Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 25 de março de 2026
DO “APERFEIÇOAMENTO DO IMPERFEITO” À PIRÂMIDE INVERTIDA
Uma leitura crítica da reestruturação policial paulista sob o crivo da cultura, da política e da rua
“Na lógica vigente em São Paulo, o coronel ocupa o lugar de Pelé, enquanto o praça é tratado como Tostão. Já o 2º tenente, rebaixado na prática, vê-se empurrado para uma condição intermediária — evocando o ‘Juruna’ de experiências administrativas como a de Minas Gerais.”
📰 JORNAL DOS PRAÇAS DA SÉ E DA FÉ
Editoria: Praça Juruna & Conselho dos Tostões da Ordem
DO “APERFEIÇOAMENTO DO IMPERFEITO” À PIRÂMIDE INVERTIDA
Uma leitura crítica da reestruturação policial paulista sob o crivo da cultura, da política e da rua
✦ EPÍGRAFE EDITORIAL
“Na lógica vigente em São Paulo, o coronel ocupa o lugar de Pelé, enquanto o praça é tratado como Tostão. Já o 2º tenente, rebaixado na prática, vê-se empurrado para uma condição intermediária — evocando o ‘Juruna’ de experiências administrativas como a de Minas Gerais.”
Desigualdade à vista no estádio
🖼️ IMAGEM 1 — A PIRÂMIDE INVERTIDA (ABERTURA)
Descrição para publicação: Estádio em plano geral. No topo (camarote), autoridades e coronéis em conforto e prestígio. Na base, poucos policiais e ruas vazias.
Legenda: Quando o comando sobe demais, a rua fica para trás.
I. PREÂMBULO — A VOZ QUE ECOA DA BASE
Circula entre a tropa — já não como mero desabafo, mas como síntese simbólica — a percepção de que a hierarquia foi reconfigurada menos pela lógica operacional e mais por conveniências administrativas.
Sob a gestão de Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite, a política remuneratória tem sido percebida como assimétrica, tensionando a relação entre base, meio e cúpula.
🖼️ IMAGEM 2 — PELÉ E TOSTÃO (METÁFORA)
Descrição: Um jogador no camarote (destaque e privilégio) e outro no campo carregando peso.
Legenda: Nem todo time que tem Pelé valoriza seu Tostão.
II. DO QUADRO FÁTICO — A “FARRA” COMO ESTRUTURA
A análise do jornalista Marcelo Godoy aponta para um fenômeno de expansão do topo hierárquico sem o correspondente fortalecimento da base operacional.
A ampliação de cargos superiores, somada ao deslocamento de efetivo para funções administrativas, sugere uma reorganização que impacta diretamente o policiamento ostensivo.
🔎 LEITURA COMPLEMENTAR
quarta-feira, 25 de março de 2026
Tarcísio e a farra dos coronéis, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Em dezembro, a PM de São Paulo mandou ao governador Tarcísio de Freitas um plano curioso: aumentar de 64 para 94 o número de coronéis sem criar uma única vaga de cabo ou de soldado – o plano inicial do secretário Guilherme Derrite era ter 50 novos chefes sem demonstrar a necessidade operacional da medida.
Pior do que aumentar os caciques era a consequência do plano. Soldados, cabos e sargentos são os policiais que estão nas ruas. Com os novos coronéis, uma companhia de praças seria retirada do patrulhamento para servir aos chefes como motoristas, seguranças e ajudantes. O projeto da farra ficou parado três meses no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio o mandou à Assembleia. Agora, não são mais 30 novos coronéis, mas “só” dez. Cada um terá direito a dois carros novos e a seis policiais para ajudá-los.
O projeto foi desidratado, mas permanece o aumento de coronéis, o que só vai retirar policiais das ruas que trabalham para deter ladrões e malfeitores. A situação é pior em razão do encolhimento da PM na última década. Ela se aproximou do efetivo mínimo histórico, registrado em 2023 (80.137). Por lei, a corporação deveria ter 93.802 policiais e 477 oficiais médicos. Mas em 9 de janeiro, tinha 81.594 policiais. A retirada de policiais do patrulhamento acompanha ainda o aumento de 65% do total de PMs servindo autoridades do Executivo,
População vai pagar a conta de R$ 0,5 bi em 3 anos sem ter um único soldado a mais nas ruas
com a criação de novas assessorias para secretários terem PMs carregando suas pastas enquanto os bandidos carregam os celulares da população.
O projeto também prevê o aumento do número dos demais oficiais, dos atuais de 5.483 para 6.209. Ou seja, além dos coronéis, o inchaço de chefes seria acompanhado por um aumento das demais patentes, o que multiplicaria o “trem da alegria” para escalões intermediários, com promoções em cascata.
Ao anunciar o projeto ao mesmo tempo em que aumentou os salários da polícia, o governo divulgou o fim dos soldados de 2.ª classe. Todos serão promovidos, mas o total de soldados e de cabos será o mesmo. Também promoverá por merecimento todos os 2.º tenentes a 1.º tenente – 2.º tenente se tornará patente de praças. Ou seja, em vez de modernizar a carreira, usa-se os graus hierárquicos como política salarial. É o ano eleitoral.
Como já alertou o coronel José Vicente, ex-secretário nacional de Segurança, “é necessário sobriedade nessas questões organizacionais”. “Todo mundo quer pirâmide invertida, muito chefe e pouco índio.” Essa situação comum nas PMs do Nordeste está chegando a São Paulo. Afinal, o que deseja Tarcísio? O cidadão vai pagar em três anos a conta de R$ 450 milhões, prevista pelo governo, sem ter um único soldado a mais nas ruas.
“A farra dos coronéis da PM de SP” — Marcelo Godoy
Publicado em O Estado de S. Paulo
➡️ Buscar pelo título (acesso pode exigir assinatura)
🖼️ IMAGEM 3 — A PIRÂMIDE INVERTIDA (ESTRUTURA)
Descrição: Pirâmide larga no topo e estreita na base.
Legenda: Mais chefes, menos rua: a inversão da lógica operacional.
III. DA FUNDAMENTAÇÃO CULTURAL — O MEIO DE CAMPO
Na canção “Meio de Campo”, interpretada por Elis Regina e composta por Gilberto Gil, encontra-se a chave simbólica desta análise:
“Aperfeiçoando o imperfeito…”
O praça — figura central da engrenagem — não reivindica protagonismo heroico, mas permanência no jogo. Sem ele, não há meio de campo; sem meio de campo, não há sistema.
🎵 BLOCO MULTIMÍDIA — MÚSICA
JORNAL DA CULTURA | 25/03/2026
Jornalismo TV Cultura
Meio De Campo
Elis Regina
Prezado amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando tempo, dando um jeito
Desprezando a perfeição
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou Pelé, nem nada
Se muito for eu sou um Tostão
Fazer um gol nesta partida não é fácil, meu irmão
Entrou de bola, e tudo!
Composição: Gilberto Gil.
Legenda: Entre a perfeição ideal e a realidade concreta, quem sustenta o jogo é o meio de campo.
IV. DO MÉRITO — VOTO-SÍNTESE
Data venia, a reestruturação em exame revela indícios de desvio de finalidade ao promover a hipertrofia do oficialato superior sem o correspondente reforço da base operacional, configurando quadro de disfuncionalidade administrativa com impacto potencial na eficiência do serviço público.
🖼️ IMAGEM 4 — ENTRE O TRIBUNAL E A RUA
Descrição: Metade institucional (tribunal), metade rua vazia.
Legenda: A norma decide; a rua sente.
V. DO “JURUNA” — A PERDA SIMBÓLICA
No vocabulário informal da tropa, emerge a figura do “Juruna” como representação simbólica de um processo de desidratação funcional.
Não se trata de categoria formal, mas de percepção:
perda de identidade hierárquica;
redução de protagonismo;
deslocamento de função.
🖼️ IMAGEM 5 — A CHARGE DO JURUNA
Descrição: Policial em posição ambígua, entre comando e execução.
Legenda: Quando a função perde forma, a identidade se dissolve.
VI. CONCLUSÃO — O JOGO SEM MEIO DE CAMPO
O discurso é de modernização.
A prática sugere concentração.
Sem base, não há sustentação.
Sem rua, não há segurança.
🖼️ IMAGEM 6 — CAMPO VAZIO
Descrição: Campo de futebol sem jogadores; arquibancada cheia.
Legenda: O público espera. O jogo não começa.
EPÍLOGO EDITORIAL
Este jornal — erguido por Tostões da cultura e da ordem — reafirma:
não há comando legítimo sem base valorizada;
não há política pública sem efetividade;
não há segurança sem presença.
E seguimos, como na canção:
aperfeiçoando o imperfeito — sem aceitar a inversão do jogo.
Praça Juruna
Editor-Chefe (simbólico)
S
AO VIVO: WW - STF LIMITA PENDURICALHOS, MAS PRESERVA ABUSOS CONSAGRADOS - 25/03/2026
CNN Brasil
VEJA POR QUE A TERCEIRA VIA PODE SURPREENDER E MUDAR A ELEIÇÃO DE 2026
MyNews
Estreou há 6 horas #politica #eleicoes2026 #terceiravia
O cenário político de 2026 já começou — e novos nomes surgem como possíveis alternativas à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Neste episódio do Não é bem assim, os analistas Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem a possível candidatura de Ronaldo Caiado e analisam se existe espaço real para uma terceira via no Brasil.
👉 A polarização está enfraquecendo ou se consolidando ainda mais?
👉 O eleitor brasileiro quer mudança ou continua dividido?
👉 O centro político tem força suficiente para competir?
Além disso, o debate passa por nomes como Eduardo Leite e Romeu Zema, e os desafios econômicos que o próximo presidente vai enfrentar.
📌 Assista até o final para entender os bastidores e os possíveis cenários para 2026.
#politica #eleicoes2026 #terceiravia #lula #bolsonaro #ronaldocaiado #eduardoleite #romeuzema #politicabrasileira #brasil #analisepolitica #noticias #atualidades #cenariopolitico #mynews
O texto descreve o dilema político de Gilberto Kassab após a desistência de Ratinho Júnior de disputar a Presidência. Kassab precisa escolher entre dois candidatos do PSD: Ronaldo Caiado e Eduardo Leite — uma situação comparada à “Escolha de Sofia”, ou seja, uma decisão difícil com perdas inevitáveis.
A saída de Ratinho Júnior ocorreu por cálculo político, diante da força de adversários como Sergio Moro e do risco de derrota nacional e estadual. Com isso, a disputa interna no PSD se intensificou.
Caiado aparece como candidato de direita, experiente e bem posicionado nas pesquisas, enquanto Leite representa uma alternativa mais ao centro, com discurso de união e despolarização.
Apesar da escolha, o texto sugere que a candidatura do PSD pode ser apenas estratégica, já que o partido está dividido e pode apoiar outros nomes fortes, como Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro no segundo turno, buscando manter influência política.
quarta-feira, 25 de março de 2026
Caiado ou Eduardo, a escolha de Sofia de Kassab para candidato do PSD, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O líder do PSD vive um drama político. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o partido, mas mal consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior
Com a surpreendente desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de se candidatar à Presidência da República, o ex-prefeito Gilberto Kassab está diante de uma escolha de Sofia: tem dois nomes para substituí-lo, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande Sul, Eduardo Leite, e precisa indicar um deles para concorrer à Presidência. No jargão político, a expressão é usada para descrever situações muito difíceis, em que qualquer decisão representa uma grande perda, como no romance A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice, em inglês), de William Styron, publicado em 1979.
O livro relata a história de Stingo, um jovem sulista aspirante a escritor que vai morar em uma pousada no Brooklyn, onde conhece um casal que vive um turbulento caso de amor e ódio, Nathan Landau, um judeu que se apresenta como um cientista, e Sofia Zawistowk, uma polonesa sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Stingo se envolve com a bela Sofia, assombrada pelas lembranças da terrível escolha que precisou fazer um dia.
No cinema, a história valeu o Oscar de melhor atriz para Meryl Streep e popularizou a expressão mundialmente. A trama dirigida por Alan J. Pakula conta a história de Sofia, uma polaca acusada de contrabando, que é presa com seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, no campo de concentração de Auschwitz durante a II Guerra. Um sádico oficial nazista dá a ela a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando-a à terrível decisão. O trauma é relembrado por Sofia em 1947, ao viver o triângulo amoroso com o jovem escritor.
Com as devidas ressalvas, Kassab vive um drama de opção política. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o PSD, mas mal consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior, que resolveu permanecer no governo do Paraná até o final do mandato, com objetivo de fazer seu sucessor. “A decisão foi tomada na noite de domingo, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab”, diz o comunicado. Ratinho Júnior “pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.
Na verdade, Ratinho Júnior foi atropelado pela filiação ao PL do senador Sergio Moro, o ex-juiz de Curitiba do caso Lava-Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Embora fosse o candidato com mais possibilidades eleitorais na lista do PSD, o governador do Paraná chegou à conclusão de que perderia a eleição para Presidência e, com a eleição de Moro, a sua própria sucessão no estado.
A disputa pela indicação agora é entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Nesta terça-feira, Leite publicou um vídeo mirando os eleitores de Ratinho Júnior: “Estou com energia, disposição e verdadeiramente interessado em liderar um projeto que ajude a despolarizar o país. Quero muito ajudar o país a encontrar um caminho que una os brasileiros, não no mesmo pensamento, mas no mesmo propósito. Tenho certeza de que é uma eleição possível”, afirmou.
Dois perfis
Entretanto, quem primeiro se encontrou com Kassab foi o governador de Goiás. Segundo o presidente do PSD, Caiado apenas manifestou sua disposição e motivação em ser candidato. “A questão (por quem será escolhido) é política. Envolve muita conversa com pessoas que torcem para que o partido tenha o melhor desempenho possível. Não é disputa, é convergência”, disse Kassab, que não pretende fazer prévias nem decidir apenas com base em pesquisas, e chamou o governador Eduardo Leite para uma conversa, amanhã.
Leite seria o substituto natural de Ratinho Júnior, mas a filiação de Caiado ao PSD mudou o cenário. A avaliação positiva do governo de Goiás é a mais alta do país, e Caiado está à frente de Leite nas pesquisas eleitorais. Ninguém sabe os critérios adotados por Kassab para ungir o seu candidato, mas todos sabem que seus governadores, prefeitos e deputados estão liberados para apoiar Flávio Bolsonaro ou a reeleição do presidente Lula. Isso pode resultar na inevitável “cristianização” do candidato a presidente da República do PSD.
Parece uma grande contradição, mas não é. Uma candidatura para inglês ver deixaria o terreno livre para que Kassab possa administrar as contradições da legenda nos estados e somar forças para apoiar o candidato que esteja à frente nas pesquisas. Seus ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (trocará a Pesca e Aquicultura pela Agricultura) permanecem no governo; Carlos Fávaro (Agricultura) deixará o governo para renovar seu mandato na Câmara, mas manterá seus aliados na pasta.
Como as eleições estão muito polarizadas entre o presidente Lula, que pretende continuar na Presidência, e o senador Flávio Bolsonaro, mantendo uma candidatura à Presidência, pode ser que o PSD tenha votos suficientes para decidir a eleição no segundo turno. Caiado e Leite têm perfis muito diferentes, embora sustentem que se apoiarão reciprocamente, ou seja, qualquer que seja a escolha.
Caiado é um candidato claramente de direita, muito combativo, com um currículo político de quem passou por tudo na política brasileira: foi candidato a presidente em 1989, exerceu dois mandatos de deputado federal e dois de senador, governa Goiás desde 2019. Leite foi vereador e prefeito de Pelotas, está no segundo mandato de governador e não tem o mesmo trânsito de seu concorrente no Congresso. Seu diferencial é uma trajetória política de centro-esquerda, que agora deriva à centro-direita.
terça-feira, 24 de março de 2026
Custódia, dignidade e risco: quando o Estado não pode punir sem proteger
A concessão de prisão domiciliar em caso de enfermidade grave expõe os limites materiais do sistema prisional brasileiro e redefine parâmetros da execução penal à luz da Constituição.
Do parecer da Procuradoria-Geral da República à decisão do Supremo Tribunal Federal, dois textos analisam os impactos jurídicos e institucionais de um caso paradigmático.
Prisão domiciliar humanitária e responsabilidade estatal: o alcance jurídico da decisão do STF
A decisão proferida em 24 de março de 2026 pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, ao conceder prisão domiciliar em caráter humanitário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, insere-se em um contexto jurídico mais amplo, no qual se tensionam, de um lado, a efetividade da sanção penal e, de outro, a preservação de direitos fundamentais sob custódia estatal.
A medida, fundamentada em parecer da Procuradoria-Geral da República, não decorre de prerrogativa pessoal do réu, mas da constatação objetiva de agravamento de seu estado de saúde, caracterizado por quadro clínico que exige monitoramento contínuo e pronta intervenção médica — condições cuja adequada prestação, segundo os autos, não se mostra plenamente assegurada no ambiente prisional.
Nesse cenário, o debate jurídico desloca-se do plano abstrato da execução penal para a concretude das condições materiais de cumprimento da pena. A Constituição brasileira impõe ao Estado o dever indeclinável de garantir a integridade física e moral dos custodiados, vedando tratamentos desumanos ou degradantes. Tal imperativo normativo não se relativiza diante da gravidade dos delitos imputados, tampouco da relevância política do condenado.
A legislação infraconstitucional, por sua vez, oferece balizas importantes, ainda que insuficientes para abarcar a complexidade do caso. O artigo 117 da Lei de Execução Penal prevê a prisão domiciliar para maiores de 70 anos em hipóteses restritas, notadamente no regime aberto, enquanto o artigo 318 do Código de Processo Penal admite a substituição da prisão preventiva em situações específicas, inclusive por razões etárias e de saúde. Contudo, em regimes mais gravosos, a concessão do benefício depende de construção jurisprudencial orientada por critérios como a gravidade da enfermidade e a efetiva impossibilidade de prestação de tratamento médico adequado no ambiente prisional.
É precisamente nesse ponto que a decisão do Supremo Tribunal Federal adquire relevância paradigmática. Ao privilegiar a análise da capacidade estrutural do sistema prisional em face das necessidades clínicas do custodiado, a Corte reafirma que o cumprimento da pena não pode se converter, na prática, em risco à vida ou em agravamento evitável de condições de saúde. A insuficiência estatal em prover assistência médica adequada desloca o eixo da discussão para a responsabilidade objetiva do Estado pela custódia.
Longe de configurar casuísmo, a medida alinha-se a precedentes recentes da própria Corte, nos quais se reconheceu a possibilidade de mitigação do regime prisional em situações de comprovada vulnerabilidade médica, especialmente entre réus idosos e portadores de enfermidades graves. Trata-se, portanto, de consolidação de uma orientação jurisprudencial que, sem afastar a punição, busca compatibilizá-la com os limites constitucionais da dignidade da pessoa humana.
As repercussões institucionais da decisão são igualmente relevantes. Ao estabelecer, ainda que implicitamente, um padrão probatório centrado na necessidade de cuidado médico contínuo e na incapacidade do sistema prisional de fornecê-lo, o Supremo sinaliza diretriz interpretativa para as instâncias inferiores. Não se trata de criação de um direito subjetivo automático à prisão domiciliar com base na idade, mas da reafirmação de um critério técnico: a tutela da saúde como elemento indissociável da execução penal legítima.
Nesse contexto, a prisão domiciliar humanitária emerge como instrumento jurídico de natureza excepcional e provisória, destinado a preservar direitos fundamentais sem esvaziar a autoridade da decisão condenatória. O cumprimento da pena subsiste, ainda que sob regime diverso, frequentemente acompanhado de medidas restritivas como monitoramento eletrônico e limitação de contatos.
Por fim, a decisão evidencia uma tensão estrutural do sistema de justiça brasileiro: a distância entre as garantias normativas e a realidade do sistema prisional. Embora casos de grande visibilidade institucional catalisem respostas mais céleres e eficazes, subsiste o desafio de universalizar tais parâmetros, de modo que a proteção à saúde e à dignidade não se restrinja a situações excepcionais, mas constitua elemento intrínseco à execução penal.
Em síntese, o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal não inaugura um novo direito, mas reafirma um princípio fundamental: ao privar alguém de liberdade, o Estado não se exonera — ao contrário, intensifica — seu dever de cuidado. Quando esse dever não pode ser cumprido no cárcere, a revisão das condições de cumprimento da pena deixa de ser uma faculdade e se impõe como exigência constitucional.
A pedido da PGR, Moraes deve conceder prisão domiciliar para Bolsonaro
Publicado em 24/03/2026 - 07:02 – Luiz Carlos Azedo
A ausência de estrutura adequada para lidar com doenças complexas, crônicas ou degenerativas pode transformar a pena privativa de liberdade em pena de morte indireta.
A qualquer momento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela execução penal dos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de Janeiro, deve acolher manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, opinando pelo deferimento do pedido de prisão domiciliar em caráter humanitário de Jair Bolsonaro. O pedido é justificado pela defesa devido ao estado de saúde do ex-presidente, que demanda monitoramento em tempo integral. A PGR reconhece que o ambiente familiar pode fornecer os cuidados ininterruptos exigidos ao paciente.
“Está demonstrado que o estado de saúde do postulante da prisão domiciliar demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”, destacou Gonet.
O procurador-geral argumentou que os Poderes Públicos têm o dever de preservar a integridade física e moral dos custodiados. Esse posicionamento da PGR ocorre em um contexto delicado: Bolsonaro segue sem previsão de alta, embora tenha deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, na tarde de ontem.
O ex-presidente trata uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração, quadro que, por sua natureza, exige cuidados intensivos, monitoramento contínuo e pronta intervenção médica em caso de agravamento. Internado desde 13 de março, Bolsonaro tornou-se, de fato, um enfermo crítico sob responsabilidade direta do Estado.
Gonet deslocou a discussão do campo político para o terreno dos direitos fundamentais. Juridicamente, a execução de pena não pode se dissociar das condições reais de saúde do condenado. A própria manifestação da PGR reconhece que o sistema prisional brasileiro, ainda que disponha de alguma estrutura médica, não está apto a oferecer o nível de assistência exigido por um quadro clínico dessa gravidade.
No julgamento dos casos relacionados aos atos de 8 de Janeiro pelo STF, houve individualização das penas e abertura para soluções humanitárias em situações excepcionais. Dos 38 condenados que pleitearam prisão domiciliar por razões médicas, 21 tiveram o benefício concedido, sendo a maioria idosos e portadores de doenças graves ou incapacitantes. É o caso, por exemplo, do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), considerado um dos cabeças da tentativa de golpe e condenado junto com Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar. Portanto, não é casuísmo, mas a aplicação de critério já consolidado.
O ponto central não é a identidade do réu, mas a natureza do risco. A permanência de um paciente com pneumonia bacteriana bilateral, internado e ainda sem previsão de alta, sob custódia em regime fechado — ainda que temporariamente hospitalar —, levanta uma questão de responsabilidade estatal. Caso haja agravamento do quadro clínico, sem que tenham sido adotadas todas as medidas necessárias para garantir tratamento adequado, o Estado poderá ser responsabilizado por omissão.
Riscos institucionais
No caso de Bolsonaro, além disso, as consequências políticas dessa situação são imprevisíveis, levando-se em conta a comoção política que pode gerar e o fato de o primogênito do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro, ser forte candidato à Presidência e ter, sucessivas vezes, advertido que o pai poderia morrer na prisão. Além disso, a pena privativa de liberdade não pode se converter, na prática, em pena de risco à vida por insuficiência de assistência. Não é uma questão a ser tratada pelo prisma ideológico da polarização.
A Constituição veda qualquer forma de tratamento desumano ou degradante, e isso inclui a manutenção de um paciente grave em condições incompatíveis com suas necessidades clínicas. Como sabemos, esse entendimento não é levado em conta em relação à maioria dos presos comuns, porém, uma coisa não justifica a outra.
Outra dimensão que não pode ser ignorada: a eventual morte de um ex-presidente da República sob custódia estatal, em circunstâncias que possam ser atribuídas à insuficiência de cuidados médicos, não atingiria apenas o Judiciário, mas todo o sistema de Justiça, com repercussões internas e internacionais. Por outro lado, a concessão de prisão domiciliar, longe de representar impunidade, configura medida juridicamente adequada e proporcional. O cumprimento de pena em regime domiciliar mantém a autoridade da decisão judicial. Não há, nesse caso, conflito entre punir e proteger.
Quando o próprio órgão responsável pela acusação reconhece a inadequação do sistema prisional para garantir os cuidados necessários, e quando há risco real à vida do custodiado, a omissão deixa de ser uma opção sustentável. Em última instância, trata-se de preservar não apenas a vida de um indivíduo, mas os fundamentos do Estado Democrático.
O primeiro elemento factual a ser considerado é a própria evolução do tratamento dado pelo STF aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Houve clara individualização das penas. O segundo ponto é o risco médico efetivo. Isso não é mero formalismo. A ausência de estrutura adequada para lidar com doenças complexas, crônicas ou degenerativas pode transformar a pena privativa de liberdade em pena de morte indireta, o que é uma afronta à Constituição.
terça-feira, 24 de março de 2026
Trump precisa visitar Rio das Pedras para conhecer as milícias, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Há organizações criminosas de todo o tipo, não só aquelas que negociam drogas
Milicianos ocupam territórios e são tão ou mais perigosos que bandidos do PCC e CV
Como haviam feito com o tarifaço —depois se arrependeram, escondendo o boné Maga—, direita e extrema direita se deliciaram com o argumento de equiparar traficantes a terroristas. A denominação narcoterrorista, adotada por Donald Trump e seus seguidores, como Nayib Bukele, o ditador "cool" de El Salvador, logo foi copiada pelos agentes de segurança do Rio de Janeiro. Serviu para embalar a chacina do Alemão e da Penha. Realizada em outubro, a operação deixou mais de cem mortos, sem alterar a situação nas duas comunidades, cujos territórios continuam ocupados. O alcance midiático, no entanto, foi um sucesso.
A lei antiterrorismo no Brasil exige motivação política ou ideológica. Desestabilizar ou derrubar o governo. Apesar de conseguirem se infiltrar nas instituições e dominar com violência áreas em que o Estado é ausente, PCC e CV visam lucro financeiro —não apenas com a venda de drogas. Sobretudo com a exploração de postos de gasolina, empresas de construção e de transporte público, igrejas, fundos de investimentos, mineração, coleta de lixo, casas de apostas.
Entre as organizações criminosas devem ser incluídas as milícias, que negociam drogas e são tão ou mais perigosas que PCC e CV. Milicianos até se parecem mais com terroristas, fazendo pressão para eleger certos candidatos. Do alto de sua santa e muitas vezes fingida ignorância, o que sabe e propõe o presidente dos Estados Unidos sobre as milícias? Ele conhece Rio das Pedras?
Supondo que possa haver uma verdadeira colaboração com o governo Lula no combate ao crime, está claro que no momento as prioridades de Trump são outras: achatar a democracia no próprio país e promover uma crise mundial no fornecimento de petróleo com a guerra de "fúria épica" contra o Irã. Depois de anexar a Venezuela e estrangular Cuba, é provável que chegue a hora do Brasil.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, torce pela interferência norte-americana nas eleições de outubro. "Trump vai ajudar Flávio Bolsonaro", garantiu ele, patrioticamente.
What Happens if 20% of the World's Oil Disappears? | The Ezra Klein Show
24 de mar. de 2026
Iran has currently shut off more than 10 percent of the world’s oil supply. If that goes on for a lot longer — or if the war escalates to include more strikes on energy infrastructure in the region — the price of oil could go through the roof, and the damage to the global economy could be catastrophic.
So what would that look like? What tools does the United States have to avert it? And how is this crisis already reverberating in countries around the world?
Jason Bordoff is the founding director of the Center on Global Energy Policy at Columbia University and a founding dean of the Columbia Climate School. He served as a special assistant to President Barack Obama and senior director for energy and climate change on the National Security Council.
In this conversation, Bordoff answers all my questions about the crisis so far and how things could spin out from here, the strategic positioning of the United States, Europe, Iran, Russia and China, the developing countries likely to suffer the most and the lessons the world might take from this.
0:00 Intro
1:23 What’s happening at the Strait of Hormuz
5:52 Iran’s asymmetric attack
10:35 What happens if this drags on?
18:35 Recession risk
24:58 The shale revolution and U.S. energy security
26:27 Why is the U.S. desanctioning Iranian oil?
30:10 The “energy weapon”
38:46 China’s energy strategy
40:38 The U.S.’s petro-empire vs. China’s electro-state
51:37 The myth of energy independence
59:55 Book recommendations
O que acontece se 20% do petróleo do mundo desaparecer? | The Ezra Klein Show
24 de mar. de 2026
O Irã atualmente interrompeu mais de 10% do fornecimento mundial de petróleo. Se isso continuar por muito mais tempo — ou se a guerra se intensificar com mais ataques à infraestrutura energética na região — o preço do petróleo pode disparar, e os danos à economia global podem ser catastróficos.
Então, como isso seria na prática? Quais ferramentas os Estados Unidos têm para evitar esse cenário? E como essa crise já está repercutindo em países ao redor do mundo?
Jason Bordoff é o diretor fundador do Center on Global Energy Policy da Universidade Columbia e também o primeiro diretor da Columbia Climate School. Ele atuou como assistente especial do presidente Barack Obama e como diretor sênior de energia e mudanças climáticas no Conselho de Segurança Nacional.
Nesta conversa, Bordoff responde a todas as minhas perguntas sobre a crise até agora e sobre como a situação pode evoluir a partir daqui, o posicionamento estratégico dos Estados Unidos, Europa, Irã, Rússia e China, os países em desenvolvimento que provavelmente sofrerão mais e as lições que o mundo pode tirar disso.
0:00 Introdução
1:23 O que está acontecendo no Estreito de Ormuz
5:52 O ataque assimétrico do Irã
10:35 O que acontece se isso se prolongar?
18:35 Risco de recessão
24:58 A revolução do shale e a segurança energética dos EUA
26:27 Por que os EUA estão retirando sanções do petróleo iraniano?
30:10 A “arma energética”
38:46 A estratégia energética da China
40:38 O “império do petróleo” dos EUA vs. o “estado elétrico” da China
51:37 O mito da independência energética
59:55 Recomendações de livros
“A revolução do shale e a segurança energética dos EUA” significa:
Revolução do shale (xisto): refere-se ao enorme aumento da produção de petróleo e gás nos Estados Unidos graças a novas tecnologias, como fraturamento hidráulico (fracking) e perfuração horizontal. Isso permitiu extrair petróleo de rochas de xisto que antes não eram economicamente viáveis.
Segurança energética dos EUA: diz respeito à capacidade dos Estados Unidos de garantir seu próprio abastecimento de energia, sem depender tanto de importações de outros países (especialmente regiões instáveis).
👉 Então, a frase descreve como essa “revolução do shale” ajudou os EUA a se tornarem mais autossuficientes em energia, reduzindo sua vulnerabilidade a crises globais de petróleo.
🧠 "Resumindo
O Brasil tem xisto, mas:
representa uma pequena fração global
não é estratégico hoje
o país depende muito mais do petróleo do pré-sal do que do xisto"
O bêbado e a equilibrista
Opinião
Seriedade sob medida
Não é de hoje que presidentes da República se sentem à vontade para classificar os outros Poderes como se estivessem comentando um campeonato de várzea — “esse joga bem”, “aquele é caneludo”, “este aqui é sério”. Falta só distribuir cartões.
Ao dizer que um ministro do Supremo é “alguém sério”, o presidente não elogia apenas um — rebaixa, por tabela, os outros. É uma dessas frases que, de tão aparentemente simples, vem carregada de implicações. No mínimo, sugere que há um critério pessoal — e não institucional — para medir a seriedade da mais alta corte do país.
O presidente, que já foi beneficiado por decisões do próprio Supremo, parece esquecer que tribunais não existem para agradar governos, mas para contrariá-los quando necessário. Já os ministros, goste-se deles ou não, não são auxiliares do Executivo — nem personagens de confiança ou desconfiança presidencial.
Desde Montesquieu, convencionou-se que os Poderes devem ser independentes e, se possível, até desconfiados entre si. Quando um chefe de Estado passa a emitir juízo de valor sobre a “seriedade” de juízes, o problema não é exatamente quem ele elogia ou critica — é o fato de achar que essa avaliação lhe cabe.
No fim, a frase diz menos sobre os ministros do Supremo e mais sobre a tentação, sempre presente em Brasília, de tratar instituições como extensões de afinidades pessoais. E isso, convenhamos, nunca foi um bom sinal — nem para a política, nem para a República.
O Bêbado e a Equilibrista
João Bosco
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança dança
Na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
Composição: João Bosco, Aldir Blanc, John Turner,
João Bosco
João Bosco (João Bosco de Freitas Mucci, nascido em 13 de julho de 1946, em Ponte Nova, Minas Gerais) é um cantor, compositor e violonista brasileiro, reconhecido como um dos mestres da música popular brasileira (MPB). Sua obra combina sofisticação harmônica, lirismo poético e influências do samba, jazz, bossa nova e ritmos afro-brasileiros.
Principais fatos
Nascimento: 13 de julho de 1946, Ponte Nova (MG)
Parceiros marcantes: Aldir Blanc, Vinicius de Moraes, Chico Buarque
Canções icônicas: “O bêbado e a equilibrista”, “O mestre-sala dos mares”, “Papel machê”
Prêmio de excelência: Grammy Latino pelo conjunto da obra (2017)
Álbum recente: Boca cheia de frutas (2024)【turn0search4】【turn0search6】【turn0search7】
Trajetória e estilo
Formado em engenharia, Bosco iniciou-se na música em Ouro Preto nos anos 1960, onde conheceu Vinicius de Moraes, seu primeiro parceiro. A partir de 1970, consolidou com Aldir Blanc uma das mais fecundas duplas da MPB. Suas composições ganharam projeção com gravações de Elis Regina, como “Bala com bala” e “O bêbado e a equilibrista”, esta última símbolo da anistia política no Brasil. Seu estilo de violão alia ritmo percussivo e harmonia complexa, criando uma linguagem singular que dialoga com o jazz e o samba【turn0search6】【turn0search2】.
Legado e colaborações
Ao longo de mais de cinquenta anos de carreira, João Bosco gravou mais de vinte álbuns e colaborou com nomes como Milton Nascimento, Caetano Veloso e Djavan. Trabalhou intensamente com o filho Francisco Bosco e foi homenageado em 2024 pela Universidade Estadual de Campinas, que destacou seu papel como símbolo da diversidade musical brasileira【turn0search4】.
Produção recente
O disco Boca cheia de frutas (2024) reafirma a vitalidade criativa do artista, com parcerias com Francisco Bosco, Aldir Blanc e Roque Ferreira. A obra mescla novas composições e reinterpretações de clássicos de Milton Nascimento e Chico Buarque, reforçando sua busca constante por inovação dentro da tradição da MPB【turn0search6】.
segunda-feira, 23 de março de 2026
Quem é essa navegante
Incompatibilidade de Gênios
João Bosco
Doutor, jogava o Flamengo, eu queria escutar
Chegou, mudou de estação, começou a cantar
Tem mais um cisco no olho, ela em vez de assoprar
Sem dó falou que por ela eu podia cegar
Se eu dou um pulo, um pulinho, um instantinho no bar
Bastou, durante dez noites me faz jejuar
Levou as minhas cuecas pro bruxo rezar
Coou meu café na calça pra me segurar
Se eu tô, ai, se eu tô
Devendo um dinheiro e veio um me cobrar
E vem um me cobrar
Doutor, ai, doutor
A peste abre a porta e ainda manda sentar
Ainda manda sentar
Depois, se eu mudo de emprego que é pra melhorar
Vê só, convida a mãe dela pra ir morar lá
Doutor, ai, doutor
Se eu peço feijão
Ela deixa salgar
Calor, mas veste casaco pra me atazanar
Que é pra me atazanar
E ontem, sonhando comigo mandou eu jogar
E mandou eu jogar
No burro e deu na cabeça a centena e milhar
Quero me separar
Composição: João Bosco, Aldir Blanc.
La barca
Roberto Cantoral
Navegar é preciso - Lula Pena (Os argonautas, de Caetano Veloso )
"👆 Quem é essa navegante virtuosa de 2022, de quem anunciam o desembarque em 2026, no sexagésimo ano do barco de Ramez Tebet, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela? Aquele menestrel navegante e os demais não temeram o naufrágio por precisão, nem a fortuna do mar. Trágico ter que concordar com Nunes: Baleia embarcará nessa canoa furada?"
O barco
Meu coração não agüenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia
O marco
Meu coração
O porto
Não
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso
O barco
Noite no teu tão bonito
Sorriso solto, perdido
Horizonte e madrugada
O riso
O arco
Da madrugada
O porto
Nada
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso
O barco
O automóvel brilhante
O trilho solto, barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue
O charco
Barulho lento
O porto
Silêncio
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso.
El barco. Mi corazón no aguanta tanta tormenta, tanta alegría. Mi corazón no se contenta. El día, el límite. Mi corazón. El puerto. No. Navegar es necesario, vivir no es necesario. El barco. La noche en tu sonrisa tan hermosa, solitaria, perdida, perdida madrugada y horizonte. La risa, el arco de la madrugada. El puerto, nada. El barco: el automóvil brillante. El camino abandonado, ruido de mi diente en tu vena. La sangre, el charco. Ruido lento. El puerto. Silencio. Navegar es necesario; vivir, vivir no es necesario.
Xálima
3 de jun. de 2012
segunda-feira, 23 de março de 2026
MDB, 60 anos: nem Ulysses e Tancredo uniram o partido, por César Felício
Valor Econômico
Partido não deve apoiar ninguém para presidente este ano, mas sem o clima de guerra do passado
Mais à direita do que já esteve na maior parte da sua história, muito menor do que já foi no passado, o MDB completa 60 anos nesta terça-feira mantendo uma singularidade: é o partido onde instâncias regionais, estatutariamente, têm mais poder perante a cúpula da sigla.
Esta particularidade está cobrando seu preço agora, em meio às articulações de palanque que ocorrem junto com a janela partidária. Em dois Estados do Nordeste, Paraíba e Piauí, é provável que o partido simplesmente deixe de lançar candidato a deputado federal.
A formação de uma bancada robusta na Câmara dos Deputados é fundamental para qualquer partido conseguir uma fatia mais relevante do fundo partidário. Mas o MDB, ainda hoje, continua podendo ser chamado de “federação de caciques regionais”. No Piauí, a prioridade da sigla é o acordo com o PSD para a reeleição do senador Marcelo de Castro. Na Paraíba, o partido joga mais alto, e quer eleger o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena para governador, e reeleger o senador Veneziano Vital do Rego. Abrir mão na nominata proporcional ajuda na composição.
O estatuto do MDB afasta a característica cartorial de outros partidos, em que a direção nacional exerce enorme poder. Não há, por exemplo, poder de veto sobre as decisões locais. Não se pode tirar a seção local de uma liderança e entregá-la a outra, porteira fechada. A norma, se dá organicidade e democracia interna, tira coesão e dificulta um projeto de poder. Desde a redemocratização o partido perdeu protagonismo nas disputas presidenciais. E a partir do governo Temer (2016-2018) perdeu protagonismo parlamentar. Foi-se o tempo em que a sigla presidia Câmara e Senado.
Na eleição presidencial desse ano o MDB deve, pela terceira vez, não indicar um candidato a presidente, liberando as direções estaduais para os arranjos mais convenientes. Tudo indica que será uma decisão muito mais pacífica do que as tomadas em 1998 e 2006, quando o partido fez o mesmo. As divisões subsistem no MDB. O que não há mais é o clima de guerra, a convicção de se estar decidindo o destino nacional com a decisão partidária.
A falta de unidade plena se manifestou desde o início. Esta coluna teve acesso às atas de todas as 12 convenções nacionais realizadas pela sigla para escolher o rumo na eleição presidencial desde 1973.
Na primeira delas, há 53 anos, o Brasil era presidido por Emílio Médici e a eleição indireta era apenas um simulacro para legitimar uma sucessão dentro das Forças Armadas, para a qual já estava escolhido Ernesto Geisel. O MDB decidiu jogar este jogo porque percebeu uma brecha: apesar de se viver em uma ditadura, o “candidato” na eleição indireta teria direito a tempo em rádio e televisão para campanha.
O presidente da sigla, Ulysses Guimarães, se lançou, mas não sem resistência da chamada “ala autêntica” do partido, que queria boicotar a eleição indireta em protesto. Durante a convenção, para diminuir as resistências, aceitou aprovar uma moção que condicionava a candidatura à manutenção do direito de se usar a mídia. Havia a desconfiança de que o regime militar, a qualquer momento, retirasse esse direito. Ainda assim, a decisão não foi unânime: Ulysses teve 201 votos e 42 foram em branco e nulos.
Na convenção seguinte, em 1978, o partido realmente achava que tinha chance de cavar dissidências entre os apoiadores do regime militar e ganhar a eleição indireta. Escolheu como candidato um general, Euler Bentes. A resistência da vez não veio dos autênticos, mas do MDB do Rio de Janeiro, que tinha um acordo com o regime para indicar Chagas Freitas como governador do Estado. Euler teve 352 votos e 132 foram em branco e nulos.
Tancredo teve em 1984 uma votação acachapante (656 votos em 721 possíveis), mas ensaiou-se um boicote em relação ao vice, José Sarney, que recebeu 113 votos a menos. A ala esquerda da sigla resistia a compor a chapa com um antigo apoiador do regime.
O MDB (à época PMDB) provavelmente foi o único partido do Brasil a chegar a uma convenção presidencial — a de 1989 — com quatro candidatos, para serem escolhidos em dois turnos de votação: Ulysses Guimarães, Waldir Pires, Iris Rezende e Alvaro Dias. Ulysses tornou-se candidato depois de obter apenas 302 votos em 897 possíveis. Seu adversário no segundo turno, Waldir Pires, que obteve 272, desistiu da disputa para se tornar vice na chapa que terminou em sétimo lugar naquelas eleições.
Na eleição de 1994, a convenção apenas homologou por aclamação o resultado da prévia partidária em que Orestes Quércia teve 81% dos votos e derrotou Roberto Requião. Quércia ganhou, mas não levou o apoio do partido, aquela ocasião ainda imenso. A maior parte das lideranças regionais apoiou de forma tácita a eleição do tucano Fernando Henrique Cardoso.
A disputa na convenção de 1998 foi a mais tumultuada da história do partido, com direito a intervenção policial para garantir que o ex-presidente Itamar Franco, que pretendia ser candidato, pudesse concluir seu discurso. A ala governista tratorou o presidente da sigla, Paes de Andrade, e por 389 votos a 303 impediu o lançamento de candidatura própria, pela primeira vez na história da sigla.
1998 foi um divisor de águas: a partir daquele momento o MDB deixou na prática de disputar poder para buscar ser “fiador de governabilidade”, o que é muito diferente de ser aliado.
Nas últimas décadas o partido uniu-se primeiro ao PSDB e depois ao PT. Em 2018 e 2022 lançou candidatura própria, para negociar governabilidade depois das eleições. É bolsonarista em São Paulo e lulista na Bahia. Sem ter como enfrentar a polarização nacional, tenta resistir regionalmente.
PSB confirma filiação de Simone Tebet para disputar Senado após quase 30 anos no MDB
O partido afirmou que recebe a ministra com "entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica".
Por Bruna Barboza — São Paulo
21/03/2026 14h33 Atualizado há 2 dias
Facebook
Twitter
Whatsapp
Linkedin
Ministra do Planejamento, Simone Tebet
Ministra do Planejamento, Simone Tebet — Foto: Ton Molina/Fotoarena/Agência O Globo
Capa do audio - As Notícias Mais Recentes da CBN
PSB confirma filiação de Simone Tebet para disputar Senado após quase 30 anos no MDB
0 seconds of 0 secondsVolume 45%
00:00
00:00
O PSB confirmou neste sábado a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, em São Paulo. A mudança marca a saída dela do MDB após quase 30 anos no partido. Tebet vai disputar uma das vagas ao Senado nas eleições.
Em nota à imprensa, o PSB afirmou que recebe a ministra com "entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica".
A CBN apurou que a filiação está prevista para a próxima sexta-feira, em cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo. O evento deve contar com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, ambos do PSB.
Play Video
Pelo MDB, Tebet foi senadora e também candidata à Presidência da República em 2022.
A saída da ministra provocou reação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que lamentou a decisão e afirmou que Tebet mudou de partido somente para atender a um pedido do presidente Lula.
"O que ela está fazendo? Ela está abandonando o povo que o tempo inteiro a acolheu. O que eu acho mais grave disso é ela virar as costas para o partido que sempre a apoiou. Inclusive, eu a apoiei. E tudo isso por conta de um capricho, de uma estratégia política do presidente Lula. Eu acho que ela é muito grande para se submeter a um capricho do presidente Lula. É a minha opinião. Eu respeito, mas eu jamais imaginei da Simone Tebet, uma pessoa com tanta envergadura, se submeter a ser marionete de Lula no nosso estado."
Nunes também rebateu uma declaração do pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, de que Tebet teria mais ligação com o estado do que o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. O prefeito destacou que a ministra nasceu no Mato Grosso do Sul, enquanto Tarcísio é natural do Rio de Janeiro.
O prefeito afirmou, ainda, que deseja integrar a equipe que vai coordenar a campanha à reeleição de Tarcísio em São Paulo. Nos bastidores, a expectativa é de que Nunes apoie a articulação política junto a prefeitos da região metropolitana.
blue in green chet baker
"👆 Quem é essa navegante virtuosa de 2022, de quem anunciam o desembarque em 2026, no sexagésimo ano do barco de Ramez Tebet, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela? Aquele menestrel navegante e os demais não temeram o naufrágio por precisão, nem a fortuna do mar. Trágico ter que concordar com Nunes: Baleia embarcará nessa canoa furada?"
Resumo dos Pontos Históricos
Menestrel Navegante: Ótima referência a Teotônio Vilela, o "Menestrel das Alagoas".
Desembarque: Termo político preciso para a saída de um governo.
Nunes e Baleia: Refere-se a Ricardo Nunes e Baleia Rossi, figuras centrais na atual encruzilhada do MDB em São Paulo e no Brasil.
Globoplay
Globoplay
+2
Deseja que eu reescreva o texto em um tom mais formal ou prefere manter essa linguagem metafórica para uma análise política?
undefined
undefined
undefined
6 sites
O União Brasil decidiu formalizar o desembarque do governo Lula
18 de set. de 2025 — Jornal da Globo. O União Brasil decidiu formalizar o desembarque do governo Lula.
Globoplay
Significado de sexagenário no Dicionário Estraviz
sexagenário. adj. e s. Que, ou aquele que tem sessenta anos de idade.
Dicionário Estraviz
Sexagenários - Dicio, Dicionário Online de Português
Significado de sexagenário Que ou aquele que tem sessenta anos.
Dicio
Mostrar tudo
Navegante Tremembé
(ultima atualização em maio/2025)
Itarema, CE, 1960
Vive e trabalha em Itarema, CE
Representada pela Cave Galeria
Participante do Prêmio PIPA 2025
Navegante é mulher indígena tremembé 60+, da aldeia Varjota, de Itarema, que há quase 40 anos retrata a sua cultura por meio de pinturas com o Toá, que é um pigmento natural extraído do solo do mangue, com cores produzidas por camadas geológicas formadas há milhões de anos na Terra. Esses pigmentos carregam consigo não apenas a materialidade da terra, mas também a conexão espiritual com o território e a memória do povo Tremembé. Em suas pinturas, vemos paisagens ancestrais onde diferentes seres vivos co-habitam o plano em um forte estado de harmonia, fazendo com que seus trabalhos se tornem arquivos e patrimônios da Terra. Navegante é uma guardiã dos saberes ancestrais de seu povo. A artista é profundamente comprometida em transmitir esse conhecimento às futuras gerações, trabalhando com jovens nas escolas indígenas.
Site: www.instagram.com/navegante.tremembe
Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2025:
Trabalhos
Biografia
Textos Críticos
Clipping
Texto do Artista
domingo, 22 de março de 2026
O LINCE — porque ver é mais do que olhar.
Maria Lúcia Godoy - QUEM SABE - Carlos Gomes e F.L. Bittencourt Sampaio
luciano hortencio
🦅 O LINCE — Edição Especial (com referências e locações)
Tão longe, tão perto — sob o olho de lince
por Olho de Lince
Opinião Estadão
@opiniao_estadao
#EspaçoAberto | Luiz Sérgio Henriques
O ‘hegemon’ que não sabe recuar - Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/o-hegemon-que-nao-sabe-recuar/
📸Julia Demaree Nikhinson/AP
7:00 AM · 22 de mar de 2026
·
Chico Buarque - Sabiá (1968)
Composição de Tom Jobim (música) e Chico Buarque (letra), de 1968, ganhadora do III Festival Internacional da Canção. Versão de compacto de Chico, também de 1968, lançado pela RGE.
Na reportagem, a Economist destaca que a guerra está minando três das principais armas de Trump em seu governo: "sua capacidade de impor sua própria realidade ao mundo, seu uso implacável de influência e seu domínio sobre o Partido Republicano".
Também diz que o regime iraniano está tendo sucesso em sua estratégia de prolongar o confronto e pressionar a indústria energética global com o bloqueio do Estreito de Ormuz, que levou o preço do petróleo a chegar aos US$ 110 por barril.
"O presidente demonstrou uma notável capacidade de distorcer os fatos e, certamente, insiste que já triunfou no Irã. Contudo, a guerra revela uma verdade própria. (...) O tempo está a favor do Irã", ressalta o texto.
Para a revista, uma guerra prolongada deve prejudicar também as eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão em novembro, para o Partido Republicano, o do presidente americano.
domingo, 22 de março de 2026
O ‘hegemon’ que não sabe recuar, por Luiz Sérgio Henriques
O Estado de S. Paulo
Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora
Um hegemon vingativo, destruidor de instituições que ele próprio ajudou a inspirar, a começar pela ONU e sua Carta de Direitos, está em evidente curso de dissolução da própria hegemonia. Conceito complexo este último. Nutre-se não só do poderio industrial ou militar, mas também, e amplamente, da capacidade de direção política e intelectual – de soft power, em suma. Essa é uma lição secular, anterior a qualquer formulação gramsciana. Já o centauro maquiaveliano, educador de políticos, alertava contra o uso exclusivo da violência. Se o príncipe só mobiliza as qualidades do leão e menospreza as manhas da raposa, ele incute medo nos lobos e termina preso numa armadilha.
Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora. Seu ato inaugural foi a deflagração de uma guerra comercial global, com o cancelamento dos mecanismos de regulação das disputas entre nações. Politicamente, os Estados Unidos de Trump passaram a ser um país que tensiona alianças de longa data, obcecado pelo interesse de se tornar “grande de novo”. Ao menos na retórica, agora seria o momento de se fechar num esplêndido isolamento, longe das tentações intervencionistas tanto dos adversários democratas quanto dos republicanos de feição neoconservadora.
A ilusão não durou muito. De fato, o que se fez foi reorientar a presença norte-americana num mundo concebido como luta de soberanias sem qualquer limitação. A nova direita, como sabemos, diz-se “soberanista” por toda parte, mesmo quando se afirma em países com pouco poder relativo, aos quais cabe ficar à sombra daqueles que são verdadeiramente fortes. Estabelecidas as respectivas áreas de influência, as potências com vocação imperial se entendem entre si e cuidam de submeter os demais. Torna-se mais fácil a convergência de Trump com Putin do que com Zelenski. E é natural que Netanyahu, apoiado na supremacia dos Estados Unidos, ignore os direitos dos palestinos assegurados em inúmeras resoluções da ONU. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Um hegemon suicida abdica de qualquer pensamento estratégico. Compreende-se a crítica trumpista de sucessivas intervenções levadas a efeito sob o lema do regime change, a troca de governos considerados internamente despóticos e externamente desestabilizadores. Um exemplo particularmente trágico foi a destruição do Estado iraquiano por obra dos neoconservadores de George W. Bush. A boa intenção – uma destas de que o inferno está repleto – consistia em “impor a democracia” de cima para baixo, sem examinar suas condições de possibilidade na própria sociedade civil.
Agora, no entanto, não se pode mais supor nenhum vestígio de boa intenção. O caso venezuelano, perigosamente perto de nós, expôs a nova tática de “extração” do governante e quase simultânea convivência com a estrutura autocrática de que ele era só a expressão imediata. Antes da operação tecnicamente bem-sucedida, houve toda uma ilegal operação de asfixia sob o pretexto da guerra ao narcoterrorismo, na novilíngua da política trumpista. Uma armada poderosa passou semanas a destruir barcos em águas internacionais, servindo-nos naufrágios e mortes como videogame – essa insuportável pat ol ogi a contemporânea. E o dirigente sequestrado, símbolo político de um penoso “socialismo do século 21”, dificilmente terá tido papel destacado no tráfico propriamente dito.
Vingança – e também interesses energéticos – são os móveis do hegemon em declínio. Tomado pelo “sucesso” do paradigma venezuelano, Trump logo determinaria alvos de valor simbólico até maior, a saber, Irã e Cuba. A metodologia é a mesma, a expectativa é a “rendição incondicional”. Não muda a determinação de levar as duas situações ao ponto extremo da crise humanitária, como se a teocracia iraniana, num caso, e o stalinismo tardio, no outro, justificassem ou requeressem o castigo coletivo a que as populações civis estão sendo submetidas. Em contraposição gritante, basta mencionar as políticas do ex-presidente Obama há cerca de dez anos, participando de um acordo nuclear multilateral com o Irã e promovendo o reatamento de relações com Cuba.
O hegemon já então não dirigia unilateralmente os acontecimentos nem tinha os recursos de poder que antes o credenciavam como protagonista indiscutido. Estava a pleno vapor uma nova “fábrica do mundo”, de superestrutura política autocrática, começando a projetar poder pela rota do comércio, dos investimentos e de uma versão particular de poder suave. Em tese, porém, com dirigentes formados na tradição anterior teria sido possível levar a termo uma retirada ordenada. Na guerra, como na política, tal movimento tem valor comparável ao de uma ofensiva, especialmente quando reforçado pela dimensão democrática própria das sociedades abertas – uma dimensão que as tornou até hoje singularmente atraentes.
Seja como for, trata-se de uma especulação, razoável embora. Menos especulativo será afirmar que, se recorrer apenas à violência, mesmo um grande país fatalmente cairá em armadilha que, por natureza, leões não percebem.
Música | Sidney Miller - Botequim Nº1
Tão longe, tão perto, duração da guerra do Irã pode decidir eleições no Brasil
Publicado em 22/03/2026 - 10:50 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Governo, Imposto, Irã, Itamaraty, Memória, Partidos, Política, Política, Segurança, Transportes, Violência
A Operação Fúria Épica parece distante de um fim próximo, embora concebida para durar poucos dias. O nó górdio da guerra é o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Irã
Neste ano eleitoral, há três fatores imponderáveis para os humores da sociedade: o desfecho do escândalo do Banco Master, em relação à credibilidade das instituições; a prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro, com suas recorrentes internações por problemas de saúde; e a guerra do Irã, com forte impacto no preço dos combustíveis e, consequentemente, na inflação. O primeiro favorece uma candidatura outsider, o segundo a do senador Flávio Bolsonaro e, o terceiro, qualquer um dos dois ou um candidato de “terceira via”. Ou seja, para se reeleger, o presidente Luís Inácio Lula da Silva precisa ficar esperto, o tempo fechou.
Desses fatores, a guerra do Irã é aquela que está completamente fora do alcance da política brasileira. Embora traga a política externa para o debate interno, devido às relações do governo brasileiro com o regime dos aiatolás, o contencioso com Israel e as fricções entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma “externalidade negativa” que precisa ser mitigada.
Entretanto, o Itamaraty não pode influenciar o destino da guerra e seu impacto na economia depende da duração do conflito. Hoje, esse é o fator mais crítico para a economia global, sobretudo devidos à escala dos danos permanentes causados à infraestrutura da região. Historicamente, o preço do petróleo acompanha as crises do Oriente Médio.
Leia também: Trump diz que EUA ‘aniquilarão’ usinas nucleares do Irã
A Guerra do Yom Kippur (1973), que durou três semanas, foi a causa do primeiro “Choque de Petróleo”. Em retaliação ao apoio a Israel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), fundada em 1960, um cartel inicialmente formado por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, quadruplicou o preço do petróleo, que saltou de 3 para 12 dólares o barril. Aqui no Brasil, isso provocou o fim do “milagre econômico” no governo Geisel e a derrota eleitoral dos militares em 1974.
Outras guerras causaram elevação do preço do petróleo e grande instabilidade nos mercados. A tomada do poder pelos aiatolás no Irã e a subsequente guerra com o Iraque (1980–1988) foram responsáveis pelo segundo Choque do Petróleo, em 1982, e a Crise da Dívida dos países em desenvolvimento. A alta nos preços do combustível e a elevação dos juros americanos foram o estopim da hiperinflação no Brasil, só superada com o Plano Real, em 1994.
Em 1991, a Guerra do Golfo (invasão do Kuwait pelo Iraque) durou sete meses e provocou forte alta do petróleo, somente contida pela intervenção dos Estados Unidos e o uso de reservas estratégicas de combustível. Nova crise no mercado se deu com a Guerra do Iraque, em 2003, com a invasão do país pelos Estados Unidos, sob o falso pretexto de que Sadam Hussein estaria produzindo armas químicas de extermínio em massa. Seis semanas de ocupação não confirmaram a acusação e desestabilizaram o país até hoje. Na época, os preços chegaram a 40 dólares o barril de petróleo.
Nacionalismo
Nessa guerra do Irã, ataques a refinarias no Kuwait e Arábia Saudita fizeram o petróleo Brent disparar mais de 6% em um único dia. Dependendo da escala, o barril pode atingir os US$ 200. Depois de realizar cerca de oito mil voos sobre o território iraniano, atingir cerca de 7 mil a 7,8 mil alvos no país e matar o líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, e parcela considerável da cúpula do regime, os Estados Unidos ainda parecem longe de atingir os objetivos anunciados no início das hostilidades.
A guerra provoca a maior disrupção de oferta de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), com a cotação do barril atingindo quase US$ 120 esta semana, além de causar pressão inflacionária global e abalo de cadeias produtivas. O preço do petróleo na sexta-feira (20), estava a US$ 113,10 (R$ 590,04), alta de 4,05% na comparação com o dia anterior.
O mercado trabalha com três cenários: choque temporário, barril a US$ 73,1, com menor impacto na inflação; choque persistente, com preço médio do barril em US$ 82; e choque disruptivo: preço médio do barril acima de US$ 100, com aumento significativo da inflação global e do valor dos combustíveis.
Iniciada em 28 de fevereiro, a Operação Fúria Épica parece distante de um fim próximo, embora tenha sido concebida para durar poucos dias. O nó górdio da guerra é o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Irã, por onde circulam 20% da produção mundial, e a estratégia de escalada e guerra assimétrica agora adotada pelo regime dos aiatolás.
Leia mais: Armadilha de Escalada, guerra no Irã pode sair de controle
No Brasil, o presidente Lula zerou o PIS-Pasep sobre combustíveis e pressiona governadores pela redução do ICMS, mas os efeitos ainda não chegaram às bombas. A crise reacendeu o debate entre privatização e estatização, considerado superado pelo mercado. Em visita à Refinaria Gabriel Passos (Regap), entre Betim e Ibirité (MG), em Minas, Lula disse que “a Petrobras voltou a ser a empresa mais rentável do país”, e anunciou a recompra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.
Lula criticou também a privatização da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), com o argumento de que sua venda reduziu a capacidade de regulação de preços. Ao que tudo indica, pretende politizar a crise e resgatar uma velha bandeira de defesa da Petrobras: “o petróleo é nosso”. Em 2006, deu certo contra o então candidato tucano Geraldo Alckmin, hoje no PSB e seu vice-presidente.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
Compartilhe:
Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela)
#Guerra. #Petróleo, #inflação, #Irã, #Trump, Lula
Olho de Lince (part. Waly Salomão)
Jards Macalé
Quem fala que sou esquisito, hermético
É porque não dou sopa, estou sempre elétrico
Nada que se aproxima, nada me estranha
Fulano, sicrano e beltrano
Seja pedra, seja planta, seja bicho, seja humano
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
Experimento tudo, nunca me iludo
Quero crer no que vem por aí, beco escuro
Me iludo
Passado, presente, futuro
Reviro na palma da mão o dado
Presente, futuro, passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
Fósforo que acende o fogo
De minha mais alta razão
Na sequência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
Experimento, invento, luto, nunca, jamais me iludo
Quero crer no que vem por aí, beco escuro
Iludo
Passado, presente, futuro
Viro balanço
Reviro na palma da mão o dado
Futuro, presente, passado
Tudo sentir
Total é a chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo
De minha mais alta razão
E na sequência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão
Composição: Waly Salomao, Jards Macale.
📍 [Imagem principal da crônica — inserida no topo da matéria]
Link: https://example.com/imagem-hegemon-sombra.jpg
Não confio em sombras. Aprendi cedo que elas não apenas escondem — elas inventam formas. Por isso, quando vi o homem de boné erguido ao vento, com seu pássaro estampado como quem carrega o céu na cabeça, não me detive na pose. Abri a janela, liguei a tomada, fiz o que manda o instinto de quem observa: procurei o que não se mostrava.
Diziam ser ele o hegemon, senhor das distâncias, aquele que decide de longe o que acontece perto. Mas havia uma rachadura. Fina no começo, quase discreta, depois alargando-se como conta malfeita. E eu, com meu olho de lince, desconfiei: nenhuma soma fecha quando o mundo entra como variável.
A guerra, lá do outro lado do mapa, parecia apenas mais um ruído. Porém, bastou girar o dado — passado, presente, futuro — para entender o cálculo escondido. Um estreito bloqueado, navios parados, petróleo em ascensão. Some-se isso ao tempo, multiplique-se pelo medo e o resultado aparece onde ninguém esperava: no preço da gasolina, no pão, na escolha do voto.
Fiz as contas na palma da mão, como ensinava a vida:
longe ÷ tempo = perto
guerra × mercado = inflação
inflação + incerteza = mudança
Ele, lá no alto de sua imagem, ainda sustentava o olhar firme. Talvez visse o horizonte. Talvez não visse a sombra que lhe cortava a visão. Porque há coisas que não se alcançam com altura, mas com atenção.
Eu experimento tudo, invento, duvido. Nunca me iludo — ou me iludo sabendo. E é assim que sigo: abrindo portas, encarando becos escuros, sentindo o mundo de todas as maneiras. Porque o real não se entrega inteiro a quem apenas manda; ele se revela a quem observa.
No fim, entendi: o poder quer prever, mas é o detalhe que decide. E enquanto alguns governam de olhos semicerrados, outros aprendem a ver no escuro.
— Olho de Lince
🖼️ Retrato da edição (coluna lateral)
📍 [Imagem da artista — posicionada à direita da seção musical]
Link: https://example.com/imagem-evinha.jpg
🎶 Bônus da Saideira: o rouxinol feminino da MPB
Hoje, o Lince fecha sua edição com a voz de Evinha, do Trio Esperança.
A canção Menino de Braçanã nos leva a outro tipo de travessia: não a geopolítica, mas a da infância, do medo e da fé.
📍 [Letra completa da canção]
Link: https://www.letras.mus.br/evinha/menino-de-bracana/
📍 [Vídeo da canção]
Link: https://www.youtube.com/watch?v=example
Nela, um menino caminha na escuridão, dividido entre:
o temor do castigo
o receio do desconhecido
e a confiança em algo maior
👉 Assim como na crônica, há um “beco escuro”.
Mas aqui, a resposta não está no cálculo — está na crença:
quem anda com fé não teme a escuridão
Se, na política, o mundo se resolve em variáveis incertas,
na canção, resolve-se no íntimo:
no coração que insiste em seguir.
🐾 Nota de Rodapé (Epitáfio do Lince)
O pássaro no boné voa alto.
O lince enxerga no escuro.
Um domina as alturas.
O outro, as sombras.
Entre voo e visão,
fica a dúvida que move o mundo.
🗺️ Guia de Locações na Página
📰 Topo da página: imagem do hegemon com sombra
🖊️ Corpo central: crônica “Tão longe, tão perto”
🎶 Coluna lateral direita: imagem de Evinha + seção musical
🔗 Rodapé da seção musical: links (letra + vídeo)
🐾 Rodapé final: epitáfio do Lince
O LINCE — porque ver é mais do que olhar.
Como era diferente acompanhar um Oscar na década de 1970 -
Estadão
Cultura
Colunas
EXCLUSIVO
Ignácio de Loyola Brandão
Coluna quinzenal do escritor Ignácio de Loyola Brandão com crônicas e memórias
Opinião
Como era diferente acompanhar um Oscar na década de 1970
Assim que a transmissão – precária diante da tecnologia de hoje – se iniciava, ‘nossa rede’ entrava no ar: três telefones se fechavam em circuito
Foto do autor Ignácio de Loyola Brandão
Por Ignácio de Loyola Brandão
22/03/2026 | 00h00
"Com Donald Trump, a América perdeu o humor, a revolta, o cinismo, a ironia, a raiva? Não digo isso porque nada ganhamos. Alguém acaso acreditava que Hollywood desse dois prêmios seguidos em tão curto espaço de tempo? Vá, vá, vá! - como diria minha avó Branca.
Nos anos 1960, pedi um visto para os States e me foi negado com o argumento de que eu, ao lado de Armindo Blanco e Jean-Claude Bernardet éramos contra o cinema americano. Eu, um nada, contra o poder dos estúdios? Vá, vá, vá.
Ignácio de Loyola Brandão
Vá, vá, vá
É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DE 'ZERO' E 'NÃO VERÁS PAÍS NENHUM'"
Vá, vá, vá (ou K, K, K?) — crônica sob o olho de lince
por Olho de Lince
Há vozes que nos empurram para o mundo. Outras, nos empurram para dentro dele.
Na lembrança do cronista, ecoa o “vá, vá, vá” de avó Branca — não como ordem dura, mas como impulso inaugural. Um sopro de coragem diante do desconhecido. Vá. Siga. Atravesse. Como se viver fosse sempre esse gesto de sair, mesmo sem saber exatamente para onde.
Mas o mundo — ah, o mundo — responde com outro som.
K.
K de impasse.
K de enigma.
K de labirinto.
Como nos universos de Franz Kafka, onde avançar não significa chegar, e toda porta aberta conduz a outro corredor, e não à saída. O personagem caminha, mas não alcança; fala, mas não é ouvido; existe, mas não se reconhece no próprio reflexo.
Entre o “vá” e o “K” instala-se o drama.
Na crônica do jornal, o neto observa o mundo em suas dobras: política, cultura, memória. Fala de um tempo em que as histórias eram contadas em circuito, quase sussurradas entre vozes conhecidas. E lembra — talvez sem dizer — que o impulso primeiro vinha de alguém simples, de dentro de casa, não dos grandes centros de poder.
Já sob o olho de lince, o cenário se amplia. O hegemon ergue-se, o mundo se arma, a guerra se desloca em mapas e mercados. Tudo parece mensurável, como se a realidade pudesse ser resolvida em equações. Mas eis o ponto cego: o cálculo não prevê o absurdo.
E o absurdo é K.
Faz-se a conta:
longe ÷ tempo = perto
guerra × mercado = inflação
Mas onde entra o desvio? Onde se insere o erro que não cabe na fórmula?
Talvez esteja no instante em que alguém diz “vá” e o mundo responde “K”.
Talvez esteja na diferença entre o impulso humano e a engrenagem impessoal.
Talvez esteja na própria linguagem, que promete clareza e entrega ambiguidade.
O lince observa.
Vê o líder que olha longe, mas não enxerga a rachadura.
Vê o cronista que escreve, mas também hesita.
Vê o menino que parte, mesmo com medo do escuro.
E entende: viver é oscilar entre comando e confusão.
O “vá” é linha reta.
O “K” é curva, desvio, atraso.
Mas sem o “vá”, não há movimento.
E sem o “K”, não há consciência.
No fim, talvez a sabedoria não esteja em escolher entre um e outro, mas em sustentar ambos: avançar mesmo sem compreender, e compreender que jamais se avançará por completo.
Vá, então.
Ainda que o mundo responda em K.
— Olho de Lince
sábado, 21 de março de 2026
Ouçam-nos
Daniele Trucco - Amor che ne la mente mi ragiona (feat. Serena Moine) - Testo di Dante Alighieri
"Tradução de “Amor, che ne la mente mi ragiona”
(de Dante Alighieri)
O Amor, que em minha mente discorre sobre minha dama com tanto desejo, move frequentemente em mim coisas sobre ela que o entendimento não consegue alcançar.
O seu falar soa tão docemente que a alma que escuta e o percebe diz: “Ah, infeliz de mim! eu não sou capaz de dizer o que ouço da minha dama!”
E certamente me convém deixar de lado, antes, se quero tratar daquilo que dela escuto, aquilo que o intelecto não compreende; e, mesmo do que se entende, grande parte deixo, pois não saberia dizê-lo.
Portanto, se meus versos tiverem falha naquilo que o intelecto não alcança, e mesmo naquilo que se entende, em grande parte, porque não sei expressar, não é de admirar: pois, se eu pudesse, falaria tão docemente que faria todo entendimento chorar de amor.
“Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.” — (LUCAS, 16.29)
1 A resposta de Abraão ao rico da parábola ainda é ensinamento de todos os dias, no caminho comum.
2 Inúmeras pessoas se aproximam das fontes de revelação espiritual, entretanto, não conseguem a libertação dos laços egoísticos de modo que vejam e ouçam, qual lhes convém aos interesses essenciais.
3 Há precisamente um século, n estabeleceu-se intercâmbio mais intenso entre os dois Planos, na grande movimentação do Cristianismo redivivo; contudo, há aprendizes que contemplam o céu, angustiados tão só porque nunca receberam a mensagem direta de um pai ou de um filho na experiência humana. 4 Alguns chegam ao disparate de se desviarem da senda alegando tais motivos. Para esses, o fenômeno e a revelação no Espiritismo evangélico são simples conjunto de inverdades, porque nada obtiveram de parentes mortos, em consecutivos anos de observação.
5 Isso, porém, não passa de contrassenso.
6 Quem poderá garantir a perpetuidade dos elos frágeis das ligações terrestres?
7 O impulso animal tem limites.
8 Ninguém justifique a própria cegueira com a insatisfação do capricho pessoal.
9 O mundo está repleto de mensagens e emissários, há milênios. 10 O grande problema, no entanto, não está em requisitar-se a verdade para atender ao círculo exclusivista de cada criatura, mas na deliberação de cada homem, quanto a caminhar com o próprio valor, na direção das realidades eternas.
Emmanuel
[1] [Essa lição foi psicografada em 1950, um século depois das primeiras manifestações que deram origem ao Espiritismo moderno. Vide: Espiritismo retrospectivo.]
116
Ouçam-nos
Pão Nosso #116 - Ouçam-nos
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 18 de jul. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
"Vemos Eurípedes em pé entre dois senhores. À sua esquerda, seu cunhado José Rezende da Cunha, no bonde elétrico de Sacramento, em 1913. (Ver foto completa à pg. 9)."
"Meus caros irmãos e buscadores do progresso,
É com o espírito voltado às luzes da civilização e à fraternidade que me dirijo a vós. Se me permitem um breve relato sobre a instrumentalização do engenho humano em nossa amada Sacramento, recordo-me do laborioso período em que, investido na função de representante do povo, empenhei minhas humildes forças para que o progresso material caminhasse de mãos dadas com o aprimoramento moral.
Não víamos no Bonde Elétrico, inaugurado naquele memorável ano de 1912, apenas um mecanismo de ferro e eletricidade para o transporte de corpos. Para nós, aquela linha era uma artéria de integração, um símbolo da inteligência humana captando as forças da natureza — o fluido elétrico — para servir ao bem comum e diminuir as distâncias entre os corações.
Minha participação na Câmara Municipal e o diálogo constante com os idealistas daquela época não visavam a glória transitória, mas a convicção de que uma cidade iluminada e conectada é solo fértil para o florescimento das ideias e do ensino. O bonde que cruzava nossas ladeiras era, em minha visão, um mestre silencioso de pontualidade e ordem, demonstrando que, quando o homem se organiza sob a égide do trabalho e da ciência, o meio em que vive se transforma para melhor.
Que o brilho dessa eletricidade física nos recorde sempre da necessidade de mantermos acesa, em nossos íntimos, a luz do esclarecimento e da caridade cristã, os únicos trilhos que nos conduzirão, verdadeiramente, às estações da paz e do amor universal."
"Você gostaria que eu aprofundasse em algum detalhe técnico da Companhia de Força e Luz de Sacramento ou prefere focar no impacto que o bonde teve para os alunos do Colégio Allan Kardec?"
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Allan Kardec - Verdade Luz
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Allan Kardec
Fora da Igreja não há salvação - Fora da verdade não há salvação
8. Enquanto a máxima – Fora da caridade não há salvação – assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma – Fora da Igreja não há salvação – se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso. A máxima – Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma – Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
9. Fora da verdade não há salvação equivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirar a uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento. Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.
Fora Da Caridade Não Há Salvação
Viva com naturalidade.
Estar em paz com a vida é
nunca ofender o próprio
coração.
Estreou em 1 de jul. de 2023 MANTA
Testo di Dante Alighieri
Musica di @DanieleTrucco
Il brano è dedicato alla gentilissima Roberta, nell'anno, nel giorno e nell'ora.
Soprano: Serena Moine
Organo Francesco Vittino (1905) - Centallo
Chiesa di Santa Maria degli Angeli (Manta)
Per dettagli compositivi: https://danieletrucco.blogspot.com/20...
Colonna sonora del film “Carte scoperte: sguardi su Dante”. Regia di Corrado Vallerotti.
⚫️Instagram: / daniele.trucco
🔵facebook: / daniele.trucco.75
Daniele Trucco on Spotify:
https://open.spotify.com/artist/5OAgm...
A 700 anni dalla morte di Dante Alighieri dedicai il mio lavoro interamente al poeta fiorentino. Il tutto nasce come colonna sonora di un docu-film con la regia di Corrado Vallerotti promosso dal comune di Verzuolo (CN) e dedicato ai frammenti di un codice dantesco conservati presso il palazzo comunale.
L’idea iniziale doveva essere quella di procedere con la scrittura della musica di un testo breve, un sonetto o uno stralcio dalla divina Commedia. Poi il ricordo del passo del Purgatorio (‘Amor che ne la mente mi ragiona’ / cominciò elli allor sì dolcemente, / che la dolcezza ancor dentro mi suona. / Lo mio maestro e io e quella gente / ch’eran con lui parevan sì contenti, / come a nessun toccasse altro la mente. Pg. II 112-117) in cui Dante incontra il suo amico Casella mi ha condotto verso la canzone Amor che ne la mente mi ragiona tratta dal Convivio. Si tratta di una lode della donna, in questo caso simbolo della Filosofia, scritta una decina d’anni prima della stesura del trattato filosofico e adattata dal poeta in modo allegorico per l’occasione.
Queste le due strofe musicate:
Amor che ne la mente mi ragiona
de la mia donna disiosamente,
move cose di lei meco sovente,
che lo ’ntelletto sovr’esse disvia.
Lo suo parlar sì dolcemente sona,
che l’anima ch’ascolta e che lo sente
dice: "Oh me lassa! ch’io non son possente
di dir quel ch’odo de la donna mia!"
E certo e’ mi conven lasciare in pria,
s’io vo’ trattar di quel ch’odo di lei,
ciò che lo mio intelletto non comprende;
e di quel che s’intende
gran parte, perché dirlo non savrei.
Però, se le mie rime avran difetto
ch’entreran ne la loda di costei,
di ciò si biasmi il debole intelletto
e ’l parlar nostro, che non ha valore
di ritrar tutto ciò che dice Amore.
Canzone, e’ par che tu parli contraro
al dir d’una sorella che tu hai;
che questa donna che tanto umil fai
ella la chiama fera e disdegnosa.
Tu sai che ’l ciel sempr’è lucente e chiaro,
e quanto in sé, non si turba già mai;
ma li nostri occhi per cagioni assai
chiaman la stella talor tenebrosa.
Così, quand’ella la chiama orgogliosa,
non considera lei secondo il vero,
ma pur secondo quel ch’a lei parea:
ché l’anima temea,
e teme ancora, sì che mi par fero
quantunqu’io veggio là ’v’ella mi senta.
Così ti scusa, se ti fa mestero;
e quando poi, a lei ti rappresenta:
dirsi: "Madonna, s’ello v’è a grato,
io parlerò di voi in ciascun lato".
#danieletrucco #dantealighieri
Scheda tecnica: Clavia Nord Stage, Roland JX-8P, Korg Triton, Fireface 800, AKG C3000, Roland RD300, Logic Pro, Pianoforte a coda Schiedmeyer, Proteus.
https://www.youtube.com/watch?v=GPVQHO_7BI4
Canzone: “Amor, che ne la mente mi ragiona”
Canzone Two
Love, that speaks to me within my mind
With fervent passion of my lady,
Awakens often thoughts of her such that
My intellect is led astray by them.
His speech is filled with sounds so sweet
That then my soul, which hears and feels him, says:
“Alas, I lack the power to speak
Of what I hear about my lady!”
And surely I must leave aside, if I
Should wish to treat of what I hear of her,
That which my intellect does not conceive,
As well as much of what it understands,
Because I know not how I should express it.
And so if fault is found to mar my verse
Which undertakes the praise of her,
Cast blame on my weak intellect
And on our speech, which lacks the power
To say in words the things that Love relates.
The Sun that circles all the world
Sees nothing so gentle as at that time
When it shines upon the place where dwells
The lady of whom Love makes me speak.
Every Intelligence admires her from above,
And those down here who are in love
Still find her in their thoughts
When Love makes felt the peace he brings.
Her being so pleases God who gave it to her
That he endlessly instills in her his power
Beyond the point of nature’s measure.
Her pure soul,
Which takes from him this bliss,
Reveals him then in what she brings with her:
For among her beauties such things are seen
That the eyes of those on whom she shines
Send messengers to the heart, full of desire,
Which unite with air and turn to sighs.
Into her descends celestial power
As it does into an angel that sees him;
And if some gentle lady disbelieves this,
Let her walk with her and mark her gestures.
Here where she speaks a spirit
Comes down from heaven to testify
That this high worth which she possesses
Transcends whatever is allotted to us.
The graceful gestures that she displays
Contend with each other in calling on Love
In terms of speech that make him listen.
Of her it can be said:
Gentle is in woman what is found in her,
What most resembles her is beauty.
And we may say her countenance helps us
Regard as true what seems a miracle,
By which our faith is fortified:
For this she was ordained by eternity.
In her countenance appear such things
As manifest a part of the joy of Paradise.
I mean in her eyes and in her sweet smile,
For here Love draws them, as to himself.
They overwhelm our intellect,
As a ray of sunlight does weak vision;
And since I cannot fix my sight upon them,
I am content to say but little of them.
Her beauty rains down little flames of fire,
Enkindled by a gentle spirit,
Who is the creator of all good thoughts;
And like a lightning bolt they shatter
The inborn vices that make man vile.
And so let every woman who hears her beauty
Slighted for not seeming serene and humble
Gaze on her, the model of humility.
This is she who humbles every haughty person,
Conceived by him who set the heavens in motion.
My song, it seems you speak contrary to
Words spoken by a sister whom you have;
For this lady, whom you claim to be so humble,
She calls proud and disdainful.
You know the sky is always bright and clear,
and of itself is never clouded.
And yet our eyes, for many reasons,
Sometimes say a star is dim.
Likewise when she calls her proud,
She views her not according to the truth
But only as she seems to her.
For my soul was full of fear,
And still is, so much that everything I see
Seems proud, when she casts her gaze on me.
So excuse yourself, should the need arise;
And when you can, present yourself to her
And say: “My Lady, if it is your wish,
I will speak of you in every place.”
https://digitaldante.columbia.edu/text/library/the-convivio/
The Convivio by Dante ALIGHIERI read by Various Part 1/2 | Full Audio Book
LibriVox Audiobooks
264 mil inscritos
Inscrever-se
11
Compartilhar
Perguntar
Salvar
463 visualizações 18 de set. de 2019
The Convivio by Dante ALIGHIERI (1265 - 1321), translated by Philip H. WICKSTEED (1844 - 1927)
Genre(s): Lyric, Social Science (Culture & Anthropology), Medieval
Read by: Martin Geeson, inflected, Lucretia B., Algy Pug, Mary J, KHand, Leni in English
Parts:
Part 2 • The Convivio by Dante ALIGHIERI read by Va...
Chapters:
00:00:00 - 01 - Treatise I, Chapters 1-4
00:29:42 - 02 - Treatise I, Chapters 5-8
00:50:42 - 03 - Treatise I, Chapters 9-13
01:25:27 - 04 - Ode I
01:29:39 - 05 - Treatise II, Chapters 1-6
01:55:07 - 06 - Treatise II, Chapters 7-12
02:18:34 - 07 - Treatise II, Chapters 13-16
02:42:30 - 08 - Ode II
02:47:59 - 09 - Treatise III, Chapters 1-5
03:16:31 - 10 - Treatise III, Chapters 6-9
03:42:32 - 11 - Treatise III, Chapters 10-12
03:58:58 - 12 - Treatise III, Chapters 13-15
04:18:39 - 13 - Ode III
04:26:29 - 14 - Treatise IV, Chapters 1-5
05:01:29 - 15 - Treatise IV, Chapters 6-9
05:29:35 - 16 - Treatise IV, Chapters 10-13
05:54:59 - 17 - Treatise IV, Chapters 14-17
06:20:14 - 18 - Treatise IV, Chapters 18-22
06:45:37 - 19 - Treatise IV, Chapters 23-26
Convivio (The Banquet) is a work written by Dante Alighieri roughly between 1304 and 1307. This unfinished work of Dante consists of four trattati, or 'books': a prefatory one, plus three books that each include a canzone (long lyrical poem) and a prose allegorical interpretation or commentary of the poem that goes off in multiple thematic directions.The Convivio is a kind of vernacular encyclopedia of the knowledge of Dante's time; it touches on many areas of learning, not only philosophy but also politics, linguistics, science, and history. The treatise begins with the prefatory book, or proem, which explains why a book like the Convivio is needed and why Dante is writing it in the vernacular instead of Latin. It is one of Dante's early defenses of the vernacular, expressed in greater detail in his (slightly earlier) linguistic treatise De vulgari eloquentia (On Eloquence in the Vernacular). Books 2 and 3 form a unit, both focusing on Dante's new love after the death of Beatrice—his love for Lady Philosophy, 'the most beautiful and dignified daughter of the Emperor of the universe,' as he calls her. Book 2 discusses allegory and Lady Philosophy (in connection with the canzone Voi che 'ntendendo il terzo ciel movete [You who move the third heaven with an act of the intellect], which opens the book), and also brings such subjects as astronomy, angelology, and the soul's immortality. Book 3 is a hymn of praise for philosophy, launched by an allegorical interpretation of Dante's great canzone Amor che ne la mente mi ragiona (Love, who speaks to me in my mind). In this book, Dante asserts that true philosophy cannot arise from any ulterior motives, such as prestige or money—it is only possible when the seeker has a love of wisdom for its own sake. Book 4 is by far the longest of the Convivio, and is noticeably distinct from the two books that precede it. The subject of book 4 is the nature of nobility. It opens with the longest canzone of the Convivio, Le dolci rime d'amor (Those sweet poems of love), which is explicitly about gentilezza or nobility, as well as a condemnation of avarice, asserting that reason and the spirit of acquisition are mutually incompatible. The first half of book 4's thirty chapters are dedicated to debunking the false idea of nobility as an inherited trait, one restricted to the aristocracy, while the final fifteen chapters delineate what true nobility consists of—the perfection of a thing according to its nature—and how nobility manifests in people at various stages of life. The Convivio, in its autobiographical passages and in the trajectories of its lines of thought, gives us a rich portrait of Dante himself, of great importance for an understanding of his work as a whole, especially the Divine Comedy. - Summary by Wikipedia
More information: http://librivox.org/the-convivio-by-d...
LibriVox - free public domain audiobooks (https://librivox.org/)
Iara (Rasga o Coração)
Vicente Celestino
Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração, vem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar
Rasga-o, que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz
De lágrimas chorar
Anjos a cantar preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais
Sorve todo o olor que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer
E que não pode a tia dizer nas palpitações
Ouve-o brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural num treno vesperal
Mais puro que uma cândida vestal
Hás de ouvir um hino
Só de flores a cantar
Sobre um mar de pétalas
De dores ondular
Doido a te chamar, anjo tutelar
Na ânsia de te ver ou de morrer
Anjo do perdão! Flor vem me abrir
Este coração na primavera desta dor
Ao reflorir mago sorrir nos rubros lábios teus
Verás minha paixão sorrindo a Deus
Palma lá do Empíreo
Que alentou Jesus na cruz
Lírio do martírio
Coração, hóstia de luz
Ai crepuscular, túmulo estelar
Rubra via-sacra do penar
Composição: Catulo da Paixão Cearense, Anacleto Medeiros.
Assinar:
Comentários (Atom)























