Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Como alguém se torna o que é
Dos bondes de burro ao neopatrimonialismo das terras raras
Figura 1 — Inauguração dos bondes em Juiz de Fora (15 de novembro de 1881).
Contrato de concessão por 60 anos para exploração de transporte urbano por tração animal.
Fonte: Álbum do Município de Juiz de Fora (1915), Albino de Oliveira Esteves. Colorização: Mauricio Lima Corrêa.
1. Uma “ideia de jerico” como ponto de partida
A expressão popular “ideia de jerico” — corruptela de jumento, burro ou asno — designa uma ideia absurda, teimosa ou deslocada da realidade.
Poucas imagens históricas traduzem tão bem essa noção quanto a concessão firmada em 1880, em Juiz de Fora, que garantia 60 anos de exclusividade para um sistema de bondes movidos por tração animal.
Não se trata apenas de uma escolha equivocada. Trata-se de uma mentalidade.
2. A fotografia de 1881: o atraso institucionalizado
A imagem da inauguração dos bondes, em 1881, não é apenas um registro urbano — é um documento estrutural.
Nela vemos:
Homens de cartola celebrando a “modernidade”
Trilhos urbanos recém-instalados
E, no centro de tudo, burros puxando o progresso
O contrato firmado pelos concessionários Félix Schmidt e Eduardo Batista Roquete Franco não previa adaptação tecnológica. Ao contrário: congelava o futuro em termos do passado.
3. O mundo já havia mudado: Faraday e a eletricidade
Enquanto o Brasil consolidava institucionalmente a tração animal, o mundo já havia dado um salto decisivo.
Décadas antes, na Inglaterra, Michael Faraday havia:
Descoberto os princípios do eletromagnetismo
Lançado as bases do motor elétrico
Antecipado a revolução energética moderna
Ou seja:
Quando o Brasil assinava contratos com burros, o futuro já funcionava a eletricidade.
4. O erro não foi técnico — foi estrutural
O problema não está na adoção da tecnologia disponível à época.
O problema está em:
Assinar contratos longos demais
Blindar modelos produtivos contra mudança
Ignorar tendências científicas já em curso
Isso revela um padrão:
A preferência pela segurança do atraso em vez do risco do avanço.
5. A “alforria tecnológica” dos burros
Curiosamente, os burros foram libertados — não por decisão interna, mas pelo avanço externo.
A eletrificação dos transportes:
Tornou obsoletos os contratos vigentes
Encerrou, na prática, a exploração animal
Impôs uma modernização não planejada
O paralelo com a escravidão é inevitável:
A abolição também foi acelerada por pressão externa
O sistema interno resistiu até o limite
Assim, tanto homens quanto animais foram libertados por forças que vieram de fora.
6. Dom Pedro II: o império da contradição
Dom Pedro II representa um paradoxo profundo:
Culto, cientificamente interessado
Conectado à tradição intelectual europeia
Admirador do progresso técnico
Mas governando um país:
Preso a concessões cartoriais
Dependente do Estado como mediador econômico
Estruturalmente resistente à inovação
O resultado foi um império onde:
A ciência era admirada — mas não transformadora.
7. O padrão persiste: o Estado como eixo de privilégios
A análise contemporânea ajuda a fechar o ciclo.
Como sintetizado por Rogério Werneck:
prosperar, no Brasil, frequentemente significou aproximar-se do Estado
Esse modelo se traduz em:
Concessões protegidas
Transferência de riscos ao setor público
Captura institucional
Baixa competição real
O caso dos bondes não é exceção. É a regra em forma histórica.
8. Dos burros às terras raras
Hoje, a lógica permanece — apenas mudou de objeto.
O Brasil:
Possui recursos estratégicos (terras raras)
Mas frequentemente opta por exportação primária
Sem avançar na cadeia tecnológica
Assim:
Ontem: burros puxando bondes
Hoje: commodities puxando a economia
A estrutura mental é a mesma.
9. Tornar-se o que é
A frase — inspirada em Nietzsche — ganha aqui um sentido histórico:
O Brasil não “deu errado”. Ele se construiu assim.
Cada decisão:
Cada concessão longa
Cada privilégio blindado
Cada recusa em antecipar o futuro
Contribuiu para formar o presente.
A foto de 1881 não é passado.
É diagnóstico.
10. Conclusão: o futuro continua chegando antes do contrato acabar
A história dos bondes de Juiz de Fora revela um padrão duradouro:
Protege-se o presente
Subestima-se o futuro
E institucionaliza-se o atraso
A pergunta final permanece:
Estamos, ainda hoje, assinando contratos de 60 anos com o passado?
“Como alguém se torna o que é”
O QUE ESSA GENTE DIZ NÃO SE ESCREVE.
PALAVRAS O VENTO LEVA
PREFÁCIO
Pois bem, no que concerne a essas frases, (...) descobri ser impossível recordar-lhes o enunciado preciso. Assim, a cada orador fiz falar como, em minha opinião, ele o teria feito naquelas circunstâncias, atendo-me o mais estreitamente possível à linha de pensamento que norteou sua fala.
Tucidides
1. "Como alguém se torna o que é" (Nietzsche)Na boca de Riobaldo, o homem não nasce pronto; ele se faz no perigo e na escolha.A versão de Riobaldo: "O humano não nasce inteiro, carece de ir se perfazendo. O correr da vida embrulha tudo, a vida é mutirão de todos, mas a gente carece de firmar o próprio prumo no meio da travessia."A lógica do sertão: Viver é um ato de coragem ("viver é muito perigoso"). Você só se torna quem é quando enfrenta o sertão do seu próprio peito.2. "Palavras o vento leva" (A descrença no discurso)Para o jagunço, o falar sem o agir ou sem o sentir profundo não tem substância.A versão de Riobaldo: "Conversa de boca para fora é poeira que o vento de agosto espalha. O que o homem fala sem o coração dar o aval, o sertão engole e não deixa rastro. Palavra sem sustância é só barulho de chocalho velho."A lógica do sertão: No jagunço, o que vale é o pacto, o gesto e a coragem. A palavra vazia some na imensidão da caatinga.3. O Prefácio de Tucídides (Reconstruir a fala pela essência)Riobaldo passa o livro inteiro tentando lembrar e recontar o que viveu para o seu doutor (o ouvinte). Ele confessa o tempo todo que não lembra as palavras exatas, mas garante a verdade do que sentiu.
1. “Como alguém se torna o que é” (Nietzsche)
Na voz de Riobaldo, o homem não nasce pronto — ele se constrói no risco e na escolha.
A versão de Riobaldo:
“O humano não nasce inteiro; carece de ir se perfazendo. O correr da vida embrulha tudo — a vida é mutirão de todos —, mas a gente carece de firmar o próprio prumo no meio da travessia.”
A lógica do sertão:
Viver é um ato de coragem — “viver é muito perigoso”. Só se torna quem se é quando se enfrenta o sertão do próprio peito.
2. “Palavras o vento leva” (A descrença no discurso)
Para o jagunço, falar sem agir ou sem sentir profundamente não tem substância.
A versão de Riobaldo:
“Conversa de boca para fora é poeira que o vento de agosto espalha. O que o homem fala sem o coração dar o aval, o sertão engole e não deixa rastro. Palavra sem sustância é só barulho de chocalho velho.”
A lógica do sertão:
O que vale é o pacto, o gesto, a coragem. Palavra vazia se perde na imensidão da caatinga.
3. O Prefácio de Tucídides (Reconstruir a fala pela essência)
Riobaldo passa a narrativa tentando rememorar e recontar o vivido a seu interlocutor. Ele admite não guardar as palavras exatas, mas sustenta a verdade do que sentiu.
A versão de Riobaldo:
“Mire e veja, meu senhor: eu não guardo o rastro exato das palavras que aqueles homens verteram no calor do tiroteio ou no cansaço do pouso. A memória da gente é rio que muda de curso. Mas eu puxo pelo miolo e faço eles falarem o que a alma deles pedia naquela hora, certinho com o que o destino deles exigia.”
A lógica do sertão:
A memória de Riobaldo é tucididiana: ele reconstrói as falas não como registro literal, mas pela fidelidade ao espírito e à verdade de cada momento.
Astor Piazzolla "VIOLENTANGO" -1974.
O QUE ESSA GENTE DIZ O VENTO LEVA
Durante entrevista ao jornalista Ricardo Bruno, o ex-governador Ronaldo Caiado afirmou que Flávio Bolsonaro seria um "peru de Natal" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comentar o cenário eleitoral. Segundo Caiado, a metáfora significa que Flávio estaria sendo "cuidado" e mantido politicamente "vivo" pelo PT para ser derrotado em um momento mais favorável.
"Estadistas e governantes de turno" é um artigo de opinião escrito pelo economista e ex-ministro da Fazenda, Pedro S. Malan, publicado no jornal O Estado de S. Paulo.
O texto discute a diferença de visão entre líderes que pensam nas futuras gerações (estadistas) e aqueles focados no curto prazo eleitoral (governantes de turno), usando como ponto de partida a trajetória histórica e a formação das nações.
Você pode ler a íntegra e conferir os argumentos do autor visitando o artigo original diretamente no portal do Estadão.
Além deste texto, Malan colabora frequentemente para a seção de colunas e análises, e você pode acompanhar os demais posicionamentos do autor na página dedicada aos textos de Pedro S. Malan no Estadão.
domingo, 12 de julho de 2026
Estadistas e governantes de turno, por Pedro S. MalanO Estado de S. PauloCaberia perguntar como um país se torna o que é, como passo indispensável para vislumbrar seus futuros possíveis ou desejáveis
“Como alguém se torna o que é” foi o subtítulo do livro de Nietzsche, Ecce Homo (1889 e publicado em 1908). Caberia perguntar como um país se torna o que é, como passo indispensável para vislumbrar seus futuros possíveis ou desejáveis. Afinal, como afirmou Eduardo Giannetti, “na vida das nações, não menos que na dos indivíduos, os primeiros momentos imprimem ao que está nascendo traços de teimosa permanência”.
Os norte-americanos comemoraram, poucos dias atrás, os 250 anos de sua Declaração de Independência. Historiadores não deixaram de notar que a Declaração de 1776 não deve ser confundida com a ratificação da Constituição, que só veio a acontecer 13 anos depois, em 1789. Simon Schama escreveu artigo memorável sobre o tema, publicado em caderno especial do Financial Times (FT), em que explora a relação entre a declaração e a Constituição com foco nas visões dos founding fathers, cujos compromissos, conflitos e contradições ainda hoje são relevantes para entender não só como os EUA se tornaram o que são hoje, como também o que pode vir a ser seu futuro.
Na mesma edição do FT, o historiador Francis Fukuyama chama atenção para duas extraordinárias proposições da Declaração da Independência. “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”. E “os governos derivam os seus justos poderes do consentimento dos governados”.
Fukuyama nota que a Constituição de 1789 não menciona nem igualdade nem democracia, mas prevê uma ampla separação de poderes que impediria um Estado controlador com autoridade tirânica, e um complexo arranjo federalista que conferiu aos 13 Estados iniciais importantes poderes – aptos a permitir a preservação da escravidão nos Estados do sul por mais de oito décadas, até a guerra civil dos anos 1860. Foi um arranjo importante para que o país viesse a “se tornar o que é”, como foram as extraordinárias expansões territoriais para o oeste (até o Pacífico), para o sul até a definição da fronteira atual com o México, para o norte com o Canadá e com a compra do Alasca aos russos em 1867.
O Brasil teve uma espécie de Constituição outorgada, o “Regimento de Tomé de Souza” (1548), na qual o rei Dom João III definia as atribuições do governador-geral do Brasil. Um de seus dispositivos remete às origens, não apenas do patrimonialismo brasileiro, como talvez também do nosso truncado e peculiar tipo de “federalismo” futuro. “Em cada uma das capitanias, praticareis, tanto com o capitão dela, com o provedor-mor de minha fazenda e alguns homens principais da terra, a maneira que se terá na governança e segurança dela”.
Séculos depois, em 2004, um arguto observador da história brasileira assim sintetizou uma marca do passado que veio assumindo “teimosa permanência”, relevância e atualidade entre nós. “Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado”. (Balcão de negócios, Rogério Werneck, Estadão, 07/05/2004).
O texto de Werneck ajuda a entender como o Brasil se tornou o que é, o que inclui fenômenos como: mensalão, petrolão, Lava Jato, o extraordinário desenvolvimento dos tentáculos do narcotráfico para muito além do mundo das drogas. Para não falar do contubérnio da “Vorcarosfera” e suas redes de tenebrosas transações milionárias. Em linguagem nietzschiana, nos tornamos o que somos. Como vislumbrar saídas?
Elas sempre existem. Mas sua viabilidade pressupõe a existência, na sociedade e na política, de pessoas com espírito cívico, postura, compostura, conhecimento da história do País, da região e do mundo. Com visão de longo prazo, e não apenas de um governo da hora, preocupado com as próximas eleições.
Isso se aplica ao Brasil como a qualquer país que pretenda ter protagonismo na cena global. Mas nenhum país consegue ser relevante globalmente se não for considerado como tal em seu tabuleiro regional.
O saudoso Marcos Azambuja ensinou: “Há muito tempo nos atribuímos a condição de global player, ou seja, um país que tem fichas e interesses em todas as mesas. Por anunciar essa pretensão, quando primeiro a formulamos, estávamos sendo fiéis àquele otimismo profético que é parte da retórica brasileira e ingrediente essencial de nossas sempre adiadas, mas nunca abandonadas esperanças”. Para que essas esperanças pudessem um dia tornar-se realidade, Azambuja sempre insistiu que “o Brasil precisaria oferecer garantias de que seu comportamento seria sempre, como norma, responsável e construtivo”. Observação que se aplica a qualquer país de expressão econômica e geopolítica. Inclusive, e, especialmente, nos dias que correm, aos EUA e àquilo que essa grande nação está se tornando, sob a presidência de Donald Trump.
'Seletiva': Valdemar nega desvio de emendas e Flávio Bolsonaro critica atuação da PF🚨 VALDEMAR COSTA NETO NA MIRA: EMENDAS COLOCAM PRESIDENTE DO PL EM SITUAÇÃO COMPLICADA?MyNews
Transmitido ao vivo em 10 de jul. de 2026 #CongressoNacional #PoliticaBrasileira #Direita
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, voltou ao centro das discussões políticas em Brasília após novas movimentações envolvendo emendas parlamentares levantarem questionamentos e aumentarem a pressão sobre uma das principais lideranças da direita brasileira.
Neste vídeo, analisamos os bastidores da política nacional, o impacto dessa situação dentro do Partido Liberal (PL), os possíveis reflexos para a oposição e como esse episódio pode influenciar o cenário político brasileiro.
Entenda:
• Qual é a polêmica envolvendo Valdemar Costa Neto e as emendas;
• Como o caso repercute dentro do Congresso Nacional;
• Os impactos para o PL e seus principais aliados;
• O que essa movimentação revela sobre os bastidores de Brasília.
Acompanhe uma análise completa sobre política brasileira, Congresso Nacional, eleições, partidos políticos e os principais acontecimentos que movimentam o Brasil.
#ValdemarCostaNeto #PL #PoliticaBrasileira #CongressoNacional #Brasilia #NoticiasPoliticas #Direita #Eleições2026Maria Christina Caldeira depõe contra Valdemar Costa Neto - parte 3colunadoaugustonunesEm 20 julho de 2005, Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do deputado federal Valdemar Costa Neto, foi à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados para depor contra o ex-marido e implicá-lo no esquema do mensalão.
domingo, 12 de julho de 2026
Muitos times para um coração, por Ruy CastroFolha de S. PauloPerguntei à IA por qual time torcia o comediante Zé Trindade. Respostas: por nenhum e váriosDependendo da formulação da pergunta, a IA, sem nenhum caráter, responde de modo diferente
Uma das qualidades da IA é que, ao lhe fazer uma pergunta, você terá direito a uma resposta múltipla. Só depende da maneira como formulou a dita pergunta. Outro dia, em meio a uma pesquisa sobre comediantes brasileiros do passado, perguntei à IA qual era o time de coração do genial Zé Trindade. Para quem não se lembra, Zé Trindade (1915-1990) foi um astro do estúdio Atlântida, em chanchadas deliciosas hoje proibitivamente incorretas até nos títulos, como "Mulheres à Vista" (1959), "Mulheres, Cheguei!" (1959), "Marido de Mulher Boa" (1960), várias outras.
Era também contratado dos programas humorísticos da Rádio Mayrink Veiga, um deles "Miss Campeonato", em que os clubes, interpretados cada qual por um comediante, disputavam a cobiçada Miss Campeonato, interpretada pela cobiçabilíssima Rose Rondelli. Enfim, eu precisava saber por qual dos times o baiano Zé Trindade torcia na vida real.
Daí perguntei à IA, e veio a resposta: "Não há registros históricos ou fatos biográficos que documentem o time de coração do comediante Zé Trindade. A imprensa e as biografias sobre o artista focam na sua carreira artística etc.". Para me garantir, resolvi reformular a pergunta: "Qual era o time de coração do comediante Zé Trindade, que interpretava o Flamengo no programa de rádio 'Miss Campeonato'"? Resposta: "Zé Trindade era assumidamente torcedor do Flamengo, daí interpretar o clube no programa assim assado".
Só que, então, a mesma pergunta repetida sem querer foi respondida com "Apesar de interpretar o Flamengo no programa tal, Zé Trindade era assumidamente torcedor do Vasco, o que lhe rendia comentários jocosos dos colegas". Inconformado, voltei a perguntar e a resposta se repetiu palavra por palavra, só que, dessa vez, seu time de coração era o Botafogo. Quando, no limite, exigi que a IA se decidisse, ela me informou que Zé Trindade torcia pelo Esporte Clube Bahia. Mas, em seguida, o Bahia se tornava o Vitória.
Que não se acuse o imortal Zé Trindade de não ter caráter. Sem caráter é a IA.
Análise Jurídico-Política: Caso Valdemar, Emendas e STF
Análise Técnico-Jurídica e Política do Caso das Emendas Parlamentares (STF)
Data: Julho de 2026
Resumo: Esta matéria analisa, sob perspectiva técnica e política, a investigação envolvendo desvio de emendas parlamentares atribuídas a Valdemar Costa Neto, bem como os possíveis desdobramentos jurídicos, estratégias de defesa e acusação, e o papel institucional do STF e do Poder Executivo.
1. Contexto da Investigação
O ministro do STF, Flávio Dino, determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, sob suspeita de desvio de 21 emendas parlamentares. Os recursos foram liberados entre 2024 e 2025 pelo governo federal.
A Polícia Federal aponta a existência de um esquema envolvendo:
Uso de parlamentares como “laranjas institucionais”;
Indicações falsas de autoria de emendas;
Atuação de assessores e operadores políticos;
Manipulação de planilhas internas da Câmara.
Imagem ilustrativa sugerida
2. Estrutura do Suposto Esquema
Segundo a investigação, o esquema funcionava com base em:
Formalização fictícia de emendas por deputados;
Centralização decisória por agente sem mandato;
Intermediação por assessores e operadores;
Encaminhamento técnico por servidores da Câmara.
“Não restam dúvidas de que as ações investigadas causaram prejuízo ao erário [...]” – Flávio Dino
3. Estratégias de Acusação
3.1 Fundamentação Jurídica
Desvio de finalidade das emendas;
Fraude na autoria parlamentar;
Dano ao erário;
Organização estruturada para manipulação orçamentária.
3.2 Instrumentos Probatórios
Planilhas apreendidas;
Mensagens eletrônicas;
Quebras de sigilo;
Rastreamento financeiro.
4. Estratégias de Defesa
Atividade política legítima: articulação de emendas como função partidária;
Transferência de responsabilidade: execução cabe ao Executivo;
Fragilidade probatória: questionamento de indícios;
Narrativa política: alegação de perseguição judicial.
5. Papel do Poder Executivo
O governo federal aparece como agente liberador dos recursos, o que gera dois vetores estratégicos:
Risco: associação política ao escândalo;
Defesa: cumprimento obrigatório de execução orçamentária.
6. Possibilidade de Depoimento Presidencial
Do ponto de vista jurídico, é possível que o Presidente da República seja arrolado como testemunha.
Entretanto:
O STF pode indeferir por irrelevância;
O depoimento pode ocorrer por escrito;
Há forte impacto político na decisão.
7. Comparação: Caso FHC vs. Cenário Atual
FHC depôs como ex-presidente (sem risco institucional);
Lula, como presidente em exercício, enfrenta maior exposição;
O depoimento atual teria maior carga política;
Pode gerar efeito contrário à defesa.
8. Rosa Weber vs. Flávio Dino
8.1 Diferenças Técnicas
Rosa Weber julgou o orçamento secreto (RP9);
Dino analisa fraudes em emendas de comissão (RP8);
Natureza jurídica distinta dos objetos.
8.2 Sobre Prevaricação
Não há base jurídica para acusação de prevaricação, pois:
Não há dolo comprovado;
O relator possui discricionariedade instrutória;
O fatiamento é prática processual legítima.
9. Análise Política
Polarização influencia a interpretação pública do caso;
Oposição aponta seletividade;
Governo busca dissociar execução e desvio;
O caso expõe fragilidades estruturais do sistema orçamentário.
10. Conclusão
Do ponto de vista técnico, a atuação do STF encontra respaldo jurídico e processual, especialmente diante da produção de provas materiais pela Polícia Federal.
Politicamente, o caso se insere em um ambiente de alta tensão institucional, onde decisões judiciais assumem impacto além do jurídico, influenciando diretamente o cenário eleitoral e o equilíbrio entre os poderes.
Vídeo explicativo sugerido
Crônica de uma República Ideal – Moção de Homenagem
Crônica de uma República Ideal
Advertência do Bruxo ao Leitor
Ao estilo de Machado de Assis
Conta-se que as instituições, como certas senhoras da alta sociedade, preferem o silêncio dos mármores ao calor das praças. Todavia, o autor destas linhas pede a vênia necessária para cometer um pecado de imaginação: fez o Plenário falar o que a liturgia formal cala, mas que a justiça ideal aprovaria com um meneio de cabeça.
Esta Moção de Agradecimento não saiu das gavetas secretas da Praça dos Três Poderes, nem carrega o selo de cera da burocracia estatal. É, antes, uma peça de liberdade poética — essa ficção que a própria Carta Magna ainda garante aos homens de letras. Um devaneio dominical.
Que os austeros ministros de ontem e de hoje perdoem a audácia do registro. A Casa não foi violada. Afinal, nas repúblicas da ficção, assim como nas do mundo dos homens, o “republicanismo radical” da verdade e o espírito do velho decano sempre habitarão os mesmos corredores, ainda que seja apenas nas páginas do livro de algum cronista que teima em olhar a vida pela janela do Cosme Velho.
Moção de Homenagem e Agradecimento
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no uso de suas atribuições institucionais e em respeito aos valores fundamentais da República Federativa do Brasil, formula a presente Moção de Reconhecimento ao Ministro Celso de Mello e ao historiador Marco Antonio Villa.
I. Ao Ministro Celso de Mello
O Guardião da Memória e do Dogma Constitucional
Manifestamos o mais profundo reconhecimento ao Ministro Celso de Mello, cuja trajetória consolidou-se como verdadeiro farol hermenêutico da Constituição Cidadã.
Sua atuação histórica, especialmente na condução da Reclamação Constitucional nº 31.542, estancou de forma definitiva as tentativas de sufocamento do debate público e da atividade jornalística por meio do assédio judicial.
“A liberdade de crítica constitui um dos pilares essenciais do regime democrático.”
Ao afirmar que o patrimônio moral dos agentes públicos submete-se ao escrutínio permanente da sociedade, o Ministro ergueu uma barreira sólida contra qualquer forma de censura.
II. Ao Jornalista Marco Antonio Villa
O Exemplo do “Republicano Radical”
Estendemos este reconhecimento ao professor, historiador e jornalista Marco Antonio Villa, cuja postura crítica e independente reafirma o papel essencial da sociedade civil no equilíbrio republicano.
Ao rejeitar rótulos ideológicos simplistas, Villa define-se como um “republicano radical”, evocando a essência da res publica — a coisa pública pertencente a todos.
Defesa da transparência pública
Crítica ao desrespeito ao teto constitucional
Atuação independente de alinhamentos políticos
Resiliência diante de pressões institucionais
Seu posicionamento demonstra que a crítica institucional não enfraquece a República — ao contrário, a fortalece.
III. Conclusão Colegiada
Ao unir, nesta homenagem simbólica, o magistrado que aplicou o direito e o jornalista que exerceu a cidadania, reafirma-se o compromisso com o Estado Democrático de Direito.
A convergência entre magistratura independente e imprensa livre permanece como uma das garantias fundamentais da República.
Brasília, 11 de julho de 2026.
Vídeo sugerido para contextualização
domingo, 12 de julho de 2026
Benedito, por Ignácio Loyola de Brandão*O Estado de S. Paulo
Benedito Ruy Barbosa morreu na semana passada, aos 95 anos. Cinco a mais do que eu. Jovens, nos encontrávamos no jornal Última Hora, do Samuel Wainer. Ele nos esportes, eu na geral e em variedades. Ambos magros, sotaque caipira. O meu, araraquarense; o dele, de Vera Cruz, vizinha a Marília.
Na verdade, depois descobri que ele nasceu em Gália. Este nome me remetia às aulas de latim do professor Luciano, que nos obrigava a decorar De Bello Gallico. Quando me contou de sua cidade, eu disse: Garça, Gália, Vera Cruz, Lácio, Marília. Trajeto que eu fazia nas férias indo para sítios de tios cafeicultores de porte médio em Vera Cruz.
Na UH – como dizíamos –, ele ficava muito perto de mim, graças aos meus contatos com o mundo do cinema e do teatro. Assim, cautelosamente, ele foi chegando ao Oficina e ao Arena, que se contrapunham ao “teatrão”, como se dizia, do TBC, e de Cacilda Becker, Nydia Licia, Sérgio Cardoso e outros figurões.
Mas, quando Benedito estreou no Teatro de Arena com Fogo Frio, foi uma surpresa. Boa. Para mim ele era do esporte, nada mais. Tanto que chegou a escrever uma biografia do Pelé. Lembro que Vera Cruz e Bauru, terra onde Pelé se fez, são próximas. Ali por 1965, Benedito e eu nos encontramos em Vera Cruz, na tarde em que Anselmo Duarte estreou seu Vereda da Salvação, impactante adaptação da peça teatral de Jorge Andrade. Era uma ramificação do Festival de Cinema de Marília, o melhor do interior.
Eu me gabei, como se dizia: “Sabe que fui o primeiro a saltar do trampolim na inauguração da piscina daqui?”. Aliás, mergulhar eu sabia; nadar, não. Rimos, entramos no cinema. Éramos apaixonados pelas palavras e pelas sensações que podíamos provocar com elas.
Aquele domingo em Vera Cruz foi uma sensação, afinal, Anselmo tinha ganho a Palma de Ouro em Cannes com O Pagador de Promessas. Benedito me disse: “Lembra-se de quando estávamos aqui na cidade, jantando aos domingos, e o cinema tocava uma sirene? Todo mundo empurrava o prato, se arrumava e voava para o cinema”. Tínhamos isso em comum: a paixão pelo cinema.
Ele a sublimou com as telenovelas. Foi um sucesso. Como esquecer Pantanal , Terra Nostra, O Rei do Gado e tantas mais? Eu segui pela literatura com romances, contos, infantis, crônicas. Pouco nos vimos por muitos anos. Penso como o Última Hora foi um celeiro: Jô Soares iniciou sua coluna; Walther Negrão, suas telenovelas; Roberto Freire começou no teatro e nas novelas, e depois criou o Sem Tesão Não Há Solução; Ricardo Ramos, filho de Graciliano, editou literatura; Mila Moreira, então Marilda, foi eleita Miss Luzes, tornou-se modelo e atriz famosa. Fiquei devendo sua biografia. E como a redação resplandecia quando Danuza Leão, mulher de Samuel Wainer, chegava para buscar o marido.
*É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DE 'ZERO' E 'NÃO VERÁS PAÍS NENHUM'
Resposta Ao TempoNana Caymmi - TemaResposta Ao TempoNana Caymmi
Batidas na porta da frente, é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar
Eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Composição: Aldir Blanc, Cristóvão Bastos.
Há fotos, fotografias e retratos: diga-me como nomeias a ti mesmo, reproduzido em imagem hoje, e eu direi de que época falas — do que podias ver sem recorrer a um espelho.
Um singelo roteiro a ser detalhado e submetido a um decodificador de imagens, nomes e espelhos.
Chamo-me imagem sem espelho.
Sou aquilo que foi capturado quando o olhar não podia se ver de volta. Minha forma nasce da ausência: um rosto que não se confirma, um corpo que não se corrige. Carrego o instante em que a luz decidiu por mim, antes que eu pudesse discordar.
Vejo-me como vestígio. Há contornos — nem sempre precisos — onde o tempo pousou. As sombras contam mais do que os traços: dizem de onde vinha a luz, insinuam o que estava fora do quadro, revelam o que o olho humano esquece.
Meu nome muda conforme a época:
— Se sou rígida e solene, pertenço ao início, quando o tempo de exposição exigia paciência e silêncio.
— Se sou borrada, talvez venha de um movimento apressado, de mãos que não podiam esperar.
— Se sou nítida demais, quase perfeita, posso ser recente, onde o erro já não é permitido.
— Se trago imperfeições, riscos, grãos ou falhas, talvez eu seja memória sobrevivente.
Não tenho espelho, mas tenho testemunhas: a luz, o enquadramento, a intenção de quem me fez. Sou menos sobre quem fui e mais sobre como fui visto.
Para decodificar-me, pergunte:
Que luz me criou?
Que tempo me atravessa?
O que ficou fora de mim?
E quem precisava que eu existisse?
Assim, talvez descubra não apenas quando fui feita, mas por que fui lembrada.
RETRATO EM BRANCO E PRETO
A gravação mais icônica e reverenciada de "Retrato em Branco e Preto"é a histórica colaboração entre Elis Regina e Tom Jobim no lendário álbum Elis & Tom (1974). O clássico foi originalmente composto por Tom em 1965 e ganhou a letra poética e melancólica de Chico Buarque em 1968.Para ouvir essa obra-prima:
Entrevista com Christopher Garman | Warren Política | Episódio 24Warren Investimentos
8 de jul. de 2026
As eleições de 2026 serão as mais difíceis de prever dos últimos anos?Neste episódio do Warren Política, Felipe Salto recebe Christopher Garman, Diretor para as Américas do Eurasia Group, para analisar o cenário eleitoral brasileiro, os desafios econômicos, o ambiente político e os impactos da geopolítica sobre o Brasil.Entre os temas abordados:
00:00-02:38 | Introdução
02:38-11:35 | Cenário eleitoral para 2026
11:35-15:05 | Segurança, corrupção e estratégia das campanhas
15:05-22:35 | Oposição, terceira via e comportamento do eleitor
22:35-30:11 | Classe média, voto e alternativas da direita
30:11-42:52 | Economia, juros e cenário fiscal
42:52-46:31 | Geopolítica: EUA, China e Oriente Médio
Tom Jobim: Retrato Em Branco e Preto (DVD Ela É Carioca)RWR
22 de jul. de 2016
🎵Artista: Tom Jobim
Diretor: Roberto de Oliveira
Produção Artística: Vinicius França
Direção de Fotografia: João Wainer
Edição: André Wainer
Produtora: R.W.R
Ano: 2005
RWR
Retrato Em Branco e Preto
Tom Jobim
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Composição: Chico Buarque, Tom Jobim.
Para construir o seu progresso
integral Deus lhe deu o
majestoso poder da vontade.Caracteres da perfeiçãoEvangelho - Caracteres da perfeiçãoCanal FEESP_Oficial
30 de jul. de 2020
Marlene Simões - Expositora da Feesp
Caracteres da perfeição.1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. — Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? — Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? — Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (S. Mateus, 5:44, 46 a 48.)
2. Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta proposição: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Se à criatura fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia ela igual a este, o que é inadmissível. Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.
Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido da perfeição relativa, a de que a humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: “Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem.” Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.
Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum haver que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que sobre-excita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: “Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial.”
Na página 112 do livro Eurípedes, o Homem e a Missão, a autora Corina Novelino destaca uma fotografia histórica do Colégio Allan Kardec, localizada em Sacramento (MG).A imagem registra os seguintes professores assentados na sede antiga, da esquerda para a direita:Orcalino de OliveiraEurípedes Barsanulfo (diretor e fundador)Maria Gonçalves dos SantosWatercides Wilson (irmão de Eurípedes)
Colégio Allan Kardec (Sacramento, MG), 1913 — Estrutura hierárquica, disciplina corporal e composição de gênero na formação escolarFotografia institucional que documenta, em composição escalonada por planos, a organização hierárquica do espaço educacional no início do século XX: no primeiro plano, o corpo docente assentado — majoritariamente masculino, com a presença singular da professora Maria Gonçalves — trajando vestimentas formais que denotam autoridade intelectual e moral; nos planos subsequentes, o corpo discente predominantemente masculino, disposto em fileiras rígidas, com postura ereta e padronizada que remete à posição de sentido de matriz militar, evidenciando valores de disciplina, prontidão e controle do corpo como extensão do processo pedagógico; na periferia da composição, destaca-se a figura isolada de uma criança pequena, possivelmente feminina, de costas e fora da formação, sugerindo marginalidade simbólica em relação ao espaço formal de ensino; ao fundo, a arquitetura simples da sede escolar reforça o caráter institucional e comunitário da cena. A imagem, assim, transcende o registro documental e revela, em sua organização visual, os princípios de ordem, hierarquia, gênero e moralidade que estruturavam a cultura educacional brasileira da época.
154Os contrários“Que diremos pois à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” — Paulo. (ROMANOS, 8.31)1 A interrogação de Paulo ainda representa precioso tema para a comunidade evangélica dos dias que correm.
2 Perante nosso esforço desdobra-se campo imenso, onde o Mestre nos aguarda a colaboração resoluta.
3 Muitas vezes, contudo, grande número de companheiros prefere abandonar a construção para disputar com malfeitores do caminho.
4 Elementos adversos nos cercam em toda parte. Obstáculos inesperados se desenham ante os nossos olhos aflitos, velhos amigos deixam-nos a sós, situações favoráveis, até ontem, são metamorfoseadas em hostilidades cruéis.
5 Enormes fileiras de operários fogem ao perigo, temendo a borrasca e esquecendo o testemunho.
6 Entretanto, não fomos situados na obra a fim de nos rendermos ao pânico, nem o Mestre nos enviou ao trabalho com o objetivo de confundir-nos através de experiências dos círculos exteriores.
7 Fomos chamados a construir.
Naturalmente, deveremos contar com as mil eventualidades de cada dia, suscetíveis de nascer das forças contrárias, dificultando-nos a edificação; nosso dia de luta será assediado pela perturbação e pela fadiga. Isto é inevitável num mundo que tudo espera do cristão genuíno.
8 Em razão de semelhante imperativo, entre ameaças e incompreensões da senda, cabe-nos indagar, bem-humorados, à maneira do apóstolo aos gentios: — “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.Pão Nosso #154 - Os contráriosNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 18 de jan. de 2024
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
O Livro dos Espíritos | questão 402Luiza Almeida Monteiro
20 de dez. de 2022 #sonhos #sonoesonhos #emancipaçãodaalma
CAPÍTULO VIII
DA EMANCIPAÇÃO DA ALMA
O sono e os sonhos
402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?
“Pelos sonhos, Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode por-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro. Dizes freqüentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganaste. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião.
Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro.
#sonoesonhos
#sonhos
#emancipaçãodaalma
I – O Sono e os Sonhos (Perguntas 400 a 412) – O Livro dos EspíritosCap. 8 - Emancipação da alma
400. O Espírito encarnado permanece voluntariamente no envoltório corporal?
— É como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado.
401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
— Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
402. Como podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?
— Pelos sonhos. Sabeis que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e às vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja deste mundo, seja de outro. Frequentemente dizes: “Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança”. Enganas-te. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro.
Pobres homens, que conheceis tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditais ser muito sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam. A esta pergunta de todas as crianças: “O que é que fazemos quando dormimos; o que são os sonhos?” ficais sem resposta.
O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.
Isto, para os Espíritos elevados; pois a massa dos homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão, seja a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, seja à procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professavam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração àqueles com quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica também as antipatias invencíveis é que sentimos, no fundo do coração, que essas pessoas têm uma consciência diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. É ainda o que explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi mais do que pensais, sobre a vossa vida.
Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre vós. Deus quis que, durante o seu contato com o vício, pudessem eles retemperar-se na fonte do bem, para não falirem, eles que vinham instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande livramento, a libertação final, que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.
O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes, ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizestes ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.
De resto, vereis dentro em pouco desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão antiga como a que conheceis, mas que ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida de que há pouco eu vos falava.
Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que vos lembrardes; sem isso, cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos para a vossa fé.
Comentário de Kardec: Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares, os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter nem senso, nem nexo.
A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes, sendo reunidos, perderiam toda significação racional.
403. Por que não nos recordamos sempre dos sonhos?
— Nisso que chamas sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas, como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.
404. Que pensar da significação atribuída aos sonhos?
— Os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores da sorte, pelo que é absurdo admitir que sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes ainda, como já dissemos, são uma recordação. Podem ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar, a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhes está acontecendo? O que são essas aparições, senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento durante a vigília?
405. Frequentemente se veem em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vêm elas?
— Podem cumprir-se para o Espírito, se não se cumprem para o corpo. Quer dizer que o Espírito vê aquilo que deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria, e por conseguinte não se afasta jamais completamente das ideias. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, liga-se a ela tudo o que se vê.
406. Quando vemos em sonho pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que absolutamente não pensam, não é isso um efeito de pura imaginação?
— Em que absolutamente não pensam? Como o sabes? Seus Espíritos podem visitar o teu, como o teu pode visitar os deles, e nem sempre sabes o que pensam. Além disso, frequentemente aplicais, a pessoas que conheceis, e segundo os vossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.
407. É necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito?
— Não. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita, para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.
Comentário de Kardec: É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sonho.
408. Parece-nos, às vezes, ouvir em nosso íntimo palavras pronunciadas distintamente, e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa. De onde vêm elas?
— Sim, e até mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a se entorpecer. É, às vezes, o fraco eco de um Espírito que deseja comunicar-se contigo.
409. Muitas vezes, num estado que ainda não é o cochilo, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais apanhamos os pormenores mais minuciosos. É um efeito de visão ou de imaginação?
— Entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar a sua cadeia: ele se transporta e vê, e se o sono fosse completo, isso seria um sonho.
410. Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, ideias que parecem muito boas, e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. De onde vêm essas ideias?
— São o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos.
410-a. De que servem essas ideias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los?
— Essas ideias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais frequente é que se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a ideia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.
411. O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte?
— Muitas vezes a pressente; e às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas preveem às vezes a própria morte com grande exatidão.
412. A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatigar a este?
— Sim, porque o Espírito está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Ora, da mesma maneira que as sacudidelas do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga.
LE: Emancipação da almaO livro dos espíritos online
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VIII – Esquecimento do Passado (Perguntas 392 a 399) – O Livro dos EspíritosII – Visitas Espíritas entre Vivos (Perguntas 413 a 418) – O Livro dos Espíritos
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sexta-feira, 10 de julho de 2026
"Essa era a imagem que passava na cabeça dele.
O enredo não era bom."Hermínio Bello de Carvalho
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Música, Memória e Reflexões
Produção acadêmica que resgata a trajetória de um dos maiores nomes do samba brasileiro.
📌 Reflexão
A cultura brasileira é construída por histórias, músicas e vivências que atravessam gerações. Ao revisitar esses conteúdos, ampliamos nossa compreensão sobre identidade, memória e expressão artística.
📺 Conteúdo adicional
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João Bosco - Papel Machê (Ao Vivo)Papel MachêJoão Bosco
Cores do mar, festa do Sol
Vida é fazer
Todo sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de papel machê
Cores do mar, festa do Sol
Vida é fazer
Todo sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de papel machê
Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de papel machê
Dormir no seu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de papel machê
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiuh luh, lon!
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiô luh, lon!
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiô luh, lon!
Composição: João Bosco, Capinan.Reencontro emocionado de Cartola com seu pai após 40 anos sem se falar...
Cartola atende ao pedido do seu velho...
e que pedido!!!
Trecho do documentário “Cartola, música para os olhos”Cartola e seu Pai - O Mundo é um MoinhoCartola - Documentárioaudiovisualufop
3 de fev. de 2014
Esta obra audiovisual foi realizada, a partir de arquivos, pelos alunos de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na disciplina de Documentário ministrada pelo professor Adriano Medeiros, durante o curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). 2º semestre 2013
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A volta de Cartola para morar com seu pai após a falência e fechamento do Bar ZiCartola em 1965 foi um dos momentos mais duros de sua vida. Esse período de adversidade na biografia do sambista está documentado em detalhes e é possível entender o peso que essa situação teve para ele.O Fechamento do ZiCartola e o RetornoO famoso restaurante e casa de samba no Rio de Janeiro abriu em 1963 e rapidamente se tornou um grande ponto de encontro de músicos e intelectuais. No entanto, devido à má administração, o Bar ZiCartola faliu e encerrou suas atividades em maio de 1965.Sem dinheiro e sem onde ficar, Cartola e sua esposa, a sambista Dona Zica, foram despejados do sobrado onde o estabelecimento funcionava. A dura realidade os obrigou a voltar para a casa do pai de Cartola, com quem ele estava sem contato próximo e tinha um histórico de conflitos desde a juventude.A ReconstruçãoEmbora o retorno tenha sido um choque por representar um recuo em sua trajetória de independência, essa fase também trouxe reconciliação. O pai de Cartola o havia expulsado de casa décadas antes, mas durante esse período morando juntos, eles conseguiram resolver mágoas antigas.Dona Zica continuou ao lado do marido mesmo com todas as dificuldades e o declínio na carreira nessa época. Anos depois, o sambista conseguiu dar a volta por cima, voltando a brilhar nos palcos nos anos 70.
✍️ Opinião | O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é
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sexta-feira, 10 de julho de 2026
Os Bolsonaro, como os peixes, morrem pela boca, por Dora KramerFolha de S. PauloJair & filhos acabam prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que fazem e falam
Michelle, ao contrário, pensa no que diz, tem roteiro, frieza e, sobretudo, visão estratégica
Característica marcante em Jair Bolsonaro & filhos é a incapacidade de prever o efeito de seus atos. Acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. São como peixes: morrem pela boca.
O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão Eduardo batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".
É um fardo que Flávio Bolsonaro (PL) carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.
Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do senador em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme "Dark Horse".
Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Eduardo tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?
A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis.
Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.
Em contraponto, a madrasta Michelle —Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção— como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.
Íntegra: veja o discurso de Flávio Bolsonaro em conferência do CPAC nos EUAMetrópoles
28 de mar. de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou neste sábado (28/3) da CPAC, conferência que reúne líderes conservadores, em Dallas, no Texas. Em seu discurso, Flávio fez apelo para que os Estados Unidos façam “pressão diplomática” sobre as eleições no Brasil."Do you know why I'm doing this video?
Because I'm showing tou you"
and I'm going to prove ( com falsete da voz na prónúncia desse prove)
Porque estou mostrando ao meu pai
e eu vou provar para todo mundo no Brasil.
Davos: Bolsonaro diz a Al Gore que 'gostaria muito' de ter EUA como parceiro na AmazôniaUOL
24 de ago. de 2020
Em cena do filme “O Fórum”, do alemão Marcus Vetter, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz a Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, que 'gostaria muito' de explorar os recursos da Amazônia com os EUA. Em resposta, o norte-americano disse não entender o que ele quis dizer.
O caso ocorreu durante a Sessão Plenária do Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos, na Suíça.
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Flávio Bolsonaro discursa no USTR contra tarifas | TEMPO REALJovem Pan News
7 de jul. de 2026 #JovemPan #TempoReal
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), discursou nesta terça-feira (07) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, contra um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros pelo governo americano. Flávio pediu que a tarifa não fosse aplicada, dizendo que a medida favoreceria uma possível reeleição de Lula (PT).
Confira o Tempo Real na íntegra em: • TEMPO REAL - 07/07/2026 Discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA será contra o tarifaço: 'Vai tentar culpar Lula'UOL
7 de jul. de 2026 #FlávioBolsonaro #Notícias #canaluol
Flávio Bolsonaro participa de audiências em Washington para tentar reverter a proposta de tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo apuração de Amanda Klein, o senador deve atribuir a retaliação comercial à postura diplomática de Lula.
Flávio Bolsonaro sobre tarifa dos EUA: "Pior momento possível" | CNN 360°CNN Brasil
7 de jul. de 2026 #CNNBrasil
Nos Estados Unidos, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) voltou a falar sobre o impacto das tarifas extras de 25% sobre produtos brasileiros nesta terça-feira (7), durante audiência pública em Washington (EUA). #CNNBrasil
O discurso do senador Flávio Bolsonaro no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) durou cerca de 5 minutos, focando mais em argumentos políticos do que técnicos. Ele defendeu o cancelamento ou adiamento das tarifas de 25% impostas a produtos brasileiros, argumentando que o momento era o pior possível e que a medida acabaria beneficiando eleitoralmente o presidente Lula.Pontos Principais da ArgumentaçãoOportunidade Política: O senador argumentou que impor sanções antes do pleito brasileiro daria um palanque de vitimização política para Lula, que classificaria a medida como interferência estrangeira.Defesa do Pix: Um dos principais alvos da investigação dos EUA, o Pix foi defendido por Flávio, que afirmou tratar-se de uma solução de inclusão financeira que não compete com instituições americanas de pagamento e beneficia empresas de cartões dos EUA.Aliança EUA-Brasil: Ele criticou a condução das negociações pelo atual governo brasileiro e sugeriu a possibilidade de buscar acordos bilaterais de comércio, citando a Argentina de Javier Milei como exemplo de país que conseguiu isenções.Repercussão do DiscursoA participação do parlamentar causou forte divergência política. Enquanto aliados apontaram a ação como um esforço para proteger a economia e os empresários nacionais frente à inércia do governo, o governo brasileiro e o Partido Liberal (PT) repudiaram a iniciativa. O governo Lula classificou a postura do senador como oportunista e prejudicial, enviando apenas observadores à audiência, e a cúpula do PT chegou a classificar o ato como desfavorável à soberania nacional.Para verificar mais detalhes sobre a declaração oficial e o teor da manifestação, acesse a cobertura completa feita pela BBC News Brasil e pela CNN Brasil.9 sitesGoverno Lula avalia fala de Flávio Bolsonaro nos EUA ...7 de jul. de 2026 — bom e em Brasília como o governo Lula avalia a participação de Flávio Bolsonaro nessa audiência sobre o tarifáço a gente recebe po...8:37YouTube·Jovem Pan NewsFlávio Bolsonaro discursa por 5 minutos em audiência ... - BBC7 de jul. de 2026 — * Notícias. * Assista. * Ouça. ... * Notícias. * Eleições 2026. * Copa do Mundo 2026. * Brasil. * Internacional. * Economia. * Saú...BBCContradições de Flávio Bolsonaro sobre tarifaço ficam ...7 de jul. de 2026 — * Notícias. Todas as notícias. * Diretrizes do PT. Geral. * Conheça o PT. Nossa História. * Comunidade. Área PT. ... Contradições ...Partido dos TrabalhadoresMostrar tudo VídeosFlávio Bolsonaro sobre tarifa dos EUA: "Pior momento ...YouTube · CNN Brasil2 dias atrás6:18Flávio Bolsonaro discursa no USTR contra tarifas | TEMPO ...YouTube · Jovem Pan News2 dias atrás10:41🚨 See How Flávio's Speech in the US Against the Tariff Hike ...YouTube · André Marsiglia2 dias atrás4:23Governo repudia fala de Flávio Bolsonaro sobre tarifas nos ...YouTube · CNN Brasil2 dias atrás
Brian Winter@BrazilBrianTrump Is Remaking Latin America
At a time when the president’s war on Iran looks like a miscalculation of historic proportions, and when his rhetoric, tariffs, and other actions have alienated traditional U.S. allies in many parts of the world, Latin America stands out as the foreign policy sphere in which Trump has enjoyed the most success in advancing his agenda.
- Unprecedented security cooperation from Mexico
- Setbacks for China in Mexico, Panama, Chile & elsewhere
- U.S. treasury rescue probably changed history in Argentina
- Basically picked a president in Honduras
- Venezuela
- Aligned leaders being elected everywhere
Yet some Latin American policymakers, even as they acknowledge Trump’s victories, warn of an emerging backlash to Washington's heavy hand. In a recent meeting, the foreign minister of a Latin American government aligned with Trump told me with palpable anger: “We will not be anyone’s vassal.”
With major decisions still to come on Cuba, Mexico, and Venezuela, the return of U.S. interventionism in the 21st century may ultimately have the opposite effect that Trump wants: driving the region away from the United States and into the arms of China.
10:35 · 9 de jul. de 2026
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quinta-feira, 9 de julho de 2026
Isolamento político de Lula pode favorecer oposição no 2º turno, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseO presidente Lula continua competitivo, mas seu desempenho está estagnado. A pesquisa Meio/Ideia mostra como esse equilíbrio é mais frágil do que parece
Divulgada nessa quarta-feira, a pesquisa Meio/Ideia de julho permite uma leitura incômoda para o Palácio do Planalto: por ora, o risco para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o surgimento de um adversário competitivo carismático ou capaz de atrair o centro político e viabilizar a terceira via no primeiro turno, mas a persistência do seu próprio isolamento político.
O problema central do presidente não é apenas a existência de um campo oposicionista numeroso e ideologicamente alinhado contra ele; é a combinação entre um teto eleitoral aparentemente consolidado e o não surgimento de uma candidatura com a qual possa se alinhar no segundo turno.
O desafio de Lula é a incapacidade de desidratar a direita fragmentada, antes que ela se recomponha no segundo turno. O pior dos mundos, portanto, não é enfrentar um "supercandidato" conservador. É continuar preso a uma espécie de soberbo isolamento, confiando demais na força do próprio recall eleitoral e menos na necessidade de reorganizar uma maioria política e social mais ampla.
Os números da pesquisa mostram isso. Na espontânea, Lula aparece com 32,8%, contra 20,3% de Flávio Bolsonaro, mas o dado mais eloquente é o tamanho do eleitorado ainda desorganizado: 33,1% dizem não saber em quem votar, e 8,5% apontam branco, nulo ou ninguém. Ou seja, mesmo liderando, Lula não ocupa o espaço inteiro do jogo; ele mantém um núcleo robusto, mas ainda longe de qualquer posição confortável.
Na estimulada de primeiro turno com Flávio Bolsonaro, o presidente tem 40,4%, contra 32% do senador, enquanto Ronaldo Caiado marca 4%, Romeu Zema 2,5%, Aécio Neves e Renan Santos 2% cada, Augusto Cury 1,5% e os demais percentuais residuais. O dado decisivo está no fato de que, somadas, as candidaturas oposicionistas ultrapassam o campo bolsonarista puro e demonstram a existência de um eleitorado anti-Lula maior do que o voto individual de qualquer nome da direita.
O analista político mineiro Roberto Reis, especialista em cenários eleitorais, destaca o padrão dos demais levantamentos nacionais do período. No AtlasIntel/Bloomberg do fim de junho, Lula tinha 46,3% no cenário de primeiro turno, enquanto a soma dos adversários chegava a 50,3%; no Datafolha, 41% a 48%; no BTG/Nexus, 42% a 49%; no Quaest, 39% a 42%; no Real Time Big Data, 38% a 53%. Não é mais um detalhe estatístico, mas uma tendência que se consolida: a oposição, desunida, não consegue transformar esse excedente em candidatura hegemônica, porém o lulismo já não consegue monopolizar o eleitorado "anti-Bolsonaro" como fez em 2022.
Por isso, o presidente Lula continua competitivo, mas seu desempenho está estagnado. A pesquisa Meio/Ideia mostra como esse equilíbrio é mais frágil do que parece. No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula vence por 45% a 40%, com 10,5% de branco/nulo e 4,5% de indecisos. É vantagem real, mas curta para quem ainda dispõe da máquina, do Nordeste e da lembrança de ter derrotado o bolsonarismo clássico.
Sem uma onda
O mais importante é que esse placar circunscreve a própria expectativa de poder de Lula, o que complica a articulação dos palanques regionais. Na série histórica do instituto, Lula oscilou de 46,2% em janeiro para 45% agora, enquanto Flávio saiu de 36% para 40%, sinal de que a disputa se estreitou e de que o senador, mesmo com todas as limitações, mantém capacidade de retenção do eleitorado de direita.
Entre os homens, Flávio vence Lula por 46,3% a 39,2%; entre os jovens de 16 a 24 anos, por 45,7% a 33,3%; no Norte, por 49,2% a 33,6%; no Sul, por 54,1% a 16,8%; entre evangélicos, por 61,1% a 18,7%; e entre quem ganha mais de cinco salários-mínimos, por 47,9% a 37,6%. Lula compensa isso com ampla vantagem entre mulheres — 50,4% a 34,2% —, no Nordeste — 62,7% a 24,7% —, entre católicos — 55,2% a 31,9% — e sobretudo na base de renda até um salário-mínimo, onde lidera por 58,8% a 28,4%.
Esse mapa confirma que Lula segue forte onde o lulismo historicamente sempre foi forte: mulheres, baixa renda, Nordeste e segmentos religiosos não evangélicos. Mas também que esse capital não basta, por si só, para produzir uma onda vitoriosa. Há um teto visível. Lula está estacionado. E a eleição de 2026, como sugerem as pesquisas, pode deixar de ser um plebiscito sobre o bolsonarismo e se transformar num referendo sobre a capacidade — ou incapacidade — de o presidente tecer uma ampla coalizão social, que atraia as alianças políticas locais.
É um cenário esquisito. A direita brasileira chega à convenção eleitoral fragmentada e capenga. Flávio tem recall e máquina digital, mas enfrenta resistências internas e uma campanha errática. Caiado tem experiência, mas dificuldade de capilaridade. Zema perdeu centralidade. Renan Santos tem energia, mas pouco tempo de TV e pouca estrutura.
Michelle Bolsonaro aparece como um ativo poderoso, mas não consensual. No primeiro turno, em cenário com seu nome, Lula marca 40,4% e ela 29,4%; no segundo turno, o presidente venceria por 45% a 36%. O maior equívoco para Lula será interpretar a fragmentação adversária como irreversível. Se o Planalto concluir que a direita, por estar dividida, está condenada à derrota, cometerá talvez o erro mais grave da campanha. A oposição ainda pode se reorganizar no segundo turno.
“Enquanto os cegos testam a resistência da corda, o abismo espera ansioso pelo banquete."
Operação integrada aponta caminho promissor no combate a facçõesPor O GloboUnião de forças federais, estaduais e municipais mostra que trabalho conjunto é mais eficaz contra o crime
Foi auspiciosa a união de forças de segurança na operação deflagrada ontem em 16 das 27 unidades da Federação para combater o crime organizado. O objetivo foi prender 93 investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e ligação com facções criminosas. As ações foram conduzidas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), vinculadas à Polícia Federal (PF) e envolvendo também forças estaduais e municipais. É evidente que o trabalho conjunto, sob coordenação federal, é a melhor forma de enfrentar as quadrilhas.
Embora a segurança pública seja primordialmente tarefa dos estados, sozinhos eles não têm conseguido combater organizações criminosas que atuam em todo o país e no exterior. A facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a fluminense Comando Vermelho (CV) estão presentes em diferentes estados, onde disputam o controle da venda de drogas com grupos locais. Passou a ser comum o intercâmbio de bandidos de uma mesma facção entre unidades da Federação, dificultando ainda mais o trabalho da polícia.
Não se trata apenas de problema interno. Em junho, o governo dos Estados Unidos classificou PCC e CV como organizações terroristas, abrindo caminho a sanções a instituições brasileiras e seus integrantes. Neste mês, autoridades americanas aplicaram punições a dois brasileiros e a três empresas do país, sob acusação de vínculo com o PCC e de lavagem de dinheiro em território americano. Em seguida, a PF deflagrou uma operação contra os acusados. O problema não pode, portanto, ser tratado de forma estanque.
Não há dúvida de que o crime organizado assumiu proporções alarmantes. Ele não está apenas nas guerras entre quadrilhas pelo controle dos pontos de droga. Está também no que geralmente não se vê: sucessivas operações têm revelado um quadro assustador de infiltração do crime na política e no mercado formal.
A Carbono Oculto mostrou que ele contaminava toda a cadeia de combustíveis e alcançava fintechs e instituições financeiras em áreas nobres de São Paulo. Nesta semana, uma nova fase da Operação Unha e Carne expôs no Rio as ramificações de uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro com combustíveis. A operação foi deflagrada a partir de relatório apontando movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por uma rede de postos. Entre os alvos, estavam Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.
Não há como enfrentar situação tão grave e complexa sem a união dos governos federal, estaduais e municipais. Ainda que não tenha produzido resultados estrondosos, a operação de ontem aponta um caminho promissor por meio das Ficco. O governo federal sempre relutou em cumprir seu papel na segurança, e os estados temem perder protagonismo. Não há espaço para disputas estéreis. Ou todos se unem para combater a chaga do crime organizado, ou perderão todos.
Flávio Bolsonaro desserve o BrasilPor O Estado de S. PauloNa chance que teve para defender os exportadores brasileiros, o senador privilegiou seus interesses pessoais em Washington e provou ser indigno da confiança do setor produtivo nacional
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, transformou em comício a audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para ouvir argumentos técnicos contra a adoção de tarifas americanas a produtos brasileiros. Em vez de defender o Brasil com ponderações adequadas àquele fórum, Flávio Bolsonaro envergonhou os brasileiros ao usar os poucos minutos que tinha para atacar seu adversário na disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para sugerir que os Estados Unidos esperem a eleição para então negociar com um novo presidente – isto é, ele –, que será muito mais alinhado ao presidente Donald Trump.
Com isso, Flávio perdeu a chance de provar que está interessado em servir o Brasil – coisa que a família Bolsonaro, afinal, jamais fez. A reação do setor produtivo não poderia ser outra: ao Estadão/Broadcast, empresários presentes à audiência classificaram como “deslocada” e “constrangedora” a atuação de Flávio Bolsonaro.
Enquanto autoridades e empresários adotaram o tom pragmático que a situação exigia, Flávio discursou sobre regulação de big techs, corrupção no Brasil e Pix – temas irrelevantes para o propósito daquele fórum. Para comprovar que seu interesse não era defender os exportadores brasileiros, e sim apenas fustigar Lula, Flávio apresentou-se ao lado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que está homiziado nos Estados Unidos conspirando dia e noite contra o Brasil e que havia defendido entusiasticamente a adoção de tarifas americanas. Nada mais precisava ser dito.
Não foram necessários mais do que cinco minutos para que Flávio Bolsonaro provasse, de uma vez por todas, que é indigno da confiança do setor produtivo nacional. Houve premeditação. O senador tinha objetivos muito bem definidos ao viajar aos Estados Unidos – e nenhum deles remotamente ligado à defesa dos produtores industriais e agrícolas do País, muito menos dos empregos de milhões de brasileiros.
O objetivo mais evidente da viagem de Flávio Bolsonaro era provar para sua própria bolha de apoiadores e correligionários que ainda é a melhor opção da oposição para desafiar Lula. O PL marcou para o próximo dia 25 a convenção que deve confirmar o nome que representará o partido na eleição de outubro. Até lá, o senador precisa desesperadamente convencer sua própria base de que, a despeito dos muitos rolos em que está metido e das inúmeras trapalhadas de sua campanha, é o nome com mais chances de derrotar o incumbente. A tarefa é árdua: Flávio Bolsonaro não goza da confiança de parte de seus correligionários, e o desgaste chegou até o seio familiar, como se viu no vídeo publicado por sua madrasta, Michelle Bolsonaro.
Somem-se a isso sua relação de “irmão” com Daniel Vorcaro, a quem Flávio Bolsonaro pediu de viva voz cerca de R$ 134 milhões, e o passado para lá de suspeito do senador, que envolve prática de “rachadinhas”, suspeita de lavagem de dinheiro por meio de loja de chocolates, compra de imóveis em dinheiro vivo e ligações com milicianos do Rio de Janeiro. É nesse contexto de fragilidade política que o senador foi a Washington para tentar reconstruir, à força de fotos e “cortes” para as mídias sociais, uma viabilidade eleitoral que os fatos vêm corroendo dia após dia.
Enquanto os Bolsonaros prejudicam o Brasil para seus propósitos pessoais, os diplomatas, líderes setoriais e técnicos brasileiros continuam empenhados em tentar minimizar os danos das tarifas que provavelmente serão adotadas contra o País. É isso o que fazem os que têm genuíno interesse em ajudar o Brasil. E aqui cabe o registro de que, na embaraçosa foto de Flávio e Eduardo Bolsonaro na sessão do USTR, aparece ao lado deles um constrangido embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, com décadas de atuação na diplomacia comercial. Ele estava lá a trabalho. Já os Bolsonaros só queriam atrapalhar.