sábado, 6 de junho de 2026

A história parece uma coisa à toa, mas como é que ela soa quando começa a soar? A história vai embora.

Nada é à toa: a história só começa quando ganha voz — e, então, nunca mais vai embora.
“Guardei o dia: 4 de outubro de 1957.” Ele tinha 11 anos. Eu, 6; Ela poucos meses; e Ela outra 1 ano e poucos meses. O troço chamava-se Sputnik. “Coisa de comunista… Amigo viajante, sei!” “ Metaconto de pedra 🪨 De Prata! “ Em perspectiva a pedra era vista como um carro em movimento.” “ Aqui como final, antes do de exclamação final.”
"Ela fazia... Tinha duas loucas no filme. Bom! Uma delas era a Dina, não era? Era muito bonito porque ela ia passando pela floresta... assim... uma floresta que, que... acho que ator é a coisa mais louca do mundo..." "Era uma louca que falava coisas muito sérias." Milton Nascimento, ator e amigo de Dina Sfat, com quem contracenou em filme de Ruy Guerra, na Bahia. Entre o objeto que cruza o céu e o objeto que molda o olhar, existe um intervalo — e é nele que nasce o sentido. Cora Coralina (1/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009 TV Brasil Cravo E Canela Milton Nascimento Cravo E Canela (part. Lô Borges) Milton Nascimento É, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela A Lua morena, a dança do vento O ventre da noite, o Sol da manhã A chuva cigana, a dança dos rios O mel do cacau, o Sol da manhã Ê, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela A Lua morena, a dança do vento O ventre da noite, o Sol da manhã A chuva cigana, a dança dos rios O mel do cacau, o Sol da manhã Ê, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Ê, cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Ê, cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Composição: Milton Nascimento, Ronaldo Bastos. 8 de set. de 2011 Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias. Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor. Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ Cora Coralina (2/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009 TV Brasil 8 de set. de 2011 Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias. Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor. Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Documentário sobre a vida de líder comunista baiano chega ao Canal Brasil amanhã (1º) Giocondo Dias, também conhecido como cabo Dias, liderou a tomada de Natal, no Rio Grande do Norte, na Intentona Comunista. Por: Redação - 31/08/2021 A HISTÓRIA PARECE UMA COISA A TOA MAS COMO É QUE ELA SOA QUANDO COMEÇA A SOAR HISTÓRA VAi EmBORA... Felicidade Lupicínio Rodrigues Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Composição: Lupicínio Rodrigues.
CEM ANOS DE GIOCONDO DIAS, O CABO VERMELHO sexta-feira, 5 de junho de 2026 Uma lúcida e oportuna ponderação, por Ivan Alves Filho* Sérgio Augusto de Moraes é autor de duas obras importantes para a compreensão da marcha da História nas últimas décadas. Vamos lá, pela ordem cronológica. A primeira delas é Viver e morrer no Chile, um relato pungente a respeito da experiência da Unidade Popular (UP), movimento capitaneado por Salvador Allende entre 1970 e 1973, voltado para a construção do socialismo pela chamada via democrática. Sérgio Moraes analisa as dificuldades enfrentadas por Allende e seus companheiros de luta, em uma época marcada pela truculência política norte-americana e seu fascismo de exportação. Não deu outra: a investida golpista de Augusto Pinochet, a 11 de setembro de 1973, mergulharia o Chile em uma repressão das mais sangrentas, acarretando na morte, por fuzilamentos e torturas, de milhares de pessoas. Tudo isso por responsabilidade direta dos Estados Unidos, nunca é demais lembrar. O próprio autor viveu na pele essa truculência, escapando por um triz de ser fuzilado no Estádio Nacional de Santiago, transformado, em setembro de 1973, em uma espécie de campo de concentração. Li, com emoção, os originais desta obra, publicada pela Fundação Astrojildo Pereira, há alguns anos. O outro livro dele se intitula Capitalismo e população mundial, uma visão inovadora das transformações pelas quais passa o modo de produção capitalista no mundo, que também tive o prazer de ler antes do seu lançamento, pela própria Fundação Astrojildo Pereira. Engenheiro de produção e dirigente histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual aderiu ainda nos anos 50 do século passado, Sérgio Moraes é um dos homens mais qualificados para discorrer sobre as lutas sociais do nosso tempo. Ex-integrante do mítico Comitê Universitário do Partido, onde atuavam Marcello Cerqueira, Marli Vianna, Givaldo Siqueira, Luiz Werneck Vianna e tantos outros militantes e formuladores de grande valor, ele integraria, na volta de um longo exílio no Chile, na União Soviética e Suíça, o Secretariado do Partido Comunista à época de Giocondo Dias, o lendário Cabo Dias da insurreição aliancista de 1935, o homem que substituiu Luiz Carlos Prestes na direção máxima da agremiação comunista, em 1980. Convivo com Sérgio há muitos anos e posso testemunhar sobre a sua dedicação, ao lado de outros integrantes do Secretariado do PCB, na retomada e também na consolidação da Democracia entre nós. Poucos lutaram tanto para que isso acontecesse. No que me concerne, devo ao Sérgio e ao Givaldo o honroso convite feito, em nome do secretariado do PCB, para eu escrevesse o perfil biográfico de Giocondo Dias. Até então, somente Luiz Carlos Prestes tinha sido biografado a pedido do PCB, o que resultou no belo livro O Cavaleiro da Esperança, de autoria de Jorge Amado. Escrita nos arredores de Buenos Aires, na casa de Ernesto Sabato, esta obra marcou época em nosso país. Por que escrevo isso agora? Porque ontem, ao publicar neste Blog do Gilvan, o texto Dois caminhos e um só autoritarismo, recebi uma calorosa mensagem do Sérgio. Após ler o artigo, ele ponderou ter sentido falta de uma referência ao fato de o fascismo hitlerista corresponder "aos interesses dos monopólios germânicos e ao objetivo do capital internacional de destruir a URSS". Fica aqui o registro. Sérgio tem toda razão. Ainda que eu não tenha chegado a dissociar o fascismo do capitalismo, a ponderação dele é totalmente fundada. Ou seja, faltou explicitar realmente. Obrigado, mais uma vez, meu querido amigo e camarada Sérgio Augusto de Moraes. Sua lucidez e fraternidade me acompanham pela vida toda. *Ivan Alves Filho, historiador
sexta-feira, 5 de junho de 2026 Breves notas sobre a política de Maquiavel, por Antonio Gramsci* O caráter fundamental do Príncipe é o de não ser um tratado sistemático, mas um livro “vivo”, no qual a ideologia política e a ciência política fundem-se na forma dramática do “mito”. Entre a utopia e o tratado escolástico, formas nas quais se configurava a ciência política até Maquiavel, este deu à sua concepção a forma da fantasia e da arte, pela qual o elemento doutrinário e racional personifica-se em um condottiero, que representa plástica e “antropomorficamente” o símbolo da “vontade coletiva”. O processo de formação de uma determinada vontade coletiva, para um determinado fim político, é representado não através de investigações e classificações pedantes de princípios e critérios de um método de ação, mas como qualidades, traços característicos, deveres, necessidades de uma pessoa concreta, o que põe em movimento a fantasia artística de quem se quer convencer e dá uma forma mais concreta às paixões políticas. (Deve-se pesquisar, nos escritores políticos anteriores a Maquiavel, se existem textos configurados como o Príncipe. Também o final do Príncipe está ligado a este caráter “mítico” do livro; depois de ter representado o condottiero ideal, Maquiavel — num trecho de grande eficácia artística — invoca o condottiero real que o personifique historicamente: esta invocação apaixonada reflete-se em todo o livro, conferindo-lhe precisamente o caráter dramático. Nos Prolegomeni de L. Russo, Maquiavel é chamado de artista da política e, numa ocasião, chega-se mesmo a encontrar a expressão “mito”, mas não exatamente no sentido acima indicado). O Príncipe de Maquiavel poderia ser estudado como uma exemplificação histórica do “mito” soreliano, isto é, de uma ideologia política que se apresenta não como fria utopia nem como raciocínio doutrinário, mas como uma criação da fantasia concreta que atua sobre um povo disperso e pulverizado para despertar e organizar sua vontade coletiva. O caráter utópico do Príncipe consiste no fato de que o “príncipe” não existia na realidade histórica, não se apresentava ao povo italiano com características de imediaticidade objetiva, mas era uma pura abstração doutrinária, o símbolo do líder, do condottiero ideal; mas os elementos passionais, míticos, contidos em todo o pequeno livro, com movimento dramático de grande efeito, sintetizam-se e tornam-se vivos na conclusão, na invocação de um príncipe “realmente existente”. Em todo o pequeno volume, Maquiavel trata de como deve ser o Príncipe para conduzir um povo à fundação do novo Estado, e o tratamento é conduzido com rigor lógico, com distanciamento científico: na conclusão, o próprio Maquiavel se faz povo, confunde-se com o povo, mas não com um povo “genericamente” entendido e sim com o povo que Maquiavel convenceu com seu tratamento precedente, do qual ele se torna e se sente consciência e expressão, com o qual ele se identifica: parece que todo o trabalho “lógico” não é mais do que uma auto-reflexão do povo, do que um raciocínio interior que se realiza na consciência popular e acaba num grito apaixonado, imediato. De raciocínio sobre si mesma, a paixão transforma-se em “afeto”, febre, fanatismo de ação. Eis por que o epílogo do Príncipe não é algo extrínseco, “imposto” de fora, retórico, mas deve ser explicado como elemento necessário da obra ou, melhor ainda, como aquele elemento que reverbera sua verdadeira luz em toda a obra e faz dela algo similar a um “manifesto político”. Pode-se estudar como Sorel, partindo da concepção da ideologia-mito, não atingiu a compreensão do partido político, mas se deteve na concepção do sindicato profissional. É verdade que, para Sorel, o “mito” não encontrava sua expressão maior no sindicato, como organização de uma vontade coletiva, mas na ação prática do sindicato e de uma vontade coletiva já atuante, ação prática cuja máxima realização deveria ser a greve geral, isto é, uma “atividade passiva”, por assim dizer, ou seja, de caráter negativo e preliminar (o caráter positivo é dado somente pelo acordo alcançado nas vontades associadas) de uma atividade que não prevê uma fase própria “ativa e construtiva”. Em Sorel, portanto, chocavam-se duas necessidades: a do mito e a da crítica do mito, uma vez que “todo plano preestabelecido é utópico e reacionário”. A solução era abandonada ao impulso do irracional, do “arbitrário” (no sentido bergsoniano de “impulso vital”), ou seja, da “espontaneidade”. (Deve-se notar aqui uma contradição implícita entre o modo pelo qual Croce apresenta seu problema de história e anti-história e outros modos de pensar de Croce: sua aversão aos “partidos políticos” e seu modo de pôr a questão da “previsibilidade” dos fatos sociais — cf. Conversazioni critiche, primeira série, p. 150-2, resenha do livro de Ludovico Limentani, La previsione dei fatti sociali, Turim, Bocca, 1907; se os fatos sociais são imprevisíveis e o próprio conceito de previsão é nada mais do que um som, o irracional não pode deixar de dominar e toda organização de homens é anti-história, é um “preconceito”: só resta resolver caso a caso, e com critérios imediatos, os problemas práticos singulares colocados pelo desenvolvimento histórico — cf. o artigo de Croce, “Il partito come giudizio e come pregiudizio”, em Cultura e vita morale — e o oportunismo torna-se a única linha política possível.) Mas pode um mito ser “não construtivo”, pode-se imaginar, na ordem de intuições de Sorel, que seja produtor de realidades um instrumento que deixa a vontade coletiva na fase primitiva e elementar de sua mera formação, por distinção (por “cisão”), ainda que com violência, isto é, destruindo as relações morais e jurídicas existentes? Mas esta vontade coletiva, assim formada de modo elementar, não deixará imediatamente de existir, pulverizando-se numa infinidade de vontades singulares, que na fase positiva seguem direções diversas e contrastantes? E isso para não falar que não pode existir destruição, negação, sem uma implícita construção, afirmação, e não em sentido “metafísico”, mas praticamente, isto é, politicamente, como programa de partido. Neste caso, pode-se ver que se supõe por trás da espontaneidade um puro mecanicismo, por trás da liberdade (arbítrio-impulso vital) um máximo de determinismo, por trás do idealismo um materialismo absoluto. O moderno príncipe, o mito-príncipe não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto, só pode ser um organismo; um elemento complexo de sociedade no qual já tenha tido início a concretização de uma vontade coletiva reconhecida e afirmada parcialmente na ação. Este organismo já está dado pelo desenvolvimento histórico e é o partido político, a primeira célula na qual se sintetizam germes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais. No mundo moderno, só uma ação histórico-política imediata e iminente, caracterizada pela necessidade de um procedimento rápido e fulminante, pode-se encarnar miticamente num indivíduo concreto: a rapidez só pode tornar-se necessária diante de um grande perigo iminente, grande perigo que cria precisamente, de modo fulminante, o fogo das paixões e do fanatismo, aniquilando o senso crítico e a corrosividade irônica que podem destruir o caráter “carismático” do condottiero (o que ocorreu na aventura de Boulanger) [2]. Mas uma ação imediata desse tipo, por sua própria natureza, não pode ser ampla e de caráter orgânico: será quase sempre do tipo restauração e reorganização, e não do tipo peculiar à fundação de novos Estados e de novas estruturas nacionais e sociais (como era o caso no Príncipe de Maquiavel, onde o aspecto de restauração era só um elemento retórico, isto é, ligado ao conceito literário da Itália descendente de Roma e que devia restaurar a ordem e a potência de Roma), será de tipo “defensivo” e não criativo original, ou seja, no qual se supõe que uma vontade coletiva já existente tenha se enfraquecido, dispersado, sofrido um colapso perigoso e ameaçador, mas não decisivo e catastrófico, sendo assim necessário reconcentrá-la e fortalecê-la; e não que se deva criar uma vontade coletiva ex novo, original, orientada para metas concretas e racionais, mas de uma concreção e racionalidade ainda não verificadas e criticadas por uma experiência histórica efetiva e universalmente conhecida. O caráter “abstrato” da concepção soreliana do “mito” revela-se na aversão (que assume a forma passional de uma repugnância ética) pelos jacobinos, que certamente foram uma “encarnação categórica” do Príncipe de Maquiavel. O moderno Príncipe deve ter uma parte dedicada ao jacobinismo (no significado integral que esta noção teve historicamente e deve ter conceitualmente), como exemplificação do modo pelo qual se formou concretamente e atuou uma vontade coletiva que, pelo menos em alguns aspectos, foi criação ex novo, original. E é preciso também definir a vontade coletiva e a vontade política em geral no sentido moderno, a vontade como consciência operosa da necessidade histórica, como protagonista de um drama histórico real e efetivo. Uma das primeiras partes deveria precisamente ser dedicada à “vontade coletiva”, apresentando a questão do seguinte modo: quando é possível dizer que existem as condições para que se possa criar e se desenvolver uma vontade coletiva nacional-popular? Em seguida, uma análise histórica (econômica) da estrutura social do país em questão e uma representação “dramática” das tentativas feitas através dos séculos para criar esta vontade e as razões dos sucessivos fracassos. Por que não se teve a monarquia absoluta na Itália na época de Maquiavel? É necessário remontar ao Império Romano (questão da língua, dos intelectuais, etc.), compreender a função das Comunas medievais, o significado do catolicismo, etc.; deve-se, em suma, fazer um esboço de toda a história italiana, sintético mas exato. A razão dos sucessivos fracassos das tentativas de criar uma vontade coletiva nacional-popular deve ser procurada na existência de determinados grupos sociais que se formam a partir da dissolução da burguesia comunal, no caráter particular de outros grupos que refletem a função internacional da Itália como sede da Igreja e depositária do Sacro Império Romano, etc. Esta função e a conseqüente posição determinam uma situação interna que pode ser chamada de “econômico-corporativa”, isto é, no plano político, a pior das formas de sociedade feudal, a forma menos progressista e mais estacionária: nunca se formou, e não poderia formar-se, uma força jacobina eficiente, precisamente aquela força que, nas outras nações, criou e organizou a vontade coletiva nacional-popular e fundou os Estados modernos. Existem finalmente as condições para esta vontade, ou seja, qual é a relação atual entre estas condições e as forças opostas? Tradicionalmente, as forças opostas foram a aristocracia rural e, de modo mais geral, a propriedade agrária em seu conjunto, com seu característico traço italiano, que é o de ser uma específica “burguesia rural”, herança de parasitismo legada aos tempos modernos pela dissolução, como classe, da burguesia comunal (as cem cidades, as cidades do silêncio) [3]. As condições positivas devem ser buscadas na existência de grupos sociais urbanos, adequadamente desenvolvidos no campo da produção industrial e que tenham alcançado um determinado nível de cultura histórico-política. Qualquer formação de uma vontade coletiva nacional-popular é impossível se as grandes massas dos camponeses cultivadores não irrompem simultaneamente na vida política. Isso é o que Maquiavel pretendia através da reforma da milícia, isso é o que os jacobinos fizeram na Revolução Francesa; na compreensão disso, deve-se identificar um jacobinismo precoce de Maquiavel, o germe (mais ou menos fecundo) de sua concepção da revolução nacional. Toda a história depois de 1815 mostra o esforço das classes tradicionais para impedir a formação de uma vontade coletiva desse tipo, para manter o poder “econômico-corporativo” num sistema internacional de equilíbrio passivo. Uma parte importante do moderno Príncipe deverá ser dedicada à questão de uma reforma intelectual e moral, isto é, à questão religiosa ou de uma concepção do mundo. Também neste campo encontramos, na tradição, ausência de jacobinismo e medo do jacobinismo (a última expressão filosófica desse medo é a atitude malthusiana de B. Croce em face da religião) [4]. O moderno Príncipe deve e não pode deixar de ser o anunciador e o organizador de uma reforma intelectual e moral, o que significa, de resto, criar o terreno para um novo desenvolvimento da vontade coletiva nacional-popular no sentido da realização de uma forma superior e total de civilização moderna. Estes dois pontos fundamentais — formação de uma vontade coletiva nacional-popular, da qual o moderno Príncipe é ao mesmo tempo o organizador e a expressão ativa e atuante, e reforma intelectual e moral — deveriam constituir a estrutura do trabalho. Os pontos programáticos concretos devem ser incorporados na primeira parte, isto é, deveriam resultar “dramaticamente” da argumentação, não ser uma fria e pedante exposição de raciocínios. Pode haver reforma cultural, ou seja, elevação civil das camadas mais baixas da sociedade, sem uma anterior reforma econômica e uma modificação na posição social e no mundo econômico? É por isso que uma reforma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um programa de reforma econômica; mais precisamente, o programa de reforma econômica é exatamente o modo concreto através do qual se apresenta toda reforma intelectual e moral. O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa de fato que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve ou para aumentar seu poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume. *Antonio Gramsci (1891-1937) - Caderno 13 (1932-1934):Cadernos do Cárcere, 3ª edição, v.3 págs 13-18. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007. Poesia | João Cabral de Melo Neto (1/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009 8 de set. de 2011 João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu. Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados. Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ João Cabral de Melo Neto (2/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009 TV Brasil TV Brasil é financiada total ou parcialmente pelo governo do Brasil. Wikipedia (Inglesa) 22.090 visualizações 8 de set. de 2011 João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu. Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados. Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ Dina Sfat - De Lá Pra Cá - 14/09/2009 TV Brasil Em julho de 1981, durante o programa Canal Livre da TV Bandeirantes, a atriz Dina Sfat declarou ao vivo ao general Dilermando Gomes Monteiro: "Eu tenho medo de generais". O episódio, ocorrido durante a ditadura militar, é lembrado como um ato de resistência artística. Assista ao relato completo na entrevista disponível no YouTube. A atriz que impactou a Cultura e a Política Brasileira: DINA SFAT | MULHERES ADMIRÁVEIS Astrid Fontenelle 20 de jan. de 2022 #CanalDaAstrid #MulheresAdmiráveis #AstridFontenelle Salve, salve, simpatia! Dina Sfat foi mulher de muita intensidade. Era artista demais para não cumprir os seus direitos de cidadã, e era cidadã demais para não ser atriz. Foi defensora de muitas causas, entre elas os direitos das mulheres. Dina exalava talento e posicionamento: era dona de um olhar profundo e em tudo o quanto fazia mostrava as suas convicções. É um ícone na produção cultural e política brasileira, e integrou diversos movimentos pela democracia e liberdade de expressão. Ela atuou na luta pela regulamentação profissional do artista. Dina Sfat abriu caminhos e combateu com arte. Foi profundida em tudo o que se propôs. Dina Sfat; uma mulher admirável. INSTAGRAM: http://bit.ly/IGAstridFontenelle FACEBOOK: http://bit.ly/FBAstridFontenelle TWITTER: http://bit.ly/TTAstridFontenelle #CanalDaAstrid #MulheresAdmiráveis #AstridFontenelle

Perante Jesus

Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens. “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” — Paulo. (COLOSSENSES, 3.23)
A piada: Mesmo com a melhoria da tecnologia (TV grande e antiga → tela moderna e fina), as pessoas se tornaram mais sedentárias ao longo do tempo. É um comentário divertido sobre mudanças no estilo de vida — menos movimento, mais conforto e talvez mais lanches 😄 1 A compreensão do serviço do Cristo, entre as criaturas humanas, alcançará mais tarde a precisa amplitude, para a glorificação d’Aquele que nos segue de perto, desde o primeiro dia, esclarecendo-nos o caminho com a divina luz. 2 Se cada homem culto indagasse de si mesmo, quanto ao fundamento essencial de suas atividades na Terra, encontraria sempre, no santuário interior, vastos horizontes para ilações de valor infinito. 3 Para quem trabalhou no século? A quem ofereceu o fruto dos labores de cada dia? 4 Não desejamos menoscabar a posição respeitável das pátrias, das organizações, da família e da personalidade; todavia, não podemos desconhecer-lhes a expressão de relatividade no tempo. No transcurso dos anos, as fronteiras se modificam, as leis evolucionam, o grupo doméstico se renova e o homem se eleva para destinos sempre mais altos. 5 Tudo o que representa esforço da criatura foi realização de si mesma, no quadro de trabalhos permanentes do Cristo. 6 O que temos efetuado nos séculos constitui benefício ou ofensa a nós mesmos, na obra que pertence ao Senhor e não a nós outros. 7 Legisladores e governados passam no tempo, com a bagagem que lhes é própria, e Jesus permanece a fim de ajuizar da vantagem ou desvantagem da colaboração de cada um no serviço divino da evolução e do aprimoramento. 8 Administração e obediência, responsabilidades de traçar e seguir são apenas subdivisões da mordomia conferida pelo Senhor aos tutelados. 9 O trabalho digno é a oportunidade santa. 10 Dentro dos círculos do serviço, a atitude assumida pelo homem honrar-lhe-á ou desonrar-lhe-á a personalidade eterna, perante Jesus-Cristo. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. Pão Nosso #057 - Perante Jesus NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 27 de set. de 2022 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 57 Perante Jesus
Biografia de Eurípedes Barsanulfo O processo corria de um Juiz de Paz para outro, no pequeno termo de Sacramento, cumprindo determinações superiores. Todavia, os vigilantes da lei preferiam declarar-se, por motivos vários, impossibilitados de pronunciar-se e quando instados por injunções superiores ao cumprimento das atribuições, afetas ao caso Barsanulfo — pacificamente renunciavam ao cargo, por sinal, eletivo. Enquanto a campanha difamadora não conhecia tréguas, através dos Boletins do Círculo Católico de Uberaba e pelas colunas do Lavoura e Comércio — daquela cidade, inteiramente distanciada dos princípios de ética para não dizer-se das recomendações cristãs — essa campanha atingiu os mais baixos níveis de compostura jornalística. (61) Desde a primeira hora, amigos e correligionários de Eurípedes, em Uberaba, reuniam-se em casa do Sr. João Modesto dos Santos, na Rua Bernardo Guimarães. Eis como nos relata o fato o Dr. Inácio Ferreira, no seu livro Subsídio para a História de Eurípedes Barsanulfo: “Um portador enviado a Sacramento de lá voltava com a resposta de Eurípedes: ‘Não reagiria e nem tomaria qualquer atitude hostil. Recomendava calma e que se procurasse evitar qualquer atitude precipitada’. Apesar dessa atitude e recomendação, continuaram as reuniões. Ficaram estabelecidos a defesa e protestos pelo Jornal do Triângulo, de propriedade do Sr. João Modesto dos Santos, que punha as colunas do mesmo à disposição de todos os seus colaboradores, enfrentando toda e qualquer consequência. Poderia faltar o pão para os seus filhos, mas o papel para a defesa daquele missionário jamais faltaria! Originaram-se daí os primeiros artigos de defesa e os primeiros boletins de protesto. A campanha de defesa foi orientada e dirigida pelos jornalistas Alceu de Souza Novais, Robespierre de Mello, Lafayette de Mello, Prof. João Augusto Chaves e outros. Época de domínio clerical e sob coação intensa, não só as devoluções foram chegando em quantidade, como, também, ameaças de empastelamento do jornal. Mais do que nunca, se fizeram sentir também os efeitos da política, com perseguições de toda ordem, ameaças de transferências e demissões. Todavia, o jornal aumentava continuamente as suas tiragens, satisfazendo a finalidade da campanha e o grande número dos seus apreciadores. A campanha durou meses e o Jornal do Triângulo sustentou-a com galhardia e imensos sacrifícios financeiros para o seu proprietário, que, com desassombro e firmeza, soube pagar, assim, a sua dívida de gratidão e, mais do que isso, como jornalista, elevar, bem alto, a bandeira da liberdade de imprensa na defesa de uma causa justa e divina.” (Págs. 42/43). (61) Ver Subsídio para a História de Eurípedes Barsanulfo, pág. 37. Eurípedes – o Homem e a Missão 191
Irmãos e irmãs do caminho, Que a paz do Divino Mestre Jesus repouse em vossas almas.Diante do tribunal do mundo, que tantas vezes move a matéria de um juízo a outro, o coração que serve à caridade não se perturba. A perseguição é apenas a charrua que rasga o solo da alma para que a semente do Evangelho possa germinar.Se ontem o processo humano buscava deter o trabalho de auxílio aos necessitados e enfermos na Farmácia Homeopática ou no Colégio Allan Kardec, a justiça divina operava no silêncio. Nenhum homem pôde condenar o que o Cristo abençoou. O arrastar das folhas burocráticas foi apenas o testemunho de que a verdade, ainda que sepultada pelo preconceito, traz em si a força da imortalidade.Viver Sacramento na data de hoje é compreender o profundo mistério do Sábado de Aleluia. O silêncio do túmulo não é o fim, mas a preparação para a luz. O Cristo nunca nos abandona no tribunal das incompreensões humanas. Ele caminha conosco, inspira o perdão aos que nos acusam e transforma a dor do processo na alegria da ressurreição espiritual.Sigamos adiante, no serviço do bem, com o olhar focado no Mestre, pois o amor é a única lei que permanece.Com os votos de paz e sincera fraternidade,Vosso irmão em Cristo. O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep108] Emprego da riqueza (cap XVI, 11-13) Emprego da riqueza 11. Não podeis servir a Deus e a Mamon. Guardai bem isso em lembrança, vós, a quem o amor do ouro domina; vós, que venderíeis a alma para possuir tesouros, porque eles permitem vos eleveis acima dos outros homens e vos proporcionam os gozos das paixões que vos escravizam. Não; não podeis servir a Deus e a Mamon! Se, pois, sentis vossa alma dominada pelas cobiças da carne, dai-vos pressa em alijar o jugo que vos oprime, porquanto Deus, justo e severo, vos dirá: Que fizeste, ecônomo infiel, dos bens que te confiei? Esse poderoso móvel de boas obras exclusivamente o empregaste na tua satisfação pessoal. Qual, então, o melhor emprego que se pode dar à riqueza? Procurai – nestas palavras: “Amai-vos uns aos outros”, a solução do problema. Elas guardam o segredo do bom emprego das riquezas. Aquele que se acha animado do amor do próximo tem aí toda traçada a sua linha de proceder. Na caridade está, para as riquezas, o emprego que mais apraz a Deus. Não nos referimos, é claro, a essa caridade fria e egoísta, que consiste em a criatura espalhar ao seu derredor o supérfluo de uma existência dourada. Referimo-nos à caridade plena de amor, que procura a desgraça e a ergue, sem a humilhar. Rico!... dá do que te sobra; faze mais: dá um pouco do que te é necessário, porquanto o de que necessitas ainda é supérfluo. Mas, dá com sabedoria. Não repilas o que se queixa, com receio de que te engane; vai às origens do mal. Alivia, primeiro; em seguida, informa-te, e vê se o trabalho, os conselhos, mesmo a afeição não serão mais eficazes do que a tua esmola. Difunde em torno de ti, como os socorros materiais, o amor de Deus, o amor do trabalho, o amor do próximo. Coloca tuas riquezas sobre uma base que nunca lhes faltará e que te trará grandes lucros: a das boas obras. A riqueza da inteligência deves utilizá-la como a do ouro. Derrama em torno de ti os tesouros da instrução; derrama sobre teus irmãos os tesouros do teu amor e eles frutificarão. – Cheverus. (Bordéus, 1861.) 12. Quando considero a brevidade da vida, dolorosamente me impressiona a incessante preocupação de que é para vós objeto o bem-estar material, ao passo que tão pouca importância dais ao vosso aperfeiçoamento moral, a que pouco ou nenhum tempo consagrais e que, no entanto, é o que importa para a eternidade. Dir-se-ia, diante da atividade que desenvolveis, tratar-se de uma questão do mais alto interesse para a Humanidade, quando não se trata, na maioria dos casos, senão de vos pordes em condições de satisfazer a necessidades exageradas, à vaidade, ou de vos entregardes a excessos. Que de penas, de amofinações, de tormentos cada um se impõe; que de noites de insônia, para aumentar haveres muitas vezes mais que suficientes! Por cúmulo de cegueira, freqüentemente se encontram pessoas, escravizadas a penosos trabalhos pelo amor imoderado da riqueza e dos gozos que ela proporciona, a se vangloriarem de viver uma existência dita de sacrifício e de mérito – como se trabalhassem para os outros e não para si mesmas! Insensatos! Credes, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que despendeis movidos pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho, enquanto negligenciais do vosso futuro, bem como dos deveres que a solidariedade fraterna impõe a todos os que gozam das vantagens da vida social? Unicamente no vosso corpo haveis pensado; seu bem-estar, seus prazeres foram o objeto exclusivo da vossa solicitude egoística. Por ele, que morre, desprezastes o vosso Espírito, que viverá sempre. Por isso mesmo, esse senhor tão amimado e acariciado se tornou o vosso tirano; ele manda sobre o vosso Espírito, que se lhe constituiu escravo. Seria essa a finalidade da existência que Deus vos outorgou? – Um Espírito protetor. (Cracóvia, 1861.) 13. Sendo o homem o depositário, o administrador dos bens que Deus lhe pôs nas mãos, contas severas lhe serão pedidas do emprego que lhes haja ele dado, em virtude do seu livre-arbítrio. O mau uso consiste em os aplicar exclusivamente na sua satisfação pessoal; bom é o uso, ao contrário, todas as vezes que deles resulta um bem qualquer para outrem. O merecimento de cada um está na proporção do sacrifício que se impõe a si mesmo. A beneficência é apenas um modo de empregar-se a riqueza; ela dá alívio à miséria presente; aplaca a fome, preserva do frio e proporciona abrigo ao que não o tem. Dever, porém, igualmente imperioso e meritório é o de prevenir a miséria. Tal, sobretudo, a missão das grandes fortunas, missão a ser cumprida mediante os trabalhos de todo gênero que com elas se podem executar. Nem, pelo fato de tirarem desses trabalhos legítimo proveito os que assim as empregam, deixaria de existir o bem resultante delas, porquanto o trabalho desenvolve a inteligência e exalça a dignidade do homem, facultando-lhe dizer, altivo, que ganha o pão que come, enquanto a esmola humilha e degrada. A riqueza concentrada em uma mão deve ser qual fonte de água viva que espalha a fecundidade e o bem-estar ao seu derredor. Ó vós, ricos, que a empregardes segundo as vistas do Senhor! O vosso coração será o primeiro a dessedentar-se nessa fonte benfazeja; já nesta existência fruireis os inefáveis gozos da alma, em vez dos gozos materiais do egoísta, que produzem no coração o vazio. Vossos nomes serão benditos na Terra e, quando a deixardes, o soberano Senhor vos dirá, como na parábola dos talentos: “Bom e fiel servo, entra na alegria do teu Senhor.” Nessa parábola, o servidor que enterrou o dinheiro que lhe fora confiado é a representação dos avarentos, em cujas mãos se conserva improdutiva a riqueza. Se, entretanto, Jesus fala principalmente das esmolas, é que naquele tempo e no país em que ele vivia não se conheciam os trabalhos que as artes e a indústria criaram depois e nas quais as riquezas podem ser aplicadas utilmente para o bem geral. A todos os que podem dar, pouco ou muito, direi, pois: dai esmola quando for preciso; mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a receba não se envergonhe dela. – Fénelon. (Argel, 1860.) O Livro dos Espíritos | questão 500 Luiza Almeida Monteiro 500. Chegará um tempo em que o Espírito deixe de precisar de anjos guardiães? “Sim, quando ele atinge o ponto de poder guiar-se a si mesmo, como sucede ao estudante, para o qual um momento chega em que não mais precisa de mestre. Isso, porém, não se dá na Terra.” O Livro dos Espíritos Allan Kardec

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder

Arrumando o discurso
quinta-feira, 4 de junho de 2026 Afagos e pontapés, por William Waack O Estado de S. Paulo Lula mal cabe em si no papel de que mais gosta, o de grande estadista mundial, no qual sua torrente incessante de palavras contrasta com seus efeitos práticos – ou seja, a capacidade de realizar o que diz. Mas é o papel que seus adversários insistem em dar-lhe de presente. Jair Bolsonaro nunca teve inteligência estratégica, vide onde foi parar. Seus dois filhos conseguem ser piores. Enxergam em Donald Trump uma espécie de Guia Genial da superpotência americana, cuja condição de hegemonia planetária ele se empenha em diminuir. Em relação ao Brasil, porém, os interesses de Trump estão definidos. Somos um tipo de peão fornecedores de commodities, especialmente as de importância geopolítica, e irritantes cerceadores das atividades de empresas americanas (ênfase no setor financeiro e digital) que precisam ser disciplinados. Via coerção política, comercial e, potencialmente, através de ferramentas financeiras. Coerção militar não se vislumbra nem de longe neste momento, mesmo com a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, em parte pelos próprios militares americanos não verem nenhuma utilidade nisso. São chicotes poderosos que causam prejuízos à economia brasileira, empurram o Brasil do ponto de vista geopolítico a ter de tomar uma decisão binária (China ou EUA) e tentam condicionar decisões domésticas políticas brasileiras aos humores de Trump e seus interesses do momento – para os quais ele não diferencia entre Lula e os Bolsonaros. O problema é que os irmãos Bolsonaros encaram pontapés como afagos, e cotovelada na boca como cafuné. Suas manifestações de fé profunda na sabedoria de tudo o que Trump faz e a disposição de se alinhar a qualquer coisa que ele diga são uma manifestação explícita de crassa ignorância do básico do básico nas relações internacionais (potências não têm amigos, só interesses). E superestimam a capacidade da bolha que dirigem de se sobrepor ao que é “atávico” no comportamento de grande parte dos países, não importam época e continente. Não é necessário ser xenófobo para repelir interferências externas de qualquer tipo. Nesse sentido, Lula se beneficia de algo que ele nem sequer precisou criar: uma grande indignação de quem se sente tratado a coices. Lula sempre confundiu suas posturas ideologizadas com “interesses nacionais”, e o clã Bolsonaro repete a fórmula com sinal inverso. Como o Brasil carece de qualquer “projeto nacional” de aceitação ampla – ou conduzido por elites com um mínimo de empenho nisso –, a palavra “soberania” acaba sendo empregada à vontade pelas duas bolhas sem que tenha qualquer significado prático além de possíveis vantagens na luta eleitoral. Em algum momento vai doer bastante ser chutado do berço esplêndido.
Giuseppe Vacca e o estudo historiográfico da política italiana quinta-feira, 4 de junho de 2026 Opinião do dia - Giuseppe Vacca* “Não há dúvida de que as “ideologias” têm para Gramsci peso maior do que para qualquer outro pensador marxista, mas afirmar que “tornam-se o momento primário da história” equivale a inserir seu pensamento nos quadros conceituais da “filosofia do espírito” de Benedetto Croce. É verdade que Bobbio aplica ao pensamento gramsciano um paradigma dicotômico (estrutura/superestrutura) que não se lhe adapta. A “distinção entre sociedade política e sociedade civil” – escreve Gramsci – é uma “distinção metodológica”, não “orgânica”. “Sociedade civil e Estado se identificam na realidade dos fatos”. É um dos trechos mais conhecidos do Caderno 13, no qual Gramsci polemiza com o liberalismo porque, considerando “orgânica” o que deveria ser uma distinção “metodológica”, contrapõe o mercado ao Estado, ignorando que “também o liberismo é uma ‘regulamentação’ de caráter estatal, introduzida e mantida por via legislativa e coercitiva”[1]. Além disso, para Gramsci, a distinção entre estrutura e superestrutura é de caráter “metodológico”, tanto que a “metáfora arquitetônica”, em certo momento, cede o passo a outras conceituações.” *Giuseppe Vacca, Modernidades alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267 [1] A. Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592. ARRUMANDO O DISCURSO Lula: "Eu nem ia no G7 mas agora vou. Alguém precisa botar ordem na casa" Metrópoles 3 de jun. de 2026 #Notícias #Jornalismo #Brasil "Esse país não adotará a política do vira-lata diante das grandes potências. Nóos não somos melhres do que ningUém.Mas também não somos piores.Nós queremos respeitar todo mundo. Mas nós também queremos respeito.E é assim qua nós vamos contiunar tratando esse país. E é assim que vocês ministros não pode deixar de dizer isso. Tá? De dizer isso alto e bom som. Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhosl. Com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoralem qualquer páis do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria.Alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles."
"Então, nesta reunião aqui, é uma arrumação de discurso para todo mundo. Ninguém tem que ter medo de nada, porque a gente não vai baixar a cabeça. A gente vai continuar fazendo o que nós estamos acostumados a fazer. Vamos continuar conversando com todo mundo. Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou. Nem ia ao G7, mas agora eu vou ao G7. O que é preciso é tentar alguém botar ordem na casa e dar um paradeiro nesta coisa que está acontecendo: desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é fortalecendo a ONU. E o que é que o Brasil está reivindicando há muito tempo? Está reivindicando que haja mais países-membros no Conselho de Segurança Permanente. O Brasil..."
Elaboremos agora, de modo cáustico e ácido, algo que se assemelhe ao estilo de Walt Whitman, com o título provocativo: Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT. Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT. Então — nesta sala morna onde se penteiam palavras — ergue-se a liturgia da coragem ensaiada: ninguém, dizem, deve temer nada, porque a cabeça — ah, a cabeça — não se curva (repete-se, insiste-se, proclama-se). E a gente — sempre “a gente”, esse sujeito difuso, confortável — continua fazendo o que sempre fez: rodopia frases, afaga consensos, conversa com todo mundo (e com ninguém, no fundo, no osso da verdade). Eu não ia ao G7 — mas agora eu vou, repito: agora eu vou, como se a repetição fosse músculo, como se insistir fosse governar. E então alguém há de pôr ordem na casa — dizem — como se a casa ainda tivesse paredes, como se não estivéssemos já no escombro elegante do multilateralismo, na coreografia cansada da democracia, no teatro de instituições que se desfazem enquanto são nomeadas. A ONU — invocada como relíquia e desculpa — não se salva pela ruína, não se corrige pelo colapso, mas pela fé reiterada de quem ainda pronuncia seu nome como quem acredita que nomear é restaurar. E o Brasil — esse verbo em suspenso — reivindica, há muito, diz-se, insiste-se, ecoa-se: mais vozes, mais assentos, mais presença no conselho onde poucos decidem por muitos. Mas a frase quebra — “O Brasil...” — e fica no ar, incompleta, como tudo que passa pelos filtros: do gabinete ao roteiro, do roteiro à tela, da tela à fala, da fala ao algoritmo — até restar apenas o eco domesticado de um discurso que já não pertence a quem o pronuncia. Aceitação e a metáfora do Homem no Buraco Pelo buraco do Brasil eu vi uma metáfora de metáfora em cascata (ou: a pedagogia do vazio filtrado) O discurso não nasce — ele é produzido. E, mais do que produzido, ele é filtrado. Entre a enunciação e a emissão, há um percurso: Itamaraty → assessoramento político → teleprompter → performance presidencial → mediação algorítmica. Esse percurso não é acidental. É estrutural. O que se apresenta como “fala” é, na realidade, o resultado de sucessivas operações de depuração, nas quais o conteúdo não é apenas organizado — é domesticado. A chamada “arrumação de discurso” não constitui um momento secundário da política, mas seu próprio núcleo operativo: é ali que se decide o que pode ser dito, como deve ser dito e, sobretudo, o que deve ser neutralizado. Nesse sentido, a distinção entre espontaneidade e cálculo — frequentemente evocada para preservar uma ideia de autenticidade — revela-se metodológica, não real. A fala presidencial, mesmo quando recorre ao registro coloquial (“a gente”, “ninguém precisa ter medo”), não escapa ao regime de produção que a antecede. A informalidade, aqui, é técnica. O efeito mais evidente desse processo é a produção de um discurso sem risco. Reitera-se: “não vamos baixar a cabeça”, “vamos continuar fazendo o que sempre fizemos”, “vamos conversar com todos”. Trata-se de fórmulas de estabilização simbólica, cujo objetivo não é intervir na realidade, mas impedir sua desorganização perceptiva. A repetição — como no caso do “eu vou ao G7” — não é falha retórica, mas mecanismo de reforço. Ela substitui a decisão pela sua simulação performativa. Ao repetir, o discurso não avança; ele se ancora. O mesmo ocorre com a enumeração das crises: “desmonte do multilateralismo”, “desmonte da democracia”, “desvalorização das instituições”. A nomeação em série sugere diagnóstico, mas opera como inventário. Não há hierarquia, não há causalidade, não há mediação — apenas listagem. O mundo é reduzido a itens discursivos. A invocação da ONU ilustra o ponto. Afirma-se que sua crise não se resolve pela destruição, mas pelo fortalecimento. No entanto, essa formulação permanece no plano declaratório. Não se trata de uma proposição estratégica, mas de uma reafirmação normativa. O discurso reafirma aquilo que não controla. Por fim, o caso mais revelador: “O Brasil...” A suspensão não é apenas estilística; é sintomática. O sujeito do enunciado não se completa porque sua determinação permanece indeterminada. Reivindica-se “mais assentos”, “mais participação”, mas sem deslocar as condições que estruturam o próprio campo em que tais reivindicações se inscrevem. Assim, o que se observa não é apenas um discurso filtrado, mas um sistema de produção de enunciados cuja função é preservar a inteligibilidade do poder sem expô-lo ao conflito real. A metáfora, então, se dobra sobre si mesma: o país que fala é o país que se ouve filtrado; o sujeito que enuncia é o produto de sua própria mediação. Pelo buraco do Brasil, não se vê o real — vê-se a forma pela qual o real é tornável dizível. E isso basta para compreender o essencial: não é o discurso que representa o poder — é o poder que se mantém ao reduzir o discurso àquilo que pode ser dito sem consequências.
O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder Tudo começou na arena do mundo, onde as palavras se cruzam como espadas. Um tribuno do Norte, movido pela altivez do seu cargo, riscou o mapa do continente e empurrou o governante do Sul para o limbo dos excluídos. O golpe não feriu a carne, mas o brio; não ameaçou as fronteiras, mas o ego. A reação que se seguiu — carregada de labéus e ressentimentos — não foi a voz da força, mas o eco da humilhação mascarada de soberba. Duas vaidades se mediram, esquecidas de que o poder humano é como o Hevel de Qohelet: um vapor que deslumbra os olhos, mas se dissipa na primeira viração da tarde. O Condor e a Sombra da História O engenho desta jornada elevou-se depois aos píncaros dos Andes, invocando o Condor com seu duplo e trágico sentido. A ave que Deus criou para voar livre foi outrora o nome de um pacto de sombras e violência, onde elites latino-americanas sacrificaram a democracia no altar do próprio interesse. O paradoxo moderno revela-se quando aqueles que outrora combateram as sombras do passado caem hoje na mesma armadilha do autoritarismo verbal, trocando a caridade da justiça pela intolerância do insulto. A Súplica e a Luz de Pentecoste Por fim, despimo-nos das vestes da disputa cívica para entrar no santuário da prece. Ali, onde os poderosos se proclamam cristãos apenas por vãos sopros interesseiros, ergueu-se a súplica pela regeneração do ofensor dos ofensores. Que a imprudência que outrora levou o Cristo à Cruz seja convertida pelo fogo purificador de Pentecoste. Só há um remédio para a vertigem do poder: reconhecer que o trono é feito de poeira e que a única grandeza perene reside na humildade e no serviço ao bem comum.SÍNTESE CONCLUSIVA AO ESTILO DE VIEIRA: "Ó príncipes da terra, que do alto dos vossos palácios diciais o destino dos povos e trocais insultos como se governásseis o firmamento: olhai para as vossas mãos e vede que nelas só há terra; olhai para os vossos decretos e vede que neles só há vento. O secretário que exclui e o presidente que se ofende bebem, ambos, do mesmo cálice da humana fraqueza. Julgais-vos monumentos de bronze, mas sois apenas estátuas de sal que a primeira chuva da história há de desmanchar. Que o Espírito de Deus vos conceda a suprema ciência de saberdes baixar as cabeças, para que, aprendendo a ser homens na humildade, possais finalmente ser pastores na caridade. Porque no grande dia do Juízo, o tribunal do Tempo não vos perguntará quantas injúrias revidastes, mas quantas lágrimas enxugastes ao sul do Rio Grande." Rubio diz que Brasil não é ‘amigável’ aos EUA, assim como Cuba e Venezuela; Lula rebate Rádio CBN 2 de jun. de 2026 #marcorubio #diplomacia #lula O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em audiência no Senado que o Brasil não faz parte da lista de "países amigáveis" aos Estados Unidos na América Latina, comparando a postura brasileira à de nações como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Rubio defendeu a política externa do governo Donald Trump e destacou a formação de uma coalizão de aliados na região, da qual o Brasil estaria excluído. A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática, logo após a Casa Branca propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Em resposta, o presidente Lula rebateu as críticas, afirmando que Rubio é "anti-América Latina" e não gosta do Brasil. Fotos: Andrew Harnik / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP e Wallison Breno/PR Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Inscrever-se Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) IA Compartilhar Remix Descrição Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) 4 mil Marcações com “Gostei” 108.746 Visualizações 2 de jun. 2026 Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) In this episode of The Ancient Dog, we’re stepping into the intense, smoke-filled atmosphere of a university lecture hall in 1967 for an intimate, fictional (but historically and philosophically accurate) look at the thinker who stared directly into the abyss of modern bureaucracy: Hannah Arendt. Fast, intense, and intellectually unsparing, Arendt delivers a powerful classroom lecture to break down her most sobering insights and completely upend how we understand morality, complicity, and the true nature of modern evil. We dive right into a Masterclass on the raw mechanics of control across 5 profound lessons from Eichmann in Jerusalem. Standing at the chalkboard, Arendt peels back the layers of historical horror to challenge our deepest coping mechanisms. She explains that while we expect the architects of genocide to be ideological monsters, they are often terrifyingly ordinary; maps out how stock phrases and "officialese" act as armor to insulate bureaucrats from reality; reveals the chilling comfort of the Wannsee Conference—where the elite elite relieved individuals of their own judgment; exposes the darkest chapter of compliance within the Jewish Councils; and finally demands the ultimate realization: that hanging the man didn't destroy the conditions that made him possible. It is a solo lecture that shatters comfortable daily illusions, urging us to quiet the noise of inherited dogmas and see how easily obedience replaces conscience. Wait, is this real? That’s all AI magic. 🤖✨ I use AI tools to breathe life into these "what if" moments from history, recreating the intense, brilliant, and deeply poetic voice of a legend whose true essence is often buried under dense text. Love this typa stuff? My whole channel is dedicated to recreating these legendary historical scenes. If you want to see more icons from the past hanging out and talking shop, hit that SUBSCRIBE button and join the pack! 🐾 Let me know in the comments: Who should take the podium next? 👇 #hannaharendt #History #Philosophy Sources — What This Script Is Based On Arendt, H. (1963). Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. The primary source text for all five segments. It provides the core philosophical framework regarding Adolf Eichmann’s trial, the linguistic analysis of "officialese" (Sprachregelung), the historical breakdown of the Wannsee Conference, the highly controversial analysis of the Jewish Councils (Judenräte), and the ultimate conceptualization of the "banality of evil." Arendt, H. (1971). The Life of the Mind. Supplementary source grounding the connection between the absence of thinking (the inability to judge or reflect from the standpoint of another) and the manifestation of moral collapse in ordinary individuals. House, J. (Director). (1961). The Eichmann Trial Transcripts. Cross-referenced to precisely ground the specific testimony details described across the segments, including the psychiatric evaluations of Eichmann's "normality" and his final spoken words before execution. Historical Context of 1967. Positioned during Arendt's tenure as a professor at the Graduate Faculty of the New School for Social Research in New York. Setting this in 1967 captures her delivering these ideas directly to a younger generation of students in a seminar environment, contextualizing her thesis amidst the broader 1960s student movements and anti-authoritarian critiques. Note on Dramatization: All spoken lines are adapted into a fluid, contemporary monologue register optimized for synthetic voice performance. Direct conceptual pairings and signature paradoxes from the original text (such as the "inability to think," the Pontius Pilate feeling, and the banality of evil) are integrated to maintain strict theoretical and historical fidelity to the 1967 lecture setting. Como este conteúdo foi criado Criado com IA Os sons ou recursos visuais foram alterados ou totalmente gerados por IA. Saiba mais
quinta-feira, 4 de junho de 2026 Intervenção sem tiro nem bomba, por Carolina Brígido O Estado de S. Paulo Medidas de Trump mudam foco do debate para beneficiar Flávio e dificultar reeleição de Lula Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa. Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido. A sequência da intervenção veio com o anúncio do novo pacote de barreiras tarifárias ao Brasil. Trump conseguiu não apenas desviar a pauta do debate eleitoral, mas ameaçar o País com danos econômicos na reta final do governo Lula. Flávio capitalizou com as medidas. Posou em foto ao lado de Trump na Casa Branca. Na semana passada, se contorcia diante das câmeras para explicar as suspeitas de ter se beneficiado do esquema de fraudes financeiras de Daniel Vorcaro. Em suma: qualquer atitude dos EUA com impacto na economia ou na soberania brasileira agora interfere no processo eleitoral, ainda que o país de Trump siga poupando tiros e bombas até outubro. Ao menos dois ministros – um do Supremo Tribunal Federal (STF) e outro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – consideram que os EUA podem incrementar a “intervenção soft” com outras medidas – como o financiamento de defensores de ideias alinhadas às de Trump e o incentivo a candidaturas de direita. Para esses ministros, Trump não está preocupado com o combate ao terrorismo, e sim com a subida de aliados ao poder na América Latina. Um segundo ministro do TSE, também em caráter reservado, considera cedo para entender como os EUA podem interferir nas eleições brasileiras, mas tem como certo que Lula sai perdendo na primeira investida. A coluna também ouviu outros dois ministros, um do STF e outro do TSE, que não estão preocupados com tentativas de influência dos EUA nas eleições deste ano. Eles consideram o Brasil imune a esse tipo de ameaça. As pesquisas de opinião ainda não mediram as consequências para as candidaturas após a mudança de foco no debate eleitoral. Mas já é possível concluir que investigações criminais e estratégia política vão ditar o sobe e desce das campanhas. As propostas dos candidatos, mais uma vez, serão coadjuvantes nas eleições. #noticias #politicaexterna #brasil #eua #marcorubio #lula #diplomacia #economia #radiocbn https://www.instagram.com/reel/DZH55dWgSw7/?igsh=a2x5M3NlOGcyamc%3D
saudade Há 40 anos, Dina Sfat desconcertava general e roubava a cena em programa de entrevistas Por Ancelmo Gois 02/10/2021 • 09:00 Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura | Luiz Pinto Quem lembrou foi o historiador Carlos Fico, um estudioso da ditadura militar. Há 40 anos, a grande atriz Dina Sfat (1938-1989) chamou a atenção da cena política brasileira. Ela tinha sido convidada por Fernando Barbosa Lima para entrevistar o general Dilermando Gomes Monteiro (1913-1994), em plena ditadura, no programa “Canal livre”, comandado por Roberto D’Avila na Band. A atriz era, de certa forma, uma estranha no ninho de entrevistadores. Os outros convidados eram o historiador Hélio Silva, o jurista Carlos Alberto Direito e os jornalistas Audálio Dantas, Cícero Sandroni e Fenando Pedreira. O general Dilermando era muito respeitado porque, cinco anos antes, havia assumido o II Exército — foi sob o comando de seu antecessor, Ednardo D’Ávila Mello, que ocorreram os assassinatos de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, nas dependências do DOI-CODI. Em sua biografia, escrita com a ajuda de Mara Caballero, Dina contou que ficou aflita ali “por não estar falando de cinema, teatro ou TV”. Só que o ponto alto do programa foi quando, em vez de fazer uma pergunta, ela acabou desabafando: “Eu tenho medo de generais”. A atriz , pondera o historiador Fico, não estava sendo apenas sincera. “Usou todo seu talento dramático para apontar a tensão”. Dois meses antes, uma ação terrorista de militares, que pretendiam jogar uma bomba num show de MPB no Riocentro, foi frustrada porque o artefato explodiu no colo de um sargento. Anos depois, Dina reconheceu :“Fui passional, prevaleceu a paixão”. Fez bem.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O Buraco da Fechadura do Brasil

quarta-feira, 3 de junho de 2026 Teria Vorcaro lido Marcel Mauss? Por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo Oliveira Vianna dizia que ‘temos coragem para tudo, menos para negar o pedido de um amigo’ De modo algum seu estilo de enriquecer, enriquecendo seus parceiros irmãos, seguiu o mapa traçado em 1923-24 por Mauss no seu ignorado Ensaio Sobre a Dádiva. Ou, mais precisamente, na sua genial sociologia do presentear, do dar para receber – o que nós chamamos de “lembrancinhas”, porque foi com afeto que, quando vimos aquele objeto, a lembrança de sua pessoa motivou a compra dele para você. No presente, a moldura não é dada por utilidade ou necessidade, mas pela relação, pois foi a lembrança que o motivou. Então, diz Mauss, a dádiva vai muito além de si mesma: ela é um fato social total, já que todo presente contém aspectos morais. Um protocolo que transcende o objeto doado, fazendo com que o presentear acione a obrigação de retribuir. Presentes não são trocas; são dádivas que, como oferendas, transcendem a exploração de classe ou a luta hobbesiana de todos contra todos. Além disso, o presente tem, como explicita a cultura dos maoris, um espírito inseparável do doador. Essa é uma postura que aciona afetos e configura a pessoa que nos presenteou. Mas há também o presentear revelador da excepcional riqueza e poder do doador, como ocorre nos potlatches das sociedades do noroeste do Pacífico, abrangendo o Canadá e os EUA. Neles, riquezas são dilapidadas e destruídas, impedindo a devolução e, assim, englobando o receptor. Exatamente como os festins e os presentes que Vorcaro dava a todos os seus “irmãos” – conforme tenho escrito –, constituídos de “verbas públicas”. Dinheiro que, no Brasil, não pertence a ninguém, exceto aos governantes que o controlam. O fulgurante episódio Cláudio Castro/Daniel Vorcaro expressa tal capacidade. É óbvio que ninguém tem maldade neste Brasil arcaico, movido por dádivas que demonstram como verbas públicas não pertencem aos clientes de bancos que pagam impostos, mas aos governantes da ocasião. É esse dispositivo de apropriação que faculta o roubo do dinheiro público, porque, se é público, é da rua, e, se é da rua, não é de ninguém. É nessa polaridade da casa contra a rua, e do geral imaginado como não sendo de ninguém, mas de quem governa, que reside a lógica desse tipo de “corrupção”, que não é concebida como crime, pois é uma esperteza e um estilo de governar. Nos sistemas liberais patrimonialistas, o governar não é administrar a coisa pública, mas ser o dono dela.. Como dizia Oliveira Vianna na mesma década em que Mauss publicou o seu ensaio, “temos coragem para tudo, menos para negar o pedido de um amigo”. Elos governados por densas éticas costumeiras desgostam de normas burocráticas lidas como obstáculos ou remédios, jamais como valores. PS: Essas notas são para o prof. Marcos Lanna, que também sabe como a reciprocidade maussiana ajuda a caracterizar essa vergonhosa corrupção brasileira.
O Buraco da Fechadura do Brasil Uma síntese crítica entre a dádiva, a malandragem e o relógio moral A provocação permanece: teria Eurípedes Barsanulfo vindo antes do tempo — ou o tempo social é que segue atrasado? Na imagem, três lógicas convivem no mesmo cenário: O menino, inspirado em Eurípedes, olha pelo buraco da fechadura — não por curiosidade vulgar, mas como quem enxerga o outro na sua dor. Sua dádiva não cobra retorno. É amor em estado puro. O homem do presente encarna a lógica moderna da troca interessada: o dar já vem com recibo, condição e expectativa. A resposta está dentro da caixa antes mesmo da pergunta existir. A Escolinha, evocando o humor de Chico Anysio, revela o mecanismo: quando o presente dita a resposta, o mérito vira encenação — e a malandragem ganha nota 10. Ao fundo, como observa a crítica antropológica, convivem dois mundos: o da casa, regido por favores e vínculos pessoais; o da rua, onde deveriam prevalecer regras impessoais. O problema é quando esses mundos se misturam — e o público vira extensão do privado. Síntese (com ironia necessária) Eurípedes não voltou antes do tempo. Ele apenas viveu num tempo que ainda não chegou. Entre a dádiva que liberta e a dádiva que captura, seguimos oscilando — ora cuidado genuíno, ora “Sambarilove”. E assim, o relógio da história continua funcionando… mas, como na charge, com os ponteiros ligeiramente desalinhados. Moral da história Alguns dão sem esperar nada. Outros não dão nada sem já esperar tudo. E o Brasil? Ainda tentando decidir qual das duas respostas vai colocar na prova.

terça-feira, 2 de junho de 2026

FEITOS & DESFEITAS

A síntese machadiana do episódio revela o contraste entre o orgulho aristocrático e a ironia trágica da condição humana:
Esta a glória que fica, eleva, honra e consola. Machado de Assis A GUERRA DA CRIMEIA || VOGALIZANDO A HISTÓRIA Vogalizando a História "A Rússia já se meteu em muita confusão e uma das mais recentes delas foi a anexação da Crimeia em seu território. Confere o Vogalizando a História de hoje que tu vais saber um pouco mais sobre a história recente da península da Crimeia." A vaidade de Bentinho, um jovem saudável da elite, é ferida pela lucidez geopolítica de Manduca, um plebeu isolado pela lepra. Ao ver seus argumentos sobre a Guerra da Crimeia desfeitos pela razão inquestionável do doente, Bentinho mascara sua derrota intelectual com o tédio e o desprezo de classe, retirando-se do debate para autopreservar seu orgulho.
⁠Laços são desfeitos, as vezes, não... Ana Túlio Feitos & Desfeitas A Crimeia e o realismo na literatura Edição 789 por João Batista de Abreu 12 de março de 2014 A primeira vez que ouvi falar da Crimeia foi uma referência no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. O protagonista Bentinho trocava correspondência com Manduca, um jovem portador de hanseníase sobre a guerra que envolvia potências europeias nos tempos da expansão colonial. A doença deixava Manduca trancado em casa e as únicas distrações eram a leitura dos jornais e o debate por escrito com aquele conhecido de rua. Vale lembrar que no século 19 e na primeira metade do século 20 a imprensa tupiniquim considerava de bom tom destacar os fatos que vinham d’além-mar. O Brasil virava as costas para o interior e mirava no outro lado do Atlântico, acima da linha do Equador. Na descrição de Machado, no capítulo “A polêmica”… “Manduca vivia no interior da casa, deitado na cama, lendo por desfastio. Ao domingo, sobre a tarde, o pai enfiava-lhe uma camisola escura, e trazia-o para o fundo da loja, donde ele espiava um palmo da rua e a gente que passava. Era todo o seu recreio. Foi ali que o vi uma vez, e não fiquei pouco espantado; a doença ia-lhe comendo parte das carnes, os dedos queriam apertar-se; o aspecto não atraía decerto. Tinha eu de treze para quatorze anos. Da segunda vez que o vi ali, como falássemos da guerra da Criméia, que então ardia e andava nos jornais, Manduca disse que os aliados haviam de vencer, e eu respondi que não.” (Obra completa de Machado de Assis, Romance, vol 1, Nova Aguilar, 1979) A Guerra da Crimeia, de 1853 a 1856, reuniu de um lado as tropas russas, lideradas pelo czar Nicolau I, e do outro uma aliança digna daquela que vimos na guerra do Iraque: Reino Unido, França, Reino da Sardenha e o Império Otomano. Sob o pretexto de preservar as terras sagradas dos cristãos, os russos queriam alcançar Istambul, na época Constantinopla, a cidade repartida entre os continentes europeu e asiático. Bentinho, o Dom Casmurro, acreditava que os russos tinham razão. Manduca apegava-se aos turcos. Territórios multiétnicos Novamente o bruxo do Cosme Velho: “Fui sempre um tanto moscovita nas minhas idéias. Defendi o direito da Rússia, Manduca fez o mesmo ao dos aliados, e o terceiro domingo em que entrei na loja tocamos outra vez no assunto.” Além da curiosidade de reconhecer a preocupação jornalística de Machado de Assis ao incorporar conflitos internacionais no romance publicado em 1899 – logo ele que nunca saiu do país –, a Guerra da Crimeia serve para mostrar que, mesmo sem se repetir – como apregoa Marx – a História costuma dar voltas e parar no mesmo lugar, seja como farsa ou tragédia, principalmente em pontos estratégicos para o comércio e a soberania das grandes potências. Neste momento entra e cena a diplomacia, acompanhada por sua fiel escudeira, a agência de notícias, habituada a lançar um olhar etnocêntrico sobre conflitos internacionais. A predição do jovem Manduca na correspondência com Bentinho era taxativa. “Os russos não hão de entrar em Constantinopla!” O narrador acrescenta: “Li-a e meti-me a refutá-la. Não me recorda um só dos argumentos que empreguei, nem talvez interesse conhecê-los, agora que o século está a expirar; mas a idéia que me ficou deles é que eram irrespondíveis.” O desfecho da guerra mostrou que Manduca tinha razão, embora a doença o tenha levado antes do fim do conflito. De fato, os russos não entraram em Constantinopla e ainda perderam momentaneamente Sebastopol – mais tarde recuperada – e áreas de interesse como a Moldávia, depois uma república soviética, hoje independente, mas sob a esfera de influência de Moscou. Mas numa região como os Balcãs e a península junto ao Mar Negro, os conflitos e mudanças de mão de territórios multiétnicos desaconselham predições eternas, como as do jovem Manduca. Jogo de poder Com a palavra Machado de Assis. “Não entraram, efetivamente, nem então, nem depois, nem até agora. Mas a predição será eterna? Não chegarão a entrar algum dia? Problema difícil. O próprio Manduca, para entrar na sepultura, gastou três anos de dissolução, tão certo é que a natureza, como a história, não se faz brincando. A vida dele resistiu como a Turquia; se afinal cedeu foi porque lhe faltou uma aliança como a anglo-francesa, não se podendo considerar tal o simples acordo da medicina e da farmácia. Morreu afinal, como os Estados morrem; no nosso caso particular, a questão é saber, não se a Turquia morrerá, porque a morte não poupa a ninguém, mas se os russos entrarão algum dia em Constantinopla; essa era a questão para o meu vizinho leproso, debaixo da triste, rota e infecta colcha de retalhos.” História, política e literatura caminham de mãos dadas. Jornalistas que leem livros talvez aprendam a interpretar melhor os conflitos internacionais se olharem um pouco mais para o passado e menos para as agências de notícias financiadas pelas grandes potências. Os interesses políticos em jogo, o comércio de grãos, principalmente o trigo produzido na Ucrânia Oriental e exportado para a Rússia, o gasoduto que atravessa o território ucraniano e aquece a população no rigoroso inverno europeu, a minoria tártara e a predominância russa entre a população de 1,9 milhão de habitantes da Crimeia, região que até 1954 pertencia à Federação Russa e foi cedida pelo então primeiro-ministro da União Soviética Nikita Kruschev à república associada da Ucrânia. Todos estes componentes são fundamentais para entender o jogo de poder que está em cena, jogo este muito mais dissimulado que os olhos de Capitu. ****** João Batista de Abreu é jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense https://www.observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/a_crimeia_e_o_realismo_na_literatura/ Lágrimas Negras Jorge Mautner Na frente do cortejo O meu beijo Forte como o aço Meu abraço São poços de petróleo A luz negra dos seus olhos Lágrimas negras caem, saem, dóem Lágrimas negras caem, saem, dóem Por entre flores e estrelas Você usa uma delas como brinco Pendurada na orelha Astronauta da saudade Com a boca toda vermelha Lágrimas negras caem, saem, dóem São como pedras de moinhos Que moem, roem, moem E você baby vai, vem, vai E você baby vem, vai, vem Belezas são coisas acesas por dentro Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento Lágrimas negras caem, saem, doem Lágrimas negras caem, saem, doem Composição: Jorge Mautner, Nelson Jacobina.
Odete João Gilberto Odete ouve o meu lamento Lamento de um coração magoado Atenda o seu pobre seresteiro Vem de novo pro terreiro Se juntar a sua gente Não ouve o seu coração que ele mente Lá no morro da mangueira Quando Sol vai se escondendo as cabrochas Vão saindo Procurando a batucada E a noite vem chegando e a Lua vem surgindo Há tanta gente que sobe só você não vem subindo Odete Composição: Herivelto Martins, Vinicius Eliud

segunda-feira, 1 de junho de 2026

"14 ANOS"

"a experiência humana, mesmo imperfeita, deve ser acolhida em sua totalidade." ❤️ Edith Piaf - Non, Je Ne Regrette Rien (TRADUÇÃO) 1956 "Morin tinha quatorze anos Quando o Ignácio chegou”
"A velhice é um fardo difícil de carregar. Ela vem acompanhada de dificuldades de movimentos, descuidos, perda de energia e memória e excesso de divagações. O que se fazia com naturalidade na juventude se torna difícil. Palavras antes na ponta da língua de repente fogem. Visitas ao médico se tornam rotineiras. E, além disso, há a consciência da proximidade do fim e as especulações sobre a melhor forma de morrer."
''Fatherland'', de Pawel Pawlikowski, disputa Palma de Ouro em Cannes 2026 Por Anderson Ramos - abril 09, 2026 Le philosophe et sociologue Edgar Morin est décédé vendredi 29 mai à 104 ans. Précurseur de la sociologie du présent, cet ancien résistant communiste durant la Seconde Guerre mondiale, s’est également distingué par ses nombreux engagements politiques à gauche. Ces dernières années, il avait notamment pris position en faveur de la cause palestinienne. #ebrainfo #morin
Resumo da crônica “O quê?” — Ignácio de Loyola Brandão O cronista relembra sua chegada a um prédio em São Paulo, onde desenvolveu o hábito de recortar notícias de jornais — reportagens, anúncios e pequenos fatos do cotidiano — que serviram como matéria-prima para suas crônicas. A partir dessa prática, construiu um estilo baseado na observação do real somada à imaginação. Refletindo sobre sua trajetória, ele questiona o futuro dos jornais e da própria escrita diante das transformações do tempo, da censura e das mudanças tecnológicas. Recorda períodos difíceis, como a ditadura, e ressalta como essas experiências influenciaram sua produção. Ao completar 90 anos, o autor faz um balanço de vida: afirma ter vivido como quis e escrito o que desejava. Reconhece os desafios enfrentados, mas valoriza a liberdade criativa e a fidelidade a si mesmo. A crônica, assim, mistura memória pessoal, reflexão sobre o ofício de escrever e uma meditação sobre o tempo, a liberdade e o sentido da vida.
Morre Edgar Morin: intelectual francês da Resistência era referência do 'pensamento complexo'; saiba quem foi Sociólogo e filósofo morreu aos 104 anos, deixou obra influente sobre humanidade, ciência, política e intolerância e seguiu ativo no debate público até os últimos dias Por O Globo e AFP — Paris 30/05/2026 06h20 Atualizado há um dia
Resumo da matéria: “A busca do humano no pensamento complexo” — Edgar Morin A reportagem apresenta a trajetória intelectual e humana de Edgar Morin, destacando sua contribuição central: o pensamento complexo como forma de compreender a realidade em sua totalidade, interligando diferentes áreas do conhecimento. Ao longo de seus 104 anos, Morin construiu uma obra vasta e multidisciplinar, dialogando com campos como filosofia, sociologia, biologia, política e comunicação. Sua principal crítica dirige-se ao pensamento fragmentado e reducionista, defendendo que os saberes não devem permanecer isolados, mas conectados em rede. A matéria relembra episódios marcantes de sua vida, como sua atuação na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e sua trajetória política, incluindo o rompimento com o comunismo ortodoxo. Esses eventos influenciaram sua visão crítica e aberta, sempre em busca de uma compreensão mais humana e menos dogmática da realidade. Entre suas obras mais importantes está a série “O Método”, na qual desenvolve a ideia de que o conhecimento deve integrar ordem e desordem, razão e emoção, ciência e filosofia. Para Morin, compreender o humano exige aceitar a incerteza e a complexidade da existência. A reportagem também destaca sua atualidade: mesmo centenário, Morin continua influente, sendo referência em debates sobre educação, cultura e sociedade. Seu pensamento propõe uma reforma do ensino baseada no diálogo entre disciplinas e na formação de indivíduos capazes de pensar criticamente o mundo. Assim, a matéria retrata Morin como um pensador que ultrapassa fronteiras acadêmicas, oferecendo uma filosofia voltada à vida, à ética e à compreensão do ser humano em sua multiplicidade. Matias Spektor: Risco geopolítico aumenta, e Brasil encolhe Brazil Journal 21 de mai. de 2026 Publicado em: 26/08/2025 O mundo entrou numa era de riscos inéditos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, diz o professor Matias Spektor, fundador e vice-diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV. Neste episódio de Lado B, Spektor destaca que o jogo de forças global é dominado por três potências - EUA, China e Rússia - que se comunicam de maneira falha. “Não existe um instrumento legal, nem um marco político que leve as grandes potências a discutir o risco de uma guerra nuclear, que é muito elevado.” Para Spektor, o governo Trump cristalizou uma agenda que já vinha se formando em Washington: conter a China a qualquer custo. Nesse contexto, a Rússia deixou de ser vista como inimiga prioritária. “Para combater a China, tudo bem se a Rússia voltar a ser uma potência militar.” O professor avalia que o Brasil está mal posicionado no novo cenário. Protecionista e sem articulação diplomática eficaz, virou alvo fácil. “A relação formal diplomática entre os dois países (Brasil e EUA) está em coma, porque o lado americano não quer engajar,” afirma. Marcos Lisboa, apresentador do podcast, acrescentou: “Se os Estados Unidos querem um inimigo, o Brasil parece ser o candidato impecável.” O videocast Lado B também está disponível no Spotify. Assista no Brazil Journal: https://braziljournal.com/play/matias...
Roberto Pompeu de Toledo narra experiência da velhice em meio a luto por esposa VICENTE VILARDAGA A velhice é um fardo difícil de carregar. Ela vem acompanhada de dificuldades de movimentos, descuidos, perda de energia e memória e excesso de divagações. O que se fazia com naturalidade na juventude se torna difícil. Palavras antes na ponta da língua de repente fogem. Visitas ao médico se tornam rotineiras. E, além disso, há a consciência da proximidade do fim e as especulações sobre a melhor forma de morrer. O jornalista Roberto Pompeu de Toledo viu a velhice chegar junto com a morte de sua mulher Maria Isabel em 2021. Embora estivesse com 77 anos na ocasião, ele até então não se sentia um idoso e pouco pensava no assunto. Mas o desaparecimento do amor de sua vida o derrubou. "Nunca chorei tanto", lembra. O acontecimento tirou sua alegria e mudou seus hábitos. Muitas atividades que lhe davam prazer, como viajar, foram definitivamente deixadas de lado. No recém-lançado livro "Memorial do Inverno – Um Retrato do Artista Quando Velho", ele conta essa experiência e descreve com maestria e doses de humor, amparado em muitos autores ilustres, como viveu e superou esse luto. Também revela como viu a velhice passar a ser uma questão importante e chegar acompanhada de reflexões sobre o crepúsculo da própria existência. Escrita entre 2022 e 2025, a obra expõe a mudança dos tempos. Se antes, como disse Norberto Bobbio, a velhice estava associada à sabedoria, hoje os velhos são os que não sabem, principalmente quando se trata de tecnologia. Além disso, com o aumento da longevidade, surge o pior dos cenários, o risco da demência e das doenças degenerativas, fantasmas que perturbam a gente com idade mais avançada. Pompeu de Toledo não faz drama. Se na primeira parte do livro ("Dor e luto") prevalece a sombra persistente da morte de Maria Isabel, na segunda ("Vida e destino") já se abrem novas vertentes e o próprio ato de escrever surge como um antídoto para a tristeza. "Tenho escrito esse memorial da velhice com rapidez e alegria. Talvez nunca tenha escrito um livro com tanto entusiasmo", afirma. "Mal me levanto, a cada manhã, e quero logo pôr-me à mesa de trabalho." Quanto mais o livro avança, mais fica claro, nas suas palavras, que a velhice não é o fim da vida, é uma vida também, é uma etapa, com dificuldades adicionais em relação à juventude. mas é vida. Amigos morrem, outros sobrevivem e o mundo continua girando, ora pregando peças, ora trazendo alegrias. O mais importante é continuar existindo com autonomia e humor. Quem ajuda Pompeu de Toledo a continuar atento e forte é a chamada Primeira Amiga, uma companhia habitual de conversas e jantares. Ele lembra que, quando perdeu Maria Isabel, sentiu muita falta do "elemento feminino". Na fase do luto bravo, se sentiu amputado. E a Primeira Amiga, viúva e cinco anos mais nova, veio suprir essa lacuna, reestabelecer um pedaço de sua alma que havia sido dilacerado. "Sinto falta quando fico uma semana sem vê-la", conta. Na terceira parte do livro ("Auroras e Galos"), o autor, agora com 81 anos, se mostra confortável com sua nova condição. Começa citando o gerontólogo Alexandre Kalache, que fala da importância de se preservar a capacidade funcional para chegar aos 80 acima da linha da dependência. O luto foi superado, ele desfruta de autonomia e mora só em um apartamento em Higienópolis, mas longe da solidão. Tem filhos, netos, a Primeira Amiga e vários amigos queridos com quem se encontra com frequência. Tem também o ofício da escrita, que domina como poucos, e está cercado de livros. Diverte-se com suas viagens para a casa de campo em Atibaia. Como diz na parte final, embora ache estranha a palavra "prazeroso" para definir o envelhecimento, nega que a condição seja horrorosa. Tem hoje menos medo de morrer do que no passado. Pompeu de Toledo é autor também de duas obras clássicas sobre São Paulo, "A Capital da Solidão" e "A Capital da Vertigem", de outro livro de memória intitulado "O Espelho e a Mesa" e do romance "Leda". No começo, esse novo livro deveria se chamar "Memorial do Outono", mas o inverno prevaleceu por uma questão de rigor cronológico. Como a obra trata da derradeira etapa da vida, então pareceu mais lógico denominá-la com a estação mais fria do ano. "O inverno castiga mais as pessoas, o frio e o isolamento que ele causa ilustram mais a fase da velhice", afirma. Memorial do Inverno: Um retrato do artista quando velho Preço R$ 99,90 (216 págs.); R$ 39,90 (ebook) Autoria Roberto Pompeu de Toledo Editora Objetiva Vicente Vilardaga É jornalista e escritor. Publicou dois livros: “À Queima-Roupa - O Caso Pimenta Neves” e “A Clínica - A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih” FSP 29.05.2026