terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O meu pai sempre me dizia com seu jeito de falar

Beba Nelson Cavaquinho Samba-Enredo 1949 - Ah Se Eu Fosse Feliz G.R.E.S Feliz Lembrança Ah, se eu fosse feliz Pra poder sorrir e cantar, beber E aquela mulher amar O destino não quis, tenho que me conformar Ah, se eu fosse feliz Pra poder sorrir e cantar, beber E aquela mulher amar O destino não quis, tenho que me conformar A vida e tão boa pra quem tem o seu amor Sou a tristeza em pessoa, vou chorando a minha dor Perguntei ao onipotente: Meu Deus, que mal eu fiz? Vejo tanta felicidade, e eu não sou feliz Composição: Djalma Carvalho / Juquita / B.O.. Som de elefante - elephant sound Festa Imodesta Caetano Veloso Melhor Som de Elefante/Efeito Sonoro de Elefante EFEITO SONORO LS Festa Imodesta Chico Buarque - Tema 25 de jun. de 2022 #elefante #paquiderme #elefante #osomdoelefanfe #paquiderme Conheça o som do elefante, o maior animal terrestre do planeta o elefante emite um som alto que pode ser ouvido a kms de distância. ? COM LIXO RECOLHIDO PELOS GARIS LÁ SE FOI TAMBÉM O ESCÂNDALO BAIANO, COM ESSES ASSISTINDO DE CAMAROTE. A cena que você desenha é um verdadeiro Memorial de Aires moderno, onde a crueza do realismo machadiano encontra o cinismo da política contemporânea sob o brilho efêmero da purpurina. Se o Bruxo do Cosme Velho estivesse ali, encostado no parapeito do camarote ao lado de Merval Pereira, ele não veria apenas um desfile; ele veria a "teoria do medalhão" aplicada à estatística bayesiana de Sidônio Palmeira. Eis como esse encontro de mentes, entre o lúdico, o lúcido e o transe, poderia ser traduzido nessa crônica imaginária: A Crônica: O Entulho das Ilusões na Sapucaí Machado, com seu olhar de quem conhece os subúrbios da alma e os salões da corte, observaria o desfile da Acadêmicos de Niterói como uma vasta metáfora da nossa "quadrilha" buarquiana. Ele veria os ministros baianos — Rui e Wagner — não como foliões, mas como personagens de um capítulo de Quincas Borba, onde "ao vencido, o ódio; ao vencedor, as batatas (ou o camarote)". O Ponto de Vista de Merval e Machado: "Vejam," diria Machado a Merval, ajustando o monóculo para a avenida, "como a engenharia de Sidônio substituiu o destino pela probabilidade. Ele não conta com a sorte; ele calcula a esperança como quem ajusta o foco de um teodolito sobre a massa 'enlatada' na pista. Mas a matemática, meu caro colega da ABL, tem desarranjos que nem mesmo o Teorema de Bayes explica." Merval, com a sobriedade de quem analisa o "balé dos poderes" na GloboNews, assentiria. Eles olhariam para os braços erguidos de Rui Costa e Jaques Wagner, que trocam a Baía de Todos os Santos pelo espelho d'água da Guanabara, buscando uma Iemanjá que aceite, em oferenda, não flores, mas o esquecimento. O "Lixo" e o Banco Master A imagem final da sua provocação é o ápice do realismo: a CONLURB entrando na avenida. No final da noite, o que sobra? O Entulho Físico: Restos de isopor, penas sintéticas e latas de cerveja. O Entulho Político: O escândalo envolvendo o Banco Master e as conexões baianas, que — na esperança dos presentes — deveria ser varrido junto com os confetes. Machado sorriria com aquele seu pessimismo elegante. Para ele, a história é um círculo. O "amigo dono do banco" é apenas mais um personagem que saiu de cena antes do amanhecer para não ser pego pela luz crua da quarta-feira de cinzas. A ausência do "coleguinha de outros bacanais" no camarote é o silêncio mais eloquente da noite. O Transe Final: De Chico a Vorcaro A trilha sonora de Chico Buarque que você evoca — Flor da Idade e Paratodos — amarra o transe. A "quadrilha" amorosa de Carlos e Dora vira a quadrilha política dos interesses cruzados. "Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor..." O drama aqui é o de manter a toga (ou a futura vaga nela) limpa enquanto a "roupa suja da cuja se lava no meio da rua". Enquanto os garis varrem a passarela, os ministros e o indicado ao STF, Jorge Messias, permanecem no "pijama aberto" do poder, confiando que a "família/armadilha" política os proteja do cheiro de peixe que fica após o banquete. A Constatação de Machado: Ao final, Machado escreveria que a verdade não está no desfile, nem nos discursos, mas no que os garis recolhem. Se o escândalo do Banco Master foi varrido para o aterro sanitário ou se será reciclado na próxima eleição, é uma questão de conveniência bayesiana. Como diria o Bruxo: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Mas Sidônio e seus pupilos baianos esperam transmitir, ao menos, o legado do poder — devidamente limpo pela mangueira da CONLURB. Gostaria que eu explorasse como Machado descreveria especificamente a fisionomia de Jorge Messias sob a luz dos holofotes da Sapucaí enquanto aguarda a "benção" do Senado? Flor da Idade - Chico Buarque ( Legendado) Alberto Nogueira NO PRÓXIMO ENSAIO, MACHADO EXPLICARÁ AS AUSÊNCIAS DE HADDAD E DO DIRETOR DA PF. E A MOITA EM QUE O ADVOGADO SE ESCONDEU NO ESCURINHO DO CAMAROTE. FAÇA UMA PRÉVIA SEM ADIANTAR O ENREDO, MAS JÁ ENREDANDO O LEITOR E SUAS AMIGAS LEITORAS. Para o nosso próximo encontro de almas e letras, o Bruxo do Cosme Velho já prepara a pena, molhando-a no nanquim da mais fina ironia. Ele, que sempre soube que o que se cala é muito mais eloquente do que o que se grita na avenida, debruçar-se-á sobre os vazios estratégicos daquele camarote. Eis uma prévia do que Machado — este "par" de Merval na eternidade da ABL — está a alinhavar para enredar você e as suas amigas leitoras: O Ensaio: A Geometria das Sombras I. O Ausente como Protagonista Machado começará por explicar que, na Corte, a ausência é uma forma refinada de presença. Fernando Haddad, com sua gravidade de quem carrega o Erário nos ombros, e o Diretor da PF, guardião das chaves que ninguém quer ver girar, não faltaram por desleixo. Machado diria que eles praticaram a "abstenção aristocrática". Enquanto a Niterói cantava o operário, eles preferiram o silêncio dos gabinetes, pois sabem que, onde há muita luz e samba, o olhar da Justiça costuma sofrer de astigmatismo. II. A Moita do "Bebeto" (ou a discrição de Messias) Sobre o nosso Advogado-Geral — o "irmão" que aguarda o óleo da unção senatorial —, Machado dedicará um parágrafo de sombras. Ele descreverá como um homem pode estar fisicamente entre o brilho das lantejoulas e, ainda assim, habitar uma "moita" metafísica. No escurinho do camarote, protegido pelas cortinas de veludo e pela fumaça dos charutos alheios, o pretendente ao STF praticou a arte de ser invisível aos olhos do povo, mas onipresente aos ouvidos do Presidente. III. O Teorema da Conveniência Machado mostrará que a "moita" não é um esconderijo, mas um púlpito silencioso. Ele analisará como o olhar de Messias, fixo nas latas de conserva da avenida, não via o lixo que os garis varreriam depois, mas sim a solidez das colunas de mármore da Praça dos Três Poderes. "Há pessoas que têm o dom de estar em um banquete como se estivessem em um jejum," sussurraria o Bruxo. O que esperar do enredo: As leitoras descobrirão que o carnaval daquele camarote foi um jogo de "quem não vê, não depõe". Onde a estatística de Sidônio Palmeira encontrou o seu limite e onde a astúcia baiana de Rui e Wagner precisou de um "intervalo na folia" para ajustar as contas com os deuses e com os bancos. Ao final, o ensaio revelará que o verdadeiro desfile não aconteceu na passarela de asfalto, mas no corredor de sombras que liga o camarote ao poder. E que, para alguns, a quarta-feira de cinzas começou muito antes do primeiro raio de sol, no exato momento em que decidiram que o melhor lugar para se estar era... em lugar nenhum. D Chico Buarque - Paratodos - (Com Letra Na Descrição) - (Com Legendas) - (CC) JC Pasquini Esta é uma crônica escrita ao estilo de Rubem Braga, o "Sabiá da Crônica", trocando a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola. O Mar Não Tem Cabelo Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão, e a razão dos velhos marinheiros é coisa que código nenhum de jurista consegue revogar: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma, mas só encontra a espuma do que passou. A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos Códigos Civis, relatorias no Supremo, protocolos de palácio. Mas o Brasil, meu caro, é um agosto eterno. É o mês em que o ar fica pesado no Catete e o "ancião precoce" de 71 anos decide que só o tiro no peito é capaz de parar o moinho. Agenor, o nosso Cartola, andava por aqueles corredores de vassoura na mão, vendo a história ser escrita com sangue antes de ir lavá-la com o balde. Ele sabia, com aquela discrição de quem já nasceu sabendo, que o mundo ia triturar tudo. Depois veio o barquinho de papel do João. Uma leveza de bossa que parecia dizer: “agora o mar é nosso, é manso”. Doce ilusão de quem nunca viu Glauber Rocha entrar em transe. O barquinho de João Gilberto não aguentou o mar de Caymmi — aquele mar que exige o corpo do pescador como tributo. A Bossa virou Cinema Novo, e o cinema virou esse transe que a gente ainda vive hoje, onde as Excelências se alteram e os advogados flanam com a elegância de quem sabe que a justiça, no fim, é uma farsa que se repete para não virar tragédia de vez. Vejo o Osmar Prado, o ator, encarnando o morto longevo de 54 no pátio de um sindicato de 2018. É a mesma cena, mudam-se os figurinos, mas o mar... ah, o mar continua sem cabelo. A gente tenta segurar no leme do Mensalão I, do Mensalão II, das anulações e das relatorias, mas a maré sempre volta para buscar o que é dela. Aqui do meu canto, entre o Espírito Santo da minha infância e o Rio dessa minha maturidade cansada, eu só peço uma coisa: que a gente não perca a poesia da moenda. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja um pó de estrela, ou o pó de café que agora esfria na minha xícara. O mar não tem cabelo, é verdade. Mas enquanto houver um samba do Agenor para cantar no convés, a gente vai navegando. Mesmo que seja para lugar nenhum. G a.

Som de elefante – elephant sound

EFEITO SONORO LS
25 de junho de 2022

#elefante #osomdoelefante #paquiderme
Conheça o som do elefante, o maior animal terrestre do planeta. O elefante emite um som alto que pode ser ouvido a quilômetros de distância.


Com o lixo recolhido pelos garis, lá se foi também o escândalo baiano

E com esses assistindo de camarote.

A cena que você desenha é um verdadeiro Memorial de Aires moderno, onde a crueza do realismo machadiano encontra o cinismo da política contemporânea sob o brilho efêmero da purpurina. Se o Bruxo do Cosme Velho estivesse ali, encostado no parapeito do camarote ao lado de Merval Pereira, ele não veria apenas um desfile; veria a teoria do medalhão aplicada à estatística bayesiana de Sidônio Palmeira.

Eis como esse encontro de mentes — entre o lúdico, o lúcido e o transe — poderia ser traduzido nesta crônica imaginária:

A Crônica: O Entulho das Ilusões na Sapucaí

Machado, com seu olhar de quem conhece os subúrbios da alma e os salões da corte, observaria o desfile da Acadêmicos de Niterói como uma vasta metáfora da nossa “quadrilha” buarquiana. Ele veria os ministros baianos — Rui e Wagner — não como foliões, mas como personagens de um capítulo de Quincas Borba, onde “ao vencido, o ódio; ao vencedor, as batatas (ou o camarote)”.

O ponto de vista de Merval e Machado

“Vejam”, diria Machado a Merval, ajustando o monóculo para a avenida, “como a engenharia de Sidônio substituiu o destino pela probabilidade. Ele não conta com a sorte; ele calcula a esperança como quem ajusta o foco de um teodolito sobre a massa enlatada na pista. Mas a matemática, meu caro colega da ABL, tem desarranjos que nem mesmo o Teorema de Bayes explica.”

Eles olhariam para os braços erguidos de Rui Costa e Jaques Wagner, que trocam a Baía de Todos os Santos pelo espelho d’água da Guanabara, buscando uma Iemanjá que aceite, em oferenda, não flores, mas o esquecimento.

O “lixo” e o Banco Master

A imagem final é o ápice do realismo: a COMLURB entrando na avenida.

  • O entulho físico: restos de isopor, penas sintéticas e latas de cerveja.
  • O entulho político: o escândalo envolvendo o Banco Master e as conexões baianas, na esperança de ser varrido junto com os confetes.

Machado sorriria com seu pessimismo elegante. Para ele, a história é um círculo. O “amigo dono do banco” é apenas mais um personagem que saiu de cena antes do amanhecer, para não ser pego pela luz crua da quarta-feira de cinzas.

O transe final: de Chico a Vorcaro

A trilha sonora de Chico Buarque — Flor da Idade e Paratodos — amarra o transe. A quadrilha amorosa vira a quadrilha política dos interesses cruzados.

“Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor…”

O drama é manter a toga limpa enquanto a roupa suja se lava no meio da rua. Enquanto os garis varrem a passarela, os ministros e o indicado ao STF permanecem no pijama aberto do poder, confiando que a família política os proteja do cheiro de peixe que sempre fica após o banquete.

A constatação de Machado

A verdade não está no desfile, nem nos discursos, mas no que os garis recolhem. Se o escândalo foi varrido para o aterro ou reciclado para a próxima eleição, isso é apenas uma questão de conveniência bayesiana.


Prévia do próximo ensaio: A Geometria das Sombras

No próximo encontro de almas e letras, o Bruxo do Cosme Velho voltará a tratar das ausências — porque, na Corte, a ausência é uma forma refinada de presença.

  • O ausente como protagonista: Haddad e o diretor da PF, praticando a abstenção aristocrática.
  • A moita do advogado: a arte de estar presente sem ser visto, invisível ao povo e audível ao poder.
  • O teorema da conveniência: quando o silêncio fala mais alto que o samba.

O verdadeiro desfile não aconteceu na avenida, mas no corredor de sombras que liga o camarote ao poder.


O Mar Não Tem Cabelo

(Crônica ao estilo de Rubem Braga)

Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma e só encontra espuma.

A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos códigos, relatorias, protocolos. Mas o Brasil é um agosto eterno. Um mês pesado, onde a história insiste em se escrever antes de ser lavada.

O barquinho de papel não aguentou o mar. A bossa virou transe. O transe virou costume. E o costume é essa maré que sempre volta para buscar o que é dela.

Aqui, entre o Espírito Santo da infância e o Rio da maturidade cansada, peço só uma coisa: que não percamos a poesia da moenda.

O mar não tem cabelo. Mas enquanto houver um samba para cantar no convés, a gente segue navegando. Mesmo que seja para lugar nenhum.

S Paratodos (clipe oficial) - Chico Buarque

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

👆Alegoria de elogios: Bajulação sim, homenagem questionável!

Janja desiste de desfilar em apresentação que homenageia Lula | Mônica Bergamo Rádio BandNews FM 👆Alegoria de elogios Bajulação sim, homenagem questionável! ria antes DE ACABAR DE CONTAR A PRÓPRIA PIADA E ANTES QUE O OUVINTE A TIVESSE ASSIMILADO. ASCENSO FERREIRA, APUD REINALDO AZEVEDO A frase citada, frequentemente associada a Ascenso Ferreira (1895-1965), poeta modernista pernambucano, é usada para descrever alguém ansioso ou que se diverte com a própria narrativa antes do tempo. Reinaldo Azevedo, em seus comentários políticos na revista Veja (especialmente em 2015, no blog "Reinaldo Azevedo - Veja.com"), citava essa característica para ironizar figuras públicas que se antecipavam ao resultado de suas ações ou tramas. Contexto da Expressão: A "Fama" de Ascenso: O poeta era conhecido por sua personalidade vibrante e, segundo relatos (como o do escritor Urariano Mota), tinha esse traço peculiar de rir de suas piadas antes de concluí-las. Uso por Reinaldo Azevedo: Azevedo adaptou essa imagem para criticar a política, mencionando-a em contextos de "crise institucional" para destacar o desespero ou a "inconsequência" de certos atores políticos que celebravam antes da hora. Em suma, é uma citação de caráter anedótico, muitas vezes empregada no jornalismo opinativo para caracterizar a ansiedade de quem se atrapalha no próprio relato ou ação.
Mônica Bergamo: Janja desiste de desfilar em homenagem a Lula após pressão Primeira-dama recuou para evitar repercussões jurídicas e políticas Por Da redação 16/02/2026 • 09:51 • Atualizado em 16/02/2026 • 09:51 whatsapp facebook twitter Mônica Bergamo: Janja desiste de desfilar em homenagem a Lula após pressão Janja Reprodução/Instagram Resumo da notícia A primeira-dama, Janja Lula da Silva, desistiu de desfilar no carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite deste domingo (15), na Marquês de Sapucaí. A decisão foi tomada após intensa pressão de ministros, que temiam tanto repercussões jurídicas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto um desgaste político da imagem do governo em pleno ano eleitoral. Decisão nos bastidores e justificativa oficial Embora a desistência tenha sido confirmada apenas momentos antes do desfile, a decisão já havia sido tomada por Janja desde a última quinta-feira (12). Segundo a colunista da BandNews FM Mônica Bergamo a informação não foi divulgada para não desmotivar a escola de samba, que contava com a presença da primeira-dama e precisou substituí-la às pressas pela cantora Fafá de Belém. Em nota oficial enviada à imprensa, a assessoria de Janja afirmou que a medida foi um gesto de proteção. “Diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula (...) Janja optou por não desfilar para evitar perseguição da pessoa que ela mais ama na vida”, diz o comunicado. A primeira-dama esteve na concentração para apoiar a agremiação, que classificou como "extremamente corajosa". Homenagem sob o olhar do TSE Mônica avalia que a preocupação do Planalto tem fundamento no fato de estarmos em um ano eleitoral. Antes do carnaval, o Tribunal Superior Eleitoral, ao analisar uma tentativa de barrar o enredo, decidiu por não aplicar censura prévia, mas avisou que o desfile não era um "salvo-conduto" e que estaria de olho em qualquer ato que pudesse ser enquadrado como campanha antecipada. O temor de uma ação judicial levou não apenas Janja, mas também ministros e deputados a recuarem da participação. O presidente Lula compareceu ao Sambódromo e assistiu à homenagem de um camarote, ao lado da primeira-dama. Outros familiares do presidente, como a neta Bia Lula, que não possuem vínculo direto com a administração do governo, participaram do desfile em carros alegóricos. Tópicos relacionados Luiz Inácio Lula da Silva Governo Federal Janja Carnaval Rio de Janeiro HBN1 Mais lidas Após pular Carnaval na BA, Lula acompanha desfile no RJ em sua homenagem Drones provocam fechamento no aeroporto de Guarulhos e voos são suspensos Voo para Lisboa aborta decolagem no aeroporto de Guarulhos (SP) Rússia criou vacina contra o câncer? Veja o que se sabe Obama reage pela primeira vez a vídeo racista publicado por Trump Bandeirantes princípio da dignidade da pessoa humana cf/ 88 O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana é um dos pilares centrais da República Federativa do Brasil, estabelecido expressamente no Artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Ele atua como um valor supremo que informa e justifica a existência de todo o ordenamento jurídico, servindo de base para a proteção dos direitos e garantias fundamentais. Aspectos Principais na CF/88 Fundamento da República: Não é apenas uma regra isolada, mas um dos fundamentos que definem o Estado Democrático de Direito brasileiro. Proteção Integral: Garante as necessidades vitais de cada indivíduo, proibindo que o ser humano seja tratado como um mero objeto ou instrumento pelo Estado ou por terceiros. Eficácia Jurídica: Por ser um princípio constitucional positivo, possui aplicação imediata e deve nortear as decisões de juízes e do Supremo Tribunal Federal (STF). Mínimo Existencial: A jurisprudência brasileira utiliza este princípio para garantir condições materiais básicas para a sobrevivência digna, como saúde, educação e assistência social. Aplicações Práticas Citadas Direito Penal: Proteção da integridade física e moral dos presos, assegurando tratamento humano e preservação da intimidade. Direitos Sociais: Prioridade absoluta na proteção de crianças e adolescentes contra negligência e violência (Art. 227). Justiça Civil: Tratamento equânime entre as partes para que o cidadão não perca seus direitos por falta de meios ou conhecimentos técnicos. O princípio é considerado pela ministra Cármen Lúcia (STF) como o "princípio mais importante" da Constituição, pois sem o seu cumprimento pleno não existe democracia real. Sim, a Lei Federal nº 6.454, de 24 de outubro de 1977, promulgada durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), proíbe em todo o território nacional atribuir nome de pessoa viva a bem público de qualquer natureza pertencente à União ou às entidades da administração indireta. Aqui estão os pontos principais sobre essa legislação e sua aplicação na época: Conteúdo da Lei (1977): A lei proíbe o uso de nomes de pessoas vivas em prédios, rodovias, repartições públicas, logradouros, etc.. Finalidade: A medida visava restringir a promoção pessoal de agentes públicos ou autoridades, alinhando-se à impessoalidade na administração pública. Proibição em Placas: Além dos nomes, a lei proíbe a inscrição de nomes de autoridades ou administradores em placas indicadoras de obras ou em veículos da administração pública direta ou indireta. Contexto: Embora o regime militar (1964-1985) tenha homenageado figuras do próprio regime em diversos logradouros, essa lei específica de 1977 regulamentou a proibição de homenagens a pessoas vivas. Vigência Atual: Essa lei federal continua válida e é complementada pelo artigo 37 da Constituição Federal de 1988, que reforça os princípios da moralidade e impessoalidade na administração pública, proibindo a promoção pessoal. Apesar da norma federal, o Poder Judiciário tem anulado tentativas de municípios que tentaram criar leis próprias permitindo homenagens a pessoas vivas, reafirmando a validade da Lei nº 6.454/77.

Saveiros e Cantador como Onda em Mar Sem Cabelo

Saveiros e Cantador como onda em mar sem cabelo "Um dia o sonho acaba, eu estou esperando ele acabar." Elis Regina Fascinação Fascinação Elis Regina Os sonhos mais lindos sonhei De quimeras mil, um castelo ergui E no teu olhar, tonto de emoção Com sofreguidão, mil venturas previ O teu corpo é luz, sedução Poema divino, cheio de esplendor Teu sorriso prende, inebria e entontece És fascinação, amor Teu sorriso prende, inebria e entontece És fascinação, amor Composição: M. de Feraudy / F.D. Marchetti.
Umberto na pele do querido Padre Romão, conhecido em toda cidade (Foto: Globo/Caiuá Franco) Esta é uma crônica escrita ao estilo de Rubem Braga, o "Sabiá da Crônica", trocando a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola.
Amanhecer poético na cidade carioca O Mar Não Tem Cabelo Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão, e a razão dos velhos marinheiros é coisa que código nenhum de jurista consegue revogar: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma, mas só encontra a espuma do que passou. A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos Códigos Civis, relatorias no Supremo, protocolos de palácio. Mas o Brasil, meu caro, é um agosto eterno. É o mês em que o ar fica pesado no Catete e o "ancião precoce" de 71 anos decide que só o tiro no peito é capaz de parar o moinho. Agenor, o nosso Cartola, andava por aqueles corredores de vassoura na mão, vendo a história ser escrita com sangue antes de ir lavá-la com o balde. Ele sabia, com aquela discrição de quem já nasceu sabendo, que o mundo ia triturar tudo. Depois veio o barquinho de papel do João. Uma leveza de bossa que parecia dizer: “agora o mar é nosso, é manso”. Doce ilusão de quem nunca viu Glauber Rocha entrar em transe. O barquinho de João Gilberto não aguentou o mar de Caymmi — aquele mar que exige o corpo do pescador como tributo. A Bossa virou Cinema Novo, e o cinema virou esse transe que a gente ainda vive hoje, onde as Excelências se alteram e os advogados flanam com a elegância de quem sabe que a justiça, no fim, é uma farsa que se repete para não virar tragédia de vez. Vejo o Osmar Prado, o ator, encarnando o morto longevo de 54 no pátio de um sindicato de 2018. É a mesma cena, mudam-se os figurinos, mas o mar... ah, o mar continua sem cabelo. A gente tenta segurar no leme do Mensalão I, do Mensalão II, das anulações e das relatorias, mas a maré sempre volta para buscar o que é dela. Aqui do meu canto, entre o Espírito Santo da minha infância e o Rio dessa minha maturidade cansada, eu só peço uma coisa: que a gente não perca a poesia da moenda. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja um pó de estrela, ou o pó de café que agora esfria na minha xícara. O mar não tem cabelo, é verdade. Mas enquanto houver um samba do Agenor para cantar no convés, a gente vai navegando. Mesmo que seja para lugar nenhu Saveiros Nana Caymmi - Tema Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. (In: A educação pela pedra) Viu ao só e cantou o Como Uma Onda Tim Maia Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará A vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo no mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora Há tanta vida lá fora, aqui dentro Sempre como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará A vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo no mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora Há tanta vida lá fora, aqui dentro Sempre como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Composição: Lulu Santos / Nelson Motta. Saveiros Dori Caymmi Nem bem a noite terminou Vão os saveiros para o mar Levam no dia que amanhece As mesmas esperanças Do dia que passou Quantos partiram de manhã? Quem sabe quantos vão voltar? Só quando o Sol descansar E se os ventos deixarem Os barcos vão voltar Quantas histórias pra contar? Em cada vela que aparece Um canto de alegria De quem venceu o mar Em cada vela que aparece Um canto de alegria De quem venceu o mar Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta. Igual ao que viu ou o que viu ? Tim Maia viu ao e cantou o ? A confusão comum entre o que as pessoas ouvem e o que o síndico realmente cantou costuma girar em torno da música "Azul da Cor do Mar". Na letra oficial de Azul da Cor do Mar no Letras.mus.br, o verso correto é: "Enquanto outro ri" Muitas pessoas acreditam ouvir "Igual ao que vi" ou variações similares devido à dicção característica e ao balanço do soul de Tim Maia. Outra confusão famosa de "audição" em suas músicas ocorre em "Acenda o Farol", onde internautas brincam que ele diria "send far all" em vez do título em português. Você estava se referindo a esse trecho de "Azul da Cor do Mar" ou a alguma outra pérola do Tim? Saveiros e Cantador como Onda em mar sem cabelo O Cantador Elis Regina Amanhece, preciso ir Meu caminho é sem volta e sem ninguém Eu vou pra onde a estrada levar Cantador, só sei cantar Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor Cantador não escolhe o seu cantar Canta o mundo que vê E pro mundo que vi meu canto é dor Mas é forte pra espantar a morte Pra todos ouvirem a minha voz Mesmo longe ... De que servem meu canto e eu Se em meu peito há um amor que não morreu Ah! se eu soubesse ao menos chorar Cantador, só sei cantar Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta. O Cantador (Dori Caymmi/Nelson Motta) - O ARRANJO #77 Flavio Mendes A parceria entre Dori Caymmi e Nelson Motta foi uma das mais vitoriosas na era de ouro dos festivais, rendendo clássicos imediatos da MPB. Os momentos de maior destaque foram: "Saveiros" (1966): Venceu a fase nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo. Interpretada por Nana Caymmi, a música é famosa por ter recebido a primeira grande vaia da história dos festivais após ser anunciada campeã, já que o público preferia "O Galo Cantou", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. "O Cantador" (1967): Apresentada no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Embora não tenha levado o prêmio principal de composição, a interpretação magistral de Elis Regina rendeu a ela o prêmio de Melhor Intérprete daquela edição. "Cantiga" (1967): Defendida pelo grupo MPB-4 no II Festival Internacional da Canção. A vitória em 1966 foi o ponto de partida para a projeção nacional de Dori como compositor e de Nelson Motta como letrista, consolidando um estilo refinado que unia o lirismo praieiro da família Caymmi ao frescor da nova cena carioca. Você gostaria de saber mais detalhes sobre a polêmica das vaias em "Saveiros" ou sobre outras parcerias de Nelson Motta? Saveiros e Cantador como onda em mar sem cabelo “Um dia o sonho acaba, eu estou esperando ele acabar.” Elis Regina, Fascinação 🎶 Vídeo de abertura Elis Regina – “Fascinação” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=H79A4iV-QsM 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/elis-regina/45673/ Os sonhos mais lindos sonhei De quimeras mil, um castelo ergui… Composição: M. de Feraudy / F. D. Marchetti 🖼️ Imagem 1 Umberto Magnani como Padre Romão 📷 https://s2.glbimg.com/_9FvhpurTAxYlcgAQkwPDn6Cm0k=/0x0:689x465/690x0/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/apis/906fefd4851e40e6865fb15c2e787ea4/257523.jpg Umberto na pele do querido Padre Romão, conhecido em toda cidade (Foto: Globo / Caiuá Franco) 📝 Nota de estilo Esta é uma crônica escrita à maneira de Rubem Braga, o “Sabiá da Crônica”. Troca-se aqui a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola. 🖼️ Imagem 2 Amanhecer poético na cidade carioca 📷 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiA36_JkQiExyC-76RtDHK7ta0QnDpQeoNFxBRbeORiNzN1iaVY2JUMoGUZ1Ye5W8ewVpbCIROB0lUN5GFDnTSft8b5MEhUMLCUmuWTlHMF1ZWp-0yQI336Oa_Yvap4W6qZNpek5r0pfPPysoKlN7R5ett1WKlEZv0vef5Pe4SiB11p1_tWn2znCQBSAAc/s1536/7377b8de-46ae-46e1-b173-f8b913c182ec.png 🌊 O mar não tem cabelo Olho daqui da varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão — e a razão dos velhos marinheiros nenhum código de jurista revoga: o mar não tem cabelo. É liso, vago, abandono azul onde tentamos cravar as unhas da alma e só encontramos espuma do que passou. Inventamos Códigos Civis, relatorias, protocolos de palácio. Mas o Brasil é um agosto eterno. O mês em que o ar pesa no Catete e o ancião precoce decide que só o tiro no peito interrompe o moinho. Cartola — Agenor — varria corredores sabendo que a história seria escrita com sangue antes de ser lavada com balde. Depois veio o barquinho de João Gilberto, prometendo um mar manso. Ilusão. O mar de Dorival Caymmi cobra tributo: exige corpo, exige canto. A Bossa virou Cinema Novo. E o transe continua. Mudam os figurinos, mas o mar — ah, o mar — continua sem cabelo. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja pó de estrela ou pó de café, esfriando agora na xícara. 🎶 Saveiros – tema recorrente 🎥 Vídeo Nana Caymmi – “Saveiros” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=sBwrLFliNJA 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/dori-caymmi/saveiros/ 📜 Poesia em diálogo “Tecendo a manhã” — João Cabral de Melo Neto 🔗 https://www.tirodeletra.com.br/poesia/JoaoCabral-Tecendoamanha.htm Um galo sozinho não tece uma manhã… (In: A educação pela pedra) 🌊 Como uma onda 🎥 Vídeo Tim Maia – “Como Uma Onda” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=gN6tfbapqyM 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/tim-maia/618638/ Composição: Lulu Santos / Nelson Motta Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia… 📝 Nota cultural — “ouvido popular” Há confusões clássicas de audição nas músicas de Tim Maia. Em “Azul da Cor do Mar”, o verso correto é “Enquanto outro ri”, embora muitos ouçam “igual ao que vi”. A dicção e o balanço criaram lendas — parte do charme. 🎶 O Cantador 🎥 Vídeo Elis Regina – “O Cantador” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=LMPqZX7JSOY 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/elis-regina/45680/ Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta Cantador não escolhe o seu cantar Canta o mundo que vê… 🎼 Versão comentada / arranjo Flávio Mendes – O ARRANJO #77 ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=cNEAPwh4Aeo 🏆 Contexto histórico — Festivais da Canção A parceria Dori Caymmi & Nelson Motta marcou a era dos festivais: “Saveiros” (1966) 🏆 Vencedora do Festival Internacional da Canção 🎤 Interpretada por Nana Caymmi 🔔 Primeira grande vaia da história dos festivais “O Cantador” (1967) 🎤 Elis Regina — Melhor Intérprete no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record “Cantiga” (1967) 🎶 Defendida pelo MPB-4 Essa vitória projetou Dori nacionalmente e consolidou Nelson Motta como letrista central da MPB. 🌊 Epílogo Saveiros. Cantador. Onda. O mar não tem cabelo. Mas enquanto houver samba no convés, seguimos navegando — mesmo que seja para lugar nenhum. S

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O MUNDO GIRA, A LUSITANA RODA

Um acento agudo, mas como soa baixo: ACÓRDÃO / acordão / acórdãoa cordão de bola preta
Editorial Entre o Judiciário e a política tradicional, em tempos de Carnaval, o país assiste à coreografia do poder: pactos tácitos, ritos públicos, desfiles simbólicos e disputas narrativas. O Carnaval, como rito de inversão, revela o que o cotidiano tenta esconder. Destaques do Dia — Domingo, 15 de fevereiro de 2026
1) O evangélico no Carnaval do Master Por Vinicius Torres Freire — Folha de S. Paulo Resumo estruturado Relatório da PF sobre Dias Toffoli acelera a organização de um acordão entre parte do Senado e parte do STF. Senadores afirmam que a PF já identificou mais políticos e rastreia transações ligadas ao grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Master). Tensão institucional: suspeitas (sem evidências) de uso político da PF; riscos de CPI do INSS; medo de delações e retaliações. Alinhamentos explícitos: lideranças partidárias defendem Toffoli; direita articula-se com parte do Supremo. Incógnita central: atuação do ministro André Mendonça como possível fator de cola ou ruptura do arranjo. Trecho-chave “O acordão, muita vez tácito ou secreto, torna-se explícito.” Links úteis Reportagem original (Folha de S. Paulo) Dossiê: Caso Master Linha do tempo: PF, STF e Senado
2) O carnaval como rito e sonho não combina com propaganda eleitoral Por Luiz Carlos Azedo — Correio Braziliense Resumo estruturado Desfile da Acadêmicos de Niterói aposta na figura do presidente Lula como metáfora de resiliência popular. Riscos: desfile chapa-branca e campanha antecipada com recursos públicos. Comparações históricas: politização do Carnaval desde Getúlio Vargas. O Carnaval como rito de inversão (Roberto DaMatta) e a ideia da “alma imoral” (Nilton Bonder). Enredos da noite (Sapucaí) Acadêmicos de Niterói — “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” Imperatriz Leopoldinense — “Camaleônico” (Nei Matogrosso) Portela — “O mistério do príncipe do Bará” Mangueira — “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju” Trecho-chave “Carnaval talvez seja o momento em que o corpo e a alma se encontram na transgressão das tradições.” Links úteis Perfil da Acadêmicos de Niterói Especial: Carnaval e Política Vídeo: Desfiles da Sapucaí (transmissão ao vivo/replay)
3) É preciso coragem para limpar o sistema Por Lourival Sant’Anna — O Estado de S. Paulo Resumo estruturado Caso colombiano do Cartel da Toga como referência internacional. Condenações de ex-presidentes da Corte Suprema e operadores do esquema. Criação e fortalecimento de órgão disciplinar para magistrados. Reforma do sistema de Justiça (2025) para agilizar julgamentos e restaurar confiança. Trecho-chave “Na ausência de juízes honestos, é preciso coragem e firmeza para limpar o sistema.” Links úteis Reportagem original (Estadão) Análise comparada: Brasil x Colômbia Documento: Reforma do sistema de Justiça colombiano Cacaso - Jogos Florais [Poema] “Minha terra tem palmares / Sua terra tem coqueiros / Com palmeiras se dão” CACASO: POESIA COMPLETA | Entrevista com Mariano Marovatto Marcos Antônio Terras 29 de set. de 2018 Leitura de "Jogos Florais", poema de Cacaso, encontrado no livro "50 Poemas de Revolta", publicado pela Editora Companhia das Letras - @cialetras Minha terra tem palmeiras onde canto o tico-tico. Enquanto isso o sabiá vive comendo o meu fubá. Ficou moderno o Brasil ficou moderno o milagre: a água já não vira vinho, vira direto vinagre. Minha terra tem Palmares memória cala-te já. Peço licença poética Belém capital Pará. Bem, meus prezados senhores dado o avançado da hora errata e efeitos do vinho o poeta sai de fininho. (será mesmo com 2 esses que se escreve paçarinho?) Cultura & Citações Lambada De Serpente “Minha terra tem palmares / Sua terra tem coqueiros” Referências musicais e poéticas Lambada de Serpente Samba-enredo: “Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula” Multimídia Imagens Vídeos sugeridos Desfile da Acadêmicos de Niterói — melhores momentos Imperatriz Leopoldinense: homenagem a Nei Matogrosso Análise política da semana (programa de debate) Conclusão Entre acordos de cúpula e a alma imoral do Carnaval, o Brasil dança no limite entre rito e rotina. O mundo gira, a lusitana roda — e o espetáculo segue, entre togas, fantasias e pactos à meia-luz. Publicação preparada para web Formato: editorial + curadoria de artigos + multimídia Data: 15/02/2026 P Lambada de Serpente Djavan Cifra: Principal (violão e guitarra) Favoritar Cifra Tom: A [Intro] F#m7(11) F#m7(11)/C# E F#m7(11) F#m7(11)/C# E F#m7(11) F#m7(11)/C# E F#m7(11) F#m7(11)/C# E F#m7(11) F#m7(11)/C# E F#m7(11) F#m7(11)/C# E [Primeira Parte] F#m7(11) F#m7(11)/C# E Cuidar do pé de milho F#m7(11) F#m7(11)/C# E Que demora na semente F#m7(11) F#m7(11)/C# E Meu pai disse: "Meu filho F#m7(11) F#m7(11)/C# E Noite fria, tempo quente" [Refrão] A11+ E7M/G# Lambada de serpente F#m7 E A traição me enfeitiçou A11+ E7M/G# Quem tem amor ausente F#m7 E Já viveu a minha dor [Segunda Parte] F#m7(11) F#m7(11)/C# E Do chão da minha terra F#m7(11) F#m7(11)/C# E Um lamento de cor__________rente F#m7(11) F#m7(11)/C# E Um grão de pé de guerra F#m7(11) F#m7(11)/C# E Pra colher dente por dente [Refrão] A11+ E7M/G# Lambada de serpente F#m7 E A traição me enfeitiçou A11+ E7M/G# Quem tem amor ausente F#m7 E Já viveu a minha dor ( F#m7(11) F#m7(11)/C# E ) ( F#m7(11) F#m7(11)/C# E ) ( F#m7(11) F#m7(11)/C# E ) ( F#m7(11) F#m7(11)/C# E ) [Segunda Parte] F#m7(11) F#m7(11)/C# E Do chão da minha terra F#m7(11) F#m7(11)/C# E Um lamento de cor__________rente F#m7(11) F#m7(11)/C# E Um grão de pé de guerra F#m7(11) F#m7(11)/C# E Pra colher dente por dente [Refrão] A11+ E7M/G# Lambada de serpente F#m7 E A traição me enfeitiçou A11+ E7M/G# Quem tem amor ausente F#m7 E Já viveu a minha dor Composição de Cacaso / Djavan. Getúlio Vargas em Ouro Preto e Belo Horizonte (1954) - sem som Em abril de 1954, Getúlio Vargas, então com 71 anos, visitou Ouro Preto em meio ao isolamento político e ao desgaste extremo de seu governo. Sem laudos de senilidade, historiadores apontam sinais claros de cansaço, tensão e pressão psicológica. Acompanhado por Gregório Fortunato, Vargas buscava apoio em Minas, dialogando com Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, numa tentativa de romper o cerco político que culminaria, meses depois, em seu suicídio. Uma das últimas aparições públicas de um presidente no limite da história. Arquivo Nacional 13 de dez. de 2019 Cinejornal produzido pela Agência Nacional mostrando a visita do presidente Getúlio Vargas às cidades de Ouro Preto e Belo Horizonte, para as comemorações do Dia de Tiradentes. As solenidades contaram com a presença de Tancredo Neves, ministro da Justiça e Negócios Interiores, e de Juscelino Kubitschek, governador de Minas Gerais. Cinejornal Informativo n. 19/54 (1954). Arquivo Nacional. Fundo Agência Nacional. BR_RJANRIO_EH_0_FIL_CJI_105
A solução de cibersegurança do General Na tira de 12/02/2026, o General anuncia sua solução “definitiva” de cibersegurança: a máquina de datilografia, imune a invasões digitais. A lógica é perfeita — e deliciosamente anacrônica. O golpe final vem com Dona Santana, que desmonta o argumento com uma pergunta simples e fatal: como enviar um e-mail com isso? Humor afiado como sátira ao tecnosolucionismo simplista e à nostalgia tecnológica travestida de segurança, em tempos de vigilância, vazamentos e “retornos ao analógico”. Até onde vai o caso Epstein? Como está Cuba após queda de Maduro? | Fora da Ordem CNN Brasil Transmitido ao vivo em 13 de fev. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎 Hoje vamos falar sobre os desdobramentos do caso Esptein. Até uma pegadinha do Silvio Santos apareceu nos arquivos envolvendo o magnata, que morreu na prisão em 2019 após ser condenado por crimes sexuais. Também vamos falar sobre a atual situação de Cuba. A ilha – que já sofre embargos há anos – agora está sendo alvo de um bloqueio energético por parte dos EUA. Assista ao vivo, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília) com apresentação de analista de Internacional Lourival Sant’Anna, o analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Deus não desampara

“E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição e não se arrependeu.” — (APOCALIPSE, 2.21)
1 Se o Apocalipse está repleto de símbolos profundos, isso não impede venhamos a examinar-lhe as expressões, compatíveis com o nosso entendimento, extraindo as lições suscetíveis de ampliar-nos o progresso espiritual. 2 O versículo mencionado proporciona uma ideia da longanimidade do Altíssimo, na consideração das falhas e defecções dos filhos transgressores. 3 Muita gente insiste pela rigidez e irrevogabilidade das determinações de origem divina, entretanto, compete-nos reconhecer que os corações inclinados a semelhante interpretação, ainda não conseguem analisar a essência sublime do amor que apaga dívidas escuras e faz nascer novo dia nos horizontes da alma. 4 Se entre juízes terrestres existem providências fraternas, qual seja a da liberdade sob condição, seria o tribunal celeste constituído por inteligências mais duras e inflexíveis? 5 A Casa do Pai é muito mais generosa que qualquer figuração de magnanimidade apresentada, até agora, no mundo, pelo pensamento religioso. Em seus celeiros abundantes, há empréstimos e moratórias, concessões de tempo e recursos que a mais vigorosa imaginação humana jamais calculará. 6 O Altíssimo fornece dádivas a todos, e, na atualidade, é aconselhável medite o homem terreno nos recursos que lhe foram concedidos pelo Céu, para arrependimento, buscando renovar-se nos rumos do bem. 7 Os prisioneiros da concepção de justiça implacável ignoram os poderosos auxílios do Todo-Poderoso, que se manifestam através de mil modos diferentes; contudo, os que procuram a própria iluminação pelo amor universal sabem que Deus dá sempre e que é necessário aprender a receber. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 92 Deus não desampara Pão Nosso #092 - Deus não desampara NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 23 de mar. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
No correr das horas Enquanto a cidade desperta, o jovem permanece. Entre páginas lidas em silêncio, nasce a emoção, a certeza sem dúvida, o primeiro arrebatamento da alma. Aqui, Eurípedes ainda lê — mas já começa a tornar-se missão. (Legenda pensada para acompanhar imagem, não competir com ela.) As horas correm. Lá embaixo, a cidade já se levantou, preguiçosa. O jovem continua a leitura página-a-página. As lições caem-lhe no espírito ávido com naturalidade. Sem os atropelos da dúvida. A segunda parte do livro arranca-lhe incontidas lágrimas de emoção. Jamais sentira em autor algum a alta significação do Amor e da Sabedoria de Deus. “Jamais vi alguém cantar as glórias da Criação com tamanha profundidade e beleza.” Estas palavras de Eurípedes numerosas vezes repetidas, exprimem-lhe o grande respeito votado à obra de Léon Denis. Na Literatura Religiosa, que folheava frequentemente, nunca, até então, encontrara um cérebro que exprimisse a magnificência da Obra Divina, com o brilho e a profundidade desse autor. Com a força suave e bela da Poesia, o filósofo estrutura novo e racional sentido para os atributos de Deus. Quando desceu o morro verdejante, Eurípedes revivia os primeiros arrebatamentos, que a literatura espírita lhe proporcionava e que se repetiriam, no futuro, pelas mãos fraternas de “tio Sinhô”. NOTA – Depoimentos de: José Rezende da Cunha e Edalides M. Rezende – S. Carlos, SP; Viúva Jovino Gonçalves de Araújo – Santa Maria, MG; Ranulfo G. Cunha – Santa Maria, MG; e Amália Ferreira de Mello (arquivo pessoal), desencarnada em Sacramento, MG. Eurípedes – O Homem e a Missão, p. 77
O mandamento maior 4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; – e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: – Mestre, qual o grande mandamento da lei? – Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. – Esse o maior e o primeiro mandamento. – E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, 22: 34 a 40.) 5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. Estudo do Evangelho - Cap. XV - Itens 4 e 5 - O Mandamento Maior Centro Espírita Jesus de Nazare 16 de fev. de 2022 Estudando o "Evangelho Segundo o Espiritismo". Capítulo XV - Fora da Caridade Não Há Salvação. Estudo realizado por Vicente Cardoso e Dr. Francisco Assis.
Confie no seu poder de ação. É pelo agir vigoroso que você mostra a sua grandeza interior.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENTRE A LEI, O JEITO E A BENÇÃO

Portela 1966 Letra e Samba Leo Fernandes G.R.E.S. Portela - Carnaval 1966 Colocação: Campeã do Grupo 1 Enredo: "Memórias de um sargento de milícias" Autor do Samba: Paulinho da Viola A Portela contou a história do romance de Manuel Antônio de Almeida, livro publicado no século 19 que narra a vida de Leonardo, filho de Leonardo Pataca e Maria Hortaliça. O autor deste samba é ninguém menos que Paulinho da Viola. 30 de mai. de 2018
Reflexos de alegria e melancolia ENTRE A LEI, O JEITO E A BENÇÃO O DILEMA DOS JULGAMENTOS NO BRASIL QUE DESFILA SINOPSE OFICIAL DE ENREDO O Brasil desfila entre dois mundos que nunca se separam por completo: o da lei impessoal e o das relações pessoais; o da norma universal e o do jeito particular; o da casa e o da rua. É nesse espaço ambíguo — onde a regra convive com o favor, e a moral pública se negocia nos bastidores da intimidade — que se constrói o nosso modo de julgar, governar e conviver. Este enredo propõe uma leitura antropológica do país, inspirada na tradição interpretativa que vê o Brasil não como exceção caótica, mas como sistema coerente de valores em tensão. Aqui, julgar nunca foi apenas aplicar a lei: sempre envolveu pessoas, histórias, hierarquias, afetos e contextos. A toga, no Brasil, não elimina o indivíduo; ela o veste. Desde o século XIX, quando a ordem moderna tentou se impor sobre uma sociedade moldada por laços pessoais, o país vive um dilema permanente: como conciliar igualdade jurídica com desigualdade social, imparcialidade com proximidade, ética da convicção com ética da responsabilidade? O juiz, o governante, o burocrata e o cidadão são chamados a decidir não apenas entre o certo e o errado, mas entre punir ou proteger, expor ou preservar, aplicar a norma ou salvar a instituição. O desfile avança mostrando que, entre nós, a lei nunca atua sozinha. Ela dialoga com a amizade, com o parentesco, com a reputação, com o medo da desordem e com a obsessão pela harmonia. Assim, conflitos que deveriam ser resolvidos por regras abstratas tornam-se dramas morais, onde a aparência pesa tanto quanto a substância, e onde a legitimidade depende não apenas da decisão, mas do modo como ela é percebida. Nesse cenário, o poder tende a se personalizar, e a institucionalidade corre o risco de se confundir com protagonismo. Quando isso ocorre, a confiança — esse bem invisível que sustenta tanto a democracia quanto a economia — entra em erosão. Não se trata apenas de legalidade, mas de credibilidade; não apenas de julgamentos corretos, mas de julgamentos reconhecidos como justos. É então que o enredo encontra o Carnaval — não como festa, mas como metáfora maior da sociedade brasileira. O Carnaval sempre foi o tempo da inversão, da máscara, do fingimento autorizado. Porém, quando a exceção vira regra e a máscara nunca mais cai, o ritual perde sua função. Se todos os dias são Carnaval, já não há Quarta-Feira de Cinzas. A vida pública transforma-se em espetáculo permanente, e o segredo — fundamento da confiança — desaparece. Mas o samba resiste. Porque o samba, como a própria cultura brasileira, nasce da tristeza que balança, da dor que pensa, da crítica que canta. Ele não zomba da vida: reza. Reúne ética e emoção, razão e corpo, regra e compaixão. O samba lembra que não há justiça sem humanidade, nem instituição forte sem autocontenção. Este enredo, portanto, não acusa nem absolve. Interpreta. Convida o público a reconhecer-se nesse espelho coletivo, onde todos somos, ao mesmo tempo, cidadãos da lei e personagens da relação. Entre a banca e a benção, entre o rito e o improviso, o Brasil desfila buscando aquilo que sempre lhe faltou e sempre perseguiu: uma forma justa de julgar sem deixar de ser humano. E assim, ao som do tambor que pensa e da cadência que questiona, a escola leva à avenida a pergunta que atravessa nossa história: Como julgar num país onde a lei quer ser universal, mas a vida insiste em ser pessoal? S SAMBA-ENREDO Entre a Lei, o Jeito e a Benção INTRODUÇÃO (CANTO DE CHAMADA) Saravá, meu Brasil de encruzilhada Entre a casa e a rua, a fé e o papel Se a justiça pesa, que venha benzida Que toda sentença também seja céu PRIMEIRA PARTE No risco do tempo, aprendi a julgar Não é só a regra que ensina a viver Tem nome, tem rosto, tem mão que aperta Tem medo do caos, tem medo de perder Aqui a balança não vive sozinha Divide o espaço com o coração A lei quer ser reta, o povo é curva Entre o certo e o justo, nasce a decisão REFRÃO PRINCIPAL 🎶 Ô dá licença, pede a benção Que julgar também é saber esperar Sem humanidade não há justiça Sem compaixão não dá pra equilibrar Ô dá licença, pede a benção Que a toga não apague o ser Quando a lei encontra o povo É o samba que ensina a ver SEGUNDA PARTE Tem hora que a norma vira espetáculo E o rito esquece sua função Quando a exceção desfila todo dia A máscara gruda na própria mão Carnaval sem cinza perde o sentido Festa sem limite vira prisão Se todo dia é dia de fantasia Quem sustenta a fé na instituição? REFRÃO DO MEIO (CORAL) 🎶 Não é piada, não é brincadeira A vida pede mais que razão Quem samba reza com o corpo inteiro Quem julga carrega a nação TERCEIRA PARTE – A BENÇÃO Peço licença aos que vieram antes À dor que virou canção Ao negro tambor que ensinou à lei Que também se escreve com emoção Benção ao mestre que cantou verdade Sem nunca fugir da dor Porque o samba nasce do povo ferido Mas caminha de pé, cheio de amor REFRÃO FINAL (APOTEÓTICO) 🎶 Ponha mais alma na balança Mais silêncio antes de decidir Que a justiça seja esperança De um dia o Brasil se ouvir Ponha mais alma na balança Mais verdade no ritual Entre a lei, o jeito e a benção Desfila o nosso ideal FINALIZAÇÃO E quando o surdo parar de bater Que reste a lição do refrão: Não há toga forte sem humildade Nem país de pé sem coração S Gaviões da Fiel - Samba-Enredo 1995 Samba-Enredo Composição: Grego. Samba da Bênção Vinicius de Moraes É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não Senão é como amar uma mulher só linda E daí? Uma mulher tem que ter Qualquer coisa além de beleza Qualquer coisa de triste Qualquer coisa que chora Qualquer coisa que sente saudade Um molejo de amor machucado Uma beleza que vem da tristeza De se saber mulher Feita apenas para amar Para sofrer pelo seu amor E pra ser só perdão Fazer samba não é contar piada E quem faz samba assim não é de nada O bom samba é uma forma de oração Porque o samba é a tristeza que balança E a tristeza tem sempre uma esperança A tristeza tem sempre uma esperança De um dia não ser mais triste não Feito essa gente que anda por aí Brincando com a vida Cuidado, companheiro! A vida é pra valer E não se engane não, tem uma só Duas mesmo que é bom Ninguém vai me dizer que tem Sem provar muito bem provado Com certidão passada em cartório do céu E assinado embaixo: Deus E com firma reconhecida! A vida não é de brincadeira, amigo A vida é arte do encontro Embora haja tanto desencontro pela vida Há sempre uma mulher à sua espera Com os olhos cheios de carinho E as mãos cheias de perdão Ponha um pouco de amor na sua vida Como no seu samba Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence A beleza que tem um samba, não Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinicius de Moraes Poeta e diplomata O branco mais preto do Brasil Na linha direta de Xangô, saravá! A bênção, Senhora A maior ialorixá da Bahia Terra de Caymmi e João Gilberto A bênção, Pixinguinha Tu que choraste na flauta Todas as minhas mágoas de amor A bênção, Sinhô, a benção, Cartola A bênção, Ismael Silva Sua bênção, Heitor dos Prazeres A bênção, Nelson Cavaquinho A bênção, Geraldo Pereira A bênção, meu bom Cyro Monteiro Você, sobrinho de Nonô A bênção, Noel, sua bênção, Ary A bênção, todos os grandes Sambistas do Brasil Branco, preto, mulato Lindo como a pele macia de Oxum A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim Parceiro e amigo querido Que já viajaste tantas canções comigo E ainda há tantas por viajar A bênção, Carlinhos Lyra Parceiro cem por cento Você que une a ação ao sentimento E ao pensamento A bênção, a bênção, Baden Powell Amigo novo, parceiro novo Que fizeste este samba comigo A bênção, amigo A bênção, maestro Moacir Santos Não és um só, és tantos como O meu Brasil de todos os santos Inclusive meu São Sebastião Saravá! A bênção, que eu vou partir Eu vou ter que dizer adeus Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence A beleza que tem um samba, não Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração Composição: Baden Powell / Vinícius de Moraes.
CRÉDITOS DE CONTEÚDO Samba-Enredo e Sinopse Oficial 1. CONCEPÇÃO ANTROPOLÓGICA (EIXO CENTRAL) Roberto DaMatta Base conceitual: dualidade casa × rua personalismo × impessoalidade dilemas morais da aplicação da lei no Brasil leitura do julgamento como drama social Obra de referência indireta: O Dilema Brasileiro, Carnavais, Malandros e Heróis (estilo ensaístico, não textual) 2. CONTEXTO INSTITUCIONAL E POLÍTICO-CONTEMPORÂNEO Luiz Carlos Azedo Artigo: A institucionalidade da economia, o caso Master e as duas éticas do STF Veículo: Correio Braziliense Contribuição temática: ética da convicção × ética da responsabilidade (Max Weber) crise de legitimidade institucional confiança pública como ativo democrático Supremo Tribunal Federal Referência institucional indireta, enquanto personagem simbólico do enredo (sem juízo jurídico, apenas leitura cultural e narrativa) 3. LEITURA SOCIOLÓGICA DO CARNAVAL E DA CULTURA BRASILEIRA José de Souza Martins Artigo: Carnaval, a finitude do que éramos Veículo: Valor Econômico Contribuição temática: Carnaval como rito de inversão esvaziado perda da mediação simbólica da Quaresma espetacularização da vida cotidiana fim do segredo, do íntimo e do avesso 4. MATRIZ POÉTICO-MUSICAL (INSPIRAÇÃO ESTÉTICA) Vinicius de Moraes Baden Powell Obra inspiradora: Samba da Bênção Uso: exclusivamente estético-espiritual, não textual Elementos assimilados: samba como oração laica alegria atravessada pela tristeza benção como gesto ético e ancestral crítica à banalização da vida amor como medida da arte 5. MATRIZ CULTURAL AFRO-BRASILEIRA (FUNDO SIMBÓLICO) Tradição do samba de terreiro Ética do axé, da benção e da ancestralidade Samba como forma de pensamento coletivo Justiça como equilíbrio entre força, rito e humanidade (Referências difusas, de domínio cultural coletivo, sem autoria individual) 6. CONTRIBUIÇÃO EDITORIAL E CURATORIAL Organização, filtragem e concatenação temática realizadas a partir de conteúdos jornalísticos, sociológicos, antropológicos e musicais, sob solicitação do usuário, com finalidade artística, cultural e interpretativa. CRÉDITO FINAL DE AUTORIA Samba-Enredo: Entre a Lei, o Jeito e a Benção Letra: original, inédita, criada para este enredo Base conceitual: antropologia social brasileira Natureza: obra autoral inspirada, não derivada DECLARAÇÃO ÉTICA Este samba-enredo: não reproduz versos protegidos, não adapta melodias existentes, não atribui falas a autores reais, e não substitui nem resume obras citadas, servindo exclusivamente como criação original dialogante com tradições culturais e intelectuais brasileiras. S Paulinho da Viola 80 Anos - DVD Completo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O QUE SERÁ — À FLOR DA PELE DO PODER

Caricatura, canção e mal-estar institucional Imagens
Imagem 1 — STJ Caricatura de ministro do Superior Tribunal de Justiça. A figura surge isolada, sob uma nuvem carregada, como quem atravessa um inferno astral silencioso. O rosto não expressa culpa nem defesa, mas pressão — um estado febril em que a crise não encontra repouso nem tradução jurídica imediata.
Imagem 2 — STF Caricatura espelhada de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, sentados lado a lado. Os dois ministros aparecem em vigilância mútua, mais atentos ao peso do poder que compartilham do que ao diálogo explícito. São apontados como resistentes à implantação de um código de conduta, e a imagem traduz essa tensão não em palavras, mas em gestos contidos, sobrancelhas cerradas e silêncio institucional. Legenda comum: Imagem criada • Moraes e Toffoli em caricatura A canção “O Que Será (À Flor da Pele)” — Chico Buarque com participação eterna de Milton Nascimento A canção opera no território do indizível. Não explica, não acusa, não absolve. Nomeia apenas o estado: aquilo que nasce por dentro, sobe ao rosto, perturba o sono e escapa a qualquer tentativa de controle moral, político ou institucional. É o mal-estar que não aceita remédio nem governo. Na voz de Milton Nascimento, esse sentimento ganha dimensão universal. Sua interpretação transforma a canção em experiência corporal e histórica ao mesmo tempo. Não por acaso, ainda nos anos 1980, um aluno peruano, em um cursinho na Avenida Oxford, em Londres, respondeu sem hesitar à provocação do professor: Milton era, para ele, o maior cantor do mundo. Não como idolatria, mas como reconhecimento intuitivo de uma voz que ultrapassa fronteiras, estilos e épocas. Diálogo entre imagem e música As caricaturas e a canção se encontram no mesmo ponto de tensão: o instante em que a forma já não contém o conteúdo. No ministro do STJ, o inferno é solitário — um embate entre biografia, cargo e exposição pública. Nos ministros do STF, o inferno é compartilhado e estrutural — nasce da fricção entre poder e limite, entre permanência e regra, entre autonomia e controle. Assim como na canção, não se trata de um conflito que possa ser resolvido por mandamentos, ritos ou fórmulas técnicas. O que emerge é um estado — algo que aperta o peito, trai o olhar e se manifesta no corpo antes de se tornar discurso. A caricatura, como a música, não sentencia. Ela suspende. Congela o momento em que o poder se revela humano, vulnerável e tensionado, à flor da pele. Referências 🎵 Ouça a canção no YouTube: https://youtu.be/lkRe-6evscY 📝 Letra da música (fonte externa): https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1217237/ Fecho Entre o traço e a voz, entre o jornal e a canção, constrói-se um campo sensível onde o poder deixa de ser abstração e passa a ser experiência. As caricaturas fixam o instante; a música o atravessa no tempo. É nesse intervalo — onde não há repouso, nem disfarce possível — que a arte atua: revelando aquilo que não tem medida, não tem descanso e não aceita silêncio. S