segunda-feira, 6 de julho de 2026

Moinho pelo tempo

Haaland decide, Brasil naufraga diante da Noruega e cai nas oitavas Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa Revolta | Poema de Guimarães Rosa com narração de Mundo Dos Poemas Mundo Dos Poemas Brasil dá adeus à Copa do Mundo após derrota para Noruega | Papo Antagonista - 06/07/2026 O Antagonista Transmissão iniciada há 20 minutos Papo Antagonista | 2026 No Papo Antagonista desta segunda-feira, 6, falamos sobre a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1. A desclassificação da seleção adia por mais quatro anos o sonho do hexa. Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores. Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
AO VIVO: Dá Jogo entrevista Juan Filho, o “sósia do Vini Jr.” Música | Monica Salmaso - A terceira margem do Rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso) Em 1965, o Camboja tentava manter sua neutralidade sob o governo do Príncipe Norodom Sihanouk, mas foi inevitavelmente arrastado para a Guerra do Vietnã. O aumento dos combates nas fronteiras causou uma crise humanitária e levou à chegada de agências como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Esse período também marcou o início de bombardeios norte-americanos secretos na região de fronteira. Esses ataques desestabilizaram o país e alimentaram o extremismo que, mais tarde, daria ascensão ao regime do Khmer Vermelho.
Exposição resgata histórias do Moinho Vera Cruz Fábrica desativada desde 2005 atuou por 52 anos em Juiz de Fora; moradores da Zona Norte e ex-funcionários contam histórias da época através de depoimentos e imagens Por Tribuna 25/05/2022 às 07h00
Exposição permite que os participantes interajam com as obras (Foto: Divulgação) O Moinho Zona Norte inaugurou a exposição “Moinho pelo tempo”. A proposta é recontar a história do Moinho Vera Cruz através do depoimento de dez pessoas – alguns ex-funcionários e outros moradores da Zona Norte. A indústria de moagem de trigo e derivados para o setor produtivo começou suas atividades nos anos de 1960 e encerrou em 2005. Atualmente, o lugar dá espaço ao Moinho, que mescla atividades que envolvem moradia, saúde, educação e comércio. Serafim Francisco, José Nery Dias, Luzia Ferraz, José Francisco de Souza, Marly Soares Silva, Antônio Almas, José Luiz Ribeiro, Francisco Neris Filho, Janaína Pires e Carlos José Ferraz são os personagens que dão rosto às memórias. A exposição reúne alguns depoimentos colhidos pelas organizadoras, Carú Rezende e Fernanda Lauro, além de retratos desses depoentes que foram impressos em papel que remete a proposta de uma polaroid, para dar ainda mais um aspecto de memória. Ao lado dessas imagens, estão ainda outras, em telas de tecido, que mostram como era o Moinho antigamente. Em preto e branco, alguns desenhos impressos em tecidos semi-transparentes ressaltam como era a antiga arquitetura do local e ilustram itens pessoais dos entrevistados, como carteiras de trabalho. Um vídeo de 12 minutos também está disponível na exposição. Nele, são apresentados os entrevistados que ainda foram convidados a estar no Moinho agora, depois da transformação. Esse reencontro foi todo registrado. “Toda história é feita por pessoas. Pessoas reais, com suas vidas cotidianas e extraordinárias, que vão construindo, dia após dia, aquilo que chamamos de memória. Com a exposição ‘Moinho pelo tempo’ queremos ressaltar essa história viva, pulsante, valorizando personalidades que têm suas vidas entrelaçadas ao espaço do Moinho”, dizem as organizadoras em comunicado enviado à imprensa. Interessante para você Serviço Moinho pelo tempo Seg. a sex., das 8h às 18h, no Moinho Zona Norte (Avenida Presidente Juscelino Kubitschek 900 – Francisco Bernardino). Classificação: Livre.
A Redonda, a Planilha e os Deuses do Futebol: O Pênalti da Cal ao Algoritmo Por um Cronista Moderno (À Moda de Mário Filho) O futebol brasileiro sempre teve mais necessidade de um culpado do que de uma explicação tática. No país que transformou a derrota em pecado capital e o revés em drama nacional, a cal do pênalti não mede apenas os onze metros que separam a glória do inferno; mede, acima de tudo, o tamanho do pescoço que se oferece à guilhotina da opinião pública. Historicamente, fomos a pátria dos bodes expiatórios. Moacir Barbosa, o maior goleiro de sua era, foi condenado à prisão perpétua sem direito a sursis pelo crime de não adivinhar o chute milimétrico de Ghiggia em 1950 — uma injustiça com indisfarçáveis contornos de preconceito racial que carregou até o túmulo. Zico, o semideus da Gávea, virou réu em 1986 porque o goleiro Bats interceptou sua cobrança no calor do México. Toninho Cerezo, em 1982, viu a beleza poética do meio-campo mais refinado do planeta ser reduzida a um passe lateral herético nos pés de Paolo Rossi. Roberto Carlos, em 2006, foi transformado em estátua de sal por ajustar uma meia enquanto Henry empurrava a bola para as redes. O tribunal da arquibancada — e, agora, o das redes sociais — é implacável: a derrota precisa de uma assinatura, de um CPF. E, na ausência de um, inventa-se o crime. A Noite da Calma em 1958: Quando Didi foi Rei Para entender o crepúsculo da autonomia do jogador moderno nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da pragmática Noruega, é preciso fazer a viagem de volta ao solo sagrado de Råsunda, na Suécia de 1958. O Brasil sofria o gol relâmpago de Liedholm aos 4 minutos. O fantasma de 1950, com suas correntes de complexo de vira-lata, ameaçava arrastar o scratch para mais um abismo psicológico. Bellini ostentava a braçadeira de capitão, mas a liderança daquela paróquia pertencia a Waldir Pereira, o Didi. O Senhor Futebol não correu. Não se desesperou. Caminhou até o fundo da rede de Gilmar, recolheu a bola com a solenidade de um pontífice carregando o Santo Graal e colocou-a debaixo do braço. Cruzou o gramado em passos calculados, ditando o ritmo do relógio e do coração dos aflitos. Olhou para os companheiros e sentenciou: "Vamos ganhar deles lá dentro". Didi não pediu autorização a Vicente Feola. Não consultou um manual de procedimentos. Sua autoridade era moral, empírica e soberana. O Brasil virou o jogo, goleou por 5 a 2 e descobriu-se gigante. Didi foi Didi porque a era lhe permitia a audácia de ser dono do próprio destino. A Tarde da Planilha em 2026: Quando Vini Jr. foi Ativo Sessenta e oito anos depois, no gramado do MetLife Stadium, a Seleção Brasileira reencontrou o peso de uma decisão contra a Noruega. Pênalti marcado a favor do Brasil no primeiro tempo, quando o placar ainda mostrava o equilíbrio nervoso do mata-mata. O roteiro romântico exigia que Vinicius Jr., o herdeiro legítimo da camisa 7 e artilheiro do time, pegasse a bola e resolvesse a fatura por puro instinto de realeza. Vini de fato pegou a bola com as próprias mãos. Mas o fez como um ator cumpre uma marcação cênica rigorosa. Protegeu o espaço físico, evitou o trash talk do goleiro norueguês Ørjan Nyland e, ato contínuo, entregou o couro nos pés de Bruno Guimarães. Não houve rebeldia; houve o cumprimento burocrático de um memorando interno. A justificativa de Carlo Ancelotti no Ge.Globo e de seu filho, Davide, veio fria e matemática: a comissão técnica trabalha sob o império dos analytics. Na ausência de Neymar (no banco), Raphinha e Igor Thiago, a planilha apontava Bruno Guimarães como o batedor de maior aproveitamento nos treinos prévios. Vini Jr., a despeito de seus quatro gols no torneio, estava fora do "Top 5" estabelecido pela comissão. O pragmatismo europeu silenciou o lirismo brasileiro. O pênalti foi defendido por Nyland, Erling Haaland puniu a desorganização nacional com dois gols no segundo tempo, e o Brasil acabou eliminado nas oitavas de final por 2 a 1. Aqui reside o paradoxo ético e comercial do esporte contemporâneo. A Copa do Mundo, organizada sob a égide do grande capital, é um festival de negócios onde o jogador não é apenas um atleta, mas um ativo financeiro global. Patrocinadores e gestores de imagem investem centenas de milhões de dólares na valorização do "produto" Vinicius Jr. Sob a ótica do fair play britânico moderno e da gestão de riscos corporativos, expor o principal embaixador da marca a uma cobrança onde as probabilidades matemáticas jogavam contra seria uma imperícia administrativa. Mitigar o risco de transformá-lo no novo Barbosa de 1950 ou no Zico de 1986 é uma decisão lógica de mercado. A inferência de que Vinicius Jr. "não pôde ser ele mesmo" é o diagnóstico mais lúcido desta era. O jovem de São Gonçalo foi engolido pela engrenagem que o consagrou. No futebol industrializado do século XXI, o espaço para o heroísmo intuitivo de Didi foi substituído pelo algoritmo de Ancelotti. Se batesse e errasse, Vini seria imolado no altar da cultura de bodes expiatórios. Como não bateu, foi acusado de omissão por analistas que ainda calçam as chuteiras da nostalgia. No ecossistema hipercrítico do futebol moderno, o craque está condenado à culpa de qualquer maneira. Didi jogava para a eternidade e para o povo; Vinicius Jr. joga para a eficiência e para o mercado. O Senhor Futebol pôde carregar a bola debaixo do braço para mudar a história porque a bola, naquela época, ainda era um brinquedo de couro. Hoje, a bola é um ativo circulante. E ativos circulantes não aceitam o risco do improviso. Post Scriptum: O Moinho de Cartola e a Espetada no Jardim Há quem corra ao jardim buscando respostas na pureza da terra. No entanto, se o cronista moderno estende o ouvido às roseiras, percebe que as rosas não falam. Elas simplesmente exalam o perfume efêmero da esperança e, logo em seguida, cobram o preço do toque em seus espinhos. Naquela tarde fria em Nova Jersey, o torcedor brasileiro sentiu o aroma do hexa dissipar-se no ar e, no segundo seguinte, a espetada seca da realidade perfurar a pele. O futebol atual assemelha-se à profecia musicada pelo mestre Cartola na clássica gravação de Beth Carvalho no Cifra Club: o mundo é um moinho, pronto para triturar os sonhos mais mesquinhos e reduzir as ilusões a pó. A engrenagem industrial do esporte transformou o drible em dado, o ídolo em produto e a cobrança de pênalti em uma fria operação de gerenciamento de risco. Ao aceitar a disciplina da planilha e entregar a bola a Bruno Guimarães, o jovem Vinicius Jr. agiu com a maturidade de quem sabe que não é Deus. Ele compreendeu, conscientemente ou não, que no topo da pirâmide corporativa os homens não têm mais o direito de falhar de forma poética. A moenda do futebol moderno tritura a rebeldia e canoniza o protocolo. Resta ao torcedor, destituído de sua identidade mítica, recolher as mágoas na calçada e cantar o samba que resta, ciente de que, no grande moinho da bola, a única coisa que a matemática de Ancelotti jamais conseguirá calcular é o tamanho exato da nossa melancolia.
A reportagem exibida na imagem, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ilustra de forma empírica as dinâmicas de gestão tática e retórica governamental discutidas anteriormente. O texto conecta diretamente a pressa do calendário institucional à criação de narrativas emocionais para justificar falhas logísticas nas vésperas do período de restrição eleitoral. O Contexto Pragmático e a "Papagaiada" A Realidade dos Fatos: A matéria detalha a maratona de inaugurações antes do prazo limite estipulado pela legislação (4 de julho). O episódio central foca na inauguração de um túnel de 6,5 km da transposição do Rio São Francisco, na Paraíba, que estava completamente seco no momento do evento oficial devido a um erro de cálculo do cronograma da obra. A Justificativa e a Reação: Diante do imprevisto que frustrou a expectativa pública de ver a água correr, o presidente recorreu à indignação contra a própria regra eleitoral de neutralidade, classificando as restrições institucionais como uma "papagaiada desgraçada". Para blindar-se do fracasso imediato da promessa visual, comparou-se historicamente a Getúlio Vargas e projetou uma peça de propaganda futura com o vídeo da água chegando à noite. A Aplicação Prática das Regras de Harford Analisando a página do jornal sob a ótica de Tim Harford em The Data Detective, percebe-se o choque exato entre números teóricos e a reação emocional: Gerenciamento de Expectativas: Assim como a comissão técnica de futebol focou em estatísticas prévias de aproveitamento de pênaltis que ignoravam o calor do jogo, o governo apoiou-se na métrica abstrata de "capacidade para transportar 20 metros cúbicos por segundo" para tentar atenuar o impacto visual e emocional de um túnel vazio perante os eleitores locais. Viés de Confirmação: O público afetado reage visceralmente ao símbolo (o canal sem água ou a fala incisiva), validando ou rejeitando a liderança conforme suas convicções prévias. O discurso em "ambiente controlado" busca ativar o sentimento de identidade ("nós" contra as regras ou contra a oposição) para desviar o foco da falha metodológica ou do erro de planejamento concreto. A Métrica do Erro: Racionalismo Abstrato e as Fraturas do Sentimento Popular O debate público contemporâneo é frequentemente capturado por um paradoxo: a tentativa de gerir a imprevisibilidade humana por meio de planilhas e o uso da retórica emocional para camuflar falhas logísticas. Quando comandantes de esferas distintas — o gramado e o Palácio do Planalto — tentam impor lógicas de gabinete sobre a realidade prática, o resultado costuma flertar com o absurdo. [Métrica Teórica / Planejamento Rígido] ──(Choque)──> [O Chão da Realidade / Fatos] │ ┌─────────┴─────────┐ ▼ ▼ [Fracasso Pragmático] [Reação Emocional] 1. O Viés de Harford e a Armadilha da Confirmação O economista britânico Tim Harford, em suas diretrizes sobre a interpretação de dados, estabelece que a primeira barreira para a compreensão do mundo é a nossa própria reação emocional. Tendemos a abraçar estatísticas que validam nossos preconceitos e a rejeitar visceralmente aquelas que nos contrariam. Na análise de cenários complexos, a dependência cega de recortes metodológicos sem o devido contexto atua como um mecanismo de blindagem que ignora o pragmatismo das situações reais. 2. A Planilha contra o Campo: O Caso do Pênalti A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo de 2026 ilustra a falência do racionalismo abstrato quando desconectado do momento geopolítico do jogo. O Cenário Teórico A comissão técnica de Carlo Ancelotti baseou-se em um ranking frio de aproveitamento anual de pênaltis. Diante da ausência dos três primeiros cobradores, a bola foi entregue a Bruno Guimarães (66,7% de aproveitamento), barrando a liderança natural e o momento de Vinícius Júnior. O Retrospecto ConcretoJogadorCritério de Escolha (Anual)Status Real no JogoResultado PráticoBruno Guimarães4º no Ranking de GabineteEm campo (Escalado)Pênalti DefendidoVinícius Júnior71,4% (Abaixo no recorte)Artilheiro com 4 golsBarrado pela regraA Justificativa: A imposição de uma burocracia estatística europeia sobre o "sentimento do mundo" do futebol brasileiro resultou em um pragmatismo estéril e, por fim, na eliminação. 3. A Liturgia Rompida: O Palácio e o Túnel Seco No plano político, a mesma desconexão se repete, invertendo-se os fatores: utiliza-se a paixão retórica para tentar obliterar o dado factual incômodo. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo expõe essa dinâmica com precisão cirúrgica. [Prazo Limite Eleitoral: 4 de Julho] ──> [Corrida de 19 Inaugurações] ──> [Túnel Seco na Paraíba] │ [Retórica de Blindagem] │ ▼ "Papagaiada Desgraçada" (Ataque às Regras) Gesto Obsceno no Planalto (Segmentação) A Anatomia do Fato A Falha Metodológica: Na pressa do calendário eleitoral, inaugurou-se um túnel de 6,5 km da Transposição do Rio São Francisco totalmente seco por erro de cálculo. A Reação Institucional: Em vez do reconhecimento técnico do erro de cronograma, o ambiente controlado do Palácio do Planalto foi palco de uma quebra de liturgia. O presidente utilizou termos chulos e gestos obscenos para atacar a legislação vigente, classificando as restrições de "papagaiada". 4. Conclusão: O "Nós" contra o "Eles" como Cortina de Fumaça O fio condutor que une o vestiário e o palácio é a criação de barreiras artificiais para justificar o injustificável. Seja através de uma planilha que ignora o protagonismo de Vini Jr., seja através da divisão maniqueísta entre um "nós" necessitado e um "eles" abstrato e opositor, o objetivo é o mesmo: evitar a responsabilização pelo resultado concreto. Quando o patrimônio declarado e os discursos de austeridade colidem com canais sem água e eliminações precoces, a realidade se impõe. Como professava Blaise Pascal, a tentativa de governar o sentimento puro — ou a paixão popular — através de métricas de conveniência produz apenas ruído, rejeição e uma crônica esquisitice institucional.
segunda-feira, 6 de julho de 2026 Numerologia já definiu quem será eleito, por Bruno Carazza Valor Econômico Escolha de números de urnas é muito mais do que um recurso mnemônico para o eleitor Num evento político no mês passado, o pré-candidato a governador subiu no palanque improvisado de um restaurante para declarar seu apoio a um correligionário. E afirmou: “Você será o meu candidato a deputado federal, e a prova disso é que o seu número de urna será XYXY”, onde XY é o número do partido deles. Numa eleição em que centenas ou milhares de políticos se engalfinham pelas poucas cadeiras em disputa, ter um número de urna fácil de ser lembrado pelo eleitor é um ativo importante - ainda mais num país em que candidatos e partidos em geral têm baixa conexão com os cidadãos. Em 2022, 137 dos 513 deputados federais eleitos escolheram como número de urna a repetição do algarismo do seu partido. Foi a opção preferencial dos vencedores, o que justifica a escolha do pré-candidato a governador para seu preferido. Essa opção é ainda mais forte nas agremiações que já têm como símbolo um dígito repetido. O PL é o campeão: elegeu vinte candidatos que tinham o número 2222. Na sequência vieram o Progressistas, com 16 eleitos com o número 1111, e o União Brasil, que fez 15 deputados 4444. As demais siglas seguem o mesmo padrão. O 1010 é o número mais frequente entre os eleitos do Republicanos (13 deputados), assim como o 1313 é o mais comum entre os petistas (10 eleitos) e o 1515 no MDB (8 deputados). No PDT, o 1212 foi superior até ao tentador 1234 (com o placar de 5 a 4). Grandes nomes do Congresso seguiram essa fórmula, de Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira (ambos 2222, um em São Paulo e outro em Minas) a Gleisi Hoffmann e Washington Quaquá (ela no Paraná e ele no Rio, mas os dois 1313), passando por Arthur Lira (1111) e Tábata Amaral (4040). O segundo padrão de numeração mais comum em 2022 foi o final 00, com 46 parlamentares no total. Outra predileção é o final 10, utilizado por 31 deputados eleitos. Em tempos de polarização extrema, políticos também usam a numeração para enviar um sinal claro para o eleitor. Assim, 28 congressistas se valeram de um combinado entre a indicação do seu partido e o numeral 22, associado a Jair Bolsonaro. Foi o quarto modelo mais utilizado, principalmente por integrantes do Centrão. Para os adeptos da numerologia, a escolha de um bom número é receita de sucesso. De fato, os dados indicam que, no pleito de 2022, candidatos que foram às urnas com uma numeração que repetia os dígitos de seu partido tiveram quase 4 vezes mais chances de serem eleitos do que os seus adversários: 19,4% daqueles que usaram números repetidos foram eleitos, contra uma taxa geral de 4,9% do total de postulantes à Câmara dos Deputados.
segunda-feira, 6 de julho de 2026 ‘I couldn’t care less’, digo eu, por Ruy Castro O Globo Em português educado, significa 'Não dou a mínima'; é como Trump se sente sobre Lula e o Brasil É como também me sinto sobre ter meu visto recusado e não poder voltar a Nova York Há pouco ("Trump gagá", 18/6), listei uma série de traços recentes da personalidade de Donald Trump —comportamento aloprado, falas sem nexo, cochilar em público e fazer da Casa Branca um puxadinho de Mar-a-Lago—, típicas talvez do stress provocado pelas guerras sem sentido em que ele mete os EUA e das quais não consegue sair. Ou das medidas presidenciais que toma e que, por acaso, multiplicam sua fortuna e a de seus filhos. Enfim, nada de que a própria imprensa americana não fale diariamente. Meus fiéis leitores trumpo-bolsonaristas se revoltaram. Para eles, tais ofensas a Trump revelam meu ódio pelos EUA e farão com que eu nunca mais consiga um visto de entrada no país. Quanto a essa última afirmação, é verdade. Meu visto caducou e, como disse o próprio Trump outro dia sobre o Brasil, "I couldn’t care less" —em português educado, "Não dou a mínima". Não pretendo renová-lo nem que o consulado americano me implore. Em 40 anos entrando e saindo de aviões a trabalho ou a lazer, a partir de 1972, fui umas 20 vezes a Nova York. Quase sempre me hospedei no centenário Earl, renomeado Washington Square Hotel, que já abrigou O. Henry, Ernest Hemingway, Mary McCarthy, Edmund Wilson, Dylan Thomas, Bob Dylan e até os Rolling Stones, quando todos eram pobres. Certa vez, dividi o quarto no Earl com um camundongo que morava lá. Mas, a serviço do Reader’s Digest (que jamais contrataria alguém que odiasse os EUA), hospedei-me também no Algonquin, quando ele ainda recendia aos charutos e uísques de James Thurber, Dorothy Parker e Robert Benchley. De cada ida a Nova York, voltei para o Rio com bateladas de livros, LPs, CDs, VHSs, laser discs e DVDs da grande cultura que os EUA produziram nos séculos 19 e 20. Tenho tudo isso até hoje, transbordando de estantes e gavetas. Esse material já me rendeu N artigos, livros e conferências. Sou mais culto do que Trump a respeito dos próprios EUA. Talvez por isso não reconheça o país que hoje ele preside. E quer saber? I couldn’t care less em conhecer.

domingo, 5 de julho de 2026

Por Volta da Meia-noite

Bud Powell The Complete Blue Note and Roost Recordings 1994 - cd1 Autour de minuit - Bande-annonce officielle (VF) - François Cluzet Warner Bros. France 15 de nov. de 2022 Redécouvrez AUTOUR DE MINUIT, de retour au cinéma en version restaurée 4K. En 1986, Bertrand Tavernier met en scène le jeune François Cluzet et le saxophoniste Dexter Gordon dans un film hommage au jazz, à Bud Powell et à l’emblématique Blue Note. Trésor pour les cinéphiles et amoureux du jazz, le film a obtenu l’Oscar de la meilleure musique pour Herbie Hancock, également interprète au milieu de rôles secondaires étonnants (Martin Scorsese, Philippe Noiret, Eddy Mitchell…) Abonnez-vous : http://goo.gl/Bp3CiG
O artigo usa o filme Por Volta da Meia-noite como metáfora para refletir sobre a decadência — não só no jazz dos anos 1950, marcado por talento e marginalização, mas também na política contemporânea. O autor traça um paralelo entre a crise de valores nos EUA da década de 1950 (macarthismo, repressão, racismo e polarização) e o cenário atual, sugerindo que períodos de tensão política e social tendem a enfraquecer a democracia. No Brasil, ele destaca dados preocupantes: a maioria dos eleitores não lembra em quem votou nem consegue citar parlamentares, evidenciando um distanciamento entre representantes e população. Segundo o texto, o Congresso funciona com pouca transparência, decisões concentradas em lideranças e foco em interesses privados. Apesar desse afastamento, mecanismos como emendas parlamentares e fundos eleitorais garantem a reeleição dos políticos, dificultando a renovação. Assim, o sistema estaria “blindado”, e a participação popular enfraquecida. A conclusão sugere preocupação com a qualidade da democracia brasileira, que se mantém principalmente graças ao voto direto nas eleições majoritárias.
domingo, 5 de julho de 2026 Uma história do jazz, a decadência da política e a blindagem eleitoral, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Poucos cidadãos sabem citar o nome de um parlamentar, há um profundo divórcio entre representantes e representados. Mas as emendas garantem a reeleição No fim dos anos 50, Dale Turner, um saxofonista negro americano, toca todas as noites no Blue Note, em Saint-Germain. É um alcoólatra. Basta que escape à vigilância dos amigos e ele vai parar no hospital. Como é comum nesses casos, num determinado momento entra em colapso. Francis, apaixonado admirador do músico de vanguarda, assume plena responsabilidade sobre ele e Dale aos poucos volta a tocar. Mas as raízes, a sua solidão e seus medos o levam de volta a Nova York, onde morre. O filme por Por Volta da Meia-noite (Round Midnight/Autour de minuit, 1986), de Bertrand Tavernier, conta essa história. É inspirado nas vidas de Bud Powell (e Lester Young), interpretado por Dexter Gordon em pessoa, e Francis Paudras, vivido pelo ator francês François Cluzet. Jazz raiz, destaca-se o trabalho de grandes músicos, como Herbie Hancock, que atua no filme como Martin Scorsese. É um filme de decadência, e não de ascensão. Os grandes músicos de jazz dessa era, quase todos negros, a despeito do talento até hoje reconhecido, viveram em condições por vezes degradantes. Parece que viajei na batatinha. O que isso tem a ver com a nossa política? Na década de 1950, a vida norte-americana foi marcada por graves crises internas de valores e liberdades. O macarthismo promoveu uma “caça às bruxas” que sufocou o debate democrático, enquanto o conservadorismo emergente combateu o liberalismo tradicional. A profunda segregação racial marginalizou milhões de cidadãos. Liderada pelo senador republicano Joseph McCarthy, a política externa de contenção ao comunismo transformou-se em histeria interna. O medo da “ameaça vermelha” levou à perseguição de funcionários públicos, intelectuais e artistas, minou o respeito às liberdades civis e à Constituição. A imagem de uma democracia exemplar esmaecia no racismo institucionalizado. Apenas na segunda metade da década, com o boicote aos ônibus de Montgomery em 1955 liderado por Rosa Parks, o movimento por direitos civis emergiu. O sistema bipartidário norte-americano fora reconfigurado com o fortalecimento de alas conservadoras, focadas no combate ao comunismo e na subversão do liberalismo do New Deal. Essa polarização limitou reformas sociais mais amplas. A Doutrina Truman e a Guerra da Coreia (1950-1953) exigiram grandes mobilizações de recursos e expandiram a influência do complexo militar-industrial, o que gerou contestações sobre o papel dos EUA como “polícia do mundo”. Mais ou menos como agora. Aqui no Brasil, uma pesquisa Datafolha divulgada há poucos dias revelou um cenário alarmante para a democracia brasileira: 68% dos eleitores não conseguem citar o nome de um único deputado federal em exercício, e 75% não se lembram de nenhum senador. Quase 70% dos entrevistados também não se recordam em quem votaram para cargos do Poder Legislativo federal nas eleições de 2022. Por que isso acontece? Falta de sintonia A política institucional, como os Poderes republicanos, nunca foi muito popular. Os partidos e os políticos parecem habitar um planeta distante, descolado da realidade brasileira. Com as sessões virtuais, já não há debates acalorados nos plenários da Cãmara e do Senado, tudo é decidido na base da transa, no colégio de líderes e em votações relâmpagos, às vezes por volta da meia-noite (eis a batatinha). Os tratos e acordos feitos nos corredores do Congresso, dos gabinetes dos ministros e governantes e, às vezes, dos tribunais visam somente o atendimento de interesses privados de quem detém o poder político e/ou econômico. O Congresso virou um balcão de negócios, o paraíso do patrimonialismo. O caso Master e as relações perigosas com o banqueiro Daniel Vorcaro espantam pelos bilhões envolvidos, mas não pelo modus operandi que hoje predomina na Câmara e no Senado, que foram naturalizados. A maioria dos políticos só se sente vinculada aos cidadãos quando há eleições. Hoje, não se debate mais nada, tudo parece decidido pelas lideranças do Congresso antes de chegar ao plenário, abruptamente, após articulações em reuniões fechadas. Salvo algumas exceções, os parlamentares comparecem ao plenário raramente, votam conforme a orientação de líderes ou de interesses pontuais e usam o tempo de fala não para formular ideias capazes de mobilizar o eleitorado, mas para produzir “cortes” para as mídias sociais. Os cidadãos são deixados de fora da política. O Datafolha mostrou que apenas meia dúzia de deputados, entre 513, foram citados por ao menos 1% dos entrevistados – e, mesmo assim, em geral por sua capacidade de “engajamento” no ambiente digital. Poucos cidadãos sabem citar o nome de um parlamentar, há um profundo divórcio entre representantes e representados. Mas os fundos partidário e eleitoral e as emendas parlamentares garantem a reeleição. Não existe “paridade de armas” entre quem tem e não tem mandato. O Congresso está blindado contra a renovação. A democracia de massas no Brasil só sobrevive por causa do voto direto nas eleições majoritárias e da urna eletrônica. Fica a dica de um bom filme na Apple TV Store. Mas, antes, vamos torcer pelo Brasil.
Meus amigos. O rádio chiava em 1969; hoje, o algoritmo flutua na tela do telefone. O futebol mudou de sintonia, mas o diagnóstico é exatamente o mesmo. Se João Saldanha estivesse hoje no estúdio — ou se Pep Guardiola decidisse transformar o microfone em sua lousa tática pública —, a análise do Brasil que enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo não seria uma simples resenha. Seria uma autópsia cultural. Imagine Guardiola, com aquela sua intensidade febril, gesticulando no vazio, publicizando o invisível: "Não se trata de correr menos ou mais. Trata-se de ocupar o espaço com a mente! E este Brasil de Ancelotti... o espaço está cheio de fantasmas!" A crônica de hoje é um ensaio sobre o que escolhemos não ver. As Onze Feras contra as Quarenta e Quatro Distrações Saldanha, em 1969, foi curto e grosso: "Minhas feras são estas. Quem não gostar, que monte o seu time." Havia uma clareza geométrica na crônica daquele futebol. Onze homens. Um objetivo. Nenhuma concessão ao poder de plantão. Hoje, o ecossistema inflou. Carlo Ancelotti importou para a Seleção o conceito da famiglia: o afeto que acolhe, o abraço que protege, o filho Davide no banco dividindo o peso do sobrenome. Mas essa proteção paternalista esbarra em uma dispersão inédita. Não temos mais um time; temos um condomínio de marcas. São quarenta e quatro craques dispersos entre quatro amores: o clube europeu que paga o bônus, o patrocinador que desenha a chuteira, o staff que valida o ego e, por último, a camisa que um dia foi de Saldanha. Quando todos são protegidos na "família", ninguém é cobrado pela excelência. Guardiola olharia para isso e diria: "O amor no futebol é o passe correto. O resto é distração de vestiário." O Menino Ney e o Rei Pelé: O Mal-Entendido da Visão A grande ironia histórica repousa na palavra que derrubou Saldanha e que hoje explica Neymar: a cegueira. Início de 1970. João peitou o país ao sugerir que Pelé sofria de miopia, que não enxergava o jogo em velocidade. A crônica da época, literal e rasteira, achou que o técnico chamava o Rei de cego. Não entenderam o subtexto. Saldanha exigia a perfeição física e o foco absoluto; se até o Rei precisava provar que via o jogo, por que os mortais teriam privilégios? Corta para o mata-mata atual. Neymar Jr., convocado sob o manto protetor de Ancelotti mesmo sem ritmo, é mantido sob cuidados especiais. Ancelotti o mima. E aqui entra a verdadeira cegueira — não a ótica, que os médicos de 1970 tateavam, mas a cegueira de José Saramago, o Nobel que compartilhava com Saldanha o mesmo rigor ideológico. É a "cegueira branca". O mal de quem, tendo olhos para ver, escolhe fechar-se na bolha do estrelismo. Neymar, isolado em seu próprio clã de parças e patrocinadores, tornou-se o paciente zero do ensaio de Saramago no futebol brasileiro. Ele enxerga o gol, mas não enxerga o companheiro; enxerga o contrato, mas não a urgência histórica do João Saldanha de outrora. O Veredicto do Tabu Hoje, no estádio, o Brasil joga contra a Noruega e contra o seu próprio desfoque. O adversário não é apenas Haaland; é o espelho. Se Ancelotti insistir em governar pelo afeto, permitindo que a comitiva de mimos dite o ritmo das suas feras, o fantasma histórico cobrará o preço. Com a enciclopédia Saldanha viva na mente, fechamos com a lição máxima que Guardiola sussurraria ao velho João: "Meus amigos, o talento sem ordem é apenas vaidade fantasiada de craque; se o camisa dez insiste em ser cego para o espaço coletivo, o espaço tático se vinga e o engole vivo." Agora que a crônica está finalizada, você gostaria de simular o pós-jogo imaginando como Saldanha e Guardiola criticariam a atuação real de Neymar após o apito final?

sábado, 4 de julho de 2026

A Democracia na América

DUAS DATAS. DUAS LUTAS. UMA MESMA BUSCA: LIBERDADE Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós Dominguinhos Do Estácio - Tema
(Alexis de Tocqueville) A Democracia na América v
"Promulgada em 1787, a Constituição dos Estados Unidos é um dos documentos políticos mais importantes da história contemporânea. Elaborada após a independência das Treze Colônias, ela estabeleceu as bases de um novo modelo de organização do Estado, fundamentado na separação dos poderes, no federalismo e na limitação da autoridade governamental."
“Religion e morality are the essential pillars of the civil society.” – George Washington (1732-99) Democracia na América de Alexis de Tocqueville “Democracy can not succeed unless those who express their choice are prepared to choose wisely. The real safeguard of democracy, therefore, is education.” – Franklin D. Roosevelt (1882-1945) “Democracy is the worst form of government except all the others that have been tried from time to time.” – Winston Churchill (1974-1965) Democracia na América é um dos mais relevantes livros escritos sobre democracia (e sobre os EUA), operando como um guia na observação e ponderação dos nossos atuais modelos ditos democráticos. Igualdade de condição é apontada por Tocqueville como o mais importante pilar conceitual da democracia – não igualdade econômica, mas a não existência de classes por nascimento (ausência de privilégios pelo sobrenome). O mundo então movia nesta direção e Tocqueville advoga por uma nova ciência política, sendo a democracia não uma forma de governo, mas um modo de vida que engloba nossa existência cívica e privada (traz à memória o conceito aristotélico zoon politikon – sem o convívio cívico não há vida completa – e daí a Política preceder a Ética). Igualdade, e não liberdade, seria a maior aspiração na América, a ideia de que os diretos são os mesmos para todos os cidadãos, a crença de que a sabedoria de muitos supera a de um ao longo do tempo (igualdade aplicada ao intelecto). (A premissa de “equidade aplicada ao intelecto”, ou seja, de que muitas mentes são mais iluminadas e sábias que um único homem é diretamente oposta ao ensinamento deixado pelo sacrifício de Sócrates. Em qualquer sociedade os brâmanes são sempre uma minoria.) Há diferenças entre igualdade e liberdade: (a) a igualdade pode não se estender as instituições políticas; (b) pode haver igualdade sem liberdade (todos baixo um déspota); (c) pode haver liberdade sem igualdade; (d) diferem no que provocam e na forma de manutenção (e.g. igualdade provoca pequenos prazeres diários – não precisar curvar-se a ninguém – e liberdade demanda sacrifícios); (e) igualdade elimina barreiras entre as pessoas; (f) igualdade torna as pessoas mais empáticas; e (f) igualdade inibe revoluções, pois todos têm algo a perder. Tocqueville tenta definir o termos da questão para avaliar igualdade e liberdade na democracia americana. Perigos na busca da igualdade: (a) na busca da miragem de igualdade de condições econômicas acabamos perdendo a possibilidade de igualdade perante a lei e a liberdade; e (b) em um Estado onde todos são iguais fica mais difícil preservar a independência dos cidadãos diante da agressão do Poder. Há uma contradição entre igualdade e liberdade inerente à democracia. A preservação da liberdade implica a limitação de governo – a fórmula de limitar o Estado e manter a liberdade exige o autogoverno de seus cidadãos segundo as normas religiosas e morais.
O vigor da democracia americana Por O Estado de S. Paulo Ao completar 250 anos de independência sem rupturas, os EUA reafirmam ao mundo o valor da estabilidade das instituições democráticas, pilar do seu formidável desenvolvimento Os Estados Unidos completam hoje 250 anos de independência. Como em várias ocasiões ao longo desse período, muitos se apressam hoje a vaticinar sua decadência, sobretudo em razão da presidência errática e irresponsável de Donald Trump, que em vários aspectos afronta os valores fundadores da República americana, a mais antiga da história contemporânea. Trata-se de precipitação. Malgrado as aparências, as instituições americanas são tão sólidas que resistem até mesmo a um niilista como Trump. Eis o exemplo dos Estados Unidos para o mundo: só a autêntica liberdade, valor central do experimento americano, é capaz de construir a couraça que protege a democracia daqueles que gostariam de destruí-la. Foi esse valor que presidiu os debates que resultaram na Constituição americana. É esse acervo de ideias livremente confrontadas que forma o caldo primordial do experimento americano – algo radicalmente novo para o panorama político da época, dominado por reis e nobres com direitos hereditários. A ideia de uma sociedade profundamente igualitária, onde o poder político seria exercido por cidadãos eleitos pelos seus iguais, era algo sem paralelo na história humana, a não ser que voltemos alguns milênios, para a Antiguidade grega. Sem dúvida, a democracia americana nasceu imperfeita, pois apenas uma minoria detinha o direito de eleger e de ser eleito, sendo esse direito estendido somente com muita luta ao longo dos anos. E essa talvez seja a característica mais notável desse experimento: a capacidade de mudar preservando a sua essência. O mais comum na história humana é a revolução e a ruptura. A Revolução Francesa, por exemplo, inspirada pelos mesmos ideais que moveram a Revolução Americana, não foi capaz de estabilizar o sistema político francês. E assim é a história da maioria das nações, presas que são das veleidades e ambições dos governantes. O que chama a atenção no experimento americano é a permanência das instituições. O aspecto mais simbólico dessa permanência é a sucessão de presidentes regularmente eleitos desde 1789. Quando um presidente falta, o vice-presidente assume de acordo com a lei. Não há jeitinhos ou acordos de conveniência. As mudanças de regras são muito raras. Há uma reverência pelas tradições que construíram a nação. Democracia se tornou uma palavra gasta pelo uso. Não custa lembrar que as ditaduras socialistas comumente se autodenominam “democracias”, pois, em tese, é o povo que está no comando, por meio da “vanguarda do proletariado”. Na prática, no entanto, esse mesmo povo só tem o direito de concordar com os regimes revolucionários, sendo submetido a uma feroz censura e a policiamento político. Na democracia americana, a liberdade de expressão e de associação são sagradas, e são elementos constitutivos do sistema político. Pode parecer natural, mas, a julgar pelo pequeno número de verdadeiras democracias no mundo, trata-se de exceção, não de regra. O experimento americano continua soando como uma novidade na história humana. O incrível desenvolvimento econômico alcançado pelos Estados Unidos nesses 250 anos foi fruto, em grande parte, dessa estabilidade institucional. Outros arranjos políticos podem fomentar o crescimento econômico por algum tempo – a União Soviética, por exemplo, chegou a ser uma potência econômica –, mas somente os Estados Unidos passaram pelo teste do tempo. O seu sistema político, que une flexibilidade e estabilidade, conseguiu produzir prosperidade e conhecimento sem paralelo na história humana. Não é coincidência que a fronteira tecnológica esteja sendo desenhada, neste momento, por empresas americanas. Tem sido assim nos últimos cem anos, pelo menos. Não deixa de ser uma ironia que os americanos estejam comemorando os 250 anos de sua independência sob um presidente tão corrupto e inconsequente como Donald Trump, que desafia abertamente os limites institucionais. Mas talvez essa seja precisamente a demonstração cabal da força do experimento americano, que consegue sobreviver apesar, e não por causa, dos seus presidentes.
ENTRE REPÚBLICAS E SOMBRAS DO PODER: BRASIL E ESTADOS UNIDOS NA ENCRUZILHADA DA HISTÓRIA Por entre celebrações nacionais, disputas diplomáticas e paixões esportivas, dois países revisitados pela própria ironia republicana O legado de duas independências A história das repúblicas do Brasil e dos Estados Unidos sempre se desenrolou em paralelo — ora como espelho, ora como distorção. Ambas emergiram de experiências coloniais e construíram projetos de soberania nacional continuamente tensionados por forças internas e externas. A promessa republicana, longe de ser um ponto de chegada, revelou-se um campo permanente de disputa. Os Estados Unidos nasceram sob o signo da ruptura com a monarquia. Ao recusar qualquer forma de poder vitalício, George Washington estabeleceu um gesto fundador: a limitação voluntária do poder como base da legitimidade republicana. Recusou ser rei para tornar-se presidente — e, sobretudo, para deixar de sê-lo. O Brasil, por outro lado, percorreu uma trajetória mais ambígua. Sua independência manteve traços monárquicos, e a proclamação da República, em 1889, carregou continuidades oligárquicas. O nome “Estados Unidos do Brasil” simbolizava a inspiração no modelo norte-americano, mas também evidenciava a dificuldade de traduzir forma em substância democrática. Soberania sob pressão Ao longo do século XX, os caminhos dos dois países seguiram entrelaçados. Os Estados Unidos consolidaram-se como potência global, projetando influência política, econômica e cultural. O Brasil, por sua vez, alternou momentos de afirmação soberana com períodos de alinhamento estratégico, especialmente durante a Guerra Fria. No século XXI, a ironia histórica se acentua. Os Estados Unidos, tradicionalmente associados à abertura e ao universalismo, enfrentam ciclos de retração, marcados por discursos isolacionistas e xenófobos. O Brasil, agora República Federativa, busca consolidar sua democracia em meio a crises políticas, polarização e disputas sobre o sentido da soberania nacional. O poder e a tentação da permanência Nesse cenário emergem lideranças que tensionam os limites republicanos. Luiz Inácio Lula da Silva, Donald Trump e Jair Bolsonaro, cada um à sua maneira, encarnam a disputa entre institucionalidade e personalismo político. A ideia de que o poder deriva de uma legitimidade quase individual reaparece, desafiando os princípios de alternância e limitação. A metáfora da “coroação” simbólica revela uma questão mais profunda: a dificuldade contemporânea de aceitar a transitoriedade do poder. Em contraste com o gesto inaugural de Washington, a política atual frequentemente se aproxima de uma lógica de permanência — seja pela reeleição, pela influência contínua ou pela disputa da memória histórica. Washington, Brasília e os palcos do presente Eventos recentes ilustram essa dinâmica. Celebrações nacionais transformam-se em atos políticos, articulações diplomáticas cruzam fronteiras e até o esporte se insere na narrativa pública. A polarização brasileira ecoa em Washington, enquanto disputas internacionais moldam agendas internas. Nesse ambiente, o simbólico ganha centralidade. Fogos de artifício, discursos oficiais e partidas de futebol deixam de ser apenas eventos isolados e passam a integrar uma mesma trama de poder, identidade e disputa. A ironia da história A história, madrasta irônica, revela que a grandeza e a miséria do poder caminham lado a lado. As repúblicas, concebidas como antídoto ao absolutismo, permanecem vulneráveis às tentações de concentração. De “Estados Unidos do Brasil” à atual República Federativa, e de “Estados Unidos da América” a momentos de introspecção nacionalista, ambos os países enfrentam o mesmo paradoxo: na busca por soberania plena, esbarram nas fragilidades de suas próprias instituições. Entre líderes que aspiram mais do que governar — desejam marcar a história — e sociedades divididas entre memória e futuro, o ideal republicano segue inacabado.
🖼️ Cartum — Síntese Visual da Ironia Republicana Legenda: Três líderes, três coroas imaginárias, um campo gelado que não lhes pertence. Entre a geopolítica e o futebol, a soberania vira espetáculo — e o poder, caricatura. No jogo das nações, a bola é o mundo: disputada por quem se julga rei, mas esquecida por quem deveria ser seu verdadeiro dono. EPÍLOGO — TRÊS COROAS, UM CAMPO, NENHUM REINO No teatro improvável da história, três líderes se encontram — não em tratados, mas na ironia. Unidos não por projeto, mas por conveniência simbólica, projetam na Noruega — no campo e na geopolítica — uma disputa que é, antes de tudo, reflexo de suas próprias ansiedades de poder e soberania. À beira de um campo gelado, entre bandeiras e egos inflados, encena-se uma tragicomédia: reis sem trono, coroados pela própria narrativa, aplaudidos e vaiados pelo mesmo coro. A bola rola como se fosse o próprio mundo — disputado, fragmentado, inflado de significados. A história, essa madrasta sem humor, observa em silêncio. O poder que se imagina eterno tropeça no ridículo do instante. E, entre bravatas e caricaturas, resta o riso — áspero, crítico, necessário — diante do espetáculo recorrente da brutalidade ignorante que insiste em governar o jogo. No fim, entre diplomacia, política e futebol, o que se revela não é apenas o retrato de um tempo, mas a permanência de um enigma: a soberania não se impõe — constrói-se, disputa-se, e, sobretudo, resiste.

Idéias inatas

LIVRO II PLURALIDADE DA EXISTÊNCIA ALLAN KARDEC O LIVRO DOS ESPÍRITOS Aula 21 - Ideias Inatas - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Espiritismo Analisa os itens 218 a 221: A teoria das idéias inatas. As faculdades extraordinárias dos indivíduos. O sentimento instintivo da existência de Deus. ▶ Veja a palestra completa: https://www.kardecplay.net/pt/video/2... 218. Encarnado, conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores? “Guarda vaga lembrança, que lhe dá o que se chama ideias inatas.” a) — Não é, então, quimérica a teoria das ideias inatas? “Não; os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que recomeçar constantemente. Em cada nova existência, o ponto de partida, para o Espírito, é aquele em que, na existência precedente, ele ficou.” b) — Grande conexão deve então haver entre duas existências consecutivas? “Nem sempre tão grande quanto talvez o suponhas, dado que bem diferentes são, muitas vezes, as posições do Espírito nas duas e que, no intervalo de uma a outra, pode ele ter progredido.” (216.) Evangelho no Lar│29.08.2024│ESE Cap XVI item 15│Transmissão da riqueza SBEBM Transmitido ao vivo em 29 de ago. de 2024 Transmissão ao vivo de SBEBM - Sociedade Beneficente Espírita Bezerra de Menezes 15. O princípio, segundo o qual ele é apenas depositário da fortuna de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira ao homem o direito de transmiti-la aos seus descendentes? O homem pode perfeitamente transmitir, por sua morte, aquilo de que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está subordinado sempre à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir que aqueles descendentes gozem do que lhes foi transmitido. Não é outra a razão por que desmoronam fortunas que parecem solidamente constituídas. É, pois, impotente a vontade do homem para conservar nas mãos da sua descendência a fortuna que possua. Isso, entretanto, não o priva do direito de transmitir o empréstimo que recebeu de Deus, uma vez que Deus pode retirá-lo, quando o julgue oportuno. – São Luís. (Paris, 1860.)
Aqui está a transcrição exata do texto contido na nota de rodapé da imagem apresentada: "O Serviço Postal prestou grande contribuição à obra de Eurípedes. Centenas de listas, como esta (frente e verso), de "Remédios a se registrarem", redigidas pelo próprio médium, encontram-se nos arquivos da Sala de Eurípedes. O carimbo do Correio assinala 20/9/1918." Pão Nosso #141 - Amor fraternal NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 21 de nov. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier. 141
Amor fraternal</b> Tema principal “Permaneça o amor fraternal.” — Paulo. (HEBREUS, 13.1) 1 As afeições familiares, os laços consanguíneos, as simpatias naturais podem ser manifestações muito santas da alma, quando a criatura as eleva no altar do sentimento superior, contudo, é razoável que o espírito não venha a cair sob o peso das inclinações próprias. 2 O equilíbrio é a posição ideal. 3 Por demasia de cuidado, inúmeros pais prejudicam os filhos. 4 Por excesso de preocupações, muitos cônjuges descem às cavernas do desespero, defrontados pelos insaciáveis monstros do ciúme que lhes aniquilam a felicidade. 5 Em razão da invigilância, belas amizades terminam em abismo de sombra. 6 O apelo evangélico, por isto mesmo, reveste-se de imensa importância. 7 A fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas de relações entre as almas. 8 O homem que se sente filho de Deus e sincero irmão das criaturas não é vítima dos fantasmas do despeito, da inveja, da ambição, da desconfiança. 9 Os que se amam fraternalmente alegram-se com o júbilo dos companheiros; sentem-se felizes com a ventura que lhes visita os semelhantes. 10 As afeições violentas, comumente conhecidas na Terra, passam vulcânicas e inúteis. 11 Na teia das reencarnações, os títulos afetivos modificam-se constantemente. 12 É que o amor fraternal, sublime e puro, representando o objetivo supremo do esforço de compreensão, é a luz imperecível que sobreviverá no caminho eterno. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Em tudo, há alegria. A divindade que faz ser alegre a Natureza está também dentro de você.
"Quero falar de um amigo aqui, que é um dos mais antigos amigos que eu tenho nesse meio de trabalho. É um cara que eu tenho... Você imagina, eu conheço essa figura desde 1969, quando ele era o príncipe da Jovem Guarda. Fez um sucesso extraordinário", iniciou. "A amizade profunda é uma sublimação do amor."Declaração de Ronaldo Nogueira (Ronnie Von) durante o programa de Patrícia Poeta, após uma manifestação de afeto de Fausto Silva (O Faustão) em uma entrada ao vivo, sob os aplausos da plateia.
O craque egípcio Mohamed Salah consola o australiano Behich

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MEMORIAL DE AIRES (ADAPTADO)

De um Conselheiro do Império ao Conselheiro dos Ares Rarefeitos do Século XXI 14 de Março Li, não sem certo enfado decoroso, o memorial de onze páginas que o jovem Conselheiro dos Ares Rarefeitos — este que pontifica do alto de suas tribunas invisíveis na Flórida — protocolou junto aos escrivães da Casa Branca. Dizem que o fez em nome da República do amanhã, ou de um Príncipe herdeiro que aspira ao trono antes da colheita. Que curioso século este, onde a diplomacia trocou o silêncio das chancelarias pelo ruído das praças públicas! No meu tempo, o barão do Rio Branco pesava cada adjetivo como quem maneja cristais; hoje, despacha-se o destino do comércio nacional entre um copo de refresco e um clique de computador. O jovem patrício foi a Washington para aplacar a fúria do Tarifaço americano — aquela taxa de vinte e cinco por cento que ameaça sangrar nossas exportações. E como resolveu o impasse? Com a finura de um cirurgião que, para curar uma dor de cabeça, propõe a guilhotina. Pediu a Washington que desista de taxar o aço e o açúcar, e, em troca, aplique a tal Lei Magnitsky contra os magistrados da nossa Suprema Corte. É uma transação mercantil soberba: poupa-se o bolso do usineiro e entrega-se a soberania do Tribunal. A pátria, que antes se defendia com o peito, agora se negocia como um lote de café de qualidade inferior. 16 de Março O argumento principal do nosso diplomata sem credenciais é de uma candura que beira a crueldade. Ponderou ele aos americanos que o Tarifaço seria um erro tático grave, pois — vejam que profundidade estatística! — acabaria por "fortalecer politicamente o atual inquilino do Catete" em ano eleitoral. Eis a nossa elite política resumida a um jogo de compadres. Não se defende a indústria nacional por amor ao operário ou ao progresso; defende-se para que o adversário não colha os louros da resistência. Se o Brasil empobrecer sob o peso das tarifas, isso é um detalhe menor; o importante é que o rival não pareça um herói aos olhos da turba. A miséria do povo, quando bem instrumentalizada, sempre foi um excelente cabo eleitoral. O jovem Conselheiro queixa-se ainda de que os governadores da federação andam a negociar com o "sexto escalão" americano. Julga-se ele, por certo, no topo do Olimpo, privando com os deuses da Seção 301. Esquece-se de que, na corte de Washington, o interlocutor sem pasta é apenas um instrumento sazonal. Usam-no como quem usa um lenço de papel: serve para limpar o suor da geopolítica e, depois, joga-se fora no primeiro cesto da conveniência comercial. 19 de Março A gravidade da matéria exigiria lágrimas, mas o espetáculo me arranca apenas este sorriso amarelo, meio cético, que o tempo me ensinou a cultivar. Ao empurrar o estrangeiro para dentro do nosso quintal judiciário, o Conselheiro dos Ares Rarefeitos jura que está salvando a liberdade. Tolice. O que ele faz é acelerar o relógio da nossa própria decadência. Se Washington fechar as portas e congelar os bens dos nossos juízes, o Brasil restará isolado, humilhado e sem alternativas, restando-lhe apenas jogar-se nos braços de Pequim. Deseja-se fugir do chicote do Norte e corre-se para o abraço do dragão do Oriente. Tudo isso para garantir uma eleição vindoura. Ao final, quando as tarifas forem pagas e as sanções esquecidas, os mesmos personagens se encontrarão nos salões da história, brindando à saúde de um país que teima em sobreviver, apesar dos seus salvadores. Como diria o meu bom Brás Cubas, não tivemos filhos, não transmitimos a nenhuma criatura o legado da nossa nossa pequenez. É o único consolo que resta a este velho diplomata. Corta Jaca Chiquinha Gonzaga Neste mundo de misérias Quem impera é quem é mais folgazão! É quem sabe cortar-jaca nos requebros De suprema perfeição, perfeição Esta dança é buliçosa, tão dengosa Que todos querem dançar! Não há ricas baronesas, nem marquesas Que não queiram (saibam) requebrar, requebrar Este passo tem feitiço, tal ouriço Faz qualquer homem coió! Não há velho carrancudo, nem sisudo Que não caía em trololó, trololó Quem me vir assim alegre no Flamengo Por certo se há de render! Não resiste com certeza, com certeza Este jeito de mexer Um Flamengo tão gostoso, tão ruidoso Vale bem meia-pataca! Dizem todos que na ponta está na ponta Nossa dança corta-jaca, corta-jaca! Ai, ai, como é bom dançar, ai! Corta-jaca assim, assim, olé! - Mexe com o pé! Ai, ai, tem feitiço tem, ai! Dança (corta) meu benzinho assim, olé!
O CORTA-JACA PARALELO Letra atribuída à pena de Machado de Assis, para a música de Chiquinha Gonzaga (Introdução saltitante ao piano, com toques de cinismo oitocentista) Neste mundo de misérias Quem impera é quem é mais folgazão! É quem sabe o Corta-Jaca das tarifas Com suprema perfeição, perfeição! Esta dança em Washington é tão dengosa Que o sujeito quer dançar! Não há falsos diplomatas, nem gravatas, Que não queiram requebrar, requebrar! Este passo tem feitiço de comício, Faz da pátria um coió! Lá na mesa da comarca, a soberania Já caiu em trololó, trololó! Quem me vir pedindo multa ao estrangeiro Por certo há de ceder! Não resiste o gringo loiro, com certeza, A este jeito de mexer! Um tarifaço tão ruidoso e perigoso Vale bem meia-pataca! E na ponta da Seção trezentos e um, Nossa elite corta-jaca, corta-jaca! Ai, ai, como é bom trair, ai! Troca o aço por sanção, olé! — Olha o boné! Ai, ai, tem feitiço tem, ai! Corta o juiz do meu país assim, olé! (O piano acelera, simulando o barulho de notificações de celular e a soberba dos salões) Vejam só o Conselheiro dos Ares Que o império foi pregar! Deixa a indústria desabada e na calçada Para o voto segurar, segurar! Não há velho carrancudo do Senado Que não dance o Magnitsky! Vende o trono do Catete por um brinde E um copo de bom uísque, de bom uísque! Ai, ai, como é bom trair, ai! Troca o aço por sanção, olé! — Olha o boné! Ai, ai, que vergonha dá, ai! Dança o Brasil no tribunal assim, olé!

"ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS"

"ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese em uma frase: A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Querelas do Brasil Maria Rita Querelas do Brasil De Maurício Tapajóis e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sertões, Guimarães, bachianas, águas Imarionaíma, ariraribóia Na aura das mãos de jobim-açu Uou. Uou, Uou Jererê, sarará, cururu, olerê Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Composição: Aldir Blanc, Maurício Tapajós.
O Rio torce pra Cabo Verde!!!
Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão Estadão Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Vídeo Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão
Foto do autor José Fucs Por José Fucs 03/01/2022 | 16h50 Notícia de presente O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, de 70 anos, é um dos profissionais mais tarimbados do País em campanhas eleitorais. Pioneiro, no Brasil, na utilização das ferramentas da neuropolítica, que estuda a influência das emoções e do inconsciente no comportamento dos eleitores, ele participou de quase 100 eleições, como coordenador ou consultor de campanha, nas últimas décadas. Nesta entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que o pleito de 2022 terá características diferentes do de 2018. Segundo ele, o eleitor está menos influenciado pelo sentimento de indignação que marcou a eleição passada e mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos, até em razão dos problemas de gestão observados durante a pandemia. “Em 2022, a cautela deve substituir a indignação”, diz. Lavareda comenta também a preocupação de muitos analistas, que consideram a eleição de 2022 como uma das mais importantes das últimas décadas, em razão dos riscos de que haja uma ruptura institucional em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, e fala sobre a ligeira guinada para a direita do PSDB, sob comando do governador de São Paulo, João Doria. Em sua avaliação, após as eleições, o Brasil deve seguir o exemplo recente do Chile e abrir espaço ao diálogo, para poder enfrentar os grandes desafios que tem pela frente. Parte do eleitorado parece totalmente decidida, outra sequer se sente representada | Central Meio Meio Transmitido ao vivo em 2 de jul. de 2026 #Eleições2026 #ELeiçãoPresidencial #Democracia No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Luiza Silvestrini e Flávia Tavares conversam com o cientista político Antonio Lavareda sobre os efeitos dos últimos acontecimentos na eleição presidencial, ou sobre a falta deles. Embora tenha havido fatos políticos relevantes nos últimos dias, os ponteiros das pesquisas mexem pouco, sinalizando um eleitorado pouco disposto a mudar de ideia, ou que não se sente representado. —
“Partidos hidropônicos é uma metáfora criada pelo cientista político Antonio Lavareda para descrever legendas brasileiras que não possuem raízes na sociedade. Assim como a alface hidropônica, eles flutuam sem solo e sobrevivem apenas de nutrientes artificiais, que, no caso da política, são os recursos do Fundo Partidário e as Emendas Parlamentares.” 33 milhões de eleitores não votaram em 2022 Não há fidúcia nessa representação Representação sem participação “As expressões dos três calados na telinha enquanto o quarto fala comunicam tudo o que o tagarela não consegue em uma transmissão ao vivo."
A mensagem afirma que, globalmente, as pessoas tendem a acreditar em mentiras para evitar encarar a realidade.
Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de botar na reserva. Rádio Bandeirantes FM. há 1h.
“O Mister já falou.” “Com 67 anos, se correr ao final para celebrar o final vitorioso por temer machucar o joelho.” Alex Ferguson do Manchester United preparou mais de dois mil jogos. Mister diz já ter preparado mais de um mil e quatrocentos atletas. Alma coletiva do brasileiro: respeitoso e humilde. Arrogante não é escasso, lado marrento pode ser. 3/7/26 Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de estar na reserva Rádio BandNews FM 3 de jul. de 2026 Carlo Ancelotti afirma que Neymar está pronto para jogar, mas que pode entrar até no final do segundo tempo contra a Noruega. O técnico da Seleção Brasileira concedeu uma entrevista à colunista da BandNews FM. 'É 100% certo que não sou um gênio. Mas é 100% certo que não sou tonto', diz Ancelotti Folha de S.Paulo 3 de jul. de 2026 O técnico italiano que assumiu o comando da seleção brasileira afirma, em entrevista exclusiva, que fim de jogo duro traz mais sentimento de alívio do que de felicidade. Elogia ainda o bom comportamento (apesar do inconformismo) de Neymar e diz que a seleção pode tomar gols, mas está mais confiante e sabe como reagir.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 Palanques capengas no Sudeste, por Vera Magalhães O Globo Palanques capengas do petista em Minas e do filho de Bolsonaro no Rio indicam problemas na região mais disputada da eleição A eleição de 2026 será um teste para a validade de vários axiomas tradicionais da política, como a importância da propaganda em rádio e TV, os efeitos da inteligência artificial e, no plano mais concreto, a centralidade da montagem de palanques regionais para fortalecer candidaturas presidenciais e, no limite, decidir uma disputa que tende a ser apertada. Nesse quesito, o Sudeste brasileiro é o cenário em que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram as fichas. Mas, a menos de um mês do início formal da corrida eleitoral, ambos enfrentam problemas bastante sérios para largar com um time promissor e um discurso condizente em colégios importantes da região. Os desdobramentos consecutivos da Operação Unha e Carne — que atingiu fortemente o grupo do ex-governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro — jogam uma dose enorme de imprevisibilidade para o comando bolsonarista “em casa”. O grupo contava, na montagem da estratégia para a disputa no Rio, que, a esta altura, já estivesse no comando do governo por meio de uma eleição indireta. O atraso na definição dessa novela por parte do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral coincide com as graves revelações trazidas em capítulos pela Polícia Federal, que desnudam aspectos perturbadores da imbricação da política com o crime organizado no estado. A campanha do até aqui favorito Eduardo Paes — que já teria o foco na pregação pela necessidade de sanear a estrutura do estado dessa infiltração — se fortalece a partir de indícios da proximidade que se mostra cada vez maior da gestão de Castro com diferentes modalidades da estrutura criminosa do Rio. Para Flávio, o ex-governador e seu grupo se tornam aliados para lá de incômodos, levando para a campanha presidencial temas que ele gostaria de afastar e colocando em perspectiva a pregação cara à direita de que tem a solução para a segurança pública, problema apontado como mais grave pelos brasileiros em quase todas as pesquisas. Para Lula, a dor de cabeça em termos de palanque capenga se localiza em Minas Gerais. Todas as tentativas de construir uma candidatura minimamente competitiva ao governo do estado que responde pelo segundo maior eleitorado do Brasil se revelaram tiros n’água. Agora, o presidente passa pelo constrangimento de ver o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos lavarem roupa suja em público diante da tentativa do partido de praticamente obrigá-la a abrir mão da candidatura ao Senado para ir para o sacrifício e disputar o governo. Isso tudo depois que Rodrigo Pacheco deu de ombros aos apelos de Lula para que topasse a missão para lá de inglória diante da guinada política que fez nos últimos oito anos, resultando na desconfiança geral dos mineiros a respeito de que apito ideológico o ex-presidente do Senado toca, afinal. Não que o time da direita esteja arrumadinho em Minas, longe disso. A indefinição do senador Cleitinho (Republicanos) — um estranhíssimo caso de favorito nas pesquisas que não decide logo se será candidato — e a dificuldade do governador Mateus Simões (PSD), substituto de Romeu Zema, de decolar tornam ainda nebuloso quem será o puxador de votos para Flávio e quanto ele terá de dividir espaço com os demais presidenciáveis da centro-direita (o próprio Zema e Ronaldo Caiado, que vem a ser do partido do governador). Só São Paulo, o mais nevrálgico dos territórios do Sudeste, está com o roteiro da disputa bem definido entre Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição, e Fernando Haddad, recebedor da tão crucial quanto difícil incumbência de repetir a perfomance razoável de 2022, que assegurou a Lula um número de votos fundamental para vencer por pouco no país.
O artigo analisa os desafios enfrentados por Lula e Flávio Bolsonaro na montagem de palanques eleitorais no Sudeste para a eleição de 2026, destacando a importância estratégica da região. No Rio de Janeiro, o grupo bolsonarista sofre com a instabilidade causada pela Operação Unha e Carne, que atingiu aliados do ex-governador Cláudio Castro e expôs ligações entre política e crime organizado. Isso fortalece a candidatura de Eduardo Paes e cria constrangimentos para Flávio Bolsonaro, especialmente no tema da segurança pública. Em Minas Gerais, Lula enfrenta dificuldades para viabilizar uma candidatura competitiva ao governo estadual. Há conflitos internos no PT e falta de nomes fortes, agravados pela recusa de Rodrigo Pacheco em disputar o cargo. O cenário também é incerto para a direita, com indefinições sobre candidaturas e lideranças. Já em São Paulo, a disputa está mais clara, com Tarcísio de Freitas como favorito à reeleição e Fernando Haddad como principal adversário, repetindo a polarização anterior. O texto conclui que, apesar da centralidade do Sudeste, os principais candidatos enfrentam fragilidades importantes na região.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 A dura realidade aonde a política não chega, por Fernando Gabeira O Estado de S. Paulo Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades Às vezes, as coisas muito próximas são universais. Hesito em escrever sobre o que vejo no cotidiano no Rio de Janeiro, mas não deveria: é algo importante para o País e com grande possibilidade de espalhar-se por todos os cantos. Encontrei na rua uma amiga e perguntei se estava tudo bem: “Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta”. Ela vive numa favela chamada Rio das Pedras, dominada por uma milícia acossada pelo tráfico de drogas que quer o domínio do território. No mesmo dia, encontrei, acidentalmente, um homem que empurrava sua bicicleta na feira. Ele vinha da Muzema, uma comunidade que fica no início da Barra da Tijuca. Lá em casa, disse ele, o tiroteio é quase toda noite: a área é dominada pelo Comando Vermelho. Assim vivem milhões de pessoas no Rio. No território dominado, quem manda é o crime organizado, que vende gás, controla o transporte alternativo e inclusive escolhe algumas meninas para serem suas amantes. O preço da recusa é a morte ou então a mudança precipitada do lugar. O crime organizado tem uma grande influência política. Ele define quais candidatos podem entrar em sua área. Considerando que controla metade da cidade, ajuda a definir a bancada de eleitos. A penetração no tecido político é evidente: os últimos governadores foram presos, assim como deputados e um presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O que é mais doloroso é examinar o conjunto de políticas que visam a solucionar o problema e constatar que nenhuma delas consegue trazer uma esperança real. O que não significa que essas políticas não sejam desejáveis. A PEC da Segurança que está parada no Senado parte de um princípio fundamental: a unificação das forças federais e estaduais no combate ao crime organizado. Isso pode aumentar a eficácia da segurança pública, mas não responde à questão básica: a reconquista permanente do território ocupado, hoje um fenômeno que se exportou para o Nordeste. Da mesma forma, a iniciativa americana de definir dois grupos como terroristas e partir para uma guerra de destruição é bastante limitada. Nas condições existentes, a eliminação de um grupo dará lugar a outro e eles vão se suceder enquanto as condições político-sociais prevalecerem. O combate e a morte de alguns criminosos servem apenas para atenuar, na opinião pública, essa sensação de ineficácia. O verdadeiro projeto nunca aparece e ele, certamente, passa pela presença do Estado nessas áreas com os seus serviços essenciais funcionando. A resposta para a inexistência de um projeto de liberação permanente das áreas ocupadas é falta de dinheiro e pessoal. Se não há dinheiro em orçamentos tão generosos como o brasileiro, então não há solução. Se somos incapazes de definir a soberania nacional sobre nossos territórios, ficaremos reduzidos a uma guerra assimétrica. E elas nunca são favoráveis ao lado mais forte. Graças às condições favoráveis de que desfrutam no território, esses grupos vão sobreviver mesmo com as campanhas repressivas. No Rio, obtêm armamentos modernos, se empossam da tecnologia e já estão em plena guerra de drones. Muitos especialistas falam em ir atrás do dinheiro do crime organizado e enfraquecê-lo a partir da drenagem de seus recursos. É uma ótima tática. Na vida cotidiana, entretanto, o crime organizado produz seu rendimento pela simples exploração do território: venda de gás, transporte alternativo, taxas de segurança. Tudo isso tem muita importância e, às vezes, rende mais do que o próprio tráfico de drogas. Os Estados Unidos optaram pela guerra para evitar que a droga entre em seu território. Nessa nova versão da muitas vezes fracassada guerra às drogas, bombardeiam barcos no Pacífico e no Caribe. O tráfico de drogas é um grande problema nas suas relações com o México. Com um sério trabalho de inteligência é possível reduzir o trânsito da droga pelo território brasileiro. Mas ver barcos bombardeados e supor que estamos atacando o verdadeiro problema no Brasil é fugir da realidade. Por isso, com todo o respeito que tenho por especialistas, não acredito muito em soluções que ignorem o clamor de milhões de pessoas, que querem andar livres, escolher livremente o que compram, proteger suas filhas dos predadores do crime, conversar com candidatos que não precisem de licença para entrar na favela. Sei que esse futuro ainda está distante. Não deveríamos esquecer esses milhões de brasileiros nos territórios ocupados quando falamos orgulhosamente de soberania nacional. Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades. O alarme soa alto, mas ainda é muito pouco ouvido. Candidatos à Presidência e aos governos dos Estados deveriam ser questionados seriamente sobre a liberação territorial no Brasil. No mínimo, por solidariedade aos milhões de oprimidos. •
O artigo descreve a realidade da violência e do domínio do crime organizado no Rio de Janeiro, onde milícias e facções controlam territórios, impõem regras à população e influenciam a política local. Milhões de pessoas vivem sob esse controle, enfrentando tiroteios constantes e restrições à liberdade. O autor argumenta que, embora existam propostas de combate — como a integração das forças de segurança ou o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas —, nenhuma resolve o problema central: a retomada permanente dos territórios pelo Estado com presença efetiva de serviços públicos. Ele alerta que, sem um projeto consistente e recursos adequados, o país continuará enfrentando uma guerra desigual, na qual o crime tende a se manter forte. O problema, segundo o texto, já se espalha para outras regiões e pode atingir todo o Brasil. Por fim, defende que candidatos devem ser cobrados por soluções concretas para libertar essas áreas, em solidariedade às populações que vivem sob o domínio do crime.
Carta de Flávio a Trump é tiro no pé que favorece Lula Publicado em 03/07/2026 - 08:01 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Exportações, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Tecnologia, Terrorismo Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável A carta enviada por Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento por 180 dias do tarifaço contra produtos brasileiros, eleitoralmente é um tiro no próprio pé para o pré-candidato do PL, além de muito tóxica para as negociações diplomáticas do Brasil com a Casa Branca. O senador atropelou a linha de negociação conduzida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deslocou o contencioso do terreno técnico para o palanque eleitoral e mostrou falta de coesão política do país na defesa dos interesses brasileiros que estão em jogo. O candidato de oposição entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de bandeja, a bandeira da soberania na campanha eleitoral. Repetiu o mesmo equívoco de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos e comemorou o tarifaço como se fosse uma grande vitória da oposição. Deu errado. Lula estancou a queda e voltou a subir nas pesquisas eleitorais. Em vez de enfraquecer o governo, a carta de Flávio reforça a narrativa oficial de que a família Bolsonaro atua para internacionalizar a crise política brasileira e instrumentalizar interesses externos contra o próprio país. Leia também: Tarifaço dos EUA entra no centro da disputa eleitoral no Brasil Mas a crise tarifária com os EUA tem bases mais objetivas do que eleitorais. Nasce de um contencioso comercial complexo, decorrente da disputa comercial com a China e da reestruturação das cadeias globais de valor. Os Estados Unidos concluíram, em junho, a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar parceiros quando considera que eles adotam práticas comerciais “desleais” ou “desarrazoadas”. No caso brasileiro, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) reuniu no mesmo balaio comércio digital e o funcionamento do Pix; decisões judiciais envolvendo plataformas digitais; tarifas preferenciais no âmbito do Mercosul e de acordos com Índia e México; acesso ao mercado de etanol; propriedade intelectual; combate à corrupção; e desmatamento ilegal. O governo brasileiro reagiu com prudência. Um documento de 29 páginas, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, tecnicamente, rebate ponto a ponto as acusações norte-americanas e sustenta que boa parte da agenda levantada por Washington não diz respeito a comércio, mas a opções regulatórias, institucionais e soberanas do Estado brasileiro. Na verdade, a negociação conduzida pelo Itamaraty não se limita a uma briga tarifária, questiona o alcance da Seção 301 e o direito de os Estados Unidos transformarem divergências em matéria de política interna brasileira, como a regulação de plataformas, a estrutura do Pix, decisões do STF e o combate ao desmatamento, em razões para sanções econômicas. O Brasil, nas conversas com a Casa Branca, tenta isolar os litígios comerciais das disputas políticas e ideológicas. Ou seja, defende uma política de Estado. Sua atuação é institucional e preserva canais de diálogo, ao discutir cada item da pauta em bases técnicas e evitar a contaminação pela polarização eleitoral. Implosão diplomática Nesse sentido, a carta de Flávio implode o esforço diplomático brasileiro. O senador pede que as tarifas não sejam aplicadas agora, mas só depois das eleições presidenciais. Ou seja: em vez de afirmar que as tarifas são injustas, indevidas ou lesivas ao interesse bilateral, ele argumenta que a sua adoção imediata poderia beneficiar Lula politicamente. A essência do apelo é eleitoral, não comercial. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando”, escreveu para sustentar que a medida “recompensaria o atual governo brasileiro”. Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Esse é o “xis” do problema. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável — desde que aplicado num momento politicamente conveniente à oposição. Ou seja, tira o tapete da diplomacia brasileira, quando o Itamaraty tenta convencer Washington de que a escalada tarifária é inadequada, desproporcional e fundada em premissas equivocadas. Leia mais: O que Flávio prometeu a Trump caso seja eleito sobre Pix, Mercosul e redes sociais Flávio sinalizou aos norte-americanos que o problema não é o mérito da retaliação, mas o seu timing eleitoral. A carta, assim, enfraquece a tese brasileira de que a medida é injustificável e reforça a percepção de que o litígio comercial virou peça de uma disputa interna pelo poder. De certa forma, Lula percebeu a oportunidade e subiu o tom contra seu adversário. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço, agora ou depois”, escreveu nas redes sociais. Classificou a carta como “inaceitável” e criticou o “entreguismo” da família Bolsonaro, ao afirmar que o clã quer submeter o Brasil a interesses norte-americanos. Ao conectar a carta ao Pix e ao Mercosul, Lula transformou o episódio numa peça de campanha sobre soberania, desenvolvimento e defesa do interesse nacional. O presidente vinha “jogando parado”, ao valorizar a liturgia do cargo, administrar a máquina pública e evitar antecipar o embate central de 2026. A carta de Flávio ofereceu um atalho para Lula ocupar o terreno do nacionalismo econômico sem abdicar do cosmopolitismo e do multilateralismo. Pode ser que um objetivo subjacente do filho 01 de Jair Bolsonaro tenha sido mudar a agenda de sua campanha da crise com Michele Bolsonaro para a política externa. Porém, na prática, deu ao presidente a possibilidade de falar como defensor da pátria. Nas entrelinhas: todas as colunas diariamente no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Flávio, #Michele, #Tarifaço, #Trump, Lula
O texto argumenta que a carta de Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento — e não a revogação — de tarifas contra produtos brasileiros, foi um erro político e diplomático. Ao fazer isso, ele acaba legitimando a sanção e enfraquecendo a posição oficial do Brasil nas negociações conduzidas pelo Itamaraty. Segundo o autor, a atitude favorece Lula eleitoralmente, ao reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional e permitir que o presidente explore politicamente o episódio. Além disso, a carta desloca uma questão técnica e comercial para o campo eleitoral, prejudicando a coesão do país. O texto também destaca que o conflito com os EUA é complexo, envolvendo disputas comerciais, regulação interna e geopolítica, e que o governo brasileiro tenta tratá-lo de forma institucional. Ao contrário disso, a ação de Flávio politiza o tema e enfraquece a estratégia diplomática. Por fim, conclui que o episódio deu a Lula uma oportunidade de se posicionar como defensor dos interesses nacionais, enquanto expôs fragilidades da oposição. "ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese em uma frase: A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Querelas do Brasil Maria Rita Querelas do Brasil De Maurício Tapajóis e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sertões, Guimarães, bachianas, águas Imarionaíma, ariraribóia Na aura das mãos de jobim-açu Uou. Uou, Uou Jererê, sarará, cururu, olerê Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil Composição: Aldir Blanc, Maurício Tapajós.
Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão Estadão Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Vídeo Antonio Lavareda, cientista político, explica que o PT não conseguiu se recuperar com o eleitorado nacional após o andamento da Operação Lava Jato em meados de 2015 que refletiu diretamente em 2016 ... Em 2022, a cautela deve substituir a indignação', diz Antonio Lavareda - Estadão
Foto do autor José Fucs Por José Fucs 03/01/2022 | 16h50 Notícia de presente O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, de 70 anos, é um dos profissionais mais tarimbados do País em campanhas eleitorais. Pioneiro, no Brasil, na utilização das ferramentas da neuropolítica, que estuda a influência das emoções e do inconsciente no comportamento dos eleitores, ele participou de quase 100 eleições, como coordenador ou consultor de campanha, nas últimas décadas. Nesta entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que o pleito de 2022 terá características diferentes do de 2018. Segundo ele, o eleitor está menos influenciado pelo sentimento de indignação que marcou a eleição passada e mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos, até em razão dos problemas de gestão observados durante a pandemia. “Em 2022, a cautela deve substituir a indignação”, diz. Lavareda comenta também a preocupação de muitos analistas, que consideram a eleição de 2022 como uma das mais importantes das últimas décadas, em razão dos riscos de que haja uma ruptura institucional em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, e fala sobre a ligeira guinada para a direita do PSDB, sob comando do governador de São Paulo, João Doria. Em sua avaliação, após as eleições, o Brasil deve seguir o exemplo recente do Chile e abrir espaço ao diálogo, para poder enfrentar os grandes desafios que tem pela frente. Parte do eleitorado parece totalmente decidida, outra sequer se sente representada | Central Meio Meio Transmitido ao vivo em 2 de jul. de 2026 #Eleições2026 #ELeiçãoPresidencial #Democracia No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Luiza Silvestrini e Flávia Tavares conversam com o cientista político Antonio Lavareda sobre os efeitos dos últimos acontecimentos na eleição presidencial, ou sobre a falta deles. Embora tenha havido fatos políticos relevantes nos últimos dias, os ponteiros das pesquisas mexem pouco, sinalizando um eleitorado pouco disposto a mudar de ideia, ou que não se sente representado. —
“Partidos hidropônicos é uma metáfora criada pelo cientista político Antonio Lavareda para descrever legendas brasileiras que não possuem raízes na sociedade. Assim como a alface hidropônica, eles flutuam sem solo e sobrevivem apenas de nutrientes artificiais, que, no caso da política, são os recursos do Fundo Partidário e as Emendas Parlamentares.” 33 milhões de eleitores não votaram em 2022 Não há fidúcia nessa representação Representação sem participação “As expressões dos três calados na telinha enquanto o quarto fala comunicam tudo o que o tagarela não consegue em uma transmissão ao vivo."
A mensagem afirma que, globalmente, as pessoas tendem a acreditar em mentiras para evitar encarar a realidade.
Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de botar na reserva. Rádio Bandeirantes FM. há 1h.
“O Mister já falou.” “Com 67 anos, se correr ao final para celebrar o final vitorioso por temer machucar o joelho.” Alex Ferguson do Manchester United preparou mais de dois mil jogos. Mister diz já ter preparado mais de um mil e quatrocentos atletas. Alma coletiva do brasileiro: respeitoso e humilde. Arrogante não é escasso, lado marrento pode ser. 3/7/26 Mônica Bergamo: Neymar não está conformado de estar na reserva Rádio BandNews FM 3 de jul. de 2026 Carlo Ancelotti afirma que Neymar está pronto para jogar, mas que pode entrar até no final do segundo tempo contra a Noruega. O técnico da Seleção Brasileira concedeu uma entrevista à colunista da BandNews FM. 'É 100% certo que não sou um gênio. Mas é 100% certo que não sou tonto', diz Ancelotti Folha de S.Paulo 3 de jul. de 2026 O técnico italiano que assumiu o comando da seleção brasileira afirma, em entrevista exclusiva, que fim de jogo duro traz mais sentimento de alívio do que de felicidade. Elogia ainda o bom comportamento (apesar do inconformismo) de Neymar e diz que a seleção pode tomar gols, mas está mais confiante e sabe como reagir.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 Palanques capengas no Sudeste, por Vera Magalhães O Globo Palanques capengas do petista em Minas e do filho de Bolsonaro no Rio indicam problemas na região mais disputada da eleição A eleição de 2026 será um teste para a validade de vários axiomas tradicionais da política, como a importância da propaganda em rádio e TV, os efeitos da inteligência artificial e, no plano mais concreto, a centralidade da montagem de palanques regionais para fortalecer candidaturas presidenciais e, no limite, decidir uma disputa que tende a ser apertada. Nesse quesito, o Sudeste brasileiro é o cenário em que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram as fichas. Mas, a menos de um mês do início formal da corrida eleitoral, ambos enfrentam problemas bastante sérios para largar com um time promissor e um discurso condizente em colégios importantes da região. Os desdobramentos consecutivos da Operação Unha e Carne — que atingiu fortemente o grupo do ex-governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro — jogam uma dose enorme de imprevisibilidade para o comando bolsonarista “em casa”. O grupo contava, na montagem da estratégia para a disputa no Rio, que, a esta altura, já estivesse no comando do governo por meio de uma eleição indireta. O atraso na definição dessa novela por parte do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral coincide com as graves revelações trazidas em capítulos pela Polícia Federal, que desnudam aspectos perturbadores da imbricação da política com o crime organizado no estado. A campanha do até aqui favorito Eduardo Paes — que já teria o foco na pregação pela necessidade de sanear a estrutura do estado dessa infiltração — se fortalece a partir de indícios da proximidade que se mostra cada vez maior da gestão de Castro com diferentes modalidades da estrutura criminosa do Rio. Para Flávio, o ex-governador e seu grupo se tornam aliados para lá de incômodos, levando para a campanha presidencial temas que ele gostaria de afastar e colocando em perspectiva a pregação cara à direita de que tem a solução para a segurança pública, problema apontado como mais grave pelos brasileiros em quase todas as pesquisas. Para Lula, a dor de cabeça em termos de palanque capenga se localiza em Minas Gerais. Todas as tentativas de construir uma candidatura minimamente competitiva ao governo do estado que responde pelo segundo maior eleitorado do Brasil se revelaram tiros n’água. Agora, o presidente passa pelo constrangimento de ver o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos lavarem roupa suja em público diante da tentativa do partido de praticamente obrigá-la a abrir mão da candidatura ao Senado para ir para o sacrifício e disputar o governo. Isso tudo depois que Rodrigo Pacheco deu de ombros aos apelos de Lula para que topasse a missão para lá de inglória diante da guinada política que fez nos últimos oito anos, resultando na desconfiança geral dos mineiros a respeito de que apito ideológico o ex-presidente do Senado toca, afinal. Não que o time da direita esteja arrumadinho em Minas, longe disso. A indefinição do senador Cleitinho (Republicanos) — um estranhíssimo caso de favorito nas pesquisas que não decide logo se será candidato — e a dificuldade do governador Mateus Simões (PSD), substituto de Romeu Zema, de decolar tornam ainda nebuloso quem será o puxador de votos para Flávio e quanto ele terá de dividir espaço com os demais presidenciáveis da centro-direita (o próprio Zema e Ronaldo Caiado, que vem a ser do partido do governador). Só São Paulo, o mais nevrálgico dos territórios do Sudeste, está com o roteiro da disputa bem definido entre Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição, e Fernando Haddad, recebedor da tão crucial quanto difícil incumbência de repetir a perfomance razoável de 2022, que assegurou a Lula um número de votos fundamental para vencer por pouco no país.
O artigo analisa os desafios enfrentados por Lula e Flávio Bolsonaro na montagem de palanques eleitorais no Sudeste para a eleição de 2026, destacando a importância estratégica da região. No Rio de Janeiro, o grupo bolsonarista sofre com a instabilidade causada pela Operação Unha e Carne, que atingiu aliados do ex-governador Cláudio Castro e expôs ligações entre política e crime organizado. Isso fortalece a candidatura de Eduardo Paes e cria constrangimentos para Flávio Bolsonaro, especialmente no tema da segurança pública. Em Minas Gerais, Lula enfrenta dificuldades para viabilizar uma candidatura competitiva ao governo estadual. Há conflitos internos no PT e falta de nomes fortes, agravados pela recusa de Rodrigo Pacheco em disputar o cargo. O cenário também é incerto para a direita, com indefinições sobre candidaturas e lideranças. Já em São Paulo, a disputa está mais clara, com Tarcísio de Freitas como favorito à reeleição e Fernando Haddad como principal adversário, repetindo a polarização anterior. O texto conclui que, apesar da centralidade do Sudeste, os principais candidatos enfrentam fragilidades importantes na região.
sexta-feira, 3 de julho de 2026 A dura realidade aonde a política não chega, por Fernando Gabeira O Estado de S. Paulo Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades Às vezes, as coisas muito próximas são universais. Hesito em escrever sobre o que vejo no cotidiano no Rio de Janeiro, mas não deveria: é algo importante para o País e com grande possibilidade de espalhar-se por todos os cantos. Encontrei na rua uma amiga e perguntei se estava tudo bem: “Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta”. Ela vive numa favela chamada Rio das Pedras, dominada por uma milícia acossada pelo tráfico de drogas que quer o domínio do território. No mesmo dia, encontrei, acidentalmente, um homem que empurrava sua bicicleta na feira. Ele vinha da Muzema, uma comunidade que fica no início da Barra da Tijuca. Lá em casa, disse ele, o tiroteio é quase toda noite: a área é dominada pelo Comando Vermelho. Assim vivem milhões de pessoas no Rio. No território dominado, quem manda é o crime organizado, que vende gás, controla o transporte alternativo e inclusive escolhe algumas meninas para serem suas amantes. O preço da recusa é a morte ou então a mudança precipitada do lugar. O crime organizado tem uma grande influência política. Ele define quais candidatos podem entrar em sua área. Considerando que controla metade da cidade, ajuda a definir a bancada de eleitos. A penetração no tecido político é evidente: os últimos governadores foram presos, assim como deputados e um presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O que é mais doloroso é examinar o conjunto de políticas que visam a solucionar o problema e constatar que nenhuma delas consegue trazer uma esperança real. O que não significa que essas políticas não sejam desejáveis. A PEC da Segurança que está parada no Senado parte de um princípio fundamental: a unificação das forças federais e estaduais no combate ao crime organizado. Isso pode aumentar a eficácia da segurança pública, mas não responde à questão básica: a reconquista permanente do território ocupado, hoje um fenômeno que se exportou para o Nordeste. Da mesma forma, a iniciativa americana de definir dois grupos como terroristas e partir para uma guerra de destruição é bastante limitada. Nas condições existentes, a eliminação de um grupo dará lugar a outro e eles vão se suceder enquanto as condições político-sociais prevalecerem. O combate e a morte de alguns criminosos servem apenas para atenuar, na opinião pública, essa sensação de ineficácia. O verdadeiro projeto nunca aparece e ele, certamente, passa pela presença do Estado nessas áreas com os seus serviços essenciais funcionando. A resposta para a inexistência de um projeto de liberação permanente das áreas ocupadas é falta de dinheiro e pessoal. Se não há dinheiro em orçamentos tão generosos como o brasileiro, então não há solução. Se somos incapazes de definir a soberania nacional sobre nossos territórios, ficaremos reduzidos a uma guerra assimétrica. E elas nunca são favoráveis ao lado mais forte. Graças às condições favoráveis de que desfrutam no território, esses grupos vão sobreviver mesmo com as campanhas repressivas. No Rio, obtêm armamentos modernos, se empossam da tecnologia e já estão em plena guerra de drones. Muitos especialistas falam em ir atrás do dinheiro do crime organizado e enfraquecê-lo a partir da drenagem de seus recursos. É uma ótima tática. Na vida cotidiana, entretanto, o crime organizado produz seu rendimento pela simples exploração do território: venda de gás, transporte alternativo, taxas de segurança. Tudo isso tem muita importância e, às vezes, rende mais do que o próprio tráfico de drogas. Os Estados Unidos optaram pela guerra para evitar que a droga entre em seu território. Nessa nova versão da muitas vezes fracassada guerra às drogas, bombardeiam barcos no Pacífico e no Caribe. O tráfico de drogas é um grande problema nas suas relações com o México. Com um sério trabalho de inteligência é possível reduzir o trânsito da droga pelo território brasileiro. Mas ver barcos bombardeados e supor que estamos atacando o verdadeiro problema no Brasil é fugir da realidade. Por isso, com todo o respeito que tenho por especialistas, não acredito muito em soluções que ignorem o clamor de milhões de pessoas, que querem andar livres, escolher livremente o que compram, proteger suas filhas dos predadores do crime, conversar com candidatos que não precisem de licença para entrar na favela. Sei que esse futuro ainda está distante. Não deveríamos esquecer esses milhões de brasileiros nos territórios ocupados quando falamos orgulhosamente de soberania nacional. Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades. O alarme soa alto, mas ainda é muito pouco ouvido. Candidatos à Presidência e aos governos dos Estados deveriam ser questionados seriamente sobre a liberação territorial no Brasil. No mínimo, por solidariedade aos milhões de oprimidos. •
O artigo descreve a realidade da violência e do domínio do crime organizado no Rio de Janeiro, onde milícias e facções controlam territórios, impõem regras à população e influenciam a política local. Milhões de pessoas vivem sob esse controle, enfrentando tiroteios constantes e restrições à liberdade. O autor argumenta que, embora existam propostas de combate — como a integração das forças de segurança ou o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas —, nenhuma resolve o problema central: a retomada permanente dos territórios pelo Estado com presença efetiva de serviços públicos. Ele alerta que, sem um projeto consistente e recursos adequados, o país continuará enfrentando uma guerra desigual, na qual o crime tende a se manter forte. O problema, segundo o texto, já se espalha para outras regiões e pode atingir todo o Brasil. Por fim, defende que candidatos devem ser cobrados por soluções concretas para libertar essas áreas, em solidariedade às populações que vivem sob o domínio do crime.
Carta de Flávio a Trump é tiro no pé que favorece Lula Publicado em 03/07/2026 - 08:01 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Economia, Eleições, EUA, Exportações, Governo, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Tecnologia, Terrorismo Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável A carta enviada por Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento por 180 dias do tarifaço contra produtos brasileiros, eleitoralmente é um tiro no próprio pé para o pré-candidato do PL, além de muito tóxica para as negociações diplomáticas do Brasil com a Casa Branca. O senador atropelou a linha de negociação conduzida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deslocou o contencioso do terreno técnico para o palanque eleitoral e mostrou falta de coesão política do país na defesa dos interesses brasileiros que estão em jogo. O candidato de oposição entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de bandeja, a bandeira da soberania na campanha eleitoral. Repetiu o mesmo equívoco de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos e comemorou o tarifaço como se fosse uma grande vitória da oposição. Deu errado. Lula estancou a queda e voltou a subir nas pesquisas eleitorais. Em vez de enfraquecer o governo, a carta de Flávio reforça a narrativa oficial de que a família Bolsonaro atua para internacionalizar a crise política brasileira e instrumentalizar interesses externos contra o próprio país. Leia também: Tarifaço dos EUA entra no centro da disputa eleitoral no Brasil Mas a crise tarifária com os EUA tem bases mais objetivas do que eleitorais. Nasce de um contencioso comercial complexo, decorrente da disputa comercial com a China e da reestruturação das cadeias globais de valor. Os Estados Unidos concluíram, em junho, a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a Washington retaliar parceiros quando considera que eles adotam práticas comerciais “desleais” ou “desarrazoadas”. No caso brasileiro, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) reuniu no mesmo balaio comércio digital e o funcionamento do Pix; decisões judiciais envolvendo plataformas digitais; tarifas preferenciais no âmbito do Mercosul e de acordos com Índia e México; acesso ao mercado de etanol; propriedade intelectual; combate à corrupção; e desmatamento ilegal. O governo brasileiro reagiu com prudência. Um documento de 29 páginas, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, tecnicamente, rebate ponto a ponto as acusações norte-americanas e sustenta que boa parte da agenda levantada por Washington não diz respeito a comércio, mas a opções regulatórias, institucionais e soberanas do Estado brasileiro. Na verdade, a negociação conduzida pelo Itamaraty não se limita a uma briga tarifária, questiona o alcance da Seção 301 e o direito de os Estados Unidos transformarem divergências em matéria de política interna brasileira, como a regulação de plataformas, a estrutura do Pix, decisões do STF e o combate ao desmatamento, em razões para sanções econômicas. O Brasil, nas conversas com a Casa Branca, tenta isolar os litígios comerciais das disputas políticas e ideológicas. Ou seja, defende uma política de Estado. Sua atuação é institucional e preserva canais de diálogo, ao discutir cada item da pauta em bases técnicas e evitar a contaminação pela polarização eleitoral. Implosão diplomática Nesse sentido, a carta de Flávio implode o esforço diplomático brasileiro. O senador pede que as tarifas não sejam aplicadas agora, mas só depois das eleições presidenciais. Ou seja: em vez de afirmar que as tarifas são injustas, indevidas ou lesivas ao interesse bilateral, ele argumenta que a sua adoção imediata poderia beneficiar Lula politicamente. A essência do apelo é eleitoral, não comercial. “As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando”, escreveu para sustentar que a medida “recompensaria o atual governo brasileiro”. Ao pedir apenas o adiamento da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção norte-americana. Esse é o “xis” do problema. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável — desde que aplicado num momento politicamente conveniente à oposição. Ou seja, tira o tapete da diplomacia brasileira, quando o Itamaraty tenta convencer Washington de que a escalada tarifária é inadequada, desproporcional e fundada em premissas equivocadas. Leia mais: O que Flávio prometeu a Trump caso seja eleito sobre Pix, Mercosul e redes sociais Flávio sinalizou aos norte-americanos que o problema não é o mérito da retaliação, mas o seu timing eleitoral. A carta, assim, enfraquece a tese brasileira de que a medida é injustificável e reforça a percepção de que o litígio comercial virou peça de uma disputa interna pelo poder. De certa forma, Lula percebeu a oportunidade e subiu o tom contra seu adversário. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço, agora ou depois”, escreveu nas redes sociais. Classificou a carta como “inaceitável” e criticou o “entreguismo” da família Bolsonaro, ao afirmar que o clã quer submeter o Brasil a interesses norte-americanos. Ao conectar a carta ao Pix e ao Mercosul, Lula transformou o episódio numa peça de campanha sobre soberania, desenvolvimento e defesa do interesse nacional. O presidente vinha “jogando parado”, ao valorizar a liturgia do cargo, administrar a máquina pública e evitar antecipar o embate central de 2026. A carta de Flávio ofereceu um atalho para Lula ocupar o terreno do nacionalismo econômico sem abdicar do cosmopolitismo e do multilateralismo. Pode ser que um objetivo subjacente do filho 01 de Jair Bolsonaro tenha sido mudar a agenda de sua campanha da crise com Michele Bolsonaro para a política externa. Porém, na prática, deu ao presidente a possibilidade de falar como defensor da pátria. Nas entrelinhas: todas as colunas diariamente no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Flávio, #Michele, #Tarifaço, #Trump, Lula
O texto argumenta que a carta de Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento — e não a revogação — de tarifas contra produtos brasileiros, foi um erro político e diplomático. Ao fazer isso, ele acaba legitimando a sanção e enfraquecendo a posição oficial do Brasil nas negociações conduzidas pelo Itamaraty. Segundo o autor, a atitude favorece Lula eleitoralmente, ao reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional e permitir que o presidente explore politicamente o episódio. Além disso, a carta desloca uma questão técnica e comercial para o campo eleitoral, prejudicando a coesão do país. O texto também destaca que o conflito com os EUA é complexo, envolvendo disputas comerciais, regulação interna e geopolítica, e que o governo brasileiro tenta tratá-lo de forma institucional. Ao contrário disso, a ação de Flávio politiza o tema e enfraquece a estratégia diplomática. Por fim, conclui que o episódio deu a Lula uma oportunidade de se posicionar como defensor dos interesses nacionais, enquanto expôs fragilidades da oposição. "ASSEMBLEIA DE 533 EMPREENDEDORES INDIVIDUAIS" Lavareda falou Síntese A eleição reflete uma democracia com baixa conexão entre partidos e sociedade, onde parte do eleitorado está distante ou descrente, e a política institucional não consegue mobilizar nem representar plenamente. Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, cordovil, cachambi, olerê Madureira, Olaria e Bangu, olará Cascadura, Água Santa, Acari, olerê Ipanema e Nova Iguaçu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil 🎥 Vídeo 🔗 Links https://www.letras.mus.br/maria-rita/querelas-do-brasil/ https://www.youtube.com/watch?v=R6PdhOFCNXI&t=182s Querelas do Brasil De Maurício Tapajós e Aldir Blanc O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti Iliaana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki ataúde Piá-carioca, porecramecrã Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha Sert