terça-feira, 22 de setembro de 2026

Em uma frase: o texto defende que o Brasil deveria ir além da dicotomia “EUA versus Sul Global”, construindo uma política externa soberana, democrática e pragmática — “outro Ocidente, nunca anti-Ocidente”.

AO VIVO: ASSEMBLEIA-GERAL DA ONU 2026 | PLANTÃO THE NEWS 22/09 the news cc Transmissão ao vivo realizada há 7 horas Vídeo: ONU/Reprodução
"Para atingir Mendonça, Moraes dispara um tiro que ricocheteia no ministro Fachin, que atua como presidente-anteparo. Nessa troca de chumbo no Supremo, Mendonça revida o Inquérito das Fake News com uma investigação própria. Um embate direto travado por meio de inquéritos mágicos." RODA VIVA | WÁLTER MAIEROVITCH | 21/09/2026 Roda Viva e TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 19 horas Roda Viva | 2026 Nesta segunda-feira (21), o Roda Viva recebe o jurista e professor Wálter Maierovitch. Após o país acompanhar com atenção a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, paralisada pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino, o programa analisa os próximos passos da Corte, os impactos das posturas adotadas pelos magistrados e os reflexos em todo o Poder Judiciário. A discussão integra a programação do mês de celebração dos 40 anos do Roda Viva, reafirmando o compromisso do programa com o debate dos grandes temas nacionais. 00:00:00 Abertura e apresentação 00:02:49 Apuração e ética no STF 00:08:40 Suspeição do Procurador-Geral 00:13:39 Decoro e imagem das instituições 00:20:00 Crises históricas do Judiciário 00:27:02 Impactos nas eleições de 2026 00:31:00 Impedimento e foro íntimo 00:33:57 Propostas de mudança no STF 00:42:53 Papel do CNJ e transparência 00:50:45 Relações do Caso Master 00:59:00 Validade da delação premiada 01:04:14 Mudanças no STF e mandato 01:09:00 Projetos de anistia e golpe 01:13:42 Crise entre os Poderes 01:18:31 Considerações finais e encerramento #RodaViva #TVCultura #SomosCultura #WálterMaierovitch
Resumo O artigo de Christopher Garman, publicado no Valor Econômico, argumenta que o Brasil vive uma degradação institucional lenta, mais preocupante no longo prazo do que a atual crise envolvendo o STF. O autor identifica três frentes principais: Judiciário: o aumento da atuação de escritórios ligados a familiares de ministros e suspeitas de influência sobre decisões criaria um ambiente propício ao tráfico de influência. Crime organizado: facções estariam ampliando sua atuação econômica e política, alcançando setores como combustíveis, mineração e fintechs e aumentando sua presença em governos locais. Congresso: o crescimento das emendas parlamentares, combinado com fiscalização considerada insuficiente, teria ampliado o poder econômico do Legislativo e favorecido interesses particulares. Segundo Garman, esses processos não configuram ainda uma ruptura institucional, mas corroem gradualmente a confiança nas instituições e a igualdade de competição entre empresas. No curto prazo, a crise do STF poderia afetar a confiança dos investidores e o ambiente político para uma eventual reforma fiscal em 2027. O autor considera que mudanças no Judiciário e maior fiscalização das emendas são possíveis, mas vê como desafio mais difícil conter a penetração do crime organizado no Estado. Ao mesmo tempo, o artigo ressalta que o Brasil mantém instituições relativamente robustas: Judiciário e Ministério Público independentes, Polícia Federal atuante e diversos mecanismos de veto no sistema político. Essa estrutura, argumenta Garman, também explica por que grandes escândalos conseguem vir à tona. Tese central: mais importante do que a permanência de ministros específicos no STF é saber se a crise atual produzirá reformas capazes de reduzir estruturalmente o tráfico de influência, a corrupção e a infiltração do crime organizado nas instituições.
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Lenta e ampla degradação institucional, por Christopher Garman Valor Econômico Apesar de tudo, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais O Supremo Tribunal Federal está mergulhado em uma crise institucional sem precedentes. Por trabalhar em uma empresa de risco global, frequentemente recebo perguntas sobre os efeitos desse escândalo na confiança dos investidores internacionais. A resposta não é fácil. No curto prazo, a principal questão é como essa crise pode afetar o resultado da eleição presidencial e, consequentemente, as perspectivas para uma reforma fiscal em 2027 que crie condições para a queda das taxas de juros, que vêm estrangulando as empresas e as famílias. Mas os efeitos de longo prazo são, de longe, mais relevantes: o escândalo envolvendo o Supremo é sintoma de uma degradação institucional em curso há uma década, visível em três frentes: o tráfico de influência em decisões judiciais, a cooptação crescente da política pelo crime organizado e a corrupção difusa entre parlamentares que, cada vez mais, defendem seus próprios interesses econômicos. Juntos, esses vetores não configuram uma crise institucional aguda, mas a dinâmica se assemelha à de uma rã na água fervente: mina lentamente a confiança nas instituições e no ambiente de negócios. A crise no STF tem suas raízes em um ambiente propício ao tráfico de influência nos tribunais. Em 2023, a corte flexibilizou as restrições impostas a familiares de ministros que atuam em escritórios responsáveis por casos perante as cortes superiores. E, de acordo com um estudo do jornal O Estado de São Paulo, das 1.860 ações apresentadas ao STF e ao Superior Tribunal de Justiça por escritórios onde advogam familiares de ministros, 70% foram protocoladas após o parente assumir o cargo. Oito dos dez ministros do STF estão nessa situação. Advogados relatam que clientes contratam, cada vez mais, além de um escritório tradicional, outro de um familiar de um ministro. Relatos de que algumas decisões nos tribunais superiores estão sendo influenciadas por quem contrata esses escritórios vêm aumentando. Ao mesmo tempo, cresce a infiltração do crime organizado na esfera pública. Facções criminosas estão diversificando seus negócios, incluindo combustíveis, mineração e fintechs; um estudo mostra que essas atividades já respondem por 5% do PIB do país. Pesquisas apontam que cerca de 19% da população vive em áreas controladas por facções, e a infiltração em governos estaduais e municipais é generalizada, como indicam investigações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Há um risco real de que a infiltração do crime nas instituições se aproxime do modelo hoje visto no México, embora ainda não tenhamos chegado nesse estado. No Congresso Nacional, a corrupção cresceu desde que uma emenda à Constituição deu ao Legislativo, a partir de 2015, controle sobre emendas orçamentárias, sem supervisão do Executivo: os recursos saltaram de R$ 3,8 bilhões em 2015 para R$ 47 bilhões em 2025, o equivalente a cerca de 0,36% do PIB. O problema não é só o uso ineficiente, mas a ausência de fiscalização: prefeitos relatam exigências de comissões de até 20%, pagas por meio de superfaturamento das obras. Os parlamentares tornaram-se também menos dependentes do Executivo e, cada vez mais, passaram a legislar em benefício de seus negócios privados. O Executivo enfrenta mais dificuldades para conseguir que o Senado aprove nomeações para agências reguladoras, e crescem também relatos de indicações de escritórios de advocacia para ajudar em temas regulatórios. Juntos, esses vetores representam uma decadência institucional lenta, cujo custo é difícil de mensurar, mas que se manifesta principalmente de duas formas. Primeiro, mina a igualdade de condições de competição: investidores e empresas que não jogam o jogo de influência nos tribunais, ou que enfrentam parlamentares com interesses próprios e crime organizado infiltrado em seus setores, sentem esse desequilíbrio na prática. Segundo, corrói a confiança nas instituições: os eleitores já apontam a corrupção como o principal problema desta eleição, e essa desconfiança tende a se refletir nas urnas. Diante de um escândalo dessa magnitude no STF, alguma mudança é provável, e tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro já defendem uma reforma do Judiciário. A falta de fiscalização sobre as emendas orçamentárias, por sua vez, é mais difícil de enfrentar. Qualquer novo governo será tentado a negociar a aprovação de um ajuste fiscal em troca da preservação desse mecanismo. O cenário mais provável é que o uso dos recursos passe a ser mais fiscalizado, com as investigações em curso servindo como instrumento de pressão — mas nenhum novo governo conseguirá alterar essas regras rapidamente. O desafio maior, entretanto, é frear a degradação institucional decorrente do avanço do crime organizado: o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal têm avançado, mas a cooptação do setor público continua a crescer. Apesar de tudo isso, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais. O Judiciário e o Ministério Público são independentes; a Polícia Federal é atuante; e o sistema político tem múltiplos pontos de veto. Esse arranjo dificulta a governabilidade, mas, ao mesmo tempo, explica por que grandes escândalos vêm à tona (em outras democracias, escândalos como esse não veem a luz do dia). Investidores internacionais reconhecem isso. Mas a batalha para preservar a robustez institucional depende de medidas que ataquem a raiz dessa degradação. Mais relevante do que a permanência ou não do ministro Alexandre de Moraes (ou de outros) no cargo é saber se a crise pode dar início a uma reforma que coíba as práticas que criam um ambiente propício ao tráfico de influência.
Resumo O artigo de Paulo Fábio Dantas Neto parte de um discurso de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, para propor uma reflexão sobre o lugar do Brasil no mundo diante da ofensiva internacional de Donald Trump. A ideia central é que a ordem internacional do pós-guerra está se enfraquecendo, dando lugar a uma competição mais agressiva entre grandes potências. Carney propõe que países de porte intermediário, como Canadá e Brasil, atuem conjuntamente — política, comercial e diplomaticamente — para defender soberania, democracia, direitos humanos e pluralismo, sem simplesmente se alinhar a uma potência rival dos EUA. Para o autor, essa proposta oferece ao Brasil uma alternativa ao conceito de “Sul Global” como principal eixo de sua política externa. O Brasil poderia manter relações econômicas com países do Sul, China e Brics, mas sem transformar essas relações em alinhamento político com regimes autoritários. Interesses pragmáticos e valores democráticos, argumenta, podem coexistir. O artigo recupera então o pensamento de San Tiago Dantas, especialmente sua defesa de uma política externa independente, baseada na soberania nacional e na cooperação voluntária entre Estados. Nessa visão, o Brasil não deveria ser nem potência agressora nem país subordinado, mas um Estado capaz de cooperar preservando sua autonomia. Daí surge a ideia de “outro Ocidente”, associada também a José Guilherme Merquior: o Brasil faria parte de uma tradição cultural e política ocidental, mas não precisaria se subordinar às grandes potências ocidentais. Para o autor, essa posição permitiria ao Brasil defender seus interesses e sua soberania mantendo vínculos com democracias. Em uma frase: o texto defende que o Brasil deveria ir além da dicotomia “EUA versus Sul Global”, construindo uma política externa soberana, democrática e pragmática — “outro Ocidente, nunca anti-Ocidente”.
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Mark Carney, San Tiago Dantas e o mote do “outro Ocidente”, por Paulo Fábio Dantas Neto* Demorou um pouco até que uma voz mais firme e positiva surgisse de um país ocidental, reconhecendo com realismo a extensão e profundidade radicais da ofensiva de Donald Trump para decretar, nas relações internacionais, o retorno do império da competição sem regras entre grandes potências. O primeiro ministro Mark Carney, do Canadá, em pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, além de fazer isso, lançou um facho de luz num mundo que, diante da fera, tem oscilado entre a perplexidade, o medo, a retórica oca e a indignação impotente. Ao reconhecer a falência da ordem mundial do pós-guerra e a impossibilidade de sua refundação, exortou o que chama de potências médias (dentre as quais vê o seu país incluído) a agirem em bloco, política, comercial e diplomaticamente para resistirem à ação das potências hegemonistas e contraporem, ao mundo sem regras que elas estão consagrando na esteira da blitz trumpista, um processo de construção de uma nova ordem, na qual possam ser preservados tanto os interesses soberanos dos países, como valores civilizatórios supranacionais, com destaque aos direitos humanos, à democracia e o pluralismo político. A relativa demora da reação guarda alguma semelhança com a prudência da diplomacia brasileira. Afinal, ambos os países estão tradicionalmente situados na chamada área de influência dos EUA. No caso do Canadá, mais ainda, porque tem com aquele país uma imensa fronteira, tendo sido alvo de insólita ameaça de anexação. Isso valoriza ainda mais a firmeza, a ousadia e a largueza de visão do pronunciamento do primeiro-ministro. O único ponto não bem explicitado no discurso memorável é a indeterminação, talvez deliberada, do que se pode considerar como médias potências. Mas a afirmação final do discurso de que o caminho proposto é “totalmente aberto para qualquer país disposto a trilhá-lo conosco” não deixa dúvidas sobre a amplitude política e a generosidade planetária do posicionamento. Certamente a amplitude não é politicamente ingênua. Sabe discernir as distintas capacidades de reação de distintos países (daí a alusão ao protagonismo dos de porte intermediário) mas não fecha previamente o arco da promessa. Fica evidente uma tentativa de construir uma alternativa a artefatos da estratégia trumpista, como o chamado comitê de paz de Gaza, uma iniciativa com clara intenção de consumar a interdição do papel da ONU, de há muito desafiado e desgastado por grandes potências. Em vez de clamar, retoricamente, pelo respeito ao virtual e cada vez menos real poder arbitral daquela organização, Carney está propondo uma articulação e ação realistas de novo tipo. E pelo desenho mesmo da proposta, combinando interesses e valores, o reconhecimento da ineficácia da ONU como poder arbitral não implica em desconhecer nem deixar de apoiar o papel ativo que desempenha, através de várias organizações específicas, na promoção dos direitos humanos no mundo e na assistência e solidariedade contínuas a populações submetidas aos efeitos de situações de agressão e opressão. O pronunciamento é, por tudo isso, uma sinalização concreta para a política externa brasileira. Se ela assumir a integridade e as implicações políticas de um discurso como esse, estará sintonizada não apenas com o Canadá e o mundo democrático, mas com as melhores tradições do Itamaraty. Essa sinalização chega em momento propício para encontrar boa guarida. A política externa brasileira atual, desde o tarifaço de Trump, passou a demonstrar razoável sintonia com esse discurso. O horizonte dessa sintonia é bem mais largo do que o discurso do "Sul Global", a marca geopolítica principal que, até poucos meses atrás, tentava guiar passos do próprio Itamaraty. Parece que a realidade da blitz trumpista está levando o governo a achar um eixo que articule melhor política e diplomacia. Os efeitos têm sido animadores e justificam a expectativa de que o governo brasileiro e seu presidente acolham a fala canadense como aceno a uma firme aliança e não como o nascimento de um discurso rival. A lógica pragmática da prioridade às relações “Sul-Sul” é se amparar no banco dos Brics e na influência chinesa para escapar das garras de Trump. Isso colocaria em segundo plano o Canadá, assim como a UE. A conversa do canadense é outra. Para enfrentar a ofensiva de Trump não adota o caminho de amparar-se em potências rivais dos EUA, cujo traço comum, para além de suas vocações também imperiais, é serem ditaduras. Com elas, relações diplomáticas e comerciais, sim, cooperação política, não. Nenhum interesse pragmático justifica um compromisso seletivo com o valor dos direitos humanos. Por essa chave de abordagem das relações internacionais cabe, por exemplo, contrapor-se ao massacre de Israel em Gaza e não cabe fazer silêncio ou murmurar com timidez sobre o que ocorre no Irã. Pragmatismo de interesses e de valores não são incompatíveis. São complementares para livrar potências médias, como somos Brasil e Canadá, de escolherem inseticidas para combater os insetos. O pronunciamento de Carney evoca as melhores tradições da nossa política externa, registradas em formulações igualmente amplas, em distintos contextos. Não vou aqui exumar tais contextos nem resgatar, pela enésima vez, as memórias de Rio Branco, Ruy Barbosa, ou Osvaldo Aranha. Trago à lembrança San Tiago Dantas, pelo que ele tem de mais contemporâneo. Não tanto sua experiencia no Itamaraty, evidentemente datada, mas o legado do seu pensamento político de esquerda positiva, formulador de uma combinação fantástica de convicção democrática, reformismo social e - o que aqui mais interessa – visão do interesse nacional soberano articulado com uma perspectiva cosmopolita. É dele a reflexão que tentarei resumir, pedindo desculpas por possíveis imprecisões e servindo-me da memória de discussões do grupo de pesquisa Ecos do Subsolo, que tive a sorte de coordenar na UFBa. San Tiago buscava definir, de forma teórica e de forma prática, possibilidades de uma política de não-alinhamento que impulsionasse o Brasil como protagonista de suas experiências sociopolíticas, em detrimento de qualquer subordinação primária a interesses externos. Na dinâmica internacional, poder-se-ia identificar, segundo ele, grupos distintos de acordo com seus interesses externos, entendidos enquanto aqueles interesses que podem levar um Estado nacional a intervenções fora de seu campo interno de ação e indispensáveis para o preenchimento de seus fins políticos. São estes: Grupo 1 - Estados potencialmente agressores: têm como tendência permanente serem determinantes na esfera de interesses internos de outros Estados. Buscam interferir em áreas que estão sob controle de outro Estado, sendo que a maioria dessas modalidades de influência, quando se exercem como ações permanentes, configura o imperialismo; Grupo 2 - Estados potencialmente agredidos: aqueles que visam à preservação da própria esfera de determinações contra interferências de outro Estado. Almejam, portanto, a defesa da própria soberania contra todas as formas externas de infiltração, com reivindicações anti-imperialistas. São o oposto dos países do grupo 1. Esses dois primeiros grupos eram extremos da linha de política exterior, entre os quais se pode identificar o modo como os vários estados nacionais se posicionam em relação aos outros na dinâmica política internacional. Isso é especialmente relevante quando, para San Tiago, nenhum Estado pode existir em isolamento absoluto, nem mesmo teoricamente, uma vez que “a existência de um Estado Nacional pressupõe a de outros Estados Nacionais, cujas esferas de interesses e de influência, ou coincidem convergentemente, ou se desenvolvem paralelamente com a do Estado considerado". No caso brasileiro, a experiência nacional identificaria o país num terceiro grupo, no qual os interesses externos corresponderiam à necessidade de cooperação voluntária, via entendimentos com outros Estados para o preenchimento de seus fins. Aspiração à atividade não-compulsória que se processaria justamente pela capacidade que esse Estado teria de oferecer reciprocidade a formas de cooperação. Devemos notar ainda a forma como San Tiago Dantas identificava o Brasil, a partir de uma dimensão histórica, na dicotomia Ocidente x Oriente. Segundo ele, a experiência civilizatória realizada no nosso meio, a partir de um processo colonizador deliberado empregado por Portugal, iniciou um processo de transplantação da civilização ocidental. Este processo teria sido comunicado aos povos e continuaria a orientá-los após alcançarem a independência política, e, no caso das Américas espanhola e portuguesa, a partir da tentativa de implantação da civilização ocidental nos trópicos, aspecto irremediavelmente determinante da formação brasileira e das virtudes e vícios das suas políticas interna e externa. Essa postura realça a ideia de "outro ocidente", termo que devemos a José Guilherme Merquior, também um pensador instigante do Brasil. Nas percepções do liberal Merquior e do trabalhista San Tiago a comum compreensão de que esse outro ocidente é a praia natural do Brasil, da sua cultura nacional e da sua diplomacia. Sintonia fina, contemporânea e mais ou menos coetânea entre dois intelectuais cujas reflexões sobre o tema separam-se no tempo por duas décadas, entre a dos 60 e a dos 80. Sintonia contemporânea que se pode dar também entre pensamentos não coetâneos, hipótese acolhida no universo compreensivo de um terceiro pensador brasileiro, Guerreiro Ramos, hoje mobilizado, com discutível precisão, por defensores da necessidade de “descolonização” do nosso pensamento político. Pois é justamente nessa hipótese que se pode ler o discurso atual de Carney como portador de um pensamento político análogo. Sem prejuízo da intensificação das relações comerciais com os países "do sul" (o próprio Canadá faz isso), a reação política global contra o trumpismo tem que superar a conversa do Sul Global. Ir além dela. Mostra que o ocidente não é uma imagem do passado, inerte diante da ofensiva de um presidente autocrático à frente do governo de uma potência hegemônica. Sintonia com esse discurso inclusivo e não demarcatório de fronteiras ideológicas é caminho para o Brasil defender sua soberania sem negar laços tradicionais da sua trajetória histórica, colada a destinos de lugares onde a democracia política prosperou. Em outras palavras, outro ocidente, nunca anti-ocidente. Tomara que o atual governo possa superar suas ambiguidades ideológicas e permitir que essa linha se desenvolva. O Brasil tem porte para isso e diplomacia capaz de cumprir essa missão nacional. *Cientista político e professor da UFBa

OS MODERADOS DECIDIRÃO

"Aos vitoriosos, os espólios da guerra." Donald "de Assis" Trump começou na ONU perdendo de 2 a 0: o primeiro gol foi de Portugal e o segundo do Brasil. "Ao vencedor, as batatas."
Em resposta a @profFelipeNunes 14/ A crise do banco Master começa a produzir mudanças de percepção. O eleitorado deixa de criticar todo mundo e passa a ver efeito negativo sobre Bolsonaro (21%), o STF (16%) e Lula (11%). 21:20 · 21 de set. de 2026 · 88,8 mil Visualizações
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Marília de Dirceu e o Neto de Tancredo nas Eleições ao Senado

Oh, Minas Gerais!

Em Minas, o Dirceu da candidata ao Senado evoca a própria história mineira. Em outubro de 2026, quem decidir votar no neto de Tancredo para o Senado também poderá contar com o Dirceu de Marília na outra vaga.

São as regras do jogo. Como as coligações hoje são permitidas apenas para os cargos majoritários — e totalmente proibidas nas proporcionais —, o xadrez político permite essas composições peculiares. Para o Senado, o Governo do Estado e a Presidência, a conversa é outra. São outros quinhentos tostões, ou mil-réis... Quem vai saber!

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Corolário Inconfidente: Marília em Campos e Ouro

I Por entre as pedras de Vila Rica,
passam homens, brasões, bandeiras...
O neto do mito na estrada fica,
trocando a herança por sesmarias estrangeiras.
Volta-se os olhos ao mar de outrora,
onde o consórcio do poder se desfaz:
quem se aliou ao vento de fora,
perdeu o rumo das Minas Gerais.
II Vede o herdeiro de antiga glória,
que a São Paulo entrega o seu destino,
andando à margem da própria história,
feito emboaba, feito peregrino.
Atado ao laço de um pernambucano,
em solo paulista busca o seu porto;
mas no xadrez de um destino humano,
quem deixa a terra, já colhe o horto.
III Porém na terra dos desmandos,
onde o ouro se esconde sob o chão bruto,
fica Marília, firme em seus Campos,
colhendo o voto, lavrando o fruto.
Não precisa do vulto que se ausenta,
nem do fantasma que virou poeira;
sua raiz é que a sustenta,
dona e senhora da sua trincheira.

Corolário: Se a fresta do tempo separa os amantes e os partidos, a lição que se extrai do destino de outubro é clara como a água dos ribeirões mineiros: as posses mudam, os impérios caem e os homens se tornam forasteiros da própria terra quando dela se apartam. Mas Marília de Dirceu, senhora de si em seus Campos e fincada nas Minas do Ouro, não carece de consortes idos. Ela segue só, pois compreendeu, no silêncio das montanhas, que em Minas o poder não se transfere por herança: ele pertence a quem guarda o território e não deserta de sua própria província.

Ai, ai, ai! Está chegando a hora! Outubro já vem chegando, meu bem...
Quem parte leva saudades, quem fica lavra o ouro nos quintos do inferno.

Use o código com cuidado. AO VIVO: LULA E TRUMP DISCURSAM EM INSTANTES NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU | LIVE CNN 22/09 Entrevista Completa: Lula na CNN, com Christiane Amanpour
terça-feira, 22 de setembro de 2026 Os moderados decidirão as eleições no segundo turno entre Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense E quem são os que decidirão as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda entre dois e cinco salários-mínimos e, predominantemente, com ensino médio Há duas semanas, em Brasília, o movimento Direito Já organizou uma reunião em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estavam lá diferentes lideranças da sociedade civil, a esmagadora maioria já engajada na reeleição de lula, a começar pelo anfitrião, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Não houve nenhuma grande adesão no encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães. Alckmin foi absolutamente enfático na sua intervenção quanto à necessidade de disputar os votos do centro, melhor dizendo, dos eleitores que ainda não estão engajados no pleito e que se pautam pela moderação. Foi um discurso no qual fez comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e reconheceu que não existe uma percepção de que a economia melhorou na atual administração, apesar de os indicadores dizerem o contrário. Mas foi enfático ao apontar a defesa do Estado Democrático de Direito como um grande divisor de águas para a conquista desses eleitores. Alckmin sabe das coisas, é um gato escaldado e já se deu conta de que a reeleição de Lula está escorrendo entre os dedos. A semana começou com as pesquisas BTG/Nexus e Quaest confirmando que a eleição está aberta e o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro será uma disputa por uma fatia estreita de eleitores: os moderados apontados por Alckmin. Na Nexus, Lula lidera o primeiro turno por 40% a 37% e, numericamente, vence o segundo por 46% a 45%. Na Quaest, Lula também lidera o primeiro, por 37% a 33%, mas Flávio aparece numericamente à frente no segundo, por 42% a 41%. Todas essas diferenças estão dentro das respectivas margens de erro. Lula e Flávio cresceram no primeiro turno em relação à rodada anterior, Lula de 36% para 37% e Flávio de 31% para 33%, enquanto os indecisos caíram de 10% para 8%. Augusto Cury aparece com 6%, Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 1%. A redução do número de indecisos reforça a ideia de que a disputa de corações e mentes dos eleitores moderados deve ser a principal preocupação dos dois candidatos. A pesquisa Nexus mostra que Lula e Flávio construíram coalizões eleitorais socialmente muito diferentes. No primeiro turno, Lula chega a 52% no Nordeste, contra 30% de Flávio; no Sul, Flávio vence por 43% a 27%. No Sudeste, entretanto, ocorre empate exato: 39% a 39%. No Norte/Centro-Oeste, Flávio lidera por 42% a 34%. São dois Brasis, profundamente divididos. Divisão profunda No segundo turno, esse mapa se torna ainda mais dramático: Lula vence no Nordeste por 58% a 35%, enquanto Flávio abre 57% a 30% no Sul. No Norte/Centro-Oeste, o placar é 49% a 43% para Flávio. E o Sudeste transforma-se no principal campo de batalha: 46% para Flávio e 45% para Lula. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, pequenas oscilações representam milhões de votos. A divisão geográfica se encontra com a condição social dos eleitores: Lula marca 50% entre quem ganha até um salário-mínimo e 48% na faixa de um a dois salários; Flávio tem apenas 29% e 28%, respectivamente. A partir de dois salários, porém, a situação se inverte: Flávio vence por 41% a 36% entre dois e cinco salários, e por 46% a 33% acima de cinco salários. Essa clivagem se reproduz ainda no nível de escolaridade: Lula alcança 51% entre os eleitores com ensino fundamental, contra 26% de Flávio. O candidato do PL assume a dianteira no ensino médio, por 45% a 34%, e no superior, por 41% a 33%. Essa divisão coincide mais ou menos com os dados recentes da Quaest: na rodada anterior, Lula também dominava o eleitorado de menor escolaridade e renda, enquanto Flávio liderava nas faixas intermediárias e superiores. E quem é o moderado que decidirá as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda intermediária, especialmente entre dois e cinco salários-mínimos, e predominantemente com ensino médio. É, justamente, onde a vantagem estrutural de Lula entre os mais pobres começa a se desvanecer e a superioridade de Flávio entre os segmentos de renda mais alta ainda não é absoluta. Trata-se de um eleitor menos dependente do lulismo e do bolsonarismo e, por isso, potencialmente mais sensível à economia, ao custo de vida, aos serviços públicos e aos acontecimentos político da reta final. Entretanto, no contexto geral, é um contingente pequeno, com pouca margem para disputa. Na Nexus, 84% dos eleitores que escolheram candidato no primeiro turno dizem que não mudarão mais; entre os eleitores de Flávio, são 92%, e entre os de Lula, 90%. No segundo turno, 91% consideram a escolha definitiva e somente 7% admitem mudar. A Quaest acrescenta um dado que pode ser decisivo: Lula tem rejeição de 55% e Flávio, de 56%. Como os marqueteiros costumam falar, enquanto o primeiro turno é pautado pelo sim, o segundo é pelo não. A rejeição é um fator que não pode ser desconsiderado no voto desses eleitores mais moderados: 43% dizem temer mais um novo mandato de Lula, enquanto 42% temem o retorno da família Bolsonaro ao Planalto. A eleição também é uma disputa de rejeições. Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, não parece haver uma onda eleitoral em formação. Há dois grandes blocos praticamente consolidados e um corredor estreito entre eles. O vencedor será aquele que conquistar alguns pontos no Brasil dos moderados e, sobretudo, conseguir transformar intenção de voto em comparecimento efetivo às urnas. Numa eleição de 46% a 45% ou de 42% a 41%, mobilização valerá tanto quanto persuasão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Está chegando a hora

Pássaros raros no ar, como já dizia o Barão de Itararé: "Há mais coisas no ar que aviões de carreira."
Barão de Itararé: a vida trágica e o humor anárquico de um ícone do jornalismo O Barão de Itararé (pseudônimo do jornalista e humorista Apparício Torelly) era um mestre em usar o humor sutil para cutucar a realidade, e essa frase é um clássico absoluto do seu espírito satírico. De fato, o céu esconde muito mais do que a nossa aviação comercial. Se olharmos pelo lado da ornitologia e da conservação, os céus da América Latina abrigam "raridades" biológicas que voam de forma tão discreta que pouquíssimas pessoas têm a chance de ver. Aqui estão alguns dos pássaros mais raros e fascinantes que dividem o espaço aéreo com os aviões:
Gavião-real Harpia harpyja (Linnaeus, 1758) Águia-harpia (Harpia harpyja): Uma das maiores e mais poderosas aves de rapina do mundo. Ela voa abaixo da copa das florestas tropicais, caçando com uma precisão cirúrgica. É uma joia rara devido à perda de seu habitat.
Rolinha-do-planalto Rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis): Esta é uma das aves mais raras do planeta. Exclusiva do Cerrado brasileiro, ela ficou desaparecida por 75 anos até ser redescoberta em 2015. Seus olhos azuis-claros e plumagem castanha voam em locais extremamente restritos.
Gavião-real-falso (Morphnus guianensis): Muitas vezes confundido com a harpia, este gavião imponente é raríssimo de ser avistado no ar, habitando as densas florestas primárias da América do Sul.
Condor-dos-andes Condor-dos-andes (Vultur gryphus): Embora seja gigante, ver um desses planando a altitudes inacreditáveis nas correntes de ar da Cordilheira dos Andes é um espetáculo raro e ameaçado. Seja no sentido poético e político do Barão, ou no sentido literal da natureza, o ar está sempre cheio de mistérios surpreendentes. Você gostaria de conhecer mais sobre a história e as frases satíricas do Barão de Itararé, ou prefere explorar os detalhes de alguma dessas aves raras e ameaçadas de extinção? Pássaros com nomes parecidos Se você ouviu esse nome associado a uma ave, pode ter sido uma confusão com: Chirito: Um pequeno pássaro passeriforme (também conhecido como bico-assovelado) encontrado no sub-bosque de florestas do Brasil e de outros países da América Latina. Galito (Rhinocrypta lanceolata): Conhecido em espanhol como gallito copetón ou gallito de copete, é uma ave endêmica de regiões áridas da Argentina, Bolívia e Paraguai.Você tem interesse em descobrir pássaros nativos da América Latina com nomes curiosos ou estava buscando a origem de alguma música específica? Henricão e Carmen Costa — Está Chegando a Hora Choro e Poesia C31 de dez. de 2018 "Está Chegando a Hora", versão brasileira para o clássico popular mexicano "Cielito Lindo", surge aqui na interpretação de um dos autores, Henricão, em duo com a cantora Carmen Costa. O arranjo é do violonista Edson José Alves e a gravação integra o repertório do LP "Recomeço", lançado pela gravadora Eldorado em 1980. Rubens Campos é o parceiro de Henricão na autoria da versão. Dicen que la Distancia es el Olvido ( La Barca ) - Música y Canciones de Mariachi Mexicano. Coveralia Latin No Sul, a Direita é chula ou santa. Mato é Grosso. Rio é Grande. Catarina é Santa. E segue a barca. Com Camilito, de Henricão, com Cármen Costa, composta no Recife, chupando uma canção de dupla mexicana com sucesso. de passagem pela capital pernambucana, na mesma data e local. Cielito Lindo/Letra(original)/lyrics/Mariachi/ Latin Song 1.602.937 visualizações 15 de set. de 2022 #musicaregionalmexicana #musicamexicana #pedroinfante ‼️Suscribete a mi Canal‼️🔔 para que no te pierdas ninguno de mis videos Déjame tu amor en los comentarios💬 y no olvides darle "Me gusta" 👍para que este canal crezca 💙Muchas Gracias 🫰‼️ 🇲🇽🌵✨Cielito Lindo 🇲🇽🌵✨/LETRA De la sierra morena Cielito lindo, vienen bajando Un par de ojitos negros Cielito lindo, de contrabando De la sierra morena Cielito lindo, vienen bajando Un par de ojitos negros Cielito lindo, de contrabando Ay ay ay ay Canta y no llores Porque cantando se alegran Cielito lindo, los corazones Ese lunar que tienes Cielito lindo, junto a la boca No se lo des a nadie Cielito lindo que a mí me toca Ese lunar que tienes Cielito lindo, junto a la boca No se lo des a nadie Cielito lindo que a mí me toca Ay ay ay ay Canta y no llores Porque cantando se alegran Cielito lindo, los corazones #mexico #mespatrio #mariachi #mexicomusic #mariachivargas #jarabetapatio #cielitolindo #mariachi #musicamexicana #sonidosdemexico #mexicocultural #musicademexico #musicaregionalmexicana #eselunar #pedroinfante Carmen Costa - ESTÁ CHEGANDO A HORA - Cielito Lindo - adapt. Henricão e R. Campos - carnaval de 1942 luciano hortencio 31 de mar. de 2013 Carmen Costa - ESTÁ CHEGANDO A HORA - Cielito Lindo - adaptaçao em samba de Henricão e Rubens Campos. Esta foi a primeira gravação de Carmen Costa, no ano de 1941, para ser lançado no carnaval de 1942. http://jornalggn.com.br/blog/lucianoh... Em 1985, quando foi criado o Ministério da Cultura, a cantora Carmen Costa procurou o primeiro titular da pasta, José Aparecido de Oliveira, e propôs que a "tombasse" como "patrimônio cultural". Se é possível com lugares, por que não com pessoas? Não aconteceu, mas chamou a atenção para os mais de 70 anos de sua carreira artística. Nascida Carmelita Madriaga, no interior fluminense, em 5 de julho de 1920, começou a trabalhar como doméstica ainda criança. No Rio, com 15 anos, empregou-se na casa do cantor Francisco Alves, o Rei da Voz. Participava do programa de calouros de Ary Barroso. Foi o começo da carreira, encorajada pelo patrão. Aos 17, iniciou relacionamento com o compositor Henricão. A primeira gravação solo, em 1942, foi Está Chegando a Hora, versão que Henricão fez para a valsa mexicana Cielito Lindo, em ritmo de samba. Participou do coro em diversas gravações, como O Que É Que a Baiana Tem?, com Dorival Caymmi e Carmen Miranda. Em 1945, casou com um norte-americano e morou por alguns anos nos Estados Unidos. Em 1962, participou do concerto de bossa nova no Carnegie Hall, Nova York, e gravou com músicos de jazz. Gravou centenas de músicas, muitas delas marchinhas de carnaval. Inteligente, original e avançada, também compôs, sob o ambíguo pseudônimo de Dom Madrid. Em 2003, Carmen Costa foi "tombada" pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e compôs a música Tombamento para a ocasião (Eu sou a raça/ Sou mistura/ Sou aquela criatura/ Que o tempo vai tombar). Morreu em 25 de abril de 2007, no Rio de Janeiro. Escrito por Ronaldo Evangelista - www.almanaquebrasil.com.br. A música, uma canção rancheira mexicana, foi escrita em 1882 por Quirino Mendoza y Cortés. Como não conseguissem gravar esta adaptação, Henricão e Cármen Costa pagaram à Victor uma tiragem particular, só para divulgação, P-206, e Cármen a gravou em 30 de dezembro de 1941, matriz R-236. O êxito no carnaval de 42 fez a Victor relançá-lo em tiragem comercial, em abril desse ano, disco 34892-A, e a contratar Cármen Costa. No lado B saiu outro clássico, "Só vendo que beleza". Samuel Machado Filho.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026 O avanço dos houthis pressiona Trump, por Oliver Stuenkel O Estado de S. Paulo Guerra de Trump contra o Irã espalha caos pelo Oriente Médio, mas acordo não estabiliza região Para o governo iraniano, o preço do barril virou instrumento eleitoral. Com a guerra entre Teerã e Washington longe de um desfecho e o Estreito de Ormuz em grande parte fechado, o regime e seus aliados perseguem um objetivo: manter o petróleo o mais caro possível até as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro, para enfraquecer Trump. Assim, maior a chance de os republicanos perderem a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Essa pressão ganhou um novo instrumento no início de setembro, quando os houthis, grupo rebelde aliado ao Irã, avançaram pela costa oeste do Iêmen, tomaram o porto de Mocha e ocuparam ilhas do Bab al-Mandeb, o estreito que controla o acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez. Até o início do conflito, passavam por Ormuz mais de um quarto de todo o petróleo transportado por mar, um quinto do gás natural liquefeito do planeta e de aproximadamente 20% do comércio global de ureia, fertilizante de que o Brasil é um dos maiores compradores. Com essa rota bloqueada, o Bab al-Mandeb tornou-se a saída alternativa do petróleo saudita, escoado por um duto que cruza o país até o Mar Vermelho. Nos mesmos dias, drones que Riad atribuiu a milícias iraquianas alinhadas ao Irã atingiram esse duto, que transporta até 7 milhões de barris por dia. O Mar Vermelho concentra 30% do tráfego mundial de contêineres e cerca de um sétimo do comércio marítimo. Tudo isso tem profundas consequências para a economia global, o preço da energia, a inflação e as taxas de aprovação de governantes, inclusive no Brasil. A decisão de Trump de recusar o pedido do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, de retaliações dos EUA contra os houthis foi interpretada em Washington como sinal dos limites da capacidade militar, observa Gideon Rachman no Financial Times. O país gastou parte importante de seu arsenal contra o Irã: o estoque de interceptadores Patriot caiu cerca de 65%. Mas também é um reconhecimento de que, como nas guerras no Afeganistão e no Iraque, a força bruta não derrota um movimento enraizado localmente, que já sobreviveu a ofensivas israelenses, estadunidenses, emiradenses e sauditas. Some-se a isso a Arábia Saudita ter usado, pela primeira vez, um míssil balístico chinês contra os houthis, sinal de que Riad não considera suficiente a proteção de Washington: o caos no Iêmen reflete a erosão da influência dos EUA. Seria um erro, porém, tratar os houthis como simples braço de Teerã. O atual capítulo da guerra civil no país começou em julho, observa Marc Lynch, professor da Universidade George Washington, na revista Foreign Policy, quando caças sauditas bombardearam o aeroporto da capital, Sanaa, para barrar um avião iraniano transportando armas. Do lado oposto está o que a Economist descreve como um mosaico pouco coordenado de milícias tribais, separatistas do sul e fundamentalistas religiosos, parte alinhada a Riad, parte a Abu Dhabi. A rivalidade entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes hoje é um motor autônomo da instabilidade regional. Lynch lembra que Riad enxergou na campanha emiradense de apoio a separatistas uma tentativa de cerco, agravada após Israel reconhecer a Somalilândia, território separatista do outro lado do estreito. Do Magreb ao Chifre da África, os Emirados operam portos, mantêm bases militares e financiam milícias aliadas. Em 2022, segundo o European Council on Foreign Relations, os Emirados foram a maior fonte de capital a entrar na África, com US$ 50 bilhões, quase o dobro da França e sete vezes o volume dos EUA, o que faz de Abu Dhabi peça central em conflitos africanos distantes do Golfo. O avanço houthi reflete também, aponta Lynch, o risco de a guerra atravessar o estreito: tropas israelenses, emiradenses ou dos EUA na Somalilândia serviriam de base para ataques ao Iêmen e empurrariam os houthis para mais perto do al-Shabab, grupo terrorista somali com o qual estreitam laços há anos. A guerra de Trump contra o Irã espalhou o caos pelo Oriente Médio, e sobre conflitos anteriores, do Iêmen ao Sudão. Um acordo entre Washington e Teerã reduziria o risco imediato sobre Ormuz e sobre os preços da energia, mas não estabilizaria a região. As rivalidades que alimentam essas guerras também são internas.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026 Flávio e os EUA, por Diogo Schelp O Estado de S. Paulo Em 2025, o bolsonarista comemorou tarifas e sanções dos EUA contra o Brasil O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) dedica três páginas para descrever como seria a sua política externa. Em termos econômicos, o foco está na abertura comercial, na atração de investimentos, na retomada da adesão à OCDE e na integração tecnológica com outros mercados. Em contradição com gestos e palavras do candidato nos últimos meses, porém, o texto afirma que a diplomacia não será guiada pela ideologia e que negociará com todos os parceiros, entre os quais a China, a União Europeia e os Estados Unidos, de acordo com a defesa do interesse nacional, não com a “simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”. Certamente é o que a maioria dos eleitores gostaria de escutar. O próprio Flávio, contudo, já externou sua convicção de que terá, com Trump, uma relação privilegiada, por conta da afinidade ideológica. Em 2025, o bolsonarista comemorou tarifas e sanções dos Estados Unidos contra o Brasil como instrumentos de pressão para evitar o destino penal de seu pai, Jair Bolsonaro. Depois, reformulou sua posição, dizendo-se contrário ao tarifaço. Primeiro, porque beneficiaria Lula nas eleições. Segundo, porque, segundo Flávio, uma vez na Presidência, ele poderá negociar as questões comerciais “de igual para igual” com Trump. Esse argumento parte do princípio de que na origem das tensões atuais entre Estados Unidos e Brasil estão apenas as diferenças políticas entre Trump e Lula, e nada mais. Se assim fosse, é de se inferir que Flávio não teria dificuldade em ceder às condições de ordem econômica contidas na lista de 21 exigências que os Estados Unidos fizeram ao Brasil no ano passado, conforme revelou o Estadão: mudanças na gestão do Pix, ingerência nas exportações de soja, preferência na exploração de terras raras, entre outras. Em troca, Trump pouparia o Brasil das tarifas proibitivas e os dois países viveriam felizes para sempre. Não é tão simples. A afinidade ideológico-partidária como parâmetro para a aproximação entre dois países encontra limites quando há outras variáveis por exemplo, a nova conjuntura geopolítica ou a influência dos interesses empresariais. Por conta dessas variáveis, o plano de governo de Jair Bolsonaro em 2022 enfatizava a atuação do Brasil no Brics. Já seu filho, Flávio, cogita deixar esse grupo de países emergentes, que enfrenta a antipatia de Trump. O presidente americano está disposto a exigir mais de governos alinhados. O Brasil está disposto a ceder?
Este é o último mandato de Trump na Casa Branca. Entenda Em 2028, quando ocorrerá a próxima eleição, Donald Trump estará com 82 anos Detalhes do Mandato Início: 20 de janeiro de 2025. Fim previsto: 20 de janeiro de 2029. Limite constitucional: A Constituição dos Estados Unidos proíbe que um presidente exerça mais de dois mandatos, impedindo Trump de concorrer a uma nova reeleição. Para mais análises sobre o contexto político atual, consulte a Época Negócios ou a discussão da BBC News Brasil sobre os limites de mandatos nos EUA.

domingo, 20 de setembro de 2026

Excelentíssima Senhora Ministra

O futebol pulsa pela paixão, não pela aposta. ⚽✨ FLAMENGO 1 X 1 INDEPENDIENTE DEL VALLE | MELHORES MOMENTOS | CONMEBOL LIBERTADORES 2026 | ge.globo ge tv Este confronto histórico entre Flamengo e Independiente prova que a grandeza do esporte está na bola na rede e na entrega em campo, e não em painéis luminosos de jogos de azar. As bets dependem do futebol para existir, mas o futebol nunca dependeu delas para ser gigante. Ao se igualarem no placar de 1 a 1, os dois clubes se igualaram também no respeito mais sagrado: o cuidado com a comunidade que os mantém vivos. Uma partida limpa de publicidades invasivas é um escudo para a sanidade física, mental e financeira de milhares de famílias. O futebol verdadeiro protege o seu maior patrimônio — o torcedor — da exploração e do vício. Tensão na Europa: veja fala de líder polonês que aumentou especulações sobre nova guerra Metrópoles A gente está imerso em eleições no Brasil, mas na Europa a tensão aumentou nos últimos dias com especulações sobre uma escalada da guerra da Rússia contra a Ucrânia envolvendo outros países. Legendei o pronunciamento do primeiro-ministro da Polônia que dá o tom dessa tensão 👇🏻 02:53 22:13 · 19 de set. de 2026 https://x.com/sampancher/status/2101479833452564556?s=46&t=ktKYSPjXZt7aNJNoyIUL3w Mudanças climáticas United Nations • As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. As atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. Proteção da Amazônia: o ponto de não retorno e o Projeto Amazônia 4.0
"Meu voto envergonhado 👇 https://www.instagram.com/reel/Ddc7F-DhZ3A/?stkn=MWxwZjhwaDlrdGVmbA== https://www.instagram.com/reel/DdcUEvkoiO8/?stkn=OWI3ejN0NnJwMThj https://www.instagram.com/reel/DdcUEvkoiO8/?stkn=OWI3ejN0NnJwMThj “Marisa, vou tomar um whiskzinho porque o MEMPHIS vai marcar o gol, Marisa…” Alma Mais Honesta dialogando com espírito de ex-mulher pelo Instagram.com"
🌟 **BOA OBRA** "Aplica sempre as tuas boas intenções, no plano das realidades práticas, para que as tuas boas obras se iluminem de amor e para que o teu amor não se faça órfão de boas obras. Faze isso por ti, que necessitas de elevação, e por aqueles que ainda te procuram manquejando." 📖 **Livro:** Sementes do Evangelho - AMOR 🙏 **Psicografia:** Médium Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel 📌 **Fonte:** Reformador, abr. 1968, p. 85. Texto publicado em Alma e coração. Ed. Pensamento. Cap. 6, com pequenas alterações. 🏷️ @geahmjf Use o código com cuidado. Chico Buarque & Francis Hime Meu Caro Amigo 1976 'Entre Amigos', lyrics BR @ Live Patricia Porto 55.525 visualizações 17 de jun. de 2014 70 anos de Chico!
domingo, 20 de setembro de 2026 Senadores dirão o que será o amanhã da Presidência e do STF, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem expressiva da direita e da centro-direita Embora não tenha centralidade na decisão da maioria dos eleitores, a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) impactou a disputa pelo Senado, que tem o poder de homologar a indicção de seus magistrados e mesmo aprovar o impeachment. Caso seja reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, terá a possibilidade de indicar mais quatro ministros; Flávio Bolsonaro, se vitorioso, já disse que pretende indicar seis, para essas quatro vagas, e mais duas que pretende abrir com os impeachments dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem da direita e da centro-direita em número expressivo de estados, mas também revelam disputas muito abertas pelas segundas vagas. O controle do Senado, portanto, ainda não está definido. Além dos ministros do STF, a Casa confirma ou não autoridades do Banco Central, procurador-geral da República, dirigentes de agências reguladoras e embaixadores. Julga processos de impeachment de ministros do STF e exerce papel central na aprovação de reformas constitucionais. Para aprovar uma emenda à Constituição, são necessários 49 votos em dois turnos. Uma bancada conservadora ampliada aumentaria a pressão sobre o Supremo, especialmente diante da crise provocada pelo caso Banco Master e pelo desgaste da Corte. O Senado deixaria de atuar apenas como moderador para assumir uma postura mais fiscalizadora e até de confronto. Mesmo sem os 54 votos necessários para afastar um ministro do STF, a direita poderá controlar comissões, convocar autoridades, aprovar pedidos de informação e impor custos políticos ao Supremo. Caso Lula seja reeleito, provavelmente encontrará um Senado ainda mais conservador e terá dificuldades para aprovar indicações, reformas e projetos de maior conteúdo ideológico. MDB, PSD, União Brasil e PP darão as cartas do futuro. Sem esses partidos, não se aprovará nada. Flávio Bolsonaro, em contrapartida, teria um ambiente mais favorável à sua agenda no Senado, mas ainda dependeria do centro para aprovação de emendas constitucionais e impeachment de ministros do Supremo que levassem à formação de um “regime iliberal”. Os favoritos No Norte, candidatos do PL, PP, Republicanos e outros partidos conservadores aparecem com força no Acre, em Rondônia, Roraima e Tocantins. No Pará, Helder Barbalho (MDB) lidera com folga, mas a segunda cadeira é disputada pelo delegado Éder Mauro (PL), Chicão (União Brasil), Zequinha Marinho (Podemos) e Celso Sabino (PDT). No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) representam uma composição mais próxima do centro político, enquanto, no Amapá, Raíssa Furlan (MDB) lidera, enquanto Randolfe Rodrigues (PT) enfrenta uma disputa apertada com Lucas Barreto (PSD). A situação é semelhante no Centro-Oeste. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera, seguida por Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT). A eleição brasiliense concentra, em quatro candidaturas, as principais correntes da política nacional: o bolsonarismo, o centro independente e a esquerda. Em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, candidatos ligados ao agronegócio e aos partidos de centro-direita ocupam as posições mais competitivas. No Sul, a direita também parte em vantagem. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) lidera, mas Manuela D’Ávila (PSol), Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT) e Germano Rigotto (MDB) disputam a outra cadeira. No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (PSD), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT) formam o primeiro pelotão. Em Santa Catarina, o eleitorado conservador favorece os candidatos vinculados ao PL e ao PP. O Nordeste oferece o principal contraponto ao avanço da direita. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, lideram, embora João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) permaneçam competitivos. No Ceará, Cid Gomes (PSB) ocupa a primeira posição, enquanto Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (PT) disputam a segunda vaga. Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) aparecem à frente, ameaçados por Mendonça Filho (PL). No Piauí, Ciro Nogueira (PP), Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) estão praticamente empatados. O Maranhão apresenta um dos quadros mais fragmentados: Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama(PT) aparecem tecnicamente empatados. No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) largaram em posição favorável. Em Sergipe, Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT) tentam a reeleição. Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) lidera, mas enfrenta uma oposição fortalecida com Marina JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) na disputa. As maiores incertezas, porém, estão no Sudeste. Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram numericamente, mas André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) estão muito próximos. Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) aparece à frente, seguida por Carlos Viana (PSD), Aécio Neves (PSDB) e Domingos Sávio (PL). No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera, enquanto Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, disputam a segunda cadeira. No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) lidera — Sérgio Menegelli (PSD), Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) disputam a segunda vaga. Milton Nascimento e Chico Buarque - O que será Glauco Malagoli Compartilhar 2.244.815 visualizações 22 de fev. de 2017 Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo exibido em 14/03/87 com Milton Nascimento e Chico Buarque de Hollanda cantando a música "O que será" (À flor da pele), do álbum Meus Caros Amigos (1976). O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Que brota à flor da pele, será que me dá E que me sobe às faces e me faz corar E que me salta aos olhos a me atraiçoar E que me aperta o peito e me faz confessar O que não tem mais jeito de dissimular E que nem é direito ninguém recusar E que me faz mendigo, me faz suplicar O que não tem medida, nem nunca terá O que não tem remédio, nem nunca terá O que não tem receita O que será que será Que dá dentro da gente e que não devia Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia Que é feito estar doente de uma folia Que nem dez mandamentos vão conciliar Nem todos os unguentos vão aliviar Nem todos os quebrantos, toda alquimia E nem todos os santos, será que será O que não tem descanso, nem nunca terá O que não tem cansaço, nem nunca terá O que não tem limite O que será que me dá Que me queima por dentro, será que me dá Que me perturba o sono, será que me dá Que todos os tremores me vêm agitar Que todos os ardores me vêm atiçar Que todos os suores me vêm encharcar Que todos os meus nervos estão a rogar Que todos os meus órgãos estão a clamar E uma aflição medonha me faz implorar O que não tem vergonha, nem nunca terá O que não tem governo, nem nunca terá O que não tem juízo
O mergulho do STF no descrédito Por O Estado de S. Paulo Um tribunal que se move por cálculo político ou blindagem de seus ministros não tem como ser respeitado como o árbitro da vida institucional do País. E isso é terrível para a democracia É triste constatar, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) não consegue mais ser visto como imparcial. É preciso dizer isso sem rodeios, sem a costumeira reverência que outrora um STF composto por ministros de genuína reputação ilibada merecia. O tribunal concebido para ser o árbitro confiável da vida institucional do País tornou-se um degenerado agente político. E o resultado disso é que pouca gente neste país ainda acredita em um STF isento, o que é terrível para a democracia brasileira. Cada decisão exarada pelos senhores ministros é prontamente lida com desconfiança, sob suspeita de que, de forma sub-reptícia ou mesmo escancarada, atende a algum objetivo político, e não como um exercício imparcial da jurisdição constitucional. De uns anos para cá, tudo o que emana do STF passou a ser percebido por amplos setores da sociedade civil como produto de cálculo político e/ou peça de defesa de interesses particulares de Suas Excelências, ainda que mal traduzidos em linguagem técnica, por vezes claudicante. Francamente. Um STF que se deixa rebaixar ao rés do chão da maneira degradante a que todos assistimos durante a sessão plenária do dia 15 passado corrompe o patrimônio simbólico do decoro e da imparcialidade, húmus de sua legitimidade. Não se trata de um juízo apressado deste jornal, tampouco de uma única percepção a partir do espetáculo encenado naquela sessão, que livrou o ministro Alexandre de Moraes, ao menos por ora, de ser investigado pela suposta consultoria que teria prestado ao vigarista Daniel Vorcaro. A desconfiança resulta de um acúmulo de exorbitâncias de alguns ministros do STF ao longo dos últimos anos, que, a pretexto de terem “salvado a democracia”, arvoraram-se em semideuses e, como tais, vandalizaram a Constituição que deveriam defender. É revoltante a sem-cerimônia com que alguns se confundem com partes interessadas em disputas político-eleitorais e entregam-se a festins nababescos nos quais o mais venial dos pecados parece ser o conflito de interesses. Como se nada disso bastasse, membros do Judiciário – e também do Ministério Público – entendem-se como casta a ser regiamente remunerada ao arrepio do teto fixado na Lei Maior. Às raias da sem-vergonhice, defendem essa condição desabridamente, em afronta aos contribuintes e aos mais comezinhos princípios republicanos. A profusão de penduricalhos que o STF nem finge mais conter aí está para afastar ainda mais a Justiça dos jurisdicionados. Mais uma vez: esse quadro de alheamento ao País é terrível para a democracia, sobretudo no Brasil, que só agora experimenta seu período mais longevo de garantia das liberdades cívicas sob a égide da Constituição de 1988. Sem um Judiciário respeitável e sem um STF confiável como esteio de sobriedade e segurança jurídica e institucional, não há democracia que resista e, portanto, não há progresso do País. Os ministros da Corte certamente sabem disso, mas precisam deixar de ser cínicos e corporativistas, data maxima venia, e colocar seus interesses particulares à margem de suas atuações como servidores públicos da cúpula do Estado brasileiro. A imparcialidade é um comando legal, mas é também a força moral do Judiciário. É o que o legitima aos olhos dos cidadãos, pois juízes não são autoridades eleitas. Isso só reforça a imperiosa necessidade de os juízes, sobretudo os ministros do STF, colocarem a mão na consciência e serem ainda mais sóbrios e criteriosos em suas relações e negócios particulares do que quaisquer outros servidores públicos. Hoje, porém, como sequer ansiar por isso? O que estarão pensando os juízes de primeiro grau de todas as comarcas do Brasil ao olharem para o alto e verem ministros do STF se comportando muitas vezes como se empresários, lobistas ou políticos fossem? Que exemplo têm dado Suas Excelências para continuarem sendo dignas do pronome de tratamento? A ruína da imparcialidade deste STF que aí está é irreversível. Mas a solução virá, goste a Corte ou não. E virá de cima para baixo. Do povo para as instituições que lhe servem. Os representantes eleitos, mais cedo ou mais tarde, implementarão uma reforma do Judiciário e aprovarão o impeachment dos ministros indignos da toga – caso o STF não os afaste por conta própria – para que o Brasil tenha uma corte constitucional digna do nome.
O futebol sobreviverá Por O Estado de S. Paulo Manifesto de clubes diz que a proibição das bets arruinaria o futebol brasileiro. É um evidente exagero. As bets precisam mais do futebol do que o futebol precisa das bets Alguns dos principais clubes do futebol brasileiro informam, num manifesto tornado público na quinta-feira passada, que o esporte corre risco existencial se as bets, como são conhecidos os aplicativos de apostas online, forem proibidas, como cogita fazer o governo federal. “O fim do futebol brasileiro” é o título do tal manifesto, para não deixar dúvidas. O texto, que parece ter sido ditado pelas próprias empresas responsáveis pelas apostas online, alega que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte”, que “equipes de menor expressão” dependem totalmente desse patrocínio e que foi esse dinheiro que “impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano” e “a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo”. Ora, o futebol brasileiro não dependia do patrocínio da jogatina quando se tornou pentacampeão do mundo. Tampouco a hegemonia brasileira na Libertadores resultou desse tipo de investimento. Os times brasileiros vêm empilhando títulos na principal competição sul-americana muito antes do surgimento das bets no horizonte. Na verdade, deveria ser motivo de vergonha o fato de que praticamente todos os principais times do Brasil hoje aceitem o patrocínio de bets, que nem deveriam ter sido legalizadas. A questão é que se trata de dinheiro fácil – os modelos de apostas hoje no mercado são desenhados para fazer o jogador perder sempre e, ao mesmo tempo, manter a esperança de que vai ganhar. Este jornal já publicou inúmeras reportagens a respeito. Nesse sentido, o auge do cinismo aparece no final do manifesto, onde se lê que “o torcedor não pode pagar essa conta”, referindo-se ao prejuízo que a proibição das bets ou a restrição de sua publicidade poderá causar aos clubes. Ora, o torcedor que alimenta as bets com dinheiro raspado do orçamento doméstico já está pagando a conta, na forma de endividamento e ludopatia. O manifesto, ademais, usa o argumento preferido das bets, ao dizer que a eventual proibição “abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades”. É o mesmíssimo argumento usado pela indústria do tabaco para questionar os altos impostos e a limitação de publicidade e venda de seus produtos. Ora, se há apostas clandestinas, que sejam combatidas na forma da lei. Isso não pode servir de argumento para a liberação da jogatina nem muito menos para defender que o futebol brasileiro siga absolutamente dependente do dinheiro dessas casas de apostas, como o manifesto declara sem pudor – o texto diz claramente que será “um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência”. Em outros países, as bets começam a encontrar limites. Itália e Espanha restringem a exposição das casas de apostas online em uniformes, arenas e campeonatos. Na Premier League, principal competição do Reino Unido, elas deixarão a frente das camisas a partir da temporada 2026/2027. São medidas para reduzir a exposição à jogatina, sobretudo de crianças e adolescentes. Até onde se sabe, em nenhum desses países o futebol morreu. As casas de apostas vivem de arrecadar dinheiro produzido pela paixão dos torcedores e nada mais natural do que investir nos clubes mais populares para se ligar de modo visceral ao esporte, de modo que seja impossível dissociar uma coisa da outra. Os milhões despejados no futebol são uma fração da cornucópia gerada pelas apostas. As bets tiveram receita bruta de R$ 36 bilhões no ano passado, enquanto investiram R$ 1 bilhão nos 13 clubes que hoje patrocinam na Série A do Campeonato Brasileiro, segundo levantamento da revista Placar. Ou seja, as bets precisam do futebol brasileiro muito mais do que o futebol brasileiro precisa das bets. Foro de Teresina | Com STF, com Dark Horse, com tudo revista piauí 78.460 visualizações 18 de set. de 2026 Foro de Teresina Episódio postado em 18 de setembro de 2026. No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a fratura exposta no Supremo Tribunal Federal após a sessão em que os ministros trocaram acusações e adiaram a decisão sobre a investigação de Alexandre de Moraes. No segundo bloco, o trio discute os efeitos políticos da crise no Supremo, a reação de Lula e a avaliação de que o episódio favoreceu a candidatura de Flávio Bolsonaro. No terceiro bloco, os apresentadores voltam ao escândalo de Dark Horse, com a investigação formal de Flávio Bolsonaro, o levantamento do sigilo do inquérito e os novos elementos sobre o financiamento do filme. Escalada: 00:00 1º bloco: 06:52 2° bloco: 31:15 3º bloco: 48:08 Kinder Ovo: 01:01:26 Momento Cabeção: 01:02:29 Correio Elegante: 01:06:56 Créditos: 01:08:23 Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft130 PROGRAMA AMANHECER COM EMMANUEL - LIÇÃO 178 - LIVRO VINHA DE LUZ FERJ TV # Obra Individual: A Força da Ação no Bem e no Mal **Por: Emmanuel** *Psicografia de Francisco Cândido Xavier* *Livro: Vinha de Luz (Capítulo 178)* > “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados.” > — **Tiago, 5:20** --- ### O Reflexo das Nossas Ações Quando um homem comete uma ação má, os reflexos dela perduram, por muito tempo, na atmosfera espiritual em que ele vive. As consequências de um único deslize geram uma reação em cadeia no ambiente e nas pessoas ao redor: * **A criatura ignorante** que a observa se faz pior. * **Os olhos menos benevolentes** que a veem se tornam mais duros. * **O homem quase retificado** que a identifica estaciona e desanima. * **O missionário do bem** que a surpreende encontra mais dificuldades para socorrer os outros. Em derredor de um gesto descaridoso, congregam-se a indisciplina, o despeito, a revolta e a vingança, associando-se em operações mentais malignas e destrutivas. --- ### O Poder Construtivo do Bem Uma boa ação, contudo, edifica e ilumina sempre. Ao contrário do erro, o gesto nobre atua como um farol para os que compartilham a jornada: * **A criatura ignorante** que a observa aprende a elevar-se. * **Os olhos menos benevolentes** que a veem recebem nova claridade para a vida íntima. * **O homem quase retificado** que a identifica adquire mais fortaleza para restaurar-se. * **O missionário do bem** que a surpreende nela se exalta, a benefício do seu apostolado de luz. Em torno da manifestação cristã, enlaçam-se a gratidão, a alegria, a esperança e o otimismo, organizando criações mentais iluminativas e santificantes. --- ### O Chamado à Obra Individual Se desejas, portanto, propagar o espírito sublime do Cristianismo, atende à obra individual com Jesus. Afasta os corações amados do campo escuro do erro, através de teus atos que constituem lições vivas do amor edificante. Recorda-te de que pela conversão verdadeira e substancial de um só Espírito ao Infinito Bem, escuras multidões de males poderão desaparecer para sempre. --- **Nota da publicação:** *Texto extraído da 1ª edição do livro "Vinha de Luz".* Use o código com cuidado. html

Excelentíssima Senhora Ministra

A Diplomacia do Direito e o Tempero Ancestral do Povo Brasileiro

  • O Rigor da Toga: Excelentíssima Senhora Ministra Cármen Lúcia, guardiã da Constituição Federal no Supremo Tribunal Federal.
  • O Eco das Nações: Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin — a universalidade da Justiça que ecoa do sertão ao mundo.
  • O Dendê de Itaparica: A baianidade legítima que traz o axé, o barro de Canudos, a crônica e o riso de João Ubaldo Ribeiro.
  • A Voz do Brasil Profundo: A comunhão solene com os legítimos espíritos, caboclos e gentes que fundaram a alma viva do povo brasileiro.
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As desculpas de Cármen Lúcia

Uma crônica brasileira entre o Supremo, João Ubaldo Ribeiro e os espíritos


“Peço desculpas ao povo brasileiro, que talvez tenha esperado de mim uma postura diferente”, disse a ministra Cármen Lúcia na sessão do STF.

Por um instante, imaginei que a ministra iria emendar algo como: “desculpa pelos desvios éticos” ou, quem sabe, “pela nossa recusa de investigar qualquer coisa” ou, ainda, “pelos sete anos de inquérito das fake news”.

Mas não.

As desculpas eram por “não ter ajudado a acalmar as coisas”, no tribunal.

E foi justamente aí que a imaginação, essa velha desocupada que tantas vezes salva o brasileiro do tédio, resolveu pedir a palavra.


O aparte

Emulemos aqui dois apartes de um mesmo espírito de luz presente na sessão do dia 15 de setembro de 2026, pedindo, dentro dos Regimentos da Casa, diretamente ao presidente da Sessão um aparte para se dirigir à “Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros”.

Como assim o autor de Viva o Povo Brasileiro se referira à aparteada, e como assim, por uma dessas artes que somente a República e o além conseguem praticar conjuntamente, foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígrafa de plantão naquela histórica sessão.

— Excelentíssimo Senhor Presidente da Sessão, Ministros e Ministras desta Suprema Casa, povo brasileiro aqui presente em corpo, espírito ou por intermédio de seus representantes, venho, com a devida vênia e o respeito que me impõe a liturgia deste augusto recinto, requerer um aparte.

— Concedido, Excelência.

— Agradeço. E peço licença para me dirigir à Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Cármen Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros, dos vivos e dos mortos, dos que ainda não nasceram e dos que nasceram mas já desistiram de entender o Brasil.

Consta, aliás, que o próprio João Ubaldo Ribeiro, lá de onde se encontram os escritores quando o mundo já não lhes cobra prazo de entrega, terá feito chegar uma mensagem, não se sabe por qual pombo-correio metafísico, pela qual dizia:

— Minha filha, não se apoquente. O Brasil é assim mesmo. Quando o brasileiro espera uma explicação, recebe uma cerimônia. Quando espera uma cerimônia, recebe um discurso. E quando espera um discurso, recebe um aparte.

Ao que se ouviu, em algum plano mais elevado, a voz de um antigo taquígrafo:

— Registre-se em ata.

E o taquígrafo, que já havia sido funcionário público em vida e portanto conhecia a extensão do problema, acrescentou:

— Registre-se também que ninguém entendeu, mas todos concordaram que era importante.


A serenidade

A Ministra, então, agradeceu a homenagem com aquela gravidade própria dos que sabem que a História não é apenas o que se passa, mas também o que se manda registrar.

— Senhor aparteante, agradeço a manifestação. Mas devo dizer que o Brasil precisa de serenidade, de respeito às instituições e de compreensão mútua.

— Excelência, permita-me insistir, sem abusar da paciência da Casa. É precisamente em nome da serenidade que vos falo. Porque há uma serenidade que vem da paz e outra que vem do esgotamento. Há a serenidade dos sábios e a dos que já não têm forças para discutir. Há, inclusive, a serenidade do cidadão que, tendo pago seus impostos, descobriu que também precisava pagar para compreender o que se passa no tribunal.

— Vossa Excelência está fazendo uma consideração política?

— Não, Excelência. Estou fazendo uma consideração brasileira. A política é que, porventura, tenha se apropriado dela.

Nesse momento, o espírito de um antigo deputado baiano, cuja identidade não se conseguiu apurar, pediu a palavra. Como não estava presente fisicamente, o Presidente consultou o Regimento e verificou que não havia previsão expressa para apartes do além.

Mas, considerando a excepcionalidade da ocasião, decidiu ouvir a manifestação, desde que não se convertesse em precedente.

— Excelentíssimos — disse o espírito, que falava com a voz de quem já havia passado por muitas Constituições —, o Brasil é um país onde a esperança tem foro privilegiado, a indignação paga custas e a memória é frequentemente distribuída em segredo de justiça.

Houve um silêncio.

Não aquele silêncio majestoso das grandes decisões, mas o silêncio ordinário de uma sala onde alguém disse uma coisa que todos entenderam e ninguém desejava comentar.

— Peço desculpas ao povo brasileiro — disse a Ministra, retomando a palavra — se minha postura não contribuiu para acalmar os ânimos.

E o espírito, que já ia se retirando, voltou-se para o plenário:

— Eis a grande questão, Excelência. O povo brasileiro não é contra a calma. O povo brasileiro é contra a obrigação de permanecer calmo enquanto lhe explicam que tudo está em ordem.

O Presidente da Sessão consultou novamente o Regimento.

— Não consta.

— Então acrescente-se aos anais — disse o espírito.


João Ubaldo entra em cena

Foi nesse momento que o autor de Viva o Povo Brasileiro, que até então permanecera em discreta suspensão etérea, resolveu manifestar-se.

— Vossas Excelências me perdoem, mas não posso deixar de observar que o povo brasileiro tem uma vocação extraordinária para a paciência. Paciência com o governo, com a oposição, com a Justiça, com a falta de Justiça, com o excesso de Justiça e com a explicação de que tudo isso faz parte do funcionamento normal das instituições.

— O senhor está fazendo uma crítica ao Supremo? — perguntou alguém.

— Não, meu caro. Estou fazendo uma crítica ao destino. O Supremo é apenas uma das repartições onde o destino costuma protocolar seus requerimentos.

E prosseguiu:

— Mas não se enganem: o brasileiro não quer que suas instituições percam a dignidade. Quer apenas que a dignidade não seja confundida com a ausência de respostas. Quer que a solenidade não substitua a clareza. Quer que o respeito seja recíproco. E, sobretudo, quer que, quando alguém lhe peça desculpas, saiba exatamente pelo quê.

A Ministra baixou os olhos.

Não se sabe se em reflexão, se em cansaço ou se para consultar algum documento.

O Presidente declarou:

— A Casa agradece o aparte espiritual. Está encerrada a manifestação.

— Ainda não, Excelentíssimo — disse o espírito de João Ubaldo. — Falta registrar a parte mais importante.

— Qual?

— Que o Brasil continua sendo um país onde até os mortos precisam pedir licença para falar.

E, tendo dito isso, evaporou-se no éter seco da Capital Federal, deixando atrás de si apenas uma leve perturbação no ar-condicionado e a sensação de que, em algum lugar, alguém acabara de fazer uma pergunta que o Regimento não previa.


O aparte de Emmanuel

Foi então que, quando todos julgavam encerrada a sessão, uma outra presença se fez sentir no plenário.

Não vinha da tribuna, nem das galerias, nem dos corredores onde habitualmente se acumulam os requerimentos, as interpretações regimentais e as razões pelas quais aquilo que parece evidente precisa de cinco assinaturas para ser oficialmente reconhecido.

Era uma presença mais antiga.

Emmanuel, dizem, não pediu aparte.

Talvez porque os espíritos que já compreenderam alguma coisa não tenham muita necessidade de interromper ninguém.

Limitou-se a recordar, com a simplicidade dos que não precisam de retórica, que nenhum ato termina exatamente no momento em que é praticado.

Uma palavra áspera não fica onde foi pronunciada.

Uma injustiça não termina na pessoa que a sofreu.

Uma indulgência também não.

Uma boa ação tampouco.

Tudo se propaga.

O gesto de um homem pode endurecer dezenas de corações que o contemplam. Pode ensinar a indiferença ao que ainda era apenas ignorante. Pode desanimar aquele que vinha tentando corrigir-se. Pode tornar mais difícil a tarefa daquele que, em silêncio, procura fazer o bem.

Mas o contrário também acontece.

Uma palavra de justiça pode restituir coragem.

Um gesto de misericórdia pode interromper uma cadeia de ressentimentos.

Uma atitude verdadeiramente cristã pode ensinar, sem discurso, aquilo que nenhum discurso consegue ensinar.

E talvez fosse essa a razão de a velha sabedoria espiritual chamar a isso obra individual.

Porque ninguém se salva sozinho — mas ninguém pratica o bem sem levar consigo alguma coisa dos outros.


A pergunta que ficou

Foi então que João Ubaldo, que permanecera até aquele instante suspenso entre a ironia e a compaixão, olhou para Emmanuel e perguntou:

— Mas então, meu caro, quer dizer que até um ministro do Supremo, quando fala, produz atmosfera espiritual?

— Sobretudo ele — respondeu Emmanuel.

— E quando fala mal?

— Também.

— E quando pede desculpas?

— Também.

João Ubaldo sorriu.

— Quer dizer, então, que o problema não é apenas aquilo que se diz. É aquilo que a palavra faz com quem escuta.

Emmanuel assentiu.

— Exatamente.

E foi nesse instante que a sátira perdeu um pouco de sua graça.

Não toda.

Porque o Brasil, convenhamos, é um país que jamais deveria ser privado inteiramente da graça.

Mas perdeu aquela graça fácil que nos permite rir do erro alheio sem perguntar o que estamos fazendo nós mesmos com aquilo que acabamos de ver.

Pois há uma tentação particularmente brasileira — talvez não apenas brasileira — de transformar toda indignação em espetáculo e toda virtude em aplauso.

E nisso o espírito de Tiago parecia conversar com o de Emmanuel.

Se uma ação má pode contaminar o ambiente, uma ação boa também o pode purificar.

A pergunta, portanto, já não seria apenas:

“Pelo que se desculpa a Ministra?”

Seria outra, muito mais incômoda:

“O que estamos fazendo nós, espectadores de tudo isso, com aquilo que estamos vendo?”

Porque podemos assistir à injustiça e tornar-nos mais injustos.

Podemos assistir à arrogância e aprender a ser arrogantes.

Podemos contemplar o erro e encontrar nele uma licença para errar também.

Mas podemos, igualmente, encontrar num gesto de retidão a força para retificar alguma coisa dentro de nós.


A obra individual

E aqui o espírito de João Ubaldo voltou a sorrir.

— Então o senhor está me dizendo que, no fim das contas, cada brasileiro é um pequeno legislador do mundo espiritual?

— Se quiseres chamar assim — respondeu Emmanuel.

— Pois eu chamaria de coisa mais simples.

— Qual?

Cada brasileiro é responsável pelo clima que ajuda a fazer.

Houve silêncio.

Desta vez, ninguém consultou o Regimento.

Nem era preciso.

Porque aquilo não dizia respeito ao Regimento.

Dizia respeito à velha e desconfortável liberdade humana de escolher o que fazer com aquilo que recebeu.

E, enquanto a sessão prosseguia, talvez sem que nenhum dos presentes percebesse, alguma coisa havia mudado.

Não no processo.

Não na ata.

Não na Constituição.

Mas naquele território invisível em que os homens se influenciam uns aos outros sem saber.

Ali, uma palavra continuava andando.

Uma desculpa continuava andando.

Uma indignação continuava andando.

Uma esperança também.

E talvez seja esse o verdadeiro sentido da obra individual:

não imaginar que podemos consertar o mundo inteiro, mas compreender que nenhum de nós atravessa o mundo sem deixá-lo, ainda que minimamente, diferente de como o encontrou.

João Ubaldo então se retirou.

Emmanuel também.

E os dois desapareceram por caminhos diferentes.

Um foi para o silêncio das regiões espirituais.

O outro, fiel à sua vocação baiana, evaporou no éter seco de Brasília, deixando atrás de si aquela espécie de pergunta que os bons espíritos costumam fazer e os maus cronistas preferem evitar:

Depois de tudo o que vimos, que espécie de espírito estamos ajudando a colocar no mundo?


Nota espiritual

Como ensina Emmanuel em Vinha de Luz, ao comentar a passagem de Tiago (5:20), os atos humanos não terminam em seus autores ou destinatários imediatos: uma ação pode produzir efeitos morais sobre aqueles que a testemunham, assim como uma boa ação pode irradiar gratidão, esperança, alegria e força para a prática do bem.

É nesse sentido que a expressão obra individual encerra esta crônica: não como uma fuga da responsabilidade coletiva, mas como a lembrança de que toda transformação coletiva começa, inevitavelmente, por atos concretos de indivíduos concretos.

“Uma boa ação, contudo, edifica e ilumina sempre.”

— Emmanuel


Brasília, no intervalo entre uma sessão e outra, onde os vivos continuam discutindo e os mortos, às vezes, ainda pedem aparte.

"Peço desculpas ao povo brasileiro, que talvez tenha esperado de mim uma postura diferente", disse a ministra Cármen na sessão do STF.Por um instante, imaginei que a ministra iria emendar algo como "desculpa pelos desvios éticos" ou, quem sabe, "pela nossa recusa de investigar qualquer coisa" ou, ainda, "pelos sete anos de inquérito das fake news. Mas não. As desculpas eram por "não ter ajudado a acalmar as coisas", no tribunal.
Fernado Schüller As descupas de Cármen Lúcia Emulemos aqui dois apartes de um mesmo espírito de luz presente na sessão do dia 15 de setembro de 2026, pedindo dentro dos Regimentos da Casa diretamente ao presidente da Sessão um aparte para se dirigir à "Excelentíssima Ministra Brasiliana, Brasiliense, brasileña, Brazilian, brésilienne, Brasilianerin e baiana Lúcia, para saudá-la em nome dos espíritos brasileiros", como assim o autor de Viva o Povo Brasileiro se referira à aparteada e foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígra de plantão naquela histórica sessão do STF. COMPLETAR O RESTO DESSA INTERAÇÃO ESPIRITUAL COM O DOM E A GRAÇA CONSERVADA DE JOÃO UBALDO RIBEIRO, QUE DEPOIS EVAPOROU NO ÉTER SECO DA CAPITAL DO BRASIL. html

(...) e foi lavrado esse aparte nos anais do STF pela taquígrafa de plantão naquela histórica sessão do STF, prosseguindo-se o registro da seguinte forma:

"Concedida a vênia pelo Presidente da Sessão, que olhava para os lados caçando com os olhos a origem daquela voz com retórica de mar grande, o éter da alta Corte estremeceu. Não era voz de se desprezar; vinha com cheiro de marisco, fumo de rolo e uma erudição que botava qualquer bacharel de fraque no chinelo. O espírito do autor de Viva o Povo Brasileiro, ajeitando uns óculos invisíveis na fumaça, pigarreou e continuou seu aparte direto à Excelentíssima baiana de coração:

— Minha senhora, folgo em ver que nesta moldura de mármores frios e gravatas engomadas ainda há quem guarde o sotaque das gentes e a coragem de se envergonhar pelo país. Mas olhe lá: não gaste toda a sua bile nem sua melancolia com as misérias desses doutores. O Brasil, de que tanto falo e de quem os senhores julgam a capa, não cabe em processo eletrônico nem se resolve em latim de missa rezada por defunto. O povo brasileiro, essa misturada de caboclo com fidalgo, de santo com capeta, resiste até ao Supremo! Peça desculpas, sim, que a fidalguia exige, mas não perca o prumo. Mantenha o dendê firme na sua toga, porque o julgamento da História é mais demorado e não aceita pedido de vista!

Houve um silêncio de missa de sétimo dia no plenário. O Ministro Flávio Dino entreabriu os lábios, Gilmar Mendes ajeitou a postura, e a Ministra, esboçando um quase sorriso de quem reconhece o axé da própria terra, tencionou responder. Mas não houve tempo.

O espectro ubaldiano, soltando uma última baforada de fumaça perfumada com maresia de Itaparica e cachaça da boa, desfez-se no ar condicionado impiedoso do Planalto Central. Evaporou-se no éter seco da capital do país, deixando os ministros a coçar as calvas, a taquígrafa atônita diante das teclas e o tribunal entregue, novamente, à secura formal do Diário da Justiça."

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Playlist: As Vertentes de "O Que Será?"

Explore as diferentes faces da icônica composição de Chico Buarque, incluindo as três versões nacionais e a adaptação francesa.

🎵 1. O Que Será? (Abertura)

A versão que abre o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos. Traz uma perspectiva mais suave e melancólica, focada no cotidiano, na expectativa e na sutil angústia amorosa da espera.

🎵 2. O Que Será? (À Flor da Pele)

Imortalizada na voz visceral de Bibi Ferreira e no dueto de Chico e Milton Nascimento. É a versão mais dramática, focada nas reações físicas, no desejo ardente e na paixão incontrolável.

🎵 3. O Que Será? (À Flor da Terra)

A vertente de maior peso político e social. Lançada durante a ditadura militar, seus versos sugerem a força coletiva, a busca por liberdade e o clamor sufocado do povo.

🎵 4. Tu Verras (Claude Nougaro)

A aclamada versão em francês adaptada por Claude Nougaro. Deixa o mistério de lado para construir uma poética, intensa e romântica promessa de recomeço e entrega amorosa.

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