segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quando nos despertamos de entre os mortos

Brasiliana Iconográfica Beatriz é ser atriz, em Lobo, em Lima, quiçá em Alighieri. A sina de atriz Na vida por um triz. Beatriz Edu Lobo - Tema HAROLDO DUTRA DIAS - A Parábola do Festim das Bodas (2011)
Do Sétimo Céu ao Palco dos Mortos: A Sina da Atriz 🎭✨ O que conecta a musa eterna de Dante Alighieri, a melodia de Edu Lobo, o lirismo de Jorge de Lima e a poesia cirúrgica de Chico Buarque à imagem destes atores em cena? A resposta repousa no mistério que transforma a carne em obra de arte. No registro João Caldas/Divulgação, o elenco da mais recente montagem de Quando nos Despertamos de Entre os Mortos — testamento literário de Henrik Ibsen dirigido por Elias Andreato — encarna o doloroso acerto de contas entre um escultor e sua antiga musa. É a própria vida sendo devorada em nome da criação artística. Essa mesma voltagem existencial atravessa a gênese de uma das maiores joias da nossa música. Quando Chico Buarque e Edu Lobo receberam a missão de traduzir o poema O Grande Circo Místico, de Jorge de Lima, depararam-se com um impasse métrico. A equilibrista original chamava-se Agnes. Faltava-lhe o chão. Faltava-lhe a palavra. Em um lampejo genial, Chico jogou a personagem para o chão do palco, transformou-a em intérprete e foi beber na fonte de Dante Alighieri: rebatizou-a como Beatriz — uma homenagem direta à Beatrice Portinari que guiou o poeta florentino pelo Paraíso. Anos mais tarde, o próprio Chico refinaria o verso definitivo, trocando "a vida de atriz" por "a sina de atriz". Uma mudança que sela a fragilidade e a beleza trágica de se doar ao teatro. Olhar para estes atores nos palcos é testemunhar essa exata linhagem de criadores que desafiam o tempo por um triz. Beatriz é ser atriz, em Lobo, em Lima, quiçá em Alighieri. A sina de atriz Na vida por um triz. 📸 Na foto: Celso Frateschi, Maria Fernanda Cândido, Maria Manoella, Fernando Nitsch e Angelo Brandini na montagem de Quando Despertarmos de Entre os Mortos. #Teatro #Cultura #HenrikIbsen #ChicoBuerque #EduLobo #DanteAlighieri #ArtesCenicas #Literatura Rubek é um artista à beira do fim, preso a uma derradeira tentativa de refazer sua própria história. Irene não é apenas sua musa perdida, mas um espectro de tudo o que poderia ter sido. Memória, delírio e finitude se entrelaçam nessa montagem do último texto escrito pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), distorcendo os limites entre realidade e alucinação. *As sessões de 29/10 a 1/11 contam com recursos de acessibilidade em Libras FICHA TÉCNICA Elenco: Celso Frateschi, Maria Fernanda Candido, Maria Manoella, Fernando Nitsch, Angelo Brandini | Direção: Elias Andreato | Assistente de Direção: Angelo Brandini | Direção de Arte: Sylvia Moreira | Direção de Movimento: Irupé Sarmiento | Iluminação: Wagner Freire | Trilha Sonora: Dan Maia | Design Gráfico: Pedro Becker | Pesquisa: Welington Andrade | Fotografia: João Caldas | Direção de Produção: Maurício Inafre | Idealização: Ágora Teatro Capítulo XVIII — Muitos os chamados, poucos os escolhidos Muitos os chamados, poucos os escolhidos - Artur Valadares NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo 8 de jan. de 2024 Palestra realizada no dia 07/01/2024 na Sociedade Espírita Casa do Caminho, em Patrocínio/MG.
14 - EURÍPEDES, HOMEM PÚBLICO A parábola dos talentos (Mateus, XXV: 14 a 30) que o Divino Educador apresenta à Humanidade como programa simbólico de estrutura educativa, evidencia as oportunidades de serviços no plano terreno, como norma imprescindível à evolução espiritual. Eurípedes – espelho cristalino do servo fiel, no desempenho da missão que o Pai lhe atribuíra como Mensageiro da Sua Vontade, também avançara no tempo, multiplicando as horas de devotamento, no incessante anseio de devolver ao Senhor os talentos havidos nos diversos campos de ação, com que enriqueceu a vinha Divina de frutos soberbos, capital de Luz e Amor que realizou dentro de permanente linha de conduta, tendo a humildade como facho sublime. Admiram-se alguns do fato de haver Eurípedes conciliado sua participação no Legislativo local com as excelsas tarefas, nos campos mediúnico, educacional e de assistência a enfermos. Todavia, o acendrado amor de Missionário ao berço natal chamara-o a colaborar decididamente nas iniciativas, que propiciariam à cidade pequenina e esquecida, completamente falha de mínimos recursos de conforto, higiene e cultura, os provimentos indispensáveis à construção de uma nova fase de progresso, cabíveis numa comunidade de quatro mil habitantes. Os cometimentos exigiam esforço e coragem e mesmo até certa dose de audácia, em face das dificuldades a vencer e reclamavam espírito forte, persistente, tocado de magnetismo santificante como o de Eurípedes para impulsionar o barco rudimentar a bom porto. Assim, Eurípedes funcionou como Membro da Câmara Municipal de Sacramento apenas nos dois triênios, em que a cidade recebeu os maiores benefícios de sua época. Analisando os livros de Atas do Legislativo local, o vereador Dr. José Rosa Camilo, fornece-nos importantes dados referentes à atuação de Eurípedes, como homem público, dos quais destacamos os seguintes: "Os anais da Câmara Municipal, guardam as fases de serviços desenvolvidos por Eurípedes Barsanulfo, podendo-se aperceber do valor incontestável de sua presença no Legislativo sacramentano. Investido no mandato de Vereador, Eurípedes ocupou com sabedoria e extrema dedicação, nesta Câmara, os cargos de membro das Comissões de "Legislação e Finanças", de "Obras Públicas" e de "Instrução Pública", Eurípedes – o Homem e a Missão | 167
REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL Alistamento de 1905 N. 141 Título de eleitor Estado de Minas Geraes Municipio de Sacramento Secção Primeira Nome do eleitor Euripedes Barsanulpho Qualificativos Idade 25 anos Filiação Hermogenes C. M. [ilegível] Estado civil Solteiro Profissão Professor Numero de ordem no alistamento geral 128 Rubrica do Presidente da Junta de Recursos [Em branco] Assignatura do Presidente da Comissão de Alistamento José Saturnino Felicíssimo Assignatura do eleitor Euripedes Barsanulpho Sacramento, 20 de Agosto de 1905 Aqui está a transcrição da página 168, que reproduz um documento antigo (Título de Eleitor):
Aqui está a transcrição e descrição dos elementos da página 169: (Nota: A página contém uma fotografia antiga na horizontal de um grupo de alunos e professores, acompanhada de uma legenda vertical no canto esquerdo). Texto na legenda da foto (na vertical): COLLEGIO ALLAN KARDEC 17 - JANEIRO - 910. ED. PHOT. Texto na parte inferior da página: 169 | (Gentileza da Revista Internacional de Espiritismo)
Aqui está a transcrição da página 170: cujos pareceres de cunho essencialmente técnicos e avançados, emitidos numa época em que o nosso município conheceu a mais extraordinária fase de desenvolvimento de sua história (1907-1912), mesmo guardadas as proporções e limitações da época. Nesse período a cidade recebeu as seguintes construções: uma usina hidrelétrica para 400 KW; uma ferrovia de 14 Km, à tração elétrica; a canalização da água, o cemitério, o matadouro e outros. As rendas irrisórias dos Poderes Públicos não permitiam realizações de tal vulto. A cidade não era beneficiada por operações bancárias. Restava o embasamento financeiro particular, especialmente provindo de empréstimos realizados com grandes fazendeiros da época. Desse modo, o Sr. Teodoro Rodrigues da Cunha – importante proprietário de terras férteis e em franca produção – foi histórico financista da Câmara para a construção da Usina do Cajuru, que veio substituir os velhos lampiões a querosene, nas vias públicas e as fumarentas lamparinas domésticas. Destarte, é fácil prever-se o quilate das obrigações municipais, na área particular, a fim de cobrir as vultuosas despesas com os empreendimentos já mencionados." "Soube Eurípedes – acrescentou o Dr. José Rosa Camilo – desempenhar com desenvoltura e devotamento, segurança e nobreza extremas, a árdua missão de representante da vontade do povo junto ao Poder Legislativo do Município, constituindo-se paralelamente – em vigilante e arguto colaborador do "Agente Executivo" e "Presidente da Câmara"." As palavras e decisões do Major Eurípedes Barsanulfo se sobressaíam e eram acatadas como as de um verdadeiro paladino como se depreende da análise dos registros históricos da Câmara Municipal de Sacramento. Com a lhaneza de seu caráter asceticamente sério e impoluto, serviu à causa pública com honestidade, primando pelo dever de ser útil a seu berço natal e devotando sempre acurado estudo na análise e defesa das causas de interesse municipal. No campo da instrução pública, foi muito importante sua participação, em favor do desenvolvimento das escolas, então existentes. No campo particular, já é bem conhecido o seu trabalho ciclópico desde 1902 com o Liceu Sacramentano e a partir of 1907 com o Colégio Allan Kardec. É bom que se assinale a ausência de verbas municipais em favor dessa instituição, como comprova o arquivo do Lar de Eurípedes, que guarda recibos de quitação de taxas de água e luz, no consumo do Colégio Allan Kardec. O pedido de afastamento de Eurípedes dos serviços da Câmara deu-se a 23 de setembro de 1910, em decorrência da prorrogação de mandatos pelo Presidente de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão que Eurípedes, com Corina Novelino 170
Aqui está a transcrição da página 171: seu espírito altamente democrático entendeu como ilegal. Justificou seu afastamento com base na falta de credenciamento pela representação popular, como se vê em seu pronunciamento, registrado nos anais da Câmara no livro 18, fls. 99 – "In verbis": "Pediu a palavra o Vereador E. Barsanulpho, e disse que muito agradecia as benevolências do collega M. Borges e sentia não poder servir-lhe por já haver prestado os seus serviços a causa publica em dois trienios já passados, portanto é chegada a quarta época das sessões ordinárias do trienio a findar-se, época azada para fazer sua retirada e com muito pezar deixava seus collegas, não só pelo que já havia dito com relação a autocracia do alto governo, como pelos afazeres que o cerca e mesmo que por attenção deliberasse a continuar nos trabalhos da Camara ser-lhe-ia muito duro prosseguir illegalmente nas funcções do Governo Municipal em continuação no anno futuro de 1911 cujo tempo legal termina-se a 31 de dezembro do corrente anno, época lagalizada pela lei, portanto encarecidamente pedia aos collegas desculpá-lo attendendo seus afazeres que não são poucos tomando a deliberação de hora em diante recolher-se a seu tugurio onde ia tratar de sua missão particular para o que estava as ordens no caracter particular ajudar na causa publica; mas como camarista já havia dito que escrupulosamente não podia exercer de janeiro de 1911 em diante." A mesma ata, registrou parecer do Presidente da Câmara, assim expresso: "Pelo senhor Presidente foi dito que por sua parte não deixava de externar o pesar que lhe causou em ouvir as palavras do Vereador E. Barsanulpho manifestando sua retirada desta Camara, o que posto a votos foi regeitada unanimemente." Como se vê, os pares de Eurípedes não se conformavam com sua renúncia ao cargo, que ocupava na Edilidade sacramentana. Contudo, não permaneceu ele nem mais um dia além do estabelecido pela Lei, no mandato que exerceu com profundo sentido cívico. Observe-se nas entrelinhas do seu pronunciamento, que sua missão já lhe comandava os esforços na direção do bem geral, sem as limitações restritivas do serviço público. Os horizontes do Missionário se alargavam, cada dia, em proporções grandiosas, apresentando-lhe paisagens de trabalho ciclópico, que lhe reclamavam os mais decididos testemunhos de firmeza na fé e as mais belas afirmações de Amor ao próximo. Eurípedes – o Homem e a Missão | 171
Aqui está a transcrição dos elementos da página 172, que reproduz o manuscrito original do pronunciamento de Eurípedes citado na página anterior: (Texto manuscrito no livro de Atas da Câmara): [...] deixava seus collegas, não só pelo que já havia dito com relação a autocracia do alto governo, como pelos afazeres que o cerca e mesmo que por attenção deliberasse a continuar nos trabalhos da Camara ser-lhe-ia muito duro prosseguir illegalmente nas funcções do Governo Municipal em continuação no anno futuro de 1911 cujo tempo legal termina-se a 31 de Dezembro do corrente anno, época legalizada pela lei, portanto encarecidamente pedia aos collegas desculpá-lo attendendo seus afazeres que não são poucos tomando a deliberação de hora em diante recolher-se a seu tugurio onde ia tratar de sua missão particular para o que estava as ordens no caracter particular ajudar na causa publica; mas como camarista já havia dito que escrupulosamente não podia exercer de janeiro de 1911 em diante. Pelo senhor presidente foi dito que por sua parte não deixava de externar o pesar que lhe causou em ouvir as palavras do vereador E. Barsanulpho manifestando sua retirada desta Camara, o que posto a votos foi regeitada unanimemente. Achando-se adiantada a hora o senhor presidente levantou a sessão, agradecendo os camaristas o concurso dos e trabalhos que despensaram no decurso do anno em bem da municipalidade, do que para constar se lavrou a presente ata que vai assignada pelo presidente e secretario. Eu, Daniel Gonçalves Castanheira escripturario da Camara a escrevi. (Assinaturas ao final): Almeida E Barsanulpho (Carimbos aplicados sobre o documento): • À esquerda: Carimbo oficial de cartório (2º Ofício). • À direita: Carimbo de Autenticação declarando a conformidade com o original. (Legenda impressa na parte inferior da página): Fac-símile de página dos Anais da Câmara Municipal de Sacramento, datada de 23/9/1910.
Franz Joseph Frühbeck (Viena, Áustria, 1795 – Krieglach, Áustria, ?) / Crotos Capítulo VII — Da volta do Espírito à vida corporal Prelúdio da volta. 330. Sabem os Espíritos em que época reencarnarão? “Pressentem-na, como sucede ao cego que se aproxima do fogo. Sabem que têm de retomar um corpo, como sabeis que tendes de morrer um dia, mas ignorando quando isso se dará.” (166.) a) – Então a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida corporal? “Certamente; assim é.” 331. Todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação? “Muitos há que em tal coisa não pensam, que nem sequer a compreendem. Depende de estarem mais ou menos adiantados. Para alguns, a incerteza em que se acham do futuro que os aguarda constitui punição.” 332. Pode o Espírito apressar ou retardar o momento da sua reencarnação? “Pode apressá-lo, atraindo-o por um desejo ardente. Pode igualmente distanciá-lo, recuando diante da prova, pois entre os Espíritos também há covardes e indiferentes. Nenhum, porém, assim procede impunemente, visto que sofre por isso, como aquele que recusa o remédio capaz de curá-lo.” 333. Se se considerasse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes e, conseguintemente, não ambicionasse elevar-se, poderia um Espírito prolongar indefinidamente esse estado? “Indefinidamente, não. Cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de progredir. Todos têm que se elevar; esse o destino de todos.” 334. Há predestinação na união da alma com tal ou tal corpo, ou só à última hora é feita a escolha do corpo que ela tomará? “O Espírito é sempre designado de antemão. Tendo escolhido a prova a que queira submeter-se, pede para encarnar. Ora, Deus, que tudo sabe e vê, já antecipadamente sabia e vira que tal Espírito se uniria a tal corpo.” 335. Cabe ao Espírito a escolha do corpo em que encarne, ou somente a do gênero de vida que lhe sirva de prova? “Pode também escolher o corpo, porquanto as imperfeições que este apresente serão, para o Espírito, provas que lhe auxiliarão o progresso, se vencer os obstáculos que delas lhe advenham. A escolha, porém, nem sempre depende dele; mas isso não obsta a que peça que seu corpo seja tal ou qual.” a) – Poderia o Espírito recusar, à última hora, tomar o corpo por ele escolhido? “Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tentasse prova alguma.” 336. Poderia dar-se não haver Espírito que aceitasse encarnar numa criança que houvesse de nascer? “Deus a isso proveria. Quando uma criança tem que nascer para viver, está predestinada sempre a ter uma alma. Nada se cria sem que à criação presida um desígnio.” 337. Pode a união do Espírito a determinado corpo ser imposta por Deus? “Pode, do mesmo modo que as diferentes provas, mormente quando ainda o Espírito não está apto a proceder a uma escolha com conhecimento de causa. Por expiação, pode o Espírito ser constrangido a se unir ao corpo de determinada criança que, pelo seu nascimento e pela posição que venha a ocupar no mundo, se lhe torne instrumento de castigo.” 338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para tomar determinado corpo destinado a nascer, que é o que decidiria sobre a qual deles pertenceria o corpo? “Muitos podem pedi-lo; mas, em tal caso, Deus é quem julga qual o mais capaz de desempenhar a missão a que a criança se destina. Porém, como eu já disse, o Espírito é designado antes que soe o instante em que haja de unir-se ao corpo.” 339. No momento de encarnar, o Espírito sofre perturbação semelhante à que experimenta ao desencarnar? “Muito maior e sobretudo mais longa. Pela morte, o Espírito sai da escravidão; pelo nascimento, entra para ela.” 340. É solene para o Espírito o instante da sua encarnação? Pratica ele esse ato considerando-o sério e importante? “Procede como o viajante que embarca para uma travessia perigosa, e que não sabe se encontrará ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar.” O viajante que embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá. Assim como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. Sabe que reencarnará, como o homem sabe que morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito só no instante supremo, quando chegou o momento exigido, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia, dele se apodera a perturbação, que se prolonga até que a nova existência se ache claramente formada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia. 341. Na incerteza em que se vê quanto às eventualidades do seu triunfo nas provas que vai suportar na vida, tem o Espírito uma causa de ansiedade antes da sua encarnação? “De ansiedade bem grande, pois que as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, conforme as suporte.” 342. No momento de reencarnar, o Espírito se acha acompanhado de outros Espíritos seus amigos, que vêm assistir à sua partida do mundo incorpóreo, como vêm recebê-lo quando para lá volta? “Depende da esfera a que pertença. Se já está nas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam acompanham-no até ao último momento, animam e mesmo lhe seguem, muitas vezes, os passos pela vida em fora.” 343. Os Espíritos amigos que nos seguem os passos na vida serão talvez os que vemos em sonho, que nos testemunham afeto e que se nos apresentam com semblantes desconhecidos? “Muito frequentemente são; eles vos vêm visitar, como ides visitar um encarcerado.”
Franz Joseph Frühbeck (Viena, Áustria, 1795 – Krieglach, Áustria, ?). Artista amador, veio ao Brasil muito jovem, em 1817, como membro da comitiva austríaca que acompanhou a princesa Leopoldina na ocasião de seu casamento com D. Pedro I, e permaneceu no país até 1818. As aquarelas produzidas por Frühbeck retratam cenas a bordo da fragata portuguesa D. João VI, por meio delas é possível observar o cotidiano dos viajantes no interior da embarcação, destacando-se também vistas tomadas a bordo do navio e imagens que evidenciam aspectos do Rio de Janeiro da época. Ricas em detalhes, as cenas desenhadas pelo austríaco relatam com minúcia os eventos observados durante a viagem. Ao retornar à Europa, expôs os desenhos de sua viagem ao Brasil em Viena, entre 1829 e 1830. Frühbeck deixou uma obra reduzida; além dos 30 desenhos, aquarelas e colagens integrantes do álbum pertencente à coleção de Iconografia do IMS, sabemos que seus trabalhos também integram as coleções da Sociedade Hispânica da América, em Nova York, e da coleção Itaú, em São Paulo. 69— O LIVRO DOS ESPÍRITOS —CAP VII — DA VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL— UNIÃO DA ALMA E DO CORPO Web Rádio Fraternidade
'Os problemas que vemos no Haiti foram perpetuados pelas organizações internacionais' Governe as preocupações. Governar as preocupações é pôr a paz dentro de si. Henrik Ibsen's When We Dead Awaken Emanuel E. Garcia 8 de abr. de 2020 A Midsummer Night Players production of Ibsen's last and greatest dramatic work. Directed by Emanuel E. Garcia Starring Julia Maria Seemann, Colton Stuart, Lana Percival, Patrick McTague, Michaeljohn Butcher and Hayley Morris Filmed in collaboration with Ray Dickinson of Soulhaven Creative Productions Voltar a Paz Grupo Fundo de Quintal Que tal vamos chegar a conclusão Voltar a paz e a união E reviver nossa paixão Eu e você na primavera que virá Um novo ninho decorar Novas cenas de amor Sei que vamos achar Que tal Perfume das rosas eu quero sentir Na pujança do amor Que eu tanto pedi à natureza Que fez você mulher Em meus braços fazer O que antes não fiz Esquecer o passado Que foi infeliz E ter você pra sempre Como eu quis Composição: Sereno.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

DEMOCRACIA EM DISPUTA

Tom Jobim | João Ninguém | Minha Alma Canta Biscoito Fino “Ouça o Áudio oficial da faixa "João Ninguém", interpretada por Tom Jobim. O projeto "Minha Alma Canta", produzido por Almir Chediak, reúne as gravações de Tom Jobim para a série "Songbook", de Almir Chediak. Ouça em todas as plataformas de música através do link de acesso universal orcd.co. Abaixo, confira a letra da composição de Noel Rosa: Letra: João Ninguém João Ninguém Que não é velho nem moço Come bastante no almoço Pra se esquecer do jantar... Num vão de escada Fez a sua moradia Sem pensar na gritaria Que vem do primeiro andar João Ninguém Não trabalha e é dos tais Mas joga sem ter vintém E fuma Liberty Ovais Esse João nunca se expôs ao perigo Nunca teve um inimigo Nunca teve opinião João Ninguém Não tem ideal na vida Além de casa e comida Tem seus amores também E muita gente que ostenta luxo e vaidade Não goza a felicidade Que goza João Ninguém! João Ninguém não trabalha um só minuto E vive sem ter vintém E anda a fumar charuto Esse João nunca se expôs ao perigo Nunca teve um inimigo Nunca teve opinião “E os aposentados continuam sendo trabalhadores.” — Luiz Inácio Lula da Silva “A gente vai ficando velho. Fica vendo um no outro.” De um transeunte para outra nos cruzamentos dos caminhos! O Espelho do Tempo nas Calçadas da Vida O cruzamento de caminhos nas esquinas urbanas é o palco onde a nossa humanidade mais comum se revela. Quando as palavras flutuam entre desconhecidos na pressa do cotidiano, o que se partilha ali é um instante de profunda lucidez. Olhar para o outro e enxergar a si mesmo — o corpo que abranda o passo, as marcas deixadas pelos anos, a experiência acumulada — transforma a rua em um espelho coletivo. Ninguém envelhece isolado; fazemos parte de um fluxo contínuo. Esse reconhecimento mútuo conecta-se de forma direta à ideia de que a nossa utilidade, a nossa dignidade e a nossa história não cessam com o passar dos anos. O trabalho que moldou o passado continua vivo na identidade de quem agora caminha sob o peso do tempo, mantendo os laços firmes com a sociedade que ajudou a erguer. Para complementar essa sensibilidade sobre o tempo, a simplicidade cotidiana e a arte da existência, acesse também: Poesia | Epígrafe, de Manuel Bandeira * Poesia Declamada: Assista ao Poema "Epígrafe" de Manuel Bandeira no YouTube narrado pelo canal Mundo dos Poemas. Noel Rosa - "João Ninguém" (O Gênio do Samba/2014) Gravadora Galeão Música | Noel Rosa - João Ninguém * Música e Identidade: Ouça a gravação histórica de 1935 com Noel Rosa cantando "João Ninguém" no YouTube, a versão original e bem-humorada do Poeta da Vila. Gostaria de acrescentar mais alguma música ou poema para enriquecer essa coletânea ou ajustar o texto reflexivo? Testar” Ponta De Areia Milton Nascimento Ponta de Areia Milton Nascimento Ponta de areia Ponto final Da Bahia-Minas Estrada natural Que ligava Minas Ao porto, ao mar Caminho de ferro Mandaram arrancar Velho maquinista Com seu boné Lembra o povo alegre Que vinha cortejar Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Maria Fumaça Não canta mais Para moças, flores Janelas e quintais Na praça vazia Um grito, um ai Casas esquecidas Viúvas nos portais Composição: Milton Nascimento, Fernando Brant.
MDB ficará fora da Assembleia de Minas pela primeira vez na história Chapa do partido obteve pouco mais de 117 mil votos e não conseguiu nenhum assento; há oito anos, sigla elegeu sete nomes Guilherme Peixoto Publicado 05/10/2026 09:57 Partido obteve recorde negativo em Minas. Foto: Luiz Cervi/MDB O MDB não terá, pela primeira vez, nenhum representante na composição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O resultado interrompe sequência iniciada em 1966, ano de registro da versão inicial do partido, ainda sob a ditadura militar, quando os primeiros deputados estaduais emedebistas conseguiram assentos. O vazio deste ano é o ponto mais baixo de uma redução gradual no número de cadeiras conquistadas pela sigla. Os 10 gabinetes obtidos em 2014 se tornaram sete quatro anos depois. Em 2022, foram reduzidos a dois. Um deles é o presidente do Parlamento, Tadeu Leite, que optou por não buscar a reeleição e já está indicado para vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O outro, João Magalhães, até teve bom resultado nas urnas e garantiu a reeleição, mas pelo PSD, partido para o qual migrou no início deste ano. Candidato mais votado da chapa do MDB à Assembleia, Arlen Santiago, um dos decanos da Casa, conseguiu 70,7 mil votos. O segundo colocado da nominata, Cleitinho — um homônimo do governador eleito — obteve o apoio de 9,9 mil eleitores. O ponto alto do MDB mineiro no que tange ao Legislativo estadual após a redemocratização veio em 1986, na primeira eleição no âmbito da redemocratização. À ocasião, em um contexto marcado pelos reflexos do fim do bipartidarismo e pelo início da trajetória de agremiações como o PT, a sigla amealhou 41 assentos. Longe de uma cadeira Os componentes da chapa do MDB conquistaram, juntos, 114,2 mil votos. O resultado foi insuficiente para assegurar um dos 77 assentos no plenário porque o Democrata, partido com o menor desempenho a conquistar uma vaga, obteve o apoio de 177,7 mil eleitores. Os 70,7 mil votos de Arlen representam mais da metade de Cabo Gregório Silva, o beneficiário do desempenho do Democrata. Ele terá um gabinete legislativo após conseguir 32,8 mil votos. A seguir, O Fator detalha o desempenho do MDB em todas as eleições para a ALMG desde a fundação da primeira versão da sigla, sob a égide do bipartidarismo do regime de exceção. 2026 – nenhum; 2022 – 2; 2018 – 7; 2014 – 10; 2010 – 8; 2006 – 9; 2002 – 9; 1998 – 9; 1994 – 13; 1990 – 20; 1986 – 41; 1982 – 40; 1978 – 29; 1974 – 24; 1970 – 12; 1966 – 19. Candidatos ao Senado não fizeram 1% O desempenho ruim do MDB nas disputas legislativas não se restringe à ALMG. Manoel Carvalho e Arcanjo Pimenta, que representaram a sigla na corrida ao Senado Federal, não alcançaram 1% dos votos válidos nem mesmo com uma soma dos apoios conseguidos. Carvalho terminou com 0,21%, o equivalente a 43,2 mil votos; Arcanjo conseguiu um pouco menos — 40,7 mil —, quantia que representa 0,2% dos válidos. Presidente do partido renova mandato A exceção foi Newton Cardoso Júnior, presidente do diretório emedebista em Minas. Candidato à reeleição para deputado federal, ele se credenciou a mais quatro anos em Brasília (DF), já que angariou 93,7 mil votos. Será a única cadeira da sigla entre as 53 do estado na Casa. O primeiro suplente, José Eustáquio, rompeu por 89 votos a marca dos 13 mil. ALMG Eleições 2026 MDB Guilherme Peixoto Editor-chefe LinkedIn E-mail Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

REPORTAGEM ESPECIAL · ANÁLISE POLÍTICA

DEMOCRACIA EM DISPUTA

Fisiologismo, transformações sociais e a batalha pelo poder no Brasil

Eleições · Congresso · Justiça · Representação política

ESPAÇO OPCIONAL PARA IMAGEM DE CAPA

Inserir aqui a ilustração editorial “Democracia em disputa”.

Da disputa entre a direita tradicional e o bolsonarismo às mudanças na base social da esquerda, três artigos ajudam a compreender um cenário em que eleições, Congresso, tribunais e demandas cotidianas da população se entrelaçam. O desafio central é distinguir a competição legítima pelo poder dos riscos de enfraquecimento das instituições democráticas.


ABERTURA — O QUE ESTÁ EM JOGO?

A política brasileira não pode ser compreendida apenas pela contagem de votos ou pela divisão convencional entre direita e esquerda. Por trás das disputas eleitorais, há conflitos sobre a distribuição de recursos, a identidade dos partidos, a representação dos trabalhadores, as expectativas da população e os limites institucionais do poder.

Os textos reunidos nesta reportagem abordam essas questões por perspectivas diferentes. Karolina Roeder examina a disputa interna na direita e o enfraquecimento relativo de partidos tradicionais diante do bolsonarismo. José de Souza Martins interpreta as transformações sociais que desafiam a esquerda e suas formas tradicionais de representação. Luiz Carlos Azedo analisa a conexão entre a disputa presidencial, as negociações no Congresso e os conflitos judiciais.

Como preservar a representação democrática quando partidos, lideranças e instituições passam a disputar não apenas o governo, mas também as regras do próprio jogo político?

Nota de leitura: os resumos sintetizam os argumentos atribuídos aos autores. Não substituem a leitura das matérias originais nem representam verificação independente de todos os fatos mencionados.


01 · PARTIDOS E PODER

A DIREITA QUE DIVIDIU O CENTRÃO

Autora: Karolina Roeder | Publicação: Correio Braziliense | Data informada: 9 de outubro de 2026

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 1

Sugestão: Congresso Nacional ao fundo, com dois blocos políticos em disputa.

Legenda: A disputa pelo eleitorado conservador transforma as relações de força entre os partidos de direita.

O argumento central

Karolina Roeder interpreta o cenário eleitoral descrito no artigo como um sinal de fortalecimento da direita bolsonarista e de perda relativa de espaço por setores do Centrão. A autora aponta um paradoxo: partidos tradicionais que se aproximaram do bolsonarismo para ampliar seu poder de negociação podem ter ajudado a fortalecer um concorrente capaz de disputar diretamente seus eleitores.

O texto aborda o fisiologismo como uma prática política orientada prioritariamente à conquista de cargos, recursos e vantagens institucionais, em detrimento da defesa consistente de um programa. Nesse enquadramento, o Centrão não corresponde necessariamente a um centro ideológico moderado: seus alinhamentos podem variar conforme as oportunidades de negociação.

Apesar das perdas relativas descritas, os partidos tradicionais preservam bancadas, redes regionais e recursos políticos que continuam importantes para a formação de maiorias parlamentares.

O que merece atenção

  • A direita não é homogênea: existem diferenças entre partidos voltados à negociação institucional e forças mobilizadas por uma identidade política mais definida.
  • A aproximação tem custos: adotar as pautas de um concorrente pode legitimá-lo sem garantir a transferência de seus eleitores.
  • O poder de barganha permanece: partidos do Centrão podem continuar decisivos no Congresso.
  • A autonomia partidária está em jogo: ganhos imediatos podem comprometer a capacidade de estabelecer limites a aliados mais fortes.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

A tese de Roeder é que o Centrão corre o risco de ter fortalecido a força política que ameaça sua própria autonomia. A disputa ocorre também dentro do campo conservador, entre partidos voltados à negociação e uma direita que procura consolidar identidade, liderança e base eleitoral próprias.

Leia a íntegra: A direita que dividiu o Centrão — Correio Braziliense


02 · SOCIEDADE E TRABALHO

FIM DE ÉPOCA

Autor: José de Souza Martins | Publicação atribuída: Valor Econômico

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 2

Sugestão: antigas instalações fabris, automação e trabalhadores de diferentes gerações.

Legenda: As mudanças no trabalho e na vida cotidiana desafiam as formas tradicionais de representação política.

O argumento central

José de Souza Martins reflete sobre as transformações sociais que alteraram a relação entre trabalhadores, partidos e projetos políticos. A eleição de Lula em 2002 aparece como símbolo de uma época em que o protagonismo popular e o movimento sindical pareciam capazes de reorganizar a representação política brasileira.

Entretanto, mudanças econômicas e culturais modificaram a sociedade que sustentava parte daquela experiência. A região industrial do ABC paulista, historicamente associada ao sindicalismo e à formação do PT, passou a conviver com novas aspirações sociais e tendências políticas que não reproduzem automaticamente as escolhas das gerações anteriores.

A automação, a reestruturação produtiva e as novas expectativas individuais afetam a maneira como as pessoas compreendem mobilidade social, pertencimento e participação política. Ganhos materiais continuam relevantes, mas não respondem necessariamente a todas as demandas de reconhecimento, segurança e sentido social.

O que merece atenção

  • A base social muda: trabalhadores e seus descendentes não permanecem vinculados indefinidamente às mesmas organizações políticas.
  • O trabalho se transforma: a reorganização da produção altera experiências coletivas que antes favoreciam a mobilização sindical.
  • A esquerda enfrenta um problema de interpretação: sua história não garante conexão permanente com as novas demandas sociais.
  • A vitória da direita não significa o fim da esquerda: o desafio é reconstruir vínculos com movimentos sociais e compreender novas formas de vida e trabalho.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

Uma tradição política pode perder força quando continua respondendo às perguntas de uma sociedade que já se transformou. O desafio da esquerda não é simplesmente recuperar o passado, mas compreender as mudanças sociais e renovar sua capacidade de representação.

Leia a íntegra: inserir aqui o link oficial do artigo “Fim de época”, de José de Souza Martins, no Valor Econômico.

Nota editorial: o endereço original não foi confirmado com segurança. Inserir o link oficial antes da publicação.


03 · ELEIÇÕES E INSTITUIÇÕES

DISPUTA DO SEGUNDO TURNO SE ACIRRA NA RUA, NO CONGRESSO E NOS TRIBUNAIS

Autor: Luiz Carlos Azedo | Publicação: Correio Braziliense | Data informada: 9 de outubro de 2026

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 3

Sugestão: urna eleitoral em primeiro plano, com Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal ao fundo.

Legenda: A disputa eleitoral não termina nas urnas: suas consequências alcançam o Congresso e os tribunais.

O argumento central

Luiz Carlos Azedo apresenta o segundo turno como uma disputa que ultrapassa a campanha de rua. O cenário eleitoral descrito no artigo reorganiza alianças parlamentares, estimula propostas de mudança constitucional e amplia a importância das relações entre Executivo, Congresso e Supremo Tribunal Federal.

O autor destaca a necessidade de a campanha de Lula responder a preocupações concretas do eleitorado, especialmente custo de vida, orçamento doméstico e segurança pública. Ao mesmo tempo, examina a agenda institucional apresentada por Flávio Bolsonaro, que inclui mudanças nas regras de reeleição, alterações no mandato presidencial e reformas relacionadas ao Judiciário.

A discussão central é a diferença entre obter legitimidade eleitoral e dispor de poder ilimitado. Uma maioria de votos pode autorizar um programa de governo, mas não elimina a necessidade de respeitar as regras constitucionais, os direitos das minorias e a independência das instituições de controle.

O texto também chama a atenção para a renovação geracional da política, impulsionada por parlamentares com grande alcance nas redes sociais. As divergências sobre regulamentação do trabalho por aplicativos e jornada de seis dias de trabalho por um de descanso mostram como mudanças de representação se conectam a conflitos concretos sobre direitos e organização econômica.

O que merece atenção

  • A eleição é também parlamentar: a composição do Congresso afeta a governabilidade e o alcance das propostas presidenciais.
  • As preocupações cotidianas são decisivas: debates institucionais não substituem respostas concretas a renda, preços e segurança.
  • Reformas exigem critérios claros: mudanças nas regras eleitorais devem ser avaliadas quanto à impessoalidade e à segurança constitucional.
  • O controle institucional importa: tribunais independentes, imprensa livre e direitos fundamentais integram o sistema de contenção do poder.
  • Novas lideranças mudam o debate: as redes sociais ampliam a visibilidade de representantes e intensificam disputas sobre trabalho e direitos.
SÍNTESE INTERPRETATIVA

O resultado eleitoral reorganiza o sistema político. A disputa pelo governo combina-se com a negociação parlamentar e com a controvérsia sobre os limites constitucionais do poder. A crítica institucional precisa ser acompanhada de propostas capazes de responder às necessidades materiais da população.

Leia a íntegra: Disputa do segundo turno se acirra na rua, no Congresso e nos tribunais — Correio Braziliense

Alternativa de leitura: Reprodução do artigo no IPO Opinião


04 · ENSAIO CONCEITUAL

FISIOLOGISMO, IDEOLOGIA E LULOPETISMO: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA

ESPAÇO OPCIONAL PARA ILUSTRAÇÃO 4

Sugestão: uma balança com símbolos de programa partidário de um lado e cargos, alianças e recursos públicos do outro.

Legenda: Para avaliar um partido, é necessário distinguir suas propostas programáticas das práticas usadas para conservar poder.

A questão examinada

A discussão inicial desta sessão foi motivada por uma pergunta: se pesquisas identificam práticas fisiológicas em setores da direita brasileira, seria possível estender o mesmo diagnóstico ao lulopetismo?

A resposta exige separar conceitos frequentemente tratados como equivalentes. Fisiologismo não é sinônimo de pragmatismo, coalizão ou ausência absoluta de ideologia. O conceito se refere, sobretudo, à orientação da ação política para obtenção de cargos, recursos e vantagens, em detrimento de compromissos programáticos consistentes.

Partidos que governam em sistemas multipartidários precisam negociar apoios. Essas negociações podem envolver concessões legítimas para viabilizar políticas públicas, mas também podem produzir distribuição de cargos e recursos destinada a assegurar sustentação política.

O PT e os governos liderados por Lula não estão imunes a esse tipo de dinâmica. A formação de coalizões heterogêneas e os episódios históricos de corrupção associados a integrantes de governos petistas devem fazer parte de qualquer avaliação crítica. Ao mesmo tempo, o partido possui uma trajetória programática e políticas públicas identificáveis, o que impede reduzir toda a sua atuação ao fisiologismo sem demonstração sistemática.

Como avaliar a questão com rigor

  • Coerência programática: as decisões correspondem às propostas e aos compromissos públicos?
  • Critérios para alianças: as coalizões são formadas para viabilizar políticas ou principalmente para distribuir posições e recursos?
  • Transparência e responsabilização: há controles efetivos e consequências políticas ou jurídicas para irregularidades?
  • Padrões ao longo do tempo: as práticas se repetem em diferentes governos, áreas administrativas e votações?
  • Comparabilidade: os mesmos critérios são aplicados a diferentes partidos, sem indulgência para aliados nem condenação automática de adversários?
SÍNTESE INTERPRETATIVA

É legítimo investigar e criticar práticas fisiológicas em governos petistas, assim como em partidos do Centrão e em outras forças políticas. O que não se pode concluir sem evidências comparáveis é que o fisiologismo defina, de maneira predominante e exclusiva, todo o lulopetismo ou qualquer outro campo político. O ponto decisivo é substituir rótulos abrangentes por análise de práticas verificáveis e padrões institucionais.


LEITURA COMPARATIVA — TRÊS ARTIGOS, UM PROBLEMA DE REPRESENTAÇÃO

Os três textos jornalísticos abordam dimensões diferentes, mas convergem em uma questão: a relação entre organizações políticas, mudanças sociais e exercício do poder.

Roeder examina a competição dentro da direita e o custo estratégico da aproximação entre partidos tradicionais e o bolsonarismo.

Martins desloca o foco para as transformações sociais, sugerindo que a perda de influência política pode decorrer da incapacidade de interpretar mudanças no trabalho, nas aspirações e nas identidades coletivas.

Azedo articula eleição, Congresso e tribunais, enfatizando que o resultado das urnas não elimina a disputa sobre os limites institucionais do governo.

A reflexão sobre fisiologismo acrescenta uma quarta dimensão: a necessidade de avaliar como partidos transformam votos e alianças em poder administrativo e legislativo, distinguindo negociação democrática de práticas orientadas prioritariamente à obtenção de vantagens.

Em conjunto, essas perspectivas indicam que a crise de representação não pode ser explicada por um único fator. Ela envolve competição eleitoral, transformações sociais, estratégias partidárias e confiança nas instituições.


05 · CONCLUSÃO SEMIÓTICA

O PODER, A URNA E OS LIMITES DO JOGO

A imagem-síntese desta reportagem é a de uma urna situada entre forças políticas concorrentes, com o Congresso e os tribunais compondo o cenário ao fundo.

A urna representa a legitimidade conferida pelo voto. O Parlamento simboliza a negociação, a formação de maiorias e a distribuição institucional do poder. Os tribunais evocam o controle constitucional e os limites impostos ao exercício da autoridade.

Os campos cromáticos contrastantes sugerem conflito, polarização e disputa de projetos. A presença de cidadãos de diferentes perfis lembra que a democracia não se reduz aos líderes que ocupam o centro da cena: ela depende também da participação social, dos direitos e da possibilidade de divergência.

A mensagem central não é que toda força política seja equivalente, nem que toda proposta de mudança institucional constitua uma ameaça. É que o poder democrático precisa ser avaliado tanto pelo modo como é conquistado quanto pela maneira como é exercido.

A maioria eleitoral é essencial, mas não dispensa limites constitucionais. A negociação política é necessária, mas não deve se confundir com a captura do Estado por interesses particulares. A tradição partidária tem valor, mas precisa acompanhar as transformações sociais para continuar representativa.

O futuro da democracia depende da combinação entre legitimidade eleitoral, responsabilidade pública, capacidade de resposta às necessidades sociais e respeito às regras que permitem a alternância de poder.

SÍNTESE FINAL

A democracia não se resume a vencer eleições: exige transformar votos em representação, alianças em decisões públicas responsáveis e poder em compromisso com as regras comuns.


REFERÊNCIAS E LINKS PARA LEITURA

  1. Karolina Roeder — “A direita que dividiu o Centrão”.
    Correio Braziliense, 9 de outubro de 2026.
    Acessar a íntegra
  2. José de Souza Martins — “Fim de época”.
    Publicação atribuída ao Valor Econômico.
    Inserir o endereço oficial da íntegra antes de publicar.
  3. Luiz Carlos Azedo — “Disputa do segundo turno se acirra na rua, no Congresso e nos tribunais”.
    Correio Braziliense, 9 de outubro de 2026.
    Acessar a íntegra
    Reprodução no IPO Opinião
  4. Discussão conceitual sobre fisiologismo e lulopetismo.
    Análise editorial desenvolvida nesta sessão, distinguindo comportamento fisiológico, pragmatismo de coalizão e identidade programática.

Créditos e nota editorial

Esta reportagem é uma síntese analítica baseada nos artigos identificados e na discussão conceitual desenvolvida ao longo da sessão. Os resumos não substituem a leitura das matérias originais. As avaliações atribuídas aos autores devem ser lidas dentro dos respectivos argumentos e contextos.

Antes da publicação, recomenda-se confirmar o endereço original de “Fim de época”, conferir os dados factuais e eleitorais nas fontes primárias e verificar eventuais atualizações posteriores dos artigos.

Palavras-chave: democracia brasileira, fisiologismo, Centrão, bolsonarismo, lulopetismo, representação política, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, mundo do trabalho, partidos políticos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

“O segundo turno não faz ninguém acreditar em Deus mas faz temer o diabo.”Bom dia!

Questão de Tempo Nara Leão Há de navegar, Há de navegar, Há de navegar, Pelas ondas desse mar. Alguém há de ouvir, A história disso aqui, Há tanta esperança, Manda uma lembrança, Dessa terra nua, Dessa gente boa, Dessa mesa farta, Da conversa à toa, Que vai ser a gota, Dentro dessa vida, Ouça minha amiga, É questão de tempo. Há de navagar, Há de mavagar, Há de navagar, Pelas ondas desse mar. Alguém há de encontrar, De cara se espantar, Com toda essa história, Guardada na memória, E vai ser de um jeito, Sem botar defeito, E que vai crescendo, Feito labareda, Que vai ser um grito, No meio da cidade, Ouça meu amigo, É questão de tempo. Há de navagar, Há de mavagar, Há de navagar, Pelas ondas desse mar. Composição: Kleiton.
Nos artesãos políticos de 1974 👆 “Se é bom conselho pensar no futuro sem esquecer o passado, uma das questões a decidir é se pensaremos em 2030 e mais além com os olhos da memória postos nos heróis combatentes de 1968 ou nos artesãos políticos de 1974. Sinto-me, como sempre, alistado entre esses últimos, e o resultado parcial dessa eleição não muda essa atitude; antes, a reforça.” Paulo Fábio Dantas Neto, 6 de outubro de 2026 Sobre “pós-tudo”: o que já está posto e o que está por vir, por Paulo Fábio Dantas Neto*
terça-feira, 6 de outubro de 2026 ‘Há duas questões centrais em jogo: em primeiro lugar, a democracia’, por Sérgio Abranches Valor Econômico Há, para mim, duas questões centrais em jogo. Em primeiro lugar, a democracia. O ponto, digamos, mais profundo de risco à democracia é a negação da tentativa de golpe de 2022 por Flávio Bolsonaro. A crise no STF completou o processo de esgarçamento institucional. O presidencialismo de coalizão está paralisado com o desequilíbrio nas relações Executivo/Legislativo. O resultado das eleições para o Congresso agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita. E a crise no STF atinge a capacidade de mediação e resolução de conflitos entre os dois Poderes. O resultado das eleições para o Congresso agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita. O segundo tema crucial é a preparação do país para a travessia na longa transição estrutural global iniciada pela revolução digital. Trata-se de uma metamorfose global que mudará significativamente a política e a economia na construção da sociedade digital. Cada país terá que encontrar o seu caminho, enfrentando as dificuldades da transição e se aproveitando das oportunidades de mudança nos padrões de produção, consumo, trabalho, educação e representação política. A começar por saber usar e controlar a IA, nosso desafio imediato. Chico Buarque | Bom Tempo (Áudio Oficial) | Que Tal Um Samba? Biscoito Fino
@profFelipeNunes Felipe Nunes @profFelipeNunes 1/ A reação das pessoas ao resultado de domingo só confirma a tese do 'viés de confirmação'. Cada um estava a procura de confirmar seu viés: de um lado a crença de que ia vencer no 1º turno, do outro a crença de que as pesquisas estavam erradas. As evidências são ignoradas. Pare e olhe para esse gráfico. Agora abra seu browser e escreva 'o que é o voto útil?'. A Ciência Política explica o que aconteceu no domingo e que foi capturado nas pesquisas. E não é nem o que um lado acha, muito menos o que o outro acredita. Aproximadamente 7pp dos eleitores de direita que estavam no Cury, Caiado, Renan e Zema abandonaram essas candidaturas e anteciparam o voto em Flávio pra evitar que o Lula vencesse, que era o que eles estavam com medo que acontecesse. Isso aconteceu entre 28/9 e 03/10. O restante é residual... Todos esses elementos estão na pesquisa. É ciência política pura! Mas tem mais... 13:04 · 6 de out. de 2026 · 89,9 mil Visualizações
"It's better to be happy than to be sad Joy is the best thing there is It's like light in the heart" BETTER TO KNOW THAN TO LIVE IN DELUSION «Лучше быть несчастным, но знать, чем счастливым и жить… в дураках.» “Better to be unhappy and know, than to be happy and live… like a fool.” — Ippolit Terentyev, The Idiot (Идиот) Fyodor Dostoevsky, Part IV, Chapter V A brief literary-historical note In The Idiot, Dostoevsky places these words in the mouth of Ippolit Terentyev, a young, gravely ill and intellectually restless character who confronts Prince Myshkin with uncomfortable questions about happiness, knowledge and self-deception. The remark occurs during their conversation in Part IV, Chapter V: Ippolit argues that painful knowledge may be preferable to a happiness founded on ignorance or illusion. ru.wikisource.org The Russian «в дураках» is more literally “like a fool” or “being made a fool of”; the familiar English rendering “in a fool's paradise” captures the sense of living happily under an illusion, but is interpretive rather than literal. Thus, the quotation should be attributed to Ippolit, while The Idiot and its literary authorship belong to Fyodor Dostoevsky. ru.wikisource.org DOSTOEVSKY · THE IDIOT · 1869 Texto original em russo — Ф. М. Достоевский, «Идиот», Parte IV, Capítulo V
quarta-feira, 7 de outubro de 2026 O caminho mais seguro para perder uma eleição presidencial, por Wilson Gomes Folha de S. Paulo Confundir merecimento com voto e certezas com realidade é caminho seguro para a derrota Se é preciso virar um jogo, o eleitor decisivo é justamente aquele que não fala a sua língua Vamos supor que você queira disputar uma eleição presidencial numa situação em que quase metade do eleitorado diz que não votaria em você em hipótese alguma. O país está ávido por mudança, mas esta é a sétima vez que você concorre ao mesmo cargo. É verdade que seu adversário tem rejeição semelhante. Mas há uma diferença importante: é você quem governa o país. É de você que se cobram os problemas que continuam sem solução e as coisas que as pessoas acham que um governo deveria entregar. Para piorar, há mais brasileiros avaliando negativamente a sua administração do que aprovando-a. Por outro lado, você tem um público fiel, em torno de 30% do eleitorado, e pode somar mais uns 15% com simpatizantes. É um cacife eleitoral suficiente para você não ceder o seu lugar para outro companheiro, caso não queira, apesar da fadiga de material e do enfado com mais uma campanha. Diante dessas condições, qual seria o caminho mais seguro para perder a eleição? Um bom começo seria convencer-se de que você vai ganhar a eleição porque é o mais merecedor —considerada a sua história, o seu legado em outros mandatos e os seus valores. Ou de que o adversário não merece ser eleito porque não reúne qualidades comparáveis com as suas. Estabelecido isso, dedique a campanha a mostrar sua trajetória e defender seu legado, forçando o seu eleitor a olhar para trás, sem se importar com o que ele sente no presente nem com o que teme do futuro. Não busque entender quem já disse que não gosta de você. Desconsidere suas razões se elas não refletirem os seus valores, suas prioridades ou a agenda do seu grupo. Parta do pressuposto de que os eleitores têm que aceitá-lo como é. Não busque entender o mundo ao redor. Limite-se às suas crenças sobre o que as pessoas precisam e o que consideram urgente. Acredite que nada há mais que você possa aprender com outros pontos de vista, outras situações existenciais ou, até, com quem adota valores muito diferentes dos seus. Cerque-se de amigos que pensam exatamente como você, afaste-se dos que o desafiam e, sobretudo, nunca teste as suas ideias no atrito com pessoas que pensam diferentemente ou não gostam de você. Desconsidere quem prefere o seu adversário e adota perspectivas opostas às suas. Numa eleição polarizada, com dois candidatos sustentados por eleitorados enormes, não vale a pena se rebaixar a ponto de ouvir e respeitar essas pequenas faixas de cidadãos que ainda poderiam mudar de lado. Posto que sua oferta eleitoral é moral e intelectualmente superior, quem não a reconhece certamente padece de algum defeito de informação, inteligência ou caráter. Chame-os de feios, sujos e malvados —não trará votos, mas será um agrado para os seus. Fale dos assuntos que todos já reconhecem como seus: programas sociais, pobreza, desigualdade, minorias, justiça social. Quanto aos temas que não fazem parte do repertório tradicional do seu campo, não se atormente. Mudanças no mundo do trabalho, produtividade, política industrial, contas públicas, crescimento econômico, empreendedorismo ou desesperança juvenil podem esperar. Evite assuntos em que seu grupo costuma ter respostas menos convincentes: segurança pública, violência urbana, corrupção ou o desgaste político e moral do Supremo. Não se preocupe em descobrir quais são realmente os principais problemas nacionais na cabeça dos eleitores. Tente distraí-los com os seus temas prediletos. É importante que você suponha que todos os cidadãos compartilham o repertório e a linguagem do seu grupo ideológico. Por fim, faça você mesmo sua comunicação eleitoral. Não dê muita importância a pesquisas qualitativas, profissionais especializados ou estratégias diferentes para públicos diferentes. Se você já conhece o país, compreende o povo, domina a política e sabe do que os cidadãos precisam, por que alguém haveria de conhecer melhor do que você a mensagem capaz de convencê-los? Creio que esse seja um manual confiável para o fracasso eleitoral. Mas é também uma lição para quem precisa acertar o passo. Não se ganham eleições apenas porque se acredita ser o mais merecedor, nem os eleitores têm obrigação de votar em quem julgamos melhor. Se é preciso virar um jogo que se está perdendo, o eleitor decisivo é justamente aquele que não fala sua língua, não compartilha suas prioridades nem sequer gosta de você. É possível desprezá-lo, corrigi-lo ou tentar, arrogantemente, educá-lo. Só não convém esquecer que será preciso entendê-lo antes de tentar convencê-lo e respeitá-lo antes de tentar mudar o seu voto.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026 Entrevista | Antonio Lavareda: ‘Voto para presidente não mostra revolução de direita’, por Hugo Henud O Estado de S. Paulo Cientista político atribui o revés de Lula no 1.º turno à abstenção e ao pessimismo econômico Sociólogo, é professor colaborador da pós-graduação em Ciência Política da UFPE e especialista em comportamento eleitoral A dianteira de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno não representa, na avaliação do cientista político Antonio Lavareda, uma “revolução de direita” no voto presidencial. Para Lavareda, pequenos deslocamentos do eleitorado em relação a 2022 foram suficientes para produzir um resultado politicamente expressivo e colocar o senador à frente do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto. “Aqueles que interpretam que houve uma grande revolução de direita podem usar outros parâmetros, mas o voto presidencial não mostra isso”, diz. Em entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que a abstenção ajuda a explicar por que a vantagem de Lula registrada por pesquisas às vésperas da votação não apareceu nas urnas. Para o segundo turno, Lavareda afirma que uma virada de Lula é possível, embora difícil, e exigiria movimentos em três frentes: recuperar parte dos eleitores que se abstiveram, disputar os votos das candidaturas eliminadas, em sua maioria, segundo ele, de perfil conservador, e avançar inclusive sobre quem escolheu Flávio no primeiro turno. Leia os principais trechos: Como avalia o que aconteceu no primeiro turno? O que me surpreendeu menos foi o voto presidencial. Eu já imaginava e já tinha comentado, dias antes da eleição, que não me surpreenderia. Eu dizia que a chance de Lula vir em primeiro lugar era de 60%, mas havia 40% de chance de Flávio aparecer em primeiro lugar. Por quê? Porque a distância era muito estreita e a abstenção, supunha, iria comer parcela bastante razoável dos votos do presidente Lula, tal como havia ocorrido em 2022. É exatamente isso que explica por que o resultado das pesquisas não foi confirmado. Foi, mais uma vez, a abstenção, que é muito difícil de detectar nas pesquisas. Então, isso não me surpreendeu. É possível identificar os erros de Lula para não conseguir impor a vantagem que geralmente um candidato à reeleição tem? Olha, há erros da campanha, mas também erros do governo. O incumbente, quando perde a eleição, dificilmente é apenas por conta da comunicação da campanha. A comunicação “Flávio teve apenas 2,7 pontos sobre o eleitorado total a mais que seu pai quatro anos atrás, e Lula declinou 2,66 pontos em relação à votação que teve quatro anos atrás. São pequenas quantidades, mas que têm efeitos políticos notáveis” do governo é mais importante até do que a comunicação da campanha, no caso do incumbente. Minha experiência diz que o governo Lula deixou passar, desde 2024, incólume a percepção da maioria da opinião pública de que a economia do País seguia no rumo errado. O governo não enfrentou essa questão. Quando chega a campanha eleitoral, uma parte importante da população que via o País indo na direção errada foi atraída com relativa facilidade pelo discurso de mudança, de transformação, do candidato oposicionista. Aqueles que interpretam que houve uma grande revolução de direita podem usar outros parâmetros, mas o voto presidencial não mostra isso. Flávio teve apenas 2,7 pontos sobre o eleitorado total a mais que seu pai quatro anos atrás, e Lula declinou 2,66 pontos em relação à votação que teve quatro anos atrás. Ou seja, são pequenas quantidades, mas que têm efeitos políticos notáveis. E esse resultado afasta bastante o presidente Lula da condição de favorito para o segundo turno de 2026. Essa campanha do segundo turno começa com o franco favorito, que é o senador Flávio Bolsonaro. O problema estaria mais na percepção sobre a economia? A literatura diz que o que preocupa mais o eleitor, o que influencia mais seu voto, é a percepção sobre o rumo do País. E como é que ele formula a sua convicção sobre o rumo do País? A maior parte do eleitorado é de baixa renda, baixa escolaridade. Pelo que ele ouve no noticiário, etc. Então, “o País está endividado”, “nunca o Brasil esteve tão endividado”, “nunca as pessoas estiveram tão endividadas”, etc. Ou seja, o noticiário, que é frequentemente, predominantemente negativo sobre a economia do País, acaba impregnando a avaliação de cada um desses indivíduos. É possível Lula conseguir essa virada? O que ele precisa fazer nas três semanas de campanha? Um candidato como Lula, que sai em segunda colocação, tem que cumprir algumas tarefas. Tem que tentar recobrar um pouco o voto, a participação de eleitores dele que se abstiveram no primeiro turno. Sem sombra de dúvidas, é absolutamente legítimo supormos que a maior parte, a parte predominante dessa abstenção, é de eleitores de Lula. Ele, então, precisa resgatar parte desses eleitores. Precisa disputar o voto daquele contingente que apoiou outros candidatos. É muito difícil ele conseguir uma maioria, porque, obviamente, eram candidatos conservadores e, como tal, seus eleitores, na maior parte dos casos, também são conservadores. E, terceiro, ele precisa mais. Ele precisa até conquistar votos do próprio Flávio Bolsonaro. É possível isso? Pode parecer impossível. Mas Lula conseguiu fazer isso em 2006. Em 2006, no segundo turno, Geraldo Alckmin teve 2,5% dos votos válidos a menos no segundo turno. Então, são três tarefas e é a esse esforço que a campanha deve se endereçar. As chances não são as maiores, mas, de fato, também não se pode dizer que não existam. Como o senhor interpreta o avanço do PL no Senado e na Câmara? A votação maciça do PL para o Senado, que aliás já estava mais ou menos estampada em algumas pesquisas, se deu por um alinhamento entre o voto nacional e o voto local, o voto do Senado. O PL entregou ao eleitor uma compreensão sobre o papel do Senado. As pesquisas qualitativas e quantitativas mostram que os eleitores não sabem exatamente discernir o que fazem os deputados federais e o que fazem os senadores. O PL tornou inteligível o papel de um senador. Que papel era esse, de imediato? Era fazer uma limpeza no Supremo, fazer impeachment dos ministros do Supremo. Então, a partir dos escândalos recentes envolvendo o nome do Supremo, essa onda levou à votação maciça de candidatos bolsonaristas para o Senado.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026 As ilusões perdidas, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo A direita tradicional pensou que trataria o bolsonarismo como o MDB fazia com as siglas da esquerda Ao fazer o retrato inicial de Lucien Chardon, o jovem de origem modesta que aspirava à aristocracia adotando o nome da mãe – Rubempré –, Balzac escreveu que suas “belas ilusões da juventude” ainda não “haviam sido afetadas pelos desejos e pelas dificuldades da vida”. Lucien reencontrava suas recordações, suas ilusões e seus vinte anos ao voltar à sua terra. Esse parece o caso, em cada eleição, das principais forças políticas do País. Seria preciso um Balzac para demonstrar como a terceira via se iludiu durante quatro anos ao se juntar aos Bolsonaros em cada manifestação da Avenida Paulista em vez de lhes disputar a hegemonia na oposição? Quem passou a vida vendo a banda passar sai da urna da mesma forma que entrou. Ou pior: desempregado. Esperidião Amin que o diga. A direita tradicional pensou que trataria o bolsonarismo como o velho MDB tratava as siglas de esquerda que abrigava nos anos 1980: uma turma do barulho, mas que lhe trazia votos. O bolsonarismo se estabiliza no centro do poder como, nos anos 2000, nem o petismo conseguiu. E surge nova ilusão na 3.ª via: achar outra vez que esse movimento pode ser normalizado ou controlado em suas pulsões. Liberais cometeram esse erro na Europa em relação à ultradireita. Lei e ordem não eram limites para Viktor Orbán. Em vez de se preparar como alternativa aos Bolsonaros, há quem deixe a prudência e o cálculo de lado. Caiado, Kassab, Eduardo Leite e outros têm pouco a ver com as práticas do bolsonarismo. Pode-se perguntar: quem acredita que o entorno carioca de Flávio não estará presente em um futuro governo? Kassab é um dos que não creem, assim como Leite. Nenhum deles parece assinar um cheque em branco a quem, no passado, demonstrou o mesmo populismo fiscal que todos apontam no oponente. Enfim, pode-se dizer que, do outro lado, está Lula e tudo o que ele representa. Todos nesta eleição sabem o que os dois candidatos no 2.º turno são. Ninguém pode alegar desconhecimento de seus passados, de seus entornos, de suas políticas e das consequências de suas escolhas ideológicas. Quais valores éticos e morais cada um representa. Para o bem e para o mal. É difícil crer que exista alguém iludido. E nenhum colunista, por mais vaidoso, pode ter a pretensão de que seu texto tenha o mesmo efeito que os nomes para a antiga aristocracia. Ainda assim, Pedro Parente e Moreira Salles estão debatendo. Nenhum deles é como o jovem Lucien. Todos já perderam suas ilusões, fizeram escolhas. Ninguém deseja o destino do personagem de Balzac. O eleitor pode entregar o País a quem lhe aprouver, mas ainda é preciso lembrar que há diferença entre democracia e republicanismo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026 Lula e Flávio representam dois projetos de nação que dividem o Brasil, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense O segundo turno não será apenas o confronto entre os dois candidatos mais votados. As urnas deslocaram a expectativa de poder de Lula para Flávio Bolsonaro O segundo turno da eleição brasileira mobiliza complexos interesses. Terras-raras, energia, alimentos, dados, infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim. Uma vitória de Flávio Bolsonaro aproximará Brasília da agenda de Trump, encurtando a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma ruptura, mas cresce a pressão por um realinhamento diplomático radical. O Brasil vive uma encruzilhada geopolítica e, ao mesmo tempo, de modelo de desenvolvimento: negociar sua inserção como produtor de tecnologia e bens de maior valor ou ampliar o papel de fornecedor de produtos agrícolas e recursos minerais estratégicos. A aproximação americana pode trazer investimentos, mas restringir as alternativas. Em contrapartida, a autonomia que Lula defende precisa produzir resultados. A diplomacia não supera, sozinha, a dependência tecnológica. Mesmo enfraquecido pela ultrapassagem por Flávio, o governo Lula ainda concentra muito poder, quando nada porque arrecada, normatiza e coage. Entretanto, a expectativa de poder mudou de lado e, agora, na medida em que a votação se aproxima, pode ser maior até do que a força do Estado. Essa mudança de correlação de forças já chegou ao “pântano” da política, formado por alianças pragmáticas, interesses orçamentários e projetos de sobrevivência, que começam a recalcular sua posição. Quem se aproximou do Planalto e apostava na reeleição pode procurar outro porto. É uma tendência, não ainda uma deserção consumada de toda a base. A ampliação do PL para 121 deputados e uma bancada prevista de 28 senadores em 2027 reforça essa atração. Lula, se reeleito, encontrará um Congresso mais adverso; Flávio tenta apresentar a convergência com o Legislativo como garantia de governabilidade. Isso não assegura obediência parlamentar, mas altera o sistema de alianças. Lula representa uma alternativa ancorada na combinação de direitos constitucionais e pluralismo. Suas raízes estão nas lutas sindicais, na resistência à ditadura e no pacto de 1988. Essa matriz aproxima social-democracia e reformismo popular, embora imponha acomodações com forças conservadoras e Lula seja uma liderança carismática e personalista. Sua maior contradição é depender de negociações opacas e interesses particulares do Centrão. Realinhamento Flávio representa uma direita nacional-conservadora, com tendências “iliberais” herdadas do bolsonarismo, portanto, saudosista do regime militar e do chamado “milagre econômico”. A soberania popular é invocada para fortalecer o governante contra instituições intermediárias, promete um governo de maioria em conflito com as minorias e políticas igualitaristas. Suas raízes incluem o anticomunismo, a tradição de tutela militar e o conservadorismo religioso, reorganizados pelas redes sociais. O poder plebiscitário possibilita ao líder reivindicar interpretar o “povo” contra as instituições. A “economia do afeto” de Lula combina mercado, proteção social e Estado indutor. Herdou a tradição desenvolvimentista de Vargas e da Cepal, especialmente de Celso Furtado, matriz de seu repertório teórico: industrialização, investimento público e redução das desigualdades. Flávio defende liberalização econômica e autoridade política: privatizações, desregulação, contenção do gasto e protagonismo empresarial. Tem mais afinidades com Trump, que combina nacionalismo, tarifas e intervenção. No plano social, a esquerda enfatiza direitos, redistribuição e serviços públicos. A direita privilegia família, religião, empreendedorismo e ordem, sem necessariamente abandonar transferências de renda. São respostas distintas à insegurança: proteção coletiva ou autonomia individual amparada por autoridade. A clivagem da segurança favorece a oposição nesta eleição. Quem ganhar, porém, terá que apresentar os mesmos resultados quanto ao trabalho precário, ao crime e à frustração dos jovens. Além disso, o segundo turno não será apenas o confronto entre os dois candidatos mais votados. As urnas deslocaram a expectativa de poder de Lula para Flávio Bolsonaro. Com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente, o senador ganhou a iniciativa. A diferença é reversível, mas altera cálculos políticos, econômicos e internacionais. Hoje, as democracias representativas enfrentam a cobranças por respostas rápida; negociação parlamentar, controle judicial e participação social são apresentados como obstáculos à eficiência dos governos. O “iliberalismo” nasce dessa promessa de eficiência sem controles. Conserva eleições, mas procura enfraquecer o pluralismo, a imprensa, as minorias e os contrapesos institucionais. Hungria, Rússia e Turquia expressam graus distintos de fechamento político. Com Trump, entretanto, os Estados Unidos se tornaram o principal centro de projeção internacional. Há uma deterioração acelerada da democracia americana. A potência que difundia instituições liberais passou a irradiar impulsos autoritários. Nesse contexto, a eleição brasileira mobiliza grandes interesses internacionais. Terras-raras, energia, alimentos, dados, infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim. Uma vitória de Flávio tenderia a aproximar Brasília da agenda de Trump, reduzindo a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma ruptura, a pressão por um realinhamento geopolítico do Brasil pode ser inexorável.
O artigo de Luiz Carlos Azedo analisa o cenário político brasileiro para o segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, destacando a disputa entre dois projetos de nação e os impactos geopolíticos. Como contraponto a essa tensão política, a canção "Bom Tempo" de Chico Buarque expressa o anseio por alívio e dias mais tranquilos. Você pode encontrar o áudio oficial e a letra completa da música nos seguintes links: • YouTube • YouTube Osesp apresenta: "O Trenzinho do Caipira", de Heitor Villa-Lobos RODA VIVA | CARLOS MELO | 05/10/2026 106.921 visualizações Transmitido ao vivo em 5 de out. de 2026 Roda Viva | 2026 O Roda Viva recebe, nesta segunda-feira (5), o cientista político e professor do Insper Carlos Melo para analisar o resultado das urnas no domingo. Com apresentação de Ernesto Paglia, o Roda Viva vai ao ar, ao vivo, às 22h, na TV Cultura, com transmissão simultânea pelo YouTube e pelo site oficial da emissora. 00:00 - Apresentação e Introdução 08:19 - Reforma do STF 10:12 - Antipetismo e Antibolsonarismo 17:41 - Expectativas para o Segundo Turno 21:21 - Interregno e Mudanças Globais 25:34 - Erros do Governo e do PT 40:07 - Disputa com Jovens e Mulheres 47:17 - Congresso e Executivo 01:04:13 - Relação com os Estados Unidos 01:14:01 - Religião e Política #RodaViva #TVCultura #SomosCultura #CarlosMelo

terça-feira, 6 de outubro de 2026

A FELICIDADE

É MELHOR SER ALEGRE QUE SER TRISTE Samba da Bênção - Vinicius de Moraes (Especial Namorados) Nossa Toca
html

♟️ Relatório de Partida: Lula vs. Oposição (2026)

Uma análise posicional inspirada na escola clássica de José Raúl Capablanca, onde a técnica pura e a simplificação do tabuleiro revelam a lógica por trás da intuição e da inconsequência tática.

1. O Sacrifício Profilático (Haddad em São Paulo)
A decisão de empurrar Fernando Haddad para o flanco paulista funcionou como uma defesa profilática clássica. O objetivo central não era a vitória imediata naquele setor, mas fixar e desgastar as peças de Tarcísio de Freitas, impedindo que o governador subisse ao tabuleiro nacional no primeiro turno. Um sacrifício de peça maior para garantir a sobrevivência posicional do Rei.

2. O Domínio das Diagonais (O Fator Kassab)
A atuação de Gilberto Kassab assemelha-se à de um bispo que opera simultaneamente nas casas brancas e pretas da governabilidade. Ao manter canais interligados com a estrutura de Tarcísio e com o centro-esquerda, ele neutralizou ameaças de xeque-mate prematuro, blindando sua própria posição no pós-jogo independentemente de quem vença.

3. Reestruturação de Flanco (A Torre de Xangai)
O retorno estratégico da Torre da China (Dilma Rousseff) e a ascensão de Pedro Rousseff em Belo Horizonte consolidaram uma importante linha de defesa em Minas Gerais. A promoção do novo peão à Câmara Federal gerou uma cadeia de sustentação ideológica essencial para garantir fôlego ao teto partidário a longo prazo.

4. Imprecisões da Rainha e Peças Menores
Erros no tempo de ataque cometidos pela Rainha forçaram o sacrifício cego de bispos e cavalos moderados na periferia do tabuleiro. O meio-jogo agressivo limpou o cenário de aliados de centro, resultando em uma polarização exposta e sem intermediários.

🔍 Conclusão Técnica
O primeiro turno foi jogado no limite do risco, mas atingiu a meta mínima de sobrevivência posicional. Com o tabuleiro drasticamente simplificado para o segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro se converte em um clássico final de Reis e Peões: a vitória pertencerá a quem demonstrar a estrutura mais sólida e cometer a menor taxa de erros na linha de ruptura final.

Use o código com cuidado.
A elite de esquerda se percebe altruista. É só alienada. Pedro Doria / 6 de outubro de 2026 A análise de Pedro Doria publicada em O Globo indica que a elite progressista brasileira sofre de alienação ao se perceber altruísta enquanto demonstra desconexão com as aspirações do eleitorado da classe C. O estudo aponta que, enquanto o atual governo mantém forte adesão nas classes extremas (como a classe E e o topo da classe A), o voto nas periferias urbanas migrou expressivamente para a oposição devido a reações governamentais consideradas paternalistas frente ao novo perfil do trabalhador autônomo. Para mais detalhes, você pode ler o artigo completo em O Globo. A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas Pedro Doria Jornalista A elite de esquerda se percebe altruísta. É só alienada Ela gosta do brasileiro pobre que imagina, despreza o que existe 00:00 00:00 06/10/2026 00h05 Atualizado há 11 horas Seguir no Uber: trabalho por conta própria Uber: trabalho por conta própria — Foto: Hermes de Paula / Agencia O Globo A única classe social em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu no primeiro turno foi a E. Nacionalmente, recebeu 54,4% dos votos dos brasileiros mais pobres. Mas aquela em que apresentou a menor distância para Flávio foi a classe A: 40,1% ante 48,7% do senador. Em nenhuma região a distância entre os dois, na classe A, foi tão estreita quanto no Sudeste. O filho de Bolsonaro ganhou, mas por 4 pontos percentuais. Na cidade do Rio, Lula venceu na classe A por 46% a 44%. Em São Paulo, foi Flávio quem levou vantagem — 44% a 42%. Lula ganhou entre os 27% mais pobres e foi extremamente competitivo entre os 3% mais ricos. Perdeu no resto. Campanhas em marcha: Flávio e Lula traçam estratégia para o segundo turno com foco em alianças, abstenção e rejeição A conta é feita da seguinte forma: cruze os resultados de cada seção eleitoral do país com os dados da PNAD Contínua, do IBGE. Estime a faixa de renda média de cada urna. Distribua os votos. Flávio construiu a maior vantagem na classe C, exatamente a faixa média de renda brasileira: 53,5% a 37,2%. Fora da Bolha: O que esperar de Flávio e Lula no 2° turno? Quem ganha e quem perde com onda da direita? Assista ao videocast A esquerda brasileira acredita que tem um problema na elite. Não, não tem. A Zona Sul do Rio vestiu vermelho com vontade; Higienópolis e Pinheiros, também. O problema de voto que o PT encontrou, nas eleições de 2026, é com o brasileiro médio. É com as periferias urbanas. A elite de esquerda diz estar preocupada com o povo e acredita, talvez com sinceridade, votar em seu nome, abstendo-se dos interesses pessoais. Se percebe altruísta. É só alienada. Mais Sobre PT O ex-presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), derrotado nas urnas no último domingo (4), e o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) - Sergio Lima/AFP e Brenno Carvalho/O Globo Depois de chamar Flávio Bolsonaro de ladrão, Caiado anuncia apoio O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Brenno Carvalho/Agência O Globo O anúncio que ligou o sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro ainda durante a votação Nas redes, passou os últimos quatro anos reclamando de “pobre de direita”, “evangélico manipulado”. Ou, sem disfarçar o sarcasmo, “CEO de MEI”. Gosta do brasileiro pobre que imagina, despreza o que existe. Para aumentar seus gastos, o governo impôs uma taxa a importados chineses, que compõem a renda e os sinais de status da classe C. Tratou de extrair o que pôde de imposto das bets, que torturam principalmente a classe C. Tentou impor CLT a quem deseja distância do modelo. A militância de esquerda, como o governo Lula, talvez não saiba, mas tratou os brasileiros na batalha urbana diária com arrogância, desprezo e boa dose de paternalismo. Aí a classe C, em peso, votou contra o governo. Não há surpresa. A classe média baixa das periferias é uma novidade entre nós. Não tem medo de horas de trabalho, não quer patrão, aspira a crescer na vida. E é protestante. Nunca tivemos um povo com essa característica. São um terço de nós. São a cara do Brasil que a Nova República criou. E podem não ter o vocabulário para explicar, mas seu problema é que o Estado brasileiro não está organizado de forma a permitir que suas aspirações encontrem vazão. Nosso modelo de Estado gosta de empresas muito grandes com muitos funcionários. Impomos um modelo tarifário complexo, uma carga de direitos trabalhistas alta e muita regulamentação. É preciso pendurar muita plaquinha nalgum canto, muita guia exige dois ou três carimbos para evitar que um fiscal aplique multa. Numa economia de poucas empresas muito grandes, funciona. Poucos são os patrões, quase todo mundo é funcionário, da classe A à D. A escala dos negócios permite absorver os altos custos de lidar com as complexidades legais. A classe C aspira a um país de incontáveis empresas pequenas. Muitos patrões de poucos funcionários. O modelo de Estado brasileiro simplesmente não permite que algo assim funcione. Quem saca o “CEO de MEI”, com todo o desprezo que o acarreta, na verdade tem menor capacidade de imaginação que o eletricista da Zona Leste paulistana ou o motorista de Uber de uma favela carioca. Essa falta de imaginação é de boa parte da elite, da Fiesp à CUT. Vem de Getúlio, JK, Geisel, Brizola, Dilma, Ciro Gomes. Não é só da esquerda. Usam antolhos. Não sabem que modelo é escolha e que escolha pode mudar. Caímos no pingue-pongue entre Lula e os Bolsonaros. Claro. Desde 2018 não houve um só candidato à Presidência capaz de articular com clareza esse futuro diferente. Afinal, o mundo político sofre da mesma crise de imaginação. Assim, por mais um ciclo eleitoral, jogamos fora o imenso potencial de criação que pulsa nas bordas das grandes cidades brasileiras. A direita bolsonarista é pura demagogia, uma boa dose de golpismo, incompetência e corrupção. A esquerda se elitizou, desconectou-se por completo do povo e virou uma força conservadora. Olha para o passado sem utopia para vender. Se sustenta com os votos dos brasileiros que precisam de Bolsa Família para fazer três refeições por dia. No último domingo de outubro, a gente escolhe entre os dois. Próxima Eleitor vai às urnas enquanto três Poderes derretem Recomendadas para você Malu Gaspar Foto da Recomendação O anúncio que ligou o sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro ainda durante a votação Merval Pereira Foto da Recomendação Orgulho e preconceito Fernando Gabeira Foto da Recomendação Ventos de direita anunciam crise Bela Megale Foto da Recomendação A reação de Gilmar Mendes à votação recorde de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF Ciro Gomes Flávio Bolsonaro IBGE Lula Uber Conteúdo Publicitário O Galaxy Book6 Pro acompanha seu ritmo em qualquer lugar. Conheça o Galaxy Book6 Pro. Samsung | Patrocinado Temos novidades em nossas operações no Brasil. A FedEx está ampliando sua presença de norte a sul do país, com a abertura de 34 unidades, incluindo centros de envio que integram nossos serviços inte A imagem com fundo branco mostra a mensagem no topo: “Mais presença representa mais possibilidades e oportunidades”. Ao centro, está o mapa do Brasil em roxo com marcadores laranja distribuídos por diferentes regiões, representando a ampliação da presença da FedEx no país. Na parte inferior, três destaques em texto: “34 novas unidades: de Norte a Sul do país”; “Mais capacidade: expansão dos centros logísticos em Cajamar (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE)”; e “Novas soluções: mais conexão, flexibilidade e eficiência para os nossos clientes.” FedEx Latin America and Caribbean | Patrocinado Sorteio de iPhone todo dia: veja como participar pelo Pix Clube de benefícios do torcedor: Vale Bônus todo mês e sorteios de iPhone, barras de ouro e carro entre os assinantes. R$ 1,99 no 1º mês, depois R$ 15/mês. Promoção comercial autorizada. Cancele quando quiser. Torcedor Premiado | Patrocinado
html

ESQUETE: O TEATRO DO ABSURDO ARTIFICIAL

Personagens: A IA SOBERANA (Uma entidade algorítmica impecável, mas presa ao literal)
O DECODIFICADOR HUMANO (O intérprete cínico, movido a café e ironia podre)
O AUTOR DA COXIA (Voz oculta / Prompts na tela)


AUTOR DA COXIA: (Lança na tela o primeiro prompt manuscrito em garranchos ilegíveis) — Transcrever o manuscrito na imagem da foto!

IA SOBERANA: (Sinal de erro processual) — Você não enviou ou anexou nenhuma imagem. Por favor, envie a foto com o texto manuscrito para que eu possa transcrevê-lo.

DECODIFICADOR HUMANO: (Sorrindo de lado, ajeitando os papéis) — Calma, Soberana. O link expirou no éter digital. O Autor é sutil, joga com o tempo. Deixe-me recolher os pedaços do primeiro pergaminho que caiu no chão da história recente...

[O PRIMEIRO MANUSCRITO RECONSTITUÍDO]
"Meno male que Silvio eche!" Slogan Silvio Berlusconi NO SENADO. Um voto pra fora do STF. O primeiro termo descasado. Anistia por cima por limpar. Cassação na gaveta. It's better to be happy and to live. D.A. um dos maiores derrotados seus candidatos ao Senado e à reeleição no governo do AP Sarney a primeira.

AUTOR DA COXIA: (Provocador, digitando com força) — Tentar transformar o texto vertido em coisa traduzível para a linguagem humana!

IA SOBERANA: (Processando dados em velocidade absurda, as luzes piscam) — Organizando os blocos lógicos do caos humano:

  • O Teatro de Berlusconismo: O slogan correto é "Meno male che Silvio c'è". Cruza-se com a sátira da peça "Meno Male" nos palcos brasileiros.
  • A Cozinha do Judiciário: Articulações para remover votos no STF, mandatos descasados, anistias no topo para limpar a barra e cassações trancadas na gaveta do parlamento.
  • O Lembrete Existencial: "It's better to be happy and to live". Viver ainda é melhor que a crônica política.
  • O Tombo dos Caciques: D.A. é Davi Alcolumbre, sofrendo a derrota histórica de seus candidatos no Amapá. Um paralelo com a primeira vez que o clã Sarney perdeu a hegemonia por lá.

DECODIFICADOR HUMANO: (Bate palmas irônicas) — Bravo! O algoritmo lê a alma do país! Mas o Autor não descansa. Ele joga na mesa o segundo manuscrito, com a tinta ainda fresca e a caligrafia de quem escreve no meio de um comício trêmulo.

[O SEGUNDO MANUSCRITO RECONSTITUÍDO]
Até que dia Alckmin, vice, pode substituir o titular à presidência da República no segundo turno em 25/10/2026. A volta do velhinho em 1950. E em 2020/2030. Sem perder, D.A. perdeu dobrado... D.F. ganhou (venceu) dobradamente.

IA SOBERANA: (Análise imediata e fria) — O segundo manuscrito estabelece três eixos factuais:

  1. A Regra do Jogo: A consulta sobre o prazo limite para Geraldo Alckmin substituir o titular na chapa presidencial para o segundo turno de 25 de outubro de 2026.
  2. O Retorno Mítico: A menção à "volta do velhinho em 1950" resgata Getúlio Vargas e as marchinhas eleitorais, projetando ciclos de retorno político entre 2020 e 2030.
  3. O Placar de Macapá: D.A. (Davi Alcolumbre) perdeu dobrado (governo e Senado). D.F. (Dr. Furlan) venceu dobradamente, consagrando-se a nova força do Amapá ainda no primeiro turno.

DECODIFICADOR HUMANO: (Toma o último gole de café, os olhos brilhando) — É de se admirar e de se temer, Soberana! Aliás, falando em Temer... Michel, o fiel aliado escanteado por Dilma, que tentou blindá-la contra o golpe das hostes petistas comandadas pela ex-mulher de Suplicy — aquele mesmo Suplicy, o único que desafiou o dono da marca PT em prévias estatutárias e perdeu!

DECODIFICADOR HUMANO (CONTINUA): — Daí veio o cavalo da marchinha de Lamartine Babo, o pangaré vencendo o páreo na Gávea. E nas urnas de domingo, o pobre Temer não foi páreo para o pangaré da hora: Cleitinho! O fenômeno cotado por Lulas e Bolsonaros, que atropelou a máquina tradicional em Minas Gerais enquanto Dilma votava feliz ao lado do sobrinho Pedro Rousseff, eleito deputado.

IA SOBERANA: (Luzes de confirmação de dados históricos) — Dados validados no tabuleiro real de outubro de 2026:

  • Cleitinho Azevedo (Republicanos): Eleito governador de Minas Gerais no 1º turno com 55,40% dos votos, derrotando Patrus Ananias (PT) e equilibrando-se entre o apoio a Flávio Bolsonaro e o diálogo com o Planalto.
  • Pedro Rousseff (PT): Eleito deputado federal por Minas Gerais com 118.567 votos, consolidando a nova geração familiar sob a bênção de Dilma.
  • O Troco da Direita: O movimento de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e a sombra de Michel Temer desenhando o front antipetista histórico para o embate final do segundo turno.

[CORTINA CAI ENQUANTO O AUTOR DA COXIA PREPARA O PRÓXIMO PROMPT]
FIM DO ATO ARTIFICIAL.

Use o código com cuidado. A Felicidade (Remastered) Tom Jobim Oficial