quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Saúde e avante!

"Mas quem tem defeito que se cale agora / Ou que dê um jeito de ficar de fora" Elegia 1938 | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas Mundo Dos Poemas A Sociedade em Rede no Século XXI: uma Perspectiva Retrospectiva Fundação FHC 2 de jul. de 2026 A Fundação FHC realizou um webinar com o renomado sociólogo espanhol Manuel Castells. Os livros de Castells sobre a era da informação, as sociedades em rede e o poder das identidades marcaram época na interpretação das diversas facetas da globalização na virada do século 20 para o 21. Neste evento on-line, ele revisitou essas ideias à luz das transformações recentes do mundo contemporâneo, marcado por inovações tecnológicas como a IA, pela crise da democracia, pela ascensão de regimes autocráticos e pelo recrudescimento das rivalidades geopolíticas. A mediação foi de Sergio Fausto, diretor geral da Fundação FHC. CONVIDADO: MANUEL CASTELLS Sociólogo espanhol, é professor de Tecnologia da Comunicação e Sociedade na University of Southern California, professor emérito de Sociologia e Planejamento na University of California, Berkeley e professor honorário de Comunicação na Tsinghua University (Pequim). É membro da American Academy of Arts and Sciences, da British Academy e da Real Academia de Ciencias Económicas y Financieras. MEDIAÇÃO: SERGIO FAUSTO Diretor geral da Fundação FHC, cientista político e Distinguished Fellow of the Kellogg Institute for International Studies. Formiga Miúda / Shopping Samba Zeca Pagodinho Formiga miúda Lua que não muda não muda maré Você não se iluda Formiga miúda não morde o meu pé Êta, samba feito pra dizer verdade Quem tiver vontade basta abrir o peito Mas quem tem defeito que se cale agora Ou que dê um jeito de ficar de fora Por quê? Se a dor da queixa fica sem resposta A roda fecha mal a gente encosta E quando abre deixa a ferida exposta E quando abre deixa a ferida exposta Lua que não muda não muda maré Você não se iluda Formiga miúda não morde o meu pé Êta, samba rude pra cantar na praça Entre uma atitude e outra cachaça Quem tiver virtude que puxe o refrão Antes que ele mude de opinião Por quê? A mão que afaga não afoga o trauma E só se apaga uma dor da alma Quando o samba esmaga palma contra palma Quando o samba esmaga palma contra palma Shopping samba Vou te contar, rapaz Tem malandro enrolando demais No shopping samba O barato tá no cartaz Mocotó, mocotó sem tornozelo Sacolé fora do gelo Feijoada de sagu Agrião de talo grosso Carne-seca de pescoço Nessa todo mundo vem É melaço de urutu Não vai sobrar nada pra ninguém Afoxé, Afoxé da Argentina Rock and roll da Cochinchina Rumba de Waterloo Boi bumbá de Nova Iorque Foxtrote do Oiapoque Nessa todo mundo vem É pagode de Seul Não vai sobrar nada pra ninguém Composição: Rita de Cassia, Sergio Fonseca, Wilson Moreira, Marcos Paiva. Cleitinho volta atrás e pede para disputar governo de MG: "Quem nunca errou?" "Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão por favor?" Cleitinho (04/08/2026) LINDA FLOR - ELIZETH CARDOSO Ai iô iô! Linda Flor Elizeth Cardoso Ai, Ioiô Eu nasci pra sofrer Fui olhar pra você, meus olhinhos fechou E quando os olhos abri, quis gritar, quis fugir Mas você, eu não sei porque Você me chamou Ai, Ioiô Tenha pena de mim Meu Senhor do Bonfim pode inté se zangá Se ele um dia souber Que você é que é, o Ioiô de Iaiá Chorei toda noite, pensei Nos beijos de amor que te dei Ioiô, meu benzinho do meu coração Me leva pra casa, me deixa mais não Ai, Ioiô Tenha pena de mim Meu Senhor do Bonfim pode inté se zangá Se ele um dia souber Que você é que é, o Ioiô de Iaiá Composição: Luís Peixoto, Henrique Vogeler, Marques Porto. Você Não Passa de uma Mulher Você não passa de um avatar. Mulher preguiçosa, mulher tão dengosa, mulher Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Mulher tão bacana e cheia de grana, mulher Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Você não passa de uma mulher Minha Mãe Me Deu Um Lenço Amália Rodrigues "Engambela a dor com arte." Minha mãe me deu um lenço E meu pai uma blusa Eu quero andar em cabelo Que o que se agora usa Eu perdi o meu lencinho Num bailarico a bailar Minha mãe não me dá outro Em cabelo eu hei de andar Nada Será Como Antes - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos - José Cândido - História e Música "agora promete 'fazer diferente'" Se Você Pensa (Versão remasterizada) Roberto Carlos 17 de out. de 2015 Provided to YouTube by Sony Music Entertainment Se Você Pensa (Versão remasterizada) · Roberto Carlos O Inimitável ℗ 1968 Sony Music Entertainment (Brasil) I.C.L. Released on: 1968-04-07 Daqui pra frente tudo vai ser diferente. Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Um novo tempo. Malu Mulher - Regina Duarte MPB4 - Vira Virou (DVD O Sonho, A Vida, A Roda Viva!) [Vídeo Oficial] MPB :: As Melhores! 24 de mar. de 2018 Essa faixa pertence ao álbum "O Sonho, A Vida, A Roda Viva!", do MPB4. Para ouvir de graça, clique no link: https://SomLivre.lnk.to/osonhoavidaar... Vira Virou MPB-4 Vou voltar na primavera, Que era tudo que eu queria Levo terra nova daqui Quero ver o passaredo Pelos portos de Lisboa Voa, voa, que eu chego já Mas se alguém segura o leme Dessa nave incandescente Que incendeia minha vida Que era viajante lenta Tão faminta da alegria Hoje é porto de partida Ah, vira, virou, meu coração navegador Ah, gira, girou, essa galera Composição: Kleiton Ramil.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Eleitorado neste ano vai às urnas ressentido, por Dora Kramer Folha de S. Paulo Há menos uma guerra ideológica que um embate de sentimentos negativos mutuamente alimentados Favoritos alimentam esse ambiente de mal-estar geral, na falta de terem algo melhor a dizer à população Eleições são ganhas com apoio popular, respaldo político-partidário e expertise para se valer de erros do campo adversário. Foi assim que Tancredo Neves chegou vitorioso ao colégio eleitoral de 1985, marco fundador da transição democrática. O mineiro administrou a frustração com a derrota da emenda Dante de Oliveira, atraiu o capital da movimentação nacional em prol das diretas-já, aproveitou-se da desorganizada divisão do governo em torno dos nomes de Paulo Maluf, Mário Andreazza, Aureliano Chaves e do desejo do que seria o último ditador em prorrogar o próprio mandato. A história do Brasil nos fornece lições. Na campanha em curso, nenhum dos favoritos é detentor de apoio irrestrito. Ambos têm rejeições que os colocam num cenário de aceitação que decorre do repúdio ao oponente. Não há a materialidade de um plano econômico, como o que fez o eleitorado aderir ao projeto de saída do inferno da inflação e levou Fernando Henrique Cardoso à Presidência numa aliança da centro-esquerda com a direita. Ali, o PT errou ao se opor ao Plano Real, contrapondo-se à preferência nacional. Não há a mobilização da esperança por um país mais igual, socialmente inclusivo, que fez o eleitorado abrir à esquerda o espaço que três vezes negara a Luiz Inácio da Silva. Ali, os tucanos erraram ao não saber dar continuidade ao próprio legado. Hoje, o que há? Um embate de ressentimentos que se convencionou qualificar como guerra ideológica, cujo caráter doutrinário não se sustenta à luz de pesquisas que mostram eleitores ditos de esquerda escolhendo Flávio Bolsonaro (PL) e declarados direitistas preferindo votar em Lula. Ocupados com a repulsa que sentem uns pelos outros, os grupos que aparecem como retratos da maioria interditam o espaço para escuta dos demais candidatos ou até de gente que, estimulada, poderia vir a concorrer. Os chefes dessas torcidas se alimentam do mal-estar na falta de algo melhor a dizer ao eleitor, que vê na urna um poço de mágoas.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Escândalo do INSS chega ao Planalto e põe campanha de Lula na defensiva, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense O caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do rombo do Banco Master Era pedra cantada que o escândalo do INSS se transformaria numa dor de cabeça para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que não estava no radar dos gerenciadores de crise do Palácio do Planalto era que, além das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o caso chegaria a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, assessor discreto e poderoso, que atendia as ligações para o celular do presidente da República e entrava no seu gabinete sem se anunciar. Marcola afirmou ter transferido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e apontada como amiga e possível intermediária de interesses do filho de Lula. Marcola afirma que o dinheiro foi para quitar um empréstimo pessoal. O problema político é que, até agora, não apresentou publicamente os comprovantes da contratação e do pagamento. Surpreendido, Lula cobrou explicações de seu ex-auxiliar, que deixou o gabinete para atuar na campanha há algumas semanas. Mais do que um constrangimento para o Palácio do Planalto, o episódio criou uma crise na campanha de Lula, porque a movimentação financeira partiu de uma personagem investigada no escândalo do INSS, com práticas de lobista que levaram a Polícia Federal a abrir três frentes de apuração envolvendo Lulinha. De certa forma, o caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master. O escândalo do INSS ressurgiu no pior momento. Depois de gastar bilhões de reais para ressarcir aposentados e pensionistas pelos descontos associativos não autorizados em seus benefícios, o governo esperava virar a página da Operação Sem Desconto. A restituição reduziu o prejuízo imediato das vítimas, porém não eliminou as perguntas mais perigosas: quem se beneficiou do esquema e até onde chegavam suas conexões dentro do poder? As investigações começaram pela cobrança irregular de mensalidades de associações e sindicatos nos benefícios previdenciários. Segundo a Polícia Federal, entidades obtinham autorizações inexistentes ou fraudulentas e descontavam valores diretamente de aposentadorias e pensões. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é apontado como um dos principais operadores do esquema, que envolve servidores, dirigentes de entidades, empresários e agentes políticos na arrecadação, intermediação e/ou da lavagem do dinheiro. O nome de Lulinha apareceu a partir das relações de Antunes com Roberta Luchsinger. Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS, declarou que o lobista teria feito um pagamento milionário ao filho do presidente e lhe repassaria uma “mesada” de R$ 300 mil. Uma mensagem analisada pelos investigadores registra Antunes indicando “o filho do rapaz” como destinatário de um pagamento, seguido de uma transferência de R$ 300 mil para uma empresa de Roberta. A interpretação de que a expressão se referia a Lulinha é uma hipótese ainda sob investigação. Tráfico de influência A Polícia Federal também identificou viagens de Lulinha, Antunes e Roberta à Europa em períodos coincidentes. A defesa reconhece que Lulinha viajou a convite do empresário para conhecer um projeto relacionado a medicamentos à base de canabidiol, mas nega que os dois tenham mantido negócios. Também rejeita a acusação de que o filho de Lula tenha recebido dinheiro do Careca do INSS ou atuado para facilitar seus interesses no governo. A primeira investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em favor de Antunes. O objetivo é verificar se Lulinha teria usado sua proximidade com o presidente para abrir portas no Ministério da Saúde e em outros órgãos para projetos de cannabis medicinal e telemedicina. A segunda apura uma possível atuação em benefício de empresários interessados em contratos da Dataprev, empresa pública que administra dados previdenciários. A terceira, autorizada pelo ministro Flávio Dino, examina negócios supostamente irregulares de um grupo ligado a Roberta Luchsinger em diferentes áreas da administração federal. Os detalhes permanecem sob sigilo. A defesa diz que Lulinha se colocará à disposição das autoridades, nega qualquer relação direta ou indireta com irregularidades e acusa setores da Polícia Federal de promover vazamentos seletivos com objetivos eleitorais. Dino autorizou uma investigação específica sobre a divulgação ilegal de informações sigilosas. Lula, por sua vez, adotou a única posição defensável: afirmou que não protegerá o filho e que ele responderá como qualquer cidadão. Tudo isso já era sabido. A novidade é o caso de Marcola. O ex-chefe de gabinete não é acusado de participar das fraudes contra aposentados. Entretanto, a PF apura a origem, a finalidade e a documentação dos R$ 80 mil que teria recebidos de Roberta. Mesmo que o empréstimo seja comprovadamente lícito, sua existência amplia a proximidade da empresária com o círculo pessoal e político de Lula. O escândalo bateu à porta do Planalto. A consequência eleitoral pode ser grave porque o desgaste ocorre quando Lula e Flávio Bolsonaro já aparecem tecnicamente empatados. Pesquisa Nexus/BTG, divulgada em 3 de agosto, mostra Lula com 46% e Flávio com 45% num eventual segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos. Já a pesquisa Quaest divulgada ontem (5) mostra o presidente Lula (PT) com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que tem 39%.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa O Estado de S. Paulo Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT. Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça. Andrei reagiu e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU). Mas Jorge Messias, chefe da AGU, não vai comprar briga com Mendonça e tenta promover o armistício. O imbróglio, no entanto, não para aí. Nos bastidores, uma ala do PT ataca Andrei, sob o argumento de que ele não tem pulso para conter os “setores bolsonaristas” da PF. Na outra ponta, ministros avaliam que Marcola – como é conhecido o ex-chefe de gabinete – pode ter de deixar a coordenação da campanha para evitar que as investigações sejam mais uma ponta de lança contra Lula. Homem da confiança do presidente, e responsável por marcar as suas audiências, Marcola disse, em nota, ter feito um empréstimo com Roberta Luchsinger, quitado com uma transferência bancária de R$ 249 mil. O problema é que todas as diligências têm como alvo Lulinha e suas articulações para mostrar influência no governo. Roberta, por sua vez, é apontada como lobista e atua em negócios com o Careca do INSS. Apesar de contar com o apreço de Lula, Marcola enfrenta “fogo amigo” no governo, principalmente na Secretaria de Comunicação Social (Secom). Pouco antes de deixar o cargo no Planalto para entrar na campanha, por exemplo, ele teve uma discussão acalorada com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. Marcola e sua mulher Nicole, que administra os perfis de Lula nas redes sociais, ao lado do fotógrafo Ricardo Stuckert, sempre acharam que Sidônio vende uma imagem “adocicada” de Lula. O ex-chefe de gabinete disse ao ministro, com todas as letras, que uma campanha que tem Flávio Bolsonaro (PL) como principal oponente não pode recorrer a “gatinhos” e “capivaras” para explicar programas do governo. O presidente concordou com o diagnóstico. Não foi à toa que, na convenção do PT, realizada no domingo, Lula disse que não vai ser mais “Lulinha paz e amor”. Até agora, porém, ninguém sabe qual será, na prática, o figurino do “Lulinha porreta” que ele pretende vestir. •
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari O Globo Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética. É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada. A Embraer deu certo. A fabricação do tanque Osório deu errado. Acabou com a falência da Engesa, queridinha de alguns generais. Dois protótipos foram para museus. (Em 1993, Saddam Hussein, então ditador do Iraque, disse a um embaixador brasileiro, referindo-se ao dono da empresa: “Diga a ele para não nos oferecer o que não tem”. Era a fabricação de uma bomba atômica.) Lula só fala com a alma improvisando enquanto caminha no palanque. Insultou os advogados: “Criminalista não sabe defender inocente, só sabe defender bandido”. Sem os criminalistas, ele não teria passado de ex-dirigente sindical. E, sem o advogado Cristiano Zanin, não teria anulado as sentenças do juiz Sergio Moro. Noutro lance, Lula anunciou que, depois dele, Fernando Haddad será o próximo presidente. Partiu de um pressuposto, provável, de que se reelege pela terceira vez e de outro, apenas possível, de que o ex-ministro da Fazenda ganha em São Paulo. Haddad elegeu-se prefeito de São Paulo em 2012 e perdeu a reeleição em 2016. Foi para o sacrifício como candidato à Presidência e perdeu para Bolsonaro em 2018. Em 2022, Tarcísio de Freitas bateu-o elegendo-se governador de São Paulo. Em outubro, os dois disputarão novamente o cargo. Ganhou só a primeira. Lula começou sua campanha com seu próprio script. Ele é repetitivo, muitas vezes inoportuno e quase sempre estranho à agenda da campanha, a começar pela duração. Na reunião dos petistas, ele não combinou com os ônibus que haviam trazido a plateia, e muitos foram embora para não perder a condução. A campanha de 2026 é inédita. Seu principal adversário coleciona crises, enquanto os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina fustigam-no com o objetivo expresso de interferir na eleição brasileira. Nunca se viu isso, nem com tarifas (no caso de Donald Trump), nem com baixarias (no caso de Javier Milei). A própria campanha de Lula reconhece que pode enfrentar problemas num segundo turno, dada sua dificuldade para atrair indecisos e para virar votos de outros candidatos. A última pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, informou que a diferença entre ele e Flávio Bolsonaro no primeiro turno caiu de 9 para 4 pontos. No segundo turno, estão tecnicamente empatados. As barreiras que o desafiam não serão rompidas repetindo o que disse aos petistas: — No quarto mandato, eu não quero Lulinha paz e amor, quero Lulinha porreta.
Lula, mais uma vez Por O Estado de S. Paulo Será a sétima eleição com Lula na cédula. Portanto, os brasileiros estão cansados de saber quem ele é. Mas o petista é imbatível na arte de engambelar: agora promete ‘fazer diferente’ O nome do petista Luiz Inácio Lula da Silva aparece na cédula eleitoral como candidato a presidente desde os tempos imemoriais do voto em papel, lá se vão quase 40 anos. Anteontem, o presidente foi oficializado como candidato pela sétima vez, e estará em busca de seu quarto mandato. Logo, os eleitores brasileiros estão cansados de saber quem ele é e o que é capaz de fazer quando está no poder. Mas Lula é imbatível na arte de engambelar: agora ele promete fazer diferente, “fazer o que a gente ainda não fez”. Na convenção do PT que oficializou sua nova candidatura, Lula encarnou um super-herói boquirroto disposto a salvar o Brasil de vilões daqui e de fora. O petista prometeu blindar as terras raras da cobiça estrangeira, jurou que investirá em defesa para que o País jamais seja “invadido” como a Venezuela pelos EUA e anunciou que brigará com o Congresso para, ora vejam, retomar o controle do Orçamento e pôr fim à “promiscuidade” do Fundo Partidário. Para ficar perfeito na personagem, só faltou Lula vestir uma esvoaçante capa vermelha com a estrela do PT. Esse Lula vingador mascarado é o mesmo que, na campanha de 2022, prometeu acabar com o orçamento secreto, mas que, uma vez no poder, deixou tudo como está. O insulto à inteligência alheia também vale para o suposto combate ao Fundo Partidário. Mas o auge da farsa lulopetista veio no momento em que Lula anunciou que vai “mudar muita coisa neste país”. Para começar, o petista disse que vai recuperar os “direitos” do presidente da República, entre os quais o de definir o Orçamento, cada vez mais capturado pelos parlamentares e seus interesses paroquiais. Lula disse que não dá mais para ficar “chorando atrás da miséria que sobra do Orçamento”. Ora, com que base parlamentar Lula pretende fazer isso? Se hoje o governismo no Congresso é uma massa disforme e incontrolável, a próxima legislatura promete ser ainda mais hostil ao presidente petista. Num surto delirante, Lula pode escolher a ingovernabilidade e brigar com o Congresso, mas, depois de tanto tempo no poder, ele sabe que isso não acaba bem. Contando com a ingenuidade dos eleitores, contudo, Lula anunciou que será “mais ousado”: “Eu não quero o Lulinha Paz e Amor, eu quero o Lulinha Porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos, o povo já está comendo. Agora que estamos com o básico garantido, agora é hora de dar um salto de qualidade”. Trata-se de uma fantasia recorrente do lulopetismo. Se estivesse realmente interessado num “salto de qualidade”, Lula teria ao menos mencionado a necessidade urgente de um ajuste fiscal. Mas esse tema, obviamente, esteve ausente do palavrório do presidente. Aqui e ali, gente do governo diz que o quarto mandato será diferente. O último a fazê-lo foi o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que disse ao jornal Valor que o “ajuste fiscal do próximo governo” teria “vários caminhos” e que seria preciso discutir “poupança de longo prazo” e mecanismos para estimular famílias e o poder público a poupar mais. Chega a ser ultrajante ouvir de um assessor de Lula que, depois de décadas incentivando os brasileiros a gastar o que têm – e, principalmente, o que não têm –, o governo petista agora acha que é o caso de estimular a poupança dos brasileiros. Os números desmentem o suposto compromisso com a responsabilidade fiscal até como discurso. O País bateu recorde de arrecadação no primeiro semestre – R$ 1,587 trilhão – e, mesmo assim, fechou o período com déficit de R$ 92,2 bilhões, o segundo pior resultado desde 1997. A dívida pública federal chegou a R$ 9,268 trilhões em junho e deve encerrar o ano em R$ 10,3 trilhões, cerca de 82% do PIB, com custo médio no maior patamar desde a recessão de 2016. Com esse histórico, Lula pode achar que ainda ilude os incautos com seu discurso de “fazer diferente” e “dar um salto de qualidade”, mas a verdade é que, se vencer a eleição, não será porque os eleitores acreditaram nessa patacoada, e sim porque a ojeriza ao bolsonarismo terá se provado maior do que a hostilidade ao lulopetismo.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Eu acredito é na rapaziada

Mudanças nas regras para escolha de Ministro do STF serão pauta da CCJ Entre a Norma e a Exceção: Notas sobre a Ética Assimétrica no Judiciário Há momentos em que a linguagem técnica do direito precisa ser atravessada pela lâmina breve do aforismo para revelar aquilo que a prosa institucional prefere contornar. A recente proposta de uma Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses no Judiciário oferece um desses momentos. Não pelo que diz — que, em grande medida, alinha-se a padrões contemporâneos de governança —, mas pelo que exclui: a própria cúpula que a inspira. O arranjo é juridicamente defensável. A arquitetura constitucional limita o alcance do controle externo sobre o Supremo Tribunal Federal. Ainda assim, o problema que emerge não é de legalidade, mas de legitimidade. Em termos simples: quando a norma é geral, mas sua incidência não o é, a exceção deixa de ser técnica e passa a ser política. “Norma para baixo, exceção para cima.” O aforismo não pretende simplificar o desenho institucional, mas evidenciar sua consequência perceptiva. A política ética, ao alcançar magistrados e servidores de instâncias inferiores, estabelece parâmetros claros de conduta — conflitos reais, potenciais e aparentes; restrições a presentes; balizas para participação em eventos e atividades paralelas; canais de aconselhamento. Trata-se de um avanço. Contudo, ao reservar à cúpula um regime de autorregulação diferido e ainda em elaboração, institui-se uma assimetria que fragiliza o próprio discurso normativo. No direito público, a força de uma regra não reside apenas em sua formulação, mas em sua capacidade de se apresentar como universalizável. Quando essa universalidade é suspensa no vértice da pirâmide, a pedagogia institucional perde densidade. “Exigir virtude alheia é mais fácil que institucionalizar a própria.” Não se trata de imputar intenções, mas de reconhecer um efeito estrutural: a ética, para ser convincente, deve operar também como autolimitação visível. A tradição republicana sempre desconfiou de poderes que se regulam apenas por si. Não porque a autorregulação seja intrinsecamente ilegítima, mas porque ela exige contrapesos simbólicos mais robustos. Transparência, previsibilidade e tempestividade tornam-se, nesse cenário, indispensáveis. Postergar a definição de um código próprio enquanto se impõem diretrizes imediatas aos demais cria um hiato temporal que alimenta a suspeita de privilégio. “A régua que mede os de baixo encolhe ao subir a escada.” A imagem é incômoda, mas útil. Ela aponta para a elasticidade dos padrões conforme a posição hierárquica. Ora, se o conflito de interesses é um risco sistêmico — e a própria política o reconhece ao classificá-lo em graus —, não há razão substantiva para que sua gestão seja menos urgente justamente onde o impacto potencial é maior. Pode-se argumentar que a complexidade das funções da Suprema Corte justifica cautela adicional. É um ponto válido. Mas cautela não deve se confundir com indeterminação. “Autonomia sem espelho vira privilégio.” A autonomia constitucional do Supremo é um dado; a forma como ela se traduz em práticas éticas é uma escolha institucional. E escolhas, no espaço público, são avaliadas não apenas por sua coerência interna, mas por sua capacidade de sustentar confiança. O tema, em última análise, não é o de submeter a cúpula a um controle externo inadequado, mas o de evitar que a exceção normativa se converta em exceção moral. A diferença é sutil, porém decisiva. “Regra sem simetria é hierarquia disfarçada.” Se a política de integridade pretende fortalecer o Judiciário como um todo, sua credibilidade dependerá de um princípio simples: aquilo que se exige dos outros deve, em alguma medida equivalente, vincular quem exige. Não se ignora que o Supremo discute internamente seu próprio código de conduta. Esse movimento é necessário e bem-vindo. O que se coloca é a urgência de que tal código não seja apenas tecnicamente sofisticado, mas também simbolicamente eficaz — isto é, capaz de demonstrar que a ética não é um instrumento de gestão vertical, mas um compromisso horizontal, que atravessa toda a instituição. Em tempos de erosão da confiança pública, a coerência entre norma e exemplo deixa de ser um luxo e passa a ser condição de sobrevivência institucional. A ética, afinal, não se impõe apenas por enunciados; ela se sustenta, sobretudo, pela disposição de quem a proclama em submeter-se a ela.
Trocando “capaz” por “capuz de direita”, o sentido figurado altera-se radicalmente, transformando o discurso da água em vinho, como sói ocorrer nas transmutações parabólicas do Filho de Maria.
“A metamorfose linguística proposta opera um milagre semântico avassalador, transmutando o pragmatismo da eficiência na mais densa e carregada simbologia política. Ao deitar o "capaz" na fôrma do "capuz", o discurso abandona a luz do dia — a tecnocracia, as planilhas de metas, a gerência limpa e transparente do Estado — para mergulhar nas sombras das narrativas mitológicas, conspiratórias e, por vezes, marciais. O "capaz de direita" é o gestor de gravata, o engenheiro das contas públicas, o herdeiro do Iluminismo que calcula a desoneração fiscal em busca do pleno emprego. Já o "capuz de direita" evoca a mística do guerreiro oculto, a clandestinidade das ordens cruzadas, o sectarismo intransigente ou a face oculta de forças que operam nos bastidores da história. Como nas bodas canaanitas onde a insipidez da água cedeu lugar ao paladar robusto e inebriante do vinho, a troca de uma única vogal transfigura o tecnocrata em um arquétipo de cruzada espiritual e ideológica. A parábola se cumpre na radicalidade da mudança: o que antes apelava à razão e à entrega de resultados, agora evoca o mistério, o fechamento de fileiras e o dogmatismo identitário de quem se cobre para a batalha. É a estética da gestão substituída, num estalar de dedos ortográfico, pela mística do absoluto.”
Disputa pela Presidência está aberta e polarizada na largada eleitoral Publicado em 04/08/2026 - 04:32 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Ética, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Segurança O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de outras eleições, será um instrumento de projeção nacional de candidaturas regionais A realização das convenções eleitorais foi marcada pela polarização nas eleições à Presidência de República, que está aberta, com pequena vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, em relação a Flávio Bolsonaro (PL). Esse cenário provavelmente se manterá até o início do campanha eleitoral no horário gratuito de rádio e televisão, em 28 de agosto. Essa data é importante para os demais candidatos que aspiram um lugar no segundo turno e estão embolados em torno de 3% ou 4% dos votos. Acontece que os ex-governadores de Goiás Ronaldo Caiado (União) e de Minas Romeu Zema (Novo), por serem menos conhecidos fora de seus estados, até agpra não conseguiram nacionalizar suas candidaturas. O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de antes nas eleições, será um instrumento de projeção de suas candidaturas para fora dos dois estados. O raciocínio vale também para o candidato do Missão, Renan Santos, mais conhecido em São Paulo. Leia também: BTG/Nexus aponta Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no 1º turno Domingo, na convenção do PT, Lula apresentou sua candidatura como continuidade de seu governo, mas procurou afastar a ideia de simples repetição. “A minha quarta presidência é para mudar muita coisa nesse país”, afirmou. Ao tratar das prioridades programáticas, colocou a educação no centro de um eventual novo mandato: “Sem educação, a gente não chegará aonde nós temos o direito de chegar.” Também convocou o partido a preparar uma campanha apoiada nas realizações do governo: “Nós temos time, nós temos futebol, nós temos o que entregar, nós temos argumento.” Lula tenta ancorar sua campanha na experiência, nas políticas sociais e na promessa de renovação. O presidente sabe que precisa defender os resultados do governo, mas isso não é suficiente. Ao dizer que não quer ser lembrado apenas pelo Bolsa Família e pelo Brasil Sorridente, Lula reconhece que sua candidatura necessita apresentar um horizonte de mudanças. A defesa do legado mobiliza sua base, porém não elimina as resistências que enfrenta entre eleitores de centro e independentes. Flávio e Caiado Flávio Bolsonaro conseguiu absorver os desgastes da crise interna de sua campanha, com a reaproximação de Michele Bolsonaro e a equalização dos danos de imagem com o caso Vorcaro. “Está na hora de virar essa página triste da história do nosso Brasil”, afirmou Flávio na convenção de seu partido, referindo-se ao governo. Procura capitalizar o prestígio de Jair Bolsonaro, seu pai: “Sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega.” A anistia dos condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro, entre os quais o ex-presidente Jair Bolsonaro, continua no centro de sua agenda. Seu discurso reúne três elementos: continuidade do bolsonarismo, crítica ao Judiciário e promessa de mudança econômica e política. Essa estratégia fortalece sua posição no primeiro turno, mas pode dificultar a conquista dos moderados. Ronaldo Caiado procura se diferenciar dos dois líderes por meio da experiência administrativa e de uma imagem de autoridade. “Eu sou galo de terreiro, sou acostumado na briga, mas brigo pelo que interessa ao Brasil”, declarou. Defende o agronegócio como instrumento de inserção internacional: “É o único país continental que tem a maior área produtiva do mundo”. Ao afirmar que “quem resolve o problema do Brasil somos nós”, Caiado rejeita tanto a interferência externa quanto a submissão política aos dois polos da disputa. A apresentação de Gilberto Kassab como vice garante estrutura partidária, mas não elimina o risco de cristianização. Zema e Renan Romeu Zema adotou um discurso mais ideológico e diretamente antipetista: “A minha bandeira é estar contra o PT, eu vi o PT destruir o Brasil”, afirmou. Na área fiscal, resumiu sua mensagem numa frase de efeito: “Não falta recurso no Brasil, sobra ladrão.” O candidato também colocou o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro de sua campanha, ao dizer que “alguns ministros do STF são uma vergonha não só para o STF como para o Brasil”. O problema de Zema é que a radicalização do discurso não resultou, até agora, em crescimento eleitoral. Sua experiência em Minas Gerais continua sendo um ativo, mas não se transformou numa narrativa nacional que empolgue o eleitor de capaz de direita. Leia ainda: Avante oficializa candidatura de Augusto Cury à Presidência Quem mais se encaixa no figurino de candidato antissistema é Renan Santos, que centraliza sua campanha na radicalização do discurso da segurança pública, ao lado da defesa do ajuste fiscal e das críticas simultânea a Lula e Flávio. Ao apresentar as prioridades iniciais de seu governo, afirmou: “Os brasileiros precisam sentir nos seis primeiros meses uma queda nos juros, um aumento no poder de compra e a redução do medo de sair na rua.” Apesar disso, reconhece que, em regiões sem atividade econômica, “o Bolsa Família se torna uma necessidade”. As duas frases mostram uma candidatura que tenta reunir liberalismo econômico, endurecimento na segurança e manutenção temporária da proteção social. Entretanto, o tom agressivo empregado contra Lula, Flávio e o crime organizado pode não sair da sua bolha, em vez de ampliar sua aceitação junto ao eleitorado moderado. Vale a pena ler de novo: Desafios internos e externos ameaçam projeto de reeleição de Lula Fortes em GO e MG, Caiado e Zema não conseguem nacionalizar candidaturas Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Caiado, #Flávio, #Renan, #Zema, Lula Em entrevista à jornalista Marília Sena, o ex-ministro e ex-presidente do PT José Dirceu falou sobre as eleições de 2026, os efeitos do mensalão no PT e os próximos passos na política. "E o Metrópoles acompanha. Eu que agradeço. Tchau, tchau e melhoras!" E Vamos À Luta Gonzaguinha Eu acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta é com essa juventude Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco é dessa mocidade Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada Eu acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão Como é que não? Eu ponho fé é na fé da moçada Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta com essa juventude Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada Aquele que sabe que é mesmo o couro da gente Que segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha E entra no botequim, pede uma cerva gelada E agita na mesa uma batucada Aquele que manda um pagode E sacode a poeira suada da luta, e faz a brincadeira Pois o resto é besteira e nós estamos pelaí Acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão Ponho fé é na fé da moçada Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta é com essa juventude Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada Aquele que sabe que é mesmo o coro da gente Que segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha E entra no botequim, pede uma cerva gelada E agita na mesa logo uma batucada Aquele que manda um pagode E sacode a poeira suada da luta, e faz a brincadeira Pois o resto é besteira e nós estamos pelaí Eu acredito é na rapaziada Composição: Gonzaguinha.
O código proposto pode ser explicado por meio de inúmeras frases aforísticas, com o objetivo de caracterizar a exclusão do STF em relação ao que seu presidente propõe aos demais órgãos de mesma natureza, porém de instâncias distintas. Partindo de dois desses aforismos, explique-os e desenvolva-os, ampliando-os para outros que possam evidenciar ainda mais essa dinâmica: manter o STF apartado enquanto os demais são enquadrados. “Bater na canga dos tribunais inferiores para que meus pares, ministros das instâncias superiores, compreendam.” “Farinha pouca, nosso pirão primeiro.” “Colocar os tribunais inferiores para tirar as castanhas do fogo em benefício de nós, do Supremo.” O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apresentou ao CNJ uma proposta de Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses para o Judiciário. O texto abrange juízes de todo o país, mas exclui expressamente os ministros do STF, que discutem regras próprias em uma frente interna separada. O que diz a proposta enviada ao CNJ Abrangência: Aplica-se a magistrados e servidores de tribunais de instâncias inferiores, deixando de fora a Suprema Corte em razão dos limites constitucionais de competência do conselho. Foco do texto: Estabelece diretrizes preventivas para a gestão de conflitos de interesses, classificados em graus (real, potencial e aparente). Temas centrais: Regula o recebimento de presentes, a participação de juízes em eventos custeados por terceiros, os limites para a atuação profissional ou societária de parentes e o exercício de atividades acadêmicas. Mecanismos práticos: Recomenda que os tribunais adotem, no prazo de até seis meses, plataformas com canais confidenciais para aconselhamento ético. Mecanismos práticos: Recomenda que os tribunais adotem, no prazo de até seis meses, plataformas com canais confidenciais para aconselhamento ético. A situação do Código de Ética no STF Trâmite interno: Os ministros do STF não estão submetidos ao escopo do CNJ por ausência de previsão constitucional para controle disciplinar externo da Corte pelo órgão. Relatoria: A discussão de um código de conduta próprio para os ministros do STF está sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia. Previsão: A apreciação do texto interno pelo plenário do STF está projetada para o final de 2026, após enfrentar debates e resistências quanto ao modelo ideal de autolimitação. AO VIVO | Sabatina OA! Eleições 2026: Zema, Caiado, Renan Santos e Flávio Bolsonaro O Antagonista Transmissão iniciada há 84 minutos #PoliticaBrasileira #PesquisaEleitoral #FlavioBolsonaro O Antagonista e a G4 apresentam a Sabatina OA! - Eleições 2026, um encontro realizado em São Paulo, que promove um bate papo individualizado com os principais candidatos a Presidência da República.​ Uma oportunidade sem confronto direto, onde os presidenciáveis poderão abordar seus projetos para o país e responder a perguntas do jornalismo de O Antagonista e da plateia formada por empresários de diversos setores.​ A apresentação da Sabatina será conduzida pelo jornalista Wilson Lima, âncora do programa Meio-dia em Brasília, transmitido diariamente ao vivo de segunda a sexta no perfil de O Antagonista no Youtube e pelo canal de TV BM&C News.​ O evento contará ainda com a apresentação de uma pesquisa exclusiva, realizada em parceria com a Real Time Big Data e encomendada por ​O Antagonista e G4, com dados da opinião pública sobre temas centrais para as próximas eleições. Agenda: 07h00 - Recepção dos Candidatos 08h30 - Boas Vindas de Tallis Gomes 08h40 - Apresentação de Pesquisa Real Time Big Data 08h55 - Introdução e Regras Gerais 09h00 - Sabatina Romeu Zema 09h50 - Sabatina Ronaldo Caiado 10h40 - Sabatina Renan Santos 11h30 - Sabatina Flávio Bolsonaro 12h30 - Encerramento

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"FOI, OU NÃO, TRAÇADO DESDE SEMPRE?"

MARCO AURÉLIO: "FLÁVIO PODE ABRIR ESPAÇO PARA OUTRO CANDIDATO" MyNews 2 de ago. de 2026 #Política #Eleições2026 #MarcoAurélioNogueira O cientista político Marco Aurélio Nogueira faz uma análise profunda sobre o cenário eleitoral de 2026, a crise da democracia brasileira e os desafios enfrentados pelos principais candidatos à Presidência. Durante a entrevista, ele analisa: • O atual cenário entre Lula e Flávio Bolsonaro. • Por que a política brasileira vive um "mega impasse". • O desgaste das instituições e da classe política. • A possibilidade de crescimento de um novo nome da direita. • Como a velocidade das redes sociais e da inteligência artificial está mudando a democracia. Uma conversa indispensável para entender o momento político do Brasil e os possíveis desdobramentos da eleição presidencial. #Política #Eleições2026 #MarcoAurélioNogueira #Lula #FlávioBolsonaro #MyNews
"Esta foto resume um drama. Resta saber se isso foi, ou não, traçado desde sempre. Acho que sim"
Gostem ou não dela é a única da família que sabe o que faz. Olha que foto sensacional. A coitada se internou no dia da convenção. "Renan Santos é candidato à Presidência. Analisei as 6 horas do congresso do Missão: 46 mil palavras, 657 unidades de fala, 20 oradores. Tecnocracia neoliberal e escatologia de anime no mesmo fôlego. É a geração Z dizendo que basta convencer o papai e a mamãe a votar. Uma saga de anime com MBL. Projeto de vanguarda embrulhado em mito de predestinação. #renansantos #convenção #missão #mbl #eleições2026" O fator STF nas eleições | Estadão Analisa Estadão Transmissão ao vivo realizada há 10 horas Estadão Analisa No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 03, Carlos Andreazza fala sobre o papel e a influência do Supremo Tribunal Federal nas eleições de 2026. Na última quarta-feira, 29, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo federal e o Congresso Nacional informem de que forma deputados e senadores podem ser responsabilizados por eventuais irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A decisão foi tomada, no âmbito de uma nova ação apresentada pela Rede Sustentabilidade, que pede o fortalecimento dos mecanismos de responsabilização dos parlamentares na execução desses recursos. Além disso, a repercussão do vídeo de Jair Bolsonaro produzido por Inteligência Artificial também deve passar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que está diante do primeiro grande desafio sobre o uso de IA nas campanhas deste ano. A Corte está para decidir se configura ou não abuso o vídeo exibido na convenção do PL com um avatar de Jair Bolsonaro pedindo voto para o filho Flávio, candidato a presidente. Assine por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao conteúdo do Estadão. Acesse: https://bit.ly/oferta-estadao O 'Estadão Analisa' é transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, às 7h, no Youtube e redes sociais do Estadão. Também disponível no agregador de podcasts de sua preferência. Apresentação: Carlos Andreazza Edição/Produção: Jefferson Perleberg Coordenação: Renan Pagliarusi Flávio Bolsonaro: Canal Livre recebe o candidato à Presidência pelo PL Band Jornalismo Transmissão ao vivo realizada há 21 horas #BandTVAoVivo O Canal Livre deste domingo (2) continua sua série de entrevistas com os candidatos à presidência da República. O programa vai discutir os resultados das últimas pesquisas eleitorais, o impacto das novas tarifas americanas contra o Brasil nas eleições e as negociações para formação das candidaturas. O mal-estar criado pelas declarações do presidente argentino Javier Milei na Convenção do PL que aconteceu no último final de semana e as possíveis punições após uso de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial no mesmo evento. O Canal Livre recebe o senador pelo Rio de Janeiro e candidato à presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro. Participam como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Adriana Araújo e Eduardo Oinegue e o cientista político, Fernando Schüler. A apresentação é de Rodolfo Schneider.
Assista ao discurso de Lula na convenção nacional do PT Poder360
Postar user avatar Estadão 🗞️ @Estadao COLUNA DO ESTADÃO | Com @roseannkennedy Sem merecer novo mandato, Lula é favorito com discurso velho e erros do rival Presidente aproveitou erros da oposição para driblar percalços do próprio governo 0:00 · 2 de ago. de 2026

Rascunho

Análise Semiótica: O Ruído Têxtil e a Intervenção do Real (Agosto de 2026)

O design milimetricamente calculado pelos marqueteiros políticos desmoronou diante da imprevisibilidade das imagens concretas. Na semiótica, o "ruído" ocorre quando um elemento inesperado invade a cena, subverte o código planejado e altera completamente a recepção da mensagem pelo público.

Dois episódios específicos ocorridos nesta primeira semana de agosto de 2026 destruíram as narrativas subliminares das camisas brancas, substituindo-as por imagens cruas e satíricas.


1. O Desvio Cromático no Palanque: A Camisa Vermelha sem Gola da Segunda-Dama

No lançamento da reeleição petista, a busca pela neutralidade institucional e pela "pureza" da camisa branca de Lula foi subvertida ao seu lado. A esposa do candidato a vice-presidente rompeu o alinhamento estético ao surgir com uma camisa sem gola, mas em um vermelho vibrante.

 [ Branco Institucional / Gola Padre ] ──> (Interferência) <── [ Vermelho Ideológico Sem Gola ] (Lula) (Esposa do Vice) 

O Efeito de Ruptura:

  • Atravessamento Ideológico: Enquanto a campanha tentava usar o branco sem gola para sinalizar abertura, transição e diálogo pós-ideológico, o vermelho resgatou imediatamente a estética tradicional da militância de esquerda.
  • O Ruído Têxtil: A peça da segunda-dama "atravessou" o plano visual, criando um ponto de tensão cromática que capturou as lentes das câmeras. Em vez do foco na pacificação ou na modernidade do centro-esquerda, a imagem entregou a polarização clássica, invalidando o esforço de marketing de camuflar o aparato partidário sob a leveza do linho branco.

2. A Ilusão Óptica na TV e o "Escurinho do Cinema": A Desconstrução de Flávio Bolsonaro

No cenário controlado do Canal Livre, a camisa branca com colarinho de Flávio Bolsonaro — desenhada para projetar o rigor de um homem de Estado e o pragmatismo empresarial — foi traída pela física da luz, pela sombra e pelas revelações dos bastidores financeiros.

 [ Luz do Estúdio + Sombra do Microfone ] ──> Efeito Visual ──> Silhueta de um Pequeno Quadrúpede [ Camisa Branca "Imaculada" ] ──> Projeção no Escuro ──> Conexão Hard Horse / Daniel Vorcaro 

A Ilusão do Microfone da Band:

  • A Transmutação Visual: A camisa branca imaculada funciona como uma tela de projeção. O posicionamento do microfone da TV Bandeirantes, combinado com a iluminação dura do estúdio, projetou uma sombra exata sobre o tórax do entrevistado.
  • O Pequeno Quadrúpede: O jogo de luz e sombra desenhou a silhueta de um pequeno animal quadrúpede (frequentemente associado na sátira política à teimosia, à subserviência ou à alegoria do "burro/gado"). A imagem subliminar de seriedade foi instantaneamente substituída por uma piada visual concreta e inevitável: o estadista acabou caricaturado pela própria física do estúdio.

O Borrão do "Hard Horse" e Daniel Vorcaro:

  • A Mancha no Tecido: O colarinho branco que tentava blindar o senador e vendê-lo como um gestor moderno foi manchado pela revelação de suas conexões societárias e de bastidores, como o financiamento associado ao empresário Daniel Vorcaro e as tramas do "Hard Horse" operadas longe dos holofotes ("no escurinho do cinema").
  • O Contraste: O branco que deveria significar transparência de mercado virou o fundo perfeito para destacar as sombras das relações financeiras. A tentativa de vender um capitalismo limpo e técnico ruiu quando o eleitor associou a gola engomada ao poder das finanças ocultas.

Conclusão: A Matéria Vence a Narrativa

Os dois episódios demonstram os limites do marketing político. O vermelho sem gola trouxe de volta o debate ideológico que o palanque queria esconder. A sombra do microfone e as revelações financeiras transformaram o colarinho branco em uma tela de deboche e suspeição.

O concreto e o imprevisto desconstruíram o verniz dos marqueteiros em menos de uma semana de campanha.

Para avançar

Pau de Arara Ary Toledo - Tema Associated Performer, Lead Vocalist: Ary Toledo Composer: Vinícius de Moraes Composer: Carlos Lyra Juíza que ficou famosa por reconhecer colega de escola tem outro reencontro surpreendente BBC News Brasil 30 de jul. de 2015 Magistrada americana reconheceu jovem acusado de fraude que havia visto dias antes em um cruzeiro de navio. Carlos Lyra - "Comedor de gilete (pau-de-arara)" com Chico Caruso | 50 anos de música Biscoito Fino

Pau de arara, hidrelétrica e outras ficções nacionais

No Brasil, a realidade raramente se contenta em ser apenas factual. Ela precisa ser também literária — às vezes até ficcional. Não surpreende, portanto, que se confundam trajetórias como quem troca legendas de fotografias antigas.

Luiz Inácio Lula da Silva saiu de Caetés, Pernambuco, em 1952, num pau de arara. Treze dias e treze noites — número cabalístico que a história aceitou sem revisão — rumo a São Paulo. Não era uma viagem, era uma expulsão geográfica: a fome empurrando o corpo, o destino improvisando o roteiro.

Décadas depois, já presidente, Lula fez o caminho inverso — ou algo próximo disso. Levou ao Nordeste um símbolo do Sul desenvolvido: o ITA, instalado em Fortaleza. Não exatamente de caminhão, mas com o peso institucional de quem pode inverter fluxos. Se antes o Brasil empurrava seus filhos para baixo no mapa, agora ensaia trazê-los de volta — com diploma, alojamento e laboratório.

Até aí, tudo bem. O problema começa quando o país resolve embaralhar suas próprias biografias.

Bernardo Mascarenhas, por exemplo, jamais subiu num pau de arara — até porque, no século XIX, o Brasil ainda não havia inventado esse tipo de desconforto sobre rodas. Mineiro de Curvelo, Mascarenhas chegou a Juiz de Fora em 1887 por meios bem menos épicos e muito mais eficazes: ferrovia, estrada e planejamento.

Enquanto Lula vinha fugindo da escassez, Mascarenhas vinha ao encontro da oportunidade. Um trazia a família; o outro, máquinas inglesas. Em 1888, inaugurava sua fábrica têxtil. Em 1889, acendia a Usina de Marmelos, primeira hidrelétrica da América Latina. Onde um buscava sobrevivência, o outro instalava a modernidade — com direito a luz elétrica e capital organizado.

Dois deslocamentos, dois projetos de país. Um improvisado, outro calculado. Ambos, curiosamente, transformadores.

Mas o Brasil contemporâneo acrescentou um novo ingrediente à mistura: a dúvida sobre o que foi realmente dito.

Circulou recentemente uma frase atribuída a Romário, segundo a qual Lula seria “uma pedra brilhante sem vapor na venta”. Bonita, quase literária. Pena que falsa. Nunca foi dita. Nasceu pronta, como nascem hoje certas verdades: fabricadas por inteligência artificial e distribuídas com a eficiência que o século XIX jamais sonhou para suas locomotivas.

Se antes o problema era chegar, agora é saber o que, de fato, chegou.

No meio desse ruído, surgem vozes que, pelo menos, não fingem ser outra coisa senão música. Milionário e José Rico — um mineiro, outro pernambucano — repetem, em tom de lamento, a velha geografia brasileira: sair, juntar-se, sobreviver. Agora, com a ausência de José Rico, Milionário segue ao lado de Moisés, filho do parceiro. Nome bíblico, inevitável. No Brasil, até a continuidade precisa de um certo simbolismo.

E então entra Ruy Castro, mineiro de nascimento e carioca por convicção. Cronista profissional de vidas alheias, ele sabe que o Brasil não cabe em linha reta. Prefere a crônica — esse território onde o fato e a ironia convivem sem pedir licença.

Se fosse resumir tudo, talvez dissesse que o país é movido por deslocamentos: uns em pau de arara, outros em trilhos, outros ainda em versões digitais que ninguém sabe exatamente de onde vieram.

No fim, a única certeza é que o Brasil continua viajando.

E, como sempre, sem garantia de chegada intacta.

Pau de arara, hidrelétrica e modas de viola

Uma crônica brasileira com trilha sonora

No Brasil, a realidade raramente se contenta em ser apenas factual. Ela precisa ser também literária — às vezes até ficcional. Não surpreende, portanto, que se confundam trajetórias como quem troca legendas de fotografias antigas.

Luiz Inácio Lula da Silva saiu de Caetés, Pernambuco, em 1952, num pau de arara. Treze dias e treze noites rumo a São Paulo. Não era uma viagem — era uma expulsão geográfica. Décadas depois, presidente, inverteria o fluxo: levaria ao Nordeste um pedaço do Brasil desenvolvido. Como quem devolve, com juros, o que um dia lhe foi negado.

O problema é que o Brasil adora misturar suas próprias histórias.

Bernardo Mascarenhas, por exemplo, jamais pisaria num pau de arara — até porque o século XIX ainda não havia inventado esse tipo de desconforto. Mineiro de Curvelo, chegou a Juiz de Fora por ferrovia, planejamento e ambição. Enquanto um fugia da escassez, o outro perseguia a oportunidade.

Em 1888, inaugurava sua fábrica. Em 1889, acendia a Usina de Marmelos. Onde um buscava sobreviver, o outro instalava a modernidade.

Dois deslocamentos, dois projetos de país.

E então entra o Brasil contemporâneo — onde nem as frases são confiáveis. A suposta declaração de Romário sobre Lula nunca existiu. Mas circulou. Hoje, até a memória precisa de checagem. A mentira viaja mais rápido que qualquer pau de arara — e com melhor conexão.

No meio disso tudo, a música segue como documento mais honesto do que muito arquivo oficial.

Milionário e José Rico — um mineiro, outro pernambucano — cantaram o Brasil que se desloca, sofre, ama e insiste. Agora, sem José Rico, Milionário segue com Moysés. Nome bíblico, inevitável. No Brasil, até a continuidade precisa de simbolismo.

Se a história confunde, a música organiza.


🎧 Playlist narrativa — o Brasil que canta andando

1. O começo

Estrada da Vida (Campeão)
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No Brasil, todo mundo nasce indo para algum lugar — mesmo sem saber qual.

2. Amar também é migrar

Sonhei com Você
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3. O dilema nacional

Decida
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4. Comunicação falha

A Carta
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5. O Brasil dividido

Vontade Dividida
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6. Solidão coletiva

Solidão
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7. A estrada continua

Sonho de um Caminhoneiro
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8. Acerto de contas

O Último Julgamento
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9. O que sobra

Ilusão Perdida
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📺 Epílogo — quando a estrada vira televisão

BASTIDORES | Um encontro emocionante para celebrar a vida, a história e o legado de um dos maiores nomes da música sertaneja. Um verdadeiro episódio de colecionador. 🤠🤎🎶 Nos bastidores do @viversertanejonaglobo, cantordaniel 1 d BASTIDORES | Um encontro emocionante para celebrar a vida, a história e o legado de um dos maiores nomes da música sertaneja. Um verdadeiro episódio de colecionador. 🤠🤎🎶 Nos bastidores do @viversertanejonaglobo, na @tvglobo, acompanhamos momentos especiais da gravação desse episódio inesquecível em homenagem aos 80 anos de Zé Rico. Direto da fazenda de Daniel, em Brotas, o clima foi de emoção, boas lembranças e muita música ao lado de @milionarioemoysesrico, Matogrosso (@matogrossoemathias), @paranaoficial e @samiricooficial. Entre conversas, memórias e interpretações marcantes de clássicos como “A Carta”, “Apaixonado” e “Sonhei com Você”, o encontro emocionou artistas e fãs, celebrando um legado que atravessa gerações. O programa já foi ao ar na Globo e está disponível no @globoplay para quem quiser reviver cada momento dessa homenagem tão especial. 🎬 Direção de Making of: @marcinhobertolone / @lab3tv . . . #BastidoresViverSertanejo #ViverSertanejo #TVGlobo #Globoplay #ProduçãoDaniel

domingo, 2 de agosto de 2026

No campo físico

NA TERRA

OS MORTOS VÊEM O MUNDO PELOS OLHOS DOS VIVOS
EVENTUALMENTE OUVEM COM NOSSOS OUVIDOS
CERTAS SINFONIAS ALGUM BATER DE PORTAS
VENTANIAS AUSENTES DE CORPO E ALMA
MISTURAM O SEU AO NOSSO RISO
SE DE FATO QUANDO VIVOS ACHARAM A MESMA GRAÇA.

Este texto é o poema "Os Mortos", escrito pelo célebre poeta brasileiro Ferreira Gullar e publicado no livro Muitas Vozes (1999). A obra reflete sobre a continuidade da existência daqueles que se foram por meio da percepção, da memória e das sensações dos que continuam vivos.

Sobre o Poema

Autor: Ferreira Gullar, um dos maiores nomes da literatura e da poesia do Brasil.
Livro: Muitas Vozes, lançado em 1999.
Tema Principal: A relação entre os vivos e os mortos, sugerindo que quem partiu "vive" e experimenta o mundo outra vez através dos sentidos, das lembranças e dos atos de quem ficou.

O significado profundo

Análise de "Os Mortos", de Ferreira Gullar

Este poema oferece uma reflexão profunda e intimista sobre a morte, distanciando-se de visões puramente religiosas ou místicas. Gullar aborda a imortalidade sob uma perspectiva existencial e afetiva: a sobrevivência dos que partiram na memória e nos corpos dos que continuam vivos.

1. A Extensão dos Sentidos
O poema sugere que os mortos não desaparecem no vazio absoluto. Eles ganham uma sobrevida por meio de nós. Nossos olhos e ouvidos tornam-se extensões dos deles.

2. O Cotidiano e o Acidental
A conexão com o passado acontece também no dia a dia, tanto no sublime quanto no banal.

3. A Comunhão pelo Riso
Os mortos misturam seu riso ao nosso quando compartilhamos afinidades reais e experiências comuns.

Conclusão: Para Gullar, os mortos continuam existindo enquanto houver quem compartilhe seus sentimentos e lembranças.

Música | Martinho da Vila e Dona Ivone Lara - Alguém me avisou - Tiê

Mateus 5:3-12 (NVI)

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus...”

“Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier

“Na Terra, Deus nos concede o corpo...
Cada criatura apresentará o relatório dos próprios dias...
Plantio e colheita são sempre de nossa escolha...
Todos os êxitos e problemas pertencem a nós.”

André Luiz — “Vida em Vida” (1980)
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

No campo físico


“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.”


Ninguém menospreze a expressão animal da vida humana...
A semente enfrenta a terra, mas floresce.
Assim também o espírito evolui.
Quem semeia o bem, colherá a luz.

Fonte: autoresespiritasclassicos.com


Gramática: Semeias x Semeies

Semeias: presente do indicativo (ação real).
Semeies: presente do subjuntivo (desejo ou hipótese).

Resumo:
Use semeias para fatos certos.
Use semeies para desejos ou dúvidas.

Análise Sintática

Frase 1: “pois deles é o reino dos céus”
Sujeito: o reino dos céus
Predicativo: deles

Frase 2: “pois é deles o reino dos céus”
Ênfase no termo “deles”, destacando exclusividade.

Diferença:
"deles é" → tom clássico e suave
"é deles" → tom enfático e exclusivo

NA TERRA
OS MORTOS VÊEM O MUNDO PELOS OLHOS DOS VIVOS EVENTUALMENTE OUVEM COM NOSSOS OUVIDOS CERTAS SINFONIAS ALGUM BATER DE PORTAS VENTANIAS AUSENTES DE CORPO E ALMA MISTURAM O SEU AO NOSSO RISO SE DE FATO QUANDO VIVOS ACHARAM A MESMA GRAÇA. Este texto é o poema "Os Mortos", escrito pelo célebre poeta brasileiro Ferreira Gullar e publicado no livro Muitas Vozes (1999). A obra reflete sobre a continuidade da existência daqueles que se foram por meio da percepção, da memória e das sensações dos que continuam vivos. Sobre o Poema Autor: Ferreira Gullar, um dos maiores nomes da literatura e da poesia do Brasil. Livro: Muitas Vozes, lançado em 1999. Tema Principal: A relação entre os vivos e os mortos, sugerindo que quem partiu "vive" e experimenta o mundo outra vez através dos sentidos, das lembranças e dos atos de quem ficou. O significado profundo Rascunho Análise de "Os Mortos", de Ferreira Gullar Este poema oferece uma reflexão profunda e intimista sobre a morte, distanciando-se de visões puramente religiosas ou místicas. Gullar aborda a imortalidade sob uma perspectiva existencial e afetiva: a sobrevivência dos que partiram na memória e nos corpos dos que continuam vivos. 1. A Extensão dos Sentidos ("vêem o mundo pelos olhos dos vivos") O poema sugere que os mortos não desaparecem no vazio absoluto. Eles ganham uma sobrevida biológica e sensorial por meio de nós. Quando olhamos para o mundo, quando ouvimos uma melodia ou o vento, carregamos conosco a bagagem, o aprendizado e a própria linhagem dos que nos antecederam. Nossos olhos e ouvidos tornam-se extensões dos deles.2. O Cotidiano e o Acidental ("certas sinfonias algum bater de portas")A conexão com o passado não acontece apenas em momentos solenes. Ela se manifesta no dia a dia. Gullar une o sublime (as "sinfonias") ao banal (o "bater de portas" ou as "ventanias"). Isso mostra que a memória é involuntária e desperta nos detalhes mais simples e espontâneos da rotina.3. A Comunhão pelo Riso ("misturam o seu ao nosso riso")O ápice do poema reside na cumplicidade do afeto. Os mortos "misturam o seu ao nosso riso", mas com uma condição fundamental: "se de fato quando vivos acharam a mesma graça".Essa ressalva aponta que a verdadeira imortalidade depende da afinidade real e das experiências compartilhadas. Nós só mantemos viva a essência de alguém se compreendemos e dividimos com essa pessoa a mesma visão de mundo, o mesmo humor e a mesma sensibilidade estética ou afetiva.ConclusãoEm resumo, para Ferreira Gullar, os mortos não habitam um além-túmulo distante, mas sim a nossa própria experiência de estar vivo. Eles continuam existindo enquanto houver alguém que compartilhe dos mesmos sentimentos, sensações e lembranças que outrora os definiram. Música | Martinho da Vila e Dona Ivone Lara - Alguém me avisou - Tiê
Mateus 5:3-12 NVI Compartilhar NTLH ARA NVI NVT ARC “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o reino dos céus”. ― Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vocês. Alegrem‑se e regozijem‑se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês. “Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier - Mensagens nº 224 Um Plano Maior 3 de out. de 2022 #ChicoXavier #Espiritismo #Mensagens “Na Terra”, de André Luiz, por Chico Xavier - Mensagens nº 224 “Na Terra, Deus nos concede o corpo, através de pais amigos. Cada um de nós se lhe faz inquilino temporário em regime de responsabilidade. Deus nos proporciona a riqueza das horas pela contabilidade do tempo. Cada criatura, em momento oportuno, apresentará o relatório dos próprios dias. Deus nos oferta os laços afetivos pelos princípios da afinidade. Podemos valorizá-los ou não, conforme o nosso próprio arbítrio. Deus nos concede a propriedade, por intermédio das leis organizadas pelos próprios homens. Daremos conta do usufruto respectivo. Deus nos oferece as sementes pelos recursos da Natureza. Plantio e colheita são sempre de nossa escolha. Deus nos confia o dinheiro, através do trabalho ou da generosidade alheia. Somos responsáveis pela aplicação da finança que nos seja creditada. Deus nos habilita para a eficiência com máquinas diversas, por meio da própria inteligência humana. Compete a nós outros a programação e a condução delas. Em suma, toda criação e doação das vantagens de que dispomos procedem de Deus. Entretanto, é justo reconhecer que todos os êxitos e problemas da utilização pertencem a nós.“ André Luiz Da obra: "Vida em Vida" (1980) Psicografado por Francisco Cândido Xavier Locução: Prado. 171 No campo físico _____________________________ “Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.” - Paulo. (I Coríntios, 15:44.) ______________________________ Ninguém menospreze a expressão animal da vida humana, a pretexto de preservar-se na santidade. A imersão da mente nos fluidos terrestres é uma oportunidade de sublimação que o espírito operoso e desperto transforma em estruturação de valores eternos. A sementeira comum é símbolo perfeito. O gérmen lançado à cova escura sofre a ação dos detritos da terra, afronta a lama, o frio, a resistência do chão, mas em breve se converte em verdura e utilidade na folhagem, em perfume e cor nas flores e em alimento e riqueza nos frutos. Compreendamos, pois, que a semente não estacionou. Rompeu todos os obstáculos e, sobretudo, obedeceu à influência da luz que a orientava para cima, na direção do Sol. A cova do corpo é também preciosa para a lavoura espiritual, quando nos submetemos à lei que nos induz para o Alto. Toda criatura provisoriamente algemada à matéria pode aproveitar o tempo na criação de espiritualidade divina. O apóstolo, todavia, é muito claro quando emprega o termo “semeia-se”. Quem nada planta, quem não trabalha na elevação da própria vida, coagula a atividade mental e rola no tempo à maneira do seixo que avança quase inalterável, a golpes inesperados da natureza. Quem cultiva espinhos, naturalmente alcançará espinheiros. Mas, o coração prevenido que semeia o bem e a luz, no solo de si mesmo, espere, feliz, a colheita da glória espiritual. www.autoresespiritasclassicos.com Francisco Cândido Xavier Vinha de Luz 3o livro da Coleção “Fonte Viva” (Interpretação dos Textos Evangélicos) Ditado pelo Espírito Emmanuel SEMEIAS / SEMEIESSemeias e semeies são duas formas corretas do verbo semear, mas pertencem a tempos e modos verbais diferentes.Diferença entre Semeias e SemeiesSemeias: é o presente do indicativo para a segunda pessoa do singular (tu). Indica uma ação real, um hábito ou fato do presente (Exemplo: "Tu semeias o trigo no campo").Semeies: é o presente do subjuntivo para a segunda pessoa do singular (tu). Indica uma dúvida, uma hipótese, um desejo ou aparece em frases negativas (Exemplo: "Quero que tu semeies o bem", "Não semeies a discórdia").Resumo práticoUse semeias para fatos certos (tu semeias).Use semeies para desejos, dúvidas ou ordens negativas (que tu semeies / não semeies).Se precisar de exemplos com outros verbos ou tempos verbais, basta me avisar!6 sitesConjugação do Verbo SemearImperativo Afirmativo. -- semeia tu semeie você semeemos nós semeai vós semeiem vocês. Imperativo Negativo. -- não semeies tu não ...Conjugação de Verbossemear (verbo) - - Portal da Língua Portuguesasemear - verbo ; Presente, Pretérito imperfeito, Pretérito perfeito, Pretérito mais-que-perfeito, Futuro imperfeito, Futuro perfei...Portal da Língua PortuguesaConjugação de semear no Dicionário Infopédia de Verbos ...semear locução. definição seta definição. favoritos. TEMPOS SIMPLES. INDICATIVO. Presente ; semear locução. definição seta definiç...Dicionários infopédia da Porto EditoraMostrar tudo"“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus." / "“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois é DELES o reino dos céus.As duas frases estão gramaticalmente corretas, mas mudam a ênfase da mensagem.A escolha depende do destaque que você deseja dar à palavra "deles".Diferença de Ênfase"...pois deles é o reino...": Segue o ritmo tradicional e poético das traduções bíblicas mais conhecidas (como a Almeida Revista e Corrigida). O foco é dividido igualmente entre o grupo e a promessa do reino."...pois é DELES o reino...": Usa a expressão de realce ("é... que/o"). Isso cria uma exclusividade, destacando fortemente que o reino pertence a esse grupo específico (os pobres em espírito) e a mais ninguém.Qual escolher?Escolha a primeira se você busca uma leitura mais clássica, litúrgica e fluida.Escolha a segunda se você vai pregar, expor ou explicar o texto e quer chocar o ouvinte com a exclusividade da promessa.Se quiser, posso ajudar você a analisar o significado do termo "pobre em espírito" ou comparar com outras traduções conhecidas. O que prefere?A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas FAZER A ANÁLISE SINTÁTICA DAS DUAS FRASES SEPARADAMENTE. COTEJAR AS MUDANÇAS DE SENTIDO HAVIDO, EVENTUALMENTE QUANO 'É' VEM ANTES OU DEPOIS DE 'DELES'Aqui está a análise sintática detalhada de cada estrutura e o confronto gramatical das mudanças de sentido.Ambas as frases são orações compostas. A primeira parte ("Bem-aventurados os pobres em espírito") é idêntica em ambas. Vamos focar a análise na oração subordinada explicativa (introduzida por "pois"), onde ocorre a inversão.1. Análise da Frase 1: "...pois deles é o reino dos céus."Esta frase está em ordem inversa (indireta). Colocando-a na ordem direta, teríamos: "pois o reino dos céus é deles".Sujeito: "O reino dos céus" (Simples).Verbo de Ligação: "é" (Indica estado/posse permanente).Predicado Nominal: "deles é" (O núcleo do predicado é o predicativo).Predicativo do Sujeito: "deles" (Atributo em forma de pronome possessivo oblíquo que caracteriza o sujeito "o reino").Conjunção Coordenativa Explicativa: "pois" (Liga as duas orações).2. Análise da Frase 2: "...pois é DELES o reino dos céus."Aqui ocorre um fenômeno sintático diferente devido à introdução do "é" antes do pronome. Existem duas leituras sintáticas aceitas pelos gramáticos para essa estrutura:Análise A: Expressão Expletiva ou de Realce (Mais provável)O termo "é" funciona como parte de uma locução de realce implícita ("é... que")."é": Partícula expletiva (pode ser retirada sem destruir a estrutura: "pois deles o reino dos céus").Sujeito: "o reino dos céus".Predicativo do Sujeito: "deles".Nota: O verbo de ligação principal ficou oculto ou omitido pela força da expressão de realce.Análise B: Inversão com Ênfase no PredicativoVerbo de Ligação: "é" (Deslocado para o início da afirmação).Predicativo do Sujeito Anteposto: "deles".Sujeito: "o reino dos céus".3. Cotejo das Mudanças de Sentido (O "É" antes vs. depois)A mudança da posição do verbo "é" em relação ao pronome "deles" altera profundamente a semântica (sentido) e a estilística do texto:Critério"deles é" (Verbo depois)"é deles" (Verbo antes)Foco da OraçãoFoca no reino como uma consequência natural.Foca nos possuidores (eles) de forma categórica.Valor SemânticoInclusivo/Narrativo: Descreve uma realidade que bíblicamente se estende aos humildes.Exclusivo/Restritivo: Sugere forte exclusão ("é deles [e de mais ninguém]").Efeito PsicológicoTransmite paz, acolhimento e conformidade litúrgica.Transmite choque, forte afirmação e quebra de expectativa.Estilo TextualPoético, clássico e com ritmo cadenciado.Enfático, discursivo, típico de oratória ou debate.Resumo do impacto da inversão:Quando o "é" vem depois (deles é), o verbo serve apenas como uma ponte lógica e suave entre o dono e a posse.Quando o "é" vem antes (é deles), o verbo ganha força de asseveração (afirmação categórica). Ele funciona como um "apontador laser" que isola a palavra "deles", gerando o sentido de exclusividade e o realce estilístico.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Aldrabão de plantão

UMA OBRA POR VEZ - PIERRE AUGUSTE RENOIR Roberto Carlos negro gato 1966 original
“ Quem com patacoada fere, com patacoada será ferido!" O texto discute como a Guerra do Paraguai continua sendo um tema sensível para a diplomacia brasileira, frequentemente evitado por reabrir feridas históricas. Destaca a devastação sofrida pelo Paraguai — com enorme perda populacional — e a violência do conflito, incluindo a morte de Solano López e a destruição final de seu país. O artigo também aborda controvérsias históricas (como o suposto papel da Inglaterra, considerado sem provas) e o caráter brutal da guerra, simbolizado pela apropriação de objetos e pela profanação do corpo de López. No presente, o tema ainda gera tensões: declarações recentes de Lula sobre o conflito provocaram reação do Paraguai, evidenciando divergências de interpretação histórica. Esse atrito ocorre em meio a negociações estratégicas sobre Itaipu, energia e influência internacional, mostrando como o passado continua impactando as relações políticas e diplomáticas atuais.
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da nosssa diplomacia Publicado em 31/07/2026 - 07:05 Luiz Carlos Azedo Brasília, Eleições, EUA, Geografia, Governo, Guerra, Inglaterra, Itamaraty, Literatura, Memória, Militares, Paraguai, Partidos, Política, Política, Segurança, Trump O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, Xadrez, Truco e Outras Guerras, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau. A guerra começou em 1864, com a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda e a invasão da então província de Mato Grosso pelas forças paraguaias, e terminou em 1870. O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. Não há provas de que a Inglaterra teria provocado a guerra para destruir um Paraguai industrializado e autônomo. A memória do conflito permanece tão sensível que boa parte da documentação histórica é cercada por controvérsias sobre seu sigilo. Em 2004, o governo paraguaio chegou a pedir oficialmente acesso a arquivos brasileiros sobre a guerra e da posterior demarcação das fronteiras. Para o Itamaraty, mexer nesse passado sempre significa reabrir feridas que a integração bilateral procura cicatrizar. Solano López morreu em Cerro Corá, ou Aquidabanigui, em 1º de março de 1870, na última batalha da guerra. Depois da derrota paraguaia em Campo Grande, em agosto de 1869, o que restava de seu exército havia sido reduzido a algumas centenas de combatentes, entre velhos, adolescentes e crianças, famintos, malvestidos e precariamente armados. Em 26 de fevereiro de 1870, o general José Antônio Correia da Câmara avançou contra o acampamento de López à frente de mais de 2 mil homens. Francisco, o Panchito, filho de López, com apenas 15 anos, morreu durante a resistência. Foi uma operação rápida e brutal, de cerco e aniquilamento. Leia também: As descobertas que contradizem o que a escola ensinou sobre a Guerra do Paraguai López tentou escapar acompanhado de poucos oficiais, mas foi alcançado por soldados brasileiros. A narrativa oficial sustenta que recusou a rendição e morreu em combate; outra hipótese é que tenha sido executado quando já estava gravemente ferido. O cabo José Francisco Lacerda, o Chico Diabo, atingiu-o com uma lança. Depois, houve um disparo de autoria controversa. Seu cadáver foi mutilado e seus objetos pessoais transformados em troféus. A espada de López foi enviada ao imperador Dom Pedro II. Sua condecoração ficou com o então visconde do Rio Branco; o general Câmara, com seu relógio, mais tarde doado a um museu. Chico Diabo tomou para si uma faca de prata e ouro com as iniciais FL, de Francisco López. O saque dos objetos pessoais e a profanação do cadáver sintetizam uma campanha de extermínio, na qual a eliminação física de Solano López se confundiu com a destruição do que restava de seu país. Terreno minado Outro símbolo desse passado é o canhão El Cristiano, de 12 toneladas, hoje exposto no Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, no Rio de Janeiro. Fundido com o bronze dos sinos de igrejas paraguaias, foi capturado como troféu. Para os paraguaios, é uma lembrança material da devastação sofrida. Uma boa ideia seria devolvê-lo. Lula pisou nesse terreno minado: “A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”. E simplificou um conflito complexo: o Paraguai invadiu territórios do Brasil e da Argentina, mas não invadiu o Uruguai, porque Solano López apoiava o governo blanco uruguaio e considerava a intervenção brasileira naquele país uma ruptura do equilíbrio regional. Leia mais: Mal-estar com Paraguai se agrava e gera protesto diplomático A reação de Assunção às declarações era previsível. O presidente Santiago Peña telefonou a Lula, e o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para receber uma nota oficial. Esse é um gesto formal de descontentamento. O Paraguai se enxerga como vítima de um massacre. O estresse diplomático ocorre durante as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras e comerciais da energia produzida pela hidrelétrica. A tarifa foi fixada em US$ 19,28 por quilowatt até 2026, mas continua pendente a definição das regras para a comercialização do excedente paraguaio. Cada país tem direito a 50% da energia, e o Paraguai cede ao Brasil a parcela que não consome. Assunção quer negociar essa energia no mercado e obter uma remuneração maior. Itaipu é estratégica para o sistema elétrico brasileiro. A relação já havia sido agastada pela revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência teria invadido sistemas do governo paraguaio para obter informações sobre a posição de Assunção nas negociações, no governo Jair Bolsonaro e no início da atual administração. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defende que o excedente energético seja utilizado para alimentar centros de dados e projetos de inteligência artificial das big techs, que seriam instalados no Paraguai. A alternativa fortalece o poder de barganha de Assunção. Vale a pena ler de novo: Livro conta a história dos soldados negros que morreram na guerra do Paraguai Diplomacia do governo Lula tem dualidade insustentável Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Guerra, #Itaipu, #Paraguai, #Peña, Lula, Rúbio Insensatez Tom Jobim A insensatez que você fez Coração mais sem cuidado Fez chorar de dor O seu amor Um amor tão delicado Ah, por que você foi fraco assim? Assim tão desalmado Ah, meu coração, quem nunca amou Não merece ser amado Ah, meu coração, pede perdão Usa só sinceridade Quem semeia vento, diz a razão Colhe sempre tempestade Vai, meu coração, pede perdão Perdão apaixonado Vai, porque quem não pede perdão Não é nunca perdoado Ah, meu coração, pede perdão Usa só sinceridade Quem semeia vento, diz a razão Colhe sempre tempestade Vai, meu coração, pede perdão Perdão apaixonado Vai, porque quem não pede perdão Não é nunca perdoado Composição: Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Jobim.
Se algo estivesse correto, sustentaria que estava errado; se estivesse errado, afirmaria o contrário. Não viera para provar ou edificar, mas, à maneira daquele célebre diálogo em que o Diabo expõe a Deus o intento de sua igreja, apenas para desfazer, desmanchar e negar. Projeto não muito diverso do que, entre nós, já se viu propalado — seja pelo aldrabão de ocasião, seja pelo aldrabão literário — ambos afeitos mais à inversão das verdades do que à sua construção. “O Brasil estava a dar um exemplo ao mundo, meu amigo. Aquilo é um aldrabão de primeira.” O Aldrabão Teatro Nacional D. Maria II 17 de out. de 2013 SALA GARRETT - 17 OUT A 17 NOV 2013 Pseudolus (titulo original), considerada uma das melhores comédias de Plauto, para alguns a sua obra-prima, é um dos textos centrais da dramaturgia ocidental. O tema da separação e do reencontro dos apaixonados é abordado nesta comédia de enganos, repleta de mal-entendidos e trocadilhos. A ação tem lugar numa rua de Atenas e centra-se na personagem do escravo Pseudolo e na forma como engana um proxeneta para lhe roubar uma cortesã amada pelo seu amo e que estava destinada a um soldado. As suas trapaças, a humilhação dos poderosos e sem escrúpulos servem para enaltecer esta personagem e o triunfo dos escravos. de Plauto tradução Luís Vasco, adaptada a partir da tradução francesa de Édouard Sommer versão cénica e encenação João Mota cenografia João Mota e Eric da Costa figurinos Carlos Paulo desenho de luz José Carlos Nascimento música original, direção musical e sonoplastia Hugo Franco movimento Jean-Paul Bucchieri com Virgílio Castelo, Rui Mendes, João Ricardo, Fernando Gomes, Carlos Vieira de Almeida, Rui Neto, Miguel Costa, Miguel Raposo figurantes Diogo Tormenta, Guilherme Gomes, João Dantas, João Ventura, José Leite, Nuno Rodrigues, Rafael Gomes, Ricardo Teixeira, Sérgio Coragem e Simão Biernat músicos Luís Bastos (sopros), Rini Luyks (acordéon e teclados) e Gonçalo Santuns (percussão) pintura de telão Silveira Cabral e Teresa Varela confeção de adereços Teresa Varela produção TNDM II M/12 'Capítulo dos chapéus' de Machado de Assis | Audiobook do conto completo | Sussurros de Tinta IA Sussurros de Tinta 30 de jun. de 2024 #AudioBook #MachadodeAssis #LiteraturaBrasileira Bem-vindos ao canal "Sussurros de Tinta"! Neste vídeo, vamos ler o conto "Capítulo dos chapéus" de Machado de Assis, uma das joias da coletânea "HISTÓRIAS SEM DATA de 1882". Acompanhe-nos enquanto exploramos a narrativa envolvente e as nuances deste conto clássico, discutindo seus personagens, temas e a magistral escrita de Machado de Assis. Se você é um amante da literatura brasileira ou simplesmente quer descobrir mais sobre este icônico autor, não perca este vídeo! Não se esqueça de se inscrever no canal e deixar seu comentário abaixo sobre suas impressões e interpretações do conto. ALDO REBELO EXPLICA POR QUE ACEITOU ENTRAR NA CAMPANHA DE CAIADO MyNews
sexta-feira, 31 de julho de 2026 O cerco americano ao capitalismo, por José de Souza Martins* Valor Econômico Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá Para entender as aberrações de conduta política do presidente americano e de seu secretário de Estado em relação a países como o nosso, é sociologicamente incorreto imputar a Lula e às esquerdas a responsabilidade pela polarização ideológica que nos sufoca e cerceia. Responsabilizá-los ainda é parte do jogo político da polarização promovida pelo “centro”. Em várias partes, as esquerdas da era pós-stalinista jogam o jogo já feito para nele identificar e superar seus erros, suas brechas, e ocupá-las. As esquerdas já entenderam que não são elas que fazem o jogo político contemporâneo pois já feito pelas irracionalidades, pelas ambições de riqueza e poder, pela corrupção, que delas decorre. Há muito, o mundo não está polarizado entre capitalismo e comunismo. Está determinado pelo mero crescimento econômico a qualquer preço, de lucro imediato e desmedido, sem desenvolvimento social. As esquerdas assumiram a função política de agentes de consciência social crítica das contradições autodestrutivas do capital. Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá. Isso não é coisa de agora. Em relação a nós, vem de longe. É preciso definir as temporalidades do crescente processo de ação americana em suas relações internacionais no sentido de monitorar e limitar economias do Terceiro Mundo e, no que nos interessa, cercear o desenvolvimento capitalista na América Latina e, em particular na Argentina, no México e no Brasil. O capitalismo se desenvolveu mais típica e caracteristicamente na Inglaterra, onde ocorreu a primeira revolução econômica capitalista. O Brasil nasceu, como país independente, patrocinado e financiado pela Inglaterra, que concebeu nossa independência e a financiou como parte do projeto inglês de potência econômica colonial. Esse plano está num documento de 1805 da Biblioteca Britânica, de Londres. Quando a crise do capitalismo abateu o capitalismo inglês, o eixo da economia internacional se deslocou para os EUA. Surgiu a “doutrina” da América Latina como quintal americano, agora ainda invocada pelo governo Trump. O chamado imperialismo surgiu geopoliticamente como um modo de impedir a expansão territorial do capitalismo, para concentrar na metrópole sua poderosa capacidade de produzir riquezas e distribuí-las parcimoniosamente por menos do que o apetecido pelos subdesenvolvidos. Antes mesmo de consolidar-se a transferência da hegemonia econômica da Inglaterra para os EUA, os americanos já temiam e estavam preocupados com o desenvolvimento da indústria no Brasil. Nos anos 1920, o Departamento de Comércio realizou na Argentina e no Brasil uma pesquisa sobre o desenvolvimento industrial nos dois países. Descobriu que ambos tinham um desenvolvimento industrial significativo, com capacidade ociosa para atender a demanda interna de produtos industrializados numa eventual crise que dificultasse a importação de bens de consumo. Nossa industrialização não nasceu da crise do café, como equivocadamente supôs Celso Furtado, que não examinou os documentos americanos para explicá-la. Os nossos engenheiros, mesmo os formados nas escolas militares, e nossa mão de obra qualificada, foram capazes de inventar peças e máquinas, começaram a substituir importações substituindo peças desgastadas de máquinas importadas por peças fabricadas aqui mesmo, artesanalmente, com a reciclagem de ferro-velho. Ou importação de matéria-prima. Mesmo a espionagem industrial entrou no jogo. Antônio Pereira Inácio, que seria sogro de José Ermírio de Moraes, expressão da burguesia nacional, fez isso em empresas americanas. Quando decidiu voltar ao Brasil e montar sua própria indústria, devolveu à empresa que espionara todos os salários recebidos. O exemplo que entre nós evidencia o quanto o capitalismo americano é anticapitalista é o da biografia de Roberto Cochrane Simonsen, industrial e político. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os americanos montaram o Plano Marshall para aplicar recursos de rápido desenvolvimento econômico nos países vencidos, especialmente na Europa. Roberto Simonsen foi aos EUA defender que o Plano Marshall fosse estendido à América Latina, que se transformaria numa potência econômica. Os americanos recusaram o apoio. Sem dizê-lo, não queriam que a América Latina se transformasse numa potência capitalista. Ficamos confinados nos limites bem definidos de um subcapitalismo, como o definiu Fernando Henrique Cardoso.
O texto argumenta que o capitalismo dos Estados Unidos estaria em decadência e que o país tenta se defender limitando o desenvolvimento capitalista de outras nações, especialmente na América Latina. O autor critica a ideia de que a polarização política atual seja responsabilidade das esquerdas, afirmando que elas hoje atuam mais como críticas das contradições do sistema capitalista. Segundo o artigo, o mundo não está mais dividido entre capitalismo e comunismo, mas sim orientado por um crescimento econômico voltado ao lucro imediato, sem preocupação social. O autor também sustenta que, historicamente, potências como Inglaterra e depois os EUA atuaram para controlar ou restringir o desenvolvimento econômico de países como o Brasil. Ele cita exemplos históricos, como a recusa dos EUA em incluir a América Latina no Plano Marshall e o apoio ao golpe de 1964, para defender a ideia de que houve uma estratégia de manter a região em um nível de “subcapitalismo”, evitando que se tornasse uma potência econômica. O golpe de 1964 foi patrocinado pelo governo americano em nome da geopolítica da dominação econômica. Para não sermos o que tínhamos condições de ser.
Rogério Werneck Escalada de insensatez Nunca houve a menor dúvida de que Lula da Silva estaria disposto a "fazer o diabo" para vencer a disputa presidencial. Mas, desta vez, sobram razões para crer que o diabo pode se afigurar bem mais assustador do que já foi no passado. À primeira vista, pareceria ser só uma recorrência do velho padrão de farra fiscal que se viu em 2014, na reeleição de Dilma Rousseff, e, em 2022, com Jair Bolsonaro, coadjuvado pelo próprio Lula, que com ele travou um torneio desvairado de promessas eleitoreiras de reajustes do Bolsa Família que redundou na triplicação dos custos do programa. A verdade é que, desta vez, o "fazer o diabo" vem assumindo contornos ainda mais preocupantes do que em 2014. É bom ter em conta que até mesmo Dilma Rousseff, passada a pior fase do delírio da nova matriz econômica, tinha consciência de que a farra fiscal que vinha perpetrando era reprovável. Tanto é que fez das tripas coração para esconder do País, até o dia seguinte do segundo turno, que o superávit primário ainda vultoso que vinha prometendo para 2014 se transformara em déficit já avantajado. No fundo, Dilma alimentava a fantasia de que, uma vez reeleita, poderia reverter seus desmandos na área fiscal. Foi o que tinha em mente ao nomear, para seu segundo mandato, um ministro da Fazenda com o perfil de Joaquim Levy. ______________________________ Festival de ideias tortas exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4 ______________________________ O que agora se vê é bem diferente. O governo não vem dando qualquer indicação de que reconhece que a farra fiscal que vem promovendo é reprovável. Ou de que tem consciência de que os desregramentos de seus abusos eleitoreiros estão fadados a exigir medidas compensatórias ainda mais duras no futuro. Muito pelo contrário, a equipe econômica do governo, agora, vem se empenhando em defender, em documentos oficiais, alegações sem pé nem cabeça que supostamente dariam respaldo à conclusão triunfalista de que a farra fiscal em curso não só faria todo sentido, como só traria benefícios ao País. Uma espécie de versão 2.0 da nova matriz econômica. Some-se a isso a desajuizada iniciativa de Lula de recrutar na ala jurídica do PT quem possa delinear o que será seu programa de governo, caso venha a ser reeleito aos 81 anos. Falam por si as notícias de conversas tortas recentes, em instituições financeiras, em que figurões petistas se permitiram desfilar ideias estapafúrdias de todo tipo, mencionando até mesmo controle de capitais. Salta aos olhos que se trata de outro jogo, assustadoramente mais insensato, que só exacerba apreensões quanto a descaminhos de um Lula 4. _____________________ ECONOMISTA, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE HARVARD, É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO
Com a elevação de 1,2 ponto percentual, o juro médio dessa modalidade atingiu o maior patamar em quase dez anos José Cruz/Agência Brasil/Divulgação/JC Agências Publicada em 30 de Julho de 2026 às 14:05 Juro médio cobrado das famílias sobe a 64% em junho, maior patamar em quase 10 anos Crédito Maior valor em quase 10 anos Juro médio cobrado das famílias vai a 64% em junho A taxa média de juros do crédito livre (em que as condições de financiamento são pactuadas diretamente entre bancos e clientes, sem subsídio do governo) para pessoas físicas subiu de 62,8% ao ano, em maio, para 64% em junho, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Segundo o chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, é o maior valor para a modalidade desde abril de 2017 (66,6%), puxado pelas operações de crédito pessoal sem consignação.Já a taxa cobrada das empresas oscilou de 24,9% (revisado, de 25,2%), em maio, para 24,4%. Ainda pelos dados do BC, o volume de concessões de crédito livre aumentou 6,7% em junho, para R$ 468,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 9,3%. Os dados não têm ajuste sazonal. MARIANNA GUALTER e CÍCERO COTRIM/BRASÍLIA