terça-feira, 11 de agosto de 2026

ENSABOA

LAMENTO DA LAVANDEIRA
Resumo O texto de Luiz Carlos Azedo, publicado no Correio Braziliense, argumenta que o apoio de Hugo Motta a Lula revela uma estratégia pragmática do Republicanos: manter neutralidade nacional para permitir que seus líderes adotem alianças diferentes conforme os interesses eleitorais de cada estado. Na Paraíba, Motta apoia Lula porque seu grupo precisa preservar força política, renovar seu mandato e ajudar a eleger seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado. O estado tem forte preferência por Lula, tornando arriscado um alinhamento exclusivo com o bolsonarismo. O Republicanos tenta ocupar simultaneamente espaços distintos: apoiar Lula em regiões onde isso é eleitoralmente vantajoso e manter proximidade com a direita em estados mais conservadores. Tarcísio de Freitas, em São Paulo, exemplifica essa estratégia. Embora dependa do eleitorado bolsonarista, busca manter autonomia política e construir condições para disputar protagonismo nacional em 2030. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo também adota uma postura flexível. Lidera a disputa pelo governo estadual, mas o eleitorado está dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que favorece um palanque aberto. O autor conclui que o Republicanos procura maximizar sua sobrevivência e influência política, evitando ficar preso a um único projeto presidencial. Em uma frase: o artigo sustenta que o Republicanos está priorizando interesses eleitorais regionais e a preservação de espaço político para 2030, em vez de assumir uma posição presidencial única em 2026. Ensaboa Marisa Monte
terça-feira, 11 de agosto de 2026 Apoio de Motta a Lula mostra política de conveniência do Republicanos, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. O presidente da Câmara precisa preservar influência, renovar seu mandato e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva expõe a ambiguidade eleitoral do Republicanos. Formalmente, o partido decidiu permanecer neutro na disputa pelo Palácio do Planalto, não indicar o candidato a vice de Flávio Bolsonaro nem integrar nenhuma coligação presidencial. Na prática, liberou seus dirigentes e diretórios estaduais para escolherem publicamente o lado mais conveniente às respectivas circunstâncias locais. É uma salvo-conduto para múltiplas alianças regionais, inclusive com forças antagônicas. Foi o que permitiu a Hugo Motta anunciar o apoio a Lula sem romper com a direção partidária. “A tendência nossa aqui na Paraíba é que caminhemos com o presidente Lula”, declarou, acrescentando que o petista representa aquilo que seu grupo considera “o melhor para o país”. O presidente da Câmara aguardou deliberadamente a decisão nacional do Republicanos para somente então revelar sua posição. O Republicanos da Paraíba apoiará a reeleição de Lula, segundo Motta. A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. Motta precisa renovar seu mandato, preservar a influência nacional conquistada na Presidência da Câmara e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado. Seu grupo participa da aliança que sustenta o governador Lucas Ribeiro, do PP, herdeiro da coalizão liderada anteriormente por João Azevêdo, do PSB, e apoiada por Lula. Embora o atual governador não pertença à esquerda, governa com uma composição na qual PT e PSB exercem grande influência. O que também explica a neutralidade do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Romper com Lula na Paraíba significaria desafiar um eleitorado majoritariamente lulista e colocar em risco a própria sobrevivência política do grupo de Motta. Os números explicam o movimento. Na pesquisa Genial/Quaest, Lula ampliou de 57% para 64% sua votação num eventual segundo turno no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 25%. A diferença de 39 pontos transforma qualquer tentativa de impor um palanque bolsonarista exclusivo na região em aventura de alto risco. Nacionalmente, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 30% de Flávio, e vence o segundo por 44% a 39%. Flávio cresceu e reduziu a distância, mas ainda não conseguiu transformar a polarização social existente no país numa coalizão partidária equivalente àquela que sustentava seu pai. São Paulo e Minas A decisão do Republicanos também revela uma estratégia que mira as eleições de 2030. Tarcísio de Freitas, principal liderança da legenda e candidato à reeleição em São Paulo, depende do eleitorado bolsonarista para se manter no Palácio dos Bandeirantes, mas não deseja subordinar completamente seu futuro político ao projeto pessoal de Flávio. Tarcísio mira 2030, quando o cenário poderá ser definido pela sucessão simultânea de Lula e de Jair Bolsonaro como grandes polos organizadores da política nacional. Para chegar competitivo a essa eleição, precisa conservar o apoio da direita, dialogar com o centro, cultivar relações institucionais com o governo federal e não se tornar mero coadjuvante do clã Bolsonaro. O Republicanos procura ocupar simultaneamente o governo e a oposição, o Nordeste lulista e o Sudeste conservador, a eleição de 2026 e a sucessão de 2030. O mesmo fenômeno aparece em Minas Gerais, onde a candidatura camaleônica de Cleitinho Azevedo ao governo embaralhou os palanques presidenciais. O senador do Republicanos chegou a ser impedido pelo próprio partido de concorrer, reagiu publicamente e acabou reconduzido à disputa depois da intervenção de dirigentes interessados em sua capacidade de puxar votos para as chapas proporcionais. Cleitinho lidera a corrida mineira com 35%, muito à frente de Alexandre Kalil, com 12%, e Patrus Ananias, com 10%. No plano presidencial, porém, Minas está dividida: Lula tem 30% e Flávio, 29%, no primeiro turno; num eventual segundo turno, o petista aparece com 38% e o bolsonarista, com 35%, ambos em empate técnico. A pesquisa mineira mostra a liderança isolada de Cleitinho e o equilíbrio entre Lula e Flávio. Qual é a do Cleitinho? Ele necessita dos eleitores bolsonaristas, mas não pode hostilizar a parcela lulista de Minas nem atrelar completamente sua candidatura a um presidenciável que aparece numericamente atrás no estado. Nos bastidores, prevalece a expectativa de que abra o palanque, permitindo que aliados e candidatos proporcionais façam campanha para Flávio ou Lula segundo suas bases. O Lamento da Lavadeira Monsueto
De Ed Morgan@edu para Marco Rubio, por Elio Gaspari O Globo Crises alimentadas pelo secretário de Estado americano prejudicam relação entre os dois países e levarão tempo para serem resolvidas Estimado Secretário de Estado Marco Rubio:
Jogatina Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 100 milhões de pessoas fazem apostas. Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra. Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber porque o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.” O Comentário Vazado Vazou a ata secreta da genialidade burocrática. A equipe técnica descobriu que o vício digital é puramente uma questão de cronômetro, não de carteira vazia. O plano de contingência para salvar a economia popular consiste em cinco segundos de profunda reflexão metafísica. Tempo suficiente para o cidadão lembrar do saldo negativo, ignorar o aviso e clicar de novo. A arrecadação bilionária agradece o breve momento de silêncio obsequioso antes do próximo clique. Análise e Desfecho O cinismo da portaria escancara a contradição entre a fome fiscal e o pudor moral. O esparadrapo regulatório tenta estancar uma hemorragia social provocada pelo próprio cirurgião. O intervalo curto garante a velocidade do fluxo de caixa estatal enquanto simula uma falsa preocupação médica. Ouviu, ouvindo o ouvido; leu, lendo o lido; assinou, assinando o assinado. Antes, "Como nunca antes." Agora, "Quem nunca, agora". Agora pode ser tanto neste momento quanto um agora de agoramento. O agoramento é o pressentimento do desastre iminente travestido de modernidade. Quem nunca perdeu o rumo no jogo, agora perde com o carimbo e a bênção do Diário Oficial.
Leia a íntegra da transcrição da reunião ministerial de 22 de abril Celso de Mello liberou gravação Encontro ocorrido em 22.abr Bolsonaro teria sinalizado intervir na PF Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. O presidente Jair Bolsonaro em reunião com seus ministros. Na ocasião, o chefe do Executivo teria tentado intervir da Polícia Federal, de acordo com acusações de Sergio Moro Marcos Corrêa/PR - 22.abr.2020 PODER360 22.mai.2020 (sexta-feira) - 17h38 atualizado: 23.mai.2020 (sábado) - 1h31 Siga o Poder360 no Google O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello liberou nesta 6ª feira (22.mai.2020) o vídeo de reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do dia 22 de abril. Eis a íntegra (22 MB) da transcrição.... Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. A frase vasada do Posto Ipiranga para Damares Alves sobre a liberação de resorts: "Deixe eles f. Damares!" Reunião teve discussão sobre cassinos: "Pacto com o diabo", reagiu Damares Aquilo ali num… atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do j eito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho. Damares: Se C … se o C … Paulo Guedes: Não entra nenhum brasileirinho desprotegido. Entendeu? Damares: … se a CGU concordar. Se a CGU tiver como controlar a entrada e a saída do dinheiro. Paulo Guedes: Isso, então vamo lá. Damares: Se não tiver como lavar dinheiro sujo lá. Paulo Guedes: Então só pra terminar, as observações também finais ali, o… o Campos falou duas coisas também interessantes. Então a … é … o … , o … , o Campos falou duas coisas interessantes ali, uma é o seguinte: o … o... https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/ Ensaboa Cartola

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MANJARES

Caminhante, são teus passos o caminho e nada mais; Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar. Ao andar se faz caminho, e ao voltar a vista atrás se vê a senda que nunca se voltará a pisar. Caminhante, não há caminho, mas sulcos de escuma ao mar. Antonio Machado Poema XXIX de Provérbios y Cantares @-;– Joan Manuel Serrat - Cantares (Directo Gira 2016) ([El Gusto Es Nuestro 20 Años]) Poema original, em espanhol: Caminante Caminante, son tus huellas el camino y nada más; Caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace el camino, y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar. Antonio Machado Caminante, son tus huellas el camino y nada más; caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace camino y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar. Antonio Machado: «Poema XXIX», en Proverbios y Cantares Canteiros Fagner Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa Menos a felicidade Correm os meus dedos longos Em versos tristes que invento Nem aquilo a que me entrego Já me dá contentamento Pode ser até manhã Cedo, claro feito o dia Mas nada do que me dizem Me faz sentir alegria Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa Menos a felicidade Correm os meus dedos longos Em versos tristes que invento Nem aquilo a que me entrego Já me dá contentamento Pode ser até manhã Cedo, claro feito o dia Mas nada do que me dizem Me faz sentir alegria Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Mas a felicidade é Correm os meus dedos longos É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho São as águas de março fechando o verão É promessa de vida em nosso coração Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Composição: Fagner, Cecilia Meirelles.
"O amor puro é o reflexo do Criador em todas as criaturas. Brilha em tudo e em tudo palpita na mesma vibração de sabedoria e de beleza. É fundamento da vida e justiça de toda a Lei." Livro: Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. FUNDAMENTO
Vinha de luz — Emmanuel 172 Manjares Tema principal “Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” — Paulo. (1 CORÍNTIOS, 6.13) 1 O alimento do corpo e da alma, no que se refere ao pão e à emoção, representa meio para a evolução e não o fim da evolução em si mesma. 2 Há criaturas, no entanto, que fazem do prato e do continuísmo simplista da espécie, únicas razões de ser em toda a vida. Trabalham para comer e procriam sem pensar. 3 Quando se lhes fala do Espírito ou da eternidade, bocejam despreocupadas, quando não trocam, aflitivamente, de assunto. 4 Efetivamente, a satisfação dos sentidos fisiológicos é para a alma o amparo que o solo e o adubo constituem para a semente. Todavia, se a semente persiste em reter-se na cova para gozar as delícias do adubo, contrariando a Divina Lei, nunca se lhe utilizará a colaboração preciosa. 5 Valioso e indispensável à experiência física é o estômago. 6 Veneráveis e sublimes são as faculdades criadoras. 7 Urge, contudo, entender as necessidades do Espírito imperecível. 8 Esclarecimento pelo estudo, crescimento mental pelo trabalho e iluminação pela virtude santificante são imperativos para o futuro estágio dos homens. 9 Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra. 10 Para a comunidade dos aprendizes aplicados e prudentes, todavia, brilha no Evangelho o eloquente aviso de Paulo: — “Os manjares são para o ventre e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. Amanhecer com Emmanuel – Lição 172 – Manjares – Vinha de Luz Caminante no hay Camino Cantares Joan Manuel Serrat Todo pasa y todo queda Pero lo nuestro es pasar Pasar haciendo caminos Caminos sobre la mar Nunca perseguí la gloria Ni dejar en la memoria De los hombres, mi canción Yo amo los mundos sutiles Ingrávidos y gentiles Como pompas de jabón Me gusta verlos pintarse De Sol y grana, volar Bajo el cielo azul, temblar Súbitamente y quebrarse Nunca perseguí la gloria Caminante Son tus huellas el camino y nada más Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Al andar, se hace camino Y al volver la vista atrás Se ve la senda que nunca Se ha de volver a pisar Caminante, no hay camino Sino estelas en la mar Hace algún tiempo, en ese lugar Donde hoy los bosques se visten de espinos Se oyó la voz de un poeta gritar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Murió el poeta, lejos del hogar Le cubre el polvo de un país vecino Al alejarse, le vieron llorar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Cuando el jilguero no puede cantar Cuando el poeta es un peregrino Cuando de nada nos sirve rezar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Golpe a golpe, verso a verso Golpe a golpe, verso a verso Composição: Joan Manuel Serrat, Antonio Machado Ruiz.

domingo, 9 de agosto de 2026

JURO ALTO

Pais, feliz dia! Jura Sinhô Sinhô - Jura! (Marco Bernardo, piano) Jura, jura, jura Pelo Senhor Jura pela imagem Da Santa Cruz Do Redentor Pra ter valor a tua jura Jura, jura, jura De coração Para que um dia Eu possa dar-te o amor Sem mais pensar na ilusão Daí então Dar-te eu irei O beijo puro Da catedral do amor Dos sonhos meus Bem junto aos teus Para fugirmos Das aflições da dor Jura, jura, jura Composição: Orlann Divo, Sinho, Nani Palmeira.
A manchete do jornal O Estado de S. Paulo de 9 de agosto de 2026 destacou que a inflação e os juros altos reduzem a renda das famílias brasileiras, pressionando o custo de vida e o orçamento. Esse cenário freia o consumo e diminui o poder de compra, dificultando o planejamento financeiro, informa o O Estado de S. Paulo.
Inflação e juro alto reduzem renda disponível de brasileiro ‘Sobra’ de 21,7% ronda os níveis mais baixos já apurados Com a inflação e, principalmente, os juros em níveis elevados, de cada R$ 100 que o brasileiro recebe mensalmente, sobram apenas R$ 21,70 para o consumo após o pagamento de itens essenciais e do serviço de dívidas, como empréstimos e financiamentos, informam Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira. O dado, referente ao mês de maio, é o mais recente apurado pela consultoria Tendências. A folga no orçamento ronda os patamares mais baixos já detectados pela consultoria. O pior resultado da série histórica foi observado em janeiro e fevereiro: R$ 21. Em maio, a renda disponível depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos – mas sem o custo de juros das dívidas – era de 41,64% do total recebido (ou R$ 41,64 de cada R$ 100).
“Aqui jaz a precisão linguística: a redução de ‘juros altos’ a ‘juro alto’ singulariza indevidamente o fenômeno, desloca a categoria gramatical e compromete o sentido analítico.”
domingo, 9 de agosto de 2026 O ‘comunista’ de Trump, por Dorrit Harazim O Globo Pelo receituário do presidente dos EUA, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário Cassius Clay tinha só 22 anos e uma insolência já borbulhante quando proclamou, na histórica noite de 25 de fevereiro de 1964: — Sou o rei do mundo! Sou lindo e malvado! Eu sacudi o mundo. Era verdade. Ele acabara de derrotar por nocaute técnico o campeoníssimo Sonny Liston, favorito absoluto nas casas de apostas globais. O feito no ringue fez dele muito mais que um fenômeno do boxe — tornou-se força cultural duradoura. Nove dias depois, anunciou ao mundo sua conversão ao islamismo e passou a se chamar Muhammad Ali. O sanitarista americano Abdul El-Sayed, nascido no estado de Michigan 42 anos atrás, não precisou trocar de nome — Abdulrahman Mohamed El-Sayed é muçulmano de berço. Suas primeiras palavras ao saber que será o nome do Partido Democrata para disputar uma cadeira no Senado, em novembro próximo, foram inspiradas em Ali: — Nós sacudimos o mundo. O mundo, ele e seus eleitores não sacudiram, mas o neurastênico cenário político-partidário americano, certamente. El-Sayed saiu-se vencedor nas primárias da terça-feira passada montado num programa arriscado, por progressista e populista: 1) A favor da abolição do ICE (o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro que, sob o governo de Donald Trump, atua como caçador de imigrantes sem documentação regularizada); 2) A favor da ampliação do esquálido seguro hospitalar e médico, o Medicare, que nos Estados Unidos contempla apenas contribuintes com mais de 65 anos e portadores de deficiências; 3) Radicalmente oposto a qualquer ajuda dos Estados Unidos ao governo de Israel; 4) A favor de mais impostos para os mais ricos e contra o predomínio do dinheiro sobre o exercício da política. El-Sayed teve por adversária Haley Stevens, uma experiente congressista moderada de quatro mandatos no Capitólio. Ela contou com o apoio ostensivo do establishment democrata — a mesma liderança partidária que, há anos encastelada, acumula erros e foi perdendo o pulso da nação. Não fosse o incontornável senador Bernie Sanders, que aos 84 anos continua sendo o grande ícone mobilizador do eleitorado jovem e progressista, El-Sayed talvez não tivesse alcançado o 1% de votos que faltou a Stevens. Contudo coube ao poderoso lobby pró-Israel agrupado sob a sigla Aipac (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel) o inglório papel de goleador contra a candidatura que apoiava. A derrama de mais de US$ 30 milhões na campanha da congressista que se orgulha de ser sionista bateu de frente com os itens 3 e 4 do programa de El-Sayed. Afugentou um eleitorado democrata cada vez menos disposto a defender Israel acima de tudo, como se a desumanização de Gaza e a metódica erradicação da vida palestina na Cisjordânia não existissem. A sigla Aipac começou a tornar-se tóxica quando acoplada a candidaturas democratas — segundo divulgou o New York Times na semana passada, a palavra “Israel” praticamente sumiu da maioria das peças de propaganda eleitoral financiadas pela entidade. A causa agora atende pelo nome de United Democracy Project. Por ora, a maioria dos analistas dá como pouco provável a eleição do epidemiologista e Rhodes Scholar El-Sayed em novembro — ele seria o primeiro muçulmano a ocupar assento no Senado dos Estados Unidos. Até porque o estado de Michigan, como um todo, é um dos campos eleitorais mais imprevisíveis e cambiantes do país (Trump saiu-se vencedor em 2016, perdeu em 2020 e venceu em 2024, sempre com margens apertadíssimas). Para o ocupante da Casa Branca, El-Sayed é “esse comunista que odeia os judeus e Israel”, fácil de ser derrotado pelos republicanos. O epíteto “comunista” tem sido usado por Trump a torto e a direito em suas postagens e discursos. Não raro, atropela e embaralha cruamente o que, exatamente, entende por “comunista”, “marxista” ou “leninista”. Compreende-se: quando até a centenária The Economist, que Lênin descreveu como publicação para milionários britânicos, admitiu em edição recente que empresas capitalistas têm poucas chances de competir com a China “ecoautoritária e leninista, governada por Xi Jinping, um pioneiro do capitalismo de risco”, o xingamento pode parecer elogio. Pelo receituário de Trump, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário, e pobreza é defeito do indivíduo. Privatizada a sobrevivência, dá-se ao que sobra da vida o nome de liberdade. Faltam três meses para o eleitor americano dizer do que tem mais medo. Cassius Clay vs. Sonny Liston - 1964 Boxing kumite27 10.237.665 visualizações 30 de mai. de 2013 Cassius Clay vs. Sonny Liston war ein historischer Boxkampf zwischen dem damals amtierenden Weltmeister im Schwergewicht, Sonny Liston und dem Herausforderer Muhammad Ali, damals noch unter seinem Geburtsnamen Cassius Clay. Er fand am 25. Februar 1964 in Miami Beach, Florida statt und war das erste von zwei Aufeinandertreffen der Kontrahenten. Er ist der offiziell letzte Kampf, bei dem Cassius Clay mit seinem Geburtsnamen kämpfte, da er zum Islam konvertierte und den Namen Muhammad Ali annahm. Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. In this 1964 championship bout, the outspoken challenger faces off against the imposing titleholder at the Miami Beach Convention Hall. Commentators Joe Louis and Rocky Marciano analyze the action as the contender utilizes speed and jabs to disrupt the champion's traditional fighting style.
domingo, 9 de agosto de 2026 Sucesso chinês: educação, tecnologia e abertura, por Pedro S. Malan O Estado de S. Paulo Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do Brasil Na raiz de nossos problemas de pobreza e de desigualdade de renda e riqueza está a questão fundamental a ser atacada: a desigualdade de oportunidades, que surge já no nascimento. É função de políticas públicas nas áreas de educação (e de saúde) procurar reduzir estes diferenciais nos anos iniciais de vida das crianças, como é hoje amplamente reconhecido por especialistas em educação no Brasil e no mundo. Em 1981, por iniciativa de Deng Xiaoping, o Banco Mundial aprovou um empréstimo para a China no montante de US$ 200 milhões, equivalentes a cerca de US$ 750 milhões de hoje. Era inteiramente destinado à ciência e educação, e seus objetivos eram claros: formar gente qualificada em ciência, tecnologia, engenharia, matemática, computação; enviar estudantes chineses às melhores universidades dos EUA e da Europa; promover interação entre universidades chinesas e estrangeiras na área científica. Metade dos recursos vinha da International Development Association, braço concessional do grupo do Banco Mundial para países mais pobres, o que era a China à época. A operação contou com a aprovação dos EUA, que tinham (e ainda têm) poder de veto na instituição. Entre 1981 e 2020, cerca de 6 milhões de chineses estudaram no exterior, dos quais 20 a 30% cursaram pós-graduação. Estima-se que entre 300 mil e 500 mil tenham obtido o título de doutor em universidades dos EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Alemanha, Japão e Singapura, nas áreas de engenharia, matemática, ciência da computação, física, química e ciências biomédicas. Antes de 2000, menos da metade retornava à China; naquele ano foram criados programas de incentivo ao retorno, e após 2010, mais de 80% passavam a retornar ao país em algum momento da carreira. A política foi um extraordinário sucesso. Em 2025, segundo o índice global de inovação da World Intellectual Property Organization (Wipo), das 100 principais clusters de inovação no mundo, a China tinha 24 e os EUA 22. O Brasil, 1. O ex-presidente Barack Obama, que tinha profundo interesse nesse processo, afirmou repetidas vezes ao longo dos anos que educação de qualidade mundial era prérequisito para o sucesso de qualquer país. “Countries that outeducate us today will out-compete us tomorrow” (“os países que hoje investem mais e melhor em educação amanhã serão mais competitivos do que nós”, em tradução livre), explicava. A rivalidade EUA/China continuará impulsionando a competição geopolítica global. Os EUA lideram na inovação de ponta, especialmente em semicondutores e (ainda) na fronteira de inteligência artificial (IA), enquanto a China se destaca na implementação de IA em larga escala, na manufatura e no controle de cadeias de suprimentos, de minerais críticos e de outros insumos industriais. Mas não é menos certo que aos dois rivais interessa aquilo que os chineses chamam de “estabilidade estratégica construtiva”, expressão que é manifestação de ambiguidade construtiva da China enquanto segue na disputa por esferas de influência no mundo. Em entrevista recente, Xi Jinping ofereceu sua própria definição da armadilha de Tucídides: “We all need to work together to avoid the Thucydides Trap – destructive tensions between an emerging power and established powers” (“Todos precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides – tensões destrutivas entre uma potência emergente e as potências estabelecidas”, em tradução livre). É possível fazer um paralelo entre aquele amplo programa de financiamento à ciência e educação, do qual a China foi beneficiária, com a ambiciosa iniciativa que agora põem em marcha os chineses. Em meados de julho, realizou-se em Xangai uma conferência que reuniu outros 29 países, ao cabo da qual foi criada a World Artificial Intelligence Cooperation Organization (Waico), descrita por Xi Jinping na abertura oficial do encontro como um importante marco na história do desenvolvimento da inteligência artificial no mundo. Companhias chinesas deverão tornar a IA amplamente disponível por meio de open source models, e o governo chinês propõe-se a treinar países a capacitar milhares de pessoas na aplicação de IA. Foram anunciados a oferta de “5 mil oportunidades” de treinamento, programas e seminários nos próximos cinco anos, e o desenvolvimento de International AI Applications Centres (IAICC). Xi apresentou a organização como instrumento para ampliar a participação dos países do Sul Global na definição das normas internacionais de IA – por meio da adoção de código aberto, cooperação tecnológica e acesso amplo às capacidades de IA. Respondendo em 1995 a uma pergunta sobre desenvolvimento tecnológico, Celso Furtado afirmou: “O que interessa no progresso tecnológico é a qualidade do fator humano, o que não se improvisa. Não basta investir, botar mais dinheiro. Toma tempo formar de verdade gente qualificada. (...) O progresso tecnológico depende da qualidade de material humano”. Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do País. Talvez o debate público em 2026 ainda possa levar candidatos a procurar, em prazo hábil, agregar equipes competentes nessas áreas. E a promover discussão apta a permitir diagnóstico claro para a sociedade sobre a situação atual, como a ela chegamos e, principalmente, a descortinar como avançar com a necessária visão de longo prazo sobre nosso futuro nesta área. Pais, feliz dia! •
https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ Livro “O novo perfil eleitoral do Brasil” já está disponível no portal da Fundação João Mangabeira Você está aqui: A Fundação João Mangabeira disponibiliza gratuitamente, em seu portal, o livro O novo perfil eleitoral do Brasil – Como pensa e como vota o brasileiro. A obra apresenta uma análise inédita sobre o comportamento do eleitor brasileiro, reunindo dados de pesquisa e reflexões sobre os fatores que influenciam a formação do voto. O estudo aborda temas como juventudes, mulheres, eleitorado evangélico, valores, identidade, comportamento político e as transformações do cenário eleitoral brasileiro. A publicação é uma importante ferramenta para pesquisadores, dirigentes partidários, candidatos, gestores públicos e todos os interessados em compreender as mudanças que estão redesenhando a política no país. 📖 Acesse gratuitamente: https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ 17 de julho de 2026 https://www.fjmangabeira.org.br/livro-o-novo-perfil-eleitoral-do-brasil-ja-esta-disponivel-no-portal-da-fundacao-joao-mangabeira/
domingo, 9 de agosto de 2026 Emendas parlamentares transformaram o Congresso em casa de negócios, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho do dinheiro público, identificar o responsável por sua destinação ou comprovar o benefício gerado O crescimento vertiginoso das emendas parlamentares impositivas produziu uma mudança estrutural nas relações entre o Executivo e o Legislativo e, sobretudo, nas próprias disputas eleitorais. Concebidas originalmente para permitir que deputados e senadores atendessem demandas legítimas de estados e municípios, com essas emendas o Congresso abocanhou parcelas crescentes do orçamento de investimentos. As emendas passaram a movimentar dezenas de bilhões de reais sem a correspondente comprovação da correta execução financeira, da conclusão das obras e dos resultados efetivamente entregues à população. Esse descompasso fortalece os parlamentares com mandato, blinda o Congresso de renovação e converte o Orçamento da União em instrumento de reprodução do poder político. A fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, examinou 100 repasses realizados entre 2020 e 2024, destinados a 73 municípios e aos estados do Pará e de São Paulo, num total de R$ 198 milhões. Foram encontradas irregularidades em 82% das transferências e em 82,4% dos beneficiários, com prejuízo potencial estimado em R$ 49 milhões, equivalente a 25% do valor fiscalizado. Há movimentação de dinheiro em contas não específicas, ausência de notas fiscais idôneas, pagamentos estranhos aos planos apresentados, obras inacabadas, superfaturamento, licitações simuladas e contratação de empresas declaradas inidôneas. Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho percorrido pelo dinheiro público, identificar o responsável político pela destinação ou comprovar o benefício gerado. Diante desse quadro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar indícios de crimes na execução das emendas. O problema é agravado pelas emendas de comissão e pelas chamadas emendas de liderança, sucedâneas do orçamento secreto declarado inconstitucional pelo STF. Em 2025, a Câmara executou cerca de R$ 1,3 bilhão em indicações registradas apenas em nome de líderes partidários, sem revelar qual parlamentar escolheu cada uma das 1.341 emendas desse tipo. Em muitos casos, nem sequer foi possível identificar os beneficiários finais ou os municípios onde o dinheiro seria aplicado. Neste ano, a farra continuou. Não se trata apenas de um problema administrativo ou penal. Há uma distorção profunda na competição eleitoral. Um deputado que dispõe de R$ 60 a R$100 milhões para pavimentar ruas, comprar máquinas, financiar serviços de saúde e atender prefeituras entra na campanha em posição incomparavelmente superior à de qualquer concorrente sem mandato. Fora do jogo Forma-se um círculo de autoproteção, há uma recidiva do patrimonialismo. O parlamentar destina recursos aos municípios; prefeitos, vereadores, fornecedores e lideranças locais passam a depender de sua intermediação; essa rede mobiliza votos para reelegê-lo; e o novo mandato lhe assegura acesso a uma quantidade ainda maior de emendas. A disputa deixa de ser entre ideias, programas e trajetórias para se transformar numa luta desigual pelo controle de verbas públicas, o que explica o pacto perverso do colégio de líderes, cujos nomes a maioria desconhece, para votações relâmpago após reuniões sigilosas, sem debate em plenário. Quadros experientes e programáticos são agora o “baixo clero” da política nacional. Não se pode atribuir toda essa situação exclusivamente às emendas, mas é inegável que o modelo seleciona seus participantes. Rubens Bueno, Paulo Delgado, Miro Teixeira, Heráclito Fortes, Perpétua Almeida, Luzia Ferreira, José Aníbal, José Carlos Aleluia, Benito Gama , Marcus Pestana e José Eduardo Cardozo, por exemplo, se afastaram das disputas eleitorais ou perderam espaço num ambiente em que reputação, experiência e formulação já não superavam a “disparidade de armas”. Uma exceção simbólica é Cristovam Buarque, que decidiu voltar às urnas como candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, aos 82 anos, apostando numa campanha baseada em educação, ideias e trajetória pública ilibada. Quem controla diretórios partidários, fundos eleitorais, cargos públicos e transferências orçamentárias acumula uma vantagem quase intransponível. Quem depende apenas de opinião, militância e reconhecimento público enfrenta enormes dificuldades. A renovação é exceção, ocorre mais em razão de “influenciadores”, reprodução de oligarquias políticas, grupos econômicos, corporações e igrejas capazes de construir estruturas próprias. Max Weber, em A política como vocação, distinguia os que vivem “para” a política e aqueles que vivem “da” política. A profissionalização permite que pessoas sem patrimônio também exerçam funções públicas, porém, a degeneração começa quando o mandato e o controle dos recursos deixam de ser um projeto coletivo e se tornam instrumento de enriquecimento pessoal. O Congresso, então, deixa de ser a casa do “bem comum” para se transformar no centro da política como grandes negócios. Funeral de um lavrador, trecho do filme: Morte e Vida Severina (1977) Mario Junior Contini 100.657 visualizações 11 de out. de 2016 Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955. O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pelo personagem. O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante sertanejo (retirante) em busca de uma vida mais fácil e favorável na capital pernambucana. Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra. A obra foi parcialmente adaptada ao cinema em 1977, por Zelito Viana com participação de, entre outros José Dumont no papel de Severino, Sebastião Vasconcelos como Mestre Carpina e Tânia Alves Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. O poema narrado reflete sobre a vida e a morte de um trabalhador rural no Nordeste brasileiro. Acompanha-se o cortejo fúnebre enquanto se destaca a dura realidade da desigualdade na distribuição de terras.
domingo, 9 de agosto de 2026 Lula agiu como se o Estado fosse ele, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo O governo brasileiro rebaixou o status das relações diplomáticas com dois de seus principais parceiros, Estados Unidos e Argentina. As hostilidades partiram deles. O Brasil poderia ter manifestado sua reprovação de forma a estancar as crises. Mas preferiu agravá-la, por um cálculo eleitoral, com consequências prejudiciais para o País. O Departamento de Estado anunciou, no dia 1.º de junho, a designação do deputado republicano Daniel Perez para o posto de embaixador em Brasília. Fez isso sem antes consultar o governo brasileiro, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Diante da afronta, o Itamaraty congelou o pedido de agrément, sem o qual Perez não pode assumir o posto. O Departamento de Estado seguiu nos trâmites para a nomeação no Senado, concluídos na sextafeira, como parte de um pacote de 74 novos embaixadores. Além disso, o Itamaraty recusou vistos a três funcionários do Departamento de Estado: Darren Beatty, chefe da pasta de Brasil, que tentou vir em março visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão; Riley Barnes e Samuel Samson, do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e do Trabalho, que buscavam esclarecimentos sobre o sistema eleitoral. Em resposta, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela pode continuar representando o Brasil em Washington, mas, se deixar os EUA, terá de pedir novo visto para voltar. O Itamaraty reagiu dizendo que não concederá o agrément antes das eleições de outubro, nas quais esses funcionários teriam planos de interferir. RESPOSTA. A diplomacia brasileira poderia ter protestado contra o atropelo da praxe diplomática na designação de Perez e concedido o agrément. Poderia, igualmente, ter permitido a entrada dos funcionários americanos e demonstrado a eles a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O presidente Javier Milei veio à convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, expressou apoio ao candidato e chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”. De volta à Argentina, repetiu os insultos. Lula não respondeu, mas chamou de volta o embaixador Júlio Bitelli e rebaixou a representação em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Isso, apesar de o chanceler argentino, Pablo Quirno, ter manifestado o desejo de manter boas relações diplomáticas, e de Milei ter autorizado a entrada de militares e embarcações do Brasil para um exercício conjunto entre os dias 13 a 24. À maneira do absolutismo, Lula agiu como se o Estado fosse ele. O certo seria deixar argentinos e americanos falando sozinhos. Ou responder, mas sem arrastar a diplomacia junto.

sábado, 8 de agosto de 2026

Alguns Toureiros

A tática da tourada Trump desgasta o presidente brasileiro ao antecipar movimentos e explorar suas reações ____________________ "COMUNICAÇÃO, DE ACORDO COM O QUE ENSINARAM OS MESTRES DA ECA (USP), NÃO É O QUE O EMISSOR EMITE, MAS O QUE O RECEPTOR CAPTA." ____________________
Lula caiu no jogo de Trump e age exatamente como ele quer, diz o articulista; na imagem, tourada Pixabay Touradas em Madrid - Braguinha & Alberto Ribeiro - Carnaval Choro das 3 👉 Em síntese, o artigo defende que Trump conduz o confronto de forma estratégica, enquanto Lula reage de maneira impulsiva, o que o colocaria em desvantagem no cenário internacional. Poema ALGUNS TOUREIROS, do pernambucano João Cabral de Melo Neto Marcelo Tognozzi São Paulo 8.ago.2026 (sábado) Tem 90 anos um dos maiores toureiros de todos os tempos. Chama-se Manuel Benítez, mais conhecido como El Cordobés, e ganhou fama impondo um estilo diferente de tudo o que já tinha sido visto nas arenas espanholas. Seu espetáculo começava quando quebrava as bandarilhas, deixando-as pouco maiores que um lápis e, depois de um drible de corpo, as cravava atrás do chifre esquerdo. Normalmente são fincadas no lombo do animal, mas El Cordobés mudou a regra, levando o público ao delírio nos anos 1960 e 1970, quando esteve no auge. Tourear é uma arte. Não é força; é jeito. Não basta coragem, mas acima de tudo astúcia. Ele conseguia dominar um touro de 600 kg, aos poucos, a cada passada. Muitas vezes parecia que o animal iria atropelar El Cordobés, mas ele esquivava, quase bailando como num tablado flamenco. As touradas vieram dos tempos em que os árabes dominavam a Andaluzia, ainda no século 12. A lida foi sofisticando e evoluindo. O filósofo José Ortega y Gasset (1883-1955) adorava touradas e entendia a correlação de forças entre o toureiro e o touro como um reflexo da política cotidiana. No seu livro “A caça e os touros“, o filósofo escreve que o grande toureiro não vence pela força física, mas pela capacidade de antecipar movimentos, entender claramente a situação e estar no lugar certo e na hora certa. Ou seja: alguém proativo, em vez de reativo, que enxerga antes dos outros, domina a circunstância e age com precisão, não por impulso. Trump tem agido com Lula como o toureiro de Ortega y Gasset. A lida dos 2 presidentes começa em junho de 2024, quando Lula apoiou Joe Biden e criticou Trump. Depois, em novembro, pouco antes da eleição, disse para a imprensa francesa que torcia por Kamala Harris, porque Trump era o fascismo e o nazismo com outra cara. Trump venceu e Lula baixou a bola. A partir de então, Trump começou a tourear Lula no estilo de El Cordobés. A tática parece estar fazendo efeito. Bailaram, entre tapas e beijos, trocaram elogios e voltaram a se estranhar. A estratégia de Trump é claríssima: quer derrotar Lula pelo cansaço. O presidente norte-americano não tem a ansiedade da reeleição, sabe que não ficará. Não parece estar tão preocupado assim com sua popularidade. Foca no seu programa de governo. Quer recuperar o protagonismo econômico dos Estados Unidos. É como a família numa casa em reforma. O incômodo é grande, a demora maior ainda, mas quando a reforma acaba a vida fica melhor do que antes. Lula está amarrado ao discurso da soberania como o touro se fixa no pano vermelho. Tem sido reativo ao invés de proativo. Vai para cima, enquanto Trump o surpreende a cada momento. Foi assim com o cancelamento do visto da embaixadora em Washington Maria Luiza Viotti, que virou ilegal do dia para a noite. Se sair dos Estados Unidos, não voltará. Está na mesma situação dos ilegais perseguidos pela polícia, uma humilhação. Algo terrível, jamais visto em 200 anos de diplomacia. Lula caiu no jogo de Trump e age exatamente como ele quer. É previsível, quando deveria surpreender. Enfrenta o presidente norte-americano, ao mesmo tempo em que dá sinais de aproximação maior com a China, que já domina grande parte do mercado brasileiro, e a Rússia, em guerra com a Ucrânia. Tem falado em armas nucleares. Outro dia disse que se arrependia de ter votado a favor do artigo 21 da Constituição, que restringe a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Enquanto isso, Trump segue estressando o touro. Lula ficou cercado por governos de direita na nossa América do Sul. Em vez de diplomacia racional, técnica, optou por desprezar os presidentes eleitos. Não foi à posse de Kast, Milei, Keiko Fujimori, Noboa e não irá à Colômbia para a posse de Abelardo de La Espriella. Lula só deu o ar da graça na posse do paraguaio Santiago Peña. Em compensação, enviou seu vice Geraldo Alckmin para a investidura do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, e ele acabou aparecendo ao lado dos líderes do Hamas. Enquanto Lula e o embaixador Celso Amorim contaminam a diplomacia brasileira com ideologia, recusando a indicação da diplomata Vivian Aisen para o consulado de Israel em São Paulo (ela será embaixadora na Colômbia), e fazendo corpo mole para aceitar Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada do Brasil, a tourada segue a todo vapor. Lula quer passar ao respeitável público a sensação de que é capaz de escapar do isolamento imposto pelo fato de termos vizinhos que pensam diferente e da pressão de Trump. Tratou de aparecer com coreanos e japoneses falando de acordos comerciais. O problema é que o Japão negocia com o Brasil US$ 10 bilhões por ano e a Coreia US$ 11 bilhões. Com os Estados Unidos os coreanos negociam US$ 241 bilhões e os japoneses US$ 319 bilhões. Eles trocarão de parceiro facilmente? A China aprendeu a produzir frango com o Brasil e hoje é a 3ª maior exportadora. Virou nossa concorrente. Em 5 de agosto, o principal assessor de Vladimir Putin para defesa, Nikolai Patrushev, veio para um encontro com o embaixador Celso Amorim. Ninguém sabe direito o que foi tratado e, estranhamente, o ministro da Defesa José Múcio não participou do encontro, só o comandante da Marinha Marcos Sampaio Olsen. Lula tem agido mais com o fígado do que com a cabeça, deixando de lado as ferramentas que o tornaram negociador de 1ª linha. O Brasil já teve embaixadores capazes de tourear os norte-americanos, como Oswaldo Aranha e Paulo Tarso Flecha de Lima. Mas isso passou. O presidente precisa colocar o fígado na geladeira e agir com a cabeça. Do contrário, corre o risco de terminar cansado, esgotado, como os touros que enfrentaram El Cordobés. Ele era tão ousado e destemido que diante daquela fera de 600 kg completamente exausta, antes de meter a espada na escápula e dar-lhe uma morte rápida, beijava o touro entre os chifres. Marcelo Tognozzi Marcelo Tognozzi, 66 anos, é jornalista e consultor independente. Fez MBA em gerenciamento de campanhas políticas na Graduate School Of Political Management - The George Washington University e pós-graduação em inteligência econômica na Universidad de Comillas, em Madri. Escreve para o Poder360 semanalmente aos sábados. tópicos relacionados AMÉRICA DO SUL BRASIL E ESTADOS UNIDOS CELSO AMORIM CHINA COMÉRCIO EXTERIOR CRISE DIPLOMÁTICA DIPLOMACIA BRASILEIRA DONALD TRUMP ESTADOS UNIDOS GEOPOLÍTICA GOVERNO LULA GUERRA COMERCIAL JAIR BOLSONARO LULA POLÍTICA EXTERNA POLÍTICA INTERNACIONAL RELAÇÕES BRASIL-EUA RELAÇÕES INTERNACIONAIS RÚSSIA SOBERANIA NACIONAL TARIFAÇO TOURADA... Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/opiniao/a-tatica-da-tourada/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. João Cabral de Melo Neto Alguns Toureiros A Antônio Houaiss Eu vi Manolo Gonzáles e Pepe Luís, de Sevilha: precisão doce de flor, graciosa, porém precisa. Vi também Julio Aparício, de Madrid, como Parrita: ciência fácil de flor, espontânea, porém estrita. Vi Miguel Báez, Litri, dos confins da Andaluzia, que cultiva uma outra flor: angustiosa de explosiva. E também Antonio Ordóñez, que cultiva flor antiga: perfume de renda velha, de flor em livro dormida. Mas eu vi Manuel Rodríguez, Manolete, o mais deserto, o toureiro mais agudo, mais mineral e desperto, o de nervos de madeira, de punhos secos de fibra o da figura de lenha lenha seca de caatinga, o que melhor calculava o fluido aceiro da vida, o que com mais precisão roçava a morte em sua fímbria, o que à tragédia deu número, à vertigem, geometria decimais à emoção e ao susto, peso e medida, sim, eu vi Manuel Rodríguez, Manolete, o mais asceta, não só cultivar sua flor mas demonstrar aos poetas: como domar a explosão com mão serena e contida, sem deixar que se derrame a flor que traz escondida, e como, então, trabalhá-la com mão certa, pouca e extrema: sem perfumar sua flor, sem poetizar seu poema.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

VEREDITO

Antonio Lavareda analisa : Chapas "puro-sangue" evidenciam divisão da direita | SbtNews "Armindo , e essa turma sempre falam coisas terríveis e eles continuam ricos." " O ponto central é que esses economistas apoiaram o governo atual no segundo turno por medo de rupturas institucionais, e não por concordarem com o plano econômico. Hoje, eles continuam apontando os erros fiscais e os riscos de inflação e juros altos do mesmo jeito." Veredito: O tribunal da existência humana é absolvido pelo próprio absurdo, e o réu — a humanidade inteira — é condenado a viver na ficção que criou para si mesma. A vida, Davi — à vera, é a vida Não é a da que vi Mas a que vivi Um chamado João - Carlos Drummond de Andrade CANTINHO DA POESIA 3 de jan. de 2022 Leitura do poema "Um chamado João", composto por Drummond em 22 de novembro de 1967, apenas três dias após a morte de Guimarães Rosa. Originalmente publicado no jornal "Correio da manhã". Brasil pode entrar em forte recessão, diz Armínio Fraga | #CentraldeNotícias SBT News Lula já está pior que a Dilma, povo está endividado e Lula enganando. Lula socou crédito fácil o povo iludido se endividando,esse é o desgoverno LULA. ⚡️A RECESSÃO DE LULA JÁ ESTÁ INSTALADA NO BRASIL. Fator Lulinha: o dia em que a PF suspeitou de negócios do filho do presidente há 11 horas Zema responde 'sim' e 'não' para questões...
"Padre Kelmon ZEMADIANO MEDIANOFar" (nome completo: Kelmon Luís da Silva Souza ZEMA) — O candidato que não governa, não prega e não perde a chance de privatizar até a água benta no debate da rodada.

A vida, Davi — à vera, é a vida
Não é a da que vi
Mas a que vivi

Passaredo Chico Buarque Ei, pintassilgo Oi, pintarroxo Melro, uirapuru Ai, chega-e-vira Engole-vento Saíra, inhambu Foge asa-branca Vai, patativa Tordo, tuju, tuim Xô, tié-sangue Xô, tié-fogo Xô, rouxinol sem fim Some, coleiro Anda, trigueiro Te esconde colibri Voa, macuco Voa, viúva Utiariti Bico calado Toma cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí Ei, quero-quero Oi, tico-tico Anum, pardal, chapim Xô, cotovia Xô, ave-fria Xô, pescador-martim Some, rolinha Anda, andorinha Te esconde, bem-te-vi Voa, bicudo Voa, sanhaço Vai, juriti Bico calado Muito cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí Composição: Chico Buarque, Francis Hime. Águas De Março Provided to YouTube by Universal Music Group Águas De Março · Antonio Carlos Jobim Matita Perê ℗ 1973 Universal Music Ltda 1 música
Águas De Março Antonio Carlos Jobim Matita Perê
html

The Opinion Pages | ESSAY

A Promessa Imutável da América: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo

As recentes e insistentes tentativas do Poder Executivo de esvaziar a essência da Cláusula da Cidadania desafiam o âmago do compromisso constitucional norte-americano perante o mundo.

Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados

A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.

O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original

  • A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
  • A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.

"O direito à cidadania não é uma concessão revogável ao sabor dos humores políticos de uma época; é o alicerce fundamental sobre o qual erguemos uma sociedade baseada na igualdade perante a lei e na dignidade humana básica. Modificar ou restringir essa promessa àqueles que nascem sob a nossa bandeira é desfigurar o farol de liberdade que oferecemos ao resto do mundo."

— Chief Justice John Roberts

O Pilar Jurisprudencial Centenário

  • O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
  • A Recente Confirmação Jurisprudencial: Ao rejeitar tentativas anteriores de mitigação do jus soli por maiorias expressivas, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo margem discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. A Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.
Charge Editorial sobre a 14ª Emenda e Decretos Executivos

O Peso da Canetada contra o Alicerce da Lei: Em nova ofensiva executiva, a Casa Branca tenta desgastar as garantias centenárias de cidadania por nascimento (jus soli) inscritas na 14ª Emenda da Constituição, desafiando diretamente a jurisprudência da Suprema Corte e o equilíbrio dos poderes na República.

Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos

  • Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
  • O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar fluxos migratórios na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde inconformidades administrativas de trânsito com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.

Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.

Epílogo: O Acorde Inquebrantável da Pátria-Mundo ao Som de Jobim e Sinatra

Quando a política se perde no ruído dos decretos e das cercas, é a arte que resgata a harmonia do pacto fundacional. Sob o céu de Nova York, o piano de Tom Jobim — o maestro que cruzou o Atlântico para fundir a síncope da Bossa Nova com a sofisticação do Jazz — desenha uma partitura que nenhuma canetada consegue apagar. O encontro de sua melodia com o fraseado imortal de Frank Sinatra lembra que a identidade americana não se decreta; ela se compõe na abertura ao mundo.

Use o código com cuidado. html

The Opinion Pages | ESSAY

A Inviolabilidade do Jus Soli: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo

Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados

A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.

Para compreender a gravidade do atual dissenso, cumpre resgatar a gênese e o escopo hermenêutico do preceito violado:

O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original

  • A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
  • A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.

O Pilar Jurisprudencial Centenário

  • O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território territorial gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
  • A Recente Confirmação em Trump v. Barbara (2026): Ao rejeitar o primeiro decreto presidencial por uma maioria de 6 a 3, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo admissão discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. O juiz John Roberts bem asseverou que a Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.

Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos

  • Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
  • O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar imigrantes indocumentados ou beneficiários de vistos temporários na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde delinquência administrativa migratória com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.

Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.

A Inviolabilidade do Jus Soli: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo Antonio Lavareda analisa : Chapas "puro-sangue" evidenciam divisão da direita | SbtNews "Armindo , e essa turma sempre falam coisas terríveis e eles continuam ricos." " O ponto central é que esses economistas apoiaram o governo atual no segundo turno por medo de rupturas institucionais, e não por concordarem com o plano econômico. Hoje, eles continuam apontando os erros fiscais e os riscos de inflação e juros altos do mesmo jeito." Veredito: O tribunal da existência humana é absolvido pelo próprio absurdo, e o réu — a humanidade inteira — é condenado a viver na ficção que criou para si mesma. A vida, Davi — à vera, é a vida Não é a da que vi Mas a que vivi Um chamado João - Carlos Drummond de Andrade CANTINHO DA POESIA 3 de jan. de 2022 Leitura do poema "Um chamado João", composto por Drummond em 22 de novembro de 1967, apenas três dias após a morte de Guimarães Rosa. Originalmente publicado no jornal "Correio da manhã". Brasil pode entrar em forte recessão, diz Armínio Fraga | #CentraldeNotícias SBT News Lula já está pior que a Dilma, povo está endividado e Lula enganando. Lula socou crédito fácil o povo iludido se endividando,esse é o desgoverno LULA. ⚡️A RECESSÃO DE LULA JÁ ESTÁ INSTALADA NO BRASIL. Fator Lulinha: o dia em que a PF suspeitou de negócios do filho do presidente há 11 horas Zema responde 'sim' e 'não' para questões...
"Padre Kelmon ZEMADIANO MEDIANOFar" (nome completo: Kelmon Luís da Silva Souza ZEMA) — O candidato que não governa, não prega e não perde a chance de privatizar até a água benta no debate da rodada.

A vida, Davi — à vera, é a vida
Não é a da que vi
Mas a que vivi

Passaredo Chico Buarque Ei, pintassilgo Oi, pintarroxo Melro, uirapuru Ai, chega-e-vira Engole-vento Saíra, inhambu Foge asa-branca Vai, patativa Tordo, tuju, tuim Xô, tié-sangue Xô, tié-fogo Xô, rouxinol sem fim Some, coleiro Anda, trigueiro Te esconde colibri Voa, macuco Voa, viúva Utiariti Bico calado Toma cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí Ei, quero-quero Oi, tico-tico Anum, pardal, chapim Xô, cotovia Xô, ave-fria Xô, pescador-martim Some, rolinha Anda, andorinha Te esconde, bem-te-vi Voa, bicudo Voa, sanhaço Vai, juriti Bico calado Muito cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí Composição: Chico Buarque, Francis Hime. Águas De Março Provided to YouTube by Universal Music Group Águas De Março · Antonio Carlos Jobim Matita Perê ℗ 1973 Universal Music Ltda 1 música
Águas De Março Antonio Carlos Jobim Matita Perê
html

The Opinion Pages | ESSAY

A Promessa Imutável da América: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo

As recentes e insistentes tentativas do Poder Executivo de esvaziar a essência da Cláusula da Cidadania desafiam o âmago do compromisso constitucional norte-americano perante o mundo.

Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados

A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.

O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original

  • A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
  • A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.

"O direito à cidadania não é uma concessão revogável ao sabor dos humores políticos de uma época; é o alicerce fundamental sobre o qual erguemos uma sociedade baseada na igualdade perante a lei e na dignidade humana básica. Modificar ou restringir essa promessa àqueles que nascem sob a nossa bandeira é desfigurar o farol de liberdade que oferecemos ao resto do mundo."

— Chief Justice John Roberts

O Pilar Jurisprudencial Centenário

  • O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
  • A Recente Confirmação Jurisprudencial: Ao rejeitar tentativas anteriores de mitigação do jus soli por maiorias expressivas, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo margem discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. A Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.
Charge Editorial sobre a 14ª Emenda e Decretos Executivos

O Peso da Canetada contra o Alicerce da Lei: Em nova ofensiva executiva, a Casa Branca tenta desgastar as garantias centenárias de cidadania por nascimento (jus soli) inscritas na 14ª Emenda da Constituição, desafiando diretamente a jurisprudência da Suprema Corte e o equilíbrio dos poderes na República.

Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos

  • Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
  • O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar fluxos migratórios na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde inconformidades administrativas de trânsito com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.

Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.

Epílogo: O Acorde Inquebrantável da Pátria-Mundo ao Som de Jobim e Sinatra

Quando a política se perde no ruído dos decretos e das cercas, é a arte que resgata a harmonia do pacto fundacional. Sob o céu de Nova York, o piano de Tom Jobim — o maestro que cruzou o Atlântico para fundir a síncope da Bossa Nova com a sofisticação do Jazz — desenha uma partitura que nenhuma canetada consegue apagar. O encontro de sua melodia com o fraseado imortal de Frank Sinatra lembra que a identidade americana não se decreta; ela se compõe na abertura ao mundo.

Use o código com cuidado. html

The Opinion Pages | ESSAY

A Inviolabilidade do Jus Soli: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo

Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados

A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.

Para compreender a gravidade do atual dissenso, cumpre resgatar a gênese e o escopo hermenêutico do preceito violado:

O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original

  • A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
  • A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.

O Pilar Jurisprudencial Centenário

  • O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território territorial gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
  • A Recente Confirmação em Trump v. Barbara (2026): Ao rejeitar o primeiro decreto presidencial por uma maioria de 6 a 3, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo admissão discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. O juiz John Roberts bem asseverou que a Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.

Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos

  • Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
  • O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar imigrantes indocumentados ou beneficiários de vistos temporários na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde delinquência administrativa migratória com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.

Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.