Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
Dia nacional das favelasParalamas do Sucesso - Alagados
"Agora, estou sabendo que você é professor!"
Orfeu Negro (1959)Antigo e Bom"Orfeu negro", também conhecido por "Orfeu do Carnaval", é uma co-produção ítalo-franco-brasileira dirigida por Marcel Camus (França, 1912 - 1982) que adapta ao cinema a peça teatral "Orfeu da Conceição", de Vinícius de Moraes. Sendo o argumento uma releitura modernizada do mito de Orfeu e Eurídice, ambientada na época do Carnaval do Rio de Janeiro.
O filme foi premiado, em 1959, com a palma de ouro no festival de cinema de Cannes e com o Óscar para o melhor filme estrangeiro em 1960 (em representação da França). Foi o primeiro e, até à data, o único, filme em língua portuguesa a ganhar um óscar.
Parte da produção musical do filme ficou a cargo do conhecido compositor brasileiro Tom Jobim.Cena de Orfeu Negro Filme brasileiro de 1959
- É, estou dando aula no Colégio Professor Oswaldo Veloso, em Santa Luzia.
Teria respondido há quase 60 anos se tivesse ouvido o mesmo comentário dito por um hoje a outro na Avenida Rio Branco, na mesma Juiz de Fora.
AGORA, ESTOU SABENDO QUE VOCÊ É PROFESSOR!Entre Orfeu, a Avenida Rio Branco e as encruzilhadas da democracia brasileiraJuiz de Fora, quarta-feira, 4 de novembro de 2026
“Agora, estou sabendo que você é professor!”
— É, estou dando aula no Colégio Professor Oswaldo Veloso, em Santa Luzia.
Teria respondido praticamente da mesma maneira há quase sessenta anos, se tivesse ouvido o mesmo comentário, dito por alguém a outro alguém, na Avenida Rio Branco, na mesma Juiz de Fora.
Há coisas que o tempo modifica, outras que apenas desloca de lugar. A cidade muda de fisionomia, as ruas ganham novos nomes, os edifícios desaparecem, as pessoas envelhecem ou partem. Entretanto, certas conversas permanecem suspensas na memória, como se aguardassem a ocasião de serem retomadas. A lembrança do magistério, por exemplo, não se esgota na sala de aula, tampouco na identificação funcional de quem ensina. É uma maneira de olhar o mundo, de interrogar o presente e de tentar compreender o que acontece à nossa volta.
Talvez seja por isso que a velha Juiz de Fora reapareça nesta conversa, acompanhada de seus personagens, suas ruas, seus poetas e suas pequenas histórias.
E, para começar, nada melhor que uma viagem de volta no tempo pela música e pelo cinema.
ORFEU NEGRO: UMA CIDADE, UM MITO E UMA MEMÓRIA
O reencontro com Orfeu Negro, também conhecido como Orfeu do Carnaval, filme de Marcel Camus, de 1959, oferece uma espécie de chave para essa viagem.
A obra, uma coprodução ítalo-franco-brasileira, inspirada na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, transportou o mito grego de Orfeu e Eurídice para o ambiente do Carnaval carioca. Premiado com a Palma de Ouro em Cannes, em 1959, e com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1960, representando a França, tornou-se uma das produções cinematográficas brasileiras de maior repercussão internacional.
A música, com a participação de Tom Jobim, ajudou a fixar no imaginário internacional uma determinada imagem do Brasil.
Mas há algo mais nessa lembrança: Orfeu é aquele que desce ao mundo dos mortos para tentar recuperar Eurídice. É também, simbolicamente, aquele que procura trazer de volta aquilo que o tempo levou.
A memória, em escala mais modesta e sem pretensões mitológicas, faz algo parecido. Volta às origens, procura personagens, recupera vozes e tenta encontrar, no passado, elementos que ajudem a compreender o presente.
É nesse espírito que volto a Juiz de Fora.
Na Rua Benjamin Constant, o Museu de Arte Murilo Mendes guarda a presença de um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, nascido na cidade. Murilo Mendes, que veio ao mundo na antiga Rua Direita, pertence àquela linhagem de escritores para quem a memória, a imaginação e a experiência histórica não se separam.
E há também Belmiro Braga, poeta e professor, cuja participação na formação de Murilo Mendes integra a memória cultural juiz-forana. A imagem do professor ad hoc, daquele que inicia outro na aventura da leitura e da descoberta, aproxima duas gerações e duas experiências da cidade.
Entre a antiga Rua Direita, hoje Avenida Barão do Rio Branco, e as ruas que compõem a geografia afetiva do Alto dos Passos, a cidade oferece uma cartografia de lembranças. Nela, os nomes das vias públicas são também referências a uma história literária e intelectual que não deveria ser esquecida.
É nesse cruzamento entre memória, educação e vida pública que a conversa sobre o Brasil de hoje ganha sentido.
QUATRO ARTIGOS, UMA MESMA ENCRUZILHADA
A leitura de quatro textos publicados nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, em veículos da chamada imprensa profissional, oferece uma oportunidade de reflexão que ultrapassa a conjuntura eleitoral.
São artigos e uma entrevista assinados por profissionais reconhecidos em seus respectivos campos: Wilson Gomes, Luiz Carlos Azedo, Marcelo Godoy e Sérgio Abranches.
Embora partam de objetos diferentes, todos convergem para uma questão: como transformar a vitória eleitoral em capacidade de governar, renovar as instituições e responder às mudanças profundas da sociedade brasileira?
Não se trata de uma coincidência temática. Os quatro trabalhos parecem compor, involuntariamente, diferentes capítulos de uma mesma investigação sobre a democracia contemporânea.
1. WILSON GOMES: DA CIRCULAÇÃO DIGITAL À COORDENAÇÃO POLÍTICA
Em O que houve de inovador no canal de WhatsApp do Exército do Lula?, publicado na Folha de S.Paulo, Wilson Gomes examina a experiência de mobilização digital organizada por André Janones.
Sua interpretação distingue dois momentos da transformação da comunicação política brasileira.
Em 2018, o bolsonarismo teria inovado na logística da circulação de mensagens, articulando grupos de WhatsApp, canais, influenciadores e produtores de conteúdo. Nos anos seguintes, essa experiência se transformou numa ecologia permanente de comunicação política.
Em 2026, a experiência do chamado Exército do Lula teria apresentado outra inovação: a logística da coordenação.
O diferencial não estaria na descoberta de uma nova tecnologia, mas na capacidade de converter indivíduos dispersos em participantes de uma ação coletiva organizada.
Havia instruções, missões, objetivos, prazos e metas. Não era necessário que todos compartilhassem integralmente o repertório ideológico da esquerda. Bastava aceitar uma tarefa e participar de uma mobilização com finalidade eleitoral determinada.
A contribuição analítica de Wilson Gomes está em distinguir três dimensões:
Circulação: fazer uma mensagem chegar a muitas pessoas.
Coordenação: fazer muitas pessoas agirem em determinada direção.
Continuidade: manter uma estrutura de participação para além de uma emergência eleitoral.
O autor, entretanto, deixa uma questão em aberto: será possível transformar uma mobilização de três semanas numa organização política permanente?
Aqui aparece uma distinção fundamental: mobilização não é necessariamente organização política duradoura. Uma multidão pode executar tarefas com eficiência sem desenvolver autonomia, capacidade deliberativa e participação nas decisões.
A experiência digital abre possibilidades, mas não resolve automaticamente o problema da formação política.
2. LUIZ CARLOS AZEDO: O CONGRESSO, O CENTRÃO E O MINISTRO DA FAZENDA
Em Comando do Congresso e ministro da Fazenda definirão novo governo, publicado no Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo desloca a discussão para a governabilidade.
Sua preocupação é compreender em que condições políticas e econômicas Lula poderá conduzir um quarto mandato.
O autor destaca a importância das relações com Hugo Motta, na Câmara, e Davi Alcolumbre, no Senado, assim como as negociações com o Centrão para a composição da maioria parlamentar.
A aproximação, entretanto, não representa necessariamente uma adesão programática ao projeto presidencial.
Trata-se de uma convergência circunstancial entre forças que possuem bases eleitorais, interesses e prioridades diferentes.
O problema é encontrar o equilíbrio entre a necessidade de construir maioria e a preservação da autonomia programática do Executivo.
A discussão alcança também a distribuição de ministérios, as indicações para tribunais superiores e a relação entre os Poderes.
Mas é a escolha do ministro da Fazenda que recebe atenção especial.
Azedo identifica três exigências fundamentais: enfrentar a trajetória da dívida pública, melhorar a qualidade do gasto e compatibilizar as prioridades governamentais com os recursos disponíveis.
O desafio é evitar dois extremos: ignorar as restrições fiscais ou transferir indiscriminadamente aos beneficiários das políticas sociais o custo do ajuste.
A questão, portanto, não é simplesmente conquistar apoio parlamentar ou confiança dos mercados. É construir uma política econômica compatível com os compromissos eleitorais e com a capacidade financeira do Estado.
O artigo nos leva a uma pergunta: como construir governabilidade sem permitir que a negociação parlamentar substitua o próprio programa de governo?
3. MARCELO GODOY: O PERIGO DE SE TORNAR PROFESSOR DE DEUS
Em Professor de Deus, publicado em O Estado de S. Paulo, Marcelo Godoy recupera uma antiga provocação de Lula dirigida a Ciro Gomes, em 2021.
A expressão serve de metáfora para uma advertência: a vitória eleitoral não pode produzir autossuficiência política.
O presidente precisará ouvir diferentes correntes, reconhecer a diversidade das forças que contribuíram para sua vitória e compreender que governar exige mais do que a capacidade de mobilizar apoiadores.
Godoy utiliza uma passagem de Ernst Jünger, veterano da Primeira Guerra Mundial, para ilustrar o efeito psicológico da vitória e da mobilização coletiva.
Quando tudo parece perdido, a existência de uma direção comum pode produzir uma energia extraordinária. Foi essa imagem que o articulista associou à mobilização digital conduzida por Janones durante a campanha.
Entretanto, a vitória encerra uma etapa e inaugura outra.
Na campanha, o adversário e o objetivo podem ser claramente identificados. No governo, aparecem divergências sobre economia, segurança, orçamento, reformas e distribuição de responsabilidades.
O artigo recupera ainda a defesa de José Dirceu de um pacto político nacional que permita enfrentar reformas tributárias, financeiras, políticas e do Judiciário.
A referência decisiva, porém, é Max Weber.
Em A política como vocação, Weber apresenta a tensão entre ética da convicção e ética da responsabilidade. O político precisa ter princípios, mas também responder pelas consequências previsíveis de suas decisões.
A imagem das grossas vigas de madeira que precisam ser atravessadas representa a persistência necessária à ação política.
Godoy conclui com uma advertência que serve de contraponto à euforia da vitória: governar exige determinação, mas também humildade.
O presidente não pode imaginar que sua vontade, por mais legítima que seja eleitoralmente, substitui a negociação democrática.
4. SÉRGIO ABRANCHES: A CRISE DO MODELO E A REINVENÇÃO DA DEMOCRACIA
Na entrevista concedida a Samuel Lima, publicada em O Globo sob o título Direita tem a chance de se desvencilhar do bolsonarismo e ir para a via democrática, Sérgio Abranches amplia consideravelmente o horizonte da discussão.
Autor do conceito de presidencialismo de coalizão, formulado em artigo de 1988, Abranches examina as transformações do sistema político brasileiro.
Seu diagnóstico é que o modelo tradicional de articulação entre Executivo e Legislativo está em crise.
Os partidos perderam parte de sua capacidade de funcionar como intermediários sólidos entre o presidente e o Congresso. Ao mesmo tempo, a expansão das emendas parlamentares aumentou a autonomia dos parlamentares na destinação de recursos orçamentários.
O presidente, assim, encontra mais dificuldades para coordenar a coalizão e executar uma agenda progressista.
A entrevista também aborda a possibilidade de reorganização da direita brasileira, com o afastamento de setores democráticos do bolsonarismo.
Mas a reflexão mais profunda aparece quando Abranches deixa a conjuntura parlamentar e passa a discutir as transformações econômicas e sociais.
A sociedade do trabalho está mudando. A automação, a informalidade, a precarização e as novas formas de atividade econômica desafiam os mecanismos tradicionais de proteção social.
O precariado e os trabalhadores da economia digital expressam necessidades que os instrumentos convencionais do Estado nem sempre conseguem atender.
Há uma contradição: as formas de produzir riqueza se transformam rapidamente, enquanto os mecanismos de tributação, distribuição de renda e proteção social permanecem ancorados em estruturas anteriores.
Abranches chega, então, à questão mais inquietante: a democracia terá de se reinventar diante da sociedade digital.
O futuro poderá caminhar para democracias digitais ou para ditaduras digitais.
Não é uma previsão inevitável, mas um alerta sobre a necessidade de renovar as instituições antes que a transformação tecnológica ultrapasse a capacidade de resposta da política.
DA SALA DE AULA À DEMOCRACIA: O QUE OS QUATRO TEXTOS NOS ENSINAM?
Lidos em conjunto, os quatro trabalhos oferecem uma espécie de roteiro para compreender os desafios brasileiros.
Wilson Gomes examina a transformação da mobilização política.
Luiz Carlos Azedo discute as condições de governabilidade.
Marcelo Godoy interroga a qualidade da liderança presidencial.
Sérgio Abranches investiga a crise das instituições e as transformações estruturais da sociedade.
Há uma sequência bastante expressiva:
A sociedade modifica suas formas de comunicação e mobilização.
Essas mudanças alteram a relação entre cidadãos, partidos e representantes.
O Congresso amplia seus instrumentos de poder e negociação.
O Executivo precisa encontrar novas formas de construir consensos.
As instituições precisam responder às transformações do trabalho, da economia e da tecnologia.
A questão já não é simplesmente saber quem venceu a eleição ou quem ocupará os principais cargos do governo.
É compreender se o país dispõe de instrumentos políticos, econômicos e institucionais capazes de responder às novas exigências da sociedade.
A mobilização digital, por si só, não produz consciência política permanente. A maioria parlamentar, isoladamente, não garante governabilidade programática. A liderança presidencial não substitui o diálogo. E a responsabilidade fiscal não pode ser dissociada da responsabilidade social.
O desafio é articular essas dimensões.
A CIDADE, A MEMÓRIA E O TEMPO
Volto, então, à Avenida Rio Branco.
A frase que abre esta crônica — “Agora, estou sabendo que você é professor!” — parece simples, mas contém uma pequena história de reconhecimento, memória e identidade.
A resposta, quase sessenta anos atrás ou hoje, não muda muito: dar aula é também continuar aprendendo.
Talvez seja essa a razão de reunir, nesta mesma reflexão, o cinema de Marcel Camus, a música de Tom Jobim, a poesia de Vinícius de Moraes, a memória de Murilo Mendes, a presença de Belmiro Braga e quatro análises contemporâneas sobre a política brasileira.
A cidade não é apenas o cenário das lembranças. É também o lugar de onde se observa o mundo.
Juiz de Fora tem uma história intelectual que merece ser revisitada. A antiga Rua Direita, transformada na Avenida Barão do Rio Branco, o Museu de Arte Murilo Mendes na Benjamin Constant, as referências a Belmiro Braga e os caminhos do Alto dos Passos compõem uma geografia que ultrapassa a localização dos endereços.
São referências de uma cidade que produziu professores, escritores, poetas, jornalistas e cidadãos que ajudaram a construir sua identidade.
E é justamente a educação que permite estabelecer a ligação entre essas gerações.
O professor não entrega respostas definitivas. Ajuda a formular perguntas, confrontar argumentos, reconhecer contradições e compreender que a realidade não cabe numa única explicação.
Nesse sentido, a leitura crítica da imprensa profissional continua sendo uma forma de exercício da cidadania. Não se trata de concordar integralmente com os articulistas, mas de reconhecer a importância do debate público qualificado, da pluralidade de interpretações e da responsabilidade intelectual.
EPÍLOGO: NÃO BASTA RECRIAR O MUNDO
Orfeu desceu ao mundo subterrâneo para recuperar Eurídice, mas não conseguiu vencer as condições impostas à sua missão.
A história nos lembra que nem toda vontade, por mais intensa que seja, consegue alterar o curso dos acontecimentos.
A política, por sua vez, não pode prescindir da esperança, mas precisa reconhecer os limites, as contradições e as responsabilidades que acompanham qualquer projeto de transformação.
O Brasil que emerge da eleição de 2026 enfrenta uma tarefa que vai muito além da composição de um ministério ou da formação de uma maioria parlamentar.
Precisa renovar sua democracia, reconstruir mecanismos de representação, enfrentar as desigualdades, adaptar a proteção social às novas relações de trabalho e encontrar formas legítimas de participação na sociedade digital.
Não basta mobilizar milhões de pessoas. É preciso incorporá-las à vida pública.
Não basta reunir votos no Congresso. É preciso construir compromissos em torno de um projeto nacional.
Não basta ter convicções. É necessário assumir a responsabilidade pelas consequências das decisões.
E não basta imaginar um mundo novo. É preciso reunir as condições políticas, econômicas, sociais e institucionais para construí-lo.
Talvez seja essa a melhor lição que um professor pode retirar da leitura desses quatro trabalhos e da memória de sua própria cidade: ensinar e aprender são exercícios permanentes de humildade diante da complexidade do mundo.
Afinal, ninguém é professor de Deus.
E a democracia, assim como a educação, não se faz de uma vez por todas. Faz-se todos os dias, com participação, conhecimento, divergência, diálogo e responsabilidade.
É, estou dando aula. E continuo aprendendo.REFERÊNCIAS — IMPRENSA PROFISSIONAL
GOMES, Wilson. O que houve de inovador no canal de WhatsApp do Exército do Lula? Folha de S.Paulo, 4 nov. 2026.
AZEDO, Luiz Carlos. Comando do Congresso e ministro da Fazenda definirão novo governo. Correio Braziliense, 4 nov. 2026.
GODOY, Marcelo. Professor de Deus. O Estado de S. Paulo, 4 nov. 2026.
ABRANCHES, Sérgio. Direita tem a chance de se desvencilhar do bolsonarismo e ir para a via democrática. Entrevista a Samuel Lima. O Globo, 4 nov. 2026.
REFERÊNCIAS CULTURAISOrfeu Negro (1959), direção de Marcel Camus.
Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes.
Trilha musical associada ao filme, com participação de Tom Jobim.
A política como vocação, de Max Weber.
Tempestades de Aço, de Ernst Jünger.
Poesia e memória literária de Murilo Mendes e Belmiro Braga.
Lili Marleen — The German Love Song Heard on Both Sides of WWII | Marlene Dietrich Tribute
San VicenteMilton NascimentoROSY ARANGO | Canción mixteca | José López Alavés | Desde Palacio de Bellas ArtesCANCION MIXTECA del compositor José López AlavezLa Canción mixteca fue escrita en el año de 1915 por el compositor oaxaqueño José López Alavez .
En sus letras se refleja la nostalgia de partir y dejar el lugar de origen, como resultado del fenómeno de migración del cual el autor fue parte y muchos miles de mixtecos oaxaqueños y de otros lugares de México que lo han hecho, lo y siguen haciendo.
La canción mixteca se compuso bajo la arboleda de la Alameda Hidalgo de la ciudad de Querétaro donde López Alavez recordaba con tristeza a su entrañable Tierra del Sol (sobrenombre de la Mixteca).
O Florescer de Hinojosa: Como o Voto Latino no Texas Resgatou o Sentido de uma América para Todos
El Florecer de Hinojosa: Cómo el Voto Latino en Texas Rescató el Sentido de una América para Todos
The Blossoming of Hinojosa: How the Latino Vote in Texas Reclaimed the Meaning of an America for All
Em Português:As raízes profundas da identidade tejana rompem as barreiras do isolamento. O desabrochar de Hinojosa no Texas redesenha o horizonte de uma América que volta a ser, genuinamente, de todos nós.Em Espanhol:Las raíces profundas de la identidad tejana rompen las barreras del aislamiento. El florecer de Hinojosa en Texas redibuja el horizonte de una América que vuelve a ser, genuinamente, de todos nosotros.Em Inglês:The deep roots of Tejano identity break through the barriers of isolation. The blossoming of Hinojosa in Texas redraws the horizon of an America that truly belongs to everyone.
"Delicadeza"- Dori Caymmimusic: Dori Caymmi & lyrics: Paulo Cesar Pinheiro
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Da Imagem Oculta à Virada Histórica: O Despertar Cívico e a Nova América
Uma análise sobre paisagens esquecidas, identidades transfronteiriças e a ascensão de Gina Hinojosa no Texas.
1. O Ponto de Partida: A Paisagem na Tela
Toda grande narrativa contemporânea cruza-se, em algum momento, com a mediação digital. O vislumbre inicial desta jornada deu-se através de uma fotografia despretensiosa: um monitor de computador exibindo um plano de fundo bucólico. À primeira vista, uma tela comum; ao olhar clínico, um registro datado de novembro de 2020, capturando as colinas verdejantes e os telhados avermelhados de Urepel, no Vale dos Aldudes — coração do País Basco.
A presença daquela paisagem europeia como moldura cotidiana de um usuário anônimo sintetiza o paradoxo da globalização: a busca por refúgio visual na calmaria rústica enquanto se opera em sistemas hiperconectados. O atalho do navegador Google Chrome, estático no canto da área de trabalho, serviu como lembrete de que as ferramentas de busca moldam a nossa percepção diária, conectando o microfatos locais às grandes efemérides globais.
2. O Contexto Geopolítico: O Tratado de Guadalupe Hidalgo e o Peso da História
Para compreender o terremoto político ocorrido no Texas nas eleições de meio de mandato, é imperativo recuar ao século XIX. A assinatura do Tratado de Guadalupe Hidalgo (1848) pôs fim à Guerra Mexicano-Americana, redesenhando violentamente as fronteiras do continente. Cerca de metade do território mexicano foi incorporada aos Estados Unidos, e a linha divisória cortou não apenas a geografia, mas comunidades inteiras.
Gerações de famílias tejanas e comunidades originais viram-se transformadas em estrangeiras em suas próprias terras ancestrais. O fenômeno demográfico e cultural gerado por essa anexação permaneceu como uma força silenciosa por quase dois séculos, contida por estruturas de poder tradicionais que raramente se traduziam em representação no topo do poder executivo estadual.
3. Análise Estrutural e Conjuntural: A Onda Azul e a Doutrina Monroe
Os resultados oficiais consolidados pelas agências de apuração desenham uma reconfiguração profunda. No Texas, a vitória democrata foi liderada por Gina Hinojosa para o governo do estado e por James Talarico para o Senado Federal. Estruturalmente, este pleito marca a derrocada de uma hegemonia conservadora de décadas, impulsionada de forma decisiva pela mobilização recorde das comunidades hispânicas e imigrantes na fronteira sul.
Conjunturalmente, o resultado altera o equilíbrio de poder em Washington e envia um forte sinal para toda a América Latina. O personalismo isolacionista e protecionista da era Trump, que flertava com uma versão distorcida e unilateral da Doutrina Monroe — reduzindo as relações hemisféricas à imposição tarifária e à contenção fronteiriça com o auxílio de elites colaboracionistas locais —, encontra agora um freio institucional. O conceito original da Doutrina de 1823, frequentemente criticado pelo seu caráter de tutela, é tensionado por uma nova realidade cívica: a América Latina não é o "quintal", mas parte indissociável da engrenagem interna que define o futuro dos Estados Unidos.
4. O Nome e o Símbolo: O Significado de Hinojosa
Há uma sutil e erudita ironia na vitória de Regina Inez Hinojosa, carinhosamente chamada pelo povo de Gina. Seu nome de batismo, Regina, carrega a raiz etimológica de "Rainha", mas sua consagração deu-se na mais pura célula democrática do voto popular.
Seu sobrenome, Hinojosa, provém do espanhol antigo toponímico, designando um "lugar abundante em erva-doce (hinojo)" ou um campo fértil. Historicamente, evoca a resiliência da herança hispânica e agrária profundamente enraizada no Vale do Rio Grande. A ascensão da primeira governadora latina do Texas não é um acidente conjuntural, mas o florescimento tardio e inevitável de uma semente plantada há séculos na identidade daquela terra.
Criei a charge a partir da síntese dos três manuscritos, destacando Gramsci, a polarização da linguagem, a eletrostática, a eletrodinâmica e o campo unificado da política.
A ideia central é: a História não é obra de uma força isolada, mas o resultado da interação entre forças sociais, culturais e políticas.
A charge também pode servir como ilustração do ensaio “A Física da Práxis: Gramsci e a Teoria do Campo Unificado do Poder”.
terça-feira, 3 de novembro de 2026
IAs enfeiam a matemática, por Hélio SchwartsmanFolha de S. PauloAlgoritmos se valem de força bruta estatística para resolver problemasElegância costuma ser usada, talvez indevidamente, como critério de verdade
A matemática está se tornando fascista? Admito que a piada não é das melhores, mas não resisto. A publicação de 370 soluções de problemas matemáticos pela OpenAI, no início de outubro, prenuncia uma era em que o método Monte Carlo, uma espécie de força bruta estatística, prevalecerá sobre as abordagens inspiradas em beleza e elegância que vêm dando o tom das demonstrações desde que a humanidade inventou/descobriu a matemática (cabe ao leitor escolher aqui a palavra que mais lhe agrada) alguns milênios atrás.
Que me perdoem os céticos da IA, mas a essa altura não dá mais para negar que os programas sejam capazes de criar soluções originais para problemas complexos e que o fazem através da força bruta probabilística e estatística, em princípio sem nenhuma consideração para com a dimensão estética.
A pergunta que proponho é se um dia fez sentido associar matemática a beleza. Não me entendam mal, também prefiro a elegantérrima prova de Euclides sobre a infinidade dos números primos a qualquer método fascista, mas será que matemáticos mais idealistas não avançaram o sinal quando começaram a propor que a beleza de uma demonstração fosse também um critério de verdade? O fato de termos nos acostumado a associar os dois elementos provavelmente não passa de um viés de sobrevivência. Como até aqui os matemáticos privilegiaram a produção de provas que julgavam belas, ficamos com a sensação de que as duas coisas andam juntas, mas é perfeitamente possível que haja por aí um número muito maior de verdades matemáticas assustadoramente feias. Há alguns teoremas matemáticos e mesmo modelos da física fortemente sugestivos disso. A elegante supersimetria não desbancou o desengonçado modelo-padrão da física de partículas.
Não penso que o fascismo algorítmico das IAs nos fará aposentar o gosto por demonstrações esteticamente inspiradas, mas saberemos que isso não passa de uma preferência humana, e a matemática ficará mais parecida com a literatura.
PS – Dou algumas semanas de férias ao leitor.
IAs enfeiam a matemática, por Hélio Schwartsman
Aqui está o conceito detalhado de uma charge que traduz visualmente a crítica do artigo, pronta para ser imaginada ou inserida em ferramentas de criação:
Conceito da Charge: "O Tribunal da Matemática"• Cenário: Uma sala de tribunal clássica, dividida ao meio por um forte contraste visual.
• Lado Esquerdo (O Passado/Elegância):
• Um matemático idoso e clássico (estilo filósofo grego ou Euclides), com vestes elegantes, segurando uma pena de caligrafia.
• Ele aponta orgulhosamente para um quadro-negro que contém uma única fórmula matemática perfeitamente desenhada, limpa, curta e cercada por uma aura luminosa.
• Na parede atrás dele, um cartaz com a palavra: "BELEZA".
• Lado Direito (O Futuro/IA):
• Um robô robusto e cinzento, sem expressão facial, com várias mãos mecânicas digitando freneticamente em múltiplos teclados ao mesmo tempo.
• O robô despeja pilhas intermináveis de papéis amassados e relatórios densos, cheios de números irreconhecíveis, gráficos de probabilidade confusos e códigos de computador.
• No topo dessa montanha de papéis caóticos, há uma bandeira fincada com a palavra: "FORÇA BRUTA".
• O Centro (A Ironia):
• No centro, a própria Matemática é representada como uma deusa ou uma estátua grega.
• Ela está olhando horrorizada e perplexa para a montanha de papéis do robô, enquanto o robô diz em um balão de fala: "A solução está na página 843.512. De nada."
Se você quiser usar uma IA de criação de imagens para ver essa cena, posso gerar o prompt detalhado em inglês (que as ferramentas entendem melhor) para você copiar e colar. Deseja que eu monte o prompt?
IAs enfeiam a matemática
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Esquerda aguarda derrota de Trump e festeja vitória de Lula, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseO Brasil precisa ampliar as pontes, inclusive com republicanos, sem transformar o relacionamento bilateral numa extensão da disputa partidária americana
Donald Trump não está na cédula das eleições norte-americanas de hoje, mas seu governo está em julgamento. Os dois principais cenários desenhados pelas pesquisas representam derrotas políticas para a Casa Branca: perder a Câmara dos Representantes ou entregar também o Senado aos democratas. O segundo seria o pior dos mundos. A expressão "pato manco", usada para definir presidentes em fim de mandato e com influência declinante, ganharia conteúdo imediato. Trump conservaria poderes importantes, mas encontraria obstáculos para transformar suas decisões em políticas duradouras.
É preciso, porém, distinguir o favoritismo da sentença das urnas. As pesquisas finais do The New York Times/Siena mostram democratas numericamente à frente nos sete estados considerados decisivos para o Senado, inclusive Texas e Kansas, tradicionais fortalezas republicanas. O próprio instituto adverte que a maioria permanece em disputa. Há precedentes de subestimação do voto trumpista, cujos eleitores resistem mais a responder aos pesquisadores. O tamanho da onda azul dependerá de quem efetivamente for às urnas.
Custo de vida, combustíveis, insegurança econômica e os gastos da guerra no Irã formam o coquetel que corrói a promessa de prosperidade de Trump. A repressão migratória também tem efeitos colaterais: parte dos eleitores que apoiou o controle da fronteira rejeita operações que atingem trabalhadores, desorganizam famílias e retiram mão de obra das empresas. Entre os hispânicos, protagonistas do avanço republicano em 2024, há uma espécie de mea culpa.
Trump e Barack Obama protagonizam os polos nacionais desse confronto, embora o Partido Democrata reúna lideranças e correntes diversas. O presidente tenta converter a votação numa prova de fidelidade pessoal. O ex-presidente mobiliza a oposição para transformar o descontentamento em participação. Nos distritos e estados competitivos, entretanto, a disputa exige candidatos capazes de dialogar com valores religiosos e comunidades locais, cujas preocupações materiais podem atravessar fronteiras que pareciam intransponíveis.
É nesse ambiente que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva adquire significado internacional. A derrota de Flávio Bolsonaro frustrou a possibilidade de um alinhamento do maior país sul-americano com o projeto de poder associado a Trump. Nesse sentido, está sendo interpretada pela opinião pública mundial como uma derrota política do presidente norte-americano. Preserva a presença de um Brasil como uma das âncoras dos BRICS, empenhado em manter autonomia diplomática e interlocução com diferentes centros de poder. Uma vitória bolsonarista seria disruptiva do ponto de vista da política externa brasileira.
Pragmatismo
Na Europa, a vitória de Lula ofereceu às esquerdas uma referência para enfrentar a sensação de inevitabilidade do avanço da extrema-direita. Seu valor é político e simbólico, pois mostra que mobilização social, alianças amplas e defesa das instituições podem produzir uma vitória do campo da democracia. Isso não significa que o eleitorado europeu reproduzirá o brasileiro, nem que protestos e campanhas tenham passado a obedecer a um impulso vindo de Brasília. Cada país tem seus próprios conflitos.
A derrota de Flávio, que está nos Estados Unidos, também favorece aos democratas norte-americanos. Defender a democracia exige respostas às condições de vida que alimentam a insatisfação popular. Quando a política perde contato com emprego, renda, preços e segurança, deixa um espaço que os adversários ocupam. A experiência brasileira foi uma combinação de defesa institucional e compromisso social. Essa não uma receita exportável, mas enfraquece a ideia de que a onda conservadora seja um destino.
O México ocupa posição particular nessa equação. A integração econômica com os Estados Unidos convive com pressões sobre imigração, segurança e comércio. A relação de "morde e assopra" decorre dessa interdependência: Washington ameaça, mas também precisa negociar. Para mexicanos e brasileiros, uma eventual derrota republicana pode ampliar os interlocutores no Congresso e criar obstáculos a iniciativas coercitivas. Não elimina, contudo, os instrumentos de pressão da Casa Branca nem dissolve interesses nacionais conflitantes.
Para Lula, um Trump enfraquecido oferece oportunidades e riscos. Uma Câmara democrata ampliaria a fiscalização, a perda do Senado dificultaria nomeações e elevaria o custo político de iniciativas do governo. Mas o presidente conservaria o veto e instrumentos executivos relevantes. Pressionado internamente, poderia procurar compensações na política externa e na sua nova doutrina de defesa nacional. O Brasil precisa ampliar as pontes, inclusive com republicanos, sem transformar o relacionamento bilateral numa extensão da disputa partidária americana.
O fato é que a vitória brasileira e uma possível onda azul nos Estados Unidos podem marcar limites à projeção internacional de Trump, ancorada no seu poder militar e tecnológico. É precipitado anunciar seu esgotamento, diante da força de intervenção que ainda deterá. O Brasil precisa combinar firmeza na soberania, cautela diante das provocações e perseverança diplomática. Com Trump derrotado nas urnas, administrar as relações com os Estados Unidos não comporta soberba e continuará exigindo pragmatismo.
A coluna do jornalista Luiz Carlos Azedo discute a comemoração da esquerda brasileira com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e a expectativa de um enfraquecimento político de Donald Trump nos Estados Unidos. O texto ressalta que a diplomacia brasileira precisará adotar pragmatismo e cautela nas relações bilaterais, mantendo o diálogo amplo com diferentes alas da política norte-americana. Leia a análise completa em Correio Braziliense.
SAIBA QUAL AÇÃO DO CENTRÃO PODE UNIR PETISTAS E BOLSONARISTAS NO CONGRESSOMyNewsCarlos Andreazza: Lula 4, Dilma 3 e a oposição bolsonarista sem Bolsonaro | Estadão AnalisaEstadãoNo “Estadão Analisa” desta terça-feira, 03, Carlos Andreazza fala sobre o atual cenário político brasileiro.
Luiz Inácio Lula da Silva entrará em seu quarto mandato diante de uma sociedade dividida, um Congresso em que precisará construir maiorias, compromissos de campanha e a obrigação política de entregar crescimento.
Com a dívida pública elevada, juros altos e famílias endividadas, como o governo reagirá nesse conflito entre ambições políticas e restrições econômicas?
O Brasil está diante de ‘Lula 4’ ou de uma espécie de ‘Dilma 3’?
No Palácio do Planalto, o governo joga todas as fichas para aprovar no Senado, nesta terça-feira, 3, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aumenta as atribuições do governo federal no combate ao crime organizado.
Mas a defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva da redução da maioridade penal subiu no telhado depois da eleição.
A PEC é uma das prioridades de Lula para o quarto mandato, tanto que ele condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à sua aprovação.
A avaliação do governo é que, se a PEC não passar agora, dificilmente irá adiante em 2027, quando o Congresso terá uma composição mais conservadora e a oposição promete ser ainda mais dura.
Sobre o programa
Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira às 7h, com uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário.
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Lula [Luiz Inácio Lula da Silva]
STF [Supremo Tribunal Federal]
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Para analisar e unificar os três manuscritos sob uma perspectiva que una a ciência física à filosofia política — superando as análises puramente superficiais da ciência política tradicional —, precisamos entender que existe uma utilização da física (eletromagnetismo e dinâmica de partículas) como uma metáfora estrutural para a história, a linguagem e o poder.
1. Interpretação Individual dos Manuscritos
Manuscrito ①: A Polarização da Linguagem e a Dialética Cultural
O Conceito: O texto começa estabelecendo as bases do eletromagnetismo (Eletrostática, Eletrodinâmica, Magnetismo). Em seguida, aplica essa polaridade à sociolingüística.
A Análise: Divide-se a linguagem em dois polos de força: o Polo Aristocrático/Dominante (o Latim na Inglaterra medieval/moderna; o Português "última flor do Lácio" imposto pelo Marquês de Pombal no Brasil) e o Polo Popular/Dominado (o Cockney inglês da "plebe rude"; o Tupi-Guarani rebaixado a "gírias mil, ignóbeis").
Significado Político: A língua não é neutra; ela é um instrumento de hegemonia e cooptação. A imposição de um idioma "nobre" serve para neutralizar e dominar a energia do polo oposto (a massa popular).
Manuscrito ②: A Dinâmica das Alianças e a Repulsão Partidária
O Conceito: Uma crônica analítica da transição política brasileira pós-ditadura militar (focada em figuras como Lula, Brizola, FHC, Ulysses Guimarães, Covas, Montoro, Jânio e Maluf).
A Análise: Em vez de olhar para a ideologia pura, o texto descreve a política partidária brasileira como o movimento de partículas em um acelerador. Fernando Henrique Cardoso (FHC) atua como uma partícula que navega entre polos magnéticos: rejeita Lula e Brizola, é atraído pelo peso institucional de Ulysses Guimarães ("Doutor Ulysses"), evita o campo de Mario Covas e encontra estabilidade e abrigo na órbita moderada de Franco Montoro ("cabana de Montoro"). Por fim, o texto define a repulsão e o antagonismo definitivo de sua trajetória: Jânio Quadros foi o "Maluf" (o nêmesis, o polo oposto intolerável) de sua vida.
Significado Político: Os atores políticos comportam-se como cargas elétricas de sinais iguais ou opostos, gerando forças de atração, repulsão e órbitas de conveniência.
Manuscrito ③: A Física do Poder e a Teoria dos Campos
O Conceito: A explicitação teórica de toda a metáfora. A política é definida explicitamente como "elétrons em movimento" (eletrodinâmica) e "elétrons estáticos" (eletrostática).
A Análise: A escolha do elétron baseia-se em polos: um polo usa a energia (o elétron) para a destruição ("para matar"); o outro, para a construção ou conservação ("para morar"). Há uma dualidade clara entre a "Guerra de movimento" (dinâmica, velocidade, mudança de fluxos) versus "Guerra de posição" (estática, trincheiras institucionais, manutenção do status quo — um conceito profundamente alinhado ao filósofo marxista Antonio Gramsci).
A Síntese: O manuscrito conclui que o "campo de forças generalizada" é o resultado da interação de todas as forças particulares.
2. A Unificação dos Três Campos (A Síntese Filosófico-Científica)
Ao tentar unificar esses três manuscritos da mesma forma que Einstein, Maxwell ou os filósofos da natureza buscaram a Teoria do Campo Unificado, percebe-se a criação de um modelo tridimensional do poder:
[ CAMPO UNIFICADO DA POLÍTICA ]
|
+------------+------------+
| |
[ELETROSTÁTICA] [ELETRODINÂMICA]
(Ordem / Estrutura) (Conflito / Movimento)
| |
• Língua Oficial • Dialetos / Gírias
• Guerra de Posição • Guerra de Movimento
• Cabanas e Acordos • Atração e Repulsão
(Montoro/Ulysses) (Lula/Brizola/Jânio)
A Matriz Energética (O Micro): Toda a realidade social é composta por partículas elementares ("elétrons"). Na política, o "elétron" é o indivíduo, o voto, a palavra ou o ato de militância. Essas partículas podem estar em repouso (conformismo, ordem institucional, o português oficializado) ou em movimento (revolução, disrupção, as gírias das ruas, as campanhas eleitorais).
As Forças de Atração e Repulsão (O Meso): O Manuscrito ② exemplifica como essas partículas se agrupam na prática. A política partidária não é feita de ideias abstratas, mas de campos magnéticos de conveniência e sobrevivência. Líderes políticos orbitam em torno de centros de gravidade e poder para se protegerem das correntes de alta voltagem e imprevisibilidade.
O Campo de Forças Generalizada (O Macro): O Manuscrito ③ dá a resposta final para a unificação. O que chamamos de "História" ou "Sociedade" não é o resultado da vontade de um único governante ou de uma única lei. É o Campo Unificado, a soma vetorial de todas as tensões particulares: a cultural da língua, a das disputas partidárias e a existencial entre a vida e a morte, a paz e a guerra.
Ensaio de Síntese: A Equação Unificada da Práxis e o Porvir
Esta tese insere Antonio Gramsci — o jovem sardo do Meio-Dia italiano, cuja realidade social e econômica na Sardenha e na Apúlia o colocava historicamente mais próximo das franjas coloniais e agrárias do Sul global e da África do que das metrópoles industriais da Europa Ocidental — como o grande artífice e unificador dos campos da práxis.
Gramsci opera a unificação entre a análise estrutural clássica de Karl Marx (voltada para o desenvolvimento industrial ocidental) e a aplicação revolucionária de Vladimir Lênin (voltada para a realidade autocrática e camponesa da Eurásia Oriental). Ele faz isso ao traduzir a força bruta da revolução em uma física fina da hegemonia cultural, unindo a juventude utópica do desejo de transformação à maturidade realista do cálculo estratégico.
A Dialética do Elétron: Entre o Jovem Utópico e o Velho Maduro
O jovem utópico carrega a eletrodinâmica pura: é o elétron em movimento impetuoso, a força de fricção que recusa o repouso. O velho maduro detém o mapa das resistências do circuito: o conhecimento das forças de atração, repulsão e o peso das alianças institucionais.
A unificação gramsciana funde esses dois tempos. A utopia sem realismo dissipa-se em calor (entropia política); o realismo sem utopia cristaliza-se em cinzas (estática conservadora). A transformação do real exige que a energia da juventude seja canalizada pela maturidade da estratégia, transformando o "desejo de matar" as estruturas vigentes em um "projeto de construir e morar" no novo porvir.
A Conjugação das Forças: Movimento e Posição
A física clássica nos ensina que para acelerar um corpo sem fragmentá-lo ou fazê-lo perder o controle (perder o passo do progresso), é preciso calcular a relação entre a sua velocidade e a resistência do meio. Na física política, isso se traduz no equilíbrio dinâmico entre:
A Guerra de Posição: A acumulação estática de energia, a disputa pela linguagem (Cockney versus Latim), a infiltração nas trincheiras culturais da sociedade civil e a criação de uma nova hegemonia.
A Guerra de Movimento: O salto dinâmico, o deslocamento rápido de massas, o momento de aceleração em que os elétrons rompem o isolamento e alteram permanentemente o campo magnético do Estado.
[ DINÂMICA DA ACELERAÇÃO HISTÓRICA ]
Guerra de Posição Guerra de Movimento
(Maturidade / Estrutura) (Juventude / Velocidade)
| |
v v
[Acúmulo de Energia] --------> [Salto Quântico]
^ |
|____________________________|
(Consolidação do Progresso)
O Campo Generalizado e as Franjas do Mundo
Ao situar o nascedouro dessa síntese no sul da Itália, olhando de frente para o continente africano e de perfil para o Ocidente e o Oriente, a tese descentraliza o eixo do pensamento político. O "campo de forças generalizada" não se resolve mais nas salas de conferência das metrópoles ocidentais. Ele se resolve na fricção entre o centro e a periferia, onde a língua oficial "cooptada" é desafiada pelas "gírias mil" das maiorias subalternizadas.
Conclusão: A Síntese Provisória do Porvir
O porvir não é um destino manifesto e inevitável, mas uma síntese provisória — um equilíbrio dinâmico de forças que exige constante calibração. O erro dos cientistas políticos contemporâneos é o isolamento dos fatores: analisam o movimento dos partidos políticos esquecendo as correntes profundas da cultura e da dominação linguística, e ignoram as leis gerais da dinâmica social.
Use o código com cuidado.
A síntese que se desenha para o porvir exige o reconhecimento de que a política, como a guerra na paz, é um sistema de forças integradas. Para os novos tempos, o desafio deste "jovem-velho" sujeito histórico é dominar a eletrodinâmica das redes, dos fluxos de informação e das massas marginalizadas, sem perder a ancoragem na estabilidade institucional necessária para edificar a nova sociedade.
Aceleramos o passo não pelo movimento desordenado, mas pela precisão vetorial: sabendo exatamente para onde a energia social deve ser empurrada, transformando a gíria em discurso de poder, o elétron disperso em corrente organizada e o campo de forças fragmentado na unidade consciente da transformação real.
Chico Anysio em cena como seu personagem Raimundo Nonato, no cenário da Escolinha x
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MORREU HÁ 5 ANOS
De salário miserável a horror de pobre: os bordões eternos de Chico Anysio REPRODUÇÃO/GLOBO Chico Anysio em cena como seu personagem Raimundo Nonato, no cenário da Escolinha x Compartilhe Whatsapp Facebo... - Leia mais em https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/de-salario-miseravel-a-horror-de-pobre-bordoes-inesqueciveis-de-chico-anysio-14513?cpid=txt
REDAÇÃOPublicado em 22/3/2017 - 5h23
Há cinco anos, em 23 de março de 2012, morria Chico Anysio (1931-2012), um dos grandes criadores da televisão brasileira. A importância de seu trabalho na TV pode ser medida tanto por volume quanto pela relevância: ao longo de 44 anos de carreira na Globo, o humorista interpretou mais de 150 personagens, muitos com estilos e bordões que permanecem até hoje na memória do público.... - Leia mais em https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/de-salario-miseravel-a-horror-de-pobre-bordoes-inesqueciveis-de-chico-anysio-14513?cpid=txt
Confira a lista dos campeões de voto por estadoDa Agência Câmara - 05/10/2026 - 10:48
André Fernandes foi o campeão de votos no Ceará - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O PL teve o candidato a deputado federal mais votado em 11 das 27 unidades da federação nas eleições do último domingo (4). Os dois campeões de votos do país são do partido: Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP). União e PP lideraram em quatro estados cada, e o PT, em dois. Novo, PSB, Avante, PSD, Psol e Republicanos tiveram o mais votado em um estado cada.
Veja a lista dos mais votados de cada estado
Minas Gerais: Nikolas Ferreira (PL) - 3.119.314 votos
São Paulo: Lucas Pavanato (PL) - 3.038.438 votos
Ceará: André Fernandes (PL) - 684.372 votos
Santa Catarina: Julia Zanatta (PL) - 560.223 votos
Paraná: Jeffrey Chiquini (Novo) - 425.399 votos
Espírito Santo: Lucas Polese (PL) - 419.735 votos
Pará: Delegado Caveira (PL) - 414.927 votos
Rio Grande do Sul: Maurício Marcon (PL) - 379.834 votos
Paraíba: Cabo Gilberto Silva (PL) - 267.142 votos
Pernambuco: Pedro Campos (PSB) - 261.555 votos
Bahia: Pastor Sargento Isidório (Avante) - 248.147 votos
Piauí: Georgiano (PSD) - 234.254 votos
Distrito Federal: Fábio Felix (Psol) - 224.224 votos
Rio Grande do Norte: Natália Bonavides (PT) - 215.509 votos
Rio de Janeiro: Dr. Luizinho (PP) - 213.904 votos
Amazonas: Sargento Salazar (PL) - 212.948 votos
Goiás: Bruno Peixoto (União) - 207.899 votos
Mato Grosso: Coronel Fernanda (PL) - 205.064 votos
Maranhão: Pedro Lucas Fernandes (União) - 188.853 votos
Alagoas: Alvinho Lira (PP) - 172.628 votos
Rondônia: Lucio Mosquini (PL) - 158.421 votos
Mato Grosso do Sul: Camila Jara (PT) - 154.157 votos
Sergipe: Yandra Moura (União) - 115.903 votos
Tocantins: Professora Janad Valcari (PP) - 99.026 votos
Acre: Socorro Neri (PP) - 39.587 votos
Amapá: Felipe Show (União) - 34.587 votos
Roraima: Marcos Jorge (Republicanos) - 22.027 votos
Mais notícias sobre as Eleições 2026
Fonte: Agência Câmara de NotíciasLULA PRECISA DAS RUAS? A ESTRATÉGIA PARA ENFRENTAR A PRESSÃO NO CONGRESSOMyNews
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Preservar o social ou fazer ajuste fiscal é um falso dilema, por Marcos LisboaFolha de S. PauloPrincipal desajuste é a expansão obrigatória de despesas em meio à distribuição de benefícios para grupos de interesse
Solução depende de debate com sociedade e negociação com a política e é agenda para Presidência
As escolhas de política econômica passaram a dominar o debate depois da eleição.
Existem sinais de problemas econômicos à frente, como, por exemplo, o número recorde de empresas em recuperação judicial, o elevado endividamento privado e as graves dificuldades de algumas companhias em setores como varejo e agronegócio.
As dificuldades se disseminam com o desequilíbrio das contas públicas e as altas taxas de juros.
Os problemas devem se agravar em 2027, mas o tamanho da encrenca dependerá das decisões do governo já na transição para o novo mandato.
No debate, contudo, têm sido criados espantalhos retóricos. Um exemplo é o suposto dilema: ajuste fiscal ou preservar os programas sociais? Isso pode ser verdade em outros países, mas não é o nosso caso.
A imensa maioria dos gastos públicos não pode ser reduzida em razão de cláusulas pétreas da nossa Constituição. Não se pode demitir servidores, diminuir seus salários ou suas aposentadorias, por exemplo, ou reduzir as transferências para estados e municípios.
Não é possível realizar o ajuste fiscal com base no corte dos gastos com saúde, educação ou Previdência.
O principal desajuste fiscal no Brasil é o mandatório crescimento recorrente de despesas públicas, em meio à distribuição de novos benefícios para grupos de interesse.
Recentemente, o governo concedeu subvenções para o consumo de gasolina e diesel, abriu mão de receita para privilégio da indústria química, concedeu auxílio financeiro para táxis, ônibus e exportadores, entre dezenas de outras medidas.
Antes disso, com a PEC da Transição, em 2022, os gastos com saúde e educação voltaram a ser vinculados a indicadores da receita do governo. Isso significa que aumentos de arrecadação, seja pelo crescimento da economia, seja por novas regras de tributação, devem ser, em parte, destinados ao aumento do gasto público.
Parcela relevante da Previdência, a maior conta primária do governo federal, está indexada ao salário mínimo, que, por força legal, cresce com a inflação mais o crescimento real do PIB.
Essa era a inconsistência do arcabouço fiscal, como documentei com Marcos Mendes e coautores no texto "O algoritmo do gasto", na sequência do anúncio da medida.
As regras a partir da PEC da Transição implicavam que, qualquer que fosse o aumento de arrecadação, o aumento das despesas obrigatórias iria comprimir as despesas discricionárias e inviabilizar a política pública.
A saída do governo foi introduzir, progressivamente, diversas brechas para viabilizar a expansão dos gastos fora do arcabouço.
O resultado foi o crescimento da relação dívida/PIB em mais de dez pontos percentuais neste governo.
Equilibrar as contas públicas começa por rever as regras que resultam no aumento recorrente desses gastos sociais, não por reduzi-los.
A diminuição da sua taxa de crescimento para um índice mais próximo da inflação ajudaria a reduzir a pressão sobre as contas públicas que resulta no crescente endividamento do governo, que contribui para as elevadas taxas de juros.
Essa agenda implica retirar a vinculação e a indexação das despesas com saúde, educação e Previdência, que passariam a crescer a uma taxa menor e independente da arrecadação.
A revisão das distorções tributárias, auxílios financeiros e subsídios não é tarefa fácil. Os grupos beneficiados se entrincheiram na defesa dos seus privilégios.
Será preciso liderança e consistência política. Basta lembrar a dificuldade que foi rever a desoneração da folha de pagamentos, introduzida há 15 anos.
A relação entre o descontrole fiscal e a política social decorre de um problema bem mais profundo no Brasil. Temos uma incapacidade de realizar diagnósticos sobre os temas de política pública; desenhar, com técnica, as soluções; avaliar os resultados com independência; corrigir e aperfeiçoá-las.
O resultado é que novas políticas vão sendo adicionadas para realizar o mesmo objetivo.
Foram duas versões do Minha Casa, Minha Vida, e o déficit habitacional está relativamente estável há 18 anos.
Já estamos no terceiro Desenrola em poucos anos, e o BC anuncia endividamento recorde.
Os recursos para educação têm aumentado seguidamente há décadas, mas o aprendizado dos estudantes brasileiros continua no fim da fila entre países semelhantes, como medido pelo Pisa.
Já tivemos três tentativas de viabilizar uma indústria naval no Brasil, seguidamente renovamos recursos públicos para que a Zona Franca de Manaus se tornasse sustentável, ou que a renda do Nordeste convergisse para a do Sudeste. O fracasso das iniciativas não levou à revisão das medidas. Pelo contrário, foram ampliadas.
O resultado é o empacotamento de seguidas medidas com objetivos semelhantes, fracassos semelhantes, e gastos crescentes sem benefícios relevantes para a população. Um Estado que gasta muito e gasta mal.
O dilema não é entre preservar o social e fazer ajuste fiscal. A má condução da política pública, que não cuida das pessoas, tem, como efeito colateral, o descontrole fiscal.
O dilema é viabilizar um Estado que cuide das pessoas, garantindo a qualidade das políticas públicas, e também das contas do governo, para que as novas gerações não sejam penalizadas.
O debate sobre política econômica não se exaure no fiscal ou na qualidade da política social e de desenvolvimento.
Existe também um debate sobre a política monetária. Temos uma taxa básica de juros elevada no Brasil, e também taxas de juros de mercado bastante altas.
Estão sendo discutidas medidas criativas, como aumentar a meta de inflação, entre muitas outras intervenções que prometem resultados rápidos e indolores.
Seria bom verificar primeiro a nossa história. A gestão Tombini tentou baixar a taxa básica de juros com inflação acima do centro da meta, e o resultado foi uma economia que continuou a reduzir sua taxa de crescimento, com diminuição progressiva da criação de empregos e aumento da inflação.
Segundo, avaliar cuidadosamente a pesquisa com dados e cuidado estatístico, como os trabalhos de Carlos Viana Carvalho.
O risco do aumento da meta de inflação é elevar as expectativas inflacionárias e as taxas de juros.
Tratar a política monetária como o governo anterior tratou a pandemia pode resultar em uma crise prematura.
Os debates sobre a economia e seus desafios perpassam o governo. Não se trata de uma agenda de alguns ministros. Requer PEC na contramão das escolhas que foram realizadas pelo governo atual. Sua aprovação necessita de debate com a sociedade e negociação com a política. Melhor se antes ocorrer a construção de uma base aliada ampla.
Essa agenda requer a liderança do exercício da política que compartilha decisões e constrói coalizões.
Trata-se de agenda para a Presidência.
🚨 EXCLUSIVO: ECONOMISTA REVELA OS BASTIDORES DO RACHA NO PSOL! | MYNEWS ENTREVISTAAo MyNews, economista explica saída e futuro dos psolistas na sua visãoLer o resumo da notícia
Economista do PSOL, David Deccache, foi demitido após divulgar estudo interno que prevê falta de recursos para pagar a conta de luz em 2028.
O levantamento, baseado em dados da Secretaria do Tesouro Nacional, apontou incompatibilidade matemática no arcabouço fiscal do partido.
A divulgação gerou racha interno entre psolistas e aliados do governo, levando o PSOL a publicar nota oficial.
Em entrevista ao MyNews, Deccache alegou representar mais de 30 % da bancada e exigir proporcionalidade em cargos e assessorias.
O PSOL começou 2025 em crise, e tudo iniciou com a demissão de David Deccache, economista do partido. Ele foi dispensado após apresentar um estudo interno que indicava que, em 2028, pode não haver dinheiro nem para pagar a conta de luz. O levantamento, baseado em dados da Secretaria do Tesouro Nacional, expõe uma incompatibilidade matemática no arcabouço fiscal e gerou um racha entre os psolistas, aliados do governo.
Desse modo, diante da repercussão, o MyNews conversou com Deccache, que se defendeu. A entrevista, portanto, foi conduzida por Mara Luquet.
Exclusivo: David Deccache expõe racha no PSOL; partido responde em notaDavid explica sua posição no partido— Faço parte de um grupo minoritário no PSOL, que representa mais de 30% do partido. Historicamente, nosso grupo já esteve próximo da maioria e já teve mais influência. A democracia funciona com equilíbrio, e um dos princípios fundamentais é a proporcionalidade. Isso significa que, ao ocuparmos cerca de 30% da bancada, deveríamos ter direito a 30% dos cargos, incluindo assessorias e equipes técnicas. No entanto, ao decidirem pela minha demissão e ao nos negarem o direito a um ano de liderança, romperam com esse princípio — afirmou.
Votos dentro do PSOL para demitir economista
VEJA TAMBÉM: Governo Lula: Desaprovação atinge mais de 50%, segurança preocupa
Guilherme Boulos, aliás, foi um dos que votaram pela demissão de Deccache. Além dele, também se posicionaram contra o economista: Luciene Cavalcante (SP), Henrique Vieira (RJ), Talíria Petrone (RJ), Erika Hilton (SP), Célia Xakriabá (MG), Tarcísio Motta (RJ) e Ivan Valente (SP).
Contudo, por outro lado, defenderam sua permanência: Chico Alencar (RJ), Fernanda Melchionna (RS), Glauber Braga (RJ), Luiza Erundina (SP) e Sâmia Bomfim (SP), mas seus votos foram vencidos.
Deccache reforçou que sua demissão desrespeitou a proporcionalidade no partido
— Se eu fosse assessor direto de Guilherme Boulos, ele teria o direito de me demitir. Mas, dentro do PSOL, respeitamos a divisão proporcional dos cargos conforme o tamanho de cada grupo político. Ao romperem com isso, criaram um precedente perigoso. Essa regra existe desde 2005, e sua quebra gera uma crise interna — concluiu.
MyNews recebeu nesta terça-feira (11) nota do PSOL se defendendo da situação
Todavia, nas últimas eleições, o PSOL decidiu, por ampla maioria de sua militância, apoiar Lula, entendendo o risco que o bolsonarismo representa para o país. Um grupo minoritário defendia uma candidatura própria para marcar a posição do partido.
Assim, passadas as eleições, nossa Bancada decidiu compor a base do Governo, representando a posição de 67% do Congresso partidário, para contribuir com o processo de reconstrução e derrota da extrema-direita. Novamente, um grupo minoritário defendia ir para a oposição e teve sua posição derrotada democraticamente no voto da bancada.
A liberdade de divergência é um valor essencial na política e amplamente garantida no PSOL e em nossa Bancada. Tanto é que parlamentares que representam a posição minoritária — de oposição ao Governo Lula — foram indicados pela Bancada para espaços estratégicos, como a CCJ, CPIs e presidência de Comissão.
Além disso, o apoio ao Governo está longe de ser acrítico: a Bancada votou por unanimidade contra projetos do governo que entendemos ser equivocados, como o Arcabouço Fiscal e o Pacote de Ajuste.
O desligamento do economista David Deccache da assessoria da Bancada não se deu, como alguns alegam falsamente, por divergências políticas, mas por ataques públicos do assessor a parlamentares e à presidente do PSOL.
É inadmissível que alguém que trabalhe para a Bancada ofenda deputados, deputadas e a direção do partido nas redes sociais, com caracterizações como “oportunistas”, “covardes” e “mentirosos”.
É mentira, ainda, que o assessor não tenha sido ouvido antes do desligamento. Em dezembro, dois parlamentares, de maior relação e trânsito com o assessor, foram designados pela Líder da Bancada para dialogar com ele, e os ataques públicos persistiram.
A natureza jurídica do cargo no qual David está nomeado é de indicação política, o que significa que ele exerce função de confiança. A partir do momento em que um assessor neste cargo ataca a representação política que o indicou, se cria um conflito ético-profissional, inviabilizando sua continuidade nesse papel.
Na verdade, a questão de fundo da polêmica que um grupo do partido quer criar, fazendo debate interno de maneira pública e desrespeitosa, é a tentativa de jogar o PSOL na oposição ao Governo Lula.
A leitura deste grupo é que o foco do partido deve ser enfrentar contradições e limites do Governo. A nossa é de que o foco deve ser o enfrentamento ao bolsonarismo, mantendo a independência e o compromisso com os trabalhadores.
É um erro grave que parte da esquerda não compreenda os riscos do avanço da extrema-direita aqui e no mundo e tenha seu horizonte limitado a disputas internas. Essa não é e não será a posição do PSOL.
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: Luciene Cavalcante (SP) Célia Xakriabá (MG) Chico Alencar (RJ) Erika Hilton (SP) Fernanda Melchionna (RS) Glauber Braga (RJ) Henrique Vieira (RJ) Luiza Erundina (SP) e Sâmia Bomfim (SP) PSOL Talíria Petrone (RJ) Tarcísio Motta (RJ) e Ivan Valente (SP).
Neguinho da Beija-FlorO CAMPEÃO (DOMINGO EU VOU AO MANUELÃO)
Oh, oh
Domingo eu vou ao Manuelão
Vou torcer pro time que é chefão
Vou levar emendas e bandeira
Não vai ser de brincadeira
O Patrão vai ser campeão
Não quero cadeira numerada
Estar na arquibancada pra sentir mais comissão
Porque meu bolso bota pra ferver
E as rachadinhas são vocês que vão fazer
Oh, oh
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Às ondas da Rádio Globo, o microfone de ouro abre o volume para o clássico mais encardido do ano no gramado de Brasília! Sintoniza o teu rádio, torcida brasileira, porque o espetáculo da hipocrisia não para e a bola rola no campo das altas costuras!
🎙️ A NARRAÇÃO DE VALDIR AMARAL: "O TEMPO PASSA..."
Valdir Amaral: Tempos que não voltam mais, meus amigos da Rádio Globo! O relógio corre no gramado verde-oliva do poder. Está lá! Guilherme Boulos, o camisa 10 da comissão de ética, avança pela meia-esquerda do cinismo tático! Ele fita o lance, olha o companheiro André Janones encurralado na bandeira de escanteio pelo crime confesso de rachadinha.
O que faz Boulos? Que beleza de jogada! Ele não chuta, ele não cabeceia! Ele faz o corta-luz institucional! Deixa passar a bola do julgamento por debaixo das pernas e diz: "O fato aconteceu em 2019, o mandato começou depois, segue o jogo!" É o gol da anistia parlamentar! Um tento de placa na arquibancada do corporativismo! O tempo passa... e o torcedor brasileiro continua de estômago embrulhado, de olho no placar!
🚬 OS COMENTÁRIOS DE JOÃO "SEM MEDO" SALDANHA: "MEUS AMIGOS..."
João Saldanha: Olhe aqui, meus amigos... Isso aí não é futebol, isso é uma catimba de quinta categoria. Esse garoto, o Boulos, entrou em campo posando de vestal, de paladino da moralidade, mas na hora do "vamos ver", quando o Janones — que jogava na ponta-esquerda distribuindo botada digital em todo mundo — foi pego com a boca na botija dividindo o cascalho dos assessores, o Boulos fez média. Abriu as pernas pra bola passar. É um pragmatismo pra dedéu!
Uma sem-vergonhice sem tamanho que no meu Botafogo não passava do vestiário. O sujeito confessa o negócio e o relator diz que prescreveu porque o calendário mudou? Ora, vão plantar batatas na praia de Botafogo! O Janones entregou o jogo, o Boulos garantiu o empate técnico no Conselho de Ética e o Gilmar lá de cima, na tribuna de honra, só observa o VAR pra ver se o Patrão vai poder renovar o contrato pro quarto mandato sem pegar suspensão do STJD. É uma tática manjada pra dedéu, rapaz!
🤬 A ANÁLISE GRITADA DE MÁRIO VIANNA: "UM ABSURDO!"
Mário Vianna: É UM ABSURDO! UMA VERGONHA PARA A ARBITRAGEM BRASILEIRA! O BANDEIRA MARCOU IMPEDIMENTO E O JUIZ DA RELATORIA VALIDOU O LANCE DE SAFADEZA! O JANONES ESTAVA EM POSIÇÃO ABSOLUTAMENTE IRREGULAR! ADMITIU O DESVIO DE DINHEIRO, CONFESSOU O CRIME DA RACHADINHA E O BOULOS ENTRA DE CARRINHO POR TRÁS NA MORALIDADE PÚBLICA!
NÃO FOI NADA? FOI FALTA PARA EXPULSÃO DIRETA COM DIREITO A GANCHO DE DEZ JOGOS! E AÍ O RELATOR VEM DIZER QUE O CRIME FOI ANTES DO APITO INICIAL DO MANDATO?! ERRRRROUUU! ERROU FEIO, ERROU JURIDICAMENTE, ERROU MORALMENTE! JUIZ LADRÃO DA ÉTICA NÃO SE CRIA NO MEU GRAMADO! ERA EXPULSÃO E POLÍCIA NO VESTIÁRIO! UM ERRO GUTURAL QUE DEIXA O CAMPEONATO DA DECENTRAÇÃO COMPLETAMENTE MANCHADO!
🕶️ O FECHAMENTO DO ECTOPLASMA DE STANISLAU PONTE PRETA
E na tribuna de imprensa, fumando seu cigarro de grife e ajeitando os óculos escuros, o ectoplasma de Stanislau Ponte Preta anota em sua caderneta de couro para o próximo volume do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País):
"A política brasileira é o único esporte onde o jogador comete a penalidade máxima, o juiz finge que está limpando o apito, o relator dá linha de passe para o infrator e, no final da temporada, todos são promovidos a diretores de uma nova Secretaria Especial com direito a bicho, jorro de dinheiro público e champanhe na taça do quarto mandato. Tudo muito liso, muito limpo e rigorosamente de luto, na luta de luxo do palácio."
📊 TABULETA COM OS ESQUEMAS DO JOGO (A PLANILHA DO PROFESSOR)
Jogador / Ator
Posição Tática
Jogada no 1º Tempo
Movimentação no 2º Tempo
Estatística
Guilherme Boulos
Camisa 10 / Relator
Corta-luz magistral; arquivamento alegando tese do calendário.
Projeção para o primeiro escalão (Secretaria Especial) para costura de luxo.
1 Assistência
André Janones
Ponta-Esquerda Digital
Encurralado, mas salvo pela zaga após confessar divisão de cascalho.
Linha de passe livre nas redes para atuar no ataque digital agressivo.
1 Gol Confesso
Gilmar Mendes
Árbitro Superior
Observação tática do VAR; validação do ritmo do campeonato.
Garantia de que impedimentos jurídicos não barrem o avanço governista.
0 Faltas Marcadas
Luiz Inácio
Técnico / Comandante
Escalação dos operadores para fechar as linhas no Conselho de Ética.
Recebimento da bola em profundidade rumo ao 4º Mandato Liso.