domingo, 2 de agosto de 2026

No campo físico

NA TERRA

OS MORTOS VÊEM O MUNDO PELOS OLHOS DOS VIVOS
EVENTUALMENTE OUVEM COM NOSSOS OUVIDOS
CERTAS SINFONIAS ALGUM BATER DE PORTAS
VENTANIAS AUSENTES DE CORPO E ALMA
MISTURAM O SEU AO NOSSO RISO
SE DE FATO QUANDO VIVOS ACHARAM A MESMA GRAÇA.

Este texto é o poema "Os Mortos", escrito pelo célebre poeta brasileiro Ferreira Gullar e publicado no livro Muitas Vozes (1999). A obra reflete sobre a continuidade da existência daqueles que se foram por meio da percepção, da memória e das sensações dos que continuam vivos.

Sobre o Poema

Autor: Ferreira Gullar, um dos maiores nomes da literatura e da poesia do Brasil.
Livro: Muitas Vozes, lançado em 1999.
Tema Principal: A relação entre os vivos e os mortos, sugerindo que quem partiu "vive" e experimenta o mundo outra vez através dos sentidos, das lembranças e dos atos de quem ficou.

O significado profundo

Análise de "Os Mortos", de Ferreira Gullar

Este poema oferece uma reflexão profunda e intimista sobre a morte, distanciando-se de visões puramente religiosas ou místicas. Gullar aborda a imortalidade sob uma perspectiva existencial e afetiva: a sobrevivência dos que partiram na memória e nos corpos dos que continuam vivos.

1. A Extensão dos Sentidos
O poema sugere que os mortos não desaparecem no vazio absoluto. Eles ganham uma sobrevida por meio de nós. Nossos olhos e ouvidos tornam-se extensões dos deles.

2. O Cotidiano e o Acidental
A conexão com o passado acontece também no dia a dia, tanto no sublime quanto no banal.

3. A Comunhão pelo Riso
Os mortos misturam seu riso ao nosso quando compartilhamos afinidades reais e experiências comuns.

Conclusão: Para Gullar, os mortos continuam existindo enquanto houver quem compartilhe seus sentimentos e lembranças.

Música | Martinho da Vila e Dona Ivone Lara - Alguém me avisou - Tiê

Mateus 5:3-12 (NVI)

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus...”

“Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier

“Na Terra, Deus nos concede o corpo...
Cada criatura apresentará o relatório dos próprios dias...
Plantio e colheita são sempre de nossa escolha...
Todos os êxitos e problemas pertencem a nós.”

André Luiz — “Vida em Vida” (1980)
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

No campo físico


“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.”


Ninguém menospreze a expressão animal da vida humana...
A semente enfrenta a terra, mas floresce.
Assim também o espírito evolui.
Quem semeia o bem, colherá a luz.

Fonte: autoresespiritasclassicos.com


Gramática: Semeias x Semeies

Semeias: presente do indicativo (ação real).
Semeies: presente do subjuntivo (desejo ou hipótese).

Resumo:
Use semeias para fatos certos.
Use semeies para desejos ou dúvidas.

Análise Sintática

Frase 1: “pois deles é o reino dos céus”
Sujeito: o reino dos céus
Predicativo: deles

Frase 2: “pois é deles o reino dos céus”
Ênfase no termo “deles”, destacando exclusividade.

Diferença:
"deles é" → tom clássico e suave
"é deles" → tom enfático e exclusivo

NA TERRA
OS MORTOS VÊEM O MUNDO PELOS OLHOS DOS VIVOS EVENTUALMENTE OUVEM COM NOSSOS OUVIDOS CERTAS SINFONIAS ALGUM BATER DE PORTAS VENTANIAS AUSENTES DE CORPO E ALMA MISTURAM O SEU AO NOSSO RISO SE DE FATO QUANDO VIVOS ACHARAM A MESMA GRAÇA. Este texto é o poema "Os Mortos", escrito pelo célebre poeta brasileiro Ferreira Gullar e publicado no livro Muitas Vozes (1999). A obra reflete sobre a continuidade da existência daqueles que se foram por meio da percepção, da memória e das sensações dos que continuam vivos. Sobre o Poema Autor: Ferreira Gullar, um dos maiores nomes da literatura e da poesia do Brasil. Livro: Muitas Vozes, lançado em 1999. Tema Principal: A relação entre os vivos e os mortos, sugerindo que quem partiu "vive" e experimenta o mundo outra vez através dos sentidos, das lembranças e dos atos de quem ficou. O significado profundo Rascunho Análise de "Os Mortos", de Ferreira Gullar Este poema oferece uma reflexão profunda e intimista sobre a morte, distanciando-se de visões puramente religiosas ou místicas. Gullar aborda a imortalidade sob uma perspectiva existencial e afetiva: a sobrevivência dos que partiram na memória e nos corpos dos que continuam vivos. 1. A Extensão dos Sentidos ("vêem o mundo pelos olhos dos vivos") O poema sugere que os mortos não desaparecem no vazio absoluto. Eles ganham uma sobrevida biológica e sensorial por meio de nós. Quando olhamos para o mundo, quando ouvimos uma melodia ou o vento, carregamos conosco a bagagem, o aprendizado e a própria linhagem dos que nos antecederam. Nossos olhos e ouvidos tornam-se extensões dos deles.2. O Cotidiano e o Acidental ("certas sinfonias algum bater de portas")A conexão com o passado não acontece apenas em momentos solenes. Ela se manifesta no dia a dia. Gullar une o sublime (as "sinfonias") ao banal (o "bater de portas" ou as "ventanias"). Isso mostra que a memória é involuntária e desperta nos detalhes mais simples e espontâneos da rotina.3. A Comunhão pelo Riso ("misturam o seu ao nosso riso")O ápice do poema reside na cumplicidade do afeto. Os mortos "misturam o seu ao nosso riso", mas com uma condição fundamental: "se de fato quando vivos acharam a mesma graça".Essa ressalva aponta que a verdadeira imortalidade depende da afinidade real e das experiências compartilhadas. Nós só mantemos viva a essência de alguém se compreendemos e dividimos com essa pessoa a mesma visão de mundo, o mesmo humor e a mesma sensibilidade estética ou afetiva.ConclusãoEm resumo, para Ferreira Gullar, os mortos não habitam um além-túmulo distante, mas sim a nossa própria experiência de estar vivo. Eles continuam existindo enquanto houver alguém que compartilhe dos mesmos sentimentos, sensações e lembranças que outrora os definiram. Música | Martinho da Vila e Dona Ivone Lara - Alguém me avisou - Tiê
Mateus 5:3-12 NVI Compartilhar NTLH ARA NVI NVT ARC “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o reino dos céus”. ― Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vocês. Alegrem‑se e regozijem‑se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês. “Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier - Mensagens nº 224 Um Plano Maior 3 de out. de 2022 #ChicoXavier #Espiritismo #Mensagens “Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier - Mensagens nº 224 “Na Terra, Deus nos concede o corpo, através de pais amigos. Cada um de nós se lhe faz inquilino temporário em regime de responsabilidade. Deus nos proporciona a riqueza das horas pela contabilidade do tempo. Cada criatura, em momento oportuno, apresentará o relatório dos próprios dias. Deus nos oferta os laços afetivos pelos princípios da afinidade. Podemos valorizá-los ou não, conforme o nosso próprio arbítrio. Deus nos concede a propriedade, por intermédio das leis organizadas pelos próprios homens. Daremos conta do usufruto respectivo. Deus nos oferece as sementes pelos recursos da Natureza. Plantio e colheita são sempre de nossa escolha. Deus nos confia o dinheiro, através do trabalho ou da generosidade alheia. Somos responsáveis pela aplicação da finança que nos seja creditada. Deus nos habilita para a eficiência com máquinas diversas, por meio da própria inteligência humana. Compete a nós outros a programação e a condução delas. Em suma, toda criação e doação das vantagens de que dispomos procedem de Deus. Entretanto, é justo reconhecer que todos os êxitos e problemas da utilização pertencem a nós.“ André Luiz Da obra: "Vida em Vida" (1980) Psicografado por Francisco Cândido Xavier Locução: Prado. 171 No campo físico _____________________________ “Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.” - Paulo. (I Coríntios, 15:44.) ______________________________ Ninguém menospreze a expressão animal da vida humana, a pretexto de preservar-se na santidade. A imersão da mente nos fluidos terrestres é uma oportunidade de sublimação que o espírito operoso e desperto transforma em estruturação de valores eternos. A sementeira comum é símbolo perfeito. O gérmen lançado à cova escura sofre a ação dos detritos da terra, afronta a lama, o frio, a resistência do chão, mas em breve se converte em verdura e utilidade na folhagem, em perfume e cor nas flores e em alimento e riqueza nos frutos. Compreendamos, pois, que a semente não estacionou. Rompeu todos os obstáculos e, sobretudo, obedeceu à influência da luz que a orientava para cima, na direção do Sol. A cova do corpo é também preciosa para a lavoura espiritual, quando nos submetemos à lei que nos induz para o Alto. Toda criatura provisoriamente algemada à matéria pode aproveitar o tempo na criação de espiritualidade divina. O apóstolo, todavia, é muito claro quando emprega o termo “semeia-se”. Quem nada planta, quem não trabalha na elevação da própria vida, coagula a atividade mental e rola no tempo à maneira do seixo que avança quase inalterável, a golpes inesperados da natureza. Quem cultiva espinhos, naturalmente alcançará espinheiros. Mas, o coração prevenido que semeia o bem e a luz, no solo de si mesmo, espere, feliz, a colheita da glória espiritual. www.autoresespiritasclassicos.com Francisco Cândido Xavier Vinha de Luz 3o livro da Coleção “Fonte Viva” (Interpretação dos Textos Evangélicos) Ditado pelo Espírito Emmanuel SEMEIAS / SEMEIESSemeias e semeies são duas formas corretas do verbo semear, mas pertencem a tempos e modos verbais diferentes.Diferença entre Semeias e SemeiesSemeias: é o presente do indicativo para a segunda pessoa do singular (tu). Indica uma ação real, um hábito ou fato do presente (Exemplo: "Tu semeias o trigo no campo").Semeies: é o presente do subjuntivo para a segunda pessoa do singular (tu). Indica uma dúvida, uma hipótese, um desejo ou aparece em frases negativas (Exemplo: "Quero que tu semeies o bem", "Não semeies a discórdia").Resumo práticoUse semeias para fatos certos (tu semeias).Use semeies para desejos, dúvidas ou ordens negativas (que tu semeies / não semeies).Se precisar de exemplos com outros verbos ou tempos verbais, basta me avisar!6 sitesConjugação do Verbo SemearImperativo Afirmativo. -- semeia tu semeie você semeemos nós semeai vós semeiem vocês. Imperativo Negativo. -- não semeies tu não ...Conjugação de Verbossemear (verbo) - - Portal da Língua Portuguesasemear - verbo ; Presente, Pretérito imperfeito, Pretérito perfeito, Pretérito mais-que-perfeito, Futuro imperfeito, Futuro perfei...Portal da Língua PortuguesaConjugação de semear no Dicionário Infopédia de Verbos ...semear locução. definição seta definição. favoritos. TEMPOS SIMPLES. INDICATIVO. Presente ; semear locução. definição seta definiç...Dicionários infopédia da Porto EditoraMostrar tudo"“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus." / "“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois é DELES o reino dos céus.As duas frases estão gramaticalmente corretas, mas mudam a ênfase da mensagem.A escolha depende do destaque que você deseja dar à palavra "deles".Diferença de Ênfase"...pois deles é o reino...": Segue o ritmo tradicional e poético das traduções bíblicas mais conhecidas (como a Almeida Revista e Corrigida). O foco é dividido igualmente entre o grupo e a promessa do reino."...pois é DELES o reino...": Usa a expressão de realce ("é... que/o"). Isso cria uma exclusividade, destacando fortemente que o reino pertence a esse grupo específico (os pobres em espírito) e a mais ninguém.Qual escolher?Escolha a primeira se você busca uma leitura mais clássica, litúrgica e fluida.Escolha a segunda se você vai pregar, expor ou explicar o texto e quer chocar o ouvinte com a exclusividade da promessa.Se quiser, posso ajudar você a analisar o significado do termo "pobre em espírito" ou comparar com outras traduções conhecidas. O que prefere?A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas FAZER A ANÁLISE SINTÁTICA DAS DUAS FRASES SEPARADAMENTE. COTEJAR AS MUDANÇAS DE SENTIDO HAVIDO, EVENTUALMENTE QUANO 'É' VEM ANTES OU DEPOIS DE 'DELES'Aqui está a análise sintática detalhada de cada estrutura e o confronto gramatical das mudanças de sentido.Ambas as frases são orações compostas. A primeira parte ("Bem-aventurados os pobres em espírito") é idêntica em ambas. Vamos focar a análise na oração subordinada explicativa (introduzida por "pois"), onde ocorre a inversão.1. Análise da Frase 1: "...pois deles é o reino dos céus."Esta frase está em ordem inversa (indireta). Colocando-a na ordem direta, teríamos: "pois o reino dos céus é deles".Sujeito: "O reino dos céus" (Simples).Verbo de Ligação: "é" (Indica estado/posse permanente).Predicado Nominal: "deles é" (O núcleo do predicado é o predicativo).Predicativo do Sujeito: "deles" (Atributo em forma de pronome possessivo oblíquo que caracteriza o sujeito "o reino").Conjunção Coordenativa Explicativa: "pois" (Liga as duas orações).2. Análise da Frase 2: "...pois é DELES o reino dos céus."Aqui ocorre um fenômeno sintático diferente devido à introdução do "é" antes do pronome. Existem duas leituras sintáticas aceitas pelos gramáticos para essa estrutura:Análise A: Expressão Expletiva ou de Realce (Mais provável)O termo "é" funciona como parte de uma locução de realce implícita ("é... que")."é": Partícula expletiva (pode ser retirada sem destruir a estrutura: "pois deles o reino dos céus").Sujeito: "o reino dos céus".Predicativo do Sujeito: "deles".Nota: O verbo de ligação principal ficou oculto ou omitido pela força da expressão de realce.Análise B: Inversão com Ênfase no PredicativoVerbo de Ligação: "é" (Deslocado para o início da afirmação).Predicativo do Sujeito Anteposto: "deles".Sujeito: "o reino dos céus".3. Cotejo das Mudanças de Sentido (O "É" antes vs. depois)A mudança da posição do verbo "é" em relação ao pronome "deles" altera profundamente a semântica (sentido) e a estilística do texto:Critério"deles é" (Verbo depois)"é deles" (Verbo antes)Foco da OraçãoFoca no reino como uma consequência natural.Foca nos possuidores (eles) de forma categórica.Valor SemânticoInclusivo/Narrativo: Descreve uma realidade que bíblicamente se estende aos humildes.Exclusivo/Restritivo: Sugere forte exclusão ("é deles [e de mais ninguém]").Efeito PsicológicoTransmite paz, acolhimento e conformidade litúrgica.Transmite choque, forte afirmação e quebra de expectativa.Estilo TextualPoético, clássico e com ritmo cadenciado.Enfático, discursivo, típico de oratória ou debate.Resumo do impacto da inversão:Quando o "é" vem depois (deles é), o verbo serve apenas como uma ponte lógica e suave entre o dono e a posse.Quando o "é" vem antes (é deles), o verbo ganha força de asseveração (afirmação categórica). Ele funciona como um "apontador laser" que isola a palavra "deles", gerando o sentido de exclusividade e o realce estilístico.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Aldrabão de plantão

UMA OBRA POR VEZ - PIERRE AUGUSTE RENOIR Roberto Carlos negro gato 1966 original
“ Quem com patacoada fere, com patacoada será ferido!" O texto discute como a Guerra do Paraguai continua sendo um tema sensível para a diplomacia brasileira, frequentemente evitado por reabrir feridas históricas. Destaca a devastação sofrida pelo Paraguai — com enorme perda populacional — e a violência do conflito, incluindo a morte de Solano López e a destruição final de seu país. O artigo também aborda controvérsias históricas (como o suposto papel da Inglaterra, considerado sem provas) e o caráter brutal da guerra, simbolizado pela apropriação de objetos e pela profanação do corpo de López. No presente, o tema ainda gera tensões: declarações recentes de Lula sobre o conflito provocaram reação do Paraguai, evidenciando divergências de interpretação histórica. Esse atrito ocorre em meio a negociações estratégicas sobre Itaipu, energia e influência internacional, mostrando como o passado continua impactando as relações políticas e diplomáticas atuais.
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da nosssa diplomacia Publicado em 31/07/2026 - 07:05 Luiz Carlos Azedo Brasília, Eleições, EUA, Geografia, Governo, Guerra, Inglaterra, Itamaraty, Literatura, Memória, Militares, Paraguai, Partidos, Política, Política, Segurança, Trump O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, Xadrez, Truco e Outras Guerras, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau. A guerra começou em 1864, com a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda e a invasão da então província de Mato Grosso pelas forças paraguaias, e terminou em 1870. O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. Não há provas de que a Inglaterra teria provocado a guerra para destruir um Paraguai industrializado e autônomo. A memória do conflito permanece tão sensível que boa parte da documentação histórica é cercada por controvérsias sobre seu sigilo. Em 2004, o governo paraguaio chegou a pedir oficialmente acesso a arquivos brasileiros sobre a guerra e da posterior demarcação das fronteiras. Para o Itamaraty, mexer nesse passado sempre significa reabrir feridas que a integração bilateral procura cicatrizar. Solano López morreu em Cerro Corá, ou Aquidabanigui, em 1º de março de 1870, na última batalha da guerra. Depois da derrota paraguaia em Campo Grande, em agosto de 1869, o que restava de seu exército havia sido reduzido a algumas centenas de combatentes, entre velhos, adolescentes e crianças, famintos, malvestidos e precariamente armados. Em 26 de fevereiro de 1870, o general José Antônio Correia da Câmara avançou contra o acampamento de López à frente de mais de 2 mil homens. Francisco, o Panchito, filho de López, com apenas 15 anos, morreu durante a resistência. Foi uma operação rápida e brutal, de cerco e aniquilamento. Leia também: As descobertas que contradizem o que a escola ensinou sobre a Guerra do Paraguai López tentou escapar acompanhado de poucos oficiais, mas foi alcançado por soldados brasileiros. A narrativa oficial sustenta que recusou a rendição e morreu em combate; outra hipótese é que tenha sido executado quando já estava gravemente ferido. O cabo José Francisco Lacerda, o Chico Diabo, atingiu-o com uma lança. Depois, houve um disparo de autoria controversa. Seu cadáver foi mutilado e seus objetos pessoais transformados em troféus. A espada de López foi enviada ao imperador Dom Pedro II. Sua condecoração ficou com o então visconde do Rio Branco; o general Câmara, com seu relógio, mais tarde doado a um museu. Chico Diabo tomou para si uma faca de prata e ouro com as iniciais FL, de Francisco López. O saque dos objetos pessoais e a profanação do cadáver sintetizam uma campanha de extermínio, na qual a eliminação física de Solano López se confundiu com a destruição do que restava de seu país. Terreno minado Outro símbolo desse passado é o canhão El Cristiano, de 12 toneladas, hoje exposto no Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, no Rio de Janeiro. Fundido com o bronze dos sinos de igrejas paraguaias, foi capturado como troféu. Para os paraguaios, é uma lembrança material da devastação sofrida. Uma boa ideia seria devolvê-lo. Lula pisou nesse terreno minado: “A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”. E simplificou um conflito complexo: o Paraguai invadiu territórios do Brasil e da Argentina, mas não invadiu o Uruguai, porque Solano López apoiava o governo blanco uruguaio e considerava a intervenção brasileira naquele país uma ruptura do equilíbrio regional. Leia mais: Mal-estar com Paraguai se agrava e gera protesto diplomático A reação de Assunção às declarações era previsível. O presidente Santiago Peña telefonou a Lula, e o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para receber uma nota oficial. Esse é um gesto formal de descontentamento. O Paraguai se enxerga como vítima de um massacre. O estresse diplomático ocorre durante as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras e comerciais da energia produzida pela hidrelétrica. A tarifa foi fixada em US$ 19,28 por quilowatt até 2026, mas continua pendente a definição das regras para a comercialização do excedente paraguaio. Cada país tem direito a 50% da energia, e o Paraguai cede ao Brasil a parcela que não consome. Assunção quer negociar essa energia no mercado e obter uma remuneração maior. Itaipu é estratégica para o sistema elétrico brasileiro. A relação já havia sido agastada pela revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência teria invadido sistemas do governo paraguaio para obter informações sobre a posição de Assunção nas negociações, no governo Jair Bolsonaro e no início da atual administração. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defende que o excedente energético seja utilizado para alimentar centros de dados e projetos de inteligência artificial das big techs, que seriam instalados no Paraguai. A alternativa fortalece o poder de barganha de Assunção. Vale a pena ler de novo: Livro conta a história dos soldados negros que morreram na guerra do Paraguai Diplomacia do governo Lula tem dualidade insustentável Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Guerra, #Itaipu, #Paraguai, #Peña, Lula, Rúbio Insensatez Tom Jobim A insensatez que você fez Coração mais sem cuidado Fez chorar de dor O seu amor Um amor tão delicado Ah, por que você foi fraco assim? Assim tão desalmado Ah, meu coração, quem nunca amou Não merece ser amado Ah, meu coração, pede perdão Usa só sinceridade Quem semeia vento, diz a razão Colhe sempre tempestade Vai, meu coração, pede perdão Perdão apaixonado Vai, porque quem não pede perdão Não é nunca perdoado Ah, meu coração, pede perdão Usa só sinceridade Quem semeia vento, diz a razão Colhe sempre tempestade Vai, meu coração, pede perdão Perdão apaixonado Vai, porque quem não pede perdão Não é nunca perdoado Composição: Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Jobim.
Se algo estivesse correto, sustentaria que estava errado; se estivesse errado, afirmaria o contrário. Não viera para provar ou edificar, mas, à maneira daquele célebre diálogo em que o Diabo expõe a Deus o intento de sua igreja, apenas para desfazer, desmanchar e negar. Projeto não muito diverso do que, entre nós, já se viu propalado — seja pelo aldrabão de ocasião, seja pelo aldrabão literário — ambos afeitos mais à inversão das verdades do que à sua construção. “O Brasil estava a dar um exemplo ao mundo, meu amigo. Aquilo é um aldrabão de primeira.” O Aldrabão Teatro Nacional D. Maria II 17 de out. de 2013 SALA GARRETT - 17 OUT A 17 NOV 2013 Pseudolus (titulo original), considerada uma das melhores comédias de Plauto, para alguns a sua obra-prima, é um dos textos centrais da dramaturgia ocidental. O tema da separação e do reencontro dos apaixonados é abordado nesta comédia de enganos, repleta de mal-entendidos e trocadilhos. A ação tem lugar numa rua de Atenas e centra-se na personagem do escravo Pseudolo e na forma como engana um proxeneta para lhe roubar uma cortesã amada pelo seu amo e que estava destinada a um soldado. As suas trapaças, a humilhação dos poderosos e sem escrúpulos servem para enaltecer esta personagem e o triunfo dos escravos. de Plauto tradução Luís Vasco, adaptada a partir da tradução francesa de Édouard Sommer versão cénica e encenação João Mota cenografia João Mota e Eric da Costa figurinos Carlos Paulo desenho de luz José Carlos Nascimento música original, direção musical e sonoplastia Hugo Franco movimento Jean-Paul Bucchieri com Virgílio Castelo, Rui Mendes, João Ricardo, Fernando Gomes, Carlos Vieira de Almeida, Rui Neto, Miguel Costa, Miguel Raposo figurantes Diogo Tormenta, Guilherme Gomes, João Dantas, João Ventura, José Leite, Nuno Rodrigues, Rafael Gomes, Ricardo Teixeira, Sérgio Coragem e Simão Biernat músicos Luís Bastos (sopros), Rini Luyks (acordéon e teclados) e Gonçalo Santuns (percussão) pintura de telão Silveira Cabral e Teresa Varela confeção de adereços Teresa Varela produção TNDM II M/12 'Capítulo dos chapéus' de Machado de Assis | Audiobook do conto completo | Sussurros de Tinta IA Sussurros de Tinta 30 de jun. de 2024 #AudioBook #MachadodeAssis #LiteraturaBrasileira Bem-vindos ao canal "Sussurros de Tinta"! Neste vídeo, vamos ler o conto "Capítulo dos chapéus" de Machado de Assis, uma das joias da coletânea "HISTÓRIAS SEM DATA de 1882". Acompanhe-nos enquanto exploramos a narrativa envolvente e as nuances deste conto clássico, discutindo seus personagens, temas e a magistral escrita de Machado de Assis. Se você é um amante da literatura brasileira ou simplesmente quer descobrir mais sobre este icônico autor, não perca este vídeo! Não se esqueça de se inscrever no canal e deixar seu comentário abaixo sobre suas impressões e interpretações do conto. ALDO REBELO EXPLICA POR QUE ACEITOU ENTRAR NA CAMPANHA DE CAIADO MyNews
sexta-feira, 31 de julho de 2026 O cerco americano ao capitalismo, por José de Souza Martins* Valor Econômico Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá Para entender as aberrações de conduta política do presidente americano e de seu secretário de Estado em relação a países como o nosso, é sociologicamente incorreto imputar a Lula e às esquerdas a responsabilidade pela polarização ideológica que nos sufoca e cerceia. Responsabilizá-los ainda é parte do jogo político da polarização promovida pelo “centro”. Em várias partes, as esquerdas da era pós-stalinista jogam o jogo já feito para nele identificar e superar seus erros, suas brechas, e ocupá-las. As esquerdas já entenderam que não são elas que fazem o jogo político contemporâneo pois já feito pelas irracionalidades, pelas ambições de riqueza e poder, pela corrupção, que delas decorre. Há muito, o mundo não está polarizado entre capitalismo e comunismo. Está determinado pelo mero crescimento econômico a qualquer preço, de lucro imediato e desmedido, sem desenvolvimento social. As esquerdas assumiram a função política de agentes de consciência social crítica das contradições autodestrutivas do capital. Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá. Isso não é coisa de agora. Em relação a nós, vem de longe. É preciso definir as temporalidades do crescente processo de ação americana em suas relações internacionais no sentido de monitorar e limitar economias do Terceiro Mundo e, no que nos interessa, cercear o desenvolvimento capitalista na América Latina e, em particular na Argentina, no México e no Brasil. O capitalismo se desenvolveu mais típica e caracteristicamente na Inglaterra, onde ocorreu a primeira revolução econômica capitalista. O Brasil nasceu, como país independente, patrocinado e financiado pela Inglaterra, que concebeu nossa independência e a financiou como parte do projeto inglês de potência econômica colonial. Esse plano está num documento de 1805 da Biblioteca Britânica, de Londres. Quando a crise do capitalismo abateu o capitalismo inglês, o eixo da economia internacional se deslocou para os EUA. Surgiu a “doutrina” da América Latina como quintal americano, agora ainda invocada pelo governo Trump. O chamado imperialismo surgiu geopoliticamente como um modo de impedir a expansão territorial do capitalismo, para concentrar na metrópole sua poderosa capacidade de produzir riquezas e distribuí-las parcimoniosamente por menos do que o apetecido pelos subdesenvolvidos. Antes mesmo de consolidar-se a transferência da hegemonia econômica da Inglaterra para os EUA, os americanos já temiam e estavam preocupados com o desenvolvimento da indústria no Brasil. Nos anos 1920, o Departamento de Comércio realizou na Argentina e no Brasil uma pesquisa sobre o desenvolvimento industrial nos dois países. Descobriu que ambos tinham um desenvolvimento industrial significativo, com capacidade ociosa para atender a demanda interna de produtos industrializados numa eventual crise que dificultasse a importação de bens de consumo. Nossa industrialização não nasceu da crise do café, como equivocadamente supôs Celso Furtado, que não examinou os documentos americanos para explicá-la. Os nossos engenheiros, mesmo os formados nas escolas militares, e nossa mão de obra qualificada, foram capazes de inventar peças e máquinas, começaram a substituir importações substituindo peças desgastadas de máquinas importadas por peças fabricadas aqui mesmo, artesanalmente, com a reciclagem de ferro-velho. Ou importação de matéria-prima. Mesmo a espionagem industrial entrou no jogo. Antônio Pereira Inácio, que seria sogro de José Ermírio de Moraes, expressão da burguesia nacional, fez isso em empresas americanas. Quando decidiu voltar ao Brasil e montar sua própria indústria, devolveu à empresa que espionara todos os salários recebidos. O exemplo que entre nós evidencia o quanto o capitalismo americano é anticapitalista é o da biografia de Roberto Cochrane Simonsen, industrial e político. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os americanos montaram o Plano Marshall para aplicar recursos de rápido desenvolvimento econômico nos países vencidos, especialmente na Europa. Roberto Simonsen foi aos EUA defender que o Plano Marshall fosse estendido à América Latina, que se transformaria numa potência econômica. Os americanos recusaram o apoio. Sem dizê-lo, não queriam que a América Latina se transformasse numa potência capitalista. Ficamos confinados nos limites bem definidos de um subcapitalismo, como o definiu Fernando Henrique Cardoso.
O texto argumenta que o capitalismo dos Estados Unidos estaria em decadência e que o país tenta se defender limitando o desenvolvimento capitalista de outras nações, especialmente na América Latina. O autor critica a ideia de que a polarização política atual seja responsabilidade das esquerdas, afirmando que elas hoje atuam mais como críticas das contradições do sistema capitalista. Segundo o artigo, o mundo não está mais dividido entre capitalismo e comunismo, mas sim orientado por um crescimento econômico voltado ao lucro imediato, sem preocupação social. O autor também sustenta que, historicamente, potências como Inglaterra e depois os EUA atuaram para controlar ou restringir o desenvolvimento econômico de países como o Brasil. Ele cita exemplos históricos, como a recusa dos EUA em incluir a América Latina no Plano Marshall e o apoio ao golpe de 1964, para defender a ideia de que houve uma estratégia de manter a região em um nível de “subcapitalismo”, evitando que se tornasse uma potência econômica. O golpe de 1964 foi patrocinado pelo governo americano em nome da geopolítica da dominação econômica. Para não sermos o que tínhamos condições de ser.
Rogério Werneck Escalada de insensatez Nunca houve a menor dúvida de que Lula da Silva estaria disposto a "fazer o diabo" para vencer a disputa presidencial. Mas, desta vez, sobram razões para crer que o diabo pode se afigurar bem mais assustador do que já foi no passado. À primeira vista, pareceria ser só uma recorrência do velho padrão de farra fiscal que se viu em 2014, na reeleição de Dilma Rousseff, e, em 2022, com Jair Bolsonaro, coadjuvado pelo próprio Lula, que com ele travou um torneio desvairado de promessas eleitoreiras de reajustes do Bolsa Família que redundou na triplicação dos custos do programa. A verdade é que, desta vez, o "fazer o diabo" vem assumindo contornos ainda mais preocupantes do que em 2014. É bom ter em conta que até mesmo Dilma Rousseff, passada a pior fase do delírio da nova matriz econômica, tinha consciência de que a farra fiscal que vinha perpetrando era reprovável. Tanto é que fez das tripas coração para esconder do País, até o dia seguinte do segundo turno, que o superávit primário ainda vultoso que vinha prometendo para 2014 se transformara em déficit já avantajado. No fundo, Dilma alimentava a fantasia de que, uma vez reeleita, poderia reverter seus desmandos na área fiscal. Foi o que tinha em mente ao nomear, para seu segundo mandato, um ministro da Fazenda com o perfil de Joaquim Levy. ______________________________ Festival de ideias tortas exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4 ______________________________ O que agora se vê é bem diferente. O governo não vem dando qualquer indicação de que reconhece que a farra fiscal que vem promovendo é reprovável. Ou de que tem consciência de que os desregramentos de seus abusos eleitoreiros estão fadados a exigir medidas compensatórias ainda mais duras no futuro. Muito pelo contrário, a equipe econômica do governo, agora, vem se empenhando em defender, em documentos oficiais, alegações sem pé nem cabeça que supostamente dariam respaldo à conclusão triunfalista de que a farra fiscal em curso não só faria todo sentido, como só traria benefícios ao País. Uma espécie de versão 2.0 da nova matriz econômica. Some-se a isso a desajuizada iniciativa de Lula de recrutar na ala jurídica do PT quem possa delinear o que será seu programa de governo, caso venha a ser reeleito aos 81 anos. Falam por si as notícias de conversas tortas recentes, em instituições financeiras, em que figurões petistas se permitiram desfilar ideias estapafúrdias de todo tipo, mencionando até mesmo controle de capitais. Salta aos olhos que se trata de outro jogo, assustadoramente mais insensato, que só exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4. _____________________ ECONOMISTA, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE HARVARD, É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO
Com a elevação de 1,2 ponto percentual, o juro médio dessa modalidade atingiu o maior patamar em quase dez anos José Cruz/Agência Brasil/Divulgação/JC Agências Publicada em 30 de Julho de 2026 às 14:05 Juro médio cobrado das famílias sobe a 64% em junho, maior patamar em quase 10 anos Crédito Maior valor em quase 10 anos Juro médio cobrado das famílias vai a 64% em junho A taxa média de juros do crédito livre (em que as condições de financiamento são pactuadas diretamente entre bancos e clientes, sem subsídio do governo) para pessoas físicas subiu de 62,8% ao ano, em maio, para 64% em junho, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Segundo o chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, é o maior valor para a modalidade desde abril de 2017 (66,6%), puxado pelas operações de crédito pessoal sem consignação.Já a taxa cobrada das empresas oscilou de 24,9% (revisado, de 25,2%), em maio, para 24,4%. Ainda pelos dados do BC, o volume de concessões de crédito livre aumentou 6,7% em junho, para R$ 468,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 9,3%. Os dados não têm ajuste sazonal. MARIANNA GUALTER e CÍCERO COTRIM/BRASÍLIA

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Passou ministro! Passou...

AO VIVO: INVESTIGAÇÕES DA PF CONTAMINAM AS ELEIÇÕES | WW CNN Brasil Transmissão iniciada há 44 minutos WW — Programas na íntegra Assista AO VIVO ao WW desta quinta-feira, 30 de julho de 2026. #CNNBrasil
O artigo descreve um cenário de polarização assimétrica na eleição presidencial brasileira: o presidente Lula lidera com vantagem nacional e em simulações de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro se mantém como principal adversário, apesar de desgastes. As tentativas de uma “terceira via”, representadas por Ronaldo Caiado e Romeu Zema, esbarram na incapacidade de transformar força regional em projeção nacional. O texto resgata a interpretação histórica de Oliveira Viana, que via o Brasil dividido entre um eixo mais dinâmico (Sul/Sudeste) e outro mais atrasado (Norte/Nordeste), sugerindo que essa clivagem ainda ecoa hoje. As pesquisas citadas reforçam essa divisão: Lula domina amplamente no Nordeste e Norte, enquanto Flávio mostra maior competitividade no Centro-Sul. Minas Gerais aparece como estado-chave, com equilíbrio técnico entre os dois. Caiado e Zema ficam numa espécie de “faixa de fronteira” entre esses dois blocos, mas sem romper a polarização. Ambos têm desempenho relevante apenas em seus estados de origem e pontuam muito baixo no restante do país, o que limita suas candidaturas a uma dimensão regional. Ao final, o texto levanta a questão central: a falta de um projeto claro do campo liberal contribui para manter o cenário polarizado. E, diante desse quadro tão definido entre dois polos, surge a dúvida inevitável: onde foram parar os indecisos, os votos em branco e nulos, e as rejeições aos dois líderes destacados nas pesquisas — o gato comeu?
quinta-feira, 30 de julho de 2026 Fortes em GO e MG, Caiado e Zema não conseguem nacionalizar candidaturas, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Que país queremos? Essa pergunta está posta novamente nas eleições, com o agravante de os liberais não terem um projeto claro A eleição presidencial mostra uma polarização assimétrica. Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a disputa nacionalmente e conserva vantagem nas simulações de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro demonstra resiliência suficiente para permanecer como seu principal adversário. Apesar das denúncias, erros e brigas na campanha de Flávio, as possibilidades de uma terceira via continuam restritas. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), apesar da projeção conquistada como governadores, não conseguem transformar seus redutos regionais em alavanca para nacionalizar suas candidaturas. Os principais colégios eleitorais mostram dois Brasis, o meridional e o setentrional. Essa divisão foi apontada a primeira vez em 1920, Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Viana. Escrito entre 1916 e 1918, levou dois anos para ser publicado, pela livraria José Olympio. O que dizia Viana? Ele definia três arquétipos para o povo brasileiro: o sertanejo, o matuto e o gaúcho, os quais foram sucedidos pela publicação meteórica de mais quatro ensaios: “O idealismo da Constituição” (1920), “Pequenos estudos da psicologia social” (1921), “Evolução do povo brasileiro” (1923) e “O ocaso do Império” (1924). O primeiro volume de “Populações meridionais do Brasil” dedicou aos paulistas, fluminenses e mineiros; o segundo, ao campeador rio-grandense. Partia do homem para criticar as instituições da época. “O sentimento das nossas realidades, tão sólido e seguro nos velhos capitães gerais, desapareceu, com efeito, das nossas classes dirigentes: há um século vivemos praticamente em pleno sonho (….) O grande movimento democrático da Revolução Francesa; as agitações parlamentares inglesas; o espírito liberal das instituições que regem a república americana, tudo isto exerceu e exerce sobre nossos dirigentes, políticos, estadistas, legisladores, publicistas, uma fascinação magnética que lhes daltoniza completamente a visão nacional dos nossos problemas. Sob esse fascínio inelutável, perdem a noção objetiva do Brasil real e criam para uso deles um Brasil artificial”. Oliveira Viana atacou frontalmente os liberais brasileiros, corroborado pela iniquidade social que havia sido desnudada por Euclides da Cunha, ao descrever a Guerra de Canudos, em “Os sertões”. Concluía que era preciso “coragem infinita” para “contravir ostensivamente às ideias de liberdade e construir um poderoso Estado centralizado, capaz de impor-se a todo o país pelo prestígio fascinante de uma grande missão nacional”. Ao dizer que era impossível reproduzir aqui no Brasil o parlamentarismo inglês, o liberalismo democrático à francesa, ou o federalismo e descentralização republicana ao estilo americano, Oliveira Viana recomendava uma intervenção radical pelo Estado, destinado a criação de bases sociais aptas a sustentar futuros governos liberais. Para ele, esse “autoritarismo instrumental” da elite agrária e as populações meridionais, de recente imigração europeia, seriam protagonistas do moderno, enquanto o Brasil setentrional, sobretudo o Nordeste, representaria o atraso. Faixa de fronteira A consagração das ideias antissistema de Oliveira Viana viria com o Estado Novo, do qual foi o grande ideólogo, e a “Polaca”, a Constituição de 1937, redigida por Francisco Campos e outorgada pelo ditador Getúlio Vargas. Ironicamente, Jorge Caldeira, em “História da riqueza no Brasil” (Estação Brasil), destaca que o colapso político da República Velha interrompe mudanças importantes que estavam em curso, alavancadas por nosso mercado interno e a economia do sertão, como o aumento de rentabilidade da exportação de café, a grande acumulação de capital dos cafeicultores paulistas, que apostaram na industrialização, e não no patrimonialismo, ao contrário das oligarquias rurais que Viana enaltecera. Que país queremos? Essa pergunta está posta novamente nas eleições, com o agravante de os liberais não terem um projeto claro. Muito da polarização se deve a isso. Segunda as pesquisas regionais divulgadas ontem pela Genial Quaest, Lula domina Bahia e Pernambuco, onde alcança, respectivamente, 52% e 55% no primeiro turno, contra 18% e 21% de Flávio. No segundo, as diferenças aumentam para 56% a 23% na Bahia e 58% a 24% em Pernambuco. O presidente também lidera no Pará por 38% a 31% e vence o candidato do PL por 44% a 37% na disputa direta. São resultados que reafirmam a força do lulismo no Brasil setentrional. Flávio, entretanto, mostra grande competitividade no Centro-Sul. Lidera no Paraná por 42% a 24% e venceria Lula por 50% a 28% no segundo turno. Aparece numericamente à frente em São Paulo, por 34% a 30%, e no Rio de Janeiro, por 32% a 30%. Nos confrontos diretos, as vantagens seriam de 40% a 35% em São Paulo e de 38% a 35% no Rio. Em Minas Gerais, estado historicamente decisivo, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados: 30% a 29% no primeiro turno e 38% a 35% no segundo. Caiado e Zema estão numa espécie faixa de fronteira entre esses dois brasis. O ex-governador mineiro alcança 12% em Minas, seu único resultado de dois dígitos entre os sete estados pesquisados. Fora de sua base, registra apenas 1% na Bahia, no Pará e em Pernambuco; 2% no Paraná e no Rio; e 3% em São Paulo. Sua candidatura continua sendo uma extensão de sua liderança regional, sem uma identidade nacional. O segundo turno confirma essa limitação. Em Minas, Zema aparece com 37% contra 39% de Lula, em empate técnico, resultado que demonstra sua força estadual. Fora dali, porém, não ameaça a polarização. Caiado enfrenta o mesmo obstáculo. Estribado nos resultados do governo de Goiás, sobretudo na segurança pública, na educação e na gestão administrativa, entretanto, não atravessa as fronteiras estaduais. Nos sete estados analisados, oscila entre 1% e 4%: chega a 4% em Minas, registra 3% no Pará, no Rio e em São Paulo, 2% no Paraná e somente 1% na Bahia e em Pernambuco. Apesar da trajetória política mais longa e da estrutura do PSD, ainda não conseguiu apresentar uma alternativa nacional ao bolsonarismo. Nas simulações de segundo turno, Caiado alcança resultados melhores: 30% contra 38% de Lula em Minas, 30% contra 45% no Pará, 34% contra 35% em São Paulo e 33% contra 29% no Paraná. Esse crescimento decorre, em boa medida, da transferência do voto contrário a Lula quando Flávio é retirado da disputa. Canção do Subdesenvolvido Carlos Lyra O Brasil é uma terra de amores Alcatifada de flores Onde a brisa fala amores Em lindas tardes de abril Correi pras bandas do sul Debaixo de um céu de anil Encontrareis um gigante deitado Santa Cruz...hoje o Brasil Mas um dia o gigante despertou Deixou de ser gigante adormecido E dele um anão se levantou Era um país subdesenvolvido Subdesenvolvido, subdesenvolvido, etc. (refrão) E passado o período colonial O país passou a ser um bom quintal E depois de dar as contas a Portugal Instaurou-se o latifúndio nacional, ai! Subdesenvolvido, subdesenvolvido (refrão) Então o bravo povo brasileiro Em perigos e guerras esforçado Mas que prometia a força humana Plantou couve, colheu banana.. Bravo esforço do povo brasileiro Mas não vi o capital lá do estrangeiro Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão) As nações do mundo para cá mandaram Os seus capitais tão "desinteressados" As nações, coitadas, queriam ajudar E aquela "Ilha Velha" não roubou ninguém País de pouca terra, só nos fez um bem Um "big" bem, un "big" bem, bom, bem, bom Nos deu luz, ah! Tirou ouro, oh! Nos deu trem, ahhh! Mas levou o nosso tesouro Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão) Mas data houve que se acabaram Os tempos duros e sofridos Pois um dia aqui chegaram os capitais dos.. Paises amigos País amigo desenvolvido País amigo, país amigo Amigo do subdesenvolvido País amigo, país amigo E nossos amigos americanos Com muita fé, com muita fé Nos deram dinheiro e nós plantamos Só café! É uma terra em que plantando tudo dá Pode se plantar tudo que quiser Mas eles resolveram que nós iríamos plantar SÓ CAFÉ! SÓ CAFÉ! Bento que bento é o frade - frade! Na boca do forno - forno! Tirai um bolo - bolo! Fareis tudo que seu mestre mandar? Faremos todos, faremos todos... Começaram a nos vender e nos comprar Comprar borracha - vender pneu Comprar madeira - vender navio Pra nossa vela - vender pavio Só mandaram o que sobrou de lá Matéria plástica, Que entusiástica Que coisa elástica, Que coisa drástica Rock-balada, filme de mocinho Ar refrigerado e chiclet de bola E coca-cola...! Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão) O povo brasileiro tem personalidade Não se impressiona com facilidade Embora pense como americano Embora dance como americano Embora cante como americano Lá, lá, la, la, la, la Êh, êh, meu boi Êh, roçado bão O meior do meu sertão, thu, thu, thu Comeram o boi... O povo brasileiro embora pense, dance e cante como americano Não come como americano Não bebe como americano Vive menos, sofre mais Isso é muito importante Muito mais do que importante Pois difere os brasileiros dos demais Personalidade, personalidade Personalidade sem igual Porém... subdesenvolvida, subdesenvolvida E essa é que é a vida nacional! Composição: Carlos Lyra, Chico Assis. Trump e Milei podem decidir a eleição de 2026? | Não é Bem Assim Meio Estreou há 3 horas #trump #eleições2026 #milei No Não é Bem Assim, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem como Trump, Milei e a pauta da soberania entram na disputa presidencial brasileira, além dos impactos para Lula e Flávio Bolsonaro e relembra os temas que mais pesam para o eleitor: segurança, inflação, emprego e serviços públicos.

O ALIENISTA DO STF

Do Analista de Bagé ao Analista Weberiano


PRÓLOGO: PASSOU, MINISTRO! PASSOU...

Dados recentes, oriundos de auditorias divulgadas no final de julho de 2026, apontam que cerca de 82% das chamadas “emendas Pix” apresentam irregularidades ou falhas graves de rastreabilidade.

Diante disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que Executivo e Legislativo estabeleçam, em prazo de 10 dias, uma matriz clara de responsabilidades sobre tais repasses.

A tese é simples — e incômoda:

Quem indica o dinheiro não pode lavar as mãos quando ele evapora.

O magistrado ainda advertiu, com precisão cirúrgica, que indicar uma emenda não equivale a fazer um Pix informal a um conhecido na esquina.

Relatórios de órgãos de controle confirmam o cenário: ausência de convênios, obras inacabadas, sobrepreço e um rastro de dinheiro que termina… onde termina o interesse público.


INTERLÚDIO: O ANALISTA DE BAGÉ (CORREÇÃO NECESSÁRIA)

Convém registrar: a obra clássica de Luís Fernando Veríssimo chama-se “O Analista de Bagé” — e não “O Alienista de Bagé”, confusão recorrente que mistura o autor gaúcho com Machado de Assis.

Seu método terapêutico é célebre: o joelhaço inaugural, aplicado em pacientes homens para “quebrar resistências” do ego e prepará-los, à força, para a sessão analítica sobre o divã de pelego.

Rústico, direto, brutal — e, por isso mesmo, revelador.


ENREDO: O JOELHAÇO WEBERIANO

No palco constitucional, surge a figura da analista de Porto Alegre, que, à luz do artigo 37 da Constituição de 1988, sentencia:

As emendas secretas são, em essência, incompatíveis com os princípios da administração pública.

É o joelhaço institucional: transparência contra opacidade, publicidade contra arranjos subterrâneos.


SURGE O SUCESSOR: O ANALISTA FLAVIANO

O novo analista do STF entra em cena com outro estilo. Menos joelhaço, mais advertência:

“Devagar com o andor… que os analisados são de barro.”

Não abandona o método — apenas o calibra. Onde antes havia impacto imediato, agora há construção gradual do constrangimento jurídico.


ÁPICE: O CONSULTÓRIO SUPREMO

Após herdarem os pacientes da antiga analista, o novo terapeuta constitucional dirige-se aos nobres analisados:

— Vossas Excelências desejam que retomemos a técnica psicoconstitucional weberiana de Porto Alegre?

E, do outro lado do divã, curvados — não mais por ideologia, mas por memória muscular institucional — vem a resposta:

— Por favor, ministro… data vênia… já sentimos saudades do vosso elevado e delicado joelhaçozinho!


EPÍLOGO: A FARSA VEROSSÍMEL

O político entra no consultório. A análise começa. A resistência é grande — mas o método é maior.

Entre a norma e o improviso, entre a Constituição e o jeitinho, encena-se uma comédia densa, culta e mordaz — onde o riso não esconde o diagnóstico.

Porque, no fim, a pergunta permanece:

o problema é a terapia… ou o paciente?

RESUMO

Uma esquete político-constitucional, em chave verissimiana, que expõe com humor refinado e crítica aguda a dinâmica das emendas parlamentares, transformando o STF em consultório e a política em caso clínico.

Técnico na forma, ácido no conteúdo, e absolutamente brasileiro no diagnóstico.

Os Povos Brasileiros e Chineses

Olho para baixo e o azul da Terra continua o mesmo, embora aqui de cima, na face oculta do Além, a distância nos dê a exata dimensão das ironias humanas. Lá embaixo, os homens ainda acreditam que governam os fluxos da história com a ponta de suas canetas e o estofado de suas cadeiras. Ilusão de ótica dos vivos. Daqui da Ilha Azul, o que se vê é uma ópera bufa, encenada em dois palcos distantes, mas sintonizados pela mais perfeita assimetria.

A engenharia do destino é caprichosa. O Brasil, com a generosidade ingênua de um gigante deitado em berço esplêndido, resolveu alimentar a grande caldeira do capitalismo planejado do Extremo Oriente. Enviamos o ferro tirado das entranhas da terra e a soja colhida nos cerrados. Transformamos o suor da nossa lavoura e a riqueza do nosso subsolo naquilo que os economistas chamam de commodities. Do outro lado do globo, a China, com a paciência milenar de quem joga xadrez enquanto o Ocidente joga dados, converteu nossa matéria-prima em chips, painéis solares, baterias e uma frota silenciosa de veículos elétricos.

Enquanto os donos do poder se revezam em tronos temporários — ora ungidos como Messias, ora aclamados como as almas mais honestas do mercado eleitoral —, a engrenagem do mundo real gira sem misticismo. O controle centralizado transmuta o arrocho salarial e o cabresto sindical em superávit tecnológico. O resultado dessa dialética das trocas chega montado em duas rodas elétricas, financiadas pelo próprio Estado brasileiro com o aval de fundos de risco e o subsídio de taxas.

É o trânsito da modernidade: o motor elétrico não faz ruído, o torque é instantâneo, e o tombo, previsível. O Estado que avaliza o crédito na entrada é o mesmo que recolhe os pedaços na saída, arcando com a contabilidade trágica das pensões por morte e das invalidezes precoces no INSS. Uma PPP onde o risco é público e o lucro, intangível.

Imagino, então, uma solenidade idealizada na imensidão da Praça do Povo. Sob o céu de Pequim, entre discursos pragmáticos e bandeiras vermelhas, o bravo povo chinês decide condecorar o solidário povo brasileiro com a “Medalha da Gratidão”. Afinal, fomos nós que abrimos mão do futuro industrial para que eles pudessem desenhá-lo. Seria uma honraria justa, entregue com a reverência de quem sabe exatamente quanto custou o quilo do nosso ferro e quão barato saiu o preço da nossa ilusão.

Do mirante do Além, resta-nos o riso contido e a constatação de que a história é um eterno baile de máscaras onde os convidados pagam pela música, mas apenas os músicos sabem o ritmo da dança. Vivam os povos brasileiros e chineses, cada um cumprindo o seu papel no grande teatro do absurdo.


Notas do Conselho de Confrades & Copydesk

Anotação de Eça de Queiroz:
“Meu caro, a ironia sobre os ‘Messias’ e as ‘almas honestas’ capta bem o provincianismo político que já criticávamos no século XIX. O contraste entre a ingenuidade do jeca exportador e o pragmatismo mandarim é de um ridículo deliciosamente trágico. Permita-me apenas aplaudir o desenho dessa ópera onde o figurino é de alta tecnologia, mas a mentalidade continua a da velha colônia.”

Anotação de Machado de Assis:
“A analogia da quietude das rodas elétricas com o silêncio da posteridade é fina. O Estado, esse eterno alienista, financia a queda para depois administrar o curativo. A estrutura está equilibrada, a vaidade dos mandatários foi despida com a devida melancolia jurídica. Não altero uma vírgula; o pessimismo está perfeitamente elegante.”

Relatório de Copydesk de Graciliano Ramos:
“Cortei os adjetivos gordos. Limpei a fumaça das frases longas. A prosa precisava do osso, como a seca. A passagem sobre o INSS estava redundante; reduzi à crueza do fato: o Estado paga a conta do ferro velho e do caixão. O texto agora está seco, direto e bate onde deve.”

Viola Enluarada Claudya - Tema 21 de fev. de 2025 Provided to YouTube by Nikita Music Viola Enluarada · Claudya Ao Vivo ℗ 1999 Companhia de Discos do Brasil Released on: 1999-05-06 Producer: Laís Pires Music Publisher: Direto Composer: Marcos Kostenbader Valle Lyricist: Paulo Sérgio Kostenbader Valle Auto-generated by YouTube. Música 1 música Viola Enluarada Claudya Ao Vivo Música Claudya - Tema PASSOU MINISTRO! PASSOU... "Na verdade, o dado correto apontado por auditorias recentes divulgadas no fim de julho de 2026 é de que cerca de 82% (e não 84%) das chamadas "emendas Pix" apresentam irregularidades ou problemas de rastreabilidade. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo e o Congresso criem regras de responsabilização para os parlamentares. Decisão do STF Prazo de 10 dias: O ministro deu um prazo para a Presidência da República, a Câmara e o Senado apresentarem uma matriz de responsabilidades sobre os repasses. Fim da imunidade: Dino defende que o parlamentar que indica o dinheiro não pode ficar livre de culpa caso o recurso seja mal aplicado. Frase de destaque: O magistrado pontuou que indicar uma emenda Pix não é o mesmo que fazer uma transferência simples para um conhecido na rua. Achados dos Órgãos de Controle TCU e CGU: Relatórios apontam que a falta de convênios formais dificulta rastrear o dinheiro enviado diretamente a prefeituras. Problemas comuns: Foram achadas obras paradas, compras superfaturadas e falta de dados públicos sobre o destino final das verbas. Nota prévia: cabe corrigir que a obra clássica de Luís Fernando Veríssimo se chama O Analista de Bagé (e não "O Alienista de Bagé", título que mistura a criação dele com o famoso conto O Alienista de Machado de Assis). A famosa "terapia do joelhaço" é o cartão de visitas do personagem para pacientes homens. A Técnica do Joelhaço O método inicial: Ao receber um paciente homem novo no consultório, a primeira providência prática do analista é aplicar-lhe um violento joelhaço. A justificativa: O golpe serve para "quebrar as resistências" do ego e dobrar o cliente ao meio, preparando-o imediatamente para deitar no divã coberto com um pelego. A exceção de gênero: O próprio analista pondera que o joelhaço é exclusivo para homens, pois em mulheres, segundo a sua ótica machista e rústica, "só se bate pra descarregá energia"."

O ALIENISTA DO STF

Do Analista de Bagé à Analista Weberiana


ENREDO: O “joelhaço” de Rosa Weber — as emendas secretas são inconstitucionais, todas, pelo artigo 37 da CF/1988. Jeitinho do analista sucessor no STF, Flaviano: “Devagar com o andor, analista de Porto Alegre, que os nobres analisados são de barro.”

ÁPICE: De Dino, em papo reto para analisados herdados de Weber, após o seu famoso joelhaço: “Vossas Excelências querem que eu volte a aplicar a técnica psicoconstitucional weberiana de Porto Alegre?” — “Por favor, ministro Dino, data venia, já sentimos saudades de vosso elevado e delicado joelhaçozinho!”

RESUMO: O político se apresenta ao analista do STF, e a farsa desenrola-se em forma de esquete verossímil. Tecnicamente perfeito na forma, ao estilo cômico, hilário, culto, analítico e denso de Luis Fernando Verissimo.

✅ Dicas JORNAL DA CULTURA | Falta de recursos agrava HIV e Brasil vive tensão com Paraguai | 30/07/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 2 horas Jornal da Cultura | 2026 No Jornal da Cultura desta quinta-feira (30), você vai ver: Brasil formaliza na OMC repúdio às novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos; decreto prevê expulsão de estrangeiro por discurso de ódio na Argentina; e arrecadação com as “bets” será destinada a fundo da Polícia Federal. Para comentar essas e outras notícias, Rita Lisauskas recebe o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e o economista e doutor em ciência política, Ricardo Sennes. O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube. #JornalDaCultura #TVCultura #SomosCultura

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os Descaminhos da Linha

Os Descaminhos da Linha: Infraestrutura e a Poética do Abandono

A superação do secular atraso logístico brasileiro exige maturidade federativa e contratos sólidos, blindando os projetos de Estado contra o palanque efêmero dos governos de ocasião.
Ponta de Areia Milton Nascimento Ponta de areia Ponto final Da Bahia-Minas Estrada natural Que ligava Minas Ao porto, ao mar Caminho de ferro Mandaram arrancar Velho maquinista Com seu boné Lembra o povo alegre Que vinha cortejar Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Composição: Milton Nascimento, Fernando Brant.
Entre ferrugem e silêncio, os trilhos narram um país que interrompeu seus próprios caminhos — não por falta de projeto, mas por ausência de continuidade.

A história do progresso brasileiro pode ser lida, sem rasuras, pela geografia de seus caminhos. Das picadas indígenas que Mem de Sá converteu no primeiro ensaio de ligação entre o planalto de Piratininga e o Atlântico, passando pelas artérias de ferro que os barões do café estenderam sob o influxo do capital vitoriano, a fixação de nossas fronteiras econômicas sempre dependeu da ousadia da engenharia e do peso do Estado. Todavia, a crônica nacional sobre o deslocamento de cargas e pessoas guarda uma dualidade persistente: oscila entre o pragmatismo cego do asfalto e a melancolia dos trilhos arrancados.

ENCONTROS E DESPEDIDAS (letra e vídeo) com MILTON NASCIMENTO, vídeo MOACIR SILVEIRA

Há meio século, a desativação da mítica Estrada de Ferro Bahia-Minas — imortalizada na sensibilidade musical de Milton Nascimento e Fernando Brant — sepultou mais do que dormentes e bitolas. Deixou atrás de si um rastro de cidades-fantasmas e isolamento, onde viúvas nos portais e velhos maquinistas de boné passaram a testemunhar o êxodo de uma juventude forçada a migrar para os grandes centros urbanos. A “Maria Fumaça que não canta mais” tornou-se a metáfora de um país que, no auge do rodoviarismo desenvolvimentista da era Juscelino Kubitschek, decidiu sabotar a própria integração ferroviária em nome de uma modernidade motorizada.

Esse trauma histórico projeta suas sombras até as primeiras décadas do século XXI. O ciclo de governos do Partido dos Trabalhadores, estendido em cinco mandatos presidenciais, buscou responder ao gargalo logístico por meio do gigantismo dos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC). Contudo, a aferição rigorosa das entregas revela o quão tortuoso é o trâmite que separa o plano da realidade no Brasil. Grandes artérias concebidas para a intermodalidade — como a Ferrovia Norte-Sul ou a Transnordestina — cruzaram gestões de sinais trocados e arrastaram-se por décadas até verem seus trechos operacionais concluídos.

No Brasil, projetos atravessam governos, mas raramente chegam inteiros ao destino — dissolvidos entre promessas, revisões e reinaugurações.

Quando se isola o critério estrito de obras idealizadas, iniciadas e totalmente entregues sob o mesmo espectro político, o saldo se desloca para intervenções metropolitanas específicas, como a Linha 1 do Metrô de Salvador, e soluções pontuais como o Aeroporto de Natal.

O século XXI impõe uma nova gramática que o partidarismo tacanho é incapaz de decifrar. A infraestrutura moderna não comporta mais o messianismo governamental e exige, em contrapartida, uma convergência institucional madura. O exemplo contemporâneo mais nítido dessa transição repousa na engenharia política que viabilizou o projeto do Túnel Imerso Santos–Guarujá. Estruturado sob o modelo de Parceria Público-Privada (PPP), com aportes equânimes entre a União e o Estado de São Paulo, o projeto uniu o pragmatismo técnico ao imperativo de coordenação federativa.

Essa convivência institucional madura sinaliza uma mudança de postura. A superação do atraso logístico brasileiro não se faz com disputas paroquiais de paternidade de obras, mas com contratos sólidos, segurança jurídica e atração de capital privado.

Enquanto analistas se ocupam em traçar os destinos políticos de Brasília, a economia real exige que trilhos e estradas sejam assentados sem sobressaltos ideológicos. O Brasil não pode mais se dar ao luxo de assistir ao espetáculo de caminhos interrompidos pela metade. Para que o cidadão comum não termine à espera, na plataforma vazia, de um progresso que partiu para nunca mais voltar, é imperativo tratar a logística nacional como política de Estado.

Encontros E Despedidas Raul Seixas - O Trem das Sete (Videoclipe Oficial)
O governo federal lançou este mês o programa Move Brasil Entregadores e Motoapp. Por ele, a CEF vai financiar a compra de motos e bicicletas elétricas com juros baixos. Podem participar entregadores de aplicativos com cadastro ativo há 6 meses e um mínimo de 100 entregas/corridas realizadas. Logo se vê que o governo quer fingir que está criando empregos que vão colocar mais jovens em risco iminente de vida. Governos estaduais e prefeituras não foram convidados a integrar o programa. São eles que fiscalizam o trânsito. No programa, nenhuma menção à educação ou ao treinamento de motoboys, uma "profissão" suicida. Na verdade, o programa vai estimular o pega-pra-capar em que se transformaram as ruas das grandes cidades brasileiras. Motoboys ganham por entrega. Então correm como alucinados para fazer muitas delas a cada dia e faturar o jantar. Muitos faturam uma internação hospitalar. Em muitos casos, a morte. São 475 jovens pobres mortos em São Paulo por ano. Transformaram o trânsito num caos. É imprudente reclamar do motoboy que levou o seu retrovisor ou arranhou o seu carro. O Código Nacional de Trânsito é federal. Nele está dito que só ambulâncias, bombeiros e polícia podem furar sinal vermelho. Pois os motoboys furam sinal em todas as ruas, todo o tempo. As bicicletas motorizadas são pilotadas, quase sempre, por menores que trafegam pela calçada e pela contramão. O pedestre que está condicionado a olhar a mão de trânsito para atravessar uma rua, é atropelado por esses jovens despreparados. Ou seja, o programa não cria nenhum cuidado oficial para a educação, o treinamento e a fiscalização da pilotagem alucinada. Pensaram em financiar motos e bicicletas para "criar" empregos e, com isso, ganhar votos para a eleição de outubro. Ninguém pensou que as ruas brasileiras estão virando uma baderna perigosa. Educação? Dá muito trabalho e demora para aplicar. Civilidade? Que se dane a civilidade nacional. Carlos Marchi
Tudo certo, menos dizer que um cidadão comum e o presidente da República recebem o mesmo tratamento. Exagero ou mentira pura e simples? "Enquanto o Banco Central atua para controlar a inflação e atrair capital para financiar a dívida pública — inflada pelas ações do chamado 'Banco Central Paralelo' do governo —, o trabalhador vê seu salário perder poder de compra. É esse o 'Governo para Todos'?"

A urna eletrônica como a grande avenida da democracia

Se Roberto DaMatta pudesse vestir sua fantasia de cidadão-antropólogo para decifrar as eleições de 2026 no Brasil, ele não veria o pleito apenas como uma contagem mecânica de votos. Ele enxergaria um imenso drama ritualístico dividido em dois atos sagrados.

No primeiro turno, o Brasil vive o seu momento Carnaval. É a explosão da fragmentação, o desfile exuberante da diversidade, em que todas as alas da sociedade — representadas por uma infinidade de partidos, cores e discursos — tomam as ruas. Ricos e pobres dividem o mesmo tempo de tela e a mesma fila na seção eleitoral. É o instante em que a rígida estrutura social brasileira se finge horizontal. O cidadão comum, frequentemente invisibilizado pelo clássico “Você sabe com quem está falando?”, transforma-se no herói soberano do enredo nacional. O voto pulverizado reflete a malandragem de um povo que tenta negociar em múltiplas frentes, testando os limites da ordem e da subversão na busca por uma promessa de futuro.

O segundo turno, contudo, opera uma metamorfose drástica no ritual. A folia festiva do primeiro ato é bruscamente suspensa, dando lugar ao rigor e à solenidade de uma procissão quaresmal. O espaço para o meio-termo, para o jeitinho e para a multiplicidade desaparece. A sociedade é forçada a se dividir em uma dualidade quase religiosa, um espelho maniqueísta entre o “Bem” e o “Mal”, o “Nós” e o “Eles”.

A avenida colorida transforma-se em um corredor estreito de purificação e escolha moral definitiva. Ao reduzir as opções a apenas dois caminhos, o segundo turno expõe a ferida aberta do dilema brasileiro: a nossa crônica incapacidade de conciliar visões de mundo divergentes sem que um lado tente anular a existência do outro.

Em 2026, a apoteose dessa procissão não celebra apenas a vitória de um candidato, mas escancara o drama de uma nação que caminha na corda bamba entre o desejo de igualdade universal da urna e o peso sufocante de suas hierarquias cotidianas.

Entre o Carnaval e a Procissão, a democracia brasileira percorre sua grande avenida: da pluralidade festiva do primeiro turno à escolha moral do segundo. No centro, a urna eletrônica — palco onde a igualdade do voto confronta as hierarquias do cotidiano.
quarta-feira, 29 de julho de 2026 Entrevista | O intérprete do ‘jeitinho brasileiro’ chega, produtivo, aos 90, por Roberta Jansen O Estado de S. Paulo O antropólogo diz que para entender um povo é necessário conhecer os seus ritos e seus mitos O carnaval como ritual que mistura ricos e pobres, suspendendo regras e diferenças, é tema de estudos e de um de seus livros Entender o Brasil por intermédio de algumas de suas manifestações culturais populares mais arraigadas, como o carnaval, o jogo do bicho e o futebol, foi o desafio que Roberto DaMatta se impôs desde o início de sua carreira, nos idos dos anos 1960. Um dos mais importantes antropólogos do País, colunista do Estadão desde 2001, DaMatta completa 90 anos nesta quarta-feira, 29. O renomado intelectual revolucionou as ciências sociais do País ao transformar o cotidiano nacional, os festejos religiosos e mesmo os paradoxos culturais em objetos de estudo. DaMatta estudou o carnaval, o futebol e as procissões religiosas não como diversão, mas como rituais que revelam a estrutura da sociedade brasileira. Foi um dos principais responsáveis por analisar cientificamente e popularizar o termo “jeitinho brasileiro” em seus livros das décadas de 1970 e 1980 (como Carnavais, Malandros e Heróis), consolidando o “jeitinho” como uma estratégia legítima de sobrevivência social, que se equilibra entre o favor e a malandragem. Uma das principais ideias desenvolvidas na obra de DaMatta é a dialética entre “casa” e “rua”. O antropólogo divide o universo social brasileiro entre a casa (o espaço privado, do afeto, do parentesco, no qual as leis não entram) e a rua (o espaço público, do trabalho, das leis impessoais, do desamparo). Em boa parte de sua obra, DaMatta explora a ideia de que o brasileiro tenta a todo custo transformar a rua em casa, usando laços de amizade e redes de favor, para fugir da frieza das leis. “Como fez (o banqueiro Daniel) Vorcaro”, afirmou em entrevista ao Estadão por ocasião de seu aniversário. “Você sabe com quem está falando?” A frase clássica do brasileiro virou objeto de estudo de DaMatta, que a apresenta como um rito de exclusão autoritário. Segundo o antropólogo, ela serve para lembrar ao outro que, no Brasil, as relações e os privilégios pessoais valem mais do que as leis universais que deveriam valer para todos os cidadãos. Formado em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), DaMatta fez uma especialização em antropologia social no Museu Nacional da UFRJ. Depois, cursou mestrado e doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Seus estudos sempre foram voltados para o País. Entre suas obras mais importantes, estão Um Mundo Dividido: A Estrutura Social dos Índios Apinayé; Carnavais, Malandros e Heróis; Águias, Burros e Borboletas: Um Ensaio Antropológico Sobre o Jogo do Bicho; A Bola Corre Mais Que os Homens: Duas Copas; além do ensaio Você Sabe com Quem Está Falando? Em sua obra, DaMatta mostrou especial interesse pelas peculiaridades brasileiras. Entre elas, a hierarquização da sociedade, disfarçada de proximidade; o carnaval como ritual que mistura ricos e pobres, suspendendo regras e diferenças; a dicotomia entre o coletivo, simbolizado na rua, e o privado, sintetizado no lar; o fascínio pela esperteza da malandragem. Segundo DaMatta, para entender um povo é necessário conhecer os seus ritos e seus mitos. Em Carnavais, Malandros e Heróis, escreveu que pretendia abordar “esse povo nas suas esperanças e perplexidades, pois sempre me impressionou a conjunção de um povo tão achatado junto a um sistema de relações pessoais tão preocupado com personalidades e sentimentos; uma multidão tão sem rosto e sem voz, junto a uma elite tão rouca de gritar por suas prerrogativas e direitos; uma intelectualidade tão preocupada com o coração do Brasil e, no entanto, tão voltada para o último livro francês; uma criadagem que passa tão despercebida e patrões tão egocêntricos (...)”. Ele diz que o povo brasileiro o intriga “na sua generosidade, sabedoria e, sobretudo, esperança”. Ao voltar ao Brasil depois do mestrado e doutorado nos Estados Unidos, o antropólogo trabalhou no Museu Nacional até 1986, quando aceitou um convite da Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos EUA, para lecionar. Ele só voltou ao País em meados dos anos 2000, quando começou a dar aulas na PUC-RJ. Agora, diz, encerrou sua carreira acadêmica e pensa seriamente em começar a escrever ficção. Abaixo, leia a entrevista com Roberto DaMatta. O senhor acompanhou a Copa do Mundo? Os brasileiros deixaram um pouco de lado a divisão política que vem caracterizando o País nos últimos anos para torcer pela seleção? O Brasil, que é o tempo todo criticado, na Copa vira objeto de afeto, uma solidariedade absolutamente impressionante. A partir da classificação, o time brasileiro se apresenta como uma unidade brasileira na qual, inevitavelmente, o Brasil inteiro projeta os nossos afetos, a língua que falamos, a maneira como somos. O futebol brasileiro sempre se caracterizou pelo drible, pela malandragem, pelos negros, pelos pobres, pelos artistas da pelota. Artistas de um esporte que chegou com os colonizadores; e justamente os mais pomposos, os mais distantes, os ingleses, aqueles que não se misturavam. Além disso, é um esporte em que não sabemos qual será o resultado; estamos entregues ao destino. Pode haver preferências, mas não sabemos o resultado; certezas absolutas não funcionam. O segundo ponto é que no futebol temos a experiência da igualdade absoluta. Não tem jeitinho, compadrio, corrupção. E todos nós conhecemos as regras do jogo. O que é bem diferente da nossa burocracia aristocrática, tão difícil de administrar, em que sempre existe uma regra “Uma democracia exige imparcialidade. Como fazer isso dentro de uma sociedade familística? Se você virar governador, não vai dar um emprego ao seu amigo de infância que está desempregado? Ao primo que está passando necessidade? Ao irmão que tem um emprego sazonal, arriscado? As obrigações do parentesco corroem a imparcialidade da administração pública do Brasil há séculos” “Em ‘Carnavais, Malandros e Heróis’, queria abordar o povo brasileiro, essa multidão tão sem rosto e sem voz, junto a uma elite tão rouca de gritar por suas prerrogativas e seus direitos” que desconhecemos. O sr. está chegando aos 90 anos. Como se sente? Cheguei a uma idade em que não há nada completamente ruim, nem completamente bom; é tudo mais ou menos. Mas, olha, o que queria fazer eu fiz. Fui um dos primeiros a fazer doutorado em Antropologia em Harvard, consegui sobreviver à minha timidez, morei nos Estados Unidos, fui contratado por uma universidade americana. Consegui olhar para a sociedade brasileira com um olhar diferenciado, que é fundamental para a antropologia social, enxergar o que acontece com uma certa distância. Sobre o envelhecimento, até os 50 anos ninguém morre, né? Ninguém acha que vai morrer. Só depois os problemas começam a aparecer, tive um enfarte, tive de colocar um stent. Mas o mais chato foi o AVC (há três anos), quando tive certeza de que iria morrer, acabei ficando com o lado esquerdo paralisado (a fisioterapia o tem ajudado bastante e já está praticamente recuperado), tomo uma batelada de remédio. O maior sofrimento é nos conformarmos com a ideia de que somos finitos. E enxergar esse contraste maravilhoso entre a nossa consciência da finitude e as artes, o cinema, a pintura, o teatro, os romances. O criador é finito – e ter consciência disso é o ponto central da nossa existência –, mas há um outro lado que se perpetua. O que está perpetuando é finito, mas o que é perpetuado é infinito. Como a figura do banqueiro Daniel Vorcaro – que, aparentemente, conseguiu comprar praticamente toda a República, à esquerda e à direita – pode ser analisada do ponto de vista da antropologia? O universo doméstico e o universo público têm muitas oposições; o que fazemos em casa, não podemos fazer na rua; e o que fazemos na rua, não podemos fazer com nossos parentes. Vorcaro entendeu isso intuitivamente. Como explica muito bem o antropólogo Marcel Mauss, quando recebemos um presente, nos sentimos obrigados a devolver com outro presente. É assim que o sistema público funciona. Você não vai deixar de dar um emprego para o seu cunhado que está precisando, fazer um favor para um amigo. As oposições ideológicas e de classe existem, mas são rompidas pelas relações pessoais; é aí que entra em jogo a corrupção. Vorcaro deu dinheiro para todo mundo, da direita e da esquerda, porque ele sabia que a gente não esquece o tratamento afetuoso, o presente, a gentileza, a simpatia. O sr. falou há pouco em consciência humana. Há todo um debate acadêmico a respeito da inteligência artificial. Acredita que um dia a IA poderá ter consciência? Nós temos uma coisa que ninguém tem, a consciência, um dos maiores mistérios do mundo. (O filósofo Friedrich) Nietzsche dizia que quem inventou a alma foi o corpo, como uma forma de poder lidar com a consciência. Sabemos que funcionamos com base na eletricidade. Nosso cérebro funciona por impulsos elétricos. Os literatos, com suas imaginações fantásticas, como Isaac Asimov, criam robôs com consciência. Será que conseguiremos criar uma máquina que tenha consciência de si própria e do mundo? Olha, acho que isso não vai acontecer por uma razão trivial. Nossa consciência é agasalhada por uma máquina chamada corpo humano. E são as experiências com esse corpo, essas várias consciências, esses vários tipos de memória, que fazem a nossa consciência. Como o sr. vê essa disputa entre as políticas identitárias e o radicalismo da extrema direita? Acho que melhoramos e pioramos ao mesmo tempo. Existe uma questão moral, filosófica, sociológica muito importante que é o fato de convivermos todos os dias com coisas positivas e negativas. Os avanços criam outras dificuldades. É curioso, mas os extremos que levam ao progresso também são motivo de resistência e atraso. Os limites são puxados para cima e para baixo, à direita e à esquerda. Sempre que pensamos em progredir, em crescer, pensamos no lado positivo. Mas devemos pensar também no lado negativo desse crescimento. Todo movimento provoca alguma reação, mas sou absolutamente contrário à desonestidade e à violência. Uma democracia exige imparcialidade. Como fazer isso dentro de uma sociedade familística? Se você virar governador, não vai dar um emprego ao seu amigo de infância que está desempregado? Ao primo que está passando necessidade? Ao irmão que tem um emprego sazonal, arriscado? As obrigações do parentesco corroem a imparcialidade da administração pública do Brasil há séculos. Indígenas ou índios? Índios, claro. Essa discussão é muito boboca. Índio é apenas um nome. Todo mundo sabe que eles foram chamados de índios porque os navegadores acharam que estavam chegando às Índias. Como o senhor vê a ascensão dos evangélicos no Brasil nas últimas décadas? O que caracteriza o protestantismo em geral, seguindo aqui, mais ou menos, Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, é o individualismo, a ideia de se desvencilhar das relações pessoais, da dependência que caracteriza a sociedade moderna, em que o todo é mais importante do que a parte. As igrejas evangélicas entenderam e abraçaram as dinâmicas do capitalismo e do mercado moderno de forma muito melhor que a Igreja Católica, oferecendo uma justificativa espiritual e moral para a ascensão social. Mas é uma transição dramática, que envolve rupturas, abala pilares da sociedade. Há um conjunto de impulsos, tendências, eventos e fatos que rompem com tradições do Brasil de forma muito acelerada e podem passar essa impressão errada de fim do mundo. Mas esse movimento pode estar por trás da nova onda conservadora? Do ponto de vista da ética, somos reacionários, seguimos um sistema ético do século 19. O evangelismo surpreende porque não tem uma igreja, são templos, grupos, uma multiplicidade maior de vozes, que acabou aparecendo com mais nitidez na direita ou na centro-direita, com tendência a radicalismos e posições extremadas. Mas o evangelismo pode ser libertador no sentido de que permite a emergência e a elaboração de certos problemas humanos e sociais muito importantes. É libertador no sentido de que nos tira de uma situação em que há uma religião dominante; precisamos ter visões alternativas, críticas. Mas tudo depende das lideranças. No caso do Brasil, eu não entraria na igreja do bispo (Edir) Macedo.