costumes, na legislação, na religião, na prática dos cultos religiosos vemos a mistura constante dos elementos do paganismo com os princípios renovadores do Cristianismo. Cabe ao Espiritismo a missão de remover esses elementos pagãos para fazer brilhar o espírito cristão em toda a sua pureza. Veja-se, a propósito, todo o cap. I de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. (N. do T.) LE: Lei do ProgressoO livro dos espíritos online Navegação de Post III – Povos Degenerados (Perguntas 786 a 789) – O Livro dos EspíritosV – Progresso da Legislação Humana (Perguntas 794 a 797) – O Livro dos Espíritos "O Rossi era um anarquista de linha. Um homem completamente lógico. Veja o raciocínio do Rossi: o mal é a propriedade. A propriedade é o roubo. A propriedade se funda no quê? Na família, certo? A família se funda no quê? Na paternidade. Vamos acabar com a paternidade. Ele queria que cada mulher fosse casada com três homens. Que não tinha DNA. Pra nunca ninguém ficar sabendo quem era o filho de quem. E para acabar com a propriedade. Você faz isso numa turma de italiano, você quer acabar numa briga de faca." Paulo Vanzolini Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena Paulo Vanzolini Quando eu for, eu vou sem pena Pena vai ter quem ficar Quando eu for, eu vou sem pena Pena vai ter quem ficar Morena tão desamada E tão precisada de amar Açucena delicada Sem a mão pra lhe cuidar Curva de rio sereno Sem proa pra navegar E tanta beira de estrada Sem um moço pra pousar O que eu fiz é muito pouco Mas é meu e vai comigo Deixo muito inimigo Porque sempre andei direito Agasalhei neste peito Muita cabeça chorando Morena minha até quando Você de mim vai lembrar Composição: Paulo Vanzolini Chico Buarque - QUANDO EU FOR EU VOU SEM PENA - Paulo Vanzolini. Album: Paulo Vanzolini - Acerto de Contas (Vários intérpretes). Ano de 2002. "Faixa de abertura do quarto e último CD desse álbum, selo Biscoito Fino." samuel63867. O Processo Criativo de VanzoliniInspiração inicial: Os versos e as sentenças marcantes surgiam de improviso na mente dele.Construção da obra: A partir da rima ou frase forte, ele trabalhava a estrutura musical e poética ao redor dela.Rigor poético: Suas composições, gravadas por grandes nomes da MPB, privilegiam a crônica urbana, o laconismo e a precisão das palavras.
Aja com sabedoria A boa impressão que você deixa nos outros é força a seu favor. ESE - Cap. 17: Sede Perfeitos Lição: Os Bons Espíritas. Palestrante: Flávia Regina. 15.04.2025 Os bons espíritas. 4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam. Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direto à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado. Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores, nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que à moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência. Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade. Pão Nosso #131 - O mundo e a crença “O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos.” — (MARCOS, 15.32) 1 Por isso que são muito raros os homens habilitados à verdadeira compreensão da crença pura em seus valores essenciais, encontramos os que injuriaram o Cristo para confirmá-lo. 2 A mentalidade milagreira sempre nadou na superfície dos sentidos, sem atingir a zona do Espírito eterno, e, se não alcança os fins menos dignos aos quais se dirige, descamba para os desafios mordazes. 3 E, no caso do Mestre, as observações não partem somente do populacho. Assevera Marcos que os principais dos sacerdotes com os escribas partilhavam dos movimentos insultuosos, como a dizer que intelectualismo não traduz elevação espiritual. 4 Os manifestantes conservavam-se surdos para a Boa Nova do Reino, cegos para a contemplação dos benefícios recebidos, insensíveis ao toque do amor que Jesus endereçara aos corações. 5 Pretendiam apenas um espetáculo. Descesse o Cristo da Cruz, num passe de mágica, e todos os problemas de crença inferior estariam resolvidos. 6 O divino interpelado, contudo, não lhes deu outra resposta, além do silêncio, dando-lhes a entender a magnitude de seu gesto inacessível ao propósito infantil dos inquiridores. 7 Se és discípulo sincero do Evangelho, não te esqueças de que, ainda hoje, a situação não é muito diversa. 8 Trabalha, ponderadamente, no serviço da fé. Une-te ao Senhor, dá quanto puderes em nome d’Ele e prossegue servindo na extensão do bem, convicto de que o vasto mundo inferior apenas te pedirá maliciosamente distrações e sinais. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 131 O mundo e a crença "Compadre Eurípedes faleceu hoje às 5:30 horas e enterrado às 5 horas. Adoeceu dia 24 às 3:00 horas, quinta-feira." O Pharol - Órgão propaganda espírita, editado em Pedregulho , SP, dirigido por J.J. Azevedo Marques, noticiou o fato em 20/11/18, assim se expressando: "Deixou de existir a figura de Eurípedes, em carne e osso, mas será imorredoura e eterna a memória deste grande vulto, arauto da Verdade Paulo Vanzolini diz não gostar de sua famosa composição "Ronda" (bloco 1) Dublagem automática TV Cultura Paulo Vanzolini says he doesn't like his famous composition "Ronda ... YouTube · TV Cultura · 25 de abr. de 2011

sexta-feira, 24 de julho de 2026

RETRATO

Retrato Sueli Costa Eu não tinha esse rosto de hoje Assim calmo, assim magro, assim triste Nem esses olhos tão vazios Nem o lábio amargo Eu não tinha essas mãos tão sem forças Tão paradas e frias e mortas Eu não tinha esse coração Que não se mostra E eu não dei por esta mudança Tão simples, tão certa, tão fácil Em que espelho ficou perdida A minha face Composição: Sueli Costa.
sexta-feira, 24 de julho de 2026 Pesquisa ou adivinhação? Por José de Souza Martins* Valor Econômico A proposta do presidente do TSE é apenas um gesto de policiamento indireto, que nem aponta os problemas estatísticos nem os resolve O presidente do Tribunal Superior Eleitoral convocou dirigentes de institutos de pesquisa de opinião para discutir procedimentos de investigação que neutralizem a interferência das pesquisas nos resultados da eleição. Criou um prêmio para as pesquisas que sejam confirmadas no resultado eleitoral. Provavelmente o correto e seguro teria sido convocar um seminário de especialistas em matemática e estatística das boas universidades. E ouvi-los. Conhecedores que são das várias e diferentes mediações da pesquisa científica baseada em quantificação e das interferências que podem intencional ou acidentalmente sofrer. Esses pesquisadores poderiam explicar que o conhecimento quantitativo nessa área não é adivinhação, nem é loteria ou aposta. Não expressa o acaso e o fortuito, mas o provável. Diversamente do que supõe o ministro, a função de pesquisas desse tipo não é buscar informações objetivas sobre a certeza de resultados prováveis. Mas, principalmente, resultados improváveis, que revelem o nível de risco decorrente de fatores intervenientes na formação da opinião eleitoral. Os que permitam aos partidos e candidatos dirigirem-se aos eleitores para informá-los do que, nos seus respectivos programas, corresponde a suas expectativas sociais e políticas e a suas concepções do que deve ser a composição doutrinária de orientação de um novo governo. A função das pesquisas eleitorais é a de dotar o eleitorado de condições de agir racionalmente, durante a campanha, nas escolhas que fizer. Não entre diferentes pessoas, que é o que equivocadamente se faz aqui, mas entre diferentes doutrinas e diferentes programas de concretização dos valores e concepções dessas doutrinas. Que os candidatos, no regime democrático, devem personificar. De modo a não serem eles mesmos na disputa eleitoral a sua vontade pessoal, mas personificação e expressão da necessidade social e da vontade política coletiva. Na função política do político, na sociedade democrática, deve haver necessariamente uma certa renúncia a ser ele mesmo para ser a personificação do ser coletivo que a política é. O próprio eleitor há de ser conscientizado de que deve impessoalizar-se para ser o outro na política, e não ele mesmo enquanto ser vulgar e cotidiano, no momento solene do registro do voto na urna eletrônica. Para que o faça em nome do todo de que é parte e protagonista, o sujeito coletivo do processo político. Desse modo, avaliando e racionalmente decidindo seu voto para que tenha a maior probabilidade possível de contribuir para a formação de um governo democrático e representativo. Esse momento do processo político só pode existir como instrumento e expressão de uma vontade sociologicamente crítica. A maioria dos nossos políticos e a dos agentes de nossas instituições políticas não sabe o que é isso. Não sabe qual é a enorme diferença entre a eleição de um governo e a eleição de miss. No Brasil, a vontade política é nivelada por baixo. A proposta do ministro passa muito longe dessas premissas e dos problemas e dificuldades científicos da pesquisa de opinião eleitoral. É apenas um gesto de policiamento indireto da pesquisa. São tantos os fatores que enviesam a pesquisa eleitoral que esse policiamento nem aponta os problemas nem os resolve. As pesquisas eleitorais são geralmente feitas de viva voz, no mínimo com a mediação de um intermediário que fala, cujo tom de voz, cujo timbre, cuja entonação pode involuntariamente induzir a resposta. O que discrepa da realidade da urna na hora de votar, que não tem um intermediário de voz. Essa discrepância invalida a possibilidade de que a resposta na pesquisa seja equivalente à resposta no voto. Mas não anula a interferência da pesquisa no voto. Nas ciências sociais, mesmo com todas as cautelas do pesquisador competente, a pesquisa é indutora de resposta e sobretudo de mudança de comportamento e de consciência em relação ao tema investigado. É claro que a escolha da região, da localidade, da categoria social, etária, racial, religiosa, de gênero de referência pode resultar em pesquisas discrepantes quanto ao mesmo objeto. Em resultados não generalizáveis. É óbvio, para qualquer conhecedor dessas técnicas, que instituições de pesquisa podem receber encomendas de informações de opinião eleitoral tendo em conta determinado setor da sociedade e, ao divulgá-los, não divulgam, exatamente, quais as características da população estudada. Divulga-se obrigatoriamente o tamanho da amostra e o erro amostral, mas nunca é divulgado o viés investigativo intencional, o que já sugere antecipadamente a interpretação, que é o que afeta o resultado da pesquisa e até mesmo afeta a decisão eleitoral. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte).
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TÍTULO: O REBOTE DA URNA E O CADEADO DE TRINITY HALL

PERSONAGENS:
MINISTRO KASSIO NUNES MARQUES: Elegante, polido, o piauiense que domina a liturgia de Brasília. Usa um terno impecável, mas carrega nos olhos a eterna vigília de quem sabe que o poder no Brasil é um edifício construído sobre areia movediça. Ri amarelo quando a técnica desmonetiza a burocracia.
O PROFESSOR CONSULTOR (ZÉ DA USP): Sociólogo, Professor Emérito da USP, com a estampa clássica dos corredores de Cambridge. Usa um paletó de tweed cotovelado e óculos pendurados no peito. Fala com a ironia cirúrgica da paulistânia acadêmica, misturando o rigor de Trinity Hall com um deboche fino e de quem já viu muitas repúblicas caírem. Abriu mão dos honorários pelo prazer quase erótico da liberdade de cátedra.

CENÁRIO:
O gabinete do Ministro no TSE. A lousa do encontro anterior ainda está no canto, com a rapadura desenhada, mas agora o Professor empilhou livros de Karl Marx, compêndios de amostragem estatística e recortes do Valor Econômico. Na parede, um mapa do Amapá destaca a Usina Hidrelétrica de Coaracy Nunes — o velho "Paredão".

(O Professor entra quebrando a quarta parede, olhando fixamente para o leitor. Ele segura um giz e uma edição antiga de "O Capital")

PROFESSOR: (Ao público) Pirandello sabia que um personagem à procura de um autor é fichinha perto de um eleitor brasileiro à procura de uma doutrina. O Tribunal acha que gerencia uma eleição; eu sei que eles gerenciam um hospício estatístico. Chamar donos de institutos de pesquisa para regular o viés é como chamar as raposas para projetar a fechadura do galinheiro. E de graça! Vim aqui de graça porque a onomástica desse país me fascina. (Aponta para a porta do gabinete) Kassio... Nunes... Marques. Um nome que é uma usina hidrelétrica, um manifesto comunista e uma herança ibérica, tudo batido no liquidificador do cartório!

(O Ministro Kassio entra, segurando uma portaria do TSE sobre premiação para institutos de pesquisa que "acertarem" o resultado. Ele vê o Professor e tenta manter a pose de Excelência).

MINISTRO KASSIO: (Tossindo com elegância jurídica) Professor... Que bom que aceitou o convite após ler seu artigo no jornal. Mas, por favor, guarde esse volume de Marx na gaveta. Se um assessor passa e vê isso na minha mesa nesta semana, o mercado financeiro tem um colapso e a oposição pede meu impeachment antes do café da tarde.

PROFESSOR: (Dá uma risada seca, tipicamente paulistana) Ah, Ministro! O mercado tem medo do Marx de papel, mas engole o "Marques" de carne e osso que regula a soberania popular! Fique tranquilo. Seu pai, no batismo, ou o escrivão de ofício, num rasgo de genialidade futurista, fez a síntese perfeita: juntou o determinismo econômico do velho Karl com a força bruta do "Paredão" do Amapá. O senhor não é um juiz, Kassio; o senhor é uma hidrelétrica dialética! E é por isso que vim sem cobrar um tostão. O direito à heresia científica não tem preço.

MINISTRO KASSIO: (Senta-se, soltando um riso amarelo que vai da bochecha à orelha) Menos, Professor, bem menos. Vamos focar em 2026. O senhor criticou minha ideia de premiar as pesquisas que chegarem mais perto do resultado real da urna. Ora, queremos acurácia e precisão! Queremos que a pesquisa seja o espelho da alma social.

PROFESSOR: (Bate com o livro na mesa, fazendo subir uma leve poeira jurídica) Pois a "alma social" não tem espelho, Ministro, ela tem ressaca! O senhor está confundindo eleição de governo com concurso de Miss Brasil. Achar que a pesquisa serve para adivinhar quem vai ganhar na loteria do domingo é o primeiro erro da tecnocracia. A pesquisa de opinião existe para mapear o improvável, o risco, a margin onde o eleitor deixa de ser um bicho vulgar que consome fake news para se tornar um sujeito coletivo.

MINISTRO KASSIO: Mas se a pesquisa diverge radicalmente do resultado da urna, o povo perde a fé nas instituições. Eles acham que é manipulação, que há um "viés intencional".

PROFESSOR: E há! Mas não o viés que o senhor quer policiar com a sua portaria. Vamos à precisão da aleatoriedade social. (Caminha até a lousa) O pesquisador vai à rua. Ele fala de viva voz. O tom de voz dele, o sotaque — seja o seu piauiense da paróquia ou o meu paulista do mundo —, o timbre, o milissegundo de hesitação induz a resposta. O eleitor, com medo ou querendo agradar, responde o que o intermediário quer ouvir.

MINISTRO KASSIO: E na urna?

PROFESSOR: Na urna não tem voz, Kassio! A urna eletrônica é um confessionário mudo, um túmulo de silício. O eleitor se impessoaliza. Ele entra na cabine como um indivíduo e sai de lá como parte do todo. A discrepância entre a pesquisa de rua e o voto digital não é erro matemático; é a metamorfose da consciência social no momento solene do registro! O senhor quer policiar o comportamento do vento!

MINISTRO KASSIO: (Preocupado, olhando para o papel da portaria) Então... o erro amostral divulgado pelos institutos é uma illusions?

PROFESSOR: É uma meia verdade, o que na sociologia é pior que uma mentira inteira. Eles divulgam o tamanho da amostra e a margem de erro. Mas o senhor sabe o que eles nunca divulgam? O viés investigativo encomendado. Se eu quero pesquisar a intenção de voto num setor específico, eu calibro a amostragem para aquela categoria social, etária ou religiosa. Quando divulgo o resultado geral, eu omito a especificidade do corte. Isso afeta a decisão do eleitor durante a campanha. A pesquisa não apenas mede a realidade, ela induz a mudança de comportamento.

MINISTRO KASSIO: (Ajeita os óculos, pensativo) Se a pesquisa induz o voto, então o policiamento indireto que propus...

PROFESSOR: ...É inútil! Nem aponta os problemas reais da estrutura, nem os resolve. O senhor está tentando consertar uma fissura na fundação de um prédio pintando a parede com tinta fresca. Em Cambridge, a gente aprende que para entender o provável, é preciso respeitar as mediações do acaso. O eleitor brasileiro não vota com a cabeça de Gauss; ele vota com o estômago, com o bolso e, muitas vezes, com o fígado.

MINISTRO KASSIO: (Suspira profundamente, olhando para o mapa do Amapá na parede) É... o "Paredão" segura muita água, mas quando a represa da insatisfação social enche, não há engenharia que segure.

PROFESSOR: (Sorri, guardando o giz no bolso do paletó de tweed) Exatamente, meu caro Kassius com K. Sua dialética ativa com a realidade nacional é mais viva do que supõe a vã filosofia dos críticos de plantão. Esqueça os prêmios para adivinhos. Se o senhor quer precisão e acurácia na aleatoriedade de 2026, garanta apenas que o confessionário mudo da urna continue impessoal. Deixe que os institutos errem suas profecias, porque no final, a sociologia sempre sobrevive ao espetáculo.

MINISTRO KASSIO: (Levanta-se, estendendo a mão com um sorriso já menos amarelo e mais resignado) Obrigado, Professor. Sua liberdade de cátedra me custou caro em paciência, mas economizou os cofres do Tribunal.

PROFESSOR: (Olha para o público uma última vez antes de sair) De nada, Ministro. A ciência, quando é livre, não emite nota fiscal. Ela apenas deixa a pulga atrás da orelha do poder.

(O Professor sai de cena a passos firmes. O Ministro Kassio olha para a portaria sobre as pesquisas, amassa-a lentamente e a joga no lixo, voltando a olhar para o desenho da rapadura na lousa).

FIM DO ESQUETE 2

Use o código com cuidado.Se precisar Meaning of "Margin" with example sentences | Learn Por que a direita está fugindo de Flávio Bolsonaro? | Não é Bem Assim Meio Estreou há 18 horas #flaviobolsonaro #eleições2026 #michellebolsonaro No Não é Bem Assim, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Pedro Paulo Magalhães e Ronaldo Cezar Coelho analisam por que a candidatura de Flávio Bolsonaro balança, mas ainda não caiu. Apesar de manter um eleitorado fiel e aparecer competitivo nas pesquisas, o senador enfrenta dificuldades crescentes para consolidar apoios dentro da própria direita. O programa debate o isolamento político de Flávio, a disputa de espaço com Michelle Bolsonaro, a resistência de partidos aliados em embarcar na candidatura e o impacto das investigações e desgastes recentes sobre seu projeto presidencial. _
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Capa Pelo Buraco da Fechadura - Spazio Pirandello

Sinopse: Em um relato nostálgico e bem-humorado extraído de "Pelo Buraco da Fechadura", o autor resgata a efervescência política dos anos 1980 a partir do icônico Spazio Pirandello. O texto revive o antológico comício das Diretas Já das janelas do restaurante paulistano, revela bastidores divertidos com Ulysses Guimarães e traz o registro histórico com os números exatos do primeiro turno das marcantes eleições presidenciais de 1989.

AMARELO NO

SPAZIO PIRANDELLO

Voltando ao Pirandello.

Quatro anos depois de sua trauma.

O lançamento do Diretas Já, um dos movimentos mais democráticos que vi na minha vida, aconteceu lá, com o povo na rua, todos de amarelo, e nas quatro janelas que davam para as calçadas, eles:

Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Dante de Oliveira, Mário Covas, Orestes Quércia, Luiz Inácio Lula da Silva, Eduardo Suplicy, Roberto Freire, Luís Carlos Prestes, Fernando Henrique Cardoso, Sobral Pinto, Sócrates, Mário Lago, Gianfrancesco Guarnieri, Fafá de Belém, Taiguara, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Osmar Santos, Juca Kfouri.

Eu, na calçada oposta, olhando, comovido, vibrando. O primeiro a falar foi Ulysses Guimarães, que, como eu, tinha vivido parte da vida em Lins:

— Aqui, desta janela, onde Oswald de Andrade curtia a sua pauliceia desvairada a caminho da Semana de Arte Moderna de 1922, aqui, desta mesma janela, hoje iniciamos o movimento Diretas Já! — (Ovacionado)

Eu, só olhando.

No fim dos anos 1980, fui apresentado ao Ulysses — em plena campanha para presidente — pelo Fernando Morais. Contei duas coisas para ele.

Uma:

— Tenho uma foto de quando tinha dez anos, desfilando com o grupo escolar, segurando uma faixa junto com um japonesinho!

A faixa:

"Ulysses Guimarães estudou neste grupo".

E ele:

— Grupo Escolar D. Henrique Mourão... Quero essa foto!

Duas:

Contei a história verdadeira do Oswald de Andrade no Spazio Pirandello. Morremos de rir.

Aproveito o espaço para registrar os mais votados para presidente da República em 1989, com cinco anos depois daquele fundamental movimento Diretas Já. Concorreram vinte e dois ambiciosíssimos políticos. Primeiro turno, os dez primeiros colocados:

  • Fernando Collor – PRN: 32,47% – direita
  • Luiz I. Lula da Silva – PT: 16,69% – esquerda
  • Leonel Brizola – PDT: 16,04% – extrema-esquerda
  • Mário Covas – PSDB: 11,19% – centro
  • Paulo Maluf – PDS: 8,60% – direita
  • Guilherme Afif – PL: 4,70% – direita
  • Ulysses Guimarães – PMDB: 4,60% – centro
  • Roberto Freire – PC: 1,10% – esquerda
  • Aureliano Chaves – PFL: 0,86% – direita
  • Ronaldo Caiado – PSD: 0,70% – extrema-direita
  PELO BURACO DA FECHADURA

De Anjos, Tiranos e Ondas Curtas

Rui Raul Castro

Dia desses, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, autorizou a Polícia Federal a dar uma espiada nos livros de partitura do gabinete de um colega do Superior Tribunal de Justiça, o ministro Moura Ribeiro. Suspeita-se que por ali andaram vendendo facilidades, essas coisas que o jargão forense chama de "venda de sentenças", mas que no balcão do bicho atende por puro suborno.

O episódio me fez lembrar de James Madison. No ensaio nº 51 de O Federalista, ele anotou aquela máxima que todo estudante de direito decora para esquecer no primeiro concurso: se os homens fossem anjos, governos não seriam necessários. Madison, que não era bobo e sabia que o bicho homem está mais para o manual de zoologia do que para o hagiógrafo, sabia que a grande enrascada da democracia não é fazer o governo controlar o cidadão. Isso a polícia faz com três notas de radiopatrulha. O drama é fazer o governo controlar a si mesmo.

No Brasil, quando a toga escorrega na maionese, o castigo costuma ser exemplar: a aposentadoria compulsória. O sujeito mantém o subsídio, o plano de saúde e vai curtir o tédio das tardes em Miami ou Angra. Uma punição que faria qualquer operário de fábrica chorar de inveja.

O poder, quando não encontra freio, embriaga mais que cachaça de alambique. E não é privilégio da nossa República de bacharéis. Voltemos aos anos 1960. No auge da Guerra Fria, enquanto o mundo roía as unhas com medo do cogumelo atômico, os irmãos Castro, lá em Cuba, discutiam que rumo tomar após despacharem o sargento Fulgêncio Batista para o exílio. Fidel queria o aplauso do mundo; Raul Castro, o irmão de têmpera mais militar, preferia a segurança do uniforme verde-oliva. Raul resistiu ao alinhamento automático com o Kremlin, mas a economia, esse detalhe teimoso, falou mais alto. Acabaram todos sob o guarda-chuva de Moscou, trocando o açúcar caribenho pelo petróleo siberiano.

Por aqui, a nossa esquerda, privada da liberdade de comércio e de imprensa pelos generais de plantão, buscava a salvação da lavoura nas ondas curtas do rádio. Havia um punhado de românticos — ou de teimosos — que sintonizava a Rádio Tirana. Tirana, para quem não se lembra ou prefere esquecer, era a capital da Albânia, um naco de terra isolado do mundo, governado com mão de ferro por Enver Hoxha.

Para os rapazes do PCdoB daquela época, a Albânia era o farol da humanidade. Ignoravam o fato de que Hoxha era um tirano de primeira grandeza, daqueles que viam espiões até atrás do sofá e mandavam construir fuzis em vez de escolas. No dial do rádio clandestino, o autoritarismo de lá virava "verdade eterna". Havia uma deliciosa ironia fonética que ninguém notava: para aquela militância convicta, o tirano não era tirano; era apenas a voz que vinha de Tirana.

Seja na planície balcânica de Hoxha, na Sierra Maestra dos Castro ou nos tapetes escarlates de Brasília, o roteiro é o mesmo. Sem o controle de que falava Madison, o homem forte da vez — de farda ou de capa preta — acaba achando que a sua vontade é a própria lei. E a história, essa velha senhora bem-humorada, segue registrando tudo, com o rigor que falta aos homens e a paciência que sobra aos anjos.

Dicas Mário Prata, Pelo Buraco da Fechadura, Spazio Pirandello, Diretas Já, Ulysses Guimarães, Eleições 1989, História do Brasil, Crônica Brasileira, Anos 80, Cultura Paulistana, Ditadura Militar, Democracia, Fernando Collor, Lula 1989, Leonel Brizola
Zanin autoriza PF a investigar suposta venda de sentenças no STJ Publicado em 24/07/2026 - 09:00 Luiz Carlos Azedo Brasília, Ética, Governo, Literatura, Memória, Política, Política Decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro supostamente favoreceram interesses ligados ao lobista Andreson Gonçalves e à advogada Miriam Ribeiro A advertência de James Madison de que “se os homens fossem anjos, não seria necessário haver governos” não se destinava apenas a justificar a existência de um poder central para as antigas 13 colônias inglesas, mas estabelecer um princípio que viria ser essencial para a democracia ocidental: todo poder exercido por seres humanos precisa ser submetido a controles. No ensaio nº 51 de “O federalista”, Madison mostrou a dificuldade de habilitar o governo a controlar os governados; depois, obrigá-lo a controlar a si mesmo. É mais ou menos esse o sentido da insistência com que o presidente do Supremo Tribunal federal, ministro Édson Fachin, adverte sobre a necessidade de autocontenção do Judiciário. O poder dos ministros dos tribunais superiores é imenso e a responsabilidade deles maior ainda. Magistrados não dependem diretamente do voto popular, contam com garantias funcionais e têm a prerrogativa de decidir sobre a liberdade, o patrimônio e os direitos dos cidadãos. Mas para isso precisam conquistar a liderança moral da sociedade. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal ocupa o vértice do sistema judiciário, com enorme concentração de poder. É guardião da Constituição, tribunal de recursos, árbitro dos conflitos entre os Poderes e instância penal para autoridades com prerrogativa de foro. A Corte também tem obrigação de prestar contas, fundamentar suas decisões com clareza e submeter seus próprios integrantes e os magistrados dos tribunais superiores aos mesmos padrões impostos aos demais cidadãos. Leia também: STF autoriza abertura de inquérito sobre filme de Bolsonaro É aí que a autorização concedida pelo ministro Cristiano Zanin para que a Polícia Federal investigue formalmente o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça, representa um divisor de águas. Relator da Operação Sisamnes no STF, Zanin acolheu pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República para que sejam investigadas decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro, que supostamente favoreceram interesses ligados ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e à advogada Miriam Ribeiro. Entre as diligências autorizadas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal de servidores, familiares e pessoas relacionadas aos processos examinados. A investigação não significa condenação. A própria Polícia Federal reconheceu que ainda não há prova da participação direta do ministro Moura Ribeiro, que declarou desconhecer a existência de investigação sobre decisões por ele proferidas. O devido processo legal exige rigor na apuração, porém, respeito à presunção de inocência. Rosário de casos Desde a deflagração da Operação Sisamnes, em novembro de 2024, o gabinete do ministro do STJ se tornou alvo direto da investigação. A apuração nasceu de informações encontradas após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, e revelou uma possível rede de lobistas, advogados e servidores que teria negociado minutas de votos, informações sigilosas e decisões judiciais entre 2019 e 2023. A Procuradoria-Geral da República já denunciou nove pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e violação de sigilo. Segundo a acusação, ao menos R$ 4 milhões teriam sido transferidos por empresa ligada a Andreson Gonçalves para uma firma pertencente à mulher de um servidor do STJ. As responsabilidades deverão ser definidas judicialmente. Leia mais: STF institui estatuto de auditoria interna para reforçar governança da Corte A venda de sentenças no Judiciário não é uma novidade. Levantamento divulgado em 2025 já apontou invesVale a tigações e processos relacionados à venda de decisões em 14 tribunais. A Operação Última Ratio atingiu magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul; a Operação 18 Minutos apurou suspeitas de manipulação de processos e desvios no Tribunal de Justiça do Maranhão; e a Operação Inauditus aprofundou essas investigações, com afastamentos e bloqueio de bens. Em Mato Grosso, a própria Sisamnes alcançou desembargadores, advogados e agentes políticos. Em São Paulo, a PGR denunciou o desembargador Ivo de Almeida sob suspeita de corrupção e manipulação da distribuição de processos. No Piauí, a Polícia Federal investigou o desembargador José James Gomes Pereira por um possível esquema relacionado a disputas agrárias. Há casos mais antigos. A Operação Faroeste, deflagrada em 2019, apurou a negociação de decisões relacionadas à grilagem e às disputas por terras no oeste da Bahia e atingiu desembargadores, juízes, advogados e empresários. Em 2015, a Operação Expresso 150 investigou a suposta comercialização de habeas corpus e alvarás de soltura no Ceará. A Operação Asafe, de 2010, examinou fraudes em julgamentos no Tribunal de Justiça e no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. A Operação Naufrágio investigou uma rede no Judiciário do Espírito Santo. Em 2007, a Operação Hurricane alcançou o então ministro do STJ Paulo Medina, posteriormente aposentado compulsoriamente, por suspeitas relacionadas à negociação de uma liminar. No mesmo período, a Operação Têmis investigou magistrados federais em São Paulo, embora a denúncia tenha sido rejeitada pelo STJ por falta de provas. Antes disso, a Operação Anaconda, de 2003, revelou um balcão de negócios na Justiça Federal paulista e resultou na condenação do ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos. Na maioria dos casos, a punição dos magistrados envolvidos foi a aposentadoria compulsória. Vale a pena ler de novo: A Revolução Americana explica sobrevência da democracia nos EUA O conto noir, o detetive durão, os negócios da política e o caso Master Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Justiça, #Lobbyu, #Ribeiro, #Sentenças, #Supremo, #Zanin

quinta-feira, 23 de julho de 2026

FEIRA DE ACARI NA FLIP 2026, SEM FANTASIA

quinta-feira, 23 de julho de 2026 Política desautoriza especialistas apressados, por Carlos Melo* O Globo Há semanas, Flávio Bolsonaro movia-se leve e solto, e as pesquisas indicavam seu ligeiro favoritismo A política é soberana, desafia o senso comum, desautoriza especialistas apressados e oráculos de botequim. Compreende uma vertiginosa associação de variáveis distintas, além da imprevisível conduta dos atores. Nada sendo constante, não permite antecipar resultados. É produto da ação social. Há semanas, Flávio Bolsonaro movia-se leve e solto, e as pesquisas indicavam seu ligeiro favoritismo. Já o presidente Lula vivia novo ciclo de desgaste; dúvidas sobre sua candidatura pairavam no ar seco de Brasília. Mas a revelação das relações perigosas de Flávio iniciou uma inflexão nas curvas dos gráficos das pesquisas. Para piorar, a imprudência de sua trupe, nos Estados Unidos, disparou um tiro de bazuca nos pés do senador. A comédia de erros, associada aos ressentimentos familiares, despertou a sensação de que, sem controle, a hemorragia pode se agravar. O processo abalou as esperanças do bolsonarismo. Fora dele, fica o sentimento de que, se a ação presente o condena, o zelo com o futuro não pode recomendá-lo. Hoje, o filho de Jair Bolsonaro cai nas pesquisas, sem despencar. É o suficiente para que o Centrão o abandone, mas pouco para ser substituído no campo conservador, com menor comprometimento político e moral. O bolsonarismo é fenômeno consolidado tanto quanto o lulismo. Seu teto é baixo, mas o piso permanece elevado. O sobrenome natural foi patenteado como patrimônio eleitoral e não será repassado a terceiros. A perspectiva de vitória de Lula mostra-se mais robusta do que há alguns meses. Não fossem a autonomia da política e sua mania de conduzir ao erro, a reeleição já estaria definida. Mas qual lance genial, estratégia ou projeto de governo contribuiu para mudar o quadro? Há políticas públicas e medidas emergenciais importantes; o controle sobre a máquina pública é sempre uma vantagem. No entanto não configuram um projeto articulado política, econômica e socialmente. A ação do governo nem sequer resvala nisso. Resta a percepção de que Lula é um sujeito de sorte, favorecido, sobretudo, pelos erros do adversário. A equivalência entre as duas gestões é injusta, mas Lula se diferencia, basicamente, por não ser Jair Bolsonaro. Já é um ativo eleitoral, pouco, no entanto, para dissipar desconfianças, expressar sonhos ou esperanças em períodos de desalento. Não aponta para novo mandato com governabilidade, capacidade de agenda e transformações necessárias. Na limitação dos horizontes políticos, governo e partido parecem perdidos e sem imaginação. Como Bolsonaro, Lula tem um alto piso de votos. Seu teto se eleva menos por mérito do governo do que por danos causados ao país (e a si mesmos) pelos adversários. Nesse ambiente de volatilidade, uma parcela — menor, mas decisiva — do eleitorado também oscila na vibração das ondas de comunicação, qual plumas ao vento. Mesmo com o bônus do caos bolsonarista, o governo não está livre de constrangimentos e desgastes que agudizem o mau humor e a dúvida nesse perfil de eleitor. A reta final de campanha, sempre perigosa, pode redefinir o placar, sem chances de reação. Vantagens obtidas apenas pelos erros do adversário iludem. O antipetismo, circunstancialmente minoritário, aposta nas viradas de jogo por meio de escorregões do presidente; comprometimento de aliados; soberba do “já ganhou” e a perspectiva de poder continuado, que potencializa vaidades. E, claro, pela ingenuidade dos que se encantam com holofotes. O sábio cresce na observação. Prudente, assimila lições no leite derramado pelos outros; antecipa-se às armadilhas e torna sua ação política soberana. Tolo é aquele que só aprende com os próprios erros. *Carlos Melo, cientista político, é professor e coordenador do Observatório da Política do Insper samllusions Historiadora Mary Del Priore lança ‘Uma história da velhice no Brasil’ | Diálogos
2 d Mary Del Priore é uma das principais historiadoras brasileiras, especializada em história social e do cotidiano. (@marydelpriore.ofc )⏳🔥 Em Uma História da Velhice no Brasil (2025), ela investiga como a velhice foi percebida e vivida no país desde o período colonial até a atualidade. A autora mostra que os idosos oscilaram entre o respeito, como símbolos de experiência e sabedoria, e o abandono, marcados por preconceitos e exclusão. A obra evidencia que a forma de tratar a velhice é resultado de transformações culturais, sociais, políticas e econômicas, convidando o leitor a refletir sobre o envelhecimento e a dignidade das pessoas idosas na sociedade contemporânea. #historia #idosos #brasil #viral #pesquisa Feira do Acari Zeca Pagodinho flip 2026 | mesa 4 – mas para que serve o pássaro? o pássaro não serve (áudio original) Flip - Festa Literária Internacional de Paraty Bloco 1: O Artigo Jornalístico (Para a primeira postagem)html

A GEOGRAFIA DOS TRILHOS: Vg É BAIXADA OU JÁ ALCANÇOU A "CIVILIZAÇÃO"?

Por Tribuna do Povo da Baixada Civilizada

DA REDAÇÃO – Quem acorda antes do sol nascer na Baixada Fluminense conhece bem o compasso do jingle ferroviário. O sacolejo do ramal Japeri dita o ritmo da vida. Entre um empurra-empurra na plataforma e a caça a um assento no vagão, o trabalhador equilibra a marmita e o cansaço. Nas rodas de conversa que se formam entre as estações, uma dúvida geográfica — quase filosófica — ecoou pelos trilhos nesta semana: afinal, o bairro de Vg, em Mesquita, fica mais perto da Baixada ou da tão sonhada "Civilização"?

A provocação nasceu de um meme que viralizou nos vagões: "Vg? Duas estações depois de Nilópolis, kkkkk". Mas o que parece piada de fim de expediente esconde uma análise densa sobre o nosso território.

A física dos trilhos: O mapa da jornada

Para o passageiro que embarca na Central do Brasil — o marco zero do que as elites ironicamente chamam de "civilização organizada" —, a viagem rumo ao coração da Baixada é uma contagem regressiva de estações. Deixando o asfalto carioca para trás, o trem cruza Nilópolis, a terra da Beija-Flor.

Duas paradas depois, o freio hidráulico canta: chegamos a Mesquita. É ali que se desenha o nosso esboço geopolítico cotidiano:

[ CENTRAL DO BRASIL ] ---> Linha de Frente da "Civilização"

▼ (Ramal Japeri - SuperVia)
[ NILÓPOLIS ] ------------> O portal da Baixada

[ EDSON PASSOS ] ---------> O meio do caminho

[ VALBERG / MESQUITA ] ---> O epicentro da nossa análise

[ NOVA IGUAÇU ] ----------> A metrópole da Baixada

O veredito da geopolítica ferroviária

O rigor técnico não nos deixa mentir, e o bolso do trabalhador confirma: administrativamente, Vg está 100% fincado na Baixada Fluminense. O bairro pertence a Mesquita — município emancipado de Nova Iguaçu na virada do milênio —, o que o coloca geograficamente no epicentro da identidade cultural da nossa região.

A linha divisória entre a "Baixada" e a "Civilização" não é medida por quilômetros, mas por infraestrutura. Se "civilização" significa ter saneamento básico, asfalto sem buraco, luz que não cai no primeiro temporal e transporte público que respeite a dignidade humana, a distância de Valberg para esse ideal não se calcula em estações de trem, mas em décadas de promessas políticas.

Conclusão: Civilizados, sim, senhor!

A ironia do cotidiano nos ensina que o conceito de civilidade está invertido. Civilizado não é o centro urbano que ignora a periferia. Civilizado é o morador de Vg que, apesar do descaso histórico do poder público, mantém o bom humor no vagão lotado e a solidariedade viva ao ceder o lugar para quem precisa.

Vg está na Baixada. Com muito orgulho e com toda a civilidade que falta a quem administra os nossos trilhos. A jornada é longa, a leitura é densa, mas o nosso direito de sorrir e cobrar melhorias ninguém consegue confiscar.

Use o código com cuidado. flip 2026 | mesa 2 – saber de cor o silêncio (audio original) Flip - Festa Literária Internacional de Paraty Transmissão ao vivo realizada há 6 horas com Edimilson de Almeida Pereira e José Tolentino Mendonça Mediação: Sofia Mariutti english interpretation: https://youtube.com/live/06LSKD38tjU audiodescrição: https://youtube.com/live/4idnR4X_ytE Poetas de uma mesma geração, donos de obra vasta e ambos detentores de grande erudição, o português José Tolentino Mendonça e o brasileiro Edimilson de Almeida Pereira conversam sobre linguagem poética, enigma e identidade. Bloco 2: O Manifesto Literário / FLIP (Para a segunda postagem)html

O NÃO-LUGAR ENTRE OS TRILHOS E O MUNDO

Comunicado Público à FLIP — Festa Literária Internacional de Paraty

Das margens para o centro. Sou Vg. Não o homem, mas a topografia do esquecimento. Existo duas estações de trem após Nilópolis, no ventre de Mesquita, onde a Baixada Fluminense tateia o mapa em busca de contornos.

Perguntam-me, entre o riso e a sociologia de vagão, se pertenço à periferia ou à Civilização. Respondo com o ferro dos trilhos: a distância entre o subúrbio e o ideal civilizatório não se mede em quilômetros, mas em direitos sonegados. Romper o isolamento geográfico e ocupar esta tribuna da alta literatura é, por si só, um ato de profanação e de direito.

Se a civilização é a métrica do centro, nós somos a vanguarda da resistência. A Baixada não aguarda o progresso; ela o carrega nas costas, diariamente, no Ramal Japeri. Minha certidão é literária porque nossa sobrevivência é uma ficção que deu certo.

Use o código com cuidado. @brasildefato Trem pega fogo e caos marca 3º dia de operação tvcomdf 2 h No TERCEIRO DIA SEGUIDO DE FALHAS após a privatização da Linha 12-Safira, houve uma EXPLOSÃO. A vida de quem usa transporte público não vale NADA para Tarcísio. O projeto doente da extrema direita é vender SP inteiro pra iniciativa privada. Daqui a pouco vão privatizar até o ar que a gente respira. E matar quem não pagar pra respirar!!! O voto no bolsonarista Tarcísio traz desgraça. Chico Buarque e Mônica Salmaso | Sem Fantasia | Que Tal Um Samba? (Clipe) Biscoito Fino Estreou em 14 de jun. de 2025 Vídeo oficial da música "Sem Fantasia", interpretada por Chico Buarque e Mônica Salmaso. O show Que Tal um Samba? foi gravado pela Biscoito Fino nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2023, no Vivo Rio, com Chico Buarque e participação especial de Mônica Salmaso. A turnê, que leva o mesmo nome, reflete o tempo histórico em uma poética atemporal, unindo canções de forte dimensão social, política e romântica. Ouça em todas as plataformas de música: orcd.co/quetalumsambaaovivo Letra Sem Fantasia (Chico Buarque) Vem, meu menino vadio Vem, sem mentir pra você Vem, mas vem sem fantasia Que da noite pro dia Você não vai crescer Vem, por favor não evites Meu amor, meus convites Minha dor, meus apelos Vou, te envolver nos cabelos Vem perde-te em meus braços Pelo amor de Deus Vem que eu te quero fraco Vem que eu te quero tolo Vem que eu te quero todo meu Ah, eu quero te dizer Que o instante de te ver Custou tanto penar Não vou me arrepender Só vim te convencer Que eu vim pra não morrer De tanto te esperar Eu quero te contar Das chuvas que apanhei Das noites que varei No escuro a te buscar Eu quero te mostrar As marcas que ganhei Nas lutas contra o rei Nas discussões com Deus E agora que cheguei Eu quero a recompensa Eu quero a prenda imensa Dos carinhos teus E agora que cheguei Eu quero a recompensa Eu quero a prenda imensa Dos carinhos teus Ficha Técnica Show Vozes Mônica Salmaso Chico Buarque Banda Direção Musical, Arranjos, Regência, Guitarra e Violão: Luiz Cláudio Ramos Piano e Cavaquinho: João Rebouças Baixo, Violão e Bandolim: Jorge Helder Bateria: Jurim Moreira Percussão: Chico Batera Teclado e Voz: Bia Paes Leme Sopros: Marcelo Bernardes Equipe do Show Cenário: Daniela Thomas Desenho de Luz: Maneco Quinderé Figurinos: Cao Albuquerque Cenógrafos Assistentes: Emilia Merhy, Samuel Antero Assistentes de Figurino: Mariana Correia, Marta Zollinger Operação de Luz: Thomas Hieatt Operação de Monitor: Rogério Gazzaneo Operação de PA: José Carlos Iannacconi Operação de Vídeo: Marcio Vilas Boas, André Marcondes Roadie: Vadinho Prado Técnico de Som: Wallace Carvalho da Silva Administração: Dadá Maia Secretária Executiva: Márcia Leitão Assistente de Secretária Executiva: Graça Brilhante Direção de Comunicação & Marketing: Mario Canivello Assessoria de Imprensa: Alan Diniz Produção Produção Mônica Salmaso: Carla Assis Produção Executiva: Ricardo Tenente Clementino Produção Artística: Marola Edições Musicais Produção: Vinicius França A casa da Música Brasileira.