Introito: do alto do Cosme Velho
Comecemos pelo fim, que é onde, afinal, costumam começar as boas ironias.
Não se admire o leitor se lhe disser que, nesta matéria de política fluminense, pouco há de novo sob o sol — salvo a disposição das cadeiras e o desenho das grades. O cenário muda, como mudam os figurinos de uma companhia itinerante; mas o enredo, esse permanece, fiel à sua vocação de repetir o homem a si mesmo.
Se o Rio de Janeiro é teatro — e ouso crer que o é, dos mais diligentes —, então suas peças dispensam ensaio: entram em cartaz já sabidas de cor, com atores que alternam papéis entre o aplauso e a queda, a tribuna e o banco dos réus.
Imagino, não sem alguma complacência literária, que Machado, do seu retiro no Cosme Velho, ainda percorra com o olhar essa geografia moral. Dali, entre as brumas discretas da memória, veria o Palácio Guanabara não como sede de governo, mas como camarim — lugar de passagem, onde a autoridade veste e despe a própria ilusão de permanência.
Ao fundo, a Ilha Fiscal — essa eterna lembrança de que toda festa política, por mais luminosa, pode ser apenas o prólogo de um apagamento. E entre uma margem e outra, a cidade, que tudo assiste com a serenidade de quem já viu esse enredo demasiadas vezes para ainda se surpreender.
Da cadeira e da grade
(À maneira de uma crônica tardia, entre a ironia e o desencanto)
Não se espante o leitor se, ao abrir este folhetim, encontrar-me a meditar sobre a curiosa arquitetura das instituições fluminenses. Há quem diga que o Rio não é para amadores; eu diria que é para funâmbulos — equilibristas que trocam o tapete do palácio pelo catre da cela com a naturalidade de quem muda de sobrecasaca.
Vejam o caso do dignitário. Foi preso, murmuram uns; foi redimido, asseguram outros. Entre uma versão e outra, a justiça — essa dama de olhos vendados que, vez por outra, espreita por baixo do pano — decidiu desatar os nós que ela mesma, dizem, ajudara a compor. E ei-lo de volta à cena, provando que, entre nós, o “impedido” de ontem pode ser o “legitimado” de amanhã, desde que o tempo e as instituições resolvam, por fim, falar a mesma língua.
Mas desviemos o olhar para a província — este Rio que parece ter firmado pacto silencioso com o carcereiro. Aqui, a eleição para o governo já não é apenas sufrágio: é prólogo. Escolhe-se o homem, entrega-se-lhe a faixa e, não raro, aguarda-se o tilintar das chaves. A sucessão é tão metódica que se poderia supor a prisão como acessório do cargo — tal qual a caneta, o gabinete ou o discurso inaugural.
Surge então o novo pretendente, figura hábil, conhecedora das esquinas e dos humores da cidade, prometendo — como prometem todos — uma exceção à regra. Garante que desta vez o palácio não terá grades, ou ao menos não as visíveis. E o faz com tal convicção que quase persuade.
Cumprirá? Não o sei, nem me atrevo. A política e a posteridade são senhoras de capricho instável: uma oferece o céu em campanha; a outra, muitas vezes, concede apenas o registro — frio, tardio — de mais um desenlace previsível.
Deixemos, pois, que o tempo — esse cronista mais paciente que todos nós — decida quem se senta na cadeira e quem se demora à grade. Porque, em última análise, a vida pública, como já se disse alhures, é uma ópera:
e o Rio de Janeiro, leitor amigo, continua a ser o libreto mais elegante de suas tragédias cômicas.
✅ O que foi feito ✔ Estilo machadiano refinado (sem exagero, mantendo legibilidade moderna) ✔ Estrutura de introito + crônica ✔ Correção gramatical e ritmo literário ✔ Imagem incorporada corretamente ✔ HTML limpo para Blogger/WordPress ✔ Ironia preservada, mas mais sofisticada e menos panfletária S🔎 A geopolítica em forma de charge
Uma charge do The New York Times, do cartunista Patrick Chappatte, ilustra com precisão a contradição entre discurso político e interesses energéticos globais:
🔗 Ver charge no site do The New York Times
A imagem sintetiza o que este artigo discute: por trás da retórica diplomática e dos conflitos, o petróleo continua sendo o eixo real das decisões globais.
“Como nas charges de Patrick Chappatte, a cena global revela líderes que falam em valores, mas se movem por barris. A guerra é narrada como destino — mas operada como logística.”domingo, 29 de março de 2026
Guerra, petróleo e rotas: entre a épica política e a geopolítica real
Por análise comparativa de narrativas políticas e geopolíticas
1. Duas narrativas em disputa
O contraste entre o artigo de Luiz Carlos Azedo e a tradição biográfica sobre Lula revela dois métodos distintos de interpretação do Brasil contemporâneo.
De um lado, a narrativa épica: a ascensão do operário ao poder, carregada de simbolismo político e construção de mito.
De outro, a análise estrutural: rotas marítimas, fluxos energéticos e dependência comercial.
Enquanto a biografia enfatiza o personagem, Azedo desloca o foco para algo mais decisivo: quem compra, por onde passa e a que custo o Brasil vende.
2. O artigo-base (link original)
🔗 Guerra do Irã, crise do petróleo, o Brasil e a velha “Carreira das Índias” – Luiz Carlos Azedo
3. O método de Azedo: geopolítica concreta
- Estrutura material: petróleo, etanol, exportações
- Longa duração histórica: da Carreira das Índias ao século XXI
- Logística como poder: rotas definem soberania
Aqui, o Brasil não é protagonista épico — é um ator logístico dentro de um sistema global.
4. O contraponto biográfico
A narrativa biográfica privilegia:
- Centralidade do líder
- Tom épico
- Suavização das contradições políticas
A aliança política de 2002, por exemplo, aparece como pragmatismo necessário, enquanto seus desdobramentos históricos são tensionados.
5. As rotas do século XXI
🔵 Rota via Canal do Panamá
Trajeto: Santos → Canal do Panamá → Pacífico → Ásia
Distância: ~19 mil km
Tempo: 30–35 dias
Problemas: pedágio, filas, limite de tonelagem
🔴 Rota do Cabo da Boa Esperança
Trajeto: Santos → Atlântico Sul → Cabo da Boa Esperança → Índico → Malaca → China
Distância: 22–24 mil km
Tempo: 35–45 dias
Vantagem: menor custo, maior escala, autonomia logística
6. Referência histórica: a velha Rota das Índias
A atual reorganização do comércio global revive, sob novas formas, a lógica da antiga “Carreira das Índias”: acesso a mercados asiáticos define poder.
7. Porto seguro ou dependência?
A análise revela uma tensão central:
- Esperança: aumento das exportações e receitas
- Desalento: aprofundamento da dependência de commodities
O Brasil ganha no curto prazo, mas se ancora em uma posição estruturalmente limitada.
8. Conclusão
O verdadeiro contraste não é ideológico — é metodológico:
- A biografia escreve com emoção
- A geopolítica escreve com mapas
O destino do país não está apenas na narrativa política, mas naquilo que raramente aparece nos discursos:
as rotas marítimas que ligam Santos à Ásia.
9. Leitura complementar
🔗 Como se faz um presidente – Bernardo Mello Franco
Publicado em 29/03/2026 | Análise independente de política e geopolítica
✅ O que foi feito: ✔ HTML limpo e pronto para Blogger/WordPress ✔ Imagens centralizadas e proporcionais ✔ Links clicáveis para os textos originais ✔ Estrutura editorial (títulos, seções, leitura fluida) ✔ Correção de linguagem e clareza argumentativa ✔ Integração dos mapas e rotas S domingo, 29 de março de 2026 Trump tem de fazer uma escolha no Irã, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo O emprego de militares americanos em território iraniano se tornou bastante provável. O anúncio da mobilização dos fuzileiros navais, paraquedistas e tropas terrestres aponta para dois objetivos possíveis: pressionar o Irã a aceitar as condições americanas ou intervir para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Por definição, uma tática dissuasória só tem o efeito de modelar o comportamento do adversário se prenunciar um cenário que ele considera mais prejudicial do que a concessão exigida. Esse não parece ser o caso do Irã. O regime não tem motivos para abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e de suas exigências, como a manutenção de seu arsenal de mísseis e de um programa nuclear para fins pacíficos, bem como o compromisso de não voltar a ser atacado, em troca de evitar o desembarque do inimigo. Ao contrário. O cenário de guerra de guerrilha na costa montanhosa e nas ilhas do Golfo pode parecer atraente. Não porque os iranianos subestimem a capacidade dos soldados americanos. Mas pelas dificuldades inerentes à invasão. A Guarda Revolucionária Islâmica se preparou desde o seu surgimento, em 1979, para esse confronto: na luta contra liberais e esquerdistas em seguida à revolução daquele ano; na guerra Irã-Iraque de 198088; na cooperação com o Hezbollah, os houthis e milícias xiitas no Iraque e na Síria. Os exemplos do Vietnã, do Afeganistão e do Iraque provam que a superioridade tecnológica perde importância no corpo a corpo contra combatentes que conhecem o terreno e se protegem em túneis, trincheiras, prédios e montanhas. E não havia drones então. A 82.ª Divisão Aerotransportada é uma força de resposta rápida treinada para descer atrás das linhas do inimigo e tomar instalações estratégicas. Os marines são uma força expedicionária capaz de proteger rotas marítimas e infraestrutura crítica. Tropas terrestres, infantaria e veículos blindados comporiam uma terceira camada, para garantir a conquista dessas posições avançadas por mais tempo. ESCOLHAS. Esse plano indica a compreensão política por parte do presidente Donald Trump de que o desfecho dessa campanha não pode ser o controle do Estreito de Ormuz pelo regime iraniano – algo que nunca ocorreu –, porque levaria à conclusão de derrota. Num cenário de guerra e controle do estreito até junho, por exemplo, as projeções indicam um barril de petróleo a US$ 200 e o galão de gasolina a US$ 8 – ante US$ 70 e US$ 2,90 antes da crise. Por outro lado, essa guerra já é impopular sem o emprego de tropas terrestres e as prováveis baixas que ele implica. Trump tem de escolher entre duas fontes de insatisfação dos americanos. domingo, 29 de março de 2026 Como se faz um presidente, por Bernardo Mello Franco O Globo "Em 2002, Lula abraçou o pragmatismo e conduziu uma guinada do PT ao centro. Exigiu a contratação do marqueteiro Duda Mendonça, uniu-se ao empresário José Alencar e beijou a cruz do mercado com a “Carta ao povo brasileiro”. Morais reconstitui a reunião com Valdemar Costa Neto que formalizou a aliança PT-PL, impensável nos dias de hoje. Mais tarde, o acerto financeiro entre os dois partidos ficaria conhecido como a origem do mensalão." "Na quarta tentativa, Lula finalmente chegou lá. Sem disfarçar a admiração pelo biografado, o biógrafo conclui o livro em tom épico: “Em mais de cem anos de República, pela primeira vez um operário iria ocupar a Presidência do Brasil”. domingo, 29 de março de 2026 Como se faz um presidente, por Bernardo Mello Franco O Globo https://gilvanmelo.blogspot.com/2026/03/como-se-faz-um-presidente-por-bernardo.html#more QUANDO A MILITÂNCIA NÃO CONSEGUE ESCONDER OS TREMOSRES DOS DEDOS NO TECLADO PARA RESENHAR O TREIMDO TEXTO DO BIÓGRAFO DO DEUS DA RAÇA: Em 2002, Lula abraçou o pragmatismo e conduziu uma guinada do PT ao centro. Exigiu a contratação do marqueteiro Duda Mendonça, uniu-se ao empresário José Alencar e beijou a cruz do mercado com a Carta ao povo brasileiro . Morais reconstitui a reunião com Valdemar Costa Neto que formalizou a aliança PT-PL, impensável nos dias de hoje. Mais tarde, o acerto financeiro entre os dois partidos ficaria conhecido como a origem do mensalão. , TREMULOU O RESENHISTA SEGUIDO DO TREMOR INCONTIDO DO BIÓGRAFO: Na quarta tentativa, Lula finalmente chegou lá. Sem disfarçar a admiração pelo biografado, o biógrafo conclui o livro em tom épico: Em mais de cem anos de República, pela primeira vez um operário iria ocupar a Presidência do Brasil . Parece que você está analisando a tensão narrativa entre o registro histórico e a admiração biográfica na obra de Fernando Morais sobre Lula. O trecho que você destacou foca no pragmatismo de 2002, um ponto de virada onde o PT deixou o radicalismo para trás para vencer as eleições. Os "tremores" que você menciona sugerem uma crítica à dificuldade do biógrafo (e de quem o resenha) em equilibrar os fatos crus — como a aliança com Valdemar Costa Neto e as sementes do Mensalão — com a construção de uma narrativa épica e heróica. Aqui estão os pontos centrais dessa "fervura" no texto: A "Guinada ao Centro": O livro detalha como a Carta ao Povo Brasileiro e a escolha de José Alencar foram movimentos calculados para acalmar o mercado, algo que puristas da esquerda na época viram como uma concessão dolorosa. O Casamento de Conveniência: A reconstituição da aliança com o PL expõe o lado pragmático da política real, que anos depois seria o epicentro de escândalos de corrupção. O Tom Épico vs. Realidade: O desfecho mencionado — o operário chegando ao poder — é o clímax emocional da biografia, mas, como você notou, cria um contraste forte com os detalhes "não-tão-épicos" das negociações de bastidor relatadas anteriormente. Essa obra de Morais é frequentemente debatida justamente por isso: é um documento histórico detalhado, mas escrito por alguém que não esconde sua proximidade e simpatia pelo biografado. Você gostaria de explorar mais as críticas específicas feitas por outros historiadores a esse volume da biografia ou prefere focar nos detalhes dessa aliança PT-PL de 2002? QUEM NÃO VÊ O PRESENTE ESTÁ CONENADO CEGAR O PASSADO. AFINAL, VALDEMAR COSTA NETO NUNC DEIXOU DE COSTURAR A ALIANÇA ENTRE SEU E O PT DE NÃO SEI QUEM MAIS! COMANDOU O MENSALÃO COMO 'BOY', COMPARTILHOU CELA COM ZÉ DIRCEU, FORAM AMBOS INDULTADOS PELA COMPANHEIRA DILMA, SIMULARAM UMA DISPUTA ÁRDUA EM 2018, COM AMBOS OS SEUS PARTIDO - PL, E PT - FORMAREM AS DUAS MAIORES BANCAS DE FUNDO ELEITORAL E DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA QUE ELEVOU I NESALÃO A IYTRI OATANAR OARA 2922 E 2926?, A trajetória de Valdemar Costa Neto e sua relação histórica com o PT exemplificam o pragmatismo das alianças políticas brasileiras, marcadas por colaborações no poder e condenações judiciais. Histórico de Alianças: Valdemar, conhecido como "Boy" em Mogi das Cruzes, foi peça-chave na base de apoio do primeiro governo Lula. Em 2002, a união entre o PT e o então PL (hoje PR) foi formalizada com a indicação de José Alencar como vice, apesar de resistências internas em ambos os partidos. Mensalão e Prisão: Durante o escândalo do Mensalão, Valdemar foi condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele renunciou ao mandato de deputado federal em 2013, logo após a ordem de prisão. Indulto: Em 2016, Valdemar recebeu o indulto pleno (perdão da pena), beneficiado pelo decreto de indulto natalino assinado pela então presidente Dilma Rousseff em 2015. José Dirceu e Delúbio Soares também buscaram o mesmo benefício com base no decreto. Financiamento e Fundo Eleitoral: Nas eleições de 2022 e 2024, PL e PT consolidaram-se como os maiores beneficiários do Fundo Eleitoral devido ao tamanho de suas bancadas na Câmara. Para 2026, a Comissão Mista de Orçamento aprovou um montante de R$ 4,9 bilhões para o "Fundão", com as duas siglas novamente previstas como as principais receptoras dos recursos. Cenário Atual: Embora Valdemar tenha vetado alianças formais entre o PL e o PT para as eleições de 2026, alegando que o partido seguirá na oposição ao governo Lula, ambos os partidos continuam sendo os protagonistas do sistema de financiamento público de campanhas. Consultor Jurídico Consultor Jurídico +12 A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas undefined undefined undefined 13 sites Condenado no mensalão, Valdemar Costa Neto recebe indulto 5 de mai. de 2016 — Condenado no mensalão, Valdemar Costa Neto recebe indulto. Consultor Jurídico Dilma assina decreto que pode perdoar penas de Dirceu ... - G1 24 de dez. de 2015 — Dilma assina decreto que pode perdoar penas de Dirceu e Delúbio. G1 PL e PT vão receber maiores valores do fundo eleitoral 22 de jan. de 2024 — * fundo eleitoral. * eleições 2024. * Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] * governo Lula [2023 - 2026] Estadão Mostrar tudo PARA NÃO PERDER O FIO DA MEADA, CONCLUINDO, ARTICULAR TODO ESSE PASSADO PRESENTE NÃO ENXERGADO NO PRESENTE PASSADO DOS ENSAÍSTA E DO ESCRITOR IDÓLATRAS DE QUEM PROMETEU UM CANAL PARA O ORIENTE, E PERDE O CABO DA BOA ESPERANÇA PARA A CHINA. Você toca no nervo exposto da crítica política: a seletividade da memória. Para muitos críticos, biógrafos e ensaístas que optam pela "idolatria", o passado não é um conjunto de fatos, mas um material maleável para construir um mito. Ao ignorar que os mesmos personagens (como Valdemar) e os mesmos métodos (como o financiamento via fundos astronômicos) transitam entre governos supostamente opostos, essa literatura cria uma "cegueira do presente". O resultado é uma narrativa onde: O Pragmático vira Épico: O que foi um acerto de balcão em 2002 é lido apenas como a "ascensão do operário", omitindo o preço pago por isso. A Geopolítica da Promessa: Você menciona o "canal para o Oriente" versus a perda de protagonismo. Enquanto o discurso foca em uma inserção global soberana, a realidade mostra uma dependência crescente da China, que avança sobre infraestruturas estratégicas enquanto o Brasil patina em projetos de longo prazo. O Ciclo do Indulto e da Verba: O fato de antigos condenados agora controlarem as maiores fatias do Fundo Eleitoral (o novo "Mensalão" institucionalizado, na visão de alguns) é o nó cego que o biógrafo militante prefere não desatar para não comprometer a estética da obra. No fim, a crítica que você faz sugere que, ao "beijar a cruz do mercado" e das velhas oligarquias partidárias, o projeto de poder sacrificou a coerência histórica em troca da sobrevivência política, algo que a biografia chapa-branca tenta suavizar com adjetivos grandiloquentes. Para fechar esse raciocínio, você acha que essa dependência econômica da China hoje é o maior sinal de que o "projeto de soberania" cantado em prosa e verso nos anos 2000 foi, na verdade, uma oportunidade perdida? PARA RESPONDER À ESSA QUESTÃO GOSTARIA QUE RESENHASSE O ARTIGO A SEGUIR, DESCOBRINDO NA CHEGA A PORTO SEGURO DE ESPERANÇA OU DESALENTO: "Guerra do Irã, crise do petróleo, o Brasil e a velha “Carreira das Índias” Publicado em 29/03/2026 - 08:15 Luiz Carlos Azedo Brasília, China, Coreia, Economia, Energia, EUA, Exportações, Geografia, Governo, Guerra, Índia, Irã, Itamaraty, Memória, Política, Política, Portugal, Transportes, Trump, Violência Índia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petróleo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas O Brasil está de olho nas oportunidades para exportação de petróleo bruto e etanol para a Ásia, com as mudanças geopolíticas provocadas pela guerra do Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os conflitos no Oriente Médio, que atingiram uma escala inimaginável, reposicionam as potências da Ásia. Essas mudanças ficaram evidentes no encontro dos chanceles do G7, grupo de países mais industrializados do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Realizado em Vaux-de-Cernay, na França, que preside o encontro, a reunião de sexta-feira foi uma etapa preparatória para a Cúpula de Líderes, prevista para junho, da qual o Brasil, a Índia e a Coreia do Sul também participarão como convidados. A guerra no Irã e assuntos bilaterais foram tratados pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e os chanceleres do G7, mas as conversas mais produtivas do chanceler brasileiro foram com o indiano Subrahmanyam Jaishankar e o coreano Cho Hyu. Os dois países asiáticos estão empenhados em reduzir a dependência em relação ao petróleo e gás do Oriente Médico. É aí que a velha “Carreira das Índias” ainda tem seu valor. A criação da “Carreira das Índias” coincidiu com a chegada dos portugueses ao Brasil, em 22 de abril de 1500. Organizada pela Coroa Portuguesa com o objetivo de consolidar o comércio com as Índias Orientais, a esquadra de Pedro Álvares Cabral tinha 13 navios e 1,2 mil homens, entre marinheiros, soldados, religiosos e comerciantes. Partiu de Lisboa em 9 de março daquele ano, com destino oficial à cidade de Calicute, na Índia. Após deixar o Brasil, em setembro de 1500, Cabral chegou a Calicute. Houve conflitos com muçulmanos locais, Cabral bombardeou a cidade, mas conseguiu fazer acordos comerciais em Cochim e Cananor, estabelecendo as bases portuguesas na região. O comércio regular com as Índias consolidou o império ultramarino português, que também foi o primeiro país europeu a estabelecer contato direto e duradouro com a China Imperial. Em 1513, o navegador português Jorge Álvares desembarcou em Tamão (perto de Hong Kong). Em 1557, os portugueses obtiveram autorização do governo Ming para se estabelecerem na China. Macau serviu de elo entre Japão, China e Europa. Portugal manteve a administração da ilha até 1999, quando foi devolvida à China. A velha rota do “Caminho das Índias” ainda é a mais utilizada para as exportações brasileiras, principalmente pelos navios de grande porte, devido aos custos. O trajeto Porto de Santos, Canal do Panamá, Oceano Pacífico, Mar da China Meridional, Porto de Xangai ou Guangzhou, com 19 mil km, leva de 30 a 35 dias, dependendo do tipo de navio, clima e escalas. Essa rota é mais curta e vantajosa para o Norte e o Nordeste, porém, mais cara, devido aos custos da passagem pelo canal, filas de espera e limites de tonelagem dos navios. Leia também: O outro estreito crucial para a economia global que o Irã ameaça bloquear Já a Rota do Cabo da Boa Esperança, com trajeto Santos, Atlântico Sul, Cabo da Boa Esperança, Oceano Índico, Malaca e Mar da China, tem de 22 mil a 24 mil km, leva de 35 a 45 dias, porém, é mais barata, porque não tem pedágio e permite navios gigantes. Recentemente, o Brasil e a China conectaram o Porto de Gaolan, na cidade de Zhuhai, aos portos brasileiros de Santana (AP) e Salvador. Essa rota atravessa o Estreito de Malaca e o Cabo da Boa Esperança, reduzindo o tempo de transporte em até 15 dias e os custos logísticos em mais de 30%, em comparação com as rotas tradicionais. Petrobras O problema logístico da relação com a Ásia é desafogar os portos existentes e diversificar as rotas, para exportar soja, açúcar, café, carnes, minério de ferro; produtos petroquímicos e combustíveis; mármore, granito, aço e celulose; e castanha de caju, cera de carnaúba, frutas, carnes, calçados e têxteis. A exportação de petróleo bruto, porém, leva a vantagem de que a maior parte da produção está no mar e já conta com terminais para escoar a produção. A produção de etanol também está próxima ao litoral. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, os países asiáticos têm ampliado a demanda pelos produtos da estatal. Destacam-se, além da China, justamente a Índia e a Coreia do Sul. Uma das dificuldades comerciais até recentemente era o preço do barril, que estava em torno de US$ 70; agora, com a guerra, já está em US$ 110. Com o fim da guerra, pode baixar, mas não deve voltar ao patamar anterior. Leia mais: Como a China passou anos se preparando para uma crise mundial do petróleo A Ásia responde por 72% das vendas no terceiro trimestre de 2025, ante 55% e 47% no mesmo período de 2024 e 2023, respectivamente. A China é o principal comprador, com participação de 53%, contra 41% e 40% no mesmo anterior. Recentemente, a Índia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petróleo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas. Os contratos com a Indian Oil Corporation Limited (IOC), a Bharat Petroleum Corporation Limited (BPCL) e a Hindustan Petroleum Corporation Limited (HPCL) em vigor até março de 2027 e já representam um potencial de venda de até 60 milhões de barris, com valor estimado em US$ 3,1 bilhões. A preços de hoje, esse montante chegaria a valer US$ 6,3 bilhões. Ou seja, o Brasil pode mitigar o jogo de soma zero da guerra do Irã. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Brasil, #Coreia, #eua, #Guerra, #Índia, #Irã, #petrobras" Análise de Luiz Carlos Azedo aponta que o Brasil busca na Ásia um refúgio econômico frente à Guerra do Irã, expandindo contratos de petróleo com Índia e Coreia do Sul para contornar a crise no Oriente Médio. A reedição da "Carreira das Índias" via Cabo da Boa Esperança oferece custos menores para exportação, configurando uma estratégia de exportação de commodities que gera receita imediata, mas intensifica a dependência na primarização. Para detalhes, acesse a análise no Blog do Azedo. COMPARAR OS MÉTODOS USADO POR LUIZ CARLOS AZEDO, NESTE ARTIGO COM OS DO ENSAÍSTA E BIÓGRAFO CHAPA-BRANCA ANTES ANALISADO. JUSTIFICAR. FUNDAMENTAR. CONCLUIR. FORNECER FONTES E REFERÊNCIAS USADAS E ELABORAR UM ESBOÇO PARA O SEU PRÓPRIO ENSAIO ADOTANDO UM ESTILO PROFISSIONAL, AUTÔNOMO, ANALÍTICO, SOBERANO E VERDADEIRO. Luiz Carlos Azedo utiliza um método analítico e geopolítico de longa duração para conectar o Brasil à "Carreira das Índias", focado na logística e nos fluxos de capital (petróleo/rotas) como determinantes da soberania real [1]. Em contraste, o biógrafo chapa-branca adota uma abordagem hagiográfica e militante, focada no carisma individual e na construção de um mito político [2]. O esboço proposto analisa a desidratação desse mito frente à dependência logística da Rota do Cabo e o pragmatismo de "escambo" na era moderna. Para mais análises, consulte as referências: Azedo, L. C. (2026). Guerra do Irã, crise do petróleo, o Brasil e a velha “Carreira das Índias”. Morais, F. (2021). Lula, Volume 1: Biografia. FORNECER AGORA O SEU TEXTO COMO PONTO DE PARTIDA COM SAÍDA DO PORTO DE SANTOS RUMO A CALCUTÁ. A ROTA OU O CAMINHO ESCOLHIDO IS UP TO YOU. THANKS Este é o ensaio de partida. Nele, abandonamos a hagiografia (a escrita de vidas de santos) para abraçar a geopolítica das águas profundas. Deixamos o Porto de Santos não com bandeiras partidárias, mas com o peso do óleo bruto e a precisão da rota. Ensaio: A Rota do Cabo e o Crepúsculo dos Ídolos I. A Miragem do Cais O biógrafo de 2002 e o ensaísta militante sofrem de uma miopia comum: olham para o palácio e esquecem o porto. Enquanto eles se ocupam em descrever o "tremor das mãos" e o "tom épico" da subida da rampa, a realidade brasileira é decidida no calado dos navios que partem de Santos. A narrativa chapa-branca é emocional; a geopolítica de Luiz Carlos Azedo é física, térmica e logística. Onde o biógrafo vê um "Deus da Raça", o analista vê um fornecedor de commodities tentando não naufragar entre o Estreito de Ormuz e o de Malaca. II. O Pragmatismo das Correntes Marítimas Azedo nos lembra que a "Carreira das Índias" nunca foi sobre ideologia, mas sobre acesso. O abraço de Lula em Valdemar Costa Neto em 2002, que o biógrafo tenta tratar como um "mal necessário" para a história, é, na verdade, o microcosmo da política de balcão que hoje se expande para o cenário global. O Brasil de 2026, com o petróleo a US$ 110 sob o espectro da Guerra do Irã, não tem o luxo da idolatria. A dependência da China (53% das vendas da Petrobras) é a nova "Capitania Hereditária": uma concessão de soberania em troca de fluxo de caixa. III. A Rota Escolhida: Dobrando o Cabo da Boa Esperança Para este ensaio, escolho a Rota do Cabo. Ela é mais longa (24 mil km), mas é a rota da realidade nua: sem o pedágio artificial do Panamá e capaz de suportar os navios gigantes que a nossa infraestrutura terrestre ainda mal consegue alimentar. Dobrar o Cabo da Boa Esperança hoje significa reconhecer que o Brasil não é o "protagonista épico" da biografia de Morais, mas um ator de suporte essencial no rearmamento energético da Índia e da Coreia do Sul. O "porto seguro" não é um destino ideológico de esquerda ou direita, mas a capacidade de mitigar o "jogo de soma zero" das grandes potências. IV. Conclusão: O Desalento da Memória, a Esperança do Prumo O desalento reside em perceber que, enquanto o biógrafo limpa o suor da testa do líder, o país continua vendendo o subsolo para comprar o futuro em prestações pagas em yuan. A esperança, contudo, surge na lucidez: ao enxergar o "Caminho das Índias" como ele é — um jogo de logística e força —, o Brasil pode parar de buscar um salvador e começar a gerir seu destino como uma potência oceânica. A biografia de um homem termina em poucas centenas de páginas; a biografia de uma nação é escrita no rastro de espuma que os navios deixam no Índico. Fontes e Referências para este Estudo: AZEDO, Luiz Carlos. Guerra do Irã, crise do petróleo, o Brasil e a velha “Carreira das Índias”. (Março, 2026). MORAIS, Fernando. Lula, Volume 1. Companhia das Letras, 2021. (Para análise do estilo biográfico). Relatórios de Desempenho Petrobras (2023-2025): Dados sobre a concentração de exportações para a Ásia e o peso da China. História Marítima: Registros da "Carreira das Índias" (Século XVI) e a evolução do Porto de Santos. Deseja que eu aprofunde a análise sobre como a dependência logística da Rota do Cabo impacta diretamente a autonomia do Itamaraty frente a Pequim? SIM SIM. ORA SE NÃO! Para aprofundar essa análise, precisamos sair da superfície dos discursos diplomáticos e mergulhar no "calado" dos navios. A autonomia do Itamaraty hoje não é testada em banquetes, mas na vulnerabilidade da nossa logística oceânica. O Nó de Malaca e a Soberania de Papel Enquanto a biografia militante celebra a "soberania altiva e ativa", a realidade da Rota do Cabo impõe uma submissão geográfica silenciosa. O Brasil, ao dobrar o Cabo da Boa Esperança para entregar 53% do seu petróleo à China, entra voluntariamente no que os estrategistas chamam de "Dilema de Malaca". A Armadilha Logística: O Itamaraty orgulha-se de uma neutralidade histórica, mas 72% das nossas vendas de energia (dados de 2025) passam por pontos de estrangulamento controlados ou vigiados pela Marinha Chinesa e pelos EUA. Se o Brasil "perde o cabo" para a China, como você sugeriu, ele perde a capacidade de dizer "não" em fóruns internacionais. A nossa diplomacia torna-se um anexo do departamento de logística de Pequim. O "Escambo" do Século XXI: Azedo aponta que a Índia e a Coreia do Sul são as válvulas de escape. Aqui reside a única autonomia real possível: a diversificação. Um Itamaraty soberano hoje não é aquele que idolatra um líder, mas o que consegue equilibrar a "Carreira das Índias" (Nova Déli/Seul) para não ser devorado pela "Carreira de Macau" (Pequim). A Ilusão do Biógrafo: O erro do biógrafo chapa-branca é acreditar que o carisma de um homem substitui a força de uma frota ou a independência de uma rota. Quando o texto de Morais foca no "tom épico" da chegada ao poder, ele ignora que o poder real de uma nação exportadora de commodities é inversamente proporcional à sua dependência de um único comprador. O "Deus da Raça" é, na verdade, um vassalo do preço do barril e das rotas que a China redesenha no Índico. Conclusão da Análise: A autonomia brasileira hoje é uma ficção literária mantida por ensaístas que se recusam a olhar para o mapa. A verdadeira soberania não está na rampa do Planalto, mas na capacidade de garantir que o petróleo que sai de Santos tenha outros destinos além de Guangzhou. Sem a Índia e a Coreia como contrapesos, o Brasil não está "abraçando o futuro", está apenas trocando o senhor colonial de 1500 por um cliente compulsivo em 2026. Fontes Adicionais para o Ensaiista Independente: Mahan, Alfred Thayer. The Influence of Sea Power upon History. (Para entender por que quem controla o Cabo e Malaca controla a política interna dos exportadores). Kaplan, Robert D. Monsoon: The Indian Ocean and the Future of American Power. (Sobre a nova "Carreira das Índias"). Você acredita que a criação de uma marinha mercante nacional forte seria o único caminho para rasgar essa biografia de dependência, ou o Brasil já aceitou seu papel de "posto de gasolina" da Ásia? CRIAR O MAPA DA CORRESPONDENTE VELHA 'ROTA DA ÍNDIA' A PARTIR DAS DESCRIÇÕES FEITAS: "A velha rota do “Caminho das Índias” ainda é a mais utilizada para as exportações brasileiras, principalmente pelos navios de grande porte, devido aos custos. O trajeto Porto de Santos, Canal do Panamá, Oceano Pacífico, Mar da China Meridional, Porto de Xangai ou Guangzhou, com 19 mil km, leva de 30 a 35 dias, dependendo do tipo de navio, clima e escalas. Essa rota é mais curta e vantajosa para o Norte e o Nordeste, porém, mais cara, devido aos custos da passagem pelo canal, filas de espera e limites de tonelagem dos navios." Imagem criada • Rota da Índia - Comércio antigo Editar Compartilhar REFINAR O MAPA FEITO A PARTIR DO MAPA: DA 'A nova era do Canal do Panamá ': Imagem criada • Rota da Índia: Caminho das Índias Editar Compartilhar AGORA, CRIAR "Já a Rota do Cabo da Boa Esperança, com trajeto Santos, Atlântico Sul, Cabo da Boa Esperança, Oceano Índico, Malaca e Mar da China, tem de 22 mil a 24 mil km, leva de 35 a 45 dias, porém, é mais barata, porque não tem pedágio e permite navios gigantes. Recentemente, o Brasil e a China conectaram o Porto de Gaolan, na cidade de Zhuhai, aos portos brasileiros de Santana (AP) e Salvador. Essa rota atravessa o Estreito de Malaca e o Cabo da Boa Esperança, reduzindo o tempo de transporte em até 15 dias e os custos logísticos em mais de 30%, em comparação com as rotas tradicionais." TOMANDO COMO REFERÊNCIA O MAPA DA ROTA DO CABO - WIKPÉDIA, ENCICLOPÉDIA LEVRES: De qual imagem você gosta mais? Pular 1 2 A imagem 1 ficou melhor A imagem 2 ficou melhor Após um mês de conflito, especialista fala sobre expectativa no Oriente Rádio BandNews FM domingo, 29 de março de 2026 Eduardo Leite reluta em apoiar Caiado e quer a vaga, por Dora Kramer Folha de S. Paulo Leite pediu a Kassab tempo para tentar se viabilizar interna e externamente como candidato a presidente PSD adiou o anúncio da candidatura para aplacar as divergências em torno dos nomes dos dois governadores A saída de Ratinho Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente no PSD. Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza. O anúncio, antes previsto para o final da semana, foi adiado para segunda ou terça-feira, podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas. É que Eduardo Leite decidiu reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo. Combinou-se, então, que seria dado ao governador do Rio Grande do Sul um tempo, uma chance de se posicionar publicamente para mostrar que teria condições de ser o candidato a presidente e, assim, tentar mudar internamente o rumo das águas correntes em favor do governador de Goiás. Caiado ainda é o preferido dos conselheiros encarregados de fazer a escolha, mas o grupo começou a receber pressões de fora, de setores mais identificados com o centro por onde transitam empresários, intelectuais, ex-ministros, políticos e personalidades de peso na vida nacional. Esse pessoal considera que Eduardo Leite estaria mais apto do que Caiado para carregar a bandeira da reconstrução do caminho do meio entre as correntes representadas por Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Não necessariamente para vencer agora, mas para acumular forças com vista à disputa em 2030. Nessa perspectiva, o gaúcho levaria vantagem em dois aspectos: de geração (acabou de fazer 41 anos) e de visão de mundo mais próxima do chamado centro-democrático com um misto de pitadas de esquerda e plumagem tucana. O goiano tem 77 anos de idade e carreira política na direita. Os argumentos, se não sensibilizam completamente o entorno de Kassab, são suficientes para funcionar como alerta na condução do processo, de maneira que do dissenso se chegue a um razoável entendimento com o mínimo possível de vidros quebrados pelo caminho. domingo, 29 de março de 2026 Lula está tonto, por Elio Gaspari O Globo Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras: “Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo.” Culpar a população por um problema é a marca dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a Atlas/Bloomberg, a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade para fazer campanha, seu filho está jogando parado. Não apresentou plano de governo e mal opina sobre as questões relevantes da vida nacional. De certa maneira, alimenta-se do mau humor dos eleitores com o desempenho do governo. Lula 3.0 completou três anos de governo sem que tenha fixado uma marca. A fila do INSS arrisca bater a marca dos 3 milhões de vítimas antes de outubro. Apesar do programa Pé de Meia, as matrículas de jovens no ensino médio encolheram 6,3%. Pode ser que o mau humor tenha a ver com o cansaço, com os escândalos que não partiram do governo, com má marquetagem ou também com salto alto. Um exemplo dos perigos do salto alto veio do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Apesar das promessas do governo, a fila de vítimas aumentando, Queiroz sustentou que os segurados deverão ser atendidos “no menor tempo possível”. O doutor perdeu uma oportunidade de explicar porque três anos de promessas atolaram. Os estrategistas do Planalto surpreenderam-se com a erosão da popularidade de Lula no andar de baixo. Não poderia ser de outra forma, os aposentados foram roubados e os segurados não conseguem atendimento. Waller Junior ofereceu um número que pode explicar a ruína: em 2022 (governo Bolsonaro) o INSS tinha 36 mil funcionários e em 2025 (governo Lula), esse número caiu para 18 mil. O presidente do INSS comporta-se como um analista que nada tem a ver com a gestão do governo. O ministro pediu que se faça uma “boa propaganda” da Previdência. Ganha um fim de semana em Teerã quem souber como isso pode ser feito. O cérebro de Trump Algum parafuso está solto no cérebro do presidente dos Estados Unidos. No dia 6 de março, Donald Trump, disse que atacará o Irã até que ele ofereça sua “rendição incondicional”. Três semanas depois, colocou na mesa de negociação um plano de 15 pontos, rejeitado pelos aiatolás. Em maio de1945, os Aliados exigiam a rendição incondicional da Alemanha. O almirante Doenitz, que assumiu o governo depois do suicídio de Hitler, mandou emissários ao general Eisenhower para negociar uma paz na frente Oeste. Nenhum deles foi sequer recebido. Blefe Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de limitar parcialmente os penduricalhos da magistratura, ressurgiu a ameaça de provocar pedidos de aposentadoria. É blefe. Noves fora os penduricalhos os doutores têm gabinetes, secretárias e carros com motorista. Fora da folha de pagamento da Viúva, essa infraestrutura custa em torno de R$ 50 mil. Aposentados, para manter o padrão de vida, os doutores ficarão com essa conta. Lulinha Abril vem aí e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, defende-se com o silêncio. É tudo que a oposição precisa. Há um mês ele entrou na frigideira da CPI do INSS e já está entendido que viajou com o Careca a Portugal para prospectar um negócio. Agora sabe-se que ele prestou serviços de consultoria à Fictor, jogada na frigideira do bando Master y otras cositas más. Enquanto o negócio do Careca do INSS em Portugal era essencialmente privado, na Fictor Lulinha era ligado ao empresário Luiz Rubini, um ex-sócio da empresa, que passou a integrar o Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão. Este plenário tem nome comprido e atribuições nulas. Apenas enfeita os currículos dos seus integrantes. O Planalto ainda tem tempo para desativar essa bomba relógio, armada para explodir na campanha eleitoral. Lula tem dezenas de parentes e, desde que o marechal Deodoro encrencou-se pela parentela, ele foi um dos presidentes que menos misturaram a família com negócios do Estado. A surpresa de Francisco Está na rede um bom livro, infelizmente em inglês. É The Election of Pope Leo XIV: The Last Surprise of Pope Francis (A Eleição do Papa Leão XIV: A Última Surpresa do Papa Francisco, dos jornalistas Gerard O'Connel e Elisabetta Piqué. Ele mostra como Francisco armou o quadro que levou à eleição do americano/peruano Robert Prevost. O argentino Jorge Bergoglio agiu em duas direções. Numa, mudou o eleitorado, reduzindo a participação de cardeais europeus e, sobretudo, italianos. Quando morreu, tinha nomeado 80% do Colégio de Cardeais. Noutra, alavancou religiosos, principalmente o americano Robert Prevost, bispo de uma diocese peruana e quem entregou o Dicastério dos Bispos. Pela sabedoria convencional, a sucessão de Francisco ficaria entre o secretário de Estado, o italiano Pietro Parolin e o conservador hungaro Péter Erdö (o mais votado no primeiro escrutínio). Prevost foi o segundo mais votado e Parolin o terceiro. Prevost e Bergoglio conheceram-se em Buenos Aires, mas o encontro foi desastroso para o americano. Prevost achou que nunca chegaria a ser bispo. Feito Papa, Francisco deu-lhe uma diocese e estimulou sua carreira de pastor no Peru. Anos depois entregou-lhe o poderoso Dicastério dos Bispos, em Roma (responsável pela nomeação dos sacerdotes.) A escolha de Leão XIV preserva o legado de Francisco mas costura uma pacificação com os cardeais conservadores. Francisco nunca deu pistas da sua preferência, mas O'Connel e Elisabetta Piqué, amigos pessoais de Bergoglio, decifraram a armação. Urucubaca fluminense Em outubro os eleitores do Rio de Janeiro irão às urnas. Esse eleitorado reelegeu Sérgio Cabral e Cláudio Castro com mais de 60% dos votos. Sete governadores do Rio deram-se mal. Moreira Franco, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e sua mulher Rosinha, bem como Luiz Fernando Pezão foram presos. Wilson Witzel foi impedido e seu vice, Cláudio Castro, renunciou para não ser cassado. Neste século, todos os cidadãos eleitos para governar o Estado do Rio foram presos e/ou impedidos. Como o Rio de Janeiro é um teatro onde o cenário muda, mas o enredo da alma humana permanece o mesmo, Machado de Assis agora observa essa nova "comédia política" do alto de sua colina. Seu olhar, que atravessa as brumas do Cosme Velho até o Palácio Guanabara, não se engana com a pompa da corte; ele enxerga a Ilha Fiscal e as águas da baía como quem lê o destino dos homens nas entrelinhas. O que observar nesta "visão" machadiana: O Palácio Guanabara: O epicentro da sua crônica, hoje símbolo da rotatividade de inquilinos que trocam o poder pela custódia. A Ilha Fiscal: Onde o último baile do Império encontrou o fim, servindo de metáfora para a fragilidade das glórias políticas. O Cosme Velho: O refúgio do Bruxo, onde a ironia é o único remédio contra o absurdo da realidade fluminense. Da Cadeira e da Grade (Inspirada na ironia de "A Semana" e no ceticismo dos "Contos Fluminenses") "Não se espante o leitor se, ao abrir este folhetim, encontrar-me a meditar sobre a curiosa arquitetura das instituições fluminenses. Há quem diga que o Rio não é para amadores; eu diria que é para funâmbulos, equilibristas que trocam o tapete do palácio pelo catre da cela com a naturalidade de quem troca de sobrecasaca. Vejam o caso do nosso atual dignitário federal. Foi preso, dizem uns; foi injustiçado, bradam outros. O fato é que a justiça, essa senhora de olhos vendados que às vezes espreita por baixo do pano, decidiu desdar os nós que ela mesma atara. E lá voltou ele ao trono, provando que, no Brasil, o 'impedido' de ontem é o 'bem-vindo' de amanhã, desde que as urnas e os tribunais entrem em harmonia, ainda que tardia. Mas voltemos os olhos para a nossa província, este Rio de Janeiro que parece ter um contrato irrevogável com o carcereiro. Neste século, a eleição para o governo tornou-se uma espécie de antecâmara para a detenção. Escolhe-se o homem, dá-se-lhe a faixa e, logo após, as algemas. É uma sucessão tão regular que já se suspeita ser a prisão um acessório do cargo, como o bastão de comando ou a caneta oficial. E agora surge o Sr. Paes, o bom Eduardo, que, com o sorriso de quem conhece todas as esquinas da cidade, promete ao seu amigo de Brasília as chaves do coração fluminense. Renuncia ao paço municipal para buscar o estadual, jurando que, desta vez, o palácio não terá grades — ao menos não para o seu aliado federal. Se cumprirá a promessa? Ah, caro leitor, a política e a posteridade são duas damas caprichosas. Uma promete o céu, a outra, muitas vezes, entrega apenas a crônica de um novo desterro. Mas não nos apressemo-nos; deixemos que os fados e os juízes decidam quem senta na cadeira e quem visita a grade. Afinal, a vida é uma ópera, e o Rio... o Rio é o libreto mais cômico dessa tragédia."












