quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Da Sedução das Bets à Fuga pelas Cataratas: O Canto de Florentina no Império do Norte

Ao Modo do Chanceler Florentino — Onde os Versos do Vulgo Tecem as Alianças e os Exílios do Poder
quarta-feira, 28 de outubro de 2026 O homem que viu o trem passar e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio Bolsonaro recebeu 48% dos votos. A votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões Claude Monet: A collection of 1540 paintings (HD) "Felizmente, contudo, a oposição a Lula não depende de Jair Bolsonaro nem muito menos de Flávio, que em breve ficará desempregado e que terá de prestar contas à Justiça em razão das inúmeras suspeitas de corrupção que pesam contra ele. Vários partidos que se alinharam a Flávio no segundo turno aceitaram imediatamente a vitória de Lula e já se preparam para trabalhar com esse cenário. É assim que funciona numa democracia." "A eleição demonstrou que nem só de antipetismo vive o País. O antibolsonarismo tem força própria, e o clã se esmera em renová-la. Enquanto o PT explora a identificação abusiva entre sua permanência no poder e a sobrevivência da democracia, os Bolsonaros fornecem a ameaça real que torna esse expediente convincente. Em vez de libertar o País do lulopetismo, garantem-lhe sobrevida. Não se vencerá a chantagem petista repetindo o papel que o PT reserva aos adversários." "Para ser a alternativa liberal, conservadora e democrática de que o País precisa, urge recusar esse golpismo bolsonarista de uma vez por todas." 👆O editorial de O Estado de S.Pauo de 28/08/2026, dia do Servidor Público, no Brasil, bate na canga da direita imoderada para a direita constitucional entender e retomar seu prumo! Como na República Funcional da Asa Sul de Brasília👇
O famoso apartamento funcional na Asa Sul de Brasília que funcionou como uma verdadeira "república" e berço de articulações da redemocratização (onde Ulysses Guimarães e Nélson Carneiro dividiram residência por anos e recebiam lideranças como Tancredo Neves) fica localizado no seguinte endereço: * Endereço: SQS 110, Bloco I, Apartamento 303 * Região: Asa Sul, Brasília - DF Esse endereço consta formalmente nos registros históricos de correspondências dos parlamentares durante o período em que debatiam as fórmulas de resistência e os rumos políticos do país.
• Endereço: SQS 110, Bloco I, Apartamento 303 • Região: Asa Sul, Brasília - DF
O Brasil voltou ao normal, por Elio Gaspari O Globo A ameaça do candidato do PL durou uma noite “Reinaldo Azevedo: Flávio voa da lama, na lama e para a lama; Metrópoles 28/10/26 👆Equivalência entre Luiz Inácio, Miley e Trump?
"Chegou a hora de sermos menos apaixonados pela disputa entre direita e esquerda e de dedicarmos mais atenção à permanente desigualdade entre senhores e escravos, homens e mulheres, honestos e gatunos da coisa pública." quarta-feira, 28 de outubro de 2026 Para que serve a polarização? Por Roberto DaMatta O Estado de S. Paulo No domingo, com o seu voto, você ajudou a adormecer uma forma de polaridade: a oposição, burramente vista no Brasil como irreconciliável, entre a direita e a esquerda. Este dualismo, em tese, impede de maneira estúpida qualquer colaboração. Hoje, porém, com um novo presidente eleito, essa polarização terminou para dar lugar a uma oposição que a esquerda e a direita escamoteavam, a saber: a oposição entre a centralidade dos poderosos que vão para os palácios e a situação dos perdedores que são relegados à periferia. Agora, tranquilos, sabemos quem são os mandões e quem são os mandados. Ou seja, voltamos a viver a oposição rotineira entre os que detêm o poder e aqueles que devem se submeter a ele. Recuperamos a concepção tradicional de autoridade e, assim, restauramos o velho reino imperial iniciado com d. João VI e continuado pelos golpes, ditaduras e governos demagógicos.
"Chegou a hora de sermos menos apaixonados pela disputa entre direita e esquerda e de dedicarmos mais atenção à permanente desigualdade entre senhores e escravos, homens e mulheres, honestos e gatunos da coisa pública." quarta-feira, 28 de outubro de 2026 O homem que viu o trem passar e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio Bolsonaro recebeu 48% dos votos. A votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões George Simenon foi um dos mais importantes e produtivos escritores de romances policiais, a maioria deles tendo como protagonista o Comissário Maigret. “O homem que via o trem passar” (1938) é um célebre romance psicológico do autor, cujo principal personagem é Kees Popinga, holandês pacato, burguês e exemplar chefe de escritório na cidade de Groningen, que pira quando descobre que seu patrão faliu e fraudou a empresa. Decidido a romper com as convenções e a hipocrisia de sua rotina, Popinga vai para Amsterdã e depois para Paris, numa espiral de crimes, delírios e fugas da polícia. Simenon faz um mergulho existencialista na loucura, na solidão e na desintegração moral de um homem comum, que comete um crime quase perfeito, mas fica completamente paranoico e acaba se entregando à polícia. Simenon claramente se inspira em “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski. Desculpem-me a analogia com o personagem Popinga, mas a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos vai além do candidato que viu o trem da eleição passar. Tem dimensão dostoievskiana, se considerarmos que há também motivação de ordem penal, que nos bastidores de Brasília levaram alguns aliados a apontar os riscos de perder as eleições e ficar, pela primeira vez na vida política, sem a imunidade parlamentar. Somente Flávio sabe tudo o que fez. Os elementos até agora relatados são insuficientes, porém, para afastar a inoportunidade política da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Foi inútil mandar apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro e impedir sua saída do país. A medida atendeu ao pedido da Polícia Federal apresentado apenas sete minutos depois da confirmação do resultado da eleição presidencial. A proximidade entre os acontecimentos não comprova perseguição, mas ofereceu à oposição argumento poderoso para transformar um investigado em suposto exilado político. É preciso distinguir os fatos. Apenas sete minutos separam o anúncio da derrota do requerimento policial, não necessariamente da assinatura da decisão judicial. Segundo reportagem reproduzida pelo Estado de Minas, o resultado foi confirmado às 21h09 de domingo; a representação da PF recebeu assinatura digital às 21h16. Moraes acolheu o pedido naquela noite, e a ordem foi executada na segunda-feira. Uma providência dessa importância, nesse momento, exigia fundamentação capaz de enfrentar o inevitável questionamento público sobre sua urgência. O alcance das suspeitas e a consistência das provas permanecem parcialmente encobertos pelo sigilo. Entretanto, não se pode afirmar que nada se sabe. O material divulgado aponta uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas de apostas e movimentações financeiras no exterior. A defesa nega que Flávio tivesse poderes sobre contas das empresas do advogado e sustenta que a relação entre ambos é de amizade. Suspeitas precisam ser investigadas. Falta fundamentação Entretanto, foro não é sigilo. A prerrogativa de função define o tribunal competente para investigar e julgar determinadas condutas de parlamentares; não torna automaticamente secretos todos os procedimentos. O resguardo das diligências pode ser necessário, mas cobra um preço quando impede a sociedade de compreender por que o candidato derrotado à Presidência foi proibido de viajar imediatamente após a eleição. Quanto menos se conhece a fundamentação, maior o espaço ocupado pelas versões. Não houve ordem de prisão contra Flávio, mas uma cautelar de restrição de viagem e entrega dos documentos. O senador descumpriu o prazo e a PF cancelou seus passaportes. Na segunda-feira, ele havia anunciado que permaneceria no Brasil e atenderia à determinação. A saída do país enfraquece sua própria palavra e sustenta a interpretação de que procurou escapar do alcance das medidas judiciais. A repercussão institucional, porém, é desastrosa. Flávio recebeu aproximadamente 48% dos votos e representa uma parcela expressiva do eleitorado. Essa votação não lhe concede imunidade penal, mas aumenta a responsabilidade das autoridades de explicar suas decisões. Moraes, já convertido em personagem central da polarização, oferece à oposição uma oportunidade de mobilização, porque os fundamentos da medida permanecem não esclarecidos. A saída está sendo apresentada como consequência de perseguição. Entretanto, a tese de que vivemos numa “ditadura” não se sustenta. A oposição disputa eleições, conquista mandatos, governa estados, atua no Congresso e critica abertamente os ministros. A narrativa do exílio integra o repertório recorrente do bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro instalou-se nos Estados Unidos antes de sua condenação e da perda do mandato, conforme o material apresentado. Alexandre Ramagem também seguiu para território americano; Carla Zambelli buscou a Itália. Os processos são diferentes, mas a defesa política converge: apresentar a responsabilização judicial como perseguição e procurar proteção fora do alcance imediato das autoridades brasileiras. O componente americano agrava a crise. Simón Levy, ligado ao movimento MAGA, afirmou que o secretário de Estado Marco Rubio coordenou a operação que levou Flávio aos Estados Unidos. html

Da Sedução das Bets à Fuga pelas Cataratas: O Canto de Florentina no Império do Norte

Ao Modo do Chanceler Florentino — Onde os Versos do Vulgo Tecem as Alianças e os Exílios do Poder

Diz o ditado que os Príncipes não caem pelo clamor do povo, mas pelas armadilhas que eles mesmos cavam sob as vestes da legalidade. Quando as águas de Foz do Iguaçu rugem, dividindo os impérios do Sul, supõe-se que o jovem patrício Flávio, acuado pelos inquéritos das finanças e pelas suspeitas de sociedades ocultas no reino das apostas, busque o exílio rumo às terras do Norte — onde impera o poderoso e loiro Donald, o aliado de outrora que recuperou o manto da soberania americana.

Para compreender tal tragédia política, recorramos ao canto satírico de Tiririca, pois muitas vezes os bobos da corte revelam as verdades que os senadores tentam ocultar. Vertamos, pois, a melodia de Florentina para a linguagem do realismo e da astúcia.

Florentina de Jesus: A Sedução da Fortuna

"Florentina, Florentina / Florentina de Jesus
Não sei se tu me amas / Pra que tu me seduz?"

O que é a Florentina no teatro do poder senão a própria Fortuna vestida em forma de lucros fáceis e mercados de quota fixa? O jovem Bolsonaro, seduzido pelo canto dourado das bets e pelas holdings ocultas, entregou-se aos encantos da riqueza sem rastro. Ele agora questiona o destino: se essa engrenagem não havia de lhe garantir a impunidade e o amor do eleitorado, por que o seduziu a entrar em tamanho labirinto de investigações?

O Soldado e o Encontro no Cárcere do Norte

O vulgo canta que o cantor foi levado à prisão pelo próprio soldado que elogiara seu talento. Na alta política, o soldado são os órgãos de controle e as ordens do Supremo Tribunal que empurram o patrício para o enquadramento criminal. Ao cruzar as fronteiras líquidas do Iguaçu, desaguando no exílio, o jovem depara-se com o "loirão muito doido" que habita o palácio de Washington: o próprio Trump.

O senhor do Norte, operando sob a mais pura Ética da Convicção de seu próprio império, olha para o aliado fugitivo e questiona: "Qual é? Qual foi? Por que é que tu tá nessa?" ao que o jovem responde, em sua defesa defensiva, que apenas operava a música da política tradicional. Contudo, no jogo imperial, a fraqueza não encontra compaixão. O loiro do Norte impõe o silêncio: "Cala a tua boca, senão boto teus dentes para dentro", lembrando que no exílio os suplicantes perdem a voz e tornam-se reféns da boa vontade do protetor.

A Eterna Repetição do Erro

A ironia suprema de Tiririca reside no homem que jura nunca mais cantar a melodia maldita, mas passa o resto dos seus dias repetindo o mesmo refrão. Assim agem os dinastas da República: juram abandonar os métodos do caixa dois, prometem o fim dos laços ocultos com os operadores do ouro, anunciam o cansaço do povo — "isso é uma coisa que todo mundo abusa" —, mas, ao menor sinal de crise, retornam à mesma cantilena.

Dizem que vão mudar de assunto, que vão entoar os "hinos de Roberto Carlos" — a nova face da moderação e do republicanismo —, mas as cordas vocais do poder estão viciadas. Quando abrem a boca, o que se ouve nos bastidores de Brasília e Mar-a-Lago é o eterno retorno da mesma Florentina: a ocultação de valores, a lavagem de capitais e a dependência mútua entre o ouro privado e o manto público.

Conclui-se, portanto, que quem entra na cela da Fortuna por ter cantado a música dos negócios fáceis, dela não sai sem perder os dentes ou a soberania. As cascatas do Iguaçu correm para baixo, mas a ambição dos homens busca sempre o norte do mundo.

Use o código com cuidado. Tiririca - Florentina (Clipe Oficial)

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Retalhos na Avenida do Poder — Um Diálogo Fantástico entre Benito Di Paula, Maquiavel e Bolsonaro

" "Uma primeira proposta de peso" MICHEL TEMER SE PRONUNCIA APÓS REELEIÇÃO DE LULA: "TODO O PODER EMANA DO POVO" Itatiaia 27 de out. de 2026 #Itatiaia #Jornalismo #Esporte O ex-presidente Michel Temer pediu, nesta terça-feira (27), que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalhe pela pacificação do país durante seu quarto mandato. Em publicação na rede social X, Temer afirmou que o resultado das urnas reafirma o princípio de que “todo poder emana do povo” e defendeu medidas para reduzir a divisão política no Brasil. Temer, que governou o país entre 2016 e 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) depois do primeiro turno das eleições presidenciais. Na mensagem dirigida a Lula, o ex-presidente pediu que o petista evite o agravamento do clima de agressividade, que, segundo ele, tem provocado divisões entre os brasileiros e até mesmo entre as instituições. Temer também sugeriu a realização de uma reunião entre os Poderes da República, entidades da sociedade civil e representantes da oposição para promover um diálogo nacional. Para mais conteúdos da Itatiaia, acesse: Site oficial: https://www.itatiaia.com.br/
Resumo — “Ressaca da virada eleitoral de Lula derruba a bolsa de valores e frustra Trump” Luiz Carlos Azedo — Correio Braziliense, 27/10/2026 O artigo analisa as consequências políticas, econômicas e institucionais da vitória eleitoral de Lula, destacando os desafios que o presidente enfrentará para governar. - Contestação eleitoral: Flávio Bolsonaro se recusa a reconhecer a derrota e pretende pedir a anulação do segundo turno, alegando irregularidades na ampliação do horário de votação. O autor ressalta que não foram apresentadas provas de fraude e que a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos torna difícil atribuir a virada à prorrogação. - Tensão internacional: Donald Trump questionou a legitimidade da eleição brasileira sem apresentar provas, fortalecendo a contestação bolsonarista. Eduardo Bolsonaro também busca apoio internacional para anular o resultado. Segundo o texto, a maioria dos governos estrangeiros reconheceu a vitória de Lula. - Reação negativa do mercado financeiro: Investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro foram surpreendidos pelo resultado. O dólar subiu 8,21%, chegando a R$ 5,403 no fechamento, enquanto o Ibovespa caiu 14,01%, levando à interrupção temporária das negociações na bolsa. O episódio evidencia os riscos de decisões financeiras baseadas em previsões eleitorais incertas. - Desafios econômicos: A vitória de Lula não garante a confiança dos investidores. O governo precisará apresentar medidas convincentes para controlar a dívida pública e manter a sustentabilidade das políticas sociais. - Conflito institucional: A decisão de Alexandre de Moraes de reter o passaporte de Flávio Bolsonaro e impedir sua saída do país, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, intensifica o confronto com a oposição. O autor destaca a necessidade de fundamentação jurídica adequada para a medida. - Dificuldades de governabilidade: Com uma oposição fortalecida no Congresso e tensões entre os Poderes, Lula precisará negociar intensamente para aprovar sua agenda. Conclusão: Para o autor, a vitória eleitoral de Lula não encerra a disputa política. A contestação do resultado, as tensões com Trump, a instabilidade financeira e os conflitos institucionais indicam que o novo mandato começará sob forte pressão. O presidente precisará conquistar confiança econômica e construir apoio político para governar. Observação: o resumo reproduz os argumentos e os números apresentados no texto fornecido, sem verificar independentemente as informações.
Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
GATOS ESCALDADOS — NÃO IMPORTA SE PARDOS OU CINZENTOS — TÊM MEDO DE ÁGUA FRIA. LIBERDADE, SIM; PARTIDO, JAMAIS! PL NÃO PAGA PARA VER, EM 2026, O ROMBO QUE LHE CUSTOU O CASCO DE SUA BOLSA DE APOSTAS. Moraes rejeita ação do PL, aplica multa de R$ 22,9 milhões e bloqueia fundo partidário Presidente do TSE condena a coligação de Bolsonaro por litigância de má-fé; recursos ficarão bloqueados enquanto a multa não for paga Flávia Maia, Felipe Recondo 23/11/2022 | 21:39 |Brasília Atualizado em 23/11/2022 às 22:09 Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE / Crédito: Alejandro Zambrana/Secom/TSE O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, não só não prosseguiu com a representação da coligação de Jair Bolsonaro (PL) pedindo a anulação de votos de 279 mil urnas eletrônicas — mais da metade do total — para o segundo turno das eleições de 2022 como também condenou a agremiação a uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. O ministro ainda determinou o bloqueio dos fundos partidários até o pagamento das multas. Leia aqui a decisão completa. A decisão foi publicada na noite desta quarta-feira (23/11). A coligação, formada por PL, PP e Republicanos, pode recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do TSE também solicitou a abertura de procedimento administrativo e apuração de responsabilidade por eventual desvio de finalidade na utilização da estrutura partidária contra o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e Carlos César Moretzsohn Rocha, dono do Instituto Voto Legal (IVL), responsável pelo relatório de auditoria das urnas eletrônicas utilizado na representação apresentada ao TSE na terça-feira (22/11). Moraes também incluiu Valdemar e Moretzsohn no inquérito 4874, do Supremo, que investiga as milícias digitais. O presidente do TSE também anexou uma nota técnica respondendo o requerimento do partido, com o objetivo de desfazer o argumento do PL, mostrando que não há fraude no sistema eleitoral. Leia aqui a resposta técnica ao requerimento. A resposta contundente de Moraes a mais uma investida contra a idoneidade das urnas eletrônicas é uma tentativa de acabar de vez com as tentativas de anular os resultados das eleições de 2022. Na decisão, Moraes afirma que os argumentos trazidos pela coligação são “falsos”. Na representação protocolada um dia antes (22/11), a coligação questionou os resultados das urnas apenas no segundo turno, e Moraes exigiu que o partido trouxesse informações também sobre o primeiro turno — em que a sigla elegeu o maior número de senadores e deputados federais. Isso não foi feito dentro do prazo de 24 horas, conforme o solicitado por Moraes via despacho na terça-feira (22/11). “O aditamento determinado não foi cumprido. Do ponto de vista apenas processual, bastaria isso para o pronto indeferimento da inicial por advertida e chapada inépcia. Ora, as mesmas urnas eletrônicas, de todos os modelos em uso, foram empregadas por igual tanto no Primeiro Turno como no Segundo Turno das Eleições 2022, sendo impossível dissociar ambos dos períodos de um mesmo pleito eleitoral”, escreveu na decisão desta quarta. Além disso, Moraes diz que as informações sobre as urnas eletrônicas são “cristalinas” conforme o relatório técnico da equipe de tecnologia do TSE. Por isso, ele entende que a coligação, ao contestar as urnas eletrônicas mais uma vez e pedir a anulação de metade dos votos do 2º turno das eleições, agiu de má-fé e com intuito de “incentivar” os movimentos antidemocráticos. “A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa totalmente fraudulenta dos fatos”, escreveu. Para justificar a multa e o bloqueio do fundo partidário, Moraes argumentou que os partidos políticos são instrumentos da democracia e financiados basicamente por recursos públicos, por isso é “inconcebível e inconstitucional” que as legendas sejam utilizadas para “satisfação de interesses pessoais antidemocráticos e atentatórios ao Estado de Direito, à Justiça Eleitoral e a soberana vontade popular de 156.454.011 (cento e cinquenta e seis milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e onze) eleitoras e eleitores aptos a votar”. Em nota, o PL informou que acionou a assessoria jurídica que vai analisar a decisão do TSE. “O partido reitera que apenas seguiu o que prevê o artigo 51 da Lei Eleitoral que obriga as legendas a realizar uma fiscalização do processo eleitoral”.logo-jota Flávia Maia Analista de Judiciário do JOTA em Brasília. Antes foi repórter dos jornais Correio Braziliense e Valor Econômico e assessora de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). É graduada em Direito no IDP. Email: flavia.pimentel@jota.info Felipe Recondo Autor de "Tanques e Togas - O STF e a Ditadura Militar" e de "Os Onze - O STF, seus bastidores e suas crises" e "O Tribunal - Como o Supremo se uniu ante a ameaça autoritária", todos pela Companhia das Letras. Antes de fundar o JOTA, trabalhou nos jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, no blog do jornalista Ricardo Noblat Tags Alexandre de Moraes Eleições 2022 IF JOTA PRO PODER STF TSE LIBERDADE SIM, PARTIDO JAMAIS. Retalhos De Cetim Benito Di Paula Ensaiei meu samba o ano inteiro Comprei surdo e tamborim Gastei tudo em fantasia Era só o que eu queria E ela jurou desfilar pra mim Minha escola estava tão bonita Era tudo o que eu queria ver Em retalhos de cetim Eu dormi o ano inteiro E ela jurou desfilar pra mim Mas chegou o carnaval E ela não desfilou Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Minha escola estava tão bonita Era tudo o que eu queria ver Em retalhos de cetim Eu dormi o ano inteiro E ela jurou desfilar pra mim Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela não desfilou Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Mas chegou (chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela (ai, e ela não) não desfilou (não desfilou) Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Mas chegou (mas chegou) o carnaval (chegou meu carnaval) E ela (ai, e ela não) não desfilou (não, não desfilou) Eu chorei na avenida, eu chorei Não pensei que mentia A cabrocha que eu tanto amei Composição: Benito Di Paula. html

O Samba da Razão de Estado

Retalhos na Avenida do Poder — Um Diálogo Fantástico entre Benito Di Paula, Maquiavel e Bolsonaro

O salão está na penumbra de uma repartição vazia em Brasília. Sobre a mesa de fórmica, um prato de louça branca, outrora cheio, agora exibe apenas os arabescos da gordura fria do banquete do poder. Benito Di Paula, com o olhar perdido no horizonte das urnas de 25 de outubro de 2026, empunha uma faca de mesa comum. O metal raspa a borda do prato lactescente: vup... tique-tique... vup... tique-tique.

O som agudo e rústico corta a introdução de uma orquestra invisível que chora em cordas graves. O Carnaval político chegou ao fim. Ao seu lado, duas figuras de séculos distintos dividem o mesmo banquete de cinzas e decepções.

[ Arranjo Orquestral & Ritmo ]

As cordas da orquestra sobem em um crescendo dramático. O piano de Benito acompanha a melodia taciturna, mas o que dita o pulso do destino é o metal da faca raspando a louça. Ritmo de partido-alto, cadenciado, seco, sem concessões.

Jair limpa o suor da testa. Ele olha para o próprio terno de campanha, agora parecendo uma fantasia barata de cetim verde e amarelo que desbotou sob a chuva fina da apuração do segundo turno.

— Eu ensaiei o ano inteiro — sussurra o líder, a voz rouca ecoando entre as paredes de mármore. — Comprei surdo e tamborim. Mobilizei as redes, convoquei as marchas, gastei tudo em palanques. Era só o que eu queria... E a massa jurou desfilar para mim.

A "cabrocha" de Jair não tinha nome de mulher. Tinha o nome de Poder. Tinha a face do eleitorado volúvel, a promessa dos governadores aliados, a jura de fidelidade eterna do Centrão. Todos prometeram que a herança política seria coroada na passarela das urnas.

Do outro lado da mesa, vestindo uma túnica florentina salpicada pelo pó da história, Nicolau Maquiavel observa o prato de louça ser raspado pela faca de Benito. Ele sorri com a crueza de quem conhece as engrenagens ocultas das passarelas humanas.

— Caro Jair — diz o florentino, ajeitando seus manuscritos sobre a mesa. — O erro jamais foi o ensaio. O erro foi acreditar no juramento da cabrocha. O Príncipe que firma suas bases na gratidão ou na promessa do palanque constrói sobre a areia. Os homens esquecem mais rápido a morte do pai do que a perda do patrimônio ou a mudança dos ventos da Fortuna. A multidão é essa cabrocha de Benito: desfila com o cetim que você compra, mas se o vento da oposição soprar mais forte, ela atravessa a avenida e vai sambar na escola vizinha.

Benito Di Paula interrompe o piano por um compasso exato. O ruído da faca no prato fica mais forte, mais urgente, quase agressivo: vup... tique-tique... vup... tique-tique.

— Eu dormi o ciclo inteiro achando que o voto era herança familiar garantida — lamenta Jair, olhando para os retalhos da sua coligação espalhados pelo chão. — Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei.

— A política, meu amigo, não se faz com amor, faz-se com o temor e com a Virtù — rebate Maquiavel, enquanto a orquestra ao fundo atinge um tom menor, profundamente melancólico. — Você quis moldar o sucessor à imagem da sua vontade, o sangue do seu sangue, o sobrenome na cédula. Mas a razão de Estado exigia um pacto com os generais da conveniência. O Centrão não desfila por amor ao pavilhão; ele desfila pelo orçamento do Carnaval. Quando a apuração mostrou a primeira nuvem de tempestade, os passistas de terno debandaram para as arquibancadas do vencedor.

Benito Di Paula, sem parar o movimento hipnótico da faca na louça, solta a voz, num canto que mistura a dor do morro com a tragédia do palácio:

"Mas chegou o Carnaval... e ela não desfilou.
Eu chorei na avenida, eu chorei...
Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei."

O choro de Jair na avenida da realidade não é apenas pelo desfile perdido, mas pela compreensão tardia da máxima maquiavélica: o poder é um ensaio eterno onde a fantasia nunca está garantida. No fim, quando os refletores do tribunal se apagam e a apuração encerra o espetáculo, restam apenas os retalhos de um projeto político no chão da história, o eco de uma promessa quebrada e o som persistente da faca raspando o prato vazio.

A cabrocha do poder já está ensaiando para o próximo ano, com outro mestre-sala.

Use o código com cuidado.
html

O Timão do Éter

A soberania digital entre a rédea do Estado e o vento da liberdade

“O poder que hoje domestica a tempestade amanhã prende o próprio vento.”
O redesenho das comunicações oficiais e a regulação das plataformas digitais propostos pelo governo desencadeiam um profundo embate sobre os limites do controle estatal e a preservação do debate público na nova era tecnológica.

O silêncio que se seguiu ao anúncio das urnas não era o de um país que descansava, mas o de um bicho imenso que retoma o fôlego antes do próximo salto, e foi nesse hiato de tempo suspenso que o Timoneiro, subindo ao palanque com os olhos postos num horizonte que só os velhos marinheiros conseguem divisar, proferiu as palavras que a revista CartaCapital recolheria no dia seguinte como se fossem as tábuas de uma nova lei, ali estava escrito, com as letras garrafais do pragmatismo sobrevivente, que a pátria não mais seria o quintal de impérios invisíveis que operam por trás de algoritmos e nuvens de dados, que as máquinas de calcular o ódio seriam domesticadas pelas mãos do Estado, pois se um homem mata outro na rua a lei o alcança, por que haveríamos de tolerar que o mate na praça pública da ilusão digital, e assim, entre o aplauso dos devotos e o ranger de dentes dos mercadores do templo financeiro, decretava-se o início de um quadriênio onde a informação oficial não seria apenas dita, mas sim blindada contra os ventos que sofram do Norte ou do Oriente, um plano tão vasto e geométrico que parecia ignorar a miopia dos homens que só enxergam o dia de amanhã.

Mas a história, que tem o hábito irônico de não se deixar escrever por uma única mão, logo tratou de encontrar o seu contraponto no recôndito da própria linhagem do Timoneiro, quando sua filha, recolhida à sua própria escrivaninha e armada com a mesma tinta densa e sem repouso das vírgulas que se recusam a terminar antes da hora, fez circular a sua réplica, dizendo ela que o pai, cego pela claridade da própria vitória, esquecia-se de que o Estado que hoje regula a palavra para proteger o cidadão é o mesmo monstro de mil cabeças que amanhã, mudados os ventos e trocado o maquinista, usará as mesmíssimas travas para calar a boca de quem ousa dissentir, que a regulação das redes, por mais justa que pareça no calor do palanque, assemelha-se à tentativa de prender o éter dentro de uma caixa de ferro, e que ao tentar criar uma verdade estatal imune às intromissões estrangeiras, o velho combatente corria o risco de construir não a soberania sonhada, mas uma fortaleza de espelhos onde o governo só ouviria o eco das suas próprias certezas, esquecendo que a liberdade, essa palavra tantas vezes gasta e prostituída pelos dois lados da trincheira, só sobrevive quando lhe é permitido correr o risco do erro e do desvario.

A palavra livre não cabe dentro de nenhuma caixa de ferro estatal
Use o código com cuidado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Tem mais samba no encontro que na espera

TALENTO SEM FRONTEIRAS Em quatro filmes cotados para o Oscar, a atriz Sandra Hüller se tornou uma grife cobiçada pelo cinema europeu e por Hollywood, com atuações de intensidade discreta que roubam a cena
O economista Delfim Netto levando bronca de Lula — Foto: Chico Caruso/Arte O Globo Também há charges de Delfim ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma delas, o ex-ministro leva uma bronca do presidente, invertendo os papéis. Delfim costumava dar conselhos a diferentes pessoas que ocuparam o Palácio do Planalto, de Lula a Michel Temer. Lula ganha quarto mandato e promete regular redes sociais | Papo Antagonista - 26/10/2026 A Terra do Meu Pai | Trailer Oficial | 29/10 nos cinemas | MUBI e Imovision Tem mais samba a maldade que a ferida Não tem Tradução Francisco Alves 2º turno foi plebiscito sobre o bolsonarismo, diz colunista da Folha Folha de S.Paulo 26 de out. de 2026 Leia Mais: https://folha.com/sqn4xvpm Antibolsonarismo foi decisivo para essa virada foi decisivo, diz colunista Wilson Gomes Denétrio Magnoli revela suas preocupações... Advogado de Trump questiona eleição no... Análise: Mônica Bergamo diz que...
VIRADA INÉDITA Por que Flávio Bolsonaro perdeu uma eleição em que saiu na frente? Campanhas avaliam erros e acertos no segundo turno, da mobilização nas ruas à estratégia digital, passando pela relação com o mercado e o eleitorado religioso Diego Amorim 26/10/2026 Diego Amorim Neste dia seguinte ao resultado das eleições de 2026, são muitas as análises e opiniões sobre o que pode ajudar a explicar uma virada inédita entre o primeiro e o segundo turnos numa corrida presidencial no Brasil. O PlatôBR elenca 13 pontos que, desde ontem à noite, estão sendo aventados e discutidos nas duas campanhas, a vitoriosa de Lula e a derrotada de Flávio Bolsonaro. ‘Já ganhou’ e ‘salto alto’ A euforia que tomou conta de Flávio e de seus aliados após o primeiro turno foi difícil de reverter. Muitos se apressaram em montar o governo, pensar em nomes para o STF e planejar a relação com o Congresso. Era cedo demais. ‘Menos Janja, mais Alckmin’ Para o segundo turno, Lula mexeu na campanha depois do baque. Trouxe “sangue novo”, com governadores e ex-governadores do Nordeste. Aceitou o efeito Janones fora da campanha oficial. E ajustou narrativas, sobretudo no tema da segurança pública. Foi menos identitário e mais pragmático. Pode ter, assim, conseguido reduzir resistências. O ‘exército’ de Janones Sim, o canal de WhatsApp de André Janones foi um fato novo e surpreendente, que trouxe a esquerda para o jogo das redes sociais, onde a direita sempre havia dominado. Fez a diferença. ‘Tapete vermelho’ antes nas ruas Depois do baque do primeiro turno, a esquerda não demorou a ir para as ruas. Enquanto Nikolas Ferreira fazia a programação do “Bloquinho do 22”, estudantes e famílias eleitoras de Lula já ocupavam espaços nas cidades. Não era um movimento organizado pela CUT ou pelo MST, mas algo que parecia espontâneo. Teve peso. A busca por eleitores A ofensiva para diminuir a abstenção foi puxada pela campanha do PT. Flávio não teve o mesmo êxito. Lula conseguiu tirar de casa muita gente que não votou no primeiro turno e que queria evitar a volta do bolsonarismo. Teve efeito. Cadê os aliados? Enquanto isso, muitos — muitos mesmo — aliados de Flávio que venceram a eleição no primeiro turno foram descansar e celebrar, acreditando que o candidato do PL seria eleito. E os outros candidatos? Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury declararam apoio a Flávio no segundo turno, mas, para não dizer que sumiram, não participaram da campanha como Flávio esperava. Criou-se um vácuo na transferência de votos. E os eleitores dos outros candidatos? Além disso, a militância bolsonarista não “acolheu” os eleitores de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos. Pelo contrário. Nas redes sociais, os votos desse grupo foram subestimados, e os embates eram constantes. A ‘Marçalização’ de Flávio Trazer Pablo Marçal para perto no segundo turno foi, sem dúvida, um dos grandes erros da campanha do PL. O deboche, o sarcasmo e a ironia não funcionaram. A zombaria de jovens eleitos de direita, com dancinhas e chacotas com os derrotados da esquerda, pode ter passado uma impressão ruim para o eleitorado de centro e independente. Debates da Band e da Globo A postura de Flávio incomodou parte do eleitorado, sobretudo os mais velhos. Os embates televisivos viraram um duelo de imagens: a de um “jovem arrogante” contra a de um “velhinho”, chamado de “nove dedos” pelo candidato do PL, em um erro que pode ter sido fatal. O eleitorado brasileiro, em geral, ainda é muito sensível a esse tipo de situação. Faria Lima A relação de Flávio com o mercado ao longo de toda a campanha foi marcada por idas e vindas e pela desconfiança. A Faria Lima queria respostas concretas, que não chegaram. Faltou segurança. Reação do Nordeste Será que o vídeo de Nikolas Ferreira, com uma visão bastante estereotipada do Nordeste, provocou efeito contrário? É uma pergunta que o mundo político se faz. Se tem uma coisa de que o nordestino não gosta é de ser tachado de “pobre sofrido”. E os evangélicos? Flávio não conseguiu a adesão do mundo evangélico como o pai, Jair. Sobretudo para mulheres evangélicas, pode ter sido difícil engolir a imagem de um fiel acusado de participar de orgias com garotas de programa. Não é um apoio simples de conquistar nessas condições. André Janones Eleições 2026 Flávio Bolsonaro lula Pablo Marçal
O "Tetra Fake" Nacional e a Lição do "Bi de Fato" em Juiz de Fora: A Democracia Calça Sandálias de Humildade A análise apressada dos números eleitorais costuma ser terreno fértil para a soberba política. Nacionalmente, setores da esquerda apressam-se em carimbar as vitórias presidenciais de 2002, 2006, 2022 e 2026 como um "tetra" contínuo e incontestável de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se, contudo, de um tetra fake. O conceito de tetracampeonato evoca linearidade, hegemonia ininterrupta e consolidação absoluta de um projeto de poder — elementos inexistentes em um país que viveu um hiato de 16 anos de alternância, instabilidade e forte avanço conservador entre esses mandatos. O verdadeiro triunfo político não reside na contabilidade fantasiosa de taças distantes, mas na solidez do bi de fato e de direito conquistado no microcosmo de Juiz de Fora. Na "maior das menores cidades" de Minas Gerais, a eleição de outubro de 2026 desenhou um cenário de soberania real e contínua dentro das próprias urnas locais. Diferente do sufoco nacional, onde o presidente precisou buscar uma virada inédita, o eleitorado juiz-forano entregou a liderança a Lula tanto em 4 de outubro (com 49,58% dos votos válidos no primeiro turno) quanto em 25 de outubro (expandindo a hegemonia para 57,66% no segundo turno). Esse "bi" num mesmo mês, consolidado degrau por degrau, oferece uma lição de realismo tático que o plano nacional insiste em ignorar. Essa dinâmica evoca o antídoto perfeito contra o salto alto na política. Como já cantava Noel Rosa em sua crítica cirúrgica a "essa mania" de grandeza e exibicionismo, a política que se descola da realidade desafina na apuração. A resposta para o sucesso duradouro do campo progressista na Zona da Mata está no oposto da arrogância: está na humildade do "pé no chão", uma sabedoria há muito moldada pelos sambistas de Juiz de Fora — cujo fazer tradicional e as agremiações locais foram elevados a Patrimônio Cultural Imaterial do Município. O samba juiz-forano, com seus baluartes e estandartes, sempre entendeu que ninguém cruza a linha de chegada desfilando sozinho. Quando a esquerda local reconheceu que as suas bandeiras particulares pesam menos do que a caminhada conjunta com as forças democráticas, ela construiu frentes amplas capazes de vencer sem dar vexame. Os estandartes do samba e os da política real se encontram na mesma avenida: aquela que entende a democracia como um valor universal, plural e que exige constante negociação. O "bi de fato" de Juiz de Fora em 2026 prova que a hegemonia não se decreta com petulância ou narrativas de falsos títulos acumulados no passado. Ela é construída no presente, com a modéstia de quem sabe ouvir o ritmo das ruas e a pluralidade do eleitorado. Menos exibicionismo, mais pé no chão.
JOSÉ CASADO ATRAÇÃO FATAL COMEÇA na segunda-feira 26 o evento legislativo mais importante da temporada pós-eleição: a corrida de deputados e senadores para “ajudar” o vencedor da disputa presidencial. Acontece a cada quatro anos e só acaba quando termina a lua de mel do novo governo com o eleitorado, fogo-fátuo da política e cada vez mais efêmero na América do Sul. Seja Lula ou Flávio Bolsonaro, não será difícil ao presidente eleito, mesmo sem maioria no Congresso, começar com apoio parlamentar muito além dos limites da bancada de aliados, circunscrita a dois em cada dez votos na Câmara e no Senado. Isso se deve a uma peculiaridade do mapa das desigualdades regionais: fazer oposição é complicado para representantes de cidades pequenas (com até 20 000 habitantes) ou de regiões como o Nordeste, onde há mais dependentes dos programas de transferência de renda do governo federal do que empregados com carteira assinada. Quanto mais frágeis a economia e o mercado de trabalho regionais, maior é a necessidade de socorro federal. Um retrato da dependência está na carta de Lula aos 5 569 prefeitos e 58 000 vereadores de todo o país, divulgada 96 horas antes do segundo turno da eleição para presidente. Ele lembra as transferências de verbas vitais para os serviços municipais de saúde, educação, assistência social e habitação, além de sustentar a folha salarial das prefeituras, principais empregadoras em oito de cada dez cidades do interior. A dependência é relevante sobretudo nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, onde vivem 68 milhões de eleitores — dois milhões a mais que no rico Sudeste. É melhor sofrer no poder do que longe dele, repetia Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia. Por isso, o magnetismo do caixa de Brasília permeia o oceano de histórias do poder. Uma delas aconteceu em 2023, quando Lula ainda nem completara noventa dias de atual mandato. Primaz no aglomerado parlamentar conhecido como Centrão, o partido Progressistas estava desnorteado com a derrota e a tentativa de golpe de Estado de Jair Bolsonaro, a quem havia sustentado no Congresso nos últimos dois anos de governo. “Vai começar a corrida para ‘ajudar’ o vencedor da eleição presidencial” O PP nascera na fusão de grupos conservadores abrigados na antiga Aliança Renovadora Nacional (Arena), esteio parlamentar da ditadura. Apoiou todos os presidentes das últimas três décadas (Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula em três governos). Associado ao Partido dos Trabalhadores, na década passada foi protagonista em processos do mensalão e da corrupção na Petrobras — destacando-se, nesse caso, pelo maior número de políticos investigados (18). Fez-se uma reunião para definir objetivos do PP no novo mundo de Lula. Com a naturalidade de quem havia chefiado a Casa Civil de Bolsonaro até três meses antes, o senador Ciro Nogueira propôs reescrever a história da década de alianças com Lula e o PT migrando para a oposição. — Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas, ô Ciro, ensina aí pra gente como é ser oposição — alguém provocou. Foi quando o deputado “Lula”, Luiz Eduardo, de 22 anos e quatro oligarquias pernambucanas no sobrenome (Queiroz Campos da Fonte Albuquerque), atalhou: — É, tio, mas esse negócio de óculos Ray-Ban, sapato branco e oposição só fica bonito nos outros… O riso traduziu a memória coletiva sobre arranjos que levaram o PP e outros partidos da direita tradicional a atravessar este início do século XXI aglomerados no Centrão. Três semanas atrás, renovou-se a moldura do bloco no Congresso. Ganharam realce as facções da extrema direita que gravitam em torno de Jair Bolsonaro, sujeito oculto de uma eleição que não teve candidato de centro. É notável que o avanço dos extremistas tenha sido impulsionado por pessoas e partidos que escolheram fazer política à margem e até mesmo contra a direita tradicional, centrista, moderada e geralmente educada no uso de garfo e faca. Aglutinada no Partido Liberal de Flávio Bolsonaro e no seu satélite, o Novo, a extrema direita deglutiu o Centrão nas urnas. Dobrou de tamanho no Senado e até tomou uma fatia (10%) do dinheiro dos fundos partidário e eleitoral que passa pelo caixa dos partidos do Centrão. Rachada na eleição, a direita segue dividida no Congresso. Para o presidente eleito será incontornável: vai precisar negociar com o Centrão, dono de 49% dos votos na Câmara e de 40% no Senado, cada vírgula de cada projeto. É atração fatal. ◼
PERFIL TALENTO SEM FRONTEIRAS Em quatro filmes cotados para o Oscar, a atriz Sandra Hüller se tornou uma grife cobiçada pelo cinema europeu e por Hollywood, com atuações de intensidade discreta que roubam a cena PASSADO Em A Terra do Meu Pai: protagonista viaja pela Alemanha dividida no pós-guerra com o pai, o autor Thomas Mann
50ª mostra > filmes > A Terra do Meu Pai No verão de 1949, no ápice da Guerra Fria, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann e sua filha Erika embarcam em uma emocionante viagem a bordo de um Buick preto pelas ruínas da Alemanha, partindo de Frankfurt sob domínio estadunidense até a Weimar sob controle soviético. De volta ao lar após 16 anos de exílio nos EUA, o escritor é forçado a confrontar não apenas os destroços de uma nação dividida, mas também as feridas irremediáveis de sua própria família. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes. polônia alemanha itália frança história memória família identidade política arte e cultura cinebiografia da palavra à imagem filmes premiados festivais internacionais trailer ficha técnica direção Paweł Pawlikowski roteiro Paweł Pawlikowski, Henk Handloegten fotografia Łukasz Żal montagem Piotr Wójcik, Paweł Pawlikowski som Oliver Achatz música Marcin Masecki design de produção Katarzyna Sobańska, Marcel Sławiński elenco Hanns Zischler, Sandra Hüller, August Diehl, Devid Striesow, Joachim Meyerhoff produção Jeanne Tremsal, Mario Gianani, Ewa Puszczyńska, Edward Berger, Lorenzo Gangarossa, Lorenzo MIeli, Dimitri Rassam produzido por Nine Hours, Extreme Emotions, OUR Films, Chapter 2 coproduzido por Canal+ Polska, Wroclaw Feature Film Studio, Lower Silesia Film Centre, Silesia Film Institution, Arte France Cinéma, Pathé distribuição Imovision, Mubi world sales The Match Factory contato info@matchfactory.de galeria A Terra do Meu Pai direção Paweł Pawlikowski Paweł Pawlikowski Silêncio de um Minuto Maria Bethânia Silêncio de um minuto Noel Rosa Teu silêncio absoluto Obrigou-me a confessar Que o meu samba está de luto Meu violão vai soluçar Noel Rosa - Silêncio de um minuto (Aracy de Almeida) Noel Rosa 11 de abr. de 2013 Noel Pela Primeira Vez (Volume 6 CD 11 Faixa 10) Intérprete: Aracy de Almeida // Músicos: Radamés Gnattali (arranjador) e sua Orquestra. Composição: Noel Rosa Ano da Composição: 1935 Não te vejo e não te escuto O meu samba está de luto Eu peço o silêncio de um minuto Homenagem a história De um amor cheio de glória Que me pesa na memória Nosso amor cheio de glória De prazer e de emoção Foi vencido e a vitória Cabe à tua ingratidão Tu cavaste a minha dor Com a pá do fingimento E cobriste o nosso amor Com a cal do esquecimento Teu silêncio absoluto Obrigou-me a confessar Que o meu samba está de luto Meu violão vai soluçar Luto preto é vaidade Neste funeral de amor O meu luto é saudade E saudade não tem cor Por Samuel Machado Filho: "Samba composto em 1935, porém só lançado em disco no ano de 1940, na interpretação de Marília Batista, em versão resumida. Neste registro, Aracy de Almeida, canta a letra completa. Gravação Continental de 27 de março de 1951, lançada em maio-junho seguintes sob n.o 16391-B, matriz 2587, no segundo dos dois álbuns de 78 rpm que Aracy dedicou à obra noelina." Flávio perdeu eleição por abrir a boca e mostrar sua ignorância, diz Lynch. Meio 26 de out. de 2026 #flaviobolsonaro #lula #eleições2026 O que levou Lula a vencer o segundo turno das eleições de 2026? Para o cientista político Christian Lynch, Flávio Bolsonaro é o candidato mais desqualificado da história do Brasil. Veja neste corte do Central Meio de 26 de outubro de 2026 uma análise sobre os fatores que derrubaram Flávio Bolsonaro. Assista completo em: https://youtube.com/live/VMKjQvAdiD8
O artigo de opinião assinado por Luiz Carlos Azedo para o Correio Braziliense apresenta um cenário político hipotético para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no qual Luiz Inácio Lula da Silva conquistaria um quarto mandato após uma vitória de virada sobre Flávio Bolsonaro. O texto projeta um resultado de 51,74% dos votos válidos para Lula contra 48,26% de seu adversário, em meio a relatos de problemas logísticos no transporte público e desafios de governabilidade frente a um Congresso com forte presença da oposição. Você pode ler a análise completa no Correio Braziliense.
segunda-feira, 26 de outubro de 2026 Mesmo com locaute, Lula vence Flávio de virada e conquista quarto mandato, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A recuperação de Lula veio de uma reação vigorosa da sociedade civil, que devolveu o movimento à campanha, com presença nas ruas e mobilização digital O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu quarto mandato numa virada espetacular sobre Flávio Bolsonaro. Derrotado no primeiro turno, quando recebeu 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do adversário, recuperou a iniciativa e venceu de forma inequívoca. Quando o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu sua reeleição, às 21h08, com 97,69% da apuração concluída, tinha 51,74%, contra 48,26% do senador: uma vantagem de aproximadamente 4,2 milhões de votos. O resultado reafirma a capacidade de sobrevivência e de mobilização, inclusive da juventude, do principal líder popular da nossa história contemporânea. A vitória ocorreu apesar das dificuldades de acesso às urnas, num domingo marcado por denúncias de locaute no transporte coletivo. Ônibus retidos, frotas insuficientes e longas esperas atingiram sobretudo quem depende dos serviços públicos para exercer a cidadania. A intenção deliberada de impedir votos precisa ser investigada. Oferecer transporte insuficiente numa eleição significa transformar a desigualdade social em obstáculo ao sufrágio. O Ministério da Justiça identificou falhas em sete estados. Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou a recomposição integral da frota e ordenou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A prefeitura atribuiu os problemas à necessidade de retirar propaganda eleitoral dos veículos. A explicação terá de ser confrontada com a fiscalização e os registros da operação. A atuação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, também exige avaliação crítica. À tarde, reconheceu dificuldades, mas afirmou que estavam sendo corrigidas. Somente às 16h44 veio a notícia de sua determinação para que autoridades eleitorais da Bahia prestassem esclarecimentos em meia hora, ou seja 16 minutos antes do fim da votação. Coube ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo, estender a votação até as 19h, nas seções cujas urnas ainda estavam abertas. As já encerradas não puderam receber novos eleitores. O episódio se somou às controvérsias sobre o canal “Exército do Lula”. Nunes Marques havia determinado sua suspensão em decisões posteriormente revertidas. Na reta final, uma nova disputa exigiu intervenção do ministro Floriano Azevedo Marques para preservar o canal até análise colegiada. Fiscalizar propaganda e reprimir desinformação são deveres da Justiça Eleitoral. Exercê-los exige critérios transparentes e proporcionais, especialmente quando a intervenção pode desmobilizar milhões de apoiadores às vésperas da votação. Desafios permanecem Lula também precisou enfrentar suas próprias limitações. O primeiro turno desfez a expectativa de que a experiência presidencial e as realizações sociais bastariam para assegurar a liderança. O custo de vida, o endividamento e a insegurança alimentaram o desejo de mudança. A defesa da democracia precisava encontrar tradução nas preocupações de quem termina o mês sem dinheiro ou convive com o domínio territorial do crime. Flávio explorou essas vulnerabilidades com acusações de corrupção, críticas ao preço dos alimentos e promessas de repressão mais dura. Procurou associar Lula à tolerância com criminosos e ao desgaste dos escândalos. Houve falsidades verificadas, como a afirmação de que Lula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens. No debate da Band, acusações recíprocas empobreceram a escolha oferecida ao eleitor. A recuperação de Lula veio de uma reação vigorosa da sociedade civil, que devolveu o movimento à campanha, com presença nas ruas e mobilização digital, focadas no eleitor inclinado à abstenção. Deu certo: a ausência às urnas, mesmo com o locaute, caiu de 21,08% para 19,21%. Lula conseguiu transformar uma posição defensiva numa convocação popular, recuperando a ligação entre sua trajetória e as expectativas de proteção social. Entretanto, a vitória presidencial não reverteu o resultado do Congresso. O PL conquistou 121 cadeiras na Câmara e elegeu 19 senadores. No Senado, terá 28 integrantes, enquanto o PT permanece com nove. O bolsonarismo perdeu o Planalto, mas ampliou instrumentos de pressão, fiscalização e bloqueio. A composição da Casa acirrará as disputas sobre indicações, competências do Judiciário e iniciativas contra ministros do Supremo. O quarto mandato começará, portanto, com legitimidade renovada e governabilidade difícil. Lula precisará construir maiorias sem entregar o comando do orçamento, preservar políticas sociais com financiamento sustentável e enfrentar o crime organizado com coordenação nacional e resultados concretos. Terá de elevar produtividade, melhorar serviços e defender a autonomia internacional do Brasil. Também precisará preparar uma renovação política que sobreviva à sua liderança. A virada demonstrou sua força pessoal; o desafio será convertê-la em instituições confiáveis e melhorias duradouras na vida da população.
A célebre frase atribuída ao ex-ministro Antônio Delfim Netto sintetiza de forma pragmática a visão do exercício político e da tecnocracia durante o período do regime militar no Brasil: "Poder é o poder de permanecer no governo. O Poder não é absoluto. Mas é melhor relativo no poder que contra ele." Essa declaração ilustra a lógica de sobrevivência e manutenção da influência política por meio do pragmatismo, indicando que, mesmo em um cenário onde o poder é limitado ou compartilhado (relativo), estar dentro da estrutura governamental é sempre estrategicamente superior a estar na oposição ou fora do centro decisório. Delfim Netto expressou esse pensamento para justificar a resiliência e a continuidade de atores políticos e técnicos na máquina estatal ao longo de diferentes arranjos e tensões de poder da época.
A alma mater do professor Antônio Delfim Netto é a Universidade de São Paulo (USP). Ele graduou-se em Ciências Econômicas e Administrativas no ano de 1951 pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP). Na mesma instituição, concluiu seu doutorado com uma tese focada no café e construiu uma sólida trajetória acadêmica, tornando-se professor catedrático (e posteriormente Professor Emérito). A ligação de Delfim Netto com a USP era tão profunda que ele costumava declarar: "Sem a USP, eu não seria nada". Em vida, ele oficializou a doação de seu vasto acervo particular — uma biblioteca gigantesca com mais de 100 mil livros e periódicos — para a própria FEA-USP.

domingo, 25 de outubro de 2026

Palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações.

José Roberto - Benzinho (Dear Someone) (Pseudo Video)
Mateus 7:21 Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus. 6. Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. — Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? — Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade. (S. Mateus, 7:21 a 23.) 7. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. — Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. — Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína. (S. Mateus, 7:24 a 27; S. Lucas, 6:46 a 49.) 8. Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no reino dos céus aquele que os cumprir e ensinar. (S. Mateus, 5:19.) 9. Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! — Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: “Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniquidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade.” São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranquilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia: o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão. Leitura do ESE, capítulo XVIII -Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos Céus Madô Espírita Transmitido ao vivo em 28 de jul. de 2020 Momento de reflexão - Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XVIII, do item 06 ao 09 - Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos Céus Apresentador: Adelvair David Realizado em 28 de Julho de 2020, Terça Feira
Aqui está a transcrição completa do texto contido na imagem: Diversos oradores se fizeram ouvir, inclusive discípulos de Eurípedes, dentre os quais o Sr. Zenon Zoroastro Borges, cujas palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações. Eurípedes dirige-se aos amigos, em lágrimas. Emocionava-se ante a demonstração coletiva de simpatia, mas roga aos irmãos queridos terminem ali o programa comemorativo. A misericórdia do Pai já havia descido, por acréscimo, anulando os esforços da Justiça humana; agora era necessário esquecer o resto, a fim de que o Ato Divino não fosse envolvido pelas sombras de nossa incompreensão. A vingança só deveria ser usada para a prática do Perdão. Não obstante o discurso de Eurípedes, vasado em sublimes expressões de Amor, os manifestantes revelaram seu intuito irrevogável de festejar, durante algumas horas a grande vitória do Bem. Era um direito, que lhes assistia. Ninguém oporia diques à alegria que jorrava das almas, como cascatas buliçosas e incontroláveis. Eurípedes fala novamente ao povo amigo. Ante a decisão inabalável da sua gente, resta-lhe suplicar ordem, caridade e paz. Que o próximo fosse respeitado em tudo. Que não exorbitassem os amigos nas demonstrações jubilares para não ferir suscetibilidades. A cidade, pequenina e pacífica, apresentava o aspecto inusitado de grande centro convulsionado por massa humana e foguetório, em dia de grande gala. A noite chegara. As comemorações culminaram com o cortejo fúnebre simbólico, onde não faltaram velas, tochas e discursos. O defunto era o processo criminal, colocado num caixão de madeira. Encerrava-se, assim, o triste episódio com lances paradoxais de euforia popular. Era a suprema resposta ao Benfeitor, que há muito se identificara com o Senhor "pelo emprego dos seus dons, pelo valor de suas realizações e pelas obras que deixava, em torno dos próprios pés." (63) ---------------------------------------------------------------------------------------------------- (63) Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psic. Francisco C. Xavier, Ed. FEB, Rio, RJ, 6ª Ed., cap. 165. Eurípedes – o Homem e a Missão 195
Palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações. Da emancipação da alma- Audiobook de "O Livro dos espíritos" de "Allan Kardec" - Parte Segunda Sussurros de Tinta Introdução ao estudo da doutrina espírita ▸ Você está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo VIII — Da emancipação da alma Capítulo VIII — Da emancipação da alma O sono e os sonhos. 400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal? “É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação, e tanto mais deseja ver-se livre do seu envoltório, quanto mais grosseiro é este.” 401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo? “Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. ” 402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono? “Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potência e pode pôr-se em comunicação com outros Espíritos, quer neste mundo, quer noutro. Dizes frequentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião. Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro. “Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos? “O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disse um santo. “Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença; há homens que não cuidam de conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida. “Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar em contato com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio. “O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. Vossos sonhos nem sempre refletem a ação da alma em seu pleno desenvolvimento; são, muitas vezes, apenas a lembrança da perturbação que experimenta à sua partida ou no seu regresso ao corpo, acrescida da relativa ao que fizestes ou do que vos preocupa quando em vigília. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes. “De resto, dentro em pouco vereis desenvolver-se outra espécie de sonhos. Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos. São recordações guardadas por almas que se desprendem inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludi. “Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos, entre os de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.” Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da presente existência ou de existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. 403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos? “Naquilo que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo tem dificuldade em conservar as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.” 404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos? “Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de sorte, pois é absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, frequentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. Amiúde, são também, como atrás dissemos, uma recordação. Por fim, podem algumas vezes ser um pressentimento do futuro, se Deus o permitir, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?” 405. Acontece com frequência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, mas que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto? “Pode suceder que tais pressentimentos venham a se confirmar apenas na experiência do Espírito, e não na do corpo; isto é, o Espírito vê aquilo que deseja porque vai ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma sempre está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas ideias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma ideia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa ideia.” 406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem atos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação? “De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre aquilo em que eles pensam. Ademais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências.” 407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito? “Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre quanto mais fraco for o corpo.” Assim é que quando estamos apenas adormecidos, ou em simples modorra, frequentemente vemos imagens idênticas às que se apresentam nos sonhos. 408. Parece-nos algumas vezes ouvirmos em nós mesmos palavras pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa. Qual a razão disso? “É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, algumas vezes, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar.” 409. Outras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação? “Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se fosse completo o sono, já seria sonho.” 410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas ideias? “Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de mais faculdades. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.” a) – De que servem essas ideias e esses conselhos, se lhes perdemos a lembrança, não os podendo aproveitar? “Algumas vezes essas ideias mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Com mais frequência, porém, se o corpo as esquece, o Espírito as retêm, e voltam no momento necessário, como uma inspiração súbita.” 411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte? “Frequentemente acontece pressenti-la. Algumas vezes também sucede ter nítida consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.” 412. Pode a atividade do Espírito durante o repouso ou sono corporal fatigar o corpo? “Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo.”
Afaste a tristeza. A alegria do seu coração mostra o seu pensar positivo.