Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
Palavras, palavras, palavrasBebendo-as pelos buracos dos ouvidos.
Dante AlighieriCapítulo XIV
"Condenado o erro de outrem, como consta naquela parte que se apoiava nas riquezas, infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. Esta condenação é feita naquela parte que começa: Nem aceitam que homem humilde se torne nobre. Condena-se isso primeiramente por uma razão que leva os mesmos a errar desse modo; e depois, para maior confusão deles, também essa razão é destruída. Isso é feito quando se diz: Disso se segue o que antes propus. Por fim, comprova-se que seu erro é evidente, sendo já tempo de acatar a verdade, o que consta nessa parte do texto: Porque para intelectos sadios." pp. 175-176
O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha
Publicado em 03/05/2026 - 08:34 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política
A rejeição da indicação de um indicado de Lula ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que foi fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação não explica tudo
A crise do florianismo, que pôs fim à chamada República da Espada, e a consolidação da República Oligárquica ajudam a iluminar, por contraste histórico, o momento atual da política brasileira. A dificuldade do marechal Floriano Peixoto em exercer plenamente sua autoridade sobre o sistema político — inclusive no que diz respeito à nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal —, não foi um acidente institucional, mas o sintoma de uma correlação de forças em mutação, na qual as oligarquias agrárias emergiam como poder decisivo em relação aos militares e outros setores da sociedade.
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Ao assumir a Presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, Floriano governou sob estado de exceção permanente, enfrentando a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. Sua liderança, de caráter militar e centralizador, apoiava-se mais na força do que na mediação política. Isso enfraqueceu sua capacidade de construir uma base civil duradoura. Nesse contexto, houve o bloqueio às suas indicações para o Supremo. A Constituição de 1891 previa a participação do Senado na aprovação dos ministros, mas o que se observou foi a crescente capacidade de veto das oligarquias regionais, sobretudo aquelas ligadas à economia cafeeira paulista e às elites agrárias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
A elite agrária, organizada em torno de interesses econômicos e redes clientelistas, impôs limites concretos à autoridade presidencial. Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano viu-se constrangido à lógica da negociação oligárquica. A eleição de Prudente de Moraes consolidou essa mudança. Primeiro presidente civil, Prudente representava a vitória do pacto entre as oligarquias regionais, que estruturariam a chamada “política dos governadores” e o sistema de alternância entre São Paulo e Minas — a “política do café com leite”.
A República deixava de ser um projeto militar e passara a ser um arranjo oligárquico, baseado no controle do voto, no mandonismo local e na captura das instituições. Os fundamentos da República Velha estavam assentados também na mediação do Congresso como espaço de barganha entre elites e a subordinação do Executivo a essas correlações de força. O presidente continuava formalmente poderoso, mas sua autoridade dependia da capacidade de articular interesses dispersos, o que Floriano não sabia fazer.
A crise de 1929 devastou a economia brasileira, baseada no café, ao derrubar os preços internacionais e as exportações para os Estados Unidos. Contribuiu para a Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha. Com forte apoio militar, Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda e governador do Rio do Grande do Sul, derrubou o governo Washinton Luiz e assumiu o poder.
Correlação de forças
A rejeição da indicação de um indicado do presidente da República ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que é fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação até seria suficiente para explicar os 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção em relação ao wx-advogado-geral da União Jorge Messias. Mas o que ocorreu vai além da insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia sugerido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para cargo. Lula preferiria que o senador mineiro fosse seu candidato a governador em Minas Gerais, porém, agora, não será nem uma coisa nem outra, até porque não quer.
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Na sequência, a derrubada pelo Congresso, sob comando de Alcolumbre, dos vetos presidenciais ao projeto de lei que diminui as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra que há algo mais profundo, assim como ocorreu com Floriano. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos contra o veto e 144 a favor, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra.
Qualquer nome que seja indicado por Lula antes das eleições, sem acordo com o Centrão, também será derrubado. Se insistir, o presidente passará pelas agruras de Floriano, que teve cinco indicados barrados pelos senadores: o médico Cândido Barata Ribeiro, os generais Ewerton Quadros e Demóstenes Lobo e os advogados Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro. Guardadas as proporções históricas, as duas votações revelam uma mudança de correlação de forças políticas do país.
Qualquer iniciativa que não leve isso em conta estará fadada ao fracasso. O chamado “Centrão ampliado” cumpre, hoje, papel semelhante ao das oligarquias da Primeira República: não é uma força ideologicamente coesa, mas um bloco pragmático, orientado pela lógica da sobrevivência política e da maximização de recursos. Apoia o governo enquanto isso lhe for conveniente, mas não hesita em se alinhar à oposição quando a expectativa de poder se desloca. Esse deslocamento está em curso.
O Congresso se move não apenas em função do Palácio do Planalto, mas das eleições de 2026. Há, contudo, uma diferença importante. Na República Velha, o poder oligárquico se exercia de forma relativamente estável, baseado em estruturas sociais rígidas e no controle do voto. No Brasil atual, a dinâmica é mais fluida, mediada por pesquisas de opinião, redes sociais e ciclos eleitorais mais curtos, além de uma derrama de emendas parlamentares impositivas. Ainda assim, o padrão se repete: a captura do sistema político por interesses regionais organizados, em detrimento de projetos nacionais mais amplos.
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palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
Em depoimento ao Correio, Ivan Valente fez declarações à companheira, Vera Lúcia: "Agora é um encontro de corpo e de alma" - (crédito: Arquivo pessoal)
Foto de perfil do autor(a) Evandro ÉboliHistória de amor e lutaDeputado do PSol faz transplante de rim e doadora é sua mulherIvan Valente (PSol-SP) passou por cirurgia em São Paulo; Vera Lúcia Valente, sua companheira desde a clandestinidade, tinha tipagem de sangue compatível
Evandro Éboli +
postado em 26/10/2023 16:23 / atualizado em 26/10/2023 17:30
No seu oitavo mandato como deputado federal, Ivan Valente (PSol-SP) passou por um sobressalto no seu quadro de saúde, mas se recupera bem e retornou esta semana aos trabalhos na Câmara. A patologia que afeta o parlamentar envolve a presença de cistos nos dois rins, doença conhecida como rim policístico, que ataca o tecido e compromete a filtragem do sangue.Sempre elas, as Valentes, nos rins e nos ringues - Vera Lúcia - presentes nos corações
domingo, 3 de maio de 2026
A despedida do jacobino, por Bernardo Mello FrancoO GloboVeterano do PSOL anuncia que não disputará nono mandato de deputado federal: "A idade pesa, e a política precisa de renovação"
No dia 19 de março, Ivan Valente subiu à tribuna da Câmara para pedir a cassação de deputados do PL que desviaram dinheiro de emendas. Conhecido pelo tom combativo, aproveitou para provocar os “capachos da elite”, criticar as guerras de Donald Trump e descer a lenha em Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
O deputado do PSOL não mencionou, mas era seu último discurso após oito mandatos em Brasília. Suplente da federação com a Rede, ele teria que devolver a cadeira à titular Marina Silva. Sem alarde, despediu-se dos aliados e avisou que não seria mais candidato. Estava encerrando a carreira parlamentar.
“Outro dia, ouvi o Martinho da Vila dizer que saber parar é uma virtude. Eu também estou nessa”, brinca Valente, que fará 80 anos em julho. “Foi uma decisão bem pensada. A idade pesa, e a política precisa de renovação”, defende.
Em 2023, o veterano se submeteu a um transplante de rim, que o afastou da Câmara por três meses. A doadora foi sua mulher, Vera Lúcia. Perseguidos pela ditadura, os dois se conheceram na clandestinidade. Valente passou sete anos nas sombras até ser capturado em 1977, quando militava no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP). Preso no DOI-Codi do Rio, apanhou no pau de arara, levou choques elétricos e ficou na geladeira, cubículo onde os presos eram confinados sem luz, água ou comida.
A tortura deixou sequelas físicas, mas não abalou suas convicções socialistas. Depois da Anistia, ele dirigiu o jornal alternativo Companheiro e ajudou a criar o PT. Elegeu-se para o primeiro mandato em 1986, como deputado estadual. Mais tarde, deixaria o partido para participar da fundação do PSOL. Tachado de radical, incorporou a palavra ao slogan de campanha.
Como outros parlamentares de sua geração, Valente andava desanimado com o Congresso. “O nível caiu muito, a mediocridade está grande. Até o convívio com os adversários já foi mais civilizado”, lamenta. “Sempre tive amigos no PSDB. Hoje a Câmara está cheia de deputados toscos, extremistas, napoleões de hospício. Com muita gente, não dá nem para conversar”.
Na quinta-feira, ele assistiu pela TV à derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e seus comparsas. “É um escárnio. Estão normalizando uma tentativa de golpe que não se consumou por um triz”, indigna-se.
O decano do PSOL prega que o governo dê um “giro à esquerda” para tentar sair da lona. “O Centrão já escolheu seu candidato. Se Lula quiser ganhar a eleição, terá que virar a chave, defender pautas que interessem aos trabalhadores e convocar a militância para voltar às ruas. A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento”, defende.
Há três anos, a Comissão de Anistia reabriu o processo de Valente, que havia sido arquivado no governo passado. Ele ouviu um pedido formal de desculpas pela tortura e recebeu indenização de R$ 332 mil pelo período em que foi impedido de trabalhar como engenheiro e professor de matemática. Na cerimônia, quebrou o protocolo e pediu para não discursar no local reservado, à direita da plateia. “Como jacobino, falo sempre pela esquerda”, justificou, arrancando risadas do público.
“Em 29 anos na Câmara, nunca usei a tribuna da direita, nem em sessão solene”, orgulha-se o agora ex-deputado. Sem mandato, ele promete continuar ativo nas redes e nas ruas. Na sexta, participou de live e bateu ponto em ato pelo Dia do Trabalhador. “Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política”, promete.
Audiolivro | Dom CasmurroCurta-metragem: "A Saga de Bento Santiago, o Dom Casmurro"SALA DE LEITURA - PROFª CATARINA L. M. VAGETI
VERTICALIDADE E SOLIDÃO: A AUSÊNCIA DE ALTERIDADE NOS VELÓRIOS DE BENTO SANTIAGO
A trajetória de Bento Santiago, o Dom Casmurro, é a crônica de uma subjetividade incapaz de alteridade. Como aponta o introito de Dante em seu Banquete, o erro daqueles que atrelam a nobreza ao tempo ou à posse — a "antiga riqueza" — reside na cegueira diante da essência humana. Bentinho, herdeiro de uma elite fluminense estagnada, comete erro análogo: busca a nobreza do ser na manutenção de uma hierarquia rígida, revelando-se um caráter incapaz de transitar na horizontalidade democrática do afeto. Através da análise dialética de dois momentos fúnebres — os velórios de Manduca e de Escobar — emerge uma tese sombria: Bento nunca conheceu a amizade, pois nunca concebeu a existência do "outro" fora de uma relação de domínio ou de anulação.No primeiro velório, deparamo-nos com um caráter em formação, onde o germe da crueldade machadiana se manifesta no desprezo pela fragilidade de Manduca. O filho do vendeiro, o "outro" socialmente inferior, ousara vencer Bento no campo do intelecto ao acertar o prognóstico da Guerra da Crimeia. A morte de Manduca, para o pequeno Bento, não é uma tragédia humana, mas um ajuste de contas cósmico. Diante do cadáver, Bentinho sente a voluptuosidade da sobrevivência. Ele massacra "de cima": a vida física de Bento é a sua prova final de superioridade sobre a razão de Manduca. Ali, a amizade é impossível porque o amigo é visto como um competidor que a natureza, providencialmente, eliminou para restaurar o orgulho de classe e a vaidade do protagonista.No segundo velório, o de Escobar, encontramos o caráter aparentemente já formado, mas que em essência é apenas a sofisticação daquela mesma inabilidade horizontal. Se com Manduca a relação era de esmagamento, com Escobar — o jovem brilhante, prático e bem-sucedido — a relação fora de anulação. Bento não é amigo de Escobar; ele é um satélite de sua inteligência. A admiração que nutre pelo ex-companheiro de seminário é, na verdade, uma forma de parasitismo existencial. Quando Escobar morre, o que Bento lamenta não é a perda da companhia, mas a perda do espelho onde sua própria insegurança se refugiava.A transição entre os dois episódios revela a "verticalidade" patológica de seu caráter, ecoando a crítica da professora Eliana na histórica assembleia da ADUFRJ: Bento é incapaz de estabelecer trocas equânimes, vulneráveis e simétricas. No velório de Escobar, a verticalidade se manifesta na paranoia: ele se coloca na posição de juiz supremo, escrutinando o olhar de Capitu para condenar tanto o morto quanto a viva. A dor pela perda de Escobar é substituída pelo cálculo frio do ciúme. O velório deixa de ser um rito de passagem para tornar-se um tribunal inquisitório onde Bento, do alto de sua pretensa infalibilidade, destrói os laços que o ligavam à humanidade.Em suma, Bento Santiago é o arquétipo do isolamento aristocrático da alma. Seja pelo desprezo (Manduca) ou pela idolatria transformada em ódio (Escobar), ele permanece encerrado em si mesmo. A tese de que Bento não teve amigos confirma-se pela sua incapacidade de habitar o plano comum. Para ele, o outro é sempre um degrau ou um abismo, jamais o solo. Dom Casmurro é, portanto, o relato final de um homem que, por só conseguir olhar para cima ou para baixo, terminou por não ver ninguém. Como Dante bem concluiu, para intelectos sadios, o erro de Bento é evidente: a nobreza da vida não reside no tempo de posse ou na vitória sobre o outro, mas na capacidade de reconhecê-lo como igual.
No Capítulo XIV do Quarto Tratado de O Banquete, Dante Alighieri inicia a refutação da definição de nobreza baseada na herança de riquezas, argumentando que a verdadeira nobreza é uma semente de virtude divina. O autor desconstroi a ideia de que a posse de bens materiais confere nobreza, defendendo que esta é uma qualidade ética da alma, e não uma herança familiar.
Publicado entre 1304 e 1307, a obra Banquete é conhecida como o tratado filosófico escrito pelo poeta e filósofo italiano Dante Alighieri (1265-1321). Como o título em si, é um livro que pretende oferecer um banquete de sabedoria, principalmente aos pobres e marginalizados da cultura das letras da Idade Média. A obra funciona como um elogio do amor, da nobreza de alma e, ao mesmo tempo, uma crítica rígida contra a nobreza medieval de cunho político, contra muitos dos valores estabelecidos pela sociedade da época e contra a falsa moral.
Nasceu na cidade de Florença no ano de 1265. Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos filósofos escolásticos. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta"). E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental.
Palavras
Gonzaguinha
Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais
Palavras, palavras, palavras
Você só fala, promete e nada faz
Palavras, palavras, palavras
Desde quando sorrir é ser feliz?
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia!
Composição: Gonzaguinha.Marisa Monte - Palavras ao VentoDante Alighieri, the Father of italian language
12 Expressions and Words invented by DANTE that Italians still use NOWADAYS
As many know, Dante Alighieri was a great Italian writer and poet, famous above all for his masterpiece, the Divine Comedy. What many people do not know, however, is that it is thanks to him that words or expressions previously unknown or little widespread have become part of our language. That is why he is considered “the father” of our modern Italian!
Dante Alighieri, the Father of italian language1. “Molesto” – “Annoying”
This adjective that comes from the Latin means “irritating”, “bothersome”; it was a term already widespread in Dante’s time, but it is surely thanks to him that it has acquired popularity and its diffusion has increased. In fact, the adjective “harassing” is present both in songs of Hell and Paradise. In particular, when one of his ancestors announces to Dante the future that awaits him, nothing pleasant in short.
2. “Fertile”
This Latinism has reached the common language thanks to the Divine Comedy, in particular to Paradise, in which Dante describes the birthplace of Saint Francis as a “fertile coast”. The adjective “fertile” comes from the ferre verb, which means “to bring, to produce”, hence the meaning of today’s “fruitful, productive”.
3. “Quisquilia” – “Cinch”
This term also comes from the Latin (what’s new!), where it meant “straw”; so over time he went to metaphorically indicate “trifle, smallness”, meaning issues of little importance. “Quisquilia” has been used since 1321, but thanks to Dante it has acquired the meaning we know today in the passage in which it describes how Beatrice manages to eliminate every “quisquilia” from the eyes of the poet, every impurity, to save it.
4. “Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate” – “Abandon all hope, ye who enter here”
This expression has now become a proverb. It is the engraving that is on the door of Hell, the place of eternal punishment, and today it is used as an ironic warning or with a bitter tone to those who are about to enter a place or a situation that could prove dangerous.
5. “Galeotto fu…” – “It all started…”
This expression is taken from the song of Paolo and Francesca and in the original version ends with “‘the book and who wrote it”; today, however, it is completed with anything. Paolo and Francesca are brothers-in-law and fall in love with each other by reading a book on the adventures of Lancelot and the knights of the Round Table. Galeotto, there, was a person who betrayed King Arthur by pushing Queen Guinevere into Lancelot’s arms. In the same way, the book metaphorically pushes Francesca into the arms of Paolo giving birth to the spark of love, for which they will be killed by Francesca’s husband, Paolo’s brother. Today, this expression is used to indicate an object, a person or an event considered “spark” for the birth of a love relationship… and not only. For example, I started to get into the English language thanks to the TV series Gossip Girl. So, if someone asks me “Why did you decide to study English?” I could answer “Well…it all started with Gossip Girl”.
6. “Fatti non foste a viver come bruti…” – “Ye were not made to live like unto brute…”
These are the words that Ulysses addresses to his companions in song XXVI of Hell, asking them to think of their origin: as human beings, they were not created to live as animals, but to pursue nobler goals, such as virtue and knowledge. He uses this phrase to convince them to go beyond the limits of the then known world and go beyond, to discover new things. Today, the expression is used with the same meaning: it is an invitation not to behave like beasts, but to follow virtue and science as great ideals.
7. “Stai fresco” – “Safe and sound (ironic)”
This expression, widely used in spoken Italian, derives from the very structure of Dante’s Inferno. In the ninth circle, that is, the lowest, the worst, where there are traitors, so worse sin for Dante, «sinners stay fresh», as they are condemned to be immersed completely or almost (depending on the gravity of sin) in the eternal ice. This image has remained in the daily Italian to indicate something that will end badly. For example, there is a friend of mine, Stefania, who would like to cook cakes, but she just can’t do it, they always come out very badly. So, when we organize dinners with friends and she says “I bring the dessert”, everyone says “Oh perfect, we’re safe and sound then!”.
8. “Mesto” – “Sad”
This adjective comes from the Latin maestus, which means “to be sad, sorrowful” and is introduced for the first time by Dante in Hell, where it indicates sinners, who are, of course, “sad”.
9. “Non mi tange” – “I don’t care”
This expression means “I do not worry, it does not even touch me, I do not care”, and is pronounced by Beatrice, descent into Hell, which is not at all disturbed by the environment and misery of the damned, because it is a divine creature. Even today, we use this expression a lot to indicate that something is of little interest to us. For example, if everyone is worried about who will be the winner of the Champions League at the time of the final, I could say that “It doesn’t cost me”, because I don’t care much about football.
10. “Cosa fatta, capo ha” – “What is done, is done”
This was a Tuscan proverb, now entered the standard Italian, which means that everything is done with a purpose, a goal and, once done, can not be undone, undone, you can not go back. It is often used to put an end to discussions about things that have now happened, because they are useless.
11. “Non ragioniam di lor, ma guarda e passa” – “Let us not talk of them, but look and pass”
This expression (also known in the version “Non ti curar di lor, ma guarda e passa”) is said by Virgil to Dante when they are among the ignorant, people who in life had never taken a position and had never sided. Virgil suggests that Dante treat them in the same way they did in life. Today, this expression is used a lot to indicate, more generally, “do not pay attention to people, to what people say or do”. For example, if a friend is very criticized for his way of dressing, we could say “Don’t care about them, but watch and pass”, in the sense of “show themselves superior to their useless criticisms, look at them with contempt, but do not attack them too, avoiding to descend to their level”.
12. “Il fiero pasto” – “The fierce meal”
With this expression, we indicate a bestial, inhuman, absurd meal. In fact, Dante uses it in reference to the meal of Count Ugolino. These, in life, had been imprisoned in a tower along with his children and grandchildren, condemned there without food or water. At the time of hunger, however, according to legend, Ugolino ate the bodies of his own children and grandchildren. Here, then, the fierce and inhuman meal.
Did you already know these expressions? Did you already hear them? I am sure that now that we have talked about them, you will always hear them! Because they really are very common, especially in spoken language. I advise you to use them when you are in conversation with Italians, you will see their faces surprises, as if to say: “But how do you know this expression?”.
If you want to learn more about the history of the Divine Comedy, you can watch our hilarious video dedicated to this masterpiece of Italian literature.
Esercizio: Espressioni e Parole inventate da Dante
Test sulle espressioni e parole create da Dante Alighieri che usiamo ancora oggi. Scopri quanto conosci del lascito linguistico del Sommo Poeta. Esercizio gratuito per studenti di italiano.
versão final limpa, organizada e pronta para publicação direta (HTML leve, consistente e sem excessos):
Palavras, palavras, palavras
Bebendo-as pelos buracos dos ouvidos.
Dante Alighieri
Capítulo XIV — O Banquete
"Condenado o erro de outrem [...] infere-se que deva ser condenada aquela parte que afirma que o tempo é causa de nobreza, ao dizer antiga riqueza. [...] Porque para intelectos sadios."
(pp. 175–176)
O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha
Publicado em 03/05/2026 — Luiz Carlos Azedo
A rejeição de uma indicação ao Supremo não ocorria desde Floriano — e não se explica apenas por articulação política.
A crise do florianismo e a consolidação da República Oligárquica ajudam a compreender o momento atual da política brasileira. A dificuldade de Floriano Peixoto em exercer autoridade revelou uma mudança na correlação de forças, com o fortalecimento das oligarquias agrárias.
Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano foi constrangido à negociação política. A eleição de Prudente de Moraes consolidou o poder civil e o pacto oligárquico.
Correlação de forças
Hoje, o chamado “Centrão ampliado” exerce papel semelhante: um bloco pragmático, orientado por interesses eleitorais. O Congresso se move cada vez mais com autonomia, mirando as eleições de 2026.
Conclusão: qualquer iniciativa que ignore essa dinâmica tende ao fracasso.
Palavras. A ética da responsabilidade começa onde termina a ilusão de inocência.
História de amor e luta
Deputado do PSOL faz transplante de rim com doação da esposa
Ivan Valente passou por cirurgia em São Paulo após complicações renais. A doadora foi sua companheira, Vera Lúcia, com quem compartilha uma trajetória desde a clandestinidade política.
A história une militância, resistência e afeto.
A despedida do jacobino
Por Bernardo Mello Franco
Veterano do PSOL, Ivan Valente encerra sua trajetória parlamentar após décadas de atuação política, marcadas por militância, resistência e coerência ideológica.
“Saber parar é uma virtude.”
Dom Casmurro: verticalidade e solidão
A trajetória de Bento Santiago revela uma subjetividade incapaz de reconhecer o outro como igual. Inspirado na crítica de Dante à falsa nobreza, o romance de Machado de Assis expõe uma alma aprisionada na hierarquia e no ciúme.
Nos velórios de Manduca e Escobar, evidencia-se a incapacidade de amizade: ora pelo desprezo, ora pela anulação.
Bento não habita o plano comum — vê o mundo apenas como superioridade ou inferioridade.
Conclusão: a verdadeira nobreza está na capacidade de reconhecer o outro.
O Banquete — Dante Alighieri
Escrito entre 1304 e 1307, o livro refuta a ideia de nobreza baseada na riqueza e defende a nobreza como virtude da alma.
Trata-se de um elogio do conhecimento, da ética e da dignidade humana.
Palavras — Gonzaguinha
Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais...
Composição: Gonzaguinha
Vídeos
Dom Casmurro (audiolivro)
Curta: A Saga de Bento Santiago
Marisa Monte — Palavras ao Vento
Dante e a língua italiana
Dante e a linguagem
Molesto — irritante
Fértil — produtivo
Quisquilia — coisa sem importância
“Abandonai toda esperança”
“O feito está feito”
Entre política, literatura e música, permanece o mesmo eixo: as palavras — que constroem, iludem, revelam e também traem.
Se quiser, posso dar um próximo nível nisso:
otimizar para SEO (título, meta, slug)
adaptar exatamente para Blogger (sem quebrar layout)
ou
transformar em versão mais “editorial”/revista
Líder do governo usa gravata da sorte de Lula em sabatina de MessiasMetrópolesO líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco.O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU. Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles
Entre a convicção e o controle: a prova silenciosa do poder
Há momentos em que o direito deixa de ser apenas norma e se revela como drama. Não o drama retórico dos discursos preparados, mas aquele, mais exigente, em que a linguagem falha e, com ela, expõe-se o próprio sujeito diante da responsabilidade que pretende assumir. Foi nesse intervalo — entre o que se quis dizer e o que efetivamente se disse — que se evidenciou uma tensão antiga, descrita com precisão por Max Weber: a tensão entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade.
O procurador-geral, ao sustentar sua posição, buscou delimitar três planos: a convicção pessoal, a posição institucional e a decisão jurisdicional. A arquitetura era correta. Trata-se, afinal, do núcleo da racionalidade jurídica moderna: a separação entre o sujeito que pensa, o agente que atua e o juiz que decide. No plano do controle constitucional, essa distinção não é apenas desejável — é indispensável. Sem ela, o direito se dissolve na vontade; com ela, pretende-se conter o arbítrio pela forma.
Mas o direito, como já sugeria Weber, não se sustenta apenas na correção conceitual. Ele exige uma ética da condução. E conduzir, nesse contexto, significa suportar o peso das consequências — inclusive as consequências da própria palavra.
O que se observou não foi a ausência de teoria, mas a falha em sua encenação prática. Ao embaralhar a ordem dos elementos que pretendia distinguir, o sabatinado não apenas cometeu um deslize formal; ele deixou entrever a dificuldade de habitar, com precisão, o espaço que separa convicção e responsabilidade. E é precisamente nesse espaço que se constitui a autoridade de quem pretende exercer funções no topo do sistema de controle constitucional.
O Supremo Tribunal Federal, enquanto instância última de interpretação da Constituição, não opera no registro da intenção, mas no da consequência. Seus membros não são avaliados apenas pelo que pensam, mas pela capacidade de transformar pensamento em decisão estável, compreensível e institucionalmente defensável. A linguagem, nesse cenário, não é ornamento: é instrumento de poder. Quando falha, não compromete apenas a forma — fragiliza a confiança na substância.
A ética da convicção, isoladamente, poderia justificar qualquer coerência interna. A ética da responsabilidade, por sua vez, exige algo mais difícil: a antecipação dos efeitos, a contenção de si e a clareza diante do outro. Para Weber, a maturidade política reside justamente na capacidade de sustentar ambas sem colapsar em nenhuma. O que se viu, porém, foi um curto-circuito: a convicção não encontrou forma, e a responsabilidade não encontrou expressão.
Nesse sentido, a sabatina não foi apenas um ritual institucional. Foi um teste de vocação no sentido mais exigente do termo weberiano. Não se tratava de verificar adesões ideológicas, mas de aferir a capacidade de operar o direito sob as condições reais do poder — onde o tempo é curto, a pressão é alta e o erro não é neutro.
A decisão dos senadores, nesse contexto, não pode ser reduzida à metáfora da omissão. Ao contrário, ela expressa o exercício — ainda que permeado por interesses — de uma responsabilidade política concreta. Ao avaliar aquele que, potencialmente, viria a julgar seus próprios atos, o Legislativo não busca pureza, mas previsibilidade. E previsibilidade, no direito, começa pela clareza.
Há, por fim, uma ironia silenciosa nesse episódio. O esforço do sabatinado foi o de afirmar que saberia separar suas convicções das exigências do cargo. O efeito produzido, entretanto, foi o oposto: revelou-se a dificuldade de sustentar essa separação justamente quando ela se tornava necessária.
O direito constitucional contemporâneo não carece de intérpretes que saibam o que dizer. Carece, antes, daqueles que saibam dizer quando importa — e como importa. Entre a convicção e a responsabilidade, não há espaço para hesitação performativa. Há, sim, a exigência de uma lucidez que não se aprende apenas nos livros, mas se prova na exposição pública do próprio juízo.
E é nesse instante — breve, decisivo e irreversível — que o direito deixa de ser teoria e se transforma, definitivamente, em poder.
Pilate Washing His Hands, from "The Passion"Albrecht Dürer German
1512
🪶 Legenda
Se Max Weber estivesse diante dessa gravura, a leitura seria quase inevitável
Aqui não se vê a abdicação do poder, mas sua forma mais sutil: a tentativa de dissociar a decisão de suas consequências. A mão que se lava não anula o ato que já se consumou. Entre a convicção íntima e a responsabilidade objetiva, não há água suficiente que purifique o agente do mundo que ele próprio ajuda a produzir. Quem decide, responde — ainda que o faça sob o abrigo de fórmulas, ritos ou palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
✔️
“E não mais ensinará cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: — Conhece o Senhor! Porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.” — Paulo. (HEBREUS, 8.11)Pão Nosso #041 - No futuroNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 19 de jul. de 2022
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.1 Quando o homem gravar na própria alma os parágrafos luminosos da Divina Lei,
2 O companheiro não repreenderá o companheiro, o irmão não denunciará outro irmão.
3 O cárcere cerrará suas portas, os tribunais quedarão em silêncio.
4 Canhões serão convertidos em arados, homens de armas volverão à sementeira do solo.
5 O ódio será expulso do mundo, as baionetas repousarão.
6 As máquinas não vomitarão chamas para o incêndio e para a morte, mas cuidarão pacificamente do progresso planetário.
7 A justiça será ultrapassada pelo amor.
8 Os filhos da fé não somente serão justos, mas bons, profundamente bons.
9 A prece constituir-se-á de alegria e louvor e as casas de oração estarão consagradas ao trabalho sublime da fraternidade suprema.
10 A pregação da Lei viverá nos atos e pensamentos de todos, porque o Cordeiro de Deus terá transformado o coração de cada homem em tabernáculo de luz eterna, em que o seu Reino Divino resplandecerá para sempre.
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.41NO futuro
"E é essa busca pela beleza que fez o escritor e pintor japonês Okakura Kakuzô dizer que “a única flor dotada de asas é a borboleta”. Pois a borboleta, como a índia Libertina, nasceu para voar e ser absolutamente livre."*Ivan Alves Filho, historiadorPois é, flor!
É de notar-se a presença dos irmãos e pais de Eurípedes, já então, conversos ao espiritismo, assinalando expressivamente o sakytar amagnetismo, que a pessoa e o trabalho de Eurípedes provocavam no âmbito familiar.
(...)
"Tudo bem até a madrugada, quando fui vencido pelo sono e Pedro fugiu.
Quando acordei, pela manhã, e me dei conta do ocorrido fiquei preocupado, evidentemente.
De repente, o Pedro chega e me diz:
- Voltei, Mutum, porque é você."
EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO
CORINA NOVELINO
pp. 96-98
Haroldo Dutra Dias - Parábola dos Talentos - Texto e ContextoCEEB - Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo
4 de ago. de 2016 Novo Testamento
Áudio da palestra "Parábola dos Talentos - Texto e contexto" proferida por Haroldo Dutra Dias em Rondonópolis - MT no dia 31/07/2016 transmitido pela Web Rádio Fraternidade.Acesse e confira a programação, podendo ouvir esta e outras palestras em www.radiofraternidade.com.br.Parábola dos talentos – O Evangelho Segundo o EspiritismoCap. 16 - Servir a Deus e a Mamon6 – Porque assim é como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens. E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo. O que recebera pois cinco talentos, foi-se, e entrou a negociar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que havia recebido um, indo-se com ele, cavou na Terra, e escondeu ali o dinheiro de seu senhor. E passando muito tempo, veio o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. E chegando-se a ele o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregastes cinco talentos; eis aqui tens outros cinco mais que lucrei. Seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo do teu senhor. Da mesma sorte apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, e eis aqui tens outros dois que ganhei com eles. Seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel, já que fostes fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de teu senhor.
E chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na Terra; eis aqui tens o que é teu. E respondendo o seu senhor, lhe disse: Servo mau e preguiçoso, sabia que sego onde não semeei, e que recolho onde não tenho espalhado. Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido certamente com juro o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai ao que tem dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem. E ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes. (Mateus, XXV: 14-30).
ESE: cap. 16 - Servir a Deus e a MamonO evangelho segundo o espiritismo online
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O Livro dos Espíritos. 150 Anos Capa dura – 25 julho 2007
Edição Português por Allan Kardec (Autor)
4,8 4,8 de 5 estrelas (1.361)
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Esta edição de 'O Livro dos Espíritos' apresenta, além de seu conteúdo, algumas modificações tais como - O aviso introdutório, em que Allan Kardec faz uma apreciação da obra, destacando as diferenças entre a 1ª e 2ª edição, sobretudo o aumento do número de perguntas, de 501 para 1019; A nota explicativa que se segue ao 'Prolegômeno'; A errata que só apareceu na 5ª edição francesa, de 1861, não tendo sido incorporada ao texto do livro nas edições posteriores, salvo a supressão da expressão 'e intuitiva', na resposta à pergunta de número 586 constada a partir da 10ª edição francesa, de 1863.
📌 Sinopse(estilo legenda)
A edição comemorativa de O Livro dos Espíritos reúne o texto original revisado por Allan Kardec com acréscimos históricos importantes. Segundo a editora, esta versão inclui o aviso introdutório (com análise das diferenças entre a 1ª e 2ª edição, destacando o aumento de 501 para 1019 perguntas), a nota explicativa após o “Prolegômeno” e a errata da 5ª edição francesa (1861), além de ajustes posteriores como a supressão da expressão “e intuitiva” na questão 586 a partir de 1863.
📖 Resumoem texto corrido
A apresentação explica que esta edição especial foi baseada nos originais franceses, especialmente na segunda edição de 1860, considerada a base do conteúdo, com revisões feitas por Allan Kardec ao longo das edições seguintes, sendo a 12ª a versão definitiva. A obra incorpora materiais adicionais relevantes, como o aviso introdutório, a nota explicativa e a errata, que ajudam a compreender a evolução do texto ao longo do tempo. Publicada em comemoração aos 150 anos do livro, a edição também expressa gratidão aos Espíritos Superiores e reconhece o papel de Kardec na organização da doutrina espírita, apresentada como continuidade dos ensinamentos de Jesus e como caminho para a evolução moral da humanidade.
O Elogio da Miséria Conveniente: Um Guia para o Trabalhador Moderno
É comovente, se não estritamente científico, observar a dedicação com que os doutos de nossa República cuidam de vosso sustento. Enquanto o senhor, meu caro operário ou aposentado, ocupa-se na vulgar tarefa de contar moedas para o quilo do feijão, há homens de espírito elevado em Brasília que se dedicam a um exercício de abstração muito mais nobre: a estatística.
I. A Doce Miragem da Remuneração
Não confunda, por favor, a “remuneração” com o “salário”. A lei, em sua infinita bondade, permite que o senhor receba gorjetas, bônus por não ter adoecido e gratificações por ter dobrado o espinhaço. Mas o “salário base” — aquele que o senhor realmente leva para a aposentadoria — este permanece numa modéstia monástica.
É uma virtude quase espiritual: quanto menos se recebe, menos se gasta com as futilidades da carne. O “vencimento” é o nome que o Estado dá à mesma coisa, mas com um verniz de autoridade, para que o funcionário público sinta-se um pouco menos pobre por possuir um título mais solene.
II. O Salário Mínimo e a Dieta da Prosperidade
O salário mínimo de 2026, fixado em R$ 1.621,00, é uma obra-prima da engenharia econômica. Calculado com tal precisão que o senhor terá exatamente o necessário para não morrer de fome — mas jamais o suficiente para ter energia para uma revolta.
O “aumento real” — aquele acréscimo de 2,5% acima da inflação — é o que chamamos de generosidade estatística. Na planilha do governo, o senhor está mais rico; no caixa do supermercado, o senhor apenas descobre que o papel-moeda continua sendo um material muito frágil.
III. A Inflação: Um Imposto para os Esquecidos
Os técnicos falam em médias elegantes que incluem passagens aéreas e televisores de última geração. Se o preço do caviar cai e o do gás de cozinha sobe, a média sorri e declara: “está tudo sob controle”.
Que maravilha! O senhor, que não consome luxo, mas precisa cozinhar e comer, torna-se vítima de sua própria insistência em ter necessidades básicas. A inflação do pobre é mais severa porque insiste em atingir exatamente aquilo que ele não pode deixar de comprar.
IV. A Ironia da Estabilidade
O atual regime social brasileiro alcançou uma estabilidade admirável: mantém o trabalhador em estado constante de esperança. Ele acredita que o reajuste o salvará — enquanto o sistema garante que o reajuste apenas o devolva ao ponto de partida.
É o mito de Sísifo reescrito: em vez de uma pedra, o senhor empurra um carrinho de compras vazio ladeira acima.
—
Se desejar, ó bravo mantenedor da nação, podemos aprofundar esta análise:
• As alíquotas que diminuem o presente em nome de um futuro igualmente modesto.
• A tributação que ignora o empobrecimento gradual.
• E o crédito que transforma sonhos simples em compromissos duradouros.
Feliz Dia do Trabalhador.
Vai, Mas Vai Mesmo
"O trabalho é um dever, todos devem respeitar
O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar
Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar
Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar
Eu vou trabalhar"
🎵 João Gilberto & Miúcha – Izaura (1973)
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s
🔗 https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/
🧭 Reflexão – Dia do Trabalhador
Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro.
🗣️ Debate público
“Valor do salário mínimo é muito baixo”, diz Lula
“Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz”
📰 Editorial
Mais uma chance para o STF
Por O Estado de S. Paulo
A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal representa um marco político relevante e um sinal claro de tensão entre os Poderes. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou um indicado presidencial à Corte, gesto interpretado como uma forma de censura institucional.
O episódio reflete um descontentamento crescente com o STF, frequentemente acusado de atuar com motivações políticas. Ao mesmo tempo, reposiciona o Senado como ator ativo no equilíbrio entre os Poderes.
O texto defende que o Supremo tem agora uma oportunidade de reavaliar sua atuação, resgatando limites institucionais e o chamado “prumo republicano”.
🎵 Ataulfo Alves – Vai, Mas Vai Mesmo
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
(trecho)
Composição: Ataulfo Alves
🔗 https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/
📰 Editorial
O problema da carona em jatinhos
Por O Estado de S. Paulo
A investigação sobre um voo envolvendo autoridades públicas reacende o debate sobre práticas informais em Brasília — como o uso de aeronaves privadas por agentes públicos.
Ainda que nem sempre configure ilegalidade, o texto destaca o problema institucional dessas relações, que podem comprometer a percepção de independência e integridade.
A crítica central é clara: a erosão das instituições começa nos pequenos gestos.
🎵 Tom Jobim – Samba do Avião
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
(trecho)
Composição: Tom Jobim
📰 Análise Política
O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia
Por Luiz Carlos Azedo
O artigo propõe uma leitura cultural da política brasileira:
São Paulo → espírito modernista (dinâmico, pragmático, em transformação)
Bahia → tradição barroca (irônica, crítica, marcada por permanências históricas)
A análise sugere que o comportamento eleitoral reflete essas matrizes culturais profundas, indo além de explicações puramente econômicas ou ideológicas.
🎵 Toquinho – Samba de Orly
Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
(trecho)
Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes
🧠 Bastidores políticos
A relação entre Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT reflete:
Alinhamento na corrente majoritária (CNB)
Diferenças de estilo:
Wagner → pragmatismo e articulação institucional
Dirceu → estratégia partidária e mobilização ideológica
Ponto central:
Uma parceria estratégica com tensões internas típicas de partidos longevos.
🎥 Vídeo – Jaques Wagner
🎥 Debate político – MyNews
📰 Análise crítica (UOL News)
“Uma enciclopédia de erros” em cinco meses
Sugestões de legenda:
📰 Neutra: análise crítica sobre políticas recentes
🧠 Analítica: síntese do debate político atual
⚖️ Crítica: avaliação dura da condução governamental
✍️ Literária: expressão de desencanto contemporâneo
📰 Opinião
O PT e seu programa sem futuro
Por Maria Hermínia Tavares
O texto critica o documento programático recente do PT por:
Falta de conexão com demandas reais da população
Ausência de foco em temas centrais (segurança, saúde)
Propostas genéricas e pouco operacionais
Conclusão: há um descompasso entre o partido real e sua formulação teórica.
🎵 Chico Buarque – Trocando em Miúdos
Eu bato o portão sem fazer alarde
E a leve impressão de que já vou tarde
(trecho)
🔚 Fecho editorial
“Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde.”
✅
Vai, Mas Vai Mesmo"O trabalho é um dever, todos devem respeitar
O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar
Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar
Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar
Eu vou trabalhar"JOÃO GILBERTO & MIÚCHA - Izaura1973
https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s
https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/
Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro."VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO É MUITO BAIXO", DIZ LULAPõe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Mais uma chance para o STF
Por O Estado de S. PauloRejeição de Messias foi uma espécie de ‘impeachment’ que colocou o Supremo numa encruzilhada: ou a Corte recobra o prumo republicano ou se sujeita a sanções de efeitos imprevisíveis
A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), evento inédito na história republicana recente, foi um potente sinal de alerta emitido pelo Senado. Considerando que, em 132 anos, jamais um indicado ao STF pelo presidente da República teve seu nome rejeitado pelos senadores, é correto afirmar que Messias já pisou no Congresso na manhã de quarta-feira passada como virtual ministro, crente que lá estava só para cumprir tabela. Assim, na prática, seu infortúnio pode perfeitamente ser lido como uma espécie de “impeachment” informal, algo semelhante a uma moção de censura a certos desvios que, reiteradamente, têm sido cometidos por ministros da Corte.
É claro que não assistimos a um arroubo inconsequente dos senadores. Em amplos segmentos da sociedade, grassa um profundo descontentamento com os rumos do STF, percebido, com razão, como um tribunal que age por motivações políticas e por um espírito de corpo que, à luz das implicações de alguns de seus integrantes no escândalo do Banco Master, soa como acobertamento. Os senadores não são alheios aos humores de suas bases. Por óbvio, capturaram a malaise e sinalizaram ao STF que o eventual impeachment de ministros não está só no radar do Senado – está na alça de mira.
Nesse sentido, a rejeição de Messias sepultou a ideia de que “impeachment” seria um termo impronunciável quando relacionado a ministros do STF. E sobre isso é bom que se diga que não se tratou de uma ameaça, mas antes da reafirmação de um instrumento constitucional legítimo que, até agora, apenas dormitava no campo das hipóteses. Logo, ao demonstrar capacidade de, a um só tempo, contrariar o governo e impor limites ao Supremo, o Senado reposicionou o impeachment de ministros no horizonte político do País.
Alguns no STF talvez acreditem estar blindados contra reveses no Senado pela circunstancial associação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), outro potencial implicado no caso Master. O fundo de pensão dos servidores públicos do Amapá, controlado por aliados de Alcolumbre, investiu milhões de reais em títulos podres emitidos por Daniel Vorcaro. Mas, se existe, esse mutualismo é frágil. Nada garante a reeleição do presidente do Senado no início da próxima legislatura. A depender do resultado das urnas, há, no mínimo, dois fortes candidatos à sucessão de Alcolumbre publicamente reconhecidos como tais: Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN).
Diante dessas perspectivas nada alvissareiras, o STF tem mais uma chance de se recolher, pôr a mão na consciência e recobrar o prumo republicano. Chega de ministros censurando cidadãos a torto e a direito por suas opiniões. Chega de ministros ameaçando e caluniando abertamente parlamentares no exercício do mandato, como fizeram Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Chega de concentração de poder na figura de Alexandre de Moraes, que há anos comanda com mão de ferro inquéritos que já deveriam ter sido encerrados. Chega de ministros que acham que têm o poder de falar pela Corte, como o calouro Flávio Dino, que foi à imprensa pontificar sobre uma ampla reforma do Judiciário, e Gilmar Mendes, que fez uma turnê de entrevistas para supostamente defender o STF, colhendo resultado diametralmente oposto. Chega de ministros que se põem acima das leis, infensos ao escrutínio público.
Louve-se, em sentido oposto, a postura do presidente do Supremo, Edson Fachin, que, ao comentar a decisão do Senado, relembrou que ainda há laivos de dignidade na mais alta corte do País. Sua nota pública – sóbria, respeitosa, democrática – reafirmou o papel do STF e mostrou por que apenas seu presidente deve falar em nome da instituição. A propósito, é vergonhosa a forma como Fachin tem sido tratado por alguns colegas, como se o comando informal do Supremo estivesse nas mãos de leões-de-chácara.
Em suma, o tranco da rejeição de Messias oferece a alguns ministros do Supremo uma nova oportunidade de reflexão, permitindo-lhes, se acaso quiserem, recalibrar sua atuação à luz dos limites que a Constituição impõe. Aproveitar ou desperdiçar a chance, com suas consequências, é escolha deles.
Vai, Mas Vai MesmoAtaulfo Alves
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Sai de vez do meu caminho
Dê a outro o seu carinho
Me abandone por favor, ai que dor
Você machucou meu peito
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor
Sai de vez do meu caminho
Dê a outro o seu carinho
Me abandone por favor, ai que dor
Você machucou meu peito
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor
Composição: Ataulfo Alves.
https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/
https://www.youtube.com/watch?v=An0jwdb0wvQ&t=5s
O problema da carona em jatinhosPor O Estado de S. PauloSuspeita de contrabando em voo no qual estavam parlamentares evidencia a relação cinzenta entre autoridades e empresários, considerada natural em Brasília, mas nociva às instituições
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em aeronave do empresário Fernando Oliveira Lima, investigado no âmbito da CPI das Bets, após a entrada irregular de bagagens no País. Durante a apuração, constatou-se que estavam a bordo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal diante da possibilidade de envolvimento de autoridades com foro, e imagens mostram um funcionário do empresário transportando volumes por fora do raio X com possível facilitação de um auditor fiscal.
Pode até ser que os parlamentares em questão não tenham nada a ver com o possível caso de contrabando, algo que só as investigações poderão mostrar, mas o episódio em si mesmo é obviamente constrangedor – e poderia ter sido perfeitamente evitado se os mencionados parlamentares tivessem recusado a carona, como deveria fazer qualquer político preocupado com sua imagem e com o respeito aos mais comezinhos princípios republicanos.
O problema é que, em Brasília, há práticas típicas, como a carona de parlamentares e magistrados em aeronaves privadas, que se tornaram até mesmo naturais, a despeito de claramente afrontarem esses princípios.
Ao longo dos anos, consolidou-se na capital federal uma espécie de tradição informal: às quintas-feiras, encerrada a agenda legislativa e judiciária, autoridades deixam a capital a bordo de jatinhos oferecidos por empresários. A cena é conhecida, reiterada e amplamente aceita nesse ecossistema.
O busílis, evidente, é que o favor nunca é de graça. Empresários podem até ter amigos, mas certamente têm muito mais interesses.
Ora, parlamentares dispõem de passagens aéreas custeadas pelo mandato. Ministros de tribunais superiores não enfrentam, em regra, obstáculos logísticos intransponíveis para voar em linhas comerciais. Quando, ainda assim, recorrem a aeronaves privadas, a questão deixa de ser operacional e passa a ser institucional.
Não se trata, necessariamente, de ilegalidade. Trata-se de algo mais sutil e, por isso mesmo, mais corrosivo: a diluição das fronteiras entre o público e o privado.
Um voo em jatinho não é um gesto trivial de cortesia. Trata-se de um benefício de alto valor econômico, inacessível à imensa maioria da população e, por definição, seletivo. Ao aceitá-lo, a autoridade pública estabelece uma relação de proximidade com quem o oferece. E proximidade, em política, raramente é neutra.
A prática não se restringe a episódios isolados. Reportagem de O Globo mostrou que o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso no âmbito das investigações do caso Master, viajou em jatinho ao lado de parlamentares e ex-ministros, em deslocamento típico de fim de semana, reforçando a rotina de compartilhamento de voos entre agentes públicos e interesses privados em Brasília. O relato de que parte dos passageiros nem sequer conhecia o dono da aeronave, mas “aproveitou a carona”, é revelador: o benefício se naturalizou a tal ponto que já não exige sequer vínculo prévio.
As explicações recorrentes variam de desconhecimento sobre a propriedade da aeronave até conveniência logística, passando por agendas incompatíveis com voos comerciais. Nenhuma dessas desculpas, por óbvio, é suficiente.
Convém insistir: o ponto não é presumir favorecimentos indevidos, tampouco imputar condutas ilícitas sem prova. O ponto é reconhecer que a lisura do agente público não se comprova apenas por meio da ausência de crime, mas também da aparência de isenção, no caso dos magistrados, e de respeito aos eleitores, no caso dos parlamentares.
A política brasileira costuma se indignar com escândalos explícitos. Tem mais dificuldade em lidar com as zonas cinzentas que os antecedem. A carona é uma delas, pequena o suficiente para parecer irrelevante, mas grande o suficiente para corroer, pouco a pouco, a credibilidade das instituições.
Porque, no fim das contas, a independência não se perde apenas em grandes decisões. Ela se dissolve, silenciosamente, nos pecadilhos cotidianos.
Samba do AviãoTom Jobim
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio teu mar, praias sem fim
Rio você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de Sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto
Estaremos no Galeão
Este samba é só porque
Rio eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar
Composição: Tom Jobim.
https://www.youtube.com/watch?v=fXS0tojxduM&t=70s
https://www.letras.mus.br/tom-jobim/49065/
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg
O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia
Publicado em 01/05/2026 - 09:39 Luiz Carlos AzedoPolíticaA liderança de Tarcísio expressa a São Paulo pragmática, voltada à infraestrutura e à segurança. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos
Tem certas coisas na política brasileira que merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias, ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições.
Com versos livres, Mario de Andrade captura um mosaico de tensões, ambições e identidades em disputa: “As ruas se cruzam num delírio de aço e de nervos,/ A cidade cresce como um organismo febril,/ E o homem corre, fragmento perdido no tumulto”. Essa São Paulo “desvairada” — caótica, dinâmica e contraditória — é a mesma que se revela no atual cenário eleitoral, no contrafluxo daquele que elegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) governador de São Paulo, em 2022. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na megalópole paulista, porém, foi muito importante para a sua volta à Presidência.
A liderança de Tarcísio, com cerca de 38% das intenções de voto, expressa a São Paulo pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com setores médios e empresariais. Contudo, o crescimento de Fernando Haddad (PT), que aparece com 26% e mantém forte presença entre mulheres e eleitores mais velhos, revela a persistência da outra São Paulo, mais social, mais estatal, mais sensível às políticas públicas e à inclusão.
O que surpreende não é o favoritismo de Tarcísio, mas a capacidade de resiliência e reorganização do campo progressista, representado por Haddad e por candidaturas ao Senado mais alinhadas à centro-esquerda, que acena ao centro por meio de Tebet. São Paulo continua, como na leitura de Mário de Andrade, um organismo vivo, em permanente mutação, onde o novo não elimina o velho — reconfigura.
Personalismo estruturado
Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos. Nascido em Salvador no século XVII, o poeta — conhecido como “Boca do Inferno” — fez da linguagem uma arma contra o poder estabelecido, denunciou a corrupção, a hipocrisia e os vícios da elite colonial. Sua obra é marcada pela ironia mais mordaz: “Que falta nesta cidade?… Verdade./ Que mais por sua desonra?… Honra./ Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha”. Trata-se de uma sociedade profundamente hierarquizada, tensionada por conflitos sociais e políticos latentes.
A herança barroca ajuda a compreender a persistência de estruturas políticas tradicionais na Bahia, especialmente o chamado carlismo, tradicionalmente influente no interior, hoje representado por ACM Neto (União), cujo principal patrimônio eleitoral, porém, está fortemente enraizado em Salvador, onde foi prefeito de 2013 a 2020. Com cerca de 41% das intenções de voto, ele lidera numericamente, em empate técnico com o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que aparece com cerca de 36% a 37%.
A resiliência dessas duas forças, como na poesia de Gregório de Matos, desnuda modernização econômica sem ruptura completa com estruturas de poder tradicionais e desigualdades persistentes. A política baiana não se organiza em torno de uma ruptura modernista, como em São Paulo, mas de uma tensão barroca, em que o novo, quando se sobrepõe, não consegue erradicar o antigo.
Não uma exclusividade baiana, a singularidade está no “modo de fazer política”, que não pode ser reduzido a caricaturas de personalismo ou atraso. Na leitura do cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, é um sistema sofisticado, historicamente moldado, que combina forte enraizamento territorial e um personalismo estruturado, com redes políticas duradouras, baseadas na lealdade, na mediação de interesses e na capilaridade.
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#ACMNeto, #Bolsonaro, #Haddad, #Jerônimo, #Tarcísio, Lula
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-modernismo-e-o-barroco-nas-eleicoes-de-sao-paulo-e-da-bahia/
Como coordenar a gravata com terno azul marinho
“A relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT é pautada por um alinhamento histórico dentro da corrente majoritária, a Construindo um Novo Brasil (CNB), embora ambos ocupem papéis distintos na dinâmica atual do partido.Alinhamento e Influência na CNBAmbos são figuras centrais da Construindo um Novo Brasil, a ala que detém a maioria da direção nacional e regional do PT.Jaques Wagner atua hoje como a face institucional e moderadora, sendo o principal articulador político do governo no Senado.José Dirceu, embora sem cargo oficial, continua como um dos principais ideólogos e estrategistas de bastidores do grupo.O grupo de Dirceu frequentemente defende Wagner como uma alternativa de liderança e "plano B" em cenários de crise ou sucessão, como ocorreu em momentos de incerteza sobre candidaturas presidenciais.Divergências Estratégicas e "Mudança Geracional"Apesar da base comum, surgiram pontos de tensão pública e privada sobre o futuro da legenda:Renovação vs. Velha Guarda: Wagner tem defendido abertamente uma “mudança geracional” e de conteúdo no PT para atualizar o apelo da esquerda.Críticas de Dirceu: Recentemente, Dirceu tem adotado um tom mais crítico, apontando falta de debate interno e alertando para o envelhecimento das lideranças, citando o próprio Wagner e Lula como exemplos desse desafio.Pragmatismo: Wagner é visto como o "diplomata" que dialoga com o centro, enquanto o grupo de Dirceu tende a focar na mobilização da base militante e na defesa ideológica rígida do partido.O Fator 2026A relação entre os dois é estratégica para a manutenção da hegemonia do PT na Bahia e no plano federal.Bahia como Elo: Dirceu e outras lideranças da CNB endossam publicamente a chapa com Jaques Wagner ao Senado em 2026, vendo-o como peça-chave para a reeleição de Lula.Articulação: Enquanto Wagner foca em governabilidade no Congresso, o grupo de Dirceu trabalha para reorganizar o PT para enfrentar o avanço da extrema direita nas próximas eleições.⚓ Ponto Central: Wagner e Dirceu são aliados "orgânicos" da ala majoritária, mas Wagner representa hoje a ala pragmática de governo, enquanto o grupo de Dirceu atua como a consciência estratégica e, por vezes, crítica da estrutura partidária.”
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco.O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU.
Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles
"Sim, a relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo liderado por José Dirceu é fundamentada no pertencimento comum à corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), antiga "Articulação".Alinhamento EstratégicoEmbora possuam estilos de atuação distintos, ambos compartilham a visão pragmática que consolidou a hegemonia da CNB no partido:Pragmatismo Político: Ambos defendem a política de alianças amplas para garantir a governabilidade.Sucessão e Liderança: Dirceu historicamente vê Wagner como um quadro de confiança e, em momentos de crise (como em 2018), chegou a defendê-lo publicamente como o "plano B" do PT para a Presidência.Papéis Complementares: Enquanto Wagner atua como um interlocutor moderado com o mercado e o Congresso (como Líder do Governo no Senado), Dirceu foca na organização partidária e na formulação de estratégias de longo prazo.Nuances e DivergênciasApesar da base comum, existem diferenças importantes na forma como cada um interage com o poder:Moderação vs. Enfrentamento: Wagner é frequentemente visto como a "ala moderada" da CNB, priorizando a diplomacia legislativa.Crises Internas: O estilo conciliador de Wagner por vezes gera atritos com alas mais à esquerda ou até com a cúpula do PT em Brasília (como ocorreu em episódios recentes de articulação no Senado), enquanto o grupo de Dirceu tende a um posicionamento partidário mais rígido.💡 Ponto de convergência: No cenário atual, ambos trabalham pela reabilitação institucional do PT e pela consolidação da sucessão presidencial de 2026, mantendo a CNB no comando da legenda."
VEJA O QUE SOBROU DA ARTICULAÇÃO DE LULA | CAFÉ DO MYNEWSMyNews
https://www.youtube.com/live/wusOOjAT0yg
Entrevista com candidata a deputada federal delegada Marta Rocha.Atualmente é deputada estadual do seu Rio de Janeiro."Mas veja
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão"Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes. 1974👇
Samba de OrlyToquinho
Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio
Mas veja
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão
Pede perdão
Pela duração
Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
Vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Pede perdão
Pela omissão
Um tanto forçada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
E vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes.
https://www.letras.mus.br/toquinho/49119/
https://www.youtube.com/watch?v=eZ6F_Lphrho&t=36s
Na legenda do vídeo está escrito:“que durou cinco meses, foi uma enciclopédia de erros”
Na parte inferior, aparece a marca “UOL 30 anos”.
Senado rejeita Messias: Lula sofreu pior derrota de sua vida política, diz Kotscho https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral
https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral
Aqui vão algumas opções de legenda descritiva, prontas para publicação, com variações de tom:
📰 Legenda neutra (jornalística)
Comentário exibido no UOL News classifica determinado período como “uma enciclopédia de erros”, em análise crítica sobre a condução de políticas públicas ao longo de cinco meses.
🧠 Legenda analítica
Em participação no UOL News, analista avalia que um ciclo recente de cinco meses se configurou como “uma enciclopédia de erros”, reforçando o tom crítico presente no debate político atual.
⚖️ Legenda crítica (mais alinhada ao seu texto)
No UOL News, a avaliação é direta: “uma enciclopédia de erros” em apenas cinco meses — síntese dura que dialoga com críticas mais amplas à condução e ao rumo de políticas recentes.
✍️ Legenda mais opinativa/literária
“Uma enciclopédia de erros”, em cinco meses — a frase, destacada no UOL News, ecoa o tom de desencanto que atravessa parte do debate público contemporâneo.
Se quiser
"Sim, sua afirmação é estritamente correta e historicamente precisa no contexto da República brasileira. A rejeição do nome de Jorge Messias (Advogado-Geral da União) pelo Senado Federal em 29 de abril de 2026 constitui um evento sem precedentes sob a égide de uma democracia plena e eleições diretas.Fundamentação e JustificativaO Ineditismo Histórico: Antes deste episódio, as únicas rejeições de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreram em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. Naquela época, o Brasil vivia sob a Constituição de 1891, onde as eleições eram indiretas (para o primeiro mandato), o voto era aberto e havia as restrições citadas (exclusão de analfabetos, mulheres, etc.).A Votação de 2026: A indicação de Jorge Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rejeitada pelo Plenário do Senado por 42 votos contrários a 34 favoráveis (com 2 abstenções/ausências, considerando o total de 81 cadeiras).Para a aprovação, a Constituição Federal de 1988 exige maioria absoluta (41 votos).O rito seguiu o artigo 101, parágrafo único, que prevê a aprovação pelo Senado Federal após arguição pública (sabatina).Legitimidade Democrática: Diferente de 1894, o atual presidente foi eleito por voto direto, secreto e universal, em um sistema de sufrágio plenamente democrático. Portanto, Jorge Messias é, de fato, o primeiro indicado de um presidente eleito democraticamente a ter o nome barrado pela "Casa Alta".Tabela Comparativa de RejeiçõesPeríodoPresidenteContexto EleitoralIndicados Rejeitados1894Floriano PeixotoIndireto / Voto AbertoBarata Ribeiro e outros 4 nomes2026Luiz Inácio Lula da SilvaDireto / Sufrágio UniversalJorge MessiasConclusãoÉ correto concluir que a rejeição de Jorge Messias é um marco na história política brasileira. Ela encerrou um hiato de 132 anos sem vetos do Senado a escolhas presidenciais para a Corte. O evento destaca o atual equilíbrio (ou tensão) entre os Poderes, onde o Senado exerceu sua prerrogativa constitucional de "freios e contrapesos" de forma máxima, algo que nunca havia ocorrido com um presidente eleito pelo voto popular direto e secreto na história da República."
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia TavaresFolha de S. PauloDocumento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido realNão se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores
O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.
O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?
A segunda parte contém uma defesa pormenorizada do muito que o governo Lula efetivamente fez para recuperar o país do descalabro promovido durante a gestão da extrema direita —no plano da economia; da redistribuição; do meio ambiente; da cultura e das políticas sociais.
Finalmente, vêm as propostas, mais nacional-desenvolvimentistas do que social-reformadoras. O documento fala em "diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional", assentado em três eixos: a reconstrução do Estado como indutor do desenvolvimento; a aceleração do crescimento econômico com redistribuição de renda, riqueza e patrimônio; a transição produtiva, tecnológica e ambiental guiada pelo princípio da soberania nacional. A seguir, aparecem enfileiradas, sem distinção de importância, sete reformas: política e eleitoral; tributária; tecnológica; do Judiciário; administrativa; agrária; e da comunicação. Chama a atenção a falta de referência ao tema da proteção social, como se não houvessem mudanças a fazer na saúde, na educação, na assistência social, na previdência ou na legislação trabalhista.
Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores. Não há de ter sido da consulta às ruas, nas quais pesquisas de opinião têm mostrado reiteradamente que a segurança pública —ignorada no texto— e o atendimento à saúde, seguidos do custo de vida, constituem as principais preocupações da população. Tampouco parece vir do contato com a vida real dos pobres nas cidades, com suas aspirações de estabilidade e ascensão social, sua preocupação com a educação dos filhos e com protegê-los da vizinhança cotidiana do crime.
Por fim, mas não menos importante, parece não ter vindo da enorme experiência acumulada pelos bons quadros do partido, formados em quase 18 anos no exercício da Presidência, governos estaduais, prefeituras e casas legislativas. Essa vivência poderia acrescer sensibilidade para as questões de eficiência da máquina pública, de restrições fiscais, de melhoria da qualidade e da implementação das políticas governamentais.
Em "Construindo o futuro" há pouco que oriente um partido de esquerda democrático, sintonizado com os desafios presentes e capaz de oferecer uma visão progressista de futuro.
De fato, a imagem projetada pelo documento não faz jus ao partido real, aos milhares de quadros que formou e aos governos que encabeçou —e encabeça.
“Parafraseando Chico Buarque, fica a leve impressão de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No fim das contas, e correndo o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas querendo importar do Oriente o que, há meio século, o próprio Brasil ajudou a exportar?”Trocando Em MiúdosChico Buarque
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas do amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde
Composição: Chico Buarque, Francis Hime.
https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45182/
https://www.youtube.com/watch?v=Uem6w29LcGA&t=45s
João Gilberto - Izaura (Audio)“Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No frigir dos ovos, e sob o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas tentando importar do Oriente aquilo que, há meio século, partiu daqui?”