Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
terça-feira, 24 de março de 2026
O bêbado e a equilibrista
Opinião
Seriedade sob medida
Não é de hoje que presidentes da República se sentem à vontade para classificar os outros Poderes como se estivessem comentando um campeonato de várzea — “esse joga bem”, “aquele é caneludo”, “este aqui é sério”. Falta só distribuir cartões.
Ao dizer que um ministro do Supremo é “alguém sério”, o presidente não elogia apenas um — rebaixa, por tabela, os outros. É uma dessas frases que, de tão aparentemente simples, vem carregada de implicações. No mínimo, sugere que há um critério pessoal — e não institucional — para medir a seriedade da mais alta corte do país.
O presidente, que já foi beneficiado por decisões do próprio Supremo, parece esquecer que tribunais não existem para agradar governos, mas para contrariá-los quando necessário. Já os ministros, goste-se deles ou não, não são auxiliares do Executivo — nem personagens de confiança ou desconfiança presidencial.
Desde Montesquieu, convencionou-se que os Poderes devem ser independentes e, se possível, até desconfiados entre si. Quando um chefe de Estado passa a emitir juízo de valor sobre a “seriedade” de juízes, o problema não é exatamente quem ele elogia ou critica — é o fato de achar que essa avaliação lhe cabe.
No fim, a frase diz menos sobre os ministros do Supremo e mais sobre a tentação, sempre presente em Brasília, de tratar instituições como extensões de afinidades pessoais. E isso, convenhamos, nunca foi um bom sinal — nem para a política, nem para a República.
O Bêbado e a Equilibrista
João Bosco
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança dança
Na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
Composição: João Bosco, Aldir Blanc, John Turner,
João Bosco
João Bosco (João Bosco de Freitas Mucci, nascido em 13 de julho de 1946, em Ponte Nova, Minas Gerais) é um cantor, compositor e violonista brasileiro, reconhecido como um dos mestres da música popular brasileira (MPB). Sua obra combina sofisticação harmônica, lirismo poético e influências do samba, jazz, bossa nova e ritmos afro-brasileiros.
Principais fatos
Nascimento: 13 de julho de 1946, Ponte Nova (MG)
Parceiros marcantes: Aldir Blanc, Vinicius de Moraes, Chico Buarque
Canções icônicas: “O bêbado e a equilibrista”, “O mestre-sala dos mares”, “Papel machê”
Prêmio de excelência: Grammy Latino pelo conjunto da obra (2017)
Álbum recente: Boca cheia de frutas (2024)【turn0search4】【turn0search6】【turn0search7】
Trajetória e estilo
Formado em engenharia, Bosco iniciou-se na música em Ouro Preto nos anos 1960, onde conheceu Vinicius de Moraes, seu primeiro parceiro. A partir de 1970, consolidou com Aldir Blanc uma das mais fecundas duplas da MPB. Suas composições ganharam projeção com gravações de Elis Regina, como “Bala com bala” e “O bêbado e a equilibrista”, esta última símbolo da anistia política no Brasil. Seu estilo de violão alia ritmo percussivo e harmonia complexa, criando uma linguagem singular que dialoga com o jazz e o samba【turn0search6】【turn0search2】.
Legado e colaborações
Ao longo de mais de cinquenta anos de carreira, João Bosco gravou mais de vinte álbuns e colaborou com nomes como Milton Nascimento, Caetano Veloso e Djavan. Trabalhou intensamente com o filho Francisco Bosco e foi homenageado em 2024 pela Universidade Estadual de Campinas, que destacou seu papel como símbolo da diversidade musical brasileira【turn0search4】.
Produção recente
O disco Boca cheia de frutas (2024) reafirma a vitalidade criativa do artista, com parcerias com Francisco Bosco, Aldir Blanc e Roque Ferreira. A obra mescla novas composições e reinterpretações de clássicos de Milton Nascimento e Chico Buarque, reforçando sua busca constante por inovação dentro da tradição da MPB【turn0search6】.
segunda-feira, 23 de março de 2026
Quem é essa navegante
Incompatibilidade de Gênios
João Bosco
Doutor, jogava o Flamengo, eu queria escutar
Chegou, mudou de estação, começou a cantar
Tem mais um cisco no olho, ela em vez de assoprar
Sem dó falou que por ela eu podia cegar
Se eu dou um pulo, um pulinho, um instantinho no bar
Bastou, durante dez noites me faz jejuar
Levou as minhas cuecas pro bruxo rezar
Coou meu café na calça pra me segurar
Se eu tô, ai, se eu tô
Devendo um dinheiro e veio um me cobrar
E vem um me cobrar
Doutor, ai, doutor
A peste abre a porta e ainda manda sentar
Ainda manda sentar
Depois, se eu mudo de emprego que é pra melhorar
Vê só, convida a mãe dela pra ir morar lá
Doutor, ai, doutor
Se eu peço feijão
Ela deixa salgar
Calor, mas veste casaco pra me atazanar
Que é pra me atazanar
E ontem, sonhando comigo mandou eu jogar
E mandou eu jogar
No burro e deu na cabeça a centena e milhar
Quero me separar
Composição: João Bosco, Aldir Blanc.
La barca
Roberto Cantoral
Navegar é preciso - Lula Pena (Os argonautas, de Caetano Veloso )
"👆 Quem é essa navegante virtuosa de 2022, de quem anunciam o desembarque em 2026, no sexagésimo ano do barco de Ramez Tebet, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela? Aquele menestrel navegante e os demais não temeram o naufrágio por precisão, nem a fortuna do mar. Trágico ter que concordar com Nunes: Baleia embarcará nessa canoa furada?"
O barco
Meu coração não agüenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia
O marco
Meu coração
O porto
Não
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso
O barco
Noite no teu tão bonito
Sorriso solto, perdido
Horizonte e madrugada
O riso
O arco
Da madrugada
O porto
Nada
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso
O barco
O automóvel brilhante
O trilho solto, barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue
O charco
Barulho lento
O porto
Silêncio
Navegar é preciso
Viver
Não é preciso.
El barco. Mi corazón no aguanta tanta tormenta, tanta alegría. Mi corazón no se contenta. El día, el límite. Mi corazón. El puerto. No. Navegar es necesario, vivir no es necesario. El barco. La noche en tu sonrisa tan hermosa, solitaria, perdida, perdida madrugada y horizonte. La risa, el arco de la madrugada. El puerto, nada. El barco: el automóvil brillante. El camino abandonado, ruido de mi diente en tu vena. La sangre, el charco. Ruido lento. El puerto. Silencio. Navegar es necesario; vivir, vivir no es necesario.
Xálima
3 de jun. de 2012
segunda-feira, 23 de março de 2026
MDB, 60 anos: nem Ulysses e Tancredo uniram o partido, por César Felício
Valor Econômico
Partido não deve apoiar ninguém para presidente este ano, mas sem o clima de guerra do passado
Mais à direita do que já esteve na maior parte da sua história, muito menor do que já foi no passado, o MDB completa 60 anos nesta terça-feira mantendo uma singularidade: é o partido onde instâncias regionais, estatutariamente, têm mais poder perante a cúpula da sigla.
Esta particularidade está cobrando seu preço agora, em meio às articulações de palanque que ocorrem junto com a janela partidária. Em dois Estados do Nordeste, Paraíba e Piauí, é provável que o partido simplesmente deixe de lançar candidato a deputado federal.
A formação de uma bancada robusta na Câmara dos Deputados é fundamental para qualquer partido conseguir uma fatia mais relevante do fundo partidário. Mas o MDB, ainda hoje, continua podendo ser chamado de “federação de caciques regionais”. No Piauí, a prioridade da sigla é o acordo com o PSD para a reeleição do senador Marcelo de Castro. Na Paraíba, o partido joga mais alto, e quer eleger o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena para governador, e reeleger o senador Veneziano Vital do Rego. Abrir mão na nominata proporcional ajuda na composição.
O estatuto do MDB afasta a característica cartorial de outros partidos, em que a direção nacional exerce enorme poder. Não há, por exemplo, poder de veto sobre as decisões locais. Não se pode tirar a seção local de uma liderança e entregá-la a outra, porteira fechada. A norma, se dá organicidade e democracia interna, tira coesão e dificulta um projeto de poder. Desde a redemocratização o partido perdeu protagonismo nas disputas presidenciais. E a partir do governo Temer (2016-2018) perdeu protagonismo parlamentar. Foi-se o tempo em que a sigla presidia Câmara e Senado.
Na eleição presidencial desse ano o MDB deve, pela terceira vez, não indicar um candidato a presidente, liberando as direções estaduais para os arranjos mais convenientes. Tudo indica que será uma decisão muito mais pacífica do que as tomadas em 1998 e 2006, quando o partido fez o mesmo. As divisões subsistem no MDB. O que não há mais é o clima de guerra, a convicção de se estar decidindo o destino nacional com a decisão partidária.
A falta de unidade plena se manifestou desde o início. Esta coluna teve acesso às atas de todas as 12 convenções nacionais realizadas pela sigla para escolher o rumo na eleição presidencial desde 1973.
Na primeira delas, há 53 anos, o Brasil era presidido por Emílio Médici e a eleição indireta era apenas um simulacro para legitimar uma sucessão dentro das Forças Armadas, para a qual já estava escolhido Ernesto Geisel. O MDB decidiu jogar este jogo porque percebeu uma brecha: apesar de se viver em uma ditadura, o “candidato” na eleição indireta teria direito a tempo em rádio e televisão para campanha.
O presidente da sigla, Ulysses Guimarães, se lançou, mas não sem resistência da chamada “ala autêntica” do partido, que queria boicotar a eleição indireta em protesto. Durante a convenção, para diminuir as resistências, aceitou aprovar uma moção que condicionava a candidatura à manutenção do direito de se usar a mídia. Havia a desconfiança de que o regime militar, a qualquer momento, retirasse esse direito. Ainda assim, a decisão não foi unânime: Ulysses teve 201 votos e 42 foram em branco e nulos.
Na convenção seguinte, em 1978, o partido realmente achava que tinha chance de cavar dissidências entre os apoiadores do regime militar e ganhar a eleição indireta. Escolheu como candidato um general, Euler Bentes. A resistência da vez não veio dos autênticos, mas do MDB do Rio de Janeiro, que tinha um acordo com o regime para indicar Chagas Freitas como governador do Estado. Euler teve 352 votos e 132 foram em branco e nulos.
Tancredo teve em 1984 uma votação acachapante (656 votos em 721 possíveis), mas ensaiou-se um boicote em relação ao vice, José Sarney, que recebeu 113 votos a menos. A ala esquerda da sigla resistia a compor a chapa com um antigo apoiador do regime.
O MDB (à época PMDB) provavelmente foi o único partido do Brasil a chegar a uma convenção presidencial — a de 1989 — com quatro candidatos, para serem escolhidos em dois turnos de votação: Ulysses Guimarães, Waldir Pires, Iris Rezende e Alvaro Dias. Ulysses tornou-se candidato depois de obter apenas 302 votos em 897 possíveis. Seu adversário no segundo turno, Waldir Pires, que obteve 272, desistiu da disputa para se tornar vice na chapa que terminou em sétimo lugar naquelas eleições.
Na eleição de 1994, a convenção apenas homologou por aclamação o resultado da prévia partidária em que Orestes Quércia teve 81% dos votos e derrotou Roberto Requião. Quércia ganhou, mas não levou o apoio do partido, aquela ocasião ainda imenso. A maior parte das lideranças regionais apoiou de forma tácita a eleição do tucano Fernando Henrique Cardoso.
A disputa na convenção de 1998 foi a mais tumultuada da história do partido, com direito a intervenção policial para garantir que o ex-presidente Itamar Franco, que pretendia ser candidato, pudesse concluir seu discurso. A ala governista tratorou o presidente da sigla, Paes de Andrade, e por 389 votos a 303 impediu o lançamento de candidatura própria, pela primeira vez na história da sigla.
1998 foi um divisor de águas: a partir daquele momento o MDB deixou na prática de disputar poder para buscar ser “fiador de governabilidade”, o que é muito diferente de ser aliado.
Nas últimas décadas o partido uniu-se primeiro ao PSDB e depois ao PT. Em 2018 e 2022 lançou candidatura própria, para negociar governabilidade depois das eleições. É bolsonarista em São Paulo e lulista na Bahia. Sem ter como enfrentar a polarização nacional, tenta resistir regionalmente.
PSB confirma filiação de Simone Tebet para disputar Senado após quase 30 anos no MDB
O partido afirmou que recebe a ministra com "entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica".
Por Bruna Barboza — São Paulo
21/03/2026 14h33 Atualizado há 2 dias
Facebook
Twitter
Whatsapp
Linkedin
Ministra do Planejamento, Simone Tebet
Ministra do Planejamento, Simone Tebet — Foto: Ton Molina/Fotoarena/Agência O Globo
Capa do audio - As Notícias Mais Recentes da CBN
PSB confirma filiação de Simone Tebet para disputar Senado após quase 30 anos no MDB
0 seconds of 0 secondsVolume 45%
00:00
00:00
O PSB confirmou neste sábado a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, em São Paulo. A mudança marca a saída dela do MDB após quase 30 anos no partido. Tebet vai disputar uma das vagas ao Senado nas eleições.
Em nota à imprensa, o PSB afirmou que recebe a ministra com "entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica".
A CBN apurou que a filiação está prevista para a próxima sexta-feira, em cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo. O evento deve contar com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, ambos do PSB.
Play Video
Pelo MDB, Tebet foi senadora e também candidata à Presidência da República em 2022.
A saída da ministra provocou reação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que lamentou a decisão e afirmou que Tebet mudou de partido somente para atender a um pedido do presidente Lula.
"O que ela está fazendo? Ela está abandonando o povo que o tempo inteiro a acolheu. O que eu acho mais grave disso é ela virar as costas para o partido que sempre a apoiou. Inclusive, eu a apoiei. E tudo isso por conta de um capricho, de uma estratégia política do presidente Lula. Eu acho que ela é muito grande para se submeter a um capricho do presidente Lula. É a minha opinião. Eu respeito, mas eu jamais imaginei da Simone Tebet, uma pessoa com tanta envergadura, se submeter a ser marionete de Lula no nosso estado."
Nunes também rebateu uma declaração do pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, de que Tebet teria mais ligação com o estado do que o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. O prefeito destacou que a ministra nasceu no Mato Grosso do Sul, enquanto Tarcísio é natural do Rio de Janeiro.
O prefeito afirmou, ainda, que deseja integrar a equipe que vai coordenar a campanha à reeleição de Tarcísio em São Paulo. Nos bastidores, a expectativa é de que Nunes apoie a articulação política junto a prefeitos da região metropolitana.
blue in green chet baker
"👆 Quem é essa navegante virtuosa de 2022, de quem anunciam o desembarque em 2026, no sexagésimo ano do barco de Ramez Tebet, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela? Aquele menestrel navegante e os demais não temeram o naufrágio por precisão, nem a fortuna do mar. Trágico ter que concordar com Nunes: Baleia embarcará nessa canoa furada?"
Resumo dos Pontos Históricos
Menestrel Navegante: Ótima referência a Teotônio Vilela, o "Menestrel das Alagoas".
Desembarque: Termo político preciso para a saída de um governo.
Nunes e Baleia: Refere-se a Ricardo Nunes e Baleia Rossi, figuras centrais na atual encruzilhada do MDB em São Paulo e no Brasil.
Globoplay
Globoplay
+2
Deseja que eu reescreva o texto em um tom mais formal ou prefere manter essa linguagem metafórica para uma análise política?
undefined
undefined
undefined
6 sites
O União Brasil decidiu formalizar o desembarque do governo Lula
18 de set. de 2025 — Jornal da Globo. O União Brasil decidiu formalizar o desembarque do governo Lula.
Globoplay
Significado de sexagenário no Dicionário Estraviz
sexagenário. adj. e s. Que, ou aquele que tem sessenta anos de idade.
Dicionário Estraviz
Sexagenários - Dicio, Dicionário Online de Português
Significado de sexagenário Que ou aquele que tem sessenta anos.
Dicio
Mostrar tudo
Navegante Tremembé
(ultima atualização em maio/2025)
Itarema, CE, 1960
Vive e trabalha em Itarema, CE
Representada pela Cave Galeria
Participante do Prêmio PIPA 2025
Navegante é mulher indígena tremembé 60+, da aldeia Varjota, de Itarema, que há quase 40 anos retrata a sua cultura por meio de pinturas com o Toá, que é um pigmento natural extraído do solo do mangue, com cores produzidas por camadas geológicas formadas há milhões de anos na Terra. Esses pigmentos carregam consigo não apenas a materialidade da terra, mas também a conexão espiritual com o território e a memória do povo Tremembé. Em suas pinturas, vemos paisagens ancestrais onde diferentes seres vivos co-habitam o plano em um forte estado de harmonia, fazendo com que seus trabalhos se tornem arquivos e patrimônios da Terra. Navegante é uma guardiã dos saberes ancestrais de seu povo. A artista é profundamente comprometida em transmitir esse conhecimento às futuras gerações, trabalhando com jovens nas escolas indígenas.
Site: www.instagram.com/navegante.tremembe
Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2025:
Trabalhos
Biografia
Textos Críticos
Clipping
Texto do Artista
domingo, 22 de março de 2026
O LINCE — porque ver é mais do que olhar.
Maria Lúcia Godoy - QUEM SABE - Carlos Gomes e F.L. Bittencourt Sampaio
luciano hortencio
🦅 O LINCE — Edição Especial (com referências e locações)
Tão longe, tão perto — sob o olho de lince
por Olho de Lince
Opinião Estadão
@opiniao_estadao
#EspaçoAberto | Luiz Sérgio Henriques
O ‘hegemon’ que não sabe recuar - Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/o-hegemon-que-nao-sabe-recuar/
📸Julia Demaree Nikhinson/AP
7:00 AM · 22 de mar de 2026
·
Chico Buarque - Sabiá (1968)
Composição de Tom Jobim (música) e Chico Buarque (letra), de 1968, ganhadora do III Festival Internacional da Canção. Versão de compacto de Chico, também de 1968, lançado pela RGE.
Na reportagem, a Economist destaca que a guerra está minando três das principais armas de Trump em seu governo: "sua capacidade de impor sua própria realidade ao mundo, seu uso implacável de influência e seu domínio sobre o Partido Republicano".
Também diz que o regime iraniano está tendo sucesso em sua estratégia de prolongar o confronto e pressionar a indústria energética global com o bloqueio do Estreito de Ormuz, que levou o preço do petróleo a chegar aos US$ 110 por barril.
"O presidente demonstrou uma notável capacidade de distorcer os fatos e, certamente, insiste que já triunfou no Irã. Contudo, a guerra revela uma verdade própria. (...) O tempo está a favor do Irã", ressalta o texto.
Para a revista, uma guerra prolongada deve prejudicar também as eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão em novembro, para o Partido Republicano, o do presidente americano.
domingo, 22 de março de 2026
O ‘hegemon’ que não sabe recuar, por Luiz Sérgio Henriques
O Estado de S. Paulo
Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora
Um hegemon vingativo, destruidor de instituições que ele próprio ajudou a inspirar, a começar pela ONU e sua Carta de Direitos, está em evidente curso de dissolução da própria hegemonia. Conceito complexo este último. Nutre-se não só do poderio industrial ou militar, mas também, e amplamente, da capacidade de direção política e intelectual – de soft power, em suma. Essa é uma lição secular, anterior a qualquer formulação gramsciana. Já o centauro maquiaveliano, educador de políticos, alertava contra o uso exclusivo da violência. Se o príncipe só mobiliza as qualidades do leão e menospreza as manhas da raposa, ele incute medo nos lobos e termina preso numa armadilha.
Político talhado para o conflito, Donald Trump é causa e efeito de uma gigantesca destruição não criadora. Seu ato inaugural foi a deflagração de uma guerra comercial global, com o cancelamento dos mecanismos de regulação das disputas entre nações. Politicamente, os Estados Unidos de Trump passaram a ser um país que tensiona alianças de longa data, obcecado pelo interesse de se tornar “grande de novo”. Ao menos na retórica, agora seria o momento de se fechar num esplêndido isolamento, longe das tentações intervencionistas tanto dos adversários democratas quanto dos republicanos de feição neoconservadora.
A ilusão não durou muito. De fato, o que se fez foi reorientar a presença norte-americana num mundo concebido como luta de soberanias sem qualquer limitação. A nova direita, como sabemos, diz-se “soberanista” por toda parte, mesmo quando se afirma em países com pouco poder relativo, aos quais cabe ficar à sombra daqueles que são verdadeiramente fortes. Estabelecidas as respectivas áreas de influência, as potências com vocação imperial se entendem entre si e cuidam de submeter os demais. Torna-se mais fácil a convergência de Trump com Putin do que com Zelenski. E é natural que Netanyahu, apoiado na supremacia dos Estados Unidos, ignore os direitos dos palestinos assegurados em inúmeras resoluções da ONU. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Um hegemon suicida abdica de qualquer pensamento estratégico. Compreende-se a crítica trumpista de sucessivas intervenções levadas a efeito sob o lema do regime change, a troca de governos considerados internamente despóticos e externamente desestabilizadores. Um exemplo particularmente trágico foi a destruição do Estado iraquiano por obra dos neoconservadores de George W. Bush. A boa intenção – uma destas de que o inferno está repleto – consistia em “impor a democracia” de cima para baixo, sem examinar suas condições de possibilidade na própria sociedade civil.
Agora, no entanto, não se pode mais supor nenhum vestígio de boa intenção. O caso venezuelano, perigosamente perto de nós, expôs a nova tática de “extração” do governante e quase simultânea convivência com a estrutura autocrática de que ele era só a expressão imediata. Antes da operação tecnicamente bem-sucedida, houve toda uma ilegal operação de asfixia sob o pretexto da guerra ao narcoterrorismo, na novilíngua da política trumpista. Uma armada poderosa passou semanas a destruir barcos em águas internacionais, servindo-nos naufrágios e mortes como videogame – essa insuportável pat ol ogi a contemporânea. E o dirigente sequestrado, símbolo político de um penoso “socialismo do século 21”, dificilmente terá tido papel destacado no tráfico propriamente dito.
Vingança – e também interesses energéticos – são os móveis do hegemon em declínio. Tomado pelo “sucesso” do paradigma venezuelano, Trump logo determinaria alvos de valor simbólico até maior, a saber, Irã e Cuba. A metodologia é a mesma, a expectativa é a “rendição incondicional”. Não muda a determinação de levar as duas situações ao ponto extremo da crise humanitária, como se a teocracia iraniana, num caso, e o stalinismo tardio, no outro, justificassem ou requeressem o castigo coletivo a que as populações civis estão sendo submetidas. Em contraposição gritante, basta mencionar as políticas do ex-presidente Obama há cerca de dez anos, participando de um acordo nuclear multilateral com o Irã e promovendo o reatamento de relações com Cuba.
O hegemon já então não dirigia unilateralmente os acontecimentos nem tinha os recursos de poder que antes o credenciavam como protagonista indiscutido. Estava a pleno vapor uma nova “fábrica do mundo”, de superestrutura política autocrática, começando a projetar poder pela rota do comércio, dos investimentos e de uma versão particular de poder suave. Em tese, porém, com dirigentes formados na tradição anterior teria sido possível levar a termo uma retirada ordenada. Na guerra, como na política, tal movimento tem valor comparável ao de uma ofensiva, especialmente quando reforçado pela dimensão democrática própria das sociedades abertas – uma dimensão que as tornou até hoje singularmente atraentes.
Seja como for, trata-se de uma especulação, razoável embora. Menos especulativo será afirmar que, se recorrer apenas à violência, mesmo um grande país fatalmente cairá em armadilha que, por natureza, leões não percebem.
Música | Sidney Miller - Botequim Nº1
Tão longe, tão perto, duração da guerra do Irã pode decidir eleições no Brasil
Publicado em 22/03/2026 - 10:50 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Governo, Imposto, Irã, Itamaraty, Memória, Partidos, Política, Política, Segurança, Transportes, Violência
A Operação Fúria Épica parece distante de um fim próximo, embora concebida para durar poucos dias. O nó górdio da guerra é o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Irã
Neste ano eleitoral, há três fatores imponderáveis para os humores da sociedade: o desfecho do escândalo do Banco Master, em relação à credibilidade das instituições; a prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro, com suas recorrentes internações por problemas de saúde; e a guerra do Irã, com forte impacto no preço dos combustíveis e, consequentemente, na inflação. O primeiro favorece uma candidatura outsider, o segundo a do senador Flávio Bolsonaro e, o terceiro, qualquer um dos dois ou um candidato de “terceira via”. Ou seja, para se reeleger, o presidente Luís Inácio Lula da Silva precisa ficar esperto, o tempo fechou.
Desses fatores, a guerra do Irã é aquela que está completamente fora do alcance da política brasileira. Embora traga a política externa para o debate interno, devido às relações do governo brasileiro com o regime dos aiatolás, o contencioso com Israel e as fricções entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma “externalidade negativa” que precisa ser mitigada.
Entretanto, o Itamaraty não pode influenciar o destino da guerra e seu impacto na economia depende da duração do conflito. Hoje, esse é o fator mais crítico para a economia global, sobretudo devidos à escala dos danos permanentes causados à infraestrutura da região. Historicamente, o preço do petróleo acompanha as crises do Oriente Médio.
Leia também: Trump diz que EUA ‘aniquilarão’ usinas nucleares do Irã
A Guerra do Yom Kippur (1973), que durou três semanas, foi a causa do primeiro “Choque de Petróleo”. Em retaliação ao apoio a Israel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), fundada em 1960, um cartel inicialmente formado por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela, quadruplicou o preço do petróleo, que saltou de 3 para 12 dólares o barril. Aqui no Brasil, isso provocou o fim do “milagre econômico” no governo Geisel e a derrota eleitoral dos militares em 1974.
Outras guerras causaram elevação do preço do petróleo e grande instabilidade nos mercados. A tomada do poder pelos aiatolás no Irã e a subsequente guerra com o Iraque (1980–1988) foram responsáveis pelo segundo Choque do Petróleo, em 1982, e a Crise da Dívida dos países em desenvolvimento. A alta nos preços do combustível e a elevação dos juros americanos foram o estopim da hiperinflação no Brasil, só superada com o Plano Real, em 1994.
Em 1991, a Guerra do Golfo (invasão do Kuwait pelo Iraque) durou sete meses e provocou forte alta do petróleo, somente contida pela intervenção dos Estados Unidos e o uso de reservas estratégicas de combustível. Nova crise no mercado se deu com a Guerra do Iraque, em 2003, com a invasão do país pelos Estados Unidos, sob o falso pretexto de que Sadam Hussein estaria produzindo armas químicas de extermínio em massa. Seis semanas de ocupação não confirmaram a acusação e desestabilizaram o país até hoje. Na época, os preços chegaram a 40 dólares o barril de petróleo.
Nacionalismo
Nessa guerra do Irã, ataques a refinarias no Kuwait e Arábia Saudita fizeram o petróleo Brent disparar mais de 6% em um único dia. Dependendo da escala, o barril pode atingir os US$ 200. Depois de realizar cerca de oito mil voos sobre o território iraniano, atingir cerca de 7 mil a 7,8 mil alvos no país e matar o líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, e parcela considerável da cúpula do regime, os Estados Unidos ainda parecem longe de atingir os objetivos anunciados no início das hostilidades.
A guerra provoca a maior disrupção de oferta de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), com a cotação do barril atingindo quase US$ 120 esta semana, além de causar pressão inflacionária global e abalo de cadeias produtivas. O preço do petróleo na sexta-feira (20), estava a US$ 113,10 (R$ 590,04), alta de 4,05% na comparação com o dia anterior.
O mercado trabalha com três cenários: choque temporário, barril a US$ 73,1, com menor impacto na inflação; choque persistente, com preço médio do barril em US$ 82; e choque disruptivo: preço médio do barril acima de US$ 100, com aumento significativo da inflação global e do valor dos combustíveis.
Iniciada em 28 de fevereiro, a Operação Fúria Épica parece distante de um fim próximo, embora tenha sido concebida para durar poucos dias. O nó górdio da guerra é o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Irã, por onde circulam 20% da produção mundial, e a estratégia de escalada e guerra assimétrica agora adotada pelo regime dos aiatolás.
Leia mais: Armadilha de Escalada, guerra no Irã pode sair de controle
No Brasil, o presidente Lula zerou o PIS-Pasep sobre combustíveis e pressiona governadores pela redução do ICMS, mas os efeitos ainda não chegaram às bombas. A crise reacendeu o debate entre privatização e estatização, considerado superado pelo mercado. Em visita à Refinaria Gabriel Passos (Regap), entre Betim e Ibirité (MG), em Minas, Lula disse que “a Petrobras voltou a ser a empresa mais rentável do país”, e anunciou a recompra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.
Lula criticou também a privatização da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), com o argumento de que sua venda reduziu a capacidade de regulação de preços. Ao que tudo indica, pretende politizar a crise e resgatar uma velha bandeira de defesa da Petrobras: “o petróleo é nosso”. Em 2006, deu certo contra o então candidato tucano Geraldo Alckmin, hoje no PSB e seu vice-presidente.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
Compartilhe:
Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela)
#Guerra. #Petróleo, #inflação, #Irã, #Trump, Lula
Olho de Lince (part. Waly Salomão)
Jards Macalé
Quem fala que sou esquisito, hermético
É porque não dou sopa, estou sempre elétrico
Nada que se aproxima, nada me estranha
Fulano, sicrano e beltrano
Seja pedra, seja planta, seja bicho, seja humano
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
Experimento tudo, nunca me iludo
Quero crer no que vem por aí, beco escuro
Me iludo
Passado, presente, futuro
Reviro na palma da mão o dado
Presente, futuro, passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
Fósforo que acende o fogo
De minha mais alta razão
Na sequência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
Experimento, invento, luto, nunca, jamais me iludo
Quero crer no que vem por aí, beco escuro
Iludo
Passado, presente, futuro
Viro balanço
Reviro na palma da mão o dado
Futuro, presente, passado
Tudo sentir
Total é a chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo
De minha mais alta razão
E na sequência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão
Composição: Waly Salomao, Jards Macale.
📍 [Imagem principal da crônica — inserida no topo da matéria]
Link: https://example.com/imagem-hegemon-sombra.jpg
Não confio em sombras. Aprendi cedo que elas não apenas escondem — elas inventam formas. Por isso, quando vi o homem de boné erguido ao vento, com seu pássaro estampado como quem carrega o céu na cabeça, não me detive na pose. Abri a janela, liguei a tomada, fiz o que manda o instinto de quem observa: procurei o que não se mostrava.
Diziam ser ele o hegemon, senhor das distâncias, aquele que decide de longe o que acontece perto. Mas havia uma rachadura. Fina no começo, quase discreta, depois alargando-se como conta malfeita. E eu, com meu olho de lince, desconfiei: nenhuma soma fecha quando o mundo entra como variável.
A guerra, lá do outro lado do mapa, parecia apenas mais um ruído. Porém, bastou girar o dado — passado, presente, futuro — para entender o cálculo escondido. Um estreito bloqueado, navios parados, petróleo em ascensão. Some-se isso ao tempo, multiplique-se pelo medo e o resultado aparece onde ninguém esperava: no preço da gasolina, no pão, na escolha do voto.
Fiz as contas na palma da mão, como ensinava a vida:
longe ÷ tempo = perto
guerra × mercado = inflação
inflação + incerteza = mudança
Ele, lá no alto de sua imagem, ainda sustentava o olhar firme. Talvez visse o horizonte. Talvez não visse a sombra que lhe cortava a visão. Porque há coisas que não se alcançam com altura, mas com atenção.
Eu experimento tudo, invento, duvido. Nunca me iludo — ou me iludo sabendo. E é assim que sigo: abrindo portas, encarando becos escuros, sentindo o mundo de todas as maneiras. Porque o real não se entrega inteiro a quem apenas manda; ele se revela a quem observa.
No fim, entendi: o poder quer prever, mas é o detalhe que decide. E enquanto alguns governam de olhos semicerrados, outros aprendem a ver no escuro.
— Olho de Lince
🖼️ Retrato da edição (coluna lateral)
📍 [Imagem da artista — posicionada à direita da seção musical]
Link: https://example.com/imagem-evinha.jpg
🎶 Bônus da Saideira: o rouxinol feminino da MPB
Hoje, o Lince fecha sua edição com a voz de Evinha, do Trio Esperança.
A canção Menino de Braçanã nos leva a outro tipo de travessia: não a geopolítica, mas a da infância, do medo e da fé.
📍 [Letra completa da canção]
Link: https://www.letras.mus.br/evinha/menino-de-bracana/
📍 [Vídeo da canção]
Link: https://www.youtube.com/watch?v=example
Nela, um menino caminha na escuridão, dividido entre:
o temor do castigo
o receio do desconhecido
e a confiança em algo maior
👉 Assim como na crônica, há um “beco escuro”.
Mas aqui, a resposta não está no cálculo — está na crença:
quem anda com fé não teme a escuridão
Se, na política, o mundo se resolve em variáveis incertas,
na canção, resolve-se no íntimo:
no coração que insiste em seguir.
🐾 Nota de Rodapé (Epitáfio do Lince)
O pássaro no boné voa alto.
O lince enxerga no escuro.
Um domina as alturas.
O outro, as sombras.
Entre voo e visão,
fica a dúvida que move o mundo.
🗺️ Guia de Locações na Página
📰 Topo da página: imagem do hegemon com sombra
🖊️ Corpo central: crônica “Tão longe, tão perto”
🎶 Coluna lateral direita: imagem de Evinha + seção musical
🔗 Rodapé da seção musical: links (letra + vídeo)
🐾 Rodapé final: epitáfio do Lince
O LINCE — porque ver é mais do que olhar.
Como era diferente acompanhar um Oscar na década de 1970 -
Estadão
Cultura
Colunas
EXCLUSIVO
Ignácio de Loyola Brandão
Coluna quinzenal do escritor Ignácio de Loyola Brandão com crônicas e memórias
Opinião
Como era diferente acompanhar um Oscar na década de 1970
Assim que a transmissão – precária diante da tecnologia de hoje – se iniciava, ‘nossa rede’ entrava no ar: três telefones se fechavam em circuito
Foto do autor Ignácio de Loyola Brandão
Por Ignácio de Loyola Brandão
22/03/2026 | 00h00
"Com Donald Trump, a América perdeu o humor, a revolta, o cinismo, a ironia, a raiva? Não digo isso porque nada ganhamos. Alguém acaso acreditava que Hollywood desse dois prêmios seguidos em tão curto espaço de tempo? Vá, vá, vá! - como diria minha avó Branca.
Nos anos 1960, pedi um visto para os States e me foi negado com o argumento de que eu, ao lado de Armindo Blanco e Jean-Claude Bernardet éramos contra o cinema americano. Eu, um nada, contra o poder dos estúdios? Vá, vá, vá.
Ignácio de Loyola Brandão
Vá, vá, vá
É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DE 'ZERO' E 'NÃO VERÁS PAÍS NENHUM'"
Vá, vá, vá (ou K, K, K?) — crônica sob o olho de lince
por Olho de Lince
Há vozes que nos empurram para o mundo. Outras, nos empurram para dentro dele.
Na lembrança do cronista, ecoa o “vá, vá, vá” de avó Branca — não como ordem dura, mas como impulso inaugural. Um sopro de coragem diante do desconhecido. Vá. Siga. Atravesse. Como se viver fosse sempre esse gesto de sair, mesmo sem saber exatamente para onde.
Mas o mundo — ah, o mundo — responde com outro som.
K.
K de impasse.
K de enigma.
K de labirinto.
Como nos universos de Franz Kafka, onde avançar não significa chegar, e toda porta aberta conduz a outro corredor, e não à saída. O personagem caminha, mas não alcança; fala, mas não é ouvido; existe, mas não se reconhece no próprio reflexo.
Entre o “vá” e o “K” instala-se o drama.
Na crônica do jornal, o neto observa o mundo em suas dobras: política, cultura, memória. Fala de um tempo em que as histórias eram contadas em circuito, quase sussurradas entre vozes conhecidas. E lembra — talvez sem dizer — que o impulso primeiro vinha de alguém simples, de dentro de casa, não dos grandes centros de poder.
Já sob o olho de lince, o cenário se amplia. O hegemon ergue-se, o mundo se arma, a guerra se desloca em mapas e mercados. Tudo parece mensurável, como se a realidade pudesse ser resolvida em equações. Mas eis o ponto cego: o cálculo não prevê o absurdo.
E o absurdo é K.
Faz-se a conta:
longe ÷ tempo = perto
guerra × mercado = inflação
Mas onde entra o desvio? Onde se insere o erro que não cabe na fórmula?
Talvez esteja no instante em que alguém diz “vá” e o mundo responde “K”.
Talvez esteja na diferença entre o impulso humano e a engrenagem impessoal.
Talvez esteja na própria linguagem, que promete clareza e entrega ambiguidade.
O lince observa.
Vê o líder que olha longe, mas não enxerga a rachadura.
Vê o cronista que escreve, mas também hesita.
Vê o menino que parte, mesmo com medo do escuro.
E entende: viver é oscilar entre comando e confusão.
O “vá” é linha reta.
O “K” é curva, desvio, atraso.
Mas sem o “vá”, não há movimento.
E sem o “K”, não há consciência.
No fim, talvez a sabedoria não esteja em escolher entre um e outro, mas em sustentar ambos: avançar mesmo sem compreender, e compreender que jamais se avançará por completo.
Vá, então.
Ainda que o mundo responda em K.
— Olho de Lince
sábado, 21 de março de 2026
Ouçam-nos
Daniele Trucco - Amor che ne la mente mi ragiona (feat. Serena Moine) - Testo di Dante Alighieri
"Tradução de “Amor, che ne la mente mi ragiona”
(de Dante Alighieri)
O Amor, que em minha mente discorre sobre minha dama com tanto desejo, move frequentemente em mim coisas sobre ela que o entendimento não consegue alcançar.
O seu falar soa tão docemente que a alma que escuta e o percebe diz: “Ah, infeliz de mim! eu não sou capaz de dizer o que ouço da minha dama!”
E certamente me convém deixar de lado, antes, se quero tratar daquilo que dela escuto, aquilo que o intelecto não compreende; e, mesmo do que se entende, grande parte deixo, pois não saberia dizê-lo.
Portanto, se meus versos tiverem falha naquilo que o intelecto não alcança, e mesmo naquilo que se entende, em grande parte, porque não sei expressar, não é de admirar: pois, se eu pudesse, falaria tão docemente que faria todo entendimento chorar de amor.
“Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.” — (LUCAS, 16.29)
1 A resposta de Abraão ao rico da parábola ainda é ensinamento de todos os dias, no caminho comum.
2 Inúmeras pessoas se aproximam das fontes de revelação espiritual, entretanto, não conseguem a libertação dos laços egoísticos de modo que vejam e ouçam, qual lhes convém aos interesses essenciais.
3 Há precisamente um século, n estabeleceu-se intercâmbio mais intenso entre os dois Planos, na grande movimentação do Cristianismo redivivo; contudo, há aprendizes que contemplam o céu, angustiados tão só porque nunca receberam a mensagem direta de um pai ou de um filho na experiência humana. 4 Alguns chegam ao disparate de se desviarem da senda alegando tais motivos. Para esses, o fenômeno e a revelação no Espiritismo evangélico são simples conjunto de inverdades, porque nada obtiveram de parentes mortos, em consecutivos anos de observação.
5 Isso, porém, não passa de contrassenso.
6 Quem poderá garantir a perpetuidade dos elos frágeis das ligações terrestres?
7 O impulso animal tem limites.
8 Ninguém justifique a própria cegueira com a insatisfação do capricho pessoal.
9 O mundo está repleto de mensagens e emissários, há milênios. 10 O grande problema, no entanto, não está em requisitar-se a verdade para atender ao círculo exclusivista de cada criatura, mas na deliberação de cada homem, quanto a caminhar com o próprio valor, na direção das realidades eternas.
Emmanuel
[1] [Essa lição foi psicografada em 1950, um século depois das primeiras manifestações que deram origem ao Espiritismo moderno. Vide: Espiritismo retrospectivo.]
116
Ouçam-nos
Pão Nosso #116 - Ouçam-nos
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 18 de jul. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
"Vemos Eurípedes em pé entre dois senhores. À sua esquerda, seu cunhado José Rezende da Cunha, no bonde elétrico de Sacramento, em 1913. (Ver foto completa à pg. 9)."
"Meus caros irmãos e buscadores do progresso,
É com o espírito voltado às luzes da civilização e à fraternidade que me dirijo a vós. Se me permitem um breve relato sobre a instrumentalização do engenho humano em nossa amada Sacramento, recordo-me do laborioso período em que, investido na função de representante do povo, empenhei minhas humildes forças para que o progresso material caminhasse de mãos dadas com o aprimoramento moral.
Não víamos no Bonde Elétrico, inaugurado naquele memorável ano de 1912, apenas um mecanismo de ferro e eletricidade para o transporte de corpos. Para nós, aquela linha era uma artéria de integração, um símbolo da inteligência humana captando as forças da natureza — o fluido elétrico — para servir ao bem comum e diminuir as distâncias entre os corações.
Minha participação na Câmara Municipal e o diálogo constante com os idealistas daquela época não visavam a glória transitória, mas a convicção de que uma cidade iluminada e conectada é solo fértil para o florescimento das ideias e do ensino. O bonde que cruzava nossas ladeiras era, em minha visão, um mestre silencioso de pontualidade e ordem, demonstrando que, quando o homem se organiza sob a égide do trabalho e da ciência, o meio em que vive se transforma para melhor.
Que o brilho dessa eletricidade física nos recorde sempre da necessidade de mantermos acesa, em nossos íntimos, a luz do esclarecimento e da caridade cristã, os únicos trilhos que nos conduzirão, verdadeiramente, às estações da paz e do amor universal."
"Você gostaria que eu aprofundasse em algum detalhe técnico da Companhia de Força e Luz de Sacramento ou prefere focar no impacto que o bonde teve para os alunos do Colégio Allan Kardec?"
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Allan Kardec - Verdade Luz
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - Allan Kardec
Fora da Igreja não há salvação - Fora da verdade não há salvação
8. Enquanto a máxima – Fora da caridade não há salvação – assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma – Fora da Igreja não há salvação – se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso. A máxima – Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma – Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
9. Fora da verdade não há salvação equivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirar a uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento. Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.
Fora Da Caridade Não Há Salvação
Viva com naturalidade.
Estar em paz com a vida é
nunca ofender o próprio
coração.
Estreou em 1 de jul. de 2023 MANTA
Testo di Dante Alighieri
Musica di @DanieleTrucco
Il brano è dedicato alla gentilissima Roberta, nell'anno, nel giorno e nell'ora.
Soprano: Serena Moine
Organo Francesco Vittino (1905) - Centallo
Chiesa di Santa Maria degli Angeli (Manta)
Per dettagli compositivi: https://danieletrucco.blogspot.com/20...
Colonna sonora del film “Carte scoperte: sguardi su Dante”. Regia di Corrado Vallerotti.
⚫️Instagram: / daniele.trucco
🔵facebook: / daniele.trucco.75
Daniele Trucco on Spotify:
https://open.spotify.com/artist/5OAgm...
A 700 anni dalla morte di Dante Alighieri dedicai il mio lavoro interamente al poeta fiorentino. Il tutto nasce come colonna sonora di un docu-film con la regia di Corrado Vallerotti promosso dal comune di Verzuolo (CN) e dedicato ai frammenti di un codice dantesco conservati presso il palazzo comunale.
L’idea iniziale doveva essere quella di procedere con la scrittura della musica di un testo breve, un sonetto o uno stralcio dalla divina Commedia. Poi il ricordo del passo del Purgatorio (‘Amor che ne la mente mi ragiona’ / cominciò elli allor sì dolcemente, / che la dolcezza ancor dentro mi suona. / Lo mio maestro e io e quella gente / ch’eran con lui parevan sì contenti, / come a nessun toccasse altro la mente. Pg. II 112-117) in cui Dante incontra il suo amico Casella mi ha condotto verso la canzone Amor che ne la mente mi ragiona tratta dal Convivio. Si tratta di una lode della donna, in questo caso simbolo della Filosofia, scritta una decina d’anni prima della stesura del trattato filosofico e adattata dal poeta in modo allegorico per l’occasione.
Queste le due strofe musicate:
Amor che ne la mente mi ragiona
de la mia donna disiosamente,
move cose di lei meco sovente,
che lo ’ntelletto sovr’esse disvia.
Lo suo parlar sì dolcemente sona,
che l’anima ch’ascolta e che lo sente
dice: "Oh me lassa! ch’io non son possente
di dir quel ch’odo de la donna mia!"
E certo e’ mi conven lasciare in pria,
s’io vo’ trattar di quel ch’odo di lei,
ciò che lo mio intelletto non comprende;
e di quel che s’intende
gran parte, perché dirlo non savrei.
Però, se le mie rime avran difetto
ch’entreran ne la loda di costei,
di ciò si biasmi il debole intelletto
e ’l parlar nostro, che non ha valore
di ritrar tutto ciò che dice Amore.
Canzone, e’ par che tu parli contraro
al dir d’una sorella che tu hai;
che questa donna che tanto umil fai
ella la chiama fera e disdegnosa.
Tu sai che ’l ciel sempr’è lucente e chiaro,
e quanto in sé, non si turba già mai;
ma li nostri occhi per cagioni assai
chiaman la stella talor tenebrosa.
Così, quand’ella la chiama orgogliosa,
non considera lei secondo il vero,
ma pur secondo quel ch’a lei parea:
ché l’anima temea,
e teme ancora, sì che mi par fero
quantunqu’io veggio là ’v’ella mi senta.
Così ti scusa, se ti fa mestero;
e quando poi, a lei ti rappresenta:
dirsi: "Madonna, s’ello v’è a grato,
io parlerò di voi in ciascun lato".
#danieletrucco #dantealighieri
Scheda tecnica: Clavia Nord Stage, Roland JX-8P, Korg Triton, Fireface 800, AKG C3000, Roland RD300, Logic Pro, Pianoforte a coda Schiedmeyer, Proteus.
https://www.youtube.com/watch?v=GPVQHO_7BI4
Canzone: “Amor, che ne la mente mi ragiona”
Canzone Two
Love, that speaks to me within my mind
With fervent passion of my lady,
Awakens often thoughts of her such that
My intellect is led astray by them.
His speech is filled with sounds so sweet
That then my soul, which hears and feels him, says:
“Alas, I lack the power to speak
Of what I hear about my lady!”
And surely I must leave aside, if I
Should wish to treat of what I hear of her,
That which my intellect does not conceive,
As well as much of what it understands,
Because I know not how I should express it.
And so if fault is found to mar my verse
Which undertakes the praise of her,
Cast blame on my weak intellect
And on our speech, which lacks the power
To say in words the things that Love relates.
The Sun that circles all the world
Sees nothing so gentle as at that time
When it shines upon the place where dwells
The lady of whom Love makes me speak.
Every Intelligence admires her from above,
And those down here who are in love
Still find her in their thoughts
When Love makes felt the peace he brings.
Her being so pleases God who gave it to her
That he endlessly instills in her his power
Beyond the point of nature’s measure.
Her pure soul,
Which takes from him this bliss,
Reveals him then in what she brings with her:
For among her beauties such things are seen
That the eyes of those on whom she shines
Send messengers to the heart, full of desire,
Which unite with air and turn to sighs.
Into her descends celestial power
As it does into an angel that sees him;
And if some gentle lady disbelieves this,
Let her walk with her and mark her gestures.
Here where she speaks a spirit
Comes down from heaven to testify
That this high worth which she possesses
Transcends whatever is allotted to us.
The graceful gestures that she displays
Contend with each other in calling on Love
In terms of speech that make him listen.
Of her it can be said:
Gentle is in woman what is found in her,
What most resembles her is beauty.
And we may say her countenance helps us
Regard as true what seems a miracle,
By which our faith is fortified:
For this she was ordained by eternity.
In her countenance appear such things
As manifest a part of the joy of Paradise.
I mean in her eyes and in her sweet smile,
For here Love draws them, as to himself.
They overwhelm our intellect,
As a ray of sunlight does weak vision;
And since I cannot fix my sight upon them,
I am content to say but little of them.
Her beauty rains down little flames of fire,
Enkindled by a gentle spirit,
Who is the creator of all good thoughts;
And like a lightning bolt they shatter
The inborn vices that make man vile.
And so let every woman who hears her beauty
Slighted for not seeming serene and humble
Gaze on her, the model of humility.
This is she who humbles every haughty person,
Conceived by him who set the heavens in motion.
My song, it seems you speak contrary to
Words spoken by a sister whom you have;
For this lady, whom you claim to be so humble,
She calls proud and disdainful.
You know the sky is always bright and clear,
and of itself is never clouded.
And yet our eyes, for many reasons,
Sometimes say a star is dim.
Likewise when she calls her proud,
She views her not according to the truth
But only as she seems to her.
For my soul was full of fear,
And still is, so much that everything I see
Seems proud, when she casts her gaze on me.
So excuse yourself, should the need arise;
And when you can, present yourself to her
And say: “My Lady, if it is your wish,
I will speak of you in every place.”
https://digitaldante.columbia.edu/text/library/the-convivio/
The Convivio by Dante ALIGHIERI read by Various Part 1/2 | Full Audio Book
LibriVox Audiobooks
264 mil inscritos
Inscrever-se
11
Compartilhar
Perguntar
Salvar
463 visualizações 18 de set. de 2019
The Convivio by Dante ALIGHIERI (1265 - 1321), translated by Philip H. WICKSTEED (1844 - 1927)
Genre(s): Lyric, Social Science (Culture & Anthropology), Medieval
Read by: Martin Geeson, inflected, Lucretia B., Algy Pug, Mary J, KHand, Leni in English
Parts:
Part 2 • The Convivio by Dante ALIGHIERI read by Va...
Chapters:
00:00:00 - 01 - Treatise I, Chapters 1-4
00:29:42 - 02 - Treatise I, Chapters 5-8
00:50:42 - 03 - Treatise I, Chapters 9-13
01:25:27 - 04 - Ode I
01:29:39 - 05 - Treatise II, Chapters 1-6
01:55:07 - 06 - Treatise II, Chapters 7-12
02:18:34 - 07 - Treatise II, Chapters 13-16
02:42:30 - 08 - Ode II
02:47:59 - 09 - Treatise III, Chapters 1-5
03:16:31 - 10 - Treatise III, Chapters 6-9
03:42:32 - 11 - Treatise III, Chapters 10-12
03:58:58 - 12 - Treatise III, Chapters 13-15
04:18:39 - 13 - Ode III
04:26:29 - 14 - Treatise IV, Chapters 1-5
05:01:29 - 15 - Treatise IV, Chapters 6-9
05:29:35 - 16 - Treatise IV, Chapters 10-13
05:54:59 - 17 - Treatise IV, Chapters 14-17
06:20:14 - 18 - Treatise IV, Chapters 18-22
06:45:37 - 19 - Treatise IV, Chapters 23-26
Convivio (The Banquet) is a work written by Dante Alighieri roughly between 1304 and 1307. This unfinished work of Dante consists of four trattati, or 'books': a prefatory one, plus three books that each include a canzone (long lyrical poem) and a prose allegorical interpretation or commentary of the poem that goes off in multiple thematic directions.The Convivio is a kind of vernacular encyclopedia of the knowledge of Dante's time; it touches on many areas of learning, not only philosophy but also politics, linguistics, science, and history. The treatise begins with the prefatory book, or proem, which explains why a book like the Convivio is needed and why Dante is writing it in the vernacular instead of Latin. It is one of Dante's early defenses of the vernacular, expressed in greater detail in his (slightly earlier) linguistic treatise De vulgari eloquentia (On Eloquence in the Vernacular). Books 2 and 3 form a unit, both focusing on Dante's new love after the death of Beatrice—his love for Lady Philosophy, 'the most beautiful and dignified daughter of the Emperor of the universe,' as he calls her. Book 2 discusses allegory and Lady Philosophy (in connection with the canzone Voi che 'ntendendo il terzo ciel movete [You who move the third heaven with an act of the intellect], which opens the book), and also brings such subjects as astronomy, angelology, and the soul's immortality. Book 3 is a hymn of praise for philosophy, launched by an allegorical interpretation of Dante's great canzone Amor che ne la mente mi ragiona (Love, who speaks to me in my mind). In this book, Dante asserts that true philosophy cannot arise from any ulterior motives, such as prestige or money—it is only possible when the seeker has a love of wisdom for its own sake. Book 4 is by far the longest of the Convivio, and is noticeably distinct from the two books that precede it. The subject of book 4 is the nature of nobility. It opens with the longest canzone of the Convivio, Le dolci rime d'amor (Those sweet poems of love), which is explicitly about gentilezza or nobility, as well as a condemnation of avarice, asserting that reason and the spirit of acquisition are mutually incompatible. The first half of book 4's thirty chapters are dedicated to debunking the false idea of nobility as an inherited trait, one restricted to the aristocracy, while the final fifteen chapters delineate what true nobility consists of—the perfection of a thing according to its nature—and how nobility manifests in people at various stages of life. The Convivio, in its autobiographical passages and in the trajectories of its lines of thought, gives us a rich portrait of Dante himself, of great importance for an understanding of his work as a whole, especially the Divine Comedy. - Summary by Wikipedia
More information: http://librivox.org/the-convivio-by-d...
LibriVox - free public domain audiobooks (https://librivox.org/)
Iara (Rasga o Coração)
Vicente Celestino
Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração, vem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar
Rasga-o, que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz
De lágrimas chorar
Anjos a cantar preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais
Sorve todo o olor que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer
E que não pode a tia dizer nas palpitações
Ouve-o brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural num treno vesperal
Mais puro que uma cândida vestal
Hás de ouvir um hino
Só de flores a cantar
Sobre um mar de pétalas
De dores ondular
Doido a te chamar, anjo tutelar
Na ânsia de te ver ou de morrer
Anjo do perdão! Flor vem me abrir
Este coração na primavera desta dor
Ao reflorir mago sorrir nos rubros lábios teus
Verás minha paixão sorrindo a Deus
Palma lá do Empíreo
Que alentou Jesus na cruz
Lírio do martírio
Coração, hóstia de luz
Ai crepuscular, túmulo estelar
Rubra via-sacra do penar
Composição: Catulo da Paixão Cearense, Anacleto Medeiros.
quinta-feira, 19 de março de 2026
Seu Presidente
"Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver"
Aqui vai um resumo claro e direto do artigo:
ENTENDA COMO DEPUTADOS CONDENADOS CONTINUAM NO PODER E O QUE ISSO REVELA SOBRE O BRASIL
MyNews
Estreou em 18 de mar. de 2026 #politica #stf #congresso
No episódio de hoje do Não é bem assim, um debate direto sobre um dos temas mais sensíveis da política brasileira: como deputados condenados por corrupção continuam exercendo seus mandatos.
Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães analisam os bastidores de esquemas envolvendo emendas parlamentares e discutem o que esse cenário revela sobre o funcionamento real das instituições no Brasil.
A conversa avança para temas ainda mais críticos:
a crescente tensão entre STF, Congresso e Executivo, o desgaste da credibilidade das instituições e os impactos políticos que podem influenciar diretamente as próximas eleições.
Além disso, o episódio aborda possíveis desdobramentos de uma eventual delação de Daniel Vorcaro e o aumento da pressão por medidas mais duras dentro do próprio sistema político.
Se você quer entender o que está por trás das decisões que moldam o país — e o que pode mudar nos próximos anos — este episódio é essencial.
📌 Neste episódio você vai entender:
• Por que parlamentares condenados continuam no cargo
• Como funcionam os esquemas com emendas parlamentares
• A crise entre STF, Congresso e Executivo
• A pressão por impeachment de ministros
• O papel estratégico do Senado nas próximas eleições
Excellent exposition
Bellissima ambientazione con un cortometraggio che spiega la storia della casa. La fontana era lì e c'era una piscina. La mostra d'arte era così ben organizzata!
Di BLANCA and LES H
Scopri di più
ANEXO COMPLEMENTAR — UMA DUPLA LEITURA DE MONTESQUIEU
Uma imagem pode oferecer a chave de leitura para o argumento que se desenvolve a seguir: em um jardim, a água de uma fonte se renova continuamente, enquanto sua estrutura permanece inalterada. O contraste entre fluxo e permanência sugere uma analogia precisa com dinâmicas sociais e institucionais — nas quais narrativas se transformam, mas os arranjos que as sustentam tendem a persistir.
Nesse contexto, a Carta XXX (Rica a Ibben), de Cartas Persas, de Montesquieu, apresenta-se como leitura complementar à Carta XXIV. Se esta discute a instabilidade das opiniões, aquela aprofunda a reflexão sobre o papel da autoridade e do costume na consolidação de práticas sociais, inclusive quando marcadas por contradições evidentes.
A carta evidencia que a coerência não constitui requisito para a permanência de determinadas práticas; basta que sejam reiteradas e socialmente legitimadas. O que, sob um olhar externo, poderia parecer absurdo, tende a ser naturalizado no interior de uma cultura que o repete e o aceita.
Tal perspectiva dialoga diretamente com o argumento desenvolvido no ensaio: políticas fiscais podem se reproduzir ao longo do tempo, ainda que acompanhadas por discursos distintos ou até opostos, sem provocar rupturas significativas na percepção coletiva. Não se trata, portanto, de uma crise de lógica, mas de um processo de adaptação cognitiva.
Nesse sentido, a seguinte passagem de Montesquieu sintetiza o fenômeno:
“Il y a des choses si établies qu’on ne les examine plus.”
— Cartas Persas
Tradução:
“Há coisas tão estabelecidas que já não são mais examinadas.”
A formulação concentra, em poucas palavras, a ideia central: tributos se tornam naturalizados, decisões são reiteradas e narrativas deixam de ser questionadas. O problema não reside na mudança em si, mas na ausência de exame crítico diante dela.
Assim, à semelhança da fonte que preserva sua forma enquanto a água flui, a política fiscal pode ser compreendida como estrutura relativamente estável, ao passo que as narrativas que a acompanham se transformam continuamente. O desafio contemporâneo, portanto, não se limita à compreensão das políticas públicas, mas envolve a capacidade de reaprendê-las como objeto de percepção crítica.
No caso brasileiro, onde medidas frequentemente se repetem sob justificativas distintas, o deslocamento mais relevante não ocorre necessariamente no plano normativo ou econômico, mas na consciência coletiva que as acompanha — em constante movimento, ainda que raramente submetida ao confronto reflexivo.
quinta-feira, 19 de março de 2026
Mendonça prorroga inquérito do Master e Vorcaro negocia delação premiada, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário
A decisão do ministro André Mendonça de prorrogar por 60 dias o inquérito sobre o Banco Master consolida o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação, que extrapola o campo financeiro e alcança o coração do sistema político-institucional brasileiro. O caso já é um dos maiores escândalos recentes, tanto pelo volume estimado em mais de R$ 12 bilhões quanto pela complexidade das relações entre agentes públicos e privados.
Iniciada em novembro de 2025, a investigação desnudou o funcionamento interno do Banco Master sob a liderança de Daniel Vorcaro, o que ocupava o vértice de um esquema baseado em carteiras de crédito fictícias e engenharia financeira fraudulenta. No começo, o foco era técnico, ainda restrito ao universo bancário. Em janeiro passado, o escândalo financeiro virou um caso mais amplo. O bloqueio de R$ 5,7 bilhões e o rastreamento de ativos evidenciaram a sofisticação do esquema de ocultação patrimonial.
Assim, surgiram os primeiros indícios de conexão com o setor público. Apareceram elementos graves, que podem resultar numa crise institucional. A estrutura informal conhecida como “A Turma”, utilizada para monitoramento e intimidação de adversários, além dos indícios de cooptação de servidores do Banco Central, vai além da formação de quadrilha. Por trás da fraude financeira, há evidências de composição de sistema de poder paralelo, com capacidade de influenciar decisões regulatórias e constranger atores públicos e privados.
O Supremo passou a ser epicentro da crise. A relatoria do caso, inicialmente sob responsabilidade de Dias Toffoli, passou para André Mendonça. Hoje, o STF é principal ator político envolvido no escândalo. Ao autorizar sucessivas prorrogações, Mendonça garante a continuidade das investigações, mas também concentra poder decisório sobre seus rumos. Em um cenário de possíveis delações premiadas, não se pode descartar o envolvimento de autoridades com foro privilegiado.
A Polícia Federal, responsável por conduzir as investigações e revelar a materialidade dos fatos, também está na berlinda. O pedido de prorrogação indica que o volume e a complexidade das provas exigem tempo adicional, o que reforça a robustez do inquérito, mas também amplia o risco de vazamentos, ou seja, comprometer a validade processual. O Banco Central também tem culpa no cartório. Os indícios de cooptação de servidores do BC apontam para uma falha grave no sistema de supervisão financeira. A participação de funcionários em troca de informações privilegiadas representa uma captura regulatória, no qual o ente fiscalizador passa a operar em benefício do fiscalizado. A credibilidade da autoridade monetária está fragilizada na medida em que se amplia o alcance político do escândalo.
O caso repercute mais ainda porque envolve o banco estatal do Distrito Federal, um dos poucos que escaparam das privatizações. O afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, mostra que a tentativa de aquisição do Banco Master não era apenas uma operação de mercado, era uma estratégia de legitimação ou salvamento institucional de ativos contaminados, no âmbito da política econômica regional e do uso de instituições públicas para fins questionáveis.
Cortina de fumaça
A ameaça de delação premiada de Daniel Vorcaro gera mais instabilidade econômica e política. Políticos e autoridades têm medo do conteúdo potencial das revelações e um eventual efeito dominó que podem produzir. A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário e agravar a crise.
A troca de advogados e a negociação de uma possível delação é o fato novo no escândalo. O “dilema do prisioneiro”, resistir ou colaborar, clássico da teoria dos jogos, tornou-se de natureza política. São duas estratégias distintas de defesa: a delação ampla pode redefinir o futuro de Vorcaro e arrastar outros atores políticos; sua frustração, com base em nulidades processuais decorrentes de vazamentos, pode comprometer todo o esforço investigativo.
Do ponto de vista institucional, o caso mostra a facilidade da captura dos sistemas de controle da República por agentes privados. A interseção entre mercado, Estado e poder político cria um ambiente propício à formação de redes informais de influência, cuja desarticulação depende não apenas de instrumentos jurídicos, mas de vontade política e coesão institucional. Infelizmente, o Congresso faz parte desse processo de captura do bem comum pelos interesses privados e, de certa forma, está atuando para melar a investigação.
A prorrogação do inquérito, portanto, é apenas um capítulo dessa crise maior. O desfecho dependerá de o próprio Supremo resistir às pressões internas e externas, para conduzir o processo com rigor técnico e responsabilidade política. O risco não é apenas a impunidade, é a erosão da confiança pública no próprio Estado.
Um sinal de que está se armando uma grande cortina de fumaça é o vazamento de informações de natureza íntima, envolvendo Vorcaro e a ex-namorada Martha Graeff, enquanto não se fala mais ou muito pouco da fraude que provocou um rombo de R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e que pode levar o BRB à liquidação e colapsar fundos de aposentadoria, como o RioPrevidência.
O artigo de Luiz Carlos Azedo descreve a ampliação e o agravamento do escândalo envolvendo o Banco Master, destacando a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar por 60 dias o inquérito. A investigação, inicialmente restrita a irregularidades financeiras sob a liderança de Daniel Vorcaro, evoluiu para um caso de grande alcance político-institucional, com indícios de captura regulatória, cooptação de agentes públicos e formação de redes informais de poder.
O texto aponta que o esquema, baseado em engenharia financeira fraudulenta, teria se expandido para influenciar decisões estatais, envolvendo inclusive o Banco Central do Brasil e instituições públicas como o BRB. A possível delação premiada de Vorcaro surge como elemento desestabilizador, com potencial efeito dominó sobre autoridades com foro privilegiado. Ao mesmo tempo, vazamentos seletivos e disputas narrativas indicam tentativas de controle de danos que podem comprometer o próprio processo investigativo.
Azedo sustenta que a crise expõe uma fragilidade estrutural: a facilidade com que interesses privados capturam mecanismos de controle do Estado. O risco maior, segundo o autor, não é apenas a impunidade, mas a erosão da confiança pública nas instituições, agravada por uma possível “cortina de fumaça” que desloca o foco da fraude para aspectos periféricos.
Conexão com “Uma Dupla Leitura de Montesquieu”
A leitura do artigo ganha profundidade quando associada à reflexão de Montesquieu. Assim como na metáfora da fonte — em que a água flui enquanto a estrutura permanece —, o caso descrito revela uma dinâmica recorrente:
o fluxo: vazamentos, discursos, versões conflitantes e disputas políticas;
a estrutura: a repetição de práticas de captura institucional e acomodação sistêmica.
A crise narrada não decorre apenas de um evento excepcional, mas da reiteração de padrões que se tornam progressivamente naturalizados. A possível delação, os vazamentos e até a disputa entre instituições configuram variações narrativas sobre uma engrenagem que permanece funcional.
Nesse sentido, a máxima de Montesquieu — “há coisas tão estabelecidas que já não são examinadas” — ilumina o núcleo do problema: a atenção pública tende a se deslocar para o espetáculo da crise, enquanto os mecanismos que a tornam possível continuam operando com relativa estabilidade.
Síntese interpretativa
O escândalo do Banco Master, conforme descrito por Azedo, pode ser lido menos como ruptura e mais como continuidade. A sucessão de eventos — investigação, prorrogação, delação, vazamentos — constitui o movimento visível da água. Já a persistência de relações promíscuas entre mercado, Estado e poder político corresponde à estrutura da fonte.
O desafio, portanto, não reside apenas em apurar responsabilidades individuais, mas em romper o ciclo de naturalização dessas práticas. Sem esse deslocamento crítico, o sistema tende a absorver a crise, reorganizar suas narrativas e seguir operando — como a fonte que permanece, indiferente à mudança constante de seu fluxo.
A crítica da política fiscal
O Gargalo Invisível da Energia Disponível
Entre a geração abundante e a transmissão insuficiente, o Brasil desperdiça capacidade já paga — e repete, sob novas narrativas, velhos erros estruturais
Lead
Energia elétrica já amortizada e plenamente disponível continua sendo desperdiçada no Brasil não por deficiência de geração, mas por limitações persistentes na infraestrutura de transmissão — um gargalo estrutural que impede o escoamento eficiente da oferta existente para a demanda.
Epígrafe
“Há coisas tão estabelecidas que já não são mais examinadas.”
— Montesquieu
Resumo
O presente artigo analisa a recorrência de um problema estrutural no setor elétrico brasileiro: a insuficiência da capacidade de transmissão como fator limitante do sistema. A despeito da existência de energia já gerada, paga e amortizada, a incapacidade de transportá-la adequadamente resulta em desperdício econômico e ineficiência sistêmica. O fenômeno, já observado em crises anteriores, reaparece sob novas circunstâncias políticas, evidenciando a persistência de falhas institucionais e de planejamento.
Desenvolvimento
Energia pretérita, integralmente remunerada e sucessivamente amortizada, segue sendo, em termos práticos, descartada. Não por escassez de geração, mas por insuficiência estrutural da transmissão — um gargalo que compromete a articulação entre oferta disponível e demanda compatível.
A distorção é evidente: ativos depreciados são adquiridos a preços irrisórios, enquanto os investimentos necessários à expansão da malha de transmissão permanecem aquém do requerido. O sistema, assim, revela uma contradição central: produz, mas não entrega; gera, mas não distribui.
O problema não é novo. O episódio do apagão ocorrido durante o governo Fernando Henrique Cardoso já evidenciava esse descompasso. Sua reedição no presente confirma tratar-se menos de um evento conjuntural e mais de uma falha estrutural persistente.
Do ponto de vista técnico, o sistema opera como um circuito subdimensionado: há energia disponível, mas o meio de condução não suporta o fluxo. A eletrotécnica clássica — anterior mesmo ao advento dos semicondutores — já estabelecia esse princípio. No plano contemporâneo, elétrons e lacunas continuam obedecendo às mesmas leis físicas: sem um meio adequado, o fluxo não se realiza.
Considerações Finais
A recorrência do problema evidencia não apenas limitações técnicas, mas uma dificuldade institucional de enfrentamento de questões estruturais. A ausência de investimentos consistentes em transmissão reflete escolhas econômicas e políticas que privilegiam soluções de curto prazo em detrimento da eficiência sistêmica.
Os agentes que outrora capitalizaram politicamente crises energéticas anteriores veem-se, agora, diante da repetição do mesmo fenômeno. A mudança reside mais no discurso do que na realidade material do sistema.
Conclusão
No limite, a metáfora que se impõe é a do avestruz. No jogo do bicho, o número 2 a ele se associa; fora da ordem formal, mas dentro da precisão crítica, a imagem revela-se pertinente. Diante de um gargalo amplamente diagnosticado, persiste a opção por ignorá-lo — como se a recusa em vê-lo fosse capaz de suprimi-lo.
A energia existe. A infraestrutura, não.
E entre ambas, permanece o país — à espera de conexão.
Referências
Montesquieu. Cartas Persas.
Fernando Henrique Cardoso. Contexto do apagão energético no Brasil (2001).
Fundamentos de eletrotécnica clássica e teoria dos circuitos elétricos.
Fontes
Dados e análises do setor elétrico brasileiro (geração e transmissão).
Relatórios institucionais e diagnósticos de infraestrutura energética.
Observação crítica do funcionamento sistêmico e histórico do setor.
S
Crise energética e política no Brasil
Ministério da Economia
Geraldo Pereira
Ainda não temos a cifra desta música. Contribua!
Seu Presidente
Sua Excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer até encher
Seu Presidente
Pois era isso que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver
Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver
Eu vou buscar
A minha nega pra morar comigo
E sei que agora não há mais perigo
Porque de fome ela não vai morrer
A vida estava tão difícil
Que eu mandei minha nega bacana
Meter os peitos na cozinha da madame
Em Copacabana
Agora vou buscar a nega
Porque gosto dela pra cachorro
Os gatos é que vão dar gargalhada
De alegria lá no morro
Composição de Arnaldo Passos / Geraldo Pereira.
CPI do INSS ouve o CEO do banco C6 Consignado
Poder360
Transmissão ao vivo realizada há 12 horas
💡 O QUE É IMPORTANTE SABER:
🏛️ Poder Congresso | A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social ouve nesta 5ª feira (19.mar.2026), às 9h, o CEO do Banco C6 Consignado S.A., Artur Ildefonso Brotto Azevedo. A convocação foi aprovada para que os congressistas obtenham esclarecimentos sobre a contratação e a intermediação de operações de crédito consignado com beneficiários da Previdência Social.
JORNAL DA CULTURA | 19/03/2026
Jornalismo TV Cultura
Transmissão ao vivo realizada há 86 minutos #JC #JornalDaCultura
No Jornal da Cultura desta quinta-feira (19), você vai ver: André Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para superintendência da PF em Brasília; Dario Durigan assume Ministério da Fazenda com saída de Haddad; e Israel bombardeia South Pars, maior campo de gás do mundo, no Irã.
Para comentar essas e outras notícias, Rita Lisauskas recebe a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, e o advogado e fundador do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Fábio Feldmann.
#JC #JornalDaCultura
SILVIA BLANCO, El País
Aqui vai um resumo claro e direto do artigo:
O texto descreve a grave crise vivida em Cuba, agravada pela pressão dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump e pela gestão interna de Miguel Díaz-Canel. A ilha enfrenta uma forte escassez de combustível, apagões frequentes e colapso de serviços básicos, o que tem gerado grande sofrimento na população.
Apesar de sinais de diálogo entre os dois países, os cubanos demonstram ceticismo diante das promessas do governo. A situação levou a protestos, refletindo o desespero da população, que vive sem energia, transporte e sob repressão.
A economia cubana é descrita como disfuncional, com baixos salários, alta dependência de importações e forte emigração, especialmente de jovens. O governo anunciou medidas de abertura econômica, permitindo investimentos de cubanos no exterior, principalmente em troca de combustível.
No entanto, os Estados Unidos consideram essas reformas insuficientes e exigem mudanças políticas mais profundas. Enquanto isso, Trump adota um tom agressivo em relação à ilha, ao passo que Díaz-Canel responde com discurso de resistência.
O artigo conclui contrastando o momento atual com o período de aproximação durante o governo de Barack Obama, destacando que, hoje, além de pressionar por reformas, os EUA intensificam o cerco econômico, agravando a crise cubana.
Entre Trump y Díaz-Canel, el sufrimiento de los cubanos
SILVIA BLANCO, El País
Mientras el mundo mira hacia Oriente próximo y la guerra que han desatado Israel y Estados Unidos en Irán, el presidente estadounidense, Donald Trump, mantiene la presión sobre Cuba. Ante un cerco petrolero que ha ido paralizando la actividad de la isla, la población siente que los apagones diarios —esta semana hubo directamente una desconexión total del sistema que dejó a todo el país a oscuras— junto al zarpazo de la parálisis en los servicios vitales de la isla, son insostenibles.
Es en este contexto de asfixia energética cuando llega la confirmación, por el lado cubano, de que existen conversaciones con Washington para “buscar soluciones, por la vía del diálogo, a las diferencias bilaterales”, según dijo el mandatario cubano, Miguel Díaz-Canel, en una rueda de prensa televisada en la que, durante una hora y media, también reconoció que el país atraviesa una “madeja de adversidades” y que la población sufre un impacto “inmensurable” por ello. Desde Nueva York, Carla Gloria Colomé siguió la alocución de Díaz-Canel y sus apelaciones a la soberanía, a la que el corresponsal en Washington, Iker Seisdedos, añadió la reacción de Trump y la visión estadounidense en esta crónica panorámica.
Los cubanos, atrapados entre el cerco de Trump y un régimen represivo, en la miseria de años y en el derrumbe que supone que no haya entrado una gota de combustible desde hace tres meses en la isla, recibieron las palabras de Díaz-Canel con frialdad y escepticismo, tal y como cuenta desde La Habana Sergio Murguía. Sin apenas electricidad, incomunicados, sin transporte público y con el miedo a la represión del régimen, el hartazgo estalló en una pequeña ciudad del centro del país, Morón, dos días después del anuncio. Varios manifestantes atacaron la sede local del todopoderoso Partido Comunista, en un insólito incidente que terminó con cinco detenidos y con gran poder simbólico. La desesperación por que termine el sufrimiento la resume una entrevistada en esta crónica de Carla Gloria Colomé: “Hoy el pueblo está en espera de que haya un cambio, el pueblo le teme a una guerra, a las bombas, pero necesita que algo pase. Ojalá fuera lo más pacífico posible, pero que sea ya”.
La economía disfuncional de la isla es uno de los aspectos en los que se ha enfocado la presión de Estados Unidos sobre el régimen cubano, para que haga reformas y se abra más a la inversión privada, aunque los desafíos son enormes. En este minucioso análisis, Eyanir Chinea explica los retos pendientes cifrados en miles de millones de dólares. Se trata de un sistema en el que “un taxista puede ganar más que un médico, que percibe ingresos similares a los de una peluquera. Conviven múltiples tipos de cambio, la mayoría de los bienes de consumo llega del extranjero y la producción agrícola apenas cubre la demanda. Mientras tanto, cerca del 20% de la población, sobre todo jóvenes, ha emigrado, dejando una escasez de talento tan grave como la falta de electricidad”, escribe Chinea.
El ministro de Economía cubano anunció este lunes una apertura económica: que los cubanos en el exterior, incluso los que hayan perdido su estatus de residentes en la isla, podrán volver a invertir en negocios privados, y los animó a que lo hagan en el campo, en infraestructura y finanzas. A cambio de estas concesiones, lo que espera La Habana es “combustible, combustible, combustible”, como explicaba gráficamente un analista a Noor Mahtani, radicada en Bogotá, en este artículo sobre la negociación.
Con todo, días después el secretario de Estado de Estados Unidos, Marco Rubio, aseguró que las reformas anunciadas por el régimen “no son suficientes”, según cuenta en esta crónica Macarena Vidal Lyi desde Washington, donde sigue la política exterior estadounidense. Washington apunta a concesiones políticas. Más aún, Trump alardea de que “será un honor” para él “tomar Cuba”, mostrando con una sola frase un desprecio imperial: “Puedo hacer lo que quiera con ella”, ha dicho, ya que “es una nación muy debilitada en este momento”. Un día después, Díaz-Canel plantó cara a Trump: “Cualquier agresor externo chocará en Cuba con una resistencia inexpugnable”, dijo en redes sociales, para denunciar a continuación que “Estados Unidos amenaza públicamente a Cuba, casi a diario, con derrocar por la fuerza el orden constitucional. Y usa un indignante pretexto: las duras limitaciones de la debilitada economía que ellos han agredido y pretendido aislar hace más de seis décadas”.
Hubo otro tiempo, hace una década, en el que las palabras del presidente de Estados Unidos hacia la isla fueron muy diferentes. Fue cuando gobernaba Barack Obama, que inició un deshielo histórico en la relación de los países de ambas orillas. Destaco esta crónica que compara el ahora con aquella época en la que Obama quiso “enterrar los últimos remanentes de la guerra fría en las Américas”. Doce años después, la voz de Washington es muy diferente, aunque hable de reforma económica y recupere parte de las políticas de Obama hacia la isla. La cuestión es que ahora, además de hablar, también asfixia.
Assinar:
Comentários (Atom)



















