Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
Líder do governo usa gravata da sorte de Lula em sabatina de MessiasMetrópolesO líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco.O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU. Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles
Entre a convicção e o controle: a prova silenciosa do poder
Há momentos em que o direito deixa de ser apenas norma e se revela como drama. Não o drama retórico dos discursos preparados, mas aquele, mais exigente, em que a linguagem falha e, com ela, expõe-se o próprio sujeito diante da responsabilidade que pretende assumir. Foi nesse intervalo — entre o que se quis dizer e o que efetivamente se disse — que se evidenciou uma tensão antiga, descrita com precisão por Max Weber: a tensão entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade.
O procurador-geral, ao sustentar sua posição, buscou delimitar três planos: a convicção pessoal, a posição institucional e a decisão jurisdicional. A arquitetura era correta. Trata-se, afinal, do núcleo da racionalidade jurídica moderna: a separação entre o sujeito que pensa, o agente que atua e o juiz que decide. No plano do controle constitucional, essa distinção não é apenas desejável — é indispensável. Sem ela, o direito se dissolve na vontade; com ela, pretende-se conter o arbítrio pela forma.
Mas o direito, como já sugeria Weber, não se sustenta apenas na correção conceitual. Ele exige uma ética da condução. E conduzir, nesse contexto, significa suportar o peso das consequências — inclusive as consequências da própria palavra.
O que se observou não foi a ausência de teoria, mas a falha em sua encenação prática. Ao embaralhar a ordem dos elementos que pretendia distinguir, o sabatinado não apenas cometeu um deslize formal; ele deixou entrever a dificuldade de habitar, com precisão, o espaço que separa convicção e responsabilidade. E é precisamente nesse espaço que se constitui a autoridade de quem pretende exercer funções no topo do sistema de controle constitucional.
O Supremo Tribunal Federal, enquanto instância última de interpretação da Constituição, não opera no registro da intenção, mas no da consequência. Seus membros não são avaliados apenas pelo que pensam, mas pela capacidade de transformar pensamento em decisão estável, compreensível e institucionalmente defensável. A linguagem, nesse cenário, não é ornamento: é instrumento de poder. Quando falha, não compromete apenas a forma — fragiliza a confiança na substância.
A ética da convicção, isoladamente, poderia justificar qualquer coerência interna. A ética da responsabilidade, por sua vez, exige algo mais difícil: a antecipação dos efeitos, a contenção de si e a clareza diante do outro. Para Weber, a maturidade política reside justamente na capacidade de sustentar ambas sem colapsar em nenhuma. O que se viu, porém, foi um curto-circuito: a convicção não encontrou forma, e a responsabilidade não encontrou expressão.
Nesse sentido, a sabatina não foi apenas um ritual institucional. Foi um teste de vocação no sentido mais exigente do termo weberiano. Não se tratava de verificar adesões ideológicas, mas de aferir a capacidade de operar o direito sob as condições reais do poder — onde o tempo é curto, a pressão é alta e o erro não é neutro.
A decisão dos senadores, nesse contexto, não pode ser reduzida à metáfora da omissão. Ao contrário, ela expressa o exercício — ainda que permeado por interesses — de uma responsabilidade política concreta. Ao avaliar aquele que, potencialmente, viria a julgar seus próprios atos, o Legislativo não busca pureza, mas previsibilidade. E previsibilidade, no direito, começa pela clareza.
Há, por fim, uma ironia silenciosa nesse episódio. O esforço do sabatinado foi o de afirmar que saberia separar suas convicções das exigências do cargo. O efeito produzido, entretanto, foi o oposto: revelou-se a dificuldade de sustentar essa separação justamente quando ela se tornava necessária.
O direito constitucional contemporâneo não carece de intérpretes que saibam o que dizer. Carece, antes, daqueles que saibam dizer quando importa — e como importa. Entre a convicção e a responsabilidade, não há espaço para hesitação performativa. Há, sim, a exigência de uma lucidez que não se aprende apenas nos livros, mas se prova na exposição pública do próprio juízo.
E é nesse instante — breve, decisivo e irreversível — que o direito deixa de ser teoria e se transforma, definitivamente, em poder.
Pilate Washing His Hands, from "The Passion"Albrecht Dürer German
1512
🪶 Legenda
Se Max Weber estivesse diante dessa gravura, a leitura seria quase inevitável
Aqui não se vê a abdicação do poder, mas sua forma mais sutil: a tentativa de dissociar a decisão de suas consequências. A mão que se lava não anula o ato que já se consumou. Entre a convicção íntima e a responsabilidade objetiva, não há água suficiente que purifique o agente do mundo que ele próprio ajuda a produzir. Quem decide, responde — ainda que o faça sob o abrigo de fórmulas, ritos ou palavras. A ética da responsabilidade começa precisamente onde termina a ilusão de inocência.
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“E não mais ensinará cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: — Conhece o Senhor! Porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.” — Paulo. (HEBREUS, 8.11)Pão Nosso #041 - No futuroNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 19 de jul. de 2022
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.1 Quando o homem gravar na própria alma os parágrafos luminosos da Divina Lei,
2 O companheiro não repreenderá o companheiro, o irmão não denunciará outro irmão.
3 O cárcere cerrará suas portas, os tribunais quedarão em silêncio.
4 Canhões serão convertidos em arados, homens de armas volverão à sementeira do solo.
5 O ódio será expulso do mundo, as baionetas repousarão.
6 As máquinas não vomitarão chamas para o incêndio e para a morte, mas cuidarão pacificamente do progresso planetário.
7 A justiça será ultrapassada pelo amor.
8 Os filhos da fé não somente serão justos, mas bons, profundamente bons.
9 A prece constituir-se-á de alegria e louvor e as casas de oração estarão consagradas ao trabalho sublime da fraternidade suprema.
10 A pregação da Lei viverá nos atos e pensamentos de todos, porque o Cordeiro de Deus terá transformado o coração de cada homem em tabernáculo de luz eterna, em que o seu Reino Divino resplandecerá para sempre.
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.41NO futuro
"E é essa busca pela beleza que fez o escritor e pintor japonês Okakura Kakuzô dizer que “a única flor dotada de asas é a borboleta”. Pois a borboleta, como a índia Libertina, nasceu para voar e ser absolutamente livre."*Ivan Alves Filho, historiadorPois é, flor!
É de notar-se a presença dos irmãos e pais de Eurípedes, já então, conversos ao espiritismo, assinalando expressivamente o sakytar amagnetismo, que a pessoa e o trabalho de Eurípedes provocavam no âmbito familiar.
(...)
"Tudo bem até a madrugada, quando fui vencido pelo sono e Pedro fugiu.
Quando acordei, pela manhã, e me dei conta do ocorrido fiquei preocupado, evidentemente.
De repente, o Pedro chega e me diz:
- Voltei, Mutum, porque é você."
EURÍPEDES O HOMEM E A MISSÃO
CORINA NOVELINO
pp. 96-98
Haroldo Dutra Dias - Parábola dos Talentos - Texto e ContextoCEEB - Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo
4 de ago. de 2016 Novo Testamento
Áudio da palestra "Parábola dos Talentos - Texto e contexto" proferida por Haroldo Dutra Dias em Rondonópolis - MT no dia 31/07/2016 transmitido pela Web Rádio Fraternidade.Acesse e confira a programação, podendo ouvir esta e outras palestras em www.radiofraternidade.com.br.Parábola dos talentos – O Evangelho Segundo o EspiritismoCap. 16 - Servir a Deus e a Mamon6 – Porque assim é como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens. E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo. O que recebera pois cinco talentos, foi-se, e entrou a negociar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que havia recebido um, indo-se com ele, cavou na Terra, e escondeu ali o dinheiro de seu senhor. E passando muito tempo, veio o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. E chegando-se a ele o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregastes cinco talentos; eis aqui tens outros cinco mais que lucrei. Seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo do teu senhor. Da mesma sorte apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, e eis aqui tens outros dois que ganhei com eles. Seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel, já que fostes fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de teu senhor.
E chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na Terra; eis aqui tens o que é teu. E respondendo o seu senhor, lhe disse: Servo mau e preguiçoso, sabia que sego onde não semeei, e que recolho onde não tenho espalhado. Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido certamente com juro o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai ao que tem dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem. E ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes. (Mateus, XXV: 14-30).
ESE: cap. 16 - Servir a Deus e a MamonO evangelho segundo o espiritismo online
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O Livro dos Espíritos. 150 Anos Capa dura – 25 julho 2007
Edição Português por Allan Kardec (Autor)
4,8 4,8 de 5 estrelas (1.361)
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Esta edição de 'O Livro dos Espíritos' apresenta, além de seu conteúdo, algumas modificações tais como - O aviso introdutório, em que Allan Kardec faz uma apreciação da obra, destacando as diferenças entre a 1ª e 2ª edição, sobretudo o aumento do número de perguntas, de 501 para 1019; A nota explicativa que se segue ao 'Prolegômeno'; A errata que só apareceu na 5ª edição francesa, de 1861, não tendo sido incorporada ao texto do livro nas edições posteriores, salvo a supressão da expressão 'e intuitiva', na resposta à pergunta de número 586 constada a partir da 10ª edição francesa, de 1863.
📌 Sinopse(estilo legenda)
A edição comemorativa de O Livro dos Espíritos reúne o texto original revisado por Allan Kardec com acréscimos históricos importantes. Segundo a editora, esta versão inclui o aviso introdutório (com análise das diferenças entre a 1ª e 2ª edição, destacando o aumento de 501 para 1019 perguntas), a nota explicativa após o “Prolegômeno” e a errata da 5ª edição francesa (1861), além de ajustes posteriores como a supressão da expressão “e intuitiva” na questão 586 a partir de 1863.
📖 Resumoem texto corrido
A apresentação explica que esta edição especial foi baseada nos originais franceses, especialmente na segunda edição de 1860, considerada a base do conteúdo, com revisões feitas por Allan Kardec ao longo das edições seguintes, sendo a 12ª a versão definitiva. A obra incorpora materiais adicionais relevantes, como o aviso introdutório, a nota explicativa e a errata, que ajudam a compreender a evolução do texto ao longo do tempo. Publicada em comemoração aos 150 anos do livro, a edição também expressa gratidão aos Espíritos Superiores e reconhece o papel de Kardec na organização da doutrina espírita, apresentada como continuidade dos ensinamentos de Jesus e como caminho para a evolução moral da humanidade.
O Elogio da Miséria Conveniente: Um Guia para o Trabalhador Moderno
É comovente, se não estritamente científico, observar a dedicação com que os doutos de nossa República cuidam de vosso sustento. Enquanto o senhor, meu caro operário ou aposentado, ocupa-se na vulgar tarefa de contar moedas para o quilo do feijão, há homens de espírito elevado em Brasília que se dedicam a um exercício de abstração muito mais nobre: a estatística.
I. A Doce Miragem da Remuneração
Não confunda, por favor, a “remuneração” com o “salário”. A lei, em sua infinita bondade, permite que o senhor receba gorjetas, bônus por não ter adoecido e gratificações por ter dobrado o espinhaço. Mas o “salário base” — aquele que o senhor realmente leva para a aposentadoria — este permanece numa modéstia monástica.
É uma virtude quase espiritual: quanto menos se recebe, menos se gasta com as futilidades da carne. O “vencimento” é o nome que o Estado dá à mesma coisa, mas com um verniz de autoridade, para que o funcionário público sinta-se um pouco menos pobre por possuir um título mais solene.
II. O Salário Mínimo e a Dieta da Prosperidade
O salário mínimo de 2026, fixado em R$ 1.621,00, é uma obra-prima da engenharia econômica. Calculado com tal precisão que o senhor terá exatamente o necessário para não morrer de fome — mas jamais o suficiente para ter energia para uma revolta.
O “aumento real” — aquele acréscimo de 2,5% acima da inflação — é o que chamamos de generosidade estatística. Na planilha do governo, o senhor está mais rico; no caixa do supermercado, o senhor apenas descobre que o papel-moeda continua sendo um material muito frágil.
III. A Inflação: Um Imposto para os Esquecidos
Os técnicos falam em médias elegantes que incluem passagens aéreas e televisores de última geração. Se o preço do caviar cai e o do gás de cozinha sobe, a média sorri e declara: “está tudo sob controle”.
Que maravilha! O senhor, que não consome luxo, mas precisa cozinhar e comer, torna-se vítima de sua própria insistência em ter necessidades básicas. A inflação do pobre é mais severa porque insiste em atingir exatamente aquilo que ele não pode deixar de comprar.
IV. A Ironia da Estabilidade
O atual regime social brasileiro alcançou uma estabilidade admirável: mantém o trabalhador em estado constante de esperança. Ele acredita que o reajuste o salvará — enquanto o sistema garante que o reajuste apenas o devolva ao ponto de partida.
É o mito de Sísifo reescrito: em vez de uma pedra, o senhor empurra um carrinho de compras vazio ladeira acima.
—
Se desejar, ó bravo mantenedor da nação, podemos aprofundar esta análise:
• As alíquotas que diminuem o presente em nome de um futuro igualmente modesto.
• A tributação que ignora o empobrecimento gradual.
• E o crédito que transforma sonhos simples em compromissos duradouros.
Feliz Dia do Trabalhador.
Vai, Mas Vai Mesmo
"O trabalho é um dever, todos devem respeitar
O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar
Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar
Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar
Eu vou trabalhar"
🎵 João Gilberto & Miúcha – Izaura (1973)
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s
🔗 https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/
🧭 Reflexão – Dia do Trabalhador
Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro.
🗣️ Debate público
“Valor do salário mínimo é muito baixo”, diz Lula
“Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz”
📰 Editorial
Mais uma chance para o STF
Por O Estado de S. Paulo
A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal representa um marco político relevante e um sinal claro de tensão entre os Poderes. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado rejeitou um indicado presidencial à Corte, gesto interpretado como uma forma de censura institucional.
O episódio reflete um descontentamento crescente com o STF, frequentemente acusado de atuar com motivações políticas. Ao mesmo tempo, reposiciona o Senado como ator ativo no equilíbrio entre os Poderes.
O texto defende que o Supremo tem agora uma oportunidade de reavaliar sua atuação, resgatando limites institucionais e o chamado “prumo republicano”.
🎵 Ataulfo Alves – Vai, Mas Vai Mesmo
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
(trecho)
Composição: Ataulfo Alves
🔗 https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/
📰 Editorial
O problema da carona em jatinhos
Por O Estado de S. Paulo
A investigação sobre um voo envolvendo autoridades públicas reacende o debate sobre práticas informais em Brasília — como o uso de aeronaves privadas por agentes públicos.
Ainda que nem sempre configure ilegalidade, o texto destaca o problema institucional dessas relações, que podem comprometer a percepção de independência e integridade.
A crítica central é clara: a erosão das instituições começa nos pequenos gestos.
🎵 Tom Jobim – Samba do Avião
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
(trecho)
Composição: Tom Jobim
📰 Análise Política
O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia
Por Luiz Carlos Azedo
O artigo propõe uma leitura cultural da política brasileira:
São Paulo → espírito modernista (dinâmico, pragmático, em transformação)
Bahia → tradição barroca (irônica, crítica, marcada por permanências históricas)
A análise sugere que o comportamento eleitoral reflete essas matrizes culturais profundas, indo além de explicações puramente econômicas ou ideológicas.
🎵 Toquinho – Samba de Orly
Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
(trecho)
Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes
🧠 Bastidores políticos
A relação entre Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT reflete:
Alinhamento na corrente majoritária (CNB)
Diferenças de estilo:
Wagner → pragmatismo e articulação institucional
Dirceu → estratégia partidária e mobilização ideológica
Ponto central:
Uma parceria estratégica com tensões internas típicas de partidos longevos.
🎥 Vídeo – Jaques Wagner
🎥 Debate político – MyNews
📰 Análise crítica (UOL News)
“Uma enciclopédia de erros” em cinco meses
Sugestões de legenda:
📰 Neutra: análise crítica sobre políticas recentes
🧠 Analítica: síntese do debate político atual
⚖️ Crítica: avaliação dura da condução governamental
✍️ Literária: expressão de desencanto contemporâneo
📰 Opinião
O PT e seu programa sem futuro
Por Maria Hermínia Tavares
O texto critica o documento programático recente do PT por:
Falta de conexão com demandas reais da população
Ausência de foco em temas centrais (segurança, saúde)
Propostas genéricas e pouco operacionais
Conclusão: há um descompasso entre o partido real e sua formulação teórica.
🎵 Chico Buarque – Trocando em Miúdos
Eu bato o portão sem fazer alarde
E a leve impressão de que já vou tarde
(trecho)
🔚 Fecho editorial
“Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde.”
✅
Vai, Mas Vai Mesmo"O trabalho é um dever, todos devem respeitar
O Izaura me desculpe, no domingo eu vou voltar
Seu carinho é muito bom, ninguém pode contestar
Se você quiser eu fico, mas vai me prejudicar
Eu vou trabalhar"JOÃO GILBERTO & MIÚCHA - Izaura1973
https://www.youtube.com/watch?v=PSrYujXXSdE&t=10s
https://www.letras.mus.br/joao-gilberto/46567/
Neste Dia do Trabalhador, a homenagem aos trabalhadores também convida à reflexão: entre discursos e realidade, permanece o desafio de garantir condições dignas, segurança e perspectivas concretas de futuro."VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO É MUITO BAIXO", DIZ LULAPõe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Mais uma chance para o STF
Por O Estado de S. PauloRejeição de Messias foi uma espécie de ‘impeachment’ que colocou o Supremo numa encruzilhada: ou a Corte recobra o prumo republicano ou se sujeita a sanções de efeitos imprevisíveis
A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), evento inédito na história republicana recente, foi um potente sinal de alerta emitido pelo Senado. Considerando que, em 132 anos, jamais um indicado ao STF pelo presidente da República teve seu nome rejeitado pelos senadores, é correto afirmar que Messias já pisou no Congresso na manhã de quarta-feira passada como virtual ministro, crente que lá estava só para cumprir tabela. Assim, na prática, seu infortúnio pode perfeitamente ser lido como uma espécie de “impeachment” informal, algo semelhante a uma moção de censura a certos desvios que, reiteradamente, têm sido cometidos por ministros da Corte.
É claro que não assistimos a um arroubo inconsequente dos senadores. Em amplos segmentos da sociedade, grassa um profundo descontentamento com os rumos do STF, percebido, com razão, como um tribunal que age por motivações políticas e por um espírito de corpo que, à luz das implicações de alguns de seus integrantes no escândalo do Banco Master, soa como acobertamento. Os senadores não são alheios aos humores de suas bases. Por óbvio, capturaram a malaise e sinalizaram ao STF que o eventual impeachment de ministros não está só no radar do Senado – está na alça de mira.
Nesse sentido, a rejeição de Messias sepultou a ideia de que “impeachment” seria um termo impronunciável quando relacionado a ministros do STF. E sobre isso é bom que se diga que não se tratou de uma ameaça, mas antes da reafirmação de um instrumento constitucional legítimo que, até agora, apenas dormitava no campo das hipóteses. Logo, ao demonstrar capacidade de, a um só tempo, contrariar o governo e impor limites ao Supremo, o Senado reposicionou o impeachment de ministros no horizonte político do País.
Alguns no STF talvez acreditem estar blindados contra reveses no Senado pela circunstancial associação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), outro potencial implicado no caso Master. O fundo de pensão dos servidores públicos do Amapá, controlado por aliados de Alcolumbre, investiu milhões de reais em títulos podres emitidos por Daniel Vorcaro. Mas, se existe, esse mutualismo é frágil. Nada garante a reeleição do presidente do Senado no início da próxima legislatura. A depender do resultado das urnas, há, no mínimo, dois fortes candidatos à sucessão de Alcolumbre publicamente reconhecidos como tais: Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN).
Diante dessas perspectivas nada alvissareiras, o STF tem mais uma chance de se recolher, pôr a mão na consciência e recobrar o prumo republicano. Chega de ministros censurando cidadãos a torto e a direito por suas opiniões. Chega de ministros ameaçando e caluniando abertamente parlamentares no exercício do mandato, como fizeram Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Chega de concentração de poder na figura de Alexandre de Moraes, que há anos comanda com mão de ferro inquéritos que já deveriam ter sido encerrados. Chega de ministros que acham que têm o poder de falar pela Corte, como o calouro Flávio Dino, que foi à imprensa pontificar sobre uma ampla reforma do Judiciário, e Gilmar Mendes, que fez uma turnê de entrevistas para supostamente defender o STF, colhendo resultado diametralmente oposto. Chega de ministros que se põem acima das leis, infensos ao escrutínio público.
Louve-se, em sentido oposto, a postura do presidente do Supremo, Edson Fachin, que, ao comentar a decisão do Senado, relembrou que ainda há laivos de dignidade na mais alta corte do País. Sua nota pública – sóbria, respeitosa, democrática – reafirmou o papel do STF e mostrou por que apenas seu presidente deve falar em nome da instituição. A propósito, é vergonhosa a forma como Fachin tem sido tratado por alguns colegas, como se o comando informal do Supremo estivesse nas mãos de leões-de-chácara.
Em suma, o tranco da rejeição de Messias oferece a alguns ministros do Supremo uma nova oportunidade de reflexão, permitindo-lhes, se acaso quiserem, recalibrar sua atuação à luz dos limites que a Constituição impõe. Aproveitar ou desperdiçar a chance, com suas consequências, é escolha deles.
Vai, Mas Vai MesmoAtaulfo Alves
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Vai, vai mesmo
Eu não quero você mais, nunca mais
Tenha santa paciência
Põe a mão na consciência
Deixe-me viver em paz
Sai de vez do meu caminho
Dê a outro o seu carinho
Me abandone por favor, ai que dor
Você machucou meu peito
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor
Sai de vez do meu caminho
Dê a outro o seu carinho
Me abandone por favor, ai que dor
Você machucou meu peito
Não tem mais o direito
De mandar no meu amor
Composição: Ataulfo Alves.
https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/66722/
https://www.youtube.com/watch?v=An0jwdb0wvQ&t=5s
O problema da carona em jatinhosPor O Estado de S. PauloSuspeita de contrabando em voo no qual estavam parlamentares evidencia a relação cinzenta entre autoridades e empresários, considerada natural em Brasília, mas nociva às instituições
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em aeronave do empresário Fernando Oliveira Lima, investigado no âmbito da CPI das Bets, após a entrada irregular de bagagens no País. Durante a apuração, constatou-se que estavam a bordo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal diante da possibilidade de envolvimento de autoridades com foro, e imagens mostram um funcionário do empresário transportando volumes por fora do raio X com possível facilitação de um auditor fiscal.
Pode até ser que os parlamentares em questão não tenham nada a ver com o possível caso de contrabando, algo que só as investigações poderão mostrar, mas o episódio em si mesmo é obviamente constrangedor – e poderia ter sido perfeitamente evitado se os mencionados parlamentares tivessem recusado a carona, como deveria fazer qualquer político preocupado com sua imagem e com o respeito aos mais comezinhos princípios republicanos.
O problema é que, em Brasília, há práticas típicas, como a carona de parlamentares e magistrados em aeronaves privadas, que se tornaram até mesmo naturais, a despeito de claramente afrontarem esses princípios.
Ao longo dos anos, consolidou-se na capital federal uma espécie de tradição informal: às quintas-feiras, encerrada a agenda legislativa e judiciária, autoridades deixam a capital a bordo de jatinhos oferecidos por empresários. A cena é conhecida, reiterada e amplamente aceita nesse ecossistema.
O busílis, evidente, é que o favor nunca é de graça. Empresários podem até ter amigos, mas certamente têm muito mais interesses.
Ora, parlamentares dispõem de passagens aéreas custeadas pelo mandato. Ministros de tribunais superiores não enfrentam, em regra, obstáculos logísticos intransponíveis para voar em linhas comerciais. Quando, ainda assim, recorrem a aeronaves privadas, a questão deixa de ser operacional e passa a ser institucional.
Não se trata, necessariamente, de ilegalidade. Trata-se de algo mais sutil e, por isso mesmo, mais corrosivo: a diluição das fronteiras entre o público e o privado.
Um voo em jatinho não é um gesto trivial de cortesia. Trata-se de um benefício de alto valor econômico, inacessível à imensa maioria da população e, por definição, seletivo. Ao aceitá-lo, a autoridade pública estabelece uma relação de proximidade com quem o oferece. E proximidade, em política, raramente é neutra.
A prática não se restringe a episódios isolados. Reportagem de O Globo mostrou que o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso no âmbito das investigações do caso Master, viajou em jatinho ao lado de parlamentares e ex-ministros, em deslocamento típico de fim de semana, reforçando a rotina de compartilhamento de voos entre agentes públicos e interesses privados em Brasília. O relato de que parte dos passageiros nem sequer conhecia o dono da aeronave, mas “aproveitou a carona”, é revelador: o benefício se naturalizou a tal ponto que já não exige sequer vínculo prévio.
As explicações recorrentes variam de desconhecimento sobre a propriedade da aeronave até conveniência logística, passando por agendas incompatíveis com voos comerciais. Nenhuma dessas desculpas, por óbvio, é suficiente.
Convém insistir: o ponto não é presumir favorecimentos indevidos, tampouco imputar condutas ilícitas sem prova. O ponto é reconhecer que a lisura do agente público não se comprova apenas por meio da ausência de crime, mas também da aparência de isenção, no caso dos magistrados, e de respeito aos eleitores, no caso dos parlamentares.
A política brasileira costuma se indignar com escândalos explícitos. Tem mais dificuldade em lidar com as zonas cinzentas que os antecedem. A carona é uma delas, pequena o suficiente para parecer irrelevante, mas grande o suficiente para corroer, pouco a pouco, a credibilidade das instituições.
Porque, no fim das contas, a independência não se perde apenas em grandes decisões. Ela se dissolve, silenciosamente, nos pecadilhos cotidianos.
Samba do AviãoTom Jobim
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio teu mar, praias sem fim
Rio você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de Sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto
Estaremos no Galeão
Este samba é só porque
Rio eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar
Composição: Tom Jobim.
https://www.youtube.com/watch?v=fXS0tojxduM&t=70s
https://www.letras.mus.br/tom-jobim/49065/
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/wp-content/uploads/sites/20/2026/05/IMG_0045-1024x713.jpeg
O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e da Bahia
Publicado em 01/05/2026 - 09:39 Luiz Carlos AzedoPolíticaA liderança de Tarcísio expressa a São Paulo pragmática, voltada à infraestrutura e à segurança. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos
Tem certas coisas na política brasileira que merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias, ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições.
Com versos livres, Mario de Andrade captura um mosaico de tensões, ambições e identidades em disputa: “As ruas se cruzam num delírio de aço e de nervos,/ A cidade cresce como um organismo febril,/ E o homem corre, fragmento perdido no tumulto”. Essa São Paulo “desvairada” — caótica, dinâmica e contraditória — é a mesma que se revela no atual cenário eleitoral, no contrafluxo daquele que elegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) governador de São Paulo, em 2022. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na megalópole paulista, porém, foi muito importante para a sua volta à Presidência.
A liderança de Tarcísio, com cerca de 38% das intenções de voto, expressa a São Paulo pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com setores médios e empresariais. Contudo, o crescimento de Fernando Haddad (PT), que aparece com 26% e mantém forte presença entre mulheres e eleitores mais velhos, revela a persistência da outra São Paulo, mais social, mais estatal, mais sensível às políticas públicas e à inclusão.
O que surpreende não é o favoritismo de Tarcísio, mas a capacidade de resiliência e reorganização do campo progressista, representado por Haddad e por candidaturas ao Senado mais alinhadas à centro-esquerda, que acena ao centro por meio de Tebet. São Paulo continua, como na leitura de Mário de Andrade, um organismo vivo, em permanente mutação, onde o novo não elimina o velho — reconfigura.
Personalismo estruturado
Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos. Nascido em Salvador no século XVII, o poeta — conhecido como “Boca do Inferno” — fez da linguagem uma arma contra o poder estabelecido, denunciou a corrupção, a hipocrisia e os vícios da elite colonial. Sua obra é marcada pela ironia mais mordaz: “Que falta nesta cidade?… Verdade./ Que mais por sua desonra?… Honra./ Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha”. Trata-se de uma sociedade profundamente hierarquizada, tensionada por conflitos sociais e políticos latentes.
A herança barroca ajuda a compreender a persistência de estruturas políticas tradicionais na Bahia, especialmente o chamado carlismo, tradicionalmente influente no interior, hoje representado por ACM Neto (União), cujo principal patrimônio eleitoral, porém, está fortemente enraizado em Salvador, onde foi prefeito de 2013 a 2020. Com cerca de 41% das intenções de voto, ele lidera numericamente, em empate técnico com o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que aparece com cerca de 36% a 37%.
A resiliência dessas duas forças, como na poesia de Gregório de Matos, desnuda modernização econômica sem ruptura completa com estruturas de poder tradicionais e desigualdades persistentes. A política baiana não se organiza em torno de uma ruptura modernista, como em São Paulo, mas de uma tensão barroca, em que o novo, quando se sobrepõe, não consegue erradicar o antigo.
Não uma exclusividade baiana, a singularidade está no “modo de fazer política”, que não pode ser reduzido a caricaturas de personalismo ou atraso. Na leitura do cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, é um sistema sofisticado, historicamente moldado, que combina forte enraizamento territorial e um personalismo estruturado, com redes políticas duradouras, baseadas na lealdade, na mediação de interesses e na capilaridade.
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#ACMNeto, #Bolsonaro, #Haddad, #Jerônimo, #Tarcísio, Lula
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-modernismo-e-o-barroco-nas-eleicoes-de-sao-paulo-e-da-bahia/
Como coordenar a gravata com terno azul marinho
“A relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo de José Dirceu no PT é pautada por um alinhamento histórico dentro da corrente majoritária, a Construindo um Novo Brasil (CNB), embora ambos ocupem papéis distintos na dinâmica atual do partido.Alinhamento e Influência na CNBAmbos são figuras centrais da Construindo um Novo Brasil, a ala que detém a maioria da direção nacional e regional do PT.Jaques Wagner atua hoje como a face institucional e moderadora, sendo o principal articulador político do governo no Senado.José Dirceu, embora sem cargo oficial, continua como um dos principais ideólogos e estrategistas de bastidores do grupo.O grupo de Dirceu frequentemente defende Wagner como uma alternativa de liderança e "plano B" em cenários de crise ou sucessão, como ocorreu em momentos de incerteza sobre candidaturas presidenciais.Divergências Estratégicas e "Mudança Geracional"Apesar da base comum, surgiram pontos de tensão pública e privada sobre o futuro da legenda:Renovação vs. Velha Guarda: Wagner tem defendido abertamente uma “mudança geracional” e de conteúdo no PT para atualizar o apelo da esquerda.Críticas de Dirceu: Recentemente, Dirceu tem adotado um tom mais crítico, apontando falta de debate interno e alertando para o envelhecimento das lideranças, citando o próprio Wagner e Lula como exemplos desse desafio.Pragmatismo: Wagner é visto como o "diplomata" que dialoga com o centro, enquanto o grupo de Dirceu tende a focar na mobilização da base militante e na defesa ideológica rígida do partido.O Fator 2026A relação entre os dois é estratégica para a manutenção da hegemonia do PT na Bahia e no plano federal.Bahia como Elo: Dirceu e outras lideranças da CNB endossam publicamente a chapa com Jaques Wagner ao Senado em 2026, vendo-o como peça-chave para a reeleição de Lula.Articulação: Enquanto Wagner foca em governabilidade no Congresso, o grupo de Dirceu trabalha para reorganizar o PT para enfrentar o avanço da extrema direita nas próximas eleições.⚓ Ponto Central: Wagner e Dirceu são aliados "orgânicos" da ala majoritária, mas Wagner representa hoje a ala pragmática de governo, enquanto o grupo de Dirceu atua como a consciência estratégica e, por vezes, crítica da estrutura partidária.”
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apareceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), usando a gravata da sorte com listras nas cores verde, amarelo, azul e branco.O acessório é o mesmo utilizado pelo presidente Lula em ocasiões especiais, como quando discursa na Assembleia Geral da ONU.
Imagens: Carolina Nogueira/ Metrópoles
"Sim, a relação entre o senador Jaques Wagner e o grupo liderado por José Dirceu é fundamentada no pertencimento comum à corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), antiga "Articulação".Alinhamento EstratégicoEmbora possuam estilos de atuação distintos, ambos compartilham a visão pragmática que consolidou a hegemonia da CNB no partido:Pragmatismo Político: Ambos defendem a política de alianças amplas para garantir a governabilidade.Sucessão e Liderança: Dirceu historicamente vê Wagner como um quadro de confiança e, em momentos de crise (como em 2018), chegou a defendê-lo publicamente como o "plano B" do PT para a Presidência.Papéis Complementares: Enquanto Wagner atua como um interlocutor moderado com o mercado e o Congresso (como Líder do Governo no Senado), Dirceu foca na organização partidária e na formulação de estratégias de longo prazo.Nuances e DivergênciasApesar da base comum, existem diferenças importantes na forma como cada um interage com o poder:Moderação vs. Enfrentamento: Wagner é frequentemente visto como a "ala moderada" da CNB, priorizando a diplomacia legislativa.Crises Internas: O estilo conciliador de Wagner por vezes gera atritos com alas mais à esquerda ou até com a cúpula do PT em Brasília (como ocorreu em episódios recentes de articulação no Senado), enquanto o grupo de Dirceu tende a um posicionamento partidário mais rígido.💡 Ponto de convergência: No cenário atual, ambos trabalham pela reabilitação institucional do PT e pela consolidação da sucessão presidencial de 2026, mantendo a CNB no comando da legenda."
VEJA O QUE SOBROU DA ARTICULAÇÃO DE LULA | CAFÉ DO MYNEWSMyNews
https://www.youtube.com/live/wusOOjAT0yg
Entrevista com candidata a deputada federal delegada Marta Rocha.Atualmente é deputada estadual do seu Rio de Janeiro."Mas veja
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão"Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes. 1974👇
Samba de OrlyToquinho
Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio
Mas veja
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão
Pede perdão
Pela duração
Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
Vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Pede perdão
Pela omissão
Um tanto forçada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
E vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Composição: Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes.
https://www.letras.mus.br/toquinho/49119/
https://www.youtube.com/watch?v=eZ6F_Lphrho&t=36s
Na legenda do vídeo está escrito:“que durou cinco meses, foi uma enciclopédia de erros”
Na parte inferior, aparece a marca “UOL 30 anos”.
Senado rejeita Messias: Lula sofreu pior derrota de sua vida política, diz Kotscho https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral
https://www.uol.com.br/flash/?c=d0556a3979e5f9621548ea469bff99f320260430&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral
Aqui vão algumas opções de legenda descritiva, prontas para publicação, com variações de tom:
📰 Legenda neutra (jornalística)
Comentário exibido no UOL News classifica determinado período como “uma enciclopédia de erros”, em análise crítica sobre a condução de políticas públicas ao longo de cinco meses.
🧠 Legenda analítica
Em participação no UOL News, analista avalia que um ciclo recente de cinco meses se configurou como “uma enciclopédia de erros”, reforçando o tom crítico presente no debate político atual.
⚖️ Legenda crítica (mais alinhada ao seu texto)
No UOL News, a avaliação é direta: “uma enciclopédia de erros” em apenas cinco meses — síntese dura que dialoga com críticas mais amplas à condução e ao rumo de políticas recentes.
✍️ Legenda mais opinativa/literária
“Uma enciclopédia de erros”, em cinco meses — a frase, destacada no UOL News, ecoa o tom de desencanto que atravessa parte do debate público contemporâneo.
Se quiser
"Sim, sua afirmação é estritamente correta e historicamente precisa no contexto da República brasileira. A rejeição do nome de Jorge Messias (Advogado-Geral da União) pelo Senado Federal em 29 de abril de 2026 constitui um evento sem precedentes sob a égide de uma democracia plena e eleições diretas.Fundamentação e JustificativaO Ineditismo Histórico: Antes deste episódio, as únicas rejeições de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreram em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. Naquela época, o Brasil vivia sob a Constituição de 1891, onde as eleições eram indiretas (para o primeiro mandato), o voto era aberto e havia as restrições citadas (exclusão de analfabetos, mulheres, etc.).A Votação de 2026: A indicação de Jorge Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rejeitada pelo Plenário do Senado por 42 votos contrários a 34 favoráveis (com 2 abstenções/ausências, considerando o total de 81 cadeiras).Para a aprovação, a Constituição Federal de 1988 exige maioria absoluta (41 votos).O rito seguiu o artigo 101, parágrafo único, que prevê a aprovação pelo Senado Federal após arguição pública (sabatina).Legitimidade Democrática: Diferente de 1894, o atual presidente foi eleito por voto direto, secreto e universal, em um sistema de sufrágio plenamente democrático. Portanto, Jorge Messias é, de fato, o primeiro indicado de um presidente eleito democraticamente a ter o nome barrado pela "Casa Alta".Tabela Comparativa de RejeiçõesPeríodoPresidenteContexto EleitoralIndicados Rejeitados1894Floriano PeixotoIndireto / Voto AbertoBarata Ribeiro e outros 4 nomes2026Luiz Inácio Lula da SilvaDireto / Sufrágio UniversalJorge MessiasConclusãoÉ correto concluir que a rejeição de Jorge Messias é um marco na história política brasileira. Ela encerrou um hiato de 132 anos sem vetos do Senado a escolhas presidenciais para a Corte. O evento destaca o atual equilíbrio (ou tensão) entre os Poderes, onde o Senado exerceu sua prerrogativa constitucional de "freios e contrapesos" de forma máxima, algo que nunca havia ocorrido com um presidente eleito pelo voto popular direto e secreto na história da República."
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia TavaresFolha de S. PauloDocumento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido realNão se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores
O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.
O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?
A segunda parte contém uma defesa pormenorizada do muito que o governo Lula efetivamente fez para recuperar o país do descalabro promovido durante a gestão da extrema direita —no plano da economia; da redistribuição; do meio ambiente; da cultura e das políticas sociais.
Finalmente, vêm as propostas, mais nacional-desenvolvimentistas do que social-reformadoras. O documento fala em "diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional", assentado em três eixos: a reconstrução do Estado como indutor do desenvolvimento; a aceleração do crescimento econômico com redistribuição de renda, riqueza e patrimônio; a transição produtiva, tecnológica e ambiental guiada pelo princípio da soberania nacional. A seguir, aparecem enfileiradas, sem distinção de importância, sete reformas: política e eleitoral; tributária; tecnológica; do Judiciário; administrativa; agrária; e da comunicação. Chama a atenção a falta de referência ao tema da proteção social, como se não houvessem mudanças a fazer na saúde, na educação, na assistência social, na previdência ou na legislação trabalhista.
Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores. Não há de ter sido da consulta às ruas, nas quais pesquisas de opinião têm mostrado reiteradamente que a segurança pública —ignorada no texto— e o atendimento à saúde, seguidos do custo de vida, constituem as principais preocupações da população. Tampouco parece vir do contato com a vida real dos pobres nas cidades, com suas aspirações de estabilidade e ascensão social, sua preocupação com a educação dos filhos e com protegê-los da vizinhança cotidiana do crime.
Por fim, mas não menos importante, parece não ter vindo da enorme experiência acumulada pelos bons quadros do partido, formados em quase 18 anos no exercício da Presidência, governos estaduais, prefeituras e casas legislativas. Essa vivência poderia acrescer sensibilidade para as questões de eficiência da máquina pública, de restrições fiscais, de melhoria da qualidade e da implementação das políticas governamentais.
Em "Construindo o futuro" há pouco que oriente um partido de esquerda democrático, sintonizado com os desafios presentes e capaz de oferecer uma visão progressista de futuro.
De fato, a imagem projetada pelo documento não faz jus ao partido real, aos milhares de quadros que formou e aos governos que encabeçou —e encabeça.
“Parafraseando Chico Buarque, fica a leve impressão de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No fim das contas, e correndo o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas querendo importar do Oriente o que, há meio século, o próprio Brasil ajudou a exportar?”Trocando Em MiúdosChico Buarque
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas do amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde
Composição: Chico Buarque, Francis Hime.
https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45182/
https://www.youtube.com/watch?v=Uem6w29LcGA&t=45s
João Gilberto - Izaura (Audio)“Trocando em miúdos, fica a leve impressão — como no verso de Chico Buarque — de que ‘18 anos no exercício da Presidência’ já vão tarde. No frigir dos ovos, e sob o risco da mesma precipitação e voluntarismo, estariam os capas vermelhas tentando importar do Oriente aquilo que, há meio século, partiu daqui?”
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.Dia BrancoO que será - À Flor da Pele (Chico Buarque) - Luiza Lara canta Chico Buarque
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o Sol
Se hoje o Sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça, na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto, esse canto de amor, oh
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o Sol
Se hoje o Sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça, na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo
Comigo
Geraldo AzevedoComposição: Geraldo Azevedo, Renato Rocha.Poesia | Antônio Abujamra declama Mário QuintanaMúsica | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) -
https://youtu.be/XLMKDtU_dkQ
Congresso analisa veto ao projeto da dosimetria – 30/4/26
30/04/2026, 10h19
Fonte: Agência SenadoTransmissão ao vivo realizada há 5 horas"Congresso Nacional analisa nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à trama golpista. A proposta pode ter impacto direto sobre condenados e é apontada como potencialmente benéfica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A votação ocorre em meio a um clima de tensão entre governo e Congresso, um dia após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF. Deputados e senadores decidem se mantêm ou derrubam o veto presidencial, em sessão conduzida por Davi Alcolumbre."
Aqui está o verbete atualizado com os dados históricos e contextuais da sessão do Congresso Nacional:
hos.pi.ci.o.so
(hos-pi-ci-o-so)
adj.
Neol. Pol. Qualidade do que é próprio ou digno de um hospício; diz-se do discurso, argumento ou comportamento considerado desconexo, irracional ou delirante no contexto de um debate parlamentar.
Pejor. Que evoca a atmosfera de um manicômio; confuso ou desprovido de lógica.
Ling. Vocábulo resultante de contaminação fonética entre as palavras hospício e auspicioso, empregado com intenção ofensiva para desqualificar opositores.
Exemplo de uso: "O discurso de vocês é hospicioso!" (Deputado Zé, durante análise do veto à dosimetria das penas dos atos de 8 de janeiro, em sessão conjunta do Congresso Nacional em 30/04/2026).
[Etim.: hospício + -oso]
🔍 Notas de Contexto
Local: Sessão do Congresso Nacional (Câmara e Senado).
Pauta: Debate sobre o veto presidencial (VET 3/2026) ao projeto da dosimetria para condenados por tentativa de golpe de Estado.
Ocorrência: O termo foi proferido para acusar o som emitido pelo adversário de ser um "eco de hospício", intensificando o clima de polarização da sessão.
💡 Curiosidade: Ao usar o sufixo -oso, o parlamentar acabou criando uma palavra que, sonoramente, se assemelha a "auspicioso" (favorável), gerando uma ironia linguística involuntária no plenário.
Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias
Publicado em 30/04/2026 - 06:05 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política
O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.
A indicação ao STF sempre foi tratada como prerrogativa presidencial de alto prestígio, cuja aprovação dependia mais de rituais políticos do que de disputas abertas. Ao romper essa tradição, o Senado deixou de ser uma instância homologatória e assumiu protagonismo político explícito, com capacidade de veto efetivo sobre o Executivo. Desde quando Lula rejeitou o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o cargo, desconsiderando um pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e indicou Messias, o advogado-geral da União, as relações do Palácio do Planalto com o Senado ficaram estremecidas.
Lula retardou ao máximo a indicação formal de Messias por causa disso, mas resolveu fazê-lo mesmo sem um acordo com Alcolumbre, por pressentir o perigo com a aproximação do processo eleitoral. Pagou para ver e perdeu a aposta. O dado mais relevante, porém, não está apenas no resultado, mas na engenharia política que o produziu: a convergência entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinaliza a formação de um novo eixo de poder dentro do Congresso.
Alcolumbre, que até então operava como mediador e, em muitos momentos, como anteparo institucional contra iniciativas mais agressivas da oposição, deslocou-se para uma posição de maior autonomia — ou mesmo de alinhamento tático com forças oposicionistas. Esse movimento rompe uma lógica de contenção que vinha permitindo ao governo administrar crises sem sofrer derrotas frontais. A partir de agora, cada votação relevante exigirá negociação real, concessões concretas e maior capacidade de articulação política.
O governo perde não apenas votos, mas previsibilidade. E, em política, a perda de previsibilidade costuma ser mais grave do que a perda episódica de maioria. Há também implicações diretas para o próprio STF. A rejeição de um indicado presidencial reabre o debate sobre os critérios de escolha e sobre o grau de politização da Corte. Nos últimos anos, consolidou-se a percepção de que o tribunal passou a desempenhar papel central na arbitragem de conflitos políticos, o que elevou o custo das indicações.
Leia também: Após derrota, governo Lula atribui rejeição de Messias à articulação política
Ao barrar Messias, o Senado envia um recado ao Executivo, de que não aceitará indicações automáticas, e ao Supremo, de que sua composição passou a ser objeto de disputa política aberta. Lula tenta assimilar a derrota como um revés parlamentar e não uma ruptura definitiva. A seus auxiliares, disse que tinha o direito de indicar Messias e o Senado, de rejeitar.
Liturgia do cargo
Mas não é essa a leitura da oposição e dos aliados do Centrão que traíram o governo. Do ponto de vista histórico, o episódio é raro. Desde o início da República, ainda sob Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, não se registrava uma rejeição dessa natureza com impacto político comparável. Isso confere à derrota de Lula um caráter simbólico poderoso: ela representa não apenas um revés e quebra de um padrão institucional que atravessou diferentes regimes e conjunturas, mas fragilidade do projeto de reeleição, ou seja, perda de expectativa de poder.
Politicamente, o impacto é profundo. Lula construiu seu terceiro mandato com base em uma estratégia de recomposição de alianças amplas com o Centrão, buscando apoio nos estados para garantir governabilidade. A derrota expõe os limites dessa estratégia. Mostra que o chamado “centrão ampliado” não opera como base orgânica, mas como um conjunto de forças voláteis, que respondem a incentivos específicos e a correlações de força momentâneas.
Além disso, a articulação que levou à rejeição fortalece a oposição liderada por Flávio Bolsonaro, que passa a demonstrar capacidade de influenciar decisões estratégicas mesmo sem maioria formal. Isso já é resultado da expectativa de poder gerada pelos reiterados empates técnicos com Lula nas pesquisas de intenção de votos. Esse dado tem implicações diretas para o cenário eleitoral de 2026, pois indica que a oposição não apenas resiste, mas consegue impor derrotas relevantes ao governo no terreno institucional. Ou seja, passou à ofensiva no Congresso.
Leia mais: Senado vira palco de festa bolsonarista após derrota de Jorge Messias
Outro aspecto é o enfraquecimento da autoridade de Lula. O resultado da votação abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade presidencial. Em sistemas presidencialistas, a capacidade de nomear ministros de cortes superiores é um dos instrumentos mais relevantes de poder. Ao ver sua indicação rejeitada, Lula sofre um desgaste que transcende o episódio específico e atinge sua imagem de liderança política de forma irremediável neste mandato.
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#Alcolumbre, #Bolsonaro, #Messias, #Senado, #STF, Lula
“A resposta curta é sim. Os discursos na sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em 29 de abril de 2026, reforçaram a percepção de que sua indicação está profundamente mergulhada na identidade ideológica do PT, o que a oposição chama de "mar vermelho".
Abaixo, os pontos que explicam como esses aliados influenciaram sua trajetória:
O Papel dos Aliados na Sabatina
Rogério Carvalho (PT-SE): Atuou como um dos defensores mais enfáticos, focando na lealdade de Messias ao projeto de governo. No entanto, essa defesa explícita acabou alimentando as críticas de que o indicado seria um "ministro militante" em vez de um magistrado isento.
Renan Filho (MDB-AL): Como parte da base governista, tentou dar um ar de "frente ampla" à indicação. Contudo, seu apoio foi lido como uma chancela política tradicional, o que não ajudou a dissipar a imagem de que Messias é uma escolha puramente política.
Randolfe Rodrigues (PT-AP): Como líder do governo, foi o articulador principal. Sua mudança de tom — de uma previsão de vitória fácil para a admissão de dificuldades — expôs a fragilidade da indicação diante da resistência no Senado.
Camilo Santana (PT-CE): O ex-ministro da Educação e senador cearense adotou um discurso firme contra o "fascismo" e em defesa do campo progressista. Essa retórica, embora unificadora para a esquerda, serviu de munição para a oposição, que acusou o grupo de aparelhar o STF.
A Deriva pelo "Mar Vermelho"
A expressão "mar vermelho petista" refere-se à forte marca partidária que Messias carrega desde o episódio do "Bessias" no governo Dilma. Os discursos dos seus aliados:
Reforçaram a bolha: Em vez de pontes com o centro e a direita, as falas focaram em valores caros apenas à esquerda.
Dificultaram a aprovação: A oposição, liderada por nomes como Marcos Rogério (PL), usou justamente essa proximidade excessiva para questionar a independência de Messias.
Geraram desgaste: O recuo de Randolfe Rodrigues, admitindo que o resultado poderia ser negativo, mostrou que o apoio ideológico não foi suficiente para garantir os votos necessários na CCJ e no Plenário.
🚩 Ponto chave: A estratégia de defesa baseada na militância e na identidade partidária acabou isolando Messias, transformando sua sabatina em um embate ideológico que mais dificultou do que facilitou.”
Cleitinho sobe o tom em sabatina de Jorge Messias: “STF está desmoralizado!”Jovem Pan News
29 de abr. de 2026 #JovemPan #3em1
Durante a sabatina na CCJ, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) subiu o tom contra o indicado ao STF, Jorge Messias, afirmando que a Suprema Corte está "desmoralizada" perante os brasileiros. Em resposta, Messias defendeu a imparcialidade e o "bom senso" como requisitos fundamentais para o cargo. O indicado buscou se distanciar de polêmicas, reforçando seu compromisso com a Constituição e o diálogo entre os Poderes.
https://x.com/i/status/2049597700048388395
Assista à íntegra: https://youtube.com/live/neTj4PxAnSk
Lula sofre derrota históricaPor O Estado de S. PauloSenado rejeita indicado do presidente ao STF, o que não acontecia desde o século 19, mas não o fez porque se tratava de um despreparado, e sim porque decidiu escancarar a crise com Lula
Fez muito bem o Senado ao recusar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Como já dissemos neste espaço, o advogado-geral da União não possuía notável saber jurídico, um dos mais importantes pré-requisitos constitucionais para vestir a toga no STF, e só foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque devota lealdade canina ao demiurgo petista. Mas é preocupante que o Senado tenha tomado tão grave decisão não em razão do óbvio despreparo do postulante, e sim porque algo não funcionou nas negociações entre Lula e os parlamentares, sobretudo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Messias pagou a conta de um governo com imensas dificuldades na articulação política e cada vez mais acuado diante da perspectiva de derrota de Lula na eleição. É preciso ter a real dimensão do fato histórico ocorrido na noite de ontem: Lula é o primeiro presidente a ter uma indicação ao STF rejeitada desde Floriano Peixoto, no final do século 19. De lá para cá, todos haviam sido aprovados pelo Senado, inclusive os mais escandalosamente despreparados, como Dias Toffoli, cujo “saber jurídico” era seu notório trabalho como advogado do PT e que levou bomba nos dois concursos que prestou para a magistratura. Perto dele, Messias é um Moreira Alves.
Por ora, a sociedade pode respirar aliviada por não ter sido vítima de um erro cujas consequências nefastas para o País seriam muitíssimo duradouras, considerando que o jovem Messias, se aprovado, ficaria no Supremo até meados deste século. Mas o alívio há de ser, a um só tempo, cauteloso e vigilante. O acerto do Senado não decorreu de um juízo rigoroso sobre a capacidade técnica de Messias, mas sim de um cálculo político rasteiro, que provavelmente ficará mais claro nos próximos dias.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, como se viu, mais uma vez esteve longe de cumprir sua finalidade. Não se discutiram com a seriedade devida as credenciais jurídicas de Messias, tampouco se exigiu dele a demonstração inequívoca dos atributos requeridos pela Lei Maior para ingresso na mais alta corte do País. O que se viu, ao contrário, foi a repetição de um teatro medíocre, esvaziado de espírito público, cujo desfecho acabou sendo definido, a bem da verdade, não no plenário, mas nos conchavos de gabinete.
A rejeição de Messias, ao que tudo indica, resultou da incapacidade do governo Lula de satisfazer as demandas do grupo político que ora comanda o Senado. No nível em que foram oferecidos pelo Palácio do Planalto, cargos em órgãos estratégicos da alta administração pública, emendas bilionárias e espaços de influência política parecem não ter bastado, o que prenuncia uma crise muito maior.
O episódio expõe a profunda deterioração das relações entre o Executivo e o Legislativo. A recusa inédita de um indicado ao STF não importa por si só, mas sobretudo como sintoma de uma turbulência institucional muito mais ampla, cujas consequências tendem a se estender para muito além das eleições de 2026. Ao impor uma derrota dessa magnitude ao presidente da República, o Senado sinaliza uma disposição de confronto que pode comprometer a governabilidade e tensionar ainda mais o já cambaleante equilíbrio entre os Poderes – incluindo, claro, o Judiciário.
Não assistimos, portanto, a um surto de zelo republicano por parte dos senhores senadores. Fosse o Senado mais cioso de seu papel constitucional e menos covarde, o Supremo certamente não estaria coalhado de ministros despreparados para o cargo e, consequentemente, não estaria imerso na pior crise de credibilidade de sua história. O que mudou desta vez foi apenas o desfecho da barganha que ainda rege as relações entre os Poderes, com o evidente enfraquecimento de Lula – e, por tabela, do próprio Supremo, cujos principais integrantes fizeram campanha por Messias. E tudo isso se dá debaixo de pesadas nuvens que anunciam tempestade.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Duas transparências, por Eugênio BucciO Estado de S. PauloAutoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando
A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.
Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.
Fora isso, é bom tomar cuidado com a palavra. Há malversações de sentido em torno dela. Basta ver que os mesmos agentes que viabilizam os penduricalhos também se declaram campeões da transparência. Não podem ver um microfone na frente que já começam a escandir o substantivo feminino mais amado da temporada. Sim, é uma contradição. A transparência aberta pelo bom jornalismo os constrange, mas eles não passam recibo. Quando pegos no contrapé, emudecem no casulo de suas sacrossantas privacidades. Nenhuma vírgula sobre dinheiros vultosos que acumulam e regalias de que desfrutam. Logo em seguida, recompostos, desfiam sermões sem fim à causa sonora, pomposa e melíflua da transparência. Nessas horas, parece que alguém estatizou o cinismo. Repito: é bom tomar cuidado.
Na raiz dessa contradição mora um embaralhamento semântico. Há duas acepções de transparência se enroscando e se confundindo. De um lado, existe o significado republicano da palavra. Aí, a expressão “dar transparência” significa “dar publicidade” e “dar publicidade” quer dizer abrir os gabinetes do Estado para que a sociedade possa ver melhor o que se passa lá dentro. As divisórias, os biombos e os muros da máquina pública não podem ocultar o destino dos recursos públicos. Ao contrário, devem ser transparentes. Foi a isso que Rui Barbosa se referiu quando escreveu, lá se vai um século, que “aqueles que se consagram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro”.
O sentido republicano da palavra é o que vale tanto para a prática do jornalismo quanto para o conceito de democracia. Quanto mais forte é o regime democrático, mais os palácios dos Poderes da República têm “paredes de vidro” – e mais a intimidade dos cidadãos é respeitada. Quando o totalitarismo leva a melhor, o Estado fica opaco e a intimidade dos cidadãos, exposta.
(Na década de 1980, Mikhail Gorbachev criou a Glasnost para varrer o totalitarismo da União Soviética e desativar o Estado opaco do stalinismo, que violava a privacidade de todo mundo. Deu errado, você sabe. Gorbachev caiu e a carcaça stalinista ficou. Putin que o diga. Em tempo: Glasnost, em russo, quer dizer transparência.)
Passo agora à segunda acepção da palavra. Eu a chamo de acepção demagógica.
Agora, a transparência deixa de ser um meio racional para garantir que os assuntos públicos sejam expostos ao público na justa medida e se converte em virtude absoluta. Pessoas, empresas, igrejas, times de futebol, partidos políticos ou tribunais só vão para o céu se pregarem a transparência com fervor. O que vale é a propaganda. O que vale é o melodrama. Só é bom quem não esconde nada, nem de si, nem de ninguém.
Por óbvio, estamos diante de uma empulhação. Ninguém é transparente por inteiro. Não há como ser transparente por inteiro. Nelson Rodrigues tinha razão: “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. O convívio social exige alguma opacidade exterior, assim como a saúde psíquica exige um pouco de opacidade interior.
A transparência demagógica ignora o óbvio. Vive de montar circos e de encenar atrações vazias e pirotécnicas. Ser supostamente “transparente” vale mais do que ser íntegro, respeitoso ou decente. Trump e Bolsonaro se beneficiam dessa mentalidade: pronunciam atrocidades e são aplaudidos porque são “sinceros” e “autênticos”. A língua solta, chula e estúpida vira um trunfo moral.
A propósito, acaba de sair um livro que é uma aula preciosa sobre a matéria: Contra a transparência, do jornalista Hamilton dos Santos (Editora Iluminuras). Erudito, elegante e didático, o autor ensina: “Fazemo-nos sujeitos no mundo escondendo o que há por trás da máscara – segredo para os outros, mistério para nós mesmos. Nós existimos porque nosso rosto é opaco.” Pobre de quem não sabe disso.
As autoridades que validam penduricalhos (com rebotalhos), ocultam negociatas (com mamatas) e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência do Estado Democrático de Direito – a gente conhece o estilo – estão nos enganando. A transparência deles suja a democracia.
site ou Blogger:
🌿 Reflexão
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
🎵 Dia Branco
Geraldo Azevedo
Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu lhe prometo o sol
Ou a chuva, se a chuva cair...
O Congresso Nacional analisou o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas em casos ligados à tentativa de golpe.
A sessão ocorreu em clima de tensão entre Executivo e Legislativo, com impacto direto sobre condenados e repercussão política relevante.
🧠 Linguagem & Política
hos.pi.ci.o.so (adj.)
Neologismo político que descreve discurso ou comportamento considerado irracional ou desconexo em debates parlamentares.
Deriva da junção de “hospício” com “auspicioso”, sendo usado de forma pejorativa.
Contexto: termo utilizado durante sessão do Congresso em 30/04/2026, refletindo o clima de polarização.
📰 Análise Política
Rejeição de Jorge Messias ao STF
A rejeição do nome indicado ao Supremo Tribunal Federal marca um momento histórico e evidencia fragilidade na articulação política do governo.
O episódio reposiciona o Senado como protagonista e altera a dinâmica entre os Poderes.
Derrota política relevante para o governo
Perda de previsibilidade no Congresso
Fortalecimento da oposição
Aumento da tensão institucional
⚖️ Sabatina e Polarização
A sabatina foi marcada por forte embate ideológico.
Discursos de aliados reforçaram a identidade partidária do indicado, enquanto opositores questionaram sua imparcialidade.
Conclusão: a estratégia política dificultou a aprovação.
🔥 Momentos de Tensão
Durante a sabatina, houve discursos duros e linguagem provocativa, refletindo o nível de polarização no cenário político atual.
🗞️ Editorial
Lula sofre derrota histórica
A rejeição de um indicado ao STF, fato raro desde o século XIX, expõe a crise na articulação política do governo e evidencia o desgaste na relação entre Executivo e Legislativo.
✍️ Opinião
Duas transparências – Eugênio Bucci
O artigo distingue dois tipos de transparência:
Republicana: ligada à exposição legítima do poder público
Demagógica: usada como discurso vazio e ferramenta de autopromoção
NORA NEY DESABAFOVeja momento que Senado vota indicação de Jorge Messias ao STF | HORA H
Garman: Crise no Oriente Médio está se transformando em variável-chave para eleição | CNN BRASILCNN BrasilPara Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Grupo Eurasia, avaliou que o desenrolar da guerra no Oriente Médio "pode fazer toda a diferença" para a eleição presidencial no Brasil. #CNNBrasilTÍTULOMessias entra para a história ao ter indicação ao STF rejeitada pelo SenadoSUBTÍTULO
Votação secreta de 42 a 34 encerra mais de um século sem recusas e reafirma a soberania do Senado Federal do Brasil sobre indicações ao Supremo Tribunal FederalEPITÁFIONão foi um fim — foi a inscrição definitiva de um nome na história institucional da República.CORPO DA MATÉRIA
Em 29 de abril de 2026, Jorge Rodrigo Araújo Messias protagonizou um dos episódios mais marcantes da história recente da República. Indicado ao Supremo Tribunal Federal, teve seu nome rejeitado pelo plenário do Senado Federal do Brasil por 42 votos a 34, em decisão secreta que rompeu um intervalo histórico de mais de 130 anos sem recusas formais.
À época Advogado-Geral da União e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias representava uma tentativa de convergência entre perfil técnico e articulação política. Sua rejeição, no entanto, redefiniu precedentes e reafirmou o papel ativo do Senado como instância decisória — não apenas homologatória — nas indicações à mais alta Corte do país.
Após o resultado, Messias adotou tom sereno e institucional. Reconheceu a legitimidade do processo e evitou tratar o episódio como desfecho, reposicionando-o como parte de uma trajetória mais ampla dentro da vida pública.
CITAÇÃO
“Não encaro como fim. A história não acaba. Participei de forma íntegra de todo o processo. O plenário do Senado é soberano.”
— Jorge Rodrigo Araújo Messias
VÍDEO — Momento da votação no Senado
Acesse também pelos links diretos:
🔗 https://youtu.be/m2GrII5TRJQ
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=m2GrII5TRJQVÍDEO — “Desabafo”, de Sérgio Bittencourt, na voz de Nora NeyREFERÊNCIA MUSICAL (LETRA E ÁUDIO)
Como eco simbólico da serenidade diante da rejeição, a canção “Desabafo”, interpretada por Nora Ney e composta por Sérgio Bittencourt, traduz em versos a dignidade de quem atravessa o fim sem alarde:
“A dor da gente não sai no jornal.”
Para ouvir a música e acessar o conteúdo:
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=OVvQdEGdSOI
FECHO
Entre a formalidade do rito institucional e a dimensão humana da experiência, o episódio de 2026 permanece como marco histórico — não apenas pela ruptura de um precedente centenário, mas pela forma como seu protagonista escolheu atravessá-lo: com sobriedade, respeito às instituições e consciência de que a história, de fato, não termina em um único capítulo.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Guerra pode decidir eleição brasileira, por Christopher Garman*Valor EconômicoO custo dos alimentos é central para a popularidade do presidente Lula
A eleição presidencial deste ano dá sinais de que será apertadíssima — e o fiel da balança pode vir do Oriente Médio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 com uma aprovação de 48%, mas viu esse percentual recuar para 44%. Sua vantagem sobre os candidatos de oposição se evaporou, e várias pesquisas agora mostram Flávio Bolsonaro à frente do presidente em simulações de segundo turno por um ponto percentual, dentro da margem de erro.
Historicamente, a aprovação de um governante sobe nos meses que antecedem a eleição, seja em virtude de programas implementados que aumentam sua popularidade, seja porque o governo tem tempo para “vender seu peixe” ao eleitorado. Esse movimento ainda pode acontecer no Brasil: o governo está prestes a anunciar um programa de renegociação da dívida das famílias, e o Congresso caminha para aprovar o fim da escala 6x1. Ambas as medidas podem trazer algum ganho para a candidatura de Lula e explicam, em parte, por que a Eurasia Group ainda o considera um ligeiro favorito.
Neste cenário, a maior ameaça à reeleição do presidente está a milhares de quilômetros: no Oriente Médio. Nas reuniões do Fundo Monetário Internacional realizadas em meados deste mês em Washington, os presentes discutiram não apenas as repercussões do fechamento do Estreito de Ormuz, mas também se a crise está caminhando para o fim. O consenso foi que, caso a guerra não termine em breve, a restrição da oferta de combustíveis e fertilizantes gerará fortes repercussões inflacionárias. O Brasil está mais bem posicionado que seus pares por ser um produtor de petróleo. Mas o choque inflacionário de uma guerra prolongada certamente pode gerar um buraco político grande demais para que Lula consiga escapar.
Se, entre janeiro e março, a queda na aprovação do presidente veio provavelmente na esteira do escândalo do Banco Master, que aumentou a relevância do tema corrupção entre os eleitores, agora é a guerra no Oriente Médio — através de seus reflexos econômicos — que pode começar a prejudicar os números de Lula. E a crise já deu seus primeiros sinais: no último mês, a gasolina e o diesel tiveram altas de dois dígitos nas bombas, e os preços dos fertilizantes começaram a afetar os alimentos, alimentando o mau humor da população com o custo de vida. Uma pesquisa Genial/Quaest realizada em abril mostra que 72% acham que os preços dos alimentos subiram nos mercados, ante 58% que reportaram o mesmo em março. Já a parcela dos pesquisados que afirmaram que seu poder de compra caiu em relação ao ano passado subiu de 64% em março para 71% este mês.
Parte da alta de preços dos alimentos é sazonal. Mas se os governos dos EUA e do Irã não chegarem a um acordo em breve, os preços nas gôndolas tendem a subir ainda mais. Não tanto como efeito da alta do petróleo (o governo tem instrumentos para mitigar a alta do diesel e de combustíveis com subsídios e redução de impostos), mas pela falta de fertilizantes e diesel se o trânsito pelo Estreito de Ormuz não for normalizado ao longo de maio. Nesse caso, a capacidade do governo para conter a alta de preços será muito mais restrita.
Muitos analistas argumentam que a eleição deste ano não será definida pela economia. Mas basta ver o comportamento dos índices de aprovação de Lula em 2025 para averiguar o quão central é o custo dos alimentos para sua popularidade. A alta de quase 8% nos preços dos alimentos vista entre o final de 2024 e o início de 2025 puxou a queda na aprovação de Lula de 49% para perto de 42% no primeiro semestre do ano passado. Já a recuperação dos números do presidente, que muitos atribuíram ao tarifaço do governo norte-americano, deveu-se principalmente a cinco meses de deflação nos preços dos alimentos no segundo semestre.
Assim, os desdobramentos da guerra no Irã ao longo de maio podem ser decisivos para os resultados da eleição brasileira de outubro. Se Washington e Teerã chegarem a um acordo que leve ao início de uma abertura do Estreito (o que a Eurasia Group considera provável), o impacto inflacionário tende a ser transitório. O presidente Lula ainda veria sua aprovação cair em maio com o aumento de preços decorrente da crise, mas essa tendência poderia ser revertida ao longo de junho e julho — apoiada não só no fim da escala 6x1 e no programa de renegociação de dívida, mas pelos programas aprovados em 2025, cuja implementação está sendo concluída agora, incluindo as ampliações do Gás do Povo e da Tarifa Social e a isenção do Imposto de Renda para a classe média.
Se, no entanto, a crise no Irã persistir (uma possibilidade real) e a renda das famílias for afetada, as repercussões para os consumidores brasileiros serão maiores — e podem fazer a diferença no resultado das urnas.
*Christopher Garman é diretor-geral do Eurasia Group.