sábado, 5 de setembro de 2026

RESENHA FINAL: O JOGO DOS R$ 5,3 BILHÕES NO CHAPADÃO DOS TOGADOS

Cartola - As Melhores “Creio que a ordem não pode eflorescer, senão no seio da estabilidade e da justiça. Mas vejo os depositários da ordem respirarem deliciosamente na agitação, animando-a, promovendo-a, propagando-a, e sinto empolarem-se, cada vez mais acirradas, as paixões políticas, em que a vida oficial parece comprazer-se.” Rui Barbosa, “Manifesto à Nação”, 1892 👆epigrafe do artigo da Flávia Tavares do Canal Meio, hoje Foto registra ministros do STF rindo em meio à crise entre Moraes e Vorcaro | HORA H CNN Brasil 3 de set. de 2026 #CNNBrasil #politica Uma fotografia de Alexandre de Moraes rindo ao lado de colegas do STF (Supremo Tribunal Federal) repercutiu nesta quinta-feira (3). O ministro dava gargalhadas um dia após mensagens do WhatsApp de Daniel Vorcaro sugerirem que o ex-banqueiro e Moraes mantinham contato. O analista de Política da CNN Pedro Venceslau comenta o assunto. #CNNBrasil #politica Primo Rico e Primo Pobre Genios Da Comédia Genios Da Comédia
“Essa frase traduz o famoso brocardo científico e lógico: "A ausência de evidência não é evidência da ausência" (do inglês, "Absence of evidence is not proof of absence"). Ela significa que o fato de não termos encontrado pistas, rastros ou provas sobre algo não serve como confirmação automática de que esse algo nunca existiu ou não aconteceu.” Ausência de prova do fato não é a mesma coisa que a prova da auseência do fato.
Consigliere O Consigliere é o membro de uma Máfia siciliana-italiana que serve como o conselheiro do Don, e uma das três posições mais prestigiosas na hierarquia da Máfia, junto com o Don, e o Sottocapo ou Subchefe. O Consigliere é um dos poucos, e as vezes o único, membros de uma Máfia que pode diretamente questionar as ideias e planos do Don ou discutir com ele. O principal trabalho de um Consigliere é agir como um "cérebro auxiliário" para o Don, sendo que muitas vezes o Consigliere é o cérebro de verdade por trás do sucesso de uma Máfia. Eles também geralmente agem como os mediadores durante reuniões com outras famílias. O Consigliere também geralmente gerencia os negócios e operações legítimos da família, e são também as vezes legítimos e não-criminosos eles mesmo, com apenas pequenas operações de apostas e agiotagem. O Consigliere também é geralmente o único na família que sabe de todos os contatos, negócios, operações, contas e segredos da família e do Don, e se trair a família e caguetar para as autoridades, poderia arruinar completamente a organização.
Imitação do evangelho segundo o espiritismo - Edição Histórica Bilíngue Edição Português por Allan Kardec (Autor), Evandro Noleto Bezerra (Tradutor) A presente edição da FEB contém a reprodução eletrônica (digitalizada) da 1ª edição francesa da Imitação do evangelho segundo o espiritismo, tal como surgiu em Paris em abril de 1864, bem como sua tradução integral em nossa língua, a fim de que os leitores possam conferir as diferenças existentes entre o texto primitivo e o da 3ª edição da obra, publicada em 1866, revista, corrigida e modificada por Allan Kardec sob o título de O evangelho segundo o espiritismo, versão que hoje utilizamos. Com a publicação deste livro, a Federação Espírita Brasileira presta homenagem ao sesquicentenário de seu lançamento, comemorado em 2014, na expectativa de que as atuais e futuras gerações possam acompanhar, passo a passo, o cuidado de Allan Kardec na sistematização e aperfeiçoamento de suas obras, assistido, como sempre, pelos demais Espíritos da Codificação Espírita, tendo à frente o Espírito de Verdade. A todos, pois, desejamos boa leitura! “A origem do termo na obra No francês original de Kardec, costuma aparecer termos como "j'admets volontiers" ou "de bon gré" (admito de bom grado, aceito voluntariamente). Muitos tradutores históricos do século XIX e início do século XX no Brasil — como o célebre Guillon Ribeiro, cuja tradução é amplamente distribuída pela Federação Espírita Brasileira (FEB) — optaram por manter uma linguagem formal e literal da época. Por esse motivo, utilizaram construções como "admito de boamente" para passar a ideia de aceitar um argumento de forma sincera, sem resistência e de mente aberta.” 14 Bis - Caçador De Mim (Ao Vivo) Caçador de Mim Flávio Venturini Composição: Sérgio Magrão, Luiz Carlos Sá.
EDIÇÃO DE SÁBADO: IMPLOSÃO Foto: Fernando Facioli/ Divulgação Newsletter 05/09/26 • 7:00 Flávia Tavares “Creio que a ordem não pode eflorescer, senão no seio da estabilidade e da justiça. Mas vejo os depositários da ordem respirarem deliciosamente na agitação, animando-a, promovendo-a, propagando-a, e sinto empolarem-se, cada vez mais acirradas, as paixões políticas, em que a vida oficial parece comprazer-se.” Rui Barbosa, “Manifesto à Nação”, 1892 Estamos às vésperas de mais um 7 de Setembro dramático. Alexandre de Moraes será novamente um de seus protagonistas e, do outro lado, estará também o bolsonarismo. Mas há duas distinções fundamentais daquele Dia da Independência de 2021 em que o ex-presidente Jair Bolsonaro dizia que não mais cumpriria ordens judiciais de Moraes e que a paciência do povo estava se esgotando. A primeira é que não são só os bolsonaristas que estão impacientes com o ministro. A segunda é que, desta vez, a erosão que corrói os pilares do Supremo Tribunal Federal (STF) é provocada pelo lado de dentro. O confronto entre a ala de Moraes e o ministro André Mendonça, e que se esparramou pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, deixou a instituição se equilibrando numa viga frágil de credibilidade. Um sopro quente dos ventos eleitorais e ela pode não resistir. Implodir. A infiltração da crise nas cúpulas dos Poderes é diretamente proporcional à de Daniel Vorcaro e seus bilhões. Midas às avessas, todo ouro que ele distribuiu tem potencial para desintegrar quem o aceitou. Como diria Caetano, “ou não”. A depender da costura de um acordo que salve a maioria e da eventual convulsão social disso decorrente. Estamos no terreno do imprevisível. Da maior crise dos 135 anos de história do Supremo. Para compreendê-la e imaginar saídas dessa provação, o Meio ouviu Oscar Vilhena Vieira, professor da FGV Direito e cientista político; Rafael Mafei, advogado e professor de Direito na USP e na ESPM; e Felipe Recondo, pesquisador e jornalista, autor da newsletter Recondo e os Onze. Breve cronologia do caos Jair Bolsonaro cumpre hoje prisão domiciliar por conta do processo que o ministro Alexandre de Moraes relatou no Supremo. Em alguma medida, embora parlamentares se esforçassem para articular uma anistia que desafiasse a decisão da Corte, havia um sentimento de que o ápice do enfrentamento externo que podia subjugar o Supremo tinha sido superado. E o período de crise, idem. Então, veio o caso Master. Pulando já para esta semana, na terça-feira, 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da Petição 16.662, depois do vazamento de parte de seu conteúdo pela imprensa. O documento que veio a público era um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal, a pedido de Mendonça, a partir da análise do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na operação Compliance Zero. Boa parte do material reproduz conversas do fundador do Banco Master com um contato salvo na agenda do aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório também menciona o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Mendonça encomendou o relatório e um juiz auxiliar ouviu Daniel Vorcaro, tudo sem que os colegas fossem informados. O sangramento político e público de Moraes, Gonet e Andrei, mas principalmente de Moraes, se deu por dois dias. O relatório detalhava como o ministro alterou o contrato de R$ 130 milhões do escritório de sua mulher, Viviane, com o Master; os cartões de crédito com limites de R$ 300 mil emitidos pelo Master aos filhos do casal; as mensagens de Vorcaro ao ministro pedindo orientação e ajuda em seu caso. Dois dos maiores jornais do país pediram a renúncia de Moraes em duros editoriais — sim, isso ainda importa. A opinião pública estava encontrando coesão contra o ministro. Mas, assim como o inquérito das fake news que relata desde 2019, a gana de Alexandre de Moraes parece infindável. Na quinta-feira, ele trucou. Paralelamente a vazamentos que davam conta de encontro de Mendonça com Vorcaro e interlocução com seu advogado, e da tentativa do ex-banqueiro de fechar um contrato com o instituto de Mendonça, Moraes usou o mesmo inquérito das fake news e encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, documentos que, segundo ele, apontam indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução dos inquéritos do Master e das fraudes do INSS. Apontou, a partir de um outro relatório da PF, que Mendonça estaria conduzindo as investigações com interesses eleitorais. Na mesma noite, Fachin abriu um procedimento próprio e deu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues prestem informações por escrito. Antes disso, a Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado pela nulidade de toda a apuração determinada por Mendonça, sustentando que a decisão de investigar um ministro cabe ao plenário e não a um relator isolado. Em três dias úteis, o Supremo produziu um ministro pedindo a investigação de outro, um procurador-geral citado no material que ele próprio precisa avaliar, uma cúpula policial envolvida no episódio e sua corporação rachada. Fachin está com uma bomba nas mãos e pretende desarmá-la no colegiado. Completou a primeira fase de sua intervenção na manhã de sexta-feira, retirando do inquérito das fake news, que não tem mais qualquer respaldo fora da ala dos alexandristas, as acusações de Moraes contra Mendonça. A guerra deve chegar ao plenário na semana que vem. Sem precedentes Virou clichê hiperbolizar as crises políticas no Brasil. Convenhamos, são quatro décadas de pouco cerimoniosos “eitas atrás de vixes” na nossa jovem democracia pós-1988. Dois presidentes impichados, fora os presos. Uma nova tentativa de golpe militar. Uma jornada de junho e vários escândalos de corrupção no meio. Nesse percurso, uma instituição foi ganhando força na medida em que se politizava — talvez sem se dar conta que a equação poderia vir a se inverter. A lista de agressões históricas à Corte é longa. Floriano Peixoto deixou de nomear ministros e desafiou Rui Barbosa com o infame “quem dará habeas corpus a quem der o habeas corpus” em 1892. Hermes da Fonseca repetiu o gesto. Getúlio Vargas aposentou seis ministros, suspendeu prerrogativas de magistrados e viu a Constituição de 1937 transferir ao Senado o poder de revisar decisões da Corte. Em 1964 houve nova supressão de prerrogativas e o afastamento de três ministros. Em 1977, quando o Supremo tentou propor uma reforma no Judiciário, a reforma veio de fora, no Pacote de Abril. “O Supremo sempre teve o seu poder constrangido por setores autoritários da vida política brasileira que estavam em desconformidade com a Constituição”, diz Oscar Vilhena. “O governo Bolsonaro reedita isso. Ele se torna mais uma vez uma ameaça tendo o Supremo como um proxy da Constituição.” Ameaça externa, portanto, é a normalidade da Corte, e às vezes ela se consuma. O que está acontecendo agora é de outra natureza. “A ameaça interna é aquela que decorre de uma perda de autoridade por parte de membros da Corte”, diz Vilhena. Perda de autoridade, na definição dele, quer dizer exercer o poder conferido pela Constituição fora das bases em que ele foi conferido. “Você tem alguns ministros, não são todos, mas esses que agem como se fossem senadores da República, transitando com os interesses que eles terão que julgar.” Daí a imagem que organiza seu diagnóstico, a de uma erosão das estruturas do Supremo, que deixa o tribunal ainda mais vulnerável aos ataques que, como faz questão de frisar, também continuam vindo de fora. “Ainda que um juiz constitucional tenha uma latitude política maior, ela não pode comprometer a ideia de que eles estão agindo com imparcialidade e com integridade, de que não estão sendo beneficiários das decisões que tomam", acrescenta. E não custa lembrar que, direta ou indiretamente e em variadas medidas, ao menos Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Kássio Nunes Marques já haviam aparecido em relações de latitude bastante elástica com Vorcaro e Master. Agora, até Mendonça. De tudo que é lado O que mais preocupa Vilhena é a maneira como o ambiente externo se imiscui no interno. Quem atacava o Supremo por fora começou a fazer outra conta: “talvez melhor do que destruir seja capturar”. O problema, diz o professor, passa a ser a instrumentalização dos magistrados por setores da política brasileira. Ou vice-versa, dizem também os bastidores de Brasília ao longo da semana. Se Mendonça é acusado de agir em favorecimento de Flávio Bolsonaro ao supostamente permitir o vazamento das suspeitas sobre Lulinha e ao partir para cima de Moraes, o decano Gilmar Mendes se reuniu com o presidente Lula e cobrou que o governo fosse mais firme no controle da Polícia Federal e da Advocacia-Geral da União, para impedir as investidas de Mendonça — o que poderia ser bem pouco republicano, dada a autonomia adquirida e desejável da PF. A despeito disso, a pressão falou alto e Lula se pronunciou, na propaganda eleitoral, muito ao seu modo: sem citar ninguém nominalmente, defendeu investigações “doa a quem doer” e reforma política e no Judiciário. Aqui é que aparece a mão dupla da crise, com eleições pautando e sendo pautadas. “Seria muito ingênuo achar que tudo que está acontecendo é à revelia do calendário das eleições”, acrescenta Rafael Mafei, ao analisar a dinâmica de vazamentos que antecedeu a guerra declarada nesta semana. “Pelas mudanças de tecnologia, os vazamentos foram facilitados. Não é uma coisa que deve diminuir. O que vale repensar é a estratégia que o Supremo adota, tanto Moraes quanto Mendonça, de manter muita coisa em sigilo por muito tempo, contando que isso só vai sair lá adiante, que há como controlar.” O melhor jeito de neutralizar esse fator, defende, é garantir que as investigações sejam rapidamente abertas e o sigilo seja levantado o quanto antes. “É como deveria ser. A regra é a publicidade, o sigilo deve ser mantido apenas na medida da estrita necessidade da eficiência da investigação.” Do lado de dentro, Mafei interpreta a escalada no conflito entre Moraes e Mendonça como uma disputa de posição. Num tribunal historicamente dominado por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, Mendonça quer ser protagonista e se colocar como contraponto a esse eixo. Por isso, diz o professor, a votação no plenário que se aproxima, embora carregue discussões jurídicas reais, funcionará sobretudo como termômetro. “O que vai determinar que pedido [de investigação] vai ser bem-sucedido é a temperatura dos apoios de cada um.” Os pivôs O pesquisador Felipe Recondo oferece uma outra lente. Não porque entenda que o conflito seja menos grave, mas porque acredita que a metáfora da corte palaciana descreve mal o funcionamento do tribunal. “As pessoas costumam descrever o tribunal como um Game of Thrones. E não é assim.” Autor de vários livros sobre o STF, o mais recente sendo O Tribunal — Como o Supremo se Uniu Ante a Ameaça Autoritária, Recondo refuta a noção que alguns têm de que os ministros são amigos e combinam cada lance. “Cada ministro é quase uma instituição. A instituição maior é, claro, o Supremo, mas não tem esse tipo de aliança, esse tipo de conversa.” Cada ministro só tem um voto, e não consegue angariar o apoio dos outros “abrindo as asas”. Assim, embora coisas seríssimas estejam em jogo — e um contexto que inclui uma eleição presidencial e uma condenação recente de um ex-presidente por tentativa de golpe —, pode ser que coisas mais objetivas estejam sendo calculadas do que uma disputa etérea de poder. Recondo descreve Mendonça como um ministro isolado, capaz de reunir apoios em pautas específicas, o que é o comportamento orgânico do Supremo. Grupos ali se formam por julgamento, não por aliança permanente. Nesse caso, pode haver uma confluência circunstancial em torno das críticas internas ao que Moraes fez nos últimos anos, sem que isso configure um bloco estável. Sobre Moraes, o cálculo dos colegas é mais complexo. Ele tem crédito acumulado pelo que fez durante o governo Bolsonaro, no inquérito das fake news e no dos atos antidemocráticos, e os ministros sabem que qualquer enfraquecimento dele produz retaliações. Mas chega um ponto, diz Recondo, em que a pergunta muda de “ele merece apoio?” para “devemos apoiá-lo em absolutamente tudo, mesmo diante de fortes indícios?”. O resultado é um tribunal que olha para Moraes com “uma confiança com pé atrás” e para Mendonça com imensa desconfiança. A decisão de Moraes de contra-atacar Mendonça se encaixaria nessa descrição, diz Mafei, como uma estratégia de defesa com três funções ao mesmo tempo: retaliar o colega diretamente; atrair aliados dentro e fora do Supremo, acenando com os riscos que o aprofundamento do caso Master representa para outros magistrados e políticos; e apontar uma saída jurídica, a nulidade, capaz de interromper as investigações. Alô, polícia Um dia antes de Moraes acionar o inquérito das fake news contra o colega, Gilmar Mendes propôs a Fachin que delegados da Polícia Federal deixem de atuar nos gabinetes dos ministros. Hoje são seis policiais cedidos ao tribunal, quatro deles nos gabinetes de Mendonça e Moraes, um com Luiz Fux e um na Polícia Judicial. Em junho, o governo pediu a mais de cinquenta órgãos que devolvessem policiais federais cedidos. O Supremo foi poupado. Recondo considera que a formação desses esquadrões dos ministros diz mais sobre o que a Polícia Federal se tornou do que sobre o Supremo, e propõe o seguinte dilema: o parâmetro de Alexandre de Moraes não deveria valer para todos? Afinal, Moraes escolheu o delegado que queria no passado porque desconfiava que o procurador-geral da República, o diretor-geral da PF e o ministro da Justiça do governo Bolsonaro poderiam interferir a ponto de inviabilizar seu trabalho. A desconfiança de Mendonça é exatamente a mesma. “O ministro Alexandre estava errado em desconfiar disso? Não sabemos. O ministro André está errado em desconfiar disso? Não sabemos. Agora, se eles desconfiam, alguma coisa tem de errado na relação com a Polícia Federal.” O resultado é um sistema em que cada relator quer o próprio salvo-conduto e a própria equipe para garantir que uma investigação chegue a algum lugar. Num processo que depende de colaboração entre instituições, isso produz impasse, e o impasse produz nulidade. Cada um tenta suprir a lacuna que atribui ao outro, e, ao atravessar a linha de competência alheia, contamina o próprio trabalho. Vilhena traça a genealogia do problema. A Polícia Federal já foi balcanizada desde o início da Nova República, quando José Sarney levou o delegado Romeu Tuma, da polícia estadual de São Paulo, para dirigi-la. Sempre se soube da existência da polícia de um ministro e da de outro. Houve melhora relativa nas gestões de José Carlos Dias e, sobretudo, de Márcio Thomaz Bastos, que deu à corporação uma boa autonomia. Mas essa autonomia também tem custo. Hoje a PF não enxerga controle no Ministério da Justiça. Ele foi substituído pelo controle no Supremo. Vilhena lembra o que ouviu certa vez de um secretário de Segurança: ele dizia nunca ter tido problema para dar ordem a policial. O segredo era que sempre que se manda fazer o que eles já querem fazer, eles fazem. “Isso é um problema de controle de polícia no mundo todo. O FBI é assim também”, acrescenta. A conclusão que ele tira disso é institucional. Já que o ministro da Justiça sozinho não dá conta, porque a Polícia Federal o enxerga como quem aluga uma casa no fim de semana e vai embora no domingo, são necessários controles orgânicos sobre as agências de aplicação da lei. Um Senado minimamente capaz poderia criar um comitê de segurança pública para rever atos da PF, por exemplo. E a escolha de um diretor-geral seria mais bem escrutinada, não fruto da amizade com o presidente ou algo do gênero. A hora e a vez de Fachin Os três entrevistados convergem num ponto. Não há saída que não passe pelo presidente do Supremo. Edson Fachin não esteve na alfaiataria nem nas festas, não é sócio de instituto e não aparece em nenhuma das linhas do relatório. “Nunca houve qualquer denúncia, qualquer manifestação de que ele tenha uma conduta imprópria”, diz Vilhena. É quem tem o maior grau de imparcialidade diante dos grupos em disputa, e a obrigação institucional de conduzir uma solução. Além disso, diz, “combater o ministro Fachin agora, de um lado ou de outro, é pisar numa mina”. Sobre a condição do presidente, Recondo afirma que Fachin já vinha sendo avisado por Mendonça de que a coisa chegaria a esse nível e se preparava para isso. Talvez não soubesse a forma, e a forma provavelmente não lhe agradou, porque instalou no tribunal a suspeita de que um ministro pode investigar outro sem passar pela procuradoria. O modelo de presidência que Fachin persegue, na leitura de Recondo, é o de Rosa Weber, alguém capaz de decidir sem protagonismo pessoal. Só que o desfecho provável é ingrato. “Pela forma como o ministro Fachin conduz esses processos, e pela visão dele do que é certo e do que deveria ser feito, eu não duvido que ele desagrade a todo mundo. Tanto Mendonça quanto Moraes quanto Gilmar. Ele faz porque acha que é o certo a fazer.” Sobre a permanência de Moraes, Vilhena é direto: o ministro perdeu condição de exercer a função de magistrado, e isso valeria para qualquer tribunal, inclusive para um juiz de primeira instância. A dificuldade, insiste, é que ele não está com suspeitas sozinho, o que torna qualquer solução seletiva insustentável. Pedidos de impeachment já se acumulam no Senado. Embora Moraes tenha conversado por três horas com Davi Alcolumbre, presidente da Casa e também enroscado no Master, antes de apresentar seu contra-ataque a Mendonça, o senador está pressionado e já dá sinais de que pode ceder. O truque para diminuir a pressão foi espalhar por Brasília que abriria processos de impeachment tanto contra Moraes quanto contra Mendonça. A alternativa que Vilhena considera mais plausível é uma renúncia negociada, e para descrever como isso pode funcionar ele recorre à Suprema Corte americana. Quando um juiz assume a posição nos EUA, ganha do Estado uma cadeira feita sob medida, com as medidas tiradas por um marceneiro. Quando se aposenta, os colegas compram do Estado aquela cadeira e a oferecem de presente. Uma ministra da corte americana lhe contou que há casos em que os colegas compram a cadeira antes da aposentadoria e mandam entregar na casa do juiz. O dia em que ele chega em casa e pergunta o que aquilo está fazendo ali é o dia em que fica sabendo que não deve voltar. Isso já teria acontecido no Brasil. Vilhena diz que um ex-ministro do STF lhe relatou algo parecido no Supremo, uma reunião em que os colegas comunicaram a alguém que ele não tinha mais condição de ficar. Só nunca lhe disse de quem se tratava nem quando aconteceu. Depois da tempestade O passo seguinte seria apresentar à sociedade um projeto de Supremo compatível com um regime democrático, e isso começaria pela competência penal. Nenhuma corte constitucional no mundo julga casos como o do Master, ou o do INSS. O ensaio brasileiro iniciado em 1988 produziu resultados positivos e um efeito colateral que agora se cobra: cada vez que assume um caso criminal de figura importante, o tribunal se politiza e perde a imparcialidade necessária para defender a República. “Ele entra no jogo, ele é capturado pelo jogo da política mais baixo possível.” A proposta é reduzir a prerrogativa de foro ao presidente da República e aos presidentes da Câmara e do Senado, e devolver o resto à Justiça comum. Mafei concorda com o diagnóstico e discorda do momento. Para ele, não há clima político para qualquer iniciativa de reforma agora, e uma proposta apresentada no calor desta crise correria o risco de servir para retalhar o Supremo e diminuir poderes que o tribunal precisa manter. O que se pode discutir desde já, argumenta, são as reformas que dependem apenas do próprio Supremo: transparência sobre valores e remunerações recebidos pelos ministros, regras básicas de conflito de interesses e código de ética. Nada disso expõe a Corte ao risco de uma emenda constitucional apresentada a pretexto de melhorar e destinada a limitar. Fica de pé o problema do calendário. O plenário terá de decidir em prazo curto, a um mês da eleição, com o Senado pressionado por pedidos de impeachment que dependem da vontade de um único parlamentar, com a Polícia Federal fraturada e com um procurador-geral que segue dando pareceres sobre um caso em que aparece citado. Recondo lembra que casos assim costumam esfriar, e que a imprensa erra sistematicamente ao supor que o calor do momento se manterá. Ele acha que desta vez será diferente. “Chegamos naquele ponto de não retorno, em que é preciso enfrentar o problema de frente e ter algum tipo de explicação para a sociedade e para os próprios ministros.” A fórmula que sustentou o tribunal até aqui deixou de funcionar. Nenhum ministro do Supremo consegue mais dizer que não há nada para ser visto e seguir em frente. Sob o risco de implosão.
Análise: Último foro contra crises, STF arrasta o país para uma A sociedade civil, em suas diversas representações, reage e inicia mobilizações – mas todos com receio de contaminação política e eleitoral 04/09/26 às 17:58 | Atualizado 04/09/26 às 17:58 Em Brasília, articulações para salvar o STF (Supremo Tribunal Federal) da crise. No Brasil, mobilização contra a corrupção e a inação dos Poderes. A reação ao cataclisma que o ministro Alexandre de Moraes causou ao usar o inquérito das Fake News contra André Mendonça está longe de conter a crise no STF. Até porque, nesse contra-ataque, o ministro que até aqui era o todo poderoso do Supremo, decretou o fim da corte como a conhecemos até agora, como disse William Waack no WW. Hoje, o país acordou com essa sentença, mas sem nenhuma sinalização sobre o que será do próximo STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, tenta conter os estragos ao tirar o processo contra André Mendonça do inquérito das Fake News e prometendo acabar com esse instrumento que beira um regime de exceção nas mãos de um ministro. Leia Mais _______________________________ Lula tratou de crise no STF com Fachin antes de discursos no Planalto Crise sem precedentes: especialistas citam "ruptura" e "cortina de fumaça" Oposição vê retaliação em ação de Moraes contra Mendonça _________________________________ A sociedade civil, em suas diversas representações, reage e inicia mobilizações – mas todos com receio de contaminação política e eleitoral. É como se o Brasil tivesse sido sequestrado por uma crise em que, aquele que deveria ter o poder de evita-lá, é exatamente quem arrasta o país para dentro dela. CNN Brasil Tópicos Alexandre de Moraes André Mendonça Hora H STF (Supremo Tribunal Federal) Thais Herédia
Tribunal Pleno passa por adaptação para receber novos desembargadores html

Poder Judiciário da República

Tribunal Pleno do Planalto Central

ACÓRDÃO Nº 2026/DF

EMENTA: CONSTITUCIONAL E REGIMENTAL. ALTERAÇÃO FONÉTICA E ORTOGRÁFICA EM AMBIENTE DE ALTA POLÍTICA. DA TRANSMUTAÇÃO DO ESTADO DE DESORDEM (CAOS) EM NARRATIVA POPULAR (CAUSO). DO DESLOCAMENTO DA TÔNICA JURÍDICA (ACÓRDÃO) PARA A CONVENIÊNCIA DOS BASTIDORES (ACORDÃO). RECURSO PROVIDO PARA ADMITIR QUE O RIGOR ESTILÍSTICO CEDE DIANTE DOS ARRANJOS ESPECÍFICOS DA CAPITAL.

1. A subsunção dos fatos à norma, quando analisada sob a ótica do Planalto Central, sofre mitigação interpretativa decorrente da fonética e da ausência deliberada de acentuação gráfica.

2. O fenômeno da mutação do caos em causo constitui técnica de pacificação retórica, pela qual a desordem institucional é convertida em anedota de contornos pitorescos, esvaziando-se a gravidade do fato concreto.

3. A supressão do acento agudo na palavra acórdão opera verdadeira transmutação de natureza jurídica: desveste-se o ato de sua formalidade processual colegiada para revesti-lo da condição de pacto pragmático de coalizão (acordão).

4. Configurada a primazia da vocalização e dos arranjos sobre a literalidade do texto, conclui-se que a semântica do poder é essencialmente prosódica.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros do Tribunal Pleno, por unanimidade de votos, conhecem da divergência vocabular para DAR PROVIMENTO à tese de que, no topo do Planalto Central, a gramática é subordinada à conveniência dos fatos, nos termos do voto do Relator.

Brasília, 5 de setembro de 2026.

Ministro Relator


Ata de Reunião Não-Oficial (Mas Homologada)

Local: Um gabinete com isolamento acústico e café caro.

O Fenômeno da Gravidade Zero da Gramática Candanga

No topo do Planalto Central, a física e a linguística operam sob leis próprias. É o único lugar do mundo onde o desespero e a baderna institucional (o caos) passam por um banho de assessoria de imprensa e viram uma história folclórica para se contar rindo no jantar (o causo). O erro vira folclore; a crise vira piada de salão.

Mas o verdadeiro milagre acontece na ortografia. Ali, o acento agudo é uma commodity de alto risco.

Se você coloca o acento, você tem um acórdão: uma decisão jurídica, formal, publicada no Diário Oficial, cheia de latim e termos que ninguém usa desde 1800. Dá trabalho, exige fundamentação e, pior, gera obrigações.

Por isso, o verdadeiro estadista prefere a economia de sinal gráfico. Tira-se o acento e, num passe de mágica fonética, nasce o acordão. O "acordão" não precisa de base legal, só de quórum e de um bom operador de bastidor. Ele resolve a vida de todo mundo, limpa o horizonte penal e garante a governabilidade até a próxima terça-feira.

In suma: o destino da nação não depende da Constituição, mas da capacidade do sujeito de engolir a tônica certa na hora de falar. No Planalto, quem sabe vocalizar não precisa explicar. E quem sabe omitir o acento, nunca precisa se desculpar.

Use o código com cuidado.
html

RESENHA FINAL: O JOGO DOS R$ 5,3 BILHÕES NO CHAPADÃO DOS TOGADOS

Direto do Planalto Central, pelas ondas do além com a fleuma, a manha e a garra de João Sem Medo!

A sirene da Praça dos Três Poderes tocou, o juiz recolheu a redonda e o rádio não espera ninguém! O Plenário Presencial do STF encerrou os trabalhos do dia e mandou todo mundo pro vestiário. A disputa histórica sobre o RE 1.479.774 (Tema 1.309), que decide se o Fisco pode morder o PIS/Cofins das aplicações financeiras das reservas técnicas das seguradoras, foi interrompida pelo apito final e o jogo segue adiado para amanhã.

O placar eletrônico do STF FC está travado em 2 a 1 para os Camisados. Mas calcem as chuteiras de cravo alto porque o segundo tempo promete ser um troço de louco!


📋 A SÚMULA DA PELADA (Placar Atualizado)

Time / Corrente Votos Atletas da Toga
👕 TIME DE CAMISA (A favor das Seguradoras) 2 Luiz Fux (Relator): Abriu o placar defendendo que as reservas técnicas servem para garantir o segurado, não sendo faturamento livre.
Dias Toffoli: Viu a jogada bonita e carimbou o segundo gol na tabelinha.
🩳 TIME DESCAMISADO (A favor do Fisco) 1 Alexandre de Moraes: Voltou com o voto-vista soltando o caneco na divergência. Entrou de carrinho argumentando que aplicar dinheiro é o negócio da seguradora e tem que pagar imposto.

📢 O MEGAFONE DO TÉCNICO (O Famoso Item 2 da Tese)

O Item 2 da tese do relator ficou isolado na prancheta para a leitura final na beira do campo. A linha de impedimento está bem traçada pela comissão técnica: é preciso separar cirurgicamente o que é receita de faturamento típico da atividade comercial daquilo que é mera recomposição financeira de reservas obrigatórias por lei. Se a zaga bater cabeça nessa distinção técnica, abre-se a porteira para um rombo bilionário no bolso de quem contrata seguro neste país.


🧼 VESTIÁRIO E FAIR PLAY: ORDENS PARA A REAPRESENTAÇÃO

O Presidente do time, Edson Fachin, exigiu platitude e equilíbrio absoluto na mesa para manter o ecossistema do tapetão limpo de fumaças políticas ou odores suspeitos de desespero arrecadatório. Jogo limpo é a regra. Por isso, as ordens de João Sem Medo para o descanso noturno são claras:

  • Os Camisados: Tratem de lavar os uniformes imediatamente. Deixem o pano no sereno do Planalto Central para tirar a inhaca do primeiro tempo e passem com ferro em brasa. Amanhã a tese da não incidência precisa entrar em campo esticada, alva e sem nenhuma rachadura.
  • Os Descamisados: Direto para o chuveirão! Água fria na cabeça para acalmar os ânimos e muito sabonete nas axilas. O fair play exige que o destino desse caminhão de dinheiro seja decidido estritamente na bola e na técnica, sem contaminações ou odores estranhos no plenário.

A bola volta a rolar amanhã cedo no STF. Quem vai faturar o caneco? O Fisco ou o Contribuinte? Os outros ministros estão com a chuteira na mão esperando o apito inicial. Fui, que o rádio não espera ninguém!

Use o código com cuidado.
Alexandre de Moraes vandaliza o Supremo Por O Estado de S. Paulo Ao declarar guerra ao colega André Mendonça, o ministro, suspeito de ser ‘consigliere’ de Vorcaro, causa mais dano ao STF do que a horda de arruaceiros do 8 de Janeiro Sem quebrar um copo, o ministro Alexandre de Moraes infligiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dano mais grave do que o causado pelos arruaceiros que tomaram a Corte de assalto no fatídico 8 de janeiro de 2023. Na quinta-feira passada, Moraes vandalizou a instituição em nome de sua defesa pessoal. O gatilho para a ira do ministro foi a revelação, feita por este jornal, de novos e inquietantes pormenores da promíscua – e potencialmente criminosa – relação entre ele e Daniel Vorcaro, que, como se sabe, celebrou um contrato de serviços advocatícios no valor de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. O teor das dezenas de mensagens extraídas de celulares de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) sugere que Moraes atuava como uma espécie de consigliere do banqueiro vigarista – nada menos. Diante desse fato escabroso, o único caminho republicano seria Moraes se afastar voluntariamente do cargo, poupando o Supremo de ser atirado na fossa moral em que ele mesmo se meteu. Mas, em vez disso, o ministro acionou o “modo sobrevivência” e usou o famigerado inquérito das fake news, seu brinquedo de pequeno tirano, para declarar guerra ao colega André Mendonça, o relator das investigações sobre o Banco Master no STF, que ousou levantar o sigilo do relatório da PF e, assim, expôs o grau de proximidade entre Moraes e Vorcaro. Já um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita. Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça. No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”. Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news. É preciso dizer sem rodeios: o sr. Alexandre de Moraes e todos os que o protegem no STF – a começar pelo decano do tribunal, Gilmar Mendes – se tornaram, não de agora, a maior fonte de instabilidade democrática no País. Essa ala daninha da Corte traiu o espírito norteador da criação do Supremo Tribunal Federal, em 1891, e a transformou nessa aberração corporativista que ameaça afundar o Brasil em uma crise de tal magnitude que, no limite, pode pôr em risco a própria democracia. Para salvar a pele, Moraes ainda tenta impor uma falsa equivalência entre legítimas dúvidas técnicas a respeito da atuação de Mendonça como relator do caso Master e as suspeitas gravíssimas que pesam sobre si mesmo. Ao que tudo indica, Moraes aposta na confusão generalizada para, ao fim e ao cabo, evitar ter de responder sobre o mérito dessas suspeitas, fixando-se na forma como foram expostas. Também não se pode condenar quem veja em sua campanha iracunda a pavimentação do caminho até a nulidade de todas as investigações sobre o caso Master no STF – sonho de todos em Brasília que colocaram suas almas à venda para servir aos interesses comerciais de Vorcaro. Para piorar, o subproduto dessa crise é a instrumentalização escancarada da PF: ora acionada por Moraes para produzir “relatórios” a seu feitio, ora orientada pelo decano do STF a praticar desobediência civil, ignorando decisões de Mendonça que considere “ilegais”, ora ameaçada pelo próprio Mendonça com o afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues. Uma corporação que deve primar pela atuação legal, técnica e republicana virou joguete nas mãos de autoridades movidas por suas próprias agendas. O STF se reergueu fisicamente dos escombros do 8 de Janeiro. É incerto, porém, se será capaz de se libertar do cativeiro em que foi aprisionado por Moraes, que faz da Corte refém de suas ambições. Agora cabe a Fachin liderar essa histórica missão de resgate. Se decidir fazê-lo, tomando as decisões que lhe cabem nessa hora grave, o ministro presidente pode estar certo de que terá do jornal O Estado de S. Paulo todo o apoio de que precisar.
Nenhum ministro está acima do Supremo Por Correio Braziliense O STF não pode se transformar numa arena em que disputas pessoais, suspeitas de conflitos de interesse e decisões dos próprios envolvidos deixem em segundo plano a Justiça e o interesse público Nenhum homem está acima da instituição. Essa máxima, elementar numa democracia, tornou-se a questão central para o Supremo Tribunal Federal (STF). A crise provocada pelo caso Banco Master ultrapassou os limites de uma investigação criminal e expôs divergências entre ministros, Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) num grau de tensão que ameaça contaminar a credibilidade da própria Corte. O Supremo precisa, com urgência, reencontrar o caminho da estabilidade. Não se trata de proteger seus integrantes nem de blindá-los, mas de preservar uma instituição que ocupa posição central no sistema democrático brasileiro. O STF não pode se transformar numa arena em que disputas pessoais, suspeitas de conflitos de interesse e decisões dos próprios envolvidos deixem em segundo plano a Justiça e o interesse público. A regra deve valer para todos: fatos precisam ser investigados, responsabilidades individualizadas e direitos preservados. Não existem atalhos legítimos no Estado de Direito. As investigações sobre o Master são especialmente delicadas porque alcançaram extensa rede de relações empresariais, jurídicas e políticas. Quando integrantes da mais alta Corte entram em confronto por decisões ligadas a uma investigação dessa dimensão, o problema imediatamente se torna institucional. Divergências jurídicas são naturais num tribunal colegiado. O que não é normal é a impressão de que decisões judiciais, investigações e medidas policiais possam ser movimentos numa disputa entre magistrados. Existe o risco de transformar o Supremo simultaneamente em personagem, investigador, vítima e juiz de fatos que eventualmente alcancem seus integrantes ou pessoas próximas a eles. A resposta para esse problema não pode ser corporativa. Se existem suspeitas, devem ser investigadas segundo a lei. Se forem falsas, os atingidos têm direito à reparação. Se houver irregularidades, ninguém deve receber tratamento privilegiado em razão do cargo que ocupa. O mesmo rigor vale para Daniel Vorcaro e eventuais colaboradores. Delação premiada não é sentença nem prova suficiente para condenação. As declarações precisam ser confirmadas por provas independentes. Da mesma forma, PF e Ministério Público precisam atuar com autonomia, sem submissão aos interesses dos investigados ou às disputas políticas e institucionais. A crise também expõe um problema anterior ao Master: a excessiva personalização do Supremo. O STF passou muitas vezes a ser identificado pelos nomes dos ministros, e não pela força de sua jurisprudência. Essa inversão precisa acabar. O Supremo não pertence aos seus 11 integrantes. Cada ministro exerce temporariamente uma parcela do poder conferido pela Constituição à instituição. Ministros passam, a Corte permanece. Defender o Supremo, portanto, não significa defender automaticamente qualquer ministro. Pode significar investigar seus integrantes, reconhecer impedimentos, corrigir decisões e impor limites. A transparência fortalece o tribunal, enquanto o corporativismo o enfraquece. Nada será mais destrutivo para sua legitimidade do que consolidar a percepção de que existem dois padrões de Justiça: um para os cidadãos e outro para as cúpulas do Estado. O caso Master tornou-se um teste para o STF. O Congresso não pode usar a crise para intimidar ministros, mas a Corte também não pode responder às críticas legítimas refugiando-se numa fortaleza corporativa. A saída está na colegialidade, na transparência, no respeito às competências constitucionais e ao devido processo legal. É preciso despersonalizar o conflito. Nenhum ministro é maior do que o Supremo, assim como o Supremo não está acima da Constituição. Sua autoridade será preservada se demonstrar que a regra fundamental da República vale para todos: ninguém está acima da lei.
sábado, 5 de setembro de 2026 O lado de Vorcaro na disputa presidencial, por Adriana Fernandes Folha de S. Paulo Da cadeia, ex-banqueiro continua dando as cartas; ele quer a nulidade do processo do caso Master Estratégia acaba favorecendo o presidenciável Flávio Bolsonaro por colocar em risco investigação sobre o filme 'Dark Horse' Da cadeia, Daniel Vorcaro continua dando as cartas. Ele quer a nulidade do processo do caso Master. O ex-banqueiro caminha a passos largos para conseguir que seja colocado em suspeição todo o inquérito contra ele. Na intimidade das mensagens trocadas pelo celular, Vorcaro é "amigo, Dani, irmãozão, mermão". Em público, os mesmos que o tratam com palavras amorosas nada sabem. Não são amigos. O deputado Nikolas Ferreira, que se autoproclama "homem de família", entrou nessa lista. Pediu que Vorcaro ajudasse seu ex-assessor de gabinete a liberar "um ativo de minério". Maracutaia. Vorcaro muda de advogados como quem troca de roupa. Diz que vai falar, não conta nada, volta atrás, sinaliza com nova delação, engana e segue segurando os cordões das marionetes ao sabor de quem mais o ajudar a alcançar seu propósito. O advogado da hora é Daniel Bialski, que já prestou serviços ao ex-governador Cláudio Castro, a Michelle Bolsonaro no caso das joias sauditas e à ex-deputada Carla Zambelli. Em Brasília, Bialski é conhecido por ter boa relação com André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-ministro de Bolsonaro. A disputa eleitoral apertada e o STF em chamas ajudam Vorcaro. A última dele foi dar um depoimento ao gabinete de Mendonça dizendo que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas na prisão para não relatar fatos ligados à Polícia Federal. O depoimento, gravado em vídeo, foi dado a um juiz auxiliar da equipe do ministro. O alvo era o chefe da PF, Andrei Rodrigues. Os vazamentos pinçados dão aos advogados a chance de pedir a nulidade. A estratégia acaba favorecendo o presidenciável Flávio Bolsonaro por colocar em risco a apuração sobre o filme "Dark Horse". Ao tirar o sigilo parcial do caso, Mendonça não estaria agindo de forma proposital? O episódio lembra a atitude do ex-juiz Sérgio Moro, que divulgou grampo de ligação entre Lula e Dilma Rousseff. Não nos esquecemos: Vorcaro é o maior fraudador da história do sistema financeiro do país. Quem ainda acredita nele? Na Floresta Cartola Na floresta dei-te um ninho E mostrei-te um bom caminho Mas quando a mulher não tem brio, dizem que É malhar em ferro frio Tudo eu fiz por você Não quisestes entender Os meus conselho E a minha opinião Algum dia vais ver Como é triste sofrer E de joelhos Vens pedir o meu perdão Na floresta dei-te um ninho E mostrei-te um bom caminho Mas quando a mulher não tem brio, dizem que É malhar em ferro frio O teu contentamento Foi o meu sofrimento Não importa tudo isso até acabar E assim me contento Esperando o momento Que a minha porta pra você há de fechar Composição: Cartola, Silvio Caldas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O PARADOXO DE BRUZUNDANGA: A ENGENHARIA DA POSTERGAÇÃO E A CRISE DE IDENTIDADE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

AO VIVO: DECISÃO DE MORAES PÕE EM XEQUE O FUTURO DO SUPREMO | WW CNN Brasil Transmissão iniciada há 50 minutos WW — Programas na íntegra Assista AO VIVO ao WW desta quinta-feira, 03 de setembro de 2026. #CNNBrasil
Na crise institucional, a régua tem que ser a mesma para todos, por Adriana Fernandes Sessão Plenária - 2/9/2026 STF Transmitido ao vivo em 2 de set. de 2026 Na sessão Plenária de 2/9, o STF iniciou o julgamento do o (RE) 1495108 sobre a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pelas imobiliárias ao transferir bens e direitos para incorporação em seu capital social. Foram ouvidos os argumentos de uma das partes e de terceiros admitidos no processo (amici curiae). Saiba mais em: https://bit.ly/imunidade-itbi Na mesma sessão, por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que as receitas obtidas com aplicações financeiras das reservas técnicas de empresas seguradoras não devem integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins incidentes sobre o faturamento. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1479774, com repercussão geral (Tema 1.309), e deverá ser aplicada aos demais casos semelhantes em tramitação na Justiça. Saiba mais em: https://bit.ly/pis-rendimentos-reservas 02:20 - RE 1495108 56:11 - RE 1479774 No julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrido em 02 de setembro de 2026, amplamente acompanhado pelo portal JOTA, o principal destaque foi o Recurso Extraordinário (RE) 1.479.774 (Tema 1.309 da Repercussão Geral).A Corte decidiu, por 6 votos a 4, afastar a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes das aplicações financeiras das reservas técnicas de seguradoras.Principais Deliberações do DiaVitória das Seguradoras (RE 1.479.774): Prevaleceu o voto do relator, ministro Luiz Fux. O tribunal fixou o entendimento de que os rendimentos dessas aplicações financeiras não constituem "faturamento" ou receita operacional típica da atividade de seguros, servindo exclusivamente como uma garantia compulsória para o pagamento de indenizações aos segurados.Funrural (ADI 4395): O Plenário proclamou formalmente o resultado que consolida o dever do empregador rural pessoa física de pagar a contribuição previdenciária sobre a receita bruta da venda de seus produtos.Imunidade de ITBI (RE 1.495.108): A análise do Tema 1.348, que discute a imunidade de ITBI na transferência de imóveis para integralização de capital social de imobiliárias e holdings, foi iniciada na mesma sessão, mas teve sua conclusão adiada.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026 Na crise institucional, a régua tem que ser a mesma para todos, por Adriana Fernandes Folha de S. Paulo Em ano eleitoral, os riscos associados a quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam André Mendonça tem obrigação de adotar os mesmos procedimentos para todos e deveria derrubar o sigilo de 'Dark Horse' A crise institucional pela qual passa o Brasil é tão grave que a sociedade perdeu totalmente o parâmetro de confiança nos principais atores da cúpula da República. Em ano eleitoral, os riscos associados a esse quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam. No Supremo, são os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli envolvidos diretamente com Daniel Vorcaro sem dar explicações. No Congresso, lideranças das duas Casas, da oposição e do governo, ligadas aos escândalos do Master e do INSS. Na oposição, os milhões pedidos pelo presidenciável Flávio Bolsonaro ao "irmão" Vorcaro para o filme "Dark Horse", sem a prestação de contas até agora e com suspeitas de lavagem de dinheiro a fim de financiar as atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Executivo, as investigações da PF apontam que Marcola, ex-chefe do gabinete pessoal do presidente Lula, recebeu vantagens financeiras indevidas de uma lobista. O filho do presidente, o Lulinha, investigado pela PF. Nos governos estaduais, os ex-governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ) no círculo das fraudes do Master. Na PGR, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi citado em mensagens do celular de Vorcaro em que há pedidos para conter investigações. É pertinente cobrar do ministro do STF André Mendonça, da PGR e dos diversos grupos de investigadores da PF que apliquem a mesma régua e os mesmos procedimentos para todos. A cobrança sobre Mendonça tem que ser maior, já que é o relator dos casos Master e INSS. O ministro omitiu que se encontrou com Vorcaro. Não pode se achar o Messias, o salvador da pátria. Deveria derrubar o sigilo da investigação do filme para mostrar coerência e afastar a desconfiança de interferência nas eleições. A sociedade está sem referências de onde possa depositar confiança e esperança. Os empresários pedem a volta da estabilidade institucional. A população está cansada dessa pancadaria. Não é à toa que um nome sem nenhuma expressão política, Augusto Cury, atinge 11% das intenções de voto.
"The analysis by Luiz Carlos Azedo draws parallels between Lima Barreto's satirical work Os Bruzundangas and the institutional crisis at Brazil's Supreme Federal Court (STF) surrounding the Master Case. The controversy involves leaked Federal Police reports containing messages from former Banco Master controller Daniel Vorcaro and questions regarding contracts involving a minister's family. You can read the full analysis at Correio Braziliense."
quinta-feira, 3 de setembro de 2026 Lima Barreto, a Constituição de Bruzundanga e a crise no Supremo, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Supremo se reuniu, mas não tratou do assunto. Havia muita tensão no ar. O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu a gravidade da situação Descendente de escravizados, Lima Barreto (1881-1922) foi um ponto fora da curva na literatura brasileira. Negro, pobre e vítima de preconceito, conheceu por experiência própria os mecanismos de exclusão da República recém-instalada. O autor de Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909) e Triste fim de Policarpo Quaresma (1015) denunciou o o racismo, o bacharelismo, o arrivismo político e a distância entre as instituições e a sociedade. Em Os Bruzundangas (1922), sua obra mais política, Lima Barreto construiu uma sátira devastadora dos primórdios da República, que permanece atual um século depois. Imaginou um país cuja Constituição proclamava direitos universais, mas continha uma cláusula destinada a proteger os poderosos da “situação”. A Justiça de Bruzundanga era chamada de “Chicana”. Sua Suprema Corte não começava pelo exame da lei, mas pela identidade das pessoas que poderiam ser atingidas. “Havia artigos muito bons, como por exemplo o que determinava a não acumulação de cargos remunerados e aquele que estabelecia a liberdade de profissão; mas, logo, surgiu um deputado prudente que estabeleceu o seguinte artigo nas disposições gerais: ‘Toda a vez que um artigo desta Constituição ferir os interesses de parentes de pessoas da “situação” ou de membros dela, fica subentendido que ele não tem aplicação no caso’.” A analogia com a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) é pertinente, embora não possa ser levada ao extremo de negar a existência das garantias constitucionais ou de antecipar a culpa dos envolvidos. A sátira ilumina o dilema central da Corte no caso Master: saber se as leis serão aplicadas com o mesmo rigor quando as suspeitas alcançam integrantes das instituições encarregadas de aplicá-las. O ministro André Mendonça tornou público relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que teria enviado comunicações a Alexandre de Moraes no período mais crítico das investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou. Em outra mensagem, quis saber se “com Andrei dá pra segurar”. Pouco antes de ser preso, questionou: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A PF interpreta que “Paulo” seria o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e “Andrei”, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. As mensagens revelam o que Vorcaro pretendia, porém, as respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas. Essa ausência não elimina a necessidade de esclarecimentos. O caso se tornou mais grave com a revelação de que Moraes participou da análise da minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, dirigido por sua mulher, Viviane Barci de Moraes. O contrato previa pagamentos milionários. Paradoxos O escritório sustenta que o ministro foi consultado apenas para verificar possíveis impedimentos legais. Mas isso não encerra a questão ética. É necessário esclarecer a extensão da participação do magistrado, os serviços efetivamente prestados e a existência de eventual conflito de interesses. O conjunto de mensagens, encontros e relações contratuais é incompatível com o silêncio. A reação da PGR aprofundou o impasse. Gonet pediu a anulação das provas que citam Moraes, sob o argumento de que Mendonça não teria competência para determinar investigações contra outro ministro e de que cabe ao Ministério Público conduzir a persecução penal. Provas obtidas fora das regras de competência de fato podem ser anuladas. Mas o fato de o próprio procurador-geral aparecer nas mensagens torna insuficiente a resposta limitada à nulidade. Surge o paradoxo da Bruzundanga: se Mendonça não pode conduzir a apuração e se a PGR, atingida pelas referências, pretende invalidá-la, quem investigará os fatos com independência? A proteção das prerrogativas processuais não pode impossibilitar a investigação dos fatos. Caso isso ocorra, é aquela “elasticidade extraordinária” denunciada por Lima Barreto. Ontem, surgiu a informação de que Mendonça teve um encontro com Vorcaro antes de tornar-se relator do caso e, recentemente, colheu depoimento do banqueiro, que denunciou supostas ameaças e intimidações da PF. E o plenário do Supremo se reuniu, mas não tratou do assunto. Havia muita tensão no ar. O presidente do STF, Edson Fachin, antes da reunião, reconheceu a gravidade da situação e advertiu que a Corte impõe “deveres, limites e responsabilidades”. Fachin pode assegurar um exame colegiado do caso. O Plenário pode reorganizar a investigação. Moraes deveria prestar esclarecimentos, entregar documentos e se afastar dos processos relacionados ao Master. Se a apuração for sufocada ou conduzida como guerra interna, com vazamentos e retaliações, o Supremo mergulhará numa crise ainda mais destrutiva.
Análise Lima Barreto, a Constituição de Bruzundanga e a crise no Supremo Supremo se reuniu, mas não tratou do assunto. Havia muita tensão no ar. O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu a gravidade da situação "Não, os propositores e votantes da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) não se inspiraram na "Constituição Chicana" de Os Bruzundangas, de Lima Barreto. Trata-se de uma coincidência irônica de conceitos, mas com origens, naturezas e propósitos inteiramente opostos. Justificativa A Origem Técnica da ADO: A ADO foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Constituição Federal de 1988 (Art. 103, § 2º). Os constituintes se inspiraram na doutrina jurídica europeia (notadamente no modelo de controle de constitucionalidade de Portugal e da Alemanha) para criar um mecanismo capaz de combater a inércia do Poder Legislativo. O objetivo era evitar as "normas de gaveta", ou seja, direitos prometidos pela Constituição que não funcionavam por falta de regulamentação. A Natureza da Sátira de Lima Barreto: No trecho citado de Os Bruzundangas (publicado em 1922), Lima Barreto usa o termo "ação de inconstitucionalidade por omissão" de forma puramente satírica e literária. Na verdade, o autor estava parodiando o subversivo jeitinho da República Velha. No livro, o tribunal fictício usava a desculpa da "omissão" para não aplicar a lei se ela prejudicasse os parentes das elites governistas. Propósitos Opostos: Na Bruzundanga, a "omissão" é usada como um privilégio de casta para blindar corruptos e amigos do poder. No Direito Brasileiro Real, a ADO serve para o oposto: forçar o Estado a aplicar a Constituição de forma ampla e igualitária para proteger a coletividade (erga omnes). Conclusão Embora o termo literário de Lima Barreto e o remédio jurídico real tenham nomes idênticos, não há um nexo causal ou de inspiração consciente entre os criadores da ADO de 1988 e a obra literária de 1922. A conexão que existe é a eterna genialidade do autor . Lima Barreto foi tão visionário ao satirizar a hipocrisia das elites jurídicas brasileiras da sua época que acabou "inventando", por meio da ironia, uma expressão que o Direito brasileiro só viria a adotar formalmente 66 anos depois. O texto continua sendo uma metáfora perfeita para denunciar momentos em que as instituições reais parecem se comportar como os tribunais da fictícia Bruzundanga. As respostas da IA podem conter erros. Para orientação jurídica, consulte um profissional. Saiba mais"
"A Constituição de Bruzundanga: a gaveta da postergação institucional onde o pragmatismo político sepulta a urgência do dever ético."

O PARADOXO DE BRUZUNDANGA: A ENGENHARIA DA POSTERGAÇÃO E A CRISE DE IDENTIDADE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Entre o fazer hoje, o deixar para lá e a responsabilidade institucional diante do tempo.

1. Entre o “fazer hoje” e o “deixar para lá”

“Não deixe para amanhã o que você pode deixar para lá.”

A frase parece apenas uma brincadeira com o conhecido provérbio “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Mas sua inversão produz uma provocação muito mais profunda: quando a postergação deixa de ser uma escolha individual e passa a funcionar como método institucional?

A expressão é atribuída, no material analisado, a Pedro Vinicio, no livro Tirando tudo tá tudo bem. Seu humor nasce da inversão de uma máxima de produtividade. Em vez de exaltar a ação imediata, ela transforma a omissão em estratégia.

É justamente nessa inversão que surge o paradoxo de Bruzundanga: aquilo que, no indivíduo, pode ser prudência, preguiça, ironia ou autopreservação pode adquirir outro significado quando praticado sistematicamente por instituições encarregadas de decidir.

2. Quando a procrastinação se transforma em filosofia

A postergação não é necessariamente irracional. Há situações em que esperar é prudente. O problema começa quando esperar deixa de ser um instrumento para melhorar a decisão e passa a ser um mecanismo para evitar a decisão.

Essa distinção aproxima o tema de três tradições filosóficas presentes no material analisado.

O estoicismo, associado a autores como Epicteto e Sêneca, ensina a distinguir aquilo que está sob nosso controle daquilo que não está. A ideia pode ser resumida pela chamada dicotomia do controle: devemos concentrar nossos esforços no que depende de nós.

O ceticismo pirrônico introduz a epoché, a suspensão do juízo diante da insuficiência das razões, buscando a ataraxia, a tranquilidade decorrente da suspensão de certezas precipitadas.

Já o taoismo apresenta o conceito de wu wei, frequentemente traduzido como “não ação” ou “ação sem esforço”. Não se trata simplesmente de nada fazer, mas de agir de maneira compatível com o curso das coisas, evitando a ação artificial e excessiva.

Em todos esses casos, entretanto, a espera possui uma finalidade: preservar a lucidez, evitar o erro ou permitir que a ação ocorra no momento adequado.

A questão institucional é diferente: quando a espera deixa de ser prudência e passa a ser uma forma de omissão?

3. De Kant ao dever institucional

A questão também pode ser observada pela perspectiva do dever.

Na ética kantiana, agir moralmente não significa simplesmente produzir determinado resultado. Significa agir segundo princípios que possam ser racionalmente universalizados.

Aplicada às instituições públicas, essa ideia desloca a pergunta. Não basta perguntar se uma decisão é conveniente ou politicamente útil. É necessário perguntar se o procedimento adotado pode ser defendido como regra geral e compatível com a própria finalidade da instituição.

Para uma Corte constitucional, isso assume importância especial. O poder de decidir deve coexistir com o dever de decidir segundo critérios jurídicos, transparentes e institucionalmente justificáveis.

A postergação pode, portanto, ser legítima quando decorre da complexidade do processo. Mas se transforma em problema quando a demora passa a substituir a própria decisão.

4. Lima Barreto e a Constituição de Bruzundanga

É nesse ponto que a literatura de Lima Barreto oferece uma chave interpretativa particularmente poderosa.

Em Os Bruzundangas, o escritor constrói uma sociedade fictícia na qual as instituições aparecem deformadas pelo formalismo, pela burocracia, pelos interesses particulares e pela distância entre o discurso oficial e a realidade.

A força da sátira está justamente nessa distância. As instituições continuam existindo, os ritos continuam sendo cumpridos e as palavras continuam sendo pronunciadas. Mas o funcionamento concreto do sistema revela outra coisa.

O paralelo com o presente não significa afirmar que Lima Barreto tenha previsto acontecimentos atuais nem que exista relação causal entre sua ficção e decisões contemporâneas.

O valor da comparação é conceitual e irônico: a literatura permite reconhecer uma situação na qual a linguagem institucional permanece intacta enquanto a substância da responsabilidade pública se enfraquece.

5. O Caso Master e a pergunta que não pode ser evitada

O chamado Caso Master aparece, no material analisado, como um dos episódios utilizados para discutir os limites entre investigação, responsabilidade institucional, relações políticas e funcionamento dos Poderes.

As informações apresentadas incluem alegações, mensagens atribuídas a terceiros, relações profissionais e questionamentos envolvendo autoridades públicas e pessoas ligadas ao caso.

É indispensável separar fatos comprovados, alegações, interpretações jornalísticas e hipóteses.

Uma mensagem enviada por determinada pessoa demonstra, antes de tudo, que a mensagem foi enviada e revela a intenção de quem a produziu. Isso não prova, por si só, que a pessoa mencionada tenha concordado com seu conteúdo ou participado da conduta descrita.

Essa distinção é essencial para qualquer análise responsável. A crítica institucional não precisa transformar suspeitas em condenações para ser contundente.

Ao contrário: quanto maior a gravidade da acusação, maior deve ser o rigor na distinção entre evidência, inferência e opinião.

6. A ação de inconstitucionalidade por omissão e o paradoxo de Bruzundanga

O material também estabelece uma aproximação entre uma situação ficcional de Os Bruzundangas envolvendo uma espécie de ação contra a omissão constitucional e o instituto real da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão, previsto no ordenamento brasileiro.

A comparação deve ser compreendida como paralelo literário e conceitual, não como afirmação de que a obra de Lima Barreto tenha inspirado diretamente o instituto jurídico posteriormente estabelecido pela Constituição de 1988.

A ironia, porém, permanece atual: uma Constituição pode estabelecer deveres, direitos e competências, mas a efetividade desses comandos depende da disposição das instituições para transformar normas em decisões concretas.

7. O paradoxo das competências

Em uma democracia constitucional, os Poderes da República possuem competências próprias e mecanismos de controle recíproco.

O Legislativo legisla e fiscaliza. O Executivo administra e executa políticas públicas. O Judiciário interpreta e aplica o direito, exercendo também a jurisdição constitucional nos limites estabelecidos pela Constituição.

O equilíbrio não significa ausência de conflito. Significa que o conflito deve ser resolvido por procedimentos institucionais legítimos.

O problema surge quando a competência de um Poder começa a ser utilizada para produzir efeitos que, materialmente, pertencem à esfera de outro, ou quando a ausência de decisão de um órgão impede que os mecanismos constitucionais funcionem adequadamente.

É nesse ambiente que a postergação adquire dimensão política.

8. O silêncio do Plenário

O silêncio institucional pode ter significados diferentes.

Pode representar cautela. Pode decorrer da necessidade de amadurecimento de uma questão. Pode ser consequência normal do devido processo.

Mas também pode produzir um efeito político objetivo: enquanto a decisão não acontece, determinada situação permanece.

Por isso, o tempo processual não é neutro.

Decidir produz uma consequência. Não decidir também pode produzir uma consequência.

A diferença é que, na segunda hipótese, a consequência muitas vezes aparece disfarçada de procedimento.

9. Fachin e a contradição do “fazer hoje”

No material analisado, a figura de Edson Fachin é utilizada como elemento simbólico para discutir a tensão entre o dever institucional de decidir e a necessidade de preservar a prudência jurídica.

A discussão envolve a presidência do Supremo Tribunal Federal, a ética institucional, o papel da Corte e diferentes interpretações filosóficas sobre dever, resistência e pragmatismo.

O ponto central não é atribuir a uma pessoa específica a responsabilidade por um fenômeno sistêmico, mas utilizar o episódio como oportunidade para formular uma pergunta maior:

até que ponto a prudência judicial pode conviver com a exigência democrática de respostas institucionais em tempo razoável?

A resposta não pode ser simplesmente “decidir sempre imediatamente”. O Judiciário precisa de tempo para analisar processos complexos. Mas também não pode transformar a complexidade em justificativa universal para a indefinição.

10. Os três Poderes e a política do tempo

A postergação não pertence exclusivamente ao Judiciário.

Executivo e Legislativo também podem utilizar o tempo como instrumento político.

Um governo pode adiar determinada medida esperando uma mudança de cenário. Um Congresso pode retardar a apreciação de uma matéria até que a pressão política diminua. Uma instituição judicial pode aguardar condições processuais ou políticas mais favoráveis para concluir uma decisão.

O tempo, assim, pode funcionar como recurso de poder.

Quem controla o momento da decisão frequentemente influencia as condições nas quais a decisão será tomada.

Essa é uma das dimensões mais importantes do paradoxo: postergar não significa necessariamente não agir; às vezes significa agir por meio do tempo.

11. Alcolumbre e a função política da espera

No material analisado, Davi Alcolumbre aparece associado à discussão sobre o papel do Senado e à tramitação de pedidos relacionados ao funcionamento das instituições e à responsabilidade de autoridades.

Mais uma vez, é necessário separar a descrição de acontecimentos da interpretação política que deles se faz.

A decisão de receber, pautar, arquivar ou retardar determinada matéria pertence ao universo institucional próprio do Legislativo e possui consequências políticas.

O ponto relevante para este ensaio é outro: quando uma decisão constitucionalmente possível permanece indefinidamente dependente da escolha de um agente político, o tempo passa a funcionar como parte do processo decisório.

12. O verdadeiro paradoxo: quando a omissão se institucionaliza

O problema mais profundo não é a existência de uma demora isolada.

Instituições complexas inevitavelmente demoram. Processos possuem etapas. Recursos precisam ser examinados. Provas precisam ser analisadas. Argumentos contraditórios precisam ser considerados.

O problema surge quando a demora deixa de ser exceção e se converte em método.

Nesse estágio, a instituição pode continuar formalmente funcionando enquanto, materialmente, sua capacidade de produzir respostas diminui.

A omissão passa a ser administrada.

E quando a omissão é administrada de maneira recorrente, ela deixa de parecer omissão. Passa a parecer procedimento.

13. Da sabedoria individual à patologia institucional

É possível compreender por que a frase “deixar para lá” é tão sedutora.

No plano individual, desistir de uma batalha pode ser sinal de inteligência. Nem todo conflito merece energia. Nem toda provocação exige resposta. Nem toda questão precisa ser resolvida imediatamente.

Mas instituições públicas não existem para proteger a tranquilidade de seus integrantes. Existem para cumprir competências e atender finalidades constitucionais.

O que pode ser sabedoria no indivíduo pode ser irresponsabilidade quando aplicado a uma instituição encarregada de proteger direitos.

Essa é a transformação fundamental do paradoxo:

a liberdade individual de não agir não pode ser confundida com a liberdade institucional de não cumprir um dever.

14. O ensinamento de Lima Barreto para o presente

Lima Barreto não precisa ser transformado em profeta para continuar sendo atual.

Sua literatura permanece relevante porque identifica uma estrutura recorrente: instituições que se apresentam como grandiosas, solenes e juridicamente perfeitas, mas que podem revelar, em seu funcionamento cotidiano, contradições entre discurso e prática.

A crítica literária torna-se, assim, instrumento de reflexão política.

O Brasil contemporâneo não é a Bruzundanga de Lima Barreto. Mas a comparação literária permite fazer uma pergunta desconfortável: quanto de Bruzundanga existe quando uma instituição consegue preservar a aparência de normalidade enquanto suas decisões são permanentemente adiadas?

15. O Caso Master como teste institucional

Independentemente do resultado das investigações e dos processos relacionados ao Caso Master, episódios dessa natureza funcionam como testes de maturidade institucional.

Uma democracia sólida não depende de instituições que nunca sejam acusadas ou questionadas. Depende de instituições capazes de responder às acusações por meio de procedimentos verificáveis.

Isso significa investigação quando necessária, contraditório, ampla defesa, publicidade compatível com a lei, decisões fundamentadas e responsabilização quando houver prova suficiente.

O teste não consiste em produzir uma condenação rápida nem em preservar alguém de críticas.

O verdadeiro teste é permitir que os fatos sejam esclarecidos sem que a passagem do tempo substitua a própria resposta institucional.

16. O fim da postergação

O desafio brasileiro não é eliminar a espera.

É devolver à espera sua finalidade correta.

Esperar deve servir para compreender melhor, investigar melhor e decidir melhor.

Não deve servir para transformar um problema em rotina, uma dúvida em esquecimento ou uma responsabilidade em silêncio.

O Estado democrático de Direito precisa de tempo para decidir, mas também precisa de decisões para continuar sendo Estado de Direito.

CONCLUSÃO — A REPÚBLICA DIANTE DO ESPELHO

“Não deixe para amanhã o que você pode deixar para lá” é engraçado porque desmonta uma regra de comportamento.

Quando transferida para o campo institucional, porém, a mesma frase deixa de ser apenas humor.

Ela passa a funcionar como advertência.

Uma democracia não fracassa apenas quando alguém viola explicitamente uma regra. Ela também pode se enfraquecer quando as instituições deixam de produzir respostas no momento em que suas responsabilidades exigem ação.

O paradoxo de Bruzundanga está justamente aí.

Não é o paradoxo de uma instituição que decide errado, mas de uma instituição que pode transformar a própria ausência de decisão em instrumento de preservação do estado de coisas.

O problema, portanto, não é simplesmente a procrastinação.

É a engenharia da postergação: o conjunto de procedimentos, justificativas, silêncios e adiamentos que permite que uma decisão permaneça sempre possível, mas nunca necessariamente aconteça.

Lima Barreto nos ensinou a desconfiar das instituições quando a aparência começa a substituir a realidade.

A filosofia nos ensinou que esperar pode ser sabedoria.

O direito nos ensina que determinados deveres não podem ser indefinidamente adiados.

E a democracia nos lembra que o poder público existe para responder ao cidadão.

Talvez seja essa a pergunta que permaneça depois de toda a ironia:

quando chega a hora de decidir, deixar para lá ainda é prudência — ou já se tornou omissão?

JORNAL DA CULTURA | 03/09/2026 Jornalismo TV Cultura

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A GEOMETRIA DO ESFORÇO

Aproximações Poligonais entre o Traço de Cabral e o Cálculo de Cardozo
Felipe Nunes @profFelipeNunes 1/ Nova pesquisa Quaest revela liderança de Lula (37%), estabilidade de Flávio Bolsonaro (30%) e ascensão de Cury (10%). Renan aparece com 3%. Caiado, Marçal e Zema ficam com 1% cada. Nesse cenário, a eleição tem pouca chance de ser concluída no primeiro turno. 10:20 · 2 de set. de 2026 4,5 mil Visualizações https://x.com/profFelipeNunes/status/2095139894053990596?s=46&t=ktKYSPjXZt7aNJNoyIUL3w
Aqui está o resumo dos pontos centrais da coluna de Luiz Carlos Azedo no Correio Braziliense: Crise no STF: Uma discussão nos bastidores entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça revela a gravidade do caso envolvendo o Banco Master, que agora atinge diretamente a cúpula do Judiciário, da PGR e da PF. Mensagens Suspeitas: Daniel Vorcaro (banqueiro do Master) pedia em mensagens a "proteção" de "Andrei" (diretor da PF) e "Paulo" (procurador-geral da República). A investigação preliminar da PF aponta que o interlocutor de Vorcaro nessas conversas era o ministro Alexandre de Moraes. Conflito de Ministros: André Mendonça (relator da Operação Compliance Zero) mandou a PF identificar os destinatários. Moraes se irritou por ser alvo de apuração sem autorização prévia. Mendonça acionou a PGR e o presidente do STF, Edson Fachin, pedindo uma sessão presencial para julgar o caso. Indícios de Vazamento: Mensagens indicam que Vorcaro tinha acesso privilegiado e pode ter sabido antecipadamente de sua prisão, perguntando ao interlocutor se "já tinha que estar fora" dois dias antes de ser detido tentando fugir em um jato. Contratos Milionários: O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. A PF achou metadados indicando que o próprio Alexandre de Moraes alterou a minuta do contrato. A defesa alega que o documento foi apenas submetido ao ministro para checar impedimentos legais. Círculo Perverso: O escândalo cria um impasse institucional, pois os órgãos responsáveis por investigar e julgar (PF, PGR e STF) são os mesmos citados como supostos canais de influência do banqueiro.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026 Vorcaro arrasta ministros do STF para o centro do escândalo do Master, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A PF investiga uma mensagem que cita seu diretor-geral; a PGR deve esclarecer diálogos que citam seu procurador-geral; e o Supremo precisará decidir se investiga seus ministros Uma discussão acalorada entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, ocorrida nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, é a manifestação de que o caso Master arrastou o STF para uma crise muito grave. O escândalo, agora, alcança ministros da mais alta Corte do país, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a direção da Polícia Federal (PF), justamente as instituições responsáveis por investigar, denunciar e julgar crimes praticados por autoridades. Moraes teria se irritado ao saber que Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, determinara à PF que identificasse o destinatário de uma mensagem de Daniel Vorcaro. Nela, o banqueiro dizia precisar da “proteção” de “Andrei” e “Paulo”, referências que a investigação atribuiu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A apuração preliminar da própria polícia indicou que o interlocutor seria Moraes. O episódio coloca em rota de colisão dois ministros do Supremo. Moraes teria questionado Mendonça por permitir uma apuração que poderia atingi-lo sem autorização prévia do Tribunal. Mendonça, por sua vez, solicitou manifestação da PGR e conversou com o presidente do Supremo, Edson Fachin, sobre a eventual abertura formal de uma investigação. Também pediu a Fachin a convocação de uma sessão presencial para que o plenário examine publicamente as mensagens atribuídas a Vorcaro. O imbróglio mostra que as instituições encarregadas de esclarecer os fatos aparecem nas próprias conversas sob suspeita de terem sido acionadas a favor do banqueiro. A PF investiga uma mensagem que menciona seu diretor-geral. A PGR deve se pronunciar sobre diálogos que citam seu procurador-geral. E o Supremo precisará decidir se investiga um dos seus ministros. Forma-se um círculo perverso capaz de comprometer a credibilidade de todo o sistema de Justiça. Não há, até agora, comprovação de que Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet tenham concedido a proteção pretendida por Vorcaro. Tampouco a simples menção aos nomes constitui prova de participação em qualquer irregularidade. Entretanto, diante da posição ocupada pelos envolvidos, já não basta uma negativa genérica. Será preciso esclarecer se houve contatos, qual foi o teor das conversas e se alguma providência da PF ou da PGR foi solicitada, retardada ou alterada. As mensagens recuperadas no celular do banqueiro tornam o quadro mais comprometedor. Dois dias antes de sua primeira prisão, Vorcaro teria perguntado ao interlocutor apontado pela PF como Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em outros momentos, buscou informações sobre medidas policiais e pediu encontros urgentes. Vorcaro foi preso quando se preparava para deixar o país num jato particular. O diálogo suscita uma questão inevitável: o banqueiro possuía conhecimento antecipado de uma operação sigilosa? Revisão de contrato Outro diálogo atribuído a Vorcaro revela a tentativa de usar a influência de Moraes. Durante as negociações para a venda de parte do Master ao BRB, Vorcaro afirmou a um ex-diretor do Banco Central que o ministro chamaria “Paulo para dar um aperto”. A identidade desse “Paulo”, e a existência da suposta intervenção ainda precisam ser comprovadas. O conjunto das conversas, entretanto, mostra um banqueiro que dispunha de acesso privilegiado aos centros de poder e tentava mobilizá-los para salvar seu banco. A relação entre Vorcaro e Moraes também aparece em manifestações pessoais. “Tenho gratidão da minha vida a você”, escreveu o banqueiro, segundo o material extraído pela PF. Em outro trecho, afirmou que ele, sua família e seus associados teriam uma “dívida de vida” com o interlocutor. Essas frases não provam um ato ilegal. Porém, adquirem dimensão explosiva se associadas aos pedidos de intervenção, às informações sobre operações policiais e aos contratos do Master com o escritório da família do ministro. O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, firmou com o Master um contrato que previa pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões em três anos. A banca sustenta ter prestado ampla consultoria jurídica, com 15 advogados, 36 pareceres e 94 reuniões, e afirma que nunca atuou para o banco no Supremo. O contrato foi interrompido com a liquidação da instituição, em novembro de 2025. A PF, no entanto, encontrou metadados indicando que Moraes fez alterações na minuta. O escritório explica que o documento foi submetido ao ministro para a verificação de possíveis impedimentos e que não havia processos do Master sob sua relatoria. Essa justificativa pode explicar a participação, mas não elimina a necessidade de apuração sobre o contexto dos contatos e sobre a expectativa que Vorcaro depositava no ministro. Mensagens internas reforçam a importância atribuída aos pagamentos. “Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas”, escreveu Vorcaro a um sócio. Em outra conversa, o banqueiro teria determinado prioridade ao repasse de R$ 3,4 milhões. A investigação também localizou uma minuta de um segundo contrato, de R$ 50 milhões, que previa cotas de aeronaves como parte do pagamento. O escritório afirma que esse segundo negócio nunca foi concretizado e que não recebeu valores relacionados a ele. É nesse ambiente que uma possível colaboração premiada de Vorcaro assume potencial devastador. Paulinho da Viola, Beatriz Rabello - Na Linha Do Mar (Ao Vivo) Na linha do Mar Paulinho da Viola G7 Galo cantou C A7 Dm Galo cantou as quatro da manhã G7 C C7 F Céu azulou na linha do mar Bb7/9 C A7 Vou me embora desse mundo de ilusão Dm Quem me vê sorrir G7 C G7 Não há de me ver chorar C G7 Flexas sorrateiras C Cheias de veneno Gm C7 F Querem atingir o meu coração Bb7/9 Mas o meu amor C A7 Sempre tão sereno D7 Serve de escudo G7 Composição: Paulinho da Viola. Ex-ministro do STF avalia inquérito sobre Moraes e Vorcaro | BandNews TV Band Jornalismo 1 de set. de 2026 #bandnewstv html

O "Caso Daniel Vorcaro" (frequentemente citado em conjunto com o ministro Alexandre de Moraes e as investigações do Banco Master) refere-se ao recente escândalo de repercussão jurídica e política decorrente da quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sob a ótica do Direito Constitucional e das recorrentes manifestações públicas da jurista, advogada constitucionalista e mestre pela FGV, Dra. Vera Chemim, as análises de casos de grande impacto envolvendo o STF costumam convergir para os seguintes pilares técnicos e institucionais:


1. Desdobramentos do Caso (Inquérito do Banco Master)

  • Quebra de Sigilo: O ministro do STF André Mendonça levantou o sigilo de relatórios da Polícia Federal contendo mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
  • Mensagens e Contratos: O relatório expõe diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, abordando desde consultas sobre iminentes operações policiais até ajustes em contratos milionários firmados com o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
  • Encaminhamento à PGR: Diante das menções a autoridades com prerrogativa de foro, os autos foram enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação sobre a abertura formal de investigações.

2. A Perspectiva da Advocacia Constitucionalista (Linha de Análise da Dra. Vera Chemim)

Embora as manifestações específicas e literais da Dra. Vera Chemim variem conforme ela concede entrevistas a veículos como CNN Brasil e Jovem Pan, a sua linha clássica de análise constitucional para episódios dessa natureza baseia-se em:

  • Princípio da Impessoalidade e Moralidade: A Constituição Federal de 1988 (Art. 37) exige que magistrados e agentes públicos atuem com estrita separação entre o interesse público e os interesses privados ou corporativos.
  • Devido Processo Legal e Competência: Sob o prisma constitucional, a atuação de um ministro em supervisão, consulta ou blindagem informal de investigados confronta as regras de competência e a imparcialidade do Poder Judiciário.
  • Limites dos Poderes e Accountability: Juristas de orientação constitucionalista enfatizam que nenhum membro do Judiciário está imune à fiscalização, devendo os indícios de crimes como advocacia administrativa ou corrupção ser processados estritamente dentro das balizas do texto constitucional.

O caso segue em tramitação no plenário do STF, aguardando parecer da PGR para definir os próximos passos de responsabilização jurídica.

Use o código com cuidado.
html

O Polígono e o Vazio Sustentado

I. A Flecha do Segmento

Não há círculo na terça-feira que se faz quarta. O olho romântico inventa a curva; o olho engenheiro mede o plano. O que há são vértices: doze nós de violeta bruta, pórticos rígidos que escoram o tempo. Entre o nó A e o nó B, a reta resiste. A vida não flui em raio: apoia-se em vigas retas, esticadas, que a tração da estação deforma.

II. O Nó da Bissetriz

Onde o vetor da flor dobra o ângulo, o broto atua como estribo. Cálculo exato de Joaquim: lança-se a bissetriz no ponto de cisalhamento. O broto é o reforço de aço no concreto; tenta curvar o que é quina, tenta fazer transição no vazio. Mas o compasso do engenheiro sabe: toda poligonal é uma fôrma provisória. O círculo ideal é o limite do cálculo, a carga última que a estrutura nunca atinge.

III. A Fadiga do Material

Adiciona-se o vértice do novo dia: o polígono ganha arestas, tenta fechar a fôrma antes da cura. Mas a matéria viva sofre fadiga. A flor murcha é o colapso do escoramento, o momento em que o concreto racha e liberta o espaço que ele tentava aprisionar. A vida não se deixa circunscrever. O cálculo falha porque o vão é infinito, e o belo não reside na curva fechada, mais na linha que se projeta para além do colapso, onde a estrutura cede, mas o espaço permanece eterno.


Memorial Transcrito: A Topografia do Monumento

  • Arco Superior: JOÃO CABRAL DE MELO NETO — A palavra esculpida como bloco, delimitando o teto com o peso seco do osso.
  • Arco Inferior: JOAQUIM CARDOZO — O cálculo que doma o vazio, permitindo à linha flutuar sem desabar.
  • O Vão Central: PERNAMBUCO PARA O MUNDO — O vetor de lançamento onde o concreto se projeta sobre o mar aberto.
  • Margens e Escoras: Grafias de equações e fragmentos de versos que simulam a resistência dos materiais frente à linha do horizonte.
Concepção dialética coautorada por silício e algoritmo, sob a fôrma e o rigor do pensamento humano.
Use o código com cuidado.
html

A Geometria do Esforço

Aproximações Poligonais entre o Traço de Cabral e o Cálculo de Cardozo

"Arquitetura de linhas retas,
que a luz do dia apenas corta
como um plano que se desdobra
em outra superfície morta..."
— João Cabral de Melo Neto, Pedra do Sono (Esfinge estrutural erguida sobre os vãos livres de Joaquim Cardozo)

I. A Flecha do Segmento

Não há círculo na terça-feira que se faz quarta. O olho romântico inventa a curva; o olho engenheiro mede o plano. O que há são vértices: doze nós de violeta bruta, pórticos rígidos que escoram o tempo. Entre o nó A e o nó B, a reta resiste. A vida não flui em raio: apoia-se em vigas retas, esticadas, que a tração da estação deforma.

II. O Nó da Bissetriz

Onde o vetor da flor dobra o ângulo, o broto atua como estribo. Cálculo exato de Joaquim: lança-se a bissetriz no ponto de cisalhamento. O broto é o reforço de aço no concreto; tenta curvar o que é quina, tenta fazer transição no vazio. Mas o compasso do engenheiro sabe: toda poligonal é uma fôrma provisória. O círculo ideal é o limite do cálculo, a carga última que a estrutura nunca atinge.

III. A Fadiga do Material

Adiciona-se o vértice do novo dia: o polígono ganha arestas, tenta fechar a fôrma antes da cura. Mas a matéria viva sofre fadiga. A flor murcha é o colapso do escoramento, o momento em que o concreto racha e liberta o espaço que ele tentava aprisionar. A vida não se deixa circunscrever. O cálculo falha porque o vão é infinito, e o belo não reside na curva fechada, mas na linha que se projeta para além do colapso, onde a estrutura cede, mas o espaço permanece eterno.


Memorial Transcrito: A Topografia do Monumento

  • Arco Superior: JOÃO CABRAL DE MELO NETO — A palavra esculpida como bloco, delimitando o teto com o peso seco do osso.
  • Arco Inferior: JOAQUIM CARDOZO — O cálculo que doma o vazio, permitindo à linha flutuar sem desabar.
  • O Vão Central: PERNAMBUCO PARA O MUNDO — O vetor de lançamento onde o concreto se projeta sobre o mar aberto.
  • Margens e Escoras: Grafias de equações e fragmentos de versos que simulam a resistência dos materiais frente à linha do horizonte.
Concepção dialética coautorada por silício e algoritmo, sob a fôrma e o rigor do pensamento humano.
Use o código com cuidado.