Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
As lições do governo Allende, as eleições abertas e a solidão do poder
Publicado em 05/05/2026 - 11:28 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Guerra, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Trabalho
Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo
Adeus, senhor presidente, de Carlos Matus Romo, é uma obra singular no campo da reflexão sobre governo e poder na América Latina. Mais do que um manual de gestão, é um diálogo dramático entre um presidente fictício e seu assessor, no crepúsculo de um governo. Matus nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955, na Escola de Economia da Universidade do Chile. Fora assessor do ministro da Fazenda e ministro da Economia do governo de Salvador Allende, de 1971 a 1973, antes de se tornar o maior estudioso latino-americano sobre planejamento de governo e governabilidade.
Após o sangrento golpe do general Augusto Pinochet, no Chile, em 11 de setembro de 1973, Matus passou dois anos preso nos campos de concentração de Isla Dawson e Ritoque. Durante esse período, com base na experiência do governo Allende, desenvolveu suas teorias e conceitos sobre planejamento estratégico e gestão pública. Libertado em 1975, partiu para o exílio na Venezuela e buscou responder à seguinte pergunta: “Por que um governo com tanta popularidade e com tão boas intenções caiu de forma tão fragorosa, diante de um golpe militar?”
Matus faleceu em 21 de dezembro de 1998, em Caracas. Sonhava regressar ao Chile. Suas cinzas foram espalhadas em sua casa em Isla Negra, diante do mesmo mar sobre o qual o poeta Pablo Neruda teceu seus poemas e passou seus últimos dias. O Líder sem estado-maior e Estratégias políticas: chimpanzé, Maquiavel e Gandhi são outras obras do economista chileno conhecidas no Brasil.
Há um paralelo entre Adeus, senhor presidente e a situação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A obra de Matus é um balanço tardio do poder, feito quando já não há mais espaço para ilusões. O presidente fictício descobre, no fim do mandato, que governar não é executar um programa, mas administrar conflitos, limitações e, sobretudo, a perda progressiva de controle sobre a própria agenda.
É mais ou menos o que acontece com o presidente Lula. Na disputa eleitoral na qual busca a reeleição, já não é o líder absoluto, mobilizador, capaz de representar grandes esperanças, dono da expectativa de poder. É um governante em apuros, pressionado por contingências que não controla, como a crise do mercado de petróleo, provocada pela guerra do Irã, e uma correlação de forças adversa no Congresso e na sociedade, que agora o obrigam a operar no “modo sobrevivência”.
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Governabilidade depende da articulação política e da capacidade administrativa, dizia Matus. Quando essa integração falha, o governante passa a ser refém de estruturas que não controla e da avaliação negativa do governo. No caso de Lula, a rejeição inédita de um indicado ao Supremo Tribunal Federal, fato sem precedentes desde o século XIX, sinaliza exatamente isto: o presidente perdeu capacidade de coordenação sobre a engrenagem central do sistema político.
Sem respostas
Na linguagem de Matus, a agenda governamental está sendo capturada por outros atores. É o caso da segurança pública e das terras raras, por exemplo. É o que também pode acontecer com outras bandeiras do governo, como o fim da escala 6 x 1. O presidente fictício de Matus percebeu tarde demais que sua ação foi condicionada por forças que subestimou. É a situação de Lula, principalmente no Congresso. O Senado, sob liderança de Davi Alcolumbre, afirmou-se como poder autônomo e impõe limites claros ao Executivo.
Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao envolvimento de alguns magistrados na disputa. O fato novo não é mais a dinâmica das sucessivas pesquisas eleitorais, mas a mudança de correlação de forças no “poder instalado”, a perda de capacidade de coordenação sobre uma engrenagem central do sistema político, com a entrada em cena de um Corte cuja dinâmica interna cada vez mais se entrelaça com interesses políticos.
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Há também o componente da solidão do poder. Em Adeus, senhor presidente, o governante se vê isolado no momento decisivo, cercado por assessores, mas sem um verdadeiro “estado-maior” capaz de formular e executar estratégias consistentes. É prisioneiro de uma “jaula de cristal”, na qual só escuta quem está dentro dela, enquanto os que estão fora observam o que acontece na sua cozinha, como a “paparicação” dos puxa-sacos e a redução do círculo decisório. No Palácio do Planalto, hoje, o fenômeno se repete: quanto mais a crise avança, mais o poder se concentra e, ao mesmo tempo, mais vulnerável se torna.
O governo precisa responder a perguntas incômodas sobre o que deixou de fazer e o que não deu certo. Quais compromissos foram preservados ou abandonados? Esse balanço começa a ser antecipado pela conjuntura eleitoral. O elevado endividamento das famílias, a pressão inflacionária recente e a dificuldade de transformar políticas públicas em percepção positiva indicam que os resultados concretos não produziram o retorno político esperado.
E as pesquisas mostram um país fragmentado, com forte tendência ao posicionamento “independente” dos candidatos nos principais estados, que tangenciam o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no plano nacional. A polarização persiste, mas perdeu capacidade de organizar plenamente o sistema político. É como se o eleitorado tivesse abandonado as ilusões simplificadoras em relação aos dois líderes da disputa. Nesse sentido, as eleições são um “jogo aberto”, que não segue necessariamente as regras previsíveis do confronto clássico governo e oposição. Há um terreno muito pantanoso a ser atravessado.
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1970: Allende é eleito presidente do Chile
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O 11 de setembro da América Latina marca o início de mais uma ditadura na região. Há 52 anos, Salvador Allende era destituído e morto pelas forças golpistas. A ditadura comandada pelo
O 11 de setembro da América Latina marca o início de mais uma ditadura na região. Há 52 anos, Salvador Allende era destituído e morto pelas forças golpistas. A ditadura comandada pelo
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HistóriaChile
1970: Allende é eleito presidente do ChileMirjiam Gehrke Publicado 04/09/2016Publicado 4 de setembro de 2016Última atualização
04/09/2020Última atualização 4 de setembro de 2020
No dia 4 de setembro de 1970, Salvador Allende foi eleito presidente do Chile. Pela primeira vez na América Latina, um político socialista chegava ao poder de forma democrática.
"Em termos de síntese curta , densa e quase sentenciosa :
No Chile de 1973, sob Salvador Allende , confrontaram-se dois paradigmas: um que buscava realizar transformações sociais pela via constitucional, democrática e pacífica; outro que, por distintas razões, passou a considerar a ordem jurídica insuficiente ou dispensável, admitindo sua ruptura em nome da ordem, da segurança ou de um projeto de poder.
Daí decorre que a estabilidade institucional não se rompe apenas por força material, mas pela prévia corrosão simbólica da Constituição — quando adversários são convertidos em inimigos e o conflito político deixa de ser mediado pelas regras comuns.
Conclusão: onde a Constituição é limite compartilhado, há política; onde se torna descartável, instala-se a exceção.
🌀 O LABIRINTO DAS IDEIAS
(Som • Imagem • Texto em Transe)
Imagem (composição pictórica):
📍 /mnt/data/a_dense_surreal_collage_illustration_scene_overal.png
🎧 PROPOSTA SONORA (trilha integrada ao texto)
A trilha deve entrar em pontos específicos, como se fosse respiração do labirinto
Referência estética: anos 1960–70 (eco do Cinema Novo)
Tons: experimental, político, tenso, mas com lampejos de esperança
Mini conto (com trilha sugerida)
[🎵 ENTRADA 1 — som ambiente + violão dissonante, estilo Caetano Veloso em fase tropicalista | volume baixo]
Dizem que o labirinto começou a ser construído há 62 anos, embora ninguém consiga provar onde está sua primeira pedra. Alguns afirmam que nasceu com uma câmera erguida contra o sol; outros, que surgiu de uma frase — uma dessas frases que sobrevivem aos homens. Desde então, ele cresce, não em largura, mas em repetições.
[🎵 ENTRADA 2 — percussão leve e tensão crescente, evocando Gilberto Gil | ritmo irregular]
Entrei por uma folha de papel.
Não era um portal evidente — apenas um manuscrito inclinado, palavras apressadas, nomes próprios como ecos: José Genoino, Jair Messias Bolsonaro. Cada nome abria um corredor. Cada corredor conduzia a outro nome, a outra acusação, a outra memória. Compreendi cedo que ali não se buscava a verdade, mas a permanência do enigma.
[🎵 ENTRADA 3 — som de projetor antigo + ruído analógico | transição para silêncio denso]
No centro — ou naquilo que o labirinto fingia ser o centro — havia uma lâmpada suspensa. Sob ela, uma câmera imóvel e um celular aceso. Lembrei-me do antigo axioma do Cinema Novo: uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Mas ali a ordem se invertera — a ideia já não nascia; ela circulava. Talvez sempre tivesse circulado.
[🎵 ENTRADA 4 — cordas tensas + atmosfera dramática, referência indireta a Terra em Transe | crescendo lento]
Caminhei mais. As paredes eram feitas de páginas C2 e C3, dobradas como mapas de um país impossível. Nelas, Ruy Guerra ainda filmava, aos 94 anos, um Brasil que insistia em não terminar. Seus personagens — um político, outro empresário — repetiam gestos antigos, como se encenassem um pacto que jamais fora escrito, mas sempre cumprido. Pensei em Lima Duarte e Daniel Filho não como homens, mas como arquétipos condenados à representação.
[🎵 ENTRADA 5 — ruídos urbanos + rádio fragmentado (vozes políticas sobrepostas) | sensação de caos]
Em um dos corredores, encontrei um hospital que funcionava. Em outro, uma lei vetada. Mais adiante, uma decisão aguardava julgamento no Supremo Tribunal Federal. Cada fato parecia uma saída — mas, ao atravessá-lo, eu retornava ao mesmo ponto. Foi então que compreendi: o labirinto não aprisiona pelo erro, mas pela verossimilhança.
[🎵 ENTRADA 6 — silêncio quase total + uma única nota grave sustentada]
Lembrei-me de Getúlio Vargas — ou talvez de sua voz: “eu não sou mais eu… o eu ideia fica livre com vocês.” Ali, enfim, entendi o mecanismo. Os corpos eram apenas passagens. As ideias, essas sim, eram as verdadeiras paredes.
[🎵 ENTRADA 7 — repetição rítmica minimalista (ciclo), evocando esforço contínuo | pulsação constante]
Continuei, já sem esperança de sair. E, paradoxalmente, foi nesse abandono que algo mudou. Percebi que o labirinto não exigia uma saída — exigia um movimento. Como Sísifo empurrando sua pedra, o sentido não estava no fim, mas na repetição consciente.
[🎵 ENTRADA 8 — retorno melódico suave, quase esperançoso, com acorde aberto]
Ao longe — ou talvez dentro de mim — ouvi um eco de Terra em Transe. O transe não cessara. O país, como o labirinto, persistia em seu estado de suspensão: nem ruína completa, nem redenção plena.
[🎵 FINAL — dissolução sonora: ruído + acorde maior sutil | esperança ambígua]
Antes de desaparecer entre as páginas, toquei a superfície de uma delas. Estava quente, como se ainda estivesse sendo escrita.
E compreendi, enfim, que aquilo que chamávamos de “podres poderes” não era o centro do labirinto, mas apenas mais um de seus caminhos.
A esperança — essa, sim — não estava fora.
Estava no ato de continuar.
“Um ministro, desses que o presidente ainda ouve, teria dito:
‘Seu maior adversário é o povo.’
Ao que o presidente — talvez por lucidez, talvez por ironia — poderia responder:
‘Não. Meu maior adversário sou eu mesmo.’
Porque, no fim, só resta ouvir o cidadão.
Todo poder emana do povo —
mas só o cidadão vota.”
🕊️ EPÍLOGO — O ADVERSÁRIO(Diálogo final entre o Presidente e seu Assessor)Assessor:
Senhor Presidente, permito-me insistir numa hipótese incômoda:
dizem que vosso maior adversário é o povo.
Asesor:
Señor Presidente, permítame insistir en una hipótesis incómoda:
dicen que su mayor adversario es el pueblo.
Presidente (após silêncio):
Não. Essa é a forma mais fácil de errar.
Presidente:
No. Esa es la forma más fácil de equivocarse.
Presidente:
O povo não é adversário.
É condição.
Presidente:
El pueblo no es adversario.
Es condición.
Presidente:
Se há um adversário real, ele não está fora.
Está na distância entre o que penso governar
e o que de fato consigo governar.
Presidente:
Si hay un adversario real, no está afuera.
Está en la distancia entre lo que creo gobernar
y lo que realmente puedo gobernar.
Assessor:
Então o adversário…?
Asesor:
Entonces el adversario…?
Presidente:
Sou eu.
Ou melhor:
minha incapacidade de transformar intenção em direção.
Presidente:
Soy yo.
O mejor dicho:
mi incapacidad de transformar intención en dirección.
(Pausa longa)Presidente:
No fim, tudo se reduz a uma escuta.
Presidente:
Al final, todo se reduce a una escucha.
Presidente:
Mas não qualquer escuta —
não a dos corredores,
não a dos ministros,
não a dos ecos.
Presidente:
Pero no cualquier escucha —
no la de los pasillos,
no la de los ministros,
no la de los ecos.
Presidente:
A escuta do cidadão.
Presidente:
La escucha del ciudadano.
Assessor (quase em sussurro):
E o povo?
Asesor:
¿Y el pueblo?
Presidente:
O povo é princípio.
O cidadão é decisão.
Presidente:
El pueblo es principio.
El ciudadano es decisión.
Presidente:
Dizem que todo poder emana do povo.
Presidente:
Dicen que todo poder emana del pueblo.
Presidente:
Mas esquecem —
ou fingem esquecer —
que só o cidadão vota.
Presidente:
Pero olvidan —
o fingen olvidar —
que solo el ciudadano vota.
(Silêncio final — o poder já não responde)
🔎 Observação de estilo (breve)Autocrítica do governante → núcleo matusiano
Centralidade da “capacidade de governo” → não intenção, mas execução
Deslocamento do conflito externo para interno → o verdadeiro adversário
Distinção conceitual (povo vs cidadão) → fechamento filosófico
Se quiser
Comício à sombra das árvores (tela de G.C. Bingham, 1854).
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Opinião do dia – Alexis de Toqueville*
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
*Alexis de Toqueville (1805-1859), “Lembranças de 1848”, p. 117, Companhia das Letras, 2011.Governo entra em pânico após derrota histórica no CongressoRejeição inédita de indicação ao STF expõe fragilidade da base aliada e força articulação entre oposição e centrão
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta sua semana mais crítica após uma sequência de derrotas no Congresso. A principal delas foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, um episódio raro que evidenciou a perda de força da base aliada.
Nos bastidores, o resultado foi visto como uma demonstração clara de que o governo perdeu controle político. A votação terminou muito abaixo do esperado e revelou uma articulação eficiente entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise ganhou força no dia seguinte. A análise no Congresso é que a derrota virou um verdadeiro símbolo de fraqueza do governo. Parlamentares chegaram até a celebrar o resultado em plenário.
O governo prepara medidas para recuperar popularidade e tentar retomar influência no Legislativo. No entanto, sem apoio popular, ficará ainda mais difícil aprovar projetos e evitar novas derrotas.
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"O QUE O GOVERNO PROPÕE PARA ALIVIAR AS SUAS DÍVIDAS E O QUE ELE MESMO FAZ PARA TAMBÉM AMENIZAR A SUA PRÓPRIA DÍVIDA? QUEM GARANTIRÁ OS DOIS ALÍVIOS?
Maria BoaMaria Alcina
Para o PT, o futuro é o passadoPor O Estado de S. PauloManifesto divulgado no congresso do partido recicla a retórica da ‘herança maldita’ e subordina o discurso de futuro ao objetivo central do lulopetismo: garantir a reeleição de Lula
Aprovado no 8.º Congresso Nacional do PT, sob aplausos de sua ao mesmo tempo assustada e tinhosa militância, o manifesto do partido foi apresentado como uma bússola para o País. Nada mais petista do que o que se viu naquele encontro, realizado em Brasília. O documento tem título curioso – “Construindo o futuro” –, ao projetar-se para adiante enquanto revisita longamente o passado sob domínio da legenda. Combina, de forma previsível, o triunfalismo em torno do que Lula teria realizado com o alerta de tom sombrio sobre o que pode nos acontecer caso ocorra o que, para a companheirada, seria impensável: sua derrota em outubro. Fala em longo prazo com retórica inflamada, mas permanece preso ao curtíssimo prazo – a reeleição do presidente. O futuro, aqui, não passa de um nome elegante dado a uma necessidade imediata.
A leitura do manifesto não tarda a revelar o roteiro conhecido. Logo de saída, o PT se entrega ao que sabe fazer como poucos: um longo, minucioso e quase obsessivo arrazoado comparativo entre o terceiro mandato de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro. Páginas e páginas são dedicadas a reiterar a velha cantilena de que o País foi entregue em frangalhos, devastado, destruído, uma terra arrasada que só agora estaria sendo reconstruída sob a liderança iluminada do lulopetismo. Há, evidentemente, fatos que não podem ser ignorados. O governo Bolsonaro promoveu desmontes relevantes, sobretudo em educação, ciência e meio ambiente, com custos reais. Também é justo reconhecer resultados pontuais do atual governo. Mas nada disso autoriza o exagero de pintar o Brasil pré-2023 como cenário apocalíptico.
É nesse ponto que emerge o velho vício petista, cultivado desde 2003 como tradição: a “herança maldita”. A lógica é simples. Se o governo vai bem, o mérito é do PT; se vai mal, a culpa é sempre do antecessor. Foi Fernando Henrique Cardoso ontem, é Jair Bolsonaro hoje, será qualquer outro amanhã. Trata-se de um expediente tão repetido que já não convence além dos convertidos. Ao recorrer mais uma vez a essa muleta retórica, o partido revela menos sobre o passado que critica e mais sobre o presente que tenta justificar.
Esse padrão se completa com o maniqueísmo de sempre. Na cosmologia petista, o mundo segue dividido entre o bem (o próprio partido) e o mal, ocupado por qualquer adversário. Não há nuances nem autocrítica, apenas a reafirmação de uma superioridade moral que, de tanto repetida, já perdeu eficácia. O problema é que o tempo passou. Lula está em seu terceiro mandato, o PT acumula décadas no centro do poder, e a insistência em se apresentar como vítima de heranças alheias soa cada vez mais deslocada. Um governo que ainda precisa se explicar pelo passado revela, por contraste, a dificuldade de sustentar um legado próprio.
Quando o manifesto se volta ao futuro, o quadro pouco muda. A lista de propostas é extensa, mas familiar. Passa por reindustrialização conduzida pelo Estado, protagonismo estatal em setores estratégicos, planejamento econômico robusto e soberania produtiva. Tudo embalado em linguagem atualizada, mas ancorado no repertório de sempre. É o desenvolvimentismo clássico reapresentado como novidade. Falta-lhe, sobretudo, concretude. Nesse vazio, cresce a impressão de que o governo Lula 3 ainda não encontrou suas próprias marcas. Administra, reage, ajusta, mas não imprime direção clara. Longe de dissipar essa percepção, o manifesto acaba por cristalizá-la.
Não por acaso, o texto surgiu “amaciado”, desidratado de temas espinhosos. Evitam-se conflitos, suavizam-se formulações, calibram-se palavras, de modo a conciliar a grita habitual da militância do partido enquanto seus morubixabas tentam compensar as agruras políticas do atual mandato à construção de alianças convenientes País afora. O objetivo é não criar ruídos desnecessários, para não comprometer o projeto central. Qual projeto? A reeleição, naturalmente.
No fim, o manifesto cumpre o papel involuntário de expor o esgotamento de uma fórmula e escancara a dificuldade do lulopetismo de sair de si mesmo. O futuro que anuncia não chega a ser uma promessa. É, quando muito, uma reprise, cuidadosamente empacotada, mas reconhecível desde as primeiras linhas.
A Opep em xeque
Por O Estado de S. Paulo
Saída dos Emirados Árabes é desafio para o cartel do petróleo, cujo poder de controlar preços já vinha sendo minado pela emergência de potências produtoras como EUA, Venezuela e Brasil
Um dos principais produtores de petróleo do mundo, os Emirados Árabes Unidos acabam de anunciar que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O anúncio é um golpe para a organização – um cartel liderado pela Arábia Saudita que ao longo de décadas busca influenciar os preços do petróleo por meio da determinação de cotas de produção.
Fundada nos anos 1960, a Opep viveu o auge de seu poder na década de 1970. À época, havia bem menos países produtores da commodity, o que permitiu ao cartel, em 1973, embargar o envio de petróleo aos EUA, então altamente dependente de importações de membros da Opep.
Nos últimos anos, porém, o surgimento de novos atores capazes de produzir volumes consideráveis da commodity foi diminuindo o poder do cartel. Apenas nas Américas, Brasil, Guiana e EUA converteram-se em grandes países produtores. Hoje, os EUA são os maiores produtores mundiais de petróleo, à frente da Arábia Saudita.
Foi nesse contexto que os Emirados Árabes Unidos resolveram retirar-se, de forma contundente, da Opep. Fora do cartel, o país pretende ampliar sua produção para 5 milhões de barris diários até 2027.
Em 2019, o Catar já havia deixado a Opep, mas sem causar o ruído provocado pela decisão emiradense. Pequeno produtor de petróleo, o Catar escolheu priorizar a sua produção de gás natural.
Já a saída de um membro da estatura dos Emirados Árabes pode levar a novas debandadas da Opep. Por ora, no entanto, a saída não exerce impacto relevante nem sobre os preços nem sobre a produção de petróleo, uma vez que o conflito entre EUA, Israel e Irã reduziu significativamente as atividades produtivas de países do Golfo Pérsico, como os próprios Emirados e a Arábia Saudita.
Contudo, se há um vencedor claro nessa história, ele é obviamente o presidente dos EUA, Donald Trump, que inúmeras vezes pressionou a Opep a ampliar sua produção petrolífera para que o preço da commodity caísse.
Trump chegou a acusar a Opep de produzir pouco petróleo para inflar os preços, ajudando a Rússia, grande produtora associada ao cartel, a financiar sua campanha de agressão à Ucrânia. Ao romper com a Opep, os Emirados Árabes Unidos emitem um sinal de que não estão alinhados à Rússia, mas ao próprio Trump.
Além disso, os Emirados Árabes Unidos escalam a disputa cada vez menos silenciosa com a Arábia Saudita pela capacidade de liderar os países do Golfo, grupo que também inclui Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã.
É difícil antever as implicações dessa rivalidade sobre o delicado alinhamento entre os países do Golfo, especialmente os árabes. O que é certo, porém, é que a demanda por energia não para de crescer e, a despeito do aumento considerável de fontes renováveis, o petróleo segue sendo um ativo de grande importância em todo o mundo.
No ano passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a demanda global por petróleo seguirá crescendo até 2050, revertendo previsão feita no ano anterior de que o pico do interesse por petróleo se daria já em 2030.
Abalada pela deserção dos Emirados Árabes Unidos, a Opep também deve preocupar-se com o aumento da produção na Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Formalmente membro do cartel, a Venezuela agora encontra-se sob influência direta de Trump e certamente não se orientará pelas cotas da organização.
É verdade que o petróleo pesado venezuelano é mais difícil de refinar que o produzido em países do Golfo. Contudo, ele se encontra em uma região bem menos propensa a crises geopolíticas como a que se desenrola atualmente no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% da produção mundial de petróleo.
A conta é simples: refinar o petróleo venezuelano sai mais barato que depender da produção de uma região altamente instável como o Golfo Pérsico.
Antes uma potência global por força do seu poder regional praticamente indisputável, a Opep, que em outros tempos submetia o mundo a seus desígnios, agora é tragada por suas disputas internas e por uma produção de petróleo cada vez mais diversa.
Manhattan Connection | 03/05/2026YouTube
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4 de mai. de 2026Fado Tropical (part. Ruy Guerra)Chico BuarqueO Centrão, o STF e o Partido do Master | Central MeioMeio
ao vivo realizada há 4 horas #Centrão #Master #Dosimetria
No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Flávia Tavares e o cientista político e colunista do Meio Christian Lynch conversam sobre as consequências e os significados das recentes derrotas sofridas pelo Governo Lula no Legislativo: a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF, e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por golpe de estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falasTV 247
Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas
Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1.Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falasTV 247Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas
Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1.
José Genoíno, Jaques Wagner e Lula (Foto: Reprodução | Ag. Senado | Ricardo Stuckert)Mauro Lopes
Conteúdo postado por:
Mauro Lopes
247 - O ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino questionou duramente a crítica do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao ex-presidente Lula pelos resultados do PT nas eleições municipais. Foi numa entrevista aos jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva: “Esses que querem cancelar o Lula são justamente os que querem fazer pactos. O Jaques Wagner perde a eleição na Bahia e a culpa é do Lula e do PT? O PT não pode entrar na lógica da conciliação com as elites. Porque as elites não querem pactuar com o PT. O partido precisa voltar a ser o grande rebelde da política brasileira. E o Lula tem que ser o líder desse processo. Caso contrário, morreremos”.
Genoino é ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, ex-deputado federal pelo PT São Paulo. Foi militante do movimento estudantil na virada dos anos 1960-70 e participou da guerrilha do Araguaia, sendo preso e barbaremene torturado pelo Exército. Foi perseguido durante a campanha que ficou conhecida como “mensalão” em 2005, condenado e preso injustamente. Teve sua pena extinta pelo STF em 2014.
🎭 Que Vantagem Maria Leva?
(à moda de Assis Valente, com o veneno doce de Maria Alcina)
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Nome limpo lá na praça?
À toa!
Com quem é que o lucro fica?
No banco!
E o dinheiro da Maria?
É branco!
Verso 1
É branco, é branco
O saldo do FGTS
Que o governo liberou
Com discurso e com promessa
De bondade e proteção
Mas era o suor da Maria
Virando prestação
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Como é que o político vive?
À toa!
Onde é que o cofre mora?
Não digo!
Mas no fundo garantido
Maria perdeu o abrigo
Verso 2
Não digo, não digo
Que eu conheço essa história
Tem caneta, tem decreto
Tem discurso e tem memória
Vende alívio embrulhado
Pra dor virar eleição
E o povo sai devendo
Com sorriso na mão
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
A dívida se renova?
À toa!
Quem garante esse enredo?
É o FGO!
Mas se a conta não fecha
Quem paga é o povão depois
Ponte (falado, com ironia)
“Minha filha…
Te deram desconto,
Mas levaram teu descanso…
Te limparam o nome,
Mas hipotecaram teu amanhã…”
Verso 3
Maria sai cantando
Livre do SPC
Mas não vê que a corrente
Só mudou de endereço
Troca juros de susto
Por parcela comportada
Mas o banco agradece
E a dívida é alongada
Refrão Final
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Sai do aperto ligeiro?
À toa!
Quem lucra com a folia?
Eu não digo…
Mas quem dança nessa história
Nunca é só o perigo
Final
Não digo, não digo
Mas tenho certeza
Que a minha Maria
Já viu essa esperteza
De quem fala macio
Prometendo salvação
Mas faz da dor alheia
Campanha e reeleição
Se
📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende
Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53
📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026
📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011.
🎥 Análise política do dia
📍 Governo sob pressão no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma de suas semanas mais delicadas no Congresso Nacional após sucessivas derrotas.
A mais emblemática foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF — um fato raro que expôs fragilidade da base aliada e força da articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, a leitura é direta:
➡️ perda de controle político
➡️ dificuldade de coordenação
➡️ risco de novas derrotas
Parlamentares chegaram a comemorar o resultado em plenário, reforçando o simbolismo da derrota.
❓ Pergunta central do dia
O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida?
Quem garante esses dois alívios?
💰 1. Alívio das dívidas das pessoas (Desenrola Brasil 2.0)
O governo aposta na ampliação do programa Desenrola Brasil, com foco em renegociação:
💸 Descontos: até 90%
👥 Público: renda de até 5 salários mínimos
🏦 Dívidas incluídas: cartão, cheque especial, CDC e Fies
📊 Juros: limitados (até ~1,99% ao mês)
🪪 Regra adicional: possível bloqueio de CPF para apostas por 12 meses
🏗️ Uso do FGTS: até 20% para quitar débitos
🏛️ 2. Alívio da dívida do governo
A estratégia do governo envolve:
📈 Meta de superávit primário: cerca de 0,25% do PIB
💰 Aumento de arrecadação: IOF, importações
⚙️ Reforma tributária (CBS)
✂️ Contenção de gastos públicos
📊 Gestão da dívida via Tesouro Nacional
🛡️ 3. Quem garante os alívios?
Tipo de dívida Garantia
Pessoas Fundo de Garantia de Operações (FGO) + FGTS
Governo Tesouro Nacional + arrecadação
👉 Ponto-chave:
O risco final pode recair sobre o próprio Estado — e, portanto, sobre o contribuinte.
⚖️ 4. Conceitos essenciais explicados
🧩 Mínimo Existencial
Derivado do princípio constitucional da dignidade humana:
Garante o básico: alimentação, moradia, saúde
Impede que dívidas comprometam a sobrevivência
Base para renegociação judicial
⚖️ Lei da Usura e seus limites
Decreto de 1933 limita juros abusivos
⚠️ Mas: não se aplica plenamente aos bancos (STF – Súmula 596)
📜 Complemento: Lei do Superendividamento (2021)
👉 Resultado:
Não cancela automaticamente dívidas, mas permite revisão judicial.
🏦 5. Como funciona o FGO na prática
O governo atua como fiador do banco
Se o devedor não pagar → o governo cobre
Recursos vêm do Tesouro Nacional
👉 Tradução simples:
Lucro privado com risco parcialmente público.
🧾 6. O FGTS como garantia
Trabalhador usa seu próprio saldo
Banco bloqueia valores futuros
Saques ficam comprometidos
⚠️ Risco:
Perda de proteção em caso de demissão.
🎯 7. Quem ganha com isso?
👤 Devedor (Maria)
Limpa o nome
Reduz juros
Ganha fôlego imediato
🏦 Banco
Recupera crédito perdido
Reduz risco (garantia pública)
🏛️ Governo
Estimula consumo
Aumenta arrecadação indireta
Reduz inadimplência sistêmica
⚠️ 8. A crítica central
O mecanismo pode representar:
Uso de dinheiro do próprio trabalhador
Transferência indireta de risco ao Estado
Manutenção do ciclo de endividamento
👉 Em resumo:
alívio de curto prazo, custo potencial de longo prazo
🗳️ 9. Impacto político e eleitoral (2026)
Vantagens para quem está no poder:
Capital político imediato
Controle da agenda pública
Visibilidade institucional
Problema:
Possível desequilíbrio na disputa eleitoral
(princípio da paridade de armas)
📜 Avaliação
Critério Situação
Legalidade ✔️ Legal
Constitucionalidade ⚠️ Debate
Democracia ❗ Questionável
⛪ 10. Dimensão ética
✔️ Ajuda ao endividado → justiça social
❗ Uso político do benefício → questionável
👉 Dilema:
assistência legítima ou instrumento de poder?
📰 Editorial
📌 “Para o PT, o futuro é o passado”
Por O Estado de S. Paulo
O manifesto do partido reforça:
Retórica da “herança maldita”
Foco na reeleição
Propostas com baixa inovação
👉 Crítica central:
dificuldade de apresentar projeto realmente novo.
🌍 Geopolítica do petróleo
A saída dos Emirados Árabes da Opep sinaliza:
Enfraquecimento do cartel
Crescente protagonismo de EUA, Brasil e Venezuela
Disputa por liderança no Golfo
🎶 Trilha sonora do dia
🎤 Maria Alcina – Maria Boa
🎼 Chico Buarque – Fado Tropical
🎭 Encerramento
A pergunta permanece — com ironia digna de Assis Valente:
Que vantagem Maria leva?
Entre o alívio imediato e o custo invisível,
entre o discurso e a prática,
entre o presente e o futuro —
📌 algumas vezes se ganha, outras vezes se aprende.
Se quiser,
📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende
Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53
📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026
📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011.
🎥 Análise política do dia
📍 Governo sob pressão no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma das semanas mais críticas após derrotas no Congresso.
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF evidenciou fragilidade da base e articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
▶️ Vídeo – Análise da crise política
🔗 Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=B3y5L1DVs_U
❓ Pergunta central do dia
O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida? Quem garante esses dois alívios?
💰 Alívio das dívidas – Desenrola Brasil 2.0
Descontos de até 90%
Uso do FGTS
Juros limitados
Público ampliado (até 5 salários mínimos)
🛡️ Quem garante?
Pessoas → FGO + FGTS
Governo → Tesouro Nacional
👉 O risco final pode recair sobre o contribuinte.
⚖️ Conceitos-chave
Mínimo Existencial
Garantia constitucional de sobrevivência básica.
Lei da Usura
Limitada para bancos; revisões ocorrem via Justiça.
🏦 Como funciona o FGO
Governo garante o banco
Se houver calote → Tesouro paga
🎯 Quem ganha?
👤 Devedor: alívio imediato
🏦 Banco: recuperação com baixo risco
🏛️ Governo: estímulo econômico
🎥 Debates e análises complementares
▶️ Manhattan Connection
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=i-9yNU6Y0dA
▶️ Central Meio – análise política
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=d0bEJwkHum0
Debate com foco nas derrotas do governo e articulações políticas.
▶️ TV 247 – Entrevista com José Genoino
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PX9f9TVCtj4
Análise crítica interna sobre os rumos do governo e do PT.
📰 Editorial
📌 “Para o PT, o futuro é o passado”
Por O Estado de S. Paulo
Retórica recorrente
Foco na reeleição
Falta de inovação política
🌍 Geopolítica do petróleo
Saída dos Emirados Árabes da Opep:
Enfraquecimento do cartel
Ascensão de novos produtores
Impacto global no mercado
🎶 Trilha sonora do dia
▶️ Maria Boa – Maria Alcina
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=GyIA-7IR6GI
▶️ Fado Tropical – Chico Buarque
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=NfjaFMah7sE
🎭 Encerramento – Sátira musical
Inspirado em Assis Valente e no estilo de Maria Alcina:
Que vantagem Maria leva?
(trecho)
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Nome limpo lá na praça?
À toa!
Com quem é que o lucro fica?
No banco!
E o dinheiro da Maria?
É branco!
🧠 Reflexão final
Entre o alívio imediato e o custo invisível,
entre o discurso e a prática,
entre o presente e o futuro:
Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende.
Se
Palavras, palavras, palavrasBebendo-as pelos buracos dos ouvidos.
Dante AlighieriCapítulo XIV
"Condenado o erro de outrem, como consta naquela parte que se apoiava nas riquezas, infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. Esta condenação é feita naquela parte que começa: Nem aceitam que homem humilde se torne nobre. Condena-se isso primeiramente por uma razão que leva os mesmos a errar desse modo; e depois, para maior confusão deles, também essa razão é destruída. Isso é feito quando se diz: Disso se segue o que antes propus. Por fim, comprova-se que seu erro é evidente, sendo já tempo de acatar a verdade, o que consta nessa parte do texto: Porque para intelectos sadios." pp. 175-176
O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha
Publicado em 03/05/2026 - 08:34 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política
A rejeição da indicação de um indicado de Lula ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que foi fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação não explica tudo
A crise do florianismo, que pôs fim à chamada República da Espada, e a consolidação da República Oligárquica ajudam a iluminar, por contraste histórico, o momento atual da política brasileira. A dificuldade do marechal Floriano Peixoto em exercer plenamente sua autoridade sobre o sistema político — inclusive no que diz respeito à nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal —, não foi um acidente institucional, mas o sintoma de uma correlação de forças em mutação, na qual as oligarquias agrárias emergiam como poder decisivo em relação aos militares e outros setores da sociedade.
Leia também: Derrotas põem governo a reboque do Congresso
Ao assumir a Presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, Floriano governou sob estado de exceção permanente, enfrentando a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. Sua liderança, de caráter militar e centralizador, apoiava-se mais na força do que na mediação política. Isso enfraqueceu sua capacidade de construir uma base civil duradoura. Nesse contexto, houve o bloqueio às suas indicações para o Supremo. A Constituição de 1891 previa a participação do Senado na aprovação dos ministros, mas o que se observou foi a crescente capacidade de veto das oligarquias regionais, sobretudo aquelas ligadas à economia cafeeira paulista e às elites agrárias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
A elite agrária, organizada em torno de interesses econômicos e redes clientelistas, impôs limites concretos à autoridade presidencial. Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano viu-se constrangido à lógica da negociação oligárquica. A eleição de Prudente de Moraes consolidou essa mudança. Primeiro presidente civil, Prudente representava a vitória do pacto entre as oligarquias regionais, que estruturariam a chamada “política dos governadores” e o sistema de alternância entre São Paulo e Minas — a “política do café com leite”.
A República deixava de ser um projeto militar e passara a ser um arranjo oligárquico, baseado no controle do voto, no mandonismo local e na captura das instituições. Os fundamentos da República Velha estavam assentados também na mediação do Congresso como espaço de barganha entre elites e a subordinação do Executivo a essas correlações de força. O presidente continuava formalmente poderoso, mas sua autoridade dependia da capacidade de articular interesses dispersos, o que Floriano não sabia fazer.
A crise de 1929 devastou a economia brasileira, baseada no café, ao derrubar os preços internacionais e as exportações para os Estados Unidos. Contribuiu para a Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha. Com forte apoio militar, Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda e governador do Rio do Grande do Sul, derrubou o governo Washinton Luiz e assumiu o poder.
Correlação de forças
A rejeição da indicação de um indicado do presidente da República ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que é fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação até seria suficiente para explicar os 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção em relação ao wx-advogado-geral da União Jorge Messias. Mas o que ocorreu vai além da insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia sugerido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para cargo. Lula preferiria que o senador mineiro fosse seu candidato a governador em Minas Gerais, porém, agora, não será nem uma coisa nem outra, até porque não quer.
Leia ainda: Veto do Senado a Messias no STF põe Pacheco na berlinda
Na sequência, a derrubada pelo Congresso, sob comando de Alcolumbre, dos vetos presidenciais ao projeto de lei que diminui as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra que há algo mais profundo, assim como ocorreu com Floriano. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos contra o veto e 144 a favor, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra.
Qualquer nome que seja indicado por Lula antes das eleições, sem acordo com o Centrão, também será derrubado. Se insistir, o presidente passará pelas agruras de Floriano, que teve cinco indicados barrados pelos senadores: o médico Cândido Barata Ribeiro, os generais Ewerton Quadros e Demóstenes Lobo e os advogados Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro. Guardadas as proporções históricas, as duas votações revelam uma mudança de correlação de forças políticas do país.
Qualquer iniciativa que não leve isso em conta estará fadada ao fracasso. O chamado “Centrão ampliado” cumpre, hoje, papel semelhante ao das oligarquias da Primeira República: não é uma força ideologicamente coesa, mas um bloco pragmático, orientado pela lógica da sobrevivência política e da maximização de recursos. Apoia o governo enquanto isso lhe for conveniente, mas não hesita em se alinhar à oposição quando a expectativa de poder se desloca. Esse deslocamento está em curso.
O Congresso se move não apenas em função do Palácio do Planalto, mas das eleições de 2026. Há, contudo, uma diferença importante. Na República Velha, o poder oligárquico se exercia de forma relativamente estável, baseado em estruturas sociais rígidas e no controle do voto. No Brasil atual, a dinâmica é mais fluida, mediada por pesquisas de opinião, redes sociais e ciclos eleitorais mais curtos, além de uma derrama de emendas parlamentares impositivas. Ainda assim, o padrão se repete: a captura do sistema político por interesses regionais organizados, em detrimento de projetos nacionais mais amplos.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Alcolumbre, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, Lula
palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
Em depoimento ao Correio, Ivan Valente fez declarações à companheira, Vera Lúcia: "Agora é um encontro de corpo e de alma" - (crédito: Arquivo pessoal)
Foto de perfil do autor(a) Evandro ÉboliHistória de amor e lutaDeputado do PSol faz transplante de rim e doadora é sua mulherIvan Valente (PSol-SP) passou por cirurgia em São Paulo; Vera Lúcia Valente, sua companheira desde a clandestinidade, tinha tipagem de sangue compatível
Evandro Éboli +
postado em 26/10/2023 16:23 / atualizado em 26/10/2023 17:30
No seu oitavo mandato como deputado federal, Ivan Valente (PSol-SP) passou por um sobressalto no seu quadro de saúde, mas se recupera bem e retornou esta semana aos trabalhos na Câmara. A patologia que afeta o parlamentar envolve a presença de cistos nos dois rins, doença conhecida como rim policístico, que ataca o tecido e compromete a filtragem do sangue.Sempre elas, as Valentes, nos rins e nos ringues - Vera Lúcia - presentes nos corações
domingo, 3 de maio de 2026
A despedida do jacobino, por Bernardo Mello FrancoO GloboVeterano do PSOL anuncia que não disputará nono mandato de deputado federal: "A idade pesa, e a política precisa de renovação"
No dia 19 de março, Ivan Valente subiu à tribuna da Câmara para pedir a cassação de deputados do PL que desviaram dinheiro de emendas. Conhecido pelo tom combativo, aproveitou para provocar os “capachos da elite”, criticar as guerras de Donald Trump e descer a lenha em Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
O deputado do PSOL não mencionou, mas era seu último discurso após oito mandatos em Brasília. Suplente da federação com a Rede, ele teria que devolver a cadeira à titular Marina Silva. Sem alarde, despediu-se dos aliados e avisou que não seria mais candidato. Estava encerrando a carreira parlamentar.
“Outro dia, ouvi o Martinho da Vila dizer que saber parar é uma virtude. Eu também estou nessa”, brinca Valente, que fará 80 anos em julho. “Foi uma decisão bem pensada. A idade pesa, e a política precisa de renovação”, defende.
Em 2023, o veterano se submeteu a um transplante de rim, que o afastou da Câmara por três meses. A doadora foi sua mulher, Vera Lúcia. Perseguidos pela ditadura, os dois se conheceram na clandestinidade. Valente passou sete anos nas sombras até ser capturado em 1977, quando militava no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP). Preso no DOI-Codi do Rio, apanhou no pau de arara, levou choques elétricos e ficou na geladeira, cubículo onde os presos eram confinados sem luz, água ou comida.
A tortura deixou sequelas físicas, mas não abalou suas convicções socialistas. Depois da Anistia, ele dirigiu o jornal alternativo Companheiro e ajudou a criar o PT. Elegeu-se para o primeiro mandato em 1986, como deputado estadual. Mais tarde, deixaria o partido para participar da fundação do PSOL. Tachado de radical, incorporou a palavra ao slogan de campanha.
Como outros parlamentares de sua geração, Valente andava desanimado com o Congresso. “O nível caiu muito, a mediocridade está grande. Até o convívio com os adversários já foi mais civilizado”, lamenta. “Sempre tive amigos no PSDB. Hoje a Câmara está cheia de deputados toscos, extremistas, napoleões de hospício. Com muita gente, não dá nem para conversar”.
Na quinta-feira, ele assistiu pela TV à derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e seus comparsas. “É um escárnio. Estão normalizando uma tentativa de golpe que não se consumou por um triz”, indigna-se.
O decano do PSOL prega que o governo dê um “giro à esquerda” para tentar sair da lona. “O Centrão já escolheu seu candidato. Se Lula quiser ganhar a eleição, terá que virar a chave, defender pautas que interessem aos trabalhadores e convocar a militância para voltar às ruas. A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento”, defende.
Há três anos, a Comissão de Anistia reabriu o processo de Valente, que havia sido arquivado no governo passado. Ele ouviu um pedido formal de desculpas pela tortura e recebeu indenização de R$ 332 mil pelo período em que foi impedido de trabalhar como engenheiro e professor de matemática. Na cerimônia, quebrou o protocolo e pediu para não discursar no local reservado, à direita da plateia. “Como jacobino, falo sempre pela esquerda”, justificou, arrancando risadas do público.
“Em 29 anos na Câmara, nunca usei a tribuna da direita, nem em sessão solene”, orgulha-se o agora ex-deputado. Sem mandato, ele promete continuar ativo nas redes e nas ruas. Na sexta, participou de live e bateu ponto em ato pelo Dia do Trabalhador. “Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política”, promete.
Audiolivro | Dom CasmurroCurta-metragem: "A Saga de Bento Santiago, o Dom Casmurro"SALA DE LEITURA - PROFª CATARINA L. M. VAGETI
VERTICALIDADE E SOLIDÃO: A AUSÊNCIA DE ALTERIDADE NOS VELÓRIOS DE BENTO SANTIAGO
A trajetória de Bento Santiago, o Dom Casmurro, é a crônica de uma subjetividade incapaz de alteridade. Como aponta o introito de Dante em seu Banquete, o erro daqueles que atrelam a nobreza ao tempo ou à posse — a "antiga riqueza" — reside na cegueira diante da essência humana. Bentinho, herdeiro de uma elite fluminense estagnada, comete erro análogo: busca a nobreza do ser na manutenção de uma hierarquia rígida, revelando-se um caráter incapaz de transitar na horizontalidade democrática do afeto. Através da análise dialética de dois momentos fúnebres — os velórios de Manduca e de Escobar — emerge uma tese sombria: Bento nunca conheceu a amizade, pois nunca concebeu a existência do "outro" fora de uma relação de domínio ou de anulação.No primeiro velório, deparamo-nos com um caráter em formação, onde o germe da crueldade machadiana se manifesta no desprezo pela fragilidade de Manduca. O filho do vendeiro, o "outro" socialmente inferior, ousara vencer Bento no campo do intelecto ao acertar o prognóstico da Guerra da Crimeia. A morte de Manduca, para o pequeno Bento, não é uma tragédia humana, mas um ajuste de contas cósmico. Diante do cadáver, Bentinho sente a voluptuosidade da sobrevivência. Ele massacra "de cima": a vida física de Bento é a sua prova final de superioridade sobre a razão de Manduca. Ali, a amizade é impossível porque o amigo é visto como um competidor que a natureza, providencialmente, eliminou para restaurar o orgulho de classe e a vaidade do protagonista.No segundo velório, o de Escobar, encontramos o caráter aparentemente já formado, mas que em essência é apenas a sofisticação daquela mesma inabilidade horizontal. Se com Manduca a relação era de esmagamento, com Escobar — o jovem brilhante, prático e bem-sucedido — a relação fora de anulação. Bento não é amigo de Escobar; ele é um satélite de sua inteligência. A admiração que nutre pelo ex-companheiro de seminário é, na verdade, uma forma de parasitismo existencial. Quando Escobar morre, o que Bento lamenta não é a perda da companhia, mas a perda do espelho onde sua própria insegurança se refugiava.A transição entre os dois episódios revela a "verticalidade" patológica de seu caráter, ecoando a crítica da professora Eliana na histórica assembleia da ADUFRJ: Bento é incapaz de estabelecer trocas equânimes, vulneráveis e simétricas. No velório de Escobar, a verticalidade se manifesta na paranoia: ele se coloca na posição de juiz supremo, escrutinando o olhar de Capitu para condenar tanto o morto quanto a viva. A dor pela perda de Escobar é substituída pelo cálculo frio do ciúme. O velório deixa de ser um rito de passagem para tornar-se um tribunal inquisitório onde Bento, do alto de sua pretensa infalibilidade, destrói os laços que o ligavam à humanidade.Em suma, Bento Santiago é o arquétipo do isolamento aristocrático da alma. Seja pelo desprezo (Manduca) ou pela idolatria transformada em ódio (Escobar), ele permanece encerrado em si mesmo. A tese de que Bento não teve amigos confirma-se pela sua incapacidade de habitar o plano comum. Para ele, o outro é sempre um degrau ou um abismo, jamais o solo. Dom Casmurro é, portanto, o relato final de um homem que, por só conseguir olhar para cima ou para baixo, terminou por não ver ninguém. Como Dante bem concluiu, para intelectos sadios, o erro de Bento é evidente: a nobreza da vida não reside no tempo de posse ou na vitória sobre o outro, mas na capacidade de reconhecê-lo como igual.
No Capítulo XIV do Quarto Tratado de O Banquete, Dante Alighieri inicia a refutação da definição de nobreza baseada na herança de riquezas, argumentando que a verdadeira nobreza é uma semente de virtude divina. O autor desconstroi a ideia de que a posse de bens materiais confere nobreza, defendendo que esta é uma qualidade ética da alma, e não uma herança familiar.
Publicado entre 1304 e 1307, a obra Banquete é conhecida como o tratado filosófico escrito pelo poeta e filósofo italiano Dante Alighieri (1265-1321). Como o título em si, é um livro que pretende oferecer um banquete de sabedoria, principalmente aos pobres e marginalizados da cultura das letras da Idade Média. A obra funciona como um elogio do amor, da nobreza de alma e, ao mesmo tempo, uma crítica rígida contra a nobreza medieval de cunho político, contra muitos dos valores estabelecidos pela sociedade da época e contra a falsa moral.
Nasceu na cidade de Florença no ano de 1265. Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos filósofos escolásticos. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta"). E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental.
Palavras
Gonzaguinha
Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais
Palavras, palavras, palavras
Você só fala, promete e nada faz
Palavras, palavras, palavras
Desde quando sorrir é ser feliz?
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia!
Composição: Gonzaguinha.Marisa Monte - Palavras ao VentoDante Alighieri, the Father of italian language
12 Expressions and Words invented by DANTE that Italians still use NOWADAYS
As many know, Dante Alighieri was a great Italian writer and poet, famous above all for his masterpiece, the Divine Comedy. What many people do not know, however, is that it is thanks to him that words or expressions previously unknown or little widespread have become part of our language. That is why he is considered “the father” of our modern Italian!
Dante Alighieri, the Father of italian language1. “Molesto” – “Annoying”
This adjective that comes from the Latin means “irritating”, “bothersome”; it was a term already widespread in Dante’s time, but it is surely thanks to him that it has acquired popularity and its diffusion has increased. In fact, the adjective “harassing” is present both in songs of Hell and Paradise. In particular, when one of his ancestors announces to Dante the future that awaits him, nothing pleasant in short.
2. “Fertile”
This Latinism has reached the common language thanks to the Divine Comedy, in particular to Paradise, in which Dante describes the birthplace of Saint Francis as a “fertile coast”. The adjective “fertile” comes from the ferre verb, which means “to bring, to produce”, hence the meaning of today’s “fruitful, productive”.
3. “Quisquilia” – “Cinch”
This term also comes from the Latin (what’s new!), where it meant “straw”; so over time he went to metaphorically indicate “trifle, smallness”, meaning issues of little importance. “Quisquilia” has been used since 1321, but thanks to Dante it has acquired the meaning we know today in the passage in which it describes how Beatrice manages to eliminate every “quisquilia” from the eyes of the poet, every impurity, to save it.
4. “Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate” – “Abandon all hope, ye who enter here”
This expression has now become a proverb. It is the engraving that is on the door of Hell, the place of eternal punishment, and today it is used as an ironic warning or with a bitter tone to those who are about to enter a place or a situation that could prove dangerous.
5. “Galeotto fu…” – “It all started…”
This expression is taken from the song of Paolo and Francesca and in the original version ends with “‘the book and who wrote it”; today, however, it is completed with anything. Paolo and Francesca are brothers-in-law and fall in love with each other by reading a book on the adventures of Lancelot and the knights of the Round Table. Galeotto, there, was a person who betrayed King Arthur by pushing Queen Guinevere into Lancelot’s arms. In the same way, the book metaphorically pushes Francesca into the arms of Paolo giving birth to the spark of love, for which they will be killed by Francesca’s husband, Paolo’s brother. Today, this expression is used to indicate an object, a person or an event considered “spark” for the birth of a love relationship… and not only. For example, I started to get into the English language thanks to the TV series Gossip Girl. So, if someone asks me “Why did you decide to study English?” I could answer “Well…it all started with Gossip Girl”.
6. “Fatti non foste a viver come bruti…” – “Ye were not made to live like unto brute…”
These are the words that Ulysses addresses to his companions in song XXVI of Hell, asking them to think of their origin: as human beings, they were not created to live as animals, but to pursue nobler goals, such as virtue and knowledge. He uses this phrase to convince them to go beyond the limits of the then known world and go beyond, to discover new things. Today, the expression is used with the same meaning: it is an invitation not to behave like beasts, but to follow virtue and science as great ideals.
7. “Stai fresco” – “Safe and sound (ironic)”
This expression, widely used in spoken Italian, derives from the very structure of Dante’s Inferno. In the ninth circle, that is, the lowest, the worst, where there are traitors, so worse sin for Dante, «sinners stay fresh», as they are condemned to be immersed completely or almost (depending on the gravity of sin) in the eternal ice. This image has remained in the daily Italian to indicate something that will end badly. For example, there is a friend of mine, Stefania, who would like to cook cakes, but she just can’t do it, they always come out very badly. So, when we organize dinners with friends and she says “I bring the dessert”, everyone says “Oh perfect, we’re safe and sound then!”.
8. “Mesto” – “Sad”
This adjective comes from the Latin maestus, which means “to be sad, sorrowful” and is introduced for the first time by Dante in Hell, where it indicates sinners, who are, of course, “sad”.
9. “Non mi tange” – “I don’t care”
This expression means “I do not worry, it does not even touch me, I do not care”, and is pronounced by Beatrice, descent into Hell, which is not at all disturbed by the environment and misery of the damned, because it is a divine creature. Even today, we use this expression a lot to indicate that something is of little interest to us. For example, if everyone is worried about who will be the winner of the Champions League at the time of the final, I could say that “It doesn’t cost me”, because I don’t care much about football.
10. “Cosa fatta, capo ha” – “What is done, is done”
This was a Tuscan proverb, now entered the standard Italian, which means that everything is done with a purpose, a goal and, once done, can not be undone, undone, you can not go back. It is often used to put an end to discussions about things that have now happened, because they are useless.
11. “Non ragioniam di lor, ma guarda e passa” – “Let us not talk of them, but look and pass”
This expression (also known in the version “Non ti curar di lor, ma guarda e passa”) is said by Virgil to Dante when they are among the ignorant, people who in life had never taken a position and had never sided. Virgil suggests that Dante treat them in the same way they did in life. Today, this expression is used a lot to indicate, more generally, “do not pay attention to people, to what people say or do”. For example, if a friend is very criticized for his way of dressing, we could say “Don’t care about them, but watch and pass”, in the sense of “show themselves superior to their useless criticisms, look at them with contempt, but do not attack them too, avoiding to descend to their level”.
12. “Il fiero pasto” – “The fierce meal”
With this expression, we indicate a bestial, inhuman, absurd meal. In fact, Dante uses it in reference to the meal of Count Ugolino. These, in life, had been imprisoned in a tower along with his children and grandchildren, condemned there without food or water. At the time of hunger, however, according to legend, Ugolino ate the bodies of his own children and grandchildren. Here, then, the fierce and inhuman meal.
Did you already know these expressions? Did you already hear them? I am sure that now that we have talked about them, you will always hear them! Because they really are very common, especially in spoken language. I advise you to use them when you are in conversation with Italians, you will see their faces surprises, as if to say: “But how do you know this expression?”.
If you want to learn more about the history of the Divine Comedy, you can watch our hilarious video dedicated to this masterpiece of Italian literature.
Esercizio: Espressioni e Parole inventate da Dante
Test sulle espressioni e parole create da Dante Alighieri che usiamo ancora oggi. Scopri quanto conosci del lascito linguistico del Sommo Poeta. Esercizio gratuito per studenti di italiano.
versão final limpa, organizada e pronta para publicação direta (HTML leve, consistente e sem excessos):
Palavras, palavras, palavras
Bebendo-as pelos buracos dos ouvidos.
Dante Alighieri
Capítulo XIV — O Banquete
"Condenado o erro de outrem [...] infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. [...] Porque para intelectos sadios."
(pp. 175–176)
O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha
Publicado em 03/05/2026 — Luiz Carlos Azedo
A rejeição de uma indicação ao Supremo não ocorria desde Floriano — e não se explica apenas por articulação política.
A crise do florianismo e a consolidação da República Oligárquica ajudam a compreender o momento atual da política brasileira. A dificuldade de Floriano Peixoto em exercer autoridade revelou uma mudança na correlação de forças, com o fortalecimento das oligarquias agrárias.
Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano foi constrangido à negociação política. A eleição de Prudente de Moraes consolidou o poder civil e o pacto oligárquico.
Correlação de forças
Hoje, o chamado “Centrão ampliado” exerce papel semelhante: um bloco pragmático, orientado por interesses eleitorais. O Congresso se move cada vez mais com autonomia, mirando as eleições de 2026.
Conclusão: qualquer iniciativa que ignore essa dinâmica tende ao fracasso.
Palavras. A ética da responsabilidade começa onde termina a ilusão de inocência.
História de amor e luta
Deputado do PSOL faz transplante de rim com doação da esposa
Ivan Valente passou por cirurgia em São Paulo após complicações renais. A doadora foi sua companheira, Vera Lúcia, com quem compartilha uma trajetória desde a clandestinidade política.
A história une militância, resistência e afeto.
A despedida do jacobino
Por Bernardo Mello Franco
Veterano do PSOL, Ivan Valente encerra sua trajetória parlamentar após décadas de atuação política, marcadas por militância, resistência e coerência ideológica.
“Saber parar é uma virtude.”
Dom Casmurro: verticalidade e solidão
A trajetória de Bento Santiago revela uma subjetividade incapaz de reconhecer o outro como igual. Inspirado na crítica de Dante à falsa nobreza, o romance de Machado de Assis expõe uma alma aprisionada na hierarquia e no ciúme.
Nos velórios de Manduca e Escobar, evidencia-se a incapacidade de amizade: ora pelo desprezo, ora pela anulação.
Bento não habita o plano comum — vê o mundo apenas como superioridade ou inferioridade.
Conclusão: a verdadeira nobreza está na capacidade de reconhecer o outro.
O Banquete — Dante Alighieri
Escrito entre 1304 e 1307, o livro refuta a ideia de nobreza baseada na riqueza e defende a nobreza como virtude da alma.
Trata-se de um elogio do conhecimento, da ética e da dignidade humana.
Palavras — Gonzaguinha
Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais...
Composição: Gonzaguinha
Vídeos
Dom Casmurro (audiolivro)
Curta: A Saga de Bento Santiago
Marisa Monte — Palavras ao Vento
Dante e a língua italiana
Dante e a linguagem
Molesto — irritante
Fértil — produtivo
Quisquilia — coisa sem importância
“Abandonai toda esperança”
“O feito está feito”
Entre política, literatura e música, permanece o mesmo eixo: as palavras — que constroem, iludem, revelam e também traem.
Se quiser, posso dar um próximo nível nisso:
otimizar para SEO (título, meta, slug)
adaptar exatamente para Blogger (sem quebrar layout)
ou
transformar em versão mais “editorial”/revista
Líder do governo usa gravata da sorte de Lula em sabatina de MessiasMetrópolesO líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco.O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU. Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles
Entre a convicção e o controle: a prova silenciosa do poder
Há momentos em que o direito deixa de ser apenas norma e se revela como drama. Não o drama retórico dos discursos preparados, mas aquele, mais exigente, em que a linguagem falha e, com ela, expõe-se o próprio sujeito diante da responsabilidade que pretende assumir. Foi nesse intervalo — entre o que se quis dizer e o que efetivamente se disse — que se evidenciou uma tensão antiga, descrita com precisão por Max Weber: a tensão entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade.
O procurador-geral, ao sustentar sua posição, buscou delimitar três planos: a convicção pessoal, a posição institucional e a decisão jurisdicional. A arquitetura era correta. Trata-se, afinal, do núcleo da racionalidade jurídica moderna: a separação entre o sujeito que pensa, o agente que atua e o juiz que decide. No plano do controle constitucional, essa distinção não é apenas desejável — é indispensável. Sem ela, o direito se dissolve na vontade; com ela, pretende-se conter o arbítrio pela forma.
Mas o direito, como já sugeria Weber, não se sustenta apenas na correção conceitual. Ele exige uma ética da condução. E conduzir, nesse contexto, significa suportar o peso das consequências — inclusive as consequências da própria palavra.
O que se observou não foi a ausência de teoria, mas a falha em sua encenação prática. Ao embaralhar a ordem dos elementos que pretendia distinguir, o sabatinado não apenas cometeu um deslize formal; ele deixou entrever a dificuldade de habitar, com precisão, o espaço que separa convicção e responsabilidade. E é precisamente nesse espaço que se constitui a autoridade de quem pretende exercer funções no topo do sistema de controle constitucional.
O Supremo Tribunal Federal, enquanto instância última de interpretação da Constituição, não opera no registro da intenção, mas no da consequência. Seus membros não são avaliados apenas pelo que pensam, mas pela capacidade de transformar pensamento em decisão estável, compreensível e institucionalmente defensável. A linguagem, nesse cenário, não é ornamento: é instrumento de poder. Quando falha, não compromete apenas a forma — fragiliza a confiança na substância.
A ética da convicção, isoladamente, poderia justificar qualquer coerência interna. A ética da responsabilidade, por sua vez, exige algo mais difícil: a antecipação dos efeitos, a contenção de si e a clareza diante do outro. Para Weber, a maturidade política reside justamente na capacidade de sustentar ambas sem colapsar em nenhuma. O que se viu, porém, foi um curto-circuito: a convicção não encontrou forma, e a responsabilidade não encontrou expressão.
Nesse sentido, a sabatina não foi apenas um ritual institucional. Foi um teste de vocação no sentido mais exigente do termo weberiano. Não se tratava de verificar adesões ideológicas, mas de aferir a capacidade de operar o direito sob as condições reais do poder — onde o tempo é curto, a pressão é alta e o erro não é neutro.
A decisão dos senadores, nesse contexto, não pode ser reduzida à metáfora da omissão. Ao contrário, ela expressa o exercício — ainda que permeado por interesses — de uma responsabilidade política concreta. Ao avaliar aquele que, potencialmente, viria a julgar seus próprios atos, o Legislativo não busca pureza, mas previsibilidade. E previsibilidade, no direito, começa pela clareza.
Há, por fim, uma ironia silenciosa nesse episódio. O esforço do sabatinado foi o de afirmar que saberia separar suas convicções das exigências do cargo. O efeito produzido, entretanto, foi o oposto: revelou-se a dificuldade de sustentar essa separação justamente quando ela se tornava necessária.
O direito constitucional contemporâneo não carece de intérpretes que saibam o que dizer. Carece, antes, daqueles que saibam dizer quando importa — e como importa. Entre a convicção e a responsabilidade, não há espaço para hesitação performativa. Há, sim, a exigência de uma lucidez que não se aprende apenas nos livros, mas se prova na exposição pública do próprio juízo.
E é nesse instante — breve, decisivo e irreversível — que o direito deixa de ser teoria e se transforma, definitivamente, em poder.
Pilate Washing His Hands, from "The Passion"Albrecht Dürer German
1512
🪶 Legenda
Se Max Weber estivesse diante dessa gravura, a leitura seria quase inevitável
Aqui não se vê a abdicação do poder, mas sua forma mais sutil: a tentativa de dissociar a decisão de suas consequências. A mão que se lava não anula o ato que já se consumou. Entre a convicção íntima e a responsabilidade objetiva, não há água suficiente que purifique o agente do mundo que ele próprio ajuda a produzir. Quem decide, responde — ainda que o faça sob o abrigo de fórmulas, ritos ou palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
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