Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 10 de junho de 2026
A soberania sequestrada
Felipe Nunes
@profFelipeNunes
1/ Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula com 10 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no cenário estimulado de 1º turno (39 x 29). Renan Santos e Caiado aparecem com 3% cada. Aécio e Zema tem 2%. Indecisos chegam a 10%.
10:01 · 10 de jun. de 2026
O Corolário Sadi e a Transposição da Hegemonia Global na Política Brasileira
"COROLÁRIO SADI: TRUMP É O MAIOR CABO ELEITORAL DO COMANDANTE-CHEFE DA REPÚBLICA."
Aqui está a transcrição exata e literal do texto da página principal da imagem:
COISAS FEIAS
Pois, com onze anos fui para o Colégio Salesiano. Tínhamos uma Caderneta Escolar onde, além dos carimbos de presente e ausente, havia os avisos que a mãe mandava justificando falta por motivo de doença, uma página para as notas e vinte e sete páginas com orações em português e latim. Além dos cânticos.
Tenho até hoje uma delas. Na página 45 está o melhor:
PREPARAÇÃO PARA CONFISSÃO
EXAME DE CONSCIÊNCIA
Sexto mandamento:
— Tenho pensado voluntariamente em coisas desonestas?
— Tenho olhado de propósito para coisas desonestas?
— Tenho prestado atenção a conversas desonestas?
— Tenho lido coisas desonestas? Conversado disso? Cantado alguma cantiga desonesta?
— Tenho faltado ao pudor despindo-me levianamente à vista de outra pessoa?
— Tenho feito coisas desonestas? Tenho deixado os outros fazer isso comigo?
Eu tinha onze e achava que coisa feia era o lobisomem...
PELO BURACO DA FECHADURA
Canal Livre entrevista o presidente nacional do PSDB Aécio Neves
Band Jornalismo
Transmissão ao vivo realizada há 2 horas #BandTVAoVivo
O Canal Livre deste domingo (7) recebe o deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. O programa continua com as atenções voltadas às eleições 2026. Em um momento de turbulência no tabuleiro político, o programa abordará as estratégias do PSDB para retomar o protagonismo nacional e o projeto de consolidar uma alternativa de Centro para romper a atual polarização entre o petismo e o bolsonarismo.
Também participam do programa os jornalistas Fernando Mitre e Sheila Magalhães e o cientista político Fernando Schüler. A apresentação é de Rodolfo Schneider.
EDITORIAL | A soberania sequestrada – “Não se pode permitir que o cálculo político de um governo estrangeiro redefina, segundo seus próprios interesses, os termos de um problema brasileiro. Mas isso não torna Lula proprietário do tema. A soberania nacional não pertence ao PT, à esquerda, à direita nem a qualquer governante de turno. Pertence ao Estado brasileiro e à sociedade que ele representa. O fato de Trump e os Bolsonaro terem aberto uma avenida política ao lulopetismo não obriga o País a aceitar que Lula desfile sozinho por ela, como se todo crítico de seu governo fosse cúmplice do entreguismo bolsonarista”. Leia o texto completo no #LinkdaBio.
Clementina de Jesus - Cyro Monteiro - Nora Ney - Rosa de Ouro - LEVA MEU SAMBA - Ataulfo Alves
luciano hortencio
24 de jan. de 2013
Clementina de Jesus - Ciro Monteiro - Nora Ney - Rosa de Ouro - LEVA MEU SAMBA - Ataulfo Alves.
Album: Mudando de Conversa - de Hermínio Bello de Carvalho - com Cyro Monteiro-Nora Ney-Clementina de Jesus-Conjunto Rosa de Ouro.
Gravado ao Vivo em 1968.
“Do fundo do mar de letrinhas emergiu a palavra demiurgo que desembarcou anônimo ao final da jornada sem garantir salvo-conduto ou palanque a populismo ou de fancaria. Mas era apenas um demiurgo num mar em sábado de Aleluia. O mosnstro da lagoa que aterrorizou Dina, e a DINA que aterrorizou chilenos e cidadãos do mundo transubstanciação anuncia.”
Milhões de demiurguinhos contidos na fossa de esgoto
Do fundo do mar de letrinhas do editorial do Estado de S. Paulo, em pleno sábado de Aleluia do século XXI, emergiu a palavra demiurgo. Desembarcou anônimo, despido de palanque ou salvo-conduto para o populismo de fancaria que insiste em assombrar a República. Mas aquele era apenas um demiurgo solitário, flutuando em águas mornas, incapaz de prever a transubstanciação que a história opera quando o passado decide cobrar a sua conta.Na pescaria lítero-poética-musical do século XX, outro monstro já havia emergido da lagoa. Pela caneta de Chico Buarque e Gilberto Gil, ecoando no dueto antológico com Milton Nascimento, o espectro da opressão ganhou contornos de denúncia artística. O monstro da lagoa transmutou-se, cruzou fronteiras geográficas e temporais, fundindo-se à lembrança da DINA, a brutal polícia secreta chilena que aterrorizou cidadãos do mundo sob o manto do horror institucionalizado.Contudo, a mesma história que gesta monstros também molda as suas antíteses. No último quartel daquele século, outra Dina emergiu: Dina Sfat, dama soberana da cultura nacional. Diante do general Dilermando Monteiro, na arena pública e televisiva do Canal Livre, ela encarnou o paradoxo do medo destemido. Sua confissão ao vivo de que silenciava porque temia os militares foi o golpe de misericórdia na empáfia dos monstrinhos da repressão, empurrados ali para o ocaso histórico ao som de uma dor crônica e tipicamente lupiniana.O general reagiu sereno na entrevista, mas o silêncio corajoso de Dina expôs as vísceras de um regime em decomposição. Hoje, o demiurgo solitário do editorial já não caminha só. O entulho autoritário e o ressentimento político pariram uma legião. O que testemunhamos no presente é o transbordamento de uma massa informe: milhões de demiurguinhos, outrora contidos na fossa de esgoto da nossa crônica autoritária, que agora tentam moldar o caos à sua própria imagem e semelhança. A transubstanciação anunciada pela arte e pela memória serve de alerta. É preciso manter a tampa da fossa bem firme, para que a barbárie do passado não volte a sufocar a soberania do presente.
Chico Buarque & Milton Nascimento - Cálice (English + Portuguese Subtitles)
No mar de letrinhas reduzido a zero pela censura, o demiurgo solitário no Estadão vê as Letras Infinitas virarem farelo, repetindo o exílio luso-lusitano de tantos Lusíadas jogados ao mar. A crônica da resistência relembra o medo enfrentado por Dina Sfat contra a DINA e o poder fardado, alertando que o bueiro da República transbordou em milhões de novos demiurguinhos que tentam, em vão, apagar a palavra [1].
Zero
As letras eram infinitas antes do amasso. Lembro-me bem desses mares de tinta de outros carnavais, quando as palavras ainda podiam navegar sem pedir salvo-conduto à ignorância. Depois veio o rolo compressor. A censura, essa velha senhora de dedos pesados e alma burocrática, amassou muitos bolos de páginas datilografadas, reduzindo o pensamento ao vazio absoluto. Ao zero. Sobrou o mar de além-mar. Sobraram os Lusíadas modernos, poetas e cronistas jogados à deriva, vagando lusitanamente em vagas incertas, exilados dentro da própria língua.Do fundo desse mar de letrinhas sufocadas, no sábado de Aleluia do novo século, emergiu a palavra demiurgo na página de Opinião. Um demiurgo de editorial, anônimo e sem palanque, tentando moldar o caos de um populismo de fancaria. Ele achava que estava só. Bobagem. Não há solidão na vala comum da história.No século passado, Chico e Gil já haviam pescado o monstro da lagoa na linha lítero-poética-musical. Milton deu a voz, o eco do horror que cruzava a cordilheira e se transubstanciava na DINA de Pinochet, o terror que ensanguentou o Chile e congelou o mundo. O monstro tinha dentes, farda e nenhum pudor.Mas houve a outra Dina. A Sfat. Dama soberana que emergiu do ocaso daqueles monstrinhos com um medo destemido estampado nos olhos. No estúdio da TV Bandeirantes, sob as luzes do Canal Livre, o general Dilermando Monteiro reagia com a serenidade fria de quem gerenciava o fim do último quartel do século. Dina silenciou. Quando questionada pelo poder, quebrou a casca da autocracia com a verdade nua e crua da sua arte: tinha medo de militares. Ali, a dor de cotovelo crônica e lupiniana ganhou contornos de tragédia nacional. A dignidade de uma mulher desarmou o espantalho fardado.O problema da censura e do esgoto político é que eles sempre deixam resíduos. A tampa da fossa rachou. Hoje, não enfrentamos mais um único demiurgo arrogante nas páginas do jornal. O esgoto transbordou. São milhões de demiurguinhos contidos, outrora escondidos no subterrâneo da nossa crônica autoritária, que agora borbulham na superfície do presente. Querem amassar as letras de novo. Querem o zero.Mas a memória humana, assim como os mares de Camões, é teimosa. Não há bolo amassado ou censura que consiga conter, para sempre, o ímpeto de quem sabe que a palavra é o único farol contra os monstros que insistem em emergir da lagoa.
Tirinha Completa: O Relatório de Zero
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| QUADRO 1 | QUADRO 2 | QUADRO 3 |
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| [Sargento Tainha enfurecido, | [Tainha aponta o dedo para | [Tainha vermelho de raiva. |
| batendo a prancheta na mesa. | uma folha totalmente em | Zero sorri de orelha a orelha, |
| Papéis carimbados com | branco sobre a mesa de Zero] | apontando para si mesmo] |
| "CENSURADO" voam ao redor] | | |
| | SARGENTO TAINHA: | RECRUTA ZERO: |
| SARGENTO TAINHA: | — Não sobrou uma única palavra | — Mas, Sargento... o senhor |
| — ZERO! O comando mandou cortar | sobre os demiurgos do poder! | mesmo disse que o resultado |
| as críticas do jornalzinho e | O relatório foi reduzido | final da censura tinha que |
| você apagou o jornal INTEIRO! | a absolutamente NADA! | ter a minha assinatura! |
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S
JORNAL DA CULTURA | 06/06/2026
Jornalismo TV Cultura
Transmissão ao vivo realizada há 22 horas Jornal da Cultura | Íntegra
No Jornal da Cultura deste sábado (6), você vai ver: o alerta da Conferência do Clima da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente sobre o despreparo das cidades para enfrentar ondas de calor extremo; denúncia da Confederação Sindical Internacional de que o Brasil está entre os países com violações sistemáticas de direitos trabalhistas; o apelo do papa Leão XIV, durante visita à Espanha, para que líderes mundiais combatam a polarização e abandonem narrativas divisivas; e a preocupação de seleções e da FIFA com as altas temperaturas durante a Copa, levando à autorização para que torcedores levem garrafas d'água aos estádios.
E mais: a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, considerada a maior do mundo, celebra 30 anos neste domingo com uma programação especial e expectativa de reunir milhões de pessoas na capital paulista.
O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube.
#JornalDaCultura #TVCultura #SomosCultura
Cyro Monteiro - FORMOSA - SACODE CAROLA - MADAME FULANO DE TAL - DIVINA DAMA - SOFRER É DA VIDA...
luciano hortencio
6 de ago. de 2011
Cyro Monteiro:
FORMOSA - Baden Powell-V. de Moraes;
SACODE CAROLA - Helio Nascimento-Alfredo Marques;
MADAME FULANO DE TAL - Cyro Monteiro-Candido Dias da Cruz;
DIVINA DAMA - Cartola;
SOFRER É DA VIDA - Ismael Silva-Francisco Alves-Nilton Bastos;
RISOLETA - Raul Marques-M. Bernardino.
O Pout Pourri consta do Álbum Mudando de Conversa, gravado ao Vivo e com a participação de Cyro, Nora Ney, Clementina de Jesus e o Conjunto Rosa de Ouro.
A soberania sequestrada
Por O Estado de S. Paulo
Trump e a família Bolsonaro entregaram a Lula a pauta da soberania como trunfo eleitoral, e certamente o PT vai caracterizar todo opositor do governo como entreguista
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o clã Bolsonaro vêm prestando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT um serviço político de valor inestimável: devolveram à campanha presidencial deste ano a palavra “soberania”, que não faz muito tempo ajudou o presidente a recuperar um pouco sua popularidade e que os petistas, por isso mesmo, estavam ansiosos para resgatar.
Primeiro veio a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, anunciada logo após a visita do candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca e que, segundo os petistas, abrirá caminho para ações americanas no Brasil. Em seguida, veio a ameaça dos EUA de impor novas tarifas sobre produtos nacionais e, supremo pecado, contra o Pix – inovação pública que se tornou parte da vida dos brasileiros de todas as ideologias e que incomoda os administradores americanos de cartões de crédito.
Pouco importa que as ações dos EUA sejam pautadas exclusivamente pelos interesses internos de Trump e que os esforços da família Bolsonaro para influenciar a Casa Branca a tomar decisões contra o Brasil, na expectativa de que prejudicassem Lula, são praticamente irrelevantes. O que importa, do ponto de vista da campanha eleitoral, é que Lula e os morubixabas petistas mais uma vez ganharam a chance de posar como defensores da soberania nacional diante de uma ingerência estrangeira. Não é pouco para um governo de resultados modestos e de uma candidatura, a de Lula, que nada tem a oferecer ao País.
Eis a armadilha brasileira. De um lado, o patriotismo de fancaria dos Bolsonaro, cuja devoção a Trump tornou-se disposição servil de buscar em Washington aquilo que não consegue obter nas instituições brasileiras. Não raro, integrantes do bolsonarismo tratam tarifas, sanções ou gestos de pressão contra o Brasil como vitórias de seu campo político, deixando de agir como oposição a Lula para se comportar como despachantes de interesses estrangeiros. De outro lado, há a transformação da soberania em ativo de campanha, como se o demiurgo petista fosse o único capaz de responder à altura ao imperialismo trumpista combinado à vassalagem bolsonarista.
É claro que não se pode permitir que o cálculo político de um governo estrangeiro redefina, segundo seus próprios interesses, os termos de um problema brasileiro. Mas isso não torna Lula proprietário do tema. A soberania nacional não pertence ao PT, à esquerda, à direita nem a qualquer governante de turno. Pertence ao Estado brasileiro e à sociedade que ele representa. O fato de Trump e os Bolsonaro terem aberto uma avenida política ao lulopetismo não obriga o País a aceitar que Lula desfile sozinho por ela, como se todo crítico de seu governo fosse cúmplice do entreguismo bolsonarista.
Convém separar o dever republicano da conveniência lulopetista. Defender o Brasil de pressões externas é obrigação de qualquer presidente, mas não se pode confundir soberania com licença para bravatas diplomáticas, protecionismo improvisado, estatismo anacrônico ou blindagem ideológica de um governo medíocre. Tampouco se deve permitir que a crítica legítima ao servilismo bolsonarista interdite o debate sobre os erros de Lula, sua política externa errática, sua dificuldade de modernizar a economia e sua incapacidade de apresentar uma política robusta de segurança pública.
Registre-se, porém, que há um limite eleitoral que Lula e o PT conhecem. Soberania é palavra nobre, mas vaga. Mobiliza sentimentos legítimos de dignidade nacional, porém não organiza sozinha as preocupações imediatas de quem enfrenta inflação de alimentos, insegurança, serviços públicos ruins, baixa renda e descrença na política. Para o eleitor comum, o tema só ganhará densidade se traduzido em consequências concretas: empregos preservados, exportações defendidas, empresas competitivas, crime enfrentado, fronteiras vigiadas, tecnologia protegida, instituições respeitadas e governo capaz de negociar com firmeza.
O Brasil tem o dever de reagir a qualquer tentativa de coerção estrangeira. Mas terá fracassado se essa reação servir apenas para alimentar a campanha de Lula ou encobrir a falta de projeto de seu governo. Soberania não é comício, nem salvo-conduto para populismo.
terça-feira, 9 de junho de 2026
JAMAIS SE ABRE AOS PEIXES
Murilo Mendes: Eu tenho uma pena do rio Paraibuna
Não é o Tejo.
Não é o além-Alentejo.
Não é o cão sem plumas.
O Paraibuna
é o rio que me dita.
Minha aldeia escrita.
Água nenhuma.
[PDF] O CAPIBARIBE, O CÃO E A CIDADE imagens da poesia no Brasil
Entre o “tudo” e o “nada”: linguagem, política e forma
O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto, funciona aqui como chave de leitura: uma poética da secura, da recusa ao excesso, da precisão que corta.
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
Como um fado, como destino.
Como todos nós somos fados.
O enunciado e seu paradoxo
“Se você não quer falar de tudo, não fale de nada.” — José Eduardo Cardozo, O Grande Debate, 8 de junho de 2026, CNN Brasil.
À primeira vista, o enunciado impõe a totalidade como condição de legitimidade do discurso. No entanto, ao articular “tudo” e “nada” como polos excludentes, produz um efeito paradoxal: ao pretender saturar o campo do dizível, esvazia-o.
O que se apresenta como exigência de completude converte-se, na prática, em clausura semântica. Dois termos que, ao delimitar o terceiro, acabam por neutralizá-lo.
O real fragmentário
“Vazamento na Conselheiro Mata.” — o real irrompe como fragmento, localizado, irredutível à abstração totalizante.
Também no plano institucional, a política se revela concreta:
A distribuição do Fundo Eleitoral — regulada por critérios legais (votos, representação, proporcionalidade) — mostra que a política não opera no registro do “tudo”, mas no das mediações mensuráveis e disputáveis.
Gramsci: da coerção à elaboração
É nesse ponto que a inflexão teórica se impõe.
O Estado fascista impôs a Antonio Gramsci a coerção pura sob a forma de um cesarismo regressivo, buscando anular sua prática intelectual pela prisão.
A resposta gramsciana não foi o silêncio nem a adesão ao absoluto. Foi transformação:
pela catarse, reconfiguração da experiência em consciência histórico-política;
pela tradutibilidade, articulação entre níveis da prática social;
pela guerra de posição, substituição do confronto imediato por disputa prolongada de hegemonia.
Assim, a derrota converte-se em estratégia, e Gramsci se consolida como intelectual orgânico — não aquele que fala “de tudo”, mas aquele que intervém onde é possível intervir.
Entre retórica e teoria
Retomando o ponto inicial, a exigência de totalidade pode funcionar como forma de interdição: se não se pode dizer tudo, não se deve dizer nada.
Contra essa alternativa paralisante, a tradição crítica afirma outra via: a mediação.
Nesse sentido, é mais preciso afirmar:
Cardozo atua como um intelectual público de matriz jurídico-política, que mobiliza recursos retóricos sofisticados para intervir no debate, mas não se apresenta — ao menos explicitamente — como operador sistemático do pensamento gramsciano.
Conclusão
Entre a retórica da totalidade e a prática da mediação, permanece aberta — como sempre — a disputa pelo sentido.
O cão sem plumas
O Cão Sem Plumas | Poema de João Cabral de Melo Neto com narração de Mundo Dos Poemas
Mundo Dos Poemas
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
NUNES MARQUES É NUNES MARQUES
COMO UM FADO, COMO DESTINO
COMO TODOS NÓS SOMOS FADOS
O GRANDE DEBATE - VORCARO: QUAL SERÁ O IMPACTO SE DELAÇÃO FOR REJEITADA? - 08/06/2026
“Se você não quer falar de tudo, não fale de nada.” — José Eduardo Cardozo, O Grande Debate, 8 de junho de 2026, CNN Brasil.
Aparentemente, o artigo e o substantivo do título delimitam o próprio substantivo do título. A frase, assim, torna-se inócua ou inútil: dois termos que tolhem o terceiro, neutralizando-o e negando-o.
"Vazamento na Conselheiro Mata."
Bom dia Minas
Fundo Eleitoral 2026: três partidos concentram quase 40% dos recursos
justicaeleitoral
justicaeleitoral
terça-feira, 9 de junho de 2026
Interesses do Brasil devem prevalecer sobre amizade com Trump, por Fernando Gabeira
O Globo
Tanto a fidelidade canina da família Bolsonaro como a química que uniu Lula ao presidente dos EUA enfraquecem uma análise mais fria sobre objetivos dos dois países
Nunca me senti confortável com a importância que a imprensa dá à proximidade dos candidatos com Trump. Tanto a fidelidade canina da família Bolsonaro como a química que o uniu a Lula enfraquecem uma análise mais fria sobre interesses dos dois países.
Compreendo que Lula tenha certo orgulho da simpatia de Trump. Afinal, o poder de sedução atravessou barreiras ideológicas confirmando seu prestígio internacional. Na hora do vamos ver, a situação se revela com toda a crueza. Ao apresentar sua política para o continente, os Estados Unidos fizeram uma grande reunião na Flórida. Foi lançado o Escudo das Américas, aliança contra o crime organizado e imigração ilegal. O Brasil ficou de fora, assim como Colômbia e México. Em discurso no Congresso, Marco Rubio nomeou os países que não se alinhavam com a política americana. Entre eles estava o Brasil.
É nesse contexto que temos de analisar alguns movimentos da política em relação ao nosso país. Um deles, a classificação de terrorismo imposta a PCC e Comando Vermelho. Não foi uma decisão importante para uma política de Estado. Vinha sendo avaliada havia muito tempo. Mas a oportunidade de sua oficialização deu uma pequena ajuda ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, sem dúvida preferido dos americanos. A preferência explícita acabou trazendo grande desgaste a Flávio quando se anunciaram novas tarifas.
Embora seja um discurso muito eficaz de campanha, as tarifas não foram feitas para a família Bolsonaro. Não se pode analisá-las sob essa ótica de quarteirão, como se fossem obra dos Bolsonaros, dos Morales, dos Bertrands, dos Millers, dos Johnsons. Elas são uma política global de Trump. Já foram tentadas de forma autoritária e anuladas pela Suprema Corte. Agora, Trump volta à carga, usando a seção 301 de uma lei comercial para dar verniz legal a sua determinação.
Há muita coisa injusta nas razões que punem o Brasil. Uma delas é a denúncia de trabalho forçado, algo muito combatido num governo de esquerda, assim como o desmatamento. Os americanos não parecem muito preocupados com precisão nem coerência. Tanto que, no caso da carne, abrem uma exceção. Se o trabalho forçado é para produzir carne, então tudo bem.
É evidente que tudo isso será processado pelas narrativas eleitorais. Mas o Brasil precisa manter um olhar frio e uma prática profissional para atenuar o impacto das medidas e compreender a realidade americana como ela é. Nessa luta planetária contra o poder ascendente da China, os americanos podem passar por várias fases.
Nem a devoção da família Bolsonaro nem a química entre Trump e Lula são proteções estratégicas. Precisamos discutir caminhos, e eles estão um pouco ofuscados no valor cultural da amizade, algo que cultivamos no Brasil. Entre países, não há amigos, apenas interesses. Não significa que devamos abandonar o bom humor e a abertura para novas amizades. Sempre ajudam.
Teresa Cristina - Com Que Roupa (Ao Vivo)
Confira abaixo os valores destinados a cada partido político para as Eleições 2026:
TSE divulga distribuição do Fundo Especial de Campanha para as Eleições 2026 - 03.06.2026
Os dados também estão disponíveis para consulta na página das Eleições 2026.
O que é o Fundo Eleitoral?
Criado pela Lei nº 13.487/2017, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é constituído por dotações orçamentárias da União em ano eleitoral e tem como finalidade custear as campanhas de candidatas e candidatos.
A distribuição dos recursos do FEFC observa os critérios estabelecidos na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Do total disponível:
• 2% são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE;
• 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na última eleição geral para a Câmara dos Deputados;
• 48% são repartidos de acordo com o número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados; e
• 15% são divididos conforme a representação dos partidos no Senado Federal.
Transparência
A divulgação dos valores reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com a transparência e a publicidade das informações relacionadas ao financiamento das campanhas eleitorais. Os dados podem ser acompanhados por partidos, candidatas e candidatos, órgãos de controle e pela sociedade.
CA, IC/DB
Leia mais:
01.06.2026 – Eleições 2026: União já disponibilizou ao TSE recursos do Fundo Eleitoral
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Junho/tse-divulga-distribuicao-do-fundo-especial-de-financiamento-de-campanha-para-as-eleicoes-2026
‘O Estado fascista impôs a Antonio Gramsci a coerção pura como um "Cesarismo Regressivo", buscando anular sua prática intelectual através da prisão. Gramsci respondeu a esse fim forçado operando a "Catarse" e a "Tradutibilidade", convertendo a derrota em "guerra de posição" e consolidando-se como intelectual orgânico.’
"Cardozo atua como um intelectual público de matriz jurídico-política, que utiliza recursos retóricos sofisticados para intervir no debate, mas não se apresenta — ao menos explicitamente — como um operador sistemático do pensamento gramsciano."
Aula 155 – O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia (Alberto Caeiro)
Prof. Jorge Miguel
segunda-feira, 8 de junho de 2026
🎵 O BRASIL NÃO CONHECE BRAZÓPOLIS: O BRAZIL NÃO CONHECE ITAMAR
A IA não conhece Mamão, o Mamão desconhece a IA.
The Untold Story of 'o amigo do amigo do meu pai."
Elis Regina - Querelas do Brasil (Legendado/PT - BR)
A história não contada de Dias Toffoli
Spotniks
The Untold Story of Dias Toffoli
Entrevista: 'Defesa do Pix materializa a soberania, sai do abstrato’, diz cientista político Guilherme Casarões
Professor e pesquisador da política externa brasileira vê saldo desfavorável ao bolsonarismo após casos envolvendo os EUA
Por Caio Sartori
07/06/2026 03h30 Atualizado há um dia
O professor e especialista em Relações Internacionais Guilherme Casarões — Foto: Divulgação
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Professor da Florida International University e coordenador do Observatório da Extrema Direita, o cientista político Guilherme Casarões afirma que os ataques americanos ao Pix ajudam o presidente Lula a transformar a defesa da soberania em algo palpável. Avalia ainda que o vaivém de Donald Trump na relação com o Brasil se dá na esteira de disputas internas de poder no governo americano.
Leia mais: Bolsonaro está com crise de soluços 'acima da média' há sete dias, diz boletim médico
Política: Pré-candidatos aliados de Lula e Flávio Bolsonaro modulam tom sobre os EUA para não se expor e defender padrinhos
O que explica as ações dos EUA depois de um encontro que pareceu bem-sucedido entre Lula e Trump?
Essas agendas já tinham começado no ano passado. O governo Trump se move de maneira meio descoordenada. Há muitos núcleos de interesse dentro do governo, cada um tocando suas agendas setoriais. O (secretário de Estado) Marco Rubio, em particular, é o operador de uma política muito específica para a América Latina, em que o Brasil é considerado rival. Tanto que foi quem menos se engajou com Lula. Tendemos sempre a olhar para tudo que Trump faz como parte de uma estratégia. Claro que parte disso é calculado, mas existe também um timing que vai ao sabor de disputas internas do governo.
Mas chama atenção Trump postar foto com Flávio no dia do anúncio das tarifas.
Esse é o ponto mais estranho. Pode ser que Trump tenha feito o cálculo de achar que poderia impulsionar Flávio. Na reunião com Flávio, no entanto, ele elogiou Lula. Então não sei o quanto Trump está entendendo o tamanho do impacto dos atos dele para a dinâmica eleitoral do Brasil.
O novo tarifaço e os ataques ao Pix têm potencial para ajudar Lula de novo, como aconteceu no ano passado?
Acredito que sim. No momento da designação do PCC e do CV como terroristas, avaliei que Flávio tinha conseguido tomar a rédea da narrativa: deu coletiva em Washington, falou que tinha pedido abertamente a Trump, e a denominação saiu pouco depois. Ficaria muito difícil o governo Lula criticar a decisão de Trump sem parecer que estava “defendendo bandido”. Mas vieram as tarifas logo na sequência, e o vídeo atrapalhado do Eduardo Bolsonaro (em que sugere a possibilidade de trocar o Pix por um modelo americano). Lula conseguiu entrar na ofensiva quando se encontrou com Trump. Flávio vai aos EUA, vira a página e coloca o governo na defensiva, mas agora com as tarifas é de novo o bolsonarismo quem está se defendendo, e de maneira meio histérica.
Lula ganhou o Pix de bandeja como arma eleitoral?
Diria que sim, porque a questão do Pix fala, no fim das contas, de soberania, por ser um mecanismo de pagamentos desenvolvido pelo Brasil, que incluiu milhões de pessoas no sistema bancário. Tem uma questão de orgulho nacional, que por muito tempo o próprio bolsonarismo tentou capitalizar. Há duas semanas, eu pensava que ficaria muito difícil Lula defender soberania no abstrato. A questão do Pix materializa a defesa da soberania em algo que todo mundo usa, sai do abstrato.
A denominação de CV e PCC ainda pode ser uma arma forte para o bolsonarismo?
Como segurança pública é um tema central do debate eleitoral, tenho certeza que isso renderá. E é claro que Trump pode tomar alguma outra medida, o que é o grande perigo dessa denominação: abrir precedente para que os EUA realizem medidas de ordem econômica, jurídica ou mesmo militar contra o Brasil, a fim de dar um empurrãozinho na candidatura do Flávio. O que tem que ser calculado por eles é se uma interferência mais ostensiva dos EUA com base nessa decisão vai de fato ajudar o Flávio ou contribuir para a posição do governo Lula.
Quais riscos de intervenção o senhor enxerga?
Embora o risco seja muito pequeno, até porque CV e PCC não têm conexões diretas com os EUA, e sim por meio de intermediários, isso começa a ficar mais tangível no sentido de congelamento de ativos financeiros de empresas que são suspeitas de ter relação com as facções. O grande problema é esse, abrir a possibilidade de uma interferência pela via econômica e ter um impacto que transborde para todo o sistema, desde fintechs a bancos e o próprio Pix.
Uma máxima atribuída a Ulysses Guimarães diz que política externa só dá voto no Burundi. Isso ficou ultrapassado? Vemos hoje um protagonismo inédito da pauta?
Já houve a percepção de que era importante internacionalizar a campanha, mas isso é diferente de política externa. Trazer temas de política externa é algo recente. Tivemos alguns ensaios, mas quem faz isso de fato é Bolsonaro em 2018, com promessas sobre Venezuela, alinhamento com Trump e a história de mudança da embaixada de Israel para Jerusalém. Agora, a política externa volta a importar porque os EUA se debruçam sobre a América Latina de maneira fundamentalmente nova. Não é a Doutrina Monroe do século XIX; é muito mais que isso. Não se trata de falar “América para os americanos” e resguardar o continente. A extensão dos instrumentos que os EUA têm hoje é muito maior. São capazes de retirar empresas do setor financeiro, penalizar autoridades com restrição de visto e de acesso ao sistema financeiro — caso da Magnitsky — e de designar grupos como terroristas e abrir portas para intervenção. E Trump usou praticamente tudo contra o Brasil.
Versão: Na Cadência do Canhota de Ouro
"Olha aqui, malandro, presta atenção no serviço. Quem viu as arrancadas do Eurico pelo corredor esquerdo sabe muito bem do que eu estou falando. O cara saiu lá do nosso querido Canto do Rio de Niterói — mesma escola onde eu comecei a gastar a bola — para deitar e rolar no time carijó de Santa Terezinha.
Quem conhece o riscado olhou para aquele garoto que substituiu o Ronaldinho aos 45 minutos do segundo tempo e matou a charada na hora: mesmo biotipo, mesmo topetinho de Zé Bento e a mesmíssima função tática. Foi uma jogada de xadrez. O Denílson entrou ali na canhota puramente para preencher espaço, prender a bola no campo de ataque e fazer o relógio correr. Se precisasse, ele tinha recurso para ir à linha de fundo e cruzar, claro. Mas a ordem do banco não era essa; o negócio era reter o entono no setor ofensivo e picotar o ritmo do jogo. Basta ver o volume que ele arrumou naqueles breves segundos de catimba. O destro Joacy Soares Lima cansou de fazer exatamente esse papel, respeitando rigidamente a lousa e os comandos do Magela.
O Eurico, é verdade, não levantou taça de Copa do Mundo e nem precisou entrar no finzinho de um Mundial para aparecer nos livros de história. Mas escuta essa: o que esse bloco aprontou no final da década de 1960 não foi brincadeira. Ele arrancou lá de Niterói para se juntar aos companheiros do Tupi e assombrar os chamados 'grandes' de Belo Horizonte dentro do Mineirão recém-inaugurado. Não é à toa que aquele Galo Carijó virou o legítimo 'Fantasma do Mineirão'. Ali tinha tática, tinha malandragem e, acima de tudo, tinha bola!"
O Tempo e o Senhor da Razão
Fernando Henrique Cardoso, antes de ser o intelectual da Sorbonne ou o presidente do Plano Real, foi um jovem panfletário. Na década de 1950, carregava as pastas do pai, o general Leônidas Cardoso, deputado pelo PTB de Getúlio Vargas, na emblemática campanha do "O Petróleo é Nosso". Havia ali um paradoxo que o tempo destrincharia: o desenho final da Petrobras brotou não do nacionalismo getulista, mas de um substitutivo da UDN, que ampliava a estatização para desidratar o projeto do Executivo.
A herança mais pesada da era Vargas, contudo, não estava no subsolo, mas nas fábricas. O DNA do trabalhismo assentava-se na unicidade sindical — cópia carbono da fascista Carta del Lavoro de Benito Mussolini. Décadas depois, nos anos 1970, um jovem líder grevista do ABC paulista ganharia o país justamente pregando o enterro desse entulho corporativista e pelego, exigindo o pluralismo nas bases.
A roda da história é caprichosa e adora uma ironia de gabinete. Em 1990, o Palácio do Planalto foi ocupado por Fernando Collor de Mello, neto de Lindolfo Collor, o mesmíssimo primeiro titular do Ministério do Trabalho criado por Vargas para enquadrar os operários em 1930. Na vice-presidência de Collor, assentava-se o topete de Itamar Franco, um histórico e autêntico petebista da Juiz de Fora dos anos 1950, órfão da legenda extinta pelo golpe de 1964.
Collor detestava o Palácio da Alvorada; preferia o isolamento da Casa da Dinda. De lá saía para seus rituais de jogging matinal, transformados em comícios mudos pelo gênio de seus marqueteiros. O "Caçador de Marajás" usava o próprio peito como outdoor, exibindo camisetas com frases de efeito. Numa manhã cinzenta, desfilou exibindo em letras garrafais uma máxima que carregava tanto de premonição quanto de deboche: "O Tempo É O Senhor Da Razão".
Diante do que o destino reservava a cada um desses personagens, o cronista só pode murmurar: pois é.
Síntese Final
Conclui-se, portanto, que o embate entre o "Brasil" e o "Brazil" é uma ferida aberta e produtiva. Em vez de uma sucessão cronológica onde uma música supera a outra, o que existe é uma coexistência tensa e dialética. As águas de Tom Jobim continuam a correr e a fechar o verão, enquanto o batuque de Maurício Tapajós e Aldir Blanc segue cobrando o reconhecimento das nossas fraturas sociais. É na impossibilidade de se resolver esse nó que reside a riqueza inesgotável da música popular brasileira.
domingo, 7 de junho de 2026
Era no tempo do Lalau, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Em testemunho inédito, ex-presidente narra manobras do Congresso para sangrar o orçamento na República Velha
Esqueça o Brasil polarizado de hoje. Em 1914, a eleição presidencial teve um único candidato: Wenceslau Braz. O mineiro foi ungido pela política do café com leite, pacto de oligarquias rurais que dirigia a República Velha. Sem adversários após a desistência de Ruy Barbosa, só precisou vencer a própria insegurança para assumir o poder.
“Me julgava pequenino ante tamanha responsabilidade”, confessa, em depoimento que chega às livrarias nos 60 anos de sua morte. “Convicção de meu pouco preparo ou comodismo, o certo é que o posto mais alto jamais aspirei”, justifica-se.
As memórias póstumas logam luz sobre o nono presidente brasileiro, que era ridicularizado pela imprensa e descrito como azarado e indeciso. No texto, “Seu Lalau” se apresenta como um político de pouca ambição, mas com alma de estadista.
“Assumi o cargo sem compromissos senão aqueles que a honra e o patriotismo impõem”, assegura. Ele descreve a rotina no Catete como uma vida de sacrifícios. “É de ver-se quanto trabalhei, que esforço supremo empreguei para cumprir o penoso dever! Dia e noite dediquei-me ao serviço público, despreocupado de mim e de minha família”, valoriza.
Wenceslau foi vice do antecessor, o marechal Hermes da Fonseca. Com medo de ser visto como traíra, prometeu ficar longe do Rio para evitar “intrigas e mexericos”. “Toda oposição aspira atirar o vice-presidente contra o presidente”, explica.
Eleito chefe de governo, ele diz ter encontrado uma calamidade nas finanças. “Fiquei estarrecido! Sem dinheiro, sem crédito, quase sem renda e devendo os cabelos da cabeça, eis a situação!”, exclama. Passou a tesourar gastos, incluindo os do palácio. “Minhas filhas ou andavam de bond ou de taxis pagos pelo meu bolso”, orgulha-se.
O mineiro viveu tempos turbulentos. Seu mandato coincidiu com a Primeira Guerra Mundial, a gripe espanhola e a Greve Geral de 1917. Ele não escreve uma linha sobre o levante operário, que mandou reprimir com violência. Ao narrar a vida de industrial após deixar a política, diz que tratava os trabalhadores “como amigos, quase como filhos”.
A entrada na política se deu pela via do familismo. O “venerando pai”, Francisco Braz, era chefe conservador no interior de Minas. “Fui político, muito político desde meus 12 anos”, escreve Wenceslau. Aos 24, ele se elegeu deputado estadual graças à máquina operada pelo clã. “Prestígio no estado não tenho, nem poderia ter”, admitiu a um amigo. Sua cidade natal, São Caetano da Vargem Grande, viraria Brazópolis em homenagem ao patriarca.
O ex-presidente rascunhou as memórias num caderno de capa dura, “para conhecimento de meus descendentes.” O documento ficou guardado por seis décadas, até que os herdeiros autorizaram a publicação sob o título “Esboço de minha vida política”. No posfácio, o historiador Francisco Alambert observa que o ex-presidente, “certamente sem se dar conta, descreve o passo a passo da política de compadrio, favorecimento e concentração de poder” que marcou a Primeira República.
O Brasil mudou muito, mas não mudou em tudo. Ao relembrar embates com o Congresso, Wenceslau critica as “caudas orçamentárias”, antepassadas do orçamento secreto. “Não se pode imaginar os escândalos que houve”, afirma. O ex-presidente diz que os parlamentares criavam dificuldades para emplacar emendas pouco republicanas, que causavam “verdadeiras sangrias no pobre Tesouro”. “Despesas sumptuárias, favores pessoais, eram por essa forma aprovados”, conta.
TRISTEZA PÉ NO CHÃO CLARA NUNES
Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação
Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Fiz o estandarte com as minhas mágoas
Usei como destaque a tua falsidade
Do nosso desacerto fiz meu samba enredo
Do velho som do minha surda dividi meus versos
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Nas platinelas do pandeiro coloquei surdina
Marquei o último ensaio em qualquer esquina
Manchei o verde esperança da nossa bandeira
Marquei o dia do desfile para quarta-feira
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Música
1 músicas
Tristeza Pé No Chão
Clara Nunes
🎵 O BRASIL NÃO CONHECE BRAZÓPOLIS: O BRAZIL NÃO CONHECE ITAMAR
(Versão Harmônica Avançada)
(Introdução: Am6 / E7(b9) / Am6 / E7(b9))
[Verso 1]
Am6 A7(b13)
O Brasil que se diz tão sabidoDm7 G7(9) C7M F7MAnda cego, não quer enxergar!Bm7(b5) E7(b9) Am6O Brasil não conhece Brazópolis,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O Brazil não conhece Itamar!Am6 A7(b13)Lá no Sul de Minas Gerais,Dm7 G7(9) C7M F7MOnde a lua parece reinar,Bm7(b5) E7(b9) Am6Tem luneta espiando o espaçoBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7 (Baixada para o Refrão)E um Fusca querendo rodar![Refrão - Transição para Lá Maior]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro,Bm7 E7(9) A7M E7(9)Guardada no pé da subida!Em7 A7(9) D7M Dm6Itamar nasceu lá no terreiro,C#m7 F#7(b13) Bm7 E7(9) (Na 2ª vez resolve em Am6)Bahia foi onde deu vida!Am6 A7(b13)O Brasil não conhece Brazópolis,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O Brazil não conhece Itamar![Verso 2]Am6 A7(b13)Disseram que veio do mar,Dm7 G7(9) C7M F7MNum navio jogado ao vento,Bm7(b5) E7(b9) Am6Mas a Ladeira Fonte das PedrasBb7M E7(b9) Am6 E7(b9)Assina o seu nascimento!Am6 A7(b13)Seu pai não foi homem de guerra,Dm7 G7(9) C7M F7MNem farda mandou costurar.Bm7(b5) E7(b9) Am6Augusto era só engenheiro,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)E a régua ajudou a traçar!Am6 A7(b13)Enquanto a história se perdeDm7 G7(9) C7M F7MNesse imenso e confuso país,Bm7(b5) E7(b9) Am6Brazópolis chora a geadaBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7E abraça o seu Wenceslau Braz![Refrão]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro...[Verso 3]Am6 A7(b13)Falaram que em junho choveu,Dm7 G7(9) C7M F7MQue o granizo caiu na calçada,Bm7(b5) E7(b9) Am6Mas era mentira de rádio,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O tempo era só de invernada!Am6 A7(b13)São oito graus na Mantiqueira,Dm7 G7(9) C7M F7MJuiz de Fora a ver o Rio passar...Bm7(b5) E7(b9) Am6Mais de trezentos quilômetrosBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7Pra Gardênia poder te levar![Refrão]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro...[Coda / Encerramento]Am6 A7(b13)Sai Sarney com seu velho bigode,Dm7 G7(9) C7M F7MVem o Collor e perde o lugar...Bm7(b5) E7(b9) Am6Quem governa esse povo esquecidoBb7M E7(b9) Am6 E7(b9)É o topete que veio de lá!Am6 A7(b13)Olha o samba na Zona da Mata!Dm7 G7(9) C7M F7MOlha o telescópio a brilhar!Bm7(b5) E7(b9) Am6Se o Brasil não conhece Brazópolis...(Pausa na harmonia - Deixa o acorde Am6 vibrando)N.C. (Sem Acorde)Bota o disco do Mamão pra tocar!(Batida final seca e estalada no Tamborim)S
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nasce um otário por segundo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
No Brasil, um influencer que se preze tem de 1 milhão a 100 milhões de seguidores
Quem serão esses milhões que seguem Camila Pudim, Pamela Fuego e Leuriscleia?
Perguntaram-me quantos "seguidores" eu calculava que tivesse. Embatuquei: "Sei lá, nunca pensei nisso. Acho que nenhum". O outro insistiu: "Não é possível. Você está na imprensa há milhões de anos, escreve livros, dá entrevistas. É um dos principais influencers do país". Reagi com "Deus me livre, imagine a responsabilidade de influenciar alguém, de ser responsável por algo que uma pessoa faça ou deixe de fazer!". É verdade. Mal consigo dar conta de mim mesmo e meus gatos Bing, Dixie e Bizu acham ridículas minhas tentativas de ensiná-los a miar em francês. Além disso, em que um "influencer" influencia seus "seguidores"?
Não faltou quem me instruísse. Um influencer é alguém que usa instagrams, youtubes, tiktoks e que tais para produzir vídeos, fotos e textos sobre si mesmo e atrair seguidores que se deixam "impactar por suas opiniões, sugestões, rotinas, atitudes e opções de consumo". E que, devidamente impactados, passam a regular por ele suas preferências. Em quê? "Em tudo: moda, games, viagens, gastronomia, até aplicações financeiras". "Sério?", perguntei. E o que o influencer ganha com isso? "Fábulas —é pago pelos serviços e marcas que ‘recomenda’. Descubra quantos o seguem e calcule a grana que isso rende."
No Brasil, me disseram, um influencer que se preze tem de 1 milhão a 100 milhões de seguidores. Quis saber quais eram os principais e ouvi nomes como Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Anitta, Vinicius Jr., Ivete Sangalo. Até aí tudo bem —são famosos, com profissão definida, não falta quem queira ser como eles.
Mas quem é Virginia Fonseca, com 56 milhões de seguidores? O que ela faz? E Camila Pudim, Açucena Guerra, Gustavo Tubarão, Pamela Fuego, Andressa Suíta? E sumidades com nomes como Hytalo, Thallysson, Sunaika, Pkllipe, Wueverton e Leuriscleia? Mais importante ainda: quem são os milhões de brasileiros que os seguem?
P.T. Barnum (1810-91), inventor do mafuá de horrores, deixou uma frase que parecia imortal: "Nasce um otário por minuto". Isso já era. Hoje é por segundo.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nota sobre relações de força, por Antonio Gramsci *
As notas escritas a propósito do estudo das situações e do que se deve entender por “relações de força”. O estudo sobre como se devem analisar as “situações”, isto é, sobre como se devem estabelecer os diversos níveis de relação de forças, pode servir para uma exposição elementar de ciência e arte política, entendida como um conjunto de regras práticas de pesquisa e de observações particulares úteis para despertar o interesse pela realidade efetiva e suscitar intuições políticas mais rigorosas e vigorosas. Ao mesmo tempo, é preciso expor o que se deve entender em política por estratégia e tática, por “plano” estratégico, por propaganda e agitação, por “orgânica” ou ciência da organização e da administração em política. Os elementos de observação empírica que habitualmente são apresentados de modo desordenado nos tratados de ciência política (pode-se tomar como exemplar a obra de G. Mosca: Elementi di scienza politica) deveriam, na medida em que não são questões abstratas ou sem fundamento, ser situados nos vários níveis da relação de forças, a começar pela relação das forças internacionais (onde se localizariam as notas escritas sobre o que é uma grande potência, sobre os agrupamentos de Estados em sistemas hegemônicos e, por conseguinte, sobre o conceito de independência e soberania no que se refere às pequenas e médias potências), passando em seguida às relações objetivas sociais, ou seja, ao grau de desenvolvimento das forças produtivas, às relações de força política e de partido (sistemas hegemônicos no interior do Estado) e às relações políticas imediatas (ou seja, potencialmente militares).
As relações internacionais precedem ou seguem (logicamente) as relações sociais fundamentais? Indubitavelmente seguem. Toda inovação orgânica na estrutura modifica organicamente as relações absolutas e relativas no campo internacional, através de suas expressões técnico-militares. Até mesmo a posição geográfica de um Estado nacional não precede, mas segue (logicamente) as inovações estruturais, ainda que reagindo sobre elas numa certa medida (exatamente na medida em que as superestruturas reagem sobre a estrutura, a política sobre a economia, etc.). De resto, as relações internacionais reagem passiva e ativamente sobre as relações políticas (de hegemonia dos partidos). Quanto mais a vida econômica imediata de uma nação se subordina às relações internacionais, tanto mais um determinado partido representa esta situação e a explora para impedir o predomínio dos partidos adversários (recordar o famoso discurso de Nitti sobre a revolução italiana tecnicamente impossível!). Desta série de fatos, pode-se chegar à conclusão de que, com frequência, o chamado “partido do estrangeiro” não é propriamente aquele que é habitualmente apontado como tal, mas precisamente o partido mais nacionalista, que, na realidade, mais do que representar as forças vitais do próprio país, representa sua subordinação e servidão econômica às nações ou a um grupo de nações hegemônicas (uma referência a este elemento internacional “repressivo’’ das energias internas encontra-se nos artigos publicados por G. Volpe no Corriere della Sera de 22 e 23 de março de 1932).
*Antonio Gramsci (1891-1937), Caderno 13 (1932-1934): Cadernos do Cárcere, V. 3 -3ª Edição - p.19. Editora Civilização Brasileira, 2007.
domingo, 7 de junho de 2026
Bala com Bala
GAZETA CARIOCA
Trump Has Failed as Commander in Chief
Trump has failed to unite the country while at war and instead is seeking personal gain.
By Thomas L. Friedman
Leer en español阅读简体中文版閱讀繁體中文版
June 2, 2026
Bala Com Bala
Elis Regina
domingo, 7 de junho de 2026
Tarifaço e a oportunidade para o Brasil, por Lourival Sant’Anna
LOURIVAL: ESTAMOS A TODO VAPOR DENTRO DE UMA GUERRA COMERCIAL
O Estado de S. Paulo
As pressões tarifárias do governo Trump abrem oportunidade histórica para o Brasil reduzir de forma negociada suas barreiras comerciais, que fazem mais mal aos brasileiros que aos próprios americanos. A demagogia do governo Lula e a influência política dos setores industriais beneficiados pelo protecionismo me dão a triste certeza de que isso não vai acontecer. Os segmentos mais dinâmicos da economia brasileira serão castigados, mais uma vez.
Os argumentos do governo, de que o Brasil aplica efetivamente tarifas médias de 3% sobre os produtos americanos, e de que os EUA usufruem de superávit no comércio bilateral, são falaciosos. As alíquotas brasileiras sobre bens industrializados costumam partir de 20%, chegando a 35% no caso dos automóveis. Os produtos americanos não pagam esses impostos porque eles cumprem a função para a qual foram criados: bloquear as importações.
Quanto ao déficit brasileiro, os americanos podem argumentar que exportariam muito mais se não fossem as tarifas, as barreiras não tarifárias e as ações antidumping destinadas a impedir o livre comércio – havendo outras que são legítimas. O pior é que o Brasil também exportaria mais produtos de valor agregado mais alto se não fossem essas barreiras protecionistas.
As barreiras encarecem insumos e bens de capital dos quais todos os setores produtivos brasileiros necessitam para inovar e elevar a produtividade e a competitividade. Sem falar nos consumidores brasileiros, reféns de produtos caros e de má qualidade protegidos por essas barreiras, que desestimulam a pesquisa e o desenvolvimento.
A presença de Javier Milei na Casa Rosada possibilita acordos para reduzir a Tarifa Externa Comum do Mercosul, estacionada em astronômicos 11%, quando a tarifa média da União Europeia é de 4% e a dos EUA, 3%. Mas Lula provém dos setores protegidos, como a indústria automobilística, e cultiva um fetiche pela tese da “substituição de importações”, que desde os anos 30 se prova uma farsa.
COLATERAL. Como resultado, são prejudicados os setores mais dinâmicos e inovadores, que mais se beneficiariam com a possibilidade de importar para produzir e exportar mais, como o agronegócio, os plásticos, a saúde e todos os que dependem das cadeias de valor globais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, chegou a declarar que a solução para as tarifas americanas é o Brasil adotar mais medidas de defesa comercial – precisamente a origem do problema.
O Brasil não deve ceder em exigências como acabar com o Pix ou aceitar monopólio no fornecimento de minerais críticos. Mas deveria negociar a redução das barreiras comerciais.
Entenda acusação do governo Trump para Brasil e outros países sobre trabalho forçado
Os EUA não acusam diretamente os países de fomentarem o trabalho escravo, mas sim da falta de políticas para combater o tema.
Por Redação
03/06/2026 10h52 Atualizado há 4 dias
Donald Trump falha como comandante-chefe
Em vez de defender aliados de ameaças em comum, presidente prefere extorqui-los e fazer negócios
ANÁLISE
Thomas Friedman
The New York Times
É colunista e ganhador de três Prêmios Pulitzer
Quem é Ricardo Couto, que assume o governo do Rio após a renúncia de Castro
O presidente do TJ-RJ comandará o governo até a Assembleia Legislativa definir, via eleição indireta, o nome do novo governador
POR CARTACAPITAL
24.03.2026 15H33
... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/politica/quem-e-ricardo-couto-que-assume-o-governo-do-rio-apos-a-renuncia-de-castro/.
A imagem captura o exato momento do aquecimento no Campo do Canto do Rio, em Niterói, mostrando o contraste entre a postura formal e constitucional do governador alvinegro e a energia raçuda do prefeito rubro-negro, com a nossa bela Baía de Guanabara ao fundo.
RÁDIO GLOBO RIO – O MARANHÃO DOS ESPORTES
PROGRAMA: SHOW DO MEIO-DIA (AO VIVO DO CAMPO DO CANTO DO RIO, EM NITERÓI)
COMENTARISTA: GERSON, O CANHOTINHA DE OURO
[SONOPLASTIA: VINHETA RÁDIO GLOBO – "O CANHOTINHA DE OURO ENTRA EM CAMPO!"]
[ÁUDIO: RUÍDO DE FUNDO DE CAMPO DE FUTEBOL, COLETIVA DE IMPRENSA COM ALVOROÇO DE MICROFONES]
GERSON: (Tom enérgico, voz rouca característica, microfone bem próximo)Olha, o microfone da Rádio Globo tá no meio do reduto onde eu comecei, rapaz! Minha terra, Niterói, aqui no Canto do Rio. E eu ouvi bem o que esses dois governantes falaram. Vocês sabem que eu sou tricolor de coração, nasci nas Laranjeiras, mas joguei muita bola e fui campeão no Flamengo em 63, bati de frente com técnico disciplinador que queria me prender em esquema tático, e depois fui jogar o fino da bola lá no Botafogo. Por isso aqui eu sou totalmente imparcial, tá? Mas para comentar essa tática política... pô, ninguém é de ferro, a gente sempre tira uma vantagem para o futebol bem jogado!
Vamos para a análise tática desse clássico dos discursos! Solta o play no primeiro!
[ÁUDIO: RECORTE DA FALA DO GOVERNADOR RICARDO COUTO]
"Alvinegro. Couto é botafoguense roxo e, mesmo com a agenda cheia, nunca deixa de perguntar aos assessores o resultado dos jogos do Botafogo. Ao falar do ídolo Garrincha, gosta de dizer que o seu foi o primeiro clube do Rio a fazer uma 'ação afirmativa' e contratar o craque antes rejeitado pelo Flamengo."
GERSON: (Bate na mesa, rindo)
Presta atenção na tática do Governador Couto, meu garoto! O homem jogou com o regulamento debaixo do braço e a Constituição no bolso. Ele montou uma retranca jurídica perfeita com a linha sucessória e, na hora de atacar, jogou a bola no pé do Mané Garrincha!
Taticamente, o Couto usou o que a gente chama de "antecipação histórica". Quando ele puxa a memória da 'ação afirmativa' do Botafogo lá atrás, ele tá dando um drible de corpo no rival. Ele pegou a rejeição do Flamengo ao Mané e transformou isso em gol de placa do Alvinegro. É o legítimo "preto no branco": o assessor traz o resultado no meio do expediente e o governador carimba o decreto com a caneta da justiça social. Jogo consciente, sem dar chutão, valorizando a posse de bola da história!
Agora abre o microfone pro garoto do Palácio da Cidade! Solta aí!
[ÁUDIO: RECORTE DA FALA DO PREFEITO EDUARDO CAVALIERI]
"Rubro-negro. Cavalieri, empoleirado no trono do Palácio da Cidade, já pediu revanche para um desagravo sobre suposto preconceito da raça vermelha no sangue, mas preta no coração e alva na vontade de paz em terras fluminenses."
GERSON: (Tom de crônica, gesticulando)
Olha a reação do Cavalieri, rapaz! O prefeito se viu acuado na defesa, "empoleirado no trono", e o que ele fez? Tática de abafa! O Flamengo dele foi pego no contrapé com a história do Garrincha, aí ele partiu pro tudo ou nada.
Em vez de tocar de lado, o Cavalieri tentou o lançamento longo, apelando pro coração da massa. Ele pediu "revanche". Isso é tática de quem quer transferir o jogo do tribunal pro Maracanã lotado! Ele usou a mística rubro-negra do sangue e da raça para tentar anular o drible do Botafogo. Só que ele sabe que o clima tá tenso, então ele bota o pé no freio no final e pede "alva vontade de paz". Quer dizer, ele vai pro carrinho na dividida, mas levanta pedindo desculpas pra não tomar o cartão vermelho do eleitorado. Tática de pura emoção e forte apelo popular!
[VÍRGULA SONORA RÁPIDA]
GERSON: (Finalizando com o seu tradicional gingado e malícia)
Resumo da ópera aqui de Niterói, meu amigo: o Couto joga cadenciado, na cadência de um meio-campo clássico, focado na justiça do papel. O Cavalieri joga na base do contra-ataque veloz, na raça do ponta-de-lança. Quem ganha? O torcedor carioca, que vê a política imitar a beleza do nosso futebol. E eu fico aqui, olhando o meu Canto do Rio, de olho no placar... porque o jogo do poder não para, pô!
De volta com você aí no estúdio central da Rádio Globo!
[SONOPLASTIA: VINHETA FINAL DOS COMENTÁRIOS DE GERSON]
S
EUA e Irã vão chegar a um acordo? Qual o futuro da relação Brasil e EUA? | FORA DA ORDEM
CNN Brasil
Transmitido ao vivo em 5 de jun. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎
No "Fora da Ordem" desta sexta-feira (5), o videocast de geopolítica e geoeconomia da CNN Brasil debate o futuro da relação entre Brasil e Estados Unidos após as novas ameaças de tarifaço de Donald Trump e o futuro da guerra entre Washington e Teerã: será que EUA e Irã conseguirão chegar a um acordo?
sábado, 6 de junho de 2026
A história parece uma coisa à toa, mas como é que ela soa quando começa a soar? A história vai embora.
Nada é à toa: a história só começa quando ganha voz — e, então, nunca mais vai embora.
“Guardei o dia: 4 de outubro de 1957.” Ele tinha 11 anos. Eu, 6; Ela poucos meses; e Ela outra 1 ano e poucos meses. O troço chamava-se Sputnik. “Coisa de comunista… Amigo viajante, sei!” “ Metaconto de pedra 🪨 De Prata! “ Em perspectiva a pedra era vista como um carro em movimento.” “ Aqui como final, antes do de exclamação final.”
"Ela fazia... Tinha duas loucas no filme. Bom! Uma delas era a Dina, não era? Era muito bonito porque ela ia passando pela floresta... assim... uma floresta que, que... acho que ator é a coisa mais louca do mundo..."
"Era uma louca que falava coisas muito sérias."
Milton Nascimento, ator e amigo de Dina Sfat, com quem contracenou em filme de Ruy Guerra, na Bahia.
Entre o objeto que cruza o céu e o objeto que molda o olhar, existe um intervalo — e é nele que nasce o sentido.
Cora Coralina (1/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009
TV Brasil
Cravo E Canela
Milton Nascimento
Cravo E Canela (part. Lô Borges)
Milton Nascimento
É, morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
A Lua morena, a dança do vento
O ventre da noite, o Sol da manhã
A chuva cigana, a dança dos rios
O mel do cacau, o Sol da manhã
Ê, morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
A Lua morena, a dança do vento
O ventre da noite, o Sol da manhã
A chuva cigana, a dança dos rios
O mel do cacau, o Sol da manhã
Ê, morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
Morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
Morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Ê, cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
Morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
Morena quem temperou
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Ê, cigana quem temperou
Morena quem temperou
A cor de canela
Composição: Milton Nascimento, Ronaldo Bastos.
8 de set. de 2011
Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias.
Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor.
Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles.
O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30.
Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Cora Coralina (2/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009
TV Brasil
8 de set. de 2011
Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias.
Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor.
Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles.
O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30.
Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Documentário sobre a vida de líder comunista baiano chega ao Canal Brasil amanhã (1º)
Giocondo Dias, também conhecido como cabo Dias, liderou a tomada de Natal, no Rio Grande do Norte, na Intentona Comunista.
Por: Redação - 31/08/2021
A HISTÓRIA PARECE UMA COISA A TOA MAS COMO É QUE ELA SOA QUANDO COMEÇA A SOAR HISTÓRA VAi EmBORA...
Felicidade
Lupicínio Rodrigues
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como a gente voa quando começa a pensar
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
Composição: Lupicínio Rodrigues.
CEM ANOS DE GIOCONDO DIAS, O CABO VERMELHO
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Uma lúcida e oportuna ponderação, por Ivan Alves Filho*
Sérgio Augusto de Moraes é autor de duas obras importantes para a compreensão da marcha da História nas últimas décadas. Vamos lá, pela ordem cronológica. A primeira delas é Viver e morrer no Chile, um relato pungente a respeito da experiência da Unidade Popular (UP), movimento capitaneado por Salvador Allende entre 1970 e 1973, voltado para a construção do socialismo pela chamada via democrática. Sérgio Moraes analisa as dificuldades enfrentadas por Allende e seus companheiros de luta, em uma época marcada pela truculência política norte-americana e seu fascismo de exportação. Não deu outra: a investida golpista de Augusto Pinochet, a 11 de setembro de 1973, mergulharia o Chile em uma repressão das mais sangrentas, acarretando na morte, por fuzilamentos e torturas, de milhares de pessoas.
Tudo isso por responsabilidade direta dos Estados Unidos, nunca é demais lembrar. O próprio autor viveu na pele essa truculência, escapando por um triz de ser fuzilado no Estádio Nacional de Santiago, transformado, em setembro de 1973, em uma espécie de campo de concentração. Li, com emoção, os originais desta obra, publicada pela Fundação Astrojildo Pereira, há alguns anos. O outro livro dele se intitula Capitalismo e população mundial, uma visão inovadora das transformações pelas quais passa o modo de produção capitalista no mundo, que também tive o prazer de ler antes do seu lançamento, pela própria Fundação Astrojildo Pereira.
Engenheiro de produção e dirigente histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual aderiu ainda nos anos 50 do século passado, Sérgio Moraes é um dos homens mais qualificados para discorrer sobre as lutas sociais do nosso tempo. Ex-integrante do mítico Comitê Universitário do Partido, onde atuavam Marcello Cerqueira, Marli Vianna, Givaldo Siqueira, Luiz Werneck Vianna e tantos outros militantes e formuladores de grande valor, ele integraria, na volta de um longo exílio no Chile, na União Soviética e Suíça, o Secretariado do Partido Comunista à época de Giocondo Dias, o lendário Cabo Dias da insurreição aliancista de 1935, o homem que substituiu Luiz Carlos Prestes na direção máxima da agremiação comunista, em 1980.
Convivo com Sérgio há muitos anos e posso testemunhar sobre a sua dedicação, ao lado de outros integrantes do Secretariado do PCB, na retomada e também na consolidação da Democracia entre nós. Poucos lutaram tanto para que isso acontecesse. No que me concerne, devo ao Sérgio e ao Givaldo o honroso convite feito, em nome do secretariado do PCB, para eu escrevesse o perfil biográfico de Giocondo Dias. Até então, somente Luiz Carlos Prestes tinha sido biografado a pedido do PCB, o que resultou no belo livro O Cavaleiro da Esperança, de autoria de Jorge Amado. Escrita nos arredores de Buenos Aires, na casa de Ernesto Sabato, esta obra marcou época em nosso país.
Por que escrevo isso agora? Porque ontem, ao publicar neste Blog do Gilvan, o texto Dois caminhos e um só autoritarismo, recebi uma calorosa mensagem do Sérgio. Após ler o artigo, ele ponderou ter sentido falta de uma referência ao fato de o fascismo hitlerista corresponder "aos interesses dos monopólios germânicos e ao objetivo do capital internacional de destruir a URSS".
Fica aqui o registro. Sérgio tem toda razão. Ainda que eu não tenha chegado a dissociar o fascismo do capitalismo, a ponderação dele é totalmente fundada. Ou seja, faltou explicitar realmente.
Obrigado, mais uma vez, meu querido amigo e camarada Sérgio Augusto de Moraes. Sua lucidez e fraternidade me acompanham pela vida toda.
*Ivan Alves Filho, historiador
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Breves notas sobre a política de Maquiavel, por Antonio Gramsci*
O caráter fundamental do Príncipe é o de não ser um tratado sistemático, mas um livro “vivo”, no qual a ideologia política e a ciência política fundem-se na forma dramática do “mito”. Entre a utopia e o tratado escolástico, formas nas quais se configurava a ciência política até Maquiavel, este deu à sua concepção a forma da fantasia e da arte, pela qual o elemento doutrinário e racional personifica-se em um condottiero, que representa plástica e “antropomorficamente” o símbolo da “vontade coletiva”. O processo de formação de uma determinada vontade coletiva, para um determinado fim político, é representado não através de investigações e classificações pedantes de princípios e critérios de um método de ação, mas como qualidades, traços característicos, deveres, necessidades de uma pessoa concreta, o que põe em movimento a fantasia artística de quem se quer convencer e dá uma forma mais concreta às paixões políticas. (Deve-se pesquisar, nos escritores políticos anteriores a Maquiavel, se existem textos configurados como o Príncipe. Também o final do Príncipe está ligado a este caráter “mítico” do livro; depois de ter representado o condottiero ideal, Maquiavel — num trecho de grande eficácia artística — invoca o condottiero real que o personifique historicamente: esta invocação apaixonada reflete-se em todo o livro, conferindo-lhe precisamente o caráter dramático. Nos Prolegomeni de L. Russo, Maquiavel é chamado de artista da política e, numa ocasião, chega-se mesmo a encontrar a expressão “mito”, mas não exatamente no sentido acima indicado).
O Príncipe de Maquiavel poderia ser estudado como uma exemplificação histórica do “mito” soreliano, isto é, de uma ideologia política que se apresenta não como fria utopia nem como raciocínio doutrinário, mas como uma criação da fantasia concreta que atua sobre um povo disperso e pulverizado para despertar e organizar sua vontade coletiva. O caráter utópico do Príncipe consiste no fato de que o “príncipe” não existia na realidade histórica, não se apresentava ao povo italiano com características de imediaticidade objetiva, mas era uma pura abstração doutrinária, o símbolo do líder, do condottiero ideal; mas os elementos passionais, míticos, contidos em todo o pequeno livro, com movimento dramático de grande efeito, sintetizam-se e tornam-se vivos na conclusão, na invocação de um príncipe “realmente existente”. Em todo o pequeno volume, Maquiavel trata de como deve ser o Príncipe para conduzir um povo à fundação do novo Estado, e o tratamento é conduzido com rigor lógico, com distanciamento científico: na conclusão, o próprio Maquiavel se faz povo, confunde-se com o povo, mas não com um povo “genericamente” entendido e sim com o povo que Maquiavel convenceu com seu tratamento precedente, do qual ele se torna e se sente consciência e expressão, com o qual ele se identifica: parece que todo o trabalho “lógico” não é mais do que uma auto-reflexão do povo, do que um raciocínio interior que se realiza na consciência popular e acaba num grito apaixonado, imediato. De raciocínio sobre si mesma, a paixão transforma-se em “afeto”, febre, fanatismo de ação. Eis por que o epílogo do Príncipe não é algo extrínseco, “imposto” de fora, retórico, mas deve ser explicado como elemento necessário da obra ou, melhor ainda, como aquele elemento que reverbera sua verdadeira luz em toda a obra e faz dela algo similar a um “manifesto político”.
Pode-se estudar como Sorel, partindo da concepção da ideologia-mito, não atingiu a compreensão do partido político, mas se deteve na concepção do sindicato profissional. É verdade que, para Sorel, o “mito” não encontrava sua expressão maior no sindicato, como organização de uma vontade coletiva, mas na ação prática do sindicato e de uma vontade coletiva já atuante, ação prática cuja máxima realização deveria ser a greve geral, isto é, uma “atividade passiva”, por assim dizer, ou seja, de caráter negativo e preliminar (o caráter positivo é dado somente pelo acordo alcançado nas vontades associadas) de uma atividade que não prevê uma fase própria “ativa e construtiva”. Em Sorel, portanto, chocavam-se duas necessidades: a do mito e a da crítica do mito, uma vez que “todo plano preestabelecido é utópico e reacionário”. A solução era abandonada ao impulso do irracional, do “arbitrário” (no sentido bergsoniano de “impulso vital”), ou seja, da “espontaneidade”. (Deve-se notar aqui uma contradição implícita entre o modo pelo qual Croce apresenta seu problema de história e anti-história e outros modos de pensar de Croce: sua aversão aos “partidos políticos” e seu modo de pôr a questão da “previsibilidade” dos fatos sociais — cf. Conversazioni critiche, primeira série, p. 150-2, resenha do livro de Ludovico Limentani, La previsione dei fatti sociali, Turim, Bocca, 1907; se os fatos sociais são imprevisíveis e o próprio conceito de previsão é nada mais do que um som, o irracional não pode deixar de dominar e toda organização de homens é anti-história, é um “preconceito”: só resta resolver caso a caso, e com critérios imediatos, os problemas práticos singulares colocados pelo desenvolvimento histórico — cf. o artigo de Croce, “Il partito come giudizio e come pregiudizio”, em Cultura e vita morale — e o oportunismo torna-se a única linha política possível.) Mas pode um mito ser “não construtivo”, pode-se imaginar, na ordem de intuições de Sorel, que seja produtor de realidades um instrumento que deixa a vontade coletiva na fase primitiva e elementar de sua mera formação, por distinção (por “cisão”), ainda que com violência, isto é, destruindo as relações morais e jurídicas existentes? Mas esta vontade coletiva, assim formada de modo elementar, não deixará imediatamente de existir, pulverizando-se numa infinidade de vontades singulares, que na fase positiva seguem direções diversas e contrastantes? E isso para não falar que não pode existir destruição, negação, sem uma implícita construção, afirmação, e não em sentido “metafísico”, mas praticamente, isto é, politicamente, como programa de partido. Neste caso, pode-se ver que se supõe por trás da espontaneidade um puro mecanicismo, por trás da liberdade (arbítrio-impulso vital) um máximo de determinismo, por trás do idealismo um materialismo absoluto.
O moderno príncipe, o mito-príncipe não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto, só pode ser um organismo; um elemento complexo de sociedade no qual já tenha tido início a concretização de uma vontade coletiva reconhecida e afirmada parcialmente na ação. Este organismo já está dado pelo desenvolvimento histórico e é o partido político, a primeira célula na qual se sintetizam germes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais. No mundo moderno, só uma ação histórico-política imediata e iminente, caracterizada pela necessidade de um procedimento rápido e fulminante, pode-se encarnar miticamente num indivíduo concreto: a rapidez só pode tornar-se necessária diante de um grande perigo iminente, grande perigo que cria precisamente, de modo fulminante, o fogo das paixões e do fanatismo, aniquilando o senso crítico e a corrosividade irônica que podem destruir o caráter “carismático” do condottiero (o que ocorreu na aventura de Boulanger) [2]. Mas uma ação imediata desse tipo, por sua própria natureza, não pode ser ampla e de caráter orgânico: será quase sempre do tipo restauração e reorganização, e não do tipo peculiar à fundação de novos Estados e de novas estruturas nacionais e sociais (como era o caso no Príncipe de Maquiavel, onde o aspecto de restauração era só um elemento retórico, isto é, ligado ao conceito literário da Itália descendente de Roma e que devia restaurar a ordem e a potência de Roma), será de tipo “defensivo” e não criativo original, ou seja, no qual se supõe que uma vontade coletiva já existente tenha se enfraquecido, dispersado, sofrido um colapso perigoso e ameaçador, mas não decisivo e catastrófico, sendo assim necessário reconcentrá-la e fortalecê-la; e não que se deva criar uma vontade coletiva ex novo, original, orientada para metas concretas e racionais, mas de uma concreção e racionalidade ainda não verificadas e criticadas por uma experiência histórica efetiva e universalmente conhecida.
O caráter “abstrato” da concepção soreliana do “mito” revela-se na aversão (que assume a forma passional de uma repugnância ética) pelos jacobinos, que certamente foram uma “encarnação categórica” do Príncipe de Maquiavel. O moderno Príncipe deve ter uma parte dedicada ao jacobinismo (no significado integral que esta noção teve historicamente e deve ter conceitualmente), como exemplificação do modo pelo qual se formou concretamente e atuou uma vontade coletiva que, pelo menos em alguns aspectos, foi criação ex novo, original. E é preciso também definir a vontade coletiva e a vontade política em geral no sentido moderno, a vontade como consciência operosa da necessidade histórica, como protagonista de um drama histórico real e efetivo.
Uma das primeiras partes deveria precisamente ser dedicada à “vontade coletiva”, apresentando a questão do seguinte modo: quando é possível dizer que existem as condições para que se possa criar e se desenvolver uma vontade coletiva nacional-popular? Em seguida, uma análise histórica (econômica) da estrutura social do país em questão e uma representação “dramática” das tentativas feitas através dos séculos para criar esta vontade e as razões dos sucessivos fracassos. Por que não se teve a monarquia absoluta na Itália na época de Maquiavel? É necessário remontar ao Império Romano (questão da língua, dos intelectuais, etc.), compreender a função das Comunas medievais, o significado do catolicismo, etc.; deve-se, em suma, fazer um esboço de toda a história italiana, sintético mas exato.
A razão dos sucessivos fracassos das tentativas de criar uma vontade coletiva nacional-popular deve ser procurada na existência de determinados grupos sociais que se formam a partir da dissolução da burguesia comunal, no caráter particular de outros grupos que refletem a função internacional da Itália como sede da Igreja e depositária do Sacro Império Romano, etc. Esta função e a conseqüente posição determinam uma situação interna que pode ser chamada de “econômico-corporativa”, isto é, no plano político, a pior das formas de sociedade feudal, a forma menos progressista e mais estacionária: nunca se formou, e não poderia formar-se, uma força jacobina eficiente, precisamente aquela força que, nas outras nações, criou e organizou a vontade coletiva nacional-popular e fundou os Estados modernos. Existem finalmente as condições para esta vontade, ou seja, qual é a relação atual entre estas condições e as forças opostas? Tradicionalmente, as forças opostas foram a aristocracia rural e, de modo mais geral, a propriedade agrária em seu conjunto, com seu característico traço italiano, que é o de ser uma específica “burguesia rural”, herança de parasitismo legada aos tempos modernos pela dissolução, como classe, da burguesia comunal (as cem cidades, as cidades do silêncio) [3]. As condições positivas devem ser buscadas na existência de grupos sociais urbanos, adequadamente desenvolvidos no campo da produção industrial e que tenham alcançado um determinado nível de cultura histórico-política. Qualquer formação de uma vontade coletiva nacional-popular é impossível se as grandes massas dos camponeses cultivadores não irrompem simultaneamente na vida política. Isso é o que Maquiavel pretendia através da reforma da milícia, isso é o que os jacobinos fizeram na Revolução Francesa; na compreensão disso, deve-se identificar um jacobinismo precoce de Maquiavel, o germe (mais ou menos fecundo) de sua concepção da revolução nacional. Toda a história depois de 1815 mostra o esforço das classes tradicionais para impedir a formação de uma vontade coletiva desse tipo, para manter o poder “econômico-corporativo” num sistema internacional de equilíbrio passivo.
Uma parte importante do moderno Príncipe deverá ser dedicada à questão de uma reforma intelectual e moral, isto é, à questão religiosa ou de uma concepção do mundo. Também neste campo encontramos, na tradição, ausência de jacobinismo e medo do jacobinismo (a última expressão filosófica desse medo é a atitude malthusiana de B. Croce em face da religião) [4]. O moderno Príncipe deve e não pode deixar de ser o anunciador e o organizador de uma reforma intelectual e moral, o que significa, de resto, criar o terreno para um novo desenvolvimento da vontade coletiva nacional-popular no sentido da realização de uma forma superior e total de civilização moderna.
Estes dois pontos fundamentais — formação de uma vontade coletiva nacional-popular, da qual o moderno Príncipe é ao mesmo tempo o organizador e a expressão ativa e atuante, e reforma intelectual e moral — deveriam constituir a estrutura do trabalho. Os pontos programáticos concretos devem ser incorporados na primeira parte, isto é, deveriam resultar “dramaticamente” da argumentação, não ser uma fria e pedante exposição de raciocínios.
Pode haver reforma cultural, ou seja, elevação civil das camadas mais baixas da sociedade, sem uma anterior reforma econômica e uma modificação na posição social e no mundo econômico? É por isso que uma reforma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um programa de reforma econômica; mais precisamente, o programa de reforma econômica é exatamente o modo concreto através do qual se apresenta toda reforma intelectual e moral. O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa de fato que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve ou para aumentar seu poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume.
*Antonio Gramsci (1891-1937) - Caderno 13 (1932-1934):Cadernos do Cárcere, 3ª edição, v.3 págs 13-18. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007.
Poesia | João Cabral de Melo Neto (1/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009
8 de set. de 2011
João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu.
Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados.
Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont.
O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30.
Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
João Cabral de Melo Neto (2/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009
TV Brasil
TV Brasil é financiada total ou parcialmente pelo governo do Brasil. Wikipedia (Inglesa)
22.090 visualizações 8 de set. de 2011
João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu.
Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados.
Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont.
O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30.
Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Dina Sfat - De Lá Pra Cá - 14/09/2009
TV Brasil
Em julho de 1981, durante o programa Canal Livre da TV Bandeirantes, a atriz Dina Sfat declarou ao vivo ao general Dilermando Gomes Monteiro: "Eu tenho medo de generais". O episódio, ocorrido durante a ditadura militar, é lembrado como um ato de resistência artística. Assista ao relato completo na entrevista disponível no YouTube.
A atriz que impactou a Cultura e a Política Brasileira: DINA SFAT | MULHERES ADMIRÁVEIS
Astrid Fontenelle
20 de jan. de 2022 #CanalDaAstrid #MulheresAdmiráveis #AstridFontenelle
Salve, salve, simpatia!
Dina Sfat foi mulher de muita intensidade. Era artista demais para não cumprir os seus direitos de cidadã, e era cidadã demais para não ser atriz. Foi defensora de muitas causas, entre elas os direitos das mulheres. Dina exalava talento e posicionamento: era dona de um olhar profundo e em tudo o quanto fazia mostrava as suas convicções. É um ícone na produção cultural e política brasileira, e integrou diversos movimentos pela democracia e liberdade de expressão. Ela atuou na luta pela regulamentação profissional do artista. Dina Sfat abriu caminhos e combateu com arte. Foi profundida em tudo o que se propôs. Dina Sfat; uma mulher admirável.
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