Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
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"Uma primeira proposta de peso"MICHEL TEMER SE PRONUNCIA APÓS REELEIÇÃO DE LULA: "TODO O PODER EMANA DO POVO"Itatiaia27 de out. de 2026#Itatiaia #Jornalismo #Esporte
O ex-presidente Michel Temer pediu, nesta terça-feira (27), que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalhe pela pacificação do país durante seu quarto mandato. Em publicação na rede social X, Temer afirmou que o resultado das urnas reafirma o princípio de que “todo poder emana do povo” e defendeu medidas para reduzir a divisão política no Brasil.
Temer, que governou o país entre 2016 e 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) depois do primeiro turno das eleições presidenciais.
Na mensagem dirigida a Lula, o ex-presidente pediu que o petista evite o agravamento do clima de agressividade, que, segundo ele, tem provocado divisões entre os brasileiros e até mesmo entre as instituições. Temer também sugeriu a realização de uma reunião entre os Poderes da República, entidades da sociedade civil e representantes da oposição para promover um diálogo nacional.
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Resumo — “Ressaca da virada eleitoral de Lula derruba a bolsa de valores e frustra Trump”Luiz Carlos Azedo — Correio Braziliense, 27/10/2026
O artigo analisa as consequências políticas, econômicas e institucionais da vitória eleitoral de Lula, destacando os desafios que o presidente enfrentará para governar.
- Contestação eleitoral: Flávio Bolsonaro se recusa a reconhecer a derrota e pretende pedir a anulação do segundo turno, alegando irregularidades na ampliação do horário de votação. O autor ressalta que não foram apresentadas provas de fraude e que a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos torna difícil atribuir a virada à prorrogação.
- Tensão internacional: Donald Trump questionou a legitimidade da eleição brasileira sem apresentar provas, fortalecendo a contestação bolsonarista. Eduardo Bolsonaro também busca apoio internacional para anular o resultado. Segundo o texto, a maioria dos governos estrangeiros reconheceu a vitória de Lula.
- Reação negativa do mercado financeiro: Investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro foram surpreendidos pelo resultado. O dólar subiu 8,21%, chegando a R$ 5,403 no fechamento, enquanto o Ibovespa caiu 14,01%, levando à interrupção temporária das negociações na bolsa. O episódio evidencia os riscos de decisões financeiras baseadas em previsões eleitorais incertas.
- Desafios econômicos: A vitória de Lula não garante a confiança dos investidores. O governo precisará apresentar medidas convincentes para controlar a dívida pública e manter a sustentabilidade das políticas sociais.
- Conflito institucional: A decisão de Alexandre de Moraes de reter o passaporte de Flávio Bolsonaro e impedir sua saída do país, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, intensifica o confronto com a oposição. O autor destaca a necessidade de fundamentação jurídica adequada para a medida.
- Dificuldades de governabilidade: Com uma oposição fortalecida no Congresso e tensões entre os Poderes, Lula precisará negociar intensamente para aprovar sua agenda.
Conclusão: Para o autor, a vitória eleitoral de Lula não encerra a disputa política. A contestação do resultado, as tensões com Trump, a instabilidade financeira e os conflitos institucionais indicam que o novo mandato começará sob forte pressão. O presidente precisará conquistar confiança econômica e construir apoio político para governar.
Observação: o resumo reproduz os argumentos e os números apresentados no texto fornecido, sem verificar independentemente as informações.
Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
GATOS ESCALDADOS — NÃO IMPORTA SE PARDOS OU CINZENTOS — TÊM MEDO DE ÁGUA FRIA.LIBERDADE, SIM; PARTIDO, JAMAIS!PL NÃO PAGA PARA VER, EM 2026, O ROMBO QUE LHE CUSTOU O CASCO DE SUA BOLSA DE APOSTAS.Moraes rejeita ação do PL, aplica multa de R$ 22,9 milhões e bloqueia fundo partidárioPresidente do TSE condena a coligação de Bolsonaro por litigância de má-fé; recursos ficarão bloqueados enquanto a multa não for pagaFlávia Maia, Felipe Recondo
23/11/2022
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21:39
|Brasília
Atualizado em 23/11/2022 às 22:09
Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, não só não prosseguiu com a representação da coligação de Jair Bolsonaro (PL) pedindo a anulação de votos de 279 mil urnas eletrônicas — mais da metade do total — para o segundo turno das eleições de 2022 como também condenou a agremiação a uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. O ministro ainda determinou o bloqueio dos fundos partidários até o pagamento das multas. Leia aqui a decisão completa.
A decisão foi publicada na noite desta quarta-feira (23/11). A coligação, formada por PL, PP e Republicanos, pode recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente do TSE também solicitou a abertura de procedimento administrativo e apuração de responsabilidade por eventual desvio de finalidade na utilização da estrutura partidária contra o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e Carlos César Moretzsohn Rocha, dono do Instituto Voto Legal (IVL), responsável pelo relatório de auditoria das urnas eletrônicas utilizado na representação apresentada ao TSE na terça-feira (22/11).
Moraes também incluiu Valdemar e Moretzsohn no inquérito 4874, do Supremo, que investiga as milícias digitais.
O presidente do TSE também anexou uma nota técnica respondendo o requerimento do partido, com o objetivo de desfazer o argumento do PL, mostrando que não há fraude no sistema eleitoral. Leia aqui a resposta técnica ao requerimento.
A resposta contundente de Moraes a mais uma investida contra a idoneidade das urnas eletrônicas é uma tentativa de acabar de vez com as tentativas de anular os resultados das eleições de 2022. Na decisão, Moraes afirma que os argumentos trazidos pela coligação são “falsos”.
Na representação protocolada um dia antes (22/11), a coligação questionou os resultados das urnas apenas no segundo turno, e Moraes exigiu que o partido trouxesse informações também sobre o primeiro turno — em que a sigla elegeu o maior número de senadores e deputados federais.
Isso não foi feito dentro do prazo de 24 horas, conforme o solicitado por Moraes via despacho na terça-feira (22/11). “O aditamento determinado não foi cumprido. Do ponto de vista apenas processual, bastaria isso para o pronto indeferimento da inicial por advertida e chapada inépcia. Ora, as mesmas urnas eletrônicas, de todos os modelos em uso, foram empregadas por igual tanto no Primeiro Turno como no Segundo Turno das Eleições 2022, sendo impossível dissociar ambos dos períodos de um mesmo pleito eleitoral”, escreveu na decisão desta quarta.
Além disso, Moraes diz que as informações sobre as urnas eletrônicas são “cristalinas” conforme o relatório técnico da equipe de tecnologia do TSE. Por isso, ele entende que a coligação, ao contestar as urnas eletrônicas mais uma vez e pedir a anulação de metade dos votos do 2º turno das eleições, agiu de má-fé e com intuito de “incentivar” os movimentos antidemocráticos.
“A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa totalmente fraudulenta dos fatos”, escreveu.
Para justificar a multa e o bloqueio do fundo partidário, Moraes argumentou que os partidos políticos são instrumentos da democracia e financiados basicamente por recursos públicos, por isso é “inconcebível e inconstitucional” que as legendas sejam utilizadas para “satisfação de interesses pessoais antidemocráticos e atentatórios ao Estado de Direito, à Justiça Eleitoral e a soberana vontade popular de 156.454.011 (cento e cinquenta e seis milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e onze) eleitoras e eleitores aptos a votar”.
Em nota, o PL informou que acionou a assessoria jurídica que vai analisar a decisão do TSE. “O partido reitera que apenas seguiu o que prevê o artigo 51 da Lei Eleitoral que obriga as legendas a realizar uma fiscalização do processo eleitoral”.logo-jota
Flávia Maia
Analista de Judiciário do JOTA em Brasília. Antes foi repórter dos jornais Correio Braziliense e Valor Econômico e assessora de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). É graduada em Direito no IDP. Email: flavia.pimentel@jota.info
Felipe Recondo
Autor de "Tanques e Togas - O STF e a Ditadura Militar" e de "Os Onze - O STF, seus bastidores e suas crises" e "O Tribunal - Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária", todos pela Companhia das Letras. Antes de fundar o JOTA, trabalhou nos jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, no blog do jornalista Ricardo Noblat
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LIBERDADE SIM, PARTIDO JAMAIS.
Retalhos De CetimBenito Di Paula
Ensaiei meu samba o ano inteiro
Comprei surdo e tamborim
Gastei tudo em fantasia
Era só o que eu queria
E ela jurou desfilar pra mim
Minha escola estava tão bonita
Era tudo o que eu queria ver
Em retalhos de cetim
Eu dormi o ano inteiro
E ela jurou desfilar pra mim
Mas chegou o carnaval
E ela não desfilou
Eu chorei na avenida, eu chorei
Não pensei que mentia
A cabrocha que eu tanto amei
Minha escola estava tão bonita
Era tudo o que eu queria ver
Em retalhos de cetim
Eu dormi o ano inteiro
E ela jurou desfilar pra mim
Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval)
E ela não desfilou
Eu chorei na avenida, eu chorei
Não pensei que mentia
A cabrocha que eu tanto amei
Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval)
E ela (ai, e ela não) não desfilou (não desfilou)
Eu chorei na avenida, eu chorei
Não pensei que mentia
A cabrocha que eu tanto amei
Mas chegou (mas chegou) o carnaval (chegou meu carnaval)
E ela (ai, e ela não) não desfilou (não, não desfilou)
Eu chorei na avenida, eu chorei
Não pensei que mentia
A cabrocha que eu tanto amei
Composição: Benito Di Paula.
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O Samba da Razão de Estado
Retalhos na Avenida do Poder — Um Diálogo Fantástico entre Benito Di Paula, Maquiavel e Bolsonaro
O salão está na penumbra de uma repartição vazia em Brasília. Sobre a mesa de fórmica, um prato de louça branca, outrora cheio, agora exibe apenas os arabescos da gordura fria do banquete do poder. Benito Di Paula, com o olhar perdido no horizonte das urnas de 25 de outubro de 2026, empunha uma faca de mesa comum. O metal raspa a borda do prato lactescente: vup... tique-tique... vup... tique-tique.
O som agudo e rústico corta a introdução de uma orquestra invisível que chora em cordas graves. O Carnaval político chegou ao fim. Ao seu lado, duas figuras de séculos distintos dividem o mesmo banquete de cinzas e decepções.
[ Arranjo Orquestral & Ritmo ]
As cordas da orquestra sobem em um crescendo dramático. O piano de Benito acompanha a melodia taciturna, mas o que dita o pulso do destino é o metal da faca raspando a louça. Ritmo de partido-alto, cadenciado, seco, sem concessões.
Jair limpa o suor da testa. Ele olha para o próprio terno de campanha, agora parecendo uma fantasia barata de cetim verde e amarelo que desbotou sob a chuva fina da apuração do segundo turno.
— Eu ensaiei o ano inteiro — sussurra o líder, a voz rouca ecoando entre as paredes de mármore. — Comprei surdo e tamborim. Mobilizei as redes, convoquei as marchas, gastei tudo em palanques. Era só o que eu queria... E a massa jurou desfilar para mim.
A "cabrocha" de Jair não tinha nome de mulher. Tinha o nome de Poder. Tinha a face do eleitorado volúvel, a promessa dos governadores aliados, a jura de fidelidade eterna do Centrão. Todos prometeram que a herança política seria coroada na passarela das urnas.
Do outro lado da mesa, vestindo uma túnica florentina salpicada pelo pó da história, Nicolau Maquiavel observa o prato de louça ser raspado pela faca de Benito. Ele sorri com a crueza de quem conhece as engrenagens ocultas das passarelas humanas.
— Caro Jair — diz o florentino, ajeitando seus manuscritos sobre a mesa. — O erro jamais foi o ensaio. O erro foi acreditar no juramento da cabrocha. O Príncipe que firma suas bases na gratidão ou na promessa do palanque constrói sobre a areia. Os homens esquecem mais rápido a morte do pai do que a perda do patrimônio ou a mudança dos ventos da Fortuna. A multidão é essa cabrocha de Benito: desfila com o cetim que você compra, mas se o vento da oposição soprar mais forte, ela atravessa a avenida e vai sambar na escola vizinha.
Benito Di Paula interrompe o piano por um compasso exato. O ruído da faca no prato fica mais forte, mais urgente, quase agressivo: vup... tique-tique... vup... tique-tique.
— Eu dormi o ciclo inteiro achando que o voto era herança familiar garantida — lamenta Jair, olhando para os retalhos da sua coligação espalhados pelo chão. — Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei.
— A política, meu amigo, não se faz com amor, faz-se com o temor e com a Virtù — rebate Maquiavel, enquanto a orquestra ao fundo atinge um tom menor, profundamente melancólico. — Você quis moldar o sucessor à imagem da sua vontade, o sangue do seu sangue, o sobrenome na cédula. Mas a razão de Estado exigia um pacto com os generais da conveniência. O Centrão não desfila por amor ao pavilhão; ele desfila pelo orçamento do Carnaval. Quando a apuração mostrou a primeira nuvem de tempestade, os passistas de terno debandaram para as arquibancadas do vencedor.
Benito Di Paula, sem parar o movimento hipnótico da faca na louça, solta a voz, num canto que mistura a dor do morro com a tragédia do palácio:
"Mas chegou o Carnaval... e ela não desfilou.
Eu chorei na avenida, eu chorei...
Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei."
O choro de Jair na avenida da realidade não é apenas pelo desfile perdido, mas pela compreensão tardia da máxima maquiavélica: o poder é um ensaio eterno onde a fantasia nunca está garantida. No fim, quando os refletores do tribunal se apagam e a apuração encerra o espetáculo, restam apenas os retalhos de um projeto político no chão da história, o eco de uma promessa quebrada e o som persistente da faca raspando o prato vazio.
A cabrocha do poder já está ensaiando para o próximo ano, com outro mestre-sala.
Use o código com cuidado.
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O Timão do Éter
A soberania digital entre a rédea do Estado e o vento da liberdade
“O poder que hoje domestica a tempestade amanhã prende o próprio vento.”
O redesenho das comunicações oficiais e a regulação das plataformas digitais propostos pelo governo desencadeiam um profundo embate sobre os limites do controle estatal e a preservação do debate público na nova era tecnológica.
O silêncio que se seguiu ao anúncio das urnas não era o de um país que descansava, mas o de um bicho imenso que retoma o fôlego antes do próximo salto, e foi nesse hiato de tempo suspenso que o Timoneiro, subindo ao palanque com os olhos postos num horizonte que só os velhos marinheiros conseguem divisar, proferiu as palavras que a revista CartaCapital recolheria no dia seguinte como se fossem as tábuas de uma nova lei, ali estava escrito, com as letras garrafais do pragmatismo sobrevivente, que a pátria não mais seria o quintal de impérios invisíveis que operam por trás de algoritmos e nuvens de dados, que as máquinas de calcular o ódio seriam domesticadas pelas mãos do Estado, pois se um homem mata outro na rua a lei o alcança, por que haveríamos de tolerar que o mate na praça pública da ilusão digital, e assim, entre o aplauso dos devotos e o ranger de dentes dos mercadores do templo financeiro, decretava-se o início de um quadriênio onde a informação oficial não seria apenas dita, mas sim blindada contra os ventos que sofram do Norte ou do Oriente, um plano tão vasto e geométrico que parecia ignorar a miopia dos homens que só enxergam o dia de amanhã.
Mas a história, que tem o hábito irônico de não se deixar escrever por uma única mão, logo tratou de encontrar o seu contraponto no recôndito da própria linhagem do Timoneiro, quando sua filha, recolhida à sua própria escrivaninha e armada com a mesma tinta densa e sem repouso das vírgulas que se recusam a terminar antes da hora, fez circular a sua réplica, dizendo ela que o pai, cego pela claridade da própria vitória, esquecia-se de que o Estado que hoje regula a palavra para proteger o cidadão é o mesmo monstro de mil cabeças que amanhã, mudados os ventos e trocado o maquinista, usará as mesmíssimas travas para calar a boca de quem ousa dissentir, que a regulação das redes, por mais justa que pareça no calor do palanque, assemelha-se à tentativa de prender o éter dentro de uma caixa de ferro, e que ao tentar criar uma verdade estatal imune às intromissões estrangeiras, o velho combatente corria o risco de construir não a soberania sonhada, mas uma fortaleza de espelhos onde o governo só ouviria o eco das suas próprias certezas, esquecendo que a liberdade, essa palavra tantas vezes gasta e prostituída pelos dois lados da trincheira, só sobrevive quando lhe é permitido correr o risco do erro e do desvario.
A palavra livre não cabe dentro de nenhuma caixa de ferro estatal
TALENTO SEM FRONTEIRASEm quatro filmes cotados para o Oscar, a atriz Sandra Hüller se tornou uma grife cobiçada pelo cinema europeu e por Hollywood, com atuações de intensidade discreta que roubam a cena
VIRADA INÉDITAPor que Flávio Bolsonaro perdeu uma eleição em que saiu na frente?Campanhas avaliam erros e acertos no segundo turno, da mobilização nas ruas à estratégia digital, passando pela relação com o mercado e o eleitorado religiosoDiego Amorim
26/10/2026
Diego Amorim
Neste dia seguinte ao resultado das eleições de 2026, são muitas as análises e opiniões sobre o que pode ajudar a explicar uma virada inédita entre o primeiro e o segundo turnos numa corrida presidencial no Brasil.
O PlatôBR elenca 13 pontos que, desde ontem à noite, estão sendo aventados e discutidos nas duas campanhas, a vitoriosa de Lula e a derrotada de Flávio Bolsonaro.
‘Já ganhou’ e ‘salto alto’
A euforia que tomou conta de Flávio e de seus aliados após o primeiro turno foi difícil de reverter. Muitos se apressaram em montar o governo, pensar em nomes para o STF e planejar a relação com o Congresso. Era cedo demais.
‘Menos Janja, mais Alckmin’
Para o segundo turno, Lula mexeu na campanha depois do baque. Trouxe “sangue novo”, com governadores e ex-governadores do Nordeste. Aceitou o efeito Janones fora da campanha oficial. E ajustou narrativas, sobretudo no tema da segurança pública. Foi menos identitário e mais pragmático. Pode ter, assim, conseguido reduzir resistências.
O ‘exército’ de Janones
Sim, o canal de WhatsApp de André Janones foi um fato novo e surpreendente, que trouxe a esquerda para o jogo das redes sociais, onde a direita sempre havia dominado. Fez a diferença.
‘Tapete vermelho’ antes nas ruas
Depois do baque do primeiro turno, a esquerda não demorou a ir para as ruas. Enquanto Nikolas Ferreira fazia a programação do “Bloquinho do 22”, estudantes e famílias eleitoras de Lula já ocupavam espaços nas cidades. Não era um movimento organizado pela CUT ou pelo MST, mas algo que parecia espontâneo. Teve peso.
A busca por eleitores
A ofensiva para diminuir a abstenção foi puxada pela campanha do PT. Flávio não teve o mesmo êxito. Lula conseguiu tirar de casa muita gente que não votou no primeiro turno e que queria evitar a volta do bolsonarismo. Teve efeito.
Cadê os aliados?
Enquanto isso, muitos — muitos mesmo — aliados de Flávio que venceram a eleição no primeiro turno foram descansar e celebrar, acreditando que o candidato do PL seria eleito.
E os outros candidatos?
Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury declararam apoio a Flávio no segundo turno, mas, para não dizer que sumiram, não participaram da campanha como Flávio esperava. Criou-se um vácuo na transferência de votos.
E os eleitores dos outros candidatos?
Além disso, a militância bolsonarista não “acolheu” os eleitores de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos. Pelo contrário. Nas redes sociais, os votos desse grupo foram subestimados, e os embates eram constantes.
A ‘Marçalização’ de Flávio
Trazer Pablo Marçal para perto no segundo turno foi, sem dúvida, um dos grandes erros da campanha do PL. O deboche, o sarcasmo e a ironia não funcionaram. A zombaria de jovens eleitos de direita, com dancinhas e chacotas com os derrotados da esquerda, pode ter passado uma impressão ruim para o eleitorado de centro e independente.
Debates da Band e da Globo
A postura de Flávio incomodou parte do eleitorado, sobretudo os mais velhos. Os embates televisivos viraram um duelo de imagens: a de um “jovem arrogante” contra a de um “velhinho”, chamado de “nove dedos” pelo candidato do PL, em um erro que pode ter sido fatal. O eleitorado brasileiro, em geral, ainda é muito sensível a esse tipo de situação.
Faria Lima
A relação de Flávio com o mercado ao longo de toda a campanha foi marcada por idas e vindas e pela desconfiança. A Faria Lima queria respostas concretas, que não chegaram. Faltou segurança.
Reação do Nordeste
Será que o vídeo de Nikolas Ferreira, com uma visão bastante estereotipada do Nordeste, provocou efeito contrário? É uma pergunta que o mundo político se faz. Se tem uma coisa de que o nordestino não gosta é de ser tachado de “pobre sofrido”.
E os evangélicos?
Flávio não conseguiu a adesão do mundo evangélico como o pai, Jair. Sobretudo para mulheres evangélicas, pode ter sido difícil engolir a imagem de um fiel acusado de participar de orgias com garotas de programa. Não é um apoio simples de conquistar nessas condições.
André Janones
Eleições 2026
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O "Tetra Fake" Nacional e a Lição do "Bi de Fato" em Juiz de Fora: A Democracia Calça Sandálias de Humildade
A análise apressada dos números eleitorais costuma ser terreno fértil para a soberba política. Nacionalmente, setores da esquerda apressam-se em carimbar as vitórias presidenciais de 2002, 2006, 2022 e 2026 como um "tetra" contínuo e incontestável de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se, contudo, de um tetra fake. O conceito de tetracampeonato evoca linearidade, hegemonia ininterrupta e consolidação absoluta de um projeto de poder — elementos inexistentes em um país que viveu um hiato de 16 anos de alternância, instabilidade e forte avanço conservador entre esses mandatos. O verdadeiro triunfo político não reside na contabilidade fantasiosa de taças distantes, mas na solidez do bi de fato e de direito conquistado no microcosmo de Juiz de Fora.
Na "maior das menores cidades" de Minas Gerais, a eleição de outubro de 2026 desenhou um cenário de soberania real e contínua dentro das próprias urnas locais. Diferente do sufoco nacional, onde o presidente precisou buscar uma virada inédita, o eleitorado juiz-forano entregou a liderança a Lula tanto em 4 de outubro (com 49,58% dos votos válidos no primeiro turno) quanto em 25 de outubro (expandindo a hegemonia para 57,66% no segundo turno). Esse "bi" num mesmo mês, consolidado degrau por degrau, oferece uma lição de realismo tático que o plano nacional insiste em ignorar.
Essa dinâmica evoca o antídoto perfeito contra o salto alto na política. Como já cantava Noel Rosa em sua crítica cirúrgica a "essa mania" de grandeza e exibicionismo, a política que se descola da realidade desafina na apuração. A resposta para o sucesso duradouro do campo progressista na Zona da Mata está no oposto da arrogância: está na humildade do "pé no chão", uma sabedoria há muito moldada pelos sambistas de Juiz de Fora — cujo fazer tradicional e as agremiações locais foram elevados a Patrimônio Cultural Imaterial do Município.
O samba juiz-forano, com seus baluartes e estandartes, sempre entendeu que ninguém cruza a linha de chegada desfilando sozinho. Quando a esquerda local reconheceu que as suas bandeiras particulares pesam menos do que a caminhada conjunta com as forças democráticas, ela construiu frentes amplas capazes de vencer sem dar vexame. Os estandartes do samba e os da política real se encontram na mesma avenida: aquela que entende a democracia como um valor universal, plural e que exige constante negociação.
O "bi de fato" de Juiz de Fora em 2026 prova que a hegemonia não se decreta com petulância ou narrativas de falsos títulos acumulados no passado. Ela é construída no presente, com a modéstia de quem sabe ouvir o ritmo das ruas e a pluralidade do eleitorado. Menos exibicionismo, mais pé no chão.
JOSÉ CASADOATRAÇÃO FATALCOMEÇA na segunda-feira 26 o evento legislativo mais importante da temporada pós-eleição: a corrida de deputados e senadores para “ajudar” o vencedor da disputa presidencial. Acontece a cada quatro anos e só acaba quando termina a lua de mel do novo governo com o eleitorado, fogo-fátuo da política e cada vez mais efêmero na América do Sul.
Seja Lula ou Flávio Bolsonaro, não será difícil ao presidente eleito, mesmo sem maioria no Congresso, começar com apoio parlamentar muito além dos limites da bancada de aliados, circunscrita a dois em cada dez votos na Câmara e no Senado.
Isso se deve a uma peculiaridade do mapa das desigualdades regionais: fazer oposição é complicado para representantes de cidades pequenas (com até 20 000 habitantes) ou de regiões como o Nordeste, onde há mais dependentes dos programas de transferência de renda do governo federal do que empregados com carteira assinada.
Quanto mais frágeis a economia e o mercado de trabalho regionais, maior é a necessidade de socorro federal. Um retrato da dependência está na carta de Lula aos 5 569 prefeitos e 58 000 vereadores de todo o país, divulgada 96 horas antes do segundo turno da eleição para presidente. Ele lembra as transferências de verbas vitais para os serviços municipais de saúde, educação, assistência social e habitação, além de sustentar a folha salarial das prefeituras, principais empregadoras em oito de cada dez cidades do interior.
A dependência é relevante sobretudo nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, onde vivem 68 milhões de eleitores — dois milhões a mais que no rico Sudeste. É melhor sofrer no poder do que longe dele, repetia Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia. Por isso, o magnetismo do caixa de Brasília permeia o oceano de histórias do poder.
Uma delas aconteceu em 2023, quando Lula ainda nem completara noventa dias de atual mandato. Primaz no aglomerado parlamentar conhecido como Centrão, o partido Progressistas estava desnorteado com a derrota e a tentativa de golpe de Estado de Jair Bolsonaro, a quem havia sustentado no Congresso nos últimos dois anos de governo.
“Vai começar a corrida para ‘ajudar’ o vencedor da eleição presidencial”
O PP nascera na fusão de grupos conservadores abrigados na antiga Aliança Renovadora Nacional (Arena), esteio parlamentar da ditadura. Apoiou todos os presidentes das últimas três décadas (Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula em três governos). Associado ao Partido dos Trabalhadores, na década passada foi protagonista em processos do mensalão e da corrupção na Petrobras — destacando-se, nesse caso, pelo maior número de políticos investigados (18).
Fez-se uma reunião para definir objetivos do PP no novo mundo de Lula. Com a naturalidade de quem havia chefiado a Casa Civil de Bolsonaro até três meses antes, o senador Ciro Nogueira propôs reescrever a história da década de alianças com Lula e o PT migrando para a oposição.
— Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas, ô Ciro, ensina aí pra gente como é ser oposição — alguém provocou.
Foi quando o deputado “Lula”, Luiz Eduardo, de 22 anos e quatro oligarquias pernambucanas no sobrenome (Queiroz Campos da Fonte Albuquerque), atalhou: — É, tio, mas esse negócio de óculos Ray-Ban, sapato branco e oposição só fica bonito nos outros…
O riso traduziu a memória coletiva sobre arranjos que levaram o PP e outros partidos da direita tradicional a atravessar este início do século XXI aglomerados no Centrão.
Três semanas atrás, renovou-se a moldura do bloco no Congresso. Ganharam realce as facções da extrema direita que gravitam em torno de Jair Bolsonaro, sujeito oculto de uma eleição que não teve candidato de centro. É notável que o avanço dos extremistas tenha sido impulsionado por pessoas e partidos que escolheram fazer política à margem e até mesmo contra a direita tradicional, centrista, moderada e geralmente educada no uso de garfo e faca. Aglutinada no Partido Liberal de Flávio Bolsonaro e no seu satélite, o Novo, a extrema direita deglutiu o Centrão nas urnas. Dobrou de tamanho no Senado e até tomou uma fatia (10%) do dinheiro dos fundos partidário e eleitoral que passa pelo caixa dos partidos do Centrão.
Rachada na eleição, a direita segue dividida no Congresso. Para o presidente eleito será incontornável: vai precisar negociar com o Centrão, dono de 49% dos votos na Câmara e de 40% no Senado, cada vírgula de cada projeto. É atração fatal. ◼
PERFILTALENTO SEM FRONTEIRASEm quatro filmes cotados para o Oscar, a atriz Sandra Hüller se tornou uma grife cobiçada pelo cinema europeu e por Hollywood, com atuações de intensidade discreta que roubam a cenaPASSADO Em A Terra do Meu Pai: protagonista viaja pela Alemanha dividida no pós-guerra com o pai, o autor Thomas Mann
50ª mostra > filmes > A Terra do Meu Pai
No verão de 1949, no ápice da Guerra Fria, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann e sua filha Erika embarcam em uma emocionante viagem a bordo de um Buick preto pelas ruínas da Alemanha, partindo de Frankfurt sob domínio estadunidense até a Weimar sob controle soviético. De volta ao lar após 16 anos de exílio nos EUA, o escritor é forçado a confrontar não apenas os destroços de uma nação dividida, mas também as feridas irremediáveis de sua própria família. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.
polônia
alemanha
itália
frança
história
memória
família
identidade
política
arte e cultura
cinebiografia
da palavra à imagem
filmes premiados
festivais internacionais
trailer
ficha técnica
direção
Paweł Pawlikowski
roteiro
Paweł Pawlikowski, Henk Handloegten
fotografia
Łukasz Żal
montagem
Piotr Wójcik, Paweł Pawlikowski
som
Oliver Achatz
música
Marcin Masecki
design de produção
Katarzyna Sobańska, Marcel Sławiński
elenco
Hanns Zischler, Sandra Hüller, August Diehl, Devid Striesow, Joachim Meyerhoff
produção
Jeanne Tremsal, Mario Gianani, Ewa Puszczyńska, Edward Berger, Lorenzo Gangarossa, Lorenzo MIeli, Dimitri Rassam
produzido por
Nine Hours, Extreme Emotions, OUR Films, Chapter 2
coproduzido por
Canal+ Polska, Wroclaw Feature Film Studio, Lower Silesia Film Centre, Silesia Film Institution, Arte France Cinéma, Pathé
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A Terra do Meu Pai
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Paweł Pawlikowski
Paweł Pawlikowski
Silêncio de um MinutoMaria BethâniaSilêncio de um minutoNoel RosaTeu silêncio absoluto
Obrigou-me a confessar
Que o meu samba está de luto
Meu violão vai soluçarNoel Rosa - Silêncio de um minuto (Aracy de Almeida)Noel Rosa
11 de abr. de 2013
Noel Pela Primeira Vez (Volume 6 CD 11 Faixa 10)
Intérprete: Aracy de Almeida // Músicos: Radamés Gnattali (arranjador) e sua Orquestra.
Composição: Noel Rosa
Ano da Composição: 1935
Não te vejo e não te escuto
O meu samba está de luto
Eu peço o silêncio de um minuto
Homenagem a história
De um amor cheio de glória
Que me pesa na memória
Nosso amor cheio de glória
De prazer e de emoção
Foi vencido e a vitória
Cabe à tua ingratidão
Tu cavaste a minha dor
Com a pá do fingimento
E cobriste o nosso amor
Com a cal do esquecimento
Teu silêncio absoluto
Obrigou-me a confessar
Que o meu samba está de luto
Meu violão vai soluçar
Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor
O meu luto é saudade
E saudade não tem cor
Por Samuel Machado Filho:
"Samba composto em 1935, porém só lançado em disco no ano de 1940, na interpretação de Marília Batista, em versão resumida. Neste registro, Aracy de Almeida, canta a letra completa. Gravação Continental de 27 de março de 1951, lançada em maio-junho seguintes sob n.o 16391-B, matriz 2587, no segundo dos dois álbuns de 78 rpm que Aracy
dedicou à obra noelina."
Flávio perdeu eleição por abrir a boca e mostrar sua ignorância, diz Lynch.Meio
26 de out. de 2026 #flaviobolsonaro #lula #eleições2026
O que levou Lula a vencer o segundo turno das eleições de 2026? Para o cientista político Christian Lynch, Flávio Bolsonaro é o candidato mais desqualificado da história do Brasil. Veja neste corte do Central Meio de 26 de outubro de 2026 uma análise sobre os fatores que derrubaram Flávio Bolsonaro.
Assista completo em: https://youtube.com/live/VMKjQvAdiD8
O artigo de opinião assinado por Luiz Carlos Azedo para o Correio Braziliense apresenta um cenário político hipotético para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no qual Luiz Inácio Lula da Silva conquistaria um quarto mandato após uma vitória de virada sobre Flávio Bolsonaro. O texto projeta um resultado de 51,74% dos votos válidos para Lula contra 48,26% de seu adversário, em meio a relatos de problemas logísticos no transporte público e desafios de governabilidade frente a um Congresso com forte presença da oposição. Você pode ler a análise completa no Correio Braziliense.
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Mesmo com locaute, Lula vence Flávio de virada e conquista quarto mandato, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseA recuperação de Lula veio de uma reação vigorosa da sociedade civil, que devolveu o movimento à campanha, com presença nas ruas e mobilização digital
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu quarto mandato numa virada espetacular sobre Flávio Bolsonaro. Derrotado no primeiro turno, quando recebeu 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do adversário, recuperou a iniciativa e venceu de forma inequívoca. Quando o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu sua reeleição, às 21h08, com 97,69% da apuração concluída, tinha 51,74%, contra 48,26% do senador: uma vantagem de aproximadamente 4,2 milhões de votos. O resultado reafirma a capacidade de sobrevivência e de mobilização, inclusive da juventude, do principal líder popular da nossa história contemporânea.
A vitória ocorreu apesar das dificuldades de acesso às urnas, num domingo marcado por denúncias de locaute no transporte coletivo. Ônibus retidos, frotas insuficientes e longas esperas atingiram sobretudo quem depende dos serviços públicos para exercer a cidadania. A intenção deliberada de impedir votos precisa ser investigada. Oferecer transporte insuficiente numa eleição significa transformar a desigualdade social em obstáculo ao sufrágio.
O Ministério da Justiça identificou falhas em sete estados. Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou a recomposição integral da frota e ordenou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A prefeitura atribuiu os problemas à necessidade de retirar propaganda eleitoral dos veículos. A explicação terá de ser confrontada com a fiscalização e os registros da operação.
A atuação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, também exige avaliação crítica. À tarde, reconheceu dificuldades, mas afirmou que estavam sendo corrigidas. Somente às 16h44 veio a notícia de sua determinação para que autoridades eleitorais da Bahia prestassem esclarecimentos em meia hora, ou seja 16 minutos antes do fim da votação. Coube ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo, estender a votação até as 19h, nas seções cujas urnas ainda estavam abertas. As já encerradas não puderam receber novos eleitores.
O episódio se somou às controvérsias sobre o canal “Exército do Lula”. Nunes Marques havia determinado sua suspensão em decisões posteriormente revertidas. Na reta final, uma nova disputa exigiu intervenção do ministro Floriano Azevedo Marques para preservar o canal até análise colegiada. Fiscalizar propaganda e reprimir desinformação são deveres da Justiça Eleitoral. Exercê-los exige critérios transparentes e proporcionais, especialmente quando a intervenção pode desmobilizar milhões de apoiadores às vésperas da votação.
Desafios permanecem
Lula também precisou enfrentar suas próprias limitações. O primeiro turno desfez a expectativa de que a experiência presidencial e as realizações sociais bastariam para assegurar a liderança. O custo de vida, o endividamento e a insegurança alimentaram o desejo de mudança. A defesa da democracia precisava encontrar tradução nas preocupações de quem termina o mês sem dinheiro ou convive com o domínio territorial do crime.
Flávio explorou essas vulnerabilidades com acusações de corrupção, críticas ao preço dos alimentos e promessas de repressão mais dura. Procurou associar Lula à tolerância com criminosos e ao desgaste dos escândalos. Houve falsidades verificadas, como a afirmação de que Lula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens. No debate da Band, acusações recíprocas empobreceram a escolha oferecida ao eleitor.
A recuperação de Lula veio de uma reação vigorosa da sociedade civil, que devolveu o movimento à campanha, com presença nas ruas e mobilização digital, focadas no eleitor inclinado à abstenção. Deu certo: a ausência às urnas, mesmo com o locaute, caiu de 21,08% para 19,21%. Lula conseguiu transformar uma posição defensiva numa convocação popular, recuperando a ligação entre sua trajetória e as expectativas de proteção social.
Entretanto, a vitória presidencial não reverteu o resultado do Congresso. O PL conquistou 121 cadeiras na Câmara e elegeu 19 senadores. No Senado, terá 28 integrantes, enquanto o PT permanece com nove. O bolsonarismo perdeu o Planalto, mas ampliou instrumentos de pressão, fiscalização e bloqueio. A composição da Casa acirrará as disputas sobre indicações, competências do Judiciário e iniciativas contra ministros do Supremo.
O quarto mandato começará, portanto, com legitimidade renovada e governabilidade difícil. Lula precisará construir maiorias sem entregar o comando do orçamento, preservar políticas sociais com financiamento sustentável e enfrentar o crime organizado com coordenação nacional e resultados concretos. Terá de elevar produtividade, melhorar serviços e defender a autonomia internacional do Brasil. Também precisará preparar uma renovação política que sobreviva à sua liderança. A virada demonstrou sua força pessoal; o desafio será convertê-la em instituições confiáveis e melhorias duradouras na vida da população.
A célebre frase atribuída ao ex-ministro Antônio Delfim Netto sintetiza de forma pragmática a visão do exercício político e da tecnocracia durante o período do regime militar no Brasil: "Poder é o poder de permanecer no governo. O Poder não é absoluto. Mas é melhor relativo no poder que contra ele."
Essa declaração ilustra a lógica de sobrevivência e manutenção da influência política por meio do pragmatismo, indicando que, mesmo em um cenário onde o poder é limitado ou compartilhado (relativo), estar dentro da estrutura governamental é sempre estrategicamente superior a estar na oposição ou fora do centro decisório. Delfim Netto expressou esse pensamento para justificar a resiliência e a continuidade de atores políticos e técnicos na máquina estatal ao longo de diferentes arranjos e tensões de poder da época.
A alma mater do professor Antônio Delfim Netto é a Universidade de São Paulo (USP).
Ele graduou-se em Ciências Econômicas e Administrativas no ano de 1951 pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP). Na mesma instituição, concluiu seu doutorado com uma tese focada no café e construiu uma sólida trajetória acadêmica, tornando-se professor catedrático (e posteriormente Professor Emérito).
A ligação de Delfim Netto com a USP era tão profunda que ele costumava declarar: "Sem a USP, eu não seria nada". Em vida, ele oficializou a doação de seu vasto acervo particular — uma biblioteca gigantesca com mais de 100 mil livros e periódicos — para a própria FEA-USP.
Mateus 7:21 Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus.6. Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. — Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? — Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade. (S. Mateus, 7:21 a 23.)
7. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. — Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. — Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína. (S. Mateus, 7:24 a 27; S. Lucas, 6:46 a 49.)
8. Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no reino dos céus aquele que os cumprir e ensinar. (S. Mateus, 5:19.)
9. Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! — Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: “Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniquidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade.”
São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranquilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia: o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão.
Leitura do ESE, capítulo XVIII -Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos CéusMadô Espírita
Transmitido ao vivo em 28 de jul. de 2020 Momento de reflexão - Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo
Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo
Capítulo XVIII, do item 06 ao 09 - Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos Céus
Apresentador: Adelvair David
Realizado em 28 de Julho de 2020, Terça Feira
Aqui está a transcrição completa do texto contido na imagem:Diversos oradores se fizeram ouvir, inclusive discípulos de Eurípedes, dentre os quais o Sr. Zenon Zoroastro Borges, cujas palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações.
Eurípedes dirige-se aos amigos, em lágrimas. Emocionava-se ante a demonstração coletiva de simpatia, mas roga aos irmãos queridos terminem ali o programa comemorativo. A misericórdia do Pai já havia descido, por acréscimo, anulando os esforços da Justiça humana; agora era necessário esquecer o resto, a fim de que o Ato Divino não fosse envolvido pelas sombras de nossa incompreensão. A vingança só deveria ser usada para a prática do Perdão.
Não obstante o discurso de Eurípedes, vasado em sublimes expressões de Amor, os manifestantes revelaram seu intuito irrevogável de festejar, durante algumas horas a grande vitória do Bem. Era um direito, que lhes assistia. Ninguém oporia diques à alegria que jorrava das almas, como cascatas buliçosas e incontroláveis.
Eurípedes fala novamente ao povo amigo. Ante a decisão inabalável da sua gente, resta-lhe suplicar ordem, caridade e paz. Que o próximo fosse respeitado em tudo. Que não exorbitassem os amigos nas demonstrações jubilares para não ferir suscetibilidades.
A cidade, pequenina e pacífica, apresentava o aspecto inusitado de grande centro convulsionado por massa humana e foguetório, em dia de grande gala.
A noite chegara. As comemorações culminaram com o cortejo fúnebre simbólico, onde não faltaram velas, tochas e discursos. O defunto era o processo criminal, colocado num caixão de madeira.
Encerrava-se, assim, o triste episódio com lances paradoxais de euforia popular.
Era a suprema resposta ao Benfeitor, que há muito se identificara com o Senhor "pelo emprego dos seus dons, pelo valor de suas realizações e pelas obras que deixava, em torno dos próprios pés." (63)
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(63) Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psic. Francisco C. Xavier, Ed. FEB, Rio, RJ, 6ª Ed., cap. 165.
Eurípedes – o Homem e a Missão
195
Palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações.Da emancipação da alma- Audiobook de "O Livro dos espíritos" de "Allan Kardec" - Parte SegundaSussurros de Tinta
Introdução ao estudo da doutrina espírita
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Capítulo VIII — Da emancipação da alma
O sono e os sonhos.
400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal?
“É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação, e tanto mais deseja ver-se livre do seu envoltório, quanto mais grosseiro é este.”
401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
“Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. ”
402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?
“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potência e pode pôr-se em comunicação com outros Espíritos, quer neste mundo, quer noutro. Dizes frequentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião. Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro. “Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos?
“O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disse um santo.
“Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença; há homens que não cuidam de conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida.
“Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar em contato com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio.
“O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. Vossos sonhos nem sempre refletem a ação da alma em seu pleno desenvolvimento; são, muitas vezes, apenas a lembrança da perturbação que experimenta à sua partida ou no seu regresso ao corpo, acrescida da relativa ao que fizestes ou do que vos preocupa quando em vigília. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.
“De resto, dentro em pouco vereis desenvolver-se outra espécie de sonhos. Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos. São recordações guardadas por almas que se desprendem inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludi.
“Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos, entre os de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.”
Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da presente existência ou de existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter.
A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam.
403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?
“Naquilo que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo tem dificuldade em conservar as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.”
404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?
“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de sorte, pois é absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, frequentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. Amiúde, são também, como atrás dissemos, uma recordação. Por fim, podem algumas vezes ser um pressentimento do futuro, se Deus o permitir, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?”
405. Acontece com frequência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, mas que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto?
“Pode suceder que tais pressentimentos venham a se confirmar apenas na experiência do Espírito, e não na do corpo; isto é, o Espírito vê aquilo que deseja porque vai ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma sempre está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas ideias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma ideia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa ideia.”
406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem atos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação?
“De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre aquilo em que eles pensam. Ademais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências.”
407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?
“Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre quanto mais fraco for o corpo.”
Assim é que quando estamos apenas adormecidos, ou em simples modorra, frequentemente vemos imagens idênticas às que se apresentam nos sonhos.
408. Parece-nos algumas vezes ouvirmos em nós mesmos palavras pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa. Qual a razão disso?
“É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, algumas vezes, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar.”
409. Outras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação?
“Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se fosse completo o sono, já seria sonho.”
410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas ideias?
“Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de mais faculdades. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.”
a) – De que servem essas ideias e esses conselhos, se lhes perdemos a lembrança, não os podendo aproveitar?
“Algumas vezes essas ideias mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Com mais frequência, porém, se o corpo as esquece, o Espírito as retêm, e voltam no momento necessário, como uma inspiração súbita.”
411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?
“Frequentemente acontece pressenti-la. Algumas vezes também sucede ter nítida consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.”
412. Pode a atividade do Espírito durante o repouso ou sono corporal fatigar o corpo?
“Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo.”
Afaste a tristeza.
A alegria do seu coração
mostra o seu pensar positivo.
No artigo publicado em O Estado de S. Paulo, Luiz Sérgio Henriques analisa os riscos que o avanço da extrema direita representa para a democracia, no Brasil, nos Estados Unidos e em outras nações ocidentais. O autor destaca que a essência da democracia não está apenas na realização de eleições, mas, sobretudo, no respeito às regras institucionais, à Constituição e aos resultados das urnas, mesmo quando desfavoráveis aos próprios interesses políticos.
Recorrendo aos episódios de invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, e aos atos golpistas de Brasília, em janeiro de 2023, o articulista demonstra como a rejeição das derrotas eleitorais e as tentativas de concentração de poder ameaçam os fundamentos democráticos. No caso brasileiro, considera que a responsabilização dos envolvidos nos ataques às instituições confirma a capacidade de resistência da ordem constitucional, embora não elimine os riscos de novas investidas contra ela.
Henriques também critica propostas que possam favorecer a alteração das regras constitucionais em benefício de interesses pessoais ou eleitorais. Ao final, defende que democratas de todas as correntes políticas — esquerda, centro e direita constitucional — superem suas divergências e reconstruam um compromisso comum com a democracia, isolando os extremismos e preservando a integridade das instituições.
A mensagem central do artigo é inequívoca: na democracia, não basta disputar o poder e vencer eleições; é indispensável respeitar as regras do jogo, aceitar as derrotas e garantir que nenhum governante esteja acima da Constituição.
As regras do jogo - EstadãoO artigo de Luiz Sérgio Henriques publicado no O Estado de S. Paulo argumenta que a preservação da democracia exige o compromisso incondicional com as regras do jogo eleitoral diante do avanço de uma extrema direita subversiva. O texto destaca que a estabilidade institucional brasileira permanece vigente, mas alerta contra tentativas de manipular normas constitucionais e enfatiza a necessidade de um cordão sanitário democrático contra o extremismo. Você pode ler a análise completa em O Estado de S. Paulo.
domingo, 25 de outubro de 2026
As regras do jogo, por Luiz Sérgio Henriques*O Estado de S. PauloNão é possível escolher o terreno da luta, mas pode-se fixar o objetivo comum de restabelecer a integridade do espectro político
Não é nada incomum, na política e na vida, ter de agir sob a pressão inclemente da força das coisas. Num momento em que a recessão democrática se espalha em países-chave do Ocidente, é obrigatório valorizar os fundamentos mais elementares da nossa crença comum ou, para ser mais enfático, da nossa escolha de vida. Somos democratas – de esquerda, direita ou centro – e nos habituamos a considerar como intocável o compromisso com eleições justas e livres, embora os fins pelos quais lutamos possam divergir. Numa formulação um tanto mais teórica, por princípio interessa-nos menos o resultado do jogo do que as regras sob as quais ele é jogado.
A espantosa novidade dos nossos dias é o surgimento de uma extrema direita abertamente subversiva, que, violando regras, se lança sobre todas as instâncias da ordem democrática, sem exclusão das estritamente liberais. Pode até acontecer a eleição regular de um líder supremo, desde que se preserve a ligação direta com as massas. Por isso, logo em seguida, busca-se corroer os instrumentos liberais que limitam o poder pessoal e atuam como freio à autocratização. A ascensão aparentemente irresistível dessa nova direita, respeitadas as particularidades dos mais variados contextos, indica que ela não é o resultado da ação fortuita de líderes talentosos ou adversários destituídos de capacidades mínimas, ainda que uns e outros de fato existam.
Deixemos de lado as condições de possibilidade da “direita revolucionária” e examinemos os casos críticos do Brasil, hoje, e dos Estados Unidos, com as eleições legislativas de 3 de novembro. As vicissitudes que atingiram as duas maiores democracias americanas confirmam, além de qualquer dúvida razoável, o elevado risco que correram – e correm. O presidente Donald Trump invariavelmente se autoproclama vencedor integral de três eleições seguidas, quando só numa delas, em 2024, levou a melhor tanto no voto popular quanto no colégio eleitoral. E o motim deflagrado contra o Capitólio, em janeiro de 2021, por ocasião da derrota para o presidente Joe Biden, serviria como modelo insurrecional para os fatos de Brasília em janeiro de 2023, ao se frustrar a reeleição do então presidente Jair Bolsonaro.
É preciso reconhecer nisso a transgressão de mais uma pedra fundamental da nossa crença, estabelecida com acuidade por Adam Przeworski. A democracia, segundo este cientista político, é “o sistema em que partidos perdem eleições” e, por isso, são absolutamente ilegítimos atos insanos ou desesperados. As palavras de Przeworski parecem modestas e são cortantes. Sugerem recuo para uma definição mínima e, na verdade, estabelecem um ponto além do qual a forma de vida já é outra, moldada pelo que tem sido o “subversivismo elementar” de boa parte dos maiores responsáveis pela grande transformação em curso.
À luz dessa concepção mínima, o Brasil continua a ser uma democracia. Realiza eleições regulares, faz prevalecer seus resultados e dispõe de instituições capazes de responsabilizar quem tentou subvertê-los. As condenações pelos atos de Brasília, longe de desmentirem essa condição, confirmam a vigência da ordem constitucional. Nem os escândalos e desvios que atingem a República autorizam a conclusão contrária. Mas seria imprudente supor que uma Constituição nascida das lutas contra o arbítrio esteja imune a novas tentativas de alterar as regras do jogo.
Por este motivo, não faz parte do repertório legalmente constituído – e, portanto, por si só causa justificada apreensão – a mal-ajambrada pretensão de reforma constitucional veladamente exposta pelo senador Flávio Bolsonaro. A pretexto de liquidar o instituto da reeleição e abrir mão da disputa em 2030, o senador parece reivindicar – ou deixar ao acaso de eventual maioria legislativa – a extensão de hipotético mandato que agora conquiste. Ainda uma vez, o que se evidencia é tanto a tentação de obter um resultado altamente questionável quanto o desprezo cínico pelas regras do jogo. Mandatos legítimos, uma vez conquistados, não devem ser prorrogados depois de conferidos pelas urnas.
Para sair da conjuntura crítica, os democratas de todo o espectro – aqui, nos Estados Unidos e em muitos outros países – enfrentam suas próprias contradições e dificuldades. O centro político, por exemplo, está em retirada, incapaz como foi de uma candidatura presidencial que funcionasse como alternativa. A direita constitucional está desafiada continuamente a se afastar da nova direita subversiva. E a esquerda, muito variada internamente, nem sempre escapa à tentação suicida de uma polarização catastrófica para os fins de mudança social a que aspira.
Não é possível escolher o terreno da luta, mas pode-se fixar o objetivo comum de restabelecer a integridade do espectro político, com independência das siglas que o componham. O intuito é refazer, o quanto antes, aquele “cordão sanitário” em torno do extremismo – aliás, não só de direita – que ajudou a preservar as democracias modernas.
Entre estas, afinal, com altos e baixos, nos situamos orgulhosamente desde 1988.
*TRADUTOR E ENSAÍSTA, É COEDITOR DAS ‘OBRAS’ DE GRAMSCI NO BRASIL
domingo, 25 de outubro de 2026
Lula ou Flávio, a sorte, as virtudes e o papel do indivíduo na história, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseTodo aventureirismo é perigoso. O governante sem limites é aquele que considera legítimo remover qualquer obstáculo à própria vontade
“Aquele que menos se apoiou na sorte reteve o poder mais seguramente.” A advertência de Nicolau Maquiavel, no capítulo VI de O príncipe (Hemus), merece reflexão neste domingo. Conquistar o governo e saber governar são capacidades distintas. As circunstâncias podem abrir as portas do poder a quem não construiu os meios para exercê-lo. A virtù permite aproveitar a fortuna e enfrentar suas consequências. Essa correlação ajuda a compreender a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, que aspira à Presidência.
Para o pensador florentino, virtù não significa bondade, pureza de intenções ou obediência à moral religiosa, mas capacidade política, ou seja, discernimento, coragem, flexibilidade e competência para agir diante das circunstâncias. Já a fortuna são essas contingências, abrange acontecimentos que escapam à vontade do governante. Nenhum dirigente controla integralmente o destino, mas é possível se preparar para as tempestades e aproveitar os ventos favoráveis.
Diante dessa lição de Maquiavel, qual é o papel do indivíduo na história? Atribuir tudo aos grandes personagens subestima os movimentos sociais que os embalam. Submetê-los integralmente a forças impessoais também falseia a compreensão dos acontecimentos. Entre o carisma do líder e o peso das estruturas há o espaço da ação política, no qual decisões individuais podem ampliar possibilidades, desperdiçar oportunidades ou precipitar os desastres.
Karl Marx mostrou essa tensão no passagem de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (Boitempo), a maior reportagem política já escrita, que relata a segunda restauração da monarquia após a Revolução Francesa : “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.
Essa frase ilumina as trajetórias de Lula e Flávio quanto aos limites da vontade. Os candidatos são expressão de interesses, expectativas e conflitos, mas suas escolhas diante das contradições do processo político decidem o destino de todos nós. Lula cumpriu esse papel com notável destaque. Sua trajetória reúne experiências vividas da transição social do Brasil rural para o urbano: a migração nordestina, o trabalho industrial, o sindicalismo, a resistência à ditadura e a organização partidária dos trabalhadores.
Sua liderança nasceu das greves do ABC, ganhou expressão nacional com a fundação do PT e alcançou a Presidência depois de três derrotas eleitorais. Não é fruto de um golpe de sorte, muito pelo contrário. Essa resiliência não o torna infalível ou dispensa o julgamento de seus governos. Sua habilidade de conciliação produziu acomodações e suas alianças agora cobram o preço de concessões e contradições. A biografia excepcional não responde automaticamente aos problemas do presente. A experiência pode produzir prudência, mas também alimentar a confiança excessiva em soluções que podem já não dar certo.
Quando os tempos mudam
A presença de Lula no poder não pode ser explicada como um acidente eleitoral. O presidente que busca o quarto mandato ajudou a organizar as forças que o projetaram e promoveu o reconhecimento, a participação e a inclusão dos mais pobres. Sua genialidade política foi transformar experiência pessoal em identificação coletiva. Lula ganhou dimensão histórica porque soube representar milhões de pessoas que procuravam um lugar nas decisões nacionais.
Entretanto, como já dizia Maquiavel, a maior virtude do governante é perceber quando os tempos mudam e não subestimar os adversários. Flávio Bolsonaro ocupa posição distinta. Tem carreira parlamentar, foi deputado estadual e chegou ao Senado; mostrou ser incorreto tratá-lo como estreante. Entretanto, sua projeção nacional está inseparavelmente ligada ao patrimônio político do pai. Não apresenta trajetória equivalente de organização social, construção partidária ou direção do Executivo. A diferença em relação a Lula ultrapassa a idade: envolve a origem e a autonomia da liderança.
É nesse sentido que a imagem do príncipe aventureiro de Maquiavel se ajusta à candidatura de Flávio. O filho do ex-presidente Bolsonaro pode alcançar o poder beneficiado por circunstâncias que não criou: o desgaste do adversário, a rejeição ao PT e a disponibilidade de uma identidade política herdada. A fortuna, aqui, tem sobrenome, base eleitoral e estruturas de mobilização. O risco começa quando essa herança é apresentada como capacidade para governar e resgata uma experiencia fracassada quanto ao seu humanismo.
Todo aventureirismo é perigoso quando a ambição é maior do que a responsabilidade democrática. O príncipe sem limites é aquele que considera legítimo remover qualquer obstáculo à própria vontade. Na República, o Congresso e a Justiça, as demais instituições democráticas, a sociedade civil, a imprensa e a oposição têm funções que transcendem ao resultado eleitoral, principalmente nos momentos de crise. A vitória concede um mandato temporário subordinado à Constituição. Não entrega ao vencedor a propriedade do Estado.
E o voto secreto, direto e universal, na urna eletrônica, garante que cada brasileiro faça sua escolha e o resultado do pleito seja inequívoco.
Alea jacta est!