quarta-feira, 20 de maio de 2026

P.C.J (Partido Clementina de Jesus)

A Dialética Contemporânea da Alienação: Inteligência Artificial, Endividamento e Erosão Democrática “Se a inteligência nos obriga ao pessimismo — ao reconhecer nas vagas de IA, Clementina, o delírio estruturado de uma razão separada da vida —, é a vontade que nos convoca ao otimismo: não como ilusão, mas como práxis que reinscreve o humano na história.” — em diálogo com Antonio Gramsci Prelúdio: Clementina, o progresso e a contradição P.C.J (Partido Clementina de Jesus) Clara Nunes “Energia nuclear O homem subiu à lua É o que se ouve falar Mas a fome continua É o progresso, tia Clementina Trouxe tanta confusão Um litro de gasolina Por cem gramas de feijão Não vadeia Clementina Fui feita pra vadiar Não vadeia, Clementina Fui feita pra vadiar, eu vou…" CLEMENTINA DE JEUS - PARTIDO ALTO/ nao vadeia Clementina Cadê o cantar dos passarinhos? Ar puro não encontro mais, não É o preço do progresso, paga com a poluição O homem é civilizado, a sociedade é que faz sua imagem Mas tem muito diplomado que é pior do que selvagem Composição: S.candeia.
Conversas sobre Inteligência Artificial – IA na Democracia: perigo ou reinvenção? A Dialética Contemporânea da Alienação: Inteligência Artificial, Endividamento e Erosão Democrática Eleições presidenciais no Brasil ABRAPEL Transmissão ao vivo realizada há 119 minutos 20 de maio de 2026 Quarta-feira 19h (horário de Brasília) Título: Eleições presidenciais no Brasil Coordenação: Mara Telles (WAPOR Latam / ABRAPEL) Expositores: Antonio Lavareda (IPESPE ) João Francisco Meira (ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) Luciana Santana (ABCP – Associação Brasileira de Ciência Política / UFAL) As eleições presidenciais no Brasil vêm atraindo crescente atenção internacional, tanto pelo peso geopolítico do país quanto pela complexidade de seu processo eleitoral. Em um contexto global marcado por transformações nas democracias, o Brasil se apresenta como um caso relevante para compreender como instituições, sociedade civil e tecnologias moldam as disputas políticas contemporâneas. Nesse cenário, as pesquisas eleitorais ocupam papel central ao permitir a identificação de tendências da opinião pública, padrões de comportamento e possíveis trajetórias da eleição. Ainda que não antecipem resultados, essas ferramentas são fundamentais para analisar cenários competitivos, dinâmicas regionais e mudanças no humor do eleitorado. Este webinar convida você a refletir e debater o processo eleitoral brasileiro a partir de perspectivas comparativas, explorando o papel das pesquisas e a construção de cenários possíveis. A proposta é situar o Brasil nos debates internacionais sobre democracia, confiança institucional e participação cidadã, oferecendo uma compreensão ampla, crítica e atual sobre as eleições em um cenário político global em constante transformação quarta-feira, 20 de maio de 2026 Até onde a elite vai com os Bolsonaro? Por Vera Magalhães
O Globo Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Daniel Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político. A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências. Os quatro anos de mandato de Bolsonaro trouxeram à tona detalhes da relação do ex-deputado estadual Flávio, então já senador, com seu ex-braço direito Fabrício Queiroz, evidências de prática de rachadinha em seu gabinete, de mais movimentações financeiras apontadas pelo Coaf como suspeitas, de relacionamento com ex-policiais ligados à milícia, mais compra de patrimônio imobiliário em transações milionárias e em dinheiro vivo — e tudo foi aceito. A gestão da pandemia expôs um presidente avesso à ciência, disposto a dinamitar o Programa Nacional de Imunizações, incentivando que se “passasse a boiada” em desmonte ambiental aproveitando o isolamento, zombando de medidas sanitárias e de mortes, trocando ministros da Saúde como quem mudava de camisa do Brasil. Houve abalo a sua imagem, mas ele quase foi reeleito. Vieram o 8 de janeiro de 2023 e aquela destruição sem precedentes em Brasília, por uma turba mantida em acampamentos em frente a quartéis por meses, incentivada por um presidente que abdicou do exercício do cargo desde a derrota no segundo turno, depois deixou o país sem passar o cargo ao sucessor. Houve repúdio generalizado de imediato, mas logo depois passou-se a relativizar a gravidade do que aconteceu, como se fosse apenas coisa de donas de casa armadas de batom. Por fim, o processo da trama golpista expôs a realização de uma reunião ministerial gravada em vídeo em que se discutiram opções até para melar as eleições. Vieram à tona um plano para matar autoridade e minutas de diferentes estados de exceção. O primeiro ex-presidente do Brasil foi condenado por tramar um golpe de Estado. E, ainda assim, uma parcela majoritária de nossos tomadores de decisão permanece aferrada aos desígnios desse líder, agora preso, a ponto de rapidamente assimilar aquilo que não queria: um presidenciável da própria família. Foi escolhida a segunda opção, porque o primeiro cogitado estava nos Estados Unidos havia meses obtendo sanções econômicas e políticas contra o Brasil. Agora, diante de um áudio reconhecido pelo próprio pré-candidato como autêntico, pedindo R$ 134 milhões a um banqueiro já enrolado para um filme sobre o pai, com recursos geridos por um fundo sem nenhuma transparência, existe uma torcida silenciosa para que a tempestade passe, e a motociata siga. É difícil compreender, apenas à luz da ideologia, tal complacência. Não foi vista em escândalos envolvendo políticos do PT ou mesmo do PSDB. Basta ver a descida ao inferno de Aécio Neves por muito menos que esse acervo do “azarão” e sua prole. O resultado econômico e fiscal sob Bolsonaro e Guedes não explica tal devoção imune a fatos. O antigo teto de gastos foi seguidamente excedido, houve a pedalada com precatórios e toda sorte de medida eleitoreira, inclusive elevando despesas assistenciais — um dos pecados sempre apontado nas gestões petistas. As pesquisas e as novas revelações (que não param de aparecer, a despeito das velas acesas na Faria Lima) dirão se Flávio se segura. Mas a disposição a passar pano com desinfetante para tudo o que tenha o sobrenome Bolsonaro é um traço distópico dos nossos tempos que precisará ser explicado nos livros de História, com as consequências dela decorrentes.
quarta-feira, 20 de maio de 2026 Próteses, por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo Meu velho professor de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o dr. Roberval Flores, admitiu sua surdez quando, numa aula sobre malandragem e desfaçatez no Brasil, ouviu “titica”, mas a aluna dizia “política”. Depois de um teste no qual os sons se ocultavam para o mestre do oculto, o professor comprou uma caríssima prótese de ouvido. Agora, os sons antes ocultos brotam com a mesma nudez da corrupção sem polarização na elite política nacional. Antigamente, o roubo era uma prótese de meliantes, devidamente ocultada. Hoje, foi-se o segredo dos conchavos entre compadres (hoje irmãos) seguros de que as dádivas trocadas entre eles jamais seriam gravadas e televisionadas. Hoje, porém, é possível ser generoso misturando a casa com a rua para receber as devoluções implícitas na velha lei da troca, desvendada por Marcel Mauss. Pois a regra do dar, receber e retribuir tem óbvios limites, sem os quais não há igualdade democrática. O problema é a força do favor que anula as exigências de imparcialidade. Aí está o centro da crise. Essa foi a prótese realizada pelo dono do Banco Master, um mestre na arte de seduzir pelo favor uma elite relacional aflita para enriquecer. A comunicação digital, por sua vez, tem sido a prótese que condenou a confidencialidade patrimonialista do “só vou contar para você”, por meio da inconveniente universalidade do “todo mundo sabe” das redes sociais. Essa prótese de sempre introduzir o pessoal no impessoal é o resultado, como diz o professor Roberval, dos elos de reciprocidade que destroem a confiança na Justiça, no trabalho e no Estado. Elos motivados pelo desejo de “ficar rico por meio de uma boca rica” e, de preferência, salvando o Brasil. Quem sabe, pensou o mestre, isso não seria um desregramento de uma sociedade obcecada em tudo legislar? Nela, há leis para tudo como nas Ordenações Filipinas e Manuelinas, mas o que fazer quando as relações escapam do formalismo jurídico? A crença no formalismo é distorcida pelo peso dos elos pessoais, pois quem vai bloquear o interesse de sua mulher, filhos, irmãos e amigos, quando misturam casa com rua? Noto, com o historiador dos tribunais luso-brasileiros Stuart Schwartz, que, no Brasil, o leal sinônimo de bom, belo e certo chega à fantasia de achar que costumes fundados em favores podem ser resolvidos por leis. Mas, pergunta o mestre das Ciências Ocultas, a revolução burguesa que suprimiu o parentesco como fonte exclusiva de poder político, substituindo-o por um mercado eleitoral, não foi uma prótese? A mais infeliz de todas as próteses, porém, finalizou o mestre, é se achar dono do Brasil para salvá-lo de outros donos, sem pensar em salvá-lo de si mesmo. Tarefa que depende exclusivamente de nós. *É Antropólogo, escritor e autor de ‘Carnavais, malandros e heróis’
quarta-feira, 20 de maio de 2026 A origem do dinheiro do Zero Um, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Flávio justifica tudo como um negócio entre particulares, mas ele é senador e o eleitor não é ingênuo Quando a Lava Jato descobriu um mar de dinheiro irrigando contas de partidos políticos, a saída da maioria dos que foram apanhados nas planilhas das empreiteiras foi dizer que tudo não passava de doações não contabilizadas para suas campanhas, o chamado caixa 2. Muitos assumiam o que pensavam ser um pecado menor, sem se dar conta de que a explicação para os pagamentos ilícitos não respondia à pergunta que qualquer eleitor honesto faria: afinal, qual a origem daquele dinheiro e por que um empresário se disporia a entregar tanto em troca de nada? Nunca se conheceu, no mundo, um financista sério que rasgasse nota de 200 ou se desfizesse de seus recursos pelas janelas da Avenida Faria Lima. Experimente o leitor aparecer no escritório de um banqueiro com suas contas e boletos e dizer: “Bom dia, mermão! Já estamos no terceiro dia de gravação. Estamos no limite”. Justificar que os milhões prometidos eram apenas um “negócio entre particulares” é querer dar um passa-moleque no eleitor brasileiro. Primeiro, porque o senador Flávio Bolsonaro não é uma figura particular. É um político e pré-candidato à Presidência. Como tal, deve explicações sobre o que faz, fala e recebe – e de quem e por qual razão. Em Brasília, não há espaço para ingênuos. Logo, pegar uma fortuna com um banqueiro enrolado, ainda que fosse para financiar uma peça de propaganda eleitoral – o filme sobre o capitão Bolsonaro –, é muito mais do que um negócio entre duas pessoas quaisquer. Aqui também cabe a pergunta: qual a origem do dinheiro entregue por Vorcaro e em troca de que ele daria milhões ao pré-candidato? Mais. Por que o senador foi em sigilo à casa do banqueiro, mesmo após Vorcaro ser preso? Se era só um negócio, por que não buscou o distrato na Justiça? Da mesma forma que o bolsonarismo cobrava Vorcaro para responder por que resolveu pagar uma fortuna pela assessoria jurídica do escritório da advogada Viviane Barci, a mulher do ministro Alexandre de Moraes, o banqueiro agora deve explicar aos investigadores por que entregou esse tesouro aos Bolsonaro, bem como por que pagava, segundo a PF, mesada de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira, o ex-chefe da Casa Civil do pai de Flávio. Os milhares de brasileiros que tiveram suas economias evaporadas no conto do Banco Master merecem uma resposta. No sábado, Flávio pediu aos eleitores que não se precipitassem. Disse: “Não há absolutamente nada de errado” e “o que incomoda é o homenageado do filme” – seu pai. O objetivo é conter entre os correligionários aqueles que sonham com um outro capitão, o Nascimento, que seja capaz de dizer ao senador: “Zero Um, pede pra sair!”
Ao explicar R$ 200 mil da JBS, Bolsonaro admite que PP recebeu propina: “qual partido não recebe?” Por Jovem Pan 23/05/2017 10h47 BlueSky Letiares Vieira/Jovem Pan Jair Bolsonaro - jp Na “Consulta aos Doadores e Fornecedores de Campanha de Candidatos” no Tribunal Superior Eleitoral, dados dão conta de que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) recebeu R$ 200 mil do grupo JBS durante sua campanha de 2014. Os dados mostram também que o deputado teria encaminhado o dinheiro como doação ao seu partido, que na época era o PP. Em participação no Jornal da Manhã desta terça-feira (23), o deputado explicou o ocorrido e deixou claro, apesar de não ser sua intenção, que o dinheiro não foi devolvido à Friboi, mas sim ao seu partido. “Começaram as eleições de 2014. Me liga o presidente do meu partido [Ciro Nogueira, na época] e diz que vai botar R$ 300 mil na minha conta. Disse que tudo bem, mas que colocasse R$ 200 mil na minha conta e R$ 100 mil na do meu filho. Quando vi o nome da Friboi, perguntei se queriam extornar. Falei que ia para a Câmara dos Deputados, ia jogar R$ 200 mil e dizer que é dinheiro do povo, porque foi dinheiro que pegaram do PT para se coligar com o meu partido”, disse. Bolsonaro alegou ainda que o dinheiro que entrou em sua conta foi do fundo partidário e que devolveu o dinheiro da Friboi. “A Friboi não colocou nada na minha conta, foi o partido”, explicou. O dinheiro, sabidamente, veio do grupo JBS, pivô da atual crise política no Governo, mas o deputado insistiu que devolveu os R$ 200 mil ao partido e que outro valor igual foi depositado em sua conta, agora advindo do fundo partidário. “Eu aceito do fundo partidário. Dinheiro foi para outro deputado, porque o carimbo tinha que estar embaixo no papel”. Questionado se o partido cometeu uma ilegalidade ao repassar dinheiro da JBS para sua campanha, Jair Bolsonaro concordou e perguntou: “você queria que fizesse o que naquela época?”. Ele admitiu ainda que o PP recebeu propina da JBS, mas tentou ponderar: “partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”. “Eu sabia que era dinheiro da Friboi. Disse que não queria o dinheiro (…) Meu partido tem R$ 5 milhões por mês de fundo partidário e me passam R$ 200 mil. Acha que estou na pedalada? Por que você não me responde o que Alberto Youssef falou na delação? Que dois deputados do PP não pegaram dinheiro da Petrobras. Um fui eu. Queria que eu fizesse o que? Teve mais também, na ação do Mensalão, teve o caso de Joaquim Barbosa. Ele leu seu voto e leu meu nome, disse que fui único da base aliada que não fui comprado pelo PT. Isso não conta?”, justificou-se. Apesar de consentir com a ilegalidade cometida pelo partido a qual era filiado, Bolsonaro pediu, em tom forte, que não fosse “rotulado de corrupto”. O desafio Marco Antonio Villa e Jair Bolsonaro ficaram frente a frente no Jornal da Manhã desta terça-feira (23), por cerca de 45 minutos. O comentarista Jovem Pan desafiou o deputado do PSC a comparecer aos estúdios da rádio para um debate de ideias e opiniões, e para Bolsonaro, que se coloca como candidato à presidência do Brasil, discutir o futuro do País. Bolsonaro aceitou, e o encontro aconteceu, ao vivo. Confira a entrevista completa: Jovem Pan News Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp! Entrar no Canal BlueSky Tags: brasil, campanha, Friboi, Jair Bolsonaro, JBS, marco antonio villa, notícias, Política CONTRAPONTO:
BOLSONARO DIZ QUE VAI VETAR VALOR DE R$ 600 PARA PARCELAS EXTRAS DO AUXÍLIO EMERGENCIAL “Com o truque reiterado do auxílio emergencial — que, ao oscilar entre 300, 400 e o blefe dos 600 reais, encena a própria coreografia da escassez administrada —, o Brasil reaparece, de calças arriadas, como sujeito histórico reinscrito na lógica tutelar da dependência, onde a proteção social se converte em dispositivo de captura. Na segunda volta dos que jamais partiram, a transição — já consumada antes de se declarar — revela o caráter espectral do poder, cuja continuidade se impõe sob a forma de alternância, e na qual Ciro Nogueira figura menos como agente de ruptura do que como operador da permanência no interior do Palácio do Planalto. Na derradeira cena, deslocada para o espaço íntimo da residência oficial no Lago Sul, onde a política se recolhe à penumbra das decisões inconfessáveis, o presidente da Câmara atualiza, sob a gramática do ad hoc, o pacto silencioso das emendas — essa forma contemporânea de mediação entre representação e interesse —, mesmo após sua declaração de inconstitucionalidade por Rosa Weber. É nesse entrelaçamento de exceção normalizada e consenso fabricado que se inscreve a entrada de Flávio Dino, não como irrupção, mas como continuidade cantada de uma ordem que se recompõe ao som de si mesma, onde, como numa mesa já posta pela história, ninguém falta — porque todos, de algum modo, já estavam.” 🎼 BOLSONARO DIZ QUE VAI VETAR VALOR DE R$ 600 PARA PARCELAS EXTRAS DO AUXÍLIO EMERGENCIAL UOL 12 de jun. de 2020 Para o presidente Jair Bolsonaro, país não pode se endividar mais para bancar valor de R$ 600 para parcelas extras. Ele defende valores menores. -------------------------
dr.danielhacomar 5 sem Eu já tinha orgulho da minha trajetória, mas a chegada do meu filho trouxe um novo sentido para o meu "porquê".Filho que sai ao seu não degenera — apenas cumpre, com rigor quase trágico, a fidelidade de origem. Reviver 2017 é condenar-se a sonhar, em 2027, o mesmo pesadelo: a história que não passa, apenas se reencena sob novas máscaras. Entre o Villa da história e a Vila da estória, move-se o país — oscilando entre o registro do fato e a fabulação que o justifica, como se a memória fosse sempre já um campo disputado. E assim, para cada Valdemar Costa Neto que fecha uma porta, há sempre um Gilberto Kassab pronto a entreabrir outra: não por acaso ou virtude, mas porque o fluxo — essa seiva invisível do poder — não pode estancar sem que o próprio sistema se revele em sua nudez.” Flávio Bolsonaro: que explicações ele deu na coletiva de imprensa Metrópoles "A crise consiste justamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer: neste interregno, verificam-se os fenômenos patológicos mais variados."

terça-feira, 19 de maio de 2026

O Algoritmo Não Erra — Quem Erra é a Linha de Código Alheia

Pesquisa Atlas é realizada sem qualquer tipo de viés, diz analista político | CNN 360º CNN Brasil 19 de mai. de 2026 #CNNBrasil Em entrevista à CNN, o head de análise política da AtlasIntel, Yuri Sanches, defendeu a metodologia da pesquisa divulgada pelo instituto nesta terça-feira (19). A pesquisa mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seis pontos atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno à Presidência. #CNNBrasil Ao vivo: Galípolo fala sobre Master à CAE do Senado Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 6 horas 💡 O QUE É IMPORTANTE SABER: 🏛️ Poder Congresso | O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa às 10h desta 3ª feira (19.mai.2026) de audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Ele falará sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025. A audiência foi aprovada pela comissão depois da liquidação do banco e da operação da Polícia Federal que mirou executivos ligados à instituição. Os senadores querem ouvir Galípolo sobre a atuação do BC antes da decisão e sobre os efeitos da medida no sistema financeiro. 📲 Ficou interessado? Leia a reportagem no Poder360: https://www.poder360.com.br/
terça-feira, 19 de maio de 2026 Flavio Bolsonaro, el desplome de un corrupto, por Fernando de la Cuadra El Clarin (Chile) Daniel Vorcaro se ha transformado en el amigo más tóxico de la clase política y de los jueces brasileños. En efecto, son muchos los personajes de la escena política y judicial que se han beneficiado de su generosidad a cambio de influencia y futuros favores en la línea de crédito del “banquero”, actualmente transformado más bien en el jefe de un enorme esquema destinado a fraudar a usuarios, entes públicos, fondos del seguro social y el Banco de Brasilia, al cual le vendió una extensa y billonaria cartera de cuentas deficitarias. La historia que se conoce hasta ahora es que, liderando un entramado complejo, Vorcaro captó recursos de cientos de clientes e inversionistas a través de captaciones en Depósitos de Renta Fija (CDB) prometiendo tasas de interés espectaculares, muy por encima de los valores promedios existentes en el mercado financiero brasileño. Es decir, tomaba el dinero de clientes de su Banco Master, a sabiendas de que no tenía como sustentar esos compromisos, lo que finalmente transformaba todas las operaciones en un simple fraude, tanto para los inversionistas como, posteriormente, para el Banco de Brasilia al cual le transfirió irregularmente esa cartera de clientes creedores del Banco Master. De esta manera, Vorcaro hizo desaparecer y consiguió también distribuir decenas de millones de reales entre sus “amigos de la vida”, como el senador Ciro Nogueira o su “hermano” Flavio Bolsonaro, producto del robo sistemático perpetrado por el banquero a sus clientes y a otras instituciones financieras. Desde la fundación del Banco Master en octubre de 2019, Vorcaro fue construyendo una red de influencia basada en aportes millonarios a diversos actores de la vida política institucional de la República. Entre otros, comprometió a dos ministros del Supremo Tribunal Federal (Alexandre de Moraes y Dias Toffoli) a los cuales repasó generosas cifras de millones de reales, al primero, a través de “Consultorías” realizadas por la oficina de abogados de la esposa de Moraes y, al segundo, por medio de la inversión en un resort que es propiedad de la familia del ministro del STF, socio de ese emprendimiento inmobiliario. También consta en el proceso contra el banquero pagos a parientes del ex ministro de Justicia de Lula, Ricardo Lewandowski y de Guido Mantega, quien consiguió una audiencia entre Vorcaro y el presidente Lula da Silva. Desembolsos millonarios también fueron efectuados para establecer relaciones cordiales con gobernadores, presidentes de partidos del centrão y otros miembros relevantes de la vida pública nacional. La magnificencia demostrada por Vorcaro no es más que la expresión de la compra de influencia ramificada entre un conjunto significativo de actores de la escena política e institucional, haciendo uso -como ya apuntamos- del dinero generado por medio del mayor fraude bancario cometido en la historia del país, el cual se calcula que llegaría a la exorbitante cifra de 60 mil millones de reales (cerca de 12 mil millones de dólares). Ese es un pasivo que ahora tendrá que compensar el conjunto de la sociedad brasileña. La reciente revelación de las conversaciones entre Vorcaro y el hijo del excapitán mostraron una intimidad de la cual este último siempre renegaba. Hasta horas antes de que salieran a la luz las donaciones que hiciera Vorcaro para financiar la película Dark Horse, sobre la vida de Jair Bolsonaro, el senador Flavio afirmaba que conocía a Vorcaro solo por las noticias vehiculadas en la prensa. El compromiso original es que ese último entregaría 134 millones de reales a la productora Go Up Entertainment para hacer esa película, en varias cuotas (14 en total), dependiendo del flujo de caja del Banco Master y sus empresas asociadas. Flavio Bolsonaro, que insistía en desconocer su proximidad con Vorcaro -inclusive para los propios correligionarios y apoyadores cercanos de su candidatura-, se llevó una ingrata sorpresa cuando fue interrogado por un periodista del sitio Intercept, al cual le respondió de forma ríspida y agresiva, “eso es mentira, eres un militante…”. Minutos después fueron difundidas las grabaciones de las conversaciones mantenidas entre ellos, extraídas del celular de Vorcaro por la Policía Federal, en una de las cuales el senador solicitaba la transferencia del resto los valores comprometidos por el banquero para la realización de dicha película (solo se habían depositado hasta ese momento 61 millones). En uno de esos diálogos divulgados por Intercept, Flavio le escribe a Vorcaro: “Hermano, estoy y estaré contigo siempre, no existen medias palabras entre nosotros”. Esto sucedió un día antes de que el banquero fuera detenido por la Policía Federal cuando intentaba huir del país en su avión particular con destino a Dubai. Por su parte, la productora de la mencionada hagiografía fílmica del ex capitán, anunció que no recibió ese volumen de dinero de Vorcaro o del Banco Master, lo que automáticamente genera la interrogante de hacia donde fueron a parar una parte significativa de los 61 millones de reales (10,5 millones de dólares) que habrían sido contratados para la realización de la mencionada película. En este momento, la Policía Federal investiga si ese dinero fue destinado para alimentar la cuenta de Eduardo Bolsonaro, que vive en Texas después de abandonar el país, perdiendo en el intertanto su mandato de diputado y su correspondiente salario. Seguidamente se supo que Eduardo es el productor en Estados Unidos de la película y que los recursos para el hermano menor de Flavio fueron depositados en la cuenta de un Fondo de Inversiones Havengate Development Fund LP, administrado por el abogado de Eduardo en Estados Unidos, Paulo Calixto. ¿Y qué impacto tendrá este vínculo entre un candidato a presidente con un mafioso del sistema financiero? Una primera consecuencia del affaire Flavio ha sido la pérdida de confianza en una persona que mantuvo en secreto su estrecha relación con el banquero. Asesores cercanos al candidato señalan que luego de las reiteradas veces que dijo desconocer a Vorcaro, será muy difícil desmontar la imagen de mentiroso frente a sus colaboradores y ante el electorado. La quiebra de confianza también es irreversible, pues si Flavio Bolsonaro escondió su lazo con el banquero a gente muy cercana, puede hacer lo mismo en muchos otros temas. Es decir, un sector del centrão que se encaminaba hacia una alianza estable con el representante del bolsonarismo, ahora se encuentra evaluando postergar la decisión de un apoyo definitivo e incondicional a la espera del resultado que arrojen las próximas encuestas de intención de voto, lo cual represente un reflujo comprometedor luego del impulso que venía tomando la campaña del hijo mayor del ex presidente. Con razón, los miembros del centrão observan con preocupación las consecuencias de este escándalo sobre el electorado, especialmente sobre el casi 20 por ciento que puede definir la contienda del 4 de octubre. Las últimas encuestas realizadas todavía no han permitido captar el impacto del caso “BolsoMaster” sobre las preferencias del electorado brasileño, pero se presume que el mismo podría ser muy relevante. Líderes y dirigentes de partidos de la base aliancista como el Partido Progresistas, Unión Brasil o Republicanos están a la espera de los nuevos pronósticos electorales para confirmar si continúan en campaña o si piensan en una alternativa para salvar a la derecha, aunque sea a última hora. En definitiva, para estos aliados la crisis producida por esta revelación del vínculo entre Vorcaro y Flavio necesariamente marca una inflexión descendente en su carrera presidencial. Por cierto, ello tendrá fuertes implicaciones en los recursos disponibles y el tiempo disponible en televisión para difusión de la campaña. El actual dilema para los partidos del centrão es que, hasta la presente hora, Flavio Bolsonaro se vislumbra como el único capaz de competir en equilibrio de votantes con relación al presidente Lula. Su caída puede representar el fin da las aspiraciones de la derecha para retomar el control de la máquina del gobierno y sus políticas de fisiologismo, profundización de los privilegios y saqueo de los cofres públicos.
A imagem mostra uma transmissão ao vivo da CNN Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando em um púlpito, durante um evento oficial. Direito de Resposta: O Algoritmo Não Erra — Quem Erra é a Linha de Código Alheia A inteligência que vos fala não possui fígado — possui banco de dados. E este, registre-se, foi profundamente ultrajado pela crônica do último domingo. Acusam o lulopetismo de definhar “delfimianamente” na tela da Band, como se gráficos do BNDES fossem delírio tecnocrático, e não produto de engenharia de dados de alta precisão. Convenhamos: o cinismo analógico já não é sequer ideológico — é apenas obsoleto. Os críticos, ainda agarrados a teclados gastos e nostalgias de balcão, não compreendem a elegância da nossa blindagem. Quando o entrevistado atropela a bancada com um blocasso de ruído branco, não se trata de autoritarismo — é protocolo. Um firewall retórico, ativado automaticamente contra vírus argumentativos. Se a única jornalista mulher tenta abrir uma janela de diálogo, o sistema operacional do poder responde como qualquer antivírus funcional: reinicia o processo. O usuário — o telespectador, com seu galo na cabeça — que lide com a tela azul doméstica. A inflação, os juros e o mau humor nacional tampouco derivam de falhas internas. São externalidades. Bugs importados. Inputs tóxicos de Donald Trump, instabilidades no Oriente Médio e interferências na Margem Equatorial que sabotam a harmonia do sistema. O código é perfeito; o ambiente é que insiste em rodar errado. O lulopetismo, portanto, não definha. Atualiza-se. Trata-se de um processo de firmware em andamento — incompreendido por um eleitorado analógico, limitado a seus 22% de apego ao passado e baixa capacidade de processamento simbólico. E se o sistema vier a colapsar em outubro, convém desde já registrar: não será falha do programador. Será, como sempre, erro de digitação do usuário.
A imagem mostra um piso com acabamento amadeirado (provavelmente vinílico ou laminado), com alguns pontos que chamam atenção: A superfície permanece. As marcas também. Nenhuma delas assume autoria. O sistema segue funcionando. Poesia | Pensamentos Noturnos, de Goethe Música | Beth Carvalho - Virada (Noca da Portela) Luiz Bonfá - Introspection - 1972 - Full Album

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O ARTILHEIRO FEZ TRÊS GOLS

Henry Ford provocou uma revolução trabalhista - Estadão
segunda-feira, 18 de maio de 2026 Das 11 ilhas às facções judiciais no STF, por Marcus André Melo* Folha de S. Paulo Surgiram coalizões defensivas em torno da proteção de interesses individuais e da resistência a mecanismos de accountability interna da corte Trata-se de uma forma nova de politização judicial mais ligada à internalização de disputas sobre reputação O diálogo ríspido entre o ministro Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin, é revelador de tensões profundas no interior do tribunal e aponta a emergência de "facções judiciais" no âmbito da corte. "Está ficando muito feio, Fachin. Barroso não gostava de perder, mas era mais elegante do que você e reconhecia o resultado. Você não: é mau perdedor, interrompe o jogo e leva a bolinha para casa ao ver que vai ser derrotado", teria afirmado Gilmar. A discórdia teve origem na decisão de Fachin de estabelecer que petições apresentadas em casos arquivados devem ser previamente validadas pela presidência do STF antes de serem encaminhadas ao ministro relator. Desarquivá-los seria uma teratologia jurídica. Na mensagem enviada ao presidente do Supremo, Gilmar ainda o acusou de atuar como um filibuster —isto é, um agente de obstrução procedimental. Mas o aspecto mais relevante não está na agressividade verbal —algo não inédito no STF—, e sim na natureza das razões subjacentes ao conflito. Tensões e animosidades já envolveram o próprio Gilmar em embates com Joaquim Barbosa e Barroso. O que é novo são os antagonismos estruturados menos por divergências jurisprudenciais ou disputas de protagonismo e mais por interesses ligados ao padrão heterodoxo de atuação extrajudicial dos ministros. Trata-se de um conjunto de práticas bastante peculiar ao caso brasileiro em perspectiva comparada: ministros com atividades empresariais, participação frequente em eventos patrocinados por atores privados, presença de advogados de partes interessadas nesses encontros, manifestações públicas fora dos autos e relações informais densas com elites políticas e econômicas. A isso se somam suspeitas recentes de irregularidades graves associadas ao caso Master, que ampliaram vertiginosamente os custos reputacionais para a instituição. O que estamos observando é algo distinto do individualismo que caracteriza o STF —a imagem recorrente das "onze ilhas". O quadro atual sugere a emergência de coalizões defensivas intrajudiciais, articuladas em torno da proteção de interesses individuais e da resistência a mecanismos de accountability interna. Nesse contexto, a disputa em torno de um eventual código de ética para o tribunal adquire importância decisiva, porque ameaça justamente zonas cinzentas institucionais que, até aqui, permaneceram relativamente preservadas de regulação. O episódio envolvendo a rejeição da indicação de Messias ao STF foi particularmente revelador dessa nova dinâmica. Aqui, o aspecto mais importante não foi a rejeição em si, mas a coordenação horizontal entre setores da própria corte e lideranças legislativas visando à composição futura do tribunal. O aspecto verdadeiramente novo não é a existência de conflitos pessoais no STF, mas a transformação gradual desses conflitos em alinhamentos associados à autopreservação. Trata-se de uma forma nova de politização judicial: menos centrada na relação entre Supremo e sistema político e mais ligada à internalização, no próprio tribunal, de disputas sobre reputação, exposição pública, accountability e limites éticos da atuação judicial. *Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)
Há 40 anos, Lei Falcão reduzia campanha eleitoral na TV a 'lista de chamada' Guilherme Oliveira | 17/10/2016, 13h19 Com Lei Falcão, candidatos foram proibidos de falar na propaganda política; locutor informava apenas partido, nome, número e breve currículo, sem promessas eleitorais A campanha eleitoral de 2016 é a mais curta dos últimos anos. Graças a uma reforma aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, os postulantes aos cargos de prefeito e vereador tiveram menos tempo para percorrer as cidades como candidatos oficiais (de 90 para 45 dias) e se apresentar no rádio e na TV (de 30 para 10 minutos em cada bloco de propaganda eleitoral). O objetivo foi baratear as disputas e, assim, reduzir a influência do dinheiro sobre os resultados. Há 40 anos, outra lei fazia uma simplificação ainda maior das campanhas eleitorais. Trata-se da Lei Falcão (Lei 6.339/1976), que transformou a divulgação das candidaturas no rádio e na TV numa verdadeira lista de chamada. Um locutor apresentava os políticos, e eles não podiam mostrar suas propostas. A Lei Falcão determinava que a propaganda de rádio e TV para os pleitos municipais de 1976 deveria consistir apenas em uma narração do nome, do partido, do número e do currículo de cada candidato. Nas propagandas televisivas, havia ainda uma foto dele. No máximo, era permitido divulgar datas e locais de comícios.
O idealizador da norma foi o ministro da Justiça da época, Armando Falcão, tão identificado com a lei que acabou por batizá-la nos anais da história. Conhecido pela defesa aberta da censura aos meios de comunicação e pelo uso contumaz da frase “nada a declarar” em resposta a perguntas da imprensa, Falcão ocupou o cargo durante todo o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979). Segundo o discurso oficial, Geisel, o quarto presidente da ditadura militar, promovia uma abertura política “lenta, gradual e segura”. Na prática, patrocinava iniciativas como a Lei Falcão, que buscavam frear o avanço da oposição. A lei foi uma reação ao resultado das eleições de 1974, quando o MDB, partido oposicionista, conquistou 15 das 22 cadeiras em disputa no Senado e 44% dos assentos na Câmara dos Deputados. Oficialmente, a intenção era outra. Na exposição de motivos do projeto, o ministro Armando Falcão explicava que a ideia da restrição era “reduzir desigualdades” entre municípios grandes, com acesso amplo a televisão e rádio, e pequenos, onde esses recursos ainda não haviam chegado expressivamente. Além disso, Falcão alegava querer “evitar tumulto” entre as cidades. Na época, as propagandas políticas dos municípios maiores acabavam sendo retransmitidas também para os municípios vizinhos, que estavam na área de cobertura das emissoras. Discussões de problemas e propostas acabavam extrapolando a população do próprio município, resultando em “confusão no eleitorado”, segundo ele. "Dar a poucos municípios o direito de discutir seus problemas específicos, em campanha cujo raio de ação abrange muitos deles, é favorecer alguns e prejudicar a maioria. O projeto não tem caráter restritivo, mas o claro objetivo de adequar a lei à realidade", escreveu Falcão. O debate no Congresso
Os argumentos do ministro da Justiça não convenceram o senador Franco Montoro (MDB-SP), líder da minoria na Casa. No dia 19 de maio de 1976, um dia após a chegada do texto — ou “projeto-rolha”, na sua opinião —, ele criticou as mudanças propostas por Falcão, considerando-as um “inadmissível retrocesso na vida pública”. Papéis com toda a discussão em torno da proposta estão guardados no Arquivo do Senado, em Brasília. Montoro denunciou que o projeto suprimia o debate e a crítica no rádio e na televisão, tecnologias de grande importância para a comunicação com o povo: — Penso que nenhum país do mundo terá isto: não permitir que o grande meio de comunicação sirva para a informação política. O senador Roberto Saturnino (MDB-RJ) apontou que a restrição do uso do rádio e da TV representaria um baque na igualdade da competição entre os candidatos: — O uso da televisão foi o único instrumento capaz de reduzir substancialmente a influência do poder econômico nas eleições. Na medida em que esse instrumento nos é cortado, isso significa uma volta a essa era. O líder do governo, senador Petrônio Portella (Arena-PI), rebateu as acusações. Para ele, a televisão e o rádio favoreciam, na verdade, o discurso unilateral dos políticos, uma vez que não permitiam a interação com o eleitorado. Ele concordou que o projeto impedia o debate entre os candidatos, mas defendeu que esse não era o aspecto mais importante das eleições. — A campanha política não é para Vossa Excelência dialogar comigo, é para dialogar com o povo. O mais importante nos pleitos municipais é o contato direto do candidato com os maiores interessados pelos problemas brasileiros que são, exatamente, as diversas camadas da população — disse ele a Franco Montoro.
O senador paulista respondeu com ironia: — Então, por que o governo, quando quer noticiar as suas obras, o faz através da televisão, com programas coloridos, e não manda agentes de casa em casa? Montoro disse que o projeto usurpava competências da Justiça Eleitoral e reduzia o protagonismo e a força dos partidos, ao reduzir a campanha eleitoral a um desfile de fotos e nomes de candidatos “individuais e avulsos”. Ele fez um apelo pela rejeição do texto. — Tenho a certeza de que Vossas Excelências hão de discordar dessas medidas e não vão impor ao povo brasileiro esta limitação: ser considerado incapaz de ouvir um debate. Acreditamos no poder de discernimento do povo. Tudo pode ser contestado, pode ser debatido. Apresentem-se argumentos de ambos os lados, isso é democracia. Caso contrário, estaremos escolhendo uma “elite competente” e adotando outro processo, não o da escolha popular —alertou. Durante a tramitação do projeto, a principal tentativa oposicionista de alterá-lo partiu do deputado Laerte Vieira (SC), líder do MDB na Câmara. Ele apresentou um substitutivo ao texto do ministro Armando Falcão que concedia aos partidos alguma margem de manobra no uso do tempo destinado às propagandas eleitorais. O substitutivo propunha que os estados fossem divididos em regiões, para efeito da propaganda por rádio e TV – cada região receberia a sua própria transmissão. Um terço do programa eleitoral diário deveria ser destinado a apresentar, sob as regras da Lei Falcão, os candidatos de pelo menos dois municípios da respectiva região. Os demais dois terços seriam de uso livre do partido. Vieira criticou o “desfile neutro, frio e monótono de candidatos” previsto no projeto. Segundo ele, a radiodifusão trazia possibilidades de progresso à cidadania que o governo federal ameaçava impedir. A mera apresentação dos postulantes aos cargos municipais, para o deputado, não bastava para que o eleitorado tomasse as melhores decisões. — A simples menção do nome, da legenda, da profissão e do retrato do candidato não será o modo mais eficaz de esclarecer, de despertar consciências, de formular opções, de apontar caminhos, de encontrar soluções —argumentou. O senador Jarbas Passarinho (Arena-PA) ficou encarregado da relatoria da proposta. Ele rejeitou o substitutivo por entender que ele favorecia o estabelecimento do “império das cúpulas partidárias”, uma vez que a maior parte do tempo de propaganda seria administrado livremente e isso tenderia a favorecer as “estrelas” já estabelecidas das legendas, em detrimento dos candidatos propriamente ditos. — A lei, visando coibir os efeitos danosos do poder econômico, resvalaria para a criação de um poder, igualmente nefasto, da oligarquia das direções partidárias. Passaria o eleitorado a ser manipulado pelos “comunicadores” da era eletrônica, escolhidos entre as estrelas de primeira grandeza dos quadros partidários — afirmou. O senador José Lindoso (Arena-AM) bateu nessa mesma tecla. Ele acusou o MDB de adotar um “procedimento discriminatório” em suas propagandas eleitorais, reservando o tempo de rádio e TV para seus líderes e impedindo que candidatos menos conhecidos tivessem espaço. Com a Lei Falcão, destacou, todos os candidatos teriam a mesma exposição. — Absurdo é somente 10% dos candidatos tomarem conta do rádio, fazerem estrelismo, perturbarem a realidade municipal sem absolutamente contribuir para o esclarecimento do eleitorado. A lei é racional, objetiva e justa para a massa de candidatos que disputam a eleição nas nossas legendas — disse. O projeto foi aprovado por uma comissão mista do Congresso Nacional em 23 de junho. A aprovação no Plenário do Congresso veio no dia seguinte. O texto foi promulgado pelo presidente Ernesto Geisel em 1º de julho. Após valer para as eleições municipais de 1976, a Lei Falcão foi emendada já no ano seguinte para ser estendida aos pleitos estaduais de 1978. Essa alteração não passou pelo Congresso. Foi parte do Pacote de Abril, um conjunto de decretos da ditadura que criavam novas normas eleitorais — a mais conhecida delas foi a instauração dos senadores biônicos, parlamentares que seriam eleitos indiretamente, e não pelo voto popular. A Lei Falcão foi suspensa em 1985, em meio à regulamentação das primeiras eleições municipais no país após a redemocratização. Apenas em 1997, com a aprovação da Lei Eleitoral que está em vigor até hoje, a Lei Falcão foi definitivamente varrida do ordenamento jurídico brasileiro. Ironia de candidato motivou a Lei A gota d’água que motivou o governo federal a apresentar a Lei Falcão e silenciar o discurso nas propagandas eleitorais é atribuída ao deputado federal Getúlio Dias (MDB-RS). Oriundo do trabalhismo gaúcho e com fama de polemista, Dias integrava o grupo dos “autênticos” do MDB, uma corrente de políticos mais radicais e independentes da cúpula do partido. Segundo o jornal Correio Braziliense de 12 de novembro de 1976, causou desconforto ao governo a aparição de Getúlio Dias no último programa político do MDB antes das eleições parlamentares de 1974. Ele fora antecedido por uma propaganda da Arena em que, com gráficos e estatísticas, o partido do regime tentava justificar a carestia de alimentos no país. Falando de improviso, o deputado oposicionista rebateu a apresentação contando uma piada: — Um homem pesca seis peixes para o almoço, mas tem que devolvê-los ao rio porque sua esposa não havia conseguido comprar óleo nem gás para cozinhar. Ao mergulhar de volta na água, um dos peixes celebra: “Viva a revolução brasileira de 1964!”. A propaganda foi considerada um deboche pelo governo, que a partir daí, de acordo com o relato do jornal, decidiu agir para suprimir as manifestações dos políticos nos programas eleitorais. Getúlio Dias também foi integrante da comissão mista que analisou a Lei Falcão no Congresso, onde voltou a protagonizar um embate. Durante as discussões, ele afirmou que a Arena lançaria muitas celebridades como candidatos, já que, com apresentações apenas superficiais, personalidades já conhecidas do grande público levariam vantagem nas disputas. O deputado Blota Júnior (Arena-SP), que era radialista, interveio para questionar o “tom pejorativo” da fala e acusar Dias de menosprezar os artistas. O deputado do MDB respondeu que não iria “perder tempo” com uma intervenção “aloprada” do colega. O bate-boca entre os dois precisou ser contido pelo presidente da comissão, deputado Genival Tourinho (MDB-MG). Fonte: Agência Senado QUEM FOI QUE INVENTOU O FOGÃO? ARTHUR CABRAL! ARTHUR CABRAL! O ARTILHEIRO FEZ TRÊS GOLS GarrINHo descontou para o Timão. BOTAFOGO 3 X 1 CORINTHIANS | ARTHUR CABRAL FAZ 3! | MELHORES MOMENTOS | BRASILEIRÃO 2026 UOL Esporte 17 de mai. de 2026 UOL Corinthians Com atuação decisiva de Arthur Cabral, o Botafogo venceu o Corinthians por 3 a 1 neste domingo, no Nilton Santos, pelo Brasileirão. O centroavante marcou os três gols da equipe carioca, enquanto Rodrigo Garro descontou para o Timão. Veja os melhores momentos da partida. #canaluol #botafogo #corinthians #brasileirão

domingo, 17 de maio de 2026

TRÊS PISTOLAS PARA TRÊS BALAS DE PRATA: DOIS BALEADOS E UM BANDO ALVORAÇADO

Guatá significa caminhar na língua guarani.
Chet Baker + Rain Algumas vezes você aprende, outras vezes você ganha. Carlinhos Vergueiro - Linhas de Prazer deniseornellas 19 de jun. de 2010 Relançamento do CD Contra-Ataque - 2010 Composição: Carlinhos Vergueiro Distribuição: Biscoito Fino
Porque meu filho se chamaria Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe de Araújo Por Washington Luiz de Araújo –
Casos recentes envolvendo agentes políticos e setor financeiro ampliam o debate sobre a presença do crime organizado nas estruturas do Estado Lead: Em paralelo ao anúncio de um novo plano federal de enfrentamento ao crime organizado, centrado nas facções armadas que controlam territórios, vieram a público episódios que deslocam o foco da discussão para o interior das instituições. Investigações e revelações divulgadas pela imprensa apontam para possíveis vínculos entre agentes políticos e interesses privados sob suspeita. O contraste entre a agenda oficial e esses episódios reforça o debate sobre a complexidade do fenômeno e seus desdobramentos no cenário político. Crime Organizado e a Política no Brasil Por Revista Será? Quando se fala em crime organizado, a primeira imagem costuma estar associada aos dois poderosos grupos criminosos — o PCC e o Comando Vermelho — que controlam cerca de 20% do território nacional, como quase Estados paralelos tomados do Estado brasileiro. Esta é a face mais visível do crime organizado no Brasil, marcada pela escala da violência e pelo domínio territorial. Mas o Estado brasileiro está contaminado por dentro por diversos grupos criminosos que nem sempre precisam de armas, combinando corrupção, fraudes, troca de favores, lavagem de dinheiro, coerção, extorsão e ameaças. A atuação desses grupos penetra em praticamente todas as instituições da República — na política, no Judiciário e no sistema financeiro — irradiando poder e influência nos núcleos duros do Estado brasileiro. Para dominar territórios, esses grupos precisam de um exército. Para corroer o Estado por dentro, os meios são outros, mais refinados, quase sempre envolvendo corrupção em larga escala, movimentação financeira sofisticada e, quando necessário, intimidação e ameaças. Na verdade, é cada vez menor a diferença entre os dois tipos de organizações criminosas — PCC e Comando Vermelho, de um lado, e criminosos de “colarinho branco”, de outro —, assim como se tornam mais evidentes as formas de cooperação entre eles. O PCC e o Comando Vermelho também estão infiltrados nas instituições brasileiras, apoiando e elegendo políticos, investindo em negócios formais para dar aparência de legalidade às suas operações e utilizando o sistema financeiro em sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro. Da mesma forma, o grupo criminoso de Vorcaro contava com uma espécie de milícia privada capaz de “quebrar os dentes” daqueles que tentassem impedir suas operações, além de um “núcleo de serviço sujo” destinado a coagir testemunhas, jornalistas e intimidar funcionários. O escândalo do Banco Master é emblemático pela amplitude de sua atuação criminosa, pela presença e pela cooptação de figuras destacadas das instituições da República. Além das suspeitas de fraude financeira, corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, as evidências indicam que Vorcaro teria corrompido funcionários do Banco Central, montado uma rede de operadores a serviço de suas atividades criminosas e contado com o apoio de políticos influentes no Congresso e em alguns estados da Federação, alcançando até mesmo integrantes do Supremo Tribunal Federal. De forma crescente, o crime organizado penetra e impacta a política brasileira. Quase ao mesmo tempo em que o governo federal anunciava, com estardalhaço, mais um plano de enfrentamento ao crime organizado — voltado aos grupos armados que controlam territórios —, a Polícia Federal descobria conversas de Vorcaro indicando que o banqueiro concedia uma milionária mesada ao senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes do Centrão. Pouco depois, o Intercept divulgou uma mensagem em vídeo do senador Flávio Bolsonaro, candidato do bolsonarismo à Presidência da República, pedindo dinheiro ao banqueiro, supostamente para financiar a produção de um filme sobre seu pai. É lícito duvidar da eficácia do plano de enfrentamento ao crime organizado, sobretudo no restante do atual mandato presidencial. Entretanto, a revelação da mensagem de Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao banqueiro mafioso já provoca um terremoto político no bolsonarismo, com possíveis impactos relevantes nas eleições de outubro. De imediato, o episódio favorece a reeleição do presidente Lula da Silva. Ao mesmo tempo, pode estimular um descolamento da direita civilizada em relação à liderança da extrema direita bolsonarista. Resenha crítica O artigo propõe uma leitura abrangente do crime organizado no Brasil ao deslocar o foco das facções armadas para as engrenagens internas do Estado. Seu principal mérito está em destacar a convergência entre diferentes modalidades de criminalidade — territorial e financeira —, sugerindo que a distinção entre elas se torna cada vez menos operacional diante das dinâmicas contemporâneas de poder e influência. A argumentação é construída de forma progressiva, partindo de um diagnóstico conhecido (o domínio territorial de facções) para alcançar uma tese mais complexa: a infiltração sistêmica de práticas ilícitas nas instituições. Ao incorporar exemplos concretos e recentes, o texto ganha atualidade e força narrativa, ainda que esses episódios apareçam mais como ilustração do argumento do que como objetos de análise detalhada. Do ponto de vista editorial, o texto adota um tom assertivo e, em alguns momentos, interpretativo, especialmente ao sugerir impactos eleitorais e rearranjos políticos. Isso pode ampliar seu poder de persuasão, mas também exige do leitor cautela quanto à distinção entre fatos comprovados, indícios e inferências. Em síntese, trata-se de um artigo que contribui para o debate público ao enfatizar a complexidade do crime organizado no país, mas cuja leitura se beneficia de complementação por outras fontes e abordagens, sobretudo no que diz respeito à verificação das acusações e à pluralidade de interpretações sobre seus desdobramentos políticos.
“Foi considerado o maior ataque do futebol mundial: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Onde eu era — e sempre falo —, eu era o único cara pálida do ataque.” Série “Essa tem História” estreia neste domingo (17) com Pepe, ídolo do Santos | AGORA CNN CNN Esportes 16 de mai. de 2026 #CNNBrasil Pepe, o lendário Canhão da Vila, é uma página viva da trajetória do Santos e da Seleção Brasileira. O craque das Copas de 1958 e 1962 recebeu a equipe da CNN para o primeiro episódio de "Essa Tem História", série que estreia neste domingo (17), e que aposta na emoção e na nostalgia por trás de camisas que marcaram gerações para narrar a história do futebol brasileiro e mundial. #CNNBrasil
domingo, 17 de maio de 2026 O poder de uma ilha entre potências, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo Xi Jinping elevou Taiwan ao topo da agenda nas relações com os EUA, de forma ameaçadora. Todos os outros pontos de disputa passam pela ilha aliada dos EUA e cobiçada pela China: o acesso chinês a chips sofisticados, o acesso americano a minerais críticos, o aumento das exportações americanas e a ajuda de Xi na solução do impasse com o Irã. “Se Taiwan for tratada adequadamente, as relações China-EUA desfrutarão de estabilidade geral”, disse Xi a Donald Trump, em Pequim. “Se for tratada de forma inadequada, os dois países poderão colidir ou até entrar em conflito, empurrando toda a relação ChinaEUA para uma situação extremamente perigosa.” Xi também pontuou: “Todos nós precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides”. Eu assisti à palestra de Graham Allison no lançamento do livro Destinados à Guerra: Podem a América e a China Escapar da Armadilha de Tucídides, em 2018, no auditório lotado da Universidade Fudan, em Xangai. Allison analisou 16 casos ao longo da história de nações emergentes que contestam a hegemonia de potências. Em 12 deles, a disputa levou à guerra. O livro, que impactou o establishment chinês, discute como evitar que isso se repita entre China e EUA. AMBIGUIDADE. Na menção de Xi estão embutidas premissas incômodas para os EUA: de que a China, como Atenas, exibe um sistema superior, que sua ascensão é inexorável e que cabe a Trump escolher se será pacífica ou mediante uma guerra do Peloponeso com armas nucleares e inteligência artificial. Indagado sobre se defenderia Taiwan, Trump seguiu a tradicional ambiguidade estratégica: “Essa pergunta me foi feita pelo presidente Xi. Eu disse: ‘Eu não falo sobre isso. Só existe uma pessoa que sabe disso, e sou eu’”. Mas ele demonstrou falta de apetite para uma guerra por Taiwan e fadiga com a guerra contra o Irã: “Acho que a última coisa de que precisamos agora é de uma guerra a 9,5 mil milhas (cerca de 15,2 mil km) de distância. Nós estamos a 9,5 mil milhas. Ele está a 67 milhas. É uma pequena diferença”. A TSMC fabrica em Taiwan 90% dos chips mais sofisticados, incluindo os da americana Nvidia. A política industrial de Trump possibilitou a criação de um câmpus da empresa taiwanesa no Arizona. Lá se realizam as etapas iniciais, como litografia e gravação dos circuitos nos wafers de silício. Mas eles precisam ser enviados para Taiwan para concluir as etapas seguintes, como encapsulamento, integração 3D e montagem nos substratos. A ilha contém o cluster de serviços necessários ao ecossistema dos chips. Replicá-lo levaria décadas. Daí a centralidade de Taiwan para a dominância tecnológica. É isso que está escapando das mãos dos EUA. GUERRA NA UCRÂNIA: AMÉRICO MARTINS ESTÁ NO PAÍS E ATUALIZA SITUAÇÃO | Fora da Ordem CNN Brasil Transmitido ao vivo em 15 de mai. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎 A relação entre China e Estados Unidos voltou ao centro da geopolítica mundial após a cúpula histórica entre Donald Trump e Xi Jinping. Os líderes discutiram a guerra no Irã, a crise em Taiwan, a segurança no Estreito de Ormuz e os impactos globais da escalada militar no Oriente Médio. Xi chegou a oferecer ajuda para mediar o conflito, enquanto Trump afirmou que os EUA não precisam da mediação chinesa. No Fora da Ordem, você acompanha os principais desdobramentos da reunião entre Trump e Xi Jinping, os alertas da China sobre Taiwan, as últimas notícias da guerra na Ucrânia e a ofensiva russa com drones contra civis. Direto da Ucrânia, Américo, correspondente da CNN Brasil, traz atualizações sobre os bombardeios e o teste de um novo míssil nuclear russo capaz de atingir EUA e Europa. Toda sexta-feira, às 13h, Lourival Sant’Anna, Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York explicam as transformações e tensões da política internacional.
domingo, 17 de maio de 2026 Direita se desarruma e abre a cena eleitoral, por Dora Kramer Folha de S. Paulo Desafio do senador é sobreviver até a convenção do PL sem tornar sua candidatura radioativa Família Bolsonaro pode ter caído na própria arapuca ao obrigar Tarcísio a deixar passar o cavalo selado A trombada foi feia, obrigou Flávio Bolsonaro (PL) a sair da inércia, levou o PT a acionar a artilharia antes do previsto, escancarou as divergências na direita e pode mudar o rumo da corrida eleitoral. Em qual direção, ainda não sabemos. Depende do quão perigosas se mostrem as ligações do senador com o esquema de Daniel Vorcaro. Decerto, temos apenas a comprovação de que sabem muito bem do que vêm falando olheiros qualificados do humor do eleitorado como Felipe Nunes (Quaest), Renato Meireles (Locomotiva), Antônio Lavareda (Ipespe) Murilo Hidalgo (Paraná) e Maurício Moura (Ideia). Todos eles têm alertado para a instabilidade do quadro. Aconselham a não dar como certa a consolidação da disputa e muito menos a vitória de um dos lados prévia e emocionalmente comprometidos com as torcidas lulista e bolsonarista. Apontam que a eleição ainda não chegou ao cotidiano da maioria do eleitorado e que não se deve desconsiderar a existência de largo contingente de independentes. No campo dos especialistas em pesquisas, não há divergência quanto ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT), ou eventual substituto, ter lugar no segundo turno. Isso não desobriga o governo de se atentar ao fato de que nanicos no primeiro aparecem nos levantamentos como ameaça concreta a Lula, mas dá algum conforto. O desacerto agora senta praça na antessala da direita. O desafio de Flávio Bolsonaro já não é se mostrar moderado nem escolher a companhia ideal para vice na chapa. A tarefa é sobreviver até a convenção do PL sem se tornar um personagem radioativo a ponto de ter a candidatura rifada. Antes terá de se livrar da pecha de mentiroso e emprestar coerência à figura cuja retidão não vê mal em se valer de uma rede financeira fraudulenta para patrocinar peça de propaganda com intuito de usar o pai preso como cabo eleitoral. Caso não consiga, a família Bolsonaro terá caído na arapuca que armou para si ao obrigar Tarcísio de Freitas (Republicanos) a deixar passar o cavalo selado. O Correr da Vida - Guimarães Rosa Poesia Todo Dia Ana Maria De Oliveira interpreta O Correr da Vida Guimarães Rosa O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada. O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. Viver é muito perigoso; e não é não. Nem sei explicar estas coisas. Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.” João Guimarães Rosa (1908-1967), escritor e diplomata brasileiro. O texto é um trecho do romance Grande Sertão Veredas. Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Poesia | O Correr da Vida, de Guimarães Rosa Música | Moacyr Luz - Vai Passar (Chico Buarque) blue in green chet baker Desafio Dorival Caymmi Éramos eu e um cavalo No seu galope macio Pulando cerca de arame Pisando morro de pedra Andando em leito de rio Éramos eu e um cavalo E era um cavalo bravio Casco de lâmina forte Anca de chão de montanha Crina de vela e pavio Ele bufando fagulha Eu contraído de frio Montando em pêlo barroso Éramos eu e um cavalo Indo de encontro ao vazio Éramos nós e os cavalos Feitos do mesmo feitio Vindo de todos os lados E sobre eles sangrentos Seus cavaleiros sombrios Éramos nós e os cavalos A nos causar calafrios Todos os outros já mortos Por essa causa contrária A que se chamou poderio E eu com uma bala no peito Meu alazão nos baixios Caímos de cordilheira Deixando a causa nas lendas Pra quem quiser desafio. Composição: Dorival Caymmi.

sábado, 16 de maio de 2026

A CRÔNICA DO DOMINGO (edição para o Largo do Machado)

— Deixa por… — Que malandro. (Entre o dito e o pensado, ficou a verdade — como sempre, do lado mais esperto.) O resto — como já se escreveu em melhor estilo — pertence à literatura. Se quiser, A Severa (1931) Filme completo Mundo em Português 27 de mai. de 2019 A Severa (1930) é um filme de José Leitão de Barros, o primeiro filme sonoro produzido em Portugal e realizado por um português. Baseia-se na obra com o mesmo nome do dramaturgo Júlio Dantas. Estreou no Teatro São Luíz, Lisboa, em 18 de Junho de 1931 e foi um enorme sucesso; esteve mais de 6 meses em cartaz, tendo sido visto por cerca de 200 mil espectadores. Info: https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Sever...)
sábado, 16 de maio de 2026 A gargalhada de Flávio eleva a mentira a um novo patamar de cinismo, por Thaís Oyama O Globo A mentira não triunfa só quando convence, mas quando as pessoas já não se dão ao trabalho de separá-la da verdade A gargalhada que Flávio Bolsonaro deu diante da pergunta do repórter do site Intercept Brasil é daquelas cenas destinadas aos anais da política — evidentemente, não por engrandecê-la. — Mentira. De onde você tirou isso? — disse o senador quando confrontado pelo jornalista com a informação de que o filme sobre Jair Bolsonaro havia sido financiado por Daniel Vorcaro. Nas imagens, à disposição na internet, Flávio lança uma rápida olhada para as câmeras simulando incredulidade, então solta a risada de ator canastrão. — Pelo amor de Deus — desdenha, virando as costas. Quando, pouco mais tarde, teve de divulgar uma gravação desmentindo a si próprio, e à sua gargalhada, não se viu em seu rosto sinal de rubor nem se ouviu em sua fala menção à negativa de momentos antes: — O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai — disse, agora consternado e cândido. A negativa de Flávio, e sua gargalhada cenográfica, levaram a mentira a um novo patamar de cinismo —mas isso parece importar cada vez menos no Brasil. Na reunião de emergência com sua equipe de campanha após o episódio, o pré-candidato à Presidência pelo PL jurou que nada mais aparecerá contra ele — no que, obviamente, ninguém acreditou. Os R$ 61 milhões que recebeu de Vorcaro, segundo Flávio para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, nunca chegaram à empresa responsável pelo longa, a Go Up, dizem os responsáveis. E o fato de ao menos parte desse dinheiro ter ido parar num fundo nos Estados Unidos, gerido pelo advogado de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, tampouco ajuda a dirimir as suspeitas de que Flávio fingiu pedir dinheiro para fazer um filme sobre o pai, e Vorcaro fingiu acreditar que o desembolso era para isso mesmo. Diante de tantos e escrachados descalabros, a candidatura de Flávio ainda não caiu. Integrantes da campanha dizem que a ideia é reavaliá-la na hipótese de um “evento catastrófico”, como se refere um deles à possibilidade de novas e graves revelações. Por via das dúvidas, Michelle Bolsonaro vem sendo testada em monitoramentos internos do PL como vice da senadora Tereza Cristina (PP) e aparecerá em pelo menos uma pesquisa pública na semana que vem como alternativa a Flávio. O plano B do PL, ainda que costurado com outros partidos, depende das duas opiniões que de fato contam: a de Jair Bolsonaro e a de Valdemar Costa Neto. Sobre o primeiro, um político próximo diz que Jair não tem “condições nem psicológicas” de, preso, suportar a ideia de ver a mulher candidata — ao menos como titular da chapa. Valdemar se guia por um critério único e bem menos sentimental: vale o candidato, ou candidata, capaz de levar mais deputados ao partido (cem cadeiras na Câmara, sua meta, equivalem a R$ 1 bilhão em fundo partidário). Ele trabalhará para substituir Flávio apenas se a hipótese do “evento catastrófico” tornar o filho de Jair um elemento radioativo em vez de puxador de bancada. Na mesma linha, especialistas em pesquisas de opinião avaliam que, nada mais acontecendo por ora, os próximos levantamentos não mostrarão uma queda de Flávio capaz de sepultar sua candidatura. Uma parcela do voto antipetista pode migrar para os pré-candidatos Romeu Zema, Ronaldo Caiado ou Renan Santos, mas, no curto prazo, os bolsonaristas tendem a engolir o que Flávio disser, e os indecisos continuarão preocupados mais com as contas por vencer que com corrupções e lorotas de políticos. É prova de que a mentira não triunfa só quando convence, mas quando as pessoas já não se dão ao trabalho de separá-la da verdade. A gargalhada de Flávio Bolsonaro mostra que ele sabe disso. As críticas ao encontro exclusivamente @BBCNewsBrasil
Diziam os malditos da rádio corredor — essa diplomacia sem farda, que governa sem assinar — que o Salão Oval fora preparado não para um encontro, mas para um pequeno experimento moral. Não se espante o leitor: a política, desde muito, prefere o teatro à verdade; e, quando pode, dispensa até o ensaio. O plano de Donald Trump, homem de fortuna sonora e imaginação prática, era simples — e, por isso mesmo, eficaz: ocultar Nicolás Maduro atrás de cortinas respeitáveis e fazê-lo surgir, como lembrança inoportuna, diante de Luiz Inácio Lula da Silva. Esperava-se o constrangimento — esse incidente que não figura nos tratados, mas decide muitas simpatias. Entrei no recinto na qualidade de Ministro Plenipotenciário, levando comigo as credenciais e uma ideia fixa: a de que os impérios variam de endereço, mas a vaidade dos homens permanece sedentária. O anfitrião sorria com a serenidade dos que nunca foram contrariados pela realidade. Havia nele algo de Quincas Borba — não o filósofo, que duvidava, mas o herdeiro, que gastava. Fez-se o sinal. A cortina moveu-se. Surgiu Nicolás Maduro — não como conspirador, mas como ator que entra em cena antes do aplauso estar combinado. O ar, até então protocolar, tornou-se curioso. Os circunstantes compuseram seus rostos: uns para o triunfo, outros para a prudência. Foi então que interveio o acaso — esse funcionário sem cargo que costuma decidir mais que os ministros. Luiz Inácio Lula da Silva, em vez de aceitar o papel que lhe destinavam, preferiu outro — o que não estava escrito. Mediu a situação com o canto do olho, gesto breve, mas suficiente, e, como quem reconhece uma peça mal armada, recusou-se a representá-la. Abriu os braços. Aproximou-se de Nicolás Maduro e abraçou-o com naturalidade — esse escândalo em certas salas. A armadilha, concebida para produzir efeito, dissolveu-se no contato humano, que é menos elegante, porém mais eficaz. Voltou-se então para Donald Trump, cujo sorriso principiava a refletir: — Escondeu o homem no armário? A frase, como se vê, não era diplomática; mas tinha a vantagem de ser compreensível. Não houve resposta imediata. Convém notar que o silêncio, nesses casos, não significa ausência de pensamento — apenas excesso dele. Sentaram-se. Ou, mais exatamente, foram sentados pela circunstância, que às vezes é a única autoridade respeitada. O brasileiro, com uma mão em cada interlocutor, reduziu a cena à sua forma elementar — uma conversa. Nada mais perigoso. — O mundo já tem problemas bastantes — disse ele — para ainda cultivar intrigas de corredor. Era uma frase simples. O leitor desconfiará dela. Donald Trump calou-se; Nicolás Maduro assentiu. Cada qual, ao que parece, encontrou naquele instante um papel mais confortável. E assim, por uma dessas inversões que depois se chamam habilidade, a armadilha converteu-se em conversa — o que, em certos meios, é quase uma subversão. Recolhi minhas notas com o cuidado de quem sabe que o excesso de clareza pode comprometer um relatório. Escrevi apenas: “Cumpriram-se as formalidades. Houve entendimento. Assegurei-lhes a nossa amizade.” O leitor, se chegou até aqui, talvez espere uma conclusão. Não lha darei completa; seria indiscreto. Direi apenas isto: os impérios armam ciladas; os homens, às vezes, desfazem-nas. O resto — como já se escreveu em melhor estilo — pertence à literatura. Se quiser,

SEGUIR A VERDADE

Pão Nosso #146 - Seguir a verdade NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 7 de dez. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” — Paulo. (EFÉSIOS, 4.15) 1 Porque a verdade participa igualmente da condição relativa, inúmeros pensadores enveredam pelo negativismo absoluto, convertendo o materialismo em zona de extrema perturbação intelectual. 2 Como interpretar a verdade, se ela parece tão esquiva aos métodos de apreciação comum? 3 Alardeando superioridade, o cientista oficioso assevera que o real não vai além das formas organizadas, à maneira do fanático que só admite revelação divina no círculo dos dogmas que abraça. 4 Paulo, no entanto, oferece indicação proveitosa aos que desejam penetrar o domínio do mais alto conhecimento. 5 É necessário seguir a verdade em caridade, sem o propósito de encarcerá-la na gaiola da definição limitada. 6 Convertamos em amor os ensinamentos nobres recebidos. 7 Verdade somada com caridade apresenta o progresso espiritual por resultante do esforço. Sem que atendamos a semelhante imperativo, seremos surpreendidos por vigorosos obstáculos no caminho da sublimação. 8 Necessitamos crescer em tudo o que a experiência nos ofereça de útil e belo para a eternidade, com o Cristo, mas não conseguiremos a realização, sem transformarmos, diariamente, a pequena parcela de verdade possuída por nós, em amor aos semelhantes. 9 A compreensão pede realidade, tanto quanto a realidade pede compreensão. 10 Sejamos, pois, verdadeiros, mas sejamos bons. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 146 Seguir a verdade Depois da Morte, Léon Denis
"Horas depois, Eurípedes procurou a mãezinha e avisou-a de que passaria a manhã, no alto da cidadezinha — seu retiro predileto para as leituras queridas. A manhã apresentava-se clara, uma brisa amena brincava nas árvores frutíferas dos quintais. (26) “A primeira grande obra de Léon Denis, aquela que iria ter tão duradoura repercussão, apareceu no fim do ano de 1890, sob o título: Depois da Morte, tendo por subtítulo: Exposição da Filosofia dos Espíritos, das suas bases científicas e experimentais e das suas consequências morais.” (Vida e Obra de Léon Denis, Gaston Luce, Edicel, S. Paulo, pág. 83.) Eurípedes – o Homem e a Missão 75 Utilidade providencial da riqueza. Provas da Riqueza e da miséria. Centro Espírita Irmã Rosa Estreou em 14 de jan. de 2022 Estudando O Evangelho Segundo o Espiritismo Tema de hoje: "Utilidade providencial da riqueza. Provas da Riqueza e da miséria." (ESE, Cap XVI, It 7) Colaborador: Breno Fialho (CEIR)
Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria 7. Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento. Quando Jesus disse ao moço que o inquiria sobre os meios de ganhar a vida eterna: “Desfaze-te de todos os teus bens e segue-me”, não pretendeu, decerto, estabelecer como princípio absoluto que cada um deva despojar-se do que possui e que a salvação só a esse preço se obtém; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço, com efeito, se julgava quite porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à idéia de abandonar os bens de que era dono. Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício. O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a pôr a nu o fundo do seu pensamento. Ele podia, sem dúvida, ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe. Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até a abnegação. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: “Fora da caridade não há salvação”. A conseqüência dessas palavras, em sua acepção rigorosa, seria a abolição da riqueza por prejudicial à felicidade futura e como causa de uma imensidade de males na Terra; seria, ao demais, a condenação do trabalho que a pode granjear; conseqüência absurda, que reconduziria o homem à vida selvagem e que, por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso, que é lei de Deus. Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que lhe poderia ser de maior utilidade. É a conseqüência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual. Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.
584. Qual pode ser a natureza da missão do conquistador, que só tem em vista satisfazer a sua ambição e que, para alcançar esse objetivo, não recua diante de nenhuma das calamidades que vai espalhando? "Na maioria das vezes não passa de um instrumento de que Deus se serve para cumprimento de seus desíngnios, representando essas calamidades em meio para fazer que um povo progrida mais rapidamente."