quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Da Enxada ao Pix: A Metamorfose do Clientelismo na Guerra de Movimento

quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Como virar votos quando ninguém quer mudar de lado? Por Wilson Gomes* Folha de S. Paulo Quando o voto é também veto ao adversário, mudar pode significar romper lealdades Lealdades políticas, custos psicológicos e anos de hostilidade dificultam a tarefa de Lula Se conquistá-los já é difícil, imagine virar votos. Ainda mais em certas circunstâncias que se empilham nesta eleição. Primeiro, quando o voto e o veto se equivalem. Quer dizer, quando há praticamente um empate entre o percentual de votos obtido por um lado e o de rejeição do adversário. E vice-versa. Assim, quem tentar mudar um voto vai ter que lidar com algo muito profundo: a decisão do eleitor de não votar naquele candidato de jeito nenhum. Quando as pessoas escolhem com base nas características dos candidatos ou nas políticas públicas que oferecem, há sempre a possibilidade de mudar uma ponderação por conta da propaganda, de informações novas, da conversa política cotidiana. Mas quando se vota em um candidato para evitar que o outro ganhe, a perspectiva de mudança é mais complicada. Segundo, quando o voto se baseia na identificação com um lado e na hostilidade ao outro, deixa de expressar uma mera preferência para se tornar a reafirmação de pertencimento e lealdade ao grupo. Há muito mais em jogo que escolher simplesmente um candidato entre vários: reafirmar vínculos e crenças, demonstrar fidelidade e coerência. Mudar de voto significa abandonar os seus, romper solidariedades, trair valores. Afinal, se já desconfiamos do caráter de quem muda de lado no infortúnio, o que pensar de quem troca de campo quando a vitória está a um passo? Há, além disso, um custo psicológico. Mudar de voto pode significar admitir, perante si mesmo, que se estava errado o tempo todo. Quanto mais investimos em uma escolha, mais difícil reconhecer o erro. Para preservar a imagem que fazemos de nós mesmos como pessoas lúcidas e coerentes, tendemos a minimizar as falhas do nosso candidato, desculpar seus erros e justificar suas contradições. Queremos evitar o desconforto de descobrir que nossas convicções podem não ser tão sólidas quanto imaginávamos. Não é para qualquer um pagar o preço emocional de uma decisão que contradiz tudo aquilo em que acreditou e que defendeu durante anos. Tampouco se deve subestimar o papel do histórico de rancor e ressentimentos contra o outro lado. São oito anos —e três eleições— de hostilidades construídas sobre bases morais. A convicção de que o outro lado é vil, estúpido e fanatizado é alimentada pela lista das atrocidades que dizem e fazem os seus membros e pela memória de humilhações e ofensas. A identidade do grupo foi erguida sobre a crença na superioridade moral e cognitiva, em contraste com a maldade e a burrice dos inimigos. Como esperar que anos de rancor cedam, de repente, diante de argumentos, evidências e apelos vindos do outro lado? Pode-se sempre argumentar que não teríamos tido a alternância em 2022 e no primeiro turno de 2026 se votos não pudessem ser revertidos. É fato. Lula agora perdeu votos que provavelmente foram seus na eleição passada. Mas o ponto não é que votos não podem ser virados —eles podem. É que certas circunstâncias desta eleição tornam isso particularmente difícil. Ao longo de um mandato, o eleitor acumula experiências, frustrações, informações e avaliações que podem levá-lo a mudar gradualmente de preferência, sem um momento específico de conversão. O que não sabemos é se aquilo que levou quatro anos para se materializar nas urnas pode acontecer novamente em 15 dias. Admitamos que esses sejam os votos de uma fração dos chamados "independentes", que não votam por identificação com lulistas ou bolsonaristas e, portanto, não estariam submetidos aos mesmos engessamentos identitários. Supõe-se que sejam o fiel da balança que inclina a eleição para um lado ou outro. Nesse caso, o que poderia levá-los a reverter o voto dado no primeiro turno? Ou o que poderia motivá-los a votar agora, quando não o fizeram no primeiro, ou a dar um voto válido, quando se negaram a fazê-lo em 4 de outubro? Na verdade, ninguém sabe como fazer isso porque ninguém conseguiu até agora reverter uma derrota no primeiro turno de uma eleição presidencial. A militância certamente não o fará, pois o militante identificado com o lulismo nem sequer reconhece a existência de eleitores independentes, tratando-os como bolsonaristas envergonhados que só podem ser desprezados ou intelectualmente corrigidos. E a campanha, que já deveria ter-se dado conta de que tudo será decidido por aqueles 3% de votos errantes que não são de ninguém, o que fará a respeito disso? Vai focar em convertê-los ao lulismo em vez de apenas convencê-los a dar o voto que negaram no primeiro turno? Teremos duas semanas para ver como resolvem esse dilema. *Professor titular da UFBA, doutor em filosofia e autor de “Transformações da Política na Era Digital”, “A Democracia no Mundo Digital” e “A Tirania da Virtude”
quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Fim da escala 6x1 venceria no primeiro turno, por Renato Meirelles O Globo Mudança é apoiada por mais de sete em cada dez brasileiros Mais de sete em cada dez brasileiros apoiam a mudança, uma votação que nem Lula nem Flávio Bolsonaro conseguiram. A proposta é maior do que os dois. E talvez seja justamente por isso que esteja mudando a conversa nesta reta final. Imagine dona Beatriz, caixa de supermercado, casada com seu João, vigilante de shopping. Os dois trabalham seis dias por semana. Ela folga na terça, ele na quinta. Um domingo dos dois juntos virou luxo. Quando Beatriz descansa, lava roupa, vai ao posto de saúde, resolve a conta atrasada. João sai para trabalhar. Se alguém lhes perguntar sobre a economia, talvez respondam falando do preço do arroz. Se a pergunta for sobre a escala 6x1, responderão sobre a vida que gostariam de ter. No primeiro turno, os dois anularam o voto. Não por falta de opinião, mas por excesso de cansaço da política. Agora, Beatriz começa a cogitar votar em Lula. João continua desconfiado. Não viraram petistas; descobriram uma proposta que cabe dentro de casa. E há milhões de casas em que o relógio, não a ideologia, organiza a vida. Lula passou boa parte da campanha precisando se explicar: o preço da feira, as promessas que não saíram do papel, a sensação de que a vida não melhorou o suficiente. Flávio tinha pouco trabalho. Bastava perguntar se o brasileiro queria mais quatro anos de PT. É uma pergunta que mobiliza um antipetismo maior do que o próprio candidato. O erro estava em responder falando quase sempre do legado. O legado é importante, mas está no passado. Quem passa seis dias trabalhando quer saber como será a próxima semana, não apenas como foi o país 20 anos atrás. Quando o PT sai da defesa da própria biografia e abraça o fim da escala 6x1, troca de assunto. Em vez de pedir reconhecimento, oferece uma perspectiva. Não é tudo a mesma coisa. Proibir as bets é tentar impedir que o dinheiro da família desapareça num aplicativo. Reajustar o Bolsa Família é reforçar a renda de quem precisa, um programa já associado à história de Lula. A jornada 5x2 não é um benefício depositado nem uma proibição. É tempo para buscar o filho na escola, estudar, descansar. Atinge também quem nunca recebeu um benefício e jamais votou no PT. É por isso que o apoio ultrapassa as fronteiras partidárias. Nem todo eleitor favorável à mudança gosta de Lula. Há quem seja de direita e trabalhe no comércio. Há a dona do mercadinho que também quer descansar, mas teme não conseguir pagar outro funcionário. Ignorar sua preocupação seria tão equivocado quanto chamar de preguiçoso quem gostaria de um sábado livre. Flávio percebeu. Depois de chamar a discussão de oportunista, anunciou que votará pelo fim da escala. E, depois de cobrar tanto a presença de Lula, avisou que não irá ao debate da Band. Uma decisão não prova a causa da outra. Mas ambas revelam o peso de uma campanha que já não permite ao senador apenas cobrar explicações do presidente. O recuo não foi para agradar petistas. Foi para não contrariar parte de seus próprios eleitores. E isso já muda toda a dinâmica da reta final. Lula mudou de assunto. Flávio mudou de ideia. Agora, ele também precisa explicar. Flávio defende como alternativa contratos por hora, com salário e direitos proporcionais, enquanto a proposta apoiada pelo governo reduz a jornada sem reduzir o salário. É uma discussão sobre o significado de liberdade. Responda com sinceridade. Alguém que já trabalhou de CLT acredita que férias remuneradas e décimo terceiro teriam sido conquistados se tudo dependesse exclusivamente da negociação entre patrão e empregado? Uma coisa é negociar livremente. Outra é precisar negociar sozinho, sem poder dizer não. Mais de oito em cada dez brasileiros concordam que estamos cada vez mais cansados. O cansaço virou experiência nacional, embora os votos sejam diferentes. Trabalho não é apenas renda: é também a quantidade de vida que sobra depois dele. Nada disso significa que Lula tenha virado a eleição. Concordar com uma proposta não é votar em quem a defende. Mas há uma descoberta que o PT demorou a fazer: o presidente pode ser menor do que suas ideias. Quando a campanha insistia no passado de Lula, era Lula quem precisava se explicar. Quando passou a falar do futuro dos brasileiros, foi Flávio quem precisou mudar de posição.
PELA SOBERANIA ‘Pela democracia, soberania e justiça social’: manifesto gaúcho declara apoio a Lula e Alckmin Documento lançado em Porto Alegre reúne 242 nomes da sociedade civil em defesa da chapa para as eleições de 2026 2.out.2026 - 15:01 Porto Alegre (RS) Fabiana Reinholz Um grupo de 242 figuras da sociedade civil gaúcha lançou, nesta quinta-feira (1º), no auditório da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs-Sindical), em Porto Alegre, um manifesto em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e de Geraldo Alckmin à vice-Presidência. Flávio Bolsonaro e o projeto de poder da família | Cá Entre Nós Meio Estreou há 17 horas #eleições2026 #PoliticaBrasileira #constituiçãofederal Flávio Bolsonaro diz que, se eleito, quer mudar a Constituição para "redemocratizar" o país. Com a maior bancada do Congresso neste século, um centrão que chega como sócio menor, uma oposição sem número para abrir CPI e até quatro cadeiras no STF para indicar, um eventual governo Flávio teria um poder que nem Jair teve. Neste Cá Entre Nós, Flávia Tavares recapitula 27 anos de declarações autoritárias da família Bolsonaro, mostra como o bolsonarismo repete o roteiro de Donald Trump com dois anos de atraso e discute o argumento que vem circulando na esquerda: o de que a direita democrática, ao ajudar a eleger Flávio, pode estar decretando o próprio fim. _____________________________________________
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Da Enxada ao Pix: A Metamorfose do Clientelismo na Guerra de Movimento

Em diálogo meta-jornalístico com a análise de Luiz Carlos Azedo, um manuscrito anônimo desvenda o "centro de gravidade" das urnas de 2026: a velha engrenagem política vestida de pós-modernidade.


O jornalismo político contemporâneo frequentemente busca em Clausewitz e Gramsci as lentes para traduzir o teatro das urnas. No rastro da análise fina de Luiz Carlos Azedo no Correio Braziliense, o segundo turno de 2026 desenha-se como um tabuleiro clássico: de um lado, a impetuosa “guerra de movimento” de Lula, tentando reverter a dianteira adversária nas ruas; de outro, a disciplinada “guerra de posições” de Flávio Bolsonaro, entrincheirado no apoio de governadores e na contenção de danos sociais.

Contudo, paralelamente ao rigor analítico do clipping diário, a literatura política marginal — aquela que nasce rabiscada à caneta em folhas soltas — capta o que os manuais teóricos às vezes camuflam. Um manuscrito recente sintetiza a gênese e o destino dessa disputa com precisão cirúrgica:

No princípio, era união (liberal) contra
Unidade (comunista)
O mundo girou
A Lusitana rodou
E o piloto ficou.

O lirismo político do fragmento ironiza a própria volatilidade das ideologias. Enquanto as militâncias se digladiam sob rótulos históricos — o liberalismo contra o comunismo —, a máquina do poder opera em órbita própria. O mundo gira, as forças estruturais se reorganizam (“a Lusitana roda”), mas a figura do governante profissional, o eterno “piloto”, permanece intocada. Mudar para continuar o mesmo: eis a primeira máxima do pragmatismo eleitoral.

É nesse cenário de sobrevivência que as promessas de campanha deixam de ser plataformas programáticas e passam a ser ferramentas de pura higienização biográfica. Quando o manuscrito questiona: “Qual é a grandeza da União? / É simplesmente limpar o / seu nome”, há uma dupla e ácida leitura. Dialoga tanto com a urgência institucional de um governo que precisa reabilitar sua imagem diante do eleitorado quanto com o pragmatismo de uma população sufocada pelo endividamento.

Azedo nos reporta que Lula, no ápice de sua ofensiva de movimento, dobrou a aposta na chamada “economia do afeto”. O anúncio de um programa Desenrola voltado para microempreendedores individuais (MEIs), acompanhado de um aporte de R$ 5 mil a fundo perdido para a compra de equipamentos, é o exemplo perfeito dessa dinâmica. É a captura do espírito do tempo. Se, por um lado, “A sociedade financia / a reeleição de incumbente” por meio do uso estratégico da máquina pública e das emendas de relator, por outro, o eleitorado aprendeu a precificar o seu consentimento.

Aqui, o diálogo lítero-político atinge o seu clímax ao resgatar a obra seminal de Victor Nunes Leal. No clássico Coronelismo, Enxada e Voto, a fidelidade do eleitorado de cabresto era mantida através de uma escassez palpável: entregava-se um pé de sapato antes do voto e o outro parceiro apenas após a confirmação da vitória. A engenharia do voto era analógica, rústica, mas extremamente eficaz na sua crueza.

O que testemunhamos nesta reta final de outubro de 2026, contudo, é a sofisticação tecnológica desse mesmo DNA dependente. O fechamento do manuscrito é, por si só, um tratado de sociologia política contemporânea:

Na enxadada - uma
minhoca pós moderna -
um PL antes do voto,
Pix no bolso na aprovação.

A "enxadada" agora é digital. A "minhoca pós-moderna" que fisga o eleitor ou o parlamentar aliado não é mais o quilo de alimento ou o calçado desemparelhado. Na guerra de movimento de Lula, a isca é o Pix direto na conta, o auxílio emergencial customizado, a transferência instantânea a fundo perdido. Do lado da guerra de posições do bolsonarismo, a reação é célere: para não perder terreno no eleitorado economicamente vulnerável, Flávio Bolsonaro adere estrategicamente ao fim da jornada 6x1 no Senado. No fundo, ambos os lados entenderam o "centro de gravidade" clausewitziano do pleito: o estômago e o bolso do trabalhador.

O "PL (Projeto de Lei) antes do voto" e o "Pix na aprovação" sintetizam o funcionamento da nossa República hiperconectada. Pouco importa se a batalha institucional ocorre nos canais suspensos do WhatsApp ou nos palanques da Avenida Paulista e de Copacabana. A grande ironia apontada pelo cruzamento entre o jornalismo de Azedo e o lirismo do manuscrito é que, sob o verniz da polarização ideológica e da tecnologia de ponta, o Brasil profundo continua operando sob a lógica do dote e da conveniência.

O mundo gira, a tecnologia avança, as táticas gramscianas se modernizam nas redes. Mas, no fim do dia, a engrenagem que move as trincheiras do poder permanece idêntica à dos tempos do coronel: ganha quem souber entregar o segundo pé do sapato mais rápido — mesmo que ele venha em forma de notificação no celular.

Use o código com cuidado.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Lula faz “guerra de movimento” enquanto Flávio aposta na “guerra de posições”, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Petista dobrou a aposta na “economia do afeto”: anunciou um Desenrola para os microempreendedores e que ainda dará um Pix de R$ 5 mil para compra de equipamentos O prussiano Carl von Clausewitz (1780-1831) tornou-se célebre sobretudo por explicar a lógica dos conflitos. Militar desde os 12 anos, enfrentou as forças napoleônicas, serviu no Exército russo, na batalha de Borodino, e participou da campanha de Waterloo, combatendo em Wavre. Morreu de cólera e deixou os manuscritos de Da Guerra, publicados por sua mulher, Marie von Brühl. “A guerra como continuação da política por outros meios”, seu conceito mais conhecido, subordina a ação militar ao objetivo político. Clausewitz compreendeu que superioridade material não assegura vitória. Moral, capacidade de comando, concentração de forças e acontecimentos imprevistos podem mudar uma batalha. A estratégia exige identificar o centro de gravidade do adversário: aquilo que sustenta sua capacidade de resistir. Neste segundo turno, essa reflexão ajuda a compreender como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, e Flávio Bolsonaro, que chegou à frente no primeiro turno, procuram explorar vulnerabilidades e recuperar ou manter a iniciativa política. O jornalista e pensador marxista Antonio Gramsci (1891-1937) fez o caminho inverso, ao transportar conceitos militares para a disputa política. Preso pelo fascismo, nos Cadernos do Cárcere elaborou conceitos de poder político que combinam coerção e consentimento. Segundo ele, nas sociedades ocidentais, partidos, igrejas, associações e instituições culturais constituem defesas profundas da ordem social. Por isso, como estamos vendo agora, a conquista do governo não basta para ter a direção da sociedade. No conceito gramsciano, a guerra de movimento é a ofensiva política direta, enquanto a guerra de posições é a disputa prolongada por organização, alianças e hegemonia. Não se trata de fazer passeatas ou jogar parado. Por analogia, no segundo turno, Lula tenta modificar rapidamente a dinâmica eleitoral, enquanto Flávio procura consolidar as vantagens políticas e sociais que o levaram à dianteira. Ambos combinam movimento e posição, mas com prioridades diferentes. O resultado do primeiro turno impôs ao presidente a necessidade de sair da defensiva. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O petista precisou romper a impressão de derrota antecipada, reanimar sua base e busca alcançar eleitores que não escolheram nenhum dos finalistas. Seu adversário pretende transformar a vantagem inicial em maioria de votos válidos e evitar um julgamento dos riscos de seu próprio programa. A retomada das ruas é parte da ofensiva de Lula. A manifestação na Avenida Paulista, no domingo, e o ato em Copacabana, na segunda-feira, acompanhado de mobilizações em outras cidades, devolveu ao petista a força das ruas. Essa mobilização produz imagens para as redes e estimula conversas fora dos círculos partidários. A aposta é transformar entusiasmo em comparecimento e persuasão. Multidões reunidas, porém, por si mesmas, não medem a transferência de votos. Conflito de mensagens A pesquisa PoderData/Aya, divulgada ontem, oferece um sinal favorável a Lula: o presidente passou de 47% para 49% dos votos válidos, enquanto Flávio recuou de 53% para 51%. A distância caiu de seis para dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 3 mil eleitores, entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto. A reação é compatível com a retomada da iniciativa petista, mas atribuí-la somente às manifestações seria precipitado. As entrevistas ocorreram durante os atos. A Nexus, realizada no mesmo período, registra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos. Ouviu 2.002 eleitores, com margem de dois pontos. Mais revelador é que 92% declaram ter decidido o voto e apenas 7% admitem mudar. Como esta é a primeira rodada da Nexus depois do primeiro turno, ela não oferece uma comparação equivalente à da PoderData. A diferença entre os institutos não comprova que um captou o efeito das ruas e o outro deixou de percebê-lo. Flávio pretende consolidar suas posições ao adotar como estratégia de campanha a “guerra de posições”, com apoio de governadores, prefeitos e estruturas locais de poder. O encontro em São Paulo com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes ilustra uma campanha orientada a organizar apoios, reduzir abstenções e disputar indecisos, agora com apoio de aliados eleitos que ficaram neutros no primeiro turno. Ao negar que eliminará benefícios sociais ou reajustes do salário mínimo, Flávio procura impedir que a ofensiva de Lula abra uma brecha entre o eleitor conservador e o eleitor economicamente vulnerável. Por essa razão, resolveu apoiar a aprovação do fim da jornada 6 x 1, em votação no Senado. Ontem, Lula dobrou a aposta na sua “economia do afeto”: anunciou que fara um Desenrola para os microempreendedores individuais (MEIs) e ainda dará um Pix de R$ 5 mil para cada um deles comprar equipamentos, a fundo perdido. No WhatsApp, a disputa está acirrada. O crescimento do Exército do Lula, organizado por André Janones, levou o bolsonarismo a reagir com a Tropa do Flávio e ações judiciais. A suspensão do canal petista por Kassio Nunes Marques, posteriormente revertida, transformou a circulação de mensagens em batalha institucional. Para Lula, preservar esse instrumento é vital para o êxito da “guerra de movimento”. Neutralizar essa iniciativa, para Flávio, porém, desloca o centro da disputa eleitoral para a “guerra de posições”, onde está em boa vantagem. Bezerra da Silva - Dedo Duro

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O Livro de Areia

'O Livro de Areia' : resumo do enredo O narrador mora em Buenos Aires. Certa noite, um livreiro — um homem alto das Ilhas Orkney, na Escócia — aparece à sua porta, anunciando que vende Bíblias. O narrador o convida a entrar e o livreiro lhe mostra um livro incomum, que o narrador considera surpreendentemente pesado. Na lombada do livro estão as palavras "Sagrada Escritura" e "Bombaim". O Grande Circo Místico l Trailer Oficial - 15 de novembro nos cinemas! Dublagem automática H2O Films 11 de set. de 2018 O Grande Circo Místico é o 18º longa-metragem de Carlos Diegues, um dos nomes mais importantes da cultura e do cinema brasileiros. Inspirado no poema de Jorge de Lima e com músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. O filme conta a história de cinco gerações da família dona do circo. Desde a inauguração do Grande Circo Místico, em 1910, até os dias atuais, os espectadores acompanharão com a ajuda de Celaví, o mestre de cerimônias, as aventuras e os amores da família Kieps, desde o início, passando por sua decadência, até o surpreendente final. Um filme em que realidade e fantasia se juntam em um universo místico.
O Grande Circo Místico By Simone Prado Ribeiro segunda-feira, dezembro 01, 2014 Poesia No comments Um clássico e um dos melhores poemas que já li desse grande homem das Letras: Jorge de Lima. Foi também inspiração para a música "Beatriz", de Chico Buarque. O médico da câmara da imperatriz Tereza – Frederico Knieps – resolveu também que seu filho fosse médico, mas o rapaz fazendo relações a equilibrista Agnes, com ela se casou, fundando a dinastia do circo Knieps de que tanto se tem ocupado a imprensa. Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown (palhaço), de quem nasceram Marie e Oto. Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora que tinha no ventre um santo tatuado. A filha de Lily Braun – a tatuada no ventre, quis entrar para um convento, mas Oto Frederico Knieps não atendeu, e Margarete continuou a dinastia do circo de que tanto se tem ocupado a imprensa. Então Margarete tatuou o corpo, sofrendo muito por amor de Deus, pois gravou em sua pele rósea a Via-Sacra do Senhor dos Passos. E nenhum tigre a ofendeu jamais; e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos, quando ela entrava nua pela jaula a dentro, chorava como um recém nascido. Seu esposo - o trapezista Ludwig nunca mais a pode amar pois as gravuras sagradas afastavam a pela dela e o desejo dele. Então, o boxeur Rudolf que era ateu e era o homem-fera derrubou Margarete e a violou. Quando acabou o ateu se converteu, morreu. Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps. Mas o maior milagre são as suas virgindades. Em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado; são as suas levitações que a platéia pensa ser truque; e a sua pureza em que ninguém acredita; são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo; mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos. Marie e Helene se apresentam nuas, dançam no arame e deslocam de tal forma os membros que parece que os membros não são delas. A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos, Marie e Helena se repartem todas, se distribuem pelos homens cínicos, mas ninguém vê as almas que elas conservam puras, e quando atiram os membros para a visão dos homens, atiram as almas para a visão de Deus. Com a verdadeira história do Grande Circo Knieps muito se tem ocupado a imprensa. (poema de Jorge de Lima) Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook
terça-feira, 13 de outubro de 2026 Ecos da resistência, da rua ao Congresso, por Maria Cristina Fernandes Valor Econômico Há sinais fartos de que o país não ficará a reboque de um eventual endurecimento do regime
O Vício da Areia e os Ecos do Tabuleiro A história não anda para trás, mas teima em não avançar nas percepções de quem finge guiar o país. Quando o ex-presidente disparou o seu infame "não pintou clima", após invadir a privacidade e a dignidade de jovens imigrantes venezuelanas vulneráveis, a oposição institucional chiou. Gritou nas redes, fez barulho, mas não moveu uma palha real para cessar aquele despautério de governante dissimulado. O objetivo real nunca foi a justiça ou a proteção social; foi apenas sangrar o adversário. Uma estratégia viciada, idêntica àquela que o próprio establishment usou no passado quando tentou sangrar o governo de turno no escândalo do Mensalão — e viu o alvo se salvar, reeleger-se e retornar ao topo. O risco dessa miopia deliberada é ignorado por quem joga apenas areia nos olhos do competidor da terceira via. Cega-se o debate público para manter viva uma polarização artificial com um suposto "pato manco". Mas o jogo virou. O pato manco agora ameaça voltar pelos braços de um filho, carregando o espólio político rampa acima, numa emulação irônica e plagiada do simbolismo popular de Candido Portinari que organizaram na posse de Luiz Inácio da Silva. A ironia temporal é implacável: o que parecia um passado distante ou um futuro consolidado se mistura na fumaça das urnas de 2026. É nesse ponto que o diagnóstico das ruas cruza com a análise certeira da jornalista Maria Cristina Fernandes. Enquanto o nosso olhar se fixa na rampa e nos erros de cálculo da oposição tradicional, Fernandes nos lembra de que "há sinais fartos de que o país não ficará a reboque de um eventual endurecimento do regime". Se por um lado assistimos ao avanço acachapante do PL no Congresso e à projeção de um Flávio Bolsonaro ao Planalto, por outro, as ruas e as instituições mostram que o território já não é cativo de uma única força. O nó górdio, contudo, permanece o mesmo que criticamos no início: as ambições desmedidas. Fernandes joga luz sobre os bastidores dessa cegueira estratégica ao cravar que "a bancada só não será maior porque ambições desmedidas impediram que Psol e PT formassem uma federação". Por míseros 185 votos no Espírito Santo, o pragmatismo canibal da esquerda preferiu o isolamento à sobrevivência conjunta, desperdiçando a força de puxadores de voto históricos e empurrando o Psol para a guilhotina da cláusula de barreira. Enquanto a velha guarda se engalfinha em vaidades e táticas de desgaste mútuo, uma bancada jovem de "caçadores de pokémon" assume o proscênio. Se antes se limitavam a vídeos virais, hoje pautam o Senado com o fim da jornada 6x1. Eles entenderam o que a terceira via e os velhos caciques ignoraram: o Congresso não é uma relva passiva à espera do trator bolsonarista, mas sim uma caixa de ressonância de acordes dissonantes. Do Republicanos de Marcos Pereira e Tarcísio de Freitas ao feudo de Davi Alcolumbre, o poder exige negociação, não apenas lacração. No xadrez que se desenha para 2027, as fissuras estão expostas para quem quiser ver. Flávio Bolsonaro, se eleito, não herdará um tapete vermelho; herdará um labirinto onde terá de mediar inclusive as ambições de sua madrasta, Michelle Bolsonaro, líder de uma bancada feminina histórica que não aceitará o banco de reservas. A tragédia da nossa percepção política é acreditar que o jogo se resume a jogar areia no vizinho para polarizar com o fantasma da vez. A história não retrocede, mas enquanto as lideranças agirem por vaidade mesquinha, sabotando federações e apostando no "quanto pior, melhor", continuaremos presos a esse eterno retorno. O eleitor, como bem nota Fernandes, já resolveu dar as caras para avisar que também está no jogo. Resta saber se os políticos vão finalmente parar de olhar para o próprio umbigo e começar a ler os sinais que vêm das ruas.
‘Pintou um clima’: internautas repercutem fala de Bolsonaro sobre meninas venezuelanas em Brasília Trecho de entrevista para podcast alcançou os assuntos mais comentados do Twitter; políticos da oposição reagiram as declarações: 'Nojo' Por Kathlen Barbosa, Alfredo Mergulhão e Mariana Muniz — Brasília 15/10/2022 16h44 Atualizado há um ano "15 de out. de 2022 Uma declaração do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre jovens venezuelanas repercutiu nas redes sociais neste sábado e chegou a ser um dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro. Em entrevista nesta sexta-feira, o presidente disse que, durante um passeio de moto pela comunidade de São Sebastião, nas proximidades de Brasília, avistou meninas de 14 e 15 anos e que “pintou um clima” antes de pedir para ir à casa delas."
O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges – Resenha de livro por Marcia Saito 13/12/2014 contos fantásticos Jorge Luis Borges Livro de Areia melancolia Undr O-LIvro-de-AreiaColeção Folha Literatura Ibero-Americana 104 pags Um coletânea de 13 contos do renomado escritor Jorge Luis Borges, onde o epílogo explica sobre as várias temáticas que cada conto aborda. A expressividade em seus textos mostra a versatilidade de sua essência de escritor de texto e estilo de escrita único, que mostra desde seu apuro literária narrativa em versões de histórias com detalhamentos históricos que convencem. Outros contos, em sua simplicidade narrativa mas não menos sensível, explora-se na trama a sensibilidade do autor na percepção da alma humana, além de mostrar sob a ótica fantástica, dando um sentido quase mágico em suas histórias. Chama atenção pelo nome curioso, O Livro de Areia, que é o título de um dos contos da coletânea. Esse conto lida com o fantástico de uma forma que prende a atenção, do começo ao fim. Uma opinião pessoal a respeito deste livro, digo que nunca havia lido nada deste escritor tão conhecido e que arrasta milhares de fãs literários. Não tenho o comparativo de suas outras obras para dizer que é o melhor dele, mas o que li foi interessante em conhecer os vários lados deste escritor tão extraordinário e digno de sua fama, de homem de admiráveis talentos. Há contos de sua notória qualidade literária, mas cheio de rebuscamento que sufoca um tanto a trama geral da história. Outras, em sua simpliciade de desenvolvimento, mostraram o que havia de melhor em percepções filosóficas da condição e pensamentos humanos. Mesmo os que remotavam uma certa melancolia, como o conto “Undr”, não havia como meditar a respeito do contexto da história. Nunca imaginaria que um autor que trata de suas histórias com teor fantástico, ganharia tanta notoriedade e respeito no meio literário. É livro que releria, para avaliar sob as várias óticas que variam em cada época de nossas vidas.

Ao modo de Belmiro Braga, se ele visse o próprio retrato:

Ao nobre estilo de Belmiro Braga, o grande mestre mineiro da trova, fiador do riso fino e da rima bem metrada, ponhamos lado a lado a doutrina sisuda do pensador sardo com a malandragem política denunciada por Magnoli. Quando o governante quebra o espelho para não ver o próprio erro, ele subverte a teoria: em vez de trabalhar duro para moldar o amanhã, prefere deitar-se à sombra e culpar o povão. Aqui estão as trovas que contrastam a gramsciana construção do futuro com a gaiata desculpa do derrotado: I. A Expressão Original (O Dever do Estadista) Aplicar a vontade à criação, Exige do forte a virtude; Mudar do destino a lição, Moldando o real com atitude. II. A Versão Gaiata (O Jogo de Empurra) Mas se o plano desaba no chão, O esperto mal muda de lado: Aplica à vontade a criação... De um novo e perfeito culpado! III. O Contraste (O Diagnóstico da Urna) Diz a tese que o mundo se altera Com esforço e com brio profundo; Mas na prática dessa galera, Se perdem, a culpa é do mundo! IV. A Graça (A Resposta ao Artigo) Se o povo votou diferente, O "puro" se nega o pecado: "O erro não foi do gerente, O freguês é que foi malcriado!" O Fechamento da Tramoia Como bem nota o artigo e rimaria o poeta juiz-forano: na falta de coragem para aplicar a vontade à criação de novas soluções econômicas e sociais, a militância senta-se à vontade para criar espantalhos. Se o povo não vota como a cartilha identitária exige, decreta-se que o DNA da nação é que está estragado. Afinal, para quem sofre de soberba moral, é muito mais confortável reformar a culpa dos outros do que reformar as próprias ideias.
Released prisoner of war Lt. Col. Robert L. Stirm is greeted by his family at Travis Air Force Base in Fairfield, Calif., as he returns home from the Vietnam War, March 17, 1973. Sal Veder/AP Photojournalist Sal Veder, best known for his Pulitzer-Prize winning photo "Burst of Joy," depicting a U.S. Air Force lieutenant colonel reuniting with his family after spending five years in a prisoner of war camp in Vietnam, died at the age of 99 on Saturday. According to the Associated Press, his family confirmed he died in his sleep at his home in El Dorado County, Calif., just over a week before he'd have turned 100. In a 2015 interview with The Guardian, Veder said he was waiting with dozens of other photographers in a bullpen at Travis Air Force Base in Fairfield, California, competing for shots of other returning POWS and their loved ones, when he sensed movement off to one side. "This family came out of nowhere, got out of their car and dashed for the soldier, who'd been a POW for five years," he said in the interview.
Associated Press photographer Slava "Sal" Veder holds a copy of his Pulitzer Prize-winning picture and a congratulatory telegram from Wes Gallagher, then-AP president and general manager, in San Francisco on May 7, 1974. Anthony Camerano/AP segunda-feira, 12 de outubro de 2026 O clique da glória e da amargura, por Ruy Castro Folha de S. Paulo Um soldado prisioneiro de guerra volta do Vietnã e descobre que sua esperança foi em vão A bela foto daquele momento é premiada e liga o fotógrafo e seu personagem para sempre A foto, excepcional, correu o mundo em 1973. Mostrava um soldado americano, prisioneiro de guerra durante cinco anos no Vietnã, desembarcando recém-libertado numa base aérea na Califórnia. O homem é um major e se chama Robert Stirm. Está fardado, de costas para a câmera, e sua bela família corre euforicamente para abraçá-lo. São duas meninas, uma já adolescente, dois garotos e a esposa. Parecem estar no ar, os pés fora do chão, e a alegria em seus rostos é indescritível. A foto é de Slava Veder, também americano, da Associated Press. Veder morreu há um mês, aos 99 anos. Sua foto lhe rendeu o Prêmio Pulitzer e fama pelo resto da vida. Stirm morreu em 2025, aos 92, mas, para ele, ao contrário, ela só lhe provocava amargura. Não porque lhe lembrasse o longo cativeiro na selva, mas porque, ao se reunir com a família naquele momento, já sabia que seu casamento estava destruído. Dias antes de voltar, recebera uma carta da mulher contando-lhe que, na ausência dele, ela se apaixonara por outro homem e, embora aquele caso já tivesse acabado, convencera-se de que não era feliz no casamento e queria o divórcio. Stirm não esperava por aquilo. O que o fizera sobreviver à fome, às torturas e às execuções simuladas na prisão fora a esperança de reencontrar sua família, recuperar o tempo perdido com a mulher, acompanhar o que restava da adolescência das crianças. E, ao descer do avião, sentia-se como se o chão que pisava não existisse. O casamento acabara e eles concordaram em esperar um ano para a separação, o que aconteceu. A história chegou à imprensa na época e, por algum tempo, foi tão conhecida quanto a foto. Para sorte de Stirm, seu rosto não aparecia na imagem, poupando-o de ser apontado nas ruas. Mas todos sabiam dela nos quartéis. Promovido a coronel, ele abandonou a vida militar. Veder e Stirm passaram as muitas décadas seguintes ligados pela foto. Com frequência, participavam de cerimônias envolvendo os veteranos daquela guerra absurda. Mas, para Stirm, o Vietnã nunca acabou. 1973 Burst of Joy Marshall Poe 31 de mai. de 2010 A Mechanical Icon film.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026 A culpa pela derrota de Lula no 1º turno é do povo, por Demétrio Magnoli O Globo Justificativas ensaiadas têm algo em comum: eximir o presidente e seu partido de qualquer responsabilidade Quem é o culpado? Sidônio Palmeira, Janja, Alexandre de Moraes, o “imperialismo ianque”, a “imprensa entreguista”, o mordomo? Todas essas hipóteses circulam na campanha de Lula e na base militante petista. Contudo, no fundo, a teoria mais permanente é outra: a culpa seria do povo. Há muito, quando o PT perdeu uma eleição em São Paulo, a filósofa Marilena Chauí acusou a “classe média fascista”. Era estranho, pois o PT daquele tempo triunfara várias vezes nas grandes cidades do Sudeste, inclusive com o voto majoritário dos bairros de classe média. Afinal, essa camada social tornava-se fascista apenas quando o PT perdia? Outros tempos, novos culpados. Desde 2018, nos meios de esquerda, firmou-se uma obsessão sobre o “pobre de direita”. Os militantes tendem a imaginar que sua régua — a ideologia — é a de todos. Não entendem que a decisão de voto move-se circunstancialmente. Eleitores de Obama votam, depois, em Trump, e os mesmos pobres que sufragaram Lula podem votar em Bolsonaro. A difusão da política identitária entre os “progressistas” degradou ainda mais os diagnósticos. No lugar de grupos (imaginários) mais ou menos demarcados, a culpa estendeu-se à sociedade inteira — ou, ao menos, à maioria dela. Numa entrevista anterior ao primeiro turno, dedicada a divulgar o livro “O ódio como política”, que organizou, a socióloga Esther Solano sugeriu a seguinte explicação sobre o eleitorado de Bolsonaro: — Estamos num país que tem uma sociedade muito racista e muito machista. O Brasil é o país que mais mata pessoas transgênero no mundo, tem uma alta taxa de feminicídio. Então, é um país que está construído sobre uma base de ódio contra o diferente. Solano expressa, palavra por palavra, um diagnóstico que percorre significativa parcela da esquerda. Ela não disse que existem racismo, machismo, misoginia e transfobia, o que é óbvio. Mas, recitando a bíblia identitária, afirmou que essa é a essência da “sociedade brasileira”. Afinal, de acordo com Solano, o Brasil ergue-se “sobre uma base de ódio contra o diferente”. Se isso for verdade, desistam: Lula não tem chance. Um país esculpido nesse molde elegerá, inevitavelmente, a extrema direita. E, como não dá para mudar de povo, restaria aos “progressistas” mudar de país. Supostamente radical, o raciocínio identitário é, na verdade, fatalista — e derrotista. Seu fulcro encontra-se na palavra que amam de paixão: estrutural. O racismo é “estrutural”, como a misoginia, a homofobia e a transfobia. Significa que estão incrustados no DNA da “sociedade”. Não havendo saídas, procura-se constranger a “sociedade” atribuindo-lhe características pecaminosas, a fim de cobrar “compensações”, na forma de cotas. Funciona, mas ao reverso. O declínio eleitoral dos “progressistas” no Ocidente reflete, em larga medida, o fastio provocado por intermináveis discursos sobre a culpa proferidos do alto de uma pretensa superioridade moral. O detalhe que escapa ao raciocínio identitário: desde 2003, os “progressistas” governaram o Brasil durante 75% do tempo. Como se explica que uma sociedade tão corrompida, violenta, odienta e odiosa tenha feito tal escolha eleitoral predominante? Há mais. Inegavelmente, e segundo os próprios discursos de Lula, os governos “progressistas” que dominaram nossa História recente desempenharam papel significativo na edificação do Brasil atual. Seu legado é um país tão depravado? As diversas justificativas ensaiadas para a derrota no primeiro turno, do mordomo marqueteiro ao país consumido pelo pecado, têm algo em comum: eximir o presidente e seu partido de qualquer responsabilidade. Lula, o PT e as políticas do governo nada têm a ver com o fracasso. A culpa é sempre dos outros — e, segundo a lógica identitária, do país impuro que os puros governam. É uma repetição. No rastro do impeachment de Dilma Rousseff, inventou-se a lenda do “golpe das elites” para impedir a revisão crítica das políticas que conduziram à depressão econômica. Hoje, a imaginação “progressista” voa alto, com o mesmo objetivo. Quebrar espelho, eis o que se faz. Desse jeito, até um Flávio pode chegar ao Planalto.
A CULPA É DELE E ELE BOTA EM QUEM ELE QUISER Essa frase é um clássico! Ela resume com perfeição o comportamento daquela pessoa que simplesmente se recusa a assumir as consequências e prefere o caminho mais fácil: apontar o dedo para os outros.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026 Opinião do dia – Antonio Gramsci* “O político em ato é um criador, um suscitador, mas não cria a partir do nada nem se move na vazia agitação de seus desejos e sonhos. Toma como base a realidade efetiva: mas o que é esta realidade efetiva? Será algo estático e imóvel, ou, ao contrário, uma relação de forças em continuo movimento e mudança de equilíbrio? Aplicar a vontade à criação de um novo equilíbrio das forças realmente existentes e atuantes, baseando-se naquela determinada força que se considera progressista, fortalecendo-a para fazê-la triunfar, significa continuar movendo-se no terreno da realidade efetiva, mas dominá-la e superá-la (ou contribuir para isso). Portanto, o “dever ser” é algo concreto, ou melhor, somente ele é interpretação realista e historicista da realidade, somente ele é história em ato e filosofia em ato, somente ele é política.” *Antonio Gramsci (1891-1937), Caderno 13 – Cadernos do Cárcere, v.3. p.35. 3ª Edição. Editora Civilização Brasileira, 2007.
terça-feira, 13 de outubro de 2026 O chicote mudou de mãos, por Carlos Andreazza O Estado de S. Paulo O presidente do TSE mandou derrubar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por André Janones. O deputado aplica contra o bolsonarismo aquilo que o bolsonarismo sempre aplicou contra os adversários: a difusão em massa de comandos para espalhamento de informações frequentemente mentirosas. Lula reclamou do presidente do TSE: “Estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra nossa campanha. Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um compromisso civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”. A fala poderia ser de Jair Bolsonaro, em 2022. O presidente do TSE mandou derrubar o canal lulista em consonância com a doutrina gilmarmendista: ignorando o juiz natural e atropelando determinação do relator. Flávio Bolsonaro, insatisfeito com as providências ordenadas pelo ministro Cueva, decidiu escolher o juiz. Escolheu Nunes Marques, que então abriria a constituição – o Direito Eleitoral Xandônico – que a jurisprudência do TSE, chancelada pelo STF, escrevera. Flávio elogiou a decisão e pediu mais: “Espero que a Justiça Eleitoral continue. Seja mais ágil, inclusive. Porque os caras criaram um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo”. A fala poderia ser de Lula, em 2022. O ato censor – sim, censura, também prévia – de Nunes Marques presta todas as homenagens à obra de Alexandre de Moraes. É uma ode a Xandão. O legado da Presidência que, em defesa da democracia, outorgou-se o poder de resolver casos omissos. Casos omissos, para solução individual do togado, serão aqueles que o xandão da vez quiser. A resolução xandônica 23.714/2022/TSE contempla – banaliza – a suspensão temporária de perfis, contas ou canais mantidos em mídias sociais. Ao validála, o Supremo assentou que a censura prévia não seria censura prévia “em caso de produção sistemática de desinformação sobre o processo eleitoral”. Censura prévia, baixada sob conceitos vagos. Também a Segunda Turma fora expressa a respeito das garantias para a atividade do arbítrio à baciada: “determinação de indisponibilidade de perfis mantidos em plataforma social em caso de grave ofensa ao processo eleitoral” não caracterizaria censura prévia. É por onde avançam André Mendonça e Nunes Marques, autorizados pelo plenário do STF, consagrador do mantra xandônico segundo o qual a liberdade de expressão seria balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade, e que o seu exercício “não pode ser utilizado como verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”. O ministro Cueva, desta vez, mais uma vez, removeu a censura de arrastamento. A tendência – tendência do STF – é à censura, desconsiderada a repressão individual a conteúdos ilícitos. A balança do Supremo – distorcidos os pesos da Constituição – pende à restrição integral ao funcionamento de meios de comunicação. É a regra. O recuo de Alexandre de Moraes é para valer? | Meio-Dia em Brasília - 13/10/2026 O Antagonista Transmissão iniciada há 59 minutos Meio-Dia em Brasília | 2026 Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Samba do Approach - Zeca Baleiro Ft. Zeca Pagodinho (legendado) HD 2011Loveisall 8 de jan. de 2017 #2011Loveisall #lauratricolor #2014Loveisall No copyright infringement intended. For fan entertainment purposes only. Samba do Approach Artista : Zeca Baleiro Álbum : Vô Imbolá Lançamento : 1999 Imagem : Casal Will & Mary em uma mini coreografia de samba. Letra : Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch Eu ando de ferryboat Eu tenho savoir-fare Meu temperamento é light Minha casa é high-tech Toda hora rola um insight Já fui fã do Jethro Tull Hoje me amarro no Slash Minha vida agora é cool Meu passado é que foi trash Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch Eu ando de ferryboat Mas fica ligada no link Que eu vou confessar my love Depois do décimo drink Só um bom e velho Engov Eu tirei o meu green card E fui pra Miami Beach Posso não ser pop star Mas já sou um nouveau riche #2011Loveisall#lauratricolor#2014Loveisall html

INSCRIÇÃO ETERNA

CENSURA: TRACTIO — XIV/X/MMXXVI • CENSURA: PROCESSIO — A MAIS VIL CONGÉRIE

Reinaldo Azevedo evoca a sombra de Olavo apenas para refutar um Lenine fictício. O aggiornamento, esse sopro de pragmatismo pontifício, cairia oportunamente a um católico carismático que opera sob a luxuosa indulgência do sobrinho putativo do ministro Andreazza — cuja imagem surge agora reduzida a um panfleto impresso, no aberto colóquio digital desse mesmo sobrinho; património, aliás, que o tagarela do chat ousou citar.

INSCRIPTIO AETERNA

CENSURA: TRACTIO — XIV/X/MMXXVI • CENSURA: PROCESSIO VILISSIMA CONGERIES

Reinaldus Azevedus umbram Olavi evocat tantum ut Leninum fictum refellat. Aggiornamento, ille afflatus pragmatici pontificii, catholico charismatico opportune caderet, qui sub luxuriosa indulgentia nepotis putativi ministri Andreazzae operatur — cuius imago nunc ad libellum impressum redacta est, in aperto eiusdem nepotis colloquio digitali; hereditatem autem eius garrulus chatista citare ausus est.

Use o código com cuidado. Vintage Evening Radio Jazz – 1930s 1940s Smooth Swing & Vinyl Background Music Dark Sea Ambience Transmissão iniciada em 3 de jun. de 2026 #relaxingjazz #vintagemusic #vintagejazz The workday is over. The light is fading. Put something warm on the radio. This is a 24/7 live broadcast of smooth vintage evening jazz from the 1930s and 1940s. Tenor saxophone, sparse piano, walking bass and wire brushes — the sound of a quiet evening radio program from another era. Perfect for unwinding after work, reading, cooking dinner, or simply letting the evening pass slowly. ─────────────────────────────

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quando nos despertamos de entre os mortos

Brasiliana Iconográfica Beatriz é ser atriz, em Lobo, em Lima, quiçá em Alighieri. A sina de atriz Na vida por um triz. Beatriz Edu Lobo - Tema HAROLDO DUTRA DIAS - A Parábola do Festim das Bodas (2011)
Do Sétimo Céu ao Palco dos Mortos: A Sina da Atriz 🎭✨ O que conecta a musa eterna de Dante Alighieri, a melodia de Edu Lobo, o lirismo de Jorge de Lima e a poesia cirúrgica de Chico Buarque à imagem destes atores em cena? A resposta repousa no mistério que transforma a carne em obra de arte. No registro João Caldas/Divulgação, o elenco da mais recente montagem de Quando nos Despertamos de Entre os Mortos — testamento literário de Henrik Ibsen dirigido por Elias Andreato — encarna o doloroso acerto de contas entre um escultor e sua antiga musa. É a própria vida sendo devorada em nome da criação artística. Essa mesma voltagem existencial atravessa a gênese de uma das maiores joias da nossa música. Quando Chico Buarque e Edu Lobo receberam a missão de traduzir o poema O Grande Circo Místico, de Jorge de Lima, depararam-se com um impasse métrico. A equilibrista original chamava-se Agnes. Faltava-lhe o chão. Faltava-lhe a palavra. Em um lampejo genial, Chico jogou a personagem para o chão do palco, transformou-a em intérprete e foi beber na fonte de Dante Alighieri: rebatizou-a como Beatriz — uma homenagem direta à Beatrice Portinari que guiou o poeta florentino pelo Paraíso. Anos mais tarde, o próprio Chico refinaria o verso definitivo, trocando "a vida de atriz" por "a sina de atriz". Uma mudança que sela a fragilidade e a beleza trágica de se doar ao teatro. Olhar para estes atores nos palcos é testemunhar essa exata linhagem de criadores que desafiam o tempo por um triz. Beatriz é ser atriz, em Lobo, em Lima, quiçá em Alighieri. A sina de atriz Na vida por um triz. 📸 Na foto: Celso Frateschi, Maria Fernanda Cândido, Maria Manoella, Fernando Nitsch e Angelo Brandini na montagem de Quando Despertarmos de Entre os Mortos. #Teatro #Cultura #HenrikIbsen #ChicoBuerque #EduLobo #DanteAlighieri #ArtesCenicas #Literatura Rubek é um artista à beira do fim, preso a uma derradeira tentativa de refazer sua própria história. Irene não é apenas sua musa perdida, mas um espectro de tudo o que poderia ter sido. Memória, delírio e finitude se entrelaçam nessa montagem do último texto escrito pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), distorcendo os limites entre realidade e alucinação. *As sessões de 29/10 a 1/11 contam com recursos de acessibilidade em Libras FICHA TÉCNICA Elenco: Celso Frateschi, Maria Fernanda Candido, Maria Manoella, Fernando Nitsch, Angelo Brandini | Direção: Elias Andreato | Assistente de Direção: Angelo Brandini | Direção de Arte: Sylvia Moreira | Direção de Movimento: Irupé Sarmiento | Iluminação: Wagner Freire | Trilha Sonora: Dan Maia | Design Gráfico: Pedro Becker | Pesquisa: Welington Andrade | Fotografia: João Caldas | Direção de Produção: Maurício Inafre | Idealização: Ágora Teatro Capítulo XVIII — Muitos os chamados, poucos os escolhidos Muitos os chamados, poucos os escolhidos - Artur Valadares NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo 8 de jan. de 2024 Palestra realizada no dia 07/01/2024 na Sociedade Espírita Casa do Caminho, em Patrocínio/MG.
14 - EURÍPEDES, HOMEM PÚBLICO A parábola dos talentos (Mateus, XXV: 14 a 30) que o Divino Educador apresenta à Humanidade como programa simbólico de estrutura educativa, evidencia as oportunidades de serviços no plano terreno, como norma imprescindível à evolução espiritual. Eurípedes – espelho cristalino do servo fiel, no desempenho da missão que o Pai lhe atribuíra como Mensageiro da Sua Vontade, também avançara no tempo, multiplicando as horas de devotamento, no incessante anseio de devolver ao Senhor os talentos havidos nos diversos campos de ação, com que enriqueceu a vinha Divina de frutos soberbos, capital de Luz e Amor que realizou dentro de permanente linha de conduta, tendo a humildade como facho sublime. Admiram-se alguns do fato de haver Eurípedes conciliado sua participação no Legislativo local com as excelsas tarefas, nos campos mediúnico, educacional e de assistência a enfermos. Todavia, o acendrado amor de Missionário ao berço natal chamara-o a colaborar decididamente nas iniciativas, que propiciariam à cidade pequenina e esquecida, completamente falha de mínimos recursos de conforto, higiene e cultura, os provimentos indispensáveis à construção de uma nova fase de progresso, cabíveis numa comunidade de quatro mil habitantes. Os cometimentos exigiam esforço e coragem e mesmo até certa dose de audácia, em face das dificuldades a vencer e reclamavam espírito forte, persistente, tocado de magnetismo santificante como o de Eurípedes para impulsionar o barco rudimentar a bom porto. Assim, Eurípedes funcionou como Membro da Câmara Municipal de Sacramento apenas nos dois triênios, em que a cidade recebeu os maiores benefícios de sua época. Analisando os livros de Atas do Legislativo local, o vereador Dr. José Rosa Camilo, fornece-nos importantes dados referentes à atuação de Eurípedes, como homem público, dos quais destacamos os seguintes: "Os anais da Câmara Municipal, guardam as fases de serviços desenvolvidos por Eurípedes Barsanulfo, podendo-se aperceber do valor incontestável de sua presença no Legislativo sacramentano. Investido no mandato de Vereador, Eurípedes ocupou com sabedoria e extrema dedicação, nesta Câmara, os cargos de membro das Comissões de "Legislação e Finanças", de "Obras Públicas" e de "Instrução Pública", Eurípedes – o Homem e a Missão | 167
REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL Alistamento de 1905 N. 141 Título de eleitor Estado de Minas Geraes Municipio de Sacramento Secção Primeira Nome do eleitor Euripedes Barsanulpho Qualificativos Idade 25 anos Filiação Hermogenes C. M. [ilegível] Estado civil Solteiro Profissão Professor Numero de ordem no alistamento geral 128 Rubrica do Presidente da Junta de Recursos [Em branco] Assignatura do Presidente da Comissão de Alistamento José Saturnino Felicíssimo Assignatura do eleitor Euripedes Barsanulpho Sacramento, 20 de Agosto de 1905 Aqui está a transcrição da página 168, que reproduz um documento antigo (Título de Eleitor):
Aqui está a transcrição e descrição dos elementos da página 169: (Nota: A página contém uma fotografia antiga na horizontal de um grupo de alunos e professores, acompanhada de uma legenda vertical no canto esquerdo). Texto na legenda da foto (na vertical): COLLEGIO ALLAN KARDEC 17 - JANEIRO - 910. ED. PHOT. Texto na parte inferior da página: 169 | (Gentileza da Revista Internacional de Espiritismo)
Aqui está a transcrição da página 170: cujos pareceres de cunho essencialmente técnicos e avançados, emitidos numa época em que o nosso município conheceu a mais extraordinária fase de desenvolvimento de sua história (1907-1912), mesmo guardadas as proporções e limitações da época. Nesse período a cidade recebeu as seguintes construções: uma usina hidrelétrica para 400 KW; uma ferrovia de 14 Km, à tração elétrica; a canalização da água, o cemitério, o matadouro e outros. As rendas irrisórias dos Poderes Públicos não permitiam realizações de tal vulto. A cidade não era beneficiada por operações bancárias. Restava o embasamento financeiro particular, especialmente provindo de empréstimos realizados com grandes fazendeiros da época. Desse modo, o Sr. Teodoro Rodrigues da Cunha – importante proprietário de terras férteis e em franca produção – foi histórico financista da Câmara para a construção da Usina do Cajuru, que veio substituir os velhos lampiões a querosene, nas vias públicas e as fumarentas lamparinas domésticas. Destarte, é fácil prever-se o quilate das obrigações municipais, na área particular, a fim de cobrir as vultuosas despesas com os empreendimentos já mencionados." "Soube Eurípedes – acrescentou o Dr. José Rosa Camilo – desempenhar com desenvoltura e devotamento, segurança e nobreza extremas, a árdua missão de representante da vontade do povo junto ao Poder Legislativo do Município, constituindo-se paralelamente – em vigilante e arguto colaborador do "Agente Executivo" e "Presidente da Câmara"." As palavras e decisões do Major Eurípedes Barsanulfo se sobressaíam e eram acatadas como as de um verdadeiro paladino como se depreende da análise dos registros históricos da Câmara Municipal de Sacramento. Com a lhaneza de seu caráter asceticamente sério e impoluto, serviu à causa pública com honestidade, primando pelo dever de ser útil a seu berço natal e devotando sempre acurado estudo na análise e defesa das causas de interesse municipal. No campo da instrução pública, foi muito importante sua participação, em favor do desenvolvimento das escolas, então existentes. No campo particular, já é bem conhecido o seu trabalho ciclópico desde 1902 com o Liceu Sacramentano e a partir of 1907 com o Colégio Allan Kardec. É bom que se assinale a ausência de verbas municipais em favor dessa instituição, como comprova o arquivo do Lar de Eurípedes, que guarda recibos de quitação de taxas de água e luz, no consumo do Colégio Allan Kardec. O pedido de afastamento de Eurípedes dos serviços da Câmara deu-se a 23 de setembro de 1910, em decorrência da prorrogação de mandatos pelo Presidente de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão que Eurípedes, com Corina Novelino 170
Aqui está a transcrição da página 171: seu espírito altamente democrático entendeu como ilegal. Justificou seu afastamento com base na falta de credenciamento pela representação popular, como se vê em seu pronunciamento, registrado nos anais da Câmara no livro 18, fls. 99 – "In verbis": "Pediu a palavra o Vereador E. Barsanulpho, e disse que muito agradecia as benevolências do collega M. Borges e sentia não poder servir-lhe por já haver prestado os seus serviços a causa publica em dois trienios já passados, portanto é chegada a quarta época das sessões ordinárias do trienio a findar-se, época azada para fazer sua retirada e com muito pezar deixava seus collegas, não só pelo que já havia dito com relação a autocracia do alto governo, como pelos afazeres que o cerca e mesmo que por attenção deliberasse a continuar nos trabalhos da Camara ser-lhe-ia muito duro prosseguir illegalmente nas funcções do Governo Municipal em continuação no anno futuro de 1911 cujo tempo legal termina-se a 31 de dezembro do corrente anno, época lagalizada pela lei, portanto encarecidamente pedia aos collegas desculpá-lo attendendo seus afazeres que não são poucos tomando a deliberação de hora em diante recolher-se a seu tugurio onde ia tratar de sua missão particular para o que estava as ordens no caracter particular ajudar na causa publica; mas como camarista já havia dito que escrupulosamente não podia exercer de janeiro de 1911 em diante." A mesma ata, registrou parecer do Presidente da Câmara, assim expresso: "Pelo senhor Presidente foi dito que por sua parte não deixava de externar o pesar que lhe causou em ouvir as palavras do Vereador E. Barsanulpho manifestando sua retirada desta Camara, o que posto a votos foi regeitada unanimemente." Como se vê, os pares de Eurípedes não se conformavam com sua renúncia ao cargo, que ocupava na Edilidade sacramentana. Contudo, não permaneceu ele nem mais um dia além do estabelecido pela Lei, no mandato que exerceu com profundo sentido cívico. Observe-se nas entrelinhas do seu pronunciamento, que sua missão já lhe comandava os esforços na direção do bem geral, sem as limitações restritivas do serviço público. Os horizontes do Missionário se alargavam, cada dia, em proporções grandiosas, apresentando-lhe paisagens de trabalho ciclópico, que lhe reclamavam os mais decididos testemunhos de firmeza na fé e as mais belas afirmações de Amor ao próximo. Eurípedes – o Homem e a Missão | 171
Aqui está a transcrição dos elementos da página 172, que reproduz o manuscrito original do pronunciamento de Eurípedes citado na página anterior: (Texto manuscrito no livro de Atas da Câmara): [...] deixava seus collegas, não só pelo que já havia dito com relação a autocracia do alto governo, como pelos afazeres que o cerca e mesmo que por attenção deliberasse a continuar nos trabalhos da Camara ser-lhe-ia muito duro prosseguir illegalmente nas funcções do Governo Municipal em continuação no anno futuro de 1911 cujo tempo legal termina-se a 31 de Dezembro do corrente anno, época legalizada pela lei, portanto encarecidamente pedia aos collegas desculpá-lo attendendo seus afazeres que não são poucos tomando a deliberação de hora em diante recolher-se a seu tugurio onde ia tratar de sua missão particular para o que estava as ordens no caracter particular ajudar na causa publica; mas como camarista já havia dito que escrupulosamente não podia exercer de janeiro de 1911 em diante. Pelo senhor presidente foi dito que por sua parte não deixava de externar o pesar que lhe causou em ouvir as palavras do vereador E. Barsanulpho manifestando sua retirada desta Camara, o que posto a votos foi regeitada unanimemente. Achando-se adiantada a hora o senhor presidente levantou a sessão, agradecendo os camaristas o concurso dos e trabalhos que despensaram no decurso do anno em bem da municipalidade, do que para constar se lavrou a presente ata que vai assignada pelo presidente e secretario. Eu, Daniel Gonçalves Castanheira escripturario da Camara a escrevi. (Assinaturas ao final): Almeida E Barsanulpho (Carimbos aplicados sobre o documento): • À esquerda: Carimbo oficial de cartório (2º Ofício). • À direita: Carimbo de Autenticação declarando a conformidade com o original. (Legenda impressa na parte inferior da página): Fac-símile de página dos Anais da Câmara Municipal de Sacramento, datada de 23/9/1910.
Franz Joseph Frühbeck (Viena, Áustria, 1795 – Krieglach, Áustria, ?) / Crotos Capítulo VII — Da volta do Espírito à vida corporal Prelúdio da volta. 330. Sabem os Espíritos em que época reencarnarão? “Pressentem-na, como sucede ao cego que se aproxima do fogo. Sabem que têm de retomar um corpo, como sabeis que tendes de morrer um dia, mas ignorando quando isso se dará.” (166.) a) – Então a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida corporal? “Certamente; assim é.” 331. Todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação? “Muitos há que em tal coisa não pensam, que nem sequer a compreendem. Depende de estarem mais ou menos adiantados. Para alguns, a incerteza em que se acham do futuro que os aguarda constitui punição.” 332. Pode o Espírito apressar ou retardar o momento da sua reencarnação? “Pode apressá-lo, atraindo-o por um desejo ardente. Pode igualmente distanciá-lo, recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e indiferentes. Nenhum, porém, assim procede impunemente, visto que sofre por isso, como aquele que recusa o remédio capaz de curá-lo.” 333. Se se considerasse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes e, conseguintemente, não ambicionasse elevar-se, poderia um Espírito prolongar indefinidamente esse estado? “Indefinidamente, não. Cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de progredir. Todos têm que se elevar; esse o destino de todos.” 334. Há predestinação na união da alma com tal ou tal corpo, ou só à última hora é feita a escolha do corpo que ela tomará? “O Espírito é sempre designado de antemão. Tendo escolhido a prova a que queira submeter-se, pede para encarnar. Ora, Deus, que tudo sabe e vê, já antecipadamente sabia e vira que tal Espírito se uniria a tal corpo.” 335. Cabe ao Espírito a escolha do corpo em que encarne, ou somente a do gênero de vida que lhe sirva de prova? “Pode também escolher o corpo, porquanto as imperfeições que este apresente serão, para o Espírito, provas que lhe auxiliarão o progresso, se vencer os obstáculos que delas lhe advenham. A escolha, porém, nem sempre depende dele; mas isso não obsta a que peça que seu corpo seja tal ou qual.” a) – Poderia o Espírito recusar, à última hora, tomar o corpo por ele escolhido? “Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tentasse prova alguma.” 336. Poderia dar-se não haver Espírito que aceitasse encarnar numa criança que houvesse de nascer? “Deus a isso proveria. Quando uma criança tem que nascer para viver, está predestinada sempre a ter uma alma. Nada se cria sem que à criação presida um desígnio.” 337. Pode a união do Espírito a determinado corpo ser imposta por Deus? “Pode, do mesmo modo que as diferentes provas, mormente quando ainda o Espírito não está apto a proceder a uma escolha com conhecimento de causa. Por expiação, pode o Espírito ser constrangido a se unir ao corpo de determinada criança que, pelo seu nascimento e pela posição que venha a ocupar no mundo, se lhe torne instrumento de castigo.” 338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para tomar determinado corpo destinado a nascer, que é o que decidiria sobre a qual deles pertenceria o corpo? “Muitos podem pedi-lo; mas, em tal caso, Deus é quem julga qual o mais capaz de desempenhar a missão a que a criança se destina. Porém, como eu já disse, o Espírito é designado antes que soe o instante em que haja de unir-se ao corpo.” 339. No momento de encarnar, o Espírito sofre perturbação semelhante à que experimenta ao desencarnar? “Muito maior e sobretudo mais longa. Pela morte, o Espírito sai da escravidão; pelo nascimento, entra para ela.” 340. É solene para o Espírito o instante da sua encarnação? Pratica ele esse ato considerando-o sério e importante? “Procede como o viajante que embarca para uma travessia perigosa, e que não sabe se encontrará ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar.” O viajante que embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá. Assim como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. Sabe que reencarnará, como o homem sabe que morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito só no instante supremo, quando chegou o momento exigido, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia, dele se apodera a perturbação, que se prolonga até que a nova existência se ache claramente formada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia. 341. Na incerteza em que se vê quanto às eventualidades do seu triunfo nas provas que vai suportar na vida, tem o Espírito uma causa de ansiedade antes da sua encarnação? “De ansiedade bem grande, pois que as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, conforme as suporte.” 342. No momento de reencarnar, o Espírito se acha acompanhado de outros Espíritos seus amigos, que vêm assistir à sua partida do mundo incorpóreo, como vêm recebê-lo quando para lá volta? “Depende da esfera a que pertença. Se já está nas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam acompanham-no até ao último momento, animam e mesmo lhe seguem, muitas vezes, os passos pela vida em fora.” 343. Os Espíritos amigos que nos seguem os passos na vida serão talvez os que vemos em sonho, que nos testemunham afeto e que se nos apresentam com semblantes desconhecidos? “Muito frequentemente são; eles vos vêm visitar, como ides visitar um encarcerado.”
Franz Joseph Frühbeck (Viena, Áustria, 1795 – Krieglach, Áustria, ?). Artista amador, veio ao Brasil muito jovem, em 1817, como membro da comitiva austríaca que acompanhou a princesa Leopoldina na ocasião de seu casamento com D. Pedro I, e permaneceu no país até 1818. As aquarelas produzidas por Frühbeck retratam cenas a bordo da fragata portuguesa D. João VI, por meio delas é possível observar o cotidiano dos viajantes no interior da embarcação, destacando-se também vistas tomadas a bordo do navio e imagens que evidenciam aspectos do Rio de Janeiro da época. Ricas em detalhes, as cenas desenhadas pelo austríaco relatam com minúcia os eventos observados durante a viagem. Ao retornar à Europa, expôs os desenhos de sua viagem ao Brasil em Viena, entre 1829 e 1830. Frühbeck deixou uma obra reduzida; além dos 30 desenhos, aquarelas e colagens integrantes do álbum pertencente à coleção de Iconografia do IMS, sabemos que seus trabalhos também integram as coleções da Sociedade Hispânica da América, em Nova York, e da coleção Itaú, em São Paulo. 69— O LIVRO DOS ESPÍRITOS —CAP VII — DA VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL— UNIÃO DA ALMA E DO CORPO Web Rádio Fraternidade
'Os problemas que vemos no Haiti foram perpetuados pelas organizações internacionais' Governe as preocupações. Governar as preocupações é pôr a paz dentro de si. Henrik Ibsen's When We Dead Awaken Emanuel E. Garcia 8 de abr. de 2020 A Midsummer Night Players production of Ibsen's last and greatest dramatic work. Directed by Emanuel E. Garcia Starring Julia Maria Seemann, Colton Stuart, Lana Percival, Patrick McTague, Michaeljohn Butcher and Hayley Morris Filmed in collaboration with Ray Dickinson of Soulhaven Creative Productions Voltar a Paz Grupo Fundo de Quintal Que tal vamos chegar a conclusão Voltar a paz e a união E reviver nossa paixão Eu e você na primavera que virá Um novo ninho decorar Novas cenas de amor Sei que vamos achar Que tal Perfume das rosas eu quero sentir Na pujança do amor Que eu tanto pedi à natureza Que fez você mulher Em meus braços fazer O que antes não fiz Esquecer o passado Que foi infeliz E ter você pra sempre Como eu quis Composição: Sereno.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

DEMOCRACIA EM DISPUTA

Tom Jobim | João Ninguém | Minha Alma Canta Biscoito Fino “Ouça o Áudio oficial da faixa "João Ninguém", interpretada por Tom Jobim. O projeto "Minha Alma Canta", produzido por Almir Chediak, reúne as gravações de Tom Jobim para a série "Songbook", de Almir Chediak. Ouça em todas as plataformas de música através do link de acesso universal orcd.co. Abaixo, confira a letra da composição de Noel Rosa: Letra: João Ninguém João Ninguém Que não é velho nem moço Come bastante no almoço Pra se esquecer do jantar... Num vão de escada Fez a sua moradia Sem pensar na gritaria Que vem do primeiro andar João Ninguém Não trabalha e é dos tais Mas joga sem ter vintém E fuma Liberty Ovais Esse João nunca se expôs ao perigo Nunca teve um inimigo Nunca teve opinião João Ninguém Não tem ideal na vida Além de casa e comida Tem seus amores também E muita gente que ostenta luxo e vaidade Não goza a felicidade Que goza João Ninguém! João Ninguém não trabalha um só minuto E vive sem ter vintém E anda a fumar charuto Esse João nunca se expôs ao perigo Nunca teve um inimigo Nunca teve opinião “E os aposentados continuam sendo trabalhadores.” — Luiz Inácio Lula da Silva “A gente vai ficando velho. Fica vendo um no outro.” De um transeunte para outra nos cruzamentos dos caminhos! O Espelho do Tempo nas Calçadas da Vida O cruzamento de caminhos nas esquinas urbanas é o palco onde a nossa humanidade mais comum se revela. Quando as palavras flutuam entre desconhecidos na pressa do cotidiano, o que se partilha ali é um instante de profunda lucidez. Olhar para o outro e enxergar a si mesmo — o corpo que abranda o passo, as marcas deixadas pelos anos, a experiência acumulada — transforma a rua em um espelho coletivo. Ninguém envelhece isolado; fazemos parte de um fluxo contínuo. Esse reconhecimento mútuo conecta-se de forma direta à ideia de que a nossa utilidade, a nossa dignidade e a nossa história não cessam com o passar dos anos. O trabalho que moldou o passado continua vivo na identidade de quem agora caminha sob o peso do tempo, mantendo os laços firmes com a sociedade que ajudou a erguer. Para complementar essa sensibilidade sobre o tempo, a simplicidade cotidiana e a arte da existência, acesse também: Poesia | Epígrafe, de Manuel Bandeira * Poesia Declamada: Assista ao Poema "Epígrafe" de Manuel Bandeira no YouTube narrado pelo canal Mundo dos Poemas. Noel Rosa - "João Ninguém" (O Gênio do Samba/2014) Gravadora Galeão Música | Noel Rosa - João Ninguém * Música e Identidade: Ouça a gravação histórica de 1935 com Noel Rosa cantando "João Ninguém" no YouTube, a versão original e bem-humorada do Poeta da Vila. Gostaria de acrescentar mais alguma música ou poema para enriquecer essa coletânea ou ajustar o texto reflexivo? Testar” Ponta De Areia Milton Nascimento Ponta de Areia Milton Nascimento Ponta de areia Ponto final Da Bahia-Minas Estrada natural Que ligava Minas Ao porto, ao mar Caminho de ferro Mandaram arrancar Velho maquinista Com seu boné Lembra o povo alegre Que vinha cortejar Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Composição: Milton Nascimento, Fernando Brant.
MDB ficará fora da Assembleia de Minas pela primeira vez na história Chapa do partido obteve pouco mais de 117 mil votos e não conseguiu nenhum assento; há oito anos, sigla elegeu sete nomes Guilherme Peixoto Publicado 05/10/2026 09:57 Partido obteve recorde negativo em Minas. Foto: Luiz Cervi/MDB O MDB não terá, pela primeira vez, nenhum representante na composição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O resultado interrompe sequência iniciada em 1966, ano de registro da versão inicial do partido, ainda sob a ditadura militar, quando os primeiros deputados estaduais emedebistas conseguiram assentos. O vazio deste ano é o ponto mais baixo de uma redução gradual no número de cadeiras conquistadas pela sigla. Os 10 gabinetes obtidos em 2014 se tornaram sete quatro anos depois. Em 2022, foram reduzidos a dois. Um deles é o presidente do Parlamento, Tadeu Leite, que optou por não buscar a reeleição e já está indicado para vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O outro, João Magalhães, até teve bom resultado nas urnas e garantiu a reeleição, mas pelo PSD, partido para o qual migrou no início deste ano. Candidato mais votado da chapa do MDB à Assembleia, Arlen Santiago, um dos decanos da Casa, conseguiu 70,7 mil votos. O segundo colocado da nominata, Cleitinho — um homônimo do governador eleito — obteve o apoio de 9,9 mil eleitores. O ponto alto do MDB mineiro no que tange ao Legislativo estadual após a redemocratização veio em 1986, na primeira eleição no âmbito da redemocratização. À ocasião, em um contexto marcado pelos reflexos do fim do bipartidarismo e pelo início da trajetória de agremiações como o PT, a sigla amealhou 41 assentos. Longe de uma cadeira Os componentes da chapa do MDB conquistaram, juntos, 114,2 mil votos. O resultado foi insuficiente para assegurar um dos 77 assentos no plenário porque o Democrata, partido com o menor desempenho a conquistar uma vaga, obteve o apoio de 177,7 mil eleitores. Os 70,7 mil votos de Arlen representam mais da metade de Cabo Gregório Silva, o beneficiário do desempenho do Democrata. Ele terá um gabinete legislativo após conseguir 32,8 mil votos. A seguir, O Fator detalha o desempenho do MDB em todas as eleições para a ALMG desde a fundação da primeira versão da sigla, sob a égide do bipartidarismo do regime de exceção. 2026 – nenhum; 2022 – 2; 2018 – 7; 2014 – 10; 2010 – 8; 2006 – 9; 2002 – 9; 1998 – 9; 1994 – 13; 1990 – 20; 1986 – 41; 1982 – 40; 1978 – 29; 1974 – 24; 1970 – 12; 1966 – 19. Candidatos ao Senado não fizeram 1% O desempenho ruim do MDB nas disputas legislativas não se restringe à ALMG. Manoel Carvalho e Arcanjo Pimenta, que representaram a sigla na corrida ao Senado Federal, não alcançaram 1% dos votos válidos nem mesmo com uma soma dos apoios conseguidos. Carvalho terminou com 0,21%, o equivalente a 43,2 mil votos; Arcanjo conseguiu um pouco menos — 40,7 mil —, quantia que representa 0,2% dos válidos. Presidente do partido renova mandato A exceção foi Newton Cardoso Júnior, presidente do diretório emedebista em Minas. Candidato à reeleição para deputado federal, ele se credenciou a mais quatro anos em Brasília (DF), já que angariou 93,7 mil votos. Será a única cadeira da sigla entre as 53 do estado na Casa. O primeiro suplente, José Eustáquio, rompeu por 89 votos a marca dos 13 mil. ALMG Eleições 2026 MDB Guilherme Peixoto Editor-chefe LinkedIn E-mail Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

REPORTAGEM ESPECIAL · ANÁLISE POLÍTICA

DEMOCRACIA EM DISPUTA

Fisiologismo, transformações sociais e a batalha pelo poder no Brasil

Eleições · Congresso · Justiça · Representação política

ESPAÇO OPCIONAL PARA IMAGEM DE CAPA

Inserir aqui a ilustração editorial “Democracia em disputa”.

Da disputa entre a direita tradicional e o bolsonarismo às mudanças na base social da esquerda, três artigos ajudam a compreender um cenário em que eleições, Congresso, tribunais e demandas cotidianas da população se entrelaçam. O desafio central é distinguir a competição legítima pelo poder dos riscos de enfraquecimento das instituições democráticas.


ABERTURA — O QUE ESTÁ EM JOGO?

A política brasileira não pode ser compreendida apenas pela contagem de votos ou pela divisão convencional entre direita e esquerda. Por trás das disputas eleitorais, há conflitos sobre a distribuição de recursos, a identidade dos partidos, a representação dos trabalhadores, as expectativas da população e os limites institucionais do poder.

Os textos reunidos nesta reportagem abordam essas questões por perspectivas diferentes. Karolina Roeder examina a disputa interna na direita e o enfraquecimento relativo de partidos tradicionais diante do bolsonarismo. José de Souza Martins interpreta as transformações sociais que desafiam a esquerda e suas formas tradicionais de representação. Luiz Carlos Azedo analisa a conexão entre a disputa presidencial, as negociações no Congresso e os conflitos judiciais.

Como preservar a representação democrática quando partidos, lideranças e instituições passam a disputar não apenas o governo, mas também as regras do próprio jogo político?

Nota de leitura: os resumos sintetizam os argumentos atribuídos aos autores. Não substituem a leitura das matérias originais nem representam verificação independente de todos os fatos mencionados.


01 · PARTIDOS E PODER

A DIREITA QUE DIVIDIU O CENTRÃO

Autora: Karolina Roeder | Publicação: Correio Braziliense | Data informada: 9 de outubro de 2026

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 1

Sugestão: Congresso Nacional ao fundo, com dois blocos políticos em disputa.

Legenda: A disputa pelo eleitorado conservador transforma as relações de força entre os partidos de direita.

O argumento central

Karolina Roeder interpreta o cenário eleitoral descrito no artigo como um sinal de fortalecimento da direita bolsonarista e de perda relativa de espaço por setores do Centrão. A autora aponta um paradoxo: partidos tradicionais que se aproximaram do bolsonarismo para ampliar seu poder de negociação podem ter ajudado a fortalecer um concorrente capaz de disputar diretamente seus eleitores.

O texto aborda o fisiologismo como uma prática política orientada prioritariamente à conquista de cargos, recursos e vantagens institucionais, em detrimento da defesa consistente de um programa. Nesse enquadramento, o Centrão não corresponde necessariamente a um centro ideológico moderado: seus alinhamentos podem variar conforme as oportunidades de negociação.

Apesar das perdas relativas descritas, os partidos tradicionais preservam bancadas, redes regionais e recursos políticos que continuam importantes para a formação de maiorias parlamentares.

O que merece atenção

  • A direita não é homogênea: existem diferenças entre partidos voltados à negociação institucional e forças mobilizadas por uma identidade política mais definida.
  • A aproximação tem custos: adotar as pautas de um concorrente pode legitimá-lo sem garantir a transferência de seus eleitores.
  • O poder de barganha permanece: partidos do Centrão podem continuar decisivos no Congresso.
  • A autonomia partidária está em jogo: ganhos imediatos podem comprometer a capacidade de estabelecer limites a aliados mais fortes.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

A tese de Roeder é que o Centrão corre o risco de ter fortalecido a força política que ameaça sua própria autonomia. A disputa ocorre também dentro do campo conservador, entre partidos voltados à negociação e uma direita que procura consolidar identidade, liderança e base eleitoral próprias.

Leia a íntegra: A direita que dividiu o Centrão — Correio Braziliense


02 · SOCIEDADE E TRABALHO

FIM DE ÉPOCA

Autor: José de Souza Martins | Publicação atribuída: Valor Econômico

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 2

Sugestão: antigas instalações fabris, automação e trabalhadores de diferentes gerações.

Legenda: As mudanças no trabalho e na vida cotidiana desafiam as formas tradicionais de representação política.

O argumento central

José de Souza Martins reflete sobre as transformações sociais que alteraram a relação entre trabalhadores, partidos e projetos políticos. A eleição de Lula em 2002 aparece como símbolo de uma época em que o protagonismo popular e o movimento sindical pareciam capazes de reorganizar a representação política brasileira.

Entretanto, mudanças econômicas e culturais modificaram a sociedade que sustentava parte daquela experiência. A região industrial do ABC paulista, historicamente associada ao sindicalismo e à formação do PT, passou a conviver com novas aspirações sociais e tendências políticas que não reproduzem automaticamente as escolhas das gerações anteriores.

A automação, a reestruturação produtiva e as novas expectativas individuais afetam a maneira como as pessoas compreendem mobilidade social, pertencimento e participação política. Ganhos materiais continuam relevantes, mas não respondem necessariamente a todas as demandas de reconhecimento, segurança e sentido social.

O que merece atenção

  • A base social muda: trabalhadores e seus descendentes não permanecem vinculados indefinidamente às mesmas organizações políticas.
  • O trabalho se transforma: a reorganização da produção altera experiências coletivas que antes favoreciam a mobilização sindical.
  • A esquerda enfrenta um problema de interpretação: sua história não garante conexão permanente com as novas demandas sociais.
  • A vitória da direita não significa o fim da esquerda: o desafio é reconstruir vínculos com movimentos sociais e compreender novas formas de vida e trabalho.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

Uma tradição política pode perder força quando continua respondendo às perguntas de uma sociedade que já se transformou. O desafio da esquerda não é simplesmente recuperar o passado, mas compreender as mudanças sociais e renovar sua capacidade de representação.

Leia a íntegra: inserir aqui o link oficial do artigo “Fim de época”, de José de Souza Martins, no Valor Econômico.

Nota editorial: o endereço original não foi confirmado com segurança. Inserir o link oficial antes da publicação.


03 · ELEIÇÕES E INSTITUIÇÕES

DISPUTA DO SEGUNDO TURNO SE ACIRRA NA RUA, NO CONGRESSO E NOS TRIBUNAIS

Autor: Luiz Carlos Azedo | Publicação: Correio Braziliense | Data informada: 9 de outubro de 2026

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 3

Sugestão: urna eleitoral em primeiro plano, com Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal ao fundo.

Legenda: A disputa eleitoral não termina nas urnas: suas consequências alcançam o Congresso e os tribunais.

O argumento central

Luiz Carlos Azedo apresenta o segundo turno como uma disputa que ultrapassa a campanha de rua. O cenário eleitoral descrito no artigo reorganiza alianças parlamentares, estimula propostas de mudança constitucional e amplia a importância das relações entre Executivo, Congresso e Supremo Tribunal Federal.

O autor destaca a necessidade de a campanha de Lula responder a preocupações concretas do eleitorado, especialmente custo de vida, orçamento doméstico e segurança pública. Ao mesmo tempo, examina a agenda institucional apresentada por Flávio Bolsonaro, que inclui mudanças nas regras de reeleição, alterações no mandato presidencial e reformas relacionadas ao Judiciário.

A discussão central é a diferença entre obter legitimidade eleitoral e dispor de poder ilimitado. Uma maioria de votos pode autorizar um programa de governo, mas não elimina a necessidade de respeitar as regras constitucionais, os direitos das minorias e a independência das instituições de controle.

O texto também chama a atenção para a renovação geracional da política, impulsionada por parlamentares com grande alcance nas redes sociais. As divergências sobre regulamentação do trabalho por aplicativos e jornada de seis dias de trabalho por um de descanso mostram como mudanças de representação se conectam a conflitos concretos sobre direitos e organização econômica.

O que merece atenção

  • A eleição é também parlamentar: a composição do Congresso afeta a governabilidade e o alcance das propostas presidenciais.
  • As preocupações cotidianas são decisivas: debates institucionais não substituem respostas concretas a renda, preços e segurança.
  • Reformas exigem critérios claros: mudanças nas regras eleitorais devem ser avaliadas quanto à impessoalidade e à segurança constitucional.
  • O controle institucional importa: tribunais independentes, imprensa livre e direitos fundamentais integram o sistema de contenção do poder.
  • Novas lideranças mudam o debate: as redes sociais ampliam a visibilidade de representantes e intensificam disputas sobre trabalho e direitos.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

O resultado eleitoral reorganiza o sistema político. A disputa pelo governo combina-se com a negociação parlamentar e com a controvérsia sobre os limites constitucionais do poder. A crítica institucional precisa ser acompanhada de propostas capazes de responder às necessidades materiais da população.

Leia a íntegra: Disputa do segundo turno se acirra na rua, no Congresso e nos tribunais — Correio Braziliense

Alternativa de leitura: Reprodução do artigo no IPO Opinião


04 · ENSAIO CONCEITUAL

FISIOLOGISMO, IDEOLOGIA E LULOPETISMO: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 4

Sugestão: uma balança com símbolos de programa partidário de um lado e cargos, alianças e recursos públicos do outro.

Legenda: Para avaliar um partido, é necessário distinguir suas propostas programáticas das práticas usadas para conservar poder.

A questão examinada

A discussão inicial desta sessão foi motivada por uma pergunta: se pesquisas identificam práticas fisiológicas em setores da direita brasileira, seria possível estender o mesmo diagnóstico ao lulopetismo?

A resposta exige separar conceitos frequentemente tratados como equivalentes. Fisiologismo não é sinônimo de pragmatismo, coalizão ou ausência absoluta de ideologia. O conceito se refere, sobretudo, à orientação da ação política para obtenção de cargos, recursos e vantagens, em detrimento de compromissos programáticos consistentes.

Partidos que governam em sistemas multipartidários precisam negociar apoios. Essas negociações podem envolver concessões legítimas para viabilizar políticas públicas, mas também podem produzir distribuição de cargos e recursos destinada a assegurar sustentação política.

O PT e os governos liderados por Lula não estão imunes a esse tipo de dinâmica. A formação de coalizões heterogêneas e os episódios históricos de corrupção associados a integrantes de governos petistas devem fazer parte de qualquer avaliação crítica. Ao mesmo tempo, o partido possui uma trajetória programática e políticas públicas identificáveis, o que impede reduzir toda a sua atuação ao fisiologismo sem demonstração sistemática.

Como avaliar a questão com rigor

  • Coerência programática: as decisões correspondem às propostas e aos compromissos públicos?
  • Critérios para alianças: as coalizões são formadas para viabilizar políticas ou principalmente para distribuir posições e recursos?
  • Transparência e responsabilização: há controles efetivos e consequências políticas ou jurídicas para irregularidades?
  • Padrões ao longo do tempo: as práticas se repetem em diferentes governos, áreas administrativas e votações?
  • Comparabilidade: os mesmos critérios são aplicados a diferentes partidos, sem indulgência para aliados nem condenação automática de adversários?
SÍNTESE INTERPRETATIVA

É legítimo investigar e criticar práticas fisiológicas em governos petistas, assim como em partidos do Centrão e em outras forças políticas. O que não se pode concluir sem evidências comparáveis é que o fisiologismo defina, de maneira predominante e exclusiva, todo o lulopetismo ou qualquer outro campo político. O ponto decisivo é substituir rótulos abrangentes por análise de práticas verificáveis e padrões institucionais.


LEITURA COMPARATIVA — TRÊS ARTIGOS, UM PROBLEMA DE REPRESENTAÇÃO

Os três textos jornalísticos abordam dimensões diferentes, mas convergem em uma questão: a relação entre organizações políticas, mudanças sociais e exercício do poder.

Roeder examina a competição dentro da direita e o custo estratégico da aproximação entre partidos tradicionais e o bolsonarismo.

Martins desloca o foco para as transformações sociais, sugerindo que a perda de influência política pode decorrer da incapacidade de interpretar mudanças no trabalho, nas aspirações e nas identidades coletivas.

Azedo articula eleição, Congresso e tribunais, enfatizando que o resultado das urnas não elimina a disputa sobre os limites institucionais do governo.

A reflexão sobre fisiologismo acrescenta uma quarta dimensão: a necessidade de avaliar como partidos transformam votos e alianças em poder administrativo e legislativo, distinguindo negociação democrática de práticas orientadas prioritariamente à obtenção de vantagens.

Em conjunto, essas perspectivas indicam que a crise de representação não pode ser explicada por um único fator. Ela envolve competição eleitoral, transformações sociais, estratégias partidárias e confiança nas instituições.


05 · CONCLUSÃO SEMIÓTICA

O PODER, A URNA E OS LIMITES DO JOGO

A imagem-síntese desta reportagem é a de uma urna situada entre forças políticas concorrentes, com o Congresso e os tribunais compondo o cenário ao fundo.

A urna representa a legitimidade conferida pelo voto. O Parlamento simboliza a negociação, a formação de maiorias e a distribuição institucional do poder. Os tribunais evocam o controle constitucional e os limites impostos ao exercício da autoridade.

Os campos cromáticos contrastantes sugerem conflito, polarização e disputa de projetos. A presença de cidadãos de diferentes perfis lembra que a democracia não se reduz aos líderes que ocupam o centro da cena: ela depende também da participação social, dos direitos e da possibilidade de divergência.

A mensagem central não é que toda força política seja equivalente, nem que toda proposta de mudança institucional constitua uma ameaça. É que o poder democrático precisa ser avaliado tanto pelo modo como é conquistado quanto pela maneira como é exercido.

A maioria eleitoral é essencial, mas não dispensa limites constitucionais. A negociação política é necessária, mas não deve se confundir com a captura do Estado por interesses particulares. A tradição partidária tem valor, mas precisa acompanhar as transformações sociais para continuar representativa.

O futuro da democracia depende da combinação entre legitimidade eleitoral, responsabilidade pública, capacidade de resposta às necessidades sociais e respeito às regras que permitem a alternância de poder.

SÍNTESE FINAL

A democracia não se resume a vencer eleições: exige transformar votos em representação, alianças em decisões públicas responsáveis e poder em compromisso com as regras comuns.


REFERÊNCIAS E LINKS PARA LEITURA

  1. Karolina Roeder — “A direita que dividiu o Centrão”.
    Correio Braziliense, 9 de outubro de 2026.
    Acessar a íntegra
  2. José de Souza Martins — “Fim de época”.
    Publicação atribuída ao Valor Econômico.
    Inserir o endereço oficial da íntegra antes de publicar.
  3. Luiz Carlos Azedo — “Disputa do segundo turno se acirra na rua, no Congresso e nos tribunais”.
    Correio Braziliense, 9 de outubro de 2026.
    Acessar a íntegra
    Reprodução no IPO Opinião
  4. Discussão conceitual sobre fisiologismo e lulopetismo.
    Análise editorial desenvolvida nesta sessão, distinguindo comportamento fisiológico, pragmatismo de coalizão e identidade programática.

Créditos e nota editorial

Esta reportagem é uma síntese analítica baseada nos artigos identificados e na discussão conceitual desenvolvida ao longo da sessão. Os resumos não substituem a leitura das matérias originais. As avaliações atribuídas aos autores devem ser lidas dentro dos respectivos argumentos e contextos.

Antes da publicação, recomenda-se confirmar o endereço original de “Fim de época”, conferir os dados factuais e eleitorais nas fontes primárias e verificar eventuais atualizações posteriores dos artigos.

Palavras-chave: democracia brasileira, fisiologismo, Centrão, bolsonarismo, lulopetismo, representação política, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, mundo do trabalho, partidos políticos.