domingo, 7 de junho de 2026

Bala com Bala

GAZETA CARIOCA Trump Has Failed as Commander in Chief Trump has failed to unite the country while at war and instead is seeking personal gain. By Thomas L. Friedman Leer en español阅读简体中文版閱讀繁體中文版 June 2, 2026 Bala Com Bala Elis Regina domingo, 7 de junho de 2026 Tarifaço e a oportunidade para o Brasil, por Lourival Sant’Anna
LOURIVAL: ESTAMOS A TODO VAPOR DENTRO DE UMA GUERRA COMERCIAL O Estado de S. Paulo As pressões tarifárias do governo Trump abrem oportunidade histórica para o Brasil reduzir de forma negociada suas barreiras comerciais, que fazem mais mal aos brasileiros que aos próprios americanos. A demagogia do governo Lula e a influência política dos setores industriais beneficiados pelo protecionismo me dão a triste certeza de que isso não vai acontecer. Os segmentos mais dinâmicos da economia brasileira serão castigados, mais uma vez. Os argumentos do governo, de que o Brasil aplica efetivamente tarifas médias de 3% sobre os produtos americanos, e de que os EUA usufruem de superávit no comércio bilateral, são falaciosos. As alíquotas brasileiras sobre bens industrializados costumam partir de 20%, chegando a 35% no caso dos automóveis. Os produtos americanos não pagam esses impostos porque eles cumprem a função para a qual foram criados: bloquear as importações. Quanto ao déficit brasileiro, os americanos podem argumentar que exportariam muito mais se não fossem as tarifas, as barreiras não tarifárias e as ações antidumping destinadas a impedir o livre comércio – havendo outras que são legítimas. O pior é que o Brasil também exportaria mais produtos de valor agregado mais alto se não fossem essas barreiras protecionistas. As barreiras encarecem insumos e bens de capital dos quais todos os setores produtivos brasileiros necessitam para inovar e elevar a produtividade e a competitividade. Sem falar nos consumidores brasileiros, reféns de produtos caros e de má qualidade protegidos por essas barreiras, que desestimulam a pesquisa e o desenvolvimento. A presença de Javier Milei na Casa Rosada possibilita acordos para reduzir a Tarifa Externa Comum do Mercosul, estacionada em astronômicos 11%, quando a tarifa média da União Europeia é de 4% e a dos EUA, 3%. Mas Lula provém dos setores protegidos, como a indústria automobilística, e cultiva um fetiche pela tese da “substituição de importações”, que desde os anos 30 se prova uma farsa. COLATERAL. Como resultado, são prejudicados os setores mais dinâmicos e inovadores, que mais se beneficiariam com a possibilidade de importar para produzir e exportar mais, como o agronegócio, os plásticos, a saúde e todos os que dependem das cadeias de valor globais. O presidente da CNI, Ricardo Alban, chegou a declarar que a solução para as tarifas americanas é o Brasil adotar mais medidas de defesa comercial – precisamente a origem do problema. O Brasil não deve ceder em exigências como acabar com o Pix ou aceitar monopólio no fornecimento de minerais críticos. Mas deveria negociar a redução das barreiras comerciais.
Entenda acusação do governo Trump para Brasil e outros países sobre trabalho forçado Os EUA não acusam diretamente os países de fomentarem o trabalho escravo, mas sim da falta de políticas para combater o tema. Por Redação 03/06/2026 10h52 Atualizado há 4 dias
Donald Trump falha como comandante-chefe Em vez de defender aliados de ameaças em comum, presidente prefere extorqui-los e fazer negócios ANÁLISE Thomas Friedman The New York Times É colunista e ganhador de três Prêmios Pulitzer
Quem é Ricardo Couto, que assume o governo do Rio após a renúncia de Castro O presidente do TJ-RJ comandará o governo até a Assembleia Legislativa definir, via eleição indireta, o nome do novo governador POR CARTACAPITAL 24.03.2026 15H33 ... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/politica/quem-e-ricardo-couto-que-assume-o-governo-do-rio-apos-a-renuncia-de-castro/.
A imagem captura o exato momento do aquecimento no Campo do Canto do Rio, em Niterói, mostrando o contraste entre a postura formal e constitucional do governador alvinegro e a energia raçuda do prefeito rubro-negro, com a nossa bela Baía de Guanabara ao fundo. RÁDIO GLOBO RIO – O MARANHÃO DOS ESPORTES PROGRAMA: SHOW DO MEIO-DIA (AO VIVO DO CAMPO DO CANTO DO RIO, EM NITERÓI) COMENTARISTA: GERSON, O CANHOTINHA DE OURO [SONOPLASTIA: VINHETA RÁDIO GLOBO – "O CANHOTINHA DE OURO ENTRA EM CAMPO!"] [ÁUDIO: RUÍDO DE FUNDO DE CAMPO DE FUTEBOL, COLETIVA DE IMPRENSA COM ALVOROÇO DE MICROFONES] GERSON: (Tom enérgico, voz rouca característica, microfone bem próximo)Olha, o microfone da Rádio Globo tá no meio do reduto onde eu comecei, rapaz! Minha terra, Niterói, aqui no Canto do Rio. E eu ouvi bem o que esses dois governantes falaram. Vocês sabem que eu sou tricolor de coração, nasci nas Laranjeiras, mas joguei muita bola e fui campeão no Flamengo em 63, bati de frente com técnico disciplinador que queria me prender em esquema tático, e depois fui jogar o fino da bola lá no Botafogo. Por isso aqui eu sou totalmente imparcial, tá? Mas para comentar essa tática política... pô, ninguém é de ferro, a gente sempre tira uma vantagem para o futebol bem jogado! Vamos para a análise tática desse clássico dos discursos! Solta o play no primeiro! [ÁUDIO: RECORTE DA FALA DO GOVERNADOR RICARDO COUTO] "Alvinegro. Couto é botafoguense roxo e, mesmo com a agenda cheia, nunca deixa de perguntar aos assessores o resultado dos jogos do Botafogo. Ao falar do ídolo Garrincha, gosta de dizer que o seu foi o primeiro clube do Rio a fazer uma 'ação afirmativa' e contratar o craque antes rejeitado pelo Flamengo." GERSON: (Bate na mesa, rindo) Presta atenção na tática do Governador Couto, meu garoto! O homem jogou com o regulamento debaixo do braço e a Constituição no bolso. Ele montou uma retranca jurídica perfeita com a linha sucessória e, na hora de atacar, jogou a bola no pé do Mané Garrincha! Taticamente, o Couto usou o que a gente chama de "antecipação histórica". Quando ele puxa a memória da 'ação afirmativa' do Botafogo lá atrás, ele tá dando um drible de corpo no rival. Ele pegou a rejeição do Flamengo ao Mané e transformou isso em gol de placa do Alvinegro. É o legítimo "preto no branco": o assessor traz o resultado no meio do expediente e o governador carimba o decreto com a caneta da justiça social. Jogo consciente, sem dar chutão, valorizando a posse de bola da história! Agora abre o microfone pro garoto do Palácio da Cidade! Solta aí! [ÁUDIO: RECORTE DA FALA DO PREFEITO EDUARDO CAVALIERI] "Rubro-negro. Cavalieri, empoleirado no trono do Palácio da Cidade, já pediu revanche para um desagravo sobre suposto preconceito da raça vermelha no sangue, mas preta no coração e alva na vontade de paz em terras fluminenses." GERSON: (Tom de crônica, gesticulando) Olha a reação do Cavalieri, rapaz! O prefeito se viu acuado na defesa, "empoleirado no trono", e o que ele fez? Tática de abafa! O Flamengo dele foi pego no contrapé com a história do Garrincha, aí ele partiu pro tudo ou nada. Em vez de tocar de lado, o Cavalieri tentou o lançamento longo, apelando pro coração da massa. Ele pediu "revanche". Isso é tática de quem quer transferir o jogo do tribunal pro Maracanã lotado! Ele usou a mística rubro-negra do sangue e da raça para tentar anular o drible do Botafogo. Só que ele sabe que o clima tá tenso, então ele bota o pé no freio no final e pede "alva vontade de paz". Quer dizer, ele vai pro carrinho na dividida, mas levanta pedindo desculpas pra não tomar o cartão vermelho do eleitorado. Tática de pura emoção e forte apelo popular! [VÍRGULA SONORA RÁPIDA] GERSON: (Finalizando com o seu tradicional gingado e malícia) Resumo da ópera aqui de Niterói, meu amigo: o Couto joga cadenciado, na cadência de um meio-campo clássico, focado na justiça do papel. O Cavalieri joga na base do contra-ataque veloz, na raça do ponta-de-lança. Quem ganha? O torcedor carioca, que vê a política imitar a beleza do nosso futebol. E eu fico aqui, olhando o meu Canto do Rio, de olho no placar... porque o jogo do poder não para, pô! De volta com você aí no estúdio central da Rádio Globo! [SONOPLASTIA: VINHETA FINAL DOS COMENTÁRIOS DE GERSON] S EUA e Irã vão chegar a um acordo? Qual o futuro da relação Brasil e EUA? | FORA DA ORDEM CNN Brasil Transmitido ao vivo em 5 de jun. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎 No "Fora da Ordem" desta sexta-feira (5), o videocast de geopolítica e geoeconomia da CNN Brasil debate o futuro da relação entre Brasil e Estados Unidos após as novas ameaças de tarifaço de Donald Trump e o futuro da guerra entre Washington e Teerã: será que EUA e Irã conseguirão chegar a um acordo?

sábado, 6 de junho de 2026

A história parece uma coisa à toa, mas como é que ela soa quando começa a soar? A história vai embora.

Nada é à toa: a história só começa quando ganha voz — e, então, nunca mais vai embora.
“Guardei o dia: 4 de outubro de 1957.” Ele tinha 11 anos. Eu, 6; Ela poucos meses; e Ela outra 1 ano e poucos meses. O troço chamava-se Sputnik. “Coisa de comunista… Amigo viajante, sei!” “ Metaconto de pedra 🪨 De Prata! “ Em perspectiva a pedra era vista como um carro em movimento.” “ Aqui como final, antes do de exclamação final.”
"Ela fazia... Tinha duas loucas no filme. Bom! Uma delas era a Dina, não era? Era muito bonito porque ela ia passando pela floresta... assim... uma floresta que, que... acho que ator é a coisa mais louca do mundo..." "Era uma louca que falava coisas muito sérias." Milton Nascimento, ator e amigo de Dina Sfat, com quem contracenou em filme de Ruy Guerra, na Bahia. Entre o objeto que cruza o céu e o objeto que molda o olhar, existe um intervalo — e é nele que nasce o sentido. Cora Coralina (1/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009 TV Brasil Cravo E Canela Milton Nascimento Cravo E Canela (part. Lô Borges) Milton Nascimento É, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela A Lua morena, a dança do vento O ventre da noite, o Sol da manhã A chuva cigana, a dança dos rios O mel do cacau, o Sol da manhã Ê, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela A Lua morena, a dança do vento O ventre da noite, o Sol da manhã A chuva cigana, a dança dos rios O mel do cacau, o Sol da manhã Ê, morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Ê, cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Morena quem temperou Cigana quem temperou O cheiro do cravo Ê, cigana quem temperou Morena quem temperou A cor de canela Composição: Milton Nascimento, Ronaldo Bastos. 8 de set. de 2011 Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias. Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor. Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ Cora Coralina (2/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009 TV Brasil 8 de set. de 2011 Cora Coralina é a poeta de Goiás Velho, a cidade fundada por bandeirantes que desbravaram o oeste do Brasil, a procura de riquezas. Sua poesia é dessas referencias. Foi uma mulher simples e que escreveu versos simples, mas de enorme comoção, como atesta Carlos Drumond de Andrade, seu admirador, que num elogio disse que seus poemas eram como o ouro, de enorme valor. Participam do programa a atriz Tereza Seiblitz e o cantor Zeca Baleiro, a professora Darcy França, a presidente da Ass. Cora Coralina Marlene Gomes e o professor e parente Paulo Sérgio Bretas Salles. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Documentário sobre a vida de líder comunista baiano chega ao Canal Brasil amanhã (1º) Giocondo Dias, também conhecido como cabo Dias, liderou a tomada de Natal, no Rio Grande do Norte, na Intentona Comunista. Por: Redação - 31/08/2021 A HISTÓRIA PARECE UMA COISA A TOA MAS COMO É QUE ELA SOA QUANDO COMEÇA A SOAR HISTÓRA VAi EmBORA... Felicidade Lupicínio Rodrigues Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar O pensamento parece uma coisa à toa Mas como a gente voa quando começa a pensar Felicidade foi-se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque eu sei que a falsidade não vigora Composição: Lupicínio Rodrigues.
CEM ANOS DE GIOCONDO DIAS, O CABO VERMELHO sexta-feira, 5 de junho de 2026 Uma lúcida e oportuna ponderação, por Ivan Alves Filho* Sérgio Augusto de Moraes é autor de duas obras importantes para a compreensão da marcha da História nas últimas décadas. Vamos lá, pela ordem cronológica. A primeira delas é Viver e morrer no Chile, um relato pungente a respeito da experiência da Unidade Popular (UP), movimento capitaneado por Salvador Allende entre 1970 e 1973, voltado para a construção do socialismo pela chamada via democrática. Sérgio Moraes analisa as dificuldades enfrentadas por Allende e seus companheiros de luta, em uma época marcada pela truculência política norte-americana e seu fascismo de exportação. Não deu outra: a investida golpista de Augusto Pinochet, a 11 de setembro de 1973, mergulharia o Chile em uma repressão das mais sangrentas, acarretando na morte, por fuzilamentos e torturas, de milhares de pessoas. Tudo isso por responsabilidade direta dos Estados Unidos, nunca é demais lembrar. O próprio autor viveu na pele essa truculência, escapando por um triz de ser fuzilado no Estádio Nacional de Santiago, transformado, em setembro de 1973, em uma espécie de campo de concentração. Li, com emoção, os originais desta obra, publicada pela Fundação Astrojildo Pereira, há alguns anos. O outro livro dele se intitula Capitalismo e população mundial, uma visão inovadora das transformações pelas quais passa o modo de produção capitalista no mundo, que também tive o prazer de ler antes do seu lançamento, pela própria Fundação Astrojildo Pereira. Engenheiro de produção e dirigente histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual aderiu ainda nos anos 50 do século passado, Sérgio Moraes é um dos homens mais qualificados para discorrer sobre as lutas sociais do nosso tempo. Ex-integrante do mítico Comitê Universitário do Partido, onde atuavam Marcello Cerqueira, Marli Vianna, Givaldo Siqueira, Luiz Werneck Vianna e tantos outros militantes e formuladores de grande valor, ele integraria, na volta de um longo exílio no Chile, na União Soviética e Suíça, o Secretariado do Partido Comunista à época de Giocondo Dias, o lendário Cabo Dias da insurreição aliancista de 1935, o homem que substituiu Luiz Carlos Prestes na direção máxima da agremiação comunista, em 1980. Convivo com Sérgio há muitos anos e posso testemunhar sobre a sua dedicação, ao lado de outros integrantes do Secretariado do PCB, na retomada e também na consolidação da Democracia entre nós. Poucos lutaram tanto para que isso acontecesse. No que me concerne, devo ao Sérgio e ao Givaldo o honroso convite feito, em nome do secretariado do PCB, para eu escrevesse o perfil biográfico de Giocondo Dias. Até então, somente Luiz Carlos Prestes tinha sido biografado a pedido do PCB, o que resultou no belo livro O Cavaleiro da Esperança, de autoria de Jorge Amado. Escrita nos arredores de Buenos Aires, na casa de Ernesto Sabato, esta obra marcou época em nosso país. Por que escrevo isso agora? Porque ontem, ao publicar neste Blog do Gilvan, o texto Dois caminhos e um só autoritarismo, recebi uma calorosa mensagem do Sérgio. Após ler o artigo, ele ponderou ter sentido falta de uma referência ao fato de o fascismo hitlerista corresponder "aos interesses dos monopólios germânicos e ao objetivo do capital internacional de destruir a URSS". Fica aqui o registro. Sérgio tem toda razão. Ainda que eu não tenha chegado a dissociar o fascismo do capitalismo, a ponderação dele é totalmente fundada. Ou seja, faltou explicitar realmente. Obrigado, mais uma vez, meu querido amigo e camarada Sérgio Augusto de Moraes. Sua lucidez e fraternidade me acompanham pela vida toda. *Ivan Alves Filho, historiador
sexta-feira, 5 de junho de 2026 Breves notas sobre a política de Maquiavel, por Antonio Gramsci* O caráter fundamental do Príncipe é o de não ser um tratado sistemático, mas um livro “vivo”, no qual a ideologia política e a ciência política fundem-se na forma dramática do “mito”. Entre a utopia e o tratado escolástico, formas nas quais se configurava a ciência política até Maquiavel, este deu à sua concepção a forma da fantasia e da arte, pela qual o elemento doutrinário e racional personifica-se em um condottiero, que representa plástica e “antropomorficamente” o símbolo da “vontade coletiva”. O processo de formação de uma determinada vontade coletiva, para um determinado fim político, é representado não através de investigações e classificações pedantes de princípios e critérios de um método de ação, mas como qualidades, traços característicos, deveres, necessidades de uma pessoa concreta, o que põe em movimento a fantasia artística de quem se quer convencer e dá uma forma mais concreta às paixões políticas. (Deve-se pesquisar, nos escritores políticos anteriores a Maquiavel, se existem textos configurados como o Príncipe. Também o final do Príncipe está ligado a este caráter “mítico” do livro; depois de ter representado o condottiero ideal, Maquiavel — num trecho de grande eficácia artística — invoca o condottiero real que o personifique historicamente: esta invocação apaixonada reflete-se em todo o livro, conferindo-lhe precisamente o caráter dramático. Nos Prolegomeni de L. Russo, Maquiavel é chamado de artista da política e, numa ocasião, chega-se mesmo a encontrar a expressão “mito”, mas não exatamente no sentido acima indicado). O Príncipe de Maquiavel poderia ser estudado como uma exemplificação histórica do “mito” soreliano, isto é, de uma ideologia política que se apresenta não como fria utopia nem como raciocínio doutrinário, mas como uma criação da fantasia concreta que atua sobre um povo disperso e pulverizado para despertar e organizar sua vontade coletiva. O caráter utópico do Príncipe consiste no fato de que o “príncipe” não existia na realidade histórica, não se apresentava ao povo italiano com características de imediaticidade objetiva, mas era uma pura abstração doutrinária, o símbolo do líder, do condottiero ideal; mas os elementos passionais, míticos, contidos em todo o pequeno livro, com movimento dramático de grande efeito, sintetizam-se e tornam-se vivos na conclusão, na invocação de um príncipe “realmente existente”. Em todo o pequeno volume, Maquiavel trata de como deve ser o Príncipe para conduzir um povo à fundação do novo Estado, e o tratamento é conduzido com rigor lógico, com distanciamento científico: na conclusão, o próprio Maquiavel se faz povo, confunde-se com o povo, mas não com um povo “genericamente” entendido e sim com o povo que Maquiavel convenceu com seu tratamento precedente, do qual ele se torna e se sente consciência e expressão, com o qual ele se identifica: parece que todo o trabalho “lógico” não é mais do que uma auto-reflexão do povo, do que um raciocínio interior que se realiza na consciência popular e acaba num grito apaixonado, imediato. De raciocínio sobre si mesma, a paixão transforma-se em “afeto”, febre, fanatismo de ação. Eis por que o epílogo do Príncipe não é algo extrínseco, “imposto” de fora, retórico, mas deve ser explicado como elemento necessário da obra ou, melhor ainda, como aquele elemento que reverbera sua verdadeira luz em toda a obra e faz dela algo similar a um “manifesto político”. Pode-se estudar como Sorel, partindo da concepção da ideologia-mito, não atingiu a compreensão do partido político, mas se deteve na concepção do sindicato profissional. É verdade que, para Sorel, o “mito” não encontrava sua expressão maior no sindicato, como organização de uma vontade coletiva, mas na ação prática do sindicato e de uma vontade coletiva já atuante, ação prática cuja máxima realização deveria ser a greve geral, isto é, uma “atividade passiva”, por assim dizer, ou seja, de caráter negativo e preliminar (o caráter positivo é dado somente pelo acordo alcançado nas vontades associadas) de uma atividade que não prevê uma fase própria “ativa e construtiva”. Em Sorel, portanto, chocavam-se duas necessidades: a do mito e a da crítica do mito, uma vez que “todo plano preestabelecido é utópico e reacionário”. A solução era abandonada ao impulso do irracional, do “arbitrário” (no sentido bergsoniano de “impulso vital”), ou seja, da “espontaneidade”. (Deve-se notar aqui uma contradição implícita entre o modo pelo qual Croce apresenta seu problema de história e anti-história e outros modos de pensar de Croce: sua aversão aos “partidos políticos” e seu modo de pôr a questão da “previsibilidade” dos fatos sociais — cf. Conversazioni critiche, primeira série, p. 150-2, resenha do livro de Ludovico Limentani, La previsione dei fatti sociali, Turim, Bocca, 1907; se os fatos sociais são imprevisíveis e o próprio conceito de previsão é nada mais do que um som, o irracional não pode deixar de dominar e toda organização de homens é anti-história, é um “preconceito”: só resta resolver caso a caso, e com critérios imediatos, os problemas práticos singulares colocados pelo desenvolvimento histórico — cf. o artigo de Croce, “Il partito come giudizio e come pregiudizio”, em Cultura e vita morale — e o oportunismo torna-se a única linha política possível.) Mas pode um mito ser “não construtivo”, pode-se imaginar, na ordem de intuições de Sorel, que seja produtor de realidades um instrumento que deixa a vontade coletiva na fase primitiva e elementar de sua mera formação, por distinção (por “cisão”), ainda que com violência, isto é, destruindo as relações morais e jurídicas existentes? Mas esta vontade coletiva, assim formada de modo elementar, não deixará imediatamente de existir, pulverizando-se numa infinidade de vontades singulares, que na fase positiva seguem direções diversas e contrastantes? E isso para não falar que não pode existir destruição, negação, sem uma implícita construção, afirmação, e não em sentido “metafísico”, mas praticamente, isto é, politicamente, como programa de partido. Neste caso, pode-se ver que se supõe por trás da espontaneidade um puro mecanicismo, por trás da liberdade (arbítrio-impulso vital) um máximo de determinismo, por trás do idealismo um materialismo absoluto. O moderno príncipe, o mito-príncipe não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto, só pode ser um organismo; um elemento complexo de sociedade no qual já tenha tido início a concretização de uma vontade coletiva reconhecida e afirmada parcialmente na ação. Este organismo já está dado pelo desenvolvimento histórico e é o partido político, a primeira célula na qual se sintetizam germes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais. No mundo moderno, só uma ação histórico-política imediata e iminente, caracterizada pela necessidade de um procedimento rápido e fulminante, pode-se encarnar miticamente num indivíduo concreto: a rapidez só pode tornar-se necessária diante de um grande perigo iminente, grande perigo que cria precisamente, de modo fulminante, o fogo das paixões e do fanatismo, aniquilando o senso crítico e a corrosividade irônica que podem destruir o caráter “carismático” do condottiero (o que ocorreu na aventura de Boulanger) [2]. Mas uma ação imediata desse tipo, por sua própria natureza, não pode ser ampla e de caráter orgânico: será quase sempre do tipo restauração e reorganização, e não do tipo peculiar à fundação de novos Estados e de novas estruturas nacionais e sociais (como era o caso no Príncipe de Maquiavel, onde o aspecto de restauração era só um elemento retórico, isto é, ligado ao conceito literário da Itália descendente de Roma e que devia restaurar a ordem e a potência de Roma), será de tipo “defensivo” e não criativo original, ou seja, no qual se supõe que uma vontade coletiva já existente tenha se enfraquecido, dispersado, sofrido um colapso perigoso e ameaçador, mas não decisivo e catastrófico, sendo assim necessário reconcentrá-la e fortalecê-la; e não que se deva criar uma vontade coletiva ex novo, original, orientada para metas concretas e racionais, mas de uma concreção e racionalidade ainda não verificadas e criticadas por uma experiência histórica efetiva e universalmente conhecida. O caráter “abstrato” da concepção soreliana do “mito” revela-se na aversão (que assume a forma passional de uma repugnância ética) pelos jacobinos, que certamente foram uma “encarnação categórica” do Príncipe de Maquiavel. O moderno Príncipe deve ter uma parte dedicada ao jacobinismo (no significado integral que esta noção teve historicamente e deve ter conceitualmente), como exemplificação do modo pelo qual se formou concretamente e atuou uma vontade coletiva que, pelo menos em alguns aspectos, foi criação ex novo, original. E é preciso também definir a vontade coletiva e a vontade política em geral no sentido moderno, a vontade como consciência operosa da necessidade histórica, como protagonista de um drama histórico real e efetivo. Uma das primeiras partes deveria precisamente ser dedicada à “vontade coletiva”, apresentando a questão do seguinte modo: quando é possível dizer que existem as condições para que se possa criar e se desenvolver uma vontade coletiva nacional-popular? Em seguida, uma análise histórica (econômica) da estrutura social do país em questão e uma representação “dramática” das tentativas feitas através dos séculos para criar esta vontade e as razões dos sucessivos fracassos. Por que não se teve a monarquia absoluta na Itália na época de Maquiavel? É necessário remontar ao Império Romano (questão da língua, dos intelectuais, etc.), compreender a função das Comunas medievais, o significado do catolicismo, etc.; deve-se, em suma, fazer um esboço de toda a história italiana, sintético mas exato. A razão dos sucessivos fracassos das tentativas de criar uma vontade coletiva nacional-popular deve ser procurada na existência de determinados grupos sociais que se formam a partir da dissolução da burguesia comunal, no caráter particular de outros grupos que refletem a função internacional da Itália como sede da Igreja e depositária do Sacro Império Romano, etc. Esta função e a conseqüente posição determinam uma situação interna que pode ser chamada de “econômico-corporativa”, isto é, no plano político, a pior das formas de sociedade feudal, a forma menos progressista e mais estacionária: nunca se formou, e não poderia formar-se, uma força jacobina eficiente, precisamente aquela força que, nas outras nações, criou e organizou a vontade coletiva nacional-popular e fundou os Estados modernos. Existem finalmente as condições para esta vontade, ou seja, qual é a relação atual entre estas condições e as forças opostas? Tradicionalmente, as forças opostas foram a aristocracia rural e, de modo mais geral, a propriedade agrária em seu conjunto, com seu característico traço italiano, que é o de ser uma específica “burguesia rural”, herança de parasitismo legada aos tempos modernos pela dissolução, como classe, da burguesia comunal (as cem cidades, as cidades do silêncio) [3]. As condições positivas devem ser buscadas na existência de grupos sociais urbanos, adequadamente desenvolvidos no campo da produção industrial e que tenham alcançado um determinado nível de cultura histórico-política. Qualquer formação de uma vontade coletiva nacional-popular é impossível se as grandes massas dos camponeses cultivadores não irrompem simultaneamente na vida política. Isso é o que Maquiavel pretendia através da reforma da milícia, isso é o que os jacobinos fizeram na Revolução Francesa; na compreensão disso, deve-se identificar um jacobinismo precoce de Maquiavel, o germe (mais ou menos fecundo) de sua concepção da revolução nacional. Toda a história depois de 1815 mostra o esforço das classes tradicionais para impedir a formação de uma vontade coletiva desse tipo, para manter o poder “econômico-corporativo” num sistema internacional de equilíbrio passivo. Uma parte importante do moderno Príncipe deverá ser dedicada à questão de uma reforma intelectual e moral, isto é, à questão religiosa ou de uma concepção do mundo. Também neste campo encontramos, na tradição, ausência de jacobinismo e medo do jacobinismo (a última expressão filosófica desse medo é a atitude malthusiana de B. Croce em face da religião) [4]. O moderno Príncipe deve e não pode deixar de ser o anunciador e o organizador de uma reforma intelectual e moral, o que significa, de resto, criar o terreno para um novo desenvolvimento da vontade coletiva nacional-popular no sentido da realização de uma forma superior e total de civilização moderna. Estes dois pontos fundamentais — formação de uma vontade coletiva nacional-popular, da qual o moderno Príncipe é ao mesmo tempo o organizador e a expressão ativa e atuante, e reforma intelectual e moral — deveriam constituir a estrutura do trabalho. Os pontos programáticos concretos devem ser incorporados na primeira parte, isto é, deveriam resultar “dramaticamente” da argumentação, não ser uma fria e pedante exposição de raciocínios. Pode haver reforma cultural, ou seja, elevação civil das camadas mais baixas da sociedade, sem uma anterior reforma econômica e uma modificação na posição social e no mundo econômico? É por isso que uma reforma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um programa de reforma econômica; mais precisamente, o programa de reforma econômica é exatamente o modo concreto através do qual se apresenta toda reforma intelectual e moral. O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa de fato que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve ou para aumentar seu poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume. *Antonio Gramsci (1891-1937) - Caderno 13 (1932-1934):Cadernos do Cárcere, 3ª edição, v.3 págs 13-18. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007. Poesia | João Cabral de Melo Neto (1/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009 8 de set. de 2011 João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu. Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados. Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ João Cabral de Melo Neto (2/2) - De Lá Pra Cá - 28/09/2009 TV Brasil TV Brasil é financiada total ou parcialmente pelo governo do Brasil. Wikipedia (Inglesa) 22.090 visualizações 8 de set. de 2011 João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros e um dos gigantes da literatura em língua portuguesa. Criou um estilo inconfundível, propôs uma estética nova, influenciou várias gerações nas décadas de 50 e 60. Quase ganhou um Nobel pelos 20 livros que escreveu. Também foi diplomata ao longo de 40 anos. Fez amizades com artistas importantes, recebeu honrarias e tem a obra estudada em centros acadêmicos prestigiados. Participam do programa Ferreira Gullar, José Castello, Ariano Suassuna, Domício Proença Filho, José Dumont. O programa, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, vai ao ar, todo domingo às 18h, na TV BRASIL. Reprises nas sextas-feiras, às 20h30. Para mais edições, acesse: http://tvbrasil.org.br/delapraca/ Dina Sfat - De Lá Pra Cá - 14/09/2009 TV Brasil Em julho de 1981, durante o programa Canal Livre da TV Bandeirantes, a atriz Dina Sfat declarou ao vivo ao general Dilermando Gomes Monteiro: "Eu tenho medo de generais". O episódio, ocorrido durante a ditadura militar, é lembrado como um ato de resistência artística. Assista ao relato completo na entrevista disponível no YouTube. A atriz que impactou a Cultura e a Política Brasileira: DINA SFAT | MULHERES ADMIRÁVEIS Astrid Fontenelle 20 de jan. de 2022 #CanalDaAstrid #MulheresAdmiráveis #AstridFontenelle Salve, salve, simpatia! Dina Sfat foi mulher de muita intensidade. Era artista demais para não cumprir os seus direitos de cidadã, e era cidadã demais para não ser atriz. Foi defensora de muitas causas, entre elas os direitos das mulheres. Dina exalava talento e posicionamento: era dona de um olhar profundo e em tudo o quanto fazia mostrava as suas convicções. É um ícone na produção cultural e política brasileira, e integrou diversos movimentos pela democracia e liberdade de expressão. Ela atuou na luta pela regulamentação profissional do artista. Dina Sfat abriu caminhos e combateu com arte. Foi profundida em tudo o que se propôs. Dina Sfat; uma mulher admirável. INSTAGRAM: http://bit.ly/IGAstridFontenelle FACEBOOK: http://bit.ly/FBAstridFontenelle TWITTER: http://bit.ly/TTAstridFontenelle #CanalDaAstrid #MulheresAdmiráveis #AstridFontenelle

Perante Jesus

Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens. “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” — Paulo. (COLOSSENSES, 3.23)
A piada: Mesmo com a melhoria da tecnologia (TV grande e antiga → tela moderna e fina), as pessoas se tornaram mais sedentárias ao longo do tempo. É um comentário divertido sobre mudanças no estilo de vida — menos movimento, mais conforto e talvez mais lanches 😄 1 A compreensão do serviço do Cristo, entre as criaturas humanas, alcançará mais tarde a precisa amplitude, para a glorificação d’Aquele que nos segue de perto, desde o primeiro dia, esclarecendo-nos o caminho com a divina luz. 2 Se cada homem culto indagasse de si mesmo, quanto ao fundamento essencial de suas atividades na Terra, encontraria sempre, no santuário interior, vastos horizontes para ilações de valor infinito. 3 Para quem trabalhou no século? A quem ofereceu o fruto dos labores de cada dia? 4 Não desejamos menoscabar a posição respeitável das pátrias, das organizações, da família e da personalidade; todavia, não podemos desconhecer-lhes a expressão de relatividade no tempo. No transcurso dos anos, as fronteiras se modificam, as leis evolucionam, o grupo doméstico se renova e o homem se eleva para destinos sempre mais altos. 5 Tudo o que representa esforço da criatura foi realização de si mesma, no quadro de trabalhos permanentes do Cristo. 6 O que temos efetuado nos séculos constitui benefício ou ofensa a nós mesmos, na obra que pertence ao Senhor e não a nós outros. 7 Legisladores e governados passam no tempo, com a bagagem que lhes é própria, e Jesus permanece a fim de ajuizar da vantagem ou desvantagem da colaboração de cada um no serviço divino da evolução e do aprimoramento. 8 Administração e obediência, responsabilidades de traçar e seguir são apenas subdivisões da mordomia conferida pelo Senhor aos tutelados. 9 O trabalho digno é a oportunidade santa. 10 Dentro dos círculos do serviço, a atitude assumida pelo homem honrar-lhe-á ou desonrar-lhe-á a personalidade eterna, perante Jesus-Cristo. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. Pão Nosso #057 - Perante Jesus NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 27 de set. de 2022 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 57 Perante Jesus
Biografia de Eurípedes Barsanulfo O processo corria de um Juiz de Paz para outro, no pequeno termo de Sacramento, cumprindo determinações superiores. Todavia, os vigilantes da lei preferiam declarar-se, por motivos vários, impossibilitados de pronunciar-se e quando instados por injunções superiores ao cumprimento das atribuições, afetas ao caso Barsanulfo — pacificamente renunciavam ao cargo, por sinal, eletivo. Enquanto a campanha difamadora não conhecia tréguas, através dos Boletins do Círculo Católico de Uberaba e pelas colunas do Lavoura e Comércio — daquela cidade, inteiramente distanciada dos princípios de ética para não dizer-se das recomendações cristãs — essa campanha atingiu os mais baixos níveis de compostura jornalística. (61) Desde a primeira hora, amigos e correligionários de Eurípedes, em Uberaba, reuniam-se em casa do Sr. João Modesto dos Santos, na Rua Bernardo Guimarães. Eis como nos relata o fato o Dr. Inácio Ferreira, no seu livro Subsídio para a História de Eurípedes Barsanulfo: “Um portador enviado a Sacramento de lá voltava com a resposta de Eurípedes: ‘Não reagiria e nem tomaria qualquer atitude hostil. Recomendava calma e que se procurasse evitar qualquer atitude precipitada’. Apesar dessa atitude e recomendação, continuaram as reuniões. Ficaram estabelecidos a defesa e protestos pelo Jornal do Triângulo, de propriedade do Sr. João Modesto dos Santos, que punha as colunas do mesmo à disposição de todos os seus colaboradores, enfrentando toda e qualquer consequência. Poderia faltar o pão para os seus filhos, mas o papel para a defesa daquele missionário jamais faltaria! Originaram-se daí os primeiros artigos de defesa e os primeiros boletins de protesto. A campanha de defesa foi orientada e dirigida pelos jornalistas Alceu de Souza Novais, Robespierre de Mello, Lafayette de Mello, Prof. João Augusto Chaves e outros. Época de domínio clerical e sob coação intensa, não só as devoluções foram chegando em quantidade, como, também, ameaças de empastelamento do jornal. Mais do que nunca, se fizeram sentir também os efeitos da política, com perseguições de toda ordem, ameaças de transferências e demissões. Todavia, o jornal aumentava continuamente as suas tiragens, satisfazendo a finalidade da campanha e o grande número dos seus apreciadores. A campanha durou meses e o Jornal do Triângulo sustentou-a com galhardia e imensos sacrifícios financeiros para o seu proprietário, que, com desassombro e firmeza, soube pagar, assim, a sua dívida de gratidão e, mais do que isso, como jornalista, elevar, bem alto, a bandeira da liberdade de imprensa na defesa de uma causa justa e divina.” (Págs. 42/43). (61) Ver Subsídio para a História de Eurípedes Barsanulfo, pág. 37. Eurípedes – o Homem e a Missão 191
Irmãos e irmãs do caminho, Que a paz do Divino Mestre Jesus repouse em vossas almas.Diante do tribunal do mundo, que tantas vezes move a matéria de um juízo a outro, o coração que serve à caridade não se perturba. A perseguição é apenas a charrua que rasga o solo da alma para que a semente do Evangelho possa germinar.Se ontem o processo humano buscava deter o trabalho de auxílio aos necessitados e enfermos na Farmácia Homeopática ou no Colégio Allan Kardec, a justiça divina operava no silêncio. Nenhum homem pôde condenar o que o Cristo abençoou. O arrastar das folhas burocráticas foi apenas o testemunho de que a verdade, ainda que sepultada pelo preconceito, traz em si a força da imortalidade.Viver Sacramento na data de hoje é compreender o profundo mistério do Sábado de Aleluia. O silêncio do túmulo não é o fim, mas a preparação para a luz. O Cristo nunca nos abandona no tribunal das incompreensões humanas. Ele caminha conosco, inspira o perdão aos que nos acusam e transforma a dor do processo na alegria da ressurreição espiritual.Sigamos adiante, no serviço do bem, com o olhar focado no Mestre, pois o amor é a única lei que permanece.Com os votos de paz e sincera fraternidade,Vosso irmão em Cristo. O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep108] Emprego da riqueza (cap XVI, 11-13) Emprego da riqueza 11. Não podeis servir a Deus e a Mamon. Guardai bem isso em lembrança, vós, a quem o amor do ouro domina; vós, que venderíeis a alma para possuir tesouros, porque eles permitem vos eleveis acima dos outros homens e vos proporcionam os gozos das paixões que vos escravizam. Não; não podeis servir a Deus e a Mamon! Se, pois, sentis vossa alma dominada pelas cobiças da carne, dai-vos pressa em alijar o jugo que vos oprime, porquanto Deus, justo e severo, vos dirá: Que fizeste, ecônomo infiel, dos bens que te confiei? Esse poderoso móvel de boas obras exclusivamente o empregaste na tua satisfação pessoal. Qual, então, o melhor emprego que se pode dar à riqueza? Procurai – nestas palavras: “Amai-vos uns aos outros”, a solução do problema. Elas guardam o segredo do bom emprego das riquezas. Aquele que se acha animado do amor do próximo tem aí toda traçada a sua linha de proceder. Na caridade está, para as riquezas, o emprego que mais apraz a Deus. Não nos referimos, é claro, a essa caridade fria e egoísta, que consiste em a criatura espalhar ao seu derredor o supérfluo de uma existência dourada. Referimo-nos à caridade plena de amor, que procura a desgraça e a ergue, sem a humilhar. Rico!... dá do que te sobra; faze mais: dá um pouco do que te é necessário, porquanto o de que necessitas ainda é supérfluo. Mas, dá com sabedoria. Não repilas o que se queixa, com receio de que te engane; vai às origens do mal. Alivia, primeiro; em seguida, informa-te, e vê se o trabalho, os conselhos, mesmo a afeição não serão mais eficazes do que a tua esmola. Difunde em torno de ti, como os socorros materiais, o amor de Deus, o amor do trabalho, o amor do próximo. Coloca tuas riquezas sobre uma base que nunca lhes faltará e que te trará grandes lucros: a das boas obras. A riqueza da inteligência deves utilizá-la como a do ouro. Derrama em torno de ti os tesouros da instrução; derrama sobre teus irmãos os tesouros do teu amor e eles frutificarão. – Cheverus. (Bordéus, 1861.) 12. Quando considero a brevidade da vida, dolorosamente me impressiona a incessante preocupação de que é para vós objeto o bem-estar material, ao passo que tão pouca importância dais ao vosso aperfeiçoamento moral, a que pouco ou nenhum tempo consagrais e que, no entanto, é o que importa para a eternidade. Dir-se-ia, diante da atividade que desenvolveis, tratar-se de uma questão do mais alto interesse para a Humanidade, quando não se trata, na maioria dos casos, senão de vos pordes em condições de satisfazer a necessidades exageradas, à vaidade, ou de vos entregardes a excessos. Que de penas, de amofinações, de tormentos cada um se impõe; que de noites de insônia, para aumentar haveres muitas vezes mais que suficientes! Por cúmulo de cegueira, freqüentemente se encontram pessoas, escravizadas a penosos trabalhos pelo amor imoderado da riqueza e dos gozos que ela proporciona, a se vangloriarem de viver uma existência dita de sacrifício e de mérito – como se trabalhassem para os outros e não para si mesmas! Insensatos! Credes, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que despendeis movidos pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho, enquanto negligenciais do vosso futuro, bem como dos deveres que a solidariedade fraterna impõe a todos os que gozam das vantagens da vida social? Unicamente no vosso corpo haveis pensado; seu bem-estar, seus prazeres foram o objeto exclusivo da vossa solicitude egoística. Por ele, que morre, desprezastes o vosso Espírito, que viverá sempre. Por isso mesmo, esse senhor tão amimado e acariciado se tornou o vosso tirano; ele manda sobre o vosso Espírito, que se lhe constituiu escravo. Seria essa a finalidade da existência que Deus vos outorgou? – Um Espírito protetor. (Cracóvia, 1861.) 13. Sendo o homem o depositário, o administrador dos bens que Deus lhe pôs nas mãos, contas severas lhe serão pedidas do emprego que lhes haja ele dado, em virtude do seu livre-arbítrio. O mau uso consiste em os aplicar exclusivamente na sua satisfação pessoal; bom é o uso, ao contrário, todas as vezes que deles resulta um bem qualquer para outrem. O merecimento de cada um está na proporção do sacrifício que se impõe a si mesmo. A beneficência é apenas um modo de empregar-se a riqueza; ela dá alívio à miséria presente; aplaca a fome, preserva do frio e proporciona abrigo ao que não o tem. Dever, porém, igualmente imperioso e meritório é o de prevenir a miséria. Tal, sobretudo, a missão das grandes fortunas, missão a ser cumprida mediante os trabalhos de todo gênero que com elas se podem executar. Nem, pelo fato de tirarem desses trabalhos legítimo proveito os que assim as empregam, deixaria de existir o bem resultante delas, porquanto o trabalho desenvolve a inteligência e exalça a dignidade do homem, facultando-lhe dizer, altivo, que ganha o pão que come, enquanto a esmola humilha e degrada. A riqueza concentrada em uma mão deve ser qual fonte de água viva que espalha a fecundidade e o bem-estar ao seu derredor. Ó vós, ricos, que a empregardes segundo as vistas do Senhor! O vosso coração será o primeiro a dessedentar-se nessa fonte benfazeja; já nesta existência fruireis os inefáveis gozos da alma, em vez dos gozos materiais do egoísta, que produzem no coração o vazio. Vossos nomes serão benditos na Terra e, quando a deixardes, o soberano Senhor vos dirá, como na parábola dos talentos: “Bom e fiel servo, entra na alegria do teu Senhor.” Nessa parábola, o servidor que enterrou o dinheiro que lhe fora confiado é a representação dos avarentos, em cujas mãos se conserva improdutiva a riqueza. Se, entretanto, Jesus fala principalmente das esmolas, é que naquele tempo e no país em que ele vivia não se conheciam os trabalhos que as artes e a indústria criaram depois e nas quais as riquezas podem ser aplicadas utilmente para o bem geral. A todos os que podem dar, pouco ou muito, direi, pois: dai esmola quando for preciso; mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a receba não se envergonhe dela. – Fénelon. (Argel, 1860.) O Livro dos Espíritos | questão 500 Luiza Almeida Monteiro 500. Chegará um tempo em que o Espírito deixe de precisar de anjos guardiães? “Sim, quando ele atinge o ponto de poder guiar-se a si mesmo, como sucede ao estudante, para o qual um momento chega em que não mais precisa de mestre. Isso, porém, não se dá na Terra.” O Livro dos Espíritos Allan Kardec

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder

Arrumando o discurso
quinta-feira, 4 de junho de 2026 Afagos e pontapés, por William Waack O Estado de S. Paulo Lula mal cabe em si no papel de que mais gosta, o de grande estadista mundial, no qual sua torrente incessante de palavras contrasta com seus efeitos práticos – ou seja, a capacidade de realizar o que diz. Mas é o papel que seus adversários insistem em dar-lhe de presente. Jair Bolsonaro nunca teve inteligência estratégica, vide onde foi parar. Seus dois filhos conseguem ser piores. Enxergam em Donald Trump uma espécie de Guia Genial da superpotência americana, cuja condição de hegemonia planetária ele se empenha em diminuir. Em relação ao Brasil, porém, os interesses de Trump estão definidos. Somos um tipo de peão fornecedores de commodities, especialmente as de importância geopolítica, e irritantes cerceadores das atividades de empresas americanas (ênfase no setor financeiro e digital) que precisam ser disciplinados. Via coerção política, comercial e, potencialmente, através de ferramentas financeiras. Coerção militar não se vislumbra nem de longe neste momento, mesmo com a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, em parte pelos próprios militares americanos não verem nenhuma utilidade nisso. São chicotes poderosos que causam prejuízos à economia brasileira, empurram o Brasil do ponto de vista geopolítico a ter de tomar uma decisão binária (China ou EUA) e tentam condicionar decisões domésticas políticas brasileiras aos humores de Trump e seus interesses do momento – para os quais ele não diferencia entre Lula e os Bolsonaros. O problema é que os irmãos Bolsonaros encaram pontapés como afagos, e cotovelada na boca como cafuné. Suas manifestações de fé profunda na sabedoria de tudo o que Trump faz e a disposição de se alinhar a qualquer coisa que ele diga são uma manifestação explícita de crassa ignorância do básico do básico nas relações internacionais (potências não têm amigos, só interesses). E superestimam a capacidade da bolha que dirigem de se sobrepor ao que é “atávico” no comportamento de grande parte dos países, não importam época e continente. Não é necessário ser xenófobo para repelir interferências externas de qualquer tipo. Nesse sentido, Lula se beneficia de algo que ele nem sequer precisou criar: uma grande indignação de quem se sente tratado a coices. Lula sempre confundiu suas posturas ideologizadas com “interesses nacionais”, e o clã Bolsonaro repete a fórmula com sinal inverso. Como o Brasil carece de qualquer “projeto nacional” de aceitação ampla – ou conduzido por elites com um mínimo de empenho nisso –, a palavra “soberania” acaba sendo empregada à vontade pelas duas bolhas sem que tenha qualquer significado prático além de possíveis vantagens na luta eleitoral. Em algum momento vai doer bastante ser chutado do berço esplêndido.
Giuseppe Vacca e o estudo historiográfico da política italiana quinta-feira, 4 de junho de 2026 Opinião do dia - Giuseppe Vacca* “Não há dúvida de que as “ideologias” têm para Gramsci peso maior do que para qualquer outro pensador marxista, mas afirmar que “tornam-se o momento primário da história” equivale a inserir seu pensamento nos quadros conceituais da “filosofia do espírito” de Benedetto Croce. É verdade que Bobbio aplica ao pensamento gramsciano um paradigma dicotômico (estrutura/superestrutura) que não se lhe adapta. A “distinção entre sociedade política e sociedade civil” – escreve Gramsci – é uma “distinção metodológica”, não “orgânica”. “Sociedade civil e Estado se identificam na realidade dos fatos”. É um dos trechos mais conhecidos do Caderno 13, no qual Gramsci polemiza com o liberalismo porque, considerando “orgânica” o que deveria ser uma distinção “metodológica”, contrapõe o mercado ao Estado, ignorando que “também o liberismo é uma ‘regulamentação’ de caráter estatal, introduzida e mantida por via legislativa e coercitiva”[1]. Além disso, para Gramsci, a distinção entre estrutura e superestrutura é de caráter “metodológico”, tanto que a “metáfora arquitetônica”, em certo momento, cede o passo a outras conceituações.” *Giuseppe Vacca, Modernidades alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267 [1] A. Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592. ARRUMANDO O DISCURSO Lula: "Eu nem ia no G7 mas agora vou. Alguém precisa botar ordem na casa" Metrópoles 3 de jun. de 2026 #Notícias #Jornalismo #Brasil "Esse país não adotará a política do vira-lata diante das grandes potências. Nóos não somos melhres do que ningUém.Mas também não somos piores.Nós queremos respeitar todo mundo. Mas nós também queremos respeito.E é assim qua nós vamos contiunar tratando esse país. E é assim que vocês ministros não pode deixar de dizer isso. Tá? De dizer isso alto e bom som. Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhosl. Com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoralem qualquer páis do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria.Alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles."
"Então, nesta reunião aqui, é uma arrumação de discurso para todo mundo. Ninguém tem que ter medo de nada, porque a gente não vai baixar a cabeça. A gente vai continuar fazendo o que nós estamos acostumados a fazer. Vamos continuar conversando com todo mundo. Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou. Nem ia ao G7, mas agora eu vou ao G7. O que é preciso é tentar alguém botar ordem na casa e dar um paradeiro nesta coisa que está acontecendo: desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é fortalecendo a ONU. E o que é que o Brasil está reivindicando há muito tempo? Está reivindicando que haja mais países-membros no Conselho de Segurança Permanente. O Brasil..."
Elaboremos agora, de modo cáustico e ácido, algo que se assemelhe ao estilo de Walt Whitman, com o título provocativo: Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT. Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT. Então — nesta sala morna onde se penteiam palavras — ergue-se a liturgia da coragem ensaiada: ninguém, dizem, deve temer nada, porque a cabeça — ah, a cabeça — não se curva (repete-se, insiste-se, proclama-se). E a gente — sempre “a gente”, esse sujeito difuso, confortável — continua fazendo o que sempre fez: rodopia frases, afaga consensos, conversa com todo mundo (e com ninguém, no fundo, no osso da verdade). Eu não ia ao G7 — mas agora eu vou, repito: agora eu vou, como se a repetição fosse músculo, como se insistir fosse governar. E então alguém há de pôr ordem na casa — dizem — como se a casa ainda tivesse paredes, como se não estivéssemos já no escombro elegante do multilateralismo, na coreografia cansada da democracia, no teatro de instituições que se desfazem enquanto são nomeadas. A ONU — invocada como relíquia e desculpa — não se salva pela ruína, não se corrige pelo colapso, mas pela fé reiterada de quem ainda pronuncia seu nome como quem acredita que nomear é restaurar. E o Brasil — esse verbo em suspenso — reivindica, há muito, diz-se, insiste-se, ecoa-se: mais vozes, mais assentos, mais presença no conselho onde poucos decidem por muitos. Mas a frase quebra — “O Brasil...” — e fica no ar, incompleta, como tudo que passa pelos filtros: do gabinete ao roteiro, do roteiro à tela, da tela à fala, da fala ao algoritmo — até restar apenas o eco domesticado de um discurso que já não pertence a quem o pronuncia. Aceitação e a metáfora do Homem no Buraco Pelo buraco do Brasil eu vi uma metáfora de metáfora em cascata (ou: a pedagogia do vazio filtrado) O discurso não nasce — ele é produzido. E, mais do que produzido, ele é filtrado. Entre a enunciação e a emissão, há um percurso: Itamaraty → assessoramento político → teleprompter → performance presidencial → mediação algorítmica. Esse percurso não é acidental. É estrutural. O que se apresenta como “fala” é, na realidade, o resultado de sucessivas operações de depuração, nas quais o conteúdo não é apenas organizado — é domesticado. A chamada “arrumação de discurso” não constitui um momento secundário da política, mas seu próprio núcleo operativo: é ali que se decide o que pode ser dito, como deve ser dito e, sobretudo, o que deve ser neutralizado. Nesse sentido, a distinção entre espontaneidade e cálculo — frequentemente evocada para preservar uma ideia de autenticidade — revela-se metodológica, não real. A fala presidencial, mesmo quando recorre ao registro coloquial (“a gente”, “ninguém precisa ter medo”), não escapa ao regime de produção que a antecede. A informalidade, aqui, é técnica. O efeito mais evidente desse processo é a produção de um discurso sem risco. Reitera-se: “não vamos baixar a cabeça”, “vamos continuar fazendo o que sempre fizemos”, “vamos conversar com todos”. Trata-se de fórmulas de estabilização simbólica, cujo objetivo não é intervir na realidade, mas impedir sua desorganização perceptiva. A repetição — como no caso do “eu vou ao G7” — não é falha retórica, mas mecanismo de reforço. Ela substitui a decisão pela sua simulação performativa. Ao repetir, o discurso não avança; ele se ancora. O mesmo ocorre com a enumeração das crises: “desmonte do multilateralismo”, “desmonte da democracia”, “desvalorização das instituições”. A nomeação em série sugere diagnóstico, mas opera como inventário. Não há hierarquia, não há causalidade, não há mediação — apenas listagem. O mundo é reduzido a itens discursivos. A invocação da ONU ilustra o ponto. Afirma-se que sua crise não se resolve pela destruição, mas pelo fortalecimento. No entanto, essa formulação permanece no plano declaratório. Não se trata de uma proposição estratégica, mas de uma reafirmação normativa. O discurso reafirma aquilo que não controla. Por fim, o caso mais revelador: “O Brasil...” A suspensão não é apenas estilística; é sintomática. O sujeito do enunciado não se completa porque sua determinação permanece indeterminada. Reivindica-se “mais assentos”, “mais participação”, mas sem deslocar as condições que estruturam o próprio campo em que tais reivindicações se inscrevem. Assim, o que se observa não é apenas um discurso filtrado, mas um sistema de produção de enunciados cuja função é preservar a inteligibilidade do poder sem expô-lo ao conflito real. A metáfora, então, se dobra sobre si mesma: o país que fala é o país que se ouve filtrado; o sujeito que enuncia é o produto de sua própria mediação. Pelo buraco do Brasil, não se vê o real — vê-se a forma pela qual o real é tornável dizível. E isso basta para compreender o essencial: não é o discurso que representa o poder — é o poder que se mantém ao reduzir o discurso àquilo que pode ser dito sem consequências.
O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder Tudo começou na arena do mundo, onde as palavras se cruzam como espadas. Um tribuno do Norte, movido pela altivez do seu cargo, riscou o mapa do continente e empurrou o governante do Sul para o limbo dos excluídos. O golpe não feriu a carne, mas o brio; não ameaçou as fronteiras, mas o ego. A reação que se seguiu — carregada de labéus e ressentimentos — não foi a voz da força, mas o eco da humilhação mascarada de soberba. Duas vaidades se mediram, esquecidas de que o poder humano é como o Hevel de Qohelet: um vapor que deslumbra os olhos, mas se dissipa na primeira viração da tarde. O Condor e a Sombra da História O engenho desta jornada elevou-se depois aos píncaros dos Andes, invocando o Condor com seu duplo e trágico sentido. A ave que Deus criou para voar livre foi outrora o nome de um pacto de sombras e violência, onde elites latino-americanas sacrificaram a democracia no altar do próprio interesse. O paradoxo moderno revela-se quando aqueles que outrora combateram as sombras do passado caem hoje na mesma armadilha do autoritarismo verbal, trocando a caridade da justiça pela intolerância do insulto. A Súplica e a Luz de Pentecoste Por fim, despimo-nos das vestes da disputa cívica para entrar no santuário da prece. Ali, onde os poderosos se proclamam cristãos apenas por vãos sopros interesseiros, ergueu-se a súplica pela regeneração do ofensor dos ofensores. Que a imprudência que outrora levou o Cristo à Cruz seja convertida pelo fogo purificador de Pentecoste. Só há um remédio para a vertigem do poder: reconhecer que o trono é feito de poeira e que a única grandeza perene reside na humildade e no serviço ao bem comum.SÍNTESE CONCLUSIVA AO ESTILO DE VIEIRA: "Ó príncipes da terra, que do alto dos vossos palácios diciais o destino dos povos e trocais insultos como se governásseis o firmamento: olhai para as vossas mãos e vede que nelas só há terra; olhai para os vossos decretos e vede que neles só há vento. O secretário que exclui e o presidente que se ofende bebem, ambos, do mesmo cálice da humana fraqueza. Julgais-vos monumentos de bronze, mas sois apenas estátuas de sal que a primeira chuva da história há de desmanchar. Que o Espírito de Deus vos conceda a suprema ciência de saberdes baixar as cabeças, para que, aprendendo a ser homens na humildade, possais finalmente ser pastores na caridade. Porque no grande dia do Juízo, o tribunal do Tempo não vos perguntará quantas injúrias revidastes, mas quantas lágrimas enxugastes ao sul do Rio Grande." Rubio diz que Brasil não é ‘amigável’ aos EUA, assim como Cuba e Venezuela; Lula rebate Rádio CBN 2 de jun. de 2026 #marcorubio #diplomacia #lula O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em audiência no Senado que o Brasil não faz parte da lista de "países amigáveis" aos Estados Unidos na América Latina, comparando a postura brasileira à de nações como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Rubio defendeu a política externa do governo Donald Trump e destacou a formação de uma coalizão de aliados na região, da qual o Brasil estaria excluído. A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática, logo após a Casa Branca propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Em resposta, o presidente Lula rebateu as críticas, afirmando que Rubio é "anti-América Latina" e não gosta do Brasil. Fotos: Andrew Harnik / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP e Wallison Breno/PR Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Inscrever-se Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism. @TheAncientDog Hannah Arendt Explains the Banality of Evil (1967) - Fantasy Class #13 Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) IA Compartilhar Remix Descrição Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) 4 mil Marcações com “Gostei” 108.746 Visualizações 2 de jun. 2026 Hannah Arendt: How did this come to be? (1967) In this episode of The Ancient Dog, we’re stepping into the intense, smoke-filled atmosphere of a university lecture hall in 1967 for an intimate, fictional (but historically and philosophically accurate) look at the thinker who stared directly into the abyss of modern bureaucracy: Hannah Arendt. Fast, intense, and intellectually unsparing, Arendt delivers a powerful classroom lecture to break down her most sobering insights and completely upend how we understand morality, complicity, and the true nature of modern evil. We dive right into a Masterclass on the raw mechanics of control across 5 profound lessons from Eichmann in Jerusalem. Standing at the chalkboard, Arendt peels back the layers of historical horror to challenge our deepest coping mechanisms. She explains that while we expect the architects of genocide to be ideological monsters, they are often terrifyingly ordinary; maps out how stock phrases and "officialese" act as armor to insulate bureaucrats from reality; reveals the chilling comfort of the Wannsee Conference—where the elite elite relieved individuals of their own judgment; exposes the darkest chapter of compliance within the Jewish Councils; and finally demands the ultimate realization: that hanging the man didn't destroy the conditions that made him possible. It is a solo lecture that shatters comfortable daily illusions, urging us to quiet the noise of inherited dogmas and see how easily obedience replaces conscience. Wait, is this real? That’s all AI magic. 🤖✨ I use AI tools to breathe life into these "what if" moments from history, recreating the intense, brilliant, and deeply poetic voice of a legend whose true essence is often buried under dense text. Love this typa stuff? My whole channel is dedicated to recreating these legendary historical scenes. If you want to see more icons from the past hanging out and talking shop, hit that SUBSCRIBE button and join the pack! 🐾 Let me know in the comments: Who should take the podium next? 👇 #hannaharendt #History #Philosophy Sources — What This Script Is Based On Arendt, H. (1963). Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. The primary source text for all five segments. It provides the core philosophical framework regarding Adolf Eichmann’s trial, the linguistic analysis of "officialese" (Sprachregelung), the historical breakdown of the Wannsee Conference, the highly controversial analysis of the Jewish Councils (Judenräte), and the ultimate conceptualization of the "banality of evil." Arendt, H. (1971). The Life of the Mind. Supplementary source grounding the connection between the absence of thinking (the inability to judge or reflect from the standpoint of another) and the manifestation of moral collapse in ordinary individuals. House, J. (Director). (1961). The Eichmann Trial Transcripts. Cross-referenced to precisely ground the specific testimony details described across the segments, including the psychiatric evaluations of Eichmann's "normality" and his final spoken words before execution. Historical Context of 1967. Positioned during Arendt's tenure as a professor at the Graduate Faculty of the New School for Social Research in New York. Setting this in 1967 captures her delivering these ideas directly to a younger generation of students in a seminar environment, contextualizing her thesis amidst the broader 1960s student movements and anti-authoritarian critiques. Note on Dramatization: All spoken lines are adapted into a fluid, contemporary monologue register optimized for synthetic voice performance. Direct conceptual pairings and signature paradoxes from the original text (such as the "inability to think," the Pontius Pilate feeling, and the banality of evil) are integrated to maintain strict theoretical and historical fidelity to the 1967 lecture setting. Como este conteúdo foi criado Criado com IA Os sons ou recursos visuais foram alterados ou totalmente gerados por IA. Saiba mais
quinta-feira, 4 de junho de 2026 Intervenção sem tiro nem bomba, por Carolina Brígido O Estado de S. Paulo Medidas de Trump mudam foco do debate para beneficiar Flávio e dificultar reeleição de Lula Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa. Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido. A sequência da intervenção veio com o anúncio do novo pacote de barreiras tarifárias ao Brasil. Trump conseguiu não apenas desviar a pauta do debate eleitoral, mas ameaçar o País com danos econômicos na reta final do governo Lula. Flávio capitalizou com as medidas. Posou em foto ao lado de Trump na Casa Branca. Na semana passada, se contorcia diante das câmeras para explicar as suspeitas de ter se beneficiado do esquema de fraudes financeiras de Daniel Vorcaro. Em suma: qualquer atitude dos EUA com impacto na economia ou na soberania brasileira agora interfere no processo eleitoral, ainda que o país de Trump siga poupando tiros e bombas até outubro. Ao menos dois ministros – um do Supremo Tribunal Federal (STF) e outro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – consideram que os EUA podem incrementar a “intervenção soft” com outras medidas – como o financiamento de defensores de ideias alinhadas às de Trump e o incentivo a candidaturas de direita. Para esses ministros, Trump não está preocupado com o combate ao terrorismo, e sim com a subida de aliados ao poder na América Latina. Um segundo ministro do TSE, também em caráter reservado, considera cedo para entender como os EUA podem interferir nas eleições brasileiras, mas tem como certo que Lula sai perdendo na primeira investida. A coluna também ouviu outros dois ministros, um do STF e outro do TSE, que não estão preocupados com tentativas de influência dos EUA nas eleições deste ano. Eles consideram o Brasil imune a esse tipo de ameaça. As pesquisas de opinião ainda não mediram as consequências para as candidaturas após a mudança de foco no debate eleitoral. Mas já é possível concluir que investigações criminais e estratégia política vão ditar o sobe e desce das campanhas. As propostas dos candidatos, mais uma vez, serão coadjuvantes nas eleições. #noticias #politicaexterna #brasil #eua #marcorubio #lula #diplomacia #economia #radiocbn https://www.instagram.com/reel/DZH55dWgSw7/?igsh=a2x5M3NlOGcyamc%3D
saudade Há 40 anos, Dina Sfat desconcertava general e roubava a cena em programa de entrevistas Por Ancelmo Gois 02/10/2021 • 09:00 Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura | Luiz Pinto Quem lembrou foi o historiador Carlos Fico, um estudioso da ditadura militar. Há 40 anos, a grande atriz Dina Sfat (1938-1989) chamou a atenção da cena política brasileira. Ela tinha sido convidada por Fernando Barbosa Lima para entrevistar o general Dilermando Gomes Monteiro (1913-1994), em plena ditadura, no programa “Canal livre”, comandado por Roberto D’Avila na Band. A atriz era, de certa forma, uma estranha no ninho de entrevistadores. Os outros convidados eram o historiador Hélio Silva, o jurista Carlos Alberto Direito e os jornalistas Audálio Dantas, Cícero Sandroni e Fenando Pedreira. O general Dilermando era muito respeitado porque, cinco anos antes, havia assumido o II Exército — foi sob o comando de seu antecessor, Ednardo D’Ávila Mello, que ocorreram os assassinatos de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, nas dependências do DOI-CODI. Em sua biografia, escrita com a ajuda de Mara Caballero, Dina contou que ficou aflita ali “por não estar falando de cinema, teatro ou TV”. Só que o ponto alto do programa foi quando, em vez de fazer uma pergunta, ela acabou desabafando: “Eu tenho medo de generais”. A atriz , pondera o historiador Fico, não estava sendo apenas sincera. “Usou todo seu talento dramático para apontar a tensão”. Dois meses antes, uma ação terrorista de militares, que pretendiam jogar uma bomba num show de MPB no Riocentro, foi frustrada porque o artefato explodiu no colo de um sargento. Anos depois, Dina reconheceu :“Fui passional, prevaleceu a paixão”. Fez bem.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O Buraco da Fechadura do Brasil

quarta-feira, 3 de junho de 2026 Teria Vorcaro lido Marcel Mauss? Por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo Oliveira Vianna dizia que ‘temos coragem para tudo, menos para negar o pedido de um amigo’ De modo algum seu estilo de enriquecer, enriquecendo seus parceiros irmãos, seguiu o mapa traçado em 1923-24 por Mauss no seu ignorado Ensaio Sobre a Dádiva. Ou, mais precisamente, na sua genial sociologia do presentear, do dar para receber – o que nós chamamos de “lembrancinhas”, porque foi com afeto que, quando vimos aquele objeto, a lembrança de sua pessoa motivou a compra dele para você. No presente, a moldura não é dada por utilidade ou necessidade, mas pela relação, pois foi a lembrança que o motivou. Então, diz Mauss, a dádiva vai muito além de si mesma: ela é um fato social total, já que todo presente contém aspectos morais. Um protocolo que transcende o objeto doado, fazendo com que o presentear acione a obrigação de retribuir. Presentes não são trocas; são dádivas que, como oferendas, transcendem a exploração de classe ou a luta hobbesiana de todos contra todos. Além disso, o presente tem, como explicita a cultura dos maoris, um espírito inseparável do doador. Essa é uma postura que aciona afetos e configura a pessoa que nos presenteou. Mas há também o presentear revelador da excepcional riqueza e poder do doador, como ocorre nos potlatches das sociedades do noroeste do Pacífico, abrangendo o Canadá e os EUA. Neles, riquezas são dilapidadas e destruídas, impedindo a devolução e, assim, englobando o receptor. Exatamente como os festins e os presentes que Vorcaro dava a todos os seus “irmãos” – conforme tenho escrito –, constituídos de “verbas públicas”. Dinheiro que, no Brasil, não pertence a ninguém, exceto aos governantes que o controlam. O fulgurante episódio Cláudio Castro/Daniel Vorcaro expressa tal capacidade. É óbvio que ninguém tem maldade neste Brasil arcaico, movido por dádivas que demonstram como verbas públicas não pertencem aos clientes de bancos que pagam impostos, mas aos governantes da ocasião. É esse dispositivo de apropriação que faculta o roubo do dinheiro público, porque, se é público, é da rua, e, se é da rua, não é de ninguém. É nessa polaridade da casa contra a rua, e do geral imaginado como não sendo de ninguém, mas de quem governa, que reside a lógica desse tipo de “corrupção”, que não é concebida como crime, pois é uma esperteza e um estilo de governar. Nos sistemas liberais patrimonialistas, o governar não é administrar a coisa pública, mas ser o dono dela.. Como dizia Oliveira Vianna na mesma década em que Mauss publicou o seu ensaio, “temos coragem para tudo, menos para negar o pedido de um amigo”. Elos governados por densas éticas costumeiras desgostam de normas burocráticas lidas como obstáculos ou remédios, jamais como valores. PS: Essas notas são para o prof. Marcos Lanna, que também sabe como a reciprocidade maussiana ajuda a caracterizar essa vergonhosa corrupção brasileira.
O Buraco da Fechadura do Brasil Uma síntese crítica entre a dádiva, a malandragem e o relógio moral A provocação permanece: teria Eurípedes Barsanulfo vindo antes do tempo — ou o tempo social é que segue atrasado? Na imagem, três lógicas convivem no mesmo cenário: O menino, inspirado em Eurípedes, olha pelo buraco da fechadura — não por curiosidade vulgar, mas como quem enxerga o outro na sua dor. Sua dádiva não cobra retorno. É amor em estado puro. O homem do presente encarna a lógica moderna da troca interessada: o dar já vem com recibo, condição e expectativa. A resposta está dentro da caixa antes mesmo da pergunta existir. A Escolinha, evocando o humor de Chico Anysio, revela o mecanismo: quando o presente dita a resposta, o mérito vira encenação — e a malandragem ganha nota 10. Ao fundo, como observa a crítica antropológica, convivem dois mundos: o da casa, regido por favores e vínculos pessoais; o da rua, onde deveriam prevalecer regras impessoais. O problema é quando esses mundos se misturam — e o público vira extensão do privado. Síntese (com ironia necessária) Eurípedes não voltou antes do tempo. Ele apenas viveu num tempo que ainda não chegou. Entre a dádiva que liberta e a dádiva que captura, seguimos oscilando — ora cuidado genuíno, ora “Sambarilove”. E assim, o relógio da história continua funcionando… mas, como na charge, com os ponteiros ligeiramente desalinhados. Moral da história Alguns dão sem esperar nada. Outros não dão nada sem já esperar tudo. E o Brasil? Ainda tentando decidir qual das duas respostas vai colocar na prova.