Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.Dia BrancoO que será - À Flor da Pele (Chico Buarque) - Luiza Lara canta Chico Buarque
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o Sol
Se hoje o Sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça, na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto, esse canto de amor, oh
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o Sol
Se hoje o Sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça, na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo
Comigo
Geraldo AzevedoComposição: Geraldo Azevedo, Renato Rocha.Poesia | Antônio Abujamra declama Mário QuintanaMúsica | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) -
https://youtu.be/XLMKDtU_dkQ
Congresso analisa veto ao projeto da dosimetria – 30/4/26
30/04/2026, 10h19
Fonte: Agência SenadoTransmissão ao vivo realizada há 5 horas"Congresso Nacional analisa nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à trama golpista. A proposta pode ter impacto direto sobre condenados e é apontada como potencialmente benéfica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A votação ocorre em meio a um clima de tensão entre governo e Congresso, um dia após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF. Deputados e senadores decidem se mantêm ou derrubam o veto presidencial, em sessão conduzida por Davi Alcolumbre."
Aqui está o verbete atualizado com os dados históricos e contextuais da sessão do Congresso Nacional:
hos.pi.ci.o.so
(hos-pi-ci-o-so)
adj.
Neol. Pol. Qualidade do que é próprio ou digno de um hospício; diz-se do discurso, argumento ou comportamento considerado desconexo, irracional ou delirante no contexto de um debate parlamentar.
Pejor. Que evoca a atmosfera de um manicômio; confuso ou desprovido de lógica.
Ling. Vocábulo resultante de contaminação fonética entre as palavras hospício e auspicioso, empregado com intenção ofensiva para desqualificar opositores.
Exemplo de uso: "O discurso de vocês é hospicioso!" (Deputado Zé, durante análise do veto à dosimetria das penas dos atos de 8 de janeiro, em sessão conjunta do Congresso Nacional em 30/04/2026).
[Etim.: hospício + -oso]
🔍 Notas de Contexto
Local: Sessão do Congresso Nacional (Câmara e Senado).
Pauta: Debate sobre o veto presidencial (VET 3/2026) ao projeto da dosimetria para condenados por tentativa de golpe de Estado.
Ocorrência: O termo foi proferido para acusar o som emitido pelo adversário de ser um "eco de hospício", intensificando o clima de polarização da sessão.
💡 Curiosidade: Ao usar o sufixo -oso, o parlamentar acabou criando uma palavra que, sonoramente, se assemelha a "auspicioso" (favorável), gerando uma ironia linguística involuntária no plenário.
Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias
Publicado em 30/04/2026 - 06:05 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política
O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.
A indicação ao STF sempre foi tratada como prerrogativa presidencial de alto prestígio, cuja aprovação dependia mais de rituais políticos do que de disputas abertas. Ao romper essa tradição, o Senado deixou de ser uma instância homologatória e assumiu protagonismo político explícito, com capacidade de veto efetivo sobre o Executivo. Desde quando Lula rejeitou o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o cargo, desconsiderando um pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e indicou Messias, o advogado-geral da União, as relações do Palácio do Planalto com o Senado ficaram estremecidas.
Lula retardou ao máximo a indicação formal de Messias por causa disso, mas resolveu fazê-lo mesmo sem um acordo com Alcolumbre, por pressentir o perigo com a aproximação do processo eleitoral. Pagou para ver e perdeu a aposta. O dado mais relevante, porém, não está apenas no resultado, mas na engenharia política que o produziu: a convergência entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinaliza a formação de um novo eixo de poder dentro do Congresso.
Alcolumbre, que até então operava como mediador e, em muitos momentos, como anteparo institucional contra iniciativas mais agressivas da oposição, deslocou-se para uma posição de maior autonomia — ou mesmo de alinhamento tático com forças oposicionistas. Esse movimento rompe uma lógica de contenção que vinha permitindo ao governo administrar crises sem sofrer derrotas frontais. A partir de agora, cada votação relevante exigirá negociação real, concessões concretas e maior capacidade de articulação política.
O governo perde não apenas votos, mas previsibilidade. E, em política, a perda de previsibilidade costuma ser mais grave do que a perda episódica de maioria. Há também implicações diretas para o próprio STF. A rejeição de um indicado presidencial reabre o debate sobre os critérios de escolha e sobre o grau de politização da Corte. Nos últimos anos, consolidou-se a percepção de que o tribunal passou a desempenhar papel central na arbitragem de conflitos políticos, o que elevou o custo das indicações.
Leia também: Após derrota, governo Lula atribui rejeição de Messias à articulação política
Ao barrar Messias, o Senado envia um recado ao Executivo, de que não aceitará indicações automáticas, e ao Supremo, de que sua composição passou a ser objeto de disputa política aberta. Lula tenta assimilar a derrota como um revés parlamentar e não uma ruptura definitiva. A seus auxiliares, disse que tinha o direito de indicar Messias e o Senado, de rejeitar.
Liturgia do cargo
Mas não é essa a leitura da oposição e dos aliados do Centrão que traíram o governo. Do ponto de vista histórico, o episódio é raro. Desde o início da República, ainda sob Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, não se registrava uma rejeição dessa natureza com impacto político comparável. Isso confere à derrota de Lula um caráter simbólico poderoso: ela representa não apenas um revés e quebra de um padrão institucional que atravessou diferentes regimes e conjunturas, mas fragilidade do projeto de reeleição, ou seja, perda de expectativa de poder.
Politicamente, o impacto é profundo. Lula construiu seu terceiro mandato com base em uma estratégia de recomposição de alianças amplas com o Centrão, buscando apoio nos estados para garantir governabilidade. A derrota expõe os limites dessa estratégia. Mostra que o chamado “centrão ampliado” não opera como base orgânica, mas como um conjunto de forças voláteis, que respondem a incentivos específicos e a correlações de força momentâneas.
Além disso, a articulação que levou à rejeição fortalece a oposição liderada por Flávio Bolsonaro, que passa a demonstrar capacidade de influenciar decisões estratégicas mesmo sem maioria formal. Isso já é resultado da expectativa de poder gerada pelos reiterados empates técnicos com Lula nas pesquisas de intenção de votos. Esse dado tem implicações diretas para o cenário eleitoral de 2026, pois indica que a oposição não apenas resiste, mas consegue impor derrotas relevantes ao governo no terreno institucional. Ou seja, passou à ofensiva no Congresso.
Leia mais: Senado vira palco de festa bolsonarista após derrota de Jorge Messias
Outro aspecto é o enfraquecimento da autoridade de Lula. O resultado da votação abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade presidencial. Em sistemas presidencialistas, a capacidade de nomear ministros de cortes superiores é um dos instrumentos mais relevantes de poder. Ao ver sua indicação rejeitada, Lula sofre um desgaste que transcende o episódio específico e atinge sua imagem de liderança política de forma irremediável neste mandato.
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#Alcolumbre, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, #STF, Lula
“A resposta curta é sim. Os discursos na sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em 29 de abril de 2026, reforçaram a percepção de que sua indicação está profundamente mergulhada na identidade ideológica do PT, o que a oposição chama de "mar vermelho".
Abaixo, os pontos que explicam como esses aliados influenciaram sua trajetória:
O Papel dos Aliados na Sabatina
Rogério Carvalho (PT-SE): Atuou como um dos defensores mais enfáticos, focando na lealdade de Messias ao projeto de governo. No entanto, essa defesa explícita acabou alimentando as críticas de que o indicado seria um "ministro militante" em vez de um magistrado isento.
Renan Filho (MDB-AL): Como parte da base governista, tentou dar um ar de "frente ampla" à indicação. Contudo, seu apoio foi lido como uma chancela política tradicional, o que não ajudou a dissipar a imagem de que Messias é uma escolha puramente política.
Randolfe Rodrigues (PT-AP): Como líder do governo, foi o articulador principal. Sua mudança de tom — de uma previsão de vitória fácil para a admissão de dificuldades — expôs a fragilidade da indicação diante da resistência no Senado.
Camilo Santana (PT-CE): O ex-ministro da Educação e senador cearense adotou um discurso firme contra o "fascismo" e em defesa do campo progressista. Essa retórica, embora unificadora para a esquerda, serviu de munição para a oposição, que acusou o grupo de aparelhar o STF.
A Deriva pelo "Mar Vermelho"
A expressão "mar vermelho petista" refere-se à forte marca partidária que Messias carrega desde o episódio do "Bessias" no governo Dilma. Os discursos dos seus aliados:
Reforçaram a bolha: Em vez de pontes com o centro e a direita, as falas focaram em valores caros apenas à esquerda.
Dificultaram a aprovação: A oposição, liderada por nomes como Marcos Rogério (PL), usou justamente essa proximidade excessiva para questionar a independência de Messias.
Geraram desgaste: O recuo de Randolfe Rodrigues, admitindo que o resultado poderia ser negativo, mostrou que o apoio ideológico não foi suficiente para garantir os votos necessários na CCJ e no Plenário.
🚩 Ponto chave: A estratégia de defesa baseada na militância e na identidade partidária acabou isolando Messias, transformando sua sabatina em um embate ideológico que mais dificultou do que facilitou.”
Cleitinho sobe o tom em sabatina de Jorge Messias: “STF está desmoralizado!”Jovem Pan News
29 de abr. de 2026 #JovemPan #3em1
Durante a sabatina na CCJ, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) subiu o tom contra o indicado ao STF, Jorge Messias, afirmando que a Suprema Corte está "desmoralizada" perante os brasileiros. Em resposta, Messias defendeu a imparcialidade e o "bom senso" como requisitos fundamentais para o cargo. O indicado buscou se distanciar de polêmicas, reforçando seu compromisso com a Constituição e o diálogo entre os Poderes.
https://x.com/i/status/2049597700048388395
Assista à íntegra: https://youtube.com/live/neTj4PxAnSk
Lula sofre derrota históricaPor O Estado de S. PauloSenado rejeita indicado do presidente ao STF, o que não acontecia desde o século 19, mas não o fez porque se tratava de um despreparado, e sim porque decidiu escancarar a crise com Lula
Fez muito bem o Senado ao recusar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Como já dissemos neste espaço, o advogado-geral da União não possuía notável saber jurídico, um dos mais importantes pré-requisitos constitucionais para vestir a toga no STF, e só foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque devota lealdade canina ao demiurgo petista. Mas é preocupante que o Senado tenha tomado tão grave decisão não em razão do óbvio despreparo do postulante, e sim porque algo não funcionou nas negociações entre Lula e os parlamentares, sobretudo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Messias pagou a conta de um governo com imensas dificuldades na articulação política e cada vez mais acuado diante da perspectiva de derrota de Lula na eleição. É preciso ter a real dimensão do fato histórico ocorrido na noite de ontem: Lula é o primeiro presidente a ter uma indicação ao STF rejeitada desde Floriano Peixoto, no final do século 19. De lá para cá, todos haviam sido aprovados pelo Senado, inclusive os mais escandalosamente despreparados, como Dias Toffoli, cujo “saber jurídico” era seu notório trabalho como advogado do PT e que levou bomba nos dois concursos que prestou para a magistratura. Perto dele, Messias é um Moreira Alves.
Por ora, a sociedade pode respirar aliviada por não ter sido vítima de um erro cujas consequências nefastas para o País seriam muitíssimo duradouras, considerando que o jovem Messias, se aprovado, ficaria no Supremo até meados deste século. Mas o alívio há de ser, a um só tempo, cauteloso e vigilante. O acerto do Senado não decorreu de um juízo rigoroso sobre a capacidade técnica de Messias, mas sim de um cálculo político rasteiro, que provavelmente ficará mais claro nos próximos dias.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, como se viu, mais uma vez esteve longe de cumprir sua finalidade. Não se discutiram com a seriedade devida as credenciais jurídicas de Messias, tampouco se exigiu dele a demonstração inequívoca dos atributos requeridos pela Lei Maior para ingresso na mais alta corte do País. O que se viu, ao contrário, foi a repetição de um teatro medíocre, esvaziado de espírito público, cujo desfecho acabou sendo definido, a bem da verdade, não no plenário, mas nos conchavos de gabinete.
A rejeição de Messias, ao que tudo indica, resultou da incapacidade do governo Lula de satisfazer as demandas do grupo político que ora comanda o Senado. No nível em que foram oferecidos pelo Palácio do Planalto, cargos em órgãos estratégicos da alta administração pública, emendas bilionárias e espaços de influência política parecem não ter bastado, o que prenuncia uma crise muito maior.
O episódio expõe a profunda deterioração das relações entre o Executivo e o Legislativo. A recusa inédita de um indicado ao STF não importa por si só, mas sobretudo como sintoma de uma turbulência institucional muito mais ampla, cujas consequências tendem a se estender para muito além das eleições de 2026. Ao impor uma derrota dessa magnitude ao presidente da República, o Senado sinaliza uma disposição de confronto que pode comprometer a governabilidade e tensionar ainda mais o já cambaleante equilíbrio entre os Poderes – incluindo, claro, o Judiciário.
Não assistimos, portanto, a um surto de zelo republicano por parte dos senhores senadores. Fosse o Senado mais cioso de seu papel constitucional e menos covarde, o Supremo certamente não estaria coalhado de ministros despreparados para o cargo e, consequentemente, não estaria imerso na pior crise de credibilidade de sua história. O que mudou desta vez foi apenas o desfecho da barganha que ainda rege as relações entre os Poderes, com o evidente enfraquecimento de Lula – e, por tabela, do próprio Supremo, cujos principais integrantes fizeram campanha por Messias. E tudo isso se dá debaixo de pesadas nuvens que anunciam tempestade.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Duas transparências, por Eugênio BucciO Estado de S. PauloAutoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando
A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.
Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.
Fora isso, é bom tomar cuidado com a palavra. Há malversações de sentido em torno dela. Basta ver que os mesmos agentes que viabilizam os penduricalhos também se declaram campeões da transparência. Não podem ver um microfone na frente que já começam a escandir o substantivo feminino mais amado da temporada. Sim, é uma contradição. A transparência aberta pelo bom jornalismo os constrange, mas eles não passam recibo. Quando pegos no contrapé, emudecem no casulo de suas sacrossantas privacidades. Nenhuma vírgula sobre dinheiros vultosos que acumulam e regalias de que desfrutam. Logo em seguida, recompostos, desfiam sermões sem fim à causa sonora, pomposa e melíflua da transparência. Nessas horas, parece que alguém estatizou o cinismo. Repito: é bom tomar cuidado.
Na raiz dessa contradição mora um embaralhamento semântico. Há duas acepções de transparência se enroscando e se confundindo. De um lado, existe o significado republicano da palavra. Aí, a expressão “dar transparência” significa “dar publicidade” e “dar publicidade” quer dizer abrir os gabinetes do Estado para que a sociedade possa ver melhor o que se passa lá dentro. As divisórias, os biombos e os muros da máquina pública não podem ocultar o destino dos recursos públicos. Ao contrário, devem ser transparentes. Foi a isso que Rui Barbosa se referiu quando escreveu, lá se vai um século, que “aqueles que se consagram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro”.
O sentido republicano da palavra é o que vale tanto para a prática do jornalismo quanto para o conceito de democracia. Quanto mais forte é o regime democrático, mais os palácios dos Poderes da República têm “paredes de vidro” – e mais a intimidade dos cidadãos é respeitada. Quando o totalitarismo leva a melhor, o Estado fica opaco e a intimidade dos cidadãos, exposta.
(Na década de 1980, Mikhail Gorbachev criou a Glasnost para varrer o totalitarismo da União Soviética e desativar o Estado opaco do stalinismo, que violava a privacidade de todo mundo. Deu errado, você sabe. Gorbachev caiu e a carcaça stalinista ficou. Putin que o diga. Em tempo: Glasnost, em russo, quer dizer transparência.)
Passo agora à segunda acepção da palavra. Eu a chamo de acepção demagógica.
Agora, a transparência deixa de ser um meio racional para garantir que os assuntos públicos sejam expostos ao público na justa medida e se converte em virtude absoluta. Pessoas, empresas, igrejas, times de futebol, partidos políticos ou tribunais só vão para o céu se pregarem a transparência com fervor. O que vale é a propaganda. O que vale é o melodrama. Só é bom quem não esconde nada, nem de si, nem de ninguém.
Por óbvio, estamos diante de uma empulhação. Ninguém é transparente por inteiro. Não há como ser transparente por inteiro. Nelson Rodrigues tinha razão: “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. O convívio social exige alguma opacidade exterior, assim como a saúde psíquica exige um pouco de opacidade interior.
A transparência demagógica ignora o óbvio. Vive de montar circos e de encenar atrações vazias e pirotécnicas. Ser supostamente “transparente” vale mais do que ser íntegro, respeitoso ou decente. Trump e Bolsonaro se beneficiam dessa mentalidade: pronunciam atrocidades e são aplaudidos porque são “sinceros” e “autênticos”. A língua solta, chula e estúpida vira um trunfo moral.
A propósito, acaba de sair um livro que é uma aula preciosa sobre a matéria: Contra a transparência, do jornalista Hamilton dos Santos (Editora Iluminuras). Erudito, elegante e didático, o autor ensina: “Fazemo-nos sujeitos no mundo escondendo o que há por trás da máscara – segredo para os outros, mistério para nós mesmos. Nós existimos porque nosso rosto é opaco.” Pobre de quem não sabe disso.
As autoridades que validam penduricalhos (com rebotalhos), ocultam negociatas (com mamatas) e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência do Estado Democrático de Direito – a gente conhece o estilo – estão nos enganando. A transparência deles suja a democracia.
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🌿 Reflexão
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
🎵 Dia Branco
Geraldo Azevedo
Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu lhe prometo o sol
Ou a chuva, se a chuva cair...
O Congresso Nacional analisou o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à tentativa de golpe.
A sessão ocorreu em clima de tensão entre Executivo e Legislativo, com impacto direto sobre condenados e repercussão política relevante.
🧠 Linguagem & Política
hos.pi.ci.o.so (adj.)
Neologismo político que descreve discurso ou comportamento considerado irracional ou desconexo em debates parlamentares.
Deriva da junção de “hospício” com “auspicioso”, sendo usado de forma pejorativa.
Contexto: termo utilizado durante sessão do Congresso em 30/04/2026, refletindo o clima de polarização.
📰 Análise Política
Rejeição de Jorge Messias ao STF
A rejeição do nome indicado ao Supremo Tribunal Federal marca um momento histórico e evidencia fragilidade na articulação política do governo.
O episódio reposiciona o Senado como protagonista e altera a dinâmica entre os Poderes.
Derrota política relevante para o governo
Perda de previsibilidade no Congresso
Fortalecimento da oposição
Aumento da tensão institucional
⚖️ Sabatina e Polarização
A sabatina foi marcada por forte embate ideológico.
Discursos de aliados reforçaram a identidade partidária do indicado, enquanto opositores questionaram sua imparcialidade.
Conclusão: a estratégia política dificultou a aprovação.
🔥 Momentos de Tensão
Durante a sabatina, houve discursos duros e linguagem provocativa, refletindo o nível de polarização no cenário político atual.
🗞️ Editorial
Lula sofre derrota histórica
A rejeição de um indicado ao STF, fato raro desde o século XIX, expõe a crise na articulação política do governo e evidencia o desgaste na relação entre Executivo e Legislativo.
✍️ Opinião
Duas transparências – Eugênio Bucci
O artigo distingue dois tipos de transparência:
Republicana: ligada à exposição legítima do poder público
Demagógica: usada como discurso vazio e ferramenta de autopromoção
NORA NEY DESABAFOVeja momento que Senado vota indicação de Jorge Messias ao STF | HORA H
Garman: Crise no Oriente Médio está se transformando em variável-chave para eleição | CNN BRASILCNN BrasilPara Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Grupo Eurasia, avaliou que o desenrolar da guerra no Oriente Médio "pode fazer toda a diferença" para a eleição presidencial no Brasil. #CNNBrasilTÍTULOMessias entra para a história ao ter indicação ao STF rejeitada pelo SenadoSUBTÍTULO
Votação secreta de 42 a 34 encerra mais de um século sem recusas e reafirma a soberania do Senado Federal do Brasil sobre indicações ao Supremo Tribunal FederalEPITÁFIONão foi um fim — foi a inscrição definitiva de um nome na história institucional da República.CORPO DA MATÉRIA
Em 29 de abril de 2026, Jorge Rodrigo Araújo Messias protagonizou um dos episódios mais marcantes da história recente da República. Indicado ao Supremo Tribunal Federal, teve seu nome rejeitado pelo plenário do Senado Federal do Brasil por 42 votos a 34, em decisão secreta que rompeu um intervalo histórico de mais de 130 anos sem recusas formais.
À época Advogado-Geral da União e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias representava uma tentativa de convergência entre perfil técnico e articulação política. Sua rejeição, no entanto, redefiniu precedentes e reafirmou o papel ativo do Senado como instância decisória — não apenas homologatória — nas indicações à mais alta Corte do país.
Após o resultado, Messias adotou tom sereno e institucional. Reconheceu a legitimidade do processo e evitou tratar o episódio como desfecho, reposicionando-o como parte de uma trajetória mais ampla dentro da vida pública.
CITAÇÃO
“Não encaro como fim. A história não acaba. Participei de forma íntegra de todo o processo. O plenário do Senado é soberano.”
— Jorge Rodrigo Araújo Messias
VÍDEO — Momento da votação no Senado
Acesse também pelos links diretos:
🔗 https://youtu.be/m2GrII5TRJQ
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=m2GrII5TRJQVÍDEO — “Desabafo”, de Sérgio Bittencourt, na voz de Nora NeyREFERÊNCIA MUSICAL (LETRA E ÁUDIO)
Como eco simbólico da serenidade diante da rejeição, a canção “Desabafo”, interpretada por Nora Ney e composta por Sérgio Bittencourt, traduz em versos a dignidade de quem atravessa o fim sem alarde:
“A dor da gente não sai no jornal.”
Para ouvir a música e acessar o conteúdo:
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=OVvQdEGdSOI
FECHO
Entre a formalidade do rito institucional e a dimensão humana da experiência, o episódio de 2026 permanece como marco histórico — não apenas pela ruptura de um precedente centenário, mas pela forma como seu protagonista escolheu atravessá-lo: com sobriedade, respeito às instituições e consciência de que a história, de fato, não termina em um único capítulo.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Guerra pode decidir eleição brasileira, por Christopher Garman*Valor EconômicoO custo dos alimentos é central para a popularidade do presidente Lula
A eleição presidencial deste ano dá sinais de que será apertadíssima — e o fiel da balança pode vir do Oriente Médio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 com uma aprovação de 48%, mas viu esse percentual recuar para 44%. Sua vantagem sobre os candidatos de oposição se evaporou, e várias pesquisas agora mostram Flávio Bolsonaro à frente do presidente em simulações de segundo turno por um ponto percentual, dentro da margem de erro.
Historicamente, a aprovação de um governante sobe nos meses que antecedem a eleição, seja em virtude de programas implementados que aumentam sua popularidade, seja porque o governo tem tempo para “vender seu peixe” ao eleitorado. Esse movimento ainda pode acontecer no Brasil: o governo está prestes a anunciar um programa de renegociação da dívida das famílias, e o Congresso caminha para aprovar o fim da escala 6x1. Ambas as medidas podem trazer algum ganho para a candidatura de Lula e explicam, em parte, por que a Eurasia Group ainda o considera um ligeiro favorito.
Neste cenário, a maior ameaça à reeleição do presidente está a milhares de quilômetros: no Oriente Médio. Nas reuniões do Fundo Monetário Internacional realizadas em meados deste mês em Washington, os presentes discutiram não apenas as repercussões do fechamento do Estreito de Ormuz, mas também se a crise está caminhando para o fim. O consenso foi que, caso a guerra não termine em breve, a restrição da oferta de combustíveis e fertilizantes gerará fortes repercussões inflacionárias. O Brasil está mais bem posicionado que seus pares por ser um produtor de petróleo. Mas o choque inflacionário de uma guerra prolongada certamente pode gerar um buraco político grande demais para que Lula consiga escapar.
Se, entre janeiro e março, a queda na aprovação do presidente veio provavelmente na esteira do escândalo do Banco Master, que aumentou a relevância do tema corrupção entre os eleitores, agora é a guerra no Oriente Médio — através de seus reflexos econômicos — que pode começar a prejudicar os números de Lula. E a crise já deu seus primeiros sinais: no último mês, a gasolina e o diesel tiveram altas de dois dígitos nas bombas, e os preços dos fertilizantes começaram a afetar os alimentos, alimentando o mau humor da população com o custo de vida. Uma pesquisa Genial/Quaest realizada em abril mostra que 72% acham que os preços dos alimentos subiram nos mercados, ante 58% que reportaram o mesmo em março. Já a parcela dos pesquisados que afirmaram que seu poder de compra caiu em relação ao ano passado subiu de 64% em março para 71% este mês.
Parte da alta de preços dos alimentos é sazonal. Mas se os governos dos EUA e do Irã não chegarem a um acordo em breve, os preços nas gôndolas tendem a subir ainda mais. Não tanto como efeito da alta do petróleo (o governo tem instrumentos para mitigar a alta do diesel e de combustíveis com subsídios e redução de impostos), mas pela falta de fertilizantes e diesel se o trânsito pelo Estreito de Ormuz não for normalizado ao longo de maio. Nesse caso, a capacidade do governo para conter a alta de preços será muito mais restrita.
Muitos analistas argumentam que a eleição deste ano não será definida pela economia. Mas basta ver o comportamento dos índices de aprovação de Lula em 2025 para averiguar o quão central é o custo dos alimentos para sua popularidade. A alta de quase 8% nos preços dos alimentos vista entre o final de 2024 e o início de 2025 puxou a queda na aprovação de Lula de 49% para perto de 42% no primeiro semestre do ano passado. Já a recuperação dos números do presidente, que muitos atribuíram ao tarifaço do governo norte-americano, deveu-se principalmente a cinco meses de deflação nos preços dos alimentos no segundo semestre.
Assim, os desdobramentos da guerra no Irã ao longo de maio podem ser decisivos para os resultados da eleição brasileira de outubro. Se Washington e Teerã chegarem a um acordo que leve ao início de uma abertura do Estreito (o que a Eurasia Group considera provável), o impacto inflacionário tende a ser transitório. O presidente Lula ainda veria sua aprovação cair em maio com o aumento de preços decorrente da crise, mas essa tendência poderia ser revertida ao longo de junho e julho — apoiada não só no fim da escala 6x1 e no programa de renegociação de dívida, mas pelos programas aprovados em 2025, cuja implementação está sendo concluída agora, incluindo as ampliações do Gás do Povo e da Tarifa Social e a isenção do Imposto de Renda para a classe média.
Se, no entanto, a crise no Irã persistir (uma possibilidade real) e a renda das famílias for afetada, as repercussões para os consumidores brasileiros serão maiores — e podem fazer a diferença no resultado das urnas.
*Christopher Garman é diretor-geral do Eurasia Group.
Painel do plenário do Senado Federal do Brasil exibindo votação nominal sobre a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias ao Supremo Tribunal Federal. A tela mostra os votos individuais dos senadores por estado, o resultado consolidado e a presença de intérprete de Libras no canto inferior direito. A transmissão é da TV Senado, com data de 29/04/2026.Transcrição do conteúdo:
“Senado Federal
tvsenado (Republicanos) – AO VIVO
Mensagem nº 7, de 2026 – Jorge Rodrigo Araújo Messias (STF)
(Quadro com votação nominal por estados e partidos dos senadores)
RESULTADO
Presentes: 70
SIM: 34
NÃO: 8
ABSTENÇÃO: 1
PRESIDENTE: 0
QUÓRUM: 77
DESCRIÇÃO:
Submete à apreciação do Senado Federal a indicação do Senhor JORGE RODRIGO ARAÚJO MESSIAS para exercer o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Luís Roberto Barroso.
PLENÁRIO
Indicação de Jorge Messias para o STF
29/04/2026 19:14”
Tela de transmissão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania exibindo o resultado da sabatina de indicados ao STF, TST e DPU. O escrutínio aparece como encerrado, com placar de votos favoráveis, contrários e abstenções para três indicados. No canto inferior direito, há uma intérprete de Libras traduzindo a sessão. Data e horário indicados: 29/04/2026.Transcrição do conteúdo:
“tvsenado – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
Sabatina de indicados ao STF, TST e DPU
Escrutínio encerrado
SIM NÃO ABS TOTAL
Margareth Rodrigues Costa – TST
17 9 1 27
Tarciany Linhares Aguiar Machado – DPU
23 4 0 27
Jorge Rodrigo Araujo Messias – STF
16 11 0 27
Comissão de Constituição e Justiça
Indicação de Jorge Messias para o STF
29/04/2026 17:47”
Lula prometeu não indicar amigos ao STF
Agenda evangélica pauta Lula na indicação de mulher à Defensoria Pública
Publicado em 29/04/2026 - 08:28 Luiz Carlos AzedoBrasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Ética, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Religião, Violência
A DPU virou moeda de troca e palco de disputas ideológicas. Cristãos conservadores contra a esquerda defensora dos indígenas e quilombolas, a favor do aborto e do casamento gay
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar a defensora pública Tarcijany Linhares Aguiar Machado, segunda colocada na lista tríplice da categoria, para a chefia da Defensoria Pública da União (DPU), em detrimento do mais votado, Leonardo Magalhães, ganhou contornos de disputa político-ideológico com viés religioso e de gênero. Tarcijany é evangélica e sua indicação entrou no pacote das articulações com senadores para aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Hoje, Messias será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a partir das 9h, depois de longa espera. A incógnita é o posicionamento dos aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem se encontrou discretamente na semana passada, “por acaso”, na casa de um ministro do Supremo que supostamente não os avisou que ambos estariam juntos. Messias pediu apoio formal, mas Alcolumbre desconversou e disse que a aprovação seguirá o rito protocolar.
Leia também: Saiba como será a sabatina de Jorge Messias no Senado nesta quarta
Também estão na pauta da sessão da CCJ as sabatinas de Margareth Rodrigues Costa, indicada ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), e de Tarcijany. Caso seu nome seja aprovado, será a primeira mulher a ocupar a chefia do DPU em duas décadas. A vaga foi aberta em janeiro, com o fim do mandato de Leonardo Magalhães. Com 486 votos, seu nome encabeçava a lista tríplice que a categoria elaborou em setembro. Tarcijany ficou em segundo lugar, com 279 votos, e Fabiano Caetano Prestes, de Brasília, com 251, em terceiro.
Lula não é obrigado a escolher o candidato com mais votos. Tem preferido acomodar mulheres em cargos do sistema de Justiça para compensar a escolha de dois homens para vagas surgidas no STF ao longo de seu mandado atual. Como deve fazer isso pela terceira vez, ganharam força as indicações de Margareth para a vaga de ministra do TST e Tarcijany ao DPU. Magalhães vinha sendo apontado como favorito na disputa, mas foi atropelado pelo jogo bruto do Planalto.
Cearense e evangélica, Tarcijany teve apoio do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) e do ministro José Guimarães (PT-CE), chefe da Secretaria de Relações Institucionais. Nos bastidores da Câmara, os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Marcos Feliciano (PL-SP), que é pastor de pentecostal ligada à Assembleia de Deus, também padrinhos da indicação, trabalham para neutralizar resistências das bancadas de esquerda e evangélica, respectivamente. Na avaliação do Planalto, Tarcijany reúne maior capacidade de interlocução com o governo e sensibilidade para agendas sociais com impacto eleitoral direto.
Menos autonomia
A DPU é uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbida de prestar assistência jurídica gratuita à população vulnerável. Sua atuação vai além do atendimento individual, alcança a defesa de direitos coletivos e a promoção de políticas públicas estruturais. Ao longo de sua trajetória, acumulou protagonismo em momentos críticos: a interiorização do acesso à Justiça, a atuação na crise migratória em Roraima, a defesa de populações indígenas e quilombolas e a judicialização de políticas de saúde e previdência, a defesa dos desabrigados nas tragédias de Brumadinho e Mariana e, mais recentemente, nas enchentes do Rio Grande do Sul. Com forte capilaridade social, sua atuação, muitas vezes, contraria grandes interesses privados e políticos.
Esse é o xis da questão na movimentação do Palácio do Planalto, simultânea às articulações para aprovar a indicação de Messias. O contexto é o aperto nas pesquisas e o desgaste econômico do governo. A atuação da DPU pode contribuir para ampliar o alcance de políticas sociais e reduzir tensões em áreas sensíveis, como endividamento, acesso a benefícios e judicialização de demandas básicas. Nesse contexto, Tarcijany é vista como uma gestora com perfil mais “executivo”, capaz de dialogar com ministérios. Já integrou uma chapa formada por defensores alinhados ao bolsonarismo, como Leonardo Trindade e Holdem Macedo, ambos fora da lista final. Por isso, seu nome é visto pelo governo como uma aproximação com os eleitores conservadores, sobretudo evangélicos.
Leia mais: O que Jorge Messias pensa sobre STF, big techs e tamanho do Estado
Mas existe o outro lado da moeda. A DPU virou palco de uma profunda disputa ideológica, religiosa e de gênero. Cristãos conservadores contra a esquerda progressista, defensora dos indígenas e quilombolas, a favor do aborto e do casamento gay. A votação expressiva de Leonardo Magalhães refletiu o respaldo da base da carreira, especialmente entre aqueles que defendem maior autonomia institucional. Nos bastidores, sua gestão era vista como mais assertiva na defesa das prerrogativas da DPU, inclusive em relação ao próprio governo. Esse perfil, embora valorizado internamente, gerou resistência em setores do Planalto, que temem fricções institucionais em momentos politicamente sensíveis.
A escolha de Lula seguiu uma lógica política clara. Amparada na prerrogativa legal de nomear qualquer integrante da lista tríplice, é parte de um movimento mais amplo de alinhamento de órgãos estratégicos à agenda do governo. A contradição é evidente. Trata-se de uma inflexão pragmática, em que a lógica eleitoral se sobrepõe à institucional. A DPU atua diretamente junto a camadas mais vulneráveis, principal da base social do governo. Uma atuação mais coordenada pode mitigar insatisfações, ampliar o acesso a direitos e reforçar a narrativa de compromisso social em ano eleitoral; contraditoriamente, a autonomia acirraria contradições com os setores mais conservadores com as políticas igualitaristas.
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#Messias, #Senado, #Supremo, DPU, Tarcijany
Chá para baixar a fervuraO Rei Charles III e a rainha Camila são recebidos na Casa Branca para um chá da tarde com Melania e Donald Trump. Visita ocorre em meio à contrariedade do americano pela recusa britânica em participar, ao lado dos EUA, da guerra contra o Irã. _A13
SUZZANE PLUMKETT / AFP O ESTADO DE S. PAULO
Terla-feira 28 DE ABRIL DE 2026
A capa de O Estado de S. Paulo de 28 de abril de 2026 destacou o encontro diplomático entre o Rei Charles III e Donald Trump, em um momento de alta tensão global.
Destaque Principal
Chá para "baixar a fervura": A manchete visual acompanhou a foto do Rei Charles III e da Rainha Camilla sendo recebidos por Donald e Melania Trump na Casa Branca.
Conflito no Irã: O encontro ocorreu em meio à contrariedade de Trump pela recusa do Reino Unido em participar diretamente da guerra contra o Irã.
Gesto diplomático: A visita foi vista como uma tentativa de manter a "relação especial" entre as nações, apesar do racha sobre a estratégia militar no Oriente Médio.
Ao vivo: CCJ sabatina Jorge Messias, indicado ao cargo de ministro do STF – 29/4/26TV SenadoAo vivo: CCJ sabatina Jorge Messias, indicado ao cargo de ministro do STF – 29/4/26TV Senado
assistindo agora
Transmissão iniciada há 4 horas#TVSenado #SenadoFederal #Senado2026
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realiza sabatina de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Também em pauta a indicação de Margareth Rodrigues Costa, para ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), e Tarcijany Linhares Aguiar Machado, para a Defensoria Pública da União (DPU).
Transmissão iniciada há 4 horas #TVSenado #SenadoFederal #Senado2026
Trump e Melania são recebidos por rei Charles com cerimônia no Reino UnidoPresidente e primeira-dama foram recebidos no Castelo de Windsor por William e Kate, príncipe e princesa de GalesDa CNN Brasil
17/09/25 às 08:48 | Atualizado 17/09/25 às 11:44
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania, foram recebidos pelo rei Charles III e a rainha Camila, com uma cerimônia no Castelo de Windsor, no Reino Unido, nesta quarta-feira (17).
Trump e Melania foram de carruagem até a entrada do castelo. No local o presidente americano inspecionou a guarda real britânica ao lado de Charles, antes de entrarem para um almoço oferecido pelos anfitriões.
William e Kate, príncipe e a princesa de Gales, foram os primeiros membros da família real a dar as boas-vindas.
Trump e Melania chegam ao Castelo de Windsor em visita ao Reino Unido
Donald Trump e Melania chegam ao Reino Unido para visita de Estado
Conheça o Castelo de Windsor, onde Trump vai se encontrar com o rei Charles
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O casal real encontrou o presidente e a primeira-dama no Jardim Murado do Castelo de Windsor, após os americanos chegarem à propriedade real de helicóptero.
Os monarcas estão cuidando da parte administrativa das boas-vindas, encontrando o casal americano nos jardins do Castelo de Windsor antes de acompanhá-los até o encontro com o rei Charles III e a rainha Camilla, atrás do castelo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, levou um convite do rei Charles III quando visitou a Casa Branca nas primeiras semanas do mandato de Trump, na esperança de usar os laços reais para facilitar a relação em momento diplomático delicado.
Starmer foi o segundo premiê do Reino Unido a fazer isso. Theresa May fez praticamente o mesmo nos primeiros dias do primeiro mandato de Trump, embora a visita de Estado só se tenha concretizado dois anos depois. O gesto, no entanto, não ajudou May a cair nas graças do presidente.
A viagem desta semana — com um primeiro-ministro diferente, organizada por um monarca diferente e em castelo diferente, já que o Palácio de Buckingham está passando por um renovação — é uma raridade. Normalmente, os presidentes americanos não têm a pompa de outra visita de Estado no segundo mandato.
1 de 6
CNN Brasil
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5 DICAS FUNDAMENTAIS PARA USAR TELEPROMPTER (MELHOR QUE APLICATIVO)“No teleprompter é o outro.”
“Entendido. O foco agora é destacar as qualificações de outra pessoa, enfatizando que a indicação ou reconhecimento dela se deve puramente ao mérito profissional, e não a relações pessoais.
Roteiro para Teleprompter (Foco no Mérito)
"O que define esta escolha é o peso dos fatos.
Estamos falando de uma trajetória pautada pela excelência, onde cada etapa foi conquistada por mérito próprio.
Os Critérios da Escolha
Biografia: Uma vida de dedicação e integridade pública.
História: Um legado de decisões firmes em momentos decisivos.
Currículo: Experiência vasta e formação técnica de alto nível.
Competência: Resultados reais que falam mais alto que qualquer palavra.
A Conclusão
Não é uma questão de amizade ou companheirismo. É uma questão de justiça técnica.
Reconhecemos aqui a biografia e a competência de quem provou estar à altura deste desafio."
🚀 Dicas de Performance:
Use um tom de voz firme e objetivo.
Faça pausas curtas após as palavras "Biografia", "História" e "Currículo".
Mantenha contato visual direto com a lente (teleprompter) para transmitir confiança.”
“Estrutura do Texto
Introdução de Impacto
"Apresento um perfil definido pelo rigor técnico e por uma trajetória construída em resultados sólidos."
Pilares de Sustentação
Biografia: Uma vida dedicada ao aperfeiçoamento e à disciplina profissional.
História: Marcos reais que comprovam resiliência e visão estratégica.
Currículo: Formação sólida em instituições de referência e cargos de alta responsabilidade.
Competência: Entrega comprovada de soluções para desafios complexos do setor.
O Diferencial
"Esta escolha não se baseia em proximidade ou afinidade pessoal. Ela se fundamenta na evidência dos fatos, na robustez das credenciais e na capacidade de execução imediata."
Fechamento
"Pela excelência da jornada e pelo domínio da função: a decisão pela competência técnica acima de tudo."
💡 Dica para o Teleprompter:
Mantenha frases curtas para facilitar a respiração.
Destaque palavras-chave em negrito para enfatizar a entonação.
Ajuste a velocidade para um tom solene e seguro.”
👆”Por biografia, história, currículo e competência, não por companheirismo ou amizade - no teleprompter “👇
Lula prometeu não indicar amigos ao STF,Depois de falar que não indicaria amigos ao STF, Lula indica 3 amigos ao STF.
https://x.com/i/status/2049178394038833176
"O Tribunal que Governa: O Inquérito das Fake News como o Novo Código de Conduta Brasileiro"
Pedro está atrás da linha da bola: não há impedimento. Se alguém está impedido é ...
... porque se encontra à frente da linha da bola e mais próximo da linha de fundo adversária do que o penúltimo defensor (considerando o goleiro como o último) no momento em que o passe é realizado.
"Onde o juiz não entendeu?"
Que precisou consultar o VAR!
Que validou o gol legal de Pedro. Quase como eco de Mário Vianna. *
"Legal!!! O gol é legal!"
Quarteto em Cy - O Circo / TV Record 1967Canal Recordando
"Analise a figura da bailarina — que em sua performance tensiona a vitalidade da menina com a maestria da senhora — sob a ótica da práxis humana. Em que medida o rigor técnico e a intenção estética desse corpo superam o puro movimento instintivo, validando o aforismo de Marx em O Capital de que o que distingue o 'pior arquiteto' da 'melhor abelha' é a prefiguração ideal do resultado na consciência antes de sua execução material?"
O CIRCO - THE CIRCUS - SIDNEY MILLER
"Investigue a natureza da performance da bailarina — que sintetiza a maturidade técnica do 'corpo de senhora' com a plasticidade estética do 'rosto de menina' — à luz da distinção ontológica de Karl Marx em O Capital. De que maneira a execução dessa arte transcende o automatismo biológico, consolidando-se como trabalho humano superior por ser, fundamentalmente, uma construção que exige a prefiguração ideal do movimento na consciência antes de sua manifestação física?"
ATLÉTICO-MG 0 X 4 FLAMENGO | MELHORES MOMENTOS | 13ª RODADA BRASILEIRÃO 2026 | ge.globoge tv
26 de abr. de 2026
Pela 13ª rodada do Brasileirão, o Flamengo goleou o Atlético-MG por 4 a 0 na Arena MRV. Os gols da partida foram marcados por Pedro, duas vezes, Plata e Arrascaeta. Com o resultado, o clube carioca segue na vice-liderança com 26 pontos, atrás apenas do Palmeiras. Já o Galo, fica no 15º lugar, com 14.JOÃO-DE-BARRO: O Pássaro Arquiteto da Natureza!Fatos dos Seres
21 de dez. de 2023 #aves #animais #top10
Você já ouviu falar sobre o João-de-barro? Considerado por muitos como o pássaro mais habilidoso do mundo, por causa de suas várias técnicas e habilidades únicas, como por exemplo, a sua incrível e famosa capacidade de construir ninhos em forma de forno, que é a principal característica dessa espécie! Esses ninhos podem ser considerados realmente como verdadeiras obras-primas arquitetônicas e é bem provável que ao menos alguma vez na sua vida você já tenha se deparado com algum deles construído no alto de um poste ou em algum galho de árvore por aí, não é mesmo? Afinal, tanto esses pássaros quanto as suas construções são muito comuns e podem ser encontrados em muitas regiões aqui do brasil, tanto em ambientes rurais quanto em áreas urbanas.
Neste vídeo, embarcaremos em uma fascinante jornada de conhecimento e aprendizagem para conhecermos e explorarmos a incrível engenhosidade e feitos do incomparável e extraordinário JOÃO-DE-BARRO: O Pássaro Arquiteto da Natureza!
THE INFINITE INQUIRY AS A SURROGATE CODE OF CONDUCT: REFLECTIONS ON THE BRAZILIAN EXCEPTIONO Inquérito Infinito como Código de Conduta Substituto: Reflexões sobre a Exceção BrasileiraKeywords: Rechtsstaat; Judicial Activism; State of Exception; Fishing Expedition; Separation of Powers.
Palavras-chave: Estado de Direito; Ativismo Judicial; Estado de Exceção; Pesca Probatória; Separação de Poderes.
CÓDIGO DE CONDUTA JÁ EXISTE: É O INQUÉRITO DAS FAKE NEWS. ANYTHING NEW ON THE FRONT? WORDS OF CARLOS ANDREAZZA.
A premissa acima, de natureza híbrida e provocativa, sintetiza o estágio atual da segurança jurídica no Brasil. O que nasceu como uma investigação excepcional para a salvaguarda das instituições converteu-se, na tese de Carlos Andreazza, em um código de conduta extralegal onipresente. Ao transitar entre o português e o inglês, o enunciado evoca a universalidade do dilema: o paradoxo de proteger a democracia por meio de instrumentos que desafiam os ritos do devido processo legal (due process of law).
In the contemporary Brazilian landscape, the "Inquiry 4.781" has transcended its procedural boundaries. Andreazza argues that the inquiry is no longer a mere investigation but a "governance tool" used by the Supreme Court to shape public behavior and political discourse. It functions as a porous and elastic structure where the object of investigation is constantly shifting—a permanent fishing expedition that mirrors the controversial methods once attributed to the "Lava Jato" task force in Curitiba.
O paralelo é irônico e profundo: o STF, que outrora criticou os excessos da "República de Curitiba" por sua interpretação elástica da norma, parece ter internalizado a metodologia da jurisdição de exceção. Ao centralizar funções de investigação, acusação e julgamento sob uma relatoria única e vitalícia, o Tribunal institui uma "prevenção universal".
Figura 1: "Die Ewige Fischerei" (A Pesca Eterna). Uma sátira sobre o estado de exceção judicial e a fluidez do objeto probatório no ordenamento brasileiro.
This "scrambled" legal environment (esculhambação jurídica) poses a significant risk to the Rechtsstaat. The lack of a defined scope and the suppression of adversarial transparency create a climate of intimidation. As the inquiry becomes a permanent fixture of the Brazilian State, it ceases to be a remedy and begins to function as the disease it intended to cure: a breach in the constitutional order justified by the very defense of that order. Enquanto isso, na Procuradoria-Geral da República (PGR), a inércia institucional faz com que o órgão ainda pareça aguardar o protagonismo pretérito de figuras como Rodrigo Janot.
APARATO CRÍTICO E NOTAS EDITORIAIS (EDITORIAL NOTES)1. Contexto Teórico (Andreazza’s Thesis):
Carlos Andreazza, ‘O gênio fora da lâmpada: A governança via Inquérito 4.781’ (Estadão, 14 April 2026). The author posits that the Brazilian Supreme Court has internalized the methods of the "Lava Jato" operation—centralized power and broad evidentiary searches (fishing expeditions).
DE: Der Autor behauptet, dass der brasilianische Oberste Gerichtshof die Methoden der Operation "Lava Jato" übernommen hat — wodurch ein permanenter rechtlicher Ausnahmezustand geschaffen wurde.2. Procedural Reference:
Federal Supreme Court of Brazil (STF), Inquiry (Inq) 4.781/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes. The inquiry is characterized by its "shifting object" (objeto cambiante), challenging the principle of the natural judge.
3. Judicial Methodology:
The term Fishing Expedition (Pesca Probatória) refers to the practice of initiating investigations without probable cause. This practice is strictly curtailed in German criminal law (Garantismus) but has seen a resurgence in Brazilian high-court practice.
4. Institutional Vacuum:
The allusion to "waiting for Janot" reflects the perceived paralysis of the Prosecutor General’s Office (Procuradoria-Geral da República), leading to a collapse of the accusatory system in favor of a judge-led inquisitorial model.
Bird Builds a Nest by Martin Jenkins and Illustrated by Richard JonesNancy Moran
10 de abr. de 2021
Come join Mrs.Moran a she reads a story about a very busy momma bird as she builds her nest.
Transcrição
@PlanetCam-y5m
Tiny House Martins Build FLAWLESS Mud Nests 🐦✨ | Nature's Architectural Genius! #naturedocumentary
This Tiny Bird SEWS a Perfect Nest! 🧵🐦
This tiny bird sews a perfect nest
https://www.youtube.com/shorts/HOWV743Ef7M
https://x.com/rainmaker1973/status/2048273492294991967?s=48&t=gKyEEumLB0aAdrne2uBPCw
https://x.com/i/status/2048273492294991967
O CircoQuarteto em CY
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver um circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Corre, corre, minha gente, que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento, que protesta
Cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua, de carona, também possa ver a festa
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver um circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Bem me lembro, trapezista, que mortal era seu salto
Balançando lá no alto, parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo que Zezinho do trombone,
De renome consagrado, esquecia o próprio nome
E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver um circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Faço versos pra o palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, seresteiro, carpinteiro, vagabundo
Sem juíz e sem juizo, fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo o encanto do sorriso que seu povo não sorria
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver um circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
De chicote e cara feia, domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminado seu batente, de repente a fera some
Domador, que era valente, ante as feras se consome
Seu amor indiferente, sua vida e sua fome
Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver um circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina
Que o seu corpo é de senhora, seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora, quem cantava, desafina
Porque a dança só termina quando a noite for embora
Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Morre o circo e nasce na lembrança
Foi-se embora eu ainda era criança
Composição: Sidney Miller.
https://www.letras.mus.br/quarteto-em-cy/295380/
O CIRCO
Letra
Mostrar menos
Alívio no curto prazo, Desnrola 2.0 pode estimular novas dívidasIncentivo contínuo do consumo amplia risco, dizem analistas; metade da renda das famílias foi afetada
Stacey Kent - Carinhoso (Visualizer)A voz universal que encanta em português
Estrela do jazz é tão fã do Brasil que aprendeu a língua.
Agora gravou 'Carinhoso'
A casa (des)arrumada da política Logo após o título, convém recorrer à imagem simbólica de Vinicius de Moraes — o poeta que, com simplicidade desconcertante, descreveu uma estrutura erguida “com muito esmero”, mas desprovida de fundamentos essenciais.
Para leitura completa da letra e imagem do autor:
🔗 A Casa – texto e referência
A Casa
Ano: 20185
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.A casa - Vinicius de Moraes (videoclipe)
Como sintetiza o poema, em versos curtos e contundentes — “não tinha teto, não tinha nada” — a metáfora da casa revela mais sobre ausência do que sobre construção.
Entre o esmero formal e o vazio estrutural
O 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado em abril de 2026, expôs de maneira particularmente clara a tensão que hoje marca a estratégia política da legenda: a tentativa simultânea de reorganizar sua “casa” discursiva e ampliar seu alcance eleitoral, sem enfrentar diretamente suas fragilidades estruturais.
O manifesto aprovado — descrito como “ameno”, “enxuto” e até “desidratado” — evidencia uma escolha deliberada por evitar temas sensíveis. A retirada de referências a escândalos recentes, o silêncio sobre áreas críticas como segurança pública e comunicação digital, e o recuo em propostas mais ousadas, como a reforma do sistema financeiro, apontam para um esforço de contenção narrativa.
Trata-se, claramente, de um movimento de aproximação ao centro político. Como reconhecido por lideranças do próprio partido, o objetivo é reduzir resistências e ampliar a base de apoio. No entanto, essa moderação programática convive com uma retórica que permanece fortemente ancorada na lógica da polarização.
A persistência do enquadramento simplificador
Nesse contexto, a declaração do ex-ministro Fernando Haddad — ao afirmar que “Lula vai concorrer com o Bolsonarinho” — não é um episódio isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de antecipação simbólica da disputa eleitoral de 2026.
A tentativa de rotular previamente o adversário, enquadrando-o como continuidade direta de um projeto político anterior, busca simplificar o cenário eleitoral em termos binários. Essa lógica já foi testada em ciclos recentes, inclusive nas eleições de 2024, quando se procurou associar novos atores políticos a arquétipos conhecidos.
O problema é que esse tipo de operação discursiva tem mostrado eficácia limitada. Em um ambiente político mais fragmentado e com um eleitorado menos suscetível a rótulos imediatos, a repetição de fórmulas tende a produzir desgaste, não adesão.
A casa e suas ausências
É aqui que a metáfora de “A Casa” se impõe com força analítica. Assim como na composição de Vinicius, há um esforço evidente de construção — “com muito esmero” —, mas que parece negligenciar elementos estruturais fundamentais.
O manifesto organiza, sistematiza, suaviza. Mas evita. Contorna. Silencia.
Enquanto isso, as próprias lideranças reconhecem — ainda que de forma indireta — um dado incômodo: há frustração no eleitorado, dificuldades de comunicação com segmentos sociais relevantes e uma percepção de desalinhamento entre discurso e realidade.
A autocrítica aparece, mas de maneira fragmentada. E, sobretudo, não se traduz integralmente no documento oficial que deveria orientar o partido.
Entre reconstrução e reinvenção
Ao afirmar que o país foi “reconstruído grão a grão” e que agora é preciso ir além, Haddad toca no ponto central do dilema petista: a reconstrução, embora necessária, não é suficiente para sustentar um novo ciclo político.
O desafio não é apenas reorganizar a casa — é garantir que ela tenha chão, paredes e teto.
Sem isso, o risco é que o projeto político se torne, como na poesia, uma construção formalmente cuidadosa, mas incapaz de abrigar as demandas concretas da sociedade.
Conclusão: esmero não basta
A estratégia dual do partido — moderação no texto, polarização no discurso — pode até oferecer ganhos táticos no curto prazo. Mas, no médio e longo prazo, tende a cobrar coerência.
Porque, como ensina a lição aparentemente infantil de Vinicius, não basta construir com capricho.
É preciso construir com fundamento.
Caso contrário, a política corre o risco de continuar habitando — e oferecendo ao eleitorado — uma casa elegante na forma, mas vazia na essência.
Se quiser
CANAL LIVRE | RENAN SANTOS E ALDO REBELOBand Jornalismo
Transmissão ao vivo realizada há 17 horas #BandTVAoVivo
O Canal Livre especial de eleições deste domingo volta a reunir pré-candidatos à presidência da República. Desta vez os convidados são: Renan Santos do Missão e Aldo Rebelo do Democracia Cristã. O programa vai discutir as principais propostas dos candidatos para enfrentar os problemas que mais preocupam os eleitores. Como se transformar numa alternativa para superar a divisão política que se solidificou no país. E as estratégias para melhorar o desempenho demonstrado nas pesquisas eleitorais divulgadas até aqui.Participam do programa como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre e Thays Freitas. A apresentação é de Rodolfo Schneider.AO VIVO: FIM DA "QUÍMICA" ENTRE LULA E TRUMP E AS ATUALIZAÇÕES DA GUERRA NO IRÃCNN Brasil
Transmitido ao vivo em 24 de abr. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎
Assista ao vivo, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília) o videocast FORA DA ORDEM, com apresentação do analista de Internacional Lourival Sant’Anna, o analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York.Manhattan Connection | 26/04/2026Sawe faz história no atletismo com menos de duas horas na Maratona de LondresEuronews em Português
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La Unión Europea endurece el tono contra Israel, pero sin tomar medidasEl peso del holocausto y el factor Trump frenan a varias naciones para suspender los acuerdos que piden España, Irlanda y Eslovenia
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GEORGE CHRISTOFOROU (EFE)
Manuel V. Gómez
Manuel V. Gómez
Bruselas - 26 ABR 2026 - 00:30 BRT
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Canções de amor parisienses dos anos 60 | Romance francês vintage (acordeão e piano)Romantic French Music
18 de jan. de 2026 #FrenchChanson #FrenchLoveSongs #VintageMusic
Entre na Paris dos anos 60 com clássicos canções de amor de chanson francesas — uma mistura cinematográfica de romance vintage com vocais femininos suaves, letras poéticas em francês e o som caloroso de acordeão, piano, violão acústico e contrabaixo. Se você ama música francesa de "filmes antigos", atmosfera ao estilo Edith Piaf e vibes aconchegantes de café parisiense, esta coleção é feita para você.
07 de abril de 2026 - 00:01
Por: Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã
Stacey Kent: 'Não consigo cantar numa língua que não compreendo'
| Foto: Sara Pettinella/Divulgação
Tem disco novo de Stacey Kent, rouxinol do jazz contemporâneo, na praça: "A Time For Love". O álbum reafirma sua assinatura artística ao revisitar clássicos como "Carinhoso", que ela canta num português melífluo, fiel a seu estudo de diferentes línguas - algumas bem distantes de seu inglês natal. Vinda de South Orange, em Nova Jersey, a americana de 61 anos vive de seu aveludado gogó desde a década de 1990, quando gravou seu primeiro CD, "Close Your Eyes", em 1997.
De lá para cá, suas bolachas venderam 2 milhões de cópias e contabilizaram centenas de milhões de streams, além de ter conquistado uma indicação ao Grammy. Seu catálogo inclui trabalhos marcantes como "Breakfast On The Morning Tram". Pela estrada musical afora, ela teve entre seus colaboradores Marcos Valle, Roberto Menescal, Danilo Caymmi e o escritor vencedor do Nobel Kazuo Ishiguro.
Em "A Time For Love", ela contou com a direção musical do saxofonista Jim Tomlinson, seu parceiro de vida e de criação, além do pianista Art Hirahara. O resultado é um exercício de leveza que celebrar a força do benquerer. Uma das conquistas da artista é colaborar para a expansão da presença das mulheres no timão da criação artística. "Fico feliz por ver mulheres em lugares que antes eram apenas dos homens. Podemos olhar para isso com esperança, mas ainda há um caminho a percorrer", diz Stacey, que, neste papo com o Correio da Manhã fala de sua intimidade com a Flor do Lácio, dominando a língua portuguesa com capricho gramatical.
Com esse português perfeito que você tem, o que te atrai na canção "Carinhoso"?
Stacey Kent - "Carinhoso" trata de uma pessoa que fala com um amor que não existe, que não está lá. Gosto de canções que falam do "eu". Não me lembro quando eu a ouvi pela primeira vez, mas, provavelmente, fiquei com a versão de João Gilberto, sozinho com violão. Quando eu estava estudando a língua portuguesa na universidade, além mergulhar na gramática de vocês, eu fui conhecer sua música. Ao ouvir "Carinhoso", disse para mim mesma: tenho que encarar essa canção, ela é a minha canção.
Como constrói o repertório de um disco como "A Time For Love"?
Desde sempre, tenho meu iPhone comigo e estou sempre criando listas de músicas. Em qualquer lugar é assim. Posso até estar numa montanha e faço isso. De repente, penso numa canção que temos de cantar, e a anoto. É bem fácil para mim, porque o mundo é muito rico com canções maravilhosas. Eu não escolho de forma programática. Não penso "ah, vou escolher uma canção da Itália; outra, de Portugal; outra, do Brasil". Eu procuro as canções que me tocam, e isso também vem do fato de eu falar outras línguas. Considero essencial compreender a poesia do que canto, para além da melodia. Não consigo cantar numa língua que não compreendo. Cada palavra, cada nota, cada silêncio contam. Minha mãe era professora de Literatura. Em casa, líamos em voz alta quase todas as noites. Descobri muito cedo a minha própria voz, a partir da leitura. Descobri cedo também que a mesma história muda conforme quem a conta. E hoje, no palco, posso cantar qualquer coisa que me soe bem. Será uma reinterpretação... minha.
Há algo na língua portuguesa ou na canção brasileira/portuguesa que ainda não explorou, mas já está em seu radar?
Como disse Vinicius de Moraes, "a vida é a arte do encontro". Eu gosto de deixar as coisas acontecerem naturalmente. Tudo está aberto para mim. Quem vou encontrar pelo mundo pode mudar o meu caminho. Encontrei o escritor Kazuo Ishiguro pelo acaso, e ele mudou tudo no meu trabalho, escrevendo canções para mim. Músicos como Danilo Caymmi, Marcos Valle, Roberto Menescal foram grandes encontros.
E qual o papel do teu companheiro, Jim Tomlinson, na criação musical?
Sem Jim Tomlinson, não sei o que aconteceria na minha vida. A gente se conheceu quando ainda éramos muito jovens. Ele tem uma inteligência fora do comum, um coração enorme. Ela me inspira muito. Quando criamos música, travamos um diálogo. Nem sempre concordamos, claro, mas queremos encontrar juntos uma forma de apresentar ideias. A troca é essencial. Também trabalho há cerca de 20 anos com o pianista Art Hirahara. Entre nós, há uma química criativa muito forte.
Como você avalia o estado atual do jazz?
Não penso muito em gêneros musicais, pois eu me deixo comover com o que escuto. Apesar disso, é fato: o mundo do jazz é muito maior do que as pessoas pensam. Muitas vezes, as pessoas nem percebem que aquilo que está tocando a seu redor é jazz. Ele está em todo o lado: no cinema, nos videogames, em espaços públicos. Na minha relação com o ritmo, tocar ao vivo é o mais importante. Eu canto sempre... mesmo em casa, na cozinha. No palco, contudo, rola outra coisa: um senso de comunidade. É uma forma de partilhar histórias humanas. Não penso muito em géneros.
A tua música fala muito de amor, mas vivemos tempos difíceis. Qual é a dimensão política da sua arte, do seu repertório?
Como dizia o maestro e compositor Leonard Bernstein: "quanto pior o mundo fica, mais precisamos de criar música". É um ecossistema emocional. Temos de criar amor, ternura, comunidade. Foi por isso que dei ao disco o título "A Time for Love". O mundo é bonito, mesmo com tudo o que acontece.
"E ainda o barbeiro Nequete, que citava Lênin a três por dois."#EspaçoAberto | Luiz Sérgio HenriquesA dupla asfixia de Cuba - O caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis
https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/a-dupla-asfixia-de-cuba/
📸Yamil Lage/AFP
domingo, 26 de abril de 2026
A dupla asfixia de Cuba, por Luiz Sérgio HenriquesO Estado de S. PauloO caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis
Cuba parece estar em suspensão, à espera de acontecimentos que remodelarão sua fisionomia em futuro mais ou menos próximo. Vive uma drôle de guerre, dir-se-ia, assemelhada à que acometeu os franceses em 1940, antes da guerra propriamente dita.
Bem verdade que as diferenças também são cruciais. Agora, prevalecendo minimamente a lógica, não se espera invasão por terra ou chuva de bombas aéreas. Em compensação, os sofrimentos humanos já são reais e não podem ser dissimulados, como se a vida pudesse seguir com a aparência de sempre. A crueldade de Donald Trump não só afeta a economia da ilha, mas irrompe na emergência dos hospitais, nos cortes de água, na escassez de alimentos e remédios.
Nisto que parece ser o ato final, o bloqueio norte-americano reitera sua dimensão tacanha. Desde que se estabeleceu há quase sete décadas, nem de longe cumpriu o objetivo declarado de cercar, enfraquecer ou derrubar o regime. Antes o fortaleceu, dando-lhe a possibilidade de arregimentar a população contra o inimigo externo, uma das armas clássicas para calar toda e qualquer dissidência, caracterizada invariavelmente como antinacional e instrumento do imperialismo.
O caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis – uma das capacidades humanas menos empregadas. Ao longo do tempo, suscitou adesões e repulsas ideologicamente carregadas que expulsaram, e expulsam, o espírito crítico e a argumentação serena.
Fácil demais, à direita, demonizar a ilha e suas tentativas – na verdade, quixotescas – de exportar o modelo revolucionário para uma América Latina supostamente em chamas, pronta para gerar “um, cem, mil Vietnãs”. Não menos fácil, à esquerda, dobrar-se ao mito do “território livre das Américas” e incorrer em rituais duvidosos, como o culto à personalidade do homem providencial ou a celebração de um tipo de sociedade e de Estado crescentemente autoritários.
A socióloga argentina Claudia Hilb, num pequeno e precioso livro, chamou a atenção para a substancial inaptidão para decifrar o regime da Revolução Cubana por parte de variados setores da esquerda democrática. Em Silêncio, Cuba (Paz e Terra, 2010), tratou de decifrar a antinomia fundamental do “paradigma revolucionário”: conquistas sociais na educação ou na saúde, por exemplo, se mostraram indissociáveis da concentração tendencialmente absoluta do poder político. Por isso, o grau relativamente mais elevado de igualdade, para os padrões latinoamericanos, teve como contrapartida necessária a compressão das liberdades civis.
No plano “estrutural”, a economia centralizada nunca constituiu base sólida para o welfare à cubana dos anos 1970-1980. No seu auge, devia ser apoiada externamente pela distante União Soviética, interessada em cravar um espinho nas costas da Flórida, assim como, já no seu declínio, passaria a depender cada vez mais da precária Venezuela chavista. No plano “superestrutural”, a direção única seguia o caminho do controle ideológico e da difusão do conformismo como princípio regente do comportamento cotidiano. (Hilb, aliás, fala diretamente do medo como princípio de ação.)
“Dentro da revolução, tudo; fora da revolução, nada” – a consigna popularizada por Fidel Castro desde a fase heroica não pôde se manter quando a esquerda, ou parte dela, trocou o paradigma revolucionário pelo democrático. As muitas vozes de uma sociedade plural e moderna não permitem que uma só voz defina o que é revolução, o que ela inclui e o que exclui. Em Cuba, desde o início muita gente foi excluída e passou a viver o drama do exílio e da separação, que não é lícito ignorar porque alegadamente afetaria só os que são “de direita” e fugiram para os Estados Unidos, México ou Espanha.
Muito pelo contrário, a emigração assumiu caráter de massa, tanto pelo bloqueio norte-americano quanto, sobretudo, pelos fundamentos estreitos da economia cubana. As sucessivas vagas migratórias acabaram por criar um problema demográfico de difícil resolução, expulsando os jovens e deixando para trás os necessitados de cuidado, que os serviços sociais desmantelados não conseguem atender. Para analistas sagazes, o paradoxo final é que assim, involuntariamente, Cuba e Estados Unidos, com milhões de exilados, se tornaram ainda mais entrelaçados nesta passagem de época repleta de tiranias locais e pulsões imperialistas.
A degradação da democracia na América faz temer o pior. Estamos longe de um Barack Obama que há exatos dez anos restabelecia relações diplomáticas e econômicas entre os dois países, ainda que sem pular a barreira do Congresso para suspender o bloqueio comercial. Tratava-se, segundo Obama, de encerrar o último legado da guerra fria no Hemisfério e propiciar reformas paulatinas na economia e na política.
Hoje, porém, pratica-se a “decapitação” das direções adversárias – bem-sucedida, por assim dizer, na Venezuela, e calamitosamente fracassada no Irã. Parafraseando o poeta, a violência da linguagem dá perfeita ideia da violência propriamente dita inerente aos desatinos de Trump.
*Tradutor e ensaísta, é coeditor das obras de Gramsci no Brasil
RESUMO:
O artigo analisa a situação de Cuba como um caso complexo, marcado por contradições difíceis de conciliar. O país vive uma crise prolongada, com graves dificuldades econômicas e sociais, agravadas pelo bloqueio dos Estados Unidos — intensificado durante o governo de Donald Trump — que afeta diretamente a vida da população, com falta de alimentos, água e medicamentos.
No entanto, o texto argumenta que o bloqueio, longe de enfraquecer o regime, acabou fortalecendo-o ao permitir que o governo mobilize a população contra um inimigo externo e justifique a repressão interna.
Ao mesmo tempo, critica tanto visões simplistas da direita, que demonizam Cuba, quanto da esquerda, que romantiza o regime. A socióloga Claudia Hilb é citada para destacar o paradoxo central da Revolução Cubana: avanços sociais importantes (como saúde e educação) vieram acompanhados de forte concentração de poder e restrição das liberdades civis.
O modelo econômico centralizado também se mostrou insustentável, dependendo historicamente de apoio externo (primeiro da União Soviética e depois da Venezuela). Isso contribuiu para uma crise estrutural e para grandes ondas migratórias, que hoje geram problemas demográficos.
O texto conclui que Cuba e Estados Unidos permanecem profundamente interligados, apesar do conflito, e alerta para o risco de agravamento das tensões no cenário atual. Em contraste com a tentativa de reaproximação no governo Barack Obama, o momento atual é marcado por maior radicalização e uso de estratégias agressivas na política internacional.
Do Fogo da Resistência ao Pragmatismo da Democracia Cristã
"A poesia não é coisa brilhante, é coisa que brilha na escuridão."— Ferreira Gullar"Ninguém me contou como foi a ditadura. Eu vi os presídios, eu vi os rostos, eu ouvi os gritos pela anistia."— Teotônio Vilela (referência ao seu périplo nacional)
RESUMO ANALÍTICO
Este texto traça a linhagem dialética do movimento estudantil brasileiro, confrontando o heroísmo sacrificial do passado com os novos arranjos do presente. Através do conceito "Três por Duas", estabelecemos um diálogo entre cinco figuras fundamentais:
O Triunvirato da Resistência: O poeta Ferreira Gullar, voz estética do inconformismo; o senador Teotônio Vilela, o "Menestrel" que desertou da ARENA para carregar a bandeira da Anistia; e Aldo Rebelo, o ex-líder da UNE que hoje, em uma manobra de sobrevivência nacionalista, busca a presidência pelo Democracia Cristã (DC).
A Dualidade da Renovação: As últimas lideranças da UNE, Manuella Mirella e Bianca Borges, que representam a tentativa de atualizar a pauta estudantil sob recortes de raça e gênero, enquanto operam dentro de uma estrutura partidária consolidada.
A obra analisa como a imagem da sede da UNE incendiada em 1964 ainda projeta sombras sobre a democracia atual. O texto explora a transição do "Draft" estudantil (o recrutamento de talentos nas universidades) para o realismo político institucional, onde o jingle de Eymael e o nacionalismo de Aldo Rebelo se encontram no esforço de herdar o legado democrático de Teotônio Vilela. É um olhar que se equilibra entre o pessimismo da razão, ao ver as ideologias se moldarem ao poder, e o otimismo da ação, reconhecendo que a política brasileira é, essencialmente, uma construção de resistência permanente.
Se
sidney miller nara leao a estrada e o violeiro
Projeto de Niemeyer, obra de prédio está paralisada há anos na Praia do FlamengoO projeto do Edifício Torre Flamengo está paralisado há sete anos. A construção, que seria a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), dona do terreno, também abrigaria outras empresas nos 12 andares previstos
Por Victor Serra -25 de outubro de 2024
"TRÊS POR DUAS: A LUTA CONTINUA."
"Conquistas para o trabalhador, seu compromisso sempre com nossa nação, 27 é Eymael, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição!"Jingles Eleições 2014 - José Maria Eymael - PSDC - leobrandao.net
Esta é a versão final para publicação, tecendo a linhagem histórica que une o jingle da Democracia Cristã, a trajetória de Aldo Rebelo e o legado de Teotônio Vilela sob uma análise da nossa democracia.
"Ey, Ey, Eymael,
Um democrata cristão.
Pra presidente é 27,
O nome é Eymael!
Pela família e pela nação."
— Fonte: Terra - Jingles Históricos
Os 9 primeiros companheiros do Brasil
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ReproduçãoCoragem e autênticidadePoema de Ferreira Gullar homenageou a fundação do PCB
Começa o Comunismo no Brasil
Publicado em: 31/03/2022Os 9 primeiros companheiros do Brasil
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Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016) dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido. Na época, o poeta era comunista e prestou a sua homenagem à fundação do PCB.
O poema destaca a participação de diferentes categorias de operários na formação do partido, o que mostra que realmente se tratava de uma evolução política do movimento operário brasileiro.
Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016) dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido. Na época, o poeta era comunista e prestou a sua homenagem à fundação do PCB.
O poema destaca a participação de diferentes categorias de operários na formação do partido, o que mostra que realmente se tratava de uma evolução política do movimento operário brasileiro.
“Eles eram poucos./ E nem puderam cantar muito alto a Internacional./ Naquela casa de Niterói em 1922./ Mas cantaram e fundaram o partido./ Eles eram apenas nove, o jornalista Astrogildo, o contador Cordeiro, o gráfico Pimenta, o sapateiro José Elias, o vassoureiro Luís Peres, os alfaiates Cendon e Barbosa, o ferroviário Hermogênio./ E ainda o barbeiro Nequete, que citava Lênin a três por dois./ Em todo o país eles eram mais de setenta./ Sabiam pouco de marxismo, mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela./ Faz sessenta anos que isso aconteceu, o PCB não se tornou o maior partido do ocidente, nem mesmo do Brasil./ Mas quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar dele./ Ou estará mentindo.
Da UNE à Democracia Cristã: O Voo do Nacionalismo entre Jingles e Heranças Alagoanas
O Jingle de Guerra: O famoso "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão" permanece como símbolo da legenda desde a Constituinte de 87/88, reforçando valores de "família, pátria e liberdade". É sob este estandarte sonoro, quase folclórico mas politicamente resiliente, que se abriga agora a pré-candidatura de Aldo Rebelo. Ex-presidente da UNE e ex-ministro, Aldo carrega na biografia o peso de uma transição simbólica: a saída do materialismo dialético do PCdoB para o nacionalismo conservador da Democracia Cristã (DC).
A Raiz: Entre o Vaqueiro e o Menestrel
A história de Aldo Rebelo não se explica apenas nos gabinetes de Brasília, mas nas terras de Alagoas. Filho de um vaqueiro da fazenda de Teotônio Vilela, o "Menestrel das Alagoas", Aldo cresceu sob a sombra de um titã da redemocratização. Teotônio, que a extrema-esquerda da época tentava apequenar rotulando de "usineiro" — ecoando o ressentimento de uma extrema-direita ferida por sua dissidência na ARENA —, provou que a coragem não tem uniforme partidário.
Enquanto o regime militar admitia apenas o jogo controlado entre ARENA e MDB, Teotônio rompeu as amarras da linha auxiliar da ditadura. Mesmo debilitado pelo câncer, careca pela quimioterapia, ele percorreu os quatro cantos do país. Visitou presídios, encarou generais e bradou pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, enquanto nomes como Raimundo Faoro na OAB e juristas como Modesto Carvalhosa e Sobral Pinto faziam o que a ética permitia no inóspito terreno da justiça militar.
O Movimento Estudantil: O Laboratório do Poder
A UNE sempre foi o "Draft" da política nacional. Analisar sua trajetória é ver o DNA da nossa gestão atual:
A Vanguarda de Ontem: De Aldo Rebelo (1980) a nomes como José Serra e Orlando Silva, a presidência da UNE serviu como escola de realismo político. Aprende-se a negociar com o caos antes de assinar orçamentos.
A Hegemonia e o Pragmatismo: Nas últimas décadas, a "PCdoB-ização" da entidade trouxe logística, mas também um dilema: como ser a voz das ruas quando se é o braço do governo? Líderes recentes como Manuella Mirella e Bianca Borges tentam equilibrar o software identitário com as velhas estruturas de poder.
Análise: O Papel dos Ex-Militantes na Democracia
Os ex-líderes estudantis ocupam hoje as engrenagens do Estado. Se por um lado trazem o preparo da oratória e a malícia da articulação, por outro, correm o risco de transformar a política nacional em uma eterna assembleia universitária — onde o debate é infinito, mas a entrega depende de coalizões nem sempre românticas.
Pessimismo na Razão: A democracia brasileira parece cíclica. O militante que ontem pichava muros contra o capital, hoje busca abrigo em partidos de ordem para tentar viabilizar projetos personalistas de poder. A estrutura partidária brasileira engole o idealismo e devolve conveniência.
Otimismo na Ação: A persistência de figuras como Aldo Rebelo — e a memória de Teotônio Vilela — mostra que a política brasileira é feita de teimosia. Mesmo sob jingles datados ou rótulos ideológicos que mudam conforme o vento, a crença na "soberania" ainda é o combustível que move aqueles que saíram das arcadas ou das fazendas para tentar desenhar o destino da nação.
📍 Para entender mais sobre esse xadrez:
Acompanhe os movimentos de Aldo Rebelo na DC e sua crítica à "judicialização da política".
Revisite o legado de Teotônio Vilela para compreender como a centro-direita ajudou a enterrar a ditadura.
Observe a nova gestão da UNE sob Bianca Borges, que marca o retorno das "Arcadas" ao comando da entidade.
Menestrel das AlagoasMilton Nascimento
Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
Composição: Fernando Brant, Milton Nascimento.
O projeto do Edifício Torre Flamengo está paralisado há sete anos. A construção, que seria a sede da UNE, também abrigaria outras empresas nos 12 andares previstos.
Por Victor Serra – 25 de outubro de 2024
"TRÊS POR DUAS: A LUTA CONTINUA."
"Conquistas para o trabalhador... 27 é Eymael, para cumprir a Constituição!"
Esta é a versão final para publicação, tecendo a linhagem histórica que une o jingle da Democracia Cristã, a trajetória de Aldo Rebelo e o legado de Teotônio Vilela sob uma análise da democracia brasileira.
"Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão..."
Os 9 primeiros companheiros do Brasil
Publicado em: 31/03/2022
Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor Ferreira Gullar dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido, destacando a participação de operários na sua fundação.
“Eles eram poucos... mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela.”
Da UNE à Democracia Cristã
O famoso jingle "Eymael" permanece como símbolo político desde a Constituinte de 1988. É nesse contexto que surge a trajetória de Aldo Rebelo, marcada por uma transição ideológica significativa.
A Raiz
A história de Aldo Rebelo também passa por Alagoas e pela influência de Teotônio Vilela, figura central da redemocratização brasileira.
Movimento Estudantil
A UNE historicamente funciona como laboratório político, formando lideranças que posteriormente ocupam cargos de poder.
Análise
A política brasileira revela ciclos onde idealismo e pragmatismo se alternam, muitas vezes absorvidos pelas estruturas partidárias.
Otimismo na ação: a persistência de figuras políticas mostra que a crença na soberania nacional ainda move projetos políticos.