Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 13 de maio de 2026
A Câmera Clara: Notas sobre a fotografia | Roland Barthes
Puncta: A multiplicidade do que nos pune e nos move.
Revista online | Um historiador cordial
“Saber sentir, saber ver, saber dizer”, destacou certa vez Monteiro Lobato.
“a democracia, ainda que burguesa, era vista como um bem pelas massas”.
Astrojildo Pereira foi um brasileiro raro. E um democrata exemplar. Escrevendo de Moscou em 1925, reconheceu que “a democracia, ainda que burguesa, era vista como um bem pelas massas”. Era preciso ter coragem política para escrever isso naquele momento no país dos sovietes. Astrojildo sempre esteve à frente de seu tempo.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
História e Memória; Sociedade e Estado, por Ivan Alves Filho*
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Alcolumbre não vai a anúncio do plano de segurança e frustra Lula, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O litígio entre os dois se acirrou com a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF, articulação liderada pelo próprio presidente do Senado
A ausência do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), no lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, no Palácio do Planalto, frustrou as expectativas do presidente Luiz Inácio da Silva de que pode haver uma agenda de colaboração entre o Palácio do Planalto e o Senado, que cicatrize as feridas da rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa foi a maior derrota Lula no Congresso.
Durante o lançamento, ao lado do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), Lula não deixou por menos: “O dia que o Senado aprovar a PEC da Segurança, nos próximos dias, nós criaremos Ministério da Segurança Pública neste país”, afirmou. Lula mencionou, também, que sempre se opôs à criação de um Ministério da Segurança Pública sem que antes fosse definido o papel do governo federal na área.
A PEC é o coração do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, iniciativa do governo federal voltada ao enfrentamento das organizações criminosas no país. A Constituição de 1988 concentrou a responsabilidade da segurança nos estados como reação ao período em que a política de segurança era conduzida pelo governo federal sob comando militar.
“Agora, nós estamos sentindo a necessidade de que o governo federal volte a participar ativamente, mas com critério e com determinação, porque nós não queremos ocupar espaço de governadores nem o espaço da polícia estadual. Mas o dado concreto é que se não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, argumentou Lula.
O texto da PEC aguarda despacho de Alcolumbre para início da tramitação na Casa. Porém, enfrenta uma disputa política que se traduz em diferentes narrativas sobre o enfrentamento do problema. A violência é a principal preocupação do brasileiro urbano, inclusive nas médias cidades, e está no centro do debate eleitoral. Parlamentares e governadores de estados da oposição se opõem à PEC, com o argumento de amplia de forma excessiva as atribuições do governo federal.
A PEC prevê, entre outros pontos, maior integração entre União e estados e a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Com razão, o Palácio do Planalto avalia que medidas isoladas adotadas por estados não são suficientes para enfrentar estruturas criminosas que atuam de forma interestadual e internacional. Com o lançamento do programa, ontem, Lula tenta destravar as negociações com estados e o Centrão, para acelerar a adoção de medidas mais amplas de combate ao crime organizado.
No lusco-fusco da queda de braço, a chamada “bancada da bala” não perde a iniciativa. Ontem, a Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) para comprar armas de fogo. Apesar do absurdo, o projeto foi aprovado em cerca de um minuto, sem discussão dos parlamentares.
A proposta agora seguirá para as comissões de Finanças e Tributação, de Trabalho e Constituição e Justiça. De autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), o projeto foi relatado na comissão pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que se posicionou favorável à proposta. O valor do saque deverá ser igual ao preço da arma, da cota anual de munições correspondentes à arma adquirida e acessórios essenciais à sua guarda segura do armamento.
Rota de colisão
Com Lula e Alcolumbre em rota de colisão, a PEC da Segurança Pública naufragará. O litígio entre os dois se acirrou com a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF, articulação liderada pelo próprio presidente do Senado, insatisfeito com a não indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o cargo no Supremo, como gostaria.
Há outras agendas conflituosas. Alcolumbre aliou-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na derrubada dos vetos de Lula à mudança na dosimetria das penas dos condenados da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, o que sinaliza um desembarque do projeto de reeleição. Após a derrota, porém, o governo evitou demitir aliados de Alcolumbre, como o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
Como presidente do Senado, Alcolumbre se colocou numa posição de força. Seu jogo bruto também tem a ver com o Caso Master, cujas investigações pretende circunscrever ao escândalo financeiro. Por essa razão, bloqueou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o banco. Segundo relatos, Alcolumbre acertou com a oposição o arquivamento da CPI em troca da votação de outras prioridades dos bolsonaristas, como o veto à dosimetria.
Investigado pela PF, o caso Master envolve suspeitas de irregularidades financeiras que agora chegaram a um dos principais aliados de Alcolumbre, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas. O nome de Alcolumbre constaria na lista de contatos de Daniel Vorcaro, dono do banco. Investigações apontam que a Amapá Previdência, cujo comando era ligado a Alcolumbre, investiu milhões em papéis do Master, o que levantou suspeitas sobre a relação entre o senador e o banqueiro, que está preso.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Sobre política e politicagem, por Roberto DaMatta*
O Estado de S. Paulo
Quero novamente ressaltar o dilema do formalismo bacharelesco que marca o campo político brasileiro; tal como ele é conceituado pela IA, em sua capacidade extracorpórea de ser uma excepcional máquina pensante.
A inteligência artificial define política como “o conjunto de práticas, decisões e ações utilizadas para organizar, governar e administrar sociedades, visando ao bem comum, a mediação de conflitos e a distribuição de poder. Originada do grego polis (cidade), refere-se à gestão da vida coletiva, elaboração de leis e definição de rumos para a comunidade”. Beleza, mas a sua prática – a nossa conhecida politicagem – é qualificada por dois malditos apêndices: crise e corrupção.
Entre teoria e prática, existe uma fratura que denuncia como é fácil adotar e como é um dilema praticar, porque a democracia exige uma separação radical entre público e privado, sem o que não há igualitarismo. Discursar fantasias com alicerces escravocratas ou tomar consciência para chegar ao centro de um sistema que, em 1979, no livro Carnavais, Malandros e Heróis, denunciei como dilemático.
Nele, heróis como os “caxias” e os certinhos, vistos como trouxas seguidores de regras, e o malandro atuam simultaneamente. Essa ambiguidade, lida como piada, inventa o “jeitinho” – esse caminho entre o imparcial e o parcial que promove anistias e certezas de impunidade. É plenamente possível, diz Pedro Malasartes aos seus afilhados que roubaram o INSS e a Daniel Vorcaro, comprador dos donos do poder, enriquecer por amizade, como nos velhos tempos do rei.
Não é por acaso que a política é atropelada pela politicagem de um republicanismo atropelado por elos de parentesco, camaradagem e amizade. Esse estilo, jamais criticado, é até hoje visto como “corrupto” e não como a base a ser rejeitada do legado monárquico.
Como ensina a IA: politicagem é o uso da política para fins pessoais, caracterizada por trocas de favores. Seus traços são: interesses pessoais, foco na vantagem própria ou de um grupo restrito. Ou seja: elos pessoais ou amizades instrumentais.
Enquanto a política foca o interesse público, a politicagem foca a manutenção do poder a qualquer custo e a ausência de ações concretas para a sociedade.
Nessa veraz conceituação, não se enxerga a nossa incapacidade (inconsciente e malandra) de distinguir o impessoal do pessoal, numa canibalização não prevista por Max Weber – a da dominação burocrática pela tradicional.
A questão que nos envergonha é a incapacidade de sustentar a imparcialidade estrutural da democracia pelo controle da inevitável parcialidade dos interesses pessoais que, em todo lugar, promovem desigualdade e, no nosso caso, devido a uma estrutura administrativa personalista e hierarquizada.
PS: Daniel Vorcaro não comprou o Brasil por um triz.
*É antropólogo, escritor e autor de ‘Carnavais, malandros e heróis’
Roberto DaMatta: "O Brasil de hoje é uma infâmia de atrasos. É um país de tempos perdidos."
Marco Antonio Villa
12 de jan. de 2022
A formação do Brasil e suas contradições.
O patrimonialismo brasileiro.
A antropologia brasileira e seus objetos.
A formação em Harvard.
Antropologia e acultura da pobreza.
O "paroquialismo" Brasileiro.
Trump faz publicação retratando a Venezuela como 51° estado dos EUA | CNN Brasil
Trump faz publicação retratando a Venezuela como 51° estado dos EUA
Post foi feito um dia após o presidente americano afirmar, em entrevista à Fox News, que tornaria o país parte dos Estados Unidos
Lucas Teixeira, da CNN Brasil
12/05/26 às 21:02 | Atualizado 13/05/26 às 07:47
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma publicação nesta terça-feira (12) retratando a Venezuela como o 51° estado dos Estados Unidos.
basiliarodriguesoficial
16 sem
A despedida de Raul Jungmann, nesta semana, foi uma notícia muito triste. Todas as oportunidades de discursos e conversas que tive com ele eram garantia de conhecimento. Dava gosto de ouvir alguém com fundamentos e articulação. Lembro de entrevistas, coletivas, fóruns. Aqui, fica registro do encontro pelos 40 anos da redemocratização do país, que mediei em junho/2025, em Brasília, organizado pela @fundacaoastrojildo. Jungmann ressaltou a importância das Forças Armadas para manutenção da democracia e cobrou mais atuação do Congresso no diálogo com militares. Nos ensinou muito e isso sempre estará presente nas coberturas e comentários sobre Segurança Pública e Defesa Nacional. 🌻
Raul Jungmann ao WW: Só o Brasil pode definir ações no Rio como terrorismo
Ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública destaca que definição de atos como terrorismo compete exclusivamente à soberania brasileira, independentemente de pressões internacionais
Da CNN Brasil
28/10/25 às 23:43 | Atualizado 28/10/25 às 23:43
Em entrevista ao WW, Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, afirmou que a definição do que constitui terrorismo no contexto das operações no Rio de Janeiro é uma decisão que compete exclusivamente à soberania brasileira, independentemente de pressões internacionais.
Jungmann explicou que existem cerca de 64 definições reconhecidas de terrorismo, sendo a principal delas a da Organização das Nações Unidas. Ele ressaltou que participou ativamente dos debates sobre a atual legislação antiterrorismo no Brasil, que foi desenvolvida especialmente no contexto dos Jogos Olímpicos de 2016.
Leia Mais:
Ex-capitão do Bope: Conflito no RJ é quase uma guerra civil
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O ex-ministro destacou uma distinção fundamental: enquanto o terrorismo está associado a uma atividade política e busca dobrar o Estado através do terror à sociedade civil, o crime organizado é essencialmente uma atividade econômica, ainda que realizada por meios ilícitos. "O terrorismo está associado a uma atividade política; o crime é essencialmente uma atividade econômica", disse Jungmann.
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O ex-ministro também comentou sobre a lei antifacção proposta pelo Ministério da Justiça, destacando que representa uma mudança significativa na abordagem do governo atual em relação ao combate ao crime organizado.
Jungmann mencionou que o tema pode impactar as relações entre Brasil e Estados Unidos, mas reforçou que o país precisa manter sua autonomia decisória. Em conversa com representantes da embaixada americana, foi enfatizado que as discussões devem se concentrar em questões comerciais, preservando a soberania brasileira em outros aspectos.
CNN Brasil
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Tópicos
William Waack
Crime
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Waack
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/raul-jungmann-ao-ww-so-o-brasil-pode-definir-acoes-no-rio-como-terrorismo/
Post
Felipe Nunes
@profFelipeNunes
1/ Aprovação do governo Lula sai de 43% para 46% (+3pp) e desaprovação sai de 52% para 49% (-3pp) em um mês, segundo pesquisa Genial/Quaest. O saldo negativo que era de -9pp, agora é de -3pp.
8:02 AM · 13 de mai de 2026
·
A câmara clara Capa dura – 29 junho 2018
Edição Português por Roland Barthes (Autor)
4,8 4,8 de 5 estrelas (394)
Publicado pela primeira vez 1980, A câmara clara inovou a abordagem da linguagem fotográfica e se tornou uma das maiores referências no assunto até hoje. O clássico de Roland Barthes não é um tratado sobre a fotografia como arte, nem uma história sobre o tema. Como em muitos de seus trabalhos, o escritor francês rejeita os caminhos mais percorridos e se lança à tarefa de decifrar o signo expressivo, o objeto artístico, a “obra” entendida como mecanismo produtor de sentido.
Sim, segundo a análise de Roland Barthes em "A Câmara Clara" (La chambre claire, 1980), o termo puncta vai além de ser apenas o plural gramatical de punctum (picada, furo, detalhe que fere), expandindo-se para um conceito de multiplicidade sensorial e temporal na fotografia. Enquanto punctum é frequentemente um único detalhe que fere o espectador, "puncta" refere-se à possibilidade de múltiplas feridas ou "acidentes" em uma mesma imagem.Puncta (Além do Plural): Barthes descreve o punctum como um "detalhe" que parte da cena e transpassa o observador. A noção de puncta (plural) surge quando múltiplos elementos fotográficos — detalhes inesperados, como um par de sapatos, um sorriso, ou um detalhe no fundo — exercem essa função de "pontuar" ou "ferir" o espectador simultaneamente ou em momentos diferentes da observação.O Punctum como "Campo Cego": O punctum não é o que está no centro, mas o que escapa à intenção do fotógrafo, agindo como um "invisível" que transforma a foto em experiência.A "Campo" (Comparação): A analogia com campi (plural de campus) funciona no sentido de que, assim como campi pode se referir à dispersão de unidades de um mesmo conceito (a universidade), os puncta são as diversas "picadas" dispersas que compõem a experiência afetiva da imagem.Contexto em A Câmara Clara:Studium vs. Punctum: O studium é o interesse geral, cultural e político (o que entendemos). O punctum é a picada, a ferida que toca o espectador pessoalmente.O "Isso foi" (Ça a été): O punctum prova que a fotografia é um rastro do real, algo que realmente esteve diante da lente.Natureza Aberta: O punctum é indesenvolvível, não precisa de expansão retórica.A obra de Barthes, portanto, utiliza punctum não como uma definição rígida, mas como uma ferramenta fenomenológica. A pluralização para puncta sugere a natureza fragmentada, intensa e múltipla da experiência afetiva com a imagem.
Contexto em A Câmara Clara:Studium vs. Punctum: O studium é o interesse geral, cultural e político (o que entendemos). O punctum é a picada, a ferida que toca o espectador pessoalmente.O "Isso foi" (Ça a été): O punctum prova que a fotografia é um rastro do real, algo que realmente esteve diante da lente.Natureza Aberta: O punctum é indesenvolvível, não precisa de expansão retórica.A obra de Barthes, portanto, utiliza punctum não como uma definição rígida, mas como uma ferramenta fenomenológica. A pluralização para puncta sugere a natureza fragmentada, intensa e múltipla da experiência afetiva com a imagem.
Sim, com certeza. Na teoria de Roland Barthes desenvolvida em sua obra clássica A Câmara Clara, puncta vai muito além de ser apenas o plural gramatical de punctum.Assim como campi expandiu seu significado original (de campos físicos/gramaticais) para designar a complexa estrutura descentralizada de uma universidade, os puncta operam como uma rede de múltiplos estímulos afetivos independentes que quebram a unidade interpretativa de uma imagem.Abaixo estão os motivos pelos quais os puncta transcendem o mero plural:1. Autonomia dos DetalhesForça isolada: Cada punctum é uma ferida, um corte ou um detalhe acidental que salta da imagem.Existência única: Dizer puncta não significa "uma coleção do mesmo tipo de ponto", mas sim a coexistência de detalhes autônomos e heterogêneos (uma mão, um colar, um sapato gasto) que disputam a atenção do observador de formas completamente diferentes.2. Ruptura Total do StudiumAtaque cultural: Enquanto o studium representa a leitura homogênea, cultural e codificada da foto, os puncta agem como forças de sabotagem.Multiplicidade incontrolável: A presença de múltiplos puncta impede que o espectador reduza a imagem a um único tema ou conceito intelectualizado.3. O Campo Cego e o TempoExpansão narrativa: Os puncta criam o que Barthes chama de "campo cego".Vida além da borda: Eles lançam o espectador para fora do enquadramento físico da fotografia, gerando múltiplos caminhos de memória, afeto e percepção da morte ("isso foi").Se você deseja explorar mais a fundo essa mecânica da imagem, posso detalhar como Barthes diferencia o punctum de detalhe do punctum de tempo (intensidade) ou mapear as conexões dessa ideia com o conceito de "sentido obtuso" criado pelo autor. Como prefere prosseguir
Abraço entre Moraes e Michelle Bolsonaro chama atenção em posse de Nunes Marques
Por Danilo Duarte 13/05/2026 - 08:15
O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foto: Wilton Junior/Estadão
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Do Estadão – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se encontraram nesta terça-feira, 12, durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Moraes e Michelle se cumprimentaram com um abraço no fim da cerimônia no plenário do TSE. Pouco antes, a ex-primeira-dama cumprimentou a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, que advogou para o Banco Master. As duas estavam sentadas na mesma fileira. A algumas cadeiras para o lado, sentou-se a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
O cumprimento entre Moraes e Michelle acontece três dias após o relator das ações do 8 de Janeiro no STF suspender a aplicação da Lei da Dosimetria, que havia entrado em vigor recentemente após aval do Congresso para reduzir penas dos condenados pelos atos golpistas, notadamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A suspensão vale até o plenário da Corte julgar o caso, o que deve acontecer no fim deste mês, segundo o relator do projeto de lei na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que também foi ao TSE.
Diálogo entre Moraes e Michelle foi crucial para Bolsonaro ir para prisão domiciliar
Em março, a abertura de diálogo entre Moraes e Michelle foi crucial para o ministro autorizar o ex-presidente Bolsonaro a cumprir pena em regime domiciliar. Na véspera de Moraes assinar essa decisão, ele recebeu Michelle em seu gabinete no Supremo.
A ex-primeira-dama já fez diversas críticas públicas aos ministros do STF. Em setembro passado, por exemplo, a poucos dias de a Corte condenar Bolsonaro na trama golpista, Michelle disse que integrantes do tribunal “agem como tiranos” e rasgam a Constituição “diariamente”, como mostrou a Coluna do Estadão.
Tags: Alexandre de MoraesdestaqueMichelle BolsonaroSTFTSE
Danilo Duarte
Jornalista e assessor de imprensa,
https://ricardoantunes.net/abraco-entre-moraes-e-michelle-bolsonaro-chama-atencao-em-posse-de-nunes-marques1/
CLIMA DE TENSÃO - Autoridades: confissões de criminosos podem atingir personagens dos Três Poderes da República (CanalGov/Reprodução)
Desconforto de Lula e Alcolumbre chama atenção em posse no TSE
Petista e chefe do Congresso tiveram primeiro encontro pessoalmente após derrotas impostas pelo Legislativo ao Palácio do Planalto
Por Marcelo Ribeiro
13 Maio 2026, 10h01 | Atualizado em 13 Maio 2026, 11h56
Em seu primeiro encontro pessoalmente após o Legislativo impor derrotas ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula Silva e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, estavam visivelmente desconfortáveis durante a posse de Kassio Nunes Marques à frente do TSE. Na mesma cerimônia, André Mendonça assumiu a vice-presidência do tribunal.
Colocados lado a lado, o petista e o chefe do Congresso pouco trocaram, o que indicou, na avaliação de interlocutores de ambos, que a crise entre eles pode estar longe de acabar.
Os dois estão afastados desde o ano passado, mas a relação azedou um pouco mais após Alcolumbre ter articulado pessoalmente a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF no plenário do Senado.
As manobras para viabilizar a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria também contribuem para a piora na relação entre eles.
Ainda que reconheçam que a relação esteja em um de seus momentos mais tensos, aliados de Lula ponderam que o petista não deve esticar a corda em relação ao titular da principal cadeira da Mesa Diretora do Senado.
Além de nutrir a esperança de uma reaproximação mais adiante – ambos já foram bem próximos e tinham um alinhamento que irritava a oposição -, o presidente quer evitar a contaminação das votações de propostas prioritárias do Executivo dentro do Congresso nos próximos meses.
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/desconforto-de-lula-e-alcolumbre-chama-atencao-em-posse-no-tse/
13/05/26 - Trump posta mapa que apresenta Venezuela como o 51* estado americano
Marco Antonio Villa
Transmissão ao vivo realizada há 10 horas #marcoantoniovilla #trump #venezuela
#marcoantoniovilla #trump #venezuela
A Câmera Clara: Notas sobre a fotografia | Roland Barthes
Metafotográfica
24 de jul. de 2020
A câmera lúcida, A câmera esclarecida, a câmera que pensa, a câmera que compreende, que vê claramente.
Esse livro de Barthes é um contraponto para quem quer pensar a fotografia de maneira mais clara, mais lúcida.
Antes de pensar metodologias de análise ou de simplesmente catalogar fotos e para sair do lugar comum sobre as definições rasas sobre o que faz uma foto emocionar, recomendo a leitura deste livro.
Este vídeo é o segundo da série do Eixo de estudos sobre Sociabilidade e semiologia.
Textos citados:
Roland Barthes A Câmera Clara: Notas sobre a fotografia (1980)
https://amzn.to/2E8c5Rp
Artistas Citados:
Robert Mapplethorpe
Assault with a Deadly Camera: https://amzn.to/3fZgODc
Richard Avedon:
Photographies 1946-2004 https://amzn.to/39o7iqL
Félix Nadar:
When I Was a Photographer https://amzn.to/2Byeggo
Chavo Del Ocho:
https://tinyurl.com/y4wboc6n
Black Mirror: Episódio: Toda a Sua História
https://www.netflix.com/br/title/7026...
Fatal Frame: Maiden of Black Water
https://tinyurl.com/y5kmz6er
De Volta para o Futuro (1985)
https://tinyurl.com/y38xj2ks
Clarice Lispector:
https://amzn.to/30MVavx
Sandy & Júnior: Quatro Estações
https://amzn.to/30L9HaR
Luiz Braga:
/ luizbraga
Bruno Rocha (Correio Braziliense)
/ cb2_xdlhdip
Nair Benedicto:
https://tinyurl.com/y6394tef
Maureen Bisilliat
https://tinyurl.com/yyao47p9
Vânia Toledo
/ vania.toledo
Araquém Alcântara:
/ araquemoficial
Cláudia Andujar
https://ims.com.br/titular-colecao/cl...
Música: Indian Summer
Artista: Lobo Loco
https://www.youtube.com/watch?v=6juutt7dMbg
Roland Barthes na Fotografia Artística • O Casal da Foto
Estudo de Caso: Puncta, Poder e Imagem
Uma leitura semiológica barthesiana (contra sua caricatura cartesiana)
1. Nota metodológica: contra a “semiologia cartesiana”
Antes de entrar nos casos, é preciso esclarecer o equívoco:
Chamar a análise de Roland Barthes de “cartesiana” é uma redução problemática.
René Descartes → método, clareza, decomposição racional
Barthes → fratura, afeto, indeterminação
Ou seja:
o punctum é precisamente aquilo que escapa ao método.
O que segue, portanto, não é uma análise “lógica” da imagem, mas uma cartografia de feridas (puncta).
2. Caso 1 — Astrojildo Pereira: democracia como punctum histórico
Texto
Reflexão sobre democracia como “bem”, mesmo sob crítica marxista.
Studium
História política brasileira
Intelectualidade de esquerda
Debate sobre democracia burguesa
Punctum
A frase: “a democracia… era vista como um bem pelas massas”
Esse detalhe:
rompe o dogmatismo ideológico,
funciona como ferida temporal (1925 → atualidade),
desloca a leitura previsível.
Leitura
O punctum aqui não está na imagem em si, mas no choque entre expectativa ideológica e enunciação histórica.
3. Caso 2 — Lula e Alcolumbre: o gesto ausente
Texto
Conflito político institucional e ausência em evento.
Studium
Governabilidade
Segurança pública
Relações Executivo–Legislativo
Punctum
A ausência de Alcolumbre
Paradoxalmente:
o que fere não é o que aparece,
mas o que não está na imagem.
Leitura
Aqui emerge um punctum negativo:
ausência como signo,
vazio como significado.
4. Caso 3 — Roberto DaMatta: politicagem como estrutura simbólica
Texto
Distinção entre política e politicagem.
Studium
Teoria política
Antropologia social
Patrimonialismo
Puncta
“jeitinho”
“amizades instrumentais”
“malandro”
Cada termo funciona como:
micro-feridas culturais
Leitura
Não há um punctum único, mas uma constelação → puncta culturais.
5. Caso 4 — Trump e a Venezuela: imagem como delírio geopolítico
Texto
Representação da Venezuela como “51º estado”.
Studium
Relações internacionais
Discurso político
Estratégia simbólica
Punctum
A fusão cartográfica impossível
Esse detalhe:
não é apenas absurdo,
é semioticamente violento.
Leitura
O punctum aqui é:
a quebra da realidade geopolítica,
um excesso que transforma informação em imagem delirante.
6. Caso 5 — Raul Jungmann: definição de terrorismo
Texto
Distinção entre terrorismo e crime organizado.
Studium
Segurança pública
Direito internacional
Soberania
Punctum
“64 definições de terrorismo”
Esse número:
aparentemente técnico,
gera instabilidade conceitual.
Leitura
O punctum surge como:
excesso de definição → ausência de definição.
7. Caso 6 — Moraes e Michelle Bolsonaro: o abraço
Texto
Encontro entre figuras politicamente opostas.
Studium
Judiciário
Política institucional
Cerimonial
Punctum
O abraço
Esse gesto:
contradiz narrativas públicas,
produz curto-circuito simbólico.
Leitura
O punctum é relacional:
não está no gesto em si,
mas na sua inadequação ao contexto esperado.
8. Caso 7 — Pesquisa de opinião: números que “ferem”
Texto
Variação de aprovação (+3 / -3).
Studium
Estatística
Opinião pública
Análise política
Punctum
Pequena variação percentual
Por quê?
mínima,
mas interpretativamente explosiva.
Leitura
O punctum aqui é:
a desproporção entre número e interpretação.
9. Caso 8 — A Câmara Clara: o próprio conceito como imagem
Texto
Definição de punctum e studium.
Punctum
“isso foi” (ça a été)
Leitura
Aqui o punctum não é detalhe:
é ontologia,
é tempo.
10. Conclusão: contra o analista “cartesiano”
O “analista político” que tenta:
sistematizar,
classificar,
reduzir,
comete o erro fundamental:
transforma punctum em studium.
Mas, como demonstram os casos:
o sentido emerge do detalhe imprevisto,
da ausência,
do gesto inadequado,
da contradição.
Tese final
Os textos + imagens formam um campo de campi semióticos, onde:
cada elemento gera seu próprio eixo de sentido,
e os puncta operam como interrupções do discurso dominante.
Se quiser,
terça-feira, 12 de maio de 2026
MESMAS LETRAS EM OUTRAS PALAVRAS: ANAGRAMA
Pedacinhos do Céu
João Nogueira - Além do Espelho
Vinícius Werner Shtorache
24 de set. de 2012
João Nogueira no programa Ensaio da TV Cultura (1992).
Quando eu olho o meu olho além do espelho
Tem alguém que me olha e não sou eu
Vive dentro do meu olho vermelho
É o olhar de meu pai que já morreu
O meu olho parece um aparelho
De quem sempre me olhou e protegeu
Assim como meu olho dá conselho
Quando eu olho no olhar de um filho meu
A vida é mesmo uma missão
A morte uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu
Sempre que um filho meu me dá um beijo
Sei que o amor de meu pai não se perdeu
Só de ver seu olhar sei seu desejo
Assim como meu pai sabia o meu
Mas meu pai foi-se embora no cortejo
E eu no espelho chorei porque doeu
Só que olhando meu filho agora eu vejo
Ele é o espelho do espelho que sou eu
A vida é mesmo uma missão
A morte uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu
Toda imagem no espelho refletida
Tem mil faces que o tempo ali prendeu
Todos têm qualquer coisa repetida
Um pedaço de quem nos concebeu
A missão de meu pai já foi cumprida
Vou cumprir a missão que Deus me deu
Se meu pai foi o espelho em minha vida
Quero ser pro meu filho espelho seu
A vida é sempre uma missão
A morte uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
"Sei que me amas com grande fervor
Há em teus lábios mil frases de amor
Entretanto, eu preciso ouvir a voz da razão
Para saber se direi sim ou não"
Waldir Azevedo
não é preciso mudar as letras do sistema —
basta reorganizá-las para que tudo pareça novo.
Otto e o óbvio
Ruy Castro
Nelson Rodrigues gostava de contar esta história. Otto Lara Resende, morador da Gávea, ia todos os dias pelo Aterro do Flamengo para o jornal em que trabalhava, no centro da cidade. Um dia, ao passar pelo Morro da Viúva, olhou casualmente à direita e viu um corpo estranho na enseada: uma pedra gigante com uma casinha no cocuruto. Era o Pão de Açúcar. Embora morasse no Rio desde 1945 e todos os empregos que tivera o obrigassem a passar em frente a ele, Otto nunca se dera conta de sua existência. Atônito, meteu o pé no freio. Os pneus faiscaram e obrigaram os motoristas atrás dele a fazer o mesmo.
Para espanto de todos, Otto saiu do carro e começou a zanzar entre eles, apontando mudo, de boca aberta, para o Pão de Açúcar. Assustadas, as pessoas também desceram, para acudi-lo. Asmático, veio-lhe a falta de ar e ele puxou a bombinha. Uma senhora, abanando-o, dizia: "Calma, meu senhor, calma!". E, sempre apontando para o Pão de Açúcar, só então Otto balbuciou: "Ontem não estava ali! Ontem!". E Nelson completou: "Foi um momento para a eternidade —o grande confronto entre Otto Lara Resende e o óbvio ululante".
Foi a primeira vez que Nelson usou a expressão "óbvio ululante", para dizer que o óbvio ulula à nossa frente, implorando para ser percebido. Mas não o vemos. "Só os profetas enxergam o óbvio", concluiu Nelson. Por isso, Otto nunca enxergara o Pão de Açúcar —ele era o óbvio ululante.
Tudo o que aconteceu durante Bolsonaro e só agora está vindo à tona do pântano era óbvio desde o começo. Bolsonaro não dedicou um único dia de seu suposto governo a governar. A educação, a saúde, a segurança, nem mesmo a economia, nunca lhe disseram nada. A partir do primeiro dia, empenhou-se em sua recondução ao poder em 2022, precavendo-se de que, se isso não acontecesse pelas urnas, viria na forma de um golpe.
Uma consulta aos arquivos mostrará que, com as mesmas palavras, isso foi dito várias vezes neste espaço naqueles quatro anos. Nenhuma vantagem —era o óbvio. E tão óbvio que o próprio Bolsonaro o ladrava nos palanques, caçambas e motociatas, na certeza de que ninguém o enxergaria.
Folha de São Paulo, 04/12/2024
terça-feira, 12 de maio de 2026
A ilusão do caso Vorcaro, por Fernando Gabeira
O Globo
Ele não entende a colaboração premiada como fim de carreira. Faz planos. Para começar, não entregará todo o dinheiro que amealhou
Não sou dessas pessoas que o tempo inteiro dizem: "Vai acabar em pizza, vai acabar em pizza." Mas confesso que estou um pouco cético sobre a delação de Daniel Vorcaro, o homem que iluminaria toda a escuridão da República. Vorcaro não entende a delação como fim de carreira. Faz planos. Para começar, não entregará todo o dinheiro que amealhou. Precisa de recursos para recomeçar adiante. Há muita coisa que não poderá esconder, pois o conjunto de mensagens no celular revela seu movimento financeiro. Mas aquilo que não está a descoberto, ele deve considerar um fundo de sobrevivência para a nova etapa, pois certamente não conta com um longo período de prisão.
Outro ponto vulnerável na delação de Vorcaro são os próprios advogados. Ele é apenas um caso fortuito, e provavelmente muito lucrativo, para os advogados. Mas nada se compara à relação estratégica e permanente que precisam manter com o STF. Quando se trata de apontar as armas para a Corte, faltará pólvora ou, no mínimo, ela estará molhada.
Detesto a expressão “acochambrar”. Para coisas feias, palavras feias. Na semana passada, um ministro do TSE, aliado de Alexandre de Moraes, Floriano Marques, encontrou-se com o advogado de Vorcaro num hotel de Brasília. O encontro se deu um dia depois da apresentação da proposta de delação. O ministro admite que conversou superficialmente sobre a delação e comentou:
— Puxa vida, que coisa!
Ninguém pode provar que a conversa não foi superficial. Marques foi indicado por Lula, por sugestão de Moraes. São colegas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Por uma tentativa de conhecer a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, o general Braga Netto foi para o espaço. O advogado de Vorcaro sabe disso. Por coincidência, Braga Netto também é seu cliente. O ministro e o advogado são amigos. Quem não é amigo, conhecido, camarada? “Meu caro, que prazer, vamos tomar algo para combater essa secura de Brasília.”
A Polícia Federal trabalha firme e com competência. Mas será difícil romper esse cipoal de relações e favores. No caso do senador Ciro Nogueira, houve indícios, casa, mesada, cartão e um ato de ofício: a emenda apresentada por Ciro, subindo de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia de ressarcimento aos credores de um banco quebrado. Vorcaro saudou essa emenda nas conversas com a namorada. Possivelmente, outros amigos de Vorcaro na política terão dado bandeira e cairão também. Mas o núcleo mais duro, que envolve ministros do Supremo, talvez não seja tocado.
Quem quer brigar com o Supremo? A qualquer momento, nosso destino pode estar nas mãos deles. Se julgam e condenam, apelar para quem? Você fica com a corda no pescoço, com a espada na cabeça e com uma parte da esquerda jurando que você é de extrema direita.
No entanto será preciso reclamar. O caso Master não pode dar em pizza. Haja farinha, molho de tomate e orégano para cobrir 8 milhões de quilômetros quadrados. Mas é preciso não ter grandes ilusões. O Brasil não é fácil.
Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino (imagem: Acervo pessoal)
"Onde entra o conceito de anagrama sobre pizzas e outras guloseimas que podem aparecer num suposto acordo de colaboração premiada de Vorcaro? Segundo o artigo de Fernando Gabeira, mineiro como o 'banqueiro' que sabe o valor de cada tostão em terras de banqueiros e bancos quebrados ou arrombados."
O conceito de anagrama, aqui, deixa de ser um jogo de letras e passa a ser uma metáfora política sobre a recombinação dos mesmos elementos para obter resultados diferentes (ou disfarçados).
Ao "conglobar" o anagrama de VORCARO com o texto de Gabeira sobre as guloseimas da corrupção, chegamos aos seguintes pontos:
1. O Anagrama da Impunidade: "Acabar em Pizza"No texto, Gabeira cita o clichê "vai acabar em pizza". Se pegarmos as letras de VORCARO, encontramos a essência do que ele descreve sobre o banqueiro:
ROCA/ROÇAR: Vorcaro "roça" o poder. O texto menciona o encontro em hotéis de Brasília, o "cipoal de relações" e a proximidade com ministros. É o movimento de chegar perto sem se queimar totalmente.
CORO: A delação premiada, para Gabeira, corre o risco de ser apenas um "coro" ensaiado. O banqueiro, os advogados e os ministros cantam a mesma música para que o "núcleo duro" não seja tocado.
CARRO / CORRA: O texto diz que Vorcaro "faz planos" e não entregará todo o dinheiro. Ele quer o "carro" (os recursos) para "correr" (recomeçar) adiante. O anagrama vira estratégia de fuga financeira.
2. O Valor do "Tostão" no Banco Quebrado (Master)Você mencionou a mineiridade e o valor de cada tostão. Gabeira destaca que Vorcaro não é um delator comum: ele é um calculista.
O Anagrama "CORAVA": Antigamente, "corar" algo era dar cor ou vergonha. Gabeira sugere que, nesse "acordo", ninguém cora de vergonha. O aumento da garantia de ressarcimento de R\( 250 mil para R\) 1 milhão (a emenda de Ciro Nogueira) é o "tostão" multiplicado que Vorcaro comemora com a namorada.
Guloseimas e Pizzas: A "pizza" no Brasil é o anagrama político perfeito: você pega os ingredientes (provas, mensagens de celular, dinheiro amealhado), fatia tudo, distribui entre os amigos (STF, advogados, políticos) e, no final, a forma continua a mesma, mas o conteúdo foi digerido pelo sistema.
3. A "Ilusão" Anagramática
Gabeira joga com a ideia de que a delação de Vorcaro "iluminaria a escuridão".
Se rearranjarmos as letras de VORCARO, podemos formar "CORVORA" (uma corruptela de corvo). O corvo, citado no texto como ave que ronda bancos quebrados e carniça política, é quem melhor entende o valor do que sobra.
O banqueiro mineiro sabe que, em Brasília, para não "acabar em pizza", ele precisa oferecer uma "guloseima" maior (a cabeça de alguém), mas Gabeira duvida que ele entregue o "chef" da cozinha.Conclusão:O anagrama de VORCARO aplicado ao texto revela que ele não quer apenas "limpar o nome", mas sim rearranjar as mesmas peças (o dinheiro escondido, as influências no STF e as amizades em hotéis) para que, no final, o resultado da conta (o valor do tostão) continue favorecendo o banqueiro, enquanto o país fica com a conta da "farinha, molho de tomate e orégano".Você acredita que o "fundo de sobrevivência" que Gabeira menciona é o verdadeiro "anagrama financeiro" que a Polícia Federal não conseguirá decifrar?
terça-feira, 12 de maio de 2026
Ao convidar Bolsonaro e Collor, Nunes Marques acirra conflitos no STF, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A decisão de Nunes Marques também fortaleceu o discurso da oposição no Congresso, especialmente do PL, partido de Bolsonaro, que retomou o projeto de anistia
A posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevista para hoje, está sendo marcada pelo convite protocolar a todos os ex-presidentes da República, inclusive Jair Bolsonaro e Fernando Collor de Mello, o que produziu um efeito político oposto ao discurso de pacificação que o próprio magistrado pretende imprimir à sua gestão. Ao chamar para a cerimônia dois ex-presidentes condenados pela Justiça — o primeiro por tentativa de golpe de Estado; o segundo na Operação Lava-Jato —, Nunes Marques também acirrou as tensões internas no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de aprofundar o desconforto entre ministros da Corte, Nunes Marques jogou mais lenha na fogueira da oposição bolsonarista, que voltou a articular uma anistia ampla aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. O gesto do novo presidente do TSE foi interpretado por integrantes do Supremo como um cavalo de pau na atuação da Corte durante as eleições. Embora o convite tenha sido tratado oficialmente como mera tradição republicana, extensiva a todos os ex-presidentes da República no período democrático, a presença simbólica de Bolsonaro na posse de seu indicado seria um constrangimento aos demais integrantes da Corte. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação superior a 27 anos de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional.
O constrangimento se ampliria porque Bolsonaro, caso decidisse comparecer à cerimônia, dependeria de autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais relacionadas ao golpe. Moraes e Bolsonaro nunca se bicaram. A escalada de confronto entre ambos foi o epicentro do choque entre forças golpistas, liderada pelo então presidente da República, e a resistência democrática, ancorada nas instituições da República, sobretudo o STF e o TSE. Moraes presidia o TSE nas eleições de 2022, nas quais o ex-presidente foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Agora, a posse de novo presidente do TSE pode ser palco de mais um capítulo da longa escalada de confrontos entre ambos. A decisão de Nunes Marques também fortaleceu o discurso da oposição no Congresso, especialmente do PL, partido de Bolsonaro. O líder da legenda na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), retomou imediatamente a mobilização em torno de uma Proposta de Emenda Constitucional que prevê anistia geral aos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro. Moraes é acusado pela oposição de “invasão de competências” e “afronta à democracia”, ao suspender a aplicação da nova lei de dosimetria das penas, que reduziria drasticamente a pena de prisão de Bolsonaro.
A PEC apresentada pelo PL possui alcance amplo. O texto prevê anistia para condenados por crimes de dano qualificado, deterioração de patrimônio público, associação criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Na prática, a proposta abre caminho para beneficiar não apenas participantes diretos das invasões às sedes dos Três Poderes, mas também Jair Bolsonaro, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e condenado pelo STF como líder político da articulação golpista.
Deslegitimação
A movimentação recoloca o Congresso em rota de colisão com o Supremo. Nos bastidores do STF, ministros enxergam na nova ofensiva parlamentar uma tentativa de deslegitimar as decisões da Corte e transformar condenados por crimes contra a democracia em vítimas políticas. São recorrentes as críticas ao protagonismo judicial de Moraes, sobretudo entre setores conservadores e bolsonaristas.
Indicado ao STF por Bolsonaro em 2020, Nunes Marques construiu na Corte um perfil discreto, tecnicamente conservador e frequentemente alinhado a posições defendidas pelo ex-presidente. Natural de Teresina, com trajetória na advocacia, no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) e, posteriormente, no TRF-1, Nunes Marques foi a primeira indicação de Bolsonaro ao Supremo, onde cultivou uma imagem de magistrado avesso a confrontos públicos.
No STF, porém, suas decisões o aproximaram da ala mais crítica ao ativismo judicial. O ministro votou em favor de interpretação mais restritiva sobre responsabilização de plataformas digitais, defendeu maior proteção à liberdade de expressão e assumiu relatorias sensíveis em temas econômicos e eleitorais. Sua eleição para o comando do TSE, ao lado do ministro André Mendonça, também indicado por Bolsonaro, consolidou a percepção de que a Justiça Eleitoral terá neste ciclo uma condução menos identificada com a linha adotada nos últimos anos por Moraes e pela ministra Cármen Lúcia.
Embora Nunes Marques tenha perfil “sereno e técnico”, o gesto protocolar de convidar Bolsonaro e Collor foi considerado dentro do STF como um recado político em favor da “normalização” institucional dos condenados pela Justiça por tentativa de golpe de estado. No caso de Collor, que cumpre prisão domiciliar, representa mais um revés para Lava-Jato, operação que dividiu profundamente o Supremo ao longo da última década.
O histórico de confrontos entre Bolsonaro e Moraes mostra como a decisão de Nunes Marques parece até uma provocação. O embate começou em 2020, quando o ministro do STF suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, sob argumento de desvio de finalidade e proximidade excessiva com a família Bolsonaro. A decisão foi vista pelo então presidente como interferência direta do Judiciário em seu governo.
A Biblioteca Central da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e os estúdios da Faculdade de Comunicação (Facom/UFJF) estão entre os cenários de gravações do documentário “12 Dias”, que reconstitui o sequestro da Rua das Margaridas, ocorrido em agosto de 1990 no bairro Novo Horizonte, em Juiz de Fora. O episódio do sequestro é considerado um dos mais longos da história de Minas Gerais e permanece vivo na memória da população de Juiz de Fora.
Juiz de Fora vai ganhar um documentário que revisita um dos episódios mais marcantes da sua história recente.
“O movimento tático da defesa de Jair Bolsonaro ao protocolar um pedido de revisão criminal em maio de 2026 visa, primordialmente, retirar o caso das mãos da Primeira Turma do STF (liderada por Alexandre de Moraes) e levá-lo para a Segunda Turma ou ao Plenário.Aqui estão os pontos-chave dessa "partida de xadrez" jurídica:O Próximo Lance (Relatoria): A chave do xadrez foi entregue ao ministro Kassio Nunes Marques, sorteado em 11 de maio de 2026 como relator da revisão criminal. Por ser um ministro indicado por Bolsonaro e integrante da Segunda Turma, sua atuação é vista pela defesa como um terreno mais favorável.A Estratégia do "Erro Judiciário": Os advogados alegam que a condenação a 27 anos e 3 meses foi baseada em erro, questionando a competência da Primeira Turma para julgar um ex-presidente e pedindo a anulação da delação de Mauro Cid.O Tempo e o "Carcereiro": Enquanto o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária por questões de saúde (desde março de 2026), o tempo corre em meio a movimentações políticas, como a promulgação da Lei da Dosimetria pelo Congresso, que poderia reduzir sua pena para 20 anos.O Risco do "W.O.": No contexto jurídico, um "W.O." (vitória por falta de comparência ou omissão) seria análogo a uma nulidade processual absoluta ou a um erro procedimental que invalidasse todo o julgamento anterior sem análise do mérito. Embora nebuloso, é o que a defesa busca ao apontar que o trânsito em julgado foi "prematuro".A decisão de Nunes Marques sobre admitir ou não as novas provas e o envio do caso para o revisor na Segunda Turma determinarão se o "encarcerado" conseguirá reverter o jogo.”
erça-feira, 12 de maio de 2026
Autonomia ou Dependência? Por André Lara Resende
Um Cético Esperançoso
As políticas de juros dos bancos centrais estão no cerne dos mercados financeiros. Movem preços de todos os ativos, provocam ganhos e perdas, transferem riqueza, estimulam ou desestimulam a economia. Não surpreende que estejam submetidas a todo tipo de pressões políticas.
Depois de dois anos de duras críticas à política de juros do Banco Central, Lula indicou Gabriel Galípolo para a sua diretoria em 2023. Houve quem achasse que poderia haver uma inflexão na política do BC. No entanto, nada mudou. Nas primeiras reuniões do comitê de política monetária, o Copom, a decisão foi sempre por manter ou até mesmo elevar os juros. Galípolo era apenas uma voz entre os nove diretores membros do comitê — nada poderia fazer para rever a política em curso, alegaram os que contavam com ele para reduzir os juros.
Alçado à presidência do BC no início de 2025, esperava-se que Galípolo tivesse autoridade para finalmente dar início a uma queda consistente até uma taxa compatível com as internacionais. Mais uma vez, não foi o que ocorreu. Ao contrário, com Galípolo na presidência, o BC continuou a elevar os juros. A taxa real de juros é da ordem de 10% ao ano, insustentável quando a economia cresce a menos de um terço disso. Lula, e também Haddad no Ministério da Fazenda, não deixaram de demonstrar discordância em relação aos juros excessivos, mas nunca fizeram críticas abertas a Galípolo na presidência do BC.
Nos Estados Unidos, Kevin Warsh, indicado por Trump, deve presidir o Fed a partir da segunda metade de maio. Paira sobre ele a dúvida de que mantenha independência de política monetária. Trump tem atacado de forma recorrente o Banco Central americano e seu atual presidente insistindo que os juros deveriam ser mais baixos. Duramente criticado e processado sob alegação de aprovar gastos excessivos na reforma da sede do Fed, Powell se manteve inflexível na defesa da autonomia para conduzir a política de juros. Numa quebra da tradição, Powell não pretende deixar a diretoria do Fed após ser substituído por Warsh na presidência. Insiste em continuar até que o processo contra ele seja concluído, pois seu mandato como diretor vai até janeiro de 2028.
Warsh tem sólida formação em economia e direito, foi dos mais jovens diretores do Fed na primeira década deste século, sob o comando de Ben Bernanke. Não lhe faltam credenciais. Também não pode ser acusado de ser “dovish” — condescendente com políticas excessivamente expansionistas —; ao contrário, sempre foi considerado “hawkish”, linha dura, na condução da política monetária. Na crise de 2008, quando o Fed inovou ao introduzir a expansão direta do crédito por meio do Quantitative Easing (QE), Warsh foi contra o seu prolongamento além da crise. Anos depois, já fora do Fed, criticou duramente a segunda rodada do QE durante a epidemia de Covid. O problema é que agora, apesar de negar ter recebido qualquer instrução para baixar os juros, Warsh, ao menos explicitamente, recusa-se a discordar do presidente. Não respondeu à pergunta da senadora Elizabeth Warren sobre se Trump havia realmente perdido a eleição de 2020. Saiu pela tangente e recusou-se a confirmar a efetiva derrota do ex-presidente.
Apesar disso, por razões semelhantes às de Galípolo, Warsh dificilmente promoverá uma guinada na política do BC americano. O mais provável, como sugere a relativa tranquilidade dos mercados, é que o Fed se mantenha fiel a uma condução técnica da política monetária. Aqui e lá, no Brasil e nos EUA, assim como em toda parte, parece haver um consenso de que não há alternativa. Por mais fortes que sejam as pressões, um banco central que se afaste dos preceitos técnicos estabelecidos corre o risco de provocar uma crise financeira e um surto inflacionário de consequências imprevisíveis.
Há um consenso institucional de que não existe alternativa para a condução da política de juros. Este consenso político, contudo, coexiste com uma profunda perplexidade sobre as bases conceituais da política monetária. A teoria estabelecida na segunda metade do século passado, segundo a qual uma restrição monetária elevava o juro, desestimulava a demanda, provocava recessão e desemprego, moderando a alta dos salários e dos preços, foi silenciosamente aposentada. Sem pretender retomar o tema — já o tratei de forma exaustiva em meus livros Juros, Moeda e Ortodoxia (2017) e Consenso e Contrassenso (2020), publicados pela Companhia das Letras —, me restrinjo a listar dois fatos incontroversos. Primeiro: os bancos centrais não controlam a moeda, mas sim a taxa básica de juros. Segundo: a relação inversa entre recessão, desemprego e inflação, expressa pela Curva de Phillips, desapareceu.
Sem o seu tradicional canal de transmissão — da redução da demanda para o desemprego e a capacidade ociosa, e destas para os preços —, a política monetária perdeu seu substrato conceitual. Ainda hoje, todo trabalho acadêmico parte de um modelo matemático com relação inversa entre capacidade utilizada e inflação para, depois de muita álgebra, chegar a uma equação simples que relaciona essencialmente a inflação às expectativas de inflação. O resumo da ópera é que, após extensa formulação matemática, a teoria dominante conclui que o que provoca inflação são as próprias expectativas de inflação.
Algumas perguntas básicas se impõem. De quem são essas expectativas e como são formadas? No Brasil, assume-se que sejam as do mercado financeiro, coletadas e divulgadas semanalmente pela Pesquisa Focus do Banco Central. Por que apenas as expectativas do mercado financeiro, se os preços que compõem o índice de inflação não são por ele fixados? Supostamente, o mercado, onisciente, reflete as expectativas da sociedade. Quanto ao processo de formação dessas expectativas, a teoria é vaga. Já foram retroativas, baseadas na inflação observada; depois passaram a ser prospectivas, racionais, baseadas no que prevê o próprio modelo conceitual. Após a refutação lógica e empírica das inúmeras hipóteses sobre o que determina o nível de preços, restou apenas a relativamente nova Teoria Fiscal do Nível de Preços, TFNP, uma complexa formulação matemática que associa a inflação à trajetória futura do déficit fiscal. Por depender de inúmeras variáveis inobserváveis, a TFNP não pode ser empiricamente refutada.
Chega-se assim ao resumo da base técnica da política monetária hoje: a inflação depende das expectativas do mercado financeiro, que por sua vez dependem do modelo conceitual, que postula, sem comprovação empírica possível, serem função da trajetória futura das contas públicas. Ainda assim, o protocolo para a condução da política de juros — baseado na heurística da Regra de Taylor — manda subir os juros sempre que sobem as expectativas de inflação do mercado financeiro. O fato de que a alta dos juros agrave a trajetória das contas públicas, o que segundo o próprio modelo deveria aumentar as expectativas de inflação, não parece incomodar os defensores da condução técnica. É apenas mais uma das inúmeras contradições da macroeconomia contemporânea. A conclusão é inescapável: não há nada de técnico, muito menos de científico, na base das políticas dos bancos centrais. Pelo contrário, na falta de embasamento lógico e empírico, adota-se um protocolo heurístico. Basta um pouco de reflexão para concluir que estamos muito mais para crenças dogmáticas do que para técnicas científicas.
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Voltemos a Galípolo. Quem o conhece não tem como acusá-lo de despreparo. Tem formação acadêmica de qualidade, conhece a fundo a teoria econômica e monetária neoclássica. Ao contrário de muitos outros indicados para a diretoria do Banco Central, tem experiência prática de mercados financeiros. Além da competência técnica, domina a crítica ilustrada à teoria econômica dominante e transita com familiaridade pela teoria do conhecimento. Sei que Galípolo compartilha da convicção de que a taxa de juros fixada pelo Banco Central é um grave equívoco. Só a força do consenso institucional em relação à inexistência de alternativa pode explicar a sua conversão à ortodoxia.
Segundo a teoria neoclássica, a taxa de juros não é determinada pelo BC, mas pela oferta de fundos emprestáveis, ou seja, pela poupança. Como a taxa de poupança no Brasil é baixa e o déficit público é alto, o resultado seria uma alta taxa de juros estrutural. Tenho feito críticas recorrentes a essa noção — disponíveis no meu Substack, em “Dívida Pública, Riqueza Privada” — e não pretendo repeti-las aqui.
Uma outra vertente teórica, com apelo tanto para a ortodoxia quanto para alguns de seus críticos, sustenta que a taxa de juros de uma economia periférica é determinada pelos fluxos de capitais financeiros. A taxa de equilíbrio seria função dos juros nos EUA — ainda hoje a economia da moeda de referência internacional — mais o prêmio de risco do país. O capital financeiro se deslocaria para “arbitrar” qualquer desvio em relação a essa taxa, composta pelos juros americanos, somados ao prêmio de risco e à expectativa de desvalorização cambial.
O tema tem longa tradição na literatura técnica sobre economias financeiramente integradas. A versão contemporânea pode ser resumida assim: o câmbio é importante determinante da inflação; logo, para controlar a inflação é preciso controlar o câmbio; e para controlar o câmbio é preciso abrir mão do controle dos juros. O BC ditaria efetivamente a taxa de juros, mas, para não perder o controle cambial e inflacionário, não poderia fugir da taxa determinada pelo fluxo de capitais de curto prazo. Anunciaria, portanto, apenas a taxa exigida pelo mercado. O Banco Central só teria autonomia para implementar o que exige o mercado. Não é o BC que pauta o mercado, mas o mercado quem pauta o Banco Central.
Este é o raciocínio que sou obrigado a ouvir e contestar de forma recorrente. A redução da taxa de juros provocaria fuga de capitais e forte desvalorização cambial. A inflação sairia de controle, as expectativas seriam “desancoradas”, o que reforçaria o surto inflacionário numa espiral incontrolável. Para recuperar a credibilidade, o BC seria forçado a reverter a redução e elevar a taxa a níveis ainda mais altos, sob risco de mergulhar o país no caos.
Não concordo, e explico por quê. É fato que o diferencial de juros é um importante fator na atração de capitais especulativos de curto prazo, que influenciam a taxa de câmbio. Ocorre que a taxa de juros brasileira é muito superior à necessária para equilibrar o câmbio num patamar competitivo. Um país com superávit comercial sustentado há mais de duas décadas, autossuficiente em energia, exportador de petróleo e com quase 20% do PIB em reservas internacionais não precisa de uma taxa de juros mais de três vezes superior às internacionais para evitar uma corrida cambial. A redução dos juros, se implementada não como ato de voluntarismo político, mas de forma inteligente e fundamentada, deixaria claro que todos têm a ganhar. Os capitais de curto prazo continuariam atraídos por um diferencial ainda muito positivo. Uma eventual desvalorização cambial inicial seria rapidamente revertida pela melhora das perspectivas de crescimento e do custo da dívida pública. Ninguém pode argumentar contra o fato de que a redução da taxa de juros estimularia o investimento, a produtividade e o crescimento — reduzindo ao mesmo tempo o numerador e aumentando o denominador da relação dívida/PIB, o principal indicador de risco de crédito do país.
Galípolo conhece os equívocos conceituais do consenso dominante. Jovem, com uma carreira profissional pela frente, fez uma opção em relação a suas alianças.Trata-se de um exemplo prático da analogia das ideias com as roupas, que tratei em “A Teimosa Persistência das Crenças”. Assim como as roupas, as ideias podem ter dupla função: a prática e a simbólica. Quando as circunstâncias não impõem sua função prática, adota-se a simbólica — aquela que nos identifica com um determinado grupo. Galípolo optou por privilegiar a função simbólica das crenças e estabelecer as alianças que lhe parecem mais convenientes. Assim fazemos quase todos e quase sempre, na maioria das vezes de forma inconsciente.
Existe sim alternativa para rever os juros absurdos impostos pelo Banco Central, mas é preciso quebrar a barreira ideológica que, sob pretensa fundamentação técnica, transformou a política de juros num poderoso canal de transferência de renda e riqueza. Enquanto isso não ocorrer, pouco importa que os bancos centrais sejam presididos por pessoas competentes como Galípolo e Kevin Warsh. Os dogmas institucionalizados garantem que o protocolo continuará a ser cumprido.
Entender o poder é o primeiro passo para não cair nas armadilhas dele. 🏛️⚖️
No dia a dia, é fácil confundir força com autoridade — e segredo com “estratégia”. Bobbio insistia num ponto simples: em democracia, o poder precisa ser visível, explicável e passível de contestação.
Do Banquete, das Crenças e do Governo Invisível das Coisas
À maneira de um convívio entre antigos e modernos
I. Do motivo deste banquete
Assim como outrora Dante Alighieri ofereceu, em seu Convivio, alimento aos que, privados do latim dos doutos, careciam do pão do entendimento, também aqui se propõe um banquete — não de iguarias sensíveis, mas de reflexões sobre o poder, o saber e a verdade.
Pois convém saber que nem todo alimento nutre igualmente, e que muitas vezes aquilo que se oferece como substância é apenas forma, e aquilo que se apresenta como verdade é já interpretação servida à mesa.
E, sendo assim, não é despropositado investigar quem cozinha, quem serve e quem consome — e sob quais regras invisíveis se organiza o convívio.
II. De como o saber se faz pão e se distribui com medida
Digo que o saber humano não chega aos homens em estado puro, mas sempre acompanhado de mediação, assim como o pão acompanha os pratos mais sólidos para torná-los assimiláveis.
E esta mediação não é inocente.
Pois quem traduz o saber:
escolhe suas palavras,
determina suas formas,
e, não raro, limita seu alcance.
Assim, o que se apresenta como universal pode ser, em verdade, particular — e o que se anuncia como necessário pode ser apenas costume reiterado.
Nisso concordaria Antonio Gramsci, ao sustentar que o domínio mais eficaz não é o que se impõe pela força, mas o que se infiltra no entendimento, fazendo com que os homens aceitem como natural aquilo que lhes foi ensinado a não questionar.
III. Do consenso que se faz natureza
Há entre os modernos uma arte refinada, pela qual certas opiniões deixam de parecer opiniões e passam a ser tomadas como evidências.
E isso ocorre não porque sejam demonstradas, mas porque são repetidas sob o nome de ciência, técnica ou prudência.
Neste ponto, muito instrutivo é o testemunho de André Lara Resende, o qual, com espírito simultaneamente cético e esperançoso, observa que a política dos juros — tida como fundamento técnico — repousa sobre bases frágeis, quando não contraditórias.
Pois se diz:
que a inflação depende de expectativas,
que as expectativas dependem de modelos,
e que os modelos não podem ser plenamente verificados.
Logo, o edifício ergue-se não sobre certeza, mas sobre aceitação.
E, ainda assim, permanece firme — não pela solidez de seus fundamentos, mas pela força do consenso que o sustenta.
IV. Do poder que se reorganiza sem se alterar
Não se deve, contudo, supor que tal ordem se mantenha imóvel.
Ao contrário, ela se move — mas move-se como o anagrama, que rearranja letras sem alterar o conjunto.
Assim se compreende o que descreve Fernando Gabeira, ao tratar de episódios em que a revelação prometida se converte em redistribuição calculada.
Pois não se desfaz o sistema:
apenas se reordenam suas partes,
redistribuem-se responsabilidades,
e se preserva o essencial sob nova aparência.
E, desse modo, aquilo que parecia ruptura revela-se continuidade sob outra forma.
V. Do teatro das instituições
Também não escapa à observação que o poder não atua apenas nos conteúdos, mas nas formas e nos gestos.
Como bem indica Luiz Carlos Azedo, há ocasiões em que convites, presenças e símbolos falam mais do que decisões explícitas.
E assim se constrói um teatro em que:
a aparência de normalidade encobre a tensão,
o gesto protocolar dissimula a intenção,
e o espetáculo sustenta a ordem.
Pois o poder, quando maduro, já não necessita afirmar-se — basta-lhe parecer natural.
VI. Das ideias como vestes
Convém ainda considerar uma observação sutil:
as ideias não servem apenas para compreender o mundo, mas também para situar os homens dentro dele.
Como as vestes:
têm função prática, mas também simbólica;
protegem, mas também identificam.
E assim ocorre que homens instruídos, conhecedores das fragilidades de certas doutrinas, ainda assim as adotam — não por ignorância, mas por pertencimento.
Este é o ponto mais delicado do convívio:
não se trata de erro, mas de adesão.
VII. Conclusão: do banquete que se fecha sobre si
Chegamos, portanto, a uma conclusão que não é leve.
O banquete do saber, do poder e da verdade:
não é livre,
não é neutro,
e não é plenamente acessível.
Ele se organiza segundo regras que:
distribuem o que pode ser dito,
delimitam o que pode ser pensado,
e orientam o que pode ser feito.
E, ainda assim, apresenta-se como aberto.
Se Dante Alighieri estivesse entre nós, talvez dissesse que muitos se alimentam sem saber de que se nutrem.
E Antonio Gramsci acrescentaria que o mais poderoso dos domínios é aquele que dispensa vigilância, porque já foi interiorizado.
Resta, então, ao conviva atento — cético, mas não desesperado — reconhecer que:
não é necessário destruir o banquete para compreendê-lo,
mas é indispensável perceber que os pratos, o pão e a ordem do serviço
nunca são inocentes.
Se quiser,
Juros, moeda e ortodoxia - Teorias monetárias e controvérsias políticas Capa comum – 26 junho 2017
Edição Português por André Lara Resende (Autor)
Neste conjunto de ensaios, André Lara Resende reflete sobre as origens e o desenvolvimento da teoria monetária e suas implicações no contexto brasileiro. Juros, inflação e política fiscal recebem do autor um enfoque inovador, ancorado nas melhores investigações da atualidade, que põem em questão algumas convicções estabelecidas. Da teoria à história, os ensaios discutem as políticas comumente receitadas para a inflação crônica, a recessão e o desemprego. Antes de buscar a polêmica fácil ou propor uma “nova heterodoxia”, este livro pretende estimular o debate ao abrir uma janela de oportunidade para a reflexão sobre políticas públicas da mais alta relevância.
Livro II — Da Moeda, dos Juros e das Crenças que Regem o Valor
No qual se trata da natureza da riqueza, do governo invisível dos preços e das razões pelas quais os homens obedecem ao que não compreendem inteiramente
I. Do lugar da moeda no convívio humano
Convém, antes de tudo, estabelecer que a moeda, embora pareça coisa simples — instrumento de troca e medida de valor —, é, na verdade, uma das mais sutis construções do engenho humano.
Pois ela não possui valor em si, mas o recebe:
da confiança dos homens,
da autoridade das instituições,
e do costume reiterado.
E assim, sendo fundada não na matéria, mas na crença, a moeda pertence mais ao domínio do entendimento do que ao das coisas sensíveis.
II. De como o preço do tempo se tornou soberano
Entre todos os preços que regem o convívio econômico, nenhum se mostra tão elevado quanto o preço do tempo — isto é, o juro.
Pois o juro:
decide o valor do presente em relação ao futuro,
regula o investimento e o consumo,
e distribui ganhos e perdas entre os homens.
E, no entanto, aquilo que tanto governa raramente é plenamente compreendido.
Diz-se que sua determinação é técnica, fruto de cálculos refinados e leis necessárias.
Mas, como observa André Lara Resende, essa aparência de rigor encobre incertezas profundas.
III. Da fragilidade dos fundamentos tidos por firmes
A doutrina corrente afirma que:
elevar juros reduz a demanda,
reduzindo a demanda, contêm-se os preços,
e, assim, se governa a inflação.
Mas tal cadeia, outrora aceita como evidente, já não se sustenta com a mesma firmeza.
Pois:
a relação entre desemprego e inflação se enfraqueceu,
os canais de transmissão tornaram-se obscuros,
e as próprias teorias foram ajustadas para acomodar suas falhas.
Chega-se, então, a uma formulação curiosa:
a inflação depende das expectativas
e as expectativas dependem daquilo que se acredita que ocorrerá
Assim, o edifício teórico repousa sobre si mesmo, como arco sustentado por sua própria curvatura.
IV. Das expectativas como governo invisível
Pergunta-se, com razão:
de quem são essas expectativas?
Responde-se: do mercado.
E quem é o mercado?
Um conjunto de agentes cuja visão se toma por representação do todo.
E assim se estabelece uma ordem em que:
poucos formam expectativas,
muitos se submetem a elas,
e todos são afetados por suas consequências.
Aqui se revela, mais uma vez, o ensinamento de Antonio Gramsci:
👉 o poder mais eficaz não impõe — orienta
👉 não ordena — induz
👉 não se mostra — naturaliza-se
O que se chama “expectativa” pode, portanto, ser também hegemonia em estado numérico.
V. Da autonomia que se converte em dependência
Afirma-se que os bancos centrais são autônomos.
E, de fato, o são em relação aos governos eleitos.
Mas não o são necessariamente em relação ao sistema de crenças que os orienta.
Pois, como argumenta André Lara Resende:
a política de juros segue protocolos,
os protocolos seguem modelos,
e os modelos seguem pressupostos não demonstráveis.
Logo, a autonomia formal pode coexistir com dependência substancial.
Não se obedece a um governante visível,
mas a uma ordem conceitual invisível.
VI. Do capital errante e da disciplina dos fluxos
Há ainda aqueles que sustentam que os juros não podem divergir dos padrões internacionais, sob pena de fuga de capitais e desordem cambial.
E assim se constrói um argumento de necessidade:
os fluxos financeiros exigem conformidade,
a conformidade exige juros elevados,
e os juros elevados se tornam inevitáveis.
Mas tal necessidade pode ser menos absoluta do que se afirma.
Pois, como observa o mesmo autor:
países com fundamentos sólidos não precisam submeter-se integralmente a tais pressões,
e a crença na inevitabilidade pode ser maior que a própria limitação.
Aqui o anagrama retorna:
não se altera o sistema —
apenas se reorganiza a justificativa.
VII. Do juro como instrumento de redistribuição
Convém não esquecer que o juro não apenas regula a economia — ele também redistribui riqueza.
E o faz de modo silencioso:
transferindo renda de devedores para credores,
elevando o custo da dívida pública,
e condicionando o crescimento.
Assim, o que se apresenta como técnica revela-se também política.
Mas, por ser mediado por linguagem especializada e fórmulas abstratas, escapa ao escrutínio comum.
E, desse modo, permanece no banquete como prato servido aos poucos — mas de grande efeito.
VIII. Das crenças que vestem a razão
Retomemos, por fim, a analogia das ideias como vestes.
Quando a função prática enfraquece, prevalece a simbólica:
adota-se a doutrina que identifica,
preserva-se o discurso que integra,
e evita-se a ruptura que exclui.
Assim se compreende por que:
mesmo conhecendo as fragilidades do sistema,
muitos de seus guardiões permanecem fiéis a ele.
Não por erro, mas por posição.
IX. Conclusão: do círculo que se fecha
Diante do exposto, pode-se dizer que a ordem monetária contemporânea se assemelha a um círculo:
as teorias sustentam as expectativas,
as expectativas sustentam as políticas,
e as políticas reforçam as teorias.
E, assim, o sistema se mantém — não por prova definitiva, mas por coerência interna.
Se Dante Alighieri estivesse à mesa, talvez dissesse que este é um banquete em que o pão da explicação se tornou mais relevante que o alimento que deveria sustentar.
E o conviva prudente, inspirado pelo ceticismo esperançoso de André Lara Resende, reconheceria que:
não é suficiente aceitar o prato servido,
nem basta recusar o alimento,
mas é necessário compreender a cozinha —
suas regras, seus limites e suas crenças.
Só então será possível saber se o que se chama de necessidade
é, de fato, inevitável —
ou apenas mais um arranjo entre muitos possíveis.
Se quiser,
S09E40: Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária, de Nelson Rodrigues
Livrada!
Resenha de uma das peças de teatro, com todo tipo de maluquice, que saia da cabeça do Nelson Rodrigues.
Mônica Salmaso | O velho Francisco | Show "Noites de Gala, Samba na Rua" ao vivo
Biscoito Fino
3 de ago. de 2015 #BiscoitoFino #MonicaSalmaso #NoitesDeGalaSambaNaRua
Vídeo oficial da faixa "O velho Francisco" parte do show "Noites de Gala, Samba na Rua" de Mônica Salmaso.
O velho Francisco
Monica Salmaso
Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou
Fui eu mesmo alforriado
Pela mão do Imperador
Tive terra, arado
Cavalo e brida
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor
Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou
Li jornal, bula e prefácio
Que aprendi sem professor
Freqüentei palácio
Sem fazer feio
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor
Eu gerei dezoito filhas
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas
Da Caraíba
Vida veio e me levou
Fechei negócio da China
Desbravei o interior
Possuí mina
De prata, jazida
Vida veio e me levou
Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Hoje não deram almoço, né?
Acho que o moço até
Nem me lavou
Acho que fui deputado
Acho que tudo acabou
Quase que
Já não me lembro de nada
Vida veio e me levou
Composição: Chico Buarque.
O VELHO FRANCISCO
Intérprete: Mônica Salmaso
Autoria: Chico Buarque
DVD, ao vivo, gravado em março de 2008 no teatro Fecap em São Paulo, registra o show homônimo, que já passou pelas principais capitais do país. Ao lado do quinteto Pau Brasil, formado por Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violão e cavaquinho), Teco Cardoso (sax e flautas), Ricardo Mosca (bateria) e Rodolfo Stroeter (baixo), Mônica Salmaso contempla diversas fases do autor Chico Buarque.
Compre o DVD em https://www.biscoitofino.com.br/dvd/d...
#BiscoitoFino #MonicaSalmaso #NoitesDeGalaSambaNaRua
Chico Buarque - "O velho Francisco" (Clipe Oficial)
Biscoito Fino
4 de nov. de 2011
Cinco anos após sua ultima turnê, Chico Buarque ensaia para o show de lançamento do seu novo Cd "Chico"
Música "O velho francisco "
segunda-feira, 11 de maio de 2026
PARA ISTO
PARA ESTE FIM
"A política é teatro, e Trump e Lula sabem atuar."
domingo, 10 de maio de 2026
Lula e Trump dominam teatro político, por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
Uma semana antes de visitar Xi Jinping em Pequim, Donald Trump se reuniu com Lula. Embora fosse um pedido antigo do Brasil, a reunião foi marcada às pressas. Não havia agenda preparada com antecedência pelos diplomatas dos dois lados. A substância dos assuntos não era importante. Para Trump e Lula, a reunião bastava.
Por isso ela foi um sucesso: as muitas divergências não foram endereçadas. Cada um disse o que quis, sem contestação. Os assuntos foram lançados, sem um objetivo que não a simples ocorrência de uma conversa longa e amistosa.
O quase monopólio da China sobre minerais críticos fragiliza os EUA. A guerra contra o Irã agravou a situação. O Pentágono informou em sessões sigilosas com integrantes das Comissões de Defesa da Câmara e do Senado que consumiu metade dos seus mísseis mais sofisticados – Tomahawk, Atacms, Thaad e Patriot.
A principal hipótese de emprego dessas armas é contra a China, diante de eventual anexação de Taiwan e das disputas na região Ásia-Pacífico. Agora, para repor os estoques, os EUA precisam de minerais críticos. É aí que entra a reunião com Lula.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 17%, embora esse mapeamento esteja incompleto e a fatia possa ser maior. A China encabeça o ranking, com cerca de 40%. Trump quis demonstrar que o Brasil não está sob a órbita chinesa.
MARCO REGULATÓRIO. A empresa americana USA Rare Earth comprou por US$ 2,8 bilhões uma mina em Minaçu, Goiás, a única fora da China com matérias-primas para a produção de ímãs permanentes.
Na véspera da cúpula, a Câmara aprovou o marco regulatório para os minerais críticos, para dar segurança jurídica a investimentos. Lula disse a Trump que o Senado também o aprovaria naquela mesma noite, o que não ocorreu, mas revela o entusiasmo dele por esse fator de magnetismo do Brasil em face aos EUA.
Quando lhe perguntaram como foi a reunião, Trump respondeu que tinha sido boa, que Lula é um “bom homem”, um “cara inteligente”, que os EUA querem mais comércio com o Brasil, e que os brasileiros pediram “alívio nas tarifas”.
Essas frases, combinadas com o post no Truth Social em seguida ao encontro, revelam a boa vontade de Trump, que aceitou criar um grupo de trabalho com prazo de 30 dias para discutir o tarifaço americano. Nada disso garante que ele vá desistir de impor novas tarifas.
Lula, por sua vez, tinha o interesse de se projetar como estadista e provar capacidade de lidar com Trump, apesar das intrigas da oposição. O timing para ele era importante também, depois de duas derrotas sucessivas no Congresso.
Política é teatro, e Trump e Lula sabem atuar.
Análise: Trump destaca conversas com Lula sobre tarifaço
Lourival Sant'Anna avalia que encontro entre os dois líderes rendeu prazo extra ao Brasil para apresentar defesa em investigação comercial americana
Da CNN Brasil
07/05/26 às 21:24 | Atualizado 07/05/26 às 21:24
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Em post em suas redes sociais, Donald Trump destacou os temas econômicos discutidos em seu encontro com Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o analista de Internacional Lourival Sant'Anna, a reunião entre os dois líderes representou um dos momentos mais importantes para o Brasil no âmbito das relações comerciais com os Estados Unidos.
Na avaliação de Lourival, a conversa não deve alterar a substância da investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas, mas pode impactar o prazo do processo. "Na substância, em princípio, não, mas no prazo, provavelmente, sim", afirmou o analista durante o CNN Prime Time desta quinta-feira (7).
Segundo Sant'Anna, Lula teria obtido de Trump um prazo adicional de 30 dias para que o Brasil possa apresentar sua defesa ou reiterar argumentos já expostos anteriormente. Esse entendimento estaria subentendido também em publicação feita pelo próprio Trump sobre o encontro.
Lula: “Trump repete muitas vezes que ama o Brasil”
Lula deixa Washington após reunião com Donald Trump
Quero que os EUA voltem a ver no Brasil um parceiro importante, diz Lula
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A investigação americana teve início em julho do ano passado e tem previsão de encerramento em julho deste ano, completando 12 meses. Com o prazo extra, o Brasil ganha tempo para ponderar e continuar negociando, o que, na avaliação do analista, demonstra boa vontade por parte de Trump.
Sant'Anna destacou ainda a composição da delegação americana presente na reunião. "Essa equipe do presidente Trump que estava ali era uma equipe toda econômica e toda técnica.", observou.
A ausência de Marco Rubio, que representa o Departamento de Estado e é descrito por Sant'Anna como o elemento mais ideológico e mais contrário ao governo Lula, foi considerada favorável ao Brasil. Rubio estava no Vaticano, em encontro com o papa Leão XIV. "Isso foi muito bom para o presidente Lula, porque o Marco Rubio poderia ter trazido questões mais inconvenientes e complicadas", ressaltou o analista.
No lugar de Rubio, esteve presente Jameson Greer, representante do comércio dos Estados Unidos, que trouxe à mesa as questões ligadas ao protecionismo americano. Entre os temas considerados "irritantes" na relação entre os dois países, Sant'Anna citou o PIX, as patentes, as tarifas e a proteção ao etanol, sobretudo o produzido no Nordeste brasileiro.
"Lula conseguiu essa concessão [de prazo] que foi um dos pontos altos dessa reunião, uma das coisas mais importantes para o Brasil", avaliou Sant'Anna.
CNN Brasil
Disseram Que Eu Voltei Americanizada
Carmen Miranda
Me disseram que eu voltei americanizada
Com o burro do dinheiro, que estou muito rica
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
Disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí que eu sei certo zum zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandans já nem existe mais nenhum
Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno?
E eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you
Enquanto houver Brasil na hora das comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu
Me disseram que eu voltei americanizada
Com o burro do dinheiro, que estou muito rica
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
Me disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí que eu sei certo zum zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandans já nem existe mais nenhum
Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you
Enquanto houver Brasil na hora das comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu
Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you
Enquanto houver Brasil na hora das comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu
Composição: Vicente Paiva, Luís Peixoto.
Falando direito | 4° episódio - Significado e pronúncia de AD HOC.
Aglene Sotero
Dizem que a língua é viva. Eu desconfio que, às vezes, ela também gosta de pregar peças — especialmente quando encontra um “coleguinha” animado e um latinismo pela frente.
A cena foi simples, quase inocente: alguém solta um elegante “ad hoc” no meio da conversa. Era para soar clássico, daqueles que vêm direto das arcadas romanas, com toga e tudo — afinal, “ad hoc” significa justamente isso: para isso, para esse fim. Mas o coleguinha, talvez inspirado por séries, filmes ou por um suposto intercâmbio imaginário na Casa Branca, resolveu temperar a expressão. Saiu algo como “ád róqui”, com direito a sotaque importado e confiança de quem acabou de voltar de um café com Donald Trump.
Foi nesse momento que, em algum plano etéreo da cultura brasileira, Carmen Miranda ergueu uma sobrancelha.
Porque, veja bem, a história se repete — só muda o idioma. Lá atrás, disseram que ela tinha voltado “americanizada”. Que já não tinha o molho, o ritmo, o balanço. Ela, com seu turbante e sua ironia afiada, respondeu sambando, com a graça de quem não precisa provar nada a ninguém. Seguiu firme, entre o pandeiro, a cuíca e o camarão com chuchu, reafirmando sua identidade sem pedir licença.
Hoje, o nosso coleguinha faz algo parecido — só que ao contrário. Não foi para fora, mas parece ter voltado. Não trocou o samba pelo jazz, mas trocou o latim pelo inglês… sem precisar.
O pobre “ad hoc”, que em sua origem pede apenas um sopro discreto — o “h” mudo, o som correndo junto, quase tímido — virou espetáculo. Um “ád róqui” cheio de efeitos especiais, como se cada sílaba tivesse passado pela alfândega linguística e voltado com selo internacional.
E o mais curioso: ninguém pediu.
Talvez seja esse o grande drama contemporâneo: não basta falar, é preciso performar. Não basta saber, é preciso parecer que sabe… de preferência com sotaque. O latim, coitado, que já é uma língua aposentada, ainda precisa aguentar esse tipo de reencarnação improvisada — às vezes mais caricata do que erudita.
É aí que entra o contraponto necessário — quase um antídoto ad hoc — oferecido por quem se dedica a explicar, com clareza e leveza, o sentido real das palavras. No episódio “Falando direito”, a professora Aglene Sotero resgata o que parecia perdido: o significado correto, a pronúncia adequada, o respeito à origem. Sem afetação, sem espetáculo — apenas compreensão.
🎥 Vídeo de referência (significado e pronúncia de “ad hoc”):
Falando direito | 4° episódio - Significado e pronúncia de AD HOC
E então, no teatro imaginário desta crônica, forma-se um encontro improvável: de um lado, Carmen, abanando seu leque e dizendo “eu sou do samba”; do outro, o coleguinha, ajustando o colarinho invisível e insistindo no “ád róqui”. Ao fundo, quase como narradora silenciosa, Aglene organiza o palco, devolvendo às palavras o seu lugar.
Carmen sorri — aquele sorriso enviesado que já atravessou oceanos e críticas — e talvez diga:
“Meu bem, se é pra inventar moda… pelo menos faça com ritmo.”
Porque, seja no português, no latim ou no inglês, há uma regra que ninguém consegue americanizar: a elegância está menos no som e mais no sentido.
E, convenhamos, não há nada mais “ad hoc” — para isso, para esse fim — do que usar a palavra certa… do jeito certo.
Créditos: Esta crônica dialoga com o conteúdo didático apresentado por Aglene Sotero, responsável pelo vídeo indicado, que aborda o significado e a pronúncia correta da expressão latina “ad hoc”.
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