sábado, 4 de julho de 2026

A Democracia na América

DUAS DATAS. DUAS LUTAS. UMA MESMA BUSCA: LIBERDADE Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós Dominguinhos Do Estácio - Tema
(Alexis de Tocqueville) A Democracia na América v
"Promulgada em 1787, a Constituição dos Estados Unidos é um dos documentos políticos mais importantes da história contemporânea. Elaborada após a independência das Treze Colônias, ela estabeleceu as bases de um novo modelo de organização do Estado, fundamentado na separação dos poderes, no federalismo e na limitação da autoridade governamental."
“Religion e morality are the essential pillars of the civil society.” – George Washington (1732-99) Democracia na América de Alexis de Tocqueville “Democracy can not succeed unless those who express their choice are prepared to choose wisely. The real safeguard of democracy, therefore, is education.” – Franklin D. Roosevelt (1882-1945) “Democracy is the worst form of government except all the others that have been tried from time to time.” – Winston Churchill (1974-1965) Democracia na América é um dos mais relevantes livros escritos sobre democracia (e sobre os EUA), operando como um guia na observação e ponderação dos nossos atuais modelos ditos democráticos. Igualdade de condição é apontada por Tocqueville como o mais importante pilar conceitual da democracia – não igualdade econômica, mas a não existência de classes por nascimento (ausência de privilégios pelo sobrenome). O mundo então movia nesta direção e Tocqueville advoga por uma nova ciência política, sendo a democracia não uma forma de governo, mas um modo de vida que engloba nossa existência cívica e privada (traz à memória o conceito aristotélico zoon politikon – sem o convívio cívico não há vida completa – e daí a Política preceder a Ética). Igualdade, e não liberdade, seria a maior aspiração na América, a ideia de que os diretos são os mesmos para todos os cidadãos, a crença de que a sabedoria de muitos supera a de um ao longo do tempo (igualdade aplicada ao intelecto). (A premissa de “equidade aplicada ao intelecto”, ou seja, de que muitas mentes são mais iluminadas e sábias que um único homem é diretamente oposta ao ensinamento deixado pelo sacrifício de Sócrates. Em qualquer sociedade os brâmanes são sempre uma minoria.) Há diferenças entre igualdade e liberdade: (a) a igualdade pode não se estender as instituições políticas; (b) pode haver igualdade sem liberdade (todos baixo um déspota); (c) pode haver liberdade sem igualdade; (d) diferem no que provocam e na forma de manutenção (e.g. igualdade provoca pequenos prazeres diários – não precisar curvar-se a ninguém – e liberdade demanda sacrifícios); (e) igualdade elimina barreiras entre as pessoas; (f) igualdade torna as pessoas mais empáticas; e (f) igualdade inibe revoluções, pois todos têm algo a perder. Tocqueville tenta definir o termos da questão para avaliar igualdade e liberdade na democracia americana. Perigos na busca da igualdade: (a) na busca da miragem de igualdade de condições econômicas acabamos perdendo a possibilidade de igualdade perante a lei e a liberdade; e (b) em um Estado onde todos são iguais fica mais difícil preservar a independência dos cidadãos diante da agressão do Poder. Há uma contradição entre igualdade e liberdade inerente à democracia. A preservação da liberdade implica a limitação de governo – a fórmula de limitar o Estado e manter a liberdade exige o autogoverno de seus cidadãos segundo as normas religiosas e morais.
O vigor da democracia americana Por O Estado de S. Paulo Ao completar 250 anos de independência sem rupturas, os EUA reafirmam ao mundo o valor da estabilidade das instituições democráticas, pilar do seu formidável desenvolvimento Os Estados Unidos completam hoje 250 anos de independência. Como em várias ocasiões ao longo desse período, muitos se apressam hoje a vaticinar sua decadência, sobretudo em razão da presidência errática e irresponsável de Donald Trump, que em vários aspectos afronta os valores fundadores da República americana, a mais antiga da história contemporânea. Trata-se de precipitação. Malgrado as aparências, as instituições americanas são tão sólidas que resistem até mesmo a um niilista como Trump. Eis o exemplo dos Estados Unidos para o mundo: só a autêntica liberdade, valor central do experimento americano, é capaz de construir a couraça que protege a democracia daqueles que gostariam de destruí-la. Foi esse valor que presidiu os debates que resultaram na Constituição americana. É esse acervo de ideias livremente confrontadas que forma o caldo primordial do experimento americano – algo radicalmente novo para o panorama político da época, dominado por reis e nobres com direitos hereditários. A ideia de uma sociedade profundamente igualitária, onde o poder político seria exercido por cidadãos eleitos pelos seus iguais, era algo sem paralelo na história humana, a não ser que voltemos alguns milênios, para a Antiguidade grega. Sem dúvida, a democracia americana nasceu imperfeita, pois apenas uma minoria detinha o direito de eleger e de ser eleito, sendo esse direito estendido somente com muita luta ao longo dos anos. E essa talvez seja a característica mais notável desse experimento: a capacidade de mudar preservando a sua essência. O mais comum na história humana é a revolução e a ruptura. A Revolução Francesa, por exemplo, inspirada pelos mesmos ideais que moveram a Revolução Americana, não foi capaz de estabilizar o sistema político francês. E assim é a história da maioria das nações, presas que são das veleidades e ambições dos governantes. O que chama a atenção no experimento americano é a permanência das instituições. O aspecto mais simbólico dessa permanência é a sucessão de presidentes regularmente eleitos desde 1789. Quando um presidente falta, o vice-presidente assume de acordo com a lei. Não há jeitinhos ou acordos de conveniência. As mudanças de regras são muito raras. Há uma reverência pelas tradições que construíram a nação. Democracia se tornou uma palavra gasta pelo uso. Não custa lembrar que as ditaduras socialistas comumente se autodenominam “democracias”, pois, em tese, é o povo que está no comando, por meio da “vanguarda do proletariado”. Na prática, no entanto, esse mesmo povo só tem o direito de concordar com os regimes revolucionários, sendo submetido a uma feroz censura e a policiamento político. Na democracia americana, a liberdade de expressão e de associação são sagradas, e são elementos constitutivos do sistema político. Pode parecer natural, mas, a julgar pelo pequeno número de verdadeiras democracias no mundo, trata-se de exceção, não de regra. O experimento americano continua soando como uma novidade na história humana. O incrível desenvolvimento econômico alcançado pelos Estados Unidos nesses 250 anos foi fruto, em grande parte, dessa estabilidade institucional. Outros arranjos políticos podem fomentar o crescimento econômico por algum tempo – a União Soviética, por exemplo, chegou a ser uma potência econômica –, mas somente os Estados Unidos passaram pelo teste do tempo. O seu sistema político, que une flexibilidade e estabilidade, conseguiu produzir prosperidade e conhecimento sem paralelo na história humana. Não é coincidência que a fronteira tecnológica esteja sendo desenhada, neste momento, por empresas americanas. Tem sido assim nos últimos cem anos, pelo menos. Não deixa de ser uma ironia que os americanos estejam comemorando os 250 anos de sua independência sob um presidente tão corrupto e inconsequente como Donald Trump, que desafia abertamente os limites institucionais. Mas talvez essa seja precisamente a demonstração cabal da força do experimento americano, que consegue sobreviver apesar, e não por causa, dos seus presidentes.
ENTRE REPÚBLICAS E SOMBRAS DO PODER: BRASIL E ESTADOS UNIDOS NA ENCRUZILHADA DA HISTÓRIA Por entre celebrações nacionais, disputas diplomáticas e paixões esportivas, dois países revisitados pela própria ironia republicana O legado de duas independências A história das repúblicas do Brasil e dos Estados Unidos sempre se desenrolou em paralelo — ora como espelho, ora como distorção. Ambas emergiram de experiências coloniais e construíram projetos de soberania nacional continuamente tensionados por forças internas e externas. A promessa republicana, longe de ser um ponto de chegada, revelou-se um campo permanente de disputa. Os Estados Unidos nasceram sob o signo da ruptura com a monarquia. Ao recusar qualquer forma de poder vitalício, George Washington estabeleceu um gesto fundador: a limitação voluntária do poder como base da legitimidade republicana. Recusou ser rei para tornar-se presidente — e, sobretudo, para deixar de sê-lo. O Brasil, por outro lado, percorreu uma trajetória mais ambígua. Sua independência manteve traços monárquicos, e a proclamação da República, em 1889, carregou continuidades oligárquicas. O nome “Estados Unidos do Brasil” simbolizava a inspiração no modelo norte-americano, mas também evidenciava a dificuldade de traduzir forma em substância democrática. Soberania sob pressão Ao longo do século XX, os caminhos dos dois países seguiram entrelaçados. Os Estados Unidos consolidaram-se como potência global, projetando influência política, econômica e cultural. O Brasil, por sua vez, alternou momentos de afirmação soberana com períodos de alinhamento estratégico, especialmente durante a Guerra Fria. No século XXI, a ironia histórica se acentua. Os Estados Unidos, tradicionalmente associados à abertura e ao universalismo, enfrentam ciclos de retração, marcados por discursos isolacionistas e xenófobos. O Brasil, agora República Federativa, busca consolidar sua democracia em meio a crises políticas, polarização e disputas sobre o sentido da soberania nacional. O poder e a tentação da permanência Nesse cenário emergem lideranças que tensionam os limites republicanos. Luiz Inácio Lula da Silva, Donald Trump e Jair Bolsonaro, cada um à sua maneira, encarnam a disputa entre institucionalidade e personalismo político. A ideia de que o poder deriva de uma legitimidade quase individual reaparece, desafiando os princípios de alternância e limitação. A metáfora da “coroação” simbólica revela uma questão mais profunda: a dificuldade contemporânea de aceitar a transitoriedade do poder. Em contraste com o gesto inaugural de Washington, a política atual frequentemente se aproxima de uma lógica de permanência — seja pela reeleição, pela influência contínua ou pela disputa da memória histórica. Washington, Brasília e os palcos do presente Eventos recentes ilustram essa dinâmica. Celebrações nacionais transformam-se em atos políticos, articulações diplomáticas cruzam fronteiras e até o esporte se insere na narrativa pública. A polarização brasileira ecoa em Washington, enquanto disputas internacionais moldam agendas internas. Nesse ambiente, o simbólico ganha centralidade. Fogos de artifício, discursos oficiais e partidas de futebol deixam de ser apenas eventos isolados e passam a integrar uma mesma trama de poder, identidade e disputa. A ironia da história A história, madrasta irônica, revela que a grandeza e a miséria do poder caminham lado a lado. As repúblicas, concebidas como antídoto ao absolutismo, permanecem vulneráveis às tentações de concentração. De “Estados Unidos do Brasil” à atual República Federativa, e de “Estados Unidos da América” a momentos de introspecção nacionalista, ambos os países enfrentam o mesmo paradoxo: na busca por soberania plena, esbarram nas fragilidades de suas próprias instituições. Entre líderes que aspiram mais do que governar — desejam marcar a história — e sociedades divididas entre memória e futuro, o ideal republicano segue inacabado.
🖼️ Cartum — Síntese Visual da Ironia Republicana Legenda: Três líderes, três coroas imaginárias, um campo gelado que não lhes pertence. Entre a geopolítica e o futebol, a soberania vira espetáculo — e o poder, caricatura. No jogo das nações, a bola é o mundo: disputada por quem se julga rei, mas esquecida por quem deveria ser seu verdadeiro dono. EPÍLOGO — TRÊS COROAS, UM CAMPO, NENHUM REINO No teatro improvável da história, três líderes se encontram — não em tratados, mas na ironia. Unidos não por projeto, mas por conveniência simbólica, projetam na Noruega — no campo e na geopolítica — uma disputa que é, antes de tudo, reflexo de suas próprias ansiedades de poder e soberania. À beira de um campo gelado, entre bandeiras e egos inflados, encena-se uma tragicomédia: reis sem trono, coroados pela própria narrativa, aplaudidos e vaiados pelo mesmo coro. A bola rola como se fosse o próprio mundo — disputado, fragmentado, inflado de significados. A história, essa madrasta sem humor, observa em silêncio. O poder que se imagina eterno tropeça no ridículo do instante. E, entre bravatas e caricaturas, resta o riso — áspero, crítico, necessário — diante do espetáculo recorrente da brutalidade ignorante que insiste em governar o jogo. No fim, entre diplomacia, política e futebol, o que se revela não é apenas o retrato de um tempo, mas a permanência de um enigma: a soberania não se impõe — constrói-se, disputa-se, e, sobretudo, resiste.

Idéias inatas

LIVRO II PLURALIDADE DA EXISTÊNCIA ALLAN KARDEC O LIVRO DOS ESPÍRITOS Aula 21 - Ideias Inatas - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Espiritismo Analisa os itens 218 a 221: A teoria das idéias inatas. As faculdades extraordinárias dos indivíduos. O sentimento instintivo da existência de Deus. ▶ Veja a palestra completa: https://www.kardecplay.net/pt/video/2... 218. Encarnado, conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores? “Guarda vaga lembrança, que lhe dá o que se chama ideias inatas.” a) — Não é, então, quimérica a teoria das ideias inatas? “Não; os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que recomeçar constantemente. Em cada nova existência, o ponto de partida, para o Espírito, é aquele em que, na existência precedente, ele ficou.” b) — Grande conexão deve então haver entre duas existências consecutivas? “Nem sempre tão grande quanto talvez o suponhas, dado que bem diferentes são, muitas vezes, as posições do Espírito nas duas e que, no intervalo de uma a outra, pode ele ter progredido.” (216.) Evangelho no Lar│29.08.2024│ESE Cap XVI item 15│Transmissão da riqueza SBEBM Transmitido ao vivo em 29 de ago. de 2024 Transmissão ao vivo de SBEBM - Sociedade Beneficente Espírita Bezerra de Menezes 15. O princípio, segundo o qual ele é apenas depositário da fortuna de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira ao homem o direito de transmiti-la aos seus descendentes? O homem pode perfeitamente transmitir, por sua morte, aquilo de que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está subordinado sempre à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir que aqueles descendentes gozem do que lhes foi transmitido. Não é outra a razão por que desmoronam fortunas que parecem solidamente constituídas. É, pois, impotente a vontade do homem para conservar nas mãos da sua descendência a fortuna que possua. Isso, entretanto, não o priva do direito de transmitir o empréstimo que recebeu de Deus, uma vez que Deus pode retirá-lo, quando o julgue oportuno. – São Luís. (Paris, 1860.)
Aqui está a transcrição exata do texto contido na nota de rodapé da imagem apresentada: "O Serviço Postal prestou grande contribuição à obra de Eurípedes. Centenas de listas, como esta (frente e verso), de "Remédios a se registrarem", redigidas pelo próprio médium, encontram-se nos arquivos da Sala de Eurípedes. O carimbo do Correio assinala 20/9/1918." Pão Nosso #141 - Amor fraternal NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 21 de nov. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 141
Amor fraternal</b> Tema principal “Permaneça o amor fraternal.” — Paulo. (HEBREUS, 13.1) 1 As afeições familiares, os laços consanguíneos, as simpatias naturais podem ser manifestações muito santas da alma, quando a criatura as eleva no altar do sentimento superior, contudo, é razoável que o espírito não venha a cair sob o peso das inclinações próprias. 2 O equilíbrio é a posição ideal. 3 Por demasia de cuidado, inúmeros pais prejudicam os filhos. 4 Por excesso de preocupações, muitos cônjuges descem às cavernas do desespero, defrontados pelos insaciáveis monstros do ciúme que lhes aniquilam a felicidade. 5 Em razão da invigilância, belas amizades terminam em abismo de sombra. 6 O apelo evangélico, por isto mesmo, reveste-se de imensa importância. 7 A fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas de relações entre as almas. 8 O homem que se sente filho de Deus e sincero irmão das criaturas não é vítima dos fantasmas do despeito, da inveja, da ambição, da desconfiança. 9 Os que se amam fraternalmente alegram-se com o júbilo dos companheiros; sentem-se felizes com a ventura que lhes visita os semelhantes. 10 As afeições violentas, comumente conhecidas na Terra, passam vulcânicas e inúteis. 11 Na teia das reencarnações, os títulos afetivos modificam-se constantemente. 12 É que o amor fraternal, sublime e puro, representando o objetivo supremo do esforço de compreensão, é a luz imperecível que sobreviverá no caminho eterno. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Em tudo, há alegria. A divindade que faz ser alegre a Natureza está também dentro de você.
"Quero falar de um amigo aqui, que é um dos mais antigos amigos que eu tenho nesse meio de trabalho. É um cara que eu tenho... Você imagina, eu conheço essa figura desde 1969, quando ele era o príncipe da Jovem Guarda. Fez um sucesso extraordinário", iniciou. "A amizade profunda é uma sublimação do amor."Declaração de Ronaldo Nogueira (Ronnie Von) durante o programa de Patrícia Poeta, após uma manifestação de afeto de Fausto Silva (O Faustão) em uma entrada ao vivo, sob os aplausos da plateia.
O craque egípcio Mohamed Salah consola o australiano Behich

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MEMORIAL DE AIRES (ADAPTADO)

De um Conselheiro do Império ao Conselheiro dos Ares Rarefeitos do Século XXI 14 de Março Li, não sem certo enfado decoroso, o memorial de onze páginas que o jovem Conselheiro dos Ares Rarefeitos — este que pontifica do alto de suas tribunas invisíveis na Flórida — protocolou junto aos escrivães da Casa Branca. Dizem que o fez em nome da República do amanhã, ou de um Príncipe herdeiro que aspira ao trono antes da colheita. Que curioso século este, onde a diplomacia trocou o silêncio das chancelarias pelo ruído das praças públicas! No meu tempo, o barão do Rio Branco pesava cada adjetivo como quem maneja cristais; hoje, despacha-se o destino do comércio nacional entre um copo de refresco e um clique de computador. O jovem patrício foi a Washington para aplacar a fúria do Tarifaço americano — aquela taxa de vinte e cinco por cento que ameaça sangrar nossas exportações. E como resolveu o impasse? Com a finura de um cirurgião que, para curar uma dor de cabeça, propõe a guilhotina. Pediu a Washington que desista de taxar o aço e o açúcar, e, em troca, aplique a tal Lei Magnitsky contra os magistrados da nossa Suprema Corte. É uma transação mercantil soberba: poupa-se o bolso do usineiro e entrega-se a soberania do Tribunal. A pátria, que antes se defendia com o peito, agora se negocia como um lote de café de qualidade inferior. 16 de Março O argumento principal do nosso diplomata sem credenciais é de uma candura que beira a crueldade. Ponderou ele aos americanos que o Tarifaço seria um erro tático grave, pois — vejam que profundidade estatística! — acabaria por "fortalecer politicamente o atual inquilino do Catete" em ano eleitoral. Eis a nossa elite política resumida a um jogo de compadres. Não se defende a indústria nacional por amor ao operário ou ao progresso; defende-se para que o adversário não colha os louros da resistência. Se o Brasil empobrecer sob o peso das tarifas, isso é um detalhe menor; o importante é que o rival não pareça um herói aos olhos da turba. A miséria do povo, quando bem instrumentalizada, sempre foi um excelente cabo eleitoral. O jovem Conselheiro queixa-se ainda de que os governadores da federação andam a negociar com o "sexto escalão" americano. Julga-se ele, por certo, no topo do Olimpo, privando com os deuses da Seção 301. Esquece-se de que, na corte de Washington, o interlocutor sem pasta é apenas um instrumento sazonal. Usam-no como quem usa um lenço de papel: serve para limpar o suor da geopolítica e, depois, joga-se fora no primeiro cesto da conveniência comercial. 19 de Março A gravidade da matéria exigiria lágrimas, mas o espetáculo me arranca apenas este sorriso amarelo, meio cético, que o tempo me ensinou a cultivar. Ao empurrar o estrangeiro para dentro do nosso quintal judiciário, o Conselheiro dos Ares Rarefeitos jura que está salvando a liberdade. Tolice. O que ele faz é acelerar o relógio da nossa própria decadência. Se Washington fechar as portas e congelar os bens dos nossos juízes, o Brasil restará isolado, humilhado e sem alternativas, restando-lhe apenas jogar-se nos braços de Pequim. Deseja-se fugir do chicote do Norte e corre-se para o abraço do dragão do Oriente. Tudo isso para garantir uma eleição vindoura. Ao final, quando as tarifas forem pagas e as sanções esquecidas, os mesmos personagens se encontrarão nos salões da história, brindando à saúde de um país que teima em sobreviver, apesar dos seus salvadores. Como diria o meu bom Brás Cubas, não tivemos filhos, não transmitimos a nenhuma criatura o legado da nossa nossa pequenez. É o único consolo que resta a este velho diplomata. Corta Jaca Chiquinha Gonzaga Neste mundo de misérias Quem impera é quem é mais folgazão! É quem sabe cortar-jaca nos requebros De suprema perfeição, perfeição Esta dança é buliçosa, tão dengosa Que todos querem dançar! Não há ricas baronesas, nem marquesas Que não queiram (saibam) requebrar, requebrar Este passo tem feitiço, tal ouriço Faz qualquer homem coió! Não há velho carrancudo, nem sisudo Que não caía em trololó, trololó Quem me vir assim alegre no Flamengo Por certo se há de render! Não resiste com certeza, com certeza Este jeito de mexer Um Flamengo tão gostoso, tão ruidoso Vale bem meia-pataca! Dizem todos que na ponta está na ponta Nossa dança corta-jaca, corta-jaca! Ai, ai, como é bom dançar, ai! Corta-jaca assim, assim, olé! - Mexe com o pé! Ai, ai, tem feitiço tem, ai! Dança (corta) meu benzinho assim, olé!
O CORTA-JACA PARALELO Letra atribuída à pena de Machado de Assis, para a música de Chiquinha Gonzaga (Introdução saltitante ao piano, com toques de cinismo oitocentista) Neste mundo de misérias Quem impera é quem é mais folgazão! É quem sabe o Corta-Jaca das tarifas Com suprema perfeição, perfeição! Esta dança em Washington é tão dengosa Que o sujeito quer dançar! Não há falsos diplomatas, nem gravatas, Que não queiram requebrar, requebrar! Este passo tem feitiço de comício, Faz da pátria um coió! Lá na mesa da comarca, a soberania Já caiu em trololó, trololó! Quem me vir pedindo multa ao estrangeiro Por certo há de ceder! Não resiste o gringo loiro, com certeza, A este jeito de mexer! Um tarifaço tão ruidoso e perigoso Vale bem meia-pataca! E na ponta da Seção trezentos e um, Nossa elite corta-jaca, corta-jaca! Ai, ai, como é bom trair, ai! Troca o aço por sanção, olé! — Olha o boné! Ai, ai, tem feitiço tem, ai! Corta o juiz do meu país assim, olé! (O piano acelera, simulando o barulho de notificações de celular e a soberba dos salões) Vejam só o Conselheiro dos Ares Que o império foi pregar! Deixa a indústria desabada e na calçada Para o voto segurar, segurar! Não há velho carrancudo do Senado Que não dance o Magnitsky! Vende o trono do Catete por um brinde E um copo de bom uísque, de bom uísque! Ai, ai, como é bom trair, ai! Troca o aço por sanção, olé! — Olha o boné! Ai, ai, que vergonha dá, ai! Dança o Brasil no tribunal assim, olé!

"ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS"

"ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese em uma frase: A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Querelas do Brasil Maria Rita Querelas do Brasil De Maurício Tapajóis e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sertões, Guimarães, bachianas, águas Imarionaíma, ariraribóia Na aura das mãos de jobim-açu Uou. Uou, Uou Jererê, sarará, cururu, olerê Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Composição: Aldir Blanc, Maurício Tapajós.
O Rio torce pra Cabo Verde!!!
Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão Estadão Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Vídeo Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão
Foto do autor José Fucs Por José Fucs 03/01/2022 | 16h50 Notícia de presente O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, de 70 anos, é um dos profissionais mais tarimbados do País em campanhas eleitorais. Pioneiro, no Brasil, na utilização das ferramentas da neuropolítica, que estuda a influência das emoções e do inconsciente no comportamento dos eleitores, ele participou de quase 100 eleições, como coordenador ou consultor de campanha, nas últimas décadas. Nesta entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que o pleito de 2022 terá características diferentes do de 2018. Segundo ele, o eleitor está menos influenciado pelo sentimento de indignação que marcou a eleição passada e mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos, até em razão dos problemas de gestão observados durante a pandemia. “Em 2022, a cautela deve substituir a indignação”, diz. Lavareda comenta também a preocupação de muitos analistas, que consideram a eleição de 2022 como uma das mais importantes das últimas décadas, em razão dos riscos de que haja uma ruptura institucional em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, e fala sobre a ligeira guinada para a direita do PSDB, sob comando do governador de São Paulo, João Doria. Em sua avaliação, após as eleições, o Brasil deve seguir o exemplo recente do Chile e abrir espaço ao diálogo, para poder enfrentar os grandes desafios que tem pela frente. Parte do eleitorado parece totalmente decidida, outra sequer se sente representada | Central Meio Meio Transmitido ao vivo em 2 de jul. de 2026 #Eleições2026 #ELeiçãoPresidencial #Democracia No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Luiza Silvestrini e Flávia Tavares conversam com o cientista político Antonio Lavareda sobre os efeitos dos últimos acontecimentos na eleição presidencial, ou sobre a falta deles. Embora tenha havido fatos políticos relevantes nos últimos dias, os ponteiros das pesquisas mexem pouco, sinalizando um eleitorado pouco disposto a mudar de ideia, ou que não se sente representado. —
“Partidos hidropônicos é uma metáfora criada pelo cientista político Antonio Lavareda para descrever legendas brasileiras que não possuem raízes na sociedade. Assim como a alface hidropônica, eles flutuam sem solo e sobrevivem apenas de nutrientes artificiais, que, no caso da política, são os recursos do Fundo Partidário e as Emendas Parlamentares.” 33 milhões de eleitores não votaram em 2022 Não há fidúcia nessa representação Representação sem participação “As expressões dos três calados na telinha enquanto o quarto fala comunicam tudo o que o tagarela não consegue em uma transmissão ao vivo."
A mensagem afirma que, globalmente, as pessoas tendem a acreditar em mentiras para evitar encarar a realidade.
Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de botar na reserva. Rádio Bandeirantes FM. há 1h.
“O Mister já falou.” “Com 67 anos, se correr ao final para celebrar o final vitorioso por temer machucar o joelho.” Alex Ferguson do Manchester United preparou mais de dois mil jogos. Mister diz já ter preparado mais de um mil e quatrocentos atletas. Alma coletiva do brasileiro: respeitoso e humilde. Arrogante não é escasso, lado marrento pode ser. 3/7/26 Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de estar na reserva Rádio BandNews FM 3 de jul. de 2026 Carlo Ancelotti afirma que Neymar está pronto para jogar, mas que pode entrar até no final do segundo tempo contra a Noruega. O técnico da Seleção Brasileira concedeu uma entrevista à colunista da BandNews FM. 'É 100% certo que não sou um gênio. Mas é 100% certo que não sou tonto', diz Ancelotti Folha de S.Paulo 3 de jul. de 2026 O técnico italiano que assumiu o comando da seleção brasileira afirma, em entrevista exclusiva, que fim de jogo duro traz mais sentimento de alívio do que de felicidade. Elogia ainda o bom comportamento (apesar do inconformismo) de Neymar e diz que a seleção pode tomar gols, mas está mais confiante e sabe como reagir.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 Palanques capengas no Sudeste, por Vera Magalhães O Globo Palanques capengas do petista em Minas e do filho de Bolsonaro no Rio indicam problemas na região mais disputada da eleição A eleição de 2026 será um teste para a validade de vários axiomas tradicionais da política, como a importância da propaganda em rádio e TV, os efeitos da inteligência artificial e, no plano mais concreto, a centralidade da montagem de palanques regionais para fortalecer candidaturas presidenciais e, no limite, decidir uma disputa que tende a ser apertada. Nesse quesito, o Sudeste brasileiro é o cenário em que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram as fichas. Mas, a menos de um mês do início formal da corrida eleitoral, ambos enfrentam problemas bastante sérios para largar com um time promissor e um discurso condizente em colégios importantes da região. Os desdobramentos consecutivos da Operação Unha e Carne — que atingiu fortemente o grupo do ex-governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro — jogam uma dose enorme de imprevisibilidade para o comando bolsonarista “em casa”. O grupo contava, na montagem da estratégia para a disputa no Rio, que, a esta altura, já estivesse no comando do governo por meio de uma eleição indireta. O atraso na definição dessa novela por parte do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral coincide com as graves revelações trazidas em capítulos pela Polícia Federal, que desnudam aspectos perturbadores da imbricação da política com o crime organizado no estado. A campanha do até aqui favorito Eduardo Paes — que já teria o foco na pregação pela necessidade de sanear a estrutura do estado dessa infiltração — se fortalece a partir de indícios da proximidade que se mostra cada vez maior da gestão de Castro com diferentes modalidades da estrutura criminosa do Rio. Para Flávio, o ex-governador e seu grupo se tornam aliados para lá de incômodos, levando para a campanha presidencial temas que ele gostaria de afastar e colocando em perspectiva a pregação cara à direita de que tem a solução para a segurança pública, problema apontado como mais grave pelos brasileiros em quase todas as pesquisas. Para Lula, a dor de cabeça em termos de palanque capenga se localiza em Minas Gerais. Todas as tentativas de construir uma candidatura minimamente competitiva ao governo do estado que responde pelo segundo maior eleitorado do Brasil se revelaram tiros n’água. Agora, o presidente passa pelo constrangimento de ver o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos lavarem roupa suja em público diante da tentativa do partido de praticamente obrigá-la a abrir mão da candidatura ao Senado para ir para o sacrifício e disputar o governo. Isso tudo depois que Rodrigo Pacheco deu de ombros aos apelos de Lula para que topasse a missão para lá de inglória diante da guinada política que fez nos últimos oito anos, resultando na desconfiança geral dos mineiros a respeito de que apito ideológico o ex-presidente do Senado toca, afinal. Não que o time da direita esteja arrumadinho em Minas, longe disso. A indefinição do senador Cleitinho (Republicanos) — um estranhíssimo caso de favorito nas pesquisas que não decide logo se será candidato — e a dificuldade do governador Mateus Simões (PSD), substituto de Romeu Zema, de decolar tornam ainda nebuloso quem será o puxador de votos para Flávio e quanto ele terá de dividir espaço com os demais presidenciáveis da centro-direita (o próprio Zema e Ronaldo Caiado, que vem a ser do partido do governador). Só São Paulo, o mais nevrálgico dos territórios do Sudeste, está com o roteiro da disputa bem definido entre Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição, e Fernando Haddad, recebedor da tão crucial quanto difícil incumbência de repetir a perfomance razoável de 2022, que assegurou a Lula um número de votos fundamental para vencer por pouco no país.
O artigo analisa os desafios enfrentados por Lula e Flávio Bolsonaro na montagem de palanques eleitorais no Sudeste para a eleição de 2026, destacando a importância estratégica da região. No Rio de Janeiro, o grupo bolsonarista sofre com a instabilidade causada pela Operação Unha e Carne, que atingiu aliados do ex-governador Cláudio Castro e expôs ligações entre política e crime organizado. Isso fortalece a candidatura de Eduardo Paes e cria constrangimentos para Flávio Bolsonaro, especialmente no tema da segurança pública. Em Minas Gerais, Lula enfrenta dificuldades para viabilizar uma candidatura competitiva ao governo estadual. Há conflitos internos no PT e falta de nomes fortes, agravados pela recusa de Rodrigo Pacheco em disputar o cargo. O cenário também é incerto para a direita, com indefinições sobre candidaturas e lideranças. Já em São Paulo, a disputa está mais clara, com Tarcísio de Freitas como favorito à reeleição e Fernando Haddad como principal adversário, repetindo a polarização anterior. O texto conclui que, apesar da centralidade do Sudeste, os principais candidatos enfrentam fragilidades importantes na região.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 A dura realidade aonde a política não chega, por Fernando Gabeira O Estado de S. Paulo Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades Às vezes, as coisas muito próximas são universais. Hesito em escrever sobre o que vejo no cotidiano no Rio de Janeiro, mas não deveria: é algo importante para o País e com grande possibilidade de espalhar-se por todos os cantos. Encontrei na rua uma amiga e perguntei se estava tudo bem: “Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta”. Ela vive numa favela chamada Rio das Pedras, dominada por uma milícia acossada pelo tráfico de drogas que quer o domínio do território. No mesmo dia, encontrei, acidentalmente, um homem que empurrava sua bicicleta na feira. Ele vinha da Muzema, uma comunidade que fica no início da Barra da Tijuca. Lá em casa, disse ele, o tiroteio é quase toda noite: a área é dominada pelo Comando Vermelho. Assim vivem milhões de pessoas no Rio. No território dominado, quem manda é o crime organizado, que vende gás, controla o transporte alternativo e inclusive escolhe algumas meninas para serem suas amantes. O preço da recusa é a morte ou então a mudança precipitada do lugar. O crime organizado tem uma grande influência política. Ele define quais candidatos podem entrar em sua área. Considerando que controla metade da cidade, ajuda a definir a bancada de eleitos. A penetração no tecido político é evidente: os últimos governadores foram presos, assim como deputados e um presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O que é mais doloroso é examinar o conjunto de políticas que visam a solucionar o problema e constatar que nenhuma delas consegue trazer uma esperança real. O que não significa que essas políticas não sejam desejáveis. A PEC da Segurança que está parada no Senado parte de um princípio fundamental: a unificação das forças federais e estaduais no combate ao crime organizado. Isso pode aumentar a eficácia da segurança pública, mas não responde à questão básica: a reconquista permanente do território ocupado, hoje um fenômeno que se exportou para o Nordeste. Da mesma forma, a iniciativa americana de definir dois grupos como terroristas e partir para uma guerra de destruição é bastante limitada. Nas condições existentes, a eliminação de um grupo dará lugar a outro e eles vão se suceder enquanto as condições político-sociais prevalecerem. O combate e a morte de alguns criminosos servem apenas para atenuar, na opinião pública, essa sensação de ineficácia. O verdadeiro projeto nunca aparece e ele, certamente, passa pela presença do Estado nessas áreas com os seus serviços essenciais funcionando. A resposta para a inexistência de um projeto de liberação permanente das áreas ocupadas é falta de dinheiro e pessoal. Se não há dinheiro em orçamentos tão generosos como o brasileiro, então não há solução. Se somos incapazes de definir a soberania nacional sobre nossos territórios, ficaremos reduzidos a uma guerra assimétrica. E elas nunca são favoráveis ao lado mais forte. Graças às condições favoráveis de que desfrutam no território, esses grupos vão sobreviver mesmo com as campanhas repressivas. No Rio, obtêm armamentos modernos, se empossam da tecnologia e já estão em plena guerra de drones. Muitos especialistas falam em ir atrás do dinheiro do crime organizado e enfraquecê-lo a partir da drenagem de seus recursos. É uma ótima tática. Na vida cotidiana, entretanto, o crime organizado produz seu rendimento pela simples exploração do território: venda de gás, transporte alternativo, taxas de segurança. Tudo isso tem muita importância e, às vezes, rende mais do que o próprio tráfico de drogas. Os Estados Unidos optaram pela guerra para evitar que a droga entre em seu território. Nessa nova versão da muitas vezes fracassada guerra às drogas, bombardeiam barcos no Pacífico e no Caribe. O tráfico de drogas é um grande problema nas suas relações com o México. Com um sério trabalho de inteligência é possível reduzir o trânsito da droga pelo território brasileiro. Mas ver barcos bombardeados e supor que estamos atacando o verdadeiro problema no Brasil é fugir da realidade. Por isso, com todo o respeito que tenho por especialistas, não acredito muito em soluções que ignorem o clamor de milhões de pessoas, que querem andar livres, escolher livremente o que compram, proteger suas filhas dos predadores do crime, conversar com candidatos que não precisem de licença para entrar na favela. Sei que esse futuro ainda está distante. Não deveríamos esquecer esses milhões de brasileiros nos territórios ocupados quando falamos orgulhosamente de soberania nacional. Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades. O alarme soa alto, mas ainda é muito pouco ouvido. Candidatos à Presidência e aos governos dos Estados deveriam ser questionados seriamente sobre a liberação territorial no Brasil. No mínimo, por solidariedade aos milhões de oprimidos. •
O artigo descreve a realidade da violência e do domínio do crime organizado no Rio de Janeiro, onde milícias e facções controlam territórios, impõem regras à população e influenciam a política local. Milhões de pessoas vivem sob esse controle, enfrentando tiroteios constantes e restrições à liberdade. O autor argumenta que, embora existam propostas de combate — como a integração das forças de segurança ou o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas —, nenhuma resolve o problema central: a retomada permanente dos territórios pelo Estado com presença efetiva de serviços públicos. Ele alerta que, sem um projeto consistente e recursos adequados, o país continuará enfrentando uma guerra desigual, na qual o crime tende a se manter forte. O problema, segundo o texto, já se espalha para outras regiões e pode atingir todo o Brasil. Por fim, defende que candidatos devem ser cobrados por soluções concretas para libertar essas áreas, em solidariedade às populações que vivem sob o domínio do crime.
Carta de Flávio a Trump é tiro no pé que favorece Lula Publicado em 03/07/2026 - 08:01 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Exportações, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Tecnologia, Terrorismo Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável A carta enviada por Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento por 180 dias do tarifaço contra produtos brasileiros, eleitoralmente é um tiro no próprio pé para o pré-candidato do PL, além de muito tóxica para as negociações diplomáticas do Brasil com a Casa Branca. O senador atropelou a linha de negociação conduzida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deslocou o contencioso do terreno técnico para o palanque eleitoral e mostrou falta de coesão política do país na defesa dos interesses brasileiros que estão em jogo. O candidato de oposição entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de bandeja, a bandeira da soberania na campanha eleitoral. Repetiu o mesmo equívoco de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos e comemorou o tarifaço como se fosse uma grande vitória da oposição. Deu errado. Lula estancou a queda e voltou a subir nas pesquisas eleitorais. Em vez de enfraquecer o governo, a carta de Flávio reforça a narrativa oficial de que a família Bolsonaro atua para internacionalizar a crise política brasileira e instrumentalizar interesses externos contra o próprio país. Leia também: Tarifaço dos EUA entra no centro da disputa eleitoral no Brasil Mas a crise tarifária com os EUA tem bases mais objetivas do que eleitorais. Nasce de um contencioso comercial complexo, decorrente da disputa comercial com a China e da reestruturação das cadeias globais de valor. Os Estados Unidos concluíram, em junho, a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar parceiros quando considera que eles adotam práticas comerciais “desleais” ou “desarrazoadas”. No caso brasileiro, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) reuniu no mesmo balaio comércio digital e o funcionamento do Pix; decisões judiciais envolvendo plataformas digitais; tarifas preferenciais no âmbito do Mercosul e de acordos com Índia e México; acesso ao mercado de etanol; propriedade intelectual; combate à corrupção; e desmatamento ilegal. O governo brasileiro reagiu com prudência. Um documento de 29 páginas, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, tecnicamente, rebate ponto a ponto as acusações norte-americanas e sustenta que boa parte da agenda levantada por Washington não diz respeito a comércio, mas a opções regulatórias, institucionais e soberanas do Estado brasileiro. Na verdade, a negociação conduzida pelo Itamaraty não se limita a uma briga tarifária, questiona o alcance da Seção 301 e o direito de os Estados Unidos transformarem divergências em matéria de política interna brasileira, como a regulação de plataformas, a estrutura do Pix, decisões do STF e o combate ao desmatamento, em razões para sanções econômicas. O Brasil, nas conversas com a Casa Branca, tenta isolar os litígios comerciais das disputas políticas e ideológicas. Ou seja, defende uma política de Estado. Sua atuação é institucional e preserva canais de diálogo, ao discutir cada item da pauta em bases técnicas e evitar a contaminação pela polarização eleitoral. Implosão diplomática Nesse sentido, a carta de Flávio implode o esforço diplomático brasileiro. O senador pede que as tarifas não sejam aplicadas agora, mas só depois das eleições presidenciais. Ou seja: em vez de afirmar que as tarifas são injustas, indevidas ou lesivas ao interesse bilateral, ele argumenta que a sua adoção imediata poderia beneficiar Lula politicamente. A essência do apelo é eleitoral, não comercial. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando”, escreveu para sustentar que a medida “recompensaria o atual governo brasileiro”. Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Esse é o “xis” do problema. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável — desde que aplicado num momento politicamente conveniente à oposição. Ou seja, tira o tapete da diplomacia brasileira, quando o Itamaraty tenta convencer Washington de que a escalada tarifária é inadequada, desproporcional e fundada em premissas equivocadas. Leia mais: O que Flávio prometeu a Trump caso seja eleito sobre Pix, Mercosul e redes sociais Flávio sinalizou aos norte-americanos que o problema não é o mérito da retaliação, mas o seu timing eleitoral. A carta, assim, enfraquece a tese brasileira de que a medida é injustificável e reforça a percepção de que o litígio comercial virou peça de uma disputa interna pelo poder. De certa forma, Lula percebeu a oportunidade e subiu o tom contra seu adversário. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço, agora ou depois”, escreveu nas redes sociais. Classificou a carta como “inaceitável” e criticou o “entreguismo” da família Bolsonaro, ao afirmar que o clã quer submeter o Brasil a interesses norte-americanos. Ao conectar a carta ao Pix e ao Mercosul, Lula transformou o episódio numa peça de campanha sobre soberania, desenvolvimento e defesa do interesse nacional. O presidente vinha “jogando parado”, ao valorizar a liturgia do cargo, administrar a máquina pública e evitar antecipar o embate central de 2026. A carta de Flávio ofereceu um atalho para Lula ocupar o terreno do nacionalismo econômico sem abdicar do cosmopolitismo e do multilateralismo. Pode ser que um objetivo subjacente do filho 01 de Jair Bolsonaro tenha sido mudar a agenda de sua campanha da crise com Michele Bolsonaro para a política externa. Porém, na prática, deu ao presidente a possibilidade de falar como defensor da pátria. Nas entrelinhas: todas as colunas diariamente no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Flávio, #Michele, #Tarifaço, #Trump, Lula
O texto argumenta que a carta de Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento — e não a revogação — de tarifas contra produtos brasileiros, foi um erro político e diplomático. Ao fazer isso, ele acaba legitimando a sanção e enfraquecendo a posição oficial do Brasil nas negociações conduzidas pelo Itamaraty. Segundo o autor, a atitude favorece Lula eleitoralmente, ao reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional e permitir que o presidente explore politicamente o episódio. Além disso, a carta desloca uma questão técnica e comercial para o campo eleitoral, prejudicando a coesão do país. O texto também destaca que o conflito com os EUA é complexo, envolvendo disputas comerciais, regulação interna e geopolítica, e que o governo brasileiro tenta tratá-lo de forma institucional. Ao contrário disso, a ação de Flávio politiza o tema e enfraquece a estratégia diplomática. Por fim, conclui que o episódio deu a Lula uma oportunidade de se posicionar como defensor dos interesses nacionais, enquanto expôs fragilidades da oposição. "ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese em uma frase: A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Querelas do Brasil Maria Rita Querelas do Brasil De Maurício Tapajóis e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sertões, Guimarães, bachianas, águas Imarionaíma, ariraribóia Na aura das mãos de jobim-açu Uou. Uou, Uou Jererê, sarará, cururu, olerê Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Composição: Aldir Blanc, Maurício Tapajós.
Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão Estadão Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Vídeo Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão
Foto do autor José Fucs Por José Fucs 03/01/2022 | 16h50 Notícia de presente O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, de 70 anos, é um dos profissionais mais tarimbados do País em campanhas eleitorais. Pioneiro, no Brasil, na utilização das ferramentas da neuropolítica, que estuda a influência das emoções e do inconsciente no comportamento dos eleitores, ele participou de quase 100 eleições, como coordenador ou consultor de campanha, nas últimas décadas. Nesta entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que o pleito de 2022 terá características diferentes do de 2018. Segundo ele, o eleitor está menos influenciado pelo sentimento de indignação que marcou a eleição passada e mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos, até em razão dos problemas de gestão observados durante a pandemia. “Em 2022, a cautela deve substituir a indignação”, diz. Lavareda comenta também a preocupação de muitos analistas, que consideram a eleição de 2022 como uma das mais importantes das últimas décadas, em razão dos riscos de que haja uma ruptura institucional em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, e fala sobre a ligeira guinada para a direita do PSDB, sob comando do governador de São Paulo, João Doria. Em sua avaliação, após as eleições, o Brasil deve seguir o exemplo recente do Chile e abrir espaço ao diálogo, para poder enfrentar os grandes desafios que tem pela frente. Parte do eleitorado parece totalmente decidida, outra sequer se sente representada | Central Meio Meio Transmitido ao vivo em 2 de jul. de 2026 #Eleições2026 #ELeiçãoPresidencial #Democracia No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Luiza Silvestrini e Flávia Tavares conversam com o cientista político Antonio Lavareda sobre os efeitos dos últimos acontecimentos na eleição presidencial, ou sobre a falta deles. Embora tenha havido fatos políticos relevantes nos últimos dias, os ponteiros das pesquisas mexem pouco, sinalizando um eleitorado pouco disposto a mudar de ideia, ou que não se sente representado. —
“Partidos hidropônicos é uma metáfora criada pelo cientista político Antonio Lavareda para descrever legendas brasileiras que não possuem raízes na sociedade. Assim como a alface hidropônica, eles flutuam sem solo e sobrevivem apenas de nutrientes artificiais, que, no caso da política, são os recursos do Fundo Partidário e as Emendas Parlamentares.” 33 milhões de eleitores não votaram em 2022 Não há fidúcia nessa representação Representação sem participação “As expressões dos três calados na telinha enquanto o quarto fala comunicam tudo o que o tagarela não consegue em uma transmissão ao vivo."
A mensagem afirma que, globalmente, as pessoas tendem a acreditar em mentiras para evitar encarar a realidade.
Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de botar na reserva. Rádio Bandeirantes FM. há 1h.
“O Mister já falou.” “Com 67 anos, se correr ao final para celebrar o final vitorioso por temer machucar o joelho.” Alex Ferguson do Manchester United preparou mais de dois mil jogos. Mister diz já ter preparado mais de um mil e quatrocentos atletas. Alma coletiva do brasileiro: respeitoso e humilde. Arrogante não é escasso, lado marrento pode ser. 3/7/26 Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de estar na reserva Rádio BandNews FM 3 de jul. de 2026 Carlo Ancelotti afirma que Neymar está pronto para jogar, mas que pode entrar até no final do segundo tempo contra a Noruega. O técnico da Seleção Brasileira concedeu uma entrevista à colunista da BandNews FM. 'É 100% certo que não sou um gênio. Mas é 100% certo que não sou tonto', diz Ancelotti Folha de S.Paulo 3 de jul. de 2026 O técnico italiano que assumiu o comando da seleção brasileira afirma, em entrevista exclusiva, que fim de jogo duro traz mais sentimento de alívio do que de felicidade. Elogia ainda o bom comportamento (apesar do inconformismo) de Neymar e diz que a seleção pode tomar gols, mas está mais confiante e sabe como reagir.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 Palanques capengas no Sudeste, por Vera Magalhães O Globo Palanques capengas do petista em Minas e do filho de Bolsonaro no Rio indicam problemas na região mais disputada da eleição A eleição de 2026 será um teste para a validade de vários axiomas tradicionais da política, como a importância da propaganda em rádio e TV, os efeitos da inteligência artificial e, no plano mais concreto, a centralidade da montagem de palanques regionais para fortalecer candidaturas presidenciais e, no limite, decidir uma disputa que tende a ser apertada. Nesse quesito, o Sudeste brasileiro é o cenário em que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram as fichas. Mas, a menos de um mês do início formal da corrida eleitoral, ambos enfrentam problemas bastante sérios para largar com um time promissor e um discurso condizente em colégios importantes da região. Os desdobramentos consecutivos da Operação Unha e Carne — que atingiu fortemente o grupo do ex-governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro — jogam uma dose enorme de imprevisibilidade para o comando bolsonarista “em casa”. O grupo contava, na montagem da estratégia para a disputa no Rio, que, a esta altura, já estivesse no comando do governo por meio de uma eleição indireta. O atraso na definição dessa novela por parte do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral coincide com as graves revelações trazidas em capítulos pela Polícia Federal, que desnudam aspectos perturbadores da imbricação da política com o crime organizado no estado. A campanha do até aqui favorito Eduardo Paes — que já teria o foco na pregação pela necessidade de sanear a estrutura do estado dessa infiltração — se fortalece a partir de indícios da proximidade que se mostra cada vez maior da gestão de Castro com diferentes modalidades da estrutura criminosa do Rio. Para Flávio, o ex-governador e seu grupo se tornam aliados para lá de incômodos, levando para a campanha presidencial temas que ele gostaria de afastar e colocando em perspectiva a pregação cara à direita de que tem a solução para a segurança pública, problema apontado como mais grave pelos brasileiros em quase todas as pesquisas. Para Lula, a dor de cabeça em termos de palanque capenga se localiza em Minas Gerais. Todas as tentativas de construir uma candidatura minimamente competitiva ao governo do estado que responde pelo segundo maior eleitorado do Brasil se revelaram tiros n’água. Agora, o presidente passa pelo constrangimento de ver o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos lavarem roupa suja em público diante da tentativa do partido de praticamente obrigá-la a abrir mão da candidatura ao Senado para ir para o sacrifício e disputar o governo. Isso tudo depois que Rodrigo Pacheco deu de ombros aos apelos de Lula para que topasse a missão para lá de inglória diante da guinada política que fez nos últimos oito anos, resultando na desconfiança geral dos mineiros a respeito de que apito ideológico o ex-presidente do Senado toca, afinal. Não que o time da direita esteja arrumadinho em Minas, longe disso. A indefinição do senador Cleitinho (Republicanos) — um estranhíssimo caso de favorito nas pesquisas que não decide logo se será candidato — e a dificuldade do governador Mateus Simões (PSD), substituto de Romeu Zema, de decolar tornam ainda nebuloso quem será o puxador de votos para Flávio e quanto ele terá de dividir espaço com os demais presidenciáveis da centro-direita (o próprio Zema e Ronaldo Caiado, que vem a ser do partido do governador). Só São Paulo, o mais nevrálgico dos territórios do Sudeste, está com o roteiro da disputa bem definido entre Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição, e Fernando Haddad, recebedor da tão crucial quanto difícil incumbência de repetir a perfomance razoável de 2022, que assegurou a Lula um número de votos fundamental para vencer por pouco no país.
O artigo analisa os desafios enfrentados por Lula e Flávio Bolsonaro na montagem de palanques eleitorais no Sudeste para a eleição de 2026, destacando a importância estratégica da região. No Rio de Janeiro, o grupo bolsonarista sofre com a instabilidade causada pela Operação Unha e Carne, que atingiu aliados do ex-governador Cláudio Castro e expôs ligações entre política e crime organizado. Isso fortalece a candidatura de Eduardo Paes e cria constrangimentos para Flávio Bolsonaro, especialmente no tema da segurança pública. Em Minas Gerais, Lula enfrenta dificuldades para viabilizar uma candidatura competitiva ao governo estadual. Há conflitos internos no PT e falta de nomes fortes, agravados pela recusa de Rodrigo Pacheco em disputar o cargo. O cenário também é incerto para a direita, com indefinições sobre candidaturas e lideranças. Já em São Paulo, a disputa está mais clara, com Tarcísio de Freitas como favorito à reeleição e Fernando Haddad como principal adversário, repetindo a polarização anterior. O texto conclui que, apesar da centralidade do Sudeste, os principais candidatos enfrentam fragilidades importantes na região.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 A dura realidade aonde a política não chega, por Fernando Gabeira O Estado de S. Paulo Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades Às vezes, as coisas muito próximas são universais. Hesito em escrever sobre o que vejo no cotidiano no Rio de Janeiro, mas não deveria: é algo importante para o País e com grande possibilidade de espalhar-se por todos os cantos. Encontrei na rua uma amiga e perguntei se estava tudo bem: “Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta”. Ela vive numa favela chamada Rio das Pedras, dominada por uma milícia acossada pelo tráfico de drogas que quer o domínio do território. No mesmo dia, encontrei, acidentalmente, um homem que empurrava sua bicicleta na feira. Ele vinha da Muzema, uma comunidade que fica no início da Barra da Tijuca. Lá em casa, disse ele, o tiroteio é quase toda noite: a área é dominada pelo Comando Vermelho. Assim vivem milhões de pessoas no Rio. No território dominado, quem manda é o crime organizado, que vende gás, controla o transporte alternativo e inclusive escolhe algumas meninas para serem suas amantes. O preço da recusa é a morte ou então a mudança precipitada do lugar. O crime organizado tem uma grande influência política. Ele define quais candidatos podem entrar em sua área. Considerando que controla metade da cidade, ajuda a definir a bancada de eleitos. A penetração no tecido político é evidente: os últimos governadores foram presos, assim como deputados e um presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O que é mais doloroso é examinar o conjunto de políticas que visam a solucionar o problema e constatar que nenhuma delas consegue trazer uma esperança real. O que não significa que essas políticas não sejam desejáveis. A PEC da Segurança que está parada no Senado parte de um princípio fundamental: a unificação das forças federais e estaduais no combate ao crime organizado. Isso pode aumentar a eficácia da segurança pública, mas não responde à questão básica: a reconquista permanente do território ocupado, hoje um fenômeno que se exportou para o Nordeste. Da mesma forma, a iniciativa americana de definir dois grupos como terroristas e partir para uma guerra de destruição é bastante limitada. Nas condições existentes, a eliminação de um grupo dará lugar a outro e eles vão se suceder enquanto as condições político-sociais prevalecerem. O combate e a morte de alguns criminosos servem apenas para atenuar, na opinião pública, essa sensação de ineficácia. O verdadeiro projeto nunca aparece e ele, certamente, passa pela presença do Estado nessas áreas com os seus serviços essenciais funcionando. A resposta para a inexistência de um projeto de liberação permanente das áreas ocupadas é falta de dinheiro e pessoal. Se não há dinheiro em orçamentos tão generosos como o brasileiro, então não há solução. Se somos incapazes de definir a soberania nacional sobre nossos territórios, ficaremos reduzidos a uma guerra assimétrica. E elas nunca são favoráveis ao lado mais forte. Graças às condições favoráveis de que desfrutam no território, esses grupos vão sobreviver mesmo com as campanhas repressivas. No Rio, obtêm armamentos modernos, se empossam da tecnologia e já estão em plena guerra de drones. Muitos especialistas falam em ir atrás do dinheiro do crime organizado e enfraquecê-lo a partir da drenagem de seus recursos. É uma ótima tática. Na vida cotidiana, entretanto, o crime organizado produz seu rendimento pela simples exploração do território: venda de gás, transporte alternativo, taxas de segurança. Tudo isso tem muita importância e, às vezes, rende mais do que o próprio tráfico de drogas. Os Estados Unidos optaram pela guerra para evitar que a droga entre em seu território. Nessa nova versão da muitas vezes fracassada guerra às drogas, bombardeiam barcos no Pacífico e no Caribe. O tráfico de drogas é um grande problema nas suas relações com o México. Com um sério trabalho de inteligência é possível reduzir o trânsito da droga pelo território brasileiro. Mas ver barcos bombardeados e supor que estamos atacando o verdadeiro problema no Brasil é fugir da realidade. Por isso, com todo o respeito que tenho por especialistas, não acredito muito em soluções que ignorem o clamor de milhões de pessoas, que querem andar livres, escolher livremente o que compram, proteger suas filhas dos predadores do crime, conversar com candidatos que não precisem de licença para entrar na favela. Sei que esse futuro ainda está distante. Não deveríamos esquecer esses milhões de brasileiros nos territórios ocupados quando falamos orgulhosamente de soberania nacional. Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades. O alarme soa alto, mas ainda é muito pouco ouvido. Candidatos à Presidência e aos governos dos Estados deveriam ser questionados seriamente sobre a liberação territorial no Brasil. No mínimo, por solidariedade aos milhões de oprimidos. •
O artigo descreve a realidade da violência e do domínio do crime organizado no Rio de Janeiro, onde milícias e facções controlam territórios, impõem regras à população e influenciam a política local. Milhões de pessoas vivem sob esse controle, enfrentando tiroteios constantes e restrições à liberdade. O autor argumenta que, embora existam propostas de combate — como a integração das forças de segurança ou o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas —, nenhuma resolve o problema central: a retomada permanente dos territórios pelo Estado com presença efetiva de serviços públicos. Ele alerta que, sem um projeto consistente e recursos adequados, o país continuará enfrentando uma guerra desigual, na qual o crime tende a se manter forte. O problema, segundo o texto, já se espalha para outras regiões e pode atingir todo o Brasil. Por fim, defende que candidatos devem ser cobrados por soluções concretas para libertar essas áreas, em solidariedade às populações que vivem sob o domínio do crime.
Carta de Flávio a Trump é tiro no pé que favorece Lula Publicado em 03/07/2026 - 08:01 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Exportações, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Tecnologia, Terrorismo Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável A carta enviada por Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento por 180 dias do tarifaço contra produtos brasileiros, eleitoralmente é um tiro no próprio pé para o pré-candidato do PL, além de muito tóxica para as negociações diplomáticas do Brasil com a Casa Branca. O senador atropelou a linha de negociação conduzida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deslocou o contencioso do terreno técnico para o palanque eleitoral e mostrou falta de coesão política do país na defesa dos interesses brasileiros que estão em jogo. O candidato de oposição entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de bandeja, a bandeira da soberania na campanha eleitoral. Repetiu o mesmo equívoco de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos e comemorou o tarifaço como se fosse uma grande vitória da oposição. Deu errado. Lula estancou a queda e voltou a subir nas pesquisas eleitorais. Em vez de enfraquecer o governo, a carta de Flávio reforça a narrativa oficial de que a família Bolsonaro atua para internacionalizar a crise política brasileira e instrumentalizar interesses externos contra o próprio país. Leia também: Tarifaço dos EUA entra no centro da disputa eleitoral no Brasil Mas a crise tarifária com os EUA tem bases mais objetivas do que eleitorais. Nasce de um contencioso comercial complexo, decorrente da disputa comercial com a China e da reestruturação das cadeias globais de valor. Os Estados Unidos concluíram, em junho, a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar parceiros quando considera que eles adotam práticas comerciais “desleais” ou “desarrazoadas”. No caso brasileiro, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) reuniu no mesmo balaio comércio digital e o funcionamento do Pix; decisões judiciais envolvendo plataformas digitais; tarifas preferenciais no âmbito do Mercosul e de acordos com Índia e México; acesso ao mercado de etanol; propriedade intelectual; combate à corrupção; e desmatamento ilegal. O governo brasileiro reagiu com prudência. Um documento de 29 páginas, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, tecnicamente, rebate ponto a ponto as acusações norte-americanas e sustenta que boa parte da agenda levantada por Washington não diz respeito a comércio, mas a opções regulatórias, institucionais e soberanas do Estado brasileiro. Na verdade, a negociação conduzida pelo Itamaraty não se limita a uma briga tarifária, questiona o alcance da Seção 301 e o direito de os Estados Unidos transformarem divergências em matéria de política interna brasileira, como a regulação de plataformas, a estrutura do Pix, decisões do STF e o combate ao desmatamento, em razões para sanções econômicas. O Brasil, nas conversas com a Casa Branca, tenta isolar os litígios comerciais das disputas políticas e ideológicas. Ou seja, defende uma política de Estado. Sua atuação é institucional e preserva canais de diálogo, ao discutir cada item da pauta em bases técnicas e evitar a contaminação pela polarização eleitoral. Implosão diplomática Nesse sentido, a carta de Flávio implode o esforço diplomático brasileiro. O senador pede que as tarifas não sejam aplicadas agora, mas só depois das eleições presidenciais. Ou seja: em vez de afirmar que as tarifas são injustas, indevidas ou lesivas ao interesse bilateral, ele argumenta que a sua adoção imediata poderia beneficiar Lula politicamente. A essência do apelo é eleitoral, não comercial. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando”, escreveu para sustentar que a medida “recompensaria o atual governo brasileiro”. Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Esse é o “xis” do problema. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável — desde que aplicado num momento politicamente conveniente à oposição. Ou seja, tira o tapete da diplomacia brasileira, quando o Itamaraty tenta convencer Washington de que a escalada tarifária é inadequada, desproporcional e fundada em premissas equivocadas. Leia mais: O que Flávio prometeu a Trump caso seja eleito sobre Pix, Mercosul e redes sociais Flávio sinalizou aos norte-americanos que o problema não é o mérito da retaliação, mas o seu timing eleitoral. A carta, assim, enfraquece a tese brasileira de que a medida é injustificável e reforça a percepção de que o litígio comercial virou peça de uma disputa interna pelo poder. De certa forma, Lula percebeu a oportunidade e subiu o tom contra seu adversário. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço, agora ou depois”, escreveu nas redes sociais. Classificou a carta como “inaceitável” e criticou o “entreguismo” da família Bolsonaro, ao afirmar que o clã quer submeter o Brasil a interesses norte-americanos. Ao conectar a carta ao Pix e ao Mercosul, Lula transformou o episódio numa peça de campanha sobre soberania, desenvolvimento e defesa do interesse nacional. O presidente vinha “jogando parado”, ao valorizar a liturgia do cargo, administrar a máquina pública e evitar antecipar o embate central de 2026. A carta de Flávio ofereceu um atalho para Lula ocupar o terreno do nacionalismo econômico sem abdicar do cosmopolitismo e do multilateralismo. Pode ser que um objetivo subjacente do filho 01 de Jair Bolsonaro tenha sido mudar a agenda de sua campanha da crise com Michele Bolsonaro para a política externa. Porém, na prática, deu ao presidente a possibilidade de falar como defensor da pátria. Nas entrelinhas: todas as colunas diariamente no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Flávio, #Michele, #Tarifaço, #Trump, Lula
O texto argumenta que a carta de Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento — e não a revogação — de tarifas contra produtos brasileiros, foi um erro político e diplomático. Ao fazer isso, ele acaba legitimando a sanção e enfraquecendo a posição oficial do Brasil nas negociações conduzidas pelo Itamaraty. Segundo o autor, a atitude favorece Lula eleitoralmente, ao reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional e permitir que o presidente explore politicamente o episódio. Além disso, a carta desloca uma questão técnica e comercial para o campo eleitoral, prejudicando a coesão do país. O texto também destaca que o conflito com os EUA é complexo, envolvendo disputas comerciais, regulação interna e geopolítica, e que o governo brasileiro tenta tratá-lo de forma institucional. Ao contrário disso, a ação de Flávio politiza o tema e enfraquece a estratégia diplomática. Por fim, conclui que o episódio deu a Lula uma oportunidade de se posicionar como defensor dos interesses nacionais, enquanto expôs fragilidades da oposição. "ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil 🎥 Vídeo 🔗 Links https://www.letras.mus.br/maria-rita/querelas-do-brasil/ https://www.youtube.com/watch?v=R6PdhOFCNXI&t=182s Querelas do Brasil De Maurício Tapajós e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sert