Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 10 de maio de 2026
Dinheiro, direito e política, por Pedro S. Malan
Mães, feliz dia!
'Todo governo responsável deve tentar manter a inflação sob controle',
diz Malan na CasaFolha
'Em janeiro de 1961, em seu pronunciamento de despedida da Presidência dos EUA, Dwight Eisenhower utilizou publicamente pela primeira vez a expressão “Complexo Industrial Militar”.'
'Nos dias atuais, a expressão mais apropriada talvez fosse “complexo digital-industrial-militar”, dado o peso crescente das grandes empresas de tecnologia e o inexorável uso da inteligência artificial na indústria de armamentos.'
📰 EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA
OPINIÃO & MOVIMENTO
Maio de 2026 — Em memória de Raimundo Rodrigues Pereira
EDITORIAL
A frase que atravessa décadas — “há dois tipos de jornalistas: os que gostam de informação e os que gostam de dinheiro” — permanece como uma dessas sentenças que sobrevivem menos pela autoria do que pela utilidade. Atribuída, negada, nunca plenamente assumida, ela carrega o peso de um tempo em que a fronteira entre notícia e interesse era, deliberadamente, embaralhada.
Mais do que um julgamento moral sobre a imprensa, a frase revela um método. Não se trata apenas de classificar jornalistas, mas de estabelecer uma lógica de poder: a informação como mercadoria, o acesso como moeda, a influência como instrumento. Nesse terreno, o jornalismo deixa de ser mediação pública e passa a operar como engrenagem de projetos políticos.
A trajetória do personagem a quem se atribui a sentença ajuda a compreender seu alcance. Médico de formação, mas forjado politicamente no interior do regime militar, ele ascende como operador de comunicação antes mesmo de se consolidar como figura institucional. Ocupa ministério estratégico, governa um dos estados mais importantes do país, transita entre Câmara e Senado com desenvoltura — sempre orbitando o núcleo duro do poder.
Não se trata de um percurso qualquer. É o itinerário de quem entendeu cedo que controlar a narrativa é tão decisivo quanto controlar a máquina administrativa. Dossiês, vazamentos, versões plantadas — práticas que hoje se digitalizaram — já compunham, em versão analógica, um repertório sofisticado de intervenção no debate público. As célebres “pastinhas” não eram apenas arquivos: eram instrumentos.
As controvérsias que marcaram essa carreira não são desvios, mas parte do mesmo sistema. A acusação de manipulação de votações, a pecha de “pianista”, os episódios de constrangimento público — tudo isso aponta para uma concepção de política em que os meios raramente são questionados, desde que os fins sejam preservados.
É nesse ponto que o contraste se impõe. De um lado, a prática que transforma informação em ativo negociável. De outro, uma tradição de jornalismo que, mesmo sob censura, perseguição e escassez, insistiu em tratar a informação como bem público.
A morte recente de um dos representantes mais íntegros dessa tradição recoloca o problema em termos históricos. Pertencente à geração que enfrentou a ditadura não apenas com palavras, mas com estruturas alternativas de imprensa, ele ajudou a construir espaços onde a notícia não se submetia ao cálculo imediato do poder. Não por ingenuidade, mas por convicção.
É difícil imaginar que alguém com essa trajetória aceitasse com naturalidade a lógica implícita na frase. Não por desconhecer suas engrenagens — ao contrário, conhecia-as profundamente —, mas porque sabia o preço que se paga quando o jornalismo abdica de sua função crítica. Diante de fontes poderosas, especialmente aquelas cujo capital político se construiu também pela manipulação da informação, a desconfiança não era um gesto de estilo, mas uma exigência ética.
Talvez, no fim, a frase esteja incompleta. Não há apenas dois tipos de jornalistas. Há também aqueles que compreendem o jogo e, ainda assim, escolhem não jogá-lo. São esses que, em tempos de confusão deliberada entre interesse e verdade, mantêm de pé a ideia — cada vez mais rara, mas ainda indispensável — de que informar não é negociar, é esclarecer.
REPORTAGEM ESPECIAL
Poder, informação e controle: o método de Antônio Carlos Magalhães
A longa trajetória de Antônio Carlos Magalhães — o ACM — confunde-se com a própria história política recente do Brasil. Nascido em Salvador em 1927, médico de formação, construiu sua carreira a partir da União Democrática Nacional (UDN), consolidando-se como uma das figuras mais influentes da Bahia e do país.
Durante o regime instaurado após o Golpe de 1964, ACM tornou-se um operador central. Nomeado prefeito de Salvador e posteriormente governador da Bahia, atuou em estreita articulação com o poder militar. Sua ascensão prosseguiu no período democrático, quando ocupou o Ministério das Comunicações e se firmou como liderança no Congresso Nacional.
No Senado, onde exerceu a presidência entre 1997 e 2001, consolidou um estilo político marcado pela centralização e pelo controle rigoroso de aliados e adversários. A expressão “carlismo” passou a designar não apenas um grupo político, mas um modo de operar — baseado na lealdade, na força e no domínio da informação.
Seus críticos apontam que esse domínio frequentemente se apoiava em mecanismos de influência sobre a imprensa, incluindo vazamentos seletivos e produção de dossiês. Seus apoiadores, por outro lado, destacam sua capacidade de articulação e o papel desempenhado na modernização da infraestrutura baiana.
ACM faleceu em 2007, ainda no exercício do mandato de senador, deixando um legado simultaneamente reconhecido e contestado.
PERFIL
Raimundo Rodrigues Pereira: jornalismo como resistência
Nascido em Exu (PE), em 1940, Raimundo Rodrigues Pereira pertence a uma geração marcada pelo confronto direto com a ditadura. Estudante do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi expulso em 1964 por razões ideológicas e preso no contexto do novo regime.
Após a prisão, retomou os estudos na Universidade de São Paulo, formando-se em Física, mas foi no jornalismo que encontrou seu campo de atuação. Iniciou na imprensa técnica e alcançou veículos de grande circulação, até assumir, em 1972, a direção do semanário Opinião.
Em 1975, liderou a criação do jornal Movimento, um dos mais importantes veículos da chamada imprensa alternativa. Publicado sob censura e constante pressão, o jornal tornou-se espaço de crítica política e reflexão intelectual, resistindo até 1981.
Raimundo nunca se filiou formalmente a partidos políticos, mas sua atuação foi decisiva na construção de um jornalismo independente, comprometido com a informação como bem público — em contraste com práticas de instrumentalização da notícia.
Faleceu em 2 de maio de 2026, aos 85 anos, deixando uma trajetória marcada pela coerência e pela resistência.
NOTAS DA REDAÇÃO
🗂️ As “pastinhas” antes do digital
Antes da informatização dos arquivos, a organização de informações políticas passava por métodos físicos. No caso de figuras centrais do poder, relatos recorrentes mencionam a existência de dossiês organizados manualmente — instrumentos de pressão e negociação política.
🎙️ Jornalismo sob pressão
Durante a ditadura, veículos como Opinião e Movimento enfrentaram:
censura prévia
apreensão de edições
atentados contra bancas
processos judiciais
Ainda assim, mantiveram circulação e influência no debate público.
⚖️ Ética e poder
A tensão entre jornalismo e poder político permanece atual. A distinção entre informar e influenciar continua sendo um dos principais desafios da prática jornalística.
ANEXOS HISTÓRICOS
📌 Anexo I — Trajetória de Antônio Carlos Magalhães
Resumo biográfico com destaques:
Nascimento: 1927, Salvador (BA)
Formação: Medicina
Carreira política:
UDN (anos 1950)
Prefeito de Salvador (1967)
Governador da Bahia (1971 e 1979)
Ministro das Comunicações
Senador e presidente do Congresso
Perfil:
liderança centralizadora
forte articulação política
Falecimento: 2007
📌 Anexo II — Trajetória de Raimundo Rodrigues Pereira
Nascimento: 1940, Exu (PE)
Formação:
ITA (interrompido)
Física pela USP
Perseguição política:
prisão em 1964
detenção no DEOPS e Base Aérea
Atuação jornalística:
direção do Opinião (1972)
fundação do Movimento (1975)
Legado:
imprensa alternativa
resistência à ditadura
Falecimento: 2026
FECHO DA EDIÇÃO
Entre a frase que divide jornalistas e a prática que os define, esta edição extraordinária propõe um registro: há momentos históricos em que informar não é apenas relatar — é resistir.
E é nessa linha tênue, entre o poder e a palavra, que se inscrevem tanto os personagens quanto os conflitos aqui revisitados.
sábado, 9 de maio de 2026
O parlamentarismo inconcluso, por Marcus Pestana
Em 1988, coroamos o processo de redemocratização do país. Foi uma transição peculiar: negociada, pacífica, original e longa. A travessia percorrida iniciou-se com a Lei da Anistia, passou pela vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, culminando com as eleições diretas para presidente da República. Mas o ápice, dos dez longos anos de transição, foi a promulgação do novo texto constitucional, apelidado por Ulysses Guimarães de “Constituição Cidadã”.
O texto consolidou direitos democráticos individuais e coletivos, organizou os poderes da República, ampliou direitos sociais. Um traço inequívoco da nova Constituição é seu espírito parlamentarista. Foi previsto e realizado, em abril de 1993, o plebiscito para que a população escolhesse a forma e o sistema de governo. A República derrotou a Monarquia. O presidencialismo deu uma goleada no parlamentarismo, reafirmando a cultura política dominante no Brasil. Sobreviveu uma contradição: um sistema presidencialista coabitando com um texto constitucional de índole parlamentarista.
Passou a ser essencial para a governabilidade o presidente da República formar maioria parlamentar. Collor já havia sido afastado por falta de apoio congressual diante da explosão de denúncias de corrupção. Itamar Franco assumiu com grande solidariedade multipartidária, já que o Congresso Nacional se sentia responsável pela derrubada do primeiro presidente eleito pós redemocratização e guardava grande receio de retrocessos. FHC, eleito em 1994 e 1998, governou dentro da lógica do “presidencialismo da coalizão”, basicamente apoiado por três partidos políticos (PSDB, PMDB e PFL).
Cuidamos mal do sistema eleitoral e das regras que regem a vida partidária. Inventamos um método de escolha da representação único no mundo. Uma jabuticaba de baixa qualidade: o voto nominal proporcional, sem ancoragem territorial ou programática. O mandato é partidário, o cálculo das vagas tem lógica coletiva, mas o voto é nominal, pessoal. Não houve barreiras à excessiva pulverização da representação. A fidelidade partidária é baixa. O conteúdo ideológico é ralo. A democracia interna nos partidos é frágil. As emendas parlamentares e o financiamento público deram autonomia aos deputados e senadores. Resultado: em 2022, elegemos um presidente de esquerda e um Congresso predominantemente conservador. Consequência: na penúltima semana, o presidente colheu duas graves derrotas, deixando interrogações no ar.
Após a corrosão do “presidencialismo de coalizão”, houve diversas tentativas para contornar a desconexão entre Executivo e representação parlamentar: cooptação, confrontação, rendição. Chegamos ao “estado da arte” atual, um parlamentarismo inconcluso: um Congresso com grande poder político decisório, sem a reponsabilidade proporcional sobre a governabilidade e a boa governança.
Independente de direita, esquerda ou centro, como predomina o pragmatismo individualista, qualquer presidente terá enorme dificuldade de formar maioria estável e sólida. Vale revalorizar a escolha feita no governo Temer, que a partir do diagnóstico correto da contradição central do nosso sistema político, levou o Congresso para dentro do governo, numa experiência prática semipresidencialista, responsabilizando-o pelas escolhas a serem feitas e suas consequências.
O texto de Marcus Pestana oferece uma lente crítica para analisar a relação entre a Prefeita Margarida Salomão e o Vice-Prefeito Marcelo Detoni em Juiz de Fora. A tese central do autor é que vivemos um "parlamentarismo inconcluso", onde o Executivo precisa ceder poder real ao Legislativo e a parceiros políticos para garantir estabilidade.Abaixo, os pontos de conexão entre o artigo e a realidade política local de Juiz de Fora:
1. A Necessidade da Coalizão
Pestana argumenta que o presidencialismo brasileiro exige a formação de maiorias estáveis.
Aplicação Local: Margarida Salomão (PT), vinda de um campo de esquerda, escolheu Marcelo Detoni (PSB), um empresário com perfil moderado e trânsito no setor produtivo.
Objetivo: Essa aliança replica a lógica do "presidencialismo de coalizão" no nível municipal, visando evitar a paralisia do governo perante uma Câmara Municipal plural e pragmática.
2. O Vice como Articulador (Semipresidencialismo Prático)
O autor menciona a experiência do governo Temer de "levar o Congresso para dentro do governo".
Aplicação Local: Detoni não ocupa apenas um cargo figurativo. Ele atua como o braço de articulação política.
Função: Ao delegar ao vice a interlocução com vereadores e setores econômicos, a prefeita aplica o conceito de "responsabilização compartilhada" citado no texto, tentando mitigar o "pragmatismo individualista" dos parlamentares locais.
3. A Contradição do Sistema Eleitoral
Pestana critica a "jabuticaba" do voto proporcional sem ancoragem programática, que gera fragmentação.
Conexão: Em Juiz de Fora, a fragmentação da Câmara exige que a parceria entre Prefeita e Vice seja o sustentáculo da governabilidade. Sem a figura mediadora de um vice bem aceito por diferentes espectros (como é o caso de Detoni), a prefeita teria a "enorme dificuldade de formar maioria estável" mencionada por Pestana.
4. Gestão de Crises e Derrotas
O texto aponta que o Executivo tem sofrido derrotas graves quando há desconexão com a representação parlamentar.
O papel do Vice: Em Juiz de Fora, a função política de Detoni é justamente evitar essas "interrogações no ar". Ele atua para que o projeto do Executivo não seja barrado pela falta de "responsabilidade proporcional" do Legislativo sobre a boa governança.
📌 Resumo da Análise:Para Pestana, o sistema atual é disfuncional sem uma cooperação profunda. No caso de Juiz de Fora, a parceria Margarida-Detoni é a tentativa prática de resolver a "contradição central" do sistema político brasileiro: unir a legitimidade do voto majoritário (Prefeita) com a necessidade de pacificação e negociação constante com o poder decisório dos representantes locais (papel do Vice).
"Senoide de Juiz de Fora do mirante: no meio do caminho havia os trilhos e, às suas margens, a sede da Prefeitura."
Abaixo, o fragmento transfigurado pelo estilo memorialista de Pedro Nava, fundindo o detalhe topográfico à vertigem do tempo:
Daquela escarpa de vento e névoa — o mirante onde a cidade se entrega como um corpo em decúbito — a vista não apenas alcança; ela padece a geografia. Juiz de Fora desenhava-se ali sob a geometria de uma senoide obsessiva, uma ondulação de telhados e ladeiras que subiam e desciam no ritmo de uma respiração asmática de província.
No centro dessa sístole e diástole urbana, o vulto de ferro: os trilhos. Havia, sim, no meio do caminho, essa cicatriz metálica, o rastro frio da Central do Brasil cortando a carne da terra com a indiferença de um destino grego. E plantada ali, na beira desse abismo horizontal onde o trem range sua liturgia de fumaça, erguia-se a Sede da Prefeitura. Monumento de burocracia e pedra, vigiando as margens do trilho como se o poder político buscasse, no aço das locomotivas, a mesma rigidez cega do tempo que passa, apita e não retorna. Era o encontro do efêmero ferroviário com a solidez fingida do Paço, ambos banhados pela luz melancólica de uma Minas que se sonha industrial enquanto se perde em lembranças.
domingo, 10 de maio de 2026
Dinheiro, direito e política, por Pedro S. Malan
O Estado de S. Paulo
Toda sociedade produz hierarquias, desigualdades e conflitos de razão e interesse. Mas democracias dignas deste nome procuram combater excessos
A oligarquia dos Poderes e a crise da democracia é o título do livro de Joaquim Falcão, prestes a ser publicado. Foi Falcão quem me presenteou, anos atrás, com How Democratic is the American Constitution?, livro de Robert Dahl, um dos mais influentes cientistas políticos norte-americanos no século 20, falecido em 2014. Nessa obra, Dahl formula uma pergunta que considera tão relevante quanto assustadora: “Será que os Poderes constitucionais dos Estados, do governo federal e dos três ramos principais deste último são apropriados para as nossas necessidades e valores democráticos de hoje?”
Dahl lembra que direitos implicam deveres e também oportunidades: o que significaria liberdade de expressão se não houvesse oportunidade de se manifestar livremente? E acrescenta um quarto elemento: os recursos para o exercício de direitos e oportunidades (e deveres), cujo caráter indispensável o autor ilustra ao auxílio de cenário ficcional.
Trata-se de uma reunião com alto número de participantes e que deve alcançar importante decisão. O moderador anuncia que, para assegurar a todos a liberdade de expressão, o uso da palavra estaria limitado a dois minutos. Até aí tudo parece razoável. Deixa de sê-lo quando acrescenta: “Depois que todos que quiserem falar tiverem exercido esse direito, cada minuto adicional será leiloado para quem der o lance mais alto”. A grita dos cidadãos reunidos seria imediata e contundente. Mas prossegue Dahl: “No entanto, essa foi a decisão da Corte Suprema dos EUA no famoso caso Buckley versus Valeo (1976).” A Corte decidiu que a garantia de liberdade de expressão da Primeira Emenda da Constituição dos EUA restava violada pela legislação eleitoral por força da imposição de limites de gastos a candidatos ou seus simpatizantes. Gastar dinheiro para difundir mensagens políticas constitui, no entendimento da Corte, forma de expressão protegida pela Constituição. Tendo reconhecido a complexidade da discussão, Dahl conclui que “existem falhas profundas numa constituição se a mais alta corte judiciária do país pode interpretá-la de modo a impor barreira intransponível à obtenção de grau satisfatório de igualdade política entre seus cidadãos”.
Passadas duas décadas dessa pertinente reflexão, o aumento expressivo da concentração de riqueza observado desde então tornou ainda mais relevante e oportuna a preocupação com o poder do dinheiro nas eleições. Em particular, por meio dos chamados super PACs (“political action committees”), que não podem doar diretamente a campanhas, mas podem gastar sem limites em propaganda política (nas redes sociais, internet, televisão) e que constituem o veículo por excelência de apoio financeiro de megadoadores.
Em janeiro de 1961, em seu pronunciamento de despedida da Presidência dos EUA, Dwight Eisenhower utilizou publicamente pela primeira vez a expressão “Complexo Industrial Militar”. No discurso, alertou para o crescente poder da aliança entre as Forças Armadas, a indústria de armamentos e interesses políticos associados. A expressão teve enorme repercussão à época porque Eisenhower havia sido presidente por dois mandatos e comandante supremo das forças aliadas na Europa. Não lhe faltavam, portanto, credenciais para alertar contra o risco de pressão pela agudização de conflitos, levando a um estado permanente de mobilização para a guerra.
Nos dias atuais, a expressão mais apropriada talvez fosse “complexo digital-industrial-militar”, dado o peso crescente das grandes empresas de tecnologia e o inexorável uso da inteligência artificial na indústria de armamentos. A propósito, Trump encaminhou ao Congresso norte-americano pedido de aumento do orçamento de Defesa para US$ 1,5 trilhão no ano fiscal que começa em 1.º de setembro deste ano. O orçamento para o ano fiscal 2025/2026 já havia sido 20% maior do que o do ano anterior. Estamos no quarto ano da guerra na Ucrânia. Estamos também no terceiro mês da guerra no Oriente Médio, e sem perspectiva de solução duradoura à vista.
Exatos cem anos atrás, Whitehead escreveu: “It is the business of the future to be dangerous.” A continuação dessa frase é igualmente importante: “And it is among the merits of science to equip the future for its duties” (e está dentre os méritos da ciência o de equipar o futuro para suas tarefas). A tecnologia pode prestar enormes serviços para o progresso da humanidade nas áreas de saúde, educação, energia, clima e meio ambiente, mas também, infelizmente, para a violência e o conflito. E, se é verdade que a guerra, a violência e o conflito têm um longo passado, também é verdade que parecem ter um longo futuro.
Toda sociedade produz hierarquias, desigualdades e conflitos de razão e interesse. Mas democracias dignas deste nome procuram combater excessos de velhas e novas formas de desigualdades, conter inclinações autoritárias e lidar com conflitos sem recurso à violência ou apelos a pretensos “salvadores da pátria”. A exemplo da obra de Dahl, o livro de Falcão também faz perguntas assustadoras que têm relevância e importância, e avalia como estamos nesse processo no Brasil de hoje.
Mães, feliz dia! •
domingo, 10 de maio de 2026
O conto noir, o detetive durão, os negócios da política e o caso Master, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O avanço das apurações do caso Master produzirá reações políticas cada vez mais intensas. Ciro Nogueira não é um parlamentar periférico. É um dos líderes mais influentes do Centrão
“Pelas ruas vis deve passar um homem que não seja ele próprio vil, que não esteja maculado nem tenha medo. O detetive, nessa espécie de história, deve ser esse homem. Ele é o herói; ele é tudo. Deve ser um homem completo, um homem comum e, contudo, um homem incomum. Deve ser, para usar uma frase já bastante gasta, um homem de honra — por instinto, inevitavelmente, sem pensar nisso, e certamente sem dizê-lo. Deve ser o melhor homem de seu mundo e suficientemente bom para qualquer mundo.”
Essa passagem do ensaio literário A simples arte de matar (“The Simple Art of Murder”), de Raymond Chandler (LPM), é a melhor definição do herói noir dos romances policiais norte-americanos. O homem solitário, moralmente íntegro, mas mergulhado num mundo corrompido, no qual a fronteira entre crime e legalidade se tornou nebulosa. O herói atravessa uma sociedade decadente sem ilusões sobre justiça ou pureza como um Ulysses da sarjeta.
Essa é a ética noir. O herói não é um vencedor clássico nem um justiceiro absoluto. Ele vive cercado por corrupção, violência, políticos venais, policiais vendidos e milionários decadentes, mas preserva um código moral próprio. Sua integridade nasce da escolha pessoal e não das instituições. Sabe que não salvará o mundo. Sua função é apenas resistir à degradação sem se tornar parte dela.
O ensaio de Chandler foi um manifesto literário e moral e, ao mesmo tempo, a defesa do romance noir norte-americano como forma moderna de representação da sociedade urbana, corrupta e violenta do século XX. Expulsos de Hollywood pelo macartismo, antogos roteiristas, seus criadores transformaram o romance policial em literatura de crítica social.
Chandler considerava os enigmas dos autores policiais clássicos distantes da experiência real da violência. “O assassinato, que na realidade é uma tragédia, tornou-se uma espécie de jogo de salão”. O crime não é um quebra-cabeça abstrato. Em sua visão, a literatura policial precisava reencontrar o mundo concreto: ruas sujas, corrupção policial, chantagem, medo, desigualdade e decadência moral.
O assassinato não podia ser apenas um truque lógico; deveria revelar a própria estrutura da sociedade moderna. Em vez de lordes envenenados em mansões, surgem gângsteres, políticos corruptos, policiais vendidos, empresários inescrupulosos e mulheres fatais. O crime deixa de ser exceção e passa a integrar o funcionamento cotidiano da ordem social. Vira uma patologia, na definição clássica do antropólogo e sociólogo Émile Durkheim.
O detetive não é um herói triunfante, mas a consciência moral solitária num universo decadente. A literatura noir fez a crítica cultural da sociedade americana do pós-guerra. A expansão do capitalismo urbano, a corrupção institucional e a mercantilização das relações humanas criaram um ambiente em que a violência foi banalizada.
O novo patamar
As histórias ocorrem nas zonas cinzentas entre legalidade e crime, porque as instituições formais já não são plenamente confiáveis. Chandler mostra que o verdadeiro mistério não está apenas em descobrir quem matou, mas em compreender por que uma sociedade produz continuamente violência, cinismo e corrupção. Seu ensaio permanece como uma das reflexões mais sofisticadas já escritas sobre crime, literatura e modernidade.
Com todos os seus ingredientes, o caso Master dispensa a ficção de um romance policial noir. Banqueiros, executivos, políticos, magistrados, o cadáver de um suicida numa cela da PF. Uma história na qual a corrupção, mais do que naturalizada, é institucionalizada. A nova ação da Polícia Federal, o que há de mais competente e íntegro no sistema de segurança, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Seu foco são as relações entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o dono do banco Master, cujas revelações elevaram as investigações a um novo patamar.
Ao alcançar Nogueira, um dos principais articuladores do Centrão e figura estratégica da oposição ao governo Lula, a Polícia Federal ingressa numa zona sensível, na qual qualquer passo em falso pode comprometer não apenas o destino do inquérito, mas também a credibilidade das instituições encarregadas de conduzi-lo. A proximidade entre Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro já era conhecida nos bastidores de Brasília. Há outros políticos e magistrados no vasto círculo de amizade e, digamos, relações institucionais do banqueiro.
Pagamentos mensais, aquisição de participação societária com deságio expressivo, custeio de viagens internacionais e suposta elaboração de emenda constitucional pelo próprio banco são indícios de atividades criminosas, mas quem acompanha os bastidores da política sabe que esse modus operandi da “política como negócios” predomina no Congresso e contaminou o Judiciário. Quem quiser que atire a primeira pedra. O que espanta mais é a escala. O avanço das apurações produzirá reações políticas cada vez mais intensas.
Ciro Nogueira não é um parlamentar periférico. Trata-se de um dos líderes mais influentes do Centrão, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, presidente nacional do PP e peça-chave na articulação do conservadorismo brasileiro. Qualquer movimento contra ele terá repercussões no Congresso, nas alianças eleitorais de 2026 e nas relações entre a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF). Circunscrever o caso ao escândalo financeiro é a receita pronta para o inquérito virar uma pizza napolitana. Restará a literatura policial para um dia recontar essa história ao estilo noir.
Aqui vai um resumo claro e direto do texto:
🧠 Ideia central
O artigo usa o conceito do romance noir — especialmente o ensaio The Simple Art of Murder de Raymond Chandler — como metáfora para analisar o chamado “caso Master” na política brasileira.
🕵️♂️ A metáfora do noir
O noir retrata um mundo corrupto, violento e moralmente ambíguo.
O herói é um detetive solitário, com um código moral próprio, que não consegue mudar o sistema — apenas resistir a ele.
Para Chandler, o crime não é exceção, mas parte da estrutura da sociedade moderna (ideia próxima à visão de Émile Durkheim sobre o crime como fenômeno social).
👉 O autor sugere que essa lógica se aplica ao cenário político atual.
🏛️ O “caso Master”
Envolve investigações da Polícia Federal autorizadas pelo ministro André Mendonça.
Apura relações entre:
Ciro Nogueira (senador influente do Centrão)
Daniel Vorcaro (ligado ao banco Master)
Há suspeitas como:
pagamentos mensais
vantagens financeiras
relações políticas e empresariais próximas
⚖️ Interpretação do autor
O texto argumenta que:
A política brasileira funciona, em parte, como um sistema onde negócios e poder se misturam.
A corrupção não aparece como exceção, mas como algo estrutural e disseminado.
O caso pode gerar forte impacto político, pois envolve um líder importante do Congresso.
🔥 Risco institucional
Investigações envolvendo figuras centrais como Ciro Nogueira podem:
afetar alianças políticas
influenciar eleições futuras
tensionar relações entre instituições (PF, STF, Congresso)
Há o risco de o caso:
ser reduzido a um escândalo financeiro
ou acabar sem consequências (“virar pizza”)
🎭 Conclusão do texto
O autor sugere que a realidade política brasileira se aproxima de um romance noir:
cheia de zonas cinzentas
com corrupção disseminada
e sem heróis claros
👉 Se a verdade não for totalmente esclarecida, talvez reste apenas a literatura para contar essa história no futuro.
Se quiser,
COMO EXPLICAR A BAIXA APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA III? | Análise de Breno e Tom Altman
Opera Mundi
Transmitido ao vivo em 3 de mai. de 2026 #GovernoLula #OpiniãoPolítica #AprovaçãoGoverno
COMO EXPLICAR A BAIXA APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA III? | Análise de Breno e Tom Altman
00:00:00 - Abertura
00:02:50 - Devemos levar as pesquisas de opinião a sério
00:05:38 - A Culpa dos números ruins não é do povo
00:07:35 - Hipóteses para a desconexão entre os números da economia e a popularidade do governo
00:11:00 - O espírito anti-sistema dificulta o gradualismo do Gov. Lula III
00:15:01 - O método do gradualismo e o exemplo do 6x1
00:16:35 - Outros métodos possíveis para um governo com minoria no parlamento
00:18:35 - Não há percepção de desenvolvimento e de futuro
00:22:10 - O arcabouço fiscal e a taxa de juros
00:28:06 - Lula III esperava que o capital privado levasse ao desenvolvimento
00:29:54 - Os episódios econômicos que mancharam a imagem do Lula III
00:31:35 - O governo não tem projeto de desenvolvimento estrutural
00:35:55 - O lado negativo dos números positivos da economia
00:40:50 - A esquerda virou sistema?
00:49:10 - A fragilidade da frente ampla
00:51:40 - A comunicação do governo pode mobilizar a opinião pública?
00:55:20 - O governo consegue virar à esquerda?
01:02:02 - O Centrão sequestoru Lula
01:06:15 - É possível um congresso à esquerda em 2026
01:08:30 - A juventude não aprova o gradualismo de Lula
01:12:00 - Celebrar as conquistas não basta, é preciso avanços
01:16:14 - O desemprego da juventude e os avanços da direita
01:19:20 - A esquerda precida voltar a falar em socialismo
01:26:34 - Perguntas do público
01:58:15 - Encerramento
Se a economia vai bem, por que a popularidade do governo Lula III não acompanha? Essa é a pergunta que está no ar — e que muita gente evita encarar de frente. Afinal, os números parecem contar uma história positiva: crescimento econômico, inflação sob controle, real valorizado frente ao dólar, desemprego em queda histórica e salários avançando acima dos preços. O Brasil, inclusive, voltou a sair do mapa da fome. E tem mais: isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais, programas sociais retomados, iniciativas como o Pé-de-Meia ganhando corpo. No papel, o cenário é positivo. Mas, então, por que o sentimento popular parece caminhar na direção oposta? Por que, mesmo com indicadores favoráveis, o descontentamento é grande e as pesquisas mostram mais reprovação do que aprovação? Estamos diante de uma má política de comunicação? A ideologia e a religião passaram a pesar mais que o bolso? As fake news dominam o jogo? Fatos pontuais distorcem a percepção geral? Ou será que os números escondem uma realidade mais complexa, que não cabe nas planilhas? Neste episódio do “Análise com Breno Altman”, apresentado por Tom Altman, vamos tentar entender esse enigma.
sábado, 9 de maio de 2026
EXPLICAÇÃO: Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.
"Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo.
The Hard Hombre - Hoot Gibson - full length complete Western Movie BEST COPY
Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?"
RETRATOS
Sociólogos e Sociólogas brasileiras
O “Paco” Mineiro: da calçada ao mercado financeiro, a persistência da ilusão como método
Em Minas Gerais, o chamado “golpe do paco” — também conhecido como “conto do paco” ou, em sentido mais amplo, como “conto do vigário” — é uma dessas engrenagens clássicas da fraude que atravessam gerações sem perder sua eficácia. Não pela sofisticação, mas justamente pelo contrário: sua força reside na simplicidade quase teatral com que mobiliza a psicologia humana.
O paco, na origem, é apenas isso: um maço de papéis sem valor, cuidadosamente montado para parecer dinheiro verdadeiro. Uma nota autêntica à vista, um volume convincente nas mãos, e está pronta a encenação. O golpe se desenrola como uma pequena peça urbana — um objeto “perdido”, um estranho honesto, uma recompensa generosa — até que, no momento decisivo, a vítima é levada a trocar algo real por uma promessa ilusória. Quando percebe, já não há palco, nem atores — apenas o prejuízo.
Esse mecanismo, embora rudimentar, revela um princípio duradouro: a fraude não depende apenas do engano, mas da disposição da vítima em acreditar na vantagem.
A reinvenção do engano: quando o “paco” deixa de ser papel
O que chama atenção no cenário contemporâneo é que essa lógica não desapareceu — ela se sofisticou. O paco deixou de ser um maço de papel para assumir formas mais abstratas, porém igualmente enganosas.
Em ambientes financeiros complexos, a mesma estrutura pode ser observada sob novas roupagens: ativos sem lastro, operações opacas, estruturas jurídicas que “embalam” riscos como se fossem oportunidades. O papel picado é substituído por contratos; o elástico que prende o maço dá lugar a auditorias, relatórios e aparente conformidade técnica.
A essência, contudo, permanece intacta: algo que parece sólido por fora, mas que, examinado de perto, revela-se vazio.
A engenharia da aparência: onde entram a lavagem e o caixa paralelo
Se no golpe de rua a encenação precisa durar poucos minutos, nas versões sofisticadas ela exige sustentação prolongada. É nesse ponto que entram mecanismos como a lavagem de dinheiro e o caixa dois.
A lavagem atua como o “invólucro” moderno do paco: reorganiza fluxos financeiros, atravessa empresas e fundos, dilui origens e recompõe narrativas até que o ilícito adquira aparência de legitimidade. Já o caixa paralelo opera como infraestrutura invisível, permitindo que recursos circulem fora dos registros formais, alimentando relações, influências e garantias informais.
Não se trata mais de desaparecer com uma bolsa, mas de sustentar uma ficção econômica por tempo suficiente para que ela produza efeitos reais — e, sobretudo, lucros concretos.
Permanências e deslocamentos
A comparação entre o paco tradicional e suas versões contemporâneas revela menos uma ruptura do que uma continuidade adaptativa. Mudam os instrumentos, ampliam-se os valores, sofisticam-se os meios — mas o núcleo permanece:
a criação de uma vantagem aparente
a construção de confiança circunstancial
a troca entre o real e o ilusório
No plano da rua, o prejuízo é imediato e individual. No plano institucional, ele pode ser difuso, tardio e coletivo — atingindo investidores, fundos e, por extensão, a própria economia.
Conclusão: a anatomia da ilusão
O “paco”, em qualquer de suas formas, é antes de tudo uma pedagogia do engano. Ele expõe, com clareza quase didática, como a aparência de valor pode ser construída, sustentada e, por fim, desmontada.
Talvez por isso sobreviva ao tempo: porque não depende apenas de técnica, mas de algo mais profundo — a permanente tensão entre desconfiança e desejo de ganho. Entre o cálculo e a crença.
No fim, seja na calçada ou no mercado financeiro, o gesto fundamental é o mesmo: alguém entrega algo concreto em troca de uma promessa bem encenada. E é nesse instante — breve, decisivo — que o paco cumpre sua função essencial: transformar ilusão em prejuízo, e aparência em realidade invertida.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
O que o Senado votou foram os limites de seu poder, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
Não era o destino de Jorge Messias que estava em julgamento, e sim o STF e o presidente da República
Entretido no trabalho, eu estava apenas ouvindo de longe a transmissão do resultado da votação do nome do indicado pelo presidente da República para o STF, Jorge Messias. Tive a impressão de que já ouvira aquela voz dizendo mais ou menos a mesma coisa, muitos anos antes. Aos poucos a conexão se fez.
Era a voz do senador Auro Soares de Moura Andrade, um criador de gado na região de Andradina (SP), presidente do Senado Federal. Advogado formado pela USP.
Numa moda de viola de Tião Carreiro, “Rei do gado”, era exaltado pela suposta humildade de boiadeiro e pelas virtudes de caráter daí decorrentes. A moda de viola virou tema de disputa com outra moda, de Teddy Vieira, “Rei do café”, em alusão a outro fazendeiro famoso e milionário, de Ribeirão Preto. Presidia o Senado, portanto, um personagem da saga do latifúndio, herói de modas de viola.
Moura Andrade, na tarde de 25 de agosto de 1961, recebeu uma inesperada carta, um bilhetinho, como eram chamados, do presidente da República, Jânio da Silva Quadros, havia sete meses no poder. Alegava pressões que lhe dificultavam governar. Renunciava, pois, ao mandato.
Com notável rapidez, Andrade deu encaminhamento ao pedido de Jânio, convocou o Congresso e pôs o documento em votação. Em menos de uma hora a renúncia estava aceita.
A voz enfática, clara e prepotente que eu imaginava estar ouvindo, vinda lá do passado, dissera: “Declaro vaga a Presidência da República”. Ausente o vice, na China em viagem oficial, convocava para assumi-la o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Começava o longo tormento da cassação de Goulart e do golpe de 1º de abril de 1964. A anomalia de origem que de vários modos afeta nossas instituições políticas até hoje.
Alcolumbre, originário de um estado distante dos centros de decisão, presidente atual do Senado, anunciou a derrota do indicado pelo presidente da República para o STF com a mesma enfática euforia e imponência de seu antecessor de pouco mais de meio século, em relação à renúncia do então presidente.
O episódio de agora expressa e documenta o que de fato é uma crise institucional grave, em que Jorge Messias foi indevidamente usado e sacrificado pela República inescrupulosa, independentemente das ideologias e partidos em confronto. Não era o seu destino que estava em julgamento, e sim o STF e o presidente da República.
Não se tratou apenas da rejeição do indicado. Na reunião prévia para que a comissão do Senado decidisse se acataria ou não o nome para que o plenário o votasse, o nome foi aprovado. Sabendo todos que seria rejeitado. O próprio Alcolumbre viabilizou a abertura da armadilha para que nela caísse o governo e não necessariamente o candidato.
A mídia daria no dia seguinte um panorama da movimentação de Alcolumbre para barrar o nome do indicado na votação decisiva. É quase impossível não ter percebido que tudo foi tramado para fazer da votação uma impugnação do presidente da República, um impeachment brando. A sessão do Senado de vários modos pode ter sido uma tentativa de continuar o golpe de 8 de janeiro de 2023. A trama parece maior do que se pensa.
O senador Randolfe Rodrigues sugeriu, em entrevista, que os impasses institucionais são viabilizados pela pulverização no governo Bolsonaro, abúlico e omisso. Entregou o poder ao ministro da Economia. Deixou o restante ao Congresso Nacional, que se fragmentou em disputas de fatias com o Executivo. Múltiplas trocas de votos, de favores e de recursos para alimentar as bases provinciais da representação política. Um retrocesso na estrutura das instituições políticas. Um debilitamento grave da democracia em favor de uma multiplicidade de focos de poder pessoal e local. O poder central declina.
Não poucos dos que têm opinado sobre essa crise indicam seus efeitos colaterais e mesmo o rebote sobre seus autores. Que existirão independentemente das más intenções que envenenam o sistema político brasileiro. Parece que tudo decorre de que há muita gente alarmada com as investigações sobre o caso do Banco Master. Os que não terão como dormir em paz depois do que significa politicamente a rejeição da indicação para o STF. Como não teriam como dormir em paz se o indicado tivesse sido aprovado.
O que o Senado votou foram os limites de seu poder e os indícios de sua própria vulnerabilidade. Porque as irregularidades praticadas no poder acabam escapando pelo meio dos dedos dos que as praticam. O “Você sabe com quem está falando?” como afirmação de autoridade e intimidação dá certo durante certo tempo, mas não todo o tempo. O poderoso acaba acordando um dia para a realidade das instituições, e com o meirinho a bater à porta de sua casa: “Tem gente?”.
*José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte).
Juristas divergem sobre poder do Senado em indicações ao STF
Jovem Pan News
2 de mai. de 2026 #JovemPan #JornalJovemPan
A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal reacendeu o debate sobre o papel do Senado nas indicações à Corte. Juristas divergem sobre os limites e a atuação da Casa Alta no processo de aprovação de ministros, levantando discussões jurídicas e políticas sobre possíveis mudanças no modelo atual.
O Senado, o rito e o limite: quando a forma revela a crise
Há momentos em que o ritual institucional deixa de ser apenas procedimento e se transforma em linguagem. Não se trata mais do conteúdo imediato da decisão, mas do que ela revela sobre a estrutura do poder. A rejeição de um nome ao Supremo Tribunal Federal, nesse sentido, ultrapassa o destino individual do indicado e passa a operar como um signo — um gesto carregado de implicações que vão além do episódio.
A evocação histórica não é casual. Quando a memória política remete à declaração de vacância da Presidência em 1961, não se está apenas reconstruindo um fato, mas iluminando uma lógica recorrente: a de decisões formalmente legítimas que, no entanto, deslocam o eixo do poder e produzem efeitos que se prolongam muito além de seu instante.
Naquele momento, a voz que proclamava a vacância não apenas descrevia uma ausência — ela inaugurava uma sequência. O rito cumprido com rapidez exemplar abriu caminho para uma instabilidade cuja reverberação atravessaria anos e instituições. A forma, ali, não era neutra.
A encenação do previsível
No episódio contemporâneo, o que se observa é um fenômeno semelhante sob outra gramática. A tramitação que antecede a rejeição — aprovação prévia em comissão, articulações conhecidas, desfecho antecipado — sugere não um erro de cálculo, mas uma coreografia deliberada.
A institucionalidade, nesse caso, não falha; ela funciona precisamente como instrumento. O rito é preservado, mas orientado. O resultado não surpreende, apenas se consuma.
É nesse ponto que a análise se desloca: não se trata de avaliar a adequação do nome indicado, mas de compreender o uso político do processo. A votação, mais do que decidir sobre uma pessoa, parece ter operado como um mecanismo de delimitação de forças — um gesto dirigido ao Executivo e, por extensão, ao próprio Supremo.
Fragmentação e deslocamento do poder
O pano de fundo dessa dinâmica é um processo mais amplo de redistribuição do poder político. A fragmentação do sistema, intensificada nos últimos anos, produziu um deslocamento significativo: o centro decisório tornou-se difuso.
O Executivo, esvaziado em determinadas funções de coordenação, passa a negociar em múltiplas frentes. O Legislativo, por sua vez, deixa de atuar apenas como instância deliberativa e assume funções de arbitragem e imposição. O resultado é uma multiplicidade de centros de poder que operam simultaneamente — muitas vezes sem convergência, frequentemente em tensão.
Nesse ambiente, decisões institucionais deixam de ser apenas técnicas e passam a ser, cada vez mais, instrumentos de afirmação de autonomia e, por vezes, de confronto.
O subtexto das investigações
Há ainda um elemento subterrâneo que atravessa o episódio: o contexto das investigações em curso. Em momentos de exposição potencial, o sistema político tende a reagir de forma preventiva ou defensiva.
A rejeição de um nome ao Supremo, nesse cenário, pode ser interpretada também como movimento tático — não necessariamente linear, mas inserido em uma rede de interesses, receios e antecipações. A política, nesses casos, opera menos pela clareza dos objetivos declarados e mais pela opacidade dos efeitos pretendidos.
O resultado é um ambiente em que decisões institucionais carregam múltiplas camadas de significado, muitas delas não explicitadas, mas perceptíveis na convergência dos movimentos.
O voto como espelho
Dizer que o Senado votou os limites de seu poder é reconhecer que, ao exercer sua prerrogativa, ele também se expôs. Toda afirmação de força institucional traz consigo um risco correspondente: o de revelar fragilidades.
O poder que se afirma de forma enfática é, muitas vezes, o mesmo que se vê obrigado a testar seus próprios contornos. Ao impor uma derrota ao Executivo, o Senado delimita sua capacidade de interferência — mas também evidencia a necessidade constante de sustentá-la.
Há, portanto, um efeito reflexivo: a decisão que atinge o outro retorna, em alguma medida, sobre quem a produz.
Conclusão: entre o gesto e suas consequências
A política institucional raramente se esgota no ato que a torna visível. O gesto — seja uma declaração de vacância, seja a rejeição de uma indicação — é apenas o ponto de partida de um processo mais amplo, cujas consequências se desdobram no tempo.
O que se observa, nesse episódio, é menos uma ruptura isolada do que a continuidade de uma dinâmica: a de instituições que operam sob tensão, em um equilíbrio instável entre prerrogativa e excesso, entre autonomia e disputa.
No limite, permanece a advertência implícita: o poder que se exerce sem medida acaba por revelar, ele próprio, os contornos de sua limitação. E, como na imagem final evocada, há sempre o momento em que a formalidade cede lugar à realidade — quando o rito já não protege, e a porta, enfim, é batida.
Rei do Gado
Tião Carreiro e Pardinho
Num bar de Ribeirão Preto
Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo
No alto meio da grã-finagem
Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga
Que era pra rebater a friagem
Levantou um almofadinha e falou pro dono
Eu tenho má-fé
Quando um caboclo que não se enxerga
Num lugar deste vem pôr os pés
Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer
E principalmente nessa ocasião
Que está presente o Rei do Café
Foi uma salva de palma
Gritaram viva pro fazendeiro
Quem tem bilhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro
Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro
Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
Essa riqueza não me assusta
Topo em aposta qualquer parada
Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada
Foi um silêncio profundo
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiro
Disse ao garçom pra guardar o trocado
Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina
E perguntar pelo Rei do Gado
Composição: Teddy Vieira.
O duelo na viola: quando o poder desafina — e se revela
Se, no plano institucional, o que se viu foi um jogo de força travado sob a liturgia do cargo, no plano simbólico — como bem sugere a memória evocada — talvez tudo já estivesse dito há muito tempo, na cadência de uma viola.
Ali, no encontro entre o Rei do Gado e o Rei do Café, não se trata apenas de bravata rural ou folclore musical. O que se encena é uma disputa de legitimidades: riqueza contra origem, poder contra experiência, aparência contra substância. E, sobretudo, o eterno esforço de cada um em afirmar sua grandeza diante do outro.
O fazendeiro do café, cercado de aplausos e cifras, representa o poder instituído — reconhecido, celebrado, protegido pelo ambiente que o legitima. Já o peão, que entra com o pó da estrada e pede apenas uma pinga, traz consigo algo mais difícil de medir: a autoridade que não depende de anúncio.
Quando responde, não nega a riqueza alheia — apenas a relativiza. E o faz com uma frase que desmonta a encenação: para cada pé de café, ele amarra um boi. Traduzindo: para cada símbolo de poder, há um lastro que o sustenta — ou deveria sustentar.
A réplica: o limite da arrogância
Na resposta do Rei do Café, o tom muda. Já não há aplauso fácil, mas um chamado à medida. Ele recusa o papel de mero espectador da própria exaltação e introduz um elemento ausente na primeira cena: a consciência de limite.
Ser rei, lembra ele, exige mais do que poder — exige educação. E educação, aqui, não é formalidade, mas contenção. É saber que a autoridade que se impõe sem freio acaba por se esvaziar.
O duelo, então, deixa de ser confronto e se aproxima de uma lição: ambos dependem da mesma terra, do mesmo chão que sustenta café e boi. A disputa, levada ao extremo, não produz grandeza — produz desgaste.
Entre Brasília e Ribeirão: a mesma lógica, outra escala
Transposta para o cenário institucional, a metáfora é inevitável. O que se vê nos embates contemporâneos entre poderes não está distante dessa lógica sertaneja: atores que, cercados por suas próprias plateias, amplificam gestos, elevam o tom e testam os limites uns dos outros.
Há sempre aplausos — internos, estratégicos, momentâneos. Há sempre a tentação da demonstração pública de força. E há, quase sempre, o risco de esquecer que o poder, quando excessivamente afirmado, começa a revelar sua própria fragilidade.
Como no bar de Ribeirão Preto, o ambiente pode parecer controlado — até que alguém de fora da encenação introduz uma variável inesperada: a realidade.
Conclusão: a sabedoria que desafina a prepotência
No fim, o que a viola ensina — com ironia mansa e precisão quase cirúrgica — é que nenhuma autoridade se sustenta apenas no grito ou no aplauso. O poder que precisa se afirmar a todo instante talvez já esteja, em alguma medida, sendo contestado.
Entre o boi e o café, entre o voto e o veto, entre o rito e a manobra, permanece a mesma advertência, dita sem pressa, como quem conhece o tempo das coisas:
quem aposta alto demais no próprio poder corre o risco de descobrir, tarde demais, que estava jogando sozinho.
E, quando a música para, não é o aplauso que fica — é o silêncio.
Rei do Café
Zé Carreiro e Carreirinho
Para o senhor rei do gado aqui vai minha resposta
O que eu penso a seu respeito eu não digo pelas costas
O senhor saiu do bar sem ouvir minha proposta
Saiba que este seu criado não tem medo de aposta
Quem já escorregou na vida em qualquer galho se encosta
O que disse o almofadinha por mim não foi endossado
Se eu quisesse lhe ofender não ia lhe mandar recado
Quem mexe com marimbondo deve esperar o resultado
Creio que o senhor se esquece meu amigo rei do gado
Que um rei para ser rei precisa ser muito educado
É coisa que eu acho feio um rico fazer cartaz
Não me acanho em lhe dizer que eu já fui peão em Goiás
Já montei em burro xucro até de cara pra trás
Se eu tirar minha camisa no peito mostro os sinais
De guampas de boi cuiabano foi na zona dos pantanais
Quando eu vejo um cafezal e um poeirão de uma boiada
Me orgulho ser imigrante nessa terra abençoada
Também já tomei cachaça tirando boi de arribada
Se a balança do Brasil por café for ameaçada
Eu corto meus cafezais, transformo tudo em invernada
Deixe de apostar amigo, não queira dar um passo errado
Vamos lutar ombro a ombro por este solo abençoado
Apesar de eu ser estrangeiro nele eu quero ser enterrado
Onde brota o ouro verde, nosso café afamado
Que da glórias pro Brasil além de fronteira pro outro lado
Composição: Carreirinho, Teddy Vieira.
Viola de bolso: Mais uma vez encordoada Capa dura – 27 fevereiro 2023
por Carlos Drummond de Andrade (Autor)
Viola de bolso , reunião de poemas de Carlos Drummond de Andrade lançada nos anos 1950, chega a sua terceira edição, com 25 poemas inéditos nas edições anteriores.
Uma das joias que marcam o retorno do poeta Carlos Drummond de Andrade ao catálogo da Editora José Olympio é sem dúvida a nova edição de Viola de bolso . Lançado originalmente em 1952, pelo Ministério da Educação e Saúde, o livro teve segunda edição pela Livraria José Olympio Editora, em 1955, com adição de 56 novos poemas, totalizando 91. Esta terceira edição, de 2022, reúne os poemas da segunda – acrescidos de marcas de revisão feitas à mão por Drummond em seu exemplar – e inclui novas peças, 25 poemas inéditos nas edições anteriores, recentemente encontradas pelos netos do poeta.
Esses poemas, que haviam sido organizados pelo próprio autor em uma pasta intitulada “Viola de bolso (nova)”, aparecem também em versão fac-similar. Tanto para estudiosos de Drummond quanto para leitores de poesia, é possível observar as mudanças feitas em certos poemas de uma edição para a outra. Mudanças que mostram a preocupação do poeta com seus escritos e que provam como uma criação literária é um processo contínuo, que nunca se dá por acabado.
Além de a nova edição apresentar um projeto gráfico caprichado, em capa dura, será uma experiência muito proveitosa ler os escritos que Drummond reúne em Viola de bolso. O livro é uma espécie de inventário sentimental do poeta em homenagem a lugares, afetos, pensamentos e, em sua maioria, a pessoas próximas; amigos, artistas e personalidades importantes – dentre estes, o próprio José Olympio –, que conquistaram o coração do grande escritor itabirano. As dedicatórias compõem uma constelação que evidencia a rara destreza de Drummond para construir belas peças poéticas amarradas à própria vida.
Entre o Paco, o Poder e a Viola: anatomia da ilusão no Brasil contemporâneo
Sexta-feira, 9 de maio de 2026
I. O “paco” mineiro: a pedagogia do engano
Em Minas Gerais, o chamado golpe do paco — também conhecido como conto do paco ou, em sentido mais amplo, conto do vigário — atravessa o tempo como uma forma quase didática de fraude. Sua permanência não se explica pela sofisticação, mas pela eficácia de um mecanismo simples: transformar aparência em valor.
O paco é um maço de papéis sem valor que simula dinheiro verdadeiro. Uma nota autêntica exposta, um volume convincente, e está montado o cenário. O golpe segue um roteiro conhecido:
um objeto “perdido” surge no caminho da vítima
um terceiro encena honestidade
uma recompensa é prometida
uma garantia é exigida
o real é trocado pelo ilusório
Quando a encenação termina, resta apenas o prejuízo.
O que está em jogo não é apenas o engano, mas algo mais profundo: a disposição humana de acreditar na vantagem.
II. Da calçada ao mercado: o “paco” como método
Se a versão tradicional do golpe se resolve em minutos, sua lógica, no entanto, não se limita à rua. Ela reaparece, com novas roupagens, em ambientes muito mais complexos.
No plano financeiro, o paco deixa de ser papel e passa a assumir a forma de:
ativos sem lastro
estruturas jurídicas opacas
operações revestidas de aparente legitimidade
O princípio permanece: algo que parece sólido por fora, mas que, examinado com rigor, revela-se vazio.
Nesse contexto, mecanismos como lavagem de dinheiro e caixa dois funcionam como o novo invólucro do engano. Sustentam a aparência, prolongam a encenação e permitem que a ilusão produza efeitos concretos antes de se dissipar.
A diferença central está na escala: o que antes atingia indivíduos passa a impactar instituições, fundos e, em última instância, o próprio sistema econômico.
III. O rito e o poder: quando a forma revela a crise
No plano político, a lógica da aparência também se manifesta — não mais como fraude direta, mas como disputa institucional.
A rejeição de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal não é apenas um ato administrativo. É um gesto carregado de significado. Como observou o sociólogo José de Souza Martins, não estava em julgamento apenas um nome, mas o próprio equilíbrio entre os poderes.
A evocação histórica de Auro Soares de Moura Andrade, ao declarar vaga a Presidência em 1961 após a renúncia de Jânio Quadros, não é mero recurso retórico. Ela aponta para uma constante da vida política brasileira: decisões formalmente legítimas que produzem efeitos desproporcionais e duradouros.
No episódio atual, a coreografia institucional sugere cálculo:
aprovação prévia
rejeição anunciada
articulação conhecida
O rito foi preservado. O resultado, conduzido.
Não se trata apenas de decisão — mas de demonstração.
IV. Fragmentação e encenação
O pano de fundo é um sistema político fragmentado, no qual o poder deixou de ter um centro claro. Executivo e Legislativo operam em tensão constante, muitas vezes mais preocupados em delimitar espaços do que em construir convergência.
Nesse ambiente:
o gesto pesa mais que o conteúdo
a afirmação de força substitui a coordenação
o conflito se torna método
E, como no golpe do paco, a aparência pode, por algum tempo, sustentar a realidade.
V. A viola como síntese: poder, limite e ironia
Muito antes das análises políticas, a cultura popular já havia captado essa lógica. No duelo entre o Rei do Gado e o Rei do Café, eternizado por Tião Carreiro e Pardinho e Zé Carreiro e Carreirinho, encena-se algo mais do que uma disputa rural: trata-se de uma reflexão sobre poder e medida.
🎵 Rei do Gado — Tião Carreiro & Pardinho
Num bar de Ribeirão Preto
Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo
No alto meio da grã-finagem
(...)
Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada
🎵 Rei do Café — Zé Carreiro & Carreirinho
Para o senhor rei do gado aqui vai minha resposta
O que eu penso a seu respeito eu não digo pelas costas
(...)
Creio que o senhor se esquece meu amigo rei do gado
Que um rei para ser rei precisa ser muito educado
VI. Conclusão: o poder, como o paco, depende de quem acredita
Do golpe de rua ao mercado financeiro, do rito institucional ao duelo na viola, o que se observa é a persistência de uma mesma estrutura: a construção de uma aparência capaz de sustentar, ainda que provisoriamente, uma realidade.
O paco ensina que o valor pode ser simulado.
A política mostra que o poder também pode.
Mas há um limite.
Como na resposta do Rei do Café, chega o momento em que a medida se impõe à exibição. Em que o poder precisa mais do que aplauso — precisa de lastro.
E é nesse ponto que a ironia popular alcança a análise mais sofisticada:
nem todo maço é dinheiro,
nem todo poder é sólido —
e, cedo ou tarde, alguém abre o pacote.
Carolina
Quarteto em CY
Composição: Chico Buarque de Holanda.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O tempo passou e Lula não viu, por Paulo Celso Pereira*
O Globo
Não existe mais o Congresso com que ele lidou em seus primeiros mandatos, quando a Presidência tinha poder imperial
Lula testou a água por três vezes. Na primeira, emplacou seu advogado pessoal Cristiano Zanin, que liderou com sucesso a campanha para desmonte da Lava-Jato. Depois, veio Flávio Dino, seu ministro da Justiça e por 15 anos um dos maiores expoentes do PCdoB. Na terceira vez, optou por Jorge Messias, um discreto procurador da Fazenda que se tornou conhecido nacionalmente pela confiança que Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff depositavam nele, a ponto de torná-lo emissário da carta que garantia a nomeação do líder petista como ministro no auge da Lava-Jato. O Senado, de inclinação oposicionista, não aprovou o terceiro companheiro.
A soberba é a véspera do erro, diz o ditado, e só ela explica o fato de Lula ter ignorado avisos de aliados e as enormes diferenças que separavam essa escolha das anteriores. Messias tem trajetória jurídica menos reluzente que Zanin e Dino, mas semelhante à de Dias Toffoli ao ser indicado à Suprema Corte. Sozinha, não seria impeditivo para sua aprovação, não fossem dois fatos que o presidente menospreza desde o início do terceiro mandato: tanto a sociedade brasileira quanto os três Poderes mudaram radicalmente desde 2010, quando ele desceu a rampa apoiado por 83% dos brasileiros.
Não existe mais o Congresso com que Lula lidou em seus primeiros mandatos, quando a Presidência tinha poder imperial, e os parlamentares faziam fila na porta de um subsecretário para implorar a liberação de tostões para seus redutos. O Congresso se apoderou do orçamento público, sem partilhar responsabilidade na gestão, e os parlamentares hoje têm autonomia para dizer “não” ao Planalto, seja para atender a outros acordos pouco republicanos, seja para representar legitimamente um eleitorado que pendulou à direita.
Quando indicou Zanin e Dino, Lula ainda vivia a trégua tradicionalmente oferecida ao vencedor no primeiro ano de mandato. No comando do Senado, estava o moderado Rodrigo Pacheco. Ao escolher o nome para a vaga aberta por Luís Roberto Barroso, Lula teria de dialogar com o voraz Davi Alcolumbre e garantir o apoio de ao menos parte de uma bancada de senadores que vota fazendo stories para o eleitor que vai às urnas em outubro.
Lula demorou 42 dias para escolher o nome de seu indicado e optou por alguém sem qualquer outro padrinho. Quando o presidente do Senado anunciou que faria uma tramitação célere para a indicação, dando pouco tempo para Messias se articular, Lula manobrou e decidiu adiar o envio da mensagem já anunciada. Alcolumbre estrilou, mas ficou publicamente derrotado naquela batalha. Só não esqueceu.
A lentidão presidencial fez o tema ficar quatro meses em banho-maria, lançando a análise da indicação para o período pré-eleitoral num país dividido, com o caso Master assombrando Brasília e num Senado em que a oposição parte de 30 votos. Bastou Alcolumbre se movimentar sem alarde, até participando risonho de eventos no Planalto, para garantir a primeira rejeição de um nome indicado ao STF em 132 anos.
A visão histórica sobre o que representa a derrota, no entanto, será definida pelo que pode significar para o futuro do país. Nos próximos dias ou semanas, Lula deverá exercer sua prerrogativa de indicar outro nome ao STF. Seja adotando uma estratégia de enfrentamento, seja optando pela conciliação, não terá desculpas para deixar de se engajar intensamente nas negociações, algo que não fez durante a busca de Messias por votos.
Caso perca essa indicação, Lula transformará a eleição de outubro num vale-tudo ainda maior do que já se anuncia. Os eleitores não escolherão “apenas” quem comandará o país pelos próximos quatro anos, mas também se liberdades individuais e políticas públicas estabelecidas há décadas poderão ser revertidas por uma nova maioria construída pelas quatro vagas que serão abertas até o fim de 2030 no Supremo.
A possibilidade de desmonte do Estado brasileiro como conhecemos poderá se tornar a plataforma preferencial de aventureiros. E a sobrevivência deste, a tábua de salvação de quem já não tem grandes novidades a oferecer.
*Paulo Celso Pereira é editor executivo do GLOBO
Explicação
Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua, cachaça.
Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
folha de taioba, pouco importa: tudo serve.
Para louvar a Deus como para aliviar o peito,
queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos
é que faço meu verso. E meu verso me agrada.
Meu verso me agrada sempre...
Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota
mas não é para o público, é para mim mesmo essa cambalhota.
Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu pais, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite inteira chorando.
Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson,
de repente ouço a voz de uma viola...
saio desanimado.
Ah, ser filho de fazendeiro!
A beira do São Francisco, do Paraíba ou de qualquer córrcgo vagabundo,
é sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de.
E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria.
Aquela casa de nove andares comerciais
é muito interessante.
A casa colonial da fazenda também era...
No elevador penso na roça,
na roça penso no elevador.
Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
e eu gosto bem de ter nascido com essa tara.
Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
e tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
O francês, o italiano, o judeu falam uma língua de farrapos.
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo.
Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?
De Alguma poesia (1930)
Carlos Drummond de Andrade
O evangelho e a mulher
Black Orpheus - Samba de Orfeu
guardi
Taken from the film "Black Orpheus (Orfeu Negro)" (1959) directed by Marcel Camus
“Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.” — Paulo. (EFÉSIOS, 5.28)
Arquétipos Anima e Animus
1 Muita vez, o apóstolo dos gentios tem sido acusado de excessiva severidade para com o elemento feminino. 2 Em alguns trechos das cartas que dirigiu às igrejas, Paulo propôs medidas austeras que, de certo modo, chocaram inúmeros aprendizes. 3 Poucos discípulos repararam, na energia das palavras dele, a mobilização dos recursos do Cristo, para que se fortalecesse a defesa da mulher e dos patrimônios de elevação que lhe dizem respeito.
4 Com Jesus, começou o legítimo feminismo. Não aquele que enche as mãos de suas expositoras com estandartes coloridos das ideologias políticas do mundo, mas que lhes traça nos corações diretrizes superiores e santificantes.
5 Nos ambientes mais rigoristas em matéria de fé religiosa, quais o do Judaísmo, antes do Mestre, a mulher não passava de mercadoria condenada ao cativeiro. Vultos eminentes, quais Davi e Salomão, não conseguiram fugir aos abusos de sua época nesse particular.
6 O Evangelho, porém, inaugura nova era para as esperanças femininas. Nele vemos a consagração da Mãe Santíssima, a sublime conversão de Madalena a dedicação das irmãs de Lázaro, o espírito abnegado das senhoras de Jerusalém que acompanham o Senhor até o instante extremo. 7 Desde Jesus, observamos crescente respeito na Terra pela missão feminil. Paulo de Tarso foi o consolidador desse movimento regenerativo. 8 Apesar da energia áspera que lhe assinala as palavras, procurava levantar a mulher da condição de aviltada, confiando-a ao homem, na qualidade de mãe, irmã, esposa ou filha, associada aos seus destinos e, como criatura de Deus, igual a ele.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Pão Nosso #093 - O Evangelho e a mulher
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 28 de mar. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
93
O evangelho e a mulher
Depois da morte Capa comum – Agenda, 1 outubro 2018
por Léon Denis (Autor)
As horas correm.
Lá embaixo, a cidade já se levantou, preguiçosa.
O jovem continua a leitura página-a-página. As lições caem-lhe no
Espírito ávido com naturalidade. Sem os atropelos da dúvida.
A segunda parte do livro arranca-lhe incontidas lágrimas de emoção.
Jamais sentira em autor algum a alta significação do Amor e da
Sabedoria de Deus.
“Jamais vi alguém cantar as glórias da Criação com tamanha
profundidade e beleza.”
Estas palavras de Eurípedes numerosas vezes repetidas, expres-
sam-lhe o grande respeito votado à obra de Léon Denis.
Na Literatura Religiosa, que folheava frequentemente, nunca, até
então, encontrara um cérebro que exprimisse a magnificência da Obra
Divina, com o brilho e a profundidade desse autor.
Com a força suave e bela da Poesia, o filósofo estrutura novo e
racional sentido para os atributos de Deus.
Quando desceu o morro verdejante, Eurípedes revivia os primeiros
arrebatamentos, que a literatura espírita lhe proporcionava e que se
repetiriam, no futuro, pelas mãos fraternas de “tio Sinhô”.
NOTA – Depoimentos de: José Rezende da Cunha e Edalides M. Rezende
– S. Carlos, SP; Viúva Jovino Gonçalves de Araújo – Santa Maria, MG;
Ranulfo G. Cunha – Santa Maria, MG; e Amália Ferreira de Mello (arquivo
pessoal), desencarnada em Sacramento, MG.
Eurípedes – o Homem e a Missão 77
O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVI — Não se pode servir a Deus e a Mamon > Parábola dos talentos > 6
6. O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens. – Depois de dar cinco talentos a um, dois a outro e um a outro, a cada um segundo a sua capacidade, partiu imediatamente. – Então, o que recebeu cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou cinco outros. – O que recebera dois ganhou, do mesmo modo, outros tantos. Mas o que apenas recebera um cavou um buraco na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo. – Passado longo tempo, o amo daqueles servidores voltou e os chamou a contas. – Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão, além desses, mais cinco que ganhei. – Respondeu-lhe o amo: Servidor bom e fiel; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. – O que recebera dois talentos apresentou-se a seu turno e lhe disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei. – O amo lhe respondeu: Bom e fiel servidor; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. – Veio em seguida o que recebeu apenas um talento e disse: Senhor, sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste; – por isso, como te temia, escondi o teu talento na terra; aqui o tens: restituo o que te pertence. – O homem, porém, lhe respondeu: Servidor mau e preguiçoso; se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus – devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence. – Tirem-lhe, pois, o talento que está com ele e dêem-no ao que tem dez talentos; – porquanto, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens; quanto àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes. (S. MATEUS, 25:14 a 30.)
Selecione os pensamentos.
Quando você seleciona o que
pensa, a vida também seleciona
para você o que há de melhor.
583-a. Se um filho se torna homem de bem, a despeito da negligência ou dos maus exemplos de seus pais, tiram estes alguns proveito disto?
"Deus é justo."
LIVRO II - CAPÍTULO X
p. 340
De acordo com o pensamento teológico, pode-se dizer que a suprema
divindade, ou seja, Deus, ao ver sua criatura predisposta a receber seu
benefício, infunde nela tanto mais intensamente quanto mais estiver disposta
a recebê-lo. Como esses dons provêm de inefável caridade e como a divina
caridade seja próprio do Espírito Santo, esses benefícios são chamados dons
do Espírito Santo. Segundo a distinção que deles faz o profeta Isaías, são sete:
sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de
Deus. Oh! Belos grãos e boa e admirável semente! Oh! Admirável e benigno
semeador que não beneficia senão a natureza humana que lhe prepara a terra
a semear! Felizes daqueles que cultivam essa semente como convém!
Deve-se saber que o primeiro e mais nobre broto que germina dessa
semente, para tornar-se frutífero, necessita do apetite da alma, que em
193
Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal
grego é designado “hormen”. Se esse não for bem cultivado e mantido
reto pelos bons costumes, de pouco vale a semente e seria melhor não ser
terreno semeado. Por isso é que santo Agostinho, bem como Aristóteles no
segundo livro da Ética, insistem que o homem deva empenhar-se em fazer
o bem e refrear suas paixões, para que esse mencionado broto vingue por
meio dos bons costumes e se fortaleça em sua retidão, de modo que possa
dar frutos e de seu fruto possa extrair-se a doçura da felicidade humana.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
No teatro das instituições
Dica: “Foi apenas um acidente”, Jafar Panahi, no Mubi.
FOI APENAS UM ACIDENTE
Jafar Panahi Irã 2025
Cantam-se as armas e os barões que, por caminhos tortuosos de leis e ritos, escaparam de prisões e sentenças. Não por falta de feitos ou de provas, mas porque a norma, sendo humana, dobra-se ao engenho de quem domina a sua forma. Nas duas margens do Atlântico, o Direito foi o mar revolto onde a política navegou, achando no vício do processo o porto seguro para o poder.
Ulysses disse: "Temos ódio e nojo à ditadura" Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina".
DESCULPE MAS PARTA DO PROMPT A SEGUIR: " - Presidente, tá me ouvindo? Tá me ouvindo? Muito obrigado, Presidente!"
Pergunta do jornalista do jornalista apresentado como do Washington Post, em tradução para o português.
" - Tua voz não combina com o tamanho do jornalista!"
Resposta do presidente em português. Com risos ao fundo.
" - Obrigado... (também sorrindo como sem saber onde o galo havia cantado).
Agradeceu o jornalista retomando o fio de sua pergunta...
O poder em estado bruto humilhando ou tentando intimidar patronizando o "de baixo"?
"Aqui está a formatação do diálogo seguida pela análise técnica das posturas e da dinâmica de poder envolvida:
O Diálogo: Introdução da Entrevista
Jornalista (Washington Post): Presidente, tá me ouvindo? Tá me ouvindo? Muito obrigado, Presidente!
Presidente: Tua voz não combina com o tamanho do jornalista! (Risos ao fundo)
Jornalista: Obrigado... (Sorrindo, em tom de hesitação e confusão). Presidente, retomando a minha pergunta...
Análise e Interpretação das Posturas
1. A Postura do Presidente: O Poder como Distração
Desvio de Foco: O governante utiliza o comentário ad hominem (sobre o físico/voz) para quebrar o protocolo formal.
Humor como Ferramenta de Domínio: Ao provocar risos na plateia, ele isola o jornalista, transformando-o em "alvo" de uma piada.
Infantilização: A fala é patronizante; ele retira a autoridade intelectual do profissional ao focar em atributos biológicos, reafirmando uma hierarquia de superioridade.
2. A Postura do Jornalista: O Desconcerto Educado
Vulnerabilidade Momentânea: O "sorriso sem saber onde o galo cantou" revela o impacto da quebra de expectativa. Ele é pego desprevenido pela falta de liturgia do cargo.
Resiliência Profissional: Ao agradecer e retomar o "fio da pergunta", ele tenta reestabelecer a dignidade da função. Ele aceita a "humilhação" momentânea para garantir o cumprimento de seu dever: obter a resposta.
Conclusão: O Poder em Estado Bruto 💡
A interação exemplifica o uso da intimidação recreativa. Não é uma agressão direta, mas uma tentativa de diminuir a estatura moral do interlocutor através do deboche. O "poder em estado bruto" manifesta-se aqui na liberdade que o ocupante do cargo máximo sente de ignorar a etiqueta profissional, forçando o "de baixo" a aceitar a brincadeira para não perder o acesso à informação.Se você quiser
Lula é recepcionado por Trump com tapete vermelho na Casa Branca
Terra Brasil
7 de mai. de 2026 #terranoticias
Com tapete vermelho, Lula é recepcionado por Trump ao chegar à Casa Branca. O presidente brasileiro foi recepcionado nesta quinta-feira, 7, pelo republicano durante viagem oficial aos Estados Unidos. A reunião ocorre em um momento de desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. Segundo integrantes dos dois governos, pelo menos cinco temas devem dominar as conversas: facções criminosas e segurança, pix e economia, guerra, Venezuela e posições internacionais, terras raras e minerais estratégicos, eleições e relação diplomática. #terranoticias
Reproduçõ/MargoMartin47/X
O encontro de maio de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald J. Trump exemplifica a normalização de lideranças com alta vulnerabilidade judicial, utilizando narrativas de perseguição política e legitimação eleitoral para consolidar poder. A reunião em Washington focou na cooperação estratégica, com ambos os líderes posando como representantes da soberania popular, apesar de históricos de intervenção judicial em seus respectivos países. Mais detalhes sobre a reunião podem ser vistos no YouTube.
Veja a coletiva do presidente Lula após encontro com Trump nos EUA
Band Jornalismo
🇺🇸 Original (English - Truth Social)"Just concluded my meeting with Luiz Inacio Lula da Silva, the very dynamic President of Brazil. We discussed many topics, including Trade and, specifically, Tariffs. The meeting went very well. Our Representatives are scheduled to get together to discuss certain key elements. Additional meetings will be scheduled over the coming months, as necessary." — Donald Trump, 7 de maio de 2026Este vídeo mostra Donald Trump elogiando a reunião e chamando Lula de dinâmico:
Trump says Lula is 'very dynamic,' praises meeting, and says new ...
YouTube
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Rede Gospel de Televisão
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7 de mai. de 2026
🇧🇷 Tradução (Português)"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião correu muito bem. Nossos representantes estão agendados para se reunir para discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário." — Donald Trump, 7 de maio de 2026Pontos-chave da nota:Adjetivo: Donald Trump chamou Lula de "muito dinâmico".Foco: Comércio e tarifas.Clima: O encontro foi descrito como "muito bem" (very well).Continuidade: Novas reuniões entre representantes foram agendadas.O encontro ocorreu no Salão Oval da Casa Branca e durou aproximadamente três horas, tratando também de segurança e minerais críticos.
Verbete: Resiliência Plebiscitária e Hiperpresidencialismo de Confronto
O cenário contemporâneo revela uma mutação constitucional onde o rito de passagem pelo sistema de justiça deixa de ser um impedimento burocrático-moral para se tornar um catalisador de legitimidade carismática. No caso das democracias brasileira e estadunidense, observa-se a instrumentalização do lawfare — real ou percebido — como ferramenta de mobilização de massas.
1. A Judicialização da Política e a Resposta Populista
A entrada de atores do Judiciário no vácuo de poder político gerou um efeito de "pendularidade institucional". Quando as cortes passam a atuar como árbitros da moralidade pública, líderes com perfil de "outsider" ou de "resistência" operam uma inversão narrativa. O processo judicial não é lido como aplicação da norma, mas como uma patologia do sistema (o deep state ou a elite burocrática) contra a soberania popular.
2. O Constitucionalismo Abusivo e a Revalidação das Urnas
A teoria do constitucionalismo abusivo explica como normas democráticas são utilizadas para subverter a própria democracia. No entanto, o "paradoxo da impunidade percebida" ocorre quando a absolvição jurídica ou a anulação de processos por vícios formais é equiparada, no discurso político, a uma "santificação ética". A legitimidade formal (o devido processo) é fundida à legitimidade substancial (o voto), criando uma blindagem onde a crítica jurídica é descartada como perseguição ideológica.
3. Mecanismos de Sobrevivência Institucional
Captura de Narrativa: A conversão do réu em mártir ou perseguido político, transferindo o julgamento do tribunal para a praça pública.
Plebiscitarismo de Identidade: O eleitor não vota em um programa, mas em uma identidade que se opõe ao sistema legal que o constrange.
Degradação da Verdade Jurídica: A erosão do consenso sobre fatos comprovados em juízo, substituídos pela "verdade política" de conveniência.
💡 Ponto Analítico CentralO sucesso desses líderes demonstra o esgotamento do modelo de "Democracia Militante", que pressupõe que o sistema de justiça pode filtrar candidatos por critérios éticos. Na prática, a polarização transformou as cortes em arenas de combate, onde o veredito final é dado pela aritmética eleitoral, e não pela hermenêutica constitucional. A "lisura" democrática, portanto, é performática: ambos posam como guardiões da Constituição enquanto tensionam suas costuras para acomodar suas próprias sobrevivências jurídicas.
Esta análise técnica, pautada pelo rigor do constitucionalismo crítico e pela densidade da ciência política, inicia-se pelo primeiro pilar de sua proposta. Para honrar a herança de Camões — o "Pai da Língua" — busco uma síntese que equilibre a precisão do termo jurídico com a elegância da forma, tal qual o "engenho e a arte" descritos n'Os Lusíadas.
I. Mecanismos de Anulação Processual: Um Estudo Comparado
No teatro das instituições, a sobrevivência política de líderes sob cerco judicial muitas vezes não se dá pela prova da inocência material, mas pela maestria sobre a forma processual. O Direito, aqui, não atua como espada da justiça, mas como escudo de nulidades.
O Modelo Brasileiro: O Garantismo e a Incompetência de Juízo
No Brasil, a anulação dos processos de Luiz Inácio Lula da Silva operou-se pelo reconhecimento de vícios de competência territorial e suspeição.
Incompetência Territorial: O STF determinou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era o "juiz natural" para os casos, deslocando o eixo geográfico da punição para Brasília.
A Suspeição (Partiality): O reconhecimento da parcialidade do magistrado condutor invalidou o arcabouço probatório, sob a tese de que um juiz que se torna "parte" corrompe a teleologia da norma.
Efeito: A nulidade ex tunc (desde o início) restaurou os direitos políticos, permitindo que a "fênix eleitoral" surgisse das cinzas do processo sem o selo da condenação.
O Modelo Estadunidense: Prerrogativas e a Imunidade Presidencial
No caso de Donald Trump, a arquitetura da defesa deslocou-se do rito processual para a interpretação constitucional da função.
Imunidade Executiva: A Suprema Corte dos EUA estabeleceu um precedente histórico ao distinguir atos oficiais de atos privados. Ao conferir imunidade absoluta (ou presuntiva) para atos da presidência, a justiça criou um vácuo de punibilidade.
O "Special Counsel" em Xeque: Decisões recentes questionaram a própria legalidade da nomeação de procuradores especiais, atacando a raiz burocrática da acusação (caso dos documentos em Mar-a-Lago).
Efeito: Enquanto no Brasil anula-se o passado (o processo feito), nos EUA busca-se anular a capacidade do Estado de processar o ocupante do cargo.
⚓ Síntese Camoniana
Cantam-se as armas e os barões que, por caminhos tortuosos de leis e ritos, escaparam de prisões e sentenças. Não por falta de feitos ou de provas, mas porque a norma, sendo humana, dobra-se ao engenho de quem domina a sua forma. Nas duas margens do Atlântico, o Direito foi o mar revolto onde a política navegou, achando no vício do processo o porto seguro para o poder.
Hey, I just signed this for Narges Mohammadi -- the Nobel Peace Laureate imprisoned in Iran for defending women and prisoners.
Her life is at risk, but public pressure could help win her freedom. Will you sign too? 👉 Click here - https://secure.avaaz.org/campaign/en/free_narges_mohammadi_loc/?whatsapp&utm_source=whatsapp&utm_medium=social_share&utm_campaign=57715&share_location=post_action
“Acabei de assinar uma petição por Narges Mohammadi — vencedora do Prêmio Nobel da Paz, presa no Irã por defender os direitos das mulheres e dos prisioneiros.
A vida dela está em risco, mas a pressão pública pode ajudar a garantir sua liberdade. Você também pode ajudar.”
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🌞🙏🏽 Bom dia! Coluna desta quinta-feira: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/lula-corre-grandes-riscos-mas-nao-poderia-recusar-o-convite-de-trump/
Lula corre grandes riscos, mas não poderia recusar o convite de Trump
Publicado em 07/05/2026 - 05:42 Luiz Carlos Azedo
Se o convite ocorreu de uma hora para outra, a agenda do encontro está sendo negociada pelo Itamaraty desde a primeira conversa entre ambos
A visita do presidente João Goulart (Jango) aos Estados Unidos, realizada em abril de 1962, é considerada um marco da deterioração das relações Brasil-EUA. Foi decisiva para o cenário de desestabilização que levou ao golpe de 1964. Embora tenha sido recebido com toda pompa por John F. Kennedy, o resultado prático foi um estrondoso fracasso econômico e político. Jango tinha a vã esperança de receber a ajuda da Casa Branca. Kennedy condicionou qualquer ajuda à adesão rígida às normas do FMI, à contenção de salários e a medidas fiscais rigorosas, algo que Jango queria evitar para não penalizar a população mais pobre.
A política de não intervenção em Cuba e o diálogo com a União Soviética e a China, na linha da política externa independente de Jango, eram o grande contencioso entre os dois países no plano internacional. Mas havia também fatores internos, principalmente a nacionalização de subsidiárias de empresas americanas (como a ITT) no Brasil, realizada por Leonel Brizola, cunhado de Jango. Os EUA não somente suspenderam os empréstimos como exigiam indenização imediata.
Após a visita, a inteligência americana (CIA) passou a monitorar e buscar brechas para derrubar Jango, considerando-o um “radical pró-comunista”. A partir de 1962, os EUA aumentaram o financiamento a grupos conservadores, partidos de oposição (como a UDN) e à imprensa de direita para desestabilizar o governo. A “Operação Brother Sam” consolidou a visão de que Jango era um inimigo na América do Sul e culminou no apoio direto dos EUA ao golpe militar de 1964.
Leia também: Adeus reformas. Agenda possível é mais modesta
Quando o golpe ocorreu, os Estados Unidos já não eram os mesmos. O livro “Tabloide Americano” (Record), de James Ellroy, um romance policial noir, mostra o lado sujo da América nos anos que antecederam o assassinato do presidente Kennedy. Retrata a rede de ligações dos principais atores políticos da época: John e seu irmão Robert Kennedy, implacável perseguidor da máfia, o milionário Howard Hughes, J. Edgard Hoover, o todo-poderoso chefe do FBI, e até Frank Sinatra e Marilyn Monroe tornam-se ilustres coadjuvantes.
A Revolução Cubana e a desastrada invasão da Baía dos Porcos, a campanha presidencial de Kennedy, a luta por direitos civis no sul do país e o jogo mais que sujo do tráfico de heroína une castristas, anticastristas, a CIA e a máfia. Ellroy descreve a cadeia de acontecimentos que culminaram na morte de Kennedy, mas não se dá ao luxo de se conformar com as versões dos fatos. Denuncia a conspiração para matá-lo.
É nesse cenário que a visita de Kennedy ao Brasil foi sucessivamente adiada. Após seu assassinato, em 1963, o vice Lyndon B. Johnson assumiu o poder e, com isso, os candidatos oposicionistas no Brasil receberam milhões de dólares nas eleições de 1962. A assistência econômica era redirecionada aos governos estaduais oposicionistas, as “ilhas de sanidade administrativa”, como a antiga Guanabara, governada por Carlos Lacerda. A Embaixada dos EUA no Brasil, sob Lincoln Gordon, operou a aliança com os políticos e os militares.
Pelo telefone
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa foi amistosa. Trump teria dito que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do presidente brasileiro. Lula, por sua vez, afirmou que queria tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas relacionados a conflitos internacionais e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
Trump respondeu que tem interesse em ouvir as opiniões de Lula sobre esses assuntos e convidou-o para uma conversa no Salão Oval da Casa Branca, o que deve ocorrer hoje. Essa conversa “olho no olho” com Trump foi adiada desde a guerra no Oriente Médio. A expectativa de Lula é que reunião possa normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e aumento de tarifas de importação.
Se o convite ocorreu de uma hora para outra, a agenda do encontro está sendo negociada pelo Itamaraty desde a primeira conversa entre ambos, por telefone, em 26 de janeiro de 2026, que durou 50 minutos. O contencioso com a Casa Branca envolve a existência do PIX, a transnacionalização do crime organizado e do narcotráfico brasileiro, a exploração de terras raras e outros minerais críticos, a geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU e as eleições no Brasil.
Leia mais: O que os dois presidentes querem ganhar com encontro na Casa Branca?
Nesse ínterim, as divergências entre Lula e Trump escalaram com a tensão no cenário internacional e a aproximação das eleições, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para acirrar as contradições. A extrema-direita na Casa Branca não esconde o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), que agora rivaliza com Lula na liderança das pesquisas eleitorais.
A máxima de que esse tipo de encontro “só acontece quando tudo está resolvido” não vale para Trump. Lula corre riscos, mas não poderia recusar o convite. O resultado da conversa entre ambos depende muito da “química” entre os dois e, obviamente, da natureza das exigências de Trump e das concessões que Lula admite fazer à Casa Branca. Ou seja, o resultado é imprevisível, ainda que o petista seja tratado com toda pompa, como fora Jango.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Bolsonaro, #Gaza, #Irã, #Narcotráfico, #Pix, #Tarifas, #Trump, Lula
Remoção da Favela da Praia do Pinto (2/4) - De Lá Pra Cá - 11/05/2009
TV Brasil
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TV Brasil é financiada total ou parcialmente pelo governo do Brasil. Wikipedia (Inglesa)
2 de jun. de 2009
Exibição: 11/05/2009
Programa sobre a Remoção da Favela da Praia do Pinto, que completa 40 anos.
"A FAVELA DO PINTO NA LAGOA ERA A FAIXA DE GAZA ENTRE JARDIM BOTÂNICO E COPACABANA A SER REMOVIDA PARA A FAVELA DA VILA KENEDY E SE TRANSFORMAR EM MAIS UMA ARRANHÃ CÉU EM BUSCA DE DEUS QUE TAMBÉM ERA O DE GIL, DA COBERTURA DO CHICO EM UM DIA DA PAIXÃO DE CRISTO, DO OUTRO LADO DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS. A Favela do Pinto, que ocupava o que hoje é o condomínio Selva de Pedra no Leblon/Lagoa, é um dos marcos mais dramáticos das remoções habitacionais no Rio de Janeiro durante a ditadura militar.📍 O Epicentro do ConflitoLocalização: Entre o Corte do Cantagalo e a rua Humberto de Campos.Ocupação: Área nobre cobiçada pelo mercado imobiliário nos anos 60.O Incêndio: Em 1969, um fogo "misterioso" destruiu a favela.Desfecho: Moradores foram transferidos para a Vila Kennedy (Zona Oeste).🏗️ A Metamorfose UrbanaArranha-céus: No lugar dos barracos, surgiu o Selva de Pedra.Verticalização: O projeto visava modernizar a Lagoa para a elite.Segregação: A remoção empurrou a pobreza para longe dos olhos da orla.🕊️ O "Deus" e a Cultura na LagoaGilberto Gil: Compôs sobre a desigualdade e a espiritualidade baiana e carioca.Chico Buarque: Morador emblemático de coberturas próximas, cronista da cidade.Simbolismo: A Paixão de Cristo na Lagoa contrasta o luxo e o sofrimento social.💡 Curiosidade: A remoção da Favela do Pinto foi o primeiro grande passo para a gentrificação total da orla da Zona Sul, mudando para sempre a demografia do Rio.Se você quiser, posso pesquisar detalhes sobre o incêndio de 1969 ou a história da Vila Kennedy. Como prefere continuar?4 sitesVocê sabia? No meio do Leblon o bairro mais rico do Brasil, havia uma favela com mais de 15 mil habitantes era a favela da Praia do Pinto, que hoje dá lugar a um Shopping e Condomínios de luxo. Na época os moradores resistiam em deixar o local foi quando em 11 de maio de 1969 a favela foi acometida por um misterioso incêndio e os moradores foram realocados pelos governantes em habitações bem distantes da Zona Sul, com muitas famílias indo para Cidade de Deus e Cidade Alta.6 de jul. de 2025 — Ainda existe uma favela vertical, atrás do shopping Leblon. No local da antiga favela "praia do pinto", foi construído o condomíni...InstagramFoto de 1965 da Favela da Praia do Pinto. Ela ficava entre os bairros do Leblon e Lagoa, bem próxima a sede do Clube de Regatas do Flamengo. A favela foi destruída por um incêndio em 1969, quatros anos após essa foto, e em seu lugar foi construído o condomínio Selva de Pedra com 40 edifícios altos e 2.251 apartamentos. O plano de construção da Selva de Pedra começou após o incêndio, na madrugada do dia 11 de maio de 1969, dessa favela. Durante cinco dias, o fogo consumiu boa parte dos barracos. Na época, moradores acusaram os bombeiros de não atender aos pedidos de socorro e levantaram suspeitas de que o incêndio tivesse sido proposital. Nessa foto podemos observar algumas construções das ruas: Humberto de Campos, José Linhares, Cupertino Durão, Carlos Góes e Almirante Guilhem. Nessa época os apartamentos e terrenos próximos a comunidade eram muito mais baratos que em outros bairros. Algumas construções antigas do Leblon estarão no livro 2 Rio - Casas & Prédios Antigos. Acesse catarse.me/livro2rio e garanta o seu. #favela #praiadopinto #riodejaneiro #rj #arquitetura #incendio #livro2rio #livro #rio #riodeontem #zonasulrio #casas23 de nov. de 2018 — Foto de 1965 da Favela da Praia do Pinto. Ela ficava entre os bairros do Leblon e Lagoa, bem próxima a sede do Clube de Regatas do...FacebookFavela do Pinto no Leblon, década de 1960. Após a comunidade ser vítima de um incêndio criminoso, seus moradores foram removidos de lá no meio das políticas de remoção de favelas nos governos Lacerda e Negrão de Lima, e transferidos para conjuntos habitacionais nas zonas norte/oeste longe das vistas das classes altas da cidade. Cerca de 10.000 pessoas moravam na favela11 de dez. de 2025 — Bom dia, não querendo defender Político, mas a Vila Kennedy, foi criada, para abrigar Pessoas de uma Favela, não lembro qual, send...Facebook"
Remoção da Favela da Praia do Pinto (4/4) - De Lá Pra Cá - 11/05/2009
TV Brasil
2,77 mi de inscritos
2 de jun. de 2009
Exibição: 11/05/2009
Programa sobre a Remoção da Favela da Praia do Pinto, que completa 40 anos.
https://www.youtube.com/watch?v=du3VM1p5MgE
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