quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Uma foto que pode mudar o rumo do hemisfério

O paradoxo do caçula democrático Há uma simbiose indissociável entre a solidez das instituições republicanas e o livre exercício do escrutínio público, uma engrenagem viva que se moveu com precisão na recente entrevista do ministro Gilmar Mendes à jornalista Renata Lo Prete, no g1. O diálogo, travado sob a habitual voltagem das crises de Brasília, evoca uma máxima fundamental para os dias correntes: "É legítimo que se faça a pergunta. E que se esclareça. E que as pessoas respondam." Nessa tríade reside o oxigênio de qualquer sociedade aberta. Historicamente, o Brasil acostumou-se a buscar bombeiros institucionais nos momentos em que o tecido institucional esgarça. Evoca-se, quase por instinto, a mítica conciliação mineira sintetizada no clássico brado: "Chamem o Tancredo!". No entanto, na complexa paisagem política contemporânea, onde o Supremo Tribunal Federal se equilibra entre o papel de guardião da estabilidade democrática e o de vidraça sob severo questionamento, a necessidade de mediação mudou de endereço. O imperativo de conciliação hoje passa, obrigatoriamente, pela prestação de contas à sociedade, sem o filtro protetor dos bastidores. É nesse ponto que sobressai a natureza do fazer jornalístico. Se, por um lado, o Judiciário se vê obrigado a calibrar as fronteiras de sua atuação — enfrentando críticas legítimas sobre a transparência e os limites de inquéritos excepcionais —, por outro, a imprensa cumpre seu papel de fricção necessária. Afinal, como lembra o adágio popularizado, "o jornalismo é filho caçula da democracia". Não há um sem o outro. A legitimidade da Corte não se fragiliza pela contundência das perguntas; ao contrário, é na capacidade de responder a elas que o tribunal se fortalece. As notícias que consumimos em ritmo frenético não nascem no vácuo; são herdeiras diretas dos desdobramentos de ontem e anteontem. Diante de um cenário em que as tensões institucionais se renovam a cada ciclo de vinte e quatro horas, a busca por respostas claras deixa de ser um mero exercício retórico para se tornar uma exigência de sobrevivência republicana. Quando a dinâmica do poder exige esclarecimentos e a sociedade demanda clareza, a ordem velada que ecoa nas redações e nas consciências cidadãs é uma só: chamem a fiscalização, façam a pergunta e exijam o esclarecimento.
Escudo de Trump mira ponto fraco de Lula e cerca as fronteiras do Brasil, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense O crime organizado virou uma patologia no Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) já não são somente quadrilhas dedicadas ao tráfico O beabá da sociologia moderna começa com uma grande provocação de seu criador, Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo e filósofo francês, que forma a santíssima trindade dos pensadores clássicos das ciências sociais com Karl Marx e Max Weber. O seu principal mérito foi emancipar a sociologia como disciplina autônoma, elaborando um método científico próprio e diferenciando-a da psicologia e da filosofia. A provocação foi afirmar que o crime é um fato social normal, em As Regras do Método Sociológico (Martins Fontes). Durkheim não pretendia justificá-lo. Ao contrário, assinalava que nenhuma sociedade conhecida havia eliminado as transgressões e que a reação a elas reafirmava as regras coletivas. Para o sociólogo, o “normal” é todo fenômeno recorrente em sociedades de um mesmo tipo e estágio de desenvolvimento. O “patológico” aparece quando esse fenômeno ultrapassa certos limites e compromete a vida coletiva. A fronteira, portanto, não separa sociedades com crime daquelas sem crime, mas sociedades capazes de fazer valer suas regras diante do crime daquelas em que o poder criminoso passa a disputá-las. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:26:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Renata LoPrete entrevista Gilmar Mendes g1 23 de abr. de 2026 #notícias #g1 HÁ CINCO MESES Aqui está a transcrição completa do texto manuscrito contido na imagem: "É legítimo que se faça a pergunta. E que se esclareça. E que as pessoas respondam. "Chamem a Renata! Palavra de ordem em Minas quando a democracia se sente ameaçada:Chamem o Tancredo! O jornalismo é filho caçula da democracia. As notícias de hoje são as caçulas das de anteontem.
Futuro nunca passou tanto pelo Senado quanto agora, por Maria Cristina Fernandes Valor Econômico Poder dos senadores sobre o mandato dos ministros do STF e sobre a reforma dos tribunais superiores despertou interesse inaudito na disputa A disputa pelo Senado sempre foi a que menos mobilizou o eleitor. Desta vez, é diferente. Não há exatamente entusiasmo pela disputa porque o desalento grassa em todas as campanhas e para todos os cargos. Mas os desatinos do Supremo Tribunal Federal despertaram o interesse pela disputa na Casa que não apenas sabatina e vota os indicados à Corte como também pode definir sua degola. Medir este interesse em pesquisa não é fácil por conta das duas vagas. Nomes que aparecem como segunda ou terceira opções do entrevistado podem acabar aparecendo na liderança pela soma das menções. Ainda que se dê o malefício da dúvida às pesquisas que circulam por aí, há convergência de que este basta ao STF não será suficiente para garantir uma maioria bolsonarista ao Senado. As projeções mais confiáveis indicam um equilíbrio entre Centrão e PL, ficando os partidos mais à esquerda como a terceira força da Casa. A renovação dará, ainda, um peso maior às mulheres. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest
O STF e as eleições, por William Waack O Estado de S. Paulo. Qualquer que seja o resultado eleitoral deste ano, a crise no Supremo vai se ampliar O quatriunvirato que se vê dono do STF provocou a fusão da crise dessa instituição com as eleições, transformadas por eles mesmos em questão existencial quando aberta e publicamente apostaram as fichas em Lula. Trouxeram uma luta pelo poder disputada nas urnas para dentro do STF. A Corte acabou sendo levada pelo mesmo quatriunvirato à condição de símbolo de proteção do patrimonialismo, isto é, quando grupos privados se apropriam do Estado em defesa de interesses próprios. É completa bobagem acreditar que uma derrota de Lula significaria o fim do patrimonialismo, ou do “sistema”, mas é desse jeito que uma enorme parcela do público “sente” a atmosfera política, fulanizada nas figuras dos ministros. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:54:00 Um comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest
STF tem encontro com código de ética, por Carolina Brígido O Estado de S. Paulo A depender das decisões tomadas, Corte poderá evitar ou acelerar interferência externa Passadas as eleições, dois assuntos que foram empurrados para debaixo do tapete vão pautar o Supremo Tribunal Federal. O primeiro é decidir o que fazer com indícios de que ministros receberam vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Em paralelo, Cármen Lúcia anunciou a pessoas próximas que vai apresentar o texto de um código de ética para os integrantes do tribunal. Hoje, a probabilidade de um código ser aprovado no tribunal é mínima. Ainda assim, o presidente Edson Fachin insiste no projeto. A estratégia não é teimosia, mas uma espécie de redução de danos. Para ele, apontar desvios éticos ou indícios de cometimento de crimes dos pares não tira credibilidade do tribunal – ao contrário, mostraria que a Corte tem mecanismos internos capazes de resolver as próprias crises. CONTINUAR LEITURA
Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. 🇧🇷 Tradução para o Português Uma foto que pode mudar o rumo do hemisfério No dia 23 de setembro, quando a ditadora Delcy Rodríguez foi fotografada sorrindo com Donald Trump em Nova York, muitos viram isso como puro espetáculo político. A foto chamativa, a reviravolta inesperada, a curiosidade de ver uma chavista com sua zona de conforto estendida aos EUA. E a apenas alguns quilômetros de onde seu antecessor, Nicolás Maduro, permanece trancado em uma cela. Entender isso como uma excentricidade divertida é um erro. Essa foto não é apenas mais uma imagem. É uma mensagem cifrada com várias camadas, e cada uma delas afeta uma liberdade que, até agora, considerávamos garantida na América Latina. 🇺🇸 Tradução para o Inglês (English Translation) A photo that could change the course of the hemisphere On September 23, when the dictator Delcy Rodríguez was photographed smiling with Donald Trump in New York, many saw it as political showbiz. The flashy photo, the unexpected twist, the curiosity of seeing a Chavista with her comfort zone extended to the US. And just a few miles away from where her predecessor, Nicolás Maduro, remains locked in a cell. Understanding it as an entertaining eccentricity is a mistake. That photo is not just another image. It is a coded message with multiple layers, and every single one of them touches upon a freedom that, until now, we took for granted in Latin America.A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas
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A Teoria da Ferradura (Horseshoe Theory), formulada pelo filósofo e escritor francês Jean-Pierre Faye, é um conceito da ciência política que serve para explicar por que a extrema-esquerda e a extrema-direita muitas vezes se comportam de maneira idêntica, apesar de estarem em lados opostos do espectro ideológico.

🧲 O Conceito Visual e Estrutural

A metáfora é simples e visual:

  • O modelo tradicional: Imagina a política como uma linha reta, onde a esquerda está em uma ponta, o centro no meio e a direita na outra ponta. Quanto mais você se afasta do centro, mais distante fica do lado oposto.
  • O modelo de Faye: Imagina a política como uma ferradura. As duas pontas continuam existindo, mas a linha se curva de tal forma que as extremidades se aproximam e quase se tocam.
[ CENTRO ] / \ [ESQUERDA] [DIREITA] | | | | [EXTREMA] <----> [EXTREMA] ESQUERDA DIREITA (Pontas quase se tocam)

🌐 O Significado Contextual no Texto do Autor

No texto publicado por Nacho Montes de Oca, a teoria é usada para ilustrar a convergência dos extremos. O autor contextualiza o conceito através de três características principais:

  • Nutrição Mútua e Aliança Oculta: O autor afirma que os extremos "não brigam mais, eles se nutrem". Na prática, a extrema-esquerda e a extrema-direita precisam uma da outra para existir, pois usam o medo do "inimigo" para engajar seus seguidores. O texto sugere que, no cenário latino-americano, eles chegaram a um ponto de convergência tão grande que formaram uma "parceria política" para uma "festa populista em estéreo".
  • Aversão ao Pensamento Crítico: Ambos os extremos convergem na rejeição ao debate democrático tradicional, à moderação e à reflexão. Para entrar nessa "festa", o autor diz que é preciso "se agachar para cruzar a entrada", significando que ambos exigem a submissão intelectual e a perda da dignidade dos indivíduos.
  • Métodos Idênticos para Fins Parecidos: Embora os discursos teóricos sejam diferentes (um foca na classe social, o outro no nacionalismo/costumes), na prática, ambos convergem no uso do populismo, do autoritarismo, do ataque às instituições democráticas e no alinhamento com regimes ou elementos criminosos (como sugere um dos comentários do post).

Em resumo, Nacho Montes de Oca utiliza Jean-Pierre Faye para alertar que, ao extremar o discurso, a política deixa de ser um debate de ideias e passa a ser um jogo de espelhos, onde o radical de esquerda e o radical de direita se tornam faces da mesma moeda totalitária.

Use o código com cuidado.
Nacho Montes de Oca no X: "Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores. El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea. Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes. El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre? El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir. Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington. El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita. Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar. Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes. En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no. Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo. Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad. Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder. Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista. Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica. Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta. No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político? Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero. La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta. La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo. Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido. Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos. Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos. Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada. PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre." @nachomdeo Nacho Montes de Oca @nachomdeo Una foto que puede cambiar el rumbo del hemisferio El 23 de septiembre, cuando la dictadora Delcy Rodríguez se fotografió sonriente con Donald Trump en Nueva York, muchos lo vieron como farándula política. La foto vistosa, el giro inesperado, la curiosidad de ver a una chavista con su zona de confort extendida a los EEUU. Y a solo unos kilómetros en donde su antecesor, Nicolás Maduro, permanece encerrado en una celda. Entenderlo como una excentricidad entretenida es un error. Esa foto no es una imagen más. Es un mensaje cifrado con varias capas, y cada una de ellas toca una libertad que hasta ahora dábamos por sentada en América Latina. El punto de partida es entender que Delcy Rodríguez, la dictadora interina, llega a Estados Unidos invitada por la Casa Blanca. Hace un año era una rea de la justicia acusada de delitos aberrantes contra los venezolanos y de ser la segunda y lavandera de dinero sucio de un régimen corrupto hasta la médula. Ahora es la jefa del chavismo. Sigue siendo la administradora de un régimen brutal. Pero igual es recibida con todos los honores. El primer mensaje que esconde es el más obvio y el más brutal: se acabó la condición democrática. Durante treinta años, desde que terminó la Guerra Fría, la regla no escrita fue: se puede ser de izquierda o de derecha, se puede caerle mejor o peor en Washington, pero si se necesitan dólares, préstamos del FMI y una foto en la Casa Blanca, tiene que haber una elección que, al menos, parezca creíble. No hacía falta que fuera perfecta. Alcanzaba con que hubiera oposición, con que la prensa pudiera informarla. Esa ficción obligaba a los gobiernos a no cruzar del todo la línea. Ese foto le puso fecha de defunción a esa regla. En marzo, la administración Trump les dio a petroleras norteamericanas acceso a una quinta parte de los más de 300 mil millones de barriles en reservas probadas de Venezuela y a cambio levantó sanciones y la sacó de la lista negra antinarcóticos. No pidió elecciones, ni liberar a todos los presos políticos, ni garantías reales para la prensa independiente. Como dijo el propio Trump ese día, "Venezuela no está preparada para votar". Traducido: no me interesa si votan. Me interesa que cumplan con barriles, con frenar la droga y con frenar migrantes. El segundo mensaje es más técnico, pero más erosivo para la soberanía al sur del Río Grande. Es la tutela sin tropas. La Orden Ejecutiva 14373, firmada en enero, no le devuelve la plata del petróleo a Venezuela. Crea, y cito textual, una "cuenta de custodia" en Washington que administra el Departamento de Estado. Es decir, el gobierno venezolano pone la cara, pero la billetera la maneja otro. No es una invasión. Es más sofisticado: es un contrato donde, para seguir siendo presidente de un país con el apoyo de Estados Unidos, sus recursos vitales pasan a ser administrados por el socio más fuerte. Si esto funciona en Venezuela, ¿por qué no en el futuro en Bolivia con el litio o en Ecuador con el cobre? El tercer mensaje es el que más debería preocuparnos a los periodistas y a cualquier ciudadano. Toca directamente nuestras libertades. Porque la foto blanquea que se puede apretar a la prensa y salir premiado. Mientras Delcy es recibida, Venezuela ocupa el puesto 159 sobre 180 en el ranking de libertad de prensa de Reporteros Sin Fronteras. Es uno de los peores lugares del mundo para hacer periodismo. Y sin embargo fue admitida sin condiciones. El mensaje que baja a la región es devastador: perseguir periodistas ya no te cierra puertas, te las puede abrir. Y ya se está viendo el efecto contagio. En su informe de abril, Reporteros Sin Fronteras habló de la peor caída global en 25 años y puso a cuatro países latinoamericanos en alerta roja. Argentina, que bajo el gobierno de Javier Milei cayó 69 puestos desde 2022, después de que en abril se prohibiera el ingreso de periodistas acreditados a la Casa Rosada -un gesto imitado por Trump con medios disidentes días atrás-. En El Salvador, Nayib Bukele usa la nueva Ley de Agentes Extranjeros para abrir causas penales a medios independientes. En Ecuador, donde Daniel Noboa adelantó elecciones municipales y dejó afuera a la principal fuerza opositora, se denuncia un hostigamiento similar. No es que copiaron a Delcy. Es que aprendieron que ahora pueden hacerlo sin pagar costo en Washington. El problema es que se trata de un mismo método que, cuando es usado por el mismo chavismo o sus aliados cubanos, nicaragüenses o un gobierno de izquierda como el mexicano, despierta críticas entre muchos de los que, cinco minutos después, minimizan esos incidentes o se hacen parte de la horda anti-periodistas cuando se cometen desde la derecha. Y lo hacen ante una prensa que, un rato antes, decían no odiar lo suficiente. O piden certificados de veracidad y pureza al periodismo por encargo de líderes que hacen de la mentira y la promesa rota un canto cotidiano. El cinismo de ambos extremos de la militancia política suena en estéreo. Y ese enervante, demencial y, por sobre, todo hipócrita. Pero no es solo la libertad de prensa. Es la libertad de elegir o de que un juez defienda al ciudadano del abuso del poder y la prerrogativa de que cada voto valga. Cuando se legitima a alguien como la dictadora venezolana que, según la encuestadora Delphos de junio, tiene 61% de rechazo y 24% de apoyo, y al mismo tiempo se deja afuera a María Corina Machado, que ganó una primaria con 92% de los votos y que hoy mide más de 70% contra menos de 4% de Rodríguez según Datanálisis, le estás diciendo a todo el continente que la legitimidad ya no viene de abajo, de la gente, sino de arriba, de tener algo para transar. Por eso esa imagen de la dictadora y su tutor modifica la historia del hemisferio. No es como otros giros de Trump. No se trata de aranceles, no es un insulto predecible en Twitter. Es el momento en que Estados Unidos deja de ser, con todos estándares flexibles acostumbrados, el garante de que la democracia era el peaje para entrar al sistema, y pasa a ser el aval de que la estabilidad y los negocios son suficientes. En el siglo XX tuvimos la Doctrina Monroe: América para los americanos. Después tuvimos la doctrina de la promoción democrática: América para las democracias. Lo que nace es una tercera doctrina: América para quien garantice orden y recursos, se vote o no. Y acá viene el último mensaje, el más irónico y el más difícil de digerir. El chavismo, que durante 25 años dijo que venía a enterrar a la derecha, le terminó enseñando cómo quedarse en el poder. Y da cátedra sobre cómo pasar de un tutelaje chino y ruso a uno de Estados Unidos sin caerse. Pero que siempre hay que ser tutelado. Y algunos gobiernos latinoamericanos ya rindieron examen al abrazarse a la dictadrua venezolana a la que hace un año repudiaban. O al callarse ahora esas mismas críticas, aunque contradigan el pensar de quienes los votaron o lo que ellos mismo decían respecto al chavismo. Allí hay otro residuo político, en la caída de las ideologías. La dictadora que militó el desprecio a Trump, al que llamó "terrorista de Estado" y "criminal". Hoy, se encuentra con el mismo que llamó al chavismo un "régimen narco", "ladrones", "sucios" y "repugnantes". Socialismo y conservadurismo, fundidos políticamente. No es una anomalía, es un golpe re realidad. Ese transformismo político mutuo es un ejemplo didáctico que cae como una lección hacia sus respectivas sociedades, sus líderes y sus ciudadanos. Vale todo, lo que importa es el líder, el negocio y mantenerse en el poder. Y tiene un efecto imitativo que no está disociado del origen real de muchos de los “nuevos dirigentes”, que surgieron del final del intestino de aquellos partidos e ideologías a las que luego declararon sus adversarios a muerte. Y a su vez achata el debate de ideas para trasladarlo al de las conveniencias transaccionales que lleva el discurso público, a un nivel de retórica sobreactuada de obediencia al líder, en un grado que hasta hoy se creía que era solo una excentricidad norcoreana. O chavista. Y la tristeza del "por algo el líder pide que matemos a los gorriones", pero replicado en un discurso de miles de personas que deja en manos de una figura política su futuro sin cuestionar ni corroborar la factibilidad de cada propuesta. Para eso está el posteo, no se necesita mas texto. La hambruna intelectual promete ser épica. Esta contorsión es caracterizada en la neolengua como "realpolitik", que es una forma poco elegante de acomodarse y justificar una renuncia a valores para intentar validar al líder y emparenta a derecha e izquierda en una misma escuela política. Y de paso frivoliza el debate para pasar de las ideas argumentadas a una emocionalidad que acude con más frecuencia al grito que a la reflexión conjunta. No es solo la ideología, es el método donde convergen los polos opuestos de la política. El chavismo inventó una forma de gobernar: un líder que encarna al pueblo, un enemigo interno que es traidor y no rival —antes el imperialismo, ahora el Estado profundo—, el Estado usado como botín para premiar leales y un vínculo directo por redes sociales saltándose a los medios. Observen hoy a Buenos Aires, a San Salvador, a Quito. Luego a Caracas, a La Habana y a Managua. Vuelvan la vista a Washington. ¿No es exactamente la misma tecnología de poder, pero con otro color político? Por eso Trump se entiende mejor con Delcy que con Machado. Delcy no tiene un proyecto de país que la obligue a pelearse con él. Solo quiere sobrevivir administrando el aparato que le dejó Maduro. Es predecible. Machado, en cambio, tiene un mandato real de la gente y si la reconocés, tenés que ayudarla a hacer lo que prometió: contar los votos y meter presos a los corruptos. Y eso incomoda al nuevo socio petrolero. La imagen de Delcy Y Donald no es farándula. No es una foto curiosa para el archivo. Si este precedente queda en pie, dentro de diez años quizás vamos a mirar este 23 de septiembre como miramos hoy la caída del Muro de Berlín o la firma del Consenso de Washington: el día que entendimos que las reglas habían cambiado y no nos habíamos dado cuenta. La pregunta ya no es si Delcy es democrática o no. La pregunta es si la región está dispuesta a aceptar que a partir de ahora la democracia es un asunto opcional. Y comprender que, una vez que bajaron los estándares democráticos, los próximos gobiernos, sean de derecha o de izquierda, encontrarán una democracia cada vez más magullada y al sistema de garantías republicanas ajado. Destruir una república, muestra la experiencia venezolana, lleva muy poco tiempo. Recuperarla es una tarea titánica. El chavismo que hoy se pasea tutelado por la tierra de su viejo adversario es una invitación y una advertencia al mismo tiempo. Tampoco se trata de enfocarlo todo como una oposición o defensa de Trump, porque a fin de cuentas es una figura que resalta pero que no deja de ser una circunstancia pasajera, al igual que su dictadora asociada de Venezuela. La cuestión es mirar más allá del circo político y pensar sin fanatismos lo que va a quedar establecido. Es mucho más que una foto. Es un sinceramiento de un cambio que se propone y que se acomoda por derecha o por izquierda para legitimar una lógica de poder transideológica. Para el momento en que se consolide, puede que ya no haya dónde quejarse una vez muerto el mensajero y el resto de los canales para expresar la disidencia. El fin de los medios se justifica para los que creen que el fin justifica los medios. Parece un trabalenguas, pero es una alarma cifrada para el que pudo llegar hasta aquí al conservar la capacidad de leer en un texto de mas de dos párrafos. Los extremos ya no pelean, se nutren y expulsan el pensamiento critico y reflexivo del debate. Esa es el bonus de una relación en la que la teoría de la herradura Jean-Pierre Faye terminó por develar que errar es humano, pero sumarse a los extremos es para equinos. Ahora sí, un aplauso para la pareja política y su invitación al resto del continente para su fiesta populista en estéreo. Están todos invitados, siempre y cuando accedan a agacharse para cruzar la entrada. PS: es una editorial escrita desde la alarma y el enojo. La indignación a veces obliga a salirse del periodismo de datos para expresar lo que, si se queda guardado dentro, se pudre.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Em uma frase: o texto defende que o Brasil deveria ir além da dicotomia “EUA versus Sul Global”, construindo uma política externa soberana, democrática e pragmática — “outro Ocidente, nunca anti-Ocidente”.

BINGO DO LULA NA ONU Como foi o bingo de Lula na ONU AO VIVO: ASSEMBLEIA-GERAL DA ONU 2026 | PLANTÃO THE NEWS 22/09 the news cc Transmissão ao vivo realizada há 7 horas Vídeo: ONU/Reprodução
"Para atingir Mendonça, Moraes dispara um tiro que ricocheteia no ministro Fachin, que atua como presidente-anteparo. Nessa troca de chumbo no Supremo, Mendonça revida o Inquérito das Fake News com uma investigação própria. Um embate direto travado por meio de inquéritos mágicos." RODA VIVA | WÁLTER MAIEROVITCH | 21/09/2026 Roda Viva e TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 19 horas Roda Viva | 2026 Nesta segunda-feira (21), o Roda Viva recebe o jurista e professor Wálter Maierovitch. Após o país acompanhar com atenção a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, paralisada pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino, o programa analisa os próximos passos da Corte, os impactos das posturas adotadas pelos magistrados e os reflexos em todo o Poder Judiciário. A discussão integra a programação do mês de celebração dos 40 anos do Roda Viva, reafirmando o compromisso do programa com o debate dos grandes temas nacionais. 00:00:00 Abertura e apresentação 00:02:49 Apuração e ética no STF 00:08:40 Suspeição do Procurador-Geral 00:13:39 Decoro e imagem das instituições 00:20:00 Crises históricas do Judiciário 00:27:02 Impactos nas eleições de 2026 00:31:00 Impedimento e foro íntimo 00:33:57 Propostas de mudança no STF 00:42:53 Papel do CNJ e transparência 00:50:45 Relações do Caso Master 00:59:00 Validade da delação premiada 01:04:14 Mudanças no STF e mandato 01:09:00 Projetos de anistia e golpe 01:13:42 Crise entre os Poderes 01:18:31 Considerações finais e encerramento #RodaViva #TVCultura #SomosCultura #WálterMaierovitch
Resumo O artigo de Christopher Garman, publicado no Valor Econômico, argumenta que o Brasil vive uma degradação institucional lenta, mais preocupante no longo prazo do que a atual crise envolvendo o STF. O autor identifica três frentes principais: Judiciário: o aumento da atuação de escritórios ligados a familiares de ministros e suspeitas de influência sobre decisões criaria um ambiente propício ao tráfico de influência. Crime organizado: facções estariam ampliando sua atuação econômica e política, alcançando setores como combustíveis, mineração e fintechs e aumentando sua presença em governos locais. Congresso: o crescimento das emendas parlamentares, combinado com fiscalização considerada insuficiente, teria ampliado o poder econômico do Legislativo e favorecido interesses particulares. Segundo Garman, esses processos não configuram ainda uma ruptura institucional, mas corroem gradualmente a confiança nas instituições e a igualdade de competição entre empresas. No curto prazo, a crise do STF poderia afetar a confiança dos investidores e o ambiente político para uma eventual reforma fiscal em 2027. O autor considera que mudanças no Judiciário e maior fiscalização das emendas são possíveis, mas vê como desafio mais difícil conter a penetração do crime organizado no Estado. Ao mesmo tempo, o artigo ressalta que o Brasil mantém instituições relativamente robustas: Judiciário e Ministério Público independentes, Polícia Federal atuante e diversos mecanismos de veto no sistema político. Essa estrutura, argumenta Garman, também explica por que grandes escândalos conseguem vir à tona. Tese central: mais importante do que a permanência de ministros específicos no STF é saber se a crise atual produzirá reformas capazes de reduzir estruturalmente o tráfico de influência, a corrupção e a infiltração do crime organizado nas instituições.
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Lenta e ampla degradação institucional, por Christopher Garman Valor Econômico Apesar de tudo, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais O Supremo Tribunal Federal está mergulhado em uma crise institucional sem precedentes. Por trabalhar em uma empresa de risco global, frequentemente recebo perguntas sobre os efeitos desse escândalo na confiança dos investidores internacionais. A resposta não é fácil. No curto prazo, a principal questão é como essa crise pode afetar o resultado da eleição presidencial e, consequentemente, as perspectivas para uma reforma fiscal em 2027 que crie condições para a queda das taxas de juros, que vêm estrangulando as empresas e as famílias. Mas os efeitos de longo prazo são, de longe, mais relevantes: o escândalo envolvendo o Supremo é sintoma de uma degradação institucional em curso há uma década, visível em três frentes: o tráfico de influência em decisões judiciais, a cooptação crescente da política pelo crime organizado e a corrupção difusa entre parlamentares que, cada vez mais, defendem seus próprios interesses econômicos. Juntos, esses vetores não configuram uma crise institucional aguda, mas a dinâmica se assemelha à de uma rã na água fervente: mina lentamente a confiança nas instituições e no ambiente de negócios. A crise no STF tem suas raízes em um ambiente propício ao tráfico de influência nos tribunais. Em 2023, a corte flexibilizou as restrições impostas a familiares de ministros que atuam em escritórios responsáveis por casos perante as cortes superiores. E, de acordo com um estudo do jornal O Estado de São Paulo, das 1.860 ações apresentadas ao STF e ao Superior Tribunal de Justiça por escritórios onde advogam familiares de ministros, 70% foram protocoladas após o parente assumir o cargo. Oito dos dez ministros do STF estão nessa situação. Advogados relatam que clientes contratam, cada vez mais, além de um escritório tradicional, outro de um familiar de um ministro. Relatos de que algumas decisões nos tribunais superiores estão sendo influenciadas por quem contrata esses escritórios vêm aumentando. Ao mesmo tempo, cresce a infiltração do crime organizado na esfera pública. Facções criminosas estão diversificando seus negócios, incluindo combustíveis, mineração e fintechs; um estudo mostra que essas atividades já respondem por 5% do PIB do país. Pesquisas apontam que cerca de 19% da população vive em áreas controladas por facções, e a infiltração em governos estaduais e municipais é generalizada, como indicam investigações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Há um risco real de que a infiltração do crime nas instituições se aproxime do modelo hoje visto no México, embora ainda não tenhamos chegado nesse estado. No Congresso Nacional, a corrupção cresceu desde que uma emenda à Constituição deu ao Legislativo, a partir de 2015, controle sobre emendas orçamentárias, sem supervisão do Executivo: os recursos saltaram de R$ 3,8 bilhões em 2015 para R$ 47 bilhões em 2025, o equivalente a cerca de 0,36% do PIB. O problema não é só o uso ineficiente, mas a ausência de fiscalização: prefeitos relatam exigências de comissões de até 20%, pagas por meio de superfaturamento das obras. Os parlamentares tornaram-se também menos dependentes do Executivo e, cada vez mais, passaram a legislar em benefício de seus negócios privados. O Executivo enfrenta mais dificuldades para conseguir que o Senado aprove nomeações para agências reguladoras, e crescem também relatos de indicações de escritórios de advocacia para ajudar em temas regulatórios. Juntos, esses vetores representam uma decadência institucional lenta, cujo custo é difícil de mensurar, mas que se manifesta principalmente de duas formas. Primeiro, mina a igualdade de condições de competição: investidores e empresas que não jogam o jogo de influência nos tribunais, ou que enfrentam parlamentares com interesses próprios e crime organizado infiltrado em seus setores, sentem esse desequilíbrio na prática. Segundo, corrói a confiança nas instituições: os eleitores já apontam a corrupção como o principal problema desta eleição, e essa desconfiança tende a se refletir nas urnas. Diante de um escândalo dessa magnitude no STF, alguma mudança é provável, e tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro já defendem uma reforma do Judiciário. A falta de fiscalização sobre as emendas orçamentárias, por sua vez, é mais difícil de enfrentar. Qualquer novo governo será tentado a negociar a aprovação de um ajuste fiscal em troca da preservação desse mecanismo. O cenário mais provável é que o uso dos recursos passe a ser mais fiscalizado, com as investigações em curso servindo como instrumento de pressão — mas nenhum novo governo conseguirá alterar essas regras rapidamente. O desafio maior, entretanto, é frear a degradação institucional decorrente do avanço do crime organizado: o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal têm avançado, mas a cooptação do setor público continua a crescer. Apesar de tudo isso, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais. O Judiciário e o Ministério Público são independentes; a Polícia Federal é atuante; e o sistema político tem múltiplos pontos de veto. Esse arranjo dificulta a governabilidade, mas, ao mesmo tempo, explica por que grandes escândalos vêm à tona (em outras democracias, escândalos como esse não veem a luz do dia). Investidores internacionais reconhecem isso. Mas a batalha para preservar a robustez institucional depende de medidas que ataquem a raiz dessa degradação. Mais relevante do que a permanência ou não do ministro Alexandre de Moraes (ou de outros) no cargo é saber se a crise pode dar início a uma reforma que coíba as práticas que criam um ambiente propício ao tráfico de influência.
Resumo O artigo de Paulo Fábio Dantas Neto parte de um discurso de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, para propor uma reflexão sobre o lugar do Brasil no mundo diante da ofensiva internacional de Donald Trump. A ideia central é que a ordem internacional do pós-guerra está se enfraquecendo, dando lugar a uma competição mais agressiva entre grandes potências. Carney propõe que países de porte intermediário, como Canadá e Brasil, atuem conjuntamente — política, comercial e diplomaticamente — para defender soberania, democracia, direitos humanos e pluralismo, sem simplesmente se alinhar a uma potência rival dos EUA. Para o autor, essa proposta oferece ao Brasil uma alternativa ao conceito de “Sul Global” como principal eixo de sua política externa. O Brasil poderia manter relações econômicas com países do Sul, China e Brics, mas sem transformar essas relações em alinhamento político com regimes autoritários. Interesses pragmáticos e valores democráticos, argumenta, podem coexistir. O artigo recupera então o pensamento de San Tiago Dantas, especialmente sua defesa de uma política externa independente, baseada na soberania nacional e na cooperação voluntária entre Estados. Nessa visão, o Brasil não deveria ser nem potência agressora nem país subordinado, mas um Estado capaz de cooperar preservando sua autonomia. Daí surge a ideia de “outro Ocidente”, associada também a José Guilherme Merquior: o Brasil faria parte de uma tradição cultural e política ocidental, mas não precisaria se subordinar às grandes potências ocidentais. Para o autor, essa posição permitiria ao Brasil defender seus interesses e sua soberania mantendo vínculos com democracias. Em uma frase: o texto defende que o Brasil deveria ir além da dicotomia “EUA versus Sul Global”, construindo uma política externa soberana, democrática e pragmática — “outro Ocidente, nunca anti-Ocidente”.
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Mark Carney, San Tiago Dantas e o mote do “outro Ocidente”, por Paulo Fábio Dantas Neto* Demorou um pouco até que uma voz mais firme e positiva surgisse de um país ocidental, reconhecendo com realismo a extensão e profundidade radicais da ofensiva de Donald Trump para decretar, nas relações internacionais, o retorno do império da competição sem regras entre grandes potências. O primeiro ministro Mark Carney, do Canadá, em pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, além de fazer isso, lançou um facho de luz num mundo que, diante da fera, tem oscilado entre a perplexidade, o medo, a retórica oca e a indignação impotente. Ao reconhecer a falência da ordem mundial do pós-guerra e a impossibilidade de sua refundação, exortou o que chama de potências médias (dentre as quais vê o seu país incluído) a agirem em bloco, política, comercial e diplomaticamente para resistirem à ação das potências hegemonistas e contraporem, ao mundo sem regras que elas estão consagrando na esteira da blitz trumpista, um processo de construção de uma nova ordem, na qual possam ser preservados tanto os interesses soberanos dos países, como valores civilizatórios supranacionais, com destaque aos direitos humanos, à democracia e o pluralismo político. A relativa demora da reação guarda alguma semelhança com a prudência da diplomacia brasileira. Afinal, ambos os países estão tradicionalmente situados na chamada área de influência dos EUA. No caso do Canadá, mais ainda, porque tem com aquele país uma imensa fronteira, tendo sido alvo de insólita ameaça de anexação. Isso valoriza ainda mais a firmeza, a ousadia e a largueza de visão do pronunciamento do primeiro-ministro. O único ponto não bem explicitado no discurso memorável é a indeterminação, talvez deliberada, do que se pode considerar como médias potências. Mas a afirmação final do discurso de que o caminho proposto é “totalmente aberto para qualquer país disposto a trilhá-lo conosco” não deixa dúvidas sobre a amplitude política e a generosidade planetária do posicionamento. Certamente a amplitude não é politicamente ingênua. Sabe discernir as distintas capacidades de reação de distintos países (daí a alusão ao protagonismo dos de porte intermediário) mas não fecha previamente o arco da promessa. Fica evidente uma tentativa de construir uma alternativa a artefatos da estratégia trumpista, como o chamado comitê de paz de Gaza, uma iniciativa com clara intenção de consumar a interdição do papel da ONU, de há muito desafiado e desgastado por grandes potências. Em vez de clamar, retoricamente, pelo respeito ao virtual e cada vez menos real poder arbitral daquela organização, Carney está propondo uma articulação e ação realistas de novo tipo. E pelo desenho mesmo da proposta, combinando interesses e valores, o reconhecimento da ineficácia da ONU como poder arbitral não implica em desconhecer nem deixar de apoiar o papel ativo que desempenha, através de várias organizações específicas, na promoção dos direitos humanos no mundo e na assistência e solidariedade contínuas a populações submetidas aos efeitos de situações de agressão e opressão. O pronunciamento é, por tudo isso, uma sinalização concreta para a política externa brasileira. Se ela assumir a integridade e as implicações políticas de um discurso como esse, estará sintonizada não apenas com o Canadá e o mundo democrático, mas com as melhores tradições do Itamaraty. Essa sinalização chega em momento propício para encontrar boa guarida. A política externa brasileira atual, desde o tarifaço de Trump, passou a demonstrar razoável sintonia com esse discurso. O horizonte dessa sintonia é bem mais largo do que o discurso do "Sul Global", a marca geopolítica principal que, até poucos meses atrás, tentava guiar passos do próprio Itamaraty. Parece que a realidade da blitz trumpista está levando o governo a achar um eixo que articule melhor política e diplomacia. Os efeitos têm sido animadores e justificam a expectativa de que o governo brasileiro e seu presidente acolham a fala canadense como aceno a uma firme aliança e não como o nascimento de um discurso rival. A lógica pragmática da prioridade às relações “Sul-Sul” é se amparar no banco dos Brics e na influência chinesa para escapar das garras de Trump. Isso colocaria em segundo plano o Canadá, assim como a UE. A conversa do canadense é outra. Para enfrentar a ofensiva de Trump não adota o caminho de amparar-se em potências rivais dos EUA, cujo traço comum, para além de suas vocações também imperiais, é serem ditaduras. Com elas, relações diplomáticas e comerciais, sim, cooperação política, não. Nenhum interesse pragmático justifica um compromisso seletivo com o valor dos direitos humanos. Por essa chave de abordagem das relações internacionais cabe, por exemplo, contrapor-se ao massacre de Israel em Gaza e não cabe fazer silêncio ou murmurar com timidez sobre o que ocorre no Irã. Pragmatismo de interesses e de valores não são incompatíveis. São complementares para livrar potências médias, como somos Brasil e Canadá, de escolherem inseticidas para combater os insetos. O pronunciamento de Carney evoca as melhores tradições da nossa política externa, registradas em formulações igualmente amplas, em distintos contextos. Não vou aqui exumar tais contextos nem resgatar, pela enésima vez, as memórias de Rio Branco, Ruy Barbosa, ou Osvaldo Aranha. Trago à lembrança San Tiago Dantas, pelo que ele tem de mais contemporâneo. Não tanto sua experiencia no Itamaraty, evidentemente datada, mas o legado do seu pensamento político de esquerda positiva, formulador de uma combinação fantástica de convicção democrática, reformismo social e - o que aqui mais interessa – visão do interesse nacional soberano articulado com uma perspectiva cosmopolita. É dele a reflexão que tentarei resumir, pedindo desculpas por possíveis imprecisões e servindo-me da memória de discussões do grupo de pesquisa Ecos do Subsolo, que tive a sorte de coordenar na UFBa. San Tiago buscava definir, de forma teórica e de forma prática, possibilidades de uma política de não-alinhamento que impulsionasse o Brasil como protagonista de suas experiências sociopolíticas, em detrimento de qualquer subordinação primária a interesses externos. Na dinâmica internacional, poder-se-ia identificar, segundo ele, grupos distintos de acordo com seus interesses externos, entendidos enquanto aqueles interesses que podem levar um Estado nacional a intervenções fora de seu campo interno de ação e indispensáveis para o preenchimento de seus fins políticos. São estes: Grupo 1 - Estados potencialmente agressores: têm como tendência permanente serem determinantes na esfera de interesses internos de outros Estados. Buscam interferir em áreas que estão sob controle de outro Estado, sendo que a maioria dessas modalidades de influência, quando se exercem como ações permanentes, configura o imperialismo; Grupo 2 - Estados potencialmente agredidos: aqueles que visam à preservação da própria esfera de determinações contra interferências de outro Estado. Almejam, portanto, a defesa da própria soberania contra todas as formas externas de infiltração, com reivindicações anti-imperialistas. São o oposto dos países do grupo 1. Esses dois primeiros grupos eram extremos da linha de política exterior, entre os quais se pode identificar o modo como os vários estados nacionais se posicionam em relação aos outros na dinâmica política internacional. Isso é especialmente relevante quando, para San Tiago, nenhum Estado pode existir em isolamento absoluto, nem mesmo teoricamente, uma vez que “a existência de um Estado Nacional pressupõe a de outros Estados Nacionais, cujas esferas de interesses e de influência, ou coincidem convergentemente, ou se desenvolvem paralelamente com a do Estado considerado". No caso brasileiro, a experiência nacional identificaria o país num terceiro grupo, no qual os interesses externos corresponderiam à necessidade de cooperação voluntária, via entendimentos com outros Estados para o preenchimento de seus fins. Aspiração à atividade não-compulsória que se processaria justamente pela capacidade que esse Estado teria de oferecer reciprocidade a formas de cooperação. Devemos notar ainda a forma como San Tiago Dantas identificava o Brasil, a partir de uma dimensão histórica, na dicotomia Ocidente x Oriente. Segundo ele, a experiência civilizatória realizada no nosso meio, a partir de um processo colonizador deliberado empregado por Portugal, iniciou um processo de transplantação da civilização ocidental. Este processo teria sido comunicado aos povos e continuaria a orientá-los após alcançarem a independência política, e, no caso das Américas espanhola e portuguesa, a partir da tentativa de implantação da civilização ocidental nos trópicos, aspecto irremediavelmente determinante da formação brasileira e das virtudes e vícios das suas políticas interna e externa. Essa postura realça a ideia de "outro ocidente", termo que devemos a José Guilherme Merquior, também um pensador instigante do Brasil. Nas percepções do liberal Merquior e do trabalhista San Tiago a comum compreensão de que esse outro ocidente é a praia natural do Brasil, da sua cultura nacional e da sua diplomacia. Sintonia fina, contemporânea e mais ou menos coetânea entre dois intelectuais cujas reflexões sobre o tema separam-se no tempo por duas décadas, entre a dos 60 e a dos 80. Sintonia contemporânea que se pode dar também entre pensamentos não coetâneos, hipótese acolhida no universo compreensivo de um terceiro pensador brasileiro, Guerreiro Ramos, hoje mobilizado, com discutível precisão, por defensores da necessidade de “descolonização” do nosso pensamento político. Pois é justamente nessa hipótese que se pode ler o discurso atual de Carney como portador de um pensamento político análogo. Sem prejuízo da intensificação das relações comerciais com os países "do sul" (o próprio Canadá faz isso), a reação política global contra o trumpismo tem que superar a conversa do Sul Global. Ir além dela. Mostra que o ocidente não é uma imagem do passado, inerte diante da ofensiva de um presidente autocrático à frente do governo de uma potência hegemônica. Sintonia com esse discurso inclusivo e não demarcatório de fronteiras ideológicas é caminho para o Brasil defender sua soberania sem negar laços tradicionais da sua trajetória histórica, colada a destinos de lugares onde a democracia política prosperou. Em outras palavras, outro ocidente, nunca anti-ocidente. Tomara que o atual governo possa superar suas ambiguidades ideológicas e permitir que essa linha se desenvolva. O Brasil tem porte para isso e diplomacia capaz de cumprir essa missão nacional. *Cientista político e professor da UFBa

OS MODERADOS DECIDIRÃO

"Aos vitoriosos, os espólios da guerra." Donald "de Assis" Trump começou na ONU perdendo de 2 a 0: o primeiro gol foi de Portugal e o segundo do Brasil. "Ao vencedor, as batatas."
Em resposta a @profFelipeNunes 14/ A crise do banco Master começa a produzir mudanças de percepção. O eleitorado deixa de criticar todo mundo e passa a ver efeito negativo sobre Bolsonaro (21%), o STF (16%) e Lula (11%). 21:20 · 21 de set. de 2026 · 88,8 mil Visualizações
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Marília de Dirceu e o Neto de Tancredo nas Eleições ao Senado

Oh, Minas Gerais!

Em Minas, o Dirceu da candidata ao Senado evoca a própria história mineira. Em outubro de 2026, quem decidir votar no neto de Tancredo para o Senado também poderá contar com o Dirceu de Marília na outra vaga.

São as regras do jogo. Como as coligações hoje são permitidas apenas para os cargos majoritários — e totalmente proibidas nas proporcionais —, o xadrez político permite essas composições peculiares. Para o Senado, o Governo do Estado e a Presidência, a conversa é outra. São outros quinhentos tostões, ou mil-réis... Quem vai saber!

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Corolário Inconfidente: Marília em Campos e Ouro

I Por entre as pedras de Vila Rica,
passam homens, brasões, bandeiras...
O neto do mito na estrada fica,
trocando a herança por sesmarias estrangeiras.
Volta-se os olhos ao mar de outrora,
onde o consórcio do poder se desfaz:
quem se aliou ao vento de fora,
perdeu o rumo das Minas Gerais.
II Vede o herdeiro de antiga glória,
que a São Paulo entrega o seu destino,
andando à margem da própria história,
feito emboaba, feito peregrino.
Atado ao laço de um pernambucano,
em solo paulista busca o seu porto;
mas no xadrez de um destino humano,
quem deixa a terra, já colhe o horto.
III Porém na terra dos desmandos,
onde o ouro se esconde sob o chão bruto,
fica Marília, firme em seus Campos,
colhendo o voto, lavrando o fruto.
Não precisa do vulto que se ausenta,
nem do fantasma que virou poeira;
sua raiz é que a sustenta,
dona e senhora da sua trincheira.
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Corolário: Se a fresta do tempo separa os amantes e os partidos, a lição que se extrai do destino de outubro é clara como a água dos ribeirões mineiros: as posses mudam, os impérios caem e os homens se tornam forasteiros da própria terra quando dela se apartam. Mas Marília de Dirceu, senhora de si em seus Campos e fincada nas Minas do Ouro, não carece de consortes idos. Ela segue só, pois compreendeu, no silêncio das montanhas, que em Minas o poder não se transfere por herança: ele pertence a quem guarda o território e não deserta de sua própria província.

Ai, ai, ai! Está chegando a hora! Outubro já vem chegando, meu bem...
Quem parte leva saudades, quem fica lavra o ouro nos quintos do inferno.

Use o código com cuidado. AO VIVO: LULA E TRUMP DISCURSAM EM INSTANTES NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU | LIVE CNN 22/09 Entrevista Completa: Lula na CNN, com Christiane Amanpour
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Os moderados decidirão as eleições no segundo turno entre Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense E quem são os que decidirão as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda entre dois e cinco salários-mínimos e, predominantemente, com ensino médio Há duas semanas, em Brasília, o movimento Direito Já organizou uma reunião em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estavam lá diferentes lideranças da sociedade civil, a esmagadora maioria já engajada na reeleição de lula, a começar pelo anfitrião, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Não houve nenhuma grande adesão no encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães. Alckmin foi absolutamente enfático na sua intervenção quanto à necessidade de disputar os votos do centro, melhor dizendo, dos eleitores que ainda não estão engajados no pleito e que se pautam pela moderação. Foi um discurso no qual fez comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e reconheceu que não existe uma percepção de que a economia melhorou na atual administração, apesar de os indicadores dizerem o contrário. Mas foi enfático ao apontar a defesa do Estado Democrático de Direito como um grande divisor de águas para a conquista desses eleitores. Alckmin sabe das coisas, é um gato escaldado e já se deu conta de que a reeleição de Lula está escorrendo entre os dedos. A semana começou com as pesquisas BTG/Nexus e Quaest confirmando que a eleição está aberta e o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro será uma disputa por uma fatia estreita de eleitores: os moderados apontados por Alckmin. Na Nexus, Lula lidera o primeiro turno por 40% a 37% e, numericamente, vence o segundo por 46% a 45%. Na Quaest, Lula também lidera o primeiro, por 37% a 33%, mas Flávio aparece numericamente à frente no segundo, por 42% a 41%. Todas essas diferenças estão dentro das respectivas margens de erro. Lula e Flávio cresceram no primeiro turno em relação à rodada anterior, Lula de 36% para 37% e Flávio de 31% para 33%, enquanto os indecisos caíram de 10% para 8%. Augusto Cury aparece com 6%, Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 1%. A redução do número de indecisos reforça a ideia de que a disputa de corações e mentes dos eleitores moderados deve ser a principal preocupação dos dois candidatos. A pesquisa Nexus mostra que Lula e Flávio construíram coalizões eleitorais socialmente muito diferentes. No primeiro turno, Lula chega a 52% no Nordeste, contra 30% de Flávio; no Sul, Flávio vence por 43% a 27%. No Sudeste, entretanto, ocorre empate exato: 39% a 39%. No Norte/Centro-Oeste, Flávio lidera por 42% a 34%. São dois Brasis, profundamente divididos. Divisão profunda No segundo turno, esse mapa se torna ainda mais dramático: Lula vence no Nordeste por 58% a 35%, enquanto Flávio abre 57% a 30% no Sul. No Norte/Centro-Oeste, o placar é 49% a 43% para Flávio. E o Sudeste transforma-se no principal campo de batalha: 46% para Flávio e 45% para Lula. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, pequenas oscilações representam milhões de votos. A divisão geográfica se encontra com a condição social dos eleitores: Lula marca 50% entre quem ganha até um salário-mínimo e 48% na faixa de um a dois salários; Flávio tem apenas 29% e 28%, respectivamente. A partir de dois salários, porém, a situação se inverte: Flávio vence por 41% a 36% entre dois e cinco salários, e por 46% a 33% acima de cinco salários. Essa clivagem se reproduz ainda no nível de escolaridade: Lula alcança 51% entre os eleitores com ensino fundamental, contra 26% de Flávio. O candidato do PL assume a dianteira no ensino médio, por 45% a 34%, e no superior, por 41% a 33%. Essa divisão coincide mais ou menos com os dados recentes da Quaest: na rodada anterior, Lula também dominava o eleitorado de menor escolaridade e renda, enquanto Flávio liderava nas faixas intermediárias e superiores. E quem é o moderado que decidirá as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda intermediária, especialmente entre dois e cinco salários-mínimos, e predominantemente com ensino médio. É, justamente, onde a vantagem estrutural de Lula entre os mais pobres começa a se desvanecer e a superioridade de Flávio entre os segmentos de renda mais alta ainda não é absoluta. Trata-se de um eleitor menos dependente do lulismo e do bolsonarismo e, por isso, potencialmente mais sensível à economia, ao custo de vida, aos serviços públicos e aos acontecimentos político da reta final. Entretanto, no contexto geral, é um contingente pequeno, com pouca margem para disputa. Na Nexus, 84% dos eleitores que escolheram candidato no primeiro turno dizem que não mudarão mais; entre os eleitores de Flávio, são 92%, e entre os de Lula, 90%. No segundo turno, 91% consideram a escolha definitiva e somente 7% admitem mudar. A Quaest acrescenta um dado que pode ser decisivo: Lula tem rejeição de 55% e Flávio, de 56%. Como os marqueteiros costumam falar, enquanto o primeiro turno é pautado pelo sim, o segundo é pelo não. A rejeição é um fator que não pode ser desconsiderado no voto desses eleitores mais moderados: 43% dizem temer mais um novo mandato de Lula, enquanto 42% temem o retorno da família Bolsonaro ao Planalto. A eleição também é uma disputa de rejeições. Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, não parece haver uma onda eleitoral em formação. Há dois grandes blocos praticamente consolidados e um corredor estreito entre eles. O vencedor será aquele que conquistar alguns pontos no Brasil dos moderados e, sobretudo, conseguir transformar intenção de voto em comparecimento efetivo às urnas. Numa eleição de 46% a 45% ou de 42% a 41%, mobilização valerá tanto quanto persuasão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Está chegando a hora

Pássaros raros no ar, como já dizia o Barão de Itararé: "Há mais coisas no ar que aviões de carreira."
Barão de Itararé: a vida trágica e o humor anárquico de um ícone do jornalismo O Barão de Itararé (pseudônimo do jornalista e humorista Apparício Torelly) era um mestre em usar o humor sutil para cutucar a realidade, e essa frase é um clássico absoluto do seu espírito satírico. De fato, o céu esconde muito mais do que a nossa aviação comercial. Se olharmos pelo lado da ornitologia e da conservação, os céus da América Latina abrigam "raridades" biológicas que voam de forma tão discreta que pouquíssimas pessoas têm a chance de ver. Aqui estão alguns dos pássaros mais raros e fascinantes que dividem o espaço aéreo com os aviões:
Gavião-real Harpia harpyja (Linnaeus, 1758) Águia-harpia (Harpia harpyja): Uma das maiores e mais poderosas aves de rapina do mundo. Ela voa abaixo da copa das florestas tropicais, caçando com uma precisão cirúrgica. É uma joia rara devido à perda de seu habitat.
Rolinha-do-planalto Rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis): Esta é uma das aves mais raras do planeta. Exclusiva do Cerrado brasileiro, ela ficou desaparecida por 75 anos até ser redescoberta em 2015. Seus olhos azuis-claros e plumagem castanha voam em locais extremamente restritos.
Gavião-real-falso (Morphnus guianensis): Muitas vezes confundido com a harpia, este gavião imponente é raríssimo de ser avistado no ar, habitando as densas florestas primárias da América do Sul.
Condor-dos-andes Condor-dos-andes (Vultur gryphus): Embora seja gigante, ver um desses planando a altitudes inacreditáveis nas correntes de ar da Cordilheira dos Andes é um espetáculo raro e ameaçado. Seja no sentido poético e político do Barão, ou no sentido literal da natureza, o ar está sempre cheio de mistérios surpreendentes. Você gostaria de conhecer mais sobre a história e as frases satíricas do Barão de Itararé, ou prefere explorar os detalhes de alguma dessas aves raras e ameaçadas de extinção? Pássaros com nomes parecidos Se você ouviu esse nome associado a uma ave, pode ter sido uma confusão com: Chirito: Um pequeno pássaro passeriforme (também conhecido como bico-assovelado) encontrado no sub-bosque de florestas do Brasil e de outros países da América Latina. Galito (Rhinocrypta lanceolata): Conhecido em espanhol como gallito copetón ou gallito de copete, é uma ave endêmica de regiões áridas da Argentina, Bolívia e Paraguai.Você tem interesse em descobrir pássaros nativos da América Latina com nomes curiosos ou estava buscando a origem de alguma música específica? Henricão e Carmen Costa — Está Chegando a Hora Choro e Poesia C31 de dez. de 2018 "Está Chegando a Hora", versão brasileira para o clássico popular mexicano "Cielito Lindo", surge aqui na interpretação de um dos autores, Henricão, em duo com a cantora Carmen Costa. O arranjo é do violonista Edson José Alves e a gravação integra o repertório do LP "Recomeço", lançado pela gravadora Eldorado em 1980. Rubens Campos é o parceiro de Henricão na autoria da versão. Dicen que la Distancia es el Olvido ( La Barca ) - Música y Canciones de Mariachi Mexicano. Coveralia Latin No Sul, a Direita é chula ou santa. Mato é Grosso. Rio é Grande. Catarina é Santa. E segue a barca. Com Camilito, de Henricão, com Cármen Costa, composta no Recife, chupando uma canção de dupla mexicana com sucesso. de passagem pela capital pernambucana, na mesma data e local. Cielito Lindo/Letra(original)/lyrics/Mariachi/ Latin Song 1.602.937 visualizações 15 de set. de 2022 #musicaregionalmexicana #musicamexicana #pedroinfante ‼️Suscribete a mi Canal‼️🔔 para que no te pierdas ninguno de mis videos Déjame tu amor en los comentarios💬 y no olvides darle "Me gusta" 👍para que este canal crezca 💙Muchas Gracias 🫰‼️ 🇲🇽🌵✨Cielito Lindo 🇲🇽🌵✨/LETRA De la sierra morena Cielito lindo, vienen bajando Un par de ojitos negros Cielito lindo, de contrabando De la sierra morena Cielito lindo, vienen bajando Un par de ojitos negros Cielito lindo, de contrabando Ay ay ay ay Canta y no llores Porque cantando se alegran Cielito lindo, los corazones Ese lunar que tienes Cielito lindo, junto a la boca No se lo des a nadie Cielito lindo que a mí me toca Ese lunar que tienes Cielito lindo, junto a la boca No se lo des a nadie Cielito lindo que a mí me toca Ay ay ay ay Canta y no llores Porque cantando se alegran Cielito lindo, los corazones #mexico #mespatrio #mariachi #mexicomusic #mariachivargas #jarabetapatio #cielitolindo #mariachi #musicamexicana #sonidosdemexico #mexicocultural #musicademexico #musicaregionalmexicana #eselunar #pedroinfante Carmen Costa - ESTÁ CHEGANDO A HORA - Cielito Lindo - adapt. Henricão e R. Campos - carnaval de 1942 luciano hortencio 31 de mar. de 2013 Carmen Costa - ESTÁ CHEGANDO A HORA - Cielito Lindo - adaptaçao em samba de Henricão e Rubens Campos. Esta foi a primeira gravação de Carmen Costa, no ano de 1941, para ser lançado no carnaval de 1942. http://jornalggn.com.br/blog/lucianoh... Em 1985, quando foi criado o Ministério da Cultura, a cantora Carmen Costa procurou o primeiro titular da pasta, José Aparecido de Oliveira, e propôs que a "tombasse" como "patrimônio cultural". Se é possível com lugares, por que não com pessoas? Não aconteceu, mas chamou a atenção para os mais de 70 anos de sua carreira artística. Nascida Carmelita Madriaga, no interior fluminense, em 5 de julho de 1920, começou a trabalhar como doméstica ainda criança. No Rio, com 15 anos, empregou-se na casa do cantor Francisco Alves, o Rei da Voz. Participava do programa de calouros de Ary Barroso. Foi o começo da carreira, encorajada pelo patrão. Aos 17, iniciou relacionamento com o compositor Henricão. A primeira gravação solo, em 1942, foi Está Chegando a Hora, versão que Henricão fez para a valsa mexicana Cielito Lindo, em ritmo de samba. Participou do coro em diversas gravações, como O Que É Que a Baiana Tem?, com Dorival Caymmi e Carmen Miranda. Em 1945, casou com um norte-americano e morou por alguns anos nos Estados Unidos. Em 1962, participou do concerto de bossa nova no Carnegie Hall, Nova York, e gravou com músicos de jazz. Gravou centenas de músicas, muitas delas marchinhas de carnaval. Inteligente, original e avançada, também compôs, sob o ambíguo pseudônimo de Dom Madrid. Em 2003, Carmen Costa foi "tombada" pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e compôs a música Tombamento para a ocasião (Eu sou a raça/ Sou mistura/ Sou aquela criatura/ Que o tempo vai tombar). Morreu em 25 de abril de 2007, no Rio de Janeiro. Escrito por Ronaldo Evangelista - www.almanaquebrasil.com.br. A música, uma canção rancheira mexicana, foi escrita em 1882 por Quirino Mendoza y Cortés. Como não conseguissem gravar esta adaptação, Henricão e Cármen Costa pagaram à Victor uma tiragem particular, só para divulgação, P-206, e Cármen a gravou em 30 de dezembro de 1941, matriz R-236. O êxito no carnaval de 42 fez a Victor relançá-lo em tiragem comercial, em abril desse ano, disco 34892-A, e a contratar Cármen Costa. No lado B saiu outro clássico, "Só vendo que beleza". Samuel Machado Filho.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026 O avanço dos houthis pressiona Trump, por Oliver Stuenkel O Estado de S. Paulo Guerra de Trump contra o Irã espalha caos pelo Oriente Médio, mas acordo não estabiliza região Para o governo iraniano, o preço do barril virou instrumento eleitoral. Com a guerra entre Teerã e Washington longe de um desfecho e o Estreito de Ormuz em grande parte fechado, o regime e seus aliados perseguem um objetivo: manter o petróleo o mais caro possível até as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro, para enfraquecer Trump. Assim, maior a chance de os republicanos perderem a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Essa pressão ganhou um novo instrumento no início de setembro, quando os houthis, grupo rebelde aliado ao Irã, avançaram pela costa oeste do Iêmen, tomaram o porto de Mocha e ocuparam ilhas do Bab al-Mandeb, o estreito que controla o acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez. Até o início do conflito, passavam por Ormuz mais de um quarto de todo o petróleo transportado por mar, um quinto do gás natural liquefeito do planeta e de aproximadamente 20% do comércio global de ureia, fertilizante de que o Brasil é um dos maiores compradores. Com essa rota bloqueada, o Bab al-Mandeb tornou-se a saída alternativa do petróleo saudita, escoado por um duto que cruza o país até o Mar Vermelho. Nos mesmos dias, drones que Riad atribuiu a milícias iraquianas alinhadas ao Irã atingiram esse duto, que transporta até 7 milhões de barris por dia. O Mar Vermelho concentra 30% do tráfego mundial de contêineres e cerca de um sétimo do comércio marítimo. Tudo isso tem profundas consequências para a economia global, o preço da energia, a inflação e as taxas de aprovação de governantes, inclusive no Brasil. A decisão de Trump de recusar o pedido do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, de retaliações dos EUA contra os houthis foi interpretada em Washington como sinal dos limites da capacidade militar, observa Gideon Rachman no Financial Times. O país gastou parte importante de seu arsenal contra o Irã: o estoque de interceptadores Patriot caiu cerca de 65%. Mas também é um reconhecimento de que, como nas guerras no Afeganistão e no Iraque, a força bruta não derrota um movimento enraizado localmente, que já sobreviveu a ofensivas israelenses, estadunidenses, emiradenses e sauditas. Some-se a isso a Arábia Saudita ter usado, pela primeira vez, um míssil balístico chinês contra os houthis, sinal de que Riad não considera suficiente a proteção de Washington: o caos no Iêmen reflete a erosão da influência dos EUA. Seria um erro, porém, tratar os houthis como simples braço de Teerã. O atual capítulo da guerra civil no país começou em julho, observa Marc Lynch, professor da Universidade George Washington, na revista Foreign Policy, quando caças sauditas bombardearam o aeroporto da capital, Sanaa, para barrar um avião iraniano transportando armas. Do lado oposto está o que a Economist descreve como um mosaico pouco coordenado de milícias tribais, separatistas do sul e fundamentalistas religiosos, parte alinhada a Riad, parte a Abu Dhabi. A rivalidade entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes hoje é um motor autônomo da instabilidade regional. Lynch lembra que Riad enxergou na campanha emiradense de apoio a separatistas uma tentativa de cerco, agravada após Israel reconhecer a Somalilândia, território separatista do outro lado do estreito. Do Magreb ao Chifre da África, os Emirados operam portos, mantêm bases militares e financiam milícias aliadas. Em 2022, segundo o European Council on Foreign Relations, os Emirados foram a maior fonte de capital a entrar na África, com US$ 50 bilhões, quase o dobro da França e sete vezes o volume dos EUA, o que faz de Abu Dhabi peça central em conflitos africanos distantes do Golfo. O avanço houthi reflete também, aponta Lynch, o risco de a guerra atravessar o estreito: tropas israelenses, emiradenses ou dos EUA na Somalilândia serviriam de base para ataques ao Iêmen e empurrariam os houthis para mais perto do al-Shabab, grupo terrorista somali com o qual estreitam laços há anos. A guerra de Trump contra o Irã espalhou o caos pelo Oriente Médio, e sobre conflitos anteriores, do Iêmen ao Sudão. Um acordo entre Washington e Teerã reduziria o risco imediato sobre Ormuz e sobre os preços da energia, mas não estabilizaria a região. As rivalidades que alimentam essas guerras também são internas.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026 Flávio e os EUA, por Diogo Schelp O Estado de S. Paulo Em 2025, o bolsonarista comemorou tarifas e sanções dos EUA contra o Brasil O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) dedica três páginas para descrever como seria a sua política externa. Em termos econômicos, o foco está na abertura comercial, na atração de investimentos, na retomada da adesão à OCDE e na integração tecnológica com outros mercados. Em contradição com gestos e palavras do candidato nos últimos meses, porém, o texto afirma que a diplomacia não será guiada pela ideologia e que negociará com todos os parceiros, entre os quais a China, a União Europeia e os Estados Unidos, de acordo com a defesa do interesse nacional, não com a “simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”. Certamente é o que a maioria dos eleitores gostaria de escutar. O próprio Flávio, contudo, já externou sua convicção de que terá, com Trump, uma relação privilegiada, por conta da afinidade ideológica. Em 2025, o bolsonarista comemorou tarifas e sanções dos Estados Unidos contra o Brasil como instrumentos de pressão para evitar o destino penal de seu pai, Jair Bolsonaro. Depois, reformulou sua posição, dizendo-se contrário ao tarifaço. Primeiro, porque beneficiaria Lula nas eleições. Segundo, porque, segundo Flávio, uma vez na Presidência, ele poderá negociar as questões comerciais “de igual para igual” com Trump. Esse argumento parte do princípio de que na origem das tensões atuais entre Estados Unidos e Brasil estão apenas as diferenças políticas entre Trump e Lula, e nada mais. Se assim fosse, é de se inferir que Flávio não teria dificuldade em ceder às condições de ordem econômica contidas na lista de 21 exigências que os Estados Unidos fizeram ao Brasil no ano passado, conforme revelou o Estadão: mudanças na gestão do Pix, ingerência nas exportações de soja, preferência na exploração de terras raras, entre outras. Em troca, Trump pouparia o Brasil das tarifas proibitivas e os dois países viveriam felizes para sempre. Não é tão simples. A afinidade ideológico-partidária como parâmetro para a aproximação entre dois países encontra limites quando há outras variáveis por exemplo, a nova conjuntura geopolítica ou a influência dos interesses empresariais. Por conta dessas variáveis, o plano de governo de Jair Bolsonaro em 2022 enfatizava a atuação do Brasil no Brics. Já seu filho, Flávio, cogita deixar esse grupo de países emergentes, que enfrenta a antipatia de Trump. O presidente americano está disposto a exigir mais de governos alinhados. O Brasil está disposto a ceder?
Este é o último mandato de Trump na Casa Branca. Entenda Em 2028, quando ocorrerá a próxima eleição, Donald Trump estará com 82 anos Detalhes do Mandato Início: 20 de janeiro de 2025. Fim previsto: 20 de janeiro de 2029. Limite constitucional: A Constituição dos Estados Unidos proíbe que um presidente exerça mais de dois mandatos, impedindo Trump de concorrer a uma nova reeleição. Para mais análises sobre o contexto político atual, consulte a Época Negócios ou a discussão da BBC News Brasil sobre os limites de mandatos nos EUA.