segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Crônica de uma Democracia Sujeita de Sorte

Sujeito De Sorte Belchior - Tema html

O Jogo da Amarelinha no Mês do Desgosto: Crônica de uma Democracia Sujeita de Sorte

Por: BAM

🎸 Introdução: O Grito do Sujeito de Sorte

Presentemente, eu posso me
Considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço
Me sinto são, e salvo, e forte
E tenho comigo pensado
Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro!

No calendário civil do asfalto, cruzamos as esquinas de ferro de agosto — o mês que historicamente carrega a fama do desgosto, das armas e do pranto. Mas a menina democracia, apesar de muito moça, resiste e acorda sã, salva e forte.

Com a pressa de quem quer mudar as coisas, jogamos a nossa pedrinha na calçada do tempo. Desfolhamos o calendário de trás para frente, feito um jogo de amarelinha institucional, saltando sobre as agonias e os fantasmas da nossa República. Ano passado nós morremos, mas este ano nós não morremos!


🏛️ Casa 31 de Agosto: O Trauma do Impeachment (2016)

O chão tremeu e a história sangrou nesta exata data. No ano de 2016, o Senado Federal aprovou, por 61 votos a 20, o impeachment de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Foi um longo e doloroso rito que dividiu profundamente o país, deixando cicatrizes abertas na carne das nossas instituições. Choramos pra cachorro, o poder redesenhou suas engrenagens, mas a legalidade, aos trancos e barrancos, preservou suas formas.

  • Deus é brasileiro e anda do nosso lado,
  • Mesmo quando o Senado decreta o veredito.
  • A República balança sob o peso do passado,
  • E a dor da primeira presidente se transforma em grito.

🕊️ Casa 30 de Agosto: O Dia Nacional do Perdão (2026)

Um legítimo dia de sorte! Embalados pelos versos de quem não quer sofrer no ano passado, as instituições correram em plena e harmoniosa normalidade. No calendário, a data celebrava o Dia Nacional do Perdão. Nas ruas, o povo exerceu o legítimo direito de protesto: movimentos sociais ocuparam a Avenida Paulista cobrando debates sobre a jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Sem sobressaltos, sem rupturas: apenas as engrenagens normais da liberdade girando sob o sol. Um dia de agradecimento.


🍀 Casa 29 de Agosto: O Nhoque da Fortuna e a História Viva (2026)

Mais um salto para trás e mais um dia de calmaria institucional. Enquanto o Congresso organizava seus passos, milhares de jovens se reuniam na Unicamp para a final da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), provando que o passado agora é estudado para não ser repetido. No esporte, o ouro brilhava no peito do judoca Daniel Cargnin. Nas mesas, o brasileiro cumpria o ritual do "Nhoque da Fortuna" todo dia 29. Não houve ameaças. Não houve choro. Um dia de agradecimento.


🩸 Casa 24 de Agosto: O Tiro que Ecoou na História (1954)

O relógio parou na manhã daquele inverno carioca no Palácio do Catete. As elites políticas e os quartéis conspiravam abertamente; exigiam a renúncia do velho líder. Mas Getúlio Vargas não era homem de se curvar ao ultimato dos generais. Em vez de entregar o cargo, entregou a própria vida. Um único tiro no coração interrompeu o mandato, comoveu uma nação inteira e arrastou o povo em pranto para as ruas. A icônica Carta-Testamento saiu daquela mesa para entrar na eternidade, adiando o golpe militar em dez anos.

  • Tenho sangrado demais, chorado pra cachorro,
  • O rádio anuncia o tiro que rasga a manhã.
  • Getúlio assinou o seu próprio socorro,
  • Saindo da vida pra entrar no amanhã.

🎭 Casa 25 de Agosto: A Cartada Inesperada da Renúncia (1961)

Exatamente sete anos depois, no Dia do Soldado, o mistério e a tragédia voltaram a vestir a faixa presidencial. Jânio Quadros desceu a rampa de Brasília com apenas sete meses de governo. Em uma jogada política calculada para ser um autogolpe, enviou uma carta ao Congresso Nacional alegando ser vencido por "forças terríveis". Jânio esperava que o povo clamasse pelo seu retorno; em vez disso, o parlamento aceitou o bilhete de partida e o país mergulhou na perigosa Crise da Legalidade de 1961, que quase nos custou uma guerra civil.

  • Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro,
  • Grita o povo que corre na Campanha da Legalidade.
  • Jânio assinou o seu falso socorro,
  • E deixou à deriva a nossa cidade.

🪗 Fechamento: O Clarim da Festa do Interior

Atravessamos os sóis de pólvora e sangue. Sobrevivemos às cartas-testamento, às renúncias teatrais, aos quartéis conspiradores e aos tribunais políticos. A nossa pedrinha completou o seu desenho no asfalto e o pranto de agosto finalmente dá lugar ao som da rabeca, do triângulo e da sanfona. A menina democracia tirou a poeira da saia e resolveu dançar ao som de Moraes Moreira e Abel Silva:

Festa do interior, o cheiro de amor, no asfalto que canta a sua alegria!
É o sinal da partilha, a vida que brilha, o fogo que queima no peito da gente!
Coração de estudante, o povo adiante, num rito de sorte que segue pra frente.
Ano passado eu morri, mas o som do clarim acorda a nossa democracia!

O céu de agosto se enche de balões imaginários e fumaça de quentão. O clarão da festa ilumina o rosto de cada brasileiro que, contra todas as apostas do passado, continua de pé. Estamos sãos, estamos salvos, estamos fortes. Viva a jovem e teimosa República brasileira!

Use o código com cuidado. Festa do interior (feat. Moraes Moreira) - Forróçacana - O melhor forró do mundo (Ao vivo) Indie Records
BRASIL EM DEBATE: EDUCAÇÃO, ECONOMIA, DEMOCRACIA E OS DESAFIOS DO FUTURO Subtítulo Uma leitura conectada de editoriais e artigos de opinião sobre o cenário brasileiro às vésperas das eleições Epígrafe “Nenhuma política industrial, monetária, comercial ou redistributiva tem chance de levar o país a outro patamar de desenvolvimento se a população continuar despreparada para a economia moderna.” — O Globo, em editorial sobre educação. Citação contextualizada O conjunto de textos analisados apresenta um Brasil diante de uma encruzilhada. De um lado, aparecem as preocupações com educação, violência nas escolas, desigualdade e diversidade; de outro, os desafios econômicos relacionados à dívida pública, ao ajuste fiscal e aos juros. Paralelamente, a campanha eleitoral coloca em discussão a capacidade dos candidatos de apresentar respostas concretas para problemas estruturais. Nesse contexto, a educação assume papel central porque, como destaca o editorial de O Globo, o desenvolvimento econômico depende de uma população preparada para as transformações da economia moderna. A discussão se conecta diretamente aos demais textos: sem educação de qualidade, torna-se mais difícil enfrentar a violência escolar, ampliar a inclusão social e preparar trabalhadores para uma economia competitiva. RESUMO Este trabalho reúne e organiza, de forma conectada, os principais temas presentes nos editoriais e artigos de opinião selecionados no material de 31 de agosto de 2026. O conjunto aborda a ausência da educação como prioridade no debate eleitoral, a apatia da campanha presidencial, a necessidade de reconstrução da arquitetura fiscal brasileira, o enfraquecimento da visibilidade das políticas corporativas de diversidade, o crescimento da dívida pública, as relações comerciais com os Estados Unidos, o pensamento determinista, os riscos e limites institucionais diante de uma eventual ascensão do bolsonarismo, a relação entre Executivo e Congresso, os avanços da educação étnico-racial e a violência contra professores. A leitura conjunta permite identificar uma questão transversal: o Brasil enfrenta problemas estruturais que ultrapassam a disputa eleitoral imediata. Educação, responsabilidade fiscal, democracia, capacidade institucional, inclusão e segurança no ambiente escolar aparecem como dimensões interdependentes de um mesmo desafio nacional. INTRODUÇÃO O período eleitoral costuma concentrar a atenção da sociedade nas propostas e nos projetos dos candidatos. Entretanto, o conjunto de textos reunidos neste trabalho sugere que alguns dos problemas mais importantes do Brasil não estão recebendo a mesma atenção. Entre os assuntos destacados estão terras-raras, o tarifaço americano, petróleo, emendas parlamentares, juros e corrupção. Apesar da importância desses temas, o editorial de O Globo chama atenção para a educação, considerada estratégica para qualquer projeto consistente de desenvolvimento nacional. A preocupação econômica aparece com força nos textos sobre a dívida pública e sobre a necessidade de reconstrução da política fiscal. Ao mesmo tempo, a discussão política ultrapassa a simples escolha de candidatos e alcança questões relacionadas ao funcionamento das instituições democráticas. O objetivo deste trabalho é, portanto, apresentar uma leitura integrada desse material, reduzindo os textos originais a seus principais argumentos sem perder a conexão entre eles. ROTEIRO DE LEITURA A leitura pode ser realizada em cinco grandes eixos: 1. Educação e desenvolvimento Educação como condição para o desenvolvimento econômico. Educação étnico-racial e implementação de políticas públicas. Violência contra professores e crise no ambiente escolar. 2. Economia e contas públicas Necessidade de reconstrução da arquitetura fiscal. Crescimento da dívida pública. Juros elevados e dificuldades para famílias, empresas e governo. Desafios econômicos que deverão alcançar o próximo governo. 3. Eleições e participação política Início do horário eleitoral gratuito. Persistência da apatia do eleitorado. Ausência de propostas consideradas suficientes para problemas estruturais. 4. Democracia e instituições Possíveis riscos de erosão democrática. Relação entre Presidência, Congresso e Judiciário. Importância dos mecanismos institucionais de contenção do poder. 5. Brasil no mundo e sociedade Relação comercial com os Estados Unidos. Comparação entre as estratégias brasileira e canadense. Mudanças nas políticas corporativas de diversidade. Questionamento das explicações deterministas sobre sociedade e poder. CRÉDITOS DOS CONTEÚDOS APRESENTADOS O material-base foi publicado no blog “O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões”, em 31 de agosto de 2026, reunindo conteúdos originalmente publicados em diferentes veículos de imprensa. Entre os autores e veículos identificados no material estão: O Globo — editorial sobre educação; Bruno Carazza, Valor Econômico — cenário da campanha eleitoral; Sergio Lamucci, Valor Econômico — política fiscal; Preto Zezé, O Globo — diversidade no mundo corporativo; Carlos Alberto Sardenberg, O Globo — dívida pública e economia; Demétrio Magnoli, O Globo — relações comerciais Brasil–Estados Unidos; Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo — pensamento determinista; Carlos Pereira, O Estado de S. Paulo — instituições e risco de erosão democrática; Marcus André Melo, Folha de S.Paulo — relação entre Executivo, Congresso e Judiciário; Ana Cristina Rosa, Folha de S.Paulo — educação étnico-racial; Ruy Castro, Folha de S.Paulo — violência contra professores. Esses créditos correspondem às informações disponíveis no documento fornecido. SOBRE A PARTICIPAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Este trabalho não deve ser apresentado como se tivesse sido produzido integralmente de forma autônoma por uma pessoa sem auxílio tecnológico. Sua elaboração contou com o uso de uma ferramenta de Inteligência Artificial para organizar, condensar, conectar e estruturar editorialmente o conteúdo previamente fornecido. A ferramenta não substitui as fontes originais nem os autores dos textos. Os argumentos, opiniões, informações e perspectivas pertencem aos respectivos autores e veículos. A utilização da IA ocorreu como instrumento de apoio à leitura, síntese, organização e apresentação do material. Assim, a autoria intelectual dos artigos e editoriais permanece atribuída aos seus respectivos autores, enquanto esta organização constitui uma produção derivada, estruturada com auxílio de Inteligência Artificial e baseada no material disponibilizado. RECOMENDAÇÕES FINAIS A principal recomendação decorrente da leitura é que o debate público brasileiro não se limite às questões eleitorais de curto prazo. É necessário ampliar a discussão sobre: Educação, como política estratégica de desenvolvimento; Responsabilidade fiscal, considerando a trajetória da dívida pública; Fortalecimento das instituições democráticas; Valorização e proteção dos professores; Educação para as relações étnico-raciais; Políticas de diversidade, avaliando seus resultados sociais e econômicos; Inserção internacional do Brasil, especialmente nas relações comerciais; Qualidade do debate eleitoral, estimulando propostas concretas em vez de apenas confrontos políticos. SUGESTÕES PARA NOVOS TRABALHOS O material permite desenvolver estudos posteriores sobre diferentes questões. Sugestão 1 — Educação e desenvolvimento econômico Investigar a relação entre qualidade da educação, produtividade, renda e desenvolvimento nacional. Sugestão 2 — A dívida pública e o próximo governo Analisar alternativas para enfrentar o crescimento da dívida e seus efeitos sobre juros, investimento e políticas públicas. Sugestão 3 — Democracia brasileira e instituições Estudar como Congresso, Judiciário, Executivo e sistema partidário funcionam como mecanismos de equilíbrio ou concentração de poder. Sugestão 4 — Violência nas escolas Pesquisar as causas da violência contra professores e possíveis políticas de prevenção e proteção. Sugestão 5 — Educação étnico-racial Avaliar a implementação da Lei 10.639/2003 e seus impactos sobre currículo, formação docente e aprendizagem. Sugestão 6 — Eleições e comportamento do eleitor Investigar as razões da apatia eleitoral mencionada nos textos e o impacto das redes sociais e do horário eleitoral sobre a participação política. CONCLUSÕES PROVISÓRIAS A primeira conclusão possível é que os textos convergem para a percepção de que o Brasil enfrenta problemas estruturais que não podem ser resolvidos por uma única política ou por um único governo. A educação aparece como elemento transversal. Ela está relacionada ao desenvolvimento econômico, à preparação profissional, à inclusão social e à formação cidadã. A violência contra professores, por sua vez, mostra que a crise educacional não se limita ao currículo ou aos indicadores de aprendizagem: envolve também as condições concretas de funcionamento das escolas. No campo econômico, os textos apontam para uma combinação preocupante entre dívida elevada, juros e dificuldade de promover um ajuste fiscal amplo. A reconstrução da arquitetura fiscal é apresentada como um dos grandes desafios para o período posterior a 2026. No campo político, a baixa mobilização eleitoral convive com debates importantes sobre democracia e instituições. Os textos não apontam simplesmente para uma ruptura democrática, mas discutem a possibilidade de degradação institucional e ressaltam a importância dos mecanismos de controle do poder. Por fim, o conjunto demonstra que educação, economia, democracia e inclusão não devem ser tratados como temas isolados. Eles fazem parte de uma mesma agenda nacional. Estas conclusões são provisórias porque derivam de uma seleção de editoriais e artigos de opinião e, portanto, refletem interpretações e perspectivas dos autores reunidos no material. Uma conclusão definitiva exigiria a comparação com dados oficiais, pesquisas acadêmicas e outras correntes de análise. FONTES USADAS A fonte primária utilizada para a elaboração desta síntese foi o arquivo fornecido pelo usuário, correspondente à seleção “O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões”, publicada em 31 de agosto de 2026. O documento reúne conteúdos atribuídos principalmente a: O Globo; Valor Econômico; O Estado de S. Paulo; Folha de S.Paulo. Também foram consideradas, exclusivamente conforme aparecem no material, as referências e links associados aos textos originais. REFERÊNCIAS BLOG DO GILVAN MELO. O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões. 31 ago. 2026. Material fornecido para análise. CARAZZA, Bruno. Quando a eleição vai engrenar? Valor Econômico. Conteúdo reproduzido no material-base. LAMUCCI, Sergio. Ajuste exige reconstruir arquitetura fiscal do país. Valor Econômico. Conteúdo reproduzido no material-base. SARDENBERG, Carlos Alberto. Ano que vem será de crise ou estelionato eleitoral. O Globo. Conteúdo reproduzido no material-base. MAGNOLI, Demétrio. Brasil garante o hambúrguer subsidiado às vésperas da eleição nos EUA. O Globo. Conteúdo reproduzido no material-base. KARNAL, Leandro. O pensamento determinista sempre encontra uma justificativa para o poder de quem o formula. O Estado de S. Paulo. Conteúdo reproduzido no material-base. PEREIRA, Carlos. O risco Bolsonaro 2.0? O Estado de S. Paulo. Conteúdo reproduzido no material-base. MELO, Marcus André. O bobo da corte e o freio nos dentes. Folha de S.Paulo. Conteúdo reproduzido no material-base. ROSA, Ana Cristina. O avanço da educação étnico-racial. Folha de S.Paulo. Conteúdo reproduzido no material-base. CASTRO, Ruy. Socos e canivetes em sala. Folha de S.Paulo. Conteúdo reproduzido no material-base. CONSIDERAÇÃO FINAL A leitura integrada do material permite perceber que, por trás da multiplicidade de notícias e opiniões, existe uma questão comum: qual projeto de país será capaz de responder simultaneamente aos desafios econômicos, educacionais, sociais e institucionais brasileiros? Essa pergunta permanece aberta — e constitui justamente o ponto de partida para novos estudos e debates.

domingo, 30 de agosto de 2026

No frigir dos ovos

A Banca do Distinto Dolores Duran Não fala com pobre Não dá mão a preto Não carrega embrulho Pra que tanta pose, doutor? Pra que esse orgulho? A bruxa, que é cega Esbarra na gente E a vida estanca O enfarto lhe pega, doutor E acaba essa banca A vaidade é assim, põe o bobo no alto E retira a escada Mas fica por perto Esperando sentada Mais cedo ou mais tarde Ele acaba no chão Mais alto o coqueiro Maior é o tombo do coco, afinal Todo mundo é igual Quando o tombo termina Com terra por cima E na horizontal Composição: Billy Blanco.
"Essas sabatinas não definirão o resultado da eleição, apesar da enorme repercussão. Foram apenas os primeiros compassos de uma campanha sujeita a denúncias, erros, improvisações e mudanças de andamento. Na política, como no piano de Monk, uma declaração infeliz ou ação errada pode até ser fatal, mas depende do que ainda virá depois. Numa campanha eleitoral, a diferença entre o erro fatal e a improvisação bem-sucedida está na capacidade de reconhecer a dissonância, administrar suas consequências e mesmo assim convencer o eleitor de que, apesar de tudo, se é o melhor." domingo, 30 de agosto de 2026 As lições do piano de Thelonious Monk e as entrevistas dos candidatos, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense As sabatinas não definirão o resultado da eleição, apesar da enorme repercussão. Foram apenas os primeiros compassos de uma campanha sujeita a denúncias, erros, improvisações e mudanças de andamento A frase “não existem notas erradas; algumas são apenas mais certas do que outras — tudo depende da que vem depois”, também atribuída ao trompetista Miles Davis, traduz com precisão a estética de Thelonious Monk, um dos grandes gênios do jazz e autor de Round Midnight, Straight, No Chaser, Epistrophy, Blue Monk e Misterioso, entre outros clássicos do gênero. Em termos musicais, significa que uma nota não pode ser julgada isoladamente. Uma dissonância aparentemente equivocada pode adquirir sentido conforme a frase prossegue. A nota seguinte pode resolvê-la, reafirmá-la ou transformar o choque inicial numa tensão deliberada. No jazz, sobretudo na improvisação, o valor de cada som depende de sua relação com o acorde, o ritmo, o silêncio e as notas que vêm antes e depois. Monk tocava assim. À primeira audição, podia parecer irregular, áspero e até “errado”. Usava acordes dissonantes, intervalos inesperados, notas percussivas, acentos deslocados e pausas abruptas. Às vezes, levantava as mãos do teclado e deixava que o silêncio completasse a frase. Um dos fundadores do bebop, Monk nunca se acomodou às fórmulas do movimento. Enquanto outros pianistas exibiam velocidade e longas improvisações, ele preferia poucas notas, escolhidas com precisão.
Reviravolta no mês final da eleição para presidente - 29/08/2026 - Vinicius Torres Freire - Follha "Como se viu, porém, o jogo não está dado e os eleitores não raro contamos coisas que não sabíamos sobre o país." domingo, 30 de agosto de 2026 Breve história das reviravoltas no mês final da eleição para presidente, por Vinicius Torres Freire Folha de S. Paulo Votação de líderes e de candidatos no segundo lugar já mudou muito nas pesquisas Apesar do histórico de mudanças, eleição presidencial de 2026 é parecida com a de 2022 A última fase da campanha começou, com TV e rádio. Falta pouco mais de mês para o primeiro turno. Não raro ocorre mudança relevante na votação de candidatos a presidente nessas semanas. Como em quase toda temporada final de caçada de votos, esta coluna recorda reviravoltas, nota que há a fazer na campanha e enfatiza que pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, mas retrato de momento.
domingo, 30 de agosto de 2026 Carlos Lacerda e sua máquina do ódio, por Elio Gaspari O Globo Resultado de anos de pesquisas, livro responde perguntas que sobreviveram por muitos anos em torno de uma figura que esteve no centro da política brasileira por décadas Bom tempo - Chico Buarque e João Bosco Tauil 26 de mai. de 2012 Música de Chico Buarque, extraído do DVD "João Bosco - 40 anos depois", gravado pelo Canal Brasil. Maus ventos Em poucas semanas a economia nacional levou os trancos das recuperações judiciais da Braskem e das Casas Bahia. Em seguida, foi para a UTI a rede de lojas Habib’s. Na terça-feira, pela segunda vez, a Justiça decretou a falência da Oi, que chegou a ser a maior operadora de telefonia fixa do país. Ela surgiu no festim privatista de 1998, com o nome de Telemar. No BNDES era conhecida como Telegang. No final do século passado foi uma das “campeãs” nacionais. Sobreviveu por dez anos na UTI da recuperação judicial.
“Perfeita a correção histórica. Está absolutamente coberto de razão: a política das "campeãs nacionais" foi uma estratégia de indução estatal via BNDES implementada formalmente a partir do governo Lula, ao final da primeira década de 2010 (especialmente consolidada a partir de 2007/2008), e não no período das privatizações de 1998. O texto original confunde essa cronologia ao misturar o surgimento da Telemar (1998) com o apelido e a lógica de consolidação que viria anos depois. Para deixar o resumo mais claro, transparente e historicamente correto, o que o texto quis dizer de fato é: O mercado está em alerta: Grandes marcas do varejo, indústria e serviços (Casas Bahia, Braskem e Habib's) enfrentam crises severas simultâneas, o que gera fortes solavancos na economia do país. O fim da Oi: A maior operadora de telefonia fixa do país teve sua falência decretada definitivamente pela Justiça do Rio de Janeiro na última terça-feira (25 de agosto de 2026). O erro da ambição: Embora tenha nascido na privatização de 1998 como Telemar, a empresa tornou-se o maior símbolo da posterior política governamental de criar uma "campeã nacional" do setor. O plano de gigantismo focado em fusões agressivas faliu na prática, deixando uma dívida de R$ 44 bilhões que se arrastou por mais de dez anos em recuperações judiciais até o colapso final. A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas Felicidade Lupicínio Rodrigues Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Composição: Lupicínio Rodrigues.

Novo relator não sustenta inconstitucionalidade das emendas do voto já feito de antiga relatora e antecessora

Ninguém elimina liminarmente as BETS cortando o mal pela raiz

‘Calvin e Haroldo’, em 30 de agosto de 2026

‘Calvin e Haroldo’ estreou no Estadão com o menino mostrando pesquisa eleitoral desfavorável ao pai

Primeira tirinha do menino e do tigre no jornal foi publicada em 15 de agosto de 1986

E a barca segue fazendo espumas e dando caldo

No frigir dos ovos

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O Jazz da Política: O Piano de Monk e o Tabuleiro Eleitoral

Entre o improviso das sabatinas e a resiliência de um clássico, o que define o jogo é a nota seguinte.

"Life is a school, 'less you're a fool / But the learning brings you pain
Knowing at once you're just a dunce / Trial and error, loss and gain..."
— Abbey Lincoln, "Blue Monk"

Thelonious Monk - Blue Monk (Norway, 1966)

The Jazz Estate

As sabatinas políticas e as campanhas eleitorais são como uma grande sessão de jazz improvisada. A partir da crônica de Luiz Carlos Azedo e da emblemática composição "Blue Monk", podemos analisar a arte de governar e de fazer campanha sob duas óticas complementares: destrinchando o processo detalhadamente (em miúdos) ou observando o panorama geral e o impacto acumulado (em granel).


1. Trocando em Miúdos (A Análise Detalhada)

Olhando de perto e isolando cada elemento, a letra de Abbey Lincoln e a filosofia de Monk revelam as engrenagens ocultas que testam a resiliência de um candidato:

  • "Trial and error, loss and gain" (Tentativa e erro, perda e ganho): Na política, assim como no aprendizado da vida retratado na canção, o erro não é o fim da linha. O erro em um debate é apenas a primeira nota. O que define o destino do candidato é a capacidade de fazer a nota seguinte (o próximo gesto político) soar harmônica e estratégica.
  • "But the cost sometimes is dear" (Mas o custo às vezes é alto): As sabatinas ao vivo cobram um preço caro pelas dissonâncias e deslizes. Expor-se ao julgamento público exige o que a letra chama de pagar as cotas necessárias ("Measured by the dues you pay").
  • "Knowing defeat / Keeping on" (Conhecendo a derrota / Seguindo em frente): A campanha presidencial não se vence com uma única resposta perfeita. É um teste contínuo de resistência física, mental e retórica que exige paciência para lidar com os reveses diários.

2. Trocando em Granel (A Visão Panorâmica)

Quando jogamos todos os detalhes no mesmo balaio para enxergar o cenário macro, o significado se torna direto, massivo e estruturado:

Dimensão da Campanha O Toque de Monk A Letra de "Blue Monk"
O Cenário Uma música cheia de pausas, silêncios e acordes inesperados. Um trem lento e uma estrada azul difícil ("A slow, slow train / A blue highway").
A Dinâmica O erro inicial perde relevância se a sequência inteira fizer sentido. A caminhada contínua, ano após ano, apesar da dor do aprendizado ("Keepin on from year to year").
O Resultado A busca pelo essencial e pela lógica própria que convence o público. A conquista suada do próprio lugar ao sol ("Finding your one place in the sun").

Em suma: As sabatinas não definem a eleição sozinhas porque são apenas os primeiros compassos de uma longa estrada. O candidato vencedor não é o que apresenta uma partitura impecável e engessada, mas sim aquele que sabe navegar pela imprevisibilidade da política com a resiliência e a genialidade de quem domina o improviso.


Blue Monk (Remastered)

Abbey Lincoln - Tema

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Blue Monk (Remastered) · Abbey Lincoln

Straight Ahead

℗ 2022 Candid Records, LLC

Released on: 1961-02-22

  • Main Artist: Abbey Lincoln
  • Associated Performer: Art Davis
  • Associated Performer: Booker Little
  • Associated Performer: Coleman Hawkins
  • Associated Performer: Eric Dolphy
  • Associated Performer: Julian Priester
  • Associated Performer: Mal Waldron
  • Associated Performer: Max Roach
  • Associated Performer: Robert Whitley
  • Associated Performer: Roger Sanders
  • Associated Performer: Walter Benton
  • Producer: Nat Hentoff
  • Composer Lyricist: Thelonious S Monk
  • Composer Lyricist: Abbey Lincoln
  • Music Publisher: Thelonious Music Corp
  • Lyricist: Abbey Lincoln
  • Composer: Thelonious S Monk
  • Composer: Abbey Lincoln
Use o código com cuidado. Novo relator não sustenta inconstitucionalidade das emendas do voto já feito de antiga relatora e antecessora.
Ninguém elimina liminarmente as BETS cortando o mal pela raiz.
‘Calvin e Haroldo’, em 30 de agosto de 2026
‘Calvin e Haroldo’ estreou no Estadão com o menino mostrando pesquisa eleitoral desfavorável ao pai Primeira tirinha do menino e do tigre no jornal foi publicada em 15 de agosto de 1986 E a barca segue fazendo espumas e dando caldo.
No frigir dos ovos
Opinião do dia | Hannah Arendt - A mentira (Visão geral criada por IA) Transposição do dia | Hannah Arendt - Veracidade (Canção geral criada por IA)
VERACIDADE Eu já cansei de ouvir tanta mentira Que vem vestida de verdade por aí Há quem sorria enquanto a alma conspira E há quem se perca sem saber para onde ir A mentira, quando nasce, é tão pequena Mas se alimenta da vontade de vencer Vai se tornando uma verdade conveniente E até quem mente já começa a se esquecer Veracidade, minha velha companheira Não me abandones quando a noite escurecer Que eu prefiro a solidão de uma verdade À companhia de quem mente por prazer Já vi mentira derrubar uma esperança Já vi promessa transformar-se em traição E vi quem mente construir sua lembrança Com os pedaços que arrancou do coração Há mentirosos que acreditam no que inventam E fazem disso uma razão para viver Vão destruindo pouco a pouco o que sustenta A realidade que não querem conhecer Veracidade, minha velha companheira Não me abandones quando a noite escurecer Que eu prefiro a solidão de uma verdade À companhia de quem mente por prazer Mentira antiga se escondia por vergonha Era segredo que se queria conservar Mas há mentira que se espalha e que se impõe E quer mandar naquilo que devemos pensar Quando a mentira vira dona da memória E a verdade já não encontra o seu lugar O homem perde até o rumo da sua história E já não sabe em que palavra acreditar Eu não pretendo ser juiz de quem engana Nem tenho a pretensão de nunca me perder Mas quero ao menos conservar dentro do peito A honestidade de poder me reconhecer Veracidade, não me deixes nesta vida Onde a mentira faz morada e quer reinar Se eu tiver de caminhar sozinho nesta estrada Que seja ao lado da verdade, até chegar E quando a noite finalmente terminar E o sol vier mostrar aquilo que se escondeu Que eu possa olhar de frente para o espelho E não ter medo do homem que sou eu.

A verdade

Editado com brilho, contraste e saturação. (V.M.) (29/08/2026) A Space Odyssey (1968) 58 years before ChatGPT, Kubrick gave us the ultimate AI nightmare: calm, logical, polite, and completely uncompromising. 'I'm sorry, Dave. I'm afraid I can't do that' remains the single most bone-chilling line in sci-fi history Vinha de Luz #000 - Brilhe vossa luz NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 13 de jan. de 2026 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Vinha de Luz", de Emmanuel/Chico Xavier.
Tema principal “Eu sou o caminho e a verdade.” — Jesus. (JOÃO, 14.6) 1 Por enquanto, ninguém se atreverá, em boa lógica, a exibir, na Terra, a verdade pura, ante a visão das forças coletivas. 2 A profunda diversidade das mentes, com a heterogeneidade de caracteres e temperamentos, aspirações e propósitos, impede a exposição da realidade plena ao espírito das massas comuns. 3 Cada escola religiosa, em razão disso, mantém no mundo cursos diferentes da revelação gradativa. A claridade imaculada não seria, no presente estágio da evolução humana, assimilável por todos, de imediato. 4 Há que esperar pela passagem das horas. Nos círculos do tempo, a semente, com o esforço do homem, provê o celeiro; e o carvão, com o auxílio da natureza, se converte em diamante. 5 Por isto, vemos verdades estagnadas nas igrejas dogmáticas, verdades provisórias nas ciências, verdades progressivas nas filosofias, verdades convenientes nas lides políticas e verdades discutíveis em todos os ângulos da vida civilizada. 6 Semelhante imperativo, porém, para a mentalidade cristã, apenas vigora quanto às massas. 7 Diante de cada discípulo, no reino individual, Jesus é a verdade sublime e reveladora. 8 Todo aquele que lhe descobre a luz bendita, absorve-lhe os raios celestes, transformadores… 9 E começa a observar a experiência sob outros prismas, elege mais altos padrões de luta, descortina metas santificantes e identifica-se com horizontes mais largos. 10 O reino do próprio coração passa a gravitar ao redor do novo centro vital, glorioso e eterno. 11 E à medida que se vai desvencilhando das atrações da mentira, cada discípulo do Senhor penetra mais intensivamente na órbita da Verdade, que é a Pura Luz. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 175 A verdade
sábado, 29 de agosto de 2026 Começar de novo, por Marco Aurélio Nogueira* O Estado de S. Paulo Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência E se de repente alguém virasse a ampulheta e nos projetasse para onde tudo começou? E se insistíssemos numa rota já estabelecida, para reiniciar de onde paramos ou tropeçamos? Nas eleições de 2026, os candidatos mais fortes querem manter vivo um caminho já trilhado. Lula quer fazer o que não conseguiu em seus três mandatos, mas não deseja voltar às origens, coisa que o levaria às promessas mais “puras” e radicais do PT de 1982. Flávio Bolsonaro, por sua vez, quer dar sequência à herança deixada pela Presidência de seu pai, patrimônio de valor discutível, mas não quer ir muito para trás e se deparar com um vazio improdutivo. O Brasil não vive um bom momento. A polarização é resiliente. Candidatos menos expressivos rondam a arena principal, mas não abalam os principais. Não há “terceira via”, embora algum azarão possa surpreender. A repetição de promessas passa longe do que se poderia chamar de prioridades estratégicas. Não há planos de metas ou projetos. Cada candidato imagina um país. Improvisos e ênfases demagógicas tomam conta do cenário. Talvez seja hora de começarmos de novo. Voltar à redemocratização dos anos 1980, nosso maior baú de boas ideias e intenções. Lá havia esperança, disposição de luta e uma causa comum. Revisitá-lo criticamente pode nos ajudar a ver onde foi que erramos. Corrigir o que está torto, ou seja, quase tudo. Houve avanços na assistência social, o SUS se consolidou, o País se modernizou e a industrialização foi em frente. A desigualdade, porém, não retrocedeu. A revolução digital nos pegou em cheio. Sacode a sociedade de cima a baixo, sem que se saiba se estamos absorvendo o que ela traz de positivo. Depois de oito anos de Fernando Henrique e 20 anos de governos petistas-lulistas, quase nenhuma instituição funciona bem. Até o Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu o prumo. Os partidos feneceram. Estamos sem garantias de que a política produzirá bons governos e de que a justiça será feita sem histrionismos personalistas. O País não está à deriva, mas claudica em diversas áreas, sentindo falta de um eixo organizador. As múltiplas e complexas pautas têm sido deixadas de lado ou são superficialmente abordadas. Hoje não sabemos em qual direção o Brasil caminha. Estamos honrando a tradicional independência de nossa diplomacia? Mantemos nossos vínculos “ocidentais” ou estamos tateando em busca de algum reposicionamento? Na segurança pública, temos ido piorando. A “profissionalização” do crime organizado exacerba a ausência de uma consistente política nacional. Dá-se mais importância aos casos de corrupção – que são gravíssimos e respingam por todos os lados – do que às mortes bestas motivadas pelo tráfico. Bons documentos oficiais ficam nas prateleiras, a sugerir que falta algo para que sejam executados. O lapso entre o que se escreve neles e a execução é recorrente. O País está digitalizado. Quase toda a população se move com um celular nas mãos. O home office bomba em muitos setores. O delivery está nas ruas. Mas o País controla pouco os dados manuseados pelas grandes plataformas digitais. Sua soberania é mais ameaçada por isso do que pelas investidas maníacas de Trump. Se os dados digitais impactam a vida, quem os controla tem poder. Poderá não ser dono do mundo, mas terá, ao menos, condições de confrontar os que pretendem dirigir o mundo. E as terras raras? E a crise fiscal, que nos dizem ser grave? Não faltam problemas. A educação exige atenção dedicada, ferrenha. É a principal ferramenta do progresso. Índices de desempenho à parte, não estamos saindo do lugar. Ainda nos enroscamos em temas menores, tipo “os estudantes não devem usar a inteligência artificial (IA) para estudar”, sem darmos atenção ao letramento digital, ao ensino dos métodos para que estabeleçam relações inteligentes, autônomas e reflexivas com a IA. A escola básica de massa continua repleta de carências e desigualdades. As universidades têm insuficiências de ordem material, financeira e pedagógica. A pesquisa é feita, mas não se espalha, concentra-se em poucas unidades de ponta. Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência. Um novo reformismo seria o bálsamo de que necessitamos. Precisaria ser profundo, deitar raízes na sociedade. Mas não poderá ser feito de supetão, nem de modo “revolucionário”, com a explosão de todas as casamatas. Terá de se basear num refinado mapa que possibilite a navegação por entre as ilhas nacionais (políticas, ideológicas, culturais, regionais), de modo a articulá-las paulatinamente. O problema é encontrar o agente que encarnará um projeto dessa magnitude. Poderiam ser os democratas progressistas, mas eles andam tão desencontrados e retraídos que, no momento, inspiram pouca confiança. Quem sabe não devem eles também começar de novo? Mobilizando a sociedade numa direção oposta aos populismos atuais. Precisamos parar de viver à procura de um “grande líder”. O importante é unir forças, construir uma agenda de reformas e uma gestão corajosa. *Professor titular de Teoria Política da Unesp P. Da Viola & M. Bethania - Coração Vulgar (1969) Chords and Tabs 195.725 visualizações 19 de jan. de 2010 Paulinho da Viola & Maria Bethania - Coraçao Vulgar (Conjunto A Voz Do Morro) - 1969 👆”Essa belíssima e poética evocação nos transporta diretamente para o histórico documentário Saravah (1969), dirigido pelo cineasta e músico francês Pierre Barouh. Na cena em questão, gravada no Rio de Janeiro sob a atmosfera plúmbea da ditadura militar, um jovem Paulinho da Viola dedilha no violão a sua composição Coração Vulgar. Ao cantar os versos: "Um verdadeiro amor nunca fenece / E pouca gente ainda o conhece..." A também jovem Maria Bethânia, completamente extasiada com a sofisticação da linguagem do amigo, interrompe o ensaio e diz ao diretor francês: "É lindo, né, Pierre? Não existe! 'Fenece' é a palavra mais bonita que tem no mundo." A frase, carregada de lirismo e sensibilidade, cruza o tempo. Usar o verbo "fenecer" (que significa murchar, morrer, acabar) para falar sobre o fim das agremiações políticas — "Os partidos feneceram" — resgata exatamente essa mesma elegância melancólica que os jovens artistas cariocas eternizaram naquele quintal nos anos 1960, transformando a crueza dos tempos políticos em pura poesia.” Pedro Malan analisa gestão econômica do primeiro mandato de Lula Roda Viva 29 de ago. de 2022 #RodaViva O economista e ex-ministro da Fazenda Pedro Malan falou ao Roda Viva sobre os fatores que favoreceram a gestão econômica do primeiro mandato de Lula (PT), em 2022. "É sintomático que ao ser eleito, em 2002, ele não levou nenhuma das grandes estrelas econômicas do PT para trabalhar na área econômica do governo", declarou. 👆”Em suma: O trânsito livre e o respeito que Malan possuía junto ao Tesouro Americano, ao FMI e ao Banco Mundial serviram como uma "fiança institucional". Ele avalizou a maturidade da política brasileira perante o exterior, abrindo caminhos para que a transição de poder ocorresse de forma pacífica, previsível e economicamente estável.” “Resta-nos, pois, aguardar pelo próximo artigo de Pedro Malan. Será, por certo, mais uma lição de altivez e elegância, demonstrando como a precisão técnica e o espírito público são capazes de rechaçar, sem alarde, a retórica da ingratidão - vinda de quem recebeu os trilhos da estabilidade em 2002 e o aval democrático em 2022, mas insiste em desdenhar de seus próprios fiadores." O Berro do Boi #1 - A cria revista piauí e Trovão Mídia Estreou em 28 de jul. de 2026 O Berro do Boi Em 2017, uma gravação feita por Joesley Batista quase derrubou o presidente Michel Temer, transformou os donos da JBS em inimigos públicos – e os levou à prisão. Oito anos depois, em 2025, a mesma família celebrou sua chegada à Bolsa de Nova York, o epicentro do capitalismo global. Consuelo Dieguez revela os bastidores da impressionante recuperação de Wesley e Joesley Batista e apresenta a pergunta central da série: como os irmãos goianos conseguiram voltar ainda mais ricos e poderosos depois de atravessar uma das maiores crises da história recente do país? A Saga dos Irmãos Batista e JBS | Curioso Entrevista: Consuelo Dieguez Curioso Mercado 24 de ago. de 2026 No primeiro episódio do Curioso Entrevista, recebemos Consuelo Dieguez — repórter da revista piauí e voz do podcast O Berro do Boi — pra falar sobre a saga dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, donos da JBS, a maior empresa de carne do mundo. Do açougue no interior de Goiás ao BNDES, da delação à volta por cima: Consuelo acompanha os Batista há mais de uma década e revela os bastidores dessa apuração — e o que ninguém entendeu sobre a ascensão deles.
O baú de Pedro Nava Sergio Amaral Silva O domingo, 13 de maio de 1984, já tinha quase acabado. Era aquela hora em que a maioria das pessoas tem certeza de que não vai acontecer mais nada e se prepara para dormir, ante a expectativa de uma nova semana. Pouco antes das dez da noite, o telefone tinha tocado no apartamento do 7º andar da Rua da Glória, 190. Dona Antonieta atendeu. Do outro lado da linha, uma voz de homem pediu para chamar Pedro Nava. Ao desligar, minutos depois, parecendo transtornado, Nava teria dito à esposa, companheira de quarenta anos, algo como: “um trote de mau gosto” ou, segundo outra versão, “nunca ouvi nada tão aviltante (ou obsceno) pelo telefone”. A pesquisadora francesa Monique le Moing, na biografia A solidão povoada (Nova Fronteira, 1996), levantou a hipótese de que a eventual ameaça ou tentativa de chantagem estivesse ligada à homossexualidade. Para isso, apoiou-se num argumento discutível: a “evidência literária” das páginas finais do último livro de Nava, que termina quando o personagem Conselheiro faria uma revelação bombástica sobre o tema. O desenlace, supostamente, ocorreria no volume seguinte, o sé­timo, que ficou inacabado. Levando consigo o segredo, Nava saiu pouco depois, sem se despedir da mulher, levando no bolso o revólver Taurus 32 cano longo, que havia comprado quatro anos antes, e que ela não conhecia, além de vários documentos, que ele não tinha o hábito de carregar. Atravessou a rua, andou menos de duzentos metros e chegou a ser visto sentado num banco de jardim da vizinhança, com uma “atitude desolada”. Por volta das onze e meia da noite, parou junto a uma árvore e disparou contra a têmpora direita. Dizem que alguém acendeu um toco de vela ao lado do cadáver, que, coberto por um jornal, só foi liberado depois das duas da manhã. O corpo foi embalsamado por dois amigos médicos, que ele próprio escolhera numa carta escrita em 1975, na qual dava instruções sobre seu sepultamento. O gesto extremo causou enorme surpresa. Primeiro, porque suicídios de escritores não são comuns. Dentre as exceções estão Ernest Hemingway e, no Brasil, Her­mes Fontes e Stefan Zweig. Segundo, porque, em sua obra, Nava procurava reconstruir o passado, fazê-lo durável, o que não combina com a decisão de pôr fim à própria vida. Além disso, os amigos o descreviam como extrovertido, falante e bem-humorado, sem os traços da depressão que alguns procuraram diagnosticar depois do episódio final. Tudo a reforçar a tese de que o impulso suicida foi mesmo momentâneo, provocado pelo misterioso telefonema. O cineasta Joaquim Pedro de Andrade, na ocasião, foi direto: “Há um assassino solto, alguém que tornou a vida insuportável para Nava. Ele foi morto por um telefonema.” Já a escritora Nélida Piñon disse: “Sua obra pertence a nós, mas o mistério de sua morte pertence a ele. De agora em diante, sua obra vai ter que ser vista sob a ótica do mistério de sua partida.” Na véspera da tragédia, como fazia há mais de vinte anos, Nava foi à casa do bibliófilo Plínio Doyle, onde todos os sábados se reunia um seleto grupo de intelectuais que incluía Drummond, Afonso Ari­nos e Américo Jacobina Lacombe: eram os famosos saba­doyles. Nesse dia, os amigos não identificaram qualquer diferença em Nava, “alegre e cheio de vida, com a verve de sempre”, como disse Alphonsus de Guimarães Filho. O dia seguinte foi dedicado à elaboração do discurso de agradecimento pelo título de Cidadão Fluminense, que receberia na Assembléia Legislativa dentro de alguns dias. O discurso, que seria a última página escrita por Nava, é uma espécie de balanço sentimental dos 51 anos vividos na cidade do Rio de Janeiro. Na derradeira frase, o escritor promete guardar os nomes dos deputados que o homenageiam “na coluna positiva do deve-e-haver do meu cansado coração”. Pedro Nava não pretendia se matar: tinha planos, como celebrar os 81 anos, dentro de três semanas; bem como concluir o sétimo volume de memórias (Cera das almas, interrompido na página 36) e em seguida escrever um livro sobre os médicos brasileiros. Numa entrevista, declarou: “Eu gosto da vida, apesar de não ser feliz. Gostaria de prolongar a vida um pouco mais, mesmo sabendo que muita coisa vai diminuindo com a idade.” Pedro da Silva Nava nasceu há um século, em 5 de junho de 1903, na cidade mineira de Juiz de Fora, o antigo Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais. No início dos anos 1920, mudou-se para Belo Horizonte. Ali, por volta de 1925, em companhia de jovens modernistas “dados às letras”, como Drummond ou Emílio Moura, colaborou, publicando poemas, com A Revista. Poeta e desenhista, chegou a ter ilustrações suas numa edição de Ma­cunaíma, do amigo Mário de An­drade, de 1929. Mário, com quem se correspondeu durante muitos anos, identificava em seus versos uma “sun­tuosidade artística”. Estudou Medicina, formando-se em 1927 pela Universidade de Minas Gerais. Antes de estabelecer seu consultório no Rio de Janeiro, onde também era professor universitário, o doutor Nava clinicou em Juiz de Fora, Belo Horizonte e Monte Aprazível. Ao longo de cinqüenta anos de exercício profissional, assumiu um lugar de destaque na medicina brasileira ao se tornar o pioneiro de uma especialidade que ele trouxe para Brasil depois de um estágio na Europa, nos anos 1940: a reumatologia, da qual foi considerado o melhor de seu tempo. Escreveu dezenas de artigos, ensaios e livros sobre temas médicos, a partir de Território de Epi­dauro, de 1947. Tomando a decisão de se aposentar, fecha o consultório para se dedicar integralmente à paixão que o acompanhou desde a juventude: a literatura. Em 1972, publica pela Editora Sabiá seu primeiro volume de memórias: Baú de ossos, em que narra a história de seus antepassados portugueses, italianos, cearenses e mineiros. Muito mais que isso, o livro não se limita a descrever episódios vividos pelo autor: revela o ambiente social, político e cultural do Brasil na primeira metade do século, levando o leitor a compreender, mais do que o homem, a época em que viveu. Para ele, como em Proust, a busca do tempo perdido, através de fatos e personagens, é antes de tudo um modo de chegar ao conhecimento de si mesmo. Antes de 1972, Pedro Nava era conhecido como médico e amigo de escritores, embora um poema seu tenha sido incluído por Manuel Bandeira numa Antologia de poetas bissextos. Sua estréia como memorialista, aos 69 anos, foi saudada pela crítica, que viu no livro a reinauguração, renovada, de um gênero pouco exercitado na literatura brasileira. Baú de ossos foi também um sucesso de público, esgotando seis edições até 1980. Seguiram-se quatro livros lançados pela José Olympio, a editora do velho amigo e vizinho: Balão cativo (1973), relembrando a infância em Juiz de Fora e a vida no bairro carioca do Rio Comprido; Chão de ferro (1976), em que o escritor conta sua adolescência; Beira-Mar (1978), que termina no momento em que Nava revela a aspiração de dedicar-se à medicina; e Galo-das-trevas (1981), que fala sobre sua clínica em Belo Horizonte, Caeté, Juiz de Fora e a Revolução de 1930. O sexto volume, O círio perfeito, cobrindo o período de 1930 a 1940, saiu em 1983 pela Nova Fronteira. Com essa editora, que lançaria em dezembro o sétimo volume, o autor tinha um contrato que incluía, além dos próximos livros, a reedição daqueles lançados pela José Olympio, assim que esgotados. A Nova Fronteira já publicara, em 1981, a sétima edição de Baú de ossos. A obra de Pedro Nava, que ficou praticamente esquecida durante quinze anos – a ponto de, nos anos 1990, ser quase impossível encontrar um de seus livros nas livrarias –, foi saudada à época de sua morte como das mais importantes que vinham sendo construídas no Brasil, “um verdadeiro monumento literário, desses raros monumentos que se levantam de cem em cem anos”, destacou o escritor Francisco de Assis Barbosa. Essa grandeza chegou a ser comparada por vários críticos à de outro mineiro, também médico e autêntico mestre no domínio das palavras: Guimarães Rosa. Inconformado com o fato da Nova Fronteira ter publicado a biografia em que Monique le Moing abordava a suposta homossexualidade de Pedro Nava, seu sobrinho e herdeiro Paulo Penido decidiu não renovar o contrato, entregando os direitos sobre a obra do tio a duas editoras paulistanas: a Giordano e a Ateliê Editorial. Os seis volumes voltaram a ser editados recentemente, ao lado de cadernos de anotações do autor; notas de viagem; do Correspondente contumaz, contendo as cartas trocadas com Mário de Andrade; dos textos e desenhos de O bicho Urucutum. Paralelamente, vêm proliferando teses universitárias sobre aspectos de sua obra. Essa obra revela uma profunda paixão pela palavra, que é tratada sensual, sensorial, barrocamente, como objeto a serviço de um retrato que ele, também artista plástico, não se furtava a esboçar. Um exemplo? Este trecho de Baú de ossos, em que Nava discorre sobre a versatilidade do açúcar: “Batida, no Ceará, é uma rapadura especial, feita com melado sovado e arejado a colher de pau, até o ponto de açucarar. Com que também perde o gosto de rapadura. Vira noutra coisa, devido à versatilidade do açúcar, que é um em cada consistência, e que é ainda um a quente e outro a frio. Que é ainda ostensivo ou discreto, acessório ou predominante, substantivo ou adjetivo segundo se combine ao duro, ao mole, ao líquido, ao pulverulento, ao pastoso, ao espumoso, ao sol e ao gel. Compor com açúcar é como compor com a nota musical ou a cor, pois uma e outra variam e se desfiguram, configuram ou transfiguram segundo os outros sons e os outros tons que se lhe aproximam ou avizinham. É por isso que tudo que se faz com açúcar ou se mistura ao açúcar pede deste a forma especial e adequada – que favoreça a síntese do gosto.” Pedro Nava era descrito pelos amigos como modesto, acessível, generoso, falante e bem-humorado. Deixou uma obra grandiosa, interrompida pela morte trágica, cuja motivação provavelmente nunca será conhecida. Passados cem anos de seu nascimento e quase vinte daquele domingo de brumas, ainda aguarda o reconhecimento como um dos maiores escritores brasileiros, daqueles mestres que sempre têm uma nova lição a ensinar. Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador em 2002 do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria “Literatura”. (1) Comentário PAULINHO DA VIOLA - Coração Vulgar alfeuRIO 29 de dez. de 2013 Música de Paulinho da Viola, álbum "Roda de Samba" (1965), sêlo Multidisc Com o Conjunto A Voz do Morro: Paulinho da Viola Anescarzinho do Salgueiro Zé Keti Elton Medeiros Nelson Sargento Zé Cruz Jair do Cavaquinho Coração Vulgar Paulinho da Viola Morre mais um amor num coração vulgar Deixa desilusão a quem não sabe amar E quem não sabe amar há de sofrer Porque não poderá compreender Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Um verdadeiro amor nunca fenece E pouca gente ainda o conhece Meu bem, se o teu amor morreu É porque ninguém o entendeu Deixa o teu coração viver em paz O teu pecado é querer amar demais Composição: Paulinho da Viola. JORNAL DA CULTURA | 29/08/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 3 horas Jornal da Cultura | 2026 No Jornal da Cultura deste sábado (29), você vai ver: aumento do número de eleitores com mais de 60 anos reflete o envelhecimento da população brasileira; perdas na rede elétrica por erros técnicos e furtos geram prejuízo de R$ 11,5 bilhões; Nepal chega ao quinto dia de buscas após avalanche de lama, com mais de 600 mortos e 3 mil desaparecidos; guerra entre Estados Unidos e Irã chega a seis meses e já deixou 8 mil mortos; Big Techs fazem manifesto por mais segurança diante do uso da inteligência artificial em ciberataques; e Isaquias Queiroz supera favorito e conquista sua oitava medalha de ouro em campeonatos mundiais de canoagem. O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube. #JornalDaCultura #TVCultura #SomosCultura

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APITO DE CACHORRO EM SABATINAS E ENTREVISTAS AO VIVO

O som invisível do discurso: Político emite mensagem codificada em sabatina ao vivo. Enquanto a jornalista e o público geral reagem com indiferença ou dúvida (Grupo A), a base radicalizada capta o sinal oculto pelos celulares (Grupo B), consolidando a estratégia do apito de cachorro.
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Bastidores de sabatina jornalística na TV

Análise semiótica do posicionamento de câmeras e cenário em estúdios de televisão.

Análise Semiótica da Sabatina: Linguagem Corporal e Dinâmica Espacial

A composição visual de uma entrevista televisiva envolve uma série de fatores técnicos e estéticos. Embora o posicionamento e o enquadramento de um entrevistado possam sugerir disparidades de poder no estúdio, a dinâmica real dos bastidores costuma responder a padrões rígidos de cenografia e geometria óptica.

1. O Padrão Cenográfico e a Isometria das Cadeiras

Ao contrário do que pode parecer pelo ângulo das câmeras, as cadeiras disponibilizadas nos grandes estúdios jornalísticos são idênticas e reguladas em uma altura estandardizada. O modelo de assento com encosto alto é mantido igual tanto para os entrevistadores quanto para os candidatos, garantindo uma base física neutra que atende aos princípios de isonomia exigidos pela cobertura eleitoral.

2. O Efeito Óptico da Mesa Triangular (Perspectiva e Lentes)

A aparente diferença de dimensão percebida na tela não decorre da altura física do assento, mas sim da arquitetura do cenário e das lentes utilizadas:

  • Geometria do Cenário: Bancadas desenhadas em formato de "V" colocam o entrevistado no vértice isolado, enquanto os entrevistadores ocupam o lado oposto, visualmente mais largo.
  • Profundidade de Campo: Planos abertos e lentes grande-angulares tendem a distorcer as proporções das extremidades da tela, fazendo com que indivíduos localizados nas bordas do enquadramento pareçam menores do que os que ocupam a área central.

3. O Papel da Assessoria de Imprensa nos Bastidores

Em transmissões com forte controle institucional, as assessorias de comunicação realizam vistorias prévias no estúdio (conhecidas como reconhecimento de espaço), testando parâmetros de áudio e iluminação. No entanto, elas não têm autonomia para alterar o mobiliário fixo ou modificar o plano de câmeras preestabelecido pela direção do programa, aceitando as regras técnicas acordadas previamente por todos os participantes.

4. A Postura Corporal diante do Confronto

A projeção corporal do entrevistado — como inclinar-se ligeiramente para a frente ou apoiar-se nos braços da cadeira — costuma ser uma reação física espontânea à intensidade de questionamentos prolongados. Elementos estéticos adicionais, como o uso de chapéus, criam sombras que alteram a percepção dos contornos faciais, acentuando o contraste visual com a postura ereta e formal dos entrevistadores atrás de suas bancadas de trabalho.

Use o código com cuidado.
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Notícias — 28/08/26

A cena analisada pode ser lida como um exemplo prático de como a notícia é construída, selecionada e apresentada. A partir dela, os tópicos de produção e análise jornalística podem ser organizados da seguinte forma:

1. Curadoria

É o processo de selecionar o que será transformado em notícia. O jornalista decide o que merece destaque e o que ficará de fora. Na imagem, a entrevista e a escolha das perguntas mostram que a informação não chega ao público de forma neutra: existe uma seleção prévia.

2. Hierarquia

Depois de selecionar as informações, é preciso definir o que vem primeiro e o que recebe maior destaque. Manchete, chamada, imagem, posição da matéria e tempo de exposição são formas de estabelecer essa hierarquia. A imagem destaca o confronto entre o entrevistado e os jornalistas, fazendo desse embate o elemento central da cena.

3. Seleção de matérias

Nem tudo o que acontece pode virar notícia. São considerados critérios como relevância, atualidade, impacto, proximidade, conflito, interesse público e capacidade de gerar repercussão. A seleção, portanto, determina parcialmente aquilo que o público perceberá como importante.

4. O que está “de pé”

Refere-se àquilo que se sustenta como notícia: fatos, informações e acontecimentos que têm relevância e podem ser confirmados. É importante diferenciar fato, opinião, interpretação e acusação. Diante do cenário exposto, evidencia-se a constante necessidade de verificar e contextualizar aquilo que é apresentado ao público.

5. Lógica da Curadoria

A curadoria jornalística envolve uma sequência cronológica rígida:

acontecimentos → seleção → apuração → hierarquização → enquadramento → apresentação ao público

Ou seja, o jornalista não apenas "conta o que aconteceu". Ele precisa decidir qual acontecimento será abordado, por qual ângulo, com quais informações e com que destaque.

6. Individualização da notícia

Uma mesma notícia pode ser apresentada de maneira diferente dependendo do veículo, jornalista, público e linha editorial. A escolha das palavras, da pergunta, do entrevistado, das imagens e do enquadramento produz uma versão específica daquele acontecimento. A crítica reside justamente na expectativa de como as perguntas são formuladas, mostrando que a forma de interrogar também interfere na construção da notícia.

Roteiro × Roteirizar

Roteiro é a estrutura planejada da matéria:

  • Abertura;
  • Apresentação do fato;
  • Contextualização;
  • Entrevistas/fontes;
  • Desenvolvimento;
  • Fechamento.

Roteirizar é o processo de transformar as informações apuradas em uma sequência narrativa, decidindo o que será dito, mostrado e ouvido e em que ordem.

Em resumo:

Curadoria escolhe → hierarquia organiza → apuração sustenta → roteiro estrutura → roteirização transforma em narrativa → público recebe a notícia.

Use o código com cuidado. Lula mente que nem sente na TV Globo | Meio-Dia em Brasília - 27/08/2026 O Antagonista Transmissão ao vivo realizada há 4 horas Meio-Dia em Brasília | 2026 O programa Meio-Dia em Brasília desta sexta-feira, 28, fala sobre a entrevista concedida pelo presidente Lula na TV Globo e como ele foi pego em flagrante mentindo em rede nacional. Além disso, o jornal também aborda a tentativa de Pablo Marçal manter viva a sua candidatura à Presidência da República e também destaca os melhores, os piores da semana e as principais reportagens da Revista Crusoé. Assista: Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.
A LACRAÇÃO MATOU OS DEBATES, E NÃO HÁ VOLTA SERGIO DENICOLI ESTADO DE S. PAULO Sergio Denicoli @Denicoli CEO da AP Exata, colunista do Estadão, pós-doutor em Comunicação e cientista de dados. Vitória, Brasil apexata.com Participa desde March 2009 Lula na defensiva sobre Lulinha e escândalo do INSS | Central Meio Meio Transmissão ao vivo realizada há 5 horas #Lula #Sabatina #Lulinha A sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na TV Globo foi marcada por momentos de tensão, com o petista na defensiva ao ser questionado sobre as denúncias envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o esquema do INSS. Durante a entrevista, Lula se irritou, chamou a lobista Roberta Luchsinger de "pilantra" e afirmou nunca tê-la visto na vida — mas fotos nas redes sociais desmentem essa declaração. Com Flávia Tavares, Pedro Doria, Yasmim Restum e o analista político Alexandre Borges, o Central Meio desta sexta-feira (28/08/2026) analisa o desempenho do presidente, da imprensa e os possíveis desdobramentos políticos da sabatina na corrida eleitoral. E ainda: as dicas culturais para o fim de semana com Guilherme Werneck. —
Sergio Denicoli profile banner Sergio Denicoli @Denicoli CEO da AP Exata, colunista do Estadão, pós-doutor em Comunicação e cientista de dados. Vitória, Brasil apexata.com Participa desde March 2009 1.509 Seguindo 2.361 Seguidores user avatar Sergio Denicoli @Denicoli 1h 🛜 AP EXATA ALERTA - Dados da AP Exata mostram Augusto Cury com 52% de positividade e forte avanço no volume de menções nas redes, sobretudo entre eleitores de centro. Augusto Cury apresenta forte crescimento nas redes. Segundo os dados da AP Exata, até 23 de agosto ele tinha média de apenas 0,35% das menções aos candidatos, mas chegou a 13,5% nesta quinta-feira, enquanto sua positividade atingiu 52%, a maior entre todos os presidenciáveis. Costumes, Educação e Saúde somam 58,3% de toda a conversa temática relacionada a Cury. Portanto, temas mais polêmicos, como Trump, STF, Lulinha e caso Master não aparecem de forma significativa nas conversas sobre Cury. Costumes representam 21,2% das conversas sobre ele, mas não de forma crítica a temas como casamento de pessoas do mesmo sexo, etc. No caso de Cury, a crítica ao outro não aparece e o que se destaca são discussões mais inclusivas, relacionadas principalmente à importância das boas relações familiares e das relações saudáveis entre casais, condenação à violência contra a mulher, efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes e defesa de relações menos agressivas. Educação aparece com 20,9%, muito acima dos 5,3% registrados no conjunto geral das conversas sobre os presidenciáveis, puxada por propostas e falas sobre educação emocional, raciocínio lógico, excesso de telas, formação de professores, educação financeira e inclusão de autistas, pessoas com TDAH, dislexia e outros neurodivergentes. Saúde responde por 16,1%, com forte presença de saúde mental, ansiedade, depressão, burnout, prevenção do suicídio e saúde emocional de crianças e adolescentes. A questão da autoestima também é mencionada. Nas conversas, aparecem com frequência referências a Cury como educado, equilibrado, sensato e menos agressivo que os demais candidatos, o que agrada a um eleitor cansado da briga política. Outro elemento que começa a caracterizar sua candidatura é a tentativa de ocupar o centro político por meio da crítica à idealização de líderes. Cury tem questionado os chamados "ismos", incluindo lulismo e bolsonarismo, argumentando que a idealização excessiva de políticos reduz a capacidade crítica dos eleitores e dificulta a avaliação de erros e acertos. Os dados mostram que ele tem conseguido atrair a atenção de moderados. Esse discurso, combinado à rejeição da agressividade e da polarização na política, cria para Cury um espaço relativamente próprio nas redes. Ele começa a ser percebido não apenas como o candidato ligado à educação e à saúde mental, mas também como uma alternativa de centro, entre quem rejeita a polarização. Há também nas redes muitas publicações suspeitando que o crescimento de Cury nas redes não é algo orgânico. De qualquer forma, mesmo sendo impulsionado, o fato é que ele entrou no radar dos eleitores e encontrou espaço próprio em um ambiente onde a atenção é algo difícil de alcançar, conseguindo, inclusive, espaço amplo nos veículos de imprensa.
Mariana Schreiber Role,Da BBC News Brasil em Brasília Published 28 agosto 2026, 06:44 -03 Atualizado 28 agosto 2026, 06:54 -03 Tempo de leitura: 18 min As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não devem ser decisivas na disputa pela Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), acredita Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto de pesquisa Ideia. Na sua visão, será a economia que influenciará o voto de cerca de 5 milhões de pessoas que definirão a eleição presidencial. Esse é o grupo que ainda não decidiu seu voto e pode optar tanto por Lula como por Flávio Bolsonaro. Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um segundo turno contra o senador, Lula teria 45% das intenções, contra 43%. "Quando olhamos os 3% a 4% dos eleitores que achamos que vão decidir a eleição, eles já consideram basicamente todos os lados corruptos e não é isso que vai ser o fator decisivo. Então eu acho que [a investigação sobre suposta corrupção] é mais um tema de 'bolhas' do que um tema relevante para a eleição", disse, em entrevista à BBC News Brasil. Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal. Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (27/08), Lula classificou como "ilações" as acusações que estão circulando contra Lulinha e prometeu que ele "não será protegido" por ser seu filho.