sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo.

Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota.
Avenida Paulista, 24 de outubro de 2026. sexta-feira, 30 de outubro de 2026 O quarto mandato de Lula, por José de Souza Martins* Valor Econômico As pesquisas de opinião eleitoral lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau menor, econômicas e mesmo políticas A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de 25 de outubro, às 9 horas da noite, para um quarto mandato presidencial, envolveu um conjunto de fato extenso de surpresas e revelações de natureza histórica. Pendências, irracionalidades e injustiças acumuladas desde o golpe militar de abril de 1964 agravaram-se durante a ditadura e emergiram aos poucos durante o cansativo regime de Jair Messias Bolsonaro, foram se depositando na consciência social e explodiram em atitudes do seu governo durante a pandemia. As pesquisas eleitorais não levaram em conta o que é próprio da realidade política que não aparece nelas, mas aparecem no resultado das eleições. Mesmo com o recurso preventivo do chamado cálculo do erro amostral. O adversário do atual presidente aparecia ligeiramente atrás de seu opositor nas investigações de vários e diferentes institutos, cada qual com seu método e suas identificações com os candidatos. As certezas dos cálculos e das amostras estatísticas ficavam à mercê das regras imprecisas da realidade. Os acertos dos resultados de pesquisas desse tipo, no que diz respeito à realidade social, dependem do desacerto eventual do que é provável em casos assim. A realidade não é métrica nem probabilística. Eventualmente e até acidentalmente pode sê-las. Mas não necessariamente. Há um conjunto de ocultações que não podem ser medidas nem estimadas. A sociedade é uma construção social que pode envolver, como neste caso, milhões de atores, dotados de uma consciência cambiante do que estão vivendo e do que estão compreendendo. A consciência social é expressão de uma pluralidade de percepções compartilhadas, no mais das vezes superficiais, com extensa gama de invisibilidades “armazenadas” na consciência social profunda de cada um. Numa extensa pesquisa de mais de 2 mil casos de linchamentos e tentativas de linchamentos no Brasil, apesar de repetições de alguns padrões de conduta, o conjunto de cada ocorrência envolvia peculiaridades e singularidades que explicavam o único e também o todo. As pesquisas de opinião, sobretudo de opinião eleitoral, lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau muito menor, econômicas e mesmo políticas. Em países atrasados e diversificados como o Brasil, nelas se lida mal com o conhecimento cotidiano e de senso comum e seus mistérios. O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo. A propósito, isso ocorre também com os candidatos. No Brasil há uma espécie de boçalidade endêmica distribuída entre as diferentes categorias sociais, especialmente das elites, cujo conhecimento social se limita ao diálogo cotidiano com suas empregadas domésticas. Devido às diferenças culturais, os trabalhadores, mulheres e homens, crianças e adultos, são no geral falantes de uma dupla linguagem e portadores de uma dupla identidade, o que lhes permite compreender o outro, aquele que julga neles mandar e a eles dominar, sem no entanto os compreender. As verdadeiras elites são educadas, e como pessoas educadas conhecem regras de civilidade, regras para respeitar e ser respeitadas. O candidato que, em consequência, acabaria derrotado, como o pai dele e outros membros da família, revelou-se apenas malcriado e sem respeito pelos outros, sem reconhecimento da condição humana do outro, também pelos ouvintes, isto é, eleitores, os diferentes, e não só pelo destinatário do insulto. O brutal equívoco do candidato de extrema direita, nesta eleição, foi a postura de supor-se maior do que é, no deboche sobre o defeito físico de Lula, o do dedo que lhe falta numa das mãos, decorrente de acidente de trabalho, no fim da adolescência, às 3 horas da madrugada, quando era operário numa metalúrgica na região da Vila Carioca, em São Paulo, e teve que esperar 4 horas para ser levado a um hospital ali perto. No mundo do trabalho, o ato destes dias do candidato que veio a ser derrotado é ato indevido de humilhação intencionalmente dirigido à vítima das adversidades da vida. É inútil fingir-se de evangélico porque esse ato de explícito e maldoso desrespeito anula numa fração de momento todos os “cristianismos” de aluguel, aqui abundantes, que se compra nos supermercados da fé, reduzidos aos fingimentos rituais e treinamentos para enganar eleitores e crentes. Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte). mão do comunista? CAUBY PEIXOTO - MPB ESPECIAL (ENSAIO) - 1972 O homem por trás do tri Em 1969, João https://youtube.com/shorts/IEAx8J5Uy0Y?is=k39DHxXOw_sXJxuG "Não gostei", diz Valdemar sobre carta de teor golpista de Flávio | LIVE CNN CNN Brasil 29 de out. de 2026 #CNNBrasil #política O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou quinta-feira (29) não ter gostado da carta de teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência. O dirigente da sigla se reúne nesta manhã com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). #CNNBrasil #política Leia mais: https://www.cnnbrasil.com.br/politica... "Eu também não sabia. Desculpe!" html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
Kid Vinil - Sou Boy
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
Mas enquanto o cinismo palaciano desfila suas ambições tardias neste Dia de Finados, os olhos limpos encontram o verdadeiro significado da ausência. Longe do barulho dos comícios e das delações, a saudade real não veste gravata nem carrega fundos partidários. Ela tem asas discretas, uma auréola singela e a pureza de quem partiu deixando um vazio absoluto que nenhum poder é capaz de preencher.
Yorkshire Terrier Anjo
Use o código com cuidado. AMIZADE SINCERA - Renato Teixeira /com Dominguinhos html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

Amy Winehouse - Rehab
O resumo em português acompanhado da justificativa ajustada em inglês: O artigo de Luiz Carlos Azedo avalia que o autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e suas articulações internacionais não desarticulam o bolsonarismo, que mantém forte base de mobilização e poder institucional consolidado. Subestimar a capacidade de reorganização da oposição e a influência contínua de Jair Bolsonaro representa um equívoco político e diplomático para o governo Lula. This summary is ideal because it accurately captures the central thesis and geopolitical context of the original article by Luiz Carlos Azedo. It correctly identifies the political impact of Flávio Bolsonaro's international articulations and the continued influence of Jair Bolsonaro. Você pode ler a análise completa em Correio Braziliense.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026 Lula tira por menos a fuga de Flávio, mas subestimar Bolsonaro é um erro, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense É prematuro afirmar que a oposição está acéfala e se abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência O autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos pode custar ao senador prestígio entre aliados, mas seria um erro do governo Lula confundir sua fuga com a desarticulação do bolsonarismo. A distância física não elimina a capacidade de mobilização de um movimento de massas, de características messiânicas, sobretudo quando um de seus principais representantes encontra acolhimento na maior potência mundial. A associação com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mesmo sem passar recibo, deve ser considerada um problema político e diplomático, cujo alcance ultrapassa o destino do candidato derrotado. Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, alegou fraude eleitoral e apresentou sua saída como reação a uma perseguição política. Proclamou-se o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A declaração parece estapafúrdia, mas tem a finalidade de tratar a derrota nas urnas como uma usurpação do poder e sua escapada como uma estratégia de resistência. A fuga deve ser avaliada pela repercussão entre os seguidores, para os quais a denúncia de perseguição confirma convicções anteriores. É aí que mora o perigo. A narrativa dispensa provas porque oferece uma explicação emocionalmente conveniente para a derrota: seu eleitor não teria perdido; fora roubado. Flávio não teria abandonado o país, mas preservado sua liberdade para continuar a luta. No episódio, Alexandre de Moraes volta a ocupar o lugar de inimigo central, enquanto as instituições eleitorais são apresentadas como instrumentos do adversário. O aparente absurdo funciona como linguagem de pertencimento e combustível para novas mobilizações. A ausência de reconhecimento da vitória de Lula pela Casa Branca, nesse contexto, amplia o espaço político para a rearticulação da oposição no Congresso, nas redes sociais e nas ruas, mesmo que a derrota seja sempre corrosiva. Segundo relatos de aliados de Flávio, integrantes do governo americano aguardaram sua posição sobre o resultado antes de definir a própria manifestação. Isso recomenda cautela diante da hipótese de que Washington tratará a presença do senador como assunto exclusivamente humanitário. Seus canais políticos com a administração Trump foram fortalecidos pela grande votação que obteve, mesmo derrotado. A parceria com Rubio acrescenta densidade a essa ameaça. Pautas bolsonaristas podem se associar a pressões comerciais, disputas sobre segurança e ataques ao Judiciário. Essa convergência oferece instrumentos para envenenar a relação entre Trump e Lula, mesmo quando os dois presidentes demonstram disposição para conversar. Relações pragmáticas entre Estados podem sobreviver a conflitos dessa natureza, mas sua manutenção exigirá muito trabalho diplomático. Nada acontecerá por inércia na normalização das relações. Também é prematuro afirmar que a fuga deixou a oposição acéfala e abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência. Sua capacidade de transferir votos, fixar inimigos e estabelecer os limites de atuação dos aliados não desaparece com a prisão domiciliar. A permanência de Lula e do PT no governo, por sua vez, preserva o antagonismo que organiza o bolsonarismo e permite reunir interesses distintos sob uma identidade comum. Poder instalado Os resultados legislativos dimensionam essa força. A partir de 2027, o PL terá 29 senadores e 121 deputados federais, as maiores bancadas das duas Casas. Comandará seis governos estaduais: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Essa estrutura significa recursos, exposição pública, influência territorial e capacidade de condicionar a agenda do Congresso. A derrota presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder institucional. Acrescente-se a isso a aliança com o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), recém eleito. Entre os novos senadores estará Carlos Bolsonaro, eleito por Santa Catarina, cuja atuação nas redes ajuda a compreender a continuidade entre organização familiar e mobilização digital. Michelle Bolsonaro também chegará ao Senado, mantendo-se como elo mais forte entre o bolsonarismo e os evangélicos. A família conservará tribunas, mandatos e instrumentos de intervenção no debate público. A presença de Flávio nos Estados Unidos pode acrescentar uma frente internacional a essa estrutura, ainda que produza atritos internos e desgaste sua autoridade entre dirigentes que permaneceram no Brasil. Tarcísio de Freitas e Michelle têm luz própria e projetos pessoais. Rogério Marinho dispõe de experiência, trânsito parlamentar e capacidade de articulação. Nenhuma dessas qualidades, porém, resolve automaticamente o problema da sucessão. Todos dependem, em graus diferentes, do eleitorado e da legitimidade conferida pelo bolsonarismo. Podem disputar sua direção, adaptar sua linguagem e ampliar suas alianças. Constituir, no curto prazo, uma alternativa que o substitua exigiria romper dependências que também sustentam suas ambições. Há ainda interesses econômicos americanos em jogo nas decisões brasileiras sobre mercados, plataformas digitais, energia e comércio. Seria simplista presumir que todos apoiam Flávio, mas suas conexões políticas podem servir de ponte entre essas agendas e a pressão sobre Brasília. A política externa independente e multilateralista de Lula torna inevitáveis as divergências com a Casa Branca. O governo precisa defender a soberania, preservar o diálogo e compreender a força social do adversário. Subestimar o bolsonarismo seria facilitar sua reorganização. Ella Henderson - Alibi ft. Rudimental (Official Visualiser) Ella Henderson
Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves (Ponte da Fraternidade) — Fronteira entre Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil) e Puerto Iguazú (Misiones, Argentina), sobre o Rio Iguaçu. No Meio do Caminho Havia uma Ponte (charge literária inspirada em Drummond e Maquiavel) No meio do caminho havia a Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves. No meio do caminho havia uma ponte. Havia uma van suspeita. Havia versões. Havia pressa. Enquanto o Rio Iguaçu corria indiferente, uma fila de microfones atravessava antes dos carros. Cada repórter carregava uma mala invisível: a da fonte "quase confirmada", do assessor "que conhece alguém", do telefonema "em off". Do outro lado, a diplomacia caminhava em silêncio. No canal argentino, a água refletia duas margens e infinitas versões. A embaixada, confirmada ou não conforme o relógio de cada redação, tornava-se menos um edifício e mais um espelho onde cada narrativa procurava o próprio reflexo. Então apareceu Maquiavel, encostado no guard-rail, sorrindo com a paciência de quem já vira impérios tropeçarem na mesma pedra. "Quem governa as aparências", murmurou, "muitas vezes chega antes dos fatos." Ao lado dele, Roberto Campos anotava numa caderneta: "O mercado detesta incerteza. O noticiário, às vezes, vive dela." Pedro Nava fechava o bloco de notas: "A memória registra mais os boatos que os desmentidos." A charge
PONTE INTERNACIONAL TANCREDO NEVES Fronteira das versões Van suspeita "Última hora!" Jornalistas correndo atrás da "fonte exclusiva" Embaixada enquanto a água segue seu curso Manchete antes da confirmação Maquiavel "As aparências costumam chegar antes dos fatos." Roberto Campos "O noticiário também negocia com a incerteza." Pedro Nava "A memória guarda mais o rumor que o rodapé." Na fronteira, a água não escolhe lado; apenas devolve o reflexo de quem olha. Legenda final (estilo charge) "Alguns atravessaram a ponte. Outros atravessaram a manchete. E houve quem, confiando demais em fontes interessadas, descobrisse tarde demais que, na pressa do furo, também se podem comer moscas." A força da sátira aqui está em criticar a dinâmica da disputa entre narrativa, imprensa e poder sem afirmar como verdade factual que uma travessia específica ou uma conspiração ocorreu. html O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

Uma crônica documental sobre exílios, poder instalado e as lições perenes de O Príncipe nas transições de 2022 e 2026.

A história e a política não são descritas pela moralidade dos justos, mas pela astúcia dos que compreendem a mecânica fria do poder. Quando as urnas se fecham e os palcos se reconfiguram, o observador atento necessita sintonizar o seu farol analítico nas frequências da perenidade histórica. A reeleição presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e o subsequente autoexílio do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos não são eventos isolados; são espelhos de um passado que insiste em se projetar no presente.

Para descortinar esse cenário, evoca-se aqui o rigor conceitual de Nicolau Maquiavel, a precisão cirúrgica de Roberto Campos e a sensibilidade memorialística de Pedro Nava. Sob os teclados desses intérpretes do tempo, a geopolítica nacional deixa de ser um emaranhado de manchetes diárias e assume os contornos de um tratado de sobrevivência estatal.


I. Do Erro de Subestimar o Inimigo Vencido

"Aos homens cabe ou mimar ou aniquilar; pois eles se vingam das pequenas ofensas, mas das grandes não podem. Por isso, a injúria que se faz a um homem deve ser tal que não se tema a vingança."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. III

O governante que celebra a vitória nas urnas e assume que o exílio do adversário significa a sua destruição comete o mais clássico dos erros políticos. A reeleição de Lula em outubro de 2026, embora inédita e inquestionável sob as regras do sufrágio livre, não extirpou as raízes do sentimento conservador radicalizado. Como bem alertava a visão pragmática de Roberto Campos, a insatisfação social e as forças de mercado movem as massas com muito mais vigor do que as cartilhas partidárias oficiais.

Ao buscar refúgio na maior potência do mundo e articular-se diretamente com figuras do alto escalão republicano, o príncipe derrotado não abandonou o jogo; apenas mudou de tabuleiro. O exílio físico é transformado em uma narrativa de martírio e resistência. Para seus fiéis, ele não fugiu: preservou a liberdade para continuar a luta. A audácia de proclamar-se o "verdadeiro presidente" atende à máxima maquiavélica de que o vulgo sempre se deixa seduzir pelas aparências e pelo resultado das narrativas bem construídas. Subestimar essa força interna e o seu eco internacional é o primeiro passo para a própria ruína de quem governa.

II. A Anatomia dos Exílios: 2022 vs. 2026

A comparação documental entre as duas grandes saídas da família Bolsonaro em direção à Flórida expõe as engrenagens da conveniência e da conjuntura internacional. Embora o destino final seja o mesmo solo americano, as variáveis de tempo e poder alteram profundamente a natureza de cada ato:

Dimensão Dezembro de 2022: Jair Bolsonaro Outubro de 2026: Flávio Bolsonaro
Status Político no Brasil Presidente em fim de mandato; perda iminente do foro privilegiado e da máquina pública. Senador da República em pleno exercício do mandato; preservação de imunidades e tribuna parlamentar.
Poder Político em Washington Administração Democrata de Joe Biden; distanciamento diplomático e frieza institucional da Casa Branca. Administração Republicana de Donald Trump; alinhamento ideológico direto e proximidade com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Objetivo de Narrativa Silêncio institucional; recusa em transmitir a faixa presidencial; distanciamento do calor imediato da derrota. Denúncia ativa de fraude e perseguição política; autoproclamação de legitimidade; estabelecimento de uma frente externa.

Como na densa obra memorialística de Pedro Nava, o passado não surge como um arquivo morto, mas como um farol matreiro. A viagem de 2022 foi o encerramento melancólico de um ciclo no Executivo; a de 2026, contudo, desenha-se como a abertura estratégica de uma trincheira internacional, fortificada pela cumplicidade da liderança na Casa Branca.

III. O Poder Instalado e as Trincheiras do Parlamento

"Um príncipe sábio deve fomentar com astúcia alguma inimizade para que, ao superá-la, sua grandeza saia fortalecida."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XX

A arquitetura institucional brasileira demonstra que a derrota na corrida presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder nas bases do Estado. O Partido Liberal (PL) consolidou as maiores bancadas da Câmara e do Senado para a legislatura que se inicia em 2027, além de manter sob sua órbita governos dos estados mais ricos e populosos do país, sob a liderança de figuras como Tarcísio de Freitas em São Paulo.

O bolsonarismo permanece como o antagonista essencial que organiza, tensiona e dá sentido à própria existência do governo atual. A chegada de Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ao Senado Federal garante que o ecossistema digital e as tribunas parlamentares continuem alimentando o fogo do conflito. O governante que permanece no poder necessita, portanto, de capacidades estatais acrescidas para mediar interesses legítimos e conflitantes sem ser engolido pela força parlamentar da oposição.

IV. A Fortuna, a Virtude e os Diques do Estado

"A Fortuna manifesta suas forças ali onde não há Virtude disposta a resistir-lhe; ela volta seus ímpetos para onde sabe que não foram feitos diques nem barreiras para contê-la."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XXV

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"Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura.
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça."
— Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu), Marília de Dirceu, Parte I, Lira XIV.
"Por trás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre enunciados e atas,
vão-se tecendo os destinos
de vilas e de cidades,
de povos e de reinos."
— Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.

O Teatro dos Dirceus: Da Faixa ao Fato

O sucesso do governo Lula 4 será concluir o mandato e entregar a faixa na sucessão. Estará ele disposto a fazer isso? No Lula 1, esse rito de sobrevivência já havia sido plantado. Quem não se lembra de Luiz Pinguelli Rosa ter que devolver a presidência da Eletrobras, com Lula justificando a demissão ao nomear o afilhado abonado por José Sarney — o presidente eterno do Senado e do Congresso? A alegação foi cirúrgica: Pinguelli não tinha votos no Senado. O recado foi bem dado e bem entendido.

Apesar do Caixa Dois do Mensalão, tanto José Dirceu quanto a bancada de Chico Alencar entenderam a mensagem. Dirceu bateu continência, na posse, à camarada Marília Guimarães (a Marília Mineira de Porto Alegre). O nome evoca, feito fantasma poético, a própria Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão — a Marília de Dirceu original. Nascida em Vila Rica, ela foi a musa de Tomás Antônio Gonzaga, o outro "Dirceu", cuja história de amor foi rasgada pelo exílio da Inconfidência Mineira. Enquanto os amigos de Chico Alencar criavam o PSOL, o fio invisível do tempo amarrava essas linhas. O "Coração Valente", que ecoou fortemente no marketing político contemporâneo, contrastava com o apagamento histórico da verdadeira força de mulheres como Maria Doroteia. O combate ao esquecimento une o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles à música magistral de Chico Buarque. Naquela mesma posse de 2003, o pai de Fonteles do Piauí permaneceu, disciplinadamente, na Câmara. José Genoino permaneceu saindo. E, como ave rara, Paulinho Delgado pediu o boné e partiu.

Corte abrupto para a brotação de outubro de 2026. A história não se repete, ela rima em tom de farsa e tragédia global. Lula acaba de vencer o segundo turno contra Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21%. O palco internacional ferve: há duas horas, em Washington, Donald Trump sobe aos microfones para chamar a eleição brasileira de "vergonhosa", queixando-se de que o próprio Lula lhe pedira neutralidade, mas arrematando com o pragmatismo imperial dos novos tempos: "Eu vou falar com ele". Do outro lado da fronteira, Flávio Bolsonaro rompe ordens judiciais, cruza para a Argentina e voa para Miami, de onde passa a emitir cartas se autodeclarando o "líder exilado" do Brasil.

Enquanto os gritos ecoam no exterior, a verdadeira poda do poder acontece no chão de Brasília. O objetivo do PT é um só: limitar o espaço da oposição. O partido ameaça deixar o bloco de apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara caso o PL e o Novo passem a integrar o grupo. O pragmatismo de 2003, que rifou Pinguelli Rosa pela contabilidade dos votos de Sarney, repagina-se em 2026. A esquerda aceita o Centrão de Motta, mas tenta traçar uma linha vermelha para isolar o rebento bolsonarista antes que ele frutifique na Mesa Diretora. O sacrifício das convicções em nome da governabilidade continua sendo a seiva que alimenta o sistema. As aves raras mudaram de plumagem, os exílios ganharam passaportes diplomáticos e jatos privados, mas o teatro entre o peso do voto no parlamento e o lirismo das nossas tragédias permanentes continua rigorosamente o mesmo. A faixa, afinal, só se entrega a quem souber sobreviver à própria colheita.

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Três escritores mineiros vencem o Prêmio Jabuti 2026; veja quem são Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. Por Ana Carolina Ferreira, Gabriel Lacerda, Isabella Alvim — Belo Horizonte 28/10/2026 10h24 Atualizado há um dia Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Drop here to attach Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Três escritores nascidos em Minas Gerais estão entre os vencedores do Prêmio Jabuti 2026, uma das principais premiações da literatura brasileira. Ruy Castro, natural de Caratinga; Humberto Werneck, de Belo Horizonte; e Leo Cunha, de Bocaiúva, foram premiados na 68ª edição. A cerimônia foi realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (27). O principal destaque foi Ruy Castro, vencedor de Livro do Ano com Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. A obra também ganhou a categoria Biografia e Reportagem. Um feito inédito na história da literatura nacional: o bicampeonato consecutivo do autor. Em 2025, Ruy já havia conquistado o prêmio máximo da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a biografia "O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim". Humberto Werneck venceu a categoria Crônica com Viagem no País da Crônica, da Tinta-da-China Brasil. Já Leo Cunha, ao lado de Raquel Matsushita, levou o prêmio de Obra Infantil com A Letra, publicado pela Maralto. Ruy Castro Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Caratinga, no Leste de Minas Gerais, Ruy Castro é escritor e biógrafo e integra a Academia Brasileira de Letras. Sua trajetória inclui obras biográficas e livros dedicados a personagens e momentos da cultura brasileira. No Jabuti deste ano, Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio rendeu ao mineiro dois reconhecimentos: Biografia e Reportagem e Livro do Ano. Nesta obra, o autor transforma o Rio de Janeiro dos anos 1940 em um cenário vivo de suspense e história. O livro aborda o cotidiano da então capital federal dividida entre festas em embaixadas, espiões nazistas infiltrados e o racionamento de recursos. Pela conquista do Livro do Ano, Ruy recebe o prêmio de R$ 70 mil, além do credenciamento para representar o Brasil em feiras internacionais do livro em Londres, Frankfurt, Bolonha ou Guadalajara. Humberto Werneck Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Belo Horizonte, Humberto Werneck é jornalista e escritor e vive em São Paulo desde 1970. Entre os livros publicados estão Tantas palavras, reportagem biográfica sobre Chico Buarque; Pequenos fantasmas, de contos; e O desatino da rapaziada – Jornalistas e escritores em Minas Gerais. No Jabuti 2026, a obra vencedora de Werneck, Viagem no País da Crônica, faz um passeio pela tradição da crônica brasileira, reunindo histórias e referências a grandes nomes do gênero e aproximando a geração dos anos 1950 da produção contemporânea. Leo Cunha Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Nascido em Bocaiúva, no Norte de Minas, em 1966, Leo Cunha vive em Belo Horizonte desde 1968. Escritor, jornalista e professor universitário, formou-se em Jornalismo e Publicidade e Propaganda pela PUC Minas, é mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela UFMG. Autor de mais de 80 livros, tem uma trajetória especialmente ligada à literatura infantil e juvenil, além de obras de poesia e crônicas. Também traduziu mais de 40 títulos do inglês e do espanhol. O livro acompanha a jornada da letra “e” pelo alfabeto. Ao mudar de posição, som e função dentro das palavras, a personagem revela diferentes possibilidades da escrita e da linguagem, em uma narrativa que combina texto, cores e jogos visuais. Minas na elite da literatura nacional A lista de finalistas mineiros nesta edição reuniu nomes consagrados de diversas regiões do estado — como Adélia Prado (Divinópolis), Evandro Affonso Ferreira (Manhumirim) e Marcelo Lelis (Montes Claros). Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é o mais tradicional e prestigiado do mercado editorial no país. A edição de 2026 contemplou 23 categorias, concedendo R$ 5 mil a cada vencedor individual antes da escolha do grande Livro do Ano. Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação LEIA TAMBÉM Ruy Castro leva categoria Livro do Ano no Prêmio Jabuti pelo 2º ano consecutivo; veja vencedores Conheça quem são os doze mineiros finalistas ao Prêmio Jabuti 2026 Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais 50 vídeos Decisão do STF chega tarde, e urnas são lacradas em escolas de MG Quem são os políticos mineiros que viraram fenômenos nas redes? Vídeo mostra policial militar dando cotoveladas em idosa durante abordagem em BH Belo Horizonte Bocaiuva Caratinga
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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Da Sedução das Bets à Fuga pelas Cataratas: O Canto de Florentina no Império do Norte

Ao Modo do Chanceler Florentino — Onde os Versos do Vulgo Tecem as Alianças e os Exílios do Poder
quarta-feira, 28 de outubro de 2026 O homem que viu o trem passar e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio Bolsonaro recebeu 48% dos votos. A votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões Claude Monet: A collection of 1540 paintings (HD) "Felizmente, contudo, a oposição a Lula não depende de Jair Bolsonaro nem muito menos de Flávio, que em breve ficará desempregado e que terá de prestar contas à Justiça em razão das inúmeras suspeitas de corrupção que pesam contra ele. Vários partidos que se alinharam a Flávio no segundo turno aceitaram imediatamente a vitória de Lula e já se preparam para trabalhar com esse cenário. É assim que funciona numa democracia." "A eleição demonstrou que nem só de antipetismo vive o País. O antibolsonarismo tem força própria, e o clã se esmera em renová-la. Enquanto o PT explora a identificação abusiva entre sua permanência no poder e a sobrevivência da democracia, os Bolsonaros fornecem a ameaça real que torna esse expediente convincente. Em vez de libertar o País do lulopetismo, garantem-lhe sobrevida. Não se vencerá a chantagem petista repetindo o papel que o PT reserva aos adversários." "Para ser a alternativa liberal, conservadora e democrática de que o País precisa, urge recusar esse golpismo bolsonarista de uma vez por todas." 👆O editorial de O Estado de S.Pauo de 28/08/2026, dia do Servidor Público, no Brasil, bate na canga da direita imoderada para a direita constitucional entender e retomar seu prumo! Como na República Funcional da Asa Sul de Brasília👇
O famoso apartamento funcional na Asa Sul de Brasília que funcionou como uma verdadeira "república" e berço de articulações da redemocratização (onde Ulysses Guimarães e Nélson Carneiro dividiram residência por anos e recebiam lideranças como Tancredo Neves) fica localizado no seguinte endereço: * Endereço: SQS 110, Bloco I, Apartamento 303 * Região: Asa Sul, Brasília - DF Esse endereço consta formalmente nos registros históricos de correspondências dos parlamentares durante o período em que debatiam as fórmulas de resistência e os rumos políticos do país.
• Endereço: SQS 110, Bloco I, Apartamento 303 • Região: Asa Sul, Brasília - DF
O Brasil voltou ao normal, por Elio Gaspari O Globo A ameaça do candidato do PL durou uma noite “Reinaldo Azevedo: Flávio voa da lama, na lama e para a lama; Metrópoles 28/10/26 👆Equivalência entre Luiz Inácio, Miley e Trump?
"Chegou a hora de sermos menos apaixonados pela disputa entre direita e esquerda e de dedicarmos mais atenção à permanente desigualdade entre senhores e escravos, homens e mulheres, honestos e gatunos da coisa pública." quarta-feira, 28 de outubro de 2026 Para que serve a polarização? Por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo No domingo, com o seu voto, você ajudou a adormecer uma forma de polaridade: a oposição, burramente vista no Brasil como irreconciliável, entre a direita e a esquerda. Este dualismo, em tese, impede de maneira estúpida qualquer colaboração. Hoje, porém, com um novo presidente eleito, essa polarização terminou para dar lugar a uma oposição que a esquerda e a direita escamoteavam, a saber: a oposição entre a centralidade dos poderosos que vão para os palácios e a situação dos perdedores que são relegados à periferia. Agora, tranquilos, sabemos quem são os mandões e quem são os mandados. Ou seja, voltamos a viver a oposição rotineira entre os que detêm o poder e aqueles que devem se submeter a ele. Recuperamos a concepção tradicional de autoridade e, assim, restauramos o velho reino imperial iniciado com d. João VI e continuado pelos golpes, ditaduras e governos demagógicos.
"Chegou a hora de sermos menos apaixonados pela disputa entre direita e esquerda e de dedicarmos mais atenção à permanente desigualdade entre senhores e escravos, homens e mulheres, honestos e gatunos da coisa pública." quarta-feira, 28 de outubro de 2026 O homem que viu o trem passar e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio Bolsonaro recebeu 48% dos votos. A votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões George Simenon foi um dos mais importantes e produtivos escritores de romances policiais, a maioria deles tendo como protagonista o Comissário Maigret. “O homem que via o trem passar” (1938) é um célebre romance psicológico do autor, cujo principal personagem é Kees Popinga, holandês pacato, burguês e exemplar chefe de escritório na cidade de Groningen, que pira quando descobre que seu patrão faliu e fraudou a empresa. Decidido a romper com as convenções e a hipocrisia de sua rotina, Popinga vai para Amsterdã e depois para Paris, numa espiral de crimes, delírios e fugas da polícia. Simenon faz um mergulho existencialista na loucura, na solidão e na desintegração moral de um homem comum, que comete um crime quase perfeito, mas fica completamente paranoico e acaba se entregando à polícia. Simenon claramente se inspira em “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski. Desculpem-me a analogia com o personagem Popinga, mas a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos vai além do candidato que viu o trem da eleição passar. Tem dimensão dostoievskiana, se considerarmos que há também motivação de ordem penal, que nos bastidores de Brasília levaram alguns aliados a apontar os riscos de perder as eleições e ficar, pela primeira vez na vida política, sem a imunidade parlamentar. Somente Flávio sabe tudo o que fez. Os elementos até agora relatados são insuficientes, porém, para afastar a inoportunidade política da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Foi inútil mandar apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro e impedir sua saída do país. A medida atendeu ao pedido da Polícia Federal apresentado apenas sete minutos depois da confirmação do resultado da eleição presidencial. A proximidade entre os acontecimentos não comprova perseguição, mas ofereceu à oposição argumento poderoso para transformar um investigado em suposto exilado político. É preciso distinguir os fatos. Apenas sete minutos separam o anúncio da derrota do requerimento policial, não necessariamente da assinatura da decisão judicial. Segundo reportagem reproduzida pelo Estado de Minas, o resultado foi confirmado às 21h09 de domingo; a representação da PF recebeu assinatura digital às 21h16. Moraes acolheu o pedido naquela noite, e a ordem foi executada na segunda-feira. Uma providência dessa importância, nesse momento, exigia fundamentação capaz de enfrentar o inevitável questionamento público sobre sua urgência. O alcance das suspeitas e a consistência das provas permanecem parcialmente encobertos pelo sigilo. Entretanto, não se pode afirmar que nada se sabe. O material divulgado aponta uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas de apostas e movimentações financeiras no exterior. A defesa nega que Flávio tivesse poderes sobre contas das empresas do advogado e sustenta que a relação entre ambos é de amizade. Suspeitas precisam ser investigadas. Falta fundamentação Entretanto, foro não é sigilo. A prerrogativa de função define o tribunal competente para investigar e julgar determinadas condutas de parlamentares; não torna automaticamente secretos todos os procedimentos. O resguardo das diligências pode ser necessário, mas cobra um preço quando impede a sociedade de compreender por que o candidato derrotado à Presidência foi proibido de viajar imediatamente após a eleição. Quanto menos se conhece a fundamentação, maior o espaço ocupado pelas versões. Não houve ordem de prisão contra Flávio, mas uma cautelar de restrição de viagem e entrega dos documentos. O senador descumpriu o prazo e a PF cancelou seus passaportes. Na segunda-feira, ele havia anunciado que permaneceria no Brasil e atenderia à determinação. A saída do país enfraquece sua própria palavra e sustenta a interpretação de que procurou escapar do alcance das medidas judiciais. A repercussão institucional, porém, é desastrosa. Flávio recebeu aproximadamente 48% dos votos e representa uma parcela expressiva do eleitorado. Essa votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões. Moraes, já convertido em personagem central da polarização, oferece à oposição uma oportunidade de mobilização, porque os fundamentos da medida permanecem não esclarecidos. A saída está sendo apresentada como consequência de perseguição. Entretanto, a tese de que vivemos numa “ditadura” não se sustenta. A oposição disputa eleições, conquista mandatos, governa estados, atua no Congresso e critica abertamente os ministros. A narrativa do exílio integra o repertório recorrente do bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro instalou-se nos Estados Unidos antes de sua condenação e da perda do mandato, conforme o material apresentado. Alexandre Ramagem também seguiu para território americano; Carla Zambelli buscou a Itália. Os processos são diferentes, mas a defesa política converge: apresentar a responsabilização judicial como perseguição e procurar proteção fora do alcance imediato das autoridades brasileiras. O componente americano agrava a crise. Simón Levy, ligado ao movimento MAGA, afirmou que o secretário de Estado Marco Rubio coordenou a operação que levou Flávio aos Estados Unidos. html

Da Sedução das Bets à Fuga pelas Cataratas: O Canto de Florentina no Império do Norte

Ao Modo do Chanceler Florentino — Onde os Versos do Vulgo Tecem as Alianças e os Exílios do Poder

Diz o ditado que os Príncipes não caem pelo clamor do povo, mas pelas armadilhas que eles mesmos cavam sob as vestes da legalidade. Quando as águas de Foz do Iguaçu rugem, dividindo os impérios do Sul, supõe-se que o jovem patrício Flávio, acuado pelos inquéritos das finanças e pelas suspeitas de sociedades ocultas no reino das apostas, busque o exílio rumo às terras do Norte — onde impera o poderoso e loiro Donald, o aliado de outrora que recuperou o manto da soberania americana.

Para compreender tal tragédia política, recorramos ao canto satírico de Tiririca, pois muitas vezes os bobos da corte revelam as verdades que os senadores tentam ocultar. Vertamos, pois, a melodia de Florentina para a linguagem do realismo e da astúcia.

Florentina de Jesus: A Sedução da Fortuna

"Florentina, Florentina / Florentina de Jesus
Não sei se tu me amas / Pra que tu me seduz?"

O que é a Florentina no teatro do poder senão a própria Fortuna vestida em forma de lucros fáceis e mercados de quota fixa? O jovem Bolsonaro, seduzido pelo canto dourado das bets e pelas holdings ocultas, entregou-se aos encantos da riqueza sem rastro. Ele agora questiona o destino: se essa engrenagem não havia de lhe garantir a impunidade e o amor do eleitorado, por que o seduziu a entrar em tamanho labirinto de investigações?

O Soldado e o Encontro no Cárcere do Norte

O vulgo canta que o cantor foi levado à prisão pelo próprio soldado que elogiara seu talento. Na alta política, o soldado são os órgãos de controle e as ordens do Supremo Tribunal que empurram o patrício para o enquadramento criminal. Ao cruzar as fronteiras líquidas do Iguaçu, desaguando no exílio, o jovem depara-se com o "loirão muito doido" que habita o palácio de Washington: o próprio Trump.

O senhor do Norte, operando sob a mais pura Ética da Convicção de seu próprio império, olha para o aliado fugitivo e questiona: "Qual é? Qual foi? Por que é que tu tá nessa?" ao que o jovem responde, em sua defesa defensiva, que apenas operava a música da política tradicional. Contudo, no jogo imperial, a fraqueza não encontra compaixão. O loiro do Norte impõe o silêncio: "Cala a tua boca, senão boto teus dentes para dentro", lembrando que no exílio os suplicantes perdem a voz e tornam-se reféns da boa vontade do protetor.

A Eterna Repetição do Erro

A ironia suprema de Tiririca reside no homem que jura nunca mais cantar a melodia maldita, mas passa o resto dos seus dias repetindo o mesmo refrão. Assim agem os dinastas da República: juram abandonar os métodos do caixa dois, prometem o fim dos laços ocultos com os operadores do ouro, anunciam o cansaço do povo — "isso é uma coisa que todo mundo abusa" —, mas, ao menor sinal de crise, retornam à mesma cantilena.

Dizem que vão mudar de assunto, que vão entoar os "hinos de Roberto Carlos" — a nova face da moderação e do republicanismo —, mas as cordas vocais do poder estão viciadas. Quando abrem a boca, o que se ouve nos bastidores de Brasília e Mar-a-Lago é o eterno retorno da mesma Florentina: a ocultação de valores, a lavagem de capitais e a dependência mútua entre o ouro privado e o manto público.

Conclui-se, portanto, que quem entra na cela da Fortuna por ter cantado a música dos negócios fáceis, dela não sai sem perder os dentes ou a soberania. As cascatas do Iguaçu correm para baixo, mas a ambição dos homens busca sempre o norte do mundo.

Use o código com cuidado. Tiririca - Florentina (Clipe Oficial)

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Retalhos na Avenida do Poder — Um Diálogo Fantástico entre Benito Di Paula, Maquiavel e Bolsonaro

" "Uma primeira proposta de peso" MICHEL TEMER SE PRONUNCIA APÓS REELEIÇÃO DE LULA: "TODO O PODER EMANA DO POVO" Itatiaia 27 de out. de 2026 #Itatiaia #Jornalismo #Esporte O ex-presidente Michel Temer pediu, nesta terça-feira (27), que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalhe pela pacificação do país durante seu quarto mandato. Em publicação na rede social X, Temer afirmou que o resultado das urnas reafirma o princípio de que “todo poder emana do povo” e defendeu medidas para reduzir a divisão política no Brasil. Temer, que governou o país entre 2016 e 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) depois do primeiro turno das eleições presidenciais. Na mensagem dirigida a Lula, o ex-presidente pediu que o petista evite o agravamento do clima de agressividade, que, segundo ele, tem provocado divisões entre os brasileiros e até mesmo entre as instituições. Temer também sugeriu a realização de uma reunião entre os Poderes da República, entidades da sociedade civil e representantes da oposição para promover um diálogo nacional. Para mais conteúdos da Itatiaia, acesse: Site oficial: https://www.itatiaia.com.br/
Resumo — “Ressaca da virada eleitoral de Lula derruba a bolsa de valores e frustra Trump” Luiz Carlos Azedo — Correio Braziliense, 27/10/2026 O artigo analisa as consequências políticas, econômicas e institucionais da vitória eleitoral de Lula, destacando os desafios que o presidente enfrentará para governar. - Contestação eleitoral: Flávio Bolsonaro se recusa a reconhecer a derrota e pretende pedir a anulação do segundo turno, alegando irregularidades na ampliação do horário de votação. O autor ressalta que não foram apresentadas provas de fraude e que a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos torna difícil atribuir a virada à prorrogação. - Tensão internacional: Donald Trump questionou a legitimidade da eleição brasileira sem apresentar provas, fortalecendo a contestação bolsonarista. Eduardo Bolsonaro também busca apoio internacional para anular o resultado. Segundo o texto, a maioria dos governos estrangeiros reconheceu a vitória de Lula. - Reação negativa do mercado financeiro: Investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro foram surpreendidos pelo resultado. O dólar subiu 8,21%, chegando a R$ 5,403 no fechamento, enquanto o Ibovespa caiu 14,01%, levando à interrupção temporária das negociações na bolsa. O episódio evidencia os riscos de decisões financeiras baseadas em previsões eleitorais incertas. - Desafios econômicos: A vitória de Lula não garante a confiança dos investidores. O governo precisará apresentar medidas convincentes para controlar a dívida pública e manter a sustentabilidade das políticas sociais. - Conflito institucional: A decisão de Alexandre de Moraes de reter o passaporte de Flávio Bolsonaro e impedir sua saída do país, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, intensifica o confronto com a oposição. O autor destaca a necessidade de fundamentação jurídica adequada para a medida. - Dificuldades de governabilidade: Com uma oposição fortalecida no Congresso e tensões entre os Poderes, Lula precisará negociar intensamente para aprovar sua agenda. Conclusão: Para o autor, a vitória eleitoral de Lula não encerra a disputa política. A contestação do resultado, as tensões com Trump, a instabilidade financeira e os conflitos institucionais indicam que o novo mandato começará sob forte pressão. O presidente precisará conquistar confiança econômica e construir apoio político para governar. Observação: o resumo reproduz os argumentos e os números apresentados no texto fornecido, sem verificar independentemente as informações.
Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
GATOS ESCALDADOS — NÃO IMPORTA SE PARDOS OU CINZENTOS — TÊM MEDO DE ÁGUA FRIA. LIBERDADE, SIM; PARTIDO, JAMAIS! PL NÃO PAGA PARA VER, EM 2026, O ROMBO QUE LHE CUSTOU O CASCO DE SUA BOLSA DE APOSTAS. Moraes rejeita ação do PL, aplica multa de R$ 22,9 milhões e bloqueia fundo partidário Presidente do TSE condena a coligação de Bolsonaro por litigância de má-fé; recursos ficarão bloqueados enquanto a multa não for paga Flávia Maia, Felipe Recondo 23/11/2022 | 21:39 |Brasília Atualizado em 23/11/2022 às 22:09 Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, não só não prosseguiu com a representação da coligação de Jair Bolsonaro (PL) pedindo a anulação de votos de 279 mil urnas eletrônicas — mais da metade do total — para o segundo turno das eleições de 2022 como também condenou a agremiação a uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. O ministro ainda determinou o bloqueio dos fundos partidários até o pagamento das multas. Leia aqui a decisão completa. A decisão foi publicada na noite desta quarta-feira (23/11). A coligação, formada por PL, PP e Republicanos, pode recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do TSE também solicitou a abertura de procedimento administrativo e apuração de responsabilidade por eventual desvio de finalidade na utilização da estrutura partidária contra o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e Carlos César Moretzsohn Rocha, dono do Instituto Voto Legal (IVL), responsável pelo relatório de auditoria das urnas eletrônicas utilizado na representação apresentada ao TSE na terça-feira (22/11). Moraes também incluiu Valdemar e Moretzsohn no inquérito 4874, do Supremo, que investiga as milícias digitais. O presidente do TSE também anexou uma nota técnica respondendo o requerimento do partido, com o objetivo de desfazer o argumento do PL, mostrando que não há fraude no sistema eleitoral. Leia aqui a resposta técnica ao requerimento. A resposta contundente de Moraes a mais uma investida contra a idoneidade das urnas eletrônicas é uma tentativa de acabar de vez com as tentativas de anular os resultados das eleições de 2022. Na decisão, Moraes afirma que os argumentos trazidos pela coligação são “falsos”. Na representação protocolada um dia antes (22/11), a coligação questionou os resultados das urnas apenas no segundo turno, e Moraes exigiu que o partido trouxesse informações também sobre o primeiro turno — em que a sigla elegeu o maior número de senadores e deputados federais. Isso não foi feito dentro do prazo de 24 horas, conforme o solicitado por Moraes via despacho na terça-feira (22/11). “O aditamento determinado não foi cumprido. Do ponto de vista apenas processual, bastaria isso para o pronto indeferimento da inicial por advertida e chapada inépcia. Ora, as mesmas urnas eletrônicas, de todos os modelos em uso, foram empregadas por igual tanto no Primeiro Turno como no Segundo Turno das Eleições 2022, sendo impossível dissociar ambos dos períodos de um mesmo pleito eleitoral”, escreveu na decisão desta quarta. Além disso, Moraes diz que as informações sobre as urnas eletrônicas são “cristalinas” conforme o relatório técnico da equipe de tecnologia do TSE. Por isso, ele entende que a coligação, ao contestar as urnas eletrônicas mais uma vez e pedir a anulação de metade dos votos do 2º turno das eleições, agiu de má-fé e com intuito de “incentivar” os movimentos antidemocráticos. “A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa totalmente fraudulenta dos fatos”, escreveu. Para justificar a multa e o bloqueio do fundo partidário, Moraes argumentou que os partidos políticos são instrumentos da democracia e financiados basicamente por recursos públicos, por isso é “inconcebível e inconstitucional” que as legendas sejam utilizadas para “satisfação de interesses pessoais antidemocráticos e atentatórios ao Estado de Direito, à Justiça Eleitoral e a soberana vontade popular de 156.454.011 (cento e cinquenta e seis milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e onze) eleitoras e eleitores aptos a votar”. Em nota, o PL informou que acionou a assessoria jurídica que vai analisar a decisão do TSE. “O partido reitera que apenas seguiu o que prevê o artigo 51 da Lei Eleitoral que obriga as legendas a realizar uma fiscalização do processo eleitoral”.logo-jota Flávia Maia Analista de Judiciário do JOTA em Brasília. Antes foi repórter dos jornais Correio Braziliense e Valor Econômico e assessora de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). É graduada em Direito no IDP. Email: flavia.pimentel@jota.info Felipe Recondo Autor de "Tanques e Togas - O STF e a Ditadura Militar" e de "Os Onze - O STF, seus bastidores e suas crises" e "O Tribunal - Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária", todos pela Companhia das Letras. Antes de fundar o JOTA, trabalhou nos jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, no blog do jornalista Ricardo Noblat Tags Alexandre de Moraes Eleições 2022 IF JOTA PRO PODER STF TSE LIBERDADE SIM, PARTIDO JAMAIS. Retalhos De Cetim Benito Di Paula Ensaiei meu samba o ano inteiro Comprei surdo e tamborim Gastei tudo em fantasia Era só o que eu queria E ela jurou desfilar pra mim Minha escola estava tão bonita Era tudo o que eu queria ver Em retalhos de cetim Eu dormi o ano inteiro E ela jurou desfilar pra mim Mas chegou o carnaval E ela não desfilou Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Minha escola estava tão bonita Era tudo o que eu queria ver Em retalhos de cetim Eu dormi o ano inteiro E ela jurou desfilar pra mim Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela não desfilou Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela (ai, e ela não) não desfilou (não desfilou) Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Mas chegou (mas chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela (ai, e ela não) não desfilou (não, não desfilou) Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Composição: Benito Di Paula. html

O Samba da Razão de Estado

Retalhos na Avenida do Poder — Um Diálogo Fantástico entre Benito Di Paula, Maquiavel e Bolsonaro

O salão está na penumbra de uma repartição vazia em Brasília. Sobre a mesa de fórmica, um prato de louça branca, outrora cheio, agora exibe apenas os arabescos da gordura fria do banquete do poder. Benito Di Paula, com o olhar perdido no horizonte das urnas de 25 de outubro de 2026, empunha uma faca de mesa comum. O metal raspa a borda do prato lactescente: vup... tique-tique... vup... tique-tique.

O som agudo e rústico corta a introdução de uma orquestra invisível que chora em cordas graves. O Carnaval político chegou ao fim. Ao seu lado, duas figuras de séculos distintos dividem o mesmo banquete de cinzas e decepções.

[ Arranjo Orquestral & Ritmo ]

As cordas da orquestra sobem em um crescendo dramático. O piano de Benito acompanha a melodia taciturna, mas o que dita o pulso do destino é o metal da faca raspando a louça. Ritmo de partido-alto, cadenciado, seco, sem concessões.

Jair limpa o suor da testa. Ele olha para o próprio terno de campanha, agora parecendo uma fantasia barata de cetim verde e amarelo que desbotou sob a chuva fina da apuração do segundo turno.

— Eu ensaiei o ano inteiro — sussurra o líder, a voz rouca ecoando entre as paredes de mármore. — Comprei surdo e tamborim. Mobilizei as redes, convoquei as marchas, gastei tudo em palanques. Era só o que eu queria... E a massa jurou desfilar para mim.

A "cabrocha" de Jair não tinha nome de mulher. Tinha o nome de Poder. Tinha a face do eleitorado volúvel, a promessa dos governadores aliados, a jura de fidelidade eterna do Centrão. Todos prometeram que a herança política seria coroada na passarela das urnas.

Do outro lado da mesa, vestindo uma túnica florentina salpicada pelo pó da história, Nicolau Maquiavel observa o prato de louça ser raspado pela faca de Benito. Ele sorri com a crueza de quem conhece as engrenagens ocultas das passarelas humanas.

— Caro Jair — diz o florentino, ajeitando seus manuscritos sobre a mesa. — O erro jamais foi o ensaio. O erro foi acreditar no juramento da cabrocha. O Príncipe que firma suas bases na gratidão ou na promessa do palanque constrói sobre a areia. Os homens esquecem mais rápido a morte do pai do que a perda do patrimônio ou a mudança dos ventos da Fortuna. A multidão é essa cabrocha de Benito: desfila com o cetim que você compra, mas se o vento da oposição soprar mais forte, ela atravessa a avenida e vai sambar na escola vizinha.

Benito Di Paula interrompe o piano por um compasso exato. O ruído da faca no prato fica mais forte, mais urgente, quase agressivo: vup... tique-tique... vup... tique-tique.

— Eu dormi o ciclo inteiro achando que o voto era herança familiar garantida — lamenta Jair, olhando para os retalhos da sua coligação espalhados pelo chão. — Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei.

— A política, meu amigo, não se faz com amor, faz-se com o temor e com a Virtù — rebate Maquiavel, enquanto a orquestra ao fundo atinge um tom menor, profundamente melancólico. — Você quis moldar o sucessor à imagem da sua vontade, o sangue do seu sangue, o sobrenome na cédula. Mas a razão de Estado exigia um pacto com os generais da conveniência. O Centrão não desfila por amor ao pavilhão; ele desfila pelo orçamento do Carnaval. Quando a apuração mostrou a primeira nuvem de tempestade, os passistas de terno debandaram para as arquibancadas do vencedor.

Benito Di Paula, sem parar o movimento hipnótico da faca na louça, solta a voz, num canto que mistura a dor do morro com a tragédia do palácio:

"Mas chegou o Carnaval... e ela não desfilou.
Eu chorei na avenida, eu chorei...
Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei."

O choro de Jair na avenida da realidade não é apenas pelo desfile perdido, mas pela compreensão tardia da máxima maquiavélica: o poder é um ensaio eterno onde a fantasia nunca está garantida. No fim, quando os refletores do tribunal se apagam e a apuração encerra o espetáculo, restam apenas os retalhos de um projeto político no chão da história, o eco de uma promessa quebrada e o som persistente da faca raspando o prato vazio.

A cabrocha do poder já está ensaiando para o próximo ano, com outro mestre-sala.

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O Timão do Éter

A soberania digital entre a rédea do Estado e o vento da liberdade

“O poder que hoje domestica a tempestade amanhã prende o próprio vento.”
O redesenho das comunicações oficiais e a regulação das plataformas digitais propostos pelo governo desencadeiam um profundo embate sobre os limites do controle estatal e a preservação do debate público na nova era tecnológica.

O silêncio que se seguiu ao anúncio das urnas não era o de um país que descansava, mas o de um bicho imenso que retoma o fôlego antes do próximo salto, e foi nesse hiato de tempo suspenso que o Timoneiro, subindo ao palanque com os olhos postos num horizonte que só os velhos marinheiros conseguem divisar, proferiu as palavras que a revista CartaCapital recolheria no dia seguinte como se fossem as tábuas de uma nova lei, ali estava escrito, com as letras garrafais do pragmatismo sobrevivente, que a pátria não mais seria o quintal de impérios invisíveis que operam por trás de algoritmos e nuvens de dados, que as máquinas de calcular o ódio seriam domesticadas pelas mãos do Estado, pois se um homem mata outro na rua a lei o alcança, por que haveríamos de tolerar que o mate na praça pública da ilusão digital, e assim, entre o aplauso dos devotos e o ranger de dentes dos mercadores do templo financeiro, decretava-se o início de um quadriênio onde a informação oficial não seria apenas dita, mas sim blindada contra os ventos que sofram do Norte ou do Oriente, um plano tão vasto e geométrico que parecia ignorar a miopia dos homens que só enxergam o dia de amanhã.

Mas a história, que tem o hábito irônico de não se deixar escrever por uma única mão, logo tratou de encontrar o seu contraponto no recôndito da própria linhagem do Timoneiro, quando sua filha, recolhida à sua própria escrivaninha e armada com a mesma tinta densa e sem repouso das vírgulas que se recusam a terminar antes da hora, fez circular a sua réplica, dizendo ela que o pai, cego pela claridade da própria vitória, esquecia-se de que o Estado que hoje regula a palavra para proteger o cidadão é o mesmo monstro de mil cabeças que amanhã, mudados os ventos e trocado o maquinista, usará as mesmíssimas travas para calar a boca de quem ousa dissentir, que a regulação das redes, por mais justa que pareça no calor do palanque, assemelha-se à tentativa de prender o éter dentro de uma caixa de ferro, e que ao tentar criar uma verdade estatal imune às intromissões estrangeiras, o velho combatente corria o risco de construir não a soberania sonhada, mas uma fortaleza de espelhos onde o governo só ouviria o eco das suas próprias certezas, esquecendo que a liberdade, essa palavra tantas vezes gasta e prostituída pelos dois lados da trincheira, só sobrevive quando lhe é permitido correr o risco do erro e do desvario.

A palavra livre não cabe dentro de nenhuma caixa de ferro estatal
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