quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades – Luís de Camões

"Eu na verdade indiretamente Sou culpado da tua infelicidade Mas se eu for condenado A tua consciencia sera meu advogado" Errei Erramos Ataulfo Alves
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança; do mal ficam as mágoas na lembrança, e do bem (se algum houve), as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria, e, enfim, converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, outra mudança faz de mor espanto, que não se muda já como soía. Nota biográfica Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, Portugal, em 1524. Foi uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental. A sua obra magna, Os Lusíadas, é considerada a epopeia portuguesa por excelência. Camões foi louvado por diversos luminares não-lusófonos da cultura ocidental. Mônica Bergamo: Lula deve pedir fim da investigação americana sobre Pix Rádio BandNews FM "Tem um leitor aqui perguntando: 'pra que tantos dedos para elogiar o Lula?' Primeiro que não foi um elogio, foi uma constatação. Constatação de um talento que ele tem, assim como o Ciro o chamou de encantador de serpentes, né. É... e, de fato, eu não gosto de elogiar político não, porque já tem gente muito bem paga para fazer isso. O meu trabalho é outro."
quarta-feira, 6 de maio de 2026 Lula e o fantasma das Laranjeiras, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo O último dos espíritos que rondam Brasília aparece a Lula nas noites insones do Alvorada Em 30 de outubro de 1897 o Jornal do Brasil noticiou em sua primeira página: “Às primeiras badaladas da meia-noite, descia a Ladeira do Ascurra nas Laranjeiras, no Rio, em direção ao Largo do Machado, um vulto de mulher, ora decapitado, ora ostentando uma cabeça povoada de cabelos negros”. Milhares acorreram nos dias seguintes à ladeira para tentar flagrar a assombração. A história do fantasma que apavorou a capital federal meses antes do atentado contra o presidente Prudente de Morais está no livro 1897, A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais, do professor Ely Carneiro de Paiva, da Unicamp. Ela marcou o último ano do primeiro governo civil da República. Na noite de quinta-feira, dia 30 de abril, milhares de pessoas se aglomeraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, no centro de São Paulo. Chegaram pouco a pouco em suas motocicletas e com seus baús e mochilas. Um deles explicou à coluna. Estava lá para “assar uma carne”, “conversar”, “confraternizar”. Entregadores, sem outro vínculo que não o de seu trabalho – de forma que alguns desavisados chamariam de “espontânea” –, inundaram a praça com seu destino comum, suas vidas, esperanças e inseguranças. Todos invisíveis ao governo e às centrais sindicais. Ali passeava um fantasma. Não o da mulher sem cabeça, mas o de uma esquerda que não soube conversar com esse mundo, como mostrou a repórter Cristiane Barbieri em sua série sobre a nova realidade do trabalho. De fato, na noite de quinta-feira, não havia um único dirigente da CUT ou do PT na Praça Charles Miller. O fantasma da falta de conexão com o novo mundo do trabalho não é o único a apavorar Lula e o PT neste 2026. A ele se junta o fantasma das relações civis e militares. Se a oficialidade se descolou, em sua maioria, do bolsonarismo em 2023, tampouco passou a nutrir simpatias pelo petismo, mesmo após os ataques da extrema direita ao Exército, que se manteve na legalidade e não embarcou no Plano Punhal Verde e Amarelo. Uma terceira assombração resolveu reaparecer em Brasília. E à luz do dia. Ela não se mostrava assim desde o governo de Floriano Peixoto, o marechal que antecedera Prudente de Morais. Trata-se da crise do mundo político com aquele habitado, hoje, por dez magistrados. Há muita gente se preparando para assistir a um novo espetáculo, que até bem pouco só existia no mundo sobrenatural. O desfile de decapitados de 2027 não descerá a Ladeira do Ascurra – dizem esses áugures –, mas ocorrerá no STF. Por fim, o último dos fantasmas que rondam Brasília é o que aparece a Lula nas noites insones do Alvorada. Ele tem as vestes do Bolsonaro Acorrentado e sobe a rampa do Planalto.
Bayes' Theorem updates your belief about something after seeing new evidence.
Vale a pena guardar
Entre 1989 e 2026: repetição ou metamorfose? Uma leitura da política brasileira à luz de Camões Por uma ciência política de divulgação A eleição presidencial de 1989 ocupa um lugar singular na história brasileira. Primeira após a ditadura militar, reuniu 22 candidatos e simbolizou um país em reconstrução institucional, marcado pela fragmentação partidária e pela busca de identidade democrática. Nomes como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva representavam projetos distintos de país, enquanto Fernando Collor de Mello emergia como o “novo”, um outsider que capitalizou o desgaste das elites tradicionais. Passadas quase quatro décadas, a eleição de 2026 se desenha em um cenário profundamente diferente — mas não totalmente desconectado. A questão que se impõe é: estamos diante de uma repetição histórica ou de uma transformação estrutural com aparência de continuidade? Da fragmentação à polarização Se 1989 foi marcado pela dispersão — 22 candidaturas, múltiplos projetos e baixa coordenação partidária —, o Brasil contemporâneo caminha na direção oposta: a polarização. Nas eleições recentes, o número de candidaturas diminuiu significativamente, e o sistema político passou a se organizar em torno de dois grandes polos. Nesse contexto, a possível presença de Luiz Inácio Lula da Silva como figura central em 2026 não representa apenas continuidade pessoal, mas a consolidação de um eixo político que estrutura o debate nacional há pelo menos duas décadas. Por outro lado, nomes como Ronaldo Caiado ilustram a reorganização do campo oposicionista, que já não se ancora nas mesmas siglas ou lideranças de 1989, mas mantém a lógica de contraposição. Partidos: permanência nominal, mutação substantiva Um dos aspectos mais intrigantes da comparação entre 1989 e 2026 é a sobrevivência das siglas. O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, permanece como protagonista. No entanto, sua posição no sistema político mudou: de força emergente em 1989 a eixo estruturante do debate político contemporâneo. Outras siglas desapareceram, se fundiram ou perderam relevância. Isso revela uma característica central do sistema partidário brasileiro: alta volatilidade institucional combinada com continuidade simbólica. A ideia de um “terceiro partido” com papel semelhante ao do antigo PRN — legenda de Collor — também ressurge ciclicamente. Contudo, diferentemente de 1989, esse espaço tem encontrado dificuldade em se consolidar de forma duradoura, sendo frequentemente absorvido pela dinâmica polarizada. O mito da repetição histórica Há uma tentação recorrente, no jornalismo e na análise política, de interpretar o presente como espelho do passado. A presença de nomes conhecidos, a permanência de siglas e a reedição de antagonismos sugerem uma espécie de déjà vu institucional. No entanto, essa leitura ignora transformações profundas: O papel das redes sociais na formação da opinião pública A profissionalização das campanhas A judicialização da política A mudança no perfil do eleitorado Assim, ainda que Luiz Inácio Lula da Silva possa disputar novamente sob a mesma sigla, o contexto em que isso ocorre é radicalmente distinto daquele de 1989. Camões e a política: mudança como regra É nesse ponto que a leitura do poema de Luís de Camões se torna mais do que um recurso literário — ela se transforma em chave analítica: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.” A política brasileira exemplifica com precisão essa dinâmica. O que parece repetição é, na verdade, reconfiguração. As mesmas palavras — democracia, povo, mudança — ganham novos significados conforme o contexto histórico. Conclusão: entre a memória e a transformação A eleição de 2026 não será uma nova versão de 1989, ainda que dialogue com ela. O Brasil de hoje é menos fragmentado, mais polarizado e institucionalmente mais complexo. Se em 1989 a novidade era um outsider como Fernando Collor de Mello, em 2026 a novidade pode residir justamente na dificuldade de emergência de um novo polo fora da lógica dominante. No fim, como sugere Camões, não é apenas o tempo que muda — muda a própria forma de mudar. E talvez seja esse o verdadeiro “imbróglio”: reconhecer que a política brasileira não se repete, mas também nunca rompe completamente com o seu passado. O Partido Invisível: rejeição, simetria e o eco de 1989 na eleição de 2026 Por uma leitura de ciência política aplicada ao jornalismo A eleição presidencial de 1989 marcou a retomada democrática no Brasil com uma característica central: a fragmentação. Foram 22 candidatos, múltiplos projetos e um eleitorado ainda em processo de reorganização após duas décadas de regime militar. Nesse cenário, um elemento inesperado emergiu: a vitória de Fernando Collor de Mello, então filiado ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN), uma legenda pequena que capturou um sentimento difuso de insatisfação nacional. Quase quarenta anos depois, a eleição de 2026 se apresenta sob outra lógica. Menos fragmentada, mais polarizada e estruturada em torno de poucos polos de poder, ela sugere uma transformação profunda no funcionamento da democracia brasileira. No entanto, sob essa mudança aparente, pode-se identificar uma permanência mais sutil — não de partidos ou nomes, mas de funções políticas. Do partido formal ao “partido invisível” Em 1989, o PRN era uma legenda concreta, institucional, ainda que pouco expressiva. Hoje, ele pode ser reinterpretado como algo diferente: não mais um partido formal, mas uma função política difusa, que atravessa siglas e candidaturas. Esse “novo PRN” — que aqui se pode chamar, por ironia ou precisão analítica, de “Partido da Rejeição Nacional” — não se define por um programa, mas por um afeto: a rejeição. Trata-se de um fenômeno conhecido na ciência política como voto negativo, no qual o eleitor não escolhe propriamente um projeto, mas se posiciona contra outro. Nesse sentido, a política deixa de ser apenas disputa de propostas e passa a ser também disputa de rejeições. A simetria dos polos A dinâmica eleitoral contemporânea no Brasil tem se estruturado em torno de um eixo central, frequentemente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e à figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse polo organiza não apenas apoios, mas também resistências. É nesse ponto que o “Partido da Rejeição Nacional” ganha forma: ele surge como imagem invertida desse polo dominante. Sua identidade não é autônoma, mas relacional — define-se pela oposição. Diferentemente de 1989, quando o “novo” se apresentava como promessa de reconstrução, o que se observa agora — ao menos como tendência — é a emergência de um “novo” que se estrutura como negação. Renovação que se torna rejeição A transformação semântica proposta — de “Reconstrução” para “Rejeição” — não é apenas retórica. Ela aponta para uma mudança na própria natureza da política: antes, a mobilização se dava pela esperança de mudança agora, pela recusa da continuidade (ou do adversário) Esse deslocamento não elimina a política, mas altera seu eixo. O debate deixa de girar exclusivamente em torno de projetos de futuro e passa a ser fortemente influenciado por avaliações negativas do presente ou do outro. Camões e a lógica da mudança A leitura desse processo encontra eco no poema de Luís de Camões, especialmente quando afirma: “todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.” Na política brasileira, essa ideia se materializa de forma evidente. As estruturas permanecem, mas seus significados se transformam. As siglas sobrevivem, mas já não representam o mesmo. E até mesmo a ideia de “novo” se reinventa — ora como construção, ora como rejeição. Mais adiante, o poeta aprofunda: “outra mudança faz de mor espanto, que não se muda já como soía.” Aqui está o ponto central: não apenas mudam os atores e as circunstâncias — muda a própria forma de mudança. A política deixa de operar segundo padrões previsíveis e passa a incorporar dinâmicas mais voláteis, emocionais e reativas. O limite da simetria Embora a ideia de uma oposição perfeitamente simétrica seja analiticamente elegante, a realidade política impõe limites. O Brasil continua sendo marcado por: diversidade regional fragmentação partidária no Legislativo surgimento recorrente de novos atores Isso significa que o “Partido da Rejeição Nacional” dificilmente se consolidará como uma força única e estável. Ele tende a se manifestar de forma dispersa, adaptando-se às circunstâncias e às lideranças disponíveis. Conclusão: o passado como linguagem do presente A eleição de 2026 não será uma repetição de 1989. No entanto, ela pode ser compreendida a partir de uma gramática semelhante, na qual sentimentos coletivos encontram expressão em candidaturas específicas. Se em 1989 o PRN foi o veículo de um outsider que prometia reconstrução, em 2026 o que se observa — ao menos como hipótese interpretativa — é a emergência de um “partido invisível”, movido pela rejeição e estruturado em torno da oposição a um polo dominante. No fim, a política brasileira confirma a intuição de Camões: não há repetição pura, mas transformação contínua. E, talvez, o maior desafio analítico seja justamente este: reconhecer que, por trás dos mesmos nomes e siglas, operam sempre novas qualidades de mudança.
Vale a pena guardar O Partido Invisível (Parte II): o agronegócio e a base material da rejeição Se, na primeira parte, identificamos a emergência de um “Partido da Rejeição Nacional” como função simbólica da política brasileira, é necessário agora observar sua base material. Afinal, rejeições não surgem no vazio: elas se organizam sobre estruturas sociais concretas. Entre essas estruturas, nenhuma é tão decisiva — e ao mesmo tempo tão heterogênea — quanto o agronegócio. Um quarto do país que trabalha Hoje, o agronegócio brasileiro reúne aproximadamente 28 milhões de trabalhadores, o que corresponde a cerca de um em cada quatro ocupados no país. Trata-se do maior contingente setorial quando considerado em sua forma ampliada, que inclui: produção agropecuária agroindústria cadeias de insumos logística e comercialização No entanto, esse número esconde uma divisão fundamental. O chamado núcleo primário — o trabalho diretamente no campo — concentra cerca de 8 milhões de pessoas, com rendimento médio mensal próximo de R$ 2.300, significativamente abaixo da média nacional. Dualidade estrutural: modernidade e precariedade O agronegócio brasileiro é frequentemente descrito como moderno, tecnológico e competitivo. E isso é verdade — em parte. Na camada superior do setor, encontram-se: grandes produtores altamente mecanizados cadeias exportadoras eficientes profissionais qualificados com rendimentos elevados Mas, na base, predomina outra realidade: alta informalidade trabalho sazonal baixa renda vulnerabilidade econômica Essa dualidade cria um fenômeno típico de economias desiguais: 👉 um mesmo setor abriga tanto o topo quanto a base da pirâmide social Da condição econômica ao comportamento político É nesse ponto que o agronegócio se conecta diretamente ao argumento da Parte I. A heterogeneidade do setor produz respostas políticas distintas: segmentos mais capitalizados tendem a se alinhar com agendas de mercado, estabilidade e previsibilidade segmentos mais vulneráveis são mais sensíveis a variações de renda, custo de vida e políticas públicas No entanto, ambos podem convergir em um elemento comum: 👉 a rejeição rejeição a políticas percebidas como ameaças econômicas rejeição a atores políticos associados à instabilidade rejeição ao “outro polo” da disputa Assim, o agronegócio não forma um bloco político homogêneo, mas contribui decisivamente para alimentar o que chamamos de “Partido Invisível”. Simetria imperfeita: produção e reação Na dinâmica descrita anteriormente — um polo dominante e um polo opositor — o agronegócio atua como campo de disputa, não como ator único. Parte dele pode se alinhar ao eixo representado pelo Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Partido dos Trabalhadores, especialmente em regiões onde políticas públicas têm impacto direto. Outra parte, porém, se organiza como força de contenção — não necessariamente por identidade ideológica, mas por cálculo econômico e percepção de risco. É nesse deslocamento que a rejeição ganha densidade social. Camões revisitado: a mudança na base Se, na dimensão simbólica, Luís de Camões nos ajuda a compreender a mutação dos significados, na dimensão material ele nos lembra que a mudança é contínua, mas desigual: “O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria…” A metáfora é precisa: o mesmo solo — aqui entendido como o agronegócio — assume formas distintas ao longo do tempo, mas não perde sua centralidade. Conclusão: o invisível tem base concreta O “Partido da Rejeição Nacional” não é apenas uma construção discursiva. Ele se ancora em experiências reais de milhões de trabalhadores que: vivem oscilações econômicas enfrentam insegurança de renda percebem a política como risco ou ameaça O agronegócio, nesse contexto, funciona como um dos principais terrenos onde essa percepção se forma e se difunde. Se em 1989 um partido pequeno canalizou a insatisfação nacional, em 2026 essa insatisfação tende a ser mais difusa — menos institucional, mais espalhada —, mas não menos poderosa. No fim, a política brasileira continua confirmando a intuição camoniana: não apenas mudam os nomes e as formas, mas também as raízes sociais da mudança. E é nelas — mais do que nas siglas — que reside o verdadeiro sentido do jogo político. quarta-feira, 6 de maio de 2026 Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões

terça-feira, 5 de maio de 2026

A esperança — essa, sim — não estava fora.

Estava no ato de continuar.
As lições do governo Allende, as eleições abertas e a solidão do poder Publicado em 05/05/2026 - 11:28 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Guerra, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Trabalho Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo Adeus, senhor presidente, de Carlos Matus Romo, é uma obra singular no campo da reflexão sobre governo e poder na América Latina. Mais do que um manual de gestão, é um diálogo dramático entre um presidente fictício e seu assessor, no crepúsculo de um governo. Matus nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955, na Escola de Economia da Universidade do Chile. Fora assessor do ministro da Fazenda e ministro da Economia do governo de Salvador Allende, de 1971 a 1973, antes de se tornar o maior estudioso latino-americano sobre planejamento de governo e governabilidade. Após o sangrento golpe do general Augusto Pinochet, no Chile, em 11 de setembro de 1973, Matus passou dois anos preso nos campos de concentração de Isla Dawson e Ritoque. Durante esse período, com base na experiência do governo Allende, desenvolveu suas teorias e conceitos sobre planejamento estratégico e gestão pública. Libertado em 1975, partiu para o exílio na Venezuela e buscou responder à seguinte pergunta: “Por que um governo com tanta popularidade e com tão boas intenções caiu de forma tão fragorosa, diante de um golpe militar?” Matus faleceu em 21 de dezembro de 1998, em Caracas. Sonhava regressar ao Chile. Suas cinzas foram espalhadas em sua casa em Isla Negra, diante do mesmo mar sobre o qual o poeta Pablo Neruda teceu seus poemas e passou seus últimos dias. O Líder sem estado-maior e Estratégias políticas: chimpanzé, Maquiavel e Gandhi são outras obras do economista chileno conhecidas no Brasil. Há um paralelo entre Adeus, senhor presidente e a situação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A obra de Matus é um balanço tardio do poder, feito quando já não há mais espaço para ilusões. O presidente fictício descobre, no fim do mandato, que governar não é executar um programa, mas administrar conflitos, limitações e, sobretudo, a perda progressiva de controle sobre a própria agenda. É mais ou menos o que acontece com o presidente Lula. Na disputa eleitoral na qual busca a reeleição, já não é o líder absoluto, mobilizador, capaz de representar grandes esperanças, dono da expectativa de poder. É um governante em apuros, pressionado por contingências que não controla, como a crise do mercado de petróleo, provocada pela guerra do Irã, e uma correlação de forças adversa no Congresso e na sociedade, que agora o obrigam a operar no “modo sobrevivência”. Leia também: Flávio Bolsonaro tem 44% e Lula 43% no 2º turno, diz Real Time Big Data Governabilidade depende da articulação política e da capacidade administrativa, dizia Matus. Quando essa integração falha, o governante passa a ser refém de estruturas que não controla e da avaliação negativa do governo. No caso de Lula, a rejeição inédita de um indicado ao Supremo Tribunal Federal, fato sem precedentes desde o século XIX, sinaliza exatamente isto: o presidente perdeu capacidade de coordenação sobre a engrenagem central do sistema político. Sem respostas Na linguagem de Matus, a agenda governamental está sendo capturada por outros atores. É o caso da segurança pública e das terras raras, por exemplo. É o que também pode acontecer com outras bandeiras do governo, como o fim da escala 6 x 1. O presidente fictício de Matus percebeu tarde demais que sua ação foi condicionada por forças que subestimou. É a situação de Lula, principalmente no Congresso. O Senado, sob liderança de Davi Alcolumbre, afirmou-se como poder autônomo e impõe limites claros ao Executivo. Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao envolvimento de alguns magistrados na disputa. O fato novo não é mais a dinâmica das sucessivas pesquisas eleitorais, mas a mudança de correlação de forças no “poder instalado”, a perda de capacidade de coordenação sobre uma engrenagem central do sistema político, com a entrada em cena de um Corte cuja dinâmica interna cada vez mais se entrelaça com interesses políticos. Leia mais: Gilmar Mendes cita crise de confiança e defende reforma no judiciário Há também o componente da solidão do poder. Em Adeus, senhor presidente, o governante se vê isolado no momento decisivo, cercado por assessores, mas sem um verdadeiro “estado-maior” capaz de formular e executar estratégias consistentes. É prisioneiro de uma “jaula de cristal”, na qual só escuta quem está dentro dela, enquanto os que estão fora observam o que acontece na sua cozinha, como a “paparicação” dos puxa-sacos e a redução do círculo decisório. No Palácio do Planalto, hoje, o fenômeno se repete: quanto mais a crise avança, mais o poder se concentra e, ao mesmo tempo, mais vulnerável se torna. O governo precisa responder a perguntas incômodas sobre o que deixou de fazer e o que não deu certo. Quais compromissos foram preservados ou abandonados? Esse balanço começa a ser antecipado pela conjuntura eleitoral. O elevado endividamento das famílias, a pressão inflacionária recente e a dificuldade de transformar políticas públicas em percepção positiva indicam que os resultados concretos não produziram o retorno político esperado. E as pesquisas mostram um país fragmentado, com forte tendência ao posicionamento “independente” dos candidatos nos principais estados, que tangenciam o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no plano nacional. A polarização persiste, mas perdeu capacidade de organizar plenamente o sistema político. É como se o eleitorado tivesse abandonado as ilusões simplificadoras em relação aos dois líderes da disputa. Nesse sentido, as eleições são um “jogo aberto”, que não segue necessariamente as regras previsíveis do confronto clássico governo e oposição. Há um terreno muito pantanoso a ser atravessado. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Alcolumbre, #Allende, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, Lula
www.dw.com 1970: Allende é eleito presidente do Chile O restante dos resultados pode não ser o que você procura. Conferir mais mesmo assim Instagram O 11 de setembro da América Latina marca o início de mais uma ditadura na região. Há 52 anos, Salvador Allende era destituído e morto pelas forças golpistas. A ditadura comandada pelo O 11 de setembro da América Latina marca o início de mais uma ditadura na região. Há 52 anos, Salvador Allende era destituído e morto pelas forças golpistas. A ditadura comandada pelo As imagens podem estar sujeitas a direitos autorais. Saiba mais www.dw.com HistóriaChile 1970: Allende é eleito presidente do Chile Mirjiam Gehrke Publicado 04/09/2016Publicado 4 de setembro de 2016Última atualização 04/09/2020Última atualização 4 de setembro de 2020 No dia 4 de setembro de 1970, Salvador Allende foi eleito presidente do Chile. Pela primeira vez na América Latina, um político socialista chegava ao poder de forma democrática. "Em termos de síntese curta , densa e quase sentenciosa : No Chile de 1973, sob Salvador Allende , confrontaram-se dois paradigmas: um que buscava realizar transformações sociais pela via constitucional, democrática e pacífica; outro que, por distintas razões, passou a considerar a ordem jurídica insuficiente ou dispensável, admitindo sua ruptura em nome da ordem, da segurança ou de um projeto de poder. Daí decorre que a estabilidade institucional não se rompe apenas por força material, mas pela prévia corrosão simbólica da Constituição — quando adversários são convertidos em inimigos e o conflito político deixa de ser mediado pelas regras comuns. Conclusão: onde a Constituição é limite compartilhado, há política; onde se torna descartável, instala-se a exceção.
🌀 O LABIRINTO DAS IDEIAS (Som • Imagem • Texto em Transe) Imagem (composição pictórica): 📍 /mnt/data/a_dense_surreal_collage_illustration_scene_overal.png 🎧 PROPOSTA SONORA (trilha integrada ao texto) A trilha deve entrar em pontos específicos, como se fosse respiração do labirinto Referência estética: anos 1960–70 (eco do Cinema Novo) Tons: experimental, político, tenso, mas com lampejos de esperança Mini conto (com trilha sugerida) [🎵 ENTRADA 1 — som ambiente + violão dissonante, estilo Caetano Veloso em fase tropicalista | volume baixo] Dizem que o labirinto começou a ser construído há 62 anos, embora ninguém consiga provar onde está sua primeira pedra. Alguns afirmam que nasceu com uma câmera erguida contra o sol; outros, que surgiu de uma frase — uma dessas frases que sobrevivem aos homens. Desde então, ele cresce, não em largura, mas em repetições. [🎵 ENTRADA 2 — percussão leve e tensão crescente, evocando Gilberto Gil | ritmo irregular] Entrei por uma folha de papel. Não era um portal evidente — apenas um manuscrito inclinado, palavras apressadas, nomes próprios como ecos: José Genoino, Jair Messias Bolsonaro. Cada nome abria um corredor. Cada corredor conduzia a outro nome, a outra acusação, a outra memória. Compreendi cedo que ali não se buscava a verdade, mas a permanência do enigma. [🎵 ENTRADA 3 — som de projetor antigo + ruído analógico | transição para silêncio denso] No centro — ou naquilo que o labirinto fingia ser o centro — havia uma lâmpada suspensa. Sob ela, uma câmera imóvel e um celular aceso. Lembrei-me do antigo axioma do Cinema Novo: uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Mas ali a ordem se invertera — a ideia já não nascia; ela circulava. Talvez sempre tivesse circulado. [🎵 ENTRADA 4 — cordas tensas + atmosfera dramática, referência indireta a Terra em Transe | crescendo lento] Caminhei mais. As paredes eram feitas de páginas C2 e C3, dobradas como mapas de um país impossível. Nelas, Ruy Guerra ainda filmava, aos 94 anos, um Brasil que insistia em não terminar. Seus personagens — um político, outro empresário — repetiam gestos antigos, como se encenassem um pacto que jamais fora escrito, mas sempre cumprido. Pensei em Lima Duarte e Daniel Filho não como homens, mas como arquétipos condenados à representação. [🎵 ENTRADA 5 — ruídos urbanos + rádio fragmentado (vozes políticas sobrepostas) | sensação de caos] Em um dos corredores, encontrei um hospital que funcionava. Em outro, uma lei vetada. Mais adiante, uma decisão aguardava julgamento no Supremo Tribunal Federal. Cada fato parecia uma saída — mas, ao atravessá-lo, eu retornava ao mesmo ponto. Foi então que compreendi: o labirinto não aprisiona pelo erro, mas pela verossimilhança. [🎵 ENTRADA 6 — silêncio quase total + uma única nota grave sustentada] Lembrei-me de Getúlio Vargas — ou talvez de sua voz: “eu não sou mais eu… o eu ideia fica livre com vocês.” Ali, enfim, entendi o mecanismo. Os corpos eram apenas passagens. As ideias, essas sim, eram as verdadeiras paredes. [🎵 ENTRADA 7 — repetição rítmica minimalista (ciclo), evocando esforço contínuo | pulsação constante] Continuei, já sem esperança de sair. E, paradoxalmente, foi nesse abandono que algo mudou. Percebi que o labirinto não exigia uma saída — exigia um movimento. Como Sísifo empurrando sua pedra, o sentido não estava no fim, mas na repetição consciente. [🎵 ENTRADA 8 — retorno melódico suave, quase esperançoso, com acorde aberto] Ao longe — ou talvez dentro de mim — ouvi um eco de Terra em Transe. O transe não cessara. O país, como o labirinto, persistia em seu estado de suspensão: nem ruína completa, nem redenção plena. [🎵 FINAL — dissolução sonora: ruído + acorde maior sutil | esperança ambígua] Antes de desaparecer entre as páginas, toquei a superfície de uma delas. Estava quente, como se ainda estivesse sendo escrita. E compreendi, enfim, que aquilo que chamávamos de “podres poderes” não era o centro do labirinto, mas apenas mais um de seus caminhos. A esperança — essa, sim — não estava fora. Estava no ato de continuar.
“Um ministro, desses que o presidente ainda ouve, teria dito: ‘Seu maior adversário é o povo.’ Ao que o presidente — talvez por lucidez, talvez por ironia — poderia responder: ‘Não. Meu maior adversário sou eu mesmo.’ Porque, no fim, só resta ouvir o cidadão. Todo poder emana do povo — mas só o cidadão vota.”
🕊️ EPÍLOGO — O ADVERSÁRIO (Diálogo final entre o Presidente e seu Assessor) Assessor: Senhor Presidente, permito-me insistir numa hipótese incômoda: dizem que vosso maior adversário é o povo. Asesor: Señor Presidente, permítame insistir en una hipótesis incómoda: dicen que su mayor adversario es el pueblo. Presidente (após silêncio): Não. Essa é a forma mais fácil de errar. Presidente: No. Esa es la forma más fácil de equivocarse. Presidente: O povo não é adversário. É condição. Presidente: El pueblo no es adversario. Es condición. Presidente: Se há um adversário real, ele não está fora. Está na distância entre o que penso governar e o que de fato consigo governar. Presidente: Si hay un adversario real, no está afuera. Está en la distancia entre lo que creo gobernar y lo que realmente puedo gobernar. Assessor: Então o adversário…? Asesor: Entonces el adversario…? Presidente: Sou eu. Ou melhor: minha incapacidade de transformar intenção em direção. Presidente: Soy yo. O mejor dicho: mi incapacidad de transformar intención en dirección. (Pausa longa) Presidente: No fim, tudo se reduz a uma escuta. Presidente: Al final, todo se reduce a una escucha. Presidente: Mas não qualquer escuta — não a dos corredores, não a dos ministros, não a dos ecos. Presidente: Pero no cualquier escucha — no la de los pasillos, no la de los ministros, no la de los ecos. Presidente: A escuta do cidadão. Presidente: La escucha del ciudadano. Assessor (quase em sussurro): E o povo? Asesor: ¿Y el pueblo? Presidente: O povo é princípio. O cidadão é decisão. Presidente: El pueblo es principio. El ciudadano es decisión. Presidente: Dizem que todo poder emana do povo. Presidente: Dicen que todo poder emana del pueblo. Presidente: Mas esquecem — ou fingem esquecer — que só o cidadão vota. Presidente: Pero olvidan — o fingen olvidar — que solo el ciudadano vota. (Silêncio final — o poder já não responde) 🔎 Observação de estilo (breve) Autocrítica do governante → núcleo matusiano Centralidade da “capacidade de governo” → não intenção, mas execução Deslocamento do conflito externo para interno → o verdadeiro adversário Distinção conceitual (povo vs cidadão) → fechamento filosófico Se quiser

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende

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Comício à sombra das árvores (tela de G.C. Bingham, 1854). segunda-feira, 4 de maio de 2026 Opinião do dia – Alexis de Toqueville* “Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.” *Alexis de Toqueville (1805-1859), “Lembranças de 1848”, p. 117, Companhia das Letras, 2011. Governo entra em pânico após derrota histórica no Congresso Rejeição inédita de indicação ao STF expõe fragilidade da base aliada e força articulação entre oposição e centrão O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta sua semana mais crítica após uma sequência de derrotas no Congresso. A principal delas foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, um episódio raro que evidenciou a perda de força da base aliada. Nos bastidores, o resultado foi visto como uma demonstração clara de que o governo perdeu controle político. A votação terminou muito abaixo do esperado e revelou uma articulação eficiente entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A crise ganhou força no dia seguinte. A análise no Congresso é que a derrota virou um verdadeiro símbolo de fraqueza do governo. Parlamentares chegaram até a celebrar o resultado em plenário. O governo prepara medidas para recuperar popularidade e tentar retomar influência no Legislativo. No entanto, sem apoio popular, ficará ainda mais difícil aprovar projetos e evitar novas derrotas. Compartilhar: "O QUE O GOVERNO PROPÕE PARA ALIVIAR AS SUAS DÍVIDAS E O QUE ELE MESMO FAZ PARA TAMBÉM AMENIZAR A SUA PRÓPRIA DÍVIDA? QUEM GARANTIRÁ OS DOIS ALÍVIOS? Maria Boa Maria Alcina
Para o PT, o futuro é o passado Por O Estado de S. Paulo Manifesto divulgado no congresso do partido recicla a retórica da ‘herança maldita’ e subordina o discurso de futuro ao objetivo central do lulopetismo: garantir a reeleição de Lula Aprovado no 8.º Congresso Nacional do PT, sob aplausos de sua ao mesmo tempo assustada e tinhosa militância, o manifesto do partido foi apresentado como uma bússola para o País. Nada mais petista do que o que se viu naquele encontro, realizado em Brasília. O documento tem título curioso – “Construindo o futuro” –, ao projetar-se para adiante enquanto revisita longamente o passado sob domínio da legenda. Combina, de forma previsível, o triunfalismo em torno do que Lula teria realizado com o alerta de tom sombrio sobre o que pode nos acontecer caso ocorra o que, para a companheirada, seria impensável: sua derrota em outubro. Fala em longo prazo com retórica inflamada, mas permanece preso ao curtíssimo prazo – a reeleição do presidente. O futuro, aqui, não passa de um nome elegante dado a uma necessidade imediata. A leitura do manifesto não tarda a revelar o roteiro conhecido. Logo de saída, o PT se entrega ao que sabe fazer como poucos: um longo, minucioso e quase obsessivo arrazoado comparativo entre o terceiro mandato de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro. Páginas e páginas são dedicadas a reiterar a velha cantilena de que o País foi entregue em frangalhos, devastado, destruído, uma terra arrasada que só agora estaria sendo reconstruída sob a liderança iluminada do lulopetismo. Há, evidentemente, fatos que não podem ser ignorados. O governo Bolsonaro promoveu desmontes relevantes, sobretudo em educação, ciência e meio ambiente, com custos reais. Também é justo reconhecer resultados pontuais do atual governo. Mas nada disso autoriza o exagero de pintar o Brasil pré-2023 como cenário apocalíptico. É nesse ponto que emerge o velho vício petista, cultivado desde 2003 como tradição: a “herança maldita”. A lógica é simples. Se o governo vai bem, o mérito é do PT; se vai mal, a culpa é sempre do antecessor. Foi Fernando Henrique Cardoso ontem, é Jair Bolsonaro hoje, será qualquer outro amanhã. Trata-se de um expediente tão repetido que já não convence além dos convertidos. Ao recorrer mais uma vez a essa muleta retórica, o partido revela menos sobre o passado que critica e mais sobre o presente que tenta justificar. Esse padrão se completa com o maniqueísmo de sempre. Na cosmologia petista, o mundo segue dividido entre o bem (o próprio partido) e o mal, ocupado por qualquer adversário. Não há nuances nem autocrítica, apenas a reafirmação de uma superioridade moral que, de tanto repetida, já perdeu eficácia. O problema é que o tempo passou. Lula está em seu terceiro mandato, o PT acumula décadas no centro do poder, e a insistência em se apresentar como vítima de heranças alheias soa cada vez mais deslocada. Um governo que ainda precisa se explicar pelo passado revela, por contraste, a dificuldade de sustentar um legado próprio. Quando o manifesto se volta ao futuro, o quadro pouco muda. A lista de propostas é extensa, mas familiar. Passa por reindustrialização conduzida pelo Estado, protagonismo estatal em setores estratégicos, planejamento econômico robusto e soberania produtiva. Tudo embalado em linguagem atualizada, mas ancorado no repertório de sempre. É o desenvolvimentismo clássico reapresentado como novidade. Falta-lhe, sobretudo, concretude. Nesse vazio, cresce a impressão de que o governo Lula 3 ainda não encontrou suas próprias marcas. Administra, reage, ajusta, mas não imprime direção clara. Longe de dissipar essa percepção, o manifesto acaba por cristalizá-la. Não por acaso, o texto surgiu “amaciado”, desidratado de temas espinhosos. Evitam-se conflitos, suavizam-se formulações, calibram-se palavras, de modo a conciliar a grita habitual da militância do partido enquanto seus morubixabas tentam compensar as agruras políticas do atual mandato à construção de alianças convenientes País afora. O objetivo é não criar ruídos desnecessários, para não comprometer o projeto central. Qual projeto? A reeleição, naturalmente. No fim, o manifesto cumpre o papel involuntário de expor o esgotamento de uma fórmula e escancara a dificuldade do lulopetismo de sair de si mesmo. O futuro que anuncia não chega a ser uma promessa. É, quando muito, uma reprise, cuidadosamente empacotada, mas reconhecível desde as primeiras linhas. A Opep em xeque Por O Estado de S. Paulo Saída dos Emirados Árabes é desafio para o cartel do petróleo, cujo poder de controlar preços já vinha sendo minado pela emergência de potências produtoras como EUA, Venezuela e Brasil Um dos principais produtores de petróleo do mundo, os Emirados Árabes Unidos acabam de anunciar que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O anúncio é um golpe para a organização – um cartel liderado pela Arábia Saudita que ao longo de décadas busca influenciar os preços do petróleo por meio da determinação de cotas de produção. Fundada nos anos 1960, a Opep viveu o auge de seu poder na década de 1970. À época, havia bem menos países produtores da commodity, o que permitiu ao cartel, em 1973, embargar o envio de petróleo aos EUA, então altamente dependente de importações de membros da Opep. Nos últimos anos, porém, o surgimento de novos atores capazes de produzir volumes consideráveis da commodity foi diminuindo o poder do cartel. Apenas nas Américas, Brasil, Guiana e EUA converteram-se em grandes países produtores. Hoje, os EUA são os maiores produtores mundiais de petróleo, à frente da Arábia Saudita. Foi nesse contexto que os Emirados Árabes Unidos resolveram retirar-se, de forma contundente, da Opep. Fora do cartel, o país pretende ampliar sua produção para 5 milhões de barris diários até 2027. Em 2019, o Catar já havia deixado a Opep, mas sem causar o ruído provocado pela decisão emiradense. Pequeno produtor de petróleo, o Catar escolheu priorizar a sua produção de gás natural. Já a saída de um membro da estatura dos Emirados Árabes pode levar a novas debandadas da Opep. Por ora, no entanto, a saída não exerce impacto relevante nem sobre os preços nem sobre a produção de petróleo, uma vez que o conflito entre EUA, Israel e Irã reduziu significativamente as atividades produtivas de países do Golfo Pérsico, como os próprios Emirados e a Arábia Saudita. Contudo, se há um vencedor claro nessa história, ele é obviamente o presidente dos EUA, Donald Trump, que inúmeras vezes pressionou a Opep a ampliar sua produção petrolífera para que o preço da commodity caísse. Trump chegou a acusar a Opep de produzir pouco petróleo para inflar os preços, ajudando a Rússia, grande produtora associada ao cartel, a financiar sua campanha de agressão à Ucrânia. Ao romper com a Opep, os Emirados Árabes Unidos emitem um sinal de que não estão alinhados à Rússia, mas ao próprio Trump. Além disso, os Emirados Árabes Unidos escalam a disputa cada vez menos silenciosa com a Arábia Saudita pela capacidade de liderar os países do Golfo, grupo que também inclui Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã. É difícil antever as implicações dessa rivalidade sobre o delicado alinhamento entre os países do Golfo, especialmente os árabes. O que é certo, porém, é que a demanda por energia não para de crescer e, a despeito do aumento considerável de fontes renováveis, o petróleo segue sendo um ativo de grande importância em todo o mundo. No ano passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a demanda global por petróleo seguirá crescendo até 2050, revertendo previsão feita no ano anterior de que o pico do interesse por petróleo se daria já em 2030. Abalada pela deserção dos Emirados Árabes Unidos, a Opep também deve preocupar-se com o aumento da produção na Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Formalmente membro do cartel, a Venezuela agora encontra-se sob influência direta de Trump e certamente não se orientará pelas cotas da organização. É verdade que o petróleo pesado venezuelano é mais difícil de refinar que o produzido em países do Golfo. Contudo, ele se encontra em uma região bem menos propensa a crises geopolíticas como a que se desenrola atualmente no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% da produção mundial de petróleo. A conta é simples: refinar o petróleo venezuelano sai mais barato que depender da produção de uma região altamente instável como o Golfo Pérsico. Antes uma potência global por força do seu poder regional praticamente indisputável, a Opep, que em outros tempos submetia o mundo a seus desígnios, agora é tragada por suas disputas internas e por uma produção de petróleo cada vez mais diversa. Manhattan Connection | 03/05/2026 YouTube · Manhattan Connection · 4 de mai. de 2026 Fado Tropical (part. Ruy Guerra) Chico Buarque O Centrão, o STF e o Partido do Master | Central Meio Meio ao vivo realizada há 4 horas #Centrão #Master #Dosimetria No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Flávia Tavares e o cientista político e colunista do Meio Christian Lynch conversam sobre as consequências e os significados das recentes derrotas sofridas pelo Governo Lula no Legislativo: a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF, e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por golpe de estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falas TV 247 Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1. Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falas TV 247 Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1.
José Genoíno, Jaques Wagner e Lula (Foto: Reprodução | Ag. Senado | Ricardo Stuckert) Mauro Lopes Conteúdo postado por: Mauro Lopes 247 - O ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino questionou duramente a crítica do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao ex-presidente Lula pelos resultados do PT nas eleições municipais. Foi numa entrevista aos jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva: “Esses que querem cancelar o Lula são justamente os que querem fazer pactos. O Jaques Wagner perde a eleição na Bahia e a culpa é do Lula e do PT? O PT não pode entrar na lógica da conciliação com as elites. Porque as elites não querem pactuar com o PT. O partido precisa voltar a ser o grande rebelde da política brasileira. E o Lula tem que ser o líder desse processo. Caso contrário, morreremos”. Genoino é ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, ex-deputado federal pelo PT São Paulo. Foi militante do movimento estudantil na virada dos anos 1960-70 e participou da guerrilha do Araguaia, sendo preso e barbaremene torturado pelo Exército. Foi perseguido durante a campanha que ficou conhecida como “mensalão” em 2005, condenado e preso injustamente. Teve sua pena extinta pelo STF em 2014. 🎭 Que Vantagem Maria Leva? (à moda de Assis Valente, com o veneno doce de Maria Alcina) Refrão Que vantagem Maria leva? É boa! Nome limpo lá na praça? À toa! Com quem é que o lucro fica? No banco! E o dinheiro da Maria? É branco! Verso 1 É branco, é branco O saldo do FGTS Que o governo liberou Com discurso e com promessa De bondade e proteção Mas era o suor da Maria Virando prestação Refrão Que vantagem Maria leva? É boa! Como é que o político vive? À toa! Onde é que o cofre mora? Não digo! Mas no fundo garantido Maria perdeu o abrigo Verso 2 Não digo, não digo Que eu conheço essa história Tem caneta, tem decreto Tem discurso e tem memória Vende alívio embrulhado Pra dor virar eleição E o povo sai devendo Com sorriso na mão Refrão Que vantagem Maria leva? É boa! A dívida se renova? À toa! Quem garante esse enredo? É o FGO! Mas se a conta não fecha Quem paga é o povão depois Ponte (falado, com ironia) “Minha filha… Te deram desconto, Mas levaram teu descanso… Te limparam o nome, Mas hipotecaram teu amanhã…” Verso 3 Maria sai cantando Livre do SPC Mas não vê que a corrente Só mudou de endereço Troca juros de susto Por parcela comportada Mas o banco agradece E a dívida é alongada Refrão Final Que vantagem Maria leva? É boa! Sai do aperto ligeiro? À toa! Quem lucra com a folia? Eu não digo… Mas quem dança nessa história Nunca é só o perigo Final Não digo, não digo Mas tenho certeza Que a minha Maria Já viu essa esperteza De quem fala macio Prometendo salvação Mas faz da dor alheia Campanha e reeleição Se 📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53 📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026 📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville “Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.” Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011. 🎥 Análise política do dia 📍 Governo sob pressão no Congresso O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma de suas semanas mais delicadas no Congresso Nacional após sucessivas derrotas. A mais emblemática foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF — um fato raro que expôs fragilidade da base aliada e força da articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, a leitura é direta: ➡️ perda de controle político ➡️ dificuldade de coordenação ➡️ risco de novas derrotas Parlamentares chegaram a comemorar o resultado em plenário, reforçando o simbolismo da derrota. ❓ Pergunta central do dia O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida? Quem garante esses dois alívios? 💰 1. Alívio das dívidas das pessoas (Desenrola Brasil 2.0) O governo aposta na ampliação do programa Desenrola Brasil, com foco em renegociação: 💸 Descontos: até 90% 👥 Público: renda de até 5 salários mínimos 🏦 Dívidas incluídas: cartão, cheque especial, CDC e Fies 📊 Juros: limitados (até ~1,99% ao mês) 🪪 Regra adicional: possível bloqueio de CPF para apostas por 12 meses 🏗️ Uso do FGTS: até 20% para quitar débitos 🏛️ 2. Alívio da dívida do governo A estratégia do governo envolve: 📈 Meta de superávit primário: cerca de 0,25% do PIB 💰 Aumento de arrecadação: IOF, importações ⚙️ Reforma tributária (CBS) ✂️ Contenção de gastos públicos 📊 Gestão da dívida via Tesouro Nacional 🛡️ 3. Quem garante os alívios? Tipo de dívida Garantia Pessoas Fundo de Garantia de Operações (FGO) + FGTS Governo Tesouro Nacional + arrecadação 👉 Ponto-chave: O risco final pode recair sobre o próprio Estado — e, portanto, sobre o contribuinte. ⚖️ 4. Conceitos essenciais explicados 🧩 Mínimo Existencial Derivado do princípio constitucional da dignidade humana: Garante o básico: alimentação, moradia, saúde Impede que dívidas comprometam a sobrevivência Base para renegociação judicial ⚖️ Lei da Usura e seus limites Decreto de 1933 limita juros abusivos ⚠️ Mas: não se aplica plenamente aos bancos (STF – Súmula 596) 📜 Complemento: Lei do Superendividamento (2021) 👉 Resultado: Não cancela automaticamente dívidas, mas permite revisão judicial. 🏦 5. Como funciona o FGO na prática O governo atua como fiador do banco Se o devedor não pagar → o governo cobre Recursos vêm do Tesouro Nacional 👉 Tradução simples: Lucro privado com risco parcialmente público. 🧾 6. O FGTS como garantia Trabalhador usa seu próprio saldo Banco bloqueia valores futuros Saques ficam comprometidos ⚠️ Risco: Perda de proteção em caso de demissão. 🎯 7. Quem ganha com isso? 👤 Devedor (Maria) Limpa o nome Reduz juros Ganha fôlego imediato 🏦 Banco Recupera crédito perdido Reduz risco (garantia pública) 🏛️ Governo Estimula consumo Aumenta arrecadação indireta Reduz inadimplência sistêmica ⚠️ 8. A crítica central O mecanismo pode representar: Uso de dinheiro do próprio trabalhador Transferência indireta de risco ao Estado Manutenção do ciclo de endividamento 👉 Em resumo: alívio de curto prazo, custo potencial de longo prazo 🗳️ 9. Impacto político e eleitoral (2026) Vantagens para quem está no poder: Capital político imediato Controle da agenda pública Visibilidade institucional Problema: Possível desequilíbrio na disputa eleitoral (princípio da paridade de armas) 📜 Avaliação Critério Situação Legalidade ✔️ Legal Constitucionalidade ⚠️ Debate Democracia ❗ Questionável ⛪ 10. Dimensão ética ✔️ Ajuda ao endividado → justiça social ❗ Uso político do benefício → questionável 👉 Dilema: assistência legítima ou instrumento de poder? 📰 Editorial 📌 “Para o PT, o futuro é o passado” Por O Estado de S. Paulo O manifesto do partido reforça: Retórica da “herança maldita” Foco na reeleição Propostas com baixa inovação 👉 Crítica central: dificuldade de apresentar projeto realmente novo. 🌍 Geopolítica do petróleo A saída dos Emirados Árabes da Opep sinaliza: Enfraquecimento do cartel Crescente protagonismo de EUA, Brasil e Venezuela Disputa por liderança no Golfo 🎶 Trilha sonora do dia 🎤 Maria Alcina – Maria Boa 🎼 Chico Buarque – Fado Tropical 🎭 Encerramento A pergunta permanece — com ironia digna de Assis Valente: Que vantagem Maria leva? Entre o alívio imediato e o custo invisível, entre o discurso e a prática, entre o presente e o futuro — 📌 algumas vezes se ganha, outras vezes se aprende. Se quiser, 📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53 📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026 📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville “Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.” Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011. 🎥 Análise política do dia 📍 Governo sob pressão no Congresso O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma das semanas mais críticas após derrotas no Congresso. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF evidenciou fragilidade da base e articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. ▶️ Vídeo – Análise da crise política 🔗 Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=B3y5L1DVs_U ❓ Pergunta central do dia O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida? Quem garante esses dois alívios? 💰 Alívio das dívidas – Desenrola Brasil 2.0 Descontos de até 90% Uso do FGTS Juros limitados Público ampliado (até 5 salários mínimos) 🛡️ Quem garante? Pessoas → FGO + FGTS Governo → Tesouro Nacional 👉 O risco final pode recair sobre o contribuinte. ⚖️ Conceitos-chave Mínimo Existencial Garantia constitucional de sobrevivência básica. Lei da Usura Limitada para bancos; revisões ocorrem via Justiça. 🏦 Como funciona o FGO Governo garante o banco Se houver calote → Tesouro paga 🎯 Quem ganha? 👤 Devedor: alívio imediato 🏦 Banco: recuperação com baixo risco 🏛️ Governo: estímulo econômico 🎥 Debates e análises complementares ▶️ Manhattan Connection 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=i-9yNU6Y0dA ▶️ Central Meio – análise política 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=d0bEJwkHum0 Debate com foco nas derrotas do governo e articulações políticas. ▶️ TV 247 – Entrevista com José Genoino 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PX9f9TVCtj4 Análise crítica interna sobre os rumos do governo e do PT. 📰 Editorial 📌 “Para o PT, o futuro é o passado” Por O Estado de S. Paulo Retórica recorrente Foco na reeleição Falta de inovação política 🌍 Geopolítica do petróleo Saída dos Emirados Árabes da Opep: Enfraquecimento do cartel Ascensão de novos produtores Impacto global no mercado 🎶 Trilha sonora do dia ▶️ Maria Boa – Maria Alcina 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=GyIA-7IR6GI ▶️ Fado Tropical – Chico Buarque 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=NfjaFMah7sE 🎭 Encerramento – Sátira musical Inspirado em Assis Valente e no estilo de Maria Alcina: Que vantagem Maria leva? (trecho) Que vantagem Maria leva? É boa! Nome limpo lá na praça? À toa! Com quem é que o lucro fica? No banco! E o dinheiro da Maria? É branco! 🧠 Reflexão final Entre o alívio imediato e o custo invisível, entre o discurso e a prática, entre o presente e o futuro: Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende. Se

domingo, 3 de maio de 2026

Palavras, palavras, palavras

Palavras, palavras, palavras Bebendo-as pelos buracos dos ouvidos.
Dante Alighieri Capítulo XIV "Condenado o erro de outrem, como consta naquela parte que se apoiava nas riquezas, infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. Esta condenação é feita naquela parte que começa: Nem aceitam que homem humilde se torne nobre. Condena-se isso primeiramente por uma razão que leva os mesmos a errar desse modo; e depois, para maior confusão deles, também essa razão é destruída. Isso é feito quando se diz: Disso se segue o que antes propus. Por fim, comprova-se que seu erro é evidente, sendo já tempo de acatar a verdade, o que consta nessa parte do texto: Porque para intelectos sadios." pp. 175-176
O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha Publicado em 03/05/2026 - 08:34 Luiz Carlos Azedo Brasília, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política A rejeição da indicação de um indicado de Lula ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que foi fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação não explica tudo A crise do florianismo, que pôs fim à chamada República da Espada, e a consolidação da República Oligárquica ajudam a iluminar, por contraste histórico, o momento atual da política brasileira. A dificuldade do marechal Floriano Peixoto em exercer plenamente sua autoridade sobre o sistema político — inclusive no que diz respeito à nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal —, não foi um acidente institucional, mas o sintoma de uma correlação de forças em mutação, na qual as oligarquias agrárias emergiam como poder decisivo em relação aos militares e outros setores da sociedade. Leia também: Derrotas põem governo a reboque do Congresso Ao assumir a Presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, Floriano governou sob estado de exceção permanente, enfrentando a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. Sua liderança, de caráter militar e centralizador, apoiava-se mais na força do que na mediação política. Isso enfraqueceu sua capacidade de construir uma base civil duradoura. Nesse contexto, houve o bloqueio às suas indicações para o Supremo. A Constituição de 1891 previa a participação do Senado na aprovação dos ministros, mas o que se observou foi a crescente capacidade de veto das oligarquias regionais, sobretudo aquelas ligadas à economia cafeeira paulista e às elites agrárias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. A elite agrária, organizada em torno de interesses econômicos e redes clientelistas, impôs limites concretos à autoridade presidencial. Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano viu-se constrangido à lógica da negociação oligárquica. A eleição de Prudente de Moraes consolidou essa mudança. Primeiro presidente civil, Prudente representava a vitória do pacto entre as oligarquias regionais, que estruturariam a chamada “política dos governadores” e o sistema de alternância entre São Paulo e Minas — a “política do café com leite”. A República deixava de ser um projeto militar e passara a ser um arranjo oligárquico, baseado no controle do voto, no mandonismo local e na captura das instituições. Os fundamentos da República Velha estavam assentados também na mediação do Congresso como espaço de barganha entre elites e a subordinação do Executivo a essas correlações de força. O presidente continuava formalmente poderoso, mas sua autoridade dependia da capacidade de articular interesses dispersos, o que Floriano não sabia fazer. A crise de 1929 devastou a economia brasileira, baseada no café, ao derrubar os preços internacionais e as exportações para os Estados Unidos. Contribuiu para a Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha. Com forte apoio militar, Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda e governador do Rio do Grande do Sul, derrubou o governo Washinton Luiz e assumiu o poder. Correlação de forças A rejeição da indicação de um indicado do presidente da República ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que é fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação até seria suficiente para explicar os 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção em relação ao wx-advogado-geral da União Jorge Messias. Mas o que ocorreu vai além da insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia sugerido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para cargo. Lula preferiria que o senador mineiro fosse seu candidato a governador em Minas Gerais, porém, agora, não será nem uma coisa nem outra, até porque não quer. Leia ainda: Veto do Senado a Messias no STF põe Pacheco na berlinda Na sequência, a derrubada pelo Congresso, sob comando de Alcolumbre, dos vetos presidenciais ao projeto de lei que diminui as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra que há algo mais profundo, assim como ocorreu com Floriano. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos contra o veto e 144 a favor, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra. Qualquer nome que seja indicado por Lula antes das eleições, sem acordo com o Centrão, também será derrubado. Se insistir, o presidente passará pelas agruras de Floriano, que teve cinco indicados barrados pelos senadores: o médico Cândido Barata Ribeiro, os generais Ewerton Quadros e Demóstenes Lobo e os advogados Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro. Guardadas as proporções históricas, as duas votações revelam uma mudança de correlação de forças políticas do país. Qualquer iniciativa que não leve isso em conta estará fadada ao fracasso. O chamado “Centrão ampliado” cumpre, hoje, papel semelhante ao das oligarquias da Primeira República: não é uma força ideologicamente coesa, mas um bloco pragmático, orientado pela lógica da sobrevivência política e da maximização de recursos. Apoia o governo enquanto isso lhe for conveniente, mas não hesita em se alinhar à oposição quando a expectativa de poder se desloca. Esse deslocamento está em curso. O Congresso se move não apenas em função do Palácio do Planalto, mas das eleições de 2026. Há, contudo, uma diferença importante. Na República Velha, o poder oligárquico se exercia de forma relativamente estável, baseado em estruturas sociais rígidas e no controle do voto. No Brasil atual, a dinâmica é mais fluida, mediada por pesquisas de opinião, redes sociais e ciclos eleitorais mais curtos, além de uma derrama de emendas parlamentares impositivas. Ainda assim, o padrão se repete: a captura do sistema político por interesses regionais organizados, em detrimento de projetos nacionais mais amplos. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Alcolumbre, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, Lula
palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
Em depoimento ao Correio, Ivan Valente fez declarações à companheira, Vera Lúcia: "Agora é um encontro de corpo e de alma" - (crédito: Arquivo pessoal) Foto de perfil do autor(a) Evandro Éboli História de amor e luta Deputado do PSol faz transplante de rim e doadora é sua mulher Ivan Valente (PSol-SP) passou por cirurgia em São Paulo; Vera Lúcia Valente, sua companheira desde a clandestinidade, tinha tipagem de sangue compatível Evandro Éboli + postado em 26/10/2023 16:23 / atualizado em 26/10/2023 17:30 No seu oitavo mandato como deputado federal, Ivan Valente (PSol-SP) passou por um sobressalto no seu quadro de saúde, mas se recupera bem e retornou esta semana aos trabalhos na Câmara. A patologia que afeta o parlamentar envolve a presença de cistos nos dois rins, doença conhecida como rim policístico, que ataca o tecido e compromete a filtragem do sangue. Sempre elas, as Valentes, nos rins e nos ringues - Vera Lúcia - presentes nos corações
domingo, 3 de maio de 2026 A despedida do jacobino, por Bernardo Mello Franco O Globo Veterano do PSOL anuncia que não disputará nono mandato de deputado federal: "A idade pesa, e a política precisa de renovação" No dia 19 de março, Ivan Valente subiu à tribuna da Câmara para pedir a cassação de deputados do PL que desviaram dinheiro de emendas. Conhecido pelo tom combativo, aproveitou para provocar os “capachos da elite”, criticar as guerras de Donald Trump e descer a lenha em Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. O deputado do PSOL não mencionou, mas era seu último discurso após oito mandatos em Brasília. Suplente da federação com a Rede, ele teria que devolver a cadeira à titular Marina Silva. Sem alarde, despediu-se dos aliados e avisou que não seria mais candidato. Estava encerrando a carreira parlamentar. “Outro dia, ouvi o Martinho da Vila dizer que saber parar é uma virtude. Eu também estou nessa”, brinca Valente, que fará 80 anos em julho. “Foi uma decisão bem pensada. A idade pesa, e a política precisa de renovação”, defende. Em 2023, o veterano se submeteu a um transplante de rim, que o afastou da Câmara por três meses. A doadora foi sua mulher, Vera Lúcia. Perseguidos pela ditadura, os dois se conheceram na clandestinidade. Valente passou sete anos nas sombras até ser capturado em 1977, quando militava no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP). Preso no DOI-Codi do Rio, apanhou no pau de arara, levou choques elétricos e ficou na geladeira, cubículo onde os presos eram confinados sem luz, água ou comida. A tortura deixou sequelas físicas, mas não abalou suas convicções socialistas. Depois da Anistia, ele dirigiu o jornal alternativo Companheiro e ajudou a criar o PT. Elegeu-se para o primeiro mandato em 1986, como deputado estadual. Mais tarde, deixaria o partido para participar da fundação do PSOL. Tachado de radical, incorporou a palavra ao slogan de campanha. Como outros parlamentares de sua geração, Valente andava desanimado com o Congresso. “O nível caiu muito, a mediocridade está grande. Até o convívio com os adversários já foi mais civilizado”, lamenta. “Sempre tive amigos no PSDB. Hoje a Câmara está cheia de deputados toscos, extremistas, napoleões de hospício. Com muita gente, não dá nem para conversar”. Na quinta-feira, ele assistiu pela TV à derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e seus comparsas. “É um escárnio. Estão normalizando uma tentativa de golpe que não se consumou por um triz”, indigna-se. O decano do PSOL prega que o governo dê um “giro à esquerda” para tentar sair da lona. “O Centrão já escolheu seu candidato. Se Lula quiser ganhar a eleição, terá que virar a chave, defender pautas que interessem aos trabalhadores e convocar a militância para voltar às ruas. A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento”, defende. Há três anos, a Comissão de Anistia reabriu o processo de Valente, que havia sido arquivado no governo passado. Ele ouviu um pedido formal de desculpas pela tortura e recebeu indenização de R$ 332 mil pelo período em que foi impedido de trabalhar como engenheiro e professor de matemática. Na cerimônia, quebrou o protocolo e pediu para não discursar no local reservado, à direita da plateia. “Como jacobino, falo sempre pela esquerda”, justificou, arrancando risadas do público. “Em 29 anos na Câmara, nunca usei a tribuna da direita, nem em sessão solene”, orgulha-se o agora ex-deputado. Sem mandato, ele promete continuar ativo nas redes e nas ruas. Na sexta, participou de live e bateu ponto em ato pelo Dia do Trabalhador. “Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política”, promete. Audiolivro | Dom Casmurro Curta-metragem: "A Saga de Bento Santiago, o Dom Casmurro" SALA DE LEITURA - PROFª CATARINA L. M. VAGETI
VERTICALIDADE E SOLIDÃO: A AUSÊNCIA DE ALTERIDADE NOS VELÓRIOS DE BENTO SANTIAGO A trajetória de Bento Santiago, o Dom Casmurro, é a crônica de uma subjetividade incapaz de alteridade. Como aponta o introito de Dante em seu Banquete, o erro daqueles que atrelam a nobreza ao tempo ou à posse — a "antiga riqueza" — reside na cegueira diante da essência humana. Bentinho, herdeiro de uma elite fluminense estagnada, comete erro análogo: busca a nobreza do ser na manutenção de uma hierarquia rígida, revelando-se um caráter incapaz de transitar na horizontalidade democrática do afeto. Através da análise dialética de dois momentos fúnebres — os velórios de Manduca e de Escobar — emerge uma tese sombria: Bento nunca conheceu a amizade, pois nunca concebeu a existência do "outro" fora de uma relação de domínio ou de anulação.No primeiro velório, deparamo-nos com um caráter em formação, onde o germe da crueldade machadiana se manifesta no desprezo pela fragilidade de Manduca. O filho do vendeiro, o "outro" socialmente inferior, ousara vencer Bento no campo do intelecto ao acertar o prognóstico da Guerra da Crimeia. A morte de Manduca, para o pequeno Bento, não é uma tragédia humana, mas um ajuste de contas cósmico. Diante do cadáver, Bentinho sente a voluptuosidade da sobrevivência. Ele massacra "de cima": a vida física de Bento é a sua prova final de superioridade sobre a razão de Manduca. Ali, a amizade é impossível porque o amigo é visto como um competidor que a natureza, providencialmente, eliminou para restaurar o orgulho de classe e a vaidade do protagonista.No segundo velório, o de Escobar, encontramos o caráter aparentemente já formado, mas que em essência é apenas a sofisticação daquela mesma inabilidade horizontal. Se com Manduca a relação era de esmagamento, com Escobar — o jovem brilhante, prático e bem-sucedido — a relação fora de anulação. Bento não é amigo de Escobar; ele é um satélite de sua inteligência. A admiração que nutre pelo ex-companheiro de seminário é, na verdade, uma forma de parasitismo existencial. Quando Escobar morre, o que Bento lamenta não é a perda da companhia, mas a perda do espelho onde sua própria insegurança se refugiava.A transição entre os dois episódios revela a "verticalidade" patológica de seu caráter, ecoando a crítica da professora Eliana na histórica assembleia da ADUFRJ: Bento é incapaz de estabelecer trocas equânimes, vulneráveis e simétricas. No velório de Escobar, a verticalidade se manifesta na paranoia: ele se coloca na posição de juiz supremo, escrutinando o olhar de Capitu para condenar tanto o morto quanto a viva. A dor pela perda de Escobar é substituída pelo cálculo frio do ciúme. O velório deixa de ser um rito de passagem para tornar-se um tribunal inquisitório onde Bento, do alto de sua pretensa infalibilidade, destrói os laços que o ligavam à humanidade.Em suma, Bento Santiago é o arquétipo do isolamento aristocrático da alma. Seja pelo desprezo (Manduca) ou pela idolatria transformada em ódio (Escobar), ele permanece encerrado em si mesmo. A tese de que Bento não teve amigos confirma-se pela sua incapacidade de habitar o plano comum. Para ele, o outro é sempre um degrau ou um abismo, jamais o solo. Dom Casmurro é, portanto, o relato final de um homem que, por só conseguir olhar para cima ou para baixo, terminou por não ver ninguém. Como Dante bem concluiu, para intelectos sadios, o erro de Bento é evidente: a nobreza da vida não reside no tempo de posse ou na vitória sobre o outro, mas na capacidade de reconhecê-lo como igual.
No Capítulo XIV do Quarto Tratado de O Banquete, Dante Alighieri inicia a refutação da definição de nobreza baseada na herança de riquezas, argumentando que a verdadeira nobreza é uma semente de virtude divina. O autor desconstroi a ideia de que a posse de bens materiais confere nobreza, defendendo que esta é uma qualidade ética da alma, e não uma herança familiar. Publicado entre 1304 e 1307, a obra Banquete é conhecida como o tratado filosófico escrito pelo poeta e filósofo italiano Dante Alighieri (1265-1321). Como o título em si, é um livro que pretende oferecer um banquete de sabedoria, principalmente aos pobres e marginalizados da cultura das letras da Idade Média. A obra funciona como um elogio do amor, da nobreza de alma e, ao mesmo tempo, uma crítica rígida contra a nobreza medieval de cunho político, contra muitos dos valores estabelecidos pela sociedade da época e contra a falsa moral. Nasceu na cidade de Florença no ano de 1265. Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos filósofos escolásticos. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta"). E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental. Palavras Gonzaguinha Palavras, palavras, palavras Eu já não aguento mais Palavras, palavras, palavras Você só fala, promete e nada faz Palavras, palavras, palavras Desde quando sorrir é ser feliz? Cantar nunca foi só de alegria Com tempo ruim Todo mundo também dá bom dia! Cantar nunca foi só de alegria Com tempo ruim todo mundo também dá bom dia! Composição: Gonzaguinha. Marisa Monte - Palavras ao Vento Dante Alighieri, the Father of italian language 12 Expressions and Words invented by DANTE that Italians still use NOWADAYS As many know, Dante Alighieri was a great Italian writer and poet, famous above all for his masterpiece, the Divine Comedy. What many people do not know, however, is that it is thanks to him that words or expressions previously unknown or little widespread have become part of our language. That is why he is considered “the father” of our modern Italian! Dante Alighieri, the Father of italian language 1. “Molesto” – “Annoying” This adjective that comes from the Latin means “irritating”, “bothersome”; it was a term already widespread in Dante’s time, but it is surely thanks to him that it has acquired popularity and its diffusion has increased. In fact, the adjective “harassing” is present both in songs of Hell and Paradise. In particular, when one of his ancestors announces to Dante the future that awaits him, nothing pleasant in short. 2. “Fertile” This Latinism has reached the common language thanks to the Divine Comedy, in particular to Paradise, in which Dante describes the birthplace of Saint Francis as a “fertile coast”. The adjective “fertile” comes from the ferre verb, which means “to bring, to produce”, hence the meaning of today’s “fruitful, productive”. 3. “Quisquilia” – “Cinch” This term also comes from the Latin (what’s new!), where it meant “straw”; so over time he went to metaphorically indicate “trifle, smallness”, meaning issues of little importance. “Quisquilia” has been used since 1321, but thanks to Dante it has acquired the meaning we know today in the passage in which it describes how Beatrice manages to eliminate every “quisquilia” from the eyes of the poet, every impurity, to save it. 4. “Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate” – “Abandon all hope, ye who enter here” This expression has now become a proverb. It is the engraving that is on the door of Hell, the place of eternal punishment, and today it is used as an ironic warning or with a bitter tone to those who are about to enter a place or a situation that could prove dangerous. 5. “Galeotto fu…” – “It all started…” This expression is taken from the song of Paolo and Francesca and in the original version ends with “‘the book and who wrote it”; today, however, it is completed with anything. Paolo and Francesca are brothers-in-law and fall in love with each other by reading a book on the adventures of Lancelot and the knights of the Round Table. Galeotto, there, was a person who betrayed King Arthur by pushing Queen Guinevere into Lancelot’s arms. In the same way, the book metaphorically pushes Francesca into the arms of Paolo giving birth to the spark of love, for which they will be killed by Francesca’s husband, Paolo’s brother. Today, this expression is used to indicate an object, a person or an event considered “spark” for the birth of a love relationship… and not only. For example, I started to get into the English language thanks to the TV series Gossip Girl. So, if someone asks me “Why did you decide to study English?” I could answer “Well…it all started with Gossip Girl”. 6. “Fatti non foste a viver come bruti…” – “Ye were not made to live like unto brute…” These are the words that Ulysses addresses to his companions in song XXVI of Hell, asking them to think of their origin: as human beings, they were not created to live as animals, but to pursue nobler goals, such as virtue and knowledge. He uses this phrase to convince them to go beyond the limits of the then known world and go beyond, to discover new things. Today, the expression is used with the same meaning: it is an invitation not to behave like beasts, but to follow virtue and science as great ideals. 7. “Stai fresco” – “Safe and sound (ironic)” This expression, widely used in spoken Italian, derives from the very structure of Dante’s Inferno. In the ninth circle, that is, the lowest, the worst, where there are traitors, so worse sin for Dante, «sinners stay fresh», as they are condemned to be immersed completely or almost (depending on the gravity of sin) in the eternal ice. This image has remained in the daily Italian to indicate something that will end badly. For example, there is a friend of mine, Stefania, who would like to cook cakes, but she just can’t do it, they always come out very badly. So, when we organize dinners with friends and she says “I bring the dessert”, everyone says “Oh perfect, we’re safe and sound then!”. 8. “Mesto” – “Sad” This adjective comes from the Latin maestus, which means “to be sad, sorrowful” and is introduced for the first time by Dante in Hell, where it indicates sinners, who are, of course, “sad”. 9. “Non mi tange” – “I don’t care” This expression means “I do not worry, it does not even touch me, I do not care”, and is pronounced by Beatrice, descent into Hell, which is not at all disturbed by the environment and misery of the damned, because it is a divine creature. Even today, we use this expression a lot to indicate that something is of little interest to us. For example, if everyone is worried about who will be the winner of the Champions League at the time of the final, I could say that “It doesn’t cost me”, because I don’t care much about football. 10. “Cosa fatta, capo ha” – “What is done, is done” This was a Tuscan proverb, now entered the standard Italian, which means that everything is done with a purpose, a goal and, once done, can not be undone, undone, you can not go back. It is often used to put an end to discussions about things that have now happened, because they are useless. 11. “Non ragioniam di lor, ma guarda e passa” – “Let us not talk of them, but look and pass” This expression (also known in the version “Non ti curar di lor, ma guarda e passa”) is said by Virgil to Dante when they are among the ignorant, people who in life had never taken a position and had never sided. Virgil suggests that Dante treat them in the same way they did in life. Today, this expression is used a lot to indicate, more generally, “do not pay attention to people, to what people say or do”. For example, if a friend is very criticized for his way of dressing, we could say “Don’t care about them, but watch and pass”, in the sense of “show themselves superior to their useless criticisms, look at them with contempt, but do not attack them too, avoiding to descend to their level”. 12. “Il fiero pasto” – “The fierce meal” With this expression, we indicate a bestial, inhuman, absurd meal. In fact, Dante uses it in reference to the meal of Count Ugolino. These, in life, had been imprisoned in a tower along with his children and grandchildren, condemned there without food or water. At the time of hunger, however, according to legend, Ugolino ate the bodies of his own children and grandchildren. Here, then, the fierce and inhuman meal. Did you already know these expressions? Did you already hear them? I am sure that now that we have talked about them, you will always hear them! Because they really are very common, especially in spoken language. I advise you to use them when you are in conversation with Italians, you will see their faces surprises, as if to say: “But how do you know this expression?”. If you want to learn more about the history of the Divine Comedy, you can watch our hilarious video dedicated to this masterpiece of Italian literature. Esercizio: Espressioni e Parole inventate da Dante Test sulle espressioni e parole create da Dante Alighieri che usiamo ancora oggi. Scopri quanto conosci del lascito linguistico del Sommo Poeta. Esercizio gratuito per studenti di italiano.
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Palavras, palavras, palavras

Bebendo-as pelos buracos dos ouvidos.

Dante Alighieri

Capítulo XIV — O Banquete

"Condenado o erro de outrem [...] infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. [...] Porque para intelectos sadios."

(pp. 175–176)


O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha

Publicado em 03/05/2026 — Luiz Carlos Azedo

A rejeição de uma indicação ao Supremo não ocorria desde Floriano — e não se explica apenas por articulação política.

A crise do florianismo e a consolidação da República Oligárquica ajudam a compreender o momento atual da política brasileira. A dificuldade de Floriano Peixoto em exercer autoridade revelou uma mudança na correlação de forças, com o fortalecimento das oligarquias agrárias.

Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano foi constrangido à negociação política. A eleição de Prudente de Moraes consolidou o poder civil e o pacto oligárquico.

Correlação de forças

Hoje, o chamado “Centrão ampliado” exerce papel semelhante: um bloco pragmático, orientado por interesses eleitorais. O Congresso se move cada vez mais com autonomia, mirando as eleições de 2026.

Conclusão: qualquer iniciativa que ignore essa dinâmica tende ao fracasso.


Palavras. A ética da responsabilidade começa onde termina a ilusão de inocência.


História de amor e luta

Deputado do PSOL faz transplante de rim com doação da esposa

Ivan Valente passou por cirurgia em São Paulo após complicações renais. A doadora foi sua companheira, Vera Lúcia, com quem compartilha uma trajetória desde a clandestinidade política.

A história une militância, resistência e afeto.


A despedida do jacobino

Por Bernardo Mello Franco

Veterano do PSOL, Ivan Valente encerra sua trajetória parlamentar após décadas de atuação política, marcadas por militância, resistência e coerência ideológica.

“Saber parar é uma virtude.”


Dom Casmurro: verticalidade e solidão

A trajetória de Bento Santiago revela uma subjetividade incapaz de reconhecer o outro como igual. Inspirado na crítica de Dante à falsa nobreza, o romance de Machado de Assis expõe uma alma aprisionada na hierarquia e no ciúme.

Nos velórios de Manduca e Escobar, evidencia-se a incapacidade de amizade: ora pelo desprezo, ora pela anulação.

Bento não habita o plano comum — vê o mundo apenas como superioridade ou inferioridade.

Conclusão: a verdadeira nobreza está na capacidade de reconhecer o outro.


O Banquete — Dante Alighieri

Escrito entre 1304 e 1307, o livro refuta a ideia de nobreza baseada na riqueza e defende a nobreza como virtude da alma.

Trata-se de um elogio do conhecimento, da ética e da dignidade humana.


Palavras — Gonzaguinha

Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais...

Composição: Gonzaguinha


Vídeos

Dom Casmurro (audiolivro)

Curta: A Saga de Bento Santiago

Marisa Monte — Palavras ao Vento

Dante e a língua italiana


Dante e a linguagem

  • Molesto — irritante
  • Fértil — produtivo
  • Quisquilia — coisa sem importância
  • “Abandonai toda esperança”
  • “O feito está feito”

Entre política, literatura e música, permanece o mesmo eixo: as palavras — que constroem, iludem, revelam e também traem.

Se quiser, posso dar um próximo nível nisso: otimizar para SEO (título, meta, slug) adaptar exatamente para Blogger (sem quebrar layout) ou transformar em versão mais “editorial”/revista