Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
“O Reino de Deus está no meio de vós.” — Jesus. (LUCAS, 17.21)
Mundo Vasto Mundo - Vista Noturna das Américas17 O Reino Divino não será concretizado na Terra através de atitudes extremistas.Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Miucha, Toquinho - Berimbau / Chega de Saudade / Canto OssanhaRSI MusicaBerimbau / Chega de Saudade / Canto Ossanha
Vinicius de Moraes, voce
Antônio Carlos (Tom) Jobim, piano e voce
Toquinho, chitarra e voce
Miucha, voce
Mutinho, batteria
Azeitona, basso
Roberto Sion, flauto e sax
Georgiana de Moraes, percussioni
Rivedi il concerto del 18 ottobre 1978: https://www.rsi.ch/archivi/rivediamol...
Scopri tutti i contenuti di RSI Musica su: https://www.rsi.ch/musica
#rsimusica #tomjobim #vinicius #viniciusdemoraes #toquinho #rsiarchivi“O Maestro, Poetinha, Miucha e Toquinho, pura historia recheada com muita qualidade!”“O Maestro, Poetinha, Miucha e Toquinho, pura historia recheada com muita qualidade!”👆"Mas confiei!"Vininha batendo cabeça em reverência aos guias protetores da Bahia
Longe da pátria em tempos de assombro, o Poetinha fez do palco na Itália o seu terreiro sagrado. No gesto profundo de bater cabeça aos guias, Vinicius transformou o sufoco em oração e a dor do exílio em pura reverência e esperança. A força da Bahia protegendo o mundo. ✨📿 [1] (https://casaditaliajf.com.br/2021/06/28/revista-casaditalia-o-encontro-feliz-do-poeta-brasileiro-vinicius-de-moraes-com-a-italia/), [2] (https://piaui.uol.com.br/web/a-hora-da-refazenda/)Alvoradas do Reino do Senhor - Artur ValadaresNEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
31 de ago. de 2024
Palestra realizada no dia 31/08/2024 no Centro Espírita Missionário da Luz, em Pirassununga/SP, durante o 10º A.M.O.Cap 177 de 180 - EDIFICAÇÃO DO REINO - Estudo do Livro Vinha de Luz - Emmanuel e Chico XavierRabi Raboni“O Reino de Deus está no meio de vós.” — Jesus. (LUCAS, 17.21)
1 Nem na alegria excessiva que ensurdece.
2 Nem na tristeza demasiada que deprime.
3 Nem na ternura incondicional que prejudica.
4 Nem na severidade indiscriminada que destrui.
5 Nem na cegueira afetiva que jamais corrige.
6 Nem no rigor que resseca.
7 Nem no absurdo afirmativo que é dogma.
8 Nem no absurdo negativo que é vaidade.
9 Nem nas obras sem fé que se reduzem a pedra e pó.
10 Nem na fé sem obras que é estagnação da alma.
11 Nem no movimento sem ideal de elevação que é cansaço vazio.
12 Nem no ideal de elevação sem movimento que é ociosidade brilhante.
13 Nem cabeça excessivamente voltada para o firmamento com inteira despreocupação do valioso trabalho na Terra.
14 Nem pés definitivamente chumbados ao chão do Planeta com integral esquecimento dos apelos do Céu.
15 Nem exigência a todo instante.
16 Nem desculpa sem fim.
17 O Reino Divino não será concretizado na Terra através de atitudes extremistas.
18 O próprio Mestre asseverou-nos que a sublime realização está no meio de nós.
19 A edificação do Reino Divino é obra de aprimoramento, de ordem, esforço e aplicação aos desígnios do Mestre, com bases no trabalho metódico e na harmonia necessária.
20 Não te prendas excessivamente às dificuldades do dia de ontem, nem te inquietes demasiado pelos prováveis obstáculos de amanhã.
Vive e age bem no dia de hoje, equilibra-te e vencerás.
EmmanuelTexto extraído da 1ª edição desse livro.177Edificação do ReinoTema principalPoema de sete faces (Carlos Drummod de Andrade)
O mundo de cabeça virada
domingo, 13 de setembro de 2026
A eleição na Alemanha, a crise do Supremo e a desesperança na democracia, por Luiz Carlos Azedo
Correio BrazilienseA insegurança jurídica adia investimentos, interrompe decisões empresariais, contamina as expectativas econômicas e aumenta a frustração social e política
A vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt, estado da antiga Alemanha Oriental, é mais um sinal de que a democracia liberal enfrenta uma crise que ultrapassa fronteiras. A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve cerca de 44% dos votos, mais do que o dobro da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, e ficou próxima da maioria absoluta. O partido continuará afastado do governo pelo Brandmauer — o “muro corta-fogo” que impede alianças das forças democráticas com extremistas —, mas já condiciona toda a política alemã.
A contradição é evidente: a barreira político-partidária protege as instituições, mas não impede o crescimento eleitoral da AfD. A extrema direita não precisa negociar, moderar suas propostas nem prestar contas pelos resultados de um governo. Denuncia a todos, promete soluções impossíveis e responsabiliza àqueles que lhe impedem o acesso ao poder. O fenômeno possui causas econômicas, sociais e culturais. A estagnação, a desigualdade entre o Leste e o Oeste alemães, a imigração, a transição energética, a guerra da Ucrânia e a perda de referências comunitárias criaram um contingente de eleitores que não se sente representado. Continuam votando, mas já não acreditam que as instituições tradicionais sejam capazes de melhorar suas vidas.
Existe um ambiente semelhante de desesperança em grande parte do Ocidente. A globalização integrou mercados e multiplicou riquezas, mas também desorganizou comunidades, concentrou renda e reduziu a capacidade dos Estados nacionais de proteger seus cidadãos. Ao mesmo tempo, os êxitos econômicos de regimes iliberais do Oriente são utilizados como argumento contra a democracia, como se seus Poderes fossem obstáculos à eficiência. O Brasil não está fora desse contexto.
Nossos problemas podem ser agravados por fatores internacionais, entre os quais as pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as guerra do Irã e da Ucrânia, mas suas saídas são nacionais. A resposta não está na substituição da democracia pelo autoritarismo, e sim na recuperação da capacidade de governar para todos, oferecer serviços públicos de qualidade, gerar prosperidade para os mais pobres e submeter todos à mesma lei. O Estado democrático precisa se reformar para atender às expectativas do povo.
É nesse ponto que o caso alemão se encontra com a crise brasileira. As diferenças históricas são enormes, mas o mecanismo político é parecido. Aqui, a grande rejeição aos principais candidatos à Presidência mostra que a maioria do eleitorado já não se reconhece nas alternativas oferecidas. A polarização mobiliza bases fiéis, mas também produz fadiga, ressentimento, medo e sensação de aprisionamento. Milhões de brasileiros imaginam que, qualquer que seja o resultado eleitoral, o país continuará submetido aos mesmos conflitos e incapaz de enfrentar seus problemas concretos.
A crise do Supremo Tribunal Federal acrescenta um componente explosivo a esse ambiente. O STF deveria ser o ponto de estabilidade do regime, o guardião da Constituição e o árbitro dos conflitos entre os Poderes. Entretanto, decisões monocráticas contraditórias, disputas entre ministros e o caso Banco Master transformaram a Corte no epicentro da insegurança institucional.
Paralisia econômica
O problema ultrapassa os nomes de Alexandre de Moraes e de André Mendonça, estão além da força de Flávio Dino ou de Gilmar Mendes. Quando os julgadores parecem envolvidos nos fatos que deveriam julgar, a confiança no devido processo legal é inevitavelmente abalada. As providências de Fachin foram suspender decisões conflitantes, preservar o comando da Polícia Federal, quebrar o sigilo das investigações já concluídas, retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e submeter ao plenário a abertura de investigação. São medidas necessárias, mas talvez insuficientes. É preciso esclarecer integralmente os fatos, definir responsabilidades e demonstrar que nenhum ministro está acima da Constituição.
Manifestos de entidades empresariais, associações civis e ex-integrantes do Supremo sobre a crise possuem, nesse contexto, dois significados. O primeiro é positivo: revelam que as elites do país procuram uma saída dentro das instituições. Seus signatários não pedem a destruição do STF, mas sua recuperação. O segundo é um alerta: quando setores responsáveis pela produção e pelos empregos do país se mobilizam para denunciar uma crise institucional, sinalizam que a instabilidade já ultrapassou os limites do mundo político e jurídico, paralisou a economia.
A insegurança política e jurídica adia investimentos, interrompe decisões empresariais e contamina as expectativas econômicas. Em consequência, por sua vez, aumenta a frustração social e oferece combustível aos discursos antissistema. Nenhuma muralha institucional será suficiente se, aos olhos da população, aqueles que estão dentro dela abusarem do poder, protegerem aliados ou se recusarem a prestar contas. A extrema direita cresce e captura o centro quando consegue convencer as pessoas de que todas as instituições fazem parte de um único sistema voltado para a própria preservação.
A crise do Supremo não favorece apenas um candidato ou campo ideológico. Fortalece as narrativas dispostas a apresentar a democracia como fraude, o equilíbrio entre os Poderes como conspiração e as garantias constitucionais como obstáculos à vontade popular. A História nos ensina que a desesperança na democracia é a antessala do autoritarismo.
Se o desgaste político abre caminho para as crises, a resposta do Judiciário pode tanto estancar quanto agravar a paralisia.
domingo, 13 de setembro de 2026
Democracia e ideal republicano, por Pedro S. MalanO Estado de S. PauloA visão política surge do encontro oportuno entre uma nova realidade social, ideias aptas a captá-la e líderes capazes de estabelecer a ligação entre ideia e realidade
A mais bela defesa do ideal democrático que conheço é aquela de Norberto Bobbio: “Apenas em um regime democrático são possíveis a aceitação e o elogio da diversidade; o reconhecimento da legitimidade e da fecundidade dos conflitos de razão e de interesse; a absoluta liberdade de opinião; o ideal da tolerância; o ideal da não violência. Apenas em democracias é possível livrar-se de governantes sem derramamento de sangue e resolver conflitos sem o recurso à força. Apenas em democracias é possível a renovação gradual da sociedade pelo livre debate de ideias e pela mudança de mentalidades. Apenas em democracias é reconhecida a necessidade de antepor limites ao poder, mesmo quando esse poder é o da maioria que o conquistou pela força do voto”.
Dito isto, uma democracia digna deste nome deve também incorporar a virtude cívica dos cidadãos e o ideal republicano. Isso se revela não apenas no voto: exige o acompanhamento atento da atuação dos representantes eleitos, das ações e eficácia dos Três Poderes da República e da interação entre eles. José Murilo de Carvalho caracterizou com propriedade, por meio de exemplos, o que é ou deveria “ser republicano”: “É crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza; é crer na lei como garantia de liberdade; é saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros; é repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas e corporativistas; é acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte; é saber que quem rouba o dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos; é considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu”.
No mundo real, o ideal republicano é tão ou mais difícil de alcançar do que o ideal democrático. Há mais de 250 anos, o decano dos “pais fundadores” dos EUA, Benjamin Franklin, assim respondeu sobre qual sistema político os constituintes estariam propondo: “Uma República, se vocês conseguirem preservála”. Não é fácil. Afinal, constituições, e as instituições por elas criadas, são tão fortes ou fracas quanto o grau de consenso a elas subjacente. Como notou a historiadora Linda Colley em seu belo Guerra, Constituições e a Construção do Mundo Moderno, constituições são criações frágeis, feitas no papel, concebidas por seres humanos falíveis.
No livro The Once and Future Liberal, publicado no primeiro ano do primeiro governo Trump, Mark Lilla apontou: “Há duas gerações a América vive sem uma visão política de seu destino. Não existe uma visão conservadora; não existe uma visão liberal. Existem apenas duas ideologias individualistas, cansadas e intrinsecamente incapazes de discernir o bem comum e de unir o país em torno de sua realização nas circunstâncias atuais. Somos governados por partidos que já não sabem o que querem em um sentido amplo, apenas o que não querem em um sentido restrito. (...) Que espécie de imagem do futuro orienta suas ações? Parece que já não sabem. Portanto, dificilmente se pode esperar que o público saiba.”
A visão política surge do encontro oportuno entre uma nova realidade social, ideias aptas a captá-la e líderes capazes de estabelecer, na mente do público, a ligação entre ideia e realidade, de modo que as pessoas sintam essa conexão. O surgimento de líderes dotados desse talento, como Roosevelt, John F. Kennedy e Reagan, é impossível de prever. Não existem laboratórios capazes de formular o ideal republicano ou candidatos com currículos alinhados para serem entrevistados para o cargo. Tudo o que podemos fazer é nos preparar.
É preciso resistir, em particular, a certa visão que ora encontra ampla acolhida entre extremos do espectro político brasileiro. Aquela visão baseada na formulação de Carl Schmitt, para quem “a distinção política específica à qual ações e motivos políticos podem ser reduzidos é a distinção entre amigo e inimigo”. Como mostrou Mark Lilla, para Schmitt, tudo é potencialmente político: costumes morais, religião, economia, arte, cultura podem se tornar questões políticas, encontros com o inimigo, e transformar-se em fonte de deliberado, e sempre renovado, conflito. Confrontações entre extremos, voltadas a manter mobilizadas e excitadas as redes digitais em torno de fatos alternativos e realidades paralelas.
Creio que o Brasil está a tentar preservar, ou resgatar, o ideal republicano, como mostram as reações da sociedade civil aos eventos recentes, que evidenciam o grau de fadiga e degradação institucionais a que chegamos nas disfunções intra e inter Poderes da República. Agravadas neste conturbado ano eleitoral de 2026, que tem ares de um replay de 2022. A história rima, ensina – e a muitos desatina. Mais do que nunca, é preciso lembrar as palavras de Umberto Eco em seu Cinco Escritos Morais (1997), que reúne textos, como diz, “de caráter ético, ou seja, referem-se àquilo que seria justo fazer, àquilo que não se deveria fazer ou àquilo que não se deve fazer em hipótese alguma”. Na teoria parece óbvio, na prática não o é.
👆Mais do que nunca, é preciso lembrar as palavras de Umberto Eco em seu Cinco Escritos Morais (1997), que reúne textos, como diz, “de caráter ético, ou seja, referem-se àquilo que seria justo fazer, àquilo que não se deveria fazer ou àquilo que não se deve fazer em hipótese alguma”. Na teoria parece óbvio, na prática não o é.
Um jovem engenheiro eletricista formado na PUC-Rio, autor do artigo em tela, tentou cumprir na prática ser idealismo republicano jovem com visão humanista e universal do mundo em movimento!
👆A escolha ideal:"Um jovem engenheiro eletricista formado na PUC-Rio, autor do artigo em tela, tentou viver na prática o seu idealismo republicano, demonstrando uma visão humanista e universal do mundo em movimento."
domingo, 13 de setembro de 2026
Narcisismo patológico de Trump é um perigo, por Dorrit HarazimO GloboUma das fantasias mais recorrentes e irrealizáveis do 47° comandante em chefe é apresentar-se como herói militar
Peter Baker não é um jornalista qualquer. Correspondente-chefe do New York Times junto à Casa Branca, ele traz no currículo a cobertura diária de seis presidentes dos Estados Unidos. É autor de vários livros sobre o poder e a história política moderna e, vez por outra, produz ensaios situando determinados mandatos em contextos mais amplos. Raramente se ocupa de temas amenos do métier. Daí a relevância da reportagem intitulada “60 postagens em 10 horas”, em que Baker se debruça sobre um surto quase psicótico de publicações digitais por parte de Donald Trump no fim de semana passado.
No início, escreveu o jornalista, o feed do presidente americano nas redes sociais era visto como espelho de seu “id”. Mas, desde a incorporação de recursos de IA às postagens, elas passaram também a expressar como Trump deseja ser visto pelo mundo: um guerreiro, um conquistador, uma figura histórica, uma versão mais jovem, mais magra e mais musculosa de si mesmo. Elas servem, sobretudo, de termômetro de seu estado mental aos 80 anos. Uma mente movida a delírios, vaidade e violência.
Os fins de semana e feriados, quando Trump dispõe de menos assessores e mais tempo ocioso, parecem despertar seus fantasmas interiores. As 60 postagens analisadas foram disparadas em rajadas intermitentes de seu clube de golfe em Bedminster, estado de Nova Jersey. Nelas, há muito de (Trump esmaga o Irã com um martelo gigante, subjuga o primeiro-ministro do Canadá com um taco de beisebol) e uma montanha de infantilidades, como o redesenho do mapa-múndi em versões cada vez mais vorazes.
Uma das fantasias mais recorrentes e irrealizáveis do 47° comandante em chefe é apresentar-se como herói militar. Como é sabido, Trump evitou o alistamento militar durante a Guerra do Vietña graças a um diagnóstico de esporões ósseos assinado por um médico que era inquilino de seu pai. Ainda que nunca tenha servido ao país, surge num uniforme militar para posar entre os generais históricos George S. Patton e Douglas MacArthur — cortesia da inteligência artificial.
Para os apoiadores de Trump, essa forma de comunicação direta e sem filtros é considerada “autêntica” e eficaz, pois consegue desencadear horror e alarme nas hostes democratas. Há um deleite ostensivo em ver o adversário levar a sério o que seriam meros trolls bem-humorados. Na verdade, o que precisa, sim, ser considerada é a capacidade mental, física, intelectual e moral de Trump no comando da grande potência em declínio.
— Chega. Nada disso é normal ou aceitável — escreveu Chellie Pingree, democrata do Maine citada por Peter Baker.
Um narcisista patológico no poder — com apenas 30% de aprovação popular, atolado até a cintura na guerra que desencadeou contra o Irã, sem solução para as guerras na Ucrânia e em Gaza, e às vésperas de uma eleição de meio de mandato em que arrisca perder maioria na Câmara e no Senado — é um perigo real. E mundial.
Um indivíduo que se utiliza do dantesco atentado terrorista múltiplo de 2001 contra as Torres Gêmeas para se vangloriar de proezas pessoais, inventadas, não pode ser considerado pessoa equilibrada. Na sexta feira, 11 de setembro, Trump não se perfilou junto aos ex-presidentes dos Estados Unidos reunidos no local da hecatombe de 25 anos atrás para a sempre pungente homenagem aos mortos na tragédia. A cerimônia anual não abre espaço a discursos de políticos, e comove precisamente por isso. A leitura do nome e sobrenome de cada uma das 3 mil vítimas — feita por algum pai, mãe, avô, irmão, filha, neto ou amigo da família — basta. São centenas de origens, etnias, naturalidades e procedências unidas pela morte.
Trump preferiu comparecer à cerimônia realizada em Washington, pelo Pentágono, cujo prédio também foi atingido por um dos voos suicidas de 25 anos atrás. Ali, pôde falar à vontade. E Narciso falou. Descreveu com requintes uma cena de que não existe a mais remota comprovação: ele teria se deslocado ao local das Torres Gêmeas logo depois do atentado e sido carregado para fora da zona de perigo por dois bombeiros:
— Dois caras grandes e fortes — recordou com nostalgia.
Tampouco existe qualquer evidência de outra alegação feita por Trump, de ter ajudado na limpeza da área e testemunhado cenas horríveis de corpos espalhados pelos escombros. Tem mais: nenhum bombeiro, socorrista ou policial jamais viu os 100 ou 200 operários que Trump alega ter despachado para o local em ruínas. O único fato concreto é que ele acompanhou o 11 de Setembro do alto da Trump Tower, localizada na Quinta Avenida em Midtown Manhattan, a seis quilômetros de distância do horror.
O atentado que fez desmoronar certezas consolidadas desde o final da Segunda Guerra emociona a família humana até hoje — à exceção dos terroristas islâmicos e de Donald Trump.
TRUMP PROMETE CHEQUES DE US$ 5 MIL; 11 DE SETEMBRO E GUERRA NO ORIENTE MÉDIO | FORA DA ORDEMCNN Brasil
Transmitido ao vivo em 11 de set. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎
Donald Trump promete cheques de US$ 5 mil por adulto caso os republicanos vençam as eleições de novembro, em uma tentativa de mobilizar a base diante da baixa aprovação do presidente. Mas a proposta é viável e legal? A medida poderia custar mais de US$ 1 trilhão aos Estados Unidos.
No Fora da Ordem desta sexta-feira (11), o programa também analisa os 25 anos dos atentados de 11 de Setembro, as novas declarações de Trump sobre a guerra, a escalada dos Houthis no Oriente Médio e os impactos dos ataques sobre o preço do petróleo.
A edição aborda ainda as novas sanções relacionadas aos assentamentos na Cisjordânia e os desafios para a unidade do Brics diante da guerra no Irã, com Putin, Xi Jinping e Narendra Modi reunidos na cúpula em Nova Délhi.
Assista AO VIVO ao Fora da Ordem, toda sexta-feira, a partir das 13h (horário de Brasília), com apresentação da correspondente da CNN em Nova York Priscila Yazbek, do analista de Internacional Lourival Sant’Anna e do analista sênior de Internacional Américo Martins, direto de Londres.
O público também poderá enviar dúvidas e comentários, que serão incorporados ao debate. Participe com a gente!
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A Rima e a Solução: Crises, Instituições e os Ecos do Vasto Mundo
Por: Redação do Blog Análise transdisciplinar reunindo literatura, geopolítica fictícia, história brasileira e crises institucionais contemporâneas.
1. A Ilusão da Rima e a Realidade Concreta
Em seu célebre Poema de Sete Faces, publicado originalmente no livro Alguma Poesia (1930), o poeta modernista Carlos Drummond de Andrade imortalizou uma das reflexões mais profundas sobre o descompasso entre o formalismo estético (ou o mero acaso) e as angústias reais da existência:
“Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução.”
O eu lírico joga com o fato de a palavra "mundo" estar contida em "Raimundo". No entanto, o encaixe poético perfeito ("a rima") não altera a realidade concreta nem soluciona os impasses do indivíduo diante do "vasto mundo". Essa imensidão física e a pequenez humana diante das engrenagens globais ganham contornos visuais nítidos na representação contemporânea do nosso planeta.
"Mundo mundo vasto mundo / Mais vasto é meu coração" — O contraste entre o gigantismo do espaço e a complexidade interior.
Análise em Vídeo: Poesia e os Impasses da Vida
Assista abaixo a uma análise detalhada sobre a relação entre construções de linguagem, interpretação e contextos históricos em exames nacionais:
2. A Inversão Geopolítica e as Sátiras Críticas
Quando as estruturas socioeconômicas falham, o mundo parece virar de "ponta-cabeça". O humor gráfico e as charges políticas costumam captar esse momento de transição através da ironia extrema. Um exemplo clássico ocorreu nos desdobramentos da Crise Econômica Global de 2008.
Em charges de sátira política daquele período (como as publicadas em meados de 2009), operou-se uma completa inversão dos fluxos migratórios históricos. Em vez de cidadãos cubanos fugindo em balsas para a costa da Flórida, passava-se a retratar cidadãos norte-americanos tentando entrar ilegalmente em Cuba, fugindo da recessão capitalista. Sob o olhar de figuras caricatas que remetem a Raúl e Fidel Castro, a crítica deixava claro que as potências econômicas ocidentais não estavam imunes ao colapso de seus próprios mercados.
3. Simulações do Avesso: Cenários de Conflito Global
A instabilidade internacional contemporânea frequentemente alimenta simulações geopolíticas e fóruns de debates acadêmicos (como os modelos de simulação da ONU - MUNs), que projetam cenários de crise aguda para desafiar a diplomacia mundial:
A Retórica da Guerra: Discursos que utilizam marcos históricos (como o 11 de Setembro) para justificar novas intervenções militares, a exemplo de tensões contra o Irã.
Rotas de Comércio Estranguladas: Movimentações táticas de grupos rebeldes (como os Houthis no Iêmen) tomando ilhas estratégicas e ameaçando o acesso logístico ao Mar Vermelho e ao Golfo de Áden.
Mudanças no Tabuleiro Global: Disputas de influência asiática entre gigantes como China e Índia em cúpulas econômicas (como o bloco dos BRICS), reconfigurando alianças em momentos de ausência de lideranças latino-americanas.
4. O Ideal Republicano e as Fragilidades Constitucionais (Pedro S. Malan)
Em artigo publicado em setembro de 2026 no jornal O Estado de S. Paulo, o economista e analista Pedro S. Malan resgata as premissas da democracia liberal a partir do pensamento de Norberto Bobbio e José Murilo de Carvalho. Malan adverte que uma democracia exige virtude cívica e a compreensão estrita de que o Estado não é extensão de interesses privados.
Evocando a célebre advertência de Benjamin Franklin sobre a fragilidade dos sistemas políticos ("Uma República, se vocês conseguirem preservá-la"), o autor traça pontes com o Brasil contemporâneo. Ele alerta para o risco da adoção do conceito de Carl Schmitt, que reduz a política à lógica binária e destrutiva de "amigo contra inimigo", gerando polarizações estéreis voltadas apenas para manter redes digitais mobilizadas em realidades paralelas.
A história brasileira demonstra que esse desgaste não é inédito. O convite para o almoço oferecido pela Aliança Liberal em 2 de janeiro de 1930, reunindo Getúlio Vargas e João Pessoa no Rio de Janeiro, representou o marco inicial da ruptura que sepultou a República Velha meses depois.
Documento histórico do acervo do CPDOC/FGV: O prenúncio da Revolução de 1930. Como aponta Malan, "A história rima, ensina – e a muitos desatina".
5. A Desesperança na Democracia e a Insegurança Jurídica (Luiz Carlos Azedo)
Se o desgaste político abre caminho para as crises, a resposta do Judiciário pode tanto estancar quanto agravar a paralisia. Em análise complementar publicada no Correio Braziliense, o jornalista Luiz Carlos Azedo expande a discussão para o cenário global e doméstico.
Azedo aponta para o avanço eleitoral da extrema direita na Europa (como a votação expressiva da AfD na Alemanha), onde as barreiras formais partidárias (o Brandmauer ou "muro corta-fogo") protegem as instituições no topo, mas não eliminam o sentimento de desamparo e exclusão do eleitorado na base. Quando as populações percebem que as lideranças tradicionais focam apenas na autopreservação, a desesperança se instala.
No Brasil, esse ambiente de fadiga e ressentimento ganha um componente explosivo com a crise de legitimidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Decisões monocráticas conflitantes, disputas internas expostas e o envolvimento de magistrados nos palcos políticos transformam o tribunal, que deveria ser o árbitro do regime, no epicentro da insegurança jurídica.
A alegoria da Justiça em sobressalto: a instabilidade institucional transborda o mundo jurídico e paralisa a economia real.
Conclusão: O Limiar do Autoritarismo
Os manifestos de setores da sociedade civil e de entidades empresariais carregam um duplo significado: ao mesmo tempo em que buscam pontes institucionais de salvação, acendem um alerta grave. A insegurança política e jurídica afasta investimentos, trava decisões de mercado e deteriora o tecido social.
Quando a sociedade passa a enxergar as salvaguardas constitucionais e o equilíbrio entre os poderes como meros arranjos de conveniência, abre-se espaço para narrativas extremas antissistema. Como assevera Azedo, a história deixa uma lição imutável: o descrédito nas regras do jogo democrático e a busca por meras "rimas" discursivas são, invariavelmente, a antessala do autoritarismo.
sábado, 12 de setembro de 2026
A Corte à beira do abismo, por Thaís OyamaO GloboSe o inquérito das fake news se tornar público, virão à luz procedimentos mantidos há quase oito anos em sigilo
Ao emergir de sua meditação profunda, Edson Fachin tomou nesta semana uma série de medidas para suspender o bangue-bangue do STF — a última delas, a determinação para que André Mendonça levante integralmente o sigilo dos procedimentos do caso Master. As ações do presidente do Supremo se provaram tão tardias quanto vãs. Na quarta-feira, quando foram divulgadas, a Corte já parecia terra sem lei; e até ontem o tiroteio entre os ministros não dava mostra de arrefecer. Duas das providências anunciadas por Fachin, porém, ainda podem mudar os rumos do tribunal, caso sobrevivam à cortina de fumaça com que se pretende desviar o foco do que importa.
A primeira foi a retirada das mãos de Alexandre de Moraes do inquérito das fake news. O UOL revelou ontem que a teratologia jurídica criada por Dias Toffoli e conduzida por Moraes deu origem, ou serviu de base, a mais de cem procedimentos, a maioria sob sigilo. Fachin agora considera torná-los públicos. Se fizer isso, virão à luz procedimentos mantidos em segredo ao longo de quase oito anos. Também se conhecerá a extensão das heterodoxias processuais empregadas por Moraes para conduzir casos formalmente públicos, como o processo ainda em curso contra um advogado por uma malcriação proferida há oito anos contra Gilmar Mendes num aeroporto de Madri.
Será a oportunidade de o Supremo acertar as contas com um inquérito que nasceu para proteger ministros e seus familiares de investigações inconvenientes e cujos métodos foram tolerados por parte da sociedade e pela totalidade da Corte, sob o pretexto de defender a democracia. A depender de Fachin, o inquérito das fake news pode agora deixar a cena para entrar para a História como uma das páginas mais vergonhosas do STF.
A segunda providência capaz de corrigir os rumos da instituição foi a promessa de levar o Supremo a enfrentar a questão de fato premente, por sua gravidade e por ter sido a origem da presente crise: as gritantes suspeitas de prática de crime por um de seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes. Sem enfrentá-la, o Supremo não sairá do atoleiro. E a pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta-feira mostra quanto ele é profundo.
O levantamento apontou que quase metade dos brasileiros (49,7%) confia pouco ou nada no STF. A descrença atravessa praticamente na mesma proporção todos os segmentos demográficos: homens e mulheres, jovens e idosos, ricos e pobres, religiosos e sem religião. Não é uma desconfiança de nicho, mas descrédito generalizado.
Há notícia pior. Segundo o levantamento, 51,6% dos brasileiros concordam com a ideia de que os ministros do STF decidem “mais por interesse próprio do que pela lei”. Isso significa que, quando os dez integrantes da Corte chegam ao plenário com suas togas negras e seus semblantes graves, sob a liturgia vetusta da instituição, mais da metade dos brasileiros os enxerga não como guardiões da Constituição, mas como magistrados que atuam em causa própria.
A gravidade da situação está em a legitimidade do poder de julgar repousar justamente sobre a crença de que juízes atuam como terceiros imparciais: não integram o conflito, não têm interesse pessoal em seu desfecho e decidem segundo o Direito, ainda que contrariem maiorias. Uma Corte que consome sua reserva de legitimidade pode manter o poder de decidir, mas perde a autoridade.
No próximo dia 15, o plenário poderá seguir o que diz a lei: diante de indícios, investigue-se, diante de uma investigação, afaste-se o investigado, diante de uma acusação, dê-se a ele o direito de defesa. Ou pode optar por esconder suas chagas atrás de pedidos de vista e de uma sessão a portas fechadas. Nesse caso, confirmará a percepção pública de que, entre a lei e a autoproteção, escolhe sempre o abismo.
No inquérito policial, o sigilo pode ser aplicado para esconder investigações que ainda estão acontecendo, mas ele nunca pode bloquear o acesso do advogado a provas que já foram juntadas no processo.A regra está no Artigo 20 do Código de Processo Penal (CPP) e na Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal (STF).
O que PODE ser mantido sob sigilo (O que não pode ser aberto)Diligências em andamento: Investigações que ainda vão acontecer, como uma escuta telefônica autorizada, campanas ou mandados de busca que ainda não foram cumpridos.Fator surpresa: Ações da polícia que precisam de sigilo absoluto para não avisar o suspeito e atrapalhar a descoberta da verdade.
O que NÃO PODE ser mantido sob sigilo (O que DEVE ser aberto)Provas já documentadas: Tudo o que a polícia já terminou de fazer e registrou no papel (como depoimentos colhidos, laudos periciais prontos e documentos apreendidos).Direito da defesa: O advogado do investigado tem o direito de ver todas essas provas já prontas para poder defender o cliente de forma justa.
sábado, 12 de setembro de 2026
Sobre como se blinda, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
A sessão do Supremo marcada para 15 de setembro tem como fundamento uma mentira: a de que seria competência exclusiva do plenário autorizar investigação contra ministro. Isso inexiste na Lei e no Regimento do STF – invenção destinada a tornar ainda mais difícil o impossível.
Este artigo parte de um pressuposto: o de que o Supremo não autorizará investigação contra Alexandre de Moraes; consultor de Vorcaro sobre se o banqueiro com ordem de prisão expedida contra si – sabedores ambos dessa informação sigilosa, que discutiam – deveria fugir do País. O cronista quer estar errado. Nunca um ministro do STF foi investigado. Não será esta composição do tribunal a fazê-lo.
Em fevereiro, numa reunião clandestina, os ministros pactuaram por proteger Dias Toffoli. Tinham diante de si um relatório da PF que esmiuçava a relação do colega com Vorcaro e uma arguição de suspeição contra ele. Optaram, todos sabendo do que se tratava, por classificar o documento como “lixo jurídico”.
Foi nessa ocasião que Dino declarou que só por motivo de estupro ou pedofilia admitiria arguição contra um par. Naquela
ocasião, o Supremo de Fachin decidiu pela solução puxadinho em que Dias Toffoli renunciaria à relatoria do caso Master; que passaria a Mendonça, desde então omisso sobre o que a PF apresentara relativamente ao amigo. Um relatório formal, da mesma natureza daquele sobre Moraes, assinado pelos mesmos delegados, merecedor de atenção nenhuma.
Isso será instrumentalizado para catimbar. As prioridades de Mendonça – e a facilidade como se pode fazer de Dias Toffoli um boi de piranha – já ofertando condições para que a imparcialidade do relator seja questionada. Haverá uma blitz por suspeição generalizada. E haverá Gonet, confrade no clube do uísque de Vorcaro, que não viu razão para a prisão preventiva do obstrutor de Justiça, mui à vontade para se manifestar pela nulidade do relatório da PF que documenta a saudade que o PGR sentia do banqueiro “matador”.
O pressuposto pode ser refinado: o Supremo nem sequer chegará a deliberar sobre se investigação contra Moraes deveria ser aberta. A questão sendo como a Corte constitucional procederá para que não investigado seja um dos seus. Os termos da blindagem são negociados agora, articulando-se todos os zanins, tentada a embolação xandônica de julgamentos. As preliminares – as barragens de fachada processual – estão erguidas e se avolumam.
Fachin pode ter ofertado mais uma senha à suspensão. Ao solicitar a Mendonça que remetesse aos ministros todos os procedimentos contidos na investigação sobre o Master, estabeleceu conexão entre esses milhares de arquivos e a petição que será julgada. O imenso volume, associado à escassez de tempo, forjaria o pretexto para pedido de vista. Visto está o jogo. Será inflexão na história do Brasil se se superar o teatro dos vícios. •
Entrevista Exclusiva Dr. Walter Maierovitch “É o pior STF da história”.Marco Antonio Villa
STF vai decidir se crise humanitária pode dispensar visto para reunião familiar no Brasil
Opinion
Guest Essay
Trump Has This Influential Theorist of Democracy Very Worried
Sept. 11, 2026
An illustration of Donald Trump’s face made up of sections of a photo.
Credit...Illustration by Shoshana Schultz/The New York Times
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By Adam Przeworski and John Guida
Mr. Przeworski is a professor emeritus of politics at New York University. Mr. Guida is an editor in Times Opinion.
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The Trump administration’s effort to restrict voting by mail is the latest in a series of challenges to how midterm elections are run.
Is this hardball politics or a crisis of democracy? Adam Przeworski, a professor emeritus of politics at New York University, is an authoritative theorist of democracy. He is known for this theory: “Democracy is a system in which parties lose elections,” he wrote in 1991.
He assessed the state of democracy in America and elsewhere in the world in a written conversation with John Guida, an editor in Times Opinion. It has been edited for length and clarity.
John Guida: Your view of what makes a democracy a democracy stresses the integrity of elections. In light of the Trump administration’s interjections and various court rulings, how are you thinking about the U.S. midterm elections?
Adam Przeworski: I must preface all my responses by emphasizing that I am not a specialist on U.S. politics. But some aspects of the current situation are glaring. The Trump administration is dismantling agencies, discontinuing services, reducing spending and deregulating. It uses the language of “the enemy within,” attacking political opponents and their sources of financing, intimidating the news media, universities and law firms, building a new police force, putting troops on the streets.
The big question, which I take seriously, is whether all these measures are putting democracy in danger. This very possibility was just inconceivable before 2020, but the stakes in elections are high and, as a prominent political scientist, Seymour Martin Lipset, observed long ago, “If loss of office means serious losses for major power groups, they will seek to retain or secure office by any means available.”
Fachin decide que julgará Moraes e Mendonça separadamente e marca nova sessão para 23 de setembroEdson FachinCrédito,Reuters
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Julia BraunRole,Da BBC News Brasil em Londres e Author,Mariana SchreiberRole,Da BBC News Brasil em Brasília e Londres
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou neste sábado (12/09) o pedido do ministro Alexandre de Moraes para que o plenário da Corte julgasse em conjunto as denúncias contra ele e o ministro André Mendonça.
Fachin convocou uma sessão plenária extraordinária para a próxima terça-feira (15/9) para tratar da petição 16.662, procedimento no qual Mendonça tornou públicas, em 1º de setembro, as conversas suspeitas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Moraes havia solicitado que, no mesmo dia, também fosse analisada a petição 16.704, em que apresentou questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos Master e INSS.
O ministro Alexandre de Moraes usou relatórios da inteligência da Polícia Federal para acusar André Mendonça de, "em tese", ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com quebra da "imparcialidade judicial" e "favorecimento a determinados grupos políticos" ao atuar como relator dos casos.
Em sua resposta, porém, Fachin negou o pedido e marcou para 23 de setembro o julgamento do pedido de investigação contra Mendonça.
Moraes havia apresentado o requerimento à presidência alegando o "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual" caso os processos fossem apreciados separadamente.
O ministro Gilmar Mendes também havia protocolado um pedido para que a Corte avaliasse, em conjunto, as acusações contra Mendonça e Moraes.
Como será sessão do dia 15?
As sessões extraordinárias do plenário são reuniões convocadas fora dos dias e horários em que normalmente ocorrem — nas tardes de quarta e quinta-feira — para a apreciação de temas urgentes ou de grande volume processual.
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Na sessão da próxima terça, é esperado que, além dos elementos trazidos contra Moraes nos diálogos recuperados no celular de Vorcaro pela Polícia Federal, o plenário também discuta o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o procedimento de Mendonça contra Moraes na petição.
Ou seja, se Mendonça poderia ter solicitado a produção do relatório que obteve as conversas de Moraes com Vorcaro.
Para a PGR, o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário da Corte antes de determinar a apuração sobre a relação entre o colega de toga e o banqueiro. A procuradoria sustenta ainda que Mendonça extrapolou sua atuação como juiz ao "mirar" as investigações contra um alvo determinado.
Quando convocou a sessão do dia 15, Fachin apontou que o fez para que haja uma deliberação unificada do caso e que essa possa pacificar o cenário de decisões monocráticas sobrepostas.
Fachin justificou que há no STF um "quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal", com "decisões monocráticas sucessivas, proferidas por integrantes desta Corte em incidentes distintos, mas entrelaçados pelos mesmos fatos e autoridades".
"Há especial dever de se assegurar a integridade e a adequada direção dos trabalhos desta Corte", diz.
O presidente do STF também anunciou, entre outras coisas, que retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News.
Mendonça e Moraes Crédito,Getty Images
Legenda da foto,Mendonça e Moraes são pivôs da crise sem precedentes no Supremo
As outras decisões de Fachin que podem ir ao plenário
Quando anunciou pela primiera vez a convocação da sessão extraordinário do dia 15, Fachin paralisou o andamento da petição de Mendonça questionando a conduta de Moraes até que o plenário delibere sobre o processo na terça-feira.
Ele também suspendeu qualquer procedimento ou investigação que envolva ministros do STF sem a prévia remessa e avaliação pela Presidência da Corte.
O presidente ainda suspendeu os efeitos da liminar de Mendonça que atendeu a um pedido do Partido Novo, determinando o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência policial, Leandro Almada da Costa.
Também suspendeu a decisão do ministro Flávio Dino, que havia determinado a reintegração de Andrei e Almada aos cargos. Ele argumentou que a deliberação é de "competência exclusiva da presidência do STF".
Por fim, o presidente do STF ainda retirou da relatoria do ministro Moraes o chamado inquérito das fake news, que foi usado pelo ministro para acusar Mendonça de, "em tese", ter cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade.
Segundo Moraes, houve quebra da "imparcialidade judicial" e "favorecimento a determinados grupos políticos" de Mendonça ao atuar como relator dos casos do escândalo do INSS e do Banco Master.
Com a retirada de Moraes da relatoria, Fachin assumirá o polêmico inquérito das fake news — salvo as ações penais já instauradas em decorrência do inquérito, que continuarão a cargo de Moraes.
O inquérito foi criado em 2019 por decisão do ministro Dias Toffoli, então presidente do STF, que escolheu Moraes como relator.
O objetivo era apurar ameaças contra ministros do Supremo e "ataques à democracia". Desde então, o inquérito foi renovado e ampliado por Moraes — abarcando desde fraudes em cartões de vacinação de autoridades do governo Jair Bolsonaro aos ataques do 8 de Janeiro.
Os anúncios de Fachin vieram após ministros aposentados do STF, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e lideranças empresariais cobrarem, nos últimos dias, que ele convocasse o plenário com urgência para deliberar sobre a crise.
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O RARÍSSIMO Fusca Pé-de-Boi 1965: A História Real por Trás do Modelo ‘Pelado’ da VWMovidos Por Motores
11 de jan. de 2026 #CarrosAntigos #Fusca #CarrosClássicos
Neste vídeo apresento não apenas um raríssimo VW Fusca Pé-de-Boi 1965, mas sim 3 exemplares de um dos modelos mais simples e emblemáticos já produzidos pela Volkswagen no Brasil.
Conto como surgiu a ideia do famoso “Fusca pelado”, por que a VW decidiu lançar um carro extremamente minimalista e quais eram suas principais diferenças em relação aos outros Fuscas da época.
Além da história, mostro todos os detalhes desses exemplares, incluindo interior, acabamento, motor, características originais e curiosidades que pouca gente conhece.
Se você gosta de carros antigos, história automotiva ou é apaixonado por Fusca, este vídeo vai te surpreender!
O Fusca mais básico que o básico, feito em 1965 pra crise: sem retrovisores, sem cromados, painel só velocímetro.Relíquia raríssima hoje!Você conhecia esse Fusca?
Obra registrada na época de sua criação, em 1959.
A conexão poética e histórica une a sofisticação da arquitetura monumental e a realidade crua dos trabalhadores que ergueram a nova capital brasileira.
O Contraste de Brasília:
O Mármore e o Barro
Os Cinco Pés sobre a Pedra (A Elite Arquitetônica):
Inaugurado na esteira da nova capital (1960), o Palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) exibe os traços de Oscar Niemeyer. Seus apoios curvos de mármore branco — os "pés" sobre a pedra polida — criam a ilusão de leveza, flutuação e o ápice do modernismo institucional.
O Pé de Boi sobre o Barro (A Força Candanga):
No lado oposto da pirâmide social, os candangos trabalhavam como "bois" na terra, moldando a infraestrutura de Brasília em apenas 5 anos.
O codinome "Pé de Boi", posteriormente herdado pelo Fusca despojado e focado no trabalho bruto, reflete a ausência de adornos e a pura resistência exigida daqueles que pisavam no barro vermelho do Planalto Central.
A Homenagem Póstuma e o Orgulho Candango
A epopeia de construir uma capital em tempo recorde cobrou vidas em acidentes e jornadas exaustivas.
A marca dos pés deixados sobre as superfícies e monumentos de Brasília serve como uma homenagem póstuma silenciosa a esses operários.
Longe de ser um termo pejorativo, o título de Candango transformou-se em sinônimo de orgulho e dignidade: o reconhecimento definitivo de que a beleza flutuante do mármore de Niemeyer só existe porque foi sustentada pela força de quem cravou os pés no barro.
Se quiser aprofundar nessa homenagem histórica, posso detalhar:
A história por trás do Monumento aos Candangos (escultura "Os Guerreiros" de Bruno Giorgi) na Praça dos Três Poderes.
O cotidiano e as vilas operárias temporárias, como a Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante).
Os Candangos
Os Candangos'
Autor Bruno Giorgi
Data 1957
Gêneroescultura públicaTécnica bronze
Dimensões 8 metro
Localização Praça dos Três Poderes
[edite no Wikidata]Supremo anula lei municipal que proibia seguradoras de comprar peças de reposição de veículosNorma de São José do Rio Preto (SP) contrariava a regulamentação federal sobre mercado de seguros
11/09/2026 16:05 - Atualizado há 17 horas atrás
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade de uma lei municipal de São José do Rio Preto (SP) que proibia seguradoras de comprar diretamente peças de reposição de veículos. A decisão foi tomada no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1258, na sessão virtual encerrada em 4 de setembro.
A norma previa que somente oficinas poderiam comprar os produtos para serviços de funilaria e pintura. Na ação, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSEG) alegava que o município teria invadido a competência da União para regular o setor de seguros privados.
O relator, ministro Gilmar Mendes, acolheu os argumentos. O decano ressaltou que cabe à União regulamentar os seguros, como já fez por meio do Decreto-Lei 73/1966, que estrutura o Sistema Nacional de Seguros Privados. O ministro lembrou ainda que está em vigor uma circular que trata justamente da aquisição dessas peças para veículos sinistrados.
“A regulamentação federal já disciplina de maneira minuciosa e suficiente a forma como devem ser realizados os reparos, incluindo a possibilidade de aquisição direta de peças por parte das seguradoras, bem como o uso de peças novas ou usadas, desde que observados os critérios legais e técnicos definidos”, afirmou.
A decisão foi unânime.
(Paulo Roberto Netto//CF)
Bíblias, psicanálise, Zéfiro e Trotsky: Eugênio Bucci mostra o que guarda em sua biblioteca; vejaKid Abelha - Grand' Hotel (clipe original - 1991)andrefbr
7 de nov. de 2007
Música do álbum "Tudo é permitido", de 1991.
Clipe gravado em Veneza (Itália), em abril de 1991.
Diretor: Lui Farias.
Vídeo por Marcos Augusto.
Nada tanto assimKid Abelha
Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor
Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
Pelas estrelas que eu encontro
Na crítica do leitor
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
Enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
Enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Composição: Bruno Fortunato, Leoni.Bíblias, psicanálise, Zéfiro e Trotsky: Eugênio Bucci mostra o que guarda em sua biblioteca; vejaEstadãoEstreou em 3 de set. de 2026#Notícias #Estadão
Eugênio Bucci usa um trecho da canção 'Nada tanto assim' do Kid Abelha para definir sua biblioteca pessoal: “Eu tenho pressa. E tanta coisa me interessa. Mas nada tanto assim”. Quando a faixa do álbum 'Seu Espião' foi lançada, em 1984, o jornalista era recém-formado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “Eu sou um curioso. Vou passando pelas coisas sem conhecê-las o suficiente”, ele define.
Em seu escritório, na região de Pinheiros, em São Paulo, Bucci guarda parte da sua coleção de livros. “Essa é uma biblioteca mais árida, uma biblioteca de pensamento”, explica. As obras de literatura e poesia, por exemplo, estão guardados em sua casa em Orlândia, a cerca de 300 km da capital, onde nasceu.
Bucci é mais um escritor que topou participar do Coleção de Livros, série do Estadão que vasculha as estantes literárias de diferentes personalidades.
ASSISTA A TODOS OS EPISÓDIOS:
• Coleção de livros
-
OS LIVROS E AUTORES CITADOS POR BUCCI:
As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (coleção Clássicos Jackson)
O processo da comunicação: introdução à teoria e à prática, de David K. Berlo
Dicionário Oxford de literatura clássica, de Paul Harvey
Dicionário infernal: repertório universal, de Collin de Plancy
O capital, de Karl Marx (edição da Ubu Editora, em três volumes)
A Bíblia de Jerusalém (selo Edições Paulinas)
Bhagavad-Gita, de Krsna Dvaipayana Vyasa
Alcorão (texto sagrado islâmico)
Autobiografia de um iogue, de Paramahansa Yogananda
O erotismo, de Georges Bataille
Marquês de Sade (político e filósofo francês)
Max Weber (sociólogo alemão)
Carlos Zéfiro, quadrinista brasileiro
Juca Kfouri, jornalista brasileiro
Ética, de Baruch Spinoza
Marilena Chauí (filósofa brasileira)
Ensaios e conferências, de Martin Heidegger
Capitalismo superindustrial, de Fernando Haddad
A superindústria do imaginário, de Eugênio Bucci
A vida simbólica, de Carl G. Jung
Sigmund Freud (psicanalista austríaco)
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Escritos, de Jacques Lacan
Suplemento cultural (seção de O Estado de S. Paulo)
Antonio Candido (crítico literário brasileiro)
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The World on Sunday: Graphic Art in Joseph Pulitzer's Newspaper, de Nicholson Baker
Joseph Pulitzer (jornalista húngaro)
200 anos de Correio Braziliense (fac-símiles organizados por Alberto Dines)
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Elio Gaspari (jornalista brasileiro)
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Lucia Santaella (professora brasileira)
Charles Sanders Pearce (filósofo norte-americano)
A história da Revolução Russa, de Leon Trotski
Drummond frente e verso: fotobiografia de Carlos Drummond de Andrade
The final days, de Bob Woodward e Carl Bernstein
Jorge Luis Borges (escritor argentino)
Flávio é um candidato sob suspeitaPor O Estado de S. PauloCom autorização de André Mendonça, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela PF por sua relação financeira com Daniel Vorcaro e segue devendo explicações convincentes ao País
O País acaba de tomar conhecimento de que Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, é oficialmente investigado pela Polícia Federal (PF) por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Como se sabe, Flávio pediu de viva voz R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF. O candidato, inclusive, esteve pessoalmente com o banqueiro vigarista no curto interstício em que ele esteve livre, condicionado ao uso de tornozeleira eletrônica, entre uma prisão e outra.
É gravíssimo o fato de um candidato favorito, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, concorrer à Presidência da República na condição de investigado – e sob tão sérias suspeitas. Isso só reforça que Flávio Bolsonaro não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos, quanto mais para ser chefe de Estado e de governo.
Ao que tudo indica, o financiamento do tal filme pode ter sido apenas um meio de obtenção de dinheiro sujo da rede de operações de Vorcaro para bancar uma série de gastos de figuras de proa do bolsonarismo – desde a produção do filme propriamente dita até o sustento da vida de playboy que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, leva nos Estados Unidos. Um fundo de investimentos no Texas, cujo titular é um advogado amigo de Eduardo, recebeu dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse, uma transação inusual no setor audiovisual. Ademais, há suspeita, ainda a ser investigada, de que parte dos milhões recebidos por Flávio de Vorcaro possa ter sido usada no financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”.
Louve-se aqui a iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de pedir a Mendonça, relator do caso Master na Corte, que levantasse o sigilo das investigações, pedido este atendido, ainda que parcialmente. Por mais graves que sejam as informações que ora vêm a público, é incerto se elas prejudicarão a candidatura presidencial de Flávio. Mas isso pouco importa. O eleitor tem o direito de ir às urnas sabendo exatamente de tudo o que pesa contra quem pretende governá-lo. A decisão de voto diz respeito apenas à sua consciência.
Diante dessa mixórdia entre interesse público e interesses privados, Flávio não só segue devendo explicações convincentes ao País, como chega a ser cínico ao insistir que tudo não teria passado de uma relação “privada”, envolvendo dinheiro “privado”. É uma dupla mentira. Em primeiro lugar, porque há fundadas suspeitas de que recursos de emendas ao Orçamento da União do deputado federal Mario Frias (PL-SP) tenham sido direcionados para o orçamento de Dark Horse, como revelou a Operação Make Up, deflagrada pela PF há poucos dias. Em segundo lugar, porque o dinheiro de Vorcaro não pode ser tratado naturalmente como recurso privado: trata-se de fruto da maior fraude financeira de que o País já teve notícia. O que Flávio trata como dinheiro “privado” é o prejuízo de milhões de correntistas, investidores, servidores públicos e aposentados, o maior rombo já coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
Se Flávio Bolsonaro considera normal financiar uma hagiografia do pai – e sabe-se lá mais o quê – com recursos de origem tão gritantemente espúria, a fragilidade jurídica da defesa é o menor de seus problemas. Está-se diante, isso sim, de sua própria falência ética. Espera-se que um candidato à Presidência da República saiba distinguir entre o certo e o errado, o público e o privado, o lícito e o ilícito. Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil.
Pode não parecer, mas caráter ainda importa. E ele se revela nas escolhas feitas por um candidato. Flávio fez as suas: chamou Vorcaro de “irmão” no áudio em que lhe pediu R$ 134 milhões e não teve pudor em ignorar a origem do dinheiro. Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República.
A era da fricçãoPor O Estado de S. PauloEstudo mostra que o mundo enfrenta hoje o maior número de conflitos militares desde o fim da 2.ª Guerra. Esse recorde reflete a precariedade perigosa da nova distribuição de poder
O Uppsala Conflict Data Program, uma das principais bases sobre conflitos armados, registrou no ano passado 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado, o recorde desde o final da 2.ª Guerra Mundial, em 1945. As mortes cresceram mais de 30% em um ano. Mas a violência não recrudesceu por igual. O Sudão respondeu pela explosão das mortes de civis, ao mesmo tempo que conflitos entre grupos não estatais recuaram. Por outro lado, em apenas dois anos, os conflitos entre Estados saltaram de dois para oito.
Na Europa, a mudança ganhou contornos antes disso. A anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 mostrou que uma fronteira podia novamente ser alterada pela força. A invasão russa da Ucrânia em 2022 submeteu a teste muito maior a disposição do Ocidente de sustentar os agredidos. Moscou descobriu que europeus e americanos forneceriam armas, dinheiro e inteligência em escala, mas evitariam combater uma potência nuclear. Quatro anos depois, os limites continuam sendo apurados no campo de batalha.
Logo após o fim da guerra fria, esses testes pareceram menos atraentes. A chamada Pax Americana esteve longe de ser uma era de paz, mas combinou uma excepcional superioridade dos EUA com a arquitetura de alianças, bases, instituições e compromissos que construíra desde 1945. Parte do êxito era invisível: uma garantia que dissuade um ataque não precisa ser acionada; uma fronteira que ninguém atravessa não vira manchete. A previsibilidade podia assim ser confundida com uma propriedade natural do sistema internacional.
Essa arquitetura está sob pressão. A Rússia tenta rasurar a ordem territorial da Europa e testa seus nervos com provocações híbridas. A ascensão da China mudou a distribuição de poder sem arrancá-la de uma economia global que ajudou a enriquecê-la. No Oriente Médio, a guerra com o Irã rompeu limites que por décadas canalizaram a hostilidade para milícias aliadas e confrontos indiretos. Os EUA continuam sendo a potência militar preeminente, mas sua política também produz instabilidade. Ao questionar alianças e compromissos, o presidente americano Donald Trump deprecia ativos que multiplicaram o próprio poder de seu país.
Redistribuir poder é mais rápido do que estabelecer regras que acomodem a nova distribuição. Nos anos 1930, sucessivos desafios expuseram a distância crescente entre as regras existentes e a disposição das potências para sustentá-las. Cada teste mal contido tornou o seguinte mais tentador. A guerra fria seguiu outra trajetória. Depois de crises que resvalaram na catástrofe, Washington e Moscou aprenderam limites, criaram canais de comunicação e pactuaram controles de armas. Continuaram inimigos, mas redigiram uma gramática de dissuasão que minimizou os riscos de colisão direta.
O presente não reproduz nenhum desses períodos. Há mais centros de decisão do que na guerra fria e interdependência econômica muito maior do que nos anos 1930. A multiplicidade de arsenais nucleares desencoraja uma guerra entre potências – embora torne qualquer erro de cálculo incomparavelmente mais perigoso. Talvez “interregno” descreva esse intervalo: a velha arquitetura ainda existe, porém organiza as expectativas com menos segurança, enquanto nenhuma outra adquiriu autoridade para substituí-la.
A Europa mostra como erosão e recomposição podem avançar juntas. A agressão russa levou a Finlândia e a Suécia à Otan e acelerou o rearmamento. Persistem, porém, carências militares e industriais, enquanto as incertezas plantadas por Trump abalam o coração da dissuasão transatlântica. Capacidade militar e credibilidade política nem sempre caminham juntas. Pequim observa essas respostas ao calcular seus riscos em Taiwan, onde o êxito da dissuasão depende de evitar o experimento que revelaria até onde cada lado está disposto a ir.
O recorde de conflitos ocorre, portanto, num momento inquietante. A unipolaridade acabou, mas a distribuição de poder que emerge em seu lugar ainda não encontrou limites suficientemente reconhecidos e críveis. É nesse intervalo que potências medem compromissos, sondam adversários e calculam se devem recuar ou dobrar a aposta. Um sistema se torna especialmente perigoso quando a maneira mais confiável de descobrir onde termina a liberdade de ação de um país é avançar até que outro o detenha.
A ilusão da deflaçãoPor O Estado de S. PauloEnergia derruba inflação em agosto, mas alívio é temporário e preços de maneira geral continuarão pressionados
O índice oficial de inflação do País registrou queda de 0,32% na inflação em agosto, a maior desde 2022. Foi a primeira deflação desde agosto de 2025, o que é sempre uma boa notícia em um país que convive há anos com preços sob pressão. Mas é exatamente por isso que é importante avaliar os motivos por trás desses resultados para saber se são pontuais ou definitivos. E o resultado, desta vez, foi puxado sobretudo pela redução de 7,63% nos preços de energia elétrica, que caíram em razão do chamado bônus de Itaipu, um desconto extraordinário aplicado às faturas emitidas no mês passado.
É verdade que não foi apenas o preço da energia que caiu em agosto. Passagens aéreas recuaram 13,17%, e o grupo Alimentação e Bebidas teve queda pelo terceiro mês consecutivo, desta vez de 0,34%, inclusive em itens relevantes para o consumo das famílias brasileiras, como tomate, batata-inglesa, cenoura, cebola, ovos e café moído.
Mas a contribuição negativa da energia para o cálculo da inflação foi crucial, de 0,33 ponto porcentual. Ou seja, sem o bônus de Itaipu, não teria havido deflação no mês passado, mas uma pequena inflação de 0,01%. Sem o bônus, em setembro os preços de energia voltarão ao patamar em que estavam, e a perspectiva de efeitos do super El Niño no campo deve pesar nos alimentos a partir de agora.
Houve redução, também, de 0,91% nos preços de combustíveis, entre os quais etanol (-3,95%), gasolina (-0,59%) e diesel (-0,80%). Mas isso não teria sido possível sem as medidas que o governo Lula tem adotado desde março para segurar preços após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente escalada da cotação do barril de petróleo.
Subsídios fiscais a combustíveis e subvenções a produtores e importadores já custaram R$ 25 bilhões aos cofres públicos e devem demandar mais R$ 12,5 bilhões somente até o fim deste mês. O consumidor pode até não perceber o efeito dessas ações na bomba, mas é esse tipo de política pública que explica o fato de a taxa básica de juros estar em 14% ao ano.
Em 12 meses, a inflação acumulada está em 4,22%, acima do centro da meta (3%), mas abaixo do limite superior (4,5%). Bancos e consultorias como Bradesco, Suno Research e Warren Investimentos, no entanto, projetam que o IPCA deve encerrar o ano em 5%.
Nada disso deve interromper o ciclo de redução da Selic. Para a maioria do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) provavelmente cortará os juros em mais 0,25 ponto porcentual na semana que vem, para 13,75% ao ano.
Para o governo Lula, tanto a deflação quanto a queda dos juros a menos de um mês da eleição certamente serão exploradas por sua campanha, mesmo porque tudo de que sua equipe precisa neste momento são notícias positivas que se contraponham à crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
O maior desafio, no entanto, será convencer a população de que sua percepção sobre seu custo de vida e a economia como um todo vale menos que os indicadores divulgados pelo IBGE.