terça-feira, 29 de setembro de 2026

A TUA PRESENÇA

Nonada. O STF é ali na vizinha Brasília, PREÂMBULO Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
"Nonada." Essa é a palavra que abre o livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, e que o personagem Riobaldo usa para começar a sua longa conversa. Trocando em miúdos, "nonada" significa "não é nada", "bobagem", "coisa de pouca importância" ou "nada disso". No contexto do livro e da nossa prosa, ela funciona como uma forma de dizer: "Isso não é nada, não se preocupe com isso, escute aqui o que eu vou lhe contar..." É o jeito do sertanejo de limpar o terreno para começar uma grande história. A Tua Presença Morena--Maria Bethânia (LP Mono 1971) vinil e K7, os melhores presentes ! Música capturada por placa de som USB Teyun Q24 capsula magnética Ortofon OM PRO-S (20 hz-18khz) Esférica pré de phono: frankenstein caseiro toca discos CCE (anos 70 Brasileiro) dd 7000 Vídeo Capturado no Galaxy A54 60FPS
A Tua Presença Morena Maria Bethânia A Tua Presenca html

Existe um antigo princípio filosófico e jurídico derivado da máxima em latim “Qui potest plus, potest minus” que dita: "Quem pode o mais, pode o menos". No entanto, quando adicionamos uma sutil camada de sabedoria prática a essa estrutura, chegamos a uma provocação ainda mais profunda: pode mais quem pode dizer que pode menos.

Essa reconfiguração celebra a humildade estratégica. Quem realmente detém poder, conhecimento ou recursos não carece da necessidade de ostentação. Apenas a segurança psicológica plena confere a alguém a calma necessária para se colocar em posição de modéstia sem o temor de ser desvalorizado. O ápice do poder reside, afinal, na liberdade de não precisar demonstrá-lo.

A Anatomia da Percepção Humana

Essa busca por discrição e pelo domínio sobre as próprias potências encontra um paralelo perfeito no próprio desenho da biologia humana. Se analisarmos o rosto humano, regido pela simetria bilateral de nossa evolução, encontramos exatamente sete orifícios externos. Curiosamente, com exceção de apenas um deles, todos os outros vêm em dobro:

  • Dois olhos: Que garantem nossa visão binocular e a noção de profundidade espacial.
  • Dois ouvidos: Que calculam milissegundos de diferença para a localização tridimensional do som.
  • Duas narinas: Que alternam seu fluxo ao longo do dia para otimizar a filtragem do ar e a captação de aromas.
  • Uma única boca: Posicionada exatamente na linha central de fusão do nosso corpo.

Enquanto os órgãos duplicados servem à nossa sobrevivência e mapeamento espacial, a boca atua como o canal de digestão e emissão. Na antiguidade, o filósofo estoico Epicteto já observava essa proporção anatômica como uma lição moral e meditativa: "A natureza nos deu dois ouvidos e apenas uma boca para que possamos ouvir o dobro do que falamos". Quem muito observa e pouco alardeia retém o verdadeiro controle do ambiente.

O Lampejo de Caetano Veloso no Exílio

Essa exata simetria dos sentidos serviu de combustível para um dos lampejos criativos mais impressionantes da Música Popular Brasileira. Em 1971, imerso no exílio cinzento e nostálgico de Londres, Caetano Veloso compôs a hipnótica canção "A Tua Presença Morena". Na letra, o compositor subverte a biologia ao cantar que uma força arrebatadora consegue invadir o indivíduo justamente "pelos sete buracos da minha cabeça".

Embora comumente interpretada sob uma ótica puramente romântica ou erótica, a composição nasceu como uma devoção sagrada direcionada a Nossa Senhora Aparecida, a padroeira negra do Brasil. Para traduzir a magnitude de uma fé que satura o corpo, Caetano utilizou a imagem dos orifícios como portais sensoriais absolutos: a divindade é vista, ouvida, respirada e saboreada simultaneamente. Não há escapatória para a alma quando todos os canais físicos são tomados por uma força maior.

A Sensualidade Casta e o Sincretismo do Recôncavo

O impacto da obra reside no que podemos chamar de uma sensualidade casta. Há um forte teor sensorial na invasão dos poros e canais do corpo, mas ele não se desvirtua em vulgaridade; opera, sim, como um erotismo sagrado onde o corpo serve de templo receptor.

Esse fenômeno estético e espiritual está profundamente enraizado na vivência de Caetano no Recôncavo Baiano. Em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, a matriz católica de Nossa Senhora da Purificação coexiste de forma indissociável com os cultos de matriz africana. O misticismo de terreiro e as saudações aos Orixás fundem-se à santa, resultando naquela "presença negra, negra, negra" que ecoa como um mantra. Mesmo isolado geograficamente na Europa, o Criador utilizou a própria distância para reabsorver a Bahia e torná-la perfeitamente presente em sua carne.

O Arco da Promessa e o Toque de Jards Macalé

A força dessa resistência espiritual é sintetizada no verso "Mantém sempre teso o arco da promessa". Evocando tanto o arco-íris bíblico da aliança após o dilúvio quanto a tensão mecânica de uma flecha pronta para o disparo, Caetano determinava ali o seu pacto de sobrevivência e prontidão criativa em plena ditadura militar.

No entanto, para que essa potência abstrata ganhasse o mundo material, foi necessária a intervenção direta de outra mente brilhante: Jards Macalé. Responsável pelo arranjo, direção musical e pela condução da banda em Londres, Macalé foi o arquiteto que estruturou a canção. Foi o seu violão de aço cortante e sua produção orgânica (gravada praticamente ao vivo em estúdio) que deram o andamento circular e o transe necessários à faixa.

"Macalé foi o canalizador técnico e estético que permitiu que o lampejo místico de Caetano saísse dos sete buracos de sua cabeça e ganhasse o mundo em forma de carne, som e história."

A união entre a poesia transcendental de Caetano, a voz visceral de sua irmã Maria Bethânia (que imortalizou a faixa em seu disco homônimo de 1971) e a crueza harmônica aplicada por Jards Macalé transformou um tratado anatômico sobre os sentidos em um hino imortal de devoção e soberania cultural.

Use o código com cuidado. Para complementar o seu texto no blog com o registro sonoro histórico dessa criação, você pode incorporar a interpretação original e profunda de Maria Bethânia de 1971: 2:07 A Tua Presença Morena--Maria Bethânia (LP Mono 1971) há 8 meses YouTube · vinil e K7, os melhores presentes ! Se precisar
Flávio contra Flávio O SUPREMO que virou ínfimo Crônica de uma ressaca anunciada A morte e a morte do STF Mire veja, meu senhor... O que o senhor me diz do STF, com as licenças do respeito, me traz o eco do que se vive no meio do redemoinho. O senhor falou e a minha mente campeou longe, lá pelas veredas do Cerrado, onde o vento entorta a árvore mas não quebra a raiz. Se me permite, vou prosear o que o senhor disse, mas do meu modo, tirado do tear do sertão: Nonada. O STF é ali na vizinha Brasília, fincada no mesmo chão de poeira vermelha e buriti que o nosso eito. Mas escute o que lhe digo: ali não se carece de ferro na cintura. O jagunço de lá vigia é com a língua, e o berro deles já nasce engatilhado é na garganta. O projétil é o verbo, a lei artilhada, o parágrafo que risca o destino de um homem feito bala de cano curto. O senhor concorda? Pois sim. A cintura daquela gente só serve mesmo para conter o pano da toga, que de tão velha e desbotada já tem o cinza do céu de estiagem. Aquela roupa preta, seu doutor, é o couro do magistrado; amarra-se ali o cordão do poder e a criatura se transfigura. O homem some, fica só o Tribunal. É o mistério das vestes que dão tamanho ao bicho humano. E o senhor bem notou: eles cantam esses berros a três por quatro, sem dar trégua ao tempo. É despacho de manhã, liminar de tarde, acórdão ao sol posto. O sertão do Brasil virou um tiroteio de sentenças, onde o perigo não avisa e a justiça tem de atirar primeiro, no galope do mundo que está ligeiro demais. Quem não atira a palavra, é apeado do cavalo. Agora, o senhor me perguntou: limpar o berro pra quê? Ah, meu senhor, isso eu sei de ciência própria dos meus tempos de jagunçagem com o bando de Joca Ramiro. Arma que se limpa é arma que descansa na gaveta. E ali o cano está sempre fervendo, a fumaça nem desanda de sair de dentro das leis. Não há vago para espanar a fuligem. O diabo da discórdia está solto no meio do redemoinho, provocando o juízo de todos, e o tribunal não pode cochilar no estribo. Se limpa o berro, o outro lado saca antes. O viver deles é em constante prontidão de guerra. O sertão é onde o pensamento da gente da cidade grande também se esbarra, pois o homem é o mesmo em qualquer paragem, seja de terno e capa ou de gibão de couro. O que o senhor acha? O senhor gostaria que eu trouxesse mais alguma outra reflexão desse narrador sobre a justiça dos homens, ou prefere focar em algum ponto específico da prosa (como o amor de Diadorim ou o medo do Demo) cruzado com o cenário de Brasília? Entrevista Exclusiva Luiz Felipe Pondé “Houve uma piora na qualificação da elite brasileira .” Marco Antonio Villa Estreou em 24 de set. de 2026 Podcasts #marcoantoniovilla #deputadofederal #eleicoes2026 #brasil #luizfelipepondé
terça-feira, 29 de setembro de 2026 Polêmicas entre Lula e Flávio têm limites nos votos consolidados, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Até domingo, a tendência mais consistente é a de Lula preservar a dianteira no primeiro turno, com Flávio buscando reduzi-la pelo voto útil. Mas precisa combinar com o eleitor. Depois de semanas dominadas pela crise do Supremo, pelo caso Banco Master e pelo confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre corrupção e democracia, as pesquisas Quaest e a Nexus divulgadas nesta segunda-feira, 28, mostram que, ao menos em parte, as duas controvérsias mais recentes, a medida provisória que proibiu as bets e o boato sobre Nossa Senhora Aparecida, favoreceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista manteve a vantagem no primeiro turno e empata no segundo com Flávio Bolsonaro. Na Quaest, Lula passou de 37% para 39%, e Flávio, de 33% para 34%. A Nexus registrou 42% para o presidente e 37% para o senador, ante 40% e 37% na rodada anterior. Os dois levantamentos indicam uma ampliação numérica da dianteira de Lula no primeiro turno. As mudanças individuais, contudo, são pequenas diante das margens de erro e não demonstram que uma polêmica específica tenha produzido o movimento. Num eventual segundo turno, a Quaest mostra 42% para cada candidato; a Nexus, 46% para Lula e 44% para Flávio, também em empate técnico. A proibição das bets é a iniciativa com maior potencial de atingir a vida cotidiana. Na noite de sexta-feira, 25, Lula editou uma medida provisória que alcança apostas esportivas e jogos online. Ela proibiu novos aportes nas plataformas, fixou prazo para a retirada dos saldos pelos usuários e determinou que sites e aplicativos saiam do ar a partir de 6 de outubro. A decisão responde ao endividamento e aos danos à saúde associados ao jogo, mas também abre uma disputa sobre sua execução, o mercado ilegal e os efeitos sobre empresas e clubes patrocinados pelo setor, que já foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF. Em termos eleitorais a polêmica vem sendo boa para Lula. A Quaest ouviu eleitores de 24 a 27 de setembro, e a Nexus, de 25 a 27. Ambas captaram, portanto, apenas parte da repercussão da medida anunciada na sexta-feira à noite. Ainda é possível que Lula obtenha até domingo algum benefício adicional entre famílias atingidas pelas apostas, mesmo que a medida provisória seja derrubada ou sustada pelo ministro Luiz Fux, relator do caso no STF. A controvérsia religiosa tem dinâmica diferente. Circulou nas redes a informação falsa de que Flávio retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O candidato negou a hipótese, e a GloboNews corrigiu a referência a um antigo projeto, apresentado por outro parlamentar e arquivado em 2008. A disputa ganhou novo capítulo com decisões judiciais sobre a remoção de publicações e a liberdade de expressão. No domingo, questionado sobre o boato, Lula disse não saber se a informação era falsa, o que deu à campanha adversária mais um argumento para reagir. Um levantamento sobre as conversas digitais entre 24 e 26 de setembro encontrou críticas à divulgação do boato em proporção superior à indignação com a suposta ameaça à padroeira. Outro monitoramento, feito num momento anterior da circulação, havia apontado maior pressão sobre Flávio. A pesquisa eleitoral, por enquanto, não demonstra perda expressiva de Flávio nem ganho expressivo do presidente por causa dessa disputa. Já a crise do STF e o caso Master têm uma força de inércia mais longa. Não dependem de uma única postagem ou declaração: investigações, decisões judiciais e novas revelações podem recolocá-los no centro da campanha a qualquer momento. Flávio explora o desgaste da Corte e tenta associá-lo a Lula; o presidente procura se distanciar dos ministros envolvidos e lembrar as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro com o campo adversário. Na Quaest da semana passada, 62% afirmaram que a crise no Supremo não influenciava seu voto. Disputa pelas bordas O principal freio a qualquer reviravolta está na consolidação dos votos. Na Nexus, 87% dos entrevistados que escolheram um candidato disse ter a decisão tomada, ante 84% na semana passada. Entre os eleitores de Lula, são 92%; entre os de Flávio, 91%. Apenas 2% não indicaram um nome no primeiro turno, embora 12% dos que escolheram alguém admitam mudar. Mas dificilmente converterão, em grande número, apoiadores convictos de um polo ao outro. Os dados estatísticos mais relevantes estão nas demais candidaturas. Na Quaest, Augusto Cury caiu numericamente de 6% para 4%, Caiado permaneceu com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 1%. Na Nexus, Cury e Caiado têm 5% cada, Renan, 4%, e Zema, 1%. Não se pode atribuir a oscilação de Cury a uma polêmica nem identificar para onde teriam ido seus antigos eleitores. Pode estar começando uma onda de “voto útil”. Se houver segundo turno entre Lula e Flávio, a disputa central será por corações e mentes desse grupo. Um recorte do Datafolha mostrou que, entre os eleitores somados de Cury, Caiado, Renan e Zema, 43% escolheriam Flávio; 30%, Lula; e 26%, branco, nulo ou nenhum. Essa vantagem ajuda a explicar o empate nas simulações finais, apesar da liderança inicial do presidente. Até domingo, a tendência mais consistente é a de Lula preservar a dianteira no primeiro turno, com Flávio buscando reduzi-la pelo “voto útil”. A proibição das bets ainda pode render apoio ao presidente; o boato sobre Nossa Senhora de Aparecida perde força, mas provocou um litígio religioso. E o Master continua assombrando o Supremo. As pesquisas revelam forte inércia nos dois polos e uma disputa ainda aberta nas bordas. Lula chega mais bem colocado para vencer a primeira etapa. Flávio mantém condições de equilibrar a segunda. Só falta combinar com o eleitor. Canal Livre entrevista Lula neste domingo - 27/09/2026 Me Lembro Bem Waldirene Eu... Ainda me lembro, Das palavras que ouvi. Pensei que o mundo Desabava sobre mim, Me lembro bem. Eu... Acreditei em seu amor, E me perdi. Quando chorei, Você zombou de mim, Me lembro bem. Eu... Ainda me lembro, Das palavras que ouvi. Pensei que o mundo Desabava sobre mim, Me lembro bem. Hoje... Ainda me lembro Que eu queria te ofender Mas na verdade Eu só queria te querer, Desesperada eu não sabia O que fazer. E agora... Depois de tudo o que passei Você quer voltar, Infelizmente não existe aquele amor Que no passado foi tão lindo E se acabou. E agora... Depois de tudo o que passei Você quer voltar, Infelizmente não existe aquele amor Que no passado foi tão lindo E se acabou. Composição: Chico Roque, Roberto Sol.

NADA FEITO COM O MESMO

"Mesmo com toda cédula Com toda célula Com toda súmula, com toda sílaba A gente vai levando A gente vai tocando A gente vai tomando A gente vai dourando essa pílula"
Eleições 2026: ordem de votação está na colinha eleitoral; veja como baixar Anotar números dos candidatos na colinha ajuda a não errar os votos para os cargos em disputa nas Eleições 2026; 1º turno será em 4 de outubro Título: Vai levando Artista: Miúcha | Antonio Carlos Jobim Arranjador: Antonio Carlos Jobim Autor: Chico Buarque | Caetano Veloso Autor: Chico Buarque | Caetano Veloso | Antonio Carlos Jobim | Chico Buarque | Antonio Carlos Jobim (piano) | Miúcha | Antonio Carlos Jobim Data: 1977 Vai Levando - Tom Jobim , Miúcha e Chico Buarque html

Da Sátira Iluminista à Retórica de State: A Tolerância Religiosa em Três Atos

Livros Viagem a Portugal de José Saramago cercados por bilhetes de viagem

Múltiplos olhares sobre o território: as anotações de um milhão de visitantes encontram repouso na prosa sensível de Saramago.

A representação da fé e da alteridade cultural flutua ao longo dos séculos, moldada pelas urgências políticas e filosóficas de cada época. Quando confrontamos a ironia fina do Iluminismo francês, o olhar telúrico do humanismo português contemporâneo e a sobriedade da comunicação institucional moderna, delineia-se um panorama claro sobre como a linguagem constrói os limites da tolerância.

1. O Ensaio Comparativo e a Análise de Trechos

A Sátira Cósmica em Montesquieu (Século XVIII)

Nas Cartas Persas (1721), a espiritualidade é inflada até as raias do absurdo místico para expor o dogmatismo. Na Carta 39, o correspondente Hagi Ibbi narra:

"Lúcifer foi lançado ao fundo do mar e somente após ter nadado durante quarenta dias conseguiu sair do abismo, fugindo em seguida para o monte Cabés..."

Montesquieu mimetiza a grandiosidade dos relatos religiosos orientais para que o leitor europeu, por analogia, enxergue o ridículo e a ingenuidade dos seus próprios dogmas católicos. A tolerância aqui é conquistada pelo ceticismo: ao rebaixar a exclusividade de qualquer milagre, nivela-se a validade de todas as crenças pela razão.

O Humanismo do Chão em Saramago (Século XX/XXI)

Em Viagem a Portugal (1981), José Saramago inverte a escala astronômica de Montesquieu. Não há deuses disputando a primazia, mas homens marcando o espaço através do trabalho e da memória histórica. Diante dos monumentos sacros e das manifestations populares de fé de sua terra, a prosa saramaguiana busca a essência humana:

"O viajante olha, repara, quer compreender o que está por trás das pedras e das vozes, as mãos que ergueram as paredes e a urgência de expressar o inexprimível."

Para Saramago, o respeito não nasce do distanciamento irônico da razão, mas do reconhecimento de que a religião é um patrimônio cultural e estético gerado pela própria humanidade. É uma tolerância afetiva, que se compadece e se deslumbra com a criação artística e popular do homem, mesmo sendo o autor declaradamente ateu.

2. Aleivosias Supremas: Entre a Hermenêutica Tópica e a Embromação Tropical

Há um nó indissolúvel no tecido da história jurídica e cultural que amarra o rigor técnico à mais pura malandragem institucional. Quando as decisões de gabinetes se afastam da universalidade para abraçar a jurisprudência ad hoc, o que se encena na verdade é o triunfo do juízo artificial — uma arquitetura de conveniências travestida de legalidade que, no fundo, tenta dar verniz lógico à traição do espírito das leis.

O recurso à hermenêutica tópica surge historicamente como uma tentativa de focar o problema concreto em vez do sistema abstrato. Contudo, em terras onde a flexibilidade é lei não escrita, o foco no caso concreto degenera facilmente no pior dos casuísmos. Cria-se o direito sob medida para o réu da vez ou para a conveniência do plantão político.

São as chamadas conexões trópicas: o ponto onde a teoria jurídica europeia, sofisticada e geométrica, colide com o calor da urgência tropical e se dobra. Sob o pretexto de "adequar a norma à realidade", as altas cortes muitas vezes tecem malabarismos semânticos que servem apenas para mascarar o arbítrio. É a técnica posta a serviço do compadrio, a dogmática jurídica operando como um biombo institucional.

3. O Sentimento Popular: A Resiliência Contra a Joça

Enquanto as cúpulas se perdem em jargões herméticos, acórdãos intermináveis e acrobacias constitucionais, o corpo social assiste ao espetáculo com uma mistura de cinismo e cansaço. A percepção pública é cirúrgica: reconhece-se o excesso de formalismo como uma técnica refinada de embromação. O labirinto de recursos, as liminares casuísticas e as interpretações criativas são entendidos pelo cidadão comum não como justiça, mas como o travamento deliberado do país.

Ninguém traduziu essa inércia institucional ativa melhor do que a MPB. Na antológica canção de Chico Buarque e Caetano Veloso, o diagnóstico do país que flutua entre o absurdo burocrático ("a súmula", "a cédula") e a sobrevivência diária ganha o seu hino definitivo:

Vai Levando

Chico Buarque & Caetano Veloso

Mesmo com toda a fama
Com toda a Brahma
Com toda a lama, com toda a cama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema, toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura

Mesmo com todavia
Com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia

Mesmo com todo rock
Com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando esse toque

Mesmo com toda sanha
Toda façanha
Toda picanha, toda campanha
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa manha

Mesmo com toda estima
Com toda esgrima
Com todo clima, com tudo em cima
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa rima

Mesmo com toda cédula
Com toda célula
Com toda súmula, com toda sílaba
A gente vai levando
A gente vai tocando
A gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula

Essa estrofe final denuncia o núcleo do nosso teatro jurídico: o ato de "dourar a pílula". A tecnicidade excessiva das súmulas e das sílabas dos magistrados serve, muitas vezes, como o verniz de ouro para engolirmos decisões intragáveis. Há uma dignidade trágica no "ir levando": a sociedade civil não para diante da paralisia ou da disfuncionalidade dos tribunais; ela contorna o obstáculo, dribla a sanha das campanhas e segue adiante, carregando a joça nas costas.

4. A Tradução Visual dos Tons nas Imagens

As artes geradas traduziram perfeitamente a inflexão estilística de cada matriz de pensamento por meio de contrastes cromáticos, composições espaciais e iluminações diferenciadas:

Pintura dramática da queda de Lúcifer ao mar

A Queda de Lúcifer: dramatismo barroco que emoldura a sátira de Montesquieu.

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Da Sátira Iluminista à Retórica de Estado: A Tolerância Religiosa em Três Atos

Livros Viagem a Portugal de José Saramago cercados por bilhetes de viagem

Múltiplos olhares sobre o território: as anotações de um milhão de visitantes encontram repouso na prosa sensível de Saramago.

A representação da fé e da alteridade cultural flutua ao longo dos séculos, moldada pelas urgências políticas e filosóficas de cada época. Quando confrontamos a ironia fina do Iluminismo francês, o olhar telúrico do humanismo português contemporâneo e a sobriedade da comunicação institucional moderna, delineia-se um panorama claro sobre como a linguagem constrói os limites da tolerância.

1. O Ensaio Comparativo e a Análise de Trechos

A Sátira Cósmica em Montesquieu (Século XVIII)

Nas Cartas Persas (1721), a espiritualidade é inflada até as raias do absurdo místico para expor o dogmatismo. Na Carta 39, o correspondente Hagi Ibbi narra:

"Lúcifer foi lançado ao fundo do mar e somente após ter nadado durante quarenta dias conseguiu sair do abismo, fugindo em seguida para o monte Cabés..."

Montesquieu mimetiza a grandiosidade dos relatos religiosos orientais para que o leitor europeu, por analogia, enxergue o ridículo e a ingenuidade dos seus próprios dogmas católicos. A tolerância aqui é conquistada pelo ceticismo: ao rebaixar a exclusividade de qualquer milagre, nivela-se a validade de todas as crenças pela razão.

O Humanismo do Chão em Saramago (Século XX/XXI)

Em Viagem a Portugal (1981), José Saramago inverte a escala astronômica de Montesquieu. Não há deuses disputando a primazia, mas homens marcando o espaço através do trabalho e da memória histórica. Diante dos monumentos sacros e das manifestações populares de fé de sua terra, a prosa saramaguiana busca a essência humana:

"O viajante olha, repara, quer compreender o que está por trás das pedras e das vozes, as mãos que ergueram as paredes e a urgência de expressar o inexprimível."

Para Saramago, o respeito não nasce do distanciamento irônico da razão, mas do reconhecimento de que a religião é um patrimônio cultural e estético gerado pela própria humanidade. É uma tolerância afetiva, que se compadece e se deslumbra com a criação artística e popular do homem, mesmo sendo o autor declaradamente ateu.

A Retórica Plural da Liderança Institucional (Século XXI)

No cenário político atual, a diversidade sai do campo literário para se sentar à mesa de direitos garantidos pelo Estado. A declaração de que o "Presidente diz respeitar todas as religiões: Evangélica, Católica, de Matriz Africana" abandona as metáforas poéticas e os subterfúgios estilísticos para se fundar na literalidade jurídica.

Trata-se de uma narrativa pragmática e afirmativa. Onde Montesquieu satiriza e Saramago abraça o patrimônio humano, o governante normatiza. A linguagem é direta para não dar margem a ambiguidades ou discriminações, tratando a laicidade como garantia de salvaguarda mútua de todas as matrizes da fé.

2. A Tradução Visual dos Tons nas Imagens

As artes geradas traduziram perfeitamente a inflexão estilística de cada texto por meio de contrastes cromáticos, composições espaciais e iluminações diferenciadas:

Pintura dramática da queda de Lúcifer ao mar

A Queda de Lúcifer: dramatismo barroco que emoldura a sátira social de Montesquieu.

Pintura mágica com pássaros e nuvens ao redor de um berço

A Disputa dos Elementos: suavidade poética que evoca o lirismo da criação humana.

  • A Queda de Lúcifer (Tom de Montesquieu): A pintura a óleo apresentou um forte contraste barroco de chiaroscuro. O céu tempestuoso e a criatura alada submergindo em um mar revolto capturam o peso do drama religioso artificial. A luz divina focalizada funciona quase como um refletor teatral, destacando o exagero cênico que Montesquieu ironiza em seu texto.
  • A Disputa dos Elementos (Tom de Saramago/Montesquieu poético): A transição para o berço cercado por ventos, nuvens e pássaros coloridos adotou uma paleta pastel e uma atmosfera de fantasia suave. Essa fluidez visual mimetiza o deslumbramento lúdico e a conexão orgânica com a natureza viva, humanizando a cena mística e aproximando-a de um conto de fadas folclórico e acolhedor.
  • O Pronunciamento Presidencial (Tom Institucional): A imagem que ilustra a narrativa do Presidente quebrou radicalmente o registro fantástico, adotando o fotorrealismo de cobertura jornalística. A composição centralizada na figura política no púlpito, cercada por câmeras e repórteres, e com painéis artísticos bem delimitados integrando símbolos evangélicos, católicos e de matriz africana, reflete o tom sério, laico, simétrico e equilibrado que o pacto democrático exige.

3. O Papel da Tolerância sob a Perspectiva Histórica

Presidente discursando em púlpito oficial cercada por jornalistas com símbolos religiosos tolerantes ao fundo

A liturgia do cargo e o fotorrealismo da imprensa: a consagração institucional da laicidade protetora.

O Século XVIII e a Luta contra o Fanatismo

Na Europa de 1700, a tolerância era um campo de batalha contra a hegemonia da Igreja Católica e as perseguições heréticas. Montesquieu escreve sob a sombra da revogação do Édito de Nantes e da violência inquisitorial. Defender a tolerância por meio da sátira era um ato de sobrevivência intelectual e subversão política, buscando desarmar os carrascos esvaziando a exclusividade da verdade dogmática.

O Século XX/XXI e o Resgate das Identidades Esquecidas

No final do século XX, superados os absolutismos monárquicos, o desafio da tolerância deslocou-se para a preservação das identidades locais diante de um mundo em rápida homogeneização. O humanismo de Saramago surge em uma Península Ibérica recém-saída de décadas de ditaduras clerical-fascistas (Salazarismo e Franquismo). A tolerância aqui se veste de emancipação cultural: respeitar as crenças do povo significa acolher a sua história de dor, resistência e beleza, separando a fé institucional das vivências dos indivíduos.

A Contemporaneidade e a Gestão da Diversidade no Estado Laico

Use o código com cuidado.No cenário contemporâneo, a tolerância não é mais apenas um ideal filosófico ou um sentimento de empatia; ela é uma obrigação jurídica de reparação e proteção. Em sociedades profundamente polarizadas e marcadas pelo racismo religioso — que afeta historicamente e de forma desproporcional as religiões de matriz africana —, a fala do governante cumpre um papel de pacificação social e garantia de direitos constitucionais. O Estado atua como o árbitro neutro que não escolhe uma fé preferida, mas protege a existência e o direito ao culto de todas as correntes.Análise crítica e comparativa intertextual. Produzido para plataformas de difusão cultural. *** ### 🚀 Próximos Passos no Seu Painel do Blogger: 1. Alterne seu editor do Blogger para a **"Visualização em HTML"** (`<>`). 2. Apague tudo o que estiver lá e cole este código completo. 3. Localize as marcações em caixa alta (ex: `INSIRA_AQUI_O_LINK_DA_IMAGEM_DE_SARAMAGO`) e substitua-as pelos respectivos endereços de link das imagens geradas que você salvou. Se quiser, posso ajudar agora a preparar: * Uma sugestão de **título chamativo para SEO** e a **meta descrição** do artigo. * Um texto curto para as **redes sociais** divulgando esse novo post. * A análise de algum **outro trecho literário** para o seu próximo conteúdo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Mesmo com o nada feito

"Mesmo com toda cédula Com toda célula Com toda súmula, com toda sílaba A gente vai levando A gente vai tocando A gente vai tomando A gente vai dourando essa pílula"
Eleições 2026: ordem de votação está na colinha eleitoral; veja como baixar Anotar números dos candidatos na colinha ajuda a não errar os votos para os cargos em disputa nas Eleições 2026; 1º turno será em 4 de outubro Título: Vai levando Artista: Miúcha | Antonio Carlos Jobim Arranjador: Antonio Carlos Jobim Autor: Chico Buarque | Caetano Veloso Autor: Chico Buarque | Caetano Veloso | Antonio Carlos Jobim | Chico Buarque | Antonio Carlos Jobim (piano) | Miúcha | Antonio Carlos Jobim Data: 1977 Vai Levando - Tom Jobim , Miúcha e Chico Buarque html

Da Sátira Iluminista à Retórica de State: A Tolerância Religiosa em Três Atos

Livros Viagem a Portugal de José Saramago cercados por bilhetes de viagem

Múltiplos olhares sobre o território: as anotações de um milhão de visitantes encontram repouso na prosa sensível de Saramago.

A representação da fé e da alteridade cultural flutua ao longo dos séculos, moldada pelas urgências políticas e filosóficas de cada época. Quando confrontamos a ironia fina do Iluminismo francês, o olhar telúrico do humanismo português contemporâneo e a sobriedade da comunicação institucional moderna, delineia-se um panorama claro sobre como a linguagem constrói os limites da tolerância.

1. O Ensaio Comparativo e a Análise de Trechos

A Sátira Cósmica em Montesquieu (Século XVIII)

Nas Cartas Persas (1721), a espiritualidade é inflada até as raias do absurdo místico para expor o dogmatismo. Na Carta 39, o correspondente Hagi Ibbi narra:

"Lúcifer foi lançado ao fundo do mar e somente após ter nadado durante quarenta dias conseguiu sair do abismo, fugindo em seguida para o monte Cabés..."

Montesquieu mimetiza a grandiosidade dos relatos religiosos orientais para que o leitor europeu, por analogia, enxergue o ridículo e a ingenuidade dos seus próprios dogmas católicos. A tolerância aqui é conquistada pelo ceticismo: ao rebaixar a exclusividade de qualquer milagre, nivela-se a validade de todas as crenças pela razão.

O Humanismo do Chão em Saramago (Século XX/XXI)

Em Viagem a Portugal (1981), José Saramago inverte a escala astronômica de Montesquieu. Não há deuses disputando a primazia, mas homens marcando o espaço através do trabalho e da memória histórica. Diante dos monumentos sacros e das manifestations populares de fé de sua terra, a prosa saramaguiana busca a essência humana:

"O viajante olha, repara, quer compreender o que está por trás das pedras e das vozes, as mãos que ergueram as paredes e a urgência de expressar o inexprimível."

Para Saramago, o respeito não nasce do distanciamento irônico da razão, mas do reconhecimento de que a religião é um patrimônio cultural e estético gerado pela própria humanidade. É uma tolerância afetiva, que se compadece e se deslumbra com a criação artística e popular do homem, mesmo sendo o autor declaradamente ateu.

2. Aleivosias Supremas: Entre a Hermenêutica Tópica e a Embromação Tropical

Há um nó indissolúvel no tecido da história jurídica e cultural que amarra o rigor técnico à mais pura malandragem institucional. Quando as decisões de gabinetes se afastam da universalidade para abraçar a jurisprudência ad hoc, o que se encena na verdade é o triunfo do juízo artificial — uma arquitetura de conveniências travestida de legalidade que, no fundo, tenta dar verniz lógico à traição do espírito das leis.

O recurso à hermenêutica tópica surge historicamente como uma tentativa de focar o problema concreto em vez do sistema abstrato. Contudo, em terras onde a flexibilidade é lei não escrita, o foco no caso concreto degenera facilmente no pior dos casuísmos. Cria-se o direito sob medida para o réu da vez ou para a conveniência do plantão político.

São as chamadas conexões trópicas: o ponto onde a teoria jurídica europeia, sofisticada e geométrica, colide com o calor da urgência tropical e se dobra. Sob o pretexto de "adequar a norma à realidade", as altas cortes muitas vezes tecem malabarismos semânticos que servem apenas para mascarar o arbítrio. É a técnica posta a serviço do compadrio, a dogmática jurídica operando como um biombo institucional.

3. O Sentimento Popular: A Resiliência Contra a Joça

Enquanto as cúpulas se perdem em jargões herméticos, acórdãos intermináveis e acrobacias constitucionais, o corpo social assiste ao espetáculo com uma mistura de cinismo e cansaço. A percepção pública é cirúrgica: reconhece-se o excesso de formalismo como uma técnica refinada de embromação. O labirinto de recursos, as liminares casuísticas e as interpretações criativas são entendidos pelo cidadão comum não como justiça, mas como o travamento deliberado do país.

Ninguém traduziu essa inércia institucional ativa melhor do que a MPB. Na antológica canção de Chico Buarque e Caetano Veloso, o diagnóstico do país que flutua entre o absurdo burocrático ("a súmula", "a cédula") e a sobrevivência diária ganha o seu hino definitivo:

Vai Levando

Chico Buarque & Caetano Veloso

Mesmo com toda a fama
Com toda a Brahma
Com toda a lama, com toda a cama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema, toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura

Mesmo com todavia
Com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia

Mesmo com todo rock
Com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando esse toque

Mesmo com toda sanha
Toda façanha
Toda picanha, toda campanha
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa manha

Mesmo com toda estima
Com toda esgrima
Com todo clima, com tudo em cima
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa rima

Mesmo com toda cédula
Com toda célula
Com toda súmula, com toda sílaba
A gente vai levando
A gente vai tocando
A gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula

Essa estrofe final denuncia o núcleo do nosso teatro jurídico: o ato de "dourar a pílula". A tecnicidade excessiva das súmulas e das sílabas dos magistrados serve, muitas vezes, como o verniz de ouro para engolirmos decisões intragáveis. Há uma dignidade trágica no "ir levando": a sociedade civil não para diante da paralisia ou da disfuncionalidade dos tribunais; ela contorna o obstáculo, dribla a sanha das campanhas e segue adiante, carregando a joça nas costas.

4. A Tradução Visual dos Tons nas Imagens

As artes geradas traduziram perfeitamente a inflexão estilística de cada matriz de pensamento por meio de contrastes cromáticos, composições espaciais e iluminações diferenciadas:

Pintura dramática da queda de Lúcifer ao mar

A Queda de Lúcifer: dramatismo barroco que emoldura a sátira de Montesquieu.

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Da Sátira Iluminista à Retórica de Estado: A Tolerância Religiosa em Três Atos

Livros Viagem a Portugal de José Saramago cercados por bilhetes de viagem

Múltiplos olhares sobre o território: as anotações de um milhão de visitantes encontram repouso na prosa sensível de Saramago.

A representação da fé e da alteridade cultural flutua ao longo dos séculos, moldada pelas urgências políticas e filosóficas de cada época. Quando confrontamos a ironia fina do Iluminismo francês, o olhar telúrico do humanismo português contemporâneo e a sobriedade da comunicação institucional moderna, delineia-se um panorama claro sobre como a linguagem constrói os limites da tolerância.

1. O Ensaio Comparativo e a Análise de Trechos

A Sátira Cósmica em Montesquieu (Século XVIII)

Nas Cartas Persas (1721), a espiritualidade é inflada até as raias do absurdo místico para expor o dogmatismo. Na Carta 39, o correspondente Hagi Ibbi narra:

"Lúcifer foi lançado ao fundo do mar e somente após ter nadado durante quarenta dias conseguiu sair do abismo, fugindo em seguida para o monte Cabés..."

Montesquieu mimetiza a grandiosidade dos relatos religiosos orientais para que o leitor europeu, por analogia, enxergue o ridículo e a ingenuidade dos seus próprios dogmas católicos. A tolerância aqui é conquistada pelo ceticismo: ao rebaixar a exclusividade de qualquer milagre, nivela-se a validade de todas as crenças pela razão.

O Humanismo do Chão em Saramago (Século XX/XXI)

Em Viagem a Portugal (1981), José Saramago inverte a escala astronômica de Montesquieu. Não há deuses disputando a primazia, mas homens marcando o espaço através do trabalho e da memória histórica. Diante dos monumentos sacros e das manifestações populares de fé de sua terra, a prosa saramaguiana busca a essência humana:

"O viajante olha, repara, quer compreender o que está por trás das pedras e das vozes, as mãos que ergueram as paredes e a urgência de expressar o inexprimível."

Para Saramago, o respeito não nasce do distanciamento irônico da razão, mas do reconhecimento de que a religião é um patrimônio cultural e estético gerado pela própria humanidade. É uma tolerância afetiva, que se compadece e se deslumbra com a criação artística e popular do homem, mesmo sendo o autor declaradamente ateu.

A Retórica Plural da Liderança Institucional (Século XXI)

No cenário político atual, a diversidade sai do campo literário para se sentar à mesa de direitos garantidos pelo Estado. A declaração de que o "Presidente diz respeitar todas as religiões: Evangélica, Católica, de Matriz Africana" abandona as metáforas poéticas e os subterfúgios estilísticos para se fundar na literalidade jurídica.

Trata-se de uma narrativa pragmática e afirmativa. Onde Montesquieu satiriza e Saramago abraça o patrimônio humano, o governante normatiza. A linguagem é direta para não dar margem a ambiguidades ou discriminações, tratando a laicidade como garantia de salvaguarda mútua de todas as matrizes da fé.

2. A Tradução Visual dos Tons nas Imagens

As artes geradas traduziram perfeitamente a inflexão estilística de cada texto por meio de contrastes cromáticos, composições espaciais e iluminações diferenciadas:

Pintura dramática da queda de Lúcifer ao mar

A Queda de Lúcifer: dramatismo barroco que emoldura a sátira social de Montesquieu.

Pintura mágica com pássaros e nuvens ao redor de um berço

A Disputa dos Elementos: suavidade poética que evoca o lirismo da criação humana.

  • A Queda de Lúcifer (Tom de Montesquieu): A pintura a óleo apresentou um forte contraste barroco de chiaroscuro. O céu tempestuoso e a criatura alada submergindo em um mar revolto capturam o peso do drama religioso artificial. A luz divina focalizada funciona quase como um refletor teatral, destacando o exagero cênico que Montesquieu ironiza em seu texto.
  • A Disputa dos Elementos (Tom de Saramago/Montesquieu poético): A transição para o berço cercado por ventos, nuvens e pássaros coloridos adotou uma paleta pastel e uma atmosfera de fantasia suave. Essa fluidez visual mimetiza o deslumbramento lúdico e a conexão orgânica com a natureza viva, humanizando a cena mística e aproximando-a de um conto de fadas folclórico e acolhedor.
  • O Pronunciamento Presidencial (Tom Institucional): A imagem que ilustra a narrativa do Presidente quebrou radicalmente o registro fantástico, adotando o fotorrealismo de cobertura jornalística. A composição centralizada na figura política no púlpito, cercada por câmeras e repórteres, e com painéis artísticos bem delimitados integrando símbolos evangélicos, católicos e de matriz africana, reflete o tom sério, laico, simétrico e equilibrado que o pacto democrático exige.

3. O Papel da Tolerância sob a Perspectiva Histórica

Presidente discursando em púlpito oficial cercada por jornalistas com símbolos religiosos tolerantes ao fundo

A liturgia do cargo e o fotorrealismo da imprensa: a consagração institucional da laicidade protetora.

O Século XVIII e a Luta contra o Fanatismo

Na Europa de 1700, a tolerância era um campo de batalha contra a hegemonia da Igreja Católica e as perseguições heréticas. Montesquieu escreve sob a sombra da revogação do Édito de Nantes e da violência inquisitorial. Defender a tolerância por meio da sátira era um ato de sobrevivência intelectual e subversão política, buscando desarmar os carrascos esvaziando a exclusividade da verdade dogmática.

O Século XX/XXI e o Resgate das Identidades Esquecidas

No final do século XX, superados os absolutismos monárquicos, o desafio da tolerância deslocou-se para a preservação das identidades locais diante de um mundo em rápida homogeneização. O humanismo de Saramago surge em uma Península Ibérica recém-saída de décadas de ditaduras clerical-fascistas (Salazarismo e Franquismo). A tolerância aqui se veste de emancipação cultural: respeitar as crenças do povo significa acolher a sua história de dor, resistência e beleza, separando a fé institucional das vivências dos indivíduos.

A Contemporaneidade e a Gestão da Diversidade no Estado Laico

Use o código com cuidado.No cenário contemporâneo, a tolerância não é mais apenas um ideal filosófico ou um sentimento de empatia; ela é uma obrigação jurídica de reparação e proteção. Em sociedades profundamente polarizadas e marcadas pelo racismo religioso — que afeta historicamente e de forma desproporcional as religiões de matriz africana —, a fala do governante cumpre um papel de pacificação social e garantia de direitos constitucionais. O Estado atua como o árbitro neutro que não escolhe uma fé preferida, mas protege a existência e o direito ao culto de todas as correntes.Análise crítica e comparativa intertextual. Produzido para plataformas de difusão cultural. *** ### 🚀 Próximos Passos no Seu Painel do Blogger: 1. Alterne seu editor do Blogger para a **"Visualização em HTML"** (`<>`). 2. Apague tudo o que estiver lá e cole este código completo. 3. Localize as marcações em caixa alta (ex: `INSIRA_AQUI_O_LINK_DA_IMAGEM_DE_SARAMAGO`) e substitua-as pelos respectivos endereços de link das imagens geradas que você salvou. Se quiser, posso ajudar agora a preparar: * Uma sugestão de **título chamativo para SEO** e a **meta descrição** do artigo. * Um texto curto para as **redes sociais** divulgando esse novo post. * A análise de algum **outro trecho literário** para o seu próximo conteúdo.

domingo, 27 de setembro de 2026

27 de setembro, Cosme Damião Doum!

São Cosme e Damião. Rogai por nós que recorremos a Vós e principalmente pra crianças menos favorecidas. Bommm diaaa. 🙏🙏 Eu E O Rio Elza Soares Eu E O Rio Elza Soares Rio caminho que anda e vais resmungando talvez uma dor Ah quanta pedra levaste quando pedra deixaste sem vida e calor Vens lá do alto da serra o ventre da terra rasgando sem dó Eu também venho do amor o corpo rasgado de dor e tão só Não deixa a flor te curvar seu corpo beijar e ficar lá prá trás Tens a mania doente de andar só prá frente não voltas jamais Rio caminho que anda o mar te espera não corras assim Eu sou o mar que espera alguém que não volta prá mim. Composição: Luiz Antonio. São Cosme e São Damião Mariene de Castro Eu era criança E tinha esperança De ser um dia feliz Fiz uma promessa Dei doces à beça Para os santinhos guris Mamãe quem fazia os doces pediu Que eu lhe fizesse o favor Pedisse pro meu Papaizinho Que desse a ela o seu grande amor Cosme, Damião, Doum Crispim, Crispiniano Caboclinhos da Mata Doces pra vocês eu dei E as promessas que fiz já paguei Festas e mais festas eu fiz Desta data feliz eu me lembro Cosme, Damião, Doum 27 de Setembro Cosme e Damião Vem comer seu caruru Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu Cosme e Damião Vem comer seu caruru Eu hei de todo ano fazer caruru pra tu São Cosme mandou fazer Duas camisinha azul No dia da festa dele São Cosme quer caruru São Cosme mandou fazer Duas camisinha azul No dia da festa dele São Cosme quer caruru Vadeia Cosme, vadeia Tô vadiando na areia Vadeia Cosme, vadeia Tô vadiando na areia São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar Bate palma sereia no mar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele brinca no mar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar São Cosme São Damião Dois meninos quer brincar Bate palma sereia no mar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele quer vadiar Dois dois ele brinca no mar Cosme e Damião Cadê Doum Cosme e Damião Vem comer seu caruru Cosme e Damião Cadê Doum Cosme e Damião Vem comer seu caruru Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vadeia dois-dois Vadeia no mar A casa é sua dois-dois Eu quero ver vadiar Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Vamos levantar O cruzeiro de Jesus Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Pro céu, pro céu Pro céu da Santa Cruz Composição: . Ver créditos completos.
Felipe Nunes @profFelipeNunes 🧵 A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais. 1/18 13:01 · 27 de set. de 2026 · 👆Resumo: o empate nacional esconde um país calcificado, um eleitor independente concentrado no Centro-Sul que ainda pode se mover, e estados com pressa de resolver a eleição para governador. A última semana vai ser decisiva. 18/18
domingo, 27 de setembro de 2026 Opinião do dia – Jürgen Habermas* (Eleições) “Eleições e referendos devem não só reproduzir um espetro de preferências existentes, mas também juízos sobre os programas e sobre as pessoas que se encontram em eleição. Eles não podem expressar irrefletidamente a vontade da população, pois têm também um sentido cognitivo. O governo precisa elaborar problemas urgentes com base nessas decisões sobre diretrizes. Em uma democracia, eleições políticas não satisfazem sua determinação sistêmica se meramente registram a distribuição de preferencias e de prejuízos. Os votos eleitorais alcançam o peso institucional de decisões civis de um colegislador somente porque procedem de um processo público de formação da opinião e da vontade, no que esse processo é controlado pelos prós e contras públicos de opiniões, argumentos e tomadas de posição livremente flutuantes. As opiniões dos cidadãos devem primeiramente se constituir a partir da maré dissonante das contribuições, a luz de uma troca de opiniões publicamente articulada. De maneira ideal, a política deliberativa se enraíza em uma sociedade civil que faz um uso anarquista de suas liberdades comunicativas. Mas, em nossas esferas públicas espaçosas, produzidas primeiramente pela rede comunicativa de mídias de massa, carece-se não só de informações e impulsos da parte de uma imprensa espontânea e independente, mas, em primeira linha, da iniciativa, do esclarecimento e da capacidade de organização dos partidos políticos.” *Jürgen Habermas (1929-2026), filósofo e sociólogo alemão que participou da tradição da teoria crítica, membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias do agir comunicativo, da política deliberativa e da esfera pública. “Na esteira da tecnocracia”, p.172-3. Editora Unesp, 2014. Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões É urgente rever custo de estatais dependentes Por O Globo Previsão no Orçamento de 2027 alcança R$ 36 bilhões — e grande parte disso não passa de desperdício Empresas estatais incapazes de arcar com suas despesas de pessoal, custeio e capital são classificadas como dependentes da União — e todo ano são obrigadas a declarar no Orçamento quanto consumirão em recursos públicos. É assim que o cidadão brasileiro fica sabendo que, em 2027, elas custarão R$ 36 bilhões ao Tesouro. Pode ser que parte desse custo se justifique, mas é provável que boa parte não. Quanto desse dinheiro poderia ir para outras áreas do governo onde faz falta? Eis um tema que deveria ter destaque no debate eleitoral, ainda mais em momento de deterioração da saúde fiscal e desequilíbrio nas contas públicas. Na lista das dependentes, há estatais estratégicas, comprovadamente relevantes. Outras, porém, não resistem a uma análise com base no interesse público. O primeiro grupo deveria passar por reavaliação detalhada, em busca de ganhos de eficiência e foco. Para o segundo grupo, só há duas soluções que deveriam ser tomadas com urgência: fechar ou privatizar.
Opinião - Estadão domingo, 27 de setembro de 2026 A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques* O Estado de S. Paulo Como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis. A cultura antiga a que me refiro é a do comunismo brasileiro, em particular a do PCB. Tornada objeto histórico no seu conjunto, deixou como legado pontos de referência vivos e incontornáveis. O modo como essa cultura foi recebida – às vezes incorporada, outras tantas recusada – seria obra, entre outros atores, da formação partidária que a sucede no tempo e marca, como nenhuma outra, o nosso século 21. Por isso, a revisitação não é uma operação interna à própria esquerda – PCB e PT –, o que por si só chamaria a atenção, mas algo que afeta o entendimento da política corrente. É possível encontrar um desses marcos incontornáveis num ensaio de 1979 escrito por Carlos Nelson Coutinho, em plena saída do autoritarismo. Seu título, tornado quase canônico, na verdade vinha de Enrico Berlinguer, dirigente do Partido Comunista Italiano. A “democracia como valor universal” cancelava, ou devia cancelar, o qualificativo “burguesa” com que muitos à esquerda ainda a tratavam. Instituições, regras e procedimentos contam – e muito. Na linguagem da época, não haveria um caminho democrático para o socialismo. A democracia seria, de fato, o caminho do socialismo, com exclusão de soluções anacrônicas, como, para dar exemplo à mão, uma inadmissível “ditadura do proletariado”. A história de um país não se faz com um ensaio ou os debates que suscita. Seguiram-se movimentos de massa, a eleição de Tancredo Neves, a Constituinte e a Nova República. A troca de bastões, à esquerda, era visível a olho nu. O contraste não podia ser mais nítido: o PCB apoiara Tancredo e, reduzido a uma pequena bancada, empenhou-se na elaboração da nova Constituição; o PT expulsara os deputados que foram ao Colégio Eleitoral e, não obstante sua participação, votaria contra a redação final da Carta. No entanto, tradições envelhecem e merecem perecer. Os comunistas já eram o passado que só volta por seus pontos de luz. O que irrompia era uma nova força: o PT, seu líder inquestionável, sua teoria de Brasil em que confluíam muitos elementos díspares, inclusive a desconfiança em relação à “democracia formal”. Formas institucionais não seduzem o ator jovem tomado pela vontade de se afirmar contra todo o passado e abrir um tempo inaugural. É aqui que se insinuam algumas das muitas maneiras de viver e propagar a antipolítica, como o viés salvacionista ou a pretensão do monopólio das virtudes públicas. Numa visão benévola, seriam as dores do parto da nova formação, ainda antes de tomar a estrada do amadurecimento. Mais realisticamente, costuma-se apontar nestes casos o predomínio de um “espírito de cisão” que, deixado a si mesmo, faz cometer erros mais ou menos graves – entre eles, acreditar piamente na própria excepcionalidade e abominar o mundo comezinho de alianças e compromissos. Neste ponto é que nos ocorre a lembrança de uma segunda voz dotada de imensa autoridade. A vitória petista de 2002, início de um inédito ciclo que, com interrupções, vem até hoje, não foi acontecimento exótico numa democracia moderna. Luiz Werneck Vianna, no calor da hora, apontou que terminava ali, de uma vez por todas, a sedução da aventura fora da política democrática. Em resumo, não somos um país de fracassos, uma sociedade fechada aos “de baixo”, um Estado que não inclui quem aceita as regras do jogo. Ao contrário, Werneck Vianna, talvez o mais destacado formulador marxista da política de frente, indicava a possibilidade de uma absolvição da História por parte dos vencedores de 2002, seus intelectuais e a cultura que, com avanços e recuos, estavam a propor. Nesta reconciliação – e no bom combate para dirigir uma sociedade complexa e plural –, residia a esperança de superação dos traumas deixados por uma modernização aos trancos e barrancos, com as injustiças com que todos temos de nos haver cotidianamente. Uma modernização sem o moderno, ainda segundo nosso autor. Nem todas as provas foram vencidas com louvor, muito pelo contrário. As insuficiências explicam este momento de cansaço cívico e existencial. Estamos presos a uma sensação de democracia incompleta e precocemente envelhecida, estimulando os cavaleiros da fortuna a explorar os flancos expostos. Apatia e polarização “congelada” convivem numa mistura insólita, o que reforça a oportunidade de consultar as vozes que nos antecederam. Ouvi-las não significa repetir suas respostas. Preservado o núcleo de tais respostas, cabe recuperar a pergunta original: como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? *TRADUTOR E ENSAÍSTA, COEDITOR DAS ‘OBRAS’ DE GRAMSCI NO BRASIL CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:08:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest A esquerda democrática em tempo de apatia, por Luiz Sérgio Henriques* Opinião - Nara Leão Podem me prender, podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião. Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não. Se não tem àgua, eu furo um poço Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa E deixo andar, deixo andar Fale de mim quem quiser falar Aqui eu não pago aluguel Se eu morrer amanhã, seu doutor Estou pertinho do céu Podem me prender, podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não... Podem me prender , podem me bater, que eu não mudo de opinião, que eu não mudo de opinião... Compositor: Zé Ketti *Nara Lofego Leão foi uma cantora, compositora e sambista brasileira. Musa da bossa nova que, aos 15 anos, promovia animadas reuniões em seu apartamento em Copacabana, frequentadas por músicos como Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, Nara deu uma guinada em 1961, aproximando-se dos sambas de morro e das atividades do Centro Popular de Cultura da UNE, o CPC. Já em seu primeiro álbum, lançado em 1964 pela Elenco, a mudança se faz notar em faixas como “Diz que fui por aí” (Hortênsio Rocha e Zé Keti) e “O sol nascerá” (Cartola e Elton Medeiros). O engajamento de Nara se tornou mais evidente a partir do golpe de 1964. Em dezembro daquele ano, subiu ao palco ao lado de Zé Keti e João do Vale para apresentar o show Opinião, um marco da música de protesto produzido pelo Teatro de Arena, com direção musical de Dori Caymmi e direção geral de Augusto Boal. A canção-tema não poderia ser mais profética quanto à violência que estava por vir: “Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião…”. Nara daria diversas declarações de repúdio ao regime, como numa entrevista ao Diário de Notícias, de maio de 1966, em que defendeu a extinção das Forças Armadas, o que lhe custou sucessivas ameaças de prisão, a ponto de, entre 1970 e 1971, exilar-se em Paris com o marido, o cineasta Cacá Diegues. O Estado de S. Paulo Como mudar a sociedade sem fazer terra arrasada das instituições – liberal-democráticas – que nos trouxeram até aqui? A transmissão e a recepção de uma cultura política no ocaso constituem tema espinhoso, especialmente quando “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Revisitar tais processos, no entanto, pode ser útil quando menos porque por aí ronda a tentação da novidade pela novidade. Os arautos da perdição asseveram não só que a Carta de 1988 é papel velho, mas também que existem demiurgos capazes de propor soluções para transformar maus políticos e cidadãos desavisados em figuras republicanas irretocáveis. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08:07:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest A eleição do ‘menos pior’, por Eliane Cantanhêde O Estado de S. Paulo Vença Lula ou Flávio, não há clima para festa nem grandes expectativas para o novo governo A eleição presidencial de 2026 vai chegando ao fim sem festa, alegria, esperança e bandeiras e cartazes em casas e carros, num clima de espanto e indignação em que o grande dilema, individual e nacional, não é quem é o melhor, mas quem é “o menos pior”. Está pau a pau, numa disputa ponto a ponto. Se vencer Flávio Bolsonaro, a expectativa é de fronteiras abertas para todas as loucuras de Donald Trump e volta imediata de Jair Bolsonaro, generais, almirante e os criminosos de 8 de Janeiro, com sangue nos olhos e planos de confiança na cabeça. Além de recuos graves em avanços de costumes. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:50:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Reativar o País sem desarrumar a economia, por Rolf Kuntz O Estado de S. Paulo Qualquer um dos candidatos parece capaz de perceber o atoleiro atual da economia nacional e a urgência de políticas para desemperrar o País Crescimento pífio, em torno de 2%, inflação acima de 4%, muita insegurança e investimento abaixo dos padrões internacionais compõem o quadro econômico brasileiro a poucos dias das eleições. Sem projetos claros e bem estruturados, os principais candidatos, incluído o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, raramente foram além das promessas de comícios. Houve quem apostasse em debates e pronunciamentos mais esclarecedores no final das campanhas. Falta verificar se os candidatos estão interessados em debater e preparados para isso. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:43:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O andar do bêbado, a epidemia de bets e uma aposta de alto risco de Lula, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucro Um homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível. Mlodinow, autor de livros de divulgação científica, assina uma coluna para o The New York Times e escreveu roteiros das séries MacGyver e Star Trek. Com o falecido Stephen Hawking, é coautor de “Uma nova história do tempo” (Ediouro), um best-seller traduzido em 25 idiomas. Seus pais foram ambos sobreviventes do holocausto, e se conheceram em Nova York depois da guerra. Casado e pai de três crianças, entre as quais uma menina adotada na China, Leonard Mlodinow é um sortudo: estava no World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, e sobreviveu ao ataque terrorista. O Andar do Bêbado é um tratado sobre o poder do acaso em áreas da nossa vida que vão de jogar futebol, conseguir emprego e receber um diagnóstico médico. Mlodinow percorre a história das probabilidades e usa exemplos do esporte, das finanças e da vida cotidiana para explicar por que confundimos sorte com talento, coincidência com padrão e uma sequência passageira de acertos com uma regra confiável. Seu livro ajuda a entender o fascínio das bets. Quem acompanha futebol pode conhecer os times, avaliar jogadores e antecipar tendências. Ainda assim, uma partida conserva muita criatividade e imprevisibilidade; acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e programa os algoritmos para obter lucro. A loteria tradicional vende a esperança de uma mudança de vida concentrada em um sorteio. As plataformas digitais multiplicaram essa promessa. Estão no celular, aceitam pagamentos em segundos e oferecem novas oportunidades a cada jogo, lance ou rodada de cassino virtual. A derrota convida à tentativa de recuperar o dinheiro; uma pequena vitória alimenta a impressão de que o próximo grande prêmio está perto. Publicidade, influenciadores e patrocínios esportivos deram à aposta a aparência de hábito comum. O cassino entrou em casa sem precisar abrir as portas. É nesse ambiente que a epidemia das bets se tornou uma questão de saúde pública e de economia doméstica. O custo não se resume ao dinheiro transferido para as plataformas: inclui sofrimento psíquico, conflitos familiares, perda de produtividade e tratamento. Estudo citado pelo Ministério da Saúde estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões estariam ligados à saúde. É uma estimativa que não deve ser confundida com o total apostado ou com a perda financeira direta dos jogadores. Chegou atrasado O governo demorou a acordar para o problema. Regulamentou o mercado, autorizou empresas, cobrou outorgas e tentou impor mecanismos de fiscalização e proteção ao apostador. Foram concedidas 85 autorizações, com pagamento total de R$ 2,55 bilhões em outorgas. Agora, abruptamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encerrar a atividade por meio da Medida Provisória nº 1.394, assinada na sexta-feira, 25 de setembro. A decisão impede novos depósitos e prevê o bloqueio dos sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno. O governo associou a proibição a um pacote de renegociação de dívidas. Faltam nove dias para a votação. A proximidade das urnas torna a decisão uma aposta política de alto risco, embora seus fundamentos sociais sejam sérios. Para famílias atingidas pela dependência, Lula poderá aparecer como o presidente que enfrentou um negócio poderoso. Para quem aposta sem identificar prejuízo na própria rotina, a proibição poderá soar como perda de liberdade e abuso de poder. Clubes, empresas de comunicação e outros setores que recebem dinheiro das plataformas têm motivos para resistir e capacidade de levar essa reação ao debate eleitoral. O eleitor também poderá perguntar: por que o governo autorizou a expansão de um mercado que agora considera intolerável? Há um risco prático por trás do cálculo eleitoral. Proibir a oferta legal não elimina a vontade de apostar. Sites clandestinos continuam acessíveis. O governo anunciou bloqueios de acesso e de pagamentos, mas a eficácia dessas medidas dependerá de fiscalização contínua. Operações da Polícia Federal já identificaram plataformas ilegais divulgadas por influenciadores, inclusive com sinais falsos de regularidade. E como reagirá o Congresso, onde o lobby das bets tem sua própria bancada? Uma medida provisória produz efeitos imediatos, mas precisa ser aprovada para se tornar definitiva. Entre a assinatura e a eleição, porém, haverá pouco tempo para medir seus resultados. Defender as famílias do vício pode render apoio. Convencer o país de que a proibição funcionará, depois de ter regulamentado as bets, é a parte mais difícil dessa aposta. Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:40:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Falta uma carta nesta campanha, por Míriam Leitão O Globo Não é exigido de Flávio Bolsonaro o compromisso com a democracia, como em 2002 se exigiu de Lula uma carta garantindo a estabilização econômica O senador Flávio Bolsonaro nunca assinou uma carta compromisso com a democracia, nem dele foi exigido. Devia ter sido. Estamos a uma semana do primeiro turno. Ele tem chances reais de ser eleito e carrega um enorme passivo autoritário, decorrente dos atos e palavras dele e da família toda. Em 2002, o país exigiu do então candidato Lula da Silva que se comprometesse com as bases econômicas do Plano Real. Havia dúvidas razoáveis sobre o programa econômico do PT. Lula escreveu a “Carta aos Brasileiros” e a cumpriu. Há dúvidas razoáveis sobre o candidato do PL. O senador teve relações com integrantes da facção criminosa conhecida como milícia, está sendo investigado pelo dinheiro recebido do ex-banqueiro corruptor Daniel Vorcaro, teve uma loja de chocolate com faturamento atípico, nunca ficou claro como conseguiu comprar uma mansão em Brasília. Sua amizade estreita com o advogado Willer Tomaz é outro foco de incerteza. Willer é reincidente em casos de corrupção. Chegou a ser preso por envolvimento na Operação Greenfield, em 2017, que apurou fraudes com fundos de pensão, e agora é investigado no caso do INSS. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:38:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Às vésperas de eleição no Brasil, Trump escancara 'interesses vitais' na América Latina, por Bernardo Mello Franco O Globo Governador da Califórnia sugere que interferência da Casa Branca na disputa brasileira deve aumentar na reta final Donald Trump não é de esconder o jogo. Na terça-feira, admitiu que a defesa da democracia e o combate ao narcotráfico foram só pretextos para invadir a Venezuela. “Assinamos o maior acordo de petróleo da história”, festejou, na Assembleia Geral da ONU. “Foi uma guerra, mas talvez tenha sido o maior negócio já feito. Ao vencedor, os despojos”, congratulou-se. O presidente dos Estados Unidos avisou que não vai permitir “ameaças à América” no Hemisfério Ocidental. “Se necessário, usaremos todo o nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses vitais dos EUA”, informou. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:33:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Distopia, por Merval Pereira O Globo Ambas as campanhas fazem “o diabo” para ganhar, e por isso o índice de eleitores indecisos ou desanimados está tão grande. “A gente faz o diabo para vencer uma eleição” já dizia a ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro fez o diabo, mas perdeu. Basta lembrar a PEC Kamikaze, que injetou R$ 41,3 bilhões no orçamento alegando “estado de emergência”, com tempo limitado até o fim de seu governo, passando pelas eleições. Lula está fazendo o diabo, mas corre o risco de perder. Talvez por isso esteja tão açodado, liberando dinheiro a sete dias do primeiro turno. A proibição das bets talvez seja uma medida correta, mas se tomada no inicio de seu terceiro mandato, ou ao final dele, depois das eleições. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:27:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Lula errou em 2023, por Elio Gaspari O Globo Em terceiro mandato, petista não cultivou arco democrático que o elegeu Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma pequena margem de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração. Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:21:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O baita ser humano Zuenir Ventura, por Dorrit Harazim O Globo Deste Brasil que tão bem entendeu e amou, ele leva mais que admiração: leva gerações inteiras de amigos Não há idade ou hora justa para a partida de um amigo — nem para quem parte, nem para quem deve continuar a tocar a vida. “A eternidade está no momento”, ensina Walt Whitman no monumental “Folhas de relva”. É na soma de momentos compartilhados que descobrimos nossas profundezas e limites, que nos temperamos ou transcendemos. E isso ocorre mais claramente no fluir da amizade, esse complexo entrelaçamento afetivo capaz de nos proporcionar uma ventura única. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:16:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Crença em razões razoáveis para o voto democrático, por Paulo Fábio Dantas Neto* Volto hoje a usar como referência, nesta coluna, agora com mais ênfase, avaliações recentes do quadro das eleições presidenciais, feitas pelo cientista político Antônio Lavareda. O resumo de entrevista sua aos jornalistas Matheus Leitão, Rafael Campos e Maria Carolina Brito foi publicado na coluna do primeiro no site Metrópoles, na quarta-feira, 23.09. Lavareda avaliou, nessa entrevista, que se a eleição fosse hoje Flávio Bolsonaro seria favorito. E usou, por outro lado, a imagem da "eternidade" para se referir ao tempo hábil que ainda resta à campanha de Lula para alterar a situação que lhe seria adversa. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:32:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Além de avançar sobre Supremo e PF, novo presidente pode refazer Banco Central em um ano, por Vinicius Torres Freire Folha de S. Paulo Novo governo pode nomear maioria dos diretores até o início de 2028 e ter mais poder no BC Lula 3 não deve ter tempo de preencher vagas na autoridade monetária e no STF Quem terá mais poder de controlar ou influenciar o Supremo a partir de 2027 é assunto maior desta eleição deplorável. O novo presidente e o Senado podem entrar em acordo ou conflito para fazer a maioria no STF, o que pode ter consequências funestas para a estabilidade política ou para a democracia. No entanto, pouca gente se lembra de que o próximo presidente da República poderá ter nomeado 6 dos 9 integrantes da direção do Banco Central até janeiro de 2028, início do segundo ano do mandato, e todos até janeiro de 2030, mudanças críticas para a estabilidade econômica. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:14:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Se Flávio Bolsonaro for eleito, Brasil vai virar Venezuela, por Celso Rocha de Barros Folha de S. Paulo Acordo de Trump com Maduro sobre petróleo segue a mesma lógica do que ele propõe a Flávio para o Brasil 'Madurismo entreguista' e 'bolsonarismo' são sinônimos perfeitos Por uma dessas ironias latino-americanas, o Brasil vai virar a Venezuela se Flávio Bolsonaro for eleito presidente. Com Lula presidente, nunca virou. Desde a invasão americana, o regime venezuelano pode ser caracterizado como um madurismo entreguista. Ora, "madurismo entreguista" e "bolsonarismo" são sinônimos perfeitos. Se você tirar de Maduro seu anti-imperialismo e seu bigode, ele estará a uma peruca do Jim Caviezel de distância de virar o Jair. Já poderá, inclusive, pedir dinheiro ao Vorcaro. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:12:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest 'Vou falar com a turma', por Muniz Sodré Folha de S. Paulo Contradição entre razão e práticas político-sociais isentas de hábitos morais provoca perplexidade Quebra dos protocolos de decoro na classe política e no Judiciário é novidade Não deverá haver novas sessões públicas do STF, para atenuar a perplexidade nacional com as cenas chocantes da última vez. Por minúsculo que seja, entretanto, o episódio não se esgota na estupefação imediata. A sociedade civil pode estar à espera de algo como "O Guia dos Perplexos" do filósofo judeu Maimônides (1138-1204). Atualizada, a questão desse livro é como conciliar uma ordem supostamente racional com aquilo que parece estar além de seus limites. "Perplexo" hoje é aquele lançado na aflição de compreender dois sistemas contraditórios entre si: o da razão e o de práticas político-sociais isentas de hábitos morais. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:10:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest O que aconteceu com a democracia liberal? Por Hélio Schwartsman Folha de S. Paulo Novo livro de Acemoglu defende regulação tecnológica pró-trabalhador para salvar liberalismo Obra foi criticada por liberais de estirpe mais conservadora, que rejeitam intervencionismo estatal O liberalismo é versátil. É compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como a das democracias cristãs da Europa continental e a dos "tories" britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como a das social-democracias dos países nórdicos. Embora os dois polos até consigam concordar em relação a princípios básicos que caracterizariam o liberalismo, como o respeito às liberdades básicas, à propriedade privada e ao império da lei, eles frequentemente se desentendem sobre os detalhes. "What Happened to Liberal Democracy?", de Daron Acemoglu, é um bom exemplo dessa tensão. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:08:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest 'Amor' por Vorcaro explica omissão de Alcolumbre, por Dora Kramer Folha de S. Paulo O problema não é a amizade, mas o reflexo que essa relação tem sobre as atitudes do presidente do Senado A negligência deliberada é evidência da atuação de Davi Alcolumbre em favor do irmão fraudador Estava demorando para Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) entrar na dança das influências de Daniel Vorcaro. Entra não por ser amigo do vigarista —pode acontecer com qualquer um. Cai na roda do escândalo por suas atitudes como presidente do Senado. As mensagens divulgadas pela revista Veja dizem muito a respeito da conduta passivo-agressiva de Alcolumbre no transcorrer da crise que atinge os três Poderes. Por exemplo, fornecem ao ministro Cristiano Zanin as evidências que ele alegou inexistentes ao negar pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para que o Supremo Tribunal Federal desse aval à instalação de uma CPI para investigar o caso Master. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:06:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Seduzido e abandonado, por Ruy Castro Folha de S. Paulo Nenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber dele Negam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:04:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Filhos da Esperança ou quando o futuro se torna refugiado, por Pablo Spinelli* Ao amigo Paulo Pace, amigo da trincheira democrática. Vinte anos depois de seu lançamento, Filhos da Esperança (2006), dirigido por Alfonso Cuarón, parece menos uma distopia do que um telejornal adiantado. Em 2027, a humanidade tornou-se infértil e a Inglaterra anuncia ser a última sociedade ainda de pé. Contudo, o que permanece funcionando são as jaulas para imigrantes, a propaganda oficial e as tropas nas ruas. Theo (Clive Owen), funcionário público desencantado e ex-militante, recebe a missão de conduzir Kee, uma jovem refugiada e grávida, até um lugar seguro. Os longos planos-sequência de Cuarón nos colocam dentro dos ataques e campos de refugiados. A extrema direita retratada pelo filme não precisa abolir formalmente o Estado; basta esvaziá-lo de solidariedade e conservar sua carcaça policial. A distopia, afinal, não bateu à porta: entrou, sentou-se na sala e pediu a senha da internet. CONTINUAR LEITURA Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 06:02:00 Nenhum comentário: Enviar por e-mail Postar no blog! 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Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária) “Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um governo constitucional e havendo liberdade de opinião os movimentos totalitários que lutam pelo poder podem usar o terror somente até certo ponto, como qualquer outo partido, necessitam granjear aderentes e parecer plausíveis aos olhos de um público que ainda não está rigorosamente isolado de todas as outras fontes de informação.” *Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020,
" Acertar algumas apostas não transforma o torcedor em alguém capaz de vencer continuamente uma empresa que define as cotações e algoritmos para obter lucro Um homem ganhou na loteria espanhola com um bilhete terminado em 48. Explicou sua escolha: sonhara com o número 7 durante sete noites; logo, 7 vezes 7 seriam 48. A conta está errada, mas o prêmio era real. O físico norte-americano Leonard Mlodinow abre o livro O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas (Zahar) com esse episódio para mostrar uma fraqueza humana: depois de conhecer o resultado, inventamos uma lógica que parece explicá-lo. Nas loterias, cada sorteio é independente; números atrasados não ficam mais próximos de sair, e uma vitória não comprova a eficácia do palpite. O vencedor aparece nas notícias. A multidão que fez contas igualmente fantasiosas e perdeu permanece invisível."
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 domingo, 27 de setembro de 2026 Crença em razões razoáveis para o voto democrático, por Paulo Fábio Dantas Neto* Volto hoje a usar como referência, nesta coluna, agora com mais ênfase, avaliações recentes do quadro das eleições presidenciais, feitas pelo cientista político Antônio Lavareda. domingo, 27 de setembro de 2026 Seduzido e abandonado, por Ruy Castro Folha de S. Paulo Nenhum dos figurões com quem Daniel Vorcaro foi tão generoso quer saber dele Negam que foram seus amigos, que o chamavam de irmão e até que o conheceram Daniel Vorcaro está arrependido do bem que praticou a tantos figurões em quem confiou. Vê agora que era um bando de ingratos. Ninguém quer saber mais dele. Há os que dizem tê-lo conhecido só de passagem, embora o chamassem de "irmão", ou que aceitaram seu dinheiro para ser gentis, sem saber que a grana era pública, suja e ilegal. Eu, se fosse Vorcaro, faria um caderninho com o nome de todos que beneficiou e, ao sair da cadeia, cobraria cada centavo dos zilhões que lhes repassou. À guisa de aide-mémoire, aqui vão alguns. Alexandre de Moraes: Vorcaro destinou R$ 131 milhões ao escritório de advocacia da mulher do ministro, cedeu jatinhos ao casal e, agora, só tem de Moraes o silêncio. Nem uma cartinha, nem um bilhetinho, nem um alô pelo STF. Kassio Nunes Marques: mimoseado por Vorcaro com camarotes na Sapucaí, ingressos para a Fórmula 1, descontos no Fasano e, veja só, uma mesada de R$ 500 mil para seu filho Kevin, caçula de uma "Turma do KN" empenhada em destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios do seu interesse. Bem-sucedida, a operação renderia R$ 427 milhões à dita turma. Paulo Gonet: o procurador-geral da República parece ter saído baratinho a Vorcaro: algumas rodadas do uísque Macallan e de charutos Cohiba Behike num lounge em Londres. Mesmo assim, o PGR classificou o encontro entre eles como "breve e banal". Como "breve e banal"? Significa que Gonet tem acesso diário a uísques de 25 anos e aos charutos mais caros do mundo? Flávio Bolsonaro: ao ser questionado pela repórter sobre ter negócios com Vorcaro, B. Jr. deu um riso nervoso e respondeu: "De onde você tirou isso?". Horas depois, vazou o áudio em que ele implora pelo resto do dinheiro que Vorcaro lhe prometera. Como B. Jr. nunca explica nada, não se sabe se a doação ficou nos R$ 61 milhões que Vorcaro mandou ou se chegou aos R$ 134 milhões combinados. E, agora, pipocaram os voos de B. Jr. no mesmo jato em que viajou Moraes, idem, negados. O pobre Daniel também poderia render um filme: "Seduzido e Abandonado". Samba da Cor (part. Miltinho) Elza Soares