sexta-feira, 29 de maio de 2026

OPERAÇÃO PAPEL CARBONO

O Pacto de Conveniência: Quando Lula e FHC se Uniram pelo Apoio de Bush "Faça o que eu mando, não o que eu faço. Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush."
Opinião do dia - Nicolau Maquiavel* (ricos e pobres) “Tratemos agora do outro aspecto da questão, isto é, vejamos o que ocorre quando um cidadão torna-se príncipe de sua pátria, não por meio de crime ou de outra intolerável violência, mas com a ajuda dos seus compatriotas. O principado assim constituído podemo-lo chamar civil, e para alguém chegar a governá-lo não precisa de ter ou exclusivamente virtude [virtù] ou exclusivamente fortuna, mas, antes, uma astúcia afortunada. Pois bem, a ajuda nesse caso é prestada pelo povo ou pelos próceres locais. É que em qualquer cidade se encontram estas duas forças contrárias, uma das quais provém de não desejar o povo ser dominado nem oprimido pelos grandes, e a outra de quererem os grandes dominar e oprimir o povo. Destas tendências opostas surge nas cidades, ou o principado ou a liberdade ou a anarquia. O principado origina-se da vontade do povo ou da dos grandes, conforme a oportunidade se apresente a uma ou a outra dessas duas categorias de indivíduos: os grandes, certos de não poderem resistir ao povo, começam a dar força a um de seus pares, fazem-no príncipe, para à sombra dele terem ensejo de dar largas aos seus apetites; o povo, por sua vez, vendo que não pode fazer frente aos grandes, procede pela mesma forma em relação a um deles para que esse o proteja com a sua autoridade” *Nicolau Maquiavel (1469-1527) filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico de origem florentina do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política. O Principe (1515), Capitulo lX, p. 45. Editora Martins Afonso, 2014
sexta-feira, 29 de maio de 2026 Decisão dos EUA afetará cooperação internacional contra PCC e CV, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Gakiya, maior autoridade no País no combate ao PCC, e Sarrubbo, que foi chefe do MP-SP, afirmaram que decisão transfere da DEA e do FBI para a CIA o combate às duas facções o que pode impedir a acessos a informações e prejudicar combate ao crime O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o procurador de Justiça e ex-secretário Nacional de Segurança Pública Mário Luiz Sarrubbo afirmaram ao Estadão que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas deve afetar a cooperação internacional para o combate ao narcotráfico, favorecendo criminosos em vez de endurecer o combate ao crime. Isso porque, ao aumentar o nível de risco apresentado pelas duas facções, o governo americano deixa de tratá-las como um caso de polícia e passa a considerá-la um problema militar. A consequência disso é que a Drug Enforcement Agency (DEA), a agência antidrogas americana, e o FBI, a polícia federal americana, deixam de investigar as facções, que passam a ser um problema da CIA, a agência de inteligência americana e das Forças Armadas dos EUA. “”Eu, por exemplo, troco informações toda semana com a DEA e com o FBI e com a transferência para a CIA, isso não vai ocorrer”, afirmou Gakiya. Jurado de morte pelo PCC, Gakiya é a maior autoridade do país no combate à facção paulista, sendo responsável direto por algumas das mais fortes operações contra a o grupo, como a Ethos, a Sharks e a Fim de Linha. Ele também participou das Operações Carbono Oculto e Vérnix. O promotor ressalta que ainda é preciso saber o alcance da medida, que visa bloquear ativos e bens que estiverem nos EUA que pertençam a acusados de participar ou manter relações com as duas facções. “A medida veda a qualquer cidadão americano de transacionar com pessoas e grupos, como o PCC. São sanções de natureza econômica, que podem ter aplicação ampla, vedando o acesso dos atingidos ao sistema financeiro americano. É preciso ainda saber quais seus efeitos imediatos”, afirmou. Gakiya é um dos maiores defensores no País da cooperação internacional. Recentemente, ele foi para a Itália na tentativa de prender a advogada Deolane Bezerra dos Santos, que estava em Roma e era acusada de lavar dinheiro de Marcola. Gakiya apontou ainda outro risco para o País com a classificação. Pela legislação americana, ela autoriza a execução pela CIA pelas Forças Armadas americanas de ações militares em qualquer parte do globo para neutralizar essa ameaça, o que pode levar, ainda que o risco atual seja remoto, a ações no Brasil, violando a soberania do País. “O Departamento de Estado passa a tratar essas organizações como um problema de defesa e não mais de polícia. Sobe para a CIA e a área militar e sai da área policial. Isso permite operações militares até mesmo no Brasil”, disse. O ex-secretário nacional de Segurança concordou com Gakiya. Mário Sarrubo criticou a medida. “Isso é muito ruim para o combate ao crime organizado e, em especial, para algo que o País tem feito muito bem, que é a cooperação internacional, que é o diálogo entre as forças policiais brasileiras e americanas, mas também o diálogo com outras forças dos países vizinhos aqui da América do Sul, da América Latina como um todo”. Sarrubbo trabalhou no combate à corrupção e ao crime organizado quando era promotor. Depois, nomeado procurador-geral de Justiça em São Paulo (2020 a 2024) esteve à frente da instituição durante algumas das principais operações de combate ao PCC, como as Operação Sharks, a primeira a flagrar a lavagem bilionário de recursos do PCC, que incluía remessas de recursos para o Paraguai. Em 2024, a convite do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, assumiu a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), onde participou da elaboração do projeto de lei antifacção, aprovado pelo Congresso em 2025. Segundo ele, “a decisão americana deteriora o sistema de cooperação, porque nós deixaremos de tratar a respeito de facções com DEA e com FBI e passaremos a ter que lidar com a CIA, que não conversa com ninguém”. E completou: “A CIA, efetivamente, não tem diálogo, não conversa com outras agências, de maneira que haverá aí uma deterioração nessa no sistema de cooperação internacional”. Sarrubbo concluiu que “isso (a decisão americana) não traz nada de bom para o Brasil e não qualifica o combate ao crime organizado”. Em 2020, foi com a DEA que prendeu em Moçambique o traficante de drogas Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apontado como o braço-direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), no tráfico internacional de drogas. Sarrubbo, por fim, lembrou ainda que a medida “prejudica o Brasil economicamente”, pois “traz dificuldades para as empresas brasileiras nos Estados Unidos”. Em 2025, tanto Gakiya como Sarrubbo se manifestaram contra a proposta de classificar as facções como terroristas no Brasil também em função do conflito judicial que a medida podia causar, anulando operações e levando à impunidade de criminosos.
quinta-feira, 28 de maio de 2026 Mercado, política e ‘racionalidade’ ideológica, por José Serra O Estado de S. Paulo É legítimo precificar política, mas é ilegítimo vender essa precificação como análise técnica e neutra A divulgação, em 13 de maio, dos áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro produziu uma reação clássica e didática do mercado financeiro brasileiro: dólar a R$ 5,00, com alta de 2,31%, e Bolsa em queda de 1,80%, acompanhados de salto nos juros futuros. Uma plataforma de apostas em previsões que parte da Faria Lima adotou como termômetro do humor político passou a indicar que as chances de Flávio Bolsonaro haviam caído de 44% para cerca de 28%, enquanto Lula assumia o favoritismo com 45%. O episódio expõe, de forma incômoda, o que esse mercado de fato precifica, ficando claro que é muito distante do que alega precificar. A versão oficial dos players do mercado é a do “risco fiscal”, focado na crença de que o governo petista sempre será um perdulário, sem compromisso com o equilíbrio fiscal. Isso já até foi verdade, mas convenhamos que os governos petistas têm sido cada vez mais aderentes ao sistema econômico do ideário conservador. Mas qual seria o problema macroeconômico de perder o candidato Flávio Bolsonaro? Ele nunca apresentou trajetória executiva relevante, não tem um programa econômico articulado nem mesmo uma equipe técnica reconhecida. A realidade, sempre cruel, mostra que a candidatura do senador foi construída menos por méritos individuais e mais pela escolha do ex-presidente Bolsonaro. Este último, ao perder seus direitos políticos pela tentativa de golpe de Estado, optou por um nome que carrega o sobrenome da família, para preservar sua influência e consolidar seu clã. O mercado, que se autodescreve como reino da análise meritocrática, comprou esse “ativo” denominado Flávio sem ter a menor ideia do retorno esperado e agora amarga o prejuízo. Mais revelador é que os players de mercado, aqui no sentido de jogadores mesmo, não se incomodam tanto com o conteúdo das conversas vazadas. Na visão deles, é a contradição entre o que Flávio disse a interlocutores do mercado nos últimos meses, que não tinha qualquer relação com Vorcaro, a quem teria visto pessoalmente apenas uma vez, e o que os áudios revelaram. Ou seja: o pecado capital não é a interlocução com o dono de um banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 nem o pedido exorbitante de R$ 134 milhões para um filme de exaltação familiar. O problema foi ter faltado com a verdade aos seus “clientes”. Uma ética comercial, jamais republicana. Há ainda a curiosa flexibilidade moral desse ambiente. O mesmo ecossistema que exige rigor de conduta das empresas listadas em bolsa, premia boa governança nas avaliações de quanto vale uma companhia e faz sermões ao setor público sobre transparência, abraçou, sem hesitação, um pré-candidato cuja principal credencial era o sobrenome. A reação tardia, apenas após o vazamento, sugere que o filtro ético do “mercado” opera por reputação aparente, não pela análise dos fundamentos. Não dá para esquecer que quem sempre criticou a insegurança jurídica abraçou o “herdeiro do golpe” sem pensar um minuto. O conceito espúrio do site de apostas merece nota à parte. A plataforma já movimenta cerca de US$ 79 milhões no mercado relacionado à eleição presidencial brasileira de 2026, e seus preços passaram a figurar em relatórios de bancos e corretoras como “termômetro” da corrida. Tratar uma casa de apostas em criptomoedas, vulnerável a grandes apostadores que distorcem preços e a amostras que nada têm de representativas do eleitorado, como métrica orientadora de decisões de investimento revela menos sobre o futuro da democracia brasileira do que sobre a fragilidade analítica de uma “indústria” que se diz orientada por dados. É o mercado fabricando seu próprio espelho e nele se enxergando como oráculo. A alta dos juros futuros no dia do vazamento merece um olhar específico. Os juros futuros são, em essência, o preço pelo qual investidores aceitam emprestar dinheiro ao governo brasileiro por prazos que vão de alguns meses a vários anos e funcionam como uma espécie de termômetro do quanto o País inspira confiança lá na frente. Em 13 de maio, nada havia mudado nos fundamentos da economia: a inflação não pulou, o governo não anunciou novos gastos, o Banco Central não sinalizou mudança de rumo, o cenário internacional seguiu sem novidades na instabilidade da guerra. A macroeconomia não mudou, mas o custo de financiamento do País subiu por causa do mau humor. O mundo real é que paga a conta. Não porque o Brasil ficou objetivamente mais arriscado, mas porque um candidato preferido do “mercado” ficou mais frágil. É lamentável que a fronteira entre análise de risco e preferência política seja tão tênue. Só que o mau humor vira perda real para empresas e consumidores. É legítimo precificar política, mas é ilegítimo vender essa precificação como análise técnica e neutra. O áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não revelou apenas um pedido de dinheiro a um banqueiro problemático, mostrou o peso da ideologia na “racionalidade do mercado”.
Antes da hora. Fernando Henrique senta na cadeira do prefeito na véspera da eleição em que perdeu para Jânio Quadros Reginaldo Manente 14/11/1985 / Agência Estado
EM WALL STREET José Dirceu em Nova York, em julho de 2002. Uma viagem para tranquilizar os americanos sobre o PT no poder (Foto: Alcy M. da Silva/Folhapress)
ACERTO Lula e Bush, na Casa Branca, em dezembro de 2002. A cooperação mais estreita da história diplomática de Brasil e EUA (Foto: Paul J. Richards/AFP)
A OBRA Esta narrativa traz fragmentos de 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush (Editora Objetiva) (Foto: Divulgação)
O AUTOR Matias Spektor é professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (Foto: )
Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca Viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro com aliados ideológicos de Trump. Membros da comitiva disseram que documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. Por Túlio Amâncio, TV Globo e g1 26/05/2026 17h50
O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump na Casa Branca, em 26 de maio de 2026Foto: Reprodução Flávio chegou aos EUA na segunda-feira (25). A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Eduardo está nos EUA há mais de um ano. No Brasil, ele é alvo de investigação e atua politicamente no exterior, principalmente com aliados de Trump. Também é citado em apurações sobre suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras “Lulopetismo terceirizou para Flaviopelismo ‘pegação no pé’”, para todos os próceres 'A palavra “populismo” refere-se a uma tal diversidade de fenômenos, movimentos políticos e regimes que dificilmente seriam compreensíveis na mesma rubrica.' "Por que José Dirceu pôde desembarcar em Wall Street, enquanto Fernando Gabeira — seu libertador no sequestro do embaixador americano — até hoje não conseguiu essa concessão dos governantes americanos?" A diferença de tratamento ocorre porque José Dirceu viajou aos Estados Unidos em missão diplomática e de negócios como ex-Ministro da Casa Civil, enquanto Fernando Gabeira teve seus vistos negados pelo Departamento de Estado dos EUA devido à aplicação estrita da lei de imigração americana, que proíbe a entrada de envolvidos em atos classificados como terroristas, como o sequestro do embaixador Charles Elbrick em 1969.
O ex-ministro José Dirceu (PT) declarou apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo ou ao Senado nas eleições, reforçando o nome do ministro da Fazenda como opção competitiva no estado. Dirceu também defendeu a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial com Lula (PT), destacando a aliança política que venceu a última disputa.#3em1 José Dirceu nos EUA: Diplomacia: Na condição de presidente nacional do PT e principal articulador político, Dirceu visitou Wall Street, bancos de investimento e autoridades em Washington em 2002. A viagem buscou apaziguar o mercado financeiro e governantes americanos sobre as propostas econômicas do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Segurança Nacional: Vistos diplomáticos ou de negócios (como o de trânsito) são emitidos mediante avaliação de interesse do governo americano, podendo ser concedidos mesmo a pessoas com antecedentes controversos para garantir canais de diálogo político e relações de Estado. Fernando Gabeira e os EUA: Lei de Imigração: Por ter participado diretamente da logística do sequestro do embaixador dos EUA no Brasil em 1969, Gabeira foi enquadrado sob a seção da lei americana que barra a entrada de estrangeiros que cometeram ou participaram de atos de violência política contra cidadãos ou representantes diplomáticos do país. Vistos Negados: O ex-deputado teve solicitações negadas em múltiplas ocasiões (como em 1996 e 1998). Mesmo com o apelo de diplomatas e parlamentares, o governo dos Estados Unidos manteve a restrição sob a justificativa legal de proteger a segurança interna. Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões Música | Quero Morrer na Portela - Zé Ketti Mônica Bergamo: Lula faz reunião com ministros para avaliar resposta aos EUA Rádio BandNews FM 29 de mai. de 2026 O Governo Federal ainda estuda uma resposta para os Estados Unidos depois que o Departamento de Estado americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo a apuração da colunista Mônica Bergamo, o presidente Lula se reúne hoje (29) com ministros, para descobrir como agir.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OS PACIENTES DELES VÊM E VÃO

A Banca do Distinto Dolores Duran Não fala com pobre Não dá mão a preto Não carrega embrulho Pra que tanta pose, doutor? Pra que esse orgulho? A bruxa, que é cega Esbarra na gente E a vida estanca O enfarto lhe pega, doutor E acaba essa banca A vaidade é assim, põe o bobo no alto E retira a escada Mas fica por perto Esperando sentada Mais cedo ou mais tarde Ele acaba no chão Mais alto o coqueiro Maior é o tombo do coco, afinal Todo mundo é igual Quando o tombo termina Com terra por cima E na horizontal Composição: Billy Blanco. "LAUDO EPILOGAL AO MODO ABADIANAMIAL: "DA MINHA PARTE NÃO HÁ NADA MAIS A FAZER" DEIXANDO O BOLEIRO COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA: BOA OU MÁ NOTÍCIA? No jargão médico sutil e quase literário — evocando o estilo de um grande mestre da semiologia e da patologia, como se o clássico patologista Prof. Abadias Anami [1] (ou uma fusão de mestres da medicina brasileira) estivesse assinando o documento —, a frase "Da minha parte não há nada mais a fazer" colocada em um laudo epilogal é a clássica falsa má notícia . Para o boleiro que lê o papel com a pulga atrás da orelha, a resposta direta é: é uma EXCELENTE notícia . Maria Rita e Elis Regina Encontros e Despedidas ELIS, A IMORTAL 18 de jan. de 2025 Compositores: Milton Nascimento/Fernando Brant Vídeos utilizados: Documentário 130 anos da Ferrovia Paranaguá/Curitiba by Sie Entertainment L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat (1895) by Cine All
________________________ BEM PENSADO / "O que é verdadeiro não vai, permanece " Nicholas Sparks Encontros e Despedidas Milton Nascimento Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica Me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando Coisa que gosto é poder partir sem ter planos Melhor ainda é poder voltar quando quero Todos os dias é um vai e vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai, quer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar E assim chegar e partir São só dois lados da mesma viagem O trem que chega é o mesmo trem da partida A hora do encontro é também despedida A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar, é a vida A hora do encontro é também despedida A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar, é a vida Composição: Fernando Brant, Milton Nascimento. Encontros e Despedidas Maria Rita Sueño con serpientes (part. Chico Buarque) Silvio Rodriguez Ainda não temos a cifra desta música. Contribua! Hay hombres que luchan un día y son buenos Hay otros que luchan un año y son mejores Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos Pero hay los que luchan toda la vida Esos son los imprescindibles Sueño con serpientes, con serpientes de mar Con cierto mar, ay, de serpientes sueño yo Largas, transparentes, y en sus barrigas llevan Lo que puedam arrebatarle al amor Oh, la mato y aparece una mayor Oh, con mucho más infierno en digestión No quepo en su boca, me trata de tragar Pero se atora con un trébol de mi sien Creo que está loca: Le doy de masticar una paloma e la enveneno de mi bien Oh, la mato y aparece una mayor Esta afin me enguye, y mientras por su esofago Paseo, voy pensando en qué vendrá Pero se destruye cuando llego a su estomago Y planteo con un verso una verdad Oh, la mato y aparece una mayor Silvio Rodriguez canta "Sueño Con Serpientes" no programa "Chico e Caetano", em 1986 na TV Globo. Silvio Rodriguez - Sueño Con Serpientes - Programa Chico e Caetano - 1986 - Rede Globo
CENA ÚNICA Cenário: Interior do departamento médico de última geração na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Paredes brancas reluzentes, macas estofadas, telas de computador exibindo gráficos biomecânicos e exames de imagem. Ao fundo, uma grande janela de vidro revela a névoa característica da Região Serrana fluminense cobrindo os campos de treino. Personagens: NEYMAR JR. (34 anos): Camisa 10 da Seleção Brasileira. Veste o uniforme oficial de treino (calção azul e camiseta amarela). Está sentado na maca, com expressão tensa, encarando o próprio tornozelo e a panturrilha direita. DOUTOR (50 anos): Chefe do departamento médico da CBF. Veste calça esportiva escura, jaleco branco com o escudo da CBF bordado no peito e carrega um tablet nas mãos. Expressão serena, mas firme. (O som ambiente é o bipe sutil de um aparelho de ultrassom. O DOUTOR entra na sala olhando fixamente para a tela do tablet. NEYMAR levanta a cabeça imediatamente.) NEYMAR (Ansioso, ajeitando o boné para trás) E aí, Doutor? Abre o jogo. Dá para ir para o sacrifício na terça-feira ou o bicho pegou de verdade? DOUTOR (Aproxima-se da maca com passos calmos, suspirando de leve) Ney, senta direito primeiro. Deixa a perna relaxada. Acabei de receber o laudo completo e comparei com a imagem que fizemos ontem aqui na Granja. NEYMAR (Bate com a mão na coxa) Eu conheço meu corpo, Doc. Tá inchado, tá dolorido para apoiar o calcanhar, mas com uma infiltração e uma boa bandagem eu corro. Copa do Mundo não dá para assistir da arquibancada. DOUTOR (Mostra a tela do tablet para Neymar, apontando para uma mancha escura na imagem) Olha aqui. Isso não é só o edema inflamatório que você sentiu no campo. Está vendo essa descontinuidade na transição do gastrocnêmio medial? Bem aqui, perto do tendão. É uma lesão muscular de Grau 2. NEYMAR (Muda o semblante, o tom de voz cai) Grau 2... Ruptura? DOUTOR Ruptura parcial. Cerca de trinta por cento das fibras do músculo da panturrilha foram afetadas. Se eu colocar uma infiltração em você e te jogar em campo na terça, esse tecido rasga por completo. Aí viramos Grau 3, caso cirúrgico, e o seu ano acaba aqui. NEYMAR (Passa a mão pelo rosto, frustrado. Olha para a janela, observando o campo de treino encoberto pela fumaça) Quatro semanas de preparação aqui em Teresópolis, no frio, voando nos treinos... para o músculo travar no primeiro pique do jogo principal? Não faz sentido, Doutor. Minha cabeça tá boa, eu aguento a dor. DOUTOR (Põe a mão no ombro de Neymar, com empatia profissional) Eu sei que você aguenta. O problema não é a sua mente, é a física. Com a panturrilha lesionada, seu cérebro vai tentar proteger a perna direita de forma automática. Sabe o que acontece? Você muda a pisada. Transfere todo o impacto do arranque para o joelho esquerdo ou para o tornozelo que a gente já operou. É a biomecânica cobrando a conta. NEYMAR (Olha para o chão, balançando a cabeça) E o tempo? Me dá o número real. Quanto tempo na fisioterapia até eu poder pelo menos calçar a chuteira? DOUTOR Em alto rendimento, trabalhando em três turnos aqui na Comary, com plasma e laser de alta intensidade, nós conseguimos cicatrizar esse colágeno de forma segura em três a quatro semanas. Menos que isso é utopia. É o tempo de curar a estrutura. NEYMAR (Aperta as mãos, pensativo, depois olha fixamente para o médico) A final é daqui a exatamente vinte e cinco dias. Se o grupo segurar a onda na fase de grupos e no primeiro mata-mata... eu jogo a final? DOUTOR (Dá um meio sorriso, realista, mas encorajador) Se você se entregar cem por cento ao protocolo que eu desenhar agora, sem pular nenhuma etapa na piscina e na academia... eu te entrego para o treinador na semana da final. Mas o trabalho começa agora. Gelo e repouso absoluto hoje. Fechado? NEYMAR (Solta o ar com força, resignado, e estende a mão para o médico) Fechado, Doutor. Liga os aparelhos. Se é para operar milagre, a Granja Comary é o lugar certo. (O DOUTOR aperta a mão de Neymar, liga o monitor do aparelho de fisioterapia ao lado da maca e a luz da sala diminui levemente.) FIM DA CENA

terça-feira, 26 de maio de 2026

“Lulopetismo terceirizou para Flaviopelismo ‘pegação no pé’”, para todos os próceres

'A palavra “populismo” refere-se a uma tal diversidade de fenômenos, movimentos políticos e regimes que dificilmente seriam compreensíveis na mesma rubrica.'
Fios do Tempo. Por uma crítica do populismo em nome de mais (e não menos) democraciapor Felipe Maia “Zema: Votar no Flávio é entregar a eleição a Lula “ Trump vai dar um cano em Flávio Bolsonaro? | Meio-Dia em Brasília - 26/05/2026 O Antagonista Transmissão ao vivo realizada há 7 horas Meio-Dia em Brasília | 2026 O programa Meio-Dia em Brasília desta terça-feira, 26, fala sobre o possível encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump nos Estados Unidos e comenta a fala tresloucada de Valdemar Costa Neto que entregou Flávio Bolsonaro. Além disso, o jornal também aborda a tramitação da PEC que acaba com o regime de trabalho 6x1, sobre as chances de ela ser aprovada até o final do ano e detalha a operação da PF que mirou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Assista:
O lulopetismo terceirizou para o flaviopelismo a ‘pegação no pé’ contra Romeu Zema, servindo de alerta para todos os próceres da política mineira. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reagiu estrategicamente às movimentações de bastidores e disparou contra a potencial candidatura ao Senado do deputado estadual Cleitinho Azevedo e de seus aliados alinhados ao espectro de direita tradicional. Em tom de forte aviso aos seus correligionários e líderes partidários durante reunião em Belo Horizonte, Zema foi categórico ao desenhar o cenário de polarização: Quem votar em Flávio Bolsonaro entregará eleição para Lula, diz Zema | CNN 360º
Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca Viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro com aliados ideológicos de Trump. Membros da comitiva disseram que documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. Por Túlio Amâncio, TV Globo e g1 26/05/2026 17h50 Atualizado há um minuto O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. A imagem do encontro foi divulgada pelo próprio parlamentar em uma rede social. Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio pretendia abordar dois assuntos com Trump: a classificação de facções como organizações terroristas e a garantia plena da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, uma bandeira comum entre os dois. Mais tarde, em coletiva de imprensa, Flávio disse que pediu a Trump para que as facções criminosas Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas. O senador também disse que prometeu ao republicano incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito. A coalizão, criada pelos EUA com países sul-americanos, tem como foco o combate ao crime organizado e combater interferências estrangeiras. Flávio também disse que conversou com Trump sobre tarifas e terras raras. Ainda segundo Flávio, Trump perguntou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, atitude que ele classificou como um “gesto humano”. O parlamentar afirmou ainda ter recebido do presidente americano uma “challenge coin”, uma espécie de moeda militar comemorativa. Membros da comitiva disseram ao g1 que a reunião com Trump foi rápida. Segundo relatos, documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. Flávio, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entraram apenas para tirar uma foto com o presidente antes de deixarem o local. Uma outra fonte relatou que Trump não chegou a se levantar para receber os brasileiros. Na coletiva, Flávio afirmou que ficou reunido bastante tempo com Trump. Segundo ele, a comitiva brasileira permaneceu por cerca de uma hora e meia na Casa Branca.
O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump na Casa Branca, em 26 de maio de 2026 — Foto: Reprodução Flávio chegou aos EUA na segunda-feira (25). A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Eduardo está nos EUA há mais de um ano. No Brasil, ele é alvo de investigação e atua politicamente no exterior, principalmente com aliados de Trump. Também é citado em apurações sobre suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras. Busca por agenda positiva Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump — Foto: Divulgação Com o encontro, Flávio Bolsonaro tentou desviar o foco da agenda negativa que atingiu a campanha nas últimas semanas, segundo o blog do Valdo Cruz. A divulgação da proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou as intenções de voto de Flávio, de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha. Nas simulações de primeiro turno, o senador recuou de 35% para 31%, uma queda de quatro pontos percentuais. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, oscilou de 38% para 40%. Com isso, a diferença entre os dois passou de três para nove pontos percentuais. Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio apareciam empatados com 45%. Na pesquisa mais recente, o petista foi a 47%, enquanto o senador recuou para 43%, abrindo uma vantagem de quatro pontos percentuais.
O Assunto NATUZA NERY A direita e o bolsonarismo diante do abalo na candidatura de Flávio Donald Trump Eduardo Bolsonaro Estados Unidos Flávio Bolsonaro
Prata da Casa II ✨ Com Kendra Freitas, Edinho Coimbra, Beto Oliveira, Giovanni Vitral, Ismael Torrano e Nathan Duarte. 📅 De 28/05 a 26/07/2026 🎉 Abertura: 28/05/2026, às 18h 📍 Galeria Irineu Lomar Bar Filezinho Grill Praça Menelick de Carvalho, 146
Jornalista Cláudio de Oliveira 1 d · O CRESCIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL É A MELHOR POLÍTICA SOCIAL Lembro-me de uma entrevista do economista Marcelo Nery, um conhecido especialista em pobreza, na qual ele afirmava que um dos fatores mais relevantes para a diminuição da miséria no Brasil foi o crescimento médio de 4% do PIB nos governos Lula, de 2003 a 2010. Com esse nível de crescimento, houve formalização recorde da mão de obra, com contratações com carteira assinada, com ganhos importantes para o trabalhador além de um salário fixo, como o 13º salário, férias remuneradas e FGTS. Importantes não só para o trabalhador, como também para colocar a economia em movimento. Lembro-me de que li, em 2013, reportagens sobre a falta de mestres de obras em São Paulo, apesar de as empresas de construção civil ofertarem salários de R$ 5 mil, em média, um ótimo salário para a época, o que seria hoje algo em torno de R$ 10 mil. O Nordeste do Brasil, tradicional fornecedor de mão de obra da área, crescia a taxas elevadas. Em Pernambuco, graças ao crescimento econômico puxado pelas obras do Porto de Suape, os mestres de obras recebiam salários equivalentes aos de São Paulo e, assim, não viam motivos para deixar o seu estado. CRESCER E DISTRIBUIR Marcelo Nery não afiança a tese de Delfim Netto de que é preciso fazer o bolo crescer para depois distribuir. É preciso crescer e ao mesmo tempo distribuir, até porque o crescimento econômico depende também do consumo das famílias, para o que é necessária a elevação da renda. Ou seja, distribuição. RECESSÕES E POBREZA Em fins dos anos 1960 e início dos anos 1970, sob o comando de Delfim Netto, o Brasil cresceu a taxas elevadas, mas pouco distribuiu. E há um dado muito importante: o “milagre econômico” foi feito sem poupança interna, baseado em capitais externos. Ou seja, sem bases permanentes. Com a segunda crise do petróleo em 1979 e a alta dos juros internacionais, a dívida externa do Brasil explodiu e o país entrou em um dos mais longos e profundos períodos recessivos de sua história, entre 1981 e 1983. A retração da economia foi de 8,5% do PIB, segundo o Comitê de Datação dos Ciclos Econômicos, da Fundação Getúlio Vargas. Os anos 1980 ficaram conhecidos como a década perdida. Houve aumento da pobreza. Segundo o CODACE/FGV, o outro ciclo recessivo profundo e duradouro aconteceu entre o 2. Trimestre de 2014 e o 4. Trimestre de 2016, com queda de 8,2% do PIB. Com a recessão, milhões de brasileiros voltaram à pobreza. O desemprego chegou a atingir 14 milhões de pessoas. Moro na Barra Funda, ao lado do Bom Retiro, um bairro de comércio de São Paulo. Foi desolador ver quarteirões quase inteiros de lojas fechadas. Segundo a quase unanimidade dos economistas, uma das principais causas da recessão de 2014–2016 foi a crise da dívida pública, gerada pelo aumento das despesas acima da taxa de crescimento econômico a partir do segundo mandato de Lula. A crise da dívida levou a presidente Dilma Rousseff a cortar gastos sociais em até 87%. (1) Sem crescimento econômico, não há o que distribuir. POUPANÇA INTERNA Pelo que tenho lido, a poupança interna de um país vem de três grandes fontes: 1) Famílias Quando as pessoas guardam dinheiro aplicando em poupança e/ou em investimentos, exigindo renda além das necessidades imediatas. O FGTS é uma espécie de poupança compulsória e permite financiar habitação popular, saneamento básico, infraestrutura urbana e proteção ao trabalhador. 2) Empresas Quando empresas reinvestem parte do lucro e ampliam a capacidade produtiva. 3) Governo Quando o setor público arrecada mais do que gasta em despesas correntes, gera superávit fiscal e investe em vez de consumir toda a receita. China e Coreia do Sul são exemplos de países de grande poupança interna, cerca de 40% e 30% do PIB, respectivamente. A do Brasil está entre 15% e 18%. A poupança interna condiciona a capacidade de investimento de um país e, portanto, o seu crescimento econômico e a possibilidade de erradicação da pobreza. ELEIÇÕES Penso que as pessoas de responsabilidade devem cobrar de candidatos, partidos e lideranças projetos de desenvolvimento para o país. Como eles pretendem fazer para um crescimento sustentável, caminho sólido e duradouro para o fim da pobreza e o financiamento do Estado do Bem-estar Social determinado pela Constituição de 1988. O Brasil precisa sair da armadilha do baixo crescimento e de espasmos de expansão econômica em períodos eleitorais. Cláudio de Oliveira, jornalista e cartunista. NOTA 1- Programas sociais têm cortes de até 87% com Dilma. O Globo, 1.mai.2016. https://oglobo.globo.com/.../programas-sociais-tem-cortes... Foto: Marcelo Nery, divulgação/FGV

segunda-feira, 25 de maio de 2026

De Carta em Carta: "Na Cadência do Samba"

Os Poetas, os Prosadores e o Mistério Oculto nas Quatro Linhas "Confesso que o Futebol me aturde porque não sei chegar até o seu Mistério." — Carlos Drummond de Andrade No dia 3 de janeiro de 1971, nas páginas do prestigiado jornal italiano Il Giorno, o cineasta e intelectual Pier Paolo Pasolini eternizou o histórico ensaio intitulado "Il calcio ‘è’ un linguagem con i seus poeti e prosatori" ("O futebol 'é' uma linguagem com os seus poetas e prosadores"). Utilizando como pano de fundo a mítica final da Copa do Mundo do México entre Brasil e Itália, o diretor de obras-primas como Mamma Roma e Teorema teceu uma das mais belas e profundas definições da história da literatura esportiva mundial. " Na Cadência Do Samba/ Que Bonito É " - (Luiz Bandeira) - Nelson Gonçalves LeCommedieDellArte 12 de jul. de 2014 Na Cadência Do Samba (Que Bonito É ) - Nelson Gonçalves ( Luiz Bandeira ) Samba representa uma Nação Samba, orgulho da gente Retrato de um povo De alma e coração Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Que bonito é Ver um samba no terreiro Assistir a um batuqueiro Numa roda improvisar Que bonito é A mulata requebrando Os tambores repicando Uma escola a desfilar Que bonito é Pela noite enluarada Numa trova apaixonada Um cantor desabafar Que bonito é Gafieira salão nobre Seja rico ou seja pobre Todo mundo a sambar O samba é romance O samba é fantasia O samba é sentimento O samba é alegria Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Que bonito é Ver um samba no terreiro Assistir a um batuqueiro Numa roda improvisar Que bonito é A mulata requebrando Os tambores repicando Uma escola a desfilar Que bonito é Pela noite enluarada Numa trova apaixonada Um cantor desabafar Que bonito é Gafieira salão nobre Seja rico ou seja pobre Todo mundo a sambar O samba é romance O samba é fantasia O samba é sentimento O samba é alegria Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também ---------------------------- Presentação da Carta Encíclica “Magnifica Humanitas”, 25 de maio de 2026 – Papa Leão XIV VASCO 0 X 3 BRAGANTINO | MELHORES MOMENTOS | 17ª RODADA DO BRASILEIRÃO 2026 | ge.globo ge tv 24 de mai. de 2026 #Brasileirão #Vasco #Bragantino Bragantino passeia contra o Vasco fora de casa e cola no G-4 do Brasileirão Rodriguinho, Pitta e Fernando marcam em grande atuação dos paulistas. Vascaínos ficam a dois pontos da zona de rebaixamento
📰 CRÔNICA DOS BASTIDORES CELESTIAIS Por Aníbal Teodoro Serviço Especial para o Diário dos Gramados BRAGANÇA PAULISTA — Os ecos do retumbante três a zero aplicado pelo esquadrão do Bragança sobre o onze alvinegro de São Januário ainda fazem tremer as estruturas do Velho Continente e, pelo que se ouve nas altas esferas, também as do próprio firmamento. Nosso correspondente de além-túmulo relata que o camarote celestial transformou-se em verdadeiro campo de batalha retórica. O Dr. Eurico Miranda, benemérito e irascível timoneiro das caravelas cruzmaltinas, esbravejou contra os astros, a arbitragem e as leis da física. De charuto partido ao meio pela precisão dos lances bragantinos, o icônico cartola carioca bradou aos quatro ventos que o prélio fora fruto de uma conspiração de proporções interplanetárias. Para o Dr. Eurico, nem o gênio de Romário ou a elegância de Bebeto seriam capazes de aplacar a astúcia do "energético voador". Do outro lado da mesa, refestelado em sua poltrona de ouro e munido de seu indefectível rádio de pilha, o paulistano Nabi Abi Chedid sorria com a bonomia dos justos e dos vitoriosos. Com a fidalguia que lhe era peculiar nos momentos de triunfo, o patrono do Bragança desdenhou dos cobres da aposta legalmente firmada. — “Toma lá teus trocados, Eurico! Guarda-os para o frete das caravelas, pois a alegria de ver o Massa Bruta dar tamanho vareio não há ouro no mundo que pague” — teria dito o prócer de Bragança, enquanto devolvia o saco de patacas ao rival. A charge que hoje ilustra nossa edição imortaliza o exato instante em que o pragmatismo bandeirante dobrou o orgulho da Colina. O futebol, senhores, continua sendo a mais bela das óperas — mesmo quando encenada acima das nuvens. O Gol Mais Bonito das Copas? A Obra-
A cena ilustra a atmosfera nostálgica das transmissões esportivas do século XX, com o microfone em punho apontado para o gramado do Estádio Sales de Oliveira na histórica Rua Santa Terezinha. Pelas amplas janelas de madeira da cabine da PRB3, localizada acima da Tribuna de Honra, observa-se a exata geografia descrita em suas crônicas: a imponente elevação do Morro do Imperador posicionada à esquerda e, na extremidade direita, a densa Mata do Klabenck margeando o leito sinuoso do Rio Paraibuna. 📰 SUPLEMENTO ESPECIAL: O PALPITAR DAS GERAIS Por Aníbal Teodoro Crônica das Três Fronteiras Futebolísticas EPÍGRAFE “Moreira Salles manjava dos paranauês, Salgado dos auês. Eu torcia mesmo era para o Tupy Football Club!” ⚽ A Essência do Futebol Romântico A frase, lapidada com a precisão de um chute de trivela no ângulo do Estádio Sales de Oliveira, na histórica Rua Santa Terezinha, resume com perfeição a alma do verdadeiro torcedor das Alterosas. Enquanto os grandes magnatas das finanças e os barões dos bastidores dividiam-se entre os cifrões bilionários do eixo Rio-São Paulo e as articulações políticas das federações, o coração do colunista — e de toda uma estirpe de românticos da bola — batia ritmado pelo Carijó de Juiz de Fora. 🎙️ O Clamor que Vem das Ondas do Rádio Lá do alto, acima da Tribuna de Honra, onde o estúdio da lendária PRB3 serve de sentinela para o espetáculo, a voz empolgada do narrador ecoava pelas janelas abertas. Olhando para a esquerda, a imponência do Morro do Imperador abençoava o gramado; à direita, a densa Mata do Klabenck emoldurava o curso sinuoso do Rio Paraibuna. Era desse cenário idílico que a crônica esportiva ganhava vida, capturando o suor, o drama e a glória do futebol raiz. 🐓 A Resistência do Galo Carijó Nem os "paranauês" bancários das SAFs paulistas, nem os "auês" midiáticos das diretorias cariocas. A verdadeira paixão reside na mística do manto alvinegro fincado no coração de Minas Gerais. Para quem conhece o peso da tradição centenária, nenhum placar celestial ou aposta entre cartolas de Bragança e da Colina brilha mais do que o brio e a raça do querido Tupy Football Club. No tabuleiro do futebol moderno, os reis passam, as fortunas flutuam e os estádios mudam de nome, mas o Galo Carijó permanece eterno, gravado na memória de quem viveu a era de ouro do futebol juiz-forano. BRASIL 4 X 1 ITÁLIA - FINAL DA COPA DE 1970 - GOLS E MELHORES MOMENTOS SportSZone 2 de out. de 2020 REVEJA FINAL DA COPA DE 1970, BRASIL CAMPEÃO EM CIMA DA ITÁLIA EM UM GRANDE JOGO. Sinfonia Subversiva: O Mistério de 1970 — Uma sinfonia subversiva sob a sombra dos Atos Institucionais? Talvez. Olhar para a final de 1970 no Estádio Azteca é enxergar o Brasil em sua mais dolorosa dualidade. Vivíamos sob o manto pesado do AI-5, o ápice do autoritarismo do regime militar. João Saldanha — militante comunista e jornalista audaz — fora escalado em 1969 não para impor a disciplina da caserna, mas para resgatar a dignidade técnica e a arte do nosso futebol após o fiasco da Copa de 1966. Saldanha caiu antes do México por não se curvar aos ditames dos generais, mas as suas "Feras" fincaram as raízes daquela revolução lírica operada no gramado. — E as engrenagens da propaganda oficial? Elas funcionavam a pleno vapor na pátria de chuteiras. O General Emílio Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, posava com seu indefectível rádio de pilha, instrumentalizando o ufanismo. No campo, o lateral-esquerdo Everaldo representava o Sul pelo Grêmio. Mas o futebol insiste em driblar a história oficial. O goleiro Félix, embora eternizado em suas origens na Portuguesa de Desportos, já defendia as cores do Fluminense. O Canindé paulistano, aliás, margeia o Rio Tietê, distante da Favela do Canindé (onde Audálio Dantas descobriu os diários de Carolina Maria de Jesus e que deu lugar à Marginal), mas o eco da periferia invisibilizada subia aos céus a cada defesa. — No gramado do Azteca, o adversário era o espelho do passado. A Itália que o Brasil enfrentava já não era a Azzurra fascista de Benito Mussolini das Copas de 1934 e 1938, mas sim uma República democrática. Ainda assim, o peso do confronto carregava o drama dos velhos impérios. E foi ali, na cadência do toque de bola, que o mistério se fez carne. — A jogada começa no recuo, na calmaria que antecede a tempestade. Tostão, o gênio do Cruzeiro das Alterosas, recua a bola. Ela chega a Clodoaldo. O garoto da Vila Belmiro, com as meias arriadas em pura picardia moleque, carregava nas costas o número 5. Um número que, fora dos estádios, silenciava o país; mas que, sob as traves mexicanas, virou o algarismo do drible. Clodoaldo limpou quatro italianos com a naturalidade de quem desfaz nós cegos. A bola correu limpa até Rivelino, o reizinho do Parque São Jorge, que com suas meias também desabadas, achou Jairzinho na esquerda.— O ápice da geometria poética. Jairzinho acionou Pelé na entrada da área. O Rei, com a clarividência dos deuses, não olhou. Apenas rolou a bola para o vazio da ala direita. Carlos Alberto Torres, o "Capita", surgiu como uma força da natureza e soltou uma bomba cruzada. A bola estufou as redes e voltou ao gramado. Tostão, o operário daquela pintura coletiva que acompanhara o lance desde a defesa, correu para dentro da meta e chutou a bola novamente contra o fundo da rede azul — um desabafo visceral, o ponto final na obra de arte tecida pela camisa amarelinha. Foi o triunfo da beleza em tempos estranhos. Uma crônica escrita com os pés, onde a rebeldia vestiu a farda do talento para libertar, ainda que por noventa minutos, um povo aprisionado. "Confesso que o Futebol me aturde porque não sei chegar até o seu Mistério." (Carlos Drummond de Andrade)
Il calcio "è" un linguaggio con i suoi poeti e prosatori (di Pier Paolo Pasolini)* foto pasolini Nel dibattito in corso sui problemi linguistici che artificialmente dividono letterati da giornalisti e giornalisti da calciatori sono stato interrogato da una gentile giornalista per l'Europeo: ma le mie risposte sul rotocalco sono risultate un po' menomate e fioche (per via delle esigenze giornalistiche!). Siccome l'argomento mi piace, vorrei ritornarci sopra con un po' di calma e con la piena responsabilità di ciò che dico. Che cos'è una lingua? "Un sistema di segni", risponde nel modo oggi più esatto, un semiologo. Ma questo "sistema di segni" non è solo necessariamente una lingua scritto-parlata (questa qui che usiamo adesso, io scrivendo, e tu, lettore, leggendo). I "sistemi di segni" possono essere molti. Prendiamo un caso: io e tu, lettore, ci troviamo in una stanza dove sono presenti anche Ghirelli e Brera, e tu vuoi dirmi di Ghirelli qualcosa che Brera non deve sentire. Allora non puoi parlarmi per mezzo del sistema di segni verbali: devi per forza adottare un altro sistema di segni: per esempio, quello della mimica: allora cominci a torcere gli occhi, a fare delle boccacce, ad agitare le mani, ad accennare dei gesti coi piedi ecc. ecc. Sei il "cifratore" di un discorso "mimico" che io decifro: ciò significa che possediamo in comune un codice "italiano" di un sistema di segni mimico. Ci sono ventidue "podemi". Un altro sistema di segni non verbale è quello della pittura; o quello del cinema; o quello della moda (oggetto di studi di un gran maestro in questo campo, Roland Barthes) ecc. ecc. Il gioco del football è un "sistema di segni"; è, cioè, una lingua, sia pure non verbale. Perché faccio questo discorso (che voglio poi schematicamente proseguire)? Perché la querelle che pone uno contro l'altro il linguaggio dei letterati e quello dei giornalisti è falsa. E il problema è un altro. Vediamo. Ogni lingua (sistema di segni scritti-parlati) possiede un codice generale. Prendiamo l'italiano: io e tu, lettore, usando questo sistema di segni, ci comprendiamo, perché l'italiano è un nostro patrimonio comune, "una moneta di scambio". Ogni lingua, però, è articolata in varie sottolingue, di cui ognuno possiede un codice: e allora gli italiani medici si comprendono fra loro - quando parlano il loro gergo specializzato - perché ognuno di essi conosce il sottocodice della lingua medica; gli italiani teologi si comprendono fra loro perché possiedono il sottocodice del gergo teologico, ecc. ecc. Anche la lingua letteraria è una lingua gergale che possiede un sottocodice (in poesia, per es., invece di dire "speranza" si può dire "speme", ma ognuno di noi non si meraviglia di questa cosa buffa, perché è a conoscenza che il sottocodice della lingua letteraria italiana richiede e ammette che in poesia si usino latinismi, arcaismi, parole tronche ecc. ecc.). Il giornalismo non è un ramo minore della lingua letteraria: per comprenderlo noi ci valiamo di una specie di sottocodice. In parole povere, i giornalisti altro non sono che degli scrittori, che, per volgarizzare e semplificare concetti e rappresentazioni, si valgono di un codice letterario diciamo - per restare in campo sportivo - di serie B. Anche il linguaggio di Brera è di serie B rispetto al linguaggio di Carlo Emilio Gadda e di Gianfranco Contini. E quello di Brera è forse il caso più dignitosamente qualificato del giornalismo sportivo italiano. Non esiste dunque conflitto "reale" tra scrittura letteraria e scrittura giornalistica; è questa seconda, che, ancillare com'è sempre stata, esaltata ora dal suo impiego nella cultura di massa (che non è popolare!!), accampa pretese un po' superbe, da parvenue. Ma veniamo al football. Il football è un sistema di segni, cioè un linguaggio. Esso ha tutte le caratteristiche fondamentali del linguaggio per eccellenza, quello che noi ci poniamo subito come termine di confronto, ossia il linguaggio scritto-parlato. Infatti le "parole" del linguaggio del calcio si formano esattamente come le parole del linguaggio scritto-parlato. Ora, come si formano queste ultime? Esse si formano attraverso la cosiddetta "doppia articolazione" ossia attraverso le infinite combinazioni dei "fonemi": che sono, in italiano, le 21 lettere dell'alfabeto. I "fonemi" sono dunque le "unità minime" della lingua scritto-parlata. Vogliamo divertirci a definire l'unità minima della lingua del calcio? Ecco: "Un uomo che usa i piedi per calciare un pallone" è tale unità minima: tale "podema" (se vogliamo continuare a divertirci). Le infinite possibilità di combinazione dei "podemi" formano le "parole calcistiche"; e l'insieme delle "parole calcistiche" forma un discorso, regolato da vere e proprie norme sintattiche. I "podemi" sono ventidue (circa, dunque, come i fonemi); le "parole calcistiche" sono potenzialmente infinite, perché infinite sono le possibilità di combinazione dei "podemi" (ossia, in pratica, dei passaggi del pallone tra giocatore e giocatore); la sintassi si esprime nella "partita", che è un vero e proprio discorso drammatico. I migliori dribblatori del mondo. I cifratori di questo linguaggio sono i giocatori, noi, sugli spalti, siamo i decifratori: in comune dunque possediamo un codice. Chi non conosce il codice del calcio non capisce il "significato" delle sue parole (i passaggi) né il senso del suo discorso (un insieme di passaggi). Non sono né Roalnd Barthes né Greimas, ma da dilettante, se volessi, potrei scrivere un saggio ben più convincente di questo accenno, sulla "lingua del calcio". Penso, inoltre, che si potrebbe anche scrivere un bel saggio intitolato Propp applicato al calcio: perché naturalmente, come ogni lingua, il calcio ha il suo momento puramente "strumentale" rigidamente e astrattamente regolato dal codice e il suo momento "espressivo". Ho detto infatti qui sopra come ogni lingua si articoli in varie sotto lingue, in possesso ciascuna di un sottocodice. Ebbene, anche per la lingua del calcio si possono fare distinzioni del genere; anche il calcio possiede dei sottocodici, dal momento in cui, da puramente strumentale, diventa espressivo. Ci può essere un calcio come linguaggio fondamentalmente prosastico e un calcio come linguaggio fondamentalmente poetico. Per spiegarmi, darò - anticipando le conclusioni - alcuni esempi: Bulgarelli gioca un calcio in prosa: egli è un "prosatore realista"; Riva gioca un calcio in poesia: egli è un "poeta realista". Corso gioca un calcio in poesia: ma non è un "poeta realista": è un poeta un po' maudit, extravagante. Rivera gioca un calcio in prosa: ma la sua è una prosa poetica, da "elzeviro". Anche Mazzola è un elzevirista, che potrebbe scrivere sul "Corriere della Sera": ma è più poeta di Rivera; ogni tanto egli interrompe la prosa, e inventa lì per lì due versi folgoranti. Si noti bene che tra la prosa e la poesia non faccio distinzione di valore: la mia è una distinzione puramente tecnica. Tuttavia intendiamoci; la letteratura italiana, specie recente, è la letteratura degli "elzeviri": essi sono eleganti e al limite estetizzanti; il loro fondo è quasi sempre conservatore e un po' provinciale... insomma, democristiano. Fra tutti i linguaggi che si parlano in un Paese, anche i più gergali e ostici, c'è un terreno comune: che è la "cultura di quel Paese: la sua attualità storica. Così, proprio per ragioni di cultura e di storia, il calcio di alcuni popoli è fondamentalmente in prosa: prosa realistica o prosa estetizzante (quest'ultimo è il caso dell'Italia): mentre il calcio di altri popoli è fondamentalmente in poesia. Ci sono nel calcio dei momenti esclusivamente poetici: si tratta dei momenti del "goal". Ogni goal è sempre un'invenzione, è sempre una sovversione del codice:ogni goal è ineluttabilità, folgorazione, stupore, irreversibilità. Proprio come la parola poetica. Il capocannoniere di un campionato è sempre il miglior poeta dell'anno. In questo momento lo è Savoldi,. Il calcio che esprime più goal è il calcio più poetico. Anche il "dribbling" è di per sé poetico (anche se non "sempre" come l'azione del goal). Infatti il sogno di ogni giocatore (condiviso da ogni spettatore) è partire da metà campo, dribblare tutti e segnare. Se, entro i limiti consentiti, si può immaginate nel calcio una cosa sublime, è proprio questa. Ma non succede mai. È un sogno (che ho visto realizzato solo nei "Maghi del pallone" da Franco Franchi, che, sia pure a livello brado, è riuscito a essere perfettamente onirico). Chi sono i migliori "dribblatori" del mondo e i migliori facitori di goal? I brasiliani. Dunque il loro calcio è un calcio di poesia: ed esso è infatti tutto impostato sul dribbling e sul goal. Il catenaccio e la triangolazione (che Brera chiama geometria) è un calcio di prosa:esso è infatti basato sulla sintassi, ossia sul gioco collettivo e organizzato: cioè sull'esecuzione ragionata del codice. Il suo solo momento poetico è il contropiede, con l'annesso "goal" (che, come abbiamo visto, non può che essere poetico). Insomma, il momento poetico del calcio sembra essere (come sempre) il momento individualistico (dribbling e goal; o passaggio ispirato). Il calcio in prosa è quello del cosiddetto sistema (il calcio europeo): il suo schema è il seguente: catenaccio --> triangolazioni --> conclusioni Il "goal"in questo schema, è affidato alla "conclusione", possibilmente di un "poeta realistico" come Riva, ma deve derivare da una organizzazione dei gioco collettivo, fondato da una serie di passaggi "geometrici" eseguiti secondo le regole del codice (Rivera in questo è perfetto: a Brera non piace perché si tratta di una perfezione un po' estetizzante, e non realistica, come nei centrocampisti inglesi o tedeschi). Il calcio in poesia è quello del calcio latinoamericano: il suo schema è il seguente: discese concentriche --> conclusioni Schema che per essere realizzato deve richiedere una capacità mostruosa di dribblare (cosa che in Europa è snobbata in nome della "prosa collettiva"): e il goal può essere inventato da chiunque e da qualunque posizione. Se dribbling e goal sono i momenti individualistici poetici del calcio, ecco quindi che il calcio brasiliano è un calcio di poesia. Senza far distinzione di valore, ma in senso puramente tecnico, in Messico è stata la prosa estetizzante italiana a essere battuta dalla poesia brasiliana. * Da Il giorno, 3 gennaio 1971 Tutti i libri di Pier Paolo Pasolini torna all'inizio | home |

domingo, 24 de maio de 2026

A Grande Arte

"Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver" 'É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides'
#tbt❤️ A GRANDE ARTE, filme de Walter Salles Jr. #petercoyote #izaeirado #waltersallesjr #waltersalles #videofilmes @videofilmes_produtora 1 – Sou da imprensa anterior ao copy desk. (...) Na redação não havia nada da aridez atual e pelo contrário: – era uma cova de delícias. O sujeito ganhava mal ou simplesmente não ganhava. Para comer, dependia de uma vale utópico de cinco ou dez mil-réis. 2 – Mas tinha a compensação da glória. Quem redigia um atropelamento julgava-se um estilista. E a própria vaidade o remunerava. Cada qual era um pavão enfático. Escrevia na véspera e no dia seguinte via-se impresso, sem o retoque de uma vírgula. Havia uma volúpia autoral inenarrável. E nenhum estilo era profanado por uma emenda, jamais. (RODRIGUES, 2007, p. 138) _________________________ 21 Fischer (2009, p. 66) O REACIONARISMO DE NELSON RODRIGUES A PARTIR DE SEUS TEXTOS MÊMORE-CONFESSIONAIS
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
A difícil arte da frente ampla - Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática 7:00 AM · 24 de mai de 2026 https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/a-dificil-arte-da-frente-ampla/ 📸Nelson Almeida/AFP
domingo, 24 de maio de 2026 A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques O Estado de S. Paulo Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço. O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo. Esse confronto, que facilitaria a ascensão do fascismo e do nazismo, só teria um primeiro remédio com as frentes populares dos anos 30. É que, além de unificar os dois ramos do movimento operário, elas se abriram a outras tradições incontornáveis, como o catolicismo político, o socialismo liberal e o republicanismo. Quanto mais amplas, maior o potencial democrático, prefigurando as forças aliadas vitoriosas na guerra que se seguiria. Situações desse tipo não se limitavam a uma parte do mundo. Sob outras formas, mostravam-se também num Brasil em processo de modernização. Os anos 30, entre nós, viram o confronto entre integralistas e comunistas – sob o olhar implacável de Vargas. Inserida no amplo guarda-chuva da Aliança Nacional Libertadora, a esquerda comunista contribuiria para “o maior movimento popular do País, o mais charmoso e encantador”, segundo Ruy Castro, cuidadoso biógrafo da vida cotidiana de um Brasil em mutação (Trincheira tropical, Companhia das Letras). Encerrada em si mesma, tomando a nuvem por Juno, aquela esquerda se perderia numa aventura militarista nascida para fracassar. Três décadas depois, a modernização inconclusa ganharia impulso com uma segunda ditadura, não casualmente chamada de “o Estado Novo da União Democrática Nacional (UDN)”. Liberais e democratas, até alguns que apoiaram o regime no momento inicial, coerentemente se afastaram, fiéis ao seu compromisso doutrinário. Entre os opositores mais declarados, duramente perseguidos, se renovaria a estratégia de frente – o imaginário dos anos 30 era, efetivamente, duro de morrer. E os comunistas do Partido Comunista Brasileiro (PCB), talvez marcados a ferro e fogo pela memória do putsch de 1935, logo formularam a ideia de uma frente ampla, pacífica e democrática. O regime haveria de ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha urbana ou da guerra popular prolongada. A formulação era exata, como foi comprovado pela tortuosa marcha dos fatos, mas a força que a apresentara vivia um declínio irreversível. Havia sabedoria na “moderação na adversidade”, bem como na convicção de que buscar o centro político não implicava fazer a política de um centro sem alma. A ação prática era a mais adequada, mas tinha como limite a visão de mundo própria de quem nascera sob o signo da revolução dos sovietes e dele não se libertara. Ficou, no entanto, uma semente frágil – a ideia de que a democracia “burguesa” devia perder de vez o adjetivo desabonador e, ao contrário, afirmarse como “valor universal” ou “permanente”. Quase quatro décadas à frente, a estrutura do mundo – e do nosso país – tomou rumos inesperados, eis que a História costuma ser dama inconstante. Vivemos agora no coração da pós-modernidade ou da hipermodernidade. Discussão conceitual à parte, o fato é que entre os especialistas, com raras exceções, generalizou-se o tema da “recessão democrática” e da corrosão interna de algumas das mais tradicionais sociedades abertas. No nosso canto do mapa, é certo que, em 2018, o Brasil “dobrou à direita”, para usar a expressão de Jairo Nicolau, e ainda hoje se vê às voltas não com uma direita democrática – fundamental para a normal alternância de forças no poder –, mas com outra que se convencionou chamar de “iliberal” ou “antiliberal”. Essa qualificação revela que o alvo bem nítido dos distintos autoritarismos contemporâneos são os variados mecanismos propriamente liberais que limitam a concentração autocrática do mando. A soberania popular, toscamente invocada (“só o povo é supremo”), encarna-se contraditoriamente na figura do líder com permissão para atropelar todas as regras (“eu autorizo”), inclusive procedimentos eleitorais. O demos, aqui, é massa de indivíduos controlados pelo alto – uma circunstância que faz lembrar os acontecimentos de um século atrás. Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática. Para decifrá-lo, deve ter a ambição de assimilar criticamente os pontos fortes do liberalismo. Fincar pé nas próprias verdades e fechar-se ao debate/embate com essa e outras correntes significa comportar-se como alma bela. Mais do que isso, significa desistir da reconstrução de um horizonte comum, composto de luta e conciliação, afirmação de interesses particulares e preocupação com a casa de todos. *Tradutor e ensaísta, coeditor das ‘Obras’ de Gramsci no Brasil Nem monstros, nem idiotas: um debate sobre a geopolítica atual Brazil Journal 21 de mai. de 2026 Publicado em: 16/04/2025 “É a primeira vez que vejo um jornalista ocidental realmente tentando entender e não pinçando frases para nos tratar como monstros ou como idiotas.” A frase dita por um ex-agente do serviço secreto paquistanês a Lourival Sant’Anna é uma das lembranças do jornalista que, indo a campo, se tornou um especialista em geopolítica. Em 36 anos de profissão, Lourival realizou coberturas em 80 países - muitos em guerra. Um de seus livros é Minha guerra contra o medo: o que o risco de morte ensina sobre a vida. “É impossível analisar um país sem ter estado lá e feito contato com as pessoas.” Neste episódio, ele fala sobre a política externa de Donald Trump - “baseada no improviso” e guiada por uma visão de mundo “transacional, mercantil” - e sobre a guerra na Faixa de Gaza, criticando a atuação da imprensa brasileira. “Parece um jogo de eu sou contra ou sou a favor. Zero ou um.” Para Lourival, a imprensa israelense “é muito mais aberta e profunda”. “É mais fácil criticar Israel sendo um israelense dentro de Israel do que no Brasil.” Disponível também no Spotify. Assista no Brazil Journal: https://braziljournal.com/play/nem-mo... A Grande Arte - a estreia do Walter Salles! https://www.google.com/search?gs_ssp=eJzj4tTP1TcwrazKLjBg9OJNVEgvSsxLSVVILCpJBQBqcghY&q=a+grande+arte&rlz=1C1VDKB_pt-PTBR1068BR1068&oq=A+GRANDE+ARTE&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEC4YgAQyBwgAEC4YgAQyDAgBEEUYORjjAhiABDIHCAIQLhiABDIHCAMQLhiABDIHCAQQLhiABDIHCAUQABiABDIHCAYQABiABDIHCAcQABiABDIHCAgQABiABDIHCAkQABiABNIBCDQxMTFqMGo3qAIIsAIB8QVLuI1pDgqRCvEFS7iNaQ4KkQo&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:5ac00489,vid:tntlectwCX8,st:0 Velha Guarda da Portela - Você Não é Tal Mulher / Para O Bem Do Nosso Bem Você Não É a Tal Mulher - Para o Bem do Nosso Bem Velha Guarda da Portela Como que é, compadre Casquinha Vamos lembrar da Nossa Velha Guarda da Portela? Vamos sim, Monarco, vamos lembrar da nossa história Uma longa história É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides Você não é a tal mulher Você não é não, ah meu bem A dona do meu coração Vou vivendo com você Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Você não é Você não é não, ah meu bem A dona do meu coração Eu vou vivendo Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Vou vivendo com você por viver E assim eu vou andando até ver Agora vamos lembrar de um professor O nosso cantor Alvaiade Mestre Alvaiade Então você puxa aquele samba dele Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Vou-me embora em silêncio Chega de me aborrecer Quando o gênio não combina Na vida não há prazer Mas o teu segredo Não vou contar a ninguém Teu amor me meteu medo E pior arranjar outro alguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Não fique triste Isso é normal Quantos casais separados Isso é muito natural Vou-me embora vou-me embora Por este mundo sem fim Nosso gênio não combina Não posso viver assim Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém (Rapaziada, era assim que nos domingos de manhã La na Porteliha a gente fazia aquele pagode Uma garrafinha de cana, garrafa de cerva Algumas garrafas de caca, cabrito frito E a gente tomando tomando cana e cantando esse pagode Cantinho, que saudade, que saudade!) Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Eu não direi o que se passou entre nós Eu não direi para o bem do nosso bem Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém Composição: Alvaiade, Alcides, Malandro Histório.
📰 EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA ÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA 📍 Rio de Janeiro, 24 de maio de 2026 DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026 O fio condutor que une Graciliano Ramos e Luiz Sérgio Henriques Por um Redator de Copydesk da Velha Guarda Especial para o Última Hora RIO — As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como uma fênix teimosa, iluminam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se dizia nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o ofício do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964. O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas. Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela. Ao aproximarmos Graciliano Ramos do ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, percebemos um fio condutor que entrelaça duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com inquietante nitidez, no enigma enfrentado pela esquerda neste domingo de 2026. I. A SENTENÇA DO VELHO GRAÇA Nas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional: “As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direita se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus.” A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos “irmãos-inimigos”. Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses. Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, ainda que marcadas por desconfianças mútuas. Já a extrema-direita preferia o isolamento purista ao convívio com a pluralidade. II. O DIAGNÓSTICO DE 2026: A FRENTE AMPLA COMO ARTE DO POSSÍVEL Quase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, retoma esse mesmo fio. Ele recorda que o antagonismo feroz do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo — erro histórico que só encontrou resposta nas Frentes Populares dos anos 1930. No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda “tomou a nuvem por Juno” —, o PCB pós-64 passou a formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha. Ali germinava uma ideia decisiva: a democracia precisava abandonar o adjetivo “burguesa” para afirmar-se como valor universal. Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma espécie de “recessão democrática”. Desde que o país “dobrou à direita” em 2018, consolidou-se uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o poder. III. A RESULTANTE EM MOVIMENTO: O ENIGMA A DECIFRAR É nesse ponto que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem. A esquerda atual, descrita como “uma mancha ainda indecisa de tendências díspares”, enfrenta o mesmo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca. Para não sucumbir ao isolamento ironizado por Graciliano, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político. Fincar-se em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como “alma bela” — uma pureza estéril que, no fim, abre caminho para a autocracia. EPÍLOGO As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano. As de 2026, porém, permanecem acesas em nossa mesa de redação. O desafio continua o mesmo: construir um horizonte comum, onde luta e conciliação coexistam — e onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos. Se quiser
EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIAÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICARio de Janeiro, 24 de maio de 2026DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026: O FIO CONDUTOR QUE UNE GRACILIANO RAMOS E LUIZ SÉRGIO HENRIQUESPor um Redator de Copydesk da Velha GuardaEspecial para o Última HoraRIO — As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como fênix teimosa, clareiam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se soia dizer nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o papel do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964. O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas.Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela. Ao convolar Graciliano Ramos com o ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, vemo-nos emaranhados em um fio condutor que liga duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com assustadora nitidez, no enigma que a esquerda pós-comunista enfrenta neste domingo de 2026.I. A Sentença do Velho GraçaNas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional:"As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direta se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus."A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos "irmãos-inimigos". Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses. Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, embora guardando desconfianças mútuas. A extrema-direita, por sua vez, preferia o isolamento purista da ponta da ilha ao convívio com a pluralidade.II. O Diagnóstico de 2026: A Frente Ampla como Arte do PossívelQuase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, puxa o mesmo fio da meada. Ele nos lembra de que o feroz antagonismo do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo, um erro que só encontrou remédio nas Frentes Populares dos anos 1930.No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda "tomou a nuvem por Juno" —, o PCB pós-64 tentou formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha. Ali nascia a semente frágil de que a democracia deveria perder o adjetivo "burguesa" para afirmar-se como valor universal.Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma "recessão democrática". Desde que o país "dobrou à direita" em 2018, deparamo-nos com uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o mando.III. A Resultante em Movimento: O Enigma a DecifrarÉ aqui que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem no fechamento desta edição. A esquerda atual, descrita por Henriques como "uma mancha ainda indecisa de tendências díspares", enfrenta o mesmíssimo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca.Para não ser tragada pelo isolamento que Graciliano ironizava, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político. Fincar pé em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como "alma bela" — uma pureza inútil que abre as portas para a autocracia.As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano, mas as de 2026 continuam acesas na nossa mesa de redação. O desafio permanece o mesmo: construir um horizonte comum, composto de luta e conciliação, onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos.