Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 10 de julho de 2026
"Essa era a imagem que passava na cabeça dele.
O enredo não era bom."Hermínio Bello de Carvalho
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Música, Memória e Reflexões
Produção acadêmica que resgata a trajetória de um dos maiores nomes do samba brasileiro.
📌 Reflexão
A cultura brasileira é construída por histórias, músicas e vivências que atravessam gerações. Ao revisitar esses conteúdos, ampliamos nossa compreensão sobre identidade, memória e expressão artística.
📺 Conteúdo adicional
https://www.facebook.com/share/v/193w1spHT4/
https://www.facebook.com/reel/2214946869298371
João Bosco - Papel Machê (Ao Vivo)Papel MachêJoão Bosco
Cores do mar, festa do Sol
Vida é fazer
Todo sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de papel machê
Cores do mar, festa do Sol
Vida é fazer
Todo sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de papel machê
Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de papel machê
Dormir no seu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de papel machê
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiuh luh, lon!
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiô luh, lon!
Ai, ai, ai, ai, ai!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê lê lê lê
Lon lon lon lon, ah!
Iê lê lê laiô luh, lon!
Composição: João Bosco, Capinan.Reencontro emocionado de Cartola com seu pai após 40 anos sem se falar...
Cartola atende ao pedido do seu velho...
e que pedido!!!
Trecho do documentário “Cartola, música para os olhos”Cartola e seu Pai - O Mundo é um MoinhoCartola - Documentárioaudiovisualufop
3 de fev. de 2014
Esta obra audiovisual foi realizada, a partir de arquivos, pelos alunos de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na disciplina de Documentário ministrada pelo professor Adriano Medeiros, durante o curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). 2º semestre 2013
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Transcrição
A volta de Cartola para morar com seu pai após a falência e fechamento do Bar ZiCartola em 1965 foi um dos momentos mais duros de sua vida. Esse período de adversidade na biografia do sambista está documentado em detalhes e é possível entender o peso que essa situação teve para ele.O Fechamento do ZiCartola e o RetornoO famoso restaurante e casa de samba no Rio de Janeiro abriu em 1963 e rapidamente se tornou um grande ponto de encontro de músicos e intelectuais. No entanto, devido à má administração, o Bar ZiCartola faliu e encerrou suas atividades em maio de 1965.Sem dinheiro e sem onde ficar, Cartola e sua esposa, a sambista Dona Zica, foram despejados do sobrado onde o estabelecimento funcionava. A dura realidade os obrigou a voltar para a casa do pai de Cartola, com quem ele estava sem contato próximo e tinha um histórico de conflitos desde a juventude.A ReconstruçãoEmbora o retorno tenha sido um choque por representar um recuo em sua trajetória de independência, essa fase também trouxe reconciliação. O pai de Cartola o havia expulsado de casa décadas antes, mas durante esse período morando juntos, eles conseguiram resolver mágoas antigas.Dona Zica continuou ao lado do marido mesmo com todas as dificuldades e o declínio na carreira nessa época. Anos depois, o sambista conseguiu dar a volta por cima, voltando a brilhar nos palcos nos anos 70.
✍️ Opinião | O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é
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sexta-feira, 10 de julho de 2026
Os Bolsonaro, como os peixes, morrem pela boca, por Dora KramerFolha de S. PauloJair & filhos acabam prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que fazem e falam
Michelle, ao contrário, pensa no que diz, tem roteiro, frieza e, sobretudo, visão estratégica
Característica marcante em Jair Bolsonaro & filhos é a incapacidade de prever o efeito de seus atos. Acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. São como peixes: morrem pela boca.
O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão Eduardo batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".
É um fardo que Flávio Bolsonaro (PL) carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.
Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do senador em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme "Dark Horse".
Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Eduardo tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?
A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis.
Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.
Em contraponto, a madrasta Michelle —Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção— como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.
Íntegra: veja o discurso de Flávio Bolsonaro em conferência do CPAC nos EUAMetrópoles
28 de mar. de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou neste sábado (28/3) da CPAC, conferência que reúne líderes conservadores, em Dallas, no Texas. Em seu discurso, Flávio fez apelo para que os Estados Unidos façam “pressão diplomática” sobre as eleições no Brasil."Do you know why I'm doing this video?
Because I'm showing tou you"
and I'm going to prove ( com falsete da voz na prónúncia desse prove)
Porque estou mostrando ao meu pai
e eu vou provar para todo mundo no Brasil.
Davos: Bolsonaro diz a Al Gore que 'gostaria muito' de ter EUA como parceiro na AmazôniaUOL
24 de ago. de 2020
Em cena do filme “O Fórum”, do alemão Marcus Vetter, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz a Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, que 'gostaria muito' de explorar os recursos da Amazônia com os EUA. Em resposta, o norte-americano disse não entender o que ele quis dizer.
O caso ocorreu durante a Sessão Plenária do Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos, na Suíça.
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Flávio Bolsonaro discursa no USTR contra tarifas | TEMPO REALJovem Pan News
7 de jul. de 2026 #JovemPan #TempoReal
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), discursou nesta terça-feira (07) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, contra um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros pelo governo americano. Flávio pediu que a tarifa não fosse aplicada, dizendo que a medida favoreceria uma possível reeleição de Lula (PT).
Confira o Tempo Real na íntegra em: • TEMPO REAL - 07/07/2026 Discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA será contra o tarifaço: 'Vai tentar culpar Lula'UOL
7 de jul. de 2026 #FlávioBolsonaro #Notícias #canaluol
Flávio Bolsonaro participa de audiências em Washington para tentar reverter a proposta de tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo apuração de Amanda Klein, o senador deve atribuir a retaliação comercial à postura diplomática de Lula.
Flávio Bolsonaro sobre tarifa dos EUA: "Pior momento possível" | CNN 360°CNN Brasil
7 de jul. de 2026 #CNNBrasil
Nos Estados Unidos, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) voltou a falar sobre o impacto das tarifas extras de 25% sobre produtos brasileiros nesta terça-feira (7), durante audiência pública em Washington (EUA). #CNNBrasil
O discurso do senador Flávio Bolsonaro no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) durou cerca de 5 minutos, focando mais em argumentos políticos do que técnicos. Ele defendeu o cancelamento ou adiamento das tarifas de 25% impostas a produtos brasileiros, argumentando que o momento era o pior possível e que a medida acabaria beneficiando eleitoralmente o presidente Lula.Pontos Principais da ArgumentaçãoOportunidade Política: O senador argumentou que impor sanções antes do pleito brasileiro daria um palanque de vitimização política para Lula, que classificaria a medida como interferência estrangeira.Defesa do Pix: Um dos principais alvos da investigação dos EUA, o Pix foi defendido por Flávio, que afirmou tratar-se de uma solução de inclusão financeira que não compete com instituições americanas de pagamento e beneficia empresas de cartões dos EUA.Aliança EUA-Brasil: Ele criticou a condução das negociações pelo atual governo brasileiro e sugeriu a possibilidade de buscar acordos bilaterais de comércio, citando a Argentina de Javier Milei como exemplo de país que conseguiu isenções.Repercussão do DiscursoA participação do parlamentar causou forte divergência política. Enquanto aliados apontaram a ação como um esforço para proteger a economia e os empresários nacionais frente à inércia do governo, o governo brasileiro e o Partido Liberal (PT) repudiaram a iniciativa. O governo Lula classificou a postura do senador como oportunista e prejudicial, enviando apenas observadores à audiência, e a cúpula do PT chegou a classificar o ato como desfavorável à soberania nacional.Para verificar mais detalhes sobre a declaração oficial e o teor da manifestação, acesse a cobertura completa feita pela BBC News Brasil e pela CNN Brasil.9 sitesGoverno Lula avalia fala de Flávio Bolsonaro nos EUA ...7 de jul. de 2026 — bom e em Brasília como o governo Lula avalia a participação de Flávio Bolsonaro nessa audiência sobre o tarifáço a gente recebe po...8:37YouTube·Jovem Pan NewsFlávio Bolsonaro discursa por 5 minutos em audiência ... - BBC7 de jul. de 2026 — * Notícias. * Assista. * Ouça. ... * Notícias. * Eleições 2026. * Copa do Mundo 2026. * Brasil. * Internacional. * Economia. * Saú...BBCContradições de Flávio Bolsonaro sobre tarifaço ficam ...7 de jul. de 2026 — * Notícias. Todas as notícias. * Diretrizes do PT. Geral. * Conheça o PT. Nossa História. * Comunidade. Área PT. ... Contradições ...Partido dos TrabalhadoresMostrar tudo VídeosFlávio Bolsonaro sobre tarifa dos EUA: "Pior momento ...YouTube · CNN Brasil2 dias atrás6:18Flávio Bolsonaro discursa no USTR contra tarifas | TEMPO ...YouTube · Jovem Pan News2 dias atrás10:41🚨 See How Flávio's Speech in the US Against the Tariff Hike ...YouTube · André Marsiglia2 dias atrás4:23Governo repudia fala de Flávio Bolsonaro sobre tarifas nos ...YouTube · CNN Brasil2 dias atrás
Brian Winter@BrazilBrianTrump Is Remaking Latin America
At a time when the president’s war on Iran looks like a miscalculation of historic proportions, and when his rhetoric, tariffs, and other actions have alienated traditional U.S. allies in many parts of the world, Latin America stands out as the foreign policy sphere in which Trump has enjoyed the most success in advancing his agenda.
- Unprecedented security cooperation from Mexico
- Setbacks for China in Mexico, Panama, Chile & elsewhere
- U.S. treasury rescue probably changed history in Argentina
- Basically picked a president in Honduras
- Venezuela
- Aligned leaders being elected everywhere
Yet some Latin American policymakers, even as they acknowledge Trump’s victories, warn of an emerging backlash to Washington's heavy hand. In a recent meeting, the foreign minister of a Latin American government aligned with Trump told me with palpable anger: “We will not be anyone’s vassal.”
With major decisions still to come on Cuba, Mexico, and Venezuela, the return of U.S. interventionism in the 21st century may ultimately have the opposite effect that Trump wants: driving the region away from the United States and into the arms of China.
10:35 · 9 de jul. de 2026
A Boticária e Envelopes já estão disponíveis, e de graça, em MEC Livros, plataforma de leitura disponibilizada pelo Ministério da Educação. O link é meclivros.mec.gov.br. Ao entrar, peça para EMPRESTAR não apenas visualize. Ajude a divulgar, compartilhando.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Isolamento político de Lula pode favorecer oposição no 2º turno, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseO presidente Lula continua competitivo, mas seu desempenho está estagnado. A pesquisa Meio/Ideia mostra como esse equilíbrio é mais frágil do que parece
Divulgada nessa quarta-feira, a pesquisa Meio/Ideia de julho permite uma leitura incômoda para o Palácio do Planalto: por ora, o risco para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o surgimento de um adversário competitivo carismático ou capaz de atrair o centro político e viabilizar a terceira via no primeiro turno, mas a persistência do seu próprio isolamento político.
O problema central do presidente não é apenas a existência de um campo oposicionista numeroso e ideologicamente alinhado contra ele; é a combinação entre um teto eleitoral aparentemente consolidado e o não surgimento de uma candidatura com a qual possa se alinhar no segundo turno.
O desafio de Lula é a incapacidade de desidratar a direita fragmentada, antes que ela se recomponha no segundo turno. O pior dos mundos, portanto, não é enfrentar um "supercandidato" conservador. É continuar preso a uma espécie de soberbo isolamento, confiando demais na força do próprio recall eleitoral e menos na necessidade de reorganizar uma maioria política e social mais ampla.
Os números da pesquisa mostram isso. Na espontânea, Lula aparece com 32,8%, contra 20,3% de Flávio Bolsonaro, mas o dado mais eloquente é o tamanho do eleitorado ainda desorganizado: 33,1% dizem não saber em quem votar, e 8,5% apontam branco, nulo ou ninguém. Ou seja, mesmo liderando, Lula não ocupa o espaço inteiro do jogo; ele mantém um núcleo robusto, mas ainda longe de qualquer posição confortável.
Na estimulada de primeiro turno com Flávio Bolsonaro, o presidente tem 40,4%, contra 32% do senador, enquanto Ronaldo Caiado marca 4%, Romeu Zema 2,5%, Aécio Neves e Renan Santos 2% cada, Augusto Cury 1,5% e os demais percentuais residuais. O dado decisivo está no fato de que, somadas, as candidaturas oposicionistas ultrapassam o campo bolsonarista puro e demonstram a existência de um eleitorado anti-Lula maior do que o voto individual de qualquer nome da direita.
O analista político mineiro Roberto Reis, especialista em cenários eleitorais, destaca o padrão dos demais levantamentos nacionais do período. No AtlasIntel/Bloomberg do fim de junho, Lula tinha 46,3% no cenário de primeiro turno, enquanto a soma dos adversários chegava a 50,3%; no Datafolha, 41% a 48%; no BTG/Nexus, 42% a 49%; no Quaest, 39% a 42%; no Real Time Big Data, 38% a 53%. Não é mais um detalhe estatístico, mas uma tendência que se consolida: a oposição, desunida, não consegue transformar esse excedente em candidatura hegemônica, porém o lulismo já não consegue monopolizar o eleitorado "anti-Bolsonaro" como fez em 2022.
Por isso, o presidente Lula continua competitivo, mas seu desempenho está estagnado. A pesquisa Meio/Ideia mostra como esse equilíbrio é mais frágil do que parece. No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula vence por 45% a 40%, com 10,5% de branco/nulo e 4,5% de indecisos. É vantagem real, mas curta para quem ainda dispõe da máquina, do Nordeste e da lembrança de ter derrotado o bolsonarismo clássico.
Sem uma onda
O mais importante é que esse placar circunscreve a própria expectativa de poder de Lula, o que complica a articulação dos palanques regionais. Na série histórica do instituto, Lula oscilou de 46,2% em janeiro para 45% agora, enquanto Flávio saiu de 36% para 40%, sinal de que a disputa se estreitou e de que o senador, mesmo com todas as limitações, mantém capacidade de retenção do eleitorado de direita.
Entre os homens, Flávio vence Lula por 46,3% a 39,2%; entre os jovens de 16 a 24 anos, por 45,7% a 33,3%; no Norte, por 49,2% a 33,6%; no Sul, por 54,1% a 16,8%; entre evangélicos, por 61,1% a 18,7%; e entre quem ganha mais de cinco salários-mínimos, por 47,9% a 37,6%. Lula compensa isso com ampla vantagem entre mulheres — 50,4% a 34,2% —, no Nordeste — 62,7% a 24,7% —, entre católicos — 55,2% a 31,9% — e sobretudo na base de renda até um salário-mínimo, onde lidera por 58,8% a 28,4%.
Esse mapa confirma que Lula segue forte onde o lulismo historicamente sempre foi forte: mulheres, baixa renda, Nordeste e segmentos religiosos não evangélicos. Mas também que esse capital não basta, por si só, para produzir uma onda vitoriosa. Há um teto visível. Lula está estacionado. E a eleição de 2026, como sugerem as pesquisas, pode deixar de ser um plebiscito sobre o bolsonarismo e se transformar num referendo sobre a capacidade — ou incapacidade — de o presidente tecer uma ampla coalizão social, que atraia as alianças políticas locais.
É um cenário esquisito. A direita brasileira chega à convenção eleitoral fragmentada e capenga. Flávio tem recall e máquina digital, mas enfrenta resistências internas e uma campanha errática. Caiado tem experiência, mas dificuldade de capilaridade. Zema perdeu centralidade. Renan Santos tem energia, mas pouco tempo de TV e pouca estrutura.
Michelle Bolsonaro aparece como um ativo poderoso, mas não consensual. No primeiro turno, em cenário com seu nome, Lula marca 40,4% e ela 29,4%; no segundo turno, o presidente venceria por 45% a 36%. O maior equívoco para Lula será interpretar a fragmentação adversária como irreversível. Se o Planalto concluir que a direita, por estar dividida, está condenada à derrota, cometerá talvez o erro mais grave da campanha. A oposição ainda pode se reorganizar no segundo turno.
“Enquanto os cegos testam a resistência da corda, o abismo espera ansioso pelo banquete."
Operação integrada aponta caminho promissor no combate a facçõesPor O GloboUnião de forças federais, estaduais e municipais mostra que trabalho conjunto é mais eficaz contra o crime
Foi auspiciosa a união de forças de segurança na operação deflagrada ontem em 16 das 27 unidades da Federação para combater o crime organizado. O objetivo foi prender 93 investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e ligação com facções criminosas. As ações foram conduzidas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), vinculadas à Polícia Federal (PF) e envolvendo também forças estaduais e municipais. É evidente que o trabalho conjunto, sob coordenação federal, é a melhor forma de enfrentar as quadrilhas.
Embora a segurança pública seja primordialmente tarefa dos estados, sozinhos eles não têm conseguido combater organizações criminosas que atuam em todo o país e no exterior. A facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a fluminense Comando Vermelho (CV) estão presentes em diferentes estados, onde disputam o controle da venda de drogas com grupos locais. Passou a ser comum o intercâmbio de bandidos de uma mesma facção entre unidades da Federação, dificultando ainda mais o trabalho da polícia.
Não se trata apenas de problema interno. Em junho, o governo dos Estados Unidos classificou PCC e CV como organizações terroristas, abrindo caminho a sanções a instituições brasileiras e seus integrantes. Neste mês, autoridades americanas aplicaram punições a dois brasileiros e a três empresas do país, sob acusação de vínculo com o PCC e de lavagem de dinheiro em território americano. Em seguida, a PF deflagrou uma operação contra os acusados. O problema não pode, portanto, ser tratado de forma estanque.
Não há dúvida de que o crime organizado assumiu proporções alarmantes. Ele não está apenas nas guerras entre quadrilhas pelo controle dos pontos de droga. Está também no que geralmente não se vê: sucessivas operações têm revelado um quadro assustador de infiltração do crime na política e no mercado formal.
A Carbono Oculto mostrou que ele contaminava toda a cadeia de combustíveis e alcançava fintechs e instituições financeiras em áreas nobres de São Paulo. Nesta semana, uma nova fase da Operação Unha e Carne expôs no Rio as ramificações de uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro com combustíveis. A operação foi deflagrada a partir de relatório apontando movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por uma rede de postos. Entre os alvos, estavam Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.
Não há como enfrentar situação tão grave e complexa sem a união dos governos federal, estaduais e municipais. Ainda que não tenha produzido resultados estrondosos, a operação de ontem aponta um caminho promissor por meio das Ficco. O governo federal sempre relutou em cumprir seu papel na segurança, e os estados temem perder protagonismo. Não há espaço para disputas estéreis. Ou todos se unem para combater a chaga do crime organizado, ou perderão todos.
Flávio Bolsonaro desserve o BrasilPor O Estado de S. PauloNa chance que teve para defender os exportadores brasileiros, o senador privilegiou seus interesses pessoais em Washington e provou ser indigno da confiança do setor produtivo nacional
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, transformou em comício a audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para ouvir argumentos técnicos contra a adoção de tarifas americanas a produtos brasileiros. Em vez de defender o Brasil com ponderações adequadas àquele fórum, Flávio Bolsonaro envergonhou os brasileiros ao usar os poucos minutos que tinha para atacar seu adversário na disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para sugerir que os Estados Unidos esperem a eleição para então negociar com um novo presidente – isto é, ele –, que será muito mais alinhado ao presidente Donald Trump.
Com isso, Flávio perdeu a chance de provar que está interessado em servir o Brasil – coisa que a família Bolsonaro, afinal, jamais fez. A reação do setor produtivo não poderia ser outra: ao Estadão/Broadcast, empresários presentes à audiência classificaram como “deslocada” e “constrangedora” a atuação de Flávio Bolsonaro.
Enquanto autoridades e empresários adotaram o tom pragmático que a situação exigia, Flávio discursou sobre regulação de big techs, corrupção no Brasil e Pix – temas irrelevantes para o propósito daquele fórum. Para comprovar que seu interesse não era defender os exportadores brasileiros, e sim apenas fustigar Lula, Flávio apresentou-se ao lado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que está homiziado nos Estados Unidos conspirando dia e noite contra o Brasil e que havia defendido entusiasticamente a adoção de tarifas americanas. Nada mais precisava ser dito.
Não foram necessários mais do que cinco minutos para que Flávio Bolsonaro provasse, de uma vez por todas, que é indigno da confiança do setor produtivo nacional. Houve premeditação. O senador tinha objetivos muito bem definidos ao viajar aos Estados Unidos – e nenhum deles remotamente ligado à defesa dos produtores industriais e agrícolas do País, muito menos dos empregos de milhões de brasileiros.
O objetivo mais evidente da viagem de Flávio Bolsonaro era provar para sua própria bolha de apoiadores e correligionários que ainda é a melhor opção da oposição para desafiar Lula. O PL marcou para o próximo dia 25 a convenção que deve confirmar o nome que representará o partido na eleição de outubro. Até lá, o senador precisa desesperadamente convencer sua própria base de que, a despeito dos muitos rolos em que está metido e das inúmeras trapalhadas de sua campanha, é o nome com mais chances de derrotar o incumbente. A tarefa é árdua: Flávio Bolsonaro não goza da confiança de parte de seus correligionários, e o desgaste chegou até o seio familiar, como se viu no vídeo publicado por sua madrasta, Michelle Bolsonaro.
Somem-se a isso sua relação de “irmão” com Daniel Vorcaro, a quem Flávio Bolsonaro pediu de viva voz cerca de R$ 134 milhões, e o passado para lá de suspeito do senador, que envolve prática de “rachadinhas”, suspeita de lavagem de dinheiro por meio de loja de chocolates, compra de imóveis em dinheiro vivo e ligações com milicianos do Rio de Janeiro. É nesse contexto de fragilidade política que o senador foi a Washington para tentar reconstruir, à força de fotos e “cortes” para as mídias sociais, uma viabilidade eleitoral que os fatos vêm corroendo dia após dia.
Enquanto os Bolsonaros prejudicam o Brasil para seus propósitos pessoais, os diplomatas, líderes setoriais e técnicos brasileiros continuam empenhados em tentar minimizar os danos das tarifas que provavelmente serão adotadas contra o País. É isso o que fazem os que têm genuíno interesse em ajudar o Brasil. E aqui cabe o registro de que, na embaraçosa foto de Flávio e Eduardo Bolsonaro na sessão do USTR, aparece ao lado deles um constrangido embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, com décadas de atuação na diplomacia comercial. Ele estava lá a trabalho. Já os Bolsonaros só queriam atrapalhar.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
EXPERIMENTO AMERICANO
ONDE ESTÁ VOCÊ
Onde Está Você (Ao Vivo)
Alaide Costa - Tema
2 de jan. de 2025
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Onde Está Você (Ao Vivo) · Alaide Costa · Oscar Castro Neves · Luvercy Fiorini
Álbum: Anos 70
Central informativo da obra O Experimento Americano de forma rápida e envolvente.
Conheça novos filmes e séries. Inscreva-se 🎬
#Sinopse #Filme #Trama
The American Experiment | Official Trailer | Netflix
Netflix
8 de jun. de 2026
À medida que os Estados Unidos se aproximam de seu 250º aniversário, a série documental
The American Experiment reexamina a fundação da nação e a questão central da democracia:
um povo pode governar a si mesmo?
Com vozes diversas — líderes políticos, historiadores e especialistas — a série explora:
A Revolução Americana
A criação da Constituição
Os desafios da democracia
As contradições entre liberdade e desigualdade
Uma análise profunda sobre o passado, presente e futuro dos Estados Unidos.
Assistir na Netflix:
https://www.netflix.com/title/81930568
💡 Interpretação da Charge
A charge ironiza o contraste entre:
⏳ O tempo lento e complexo da realidade (leis, processos)
⚡ O tempo imediato e manipulável das redes sociais (imagem, narrativa, algoritmo)
📌 Mensagem principal:
Na política atual, muitas vezes a prioridade deixa de ser resolver problemas concretos
e passa a ser gerenciar a percepção pública nas redes sociais.
Do Centavo ao Bilhão: A Balança de Deus e a Lousa de Mammon na Contabilidade Social Brasileira
Autores: Prof. Dr. Antônio Delfim Netto (In Memoriam / FEA-USP) Prof. Eurípedes Barsanulfo (In Memoriam / Colégio Allan Kardec)
Resumo
Este artigo propõe um ensaio econômico-filosófico a quatro mãos, estabelecendo um diálogo dialético entre a macroeconomia desenvolvimentista do século XX e a microeconomia humanitária do início do século XX. Utilizando como objetos de estudo a célebre parábola acadêmica dos "Gastos com Vestuário no Nordeste" na lousa da USP e o balancete real de 1910 da Farmácia Espírita Esperança, em Sacramento (MG), discute-se o dilema ético contido no Capítulo XVI de O Evangelho segundo o Espírito Santo: a impossibilidade de servir simultaneamente a Deus (à justiça social e à verdade) e a Mammon (ao pragmatismo das riquezas e do poder). Investiga-se como a evolução de 100 anos da técnica contábil brasileira oscilou entre a precisão moral e a engenharia tecnocrática.
A ciência econômica, embora frequentemente reduzida a modelos matemáticos e agregados estatísticos, fundamenta-se essencialmente na alocação de recursos escassos sob critérios de escolha humana. Esta escolha não é neutra; carrega consigo uma dimensão filosófica e moral implícita.
O presente ensaio confronta duas visões metodológicas e éticas separadas por pouco mais de meio século, mas ligadas pelo cordão umbilical da história econômica brasileira. De um lado, a tradição do planejamento centralizado de matriz fabiana e tecnocrática, que operou o chamado "Milagre Econômico" após a ruptura institucional de 1964. De outro, a prática da contabilidade solidária inspirada nas correntes pedagógicas de Pestalozzi e na ética cristã de Vicente de Paulo, aplicada no interior do Brasil profundo em 1910.
O cerne desta discussão repousa sobre a exatidão do balanço: o que fazer quando os números não batem?
2. A Perspectiva Macroeconômica e o Pragmatismo Fabiano (Por Antônio Delfim Netto)
[ BALANÇO NACIONAL DO PIB ] -------------------------------------------- Ativo (Bens/Produção) | Passivo (Renda/Gasto) X Bilhões | X Bilhões - $500M -------------------------------------------- * Ajuste Tecnocrático Necessário * -> "Gastos com Vestuário no Nordeste"
Na escala macroeconômica de uma nação em desenvolvimento com dimensões continentais, a rigidez contábil absoluta pode atuar como um vetor de paralisia institucional. A formulação do Produto Interno Bruto (PIB) e das Contas Nacionais exige o manejo de variáveis agregadas e, frequentemente, o enfrentamento de assimetrias de informação e informalidade crônica.
O episódio acadêmico em que uma diferença de 500 milhões de dólares na lousa da USP foi acomodada sob a rubrica irônica de "Gastos com Vestuário no Nordeste" ilustra o pragmatismo necessário ao homem de Estado. Sob a ótica do socialismo fabiano — que preconiza o desenvolvimento por meio de reformas graduais dirigidas pelo Estado e pelo fortalecimento da infraestrutura —, o crescimento acelerado sobrepõe-se temporariamente ao purismo das planilhas. Na macroeconomia do desenvolvimento, assume-se que o "bolo deve crescer para depois ser dividido".
3. A Perspectiva Microeconômica e a Ética da Transcendência (Por Eurípedes Barsanulfo)
[ BALANCETE DA FARMÁCIA ESPÍRITA - 1910/1911 ] ----------------------------------------------------- Débito (Entradas/Pagos) | Crédito (Recebidos) 578.200 réis | 578.200 réis ----------------------------------------------------- * Equilíbrio Moral Absoluto * -> Sem resíduos, sem ajustes ficcionais
Contrapondo-se ao utilitarismo de Estado, a microeconomia das instituições de amparo social demonstra que a precisão numérica é o reflexo direto da integridade moral. No balancete de 1910/1911 da Farmácia Espírita Esperança, o fechamento rigoroso não constitui mero capricho aritmético, mas a materialização do respeito ao próximo.
Inspirado pelo método pedagógico de Pestalozzi e pelo exemplo de Vicente de Paulo, cada fração de moeda registrada representava a confiança sagrada de doadores e o direito ao medicamento gratuito dos enfermos.
Onde a macroeconomia enxerga uma "variável invisível", a contabilidade evangélica enxerga o limite da honestidade humana.
4. Análise Dialética: A Balança de Deus versus A Lousa de Mammon
Dimensão
Modelo da Lousa
Modelo do Livro-Caixa
Orientação Filosófica
Pragmatismo Utilitarista
Ética Cristã
Tratamento do Erro
Rubrica fictícia
Rigor absoluto
Senhor Escolhido
Mammon
Deus
Mecanismo
Trickle-down
Distribuição direta
Impacto Humano
Ilusão estatística
Alívio real
O capítulo XVI da obra de Allan Kardec evoca a máxima: "Não se pode servir a Deus e a Mammon".
5. Conclusão: O Balanço Final da História
A convergência destas duas trajetórias nos força a rejeitar a neutralidade da técnica. A contabilidade não é apenas a ciência do patrimônio, mas o espelho da alma de seus gestores.
O crescimento econômico desprovido de base moral cobra seu preço em longo prazo. A verdadeira riqueza de uma nação mede-se pela transparência, justiça e integridade com que trata seus recursos e cidadãos.
Referências Bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espírito Santo. Rio de Janeiro: FEB.
NETTO, Antônio Delfim. O Problema do Café no Brasil. São Paulo: FEA-USP, 1959.
NOBRE, J. Freitas. Eurípedes Barsanulfo: O Apóstolo da Caridade. São Paulo: FEESP, 1974.
COSTA, J. M. (Org.). Anais da Contabilidade Social Brasileira. São Paulo: Contexto, 1980.
“Honrou o que veio fazer aqui”, diz filha de Benedito Ruy Barbosa
“Vamos dar o melhor de nós.”
Os causos e as bromas do “Mister Gaúcho”
Se, em campo, o time foi letárgico, fora dele a criatividade do torcedor operou em nível máximo para ironizar a postura “retranqueira” do treinador.
O campinho do desespero e a parada de hidratação
A cena que melhor sintetizou o apelido de “professor de escola gaúcha” ocorreu aos 67 minutos. Com o jogo empatado, Ancelotti sacou os jovens pontas — que ajudavam na marcação — para colocar Neymar e Danilo Santos.
Na parada médica, o italiano recorreu a um pequeno quadro tático de plástico para desenhar um 4-3-3 improvisado, sistema que o Brasil nunca havia treinado.
O resultado? O lado direito virou uma avenida, desorganizando completamente a defesa e permitindo que Erling Haaland marcasse dois gols em apenas dez minutos.
Nas redes sociais, o quadro virou meme:“Ancelotti não estava desenhando tática, estava anotando a receita do churrasco para afogar as mágoas.”O protagonismo do fracasso de Neymar
O retorno do camisa 10, aos 34 anos, rendeu mais piadas do que futebol. Neymar atuou por apenas 33 minutos: correu pouco, recebeu um cartão amarelo infantil e passou boa parte do tempo discutindo com o goleiro Nyland.
Quando converteu o pênalti aos 54 minutos do segundo tempo — um gol que não alterava o desfecho da eliminação — ainda confrontou o arqueiro norueguês.
A imprensa e os torcedores não perdoaram, apelidando o episódio de:
“o ápice do homem que precisa ser protagonista até da própria ruína.”O pênalti de Bruno Guimarães
A decisão, no mínimo curiosa, de deixar Bruno Guimarães cobrar o primeiro pênalti — defendido pelo goleiro adversário — também virou motivo de chacota nacional.
Memes no X (antigo Twitter) sugeriam que o assistente Davide Ancelotti teria escolhido o cobrador no “par ou ímpar” no banco de reservas, tamanha a falta de lógica na escolha.
A ironia final: estabilidade até 2030
A maior piada de toda a campanha talvez seja esta: apesar do “estilo botineiro” e do fracasso retumbante, o diretor de futebol Rodrigo Caetano confirmou que Ancelotti cumprirá contrato até a Copa de 2030.
O argumento oficial é de que o Brasil precisa de estabilidade de longo prazo após anos de improvisação.
Já o torcedor ironiza:
o país passará os próximos quatro anos “regando a árvore do pragmatismo europeu”, na esperança de que ela, algum dia, produza frutos tropicais.
Haaland decide, Brasil naufraga diante da Noruega e cai nas oitavasPoesia | Revolta, de Guimarães RosaRevolta | Poema de Guimarães Rosa com narração de Mundo Dos PoemasMundo Dos PoemasBrasil dá adeus à Copa do Mundo após derrota para Noruega | Papo Antagonista - 06/07/2026O AntagonistaTransmissão iniciada há 20 minutos Papo Antagonista | 2026No Papo Antagonista desta segunda-feira, 6, falamos sobre a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1.
A desclassificação da seleção adia por mais quatro anos o sonho do hexa.
Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
AO VIVO: Dá Jogo entrevista Juan Filho, o “sósia do Vini Jr.”Música | Monica Salmaso - A terceira margem do Rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso)
Em 1965, o Camboja tentava manter sua neutralidade sob o governo do Príncipe Norodom Sihanouk, mas foi inevitavelmente arrastado para a Guerra do Vietnã. O aumento dos combates nas fronteiras causou uma crise humanitária e levou à chegada de agências como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Esse período também marcou o início de bombardeios norte-americanos secretos na região de fronteira. Esses ataques desestabilizaram o país e alimentaram o extremismo que, mais tarde, daria ascensão ao regime do Khmer Vermelho.
Exposição resgata histórias do Moinho Vera CruzFábrica desativada desde 2005 atuou por 52 anos em Juiz de Fora; moradores da Zona Norte e ex-funcionários contam histórias da época através de depoimentos e imagens
Por Tribuna25/05/2022 às 07h00
Exposição permite que os participantes interajam com as obras (Foto: Divulgação)
O Moinho Zona Norte inaugurou a exposição “Moinho pelo tempo”. A proposta é recontar a história do Moinho Vera Cruz através do depoimento de dez pessoas – alguns ex-funcionários e outros moradores da Zona Norte. A indústria de moagem de trigo e derivados para o setor produtivo começou suas atividades nos anos de 1960 e encerrou em 2005. Atualmente, o lugar dá espaço ao Moinho, que mescla atividades que envolvem moradia, saúde, educação e comércio. Serafim Francisco, José Nery Dias, Luzia Ferraz, José Francisco de Souza, Marly Soares Silva, Antônio Almas, José Luiz Ribeiro, Francisco Neris Filho, Janaína Pires e Carlos José Ferraz são os personagens que dão rosto às memórias.
A exposição reúne alguns depoimentos colhidos pelas organizadoras, Carú Rezende e Fernanda Lauro, além de retratos desses depoentes que foram impressos em papel que remete a proposta de uma polaroid, para dar ainda mais um aspecto de memória. Ao lado dessas imagens, estão ainda outras, em telas de tecido, que mostram como era o Moinho antigamente. Em preto e branco, alguns desenhos impressos em tecidos semi-transparentes ressaltam como era a antiga arquitetura do local e ilustram itens pessoais dos entrevistados, como carteiras de trabalho. Um vídeo de 12 minutos também está disponível na exposição. Nele, são apresentados os entrevistados que ainda foram convidados a estar no Moinho agora, depois da transformação. Esse reencontro foi todo registrado.
“Toda história é feita por pessoas. Pessoas reais, com suas vidas cotidianas e extraordinárias, que vão construindo, dia após dia, aquilo que chamamos de memória. Com a exposição ‘Moinho pelo tempo’ queremos ressaltar essa história viva, pulsante, valorizando personalidades que têm suas vidas entrelaçadas ao espaço do Moinho”, dizem as organizadoras em comunicado enviado à imprensa.
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ServiçoMoinho pelo tempo
Seg. a sex., das 8h às 18h, no Moinho Zona Norte (Avenida Presidente Juscelino Kubitschek 900 – Francisco Bernardino). Classificação: Livre.
A Redonda, a Planilha e os Deuses do Futebol: O Pênalti da Cal ao AlgoritmoPor um Cronista Moderno (À Moda de Mário Filho)
O futebol brasileiro sempre teve mais necessidade de um culpado do que de uma explicação tática. No país que transformou a derrota em pecado capital e o revés em drama nacional, a cal do pênalti não mede apenas os onze metros que separam a glória do inferno; mede, acima de tudo, o tamanho do pescoço que se oferece à guilhotina da opinião pública.
Historicamente, fomos a pátria dos bodes expiatórios. Moacir Barbosa, o maior goleiro de sua era, foi condenado à prisão perpétua sem direito a sursis pelo crime de não adivinhar o chute milimétrico de Ghiggia em 1950 — uma injustiça com indisfarçáveis contornos de preconceito racial que carregou até o túmulo. Zico, o semideus da Gávea, virou réu em 1986 porque o goleiro Bats interceptou sua cobrança no calor do México. Toninho Cerezo, em 1982, viu a beleza poética do meio-campo mais refinado do planeta ser reduzida a um passe lateral herético nos pés de Paolo Rossi. Roberto Carlos, em 2006, foi transformado em estátua de sal por ajustar uma meia enquanto Henry empurrava a bola para as redes.
O tribunal da arquibancada — e, agora, o das redes sociais — é implacável: a derrota precisa de uma assinatura, de um CPF. E, na ausência de um, inventa-se o crime.
A Noite da Calma em 1958: Quando Didi foi Rei
Para entender o crepúsculo da autonomia do jogador moderno nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da pragmática Noruega, é preciso fazer a viagem de volta ao solo sagrado de Råsunda, na Suécia de 1958.
O Brasil sofria o gol relâmpago de Liedholm aos 4 minutos. O fantasma de 1950, com suas correntes de complexo de vira-lata, ameaçava arrastar o scratch para mais um abismo psicológico. Bellini ostentava a braçadeira de capitão, mas a liderança daquela paróquia pertencia a Waldir Pereira, o Didi.
O Senhor Futebol não correu. Não se desesperou. Caminhou até o fundo da rede de Gilmar, recolheu a bola com a solenidade de um pontífice carregando o Santo Graal e colocou-a debaixo do braço. Cruzou o gramado em passos calculados, ditando o ritmo do relógio e do coração dos aflitos. Olhou para os companheiros e sentenciou: "Vamos ganhar deles lá dentro".
Didi não pediu autorização a Vicente Feola. Não consultou um manual de procedimentos. Sua autoridade era moral, empírica e soberana. O Brasil virou o jogo, goleou por 5 a 2 e descobriu-se gigante. Didi foi Didi porque a era lhe permitia a audácia de ser dono do próprio destino.
A Tarde da Planilha em 2026: Quando Vini Jr. foi Ativo
Sessenta e oito anos depois, no gramado do MetLife Stadium, a Seleção Brasileira reencontrou o peso de uma decisão contra a Noruega. Pênalti marcado a favor do Brasil no primeiro tempo, quando o placar ainda mostrava o equilíbrio nervoso do mata-mata. O roteiro romântico exigia que Vinicius Jr., o herdeiro legítimo da camisa 7 e artilheiro do time, pegasse a bola e resolvesse a fatura por puro instinto de realeza.
Vini de fato pegou a bola com as próprias mãos. Mas o fez como um ator cumpre uma marcação cênica rigorosa. Protegeu o espaço físico, evitou o trash talk do goleiro norueguês Ørjan Nyland e, ato contínuo, entregou o couro nos pés de Bruno Guimarães. Não houve rebeldia; houve o cumprimento burocrático de um memorando interno.
A justificativa de Carlo Ancelotti no Ge.Globo e de seu filho, Davide, veio fria e matemática: a comissão técnica trabalha sob o império dos analytics. Na ausência de Neymar (no banco), Raphinha e Igor Thiago, a planilha apontava Bruno Guimarães como o batedor de maior aproveitamento nos treinos prévios. Vini Jr., a despeito de seus quatro gols no torneio, estava fora do "Top 5" estabelecido pela comissão. O pragmatismo europeu silenciou o lirismo brasileiro. O pênalti foi defendido por Nyland, Erling Haaland puniu a desorganização nacional com dois gols no segundo tempo, e o Brasil acabou eliminado nas oitavas de final por 2 a 1.
Aqui reside o paradoxo ético e comercial do esporte contemporâneo. A Copa do Mundo, organizada sob a égide do grande capital, é um festival de negócios onde o jogador não é apenas um atleta, mas um ativo financeiro global. Patrocinadores e gestores de imagem investem centenas de milhões de dólares na valorização do "produto" Vinicius Jr.
Sob a ótica do fair play britânico moderno e da gestão de riscos corporativos, expor o principal embaixador da marca a uma cobrança onde as probabilidades matemáticas jogavam contra seria uma imperícia administrativa. Mitigar o risco de transformá-lo no novo Barbosa de 1950 ou no Zico de 1986 é uma decisão lógica de mercado.
A inferência de que Vinicius Jr. "não pôde ser ele mesmo" é o diagnóstico mais lúcido desta era. O jovem de São Gonçalo foi engolido pela engrenagem que o consagrou. No futebol industrializado do século XXI, o espaço para o heroísmo intuitivo de Didi foi substituído pelo algoritmo de Ancelotti. Se batesse e errasse, Vini seria imolado no altar da cultura de bodes expiatórios. Como não bateu, foi acusado de omissão por analistas que ainda calçam as chuteiras da nostalgia. No ecossistema hipercrítico do futebol moderno, o craque está condenado à culpa de qualquer maneira.
Didi jogava para a eternidade e para o povo; Vinicius Jr. joga para a eficiência e para o mercado. O Senhor Futebol pôde carregar a bola debaixo do braço para mudar a história porque a bola, naquela época, ainda era um brinquedo de couro. Hoje, a bola é um ativo circulante. E ativos circulantes não aceitam o risco do improviso.
Post Scriptum: O Moinho de Cartola e a Espetada no Jardim
Há quem corra ao jardim buscando respostas na pureza da terra. No entanto, se o cronista moderno estende o ouvido às roseiras, percebe que as rosas não falam. Elas simplesmente exalam o perfume efêmero da esperança e, logo em seguida, cobram o preço do toque em seus espinhos. Naquela tarde fria em Nova Jersey, o torcedor brasileiro sentiu o aroma do hexa dissipar-se no ar e, no segundo seguinte, a espetada seca da realidade perfurar a pele.
O futebol atual assemelha-se à profecia musicada pelo mestre Cartola na clássica gravação de Beth Carvalho no Cifra Club: o mundo é um moinho, pronto para triturar os sonhos mais mesquinhos e reduzir as ilusões a pó. A engrenagem industrial do esporte transformou o drible em dado, o ídolo em produto e a cobrança de pênalti em uma fria operação de gerenciamento de risco.
Ao aceitar a disciplina da planilha e entregar a bola a Bruno Guimarães, o jovem Vinicius Jr. agiu com a maturidade de quem sabe que não é Deus. Ele compreendeu, conscientemente ou não, que no topo da pirâmide corporativa os homens não têm mais o direito de falhar de forma poética. A moenda do futebol moderno tritura a rebeldia e canoniza o protocolo. Resta ao torcedor, destituído de sua identidade mítica, recolher as mágoas na calçada e cantar o samba que resta, ciente de que, no grande moinho da bola, a única coisa que a matemática de Ancelotti jamais conseguirá calcular é o tamanho exato da nossa melancolia.
A reportagem exibida na imagem, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ilustra de forma empírica as dinâmicas de gestão tática e retórica governamental discutidas anteriormente. O texto conecta diretamente a pressa do calendário institucional à criação de narrativas emocionais para justificar falhas logísticas nas vésperas do período de restrição eleitoral.
O Contexto Pragmático e a "Papagaiada"A Realidade dos Fatos: A matéria detalha a maratona de inaugurações antes do prazo limite estipulado pela legislação (4 de julho). O episódio central foca na inauguração de um túnel de 6,5 km da transposição do Rio São Francisco, na Paraíba, que estava completamente seco no momento do evento oficial devido a um erro de cálculo do cronograma da obra.
A Justificativa e a Reação: Diante do imprevisto que frustrou a expectativa pública de ver a água correr, o presidente recorreu à indignação contra a própria regra eleitoral de neutralidade, classificando as restrições institucionais como uma "papagaiada desgraçada". Para blindar-se do fracasso imediato da promessa visual, comparou-se historicamente a Getúlio Vargas e projetou uma peça de propaganda futura com o vídeo da água chegando à noite.
A Aplicação Prática das Regras de Harford
Analisando a página do jornal sob a ótica de Tim Harford em The Data Detective, percebe-se o choque exato entre números teóricos e a reação emocional:
Gerenciamento de Expectativas: Assim como a comissão técnica de futebol focou em estatísticas prévias de aproveitamento de pênaltis que ignoravam o calor do jogo, o governo apoiou-se na métrica abstrata de "capacidade para transportar 20 metros cúbicos por segundo" para tentar atenuar o impacto visual e emocional de um túnel vazio perante os eleitores locais.
Viés de Confirmação: O público afetado reage visceralmente ao símbolo (o canal sem água ou a fala incisiva), validando ou rejeitando a liderança conforme suas convicções prévias. O discurso em "ambiente controlado" busca ativar o sentimento de identidade ("nós" contra as regras ou contra a oposição) para desviar o foco da falha metodológica ou do erro de planejamento concreto.
A Métrica do Erro: Racionalismo Abstrato e as Fraturas do Sentimento Popular
O debate público contemporâneo é frequentemente capturado por um paradoxo: a tentativa de gerir a imprevisibilidade humana por meio de planilhas e o uso da retórica emocional para camuflar falhas logísticas. Quando comandantes de esferas distintas — o gramado e o Palácio do Planalto — tentam impor lógicas de gabinete sobre a realidade prática, o resultado costuma flertar com o absurdo.
[Métrica Teórica / Planejamento Rígido] ──(Choque)──> [O Chão da Realidade / Fatos]
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[Fracasso Pragmático] [Reação Emocional]
1. O Viés de Harford e a Armadilha da Confirmação
O economista britânico Tim Harford, em suas diretrizes sobre a interpretação de dados, estabelece que a primeira barreira para a compreensão do mundo é a nossa própria reação emocional. Tendemos a abraçar estatísticas que validam nossos preconceitos e a rejeitar visceralmente aquelas que nos contrariam.
Na análise de cenários complexos, a dependência cega de recortes metodológicos sem o devido contexto atua como um mecanismo de blindagem que ignora o pragmatismo das situações reais.
2. A Planilha contra o Campo: O Caso do Pênalti
A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo de 2026 ilustra a falência do racionalismo abstrato quando desconectado do momento geopolítico do jogo.
O Cenário Teórico
A comissão técnica de Carlo Ancelotti baseou-se em um ranking frio de aproveitamento anual de pênaltis. Diante da ausência dos três primeiros cobradores, a bola foi entregue a Bruno Guimarães (66,7% de aproveitamento), barrando a liderança natural e o momento de Vinícius Júnior.
O Retrospecto ConcretoJogadorCritério de Escolha (Anual)Status Real no JogoResultado PráticoBruno Guimarães4º no Ranking de GabineteEm campo (Escalado)Pênalti DefendidoVinícius Júnior71,4% (Abaixo no recorte)Artilheiro com 4 golsBarrado pela regraA Justificativa: A imposição de uma burocracia estatística europeia sobre o "sentimento do mundo" do futebol brasileiro resultou em um pragmatismo estéril e, por fim, na eliminação.
3. A Liturgia Rompida: O Palácio e o Túnel Seco
No plano político, a mesma desconexão se repete, invertendo-se os fatores: utiliza-se a paixão retórica para tentar obliterar o dado factual incômodo. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo expõe essa dinâmica com precisão cirúrgica.
[Prazo Limite Eleitoral: 4 de Julho] ──> [Corrida de 19 Inaugurações] ──> [Túnel Seco na Paraíba]
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[Retórica de Blindagem]
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"Papagaiada Desgraçada" (Ataque às Regras)
Gesto Obsceno no Planalto (Segmentação)
A Anatomia do FatoA Falha Metodológica: Na pressa do calendário eleitoral, inaugurou-se um túnel de 6,5 km da Transposição do Rio São Francisco totalmente seco por erro de cálculo.
A Reação Institucional: Em vez do reconhecimento técnico do erro de cronograma, o ambiente controlado do Palácio do Planalto foi palco de uma quebra de liturgia. O presidente utilizou termos chulos e gestos obscenos para atacar a legislação vigente, classificando as restrições de "papagaiada".
4. Conclusão: O "Nós" contra o "Eles" como Cortina de Fumaça
O fio condutor que une o vestiário e o palácio é a criação de barreiras artificiais para justificar o injustificável. Seja através de uma planilha que ignora o protagonismo de Vini Jr., seja através da divisão maniqueísta entre um "nós" necessitado e um "eles" abstrato e opositor, o objetivo é o mesmo: evitar a responsabilização pelo resultado concreto.
Quando o patrimônio declarado e os discursos de austeridade colidem com canais sem água e eliminações precoces, a realidade se impõe. Como professava Blaise Pascal, a tentativa de governar o sentimento puro — ou a paixão popular — através de métricas de conveniência produz apenas ruído, rejeição e uma crônica esquisitice institucional.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Numerologia já definiu quem será eleito, por Bruno CarazzaValor EconômicoEscolha de números de urnas é muito mais do que um recurso mnemônico para o eleitor
Num evento político no mês passado, o pré-candidato a governador subiu no palanque improvisado de um restaurante para declarar seu apoio a um correligionário. E afirmou: “Você será o meu candidato a deputado federal, e a prova disso é que o seu número de urna será XYXY”, onde XY é o número do partido deles.
Numa eleição em que centenas ou milhares de políticos se engalfinham pelas poucas cadeiras em disputa, ter um número de urna fácil de ser lembrado pelo eleitor é um ativo importante - ainda mais num país em que candidatos e partidos em geral têm baixa conexão com os cidadãos.
Em 2022, 137 dos 513 deputados federais eleitos escolheram como número de urna a repetição do algarismo do seu partido. Foi a opção preferencial dos vencedores, o que justifica a escolha do pré-candidato a governador para seu preferido.
Essa opção é ainda mais forte nas agremiações que já têm como símbolo um dígito repetido. O PL é o campeão: elegeu vinte candidatos que tinham o número 2222. Na sequência vieram o Progressistas, com 16 eleitos com o número 1111, e o União Brasil, que fez 15 deputados 4444.
As demais siglas seguem o mesmo padrão. O 1010 é o número mais frequente entre os eleitos do Republicanos (13 deputados), assim como o 1313 é o mais comum entre os petistas (10 eleitos) e o 1515 no MDB (8 deputados). No PDT, o 1212 foi superior até ao tentador 1234 (com o placar de 5 a 4).
Grandes nomes do Congresso seguiram essa fórmula, de Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira (ambos 2222, um em São Paulo e outro em Minas) a Gleisi Hoffmann e Washington Quaquá (ela no Paraná e ele no Rio, mas os dois 1313), passando por Arthur Lira (1111) e Tábata Amaral (4040).
O segundo padrão de numeração mais comum em 2022 foi o final 00, com 46 parlamentares no total. Outra predileção é o final 10, utilizado por 31 deputados eleitos.
Em tempos de polarização extrema, políticos também usam a numeração para enviar um sinal claro para o eleitor. Assim, 28 congressistas se valeram de um combinado entre a indicação do seu partido e o numeral 22, associado a Jair Bolsonaro. Foi o quarto modelo mais utilizado, principalmente por integrantes do Centrão.
Para os adeptos da numerologia, a escolha de um bom número é receita de sucesso. De fato, os dados indicam que, no pleito de 2022, candidatos que foram às urnas com uma numeração que repetia os dígitos de seu partido tiveram quase 4 vezes mais chances de serem eleitos do que os seus adversários: 19,4% daqueles que usaram números repetidos foram eleitos, contra uma taxa geral de 4,9% do total de postulantes à Câmara dos Deputados.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
‘I couldn’t care less’, digo eu, por Ruy CastroO GloboEm português educado, significa 'Não dou a mínima'; é como Trump se sente sobre Lula e o BrasilÉ como também me sinto sobre ter meu visto recusado e não poder voltar a Nova York
Há pouco ("Trump gagá", 18/6), listei uma série de traços recentes da personalidade de Donald Trump —comportamento aloprado, falas sem nexo, cochilar em público e fazer da Casa Branca um puxadinho de Mar-a-Lago—, típicas talvez do stress provocado pelas guerras sem sentido em que ele mete os EUA e das quais não consegue sair. Ou das medidas presidenciais que toma e que, por acaso, multiplicam sua fortuna e a de seus filhos. Enfim, nada de que a própria imprensa americana não fale diariamente.
Meus fiéis leitores trumpo-bolsonaristas se revoltaram. Para eles, tais ofensas a Trump revelam meu ódio pelos EUA e farão com que eu nunca mais consiga um visto de entrada no país. Quanto a essa última afirmação, é verdade. Meu visto caducou e, como disse o próprio Trump outro dia sobre o Brasil, "I couldn’t care less" —em português educado, "Não dou a mínima". Não pretendo renová-lo nem que o consulado americano me implore.
Em 40 anos entrando e saindo de aviões a trabalho ou a lazer, a partir de 1972, fui umas 20 vezes a Nova York. Quase sempre me hospedei no centenário Earl, renomeado Washington Square Hotel, que já abrigou O. Henry, Ernest Hemingway, Mary McCarthy, Edmund Wilson, Dylan Thomas, Bob Dylan e até os Rolling Stones, quando todos eram pobres. Certa vez, dividi o quarto no Earl com um camundongo que morava lá. Mas, a serviço do Reader’s Digest (que jamais contrataria alguém que odiasse os EUA), hospedei-me também no Algonquin, quando ele ainda recendia aos charutos e uísques de James Thurber, Dorothy Parker e Robert Benchley.
De cada ida a Nova York, voltei para o Rio com bateladas de livros, LPs, CDs, VHSs, laser discs e DVDs da grande cultura que os EUA produziram nos séculos 19 e 20. Tenho tudo isso até hoje, transbordando de estantes e gavetas. Esse material já me rendeu N artigos, livros e conferências. Sou mais culto do que Trump a respeito dos próprios EUA.
Talvez por isso não reconheça o país que hoje ele preside. E quer saber? I couldn’t care less em conhecer.
Bud Powell The Complete Blue Note and Roost Recordings 1994 - cd1Autour de minuit - Bande-annonce officielle (VF) - François CluzetWarner Bros. France
15 de nov. de 2022
Redécouvrez AUTOUR DE MINUIT, de retour au cinéma en version restaurée 4K.
En 1986, Bertrand Tavernier met en scène le jeune François Cluzet et le saxophoniste Dexter Gordon dans un film hommage au jazz, à Bud Powell et à l’emblématique Blue Note. Trésor pour les cinéphiles et amoureux du jazz, le film a obtenu l’Oscar de la meilleure musique pour Herbie Hancock, également interprète au milieu de rôles secondaires étonnants (Martin Scorsese, Philippe Noiret, Eddy Mitchell…)
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O artigo usa o filme Por Volta da Meia-noite como metáfora para refletir sobre a decadência — não só no jazz dos anos 1950, marcado por talento e marginalização, mas também na política contemporânea.
O autor traça um paralelo entre a crise de valores nos EUA da década de 1950 (macarthismo, repressão, racismo e polarização) e o cenário atual, sugerindo que períodos de tensão política e social tendem a enfraquecer a democracia.
No Brasil, ele destaca dados preocupantes: a maioria dos eleitores não lembra em quem votou nem consegue citar parlamentares, evidenciando um distanciamento entre representantes e população. Segundo o texto, o Congresso funciona com pouca transparência, decisões concentradas em lideranças e foco em interesses privados.
Apesar desse afastamento, mecanismos como emendas parlamentares e fundos eleitorais garantem a reeleição dos políticos, dificultando a renovação. Assim, o sistema estaria “blindado”, e a participação popular enfraquecida.
A conclusão sugere preocupação com a qualidade da democracia brasileira, que se mantém principalmente graças ao voto direto nas eleições majoritárias.
domingo, 5 de julho de 2026
Uma história do jazz, a decadência da política e a blindagem eleitoral, por Luiz Carlos AzedoCorreio BraziliensePoucos cidadãos sabem citar o nome de um parlamentar, há um profundo divórcio entre representantes e representados. Mas as emendas garantem a reeleição
No fim dos anos 50, Dale Turner, um saxofonista negro americano, toca todas as noites no Blue Note, em Saint-Germain. É um alcoólatra. Basta que escape à vigilância dos amigos e ele vai parar no hospital. Como é comum nesses casos, num determinado momento entra em colapso. Francis, apaixonado admirador do músico de vanguarda, assume plena responsabilidade sobre ele e Dale aos poucos volta a tocar. Mas as raízes, a sua solidão e seus medos o levam de volta a Nova York, onde morre.
O filme por Por Volta da Meia-noite (Round Midnight/Autour de minuit, 1986), de Bertrand Tavernier, conta essa história. É inspirado nas vidas de Bud Powell (e Lester Young), interpretado por Dexter Gordon em pessoa, e Francis Paudras, vivido pelo ator francês François Cluzet. Jazz raiz, destaca-se o trabalho de grandes músicos, como Herbie Hancock, que atua no filme como Martin Scorsese. É um filme de decadência, e não de ascensão. Os grandes músicos de jazz dessa era, quase todos negros, a despeito do talento até hoje reconhecido, viveram em condições por vezes degradantes.
Parece que viajei na batatinha. O que isso tem a ver com a nossa política? Na década de 1950, a vida norte-americana foi marcada por graves crises internas de valores e liberdades. O macarthismo promoveu uma “caça às bruxas” que sufocou o debate democrático, enquanto o conservadorismo emergente combateu o liberalismo tradicional. A profunda segregação racial marginalizou milhões de cidadãos.
Liderada pelo senador republicano Joseph McCarthy, a política externa de contenção ao comunismo transformou-se em histeria interna. O medo da “ameaça vermelha” levou à perseguição de funcionários públicos, intelectuais e artistas, minou o respeito às liberdades civis e à Constituição. A imagem de uma democracia exemplar esmaecia no racismo institucionalizado. Apenas na segunda metade da década, com o boicote aos ônibus de Montgomery em 1955 liderado por Rosa Parks, o movimento por direitos civis emergiu.
O sistema bipartidário norte-americano fora reconfigurado com o fortalecimento de alas conservadoras, focadas no combate ao comunismo e na subversão do liberalismo do New Deal. Essa polarização limitou reformas sociais mais amplas. A Doutrina Truman e a Guerra da Coreia (1950-1953) exigiram grandes mobilizações de recursos e expandiram a influência do complexo militar-industrial, o que gerou contestações sobre o papel dos EUA como “polícia do mundo”. Mais ou menos como agora.
Aqui no Brasil, uma pesquisa Datafolha divulgada há poucos dias revelou um cenário alarmante para a democracia brasileira: 68% dos eleitores não conseguem citar o nome de um único deputado federal em exercício, e 75% não se lembram de nenhum senador. Quase 70% dos entrevistados também não se recordam em quem votaram para cargos do Poder Legislativo federal nas eleições de 2022. Por que isso acontece?
Falta de sintonia
A política institucional, como os Poderes republicanos, nunca foi muito popular. Os partidos e os políticos parecem habitar um planeta distante, descolado da realidade brasileira. Com as sessões virtuais, já não há debates acalorados nos plenários da Cãmara e do Senado, tudo é decidido na base da transa, no colégio de líderes e em votações relâmpagos, às vezes por volta da meia-noite (eis a batatinha).
Os tratos e acordos feitos nos corredores do Congresso, dos gabinetes dos ministros e governantes e, às vezes, dos tribunais visam somente o atendimento de interesses privados de quem detém o poder político e/ou econômico. O Congresso virou um balcão de negócios, o paraíso do patrimonialismo. O caso Master e as relações perigosas com o banqueiro Daniel Vorcaro espantam pelos bilhões envolvidos, mas não pelo modus operandi que hoje predomina na Câmara e no Senado, que foram naturalizados.
A maioria dos políticos só se sente vinculada aos cidadãos quando há eleições. Hoje, não se debate mais nada, tudo parece decidido pelas lideranças do Congresso antes de chegar ao plenário, abruptamente, após articulações em reuniões fechadas. Salvo algumas exceções, os parlamentares comparecem ao plenário raramente, votam conforme a orientação de líderes ou de interesses pontuais e usam o tempo de fala não para formular ideias capazes de mobilizar o eleitorado, mas para produzir “cortes” para as mídias sociais. Os cidadãos são deixados de fora da política.
O Datafolha mostrou que apenas meia dúzia de deputados, entre 513, foram citados por ao menos 1% dos entrevistados – e, mesmo assim, em geral por sua capacidade de “engajamento” no ambiente digital. Poucos cidadãos sabem citar o nome de um parlamentar, há um profundo divórcio entre representantes e representados. Mas os fundos partidário e eleitoral e as emendas parlamentares garantem a reeleição. Não existe “paridade de armas” entre quem tem e não tem mandato. O Congresso está blindado contra a renovação. A democracia de massas no Brasil só sobrevive por causa do voto direto nas eleições majoritárias e da urna eletrônica.
Fica a dica de um bom filme na Apple TV Store. Mas, antes, vamos torcer pelo Brasil.
Meus amigos.
O rádio chiava em 1969; hoje, o algoritmo flutua na tela do telefone. O futebol mudou de sintonia, mas o diagnóstico é exatamente o mesmo. Se João Saldanha estivesse hoje no estúdio — ou se Pep Guardiola decidisse transformar o microfone em sua lousa tática pública —, a análise do Brasil que enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo não seria uma simples resenha. Seria uma autópsia cultural.
Imagine Guardiola, com aquela sua intensidade febril, gesticulando no vazio, publicizando o invisível: "Não se trata de correr menos ou mais. Trata-se de ocupar o espaço com a mente! E este Brasil de Ancelotti... o espaço está cheio de fantasmas!"
A crônica de hoje é um ensaio sobre o que escolhemos não ver.
As Onze Feras contra as Quarenta e Quatro Distrações
Saldanha, em 1969, foi curto e grosso: "Minhas feras são estas. Quem não gostar, que monte o seu time." Havia uma clareza geométrica na crônica daquele futebol. Onze homens. Um objetivo. Nenhuma concessão ao poder de plantão.
Hoje, o ecossistema inflou. Carlo Ancelotti importou para a Seleção o conceito da famiglia: o afeto que acolhe, o abraço que protege, o filho Davide no banco dividindo o peso do sobrenome. Mas essa proteção paternalista esbarra em uma dispersão inédita. Não temos mais um time; temos um condomínio de marcas. São quarenta e quatro craques dispersos entre quatro amores: o clube europeu que paga o bônus, o patrocinador que desenha a chuteira, o staff que valida o ego e, por último, a camisa que um dia foi de Saldanha.
Quando todos são protegidos na "família", ninguém é cobrado pela excelência. Guardiola olharia para isso e diria: "O amor no futebol é o passe correto. O resto é distração de vestiário."O Menino Ney e o Rei Pelé: O Mal-Entendido da Visão
A grande ironia histórica repousa na palavra que derrubou Saldanha e que hoje explica Neymar: a cegueira.
Início de 1970. João peitou o país ao sugerir que Pelé sofria de miopia, que não enxergava o jogo em velocidade. A crônica da época, literal e rasteira, achou que o técnico chamava o Rei de cego. Não entenderam o subtexto. Saldanha exigia a perfeição física e o foco absoluto; se até o Rei precisava provar que via o jogo, por que os mortais teriam privilégios?
Corta para o mata-mata atual. Neymar Jr., convocado sob o manto protetor de Ancelotti mesmo sem ritmo, é mantido sob cuidados especiais. Ancelotti o mima. E aqui entra a verdadeira cegueira — não a ótica, que os médicos de 1970 tateavam, mas a cegueira de José Saramago, o Nobel que compartilhava com Saldanha o mesmo rigor ideológico.
É a "cegueira branca". O mal de quem, tendo olhos para ver, escolhe fechar-se na bolha do estrelismo. Neymar, isolado em seu próprio clã de parças e patrocinadores, tornou-se o paciente zero do ensaio de Saramago no futebol brasileiro. Ele enxerga o gol, mas não enxerga o companheiro; enxerga o contrato, mas não a urgência histórica do João Saldanha de outrora.
O Veredicto do Tabu
Hoje, no estádio, o Brasil joga contra a Noruega e contra o seu próprio desfoque. O adversário não é apenas Haaland; é o espelho.
Se Ancelotti insistir em governar pelo afeto, permitindo que a comitiva de mimos dite o ritmo das suas feras, o fantasma histórico cobrará o preço. Com a enciclopédia Saldanha viva na mente, fechamos com a lição máxima que Guardiola sussurraria ao velho João:
"Meus amigos, o talento sem ordem é apenas vaidade fantasiada de craque; se o camisa dez insiste em ser cego para o espaço coletivo, o espaço tático se vinga e o engole vivo."
Agora que a crônica está finalizada, você gostaria de simular o pós-jogo imaginando como Saldanha e Guardiola criticariam a atuação real de Neymar após o apito final?