Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 25 de maio de 2026
De Carta em Carta: "Na Cadência do Samba"
Os Poetas, os Prosadores e o Mistério Oculto nas Quatro Linhas
"Confesso que o Futebol me aturde porque não sei chegar até o seu Mistério."
— Carlos Drummond de Andrade
No dia 3 de janeiro de 1971, nas páginas do prestigiado jornal italiano Il Giorno, o cineasta e intelectual Pier Paolo Pasolini eternizou o histórico ensaio intitulado "Il calcio ‘è’ un linguagem con i seus poeti e prosatori" ("O futebol 'é' uma linguagem com os seus poetas e prosadores"). Utilizando como pano de fundo a mítica final da Copa do Mundo do México entre Brasil e Itália, o diretor de obras-primas como Mamma Roma e Teorema teceu uma das mais belas e profundas definições da história da literatura esportiva mundial.
" Na Cadência Do Samba/ Que Bonito É " - (Luiz Bandeira) - Nelson Gonçalves
LeCommedieDellArte
12 de jul. de 2014
Na Cadência Do Samba (Que Bonito É ) - Nelson Gonçalves
( Luiz Bandeira )
Samba representa uma Nação
Samba, orgulho da gente
Retrato de um povo
De alma e coração
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também
Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar
Que bonito é
A mulata requebrando
Os tambores repicando
Uma escola a desfilar
Que bonito é
Pela noite enluarada
Numa trova apaixonada
Um cantor desabafar
Que bonito é
Gafieira salão nobre
Seja rico ou seja pobre
Todo mundo a sambar
O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar
Que bonito é
A mulata requebrando
Os tambores repicando
Uma escola a desfilar
Que bonito é
Pela noite enluarada
Numa trova apaixonada
Um cantor desabafar
Que bonito é
Gafieira salão nobre
Seja rico ou seja pobre
Todo mundo a sambar
O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também
Bate que vai batendo
A cadência boa que o samba tem
Bate que repicando
Pandeiro vai, tamborim também
----------------------------
Presentação da Carta Encíclica “Magnifica Humanitas”, 25 de maio de 2026 – Papa Leão XIV
VASCO 0 X 3 BRAGANTINO | MELHORES MOMENTOS | 17ª RODADA DO BRASILEIRÃO 2026 | ge.globo
ge tv
24 de mai. de 2026 #Brasileirão #Vasco #Bragantino
Bragantino passeia contra o Vasco fora de casa e cola no G-4 do Brasileirão
Rodriguinho, Pitta e Fernando marcam em grande atuação dos paulistas. Vascaínos ficam a dois pontos da zona de rebaixamento
📰 CRÔNICA DOS BASTIDORES CELESTIAIS
Por Aníbal Teodoro
Serviço Especial para o Diário dos Gramados
BRAGANÇA PAULISTA — Os ecos do retumbante três a zero aplicado pelo esquadrão do Bragança sobre o onze alvinegro de São Januário ainda fazem tremer as estruturas do Velho Continente e, pelo que se ouve nas altas esferas, também as do próprio firmamento.
Nosso correspondente de além-túmulo relata que o camarote celestial transformou-se em verdadeiro campo de batalha retórica. O Dr. Eurico Miranda, benemérito e irascível timoneiro das caravelas cruzmaltinas, esbravejou contra os astros, a arbitragem e as leis da física. De charuto partido ao meio pela precisão dos lances bragantinos, o icônico cartola carioca bradou aos quatro ventos que o prélio fora fruto de uma conspiração de proporções interplanetárias. Para o Dr. Eurico, nem o gênio de Romário ou a elegância de Bebeto seriam capazes de aplacar a astúcia do "energético voador".
Do outro lado da mesa, refestelado em sua poltrona de ouro e munido de seu indefectível rádio de pilha, o paulistano Nabi Abi Chedid sorria com a bonomia dos justos e dos vitoriosos. Com a fidalguia que lhe era peculiar nos momentos de triunfo, o patrono do Bragança desdenhou dos cobres da aposta legalmente firmada.
— “Toma lá teus trocados, Eurico! Guarda-os para o frete das caravelas, pois a alegria de ver o Massa Bruta dar tamanho vareio não há ouro no mundo que pague” — teria dito o prócer de Bragança, enquanto devolvia o saco de patacas ao rival.
A charge que hoje ilustra nossa edição imortaliza o exato instante em que o pragmatismo bandeirante dobrou o orgulho da Colina. O futebol, senhores, continua sendo a mais bela das óperas — mesmo quando encenada acima das nuvens.
O Gol Mais Bonito das Copas? A Obra-
A cena ilustra a atmosfera nostálgica das transmissões esportivas do século XX, com o microfone em punho apontado para o gramado do Estádio Sales de Oliveira na histórica Rua Santa Terezinha. Pelas amplas janelas de madeira da cabine da PRB3, localizada acima da Tribuna de Honra, observa-se a exata geografia descrita em suas crônicas: a imponente elevação do Morro do Imperador posicionada à esquerda e, na extremidade direita, a densa Mata do Klabenck margeando o leito sinuoso do Rio Paraibuna.
📰 SUPLEMENTO ESPECIAL: O PALPITAR DAS GERAIS
Por Aníbal Teodoro Crônica das Três Fronteiras Futebolísticas
EPÍGRAFE
“Moreira Salles manjava dos paranauês, Salgado dos auês. Eu torcia mesmo era para o Tupy Football Club!”
⚽ A Essência do Futebol Romântico
A frase, lapidada com a precisão de um chute de trivela no ângulo do Estádio Sales de Oliveira, na histórica Rua Santa Terezinha, resume com perfeição a alma do verdadeiro torcedor das Alterosas. Enquanto os grandes magnatas das finanças e os barões dos bastidores dividiam-se entre os cifrões bilionários do eixo Rio-São Paulo e as articulações políticas das federações, o coração do colunista — e de toda uma estirpe de românticos da bola — batia ritmado pelo Carijó de Juiz de Fora.
🎙️ O Clamor que Vem das Ondas do Rádio
Lá do alto, acima da Tribuna de Honra, onde o estúdio da lendária PRB3 serve de sentinela para o espetáculo, a voz empolgada do narrador ecoava pelas janelas abertas. Olhando para a esquerda, a imponência do Morro do Imperador abençoava o gramado; à direita, a densa Mata do Klabenck emoldurava o curso sinuoso do Rio Paraibuna. Era desse cenário idílico que a crônica esportiva ganhava vida, capturando o suor, o drama e a glória do futebol raiz.
🐓 A Resistência do Galo Carijó
Nem os "paranauês" bancários das SAFs paulistas, nem os "auês" midiáticos das diretorias cariocas. A verdadeira paixão reside na mística do manto alvinegro fincado no coração de Minas Gerais. Para quem conhece o peso da tradição centenária, nenhum placar celestial ou aposta entre cartolas de Bragança e da Colina brilha mais do que o brio e a raça do querido Tupy Football Club.
No tabuleiro do futebol moderno, os reis passam, as fortunas flutuam e os estádios mudam de nome, mas o Galo Carijó permanece eterno, gravado na memória de quem viveu a era de ouro do futebol juiz-forano.
BRASIL 4 X 1 ITÁLIA - FINAL DA COPA DE 1970 - GOLS E MELHORES MOMENTOS
SportSZone
2 de out. de 2020
REVEJA FINAL DA COPA DE 1970, BRASIL CAMPEÃO EM CIMA DA ITÁLIA EM UM GRANDE JOGO.
Sinfonia Subversiva: O Mistério de 1970
— Uma sinfonia subversiva sob a sombra dos Atos Institucionais?
Talvez. Olhar para a final de 1970 no Estádio Azteca é enxergar o Brasil em sua mais dolorosa dualidade. Vivíamos sob o manto pesado do AI-5, o ápice do autoritarismo do regime militar. João Saldanha — militante comunista e jornalista audaz — fora escalado em 1969 não para impor a disciplina da caserna, mas para resgatar a dignidade técnica e a arte do nosso futebol após o fiasco da Copa de 1966. Saldanha caiu antes do México por não se curvar aos ditames dos generais, mas as suas "Feras" fincaram as raízes daquela revolução lírica operada no gramado.
— E as engrenagens da propaganda oficial?
Elas funcionavam a pleno vapor na pátria de chuteiras. O General Emílio Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, posava com seu indefectível rádio de pilha, instrumentalizando o ufanismo. No campo, o lateral-esquerdo Everaldo representava o Sul pelo Grêmio. Mas o futebol insiste em driblar a história oficial. O goleiro Félix, embora eternizado em suas origens na Portuguesa de Desportos, já defendia as cores do Fluminense. O Canindé paulistano, aliás, margeia o Rio Tietê, distante da Favela do Canindé (onde Audálio Dantas descobriu os diários de Carolina Maria de Jesus e que deu lugar à Marginal), mas o eco da periferia invisibilizada subia aos céus a cada defesa.
— No gramado do Azteca, o adversário era o espelho do passado.
A Itália que o Brasil enfrentava já não era a Azzurra fascista de Benito Mussolini das Copas de 1934 e 1938, mas sim uma República democrática. Ainda assim, o peso do confronto carregava o drama dos velhos impérios. E foi ali, na cadência do toque de bola, que o mistério se fez carne.
— A jogada começa no recuo, na calmaria que antecede a tempestade.
Tostão, o gênio do Cruzeiro das Alterosas, recua a bola. Ela chega a Clodoaldo. O garoto da Vila Belmiro, com as meias arriadas em pura picardia moleque, carregava nas costas o número 5. Um número que, fora dos estádios, silenciava o país; mas que, sob as traves mexicanas, virou o algarismo do drible. Clodoaldo limpou quatro italianos com a naturalidade de quem desfaz nós cegos. A bola correu limpa até Rivelino, o reizinho do Parque São Jorge, que com suas meias também desabadas, achou Jairzinho na esquerda.— O ápice da geometria poética.
Jairzinho acionou Pelé na entrada da área. O Rei, com a clarividência dos deuses, não olhou. Apenas rolou a bola para o vazio da ala direita. Carlos Alberto Torres, o "Capita", surgiu como uma força da natureza e soltou uma bomba cruzada. A bola estufou as redes e voltou ao gramado. Tostão, o operário daquela pintura coletiva que acompanhara o lance desde a defesa, correu para dentro da meta e chutou a bola novamente contra o fundo da rede azul — um desabafo visceral, o ponto final na obra de arte tecida pela camisa amarelinha.
Foi o triunfo da beleza em tempos estranhos. Uma crônica escrita com os pés, onde a rebeldia vestiu a farda do talento para libertar, ainda que por noventa minutos, um povo aprisionado.
"Confesso que o Futebol me aturdeporque não sei chegar até o seu Mistério."
(Carlos Drummond de Andrade)
Il calcio "è" un linguaggio con i suoi poeti e prosatori (di Pier Paolo Pasolini)*
foto pasolini
Nel dibattito in corso sui problemi linguistici che artificialmente dividono letterati da giornalisti e giornalisti da calciatori sono stato interrogato da una gentile giornalista per l'Europeo: ma le mie risposte sul rotocalco sono risultate un po' menomate e fioche (per via delle esigenze giornalistiche!). Siccome l'argomento mi piace, vorrei ritornarci sopra con un po' di calma e con la piena responsabilità di ciò che dico. Che cos'è una lingua? "Un sistema di segni", risponde nel modo oggi più esatto, un semiologo.
Ma questo "sistema di segni" non è solo necessariamente una lingua scritto-parlata (questa qui che usiamo adesso, io scrivendo, e tu, lettore, leggendo).
I "sistemi di segni" possono essere molti. Prendiamo un caso: io e tu, lettore, ci troviamo in una stanza dove sono presenti anche Ghirelli e Brera, e tu vuoi dirmi di Ghirelli qualcosa che Brera non deve sentire. Allora non puoi parlarmi per mezzo del sistema di segni verbali: devi per forza adottare un altro sistema di segni: per esempio, quello della mimica: allora cominci a torcere gli occhi, a fare delle boccacce, ad agitare le mani, ad accennare dei gesti coi piedi ecc. ecc. Sei il "cifratore" di un discorso "mimico" che io decifro: ciò significa che possediamo in comune un codice "italiano" di un sistema di segni mimico.
Ci sono ventidue "podemi". Un altro sistema di segni non verbale è quello della pittura; o quello del cinema; o quello della moda (oggetto di studi di un gran maestro in questo campo, Roland Barthes) ecc. ecc. Il gioco del football è un "sistema di segni"; è, cioè, una lingua, sia pure non verbale. Perché faccio questo discorso (che voglio poi schematicamente proseguire)? Perché la querelle che pone uno contro l'altro il linguaggio dei letterati e quello dei giornalisti è falsa. E il problema è un altro.
Vediamo. Ogni lingua (sistema di segni scritti-parlati) possiede un codice generale. Prendiamo l'italiano: io e tu, lettore, usando questo sistema di segni, ci comprendiamo, perché l'italiano è un nostro patrimonio comune, "una moneta di scambio". Ogni lingua, però, è articolata in varie sottolingue, di cui ognuno possiede un codice: e allora gli italiani medici si comprendono fra loro - quando parlano il loro gergo specializzato - perché ognuno di essi conosce il sottocodice della lingua medica; gli italiani teologi si comprendono fra loro perché possiedono il sottocodice del gergo teologico, ecc. ecc. Anche la lingua letteraria è una lingua gergale che possiede un sottocodice (in poesia, per es., invece di dire "speranza" si può dire "speme", ma ognuno di noi non si meraviglia di questa cosa buffa, perché è a conoscenza che il sottocodice della lingua letteraria italiana richiede e ammette che in poesia si usino latinismi, arcaismi, parole tronche ecc. ecc.).
Il giornalismo non è un ramo minore della lingua letteraria: per comprenderlo noi ci valiamo di una specie di sottocodice. In parole povere, i giornalisti altro non sono che degli scrittori, che, per volgarizzare e semplificare concetti e rappresentazioni, si valgono di un codice letterario diciamo - per restare in campo sportivo - di serie B. Anche il linguaggio di Brera è di serie B rispetto al linguaggio di Carlo Emilio Gadda e di Gianfranco Contini.
E quello di Brera è forse il caso più dignitosamente qualificato del giornalismo sportivo italiano.
Non esiste dunque conflitto "reale" tra scrittura letteraria e scrittura giornalistica; è questa seconda, che, ancillare com'è sempre stata, esaltata ora dal suo impiego nella cultura di massa (che non è popolare!!), accampa pretese un po' superbe, da parvenue. Ma veniamo al football.
Il football è un sistema di segni, cioè un linguaggio. Esso ha tutte le caratteristiche fondamentali del linguaggio per eccellenza, quello che noi ci poniamo subito come termine di confronto, ossia il linguaggio scritto-parlato.
Infatti le "parole" del linguaggio del calcio si formano esattamente come le parole del linguaggio scritto-parlato. Ora, come si formano queste ultime? Esse si formano attraverso la cosiddetta "doppia articolazione" ossia attraverso le infinite combinazioni dei "fonemi": che sono, in italiano, le 21 lettere dell'alfabeto.
I "fonemi" sono dunque le "unità minime" della lingua scritto-parlata. Vogliamo divertirci a definire l'unità minima della lingua del calcio? Ecco: "Un uomo che usa i piedi per calciare un pallone" è tale unità minima: tale "podema" (se vogliamo continuare a divertirci). Le infinite possibilità di combinazione dei "podemi" formano le "parole calcistiche"; e l'insieme delle "parole calcistiche" forma un discorso, regolato da vere e proprie norme sintattiche.
I "podemi" sono ventidue (circa, dunque, come i fonemi); le "parole calcistiche" sono potenzialmente infinite, perché infinite sono le possibilità di combinazione dei "podemi" (ossia, in pratica, dei passaggi del pallone tra giocatore e giocatore); la sintassi si esprime nella "partita", che è un vero e proprio discorso drammatico.
I migliori dribblatori del mondo. I cifratori di questo linguaggio sono i giocatori, noi, sugli spalti, siamo i decifratori: in comune dunque possediamo un codice.
Chi non conosce il codice del calcio non capisce il "significato" delle sue parole (i passaggi) né il senso del suo discorso (un insieme di passaggi).
Non sono né Roalnd Barthes né Greimas, ma da dilettante, se volessi, potrei scrivere un saggio ben più convincente di questo accenno, sulla "lingua del calcio". Penso, inoltre, che si potrebbe anche scrivere un bel saggio intitolato Propp applicato al calcio: perché naturalmente, come ogni lingua, il calcio ha il suo momento puramente "strumentale" rigidamente e astrattamente regolato dal codice e il suo momento "espressivo".
Ho detto infatti qui sopra come ogni lingua si articoli in varie sotto lingue, in possesso ciascuna di un sottocodice.
Ebbene, anche per la lingua del calcio si possono fare distinzioni del genere; anche il calcio possiede dei sottocodici, dal momento in cui, da puramente strumentale, diventa espressivo.
Ci può essere un calcio come linguaggio fondamentalmente prosastico e un calcio come linguaggio fondamentalmente poetico.
Per spiegarmi, darò - anticipando le conclusioni - alcuni esempi: Bulgarelli gioca un calcio in prosa: egli è un "prosatore realista"; Riva gioca un calcio in poesia: egli è un "poeta realista".
Corso gioca un calcio in poesia: ma non è un "poeta realista": è un poeta un po' maudit, extravagante.
Rivera gioca un calcio in prosa: ma la sua è una prosa poetica, da "elzeviro".
Anche Mazzola è un elzevirista, che potrebbe scrivere sul "Corriere della Sera": ma è più poeta di Rivera; ogni tanto egli interrompe la prosa, e inventa lì per lì due versi folgoranti.
Si noti bene che tra la prosa e la poesia non faccio distinzione di valore: la mia è una distinzione puramente tecnica.
Tuttavia intendiamoci; la letteratura italiana, specie recente, è la letteratura degli "elzeviri": essi sono eleganti e al limite estetizzanti; il loro fondo è quasi sempre conservatore e un po' provinciale... insomma, democristiano. Fra tutti i linguaggi che si parlano in un Paese, anche i più gergali e ostici, c'è un terreno comune: che è la "cultura di quel Paese: la sua attualità storica.
Così, proprio per ragioni di cultura e di storia, il calcio di alcuni popoli è fondamentalmente in prosa: prosa realistica o prosa estetizzante (quest'ultimo è il caso dell'Italia): mentre il calcio di altri popoli è fondamentalmente in poesia.
Ci sono nel calcio dei momenti esclusivamente poetici: si tratta dei momenti del "goal". Ogni goal è sempre un'invenzione, è sempre una sovversione del codice:ogni goal è ineluttabilità, folgorazione, stupore, irreversibilità. Proprio come la parola poetica. Il capocannoniere di un campionato è sempre il miglior poeta dell'anno. In questo momento lo è Savoldi,. Il calcio che esprime più goal è il calcio più poetico.
Anche il "dribbling" è di per sé poetico (anche se non "sempre" come l'azione del goal). Infatti il sogno di ogni giocatore (condiviso da ogni spettatore) è partire da metà campo, dribblare tutti e segnare. Se, entro i limiti consentiti, si può immaginate nel calcio una cosa sublime, è proprio questa. Ma non succede mai. È un sogno (che ho visto realizzato solo nei "Maghi del pallone" da Franco Franchi, che, sia pure a livello brado, è riuscito a essere perfettamente onirico).
Chi sono i migliori "dribblatori" del mondo e i migliori facitori di goal? I brasiliani. Dunque il loro calcio è un calcio di poesia: ed esso è infatti tutto impostato sul dribbling e sul goal.
Il catenaccio e la triangolazione (che Brera chiama geometria) è un calcio di prosa:esso è infatti basato sulla sintassi, ossia sul gioco collettivo e organizzato: cioè sull'esecuzione ragionata del codice. Il suo solo momento poetico è il contropiede, con l'annesso "goal" (che, come abbiamo visto, non può che essere poetico). Insomma, il momento poetico del calcio sembra essere (come sempre) il momento individualistico (dribbling e goal; o passaggio ispirato).
Il calcio in prosa è quello del cosiddetto sistema (il calcio europeo): il suo schema è il seguente:
catenaccio --> triangolazioni --> conclusioni
Il "goal"in questo schema, è affidato alla "conclusione", possibilmente di un "poeta realistico" come Riva, ma deve derivare da una organizzazione dei gioco collettivo, fondato da una serie di passaggi "geometrici" eseguiti secondo le regole del codice (Rivera in questo è perfetto: a Brera non piace perché si tratta di una perfezione un po' estetizzante, e non realistica, come nei centrocampisti inglesi o tedeschi).
Il calcio in poesia è quello del calcio latinoamericano: il suo schema è il seguente:
discese concentriche --> conclusioni
Schema che per essere realizzato deve richiedere una capacità mostruosa di dribblare (cosa che in Europa è snobbata in nome della "prosa collettiva"): e il goal può essere inventato da chiunque e da qualunque posizione. Se dribbling e goal sono i momenti individualistici poetici del calcio, ecco quindi che il calcio brasiliano è un calcio di poesia. Senza far distinzione di valore, ma in senso puramente tecnico, in Messico è stata la prosa estetizzante italiana a essere battuta dalla poesia brasiliana.
* Da Il giorno, 3 gennaio 1971
Tutti i libri di Pier Paolo Pasolini
torna all'inizio
| home |
domingo, 24 de maio de 2026
A Grande Arte
"Eu vou vivendo
Vou vivendo com você por viver
E assim eu vou andando até ver"
'É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides'
#tbt❤️ A GRANDE ARTE, filme de Walter Salles Jr. #petercoyote #izaeirado #waltersallesjr #waltersalles #videofilmes @videofilmes_produtora
1 – Sou da imprensa anterior ao copy desk. (...) Na redação não havia nada da aridez atual e pelo contrário: – era uma cova de delícias. O sujeito ganhava mal ou simplesmente não ganhava. Para comer, dependia de uma vale utópico de cinco ou dez mil-réis.
2 – Mas tinha a compensação da glória. Quem redigia um atropelamento julgava-se um estilista. E a própria vaidade o remunerava. Cada qual era um pavão enfático. Escrevia na véspera e no dia seguinte via-se impresso, sem o retoque de uma vírgula. Havia uma volúpia autoral inenarrável. E nenhum estilo era profanado por uma emenda, jamais. (RODRIGUES, 2007, p. 138)
_________________________
21 Fischer (2009, p. 66)
O REACIONARISMO DE NELSON RODRIGUES A PARTIR DE SEUS TEXTOS MÊMORE-CONFESSIONAIS
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
A difícil arte da frente ampla - Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática
7:00 AM · 24 de mai de 2026
https://estadao.com.br/opiniao/luiz-sergio-henriques/a-dificil-arte-da-frente-ampla/
📸Nelson Almeida/AFP
domingo, 24 de maio de 2026
A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques
O Estado de S. Paulo
Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática
Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço.
O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo.
Esse confronto, que facilitaria a ascensão do fascismo e do nazismo, só teria um primeiro remédio com as frentes populares dos anos 30. É que, além de unificar os dois ramos do movimento operário, elas se abriram a outras tradições incontornáveis, como o catolicismo político, o socialismo liberal e o republicanismo. Quanto mais amplas, maior o potencial democrático, prefigurando as forças aliadas vitoriosas na guerra que se seguiria.
Situações desse tipo não se limitavam a uma parte do mundo. Sob outras formas, mostravam-se também num Brasil em processo de modernização. Os anos 30, entre nós, viram o confronto entre integralistas e comunistas – sob o olhar implacável de Vargas. Inserida no amplo guarda-chuva da Aliança Nacional Libertadora, a esquerda comunista contribuiria para “o maior movimento popular do País, o mais charmoso e encantador”, segundo Ruy Castro, cuidadoso biógrafo da vida cotidiana de um Brasil em mutação (Trincheira tropical, Companhia das Letras). Encerrada em si mesma, tomando a nuvem por Juno, aquela esquerda se perderia numa aventura militarista nascida para fracassar.
Três décadas depois, a modernização inconclusa ganharia impulso com uma segunda ditadura, não casualmente chamada de “o Estado Novo da União Democrática Nacional (UDN)”. Liberais e democratas,
até alguns que apoiaram o regime no momento inicial, coerentemente se afastaram, fiéis ao seu compromisso doutrinário.
Entre os opositores mais declarados, duramente perseguidos, se renovaria a estratégia de frente – o imaginário dos anos 30 era, efetivamente, duro de morrer. E os comunistas do Partido Comunista Brasileiro
(PCB), talvez marcados a ferro e fogo pela memória do putsch de 1935, logo formularam a ideia de uma frente ampla, pacífica e democrática. O regime haveria de ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha urbana ou da guerra popular prolongada.
A formulação era exata, como foi comprovado pela tortuosa marcha dos fatos, mas a força que a apresentara vivia um declínio irreversível. Havia sabedoria na “moderação na adversidade”, bem como na convicção de que buscar o centro político não implicava fazer a política de um centro sem alma. A ação prática era a mais adequada, mas tinha como limite a visão de mundo própria de quem nascera sob o signo da revolução dos sovietes e dele não se libertara. Ficou, no entanto, uma semente frágil – a ideia de que a democracia “burguesa” devia perder de vez o adjetivo desabonador e, ao contrário, afirmarse como “valor universal” ou “permanente”.
Quase quatro décadas à frente, a estrutura do mundo – e do nosso país – tomou rumos inesperados, eis que a História costuma ser dama inconstante. Vivemos agora no coração da pós-modernidade ou da hipermodernidade. Discussão conceitual à parte, o fato é que entre os especialistas, com raras exceções, generalizou-se o tema da “recessão democrática” e da corrosão interna de algumas das mais tradicionais sociedades abertas.
No nosso canto do mapa, é certo que, em 2018, o Brasil “dobrou à direita”, para usar a expressão de Jairo Nicolau, e ainda hoje se vê às voltas não com uma direita democrática – fundamental para a normal alternância de forças no poder –, mas com outra que se convencionou chamar de “iliberal” ou “antiliberal”.
Essa qualificação revela que o alvo bem nítido dos distintos autoritarismos contemporâneos são os variados mecanismos propriamente liberais que limitam a concentração autocrática do mando. A soberania popular, toscamente invocada (“só o povo é supremo”), encarna-se contraditoriamente na figura do líder com permissão para atropelar todas as regras (“eu autorizo”), inclusive procedimentos eleitorais. O demos, aqui, é massa de indivíduos controlados pelo alto – uma circunstância que faz lembrar os acontecimentos de um século atrás.
Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática. Para decifrá-lo, deve ter a ambição de assimilar criticamente os pontos fortes do liberalismo. Fincar pé nas próprias verdades e fechar-se ao debate/embate com essa e outras correntes significa comportar-se como alma bela. Mais do que isso, significa desistir da reconstrução de um horizonte comum, composto de luta e conciliação, afirmação de interesses particulares e preocupação com a casa de todos.
*Tradutor e ensaísta, coeditor das ‘Obras’ de Gramsci no Brasil
Nem monstros, nem idiotas: um debate sobre a geopolítica atual
Brazil Journal
21 de mai. de 2026
Publicado em: 16/04/2025
“É a primeira vez que vejo um jornalista ocidental realmente tentando entender e não pinçando frases para nos tratar como monstros ou como idiotas.” A frase dita por um ex-agente do serviço secreto paquistanês a Lourival Sant’Anna é uma das lembranças do jornalista que, indo a campo, se tornou um especialista em geopolítica.
Em 36 anos de profissão, Lourival realizou coberturas em 80 países - muitos em guerra. Um de seus livros é Minha guerra contra o medo: o que o risco de morte ensina sobre a vida. “É impossível analisar um país sem ter estado lá e feito contato com as pessoas.”
Neste episódio, ele fala sobre a política externa de Donald Trump - “baseada no improviso” e guiada por uma visão de mundo “transacional, mercantil” - e sobre a guerra na Faixa de Gaza, criticando a atuação da imprensa brasileira.
“Parece um jogo de eu sou contra ou sou a favor. Zero ou um.” Para Lourival, a imprensa israelense “é muito mais aberta e profunda”. “É mais fácil criticar Israel sendo um israelense dentro de Israel do que no Brasil.”
Disponível também no Spotify.
Assista no Brazil Journal: https://braziljournal.com/play/nem-mo...
A Grande Arte - a estreia do Walter Salles!
https://www.google.com/search?gs_ssp=eJzj4tTP1TcwrazKLjBg9OJNVEgvSsxLSVVILCpJBQBqcghY&q=a+grande+arte&rlz=1C1VDKB_pt-PTBR1068BR1068&oq=A+GRANDE+ARTE&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEC4YgAQyBwgAEC4YgAQyDAgBEEUYORjjAhiABDIHCAIQLhiABDIHCAMQLhiABDIHCAQQLhiABDIHCAUQABiABDIHCAYQABiABDIHCAcQABiABDIHCAgQABiABDIHCAkQABiABNIBCDQxMTFqMGo3qAIIsAIB8QVLuI1pDgqRCvEFS7iNaQ4KkQo&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:5ac00489,vid:tntlectwCX8,st:0
Velha Guarda da Portela - Você Não é Tal Mulher / Para O Bem Do Nosso Bem
Você Não É a Tal Mulher - Para o Bem do Nosso Bem
Velha Guarda da Portela
Como que é, compadre Casquinha
Vamos lembrar da Nossa Velha Guarda da Portela?
Vamos sim, Monarco, vamos lembrar da nossa história
Uma longa história
É, cantando aquele pagode gostoso do Alcides
Você não é a tal mulher
Você não é não, ah meu bem
A dona do meu coração
Vou vivendo com você
Vou vivendo com você por viver
E assim eu vou andando até ver
Eu vou vivendo
Vou vivendo com você por viver
E assim eu vou andando até ver
Você não é
Você não é não, ah meu bem
A dona do meu coração
Eu vou vivendo
Vou vivendo com você por viver
E assim eu vou andando até ver
Vou vivendo com você por viver
E assim eu vou andando até ver
Agora vamos lembrar de um professor
O nosso cantor Alvaiade
Mestre Alvaiade
Então você puxa aquele samba dele
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Vou-me embora em silêncio
Chega de me aborrecer
Quando o gênio não combina
Na vida não há prazer
Mas o teu segredo
Não vou contar a ninguém
Teu amor me meteu medo
E pior arranjar outro alguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Não fique triste
Isso é normal
Quantos casais separados
Isso é muito natural
Vou-me embora vou-me embora
Por este mundo sem fim
Nosso gênio não combina
Não posso viver assim
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
(Rapaziada, era assim que nos domingos de manhã
La na Porteliha a gente fazia aquele pagode
Uma garrafinha de cana, garrafa de cerva
Algumas garrafas de caca, cabrito frito
E a gente tomando tomando cana e cantando esse pagode
Cantinho, que saudade, que saudade!)
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Eu não direi o que se passou entre nós
Eu não direi para o bem do nosso bem
Eu não direi o que se passou entre nós a ninguém
Composição: Alvaiade, Alcides, Malandro Histório.
📰 EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA
ÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA
📍 Rio de Janeiro, 24 de maio de 2026
DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026
O fio condutor que une Graciliano Ramos e Luiz Sérgio Henriques
Por um Redator de Copydesk da Velha Guarda
Especial para o Última Hora
RIO —
As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como uma fênix teimosa, iluminam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se dizia nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o ofício do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964.
O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas.
Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela.
Ao aproximarmos Graciliano Ramos do ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, percebemos um fio condutor que entrelaça duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com inquietante nitidez, no enigma enfrentado pela esquerda neste domingo de 2026.
I. A SENTENÇA DO VELHO GRAÇA
Nas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional:
“As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direita se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus.”
A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos “irmãos-inimigos”. Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses.
Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, ainda que marcadas por desconfianças mútuas. Já a extrema-direita preferia o isolamento purista ao convívio com a pluralidade.
II. O DIAGNÓSTICO DE 2026: A FRENTE AMPLA COMO ARTE DO POSSÍVEL
Quase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, retoma esse mesmo fio.
Ele recorda que o antagonismo feroz do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo — erro histórico que só encontrou resposta nas Frentes Populares dos anos 1930.
No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda “tomou a nuvem por Juno” —, o PCB pós-64 passou a formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha.
Ali germinava uma ideia decisiva: a democracia precisava abandonar o adjetivo “burguesa” para afirmar-se como valor universal.
Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma espécie de “recessão democrática”. Desde que o país “dobrou à direita” em 2018, consolidou-se uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o poder.
III. A RESULTANTE EM MOVIMENTO: O ENIGMA A DECIFRAR
É nesse ponto que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem.
A esquerda atual, descrita como “uma mancha ainda indecisa de tendências díspares”, enfrenta o mesmo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca.
Para não sucumbir ao isolamento ironizado por Graciliano, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político.
Fincar-se em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como “alma bela” — uma pureza estéril que, no fim, abre caminho para a autocracia.
EPÍLOGO
As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano.
As de 2026, porém, permanecem acesas em nossa mesa de redação.
O desafio continua o mesmo:
construir um horizonte comum, onde luta e conciliação coexistam — e onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos.
Se quiser
EDIÇÃO DE DOMINGO • EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIAÚLTIMA HORA — O JORNAL DA RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICARio de Janeiro, 24 de maio de 2026DA FREI CANECA AO ENIGMA DE 2026: O FIO CONDUTOR QUE UNE GRACILIANO RAMOS E LUIZ SÉRGIO HENRIQUESPor um Redator de Copydesk da Velha GuardaEspecial para o Última HoraRIO — As luzes da redação do Última Hora, renascido das cinzas da História como fênix teimosa, clareiam o chão de terra e cimento que pisamos. Fazer a revisão do texto — o copydesk, como se soia dizer nos tempos em que Graciliano Ramos trabalhava nas redações — é o papel do último dos moicanos nas lutas democráticas, no apagar das luzes que antecedeu o ano de 1964. O próprio desaparecimento de Graça, ocorrido antes desse desfecho, poupou-o de padecer na escuridão ao lado de seus velhos camaradas.Mas a linha do tempo não se rompe; ela se enovela. Ao convolar Graciliano Ramos com o ensaio contemporâneo de Luiz Sérgio Henriques, vemo-nos emaranhados em um fio condutor que liga duas histórias numa resultante em movimento. O diagnóstico cáustico do Velho Graça sobre as celas do cárcere varguista ecoa, com assustadora nitidez, no enigma que a esquerda pós-comunista enfrenta neste domingo de 2026.I. A Sentença do Velho GraçaNas memórias do cárcere dos anos 1930, Graciliano Ramos não dourava a pílula. Sua prosa seca registrou o DNA do impasse político nacional:"As esquerdas não se unem senão na Frei Caneca. As direitas se achegam, resabiadas. Nem na Ilha Grande a extrema-direta se priva de uma extremidade da ilha: isola-se, e só entre os seus."A ironia do Velho Graça expunha a fratura crônica dos "irmãos-inimigos". Na prisão, sob o peso do Estado Novo, comunistas e socialistas dividiam o mesmo teto, mas divergiam nas teses. Enquanto isso, as forças conservadoras operavam pelo pragmatismo do poder, embora guardando desconfianças mútuas. A extrema-direita, por sua vez, preferia o isolamento purista da ponta da ilha ao convívio com a pluralidade.II. O Diagnóstico de 2026: A Frente Ampla como Arte do PossívelQuase um século depois, o historiador e ensaísta Luiz Sérgio Henriques, escrevendo nas páginas do Estado de S. Paulo, puxa o mesmo fio da meada. Ele nos lembra de que o feroz antagonismo do século passado facilitou a ascensão do nazi-fascismo, um erro que só encontrou remédio nas Frentes Populares dos anos 1930.No Brasil, após a trágica aventura militarista de 1935 — quando a esquerda "tomou a nuvem por Juno" —, o PCB pós-64 tentou formular a ideia de uma frente ampla e pacífica. O regime militar deveria ser derrotado pela política, não pelas miragens da guerrilha. Ali nascia a semente frágil de que a democracia deveria perder o adjetivo "burguesa" para afirmar-se como valor universal.Hoje, no coração da hipermodernidade, o Brasil enfrenta novamente uma "recessão democrática". Desde que o país "dobrou à direita" em 2018, deparamo-nos com uma força iliberal que contesta as regras do jogo e manipula o clamor popular para concentrar o mando.III. A Resultante em Movimento: O Enigma a DecifrarÉ aqui que a crônica de Graciliano e a análise de Henriques se fundem no fechamento desta edição. A esquerda atual, descrita por Henriques como "uma mancha ainda indecisa de tendências díspares", enfrenta o mesmíssimo enigma da coalizão democrática que assombrava os pavilhões da Frei Caneca.Para não ser tragada pelo isolamento que Graciliano ironizava, a esquerda pós-comunista precisa assimilar os pontos fortes do liberalismo político. Fincar pé em dogmas e fechar-se ao centro significa agir como "alma bela" — uma pureza inútil que abre as portas para a autocracia.As luzes de 1964 se apagaram para Graciliano, mas as de 2026 continuam acesas na nossa mesa de redação. O desafio permanece o mesmo: construir um horizonte comum, composto de luta e conciliação, onde a afirmação dos interesses particulares não destrua a casa de todos.
sábado, 23 de maio de 2026
FORA DE ORDEM
TENSÃO ENTRE EUA E CUBA, GUERRA NO IRÃ E ENCONTRO DE PUTIN COM XI JINPING | FORA DA ORDEM
CNN Brasil
Transmitido ao vivo em 22 de mai. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎
No Fora da Ordem desta sexta-feira, 22/05, os novos capítulos da tensão entre EUA e Cuba, a guerra no Irã e os movimentos envolvendo a Rússia. O programa também aborda o encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping, uma semana após a visita de Trump a Pequim, com participação especial da correspondente da CNN Brasil em Buenos Aires, Luciana Taddeo.
Assista ao vivo, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília) com apresentação de analista de Internacional Lourival Sant’Anna, o analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York.
Ballads / John Coltrane Quartet
Partidos insaciáveis
Por O Estado de S. Paulo
Projeto aprovado a toque de caixa, com votos do PT ao PL, cria inúmeros benefícios financeiros para partidos políticos e amplia áreas de baixa fiscalização sobre verbas públicas eleitorais
A Câmara dos Deputados demonstrou mais uma vez que, quando há interesse e disposição, projetos e ideias podem avançar rapidamente, com consenso e escassa discórdia, em um plenário quase harmônico. Mas é claro que esse tipo de cenário é raro de se ver e quase sempre só aparece quando a pauta beneficia um nicho muito específico, justamente aquele que ocupa as cadeiras desse súbito ambiente de harmonia: políticos e partidos. Nessas horas, as velhas críticas ao suposto “açodamento legislativo”, tão evocadas por quem costuma defender parcimônia em matérias de amplo interesse da população, desaparecem.
A chamada minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara nesta semana é mais um exemplo desse comportamento recorrente. O texto entrou de surpresa, só foi incluído na pauta de votação na tarde daquele dia, e acabou aprovado de forma simbólica, sem registro nominal de votos, em sessão híbrida e em um plenário esvaziado. O método conversa perfeitamente com o conteúdo. Quando o Congresso pretende ampliar privilégios para si mesmo, tudo costuma ocorrer de forma rápida, discreta e com o mínimo possível de desgaste público.
O apoio reunido em torno da proposta também ajuda a revelar o caráter corporativista da iniciativa. PT, PL e partidos do Centrão caminharam juntos em defesa do projeto, enquanto a resistência ficou restrita a uma combinação que costuma aparecer nesses momentos por parlamentares do Novo e do PSOL.
O texto aprovado é um pacote de benefícios. A proposta permite renegociar dívidas partidárias por até 15 anos, cria teto para multas por irregularidades em prestações de contas, dificulta bloqueios de recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral e ainda abre brecha para disparos em massa de mensagens por sistemas automatizados. Tudo isso com aplicação imediata, já para este ano eleitoral.
Há ainda um ponto, incluído discretamente no relatório do deputado Rodrigo Gambale (Podemos-SP), que merece ser avaliado com lupa. O texto amplia o escopo de atuação das fundações partidárias, permitindo cursos, convênios, capacitações e outras atividades remuneradas com menos restrições. O problema é que essas fundações operam hoje numa área cinzenta da transparência partidária. As prestações de contas dos partidos, embora problemáticas, ao menos apresentam algum nível de detalhamento sobre despesas, fornecedores, salários e contratos. Já os recursos destinados às fundações partidárias costumam ser apresentados de forma muito mais genérica e opaca. Na prática, trata-se de uma espécie de caixa-preta financiada com dinheiro público.
Ao ampliar as possibilidades de atuação dessas estruturas sem criar mecanismos adicionais de fiscalização, o Congresso amplia também a zona de baixa transparência sobre bilhões de reais distribuídos anualmente às legendas.
Não se trata de um episódio isolado. Nos últimos anos, o Legislativo vem aprovando sucessivas flexibilizações envolvendo recursos partidários e eleitorais. Já foram autorizadas compras de imóveis, veículos e até aeronaves com dinheiro público dos partidos. Houve tentativas de reduzir punições por irregularidades contábeis, limitar bloqueios judiciais e ampliar formas de utilização do Fundo Partidário. Em outro momento revelador, a chamada PEC da Blindagem tentou equiparar presidentes de partidos a parlamentares eleitos para fins de foro especial. Felizmente, o Senado teve algum grau de responsabilidade institucional e deixou a proposta morrer.
A nova minirreforma segue agora justamente para análise desses mesmos senadores. E é importante que o Senado reveja, com o mesmo grau de consciência, o texto aprovado com baixíssimo debate público. Enquanto cidadãos comuns enfrentam multas, execução rápida de dívidas e rigor burocrático crescente, o sistema político continua construindo para si mesmo um regime paralelo de tolerância, renegociação permanente e redução de transparência. Nessas horas, o tradicional cenário de mar revolto da política brasileira se transforma em céu de brigadeiro.
Fora de Ordem
Caetano Veloso
Out of order
Fora de Ordem
Cheap vapor is a mere servant of traffic
Vapor barato um mero serviçal do narcotráfico
It was found in the ruin of a school under construction
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Here everything seems like it was still under construction and is already in ruins
Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína
Everything is boy, girl in the street
Tudo é menino, menina no olho da rua
The asphalt, the bridge, the viaduct screaming at the moon
O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo prá lua
Nothing continues
Nada continua
And the barrel of the pistol that children bite
E o cano da pistola que as crianças mordem
It reflects all the colors of the city's landscape, which is much more beautiful
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito mais bonita
And much more intense than on the postcard
E muito mais intensa do que no cartão postal
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Dark, hard thighs, both of your mulatto acrobats
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata
Your modern leg potato, the intrepid troupe in which you flow
Tua batata da perna moderna a trupe intrépida em que fluis
I'll meet you in Sampa where you can barely see who goes up or down the ramp
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe ou desce a rampa
Something about our sex is almost too bright a light
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Seems to put everything to the test, feels like fire, feels like, feels like peace
Parece pôr tudo à prova parece fogo, parece, parece paz
It feels like peace
Parece paz
Plethora of joy, a Jorge Benjor show within us
Pletora de alegria um show de Jorge Benjor dentro de nós
It's a lot, it's big, it's total
É muito, é grande é total
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
My song hides like a bunch of Yanomami in the forest
Meu canto esconde-se como um bando de Ianomâmis na floresta
Feathers from an old headdress fall on my forehead
Na minha testa caem vem colocar-se plumas de um velho cocar
I'm standing on top of the pile of filthy Bahian trash
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
I spit hate gum into Leblon's exposed sewer
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
But I wink back from the Trianon shipping boy
Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon
I know what is good
Eu sei o que é bom
I don't wait for the day when all men agree
Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
I only know of several beautiful harmonies possible without final judgment
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something (It seems like something)
Alguma coisa (It seems like something)
It is out of order
Está fora da ordem (out of order)
Out of new order
Out of new order
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Out of new order
Out of new order
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Out of new order
Out of new order
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Forward of new world order
Fuera de nueva ordem mundial
Something seems to be out of order
Algo parece estar fuera del ordem
Out of new order
Out of new order
Something seems to be out of order
Algo parece estar fuera del ordem
Out of new order
Out of new order
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of new order
Out of new order
Something seems to be out of order
Algo parece estar fuera del ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
shinsekai no muchitsujo
shinsekai no muchitsujo
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
shinsekai no muchitsujo
shinsekai no muchitsujo
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
shinsekai no muchitsujo
shinsekai no muchitsujo
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Hours of the new world order
Hors du nouvel ordre mondial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Hours of the new world order
Hors du nouvel ordre mondial
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Hours of the new world order
Hors du nouvel ordre mondial
It seems like something is going out of order
It seems like something is going out of order
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
Out of the new world order
Fora da nova ordem mundial
Something is out of order
Alguma coisa está fora da ordem
shinsekai no muchitsujo
shinsekai no muchitsujo
Hours of the new world order
Hors du nouvel ordre mondial
Composição: Caetano Veloso.
sábado, 23 de maio de 2026
Flávio, entre a polícia e a política, por Demétrio Magnoli
Folha de S. Paulo
Colapso da narrativa anticorrupção é a ameaça mais grave à candidatura
Com Vorcaro como fonte provável das revelações, corrida eleitoral se abre para o inesperado
Desde a divulgação de seus pactos com Vorcaro, Flávio Bolsonaro enfrenta um duplo dilema. Numa ponta, a investigação policial e judicial; na outra, o colapso de uma narrativa política. No crítico estado atual do STF, o segundo representa ameaça mais grave.
Provocada, a PGR autorizou a PF a seguir o dinheiro. Tudo ali é suspeito: os valores multimilionários associados ao filme; o papel dos dois irmãos na gerência da transação; o trajeto alegado da grana, via um fundo gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro; o suposto sigilo contratual absoluto sobre a participação do Master no patrocínio da obra. Crimes possíveis: lavagem de recursos do Master e financiamento da aventura americana do 03.
Das rachadinhas a Hollywood, Flávio percorreu um longo caminho financeiro sem sair de seu lugar ético. Contudo, a verdade completa depende da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do 01 e do 03. A PGR solicitará? O STF dará esse passo?
Flávio não está sozinho nos negócios nebulosos com Vorcaro. A rede estende-se pela elite política, da direita à esquerda, e alcança ministros do STF. A PGR e o próprio tribunal ignoraram olimpicamente as transações suspeitas de Toffoli e Moraes com o Master e seu emaranhado de fundos intermediários. Como quebrar os sigilos de um candidato à presidência sem, ao menos, deflagrar uma investigação formal sobre os ilustres juízes de capa preta?
No registro político, o cenário é outro. Os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro à irmandade dos Bolsonaro destinavam-se a comprar proteção, não a financiar um filme do gênero hagiográfico. "Estou e estarei contigo sempre" –a promessa de Flávio ao escroque configura um contrato mafioso. À sua sombra, desaba a campanha bolsonarista, apoiada na equação "o Pix é nosso; o Master é deles".
Uma entrevista à GloboNews escancarou as mentiras de Flávio sobre suas relações com Vorcaro. As perguntas devastadoras partiram da jornalista Malu Gaspar, aquela mesma que se tornara alvo da difamação da rede petista pelo "crime" de expor o contrato do Master com a esposa-sócia de Moraes. Os efeitos não tardaram.
Duas pesquisas oferecem pistas sobre a derrocada. O Datafolha anterior aos áudios indicava empate numérico no segundo turno. Já a sondagem Atlas/Intel, imediatamente posterior, indicou 48,9% para Lula contra 41,8% para Flávio. O eleitorado tem memória curta? Talvez, mas será lembrado de cada palavra do candidato mentiroso ao longo da campanha. Suspeito que, com a sedimentação da história, desapareça a hipótese de triunfo da candidatura do 01 num segundo turno.
A família golpista encontra-se na encruzilhada. Pode seguir a seta que aponta a via da derrota a fim de conservar seu monopólio sobre a direita. Nessa hipótese, preservaria o padrão de polaridade que interessa aos dois polos e congela a política nacional, prendendo o futuro na caverna do passado. Alternativamente, pode curvar-se à pressão dos aliados políticos e, imitando a noiva proverbial, lançar aos ares o cobiçado manto do anti-Lula.
A lógica sugere que a fonte original das revelações divulgadas pelo Intercept Brasil é o próprio Vorcaro. Da prisão, o financista piramidal ensaia sua vingança e emite um alerta para os "traidores". Avisa que tem mais balas na agulha. A corrida eleitoral abriu-se para o inesperado.
sábado, 23 de maio de 2026
Corrupção de volta à ribalta, por Marcus Pestana
Volta e meia, no Brasil, a corrupção reaparece em cena como tema prioritário. Bastaram vir à tona os escândalos do INSS e do Banco Master, para o assunto saltar de 4º. lugar na lista de maior preocupação dos brasileiros, atrás de violência, problemas sociais e economia, em maio de 2025, nos números da Genial/Quaest, com 13%, para o segundo lugar, atrás apenas da violência, agora em maio de 2026, com 18%.
Essa montanha russa na percepção da opinião pública não é recente. A preocupação com a corrupção sobe a cada grande escândalo e arrefece no ciclo posterior de acomodação institucional. No Brasil pós-redemocratização assistimos ao escândalo de Collor, dos Anões do Orçamento, o Mensalão, a Lava Jato e agora os casos do INSS e do Master. As relações incestuosas entre público e privado sempre têm seus ícones empresariais: PC Farias, Marcos Valério, Marcelo Odebrecht, o Careca do INSS, Daniel Vorcaro. No meio, encontram-se lideranças políticas e governamentais. Do outro lado, surgem seus algozes: Ibsen Pinheiro, Roberto Magalhães, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, André Mendonça. Os personagens mudam, mas o enredo permanece. A cada novo escândalo cresce a sensação de impotência, impunidade e a convicção de que os avanços institucionais não foram suficientes e que a corrupção é uma doença endêmica e inevitável.
Como vacina ao complexo de vira-lata temos a própria História. A corrupção acompanha o ser humano desde a Antiguidade. Afinal, o filósofo grego, Diógenes, não caminhava nas ruas de Atenas, com sua lanterna acesa em pleno dia, em busca de um homem honesto? Aristóteles e Platão trataram do assunto em suas obras. Aristófanes, em sua peça “Os cavaleiros” produz a fala de um governante: “E eu a roubar, mas para o bem da cidade”. Todo corrupto tem sempre um fundamento nobre para justificar seu comportamento ilícito e imoral. Eurípedes, em Medéia, reverbera o provérbio grego “os presentes até os deuses convencem”.
Na Roma Antiga, a corrupção era componente sistêmico da vida social e política. A primeira legislação romana anticorrupção data de 149 anos antes de Cristo. Fraudes fiscais, subornos, abusos de poder, manipulação judicial, estavam ali presentes. O provérbio latino assegurava: “Em Roma, tudo se compra”.
A Bíblia trata a corrupção como um dos motores da degradação humana, intimamente ligada à morte espiritual. “Não aceitarás suborno, porque o suborno cega os que têm vista e perverte a palavra dos justos” (Êxodo, 23:8). “A corrupção moral de uma nação faz cair seu governo, mas o líder sábio e prudente traz estabilidade” (Provérbios, 28:2).
Onde há balcão público que licencia, elabora normas e leis, fiscaliza, multa, penaliza, regula, contrata, compra, paga, aloca recursos, concede benefícios e empréstimos, há potencialmente a possibilidade de corrupção. Para a democracia é fatal os cidadãos acharem que todos são iguais e que o poder é sempre corrupto. O caso Master engolfou segmentos significativos da República. Precisamos endurecer a legislação, fortalecer as instituições, aprofundar a transparência, adensar controles. Mas, acima de tudo, promover uma revolução cultural e comportamental anticorrupção, seguindo a máxima de Ulysses Guimarães, na promulgação da Constituição de 1988: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.
Música | Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescar do Salgueiro e Nelson Sargento
Más palestras
“Não vos enganeis; as más conversações corrompem os bons costumes.” — Paulo. (1 CORÍNTIOS, 15.33)
1 A conversação menos digna deixa sempre o traço da inferioridade por onde passou. A atmosfera de desconfiança substitui, imediatamente, o clima da serenidade. 2 O veneno de investigações doentias espalha-se com rapidez. Depois da conversação indigna, há sempre menos sinceridade e menor expressão de força fraterna. 3 Em seu berço ignominioso, nascem os fantasmas da calúnia que escorregam por entre criaturas santamente intencionadas, tentando a destruição de lares honestos; surgem as preocupações inferiores que espiam de longe, enegrecendo atitudes respeitáveis; emerge a curiosidade criminosa, que comparece onde não é chamada, emitindo opiniões desabridas, induzindo os que a ouvem à mentira e à demência.
4 A má conversação corrompe os pensamentos mais dignos. As palestras proveitosas sofrem-lhe, em todos os lugares, a perseguição implacável, e imprescindível se torna manter-se o homem em guarda contra o seu assédio insistente e destruidor.
5 Quando o coração se entregou a Jesus, é muito fácil controlar os assuntos e eliminar as palavras aviltantes.
6 Examina sempre as sugestões verbais que te cercam no caminho diário. Trouxeram-te denúncias, más noticias, futilidades, relatórios malsãos da vida alheia? Observa como ages. Em todas as ocasiões, há recurso para retificares amorosamente, porquanto podes renovar todo esse material, em Jesus-Cristo.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
74
Más palestras
Pão Nosso #074 - Más palestras
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 20 de dez. de 2022
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
Turístico e Cultural - Sacramento/MG
A GAZETA DE SACRAMENTO
Aqui está a transcrição exata do trecho da página 46 do livro de Corina Novelino:
A GAZETA DE SACRAMENTO
A dinâmica de trabalho não conhecia cansaços no roteiro do jovem Eurípedes.
Conhecido nos círculos culturais da cidade por sua participação conscienciosa no Grêmio Dramático Sacramentano, Eurípedes amplia suas atividades no campo da comunicação, criando com a colaboração de José Martins Borges, Leão de Almeida e Prof. Inácio G. Melo a Gazeta de Sacramento, que circulou, provavelmente até 1918.
Esse periódico — o primeiro de Sacramento — era conhecido também nas cidades vizinhas.
O Lavoura e Comércio, de Uberaba, em tiragem especial dedicada ao Município de Sacramento, em 1918, transcreve bem lançado artigo (editorial) inserto na Gazeta de Sacramento.
"INCERTO INSERTO, CERTO CONSERTO." PARAFRASEANDO O QUE DE QUEM POR QUÊ ONDE COMO QUEM? QUANDO?
O Quê?A publicação de um artigo (editorial) bem lançado que havia sido incluído na Gazeta de Sacramento.De Quem?Escrito por Eurípedes Barsanulfo (com a colaboração de seus companheiros de imprensa, José Martins Borges, Leão de Almeida e Prof. Inácio G. Melo).Por Quê?Para divulgar ideias, registrar a história local, promover a cultura e a comunicação na região através do primeiro periódico da cidade.Onde?Originalmente na Gazeta de Sacramento e, posteriormente, reproduzido no jornal O Lavoura e Comércio, da cidade vizinha de Uberaba.Como?Através de uma tiragem especial impressa do jornal de Uberaba, que era inteiramente dedicada ao Município de Sacramento.Quem?O jornal O Lavoura e Comércio foi o responsável por transcrever e dar novo destaque ao texto.Quando?No ano de 1918.
Desigualdade das riquezas
8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.
Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? É exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep106] Desigualdade das riquezas (cap XVI, 8)
Desigualdade das Riquezas: Uma Leitura Espírita à Luz das Teorias Econômicas Contemporâneas, por Leonardo Paixão
dezembro 14, 2025 Administrador site ECK
Tempo de leitura: 4 minutos
Leonardo Paixão
***
A conciliação entre a visão espírita e as teorias econômicas sugere uma compreensão ampliada da realidade. A transformação moral, conforme preconiza o Espiritismo, é essencial para erradicar as causas profundas da desigualdade ― o egoísmo, o orgulho e a indiferença, mas não dispensa, pelo contrário, complementa e fortalece os instrumentos sociais, políticos e econômicos que buscam corrigir injustiças e promover o bem-estar coletivo.
***
Resumo
O presente artigo propõe uma reflexão sobre o problema da desigualdade das riquezas, a partir do capítulo XVI, item 8, de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. A Doutrina Espírita interpreta a desigualdade como um mecanismo educativo, vinculado à lei do progresso, à reencarnação e às provas morais. Este trabalho busca dialogar com as principais teorias econômicas contemporâneas, identificando pontos de convergência e tensão. Defende-se que a transformação moral, proposta pelo Espiritismo, não exclui a necessidade de reformas materiais, mas complementa os esforços sociais na construção de uma sociedade mais justa, solidária e sustentável.
Palavras-chave: Desigualdade, Economia, Espiritismo, Justiça Social, Progresso Moral.
Introdução
A desigualdade socioeconômica é um dos temas centrais da reflexão ética, filosófica e econômica na contemporaneidade. A partir de uma perspectiva espiritual, Allan Kardec, em “O evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo XVI, item 8, oferece uma interpretação que transcende as explicações meramente materiais, associando a desigualdade das riquezas ao processo educativo da alma, à lei de causa e efeito e às necessidades do progresso coletivo.
Contudo, no campo das ciências econômicas, a desigualdade é analisada sob outra ótica, considerando fatores históricos, estruturais e institucionais. O presente artigo busca refletir sobre como a visão espírita pode dialogar com as teorias econômicas contemporâneas, analisando seus pontos de contato e divergência, e propondo uma síntese que reconheça tanto a dimensão espiritual quanto a material do problema.
A Desigualdade das Riquezas na Perspectiva Espírita
No capítulo citado, Allan Kardec explica que “A desigualdade das riquezas é um dos problemas que em vão se procuram resolver, quando se considera apenas a vida atual” (Kardec, 2003:210). A partir dessa premissa, compreende-se que a Justiça Divina se manifesta não em uma única existência, mas no conjunto das reencarnações, onde cada Espírito experimenta, alternadamente, as condições de riqueza e de pobreza como provas e oportunidades de desenvolvimento moral.
A riqueza, portanto, é vista como uma prova que testa a caridade, o desapego e a responsabilidade social. A pobreza, por sua vez, é uma prova que exige resignação, coragem e paciência. A doutrina também reconhece que a concentração de riqueza, em certos momentos, permite a realização de obras, empreendimentos e avanços que beneficiam a coletividade.
Entretanto, Kardec não exime de crítica a má utilização da riqueza, apontando que sua má administração decorre do egoísmo e do orgulho, os grandes males da humanidade (Kardec, 2004). A proposta espírita, nesse sentido enfatiza a transformação moral como meio essencial para corrigir os desequilíbrios sociais.
As Teorias Econômicas Contemporâneas sobre a Desigualdade
A desigualdade de renda e patrimônio é amplamente estudada na atualidade por diferentes escolas econômicas, que oferecem interpretações e propostas distintas, conforme a seguir.
Economia Clássica e Neoclássica
Defendem que as diferenças de renda e riqueza resultam da produtividade, da poupança, do investimento, do mérito individual e do risco. Segundo essa visão, a desigualdade é, até certo ponto, funcional e promotora de desenvolvimento, pois recompensa o esforço e a inovação.
Economia Crítica e Marxista
Entende a desigualdade como uma consequência da concentração dos meios de produção e da exploração da força de trabalho. Para essa corrente, a acumulação de capital é inerentemente geradora de desigualdade, sendo necessário superar as estruturas do capitalismo para alcançar uma sociedade mais igualitária.
Teorias Contemporâneas da Desigualdade
Estudos recentes, como os de Thomas Piketty, Joseph Stiglitz e Amartya Sen, mostram que a desigualdade extrema não é natural, mas resultado de políticas públicas, heranças, regimes fiscais regressivos, concentração de capital e falhas institucionais. Esses autores defendem a redistribuição de renda, impostos progressivos, acesso universal à educação e fortalecimento dos serviços públicos como medidas necessárias para reduzir a desigualdade e promover justiça social.
Convergências e Tensões entre a Visão Espírita e as Teorias Econômicas
Aponta-se como convergências: – Crítica ao egoísmo; – A riqueza como instrumento social; – Reconhecimento do problema da desigualdade.
No âmbito de Tensões, estão: – Temporalidade da justiça; – Causas da desigualdade; – Soluções propostas.
Síntese Proposta: Uma Leitura Integrada
A conciliação entre a visão espírita e as teorias econômicas sugere uma compreensão ampliada da realidade. A transformação moral, conforme preconiza o Espiritismo, é essencial para erradicar as causas profundas da desigualdade ― o egoísmo, o orgulho e a indiferença. Contudo, essa transformação não dispensa, pelo contrário, complementa e fortalece os instrumentos sociais, políticos e econômicos que buscam corrigir injustiças e promover o bem-estar coletivo.
A caridade, no sentido espírita, transcende o assistencialismo e assume o caráter de fraternidade social, implicando também em justiça distributiva, solidariedade, economia ética e construção de estruturas mais equânimes.
Conclusão
A análise da desigualdade das riquezas sob a ótica espírita e econômica revela que não há oposição necessária entre espiritualidade e materialidade, mas uma complementaridade. A Justiça Divina opera no longo curso das reencarnações, permitindo a cada Espírito aprender, reparar e evoluir. Contudo, no plano social e coletivo, é dever dos indivíduos e das instituições combater as formas evitáveis de sofrimento, miséria e exclusão.
O Espiritismo, portanto, não é uma doutrina de conformismo social, mas de responsabilidade. Enquanto convoca à transformação íntima, também conclama à construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna, onde a lei de caridade se manifeste não apenas nas relações pessoais, mas também nas estruturas econômicas, políticas e sociais.
Fontes:
Kardec, A. (2003). “O evangelho segundo o Espiritismo”. Trad. J. Herculano Pires. 59. Ed. São Paulo: LAKE.
Kardec, A. (2004). “O livro dos Espíritos”. Trad. J. Herculano Pires. 64. Ed. São Paulo: LAKE.
Marx, K. (2013). “O Capital: crítica da economia política”. São Paulo: Boitempo.
Piketty, T. (2014). “O Capital no Século XXI”. Rio de Janeiro: Intrínseca.
Sen, A. (2000). “Desenvolvimento como Liberdade”. São Paulo: Companhia das Letras.
Smith, A. (2007). “A Riqueza das Nações”. São Paulo: Martins Fontes.
Stiglitz, J. (2012). “O Preço da Desigualdade”. Rio de Janeiro: Intrínseca.
Imagem Free PixaBay AquilaSol
Dezembro de 2025
ACESSE: Harmonia – Dezembro 2025
O Livro dos Espíritos | questão 555
Luiza Almeida Monteiro
9 de jul. de 2023 Estudo de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, comentado
Poder oculto. Talismãs. Feiticeiros
555. Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro?
“Aqueles a quem chamais feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam a força magnética ou a dupla vista. Então, como fazem coisas geralmente incompreensíveis, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural. Os vossos sábios não têm passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?”
A.K.: O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice.
Revisando a História da Mulher Samaritana (João 4)
By Dr. Eli Lizorkin-Eyzenbergmarço 26, 2014
A solução está em você.
Não há problema para quem
tem verdadeira fé em Deus.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
FACA E PRATO
O uso de faca e prato é uma técnica de percussão alternativa típica do samba de roda brasileiro. Consiste em segurar um prato de louça ou cerâmica pela borda com uma mão e usar uma faca como baqueta, raspando e percutindo o utensílio para criar o ritmo.
Percussão Alternativa em 8 Passos | Prato e Faca
GURI
Ministério da economia
Jards Macale
℗ 1987 WEA International Inc.
Composer: Geraldo Pereira and Arnaldo Passos
Geraldo Pereira - MINISTÉRIO DA ECONOMIA - Geraldo Pereira e Arnaldo Passos - samba de 1951
luciano hortencio
@SamuelMachadoFilho
há 12 anos (editado)
Samba regravado algumas vezes posteriormente (Jards Macalé, Monarco, Bebel Gilberto em dueto com Pedrinho Rodrigues, etc.) em que Geraldo Pereira exalta a criação dessa pasta, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, quando se acreditava que tudo ficaria mais barato (de ilusão também se vive). Histórica gravação Sinter, lançada em agosto de 1951 sob número de disco 00-00.071-B, matriz S-150.
"Em entrevista ao Estadão, em 2019, ele avaliou o então cenário político do País e projetou o futuro do Brasil da seguinte maneira: 'Falar do futuro exige projeções sólidas. Sem elas, o que temos é uma nebulosa mesmo, não há muita saída. Mas a meu ver há uma revolução que precisa ser feita, que é valorizar o estudo da História. Autores recentes como Yuval Harari estão clamando por mais atenção para os movimentos histórico-culturais de longa duração. O horizonte é de construção para longo prazo, e temos, nós brasileiros, de aprender essa lição.' •"
As famílias que governam o Brasil
Spotniks
19 de mai. de 2026
No Brasil, em quase todos os estados, o poder político é transmitido como uma herança de sangue. As mesmas famílias atravessam gerações ocupando os mesmos cargos, controlando as mesmas emissoras de TV, distribuindo as mesmas verbas públicas.
Domingo Infeliz - Geraldo Pereira 1951
Confraria do Chiado
16 de nov. de 2013
Como cantava bem esse Geraldo Pereira!!!
Samba de Arnaldo Passos e Abelardo Barbosa (o lendário Chacrinha), lançado pela Sinter em agosto de 1951, disco 00-00.071-A, matriz S-136. Quem canta é Geraldo Pereira (Juiz de Fora, MG, 1918-Rio de Janeiro, 1955), autor de clássicos do samba como "Falsa baiana", "Escurinho", "Sem compromisso" e "Quando ela samba". Segundo José Ramos Tinhorão, Geraldo Pereira, como cantor, "tinha perfeita de noção de ritmo, coerência da forma escolhida para traduzir o sentido dos versos, valorização da melodia e, acima de tudo, caráter e estilo próprio na forma de interpretar".
Por Samuel machado Filho e Adilson Santos
Arquivo Confraria do Chiado
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Malandragem de deputados tenta fazer o público de mané, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Aproveitando-se da distração geral com o escândalo da vez, a Câmara voltou a legislar em prol dos seus
Na essência, a proteção aos partidos é semelhante à tentativa de blindar parlamentares de ações da Justiça
Distraído que estava o público com o escândalo da vez, a Câmara dos Deputados voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos seus. E, de novo, com o método de sempre.
À sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica os deputados aprovaram uma série de facilidades para os partidos, à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas. Não bastasse, determinaram que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual.
Suas excelências não querem pouco. Reivindicam teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a contabilidades irregulares, dão 15 anos (!) de prazo para renegociação de dívidas, liberam os infratores para participar de eleições e os deixam à vontade para fazer disparos (inclusive os ilegais, via robôs) de mensagens por celulares.
Uma rede de proteção na essência nada diferente daquela tentativa de aprovar uma emenda constitucional que deixaria os parlamentares fora do alcance da Justiça. A PEC da Blindagem foi barrada no Senado por pressão da opinião pública.
Desta vez, se não houver uma grita geral, a estrovenga vai passar pelos senadores cujos partidos se beneficiam dela. O caminho é facilitado por um acordo entre Câmara, Senado, governo e oposição para a derrubada de veto presidencial a dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias e, assim, permitir doações de bens e dinheiro durante a campanha eleitoral.
Trata-se de um canavial de malandragens sob a égide da ilegalidade e da desfaçatez de um Poder Legislativo hipertrofiado —e que ainda pretende sair mais fortalecido desta eleição em que as legendas estão especialmente empenhadas em obter o maior número possível de cadeiras no Parlamento.
Com esse tipo de credencial, os congressistas não estimulam a sociedade à participação ativa na composição das Casas legislativas. Ao contrário: alimentam o distanciamento decorrente da repulsa aos procedimentos que servem ao domínio financeiro das direções partidárias viciadas no sustento do Estado.
O nome Bolsonaro ainda sustenta a direita? | Não é Bem Assim
Meio
Estreou em 21 de mai. de 2026 #jairbolsonaro #danielvorcaro #flaviobolsonaro
No Não é Bem Assim, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem o novo momento da corrida presidencial de 2026. Com o desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso do filme ligado a Daniel Vorcaro, a direita perde força ou apenas reorganiza suas peças?
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Embate inédito no Supremo, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Há brechas para que Mendonça rejeite a delação de Vorcaro, mesmo com o aval da PGR
A rejeição da delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pela Polícia Federal deixou uma nódoa sobre o processo, mas, juridicamente, ele segue de pé.
A PF desconfia que Vorcaro está protegendo políticos. Seu receio se fundamenta nas provas que já colheu durante as investigações e que vão além do que Vorcaro ofereceu.
Mas o titular da ação penal é a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não precisa da PF para selar essa delação.
Na PGR, a visão é oposta. Dizem que não falta seriedade do ex-banqueiro e de sua defesa e que não faz sentido bater a porta de uma possível colaboração. Querem aguardar uma contraproposta.
Juridicamente, portanto, o processo segue perfeito. Haveria dúvidas se a PF decidisse fechar sozinha a delação. O nó político, porém, persiste por conta das desconfianças que pesam sobre o procurador-geral, Paulo Gonet.
Se a PGR decidir aceitar a delação de Vorcaro, caberá ao ministro-relator do caso, André Mendonça, homologar o processo com base nos princípios da legalidade e da voluntariedade.
Na homologação, Mendonça não entra no mérito da causa. Os juízes só julgam o mérito na fase final do processo, já com a instrução pronta e outros acusados na fila.
Mas o relator pode opinar se o que foi oferecido pelo colaborador é suficiente para justificar os benefícios que recebeu e para ressarcir os prejuízos que causou.
Mendonça vem sinalizando que não aceitará valores irreais, nem prazos dilatados que permitam contestações no futuro. A experiência da Lava Jato mostra que essas multas acabam não sendo pagas.
Há brechas, portanto, para que o relator rejeite a delação, mesmo com o aval da PGR. Não há na história recente precedentes de um delator que tenha agravado a decisão e recorrido à Turma, mas isso é possível pela legislação.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e o próprio Mendonça.
Com Toffoli impedido no caso Master, aqui está o risco de um embate inédito dentro do Supremo provocado pela delação de Vorcaro.
Ninguém arrisca, numa fase tão anterior do processo, dizer quais seriam os votos dos ministros. Mas o histórico de “punitivistas” e “garantistas” do STF não descartaria um empate.
Na dúvida, a legislação criminal é pró-réu. Mas há interpretações de que seria necessário aguardar a indicação de um novo ministro da Corte para resolver o impasse. Existem chances, portanto, de Vorcaro oferecer pouco e, ainda assim, escapar.
@estadao
Delação de Vorcaro revela embate inédito
Assinar:
Postagens (Atom)













