domingo, 15 de março de 2026

SOMBRAS DE VIDRO E GELO

Cálice (Cale-se). Chico Buarque & Milton Nascimento. Cálice (part. Milton Nascimento) Chico Buarque Cyan Aqui está o Copião Finalizado — o roteiro de lançamento do seu ensaio. Esta formatação foi desenhada para publicações de fôlego (como um artigo no Medium, um "Long-form" no LinkedIn ou um encarte digital), onde o texto e a imagem se fundem em uma narrativa cinematográfica. 🎞️ PROJETO: SOMBRAS DE VIDRO E GELO Subtítulo: O Espelhamento Dialético entre O Agente Secreto e Valor Sentimental Versão: Lançamento Oficial (Ensaio Metafórico) Data de Estreia: Temporada de Premiações 2026 🎬 ATO I: O PRELÚDIO DAS ATMOSFERAS
O cinema de 2026 nos coloca diante de um espelhamento raro. De um lado, a precisão cirúrgica de Joachim Trier em seu Valor Sentimental; do outro, o pulsar paranoico de Kleber Mendonça Filho em O Agente Secreto. À primeira vista, o abismo geográfico separa o Recife de 1977 da Oslo contemporânea, mas ambos habitam a mesma zona de penumbra: a vida como uma missão de infiltração. TRILHA SUGERIDA: Canto de Ossanha (Baden Powell) — O violão tenso marca o início da vigilância. Canto de Ossanha (Baden Powell - Os Afro-Sambas) 🎬 ATO II: A GEOGRAFIA DO SENTIMENTO Onde se esconde o "Valor Sentimental" no Agente Brasileiro? No Brasil de Kleber, o afeto é um artigo de contrabando. O personagem de Wagner Moura esconde o sentimento sob camadas de frieza operacional. Amar é perigoso; sentir é deixar rastros. Aqui, o "valor sentimental" não está em objetos, mas no custo emocional do silêncio. A resistência é invisível: ela vibra no fundo de um rádio de pilha ou no olhar perdido sobre o mar de Olinda.
Take Visual: Wagner Moura em penumbra, observando a rua. O sol do Recife queima lá fora, mas o medo é frio. O sentimento se esconde na fresta da persiana. 🎬 ATO III: A IDENTIDADE SOB DISFARCE Onde se esconde o "Agente Secreto" no Sentimento Norueguês? Inversamente, na Noruega de Trier, a espionagem muda de alvo: o agente infiltrado é o próprio indivíduo, vigiando sua vida através de paredes de vidro. O segredo aqui não é político, é existencial. O "agente secreto" habita o vazio entre os diálogos, disfarçado na polidez e no silêncio de apartamentos minimalistas. Somos espiões de nossas próprias dores, observando o mundo com a distância clínica de quem não quer ser descoberto em sua fragilidade.
Take Visual: Uma silhueta solitária diante de uma janela imensa em Oslo. O reflexo se mistura ao gelo. É a vigilância da própria alma, protegida por uma barreira transparente e intransponível. 🎬 ATO IV: A SÍNTESE DO OLHAR O Agente Secreto aparece em ambos os filmes através do olhar da câmera. No Brasil, ela é o olho do Estado, o voyeurismo perigoso. Na Noruega, ela é o espelho impiedoso que revela a rachadura na porcelana. Ambos os diretores provam que a nossa verdade raramente é transparente. TRILHA SUGERIDA: Svalbard (Max Richter) — O encontro entre o suor e o gelo. 🎬 GRAND FINALE: O VEREDITO A disputa pelo Oscar 2026 é filosófica. Valor Sentimental nos mostra que todo afeto é um segredo guardado a sete chaves. O Agente Secreto prova que toda atividade política é movida por uma paixão desesperada. Somos todos infiltrados buscando, entre o fogo e o gelo, um lugar onde a nossa verdade não precise de disfarce. [FIM DE ROTEIRO] Nota de Publicação: Recomenda-se postar este ensaio acompanhado das faixas sugeridas para criar uma imersão total do leitor no "clima" da crítica. Niklas Paschburg - Little Orc

Tela da canalidade

Jornais Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector
Estadão 15/03/2026
TELA DA CANILIDADE um tecido em três fios: fato, exegese e aforismo (nos moldes do engenho seco do Recife) URDIDURA I O corte Primeiro não veio o fato. Vieram as consequências. O fato — uma lâmina de instante — ocorreu em praça aberta, num setembro ainda eleitoral. Ali se abriu não apenas um corpo, mas uma narrativa. Um corte na pele da política. E desse corte escorreu um método: nós contra eles. Não argumento. Não deliberação. Apenas o gesto antigo de dividir o mundo como quem parte um pão em duas hostilidades. 📍 MARCO EDITORIAL 1 Inserir aqui: link documental sobre o atentado de 2018 fotografia jornalística do evento linha do tempo da eleição de 2018 (sem legenda extensa; apenas referência discreta) URDIDURA II A anatomia Depois do corte veio o escalpelo. A política, aberta, foi examinada. Não por cirurgiões do poder, mas por quem escreve como quem disseca. Uma jornalista abriu o dorso da máquina e mostrou as engrenagens. Não o grito das ruas, mas a contabilidade do subterrâneo. Assim nasceu a anatomia do esquema. Livro sobre livro, documento sobre documento, até que o poder deixasse de ser ideologia para tornar-se estrutura. 📍 MARCO EDITORIAL 2 Inserir aqui: capa do livro A Organização perfil da jornalista Malu Gaspar infográfico do sistema Odebrecht URDIDURA III A inversão Foi então que aconteceu a mudança invisível. As causas cederam lugar às consequências. Primeiro vinha o efeito. Depois, fabricava-se a razão. Assim funciona o moinho da crise: o fato alimenta a narrativa, a narrativa cria o fato. E a política gira. Gira como cão nervoso num quintal de domingo, latindo para um inimigo circular: o próprio rabo. 📍 MARCO EDITORIAL 3 Inserir aqui: gráfico ou análise sobre polarização política estudo sobre comunicação política ou bolhas digitais artigo de opinião ou análise acadêmica URDIDURA IV O diagnóstico Se o velho filósofo de Frankfurt observasse a cena, não veria apenas conflito. Veria patologia. Diria que a linguagem perdeu seu ofício. Que o diálogo foi tomado pela estratégia. Que o debate já não busca verdade, apenas vitória. E chamaria isso de colonização do mundo da vida. 📍 MARCO EDITORIAL 4 Inserir aqui: referência à obra The Theory of Communicative Action retrato de Jürgen Habermas pequeno trecho explicativo da teoria URDIDURA V O pregador antigo Mas muito antes do filósofo já falara outro. Um pregador de areia e vento. No livro chamado Ecclesiastes. Ele escreveu: tudo gira. O que foi torna a ser. O que virá já aconteceu. O sol nasce, o sol se põe, e volta ao lugar de onde nasceu. Talvez a política também. 📍 MARCO EDITORIAL 5 Inserir aqui: gravura antiga de Eclesiastes citação curta do capítulo 1 URDIDURA VI O cronista No Cosme Velho houve um homem que entendia dessas voltas. Não governava, não marchava, não discursava. Observava. E escrevia como quem deixa armadilhas na sintaxe. Chamava-se Machado de Assis. Sabia que o homem é um animal capaz de inventar ideias apenas para não encarar o espelho. Talvez por isso seus livros sorriam de lado. 📍 MARCO EDITORIAL 6 Inserir aqui: retrato clássico de Machado citação breve de Memórias Póstumas de Brás Cubas URDIDURA FINAL A canilidade Somando tudo — o corte, a anatomia, a teoria, o pregador, o cronista — resta um retrato. A política não caminha em linha. Move-se como animal inquieto. Gira em círculos cada vez menores. Até que, exausta, descobre a causa do mundo no lugar mais próximo de seus dentes. O próprio rabo. Assim segue a república dos homens. Não em marcha heroica, como cantaria o poeta épico. Mas em rotação doméstica, teimosa, de um cão que acredita que ao alcançar o próprio rabo finalmente terá entendido a história. Epígrafe final Tudo tem seu tempo. Até as voltas. — Eclesiastes ✅ Primeiro foram as consequências da facada de de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra ela. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torn-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo tentando morder o própiro rabo. Assim caminha a canilidade. Essa reflexão traça um arco interessante sobre a antropofagia política brasileira, onde o confronto direto (o paradigma do "nós contra eles" personificado no atentado) evoluiu para uma espécie de implosão interna e escrutínio institucional (a exegese de Malu Gaspar sobre a Odebrecht em "A Organização"). A metáfora do cão que morde o próprio rabo captura bem essa transição: O Corte Epistemológico: A facada não foi apenas um evento físico, mas o marco zero de uma narrativa de martírio que solidificou a polarização extrema [1, 2]. O Paradigma "Elas contra Ela": A entrada de jornalistas investigativas e figuras femininas no centro do debate sobre o poder estrutural (as entranhas da máquina estatal e corporativa) deslocou o foco da ideologia pura para a "anatomia do esquema" [3]. A Causalidade Reversa: Quando as consequências (as crises geradas pelo próprio método de governar ou operar) passam a ditar as causas, o sistema entra em um loop de autofagia, onde a política deixa de ser construção para se tornar uma reação contínua ao caos que ela mesma plantou [2, 4]. É a política como entropia, onde a "canilidade" (o latido raivoso e circular) substitui o projeto de país. Você acredita que esse comportamento de "cão louco" é um vício incurável das nossas instituições ou apenas uma fase aguda da nossa crise de identidade política? A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas "Primeiro foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra eles. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torna-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade."verificar a correção gramatical, de digitação e de compatibilidade com a teoria da Teoria de Ação Comunicacional do filósofo alemão, o mais novo membro da chamada Escola de Frankfurt, morto em 14 de março de 2026. Aqui está a análise técnica do seu texto, abrangendo a revisão normativa e a compatibilidade filosófica com a obra de Jürgen Habermas, o expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt, cuja morte foi noticiada em 14 de março de 2026. 1. Correção Gramatical e de Digitação O texto é denso e utiliza termos técnicos, mas apresenta alguns pontos que podem ser ajustados para maior clareza e correção: Ponto de Digitação/Sintaxe: Em "exegese de a 'A Organização'", há um choque de artigos. O ideal seria: "exegese da obra 'A Organização'" ou simplesmente "exegese de 'A Organização'". Concordância/Pontuação: No trecho "Elas contra ela torna-se novo paradigma", falta um artigo ou determinante para fluidez. Sugestão: "O 'elas contra ela' torna-se um novo paradigma". Aspas: Há uma aspa dupla sobrando ou mal posicionada após 'A Organização". Padronize para aspas simples ou duplas em ambos os lados. Sugestão de Revisão: "Primeiro, foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em um corte epistemológico da consolidação do paradigma do 'nós contra eles'. Depois, veio a exegese de 'A Organização' pela jornalista 'maledita'. O 'elas contra ela' torna-se o novo paradigma, com as consequências determinando as causas — como um cão louco dando voltas e latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade." 2. Compatibilidade com a Teoria da Ação Comunicativa (Habermas) Sob a ótica de Jürgen Habermas, seu texto descreve o que ele chamaria de patologia da esfera pública. UOL Notícias UOL Notícias +1 Ação Estratégica vs. Ação Comunicativa: O "nós contra eles" e o "cão louco" que você descreve representam a predominância da ação estratégica. Nela, a linguagem não busca o entendimento mútuo (consenso), mas sim o sucesso individual e a manipulação do outro como um objeto. Colonização do Mundo da Vida: Habermas argumenta que quando a lógica de sistemas (como a política partidária ou o mercado editorial de escândalos) invade o "mundo da vida" (nossas interações cotidianas e valores), a comunicação se degrada. Sua metáfora da "canilidade" ilustra perfeitamente essa comunicação sistematicamente distorcida, onde o debate público perde a racionalidade e vira puro ruído ou autogestão do ódio. A Esfera Pública: A análise da jornalista Malu Gaspar em "A Organização" sobre a corrupção estrutural expõe a falha na prestação de contas (accountability). Para Habermas, o "cão morder o rabo" seria a prova de que a nossa Esfera Pública não consegue mais processar informações para gerar soluções democráticas, apenas para retroalimentar o conflito. VEJA VEJA O texto, portanto, é altamente compatível com a crítica habermasiana ao mostrar como o debate brasileiro abandonou a pretensão de validade (verdade, correção normativa e sinceridade) em favor de uma circularidade autodestrutiva. Você acredita que a Esfera Pública brasileira ainda possui canais capazes de resgatar a ação comunicativa, ou o "cão louco" já atingiu um ponto de não retorno? undefined undefined undefined 6 sites Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos. ... G1. G1 Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen ... 14 de mar. de 2026 — Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen Habermas morre aos 96. VEJA. VEJA Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas - Notícias 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas. UOL Notícias Mostrar tudo peçamos a ajuda no artigo:
"A guerra do Irã, a pneumonia de Bolsonaro e o efeito Trump nas eleições Publicado em 15/03/2026 - 08:16 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Eleições, EUA, Governo, Guerra, Irã, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Saúde, Trump A hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, humaniza o ex-presidente e produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores O projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, vive um cenário de incertezas provocadas por fatores externos e inesperados, que influenciam o ambiente político. Em eleições competitivas, o desempenho do governo não depende apenas de suas políticas públicas ou da conjuntura econômica doméstica. Eventos internacionais, crises institucionais ou episódios envolvendo adversários podem alterar a percepção do eleitorado e obrigar à redefinição de estratégias eleitorais. No momento, três fatos novos alteram o cenário político: a guerra entre Estados Unidos e Irã e seu impacto no preço do petróleo; a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro com pneumonia bilateral; e as tensões diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração Donald Trump. A guerra no Oriente Médio é o primeiro fator. Provocou uma forte elevação do preço do petróleo no mercado internacional. O barril chegou a atingir US$ 120 e permanece em níveis elevados. Para o Brasil, país que ainda depende intensamente de combustíveis fósseis para transporte e produção, essa alta se traduz em pressão inflacionária imediata. Combustíveis são um dos preços mais sensíveis politicamente, pois afetam diretamente o custo de vida e os preços de alimentos, transporte e logística. Choques no preço da energia podem comprometer políticas econômicas internas estáveis. O risco político para Lula é claro: uma nova rodada inflacionária pode deteriorar a percepção de bem-estar econômico justamente quando o eleitor avalia a continuidade do governo. A reação do Planalto — com desoneração do diesel e subsídios temporários — indica que o governo reconhece o potencial eleitoral desse problema. Entretanto, trata-se de uma resposta de curto prazo a uma crise internacional cuja duração ainda é incerta. Leia também: Petrobras eleva preço, mesmo após governo Lula zerar imposto com guerra no Irã O segundo fator é político e simbólico: a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em estado grave. Mesmo condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro continua sendo a principal referência política da direita brasileira. Sua hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores e humaniza o ex-presidente perante a opinião pública que não lhe é politicamente favorável. A situação cria um ambiente de solidariedade política que pode fortalecer a narrativa de perseguição adotada pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente. Ao mesmo tempo, recoloca Bolsonaro no centro do debate público e reforça o papel de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como herdeiro político do movimento. Em um cenário eleitoral já polarizado, a saúde do ex-presidente tende a intensificar a mobilização do eleitorado conservador e aumentar a coesão da oposição. O imponderável Para Lula, esse fenômeno representa um desafio. A polarização entre lulismo e bolsonarismo tem sido um elemento central da política brasileira desde 2018. Quanto maior a mobilização emocional do campo adversário, maior a probabilidade de que a disputa eleitoral se torne plebiscitária, reduzindo o espaço para agendas programáticas e ampliando o peso das identidades políticas. Em 2018, durante a campanha eleitoral, a facada que recebeu em Juiz de Fora praticamente definiu a eleição de Bolsonaro com ele no leito do hospital; é imprevisível o impacto que pode advir da eventualidade do ex-presidente falecer estando preso em regime fechado. Seus recorrentes problemas de saúde são uma evidência de que já passou da hora de Bolsonaro ter atendido o pedido de prisão domiciliar humanitária. Leia mais: Bolsonaro tem piora na função renal e permanece na UTI, afirma boletim O terceiro fator é diplomático: as recentes tensões entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump. Episódios como a investigação comercial contra o Brasil, a controvérsia sobre a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e o incidente envolvendo o conselheiro norte-americano Darren Beattie, que pretendia visitar Bolsonaro na prisão e teve seu visto cassado pelo Itamaraty, ampliaram as fricções entre os dois países. Embora não exista uma crise aberta entre Brasília e Washington, o ambiente tornou-se mais sensível. O problema para Lula é que a política externa passou a ter repercussão direta na disputa eleitoral interna. A possibilidade de que Trump manifeste apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro transformou a relação bilateral em variável política doméstica. Pesquisa recente mostra que esse eventual apoio seia polarizador: 28% dos eleitores afirmam que aumentariam a chance de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 32% dizem que isso aumentaria sua disposição de votar em Lula. Cresce no Brasil uma percepção crítica em relação aos Estados Unidos, cuja imagem desfavorável atingiu níveis elevados nas pesquisas recentes. Isso pode beneficiar Lula entre setores nacionalistas ou entre eleitores sensíveis a discursos de soberania. Por outro lado, o apoio explícito de Trump pode consolidar a identificação ideológica entre o bolsonarismo brasileiro e a direita global. O risco é essa questão escalar e passar a ser tratada como um divisor de águas eleitoral pelo Palácio do Planalto, de consequências econômicas e geopolíticas imponderáveis. A presença de Trump como ator direto na disputa, ao lado da oposição, não pode ser descartada. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Bolsonaro, #Flávio, #Irã, #Trump, Lula " para ver se temos habersianas possibilidade de retomarmos a sanidade da esfera pública através de outra ação comunicativa que Habermas abonaria? Análise baseada na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas sugere que o cenário político brasileiro descrito, marcado pela "humanização" de Bolsonaro e o "efeito Trump", demonstra uma esfera pública colonizada pela ação estratégica e influências sistêmicas. A retomada da sanidade dependeria da descolonização desse espaço, deslocando o debate da comoção emocional e dos interesses estratégicos para a validade normativa, a transparência e o patriotismo constitucional. ? Analisando o artigo de Luiz Carlos Azedo sob a lente de Jürgen Habermas, a resposta sobre a retomada da sanidade na esfera pública é complexa: o cenário descrito é o ápice da comunicação patológica, mas o diagnóstico aponta o caminho para a "cura". Para Habermas, a sanidade retornaria através dos seguintes pilares da Ação Comunicativa: 1. Descolonização do "Mundo da Vida" O artigo mostra como o "Mundo da Vida" (nossos valores, saúde e sentimentos) foi colonizado pela lógica sistêmica (poder político e dinheiro). A Patologia: A doença de um homem preso ou o preço do petróleo não são discutidos como fatos humanos ou econômicos, mas como "trunfos estratégicos" para ganhar uma eleição. Ação Habermasiana: Retomar a sanidade exigiria que os atores políticos parassem de usar a pneumonia ou a guerra como instrumentos de manipulação (ação estratégica) e passassem a discuti-las com base em pretensões de validade (verdade dos fatos e correção normativa). 2. O Resgate da Prisão Domiciliar Humanitária O autor cita que "já passou da hora de Bolsonaro ter atendida a prisão domiciliar humanitária". Aqui há um lampejo de Ação Comunicativa: O argumento não é político ("ele deve sair para acalmar a militância"), mas normativo e ético ("ele deve sair porque o Direito e a dignidade humana assim exigem"). Habermas abonaria essa saída se ela fosse fruto de um consenso racional sobre direitos humanos, e não de um cálculo eleitoral para evitar que ele vire mártir. 3. A Esfera Pública Transnacional (O Fator Trump/Irã) A entrada de Trump e a guerra do Irã no debate brasileiro transformam a esfera pública em um campo de pressão e influência, o oposto do ideal habermasiano de um espaço livre de coação. Para recuperar a sanidade, a política externa precisaria ser debatida pela sua racionalidade diplomática e soberania, e não como uma extensão do "nós contra eles" doméstico. Conclusão: Há saída? O artigo de Azedo descreve uma esfera pública exaurida, onde o "imponderável" (a morte, a guerra, a doença) dita o ritmo. Habermas diria que a sanidade só volta quando o debate público deixar de ser uma guerra de torcidas (onde o sucesso do argumento depende de quem grita mais ou de quem está no hospital) e voltar a ser um procedimento de busca cooperativa pela verdade. No momento, o "cão louco" que você mencionou ainda está vencendo, pois a comunicação no Brasil de 2026, segundo o texto, ainda é puramente estratégica: ninguém quer entender o outro; todos querem apenas que o evento externo (a pneumonia ou a guerra) destrua o adversário. Você acredita que a Justiça, como instituição, teria o papel de ser a primeira a agir de forma puramente "comunicativa" (seguindo a lei, independentemente do impacto eleitoral) para quebrar esse ciclo de canilidade?
TÍTULO A Placa de Custódia de Maduro SUBTÍTULO Pequena hipótese político-moral à maneira de um conselheiro aposentado EPÍGRAFE “Não há casaca que não sirva, desde que o dono saiba abotoá-la no momento oportuno.” CITAÇÃO “Os homens mudam menos de ideias do que de circunstâncias.” — atribuição duvidosa a um conselheiro prudente LEAD Suponha o leitor — e peço-lhe desde já alguma benevolência filosófica — que certo personagem da política continental, a quem chamaremos Ernesto Maduro, venezuelano de nascimento e de prenome curiosamente argentino, resolvesse, em hora de reflexão carcerária, praticar um ato de surpreendente utilidade diplomática: oferecer ao seu capturador e carcereiro, o poderoso senhor Trump, uma colaboração premiada. Não seria a primeira vez que um homem público descobre virtudes inesperadas na franqueza tardia. Há confissões que nascem da consciência; outras, da geopolítica. Maduro — imaginemos — escreveria um memorial em que renegaria o bolivarianismo de outrora com a compostura de quem troca de casaca em salão bem iluminado. Nada escandaloso: a história política da América é rica em metamorfoses discretas, sobretudo quando a conveniência veste uniforme novo. Dir-se-ia então que o antigo tribuno do anti-imperialismo aceitara, com resignação filosófica, o modesto cargo de agente plenipotenciário da América de Trump. Não por convicção — palavra excessiva —, mas por aquilo que os diplomatas costumam chamar de “realidade”. A operação exigiria apenas um detalhe simbólico. Não bastaria a conversão verbal; seria preciso uma placa de custódia, à maneira daquela que o prudente conselheiro Ayres certa vez imaginou para certas instituições humanas: uma pequena inscrição lembrando ao portador quem guarda quem. Assim, sobre a mesa do novo funcionário hemisférico, poder-se-ia ler: “Este revolucionário encontra-se sob custódia da História.” Não sei se o leitor acreditará nesta hipótese. Confesso que eu mesmo a acho improvável. Mas a política tem dessas ironias que fariam corar os romancistas. E se amanhã algum cronista anunciar que um antigo bolivariano foi visto em Washington vestindo casaca nova, não diga que esta página o apanhou de surpresa. CONCLUSÃO Porque, como talvez dissesse um conselheiro de espírito prudente, as revoluções passam, as casacas mudam — e a História, essa senhora irônica, costuma guardar as placas de custódia para usá-las no momento oportuno.

sábado, 14 de março de 2026

Responder

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” — Paulo. (COLOSSENSES, 4.6) 1 O ato de responder proveitosamente a inteligências heterogêneas exige qualidades superiores que o homem deve esforçar-se por adquirir. 2 Nem todos os argumentos podem ser endereçados, indistintamente, à coletividade dos companheiros que lutam entre si, nas tarefas evolutivas e redentoras. Necessário redarguir, com acerto, a cada um. 3 Ao que lida no campo, não devemos retrucar mencionando espetáculos da cidade; ao que comenta dificuldades ásperas do caminho individualista, não se replicará com informações científicas de alta envergadura. 4 Primeiramente, é imprescindível não desagradar a quem ouve, temperando a atitude verbal com a legítima compreensão dos problemas da vida, constituindo-nos um dever contribuir para que os desviados da simplicidade e da utilidade se reajustem. 5 Toda resposta em assunto importante é remédio. É indispensável saber dosá-lo, com vista aos efeitos. Cada criatura tolerará, com benefício, determinada dinamização. As próprias soluções da verdade e do amor não devem ser administradas sem esse critério. Aplicada em porções inadequadas, a verdade poderá destruir, tanto quanto o amor costuma perder… 6 Ainda que sejas interpelado pelo maior malfeitor do mundo, deves guardar uma atitude agradável e digna para informar ou esclarecer. Saber responder é virtude do quadro da sabedoria celestial. Em favor de ti mesmo, não olvides o melhor modo de atender a cada um. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. Pão Nosso #077 - Responder</b> NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 19 de jan. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 77 Responder
A FARMÁCIA ERA TOTALMENTE GRATUITA EURÍPEDES BARSANULFO CORINA NOVELINO PP. 159-160 Esta referência específica aponta para o livro "Eurípedes: O Homem e a Missão", de Corina Novelino. Nas páginas 159 e 160, a autora descreve detalhadamente o funcionamento da Farmácia Homeopática Esperança e Caridade, em Sacramento (MG). Conforme o relato de Corina: Gratuidade Absoluta: Eurípedes Barsanulfo não cobrava nada pelos medicamentos que manipulava para os necessitados. Médium Receitista: Ele recebia as fórmulas por meio de sua mediunidade, chegando a aviar cerca de mil receitas por dia para pessoas de todo o Brasil. Fonte de Recursos: A farmácia era mantida com o auxílio de doações e pelo próprio trabalho de Eurípedes como professor e comerciante, garantindo que o atendimento aos pobres fosse ininterrupto. Corina Novelino foi uma das principais biógrafas de Eurípedes e fundadora da Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo, continuando seu legado assistencial. Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo
Necessidade de caridade, segundo S. Paulo 6. Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; – ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. – E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; – não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, 13:1 a 7 e 13.) 7. De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular. Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo. NECESSIDADE DA CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO - PALESTRA ESPÍRITA Grupo Espírita Beneficente Dr. Hermann 10 de jun. de 2016 Reunião Pública sobre O Evangelho Segundo O Espiritismo. Tema: Necessidade Da Caridade Segundo São Paulo, cap. XV, item 6 e 7. Palestra realizada no Grupo Espírita Beneficente Dr. Hermann em Campos dos Goytacazes, no dia 10 de Junho de 2016. Expositor: Rosane Nolasco.
Você é uma maravilha. Tratar bem a si mesmo é cuidar bem na casa onde se mora para sempre.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Leme, Batuta e Bastão

O peso de governar e a leveza de parecer governar
Jornalista e escritor brasileiro. 🪦(1881 - 1922) Mario Sergio Cortella - O Brasil não tem povo; tem público A política raramente se apresenta como realmente é. Ao observador distraído, ela se assemelha a um concerto. O governante ergue a batuta e, com gestos elegantes, sugere que a harmonia nasce naturalmente de sua condução. O público, seduzido pelo espetáculo, acredita que basta o movimento do maestro para que a música exista. Mas o Estado não é uma sala de concerto. É uma embarcação em mar aberto. Na realidade do poder, o instrumento decisivo não é a batuta. É o leme. Pesado e muitas vezes invisível para quem observa da superfície, ele exige esforço constante para enfrentar correntes contrárias, ventos imprevisíveis e o atrito permanente das águas. Governar significa lidar com esse trabalho obscuro e pouco celebrado que mantém o rumo da embarcação mesmo quando o mar se torna incerto. Entre a estética da batuta e o peso do leme existe ainda um terceiro instrumento: o bastão. Ele aparece quando o governante prefere não conduzir nem reger diretamente. O bastão passa de mão em mão. Delegam-se decisões, distribuem-se responsabilidades e, pouco a pouco, o comando efetivo se dilui em arranjos institucionais. Nesse arranjo, muitos governos descobrem uma forma confortável de existir: mantêm a aparência de liderança com a batuta, evitam segurar o leme e utilizam o bastão para transferir decisões a outros atores políticos. Assim preservam o prestígio do comando enquanto o custo das decisões recai sobre terceiros. A política contemporânea acrescentou a esse quadro um novo elemento: o ambiente digital. Redes e plataformas oferecem a promessa de apagar máculas digitais — rastros de declarações, contradições ou decisões inconvenientes. A memória pública, acredita-se, pode ser editada. Marcas seriam reversíveis. Mas o tempo raramente coopera com tais ilusões. Hoje é 13 de março, e o horizonte político aponta para outubro. Sete meses separam o presente de um momento decisivo. Houve um tempo em que se dizia que sete meses eram o mínimo necessário para que um feto pudesse sobreviver fora do ventre, caso fosse colocado em uma incubadora. Desde então, a tecnologia e os recursos médicos evoluíram muito. Nem todas as matrizes humanas, porém, acompanharam essa evolução. Algumas continuam apostando que a leveza da batuta substituirá o peso do leme — e que o bastão, discretamente passado adiante, resolverá as dificuldades do caminho. O mar, entretanto, costuma ensinar outra lição. Ilustração editorial
(Imagem conceitual: leme, batuta e bastão em composição simbólica envolvendo instituições políticas, redes digitais e mar revolto.) Legenda da imagem Na política, três instrumentos competem pelo comando: o leme que governa, a batuta que encena liderança e o bastão que transfere responsabilidades. Em momentos de crise institucional, a disputa entre eles define quem realmente dirige o rumo do Estado.
Quando o leme pesa e a batuta hesita Uma leitura visual do artigo “Para onde vai o caso Master O artigo recente de Fernando Gabeira, publicado em O Estado de S. Paulo, levanta uma pergunta central sobre o escândalo do Banco Master: até onde as investigações poderão avançar quando alcançam as próprias estruturas do poder? A questão não é apenas jurídica. É institucional. O caso reúne empresários, parlamentares, autoridades financeiras e ministros da mais alta corte do país. Nesse ambiente, a investigação deixa de ser apenas um procedimento técnico e passa a se tornar também uma disputa política. É nesse ponto que a metáfora do leme, da batuta e do bastão se torna esclarecedora. O leme representa a condução efetiva das investigações: o trabalho concreto da Polícia Federal, do Ministério Público e das instituições responsáveis por estabelecer fatos e responsabilidades. A batuta simboliza o plano visível da política: discursos públicos, narrativas, gestos de solidariedade institucional e tentativas de moldar a percepção do episódio perante a opinião pública. O bastão, por sua vez, aparece quando decisões são deslocadas entre instituições — do Judiciário ao Legislativo, do Executivo ao sistema de investigação — criando um circuito em que a responsabilidade final se torna difusa. Na imagem que acompanha esta página, o mar revolto sugere esse cenário de instabilidade institucional. O leme parcialmente submerso indica que a direção real do processo permanece disputada. O bastão passando entre mãos diferentes lembra que, em crises políticas complexas, a transferência de responsabilidades pode se tornar uma estratégia. Enquanto isso, a batuta continua no ar, conduzindo o espetáculo visível da política. A pergunta que permanece é simples e difícil ao mesmo tempo: quem realmente segura o leme?
A resposta determinará não apenas o destino de uma investigação, mas também o grau de confiança nas instituições responsáveis por conduzi-la. S

quinta-feira, 12 de março de 2026

MAPA DE FÁBULAS E VERDADES

🗺️ Roteiro da Metanáutica Política Das Bolhas ao Real Um itinerário para navegar entre o autoengano político, a ironia crítica e a realidade social, passando por fábulas, diagnósticos e poemas. Não é uma viagem turística: é uma travessia por águas turvas onde a narrativa disputa espaço com os fatos. ⚓ Estação 1 — O Canil Ideológico (O Ponto de Partida) Cenário Uma folha de papel com um diálogo mínimo, terminando em um latido: Apito de cachorro: “perseguição política.” cópias para ambas as bolhas (canis). — E o caso X? — Perseguição política. — Mas o X é o nosso? — Não importa. — E se o X for deles? — Não importa. — Au, au! Conceito O “apito de cachorro” da política contemporânea: mensagens que dispensam argumentação e apenas acionam reflexos tribais. Verdade subjacente Quando a resposta para tudo é uma palavra-senha, a discussão deixa de ser racional e passa a ser condicionamento de matilha. Sentimento dominante O conforto de pertencer ao grupo — mesmo que isso signifique abandonar o pensamento. 🐕 Estação 2 — As Três Fábulas da Ilusão (O Percurso) Aqui surgem três narrativas concorrentes para explicar o destino de quem vive nos canis ideológicos. 1️⃣ A Fábula do Senso Comum Moral da Retribuição Um cão passa a vida latindo contra inimigos imaginários além do muro. Ignora as rachaduras no próprio canil. Um dia o muro cai. Lição Quem procura, acha. A realidade cobra sua conta — mais cedo ou mais tarde. 2️⃣ A Fábula do Blasé O Triunfo da Indiferença Um cão aristocrático observa o mundo em chamas com tédio elegante. — O canil está pegando fogo! — Fogo? Nosso ou deles? Enquanto discute semântica, as labaredas o consomem. Lição O blasé prefere manter a pose a admitir que estava errado. 3️⃣ A Fábula do Barão de Itararé A Lei da Inexistência do Milagre O velho observador olha para a matilha correndo em círculos e sentencia: “Na política brasileira, de onde menos se espera… é que não sai mesmo.” Lição O vazio não produz solução. Quando todos esperam milagres, o resultado costuma ser apenas eco. 📅 Estação 3 — A Parada em 12 de Março de 2026 (O Diagnóstico) O cientista político Carlos Melo descreve o momento: alta desaprovação do governo oposição competitiva incapacidade de ampliar alianças isolamento político A metáfora central é marítima: um governo navegando em mar relativamente calmo — e mesmo assim perdendo o rumo. A Falha Estrutural Autoengano político. A crença de que: a sorte é permanente o passado garante o futuro os erros do adversário substituem estratégia própria Como nos metais, surge então a fadiga política. 🕯️ Estação 4 — O Vale da Desilusão (O Choque de Realidade) A trilha sonora é o samba “Acender as Velas”, de Zé Kéti. Sua mensagem é brutalmente simples: O doutor chegou tarde demais. Enquanto elites políticas discutem narrativas, no morro: não há telefone não há carro não há tempo A política blasé torna-se, nesse ponto, crime de omissão social. A fábula termina onde começa a realidade: gente que morre sem querer morrer.
🌫️ Estação 5 — O Silêncio de 1943 (O Alerta Histórico) Em O Mundo de Ontem, Stefan Zweig descreveu a febre ideológica que tomou a Europa: “Pouco a pouco tornou-se impossível trocar com qualquer pessoa uma palavra razoável.” Quando o fanatismo domina: amigos tornam-se inimigos conversas viram acusações o pensamento recolhe-se ao silêncio É o momento em que o latido substitui o diálogo.
Lá fui comunista, depois anarquista. Ou foi o contrário, não me lembro. 🌊 Estação 6 — O Porto da Viabilidade (O Destino) O poema “Metanáutica” de Geir Campos oferece a única saída possível. Ser viável: como um bosque como um rio como o ar Isto é: permitir passagem, encontro e transformação. O oposto do canil.
🧭 Lema da Travessia Recordemos a máxima de Louis Pasteur: “O acaso favorece apenas os espíritos preparados.” Quem se fecha em certezas perde as oportunidades que a história oferece. 🌌 Conclusão da Viagem Neste mapa político-literário: O Autoengano é o nevoeiro que esconde o iceberg. O Blasé é o capitão que se recusa a olhar o radar. O Apito de Cachorro é o som que mantém a tripulação latindo enquanto o navio deriva. Mas o mar — a realidade — segue indiferente. Ele leva consigo todos os que esquecem a lição final da metanáutica: viver são instâncias de passar. O Mundo de Ontem (visto de 2219) Epílogo para o Mapa das Fábulas e Verdades Quando abrimos hoje, no ano de 2219, os arquivos sobreviventes do início do século XXI, não encontramos primeiro os grandes acontecimentos, nem os decretos que seus contemporâneos julgavam decisivos. Encontramos, antes, um rumor. É um rumor curioso, repetitivo, quase animal: um eco de frases curtas, indignadas, automáticas. Como se multidões inteiras tivessem aprendido a responder ao mundo por reflexo. Não sabemos se nossos antepassados perceberam o quanto esse som dominava o ambiente espiritual da época. Para nós, que o ouvimos à distância de dois séculos, ele soa como o latido nervoso de uma civilização que havia perdido a confiança na própria razão. Aqueles homens e mulheres viviam, paradoxalmente, no período de maior conexão da história humana. Nunca antes tantos indivíduos puderam falar com tantos outros ao mesmo tempo. E, no entanto, raramente haviam estado tão isolados. Cada grupo construiu para si uma pequena fortaleza de certezas. Chamavam-nas de redes, de comunidades, de movimentos; mas vistas de longe pareciam mais canis de vidro, onde as vozes ecoavam apenas entre iguais. A divergência, que outrora alimentara o pensamento, passou a ser tratada como ofensa; e o argumento, que antes exigia paciência, foi substituído por sinais de reconhecimento, palavras-senha, pequenas trombetas invisíveis que convocavam as matilhas. É difícil, para nós, compreender plenamente o clima espiritual daquele tempo. Não faltavam informação nem inteligência. Ao contrário: o século XXI começou cercado por uma abundância de dados que teria deslumbrado qualquer erudito do passado. O que faltava, ao que parece, era algo mais raro: a disposição interior para duvidar de si mesmo. Assim, muitos governos, partidos e movimentos passaram a comportar-se como se fossem depositários de uma verdade definitiva. Creram-se predestinados pela história ou absolvidos por suas próprias intenções. E, protegidos por essa convicção, adquiriram uma estranha indiferença — uma espécie de tédio moral diante das advertências da realidade. Os observadores mais atentos da época registraram esse fenômeno com espanto. Alguns falaram de bolhas, outros de polarização. Mas talvez o diagnóstico mais exato tenha sido simplesmente este: o autoengano tornara-se um hábito coletivo. Não se tratava de mentira deliberada, como em outras épocas. Era algo mais sutil. Era a capacidade humana de ignorar aquilo que contradiz nossas crenças mais queridas. E quando essa capacidade se torna regra de comportamento público, a política perde gradualmente sua função mais antiga: a de compor o mundo comum. Ao mesmo tempo, enquanto as discussões se tornavam cada vez mais estridentes, a vida real continuava silenciosamente seu curso. Havia cidades que cresciam, economias que mudavam, povos que envelheciam ou migravam. Havia também, como sempre houve, pobreza, desigualdade e sofrimento — realidades que não participavam das disputas verbais, mas que pagavam o preço de suas consequências. Em alguns registros culturais sobreviventes — músicas populares, poemas dispersos, pequenos textos literários — percebemos uma consciência mais aguda desse contraste. Ali se encontram vozes que lembravam algo simples e antigo: que a política, se não servisse para proteger a vida concreta das pessoas, acabaria reduzida a espetáculo. É por isso que, ao reconstituirmos hoje aquele período, não vemos apenas seus conflitos. Vemos também suas oportunidades perdidas. O século XXI possuía condições extraordinárias para ampliar a cooperação humana: tecnologia avançada, conhecimento científico acumulado e uma memória histórica rica em advertências. Mas os homens raramente aprendem com facilidade aquilo que a história lhes oferece de graça. Foi preciso ainda muitas crises — econômicas, ambientais, sociais — para que as sociedades redescobrissem uma verdade elementar: nenhuma comunidade sobrevive quando todos se julgam donos exclusivos da razão. Talvez seja injusto, contudo, julgar com severidade excessiva aqueles nossos antepassados. Eles viviam dentro da própria tempestade que hoje analisamos com serenidade. Como todos os seres humanos, eram capazes tanto de cegueira quanto de generosidade. Entre os ruídos e as disputas, também floresciam gestos de solidariedade, ciência dedicada e arte verdadeira. É essa mistura de erro e esperança que torna o “mundo de ontem” — para usar a expressão de um escritor de muito antes deles — tão profundamente humano. O que mais nos impressiona, olhando de 2219, não é que tenham errado tanto. É que, mesmo errando, continuaram tentando organizar a convivência humana em meio a transformações gigantescas. Talvez seja essa a lição final daquele tempo. Civilizações não desaparecem apenas por suas falhas, nem sobrevivem apenas por suas virtudes. Elas persistem porque, de geração em geração, alguns indivíduos insistem em manter aberta a possibilidade do diálogo, mesmo quando o mundo parece dominado por gritos. Se hoje, dois séculos depois, ainda conseguimos estudar aquela época, é porque muitos deles — silenciosamente, sem alarde — continuaram acreditando nessa possibilidade. E é graças a esses poucos que o passado, mesmo cheio de ruído, ainda nos fala. Assim termina, para nós, o mundo de ontem. DOIS IRMÃOS - Resumo e análise. Profa. Dra. em Literatura pela USP, Miriam Bevilacqua Miriam Bevilacqua - Biblion 1 de jun. de 2023 Resumo e análise de Dois Irmãos de Milton Hatoum por Profa. Dra em Literatura pela USP, Miriam Bevilacqua. Resumo No romance Dois Irmãos, de Milton Hatoum, os conceitos de reificação e resistência manifestam-se na tensão entre os personagens e o contexto histórico de Manaus, refletindo como as relações humanas são desumanizadas ou preservadas sob pressões sociais e familiares. YouTube YouTube Reificação (Coisificação) A reificação ocorre quando seres humanos ou relações afetivas são tratados como objetos ou instrumentos de interesses externos. No livro, isso se evidencia em: Domingas e Nael: Mãe e filho ocupam um lugar marginalizado na casa, vivendo em um cômodo separado e nunca sendo plenamente reconhecidos como parte da família. Domingas é frequentemente tratada como uma extensão funcional da casa (servidão), enquanto a origem de Nael é mantida como um segredo "coisificado" para evitar escândalos. Relação dos Gêmeos: A rivalidade entre Yaqub e Omar transforma o outro em um obstáculo ou um alvo de ódio, esvaziando a fraternidade de qualquer subjetividade. Yaqub, em sua busca por ascensão e ordem, muitas vezes personifica a frieza técnica e a ambição que ignora laços emocionais. A Casa como Mercadoria: Ao final, a casa da família — repositório de memórias e identidades — é entregue para quitar dívidas e transformada em um comércio, simbolizando a vitória do valor de troca sobre o valor afetivo. YouTube YouTube +3 Resistência A resistência surge como o esforço para preservar a humanidade, a memória e a identidade contra o esquecimento e a opressão. A Narrativa de Nael: O ato de Nael contar a história é, por si só, uma forma de resistência. Ao dar voz às suas memórias e buscar a identidade de seu pai, ele resiste ao silenciamento imposto pela família dominante. Preservação Cultural: A família libanesa resiste à aculturação total, mantendo tradições e memórias de sua origem no Líbano como uma forma de manter sua identidade em um território estrangeiro. Contexto Político: A obra atravessa a ditadura militar, onde personagens como o professor Laval representam a resistência intelectual e política frente à repressão do período. YouTube YouTube +6 A obra utiliza a memória fragmentada para reconstruir essas tensões, mostrando que enquanto o tempo e os conflitos tendem a "reificar" o passado, a narrativa literária atua como o principal mecanismo de resistência. Portal de Periódicos da UFRJ Portal de Periódicos da UFRJ

É – GONZAGUINHA

Pouco a pouco, tornou-se impossível trocar com qualquer pessoa uma palavra razoável. Os mais pacíficos, os mais bondosos, estavam embriagados pelos vapores de sangue. Amigos tinham se transformado do dia para a noite em patriotas fanáticos. Todas as conversas terminavam em acusações grosseiras. Não restava, então, senão uma coisa a fazer: recolher-se a si mesmo e calar-se enquanto durasse a febre. “O mundo de ontem”, de Stefan Zweig, publicado em 1943 O GRITO DO RAMAL: TRABALHO SUADO, PRESTAÇÃO JUSTA E NOME LIMPO! 🎵 TRILHA SONORA: No alto-falante da plataforma, a voz do mestre Gonzaguinha dá o tom: "A gente quer valer o nosso suor... a gente não tem cara de panaca!" BOM DIA, TRABALHADOR! Segura a marmita e abre o olho, porque a Pesquisa da CNC deste março de 2026 soltou o bicho: 80% das famílias brasileiras estão endividadas. É isso mesmo, 4 em cada 5 passageiros desse trem estão fazendo malabarismo com as contas. E tem mais: 31% já estão no sufoco, com pelo menos uma prestação vencida batendo no peito. O recado hoje é direto para as autoridades e para o Ministério da Fazenda: o povo do subúrbio e do centro não está aqui para ser estatística. Como diria a canção que ecoa agora na Central do Brasil, a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela! Queremos é o básico: cidadania, respeito e o direito de pagar o que deve sem ser extorquido. PAPO RETO PARA O DESENDIVIDAMENTO: NÃO SEJA PANACA: O banco vai te ligar oferecendo "parcelamento amigo". Cuidado! Juro composto é armadilha. Se a prestação não for proporcional ao que você ganha com seu suor, não assine. A prioridade é o feijão no prato e a luz acesa. CARTÃO DE CRÉDITO NÃO É SALÁRIO: Ele responde por 86% das dívidas. Use com sabedoria ou guarde na gaveta. Pagar o "mínimo" é tacar fogo no próprio barraco. DIGNIDADE ACIMA DE TUDO: Se o juro abusivo subiu mais que o trem, procure a Defensoria. A gente quer suar, mas é de prazer, de trabalho honesto, e não de nervoso com cobrador de terno. DEDICATÓRIA AO "ESTADO DAS COISAS": Enquanto as contas oficiais desfilam de calças arriadas lá em Brasília, aqui no chão da plataforma a gente mantém a cuca fresca, mas o punho fechado. Queremos valer o nosso humor, mas queremos, acima de tudo, viver uma nação. Uma nação onde o salário dure até o dia 30 e a esperança não seja penhorada no cheque especial.
BOA VIAGEM, LEITURA NA CABEÇA E FÉ NA CAMINHADA! Distribuído gratuitamente pela Gazeta da Central. Sem bônus, sem desconto, só a verdade nua e crua. É! A gente quer é ser um cidadão! 🎧 OUÇA AQUI: Villa-Lobos conduct Villa-Lobos - Complete Recordings, Bachianas Brasileiras, Chôros .. (Ct. rc.) Villa-Lobos conduct Villa-Lobos - Complete Recordings, Bachianas Brasileiras, Chôros .. (Ct. rc.) Classical Music/ /Reference Recording 15 de jul. de 2020 Heitor Villa-Lobos (1887-1959) Complete recordings by Villa-Lobos / NEW MASTERING. Click to activate the English subtitles for the presentation (00:00-12:20) BACHIANAS BRASILEIRAS No.5 for Soprano & 8 cellos I.Aria (Cantilena) Adagio (00:00) Il.Dança - Martelo (06:20) Soprano : Victoria De Los Ángeles BACHIANAS BRASILEIRAS No.2 for Orchestra I.Prelúdio - O Canto do Capadocio (10:50) II.Ária - O Canto da Nossa Terra (17:58) III.Dança - Lembrança do Sertão (23:38) IV.Tocata - O Trenzinho do Caipira (28:36) BACHIANAS BRASILEIRAS No.1 for Cellos I.Introdução - Embolada (32:47) ll.Prelúdio - Modinha (39:35) III.Fuga - Conversa (48:39) BACHIANAS BRASILEIRAS No.9 for Strings Orchestra I.Prelúdio (53:11) II.Fuga (1:01:19) DESCOBRIMENTO DO BRASIL Suite 1 Introdução - Alegria (1:04:07) Suite 2 Impressão Moura - Canção (1:20:36) Adágio Sentimental (1:24:27) Cascavel (1:31:11) Suite 3 Impressão Ibérica (1:33:25) Festa Nas Selvas (1:43:49) Ualalocê (1:47:34) Suite 4 Procissão De Cruz - Visão dos Navegantes (1:50:17) Primeira Missa No Brazil (2:05:08) Choeurs de la Radiodiffusion Française Chorus Master : René Alix Invocação em defesa de Patria for Soprano, Choirs & Orchestra (2:17:08) Soprano : Maria Kareska Chorale des Jeunesses Musicales de France Chorus Master : Louis Martini BACHIANAS BRASILEIRAS No.1 for Cellos I.Introdução (Embolada) Animato (2:22:35) ll.Prelúdio (Modinha) Andante (2:28:55) III.Fuga (Conversa) Un poco animato (2:37:57) BACHIANAS BRASILEIRAS No.2 for Orchestra I.Prelúdio (O Canto do Capadocio) Adagio — Andantino mosso (2:42:24) II.Ária (O Canto da Nossa Terra) Largo (2:49:28) III.Dança (Lembrança do Sertão) Andantino moderato (2:55:08) IV.Tocata (O Trenzinho do Caipira) Un poco moderato (3:00:05) BACHIANAS BRASILEIRAS No.3 for Piano & Orchestra I.Prelúdio (Ponteio) Adagio (3:04:13) II.Fantasia (Devaneio) Allegro moderato (3:11:25) III.Ária (Modinha) Largo (3:17:24) IV.Tocata (Picapau) Allegro (3:15:15) Piano : Jorge Federico Osorio BACHIANAS BRASILEIRAS No.4 for Orchestra I.Prelúdio (Introdução) Lento (3:31:53) II.Coral (Canto do Sertão) Largo (3:40:30) Ill: Ária (Cantiga) Moderato (3:44:39) IV: Dança (Miudinho) Muito animado (3:50:48) BACHIANAS BRASILEIRAS No.5 for Soprano & 8 cellos I.Aria (Cantilena) Adagio (3:54:32) Il.Dança (Martelo) Allegretto (4:00:50) Soprano : Victoria De Los Ángeles BACHIANAS BRASILEIRAS No.6 for flute & bassoon I.Ária (Choro) Largo (4:05:16) Il.Fantasia Allegro (4:09:16) Flute : Fernand Benedetti / Bassoon : René Plessier BACHIANAS BRASILEIRAS No.7 for Orchestra I.Prelúdio (Ponteio) Adagio (4:14:27) Il.Giga (Quadrilha Caipira) Allegretto scherzando (4:21:38) Ill.Tocata (Desafio) Andantino quasi allegretto (4:26:07) IV.Fuga (Conversa) Andante (4:34:27) BACHIANAS BRASILEIRAS No.8 for Orchestra I.Prelúdio Adagio (4:41:52) II.Ária (Modinha) Largo (4:47:26) III.Tocata (Catira batida) Vivace - Scherzando (4:55:23) IV.Fuga Poco moderato (5:00:55) BACHIANAS BRASILEIRAS No.9 for Strings Orchestra I.Prelúdio Vagaroso e místico — Fuga Poco apressado (5:06:04) CHÔROS No.2 for flute & clarinet (5:17:02) Flute : Maurice Cliquennois No.5 ‘Alma Brasiliera’ for piano (5:19:31) No.10 ‘Rasga o coração for choirs & orchestra (5:24:06) 2 Chôros (bis) for violin & cello Moderato (5:36:51) ; Lento (5:41:30) Violin : Henri Bronschwak / Cello : Jacques Neilz No.11 for piano & orchestra part 1 (5:45:33) part 2 (6:07:05) part 3 (6:30:30) / part 3 damaged, sorry.. Piano : Aline Van Barentzen What is a Chôros? Villa-Lobos speaks (6:48:24) Momoprecoce, Fantasia for piano & orchestra on the Brazilian children's carnival (6:58:03) Piano : Magda Tagliaferro Piana Concerto No.5 I.Allegro non troppo (7:20:46) II.Poco adagio (7:26:42) III.Allegretto scherzando (7:32:48) IV.Allegro (7:37:55) Piano : Felicia Blumental Symphony No.4 ‘A Vitoria’ I.Allegro impetuoso (7:40:03) II.Andante (7:46:31) III.Lento (7:52:08) IV.Allegro - com fanfarra (7:58:03) Conductor : Heitor Villa-Lobos Orchestre National de la Radiodiffusion Française Recorded in 1955-57, at Paris New Mastering in 2020 by AB for CMRR Find CMRR's recordings on Spotify: https://spoti.fi/3016eVr Aqui está um presente para nossos amigos brasileiros, claro, para todo o planeta dos amantes da música. Este testemunho único, feito pelo próprio compositor, deve ser descoberto com urgência. DESCOBRIMENTO DO BRASIL são sublimes suítes orquestrais que merecem ser reconhecidas da mesma forma que as BACHIANAS BRASILEIRAS e os CHÔROS. Amigos brasileiros, contamos com você para compartilhar esta compilação com todo seu país :-) Villa-Lobos - Bachianas Brasileiras Full No.1,2,4,5,6,7,8,9 + P° (r.rec. : Barbara Hendricks, Bátiz) : • Villa-Lobos - Bachianas Brasileiras Full N... Capítulos Ver tudo Música

Entre a força e a lei

O discurso de Stephen Miller a militares latino-americanos reacende um antigo dilema das democracias: até onde vai o poder da força quando confrontado com o juramento constitucional defendido por oficiais como Mark Milley.
Legenda: “Força ou Constituição?” — À esquerda, o assessor presidencial Stephen Miller simboliza a visão de poder baseada no uso ampliado da força militar contra ameaças internas e externas. À direita, o general Mark Milley, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto, representa a tradição institucional das Forças Armadas americanas de lealdade à Constituição acima de qualquer líder político. A tensão entre essas duas concepções de autoridade reaparece no debate provocado pelo discurso de Miller a militares latino-americanos no encontro de Doral, na Flórida. O discurso de Doral DORAL, Flórida — Em março de 2026, durante o Shield of the Americas Summit, realizado na cidade de Doral, o assessor presidencial Stephen Miller voltou ao centro do debate político no hemisfério. Diante de ministros da Defesa e generais de 16 países latino-americanos, o principal estrategista de segurança e imigração do presidente Donald Trump apresentou uma visão agressiva para o combate ao narcotráfico e à imigração ilegal — uma visão que inclui o uso ampliado das Forças Armadas. O discurso, de tom marcadamente belicoso, defendeu que militares da região assumam papel direto na perseguição a cartéis e redes migratórias. Em sua intervenção, Miller afirmou que, sob Trump, os Estados Unidos estariam usando “poder coercitivo, poder militar e força letal para proteger a pátria americana”. Mais controversa foi sua mensagem implícita de desprezo pelos limites jurídicos da guerra ao crime organizado. Ao comentar as restrições legais enfrentadas por oficiais latino-americanos, sugeriu que não deveriam dar atenção excessiva aos advogados. Para críticos, a fala representa um convite explícito à militarização da segurança pública e à erosão de garantias legais. O general que disse não O contraste mais forte dentro do universo político que orbitou a presidência Trump não está apenas entre governos ou partidos, mas dentro do próprio aparato estatal americano. Apesar da semelhança sonora do sobrenome, o militar que protagonizou alguns dos episódios mais tensos do governo Trump foi o general Mark Milley, então chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos. Milley tornou-se uma figura central na tentativa de preservar a separação entre política e comando militar durante o primeiro mandato de Trump. O episódio mais simbólico ocorreu em junho de 2020. Após a dispersão de manifestantes na Praça Lafayette, em Washington, Trump caminhou até a Igreja de St. John’s para posar diante das câmeras segurando uma Bíblia. Ao lado dele estava Milley, em uniforme. Poucos dias depois, o general fez algo raro para um oficial daquele nível: pediu desculpas publicamente. “Eu não deveria estar lá”, afirmou, reconhecendo que sua presença criou a percepção de que os militares estavam sendo usados em uma encenação política. Relatos posteriores indicaram que o general chegou a considerar renunciar. Lealdade ao presidente ou à Constituição? Nos meses seguintes, o relacionamento entre Trump e Milley deteriorou-se profundamente. Segundo reportagens e depoimentos posteriores, o general expressou preocupação com decisões impulsivas do presidente no final do mandato — incluindo o risco de conflitos militares ou medidas extraordinárias para contestar o resultado da eleição de 2020. Em conversas internas, Milley insistiu em um princípio central da tradição militar americana: oficiais juram lealdade à Constituição, não a um indivíduo. Esse posicionamento o colocou em choque direto com figuras do núcleo político da Casa Branca, entre elas Stephen Miller, conhecido por defender respostas mais duras a protestos e imigração. Um dilema antigo A diferença entre Miller e Milley revela duas concepções distintas de integridade política. Para Miller, a coerência moral reside na fidelidade absoluta à agenda do presidente eleito — especialmente à política de segurança e imigração associada ao slogan “America First”. Para Milley, o dever fundamental é outro: preservar as instituições constitucionais mesmo diante da pressão do poder político. A divergência sintetiza um dilema clássico das democracias modernas: até onde vai a obediência ao poder civil quando decisões políticas parecem ameaçar os próprios fundamentos institucionais do Estado? A advertência para a América Latina O discurso de Miller em Doral reacendeu essa pergunta — desta vez em escala continental. Ao incentivar militares latino-americanos a agir com menos restrições legais, críticos argumentam que o assessor de Trump propõe uma lógica em que a segurança se sobrepõe ao Estado de direito. Há mais de dois mil anos, o orador romano Cicero formulou uma máxima que se tornou um dos pilares do pensamento jurídico ocidental: “Somos escravos da lei para que possamos ser livres.” A tensão entre essas duas visões — a primazia da força ou a primazia da lei — continua a definir debates sobre democracia, segurança e poder, tanto em Washington quanto no restante das Américas. Referência jornalística Este artigo dialoga com a análise “Uma nova ameaça ao Brasil”, publicada em 11 de março de 2026 pelo jornalista Marcelo Godoy no jornal O Estado de S. Paulo, que examina os riscos de militarização da segurança regional e possíveis implicações para a soberania brasileira. S