Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
A famosa marchinha de 1934, História do Brasil de Lamartine Babo, ganha uma nova versão focada em Cuba, substituindo o refrão "Foi seu Cabral" por "Foi seu Fidel". A adaptação preserva o ritmo e o humor anacrônico, introduzindo elementos culturais cubanos e celebrando a figura de Fidel Castro.
História de Cuba (Marchinha Adaptada)
Refrão
Quem foi que inventou Cuba?
Foi seu Fidel! Foi seu Fidel!
Num dia primeiro de janeiro,
Com charuto e de chapéu!
Verso 1
Depois Cuba amou o mar,
O mar beijou Havana,
Ao som... Ao som do Guantanamera!
Do Guantanamera ao rum,
Surgiu o Ropa Vieja,
E mais tarde o Daiquiri!
Verso 2
Depois a salsa virou son,
O mambo virou cha-cha-cha,
De lá... Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo do açúcar,
Quem manda é a rumba boa,
E a saúde que curou!
Poucos artistas retrataram o exílio e a fragilidade humana com tanta propriedade quanto Josef Koudelka. O fotógrafo tcheco, nascido em 1938, abandonou a carreira na engenharia para imortalizar momentos decisivos da históriaHistória e Solidariedade
A aproximação do centenário de nascimento de Fidel Castro, em 13 de agosto de 2026, convida à reflexão sobre o seu complexo legado político e as históricas relações entre Cuba e o Brasil.
No plano político-partidário, a relação do líder cubano com a esquerda brasileira nem sempre foi linear. Durante as décadas de 1960 e 1970, o apoio de Havana à luta armada contrastava com a estratégia de resistência institucional e pacífica defendida pela direção tradicional do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
As divergências partidárias, contudo, nunca anularam a profunda solidariedade dos trabalhadores brasileiros, especialmente no campo da cultura, da música e das artes, que historicamente manifestaram apoio à soberania da ilha frente ao isolamento internacional.
Com o fim da ditadura militar e o processo de redemocratização do Brasil, a diplomacia brasileira resgatou sua autonomia na política externa altiva e ativa.
O restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais ocorreu formalmente em 14 de junho de 1986, sob o governo de José Sarney, consolidando um anseio das forças progressistas da Frente Ampla.
Nos anos seguintes, a transição política brasileira continuou a abrir canais de diálogo. Durante o governo de Itamar Franco, o protagonismo de lideranças vindas da tradição comunista, como Roberto Freire, que liderou a transição do antigo PCB para uma linha social-democrata no início dos anos 1990, exemplificou a convivência democrática e institucional no país.
Celebrar esta efeméride a partir do Brasil reafirma o desejo permanente de paz e de autodeterminação dos povos, defendendo que a política e a diplomacia convivam soberanas entre a Terra de Cabral e a Cuba de Fidel.
A famosa marchinha de 1934, "História do Brasil" de Lamartine Babo, ganha uma nova versão focada em Cuba, substituindo o refrão "Foi seu Cabral" por "Foi seu Fidel". A adaptação preserva o ritmo e o humor anacrônico, introduzindo elementos culturais cubanos e celebrando a figura de Fidel Castro.História de Cuba (Marchinha Adaptada)RefrãoQuem foi que inventou Cuba?Foi seu Fidel! Foi seu Fidel!Num dia primeiro de janeiro,Com charuto e de chapéu!Verso 1Depois Cuba amou o mar,O mar beijou Havana,Ao som... Ao som do Guantanamera!Do Guantanamera ao rum,Surgiu o Ropa Vieja,E mais tarde o Daiquiri!Verso 2Depois a salsa virou son,O mambo virou cha-cha-cha,De lá... Pra cá tudo mudou!Passou-se o tempo do açúcar,Quem manda é a rumba boa,E a saúde que curou!
GuantanameraCompay SegundoI am Cuba | DRAMA | FULL MOVIEMosfilm
371.699 visualizações Estreou em 29 de out. de 2021 #Cuba #FullMoviesWithEngSubs #Kalatozov
A Soviet-Cuban two-part feature film directed by Mikhail Kalatozov, released in 1964. The film was shot after the triumph of the Cuban revolution, the advent of the socialist regime in Cuba, and allied relations between Cuba and the USSR.
Plot-wise, it consists of four unrelated novellas that tell the story of the Cubans fighting against "American oppressors" to turn their country into the Island of Liberty. In the 1960s, due to the rise of socialist ideals, the theme of revolution became relevant both for Soviet and Western cinema.
The film is made on a high professional level, primarily due to the innovations of DP Sergey Urusevsky and his crew. This was the last time Urusevsky, and director Kalatozov worked together. The films’s production was challenging in regards to staging, camerawork, intraframe editing, hand-held shooting for creating dynamic scenes using a hand-held camera in motion and transferring it from hand to hand, using specially made engineering structures, etc.
The film was shot between 1963 and 1964 with a considerable support from the Soviet and Cuban authorities during one of the most strained episodes of the Cold War - the Cuban Missile Crisis, the US blockade of the island, and the difficult economic situation in Cuba.
Year of production: 1964
Directed by: Mikhail Kalatozov
Written by: Yevgeny Yevtushenko, Enrique Pineda Barnet
Director of photography: Sergei Urusevsky
Music: Carlos Fariñas
Production designer: Yevgeni Svidetelev
Starring: Sergio Corrieri, José Gallardo, Raúl García, Salvador Wood, Luz María Collazo, Jean Bouise, Celia Rodriguez
The film was digitally restored by Mosfilm Cinema Concern
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#FullMoviesWithEngSubs #Cuba #Kalatozov
Entrevista com Gustavo Franco | Warren Política | Episódio 29Warren Investimentos
12 de ago. de 2026 Warren Política
Neste episódio do Warren Política, Felipe Salto conversa com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos nomes centrais na implantação e consolidação do Plano Real.
Na conversa, Gustavo relembra os bastidores da criação do Real, fala sobre a hiperinflação brasileira, a independência do Banco Central, a situação fiscal do país, o risco de deterioração das contas públicas e os desafios para modernizar o processo orçamentário brasileiro.
Entre os temas abordados:
00:00-01:32 — Introdução
01:32-04:37 — O que a hiperinflação brasileira tem em comum com outros países
04:37-12:29— Os bastidores da construção do Plano Real
12:29-18:54 — O problema fiscal brasileiro
18:54-29:14 — A independência do Banco Central
29:14-35:02 — A fronteira entre política fiscal e monetária
35:02-39:26 — O risco de deterioração das contas públicas
39:26-46:34 — Congresso e responsabilidade fiscal
46:34-48:13 — Arcabouço fiscal e reforma orçamentária
48:13-53:04— Relação com FHC
53:04-53:37 — Encerramento
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026
O espectro que ronda a eleição de 2026, por Wilson GomesFolha de S. PauloEscândalos chegam a uma disputa polarizadaAmbiente digital multiplica impactos públicos
Um espectro ronda a eleição presidencial de 2026. Aliás, não um, dois. O primeiro vem do escândalo dos descontos ilegais do INSS. O segundo, das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ambos continuam em desenvolvimento e já alcançaram as duas principais candidaturas. Num país em que a prova de corrupção continua a ser uma arma letal na disputa pelo Executivo, todos sabem que, a qualquer momento, um dos dois escândalos pode desferir o golpe fatal.
A circunstância torna-se especialmente explosiva porque esta não é uma eleição normal de conquistar. O país chega à disputa partido ao meio, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes de segundo turno e rejeitados por parcelas enormes do eleitorado. Numa eleição assim, o veto pode importar mais do que o voto. Na impossibilidade de ampliar o próprio eleitorado, as campanhas passam a torcer —e, quando podem, a trabalhar— para que o outro lado seja o mais rejeitado. Uma revelação devastadora de última hora, a associação ao personagem errado e a vaca vai para o brejo.
É nesse terreno que entram os dois escândalos. O dos descontos ilegais do INSS já alcançou o entorno de Lula, com investigações envolvendo Lulinha e integrantes do governo e da campanha. O Banco Master, por sua vez, aproximou-se diretamente de Flávio Bolsonaro, que confirmou ter solicitado a Vorcaro financiamento para um filme sobre o pai. Ambos possuem ramificações que atravessam partidos e campos políticos. Para a eleição, porém, importa menos reconstituir aqui cada episódio do que perceber que os dois casos já chegaram suficientemente perto das candidaturas para permanecerem como ameaças reais até outubro.
Nenhum de nós, cidadãos comuns, é capaz de saber o que ainda falta aparecer, embora alimentemos a suspeita de que tem gente que não só sabe o que ignoramos como está cuidadosamente reservando coisas para revelar no momento que considerar conveniente. É este o suspense que as campanhas e os candidatos adorariam evitar e que vai tornar essa disputa presidencial tensa até o último minuto.
Ocorre que, na política digital contemporânea, aquilo que não apareceu também circula. Basta alguém anunciar que viu um vídeo, ouviu um áudio ou conhece mensagens comprometedoras para que um conteúdo ainda inexistente para o público comece a produzir efeitos políticos reais. Foi o que ocorreu com boatos sobre gravações das festas de Vorcaro. Planta-se a promessa de que há registro de malfeitos para que se gerem cortes, comentários, buscas, memes, acusações e desmentidos, o que obriga o alvo a responder a uma prova que ninguém pode sequer examinar. Agora imaginem isso num debate ou na propaganda eleitoral.
Há, depois, a questão do timing. Uma revelação verdadeira divulgada a dois dias da votação pode ser eleitoralmente tão difícil de desmentir de forma convincente quanto uma falsificação. A campanha atingida terá poucas horas para responder. O jornalismo terá poucas horas para verificar contexto, origem e autenticidade. Notem, além disso, que 2026 é a primeira eleição presidencial brasileira realizada sob condições de inteligência artificial generativa madura, em que fabricar áudio, imagem, vídeo, documentos visuais e dezenas de versões adaptadas da mesma acusação se tornou muito mais barato e rápido. Na era do sintético, o desmentido pode chegar quando a urna já estiver fechada.
Existe, ainda, o carimbo institucional. Uma busca da Polícia Federal, a abertura de um inquérito pelo Supremo, um indiciamento ou um relatório de quebra de sigilo têm natureza e peso jurídicos muito diferentes. Na arena eleitoral, porém, essas distinções tendem a desaparecer. PF e STF não fazem campanha quando cumprem suas funções, mas o que ocorrer nesta seara de agora até outubro, queiram ou não as autoridades, entra imediatamente na campanha. E, se trechos de investigações, mensagens ou depoimentos continuarem sendo vazados seletivamente e revelados deliberadamente em momentos-chave da corrida eleitoral, o efeito sobre uma candidatura pode ser decisivo.
Nada disso significa que os escândalos do INSS e do Master decidirão a eleição, mas, sim, que ambos permanecerão como reservas de imprevisibilidade até o fim. Significa também que um vídeo, um print ou um áudio com uma revelação decisiva de última hora, se viralizar, pode ser o empurrão que basta para destruir uma campanha inteira. Por enquanto, os dois espectros rondam como uma ameaça à eleição, mas, até outubro, não será surpresa se um deles acabar abatendo uma candidatura.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Lula e a Segurança 24 anos depois, por Marcelo GodoyO Estado de S. PauloPlano de segurança do petista repete promessas feitas por sua primeira campanha em 2002
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria reler o documento Projeto Segurança Pública para o País. Editado em 2002, ele defendia a criação dos Conselhos Consultivo de Segurança Pública e de Proteção a Testemunhas, a unificação progressiva das polícias, com corregedorias únicas, bem como academias integradas de formação. Também afirmava ser preciso investir no policiamento comunitário e na criação de um piso nacional para as polícias, assim como aumentar o controle do uso da força letal pelos agentes da lei.
O documento defendia 28 propostas, pregava uma “reforma das polícias”, com a criação de uma Escola Superior de Segurança e Proteção Social. Atacava a corrupção, afirmando que “o grau de promiscuidade das polícias com as organizações criminosas” constituía “também variável decisiva” no quadro de insegurança. E concluía: “ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro no Brasil”.
Vinte e quatro anos depois, metade das propostas não saiu do papel. A principal delas, a criação do Sistema Único de Segurança Pública, só se tornou realidade em 2018, quando Michel Temer criou o Ministério da Segurança Pública, depois encerrado em 2019, por Jair Bolsonaro.
Lula seria eleito em 2002. O documento que devia reler era assinado por luminares do partido da área de Segurança, como Luiz Eduardo Soares, Antonio Carlos Biscaia e Benedito Domingos Mariano. Oito anos depois, quase nada do que ali havia tinha sido cumprido por Lula. Desde então, passaram-se outros seis anos de governo de Dilma Rousseff e mais três anos e meio de Lula 3. De 28 propostas ali enumeradas, só sete foram cumpridas e 14 foram esquecidas.
Agora, Lula promete de novo ações integradas das forças de segurança – ele criou as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, mas sob controle da PF, em vez de uma agência com a participação de todas as polícias – e diz que recriará o Ministério da Segurança, o que não fez durante o terceiro mandato.
A implantação de policiamento de proximidade se tornou um fantasma após o fim das Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio. Mas lá está de novo essa mesma promessa no programa de Lula, que também diz que priorizará “investimentos continuados na urbanização de favelas e periferias, na requalificação de espaços públicos e na ampliação do acesso a serviços públicos”. Parece cópia do plano de Lula, em 2002, que prometia “urbanizar os territórios” dos espaços “abandonados pelo poder público, onde se instala o varejo do tráfico”. O programa atual defende valorizar o policial, mas o que Lula e o PT fizeram em 17 anos e meio para cumprir suas promessas na Segurança? Seu desafio é provar ao eleitor que agora será diferente. •
Editorial do jornal O Estado de S. Paulo analisa declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre atuação de advogados criminalistas e sua própria defesa jurídica.Lula, o ‘inocente’Por O Estado de S. PauloPresidente diz que advogados criminalistas ‘não sabem defender inocentes’ como ele
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, numa entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que não contratou um advogado criminalista para defendê-lo na Lava Jato porque “criminalista não sabe defender inocente, criminalista defende bandido”.
A declaração do petista é tão eivada de absurdos que causou justa indignação entre advogados. Dela se depreende que, na concepção de Lula, advogados criminalistas se dedicam apenas a tentar livrar criminosos da cadeia, e não a garantir ao acusado de um crime o amplo direito de defesa, conforme assegurado pela Constituição.
Lula tampouco reconhece a presunção de inocência de todo acusado. Para o presidente, ao que parece, a culpa de qualquer réu na esfera criminal já está estabelecida no instante da acusação, cabendo ao advogado criminalista, presume-se, somente a missão de tentar engabelar os que vão julgar seu cliente para evitar que ele seja preso.
Esqueceu-se, o presidente, que ele mesmo foi defendido por um dos mais brilhantes criminalistas da história brasileira, Heleno Cláudio Fragoso, nos anos 1980 – época em que, então líder sindical, Lula foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e julgado pela Justiça Militar por agitar greves.
Outro importante criminalista, Márcio Thomaz Bastos, teve papel decisivo na trajetória política de Lula. Sem cobrar honorários, Thomaz Bastos também defendeu Lula e o PT durante o regime militar e acabou se tornando um dos maiores amigos e conselheiros do futuro presidente da República – este que agora deu de destratar advogados criminalistas como o já falecido Thomaz Bastos, que deve estar se revirando no túmulo.
A ânsia de Lula de se declarar inocente é tanta, contudo, que ele nem sequer pensa nas consequências do que diz. Ao afirmar que não queria ser representado por um advogado criminalista na Lava Jato porque criminalistas “não sabem defender inocente, criminalistas defendem bandido”, Lula quis dizer que, como inocente, não precisava de advogados que “defendem bandidos”.
Esqueçamos, por um instante, que Lula não foi inocentado de coisa nenhuma e que seu processo foi anulado porque o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, cerca de quatro anos depois do início do caso, que o foro que julgou o petista não era o adequado. Esqueçamos que o STF, ao longo desses quatro anos, sentou em cima da tese da defesa de que o foro não era adequado. Fixemo-nos apenas na ideia de que, para Lula, quem tem advogado criminalista é porque não é inocente.
Eis aí uma dupla ofensa do presidente: aos advogados criminalistas e aos milhões de cidadãos brasileiros acusados de crimes e que, conforme a Constituição, só podem ser considerados culpados depois de submetidos a julgamento justo, no qual tenham tido amplo direito de defesa.
Como lembrou o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira em uma “carta aberta ao presidente Lula”, “há uma presunção, que deveria ser de seu conhecimento, que é a da inocência”, razão pela qual os advogados criminalistas são “porta-vozes dos direitos constitucionais dos acusados, culpados ou inocentes, santos ou demônios”. Lula, que está longe de ser santo, deveria ser o primeiro a saber disso.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Breve história da política brasileira, de Carneiro Leão a Lula da Silva, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseA reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores e velhas oligarquias
O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva vai além das conveniências eleitorais da Paraíba. Reproduz o pacto entre o poder central e as oligarquias regionais, pelo qual interesses contraditórios se acomodam em torno da governabilidade e da preservação do poder. É a recidiva da velha “política de conciliação” incorporada ao projeto eleitoral de Lula.
José Honório Rodrigues analisou esse fenômeno em Conciliação e reforma no Brasil: um desafio histórico-político (Editora Civilização Brasileira), escrito depois do golpe militar de 1964. Discípulo de Capistrano de Abreu, o mestre via a conciliação de maneira crítica: “Os poderes dominantes tiveram sempre força para conter as aspirações profundas de mudança e reverter os movimentos de modo a sustentar seu sistema e seus privilégios”.
Para José Honório, a Independência, as revoltas do período regencial, a República e as crises de 1930, 1945, 1961 e 1964 revelavam uma característica recorrente da formação do Brasil: as estruturas do patronato brasileiro demonstram extraordinária capacidade de sobrevivência. “O povo brasileiro é uma vítima, um derrotado no processo histórico.”
Essa contradição atravessou a República. É a raiz da “modernização pelo alto”, capaz de incorporar demandas sociais sem romper necessariamente com estruturas tradicionais. Como insistia Luiz Werneck Vianna em A revolução passiva (Revan), o Brasil se transforma sem abandonar o antigo, em . Modernizou a economia, urbanizou-se, democratizou instituições e ampliou direitos sem o moderno na política dominante: preservou o patrimonialismo, o fisiologismo, as desigualdades e o poder das elites regionais.
A matriz histórica dessa característica da política brasileira está no Império. Em 1853, Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná, organizou o Gabinete da Conciliação, aproximando conservadores, os “saquaremas”, e liberais, os “luzias”. O conselheiro Nabuco de Araújo, conservador, havia perdido as eleições em Pernambuco, mas aceitou participar do gabinete de maioria liberal, porém sem abandonar seus aliados provinciais.
Surgia ali a célebre “ponte de ouro” narrada por Joaquim Nabuco no monumental Um estadista no Império (Topbooks). Ao contrário de Capistrano e Honório, Nabuco enxergava virtudes nessa engenharia. Para ele, o reformador brasileiro “detém-se diante do obstáculo; dá longas voltas para não atropelar nenhum direito”. Era uma concepção gradualista: mudar sem destruir as pontes com aqueles que controlavam parcelas importantes do poder.
Pacto de poder
O fato é que governos reformistas estabeleceram alianças com forças conservadoras para governar. Juscelino Kubitschek construiu uma ampla composição política para executar o Plano de Metas. Fernando Henrique Cardoso aliou o PSDB ao PFL de Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen para garantir sustentação parlamentar ao Plano Real e às reformas constitucionais.
Lula fez movimento semelhante nos dois primeiros mandatos, em aliança com o ex-presidente José Sarney e as oligarquias regionais representadas no Congresso. Dilma Rousseff, porém, entrou em conflito com parcelas importantes desse sistema, perdeu sua base parlamentar e acabou afastada pelo impeachment.
No terceiro mandato, contingenciado pela correlação de forças, Lula reencontrou essa estrutura ainda mais poderosa. O fortalecimento do Congresso por meio das emendas parlamentares e a ascensão do Centrão reduziram a autonomia do Executivo. A aproximação com PP e Republicanos foi uma resposta pragmática a essa realidade. A eleição de Hugo Motta para a Presidência da Câmara aprofundou o processo. É nesse contexto que seu apoio à reeleição de Lula adquire significado histórico.
Formalmente, o Republicanos permanece neutro na eleição presidencial. Politicamente, abriu espaço para que suas lideranças façam escolhas conforme as circunstâncias estaduais. Tarcísio de Freitas preserva em São Paulo sua identidade conservadora e a ligação com o eleitorado bolsonarista, enquanto Motta apoia Lula na Paraíba. Não demora muito será a vez de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), outro represenante do Centrão, reaproximar-se de Lula em razão das eleições no Amapá; no rastro, do PP de Ciro Nogueira (PI). É o velho pacto dos “luzias” e “saquaremas”.
Lula conhece profundamente esse mecanismo. Sua candidatura à reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores que controlam governos estaduais, prefeituras e bancadas. Mudaram os partidos e os personagens, mas o pacto perverso atravessou o Império, sobreviveu à República e chegou à eleição de 2026. Mas há um preço para o transformismo: a conciliação é eficiente para estabilizar o sistema político, porém à custa da participação popular e das reformas estruturais.
O insuportável país das ambiguidadesRoberto DaMatta É ANTROPÓLOGO, ESCRITOR E AUTOR DE 'CARNAVAIS, MALANDROS E HERÓIS'
ReciboDeclaro que recebi a quantia de X (xis) reais da agência Z (zê), após mandar a minha empregada confeccionar um carimbo fajuto na esquina aqui de casa, de uma firma fajuta, de um endereço fajuto, na cidade de Vargem Grande Paulista, onde nunca estive e nunca carimbei. Carimbo ao custo de três reais e cinquenta centavos, feito em sete minutos, pois, sem ele, não poderia, em hipótese alguma, receber a supra mencionada quantia.
Carimbo este, símbolo máximo da honestidade burocrática ibérica, herança de nossos ancestrais portugueses, introduzido nessas bandas por meio do nosso primeiro documento, a carta de Caminha.
Tem um carimbo lá, sim senhora. Carimbo este que vale muito mais que os X (xis) reais, muito mais que os 38 anos do meu ofício, muito mais que o meu talento para beber e vender cerveja, que foi o que eu fiz para a agência. Carimbo este, carimbado com carinho para ser admirado pelos amigos e amigas da agência, a quem agradeço a oportunidade do trabalho e para quem coloco (eu e meu carimbo) à disposição para novas carimbadas em futuro a ser fixado e devidamente carimbado.
Com carinho, carimbo e afeto, modestamente carimbo.Mario Alberto Campos de Morais Prata (tarimbado e carimbado diretor-presidente da Ponto e Vírgula Produções Artísticas Ltda).
Resumo
O texto de Luiz Carlos Azedo, publicado no Correio Braziliense, argumenta que o apoio de Hugo Motta a Lula revela uma estratégia pragmática do Republicanos: manter neutralidade nacional para permitir que seus líderes adotem alianças diferentes conforme os interesses eleitorais de cada estado.
Na Paraíba, Motta apoia Lula porque seu grupo precisa preservar força política, renovar seu mandato e ajudar a eleger seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado. O estado tem forte preferência por Lula, tornando arriscado um alinhamento exclusivo com o bolsonarismo.
O Republicanos tenta ocupar simultaneamente espaços distintos: apoiar Lula em regiões onde isso é eleitoralmente vantajoso e manter proximidade com a direita em estados mais conservadores.
Tarcísio de Freitas, em São Paulo, exemplifica essa estratégia. Embora dependa do eleitorado bolsonarista, busca manter autonomia política e construir condições para disputar protagonismo nacional em 2030.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo também adota uma postura flexível. Lidera a disputa pelo governo estadual, mas o eleitorado está dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que favorece um palanque aberto.
O autor conclui que o Republicanos procura maximizar sua sobrevivência e influência política, evitando ficar preso a um único projeto presidencial.
Em uma frase: o artigo sustenta que o Republicanos está priorizando interesses eleitorais regionais e a preservação de espaço político para 2030, em vez de assumir uma posição presidencial única em 2026.
EnsaboaMarisa Monte
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Apoio de Motta a Lula mostra política de conveniência do Republicanos, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseA escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. O presidente da Câmara precisa preservar influência, renovar seu mandato e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado
O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva expõe a ambiguidade eleitoral do Republicanos. Formalmente, o partido decidiu permanecer neutro na disputa pelo Palácio do Planalto, não indicar o candidato a vice de Flávio Bolsonaro nem integrar nenhuma coligação presidencial. Na prática, liberou seus dirigentes e diretórios estaduais para escolherem publicamente o lado mais conveniente às respectivas circunstâncias locais. É uma salvo-conduto para múltiplas alianças regionais, inclusive com forças antagônicas.
Foi o que permitiu a Hugo Motta anunciar o apoio a Lula sem romper com a direção partidária. “A tendência nossa aqui na Paraíba é que caminhemos com o presidente Lula”, declarou, acrescentando que o petista representa aquilo que seu grupo considera “o melhor para o país”. O presidente da Câmara aguardou deliberadamente a decisão nacional do Republicanos para somente então revelar sua posição. O Republicanos da Paraíba apoiará a reeleição de Lula, segundo Motta.
A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. Motta precisa renovar seu mandato, preservar a influência nacional conquistada na Presidência da Câmara e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado. Seu grupo participa da aliança que sustenta o governador Lucas Ribeiro, do PP, herdeiro da coalizão liderada anteriormente por João Azevêdo, do PSB, e apoiada por Lula. Embora o atual governador não pertença à esquerda, governa com uma composição na qual PT e PSB exercem grande influência. O que também explica a neutralidade do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Romper com Lula na Paraíba significaria desafiar um eleitorado majoritariamente lulista e colocar em risco a própria sobrevivência política do grupo de Motta. Os números explicam o movimento. Na pesquisa Genial/Quaest, Lula ampliou de 57% para 64% sua votação num eventual segundo turno no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 25%. A diferença de 39 pontos transforma qualquer tentativa de impor um palanque bolsonarista exclusivo na região em aventura de alto risco.
Nacionalmente, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 30% de Flávio, e vence o segundo por 44% a 39%. Flávio cresceu e reduziu a distância, mas ainda não conseguiu transformar a polarização social existente no país numa coalizão partidária equivalente àquela que sustentava seu pai.
São Paulo e Minas
A decisão do Republicanos também revela uma estratégia que mira as eleições de 2030. Tarcísio de Freitas, principal liderança da legenda e candidato à reeleição em São Paulo, depende do eleitorado bolsonarista para se manter no Palácio dos Bandeirantes, mas não deseja subordinar completamente seu futuro político ao projeto pessoal de Flávio.
Tarcísio mira 2030, quando o cenário poderá ser definido pela sucessão simultânea de Lula e de Jair Bolsonaro como grandes polos organizadores da política nacional. Para chegar competitivo a essa eleição, precisa conservar o apoio da direita, dialogar com o centro, cultivar relações institucionais com o governo federal e não se tornar mero coadjuvante do clã Bolsonaro. O Republicanos procura ocupar simultaneamente o governo e a oposição, o Nordeste lulista e o Sudeste conservador, a eleição de 2026 e a sucessão de 2030.
O mesmo fenômeno aparece em Minas Gerais, onde a candidatura camaleônica de Cleitinho Azevedo ao governo embaralhou os palanques presidenciais. O senador do Republicanos chegou a ser impedido pelo próprio partido de concorrer, reagiu publicamente e acabou reconduzido à disputa depois da intervenção de dirigentes interessados em sua capacidade de puxar votos para as chapas proporcionais.
Cleitinho lidera a corrida mineira com 35%, muito à frente de Alexandre Kalil, com 12%, e Patrus Ananias, com 10%. No plano presidencial, porém, Minas está dividida: Lula tem 30% e Flávio, 29%, no primeiro turno; num eventual segundo turno, o petista aparece com 38% e o bolsonarista, com 35%, ambos em empate técnico. A pesquisa mineira mostra a liderança isolada de Cleitinho e o equilíbrio entre Lula e Flávio.
Qual é a do Cleitinho? Ele necessita dos eleitores bolsonaristas, mas não pode hostilizar a parcela lulista de Minas nem atrelar completamente sua candidatura a um presidenciável que aparece numericamente atrás no estado. Nos bastidores, prevalece a expectativa de que abra o palanque, permitindo que aliados e candidatos proporcionais façam campanha para Flávio ou Lula segundo suas bases.
O Lamento da LavadeiraMonsueto
De Ed Morgan@edu para Marco Rubio, por Elio GaspariO GloboCrises alimentadas pelo secretário de Estado americano prejudicam relação entre os dois países e levarão tempo para serem resolvidas
Estimado Secretário de Estado Marco Rubio:
“Jogatina
Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 100 milhões de pessoas fazem apostas.
Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra. Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber porque o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.”O Comentário Vazado
Vazou a ata secreta da genialidade burocrática. A equipe técnica descobriu que o vício digital é puramente uma questão de cronômetro, não de carteira vazia. O plano de contingência para salvar a economia popular consiste em cinco segundos de profunda reflexão metafísica. Tempo suficiente para o cidadão lembrar do saldo negativo, ignorar o aviso e clicar de novo. A arrecadação bilionária agradece o breve momento de silêncio obsequioso antes do próximo clique.
Análise e Desfecho
O cinismo da portaria escancara a contradição entre a fome fiscal e o pudor moral. O esparadrapo regulatório tenta estancar uma hemorragia social provocada pelo próprio cirurgião. O intervalo curto garante a velocidade do fluxo de caixa estatal enquanto simula uma falsa preocupação médica.
Ouviu, ouvindo o ouvido; leu, lendo o lido; assinou, assinando o assinado. Antes, "Como nunca antes." Agora, "Quem nunca, agora". Agora pode ser tanto neste momento quanto um agora de agoramento. O agoramento é o pressentimento do desastre iminente travestido de modernidade. Quem nunca perdeu o rumo no jogo, agora perde com o carimbo e a bênção do Diário Oficial.
Caminhante, são teus passos
o caminho e nada mais;
Caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar se faz caminho,
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se voltará a pisar.
Caminhante, não há caminho,
mas sulcos de escuma ao mar.
Antonio Machado
Poema XXIX de Provérbios y Cantares
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Joan Manuel Serrat - Cantares (Directo Gira 2016) ([El Gusto Es Nuestro 20 Años])Poema original, em espanhol: Caminante
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
Antonio Machado
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
Antonio Machado: «Poema XXIX», en Proverbios y CantaresCanteirosFagner
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro feito o dia
Mas nada do que me dizem
Me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro feito o dia
Mas nada do que me dizem
Me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Mas a felicidade é
Correm os meus dedos longos
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração
Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida
Composição: Fagner, Cecilia Meirelles.
"O amor puro é o reflexo do Criador em todas as criaturas. Brilha em tudo e em tudo palpita na mesma vibração de sabedoria e de beleza. É fundamento da vida e justiça de toda a Lei."Livro: Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.FUNDAMENTO
Vinha de luz — Emmanuel172Manjares
Tema principal
“Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” — Paulo. (1 CORÍNTIOS, 6.13)1 O alimento do corpo e da alma, no que se refere ao pão e à emoção, representa meio para a evolução e não o fim da evolução em si mesma.
2 Há criaturas, no entanto, que fazem do prato e do continuísmo simplista da espécie, únicas razões de ser em toda a vida. Trabalham para comer e procriam sem pensar.
3 Quando se lhes fala do Espírito ou da eternidade, bocejam despreocupadas, quando não trocam, aflitivamente, de assunto.
4 Efetivamente, a satisfação dos sentidos fisiológicos é para a alma o amparo que o solo e o adubo constituem para a semente. Todavia, se a semente persiste em reter-se na cova para gozar as delícias do adubo, contrariando a Divina Lei, nunca se lhe utilizará a colaboração preciosa.
5 Valioso e indispensável à experiência física é o estômago.
6 Veneráveis e sublimes são as faculdades criadoras.
7 Urge, contudo, entender as necessidades do Espírito imperecível.
8 Esclarecimento pelo estudo, crescimento mental pelo trabalho e iluminação pela virtude santificante são imperativos para o futuro estágio dos homens.
9 Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra.
10 Para a comunidade dos aprendizes aplicados e prudentes, todavia, brilha no Evangelho o eloquente aviso de Paulo: — “Os manjares são para o ventre e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.”
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.Amanhecer com Emmanuel – Lição 172 – Manjares – Vinha de LuzCaminante no hay CaminoCantaresJoan Manuel Serrat
Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar
Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres, mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón
Me gusta verlos pintarse
De Sol y grana, volar
Bajo el cielo azul, temblar
Súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante
Son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino
Se hace camino al andar
Al andar, se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante, no hay camino
Sino estelas en la mar
Hace algún tiempo, en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante, no hay camino
Se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta, lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
Caminante, no hay camino
Se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante, no hay camino
Se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Golpe a golpe, verso a verso
Golpe a golpe, verso a verso
Composição: Joan Manuel Serrat, Antonio Machado Ruiz.
Pais, feliz dia!JuraSinhôSinhô - Jura! (Marco Bernardo, piano)
Jura, jura, jura
Pelo Senhor
Jura pela imagem
Da Santa Cruz
Do Redentor
Pra ter valor a tua jura
Jura, jura, jura
De coração
Para que um dia
Eu possa dar-te o amor
Sem mais pensar na ilusão
Daí então
Dar-te eu irei
O beijo puro
Da catedral do amor
Dos sonhos meus
Bem junto aos teus
Para fugirmos
Das aflições da dor
Jura, jura, jura
Composição: Orlann Divo, Sinho, Nani Palmeira.
A manchete do jornal O Estado de S. Paulo de 9 de agosto de 2026 destacou que a inflação e os juros altos reduzem a renda das famílias brasileiras, pressionando o custo de vida e o orçamento. Esse cenário freia o consumo e diminui o poder de compra, dificultando o planejamento financeiro, informa o O Estado de S. Paulo.
Inflação e juro alto reduzem renda disponível de brasileiro‘Sobra’ de 21,7% ronda os níveis mais baixos já apurados
Com a inflação e, principalmente, os juros em níveis elevados, de cada R$ 100 que o brasileiro recebe mensalmente, sobram apenas R$ 21,70 para o consumo após o pagamento de itens essenciais e do serviço de dívidas, como empréstimos e financiamentos, informam Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira. O dado, referente ao mês de maio, é o mais recente apurado pela consultoria Tendências. A folga no orçamento ronda os patamares mais baixos já detectados pela consultoria. O pior resultado da série histórica foi observado em janeiro e fevereiro: R$ 21. Em maio, a renda disponível depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos – mas sem o custo de juros das dívidas – era de 41,64% do total recebido (ou R$ 41,64 de cada R$ 100).
“Aqui jaz a precisão linguística: a redução de ‘juros altos’ a ‘juro alto’ singulariza indevidamente o fenômeno, desloca a categoria gramatical e compromete o sentido analítico.”
domingo, 9 de agosto de 2026
O ‘comunista’ de Trump, por Dorrit HarazimO GloboPelo receituário do presidente dos EUA, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário
Cassius Clay tinha só 22 anos e uma insolência já borbulhante quando proclamou, na histórica noite de 25 de fevereiro de 1964:
— Sou o rei do mundo! Sou lindo e malvado! Eu sacudi o mundo.
Era verdade. Ele acabara de derrotar por nocaute técnico o campeoníssimo Sonny Liston, favorito absoluto nas casas de apostas globais. O feito no ringue fez dele muito mais que um fenômeno do boxe — tornou-se força cultural duradoura. Nove dias depois, anunciou ao mundo sua conversão ao islamismo e passou a se chamar Muhammad Ali.
O sanitarista americano Abdul El-Sayed, nascido no estado de Michigan 42 anos atrás, não precisou trocar de nome — Abdulrahman Mohamed El-Sayed é muçulmano de berço. Suas primeiras palavras ao saber que será o nome do Partido Democrata para disputar uma cadeira no Senado, em novembro próximo, foram inspiradas em Ali:
— Nós sacudimos o mundo.
O mundo, ele e seus eleitores não sacudiram, mas o neurastênico cenário político-partidário americano, certamente. El-Sayed saiu-se vencedor nas primárias da terça-feira passada montado num programa arriscado, por progressista e populista:
1) A favor da abolição do ICE (o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro que, sob o governo de Donald Trump, atua como caçador de imigrantes sem documentação regularizada);
2) A favor da ampliação do esquálido seguro hospitalar e médico, o Medicare, que nos Estados Unidos contempla apenas contribuintes com mais de 65 anos e portadores de deficiências;
3) Radicalmente oposto a qualquer ajuda dos Estados Unidos ao governo de Israel;
4) A favor de mais impostos para os mais ricos e contra o predomínio do dinheiro sobre o exercício da política.
El-Sayed teve por adversária Haley Stevens, uma experiente congressista moderada de quatro mandatos no Capitólio. Ela contou com o apoio ostensivo do establishment democrata — a mesma liderança partidária que, há anos encastelada, acumula erros e foi perdendo o pulso da nação. Não fosse o incontornável senador Bernie Sanders, que aos 84 anos continua sendo o grande ícone mobilizador do eleitorado jovem e progressista, El-Sayed talvez não tivesse alcançado o 1% de votos que faltou a Stevens.
Contudo coube ao poderoso lobby pró-Israel agrupado sob a sigla Aipac (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel) o inglório papel de goleador contra a candidatura que apoiava. A derrama de mais de US$ 30 milhões na campanha da congressista que se orgulha de ser sionista bateu de frente com os itens 3 e 4 do programa de El-Sayed. Afugentou um eleitorado democrata cada vez menos disposto a defender Israel acima de tudo, como se a desumanização de Gaza e a metódica erradicação da vida palestina na Cisjordânia não existissem. A sigla Aipac começou a tornar-se tóxica quando acoplada a candidaturas democratas — segundo divulgou o New York Times na semana passada, a palavra “Israel” praticamente sumiu da maioria das peças de propaganda eleitoral financiadas pela entidade. A causa agora atende pelo nome de United Democracy Project.
Por ora, a maioria dos analistas dá como pouco provável a eleição do epidemiologista e Rhodes Scholar El-Sayed em novembro — ele seria o primeiro muçulmano a ocupar assento no Senado dos Estados Unidos. Até porque o estado de Michigan, como um todo, é um dos campos eleitorais mais imprevisíveis e cambiantes do país (Trump saiu-se vencedor em 2016, perdeu em 2020 e venceu em 2024, sempre com margens apertadíssimas).
Para o ocupante da Casa Branca, El-Sayed é “esse comunista que odeia os judeus e Israel”, fácil de ser derrotado pelos republicanos. O epíteto “comunista” tem sido usado por Trump a torto e a direito em suas postagens e discursos. Não raro, atropela e embaralha cruamente o que, exatamente, entende por “comunista”, “marxista” ou “leninista”. Compreende-se: quando até a centenária The Economist, que Lênin descreveu como publicação para milionários britânicos, admitiu em edição recente que empresas capitalistas têm poucas chances de competir com a China “ecoautoritária e leninista, governada por Xi Jinping, um pioneiro do capitalismo de risco”, o xingamento pode parecer elogio.
Pelo receituário de Trump, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário, e pobreza é defeito do indivíduo. Privatizada a sobrevivência, dá-se ao que sobra da vida o nome de liberdade. Faltam três meses para o eleitor americano dizer do que tem mais medo.
Cassius Clay vs. Sonny Liston - 1964 Boxingkumite27
10.237.665 visualizações 30 de mai. de 2013
Cassius Clay vs. Sonny Liston war ein historischer Boxkampf zwischen dem damals amtierenden Weltmeister im Schwergewicht, Sonny Liston und dem Herausforderer Muhammad Ali, damals noch unter seinem Geburtsnamen Cassius Clay. Er fand am 25. Februar 1964 in Miami Beach, Florida statt und war das erste von zwei Aufeinandertreffen der Kontrahenten. Er ist der offiziell letzte Kampf, bei dem Cassius Clay mit seinem Geburtsnamen kämpfte, da er zum Islam konvertierte und den Namen Muhammad Ali annahm.
Resumo do vídeo gerado por IA
A qualidade e a precisão podem variar.
In this 1964 championship bout, the outspoken challenger faces off against the imposing titleholder at the Miami Beach Convention Hall. Commentators Joe Louis and Rocky Marciano analyze the action as the contender utilizes speed and jabs to disrupt the champion's traditional fighting style.
domingo, 9 de agosto de 2026
Sucesso chinês: educação, tecnologia e abertura, por Pedro S. MalanO Estado de S. PauloPena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do Brasil
Na raiz de nossos problemas de pobreza e de desigualdade de renda e riqueza está a questão fundamental a ser atacada: a desigualdade de oportunidades, que surge já no nascimento. É função de políticas públicas nas áreas de educação (e de saúde) procurar reduzir estes diferenciais nos anos iniciais de vida das crianças, como é hoje amplamente reconhecido por especialistas em educação no Brasil e no mundo.
Em 1981, por iniciativa de Deng Xiaoping, o Banco Mundial aprovou um empréstimo para a China no montante de US$ 200 milhões, equivalentes a cerca de US$ 750 milhões de hoje. Era inteiramente destinado à ciência e educação, e seus objetivos eram claros: formar gente qualificada em ciência, tecnologia, engenharia, matemática, computação; enviar estudantes chineses às melhores universidades dos EUA e da Europa; promover interação entre universidades chinesas e estrangeiras na área científica. Metade dos recursos vinha da International Development Association, braço concessional do grupo do Banco Mundial para países mais pobres, o que era a China à época. A operação contou com a aprovação dos EUA, que tinham (e ainda têm) poder de veto na instituição.
Entre 1981 e 2020, cerca de 6 milhões de chineses estudaram no exterior, dos quais 20 a 30% cursaram pós-graduação. Estima-se que entre 300 mil e 500 mil tenham obtido o título de doutor em universidades dos EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Alemanha, Japão e Singapura, nas áreas de engenharia, matemática, ciência da computação, física, química e ciências biomédicas. Antes de 2000, menos da metade retornava à China; naquele ano foram criados programas de incentivo ao retorno, e após 2010, mais de 80% passavam a retornar ao país em algum momento da carreira.
A política foi um extraordinário sucesso. Em 2025, segundo o índice global de inovação da World Intellectual Property Organization (Wipo), das 100 principais clusters de inovação no mundo, a China tinha 24 e os EUA 22. O Brasil, 1. O ex-presidente Barack Obama, que tinha profundo interesse nesse processo, afirmou repetidas vezes ao longo dos anos que educação de qualidade mundial era prérequisito para o sucesso de qualquer país. “Countries that outeducate us today will out-compete us tomorrow” (“os países que hoje investem mais e melhor em educação amanhã serão mais competitivos do que nós”, em tradução livre), explicava.
A rivalidade EUA/China continuará impulsionando a competição geopolítica global. Os EUA lideram na inovação de ponta, especialmente em semicondutores e (ainda) na fronteira de inteligência artificial (IA), enquanto a China se destaca na implementação de IA em larga escala, na manufatura e no controle de cadeias de suprimentos, de minerais críticos e de outros insumos industriais. Mas não é menos certo que aos dois rivais interessa aquilo que os chineses chamam de “estabilidade estratégica construtiva”, expressão que é manifestação de ambiguidade construtiva da China enquanto segue na disputa por esferas de influência no mundo. Em entrevista recente, Xi Jinping ofereceu sua própria definição da armadilha de Tucídides: “We all need to work together to avoid the Thucydides Trap – destructive tensions between an emerging power and established powers” (“Todos precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides – tensões destrutivas entre uma potência emergente e as potências estabelecidas”, em tradução livre).
É possível fazer um paralelo entre aquele amplo programa de financiamento à ciência e educação, do qual a China foi beneficiária, com a ambiciosa iniciativa que agora põem em marcha os chineses. Em meados de julho, realizou-se em Xangai uma conferência que reuniu outros 29 países, ao cabo da qual foi criada a World Artificial Intelligence Cooperation Organization (Waico), descrita por Xi Jinping na abertura oficial do encontro como um importante marco na história do desenvolvimento da inteligência artificial no mundo. Companhias chinesas deverão tornar a IA amplamente disponível por meio de open source models, e o governo chinês propõe-se a treinar países a capacitar milhares de pessoas na aplicação de IA. Foram anunciados a oferta de “5 mil oportunidades” de treinamento, programas e seminários nos próximos cinco anos, e o desenvolvimento de International AI Applications Centres (IAICC). Xi apresentou a organização como instrumento para ampliar a participação dos países do Sul Global na definição das normas internacionais de IA – por meio da adoção de código aberto, cooperação tecnológica e acesso amplo às capacidades de IA.
Respondendo em 1995 a uma pergunta sobre desenvolvimento tecnológico, Celso Furtado afirmou: “O que interessa no progresso tecnológico é a qualidade do fator humano, o que não se improvisa. Não basta investir, botar mais dinheiro. Toma tempo formar de verdade gente qualificada. (...) O progresso tecnológico depende da qualidade de material humano”.
Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do País. Talvez o debate público em 2026 ainda possa levar candidatos a procurar, em prazo hábil, agregar equipes competentes nessas áreas. E a promover discussão apta a permitir diagnóstico claro para a sociedade sobre a situação atual, como a ela chegamos e, principalmente, a descortinar como avançar com a necessária visão de longo prazo sobre nosso futuro nesta área.
Pais, feliz dia! •
https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/
Livro “O novo perfil eleitoral do Brasil” já está disponível no portal da Fundação João Mangabeira
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A Fundação João Mangabeira disponibiliza gratuitamente, em seu portal, o livro O novo perfil eleitoral do Brasil – Como pensa e como vota o brasileiro.
A obra apresenta uma análise inédita sobre o comportamento do eleitor brasileiro, reunindo dados de pesquisa e reflexões sobre os fatores que influenciam a formação do voto. O estudo aborda temas como juventudes, mulheres, eleitorado evangélico, valores, identidade, comportamento político e as transformações do cenário eleitoral brasileiro.
A publicação é uma importante ferramenta para pesquisadores, dirigentes partidários, candidatos, gestores públicos e todos os interessados em compreender as mudanças que estão redesenhando a política no país.
📖 Acesse gratuitamente:
https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/
17 de julho de 2026
https://www.fjmangabeira.org.br/livro-o-novo-perfil-eleitoral-do-brasil-ja-esta-disponivel-no-portal-da-fundacao-joao-mangabeira/
domingo, 9 de agosto de 2026
Emendas parlamentares transformaram o Congresso em casa de negócios, por Luiz Carlos AzedoCorreio BrazilienseMuitas vezes não se consegue reconstituir o caminho do dinheiro público, identificar o responsável por sua destinação ou comprovar o benefício gerado
O crescimento vertiginoso das emendas parlamentares impositivas produziu uma mudança estrutural nas relações entre o Executivo e o Legislativo e, sobretudo, nas próprias disputas eleitorais. Concebidas originalmente para permitir que deputados e senadores atendessem demandas legítimas de estados e municípios, com essas emendas o Congresso abocanhou parcelas crescentes do orçamento de investimentos.
As emendas passaram a movimentar dezenas de bilhões de reais sem a correspondente comprovação da correta execução financeira, da conclusão das obras e dos resultados efetivamente entregues à população. Esse descompasso fortalece os parlamentares com mandato, blinda o Congresso de renovação e converte o Orçamento da União em instrumento de reprodução do poder político.
A fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, examinou 100 repasses realizados entre 2020 e 2024, destinados a 73 municípios e aos estados do Pará e de São Paulo, num total de R$ 198 milhões. Foram encontradas irregularidades em 82% das transferências e em 82,4% dos beneficiários, com prejuízo potencial estimado em R$ 49 milhões, equivalente a 25% do valor fiscalizado. Há movimentação de dinheiro em contas não específicas, ausência de notas fiscais idôneas, pagamentos estranhos aos planos apresentados, obras inacabadas, superfaturamento, licitações simuladas e contratação de empresas declaradas inidôneas.
Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho percorrido pelo dinheiro público, identificar o responsável político pela destinação ou comprovar o benefício gerado. Diante desse quadro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar indícios de crimes na execução das emendas. O problema é agravado pelas emendas de comissão e pelas chamadas emendas de liderança, sucedâneas do orçamento secreto declarado inconstitucional pelo STF.
Em 2025, a Câmara executou cerca de R$ 1,3 bilhão em indicações registradas apenas em nome de líderes partidários, sem revelar qual parlamentar escolheu cada uma das 1.341 emendas desse tipo. Em muitos casos, nem sequer foi possível identificar os beneficiários finais ou os municípios onde o dinheiro seria aplicado. Neste ano, a farra continuou.
Não se trata apenas de um problema administrativo ou penal. Há uma distorção profunda na competição eleitoral. Um deputado que dispõe de R$ 60 a R$100 milhões para pavimentar ruas, comprar máquinas, financiar serviços de saúde e atender prefeituras entra na campanha em posição incomparavelmente superior à de qualquer concorrente sem mandato.
Fora do jogo
Forma-se um círculo de autoproteção, há uma recidiva do patrimonialismo. O parlamentar destina recursos aos municípios; prefeitos, vereadores, fornecedores e lideranças locais passam a depender de sua intermediação; essa rede mobiliza votos para reelegê-lo; e o novo mandato lhe assegura acesso a uma quantidade ainda maior de emendas.
A disputa deixa de ser entre ideias, programas e trajetórias para se transformar numa luta desigual pelo controle de verbas públicas, o que explica o pacto perverso do colégio de líderes, cujos nomes a maioria desconhece, para votações relâmpago após reuniões sigilosas, sem debate em plenário. Quadros experientes e programáticos são agora o “baixo clero” da política nacional. Não se pode atribuir toda essa situação exclusivamente às emendas, mas é inegável que o modelo seleciona seus participantes.
Rubens Bueno, Paulo Delgado, Miro Teixeira, Heráclito Fortes, Perpétua Almeida, Luzia Ferreira, José Aníbal, José Carlos Aleluia, Benito Gama , Marcus Pestana e José Eduardo Cardozo, por exemplo, se afastaram das disputas eleitorais ou perderam espaço num ambiente em que reputação, experiência e formulação já não superavam a “disparidade de armas”. Uma exceção simbólica é Cristovam Buarque, que decidiu voltar às urnas como candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, aos 82 anos, apostando numa campanha baseada em educação, ideias e trajetória pública ilibada.
Quem controla diretórios partidários, fundos eleitorais, cargos públicos e transferências orçamentárias acumula uma vantagem quase intransponível. Quem depende apenas de opinião, militância e reconhecimento público enfrenta enormes dificuldades. A renovação é exceção, ocorre mais em razão de “influenciadores”, reprodução de oligarquias políticas, grupos econômicos, corporações e igrejas capazes de construir estruturas próprias.
Max Weber, em A política como vocação, distinguia os que vivem “para” a política e aqueles que vivem “da” política. A profissionalização permite que pessoas sem patrimônio também exerçam funções públicas, porém, a degeneração começa quando o mandato e o controle dos recursos deixam de ser um projeto coletivo e se tornam instrumento de enriquecimento pessoal. O Congresso, então, deixa de ser a casa do “bem comum” para se transformar no centro da política como grandes negócios.
Funeral de um lavrador, trecho do filme: Morte e Vida Severina (1977)Mario Junior Contini
100.657 visualizações 11 de out. de 2016
Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955.
O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pelo personagem.
O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante sertanejo (retirante) em busca de uma vida mais fácil e favorável na capital pernambucana.
Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra.
A obra foi parcialmente adaptada ao cinema em 1977, por Zelito Viana com participação de, entre outros José Dumont no papel de Severino, Sebastião Vasconcelos como Mestre Carpina e Tânia Alves
Resumo do vídeo gerado por IA
A qualidade e a precisão podem variar.
O poema narrado reflete sobre a vida e a morte de um trabalhador rural no Nordeste brasileiro. Acompanha-se o cortejo fúnebre enquanto se destaca a dura realidade da desigualdade na distribuição de terras.
domingo, 9 de agosto de 2026
Lula agiu como se o Estado fosse ele, por Lourival Sant’AnnaO Estado de S. Paulo
O governo brasileiro rebaixou o status das relações diplomáticas com dois de seus principais parceiros, Estados Unidos e Argentina. As hostilidades partiram deles. O Brasil poderia ter manifestado sua reprovação de forma a estancar as crises. Mas preferiu agravá-la, por um cálculo eleitoral, com consequências prejudiciais para o País.
O Departamento de Estado anunciou, no dia 1.º de junho, a designação do deputado republicano Daniel Perez para o posto de embaixador em Brasília. Fez isso sem antes consultar o governo brasileiro, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
Diante da afronta, o Itamaraty congelou o pedido de agrément, sem o qual Perez não pode assumir o posto. O Departamento de Estado seguiu nos trâmites para a nomeação no Senado, concluídos na sextafeira, como parte de um pacote de 74 novos embaixadores.
Além disso, o Itamaraty recusou vistos a três funcionários do Departamento de Estado: Darren Beatty, chefe da pasta de Brasil, que tentou vir em março visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão; Riley Barnes e Samuel Samson, do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e do Trabalho, que buscavam esclarecimentos sobre o sistema eleitoral.
Em resposta, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela pode continuar representando o Brasil em Washington, mas, se deixar os EUA, terá de pedir novo visto para voltar. O Itamaraty reagiu dizendo que não concederá o agrément antes das eleições de outubro, nas quais esses funcionários teriam planos de interferir.
RESPOSTA. A diplomacia brasileira poderia ter protestado contra o atropelo da praxe diplomática na designação de Perez e concedido o agrément. Poderia, igualmente, ter permitido a entrada dos funcionários americanos e demonstrado a eles a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O presidente Javier Milei veio à convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, expressou apoio ao candidato e chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”. De volta à Argentina, repetiu os insultos.
Lula não respondeu, mas chamou de volta o embaixador Júlio Bitelli e rebaixou a representação em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Isso, apesar de o chanceler argentino, Pablo Quirno, ter manifestado o desejo de manter boas relações diplomáticas, e de Milei ter autorizado a entrada de militares e embarcações do Brasil para um exercício conjunto entre os dias 13 a 24.
À maneira do absolutismo, Lula agiu como se o Estado fosse ele. O certo seria deixar argentinos e americanos falando sozinhos. Ou responder, mas sem arrastar a diplomacia junto.
A tática da touradaTrump desgasta o presidente brasileiro ao antecipar movimentos e explorar suas reações
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"COMUNICAÇÃO, DE ACORDO COM O QUE ENSINARAM OS MESTRES DA ECA (USP), NÃO É O QUE O EMISSOR EMITE, MAS O QUE O RECEPTOR CAPTA."
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Antonio Lavareda analisa : Chapas "puro-sangue" evidenciam divisão da direita | SbtNews
"Armindo , e essa turma sempre falam coisas terríveis e eles continuam ricos."
" O ponto central é que esses economistas apoiaram o governo atual no segundo turno por medo de rupturas institucionais, e não por concordarem com o plano econômico. Hoje, eles continuam apontando os erros fiscais e os riscos de inflação e juros altos do mesmo jeito."Veredito: O tribunal da existência humana é absolvido pelo próprio absurdo, e o réu — a humanidade inteira — é condenado a viver na ficção que criou para si mesma.
A vida, Davi — à vera, é a vida
Não é a da que vi
Mas a que viviUm chamado João - Carlos Drummond de AndradeCANTINHO DA POESIA
3 de jan. de 2022
Leitura do poema "Um chamado João", composto por Drummond em 22 de novembro de 1967, apenas três dias após a morte de Guimarães Rosa. Originalmente publicado no jornal "Correio da manhã".Brasil pode entrar em forte recessão, diz Armínio Fraga | #CentraldeNotíciasSBT News
Lula já está pior que a Dilma,
povo está endividado e Lula enganando.
Lula socou crédito fácil o povo iludido se endividando,esse é o desgoverno LULA.
⚡️A RECESSÃO DE LULA JÁ ESTÁ INSTALADA NO BRASIL.
Fator Lulinha: o dia em que a PF suspeitou de negócios do filho do presidente
há 11 horas
Zema responde 'sim' e 'não' para questões...
"Padre Kelmon ZEMADIANO MEDIANOFar" (nome completo: Kelmon Luís da Silva Souza ZEMA) — O candidato que não governa, não prega e não perde a chance de privatizar até a água benta no debate da rodada.
A vida, Davi — à vera, é a vida
Não é a da que vi
Mas a que vivi
PassaredoChico Buarque
Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Composição: Chico Buarque, Francis Hime.Águas De Março
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Águas De Março · Antonio Carlos Jobim
Matita Perê
℗ 1973 Universal Music Ltda
1 música
Águas De MarçoAntonio Carlos JobimMatita Perê
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The Opinion Pages | ESSAY
A Promessa Imutável da América: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo
As recentes e insistentes tentativas do Poder Executivo de esvaziar a essência da Cláusula da Cidadania desafiam o âmago do compromisso constitucional norte-americano perante o mundo.
Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados
A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.
O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original
A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.
"O direito à cidadania não é uma concessão revogável ao sabor dos humores políticos de uma época; é o alicerce fundamental sobre o qual erguemos uma sociedade baseada na igualdade perante a lei e na dignidade humana básica. Modificar ou restringir essa promessa àqueles que nascem sob a nossa bandeira é desfigurar o farol de liberdade que oferecemos ao resto do mundo."
— Chief Justice John Roberts
O Pilar Jurisprudencial Centenário
O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
A Recente Confirmação Jurisprudencial: Ao rejeitar tentativas anteriores de mitigação do jus soli por maiorias expressivas, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo margem discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. A Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.
O Peso da Canetada contra o Alicerce da Lei: Em nova ofensiva executiva, a Casa Branca tenta desgastar as garantias centenárias de cidadania por nascimento (jus soli) inscritas na 14ª Emenda da Constituição, desafiando diretamente a jurisprudência da Suprema Corte e o equilíbrio dos poderes na República.
Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos
Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar fluxos migratórios na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde inconformidades administrativas de trânsito com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.
Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.
Epílogo: O Acorde Inquebrantável da Pátria-Mundo ao Som de Jobim e Sinatra
Quando a política se perde no ruído dos decretos e das cercas, é a arte que resgata a harmonia do pacto fundacional. Sob o céu de Nova York, o piano de Tom Jobim — o maestro que cruzou o Atlântico para fundir a síncope da Bossa Nova com a sofisticação do Jazz — desenha uma partitura que nenhuma canetada consegue apagar. O encontro de sua melodia com o fraseado imortal de Frank Sinatra lembra que a identidade americana não se decreta; ela se compõe na abertura ao mundo.
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The Opinion Pages | ESSAY
A Inviolabilidade do Jus Soli: O Texto, a História e a Defesa da 14ª Emenda Contra o Arbítrio Executivo
Por Um Conselho de Juristas e Colaboradores Convidados
A reiteração de ordens executivas que visam amputar a eficácia da Cláusula da Cidadania da Décima Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos representa mais do que uma afronta à jurisprudência pacificada; constitui uma tentativa de subversão da própria arquitetura constitucional republicana. Ao buscar excepcionar categorias de indivíduos nascidos sob a jurisdição norte-americana, o Poder Executivo incorre em manifesto desvio de poder, colidindo frontalmente com o comando literal do texto magno e com a intenção original de seus precursores.
Para compreender a gravidade do atual dissenso, cumpre resgatar a gênese e o escopo hermenêutico do preceito violado:
O Império do Texto e a Vontade Constituinte Original
A Ruptura com Dred Scott: A Décima Quarta Emenda, ratificada em 1868, foi promulgada com o escopo precípuo de sepultar a infame decisão da Suprema Corte no caso Dred Scott v. Sandford (1857). O texto constitucionalizou o princípio do jus soli absoluto para erradicar a tese de que determinados grupos humanos poderiam ser privados de personalidade jurídica por critérios de ancestralidade ou estatuto civil dos genitores.
A Abrangência da Expressão "Sujeitos à sua Jurisdição": O debate parlamentar conduzido pelo senador Jacob Howard em 1866 delimitou taxativamente as únicas exceções à regra do nascimento: filhos de diplomatas estrangeiros (que gozam de imunidade soberana) e forças militares invasoras em tempo de guerra. Imigrantes, independentemente de sua regularidade migratória, encontram-se plenamente submetidos à soberania e às leis civis e penais dos Estados Unidos, preenchendo o requisito da sujeição jurisdicional.
O Pilar Jurisprudencial Centenário
O Precedente Wong Kim Ark (1898): No julgamento referencial United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte fixou o entendimento de que o filho de cidadãos chineses nascido em solo americano era indiscutivelmente cidadão dos Estados Unidos. O Tribunal assentou que a 14ª Emenda adotou a Common Law inglesa, segundo a qual o nascimento dentro do território territorial gera o vínculo indissolúvel da cidadania, independentemente do estatuto dos pais.
A Recente Confirmação em Trump v. Barbara (2026): Ao rejeitar o primeiro decreto presidencial por uma maioria de 6 a 3, a Suprema Corte reafirmou que o texto constitucional não outorga ao Executivo admissão discricionária para estratificar o direito de solo de acordo com a política migratória de ocasião. O juiz John Roberts bem asseverou que a Cláusula da Cidadania atua como um limite rígido à hipertrofia do Executivo.
Da Ineficácia Jurídica dos Novos Decretos
Incompetência Ratione Materiae: O preceito da cidadania por nascimento encontra-se cristalizado no plano constitucional. Trata-se de cláusula pétrea imune a restrições via decreto executivo (Executive Orders) ou mesmo por legislação ordinária do Congresso. Qualquer alteração em seu núcleo essencial exige o complexo rito do Artigo V da Constituição (Emenda Constitucional).
O Abuso da Doutrina de "Inimigos Estrangeiros" (Alien Enemies): A tentativa de enquadrar imigrantes indocumentados ou beneficiários de vistos temporários na exceção de "inimigos estrangeiros" deturpa institutos do Direito Internacional Público. Tal analogia confunde delinquência administrativa migratória com o estado de beligerância formal entre nações soberanas, incorrendo em manifesto vício de fundamentação jurídica.
Diante do cenário de reincidência, impõe-se a pronta atuação do Poder Judiciário Federal por meio do controle difuso de constitucionalidade. Cabe aos magistrados de instâncias inferiores, imbuídos do dever de guarda da supremacia constitucional, conceder provimentos de urgência (preliminary injunctions) para sustar a eficácia dos novos decretos, preservando a higidez do ordenamento jurídico e resguardando o direito subjetivo e inalienável dos nascituros em solo pátrio.