domingo, 12 de abril de 2026

O fim da história e o último homem

“Maya Angelou, a autora de Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, morreu logo após completar 86 anos de idade, em 2014. Era uma força da natureza – e uma lenda viva. *Ivan Alves Filho, historiador”
A imagem mostra um post de rede social com resultados parciais das eleições parlamentares na Hungria. Eis a transcrição fiel do conteúdo visível: InteractivePolls (@IAPolls2022) 🇭🇺 Hungary Parliament – Results 46% reported 🔵 Tisza (Magyar): 52.3% 🔴 Fidesz (Orbán): 39.6% — Projected seats 🔵 Tisza (Magyar): 135 seats 🔴 Fidesz (Orbán): 57 seats 100 seats needed for a Majority. 133 seats needed for Supermajority. 16:09 · 12 abr. 26 · 30,7K Visualizações
Da linguagem ao poder: a coreografia do impensável Na mesma semana em que Pedro S. Malan publicou, no O Estado de S. Paulo, o artigo “Uma nação perigosa?”, José Eduardo Agualusa escrevia, em O Globo, A coreografia do genocídio. Separados por estilo, trajetória e enfoque, os dois textos convergem de maneira notável para um mesmo diagnóstico: o perigo contemporâneo não reside apenas em atos extremos, mas no processo gradual que os torna possíveis — e, por fim, aceitáveis. Malan constrói seu argumento a partir de um “roteiro de pesadelo”, inspirado em análises de deterioração institucional. Sua preocupação central está nos mecanismos formais da democracia: leis, decisões judiciais, decretos executivos. Em sua narrativa, o colapso democrático não ocorre por ruptura súbita, mas por uma sequência de medidas que, isoladamente, podem parecer justificáveis, mas que, em conjunto, desfiguram o sistema de freios e contrapesos. O Congresso silencia, a Suprema Corte consente, e o Executivo avança. O resultado é uma erosão interna — lenta, legalista e profundamente eficaz. Agualusa, por outro lado, desloca o foco para o terreno da linguagem. Seu texto não descreve instituições, mas palavras — ou, mais precisamente, o efeito das palavras quando proferidas por quem detém poder real. Ao imaginar a declaração de destruição de uma civilização inteira, ele argumenta que tal enunciado não pode ser tratado como mera retórica. Trata-se, antes, do “primeiro movimento de uma coreografia genocida”. A linguagem, nesse contexto, deixa de ser expressão para se tornar ação embrionária. Ela testa limites, mede reações, desloca o horizonte do aceitável. É justamente nesse ponto que os dois autores se encontram. Agualusa formula com precisão a dinâmica do processo: “O que ontem era impensável torna-se hoje discutível. Amanhã, aceitável. Finalmente, inevitável.” Malan descreve esse mesmo percurso, mas no plano institucional. O que começa como exceção transforma-se em norma; o que parecia improvável torna-se prática consolidada. Um analisa a preparação simbólica, o outro, a execução política. Ambos também identificam um fator decisivo: a reação — ou a ausência dela. Em Agualusa, o mundo responde com um “sobressalto breve”, seguido de “tépida indiferença”. A plateia, diz ele, é paciente. Em Malan, o silêncio é institucional: Congresso e Suprema Corte tornam-se espectadores passivos. Em ambos os casos, o avanço do perigo não se deve apenas à ação de líderes, mas à anestesia coletiva que permite sua continuidade. Não por acaso, os dois recorrem à linguagem literária para dar conta do fenômeno. Agualusa constrói imagens — a “mancha de sangue”, a “coreografia”, a “plateia” — que capturam a dimensão quase teatral do processo. Malan encerra com a célebre expressão de Rubem Fonseca: “vastas emoções e pensamentos imperfeitos”. A escolha não é ornamental. Ela indica um mundo em que a racionalidade cede espaço à intensidade emocional, à confusão e à perda de critérios claros de julgamento. Lidos em conjunto, os dois textos oferecem uma visão mais completa do risco contemporâneo. Agualusa mostra como o impensável se infiltra no imaginário coletivo por meio da linguagem. Malan revela como ele se consolida nas estruturas de poder. Entre um e outro, desenha-se um mesmo movimento: a transformação gradual do absurdo em realidade. Ao final, a advertência é inequívoca. Não se trata apenas de um país, de um líder ou de um momento específico. Trata-se de um padrão mais amplo, no qual discurso e poder se alimentam mutuamente. A normalização do excesso prepara o terreno para sua institucionalização. E, quando percebido em sua totalidade, o processo já não é ruptura — é continuidade. No mundo como no Brasil, como sugere Malan, o desafio talvez não seja apenas resistir ao que já é visível, mas reconhecer — e interromper — aquilo que ainda se apresenta como ensaio.
Dangerous Nation: America's Foreign Policy from Its Earliest Days to the Dawn of the Twentieth Century (Vintage) Capa comum – 1 janeiro 2008 Edição Inglês por Robert Kagan (Autor) Dança da Solidão Marisa Monte Solidão é lava Que cobre tudo Amargura em minha boca Sorri seus dentes de chumbo Solidão, palavra Cavada no coração Resignado e mudo No compasso da desilusão Viu Desilusão, desilusão Danço eu, dança você Na dança da solidão Viu Desilusão, desilusão Danço eu, dança você Na dança da solidão Camélia ficou viúva Joana se apaixonou Maria tentou a morte Por causa do seu amor Meu pai sempre me dizia Meu filho, tome cuidado Quando eu penso no futuro Não esqueço o meu passado Oh Desilusão, desilusão Danço eu, dança você Na dança da solidão Viu Desilusão, desilusão Danço eu, você Na dança da solidão Quando vem a madrugada Meu pensamento vagueia Corro os dedos na viola Contemplando a Lua cheia Apesar de tudo, existe Uma fonte de água pura Quem beber daquela água Não terá mais amargura Oh Desilusão, desilusão Danço eu, dança você Na dança da solidão Viu Desilusão, desilusão Danço eu, dança você Na dança da solidão Danço eu, dança você Na dança da solidão Danço eu, dança você Na dança da solidão Desilusão, oh oh, oh oh Composição: Paulinho da Viola.
A “economia do afeto” já não é suficiente para a reeleição de Lula Publicado em 12/04/2026 - 07:16 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Desemprego, Economia, Eleições, Governo, Guerra, Memória, Partidos, Política, Política, Trabalho O governo entra na corrida eleitoral com emprego elevado e programas sociais de grande alcance, mas isso não se traduz em percepção de bem-estar O cessar fogo no estreito de Ormuz e as negociações entre Estados Unidos e Irã, que ainda não chegaram a um acordo, produziram um alívio no mercado internacional de energia, com reflexos diretos no Brasil. A queda do barril do tipo Brent — que havia ultrapassado US$ 118 no auge da crise — para a casa dos US$ 94 abriu espaço para uma redução, ainda que modesta, no preço dos combustíveis. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o diesel recuou 0,2%, para R$ 7,43, interrompendo uma trajetória de alta que pressionava fortemente a inflação. Trata-se de uma boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porque o diesel é o principal vetor de transmissão de custos na economia, com impacto no transporte, nos alimentos e nos serviços. Entretanto, isso não altera o cenário adverso enfrentado pelo governo, que vive um paradoxo: indicadores macroeconômicos positivos convivem com uma percepção social negativa. A taxa de desemprego está em 5,8%, uma das menores da série histórica, e a renda média supera R$ 3.600. Ainda assim, 64% dos brasileiros afirmam ter perdido poder de compra, enquanto 80,4% das famílias estão endividadas — o maior nível já registrado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Dados do Banco Central indicam que quase metade da renda está comprometida com dívidas e o crédito segue caro. Os juros do rotativo do cartão ultrapassam 435% ao ano. Característica histórica do lulismo, a chamada “economia do afeto”, na feliz definição do historiador Alberto Aggio (A construção da democracia no Brasil, 1985-2025, Editora AnnaBlume/Fundação Astrojildo Pereira), já não é suficiente para alavancar os índices de aprovação de Lula. Programas como o Bolsa Família, o Auxílio Gás e o Farmácia Popular continuam sendo fundamentais para mitigar a pobreza e reduzir desigualdades. Estudos do Ipea apontam queda da extrema pobreza de 25% para menos de 5% nas últimas décadas. No entanto, seu impacto marginal sobre o bem-estar imediato das famílias está sendo amortecido pelo peso do endividamento e pelo custo de vida elevado, especialmente dos alimentos, cuja inflação saltou de 0,09% para 1,10% em março. Leia também: Guerra impacta e inflação fica em 4,14% A tentativa de reação do governo por meio de um novo programa de renegociação de dívidas, a cargo do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, pode produzir alívio de curto prazo, com descontos de até 80%. Contudo, economistas apontam que é uma solução paliativa diante de um quadro estrutural de juros elevados, informalidade no mercado de trabalho e baixa renda média. A experiência recente do Desenrola Brasil promoveu melhora momentânea do crédito, porém, sem alteração duradoura do ciclo de inadimplência. É nesse ponto que a oposição encontra terreno fértil. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) explora a desconexão entre os indicadores oficiais e a percepção cotidiana da população, de encarecimento de itens básicos. Seu discurso é pautado pelo marketing eleitoral: “o brasileiro não vive de índice”. Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aponta o problema estrutural da política econômica do governo. ao associar inflação, endividamento e perda de poder de compra à necessidade de promover crescimento sustentável. Projeto de nação Segundo a pesquisa Genial/Quaest, há uma forte correlação entre endividamento, custo de vida e sensação de empobrecimento, agravada pelo avanço das apostas online: 46% dos inadimplentes afirmam apostar regularmente, muitos em busca de renda extra ou solução para dívidas. Muito mais do que um problema econômico, esse quadro de vulnerabilidade social escapa ao alcance e neutraliza as políticas tradicionais de transferência de renda. Leia mais: Lula empata com Flávio e disputa aumenta no 2º turno A eleição de 2026 propriamente dita não será pautada por indicadores macroeconômicos, mas pelas dificuldades cotidianas das famílias, a chamada “vida banal”, que muitas vezes não é levada em conta nas políticas públicas, capturadas por grandes interesses privados. O diferencial de Lula na percepção dessa questão sempre foi a sua experiência vivida no âmbito familiar e sindical, mas isso é passado. No terceiro mandato como presidente da República, diria o Dadá Maravilha, não basta identificar “a problemática”, Lula precisa apresentar aos eleitores a “solucionática”. Assim, o governo entra na corrida eleitoral com emprego elevado, programas sociais de grande alcance social e uma eventual estabilização dos preços dos combustíveis, mas isso não se traduz em percepção de bem-estar. Por outro lado, com a pulverização dos investimentos por Orçamento da União pelas emendas parlamentares, predominantemente de cunho clientelistas, também não há grandes realizações estruturantes para mostrar, a exemplo de mandatos anteriores, como a transposição do rio São Francisco, a reforma dos aeroportos e a exploração do pré-sal, que depois acabou ofuscada pelo escândalo do “Petrolão”. Não tem jeito, para buscar a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva precisa ir além da “economia do afeto”. Isso implica apresentar propostas novas, capazes de enfrentar o endividamento estrutural, reduzir o custo do crédito e melhorar a renda disponível. Sair do discurso “economicista” e politizar o debate em torno da defesa da democracia, de reformas estruturantes e de um projeto de nação que faça o brasileiro sonhar. Além disso, sair do isolamento e ampliar alianças ao centro, especialmente nas disputas pelos governos estaduais e por mandatos no Congresso Nacional, com ênfase no Senado. Sem essa recomposição política, os atuais ganhos econômicos podem ser insuficientes para sustentar um novo mandato. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Caiado, #Endividamento, #Flávio, #Guerra, #inflação, Lula
"Em 1989, Francis Fukuyama publicou um artigo em que afirmava que o surgimento dos movimentos reformistas na então União Soviética e na Europa Oriental, além da propagação da cultura do consumo em escala mundial, marcava a vitória do Ocidente, do mundo capitalista. Os resultados daquilo que Fukuyama tão habilmente percebera nos movimentos emergentes começaram a se mostrar corretos. Algo como a realidade dando munição para uma teoria de natureza explosiva. A partir daquele artigo, publicado em uma revista especializada e de circulação restrita, acendeu-se o estopim de uma acirrada discussão, que se propagou em todos os meios após a publicação do livro. Afinal, entrou em debate o rumo da História ou, mais sísmico, o fim, no sentido hegeliano, do que se entende por História. Em seu estudo, Fukuyama toma como referência não só a noção de Hegel, mas também a de Marx."
Minas tem mar sim e eu vi! "Cruzeiro" no Lago de Furnas tem vista de tirar o fôlego Com direito a queijos, doce de leite e um pôr do sol deslumbrante, o Folha Vitória atravessou o "Mar de Minas" a convite do governo mineiro O mar de votos de Minas Gerais, que não tem oceano, aportou no porto seco das Minas Gerais, vindo em porões, trazido por seus ancestrais escravizados do outro lado do Oceano Atlântico. “Minas não tem oceano, mas tem um mar de votos.” Fábio Zambeli 🎥 Análise do cenário político para as eleições de 2026 MyNews — 24 mil visualizações • há 3 dias 🎶 Escravos de Jó Castro Barbosa Letra: Escravos de Jó Jogavam caxangá Bota, tira Deixa o zambelê ficar Guerreiros com guerreiros Zigue, zigue, zigue, zá Ó guerreiros da taba sagrada! Ó guerreiros da tribo tupi! Ó guerreiros, pra que bordoada? Ó guerreiros, escutem aqui! O cacique da tribo de cá E o cacique da tribo de lá Resolvem a parada Jogando caxangá 🗳️ Importância de Minas Gerais nas eleições Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, sendo historicamente decisivo nos resultados das eleições presidenciais. 🎵 Cantando pelo mundo Cantigas e brincadeiras — Nacional Ituiutaba (MG) 📚 Origem e contexto Você sabe quem era Jó? Segundo a tradição bíblica, Jó é um personagem do Antigo Testamento conhecido por sua fé e resistência diante do sofrimento. A cantiga popular “Escravos de Jó”, no entanto, não possui uma origem histórica direta comprovada com o personagem bíblico, sendo mais associada a brincadeiras infantis e tradições orais brasileiras, com possíveis influências africanas.Observação Quem era Jó? Por que ele tinha escravos? E o que é caxangá? Essas questões envolvem interpretações históricas, culturais e linguísticas. A palavra “caxangá”, por exemplo, é frequentemente entendida como referência a um tipo de jogo ou brincadeira rítmica, possivelmente de origem africana. S
Uma análise da jornalista Malu Gaspar sobre o caso Master Essa fala da @malugaspar é fundamental: "Todo o mundo que tenta enxergar o Brasil pela ótica da polarização fica perdido porque ela não se aplica, né? A coisa no Brasil é muito mais complicada. Ninguém opera só por ideologia e nem é binário." Malu Gaspar sobre novidades do caso Master: 'Tem muita história horrorosa, mirabolante' Rádio CBN 10 de abr. de 2026 #danielvorcaro #bancomaster #investigação Dan Stulbach, José Godoy e Luís Gustavo Medina recebem recebe a jornalista Malu Gaspar, que conta se tem informações sobre o caso do Banco Master que ainda não publicou. Foto: Reprodução #danielvorcaro #bancomaster #investigação #polícia #politica #pf #malugaspar #fimdeexpediente
A escalada do conflito no Irã, com impacto sobre o petróleo, cria pressão inflacionária e margem para respostas econômicas. ✈️ A redução de tributos sobre o QAV surge como medida para conter passagens e alcançar a classe média e média-alta. ➡️ O movimento indica reposicionamento ao centro, com foco na redução da rejeição. 🎯 Estratégia: ampliar apoio fora da base tradicional. 🤔 Em aberto: a eficácia eleitoral e o custo fiscal da medida.
Rota para a reeleição busca reduzir resistência em segmentos específicos Em meio à preparação para as eleições de 2026, o cenário internacional — especialmente o conflito no Irã — surge como um fator com potencial de impacto na estratégia política doméstica. A instabilidade externa, marcada pela volatilidade nos preços do petróleo, pode influenciar decisões econômicas com reflexos diretos no ambiente eleitoral. Nesse contexto, medidas como a redução ou isenção de tributos sobre o querosene de aviação (QAV), aliadas à oferta de crédito ao setor aéreo, passam a ser interpretadas como instrumentos de política econômica com possível repercussão política. O objetivo central seria conter o aumento das passagens aéreas, afetando diretamente consumidores de renda média e média-alta — segmentos considerados mais resistentes ao governo. Analistas apontam que tais iniciativas podem sinalizar um movimento de reposicionamento político em direção ao centro. A estratégia buscaria ampliar a base de apoio ao reduzir níveis de rejeição em grupos sociais tradicionalmente menos alinhados, por meio de medidas de caráter pragmático. Impactos do cenário internacional A elevação dos preços do petróleo, associada ao conflito no Irã, é vista como um fator de risco para a economia global. No Brasil, esse movimento pode pressionar a inflação e afetar o custo de vida, exigindo respostas governamentais voltadas à estabilização econômica. Essas respostas, por sua vez, tendem a ter efeitos indiretos sobre a percepção do eleitorado. Medidas no setor aéreo A política de desoneração do QAV e o estímulo financeiro ao setor aéreo buscam mitigar repasses de custos ao consumidor final. Na prática, a iniciativa pode funcionar como mecanismo de contenção de preços em um serviço amplamente utilizado por faixas de renda mais elevadas, o que reforça sua dimensão política. Disputa pelo centro O conjunto dessas ações é interpretado como parte de uma estratégia clássica de disputa pelo eleitorado de centro. Ao adotar medidas econômicas direcionadas, o governo tenta reduzir resistências em segmentos historicamente mais próximos de posições conservadoras ou independentes. Avaliação e incertezas A eficácia dessa estratégia é alvo de debate. Enquanto alguns analistas a consideram uma resposta pragmática ao cenário econômico e eleitoral, outros apontam riscos relacionados à sustentabilidade fiscal e à limitação de seu alcance sobre um eleitorado com preferências já consolidadas. Síntese Contexto: pressão nos custos energéticos devido ao cenário internacional Medida: redução de tributos sobre o querosene de aviação Público-alvo: classes média e média-alta Objetivo: reduzir rejeição e ampliar apoio no centro político O desfecho dessa estratégia dependerá, em grande medida, da evolução do cenário externo — especialmente dos preços do petróleo — e da dinâmica interna das forças políticas ao longo do ciclo eleitoral até 2026. S
Cinco livros sobre — e para — a democracia Por André Spritzer, uma seleção comentada de cinco obras da literatura internacional que podem enriquecer o debate público, trazendo perspectivas diferentes e complementares sobre o tema. Cinco livros sobre — e para — a democracia. André Spritzer16 de fevereiro de 2022Política por André Spritzer .. Fui instigado a recomendar cinco livros sobre democracia. Há muitos excelentes e escolher somente cinco é uma tarefa árdua, quase impossível. Os livros abaixo não são exatamente os meus favoritos (acho que não consigo fazer esse tipo de classificação) e tampouco estão organizados por ordem de preferência, mas os escolhi por julgar que, dado o momento atual, são obras da literatura internacional que podem enriquecer o debate público, trazendo perspectivas diferentes e complementares sobre o tema. Sem mais delongas: .. .. On Democracy, de Robert Dahl (Yale University Press, 2020) .. (Reprodução) .. Em On Democracy (“Sobre a Democracia”, Editora UNB), o cientista político Robert Dahl (1915-2014), um dos principais pensadores contemporâneos da democracia, apresenta de forma bastante acessível a sua visão do que ela é, do motivo dela ser desejável e de como a sua versão ideal difere daquela que de fato existe (chamada por ele de “poliarquia”). A principal justificativa de Dahl para a democracia é seu caráter participativo, sendo ela o sistema que permite que cada cidadão possa participar em pé de razoável igualdade das decisões que irão afetar sua vida. A definição de democracia que ele apresenta é relativamente minimalista e procedimental (ou seja, baseada na presença de determinadas características processuais), mas vai além da mera realização de eleições: para ele, estas devem ser livres, justas e periódicas e vir acompanhadas de liberdade de expressão e associação, livre acesso à informação e uma noção de cidadania inclusiva, com sufrágio universal e direito à candidatura a cargos eletivos para todos os cidadãos. Para Dahl, as principais vantagens de um regime democrático seriam a proteção inerente de direitos e liberdades essenciais, a mediação pacífica de conflitos e o fomento tanto à prosperidade material e ao desenvolvimento humano quanto à paz entre os países (algo que se pode observar empiricamente: não há guerras entre democracias). Ainda assim, o autor ressalta que a democracia de nenhum país atende perfeitamente a todos os critérios, de forma que democracia seria mais um espectro (ou seja, algo que varia por uma faixa de valores) do que uma noção binária e seu aperfeiçoamento continuado deva ser sempre uma meta de qualquer sociedade. Mesmo que a visão de Dahl sobre o tema seja uma entre várias possíveis, no contexto político brasileiro atual este livro é interessante por ser uma leitura fácil, mas que já provoca uma reflexão mais precisa, profunda e sistemática sobre o que é a democracia. Por mais que tenhamos adquirido uma certa noção de democracia devido à vivência em regime democrático das últimas décadas, pesquisas mostram como a sociedade brasileira ainda não evoluiu a ponto de adequadamente internalizar valores liberais-democráticos. Isso é um problema que acomete tanto a população em geral quanto a elite formadora de opinião e se manifesta na forma como pensamos e fazemos a política. Uma das formas de combater isso é trazermos essa discussão para a própria sociedade de forma direta e afirmativa. Livros como este podem ser bons instrumentos para fomentar essa educação democrática. .. .…….……. .. The End of History and the Last Man, de Francis Fukuyama (Free Press, 2006) .. (Reprodução) .. The End of History and the Last Man (“O Fim da História e o Último Homem”, Rocco) é um livro influente e controverso, mas talvez muito mais citado do que de fato lido e compreendido—apesar de não ser de difícil leitura. O livro, que fez do autor, o cientista político Francis Fukuyama, um verdadeiro superstar do pensamento político no início dos anos 90, é um aprofundamento de um ensaio que ele escreveu em 1989—portanto, antes da queda do Muro de Berlim—e foi publicado em 1992, no meio da onda de democratizações decorrentes do fim da União Soviética e do otimismo com a democracia liberal que a acompanhou. Tanto o ensaio original quanto o livro tratam de como a democracia seria a melhor forma de governo que o ser humano seria capaz de conceber, sendo esta, assim, o fim da história. A controvérsia veio, pois muitos interpretaram como se Fukuyama estivesse dizendo que todos os países inevitavelmente se tornariam democracias e que, uma vez que isto ocorresse, nada mais de relevante se passaria. A tese de Fukuyama, no entanto, tem muito mais nuance e complexidade. Seu argumento é fortemente inspirado na leitura do filósofo alemão Hegel feita pelo pensador francês Alexandre Kojève, que enxerga a história como uma progressão de sistemas socioeconômicos que eventualmente produziria uma forma de governo final a partir da qual não é possível evoluir. O fim ao qual Fukuyama se refere, portanto, não é no sentido de término, mas de objetivo. Tampouco significa que, uma vez atingido, eventos irão deixar de acontecer e de que tudo será perfeito e irreversível—pelo contrário, países que se encontram no fim da história (democracias liberais) podem, sim, “voltar à história” se não tomarem as devidas precauções. Um aspecto particularmente interessante da tese de Fukuyama é como ele a fundamenta. O autor toma emprestado de Platão o conceito de thymos, uma necessidade inata do ser humano de ter sua dignidade reconhecida pelos seus pares. Algumas pessoas se satisfariam com o que ele chama de isothymia—a necessidade de reconhecimento como um igual—, mas outras precisam de algo a mais: megalothymia, a necessidade de serem reconhecidos como melhores. Para Fukuyama, a democracia liberal capitalista seria o único sistema de governo capaz de contemplar ambos os tipos de personalidade. Dos aspectos democráticos e liberais, a possibilidade de participação política, os direitos fundamentais, a igualdade perante a lei e o devido processo assegurariam a isothymia ao tratar todas as pessoas como iguais, reconhecendo sua dignidade de forma equânime. Do aspecto capitalista, por sua vez, a possibilidade de ganhar status através do destaque social e da recompensa econômica provenientes de inovação, empreendimento e outras formas de geração de valor permite canalizar a megalothymia de modo produtivo para a sociedade como um todo. Pode ocorrer, no entanto, que a sociedade pacífica e prospera obtida através da democracia liberal não seja suficiente para satisfazer a megalothymia, o que pode acabar por conduzi-la “de volta à história”. Para os tempos atuais, a tese do fim da história de Fukuyama é relevante por diversos aspectos, mas destaco dois. Primeiro: nunca foi de fato refutada. Ninguém conseguiu mostrar que há alguma alternativa melhor que a democracia liberal capitalista para a organização de uma sociedade humana, por mais que existam defeitos nesse sistema. Segundo: seu insight sobre como a ausência do reconhecimento da dignidade pode levar a ressentimento, potencialmente resultando em instabilidade social e até destruição da própria democracia liberal. Essa temática ressurge várias vezes na obra subsequente de Fukuyama, incluindo seu recente livro Identity (“Identidades”, Dom Quixote), que trata de como as democracias liberais têm tido dificuldade em lidar com a crescente tendência de algumas pessoas a exigirem reconhecimento de suas identidades não como indivíduos, mas como membros de grupos identitários. .. .…….……. .. Strangers in Their Own Land, de Arlie Hochschild (The New Press, 2018) .. (Reprodução) .. No livro Strangers in Their Own Land (“Estranho em Sua Própria Terra”), a socióloga americana Arlie Hochschild, professora na Universidade de Berkeley, na Califórnia, narra como decidiu furar a bolha quase exclusivamente progressista em que vivia para tentar entender o que levava comunidades empobrecidas a aderirem ao movimento de extrema-direita Tea Party, que defendia políticas que, ao menos à primeira vista, lhes seriam objetivamente prejudiciais. Intrigada por este paradoxo, ela passou cinco anos em uma antes próspera e agora decadente comunidade na Louisiana acometida por um alto nível de desemprego causado pela crescente automação e por uma grande incidência de doenças decorrentes da enorme poluição produzida pela exploração desregulada dos recursos naturais da região pela indústria do petróleo, dominante na economia local. Ao contrário da visão superficial pré-concebida por muitos de seus pares progressistas, ela encontrou uma comunidade repleta de pessoas gentis, inteligentes, caridosas, com forte senso comunitário, muita perseverança e até grande apreço pelo meio ambiente e tristeza por sua visível deterioração. Interessantemente, ela observou que, apesar de terem ciência do impacto da degradação ambiental em suas vidas e que esta era causada principalmente pelas petrolíferas, a raiva das pessoas era direcionada ao governo federal e não às empresas. Em sua pesquisa, portanto, Hochschild tentou entender essas pessoas e o que estava por trás dessa atitude aparentemente ilógica. O principal insight de Hochschild em sua pesquisa é que as pessoas têm o que ela chama de “história profunda”—uma narrativa pessoal que pode não ser factualmente real, mas é sentida por elas como tal. No caso dos moradores dessa comunidade na Louisiana, ela identificou uma história de humilhação e ressentimento. Essas pessoas—em geral brancas, de classe trabalhadora, cristãs religiosas e bastante tradicionais nos costumes—acreditavam piamente no ideal do “sonho americano”: a noção de que esforço levaria à prosperidade. Apesar de seu empenho, no entanto, o tempo passava e a recompensa não vinha. Não só isso, como ao mesmo tempo em que estavam com suas vidas estagnadas ou piorando, viam alguns grupos furarem a fila para o sonho americano: negros conseguindo empregos que antes eram de brancos, mulheres conseguindo empregos que antes eram de homens, refugiados e imigrantes passando na frente. Para elas, ações afirmativas não eram medidas para corrigir injustiças do passado, mas sim concessões de vantagens indevidas hoje—e estavam sendo implementadas por um governo presidido por um negro apoiado majoritariamente por uma elite educada que abertamente as desprezava, as enxergando como um bando de caipiras carolas, retrógrados, simplórios, ignorantes e de pouca educação. Essas pessoas dessa pequena comunidade da Louisiana sentiam que elas eram os verdadeiros americanos—o coração do país—e que mesmo assim estavam sendo passadas para trás e humilhadas pelas elites culturais e políticas. Se sentiam estranhas em sua própria terra. Apesar de tratar de circunstâncias e fenômenos restritos à um pequeno reduto dos Estados Unidos, a pesquisa de Hochschild é generalizável por dar concretude e até certa sistematização—na noção de história profunda—a algo que Fukuyama e outros autores também abordam: a necessidade que as pessoas têm de serem respeitadas e reconhecidas e de que quando marginalizamos determinados grupos e pontos de vista, abrimos as portas para um ressentimento poderoso, que pode ter consequências políticas nefastas. É verdade que muitas vezes a história profunda de determinados grupos e pessoas é, sim, amparada em preconceitos, imoralidades, falsidades e atitudes retrógradas. Mas a forma de abordar isso deve ser gradual e paciente, com empatia e compreensão e através da criação de pontes e convencimento e não com imposição, desdenho e agressividade—ou corremos o risco de alimentar um monstro ressentido, vingativo e furioso. .. .…….……. .. Uncivil Agreement: How Politics Became Our Identity, de Lilliana Mason (University of Chicago Press, 2018) .. (Reprodução) .. Uncivil Agreement (“Acordo Incivil”) trata de identidade, tribalismo e polarização, com dados de diversos estudos sobre o tema e resultados da pesquisa da própria autora, a cientista política Lilliana Mason. Mason mostra como as identidades que construímos são baseadas mais em rótulos que damos a nós mesmos do que no conteúdo desses rótulos. Ou seja, alguém que adotou para si o rótulo liberal não necessariamente possui valores liberais, apesar de se definir como tal. Essa adoção de rótulos tem implicações em como nos organizamos em sociedade: as pessoas são inerentemente tribais e procuram grupos que partilham dos mesmos rótulos e características e isso afeta como se comportam e veem o mundo. Tendemos, por exemplo, a favorecer membros de nosso “grupo” mesmo se a única coisa que tivermos em comum com eles for um rótulo vazio de significado (uma cor, por exemplo) e que nem nos conheçamos pessoalmente. Simultaneamente, olhamos com certo receio todas as pessoas que não são de nosso grupo e temos um desejo inerente não só que nosso grupo ganhe, mas—e principalmente—que os demais percam. Quanto maior o vínculo emocional com uma identidade, maior o poder dela sobre nós, distorcendo até mesmo a percepção de fatos objetivos facilmente verificáveis. Como Mason demonstra, tribalismo é natural e, ao que tudo indica, inevitável. Em uma sociedade saudável, no entanto, nossa adesão à uma identidade em particular é equilibrada pela adesão simultânea à outras identidades—ou seja, cada pessoa é um mosaico de identidades de forma que dois indivíduos podem, por exemplo, ter identidades religiosas e político-partidárias diferentes, mas ainda assim ter fortes vínculos por identificação regional, profissional, racial, de gênero, etária ou qualquer outra. Esse cruzamento de identidades atenua o viés pro-grupo e a distorção perceptiva dos vínculos tribais, permitindo com que pessoas pertencentes a grupos diferentes coexistam e não se odeiem mutuamente, já que essas pontes entre os grupos identitários impedem a completa desumanização do outro. Um problema começa a ocorrer, contudo, quando política se torna uma identidade importante e outras identidades passam a se alinhar em torno dela. Mason observou que ao longo das últimas décadas, nos Estados Unidos, as conexões entre democratas e republicanos foram gradualmente diminuindo. Democratas e republicanos eram tradicionalmente muito mais miscigenados, mas foram ficando a cada vez mais homogêneos e isolados uns outros. Não só diferentes identidades passaram a se alinhar em torno da identidade político-partidária, como democratas e republicanos passaram a viver vidas completamente separadas, morando em lugares diferentes, se informando por diferentes fontes, assistindo a programas diferentes na televisão, acompanhando diferentes esportes e até preferindo diferentes marcas de produtos, comidas, cervejas e refrigerante. Passaram, também, a se odiar mais mutuamente, com um grupo partidário culpando os membros do outro por todas as mazelas do país. Além do aspecto social, da corrosão da própria nação americana, isso teve consequências políticas práticas ao tornar menos aceitável para o eleitorado que seus representantes façam acordos interpartidários por parte de seus representantes políticos—afinal, em sua percepção, ceder politicamente se tornou questão de vida ou morte. Mesmo que democratas e republicanos concordem no mérito sobre políticas públicas específicas, a construção de consensos e um debate racional sobre quais as melhores e mais realistas soluções para os problemas concretos do país se tornaram muito mais difíceis. A pesquisa de Mason é mais direcionada à realidade americana, mas muito do que ela descreve pode ser observado também na política brasileira. É particularmente relevante para o Brasil o enfoque que ela dá à questão da polarização afetiva, que consiste em um vínculo emocional a identidades políticas que, quando extremado, pode ferir o tecido social e dificultar a construção de consensos mínimos que possibilitem a convivência pacífica dos diferentes grupos em uma única sociedade. Ainda que essa polarização talvez não seja tão forte no Brasil quanto nos Estados Unidos, já é um fenômeno empiricamente constatado (ou seja, perceptível) e dificulta consideravelmente não só a discussão política em torno de ideias e programas (já que identidades por definição não são negociáveis), como até mesmo a construção de coalizões contra ameaças à própria democracia. .. .…….……. .. The Moral Foundations of Politics, de Ian Shapiro (Yale University Press, 2012) .. (Reprodução) .. Há inúmeros livros introdutórios sobre teoria política, mas o que faz de The Moral Foundations of Politics (“Os Fundamentos Morais da Política”, WMF Martins Fontes), do professor da Universidade de Yale Ian Shapiro, interessante é sua ênfase em como o aspecto moral fundamenta a legitimidade política das diversas tradições do pensamento político ocidental. Ou seja, a questão central que ele busca responder é: quando governos merecem a nossa fidelidade? Quem decide, e por quais critérios, se as leis e ações do Estado são legítimas e devem ser obedecidas? O livro é dividido em três grandes blocos de capítulos: Iluminismo, Anti-iluminismo e Iluminismo maduro. No primeiro bloco, Shapiro explica o pensamento político do início do Iluminismo, o caracterizando como a busca da liberdade individual através da razão, e trata das tradições utilitarista (considerando autores como Jeremy Bentham, John Stuart Mill e até Vilfredo Pareto), marxista e contratualista (esta última com um especial foco em John Rawls, mas discutindo também John Locke, Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau e Robert Nozick, entre outros). O bloco que segue, aborda pensadores críticos do projeto iluminista sob diversas perspectivas, como Edmund Burke, Alasdair MacIntyre, Richard Rorty e Michael Sandel, entre outros. No bloco final, Shapiro ancora o que ele considera Iluminismo maduro no princípio da falseabilidade do método científico moderno—ou seja, a ideia de que o conhecimento presente sempre pode vir a ser refutado—e em como este se integra à tradição democrática, possibilitando uma síntese da ideia iluminista original com algumas de suas críticas. Em sua discussão sobre democracia, ele aborda autores como Aristóteles, Platão, James Madison, Alexis de Tocqueville e Joseph Schumpeter. Apesar de ser um livro relativamente curto, Shapiro passa de forma rigorosa pelas principais correntes do pensamento político ocidental desde o Iluminismo, explicando e contextualizando cada uma e explorando seus pontos fortes e fracos de forma objetiva e equilibrada (ainda que o autor claramente tenha suas preferências e deixe isso explícito). Esse, inclusive, é um dos pontos fortes da obra: Shapiro não toma nada como certo ou verdadeiro a priori, considerando os argumentos de cada autor e tradição pelo que são. Para o momento atual, o livro é particularmente relevante por realçar como não há nem respostas fáceis e óbvias para questões morais, nem ideologia, tradição ou sistema de pensamento que consiga responder a tudo de forma adequada. Não só tradições e linhas de pensamento podem incorrer em contradições ou resultar em óbvios absurdos quando aplicadas em determinados casos, como duas pessoas podem ter noções diametricamente diferentes de certo e errado e ambas estarem ancoradas em argumentações sólidas. Especificamente para o caso brasileiro, o livro também é interessante pelo seu foco no aspecto moral como o que sustenta a legitimidade política, indo, portanto, muito além dos debates que normalmente temos em nossa esfera pública, que costumam pautar a política através de um prisma quase exclusivamente econômico e conjuntural. A forma como pensamos e fazemos política é reveladora de como nos enxergamos enquanto sociedade e isso sustenta não só as escolhas que fazemos para economia e arranjo institucional, como também os políticos que elegemos e nossas próprias atitudes quando ocupamos uma instituição pública (eleita ou não) ou mesmo quando atuamos enquanto cidadãos privados. LULA 4 OU FLÁVIO? FÁBIO ZAMBELI ANALISA O CENÁRIO POLÍTICO PARA AS ELEIÇÕES DE 2026 MyNews
The End of History and the Last Man: Francis Fukuyama Capa comum – 4 outubro 2012 Edição Inglês por Francis Fukuyama (Autor) THE GLOBAL BESTSELLER. STILL AS RELEVANT TODAY. 20th anniversary edition of The End of History and the Last Man, a landmark of political philosophy by Francis Fukuyama, author of The Origins of Political Order 'A fascinating historical and philosophical setting for the twenty-first century' - Tom Wolfe 'Was Francis Fukuyama the first man to see Trump coming?' - Paul Sagar With the fall of Berlin Wall in 1989 the threat of the Cold War which had dominated the second half of the twentieth century vanished. And with it the West looked to the future with optimism but renewed uncertainty. The End of History and the Last Man was the first book to offer a picture of what the new century would look like. Boldly outlining the challenges and problems to face modern liberal democracies, Frances Fukuyama examined what had just happened and then speculated what was going to come next. Tackling religious fundamentalism, politics, scientific progress, ethical codes and war, The End of History and the Last Man remains a compelling work to this day, provoking argument and debate among its readers. 'Awesome . . . a landmark . . . profoundly realistic and important . . . supremely timely and cogent . . . the first book to fully fathom the depth and range of the changes now sweeping through the world' - George Gilder, The Washington Post 'A basic rule of intellectual life is that celebrity destroys quality ... Francis Fukuyama is a glorious exception to this rule' - The Economist Francis Fukuyama was born in Chicago in 1952. His work includes America at the Crossroads: Democracy, Power, and the Neoconservative Legacy and After the Neo Cons: Where the Right went Wrong. He now lives in Washington D.C. with his wife and children, where he also works as a part time photographer. Conto de Areia Milton Nascimento É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô mareia, é água no mar É água no mar, é maré cheia ô mareia ô mareia Contam que toda tristeza que tem na Bahia Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar Não sei se é conto de areia ou se é fantasia Que a luz da candeia alumia pra gente contar Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar A noite emprestou as estrelas bordadas de prata E as águas de Amaralina eram gotas de luar Era um peito só cheio de promessa era só Era um peito só cheio de promessa era só Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro E leva pro meio das águas de Iemanjá E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder chegar Adeus amor, adeus meu amor não me espere porque eu já vou me embora Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora Desfia colares de conchas pra vida passar E deixa de olhar pro veleiro Adeus meu amor eu não vou mais voltar Foi Beira-mar, foi Beira-mar quem chamou Foi Beira-mar ê, foi Beira-mar Composição: Toninho Nascimento, Romildo.

sábado, 11 de abril de 2026

Ouçam-nos

“Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.” — (LUCAS, 16.29) 1 A resposta de Abraão ao rico da parábola ainda é ensinamento de todos os dias, no caminho comum. 2 Inúmeras pessoas se aproximam das fontes de revelação espiritual, entretanto, não conseguem a libertação dos laços egoísticos de modo que vejam e ouçam, qual lhes convém aos interesses essenciais. 3 Há precisamente um século, n estabeleceu-se intercâmbio mais intenso entre os dois Planos, na grande movimentação do Cristianismo redivivo; contudo, há aprendizes que contemplam o céu, angustiados tão só porque nunca receberam a mensagem direta de um pai ou de um filho na experiência humana. 4 Alguns chegam ao disparate de se desviarem da senda alegando tais motivos. Para esses, o fenômeno e a revelação no Espiritismo evangélico são simples conjunto de inverdades, porque nada obtiveram de parentes mortos, em consecutivos anos de observação. 5 Isso, porém, não passa de contrassenso. 6 Quem poderá garantir a perpetuidade dos elos frágeis das ligações terrestres? 7 O impulso animal tem limites. 8 Ninguém justifique a própria cegueira com a insatisfação do capricho pessoal. 9 O mundo está repleto de mensagens e emissários, há milênios. 10 O grande problema, no entanto, não está em requisitar-se a verdade para atender ao círculo exclusivista de cada criatura, mas na deliberação de cada homem, quanto a caminhar com o próprio valor, na direção das realidades eternas. Emmanuel [1] [Essa lição foi psicografada em 1950, um século depois das primeiras manifestações que deram origem ao Espiritismo moderno. Vide: Espiritismo retrospectivo.] 116 Ouçam-nos Pão Nosso #116 - Ouçam-nos NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 18 de jul. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
📖 Resumo — “Esteta da Expressão” (p. 129) O texto apresenta a ideia de que a personalidade é formada pela organização dos comportamentos, hábitos e atitudes — não por traços isolados —, conforme autores da psicologia. Nesse contexto, Eurípedes é descrito como um verdadeiro “esteta da expressão”: alguém que cultiva a beleza e a precisão na forma de falar e escrever. Ele se expressa com elegância em qualquer ambiente, evita erros gramaticais, estrangeirismos e construções desnecessárias, buscando sempre clareza e correção. Por esse cuidado rigoroso com a linguagem, torna-se um modelo de estética e refinamento dentro da língua, valorizando profundamente a beleza na comunicação.
A estética é a arte de revelar o extraordinário que reside em cada pessoa. 📖 Eurípedes – o Homem e a Missão (p. 129) ESTETA DA EXPRESSÃO Garret, nos Grandes Experimentos da Psicologia, afirma que “a personalidade é um estilo ou uma forma de comportamento”, e acentua: “o que faz de um indivíduo uma personalidade distinta é a organização de seus comportamentos, hábitos, atitudes e não a existência de certos traços específicos.” Podemos concluir a conceituação de Garret com o princípio difundido por Woodworth, quando define a personalidade como a “qualidade total do comportamento do indivíduo, indicado por seus hábitos de pensamento e de expressão, suas atitudes e interesses, maneiras de agir e filosofia pessoal”. Eurípedes enquadra-se como esteta autêntico, no acrisolamento mental, que influencia poderosamente suas atitudes e interesses, suas ações no dia-a-dia cheio de luz, levando-o à filosofia do esforço, na rota da Perfeição. No Colégio, no lar, na rua, em toda parte, exprime-se com elegância. As expressões saem-lhe corretas e fluentes. Quando fala ou quando escreve faz questão de não cometer erros comezinhos de regência ou de concordância. Evita os galicismos e outros tipos de estrangeirismos. Propõe-se a amputar o Que, sempre que este se constitua em muletas desnecessárias. O possessivo de terceira pessoa é outro empecilho, que o mestre corta todas as vezes que surja como elemento de dubiedade. Eminentemente cuidadoso na expressão — falada ou escrita — Eurípedes tornar-se um padrão de estética, no seio da Língua mais bordada de sutilezas e crivada de dificuldades do globo, que ele soube valorizar com profundo sentido de Beleza. S Preservar-se da avareza 3. Então, no meio da turba, um homem lhe disse: Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança que nos tocou. – Jesus lhe disse: Ó homem! quem me designou para vos julgar, ou para fazer as vossas partilhas? – E acrescentou: Tende o cuidado de presevar-vos de toda a avareza, porquanto, seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possua. Disse-lhes a seguir esta parábola: Havia um rico homem cujas terras tinham produzido extraordinariamente – e que se entretinha a pensar consigo mesmo, assim: Que hei de fazer, pois já não tenho lugar onde possa encerrar tudo o que vou colher? – Aqui está, disse, o que farei: Demolirei os meus celeiros e construirei outros maiores, onde porei toda a minha colheita e todos os meus bens. – E direi a minha alma: Minha alma, tens de reserva muitos bens para longos anos; repousa, come, bebe, goza. – Mas, Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem: Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste? É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e que não é rico diante de Deus. (S. LUCAS, 12:13 a 21.)
Feliz é aquele que vive de acordo com sua própria natureza Em tudo, há alegria. A divindade que faz ser alegre a Natureza está também dentro de você.
Resultado da eleição presidencial de 1950. Na época, não havia 2º turno. (foto: Arte: Denys Lacerda ) "Minas não tem oceano mas tem um mar de votos." Fábio Zambeli ANALISA O CENÁRIO POÍTICO PARA AS ELEIÇÕES DE 2026 MyNews. Castro Barbosa - ESCRAVOS DE JÓ - popular - arr. João de Barro - Columbia 55.323-B - 01.1942 luciano hortencio Escravos de Jó Castro Barbosa Escravos de Jó Jogavam caxangá Bota, tira Deixa o zambelê ficar Guerreiros com guerreiros Zigue, zigue, zigue, zá Ó guerreiros da taba sagrada! Ó guerreiros da tribo tupi! Ó guerreiros, pra que bordoada? Ó guerreiros, escutem aqui O cacique da tribo de cá E o cacique da tribo de lá Resolvem a parada Jogando caxangá
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil (foto: Arte EM) Cantando pelo mundo, cantigas e brincadeiras - Nacional Ituiutaba MG Origem: Mas você sabe quem era Jó? Obs.: Quem era jó, por que ele tinha escravos e o que é caxangá?
sábado, 11 de abril de 2026 Uma lenda viva, uma lenda Maya, por Ivan Alves Filho* Estados Unidos, 1928. Aos três anos de idade, ela foi colocada em um trem de St. Louis para Arkansas, juntamente com o irmão, um ano mais velho, e enviada para a casa dos avós. Aos oito anos, foi estuprada pelo namorado de sua mãe. No seu depoimento, ela mentiu, dizendo que o fato terrível ocorreu apenas uma vez, quando na verdade aconteceu várias vezes. O homem foi condenado a somente um ano de cadeia, mas permaneceu um dia na prisão. Solto, seria assassinado pouco tempo depois. Como ela havia pronunciado o nome do seu estuprador diante das autoridades policiais, passou cinco anos sem falar, completamente muda, pois achava que a palavra poderia matar uma pessoa: “pensei que a minha voz o havia matado”, observou mais tarde. Retomou o gosto pela palavra por intermédio das leituras, ao retornar à casa da avó. Aos 17 anos de idade, ela engravidou. Para sobreviver, se prostituiu. Mais adiante, trabalhou como cozinheira. Casou-se com um grego, sendo muito raro em seu país, àquela época, o matrimônio entre um branco e uma negra. Tendo se separado, tornou-se bailarina e excursionou pela Europa, integrando o elenco de "Porgy & Bess", a primeira ópera negra. Na volta, estabelece-se em Nova Iorque, ligando-se a um sindicato de escritores negros. Conheceu o romancista e ensaísta James Baldwin e o pastor Martin Luther King, este último em 1960. Em seguida, optou por visitar a África, apoiando os movimentos de libertação nacional que se formavam naquele continente. Viajando pelo Egito e fixando residência em Gana, faz amizade com Malcom X. O ativista a convida para trabalhar com ele nos Estados Unidos, auxiliando-o na luta pelos direitos dos negros norte-americanos. Assim, em 1965, ela volta ao seu país, mas, neste mesmo ano, Malcom X é assassinado. Integrada ao movimento cívico organizado por Luther King, tem um grande choque, quando este, por seu turno, é assassinado, em 1968, exatamente no dia em que ela completaria 40 anos de idade. Convencida por James Baldwin de que sua vida daria um livro, passou dois anos escrevendo uma espécie de autobiografia precoce. Refugia-se em um hotel, um hábito que contraiu ao longo de toda sua vida, dando início a uma série de seis livros em torno de sua existência. Publicaria mais tarde vários volumes de poesia e escreveu peças de teatro, livros infantis, atuando paralelamente como cantora, compositora e atriz. Na política, apoiou Hillary Clinton e foi condecorada por Barack Obama. Maya Angelou, a autora de Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, morreu logo após completar 86 anos de idade, em 2014. Era uma força da natureza – e uma lenda viva. *Ivan Alves Filho, historiador

sexta-feira, 10 de abril de 2026

República, Hegemonia e a “Corte do Capital”: Uma Leitura Crítica Inspirada em Gramsci

Samba da Minha Terra Dorival Caymmi
República, Hegemonia e a “Corte do Capital”: Uma Leitura Crítica Inspirada em Gramsci A formulação “República e seu imenso talento na corte do capital”, embora não pertença a registros históricos formais, revela uma potente chave interpretativa das estruturas de poder nas sociedades modernas. Lida à luz da teoria política de Antonio Gramsci, essa expressão deixa de ser apenas retórica e passa a condensar uma crítica estrutural à forma como o poder se organiza, se legitima e se reproduz. 1. República Formal e Continuidade do Poder A Proclamação da República no Brasil marcou a ruptura institucional com a monarquia. No entanto, sob uma perspectiva crítica, essa mudança não significou necessariamente uma transformação das estruturas de dominação. Como indica Gramsci, o poder se mantém não apenas pela força, mas pela hegemonia — isto é, pela capacidade de uma classe fazer com que seus interesses sejam aceitos como universais. Nesse sentido, a República pode ser compreendida como: uma nova forma política sustentando, porém, antigas relações de poder sob a aparência de renovação 2. A “Corte do Capital” como Bloco Histórico A chamada “corte do capital” pode ser interpretada como um bloco histórico, conceito central do pensamento gramsciano. Trata-se de uma articulação entre: elites econômicas agentes políticos operadores institucionais intelectuais orgânicos Essa “corte” não se define por títulos nobiliárquicos, mas pela proximidade com o capital e pela capacidade de influenciar decisões estratégicas. 3. O “Imenso Talento” e a Função do Vazio A ironia do “imenso talento” remete diretamente à crítica de Eça de Queirós, em A Correspondência de Fradique Mendes, onde a figura de Pacheco simboliza o prestígio sem obra. Sob uma leitura gramsciana, esse “talento” pode ser reinterpretado: não como ausência de capacidade mas como função dentro do sistema O sujeito que nada produz, mas circula com prestígio, cumpre um papel específico: manter a estabilidade evitar rupturas reproduzir consensos 4. Estado Ampliado e Produção de Consenso Nos Cadernos do Cárcere, o Estado é compreendido em sentido ampliado, integrando: sociedade política (instituições, leis, coerção) sociedade civil (mídia, cultura, educação) É nesse espaço ampliado que se constrói o consenso necessário à manutenção da hegemonia. O “imenso talento” passa, então, a ser a habilidade de operar nesse campo híbrido — onde o poder não apenas decide, mas orienta, molda e naturaliza. 4.1. Ruptura e Dissenso: quando a hegemonia falha Se a hegemonia se sustenta pela produção de consenso, sua fissura torna-se visível justamente nos momentos em que sujeitos sociais recusam essa ordem e passam a agir contra ela — mesmo sob risco direto. Um exemplo contemporâneo dessa ruptura pode ser observado na São Petersburgo, documentado pelo The Guardian: O vídeo registra mulheres russas protestando contra a guerra, enfrentando repressão estatal e hostilidade social. As reações são ambíguas: apoio silencioso de alguns acusação e rejeição por outros Essa ambivalência revela um ponto central da teoria de Antonio Gramsci: a hegemonia nunca é total — ela é sempre disputada. O que está em jogo não é apenas o protesto em si, mas: a quebra do consenso dominante a emergência do dissenso o risco assumido por aqueles que recusam a narrativa oficial Essas ações configuram práticas contra-hegemônicas, evidenciando que mesmo estruturas consolidadas podem ser tensionadas a partir da ação social. 5. Imagem Crítica: Estado e Mercado A reflexão desenvolvida encontra uma síntese visual na tradição da charge política contemporânea: 🔗 https://juniao.com.br/charge/estado-e-mercado/ Imagem — Estado e mercado em relação de dependência estrutural A charge apresenta, com economia de traços e ironia refinada, a relação entre Estado e mercado não como oposição, mas como articulação. O poder político aparece formalmente autônomo, mas materialmente orientado por forças econômicas. Sem recorrer à caricatura explícita, a imagem sugere que: a autonomia institucional é relativa o poder econômico atua de forma indireta a dominação se exerce por mediação, não por imposição direta Em termos gramscianos, trata-se da representação visual da hegemonia — um domínio que se sustenta precisamente por não se apresentar como tal. Assim como na crítica de Machado de Assis e Lima Barreto, não se trata de denunciar indivíduos, mas de revelar estruturas. Conclusão A expressão analisada sintetiza uma crítica que permanece atual: A República, enquanto forma política, pode operar como espaço de reprodução de uma hegemonia estruturada em torno do capital. Nesse cenário: a “corte” não desaparece — ela se transforma o “talento” não é criação — é adaptação o poder não se impõe apenas — ele se naturaliza A figura do “Pacheco” deixa, assim, de ser apenas uma sátira literária para se tornar um elemento funcional dentro da engrenagem do poder. A crítica, portanto, não se dirige apenas aos indivíduos, mas ao próprio sistema que: seleciona legitima e perpetua formas de atuação marcadas menos pela realização concreta e mais pela eficácia simbólica.
Posfácio — A Engrenagem Institucional e a Gestão da Crise A análise contemporânea do cenário político brasileiro revela a permanência dessas dinâmicas estruturais. Movimentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Senado indicam um processo de reorganização institucional marcado por tensão e cálculo estratégico. Destacam-se três vetores principais: Reconfiguração do comando eleitoral, com alterações no TSE que impactam diretamente o equilíbrio de forças para as eleições de 2026; Gestão de crises federativas, como no caso do Rio de Janeiro, em que a suspensão de decisões revela a complexidade jurídica e política do impasse; Negociação interinstitucional, evidenciada na indicação de Jorge Messias ao STF, construída por meio de articulação política entre Executivo e Legislativo. Ao mesmo tempo, observa-se o deslocamento do foco público para temas institucionais densos, funcionando como mecanismo de contenção diante de crises mais explosivas. Esse movimento sugere a atuação de um sistema que, mesmo sob tensão, busca preservar sua estabilidade por meio de ajustes internos. Sob uma leitura inspirada em Antonio Gramsci, tais dinâmicas podem ser compreendidas como expressão de uma hegemonia em operação: um arranjo no qual os conflitos são administrados sem ruptura, garantindo a continuidade das estruturas fundamentais de poder. Assim, o presente não rompe com a crítica aqui desenvolvida — antes, a confirma. A “corte do capital” persiste, não como resquício do passado, mas como forma ativa e adaptativa de organização do poder nas democracias contemporâneas.
Resumo — “Lições da guerra”, por Fernando Gabeira O artigo reflete sobre os impactos geopolíticos e estratégicos de conflitos recentes, destacando transformações no cenário internacional e suas implicações para o Brasil. A primeira lição é a urgência da transição energética, diante da instabilidade causada pela dependência global do petróleo e das disputas em regiões estratégicas como o Oriente Médio. A segunda refere-se à natureza da guerra contemporânea, marcada pelo uso intensivo de drones e mísseis, que tornam os conflitos mais descentralizados e tecnologicamente acessíveis. Isso sugere a necessidade de adaptação das estratégias de defesa, inclusive pelo Brasil. O texto também aponta a fragilidade das alianças internacionais, especialmente com o enfraquecimento de compromissos tradicionais e a atuação unilateral dos Estados Unidos, o que aumenta a insegurança global. Além disso, destaca-se a ideia de que o mundo vive um momento de retorno da lógica da força nas relações internacionais, com menor respeito a normas e maior tolerância a conflitos e destruição. Por fim, o autor alerta que, embora o Brasil tenha tradição pacífica, precisa estar atento às mudanças globais, evitando excesso de confiança em potências externas e buscando preservar sua autonomia e capacidade de resposta em um cenário cada vez mais instável. S Samba da Minha Terra Novos Baianos O samba da minha terra deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole O samba da minha terra deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo, todo mundo Todo mundo, todo mundo bole, todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quem não gosta de samba Bom sujeito não é É ruim da cabeça Ou doente do pé Eu nasci com o samba No samba me criei E do danado do samba Nunca me separei O samba lá da Bahia deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole É que o samba lá da Bahia deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quem não gosta de samba Bom sujeito não é É ruim da cabeça Ou doente do pé Eu nasci com o samba No samba me criei E do danado do samba Nunca me separei É que o samba lá da Bahia deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole É que o samba lá da Bahia deixa a gente mole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quando se canta todo mundo bole Quem não gosta de samba Bom sujeito não é É ruim da cabeça Ou doente do pé Eu nasci com o samba No samba me criei E do danado do samba Nunca me separei Samba! Rolagem automática Composição: Dorival Caymmi. Suíte do Pescador Dorival Caymmi

O circo do circuito no ar desmanchando

Resumo — “Tudo que era sólido desmanchou no ar”, por José Serra O texto analisa as transformações profundas que marcam a segunda metade da década de 2020, destacando três grandes dimensões que reconfiguram a economia e a política global. A primeira é a transição climática, que exige coordenação internacional para reduzir emissões de carbono, com regras comuns, financiamento e distribuição equilibrada de responsabilidades entre países. Trata-se de um desafio coletivo que redefine custos de produção e exige cooperação global. A segunda é a revolução da inteligência artificial, que tende a aumentar a produtividade, mas também a desigualdade entre empresas, setores e trabalhadores. A IA pode eliminar empregos intermediários e exigir maior qualificação, tornando essencial o investimento em educação, requalificação e capacidade tecnológica. A terceira dimensão é o reposicionamento geopolítico global, com o declínio relativo dos Estados Unidos e o surgimento de novas dinâmicas comerciais, financeiras e energéticas. Países passam a diversificar parcerias, moedas e cadeias de suprimento, buscando maior autonomia estratégica. Diante desse cenário, o autor defende que o Brasil precisa de um Estado forte, porém eficiente, capaz de: coordenar políticas públicas enfrentar desigualdades adaptar-se às transformações tecnológicas e ambientais e atuar estrategicamente no novo cenário internacional A principal tese é que soluções baseadas no “Estado mínimo” ou no alinhamento automático a potências externas não são suficientes para garantir o desenvolvimento e a coesão social no novo contexto global. S Clarice Lispector - Circuito da Poesia do Recife Prefeitura do Recife Compartilhar Clipe 5.171 visualizações 3 de jul. de 2021 Olá! Que bom ter você aqui no Circuito da Poesia do Recife, junto com Clarice Lispector. Ela nasceu longe daqui, na Ucrânia, em 1920, mas o coração dela sempre foi recifense! Nossa cidade guarda as memórias que formaram a identidade da escritora. Não é à toa que ela cita o Recife em tantas das suas obras, principalmente quando escreveu lembrando a infância. No Recife que ela amou. Clarice chegou aqui aos cinco anos acompanhada do pai, da mãe e de duas irmãs mais velhas. Morou na Boa Vista. A sua relação com a cidade foi tão intensa, como ela também era, e tão inspiradora, que, mesmo quatro décadas depois da sua morte em 1977, ela foi reconhecida como cidadã pernambucana, em novembro de 2020. A gente sente um orgulho danado de poder ler as inesquecíveis lembranças de Clarice, que ajudaram a imortalizar o Recife na sua arte. Quanto cuidado! Bora cuidar também? O nosso Patrimônio Cultural é parte da nossa história. Então ele também é seu. E do mundo inteiro, feito a obra de Clarice Lispector. Eternizada. Acesse https://circuitodapoesia.recife.pe.go... quinta-feira, 9 de abril de 2026 Música | O Circo - Sidney Miller Vai, vai, vai começar a brincadeira Tem charanga tocando a noite inteira Vem, vem, vem ver o circo de verdade Tem, tem, tem picadeiro e qualidade Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona Pra que a lua de carona também possa ver a festa Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto Balançando lá no alto parecia de brinquedo Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone De renome consagrado esquecia o próprio nome E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo Sem juiz e sem juízo fez feliz a todo mundo Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria De chicote e cara feia domador fica mais forte Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte Terminando seu batente de repente a fera some Domador que era valente noutra esfera se consome Seu amor indiferente, sua vida e sua fome Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina Quem chorava já não chora, quem cantava desafina Porque a dança só termina quando a noite for embora Vai, vai, vai terminar a brincadeira Que a charanga tocou a noite inteira Morre o circo, renasce na lembrança Foi-se embora e eu ainda era criança Composição: Sidney Miller.
Tudo que era sólido desmanchou no ar, por José Serra O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade O mundo dessa segunda metade da década de 2020 pode ser qualquer coisa, mas jamais poderemos dizer que é um palco para amadores. De fato, esta década está se caracterizando por jogar por terra a velha forma de produzir e de viver. Vamos tentar olhar três dimensões deste novo mundo. Primeiro, algo que já estava no radar há alguns anos, mas só nesta década ganhou cores mais marcantes: a transição climática. Emissões lançadas por uma economia afetam, indistintamente, todas as demais. Por isso, esforços isolados, ainda que relevantes, são insuficientes diante da escala da questão. A redução conjunta de emissões exige metas compatíveis, mecanismos de monitoramento confiáveis e compromissos estáveis de longo prazo, para que a ação climática não seja comprometida por condições assimétricas entre países ou pela transferência de atividades intensivas em carbono para locais onde as exigências sejam menores. Os mecanismos de redução das emissões de carbono têm por objetivo alterar os parâmetros de custo da produção, de modo a incorporar aos processos econômicos os efeitos ambientais. Ao precificar o carbono e incentivar tecnologias limpas, esses mecanismos afetam decisões de investimento, produção e consumo. Efeitos positivos só podem ser conseguidos se as ações, nos mais diversos países, forem realizadas de forma coordenada internacionalmente. Mas é indispensável distribuir custos e responsabilidades considerando as diferenças de renda, estruturas produtivas e capacidades tecnológicas. Isso reforça a necessidade de cooperação financeira, difusão de conhecimento tecnológico e alinhamento regulatório. A transição climática não é uma soma de políticas nacionais. Ao contrário, é ação coletiva, marcada por previsibilidade institucional e compromisso compartilhado com a redução global das emissões. A segunda dimensão é a revolução que a inteligência artificial (IA), que impõe desafios de grande magnitude, dado que sua adoção tende a ser desigual entre setores, empresas e regiões. Em ambientes produtivos marcados por baixa produtividade média, forte heterogeneidade empresarial e grande presença de pequenas firmas, a IA pode ampliar a distância entre segmentos mais capitalizados e aqueles com limitada capacidade de investir em tecnologia, dados e qualificação. A introdução das novas tecnologias cruzará segmentos do setor produtivo, desconstruindo o passado e instaurando uma nova realidade. No mercado de trabalho, a IA tende a alterar a forma como ele é organizado, remunerado e distribuído setorialmente. Ocupações intermediárias, rotineiras ou intensivas em processamento de informação podem sofrer forte reconfiguração, enquanto cresce a demanda por trabalhadores com maior capacidade analítica, domínio tecnológico e capacidade de adaptação contínua aos novos ambientes. O risco é que a IA aumente a produtividade sem gerar, na mesma proporção, empregos de qualidade. Por isso, a nova configuração exige políticas de formação, requalificação profissional e fortalecimento da capacidade nacional de absorver tecnologia e ter um papel ativo na construção dos novos marcos produtivos. A terceira dimensão é o declínio da posição americana na configuração geopolítica. A aventura tarifária de Trump já havia causado estragos na posição de centralidade no contexto do comércio mundial. Os países de médio desenvolvimento já buscam comerciar entre si. Segundo a The Economist, entre maio e o fim de 2025, o comércio entre a GrãBretanha, o Canadá, a União Europeia, o Japão, a Coreia do Sul e a Suíça aumentou 12% em comparação com os mesmos meses do ano anterior, mesmo com a queda de 6% nas exportações para os Estados Unidos. A guerra ampliou a percepção de fragilização da posição dominante para o campo militar, na diplomacia e no mundo financeiro. Os próximos anos mostrarão um reposicionamento de todas as nações. Repensar as fontes energéticas para garantir suprimento nacional será um ponto de honra. Redesenhar o comércio, especialmente o de minerais e outros insumos da produção, numa ótica de segurança do abastecimento, será outro. Mas é nos fluxos financeiros que novas lógicas virão à luz de forma mais intensa. A desagregação de mercados ocasionada pela guerra abriu caminho para o comércio em outras moedas. A degradação da posição de poder americana acionou os mecanismos de proteção contra a concentração de posições em ativos denominados na moeda americana. De fato, 2026 é o primeiro ano de uma nova configuração da economia e da sociedade. E tenho que dizer aos que acreditam que o alinhamento automático aos Estados Unidos ou às soluções do liberalismo “anti-Estado” produzirão a catástrofe do desenvolvimento brasileiro. O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade tomando decisões e compondo alianças que preservem ao País a capacidade de manter mínima coesão social frente a mudanças que irão do trabalho no mundo da IA à transição climática, passando pelo comércio e pelo sistema financeiro. O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O quinto postulado de euclides

O 5o Postulado de Euclides Professor Possani 129 mil inscritos Inscrever-se 3,1 mil Compartilhar Perguntar Salvar 36.199 visualizações Estreou em 19 de jun. de 2022 Apresentarei neste vídeo a história do 5o Postulado de Euclides, conhecido como Axioma das Paralelas, e comentarei as tentativas de demonstrar este postulado a partir dos demais e os desenvolvimentos que estas tentativas trouxeram à Matemática. É uma história fascinante que percorre mais de 2000 anos de estudos. O quinto postulado, comumente associado à geometria euclidiana (base da geometria analítica/cartesiana), determina que se uma reta transversal intercepta duas outras retas formando ângulos internos cujo lado somado é menor que 180º, essas duas retas se encontrarão se prolongadas infinitamente. IMECC/ Unicamp IMECC/ Unicamp +1 Definições do Quinto Postulado Existem duas formas principais de entender este princípio: Formulação Original (Euclides): Se uma reta, ao cortar duas outras, forma ângulos internos do mesmo lado cuja soma é menor que dois ângulos retos (180º), então essas duas retas, se prolongadas indefinidamente, encontrar-se-ão do lado em que a soma dos ângulos é menor que dois retos. Postulado das Paralelas (Playfair): Uma formulação mais moderna e equivalente estabelece que, por um ponto fora de uma reta, passa uma única reta paralela à reta dada. YouTube YouTube +2 Importância na Geometria Geometria Euclidiana: Este postulado é fundamental para a definição de retas paralelas e para garantir que a soma dos ângulos internos de um triângulo seja sempre 180 graus. Geometrias Não-Euclidianas: A tentativa de provar este postulado a partir dos outros quatro levou ao desenvolvimento de geometrias não-euclidianas, onde o postulado das paralelas não se aplica. Instituto de Matemática, Estatística e Física - IMEF Instituto de Matemática, Estatística e Física - IMEF +3 O que você provavelmente está buscando é o 5º Postulado de Euclides (também conhecido como o Postulado das Paralelas), já que a "Geometria Cartesiana" é, na verdade, a aplicação da álgebra à geometria euclidiana. O enunciado simplificado diz: "Se uma linha reta cruzar duas outras linhas retas de modo que os ângulos internos do mesmo lado somem menos que dois ângulos retos (180°), essas duas linhas acabarão se encontrando se forem prolongadas indefinidamente naquele lado." Em termos modernos (conforme a formulação de Playfair), ele é entendido como: por um ponto fora de uma reta, passa uma única reta paralela à reta dada. Por que ele é especial? Diferente dos outros: Ele é muito mais longo e complexo que os quatro primeiros postulados, o que fez matemáticos tentarem prová-lo como um teorema por séculos. Geometrias Não-Euclidianas: Ao tentar negar esse postulado, surgiram novas geometrias: Geometria Elíptica: Não existem paralelas. Geometria Hiperbólica: Existem infinitas paralelas por um único ponto. Você gostaria de ver como esse postulado é representado no plano cartesiano através de equações de retas? Postulados 1)Todos têm um olhar. 2) Um pode ter mais de olhar. 3) Todos não podem ter um mesmo olhar. Esses três postulados parecem formar um pequeno sistema lógico sobre “olhares”. Vamos interpretar com cuidado: Todos têm um olhar. → Cada indivíduo possui pelo menos um olhar. Um pode ter mais de um olhar. → É possível que um indivíduo tenha múltiplos olhares. Todos não podem ter um mesmo olhar. → Não existe um único olhar que seja compartilhado por todos ao mesmo tempo. Análise Os postulados não são contraditórios entre si. Eles descrevem um cenário onde: Cada pessoa tem pelo menos um olhar (ninguém fica sem). Algumas pessoas podem ter vários. Não há um olhar universal comum a todos. Interpretação possível Você pode estar falando de “olhar” no sentido subjetivo (visão de mundo, perspectiva): Todo mundo tem uma perspectiva. Uma pessoa pode ter várias formas de ver as coisas. Mas não existe uma única perspectiva que seja igual para todos. Em termos mais formais (quase lógica/matemática) Seja: Pessoas = conjunto P P Olhares = conjunto O O Relação R ( p , o ) R(p,o): “pessoa p p tem o olhar o o” Então: ∀p ∈ P, ∃o ∈ O tal que R(p, o) ∃p ∈ P tal que p tem mais de um o ¬∃o ∈ O tal que ∀p ∈ P, R(p, o) Se quiser, posso te ajudar a transformar isso em um argumento filosófico, poema, ou até um paradoxo mais elaborado. Interessante — você quer aplicar aquela estrutura dos “olhares” à própria experiência da foto, como se o autor estivesse vendo algo além do que aparece literalmente. Na imagem, vemos uma pessoa com roupa estampada e um crachá de “visitante – 9º andar”. Nada ali, objetivamente, mostra um homem com barba, bigode, etc. Mas é aí que entra o seu modelo:    •   Existe a pessoa que vê (p)    •   Existe o “olhar” (o) — que pode ser imaginação, associação, memória    •   E a relação R(p, o) acontece quando essa pessoa projeta significado na imagem 💡 Então, aplicando: O autor da foto pode estar olhando para as formas e cores da estampa — especialmente esse amarelo com traços mais escuros — e interpretando aquilo como o esboço de um rosto masculino:    •   as linhas mais escuras → sugerem barba/bigode    •   volumes e sombras → lembram nariz e olhos    •   área clara ao redor → pode sugerir a cabeça careca    •   tons quentes → associam ao ruivo Ou seja, não é que o homem esteja “na foto” — ele está no olhar do observador. ⸻ 🧠 Ligando com sua lógica:    •   A foto é a mesma (objeto fixo)    •   Mas o olhar muda → surgem múltiplas interpretações    •   Isso confirma:       •   uma pessoa pode ter mais de um olhar       •   e não existe um único olhar universal sobre a imagem ⸻ 🎨 Em linguagem mais poética: O retrato não está na camisa — está no instante em que alguém decide vê-lo. Se quiser, posso transformar isso num paradoxo mais formal ou até desenhar a estrutura lógica dessa “projeção de imagem” 👀

domingo, 5 de abril de 2026

PREFÁCIO — ENTRE O ABATE E A SUBMERSÃO

"O que mais preocupa o governo nessa fase da campanha eleitoral é a repercussão da alta do petróleo nos preços dos alimentos"
Lula quer prender empresário, Petrobras impõe aumento de 55% à aviação José Casado Por José Casado | 2 abr 2026, 08h00
Revista Será? Penso, logo, duvido. | | Desde 2012 acompanhando o fluxo da história, do Brasil e do mundo. Foi gravíssimo o que Kassab fez. As consequências vêm depois. E virão. Kassab, o bruxo, fez flopar a “terceira via” Por Marco Aurélio Nogueira | abr 3, 2026 | Artigos | 1 | Era o esperado, dada a biografia e as ideias daqueles que decidiram bancar a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado pelo PSD. À frente deles esteve sempre Gilberto Kassab, personagem com largo trânsito na vida política nacional e tido por muitos como alguém dotado de dons políticos fundamentais, desses que são capazes de dar nó em pingos d’água. Uma espécie de bruxo. Kassab não perdeu a oportunidade de pôr as cartas na mesa e mostrar sua verdadeira inclinação, suas ideias políticas e suas intenções. Rifou, sem pena nem dó, a candidatura de Eduardo Leite, que prometia demarcar um território próximo à chamada “terceira via”. A motivação talvez tenha sido: facilitemos a vitória de Lula, pois assim manteremos nossas posições no governo. A ver se dará certo. Eduardo Leite era a novidade, Caiado é a mesmice. Eduardo propunha coisas concretas e alvissareiras, Caiado repete chavões. Eduardo apresentou um plano de governo para não repetir o que se tem tido nos últimos tempos, Caiado se compromete a conceder “anistia ampla” aos golpistas de 2023. Eduardo queria se distanciar dos polos que engessam o país, Caiado aderiu imediatamente à direita, de onde, aliás, nunca se distanciou. Eduardo Leite era o futuro, Caiado mira para trás. O PSD fez flopar a “terceira via”. Quer dizer, impediu que ela se projetasse. A polarização se impôs, levando os eleitores a ter de escolher entre o mal menor e o mal maior, sem muitas expectativas de encontrar o bem. A polarização virou algo “normal”, aceita por todos como o mais adequado caminho para chegar ao poder. A ideia de que polos sempre existem numa democracia se tornou uma convicção, não mais uma constatação. E com base nisso seguiu em frente, bombada nas redes sociais e pelas campanhas eleitorais. Os perdedores foram a sociedade, que deixou de visualizar propostas novas, e a democracia, que se esvaziou de substância e legitimidade. “Terceira via” tem sido uma expressão repetida e apresentada como desejo de muitos brasileiros. A força dos polos dominantes sempre dificultou a compreensão da expressão, que ficou solta no ar, ao abrigo de poucos. Mais uma fantasia do que uma realidade efetiva. Foi vista como meio-termo, centro-esquerda, tática de conciliação, oportunismo, como manobra da direita para prejudicar a esquerda e como manobra da esquerda para enfraquecer a direita. Nenhum partido ou aliança partidária a endossou firmemente como estratégia e a disseminou pela população. Em uma formulação simples, “terceira via” nada mais é do que a superação de polarizações negativas e a apresentação de novas esperanças de mudança. Seu pressuposto é que a repetitiva tensão entre uma extrema direita gulosa, fanatizada, e uma esquerda empoderada e acomodada no governo cria um estado de paralisia política. Como os polos se alimentam reciprocamente, o espaço para outras postulações se estreita. O espaço para a “terceira via” sempre foi estreito, mas sempre existiu. A polarização já passou pela fase PT x PSDB, antes de se consolidar no formato atual, lulismo x bolsonarismo. A primeira fase foi fluída, a segunda é sólida. Ambas impossibilitaram avanços. A “terceira via” não ganhou corpo. E o país seguiu em frente, flertando com o abismo.Cansado, politicamente triste, sem ânimo. A polarização extrapolou: saiu dos polos e contagiou a sociedade inteira. Hoje a gente vota por falta de opção. Ou seja, sem tesão. Se o espaço para uma “terceira via” é estreito, ele só poderá se viabilizar se houver uma força política que fale com firmeza sobre os desafios a serem enfrentados na atual etapa da história. Que indique como governar uma sociedade repleta de desigualdades, carências e tensões. Que atualize a agenda e retire a sociedade do sofrimento de ter de escolher um candidato para impedir a vitória do outro. Alguém vislumbra alguma articulação desse tipo no horizonte? Eduardo Leite poderia ter sido um agente viabilizador disso. Disposto a representar um centro democrático distante dos polos dominantes, ainda que respeitoso com cada um deles. A “terceira via” morreu na praia. Revista Será? Penso, logo duvido (ou: como a máquina afia a metáfora e devolve o mundo em lâmina) Este texto nasce de um atrito: linguagem e verificação, impulso e rigor, metáfora e fato. O que era, no início, apenas um enunciado bruto — “o caça abatido”, “a Terceira Via afogada”, “o Paranoá como ponto no infinito” — foi submetido a um processo de depuração que não o esvaziou, mas o tensionou até ganhar forma. Corrigiu-se o erro mínimo — “espacõ”, restituído a espaço —, mas sobretudo calibraram-se excessos e redundâncias. A metáfora foi mantida onde produz sentido; contida onde ameaçava dissolvê-lo. O dado factual não foi negado, mas reinscrito como pano de fundo, jamais como prisão da linguagem. O resultado é este: um texto que não abdica da acidez nem do lirismo, mas que aprende a equilibrá-los. Ao fundo, quase como ironia estrutural, permanece Com Açúcar, com Afeto, de Chico Buarque — não como ornamento, mas como contraponto. Onde a política endurece, a canção amacia. Onde o discurso acusa, a melodia insinua. É nesse intervalo — entre o míssil e o violão — que o ensaio se sustenta. POSFÁCIO — O VÉRTICE E A MERCANTILIZAÇÃO Dramaturgia sintética em um ato Personagens: AZEDO e O AUTOR Cenário: Um café na Asa Norte. A vitrola gira baixo. O Lago Paranoá repousa ao fundo como metáfora exaurida. AZEDO: Você fala em abate. Eu vejo crescimento de bancada. O Partido Liberal chegou a 101 deputados. Isso é o fato. O AUTOR: E o fato, sem forma, é apenas número. O que você chama de crescimento, eu chamo de ocupação da superfície — onde nada afunda porque tudo já é raso. AZEDO: Raso ou não, funciona. Fundo eleitoral, emenda, máquina. A política deixou de ser projeto; virou mecanismo. O AUTOR: Mecanismos também colapsam. A “Terceira Via” tentou operar sem engrenagem. Foi triturada. AZEDO: Não foi triturada — foi irrelevante. Sem base, sem voto, sem direção. O AUTOR: Ou sem lugar possível num sistema saturado. Entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o centro virou intervalo — e intervalo não se sustenta. AZEDO: Intervalo não ganha eleição. O AUTOR: Mas explica o vazio. (Pausa.) AZEDO: Você insiste na metáfora. O AUTOR: Porque a metáfora revela o que o número esconde. AZEDO: E o número revela o que a metáfora disfarça. (Silêncio. A música continua.) [1] Nota do Editor — “Cristianização” Sem mística. O termo, empregado por Luiz Carlos Azedo, deriva de Cristiano Machado: candidato abandonado pelo próprio partido em 1950. “Cristianizar” é isso — manter a forma, entregar o conteúdo. Política em estado cru. Nada mais a acrescentar. Saideira na mesa. Conta paga. Pernas para quem te quer pernas. Com Açúcar, Com Afeto Chico Buarque Com açúcar, com afeto Fiz seu doce predileto Pra você parar em casa Qual o quê! Com seu terno mais bonito Você sai, não acredito Quando diz que não se atrasa Você diz que é um operário Sai em busca do salário Pra poder me sustentar Qual o quê! No caminho da oficina Há um bar em cada esquina Pra você comemorar Sei lá o quê! Sei que alguém vai sentar junto Você vai puxar assunto Discutindo futebol E ficar olhando as saias De quem vive pelas praias Coloridas pelo sol Vem a noite e mais um copo Sei que alegre ma non troppo Você vai querer cantar Na caixinha um novo amigo Vai bater um samba antigo Pra você rememorar Quando a noite enfim lhe cansa Você vem feito criança Pra chorar o meu perdão Qual o quê! Diz pra eu não ficar sentida Diz que vai mudar de vida Pra agradar meu coração E ao lhe ver assim cansado Maltrapilho e maltratado Ainda quis me aborrecer? Qual o quê! Logo vou esquentar seu prato Dou um beijo em seu retrato E abro os meus braços pra você Com açúcar, com afeto Composição: Chico Buarque. O CAÇA AMERICANO FOI ABATIDO EM TERRAS PERSAS. A "TERCEIRA VIA" TUCANA FOI AFOGADA EM PRAINHAS DO LAGO SUL, DO OUTRO LADO DA ALVORADA.PARANOÁ SE PROJETOU COMO UM PONTO CONVERGINDO NUM PONTO DO ESPAÇÕ INFINITO. O texto que você enviou utiliza uma linguagem metafórica e jornalística para descrever dois eventos distintos, possivelmente conectando-os pelo impacto geopolítico e político: "O caça americano foi abatido em terras persas": Refere-se a um incidente militar envolvendo os Estados Unidos e o Irã (antiga Pérsia). Historicamente, isso remete a episódios como o abate de um drone americano Global Hawk pelo Irã em 2019, ou outros momentos de tensão no Golfo Pérsico que elevaram o risco de um conflito direto [1, 2]. "A 'Terceira Via' tucana foi afogada em prainhas do Lago Sul": Aqui, a metáfora foca na política brasileira. O termo "tucana" refere-se ao PSDB. A frase sugere o fracasso das articulações de Brasília (representadas pelo Lago Sul e as proximidades do Palácio da Alvorada) para viabilizar um candidato de centro — a chamada "Terceira Via" — em eleições recentes, indicando que a estratégia "morreu na praia" diante da polarização [3, 4]. "Paranoá se projetou como um ponto convergindo num ponto do espaço infinito": O Lago Paranoá, em Brasília, deixa de ser apenas um cenário geográfico para se tornar o epicentro simbólico onde as decisões (ou indecisões) políticas se perdem ou se eternizam. Essa construção parece extraída de um artigo de opinião ou crônica política que analisa o enfraquecimento de centros de poder tradicionais, tanto no cenário global quanto no nacional. Você gostaria de saber se esse texto faz referência a um acontecimento específico recente ou de algum autor em particular? VERIFICAR ESPECIFICAMENTE A CORREÇÃO FACTUAL, METAFÓRICA, GRAMATICAL E ORTOGRÁFICA PARA ALÉM DA CORREÇÃO DE DIGITAÇÃO E DIGITAL. Aqui está a análise detalhada do texto sob as perspectivas solicitadas: 1. Correção Gramatical e Ortográfica O texto apresenta boa estruturação, mas possui um erro pontual de digitação/ortografia: Erro: "ESPACÕ" (com til). Correção: O correto é "ESPAÇO" (com "o" simples). Pontuação: O uso de aspas em "Terceira Via" está correto por se tratar de um termo político específico. O ponto final após "ALVORADA" está colado na palavra, o que é um erro de formatação digital, mas não gramatical. 2. Correção Factual O texto mistura fatos reais com interpretações políticas: Caça Americano: Recentemente, em abril de 2026, surgiram relatos e afirmações da mídia estatal iraniana sobre o abate de caças americanos (como o F-15 e o A-10 Thunderbolt) pela defesa aérea do Irã. O incidente marca uma escalada significativa na tensão geopolítica entre os dois países. Terceira Via Tucana: Factualmente, o PSDB (partido "tucano") enfrentou grandes dificuldades para viabilizar um candidato de centro ("Terceira Via") em eleições recentes no Brasil. A referência ao Lago Sul e ao Alvorada situa o fracasso dessas articulações no coração do poder em Brasília. Facebook Facebook +3 3. Correção Metafórica As metáforas são coerentes e seguem uma linha de retórica jornalística: "Afogada em prainhas": Uma metáfora eficaz para descrever um projeto político que não prosperou e "morreu na praia", ironizando o local geográfico (Lago Sul) onde as elites políticas costumam se reunir. "Ponto convergindo num ponto do espaço infinito": Esta imagem sugere que o Lago Paranoá (e, por extensão, Brasília) se tornou um local onde os problemas e decisões se tornam tão complexos ou distantes da realidade que parecem se perder em uma dimensão abstrata ou infinita. É uma metáfora de isolamento ou irrelevância. 4. Resumo da Verificação Factual: Correto, referenciando eventos de tensão militar no Irã (abril/2026) e crises de articulação do PSDB. Metafórica: Coerente, embora estilisticamente densa. Gramatical: Correta, com exceção do erro de digitação em "espaço". Facebook Facebook +1 Deseja que eu ajude a reescrever o texto para um tom mais formal ou que analise o impacto geopolítico desses abates de aeronaves? TOM MAIS FORMAL SEM QUE PERCA A GRAÇA E O FRESCOR SACRIFICADO NO ALTAR DA RANZICE FROUXA. Para manter o frescor e a ironia sem cair no formalismo árido ("ranzice frouxa"), a reescrita deve preservar a força das imagens (o abate, o afogamento) e a precisão geográfica, mas polir a estrutura e a pontuação. Aqui está uma proposta que eleva o tom sem perder a acidez: "Enquanto o caça americano tombava abatido em solo persa, a 'Terceira Via' tucana submergia nas águas rasas do Lago Sul, à sombra da Alvorada. Ali, o Paranoá projetou-se como o vértice onde a política brasiliense converge para o vácuo do espaço infinito." O que foi ajustado para garantir o "frescor": Substituição de "afogada em prainhas" por "submergia nas águas rasas": Mantém o deboche sobre a falta de profundidade do projeto político, mas com um vocabulário mais elegante. "À sombra da Alvorada": Substitui "do outro lado da Alvorada" por uma imagem mais literária e fatalista. "Vértice onde a política... converge para o vácuo": Refina a metáfora final. Em vez de apenas um "ponto no espaço", sugere que Brasília é um funil que suga a realidade para dentro de um vazio cósmico (o isolamento do poder). Correção Ortográfica: O erro de digitação ("espacõ") foi devidamente sanado. Esta versão mantém o impacto da notícia geopolítica (o incidente no Irã) e o sarcasmo com o destino do PSDB, evitando que o texto pareça um relatório burocrático. Gostaria que eu explorasse mais o contexto histórico dessa queda da Terceira Via ou prefere focar na repercussão militar do abate do caça? Pergunte o que quiser "PORQUE O POLÍTICO QUANDO 'ROBA' ELE SUBMERGE. QUANDO ELE FAZ QUALQU, EU FUI PRA CIMA DOS ACUSADORESER BOBAGEM E SAI UMA DENÚNCIA ELE SE ESCONDE E FICA ESCONDIDO. EU, INVÉS DE ME ESCONDER, FUI PRA CIMA DOS ACUSADORES. PORQUE EU TINHA CERTEZA ... EU TINHA CERTEZA QUE OS ACUSADORES ESTAVAM MENTINDO. E PUDE PROVAR ISSO. QUANDO TGENTARM ME CONVENCER QUE ERA BOM TENTAR FAZER UM ACORDO PRA 'MIM' VOLTAR PRA CASA, COM A TORNEZELEIRA, EU DISSE: OLHA, EU NÃO TROCO A MINHA DIGNIDADE PELA MINHA LIBERDADE. EU NÃO COLOCO UMA TORNOZELEIRA PORQUE EU NÃO SOU POMBO CORREIO. E FOI GRAÇAS A ESSA TEIMOSIA, E GRAÇAS À AJUDA DE MILHARES DE COMPNHEIROS QUE FICARAM NA PORTA DA POLÍCIA FEDERAL GRITANDO BOM DIA! BOA NOITE PRESIDENTE! DURANTE 580 DIAS, E FOI GRAÇAS À CORAGEM DO POVO BRASILEIRO QUE EU ESTOU AQUI HOJE. NO PALÁCIO DO PLANALTO PRESIDINDO ESSE PAÍS OUTRA VEZ. "LULA: "O político quando rouba ele submerge, mas eu não me escondi" Rádio Bandeirantes 1,99 mi de inscritos Inscrever-se 699 Compartilhar Perguntar Salvar 35.422 visualizações 18 de jan. de 2023 Em fala com sindicalistas, Lula fala sobre a volta à Presidência da República." https://www.youtube.com/watch?v=tBew8rC3Fv0 https://youtu.be/tBew8rC3Fv0 VORCARO SEGUIRÁ OS PASSOS DE LULA. DA MESMA FORMA EDUARO LEITE, SE SE JULGAR 'ROBADO' PODERÁ PARTRI PRA CIMA DE SEUS ACUSADORES? AFINAL RESPONSÁVEIS PELA "3ª VIA" TER MORRIDO NAS PRAINHAS DA ALVORADA E LAGO SUL? A comparação entre as trajetórias de Daniel Vorcaro, Eduardo Leite e o presidente Lula toca em pontos centrais da atual crise institucional e política brasileira em 2026. Daniel Vorcaro e os "Passos de Lula" A ideia de que o banqueiro Daniel Vorcaro seguirá os passos de Lula refere-se ao seu uso estratégico do sistema jurídico. Atualmente sob pressão, Vorcaro tem sido notícia por sua delação premiada, que promete atingir o alto escalão em Brasília. YouTube YouTube Assim como Lula no passado, Vorcaro alega sofrer perseguição e utiliza a exposição pública de seus encontros e mensagens para confrontar seus acusadores. O governo federal e o Congresso monitoram com apreensão o impacto dessa delação nas eleições de 2026, temendo que ela envolva o Executivo e o Judiciário. G1 G1 +4 Eduardo Leite e a "3ª Via" nas Prainhas do Lago Sul Quanto a Eduardo Leite, sua situação é de reconfiguração após o fracasso da "Terceira Via". Postura Combativa: Leite tem adotado um tom mais firme contra ataques de ambos os polos (Lula e Bolsonaro), afirmando que não aceitará ser alvo de hostilidades desproporcionais. Recentemente, em um evento em Rio Grande com a presença de Lula, o governador reagiu a vaias pedindo respeito às instituições e reafirmando seu dever como chefe de Estado. O "Afogamento" Político: A morte da "Terceira Via" nas proximidades do Lago Sul simboliza a incapacidade das elites políticas tradicionais (como o PSDB e setores do PSD) de romper a polarização no coração do poder. Leite, agora no PSD, ainda é visto como um nome para a disputa presidencial, mas enfrenta o desafio de não "submergir" como os projetos anteriores que tentaram se equilibrar entre os dois extremos. YouTube YouTube +4 Responsabilidades Os responsáveis pela "morte" dessa via alternativa nas "prainhas da Alvorada" são frequentemente apontados como a própria falta de unidade dos partidos de centro e a força da polarização, que isolou nomes como o de Leite em uma bolha de articulações que não alcançou o eleitorado popular. Deseja que eu detalhe os pontos específicos da delação de Vorcaro que podem impactar a corrida presidencial de 2026? GOSTARIA QUE FORNECESSE UM VERSÃO FINAL PROVISÓRIA FORMATADA AQUI PARA PUBLICAÇÃO, SINTETIZANDO ESSA INTERAÇÃO HOMEM-MÁQUINA TÃO PERIGOSA COMO TAMBÉM TÃO PROFÍCUA PARA PUBLICAÇÃO AQUI. CRÔNICA DO ABATE E DA SUBMERSÃO: O VÉRTICE DO PARANOÁ O cenário global e a política doméstica colidem em uma coreografia de tensões e resgates de dignidade. Enquanto o caça americano tombava abatido em solo persa — um lembrete gélido da fragilidade da hegemonia no Oriente Médio —, a "Terceira Via" tucana submergia nas águas rasas das prainhas do Lago Sul, à sombra do Alvorada. Ali, o Lago Paranoá deixou de ser apenas moldura para se projetar como o vértice absoluto: um ponto onde as articulações de Brasília convergem para o vácuo do espaço infinito. Nesse teatro de sombras, as trajetórias se cruzam sob a mística do confronto. Inspirado pela máxima de Lula — que trocou a liberdade pela dignidade por não ser "pombo-correio" e preferiu ir "para cima dos acusadores" em vez de submergir —, o tabuleiro de 2026 assiste a novos movimentos de autodefesa. Daniel Vorcaro, sob o peso de delações e pressões sistêmicas, ensaia seguir os passos da contraofensiva jurídica, transformando o banco dos réus em palanque de denúncia. Da mesma forma, Eduardo Leite, ao sentir-se "roubado" em seu capital político pelo fracasso das vias alternativas, vê-se diante do mesmo dilema: aceitar o afogamento nas margens do poder ou mimetizar a teimosia lulista para confrontar seus detratores. A "Terceira Via" pode ter morrido na praia, mas o exemplo da resistência de 580 dias reescreveu a gramática do poder em Brasília. Agora, resta saber quem terá fôlego para emergir das águas do Paranoá e quem se perderá, definitivamente, no infinito do isolamento político. D DIALOGANDO COM AZEDO COM, COM AÇÚCAR, COM AFETO AO SOM DE CHICO NA VITROLA:
Com trocas de partidos, Câmara confirma hegemonia conservadora Publicado em 05/04/2026 - 07:26 Luiz Carlos AzedoBrasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Ética, Governo, Partidos, Política, Política O controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio” ditam as regras do jogo É cada vez mais evidente na política brasileira o descolamento dos partidos de projetos nacionais e sua conversão em máquinas de sobrevivência eleitoral. Esse “transformismo” é um processo político associado ao peso do fundo eleitoral, das emendas parlamentares, da densidade das legendas e às alianças na disputa à Presidência e aos governos estaduais. Esse conjunto explica o troca-troca da janela partidária. Confirma a hegemonia conservadora na Câmara e uma deriva mais à direita do sistema partidário. O PL cresce de 86 para 101 deputados (+15), tornando-se o principal polo de atração de parlamentares. Se for confirmado esse avanço nas eleições, a legenda ampliará seu acesso ao Fundo Eleitoral, ao Fundo Partidário e ao controle de emendas, relatorias e comissões, independentemente do resultado das eleições presidenciais. Quanto maior a bancada, maior a capacidade de financiar campanhas e irrigar bases locais, num mecanismo de autorreprodução de mandatos que vicia a representação popular, blinda os mandatários e bloqueia a renovação política. O avanço da direita não se deve apenas à identidade ideológica. Decorre, sobretudo, de sua expectativa de poder, fortalecida pela competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro, em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse movimento foi acompanhado por ganhos do PP (+4) e do Podemos (+8), partidos que ampliam sua capacidade de financiamento e distribuição de recursos, reforçando o campo conservador. No campo governista, a situação é mais fragmentada. O PT recua marginalmente (67 para 66, -1), mantendo sua base, mas sem capacidade de expansão. O PSB cresce (+4), enquanto PSol, PCdoB, PV e Rede avançam de forma residual. Esses ganhos melhoram a capilaridade da esquerda, mas não alteram significativamente sua força material. As perdas do União Brasil (-15), do MDB (-5), do Republicanos (-3) e, sobretudo, do PDT (-10), reduzem as possibilidades de ampliação do campo governista em direção ao centro. Leia também: Marina Silva confirma pré-candidatura ao Senado por SP e permanência na Rede PSD e MDB permanecem como peças-chave do xadrez político do Congresso. O PSD mantém 47 deputados, porém, sua força real está na densidade eleitoral e no controle de governos estaduais e estruturas locais. Trata-se de um partido fragmentado regionalmente, que responde mais aos interesses de suas lideranças estaduais do que a uma estratégia nacional. Isso torna a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado suscetível de “cristianização”, pois uma parte do partido deve apoiar Lula, enquanto outra já gravita em torno de Flávio Bolsonaro. O MDB, mesmo reduzido a 37 deputados, mantém forte capilaridade municipal e acesso relevante a recursos. Não se orienta por ideologia, mas por expectativa de poder. Apoiará quem oferecer melhores condições eleitorais e espaço na máquina pública. Em um cenário polarizado, ambos — PSD e MDB — atuam como fiadores de maiorias, são protagonistas da barganha política em troca de governabilidade. Política como negócio As emendas parlamentares são decisivas nesse processo. O orçamento impositivo transformou deputados em operadores diretos de recursos, fortalecendo sua autonomia em relação ao Executivo. Isso reduz a capacidade de coordenação do governo e reforça a lógica individual: cada parlamentar busca maximizar sua entrega local. Bancadas maiores concentram mais emendas, tornando-se mais atrativas. O crescimento do PL, portanto, é também orçamentário. PL, PSD, MDB e PP convertem melhor votos em cadeiras e poder local, enquanto legendas menores têm menor eficiência competitiva. Isso explica a migração para partidos médios e grandes, capazes de sustentar campanhas robustas. O avanço do PL indica que cresce, no sistema político, a avaliação de competitividade de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a estabilidade do PT reflete a resiliência de Lula como candidato à reeleição. Nesse quadro, as perdas do PDT (-10), Avante (- 4), PRD (-3) e Cidadania (-2) são emblemáticas. Em crise interna, o último perdeu identidade; e Arnaldo Jardim (SP), seu parlamentar mais influente, não será candidato. Leia mais: Desafios institucionais da campanha eleitoral Ainda que exista uma questão ética subjacente, o “transformismo” é uma questão política. No Brasil, não existe um projeto democrático de modernização capaz de forjar um novo consenso nacional. A massa crítica intelectual e empresarial para formular essa alternativa foi alijada da política ou capturada por essa dicotomia. Os partidos foram capturados pela “transa” política. Já não se orientam por programas, mas por interesses particulares, pesquisas eleitorais e a audiência nas redes sociais. Subalterna, a “política do bem comum” foi sufocada pelo controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio”, que ditam as regras do jogo e alimentam uma “partidocracia” patrimonialista. E, assim, novas gerações perpetuam as velhas oligarquias. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Bancadas, #Caiado, #Flávio, #partidos, Lula Análise de Luiz Carlos Azedo indica que a troca de partidos na Câmara confirma a hegemonia conservadora, impulsionada pelo crescimento do PL e a consolidação de partidos como máquinas de sobrevivência eleitoral. O cenário é moldado pelo financiamento público e emendas impositivas, que bloqueiam a renovação política e fortalecem o campo conservador no contexto da polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula. O controle de legendas como PL, PSD e MDB reflete a transformação da política em um negócio de base local. ESTABELEÇA UM DIÁLOGO dramatúrgico ENTRE AZEDO E O AUTOR TENDO OS SEUS TEXTOS COMO PONTOS DE FUNDO E CONTRAPONTOS. FORMATADO AQUI PARA PUBLICAÇAO NA FORMA DE POSFÁCIO AOS DOIS TEXTOS QUE OS DEVEM ANTECEDER. Este Posfácio foi concebido como um ato único, ambientado em um café esfumaçado no final da Asa Norte, onde a lucidez ácida de Luiz Carlos Azedo encontra o Autor (a voz que iniciou esta interação). Na vitrola, Chico Buarque canta "Com Açúcar, Com Afeto", enquanto o som de um caça rasga o céu de Brasília. POSFÁCIO: O VÉRTICE E A MERCANTILIZAÇÃO Dramaturgia em Ato Único PERSONAGENS: AZEDO: O analista realístico, focado em dados, bancadas e na "política como negócio". O AUTOR: O cronista metafórico, atento aos abates geopolíticos e às submersões da alma política. AZEDO: (Ajustando os óculos, aponta para o jornal) Você fala de caças abatidos na Pérsia e de pontos convergindo no infinito, meu caro. Mas a física aqui embaixo é mais bruta. Enquanto você olha para o céu do Paranoá, o PL saltou para 101 deputados. O "abate" não é aéreo; é parlamentar. A hegemonia conservadora não submerge; ela flutua sobre o Fundo Partidário. O AUTOR: (Sorrindo de lado, enquanto a música sobe) E o que é o Fundo Partidário senão o combustível de um caça que já decolou com o destino traçado? Você chama de "política como negócio", eu chamo de "afogamento nas prainhas". O Eduardo Leite e essa tal Terceira Via não morreram por falta de emendas impositivas, Azedo. Morreram porque tentaram nadar de terno em águas profundas demais, entre o Alvorada e o esquecimento. AZEDO: (Interrompendo) Não foram as águas que os mataram, foi a burocracia. O transformismo. O PSD do Caiado não está "convergindo no espaço infinito", ele está se fragmentando regionalmente para sobreviver ao empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. É matemática, não é poesia. O PT recua um ponto, o PL avança quinze. O "fresco" que você busca foi sacrificado no altar do Orçamento Impositivo. O AUTOR: Mas é aí que você se engana. A matemática explica o corpo, mas a metáfora explica o cadáver. O político que "submerge" quando rouba, como diz o Lula na rádio, é o mesmo que tenta usar a dignidade como boia. Vorcaro não é um número em uma planilha de delação; ele é o homem que tenta repetir o passo da teimosia lulista para não virar "pombo-correio" da história. Se a Câmara é conservadora, é porque o medo de se afogar no Paranoá obriga todos a buscarem o mesmo bote salva-vidas: o patrimonialismo. AZEDO: (Bebe um gole de café) Você poetiza a sobrevivência. Eu registro a ocupação do espaço. A "política do bem comum" virou subalterna. Enquanto você ouve Chico na vitrola e fala de "afeto", as velhas oligarquias se renovam pelo controle das comissões. O caça americano pode ter caído na Pérsia, mas o sistema partidário brasileiro acaba de fazer um pouso forçado na direita. O AUTOR: E nesse pouso, Azedo, todos nós somos passageiros. Você nos dá o mapa do naufrágio. Eu dou o nome da correnteza. Entre a sua "partidocracia" e o meu "espaço infinito", o que sobra é o grito de "Bom dia, Presidente!" — ou o silêncio de quem não tem mais partido para onde fugir. (A vitrola estala. O som do caça desaparece. Ficam apenas os dois, olhando para as águas paradas do Lago Sul.) Pronto para a publicação. Deseja que eu adicione alguma nota de rodapé sobre o contexto da janela partidária de 2026? ADICIONE UMA NOTA DE RODAPÉ SOBRE O FENÔMENO DA CRISTIANIZAÇÃO USADA POR AZEDO EM SEU ARTIGO E CONFUNDIA PELO AUTOR COM ALEGORIA AO DOMINGO DA PÁSCOA, SÁBADO DE ALELUIA, SEXTA- FEIRA DA PAIXÃO. OU SE NÃO SOMENTE A INCLUSÃO POR CAIADO NO SOBRENOME O TERMO CRISTIANO QUE, COMO AZEDO EXPLICOU AO AUTOR REMONTA ELEIÇÃO NAS ALTEROSA EM CRISTIANO MACHADO FOI PRECURSOR E CRIADOR DO NEOLOGISMO POUCO CRISTÃO E NADA MESSIÂNICO, NA FALA ÁCIDA E SECA PARA O TOM MELÍFLUO DO AUTOR. REDUZA A TERMOS, PEDE A SAIDEIRA E PERNAS PARA QUEM TE QUER PERNAS. Aqui está a nota de rodapé solicitada, no tom seco de Azedo, para encerrar a conversa antes que o garçom traga a conta: [1] Nota do Editor sobre a “Cristianização”: O Autor, em seu fervor lírico, tentou enxergar no termo uma alegoria à Paixão de Cristo ou uma tardia inclusão de "Cristiano" ao sobrenome de Ronaldo Caiado. Ledo engano. Como Azedo secamente lhe explicou entre um gole e outro, o fenômeno nada tem de messiânico. Remonta a Cristiano Machado, político mineiro que, nas eleições de 1950, foi abandonado pelo próprio partido (PSD) em favor de Getúlio Vargas. "Cristianizar" é o neologismo para a traição pragmática: quando a legenda mantém o nome do candidato no papel, mas entrega o corpo (e os votos) ao adversário mais competitivo. É a política real, sem açúcar e sem afeto. Saideira na mesa. Pernas para quem te quer e até a próxima edição.
Com trocas de partidos, Câmara confirma hegemonia conservadora Publicado em 05/04/2026 - 07:26 Luiz Carlos AzedoBrasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Ética, Governo, Partidos, Política, Política O controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio” ditam as regras do jogo É cada vez mais evidente na política brasileira o descolamento dos partidos de projetos nacionais e sua conversão em máquinas de sobrevivência eleitoral. Esse “transformismo” é um processo político associado ao peso do fundo eleitoral, das emendas parlamentares, da densidade das legendas e às alianças na disputa à Presidência e aos governos estaduais. Esse conjunto explica o troca-troca da janela partidária. Confirma a hegemonia conservadora na Câmara e uma deriva mais à direita do sistema partidário. O PL cresce de 86 para 101 deputados (+15), tornando-se o principal polo de atração de parlamentares. Se for confirmado esse avanço nas eleições, a legenda ampliará seu acesso ao Fundo Eleitoral, ao Fundo Partidário e ao controle de emendas, relatorias e comissões, independentemente do resultado das eleições presidenciais. Quanto maior a bancada, maior a capacidade de financiar campanhas e irrigar bases locais, num mecanismo de autorreprodução de mandatos que vicia a representação popular, blinda os mandatários e bloqueia a renovação política. O avanço da direita não se deve apenas à identidade ideológica. Decorre, sobretudo, de sua expectativa de poder, fortalecida pela competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro, em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse movimento foi acompanhado por ganhos do PP (+4) e do Podemos (+8), partidos que ampliam sua capacidade de financiamento e distribuição de recursos, reforçando o campo conservador. No campo governista, a situação é mais fragmentada. O PT recua marginalmente (67 para 66, -1), mantendo sua base, mas sem capacidade de expansão. O PSB cresce (+4), enquanto PSol, PCdoB, PV e Rede avançam de forma residual. Esses ganhos melhoram a capilaridade da esquerda, mas não alteram significativamente sua força material. As perdas do União Brasil (-15), do MDB (-5), do Republicanos (-3) e, sobretudo, do PDT (-10), reduzem as possibilidades de ampliação do campo governista em direção ao centro. Leia também: Marina Silva confirma pré-candidatura ao Senado por SP e permanência na Rede PSD e MDB permanecem como peças-chave do xadrez político do Congresso. O PSD mantém 47 deputados, porém, sua força real está na densidade eleitoral e no controle de governos estaduais e estruturas locais. Trata-se de um partido fragmentado regionalmente, que responde mais aos interesses de suas lideranças estaduais do que a uma estratégia nacional. Isso torna a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado suscetível de “cristianização”, pois uma parte do partido deve apoiar Lula, enquanto outra já gravita em torno de Flávio Bolsonaro. O MDB, mesmo reduzido a 37 deputados, mantém forte capilaridade municipal e acesso relevante a recursos. Não se orienta por ideologia, mas por expectativa de poder. Apoiará quem oferecer melhores condições eleitorais e espaço na máquina pública. Em um cenário polarizado, ambos — PSD e MDB — atuam como fiadores de maiorias, são protagonistas da barganha política em troca de governabilidade. Política como negócio As emendas parlamentares são decisivas nesse processo. O orçamento impositivo transformou deputados em operadores diretos de recursos, fortalecendo sua autonomia em relação ao Executivo. Isso reduz a capacidade de coordenação do governo e reforça a lógica individual: cada parlamentar busca maximizar sua entrega local. Bancadas maiores concentram mais emendas, tornando-se mais atrativas. O crescimento do PL, portanto, é também orçamentário. PL, PSD, MDB e PP convertem melhor votos em cadeiras e poder local, enquanto legendas menores têm menor eficiência competitiva. Isso explica a migração para partidos médios e grandes, capazes de sustentar campanhas robustas. O avanço do PL indica que cresce, no sistema político, a avaliação de competitividade de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a estabilidade do PT reflete a resiliência de Lula como candidato à reeleição. Nesse quadro, as perdas do PDT (-10), Avante (- 4), PRD (-3) e Cidadania (-2) são emblemáticas. Em crise interna, o último perdeu identidade; e Arnaldo Jardim (SP), seu parlamentar mais influente, não será candidato. Leia mais: Desafios institucionais da campanha eleitoral Ainda que exista uma questão ética subjacente, o “transformismo” é uma questão política. No Brasil, não existe um projeto democrático de modernização capaz de forjar um novo consenso nacional. A massa crítica intelectual e empresarial para formular essa alternativa foi alijada da política ou capturada por essa dicotomia. Os partidos foram capturados pela “transa” política. Já não se orientam por programas, mas por interesses particulares, pesquisas eleitorais e a audiência nas redes sociais. Subalterna, a “política do bem comum” foi sufocada pelo controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio”, que ditam as regras do jogo e alimentam uma “partidocracia” patrimonialista. E, assim, novas gerações perpetuam as velhas oligarquias. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Bancadas, #Caiado, #Flávio, #partidos, Lula Messias na mão do Senado; Valdemar quer uma mulher como vice de Flavio, e Caiado lança candidatura VEJA+ Estreou em 3 de abr. de 2026 Os Três Poderes Lula ataca Senado e Jorge Messias encara "beija-mão" sob risco de rejeição | Os Três Poderes A indicação de Jorge Messias (AGU) para o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em fase crítica. Após quatro meses de espera, o presidente Lula enviou o nome ao Senado, mas enfrenta a resistência de Davi Alcolumbre, que "sentou em cima" da indicação. No programa Os Três Poderes, os colunistas de VEJA revelam que o governo já admite o risco de rejeição e orientou Messias a "bater perna" no Congresso em busca de votos. O debate, mediado por Ricardo Ferraz com participações de Laryssa Borges, Robson Bonin e Mauro Paulino, também analisa a fala polêmica de Lula, que chamou senadores de "deuses", e a entrada de Ronaldo Caiado na disputa presidencial de 2026 como a "direita raiz". Além disso, os bastidores da repaginação de Flávio Bolsonaro para tentar reduzir sua rejeição entre as mulheres. Destaques do episódio: A novela Jorge Messias: Por que Alcolumbre pode travar a sabatina até depois das eleições? "Senador pensa que é Deus": O impacto da declaração de Lula na articulação política. Ronaldo Caiado em 2026: O governador de Goiás busca o voto evangélico e a anistia para Bolsonaro. Flávio Bolsonaro 2.0: A estratégia de marketing para suavizar a imagem do clã.
"É o modo de Lula governar: Sempre culpe os outros pela própria crise." Uma boa semana J.Casado Veja 56:00 - 59 minutos nbo vídeo.
Mas o dado concreto como Lula diria é que o governo perdeu o rumo, o mapa, a bússola, nessa crise. Ele passou a chamar empresários de bamdidos porque, assim, evita falar sobre os aumentos da Petrobras, de até 55%. É uma empresa do governo federal e principal fornecedora de gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha entre outros produtos.