domingo, 19 de julho de 2026

A grande final, por Tostão

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A Dança entre o Direito, a Semântica e a Retórica: Uma Análise do Caso INSS

A análise integrada do fragmento jornalístico revela o intrincado jogo de forças entre a técnica processual, a semântica discursiva e a estratégia retórica que frequentemente molda as grandes investigações no cenário nacional.

1. A Subversão do Rito e a Busca pela Cúpula Institucional

O primeiro e mais flagrante desalinho do texto em relação à realidade jurídica reside na tentativa da defesa de agendar uma audiência com o Diretor-Geral da Polícia Federal para "solicitar o arquivamento do caso". Sob a ótica do Direito Processual Penal brasileiro, tal movimento configura uma anormalidade metodológica e uma heresia sistêmica.

O Inquérito Policial (IP) é um procedimento administrativo, inquisitório e pré-processual, cuja condução é de presidência exclusiva e discricionária do Delegado de Polícia responsável pelo caso (o chamado "juiz natural" da fase investigativa). Nem mesmo o Diretor-Geral da corporação possui o poder legal de avocar os autos, interferir no mérito do relatório ou determinar o arquivamento de qualquer investigação.

Mais grave ainda: o arquivamento de um inquérito é ato complexo cuja titularidade da ação penal pertence unicamente ao Ministério Público (Art. 129, I, da CF/88), dependendo, por fim, da homologação do Poder Judiciário. Ao buscar a cúpula administrativa da Polícia Federal para postular o encerramento das apurações, o causídico abandona deliberada e conscientemente os canais republicanos e o devido processo legal. A praxe jurídica imporia a apresentação do constituído e de suas razões diretamente à autoridade que preside as investigações, visando o esclarecimento dos fatos de forma técnica e nos autos.

2. O Esvaziamento Semântico e o Truncamento Político

No campo filológico e gramatical, o discurso reportado opera uma visível neutralização dos termos técnicos do direito, substituindo-os por vocábulos de conveniência política e apelo popular. A expressão jurídica "extinção da punibilidade", "ausência de justa causa" ou "atipicidade da conduta" é deliberadamente transmutada na fórmula coloquial e minimizadora "encerrar esse assunto o quanto antes".

Este truncamento linguístico serve a um propósito claro: retirar o debate da esfera dogmática do Direito Penal e deslocá-lo para a arena da conveniência pública. O uso do substantivo "malfeito", em detrimento de termos precisos como "crime", "tipo penal" ou "infração legal", atua como um eufemismo que dilui a gravidade técnico-jurídica do indiciamento de 48 pessoas no "caso INSS".

Há também uma sutil mas importante distinção terminológica a ser resguardada: embora o questionamento levante o espectro do Inquérito Policial Militar (IPM) — rito que guarda rigorosíssima cadeia de comando e formalidades próprias do direito castrense —, o caso em tela trata de um IP comum na esfera federal. Todavia, a tentativa de fustigar a cadeia de comando da PF mimetiza, de forma transversa, a lógica hierárquica e autoritária, tentando obter por meio de uma instância superior o que deveria ser conquistado por meio do contraditório técnico perante o delegado condutor.

3. A Retórica da Antecipação e a Assimetria Discursiva

Por fim, a análise do discurso expõe a clássica estratégia retórica da blindagem por antecipação. Ao asseverar de forma peremptória que "no caso de Fábio, acho que vão arquivar em breve", a defesa utiliza-se de um argumento de autoridade invertido, tentando criar no imaginário social um estado de inevitabilidade quanto à inocência de seu cliente.

O emprego do advérbio de exclusão absoluta "absolutamente" conectado ao termo "nenhum malfeito" funciona como uma barreira retórica que visa bloquear preventivamente qualquer valoração factual posterior. O causídico opera aqui o que a teoria da argumentação chama de falácia da cortina de fumaça: desvia-se o foco das 48 pessoas indiciadas e dos indícios materiais que fundamentaram a conclusão do primeiro relatório da PF para focar na suposta "certeza" de um arquivamento futuro.

Manifesta-se, com isso, uma evidente assimetria discursiva: o mesmo operador do direito que, inoportunamente, exige o apego mais estrito, dogmático e formal às garantias constitucionais e aos ritos processuais, adota nesta circunstância uma via marcadamente extraprocessual, informal e de pressão institucional. A retórica, portanto, substitui a verdade jurídica objetiva — que só se consolidaria após a análise ministerial do relatório policial — por uma narrativa de conveniência que tenta esvaziar a legitimidade do indiciamento antes mesmo que ele se transforme em denúncia formal.

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A Dança entre o Direito, a Semântica e a Retórica: Uma Análise do Caso INSS

A análise integrada do fragmento jornalístico revela o intrincado jogo de forças entre a técnica processual, a semântica discursiva e a estratégia retórica que frequentemente molda as grandes investigações no cenário nacional.

Análise Conceitual do Caso INSS

Infográfico: A sobreposição dos argumentos técnicos, semânticos e retóricos sobre o fato jornalístico.

1. A Subversão do Rito e a Busca pela Cúpula Institucional

O primeiro e mais flagrante desalinho do texto em relação à realidade jurídica reside na tentativa da defesa de agendar uma audiência com o Diretor-Geral da Polícia Federal para "solicitar o arquivamento do caso". Sob a ótica do Direito Processual Penal brasileiro, tal movimento configura uma anormalidade metodológica e uma heresia sistêmica.

O Inquérito Policial (IP) é um procedimento administrativo, inquisitório e pré-processual, cuja condução é de presidência exclusiva e discricionária do Delegado de Polícia responsável pelo caso (o chamado "juiz natural" da fase investigativa). Nem mesmo o Diretor-Geral da corporação possui o poder legal de avocar os autos, interferir no mérito do relatório ou determinar o arquivamento de qualquer investigação.

Mais grave ainda: o arquivamento de um inquérito é ato complexo cuja titularidade da ação penal pertence unicamente ao Ministério Público (Art. 129, I, da CF/88), dependendo, por fim, da homologação do Poder Judiciário. Ao buscar a cúpula administrativa da Polícia Federal para postular o encerramento das apurações, o causídico abandona deliberada e conscientemente os canais republicanos e o devido processo legal. A praxe jurídica imporia a apresentação do constituído e de suas razões diretamente à autoridade que preside as investigações, visando o esclarecimento dos fatos de forma técnica e nos autos.

2. O Esvaziamento Semântico e o Truncamento Político

No campo filológico e gramatical, o discurso reportado opera uma visível neutralização dos termos técnicos do direito, substituindo-os por vocábulos de conveniência política e apelo popular. A expressão jurídica "extinção da punibilidade", "ausência de justa causa" ou "atipicidade da conduta" é deliberadamente transmutada na fórmula coloquial e minimizadora "encerrar esse assunto o quanto antes".

Este truncamento linguístico serve a um propósito claro: retirar o debate da esfera dogmática do Direito Penal e deslocá-lo para a arena da conveniência pública. O uso do substantivo "malfeito", em detrimento de termos precisos como "crime", "tipo penal" ou "infração legal", atua como um eufemismo que dilui a gravidade técnico-jurídica do indiciamento de 48 pessoas no "caso INSS".

Há também uma sutil mas importante distinção terminológica a ser resguardada: embora o questionamento levante o espectro do Inquérito Policial Militar (IPM) — rito que guarda rigorosíssima cadeia de comando e formalidades próprias do direito castrense —, o caso em tela trata de um IP comum na esfera federal. Todavia, a tentativa de fustigar a cadeia de comando da PF mimetiza, de forma transversa, a lógica hierárquica e autoritária, tentando obter por meio de uma instância superior o que deveria ser conquistado por meio do contraditório técnico perante o delegado condutor.

3. A Retórica da Antecipação e a Assimetria Discursiva

Por fim, a análise do discurso expõe a clássica estratégia retórica da blindagem por antecipação. Ao asseverar de forma peremptória que "no caso de Fábio, acho que vão arquivar em breve", a defesa utiliza-se de um argumento de autoridade invertido, tentando criar no imaginário social um estado de inevitabilidade quanto à inocência de seu cliente.

O emprego do advérbio de exclusão absoluta "absolutamente" conectado ao termo "nenhum malfeito" funciona como uma barreira retórica que visa bloquear preventivamente qualquer valoração factual posterior. O causídico opera aqui o que a teoria da argumentação chama de falácia da cortina de fumaça: desvia-se o foco das 48 pessoas indiciadas e dos indícios materiais que fundamentaram a conclusão do primeiro relatório da PF para focar na suposta "certeza" de um arquivamento futuro.

Manifesta-se, com isso, uma evidente assimetria discursiva: o mesmo operador do direito que, inoportunamente, exige o apego mais estrito, dogmático e formal às garantias constitucionais e aos ritos processuais, adota nesta circunstância uma via marcadamente extraprocessual, informal e de pressão institucional. A retórica, portanto, substitui a verdade jurídica objetiva — que só se consolidaria após a análise ministerial do relatório policial — por uma narrativa de conveniência que tenta esvaziar a legitimidade do indiciamento antes mesmo que ele se transforme em denúncia formal.


O Brasil entre soberania, democracia e seus velhos problemas sociais

Por Luiz Carlos Azedo | Correio Braziliense

Quem quiser que se iluda, estamos diante de um novo ciclo político de longa duração, no qual os velhos problemas do país já não podem ser enfrentados da mesma forma, num contexto de crise da democracia ocidental, revolução tecnológica e desestruturação dos pactos diplomáticos pós Segunda Guerra Mundial. É nesse contexto que o Brasil chega às eleições de 2026, com uma combinação complexa de problemas sociais e econômicos, de radicalização política e de mudança da ordem internacional.

Ninguém pode desconsiderar que o nosso subdesenvolvimento, para usar uma expressão clássica, decorre da baixa produtividade, da desigualdade de oportunidades, da precariedade da educação básica, da expansão do crime organizado, dos deficits de saneamento e de habitação, do alto custo do capital e da fragilidade fiscal. Esse é o diagnóstico que alimenta o debate e divide opiniões por parte de quem busca soluções para o país em bases democráticas.

Ocorre que, agora, o Brasil enfrenta uma ameaça externa inédita desde a redemocratização, na medida em que o governo norte-americano de Donald Trump transformou tarifas comerciais e pressões diplomáticas em instrumentos de interferência política, numa tentativa de favorecer seus aliados ideológicos e influenciar as escolhas dos brasileiros. Não se trata, portanto, apenas de decidir quem governará o país, mas de definir como o Brasil defenderá sua democracia, sua economia e ocupará seu lugar numa ordem mundial em transformação.

Os Estados Unidos continuam sendo um parceiro histórico fundamental, mas sua política externa passa por uma mudança de paradigma. O movimento Maga (Make America Great Again) rompeu com aspectos importantes da tradição liberal que orientou Washington no pós-guerra. Em lugar da defesa das instituições multilaterais, da previsibilidade das alianças e da abertura comercial, a Casa Branca opera uma diplomacia transacional, nacionalista e protecionista na qual pontificam o histrionismo de Trump e os interesses da plutocracia que hoje domina a política norte-americana.

Tarifas, sanções e ameaças são utilizadas como instrumentos de pressão até mesmo contra países aliados estratégicos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Agora, a aproximação entre o movimento Maga e o clã Bolsonaro trouxe um elemento perigoso à disputa brasileira: a tentativa de vincular interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos no Brasil ao resultado de nossa eleição. A resposta não pode ser o velho antiamericanismo, mas exige a firme defesa da soberania.

Uma boa relação com os Estados Unidos não significa obediência, sobretudo quando interesses eleitorais e comerciais de uma corrente estrangeira se confundem com os de um grupo político brasileiro. Sem embargo das críticas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não tem outra opção a não ser negociar com firmeza, recorrer às instituições multilaterais, proteger os setores atingidos e, simultaneamente, preservar os canais de cooperação. Nossa política externa é de Estado, baseada nos interesses permanentes do Brasil.

Direitos e deveres

Ao contrário de outros momentos de tensão com os Estados Unidos, como aquele que resultou no golpe militar de 1964, o Brasil tem relações comerciais muito mais diversificadas. Nosso comércio com os Estados Unidos representa apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB), porém, é o principal destino de nossos produtos industrializados. E também não podemos cair na dependência de nosso maior parceiro comercial, a China, cuja capacidade industrial excedente pressiona os produtores de outros países. O Brasil deve ampliar acordos com União Europeia, Índia, Japão, Canadá, México, África, Sudeste Asiático e Oriente Médio, sem abandonar Washington nem Pequim. Ou seja, trata-se de construir novas alternativas e buscar ainda maior integração com a economia mundial.

Use o código com cuidado.Nada disso, porém, no plano interno, eliminará a insatisfação social e resolverá os problemas objetivos da população. A retaliação de Trump pode fortalecer momentaneamente uma narrativa nacionalista, mas o custo de vida, a insegurança, os juros, a qualidade dos serviços públicos e a esperança continuarão orientando o voto. A eleição não será decidida apenas com denúncias do autoritarismo adversário. É preciso demonstrar capacidade de entrega: segurança, educação, saúde, habitação, mobilidade urbana, crescimento, inclusão social e instituições que funcionem.Com a Constituição de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS), a universalização da educação fundamental, o salário mínimo valorizado, a transferência de renda, as ações afirmativas e a ampliação do acesso à universidade transformaram a sociedade brasileira. Não podemos brigar com os fatos. Os resultados insuficientes dessas políticas não são a prova de que a inclusão social fracassou. Nem devemos tratar quatro décadas de redemocratização como tempo perdido, apesar da descontinuidade administrativa e das recidivas oligárquica e do patrimonialista. O desafio não é abandonar os fundamentos da Constituição de 1988, mas atualizar os meios pelos quais se pretende alcançar igualdade, liberdade e dignidade.Entretanto, o Brasil realmente precisa reconciliar direitos coletivos com responsabilidade individual. A emancipação e a inclusão social devem oferecer condições para que cada cidadão desenvolva suas potencialidades e, ao mesmo tempo, responda por suas escolhas. O problema é que o mau exemplo vem de cima, devido à captura de instituições e políticas públicas por interesses privados, empresariais ou mesmo individuais. Vem daí, na verdade, a maior ameaça às nossas democracia e soberania. Basta ver as pesquisas sobre aprovação das principais instituições do país.
domingo, 19 de julho de 2026 O mais importante sobre o novo tarifaço não é a tarifa, por Matias Spektor* O Globo O objetivo não pode ser apenas exportar mais, mas usar a integração comercial para elevar a produtividade da economia O erro mais comum na discussão sobre as novas tarifas americanas contra o Brasil é tratá-las como mais um episódio da turbulenta relação entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Essa dimensão existe. Mas ela esconde a transformação mais importante. Os Estados Unidos passaram a reorganizar sua política comercial em torno do poder nacional. O comércio tornou-se instrumento de competição estratégica — controles de exportação de tecnologia sensível, exigências de conteúdo local para subsídios industriais, triagem de investimentos por segurança nacional. Quando a Suprema Corte anulou parte das tarifas de 2025, o governo Trump reconstruiu sua política tarifária sobre bases jurídicas mais sólidas. As novas tarifas contra o Brasil são parte dessa estratégia mais ampla. O Brasil não é o alvo principal. O verdadeiro alvo é a arquitetura da globalização das últimas três décadas. A competição entre Estados Unidos e China reorganiza os incentivos de todos os demais países. A Europa fortalece sua política industrial. A China acelera sua autonomia tecnológica. Economias de todos os portes reduzem dependências arriscadas e diversificam relações comerciais. O comércio internacional deixa de ser espaço de ganhos mútuos e volta a ser terreno de competição entre Estados. É aí que reside a vulnerabilidade brasileira. Nosso modelo de inserção internacional foi construído para um mundo com regras claras, onde era possível ampliar o comércio com a China e preservar boas relações com Washington sem grandes escolhas estratégicas. Esse mundo está desaparecendo. A crescente concentração das exportações brasileiras no mercado chinês cria dois riscos distintos. O primeiro é Washington cobrar politicamente a proximidade com Pequim. O segundo é essa concentração dar a Pequim influência sobre escolhas brasileiras. O mesmo vale para a dependência brasileira de sistemas financeiros e tecnológicos ancorados nos Estados Unidos. Dependências comerciais deixam de ser apenas oportunidades econômicas: tornam-se moeda de barganha. Por isso, o debate brasileiro não deveria se limitar à escolha entre retaliar ou negociar com Washington. Essas são questões táticas. A questão estratégica é outra: transformar o comércio exterior do Brasil em instrumento de fortalecimento das capacidades nacionais. O objetivo não pode ser apenas exportar mais, mas usar a integração comercial para elevar a produtividade da economia, incorporar tecnologia, qualificar trabalhadores e acelerar uma transição lucrativa para uma economia de baixo carbono. O agronegócio compreendeu essa lógica: investiu em pesquisa, adotou tecnologia em escala e diversificou mercados. Grande parte do restante da economia, não. O verdadeiro significado das tarifas de Trump não está no aumento da alíquota, mas no fato de que anunciam um mundo em que o comércio cumpre papel novo. A pergunta que interessa ao Brasil não é como reagir, mas como construir uma política comercial capaz de transformar a inserção internacional do país em desenvolvimento, resiliência e poder nacional. Isso significa condicionar apoio público e compras governamentais a metas de conteúdo tecnológico; usar acordos comerciais para atrair investimento em elos de cadeias produtivas ausentes no país; e tratar a transição ecológica não como custo a compensar, mas como vantagem econômica a explorar. * Matias Spektor é professor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo
domingo, 19 de julho de 2026 A grande final, por Tostão Folha de S. Paulo Seleção argentina joga com lucidez e troca passes com precisão, superando adversários Espanha pode colocar Argentina na roda com posse de bola e passes em círculo Contra a Inglaterra, a Argentina foi novamente um time alucinado, sem perder a lucidez, a capacidade de trocar passes, de fazer as escolhas certas, de superar as dificuldades e de ultrapassar os limites. O futebol é muito mais que um jogo de talentos individuais e de planejamento tático. É um jogo de emoções, teatro da vida. Messi é um supercraque ao lado de excelentes jogadores. Todos se entendem pelo olhar e pela consciência coletiva. Além de genial, Messi é uma pessoa simples, discreta, com muita seriedade profissional e sem os trejeitos e idiotices das celebridades e dos fictícios personagens. A Argentina, que gosta também de ficar com a bola e trocar passes, vai tentar competir com a Espanha na posse de bola ou vai pressionar, marcar individualmente Rodri, o maestro da orquestra espanhola? A Espanha troca passes em círculo com os meio-campistas, os laterais e os atacantes recuando para receber a bola, até surgir o momento de acelerar, geralmente com Lamine Yamal, para chegar ao gol. Eles vão colocar os argentinos na roda? As duas seleções podem jogar ainda melhor. A Espanha ainda não teve o máximo de Lamine Yamal e a Argentina pode jogar bem na maior parte da partida. Os melhores momentos dessa maneira de jogar ficando com a bola do futebol espanhol foram no Barcelona, dirigido por Guardiola, que tinha um quarteto formado por Busquets, Xavi, Iniesta e Messi, o maior ídolo dos espanhóis. A foto do jovem Messi, no inicio de sua carreira no Barcelona, dando banho no bebê Lamine Yamal é sensacional. Os dois treinadores, Luís de la Fuente (65 anos) e Lionel Scaloni (48), merecem ser mais valorizados, seja qual for o resultado na final. Anos atrás, eram desconhecidos. De La Fuente foi treinador durante muito tempo das categorias de base da Espanha, comandando vários jogadores que hoje estão na seleção principal. Isso ajuda no seu trabalho. De La Fuente bebeu na fonte de Guardiola no Barcelona e de treinadores espanhóis que dirigiram a seleção e que adotavam a mesma filosofia de jogo atual, como Luis Aragonés e Vicente Del Bosque, campeão mundial em 2010. Todos estes treinadores, principalmente Guardiola, se inspiraram no holandês Cruyff, treinador e jogador do Barcelona. Cruyff ensinava que a melhor maneira de atacar e de defender era ficar com a bola. Cruyff aprendeu com Rinus Michels, treinador da seleção holandesa de 1974. A vida é um aprendizado diário. Só os ignorantes sabem tudo. O jovem Scaloni foi aluno de De La Fuente em um curso de treinador na Espanha. Scaloni era auxiliar da seleção argentina, se tornou técnico interino e "foi indo", como se diz em Minas Gerais, até ser campeão do mundo, agora com chances de ser bi. Além das qualidades individuais, coletivas, físicas e estratégicas, um jogo de futebol, especialmente uma final de uma Copa do Mundo, se decide na emoção, no transbordamento da alma. Para conviver com a ansiedade de uma final, os atletas costumam criar rituais e superstições. Pensam ainda que as repetições os aproximam das vitórias. É a onipotência do pensamento. Participar de uma final de uma Copa do Mundo é inesquecível, emocionante. No dia da final do Mundial de 1970, acordamos cedo para tomar café juntos. Havia um grande silêncio, todos tensos. De repente, Dario, o Dadá Maravilha, meu reserva, se levantou, olhou para Zagallo e disse com seriedade que sonhara marcar três gols e que garantia fazer o mesmo na partida. Todos deram gargalhadas e houve uma grande descontração.
O texto de Tostão analisa a final entre Argentina e Espanha, destacando o alto nível técnico e emocional das duas seleções. A Argentina é elogiada pela lucidez, precisão nos passes e força coletiva liderada por Lionel Messi, enquanto a Espanha se caracteriza pela posse de bola envolvente e jogo em círculo, com destaque para Rodri e Lamine Yamal. O autor discute possíveis estratégias do confronto — se a Argentina vai competir na posse ou pressionar — e ressalta que ambas ainda podem render mais. Ele também relembra a influência histórica do estilo espanhol, desde Johan Cruyff até Pep Guardiola, além de valorizar os técnicos Luis de la Fuente e Lionel Scaloni. Por fim, Tostão enfatiza que uma final de Copa do Mundo vai além da técnica: é decidida pela emoção, pela tensão e pelos aspectos psicológicos, ilustrando com uma lembrança descontraída da final de 1970.

sábado, 18 de julho de 2026

Apesar das Repetidas Advertências

AO VIVO: FORA DA ORDEM - 19/07/26 CNN Brasil Programado para 19 de jul. de 2026 Os Estados Unidos oficializaram na quarta-feira (15) a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, resultado de uma investigação que citou pontos como o favorecimento ao Pix, o fim da cooperação sobre etanol entre os dois países e até algumas decisões tomadas pelo poder judiciário para embasar essa sobretaxação. Ou seja, este tarifaço tem motivação política ou econômica? Assista ao vivo, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília) com apresentação de analista de Internacional Lourival Sant’Anna, o analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres, e o professor da Universidade George Washington, Maurício Moura. Despite Repeated Warnings Paul McCartney Apesar Das Repetidas Advertências Despite Repeated Warnings Apesar das repetidas advertências Despite repeated warnings Sobre o perigo logo à frente Of dangers up ahead O capitão não deu ouvidos The captain won't be listening Para o que lhe foi dito To what's being said conteúdo disponibilizado abaixo:html

A Estética do Remendo: Band-Aid, Chiclete e as Marcas do Consumo na MPB

Como marcas norte-americanas costuraram as narrativas da Ditadura à Redemocratização.


"E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar..."
Dois pra Lá, Dois pra Cá (Aldir Blanc / João Bosco, 1974)

"Uma menina de doze anos vendendo chicletes
Na Praça Antero de Quental..."
Fora da Ordem (Caetano Veloso, 1991)

A memória prega peças, mas peças que revelam verdadeiras profundezas. Ao fundir o chiclete de Caetano Veloso com o Band-Aid de Aldir Blanc, a mente humana opera um curto-circuito poético perfeito. Ambos os signos são equivalentes exatos: representam a invasão silenciosa, cotidiana e industrial dos símbolos norte-americanos no corpo social brasileiro.

Esses pequenos fetiches do consumo ocidental atravessaram as décadas de 1970 e 1990 servindo como metonímias precisas de nossas dores políticas e econômicas.

1974: O Curativo Superficial nos Anos de Chumbo

No bolero suburbano de Aldir e João Bosco, gravado por Elis Regina no auge da Ditadura Militar, o cenário é de um romantismo precário, asfixiante e forjado em falsas aparências. O "uísque com guaraná" tenta emular a sofisticação da elite, enquanto o "torturante Band-Aid no calcanhar" escancara a fragilidade daquela pose.

O Band-Aid é o símbolo do remendo. Uma marca estrangeira usada para estancar o sangue de um sapato que aperta — ou, metaforicamente, de um regime que sufoca. O curativo é colado na carne do brasileiro comum que, apesar do "frio na alma" e da violência institucionalizada, tenta continuar dançando o compasso estrito da sobrevivência. É o imperialismo norte-americano agindo como o curativo paliativo para as feridas que ele mesmo ajudou a abrir no continente.

👇 Ouça "Dois pra Lá, Dois pra Cá" (João Bosco):

Confira a letra completa na página do Letras.mus.br.

1991: A Goma de Mascar na Esquina da Desilusão

Dezessete anos depois, o Brasil já respira a redemocratização, mas acorda com a ressaca da hiperinflação e as falsas promessas do neoliberalismo de Fernando Collor. Na crônica urbana de Caetano Veloso, o fetiche norte-americano perdeu qualquer resquício de glamour ou intimidade. O chiclete agora está nas mãos de uma criança de doze anos na Praça Antero de Quental, no Leblon.

O produto ícone do American Way of Life, que outrora representava a rebeldia jovem e o pop global, torna-se a moeda da exclusão social e da subcomercialização da infância. A "Nova Ordem Mundial" — anunciada nos outdoors tecnológicos daquela virada de década — se choca violentamente contra a realidade arcaica do trabalho infantil. O chiclete é aquilo que se masca mecanicamente para enganar a fome ou para garantir o sustento do dia.

👇 Assista ao clipe de "Fora da Ordem" (Caetano Veloso):

Confira a letra completa e análises na página do Letras.mus.br.

Conclusão: O Tecido da Dependência Cultural

Seja sob a forma do curativo que tenta esconder a ferida em 1974, seja como a mercadoria barata que expõe a miséria na calçada em 1991, a MPB soube deglutir a influência estrangeira com precisão antropofágica.

A ironia poética une Aldir Blanc e Caetano Veloso na constatação de que o Brasil consome a modernidade do hemisfério norte pelas beiradas, enquanto tenta curar suas fraturas estruturais com remendos de plástico e gomas de mascar.

Tags: #MPB #AnáliseMusical #CaetanoVeloso #AldirBlanc #JoaoBosco #HistoriaDoBrasil #DitaduraMilitar #Anos90
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A Estética do Remendo: Band-Aid, Chiclete e as Marcas do Consumo na MPB

Como marcas norte-americanas costuraram as narrativas da Ditadura à Redemocratização.


"E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar..."
Dois pra Lá, Dois pra Cá (Aldir Blanc / João Bosco, 1974)

"Uma menina de doze anos vendendo chicletes
Na Praça Antero de Quental..."
Fora da Ordem (Caetano Veloso, 1991)

A memória prega peças, mas peças que revelam verdadeiras profundezas. Ao fundir o chiclete de Caetano Veloso com o Band-Aid de Aldir Blanc, a mente humana opera um curto-circuito poético perfeito. Ambos os signos são equivalentes exatos: representam a invasão silenciosa, cotidiana e industrial dos símbolos norte-americanos no corpo social brasileiro.

Esses pequenos fetiches do consumo ocidental atravessaram as décadas de 1970 e 1990 servindo como metonímias precisas de nossas dores políticas e econômicas.

1974: O Curativo Superficial nos Anos de Chumbo

No bolero suburbano de Aldir e João Bosco, gravado por Elis Regina no auge da Ditadura Militar, o cenário é de um romantismo precário, asfixiante e forjado em falsas aparências. O "uísque com guaraná" tenta emular a sofisticação da elite, enquanto o "torturante Band-Aid no calcanhar" escancara a fragilidade daquela pose.

O Band-Aid é o símbolo do remendo. Uma marca estrangeira usada para estancar o sangue de um sapato que aperta — ou, metaforicamente, de um regime que sufoca. O curativo é colado na carne do brasileiro comum que, apesar do "frio na alma" e da violência institucionalizada, tenta continuar dançando o compasso estrito da sobrevivência. É o imperialismo norte-americano agindo como o curativo paliativo para as feridas que ele mesmo ajudou a abrir no continente.

👇 Ouça "Dois pra Lá, Dois pra Cá" (João Bosco):

Confira a letra completa na página do Letras.mus.br.

1991: A Goma de Mascar na Esquina da Desilusão

Dezessete anos depois, o Brasil já respira a redemocratização, mas acorda com a ressaca da hiperinflação e as falsas promessas do neoliberalismo de Fernando Collor. Na crônica urbana de Caetano Veloso, o fetiche norte-americano perdeu qualquer resquício de glamour ou intimidade. O chiclete agora está nas mãos de uma criança de doze anos na Praça Antero de Quental, no Leblon.

O produto ícone do American Way of Life, que outrora representava a rebeldia jovem e o pop global, torna-se a moeda da exclusão social e da subcomercialização da infância. A "Nova Ordem Mundial" — anunciada nos outdoors tecnológicos daquela virada de década — se choca violentamente contra a realidade arcaica do trabalho infantil. O chiclete é aquilo que se masca mecanicamente para enganar a fome ou para garantir o sustento do dia.

👇 Assista ao clipe de "Fora da Ordem" (Caetano Veloso):

Confira a letra completa e análises na página do Letras.mus.br.

Conclusão: O Tecido da Dependência Cultural

Seja sob a forma do curativo que tenta esconder a ferida em 1974, seja como a mercadoria barata que expõe a miséria na calçada em 1991, a MPB soube deglutir a influência estrangeira com precisão antropofágica.

A ironia poética une Aldir Blanc e Caetano Veloso na constatação de que o Brasil consome a modernidade do hemisfério norte pelas beiradas, enquanto tenta curar suas fraturas estruturais com remendos de plástico e gomas de mascar.

Tags: #MPB #AnáliseMusical #CaetanoVeloso #AldirBlanc #JoaoBosco #HistoriaDoBrasil #DitaduraMilitar #Anos90
Use o código com cuidado. Despite Repeated Warnings Paul McCartney Apesar Das Repetidas Advertências Despite Repeated Warnings Apesar das repetidas advertências Despite repeated warnings Sobre o perigo logo à frente Of dangers up ahead O capitão não deu ouvidos The captain won't be listening Para o que lhe foi dito To what's being said Ele sente que há uma boa chance He feels that there's a good chance De termos sidos enganados That we have been misled E, assim, o capitão planeja And so the captain's planning Tocar a todo vapor To steam ahead O que podemos fazer? What can we do? O que podemos fazer? What can we do? O que podemos fazer What can we do Para impedir esse plano tolo de prosperar? To stop this foolish plan going through? O que podemos fazer? What can we do? O que podemos fazer? (Sim, sim) What can we do? (Yeah, yeah) (O que podemos fazer?) Esse homem está prestes a perder seu navio e sua tripulação (What can we do?) This man is bound to lose his ship and his crew Oh, oh, oh Oh, oh, oh Apesar das repetidas advertências Despite repeated warnings Daqueles que deveriam saber From those who ought to know Bem, ele tem sua própria agenda Well, he's got his own agenda E dessa forma prosseguirá And so he'll go (O que podemos fazer?) Aqueles que gritam mais alto (What can we do?) Those who shout the loudest (O que podemos fazer?) Nem sempre são os mais inteligentes (What can we do?) May not always be the smartest (O que podemos fazer?) Mas eles têm seus momentos de orgulho (What can we do?) But they have their proudest moments Pouco antes de caírem Right before they fall (O que podemos fazer?) O céu vermelho de manhã (What can we do?) Red sky in the morning (O que podemos fazer?) Nunca parece incomodá-lo (What can we do?) Doesn't ever seem to faze him (O que podemos fazer?) Mas um sinal de aviso de marinheiro (What can we do?) But a sailor's warning signal Deve preocupar a todos nós, whoa, oh Should concern us all, whoa, oh Como podemos impedi-lo? How can we stop him? Pegar as suas chaves e trancá-lo? Grab the keys and lock him up? Se pudermos fazer isso If we can do it Podemos salvar o dia We can save the day O engenheiro vive com sua esposa e sua filha, Janet The engineer lives with his wife and daughter, Janet Mas ele sente tanto a falta delas But he misses them so Embora ele esteja trabalhando com a melhor tripulação do planeta Although he's working with the best crew on the planet (Nós somos a melhor tripulação do planeta) eles não querem que ele parta (We're the best crew on the planet) they never want him to go Ele teve uma premonição He had a premonition Ele sente que algo está errado He senses something's wrong E por sua própria admissão And by his own admission Ele sabia o tempo todo que He knew it all along O capitão é louco The captain's crazy Mas ele não os avisa But he doesn't let them know it Ele nos levará com ele He'll take us with him Se não fizermos depressa alguma coisa para retardá-lo If we don't do something soon to slow it Como podemos impedi-lo? How can we stop him? Pegar as suas chaves e trancá-lo? Grab the keys and lock him up? Se pudermos fazer isso If we can do it Podemos salvar o dia We can save the day Abaixo do convés, o engenheiro chora Below decks, the engineer cries O capitão vai nos abandonar quando a temperatura subir The captain's gonna leave us when the temperatures rise A agulha está subindo, o motor vai explodir The needle's going up, the engine's gonna blow E nós vamos ser deixados aqui embaixo And we are gonna be left down below Aqui embaixo Down below Sim, nós podemos fazer isso Yes, we can do it É, podemos agora Yeah, we can do it now Sim, podemos fazer isso Yes, we can do it Sim, nós podemos fazer isso Yes, we can do it É, podemos agora Yeah, we can do it now Sim, podemos Yes, we can do it É, podemos agora Yeah, we can do it now Sim, podemos Yes, we can do it É, podemos agora Yeah, we can do it now Oh, é Oh, yeah Se a vida funcionasse da forma que você planeja If life would work out the way you plan it Seria ótimo, pela esposa e por Janet That'd be so fine for the wife and Janet Às vezes você pode ter que lutar por isso Sometimes you might have to battle through it E é assim que você deve aprender a como fazer isso And that's the way you learn how you've got to do it Sim, nós podemos fazer isso, whoa, oh Yes, we can do it, whoa, oh Sim, nós podemos fazer isso, whoa, oh, whoa Yes, we can do it, whoa, oh, whoa Sim, nós podemos fazer isso, whoa, oh, whoa Yes, we can do it, whoa, oh, whoa Sim, nós podemos fazer isso, whoa, oh, whoa Yes, we can do it, whoa, oh, whoa Apesar das repetidas advertências Despite repeated warnings Do perigo bem à frente Of dangers up ahead Bem, o capitão não deu ouvidos Well, the captain wasn't listening Para o que lhe foi dito To what was said (O que podemos fazer?) (Aqueles que gritam mais alto) (What can we do?) (For those who shout the loudest) Então nos dirigimos ao capitão So we went to the captain (O que podemos fazer?) (Nem sempre são os mais inteligentes) (What can we do?) (May not always be the smartest) E dissemos a ele para retornar And we told him to turn around (O que podemos fazer?) (Mas eles têm seus momentos de orgulho) (What can we do?) (But they have their proudest moments) Mas ele ri na nossa cara But he laughs in our faces (Pouco antes de caírem) (Right before they fall) Diz que estamos enganados Says that we are mistaken (O que podemos fazer?) (O céu vermelho de manhã) (What can we do?) (Red sky in the morning) Então, nós o cercamos So we gather around him (O que podemos fazer?) (Nunca parece incomodá-lo) (What can we do?) (Doesn't ever seem to faze him) Agora as cordas que o amarraram Now the ropes that have bound him (O que podemos fazer?) (Mas um sinal de aviso de marinheiro) (What can we do?) (But a sailor's warning signal) Provam que ele deveria ter dado ouvidos Prove that he should have listened (Deve preocupar a todos nós) (Should concern us all) À vontade do povo To the will of the people É a vontade do povo It's the will of the people É a vontade do povo It's the will of the people Composição: Paul Mccartney.
Hino Nacional sem mistérios Publicado em 07/09/2018 - 08:13 Dad Squarisiportuguês Hoje é o Dia da Pátria. Viva! O Brasil se veste de verde e amarelo. Bandeiras hasteadas, prédios decorados, camisetas exibem as cores do país. A música mais tocada? É o Hino Nacional, claro. A gente o canta com entusiasmo. Mas a letra… Palavras complicadas, ordem inversa, abuso de adjetivos. Ufa! Nem professores conseguem ensiná-lo aos alunos. Que tal uma ajudinha? O blogue revela os mistérios do símbolo desta Pindorama tropical. Em negrito, aparecem os versos como nós os cantamos. Em seguida, eles vêm em ordem direta. Nos parênteses, o sinônimo dos vocábulos mais difíceis. Vamos lá? Hino Nacional Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heroico o brado retumbante, E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da Pátria nesse instante. * As margens plácidas (tranquilas, serenas) do Ipiranga (riacho que fica em São Paulo) ouviram o brado (grito) retumbante (estrondoso) de um povo heroico. E o sol da liberdade, em raios fúlgidos (cintilantes), brilhou no céu da pátria nesse instante. *** Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó Liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte! * Se conseguimos conquistar o penhor (garantia) dessa igualdade com braço forte, o nosso peito desafia até a morte em teu seio, ó Liberdade. *** Ó Pátria amada, Idolatrada Salve! Salve! * Ó Pátria amada, Idolatrada (adorada, venerada) Salve! Salve! *** Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido, A imagem do Cruzeiro resplandece. * Brasil, um sonho intenso, um raio vívido (intenso, vivo) de amor e de esperança desce à terra se em teu formoso (belo) céu, risonho e límpido (transparente), a imagem do Cruzeiro (constelação do Cruzeiro do Sul) resplandece (brilha). *** Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza, Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil! * Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido (destemido, corajoso) colosso (gigante). E o teu futuro espelha (reflete) essa grandeza, Terra adorada Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! És mãe gentil (amável) dos filhos deste solo. * Deitado eternamente em berço esplêndido Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do Novo Mundo! * Ó Brasil, florão (abóbada, cúpula) da América, (tu) fulguras (brilhas) iluminado ao sol do Novo Mundo deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo. * Do que a terra mais garrida teus risonhos, lindos campos têm mais flores; “Nossos bosques têm mais vida”, “Nossa vida” no teu seio “mais amores”. * Teus campos risonhos e lindos têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio (tem) mais amores do que a terra mais garrida (enfeitada, graciosa). * Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro desta flâmula: Paz no futuro e glória no passado. * O lábaro (bandeira) que ostentas (exibes) estrelado seja símbolo de amor eterno. E o verde-louro desta flâmula (bandeira) diga: paz no futuro e glória no passado. * Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte. * Mas, se a clava (bastão usado como arma) Forte da justiça (tu) ergues, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme a própria morte quem te adora. * Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil! Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela)Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) explicação, Hino Nacional, ordem direta
Dossiê Vladimir Herzog (1937-1975) Imprensa em Questão Dias de tortura e morte Edição 352 por 25 de outubro de 2005 ALBERTO DINES Eu não consigo lembrar [como soube da morte de Vladimir Herzog]. Eu tenho a impressão que foi o Cláudio Abramo que me telefonou, na minha casa, no domingo. [O caso] estava muito presente para mim, porque duas semanas antes eu escrevera que havia uma campanha de intimidação, e isso evidentemente me marcou muito. Eu não conhecia o Herzog, só de nome, mas aí entra um dado que para mim é importante – talvez eu esteja até exagerando essa importância, mas para mim é importante. Eu sabia que ele era judeu, o nome é inconfundível, e sabia também que a morte de um jornalista judeu não era casual, quer dizer, era um pressentimento meu e esse pressentimento eu ainda tenho até hoje. Eu não tenho uma comprovação, mas não consigo separar o fato de eu saber que ele era judeu, quer dizer, há alguma relação. E isso é interessante porque em 2004, quando o assunto Herzog foi de novo levantado, eu escrevi sobre isso chamando a atenção para o seguinte: a polícia foi lá para prendê-lo, ele pediu para ir no dia seguinte porque tinha alguma coisa, não sei exatamente. Ele deu uma desculpa, e aceitaram, o que já é uma coisa diferente, quer dizer, não foi uma operação militar para prender um subversivo, foi uma diligência daquelas que eles faziam, e fizeram milhares – eu fui preso numa coisa parecida também. Então, chama a atenção que em vez de levá-lo preso, algemado, encapuzado, não, foi aberto, todo mundo soube. E ele se apresenta no dia seguinte, na hora aprazada, eu acho que de manhã cedo, lá no DOI-Codi. Oito horas depois, ele estava morto. Quer dizer, não foi uma operação daquelas antiterrorismo, alguma coisa aconteceu. Por que ele foi morto? Por que ele era mais frágil? Eu não acredito em acidente de serviço porque nesse negócio de tortura, o cara sabe, quer matar mesmo, e aí começa a bater para matar, mas o processo não escapa da mão dele. Vou dar um caso que me lembrei recentemente, que é o seguinte: a Inquisição, três séculos atrás, tinha um manual de tortura. Eram graus de tortura muito estabelecidos, muito rígidos. Eram escalas de tortura e nenhuma delas era mortal, era para matar. Em geral era coisa pra distender músculos, para fazer sofrer, mas não tinha fogo – pelo menos no período que eu estudei da Inquisição, nos séculos 17 e 18. Então, era tudo muito estudadinho. Eles queriam obter as confissões; eles não queriam matar porque ali não interessa matar o preso, interessa obter informações. [No caso do Herzog] eu acho que não foi um acidente de serviço, não foi. E também não foi uma prisão de um perigoso terrorista, senão teriam levado ele naquela hora mesmo, na sexta-feira à noite. São suspeitas ficam no meu íntimo, mas que eu não estou escondendo porque eu acho que esse tipo de suspeita tem que ser compartilhada. Muitos jornalistas que foram presos tinham nomes estrangeiros: Markun, Konder, Weis. O [Luiz] Weis é judeu, mas o outro judeu que foi preso e torturado morreu. E aí tem um clima geral que a gente não pode esquecer. É o seguinte: o [carrasco nazista Josef] Mengele estava ano Brasil nesse período. Nos textos que ele deixou, e que foram descobertos e publicados pela Folha alguns anos atrás, [havia] comentários sobre a situação política mundial e também brasileira. Mengele tem o ódio da psicanálise que está na mão dos judeus, ele diz isso numa das cartas que foram encontradas. É um tipo de ideologia, vamos chamar assim, que parece muito com a ideologia dos órgãos de repressão da Argentina e também do Brasil. E havia junto aos militares brasileiros um forte sentimento não digo anti-semita – não queriam fazer campos de concentração, não era bem assim –, mas havia uma coisa muito preconceituosa. E aí tem um testemunho meu: em 1968, quando eu fui preso, e nos interrogatórios do início de 1969, com o então coronel Montagna, depois general, teve um dia lá que o dia inteiro ele só perguntou sobre questões judaicas: ‘Como é que os judeus dirigem um jornal católico? Como é que é isso? Como é que é?’, coisas só relativas a judaísmo. Eu fui preso não como um judeu, eu fui preso como um jornalista que furou a censura e fui fazer um discurso na PUC, como paraninfo, dias depois do AI-5. Então, num inquérito lá da 2ª Seção do Primeiro Exército, por que tem que perder um dia inteiro para discutir a questão judaica? Isso é interessante. O que é importante para mim é mostrar que o a ditadura brasileira não é um fenômeno à parte das outras ditaduras de direita. Ela se impregna das mesmas substâncias, tal como aconteceu na Argentina, em que você tem uma ditadura que é de direita, mas que também é explicitamente anti-semita. E a brasileira também, de uma forma mais controlada, mas também com esse ingrediente. RODOLFO KONDER Eu acho que eles não teriam investido sobre ele com a mesma fúria, porque o Vlado, primeiro, era um ponto de ligação com [o secretário estadual da Cultura José] Mindlin e com o [governador de São Paulo] Paulo Egydio Martins. E o Paulo Egydio era um homem do Geisel. E, segundo, o Vlado era judeu e os fascistas sempre são anti-semitas. Então, eu acho que uma das razões porque eles perderam o controle e bateram com ódio foi porque o Vlado era judeu também. Essa foi uma das razões. AUDÁLIO DANTAS Vlado se apresentou no sábado [25/10/1975] e no mesmo sábado foi morto. Naquela semana nós vivíamos no sindicato em tensão permanente em função dessas prisões. E, diga-se de passagem, isso é fundamental desde a primeira prisão, o que não acontecia em relação a outras prisões, em outras áreas e outros setores profissionais. O sindicato tornou público [as prisões] em notas à imprensa, notas comunicando que o jornalista tal tinha sido preso ou tinha desaparecido de casa, coisa desse tipo. Nem todas [eram publicadas na imprensa]. Aliás, a morte do Vlado foi publicada no domingo, dia seguinte, só pelo O Globo. Eu acho que no Estado de S.Paulo foi publicada uma nota que nós distribuímos no sábado à tarde, dizendo da apresentação do Vlado, não da morte. Naquela semana havia uma certa distensão dentro do sindicato porque nós, em função das denúncias e de alguns encontros que tivemos no 2º Exército – aliás, encontros não: fomos convocados, eu e a diretoria do sindicato –, notamos algumas manifestações de que a poeira estava baixando um pouco. E naqueles dias, eu acho que na quarta-feira, eu fui a uma assembléia que a SIP (Sociedad Interamericana de Prensa) estava realizando em São Paulo, que é uma entidade patronal, com representantes de jornais de vários países da América Latina e dos Estados Unidos. E aí eu fiz a comunicação dessas prisões. Essa comunicação rendeu uma convocação ao 2º Exército, no mesmo dia, à tarde. Mas ao mesmo tempo nós tínhamos a ilusão de que, em função da presença de personalidades ligadas à imprensa continental, eles não fossem continuar na escalada que vinham. Eu tinha um convite para fazer uma palestra para estudantes em Presidente Prudente. Reunimos a diretoria e chegamos à conclusão que podíamos atender, porque era fim de semana e as coisas estavam mais calmas. Eu fui na sexta-feira a essa palestra. E no sábado à noite, eu soube, em Presidente Prudente, pelo Fernando Pacheco Jordão, e depois pelo Gastão Tomás de Almeida, que era o diretor-secretário [do sindicato], do que tinha acontecido. Eu confesso que eu temia por vários outros, mas o Vlado… não me tinha passado pela cabeça que pudesse acontecer com ele. Evidentemente, no dia seguinte, domingo, começou a maior mobilização da história da categoria dos jornalistas em São Paulo, talvez no Brasil, que foi de decisão de denunciar aquele assassinato. RODOLFO KONDER Eu cheguei de uma viagem ao exterior representando a Visão. Cheguei no dia 23 de outubro [de 1975] e tinha uma recepção nessa noite no consulado da Inglaterra, mas eu estava cansado, chegando da viagem, e daí não fui. Isso podia ter mudado minha vida porque, nessa recepção, o Vladimir Herzog, na presença da Clarice, disse para o Marco Antonio [Rocha]: ‘Olha, o pai do Paulo Markun conseguiu visitá-lo lá no DOI-Codi e ele mandou um recado, que os nossos nomes estão todos lá e que nós vamos ser presos’. Aí o Marco Antonio ficou em pânico: ‘Pô, mas só agora você me falou isso, Vlado?’. Aí o Vlado: ‘Eu achei que não era assim uma coisa tão urgente’. ‘Claro que é! Imagine!’. O Vlado era meio distraído, aquela coisa. Aí o Vlado perguntou para o Marco Antonio: ‘O que é que nós vamos fazer?’. Aí o Marco Antonio: ‘Vamos procurar o Konder’. Eu era o ‘comissário do povo’, deveria ter a resposta. Não tinha resposta para nada, mas, enfim, eles me atribuíam essa competência. Só que isso foi na noite do dia 23. No dia 24, às seis horas da manhã, tocou a campainha. Eu abri a porta. Era a polícia e eu fui preso. Não estava nem sabendo que nós íamos ser procurados. Fui levado para o DOI-Codi, os caras me tratando amavelmente, mas já na caminhonete me enfiaram um capuz preto. Cheguei ao DOI-Codi, me obrigaram a tirar a roupa, botar um macacão, não podia ter cinto, nem o sapato podia ter cadarço. Fui fichado e me botaram numa sala de espera com o capuz preto na cabeça e mais algumas pessoas sentadas num banco de madeira em volta da sala. Aí depois veio o Marechal, que era o apelido do carcereiro, me levou pelo braço até o andar de cima. No andar de cima, fui colocado numa sala, sentado num banquinho sem encosto, de capuz preto. E o cara começou a me interrogar. É uma situação ridícula você tentar argumentar com um capuz preto na cabeça. Aí o cara disse: ‘Seu comuna de merda, você tá pensando o quê? Que veio aqui pra me fazer perder tempo?’ Aí eu senti que ele se levantou, passou pelo meu lado, abriu a porta e disse: ‘Marechal, manda vir uma equipe aí e manda trazer a ‘pimentinha’’. Eu digo: ‘Pimentinha?’ Eu já entrei em pânico, que eu sou um velho macho e não sei qual o destino dessa ‘pimentinha! Mas a ‘pimentinha’ era como eles chamavam a máquina de dar choques elétricos. Aí entraram dois sujeitos, começaram a me dar uns tapas, uns chutes. E gritos. Depois você percebe que ali você está acuado e amedrontado, mas eles batem com técnica, nem é para deixar marca, é para dobrar você, para quebrar você. Aí depois montaram a ‘pimentinha’, me obrigaram a ajudá-los a botar os fios nos pulsos e nos tornozelos. E com o fio desencapado eles me davam choques na orelha, no pescoço, nas costas, nos rins. Você só grita. Eles não querem mais saber o que você sabe e o que você não sabe. Eles querem quebrar você, entendeu? E ainda tem o seguinte: você se suja todo, porque perde o controle das funções fisiológicas. É uma situação muito desagradável e humilhante. Quando terminou essa sessão, o Marechal me carregou pro andar de baixo. Eles foram almoçar, até começaram a discutir o que iam almoçar, onde iam almoçar. Já tinha terminado o expediente… E à tarde eu voltei a subir a escada, com a ajuda do Marechal, mas já para entrar no jogo do gato e rato. ‘Realmente nós éramos comunistas de uma base e tal…’. Tive que assinar uma confissão de próprio punho, aquele negócio que eles exigiam. Aí voltei para a sala de espera, onde eu fiquei as primeiras 48 horas, isso já no dia 24 [de outubro de 1975]. Dormimos lá, sentados. O [George] Duque Estrada também já estava lá. E na manhã do dia seguinte, eu vi que o Vlado chegou. Eu já olhava assim por baixo do capuz, e eu o identifiquei pelas pernas, pelos sapatos que eu conhecia bem. Comprávamos sapatos juntos, e ele era muito meu amigo, então eu sabia que era ele que estava ali. E logo depois ele foi levado. Passou-se algum tempo, mas ele não foi levado para cima, ficou na sala ao lado da nossa – por isso, depois eu pude ouvir os gritos dele. Nós ficamos ali algum tempo e veio o Marechal nos chamar – eu e o Duque Estrada –, e o sujeito que o estava interrogando, o torturador, era o Pedro Mira Granciere, um sargento da Marinha que depois morreu de maneira estranha, deve ter sido queima de arquivo. E ele disse: ‘Olha, o Vladimir está aí com embromação, então é melhor vocês dizerem a ele para abrir o jogo. Senão, ele vai entrar na porrada’. Nós: ‘Olha, Vlado, eles já sabem que nós tínhamos uma base, quem eram os membros da base, já estão sabendo’. Eu até acrescentei, achando que eu era esperto: ‘Olha, Vlado, eles sabem, inclusive, que o responsável pela nossa base era o Miguel Urbano Rodrigues’ – o Miguel já tinha ido embora para Portugal. E o Vlado disse assim: ‘Eu não sei do que vocês estão falando, eu nunca fui comunista, não sou comunista’. Aí o sujeito mandou o Marechal nos levar de volta para sala de espera. Passou-se mais algum tempo e ele começou a gritar. A gritar primeiro levando porradas, socos e aquela coisa, e depois levando choques elétricos – os gritos são bem diferentes. E eu tinha passado na véspera pela experiência, sabia exatamente o que estava acontecendo. Inclusive um sujeito ligou um rádio no corredor, supostamente para abafar o barulho, e o rádio estava dando a notícia de que o general [espanhol Francisco] Franco [Bahamonde (1892-1975)] tinha recebido a extrema-unção. Aí, tudo cessou: os barulhos, os gritos. Algum tempo depois, veio o Marechal e me pegou de novo – o Duque Estrada dessa vez não foi –, porque o Vlado já estava assinando uma confissão do próprio punho, estava muito nervoso, trêmulo, mas já tava fazendo a sua confissão, que aliás começava assim: ‘Fui aliciado pelo Partido Comunista, pelo Rodolfo Konder…’. Quer dizer, é uma confissão que a polícia ditava, ditou ali para ele, porque nenhum de nós usaria essa expressão ‘fui aliciado’. Bom, aí ele tinha dúvidas sobre um cara, que era na verdade o Argileu, um velho, um veterano da imprensa, que foi a algumas das nossas reuniões, mas quase nunca aparecia. E o nome dele ainda não tinha aparecido, então no jogo do gato e rato ele tinha sido preservado. Então, eu falei: ‘Vlado, acho que você está confundindo’. E ele disse: ‘Era um sujeito de cabeça grisalha, assim, assim assado…’. ‘Não, acho que você está confundindo com o nosso assistente. Você deve estar nervoso…’. Ele percebeu e disse: ‘É, você tem razão. Eu estou muito nervoso e devo estar confundindo’. Aí, de novo, o Marechal me levou de volta para sala de espera e, aparentemente, estava tudo resolvido. Só que, é claro, na hora de assinar a confissão, ele teve um momento de indignação. Ele era uma pessoa muito ética. E é um momento difícil, você entregar o papel em que você dá o nome de amigos. É muito chato, eu sei que é muito chato, é um trauma, é um negócio difícil. E ele teve um momento de indignação e pegou o papel – ele já tinha escrito, já tinha assinado, inclusive o exame da letra confirmava, era a letra dele –, ele pegou o papel e rasgou e jogou fora. E aí os caras foram para cima dele, não mais com técnica, mas com raiva, porque era voltar tudo à estaca zero. E aí ele foi empurrado e bateu com a base da cabeça no parapeito de uma janela baixa que tinha lá, de mármore, e morreu do trauma. JOSÉ VIDAL POLA GALÉ Eu fiquei sabendo [da morte de Vladimir Herzog] nesse reencontro que eles levaram todo mundo para fazer relatório. Deve ter sido no dia 2 [de novembro]. Com a morte do Vlado houve uma reação muito forte, saiu em tudo quanto é jornal no mundo todo. Isso que apressou a [nossa] saída do DOI-Codi para o DOPS. E em seguida a gente saiu. Alguns ficaram presos ainda, mas já com processo formalizado. Mas o episódio Vladimir Herzog, no meu entendimento, é um marco na militância, apressou a redemocratização. Isso foi em 1975. Aí vieram as eleições e assuntos que eram proibidos de serem tratados nos jornais passaram a ser tratados nos jornais. Porque tinha uma briga dentro do próprio regime militar, havia grupos e esses grupos estavam em confronto. E essa força da sociedade ajudava a ser mais a favor da evolução, não da obstrução do processo, mas da evolução para uma abertura. Depois do Vladimir Herzog houve o [assassinato do operário metalúrgico] Manuel Fiel Filho [em 16/1/1976], que daí o [presidente Ernesto] Geisel afastou o Ednardo D’Ávila, que era o general [comandante] do 2º Exército. O próprio sistema estava caminhando para uma abertura contra a linha-dura. Vladimir Herzog em cena doméstica (acervo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo) LUIZ WEIS Era o começo de outubro de 1975, quando um dia o Vlado me disse, ‘Olha…’ – bom, a caça já tinha começado. Uma era a caça [havida] depois da eleição de 1974 e do esmagamento da luta armada, da resistência armada. A ditadura voltou-se contra o Partido Comunista porque isso fazia parte daquele conflito que opunha o [general] Sílvio Frota [então ministro da Guerra] ao Golbery [do Couto e Silva, chefe da Casa Civil] e ao [presidente Ernesto] Geisel. A idéia da ultradireita era mostrar que havia um conluio entre PMDB, igreja e o Partido Comunista, o que tinha dado, nas eleições, na vitória eleitoral de 1974. Aí começa uma caça aos comunistas e aos jornalistas comunistas. E o primeiro nome que me vem e que sofreu horrores [é o de] Marco Antonio Coelho, pai do Marco Antônio Coelho Filho, que está hoje, em 2005, na TV Cultura. E a outra caça começou contra o jornalismo da TV Cultura, com o pústula do Cláudio Marques escrevendo no Shopping News, e aquele outro pústula, o deputado Wadih Helou, da Assembléia Legislativa, da Arena [Aliança Renovadora Nacional, partido de apoio à ditadura]. Enfim, denunciavam que aquele era um ninho de comunistas, porque tinham passado um documentário sobre o Vietnã. No plano pessoal, nesse momento eu tomei duas iniciativas de comum acordo com o Vlado. Numa, eu fui ao Estadão e levei o problema para o diretor de redação, na época era o Fernando Pedreira. ‘Olha, vocês precisam atentar para o que está acontecendo, nós estamos sendo vítimas de uma caça às bruxas. Não tem nada, estamos fazendo jornalismo, estamos tentando fazer um trabalho decente, mas não é um ninho de subversão, não’. Eu fiz uma segunda coisa, mas preciso contar antes um pequeno episódio. Numa tentativa com a qual eu compartilhei [Vlado propôs]: ‘Vamos fazer um pouco de média com o governo federal’. Então, pela primeira vez, foi uma equipe da TV Cultura – aliás, não foi uma equipe, fui só eu, porque não havia dinheiro e nós íamos usar imagens da TV Educativa de Pernambuco – cobrir um evento qualquer do Geisel. Era inauguração de uma coisa ligada a petróleo, me lembro que estava o [ministro de Minas e Energia] Shigeaki Ueki, e foi lá que eu conheci o Humberto Barreto, que era o Secretário de Imprensa da Presidência, o filho adotivo do Geisel. Quando a coisa começou a ficar preta aqui em São Paulo, eu tive uma idéia e disse: ‘Vlado, eu vou [a Brasília] falar com o Humberto Barreto para ele levar [o caso das perseguições] para o governo’. Fui, fui recebido e contei a história para ele. Apareceu um general também, e a primeira coisa que esse [general fez] foi pegar meu nome, RG, filiação, data de nascimento, porque queria checar a ficha. Mas, enquanto isso, expliquei, apontei para o Humberto: ‘Olha, está acontecendo isso e isso e isso, todo domingo está saindo, esse Cláudio Marques está escrevendo, mas nada é verdade’. ‘Não se preocupe com isso, isso é coisa paroquial, não tem nada, volta lá, vai para o seu trabalho, não tem problema nenhum’, [disse o Humberto Barreto]. Quer dizer, a TV Cultura não estava sob ameaça, era uma coisa paroquial. Assim ele desqualificou o problema, não dava importância. Pouco depois, era secretário da Cultura [de São Paulo] o José Mindlin, quando nós fomos chamados, o Vlado e eu, pelo Mindlin. Contrafeito, mais constrangido do que se possa imaginar, ele diz: ‘Nós estamos com um problema. O SNI verificou que você é dirigente sindical, você é indemissível, e chegou-se à conclusão que a TV Cultura, dadas as circunstâncias, não pode ter, ainda mais numa função de segundo homem do jornalismo, o redator-chefe dos telejornais, um dirigente sindical’. Era para eu me demitir. Então me demiti, uma coisa traumática para mim, mas era a idéia de ser o boi de piranha. Aí fui para a Veja. Pedi emprego na Veja e me deram. O chefe de reportagem era o Paulo Totti, um sujeito formidável; falou com o Mino Carta, que era o diretor, e fui trabalhar na editoria de Política, cujos editores eram o Marcos Sá Corrêa e o Almir Gajardoni. Eu estava lá na noite em que vieram pegar o Vlado na TV Cultura. Eu morava sozinho na época, com uma empregada, e por sorte eu estava no fechamento, aqueles fechamentos horrorosos da Veja, que terminavam às quatro, cinco da manhã. Aí, toca o meu telefone. Eu já sabia que o Vlado tinha sido procurado na TV Cultura e que tinham feito um acerto para que ele se apresentasse na manhã seguinte, 25 de outubro, no sábado. E àquela época já tinham sido presos todos os meus amigos, quer dizer, o [Paulo] Markun, o George Duque Estrada, o Anthony de Christo, o Rodolfo Konder, enfim, todos jornalistas que efetivamente formavam uma basesinha do Partido [Comunista]. Nós nos limitávamos a receber a Voz Operária, conversar um pouco e tocar a vida; era uma coisa pouco mais que nominal. E na sexta-feira de madrugada, estou lá trabalhando, a empregada me liga e diz: ‘Olha, vieram umas pessoas aqui, disseram que acharam seus documentos, perguntaram pelo senhor, vieram entregar os documentos que o senhor perdeu’. Falei: ‘Tudo bem, faz uma coisa: você é de Minas, né? Então vai embora, vai ver sua família, tira uma semana de folga e vai embora amanhã’. E voltei para casa acompanhado, mas só para trocar de roupa. [Morava] na rua Ministro Rocha Azevedo, numa vila entre a Oscar Freire e a Lorena, do lado esquerdo de quem sobe. E não fiquei lá: peguei minhas coisas e fui para a casa de um amigo. Me lembro que no meio da noite, de sábado para domingo, eu estava com tranqüilizantes, mas sabia que era de madrugada, eu ouvi tocarem a campainha, gente chegando. Pensei: ‘Pô, me acharam aqui, dane-se’. Eu sei que apaguei na hora. De manhã, quando eu acordo, tem meu amigo lá, é um publicitário, ele olha para mim: ‘Weis, você vai ter que ser muito forte agora. Mataram o Vlado’. Aquele barulho todo de madrugada era gente que tinha vindo contar. Bom, a partir daí, então, mais um motivo para eu continuar fora de circulação. Eu acho desnecessário falar das emoções, é um tanto quanto óbvio, não é? Como é que você fica? Você fica aterrorizado pelo que possa acontecer contigo. Você fica querendo comer o fígado de todo mundo, lógico, uns filhos da puta. E evidentemente você pensa no teu melhor amigo, no Ivo, no André, na Clarice que foi tua colega de classe e a quem você apresentou para o Vlado. É um impacto, é o dia mais trágico da minha vida, nada que se compara.

O homem de bem.

Com boa vontade é fácil viver. Fazer e principalmente refazer a vida é assunto que não se pode deixar para depois. O homem de bem, segundo o Evangelho - Ana Guimarães O homem de bem. 3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça. Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do senhor. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.” Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, n.º 9.) Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. Pão Nosso #118 - É para isto NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 25 de jul. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. “Não retribuindo mal por mal, nem injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo: sabendo que para isto fostes chamados.” — (1 PEDRO, 3.9) 1 A fileira dos que reclamam foi sempre numerosa em todas as tarefas do bem. 2 No apostolado evangélico, reparamos, igualmente, essa regra geral. 3 Muitos aprendizes, em obediência ao pernicioso hábito, preferem o caminho dos atritos ou das dissidências escandalosas. No entanto, mais algum raciocínio despertaria a comunidade dos discípulos para a maior compreensão. 4 Convidar-nos-ia Jesus a conflitos estéreis, tão só para repetir os quadros do capricho individual ou da força tiranizante? Se assim fora, o ministério do Reino estaria confiado aos teimosos, aos discutidores, aos gigantes da energia física. 5 É contrassenso desfazer-se o servidor da Boa Nova em lamentações que não encontram razão de ser. 6 Amarguras, perseguições, calúnias, brutalidade, desentendimento? São velhas figurações que atormentam as almas na Terra. A fim de contribuir na extinção delas é que o Senhor nos chamou às suas fileiras. Não as alimentes, emprestando-lhes excessivo apreço. 7 O cristão é um ponto vivo de resistência ao mal, onde se encontre. Pensa nisto e busca entender a significação do verbo suportar. 8 Não olvides a obrigação de servir com Jesus. É para isto que fomos chamados. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 118 É para isto
📖 Resumo da página (Livro de Corina Novelino): O texto relata o volumoso trabalho da Farmácia Espírita de Sacramento, liderado por Eurípedes Barsanulfo, que chegava a atender mil pedidos diários de receitas e orientações espirituais. Destaca-se o caso de um telegrama onde o espírito de Bezerra de Menezes desaconselhou, sem sucesso, a amputação da perna de uma jovem com câncer. A página também aborda a expansão desse legado de caridade para a área educacional, com a fundação de uma escola e oficinas profissionalizantes em um bairro carente, sob a liderança do Dr. Tomaz Novelino. Nos lembra que o verdadeiro auxílio cura o corpo, mas prioriza a alma. ✨ O Livro dos Espíritos - Estudo 176 - LIVRO II - Capítulo IX: Intervenção dos espíritos - Q 481 a 483 Você está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo IX — Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal > Convulsionários. > 481 481. Desempenham os Espíritos algum papel nos fenômenos que se dão com os indivíduos chamados convulsionários? “Sim e muito importante, bem como o magnetismo, que é a fonte primária de tais fenômenos. O charlatanismo, porém, os tem amiúde explorado e exagerado, de sorte a lançá-los ao ridículo.” a) – De que natureza são, em geral, os Espíritos que concorrem para a produção dessa espécie de fenômenos? “Pouco elevada. Supondes que Espíritos superiores se deleitem com tais coisas?” Anterior Próximo

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O homem fez a sua travessia: O sertão está em silêncio.

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O Último Compasso da Elegância

Mera notícia de folha corrida não dá conta do viver humano. A dor da gente, bem se sabe, teima em não sair no jornal.

Amanheceu o dia com um silêncio sem bula, desses que as ondas do rádio e da televisão divulgam sem o porquê, como se a morte carecesse de diplomacia. Naquela mesma paragem-emissora onde o de cujus gastou mais de quarenta anos de um laborar elegantíssimo, suando o linho sem jamais perder o garbo, o mistério matinal virou diagnóstico noturno: insuficiência do miocárdio.

Bobagem técnica de legista.

O coração — esse bicho emboscado que arma tocaias contra os homens de letras justo na hora da imortalidade — resolveu abreviar a passagem. Não foi falência por fraqueza. Quem conhece o avesso das palavras e o avesso da vida sabe a verdade definitiva:

Passou de insuficiência cardíaca.
Todos morremos de desritmiciência cardíaca
Quando para o coração.

O mestre não findou; desritmiciou-se.

O coração, que é o cofre das paixões e o motor das veredas profundas, perdeu o compasso do relógio do mundo para entrar no ritmo do eterno. Desse compasso quebrado, nenhuma rotativa de jornal dará conta.

O homem fez a sua travessia.

O sertão está em silêncio.


Use o código com cuidado.
Luiz Inácio Lula da Silva opera o Partido dos Trabalhadores (PT) como o maior e mais resiliente conglomerado político da América Latina, atuando como o seu principal acionista e gestor de marca.
Abaixo está o perfil corporativo-político de sua trajetória: Fundador e Controlador Majoritário: Idealizou e estruturou o PT como uma "Empresa Eleitoral Permanente", garantindo o monopólio da marca na esquerda brasileira por mais de quatro décadas. CEO Vitalício: Exerce o comando executivo final sobre as decisões estratégicas da organização, definindo fusões (coligações), aquisições de apoio e sucessões internas. Ativo Intangível (Carisma): É o principal produto de exportação da "empresa", utilizando o carisma como um motor de atração orgânica para expandir a base de clientes (eleitores). Gestão de Crise e Recall: Demonstra alta capacidade de recuperar o valor de mercado da sua marca após períodos de forte desvalorização (crises e rejeição), reavivando a simpatia do consumidor histórico. Profissional do Poder: Acumula a liderança de cinco mandatos presidenciais da holding (três próprios e dois de sua sucessora indicada), consolidando-se como o negociador-chefe do portfólio político nacional. Participações de Wilson Batista na Rádio Tupi em No Tempo de Noel Rosa
Cláudio Humberto @ColunaCH PT? Tô fora Escaldados pelo apoio ao PT em Minas Gerais, em 2018, quando o então governador Fernando Pimentel (PT) levou uma surra do estreante Romeu Zema (Novo), pré-candidatos do PSB fogem de nova aliança com o PT este ano. Se o PSB nacional intervir, deixarão o partido. 15:03 · 16 de jul. de 2026 Jingle de Fernando Pimentel em 2018 - Eleições para o governo de Minas Gerais KIM KATAGUIRI REVELOU O QUE PODE MUDAR A POLÍTICA BRASILEIRA @uol Brasil não tem força para afetar EUA com retaliação
quarta-feira, 15 de julho de 2026 A direita está esfarelada, por Elio Gaspari O Globo Na segunda metade do século passado, a esquerda brasileira foi uma das mais divididas do mundo. Integrantes famosos de suas organizações geralmente passaram por três delas. Dilma Rousseff passou por quatro: Política Operária (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), todas clandestinas. Hoje é a direita que se esfarela. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, potencial candidato ao Planalto, resolveu ficar de fora. Restou o bolsonarismo dinástico. Ao tempo dos Bragança, D. Pedro II se dava mal com o cunhado, o Conde D’Áquila, mas a rusga ficou circunscrita ao palácio. Hoje, Michelle Bolsonaro grava vídeo alfinetando Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, tem o apoio do pai encarcerado. Como ensina o repórter Octavio Guedes, eles se desentendem seguindo um roteiro de novelas de televisão, em capítulos sem vestígio de interesse público. Da velha direita sobrou pouca coisa. Ronaldo Caiado e Romeu Zema ainda não conseguiram decolar. Flávio, por sua vez, arrisca ser abatido em voo. O resultado desse esfarelamento está refletido nas pesquisas. O governo de Lula 3.0 é reprovado por um percentual maior que o dos que o aprovam, mas ele lidera as preferências eleitorais em todas as prévias. A direita brasileira perfilou-se diante de Jair Bolsonaro em 2018, depois do terremoto provocado pela Operação Lava-Jato. Quatro anos depois e mais de 700 mil mortos na pandemia de Covid, uma parte considerável do voto conservador dispensou-o. Preservando-o, arriscou-se. Mantendo-se alinhada depois que o Supremo Tribunal Federal o encarcerou, dobrou a aposta. Acreditar que ela continuará alinhada depois que Bolsonaro assumiu, por necessidade, a posição de chefe de uma dinastia, exige que a aposta seja triplicada, o que parece ser improvável. Resultado: segundo o Datafolha, em junho, 19% daqueles que se dizem potenciais eleitores de Flávio Bolsonaro podem ser colocados à esquerda do espectro político, e 24% estariam à direita. (Só 3% dos que preferem Bolsonaro podem ser considerados de esquerda.) A conclusão provável é de que um pedaço da direita (leia-se conservadorismo) migrou. Isso já aconteceu depois que, em 1981, a tigrada explodiu uma bomba no Riocentro, matando o sargento que a carregava no colo. Três anos depois, a campanha das Diretas teve o apoio de luminares do conservadorismo e até mesmo de alguns signatários do Ato Institucional nº 5, em 1968. Lula busca essa direita. Não foi à toa que ele disse à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional que nunca foi esquerdista. Foi, e sempre será, uma “metamorfose ambulante”. (Palavras suas.) A novela da famiglia Bolsonaro reflete perplexidade e, pelo lado dos eleitores, cansaço com a polarização. O arco antipetista de 2018 formado em torno de Bolsonaro se dissolveu. Até agora, os candidatos de uma possível terceira via não sabem o que fazer com o voto bolsonarista e já se chegou à metade de julho. Pelo andar da carruagem, o rabo continuará correndo atrás do cachorro.
sexta-feira, 17 de julho de 2026 PT é imbatível em tirar o corpo fora, por Hélio Schwartsman Folha de S. Paulo Partido tem longo histórico de empurrar para terceiros a responsabilidade por seus erros Se bastava uma canetada para limitar publicidade de bets, por que esperaram tanto? Numa coisa os petistas são imbatíveis: empurrar a responsabilidade de seus erros para outros. Um histórico completo da tendência estouraria os limites físicos desta coluna, de modo que me limito a pincelar casos notórios. Na visão do partido, o julgamento do mensalão não passou de uma farsa orquestrada pelo STF, pela oposição e pela mídia para enfraquecer a agremiação, que não havia feito nada que outras legendas não fizessem, que era utilizar-se dos tais "recursos não contabilizados", o popular caixa 2. A crise econômica gestada por Dilma Rousseff não foi mais do que o resultado da retração do preço das commodities apimentada pelas pautas-bombas da oposição. O próprio petrolão foi descrito por Lula como uma mancomunação entre elites brasileiras e o Departamento de Justiça dos EUA, que queria destruir a Petrobras. Mais recentemente, o PT tentou empurrar a conta do escândalo do INSS para o governo Bolsonaro. Não há dúvida de que a gestão anterior tem seu quinhão de responsabilidade, mas não dá para ignorar que os descontos indevidos ganharam enorme tração nos dois primeiros anos do governo Lula, registrando crescimento de 253%. E isso apesar dos múltiplos alertas de que coisas erradas estavam acontecendo. Petistas também tentaram pular fora das cobranças pela profusão da propaganda de bets. Quase me enganaram. É verdade que Temer e Bolsonaro têm muita culpa aí, por não ter regulamentado a publicidade. A gestão Lula, ao contrário das anteriores, se mexeu. Mas se mexeu mal. Minha fé na narrativa petista começou a desmilinguir quando li reportagem da Folha mostrando que foi um funcionário do Ministério da Justiça de Lula que redigiu emenda que reduziu as restrições à publicidade no processo de regulamentação. A desilusão mesmo veio quando descobri que bastava uma portaria, isto é, a assinatura de um ministro, para limitar consideravelmente o espaço para abusos. Se não era necessário mais do que uma canetada, por que esperaram quase até o fim da Copa para tomar uma atitude?
sexta-feira, 17 de julho de 2026 Trump como cabo eleitoral de Lula, por Vera Magalhães O Globo Novo tarifaço não só dá ao petista chance de reforçar discurso de defesa da soberania como pode possibilitar edição de medidas no período vedado pela lei eleitoral Donald Trump vai se convertendo num poderoso cabo eleitoral para a esquerda. Lula como cabo eleitoral de Trump, por Uma paráfrase a procura de um autor Um como poste do outro como escoras mútuas no pisca-pisca
A análise sugere que medidas protecionistas de Donald Trump fortalecem o discurso nacionalista de defesa da soberania nacional do presidente Lula, funcionando como um cabo eleitoral para a esquerda brasileira. Além disso, o cenário internacional é utilizado por ambos os líderes como escora mútua para mobilizar bases e justificar narrativas internas. Mais informações podem ser encontradas no blogspot de Gilvan Melo.
sexta-feira, 17 de julho de 2026 À sombra de Monroe, tarifaço é declaração de guerra comercial ao Brasil, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica norte-americana. A derrota do presidente brasileiro em 2026 passou a ser vista como objetivo por Trump James Monroe nasceu no condado de Westmoreland, na Virgínia, então uma das 13 colônias da Inglaterra, no dia 28 de abril de 1758. Filho de um juiz, cresceu num clima de agitação por uma pátria livre. Com 16 anos, interrompeu os estudos para lutar pela independência do país. Recebeu de George Washington o posto de capitão. Formado em direito e apadrinhado por Thomas Jefferson, em 1782, com 24 anos, foi eleito deputado na Virgínia. Fez parte do Congresso Continental, sendo um dos responsáveis pela aprovação da Constituição americana. Em 1790, elegeu-se senador. Em 1794, foi nomeado embaixador na França por George Washington. De volta aos Estados Unidos, James Monroe foi eleito governador da Virgínia, em 1779, deixando o mandato em 1802. Nesse mesmo ano, designado pelo presidente Thomas Jefferson, negociou a compra dos territórios da foz do Rio Mississippi com a França e a Espanha. A seguir, foi eleito o quinto presidente dos Estados Unidos, o último da “Dinastia da Virgínia”. Seu mandato ficou conhecido como a “Era dos Bons Sentimentos”: o país prosperou, a Flórida foi adquirida da Espanha, e o Brasil teve sua independência reconhecida pelos EUA em 1824. Declarada em 1823, a chamada Doutrina Monroe repudiava a intervenção ou a recolonização europeia no continente americano, expressa na máxima “A América para os americanos”. Originalmente, era um alerta às potências europeias para que não tentassem restaurar seus impérios coloniais no continente americano. Com o passar das décadas, a doutrina foi reinterpretada, ampliada e transformada em instrumento da hegemonia norte-americana. Diferentes governos norte-americanos ampliaram seu alcance para justificar intervenções políticas, econômicas e militares. Dois séculos depois, agora rebatizada de “Doutrina Trump”, Monroe continua projetando sua sombra sobre as relações entre Washington e a América Latina. No artigo A Longa Sombra de Monroe: o Trumpismo e a Restauração da Primazia Hemisférica, Flávio Contrera e Paulo Cesar Gregorio (Lua Nova, 126) sustentam que o movimento político liderado por Donald Trump resgatou essa tradição, adaptada à rivalidade contemporânea com a China e à disputa pelo controle da América Latina. O trumpismo seria uma tentativa de reafirmar sua primazia regional por meio de pressão econômica, alinhamentos políticos seletivos e contenção geopolítica e militar. Autonomia relativa A tensão com o governo Lula ocorre nessa perspectiva. A guerra comercial, as chantagens tarifárias e a politização da relação bilateral não são apenas ocasionais. Fazem parte de uma visão estratégica do movimento Maga e de lideranças republicanas como Marco Rubio, secretário de Estado, segundo a qual a América Latina deve ocupar posição subordinada à geopolítica de Washington. A causa é a ascensão da China. Na América do Sul, Pequim tornou-se grande parceiro comercial, financiador de infraestrutura e investidor em setores estratégicos. Para os nacionalistas na Casa Branca, essa expansão representa uma ameaça direta aos Estados Unidos. Como maior economia da América Latina, integrante do Brics, o Brasil ocupa posição central nessa disputa ao manter relações simultâneas com Estados Unidos, China, União Europeia, Oriente Médio e África. A autonomia relativa do Brasil incomoda àqueles que sonham com a volta ao século XIX. Não por acaso, ocorre a convergência entre pressões comerciais e disputas políticas domésticas. A relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica que marca o cenário norte-americano. A derrota de Lula em 2026 passou a ser vista como parte de um reposicionamento geopolítico mais amplo da América do Sul. Essa percepção ajuda a explicar a aproximação explícita de setores conservadores norte-americanos com o clã Bolsonaro e outras lideranças da direita brasileira. A intenção não é apenas influenciar o debate interno do país, mas fortalecer atores considerados mais alinhados à estratégia hemisférica do movimento Maga. Entretanto, o Brasil não é mais o país vulnerável do passado. Possui uma economia diversificada, o setor agrícola mais competitivo do mundo, reservas internacionais robustas e uma ampla rede de parceiros comerciais. Evidentemente, pressões econômicas vindas dos Estados Unidos podem produzir custos relevantes. Mas a capacidade brasileira de resistir é muito maior do que em outros momentos históricos. O comércio com os Estados Unidos representa apenas 2% do nosso PIB. Entretanto, isso não significa que uma guerra comercial prolongada seja desejável. Pelo contrário. A escalada das retaliações produziria perdas significativas, reduziria investimentos, aumentaria incertezas e comprometeria décadas de integração econômica. Nenhum dos dois países tem interesse objetivo em ruptura comercial. O desafio do governo brasileiro neste momento é equilibrar firmeza e pragmatismo na eventual adoção da Lei de Reciprocidade. A defesa da soberania nacional tende, sim, a ocupar lugar central na narrativa eleitoral de Lula. Diante das pressões externas e da associação de Flávio Bolsonaro ao campo político alinhado ao trumpismo, o Planalto vê na defesa da soberania nacional um eixo poderoso de mobilização política. Entretanto, o governo precisa evitar uma guerra comercial de desfecho imprevisível.
O novo tarifaço dos Estados Unidos, interpretado sob a ótica de uma atualizada "Doutrina Monroe" (agora batizada de "Doutrina Trump"), representa uma declaração de guerra comercial para conter a influência da China e reafirmar a hegemonia norte-americana na América Latina. Alvo Político: A derrota do presidente Lula nas eleições de 2026 tornou-se um objetivo estratégico de Donald Trump. Alinhamento da Direita: Setores conservadores dos EUA e o movimento MAGA aproximaram-se do clã Bolsonaro para fortalecer aliados ideológicos na região. Guerra Geopolítica: Washington rejeita a autonomia do Brasil, que mantém forte relação comercial com Pequim e integra os BRICS. Resistência Brasileira: O Brasil possui economia diversificada e agro competitivo, sendo que o comércio com os EUA representa apenas 2% do PIB nacional. Estratégia do Planalto: O governo Lula usará a defesa da soberania como narrativa eleitoral central, mas precisa agir com firmeza e pragmatismo para evitar prejuízos econômicos duradouros. O tarifaço de Trump vai influenciar a eleição de 2026? | Não é Bem Assim Meio Estreou há 19 horas #donaldtrump #flaviobolsonaro #eleições2026 No Não é Bem Assim desta semana, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem como o tarifaço anunciado por Donald Trump, que ganhou espaço no debate político e passou a ser tratado por Lula e Flávio Bolsonaro como um dos principais temas da corrida presidencial. Mas será que essa é realmente a preocupação do eleitor? O programa também aborda o desgaste de Flávio e a disputa por protagonismo com Michelle Bolsonaro.