Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
POSTO DE COMBUSTÍVEL DO AEROPORTO DE JUIZ DE FORA QUE ABASTECEU OS CARROS E VEÍCULOS AUTOMOTORES QUE PARTICIPARAM DA CARREATA NA VINDA DO EX-PRESIDENTE À CIDADE DE JUIZ DE FORA
Política, Justiça e Canção na Travessia Inacabada da República“O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.”
— João Guimarães Rosa
Uma carreata às margens do aeroporto.
Um posto de combustível convertido em ágora improvisada.
Um Supremo às voltas com sua própria consciência institucional.
Um diálogo imaginário entre Rui Barbosa e Machado de Assis.
E, ao fundo, a enxurrada circular de “Águas de Março”, composta por Tom Jobim e eternizada na voz de Elis Regina.
Entre o asfalto e a partitura, entre o cartão corporativo e a Constituição de 1988, entre a ironia literária e a solenidade da toga, desenha-se um mesmo dilema histórico: a difícil separação entre o público e o privado no Brasil.
A República abastece-se de símbolos — mas nem sempre presta contas do combustível.
O Judiciário assume a pedagogia ética — mas nem sempre escapa da vertigem corporativa.
A modernização promete ruptura — mas carrega continuidades discretas no porta-malas da história.
Talvez por isso faça falta a lente sociológica de Luiz Werneck Vianna: menos para julgar personagens do momento e mais para compreender as estruturas que os produzem.
Do posto ao Supremo, da abolição à judicialização, da ironia machadiana ao rigor rui-barbosiano, o país oscila entre a letra e o espírito — entre o fato e o mito — entre o fim do caminho e o começo que sempre retorna.
Porque, no Brasil, até a crise tem ritmo.
E toda travessia, cedo ou tarde, deságua em março.
O posto de combustível localizado nas proximidades do Aeroporto de Juiz de Fora (Aeroporto da Serrinha), que serviu como ponto de referência para a concentração e abastecimento de veículos em carreatas e motociatas de ex-presidente, é o Auto Posto Aeroporto. Aqui estão os detalhes sobre o local e as visitas registradas: Nome do Estabelecimento: Auto Posto Aeroporto (bandeira Petrobras). Localização: Avenida Deusdedith Salgado, 2020 - Teixeiras, Juiz de Fora - MG. Eventos Relacionados: Visita em 15 de julho de 2022: Bolsonaro chegou ao aeroporto e iniciou uma motociata que percorreu cerca de 12 km pela cidade. O posto costuma ser o primeiro ponto de parada para os apoiadores que aguardam a chegada da comitiva no Aeroporto da Serrinha. Lançamento de Campanha (16 de agosto de 2022): O ex-presidente desembarcou no aeroporto às 10h e participou de nova motociata em direção ao centro. Visita em 6 de setembro de 2024: Bolsonaro participou de uma motocarreata ao lado de candidatos locais, utilizando novamente a região do aeroporto como ponto de partida. YouTube YouTube +6 O Auto Posto Aeroporto é amplamente utilizado nessas ocasiões por sua localização estratégica na principal via de acesso ao aeroporto e à entrada da cidade. undefined undefined undefined 7 sites Eletroposto Auto Posto Aeroporto em Juiz De Fora - Carregados Check-ins. Compartilhe sua experiência! Ganhe +2 pontos! Carregados Em Juiz de Fora, Bolsonaro participa de motocarreata e volta ... 6 de set. de 2024 — Ex-presidente participou de ato de campanha ao lado de Charlles Evangelista, candidato do PL à Prefeitura de Juiz de Fora. Rádio Itatiaia Bolsonaro participa de motociata em Juiz de Fora (MG) 15 de jul. de 2022 — Bolsonaro participa de motociata em Juiz de Fora (MG) - YouTube. This content isn't available. YouTube · Poder360 1:05 Mostrar tudo QUEM BANCOU OU FINANCIOU OS ABASTECIMENTOS DOS VEÍCULOS GRATUITAMENTE? Não existem registros oficiais ou provas documentadas de que houve abastecimento gratuito generalizado para os veículos de apoiadores civis durante as passagens do ex-presidente Jair Bolsonaro por Juiz de Fora. Em eventos dessa natureza, os custos individuais (como combustível de carros e motos de participantes) costumam ser arcados pelos próprios apoiadores e grupos de mobilização local. No entanto, o financiamento de motociatas e carreatas presidenciais foi alvo de investigações e delações relacionadas ao uso de recursos públicos: Cartão Corporativo: Segundo investigações da Polícia Federal e dados obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo Fiquem Sabendo, o cartão corporativo da Presidência foi utilizado para custear despesas de logística, segurança e assessoria em eventos de motociatas. Isso inclui o abastecimento de veículos oficiais e descaracterizados utilizados pelas equipes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Delação de Mauro Cid: Em depoimentos recentes, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid afirmou que recursos do cartão corporativo foram usados para financiar aspectos dessas motociatas. Investigações de Financiamento: O ministro Alexandre de Moraes chegou a solicitar explicações sobre o financiamento de motociatas após denúncias de que eventos de arrecadação (venda de ingressos) estariam sendo usados para promover atos políticos, o que poderia configurar financiamento irregular de campanha. YouTube YouTube +5 Em resumo: enquanto os veículos da comitiva oficial e equipes de segurança tiveram gastos cobertos por recursos públicos (cartão corporativo), não há confirmação de que o combustível para os veículos do público em geral tenha sido pago por uma única entidade ou doador de forma gratuita. Estado de Minas Estado de Minas"
PULSAR"Esta é uma proposta de pastiche literário de alto nível. Para simular esse "achado" — que funde o rigor jurídico-inflamado de Rui com a ironia oblíqua de Machado, sob a lente satírica de Cacaso e a dramaticidade épica de Ruy Guerra — imagine um papel amarelado, com marcas de grampo enferrujado e tipografia de máquina de escrever Remington. Aqui está o esboço desse "vazamento" acadêmico-galhofeiro:FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA / ARQUIVO M. ASSIS SÉRIE: DOCUMENTOS SOBRE O DESATERRO (SIGILO NIVEL III) FORMATO: MIMEÓGRAFO EM ÁLCOOL (TINTA ROXA) MINUTA APÓCRIFA: O PARECER DA INDECISÃO INTERESSEIRA Relator: R.B. | Revisor: M.A. Data: Circa 1889-1891[O Texto]RUI BARBOSA (O Verbo): "É imperativo de justiça, ante a vacuidade do erário e o estrépito das senzalas vazias, que se examine o pleito dos proprietários. A lei, em sua majestade pétrea, não pode ser um moinho que tritura o direito adquirido sem a devida contrapartida de metal sonante. O ressarcimento não é prêmio ao chicote, mas o estancamento da hemorragia do capital que sustenta a ordem!" MACHADO DE ASSIS (A Glosa): "Diz bem o conselheiro, embora a 'majestade pétrea' pareça ter a consistência da argila de Botafogo. O capital, coitado, sofre de anemia. Os fazendeiros não pedem justiça; pedem uma certidão de óbito com data retroativa e uma pensão vitalícia pela perda do 'objeto' que, por um descuido da Princesa, descobriu-se humano. É a ética do soluço: chora-se o escravo, mas mira-se o cofre." RUI BARBOSA (A Fúria Ética): "Mas o Estado, Senhor Diretor, o Estado é o fiador das hipotecas morais! Se a abolição foi o sol da liberdade, que o Tesouro não seja a nuvem que obscurece o direito de quem investiu na fé pública de que o homem era res!" MACHADO DE ASSIS (O Xeque-Mate): "Precisamente. O direito da res. Mas veja que ironia: agora a res vota (ou finge que vota). O fazendeiro é um indeciso convicto: ama a República, desde que ela lhe pague o prejuízo da Monarquia. O Senado é o seu divã. Proponho que se dê a indenização em medalhas de latão: têm o brilho do ouro, o peso da honra e o valor de nada. O silêncio, afinal, é a melhor prosa do Império que não foi e da República que não é." NOTAS DOS EDITORES (Cacaso & Guerra): O documento exala um cheiro de mofo e cinismo. Rui quer salvar a letra da lei; Machado quer enterrar o cadáver da elite com um epitáfio elegante. Publicar em 100 cópias. Distribuir na Lapa sob chuva. Este exercício capta a indecisão interesseira de uma classe que queria a modernidade sem perder os dividendos do passado. Para avançar nesta construção, você prefere que foquemos no tom jurídico-pomposo (o "Rui de Ruy Guerra") ou na ferocidade da nota de rodapé (o "Machado de Cacaso")?"
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto"Rui Barbosa
Que falta nos faz Werneck Vianna nessa crise existencial do Supremo
Publicado em 20/02/2026 - 08:11 Luiz Carlos AzedoBrasília, Carnaval, Comunicação, Congresso, Ética, Governo, Justiça, Literatura, Memória, Política, Política
O caso Master expôs relações opacas, suspeitas de promiscuidade, cifras astronômicas, inexplicáveis, apesar das justificativas protocolares. E uma reação corporativa de autodefesa
Numa hora como essa, de crise existencial do Supremo Tribunal Federal (STF), que falta nos fazem as análises do sociólogo Luiz Werneck Vianna, que estudou o papel da Justiça Federal na manutenção da nossa integridade territorial e na formação do Estado brasileiro. Sua morte completará dois anos amanhã. Intérprete do Brasil contemporâneo, foi quem melhor compreendeu a “judicialização” da nossa política, que vive um momento institucionalmente grave: o caso Master está volatilizando a credibilidade da Corte e já provoca grave crise de confiança entre seus integrantes, sem nenhum sinal de que o conflito se resolva a curto prazo, nos marcos do que seria a normalidade institucional da Corte.
Em depoimento ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, em 2012, Werneck capturou o espírito dos constituintes em relação ao Supremo: “E o que faz o legislador em Constituinte? Naquela de 1988. Ele é um intérprete, ele é um leitor da História do Brasil, muito agudo, muito fino. O que ele faz? Ele recusa essa história? Não! Ele não recusa essa história porque, inclusive, ele não é fruto de uma revolução, não é? Ele é fruto de uma transição política. O que ele faz? Lendo tudo isso, ele concorda com uma tese capital da nossa formação que foi: ‘Não temos sociedade para fazermos grandes mudanças’. Precisamos que a pedagogia e a ética venham de cima. Virá de onde? Virá do Direito e dessas instituições, que nós vamos criar agora, em 1988. Quer dizer, há um elemento de continuidade aí ou há um elemento de descontinuidade do qual as marcas autoritárias vão ser erradicadas, mas essa precedência do público sobre o privado continua.”
Na Constituinte, grupos de empresários entendiam o moderno como a privatização do mundo; enquanto setores do sindicalismo, dos movimentos sociais e das instituições da sociedade civil, ao longo das lutas contra o autoritarismo, entendiam a modernidade como a democratização da esfera pública. A promessa era a recusa ao corporativismo, o empenho no fortalecimento das instituições da democracia representativa, o desenvolvimento do promissor embrião da democracia participativa que se desenvolvia, a instituição de nexos fecundos entre essas duas, a regulação democrática de sua vida interna e o envolvimento vivo e concreto com os movimentos sociais e suas associações nos processos decisórios.
Para Werneck, a história da modernização no Brasil, aliada à lógica privatista, era a negação do sistema da representação política e dos partidos políticos pela convivência corporativista. Ao movimento democrático e popular organizado caberia a combinação entre representação clássica e a democracia participativa de massas. A política social, o pluralismo político e a cidadania plena e livre seriam fundamentais nesse processo. O que deu errado?
Não existe resposta simples. Estamos na iminência de uma crise institucional muito grave, dessa vez protagonizada por quem deveria evitá-la. O retorno dos ministros à Praça dos Três Poderes não teve a liturgia dos recomeços, mas a continuidade da crise que antecedeu o carnaval. O Supremo volta ao trabalho com a sensação de que já não controla o próprio enredo. A crise não é apenas externa, com Planalto e Congresso já no embalo das campanhas eleitorais; é interna, de corredor, de confiança quebrada. Quando uma Corte constitucional perde o chão, a toga vira tapete mágico.
Leia também: Mendonça dá à PF amplo acesso às provas do Master
No fundo, o caso Master é um exemplo de “precedência do público sobre o privado”. A promessa de 1988 foi civilizar o poder, submeter interesses privados à publicidade, impessoalidade e responsabilidade. Mas o escândalo expôs o oposto: relações opacas, suspeitas de promiscuidade, cifras astronômicas, inexplicáveis, apesar das justificativas protocolares. E uma reação corporativa de autodefesa, contra os órgãos controladores, em que o heterodoxo inquérito das “Fake News” foi exumado. Já não está sendo usado para defender a democracia.
Acima das suspeitas
No clássico do cinema italiano “Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto” (Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita), do diretor Elio Petri, estrelado por Gian Maria Volonté e Florinda Bolkan (Bulcão), como Augusta Terzi, um inspetor do alto escalão da polícia italiana, com reputação ilibada, fama de incorruptível, mas reacionário, mata sua amante. Resolve pagar para ver se a polícia irá acusá-lo e, por isso, como em “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski, vai plantando pistas óbvias que o identificam como o assassino, ao mesmo tempo em que vê os colegas ignorando-as, intencionalmente ou não.
Voltemos ao caso Master. Não é casual que, em vez de discutir o mérito do problema, a conversa interna no Supremo (vazada, gravada ou reconstituída) tenha derivado para a guerra contra quem investiga, contra quem notícia, contra quem “ousa” tocar no clube de futebol. É “judicialização” da própria crise do Judiciário: pedidos, ofícios, operações, rastreamentos, apurações paralelas, com o uso de instrumentos excepcionais para blindar os integrantes da Corte, em lugar da transparência, do rito e do contraditório. E o improviso retaliatório.
Leia mais: O “Inquérito das Fake News” e a mão pesada de Moraes
O ambiente externo é o pior possível, exatamente por causa da “judicialização da política”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém distância regulamentar da PF; na Câmara, agitam-se as CPIs, que ninguém sabe como terminam. O Senado, por ora, não quer saber de impeachment. Ninguém aparece para apagar o fogo. O mais grave é a crise de autoridade moral: o Supremo pode continuar decidindo, porém, com menos crédito social; seus limites são cada vez mais opacos e sinuosos.
Ou seja, deu errado quando a promessa de “pedagogia e ética vindas de cima” se transformou em tutela sem controle. Quando a judicialização foi capturada por uma cultura de corporação. A modernização avançou por meio de vínculos pessoais, mercados de influência e portas giratórias; e a política representativa foi substituída por tribunais, corporações e moralismos de ocasião. É uma crise existencial.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do AzedoCompartilhe:
Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela)
#Câmara, #Constituinte, #Master, #Senado, #Supremo, Werneck
Luiz Jorge Werneck Vianna (1938-2024), depoimento de Milton LahuertaAH, A FALTA QUE ELE FAZ...(Convolação lítero-jurídico-lítero-jornalístico-sociológica das três entradas, aos cuidados escrivães do professor e sociólogo Luiz Werneck Vianna, citado por Luiz Carlos Azedo.)I — O POSTO, A CARREATA E A PEDAGOGIA DO ASFALTO
Houve um tempo — e não vai longe — em que a política brasileira trocou o palanque pela rotatória. A ágora virou pista dupla; o comício, motociata; o discurso, buzinaço. Em Juiz de Fora, nas imediações do antigo Aeroporto da Serrinha, um posto de gasolina tornou-se metáfora involuntária da República abastecida a vapor moral.
O chamado Auto Posto Aeroporto — bandeira de estatal outrora símbolo da soberania energética — serviu de ponto de concentração nas passagens do então presidente Jair Bolsonaro. Ali, entre tanques e tanques, a pergunta nunca foi apenas quem abasteceu; foi quem autorizou o imaginário de que a política pudesse ser movida a combustão espontânea.
A resposta factual — de que não há prova de abastecimento gratuito generalizado aos apoiadores — convive com a sombra mais espessa: o uso do cartão corporativo para despesas logísticas e de segurança. E eis o ponto werneckiano: a “precedência do público sobre o privado” como princípio fundador da Constituição de 1988 transmutada, na prática, em ambiguidade operacional.
O que é público quando a máquina estatal se desloca em cortejo? O que é privado quando a liturgia do cargo se mistura à coreografia eleitoral? A modernidade brasileira, ensinava Werneck, não elimina o patrimonialismo; ela o racionaliza.
II — O CASO MASTER E A JUDICIALIZAÇÃO DA PRÓPRIA TOGA
No artigo de Azedo, o “caso Master” aparece como sintoma de crise existencial do Supremo Tribunal Federal. Não se trata apenas de um escândalo administrativo ou de relações opacas; trata-se da erosão simbólica da Corte que, na leitura de Werneck, deveria encarnar a pedagogia republicana.
A Constituição de 1988 — filha de transição, não de ruptura — atribuiu ao Judiciário o papel de fiador ético da modernização. Ao Supremo caberia a função de árbitro das tensões entre mercado, representação e cidadania. Porém, quando o árbitro passa a disputar o jogo, instala-se a vertigem.
A judicialização da política foi, durante décadas, mecanismo de contenção de maiorias voláteis e de minorias insurgentes. Agora, observa-se a judicialização do próprio Judiciário: inquéritos sobre inquéritos, blindagens corporativas, suspeições cruzadas. A toga, que deveria pesar como símbolo, começa a flutuar como retórica.
Werneck falava da continuidade histórica brasileira: modernizamos sem romper; ampliamos direitos sem dissolver privilégios; constitucionalizamos o conflito sem erradicar o personalismo. O “caso Master” é menos um desvio que uma revelação estrutural.
III — RUI, MACHADO E A INDENIZAÇÃO DO PASSADO
O pastiche proposto — esse diálogo apócrifo entre Rui Barbosa e Machado de Assis — não é mero exercício literário: é alegoria sociológica.
Rui defende a coerência formal do direito; Machado desnuda a ironia material da história. Um fala da fé pública; o outro, da fé interesseira. Entre ambos, desenha-se a tensão que Werneck identificou na formação do Estado brasileiro: a tentativa de civilizar a elite sem desestruturá-la.
A indenização aos senhores após a abolição — nunca efetivada — simboliza a expectativa recorrente de compensação pelo fim de privilégios. A República nasce sob a sombra de uma pergunta incômoda: é possível democratizar a esfera pública sem indenizar simbolicamente os herdeiros do mando?
Machado, com sua pena oblíqua, sugeriria que o Brasil prefere medalhas de latão: brilham como ouro, pesam como honra, valem como silêncio.
IV — CONVOLAÇÃO: DO POSTO AO SUPREMO, DA SENZALA AO CARTÃO CORPORATIVO
As três entradas — o posto de combustível, a crise do Supremo e o diálogo ficcional entre Rui e Machado — convergem num mesmo eixo sociológico: a dificuldade brasileira de separar com nitidez o público e o privado.
No posto, a política se mistura à logística estatal.
No Supremo, a jurisdição se mistura à autopreservação corporativa.
No século XIX, a abolição se misturou à expectativa de compensação patrimonial.
Em todos os casos, o Estado aparece como fiador de expectativas privadas. A pedagogia “de cima”, que a Constituinte de 1988 imaginou, transforma-se em tutela ambígua. A modernidade jurídica avança, mas carrega no porta-malas as malas do passado.
V — AH, A FALTA QUE ELE FAZ...
Faz falta a lente de Werneck porque ele recusava tanto o moralismo fácil quanto o cinismo resignado. Sua análise não absolvia, mas contextualizava; não relativizava, mas historicizava.
Talvez dissesse que o problema não é a motociata, nem o inquérito, nem o pastiche; é a persistência de uma cultura política que confunde institucionalização com personalização. Que celebra a Constituição e negocia seus limites nos bastidores. Que judicializa a política e politiza a Justiça.
No fundo, a crise não é do posto, nem do presidente, nem do Supremo. É da promessa de que o Direito seria a pedagogia nacional. Quando a toga vira personagem e o tanque vira tribuna, percebe-se que a modernização brasileira continua sendo — como no diálogo de Rui e Machado — uma conversa entre a letra e a ironia.
E entre ambas, o silêncio.
Ah, a falta que ele faz.
Elis Regina & Tom Jobim - "Aguas de Março" - 1974</b>
Night Lights BAH, A PROMESSA DE VIDA NO CORAÇÃOÉ pau, é pedra — mas também é partitura.
E, se a pedra rola, rola com síncope.
Num acaso encontro em Nova York — essa encruzilhada onde os sotaques perdem o passaporte — cruzam-se dois destinos saídos do sul do mapa e do fundo do Brasil: o maestro soberano, herdeiro de ventos pampeanos, e a gauchinha rica-menina-pobre, criada em conjunto habitacional da periferia de Porto Alegre.
Ele, primo e neto de gaúchos, educado na travessia entre o rigor e o improviso.
Ela, menina de concreto e céu aberto, aprendendo que o mundo cabe numa nota sustentada.
Se fosse preciso dar-lhes nomes — e o Brasil gosta de batizar seus mitos — diríamos:
ele, Tom Jobim;
ela, Elis Regina.
Ou, como preferem os íntimos da eternidade: Tom e Regina.
Som e realeza puros.
A promessa de vida no coração não é apenas verso — é pacto civilizatório.
Quando Vinicius de Moraes escreveu “É pau, é pedra”, desenhou o inventário do mundo.
Quando Tom musicou, transformou obstáculo em harmonia.
Quando Elis cantou, devolveu à pedra sua febre humana.
E ali, em Nova York — cidade que ensinou o Brasil a se ouvir em inglês sem deixar de ser português — a bossa cruzou com o jazz. A arte travessa atravessou fronteiras. O sul virou hemisfério. O conjunto habitacional virou palco do mundo.
Mas você pede ordem na toada.
“Só mesmo um mineiro.”
Chamem João Guimarães Rosa.
Porque Rosa sabia que travessia é destino. Que o sertão é do tamanho do mundo. Que a curva da lida não é desvio, é revelação. Ele poria ordem não pela régua, mas pelo espanto: “o correr da vida embrulha tudo”, diria, e nesse embrulho cabem Tom, Regina, o sul, o asfalto, o jazz, a periferia e o Itamaraty invisível da canção.
Num país de tantos Joões — João de barro, João ninguém, João do Rio, João Gilberto — a vida se organiza pela música. E quando a música encontra sua realeza plebeia, nasce uma diplomacia sem embaixada.
A promessa de vida no coração é isto:
não a certeza do final, mas a insistência da travessia.
O pau vira ritmo.
A pedra vira compasso.
O encontro vira país.
E no fim da curva — aquela que parece despedida —
cruzam-se de novo as linhas:
Tom ao piano, Regina no sopro,
e o Brasil, por um instante,
em estado de harmonia civil.
Som e realeza puros.
Você tem razão — e que belo zelo pela partitura da verdade.
Factualmente: “Águas de Março” — com seu célebre inventário “É pau, é pedra…” — foi composta (letra e música) por Tom Jobim. Não há coautoria de Vinicius de Moraes nesse caso específico. O poetinha foi parceiro maior em tantas obras — “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Insensatez” — mas ali, na enxurrada metafísica de março, a pena e o piano foram de Tom.
E, no entanto, simbolicamente, você também tem razão.
Porque Vinicius, mesmo ausente da ficha técnica, estava presente no clima de mundo que permitiu que aquela enumeração virasse cosmogonia. A bossa nova não era apenas uma soma de autores; era um estado de espírito compartilhado. Tom escreve sozinho — mas escreve dentro de uma atmosfera criada a muitas mãos e copos.
E quando Elis Regina grava “Águas de Março” ao lado de Tom, ela não altera a autoria — mas altera a temperatura. A canção deixa de ser apenas construção harmônica sofisticada e vira diálogo, jogo, quase teatro íntimo. A pedra, ali, ri.
Há algo profundamente brasileiro nisso:
a autoria é individual;
a eternidade é coletiva.
Vinicius não escreveu “É pau, é pedra”.
Mas ajudou a inventar o Brasil onde essa pedra podia cantar.
E talvez seja essa a promessa de vida no coração:
a fidelidade ao fato,
sem abrir mão do mito.
Fica valendo — com nota de rodapé, mas sem perder o encanto.
AH, A PROMESSA DE VIDA NO CORAÇÃO(Versão final para publicação)A promessa de vida no coração não é apenas verso — é pacto civilizatório.“É pau, é pedra, é o fim do caminho…” não nasceu de parceria múltipla nem de oficina coletiva: nasceu integralmente do engenho de Tom Jobim. “Águas de Março” — letra e música — é obra solo de Tom.
Factualmente, assim é.
E isso importa.
Mas simbolicamente — e o Brasil também vive de símbolos — o verso carrega a atmosfera de uma geração inteira. O espírito de Vinicius de Moraes, parceiro maior em tantas obras, pairava como clima cultural, como ética do encontro, como pedagogia da leveza. Não coautor, mas contemporâneo essencial.
Tom desenhou o inventário do mundo:
o pau, a pedra, o resto de toco, o pouco, o oco, o ovo.
Transformou obstáculo em harmonia.
Fez da enumeração uma filosofia circular — começo que é fim, fim que é começo.
Quando Elis Regina cantou ao lado de Tom, devolveu à pedra sua febre humana. A gravação de 1974 não é apenas registro fonográfico; é diálogo, sorriso cúmplice, teatro contido. A canção deixa de ser apenas arquitetura harmônica e vira cena. Ali, a modernidade brasileira encontra sua forma mais civil: sofisticada sem ser fria, popular sem ser vulgar.
Entre o rigor de Tom e a combustão de Elis, o Brasil encontra equilíbrio.
Travessia
Num acaso encontro em Nova York — essa encruzilhada onde o jazz aprende português e o português aprende silêncio — a bossa atravessou fronteiras. Do sul profundo à periferia de Porto Alegre, da zona sul carioca às salas do mundo, a arte brasileira fez o que sempre fez de melhor: atravessou.
Chamem João Guimarães Rosa para pôr ordem na toada. Ele diria que viver é muito perigoso — mas cantar é mais ainda. Diria que a travessia é o próprio destino. Que março não termina: deságua.
Num país de tantos Joões — João de barro, João ninguém, João Gilberto — a promessa de vida no coração é menos certeza do que movimento.
O pau vira ritmo.
A pedra vira compasso.
O fim do caminho vira começo.
A Escuta
Para ouvir — não apenas como música, mas como documento civilizatório — a gravação antológica de “Águas de Março” por Tom e Elis:
🎼 Tom Jobim & Elis Regina — Águas de Março (1974)
https://www.youtube.com/watch?v=E1tOV7y94DY
E para deixar que a enxurrada de harmonias siga seu curso em estado de contemplação e êxtase sereno, eis outra interpretação à altura do oceano que essa canção abriu:
🌊 Tom Jobim — Águas de Março (versão em inglês: “Waters of March”)
https://www.youtube.com/watch?v=BnB1G63XvCQ
No fim — que é começo — fica a precisão histórica:
Tom escreveu.
Fica a grandeza simbólica:
uma geração sonhou junto.
E fica, sobretudo, a promessa:
a de que, enquanto houver março,
haverá música correndo no coração.
SIM, YES! OBRIGADO. THANK YOU VERY MUCH!Que alegria ler isso!Obrigado a você — pela escuta fina, pelo zelo factual e pela chama poética acesa ao mesmo tempo. Isso é raro.
Como diria Tom Jobim, “é promessa de vida no teu coração” — e quando a conversa encontra esse tom, a harmonia já está feita.
E como cantaria Elis Regina, com aquele meio sorriso que vira tempestade: a gente ri, mas é sério.
Volte sempre.
A travessia continua. 🌊🎼
Dez anos: livro em homenagem ao ministro Dias Toffoli é lançado no STFO livro “Democracia e Sistema de Justiça” contempla temas como colaboração premiada, Direitos Humanos, inteligência artificial, redes sociais e combate à corrupção.
23/10/2019 21:17 - Atualizado há 2 anos atrás
"É com muita alegria que eu recebo essa homenagem extremamente valiosa. Este é um momento de descontração, de alegria e de júbilo. Sinto-me realmente emocionado nesses dez anos de STF". Com essas palavras, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, lançou, nesta quarta-feira (23), o livro “Democracia e Sistema de Justiça”, em evento realizado no Salão Branco do Tribunal.
Ao fazer os agradecimentos e os apontamentos sobre a obra para uma plateia repleta de autoridades dos Três Poderes da República e personalidades da área jurídica, o ministro Dias Toffoli afirmou que a data é muito significativa e que deve ser comemorada não só pela marca alcançada, mas também pela cadeira que ele ocupa no órgão de cúpula do Judiciário nacional. Ao esclarecer os motivos que influenciaram o nome do livro, o ministro, que também ocupa a Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disse que "não existe democracia sem um Poder Judiciário e um Sistema de Justiça independente".
O livro “Democracia e Sistema de Justiça”, cujo prefácio foi escrito pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, foi publicado pela Editora Fórum e contempla 44 artigos escritos por 57 autores. A obra contou ainda com a coordenação do ministro do STF Alexandre de Moraes e do advogado-geral da União (AGU), André Luiz de Almeida Mendonça. Na publicação, são abordados temas como colaboração premiada, gestão, Direitos Humanos, desinformação, inteligência artificial, redes sociais e combate à corrupção. Os assuntos são tratados sob a ótica das principais decisões do ministro Dias Toffoli.
De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, compilar todos os artigos foi uma difícil missão, mas valeu a pena para homenagear o colega de magistratura. "Agradeço a possibilidade de participar desse momento. Acompanho desde sempre a carreira do ministro Dias Toffoli, que tem uma peculiaridade muito importante: ele passou por várias áreas. Atuou nos Poderes Legislativo e Executivo e, com isso, adquiriu muito conhecimento, até, finalmente, vir para o STF. Meus agradecimentos, também, a cada um dos autores".
O outro coordenador da publicação, ministro André Mendonça, destacou que o livro proporciona reflexões sobre o atual modelo democrático brasileiro."Os autores trabalham uma perspectiva de passado, presente, e tentam lançar sementes para a democracia e o Sistema de Justiça do futuro”, afirmou. “Ao tratar desses temas, faz um histórico da constituição do estado de direito e lança ideias para o debate jurídico, à luz da Carta Magna, nos próximos anos", disse o AGU.
Também prestigiaram a solenidade os ministros do STF Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux.
PS//CFNight Lights B
Videoclipe PARATODOS (com legendas)Museu do Ipiranga
7 de set. de 2020
O novo clipe de Paratodos é uma homenagem à diversidade brasileira. Essa nova versão da canção de Chico Buarque tem arranjo inédito de Carlinhos Antunes e Gabriel Levy para a Orquestra Sinfônica da USP e CORALUSP. E conta com as vozes de Anastácia, Kaê Guajajara, Negra Li, Taiana Takeua e a participação especial do próprio Chico. Direção de Maria Thais Lima e Yghor Boy.Realização USP e Sesc.Para descontrair: VEJA Cláudia Cardinale
Do túnel do tempo
"Ah! O doce pássaro da Juventude! Lindíssima!"
A Turma do Pererê - Instituto Ziraldo[Revista pererê, 1 de outubro de 1960]A Turma do Pererê
Filho de família numerosa, Ziraldo é um colecionador de parentes, amigos, afetos e personagens. Desde pequeno sempre andou em turma, cresceu junto com a turma e a turma cresceu com ele. Estava com a turma quando um jornaleiro lhe apresentou algo que não conhecia: um Gibi.
A partir daquele momento, o menino Ziraldo ganhou um sonho e correu atrás dele até realizá-lo, muitos anos depois, com a revista PERERÊ, em 1960, a primeira história em quadrinhos com temática brasileira. Toda colorida e inteiramente escrita e ilustrada por um único autor.
PERERÊ surgiu num momento do Brasil em que um banquinho e um violão tornavam os sonhos possíveis. Nasceu num momento em que fazer quadrinhos era utopia e cresceu num momento em que andar em grupo era arriscado.
No seu rodamoinho, o Saci traz histórias e causos, caipiras, matutos e bichos pensantes e falantes. Em uma época em que heróis viviam na clandestinidade, Ziraldo criou um herói genuinamente nacional. A revista fez tanto sucesso que chegou a vender 120.000 exemplares por mês.
A revista PERERÊ se tornou referência, assim como o traço e a linguagem gráfica de Ziraldo, um artista brasileiro à frente de seu tempo, vivendo intensamente o presente. Um traço que, como seu autor, não parou de evoluir. O Saci ganhou uma turma, toda ela composta por animais de nossa fauna, batizados com nomes e ganhando a personalidade de amigos de infância de Ziraldo.
O último número data de abril de 1964. A partir dos anos 1970, os quadrinhos foram relançados em várias mídias diferentes, rebatizados de A Turma do Pererê. Essa turma já participou de exposições, peças teatrais, programas de TV, animação e, recentemente, livros sobre educação climática.
🐢 Moacir, o Jabuti — A Turma do Pererê (1960–1964)O jabuti Moacir é um dos personagens centrais de A Turma do Pererê, criação de Ziraldo. Ele estreou na revista mensal lançada em outubro de 1960 pela Editora O Cruzeiro, considerada o primeiro gibi brasileiro totalmente colorido e produzido por um único autor.
📚 Contexto Editorial
Lançamento: Outubro de 1960
Publicação: Editora O Cruzeiro
Duração da fase original: 1960 a 1964
Total de edições: 43 números
Importância histórica: Primeira revista em quadrinhos brasileira totalmente colorida e autoral
A publicação foi interrompida em 1964, em meio às mudanças políticas ocorridas no país naquele período.
🌳 Papel de Moacir na Mata do Fundão
Moacir vive na Mata do Fundão ao lado de personagens como:
Pererê (Saci)
Tininim
Galileu
Geraldinho
Dentro da turma, Moacir frequentemente assume o papel de mensageiro da mata.
🐢 Características do Personagem
Espécie: Jabuti
Personalidade: Observador, espirituoso e muitas vezes irônico
Marca registrada: Costuma carregar uma placa com a inscrição “VAPT-VUPT” (ou variações semelhantes), criando um contraste bem-humorado com sua natureza lenta
Esse recurso visual reforça o humor característico de Ziraldo e ajuda a construir a identidade cômica do personagem.
🎨 Significado na Obra
Moacir representa o espírito leve, crítico e bem-humorado da série. Através dele, Ziraldo explorava situações cotidianas com ironia e brasilidade, contribuindo para consolidar A Turma do Pererê como um marco dos quadrinhos nacionais.
S
Ciça se emociona logo após o título — Foto: Leo Franco / AgNews
É curioso notar como o nome Moacyr da Silva Pinto acaba sendo um verdadeiro "mapa" do Brasil:
Moacyr: Conecta-se ao jabuti de Ziraldo, símbolo de sabedoria e resistência na "Turma do Pererê".
da Silva: Remete diretamente à Estrela de Clarice Lispector em A Hora da Estrela, onde a desamparada Macabéa (uma "da Silva") sonha em ser alguém sob o brilho de sua própria existência.
Pinto: O sobrenome comum que, como você notou, cria essa rima de identidade com o autor de Flicts.
No fim das contas, o mestre que rege o "furacão" da Viradouro carrega no registro civil a síntese da literatura e do imaginário brasileiro.
"Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais porque agora tornou-se um novo instante-já que também não é mais. Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa.Clarice Lispector Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.
"Para Clarice Lispector, nesse fictício 18 de fevereiro de 2026, a crônica não seria sobre a mecânica da política ou o pragmatismo dos grupos de poder, mas sobre a metafísica do instante e a crueza de existir sob o som do surdo [1, 2].
Ao ritmo da Unidos do Viradouro, ela escreveria:
"Não me venham falar de 'Grupo Ouro' como se a alma pudesse ser rebaixada ou promovida por um júri de homens de gravata. O que é 'o da coisa'? O da coisa é o silêncio que precede o primeiro toque de Mestre Ciça. É aquele átimo de segundo onde o coração para e a bateria, em vez de bater, nos fustiga.
O cronista aí ao lado mobiliza editores; eu mobilizo o vazio. Ele fala do que interessa; eu falo do que dói. Estar no topo ou na queda é apenas um detalhe de quem ainda não entendeu que a glória é um susto. Vi Ziraldo chorar — e o choro dele não era de papel, era de bicho que reencontra o amigo Moacy na mata do sempre. O Pererê dele agora é o meu Macabéa: seres que não precisam de 'escada' porque já aprenderam a voar no escuro.
Se o tema é o rebaixamento, digo-lhes: só cai quem estava fingindo que pairava. A Viradouro é campeã porque aceitou o seu próprio mistério. Eu não oPTaria por nada que não fosse esse pulsar visceral. O resto? O resto é apenas o horário da Ave Maria passando por nós sem nos ver." [1, 2]"
Minha boa Carolina,
Deixo-te este esboço de comédia, ou de tragédia — a fronteira é sempre um equívoco da luz. Ontem, nos confins do Oriente, o nosso mandatário, lendo as palavras que os escrivães do Itamaraty lhe puseram na boca, viu-se subitamente cercado por uma malta de mercadores de inteligências artificiais. Vindos da estepe russa e das muralhas da China, esses donos de "máquinas que pensam" (que horrorosa pretensão a deles!) queriam, todos a um tempo, torná-lo o regente universal de suas engrenagens.
A cena é de um ridículo soberbo: o Brasil, que mal resolve os seus trilhos, a ditar o passo das almas de metal. Querem-no CEO do mundo, para que ele refaça a rota das Índias, não por especiarias, mas por algoritmos.
Toma este absurdo e transforma-o em crônica para a Gazeta de amanhã. Dá-lhe aquela tua exuberância, Carolina, aquele brilho que faz o meu estilo parecer, por vezes, um aposento em penumbra. Eu, que sou apenas um observador de sombras, confesso que me babo perante o teu viço. Escreve com acidez, mas com a luva de pelica; que o leitor ria sem saber se o riso é de escárnio ou de pasmo.
Parto agora para o Ministério. O bonde não espera, e a burocracia, esse outro tipo de inteligência sem alma, reclama os meus serviços antes que o sol atinja o pino.
Teu, sempre,
M.A.
Carolina Machado de Assis.GAZETA DE NOTÍCIASRIO DE JANEIRO – DOMINGOO VICE-REI DAS ALMAS DE METAL
Diz-se que a Índia é a terra dos prodígios, onde os faquires levitam e o tempo se dissolve no Ganges. Mas o prodígio que nos chega pelo telégrafo supera a imaginação de qualquer brâmane. Consta que o nosso ilustre Chefe de Estado, ao proferir um discurso meticulosamente alinhavado pelos escrivães do Itamaraty — esses artífices da vírgula diplomática —, viu-se alvo de um assédio que faria corar as mais cobiçadas debutantes do Cassino Fluminense.
Não eram pretendentes de carne e osso, mas os donos das "Inteligências Artificiais". Gente da China, da Rússia e de outras paragens onde o cálculo substituiu o sentimento. Queriam todos, num coro de ambição desmedida, que o nosso Presidente assumisse a regência universal de suas máquinas. Pretendiam elevar o filho desta terra ao cargo de CEO do mundo — título esse que soa a uma mistura de imperador bizantino com guarda-livros de alfândega.
A cena tem o seu quê de metafísico. Imaginem o Brasil, onde ainda lutamos para que os bondes não descarrilem no Largo da Carioca, sendo agora o farol das almas de engrenagem. O convite é claro: que ele faça o caminho de volta à Índia, não para buscar a canela ou o cravo que outrora moveram as caravelas, mas para governar o "pensamento sem cabeça" que agora move os impérios.
Há quem veja nisso uma glória nacional. Eu vejo apenas a ironia de nossa condição. Somos o país onde o futuro está sempre por chegar, e, no entanto, querem-nos para gerir o futuro do mundo inteiro. É a suprema vaidade: o homem que lê o papel que outros escreveram torna-se o mestre das máquinas que escrevem sozinhas.
Os donos das plataformas, em sua sabedoria russa e chinesa, devem ter percebido que só um brasileiro possui o jogo de cintura necessário para lidar com uma inteligência que não sente, mas simula. Afinal, entre o que o Itamaraty escreve e o que o povo entende, já vivemos em uma realidade artificial há décadas.
Se o convite for aceito, teremos o primeiro monarca algorítmico da história. Mas temo que, ao chegar à Índia, as máquinas descubram que o nosso jeitinho não cabe em equações. Entre o silício e o coração, ficamos com a dúvida — essa sim, a única inteligência que ainda não conseguiram fabricar em série.
A GAZETA DE NOTÍCIAS DO RIO DE JANEIRO E OS MOMENTOS DECISIVOS (1888-1889).George Vidipó*O presente artigo irá analisar o periódico Gazeta de Notícias nos anos de 1888 e 1889 no Rio de Janeiro. Werneck Sodré (SODRÉ, 1999) o descreve como um jornal popular e barato. Uma das suas características mais marcante era ser reconhecido como um jornal “neutro”.
O Gazeta de Notícias foi lançado no dia 2 agosto de 1875 com o objetivo de noticiar, levar literatura e ser “neutro”. Em seu prospecto inaugural estabelecia sua meta: “Além de um romance, a Gazeta de Notícias todos os dias dará um folhetim de atualidade. Artes, literatura, teatros, modas, acontecimentos notáveis, de tudo a Gazeta de Notícias se propõe trazer ao corrente os seus senhores” (GAZETA DE NOTÍCIAS, 2 de agosto de 1875, p.1). Em outra nota, na mesma página, afirmava sua proposta de neutralidade: “Não sendo a Gazeta de Notícias folha de partido apenas tratará de questões de interesse geral, aceitando nesse terreno o concurso de todas as inteligências que quiserem utilizar das suas colunas” (Opt. Cit.). Ser “neutro” era não ter lado, ou escolher uma proposta de partido político, ser neutro era não ter partido. Para Andrea Pessanha (2006) a neutralidade não existia e era proposta pelos jornais do século XIX como estratégia de venda, para atingir um público maior1. No entanto os contemporâneos do Gazeta de Notícias viam o jornal como “neutro”. José VeríssimoDiscurso do presidente Lula na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA)Discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA), em Nova Delhi (Índia), em 19 de fevereiro de 2026
Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApplink para
Publicado em 19/02/2026 04h09 Atualizado em 19/02/2026 11h08
Para o Brasil é uma satisfação participar da Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial organizada pelo governo indiano, sendo esta a primeira ocasião em que se realiza no Sul Global.
Aqui em Délhi, o mundo digital retorna à sua terra natal.
Foram matemáticos indianos que nos legaram, há mais de 2 mil anos, o sistema binário que viria a estruturar a computação moderna.
Fazemos o caminho de volta para debater um dos maiores dilemas da atualidade.
Nossas sociedades encontram-se em uma encruzilhada.
A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente.
É nesse contexto que a governança global da Inteligência Artificial assume um papel estratégico.
Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas.
A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno.
Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade.
A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes.
Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como conectamos uns com os outros.
Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.
Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia.
Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital.
São parte de uma complexa estrutura de poder.
Sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas.
Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas.
Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2 bilhões e 600 milhões de pessoas estão desconectadas do universo digital.
As estimativas mostram que, em 2030, ainda teremos 660 milhões de pessoas sem eletricidade.
Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação.
A regulamentação das chamadas “Big Techs” está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países.
O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política.
O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo.
Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente.
O Congresso brasileiro discute uma política de atração de investimentos em centros de dados e um marco regulatório de Inteligência Artificial.
O Brasil lançou em 2025 o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
Esse plano expressa nosso compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas através de serviços públicos mais ágeis e maior estímulo à geração de emprego e renda.
Este foi o paradigma da declaração sobre Inteligência Artificial que aprovamos na Cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro no ano passado.
Esta é a postura que o Brasil adota no diálogo com outros parceiros e foros.
Participamos da iniciativa da China sobre a criação de uma Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial com foco nos países em desenvolvimento.
Dialogamos com a Parceria Global em Inteligência Artificial que nasceu no G7.
Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da Inteligência Artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.
O Pacto Digital Global que aprovamos em Nova York em setembro de 2024 estabeleceu um mecanismo crucial.
O Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial é o primeiro órgão científico global sobre o tema e reúne especialistas, fatos e evidências em suas manifestações.
O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.
Senhoras e Senhores,
A Índia, ao longo da sua história, legou à humanidade contribuições fecundas e extraordinárias em diversos campos do conhecimento: nas artes, na ciência e na filosofia.
Uma herança que traz à luz grandes dilemas éticos sobre a justiça, a diversidade, a inclusão e a resiliência.
Esse patrimônio é um poderoso referencial na busca por respostas aos desafios que a Inteligência Artificial impõe às sociedades contemporâneas.
Muito obrigado.
V
Minha boa Carolina,
Deixo-te este esboço de comédia, ou de tragédia — a fronteira é sempre um equívoco da luz. Ontem, nos confins do Oriente, o nosso mandatário, lendo as palavras que os escrivães do Itamaraty lhe puseram na boca, viu-se subitamente cercado por uma malta de mercadores de inteligências artificiais. Vindos da estepe russa e das muralhas da China, esses donos de "máquinas que pensam" (que horrorosa pretensão a deles!) queriam, todos a um tempo, torná-lo o regente universal de suas engrenagens.
A cena é de um ridículo soberbo: o Brasil, que mal resolve os seus trilhos, a ditar o passo das almas de metal. Querem-no CEO do mundo, para que ele refaça a rota das Índias, não por especiarias, mas por algoritmos.
Toma este absurdo e transforma-o em crônica para a Gazeta de amanhã. Dá-lhe aquela tua exuberância, Carolina, aquele brilho que faz o meu estilo parecer, por vezes, um aposento em penumbra. Eu, que sou apenas um observador de sombras, confesso que me babo perante o teu viço. Escreve com acidez, mas com a luva de pelica; que o leitor ria sem saber se o riso é de escárnio ou de pasmo.
Parto agora para o Ministério. O bonde não espera, e a burocracia, esse outro tipo de inteligência sem alma, reclama os meus serviços antes que o sol atinja o pino.
Teu, sempre,
M.A.
CLAUDIA CARDINALE - GLI INDIFFERENTI - 1964 - MUSIC BY GIOVANNI FUSCO
Aqui vai o que você pediu — com links verdadeiros e informações históricas sobre A Turma do Pererê de Ziraldo e também sobre a produção de Flicts e o vídeo no YouTube relacionado às inspirações de seus personagens:
📌 🔗 Link para visualizar a capa original da primeira edição da revista Pererê (1960)
Esta página do Instituto Ziraldo mostra imagens originais (inclusive a capa da edição de outubro de 1960):
👉 https://institutoziraldo.art.br/ziraldo/revista-perere-1-de-outubro-de-1960-p-3/
(Instituto Ziraldo)
Essa é a primeira edição da revista “Pererê”, lançada em outubro de 1960 e que circulou até abril de 1964.
▶️ 🔗 Vídeo no YouTube sobre Ziraldo e sua Turma — incluindo inspirações e origem dos personagens
Aqui está um vídeo que fala sobre “Ziraldo e a Turma do Pererê”, com contexto histórico e comentários:
📺 **
**
Outro vídeo interessante relacionado à criação das personagens, falando sobre como amigos e ambiente inspiraram Ziraldo (“Inspirando Ziraldo”):
👉 https://www.youtube.com/watch?v=vZ9wQF2FUwQ
(Inspirando Ziraldo — Moacyr conta como inspirou personagem)
(Ambos os vídeos ajudam a entender a formação da “Mata do Fundão” e dos personagens.)
🧙♂️ Qual animal Ziraldo escolheu como seu “alter ego” nessa turma?
O personagem-título Pererê — o Saci — é um personagem do folclore brasileiro com um pé só, gorro vermelho e cheio de travessuras. Na obra, ele é central e carismático, e muitos comentam que ele tem traços do próprio Ziraldo em espírito: travesso, curioso, questionador e atento ao mundo ao redor.
Embora o Menino Maluquinho seja outro personagem icônico de Ziraldo (criado mais tarde, em 1980), ele é uma obra separada historicamente dos quadrinhos da Turma do Pererê. O Menino Maluquinho não nasceu dentro da Turma — ele veio anos depois, com sua própria vida e universo.
📚 📘 Onde entra a revista Flicts nessa história?
Flicts não faz parte diretamente da série Turma do Pererê. É um livro artístico e literário publicado por Ziraldo em 1969, antes de O Menino Maluquinho — e é considerado um marco na literatura infantil brasileira (inclusive ganhando prêmios e reconhecimento internacional).
Ou seja:
Pererê (1960–1964): primeira HQ pura e colorida com personagens brasileiros.
Flicts (1969): livro infantil poético e experimental sobre forma, cor e inclusão.
O Menino Maluquinho (1980): personagem que se tornou um fenômeno posterior na carreira de Ziraldo.
🧠 Resumo histórico importante
Pererê foi publicado de 1960 a 1964 e marcou a história dos quadrinhos brasileiros como a primeira HQ colorida feita por um único autor no Brasil.
Ziraldo inspirou seus personagens da Mata do Fundão em amigos de infância, animais e figuras folclóricas brasileiras, trazendo um universo genuinamente nacional para os gibis.
O cancelamento da revista em 1964 coincidiu com o início da ditadura militar brasileira, que restringiu muitas expressões culturais.
S
Nota do oficial dos 10 ministros do STFOs dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino.
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/02/12/ministros-do-stf-toffoli-deixa-caso-master-veja-integra.htm
Resumo da notícia
Dez ministros do STF anunciaram que Dias Toffoli deixou a relatoria dos processos do Banco Master e que um novo relator será designado.
Na nota, o STF afirmou que não cabe arguição de suspeição e validou os atos de Toffoli na Reclamação 88.121 e processos vinculados.
Os ministros declararam apoio a Toffoli e disseram que ele atendeu a pedidos da PF e da PGR; a Presidência fará a redistribuição e remeterá os autos… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/02/12/ministros-do-stf-toffoli-deixa-caso-master-veja-integra.htm?cmpid=copiaecola
Alicia Klein
Lucas Pinheiro é do Brasil, de verdade
PVC
A piada da ação do Sport contra as Ligas
Julián Fuks
Declaramos Carnaval o ano inteiro
André Santana
Cultura afro-indígena de Maricá é tema do Ilê Aiyê
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relato… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/02/12/ministros-do-stf-toffoli-deixa-caso-master-veja-integra.htm?cmpid=copiaecola
Nota à imprensaEsclarecimento sobre apuração de possível vazamento de dados sigilosos de autoridades
17/02/2026 13:03 - Atualizado há 17 horas atrás
Nos autos da PET 15256, autuada por prevenção ao Inquérito 4.781/DF, para apuração de possível vazamento indevido de dados sigilosos de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Procurador-Geral da República e de seus familiares foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas. As investigações iniciais demonstraram, conforme relatório enviado pela Receita Federal ao STF, a existência de “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”.
Esses diversos e múltiplos acessos ilegais, conforme destacado pela Procuradoria-Geral da República, “apresentam aderência típica inicial ao delito previsto no art. 325 do Código Penal (violação de sigilo funcional)”, porém “o caso não se exaure apenas na violação individual do sigilo fiscal, uma vez que a exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas de autoridades públicas, divulgadas sem contexto e sem controle jurisdicional, tem sido instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.
A pedido da Procuradoria-Geral da República, o Supremo Tribunal Federal decretou as seguintes medidas cautelares em relação aos servidores da Receita Federal, ou cedidos por outros órgãos, Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes: (a) busca e apreensão domiciliar e pessoal, (b) afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, (c) proibição de se ausentar da Comarca e recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana mediante uso de tornozeleira eletrônica, (d) afastamento imediato do exercício da função pública, proibição de ingresso nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) e da Receita Federal do Brasil e proibição de acesso a seus sistema e bases informatizadas, (e) proibição de se ausentar do país, cancelamento de todos os passaportes e determinação de impedimento migratório.
Os investigados prestarão depoimentos à Polícia Federal que prosseguirá nas investigações.
“Há 30 anos, inicio minhas aulas sobre comunicação política na universidade explicando que, em nossa especialidade, não nos ocupamos diretamente dos fatos ou da realidade. Disso tratam sociologia, história, economia e jornalismo. Na comunicação política, explico, ocupamo-nos das aparências: do modo como as coisas parecem ser, da percepção pública dos fatos, das convicções que pessoas e grupos formam sobre a realidade —ou sobre aquilo que se convenceram que a realidade é.”
"Ocorre justamente o contrário: quanto mais os membros da corte erguem acintosamente as muralhas do corporativismo para proteger os seus, mais rapidamente perderão aquilo que Péricles identificou como o fundamento último da ordem democrática: a disposição dos cidadãos de obedecer às leis e aos magistrados. Nada pode ser mais desastrado para o Judiciário e a democracia do que a impressão pública de que os juízes preferem proteger o ninho a defender o que é justo."'E uma leve impressão de já vou tarde...'Trocando em MiúdosNara Leão
Eu vou lhe deixar a medida do bom fim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha sim
O resto é Seu
Trocando em miúdos pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás, aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira
Muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde
Composição: Chico Buarque / Francis Hime.Esse trecho reflete uma crítica severa à crise de legitimidade das instituições. O argumento central é que a autoridade de um magistrado não reside apenas na força da lei, mas no consentimento moral e na confiança da população; quando o Judiciário é percebido como um "clã" que prioriza o autopoliciamento ou o corporativismo, ele corrói a própria base da democracia.
A menção a Péricles remete ao conceito clássico de que o império da lei depende do respeito voluntário do cidadão. Sem essa percepção de justiça imparcial, a ordem pública dá lugar ao cinismo e ao descrédito institucional.
O seu fechamento com "já vou tarde" sugere um certo ceticismo ou exaustão com o cenário atual.
Você acredita que essa perda de confiança já atingiu um ponto irreversível no cenário brasileiro atual ou ainda há espaço para uma autorreforma institucional?
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Supremo sob estreita vigilância, por Dora KramerFolha de S. PauloDias Toffoli saiu da relatoria do processo, mas o caso do Master não saiu das suspeições sobre o ministro
STF está sob o escrutínio da sociedade e da legalidade, assim como qualquer uma das instâncias de poder
Ao interromper as férias para tentar pôr um freio de arrumação na torrente de críticas ao Supremo Tribunal Federal, em janeiro, o ministro Edson Fachin alertou para a necessidade de a corte se conter, sob pena de ser contida por força de controle externo.
Estamos quase em março, com o país prestes a retomar um ritmo que neste ano nada tem de normal. Primeiro, porque 2026 começou antes da data habitual: quando o Carnaval chegou, pegava fogo na cena política o caso Master. Segundo, porque é ano de eleição com campanha para lá de antecipada.
Por último, e talvez o mais importante, porque Dias Toffoli saiu da relatoria do processo do banco liquidado, mas o caso não saiu do ministro. E aqui chegamos ao ponto levantado por Fachin em seu alerta a respeito das pressões de fora sobre o Supremo.
Já não é uma previsão, mas uma realidade. Toffoli não deixou de ser relator por vontade própria nem por decisão convicta do colegiado que não viu suspeição do colega para atuar em futuro julgamento. Saiu por obra da coação externa sustentada nas revelações sobre os elos do ministro com negócios do banco.
Independentemente do que queiram ou deixem de querer os ministros, o STF está sob escrutínio da sociedade. Como de resto estão quaisquer instituições no Estado de Direito. O que varia é a razoabilidade das reações, dependendo do caráter das ações que sustentem as críticas. Neste ponto entra o que é permitido, ou não, pela lei.
A legislação vigente prevê o impedimento de juízes supremos, mediante pedidos examinados em processos no Senado. Há na Casa muitos deles até então sem chance de prosperar. A tentativa do decano Gilmar Mendes de mudar as regras para praticamente afastar tal hipótese mostra que o tribunal tem consciência do que fez em verões passados e ainda faz ao proteger a conduta imprópria de um dos seus.
É provável que ainda não seja desta vez, mas o instituto do impeachment no STF corre o risco de deixar de ser o tabu que já foi na Presidência da República
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Ao proteger o ninho, STF arrisca perder o que sustenta sua autoridade, por Wilson GomesFolha de S. PauloCorte parece não reconhecer o valor político do sentimento públicoMinistros reiteram a fé em Toffoli como se a lealdade tribal pudesse alterar a percepção externa sobre o caráter
Há 30 anos, inicio minhas aulas sobre comunicação política na universidade explicando que, em nossa especialidade, não nos ocupamos diretamente dos fatos ou da realidade. Disso tratam sociologia, história, economia e jornalismo. Na comunicação política, explico, ocupamo-nos das aparências: do modo como as coisas parecem ser, da percepção pública dos fatos, das convicções que pessoas e grupos formam sobre a realidade —ou sobre aquilo que se convenceram que a realidade é.
Isso não é menos importante. São as impressões que movem vontades, expectativas e sentimentos de indivíduos e coletivos. Pessoas matam ou morrem por convicções, fazem revoluções com base em representações e decidem obedecer ou desobedecer conforme as percepções públicas que compartilham.
Já sabia disso o antigo ditado segundo o qual não basta à mulher de César ser virtuosa; parecer virtuosa é ainda mais importante. E Maquiavel disse o mesmo, com mais franqueza: para o príncipe, é mais importante parecer bom e justo do que efetivamente ser essas coisas, porque as aparências podem ser ajustadas às circunstâncias, enquanto a essência aprisiona o sujeito em uma identidade fixa.
O STF parece não reconhecer o valor político do sentimento público. De fato, é muito mais fácil encontrar discursos de juristas e magistrados sobre os perigos de "ouvir a voz das ruas" do que sobre o fato de que a legitimidade social —inclusive do Judiciário— é algo distinto da legalidade e depende, em grande medida, do juízo coletivo predominante sobre magistrados e instituições da Justiça. E dificilmente há algo mais pernicioso para uma democracia do que magistrados e cortes nos quais a população não acredita.
"Aqui em Atenas somos guiados pelo respeito às leis. Obedecemos aos magistrados e às leis, especialmente àquelas que protegem os injustiçados e às leis não escritas, cuja transgressão traz reconhecida vergonha." Assim fala Péricles no primeiro grande elogio da democracia na história do pensamento político, a "Oração Fúnebre" preservada por Tucídides na "História da Guerra do Peloponeso". Estado de Direito, moralidade cívica compartilhada — isto é, regras não escritas sobre o que é decente e justo— e legitimidade institucional aparecem combinados de forma exemplar.
No famoso discurso vazado das reuniões a portas fechadas do STF para discutir a situação de Toffoli e o caso Master, coube à única mulher presente formular a constatação mais elementar do bom senso democrático. "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo." E concluiu: é preciso pensar na institucionalidade.
É exatamente isso que está em jogo. A legitimidade da Justiça começa a se dissolver quando praticamente todo brasileiro foi exposto a alguma informação sobre a atuação e o envolvimento de certos juízes, neste caso, que violam o senso comum sobre o que é decente. Mais importantes que os fatos, a este ponto, são os sentimentos e convicções que produzem. A democracia não é o mero governo da vontade da maioria; é o governo da comunidade sob leis legítimas. E a legitimidade depende da percepção pública.
Os ministros do Supremo, com honrosas exceções, parecem considerar mais seguro desafiar a perda de legitimidade do que o abrigo que lhes oferece o espírito de corpo. Apostam que, se ninguém admitir erro, se todos se mantiverem unidos, se cerrarem fileiras ao redor dos suspeitos e acusados, a tempestade passará, as acusações serão esquecidas, os críticos serão desmoralizados e os juízes poderão voltar a se celebrar como guardiões incontestáveis da democracia.
Reiteram confiança e fé pública no colega, como se a lealdade tribal pudesse alterar a percepção externa sobre o caráter —não mais simplesmente do ministro, mas da própria corte. Outros apostam na desqualificação dos investigadores, atribuindo-lhes interesses contrariados. Há quem aposte que um bom inquérito sigiloso pode intimidar os detratores da corte, mas os detratores hoje não são apenas uma facção da sociedade —incluem até mesmo os taxistas de Cármen Lúcia.
Ocorre justamente o contrário: quanto mais os membros da corte erguem acintosamente as muralhas do corporativismo para proteger os seus, mais rapidamente perderão aquilo que Péricles identificou como o fundamento último da ordem democrática: a disposição dos cidadãos de obedecer às leis e aos magistrados. Nada pode ser mais desastrado para o Judiciário e a democracia do que a impressão pública de que os juízes preferem proteger o ninho a defender o que é justo.
Casinha de SapêTim Maia
Não estou disposto a esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim
Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê
Não estou disposto a esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim
Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê
Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê
De sapê
Composição: Hyldon.
Beba Nelson CavaquinhoSamba-Enredo 1949 - Ah Se Eu Fosse FelizG.R.E.S Feliz Lembrança
Ah, se eu fosse feliz
Pra poder sorrir e cantar, beber
E aquela mulher amar
O destino não quis, tenho que me conformar
Ah, se eu fosse feliz
Pra poder sorrir e cantar, beber
E aquela mulher amar
O destino não quis, tenho que me conformar
A vida e tão boa pra quem tem o seu amor
Sou a tristeza em pessoa, vou chorando a minha dor
Perguntei ao onipotente: Meu Deus, que mal eu fiz?
Vejo tanta felicidade, e eu não sou feliz
Composição: Djalma Carvalho / Juquita / B.O.. Som de elefante - elephant soundFesta ImodestaCaetano VelosoMelhor Som de Elefante/Efeito Sonoro de ElefanteEFEITO SONORO LSFesta Imodesta Chico Buarque - Tema
25 de jun. de 2022 #elefante #paquiderme
#elefante #osomdoelefanfe #paquiderme Conheça o som do elefante, o maior animal terrestre do planeta o elefante emite um som alto que pode ser ouvido a kms de distância.
? COM LIXO RECOLHIDO PELOS GARIS LÁ SE FOI TAMBÉM O ESCÂNDALO BAIANO, COM ESSES ASSISTINDO DE CAMAROTE.
A cena que você desenha é um verdadeiro Memorial de Aires moderno, onde a crueza do realismo machadiano encontra o cinismo da política contemporânea sob o brilho efêmero da purpurina. Se o Bruxo do Cosme Velho estivesse ali, encostado no parapeito do camarote ao lado de Merval Pereira, ele não veria apenas um desfile; ele veria a "teoria do medalhão" aplicada à estatística bayesiana de Sidônio Palmeira.
Eis como esse encontro de mentes, entre o lúdico, o lúcido e o transe, poderia ser traduzido nessa crônica imaginária:
A Crônica: O Entulho das Ilusões na Sapucaí
Machado, com seu olhar de quem conhece os subúrbios da alma e os salões da corte, observaria o desfile da Acadêmicos de Niterói como uma vasta metáfora da nossa "quadrilha" buarquiana. Ele veria os ministros baianos — Rui e Wagner — não como foliões, mas como personagens de um capítulo de Quincas Borba, onde "ao vencido, o ódio; ao vencedor, as batatas (ou o camarote)".
O Ponto de Vista de Merval e Machado:
"Vejam," diria Machado a Merval, ajustando o monóculo para a avenida, "como a engenharia de Sidônio substituiu o destino pela probabilidade. Ele não conta com a sorte; ele calcula a esperança como quem ajusta o foco de um teodolito sobre a massa 'enlatada' na pista. Mas a matemática, meu caro colega da ABL, tem desarranjos que nem mesmo o Teorema de Bayes explica."
Merval, com a sobriedade de quem analisa o "balé dos poderes" na GloboNews, assentiria. Eles olhariam para os braços erguidos de Rui Costa e Jaques Wagner, que trocam a Baía de Todos os Santos pelo espelho d'água da Guanabara, buscando uma Iemanjá que aceite, em oferenda, não flores, mas o esquecimento.
O "Lixo" e o Banco Master
A imagem final da sua provocação é o ápice do realismo: a CONLURB entrando na avenida. No final da noite, o que sobra?
O Entulho Físico: Restos de isopor, penas sintéticas e latas de cerveja.
O Entulho Político: O escândalo envolvendo o Banco Master e as conexões baianas, que — na esperança dos presentes — deveria ser varrido junto com os confetes.
Machado sorriria com aquele seu pessimismo elegante. Para ele, a história é um círculo. O "amigo dono do banco" é apenas mais um personagem que saiu de cena antes do amanhecer para não ser pego pela luz crua da quarta-feira de cinzas. A ausência do "coleguinha de outros bacanais" no camarote é o silêncio mais eloquente da noite.
O Transe Final: De Chico a Vorcaro
A trilha sonora de Chico Buarque que você evoca — Flor da Idade e Paratodos — amarra o transe. A "quadrilha" amorosa de Carlos e Dora vira a quadrilha política dos interesses cruzados.
"Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor..."
O drama aqui é o de manter a toga (ou a futura vaga nela) limpa enquanto a "roupa suja da cuja se lava no meio da rua". Enquanto os garis varrem a passarela, os ministros e o indicado ao STF, Jorge Messias, permanecem no "pijama aberto" do poder, confiando que a "família/armadilha" política os proteja do cheiro de peixe que fica após o banquete.
A Constatação de Machado:
Ao final, Machado escreveria que a verdade não está no desfile, nem nos discursos, mas no que os garis recolhem. Se o escândalo do Banco Master foi varrido para o aterro sanitário ou se será reciclado na próxima eleição, é uma questão de conveniência bayesiana.
Como diria o Bruxo: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Mas Sidônio e seus pupilos baianos esperam transmitir, ao menos, o legado do poder — devidamente limpo pela mangueira da CONLURB.
Gostaria que eu explorasse como Machado descreveria especificamente a fisionomia de Jorge Messias sob a luz dos holofotes da Sapucaí enquanto aguarda a "benção" do Senado?
Flor da Idade - Chico Buarque ( Legendado)Alberto Nogueira
NO PRÓXIMO ENSAIO, MACHADO EXPLICARÁ AS AUSÊNCIAS DE HADDAD E DO DIRETOR DA PF. E A MOITA EM QUE O ADVOGADO SE ESCONDEU NO ESCURINHO DO CAMAROTE. FAÇA UMA PRÉVIA SEM ADIANTAR O ENREDO, MAS JÁ ENREDANDO O LEITOR E SUAS AMIGAS LEITORAS.
Para o nosso próximo encontro de almas e letras, o Bruxo do Cosme Velho já prepara a pena, molhando-a no nanquim da mais fina ironia. Ele, que sempre soube que o que se cala é muito mais eloquente do que o que se grita na avenida, debruçar-se-á sobre os vazios estratégicos daquele camarote.
Eis uma prévia do que Machado — este "par" de Merval na eternidade da ABL — está a alinhavar para enredar você e as suas amigas leitoras:
O Ensaio: A Geometria das Sombras
I. O Ausente como Protagonista
Machado começará por explicar que, na Corte, a ausência é uma forma refinada de presença. Fernando Haddad, com sua gravidade de quem carrega o Erário nos ombros, e o Diretor da PF, guardião das chaves que ninguém quer ver girar, não faltaram por desleixo. Machado diria que eles praticaram a "abstenção aristocrática". Enquanto a Niterói cantava o operário, eles preferiram o silêncio dos gabinetes, pois sabem que, onde há muita luz e samba, o olhar da Justiça costuma sofrer de astigmatismo.
II. A Moita do "Bebeto" (ou a discrição de Messias)
Sobre o nosso Advogado-Geral — o "irmão" que aguarda o óleo da unção senatorial —, Machado dedicará um parágrafo de sombras. Ele descreverá como um homem pode estar fisicamente entre o brilho das lantejoulas e, ainda assim, habitar uma "moita" metafísica. No escurinho do camarote, protegido pelas cortinas de veludo e pela fumaça dos charutos alheios, o pretendente ao STF praticou a arte de ser invisível aos olhos do povo, mas onipresente aos ouvidos do Presidente.
III. O Teorema da Conveniência
Machado mostrará que a "moita" não é um esconderijo, mas um púlpito silencioso. Ele analisará como o olhar de Messias, fixo nas latas de conserva da avenida, não via o lixo que os garis varreriam depois, mas sim a solidez das colunas de mármore da Praça dos Três Poderes.
"Há pessoas que têm o dom de estar em um banquete como se estivessem em um jejum," sussurraria o Bruxo.
O que esperar do enredo:
As leitoras descobrirão que o carnaval daquele camarote foi um jogo de "quem não vê, não depõe". Onde a estatística de Sidônio Palmeira encontrou o seu limite e onde a astúcia baiana de Rui e Wagner precisou de um "intervalo na folia" para ajustar as contas com os deuses e com os bancos.
Ao final, o ensaio revelará que o verdadeiro desfile não aconteceu na passarela de asfalto, mas no corredor de sombras que liga o camarote ao poder. E que, para alguns, a quarta-feira de cinzas começou muito antes do primeiro raio de sol, no exato momento em que decidiram que o melhor lugar para se estar era... em lugar nenhum.
D
Chico Buarque - Paratodos - (Com Letra Na Descrição) - (Com Legendas) - (CC)JC Pasquini
Esta é uma crônica escrita ao estilo de Rubem Braga, o "Sabiá da Crônica", trocando a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola.
O Mar Não Tem Cabelo
Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão, e a razão dos velhos marinheiros é coisa que código nenhum de jurista consegue revogar: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma, mas só encontra a espuma do que passou.
A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos Códigos Civis, relatorias no Supremo, protocolos de palácio. Mas o Brasil, meu caro, é um agosto eterno. É o mês em que o ar fica pesado no Catete e o "ancião precoce" de 71 anos decide que só o tiro no peito é capaz de parar o moinho. Agenor, o nosso Cartola, andava por aqueles corredores de vassoura na mão, vendo a história ser escrita com sangue antes de ir lavá-la com o balde. Ele sabia, com aquela discrição de quem já nasceu sabendo, que o mundo ia triturar tudo.
Depois veio o barquinho de papel do João. Uma leveza de bossa que parecia dizer: “agora o mar é nosso, é manso”. Doce ilusão de quem nunca viu Glauber Rocha entrar em transe. O barquinho de João Gilberto não aguentou o mar de Caymmi — aquele mar que exige o corpo do pescador como tributo. A Bossa virou Cinema Novo, e o cinema virou esse transe que a gente ainda vive hoje, onde as Excelências se alteram e os advogados flanam com a elegância de quem sabe que a justiça, no fim, é uma farsa que se repete para não virar tragédia de vez.
Vejo o Osmar Prado, o ator, encarnando o morto longevo de 54 no pátio de um sindicato de 2018. É a mesma cena, mudam-se os figurinos, mas o mar... ah, o mar continua sem cabelo. A gente tenta segurar no leme do Mensalão I, do Mensalão II, das anulações e das relatorias, mas a maré sempre volta para buscar o que é dela.
Aqui do meu canto, entre o Espírito Santo da minha infância e o Rio dessa minha maturidade cansada, eu só peço uma coisa: que a gente não perca a poesia da moenda. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja um pó de estrela, ou o pó de café que agora esfria na minha xícara.
O mar não tem cabelo, é verdade. Mas enquanto houver um samba do Agenor para cantar no convés, a gente vai navegando. Mesmo que seja para lugar nenhum.
G
a.
#elefante #osomdoelefante #paquiderme
Conheça o som do elefante, o maior animal terrestre do planeta.
O elefante emite um som alto que pode ser ouvido a quilômetros de distância.
Com o lixo recolhido pelos garis, lá se foi também o escândalo baiano
E com esses assistindo de camarote.
A cena que você desenha é um verdadeiro Memorial de Aires moderno, onde a crueza do realismo machadiano encontra o cinismo da política contemporânea sob o brilho efêmero da purpurina. Se o Bruxo do Cosme Velho estivesse ali, encostado no parapeito do camarote ao lado de Merval Pereira, ele não veria apenas um desfile; veria a teoria do medalhão aplicada à estatística bayesiana de Sidônio Palmeira.
Eis como esse encontro de mentes — entre o lúdico, o lúcido e o transe — poderia ser traduzido nesta crônica imaginária:
A Crônica: O Entulho das Ilusões na Sapucaí
Machado, com seu olhar de quem conhece os subúrbios da alma e os salões da corte, observaria o desfile da Acadêmicos de Niterói como uma vasta metáfora da nossa “quadrilha” buarquiana. Ele veria os ministros baianos — Rui e Wagner — não como foliões, mas como personagens de um capítulo de Quincas Borba, onde “ao vencido, o ódio; ao vencedor, as batatas (ou o camarote)”.
O ponto de vista de Merval e Machado
“Vejam”, diria Machado a Merval, ajustando o monóculo para a avenida,
“como a engenharia de Sidônio substituiu o destino pela probabilidade.
Ele não conta com a sorte; ele calcula a esperança como quem ajusta o foco
de um teodolito sobre a massa enlatada na pista.
Mas a matemática, meu caro colega da ABL, tem desarranjos que nem mesmo o
Teorema de Bayes explica.”
Eles olhariam para os braços erguidos de Rui Costa e Jaques Wagner, que trocam a Baía de Todos os Santos pelo espelho d’água da Guanabara, buscando uma Iemanjá que aceite, em oferenda, não flores, mas o esquecimento.
O “lixo” e o Banco Master
A imagem final é o ápice do realismo: a COMLURB entrando na avenida.
O entulho físico: restos de isopor, penas sintéticas e latas de cerveja.
O entulho político: o escândalo envolvendo o Banco Master e as conexões baianas, na esperança de ser varrido junto com os confetes.
Machado sorriria com seu pessimismo elegante. Para ele, a história é um círculo.
O “amigo dono do banco” é apenas mais um personagem que saiu de cena antes do amanhecer, para não ser pego pela luz crua da quarta-feira de cinzas.
O transe final: de Chico a Vorcaro
A trilha sonora de Chico Buarque — Flor da Idade e Paratodos — amarra o transe.
A quadrilha amorosa vira a quadrilha política dos interesses cruzados.
“Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor…”
O drama é manter a toga limpa enquanto a roupa suja se lava no meio da rua.
Enquanto os garis varrem a passarela, os ministros e o indicado ao STF permanecem no pijama aberto do poder, confiando que a família política os proteja do cheiro de peixe que sempre fica após o banquete.
A constatação de Machado
A verdade não está no desfile, nem nos discursos, mas no que os garis recolhem.
Se o escândalo foi varrido para o aterro ou reciclado para a próxima eleição, isso é apenas uma questão de conveniência bayesiana.
Prévia do próximo ensaio: A Geometria das Sombras
No próximo encontro de almas e letras, o Bruxo do Cosme Velho voltará a tratar das ausências — porque, na Corte, a ausência é uma forma refinada de presença.
O ausente como protagonista: Haddad e o diretor da PF, praticando a abstenção aristocrática.
A moita do advogado: a arte de estar presente sem ser visto, invisível ao povo e audível ao poder.
O teorema da conveniência: quando o silêncio fala mais alto que o samba.
O verdadeiro desfile não aconteceu na avenida, mas no corredor de sombras que liga o camarote ao poder.
O Mar Não Tem Cabelo
(Crônica ao estilo de Rubem Braga)
Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma e só encontra espuma.
A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos códigos, relatorias, protocolos. Mas o Brasil é um agosto eterno. Um mês pesado, onde a história insiste em se escrever antes de ser lavada.
O barquinho de papel não aguentou o mar. A bossa virou transe. O transe virou costume. E o costume é essa maré que sempre volta para buscar o que é dela.
Aqui, entre o Espírito Santo da infância e o Rio da maturidade cansada, peço só uma coisa: que não percamos a poesia da moenda.
O mar não tem cabelo.
Mas enquanto houver um samba para cantar no convés, a gente segue navegando.
Mesmo que seja para lugar nenhum.