domingo, 24 de maio de 2026

A Grande Arte

"Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver" 'É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides'
#tbt❤️ A GRANDE ARTE, filme de Walter Salles Jr. #petercoyote #izaeirado #waltersallesjr #waltersalles #videofilmes @videofilmes_produtora 1 – Sou da imprensa anterior ao copy desk. (...) Na redação não havia nada da aridez atual e pelo contrário: – era uma cova de delícias. O sujeito ganhava mal ou simplesmente não ganhava. Para comer, dependia de uma vale utópico de cinco ou dez mil-réis. 2 – Mas tinha a compensação da glória. Quem redigia um atropelamento julgava-se um estilista. E a própria vaidade o remunerava. Cada qual era um pavão enfático. Escrevia na véspera e no dia seguinte via-se impresso, sem o retoque de uma vírgula. Havia uma volúpia autoral inenarrável. E nenhum estilo era profanado por uma emenda, jamais. (RODRIGUES, 2007, p. 138) _________________________ 21 Fischer (2009, p. 66) O REACIONARISMO DE NELSON RODRIGUES A PARTIR DE SEUS TEXTOS MÊMORE-CONFESSIONAIS
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
A difícil arte da frente ampla - Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática 7:00 AM · 24 de mai de 2026 https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/a-dificil-arte-da-frente-ampla/ 📸Nelson Almeida/AFP
domingo, 24 de maio de 2026 A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques O Estado de S. Paulo Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço. O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo. Esse confronto, que facilitaria a ascensão do fascismo e do nazismo, só teria um primeiro remédio com as frentes populares dos anos 30. É que, além de unificar os dois ramos do movimento operário, elas se abriram a outras tradições incontornáveis, como o catolicismo político, o socialismo liberal e o republicanismo. Quanto mais amplas, maior o potencial democrático, prefigurando as forças aliadas vitoriosas na guerra que se seguiria. Situações desse tipo não se limitavam a uma parte do mundo. Sob outras formas, mostravam-se também num Brasil em processo de modernização. Os anos 30, entre nós, viram o confronto entre integralistas e comunistas – sob o olhar implacável de Vargas. Inserida no amplo guarda-chuva da Aliança Nacional Libertadora, a esquerda comunista contribuiria para “o maior movimento popular do País, o mais charmoso e encantador”, segundo Ruy Castro, cuidadoso biógrafo da vida cotidiana de um Brasil em mutação (Trincheira tropical, Companhia das Letras). Encerrada em si mesma, tomando a nuvem por Juno, aquela esquerda se perderia numa aventura militarista nascida para fracassar. Três décadas depois, a modernização inconclusa ganharia impulso com uma segunda ditadura, não casualmente chamada de “o Estado Novo da União Democrática Nacional (UDN)”. Liberais e democratas, até alguns que apoiaram o regime no momento inicial, coerentemente se afastaram, fiéis ao seu compromisso doutrinário. Entre os opositores mais declarados, duramente perseguidos, se renovaria a estratégia de frente – o imaginário dos anos 30 era, efetivamente, duro de morrer. E os comunistas do Partido Comunista Brasileiro (PCB), talvez marcados a ferro e fogo pela memória do putsch de 1935, logo formularam a ideia de uma frente ampla, pacífica e democrática. O regime haveria de ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha urbana ou da guerra popular prolongada. A formulação era exata, como foi comprovado pela tortuosa marcha dos fatos, mas a força que a apresentara vivia um declínio irreversível. Havia sabedoria na “moderação na adversidade”, bem como na convicção de que buscar o centro político não implicava fazer a política de um centro sem alma. A ação prática era a mais adequada, mas tinha como limite a visão de mundo própria de quem nascera sob o signo da revolução dos sovietes e dele não se libertara. Ficou, no entanto, uma semente frágil – a ideia de que a democracia “burguesa” devia perder de vez o adjetivo desabonador e, ao contrário, afirmarse como “valor universal” ou “permanente”. Quase quatro décadas à frente, a estrutura do mundo – e do nosso país – tomou rumos inesperados, eis que a História costuma ser dama inconstante. Vivemos agora no coração da pós-modernidade ou da hipermodernidade. Discussão conceitual à parte, o fato é que entre os especialistas, com raras exceções, generalizou-se o tema da “recessão democrática” e da corrosão interna de algumas das mais tradicionais sociedades abertas. No nosso canto do mapa, é certo que, em 2018, o Brasil “dobrou à direita”, para usar a expressão de Jairo Nicolau, e ainda hoje se vê às voltas não com uma direita democrática – fundamental para a normal alternância de forças no poder –, mas com outra que se convencionou chamar de “iliberal” ou “antiliberal”. Essa qualificação revela que o alvo bem nítido dos distintos autoritarismos contemporâneos são os variados mecanismos propriamente liberais que limitam a concentração autocrática do mando. A soberania popular, toscamente invocada (“só o povo é supremo”), encarna-se contraditoriamente na figura do líder com permissão para atropelar todas as regras (“eu autorizo”), inclusive procedimentos eleitorais. O demos, aqui, é massa de indivíduos controlados pelo alto – uma circunstância que faz lembrar os acontecimentos de um século atrás. Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática. Para decifrá-lo, deve ter a ambição de assimilar criticamente os pontos fortes do liberalismo. Fincar pé nas próprias verdades e fechar-se ao debate/embate com essa e outras correntes significa comportar-se como alma bela. Mais do que isso, significa desistir da reconstrução de um horizonte comum, composto de luta e conciliação, afirmação de interesses particulares e preocupação com a casa de todos. *Tradutor e ensaísta, coeditor das ‘Obras’ de Gramsci no Brasil Nem monstros, nem idiotas: um debate sobre a geopolítica atual Brazil Journal 21 de mai. de 2026 Publicado em: 16/04/2025 “É a primeira vez que vejo um jornalista ocidental realmente tentando entender e não pinçando frases para nos tratar como monstros ou como idiotas.” A frase dita por um ex-agente do serviço secreto paquistanês a Lourival Sant’Anna é uma das lembranças do jornalista que, indo a campo, se tornou um especialista em geopolítica. Em 36 anos de profissão, Lourival realizou coberturas em 80 países - muitos em guerra. Um de seus livros é Minha guerra contra o medo: o que o risco de morte ensina sobre a vida. “É impossível analisar um país sem ter estado lá e feito contato com as pessoas.” Neste episódio, ele fala sobre a política externa de Donald Trump - “baseada no improviso” e guiada por uma visão de mundo “transacional, mercantil” - e sobre a guerra na Faixa de Gaza, criticando a atuação da imprensa brasileira. “Parece um jogo de eu sou contra ou sou a favor. Zero ou um.” Para Lourival, a imprensa israelense “é muito mais aberta e profunda”. “É mais fácil criticar Israel sendo um israelense dentro de Israel do que no Brasil.” Disponível também no Spotify. Assista no Brazil Journal: https://braziljournal.com/play/nem-mo... A Grande Arte - a estreia do Walter Salles! https://www.google.com/search?gs_ssp=eJzj4tTP1TcwrazKLjBg9OJNVEgvSsxLSVVILCpJBQBqcghY&q=a+grande+arte&rlz=1C1VDKB_pt-PTBR1068BR1068&oq=A+GRANDE+ARTE&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEC4YgAQyBwgAEC4YgAQyDAgBEEUYORjjAhiABDIHCAIQLhiABDIHCAMQLhiABDIHCAQQLhiABDIHCAUQABiABDIHCAYQABiABDIHCAcQABiABDIHCAgQABiABDIHCAkQABiABNIBCDQxMTFqMGo3qAIIsAIB8QVLuI1pDgqRCvEFS7iNaQ4KkQo&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:5ac00489,vid:tntlectwCX8,st:0 Velha Guarda da Portela - Você Não é Tal Mulher / Para O Bem Do Nosso Bem Você Não É a Tal Mulher - Para o Bem do Nosso Bem Velha Guarda da Portela Como que é, compadre Casquinha Vamos lembrar da Nossa Velha Guarda da Portela? Vamos sim, Monarco, vamos lembrar da nossa história Uma longa história É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides Você não é a tal mulher Você não é não, ah meu bem A dona do meu coração Vou vivendo com você Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Você não é Você não é não, ah meu bem A dona do meu coração Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Agora vamos lembrar de um professor O nosso cantor Alvaiade Mestre Alvaiade Então você puxa aquele samba dele Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Vou-me embora em silêncio Chega de me aborrecer Quando o gênio não combina Na vida não há prazer Mas o teu segredo Não vou contar a ninguém Teu amor me meteu medo E pior arranjar outro alguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Não fique triste Isso é normal Quantos casais separados Isso é muito natural Vou-me embora vou-me embora Por este mundo sem fim Nosso gênio não combina Não posso viver assim Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém (Rapaziada, era assim que nos domingos de manhã La na Porteliha a gente fazia aquele pagode Uma garrafinha de cana, garrafa de cerva Algumas garrafas de caca, cabrito frito E a gente tomando tomando cana e cantando esse pagode Cantinho, que saudade, que saudade!) Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Composição: Alvaiade, Alcides, Malandro Histório.
📰 EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA ÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA 📍 Rio de Janeiro, 24 de maio de 2026 DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026 O fio condutor que une Graciliano Ramos e Luiz Sérgio Henriques Por um Redator de Copydesk da Velha Guarda Especial para o Última Hora RIO — As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como uma fênix teimosa, iluminam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se dizia nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o ofício do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964. O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas. Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela. Ao aproximarmos Graciliano Ramos do ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, percebemos um fio condutor que entrelaça duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com inquietante nitidez, no enigma enfrentado pela esquerda neste domingo de 2026. I. A SENTENÇA DO VELHO GRAÇA Nas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional: “As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direita se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus.” A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos “irmãos-inimigos”. Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses. Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, ainda que marcadas por desconfianças mútuas. Já a extrema-direita preferia o isolamento purista ao convívio com a pluralidade. II. O DIAGNÓSTICO DE 2026: A FRENTE AMPLA COMO ARTE DO POSSÍVEL Quase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, retoma esse mesmo fio. Ele recorda que o antagonismo feroz do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo — erro histórico que só encontrou resposta nas Frentes Populares dos anos 1930. No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda “tomou a nuvem por Juno” —, o PCB pós-64 passou a formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha. Ali germinava uma ideia decisiva: a democracia precisava abandonar o adjetivo “burguesa” para afirmar-se como valor universal. Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma espécie de “recessão democrática”. Desde que o país “dobrou à direita” em 2018, consolidou-se uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o poder. III. A RESULTANTE EM MOVIMENTO: O ENIGMA A DECIFRAR É nesse ponto que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem. A esquerda atual, descrita como “uma mancha ainda indecisa de tendências díspares”, enfrenta o mesmo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca. Para não sucumbir ao isolamento ironizado por Graciliano, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político. Fincar-se em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como “alma bela” — uma pureza estéril que, no fim, abre caminho para a autocracia. EPÍLOGO As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano. As de 2026, porém, permanecem acesas em nossa mesa de redação. O desafio continua o mesmo: construir um horizonte comum, onde luta e conciliação coexistam — e onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos. Se quiser
EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIAÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICARio de Janeiro, 24 de maio de 2026DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026: O FIO CONDUTOR QUE UNE GRACILIANO RAMOS E LUIZ SÉRGIO HENRIQUESPor um Redator de Copydesk da Velha GuardaEspecial para o Última HoraRIO — As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como fênix teimosa, clareiam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se soia dizer nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o papel do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964. O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas.Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela. Ao convolar Graciliano Ramos com o ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, vemo-nos emaranhados em um fio condutor que liga duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com assustadora nitidez, no enigma que a esquerda pós-comunista enfrenta neste domingo de 2026.I. A Sentença do Velho GraçaNas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional:"As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direta se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus."A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos "irmãos-inimigos". Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses. Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, embora guardando desconfianças mútuas. A extrema-direita, por sua vez, preferia o isolamento purista da ponta da ilha ao convívio com a pluralidade.II. O Diagnóstico de 2026: A Frente Ampla como Arte do PossívelQuase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, puxa o mesmo fio da meada. Ele nos lembra de que o feroz antagonismo do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo, um erro que só encontrou remédio nas Frentes Populares dos anos 1930.No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda "tomou a nuvem por Juno" —, o PCB pós-64 tentou formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha. Ali nascia a semente frágil de que a democracia deveria perder o adjetivo "burguesa" para afirmar-se como valor universal.Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma "recessão democrática". Desde que o país "dobrou à direita" em 2018, deparamo-nos com uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o mando.III. A Resultante em Movimento: O Enigma a DecifrarÉ aqui que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem no fechamento desta edição. A esquerda atual, descrita por Henriques como "uma mancha ainda indecisa de tendências díspares", enfrenta o mesmíssimo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca.Para não ser tragada pelo isolamento que Graciliano ironizava, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político. Fincar pé em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como "alma bela" — uma pureza inútil que abre as portas para a autocracia.As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano, mas as de 2026 continuam acesas na nossa mesa de redação. O desafio permanece o mesmo: construir um horizonte comum, composto de luta e conciliação, onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos.

sábado, 23 de maio de 2026

FORA DE ORDEM

TENSÃO ENTRE EUA E CUBA, GUERRA NO IRÃ E ENCONTRO DE PUTIN COM XI JINPING | FORA DA ORDEM CNN Brasil Transmitido ao vivo em 22 de mai. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎 No Fora da Ordem desta sexta-feira, 22/05, os novos capítulos da tensão entre EUA e Cuba, a guerra no Irã e os movimentos envolvendo a Rússia. O programa também aborda o encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping, uma semana após a visita de Trump a Pequim, com participação especial da correspondente da CNN Brasil em Buenos Aires, Luciana Taddeo. Assista ao vivo, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília) com apresentação de analista de Internacional Lourival Sant’Anna, o analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York. Ballads / John Coltrane Quartet
Partidos insaciáveis Por O Estado de S. Paulo Projeto aprovado a toque de caixa, com votos do PT ao PL, cria inúmeros benefícios financeiros para partidos políticos e amplia áreas de baixa fiscalização sobre verbas públicas eleitorais A Câmara dos Deputados demonstrou mais uma vez que, quando há interesse e disposição, projetos e ideias podem avançar rapidamente, com consenso e escassa discórdia, em um plenário quase harmônico. Mas é claro que esse tipo de cenário é raro de se ver e quase sempre só aparece quando a pauta beneficia um nicho muito específico, justamente aquele que ocupa as cadeiras desse súbito ambiente de harmonia: políticos e partidos. Nessas horas, as velhas críticas ao suposto “açodamento legislativo”, tão evocadas por quem costuma defender parcimônia em matérias de amplo interesse da população, desaparecem. A chamada minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara nesta semana é mais um exemplo desse comportamento recorrente. O texto entrou de surpresa, só foi incluído na pauta de votação na tarde daquele dia, e acabou aprovado de forma simbólica, sem registro nominal de votos, em sessão híbrida e em um plenário esvaziado. O método conversa perfeitamente com o conteúdo. Quando o Congresso pretende ampliar privilégios para si mesmo, tudo costuma ocorrer de forma rápida, discreta e com o mínimo possível de desgaste público. O apoio reunido em torno da proposta também ajuda a revelar o caráter corporativista da iniciativa. PT, PL e partidos do Centrão caminharam juntos em defesa do projeto, enquanto a resistência ficou restrita a uma combinação que costuma aparecer nesses momentos por parlamentares do Novo e do PSOL. O texto aprovado é um pacote de benefícios. A proposta permite renegociar dívidas partidárias por até 15 anos, cria teto para multas por irregularidades em prestações de contas, dificulta bloqueios de recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral e ainda abre brecha para disparos em massa de mensagens por sistemas automatizados. Tudo isso com aplicação imediata, já para este ano eleitoral. Há ainda um ponto, incluído discretamente no relatório do deputado Rodrigo Gambale (Podemos-SP), que merece ser avaliado com lupa. O texto amplia o escopo de atuação das fundações partidárias, permitindo cursos, convênios, capacitações e outras atividades remuneradas com menos restrições. O problema é que essas fundações operam hoje numa área cinzenta da transparência partidária. As prestações de contas dos partidos, embora problemáticas, ao menos apresentam algum nível de detalhamento sobre despesas, fornecedores, salários e contratos. Já os recursos destinados às fundações partidárias costumam ser apresentados de forma muito mais genérica e opaca. Na prática, trata-se de uma espécie de caixa-preta financiada com dinheiro público. Ao ampliar as possibilidades de atuação dessas estruturas sem criar mecanismos adicionais de fiscalização, o Congresso amplia também a zona de baixa transparência sobre bilhões de reais distribuídos anualmente às legendas. Não se trata de um episódio isolado. Nos últimos anos, o Legislativo vem aprovando sucessivas flexibilizações envolvendo recursos partidários e eleitorais. Já foram autorizadas compras de imóveis, veículos e até aeronaves com dinheiro público dos partidos. Houve tentativas de reduzir punições por irregularidades contábeis, limitar bloqueios judiciais e ampliar formas de utilização do Fundo Partidário. Em outro momento revelador, a chamada PEC da Blindagem tentou equiparar presidentes de partidos a parlamentares eleitos para fins de foro especial. Felizmente, o Senado teve algum grau de responsabilidade institucional e deixou a proposta morrer. A nova minirreforma segue agora justamente para análise desses mesmos senadores. E é importante que o Senado reveja, com o mesmo grau de consciência, o texto aprovado com baixíssimo debate público. Enquanto cidadãos comuns enfrentam multas, execução rápida de dívidas e rigor burocrático crescente, o sistema político continua construindo para si mesmo um regime paralelo de tolerância, renegociação permanente e redução de transparência. Nessas horas, o tradicional cenário de mar revolto da política brasileira se transforma em céu de brigadeiro. Fora de Ordem Caetano Veloso Out of order Fora de Ordem Cheap vapor is a mere servant of traffic Vapor barato um mero serviçal do narcotráfico It was found in the ruin of a school under construction Foi encontrado na ruína de uma escola em construção Here everything seems like it was still under construction and is already in ruins Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína Everything is boy, girl in the street Tudo é menino, menina no olho da rua The asphalt, the bridge, the viaduct screaming at the moon O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo prá lua Nothing continues Nada continua And the barrel of the pistol that children bite E o cano da pistola que as crianças mordem It reflects all the colors of the city's landscape, which is much more beautiful Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito mais bonita And much more intense than on the postcard E muito mais intensa do que no cartão postal Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Dark, hard thighs, both of your mulatto acrobats Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata Your modern leg potato, the intrepid troupe in which you flow Tua batata da perna moderna a trupe intrépida em que fluis I'll meet you in Sampa where you can barely see who goes up or down the ramp Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa Something about our sex is almost too bright a light Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais Seems to put everything to the test, feels like fire, feels like, feels like peace Parece pôr tudo à prova parece fogo, parece, parece paz It feels like peace Parece paz Plethora of joy, a Jorge Benjor show within us Pletora de alegria um show de Jorge Benjor dentro de nós It's a lot, it's big, it's total É muito, é grande é total Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial My song hides like a bunch of Yanomami in the forest Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na floresta Feathers from an old headdress fall on my forehead Na minha testa caem vem colocar-se plumas de um velho cocar I'm standing on top of the pile of filthy Bahian trash Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano I spit hate gum into Leblon's exposed sewer Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon But I wink back from the Trianon shipping boy Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon I know what is good Eu sei o que é bom I don't wait for the day when all men agree Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem I only know of several beautiful harmonies possible without final judgment Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something (It seems like something) Alguma coisa (It seems like something) It is out of order Está fora da ordem (out of order) Out of new order Out of new order It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Out of new order Out of new order It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Out of new order Out of new order It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Out of the new world order Fora da nova ordem mundial It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Forward of new world order Fuera de nueva ordem mundial Something seems to be out of order Algo parece estar fuera del ordem Out of new order Out of new order Something seems to be out of order Algo parece estar fuera del ordem Out of new order Out of new order Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of new order Out of new order Something seems to be out of order Algo parece estar fuera del ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem shinsekai no muchitsujo shinsekai no muchitsujo It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order shinsekai no muchitsujo shinsekai no muchitsujo It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order shinsekai no muchitsujo shinsekai no muchitsujo Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Hours of the new world order Hors du nouvel ordre mondial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Hours of the new world order Hors du nouvel ordre mondial It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Hours of the new world order Hors du nouvel ordre mondial It seems like something is going out of order It seems like something is going out of order Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem Out of the new world order Fora da nova ordem mundial Something is out of order Alguma coisa está fora da ordem shinsekai no muchitsujo shinsekai no muchitsujo Hours of the new world order Hors du nouvel ordre mondial Composição: Caetano Veloso.
sábado, 23 de maio de 2026 Flávio, entre a polícia e a política, por Demétrio Magnoli Folha de S. Paulo Colapso da narrativa anticorrupção é a ameaça mais grave à candidatura Com Vorcaro como fonte provável das revelações, corrida eleitoral se abre para o inesperado Desde a divulgação de seus pactos com Vorcaro, Flávio Bolsonaro enfrenta um duplo dilema. Numa ponta, a investigação policial e judicial; na outra, o colapso de uma narrativa política. No crítico estado atual do STF, o segundo representa ameaça mais grave. Provocada, a PGR autorizou a PF a seguir o dinheiro. Tudo ali é suspeito: os valores multimilionários associados ao filme; o papel dos dois irmãos na gerência da transação; o trajeto alegado da grana, via um fundo gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro; o suposto sigilo contratual absoluto sobre a participação do Master no patrocínio da obra. Crimes possíveis: lavagem de recursos do Master e financiamento da aventura americana do 03. Das rachadinhas a Hollywood, Flávio percorreu um longo caminho financeiro sem sair de seu lugar ético. Contudo, a verdade completa depende da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do 01 e do 03. A PGR solicitará? O STF dará esse passo? Flávio não está sozinho nos negócios nebulosos com Vorcaro. A rede estende-se pela elite política, da direita à esquerda, e alcança ministros do STF. A PGR e o próprio tribunal ignoraram olimpicamente as transações suspeitas de Toffoli e Moraes com o Master e seu emaranhado de fundos intermediários. Como quebrar os sigilos de um candidato à presidência sem, ao menos, deflagrar uma investigação formal sobre os ilustres juízes de capa preta? No registro político, o cenário é outro. Os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro à irmandade dos Bolsonaro destinavam-se a comprar proteção, não a financiar um filme do gênero hagiográfico. "Estou e estarei contigo sempre" –a promessa de Flávio ao escroque configura um contrato mafioso. À sua sombra, desaba a campanha bolsonarista, apoiada na equação "o Pix é nosso; o Master é deles". Uma entrevista à GloboNews escancarou as mentiras de Flávio sobre suas relações com Vorcaro. As perguntas devastadoras partiram da jornalista Malu Gaspar, aquela mesma que se tornara alvo da difamação da rede petista pelo "crime" de expor o contrato do Master com a esposa-sócia de Moraes. Os efeitos não tardaram. Duas pesquisas oferecem pistas sobre a derrocada. O Datafolha anterior aos áudios indicava empate numérico no segundo turno. Já a sondagem Atlas/Intel, imediatamente posterior, indicou 48,9% para Lula contra 41,8% para Flávio. O eleitorado tem memória curta? Talvez, mas será lembrado de cada palavra do candidato mentiroso ao longo da campanha. Suspeito que, com a sedimentação da história, desapareça a hipótese de triunfo da candidatura do 01 num segundo turno. A família golpista encontra-se na encruzilhada. Pode seguir a seta que aponta a via da derrota a fim de conservar seu monopólio sobre a direita. Nessa hipótese, preservaria o padrão de polaridade que interessa aos dois polos e congela a política nacional, prendendo o futuro na caverna do passado. Alternativamente, pode curvar-se à pressão dos aliados políticos e, imitando a noiva proverbial, lançar aos ares o cobiçado manto do anti-Lula. A lógica sugere que a fonte original das revelações divulgadas pelo Intercept Brasil é o próprio Vorcaro. Da prisão, o financista piramidal ensaia sua vingança e emite um alerta para os "traidores". Avisa que tem mais balas na agulha. A corrida eleitoral abriu-se para o inesperado.
sábado, 23 de maio de 2026 Corrupção de volta à ribalta, por Marcus Pestana Volta e meia, no Brasil, a corrupção reaparece em cena como tema prioritário. Bastaram vir à tona os escândalos do INSS e do Banco Master, para o assunto saltar de 4º. lugar na lista de maior preocupação dos brasileiros, atrás de violência, problemas sociais e economia, em maio de 2025, nos números da Genial/Quaest, com 13%, para o segundo lugar, atrás apenas da violência, agora em maio de 2026, com 18%. Essa montanha russa na percepção da opinião pública não é recente. A preocupação com a corrupção sobe a cada grande escândalo e arrefece no ciclo posterior de acomodação institucional. No Brasil pós-redemocratização assistimos ao escândalo de Collor, dos Anões do Orçamento, o Mensalão, a Lava Jato e agora os casos do INSS e do Master. As relações incestuosas entre público e privado sempre têm seus ícones empresariais: PC Farias, Marcos Valério, Marcelo Odebrecht, o Careca do INSS, Daniel Vorcaro. No meio, encontram-se lideranças políticas e governamentais. Do outro lado, surgem seus algozes: Ibsen Pinheiro, Roberto Magalhães, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, André Mendonça. Os personagens mudam, mas o enredo permanece. A cada novo escândalo cresce a sensação de impotência, impunidade e a convicção de que os avanços institucionais não foram suficientes e que a corrupção é uma doença endêmica e inevitável. Como vacina ao complexo de vira-lata temos a própria História. A corrupção acompanha o ser humano desde a Antiguidade. Afinal, o filósofo grego, Diógenes, não caminhava nas ruas de Atenas, com sua lanterna acesa em pleno dia, em busca de um homem honesto? Aristóteles e Platão trataram do assunto em suas obras. Aristófanes, em sua peça “Os cavaleiros” produz a fala de um governante: “E eu a roubar, mas para o bem da cidade”. Todo corrupto tem sempre um fundamento nobre para justificar seu comportamento ilícito e imoral. Eurípedes, em Medéia, reverbera o provérbio grego “os presentes até os deuses convencem”. Na Roma Antiga, a corrupção era componente sistêmico da vida social e política. A primeira legislação romana anticorrupção data de 149 anos antes de Cristo. Fraudes fiscais, subornos, abusos de poder, manipulação judicial, estavam ali presentes. O provérbio latino assegurava: “Em Roma, tudo se compra”. A Bíblia trata a corrupção como um dos motores da degradação humana, intimamente ligada à morte espiritual. “Não aceitarás suborno, porque o suborno cega os que têm vista e perverte a palavra dos justos” (Êxodo, 23:8). “A corrupção moral de uma nação faz cair seu governo, mas o líder sábio e prudente traz estabilidade” (Provérbios, 28:2). Onde há balcão público que licencia, elabora normas e leis, fiscaliza, multa, penaliza, regula, contrata, compra, paga, aloca recursos, concede benefícios e empréstimos, há potencialmente a possibilidade de corrupção. Para a democracia é fatal os cidadãos acharem que todos são iguais e que o poder é sempre corrupto. O caso Master engolfou segmentos significativos da República. Precisamos endurecer a legislação, fortalecer as instituições, aprofundar a transparência, adensar controles. Mas, acima de tudo, promover uma revolução cultural e comportamental anticorrupção, seguindo a máxima de Ulysses Guimarães, na promulgação da Constituição de 1988: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”. Música | Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescar do Salgueiro e Nelson Sargento

Más palestras

“Não vos enganeis; as más conversações corrompem os bons costumes.” — Paulo. (1 CORÍNTIOS, 15.33) 1 A conversação menos digna deixa sempre o traço da inferioridade por onde passou. A atmosfera de desconfiança substitui, imediatamente, o clima da serenidade. 2 O veneno de investigações doentias espalha-se com rapidez. Depois da conversação indigna, há sempre menos sinceridade e menor expressão de força fraterna. 3 Em seu berço ignominioso, nascem os fantasmas da calúnia que escorregam por entre criaturas santamente intencionadas, tentando a destruição de lares honestos; surgem as preocupações inferiores que espiam de longe, enegrecendo atitudes respeitáveis; emerge a curiosidade criminosa, que comparece onde não é chamada, emitindo opiniões desabridas, induzindo os que a ouvem à mentira e à demência. 4 A má conversação corrompe os pensamentos mais dignos. As palestras proveitosas sofrem-lhe, em todos os lugares, a perseguição implacável, e imprescindível se torna manter-se o homem em guarda contra o seu assédio insistente e destruidor. 5 Quando o coração se entregou a Jesus, é muito fácil controlar os assuntos e eliminar as palavras aviltantes. 6 Examina sempre as sugestões verbais que te cercam no caminho diário. Trouxeram-te denúncias, más noticias, futilidades, relatórios malsãos da vida alheia? Observa como ages. Em todas as ocasiões, há recurso para retificares amorosamente, porquanto podes renovar todo esse material, em Jesus-Cristo. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 74 Más palestras Pão Nosso #074 - Más palestras NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 20 de dez. de 2022 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Cultural - Sacramento/MG
A GAZETA DE SACRAMENTO Aqui está a transcrição exata do trecho da página 46 do livro de Corina Novelino: A GAZETA DE SACRAMENTO A dinâmica de trabalho não conhecia cansaços no roteiro do jovem Eurípedes. Conhecido nos círculos culturais da cidade por sua participação conscienciosa no Grêmio Dramático Sacramentano, Eurípedes amplia suas atividades no campo da comunicação, criando com a colaboração de José Martins Borges, Leão de Almeida e Prof. Inácio G. Melo a Gazeta de Sacramento, que circulou, provavelmente até 1918. Esse periódico — o primeiro de Sacramento — era conhecido também nas cidades vizinhas. O Lavoura e Comércio, de Uberaba, em tiragem especial dedicada ao Município de Sacramento, em 1918, transcreve bem lançado artigo (editorial) inserto na Gazeta de Sacramento.
"INCERTO INSERTO, CERTO CONSERTO." PARAFRASEANDO O QUE DE QUEM POR QUÊ ONDE COMO QUEM? QUANDO? O Quê?A publicação de um artigo (editorial) bem lançado que havia sido incluído na Gazeta de Sacramento.De Quem?Escrito por Eurípedes Barsanulfo (com a colaboração de seus companheiros de imprensa, José Martins Borges, Leão de Almeida e Prof. Inácio G. Melo).Por Quê?Para divulgar ideias, registrar a história local, promover a cultura e a comunicação na região através do primeiro periódico da cidade.Onde?Originalmente na Gazeta de Sacramento e, posteriormente, reproduzido no jornal O Lavoura e Comércio, da cidade vizinha de Uberaba.Como?Através de uma tiragem especial impressa do jornal de Uberaba, que era inteiramente dedicada ao Município de Sacramento.Quem?O jornal O Lavoura e Comércio foi o responsável por transcrever e dar novo destaque ao texto.Quando?No ano de 1918.
Desigualdade das riquezas 8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação. Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? É exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade. O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep106] Desigualdade das riquezas (cap XVI, 8) Desigualdade das Riquezas: Uma Leitura Espírita à Luz das Teorias Econômicas Contemporâneas, por Leonardo Paixão dezembro 14, 2025 Administrador site ECK Tempo de leitura: 4 minutos Leonardo Paixão *** A conciliação entre a visão espírita e as teorias econômicas sugere uma compreensão ampliada da realidade. A transformação moral, conforme preconiza o Espiritismo, é essencial para erradicar as causas profundas da desigualdade ― o egoísmo, o orgulho e a indiferença, mas não dispensa, pelo contrário, complementa e fortalece os instrumentos sociais, políticos e econômicos que buscam corrigir injustiças e promover o bem-estar coletivo. *** Resumo O presente artigo propõe uma reflexão sobre o problema da desigualdade das riquezas, a partir do capítulo XVI, item 8, de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. A Doutrina Espírita interpreta a desigualdade como um mecanismo educativo, vinculado à lei do progresso, à reencarnação e às provas morais. Este trabalho busca dialogar com as principais teorias econômicas contemporâneas, identificando pontos de convergência e tensão. Defende-se que a transformação moral, proposta pelo Espiritismo, não exclui a necessidade de reformas materiais, mas complementa os esforços sociais na construção de uma sociedade mais justa, solidária e sustentável. Palavras-chave: Desigualdade, Economia, Espiritismo, Justiça Social, Progresso Moral. Introdução A desigualdade socioeconômica é um dos temas centrais da reflexão ética, filosófica e econômica na contemporaneidade. A partir de uma perspectiva espiritual, Allan Kardec, em “O evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo XVI, item 8, oferece uma interpretação que transcende as explicações meramente materiais, associando a desigualdade das riquezas ao processo educativo da alma, à lei de causa e efeito e às necessidades do progresso coletivo. Contudo, no campo das ciências econômicas, a desigualdade é analisada sob outra ótica, considerando fatores históricos, estruturais e institucionais. O presente artigo busca refletir sobre como a visão espírita pode dialogar com as teorias econômicas contemporâneas, analisando seus pontos de contato e divergência, e propondo uma síntese que reconheça tanto a dimensão espiritual quanto a material do problema. A Desigualdade das Riquezas na Perspectiva Espírita No capítulo citado, Allan Kardec explica que “A desigualdade das riquezas é um dos problemas que em vão se procuram resolver, quando se considera apenas a vida atual” (Kardec, 2003:210). A partir dessa premissa, compreende-se que a Justiça Divina se manifesta não em uma única existência, mas no conjunto das reencarnações, onde cada Espírito experimenta, alternadamente, as condições de riqueza e de pobreza como provas e oportunidades de desenvolvimento moral. A riqueza, portanto, é vista como uma prova que testa a caridade, o desapego e a responsabilidade social. A pobreza, por sua vez, é uma prova que exige resignação, coragem e paciência. A doutrina também reconhece que a concentração de riqueza, em certos momentos, permite a realização de obras, empreendimentos e avanços que beneficiam a coletividade. Entretanto, Kardec não exime de crítica a má utilização da riqueza, apontando que sua má administração decorre do egoísmo e do orgulho, os grandes males da humanidade (Kardec, 2004). A proposta espírita, nesse sentido enfatiza a transformação moral como meio essencial para corrigir os desequilíbrios sociais. As Teorias Econômicas Contemporâneas sobre a Desigualdade A desigualdade de renda e patrimônio é amplamente estudada na atualidade por diferentes escolas econômicas, que oferecem interpretações e propostas distintas, conforme a seguir. Economia Clássica e Neoclássica Defendem que as diferenças de renda e riqueza resultam da produtividade, da poupança, do investimento, do mérito individual e do risco. Segundo essa visão, a desigualdade é, até certo ponto, funcional e promotora de desenvolvimento, pois recompensa o esforço e a inovação. Economia Crítica e Marxista Entende a desigualdade como uma consequência da concentração dos meios de produção e da exploração da força de trabalho. Para essa corrente, a acumulação de capital é inerentemente geradora de desigualdade, sendo necessário superar as estruturas do capitalismo para alcançar uma sociedade mais igualitária. Teorias Contemporâneas da Desigualdade Estudos recentes, como os de Thomas Piketty, Joseph Stiglitz e Amartya Sen, mostram que a desigualdade extrema não é natural, mas resultado de políticas públicas, heranças, regimes fiscais regressivos, concentração de capital e falhas institucionais. Esses autores defendem a redistribuição de renda, impostos progressivos, acesso universal à educação e fortalecimento dos serviços públicos como medidas necessárias para reduzir a desigualdade e promover justiça social. Convergências e Tensões entre a Visão Espírita e as Teorias Econômicas Aponta-se como convergências: – Crítica ao egoísmo; – A riqueza como instrumento social; – Reconhecimento do problema da desigualdade. No âmbito de Tensões, estão: – Temporalidade da justiça; – Causas da desigualdade; – Soluções propostas. Síntese Proposta: Uma Leitura Integrada A conciliação entre a visão espírita e as teorias econômicas sugere uma compreensão ampliada da realidade. A transformação moral, conforme preconiza o Espiritismo, é essencial para erradicar as causas profundas da desigualdade ― o egoísmo, o orgulho e a indiferença. Contudo, essa transformação não dispensa, pelo contrário, complementa e fortalece os instrumentos sociais, políticos e econômicos que buscam corrigir injustiças e promover o bem-estar coletivo. A caridade, no sentido espírita, transcende o assistencialismo e assume o caráter de fraternidade social, implicando também em justiça distributiva, solidariedade, economia ética e construção de estruturas mais equânimes. Conclusão A análise da desigualdade das riquezas sob a ótica espírita e econômica revela que não há oposição necessária entre espiritualidade e materialidade, mas uma complementaridade. A Justiça Divina opera no longo curso das reencarnações, permitindo a cada Espírito aprender, reparar e evoluir. Contudo, no plano social e coletivo, é dever dos indivíduos e das instituições combater as formas evitáveis de sofrimento, miséria e exclusão. O Espiritismo, portanto, não é uma doutrina de conformismo social, mas de responsabilidade. Enquanto convoca à transformação íntima, também conclama à construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna, onde a lei de caridade se manifeste não apenas nas relações pessoais, mas também nas estruturas econômicas, políticas e sociais. Fontes: Kardec, A. (2003). “O evangelho segundo o Espiritismo”. Trad. J. Herculano Pires. 59. Ed. São Paulo: LAKE. Kardec, A. (2004). “O livro dos Espíritos”. Trad. J. Herculano Pires. 64. Ed. São Paulo: LAKE. Marx, K. (2013). “O Capital: crítica da economia política”. São Paulo: Boitempo. Piketty, T. (2014). “O Capital no Século XXI”. Rio de Janeiro: Intrínseca. Sen, A. (2000). “Desenvolvimento como Liberdade”. São Paulo: Companhia das Letras. Smith, A. (2007). “A Riqueza das Nações”. São Paulo: Martins Fontes. Stiglitz, J. (2012). “O Preço da Desigualdade”. Rio de Janeiro: Intrínseca. Imagem Free PixaBay AquilaSol Dezembro de 2025 ACESSE: Harmonia – Dezembro 2025 O Livro dos Espíritos | questão 555 Luiza Almeida Monteiro 9 de jul. de 2023 Estudo de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, comentado Poder oculto. Talismãs. Feiticeiros 555. Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro? “Aqueles a quem chamais feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam a força magnética ou a dupla vista. Então, como fazem coisas geralmente incompreensíveis, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural. Os vossos sábios não têm passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?” A.K.: O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice.
Revisando a História da Mulher Samaritana (João 4) By Dr. Eli Lizorkin-Eyzenbergmarço 26, 2014 A solução está em você. Não há problema para quem tem verdadeira fé em Deus.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

FACA E PRATO

O uso de faca e prato é uma técnica de percussão alternativa típica do samba de roda brasileiro. Consiste em segurar um prato de louça ou cerâmica pela borda com uma mão e usar uma faca como baqueta, raspando e percutindo o utensílio para criar o ritmo. Percussão Alternativa em 8 Passos | Prato e Faca GURI Ministério da economia Jards Macale ℗ 1987 WEA International Inc. Composer: Geraldo Pereira and Arnaldo Passos Geraldo Pereira - MINISTÉRIO DA ECONOMIA - Geraldo Pereira e Arnaldo Passos - samba de 1951 luciano hortencio @SamuelMachadoFilho há 12 anos (editado) Samba regravado algumas vezes posteriormente (Jards Macalé, Monarco, Bebel Gilberto em dueto com Pedrinho Rodrigues, etc.) em que Geraldo Pereira exalta a criação dessa pasta, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, quando se acreditava que tudo ficaria mais barato (de ilusão também se vive). Histórica gravação Sinter, lançada em agosto de 1951 sob número de disco 00-00.071-B, matriz S-150.
"Em entrevista ao Estadão, em 2019, ele avaliou o então cenário político do País e projetou o futuro do Brasil da seguinte maneira: 'Falar do futuro exige projeções sólidas. Sem elas, o que temos é uma nebulosa mesmo, não há muita saída. Mas a meu ver há uma revolução que precisa ser feita, que é valorizar o estudo da História. Autores recentes como Yuval Harari estão clamando por mais atenção para os movimentos histórico-culturais de longa duração. O horizonte é de construção para longo prazo, e temos, nós brasileiros, de aprender essa lição.' •" As famílias que governam o Brasil Spotniks 19 de mai. de 2026 No Brasil, em quase todos os estados, o poder político é transmitido como uma herança de sangue. As mesmas famílias atravessam gerações ocupando os mesmos cargos, controlando as mesmas emissoras de TV, distribuindo as mesmas verbas públicas. Domingo Infeliz - Geraldo Pereira 1951 Confraria do Chiado 16 de nov. de 2013 Como cantava bem esse Geraldo Pereira!!! Samba de Arnaldo Passos e Abelardo Barbosa (o lendário Chacrinha), lançado pela Sinter em agosto de 1951, disco 00-00.071-A, matriz S-136. Quem canta é Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955), autor de clássicos do samba como "Falsa baiana", "Escurinho", "Sem compromisso" e "Quando ela samba". Segundo José Ramos Tinhorão, Geraldo Pereira, como cantor, "tinha perfeita de noção de ritmo, coerência da forma escolhida para traduzir o sentido dos versos, valorização da melodia e, acima de tudo, caráter e estilo próprio na forma de interpretar". Por Samuel machado Filho e Adilson Santos Arquivo Confraria do Chiado
sexta-feira, 22 de maio de 2026 Malandragem de deputados tenta fazer o público de mané, por Dora Kramer Folha de S. Paulo Aproveitando-se da distração geral com o escândalo da vez, a Câmara voltou a legislar em prol dos seus Na essência, a proteção aos partidos é semelhante à tentativa de blindar parlamentares de ações da Justiça Distraído que estava o público com o escândalo da vez, a Câmara dos Deputados voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos seus. E, de novo, com o método de sempre. À sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica os deputados aprovaram uma série de facilidades para os partidos, à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas. Não bastasse, determinaram que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual. Suas excelências não querem pouco. Reivindicam teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a contabilidades irregulares, dão 15 anos (!) de prazo para renegociação de dívidas, liberam os infratores para participar de eleições e os deixam à vontade para fazer disparos (inclusive os ilegais, via robôs) de mensagens por celulares. Uma rede de proteção na essência nada diferente daquela tentativa de aprovar uma emenda constitucional que deixaria os parlamentares fora do alcance da Justiça. A PEC da Blindagem foi barrada no Senado por pressão da opinião pública. Desta vez, se não houver uma grita geral, a estrovenga vai passar pelos senadores cujos partidos se beneficiam dela. O caminho é facilitado por um acordo entre Câmara, Senado, governo e oposição para a derrubada de veto presidencial a dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias e, assim, permitir doações de bens e dinheiro durante a campanha eleitoral. Trata-se de um canavial de malandragens sob a égide da ilegalidade e da desfaçatez de um Poder Legislativo hipertrofiado —e que ainda pretende sair mais fortalecido desta eleição em que as legendas estão especialmente empenhadas em obter o maior número possível de cadeiras no Parlamento. Com esse tipo de credencial, os congressistas não estimulam a sociedade à participação ativa na composição das Casas legislativas. Ao contrário: alimentam o distanciamento decorrente da repulsa aos procedimentos que servem ao domínio financeiro das direções partidárias viciadas no sustento do Estado. O nome Bolsonaro ainda sustenta a direita? | Não é Bem Assim Meio Estreou em 21 de mai. de 2026 #jairbolsonaro #danielvorcaro #flaviobolsonaro No Não é Bem Assim, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem o novo momento da corrida presidencial de 2026. Com o desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso do filme ligado a Daniel Vorcaro, a direita perde força ou apenas reorganiza suas peças?
sexta-feira, 22 de maio de 2026 Embate inédito no Supremo, por Raquel Landim O Estado de S. Paulo Há brechas para que Mendonça rejeite a delação de Vorcaro, mesmo com o aval da PGR A rejeição da delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pela Polícia Federal deixou uma nódoa sobre o processo, mas, juridicamente, ele segue de pé. A PF desconfia que Vorcaro está protegendo políticos. Seu receio se fundamenta nas provas que já colheu durante as investigações e que vão além do que Vorcaro ofereceu. Mas o titular da ação penal é a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não precisa da PF para selar essa delação. Na PGR, a visão é oposta. Dizem que não falta seriedade do ex-banqueiro e de sua defesa e que não faz sentido bater a porta de uma possível colaboração. Querem aguardar uma contraproposta. Juridicamente, portanto, o processo segue perfeito. Haveria dúvidas se a PF decidisse fechar sozinha a delação. O nó político, porém, persiste por conta das desconfianças que pesam sobre o procurador-geral, Paulo Gonet. Se a PGR decidir aceitar a delação de Vorcaro, caberá ao ministro-relator do caso, André Mendonça, homologar o processo com base nos princípios da legalidade e da voluntariedade. Na homologação, Mendonça não entra no mérito da causa. Os juízes só julgam o mérito na fase final do processo, já com a instrução pronta e outros acusados na fila. Mas o relator pode opinar se o que foi oferecido pelo colaborador é suficiente para justificar os benefícios que recebeu e para ressarcir os prejuízos que causou. Mendonça vem sinalizando que não aceitará valores irreais, nem prazos dilatados que permitam contestações no futuro. A experiência da Lava Jato mostra que essas multas acabam não sendo pagas. Há brechas, portanto, para que o relator rejeite a delação, mesmo com o aval da PGR. Não há na história recente precedentes de um delator que tenha agravado a decisão e recorrido à Turma, mas isso é possível pela legislação. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e o próprio Mendonça. Com Toffoli impedido no caso Master, aqui está o risco de um embate inédito dentro do Supremo provocado pela delação de Vorcaro. Ninguém arrisca, numa fase tão anterior do processo, dizer quais seriam os votos dos ministros. Mas o histórico de “punitivistas” e “garantistas” do STF não descartaria um empate. Na dúvida, a legislação criminal é pró-réu. Mas há interpretações de que seria necessário aguardar a indicação de um novo ministro da Corte para resolver o impasse. Existem chances, portanto, de Vorcaro oferecer pouco e, ainda assim, escapar. @estadao Delação de Vorcaro revela embate inédito

quinta-feira, 21 de maio de 2026

ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA

05/05/1963 'Wonderful goal from Pele' WEST GERMANY v BRAZIL
A MÁSCARA DA MORTE RUBRA (Edgard Allan Poe) "Aqui [no Brasil] a gente gosta de rico", diz @BBCNewsBrasil Travessia - Milton Nascimento 1969[com Tenório Jr] Tenório Jr, assassinado pela ditadura argentina em 1976 ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA Ministério da Economia Geraldo Pereira Seu Presidente Sua Excelência mostrou que é de fato Agora tudo vai ficar barato Agora o pobre já pode comer até encher Seu Presidente Pois era isso que o povo queria O Ministério da Economia Parece que vai resolver Seu Presidente Graças a Deus não vou comer mais gato Carne de vaca no açougue é mato Com meu amor eu já posso viver Eu vou buscar A minha nega pra morar comigo E sei que agora não há mais perigo Porque de fome ela não vai morrer A vida estava tão difícil Que eu mandei minha nega bacana Meter os peitos na cozinha da madame Em Copacabana Agora vou buscar a nega Porque gosto dela pra cachorro Os gatos é que vão dar gargalhada De alegria lá no morro Composição: Arnaldo Passos, Geraldo Pereira. https://www.letras.mus.br/geraldo-pereira/415459/ https://youtu.be/wQfEvS9aCCc REDUZINDO VOSSAS EXCELÊNCIAS A NOMES DE BATISMO
Galípolo eleva o nível do debate sobre juros altos Por Folha de S. Paulo Inflação superou o teto em 4 dos últimos 6 anos, evidenciando que taxas não subiram além do necessário A verdadeira questão é por que a política monetária é menos eficaz no Brasil; expansão dos gastos públicos é a explicação mais óbvia A gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central deveria bastar para desacreditar teorias conspiratórias a respeito das taxas de juros brasileiras, de fato historicamente acima dos padrões globais. Afinal, com uma cúpula de maioria indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o BC mantém há quase um ano e meio as mesmíssimas diretrizes de política monetária herdadas da diretoria nomeada por Jair Bolsonaro (PL) e satanizada pelos petistas —o que implica manter a taxa Selic no nível necessário para buscar a meta de inflação, mesmo com sacrifícios para a atividade econômica. Na terça-feira (19), o próprio Galípolo deu argumentos adicionais e cabais contra teses que atribuem os juros altos a taras ortodoxas ou a algum conluio entre o órgão e o mercado financeiro. Em audiência no Senado, o presidente do BC apontou que, apesar de conviver com taxas superiores às da maioria dos países, o Brasil teve inflação acima do teto em 4 dos últimos 6 anos. Logo, como disse, a política monetária não foi mais rigorosa que o necessário. Pelo contrário. Acrescente-se que os objetivos aqui fixados para o IPCA —variando de 4% com tolerância de 1,5 ponto percentual em 2020 a 3% mais 1,5 ponto em 12 meses atualmente— nada têm de anômalos ou draconianos. Nesse período, o país e o mundo passaram por quatro grandes choques de oferta: a pandemia, o tarifaço de Donald Trump e as guerras na Ucrânia e no Irã. E a política de juros teve flexibilidade para não tentar cumprir as metas de inflação a qualquer custo. Buscou-se, na verdade, evitar um descontrole que seria trágico para o poder de compra da população, sobretudo a mais pobre. Mas, se esses dados desmontam discursos politiqueiros, não são suficientes para esgotar o tema. Como também apontou Galípolo, cumpre debater "por que no Brasil o esforço da política monetária é maior para se conseguir o mesmo que em outros países". A explicação mais óbvia, embora não necessariamente a única, é a expansão do gasto público, que ganhou força no final do governo Bolsonaro e foi acelerada por Lula. Não apenas se estimula a demanda acima da capacidade de oferta, pressionando a inflação, como se geram déficits orçamentários que levam o mercado credor a exigir taxas mais altas para financiar o Estado. Outros fatores podem agravar o quadro, como o elevado volume de crédito com taxas favorecidas a setores como habitação, agropecuária e indústria, que não está sujeito à Selic e diminui a eficácia da política monetária. Há ainda muita indexação formal e informal na economia, o que pode perpetuar altas de preços. Deve-se mencionar, por fim, a necessidade de consolidar a confiança no BC, que só há cinco anos ganhou autonomia na forma de mandatos para seus dirigentes. Ataques demagógicos de governantes aos juros só fazem elevar temores de retrocesso que dificultam o combate à inflação. Ao vivo: Galípolo fala sobre Master à CAE do Senado Poder360 Transmissão ao vivo realizada há 6 horas 💡 O QUE É IMPORTANTE SABER: 🏛️ Poder Congresso | O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa às 10h desta 3ª feira (19.mai.2026) de audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Ele falará sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025. A audiência foi aprovada pela comissão depois da liquidação do banco e da operação da Polícia Federal que mirou executivos ligados à instituição. Os senadores querem ouvir Galípolo sobre a atuação do BC antes da decisão e sobre os efeitos da medida no sistema financeiro. 📲 Ficou interessado? Leia a reportagem no Poder360: https://www.poder360.com.br/ General da banda Blecaute Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a,he a Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a,he a Mourão mourão Vara madura que não cai Mourão,mourão,mourão Catuca por baixo que ele vai Mourão mourão Vara madura que não cai mourão,mourão,mourão Catuca pro baixo que ele vai Chogou o general da banda,he he chegou o general da banda,he a General,general Chegou o general da banda,he he Chegou o general da banda,he a General,general Mourão mourão Vara madura que não cai Mourão muorão Catuca por baixo que ele vai Mourão mourã Vara madura que não cai Mourão,mourão,mourão Catuca bor baixo que ele vai Chegou o general da banda,he ha Deixa amanhecer Chegou o general da banda,he he a General general Composição: Tancredo Silva, José Alcides, Satiro de Melo. https://www.letras.mus.br/blecaute/649156/#radio:geraldo-pereira Blecaute - General da Banda - 1949 A Reading of "The Masque of the Red Death" Poe Museum The Poe Museum Blog The Masque of the Red Death Hear “The Masque of the Red Death” read aloud. The Masque of the Red Death The “Red Death” had long devastated the country. No pestilence had been ever so fatal, […] Post author By zakyoung Post date July 3, 2021 Hear “The Masque of the Red Death” read aloud. The Masque of the Red Death The “Red Death” had long devastated the country. No pestilence had been ever so fatal, or so hideous. Blood was its Avator and its seal — the redness and the horror of blood. There were sharp pains, and sudden dizziness, and then profuse bleedings at the pores, with dissolution. The scarlet stains upon the body and especially upon the face of the victim, were the pest-ban which shut him out from the aid and from the sympathy of his fellow-men. And the whole seizure, progress and termination of the disease were the incidents of half an hour. But the Prince Prospero was happy and dauntless, and sagacious. When his dominions were half depopulated, he summoned to his presence a thousand hale and light-hearted friends from among the knights and dames of his court, and with these retired to the deep seclusion of one of his castellated abbeys. This was an extensive and magnificent structure, the creation of the prince’s own eccentric yet august taste. A strong and lofty wall girdled it in. This wall had gates of iron. The courtiers, having entered, brought furnaces and massy hammers and welded the bolts. They resolved to leave means neither of ingress or egress to the sudden impulses of despair from without or of frenzy from within. The abbey was amply provisioned. With such precautions the courtiers might bid defiance to contagion. The external world could take care of itself. In the meantime it was folly to grieve, or to think. The prince had provided all the appliances of pleasure. There were buffoons, there were improvisatori, there were ballêt-dancers, there were musicians, there were cards, there was Beauty, there was wine. All these and security were within. Without was the “Red Death.” It was towards the close of the fifth or sixth month of his seclusion, and while the pestilence raged most furiously abroad, that the Prince Prospero entertained his thousand friends at a masked ball of the most unusual magnificence. It was a voluptuous scene that masquerade. But first let me tell of the rooms in which it was held. There were seven — an imperial suite. In many palaces, however, such suites form a long and straight vista, while the folding doors slide back nearly to the walls on either hand, so that the view of the whole extent is scarcely impeded. Here the case was very different; as might have been expected from the duke’s love of the bizarre. The apartments were so irregularly disposed that the vision embraced but little more than one at a time. There was a sharp turn at every twenty or thirty yards, and at each turn a novel effect. To the right and left, in the middle of each wall, a tall and narrow Gothic window looked out upon a closed corridor which pursued the windings of the suite. These windows were of stained glass whose color varied in accordance with the prevailing hue of the decorations of the chamber into which it opened. That at the eastern extremity was hung, for example, in blue — and vividly blue were its windows. The second chamber was purple in its ornaments and tapestries, and here the panes were purple. The third was green throughout, and so were the casements. The fourth was furnished and litten with orange — the fifth with white — the sixth with violet. The seventh apartment was closely shrouded in black velvet tapestries that hung all over the ceiling and down the walls, falling in heavy folds upon a carpet of the same material and hue. But, in this chamber only, the color of the windows failed to correspond with the decorations. The panes here were scarlet — a deep blood color. Now in no one of the seven apartments was there any lamp or candelabrum, amid the profusion of golden ornaments that lay scattered to and fro or depended from the roof. There was no light of any kind emanating from lamp or candle within the suite of chambers. But in the corridors that followed the suite, there stood, opposite to each window, a heavy tripod, bearing a brazier of fire that projected its rays through the tinted glass and so glaringly illumined the room. And thus were produced a multitude of gaudy and fantastic appearances. But in the western or black chamber the effect of the fire-light that streamed upon the dark hangings through the blood-tinted panes, was ghastly in the extreme, and produced so wild a look upon the countenances of those who entered, that there were few of the company bold enough to set foot within its precincts at all. It was in this apartment, also, that there stood against the western wall, a gigantic clock of ebony. Its pendulum swung to and fro with a dull, heavy, monotonous clang; and when its minute-hand made the circuit of the face, and the hour was to be stricken, there came forth from the brazen lungs of the clock a sound which was clear and loud and deep and exceedingly musical, but of so peculiar a note and emphasis that, at each lapse of an hour, the musicians in the orchestra were constrained to pause, momently, in their performance, to harken to the sound; and thus the waltzers perforce ceased their evolutions; and there was a brief disconcert of the whole gay company; and, while the chimes of the clock yet rang, it was observed that the giddiest grew pale, and that the more aged and sedate passed their hands over their brows as if in confused reverie or meditation. But when the echoes had fully ceased, a light laughter at once pervaded the assembly; the musicians looked at each other and smiled as if at their own nervousness and folly, and made whispering vows, each to the other, that the next chiming of the clock should produce in them no similar emotion; and then, after the lapse of sixty minutes, (which embrace three thousand and six hundred seconds of the Time that flies,) there came yet another chiming of the clock, and then were the same disconcert and tremulousness and meditation as before. But, in spite of these things, it was a gay and magnificent revel. The tastes of the duke were peculiar. He had a fine eye for colors and effects. He disregarded the decora of mere fashion. His plans were bold and fiery, and his conceptions glowed with barbaric lustre. There are some who would have thought him mad. His followers felt that he was not. It was necessary to hear and see and touch him to be sure that he was not. He had directed, in great part, the moveable embellishments of the seven chambers, upon occasion of this great fête, and it was his own guiding taste which had given character to the costumes of the masqueraders. Be sure they were grotesque. There were much glare and glitter and piquancy and phantasm — much of what has been since seen in “Hernani.” There were arabesque figures with unsuited limbs and appointments. There were delirious fancies such as the madman fashions. There was much of the beautiful, much of the wanton, much of the bizarre, something of the terrible, and not a little of that which might have excited disgust. To and fro in the seven chambers there stalked, in fact, a multitude of dreams. And these, the dreams — writhed in and about, taking hue from the rooms, and causing the wild music of the orchestra to seem as the echo of their steps. And, anon, there strikes the ebony clock which stands in the hall of the velvet. And then, momently, all is still, and all is silent save the voice of the clock. The dreams are stiff-frozen as they stand. But the echoes of the chime die away — they have endured but an instant — and a light, half-subdued laughter floats after them as they depart. And now again the music swells, and the dreams live, and writhe to and fro more merrily than ever, taking hue from the many-tinted windows through which stream the rays from the tripods. But to the chamber which lies most westwardly of the seven there are now none of the maskers who venture; for the night is waning away; and there flows a ruddier light through the blood-colored panes; and the blackness of the sable drapery appals; and to him whose foot falls upon the sable carpet, there comes from the near clock of ebony a muffled peal more solemnly emphatic than any which reaches their ears who indulge in the more remote gaieties of the other apartments. But these other apartments were densely crowded, and in them beat feverishly the heart of life. And the revel went whirlingly on, until at length was sounded the twelfth hour upon the clock. And then the music ceased, as I have told; and the evolutions of the waltzers were quieted; and there was an uneasy cessation of all things as before. But now there were twelve strokes to be sounded by the bell of the clock; and thus it happened, perhaps, that more of thought crept, with more of time, into the meditations of the thoughtful among those who revelled. And thus, again, it happened, perhaps, that before the last echoes of the last chime had utterly sunk into silence, there were many individuals in the crowd who had found leisure to become aware of the presence of a masked figure which had arrested the attention of no single individual before. And the rumor of this new presence having spread itself whisperingly around, there arose at length from the whole company a buzz, or murmur, expressive at first of disapprobation and surprise — then, finally, of terror, of horror, and of disgust. In an assembly of phantasms such as I have painted, it may well be supposed that no ordinary appearance could have excited such sensation. In truth the masquerade license of the night was nearly unlimited; but the figure in question had out-Heroded Herod, and gone beyond the bounds of even the prince’s indefinite decorum. There are chords in the hearts of the most reckless which cannot be touched without emotion. Even with the utterly lost, to whom life and death are equally jests, there are matters of which no jest can be properly made. The whole company, indeed, seemed now deeply to feel that in the costume and bearing of the stranger neither wit nor propriety existed. The figure was tall and gaunt, and shrouded from head to foot in the habiliments of the grave. The mask which concealed the visage was made so nearly to resemble the countenance of a stiffened corpse that the closest scrutiny must have had difficulty in detecting the cheat. And yet all this might have been endured, if not approved, by the mad revellers around. But the mummer had gone so far as to assume the type of the Red Death. His vesture was dabbled in blood — and his broad brow, with all the features of the face, was besprinkled with the scarlet horror. When the eyes of the Prince Prospero fell upon this spectral image (which with a slow and solemn movement, as if more fully to sustain its rôle, stalked to and fro among the waltzers) he was seen to be convulsed, in the first moment, with a strong shudder either of terror or distaste; but, in the next, his brow reddened with rage. “Who dares?” he demanded hoarsely of the group that stood around him, “who dares thus to make mockery of our woes? Uncase the varlet that we may know whom we have to hang to-morrow at sunrise from the battlements. Will no one stir at my bidding? — stop him and strip him, I say, of those reddened vestures of sacrilege!” It was in the eastern or blue chamber in which stood the Prince Prospero as he uttered these words. They rang throughout the seven rooms loudly and clearly — for the prince was a bold and robust man, and the music had become hushed at the waving of his hand. It was in the blue room where stood the prince, with a group of pale courtiers by his side. At first, as he spoke, there was a slight rushing movement of this group in the direction of the intruder, who at the moment was also near at hand, and now, with deliberate and stately step, made closer approach to the speaker. But from a certain nameless awe with which the mad assumptions of the mummer had inspired the whole party, there were found none who put forth hand to seize him; so that, unimpeded, he passed within a yard of the prince’s person; and, while the vast assembly, as if with one impulse, shrank from the centres of the rooms to the walls, he made his way uninterruptedly, but with the same solemn and measured step which had distinguished him from the first, through the blue chamber to the purple — through the purple to the green — through the green to the orange, — through this again to the white — and even thence to the violet, ere a decided movement had been made to arrest him. It was then, however, that the Prince Prospero, maddening with rage and the shame of his own momentary cowardice, rushed hurriedly through the six chambers — while none followed him on account of a deadly terror that had seized upon all. He bore aloft a drawn dagger, and had approached, in rapid impetuosity, to within three or four feet of the retreating figure, when the latter, having attained the extremity of the velvet apartment, turned suddenly round and confronted his pursuer. There was a sharp cry — and the dagger dropped gleaming upon the sable carpet, upon which instantly afterwards, fell prostrate in death the Prince Prospero. Then, summoning the wild courage of despair, a throng of the revellers at once threw themselves into the black apartment, and, seizing the mummer, whose tall figure stood erect and motionless within the shadow of the ebony clock, gasped in unutterable horror at finding the grave-cerements and corpse-like mask which they handled with so violent a rudeness, untenanted by any tangible form. And now was acknowledged the presence of the Red Death. He had come like a thief in the night. And one by one dropped the revellers in the blood-bedewed halls of their revel, and died each in the despairing posture of his fall. And the life of the ebony clock went out with that of the last of the gay. And the flames of the tripods expired. And Darkness and Decay and the Red Death held illimitable dominion over all. Edgar Allan Poe Published 1842 Image by Byam Shaw Tags Read Poe's Work A MÁSCARA DA MORTE RUBRA (Edgard Allan Poe) Tradução e prólogo de Ana Karina Borges Braun. Revisão de Patrícia Chittoni Ramos Reuillard e Juann Acosta. O escritor, poeta, editor e crítico norte-americano Edgar Allan Poe nasceu em Boston em janeiro de 1809 e faleceu em Baltimore em 7 de outubro de 1849. Popularmente conhecido como o mestre dos contos de terror e precursor dos contos de detetive, também publicou ensaios e resenhas críticas. Em1839 ganhou notoriedade com a publicação de seu livro Contos do grotesco e do arabesco (Tales of the Grotesque and Arabesque) pela editora Lea and Blanchardt. Em 1842 publicou o conto cuja tradução apresentaremos a seguir: The Masque of the Red Death (A Máscara da Morte Rubra). Denise Bottmann, (2012) contabiliza dezoito traduções brasileiras desse conto feitas ao longo dos séculos XX e XXI. Dentre elas, estão A máscara da morte interrompida (DUARTE, 1922), A máscara da morte rubra (MENDES E AMADO, 1944), A máscara da peste vermelha (LOBO, 1970), A máscara da morte escarlate (RUBENS SIQUEIRA, 1993), O baile da morte vermelha (BRAGA, 2008) e A camuflagem da morte escarlate (ANÔNIMO, 2008). O conto se apresenta como uma alegoria da inevitabilidade da morte. O Príncipe Próspero, em uma tentativa de sobreviver à morte rubra, terrível doença que assolava seu país, se recolhe com um grupo de cortesãos em uma de suas propriedades - uma abadia acastelada - e promove um baile de máscaras. O clímax do conto ocorre durante o baile, quando o príncipe e seus convidados confrontam a morte. A "Morte Rubra" dizimara o país há muito tempo. Nenhuma peste havia sido tão fatal ou tão terrível. O sangue representava sua imagem e sua marca - o rubor e a aversão ao sangue. Os sintomas se caracterizavam por dores agudas, tonturas súbitas e abundante sangramento pelos poros, seguido de deterioração. As manchas escarlates no corpo, especialmente aquelas no rosto da vítima, representavam a exclusão que a privava da assistência e da compaixão de seus semelhantes. E sua manifestação, desenvolvimento e término se dava em um período de trinta minutos. Apesar disso, o príncipe Próspero se sentia feliz, intrépido e sagaz. Quando a população de seus domínios havia se reduzido à metade, ele reuniu mil amigos saudáveis e festivos, dentre cavalheiros e damas de sua corte, e com eles se recolheu em uma de suas abadias acasteladas. Era uma estrutura extensa e grandiosa, construção resultante do gosto excêntrico e augusto do próprio Príncipe, cercada por uma forte e imponente muralha. Os portões eram feitos de aço. Após terem entrado, os cortesãos trouxeram fornos e pesados martelos para soldar os ferrolhos. Decidiram impedir tanto a entrada como a saída de qualquer um que se rendesse a impulsos súbitos de desespero ou qualquer loucura do lado de dentro. A abadia tinha provisões em abundância. Com tais precauções, os cortesãos poderiam desafiar o contágio. O mundo exterior tomaria conta de si mesmo. Nesse meio tempo, lamentar-se, ou mesmo pensar, seria uma estupidez. O príncipe havia proporcionado todos os meios de distração. Havia bufões, artistas improvisadores, bailarinos, músicos, Beleza, vinho. Além disso, havia a segurança de estarem, lá dentro, protegidos da "Morte Rubra". Após cinco ou seis meses de reclusão, enquanto a peste atacava suas vítimas com furor fora da abadia, o Príncipe Próspero decidiu entreter seus mil amigos com um baile de máscaras de uma grandiosidade nunca antes vista. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/179344/1069088.pdf?sequence=1
Caderno 12 (1932)43 (excertos) Apontamentos e notas para um conjunto de ensaios sobre a história dos intelectuais Os intelectuais constituem um grupo social autônomo e independente ou cada grupo social possui sua própria categoria especializada de intelectual? O problema é complexo por causa das várias formas que, até nossos dias, assumiu o processo histórico real de formação das diversas categorias intelectuais. As mais importantes destas formas são duas: 1) Cada grupo social, nascendo no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria para si ao mesmo tempo, de um modo orgânico, uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e no político: o empresário capitalista cria consigo o técnico da indústria, o cientista da economia política, o organizador de uma nova cultura, de um novo direito etc. Deve-se anotar o fato de que o empresário representa uma elaboração social superior, já caracterizada por uma certa capacidade dirigente e técnica (isto é, intelectual): ele deve possuir uma certa capacidade técnica, não somente na esfera restrita de sua atividade e de sua iniciativa, mas ainda em outras esferas, pelo menos nas mais próximas à produção econômica (deve ser um organizador de massa de homens; deve ser um organizador da “confiança” dos que investem em sua empresa, dos compradores de sua mercadoria etc.). Os empresários – se não todos, pelo menos uma elite deles – devem possuir a capacidade de organizar a sociedade em geral, em todo o seu complexo organismo de serviços, até o organismo estatal, em vista da necessidade de criar as condições mais fa43 Quaderni del Carcere, v. III, edição crítica do Instituto Gramsci, organizada por Valentino Gerratana, Ed. Einaudi, Turim, 1975. Tradução de Paolo Nosella. 92 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 92 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES voráveis à expansão da própria classe; ou, pelo menos devem possuir a capacidade de escolher os “prepostos” (empregados especializados) a quem confiar esta atividade organizativa das relações gerais exteriores à empresa. Pode-se observar que os intelectuais “orgânicos, que cada nova classe cria consigo e elabora em seu desenvolvimento progressivo, são, na maioria das vezes, “especializações” de aspectos parciais da atividade primitiva do tipo social novo que a nova classe deu à luz. (Também os senhores feudais eram detentores de uma particular capacidade técnica, a militar, e é precisamente a partir do momento em que a aristocracia perde monopólio desta capacidade técnico-militar que se inicia a crise do feudalismo. Mas a formação dos intelectuais no mundo feudal e no mundo clássico precedente é uma questão que deve ser examinada à parte: esta formação e elaboração seguem caminhos e modos que é preciso estudar concretamente. Assim, cabe observar que a massa dos camponeses, ainda que desenvolva uma função essencial no mundo da produção, não elabora intelectuais “orgânicos” próprios e não “assimila” nenhuma camada de intelectuais “tradicionais”, embora outros grupos sociais extraiam da massa dos camponeses muitos dos seus intelectuais e grande parte dos intelectuais tradicionais seja de origem camponesa). 2) Mas cada grupo social “essencial”, emergido na história a partir da estrutura econômica anterior e como expressão de seu desenvolvimento (desta estrutura), encontrou, pelo menos na história que se desenrolou até nossos dias, categorias sociais preexistentes, as quais apareciam, aliás, como representantes de uma continuidade histórica que não fora interrompida nem mesmo pelas mais complicadas e radicais modificações das formas sociais e políticas. A mais típica destas categorias intelectuais é a dos eclesiásticos, que monopolizaram durante muito tempo (numa inteira fase histórica que é parcialmente 93 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 93 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI caracterizada, aliás, por este monopólio) alguns serviços importantes: a ideologia religiosa, isto é, a filosofia e a ciência da época com a escola, a instrução, a moral, a justiça, a beneficência, a assistência etc. A categoria dos eclesiásticos pode ser considerada também a categoria intelectual organicamente ligada à aristocracia fundiária: era juridicamente equiparada à aristocracia, com a qual dividia o exercício da propriedade feudal da terra e o uso dos privilégios estatais ligados à propriedade. Mas o monopólio das reestruturas por parte dos eclesiásticos (origem da acepção geral de “intelectuais” – ou de “especialista” – da palavra “clérigo”, em muitas línguas de origem neolatina ou fortemente influenciadas, através do latim eclesiástico, pelas línguas neolatinas, com seu correlativo de “laico” no sentido de profano – não especialista) não foi exercido sem luta e sem limitações; e nasceram, consequentemente, em várias formas (que devem ser pesquisadas e estudadas concretamente), outras categorias favorecidas e ampliadas à medida que se reforçava o poder central do monarca, até chegar ao absolutismo. Assim, foi-se formando a aristocracia togada, com seus próprios privilégios: uma camada de administradores etc., cientistas, teóricos, filósofos não eclesiásticos etc. Dado que estas várias categorias de intelectuais tradicionais sentem como “espírito de corpo” sua ininterrupta continuidade histórica e sua “qualificação”, eles se colocam como autônomos e independentes do grupo social dominante; esta autoafirmação não deixa de ter consequências de grande importância no campo ideológico e político (toda filosofia idealista pode ser facilmente relacionada com esta posição assumida pelo complexo social dos intelectuais e pode ser definida como a expressão desta utopia social segundo a qual os intelectuais acreditam ser “independentes”, autônomos, revestidos de características deles próprias etc. Deve-se notar, porém, que se o papa e a alta hierarquia da Igreja se creem 94 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 94 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES mais ligados a Cristo e aos apóstolos do que aos senadores Agnelli e Benni, o mesmo não ocorre com Gentile e Croce, por exemplo: Croce, notadamente, sente-se fortemente ligado a Aristóteles e a Platão, mas ele não esconde, de forma alguma, estar ligado aos senadores Agnelli e Benni e precisamente nisto deve ser procurada a característica mais marcada da filosofia de Croce). (Esta investigação sobre a história dos intelectuais não será de caráter “sociológico”, mas possibilitará uma série de ensaios de “história da cultura” (Kulturgeschichte) e de história da ciência política. Entretanto será difícil evitar algumas formas esquemáticas e abstratas que lembram as da “sociologia”: será preciso, portanto, encontrar a forma literária mais adequada para que a exposição seja “não-sociológica”. A primeira parte da investigação poderia constituir-se numa crítica sistemática das obras já existentes sobre os intelectuais, quase todas de cunho sociológico. Levantar a bibliografia sobre o assunto é, portanto, indispensável). Quais são os limites “máximos” da acepção de “intelectual”? É possível encontrar um critério unitário para caracterizar igualmente todas as diversas e variadas atividades intelectuais e para distingui-las, ao mesmo tempo e de modo essencial das atividades dos outros agrupamentos sociais? O erro metodológico mais difundido, ao que me parece, consiste em se ter buscado este critério de distinção no que é intrínseco às atividades intelectuais, em vez de buscá-lo no conjunto do sistema de relações no qual estas atividades (e, portanto, os grupos que as personificam) se encontram, no conjunto geral das relações sociais. Na verdade, o operário ou o proletário, por exemplo, não se caracteriza especificamente pelo trabalho manual ou instrumental, mas por exercer este trabalho em determinadas condições e em determinadas relações sociais (sem falar no fato de que não existe trabalho puramente físico e de que mesmo a expressão de Taylor, “gorila amestrado”, é uma metáfora para indicar um limite numa certa direção: em qualquer trabalho 95 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 95 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI físico, mesmo no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, isto é, um mínimo de atividade intelectual criadora). E já se observou que o empresário, pela sua própria função, deve possuir em certa medida algumas qualificações de caráter intelectual, se bem que sua figura social seja determinada não por elas, mas pelas relações sociais gerais que caracterizam efetivamente a posição do empresário na indústria. Todos os homens são intelectuais, poder-se-ia dizer então: mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais (assim como, pelo fato de que qualquer um pode em determinado momento fritar dois ovos ou costurar um buraco do paletó, não quer dizer que todo mundo seja cozinheiro ou alfaiate). Formam-se assim, historicamente, categorias especializadas para o exercício da função intelectual; formam-se em conexão com todos os grupos sociais, mas especialmente em conexão com os grupos sociais mais importantes e sofrem elaboração mais amplas e complexas em ligação com o grupo social dominante. Uma das mais marcantes características de todo grupo social que se desenvolve no sentido do domínio é sua luta pela assimilação e pela conquista “ideológica” dos intelectuais tradicionais, assimilação e conquista que são tão mais rápidas e eficazes quanto mais o grupo em questão elaborar simultaneamente seus próprios intelectuais orgânicos. O enorme desenvolvimento alcançado pela atividade e pela organização escolar (em sentido lato) nas sociedades que surgiram do mundo medieval indica a importância assumida no mundo moderno pelas categorias e funções intelectuais: assim como se buscou aprofundar e ampliar a “intelectualidade” de cada indivíduo, buscou-se igualmente multiplicar as especializações e aperfeiçoá-las. É este o resultado das instituições escolares de graus diversos, incluindo os organismos que visam promover a chamada “alta cultura”, em todos os campos da ciência e da técnica. (A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos níveis. A complexidade da função intelec96 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 96 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES tual nos vários Estados pode ser objetivamente medida pela quantidade das escolas especializadas e pela hierarquização: quanto mais extensa é a “área” escolar e quanto mais numerosos forem os “graus verticais” da escola, tão mais complexo é o mundo cultural, a civilização, de um determinado Estado. Pode-se ter um termo de comparação na esfera da técnica industrial: a industrialização de um país se mede pela sua capacidade de construir máquinas que construam máquinas, e na fabricação de instrumentos cada vez mais precisos para construir máquinas e instrumentos que construam máquinas etc. O país que possuir a melhor capacitação para construir instrumentos para os laboratórios dos cientistas e para construir instrumentos que testem estes instrumentos, este país pode ser considerado o mais complexo no campo técnico-industrial, o mais civilizado etc. Do mesmo modo ocorre na preparação dos intelectuais e nas escolas destinadas a tal preparação: escolas e instituições de alta cultura são similares). (Também neste campo, a quantidade não pode ser destacada da qualidade. A mais refinada especialização técnicocultural não pode deixar de corresponder à maior ampliação possível da difusão da instrução primária e a maior solicitude no favorecimento dos graus intermediários ao maior número. Naturalmente, esta necessidade de criar a mais ampla base possível para seleção e elaboração das mais altas qualificações intelectuais – ou seja, de dar à alta cultura e à técnica superior uma estrutura democrática – não deixa de ter inconvenientes: cria-se, deste modo, a possibilidade de vastas crises de desemprego nas camadas médias intelectuais, tal como realmente ocorre em todas as sociedades modernas). Deve-se notar que a elaboração das camadas intelectuais na realidade concreta não ocorre em um terreno democrático abstrato, mas de acordo com processos históricos tradicionais muito concretos. Formaram-se camadas que, tradicionalmente “produzem” intelectuais; trata-se das mesmas camadas que, muito frequentemente, especializaram-se na “poupança”, isto é, a pequena e média 97 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 97 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI burguesia fundiária e alguns estratos da pequena e média burguesia das cidades. A diversa distribuição dos diversos tipos de escolas (clássicas e profissionais) no território “econômico” e as diversas aspirações das várias categorias destas camadas determinam ou dão forma à produção dos diversos ramos de especialização intelectual. Assim, na Itália, a burguesia rural produz notadamente funcionários estatais e profissionais liberais, ao passo que a burguesia urbana produz técnicos para a indústria: por isso, a Itália meridional produz funcionários e profissionais. A relação entre intelectuais e o mundo da produção não é imediata, como é o caso nos grupos sociais fundamentais, mas é “mediatizada”, em diversos graus, por toda a textura social, pelo conjunto das superestruturas, do qual os intelectuais são precisamente os “funcionários”. Poder-se-ia medir a “organicidade” dos diversos estratos intelectuais, sua mais ou menos estreita conexão com um grupo social fundamental, fixando uma gradação das funções e das superestruturais de baixo para cima (da base estrutural para cima). Por enquanto, pode-se fixar dois grandes “planos” superestruturas: o que pode ser chamado de “sociedade civil”, isto é, o conjunto de organismos chamados comumente de “privados”, o da “sociedade política ou Estado”, que correspondem à função de “hegemonia” que o grupo dominante exerce em toda a sociedade, e àquela de “domínio direto” ou de comando, que se expressa no Estado e no governo “jurídico”. Estas funções são precisamente organizativas e conectivas. Os intelectuais são os “comissários” do grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do governo político, isto é: 1) do consenso “espontâneo” dado pelas grandes massas da população à orientação impressa pelo grupo fundamental dominante à vida social, consenso que nasce “historicamente” do prestígio (e, portanto, da confiança) que o grupo dominante obtém, por causa de sua posição e de sua função no mundo da produção; 2) do aparato de coerção estatal 98 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 98 21/10/2010, 08:56COLEÇÃO EDUCADORES que assegura “legalmente” a disciplina dos grupos que não “consentem”, nem ativa nem passivamente, mas que é constituído para toda a sociedade, na previsão dos momentos de crise no comando e na direção, quando fracassa o consenso espontâneo. Esta impostação do problema traz como resultado uma ampliação muito grande do conceito de intelectual, mas somente à realidade. Este modo de colocar a questão entra em choque em preconceitos de casta: é verdade que a própria função organizativa da hegemonia social e do domínio estatal dá lugar a certa divisão do trabalho e, portanto, a toda uma gradação de qualificações, em algumas das quais não mais aparece nenhuma atribuição diretiva e organizativa: no aparato da direção social e estatal existe toda uma série de empregos de caráter manual e instrumental (de execução e não de conceito, de agente e não de oficial ou funcionário etc.), mas, evidentemente, é preciso fazer esta distinção, como será preciso fazer também outras. De fato, a atividade intelectual deve ser diferenciada em graus, inclusive do ponto de vista intrínseco; estes graus, nos momentos de extrema oposição, dão lugar a uma verdadeira e real diferença qualitativa: no mais alto grau devem ser colocados os criadores das várias ciências, da filosofia, da arte etc.; no mais baixo, os mais humildes “administradores” e divulgadores da riqueza intelectual já existente, tradicional, acumulada. O organismo militar, também neste caso, oferece um modelo destas complexas gradações: oficiais subalternos, oficiais superiores, estado-maior; e não se deve esquecer os praças graduados, cuja importância real é superior ao que habitualmente se crê. É interessante notar que todas essas partes se sentem solidárias, ou antes, que os estratos inferiores manifestam um espírito de grupo mais evidente, do qual resulta neles uma “vaidade” que frequentemente os expõem aos gracejos e às troças. No mundo moderno, a categoria dos intelectuais, assim entendida, ampliou-se de modo inaudito. Foram elaboradas pelo sistema social democrático-burocrático, imponentes massas de intelec99 Antonio Gramsci_fev2010.pmd 99 21/10/2010, 08:56ANTONIO GRAMSCI tuais, nem todas justificadas pelas necessidades sociais da produção, ainda que justificadas pelas necessidades políticas do grupo fundamental dominante. Daí a concepção loriana do “trabalhador” improdutivo (mas improdutivo em relação a quem e a que modo de produção?), que poderia ser parcialmente justificada se, se levasse em conta que estas massas exploram sua posição a fim de obter grandes somas retiradas à renda nacional. A formação em massa estandartizou os indivíduos, na qualificação intelectual e na psicologia, determinando os mesmos fenômenos que ocorrem em todas as outras massas estandartizadas: concorrência que coloca a necessidade da organização profissional de defesa, desemprego, superprodução escolar, imigração etc. Posição diversa dos intelectuais de tipo urbano e de tipo rural A máscara da morte rubra O texto fonte para esta tradução foi The Masque ofthe Read Death (1850) disponível em: . Acesso em: 12 mar. 2018.

ENTRANDO SUA SENHORIA: SAINDO VOSSA EXCELÊNCIA

Ministério da Economia
Geraldo Pereira

Seu Presidente
Sua Excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer até encher

Seu Presidente
Pois era isso que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver

Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com meu amor eu já posso viver

Eu vou buscar
A minha nega pra morar comigo
E sei que agora não há mais perigo
Porque de fome ela não vai morrer

A vida estava tão difícil
Que eu mandei minha nega bacana
Meter os peitos na cozinha da madame
Em Copacabana

Agora vou buscar a nega
Porque gosto dela pra cachorro
Os gatos é que vão dar gargalhada
De alegria lá no morro

Composição: Arnaldo Passos, Geraldo Pereira.

Letras da música | YouTube


REDUZINDO VOSSAS EXCELÊNCIAS A NOMES DE BATISMO

Imagem da reportagem

Galípolo eleva o nível do debate sobre juros altos

Por Folha de S. Paulo

Inflação superou o teto em 4 dos últimos 6 anos, evidenciando que taxas não subiram além do necessário

A verdadeira questão é por que a política monetária é menos eficaz no Brasil; a expansão dos gastos públicos é a explicação mais óbvia.

A gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central deveria bastar para desacreditar teorias conspiratórias a respeito das taxas de juros brasileiras, historicamente acima dos padrões globais.

Afinal, com uma cúpula de maioria indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o BC mantém há quase um ano e meio as mesmas diretrizes herdadas da diretoria nomeada por Jair Bolsonaro (PL), o que implica manter a taxa Selic no nível necessário para buscar a meta de inflação, mesmo com sacrifícios para a atividade econômica.

Em audiência no Senado, Galípolo afirmou que, apesar das taxas elevadas, o Brasil teve inflação acima do teto em 4 dos últimos 6 anos, indicando que a política monetária não foi mais rigorosa do que o necessário.