domingo, 20 de setembro de 2026

Excelentíssima Senhora Ministra

O futebol pulsa pela paixão, não pela aposta. ⚽✨ FLAMENGO 1 X 1 INDEPENDIENTE DEL VALLE | MELHORES MOMENTOS | CONMEBOL LIBERTADORES 2026 | ge.globo ge tv Este confronto histórico entre Flamengo e Independiente prova que a grandeza do esporte está na bola na rede e na entrega em campo, e não em painéis luminosos de jogos de azar. As bets dependem do futebol para existir, mas o futebol nunca dependeu delas para ser gigante. Ao se igualarem no placar de 1 a 1, os dois clubes se igualaram também no respeito mais sagrado: o cuidado com a comunidade que os mantém vivos. Uma partida limpa de publicidades invasivas é um escudo para a sanidade física, mental e financeira de milhares de famílias. O futebol verdadeiro protege o seu maior patrimônio — o torcedor — da exploração e do vício. Tensão na Europa: veja fala de líder polonês que aumentou especulações sobre nova guerra Metrópoles A gente está imerso em eleições no Brasil, mas na Europa a tensão aumentou nos últimos dias com especulações sobre uma escalada da guerra da Rússia contra a Ucrânia envolvendo outros países. Legendei o pronunciamento do primeiro-ministro da Polônia que dá o tom dessa tensão 👇🏻 02:53 22:13 · 19 de set. de 2026 https://x.com/sampancher/status/2101479833452564556?s=46&t=ktKYSPjXZt7aNJNoyIUL3w Mudanças climáticas United Nations • As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. As atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. Proteção da Amazônia: o ponto de não retorno e o Projeto Amazônia 4.0
"Meu voto envergonhado 👇 https://www.instagram.com/reel/Ddc7F-DhZ3A/?stkn=MWxwZjhwaDlrdGVmbA== https://www.instagram.com/reel/DdcUEvkoiO8/?stkn=OWI3ejN0NnJwMThj https://www.instagram.com/reel/DdcUEvkoiO8/?stkn=OWI3ejN0NnJwMThj “Marisa, vou tomar um whiskzinho porque o MEMPHIS vai marcar o gol, Marisa…” Alma Mais Honesta dialogando com espírito de ex-mulher pelo Instagram.com"
🌟 **BOA OBRA** "Aplica sempre as tuas boas intenções, no plano das realidades práticas, para que as tuas boas obras se iluminem de amor e para que o teu amor não se faça órfão de boas obras. Faze isso por ti, que necessitas de elevação, e por aqueles que ainda te procuram manquejando." 📖 **Livro:** Sementes do Evangelho - AMOR 🙏 **Psicografia:** Médium Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel 📌 **Fonte:** Reformador, abr. 1968, p. 85. Texto publicado em Alma e coração. Ed. Pensamento. Cap. 6, com pequenas alterações. 🏷️ @geahmjf Use o código com cuidado. Chico Buarque & Francis Hime Meu Caro Amigo 1976 'Entre Amigos', lyrics BR @ Live Patricia Porto 55.525 visualizações 17 de jun. de 2014 70 anos de Chico!
domingo, 20 de setembro de 2026 Senadores dirão o que será o amanhã da Presidência e do STF, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem expressiva da direita e da centro-direita Embora não tenha centralidade na decisão da maioria dos eleitores, a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) impactou a disputa pelo Senado, que tem o poder de homologar a indicção de seus magistrados e mesmo aprovar o impeachment. Caso seja reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, terá a possibilidade de indicar mais quatro ministros; Flávio Bolsonaro, se vitorioso, já disse que pretende indicar seis, para essas quatro vagas, e mais duas que pretende abrir com os impeachments dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem da direita e da centro-direita em número expressivo de estados, mas também revelam disputas muito abertas pelas segundas vagas. O controle do Senado, portanto, ainda não está definido. Além dos ministros do STF, a Casa confirma ou não autoridades do Banco Central, procurador-geral da República, dirigentes de agências reguladoras e embaixadores. Julga processos de impeachment de ministros do STF e exerce papel central na aprovação de reformas constitucionais. Para aprovar uma emenda à Constituição, são necessários 49 votos em dois turnos. Uma bancada conservadora ampliada aumentaria a pressão sobre o Supremo, especialmente diante da crise provocada pelo caso Banco Master e pelo desgaste da Corte. O Senado deixaria de atuar apenas como moderador para assumir uma postura mais fiscalizadora e até de confronto. Mesmo sem os 54 votos necessários para afastar um ministro do STF, a direita poderá controlar comissões, convocar autoridades, aprovar pedidos de informação e impor custos políticos ao Supremo. Caso Lula seja reeleito, provavelmente encontrará um Senado ainda mais conservador e terá dificuldades para aprovar indicações, reformas e projetos de maior conteúdo ideológico. MDB, PSD, União Brasil e PP darão as cartas do futuro. Sem esses partidos, não se aprovará nada. Flávio Bolsonaro, em contrapartida, teria um ambiente mais favorável à sua agenda no Senado, mas ainda dependeria do centro para aprovação de emendas constitucionais e impeachment de ministros do Supremo que levassem à formação de um “regime iliberal”. Os favoritos No Norte, candidatos do PL, PP, Republicanos e outros partidos conservadores aparecem com força no Acre, em Rondônia, Roraima e Tocantins. No Pará, Helder Barbalho (MDB) lidera com folga, mas a segunda cadeira é disputada pelo delegado Éder Mauro (PL), Chicão (União Brasil), Zequinha Marinho (Podemos) e Celso Sabino (PDT). No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) representam uma composição mais próxima do centro político, enquanto, no Amapá, Raíssa Furlan (MDB) lidera, enquanto Randolfe Rodrigues (PT) enfrenta uma disputa apertada com Lucas Barreto (PSD). A situação é semelhante no Centro-Oeste. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera, seguida por Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT). A eleição brasiliense concentra, em quatro candidaturas, as principais correntes da política nacional: o bolsonarismo, o centro independente e a esquerda. Em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, candidatos ligados ao agronegócio e aos partidos de centro-direita ocupam as posições mais competitivas. No Sul, a direita também parte em vantagem. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) lidera, mas Manuela D’Ávila (PSol), Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT) e Germano Rigotto (MDB) disputam a outra cadeira. No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (PSD), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT) formam o primeiro pelotão. Em Santa Catarina, o eleitorado conservador favorece os candidatos vinculados ao PL e ao PP. O Nordeste oferece o principal contraponto ao avanço da direita. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, lideram, embora João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) permaneçam competitivos. No Ceará, Cid Gomes (PSB) ocupa a primeira posição, enquanto Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (PT) disputam a segunda vaga. Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) aparecem à frente, ameaçados por Mendonça Filho (PL). No Piauí, Ciro Nogueira (PP), Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) estão praticamente empatados. O Maranhão apresenta um dos quadros mais fragmentados: Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama(PT) aparecem tecnicamente empatados. No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) largaram em posição favorável. Em Sergipe, Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT) tentam a reeleição. Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) lidera, mas enfrenta uma oposição fortalecida com Marina JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) na disputa. As maiores incertezas, porém, estão no Sudeste. Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram numericamente, mas André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) estão muito próximos. Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) aparece à frente, seguida por Carlos Viana (PSD), Aécio Neves (PSDB) e Domingos Sávio (PL). No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera, enquanto Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, disputam a segunda cadeira. No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) lidera — Sérgio Menegelli (PSD), Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) disputam a segunda vaga. Milton Nascimento e Chico Buarque - O que será Glauco Malagoli Compartilhar 2.244.815 visualizações 22 de fev. de 2017 Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo exibido em 14/03/87 com Milton Nascimento e Chico Buarque de Hollanda cantando a música "O que será" (À flor da pele), do álbum Meus Caros Amigos (1976). O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Que brota à flor da pele, será que me dá E que me sobe às faces e me faz corar E que me salta aos olhos a me atraiçoar E que me aperta o peito e me faz confessar O que não tem mais jeito de dissimular E que nem é direito ninguém recusar E que me faz mendigo, me faz suplicar O que não tem medida, nem nunca terá O que não tem remédio, nem nunca terá O que não tem receita O que será que será Que dá dentro da gente e que não devia Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia Que é feito estar doente de uma folia Que nem dez mandamentos vão conciliar Nem todos os unguentos vão aliviar Nem todos os quebrantos, toda alquimia E nem todos os santos, será que será O que não tem descanso, nem nunca terá O que não tem cansaço, nem nunca terá O que não tem limite O que será que me dá Que me queima por dentro, será que me dá Que me perturba o sono, será que me dá Que todos os tremores me vêm agitar Que todos os ardores me vêm atiçar Que todos os suores me vêm encharcar Que todos os meus nervos estão a rogar Que todos os meus órgãos estão a clamar E uma aflição medonha me faz implorar O que não tem vergonha, nem nunca terá O que não tem governo, nem nunca terá O que não tem juízo
O mergulho do STF no descrédito Por O Estado de S. Paulo Um tribunal que se move por cálculo político ou blindagem de seus ministros não tem como ser respeitado como o árbitro da vida institucional do País. E isso é terrível para a democracia É triste constatar, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) não consegue mais ser visto como imparcial. É preciso dizer isso sem rodeios, sem a costumeira reverência que outrora um STF composto por ministros de genuína reputação ilibada merecia. O tribunal concebido para ser o árbitro confiável da vida institucional do País tornou-se um degenerado agente político. E o resultado disso é que pouca gente neste país ainda acredita em um STF isento, o que é terrível para a democracia brasileira. Cada decisão exarada pelos senhores ministros é prontamente lida com desconfiança, sob suspeita de que, de forma sub-reptícia ou mesmo escancarada, atende a algum objetivo político, e não como um exercício imparcial da jurisdição constitucional. De uns anos para cá, tudo o que emana do STF passou a ser percebido por amplos setores da sociedade civil como produto de cálculo político e/ou peça de defesa de interesses particulares de Suas Excelências, ainda que mal traduzidos em linguagem técnica, por vezes claudicante. Francamente. Um STF que se deixa rebaixar ao rés do chão da maneira degradante a que todos assistimos durante a sessão plenária do dia 15 passado corrompe o patrimônio simbólico do decoro e da imparcialidade, húmus de sua legitimidade. Não se trata de um juízo apressado deste jornal, tampouco de uma única percepção a partir do espetáculo encenado naquela sessão, que livrou o ministro Alexandre de Moraes, ao menos por ora, de ser investigado pela suposta consultoria que teria prestado ao vigarista Daniel Vorcaro. A desconfiança resulta de um acúmulo de exorbitâncias de alguns ministros do STF ao longo dos últimos anos, que, a pretexto de terem “salvado a democracia”, arvoraram-se em semideuses e, como tais, vandalizaram a Constituição que deveriam defender. É revoltante a sem-cerimônia com que alguns se confundem com partes interessadas em disputas político-eleitorais e entregam-se a festins nababescos nos quais o mais venial dos pecados parece ser o conflito de interesses. Como se nada disso bastasse, membros do Judiciário – e também do Ministério Público – entendem-se como casta a ser regiamente remunerada ao arrepio do teto fixado na Lei Maior. Às raias da sem-vergonhice, defendem essa condição desabridamente, em afronta aos contribuintes e aos mais comezinhos princípios republicanos. A profusão de penduricalhos que o STF nem finge mais conter aí está para afastar ainda mais a Justiça dos jurisdicionados. Mais uma vez: esse quadro de alheamento ao País é terrível para a democracia, sobretudo no Brasil, que só agora experimenta seu período mais longevo de garantia das liberdades cívicas sob a égide da Constituição de 1988. Sem um Judiciário respeitável e sem um STF confiável como esteio de sobriedade e segurança jurídica e institucional, não há democracia que resista e, portanto, não há progresso do País. Os ministros da Corte certamente sabem disso, mas precisam deixar de ser cínicos e corporativistas, data maxima venia, e colocar seus interesses particulares à margem de suas atuações como servidores públicos da cúpula do Estado brasileiro. A imparcialidade é um comando legal, mas é também a força moral do Judiciário. É o que o legitima aos olhos dos cidadãos, pois juízes não são autoridades eleitas. Isso só reforça a imperiosa necessidade de os juízes, sobretudo os ministros do STF, colocarem a mão na consciência e serem ainda mais sóbrios e criteriosos em suas relações e negócios particulares do que quaisquer outros servidores públicos. Hoje, porém, como sequer ansiar por isso? O que estarão pensando os juízes de primeiro grau de todas as comarcas do Brasil ao olharem para o alto e verem ministros do STF se comportando muitas vezes como se empresários, lobistas ou políticos fossem? Que exemplo têm dado Suas Excelências para continuarem sendo dignas do pronome de tratamento? A ruína da imparcialidade deste STF que aí está é irreversível. Mas a solução virá, goste a Corte ou não. E virá de cima para baixo. Do povo para as instituições que lhe servem. Os representantes eleitos, mais cedo ou mais tarde, implementarão uma reforma do Judiciário e aprovarão o impeachment dos ministros indignos da toga – caso o STF não os afaste por conta própria – para que o Brasil tenha uma corte constitucional digna do nome.
O futebol sobreviverá Por O Estado de S. Paulo Manifesto de clubes diz que a proibição das bets arruinaria o futebol brasileiro. É um evidente exagero. As bets precisam mais do futebol do que o futebol precisa das bets Alguns dos principais clubes do futebol brasileiro informam, num manifesto tornado público na quinta-feira passada, que o esporte corre risco existencial se as bets, como são conhecidos os aplicativos de apostas online, forem proibidas, como cogita fazer o governo federal. “O fim do futebol brasileiro” é o título do tal manifesto, para não deixar dúvidas. O texto, que parece ter sido ditado pelas próprias empresas responsáveis pelas apostas online, alega que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte”, que “equipes de menor expressão” dependem totalmente desse patrocínio e que foi esse dinheiro que “impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano” e “a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo”. Ora, o futebol brasileiro não dependia do patrocínio da jogatina quando se tornou pentacampeão do mundo. Tampouco a hegemonia brasileira na Libertadores resultou desse tipo de investimento. Os times brasileiros vêm empilhando títulos na principal competição sul-americana muito antes do surgimento das bets no horizonte. Na verdade, deveria ser motivo de vergonha o fato de que praticamente todos os principais times do Brasil hoje aceitem o patrocínio de bets, que nem deveriam ter sido legalizadas. A questão é que se trata de dinheiro fácil – os modelos de apostas hoje no mercado são desenhados para fazer o jogador perder sempre e, ao mesmo tempo, manter a esperança de que vai ganhar. Este jornal já publicou inúmeras reportagens a respeito. Nesse sentido, o auge do cinismo aparece no final do manifesto, onde se lê que “o torcedor não pode pagar essa conta”, referindo-se ao prejuízo que a proibição das bets ou a restrição de sua publicidade poderá causar aos clubes. Ora, o torcedor que alimenta as bets com dinheiro raspado do orçamento doméstico já está pagando a conta, na forma de endividamento e ludopatia. O manifesto, ademais, usa o argumento preferido das bets, ao dizer que a eventual proibição “abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades”. É o mesmíssimo argumento usado pela indústria do tabaco para questionar os altos impostos e a limitação de publicidade e venda de seus produtos. Ora, se há apostas clandestinas, que sejam combatidas na forma da lei. Isso não pode servir de argumento para a liberação da jogatina nem muito menos para defender que o futebol brasileiro siga absolutamente dependente do dinheiro dessas casas de apostas, como o manifesto declara sem pudor – o texto diz claramente que será “um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência”. Em outros países, as bets começam a encontrar limites. Itália e Espanha restringem a exposição das casas de apostas online em uniformes, arenas e campeonatos. Na Premier League, principal competição do Reino Unido, elas deixarão a frente das camisas a partir da temporada 2026/2027. São medidas para reduzir a exposição à jogatina, sobretudo de crianças e adolescentes. Até onde se sabe, em nenhum desses países o futebol morreu. As casas de apostas vivem de arrecadar dinheiro produzido pela paixão dos torcedores e nada mais natural do que investir nos clubes mais populares para se ligar de modo visceral ao esporte, de modo que seja impossível dissociar uma coisa da outra. Os milhões despejados no futebol são uma fração da cornucópia gerada pelas apostas. As bets tiveram receita bruta de R$ 36 bilhões no ano passado, enquanto investiram R$ 1 bilhão nos 13 clubes que hoje patrocinam na Série A do Campeonato Brasileiro, segundo levantamento da revista Placar. Ou seja, as bets precisam do futebol brasileiro muito mais do que o futebol brasileiro precisa das bets. Foro de Teresina | Com STF, com Dark Horse, com tudo revista piauí 78.460 visualizações 18 de set. de 2026 Foro de Teresina Episódio postado em 18 de setembro de 2026. No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a fratura exposta no Supremo Tribunal Federal após a sessão em que os ministros trocaram acusações e adiaram a decisão sobre a investigação de Alexandre de Moraes. No segundo bloco, o trio discute os efeitos políticos da crise no Supremo, a reação de Lula e a avaliação de que o episódio favoreceu a candidatura de Flávio Bolsonaro. No terceiro bloco, os apresentadores voltam ao escândalo de Dark Horse, com a investigação formal de Flávio Bolsonaro, o levantamento do sigilo do inquérito e os novos elementos sobre o financiamento do filme. Escalada: 00:00 1º bloco: 06:52 2° bloco: 31:15 3º bloco: 48:08 Kinder Ovo: 01:01:26 Momento Cabeção: 01:02:29 Correio Elegante: 01:06:56 Créditos: 01:08:23 Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft130 PROGRAMA AMANHECER COM EMMANUEL - LIÇÃO 178 - LIVRO VINHA DE LUZ FERJ TV # Obra Individual: A Força da Ação no Bem e no Mal **Por: Emmanuel** *Psicografia de Francisco Cândido Xavier* *Livro: Vinha de Luz (Capítulo 178)* > “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados.” > — **Tiago, 5:20** --- ### O Reflexo das Nossas Ações Quando um homem comete uma ação má, os reflexos dela perduram, por muito tempo, na atmosfera espiritual em que ele vive. As consequências de um único deslize geram uma reação em cadeia no ambiente e nas pessoas ao redor: * **A criatura ignorante** que a observa se faz pior. * **Os olhos menos benevolentes** que a veem se tornam mais duros. * **O homem quase retificado** que a identifica estaciona e desanima. * **O missionário do bem** que a surpreende encontra mais dificuldades para socorrer os outros. Em derredor de um gesto descaridoso, congregam-se a indisciplina, o despeito, a revolta e a vingança, associando-se em operações mentais malignas e destrutivas. --- ### O Poder Construtivo do Bem Uma boa ação, contudo, edifica e ilumina sempre. Ao contrário do erro, o gesto nobre atua como um farol para os que compartilham a jornada: * **A criatura ignorante** que a observa aprende a elevar-se. * **Os olhos menos benevolentes** que a veem recebem nova claridade para a vida íntima. * **O homem quase retificado** que a identifica adquire mais fortaleza para restaurar-se. * **O missionário do bem** que a surpreende nela se exalta, a benefício do seu apostolado de luz. Em torno da manifestação cristã, enlaçam-se a gratidão, a alegria, a esperança e o otimismo, organizando criações mentais iluminativas e santificantes. --- ### O Chamado à Obra Individual Se desejas, portanto, propagar o espírito sublime do Cristianismo, atende à obra individual com Jesus. Afasta os corações amados do campo escuro do erro, através de teus atos que constituem lições vivas do amor edificante. Recorda-te de que pela conversão verdadeira e substancial de um só Espírito ao Infinito Bem, escuras multidões de males poderão desaparecer para sempre. --- **Nota da publicação:** *Texto extraído da 1ª edição do livro "Vinha de Luz".* Use o código com cuidado. html

Excelentíssima Senhora Ministra

A Diplomacia do Direito e o Tempero Ancestral do Povo Brasileiro

  • O Rigor da Toga: Excelentíssima Senhora Ministra Cármen Lúcia, guardiã da Constituição Federal no Supremo Tribunal Federal.
  • O Eco das Nações: Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin — a universalidade da Justiça que ecoa do sertão ao mundo.
  • O Dendê de Itaparica: A baianidade legítima que traz o axé, o barro de Canudos, a crônica e o riso de João Ubaldo Ribeiro.
  • A Voz do Brasil Profundo: A comunhão solene com os legítimos espíritos, caboclos e gentes que fundaram a alma viva do povo brasileiro.
Use o código com cuidado.

As desculpas de Cármen Lúcia

Uma crônica brasileira entre o Supremo, João Ubaldo Ribeiro e os espíritos


“Peço desculpas ao povo brasileiro, que talvez tenha esperado de mim uma postura diferente”, disse a ministra Cármen Lúcia na sessão do STF.

Por um instante, imaginei que a ministra iria emendar algo como: “desculpa pelos desvios éticos” ou, quem sabe, “pela nossa recusa de investigar qualquer coisa” ou, ainda, “pelos sete anos de inquérito das fake news”.

Mas não.

As desculpas eram por “não ter ajudado a acalmar as coisas”, no tribunal.

E foi justamente aí que a imaginação, essa velha desocupada que tantas vezes salva o brasileiro do tédio, resolveu pedir a palavra.


O aparte

Emulemos aqui dois apartes de um mesmo espírito de luz presente na sessão do dia 15 de setembro de 2026, pedindo, dentro dos Regimentos da Casa, diretamente ao presidente da Sessão um aparte para se dirigir à “Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros”.

Como assim o autor de Viva o Povo Brasileiro se referira à aparteada, e como assim, por uma dessas artes que somente a República e o além conseguem praticar conjuntamente, foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígrafa de plantão naquela histórica sessão.

— Excelentíssimo Senhor Presidente da Sessão, Ministros e Ministras desta Suprema Casa, povo brasileiro aqui presente em corpo, espírito ou por intermédio de seus representantes, venho, com a devida vênia e o respeito que me impõe a liturgia deste augusto recinto, requerer um aparte.

— Concedido, Excelência.

— Agradeço. E peço licença para me dirigir à Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Cármen Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros, dos vivos e dos mortos, dos que ainda não nasceram e dos que nasceram mas já desistiram de entender o Brasil.

Consta, aliás, que o próprio João Ubaldo Ribeiro, lá de onde se encontram os escritores quando o mundo já não lhes cobra prazo de entrega, terá feito chegar uma mensagem, não se sabe por qual pombo-correio metafísico, pela qual dizia:

— Minha filha, não se apoquente. O Brasil é assim mesmo. Quando o brasileiro espera uma explicação, recebe uma cerimônia. Quando espera uma cerimônia, recebe um discurso. E quando espera um discurso, recebe um aparte.

Ao que se ouviu, em algum plano mais elevado, a voz de um antigo taquígrafo:

— Registre-se em ata.

E o taquígrafo, que já havia sido funcionário público em vida e portanto conhecia a extensão do problema, acrescentou:

— Registre-se também que ninguém entendeu, mas todos concordaram que era importante.


A serenidade

A Ministra, então, agradeceu a homenagem com aquela gravidade própria dos que sabem que a História não é apenas o que se passa, mas também o que se manda registrar.

— Senhor aparteante, agradeço a manifestação. Mas devo dizer que o Brasil precisa de serenidade, de respeito às instituições e de compreensão mútua.

— Excelência, permita-me insistir, sem abusar da paciência da Casa. É precisamente em nome da serenidade que vos falo. Porque há uma serenidade que vem da paz e outra que vem do esgotamento. Há a serenidade dos sábios e a dos que já não têm forças para discutir. Há, inclusive, a serenidade do cidadão que, tendo pago seus impostos, descobriu que também precisava pagar para compreender o que se passa no tribunal.

— Vossa Excelência está fazendo uma consideração política?

— Não, Excelência. Estou fazendo uma consideração brasileira. A política é que, porventura, tenha se apropriado dela.

Nesse momento, o espírito de um antigo deputado baiano, cuja identidade não se conseguiu apurar, pediu a palavra. Como não estava presente fisicamente, o Presidente consultou o Regimento e verificou que não havia previsão expressa para apartes do além.

Mas, considerando a excepcionalidade da ocasião, decidiu ouvir a manifestação, desde que não se convertesse em precedente.

— Excelentíssimos — disse o espírito, que falava com a voz de quem já havia passado por muitas Constituições —, o Brasil é um país onde a esperança tem foro privilegiado, a indignação paga custas e a memória é frequentemente distribuída em segredo de justiça.

Houve um silêncio.

Não aquele silêncio majestoso das grandes decisões, mas o silêncio ordinário de uma sala onde alguém disse uma coisa que todos entenderam e ninguém desejava comentar.

— Peço desculpas ao povo brasileiro — disse a Ministra, retomando a palavra — se minha postura não contribuiu para acalmar os ânimos.

E o espírito, que já ia se retirando, voltou-se para o plenário:

— Eis a grande questão, Excelência. O povo brasileiro não é contra a calma. O povo brasileiro é contra a obrigação de permanecer calmo enquanto lhe explicam que tudo está em ordem.

O Presidente da Sessão consultou novamente o Regimento.

— Não consta.

— Então acrescente-se aos anais — disse o espírito.


João Ubaldo entra em cena

Foi nesse momento que o autor de Viva o Povo Brasileiro, que até então permanecera em discreta suspensão etérea, resolveu manifestar-se.

— Vossas Excelências me perdoem, mas não posso deixar de observar que o povo brasileiro tem uma vocação extraordinária para a paciência. Paciência com o governo, com a oposição, com a Justiça, com a falta de Justiça, com o excesso de Justiça e com a explicação de que tudo isso faz parte do funcionamento normal das instituições.

— O senhor está fazendo uma crítica ao Supremo? — perguntou alguém.

— Não, meu caro. Estou fazendo uma crítica ao destino. O Supremo é apenas uma das repartições onde o destino costuma protocolar seus requerimentos.

E prosseguiu:

— Mas não se enganem: o brasileiro não quer que suas instituições percam a dignidade. Quer apenas que a dignidade não seja confundida com a ausência de respostas. Quer que a solenidade não substitua a clareza. Quer que o respeito seja recíproco. E, sobretudo, quer que, quando alguém lhe peça desculpas, saiba exatamente pelo quê.

A Ministra baixou os olhos.

Não se sabe se em reflexão, se em cansaço ou se para consultar algum documento.

O Presidente declarou:

— A Casa agradece o aparte espiritual. Está encerrada a manifestação.

— Ainda não, Excelentíssimo — disse o espírito de João Ubaldo. — Falta registrar a parte mais importante.

— Qual?

— Que o Brasil continua sendo um país onde até os mortos precisam pedir licença para falar.

E, tendo dito isso, evaporou-se no éter seco da Capital Federal, deixando atrás de si apenas uma leve perturbação no ar-condicionado e a sensação de que, em algum lugar, alguém acabara de fazer uma pergunta que o Regimento não previa.


O aparte de Emmanuel

Foi então que, quando todos julgavam encerrada a sessão, uma outra presença se fez sentir no plenário.

Não vinha da tribuna, nem das galerias, nem dos corredores onde habitualmente se acumulam os requerimentos, as interpretações regimentais e as razões pelas quais aquilo que parece evidente precisa de cinco assinaturas para ser oficialmente reconhecido.

Era uma presença mais antiga.

Emmanuel, dizem, não pediu aparte.

Talvez porque os espíritos que já compreenderam alguma coisa não tenham muita necessidade de interromper ninguém.

Limitou-se a recordar, com a simplicidade dos que não precisam de retórica, que nenhum ato termina exatamente no momento em que é praticado.

Uma palavra áspera não fica onde foi pronunciada.

Uma injustiça não termina na pessoa que a sofreu.

Uma indulgência também não.

Uma boa ação tampouco.

Tudo se propaga.

O gesto de um homem pode endurecer dezenas de corações que o contemplam. Pode ensinar a indiferença ao que ainda era apenas ignorante. Pode desanimar aquele que vinha tentando corrigir-se. Pode tornar mais difícil a tarefa daquele que, em silêncio, procura fazer o bem.

Mas o contrário também acontece.

Uma palavra de justiça pode restituir coragem.

Um gesto de misericórdia pode interromper uma cadeia de ressentimentos.

Uma atitude verdadeiramente cristã pode ensinar, sem discurso, aquilo que nenhum discurso consegue ensinar.

E talvez fosse essa a razão de a velha sabedoria espiritual chamar a isso obra individual.

Porque ninguém se salva sozinho — mas ninguém pratica o bem sem levar consigo alguma coisa dos outros.


A pergunta que ficou

Foi então que João Ubaldo, que permanecera até aquele instante suspenso entre a ironia e a compaixão, olhou para Emmanuel e perguntou:

— Mas então, meu caro, quer dizer que até um ministro do Supremo, quando fala, produz atmosfera espiritual?

— Sobretudo ele — respondeu Emmanuel.

— E quando fala mal?

— Também.

— E quando pede desculpas?

— Também.

João Ubaldo sorriu.

— Quer dizer, então, que o problema não é apenas aquilo que se diz. É aquilo que a palavra faz com quem escuta.

Emmanuel assentiu.

— Exatamente.

E foi nesse instante que a sátira perdeu um pouco de sua graça.

Não toda.

Porque o Brasil, convenhamos, é um país que jamais deveria ser privado inteiramente da graça.

Mas perdeu aquela graça fácil que nos permite rir do erro alheio sem perguntar o que estamos fazendo nós mesmos com aquilo que acabamos de ver.

Pois há uma tentação particularmente brasileira — talvez não apenas brasileira — de transformar toda indignação em espetáculo e toda virtude em aplauso.

E nisso o espírito de Tiago parecia conversar com o de Emmanuel.

Se uma ação má pode contaminar o ambiente, uma ação boa também o pode purificar.

A pergunta, portanto, já não seria apenas:

“Pelo que se desculpa a Ministra?”

Seria outra, muito mais incômoda:

“O que estamos fazendo nós, espectadores de tudo isso, com aquilo que estamos vendo?”

Porque podemos assistir à injustiça e tornar-nos mais injustos.

Podemos assistir à arrogância e aprender a ser arrogantes.

Podemos contemplar o erro e encontrar nele uma licença para errar também.

Mas podemos, igualmente, encontrar num gesto de retidão a força para retificar alguma coisa dentro de nós.


A obra individual

E aqui o espírito de João Ubaldo voltou a sorrir.

— Então o senhor está me dizendo que, no fim das contas, cada brasileiro é um pequeno legislador do mundo espiritual?

— Se quiseres chamar assim — respondeu Emmanuel.

— Pois eu chamaria de coisa mais simples.

— Qual?

Cada brasileiro é responsável pelo clima que ajuda a fazer.

Houve silêncio.

Desta vez, ninguém consultou o Regimento.

Nem era preciso.

Porque aquilo não dizia respeito ao Regimento.

Dizia respeito à velha e desconfortável liberdade humana de escolher o que fazer com aquilo que recebeu.

E, enquanto a sessão prosseguia, talvez sem que nenhum dos presentes percebesse, alguma coisa havia mudado.

Não no processo.

Não na ata.

Não na Constituição.

Mas naquele território invisível em que os homens se influenciam uns aos outros sem saber.

Ali, uma palavra continuava andando.

Uma desculpa continuava andando.

Uma indignação continuava andando.

Uma esperança também.

E talvez seja esse o verdadeiro sentido da obra individual:

não imaginar que podemos consertar o mundo inteiro, mas compreender que nenhum de nós atravessa o mundo sem deixá-lo, ainda que minimamente, diferente de como o encontrou.

João Ubaldo então se retirou.

Emmanuel também.

E os dois desapareceram por caminhos diferentes.

Um foi para o silêncio das regiões espirituais.

O outro, fiel à sua vocação baiana, evaporou no éter seco de Brasília, deixando atrás de si aquela espécie de pergunta que os bons espíritos costumam fazer e os maus cronistas preferem evitar:

Depois de tudo o que vimos, que espécie de espírito estamos ajudando a colocar no mundo?


Nota espiritual

Como ensina Emmanuel em Vinha de Luz, ao comentar a passagem de Tiago (5:20), os atos humanos não terminam em seus autores ou destinatários imediatos: uma ação pode produzir efeitos morais sobre aqueles que a testemunham, assim como uma boa ação pode irradiar gratidão, esperança, alegria e força para a prática do bem.

É nesse sentido que a expressão obra individual encerra esta crônica: não como uma fuga da responsabilidade coletiva, mas como a lembrança de que toda transformação coletiva começa, inevitavelmente, por atos concretos de indivíduos concretos.

“Uma boa ação, contudo, edifica e ilumina sempre.”

— Emmanuel


Brasília, no intervalo entre uma sessão e outra, onde os vivos continuam discutindo e os mortos, às vezes, ainda pedem aparte.

"Peço desculpas ao povo brasileiro, que talvez tenha esperado de mim uma postura diferente", disse a ministra Cármen na sessão do STF.Por um instante, imaginei que a ministra iria emendar algo como "desculpa pelos desvios éticos" ou, quem sabe, "pela nossa recusa de investigar qualquer coisa" ou, ainda, "pelos sete anos de inquérito das fake news. Mas não. As desculpas eram por "não ter ajudado a acalmar as coisas", no tribunal.
Fernado Schüller As descupas de Cármen Lúcia Emulemos aqui dois apartes de um mesmo espírito de luz presente na sessão do dia 15 de setembro de 2026, pedindo dentro dos Regimentos da Casa diretamente ao presidente da Sessão um aparte para se dirigir à "Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros", como assim o autor de Viva o Povo Brasileiro se referira à aparteada e foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígra de plantão naquela histórica sessão do STF. COMPLETAR O RESTO DESSA INTERAÇÃO ESPIRITUAL COM O DOM E A GRAÇA CONSERVADA DE JOÃO UBALDO RIBEIRO, QUE DEPOIS EVAPOROU NO ÉTER SECO DA CAPITAL DO BRASIL. html

(...) e foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígrafa de plantão naquela histórica sessão do STF, prosseguindo-se o registro da seguinte forma:

"Concedida a vênia pelo Presidente da Sessão, que olhava para os lados caçando com os olhos a origem daquela voz com retórica de mar grande, o éter da alta Corte estremeceu. Não era voz de se desprezar; vinha com cheiro de marisco, fumo de rolo e uma erudição que botava qualquer bacharel de fraque no chinelo. O espírito do autor de Viva o Povo Brasileiro, ajeitando uns óculos invisíveis na fumaça, pigarreou e continuou seu aparte direto à Excelentíssima baiana de coração:

— Minha senhora, folgo em ver que nesta moldura de mármores frios e gravatas engomadas ainda há quem guarde o sotaque das gentes e a coragem de se envergonhar pelo país. Mas olhe lá: não gaste toda a sua bile nem sua melancolia com as misérias desses doutores. O Brasil, de que tanto falo e de quem os senhores julgam a capa, não cabe em processo eletrônico nem se resolve em latim de missa rezada por defunto. O povo brasileiro, essa misturada de caboclo com fidalgo, de santo com capeta, resiste até ao Supremo! Peça desculpas, sim, que a fidalguia exige, mas não perca o prumo. Mantenha o dendê firme na sua toga, porque o julgamento da História é mais demorado e não aceita pedido de vista!

Houve um silêncio de missa de sétimo dia no plenário. O Ministro Flávio Dino entreabriu os lábios, Gilmar Mendes ajeitou a postura, e a Ministra, esboçando um quase sorriso de quem reconhece o axé da própria terra, tencionou responder. Mas não houve tempo.

O espectro ubaldiano, soltando uma última baforada de fumaça perfumada com maresia de Itaparica e cachaça da boa, desfez-se no ar condicionado impiedoso do Planalto Central. Evaporou-se no éter seco da capital do país, deixando os ministros a coçar as calvas, a taquígrafa atônita diante das teclas e o tribunal entregue, novamente, à secura formal do Diário da Justiça."

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Playlist: As Vertentes de "O Que Será?"

Explore as diferentes faces da icônica composição de Chico Buarque, incluindo as três versões nacionais e a adaptação francesa.

🎵 1. O Que Será? (Abertura)

A versão que abre o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos. Traz uma perspectiva mais suave e melancólica, focada no cotidiano, na expectativa e na sutil angústia amorosa da espera.

🎵 2. O Que Será? (À Flor da Pele)

Imortalizada na voz visceral de Bibi Ferreira e no dueto de Chico e Milton Nascimento. É a versão mais dramática, focada nas reações físicas, no desejo ardente e na paixão incontrolável.

🎵 3. O Que Será? (À Flor da Terra)

A vertente de maior peso político e social. Lançada durante a ditadura militar, seus versos sugerem a força coletiva, a busca por liberdade e o clamor sufocado do povo.

🎵 4. Tu Verras (Claude Nougaro)

A aclamada versão em francês adaptada por Claude Nougaro. Deixa o mistério de lado para construir uma poética, intensa e romântica promessa de recomeço e entrega amorosa.

Use o código com cuidado.

sábado, 19 de setembro de 2026

Uma pergunta que pede outras perguntas: o que significa uma “barreira cívica”?

sábado, 19 de setembro de 2026 E agora, para onde iremos? Por Marco Aurélio Nogueira Revista Será? A boa análise política e sociológica se sustenta em alguns pressupostos “clássicos”: reconhecer e valorizar a relevância das instituições mediadoras e compreender a organização das ideias e dos interesses como fator essencial em sistemas democráticos representativos. A democracia não funciona bem sem que o protagonismo individual – a liderança personalizada – seja mediada por organizações (partidos) e instituições. Também não pode se sustentar se as instituições que devem protegê-la se inviabilizarem. A democracia não pode operar no vácuo, nem se submeter ao capricho das partes, de seus agentes coletivos ou individuais. Fora daí, estamos num terreno franqueado a aventureiros e livres-atiradores, cada qual com sua dose de egocentrismo, ferocidade e desinteresse público. São poucos ao casos, na história mundial recente, em que um líder carismático produza algum resultado sem estar ancorado numa organização e numa rede institucionalizada. Ditadores e tiranos podem permanecer anos no poder, mas quando suas bases e as instituições por eles criadas se desfazem, o seu mundo desaba, mostrando um elenco mórbido de desgraças. Foi assim com Hitler, Mussolini e Stalin, para mencionar os mais famosos. Esse filme passa recorrentemente no Brasil, e também no mundo. A ditadura de 1964 durou 20 anos e quando começou a ruir – por diferentes fatores internos e pela pressão popular e democrática – seus crimes e seu desserviço vieram à luz do sol com o brilho de uma estrela fulgurante como Sirius. Fernando Collor não sobreviveu a seus desatinos. Dilma Rousseff foi sacrificada em parte por sua inconsistência, em parte pelos interesses desagregados que a cercaram. Jair Bolsonaro pagou o preço de seu despreparo, de seu fanatismo e de sua falta de base política. Nenhum deles foi um tirano, mas todos meteram os pés pelas mãos. A crise atual exibe um filme diferente, mas de consequências imprevisíveis. Seu epicentro se deslocou para o STF, justo para ele, principal vetor institucional de intermediação e de produção de justiça e respeito constitucional. A “rinha das excelências” exibida ao vivo e em cores no dia 15/9/2026 entrará para a história como a mais aguda, vil e rasteira crise de um Tribunal Superior. Dela não sobrou pedra sobre pedra, em termos de postura ética, de obediência a ritos e de compreensão do papel-chave que a instituição desempenha no país. Impossível imaginar como o colegiado terá condições de continuar julgando o que quer que seja. Sua legitimidade está posta abertamente em xeque. A explicação mais fácil é que a polarização política em que vivemos atingiu um grau tóxico tão elevado que contaminou tudo e a todos. O que existia, ou deveria existir, à margem dela, sucumbiu. O Tribunal trouxe para dentro de si o antagonismo que vigora na política e na sociedade. Alas nele se formaram, fazendo com que o pequeno círculo de seus integrantes se transformasse numa arena insana, rude e grosseira, ao estilo de um fim de festa, ou de briga de bar. Podemos, e devemos tentar compreender o papel que cada integrante da Corte imagina estar jogando. Alguns têm motivações cristalinas, querem se safar de suspeitas graves. Outros trabalham para desviar a atenção da opinião pública, para assim proteger apoiadores políticos. Outros, ainda, se movimentam em direção contrária, para produzir mais efervescência. Sobram Fachin e Carmem Lúcia, que tentam fazer prevalecer as razões supremas do Tribunal e honrar sua função institucional apaziguadora. O STF, hoje, está se comportando com os olhos nas eleições de outubro. Seu núcleo ético (Carmem e Fachin) deseja afastá-lo da sangria eleitoral. Os demais brigam por seus candidatos in pectore ou por aqueles a quem devem favores. Também há quem esteja interessado em preservar seu poder futuro, dentro ou fora do Tribunal. Seja como for, a repercussão eleitoral do desencontro exibido pela Corte acontecerá. Qual será ela não há como saber. Como reagirá o eleitor? A paralisia decisória do STF produzirá mais desencanto e desânimo? Estimulará as praças públicas a alçar suas vozes? Agravará a crise política? Fará com que a balança eleitoral penda decisivamente para um dos lados da disputa? São coisas insondáveis. Não há jeito senão esperar. Outubro nos mostrará o tamanho do estrago. As perguntas que precisarão ser feitas, então, terão de ser outras. Que destino institucional terá o STF, com sua composição que caiu no descrédito público? Poderemos ter uma “reforma do Judiciário” que o atinja? Haverá demissões e penalizações que “purifiquem” e recomponham seu ambiente? Poderá o Estado democrático brasileiro seguir em frente com seus três Poderes em desavença ou sem força para cumprir suas atribuições? Como não há nada funcionando muito bem no país político, tudo terá de ser respondido. Não é difícil imaginar: qualquer que seja o próximo governo, ele atuará emparedado por uma institucionalidade falha, pela ingovernabilidade e pela desconfiança social. Os desafios que terá de enfrentar são complexos, vão da situação fiscal aos problemas ambientais, energéticos, do crime organizado e da segurança. Como vencê-los sem que a máquina governamental (o Executivo) esteja azeitada, qualificada e sintonizada com os demais Poderes? A polarização que corrói o país não desaparecerá no curto e médio prazo. Poderá assumir novos formatos, a depender do que disserem as urnas, mas não se reduzirá de um dia para outro. Perdedores não aceitarão ficar com as batatas, vencedores não deixarão de pensar em aniquilar seus inimigos. Vinganças e ajustes de contas prevalecerão, mantendo ativo aquilo que nos envenena. A questão toda, como sempre, ficará na dependência do surgimento de novas articulações entre os democratas – liberais, conservadores, de esquerda, empresários, trabalhadores, intelectuais, homens e mulheres, brancos, pretos e mestiços – e de uma reativação épica da sociedade civil. Crises sempre abrem janelas de oportunidade, por mais estreitas que sejam. A crise do momento poderá ter um encaminhamento positivo se os democratas e a sociedade civil agirem, criando uma barreira cívica que proteja o Estado democrático. Podemos cogitar de algo assim?
Uma pergunta que pede outras perguntas: o que significa uma “barreira cívica”? Por [CACB] O artigo “E agora, para onde iremos?”, de Marco Aurélio Nogueira, termina com uma pergunta aparentemente simples: “Podemos cogitar de algo assim?”. O “algo assim” a que o autor se refere é a possibilidade de uma articulação entre diferentes correntes democráticas e de uma reativação da sociedade civil capazes de criar uma “barreira cívica” em defesa do Estado democrático. A força da pergunta está justamente no fato de ela não vir acompanhada de uma resposta pronta. Nogueira não propõe um novo partido, uma candidatura, uma reforma específica ou uma solução institucional acabada. Propõe pensar a possibilidade de uma reação democrática diante de uma crise que, em sua interpretação, ultrapassou a disputa ordinária entre governos, partidos e grupos políticos e passou a atingir as próprias instituições encarregadas de mediar os conflitos da sociedade. É nesse ponto que a pergunta final do artigo merece ser desdobrada. O que seria, afinal, essa “barreira cívica”? Quem a construiria? Quando deveria agir? Por que seria necessária? E, sobretudo, como poderia funcionar sem se transformar em mais uma estrutura de poder sujeita à captura política? Essas perguntas podem ser organizadas por meio de uma ferramenta simples: os 4Q + 1H — O Quê, Quem, Quando, Por Quê e Como. O QUÊ? A expressão “barreira cívica” é sugestiva, mas ainda é uma metáfora. Ela descreve uma finalidade sem especificar suficientemente a estrutura. Se levada a sério, a ideia não deveria significar uma blindagem de instituições, governos, partidos ou pessoas. Uma democracia não se protege impedindo a crítica às instituições. Protege-se criando condições para que elas possam ser criticadas, fiscalizadas e reformadas sem que sua existência seja destruída ou capturada. Assim, a “barreira” poderia ser compreendida como uma capacidade social e institucional de proteger algumas condições básicas da vida democrática: eleições livres, pluralismo, alternância de poder, separação de Poderes, devido processo, liberdade de oposição, transparência, responsabilização e respeito às regras constitucionais. Essa distinção é essencial. Defender uma instituição não significa necessariamente defender todas as suas decisões ou todos os seus integrantes. Uma instituição democrática precisa ser simultaneamente preservada e controlada. QUEM? Nogueira amplia deliberadamente o universo dos possíveis participantes: liberais, conservadores, pessoas de esquerda, empresários, trabalhadores, intelectuais e diferentes segmentos da sociedade. Há aqui uma ideia importante: democratas não precisam concordar entre si sobre tudo. Aliás, se precisassem, não estaríamos falando de pluralismo democrático. A unidade de uma eventual articulação cívica não poderia ser construída sobre um programa econômico, social ou ideológico comum. Teria de nascer de um compromisso mais elementar: aceitar a existência do adversário, a legitimidade da alternância de poder, o direito à oposição e as regras que tornam possível a própria disputa política. A democracia começa a se fragilizar quando cada grupo considera legítimas as instituições apenas enquanto elas favorecem seus próprios interesses. O verdadeiro teste de um princípio democrático aparece quando ele limita também aquilo que gostaríamos que o nosso próprio lado pudesse fazer. QUANDO? A discussão ocorre em meio a uma conjuntura eleitoral, mas não deveria ser reduzida às eleições. Há uma diferença entre a crise política de agora, o processo eleitoral e o período posterior à definição das urnas. Uma eleição pode decidir quem governará, mas não resolve automaticamente os problemas institucionais que produziram ou agravaram uma crise. É justamente depois da eleição que aparece a questão decisiva: como conviver democraticamente com o resultado? Quem vencer terá de governar dentro das regras e também para aqueles que perderam. Quem perder terá de exercer a oposição dentro das mesmas regras. E todos terão de reconhecer que a próxima disputa continuará existindo. Democracia não é apenas a possibilidade de ganhar uma eleição. É também a disposição de preservar o sistema quando se perde. POR QUÊ? Aqui está o núcleo do argumento de Nogueira. O autor parte da importância das instituições mediadoras para a democracia representativa e sustenta que a polarização teria alcançado um nível capaz de contaminar essas próprias instituições. A cadeia de problemas que o texto sugere pode ser resumida assim: polarização, enfraquecimento das mediações, conflito institucional, perda de confiança, dificuldade de governar e agravamento da crise democrática. Mas é preciso separar fatos, interpretações e juízos. Uma coisa é saber o que ocorreu concretamente. Outra é interpretar por que os atores agiram de determinada maneira. Outra, ainda, é concluir o que deveria ser feito. Essa separação não é um preciosismo acadêmico. É uma condição para que a crítica política não se transforme em mera disputa de narrativas. O problema, portanto, não é apenas saber o que ocorre dentro de uma determinada instituição. É perguntar por que tantos conflitos políticos chegam diretamente às instituições de Estado sem encontrar, antes, partidos, organizações sociais e mecanismos políticos capazes de mediá-los. Essa é talvez uma das questões mais profundas sugeridas pelo artigo. COMO? É justamente aqui que a proposta de Nogueira permanece aberta. Como criar a “barreira cívica”? Uma organização permanente? Uma rede de organizações? Um fórum plural? Uma articulação temporária? Um movimento social? O fortalecimento das instituições já existentes? Cada possibilidade contém riscos. Uma organização formal pode ganhar capacidade de ação, mas também pode ser capturada. Uma rede horizontal pode preservar pluralidade, mas encontrar dificuldades de coordenação. Uma frente ampla pode reunir diferentes correntes, mas correr o risco de converter-se em instrumento eleitoral. Uma mobilização popular pode produzir energia democrática, mas também ser absorvida pela própria polarização que pretende superar. Surge, então, uma pergunta adicional: como proteger a democracia sem criar uma nova estrutura de poder que também possa ser capturada? Talvez esse seja o verdadeiro teste da proposta. Uma articulação democrática precisaria de pluralidade interna, transparência, prestação de contas, regras contra conflitos de interesses, rotatividade, liberdade de crítica e mecanismos que impedissem sua apropriação por uma única corrente partidária ou ideológica. Caso contrário, a solução poderia reproduzir o problema. A BARREIRA NÃO PODE SER CONTRA ALGUÉM Há ainda uma consequência lógica que merece atenção. Se a “barreira cívica” for concebida como instrumento contra determinado grupo, governo, partido ou corrente ideológica, ela deixará de ser propriamente uma defesa das regras democráticas e se transformará em instrumento da disputa política. Uma regra democrática só se prova verdadeiramente democrática quando continua valendo quando o poder muda de mãos. Por isso, a questão central não deveria ser quem será protegido ou quem será derrotado, mas quais princípios devem continuar valendo independentemente de quem esteja no governo, na oposição ou no comando de uma instituição. Esse deslocamento é importante porque permite pensar a democracia não como uma guerra entre campos, mas como um sistema no qual campos diferentes podem disputar legitimamente o poder. O QUE O ARTIGO NOS DEIXA? A pergunta final de Marco Aurélio Nogueira é mais interessante justamente porque permanece sem resposta definitiva. O artigo apresenta uma interpretação da crise e aponta uma direção: novas articulações entre democratas e uma sociedade civil capaz de defender as instituições democráticas. Mas não oferece a engenharia dessa proposta. E talvez seja exatamente aí que começa a discussão que o texto pretende provocar. Aplicados à pergunta final, os 4Q + 1H revelam a dimensão do problema: O quê? Uma barreira cívica precisa deixar de ser metáfora e ganhar conteúdo. Quem? Diferentes correntes democráticas precisam encontrar um terreno comum sem abrir mão de suas diferenças. Quando? A questão ultrapassa o calendário eleitoral e alcança o período posterior às urnas. Por quê? Porque a crise das instituições mediadoras pode comprometer a capacidade de a democracia processar seus próprios conflitos. Como? Essa é a grande questão ainda aberta: construir mecanismos de defesa democrática sem criar uma nova estrutura de poder sujeita à captura. Talvez, no fundo, a pergunta “E agora, para onde iremos?” não possa ser respondida por uma única pessoa, partido ou instituição. Uma democracia plural não elimina o conflito. Ela cria condições para que o conflito possa continuar existindo sem destruir o terreno comum que permite sua existência. Por isso, a “barreira cívica” talvez deva ser entendida menos como uma muralha contra adversários e mais como uma linha de proteção das regras do jogo. Uma linha que valha para todos. Inclusive para nós mesmos. Porque a prova mais exigente de uma democracia não acontece quando nossas convicções vencem. Acontece quando elas perdem — e, ainda assim, consideramos que vale a pena preservar as regras que nos permitem disputar novamente.
Daniel Vorcaro uniu o Brasil, juntou nos mesmos bacanais amigos e inimigos: só ele pode consertar o Brasil, diz o articulista; na imagem, Daniel Vorcaro Marcelo Tognozzi São Paulo 19.set.2026 (sábado) - 5h57 Ele é o sujeito mais competente para lidar com os políticos e os poderosos do nosso glorioso Brasil. Conseguiu o impossível. Uniu debaixo do mesmo guarda-chuva governo e oposição, amigos e inimigos, vestais e mundanas, réus e juízes, policiais e bandidos. Nunca na história deste país alguém foi tão brilhante e eficiente. O cara não merece estar preso. Libertem Daniel Vorcaro em nome da conciliação nacional. Daniel ensinou a convivermos em harmonia. Ricos e pobres, negros e brancos, poderosos e humildes, gays e héteros, homens e mulheres –e que mulheres! Coisa de doido. Fez o que nenhum político conseguiu fazer em décadas: acabou com o nós contra eles. Com ele, todo mundo virou nós. Nem os mais competentes diplomatas deste planeta lograram igual proeza. É caso único a ser estudado, desvendado, explicado, esmiuçado. Juntou poder e cultura, ainda que por linhas tortas, alugando a casa do ator global Márcio Garcia para hospedar em 6.000 luxuosos metros quadrados o supremo ministro KN e o desembargador NR. E ainda teve feijoada, samba, caipirinha e elas. Chiquinho, ex-cunhado do ministro supremo GM, virou “parça” do Daniel e ainda ganhou ingressos para o GP de Fórmula 1 em Miami. O filho do ministro faixa preta LF botou tapete vermelho para receber no seu escritório o irmão Vorcarão. Tudo isso e dá-lhe Tayayá. Ninguém, nem Sérgio Cabral com a dancinha dos guardanapos em Paris, chegou aos pés de Vorcaro. Nem as empreiteiras da Lava Jato. Nunca convidaram aquelas russas e ucranianas, literalmente do outro mundo, desembarcadas de uma nave espacial com capacete e mais nada, na proporção de 4 para cada homem, todo mundo jorrando serotonina, ocitocina, endorfina e dopamina. Bacanal histórico, confraternização universal, homens, mulheres e interesses irmanados na maravilhosa Trancoso. Coisa linda. Emocionante. Conseguiu colocar lado a lado bolsonaristas e petistas. Foi recebido por Lula, afagou Flávio Bolsonaro, financiou o “Dark Horse“, deu dinheiro para gregos e baianos e até Flavinha, ex-ministra belzebu do governo Bolsonaro, casou-se com Guga, amigo íntimo do petista Jaques Wagner e sócio do Vorcarão no Master. Conseguiu colocar lado a lado bolsonaristas e petistas. Foi recebido por Lula, afagou Flávio Bolsonaro, financiou o “Dark Horse“, deu dinheiro para gregos e baianos e até Flavinha, ex-ministra belzebu do governo Bolsonaro, casou-se com Guga, amigo íntimo do petista Jaques Wagner e sócio do Vorcarão no Master. Zero miséria. Fez a milionária degustação em Londres, misturou Macallan, juízes, o chefe da polícia e até o filho do procurador-geral da República. Tudo gente fina. É o encantamento. Puro talento, dom raro e precioso. Para cada freguês tinha uisquinho, charuto, a lourinha top, jatinho, um mimo diferente, especial, personalizado. Fosse petista, bolsonarista, centrista, comunista ou qualquer “ista”, Vorcaro não economizava no agrado. Seduziu influencers, colunistas, socialites, fofoqueiros e jornalistas mercenários, fez deles sua tropa de choque. Todo mundo feliz. O amigão e sócio do Vorcarão, Lucas Kallas, alvo da Justiça por crimes ambientais, lavagem de dinheiro e otras cositas más, pegou na mão do Criador e fez contrato de R$ 5 milhões com o Iter, do ministro André Mendonça. No meio do caminho, o anjo avisou ao ministro que o sujeito tinha parte com o demônio e decidiram devolver a grana em suaves prestações. Amém. Kallas se picou do Brasil, mas segue vivo no coração de muita gente. Em 21 de fevereiro de 2025, o emocionado presidente Lula definiu Kallas: “Desde que ele foi levado na minha sala, descobri na hora que estava conversando com empresário sério, com uma visão nacional muito interessante que […] ama o Brasil e acredita no Brasil“. Não é mera coincidência que Daniel e Lucas sejam clientes daquele escritório da competente advogada, por acaso casada com AM, o magistrado liso que toma café com Lula. Vorcaro precisa voltar. Ele é necessário para a paz e a conciliação nacional. Os pobres precisam dele. Por sua causa, depois de 1.000 supremas confusões, caiu do céu o aumento de 15% no Bolsa Família. Quem sabe largam as bets e fazem uma fezinha no Will Bank, braço popular do Master, que apostou mais de R$ 120 milhões patrocinando o programa do Luciano Huck, de 2023 a 2025. Vixe, meu Deus, desculpem, me enganei! Corrigindo: não tem mais nada disso. O Will Bank foi liquidado no ano passado e Luciano Huck desistiu de virar sócio do seu patrocinador. Mas vejam como isso é bom. Vorcaro investiu num programa popular da Globo, tudo isso para que os mais pobres pudessem participar dos seus negócios, colocando lá seu dinheirinho. O cara ajudou a bancarizar o Brasil, se aproximou da baixa renda, mostrou que não gostava só de rico e poderoso. É muita sensibilidade. Daniel Vorcaro uniu o Brasil, juntou nos mesmos bacanais amigos e inimigos, mas desde 4 de março está na cadeia. Rasparam seus cabelos e barba, obrigaram a usar aquela roupinha branca, ordinária, dos presidiários da Papuda e a trocar os sapatos italianos por havaianas. Isso não se faz. Foi punido por ter feito aquilo que político ou empresário algum foi capaz de fazer: unir o Brasil e acabar com a polarização. Esse homem precisa ser solto. Não é possível que tenha de pagar preço tão alto depois de só ter feito o bem. Nunca tantos deveram tanto a uma só pessoa. Mas o ser humano é ingrato por natureza. Querem deixar o coitado apodrecer naquela cela da Papudinha, abandonado, anônimo, desprezado pela mídia. Vorcaro para presidente. Já, agora! O país merece. Só ele pode consertar o Brasil. Com seu encantamento, vai acabar com a guerra da Ucrânia e convencer os iranianos de que Donald Trump é gente boa. Prometerá, a cada guerreiro iraniano que desistir da luta, antecipar aquelas 100 virgens que receberiam só no paraíso. Ninguém mais vai precisar morrer para conquistar as imaculadas. Daniel convencerá judeus e palestinos a parar de brigar e, não contem para o Lula, levará o Nobel da Paz. Agora é Vorcaro presidente! Mudar para locupletar. Um governo com Macallan na Justiça, Petrus na Fazenda, Dom Pérignon na Saúde, “Dark Horse” nos Transportes e as meninas no Ministério da Assistência Social. Se o conde D’Eu, o califa de Bagdá e Lula lá, por que não o Daniel? o Poder360 integra o autores Marcelo Tognozzi Marcelo Tognozzi, 66 anos, é jornalista e consultor independente. Fez MBA em gerenciamento de campanhas políticas na Graduate School Of Political Management - The George Washington University e pós-graduação em inteligência econômica na Universidad de Comillas, em Madri. Escreve para o Poder360 semanalmente aos sábados. nota do editor: os textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais iconográficos publicados no espaço “opinião” não refletem necessariamente o pensamento do Poder360, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados. Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/opiniao/vorcaro-pra-presidente/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

"... ao seu alvedrio!"

"O problema é que a República está à venda, independentemente de qual filósofo seja citado." STF Filosófico: Pondé comenta citações de ministros durante sessão histórica sobre Master e Moraes Folha de S.Paulo 17 de set. de 2026 Afinal, Aristóteles realmente afirmou que a ironia serve para descontrair o ambiente, como colocou o ministro Flávio Dino? Citado cinco vezes pelo ministro, o filósofo da Grécia Antiga não esteve sozinho ao longo da sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça (15), que discutiu se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Foram diversas as referências culturais movimentadas pelos ministros do Supremo que, em meio a bate-bocas, citaram Thomas Hobbes e Dieter Grimm, e também Fábio Porchat, Chico César e Clarice Lispector. Para falar do uso da filosofia por parte dos ministros ao longo da sessão tanto histórica quanto tensa, a TV Folha convidou o colunista Luiz Felipe Pondé para comentar esses momentos filosóficos e e mostrar o que estas citações e referências nos contam a respeito da crise do STF, do caso Master e da corrida eleitoral. Johann Sebastian Bach - Toccata e Fuga em Ré Menor Fábio Fidelix
Richard Strauss - Also sprach Zarathustra, Op. 30 - HD Also sprach Zarathustra, Op. 30 (em português: Assim falou Zaratustra) é um poema sinfônico composto em 1896 por Richard Strauss, inspirado no tratado filosófico de mesmo nome escrito por Friedrich Nietzche. O próprio compositor conduziu a primeira performance na cidade de Frankfurt. Uma execução típica dura cerca de meia hora. Sua introdução tornou-se muito conhecida por ter sido usada como tema musical no filme 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick, de 1968. html

AO SEU ALVEDRIO

Um Esquete de Debate Farsesco


PERSONAGENS:

FLÁVIO: Magistral, expansivo, usa uma toga ou terno impecável. Utiliza a erudição jurídica e citações clássicas como um escudo de otimismo institucional. (O "Branco"/Sério).

PONDÉ: Sarcástico, veste um paletó desalinhado, toma um café expressivo e observa o mundo com um tédio filosófico e realista. (O "Augusto"/Subversivo).

CENÁRIO: Uma mesa de debate dividida simetricamente. Do lado de Flávio, pilhas de livros de direito constitucional e uma balança da justiça. Do lado de Pondé, uma xícara de café, livros de Schopenhauer e um cinzeiro vazio.


[CENA 1]

(O debate está no ápice. FLÁVIO gesticula com as mãos, projetando a voz como se estivesse no plenário.)

FLÁVIO

(Imponente)

...Porque a higidez do tecido democrático, meu caro colega, não suporta o império das vontades miúdas! Como bem vaticinou Rui Barbosa em réplica histórica: "A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras". Não podemos deixar o destino da pólis ao sabor do capricho hermenêutico de quem não compreende a liturgia do cargo! Portanto, a decisão final deve ser devolvida à sacralidade do rito, e não... ao seu alvedrio!

(FLÁVIO bate com a mão na mesa, triunfante, e ajeita os óculos, esperando o peso da erudição esmagar o oponente.)

PONDÉ

(Não se move. Dá um gole lento no café, suspira com um tédio quase existencial e olha diretamente para Flávio)

Flávio, a sua profissão de fé na burocracia iluminada seria quase tocante, se não fosse perigosamente ingênua. Você cita Rui Barbosa como se o mercado da vaidade humana se importasse com a gramática constitucional. O homem público não quer a pólis; ele quer o privilégio. Como dizia o velho Thomas Hobbes no Leviatã, o homem é o lobo do homem e o desejo de poder só cessa na morte. Portanto... A República está à venda, independentemente de qual filósofo seja citado.

FLÁVIO

(Escandalizado, põe a mão no peito)

Ora, Pondé! Isso não é realismo, é niilismo de galocha! Hobbes estava superado no momento em que Montesquieu calibrou os freios e contrapesos! Se a República estivesse à venda, o balcão de negócios já teria falido por excesso de regulação! A moldura normativa existe justamente para conter o lobo!

PONDÉ

(Sorri de canto, irônico)

Montesquieu desenhou os freios, mas esqueceu que quem dirige o carro adora uma propina institucional. O que você chama de "moldura normativa", o brasileiro médio chama de "despesa de cartório". O otimismo jurídico é o ópio dos intelectuais que têm motorista particular.

FLÁVIO

(Avançando o corpo na mesa, professoral)

O direito não é ópio, é o amparo dos desvalidos! Prefiro errar com a esperança de San Tiago Dantas ao cinismo de quem assiste ao colapso social saboreando um ristretto! A história é um processo de emancipação!

PONDÉ

(Coloca a xícara na mesa com um clique seco)

A história, meu caro, é apenas um ensaio geral para o próximo desastre. Schopenhauer já matou essa charada: o mundo é vontade e representação. Você representa muito bem a dignidade do Estado, mas a vontade lá fora continua sendo a de sempre: levar vantagem em tudo. A República não é um templo, Flávio. É um feirão de usados de terno e gravata.

(FLÁVIO abre a boca para citar a Constituição de 1988, mas PONDÉ apenas levanta a xícara em um brinde silencioso. A luz foca nos dois em posições congeladas: a esperança da toga contra o ceticismo do café.)


[FIM DO ESQUETE]

Use o código com cuidado. O Fortuna ~ Carmina Burana - Better With Metal (metal cover) Better With Metal A Igreja do Diabo (Audiolivro), de Machado de Assis poeteiro 33.788 visualizações 19 de fev. de 2019 Caros amigos: Embora nosso trabalho não tenha fins lucrativos, sua manutenção exige tempo, gente e dinheiro. Se puder apoiá-lo, Gratidão! "Então no final das contas..." eu não sei, não, se em algum momento o Flávio Dino não vai acusar o Mendonça de estar praticando um enorme sofisma nesse processo." Dom de Iludir (Com Caetano Veloso) Hebe Camargo Não me venha falar Na malícia de toda mulher Cada um sabe a dor E a delícia De ser o que é Não me olhe Como se a polícia Andasse atrás de mim Cale a boca E não cale na boca Notícia ruim Você sabe explicar Você sabe Entender tudo bem Você está Você é Você faz Você quer Você tem Você diz a verdade A verdade é o seu dom De iludir Como pode querer Que a mulher Vá viver sem mentir Composição: Caetano Veloso.
Ao Professor José Luiz Ribeiro e a Maria Lúcia Campanha da Rocha Ribeiro (in memoriam), no 60º aniversário do Grupo Divulgação, por eles criado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O Xadrez do Bolsa Família: O Jogo de Guerra Eleitoral Entre o Decreto e o Contrapeso

Foto do perfil de oladobdeboni oladobdeboni 9 h O Antonio's foi um bar histórico no Rio de Janeiro. Ficava no Leblon, na Bartolomeu Mitre, e era frequentado por diversos pensadores. E os militares iam lá, vestidos como civis, para apurar quem estava falando algo contra a ditadura. Lá que aconteceu essa historinha envolvendo Zé Aparecido, eminente mineiro, que depois veio a criar o Ministério da Cultura no governo José Sarney. Foto do perfil de oladobdeboni oladobdeboni
quinta-feira, 17 de setembro de 2026 Aumento do apoio à democracia é boa notícia? Por Maria Hermínia Tavares Folha de S. Paulo É pequena a adesão plena às regras do sistema liberal representativo Não hão de faltar bolsonaristas nostálgicos dos trevosos tempos da ditadura Parece uma boa notícia: depois de mais de uma década de retração, entre 2023 e este ano o apoio à democracia cresceu em toda a América Latina. É o que constata o relatório "Pulse of Democracy 2026", com os resultados da mais recente pesquisa do Lapop (Latin American Public Opinion Project), sediado nas universidades americanas de Vanderbilt e Notre Dame. O crescimento é promissor. Afinal, ocorreu em todos os grupos de idade, níveis de escolaridade e nos 14 países estudados. Parece, pois, uma boa notícia —mas nem tanto. Os mesmos cidadãos que afirmam ser a democracia preferível a quaisquer outras formas de governo estão dispostos a aceitar ações que debilitam a capacidade do Legislativo e do Judiciário de conter os respectivos chefes de Estado. Para a maioria dos democratas latino-americanos —entre eles parcela importante de brasileiros—, o sistema pode se restringir a promover eleições limpas, à aceitação dos seus resultados e ao respeito às instituições que as garantam. É pequena, contudo, a adesão plena às regras da democracia liberal representativa. Como se sabe, além de garantir eleições competitivas, o modelo é dotado de meios para proteger as minorias, limitar o poder dos governantes e responsabilizá-los por seus atos. A democracia que termina tão logo apuradas as urnas é compatível com o governo arbitrário de líderes fortes e constitui a essência do populismo —não por acaso abundante na América Latina desde a segunda metade do século 20. Em seu livro "Do Fascismo ao Populismo na História", o estudioso argentino Federico Finchelstein argumenta que os dois movimentos são parte de uma mesma tradição política contemporânea, alternativa —e oposta por onde que se queira examiná-la— à democracia liberal representativa. O fascismo é uma modalidade de ditadura que rejeita eleições, pluralismo e a legitimidade da oposição. Já o populismo é uma forma autoritária de democracia, que não abole as urnas nem a competição política, mas as distorce ao concentrar poder nas mãos de um líder que se apresenta como encarnação do povo e que, em seu nome, achincalha o sistema liberal representativo. Por serem aparentados, não deve surpreender que fascismo e populismo se pareçam em muitas coisas. A acirrada disputa política que, desde 2018, se repete no Brasil a cada ciclo eleitoral pode ser enquadrada naqueles termos, como competição entre duas formas opostas de entender a democracia. Uma, que garante liberdade às oposições, proteção das minorias e controle dos poderes de Estado; outra, que delega ao líder eleito a definição dos limites de seu próprio arbítrio. Decerto não hão de faltar bolsonaristas nostálgicos dos trevosos tempos da ditadura militar. A começar de Jair Messias, o patriarca da família, que nunca escondeu sua preferência; e, tudo indica, de seu herdeiro senador, que parece desprovido de ideias próprias. Mas é provável que parcela significativa dos eleitores inclinados a votar em um Bolsonaro se sinta um genuíno democrata —embora descrente do Congresso, desconfiado do Judiciário, avesso a partidos e disposto a rifá-los por um Executivo que prometa eficiência e correção. Para demovê-los, o apelo à defesa das instituições democráticas será inócuo.
Como destacou Drummond em referência à canção “Na floresta”, parceria de Silvio Caldas e Cartola, este estava aqui bem pessimista. A professora, neste lúcido artigo, também poupou otimismo do coração ♥️ Na Floresta Cartola Na floresta dei-te um ninho E mostrei-te um bom caminho Mas quando a mulher não tem brio, dizem que É malhar em ferro frio Tudo eu fiz por você Não quisestes entender Os meus conselho E a minha opinião Algum dia vais ver Como é triste sofrer E de joelhos Vens pedir o meu perdão Na floresta dei-te um ninho E mostrei-te um bom caminho Mas quando a mulher não tem brio, dizem que É malhar em ferro frio O teu contentamento Foi o meu sofrimento Não importa tudo isso até acabar E assim me contento Esperando o momento Que a minha porta pra você há de fechar Composição: Cartola, Silvio Caldas.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026 Moraes, cabo eleitoral involuntário de Flávio Bolsonaro contra Lula, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A suspeita de que o pedido de vista serviu para proteger Moraes é politicamente poderosa. Para o eleitor, o Supremo fez tudo para impedir que o ministro fosse investigado O ministro Alexandre de Moraes parece aquele amigo inconveniente a quem se deve um grande favor, mas cuja presença, num momento de crise, passa a produzir constrangimentos e prejuízos. É mais ou menos essa a situação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o magistrado. Sem desconsiderar a responsabilidade dos demais ministros — inclusive de alguns indicados pelo próprio Lula —, a manobra construída na sessão de terça-feira para adiar uma decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes transformou o Supremo Tribunal Federal (STF) num passivo eleitoral para o presidente da República. É uma grande ironia. Moraes foi o principal responsável pela condução dos processos que levaram à condenação de Jair Bolsonaro e de seus aliados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Por isso, tornou-se símbolo da resistência institucional aos ataques à democracia. Agora, porém, as suspeitas sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, fazem do ministro, involuntariamente, o maior cabo eleitoral que Flávio Bolsonaro poderia desejar para desgastar Lula a menos de três semanas da eleição. A sessão do STF forneceu à oposição imagens e declarações devastadoras. Gilmar Mendes chamou André Mendonça de “policialesco” e o acusou de “desfaçatez”. Mendonça reagiu aos gritos: “A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite!”. Diante do confronto, Flávio Dino interrompeu o julgamento com um pedido de vista: “Se Vossa Excelência vai ficar assistindo a isso, eu não vou. Faço um pedido de vista. O clima é daí para pior e o país assistindo”. O país assistiu ministros votarem em processos nos quais seus próprios interesses estavam em jogo. Moraes pediu a reunião do pedido de investigação contra ele com a representação que apresentou contra Mendonça. Este, por sua vez, votou pela separação dos casos. Viu também Cármen Lúcia pedir desculpas aos brasileiros e declarar-se envergonhada porque o país, a poucos dias das eleições, está voltado para as disputas internas do Supremo Ao pedir vista, na sessão plenária de terça-feira do Supremo, Dino evitou uma escalada verbal, mas apenas transferiu o desfecho para depois das eleições, sem evitar o desgaste da Corte. A suspeita de que o pedido de vista serviu para proteger Moraes é politicamente mais poderosa do que os argumentos processuais apresentados. Para o eleitor, o Supremo fez tudo para impedir que um de seus integrantes fosse investigado. É nesse terreno que Flávio Bolsonaro avança. No Ceará, afirmou que “ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo melando o Brasil” e procurou colar as duas imagens: “Quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes”. Trata-se de uma simplificação oportunista, mas eleitoralmente eficiente. A presença destacada de Dino, ex-ministro da Justiça e indicado por Lula, e de Cristiano Zanin, antigo advogado do presidente, no grupo favorável à estratégia que beneficiou Moraes alimenta a narrativa bolsonarista. Armadilha eleitoral Flávio também tenta fazer da segurança pública outro eixo de sua campanha. Promete “libertar o Ceará” das facções criminosas e acusa os governos petistas de entregarem o estado ao crime organizado. A ofensiva coincide com o relatório de Donald Trump, segundo o qual o governo brasileiro “falhou” no combate ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho. Classificadas por Washington como organizações terroristas, as duas facções, segundo Trump, teriam transformado o Brasil num centro relevante do fluxo mundial de cocaína. A declaração não pode ser examinada isoladamente. Trump elogiou governos ideologicamente alinhados aos Estados Unidos e atacou adversários ou países com os quais mantém disputas. A seletividade política do documento é evidente. Ainda assim, ao exigir que o Brasil adote “medidas agressivas” contra PCC e CV, o presidente norte-americano introduz na campanha brasileira uma questão de soberania. E já não se pode descartar que Washington cogite medidas unilaterais contra pessoas, empresas ou estruturas financeiras no Brasil, supostamente relacionadas às facções, com grande repercussão política e econômica. A atuação de Eduardo Bolsonaro amplia o risco. Autoexilado nos Estados Unidos, ele se reuniu com representantes do Departamento de Estado para apresentar um “briefing” sobre a crise do Supremo e anunciou que trabalha por uma nova rodada de sanções contra ministros brasileiros. Essa estratégia pode favorecer Flávio Bolsonaro, mas contém uma contradição: ele próprio é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse” sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos que teriam sido solicitados a Vorcaro. Inicialmente, Flávio negou conhecer o banqueiro; depois, diante das mensagens divulgadas, admitiu o contato e o pedido de financiamento, embora negue as irregularidades. Lula procura escapar dessa armadilha. Reconheceu que “a imagem não está boa”, chamou Vorcaro de “mafioso” e afirmou que todo aquele que cometer delito deve pagar, “isso vale para mim, para Alexandre de Moraes, para Fachin”. Ao mesmo tempo, recordou o papel de Moraes na defesa da democracia e cobrou de Edson Fachin uma solução capaz de impedir que a crise contamine a eleição. Defendeu ainda a abertura integral do sigilo e uma reforma do Judiciário acompanhada de uma reforma política. O problema é que a hesitação do Supremo torna insuficiente o esforço de Lula para se descolar de Moraes.
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A Zona do Agrião Constitucional

Fachin arma, Toffoli faz o corta-luz e Dino arranca a bola em direção à linha de fundo dos Regimentos

Epígrafe I (Ou, ironicamente, Epitáfio)

“Fachin arma, Toffoli faz o corta-luz. Mendonça é neutralizado. Dino arranca a bola dos pés de Toffoli em aparte ensaiado. O juiz Fachin apita; o oportunista, viril e sacana santo oco do Maranhão arranca, atropela Fachin em outra jogada ensaiada com o chefe/professor. Vai à linha de fundo driblando beques e Regimentos. Alça a bola que vale milhões, próximo do córner, para dentro da 'Zona do Agrião'. Onde Gilmar, cara de pau e peito de aço, conclui com a mão do 'Alma mais honesta'!”


Epígrafe II (Transposição Acadêmica e Analítica)

“O desfecho da crise de governabilidade interna do Supremo Tribunal Federal, deflagrada em setembro de 2026, evidenciou a completa primazia da racionalidade política e do pragmatismo corporativo sobre o formalismo do rito processual. A pretexto de salvaguardar a higidez das funções institucionais e amortecer o impacto dos relatórios de inteligência financeira, o colegiado operou por meio de uma estrita coordenação tática: a avocação da relatoria pela Presidência da Corte funcionou como uma blindagem procedimental prévia; as declarações supervenientes de suspeição alteraram estrategicamente o quórum de deliberação; e as sucessivas insurgências regimentais — culminando no manejo cirúrgico do pedido de vista e na submissão de Questões de Ordem ex officio pelo decanato — paralisaram a marcha processual. Configurou-se, em última análise, um arranjo de autoproteção mútua, onde a instrumentalização das normas internas e a suspensão temporária do litígio neutralizaram a ameaça externa de responsabilização e preservaram, provisoriamente, o equilíbrio de forças entre os integrantes da cúpula do Poder Judiciário.”

A sessão plenária de meados de setembro de 2026 entrará para a história do constitucionalismo brasileiro não pela densidade de seus votos jurídicos, mas pela coreografia puramente tática de seus magistrados. O julgamento sobre a validade do relatório da Polícia Federal contra o ministro Alexandre de Moraes despiu o Supremo Tribunal Federal de sua liturgia tradicional, transformando o plenário em uma acirrada partida de futebol de várzea, onde o formalismo institucional cedeu espaço ao drible regimental e à jogada ensaiada.

O desenho tático da crise começou na armação de jogo do presidente da Corte, Edson Fachin. Ao avocar o caso para a Presidência e indicar que o mérito das acusações dependeria fundamentalmente da validade legal das provas colhidas, Fachin tentou "apitar" o rito e isolar o incêndio institucional. A estratégia abriu imediata margem para a tese defensiva de que a investigação promovida por André Mendonça continha vícios insanáveis. Contudo, o plano original ignorou a capacidade de contra-ataque da ala política do tribunal. O primeiro desfalque veio com o "corta-luz" de Dias Toffoli e Nunes Marques; ao se declararem impedidos em razão de ramificações do caso envolvendo o Banco Master, os ministros alteraram estrategicamente o quórum de deliberação e enfraqueceram a base de sustentação formal de Fachin.

Com André Mendonça neutralizado e acuado na defesa sob as pesadas acusações de vazamento seletivo feitas por seus pares, o jogo foi decidido na agressividade do ataque liderado por Flávio Dino. Em uma sequência de apartes ensaiados e confrontos frontais com a presidência sobre a interpretação das normas internas, Dino "atropelou" o rito pretendido por Fachin. Conduzindo a bola pelas franjas do Regimento Interno, o ministro maranhense utilizou o estratégico pedido de vista para congelar a partida por até 90 dias, removendo a pressão imediata que ameaçava desestabilizar Moraes. O posterior e cínico abraço de reconciliação entre Dino e Fachin na sala de togas apenas confirmou o pragmatismo teatral da disputa.

A jogada derradeira coube ao decano Gilmar Mendes, cujo peito de aço e conhecida audácia política empurraram o debate para a "Zona do Agrião" — aquela área cinzenta do campo jurídico onde as regras formais se diluem em nome da conveniência e da sobrevivência mútua. Ao propor uma Questão de Ordem agressiva para fundir as investigações de Moraes e Mendonça, obstaculizando o rito isolado proposto pela presidência, Gilmar desferiu o lance definitivo. Embora a votação das preliminares tenha exposto um racha e terminado em um tenso impasse de 4 a 3, o resultado prático foi o adiamento estratégico da crise. No futebol político do STF, o que testemunhamos não foi a busca pela justiça abstrata, mas um pragmático e ensaiado jogo de compadres voltado a garantir o alívio imediato de seus membros mais expostos.

Anatomia dos Bastidores: A Correspondência dos Fatos

A exatidão da metáfora futebolística proposta revela como a liturgia jurídica foi inteiramente instrumentalizada para responder a uma crise de sobrevivência corporativa. A desmontagem dos lances da sessão traduz-se nos seguintes movimentos analíticos:

  • Fachin arma e dita o ritmo: Na condição de presidente do Tribunal, Edson Fachin avocou a relatoria para resguardar a centralidade institucional e tentar conter danos à imagem pública do STF, pautando o julgamento sob um rito sob medida.
  • Toffoli e o desfalque planejado: O impedimento formalizado por Dias Toffoli (e Nunes Marques) em virtude das conexões financeiras e relatórios atrelados ao Banco Master esvaziou o quórum de votação, forçando um rearranjo numérico no placar de votos da Corte.
  • Mendonça isolado na defesa: O ministro André Mendonça, responsável por trazer os relatórios da Polícia Federal à baila, viu seus instrumentos de ação neutralizados ao ser bombardeado por questionamentos processuais, terminando a sessão sem apoio político em campo.
  • Dino e o drible regimental: Assumindo o protagonismo retórico por meio de apartes agressivos, Flávio Dino peitou as diretrizes da presidência e valeu-se do pedido de vista para operar o congelamento estratégico do processo, empurrando o racha institucional para frente.
  • Gilmar e a Zona do Agrião: O decano acionou os mecanismos de pressão mais rústicos do tribunal. Por meio de uma Questão de Ordem ex officio, Gilmar Mendes misturou intencionalmente os méritos das condutas de Moraes e Mendonça, invalidando a jogada da oposição e consolidando a tática de autoproteção.
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A Anatomia do Populismo de Conveniência e o Contrapeso dos R$ 800: O Jogo de Forças que Define Outubro de 2026

Dossiê Técnico-Estratégico: Como o Decreto nº 13.120/2026 converteu a inflação represada em ativo eleitoral na reta final do pleito, e a engenharia de infiltração da oposição no Orçamento para desarmar a armadilha do Executivo sem perder votos.

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O Xadrez do Bolsa Família: O Jogo de Guerra Eleitoral Entre o Decreto e o Contrapeso

Por Analista Político | Publicado em 17 de setembro de 2026

A política brasileira acaba de testemunhar mais um movimento clássico de sua crônica eleitoral. Ao assinar o Decreto nº 13.120/2026 nesta quinta-feira, 17 de setembro, o presidente Lula oficializou um reajuste linear de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso do programa para R$ 691. A menos de 20 dias do primeiro turno das eleições de 2026, o Palácio do Planalto sacou da manga uma medida de altíssimo impacto social e, inevitavelmente, eleitoral.

A justificativa técnica do governo é cirúrgica: trata-se da estrita recomposição da inflação medida pelo INPC acumulada desde o início da gestão em 2023. Amparado por um parecer prévio da Advocacia-Geral da União (AGU), o Executivo se blinda juridicamente argumentando que a correção cumpre a Lei nº 14.601/2023 e não configura "benefício novo" — o que seria vedado pela legislação eleitoral. Contudo, o que está em jogo nos bastidores do poder vai muito além dos índices de preços e das planilhas fiscais. Trata-se de um autêntico jogo de guerra política.

"A armadilha estendida pelo Planalto era clara: se a oposição tentasse travar o reajuste na Justiça, seria carimbada como a inimiga dos mais vulneráveis em plena véspera de votação. Para não perder capital eleitoral, a reação precisava ser assimétrica."

Percebendo o risco de asfixia política, a oposição articulou uma contraofensiva sofisticada. Em vez de cometer o erro crasso de pedir a suspensão liminar dos pagamentos — o que destruiria sua interlocução com as classes populares —, a estratégia desenhada foca no desvio de finalidade eleitoral e na vulnerabilidade fiscal da medida.

Na frente jurídica, o alvo inicial é o **Tribunal Superior Eleitoral (TSE)**. A tese central não contesta o direito ao reajuste, mas sim o seu timing flagrantemente calculado. O governo já estava autorizado por lei a realizar essa correção desde **março de 2025**. Ao represá-la por 18 meses sob o argumento de austeridade e liberá-la subitamente nas franjas de outubro, configura-se o abuso de poder político por represamento omissivo. A ação visa carimbar a ilegalidade do ato para alimentar uma futura cassação da chapa, sem tirar um único centavo do bolso do beneficiário no curto prazo.

Simultaneamente, a guerra ganha contornos de leilão legislativo no Congresso Nacional. Utilizando o mesmo expediente visto nas eleições de 2022, parlamentares da oposição preparam emendas ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027) para forçar a elevação do piso do benefício dos R$ 691 propostos pelo governo para **R$ 800 permanentes**. O argumento é devastador para a narrativa governista: se a equipe econômica alega ter encontrado "sobras do INSS" de R$ 5,8 bilhões para bancar o aumento agora, a eficiência fiscal exige que o teto seja estendido para cobrir a inflação real dos alimentos.

Conclusão: As Táticas Invisíveis do Jogo de Guerra

O desfecho desse episódio ilustra com precisão as doutrinas modernas de guerra política. De um lado, o **Executivo joga na defensiva agressiva**: utiliza o aparato estatal, o timing legal e pareceres sob encomenda para moldar a percepção pública de benevolência e proteção social no momento exato em que o eleitor se aproxima da urna.

De outro, a **oposição opera por infiltração e sobreposição**. Ao não oferecer resistência ao reajuste, ela neutraliza a principal arma de propaganda do adversário. Ao propor um valor ainda maior (R$ 800), ela inverte o ônus da responsabilidade fiscal. Se o governo aceitar o teto maior, explode seu próprio teto de gastos; se vetar, assume o desgaste político de barrar o avanço do programa.

Nesse tabuleiro de outubros previsíveis, ganha quem demonstra maior capacidade de antecipação. O governo jogou uma peça pesada de marketing social; a oposição respondeu com uma jogada de engenharia institucional. As urnas dirão quem calculou melhor o custo do próximo lance.

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Operação Contrapeso: Estratégia Jurídica e Fiscal Face ao Decreto nº 13.120/2026

Parecer técnico, minuta de representação eleitoral ao TSE e emenda modificativa ao PLOA 2027 para o enfrentamento técnico ao reajuste linear do Bolsa Família.

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Nota Técnica e Parecer Jurídico-Estratégico

ASSUNTO: Controle de Constitucionalidade, Legalidade e Regularidade Eleitoral do Decreto Presidencial nº 13.120/2026 (Reajuste do Programa Bolsa Família).
INTERESSADO: Coordenação Jurídica da Coligação de Oposição / Frente Parlamentar.
DATA: 17 de setembro de 2026.

1. Conclusão Executiva (Síntese para Tomada de Decisão)

Para obter viabilidade política e jurídica em prazo exíguo (menos de 20 dias para o primeiro turno), a oposição NÃO deve tentar barrar o reajuste nas urnas, mas sim caracterizar o desvio de finalidade eleitoral e a fraude à meta fiscal.

Tentar suspender o pagamento do Bolsa Família gerará um desgaste político irreversível perante o eleitorado de baixa renda. A estratégia de maior probabilidade de sucesso consiste em manter o reajuste, mas processar os idealizadores por crime de responsabilidade e abuso de poder político, utilizando o teto de gastos e o represamento intencional da inflação como provas técnicas.


2. Fundamentação da Tese de Contestação

A. Violação da Temporalidade Eleitoral por Represamento Omissivo (Abuso de Poder)

A Advocacia-Geral da União (AGU) defende o decreto alegando tratar-se de "mera recomposição de perdas" autorizada pela Lei nº 14.601/2023. O ponto de ruptura dessa defesa reside no princípio da impessoalidade e da moralidade administrativa (Art. 37, caput, da CF).

  • O Fato: O Poder Executivo estava autorizado a aplicar este índice desde março de 2025. O governo reteve a atualização monetária por 18 meses sob a alegação de "ausência de espaço fiscal" e, subitamente, a menos de 20 dias do pleito de 2026, localizou "sobras" orçamentárias.
  • O Argumento Técnico: A conduta configura represamento intencional de ato administrativo discricionário para fins de descaracterização de conduta vedada. O ganho político não decorre da criação do benefício, mas do timing de sua liberação. A AGU defende a linearidade do índice, mas não consegue justificar a linearidade do calendário de escolha eleitoral.

B. Fraude à Meta de Execução Fiscal e Ofensa à LRF

A alegação de que o impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 será integralmente coberto por "sobras do INSS" é tecnicamente contestável sob a ótica da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF - LC nº 101/2000).

  • Ausência de Dotação Específica para 2027: O reajuste permanente cria uma despesa obrigatória de caráter continuado (DOCC) estimada em R$ 22 bilhões para o ano de 2027. O Art. 17 da LRF exige que a criação de DOCC seja acompanhada de estimativa de impacto trienal e de demonstração da origem de recursos (aumento de receita ou corte definitivo de despesa).
  • Insuficiência das "Sobras": Economias temporárias geradas por "pente-fino" previdenciário no ano corrente (2026) são receitas correntes variáveis e não cumprem o requisito de compensação estrutural exigido pela LRF para os anos seguintes, configurando manifesto vício de responsabilidade fiscal.

3. Plano de Ação Jurídico e Fiscal (Vias Paralelas)

Para operacionalização imediata antes de outubro de 2026, a oposição deve ingressar simultaneamente com três medidas de rito acelerado:

ROTA 1: TRIBUNAL ELECTORAL (TSE) ROTA 2: SUPREMO TRIBUNAL (STF) ROTA 3: CONGRESSO NACIONAL
Ação: Representação por Conduta Vedada e Abuso de Poder Político/Econômico.

Estratégia: Não pedir liminar para suspender pagamentos. O foco deve ser o reconhecimento da ilegalidade para instruir futura AIJE, garantindo base jurídica para cassação posterior caso a chapa governista vença.
Ação: Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com pedido cautelar.

Estratégia: Demonstrar que o remanejamento violou o Novo Arcabouço Fiscal. Obrigar o Planejamento a exibir em juízo as memórias de cálculo das supostas "sobras", desidratando a narrativa técnica do governo.
Ação: Emendas de Relator e de Bancada sobre o PLOA 2027 (Comissão Mista de Orçamento).

Estratégia: Propor formalmente a elevação do piso do Bolsa Família para R$ 750 ou R$ 800. Inverte-se o ônus: o governo terá que combater a emenda ou vetar o aumento maior após as eleições.
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MINUTA DE PETIÇÃO INICIAL — JUSTIÇA ELEITORAL

Alvo: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Escopo: Abuso de Poder Político e Conduta Vedada

EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

COLIGAÇÃO [NOME DA COLIGAÇÃO OPOSITORA], por seus advogados inframencionados, vem, perante Vossa Excelência, propor a presente REPRESENTAÇÃO POR CONDUTA VEDADA C/C INVIABILIZAÇÃO DE ABUSO DE PODER POLÍTICO em face do Presidente da República e candidatos à reeleição, com fulcro no art. 73, IV e § 10 da Lei nº 9.504/97, pelos fundamentos fáticos e jurídicos a seguir aduzidos:

I. Do "Timing" Eleitoral como Desvio de Finalidade (O Cerne da Omissão Albergada)

1. O Poder Executivo editou em 17 de setembro de 2026 o Decreto nº 13.120/2026, concedendo reajuste linear de 15,04% no Programa Bolsa Família. Sob a aparente regularidade de "mera recomposição inflacionária", repousa um manifesto desvio de finalidade na condução cronológica do ato administrativo.

2. A autorização legal outorgada pelo art. 7º, § 4º, da Lei nº 14.601/2023 operou sua preclusão temporal benéfica em março de 2025. Durante 18 meses, o Poder Executivo omitiu-se de repor o poder de compra da população hipossuficiente sob a alegação contábil de indisponibilidade fiscal. Todavia, a menos de 20 dias do primeiro turno do pleito de 2026, editou decreto-surpresa sob o pretexto de remanejamento de "sobras temporárias".

3. A conduta caracteriza represamento administrativo intencional. O benefício político angariado não reside na recomposição em si, mas na retenção e agendamento estratégico de sua liberação para o período crítico da captação de sufrágio, violando a igualdade de condições entre os concorrentes (Art. 73, IV, Lei nº 9.504/97).

II. Dos Pedidos (Estratégia de Preservação Política)

Diante do exposto, e primando pela estabilidade social e proteção dos beneficiários de boa-fé, a Representante requer:

  • A) O NÃO REQUERIMENTO DE LIMINAR PARA SUSPENSÃO DOS PAGAMENTOS, mantendo-se hígidos os repasses aos cidadãos com o escopo de elidir a instrumentalização do desespero social em desfavor desta representação;
  • B) A citação dos Representados para, querendo, apresentarem defesa no prazo legal;
  • C) O julgamento de TOTAL PROCEDÊNCIA da presente ação para declarar a ilegalidade do ato administrativo no contexto eleitoral, servindo os autos de prova pré-constituída para a correlata Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico, com as sanções de inelegibilidade e cassação de registro/diploma que couberem.

MINUTA DE EMENDA MODIFICATIVA AO PLOA 2027

Alvo: Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO)

MESA DIRETORA DA COMISSÃO MISTA DE ORÇAMENTO (CMO) DO CONGRESSO NACIONAL

O Parlamentar que esta subscreve, no uso de suas atribuições regimentais e constitucionais, apresenta a seguinte EMENDA MODIFICATIVA AO PROJETO DE LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (PLOA 2027), destinada ao remanejamento de metas fiscais do Programa Bolsa Família.

I. Texto da Emenda

"Modifique-se a dotação orçamentária destinada ao Programa Bolsa Família no PLOA 2027 para elevar o piso do benefício mínimo familiar de R$ 691,00 (seiscentos e noventa e um reais), conforme estipulado pelo Decreto nº 13.120/2026, para o patamar permanente de R$ 800,00 (oitocentos reais), ajustando-se linearmente as demais rubricas e adicionais por dependente."

II. Justificativa Técnica e Inversão de Ônus Político

1. O Poder Executivo, ao balizar o reajuste inflacionário com base no INPC acumulado de longo período, desconsiderou o impacto real e imediato da inflação de alimentos da cesta básica (IPCA-Alimentação e Bebidas) sobre a população de extrema vulnerabilidade social, cuja defasagem real supera o índice linear adotado.

2. Tendo o Governo Federal inaugurado o debate fiscal de expansão orçamentária por meio de remanejamentos internos da máquina sob a rubrica de "sobras administrativas", faz-se imperativo que o Poder Legislativo exerça sua prerrogativa constitucional de priorização orçamentária. Se há folga fiscal para suportar R$ 691,00, a eficiência administrativa no combate ao desperdício do erário permite a fixação do piso em R$ 800,00.

3. A presente emenda transfere ao Executivo o dever técnico e de coerência de demonstrar perante a Comissão Mista de Orçamento a inviabilidade de sustentação de sua própria premissa orçamentária expansionista, expondo os limites do populismo fiscal de conveniência temporária.

Sala das Comissões, 17 de setembro de 2026.

[NOME DO PARLAMENTAR / VICE-LÍDER DA OPOSIÇÃO]

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