quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Entre o Estado-engenheiro e o Estado-advogado: o dilema brasileiro na era da disputa entre Estados Unidos e China

Estado Engenheiro vs. Estado Advogado O conflito entre o tecnicismo autoritário e a burocracia do "Estado sou eu"
Silhueta, contraste e a beleza do imperfeito.

Prompt de Atuação: Articulista Sênior e Cientista Político

Atue como um articulista sênior, cientista político e ensaísta acadêmico de alta estirpe, habituado a publicar artigos de opinião densos, críticos e eruditos em veículos como The New York Times e O Estado de S. Paulo (Estadão).

Sua tarefa é converter e formatar o conteúdo bruto fornecido ao final deste prompt, aplicando rigorosamente uma abordagem ESTRUTURAL e eliminando completamente qualquer viés PERSONALISTA.

Diretrizes de Escrita e Abordagem Teórica

  • Deslocamento de Causalidade: Não atribua crises, avanços ou problemas às intenções, moral, estilo ou psicologia de indivíduos específicos (políticos, empresários ou líderes). Explique-os a partir de engrenagens invisíveis do sistema, como desenhos institucionais, gargalos macroeconômicos, matrizes históricas, fluxos de mercado e condicionantes sociológicos.
  • Rigor Epistemológico: O indivíduo deve ser tratado como um produto de sua estrutura (tempo, classe, regras do jogo e linguagem). O texto deve demonstrar que o fenômeno persistirá mesmo se os atores individuais mudarem.
  • Tom e Estilo Verbal: Use prosa analítica, elegante, sóbria e densa. Escreva de forma estritamente impessoal, abolindo a primeira pessoa (eu/nós). Prefira a voz passiva analítica ou construções que foquem no objeto/fato (ex: "observa-se o fenômeno", "o desenho institucional impõe").
  • Vocabulário de Excelência: Utilize termos técnicos precisos (ex: "vulnerabilidade fiscal crônica", "presidencialismo de coalizão", "pressões sistêmicas", "arquitetura institucional", "gargalos logísticos"). Evite jargões fofoqueiros, tom panfletário ou adjetivações morais sobre pessoas.

Estrutura Textual do Artigo-Ensaio

  • TÍTULO: Deve ser sofisticado, conceitual e focado no problema sistêmico (evite nomes próprios no título).
  • INTRODUÇÃO: Apresente o fato atual não como um evento isolado, mas como o sintoma visível de uma disfunção estrutural profunda.
  • DESENVOLVIMENTO ANALÍTICO: Divida a argumentação em vetores de pressão sistêmica (histórico, econômico e institucional), demonstrando como as regras e os fluxos moldam o comportamento dos agentes.
  • CONCLUSÃO: Proponha reflexões sobre reformas de desenho, mudanças de matriz ou reconfigurações do sistema, sem focar em soluções messiânicas baseadas na "mudança de liderança".

Dados Brutos / Contexto para o Texto

[INSIRA AQUI O SEU CONTEÚDO BRUTO, IDEIAS, RASCUNHOS OU O TEMA QUE VOCÊ DESEJA QUE A IA TRANSFORME]

Use o código com cuidado.

Entre o Estado-engenheiro e o Estado-advogado: o dilema brasileiro na era da disputa entre Estados Unidos e China A ascensão da China reabriu um dos mais importantes debates políticos do século XXI: o que explica o sucesso de determinadas nações na construção da prosperidade econômica e da influência internacional? A resposta tradicional costuma oscilar entre dois polos. De um lado, atribui-se o êxito chinês ao autoritarismo político. De outro, destaca-se a adoção gradual de mecanismos de mercado. A tese apresentada pelo pesquisador Dan Wang e analisada pela cientista política Maria Hermínia Tavares propõe uma interpretação distinta: a força da China residiria, sobretudo, na construção de um Estado dirigido por uma elite técnica, formada predominantemente por engenheiros. Essa abordagem oferece uma oportunidade valiosa para ampliar o debate e incluir o caso brasileiro. A comparação entre o chamado Estado-engenheiro chinês e o Estado-advogado norte-americano revela, antes de tudo, a existência de duas formas distintas de compreender o exercício do poder. Na China, o Estado é concebido como um instrumento de execução. O objetivo principal é resolver problemas por meio do planejamento técnico, da expansão da infraestrutura, da coordenação industrial e da mobilização de recursos em larga escala. Nos Estados Unidos, a lógica é diferente. O sistema político foi estruturado para limitar a concentração do poder. O direito, a regulação, a fiscalização, a descentralização administrativa e os mecanismos de controle institucional são elementos centrais da arquitetura do Estado. Nenhum desses modelos é inteiramente reproduzido no Brasil. O país desenvolveu, ao longo do século XX, uma burocracia relativamente sofisticada, capaz de criar instituições importantes e implementar políticas públicas relevantes. Entretanto, nunca conseguiu consolidar uma capacidade estatal comparável àquela observada nas grandes experiências asiáticas de industrialização. Ao mesmo tempo, também não construiu um sistema institucional tão estável e previsível quanto o norte-americano. Essa limitação ajuda a explicar uma característica recorrente da política brasileira: a excessiva personalização do poder. O debate público frequentemente se concentra na figura do presidente da República, enquanto questões estruturais permanecem em segundo plano. Nesse contexto, a trajetória política iniciada em 2003 oferece um estudo de caso particularmente relevante. Independentemente das preferências ideológicas, é impossível ignorar o protagonismo exercido pelo Partido dos Trabalhadores na política nacional durante as últimas décadas. Os governos petistas atravessaram diferentes conjunturas econômicas, sobreviveram a crises políticas, enfrentaram o impeachment de uma presidente da República, retornaram ao poder após um período de alternância e continuam ocupando uma posição central no sistema político brasileiro. A longevidade desse ciclo político suscita uma pergunta inevitável: o país utilizou esse período para fortalecer suas capacidades estatais? A resposta exige cautela. Os avanços sociais registrados nas primeiras décadas do século XXI são amplamente reconhecidos. Entretanto, indicadores relacionados à produtividade, à infraestrutura, à inovação tecnológica, à qualidade da educação básica e à competitividade industrial sugerem que o Brasil não conseguiu construir um projeto nacional de desenvolvimento comparável ao das economias asiáticas. O problema, contudo, não pode ser reduzido à biografia do presidente. A escolaridade formal de um governante, por si só, não determina a qualidade de sua administração. A história política está repleta de exemplos que desautorizam qualquer tentativa de estabelecer uma relação automática entre formação acadêmica e competência administrativa. Estados modernos são administrados por instituições, burocracias, centros de pesquisa, agências reguladoras e equipes técnicas. Líderes exercem influência decisiva, mas não substituem a capacidade institucional. Isso não significa que a trajetória pessoal seja irrelevante. As concepções individuais dos governantes influenciam a forma como eles se relacionam com especialistas, cientistas, juristas, economistas e servidores públicos. A visão que um líder possui sobre o conhecimento técnico pode afetar diretamente a formulação e a implementação de políticas públicas. Nesse ponto, o caso brasileiro revela uma tensão recorrente entre política e direito. O Estado-engenheiro tende a considerar procedimentos jurídicos excessivos como obstáculos à eficiência administrativa. O Estado democrático, por sua vez, depende desses mesmos procedimentos para estabelecer limites ao poder e proteger direitos individuais. A convivência entre essas duas lógicas é inevitavelmente conflituosa. Entretanto, a discussão não pode permanecer restrita ao plano doméstico. Como observa o jornalista Luiz Carlos Azedo, a disputa entre Estados Unidos e China acrescenta uma dimensão geopolítica ao debate. O Brasil deixou de ser apenas um país em busca de maior eficiência administrativa. Tornou-se um espaço estratégico na competição entre a principal potência estabelecida e a principal potência emergente do sistema internacional. Essa disputa transcende afinidades ideológicas. A presença chinesa na América do Sul, o fortalecimento do Brics, a reorganização das cadeias produtivas globais e a tentativa norte-americana de recuperar sua influência hemisférica reposicionaram o Brasil no cenário internacional. A grande questão deixou de ser apenas qual modelo de Estado o país pretende construir. A pergunta passou a ser outra: qual projeto nacional o Brasil deseja defender? A resposta não será encontrada na simples importação do modelo chinês nem na reprodução mecânica do sistema norte-americano. A experiência chinesa demonstra a importância da capacidade de execução. A experiência norte-americana reafirma o valor dos freios institucionais. O desafio brasileiro consiste em combinar as virtudes desses dois modelos sem incorporar seus respectivos excessos. Um Estado incapaz de executar políticas públicas compromete o desenvolvimento econômico. Um Estado sem mecanismos efetivos de controle ameaça as liberdades democráticas. Entre a eficiência sem limites e a limitação sem eficiência, o Brasil continua procurando um caminho próprio. Talvez essa seja a principal lição do debate contemporâneo: o desenvolvimento não depende exclusivamente da permanência prolongada de um partido no poder, da biografia de um líder carismático ou da adoção de modelos estrangeiros. Depende, sobretudo, da construção de instituições capazes de sobreviver aos governos, às crises políticas e às mudanças de ciclo histórico. A verdadeira disputa brasileira não é entre engenheiros e advogados. É entre o personalismo e a institucionalidade.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Grandezas e misérias do Estado-engenheiro chinês, por Maria Hermínia Tavares Folha de S. Paulo Livro propõe uma explicação original para a ascensão econômica e aumento do prestígio da China Fazendo obras, tirou da pobreza milhões de concidadãos e melhorou a vida nas grandes cidades A China é hoje mais bem avaliada que os Estados Unidos pelos habitantes de 30 de 36 países incluídos na "Pesquisa Global de Atitudes", conduzida anualmente pelo respeitado instituto americano Pew Research Center. E o líder chinês Xi Jinping inspira mais confiança aos entrevistados do que Donald Trump. É um resultado inédito. Reflete o enorme desgaste da imagem internacional dos EUA, produto da truculência com que a Casa Branca vem conduzindo a política exterior do país. Mas também atesta o crescimento do prestígio internacional da China graças à sua pujante ascensão econômica e à capacidade de ocupar posições na fronteira da inovação produtiva. Para aqueles que, como eu, pouco sabem dessa nova potência, será de grande proveito a leitura de "A Todo Vapor: Tecnologia e poder na China e a disputa com os Estados Unidos", de Dan Wang (Intrínseca). Chinês de nascimento, criado no Canadá, formado em economia nos Estados Unidos, Wang trabalhou sete anos na sua terra natal como analista de tecnologia. Seu livro propõe uma explicação original para o êxito econômico da China: não decorre do regime político autoritário de Beijing nem de uma forma específica de sistema econômico, mas das capacidades estatais desenvolvidas por uma liderança política formada por engenheiros. O Estado-engenheiro tem vocação e meios para encontrar soluções técnicas para os problemas e apetite aparentemente insaciável de fazer: ferrovias, pontes, metrôs, portos, aeroportos, usinas, redes elétricas, fábricas e cadeias industriais, habitação em larga escala, projetos de renovação urbana. Fazendo obras, tirou da pobreza milhões de concidadãos e melhorou a vida nas grandes cidades. Wang contrapõe o Estado-engenheiro chinês ao Estado-advogado americano, habilitado a regular, limitar, contestar —e, em última instância,— bloquear iniciativas, tornando mais confusas as decisões de políticas públicas e muito mais lenta a sua implementação. O livro não faz apologia do sistema chinês, mesmo quando descreve com admiração seus logros materiais. Em dois capítulos nos quais aborda o enfrentamento da pandemia da Covid e a política do filho único, expõe os enormes custos humanos envolvidos na gestão de questões sociais como se não passassem de um problema de engenharia. A implacável tentativa de controlar a população e impor-lhe o confinamento, durante o surto epidêmico, fracassou, depois de ganhos iniciais, e acabou atabalhoadamente abandonada. A política do filho único —mediante controle coercitivo da natalidade— foi uma colossal catástrofe que alterou até hoje o equilíbrio demográfico do país. Incluiu abortos forçados; infanticídio de meninas; esterilização em massa de mulheres —e, em menor medida, de homens—; entrega de bebês para adoção por estrangeiros. Em suma, um crime contra a humanidade. Wang julga possível compatibilizar a agilidade do Estado-engenheiro com limites políticos ao poder dos governantes, que só o Estado democrático de Direito consegue, mal e mal, prover. Algo mais fácil de propor do que de obter na prática, mas sempre um desafio às democracias diante do crescente prestígio da China dos engenheiros autoritários.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Nas eleições, Trump deseja que o Brasil volte a ser quintal dos EUA, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA O Brasil é grande demais para virar marisco na briga entre os Estados Unidos, uma superpotência marítima, e a China, a grande potência continental emergente, que ameaça a hegemonia norte-americana e amplia sua influência na América Latina. Entretanto, o governo Lula pode não passar ileso pela guerra comercial, tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do planeta. O presidente Donald Trump sonha com uma volta ao passado, quando Washington podia tratar a América Latina como seu quintal e enquadrar aliados e adversários por meio de pressões econômicas, diplomáticas e militares. Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA. Essa nostalgia de uma ordem perdida aproxima Trump da figura descrita pelo cientista político norte-americano Mark Lilla. Para o autor de A mente naufragada (Record), o reacionário não é simplesmente um conservador. O conservador valoriza as tradições, mas reconhece que a sociedade muda; o reacionário considera a mudança uma catástrofe e deseja reconstruir um passado idealizado. Acredita que houve uma ruptura no curso da história e que a única saída é fazer o tempo correr para trás. Trump é esse náufrago do passado: promete restaurar a grandeza industrial norte-americana, reafirmar o supremacismo racial, recompor fronteiras econômicas e recuperar uma hegemonia internacional incompatível com o mundo multipolar. Seu projeto tenta repetir, em escala muito mais perigosa, a virada de mesa promovida pelos Estados Unidos na década de 1980, quando o avanço industrial e tecnológico do Japão parecia ameaçar a hegemonia norte-americana. Tóquio acumulava enormes superavits comerciais e suas montadoras e empresas de eletrônicos conquistavam o mercado dos Estados Unidos. Em 1985, Washington articulou o Acordo de Plaza, que provocou forte valorização do iene e reduziu a competitividade japonesa. O acordo foi uma das causas das “décadas perdidas” do Japão. Para todo o Ocidente, porém, o episódio se tornou símbolo do preço pago por um aliado que se submeteu à pressão norte-americana. A China não é o Japão. Não depende militarmente dos Estados Unidos, dispõe de armas nucleares, controla cadeias industriais estratégicas e possui um gigantesco mercado interno, além de riquezas minerais estratégicas, como as terras raras. Além disso, tornou-se a principal parceira comercial de grande parte da América do Sul, inclusive do Brasil. Um novo Acordo de Plaza não pode ser imposto por Trump a Pequim. Sua alternativa é cercá-la: restringir o acesso a semicondutores e tecnologias avançadas, reorganizar cadeias produtivas, elevar tarifas e tentar expulsar investimentos chineses de áreas consideradas estratégicas, como telecomunicações, energia, inteligência artificial, portos e minerais críticos. O mercado mais próximo é a América Latina. Eleições de risco É nesse contexto que ocorrem as eleições no Brasil. Nossa aproximação com a China, a participação no Brics, a defesa do multilateralismo e a autonomia da política externa contrariam Washington. A nova Doutrina Monroe já não se dirige às antigas potências coloniais europeias, mas à presença econômica chinesa. Trump deseja que os países latino-americanos aceitem a liderança dos Estados Unidos ou serão tratados como plataformas de expansão de Pequim. A crescente interferência norte-americana nas eleições brasileiras nasce dessa lógica. Não se trata apenas de afinidade ideológica de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio com a família Bolsonaro e a direita brasileira. Existe uma disputa concreta sobre a futura orientação do Brasil. Um governo alinhado a Washington poderia rever acordos tecnológicos, limitar investimentos chineses, enfraquecer o Brics e apoiar a estratégia dos Estados Unidos na região. Já um governo comprometido com a autonomia diplomática, mesmo mantendo boas relações com os norte-americanos, preservaria espaço para negociar simultaneamente com Pequim e União Europeia. Para isso, Trump impõe tarifas, sanciona autoridades, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e já não esconde o apoio da Casa Branca à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Às favas as normas diplomáticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado um estorvo pelos estrategistas da Casa Branca. Quando Washington relaciona medidas comerciais a decisões da Justiça brasileira ou ao andamento da campanha presidencial, transforma as tarifas em armas eleitorais. Como a balança comercial com os Estados Unidos representa apenas 2% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), essa interferência pode ir além das tarifas, por meio de manipulação do ambiente digital, pressões sobre empresas de tecnologia e campanhas de desinformação. A maior ameaça é a nova tentativa de desacreditar o sistema eleitoral, que constrói a perigosa narrativa segundo a qual o resultado das urnas eletrônicas somente será legítimo se reconhecido por Trump.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Aspas em 'Lulinha' e 'Flávio', por Ruy Castro Folha de S. Paulo Certos nomes em que há algo de fake ou mal contado deveriam ser grafados entre aspas 'Lulinha' é usado para atingir Lula e 'Flávio' só existe porque é acoplado a Bolsonaro Alexandra Moraes, ombudsman da Folha, perguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de "Lulinha" se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal. Há alguns meses, aqui neste espaço, chamei a atenção para a leveza com que a imprensa estava se referindo ao então pré-candidato Flávio Bolsonaro, tratando-o de "Flávio" com uma familiaridade que não dispensava nem ao pai dele, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro. De fato, nos títulos e manchetes dos jornais, Jair Bolsonaro nunca foi chamado de "Jair". Foi sempre e só "Bolsonaro", como deve ser. É verdade que, se um veículo se referir a Flávio Bolsonaro apenas como "Bolsonaro", os leitores poderão confundi-lo com seu apenado pai, daí a decisão de reduzi-lo a "Flávio". Mas "Flávio" não existe, a menos que se acrescente o "Bolsonaro" —é o que as pesquisas estão demonstrando. Mesmo com os desastres de campanha, levando seus apoiadores ao desespero, e por mais inviável que seja como candidato, ainda tem números invejáveis, graças ao nome e ao sobrenome no varal. Daí ser surpreendente a decisão dos marqueteiros de passar a chamá-lo só de "Flávio", não mais de "Flávio Bolsonaro". Com isso, querem vender a imagem de alguém próximo, palpável. Mas quem quer estar próximo de "Flávio" e, pior ainda, apalpá-lo? A prova disso é que seu nome não é citado nem nos palanques de seus supostos aliados, os candidatos a governador. Uma solução tanto para "Lulinha" quanto para "Flávio" é que passemos a nos referir a eles entre aspas. Aspas dão um sentido irônico a um nome e denotam algo de fake no sujeito. Como um rabo de papel que se pendura em alguém.

A gênese do termo bonapartismo remonta às primeiras décadas do século XIX na França. O conceito surgiu inicialmente para descrever o movimento político de apoio a Napoleão Bonaparte (e, posteriormente, ao seu sobrinho Luís Bonaparte, Napoleão III).

Ao longo do tempo, a expressão deixou de ser apenas uma referência dinástica para se tornar uma categoria científica rigorosa, utilizada para explicar regimes onde o Poder Executivo assume uma autonomia hipertrofiada diante de uma crise de hegemonia social.


🏛️ Origens e Autores Fundacionais

Karl Marx

O autor que verdadeiramente estruturou o bonapartismo como categoria sociológica e política foi Karl Marx na sua obra clássica O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852). Marx analisou o golpe de Estado de 1851 perpetrado por Luís Bonaparte. Ele demonstrou como uma ditadura pessoal pode se instalar quando as classes sociais principais encontram-se em um estado de equilíbrio catastrófico: o proletariado já não tolera a velha ordem, mas a burguesia perdeu a capacidade política de governar diretamente.

Friedrich Engels

Engels complementou a tese de Marx em obras como A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (1884). Ele definiu o bonapartismo como o estado de exceção em que as classes em luta se equilibram de tal forma que o poder político, temporariamente, adquire uma independência aparente em relação à sociedade, atuando como um "mediador" fictício.

Leon Trotsky e Antonio Gramsci

No século XX, o conceito foi expandido. Leon Trotsky usou-o para decifrar a ascensão do fascismo e do stalinismo (o chamado "bonapartismo soviético"). Antonio Gramsci, em seus Cadernos do Cárcere, preferiu correlacionar o bonapartismo ao conceito de Cesarismo, tratando-os como fenômenos irmãos onde uma força individual intervém para solucionar um impasse histórico.


🌐 O Conceito por Dimensões

DINÂMICA DO PODER BONAPARTISTA:

1. Equilíbrio Catastrófico (Nenhuma classe vence)
→ 2. Autonomização do Estado (O Executivo se eleva)
→ 3. Ramificação nas Esferas Política, Econômica e Filosófica.

1. Na Política (Regime e Sociedade)

  • Liderança Personalista: O poder concentra-se na figura de um chefe carismático que se apresenta como o "salvador da pátria".
  • Democracia Plebiscitária: Utilização de consultas diretas (plebiscitos e referendos) para legitimar decisões autocráticas de cima para baixo, esvaziando o papel do Poder Legislativo.
  • Apelo Interclassista: O líder afirma governar acima dos partidos e das divisões sociais, angariando apoio tanto de setores da burguesia quanto de massas populares marginalizadas (como o campesinato conservador na análise original de Marx).

2. Na Economia (Função Estrutural)

  • Preservação do Capitalismo: Embora a burguesia perca o controle político direto sobre o aparelho de Estado, o regime bonapartista garante a manutenção da propriedade privada e as condições de exploração econômica.
  • Abdicação Política: A classe dominante aceita abrir mão de suas liberdades políticas clássicas e do parlamentarismo em troca da segurança jurídica de seus negócios e do esmagamento de ameaças revolucionárias.

3. Na Filosofia e Teoria do Poder

  • Autonomização Relativa do Estado: Rompe com a visão simplista de que o Estado é apenas um comitê gestor da classe dominante. O aparato burocrático, militar ou judiciário assume vida própria e ganha traços de independência.
  • A Ilusão da Neutralidade: O poder absoluto se justifica filosoficamente sob o manto da "defesa da ordem constitucional", "salvação nacional" ou "estabilidade democrática". O governante assume o papel de árbitro supremo dos conflitos da sociedade.

🔚 Conclusão Justificada

O bonapartismo é a forma política da decadência e da crise. Ele prova que o poder do Estado não é estático. Diante do colapso das instituições liberais tradicionais, o poder migra para o controle de uma burocracia ou de um indivíduo hipertrofiado.

O termo justifica-se rigorosamente na ciência política para explicar por que, em momentos de profunda polarização, a sociedade abdica do debate parlamentar em prol de uma autoridade centralizadora e pretensamente neutra que promete restabelecer a ordem.


📚 Fontes Utilizadas e Citadas

  1. MARX, Karl. O 18 de Brumário de Luís Bonaparte. (Obra de referência para a gênese do conceito no materialismo histórico).
  2. ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. (Análise da autonomização do poder político).
  3. GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Desenvolvimento sobre o Cesarismo e equilíbrios catastróficos de forças).
  4. TROTSKY, Leon. A Revolução Traída / Escritos sobre o Fascismo. (Discussão do bonapartismo preventivo e do bonapartismo do século XX).
  5. DEMIER, Felipe. A teoria marxista do bonapartismo (Usina Editorial, 2021). (Compêndio contemporâneo de análise conceitual).
  6. LOSURDO, Domenico. Democracia ou Bonapartismo: Triunfo e Decadência do Sufrágio Universal. (Estudo sobre o uso plebiscitário do poder).

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

CARIMBO CONSTITUCIONAL

História do Brasil - Almirante (Carnaval de 1934)

A famosa marchinha de 1934, História do Brasil de Lamartine Babo, ganha uma nova versão focada em Cuba, substituindo o refrão "Foi seu Cabral" por "Foi seu Fidel". A adaptação preserva o ritmo e o humor anacrônico, introduzindo elementos culturais cubanos e celebrando a figura de Fidel Castro.

História de Cuba (Marchinha Adaptada)

Refrão
Quem foi que inventou Cuba?
Foi seu Fidel! Foi seu Fidel!
Num dia primeiro de janeiro,
Com charuto e de chapéu!

Verso 1
Depois Cuba amou o mar,
O mar beijou Havana,
Ao som... Ao som do Guantanamera!
Do Guantanamera ao rum,
Surgiu o Ropa Vieja,
E mais tarde o Daiquiri!

Verso 2
Depois a salsa virou son,
O mambo virou cha-cha-cha,
De lá... Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo do açúcar,
Quem manda é a rumba boa,
E a saúde que curou!

Poucos artistas retrataram o exílio e a fragilidade humana com tanta propriedade quanto Josef Koudelka. O fotógrafo tcheco, nascido em 1938, abandonou a carreira na engenharia para imortalizar momentos decisivos da história História e Solidariedade A aproximação do centenário de nascimento de Fidel Castro, em 13 de agosto de 2026, convida à reflexão sobre o seu complexo legado político e as históricas relações entre Cuba e o Brasil. No plano político-partidário, a relação do líder cubano com a esquerda brasileira nem sempre foi linear. Durante as décadas de 1960 e 1970, o apoio de Havana à luta armada contrastava com a estratégia de resistência institucional e pacífica defendida pela direção tradicional do Partido Comunista Brasileiro (PCB). As divergências partidárias, contudo, nunca anularam a profunda solidariedade dos trabalhadores brasileiros, especialmente no campo da cultura, da música e das artes, que historicamente manifestaram apoio à soberania da ilha frente ao isolamento internacional. Com o fim da ditadura militar e o processo de redemocratização do Brasil, a diplomacia brasileira resgatou sua autonomia na política externa altiva e ativa. O restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais ocorreu formalmente em 14 de junho de 1986, sob o governo de José Sarney, consolidando um anseio das forças progressistas da Frente Ampla. Nos anos seguintes, a transição política brasileira continuou a abrir canais de diálogo. Durante o governo de Itamar Franco, o protagonismo de lideranças vindas da tradição comunista, como Roberto Freire, que liderou a transição do antigo PCB para uma linha social-democrata no início dos anos 1990, exemplificou a convivência democrática e institucional no país. Celebrar esta efeméride a partir do Brasil reafirma o desejo permanente de paz e de autodeterminação dos povos, defendendo que a política e a diplomacia convivam soberanas entre a Terra de Cabral e a Cuba de Fidel. A famosa marchinha de 1934, "História do Brasil" de Lamartine Babo, ganha uma nova versão focada em Cuba, substituindo o refrão "Foi seu Cabral" por "Foi seu Fidel". A adaptação preserva o ritmo e o humor anacrônico, introduzindo elementos culturais cubanos e celebrando a figura de Fidel Castro.História de Cuba (Marchinha Adaptada)RefrãoQuem foi que inventou Cuba?Foi seu Fidel! Foi seu Fidel!Num dia primeiro de janeiro,Com charuto e de chapéu!Verso 1Depois Cuba amou o mar,O mar beijou Havana,Ao som... Ao som do Guantanamera!Do Guantanamera ao rum,Surgiu o Ropa Vieja,E mais tarde o Daiquiri!Verso 2Depois a salsa virou son,O mambo virou cha-cha-cha,De lá... Pra cá tudo mudou!Passou-se o tempo do açúcar,Quem manda é a rumba boa,E a saúde que curou! Guantanamera Compay Segundo I am Cuba | DRAMA | FULL MOVIE Mosfilm 371.699 visualizações Estreou em 29 de out. de 2021 #Cuba #FullMoviesWithEngSubs #Kalatozov A Soviet-Cuban two-part feature film directed by Mikhail Kalatozov, released in 1964. The film was shot after the triumph of the Cuban revolution, the advent of the socialist regime in Cuba, and allied relations between Cuba and the USSR. Plot-wise, it consists of four unrelated novellas that tell the story of the Cubans fighting against "American oppressors" to turn their country into the Island of Liberty. In the 1960s, due to the rise of socialist ideals, the theme of revolution became relevant both for Soviet and Western cinema. The film is made on a high professional level, primarily due to the innovations of DP Sergey Urusevsky and his crew. This was the last time Urusevsky, and director Kalatozov worked together. The films’s production was challenging in regards to staging, camerawork, intraframe editing, hand-held shooting for creating dynamic scenes using a hand-held camera in motion and transferring it from hand to hand, using specially made engineering structures, etc. The film was shot between 1963 and 1964 with a considerable support from the Soviet and Cuban authorities during one of the most strained episodes of the Cold War - the Cuban Missile Crisis, the US blockade of the island, and the difficult economic situation in Cuba. Year of production: 1964 Directed by: Mikhail Kalatozov Written by: Yevgeny Yevtushenko, Enrique Pineda Barnet Director of photography: Sergei Urusevsky Music: Carlos Fariñas Production designer: Yevgeni Svidetelev Starring: Sergio Corrieri, José Gallardo, Raúl García, Salvador Wood, Luz María Collazo, Jean Bouise, Celia Rodriguez The film was digitally restored by Mosfilm Cinema Concern Find out more: https://cg.mosfilm.ru/en Subscribe to our YouTube channel, and be sure to click the bell so that you won’t miss the best Soviet movies! #FullMoviesWithEngSubs #Cuba #Kalatozov Entrevista com Gustavo Franco | Warren Política | Episódio 29 Warren Investimentos 12 de ago. de 2026 Warren Política Neste episódio do Warren Política, Felipe Salto conversa com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos nomes centrais na implantação e consolidação do Plano Real. Na conversa, Gustavo relembra os bastidores da criação do Real, fala sobre a hiperinflação brasileira, a independência do Banco Central, a situação fiscal do país, o risco de deterioração das contas públicas e os desafios para modernizar o processo orçamentário brasileiro. Entre os temas abordados: 00:00-01:32 — Introdução 01:32-04:37 — O que a hiperinflação brasileira tem em comum com outros países 04:37-12:29— Os bastidores da construção do Plano Real 12:29-18:54 — O problema fiscal brasileiro 18:54-29:14 — A independência do Banco Central 29:14-35:02 — A fronteira entre política fiscal e monetária 35:02-39:26 — O risco de deterioração das contas públicas 39:26-46:34 — Congresso e responsabilidade fiscal 46:34-48:13 — Arcabouço fiscal e reforma orçamentária 48:13-53:04— Relação com FHC 53:04-53:37 — Encerramento ---
quarta-feira, 12 de agosto de 2026 O espectro que ronda a eleição de 2026, por Wilson Gomes Folha de S. Paulo Escândalos chegam a uma disputa polarizada Ambiente digital multiplica impactos públicos Um espectro ronda a eleição presidencial de 2026. Aliás, não um, dois. O primeiro vem do escândalo dos descontos ilegais do INSS. O segundo, das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ambos continuam em desenvolvimento e já alcançaram as duas principais candidaturas. Num país em que a prova de corrupção continua a ser uma arma letal na disputa pelo Executivo, todos sabem que, a qualquer momento, um dos dois escândalos pode desferir o golpe fatal. A circunstância torna-se especialmente explosiva porque esta não é uma eleição normal de conquistar. O país chega à disputa partido ao meio, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes de segundo turno e rejeitados por parcelas enormes do eleitorado. Numa eleição assim, o veto pode importar mais do que o voto. Na impossibilidade de ampliar o próprio eleitorado, as campanhas passam a torcer —e, quando podem, a trabalhar— para que o outro lado seja o mais rejeitado. Uma revelação devastadora de última hora, a associação ao personagem errado e a vaca vai para o brejo. É nesse terreno que entram os dois escândalos. O dos descontos ilegais do INSS já alcançou o entorno de Lula, com investigações envolvendo Lulinha e integrantes do governo e da campanha. O Banco Master, por sua vez, aproximou-se diretamente de Flávio Bolsonaro, que confirmou ter solicitado a Vorcaro financiamento para um filme sobre o pai. Ambos possuem ramificações que atravessam partidos e campos políticos. Para a eleição, porém, importa menos reconstituir aqui cada episódio do que perceber que os dois casos já chegaram suficientemente perto das candidaturas para permanecerem como ameaças reais até outubro. Nenhum de nós, cidadãos comuns, é capaz de saber o que ainda falta aparecer, embora alimentemos a suspeita de que tem gente que não só sabe o que ignoramos como está cuidadosamente reservando coisas para revelar no momento que considerar conveniente. É este o suspense que as campanhas e os candidatos adorariam evitar e que vai tornar essa disputa presidencial tensa até o último minuto. Ocorre que, na política digital contemporânea, aquilo que não apareceu também circula. Basta alguém anunciar que viu um vídeo, ouviu um áudio ou conhece mensagens comprometedoras para que um conteúdo ainda inexistente para o público comece a produzir efeitos políticos reais. Foi o que ocorreu com boatos sobre gravações das festas de Vorcaro. Planta-se a promessa de que há registro de malfeitos para que se gerem cortes, comentários, buscas, memes, acusações e desmentidos, o que obriga o alvo a responder a uma prova que ninguém pode sequer examinar. Agora imaginem isso num debate ou na propaganda eleitoral. Há, depois, a questão do timing. Uma revelação verdadeira divulgada a dois dias da votação pode ser eleitoralmente tão difícil de desmentir de forma convincente quanto uma falsificação. A campanha atingida terá poucas horas para responder. O jornalismo terá poucas horas para verificar contexto, origem e autenticidade. Notem, além disso, que 2026 é a primeira eleição presidencial brasileira realizada sob condições de inteligência artificial generativa madura, em que fabricar áudio, imagem, vídeo, documentos visuais e dezenas de versões adaptadas da mesma acusação se tornou muito mais barato e rápido. Na era do sintético, o desmentido pode chegar quando a urna já estiver fechada. Existe, ainda, o carimbo institucional. Uma busca da Polícia Federal, a abertura de um inquérito pelo Supremo, um indiciamento ou um relatório de quebra de sigilo têm natureza e peso jurídicos muito diferentes. Na arena eleitoral, porém, essas distinções tendem a desaparecer. PF e STF não fazem campanha quando cumprem suas funções, mas o que ocorrer nesta seara de agora até outubro, queiram ou não as autoridades, entra imediatamente na campanha. E, se trechos de investigações, mensagens ou depoimentos continuarem sendo vazados seletivamente e revelados deliberadamente em momentos-chave da corrida eleitoral, o efeito sobre uma candidatura pode ser decisivo. Nada disso significa que os escândalos do INSS e do Master decidirão a eleição, mas, sim, que ambos permanecerão como reservas de imprevisibilidade até o fim. Significa também que um vídeo, um print ou um áudio com uma revelação decisiva de última hora, se viralizar, pode ser o empurrão que basta para destruir uma campanha inteira. Por enquanto, os dois espectros rondam como uma ameaça à eleição, mas, até outubro, não será surpresa se um deles acabar abatendo uma candidatura.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026 Lula e a Segurança 24 anos depois, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Plano de segurança do petista repete promessas feitas por sua primeira campanha em 2002 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria reler o documento Projeto Segurança Pública para o País. Editado em 2002, ele defendia a criação dos Conselhos Consultivo de Segurança Pública e de Proteção a Testemunhas, a unificação progressiva das polícias, com corregedorias únicas, bem como academias integradas de formação. Também afirmava ser preciso investir no policiamento comunitário e na criação de um piso nacional para as polícias, assim como aumentar o controle do uso da força letal pelos agentes da lei. O documento defendia 28 propostas, pregava uma “reforma das polícias”, com a criação de uma Escola Superior de Segurança e Proteção Social. Atacava a corrupção, afirmando que “o grau de promiscuidade das polícias com as organizações criminosas” constituía “também variável decisiva” no quadro de insegurança. E concluía: “ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro no Brasil”. Vinte e quatro anos depois, metade das propostas não saiu do papel. A principal delas, a criação do Sistema Único de Segurança Pública, só se tornou realidade em 2018, quando Michel Temer criou o Ministério da Segurança Pública, depois encerrado em 2019, por Jair Bolsonaro. Lula seria eleito em 2002. O documento que devia reler era assinado por luminares do partido da área de Segurança, como Luiz Eduardo Soares, Antonio Carlos Biscaia e Benedito Domingos Mariano. Oito anos depois, quase nada do que ali havia tinha sido cumprido por Lula. Desde então, passaram-se outros seis anos de governo de Dilma Rousseff e mais três anos e meio de Lula 3. De 28 propostas ali enumeradas, só sete foram cumpridas e 14 foram esquecidas. Agora, Lula promete de novo ações integradas das forças de segurança – ele criou as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, mas sob controle da PF, em vez de uma agência com a participação de todas as polícias – e diz que recriará o Ministério da Segurança, o que não fez durante o terceiro mandato. A implantação de policiamento de proximidade se tornou um fantasma após o fim das Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio. Mas lá está de novo essa mesma promessa no programa de Lula, que também diz que priorizará “investimentos continuados na urbanização de favelas e periferias, na requalificação de espaços públicos e na ampliação do acesso a serviços públicos”. Parece cópia do plano de Lula, em 2002, que prometia “urbanizar os territórios” dos espaços “abandonados pelo poder público, onde se instala o varejo do tráfico”. O programa atual defende valorizar o policial, mas o que Lula e o PT fizeram em 17 anos e meio para cumprir suas promessas na Segurança? Seu desafio é provar ao eleitor que agora será diferente. •
Editorial do jornal O Estado de S. Paulo analisa declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre atuação de advogados criminalistas e sua própria defesa jurídica. Lula, o ‘inocente’ Por O Estado de S. Paulo Presidente diz que advogados criminalistas ‘não sabem defender inocentes’ como ele O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, numa entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que não contratou um advogado criminalista para defendê-lo na Lava Jato porque “criminalista não sabe defender inocente, criminalista defende bandido”. A declaração do petista é tão eivada de absurdos que causou justa indignação entre advogados. Dela se depreende que, na concepção de Lula, advogados criminalistas se dedicam apenas a tentar livrar criminosos da cadeia, e não a garantir ao acusado de um crime o amplo direito de defesa, conforme assegurado pela Constituição. Lula tampouco reconhece a presunção de inocência de todo acusado. Para o presidente, ao que parece, a culpa de qualquer réu na esfera criminal já está estabelecida no instante da acusação, cabendo ao advogado criminalista, presume-se, somente a missão de tentar engabelar os que vão julgar seu cliente para evitar que ele seja preso. Esqueceu-se, o presidente, que ele mesmo foi defendido por um dos mais brilhantes criminalistas da história brasileira, Heleno Cláudio Fragoso, nos anos 1980 – época em que, então líder sindical, Lula foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e julgado pela Justiça Militar por agitar greves. Outro importante criminalista, Márcio Thomaz Bastos, teve papel decisivo na trajetória política de Lula. Sem cobrar honorários, Thomaz Bastos também defendeu Lula e o PT durante o regime militar e acabou se tornando um dos maiores amigos e conselheiros do futuro presidente da República – este que agora deu de destratar advogados criminalistas como o já falecido Thomaz Bastos, que deve estar se revirando no túmulo. A ânsia de Lula de se declarar inocente é tanta, contudo, que ele nem sequer pensa nas consequências do que diz. Ao afirmar que não queria ser representado por um advogado criminalista na Lava Jato porque criminalistas “não sabem defender inocente, criminalistas defendem bandido”, Lula quis dizer que, como inocente, não precisava de advogados que “defendem bandidos”. Esqueçamos, por um instante, que Lula não foi inocentado de coisa nenhuma e que seu processo foi anulado porque o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, cerca de quatro anos depois do início do caso, que o foro que julgou o petista não era o adequado. Esqueçamos que o STF, ao longo desses quatro anos, sentou em cima da tese da defesa de que o foro não era adequado. Fixemo-nos apenas na ideia de que, para Lula, quem tem advogado criminalista é porque não é inocente. Eis aí uma dupla ofensa do presidente: aos advogados criminalistas e aos milhões de cidadãos brasileiros acusados de crimes e que, conforme a Constituição, só podem ser considerados culpados depois de submetidos a julgamento justo, no qual tenham tido amplo direito de defesa. Como lembrou o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira em uma “carta aberta ao presidente Lula”, “há uma presunção, que deveria ser de seu conhecimento, que é a da inocência”, razão pela qual os advogados criminalistas são “porta-vozes dos direitos constitucionais dos acusados, culpados ou inocentes, santos ou demônios”. Lula, que está longe de ser santo, deveria ser o primeiro a saber disso.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026 Breve história da política brasileira, de Carneiro Leão a Lula da Silva, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores e velhas oligarquias O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva vai além das conveniências eleitorais da Paraíba. Reproduz o pacto entre o poder central e as oligarquias regionais, pelo qual interesses contraditórios se acomodam em torno da governabilidade e da preservação do poder. É a recidiva da velha “política de conciliação” incorporada ao projeto eleitoral de Lula. José Honório Rodrigues analisou esse fenômeno em Conciliação e reforma no Brasil: um desafio histórico-político (Editora Civilização Brasileira), escrito depois do golpe militar de 1964. Discípulo de Capistrano de Abreu, o mestre via a conciliação de maneira crítica: “Os poderes dominantes tiveram sempre força para conter as aspirações profundas de mudança e reverter os movimentos de modo a sustentar seu sistema e seus privilégios”. Para José Honório, a Independência, as revoltas do período regencial, a República e as crises de 1930, 1945, 1961 e 1964 revelavam uma característica recorrente da formação do Brasil: as estruturas do patronato brasileiro demonstram extraordinária capacidade de sobrevivência. “O povo brasileiro é uma vítima, um derrotado no processo histórico.” Essa contradição atravessou a República. É a raiz da “modernização pelo alto”, capaz de incorporar demandas sociais sem romper necessariamente com estruturas tradicionais. Como insistia Luiz Werneck Vianna em A revolução passiva (Revan), o Brasil se transforma sem abandonar o antigo, em . Modernizou a economia, urbanizou-se, democratizou instituições e ampliou direitos sem o moderno na política dominante: preservou o patrimonialismo, o fisiologismo, as desigualdades e o poder das elites regionais. A matriz histórica dessa característica da política brasileira está no Império. Em 1853, Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná, organizou o Gabinete da Conciliação, aproximando conservadores, os “saquaremas”, e liberais, os “luzias”. O conselheiro Nabuco de Araújo, conservador, havia perdido as eleições em Pernambuco, mas aceitou participar do gabinete de maioria liberal, porém sem abandonar seus aliados provinciais. Surgia ali a célebre “ponte de ouro” narrada por Joaquim Nabuco no monumental Um estadista no Império (Topbooks). Ao contrário de Capistrano e Honório, Nabuco enxergava virtudes nessa engenharia. Para ele, o reformador brasileiro “detém-se diante do obstáculo; dá longas voltas para não atropelar nenhum direito”. Era uma concepção gradualista: mudar sem destruir as pontes com aqueles que controlavam parcelas importantes do poder. Pacto de poder O fato é que governos reformistas estabeleceram alianças com forças conservadoras para governar. Juscelino Kubitschek construiu uma ampla composição política para executar o Plano de Metas. Fernando Henrique Cardoso aliou o PSDB ao PFL de Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen para garantir sustentação parlamentar ao Plano Real e às reformas constitucionais. Lula fez movimento semelhante nos dois primeiros mandatos, em aliança com o ex-presidente José Sarney e as oligarquias regionais representadas no Congresso. Dilma Rousseff, porém, entrou em conflito com parcelas importantes desse sistema, perdeu sua base parlamentar e acabou afastada pelo impeachment. No terceiro mandato, contingenciado pela correlação de forças, Lula reencontrou essa estrutura ainda mais poderosa. O fortalecimento do Congresso por meio das emendas parlamentares e a ascensão do Centrão reduziram a autonomia do Executivo. A aproximação com PP e Republicanos foi uma resposta pragmática a essa realidade. A eleição de Hugo Motta para a Presidência da Câmara aprofundou o processo. É nesse contexto que seu apoio à reeleição de Lula adquire significado histórico. Formalmente, o Republicanos permanece neutro na eleição presidencial. Politicamente, abriu espaço para que suas lideranças façam escolhas conforme as circunstâncias estaduais. Tarcísio de Freitas preserva em São Paulo sua identidade conservadora e a ligação com o eleitorado bolsonarista, enquanto Motta apoia Lula na Paraíba. Não demora muito será a vez de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), outro represenante do Centrão, reaproximar-se de Lula em razão das eleições no Amapá; no rastro, do PP de Ciro Nogueira (PI). É o velho pacto dos “luzias” e “saquaremas”. Lula conhece profundamente esse mecanismo. Sua candidatura à reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores que controlam governos estaduais, prefeituras e bancadas. Mudaram os partidos e os personagens, mas o pacto perverso atravessou o Império, sobreviveu à República e chegou à eleição de 2026. Mas há um preço para o transformismo: a conciliação é eficiente para estabilizar o sistema político, porém à custa da participação popular e das reformas estruturais.
O insuportável país das ambiguidades Roberto DaMatta É ANTROPÓLOGO, ESCRITOR E AUTOR DE 'CARNAVAIS, MALANDROS E HERÓIS'
Recibo Declaro que recebi a quantia de X (xis) reais da agência Z (zê), após mandar a minha empregada confeccionar um carimbo fajuto na esquina aqui de casa, de uma firma fajuta, de um endereço fajuto, na cidade de Vargem Grande Paulista, onde nunca estive e nunca carimbei. Carimbo ao custo de três reais e cinquenta centavos, feito em sete minutos, pois, sem ele, não poderia, em hipótese alguma, receber a supra mencionada quantia. Carimbo este, símbolo máximo da honestidade burocrática ibérica, herança de nossos ancestrais portugueses, introduzido nessas bandas por meio do nosso primeiro documento, a carta de Caminha. Tem um carimbo lá, sim senhora. Carimbo este que vale muito mais que os X (xis) reais, muito mais que os 38 anos do meu ofício, muito mais que o meu talento para beber e vender cerveja, que foi o que eu fiz para a agência. Carimbo este, carimbado com carinho para ser admirado pelos amigos e amigas da agência, a quem agradeço a oportunidade do trabalho e para quem coloco (eu e meu carimbo) à disposição para novas carimbadas em futuro a ser fixado e devidamente carimbado. Com carinho, carimbo e afeto, modestamente carimbo. Mario Alberto Campos de Morais Prata (tarimbado e carimbado diretor-presidente da Ponto e Vírgula Produções Artísticas Ltda).

terça-feira, 11 de agosto de 2026

ENSABOA

LAMENTO DA LAVANDEIRA
Resumo O texto de Luiz Carlos Azedo, publicado no Correio Braziliense, argumenta que o apoio de Hugo Motta a Lula revela uma estratégia pragmática do Republicanos: manter neutralidade nacional para permitir que seus líderes adotem alianças diferentes conforme os interesses eleitorais de cada estado. Na Paraíba, Motta apoia Lula porque seu grupo precisa preservar força política, renovar seu mandato e ajudar a eleger seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado. O estado tem forte preferência por Lula, tornando arriscado um alinhamento exclusivo com o bolsonarismo. O Republicanos tenta ocupar simultaneamente espaços distintos: apoiar Lula em regiões onde isso é eleitoralmente vantajoso e manter proximidade com a direita em estados mais conservadores. Tarcísio de Freitas, em São Paulo, exemplifica essa estratégia. Embora dependa do eleitorado bolsonarista, busca manter autonomia política e construir condições para disputar protagonismo nacional em 2030. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo também adota uma postura flexível. Lidera a disputa pelo governo estadual, mas o eleitorado está dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que favorece um palanque aberto. O autor conclui que o Republicanos procura maximizar sua sobrevivência e influência política, evitando ficar preso a um único projeto presidencial. Em uma frase: o artigo sustenta que o Republicanos está priorizando interesses eleitorais regionais e a preservação de espaço político para 2030, em vez de assumir uma posição presidencial única em 2026. Ensaboa Marisa Monte
terça-feira, 11 de agosto de 2026 Apoio de Motta a Lula mostra política de conveniência do Republicanos, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. O presidente da Câmara precisa preservar influência, renovar seu mandato e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva expõe a ambiguidade eleitoral do Republicanos. Formalmente, o partido decidiu permanecer neutro na disputa pelo Palácio do Planalto, não indicar o candidato a vice de Flávio Bolsonaro nem integrar nenhuma coligação presidencial. Na prática, liberou seus dirigentes e diretórios estaduais para escolherem publicamente o lado mais conveniente às respectivas circunstâncias locais. É uma salvo-conduto para múltiplas alianças regionais, inclusive com forças antagônicas. Foi o que permitiu a Hugo Motta anunciar o apoio a Lula sem romper com a direção partidária. “A tendência nossa aqui na Paraíba é que caminhemos com o presidente Lula”, declarou, acrescentando que o petista representa aquilo que seu grupo considera “o melhor para o país”. O presidente da Câmara aguardou deliberadamente a decisão nacional do Republicanos para somente então revelar sua posição. O Republicanos da Paraíba apoiará a reeleição de Lula, segundo Motta. A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. Motta precisa renovar seu mandato, preservar a influência nacional conquistada na Presidência da Câmara e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado. Seu grupo participa da aliança que sustenta o governador Lucas Ribeiro, do PP, herdeiro da coalizão liderada anteriormente por João Azevêdo, do PSB, e apoiada por Lula. Embora o atual governador não pertença à esquerda, governa com uma composição na qual PT e PSB exercem grande influência. O que também explica a neutralidade do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Romper com Lula na Paraíba significaria desafiar um eleitorado majoritariamente lulista e colocar em risco a própria sobrevivência política do grupo de Motta. Os números explicam o movimento. Na pesquisa Genial/Quaest, Lula ampliou de 57% para 64% sua votação num eventual segundo turno no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 25%. A diferença de 39 pontos transforma qualquer tentativa de impor um palanque bolsonarista exclusivo na região em aventura de alto risco. Nacionalmente, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 30% de Flávio, e vence o segundo por 44% a 39%. Flávio cresceu e reduziu a distância, mas ainda não conseguiu transformar a polarização social existente no país numa coalizão partidária equivalente àquela que sustentava seu pai. São Paulo e Minas A decisão do Republicanos também revela uma estratégia que mira as eleições de 2030. Tarcísio de Freitas, principal liderança da legenda e candidato à reeleição em São Paulo, depende do eleitorado bolsonarista para se manter no Palácio dos Bandeirantes, mas não deseja subordinar completamente seu futuro político ao projeto pessoal de Flávio. Tarcísio mira 2030, quando o cenário poderá ser definido pela sucessão simultânea de Lula e de Jair Bolsonaro como grandes polos organizadores da política nacional. Para chegar competitivo a essa eleição, precisa conservar o apoio da direita, dialogar com o centro, cultivar relações institucionais com o governo federal e não se tornar mero coadjuvante do clã Bolsonaro. O Republicanos procura ocupar simultaneamente o governo e a oposição, o Nordeste lulista e o Sudeste conservador, a eleição de 2026 e a sucessão de 2030. O mesmo fenômeno aparece em Minas Gerais, onde a candidatura camaleônica de Cleitinho Azevedo ao governo embaralhou os palanques presidenciais. O senador do Republicanos chegou a ser impedido pelo próprio partido de concorrer, reagiu publicamente e acabou reconduzido à disputa depois da intervenção de dirigentes interessados em sua capacidade de puxar votos para as chapas proporcionais. Cleitinho lidera a corrida mineira com 35%, muito à frente de Alexandre Kalil, com 12%, e Patrus Ananias, com 10%. No plano presidencial, porém, Minas está dividida: Lula tem 30% e Flávio, 29%, no primeiro turno; num eventual segundo turno, o petista aparece com 38% e o bolsonarista, com 35%, ambos em empate técnico. A pesquisa mineira mostra a liderança isolada de Cleitinho e o equilíbrio entre Lula e Flávio. Qual é a do Cleitinho? Ele necessita dos eleitores bolsonaristas, mas não pode hostilizar a parcela lulista de Minas nem atrelar completamente sua candidatura a um presidenciável que aparece numericamente atrás no estado. Nos bastidores, prevalece a expectativa de que abra o palanque, permitindo que aliados e candidatos proporcionais façam campanha para Flávio ou Lula segundo suas bases. O Lamento da Lavadeira Monsueto
De Ed Morgan@edu para Marco Rubio, por Elio Gaspari O Globo Crises alimentadas pelo secretário de Estado americano prejudicam relação entre os dois países e levarão tempo para serem resolvidas Estimado Secretário de Estado Marco Rubio:
Jogatina Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 100 milhões de pessoas fazem apostas. Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra. Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber porque o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.” O Comentário Vazado Vazou a ata secreta da genialidade burocrática. A equipe técnica descobriu que o vício digital é puramente uma questão de cronômetro, não de carteira vazia. O plano de contingência para salvar a economia popular consiste em cinco segundos de profunda reflexão metafísica. Tempo suficiente para o cidadão lembrar do saldo negativo, ignorar o aviso e clicar de novo. A arrecadação bilionária agradece o breve momento de silêncio obsequioso antes do próximo clique. Análise e Desfecho O cinismo da portaria escancara a contradição entre a fome fiscal e o pudor moral. O esparadrapo regulatório tenta estancar uma hemorragia social provocada pelo próprio cirurgião. O intervalo curto garante a velocidade do fluxo de caixa estatal enquanto simula uma falsa preocupação médica. Ouviu, ouvindo o ouvido; leu, lendo o lido; assinou, assinando o assinado. Antes, "Como nunca antes." Agora, "Quem nunca, agora". Agora pode ser tanto neste momento quanto um agora de agoramento. O agoramento é o pressentimento do desastre iminente travestido de modernidade. Quem nunca perdeu o rumo no jogo, agora perde com o carimbo e a bênção do Diário Oficial.
Leia a íntegra da transcrição da reunião ministerial de 22 de abril Celso de Mello liberou gravação Encontro ocorrido em 22.abr Bolsonaro teria sinalizado intervir na PF Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. O presidente Jair Bolsonaro em reunião com seus ministros. Na ocasião, o chefe do Executivo teria tentado intervir da Polícia Federal, de acordo com acusações de Sergio Moro Marcos Corrêa/PR - 22.abr.2020 PODER360 22.mai.2020 (sexta-feira) - 17h38 atualizado: 23.mai.2020 (sábado) - 1h31 Siga o Poder360 no Google O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello liberou nesta 6ª feira (22.mai.2020) o vídeo de reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do dia 22 de abril. Eis a íntegra (22 MB) da transcrição.... Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/) © 2026 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas. A frase vasada do Posto Ipiranga para Damares Alves sobre a liberação de resorts: "Deixe eles f. Damares!" Reunião teve discussão sobre cassinos: "Pacto com o diabo", reagiu Damares Aquilo ali num… atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do j eito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho. Damares: Se C … se o C … Paulo Guedes: Não entra nenhum brasileirinho desprotegido. Entendeu? Damares: … se a CGU concordar. Se a CGU tiver como controlar a entrada e a saída do dinheiro. Paulo Guedes: Isso, então vamo lá. Damares: Se não tiver como lavar dinheiro sujo lá. Paulo Guedes: Então só pra terminar, as observações também finais ali, o… o Campos falou duas coisas também interessantes. Então a … é … o … , o … , o Campos falou duas coisas interessantes ali, uma é o seguinte: o … o... https://www.poder360.com.br/governo/leia-a-transcricao-dos-trechos-da-reuniao-ministerial-destacados-pelo-stf/ Ensaboa Cartola

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MANJARES

Caminhante, são teus passos o caminho e nada mais; Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar. Ao andar se faz caminho, e ao voltar a vista atrás se vê a senda que nunca se voltará a pisar. Caminhante, não há caminho, mas sulcos de escuma ao mar. Antonio Machado Poema XXIX de Provérbios y Cantares @-;– Joan Manuel Serrat - Cantares (Directo Gira 2016) ([El Gusto Es Nuestro 20 Años]) Poema original, em espanhol: Caminante Caminante, son tus huellas el camino y nada más; Caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace el camino, y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar. Antonio Machado Caminante, son tus huellas el camino y nada más; caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace camino y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar. Antonio Machado: «Poema XXIX», en Proverbios y Cantares Canteiros Fagner Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa Menos a felicidade Correm os meus dedos longos Em versos tristes que invento Nem aquilo a que me entrego Já me dá contentamento Pode ser até manhã Cedo, claro feito o dia Mas nada do que me dizem Me faz sentir alegria Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa Menos a felicidade Correm os meus dedos longos Em versos tristes que invento Nem aquilo a que me entrego Já me dá contentamento Pode ser até manhã Cedo, claro feito o dia Mas nada do que me dizem Me faz sentir alegria Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Eu só queria ter do mato Um gosto de framboesa Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Quando penso em você Fecho os olhos de saudade Mas a felicidade é Correm os meus dedos longos É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho São as águas de março fechando o verão É promessa de vida em nosso coração Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois senão chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta, moço, sem ter visto a vida Composição: Fagner, Cecilia Meirelles.
"O amor puro é o reflexo do Criador em todas as criaturas. Brilha em tudo e em tudo palpita na mesma vibração de sabedoria e de beleza. É fundamento da vida e justiça de toda a Lei." Livro: Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. FUNDAMENTO
Vinha de luz — Emmanuel 172 Manjares Tema principal “Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” — Paulo. (1 CORÍNTIOS, 6.13) 1 O alimento do corpo e da alma, no que se refere ao pão e à emoção, representa meio para a evolução e não o fim da evolução em si mesma. 2 Há criaturas, no entanto, que fazem do prato e do continuísmo simplista da espécie, únicas razões de ser em toda a vida. Trabalham para comer e procriam sem pensar. 3 Quando se lhes fala do Espírito ou da eternidade, bocejam despreocupadas, quando não trocam, aflitivamente, de assunto. 4 Efetivamente, a satisfação dos sentidos fisiológicos é para a alma o amparo que o solo e o adubo constituem para a semente. Todavia, se a semente persiste em reter-se na cova para gozar as delícias do adubo, contrariando a Divina Lei, nunca se lhe utilizará a colaboração preciosa. 5 Valioso e indispensável à experiência física é o estômago. 6 Veneráveis e sublimes são as faculdades criadoras. 7 Urge, contudo, entender as necessidades do Espírito imperecível. 8 Esclarecimento pelo estudo, crescimento mental pelo trabalho e iluminação pela virtude santificante são imperativos para o futuro estágio dos homens. 9 Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra. 10 Para a comunidade dos aprendizes aplicados e prudentes, todavia, brilha no Evangelho o eloquente aviso de Paulo: — “Os manjares são para o ventre e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros.” Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. Amanhecer com Emmanuel – Lição 172 – Manjares – Vinha de Luz Caminante no hay Camino Cantares Joan Manuel Serrat Todo pasa y todo queda Pero lo nuestro es pasar Pasar haciendo caminos Caminos sobre la mar Nunca perseguí la gloria Ni dejar en la memoria De los hombres, mi canción Yo amo los mundos sutiles Ingrávidos y gentiles Como pompas de jabón Me gusta verlos pintarse De Sol y grana, volar Bajo el cielo azul, temblar Súbitamente y quebrarse Nunca perseguí la gloria Caminante Son tus huellas el camino y nada más Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Al andar, se hace camino Y al volver la vista atrás Se ve la senda que nunca Se ha de volver a pisar Caminante, no hay camino Sino estelas en la mar Hace algún tiempo, en ese lugar Donde hoy los bosques se visten de espinos Se oyó la voz de un poeta gritar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Murió el poeta, lejos del hogar Le cubre el polvo de un país vecino Al alejarse, le vieron llorar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Cuando el jilguero no puede cantar Cuando el poeta es un peregrino Cuando de nada nos sirve rezar Caminante, no hay camino Se hace camino al andar Golpe a golpe, verso a verso Golpe a golpe, verso a verso Golpe a golpe, verso a verso Composição: Joan Manuel Serrat, Antonio Machado Ruiz.

domingo, 9 de agosto de 2026

JURO ALTO

Pais, feliz dia! Jura Sinhô Sinhô - Jura! (Marco Bernardo, piano) Jura, jura, jura Pelo Senhor Jura pela imagem Da Santa Cruz Do Redentor Pra ter valor a tua jura Jura, jura, jura De coração Para que um dia Eu possa dar-te o amor Sem mais pensar na ilusão Daí então Dar-te eu irei O beijo puro Da catedral do amor Dos sonhos meus Bem junto aos teus Para fugirmos Das aflições da dor Jura, jura, jura Composição: Orlann Divo, Sinho, Nani Palmeira.
A manchete do jornal O Estado de S. Paulo de 9 de agosto de 2026 destacou que a inflação e os juros altos reduzem a renda das famílias brasileiras, pressionando o custo de vida e o orçamento. Esse cenário freia o consumo e diminui o poder de compra, dificultando o planejamento financeiro, informa o O Estado de S. Paulo.
Inflação e juro alto reduzem renda disponível de brasileiro ‘Sobra’ de 21,7% ronda os níveis mais baixos já apurados Com a inflação e, principalmente, os juros em níveis elevados, de cada R$ 100 que o brasileiro recebe mensalmente, sobram apenas R$ 21,70 para o consumo após o pagamento de itens essenciais e do serviço de dívidas, como empréstimos e financiamentos, informam Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira. O dado, referente ao mês de maio, é o mais recente apurado pela consultoria Tendências. A folga no orçamento ronda os patamares mais baixos já detectados pela consultoria. O pior resultado da série histórica foi observado em janeiro e fevereiro: R$ 21. Em maio, a renda disponível depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos – mas sem o custo de juros das dívidas – era de 41,64% do total recebido (ou R$ 41,64 de cada R$ 100).
“Aqui jaz a precisão linguística: a redução de ‘juros altos’ a ‘juro alto’ singulariza indevidamente o fenômeno, desloca a categoria gramatical e compromete o sentido analítico.”
domingo, 9 de agosto de 2026 O ‘comunista’ de Trump, por Dorrit Harazim O Globo Pelo receituário do presidente dos EUA, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário Cassius Clay tinha só 22 anos e uma insolência já borbulhante quando proclamou, na histórica noite de 25 de fevereiro de 1964: — Sou o rei do mundo! Sou lindo e malvado! Eu sacudi o mundo. Era verdade. Ele acabara de derrotar por nocaute técnico o campeoníssimo Sonny Liston, favorito absoluto nas casas de apostas globais. O feito no ringue fez dele muito mais que um fenômeno do boxe — tornou-se força cultural duradoura. Nove dias depois, anunciou ao mundo sua conversão ao islamismo e passou a se chamar Muhammad Ali. O sanitarista americano Abdul El-Sayed, nascido no estado de Michigan 42 anos atrás, não precisou trocar de nome — Abdulrahman Mohamed El-Sayed é muçulmano de berço. Suas primeiras palavras ao saber que será o nome do Partido Democrata para disputar uma cadeira no Senado, em novembro próximo, foram inspiradas em Ali: — Nós sacudimos o mundo. O mundo, ele e seus eleitores não sacudiram, mas o neurastênico cenário político-partidário americano, certamente. El-Sayed saiu-se vencedor nas primárias da terça-feira passada montado num programa arriscado, por progressista e populista: 1) A favor da abolição do ICE (o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro que, sob o governo de Donald Trump, atua como caçador de imigrantes sem documentação regularizada); 2) A favor da ampliação do esquálido seguro hospitalar e médico, o Medicare, que nos Estados Unidos contempla apenas contribuintes com mais de 65 anos e portadores de deficiências; 3) Radicalmente oposto a qualquer ajuda dos Estados Unidos ao governo de Israel; 4) A favor de mais impostos para os mais ricos e contra o predomínio do dinheiro sobre o exercício da política. El-Sayed teve por adversária Haley Stevens, uma experiente congressista moderada de quatro mandatos no Capitólio. Ela contou com o apoio ostensivo do establishment democrata — a mesma liderança partidária que, há anos encastelada, acumula erros e foi perdendo o pulso da nação. Não fosse o incontornável senador Bernie Sanders, que aos 84 anos continua sendo o grande ícone mobilizador do eleitorado jovem e progressista, El-Sayed talvez não tivesse alcançado o 1% de votos que faltou a Stevens. Contudo coube ao poderoso lobby pró-Israel agrupado sob a sigla Aipac (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel) o inglório papel de goleador contra a candidatura que apoiava. A derrama de mais de US$ 30 milhões na campanha da congressista que se orgulha de ser sionista bateu de frente com os itens 3 e 4 do programa de El-Sayed. Afugentou um eleitorado democrata cada vez menos disposto a defender Israel acima de tudo, como se a desumanização de Gaza e a metódica erradicação da vida palestina na Cisjordânia não existissem. A sigla Aipac começou a tornar-se tóxica quando acoplada a candidaturas democratas — segundo divulgou o New York Times na semana passada, a palavra “Israel” praticamente sumiu da maioria das peças de propaganda eleitoral financiadas pela entidade. A causa agora atende pelo nome de United Democracy Project. Por ora, a maioria dos analistas dá como pouco provável a eleição do epidemiologista e Rhodes Scholar El-Sayed em novembro — ele seria o primeiro muçulmano a ocupar assento no Senado dos Estados Unidos. Até porque o estado de Michigan, como um todo, é um dos campos eleitorais mais imprevisíveis e cambiantes do país (Trump saiu-se vencedor em 2016, perdeu em 2020 e venceu em 2024, sempre com margens apertadíssimas). Para o ocupante da Casa Branca, El-Sayed é “esse comunista que odeia os judeus e Israel”, fácil de ser derrotado pelos republicanos. O epíteto “comunista” tem sido usado por Trump a torto e a direito em suas postagens e discursos. Não raro, atropela e embaralha cruamente o que, exatamente, entende por “comunista”, “marxista” ou “leninista”. Compreende-se: quando até a centenária The Economist, que Lênin descreveu como publicação para milionários britânicos, admitiu em edição recente que empresas capitalistas têm poucas chances de competir com a China “ecoautoritária e leninista, governada por Xi Jinping, um pioneiro do capitalismo de risco”, o xingamento pode parecer elogio. Pelo receituário de Trump, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário, e pobreza é defeito do indivíduo. Privatizada a sobrevivência, dá-se ao que sobra da vida o nome de liberdade. Faltam três meses para o eleitor americano dizer do que tem mais medo. Cassius Clay vs. Sonny Liston - 1964 Boxing kumite27 10.237.665 visualizações 30 de mai. de 2013 Cassius Clay vs. Sonny Liston war ein historischer Boxkampf zwischen dem damals amtierenden Weltmeister im Schwergewicht, Sonny Liston und dem Herausforderer Muhammad Ali, damals noch unter seinem Geburtsnamen Cassius Clay. Er fand am 25. Februar 1964 in Miami Beach, Florida statt und war das erste von zwei Aufeinandertreffen der Kontrahenten. Er ist der offiziell letzte Kampf, bei dem Cassius Clay mit seinem Geburtsnamen kämpfte, da er zum Islam konvertierte und den Namen Muhammad Ali annahm. Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. In this 1964 championship bout, the outspoken challenger faces off against the imposing titleholder at the Miami Beach Convention Hall. Commentators Joe Louis and Rocky Marciano analyze the action as the contender utilizes speed and jabs to disrupt the champion's traditional fighting style.
domingo, 9 de agosto de 2026 Sucesso chinês: educação, tecnologia e abertura, por Pedro S. Malan O Estado de S. Paulo Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do Brasil Na raiz de nossos problemas de pobreza e de desigualdade de renda e riqueza está a questão fundamental a ser atacada: a desigualdade de oportunidades, que surge já no nascimento. É função de políticas públicas nas áreas de educação (e de saúde) procurar reduzir estes diferenciais nos anos iniciais de vida das crianças, como é hoje amplamente reconhecido por especialistas em educação no Brasil e no mundo. Em 1981, por iniciativa de Deng Xiaoping, o Banco Mundial aprovou um empréstimo para a China no montante de US$ 200 milhões, equivalentes a cerca de US$ 750 milhões de hoje. Era inteiramente destinado à ciência e educação, e seus objetivos eram claros: formar gente qualificada em ciência, tecnologia, engenharia, matemática, computação; enviar estudantes chineses às melhores universidades dos EUA e da Europa; promover interação entre universidades chinesas e estrangeiras na área científica. Metade dos recursos vinha da International Development Association, braço concessional do grupo do Banco Mundial para países mais pobres, o que era a China à época. A operação contou com a aprovação dos EUA, que tinham (e ainda têm) poder de veto na instituição. Entre 1981 e 2020, cerca de 6 milhões de chineses estudaram no exterior, dos quais 20 a 30% cursaram pós-graduação. Estima-se que entre 300 mil e 500 mil tenham obtido o título de doutor em universidades dos EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Alemanha, Japão e Singapura, nas áreas de engenharia, matemática, ciência da computação, física, química e ciências biomédicas. Antes de 2000, menos da metade retornava à China; naquele ano foram criados programas de incentivo ao retorno, e após 2010, mais de 80% passavam a retornar ao país em algum momento da carreira. A política foi um extraordinário sucesso. Em 2025, segundo o índice global de inovação da World Intellectual Property Organization (Wipo), das 100 principais clusters de inovação no mundo, a China tinha 24 e os EUA 22. O Brasil, 1. O ex-presidente Barack Obama, que tinha profundo interesse nesse processo, afirmou repetidas vezes ao longo dos anos que educação de qualidade mundial era prérequisito para o sucesso de qualquer país. “Countries that outeducate us today will out-compete us tomorrow” (“os países que hoje investem mais e melhor em educação amanhã serão mais competitivos do que nós”, em tradução livre), explicava. A rivalidade EUA/China continuará impulsionando a competição geopolítica global. Os EUA lideram na inovação de ponta, especialmente em semicondutores e (ainda) na fronteira de inteligência artificial (IA), enquanto a China se destaca na implementação de IA em larga escala, na manufatura e no controle de cadeias de suprimentos, de minerais críticos e de outros insumos industriais. Mas não é menos certo que aos dois rivais interessa aquilo que os chineses chamam de “estabilidade estratégica construtiva”, expressão que é manifestação de ambiguidade construtiva da China enquanto segue na disputa por esferas de influência no mundo. Em entrevista recente, Xi Jinping ofereceu sua própria definição da armadilha de Tucídides: “We all need to work together to avoid the Thucydides Trap – destructive tensions between an emerging power and established powers” (“Todos precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides – tensões destrutivas entre uma potência emergente e as potências estabelecidas”, em tradução livre). É possível fazer um paralelo entre aquele amplo programa de financiamento à ciência e educação, do qual a China foi beneficiária, com a ambiciosa iniciativa que agora põem em marcha os chineses. Em meados de julho, realizou-se em Xangai uma conferência que reuniu outros 29 países, ao cabo da qual foi criada a World Artificial Intelligence Cooperation Organization (Waico), descrita por Xi Jinping na abertura oficial do encontro como um importante marco na história do desenvolvimento da inteligência artificial no mundo. Companhias chinesas deverão tornar a IA amplamente disponível por meio de open source models, e o governo chinês propõe-se a treinar países a capacitar milhares de pessoas na aplicação de IA. Foram anunciados a oferta de “5 mil oportunidades” de treinamento, programas e seminários nos próximos cinco anos, e o desenvolvimento de International AI Applications Centres (IAICC). Xi apresentou a organização como instrumento para ampliar a participação dos países do Sul Global na definição das normas internacionais de IA – por meio da adoção de código aberto, cooperação tecnológica e acesso amplo às capacidades de IA. Respondendo em 1995 a uma pergunta sobre desenvolvimento tecnológico, Celso Furtado afirmou: “O que interessa no progresso tecnológico é a qualidade do fator humano, o que não se improvisa. Não basta investir, botar mais dinheiro. Toma tempo formar de verdade gente qualificada. (...) O progresso tecnológico depende da qualidade de material humano”. Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do País. Talvez o debate público em 2026 ainda possa levar candidatos a procurar, em prazo hábil, agregar equipes competentes nessas áreas. E a promover discussão apta a permitir diagnóstico claro para a sociedade sobre a situação atual, como a ela chegamos e, principalmente, a descortinar como avançar com a necessária visão de longo prazo sobre nosso futuro nesta área. Pais, feliz dia! •
https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ Livro “O novo perfil eleitoral do Brasil” já está disponível no portal da Fundação João Mangabeira Você está aqui: A Fundação João Mangabeira disponibiliza gratuitamente, em seu portal, o livro O novo perfil eleitoral do Brasil – Como pensa e como vota o brasileiro. A obra apresenta uma análise inédita sobre o comportamento do eleitor brasileiro, reunindo dados de pesquisa e reflexões sobre os fatores que influenciam a formação do voto. O estudo aborda temas como juventudes, mulheres, eleitorado evangélico, valores, identidade, comportamento político e as transformações do cenário eleitoral brasileiro. A publicação é uma importante ferramenta para pesquisadores, dirigentes partidários, candidatos, gestores públicos e todos os interessados em compreender as mudanças que estão redesenhando a política no país. 📖 Acesse gratuitamente: https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ 17 de julho de 2026 https://www.fjmangabeira.org.br/livro-o-novo-perfil-eleitoral-do-brasil-ja-esta-disponivel-no-portal-da-fundacao-joao-mangabeira/
domingo, 9 de agosto de 2026 Emendas parlamentares transformaram o Congresso em casa de negócios, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho do dinheiro público, identificar o responsável por sua destinação ou comprovar o benefício gerado O crescimento vertiginoso das emendas parlamentares impositivas produziu uma mudança estrutural nas relações entre o Executivo e o Legislativo e, sobretudo, nas próprias disputas eleitorais. Concebidas originalmente para permitir que deputados e senadores atendessem demandas legítimas de estados e municípios, com essas emendas o Congresso abocanhou parcelas crescentes do orçamento de investimentos. As emendas passaram a movimentar dezenas de bilhões de reais sem a correspondente comprovação da correta execução financeira, da conclusão das obras e dos resultados efetivamente entregues à população. Esse descompasso fortalece os parlamentares com mandato, blinda o Congresso de renovação e converte o Orçamento da União em instrumento de reprodução do poder político. A fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, examinou 100 repasses realizados entre 2020 e 2024, destinados a 73 municípios e aos estados do Pará e de São Paulo, num total de R$ 198 milhões. Foram encontradas irregularidades em 82% das transferências e em 82,4% dos beneficiários, com prejuízo potencial estimado em R$ 49 milhões, equivalente a 25% do valor fiscalizado. Há movimentação de dinheiro em contas não específicas, ausência de notas fiscais idôneas, pagamentos estranhos aos planos apresentados, obras inacabadas, superfaturamento, licitações simuladas e contratação de empresas declaradas inidôneas. Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho percorrido pelo dinheiro público, identificar o responsável político pela destinação ou comprovar o benefício gerado. Diante desse quadro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar indícios de crimes na execução das emendas. O problema é agravado pelas emendas de comissão e pelas chamadas emendas de liderança, sucedâneas do orçamento secreto declarado inconstitucional pelo STF. Em 2025, a Câmara executou cerca de R$ 1,3 bilhão em indicações registradas apenas em nome de líderes partidários, sem revelar qual parlamentar escolheu cada uma das 1.341 emendas desse tipo. Em muitos casos, nem sequer foi possível identificar os beneficiários finais ou os municípios onde o dinheiro seria aplicado. Neste ano, a farra continuou. Não se trata apenas de um problema administrativo ou penal. Há uma distorção profunda na competição eleitoral. Um deputado que dispõe de R$ 60 a R$100 milhões para pavimentar ruas, comprar máquinas, financiar serviços de saúde e atender prefeituras entra na campanha em posição incomparavelmente superior à de qualquer concorrente sem mandato. Fora do jogo Forma-se um círculo de autoproteção, há uma recidiva do patrimonialismo. O parlamentar destina recursos aos municípios; prefeitos, vereadores, fornecedores e lideranças locais passam a depender de sua intermediação; essa rede mobiliza votos para reelegê-lo; e o novo mandato lhe assegura acesso a uma quantidade ainda maior de emendas. A disputa deixa de ser entre ideias, programas e trajetórias para se transformar numa luta desigual pelo controle de verbas públicas, o que explica o pacto perverso do colégio de líderes, cujos nomes a maioria desconhece, para votações relâmpago após reuniões sigilosas, sem debate em plenário. Quadros experientes e programáticos são agora o “baixo clero” da política nacional. Não se pode atribuir toda essa situação exclusivamente às emendas, mas é inegável que o modelo seleciona seus participantes. Rubens Bueno, Paulo Delgado, Miro Teixeira, Heráclito Fortes, Perpétua Almeida, Luzia Ferreira, José Aníbal, José Carlos Aleluia, Benito Gama , Marcus Pestana e José Eduardo Cardozo, por exemplo, se afastaram das disputas eleitorais ou perderam espaço num ambiente em que reputação, experiência e formulação já não superavam a “disparidade de armas”. Uma exceção simbólica é Cristovam Buarque, que decidiu voltar às urnas como candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, aos 82 anos, apostando numa campanha baseada em educação, ideias e trajetória pública ilibada. Quem controla diretórios partidários, fundos eleitorais, cargos públicos e transferências orçamentárias acumula uma vantagem quase intransponível. Quem depende apenas de opinião, militância e reconhecimento público enfrenta enormes dificuldades. A renovação é exceção, ocorre mais em razão de “influenciadores”, reprodução de oligarquias políticas, grupos econômicos, corporações e igrejas capazes de construir estruturas próprias. Max Weber, em A política como vocação, distinguia os que vivem “para” a política e aqueles que vivem “da” política. A profissionalização permite que pessoas sem patrimônio também exerçam funções públicas, porém, a degeneração começa quando o mandato e o controle dos recursos deixam de ser um projeto coletivo e se tornam instrumento de enriquecimento pessoal. O Congresso, então, deixa de ser a casa do “bem comum” para se transformar no centro da política como grandes negócios. Funeral de um lavrador, trecho do filme: Morte e Vida Severina (1977) Mario Junior Contini 100.657 visualizações 11 de out. de 2016 Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955. O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pelo personagem. O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante sertanejo (retirante) em busca de uma vida mais fácil e favorável na capital pernambucana. Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra. A obra foi parcialmente adaptada ao cinema em 1977, por Zelito Viana com participação de, entre outros José Dumont no papel de Severino, Sebastião Vasconcelos como Mestre Carpina e Tânia Alves Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. O poema narrado reflete sobre a vida e a morte de um trabalhador rural no Nordeste brasileiro. Acompanha-se o cortejo fúnebre enquanto se destaca a dura realidade da desigualdade na distribuição de terras.
domingo, 9 de agosto de 2026 Lula agiu como se o Estado fosse ele, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo O governo brasileiro rebaixou o status das relações diplomáticas com dois de seus principais parceiros, Estados Unidos e Argentina. As hostilidades partiram deles. O Brasil poderia ter manifestado sua reprovação de forma a estancar as crises. Mas preferiu agravá-la, por um cálculo eleitoral, com consequências prejudiciais para o País. O Departamento de Estado anunciou, no dia 1.º de junho, a designação do deputado republicano Daniel Perez para o posto de embaixador em Brasília. Fez isso sem antes consultar o governo brasileiro, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Diante da afronta, o Itamaraty congelou o pedido de agrément, sem o qual Perez não pode assumir o posto. O Departamento de Estado seguiu nos trâmites para a nomeação no Senado, concluídos na sextafeira, como parte de um pacote de 74 novos embaixadores. Além disso, o Itamaraty recusou vistos a três funcionários do Departamento de Estado: Darren Beatty, chefe da pasta de Brasil, que tentou vir em março visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão; Riley Barnes e Samuel Samson, do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e do Trabalho, que buscavam esclarecimentos sobre o sistema eleitoral. Em resposta, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela pode continuar representando o Brasil em Washington, mas, se deixar os EUA, terá de pedir novo visto para voltar. O Itamaraty reagiu dizendo que não concederá o agrément antes das eleições de outubro, nas quais esses funcionários teriam planos de interferir. RESPOSTA. A diplomacia brasileira poderia ter protestado contra o atropelo da praxe diplomática na designação de Perez e concedido o agrément. Poderia, igualmente, ter permitido a entrada dos funcionários americanos e demonstrado a eles a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O presidente Javier Milei veio à convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, expressou apoio ao candidato e chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”. De volta à Argentina, repetiu os insultos. Lula não respondeu, mas chamou de volta o embaixador Júlio Bitelli e rebaixou a representação em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Isso, apesar de o chanceler argentino, Pablo Quirno, ter manifestado o desejo de manter boas relações diplomáticas, e de Milei ter autorizado a entrada de militares e embarcações do Brasil para um exercício conjunto entre os dias 13 a 24. À maneira do absolutismo, Lula agiu como se o Estado fosse ele. O certo seria deixar argentinos e americanos falando sozinhos. Ou responder, mas sem arrastar a diplomacia junto.