domingo, 25 de outubro de 2026

Palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações.

José Roberto - Benzinho (Dear Someone) (Pseudo Video)
Mateus 7:21 Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus. 6. Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. — Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? — Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade. (S. Mateus, 7:21 a 23.) 7. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. — Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. — Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína. (S. Mateus, 7:24 a 27; S. Lucas, 6:46 a 49.) 8. Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no reino dos céus aquele que os cumprir e ensinar. (S. Mateus, 5:19.) 9. Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! — Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: “Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniquidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade.” São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranquilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia: o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão. Leitura do ESE, capítulo XVIII -Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos Céus Madô Espírita Transmitido ao vivo em 28 de jul. de 2020 Momento de reflexão - Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XVIII, do item 06 ao 09 - Nem todos os que dizem: “Senhor! Senhor!” entrarão no Reino dos Céus Apresentador: Adelvair David Realizado em 28 de Julho de 2020, Terça Feira
Aqui está a transcrição completa do texto contido na imagem: Diversos oradores se fizeram ouvir, inclusive discípulos de Eurípedes, dentre os quais o Sr. Zenon Zoroastro Borges, cujas palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações. Eurípedes dirige-se aos amigos, em lágrimas. Emocionava-se ante a demonstração coletiva de simpatia, mas roga aos irmãos queridos terminem ali o programa comemorativo. A misericórdia do Pai já havia descido, por acréscimo, anulando os esforços da Justiça humana; agora era necessário esquecer o resto, a fim de que o Ato Divino não fosse envolvido pelas sombras de nossa incompreensão. A vingança só deveria ser usada para a prática do Perdão. Não obstante o discurso de Eurípedes, vasado em sublimes expressões de Amor, os manifestantes revelaram seu intuito irrevogável de festejar, durante algumas horas a grande vitória do Bem. Era um direito, que lhes assistia. Ninguém oporia diques à alegria que jorrava das almas, como cascatas buliçosas e incontroláveis. Eurípedes fala novamente ao povo amigo. Ante a decisão inabalável da sua gente, resta-lhe suplicar ordem, caridade e paz. Que o próximo fosse respeitado em tudo. Que não exorbitassem os amigos nas demonstrações jubilares para não ferir suscetibilidades. A cidade, pequenina e pacífica, apresentava o aspecto inusitado de grande centro convulsionado por massa humana e foguetório, em dia de grande gala. A noite chegara. As comemorações culminaram com o cortejo fúnebre simbólico, onde não faltaram velas, tochas e discursos. O defunto era o processo criminal, colocado num caixão de madeira. Encerrava-se, assim, o triste episódio com lances paradoxais de euforia popular. Era a suprema resposta ao Benfeitor, que há muito se identificara com o Senhor "pelo emprego dos seus dons, pelo valor de suas realizações e pelas obras que deixava, em torno dos próprios pés." (63) ---------------------------------------------------------------------------------------------------- (63) Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psic. Francisco C. Xavier, Ed. FEB, Rio, RJ, 6ª Ed., cap. 165. Eurípedes – o Homem e a Missão 195
Palavras são ainda hoje lembradas pela justeza das argumentações. Da emancipação da alma- Audiobook de "O Livro dos espíritos" de "Allan Kardec" - Parte Segunda Sussurros de Tinta Introdução ao estudo da doutrina espírita ▸ Você está em: O Livro dos Espíritos > Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos > Capítulo VIII — Da emancipação da alma Capítulo VIII — Da emancipação da alma O sono e os sonhos. 400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal? “É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação, e tanto mais deseja ver-se livre do seu envoltório, quanto mais grosseiro é este.” 401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo? “Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. ” 402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono? “Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potência e pode pôr-se em comunicação com outros Espíritos, quer neste mundo, quer noutro. Dizes frequentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião. Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro. “Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos? “O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disse um santo. “Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença; há homens que não cuidam de conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida. “Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar em contato com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio. “O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. Vossos sonhos nem sempre refletem a ação da alma em seu pleno desenvolvimento; são, muitas vezes, apenas a lembrança da perturbação que experimenta à sua partida ou no seu regresso ao corpo, acrescida da relativa ao que fizestes ou do que vos preocupa quando em vigília. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes. “De resto, dentro em pouco vereis desenvolver-se outra espécie de sonhos. Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos. São recordações guardadas por almas que se desprendem inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludi. “Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos, entre os de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.” Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da presente existência ou de existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. 403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos? “Naquilo que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo tem dificuldade em conservar as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.” 404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos? “Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de sorte, pois é absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, frequentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. Amiúde, são também, como atrás dissemos, uma recordação. Por fim, podem algumas vezes ser um pressentimento do futuro, se Deus o permitir, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?” 405. Acontece com frequência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, mas que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto? “Pode suceder que tais pressentimentos venham a se confirmar apenas na experiência do Espírito, e não na do corpo; isto é, o Espírito vê aquilo que deseja porque vai ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma sempre está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas ideias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma ideia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa ideia.” 406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem atos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação? “De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre aquilo em que eles pensam. Ademais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências.” 407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito? “Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre quanto mais fraco for o corpo.” Assim é que quando estamos apenas adormecidos, ou em simples modorra, frequentemente vemos imagens idênticas às que se apresentam nos sonhos. 408. Parece-nos algumas vezes ouvirmos em nós mesmos palavras pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa. Qual a razão disso? “É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, algumas vezes, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar.” 409. Outras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação? “Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se fosse completo o sono, já seria sonho.” 410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas ideias? “Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de mais faculdades. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.” a) – De que servem essas ideias e esses conselhos, se lhes perdemos a lembrança, não os podendo aproveitar? “Algumas vezes essas ideias mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Com mais frequência, porém, se o corpo as esquece, o Espírito as retêm, e voltam no momento necessário, como uma inspiração súbita.” 411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte? “Frequentemente acontece pressenti-la. Algumas vezes também sucede ter nítida consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas preveem com grande exatidão a data em que virão a morrer.” 412. Pode a atividade do Espírito durante o repouso ou sono corporal fatigar o corpo? “Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo.”
Afaste a tristeza. A alegria do seu coração mostra o seu pensar positivo.

ÀS REGRAS: “As regras do jogo, por Luiz Sérgio Henriques*”

Nana, Dori e Danilo Caymmi - Marina (DVD Para Caymmi - Ao Vivo) Warner Music Brasil 11 de ago. de 2019 Parte do DVD histórico “Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo”, gravado em 2004 como homenagem aos 90 anos do mestre Dorival Caymmi, que acaba de ser disponibilizado na íntegra em nosso canal para marcar o Dia dos Pais. Assista ao DVD completo: http://bit.ly/NDDnlCaymmi FRANCISCO ALVES - MARINA Estudio78RPM (Otacílio) MARINA - SAMBA CANÇÃO de DORIVAL CAYMMI com FRANCISCO ALVES e ORQUESTRA ODEON - DIR.: LÍRIO PANICALI. Disco ODEON Nº 12.773-b. Matriz 8191. Tamanho 25cm. Gravado em 11/03/1947. Lançado em maio de 1947. * Dorival Caymmi ao sair de casa e despedir-se de seu filho Dorivalzinho recebeu deste a frase: "Estou de mal" e Dorival foi para as compras com aquela frase a lhe martelar os ouvidos; Quando regressou das compras vinha já com a composição pronta.
No artigo publicado em O Estado de S. Paulo, Luiz Sérgio Henriques analisa os riscos que o avanço da extrema direita representa para a democracia, no Brasil, nos Estados Unidos e em outras nações ocidentais. O autor destaca que a essência da democracia não está apenas na realização de eleições, mas, sobretudo, no respeito às regras institucionais, à Constituição e aos resultados das urnas, mesmo quando desfavoráveis aos próprios interesses políticos. Recorrendo aos episódios de invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, e aos atos golpistas de Brasília, em janeiro de 2023, o articulista demonstra como a rejeição das derrotas eleitorais e as tentativas de concentração de poder ameaçam os fundamentos democráticos. No caso brasileiro, considera que a responsabilização dos envolvidos nos ataques às instituições confirma a capacidade de resistência da ordem constitucional, embora não elimine os riscos de novas investidas contra ela. Henriques também critica propostas que possam favorecer a alteração das regras constitucionais em benefício de interesses pessoais ou eleitorais. Ao final, defende que democratas de todas as correntes políticas — esquerda, centro e direita constitucional — superem suas divergências e reconstruam um compromisso comum com a democracia, isolando os extremismos e preservando a integridade das instituições. A mensagem central do artigo é inequívoca: na democracia, não basta disputar o poder e vencer eleições; é indispensável respeitar as regras do jogo, aceitar as derrotas e garantir que nenhum governante esteja acima da Constituição.
As regras do jogo - Estadão O artigo de Luiz Sérgio Henriques publicado no O Estado de S. Paulo argumenta que a preservação da democracia exige o compromisso incondicional com as regras do jogo eleitoral diante do avanço de uma extrema direita subversiva. O texto destaca que a estabilidade institucional brasileira permanece vigente, mas alerta contra tentativas de manipular normas constitucionais e enfatiza a necessidade de um cordão sanitário democrático contra o extremismo. Você pode ler a análise completa em O Estado de S. Paulo.
domingo, 25 de outubro de 2026 As regras do jogo, por Luiz Sérgio Henriques* O Estado de S. Paulo Não é possível escolher o terreno da luta, mas pode-se fixar o objetivo comum de restabelecer a integridade do espectro político Não é nada incomum, na política e na vida, ter de agir sob a pressão inclemente da força das coisas. Num momento em que a recessão democrática se espalha em países-chave do Ocidente, é obrigatório valorizar os fundamentos mais elementares da nossa crença comum ou, para ser mais enfático, da nossa escolha de vida. Somos democratas – de esquerda, direita ou centro – e nos habituamos a considerar como intocável o compromisso com eleições justas e livres, embora os fins pelos quais lutamos possam divergir. Numa formulação um tanto mais teórica, por princípio interessa-nos menos o resultado do jogo do que as regras sob as quais ele é jogado. A espantosa novidade dos nossos dias é o surgimento de uma extrema direita abertamente subversiva, que, violando regras, se lança sobre todas as instâncias da ordem democrática, sem exclusão das estritamente liberais. Pode até acontecer a eleição regular de um líder supremo, desde que se preserve a ligação direta com as massas. Por isso, logo em seguida, busca-se corroer os instrumentos liberais que limitam o poder pessoal e atuam como freio à autocratização. A ascensão aparentemente irresistível dessa nova direita, respeitadas as particularidades dos mais variados contextos, indica que ela não é o resultado da ação fortuita de líderes talentosos ou adversários destituídos de capacidades mínimas, ainda que uns e outros de fato existam. Deixemos de lado as condições de possibilidade da “direita revolucionária” e examinemos os casos críticos do Brasil, hoje, e dos Estados Unidos, com as eleições legislativas de 3 de novembro. As vicissitudes que atingiram as duas maiores democracias americanas confirmam, além de qualquer dúvida razoável, o elevado risco que correram – e correm. O presidente Donald Trump invariavelmente se autoproclama vencedor integral de três eleições seguidas, quando só numa delas, em 2024, levou a melhor tanto no voto popular quanto no colégio eleitoral. E o motim deflagrado contra o Capitólio, em janeiro de 2021, por ocasião da derrota para o presidente Joe Biden, serviria como modelo insurrecional para os fatos de Brasília em janeiro de 2023, ao se frustrar a reeleição do então presidente Jair Bolsonaro. É preciso reconhecer nisso a transgressão de mais uma pedra fundamental da nossa crença, estabelecida com acuidade por Adam Przeworski. A democracia, segundo este cientista político, é “o sistema em que partidos perdem eleições” e, por isso, são absolutamente ilegítimos atos insanos ou desesperados. As palavras de Przeworski parecem modestas e são cortantes. Sugerem recuo para uma definição mínima e, na verdade, estabelecem um ponto além do qual a forma de vida já é outra, moldada pelo que tem sido o “subversivismo elementar” de boa parte dos maiores responsáveis pela grande transformação em curso. À luz dessa concepção mínima, o Brasil continua a ser uma democracia. Realiza eleições regulares, faz prevalecer seus resultados e dispõe de instituições capazes de responsabilizar quem tentou subvertê-los. As condenações pelos atos de Brasília, longe de desmentirem essa condição, confirmam a vigência da ordem constitucional. Nem os escândalos e desvios que atingem a República autorizam a conclusão contrária. Mas seria imprudente supor que uma Constituição nascida das lutas contra o arbítrio esteja imune a novas tentativas de alterar as regras do jogo. Por este motivo, não faz parte do repertório legalmente constituído – e, portanto, por si só causa justificada apreensão – a mal-ajambrada pretensão de reforma constitucional veladamente exposta pelo senador Flávio Bolsonaro. A pretexto de liquidar o instituto da reeleição e abrir mão da disputa em 2030, o senador parece reivindicar – ou deixar ao acaso de eventual maioria legislativa – a extensão de hipotético mandato que agora conquiste. Ainda uma vez, o que se evidencia é tanto a tentação de obter um resultado altamente questionável quanto o desprezo cínico pelas regras do jogo. Mandatos legítimos, uma vez conquistados, não devem ser prorrogados depois de conferidos pelas urnas. Para sair da conjuntura crítica, os democratas de todo o espectro – aqui, nos Estados Unidos e em muitos outros países – enfrentam suas próprias contradições e dificuldades. O centro político, por exemplo, está em retirada, incapaz como foi de uma candidatura presidencial que funcionasse como alternativa. A direita constitucional está desafiada continuamente a se afastar da nova direita subversiva. E a esquerda, muito variada internamente, nem sempre escapa à tentação suicida de uma polarização catastrófica para os fins de mudança social a que aspira. Não é possível escolher o terreno da luta, mas pode-se fixar o objetivo comum de restabelecer a integridade do espectro político, com independência das siglas que o componham. O intuito é refazer, o quanto antes, aquele “cordão sanitário” em torno do extremismo – aliás, não só de direita – que ajudou a preservar as democracias modernas. Entre estas, afinal, com altos e baixos, nos situamos orgulhosamente desde 1988. *TRADUTOR E ENSAÍSTA, É COEDITOR DAS ‘OBRAS’ DE GRAMSCI NO BRASIL
domingo, 25 de outubro de 2026 Lula ou Flávio, a sorte, as virtudes e o papel do indivíduo na história, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Todo aventureirismo é perigoso. O governante sem limites é aquele que considera legítimo remover qualquer obstáculo à própria vontade “Aquele que menos se apoiou na sorte reteve o poder mais seguramente.” A advertência de Nicolau Maquiavel, no capítulo VI de O príncipe (Hemus), merece reflexão neste domingo. Conquistar o governo e saber governar são capacidades distintas. As circunstâncias podem abrir as portas do poder a quem não construiu os meios para exercê-lo. A virtù permite aproveitar a fortuna e enfrentar suas consequências. Essa correlação ajuda a compreender a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, que aspira à Presidência. Para o pensador florentino, virtù não significa bondade, pureza de intenções ou obediência à moral religiosa, mas capacidade política, ou seja, discernimento, coragem, flexibilidade e competência para agir diante das circunstâncias. Já a fortuna são essas contingências, abrange acontecimentos que escapam à vontade do governante. Nenhum dirigente controla integralmente o destino, mas é possível se preparar para as tempestades e aproveitar os ventos favoráveis. Diante dessa lição de Maquiavel, qual é o papel do indivíduo na história? Atribuir tudo aos grandes personagens subestima os movimentos sociais que os embalam. Submetê-los integralmente a forças impessoais também falseia a compreensão dos acontecimentos. Entre o carisma do líder e o peso das estruturas há o espaço da ação política, no qual decisões individuais podem ampliar possibilidades, desperdiçar oportunidades ou precipitar os desastres. Karl Marx mostrou essa tensão no passagem de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (Boitempo), a maior reportagem política já escrita, que relata a segunda restauração da monarquia após a Revolução Francesa : “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. Essa frase ilumina as trajetórias de Lula e Flávio quanto aos limites da vontade. Os candidatos são expressão de interesses, expectativas e conflitos, mas suas escolhas diante das contradições do processo político decidem o destino de todos nós. Lula cumpriu esse papel com notável destaque. Sua trajetória reúne experiências vividas da transição social do Brasil rural para o urbano: a migração nordestina, o trabalho industrial, o sindicalismo, a resistência à ditadura e a organização partidária dos trabalhadores. Sua liderança nasceu das greves do ABC, ganhou expressão nacional com a fundação do PT e alcançou a Presidência depois de três derrotas eleitorais. Não é fruto de um golpe de sorte, muito pelo contrário. Essa resiliência não o torna infalível ou dispensa o julgamento de seus governos. Sua habilidade de conciliação produziu acomodações e suas alianças agora cobram o preço de concessões e contradições. A biografia excepcional não responde automaticamente aos problemas do presente. A experiência pode produzir prudência, mas também alimentar a confiança excessiva em soluções que podem já não dar certo. Quando os tempos mudam A presença de Lula no poder não pode ser explicada como um acidente eleitoral. O presidente que busca o quarto mandato ajudou a organizar as forças que o projetaram e promoveu o reconhecimento, a participação e a inclusão dos mais pobres. Sua genialidade política foi transformar experiência pessoal em identificação coletiva. Lula ganhou dimensão histórica porque soube representar milhões de pessoas que procuravam um lugar nas decisões nacionais. Entretanto, como já dizia Maquiavel, a maior virtude do governante é perceber quando os tempos mudam e não subestimar os adversários. Flávio Bolsonaro ocupa posição distinta. Tem carreira parlamentar, foi deputado estadual e chegou ao Senado; mostrou ser incorreto tratá-lo como estreante. Entretanto, sua projeção nacional está inseparavelmente ligada ao patrimônio político do pai. Não apresenta trajetória equivalente de organização social, construção partidária ou direção do Executivo. A diferença em relação a Lula ultrapassa a idade: envolve a origem e a autonomia da liderança. É nesse sentido que a imagem do príncipe aventureiro de Maquiavel se ajusta à candidatura de Flávio. O filho do ex-presidente Bolsonaro pode alcançar o poder beneficiado por circunstâncias que não criou: o desgaste do adversário, a rejeição ao PT e a disponibilidade de uma identidade política herdada. A fortuna, aqui, tem sobrenome, base eleitoral e estruturas de mobilização. O risco começa quando essa herança é apresentada como capacidade para governar e resgata uma experiencia fracassada quanto ao seu humanismo. Todo aventureirismo é perigoso quando a ambição é maior do que a responsabilidade democrática. O príncipe sem limites é aquele que considera legítimo remover qualquer obstáculo à própria vontade. Na República, o Congresso e a Justiça, as demais instituições democráticas, a sociedade civil, a imprensa e a oposição têm funções que transcendem ao resultado eleitoral, principalmente nos momentos de crise. A vitória concede um mandato temporário subordinado à Constituição. Não entrega ao vencedor a propriedade do Estado. E o voto secreto, direto e universal, na urna eletrônica, garante que cada brasileiro faça sua escolha e o resultado do pleito seja inequívoco. Alea jacta est!

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

“AS ÁGUAS BARRENTAS DO PARAIBUNA: ENTRE A TRADIÇÃO DOS POETAS E AS TEMPESTADES DA NOSSA JOVEM DEMOCRACIA”

Crônica da antevéspera de 25 de outubro de 2026: do caralho da gávea jesuíta aos coadores de sigilo na Zona da Mata
Zeca Pagodinho - Beija-Me (Video Clip) html

DAS GÁVEAS DE PORTUGAL AO PORTÃO 1.600: UMA CRÔNICA SAPECA NA ANTEVÉSPERA DO DOUS DE OUTUBRO

Postado na antevéspera de 25 de outubro de 2026 — Sob o olhar atento da memória de Juiz de Fora

Mar agitado na Baía de Guanabara com cargueiros modernos

O mar revolto da história: a Baía testemunha a passagem do tempo e das frotas.

Diz-se na boa cartilha da história pátria que o Iluminismo, quando desceu as encostas do Douro pelas mãos de Sebastião José de Carvalho e Melo, o temido Marquês de Pombal, trazia uma obsessão quase cirúrgica pelo ordenamento. Pombal queria o império alinhado à régua, os jesuítas banidos em 1759 e a instrução pública livre de silogismos religiosos. Mas o que o austero ministro nunca previu é que, séculos depois, no exato metro linear número 1.600 da Avenida Presidente Itamar Franco (a eterna Independência, em Juiz de Fora), a geometria urbana e a carne estudantil haveriam de pregar-lhe uma peça de fina e doce malícia.

Corta a cena para esta sexta-feira fria de outubro de 2026. A nossa breve, atribulada e curta democracia ferve na antevéspera do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, 25 de outubro. No portão do Colégio dos Jesuítas, instituição plantada na antiga Chácara das Palmeiras na década de 1950, o ar está carregado de promessas e de exaustão. Foi ali, naquele limiar de ferro e asfalto, que uma jovem parzinha de seus doze para treze anos proferiu a sentença que paralisou o tempo: "Tenho uma caralhada de matéria para estudar. Tenho que viajar."

A frase, capturada pelo ouvido atento e anotada no caderno de um elegante senhorzinho de quase 81 anos, uniu dois mundos separados por sete décadas de travessuras coloniais e contemporâneas. Esse nobre ancião, que ali frequentou o mesmo chão nos idos em que a disciplina era rígida e a batina preta impunha respeito, sorriu de canto de boca. Na sua época, o reitor e xerife da moral era o temido Padre Benjamim — a quem a malandragem dos pares de calças curtas, longe dos ouvidos sacros, apelidara carinhosamente de "Picão". Pode isso, Arnaldo? A regra é clara: a irreverência escolar é a única instituição que nunca racha.

Mastro de caravela antiga com destaque para o cesto da gávea

A gávea isolada: o "caralho" náutico onde o estudante cumpre seu castigo pré-férias.

Se Pombal exigia o rigor das posturas, o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, lá do seu confessionário profano e libertino, assinaria embaixo da exclamação da menina com um soneto obsceno de aplausos. Pois a etimologia, essa ciência despudorada, não nos deixa mentir: a "caralhada" de apostilas que a jovem carrega nos braços remete, textualmente, ao mastro principal das antigas naus portuguesas. O caralho era a cestinha da gávea, aquele posto alto e isolado onde o marujo rebelde pagava seus pecados ao vento congelante, tonto de tanto balançar, tentando avistar o contorno de uma terra prometida.

Caravela antiga enfrentando tempestade violenta com a Cruz de Cristo nas velas

Hastes ao vento: a cruz colonial rasgando o mar sob o peso das obrigações.

Assim viaja a mente do estudante moderno: empurrado para a gávea pelo peso dos exames, com hastes e carajos ao vento, olhando o horizonte urbano e sonhando com a fuga do final de semana. Enquanto isso, o noticiário de outubro de 2026 nos sobra que, em outra embarcação bem menos sacra flutuando na Baía de Guanabara, as elites políticas e os banqueiros de terno caro — o elo contemporâneo de Flávio e Vorcaro, cujos ecos da investigação bizarramente cruzaram as mesas da Delegacia da Polícia Federal da própria Juiz de Fora — celebram seus acordos sigilosos em um verdadeiro bacaba de influências, regado a vinhos densos, mimos de luxo e iates de alta linhagem.

Iate de luxo moderno na Baía de Guanabara durante o entardecer

A nau dos privilegiados: a bizarra apoteose moderna que esbarra no interior mineiro.

Passa-se a régua, portanto, na calçada do número 1.600. O número, que a engenharia urbana jura ser apenas a distância métrica até o marco zero, finge homenagear o século XVI da chegada dos padres de Nóbrega e Anchieta. Mas a verdade que se estampa na fresta do portão é outra, puramente boccagiana: o colégio jesuíta continua a ser a nau que cruza o mar revolto da nossa história. Entre a memória do Padre Benjamim, o "Picão", e o desabafo libertador da menininha de 2026, a juventude juiz-forana segue firme, despachando as obrigações para a gávea e cruzando os portões em busca da estrada, antes que as urnas de domingo decidam o rumo da tempestade.

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Eleições 2026: confira as principais datas do calendário eleitoral Resolução informa que cidadãs e cidadãos devem solicitar o título de eleitor até 6 de maio para participar do pleito 06/03/2026 11:35 - Atualizado em 14/10/2026 12:03 Compartilhar página por e-mail Compartilhar pagina via Facebook Compartilhar página no WhatsApp Foto: Luiz Roberto/TSE Edifício-sede do TSE, em Brasília. Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, em sessão extraordinária administrativa realizada no dia 2 de março de 2026, a Resolução nº 23.760, que estabelece o calendário oficial das Eleições Gerais de 2026. Cidadãs e cidadãos que necessitam solicitar o primeiro título de eleitor, realizar transferências de domicílio ou revisar dados cadastrais têm até o dia 6 de maio de 2026 para fazê-lo de forma presencial. A partir do dia 7 de maio de 2026, o cadastro eleitoral estará oficialmente fechado para novos pedidos, reabrindo apenas após o término do pleito. As Eleições de 2026 ocorrerão no dia 4 de outubro de 2026 (1º turno), oportunidade em que serão eleitos os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Nos casos em que houver necessidade de 2º turno, a votação ocorrerá no dia 25 de outubro de 2026. Abaixo, confira cronologicamente as principais datas do calendário eleitoral: Janeiro de 2026 1º de janeiro: Início do registro obrigatório na Justiça Eleitoral de pesquisas de opinião pública que venham a ser divulgadas sobre o pleito ou sobre possíveis candidatos. Passam a valer também os limites de gastos com publicidade dos órgãos públicos e a proibição da distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública (salvo emergências ou programas sociais preexistentes). Março de 2026 5 de março a 3 de abril: Período da janela partidária, prazo no qual deputadas e deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido para concorrer às eleições sem risco de perda do cargo eletivo por infidelidade partidária. 5 de março: Data-limite para que o TSE publique todas as instruções e resoluções aplicáveis às Eleições de 2026. Abril de 2026 4 de abril (6 meses antes do 1º turno): Prazo final para que partidos políticos e federações obtenham o registro de seus estatutos junto ao TSE. Data-limite para que futuros candidatos fixem seu domicílio eleitoral na circunscrição em que desejam concorrer e estejam com a filiação partidária devidamente aprovada. Prazo final para que o presidente da República, governadores e prefeitos que queiram disputar outros cargos renunciem aos seus respectivos mandatos executivos (desincompatibilização). 7 de abril: Último dia para que eleitoras e eleitores que não possuem cadastro biométrico na Justiça Eleitoral solicitem serviços de alistamento, transferência ou revisão cadastral pela internet, utilizando o Autoatendimento Eleitoral. Maio de 2026 6 de maio: Prazo limite para que eleitores com biometria ou que necessitem de atendimento presencial solicitem emissão do primeiro título, transferência de local de votação ou revisão de dados cadastrais. 7 de maio: O cadastro eleitoral é suspenso (fechado) para novas solicitações. 13 a 15 de maio: Realização, na sede do TSE, do Teste de Confirmação para verificar a efetividade das correções implementadas após o Teste Público de Segurança (TPS 2025). 15 de maio: Pré-candidatas e pré-candidatos estão autorizados a iniciar a arrecadação de recursos financeiros por meio de plataformas homologadas de financiamento coletivo (crowdfunding), desde que não haja pedido explícito de voto. Junho de 2026 1º de junho: Limite para que a União repasse as dotações orçamentárias relativas ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ao TSE. 16 de junho: Prazo final para que o TSE divulgue o montante total disponível do Fundo Eleitoral a ser distribuído aos partidos. 30 de junho: Início da vedação para que emissoras de rádio e TV transmitam programas apresentados ou comentados por pessoas que se apresentem como pré-candidatas ou pré-candidatos. Julho de 2026 4 de julho (3 meses antes do 1º turno): Passam a vigorar restrições severas a agentes públicos, como a proibição de nomeações, demissões sem justa causa, contratações e participação em inaugurações de obras públicas. 20 de julho a 20 de agosto: Período para que eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida solicitem transferência para seções eleitorais adaptadas ou facilidades para votação em trânsito. 20 de julho a 5 de agosto: Período oficial para a realização de convenções partidárias destinadas a deliberar sobre coligações e escolher formalmente candidatas e candidatos. Agosto de 2026 5 de agosto: Prazo final para a realização das convenções partidárias. 15 de agosto: Último dia para que partidos políticos, federações e coligações registrem formalmente as suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral. 16 de agosto: Início da propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet. 28 de agosto a 1º de outubro: Período de exibição do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão correspondente ao primeiro turno. 6 de agosto: Início do período de proibições severas à programação diária de emissoras de rádio e TV. Fica vedado às emissoras: Transmitir imagens de pesquisas em formatos que identifiquem participantes ou manipulem dados. Veicular qualquer tipo de propaganda política fora do horário reservado por lei. Dar tratamento privilegiado a candidatos, partidos ou coligações. Exibir filmes, novelas ou programas satíricos que contenham alusões negativas ou positivas a candidatos. Setembro de 2026 14 de setembro (20 dias antes do 1º turno): Data limite para a conclusão da Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais pelo TSE. Também se encerra o prazo para solicitações de apoio de transporte por comunidades indígenas e quilombolas. 19 de setembro (15 dias antes do pleito): Candidatas e candidatos não podem ser detidos ou presos, a não ser em flagrante delito. 29 de setembro a 6 de outubro: Eleitoras e eleitores não podem ser presos ou detidos, salvo em flagrante delito, em decorrência de sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto. Outubro de 2026 3 de outubro: Realização da Cerimônia de Verificação do Sistema de Gerenciamento da Totalização dos resultados eleitorais. 3 a 5 de outubro: Proibição total de transporte de armas e munições por parte de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) em todo o território nacional. 4 de outubro (Primeiro Domingo): Dia das Eleições (1º Turno). A votação inicia às 8h e encerra às 17h, uniformizada em todo o país de acordo com o horário oficial de Brasília. 25 de outubro (Último Domingo): Dia das Eleições (Eventual 2º Turno). Em caso de 2º turno: 9 a 23 de outubro: Veiculação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. 10 de outubro: Candidatos participantes do 2º turno não podem ser presos, exceto em flagrante. 20 de outubro: Eleitores não podem ser presos, exceto em flagrante, por crime inafiançável ou quebra de salvo-conduto. 24 a 26 de outubro: Nova restrição de porte e transporte de armas de fogo para CACs em território nacional. Novembro de 2026 3 de novembro: Reabertura do cadastro eleitoral. Retomam-se os atendimentos presenciais nos cartórios, serviços online de alistamento e transferências pela internet, além da emissão de certidões de quitação eleitoral. Dezembro de 2026 3 de dezembro: Prazo final para que eleitores que deixaram de votar no 1º turno apresentem a justificativa de ausência sem penalidade. 18 de dezembro: Data limite estabelecida para a diplomação das eleitas e dos eleitos pela Justiça Eleitoral. Janeiro de 2027 5 de janeiro de 2027: Posse oficial do presidente da República e do vice-presidente da República eleitos. 6 de janeiro de 2027: Posse oficial dos governadores e vice-governadores estaduais eleitos. 8 de janeiro de 2027: Prazo final para a entrega de justificativa de ausência no 2º turno das eleições ocorridas em outubro. MC/EM/DB GRES Tradição Hoje É Domingo, É Alegria, Vamos Sorrir E Cantar! 2001 Rogério Cardoso 29 de nov. de 2014 Enredo: Hoje É Domingo, É Alegria, Vamos Sorrir E Cantar! Ano: 2001 Autores: Lourenço e Adalto Magalha samba na voz de Celino Dias
Hoje É Domingo, É Alegria. Vamos Sorrir e Cantar! ('01) G.R.E.S. Tradição Os Sambas da Tradição

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O Ser, o Parecer e a Palavra

Tom Jobim | Sabiá | Inédito Biscoito Fino Áudio oficial da música "Sabiá ", interpretada por Tom Jobim. Tom Jobim foi, sem dúvida, um dos grandes poetas da música brasileira. As gravações de "Inédito" são de 1987 e foram lançadas em álbum duplo em 1995, um ano depois da morte do artista. Todas as músicas foram gravadas em estúdio adaptado na casa de Tom. Perfeito para os amantes da boa música. Ouça o álbum completo em todas as plataformas de música. Letra Sabiá (TOM JOBIM / CHICO BUARQUE) Jack Nicholson BR The Bucket List - Never Trust A Fart "Quase no final do maravilhoso filme Antes de Partir (The Bucket List) de 2007, Jack chega à sua sala, saindo de um lavabo (creio eu) diz para seu jovem gerente que está sentado na poltrona, revisando os papéis:" eu vi um baile de debutantes p.327 html

O Ser, o Parecer e a Palavra:
Uma Jornada do Conceito à Performance

A existência humana oscila entre o que guardamos no íntimo e o que projetamos para o mundo. O dilema entre essência e aparência não é apenas um debate filosófico estéril; ele se manifesta na desconstrução da linguagem, na literatura e na entrega absoluta da performance artística. Este ensaio costura essas três frentes, unindo o conceito original, a arquitetura da palavra e o ápice da expressão humana.

I. A Dialética do Ser e do Parecer

O ponto de partida da nossa reflexão repousa na máxima "ser é parecer". Historicamente, a filosofia tentou separar a essência (a verdade interna) da aparência (a projeção externa). No entanto, a modernidade e a era da performance borraram essas fronteiras.

A aparência deixou de ser apenas um simulacro da verdade para se tornar a própria moeda de troca social. Como antecipou Maquiavel na política e como escancaram as redes sociais contemporâneas, o "parecer" frequentemente dita a realidade prática. O desafio humano reside em equilibrar essa balança: como habitar um palco social sem perder a coerência e a autenticidade do próprio ser?

II. A Arquitetura Fractal da Palavra

Se o ser e o parecer duelam na vida, eles encontram uma trégua na linguagem. A palavra tem o poder de quebrar as aparências para revelar novas essências. Demonstramos isso ao desestruturar três substantivos próprios profundamente enraizados na identidade e na geografia brasileira:

  • Sabiá transmutado em Sá Bia (A transformação da natureza na figura humana e caipira).
  • Delfim transmutado em Del Fim (A transição de um título de nobreza para uma condição existencial e teleológica).
  • Suassuna transmutado em Sua Suma (A fusão de um sobrenome histórico com a ideia de um compêndio de totalidade).

Ao quebrar a casca fonética desses termos, criamos um substantivo composto triplo estruturado de forma fractal. A linguagem aqui opera no nível da essência: ela desconstrói o que a palavra "parece" ser na superfície para criar um novo "ser" poético, um enigma metalinguístico que homenageia a sonoridade e a literatura armorial.

III. A Performance como Fusão da Essência

O ápice desse encontro entre o conceito e a forma se materializa na arte. Na crônica dedicada a Jack Nicholson no livro Pelo Buraco da Fechadura: Eu Vi um Baile de Debutantes, o cronista Mario Prata capta o momento exato em que a técnica e a alma se fundem.

Na cena final do funeral no filme The Bucket List (Antes de Partir), Nicholson "parece improvisar". Ali, o ator quebra a barreira do roteiro (a aparência do personagem) e entrega a sua própria vulnerabilidade diante da finitude (a essência do ser). É o instante em que o parecer se torna tão genuíno que se transforma em ser. O grande artista é aquele que usa a simulação para revelar a verdade mais nua e crua da experiência humana.

[ FILOSOFIA ] Ser vs. Parecer
(Dilema Essencial)
>> [ LINGUAGEM ] Sá Bia, Del Fim
Sua Suma
(Quebra Fractal)
>> [ ARTE / PERFORMANCE ] O Improviso de Nicholson
(A fusão da técnica com a verdade nua)

Conclusão: A Suma de Tudo

Partindo da abstraction filosófica, passando pela desconstrução cirúrgica da palavra, até desaguar na crônica da performance cinematográfica, percebemos que o ser e o parecer não são inimigos excludentes. Eles são as duas faces da mesma moeda existencial. A palavra dita o ritmo, a filosofia provoca o pensamento, e a arte — seja na crônica de Prata ou no olhar de Nicholson — executa a síntese final: parecer, com tanta entrega, até que não reste outra opção a não ser ser.

Nota de encerramento: Com produtividade embutida todos a tinham como premissa implícita, que levavam a trincar e ranger de dentes com as embalagens de crescimento, desenvolvimento e prosperidade: Delfim, Meirelles e Paulo Guedes.
Use o código com cuidado. Antes de Partir - filme completo dublado em portugues Mut tia 1 / 79 html

Amigos do Blog,

Aqui é o Pedro Silveira. Sentem-se confortáveis nas poltronas das suas cabines, pois o mar da economia brasileira nunca é calmo. Para cruzar esse oceano de números herméticos e teses que parecem mais nós táticos de técnicos de gabinete, convidei para sentar aqui na cabine de transmissão o nosso eterno comandante, o homem que já esteve no timão das naus de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Ele que desenhou a jogada ensaiada do Real, da sua gênese nos treinos até os versículos da consagração no gramado. Fala, meu garoto, João Saldanha! Decodifica esse jogo para a moça que está nos ouvindo e pro rapaz que não quer trincar os dentes com o economês.

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Pedro, meus amigos. O negócio é o seguinte, e não tem mistério. Economia é que nem futebol: se você joga para a torcida e esquece de arrumar a defesa, toma de goleada no contra-ataque. E o que a gente viu nessas últimas décadas foi muito técnico de prancheta bonita, metido a sabichão, prometendo o título do "desenvolvimento" sem saber o básico do feijão com arroz.

Vamos botar a bola no chão e olhar o campo por setores, sem borrar a tática.

A Pré-História do Nosso Meio-Campo

Primeiro, vieram os caras que a crônica gosta de incensar. O Delfim jogava naquele estilo antigo, do "deixa o bolo crescer que depois a gente divide". O resultado? O bolo cresceu, os cartolas comeram tudo na tribuna de honra e a geral ficou com fome, na base do arrocho. Anos depois, o Meirelles entrou com aquela retranca italiana, o tal do Teto de Gastos. Trancou o time lá atrás, proibiu o apoio dos laterais e o povo ficou sem saúde e sem educação. Aí veio o Paulo Guedes, o ultraliberal da praia, prometendo um "boom" de investimentos que parecia aquele ponta-esquerda cisca-cisca: corre, faz fumaça, pedala, mas não cruza uma bola na área. Vendeu os anéis e os dedos do Estado e entregou a inflação no preço do arroz e do feijão.

Aí o torcedor me pergunta: "E os governos que vieram depois, João?" Vamos por partes.

2003 a 2006: O Palocci jogando na segurança

Quando o Lula assumiu em 2003, todo mundo achava que o time ia partir para o ataque desordenado. Que nada. O Antonio Palocci pegou o esquema tático que a gente tinha deixado redondinho no governo do Fernando Henrique — o Tripé Macroeconômico — e não mexeu em time que está ganhando. Manteve o superávit, garantiu a defesa e o mercado se acalmou. Com a casa arrumada, sobrou espaço para o passe curto: o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo. Foi um feijão com arroz bem temperado. O time não deu espetáculo de cara, mas ganhou os três pontos.

2007 a 2014: O Mantega e o ataque total (que virou chuveirinho)

Aí o Palocci saiu e o Guido Mantega assumiu a camisa 10. No começo, de 2007 a 2010, pegou o vento a favor das commodities — o nosso atacante de área que estava iluminado. O Mantega olhou pro banco e falou: "Vamos pro ataque!". Lançou o PAC, botou o BNDES e os bancos públicos para tabelar no ataque, injetando crédito na praça. O consumo explodiu, a torcida fez a festa.

Só que o sujeito se empolgou, Pedro. De 2011 a 2014, já no governo Dilma, o jogo mudou lá fora, mas o Mantega continuou querendo jogar no ataque total. Inventou a tal da "Nova Matriz Econômica". Forçou a queda dos juros no grito do treinador, deu desoneração fiscal para a indústria como quem distribui bicho adiantado e tabelou o preço da gasolina e da energia na marra. O que aconteceu? O meio-campo desguarneceu, as contas públicas estouraram e o time cansou. Foi o início do sufoco.

2015 a 2016: O Ajuste no Desespero

O segundo tempo da Dilma foi uma bagunça tática tremenda. Ela viu que o esquema do Mantega tinha falido e chamou o Joaquim Levy, o "Mãos de Tesoura", que jogava na escola do Meirelles. O cara quis dar um cavalo de pau no time no meio do campeonato. Cortou tudo, travou as jogadas, mas o vestiário já estava rachado com o Congresso. Não teve esquema tático que salvasse. O Nelson Barbosa ainda tentou entrar no finalzinho para acalmar os ânimos, mas a nau já tinha colidido com o iceberg do impeachment.

2023 a 2026: O Haddad e o esquema do "Novo Arcabouço"

E agora, meus amigos, nessa última temporada de 2023 a 2026, quem assumiu a prancheta foi o Fernando Haddad. O homem pegou o time destroçado depois do Guedes e teve que inventar um esquema novo porque o Teto de Gastos do Temer e do Meirelles já tinha estourado faz tempo.

O que o Haddad fez? Criou o "Novo Arcabouço Fiscal". Em vez de prender o time na zaga que nem o Meirelles, ou de abrir as pernas e privatizar tudo que nem o Guedes, ele propôs um equilíbrio: o gasto do governo só cresce se a receita crescer. É o legítimo esquema 4-4-2 moderno. Para financiar o social e os investimentos públicos, ele foi buscar receita onde os outros técnicos não tinham coragem de mexer: foi taxar as apostas esportivas, as compras dos ricaços no exterior, as grandes empresas. Buscou o equilíbrio fiscal não cortando a perna do trabalhador, mas cobrando de quem estava assistindo ao jogo de camarote. Foi pragmático. Não é o futebol arte que a ala mais radical queria, mas manteve a inflação sob controle e o PIB rodando sem a torcida quebrar as cadeiras do estádio.

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É isso, meus amigos do Blog. João Saldanha matou a bola no peito e colocou no ângulo. A economia brasileira é um campeonato longo, cheio de técnicos que prometem a taça da prosperidade na base do gogó, mas a verdade é que só ganha quem equilibra a responsabilidade no bolso com a comida no prato do povo. Um abraço e até a próxima viagem!

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Antes de partir – um filme sobre tudo o que é importante na vida Um diagnóstico de câncer é sempre algo assustador, que nos coloca sob a perspectiva da nossa própria morte. Foi isso que aconteceu com Carter Chambers (Morgan Freeman), um mecânico que é levado ao hospital após passar mal durante um tratamento experimental para combater o câncer, e com Edward Cole (Jack Nicholson), o dono do hospital, que também está internado por causa da doença. O contraste entre os dois homens de meia idade é interessante: dividem o quarto do hospital um humilde trabalhador casado e pai de família, e um rico administrador, que apesar de achar incômodo dividir o quarto com um estranho nada pode fazer, pois foi ele mesmo quem criou a política de dois leitos por quarto, para ganhar mais dinheiro com o hospital. Eleição dos rejeitados: Lula pressiona por erro de Flávio Bolsonaro | Estadão Analisa Estadão Analisa 2 / 1.032
quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Volatilidade do voto sobe e TSE discute proibir canais do "zap", por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Enquanto aguarda explicações da Meta, o Tribunal Superior Eleitoral admite restringir canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação Na reta de chegada da campanha presidencial, aumentaram o contingente e a volatilidade dos indecisos, talvez porque a dureza dos ataques entre os candidatos tenha também provocado mais rejeição. Flávio Bolsonaro mantém o favoritismo numérico nas cinco pesquisas divulgadas ontem, mas sua vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva é estreita. O aumento dos indecisos gera instabilidade nas campanhas e mostra que, agora, sim, a maioria dos eleitores entrou no debate eleitoral. Lula e Flávio também intensificam a presença nas redes e a mobilização dos apoiadores. Nesse ambiente, decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento das plataformas podem interferir na capacidade de cada candidatura alcançar justamente quem ainda hesita. A Quaest registra de forma clara a mudança. Na pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, os indecisos passaram de 7% para 14% em uma semana. Flávio recuou de 43% para 40%, enquanto Lula passou de 42% para 40%. Na pesquisa estimulada, porém, quando os nomes são apresentados, a indefinição fica em 2%, ante 1% anteriormente. Ou seja, a hesitação é maior do que aquela captada pela escolha direta entre os dois concorrentes. A alteração é especialmente significativa entre mulheres e independentes. No eleitorado feminino, as indecisas passaram de 8% para 17% — Lula perdeu quatro pontos e Flávio, cinco. Entre os homens, a indefinição cresceu três pontos. Entre os independentes, o salto foi ainda maior: de 13% para 31%, acompanhado de recuos de 10 pontos para Lula e cinco para Flávio. Na direita não bolsonarista, o candidato do PL caiu de 89% para 82%, enquanto os indecisos chegaram a 9%. São segmentos nos quais as fidelidades políticas oferecem menor proteção contra o desgaste da campanha. O debate de domingo passado, marcado por acusações recíprocas, ajuda a analisar esse desconforto, embora a pesquisa não permita atribuir toda a mudança ao confronto: as entrevistas ocorreram entre os dias 17 e 20, abrangendo momentos anteriores e posteriores ao encontro. Na prática, com o confronto direto, os candidatos mobilizaram suas campanhas, mas deixaram parte do público sem resposta para preocupações concretas. A circulação incessante de cortes nas imagens do debate, para atacar os adversários, prolongou as polêmicas nos celulares e pode ampliar tanto a rejeição quanto a disposição de reconsiderar o voto. Nos votos válidos, Flávio aparece com 50,7% na Veritá, cerca de 50,6% na Quaest, 51,1% na Futura, aproximadamente 51% na Palver e 51,1% na Ideia. Todas lhe dão vantagem numérica, dentro das respectivas margens de erro. A distância para Lula diminuiu nas séries Veritá e Quaest, mas aumentou na Futura e na Palver. O favoritismo permanece sendo de Flávio, mas a disputa continua aberta e não se pode descartar uma virada de Lula. Mordaça É nesse cenário que a atuação do TSE preocupa. O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente, reconheceu falhas na aplicação das políticas antifraude às contas de anúncios de Lula e cobrou revisão especializada. A manifestação dá substância às reclamações de tratamento desigual. A empresa, por sua vez, nega interferência política e atribui os episódios a problemas técnicos. O reconhecimento das falhas exige apuração de seus efeitos e se houve favorecimento deliberado. Os episódios apontados como interferência ao impulsionamento de publicações de Lula e diferenças na geração de imagens pela inteligência artificial. A Meta admitiu que seus filtros nem sempre reconheciam candidatos identificados pela combinação de prenome e número eleitoral. O TSE determinou correções e comprovação de tratamento igualitário e, ontem, deu prazo de 24 horas ao Ministério Público Eleitoral para avaliar as medidas. Houve providências, mas a demora é injustificável. Numa campanha tão curta, uma oportunidade de comunicação perdida dificilmente pode ser restituída depois. Enquanto aguarda explicações da plataforma, a cúpula do tribunal discute restringir canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação. O alcance formal seria geral, mas o impacto político da mordaça seria desigual: o Exército do Lula, com mais de 7 milhões de inscritos, tornou-se instrumento central da reação petista nas redes e nas ruas, enquanto o canal Tropa do Flávio tem 2,5 milhões. Após a repercussão negativa da iniciativa, Nunes Marques afirmou rejeitar mudanças de última hora; Mendonça sustentou que a minuta resultou de discussão coletiva. A Corte deverá tomar uma decisão ainda hoje. Os precedentes são preocupantes. Nunes Marques suspendeu o canal a pedido da campanha de Flávio. O relator Ricardo Villas Bôas Cueva restabeleceu seu funcionamento diante da insuficiência de provas. A análise técnica não localizou os conteúdos apontados, embora registrasse lacunas decorrentes de mensagens apagadas ou editadas. Depois de novo bloqueio, o registro formal pela campanha permitiu sua liberação. Combater ilícitos exige provas, rapidez e proporcionalidade. Discutir uma restrição geral às vésperas da votação, depois desse vaivém, abala a previsibilidade que a Corte deve assegurar. Com indecisos em alta e diferenças mínimas nas pesquisas, a paridade de armas precisa ser demonstrada em decisões coerentes. A confiança no resultado também depende da confiança nas condições da disputa.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Flávio promete a volta de programa que abriu brechas para lavagem de dinheiro pelo PCC, por Adriana Fernandes Folha de S. Paulo Perse é o pior benefício tributário de todos os tempos Não é mera coincidência que no mesmo dia o candidato tenha se reunido com mais de 30 sertanejos em Goiânia; eles foram os grandes beneficiários dessa farra tributária O Perse é o maior programa de lavagem de dinheiro e sonegação do país. Não é a coluna quem afirma. São os investigadores que há pelo menos três anos apuram as irregularidades possibilitadas pelas brechas nas regras do benefício tributário, criado pelo governo Jair Bolsonaro para socorrer o setor de eventos dos prejuízos com a pandemia da Covid-19. Em 2024, a Folha revelou que fiscais da Receita tinham encontrado no programa indícios de operações de lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país, após o custo do benefício tributário explodir no ano anterior. Em março daquele mesmo ano, a Polícia Federal e a Receita Federal lançaram uma ofensiva para fechar o cerco contra os crimes cometidos por empresas beneficiárias do Perse. Empresas investigadas na operação Latus Actio eram suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. As empresas utilizadas para lavagem de dinheiro se valeram do Perse para não pagar imposto. O benefício se tornou um atrativo para que firmas do setor de eventos, ou registradas como se fossem atuantes na área, fossem utilizadas para ilegalidades. As operações Jogo de Sombras, Arena e Conto da Sorte deste ano apuraram o uso de empresas de eventos para a lavagem de dinheiro de bets. Apesar de o programa ser uma porta aberta para fraudes, o Perse foi renovado com apoio de parlamentares do alto clero do Congresso e ganhou um teto de R$ 15 bilhões de renúncia fiscal. Em abril do ano passado, o programa foi encerrado porque o limite foi atingido rapidamente. Mesmo com todo esse histórico nefasto, Flávio Bolsonaro anunciou que vai ressuscitar o Perse. É mais uma medida na direção oposta à do programa de ajuste fiscal prometido pela sua equipe econômica, de cortar renúncias para reduzir a dívida pública. Não é mera coincidência que no mesmo dia o candidato tenha se reunido com mais de 30 sertanejos em Goiânia. Eles foram os grandes beneficiários dessa farra tributária. Não há privilégio maior: pagar zero de imposto para desfilar por aí em seus jatinhos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

J’ouviu

Shemá Israel ("Ouça, Israel")
"E, depois, voltará o sol?"
quarta-feira, 21 de outubro de 2026 Flávio Bolsonaro não consegue dissipar minhas suspeitas, por Wilson Gomes Folha de S. Paulo Defesa da ditadura e promessa de reabilitar o pai suscitam dúvidas sobre seu compromisso democrático Divergências políticas são aceitáveis; o respeito ao Estado de Direito não é negociável Certamente não são pessoas como eu que Flávio Bolsonaro tenta convencer por meio de posts, discursos, sabatinas e debates. De resto, com a minha aversão ao gregarismo ideológico e o meu natural ceticismo, não devo mesmo ser o público-alvo de qualquer campanha. Afinal, meu marxismo é mais o de Groucho Marx ("não entro em clubes que aceitem pessoas como eu") que o de Karl, e minha abordagem dos candidatos sempre foi mais parecida com a de um consumidor que com a de um militante apaixonado. E, sim, acredito em coisas que causam repugnância em quem moraliza excessivamente a política, como votar no menos pior disponível —sem guardar meu voto para o candidato ideal como quem se guarda para a mulher da sua vida. Política é outro tipo de negócio. Dito isso, Flávio Bolsonaro tem fracassado completamente em dissipar uma inquietação essencial sobre os anos da sua eventual Presidência: seu compromisso com a ordem liberal-democrática. Não se trata do vago apelo a "salvar a democracia", de que o lulismo tanto abusou, confundindo frequentemente a defesa da democracia com a defesa da sua própria agenda política, como se não pudesse haver democracia fora da esquerda. Sei que cada um tem seus temores diante do futuro do país com Lula ou com os Bolsonaros —sim, no plural, porque eles costumam governar os quatro ao mesmo tempo, como vimos da última vez. Sei também que algumas listas de exigências são feitas sob medida para que só caiba nelas um candidato de esquerda, quando não o próprio Lula. Não é o meu caso. Não tenho dificuldade em aceitar que o Brasil seja governado por alguém de direita, conservador ou adversário daquilo em que acredito. A vontade da maioria eleitoral não tem obrigação de coincidir com a minha. Mas, para confiar a Flávio o governo do país, precisaria de razões para acreditar que ele e seu círculo próximo respeitarão as regras do jogo quando elas contrariarem seus interesses. A democracia liberal não se resume a eleições periódicas. Exige respeito à separação dos Poderes, ao Estado de Direito, aos limites da autoridade presidencial e, sobretudo, à possibilidade de perder eleições e deixar o poder. Não se trata apenas de saber o que Flávio conhecia ou desconhecia dos planos golpistas do pai. Ele mesmo passou anos defendendo, em livro e discursos, o golpe de 1964, celebrando a ditadura militar e exaltando alguns dos seus mais notórios agentes de repressão. Não é um passado que o condene a pensar assim para sempre, mas, com semelhante histórico pessoal e familiar, caberia a ele, mais do que a qualquer outro, convencer-nos de que se converteu às convicções liberal-democráticas. Na campanha, ele chegou a prometer que respeitará o resultado das urnas e que não disputará a reeleição. Promessas não são garantias, naturalmente. Ainda mais quando, ao anunciar que não pretende se reeleger, deixa aberta a possibilidade de ser beneficiado por uma extensão do próprio mandato. Mas o problema maior é outro: como conciliar essas declarações com sua atitude diante da tentativa de golpe de Estado pela qual o pai foi condenado? Flávio não precisaria negar, contra as evidências reconhecidas pela Justiça, o envolvimento de Jair Bolsonaro na tentativa de impedir a alternância de poder. Bastaria convencer-me de que, sob seu governo, não se repetiria coisa semelhante. Em vez disso, trata a condenação do pai como uma injustiça a reparar, promete beneficiá-lo com o perdão presidencial e quer receber dele a faixa na posse. Como símbolo inaugural do novo governo, imagina receber a transmissão da autoridade republicana justamente de quem foi condenado por tentar subvertê-la. Um tapa na cara da democracia. Não estamos falando de uma divergência sobre decisões do STF, mas de uma tentativa de golpe de Estado que incluiu planos para assassinar o presidente, o vice-presidente e um ministro do Supremo, admitindo até a morte de civis como dano colateral. E de uma ação de sedição, em 8 de janeiro de 2023, que Flávio insiste em tratar como manifestação cívica injustamente punida. Não é uma questão de simpatia pelo Judiciário, mas de compromisso com os limites que nenhuma disputa pelo poder pode legitimamente ultrapassar. Posso aceitar de um candidato quase qualquer divergência política, por mais profunda que seja, mas não posso transigir, sobretudo em tempos tão turbulentos, quanto ao seu compromisso com o Estado de Direito e com os direitos e garantias fundamentais. E Flávio Bolsonaro tem feito muito mais para alimentar minhas suspeitas que para dissipá-las. Elis Regina | Arrastão (TV Excelsior, 1965) Arquivo Elis Regina 2 de fev. de 2022 No dia 30 de março de 1965, Elis Regina se apresentou na segunda eliminatória do I Festival De Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior. Elis venceu com a música "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Morais. Este festival é considerado um marco na carreira de Elis Regina, e uma inauguração de um novo estilo musical chamado de "música popular brasileira". Este vídeo estava no canal "Vídeo Archives Brasil", porém ele foi desativado do Youtube. Considerando este espaço como um meio de conservação cultural da carreira de Elis Regina, repostamos este vídeo, agradecendo eternamente ao dono do canal por ter resgatado este momento tão importante na carreira de Elis e na música popular brasileira.
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No caminho tinha uma via Tinha uma via no caminho No meio do caminho tinha um meio Tinha um meio no caminho do meio Minhas lentes trocadas jamais esquecerão No meio do caminho tinha uma via.

E agora caminho? O sol? Nas bancas? Barrancas Nos bancos? Cê Sol Cê Sol P?

turvo turvo A via no meio da boca O sol que bate nas bancas de jornal Desaba nas barrancas do rio anil E agora caminho? Por entre a louça da cristaleira E os bancos da praça deserta onde a noite esfriou? Cê Sol Cê sol de são luís Cê sol p? P de pátria, p de pólvora, p de porco

— Olá, como vai? — Eu vou indo correndo pegar meu lugar no futuro Com minhas lentes trocadas, e você? — Me perdoe a pressa, É a poeira das ruas, é o gado, é o esgoto Escorrendo no meio do caminho. Tanta coisa que eu tinha a dizer Mas me foge o foco, me foge a lembrança, O ferro do rock racha o peito do samba, E a gente só anda a cem. Por favor, telefone. Preciso beber. O sol das bancas faliu na contramão. Adeus. Adeus, José. Vermelho. O sinal. Não vai abrir.

Use o código com cuidado. Paulinho da Viola e Lobão: Sinal Fechado (ao vivo) | 1989 Acervo Alex Abreu Estreou em 19 de set. de 2021 #AcervoAlexAbreu #SinalFechado #Homem90 Atualmente às voltas com o lançamento do novo álbum "Canções de Quarentena", concebido a partir do isolamento forçado que aproveitou para mergulhar em sua memória afetiva e nos trazer à tona releituras de pérolas da nossa música , em 1989 Lobão já exibira sua filiação aos clássicos da MPB neste dueto/diálogo com o mestre Paulinho da Viola - valorizado pelo violoncelo de Jaques Morelenbaum - na emblemática "Sinal Fechado", composição lançada 20 anos antes, nos áureos tempos dos festivais da Record (sagrou-se a campeã da 5ª edição), e que até hoje, cinco décadas depois, ainda rende teses acadêmicas por conta da sua rica construção musical e da letra de forte viés filosófico - não por acaso, em 2009 cravou a 18ª posição no ranking das 100 maiores músicas brasileiras de todos os tempos. Sobe o som! #AcervoAlexAbreu #SinalFechado #Homem90
quarta-feira, 21 de outubro de 2026 Depois da anistia, o acordo? Por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Proposta de perdão aos condenados se renova sob o signo do oportunismo em vez da Justiça Como seria uma “política da justa memória”? Essa preocupação moveu o filósofo Paul Ricoeur a uma reflexão sobre o saber histórico, as manifestações da memória e o esquecimento, ou seja, como representamos o passado. Eis um tema indissociável do presente: como recordar o que se passou na última década? Os erros e abusos da Operação Lava Jato criaram impunidade, mas não apagaram os crimes. O esquecimento e o abuso da memória levaram a Daniel Vorcaro, quando o caráter pedagógico da pena se transferiu à impunidade. Mudaram os personagens, mas a corrupção continua. E as suspeitas também: antes, tudo era dinheiro para campanha eleitoral; agora, é para filme. Operação semelhante envolve a tentativa de golpe em 2022. Generais dão como certo que tudo será anulado. Há quem ache normal um filho querer tirar o pai da cadeia. Pode ser. E se o filho é candidato à Presidência e o pai foi condenado pelo pior crime que se pode cometer na República: aspirar à tirania? Um presidente pode muitas coisas, mas não tudo. Ou não deveria. O poder que submete a Justiça à exceção é o que Carl Schmitt advogou em face da divisão social. Diante do “se eu quero, posso e devo” resta aos súditos a servidão voluntária? É verdade que nenhum fato da década está entre o injustificável, o imprescritível ou o imperdoável, mas também não pode ser apagado. Ricoeur, Hannah Arendt e outros exploraram as similitudes entre o trabalho do juiz e do historiador – e do jornalista – com testemunhos, documentos e a escrita. Eis uma tradição antiga: Shemá (ouve), Israel! A oração é também memória, aquela do Êxodo, uma memória da qual tudo depende, da qual deriva, ao mesmo tempo, a obrigação de escrever a verdade sobre acontecimentos, que se renova no presente. Esse chamado reverbera nos cronistas do pós-guerra. Em artigo no Corriere della Sera, de 25 de abril de 2001, o jornalista Enzo Biagi escreveu: “Há um tempo na vida em que mais do que as esperanças contam as recordações; e não é preciso ter medo disso”. Biagi tratava do tempo em que lutou contra a ocupação alemã, na 2.ª Guerra. E concluiu: “É justo não reacender velhas paixões e rancores, mas sobre princípios não se podem estabelecer tratativas”. Fala-se em anistia como vontade imperial; e, sem reconciliação, apagar o passado. Não há paz, só a força por cima da lei? Ou teremos um acordo em que todos se salvam, até Vorcaro? Karl Jaspers dividiu em quatro as modalidades da culpa: a criminal, a política, a moral, que é individual e ligada às decisões e princípios éticos de cada um, e a metafísica, a falta de solidariedade humana. O pai negava a vacina; o filho, o golpe. Vivemos tempos difíceis. E, depois, voltará o sol? E agora José - Carlos Drummond de Andrade