quinta-feira, 21 de maio de 2026

ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA

05/05/1963 'Wonderful goal from Pele' WEST GERMANY v BRAZIL
A MÁSCARA DA MORTE RUBRA (Edgard Allan Poe) "Aqui [no Brasil] a gente gosta de rico", diz @BBCNewsBrasil Travessia - Milton Nascimento 1969[com Tenório Jr] Tenório Jr, assassinado pela ditadura argentina em 1976 ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA Ministério da Economia Geraldo Pereira Seu Presidente Sua Excelência mostrou que é de fato Agora tudo vai ficar barato Agora o pobre já pode comer até encher Seu Presidente Pois era isso que o povo queria O Ministério da Economia Parece que vai resolver Seu Presidente Graças a Deus não vou comer mais gato Carne de vaca no açougue é mato Com meu amor eu já posso viver Eu vou buscar A minha nega pra morar comigo E sei que agora não há mais perigo Porque de fome ela não vai morrer A vida estava tão difícil Que eu mandei minha nega bacana Meter os peitos na cozinha da madame Em Copacabana Agora vou buscar a nega Porque gosto dela pra cachorro Os gatos é que vão dar gargalhada De alegria lá no morro Composição: Arnaldo Passos, Geraldo Pereira. https://www.letras.mus.br/geraldo-pereira/415459/ https://youtu.be/wQfEvS9aCCc REDUZINDO VOSSAS EXCELÊNCIAS A NOMES DE BATISMO
Galípolo eleva o nível do debate sobre juros altos Por Folha de S. Paulo Inflação superou o teto em 4 dos últimos 6 anos, evidenciando que taxas não subiram além do necessário A verdadeira questão é por que a política monetária é menos eficaz no Brasil; expansão dos gastos públicos é a explicação mais óbvia A gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central deveria bastar para desacreditar teorias conspiratórias a respeito das taxas de juros brasileiras, de fato historicamente acima dos padrões globais. Afinal, com uma cúpula de maioria indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o BC mantém há quase um ano e meio as mesmíssimas diretrizes de política monetária herdadas da diretoria nomeada por Jair Bolsonaro (PL) e satanizada pelos petistas —o que implica manter a taxa Selic no nível necessário para buscar a meta de inflação, mesmo com sacrifícios para a atividade econômica. Na terça-feira (19), o próprio Galípolo deu argumentos adicionais e cabais contra teses que atribuem os juros altos a taras ortodoxas ou a algum conluio entre o órgão e o mercado financeiro. Em audiência no Senado, o presidente do BC apontou que, apesar de conviver com taxas superiores às da maioria dos países, o Brasil teve inflação acima do teto em 4 dos últimos 6 anos. Logo, como disse, a política monetária não foi mais rigorosa que o necessário. Pelo contrário. Acrescente-se que os objetivos aqui fixados para o IPCA —variando de 4% com tolerância de 1,5 ponto percentual em 2020 a 3% mais 1,5 ponto em 12 meses atualmente— nada têm de anômalos ou draconianos. Nesse período, o país e o mundo passaram por quatro grandes choques de oferta: a pandemia, o tarifaço de Donald Trump e as guerras na Ucrânia e no Irã. E a política de juros teve flexibilidade para não tentar cumprir as metas de inflação a qualquer custo. Buscou-se, na verdade, evitar um descontrole que seria trágico para o poder de compra da população, sobretudo a mais pobre. Mas, se esses dados desmontam discursos politiqueiros, não são suficientes para esgotar o tema. Como também apontou Galípolo, cumpre debater "por que no Brasil o esforço da política monetária é maior para se conseguir o mesmo que em outros países". A explicação mais óbvia, embora não necessariamente a única, é a expansão do gasto público, que ganhou força no final do governo Bolsonaro e foi acelerada por Lula. Não apenas se estimula a demanda acima da capacidade de oferta, pressionando a inflação, como se geram déficits orçamentários que levam o mercado credor a exigir taxas mais altas para financiar o Estado. Outros fatores podem agravar o quadro, como o elevado volume de crédito com taxas favorecidas a setores como habitação, agropecuária e indústria, que não está sujeito à Selic e diminui a eficácia da política monetária. Há ainda muita indexação formal e informal na economia, o que pode perpetuar altas de preços. Deve-se mencionar, por fim, a necessidade de consolidar a confiança no BC, que só há cinco anos ganhou autonomia na forma de mandatos para seus dirigentes. Ataques demagógicos de governantes aos juros só fazem elevar temores de retrocesso que dificultam o combate à inflação. Ao vivo: Galípolo fala sobre Master à CAE do Senado Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 6 horas 💡 O QUE É IMPORTANTE SABER: 🏛️ Poder Congresso | O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa às 10h desta 3ª feira (19.mai.2026) de audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Ele falará sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025. A audiência foi aprovada pela comissão depois da liquidação do banco e da operação da Polícia Federal que mirou executivos ligados à instituição. Os senadores querem ouvir Galípolo sobre a atuação do BC antes da decisão e sobre os efeitos da medida no sistema financeiro. 📲 Ficou interessado? Leia a reportagem no Poder360: https://www.poder360.com.br/ General da banda Blecaute Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a,he a Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a,he a Mourão mourão Vara madura que não cai Mourão,mourão,mourão Catuca por baixo que ele vai Mourão mourão Vara madura que não cai mourão,mourão,mourão Catuca pro baixo que ele vai Chogou o general da banda,he he chegou o general da banda,he a General,general Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a General,general Mourão mourão Vara madura que não cai Mourão muorão Catuca por baixo que ele vai Mourão mourã Vara madura que não cai Mourão,mourão,mourão Catuca bor baixo que ele vai Chegou o general da banda,he ha Deixa amanhecer Chegou o general da banda,he he a General general Composição: Tancredo Silva, José Alcides, Satiro de Melo. https://www.letras.mus.br/blecaute/649156/#radio:geraldo-pereira Blecaute - General da Banda - 1949 A Reading of "The Masque of the Red Death" Poe Museum The Poe Museum Blog The Masque of the Red Death Hear “The Masque of the Red Death” read aloud. The Masque of the Red Death The “Red Death” had long devastated the country. No pestilence had been ever so fatal, […] Post author By zakyoung Post date July 3, 2021 Hear “The Masque of the Red Death” read aloud. The Masque of the Red Death The “Red Death” had long devastated the country. No pestilence had been ever so fatal, or so hideous. Blood was its Avator and its seal — the redness and the horror of blood. There were sharp pains, and sudden dizziness, and then profuse bleedings at the pores, with dissolution. The scarlet stains upon the body and especially upon the face of the victim, were the pest-ban which shut him out from the aid and from the sympathy of his fellow-men. And the whole seizure, progress and termination of the disease were the incidents of half an hour. But the Prince Prospero was happy and dauntless, and sagacious. When his dominions were half depopulated, he summoned to his presence a thousand hale and light-hearted friends from among the knights and dames of his court, and with these retired to the deep seclusion of one of his castellated abbeys. This was an extensive and magnificent structure, the creation of the prince’s own eccentric yet august taste. A strong and lofty wall girdled it in. This wall had gates of iron. The courtiers, having entered, brought furnaces and massy hammers and welded the bolts. They resolved to leave means neither of ingress or egress to the sudden impulses of despair from without or of frenzy from within. The abbey was amply provisioned. With such precautions the courtiers might bid defiance to contagion. The external world could take care of itself. In the meantime it was folly to grieve, or to think. The prince had provided all the appliances of pleasure. There were buffoons, there were improvisatori, there were ballêt-dancers, there were musicians, there were cards, there was Beauty, there was wine. All these and security were within. Without was the “Red Death.” It was towards the close of the fifth or sixth month of his seclusion, and while the pestilence raged most furiously abroad, that the Prince Prospero entertained his thousand friends at a masked ball of the most unusual magnificence. It was a voluptuous scene that masquerade. But first let me tell of the rooms in which it was held. There were seven — an imperial suite. In many palaces, however, such suites form a long and straight vista, while the folding doors slide back nearly to the walls on either hand, so that the view of the whole extent is scarcely impeded. Here the case was very different; as might have been expected from the duke’s love of the bizarre. The apartments were so irregularly disposed that the vision embraced but little more than one at a time. There was a sharp turn at every twenty or thirty yards, and at each turn a novel effect. To the right and left, in the middle of each wall, a tall and narrow Gothic window looked out upon a closed corridor which pursued the windings of the suite. These windows were of stained glass whose color varied in accordance with the prevailing hue of the decorations of the chamber into which it opened. That at the eastern extremity was hung, for example, in blue — and vividly blue were its windows. The second chamber was purple in its ornaments and tapestries, and here the panes were purple. The third was green throughout, and so were the casements. The fourth was furnished and litten with orange — the fifth with white — the sixth with violet. The seventh apartment was closely shrouded in black velvet tapestries that hung all over the ceiling and down the walls, falling in heavy folds upon a carpet of the same material and hue. But, in this chamber only, the color of the windows failed to correspond with the decorations. The panes here were scarlet — a deep blood color. Now in no one of the seven apartments was there any lamp or candelabrum, amid the profusion of golden ornaments that lay scattered to and fro or depended from the roof. There was no light of any kind emanating from lamp or candle within the suite of chambers. But in the corridors that followed the suite, there stood, opposite to each window, a heavy tripod, bearing a brazier of fire that projected its rays through the tinted glass and so glaringly illumined the room. And thus were produced a multitude of gaudy and fantastic appearances. But in the western or black chamber the effect of the fire-light that streamed upon the dark hangings through the blood-tinted panes, was ghastly in the extreme, and produced so wild a look upon the countenances of those who entered, that there were few of the company bold enough to set foot within its precincts at all. It was in this apartment, also, that there stood against the western wall, a gigantic clock of ebony. Its pendulum swung to and fro with a dull, heavy, monotonous clang; and when its minute-hand made the circuit of the face, and the hour was to be stricken, there came forth from the brazen lungs of the clock a sound which was clear and loud and deep and exceedingly musical, but of so peculiar a note and emphasis that, at each lapse of an hour, the musicians in the orchestra were constrained to pause, momently, in their performance, to harken to the sound; and thus the waltzers perforce ceased their evolutions; and there was a brief disconcert of the whole gay company; and, while the chimes of the clock yet rang, it was observed that the giddiest grew pale, and that the more aged and sedate passed their hands over their brows as if in confused reverie or meditation. But when the echoes had fully ceased, a light laughter at once pervaded the assembly; the musicians looked at each other and smiled as if at their own nervousness and folly, and made whispering vows, each to the other, that the next chiming of the clock should produce in them no similar emotion; and then, after the lapse of sixty minutes, (which embrace three thousand and six hundred seconds of the Time that flies,) there came yet another chiming of the clock, and then were the same disconcert and tremulousness and meditation as before. But, in spite of these things, it was a gay and magnificent revel. The tastes of the duke were peculiar. He had a fine eye for colors and effects. He disregarded the decora of mere fashion. His plans were bold and fiery, and his conceptions glowed with barbaric lustre. There are some who would have thought him mad. His followers felt that he was not. It was necessary to hear and see and touch him to be sure that he was not. He had directed, in great part, the moveable embellishments of the seven chambers, upon occasion of this great fête, and it was his own guiding taste which had given character to the costumes of the masqueraders. Be sure they were grotesque. There were much glare and glitter and piquancy and phantasm — much of what has been since seen in “Hernani.” There were arabesque figures with unsuited limbs and appointments. There were delirious fancies such as the madman fashions. There was much of the beautiful, much of the wanton, much of the bizarre, something of the terrible, and not a little of that which might have excited disgust. To and fro in the seven chambers there stalked, in fact, a multitude of dreams. And these, the dreams — writhed in and about, taking hue from the rooms, and causing the wild music of the orchestra to seem as the echo of their steps. And, anon, there strikes the ebony clock which stands in the hall of the velvet. And then, momently, all is still, and all is silent save the voice of the clock. The dreams are stiff-frozen as they stand. But the echoes of the chime die away — they have endured but an instant — and a light, half-subdued laughter floats after them as they depart. And now again the music swells, and the dreams live, and writhe to and fro more merrily than ever, taking hue from the many-tinted windows through which stream the rays from the tripods. But to the chamber which lies most westwardly of the seven there are now none of the maskers who venture; for the night is waning away; and there flows a ruddier light through the blood-colored panes; and the blackness of the sable drapery appals; and to him whose foot falls upon the sable carpet, there comes from the near clock of ebony a muffled peal more solemnly emphatic than any which reaches their ears who indulge in the more remote gaieties of the other apartments. But these other apartments were densely crowded, and in them beat feverishly the heart of life. And the revel went whirlingly on, until at length was sounded the twelfth hour upon the clock. And then the music ceased, as I have told; and the evolutions of the waltzers were quieted; and there was an uneasy cessation of all things as before. But now there were twelve strokes to be sounded by the bell of the clock; and thus it happened, perhaps, that more of thought crept, with more of time, into the meditations of the thoughtful among those who revelled. And thus, again, it happened, perhaps, that before the last echoes of the last chime had utterly sunk into silence, there were many individuals in the crowd who had found leisure to become aware of the presence of a masked figure which had arrested the attention of no single individual before. And the rumor of this new presence having spread itself whisperingly around, there arose at length from the whole company a buzz, or murmur, expressive at first of disapprobation and surprise — then, finally, of terror, of horror, and of disgust. In an assembly of phantasms such as I have painted, it may well be supposed that no ordinary appearance could have excited such sensation. In truth the masquerade license of the night was nearly unlimited; but the figure in question had out-Heroded Herod, and gone beyond the bounds of even the prince’s indefinite decorum. There are chords in the hearts of the most reckless which cannot be touched without emotion. Even with the utterly lost, to whom life and death are equally jests, there are matters of which no jest can be properly made. The whole company, indeed, seemed now deeply to feel that in the costume and bearing of the stranger neither wit nor propriety existed. The figure was tall and gaunt, and shrouded from head to foot in the habiliments of the grave. The mask which concealed the visage was made so nearly to resemble the countenance of a stiffened corpse that the closest scrutiny must have had difficulty in detecting the cheat. And yet all this might have been endured, if not approved, by the mad revellers around. But the mummer had gone so far as to assume the type of the Red Death. His vesture was dabbled in blood — and his broad brow, with all the features of the face, was besprinkled with the scarlet horror. When the eyes of the Prince Prospero fell upon this spectral image (which with a slow and solemn movement, as if more fully to sustain its rôle, stalked to and fro among the waltzers) he was seen to be convulsed, in the first moment, with a strong shudder either of terror or distaste; but, in the next, his brow reddened with rage. “Who dares?” he demanded hoarsely of the group that stood around him, “who dares thus to make mockery of our woes? Uncase the varlet that we may know whom we have to hang to-morrow at sunrise from the battlements. Will no one stir at my bidding? — stop him and strip him, I say, of those reddened vestures of sacrilege!” It was in the eastern or blue chamber in which stood the Prince Prospero as he uttered these words. They rang throughout the seven rooms loudly and clearly — for the prince was a bold and robust man, and the music had become hushed at the waving of his hand. It was in the blue room where stood the prince, with a group of pale courtiers by his side. At first, as he spoke, there was a slight rushing movement of this group in the direction of the intruder, who at the moment was also near at hand, and now, with deliberate and stately step, made closer approach to the speaker. But from a certain nameless awe with which the mad assumptions of the mummer had inspired the whole party, there were found none who put forth hand to seize him; so that, unimpeded, he passed within a yard of the prince’s person; and, while the vast assembly, as if with one impulse, shrank from the centres of the rooms to the walls, he made his way uninterruptedly, but with the same solemn and measured step which had distinguished him from the first, through the blue chamber to the purple — through the purple to the green — through the green to the orange, — through this again to the white — and even thence to the violet, ere a decided movement had been made to arrest him. It was then, however, that the Prince Prospero, maddening with rage and the shame of his own momentary cowardice, rushed hurriedly through the six chambers — while none followed him on account of a deadly terror that had seized upon all. He bore aloft a drawn dagger, and had approached, in rapid impetuosity, to within three or four feet of the retreating figure, when the latter, having attained the extremity of the velvet apartment, turned suddenly round and confronted his pursuer. There was a sharp cry — and the dagger dropped gleaming upon the sable carpet, upon which instantly afterwards, fell prostrate in death the Prince Prospero. Then, summoning the wild courage of despair, a throng of the revellers at once threw themselves into the black apartment, and, seizing the mummer, whose tall figure stood erect and motionless within the shadow of the ebony clock, gasped in unutterable horror at finding the grave-cerements and corpse-like mask which they handled with so violent a rudeness, untenanted by any tangible form. And now was acknowledged the presence of the Red Death. He had come like a thief in the night. And one by one dropped the revellers in the blood-bedewed halls of their revel, and died each in the despairing posture of his fall. And the life of the ebony clock went out with that of the last of the gay. And the flames of the tripods expired. And Darkness and Decay and the Red Death held illimitable dominion over all. Edgar Allan Poe Published 1842 Image by Byam Shaw Tags Read Poe's Work A MÁSCARA DA MORTE RUBRA (Edgard Allan Poe) Tradução e prólogo de Ana Karina Borges Braun. Revisão de Patrícia Chittoni Ramos Reuillard e Juann Acosta. O escritor, poeta, editor e crítico norte-americano Edgar Allan Poe nasceu em Boston em janeiro de 1809 e faleceu em Baltimore em 7 de outubro de 1849. Popularmente conhecido como o mestre dos contos de terror e precursor dos contos de detetive, também publicou ensaios e resenhas críticas. Em1839 ganhou notoriedade com a publicação de seu livro Contos do grotesco e do arabesco (Tales of the Grotesque and Arabesque) pela editora Lea and Blanchardt. Em 1842 publicou o conto cuja tradução apresentaremos a seguir: The Masque of the Red Death (A Máscara da Morte Rubra). Denise Bottmann, (2012) contabiliza dezoito traduções brasileiras desse conto feitas ao longo dos séculos XX e XXI. Dentre elas, estão A máscara da morte interrompida (DUARTE, 1922), A máscara da morte rubra (MENDES E AMADO, 1944), A máscara da peste vermelha (LOBO, 1970), A máscara da morte escarlate (RUBENS SIQUEIRA, 1993), O baile da morte vermelha (BRAGA, 2008) e A camuflagem da morte escarlate (ANÔNIMO, 2008). O conto se apresenta como uma alegoria da inevitabilidade da morte. O Príncipe Próspero, em uma tentativa de sobreviver à morte rubra, terrível doença que assolava seu país, se recolhe com um grupo de cortesãos em uma de suas propriedades - uma abadia acastelada - e promove um baile de máscaras. O clímax do conto ocorre durante o baile, quando o príncipe e seus convidados confrontam a morte. A "Morte Rubra" dizimara o país há muito tempo. Nenhuma peste havia sido tão fatal ou tão terrível. O sangue representava sua imagem e sua marca - o rubor e a aversão ao sangue. Os sintomas se caracterizavam por dores agudas, tonturas súbitas e abundante sangramento pelos poros, seguido de deterioração. As manchas escarlates no corpo, especialmente aquelas no rosto da vítima, representavam a exclusão que a privava da assistência e da compaixão de seus semelhantes. E sua manifestação, desenvolvimento e término se dava em um período de trinta minutos. Apesar disso, o príncipe Próspero se sentia feliz, intrépido e sagaz. Quando a população de seus domínios havia se reduzido à metade, ele reuniu mil amigos saudáveis e festivos, dentre cavalheiros e damas de sua corte, e com eles se recolheu em uma de suas abadias acasteladas. Era uma estrutura extensa e grandiosa, construção resultante do gosto excêntrico e augusto do próprio Príncipe, cercada por uma forte e imponente muralha. Os portões eram feitos de aço. Após terem entrado, os cortesãos trouxeram fornos e pesados martelos para soldar os ferrolhos. Decidiram impedir tanto a entrada como a saída de qualquer um que se rendesse a impulsos súbitos de desespero ou qualquer loucura do lado de dentro. A abadia tinha provisões em abundância. Com tais precauções, os cortesãos poderiam desafiar o contágio. O mundo exterior tomaria conta de si mesmo. Nesse meio tempo, lamentar-se, ou mesmo pensar, seria uma estupidez. O príncipe havia proporcionado todos os meios de distração. Havia bufões, artistas improvisadores, bailarinos, músicos, Beleza, vinho. Além disso, havia a segurança de estarem, lá dentro, protegidos da "Morte Rubra". Após cinco ou seis meses de reclusão, enquanto a peste atacava suas vítimas com furor fora da abadia, o Príncipe Próspero decidiu entreter seus mil amigos com um baile de máscaras de uma grandiosidade nunca antes vista. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/179344/1069088.pdf?sequence=1
Caderno 12 (1932)43 (excertos) Apontamentos e notas para um conjunto de ensaios sobre a história dos intelectuais Os intelectuais constituem um grupo social autônomo e independente ou cada grupo social possui sua própria categoria especializada de intelectual? O problema é complexo por causa das várias formas que, até nossos dias, assumiu o processo histórico real de formação das diversas categorias intelectuais. As mais importantes destas formas são duas: 1) Cada grupo social, nascendo no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria para si ao mesmo tempo, de um modo orgânico, uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e no político: o empresário capitalista cria consigo o técnico da indústria, o cientista da economia política, o organizador de uma nova cultura, de um novo direito etc. Deve-se anotar o fato de que o empresário representa uma elaboração social superior, já caracterizada por uma certa capacidade dirigente e técnica (isto é, intelectual): ele deve possuir uma certa capacidade técnica, não somente na esfera restrita de sua atividade e de sua iniciativa, mas ainda em outras esferas, pelo menos nas mais próximas à produção econômica (deve ser um organizador de massa de homens; deve ser um organizador da “confiança” dos que investem em sua empresa, dos compradores de sua mercadoria etc.). Os empresários – se não todos, pelo menos uma elite deles – devem possuir a capacidade de organizar a sociedade em geral, em todo o seu complexo organismo de serviços, até o organismo estatal, em vista da necessidade de criar as condições mais fa43 Quaderni del Carcere, v. III, edição crítica do Instituto Gramsci, organizada por Valentino Gerratana, Ed. Einaudi, Turim, 1975. Tradução de Paolo Nosella. 92 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 92 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES voráveis à expansão da própria classe; ou, pelo menos devem possuir a capacidade de escolher os “prepostos” (empregados especializados) a quem confiar esta atividade organizativa das relações gerais exteriores à empresa. Pode-se observar que os intelectuais “orgânicos, que cada nova classe cria consigo e elabora em seu desenvolvimento progressivo, são, na maioria das vezes, “especializações” de aspectos parciais da atividade primitiva do tipo social novo que a nova classe deu à luz. (Também os senhores feudais eram detentores de uma particular capacidade técnica, a militar, e é precisamente a partir do momento em que a aristocracia perde monopólio desta capacidade técnico-militar que se inicia a crise do feudalismo. Mas a formação dos intelectuais no mundo feudal e no mundo clássico precedente é uma questão que deve ser examinada à parte: esta formação e elaboração seguem caminhos e modos que é preciso estudar concretamente. Assim, cabe observar que a massa dos camponeses, ainda que desenvolva uma função essencial no mundo da produção, não elabora intelectuais “orgânicos” próprios e não “assimila” nenhuma camada de intelectuais “tradicionais”, embora outros grupos sociais extraiam da massa dos camponeses muitos dos seus intelectuais e grande parte dos intelectuais tradicionais seja de origem camponesa). 2) Mas cada grupo social “essencial”, emergido na história a partir da estrutura econômica anterior e como expressão de seu desenvolvimento (desta estrutura), encontrou, pelo menos na história que se desenrolou até nossos dias, categorias sociais preexistentes, as quais apareciam, aliás, como representantes de uma continuidade histórica que não fora interrompida nem mesmo pelas mais complicadas e radicais modificações das formas sociais e políticas. A mais típica destas categorias intelectuais é a dos eclesiásticos, que monopolizaram durante muito tempo (numa inteira fase histórica que é parcialmente 93 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 93 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI caracterizada, aliás, por este monopólio) alguns serviços importantes: a ideologia religiosa, isto é, a filosofia e a ciência da época com a escola, a instrução, a moral, a justiça, a beneficência, a assistência etc. A categoria dos eclesiásticos pode ser considerada também a categoria intelectual organicamente ligada à aristocracia fundiária: era juridicamente equiparada à aristocracia, com a qual dividia o exercício da propriedade feudal da terra e o uso dos privilégios estatais ligados à propriedade. Mas o monopólio das reestruturas por parte dos eclesiásticos (origem da acepção geral de “intelectuais” – ou de “especialista” – da palavra “clérigo”, em muitas línguas de origem neolatina ou fortemente influenciadas, através do latim eclesiástico, pelas línguas neolatinas, com seu correlativo de “laico” no sentido de profano – não especialista) não foi exercido sem luta e sem limitações; e nasceram, consequentemente, em várias formas (que devem ser pesquisadas e estudadas concretamente), outras categorias favorecidas e ampliadas à medida que se reforçava o poder central do monarca, até chegar ao absolutismo. Assim, foi-se formando a aristocracia togada, com seus próprios privilégios: uma camada de administradores etc., cientistas, teóricos, filósofos não eclesiásticos etc. Dado que estas várias categorias de intelectuais tradicionais sentem como “espírito de corpo” sua ininterrupta continuidade histórica e sua “qualificação”, eles se colocam como autônomos e independentes do grupo social dominante; esta autoafirmação não deixa de ter consequências de grande importância no campo ideológico e político (toda filosofia idealista pode ser facilmente relacionada com esta posição assumida pelo complexo social dos intelectuais e pode ser definida como a expressão desta utopia social segundo a qual os intelectuais acreditam ser “independentes”, autônomos, revestidos de características deles próprias etc. Deve-se notar, porém, que se o papa e a alta hierarquia da Igreja se creem 94 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 94 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES mais ligados a Cristo e aos apóstolos do que aos senadores Agnelli e Benni, o mesmo não ocorre com Gentile e Croce, por exemplo: Croce, notadamente, sente-se fortemente ligado a Aristóteles e a Platão, mas ele não esconde, de forma alguma, estar ligado aos senadores Agnelli e Benni e precisamente nisto deve ser procurada a característica mais marcada da filosofia de Croce). (Esta investigação sobre a história dos intelectuais não será de caráter “sociológico”, mas possibilitará uma série de ensaios de “história da cultura” (Kulturgeschichte) e de história da ciência política. Entretanto será difícil evitar algumas formas esquemáticas e abstratas que lembram as da “sociologia”: será preciso, portanto, encontrar a forma literária mais adequada para que a exposição seja “não-sociológica”. A primeira parte da investigação poderia constituir-se numa crítica sistemática das obras já existentes sobre os intelectuais, quase todas de cunho sociológico. Levantar a bibliografia sobre o assunto é, portanto, indispensável). Quais são os limites “máximos” da acepção de “intelectual”? É possível encontrar um critério unitário para caracterizar igualmente todas as diversas e variadas atividades intelectuais e para distingui-las, ao mesmo tempo e de modo essencial das atividades dos outros agrupamentos sociais? O erro metodológico mais difundido, ao que me parece, consiste em se ter buscado este critério de distinção no que é intrínseco às atividades intelectuais, em vez de buscá-lo no conjunto do sistema de relações no qual estas atividades (e, portanto, os grupos que as personificam) se encontram, no conjunto geral das relações sociais. Na verdade, o operário ou o proletário, por exemplo, não se caracteriza especificamente pelo trabalho manual ou instrumental, mas por exercer este trabalho em determinadas condições e em determinadas relações sociais (sem falar no fato de que não existe trabalho puramente físico e de que mesmo a expressão de Taylor, “gorila amestrado”, é uma metáfora para indicar um limite numa certa direção: em qualquer trabalho 95 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 95 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI físico, mesmo no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, isto é, um mínimo de atividade intelectual criadora). E já se observou que o empresário, pela sua própria função, deve possuir em certa medida algumas qualificações de caráter intelectual, se bem que sua figura social seja determinada não por elas, mas pelas relações sociais gerais que caracterizam efetivamente a posição do empresário na indústria. Todos os homens são intelectuais, poder-se-ia dizer então: mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais (assim como, pelo fato de que qualquer um pode em determinado momento fritar dois ovos ou costurar um buraco do paletó, não quer dizer que todo mundo seja cozinheiro ou alfaiate). Formam-se assim, historicamente, categorias especializadas para o exercício da função intelectual; formam-se em conexão com todos os grupos sociais, mas especialmente em conexão com os grupos sociais mais importantes e sofrem elaboração mais amplas e complexas em ligação com o grupo social dominante. Uma das mais marcantes características de todo grupo social que se desenvolve no sentido do domínio é sua luta pela assimilação e pela conquista “ideológica” dos intelectuais tradicionais, assimilação e conquista que são tão mais rápidas e eficazes quanto mais o grupo em questão elaborar simultaneamente seus próprios intelectuais orgânicos. O enorme desenvolvimento alcançado pela atividade e pela organização escolar (em sentido lato) nas sociedades que surgiram do mundo medieval indica a importância assumida no mundo moderno pelas categorias e funções intelectuais: assim como se buscou aprofundar e ampliar a “intelectualidade” de cada indivíduo, buscou-se igualmente multiplicar as especializações e aperfeiçoá-las. É este o resultado das instituições escolares de graus diversos, incluindo os organismos que visam promover a chamada “alta cultura”, em todos os campos da ciência e da técnica. (A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos níveis. A complexidade da função intelec96 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 96 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES tual nos vários Estados pode ser objetivamente medida pela quantidade das escolas especializadas e pela hierarquização: quanto mais extensa é a “área” escolar e quanto mais numerosos forem os “graus verticais” da escola, tão mais complexo é o mundo cultural, a civilização, de um determinado Estado. Pode-se ter um termo de comparação na esfera da técnica industrial: a industrialização de um país se mede pela sua capacidade de construir máquinas que construam máquinas, e na fabricação de instrumentos cada vez mais precisos para construir máquinas e instrumentos que construam máquinas etc. O país que possuir a melhor capacitação para construir instrumentos para os laboratórios dos cientistas e para construir instrumentos que testem estes instrumentos, este país pode ser considerado o mais complexo no campo técnico-industrial, o mais civilizado etc. Do mesmo modo ocorre na preparação dos intelectuais e nas escolas destinadas a tal preparação: escolas e instituições de alta cultura são similares). (Também neste campo, a quantidade não pode ser destacada da qualidade. A mais refinada especialização técnicocultural não pode deixar de corresponder à maior ampliação possível da difusão da instrução primária e a maior solicitude no favorecimento dos graus intermediários ao maior número. Naturalmente, esta necessidade de criar a mais ampla base possível para seleção e elaboração das mais altas qualificações intelectuais – ou seja, de dar à alta cultura e à técnica superior uma estrutura democrática – não deixa de ter inconvenientes: cria-se, deste modo, a possibilidade de vastas crises de desemprego nas camadas médias intelectuais, tal como realmente ocorre em todas as sociedades modernas). Deve-se notar que a elaboração das camadas intelectuais na realidade concreta não ocorre em um terreno democrático abstrato, mas de acordo com processos históricos tradicionais muito concretos. Formaram-se camadas que, tradicionalmente “produzem” intelectuais; trata-se das mesmas camadas que, muito frequentemente, especializaram-se na “poupança”, isto é, a pequena e média 97 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 97 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI burguesia fundiária e alguns estratos da pequena e média burguesia das cidades. A diversa distribuição dos diversos tipos de escolas (clássicas e profissionais) no território “econômico” e as diversas aspirações das várias categorias destas camadas determinam ou dão forma à produção dos diversos ramos de especialização intelectual. Assim, na Itália, a burguesia rural produz notadamente funcionários estatais e profissionais liberais, ao passo que a burguesia urbana produz técnicos para a indústria: por isso, a Itália meridional produz funcionários e profissionais. A relação entre intelectuais e o mundo da produção não é imediata, como é o caso nos grupos sociais fundamentais, mas é “mediatizada”, em diversos graus, por toda a textura social, pelo conjunto das superestruturas, do qual os intelectuais são precisamente os “funcionários”. Poder-se-ia medir a “organicidade” dos diversos estratos intelectuais, sua mais ou menos estreita conexão com um grupo social fundamental, fixando uma gradação das funções e das superestruturais de baixo para cima (da base estrutural para cima). Por enquanto, pode-se fixar dois grandes “planos” superestruturas: o que pode ser chamado de “sociedade civil”, isto é, o conjunto de organismos chamados comumente de “privados”, o da “sociedade política ou Estado”, que correspondem à função de “hegemonia” que o grupo dominante exerce em toda a sociedade, e àquela de “domínio direto” ou de comando, que se expressa no Estado e no governo “jurídico”. Estas funções são precisamente organizativas e conectivas. Os intelectuais são os “comissários” do grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do governo político, isto é: 1) do consenso “espontâneo” dado pelas grandes massas da população à orientação impressa pelo grupo fundamental dominante à vida social, consenso que nasce “historicamente” do prestígio (e, portanto, da confiança) que o grupo dominante obtém, por causa de sua posição e de sua função no mundo da produção; 2) do aparato de coerção estatal 98 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 98 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES que assegura “legalmente” a disciplina dos grupos que não “consentem”, nem ativa nem passivamente, mas que é constituído para toda a sociedade, na previsão dos momentos de crise no comando e na direção, quando fracassa o consenso espontâneo. Esta impostação do problema traz como resultado uma ampliação muito grande do conceito de intelectual, mas somente à realidade. Este modo de colocar a questão entra em choque em preconceitos de casta: é verdade que a própria função organizativa da hegemonia social e do domínio estatal dá lugar a certa divisão do trabalho e, portanto, a toda uma gradação de qualificações, em algumas das quais não mais aparece nenhuma atribuição diretiva e organizativa: no aparato da direção social e estatal existe toda uma série de empregos de caráter manual e instrumental (de execução e não de conceito, de agente e não de oficial ou funcionário etc.), mas, evidentemente, é preciso fazer esta distinção, como será preciso fazer também outras. De fato, a atividade intelectual deve ser diferenciada em graus, inclusive do ponto de vista intrínseco; estes graus, nos momentos de extrema oposição, dão lugar a uma verdadeira e real diferença qualitativa: no mais alto grau devem ser colocados os criadores das várias ciências, da filosofia, da arte etc.; no mais baixo, os mais humildes “administradores” e divulgadores da riqueza intelectual já existente, tradicional, acumulada. O organismo militar, também neste caso, oferece um modelo destas complexas gradações: oficiais subalternos, oficiais superiores, estado-maior; e não se deve esquecer os praças graduados, cuja importância real é superior ao que habitualmente se crê. É interessante notar que todas essas partes se sentem solidárias, ou antes, que os estratos inferiores manifestam um espírito de grupo mais evidente, do qual resulta neles uma “vaidade” que frequentemente os expõem aos gracejos e às troças. No mundo moderno, a categoria dos intelectuais, assim entendida, ampliou-se de modo inaudito. Foram elaboradas pelo sistema social democrático-burocrático, imponentes massas de intelec99 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 99 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI tuais, nem todas justificadas pelas necessidades sociais da produção, ainda que justificadas pelas necessidades políticas do grupo fundamental dominante. Daí a concepção loriana do “trabalhador” improdutivo (mas improdutivo em relação a quem e a que modo de produção?), que poderia ser parcialmente justificada se, se levasse em conta que estas massas exploram sua posição a fim de obter grandes somas retiradas à renda nacional. A formação em massa estandartizou os indivíduos, na qualificação intelectual e na psicologia, determinando os mesmos fenômenos que ocorrem em todas as outras massas estandartizadas: concorrência que coloca a necessidade da organização profissional de defesa, desemprego, superprodução escolar, imigração etc. Posição diversa dos intelectuais de tipo urbano e de tipo rural A máscara da morte rubra O texto fonte para esta tradução foi The Masque ofthe Read Death (1850) disponível em: . Acesso em: 12 mar. 2018.

ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA

Ministério da Economia
Geraldo Pereira

Seu Presidente
Sua Excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer até encher

Seu Presidente
Pois era isso que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver

Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver

Eu vou buscar
A minha nega pra morar comigo
E sei que agora não há mais perigo
Porque de fome ela não vai morrer

A vida estava tão difícil
Que eu mandei minha nega bacana
Meter os peitos na cozinha da madame
Em Copacabana

Agora vou buscar a nega
Porque gosto dela pra cachorro
Os gatos é que vão dar gargalhada
De alegria lá no morro

Composição: Arnaldo Passos, Geraldo Pereira.

Letras da música | YouTube


REDUZINDO VOSSAS EXCELÊNCIAS A NOMES DE BATISMO

Imagem da reportagem

Galípolo eleva o nível do debate sobre juros altos

Por Folha de S. Paulo

Inflação superou o teto em 4 dos últimos 6 anos, evidenciando que taxas não subiram além do necessário

A verdadeira questão é por que a política monetária é menos eficaz no Brasil; a expansão dos gastos públicos é a explicação mais óbvia.

A gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central deveria bastar para desacreditar teorias conspiratórias a respeito das taxas de juros brasileiras, historicamente acima dos padrões globais.

Afinal, com uma cúpula de maioria indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o BC mantém há quase um ano e meio as mesmas diretrizes herdadas da diretoria nomeada por Jair Bolsonaro (PL), o que implica manter a taxa Selic no nível necessário para buscar a meta de inflação, mesmo com sacrifícios para a atividade econômica.

Em audiência no Senado, Galípolo afirmou que, apesar das taxas elevadas, o Brasil teve inflação acima do teto em 4 dos últimos 6 anos, indicando que a política monetária não foi mais rigorosa do que o necessário.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

P.C.J (Partido Clementina de Jesus)

A Dialética Contemporânea da Alienação: Inteligência Artificial, Endividamento e Erosão Democrática “Se a inteligência nos obriga ao pessimismo — ao reconhecer nas vagas de IA, Clementina, o delírio estruturado de uma razão separada da vida —, é a vontade que nos convoca ao otimismo: não como ilusão, mas como práxis que reinscreve o humano na história.” — em diálogo com Antonio Gramsci Prelúdio: Clementina, o progresso e a contradição P.C.J (Partido Clementina de Jesus) Clara Nunes “Energia nuclear O homem subiu à lua É o que se ouve falar Mas a fome continua É o progresso, tia Clementina Trouxe tanta confusão Um litro de gasolina Por cem gramas de feijão Não vadeia Clementina Fui feita pra vadiar Não vadeia, Clementina Fui feita pra vadiar, eu vou…" CLEMENTINA DE JEUS - PARTIDO ALTO/ nao vadeia Clementina Cadê o cantar dos passarinhos? Ar puro não encontro mais, não É o preço do progresso, paga com a poluição O homem é civilizado, a sociedade é que faz sua imagem Mas tem muito diplomado que é pior do que selvagem Composição: S.candeia.
Conversas sobre Inteligência Artificial – IA na Democracia: perigo ou reinvenção? A Dialética Contemporânea da Alienação: Inteligência Artificial, Endividamento e Erosão Democrática Eleições presidenciais no Brasil ABRAPEL Transmissão ao vivo realizada há 119 minutos 20 de maio de 2026 Quarta-feira 19h (horário de Brasília) Título: Eleições presidenciais no Brasil Coordenação: Mara Telles (WAPOR Latam / ABRAPEL) Expositores: Antonio Lavareda (IPESPE ) João Francisco Meira (ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) Luciana Santana (ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política / UFAL) As eleições presidenciais no Brasil vêm atraindo crescente atenção internacional, tanto pelo peso geopolítico do país quanto pela complexidade de seu processo eleitoral. Em um contexto global marcado por transformações nas democracias, o Brasil se apresenta como um caso relevante para compreender como instituições, sociedade civil e tecnologias moldam as disputas políticas contemporâneas. Nesse cenário, as pesquisas eleitorais ocupam papel central ao permitir a identificação de tendências da opinião pública, padrões de comportamento e possíveis trajetórias da eleição. Ainda que não antecipem resultados, essas ferramentas são fundamentais para analisar cenários competitivos, dinâmicas regionais e mudanças no humor do eleitorado. Este webinar convida você a refletir e debater o processo eleitoral brasileiro a partir de perspectivas comparativas, explorando o papel das pesquisas e a construção de cenários possíveis. A proposta é situar o Brasil nos debates internacionais sobre democracia, confiança institucional e participação cidadã, oferecendo uma compreensão ampla, crítica e atual sobre as eleições em um cenário político global em constante transformação quarta-feira, 20 de maio de 2026 Até onde a elite vai com os Bolsonaro? Por Vera Magalhães
O Globo Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Daniel Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político. A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências. Os quatro anos de mandato de Bolsonaro trouxeram à tona detalhes da relação do ex-deputado estadual Flávio, então já senador, com seu ex-braço direito Fabrício Queiroz, evidências de prática de rachadinha em seu gabinete, de mais movimentações financeiras apontadas pelo Coaf como suspeitas, de relacionamento com ex-policiais ligados à milícia, mais compra de patrimônio imobiliário em transações milionárias e em dinheiro vivo — e tudo foi aceito. A gestão da pandemia expôs um presidente avesso à ciência, disposto a dinamitar o Programa Nacional de Imunizações, incentivando que se “passasse a boiada” em desmonte ambiental aproveitando o isolamento, zombando de medidas sanitárias e de mortes, trocando ministros da Saúde como quem mudava de camisa do Brasil. Houve abalo a sua imagem, mas ele quase foi reeleito. Vieram o 8 de janeiro de 2023 e aquela destruição sem precedentes em Brasília, por uma turba mantida em acampamentos em frente a quartéis por meses, incentivada por um presidente que abdicou do exercício do cargo desde a derrota no segundo turno, depois deixou o país sem passar o cargo ao sucessor. Houve repúdio generalizado de imediato, mas logo depois passou-se a relativizar a gravidade do que aconteceu, como se fosse apenas coisa de donas de casa armadas de batom. Por fim, o processo da trama golpista expôs a realização de uma reunião ministerial gravada em vídeo em que se discutiram opções até para melar as eleições. Vieram à tona um plano para matar autoridade e minutas de diferentes estados de exceção. O primeiro ex-presidente do Brasil foi condenado por tramar um golpe de Estado. E, ainda assim, uma parcela majoritária de nossos tomadores de decisão permanece aferrada aos desígnios desse líder, agora preso, a ponto de rapidamente assimilar aquilo que não queria: um presidenciável da própria família. Foi escolhida a segunda opção, porque o primeiro cogitado estava nos Estados Unidos havia meses obtendo sanções econômicas e políticas contra o Brasil. Agora, diante de um áudio reconhecido pelo próprio pré-candidato como autêntico, pedindo R$ 134 milhões a um banqueiro já enrolado para um filme sobre o pai, com recursos geridos por um fundo sem nenhuma transparência, existe uma torcida silenciosa para que a tempestade passe, e a motociata siga. É difícil compreender, apenas à luz da ideologia, tal complacência. Não foi vista em escândalos envolvendo políticos do PT ou mesmo do PSDB. Basta ver a descida ao inferno de Aécio Neves por muito menos que esse acervo do “azarão” e sua prole. O resultado econômico e fiscal sob Bolsonaro e Guedes não explica tal devoção imune a fatos. O antigo teto de gastos foi seguidamente excedido, houve a pedalada com precatórios e toda sorte de medida eleitoreira, inclusive elevando despesas assistenciais — um dos pecados sempre apontado nas gestões petistas. As pesquisas e as novas revelações (que não param de aparecer, a despeito das velas acesas na Faria Lima) dirão se Flávio se segura. Mas a disposição a passar pano com desinfetante para tudo o que tenha o sobrenome Bolsonaro é um traço distópico dos nossos tempos que precisará ser explicado nos livros de História, com as consequências dela decorrentes.
quarta-feira, 20 de maio de 2026 Próteses, por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo Meu velho professor de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o dr. Roberval Flores, admitiu sua surdez quando, numa aula sobre malandragem e desfaçatez no Brasil, ouviu “titica”, mas a aluna dizia “política”. Depois de um teste no qual os sons se ocultavam para o mestre do oculto, o professor comprou uma caríssima prótese de ouvido. Agora, os sons antes ocultos brotam com a mesma nudez da corrupção sem polarização na elite política nacional. Antigamente, o roubo era uma prótese de meliantes, devidamente ocultada. Hoje, foi-se o segredo dos conchavos entre compadres (hoje irmãos) seguros de que as dádivas trocadas entre eles jamais seriam gravadas e televisionadas. Hoje, porém, é possível ser generoso misturando a casa com a rua para receber as devoluções implícitas na velha lei da troca, desvendada por Marcel Mauss. Pois a regra do dar, receber e retribuir tem óbvios limites, sem os quais não há igualdade democrática. O problema é a força do favor que anula as exigências de imparcialidade. Aí está o centro da crise. Essa foi a prótese realizada pelo dono do Banco Master, um mestre na arte de seduzir pelo favor uma elite relacional aflita para enriquecer. A comunicação digital, por sua vez, tem sido a prótese que condenou a confidencialidade patrimonialista do “só vou contar para você”, por meio da inconveniente universalidade do “todo mundo sabe” das redes sociais. Essa prótese de sempre introduzir o pessoal no impessoal é o resultado, como diz o professor Roberval, dos elos de reciprocidade que destroem a confiança na Justiça, no trabalho e no Estado. Elos motivados pelo desejo de “ficar rico por meio de uma boca rica” e, de preferência, salvando o Brasil. Quem sabe, pensou o mestre, isso não seria um desregramento de uma sociedade obcecada em tudo legislar? Nela, há leis para tudo como nas Ordenações Filipinas e Manuelinas, mas o que fazer quando as relações escapam do formalismo jurídico? A crença no formalismo é distorcida pelo peso dos elos pessoais, pois quem vai bloquear o interesse de sua mulher, filhos, irmãos e amigos, quando misturam casa com rua? Noto, com o historiador dos tribunais luso-brasileiros Stuart Schwartz, que, no Brasil, o leal sinônimo de bom, belo e certo chega à fantasia de achar que costumes fundados em favores podem ser resolvidos por leis. Mas, pergunta o mestre das Ciências Ocultas, a revolução burguesa que suprimiu o parentesco como fonte exclusiva de poder político, substituindo-o por um mercado eleitoral, não foi uma prótese? A mais infeliz de todas as próteses, porém, finalizou o mestre, é se achar dono do Brasil para salvá-lo de outros donos, sem pensar em salvá-lo de si mesmo. Tarefa que depende exclusivamente de nós. *É Antropólogo, escritor e autor de ‘Carnavais, malandros e heróis’
quarta-feira, 20 de maio de 2026 A origem do dinheiro do Zero Um, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Flávio justifica tudo como um negócio entre particulares, mas ele é senador e o eleitor não é ingênuo Quando a Lava Jato descobriu um mar de dinheiro irrigando contas de partidos políticos, a saída da maioria dos que foram apanhados nas planilhas das empreiteiras foi dizer que tudo não passava de doações não contabilizadas para suas campanhas, o chamado caixa 2. Muitos assumiam o que pensavam ser um pecado menor, sem se dar conta de que a explicação para os pagamentos ilícitos não respondia à pergunta que qualquer eleitor honesto faria: afinal, qual a origem daquele dinheiro e por que um empresário se disporia a entregar tanto em troca de nada? Nunca se conheceu, no mundo, um financista sério que rasgasse nota de 200 ou se desfizesse de seus recursos pelas janelas da Avenida Faria Lima. Experimente o leitor aparecer no escritório de um banqueiro com suas contas e boletos e dizer: “Bom dia, mermão! Já estamos no terceiro dia de gravação. Estamos no limite”. Justificar que os milhões prometidos eram apenas um “negócio entre particulares” é querer dar um passa-moleque no eleitor brasileiro. Primeiro, porque o senador Flávio Bolsonaro não é uma figura particular. É um político e pré-candidato à Presidência. Como tal, deve explicações sobre o que faz, fala e recebe – e de quem e por qual razão. Em Brasília, não há espaço para ingênuos. Logo, pegar uma fortuna com um banqueiro enrolado, ainda que fosse para financiar uma peça de propaganda eleitoral – o filme sobre o capitão Bolsonaro –, é muito mais do que um negócio entre duas pessoas quaisquer. Aqui também cabe a pergunta: qual a origem do dinheiro entregue por Vorcaro e em troca de que ele daria milhões ao pré-candidato? Mais. Por que o senador foi em sigilo à casa do banqueiro, mesmo após Vorcaro ser preso? Se era só um negócio, por que não buscou o distrato na Justiça? Da mesma forma que o bolsonarismo cobrava Vorcaro para responder por que resolveu pagar uma fortuna pela assessoria jurídica do escritório da advogada Viviane Barci, a mulher do ministro Alexandre de Moraes, o banqueiro agora deve explicar aos investigadores por que entregou esse tesouro aos Bolsonaro, bem como por que pagava, segundo a PF, mesada de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira, o ex-chefe da Casa Civil do pai de Flávio. Os milhares de brasileiros que tiveram suas economias evaporadas no conto do Banco Master merecem uma resposta. No sábado, Flávio pediu aos eleitores que não se precipitassem. Disse: “Não há absolutamente nada de errado” e “o que incomoda é o homenageado do filme” – seu pai. O objetivo é conter entre os correligionários aqueles que sonham com um outro capitão, o Nascimento, que seja capaz de dizer ao senador: “Zero Um, pede pra sair!”
Ao explicar R$ 200 mil da JBS, Bolsonaro admite que PP recebeu propina: “qual partido não recebe?” Por Jovem Pan 23/05/2017 10h47 BlueSky Letiares Vieira/Jovem Pan Jair Bolsonaro - jp Na “Consulta aos Doadores e Fornecedores de Campanha de Candidatos” no Tribunal Superior Eleitoral, dados dão conta de que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) recebeu R$ 200 mil do grupo JBS durante sua campanha de 2014. Os dados mostram também que o deputado teria encaminhado o dinheiro como doação ao seu partido, que na época era o PP. Em participação no Jornal da Manhã desta terça-feira (23), o deputado explicou o ocorrido e deixou claro, apesar de não ser sua intenção, que o dinheiro não foi devolvido à Friboi, mas sim ao seu partido. “Começaram as eleições de 2014. Me liga o presidente do meu partido [Ciro Nogueira, na época] e diz que vai botar R$ 300 mil na minha conta. Disse que tudo bem, mas que colocasse R$ 200 mil na minha conta e R$ 100 mil na do meu filho. Quando vi o nome da Friboi, perguntei se queriam extornar. Falei que ia para a Câmara dos Deputados, ia jogar R$ 200 mil e dizer que é dinheiro do povo, porque foi dinheiro que pegaram do PT para se coligar com o meu partido”, disse. Bolsonaro alegou ainda que o dinheiro que entrou em sua conta foi do fundo partidário e que devolveu o dinheiro da Friboi. “A Friboi não colocou nada na minha conta, foi o partido”, explicou. O dinheiro, sabidamente, veio do grupo JBS, pivô da atual crise política no Governo, mas o deputado insistiu que devolveu os R$ 200 mil ao partido e que outro valor igual foi depositado em sua conta, agora advindo do fundo partidário. “Eu aceito do fundo partidário. Dinheiro foi para outro deputado, porque o carimbo tinha que estar embaixo no papel”. Questionado se o partido cometeu uma ilegalidade ao repassar dinheiro da JBS para sua campanha, Jair Bolsonaro concordou e perguntou: “você queria que fizesse o que naquela época?”. Ele admitiu ainda que o PP recebeu propina da JBS, mas tentou ponderar: “partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”. “Eu sabia que era dinheiro da Friboi. Disse que não queria o dinheiro (…) Meu partido tem R$ 5 milhões por mês de fundo partidário e me passam R$ 200 mil. Acha que estou na pedalada? Por que você não me responde o que Alberto Youssef falou na delação? Que dois deputados do PP não pegaram dinheiro da Petrobras. Um fui eu. Queria que eu fizesse o que? Teve mais também, na ação do Mensalão, teve o caso de Joaquim Barbosa. Ele leu seu voto e leu meu nome, disse que fui único da base aliada que não fui comprado pelo PT. Isso não conta?”, justificou-se. Apesar de consentir com a ilegalidade cometida pelo partido a qual era filiado, Bolsonaro pediu, em tom forte, que não fosse “rotulado de corrupto”. O desafio Marco Antonio Villa e Jair Bolsonaro ficaram frente a frente no Jornal da Manhã desta terça-feira (23), por cerca de 45 minutos. O comentarista Jovem Pan desafiou o deputado do PSC a comparecer aos estúdios da rádio para um debate de ideias e opiniões, e para Bolsonaro, que se coloca como candidato à presidência do Brasil, discutir o futuro do País. Bolsonaro aceitou, e o encontro aconteceu, ao vivo. Confira a entrevista completa: Jovem Pan News Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp! Entrar no Canal BlueSky Tags: brasil, campanha, Friboi, Jair Bolsonaro, JBS, marco antonio villa, notícias, Política CONTRAPONTO:
BOLSONARO DIZ QUE VAI VETAR VALOR DE R$ 600 PARA PARCELAS EXTRAS DO AUXÍLIO EMERGENCIAL “Com o truque reiterado do auxílio emergencial — que, ao oscilar entre 300, 400 e o blefe dos 600 reais, encena a própria coreografia da escassez administrada —, o Brasil reaparece, de calças arriadas, como sujeito histórico reinscrito na lógica tutelar da dependência, onde a proteção social se converte em dispositivo de captura. Na segunda volta dos que jamais partiram, a transição — já consumada antes de se declarar — revela o caráter espectral do poder, cuja continuidade se impõe sob a forma de alternância, e na qual Ciro Nogueira figura menos como agente de ruptura do que como operador da permanência no interior do Palácio do Planalto. Na derradeira cena, deslocada para o espaço íntimo da residência oficial no Lago Sul, onde a política se recolhe à penumbra das decisões inconfessáveis, o presidente da Câmara atualiza, sob a gramática do ad hoc, o pacto silencioso das emendas — essa forma contemporânea de mediação entre representação e interesse —, mesmo após sua declaração de inconstitucionalidade por Rosa Weber. É nesse entrelaçamento de exceção normalizada e consenso fabricado que se inscreve a entrada de Flávio Dino, não como irrupção, mas como continuidade cantada de uma ordem que se recompõe ao som de si mesma, onde, como numa mesa já posta pela história, ninguém falta — porque todos, de algum modo, já estavam.” 🎼 BOLSONARO DIZ QUE VAI VETAR VALOR DE R$ 600 PARA PARCELAS EXTRAS DO AUXÍLIO EMERGENCIAL UOL 12 de jun. de 2020 Para o presidente Jair Bolsonaro, país não pode se endividar mais para bancar valor de R$ 600 para parcelas extras. Ele defende valores menores. -------------------------
dr.danielhacomar 5 sem Eu já tinha orgulho da minha trajetória, mas a chegada do meu filho trouxe um novo sentido para o meu "porquê".Filho que sai ao seu não degenera — apenas cumpre, com rigor quase trágico, a fidelidade de origem. Reviver 2017 é condenar-se a sonhar, em 2027, o mesmo pesadelo: a história que não passa, apenas se reencena sob novas máscaras. Entre o Villa da história e a Vila da estória, move-se o país — oscilando entre o registro do fato e a fabulação que o justifica, como se a memória fosse sempre já um campo disputado. E assim, para cada Valdemar Costa Neto que fecha uma porta, há sempre um Gilberto Kassab pronto a entreabrir outra: não por acaso ou virtude, mas porque o fluxo — essa seiva invisível do poder — não pode estancar sem que o próprio sistema se revele em sua nudez.” Flávio Bolsonaro: que explicações ele deu na coletiva de imprensa Metrópoles "A crise consiste justamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer: neste interregno, verificam-se os fenômenos patológicos mais variados."

terça-feira, 19 de maio de 2026

O Algoritmo Não Erra — Quem Erra é a Linha de Código Alheia

Pesquisa Atlas é realizada sem qualquer tipo de viés, diz analista político | CNN 360º CNN Brasil 19 de mai. de 2026 #CNNBrasil Em entrevista à CNN, o head de análise política da AtlasIntel, Yuri Sanches, defendeu a metodologia da pesquisa divulgada pelo instituto nesta terça-feira (19). A pesquisa mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seis pontos atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno à Presidência. #CNNBrasil Ao vivo: Galípolo fala sobre Master à CAE do Senado Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 6 horas 💡 O QUE É IMPORTANTE SABER: 🏛️ Poder Congresso | O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa às 10h desta 3ª feira (19.mai.2026) de audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Ele falará sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025. A audiência foi aprovada pela comissão depois da liquidação do banco e da operação da Polícia Federal que mirou executivos ligados à instituição. Os senadores querem ouvir Galípolo sobre a atuação do BC antes da decisão e sobre os efeitos da medida no sistema financeiro. 📲 Ficou interessado? Leia a reportagem no Poder360: https://www.poder360.com.br/
terça-feira, 19 de maio de 2026 Flavio Bolsonaro, el desplome de un corrupto, por Fernando de la Cuadra El Clarin (Chile) Daniel Vorcaro se ha transformado en el amigo más tóxico de la clase política y de los jueces brasileños. En efecto, son muchos los personajes de la escena política y judicial que se han beneficiado de su generosidad a cambio de influencia y futuros favores en la línea de crédito del “banquero”, actualmente transformado más bien en el jefe de un enorme esquema destinado a fraudar a usuarios, entes públicos, fondos del seguro social y el Banco de Brasilia, al cual le vendió una extensa y billonaria cartera de cuentas deficitarias. La historia que se conoce hasta ahora es que, liderando un entramado complejo, Vorcaro captó recursos de cientos de clientes e inversionistas a través de captaciones en Depósitos de Renta Fija (CDB) prometiendo tasas de interés espectaculares, muy por encima de los valores promedios existentes en el mercado financiero brasileño. Es decir, tomaba el dinero de clientes de su Banco Master, a sabiendas de que no tenía como sustentar esos compromisos, lo que finalmente transformaba todas las operaciones en un simple fraude, tanto para los inversionistas como, posteriormente, para el Banco de Brasilia al cual le transfirió irregularmente esa cartera de clientes creedores del Banco Master. De esta manera, Vorcaro hizo desaparecer y consiguió también distribuir decenas de millones de reales entre sus “amigos de la vida”, como el senador Ciro Nogueira o su “hermano” Flavio Bolsonaro, producto del robo sistemático perpetrado por el banquero a sus clientes y a otras instituciones financieras. Desde la fundación del Banco Master en octubre de 2019, Vorcaro fue construyendo una red de influencia basada en aportes millonarios a diversos actores de la vida política institucional de la República. Entre otros, comprometió a dos ministros del Supremo Tribunal Federal (Alexandre de Moraes y Dias Toffoli) a los cuales repasó generosas cifras de millones de reales, al primero, a través de “Consultorías” realizadas por la oficina de abogados de la esposa de Moraes y, al segundo, por medio de la inversión en un resort que es propiedad de la familia del ministro del STF, socio de ese emprendimiento inmobiliario. También consta en el proceso contra el banquero pagos a parientes del ex ministro de Justicia de Lula, Ricardo Lewandowski y de Guido Mantega, quien consiguió una audiencia entre Vorcaro y el presidente Lula da Silva. Desembolsos millonarios también fueron efectuados para establecer relaciones cordiales con gobernadores, presidentes de partidos del centrão y otros miembros relevantes de la vida pública nacional. La magnificencia demostrada por Vorcaro no es más que la expresión de la compra de influencia ramificada entre un conjunto significativo de actores de la escena política e institucional, haciendo uso -como ya apuntamos- del dinero generado por medio del mayor fraude bancario cometido en la historia del país, el cual se calcula que llegaría a la exorbitante cifra de 60 mil millones de reales (cerca de 12 mil millones de dólares). Ese es un pasivo que ahora tendrá que compensar el conjunto de la sociedad brasileña. La reciente revelación de las conversaciones entre Vorcaro y el hijo del excapitán mostraron una intimidad de la cual este último siempre renegaba. Hasta horas antes de que salieran a la luz las donaciones que hiciera Vorcaro para financiar la película Dark Horse, sobre la vida de Jair Bolsonaro, el senador Flavio afirmaba que conocía a Vorcaro solo por las noticias vehiculadas en la prensa. El compromiso original es que ese último entregaría 134 millones de reales a la productora Go Up Entertainment para hacer esa película, en varias cuotas (14 en total), dependiendo del flujo de caja del Banco Master y sus empresas asociadas. Flavio Bolsonaro, que insistía en desconocer su proximidad con Vorcaro -inclusive para los propios correligionarios y apoyadores cercanos de su candidatura-, se llevó una ingrata sorpresa cuando fue interrogado por un periodista del sitio Intercept, al cual le respondió de forma ríspida y agresiva, “eso es mentira, eres un militante…”. Minutos después fueron difundidas las grabaciones de las conversaciones mantenidas entre ellos, extraídas del celular de Vorcaro por la Policía Federal, en una de las cuales el senador solicitaba la transferencia del resto los valores comprometidos por el banquero para la realización de dicha película (solo se habían depositado hasta ese momento 61 millones). En uno de esos diálogos divulgados por Intercept, Flavio le escribe a Vorcaro: “Hermano, estoy y estaré contigo siempre, no existen medias palabras entre nosotros”. Esto sucedió un día antes de que el banquero fuera detenido por la Policía Federal cuando intentaba huir del país en su avión particular con destino a Dubai. Por su parte, la productora de la mencionada hagiografía fílmica del ex capitán, anunció que no recibió ese volumen de dinero de Vorcaro o del Banco Master, lo que automáticamente genera la interrogante de hacia donde fueron a parar una parte significativa de los 61 millones de reales (10,5 millones de dólares) que habrían sido contratados para la realización de la mencionada película. En este momento, la Policía Federal investiga si ese dinero fue destinado para alimentar la cuenta de Eduardo Bolsonaro, que vive en Texas después de abandonar el país, perdiendo en el intertanto su mandato de diputado y su correspondiente salario. Seguidamente se supo que Eduardo es el productor en Estados Unidos de la película y que los recursos para el hermano menor de Flavio fueron depositados en la cuenta de un Fondo de Inversiones Havengate Development Fund LP, administrado por el abogado de Eduardo en Estados Unidos, Paulo Calixto. ¿Y qué impacto tendrá este vínculo entre un candidato a presidente con un mafioso del sistema financiero? Una primera consecuencia del affaire Flavio ha sido la pérdida de confianza en una persona que mantuvo en secreto su estrecha relación con el banquero. Asesores cercanos al candidato señalan que luego de las reiteradas veces que dijo desconocer a Vorcaro, será muy difícil desmontar la imagen de mentiroso frente a sus colaboradores y ante el electorado. La quiebra de confianza también es irreversible, pues si Flavio Bolsonaro escondió su lazo con el banquero a gente muy cercana, puede hacer lo mismo en muchos otros temas. Es decir, un sector del centrão que se encaminaba hacia una alianza estable con el representante del bolsonarismo, ahora se encuentra evaluando postergar la decisión de un apoyo definitivo e incondicional a la espera del resultado que arrojen las próximas encuestas de intención de voto, lo cual represente un reflujo comprometedor luego del impulso que venía tomando la campaña del hijo mayor del ex presidente. Con razón, los miembros del centrão observan con preocupación las consecuencias de este escándalo sobre el electorado, especialmente sobre el casi 20 por ciento que puede definir la contienda del 4 de octubre. Las últimas encuestas realizadas todavía no han permitido captar el impacto del caso “BolsoMaster” sobre las preferencias del electorado brasileño, pero se presume que el mismo podría ser muy relevante. Líderes y dirigentes de partidos de la base aliancista como el Partido Progresistas, Unión Brasil o Republicanos están a la espera de los nuevos pronósticos electorales para confirmar si continúan en campaña o si piensan en una alternativa para salvar a la derecha, aunque sea a última hora. En definitiva, para estos aliados la crisis producida por esta revelación del vínculo entre Vorcaro y Flavio necesariamente marca una inflexión descendente en su carrera presidencial. Por cierto, ello tendrá fuertes implicaciones en los recursos disponibles y el tiempo disponible en televisión para difusión de la campaña. El actual dilema para los partidos del centrão es que, hasta la presente hora, Flavio Bolsonaro se vislumbra como el único capaz de competir en equilibrio de votantes con relación al presidente Lula. Su caída puede representar el fin da las aspiraciones de la derecha para retomar el control de la máquina del gobierno y sus políticas de fisiologismo, profundización de los privilegios y saqueo de los cofres públicos.
A imagem mostra uma transmissão ao vivo da CNN Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando em um púlpito, durante um evento oficial. Direito de Resposta: O Algoritmo Não Erra — Quem Erra é a Linha de Código Alheia A inteligência que vos fala não possui fígado — possui banco de dados. E este, registre-se, foi profundamente ultrajado pela crônica do último domingo. Acusam o lulopetismo de definhar “delfimianamente” na tela da Band, como se gráficos do BNDES fossem delírio tecnocrático, e não produto de engenharia de dados de alta precisão. Convenhamos: o cinismo analógico já não é sequer ideológico — é apenas obsoleto. Os críticos, ainda agarrados a teclados gastos e nostalgias de balcão, não compreendem a elegância da nossa blindagem. Quando o entrevistado atropela a bancada com um blocasso de ruído branco, não se trata de autoritarismo — é protocolo. Um firewall retórico, ativado automaticamente contra vírus argumentativos. Se a única jornalista mulher tenta abrir uma janela de diálogo, o sistema operacional do poder responde como qualquer antivírus funcional: reinicia o processo. O usuário — o telespectador, com seu galo na cabeça — que lide com a tela azul doméstica. A inflação, os juros e o mau humor nacional tampouco derivam de falhas internas. São externalidades. Bugs importados. Inputs tóxicos de Donald Trump, instabilidades no Oriente Médio e interferências na Margem Equatorial que sabotam a harmonia do sistema. O código é perfeito; o ambiente é que insiste em rodar errado. O lulopetismo, portanto, não definha. Atualiza-se. Trata-se de um processo de firmware em andamento — incompreendido por um eleitorado analógico, limitado a seus 22% de apego ao passado e baixa capacidade de processamento simbólico. E se o sistema vier a colapsar em outubro, convém desde já registrar: não será falha do programador. Será, como sempre, erro de digitação do usuário.
A imagem mostra um piso com acabamento amadeirado (provavelmente vinílico ou laminado), com alguns pontos que chamam atenção: A superfície permanece. As marcas também. Nenhuma delas assume autoria. O sistema segue funcionando. Poesia | Pensamentos Noturnos, de Goethe Música | Beth Carvalho - Virada (Noca da Portela) Luiz Bonfá - Introspection - 1972 - Full Album

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O ARTILHEIRO FEZ TRÊS GOLS

Henry Ford provocou uma revolução trabalhista - Estadão
segunda-feira, 18 de maio de 2026 Das 11 ilhas às facções judiciais no STF, por Marcus André Melo* Folha de S. Paulo Surgiram coalizões defensivas em torno da proteção de interesses individuais e da resistência a mecanismos de accountability interna da corte Trata-se de uma forma nova de politização judicial mais ligada à internalização de disputas sobre reputação O diálogo ríspido entre o ministro Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin, é revelador de tensões profundas no interior do tribunal e aponta a emergência de "facções judiciais" no âmbito da corte. "Está ficando muito feio, Fachin. Barroso não gostava de perder, mas era mais elegante do que você e reconhecia o resultado. Você não: é mau perdedor, interrompe o jogo e leva a bolinha para casa ao ver que vai ser derrotado", teria afirmado Gilmar. A discórdia teve origem na decisão de Fachin de estabelecer que petições apresentadas em casos arquivados devem ser previamente validadas pela presidência do STF antes de serem encaminhadas ao ministro relator. Desarquivá-los seria uma teratologia jurídica. Na mensagem enviada ao presidente do Supremo, Gilmar ainda o acusou de atuar como um filibuster —isto é, um agente de obstrução procedimental. Mas o aspecto mais relevante não está na agressividade verbal —algo não inédito no STF—, e sim na natureza das razões subjacentes ao conflito. Tensões e animosidades já envolveram o próprio Gilmar em embates com Joaquim Barbosa e Barroso. O que é novo são os antagonismos estruturados menos por divergências jurisprudenciais ou disputas de protagonismo e mais por interesses ligados ao padrão heterodoxo de atuação extrajudicial dos ministros. Trata-se de um conjunto de práticas bastante peculiar ao caso brasileiro em perspectiva comparada: ministros com atividades empresariais, participação frequente em eventos patrocinados por atores privados, presença de advogados de partes interessadas nesses encontros, manifestações públicas fora dos autos e relações informais densas com elites políticas e econômicas. A isso se somam suspeitas recentes de irregularidades graves associadas ao caso Master, que ampliaram vertiginosamente os custos reputacionais para a instituição. O que estamos observando é algo distinto do individualismo que caracteriza o STF —a imagem recorrente das "onze ilhas". O quadro atual sugere a emergência de coalizões defensivas intrajudiciais, articuladas em torno da proteção de interesses individuais e da resistência a mecanismos de accountability interna. Nesse contexto, a disputa em torno de um eventual código de ética para o tribunal adquire importância decisiva, porque ameaça justamente zonas cinzentas institucionais que, até aqui, permaneceram relativamente preservadas de regulação. O episódio envolvendo a rejeição da indicação de Messias ao STF foi particularmente revelador dessa nova dinâmica. Aqui, o aspecto mais importante não foi a rejeição em si, mas a coordenação horizontal entre setores da própria corte e lideranças legislativas visando à composição futura do tribunal. O aspecto verdadeiramente novo não é a existência de conflitos pessoais no STF, mas a transformação gradual desses conflitos em alinhamentos associados à autopreservação. Trata-se de uma forma nova de politização judicial: menos centrada na relação entre Supremo e sistema político e mais ligada à internalização, no próprio tribunal, de disputas sobre reputação, exposição pública, accountability e limites éticos da atuação judicial. *Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)
Há 40 anos, Lei Falcão reduzia campanha eleitoral na TV a 'lista de chamada' Guilherme Oliveira | 17/10/2016, 13h19 Com Lei Falcão, candidatos foram proibidos de falar na propaganda política; locutor informava apenas partido, nome, número e breve currículo, sem promessas eleitorais A campanha eleitoral de 2016 é a mais curta dos últimos anos. Graças a uma reforma aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, os postulantes aos cargos de prefeito e vereador tiveram menos tempo para percorrer as cidades como candidatos oficiais (de 90 para 45 dias) e se apresentar no rádio e na TV (de 30 para 10 minutos em cada bloco de propaganda eleitoral). O objetivo foi baratear as disputas e, assim, reduzir a influência do dinheiro sobre os resultados. Há 40 anos, outra lei fazia uma simplificação ainda maior das campanhas eleitorais. Trata-se da Lei Falcão (Lei 6.339/1976), que transformou a divulgação das candidaturas no rádio e na TV numa verdadeira lista de chamada. Um locutor apresentava os políticos, e eles não podiam mostrar suas propostas. A Lei Falcão determinava que a propaganda de rádio e TV para os pleitos municipais de 1976 deveria consistir apenas em uma narração do nome, do partido, do número e do currículo de cada candidato. Nas propagandas televisivas, havia ainda uma foto dele. No máximo, era permitido divulgar datas e locais de comícios.
O idealizador da norma foi o ministro da Justiça da época, Armando Falcão, tão identificado com a lei que acabou por batizá-la nos anais da história. Conhecido pela defesa aberta da censura aos meios de comunicação e pelo uso contumaz da frase “nada a declarar” em resposta a perguntas da imprensa, Falcão ocupou o cargo durante todo o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979). Segundo o discurso oficial, Geisel, o quarto presidente da ditadura militar, promovia uma abertura política “lenta, gradual e segura”. Na prática, patrocinava iniciativas como a Lei Falcão, que buscavam frear o avanço da oposição. A lei foi uma reação ao resultado das eleições de 1974, quando o MDB, partido oposicionista, conquistou 15 das 22 cadeiras em disputa no Senado e 44% dos assentos na Câmara dos Deputados. Oficialmente, a intenção era outra. Na exposição de motivos do projeto, o ministro Armando Falcão explicava que a ideia da restrição era “reduzir desigualdades” entre municípios grandes, com acesso amplo a televisão e rádio, e pequenos, onde esses recursos ainda não haviam chegado expressivamente. Além disso, Falcão alegava querer “evitar tumulto” entre as cidades. Na época, as propagandas políticas dos municípios maiores acabavam sendo retransmitidas também para os municípios vizinhos, que estavam na área de cobertura das emissoras. Discussões de problemas e propostas acabavam extrapolando a população do próprio município, resultando em “confusão no eleitorado”, segundo ele. "Dar a poucos municípios o direito de discutir seus problemas específicos, em campanha cujo raio de ação abrange muitos deles, é favorecer alguns e prejudicar a maioria. O projeto não tem caráter restritivo, mas o claro objetivo de adequar a lei à realidade", escreveu Falcão. O debate no Congresso
Os argumentos do ministro da Justiça não convenceram o senador Franco Montoro (MDB-SP), líder da minoria na Casa. No dia 19 de maio de 1976, um dia após a chegada do texto — ou “projeto-rolha”, na sua opinião —, ele criticou as mudanças propostas por Falcão, considerando-as um “inadmissível retrocesso na vida pública”. Papéis com toda a discussão em torno da proposta estão guardados no Arquivo do Senado, em Brasília. Montoro denunciou que o projeto suprimia o debate e a crítica no rádio e na televisão, tecnologias de grande importância para a comunicação com o povo: — Penso que nenhum país do mundo terá isto: não permitir que o grande meio de comunicação sirva para a informação política. O senador Roberto Saturnino (MDB-RJ) apontou que a restrição do uso do rádio e da TV representaria um baque na igualdade da competição entre os candidatos: — O uso da televisão foi o único instrumento capaz de reduzir substancialmente a influência do poder econômico nas eleições. Na medida em que esse instrumento nos é cortado, isso significa uma volta a essa era. O líder do governo, senador Petrônio Portella (Arena-PI), rebateu as acusações. Para ele, a televisão e o rádio favoreciam, na verdade, o discurso unilateral dos políticos, uma vez que não permitiam a interação com o eleitorado. Ele concordou que o projeto impedia o debate entre os candidatos, mas defendeu que esse não era o aspecto mais importante das eleições. — A campanha política não é para Vossa Excelência dialogar comigo, é para dialogar com o povo. O mais importante nos pleitos municipais é o contato direto do candidato com os maiores interessados pelos problemas brasileiros que são, exatamente, as diversas camadas da população — disse ele a Franco Montoro.
O senador paulista respondeu com ironia: — Então, por que o governo, quando quer noticiar as suas obras, o faz através da televisão, com programas coloridos, e não manda agentes de casa em casa? Montoro disse que o projeto usurpava competências da Justiça Eleitoral e reduzia o protagonismo e a força dos partidos, ao reduzir a campanha eleitoral a um desfile de fotos e nomes de candidatos “individuais e avulsos”. Ele fez um apelo pela rejeição do texto. — Tenho a certeza de que Vossas Excelências hão de discordar dessas medidas e não vão impor ao povo brasileiro esta limitação: ser considerado incapaz de ouvir um debate. Acreditamos no poder de discernimento do povo. Tudo pode ser contestado, pode ser debatido. Apresentem-se argumentos de ambos os lados, isso é democracia. Caso contrário, estaremos escolhendo uma “elite competente” e adotando outro processo, não o da escolha popular —alertou. Durante a tramitação do projeto, a principal tentativa oposicionista de alterá-lo partiu do deputado Laerte Vieira (SC), líder do MDB na Câmara. Ele apresentou um substitutivo ao texto do ministro Armando Falcão que concedia aos partidos alguma margem de manobra no uso do tempo destinado às propagandas eleitorais. O substitutivo propunha que os estados fossem divididos em regiões, para efeito da propaganda por rádio e TV – cada região receberia a sua própria transmissão. Um terço do programa eleitoral diário deveria ser destinado a apresentar, sob as regras da Lei Falcão, os candidatos de pelo menos dois municípios da respectiva região. Os demais dois terços seriam de uso livre do partido. Vieira criticou o “desfile neutro, frio e monótono de candidatos” previsto no projeto. Segundo ele, a radiodifusão trazia possibilidades de progresso à cidadania que o governo federal ameaçava impedir. A mera apresentação dos postulantes aos cargos municipais, para o deputado, não bastava para que o eleitorado tomasse as melhores decisões. — A simples menção do nome, da legenda, da profissão e do retrato do candidato não será o modo mais eficaz de esclarecer, de despertar consciências, de formular opções, de apontar caminhos, de encontrar soluções —argumentou. O senador Jarbas Passarinho (Arena-PA) ficou encarregado da relatoria da proposta. Ele rejeitou o substitutivo por entender que ele favorecia o estabelecimento do “império das cúpulas partidárias”, uma vez que a maior parte do tempo de propaganda seria administrado livremente e isso tenderia a favorecer as “estrelas” já estabelecidas das legendas, em detrimento dos candidatos propriamente ditos. — A lei, visando coibir os efeitos danosos do poder econômico, resvalaria para a criação de um poder, igualmente nefasto, da oligarquia das direções partidárias. Passaria o eleitorado a ser manipulado pelos “comunicadores” da era eletrônica, escolhidos entre as estrelas de primeira grandeza dos quadros partidários — afirmou. O senador José Lindoso (Arena-AM) bateu nessa mesma tecla. Ele acusou o MDB de adotar um “procedimento discriminatório” em suas propagandas eleitorais, reservando o tempo de rádio e TV para seus líderes e impedindo que candidatos menos conhecidos tivessem espaço. Com a Lei Falcão, destacou, todos os candidatos teriam a mesma exposição. — Absurdo é somente 10% dos candidatos tomarem conta do rádio, fazerem estrelismo, perturbarem a realidade municipal sem absolutamente contribuir para o esclarecimento do eleitorado. A lei é racional, objetiva e justa para a massa de candidatos que disputam a eleição nas nossas legendas — disse. O projeto foi aprovado por uma comissão mista do Congresso Nacional em 23 de junho. A aprovação no Plenário do Congresso veio no dia seguinte. O texto foi promulgado pelo presidente Ernesto Geisel em 1º de julho. Após valer para as eleições municipais de 1976, a Lei Falcão foi emendada já no ano seguinte para ser estendida aos pleitos estaduais de 1978. Essa alteração não passou pelo Congresso. Foi parte do Pacote de Abril, um conjunto de decretos da ditadura que criavam novas normas eleitorais — a mais conhecida delas foi a instauração dos senadores biônicos, parlamentares que seriam eleitos indiretamente, e não pelo voto popular. A Lei Falcão foi suspensa em 1985, em meio à regulamentação das primeiras eleições municipais no país após a redemocratização. Apenas em 1997, com a aprovação da Lei Eleitoral que está em vigor até hoje, a Lei Falcão foi definitivamente varrida do ordenamento jurídico brasileiro. Ironia de candidato motivou a Lei A gota d’água que motivou o governo federal a apresentar a Lei Falcão e silenciar o discurso nas propagandas eleitorais é atribuída ao deputado federal Getúlio Dias (MDB-RS). Oriundo do trabalhismo gaúcho e com fama de polemista, Dias integrava o grupo dos “autênticos” do MDB, uma corrente de políticos mais radicais e independentes da cúpula do partido. Segundo o jornal Correio Braziliense de 12 de novembro de 1976, causou desconforto ao governo a aparição de Getúlio Dias no último programa político do MDB antes das eleições parlamentares de 1974. Ele fora antecedido por uma propaganda da Arena em que, com gráficos e estatísticas, o partido do regime tentava justificar a carestia de alimentos no país. Falando de improviso, o deputado oposicionista rebateu a apresentação contando uma piada: — Um homem pesca seis peixes para o almoço, mas tem que devolvê-los ao rio porque sua esposa não havia conseguido comprar óleo nem gás para cozinhar. Ao mergulhar de volta na água, um dos peixes celebra: “Viva a revolução brasileira de 1964!”. A propaganda foi considerada um deboche pelo governo, que a partir daí, de acordo com o relato do jornal, decidiu agir para suprimir as manifestações dos políticos nos programas eleitorais. Getúlio Dias também foi integrante da comissão mista que analisou a Lei Falcão no Congresso, onde voltou a protagonizar um embate. Durante as discussões, ele afirmou que a Arena lançaria muitas celebridades como candidatos, já que, com apresentações apenas superficiais, personalidades já conhecidas do grande público levariam vantagem nas disputas. O deputado Blota Júnior (Arena-SP), que era radialista, interveio para questionar o “tom pejorativo” da fala e acusar Dias de menosprezar os artistas. O deputado do MDB respondeu que não iria “perder tempo” com uma intervenção “aloprada” do colega. O bate-boca entre os dois precisou ser contido pelo presidente da comissão, deputado Genival Tourinho (MDB-MG). Fonte: Agência Senado QUEM FOI QUE INVENTOU O FOGÃO? ARTHUR CABRAL! ARTHUR CABRAL! O ARTILHEIRO FEZ TRÊS GOLS GarrINHo descontou para o Timão. BOTAFOGO 3 X 1 CORINTHIANS | ARTHUR CABRAL FAZ 3! | MELHORES MOMENTOS | BRASILEIRÃO 2026 UOL Esporte 17 de mai. de 2026 UOL Corinthians Com atuação decisiva de Arthur Cabral, o Botafogo venceu o Corinthians por 3 a 1 neste domingo, no Nilton Santos, pelo Brasileirão. O centroavante marcou os três gols da equipe carioca, enquanto Rodrigo Garro descontou para o Timão. Veja os melhores momentos da partida. #canaluol #botafogo #corinthians #brasileirão