quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

QUATRO ANOS DE HISTÓRIA

Silêncio De Um Minuto Não te vejo e não te escuto O meu samba está de luto Eu peço o silêncio de um minuto Homenagem a história De um amor cheio de glória Que me pesa na memória Nosso amor cheio de glória De prazer e de emoção Foi vencido e a vitória Cabe à tua ingratidão Tu cavaste a minha dor Com a pá do fingimento E cobriste o nosso amor Com a cal do esquecimento Teu silêncio absoluto Obrigou-me a confessar Que o meu samba está de luto Meu violão vai soluçar Luto preto é vaidade Neste funeral de amor O meu luto é saudade E saudade não tem cor Maria Bethânia Composição: Noel Rosa. WW - UCRÂNIA TRANSFORMA SOBREVIVÊNCIA EM TRUNFO - 24/02/2026 CNN Brasil
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 Julgamento de mandantes do assassinato de Marielle será divisor de águas, Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos verdadeiros assassimos e seus mandantes A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou ontem o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, com o pedido de condenação dos réus pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e as defesas dos acusados. Marielle foi morta a tiros em 14 de março de 2018, no bairro da Lapa, na região central da capital fluminense. A vereadora, que saía de um evento com mulheres negras, foi assassinada com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava, foi atingido por três projéteis nas costas e morreu. Advogados dos denunciados pediram a absolvição do grupo; alegam falta de provas e questionam a veracidade da delação do principal responsável pela execução de Marielle e Anderson, o ex-policial militar Ronnie Lessa. Querem a absolvição de Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; João Francisco Inácio Brazão, deputado federal cassado; Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ, Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar; e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão. Todos acusados de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, além de organização criminosa. Hoje, os ministros deverão apresentar seus votos, sendo relator o ministro Alexandre de Moraes. Em circunstâncias normais, todos seriam submetidos ao 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e julgados por cidadãos comuns, como aconteceu com Ronie Lessa e Élcio Queiroz. Ocorre que Chiquinho Brazão, um dos envolvidos, tem foro privilegiado por ter ocupado o cargo de deputado federal. Somente seis anos depois do crime, foram condenados os ex-policiais militares Ronnie Lessa, que reconheceu ter sido autor dos disparos, a 78 anos e 9 meses de prisão; e Élcio Queiroz, que confessou ter dirigido o carro usado no crime, aos 59 anos e oito meses. O Caso Marielle é um divisor de águas porque desnuda a conexão entre a política fluminense, o crime organizado e a corrupção no sistema de segurança pública. Tanto que a defesa de Rivaldo Barbosa se empenhou em desqualificar a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a defesa, não haveria prova de pagamentos ao delegado nem de que foi nomeado para o cargo por influência dos irmãos Brazão. Ronnie Lessa, entretanto, revelou a existência de negócios milionários dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão por trás das execuções. A vereadora atrapalhava a venda de terrenos e imóveis em loteamentos ilegais na região de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que poderiam render milhões de dólares. “Era muito dinheiro”, disse o ex-policial militar, ligado ao chamado Escritório do Crime. Lessa disse que o crime foi encomendado por Domingos, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e seu irmão, o deputado federal Chiquinho, sob promessa de que receberia um loteamento clandestino que poderia render até R$ 20 milhões, e passaria a ser um chefe de milícia. “Na verdade, não fui contratado para matar Marielle, como um assassino de aluguel. Eu fui chamado para uma sociedade”, disse. Segundo Lessa, houve três reuniões para discutir a execução de Marielle. Negócio milionário A formação de milícias é um negócio milionário no Rio de janeiro, porque envolve venda de terrenos, construção e aluguéis de imóveis; exploração de comércio ilegal, como venda de botijões de gás, internet e tevê a cabo piratas; gatos nas redes elétrica e de distribuição de água, serviços de van e motoboys. Ou seja, toda a economia informal que se forma nessas regiões é controlada pelas milícias, que ocupam o espaço deixado pelo poder público, cujas políticas públicas são capturadas por grandes interesses privados. Assim como territórios dominados por traficantes, o mercado imobiliário das milícias está acoplado ao uso eleitoral do controle sobre a população, daí a forte conexão com o mundo político e setores da segurança pública, que deveriam combater as organizações criminosas. O que deseja um cidadão de periferia é um mínimo de qualidade de vida — ou seja, água, esgoto, energia, meios de comunicação, saúde, educação e cultura, meios de transporte e abastecimento de gêneros adequados. Onde o poder público não garante esses serviços, as milícias têm um terreno fértil: achacam, chantageiam e matam, como os traficantes. Para agravar a situação, o envolvimeto dos milicianos com políticos faz com que até os serviços fornecidos pelo Estado passem a ser explorados pelo crime organizado. A morte de Marielle Franco é o exemplo das conexões do crime organizado com a política e as dificuldades de combatê-lo, por causa da sua infiltração no aparelho de segurança. Marielle foi assassinada em plena atividade política como parlamentar, que debatia o tema da violência. O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos mandantes. Somente após a Polícia Federal entrar no caso é que o crime foi elucidado, e Barbosa foi preso. O delegado chegou a prometer aos pais de Marielle que o assassinato não ficaria impune. Caçada Chico Buarque Não conheço seu nome ou paradeiro Adivinho seu rastro e cheiro Vou armado de dentes e coragem Vou morder sua carne selvagem Varo a noite sem cochilar, aflito Amanheço imitando o seu grito Me aproximo rondando a sua toca E ao me ver você me provoca Você canta a sua agonia louca Água me borbulha na boca Minha presa rugindo sua raça Pernas se debatendo e o seu fervor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Eu me espicho no espaço feito um gato Prá pegar você bicho do mato Saciar a sua avidez mestiça Que ao me ver se encolhe e me atiça E num mesmo impulso me expulsa e abraça Nossas peles grudando de suor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador De tocaia fico a espreitar a fera Logo dou-lhe o bote certeiro Já conheço seu dorso de gazela Cavalo brabo montado em pelo Dominante, não se desembaraça Ofegante, é dona do seu senhor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Composição: Chico Buarque. A simple way to understand wave motion A ELEIÇÃO MAIS IMPORTANTE DO BRASIL NÃO É A PRESIDENCIAL: ISSO EXPLICA MUITA COISA DA POLÍTICA BRASILEIRA Por analogia ao estilo analítico de Antonio Lavareda A obsessão presidencialista A cada ciclo eleitoral no Brasil , repete-se um fenômeno previsível: o debate público concentra-se quase inteiramente na disputa pelo Palácio do Planalto . A imprensa, as redes sociais e a militância tratam a eleição presidencial como se fosse o único pleito relevante. Essa leitura, embora compreensível, é incompleta. O sistema político brasileiro é presidencialista, mas opera sobre uma engrenagem parlamentar complexa. Quem ignora isso costuma se surpreender quando um presidente recém-eleito descobre que ganhar a eleição não significa, necessariamente, governar. A chave está nas eleições legislativas. Em 2026 , os eleitores brasileiros não escolherão apenas o presidente da República. Estarão também renovando toda a Câmara dos Deputados e dois terços do Senado. E é aí que a equação política realmente se define. O poder decisivo da Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados é o verdadeiro centro gravitacional do poder legislativo brasileiro. São 513 deputados , eleitos proporcionalmente nos estados. Toda a Casa é renovada a cada eleição. É nela que: nascem a maior parte dos projetos de lei se decide o orçamento federal são instaladas CPIs e, sobretudo, se autoriza ou não a abertura de processos de impeachment . Em termos práticos, o presidente governa apenas se tiver maioria na Câmara — ou se conseguir construí-la por meio de coalizões. A história recente confirma esse padrão. Tanto Fernando Collor quanto Dilma Rousseff perderam seus mandatos após perderem sustentação parlamentar. O papel estratégico do Senado Se a Câmara define o ritmo da política cotidiana, o Senado Federal funciona como uma espécie de câmara de estabilidade institucional. São 81 senadores , com mandatos de oito anos. Em 2026, 54 cadeiras (dois terços da Casa) estarão em disputa. O Senado possui atribuições que influenciam diretamente o equilíbrio entre os poderes: aprova ministros do Supremo Tribunal Federal julga processos de impeachment sabatina autoridades indicadas pelo governo decide questões institucionais sensíveis. Por isso, o resultado dessa eleição pode definir o ambiente político de todo um governo. O sistema de coalizões e o papel do centro Outro elemento decisivo da política brasileira é a fragmentação partidária. O Congresso costuma reunir mais de uma dezena de partidos relevantes, o que torna inevitável a formação de coalizões. Nesse contexto, blocos pragmáticos do centro político — frequentemente associados ao chamado Centrão — tornam-se pivôs da governabilidade. Eles raramente definem eleições presidenciais. Mas quase sempre definem quem consegue governar depois delas . 2026: duas eleições em uma As eleições de 2026 terão, portanto, duas camadas simultâneas. A primeira é a disputa presidencial, ainda marcada pela polarização entre campos políticos associados a Luiz Inácio Lula da Silva e J air Bolsonaro. A segunda, menos visível mas possivelmente mais decisiva, será a formação do novo Congresso. O resultado dessa eleição legislativa responderá perguntas fundamentais: O presidente eleito terá maioria parlamentar? A oposição controlará a agenda do Congresso? O centro político continuará atuando como fiel da balança? Sem essas respostas, qualquer análise presidencial fica incompleta. O verdadeiro termômetro do poder Há uma lição recorrente na experiência política brasileira. Presidentes podem vencer eleições com grande votação popular e ainda assim enfrentar enormes dificuldades para governar. Isso acontece porque, no desenho institucional brasileiro, o poder é distribuído entre Executivo e Legislativo de forma muito mais equilibrada do que a narrativa pública costuma admitir. Por essa razão, analistas experientes frequentemente fazem uma provocação que parece contraintuitiva: a eleição mais importante do Brasil não é a presidencial . É a eleição para o Congresso. A presidência define quem ocupa o comando formal do governo. Mas é o Congresso que determina até onde esse comando pode ir . AO VIVO: WW - 25/02/2026 CNN Brasil Chico Buarque - 1994 - Programa Ensaio / TV Cultura

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Crônica para publicação em O Pharol

“Do Morro do Imperador desceu uma cachoeira imperial de água e barro!”
PREFEITURA DECRETA CALAMIDADE EM JUIZ DE FORA APÓS MORTE DE PELO MENOS 14 PESSOAS POR CAUSA DA CHUVA TRAGÉDIA Sobe o número de mortes em Juiz de Fora causadas pela chuva Número de vítimas de desabamentos e deslizamentos chega a 16 em Juiz de Fora. Corpo de Bombeiros e Prefeitura ainda não divulgaram quantidade de desaparecidos Tópicos relacionados: chuva juiz-de-fora minas-gerais temporal tragedia
A recente manchete noticiando que a prefeitura decretou estado de calamidade após a morte de pelo menos 14 pessoas em decorrência das chuvas em Juiz de Fora chama atenção não apenas pela gravidade da tragédia, mas também pelo seu significado jurídico. Trata-se de um ato administrativo excepcional que revela como o Direito organiza a resposta institucional diante de eventos extremos que ultrapassam a capacidade normal de ação do poder público. No ordenamento jurídico brasileiro, a decretação de estado de calamidade pública está vinculada às normas da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Esse instrumento jurídico é utilizado quando um desastre natural ou humano provoca danos humanos, materiais e sociais de grande magnitude. Ao reconhecer oficialmente essa condição, o município admite que a situação exige medidas extraordinárias para proteção da população e recuperação da cidade. Do ponto de vista jurídico-administrativo, o decreto de calamidade permite ao poder público adotar providências emergenciais. Entre elas estão a contratação de serviços sem licitação em caráter urgente, a mobilização imediata de recursos financeiros, a requisição de bens e serviços necessários ao atendimento da população e a possibilidade de solicitar apoio técnico e financeiro aos governos estadual e federal. Em síntese, o decreto funciona como um mecanismo legal que flexibiliza procedimentos burocráticos para garantir rapidez e eficiência na resposta do Estado. Essa medida encontra fundamento em princípios constitucionais fundamentais, especialmente o da dignidade da pessoa humana, o direito à vida e o dever estatal de proteção da coletividade. Em situações de desastre, a administração pública não pode permanecer limitada pelos ritmos ordinários da burocracia; ao contrário, deve agir com celeridade para socorrer vítimas, reconstruir infraestruturas e restabelecer condições mínimas de normalidade social. Contudo, por mais necessário que seja o decreto no plano jurídico, ele não traduz plenamente a dimensão humana da tragédia. As manchetes registram números — mortos, desabrigados, prejuízos — e o Direito produz atos formais que estruturam a resposta do poder público. Mas a experiência concreta das famílias afetadas permanece para além da linguagem administrativa. É nesse ponto que a sensibilidade artística ilumina aquilo que o discurso institucional não alcança. Como lembrava o compositor Wilson Batista, em verso eternizado na interpretação de Chico Buarque, “a dor da gente não sai no jornal”. A frase sintetiza um aspecto profundo das tragédias coletivas: o sofrimento individual raramente aparece nas estatísticas ou nos decretos oficiais. Assim, o estado de calamidade pública possui um claro significado jurídico: reconhecer formalmente uma situação excepcional e permitir que o poder público utilize instrumentos legais para enfrentar o desastre. Entretanto, a tragédia vivida pela população lembra que o Direito e o jornalismo lidam com representações da realidade — números, normas e manchetes — enquanto as perdas humanas permanecem inscritas na memória e na vida cotidiana das pessoas. Entre a formalidade do decreto e a frieza dos números, permanece a dimensão humana da tragédia. E é justamente essa dimensão que exige não apenas resposta institucional eficiente, mas também sensibilidade social, solidariedade e compromisso coletivo com a reconstrução da cidade e da vida daqueles que foram atingidos. Noticia de Jornal Chico Buarque TRAGÉDIA Sobe o número de mortes em Juiz de Fora causadas pela chuva Número de vítimas de desabamentos e deslizamentos chega a 16 em Juiz de Fora. Corpo de Bombeiros e Prefeitura ainda não divulgaram quantidade de desaparecidos https://www.em.com.br/gerais/2026/02/7361325-sobe-o-numero-de-mortes-em-juiz-de-fora-causadas-pela-chuva.html?utm_source=chatgpt.com Crônica para publicação em O Pharol
A Noite em que o Morro Falou Epígrafe “Nossa vida é uma balança Com duas conchas iguais: Numa a alegria descansa, Noutra descansam os ais.” — Belmiro Braga Pois digo a vocês, meus amigos, que naquela noite a chuva veio sem véu sobre Juiz de Fora. Era madrugada funda, dessas em que a cidade parece dormir mais quieta que de costume. Mas lá pelas encostas do Morro do Imperador, ouviu-se primeiro um rumor estranho — um correr de águas que não era apenas chuva, mas pressa de montanha. E então desceu. Pois digo a vocês, meus amigos, que naquela noite a chuva veio sem véu; e do Morro do Imperador desceu tanta água e barro que parecia que o próprio morro descia do céu. As ruas despertaram com o barulho das enxurradas. A água corria ligeira pelas pedras, levando consigo barro, folhas e o susto da madrugada. Alguns abriam as janelas; outros apenas escutavam. Porque quem mora entre morros sabe que há noites em que a serra resolve contar suas histórias. E a cidade, entre susto e rumor, viu correr pelas ruas a enxurrada ligeira; que a montanha, quando fala em chuva, fala sempre em língua de cachoeira. Quando a chuva enfim se cansou de cair, restou sobre a cidade aquele silêncio que vem depois da tempestade — um silêncio de terra molhada e de águas descendo devagar. E ficou a impressão curiosa de que, naquela madrugada, não fora apenas a chuva que passara por ali. Fora também a própria montanha, descendo um pouco para conversar com a cidade. 📜 Nota editorial Crônica inspirada no estilo lírico e popular de Belmiro Braga, poeta e cronista mineiro que colaborou frequentemente com o jornal O Pharol no início do século XX.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Leia o ofício enviado ao STF

Ensaio | Tim Maia | 1992 TV Cultura Raymundo Faoro - Diálogo Pela Democracia OAB Nacional 31 de mar. de 2014 Uma homenagem da Ordem dos Advogados do Brasil ao cidadão, advogado e Ex-Presidente do Conselho Federal da OAB (1977-1979) por sua inestimável contribuição para o retorno à legalidade democrática no País Com Faro e com Faoro como Farol.

(...) Desembargador, jurista (...)

"Eu suponho que eles estão falando de uma outra pessoa. Eu sou meramente um advogado. Tolamente, um advogado. E, talvez, do velho estilo."

Em resumo, a expressão sugere agir com inteligência (faro), conhecimento crítico (Faoro) e ser um guia/exemplo para os outros (farol).


🎵 Trilha Sonora – “Acenda o Farol”

A metáfora do farol ecoa também na música brasileira. Como síntese simbólica desta publicação, segue o lyric video oficial de “Acenda o Farol”, do Rei do Soul, :contentReference[oaicite:0]{index=0}.

▶️ Tim Maia – Acenda o Farol (Lyric Video Oficial)

Estreou em 2 de dezembro de 2024

Lyric video oficial de :contentReference[oaicite:1]{index=1}, faixa do Rei do Soul.

Letra:

Pneu furou
Acenda o farol, acenda o farol
Se alguém ligou
Acenda o farol, acenda o farol
Se alguém ligou, minha senhora
Se alguém lhe amou e foi-se embora

Pneu furou
Acenda o farol, acenda o farol
Se alguém ligou
Acenda o farol, acenda o farol

Se alguém ligou, minha senhora
Se alguém lhe amou e foi-se embora
Você pode se encontrar
Você deve

(...) Desembargador, jurista (...)

"Eu suponho que eles estão falando de uma outra pessoa. Eu sou meramente um advogado. Tolamente, um advogado. E, talvez, do velho estilo."

Em resumo, a expressão sugere agir com inteligência (faro), conhecimento crítico (Faoro) e ser um guia/exemplo para os outros (farol).



OAB pede ao STF a conclusão de inquéritos de natureza perpétua

Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 às 08h13

O Conselho Federal da OAB e o Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais enviaram, nesta segunda-feira (23/2), ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a conclusão de inquéritos de natureza expansiva e duração indefinida, em especial o Inquérito nº 4.781, conhecido como o inquérito das Fake News. No documento, a entidade também requer que não sejam instaurados novos procedimentos com conformação semelhante.

No ofício encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a OAB manifesta “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração, em especial do Inquérito n.º 4.781”. A entidade ressalta que o procedimento “nasceu em contexto excepcional” e que, justamente por isso, “sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal”.

A OAB reafirma, contudo, seu reconhecimento ao papel desempenhado pelo STF na defesa da ordem constitucional e da estabilidade democrática. Ao mesmo tempo, enfatiza que “a defesa da democracia não se esgota na repressão a ataques institucionais; ela se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão”.

O ofício, apresentado em manifestação conjunta da Diretoria Nacional e dos Presidentes dos Conselhos Seccionais, também destaca a necessidade de proteção às garantias constitucionais da atividade jornalística e às prerrogativas da advocacia. Segundo o documento, “a advocacia não pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal, sobretudo em temas que envolvam sigilo profissional, acesso a dados e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinte”. A Ordem acrescenta que “acessos ilegais, obtenção indevida e vazamentos de dados sigilosos de cidadãos são condutas absolutamente inaceitáveis e merecem apuração rigorosa e punição exemplar”.

A OAB requer, ainda, “que sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua”, bem como a designação de audiência institucional para apresentação de contribuições da advocacia brasileira sobre o tema.

Leia o ofício enviado ao STF


INQUÉRITO 4.781 – DISTRITO FEDERAL

Relator: Ministro Alexandre de Moraes

Autor(a/s)(es): Sob sigilo

Adv.(a/s): Sob sigilo

Decisão

Trata-se de inquérito instaurado pela Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019, nos termos do art. 43 do Regimento Interno do STF, com o objetivo de investigar notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações que atinjam a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal e de seus membros.

Entre as determinações constaram:

  • Busca e apreensão de dispositivos eletrônicos;
  • Bloqueio de contas em redes sociais;
  • Oitiva de investigados pela Polícia Federal;
  • Afastamento de sigilo bancário e fiscal em período determinado;
  • Preservação de conteúdos em redes sociais;
  • Elaboração de laudos periciais para apuração de eventuais infrações penais.

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2/2001.



Raymundo Faoro (1923–2003)

Raymundo Faoro foi um dos maiores intérpretes da formação social e política brasileira. Atuou como Presidente do Conselho Federal da OAB (1977–1979), período em que a entidade assumiu protagonismo na resistência civil contra a ditadura militar e na luta pelo restabelecimento do Estado de Direito.

Perfil e atuação

  • Diálogo institucional e firmeza: Dialogou com o então Ministro da Justiça, Petrônio Portela, e manteve postura firme na defesa das liberdades.
  • Combate ao arbitrário: Denunciou casos de tortura e articulou pela anistia e pelo retorno do habeas corpus.

Formação e trajetória

  • Natural de Vacaria (RS), graduou-se em Direito pela UFRGS em 1948.
  • Atuou como advogado no Rio de Janeiro e foi Procurador do Estado.
  • Recusou convites para cargos políticos e para o STF, mantendo-se como um “advogado do velho estilo”.
  • Autor de Os Donos do Poder (1958), obra em que desenvolve o conceito de patrimonialismo e estamento burocrático.

O Estado Liberal

Faoro defendia um Estado limitado por leis, garantidor das liberdades individuais e da participação política. Para ele, a democracia era o único remédio contra o sequestro do Estado por grupos de interesse.


Ao Vivo: Jornal Novabrasil - São Paulo - 23/02/2026


Adam Tooze Makes Sense of Trump's Economy, One Year On | Ones and Tooze Ep. 231


Imagem ilustrativa

Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Receitas para se ganhar supersalários, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Plenário do Supremo decide nesta quarta-feira sobre a liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu os penduricalhos nos Três Poderes

Bacharéis em Direito, aprovados em concurso altamente concorrido, tiveram subsídio bruto inicial de R$ 32.250,05. Contudo, nos cinco meses seguintes à posse, 117 novos magistrados receberam remuneração média líquida de R$ 42.592,23 mensais.

O valor supera a média líquida recebida por ministros do STF, cujo subsídio bruto é de R$ 46.366,19, mas com média líquida de R$ 28.612,78.

A diferença decorre dos chamados “penduricalhos” — verbas indenizatórias que, na prática, ultrapassam o teto constitucional.

Entre os adicionais estão auxílio-alimentação, auxílio-saúde, ajudas de custo e a chamada licença compensatória, que rendeu adicional mensal médio de R$ 8.487,10 aos novos juízes.

Em 2025, o ganho médio líquido de magistrados da ativa alcançou R$ 81.495,07 por mês. Apenas 11 dos 18.208 magistrados ficaram abaixo do teto remuneratório — ou seja, 99,94% receberam acima do subsídio dos ministros do STF.

Estudos apontam que fenômeno semelhante ocorre no Ministério Público e na advocacia pública, com pagamentos adicionais que elevam significativamente os rendimentos.

Diante da possibilidade de o plenário do Supremo ratificar a liminar que suspende os penduricalhos, integrantes das carreiras jurídicas cogitam paralisações.

O debate reacende a discussão sobre transparência, teto constitucional e o verdadeiro valor atribuído aos servidores públicos no Brasil.

Com Faro e com Faoro como Farol. "(...) Desembargador, jurista (...)" "Eu suponho que eles estão fando de uma outra pessoa. Eu sou meramente uma advogado. Tolamente, um advogado. E, talvez, do velho estilo." Em resumo, a expressão sugere agir com inteligência (faro), conhecimento crítico (Faoro) e ser uma guia/exemplo para os outros (farol).
OAB pede ao STF a conclusão de inquéritos de natureza perpétua segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 às 08h13 O Conselho Federal da OAB e o Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais enviaram, nesta segunda-feira (23/2), ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a conclusão de inquéritos de natureza expansiva e duração indefinida, em especial o Inquérito nº 4.781, conhecido como o inquérito das Fake News. No documento, a entidade também requer que não sejam instaurados novos procedimentos com conformação semelhante. No ofício encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a OAB manifesta “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração, em especial do Inquérito n.º 4.781”. A entidade ressalta que o procedimento “nasceu em contexto excepcional” e que, justamente por isso, “sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal”. A OAB reafirma, contudo, seu reconhecimento ao papel desempenhado pelo STF na defesa da ordem constitucional e da estabilidade democrática. Ao mesmo tempo, enfatiza que “a defesa da democracia não se esgota na repressão a ataques institucionais; ela se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão”. O ofício, apresentado em manifestação conjunta da Diretoria Nacional e dos Presidentes dos Conselhos Seccionais, também destaca a necessidade de proteção às garantias constitucionais da atividade jornalística e às prerrogativas da advocacia. Segundo o documento, “a advocacia não pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal, sobretudo em temas que envolvam sigilo profissional, acesso a dados e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinte”. A Ordem acrescenta que “acessos ilegais, obtenção indevida e vazamentos de dados sigilosos de cidadãos são condutas absolutamente inaceitáveis e merecem apuração rigorosa e punição exemplar”. A OAB requer, ainda, “que sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua”, bem como a designação de audiência institucional para apresentação de contribuições da advocacia brasileira sobre o tema. Leia o ofício enviado ao STF : INQUÉRITO 4.781 DISTRITO FEDERAL RELATOR AUTOR(A/S)(ES) ADV.(A/S) : MIN. ALEXANDRE DE MORAES : SOB SIGILO : SOB SIGILO DECISÃO Trata-se de inquérito instaurado pela Portaria GP Nº 69, de 14 de março de 2019, do Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente, nos termos do art. 43 do Regimento Interno desta CORTE. O objeto deste inquérito, conforme despacho de 19 de março de 2019, é a investigação de notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros; bem como de seus familiares, quando houver relação com a dignidade dos Ministros, inclusive o vazamento de informações e documentos sigilosos, com o intuito de atribuir e/ou insinuar a prática de atos ilícitos por membros da Suprema Corte, por parte daqueles que tem o dever legal de preservar o sigilo; e a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e ao Estado de Direito. Em 11 de maio do presente ano, o Magistrado Instrutor designado nestes autos manifestou-se nos seguintes termos: Os documentos e informações juntados até o momento aos autos fornecem sérios indícios da prática de crimes, dentre outros investigados, por (…) ALLAN LOPES DOS SANTOS (RG 127116010, CPF 099.006.807-23), BERNARDO PIRES KUSTER (RG 04039658305, CPF 057.385.519-66), EDSON PIRES SALOMÃO (CPF 163.396.878-22), EDUARDO FABRIS PORTELLA (CPF 089.082.759-16), ENZO LEONARDO SUZI MOMENTI (RG 36.033.224-9), MARCELO STACHIN (CPF (...) Em razão de todo o exposto, nos termos do artigo 21 do RISTF, 28 INQ 4781 / DF DETERMINO: 1) A BUSCA E APREENSÃO de computadores, “tablets”, celulares e outros dispositivos eletrônicos, bem como de quaisquer outros materiais relacionados à disseminação das aludidas mensagens ofensivas e ameaçadoras, em poder de: ALLAN LOPES DOS SANTOS (RG 127116010, CPF 099.006.807-23), BERNARDO PIRES KUSTER (RG 04039658305, CPF 057.385.519-66), EDSON PIRES SALOMÃO (CPF 163.396.878-22), EDUARDO FABRIS PORTELLA (CPF 089.082.759-16), ENZO LEONARDO SUZI MOMENTI (RG 36.033.224-9), MARCELO STACHIN (CPF 011.171.171-11), MARCOS DOMINGUEZ BELLIZIA (RG 1356444711, CPF 103.740.068-22), RAFAEL MORENO (CPF 359.972.878-00), PAULO GONÇALVES BEZERRA (CPF 797.155.677-20), RODRIGO BARBOSA RIBEIRO (CPF 387.194.378-97), SARA FERNANDA GIROMINI (CPF 416.982.998-00), EDGARD GOMES CORONA (RG 58860575, CPF 000.846.408-12), LUCIANO HANG (CPF 516.814.479-91), OTAVIO OSCAR FAKHOURY (RG 18885859, CPF 112.009.508-52), REYNALDO BIANCHI JUNIOR (CPF 797.008.027-87) e WINSTON RODRIGUES LIMA (CPF 759.696.027-87); 2) O bloqueio de contas em redes sociais, tais como Facebook, Twitter e Instagram, dos investigados apontados no item anterior “1”, necessário para a interrupção dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática 3) Que todos os investigados apontados no item “1” sejam ouvidos pela Polícia Federal, no prazo máximo de 10 (dez) dias após a realização das medidas; 4) O afastamento do sigilo bancário e fiscal de EDGARD GOMES CORONA (RG 58860575, CPF 000.846.408-12), LUCIANO HANG (CPF 516.814.479-91), REYNALDO 29 INQ 4781 / DF BIANCHI JUNIOR (CPF 797.008.027-87) e WINSTON RODRIGUES LIMA (CPF 759.696.027-87) no período compreendido entre julho/2018 e abril/2020, com a imediata expedição de ofício, em caráter sigiloso, ao Banco Central do Brasil para que: 4.1. efetue pesquisa no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) 1, para a identificação das instituições financeiras nas quais as referidas pessoas físicas mantêm relacionamento, tais como contas de depósito à vista, de poupança, de investimento, de depósitos a prazo e outros bens, direitos e valores, diretamente ou por seus representantes legais ou procuradores, bem como em relações em conjunto com terceiros. O resultado da consulta ao CCS deverá ser imediatamente encaminhado à autoridade policial, em meio eletrônico; 4.2. encaminhe o teor da ordem judicial exclusivamente às instituições financeiras com as quais os investigados mantêm ou mantiveram relacionamentos durante o período de 01/07/2018 a 30/04/2020, conforme resultado da consulta ao CCS e faça constar na comunicação o CÓDIGO Identificador do Caso Nº 002-PF-004986-22 para ser utilizado para validação e transmissão dos dados; 4.3. as instituições financeiras observem o disposto na Carta Circular nº 3454/2010, do Banco Central do Brasil, que divulga leiaute para que as Instituições financeiras prestem informações relativas à movimentação financeira, dos investigados citados, referente ao período de 01/07/2018 a 30/04/2020; 4.4. Que as instituições financeiras envolvidas encaminhem os dados bancários via rede mundial de computadores, utilizando-se dos programas VALIDADOR BANCÁRIO SIMBA e TRANSMISSOR BANCÁRIO; SIMBA, disponibilizados no sitio HTTP://www.pf.gov.br/simba. 5) A OITIVA de BEATRIZ KICIS TORRENTS DE SORDI (Deputada Federal, CPF 385.677.921-34), CARLA ZAMBELLI 30 INQ 4781 / DF SALGADO ( Deputada Federal, CPF 013.355.946-71), DANIEL LÚCIO DA SILVEIRA (Deputado Federal, CPF 057.009.237.00), FILIPE BARROS BAPTISTA DE TOLEDO RIBEIRO (Deputado Federal, CPF 058.257.60911), GERALDO JUNIO DO AMARAL ( Deputado Federal, CPF 075.540.496-31), LUIZ PHILLIPE ORLEANS E BRAGANÇA (Deputado Federal, CPF 118.448.568-28), DOUGLAS GARCIA BISPO DOS SANTOS (Deputado Estadual/SP, CPF 405.600.068-96) e GILDEVANIO ILSO DOS SANTOS DINIZ (Deputado Estadual/SP, CPF 358.069.658-05), a ser realizada no prazo de 10 (dez) dias, pela autoridade policial designada nestes autos; 6) A EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO para as redes sociais a fim de que sejam preservados todos os conteúdo das postagens dos usuários BEATRIZ KICIS TORRENTS DE SORDI, CARLA ZAMBELLI SALGADO, DANIEL LÚCIO DA SILVEIRA, FILIPE BARROS BAPTISTA DE TOLEDO RIBEIRO, GERALDO JUNIO DO AMARAL, LUIZ PHILLIPE ORLEANS E BRAGANÇA, DOUGLAS GARCIA BISPO DOS SANTOS e GILDEVANIO ILSO DOS SANTOS DINIZ; 7) Que à autoridade policial designada nestes autos elabore os laudos periciais necessários que demonstrem eventual prática de infrações penais, notadamente a participação em associações criminosas para proliferação de crimes e fake news, inclusive quanto ao modus operandi e aos financiamentos desses grupos com base no material já constante dos autos e outros que sejam obtidos durante as diligências; 8) expedição de ofício para que a rede social Twitter forneça a identificação dos usuários @bolsoneas, @ patriotas e @taoquei1, no prazo de 5 (cinco) dias. Expeçam-se os mandados, dirigidos à Polícia Federal, nos termos do art. 243 do Código de Processo Penal. Autorizo desde logo o acesso, pela autoridade policial, aos 31 INQ 4781 / DF documentos e dados armazenados em arquivos eletrônicos apreendidos nos locais de busca, contidos em quaisquer dispositivos. Consigne-se a autorização nos mandados expedidos. Cumpra-se com estrita observância dos arts. 245 e 248 do Código de Processo Penal. As diligências deverão ser cumpridas pela equipe do Delegado Federal Igor Romário de Paula, a quem deverá ser remetido todo o material apreendido durante a operação. Determino, por fim, que os dados sigilosos recebidos sejam autuados em apartado e em segredo de justiça, dada a incidência da hipótese do art. 230-C, § 2º, do RISTF. Dê-se ciência ao Procurador-Geral da República. Brasília, 26 de maio de 2020. Ministro ALEXANDRE DE MORAES Relator Documento assinado digitalmente Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C590-092D-642E-AD62 e senha F3F1-04CE-2194-E5D3 32 Raymundo Faoro (1923–2003) foi um dos maiores intérpretes da formação social e política brasileira, cuja atuação como Presidente do Conselho Federal da OAB (1977–1979) foi o ponto de inflexão na resistência civil contra a ditadura militar e na luta pelo reestabelecimento do Estado de Direito. stf noticias stf noticias +3 Perfil e Atuação como Presidente da OAB (1977–1979) No auge do governo Geisel, Faoro transformou a OAB na principal voz da sociedade civil, agindo sem os vícios do corporativismo ou do personalismo. YouTube YouTube +1 Diálogo Institucional e Firmeza: Dialogou com o então Ministro da Justiça, Petrônio Portela, servindo de ponte para a distensão política, mas manteve postura contundente frente ao Presidente Geisel na defesa das liberdades. Combate ao Arbitrário: Denunciou publicamente casos de tortura e foi um dos principais articuladores pela anistia e pelo retorno do habeas corpus, combatendo o abuso de poder dos então "donos do poder". YouTube YouTube +2 Histórico Acadêmico e Profissional Formação: Natural de Vacaria (RS), graduou-se em Direito pela UFRGS em 1948. Carreira: Atuou como advogado no Rio de Janeiro e foi Procurador do Estado. Recusou convites para cargos políticos e para o STF, mantendo-se como um "advogado do velho estilo" focado na ética e no Direito. Vida Intelectual: Sua obra máxima, Os Donos do Poder (1958), introduziu o conceito de patrimonialismo e do estamento burocrático para explicar como o Estado brasileiro historicamente se sobrepõe à nação, tratando a coisa pública como propriedade privada de uma elite técnica e burocrática. YouTube YouTube +4 O Intelectual Engajado e o Estado Liberal Faoro defendia um Estado Liberal em sua acepção clássica e ética: um Estado limitado por leis, que garante as liberdades individuais e a participação política, oposto ao modelo de "liberalismo de fachada" que serve apenas para manter privilégios estamentais. Para ele, a democracia era o único remédio contra o sequestro do Estado por grupos de interesse, fossem eles militares ou tecnocratas. YouTube YouTube +3 Ao Vivo: Jornal Novabrasil - São Paulo - 23/02/2026 Adam Tooze Makes Sense of Trump's Economy, One Year On | Ones and Tooze Ep. 231
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 Receitas para se ganhar supersalários, por Bruno Carazza Valor Econômico Plenário do Supremo decide nesta quarta-feira sobre a liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu os penduricalhos nos Três Poderes Bacharéis em direito, com pelo menos três anos de experiência, eles foram aprovados num concurso difícil que envolveu provas objetiva, discursiva, de sentença cível e criminal, exame oral e avaliação de títulos. Além disso, cada aprovado demonstrou conhecimento suficiente para vencer uma concorrência de 18,65 candidatos por vaga. O salário era atraente: o edital anunciava um subsídio bruto de R$ 32.250,05 por mês. Porém, nos cinco meses que se seguiram à posse, os 117 novos magistrados tiveram uma remuneração média de R$ 42.592,23 líquidos por mês, já descontados imposto de renda, contribuição previdenciária e demais deduções legais. Trata-se de um ganho muito superior ao dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal, que apesar de terem subsídio bruto de R$ 46.366,19, receberam líquido em suas contas, em média, R$ 28.612,78 por mês. Um magistrado nos primeiros meses de carreira ganhar quase 50% a mais do que integrantes da Suprema Corte certamente é algo que só acontece no Brasil. A mágica que torna isso possível advém dos chamados “penduricalhos” - indenizações que exploram uma brecha no texto da Constituição e furam o teto remuneratório da República. No caso dos recém-aprovados no concurso do TJSP, trata-se de auxílio-alimentação que varia de R$ 1.120 a R$ 2.400 por mês, auxílio-saúde de R$ 706,08 a R$ 3.408,31 mensais e ajudas de custo que chegaram a R$ 68.166,28 para um juiz em determinado mês. O maior item, porém, é a famosa licença compensatória - pagamento de um dia extra de vencimento a cada três trabalhados, por acúmulo de funções ou excesso de processos. Ela rendeu um adicional mensal médio de R$ 8.487,10 para cada novo juiz nos seus primeiros cinco meses de trabalho. O que acontece com os novos juízes do TJSP apenas escancara a realidade atual em toda a magistratura brasileira. Graças aos penduricalhos, em 2025 o ganho médio líquido de um magistrado brasileiro da ativa foi de R$ 81.495,07 por mês. Para os mais antigos da carreira, os penduricalhos são complementados por pagamentos retroativos de benefícios já extintos, como adicionais por tempo de serviço, parcelas de equivalência, reajustes dos tempos da época da URV, entre outras benesses pagas com pouca transparência ou fiscalização. O resultado é surreal: considerando os 18.208 magistrados que receberam em pelo menos seis meses do ano de 2025, apenas onze (isso mesmo, o equivalente a um time de futebol) ficaram abaixo do teto. Significa que 99,94% do total de juízes da ativa receberam mais do que os ministros do Supremo. Essas distorções não são exclusividade do Poder Judiciário. Estudo da Transparência Brasil mostrou que em 2024 98% dos promotores e procuradores do Ministério Público também ganharam acima do teto. E dados do Portal de Transparência mostram que advogados públicos e procuradores da Fazenda Nacional, do Banco Central e de autarquias federais tiveram pagamentos extras médios de R$ 374.612,35 ao longo de 2025 a título de honorários - mais do que dobrando ganhos já altos, de até R$ 32.439,52 por mês. O advogado geral da União, Jorge Messias, indicado para o cargo de ministro do STF, recebeu R$ 540.832,05 de honorários. Junto com ele, 6.285 colegas de carreira levaram uma bolada superior a meio milhão de reais em 2025, para além de seus rendimentos básicos. Diante da possibilidade de o plenário do Supremo ratificar, na próxima quarta, a liminar do ministro Flávio Dino de suspender os penduricalhos, integrantes das carreiras jurídicas ameaçam entrar em greve. Seria uma boa oportunidade para a população brasileira refletir sobre o verdadeiro valor desses servidores públicos. Fachin blinda Toffoli na crise do Banco Master? | Meio-Dia em Brasília - 23/02/2026 O Antagonista

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Diplomacia, conflito e a busca pela verdade

A mudança começa onde o discurso deixa escapar o real. Machado de Assis - "Soneto de Natal" (poesia poema verso literatura) Soneto de Natal - Machado de Assis (Poema de Natal) Já leu o poema: "Soneto de Natal"
Série de Charges Filosófico-Políticas

A DIALÉTICA ENTRE MARX, FREUD E A PRÁXIS CONTEMPORÂNEA

Série de Charges Filosófico-Políticas

Uma narrativa visual em cinco movimentos progressivos, na qual teoria, poder, ideologia e prática se confrontam até culminarem na práxis transformadora.


I — A Teoria e o Aperto de Mãos

A cena se abre com um ministro discursando diante de bandeiras internacionais. Em suas mãos, um volume intitulado “Multilateralismo”. Seu gesto aponta para o horizonte; sua fala exalta o universal.

No quadro seguinte, o livro já repousa no chão. O ministro aperta a mão de um líder estrangeiro sob o letreiro luminoso: “Acordo Bilateral”. O brilho do aperto de mãos supera o peso do livro esquecido.

Sentido dialético:
A verdade não está no que se proclama, mas no que se pratica. A teoria pode ser universal — a decisão é concreta.


II — A Nuvem e o Impacto

Um acadêmico flutua sobre uma nuvem rotulada “Acordo Maduro e Equilibrado”. Documentos diplomáticos voam com leveza.

Subitamente, uma marreta dourada com a inscrição “Tarifas” rompe o céu. A nuvem se desfaz. O personagem cai sobre o solo árido, onde se lê: “Realidade”.

Sentido dialético:
A verdade objetiva não se resolve no plano discursivo. A força material — econômica e política — revela o limite da abstração. O pensamento que não toca o chão dissolve-se no primeiro impacto.


III — O Observador e o Espelho

Num gabinete confortável, o ministro observa, por meio de uma lupa, uma pequena cela onde um líder político se encontra preso.

No reflexo ampliado, os dois rostos se fundem. Enquanto isso, sombras de grades começam a surgir nas paredes do gabinete.

“Quem observa também é observado.”

Sentido dialético:
O analista não está fora da estrutura que examina. O educador precisa ser educado. O julgamento externo revela o próprio condicionamento interno.


IV — A Canção e as Correntes

No topo de uma torre de vigilância, um rádio emite notas que formam no céu a palavra “Imagine”.

No pátio, o chão está rachado. Engrenagens quebradas e correntes espalham-se pelo solo. Um prisioneiro olha para o alto, mas tropeça na fissura sob seus pés.

Sentido dialético:
O misticismo consola, mas não altera a base material. A canção pode elevar o olhar — mas a contradição permanece no chão. A vida social é prática. Sem transformação concreta, a esperança converte-se em ornamento.


V — A Rachadura que Gera Vida

Uma estátua alegórica da Filosofia tenta esculpir a si mesma. O cinzel escapa de sua mão. A pedra racha.

Da fissura nasce uma planta verde e vibrante. Ao fundo, duas sombras observam em silêncio.

“A Verdade surge onde o discurso falha.”

Sentido dialético final:
O erro — o ato falho — não é mero equívoco. É a fissura pela qual a realidade emerge.

A práxis não é apenas coerência teórica. É a capacidade de atravessar a contradição sem se refugiar na abstração.


Conclusão Editorial

À luz do presente, “modificar o mundo” não se reduz à gestão técnica de tarifas nem à libertação retórica de ideologias passadas.

A transformação exige:

  • Reconhecer o peso material das decisões.
  • Identificar os atos falhos que revelam a prática real.
  • Superar tanto o tecnocratismo quanto o misticismo político.

A práxis é a teoria que resiste ao confronto com a realidade — e retorna dela transformada.


Síntese Final

  • Discurso vs. Ação
  • Abstração vs. Força Material
  • Observador vs. Estrutura
  • Misticismo vs. Base Terrena
  • Erro vs. Transformação

Não se modifica o mundo ignorando a própria contradição.
A mudança começa onde o discurso deixa escapar o real.

A DIALÉTICA ENTRE MARX, FREUD E A PRÁXIS CONTEMPORÂNEA Série de Charges Filosófico-Políticas Uma narrativa visual em cinco movimentos progressivos, na qual teoria, poder, ideologia e prática se confrontam até culminarem na práxis transformadora. 🎯 Síntese Final das 5 Chaves do Riso Inversão lógica Subversão da autoridade Ambiguidade sonora Ironia política aplicada ao cotidiano Metáfora literalizada Cada autor aciona um mecanismo distinto, mas todos compartilham um mesmo efeito: o reconhecimento do absurdo no ordinário.
domingo, 22 de fevereiro de 2026 A política depois do vazio, por Luiz Sérgio Henriques O Estado de S. Paulo A irracional reação nativista, potencializada em 2016 com o Brexit e a vitória de Donald Trump, sabidamente implicou novo e inédito recuo das formas da política Uma percepção bem difundida, não só entre nós, é que a grande política bateu de vez em retirada, deixando-nos impotentes diante de círculos opacos de poder. Elites globais e nacionais, ou boa parte delas, parecem desfalcadas das personalidades que outrora indicavam rotas seguras em meio às tempestades. Este é um momento em que todos – liberais, conservadores, socialistas – temos motivos reais de queixa e frustração, que não poupam ninguém que se identifique com cada uma dessas áreas clássicas da política moderna. Não se trata só de lamento subjetivo. A natureza não tolera o vazio, que logo se povoa de fatos e personagens sombrios – os “magnatas da corrupção” ou, ainda, os equívocos figurantes de fenômenos como a Epstein class, que perpassa variados países com suas redes de poder, violência e abusos de toda a sorte. Pior ainda: o quadro de degradação incendeia a imaginação populista que também está por toda a parte, a partir da poderosa matriz trumpista. Para contar melhor a história, convém voltar aos anos da globalização aparentemente irreversível dos anos 90 do século passado. A bipolaridade havia desaparecido com o fim do desafio sistêmico representado pela URSS. Foram anos de intensa e extensa mundialização do capital, acentuando a interdependência entre povos e países numa escala jamais vista. O “doce comércio” parecia cumprir seu destino de suavizar conflitos e contradições, e anunciar, ainda que tendencialmente, a paz e a prosperidade para todos. Nesse primeiro momento, não ficaram claros “os riscos da globalização extrema”, para utilizar a frase de Mark Carney, o primeiro-ministro canadense que com rara propriedade expôs recentemente as raízes do nosso mal-estar. A economia avançava de modo cego, sem criar automaticamente instituições políticas à altura. A ideia de mercado como critério absoluto relegava a política a plano secundário, limitada, se tanto, às fronteiras de cada país. O movimento das coisas, tumultuoso e autônomo, acontecia acima da vontade dos indivíduos e das instituições, enfraquecidas, estas últimas, de modo deliberado. Impossível não recordar, a propósito, termos e argumentos que assinalam aquela euforia. Digamos simplificadamente que era um mundo sem esquerda – uma, a comunista, inapelavelmente derrotada; outra, a social-democrata, sem o viço de antes, quando constituíra um dos motores decisivos do welfare state. Muito fácil, por isso, apregoar slogans com uma grande dose de soberba, como o there is no alternative, o Tina de Margaret Thatcher. Ou, também, na fórmula reducionista de Ronald Reagan, a ideia de que o governo – assim como a política, a deliberação consciente dos cidadãos – eram sempre o problema, nunca a solução. O vocabulário tradicional da sociologia marxista ainda tem valor em casos como este. Segundo tal vocabulário, os quase 30 anos de mundialização acelerada desenharam um projeto “economicista” que, não obstante a apreciável criação de riqueza e os saltos tecnológicos, mais cedo ou mais tarde iria atingir seu limite. No momento fatal das crises financeiras e das recessões, e mais tarde da pandemia, o globalismo econômico apareceria como desvinculado de controles que, segundo seus críticos da nova direita, só poderiam ocorrer no plano nacional – um plano a que, por definição, estavam alheias as elites neoliberais. A irracional reação nativista, potencializada em 2016 com o Brexit e a vitória de Donald Trump, sabidamente implicou novo e inédito recuo das formas da política. Explorando a fragmentação induzida pela sociedade digital, o moderno populismo reativa a ideia de um líder – um condottiere, um messias – como expressão de uma unidade imaginária afirmada contra o pluralismo democrático. Internamente, em cada contexto, as novas direitas empreendem insólito regime change, buscando substituir a democracia política pelo mando cesarista. Externamente, por coerência, retomam o realismo bruto avesso a qualquer cooperação e entendimento, ainda que insuficientes ou provisórios. Como destacou o cientista político Paulo Fábio Dantas, Mark Carney, com a clarividência dos políticos do passado, terá sido um dos primeiros, se não o primeiro, a proclamar a necessidade de modos variados de aliança entre “potências médias”, além do vetusto terceiro-mundismo. Essencial para Carney é que, na equação progressista, não pode faltar o Ocidente democrático que resiste e de que, por origem e vocação, nosso País faz parte. Não tem sentido trocar a liderança norte-americana por outra – uma troca que não cancelaria os riscos de uma realidade de disputas abertas ou latentes entre superpotências. Uma delas, de modo afrontoso, “monetiza continuamente suas relações”, encerrando-se num horizonte sem princípios. A outra, pela sua constituição autocrática, também está distante de encarnar alguma nova configuração do “espírito do mundo” mais democrática e inclusiva. Ao contrário, a perspectiva canadense, lance inesperado de grande política, abre para nós, brasileiros, espaço razoável de manobra e protagonismo.
domingo, 22 de fevereiro de 2026 Suprema Corte blindou a democracia americana contra autocracia de Trump, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Foi o primeiro freio de arrumação ao uso abusivo da autoridade executiva do presidente dos EUA. Outros casos importantes estão na pauta da Corte Na sexta-feira, três juízes da Suprema Corte americana considerados liberais — Ketanji Brown Jackson, Elena Kagan e Sonia Sotomayor — votaram a favor da derrubada das tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril de 2025. Três juízes conservadores acompanharam: Amy Coney Barrett, Neil Gorsuch e John Roberts. Somente os juízes Brett Kavanaugh, Samuel Alito e Clarence Thomas discordaram do veredito. Essa virada de mesa é a primeira reação do “Estado profundo” americano às “loucuras” autocráticas de Trump. Até agora, a resistência aos ímpetos autoritários do republicano estava localizada na tímida oposição democrata, minoritária no Congresso, e na ampla mobilização dos movimentos de direitos civis à política de deportação em massa de imigrantes. A decisão centrou-se na utilização por Trump de uma lei de 1977, que confere ao presidente o poder de “regular” o comércio em resposta a uma emergência, utilizada, pela primeira vez, em fevereiro de 2025, para taxar produtos da China, México e Canadá, alegando que o tráfico de drogas desses países constituía uma emergência. Em abril, impôs taxas de 10% a 50% para todos os parceiros comerciais, inclusive o Brasil. Trump chantageava a Corte há meses, com o argumento de que a restrição de sua capacidade de impor tarifas seria um “desastre econômico e de segurança nacional” com consequências “catastróficas”. Os seis juízes da Suprema Corte não se importaram com isso, mas com os pressupostos seminais da democracia americana: o Congresso, e não o presidente, tem o poder de impor tarifas, decidiram os juízes. Foi o primeiro freio de arrumação ao uso abusivo da autoridade executiva por Trump. Outros casos importantes estão na pauta da Corte, como acabar com a cidadania por nascimento e destituir sumariamente integrantes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. A Suprema Corte nos remete ao The Federalist Papers (Os Artigos Federalistas), nos debates que antecederam a proclamação da Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, atribuídos a James Madison, Alexander Hamilton e John Jay, cujos artigos foram publicados sob o pseudônimo de Publius. Recado cristalino James Madison (1751-1836), teve participação decisiva na compra da Louisiana aos franceses e no acordo com a Espanha sobre a livre navegação do Mississipi. Foi secretário de Estado durante o governo de Thomas Jefferson, junto com quem criou o Partido Republicano. Presidiu os EUA por dois mandatos. Para Madison, o problema central era o controle do poder pelo poder, ou seja, conter a tendência natural de qualquer poder se expandir. No federalista nº 79, Hamilton faz a defesa mais explícita do Judiciário, o “ramo menos perigoso” do governo: a mão não controla a espada (Executivo) nem controla o bolso (Legislativo). Controla apenas o julgamento. Justamente por isso, a Corte deve ser independente do presidente, inclusive, daquele que nomeia seus ministros. A relação não é de lealdade pessoal, mas de submissão à Constituição. Quando a Corte invalida atos presidenciais, ela não “governa contra a maioria”, mas protege a Constituição contra o poder político. John Jay (1745-1829), jurista e diplomata, foi autor da Constituição de Nova York, promulgada em 1777, base para a Constituição Federal. Presidiu o Congresso Continental em 1778, foi ministro das Relações Exteriores, arquiteto do tratado de paz com a Grã-Bretanha e o primeiro presidente da Suprema Corte. Depois de dois mandatos como governador de Nova York, retirou-se da vida pública. Pioneiro da política externa e de segurança dos Estados Unidos, Jay reconheceu a necessidade de um Executivo forte para agir com rapidez em tratados, guerras e diplomacia. Mas consolidou a tese de que a urgência internacional não suspende a Constituição e a Suprema Corte é o foro último para resolver conflitos entre o Executivo e os direitos individuais. O recado da Suprema Corte foi cristalino, invocou fundamentos da democracia americana. Mesmo assim, o presidente Trump paga para ver, ao estabelecer uma tarifa de 10% e, depois, aumentar para 15% sobre todas as importações, com base em outra legislação. O resultado é a insegurança jurídica.
domingo, 22 de fevereiro de 2026 Trump, Irã e o dilema do prisioneiro, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo Eventual queda dos regimes do Irã e de Cuba poderia melhorar o humor dos americanos Donald Trump disse na quinta-feira que vai esperar entre 10 e 15 dias por progresso nas negociações com o Irã, antes de decidir sobre ação militar. Em junho, o americano se deu duas semanas para decidir, numa quinta-feira, dia 19, e ordenou o bombardeio das instalações nucleares iranianas no domingo, 22. Trump segue padrões de conduta. Na sexta-feira, ele admitiu a possibilidade de ataque limitado ao Irã, precisamente o que o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, tem tentado dissuadi-lo de fazer. O USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, está se deslocando do Caribe, onde participou das operações contra a Venezuela, para o Golfo Pérsico. Lá já se encontra o USS Abraham Lincoln, deslocado do Mar do Sul da China. Acompanhados de seus grupos de batalha, eles constituem a maior força militar americana mobilizada no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003. Os EUA estão militarmente prontos para bombardeios de grande escala e operações especiais, com a retirada de pessoal não essencial da região e a definição de alvos, incluindo autoridades do regime. Em meados de janeiro, Trump só não ordenou um ataque por causa dos pedidos das monarquias árabes do Golfo, alvos de eventuais retaliações iranianas, e da advertência de Netanyahu de que ataques pontuais e inconclusivos só evidenciariam a resiliência do regime. A questão é: como mudar o regime em Teerã sem tropas no terreno, algo que a opinião pública americana não toleraria? Entra um padrão estabelecido na Venezuela, onde a captura de Nicolás Maduro criou espaço para um governo obediente em Caracas. No caso iraniano, decapitações, ainda que maciças, não bastariam. Os problemas do governo Trump se acumulam neste ano de eleições no Congresso: a persistência do alto custo de vida, a indignação pela falta de indiciamentos de suspeitos nos crimes de Jeffrey Epstein e pela morte de dois cidadãos americanos nas operações anti-imigração. A eventual queda dos regimes do Irã e de Cuba poderia melhorar o humor dos americanos. O líder espiritual Ali Khamenei e outros integrantes da cúpula acreditam que a mobilização militar americana pode ser um blefe, dada a oposição da opinião pública dos EUA a uma aventura militar; e que um ataque limitado só reforçaria a percepção de solidez da teocracia. Há uma perigosa assimetria de análises de cenário e de expectativas entre Trump e a cúpula iraniana, um clássico ‘dilema do prisioneiro da teoria dos jogos, no qual o desconhecimento da estratégia do outro conduz a decisões irracionais, destrutivas para ambos.
24/06/2003 - 18h03 João Fontes desafia Dirceu e reafirma que votará contra a taxação dos inativos RICARDO MIGNONE da Folha Online, em Brasília O deputado João Fontes (PT-SE), ameaçado de expulsão do partido, disse hoje que o ministro da Casa Civil, José Dirceu, não o fará mudar de opinião quanto à reforma da Previdência. Fontes disse durante discurso no plenário da Câmara que vai votar contra a cobrança previdenciária dos servidores públicos. O petista recebeu apoio dos radicais Luciana Genro (RS) e João Batista Araújo, o Babá (PA). Fontes referiu-se a Dirceu com ironia e voltou a afirmar que o ministro tem um cadastro de "inimigos" do governo. "Não nasci para ser encangalhado, enquadrado, stalinizado para que seja violentada minha consciência. Não tem José Dirceu com aquela caderneta do alto do Planalto que mande sua tropa de choque fazer com que o Deputado João Fontes mude suas convicções", disse o radical. Ontem, Fontes disse que o ministro da Casa Civil tem uma caderneta na qual faz anotações sobre os inimigos do governo. Também ontem, a Executiva Nacional do PT decidiu encaminhar o caso do deputado para ser julgado diretamente pelo Diretório Nacional. Com a decisão, ele passa a ser o quarto congressista da legenda ameaçado de expulsão. Mas, ao contrário da senadora Heloísa Helena (AL) e dos federais Luciana Genro (RS) e João Batista Araújo, o Babá (PA), Fontes não será submetido à Comissão de Ética, porque a acusação contra ele foi enviada pela bancada do partido na Câmara. Fita O deputado sergipano desagradou à cúpula petista por ter divulgado fitas de vídeos, no dia 21 de maio último, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece criticando, em 1987, a proposta de reforma previdenciária que hoje defende, e atacando o então presidente José Sarney (hoje senador pelo PMDB-AP). O único petista a criticar o discurso de Fontes foi Paulo Bernardo (PT-PR). Ele afirmou que o ataque feito por Fontes nunca foi feito nem por inimigos de Lula. "A atitude de V.Exa., ao atacar Lula, uma liderança que demoramos 30 anos para construir e mais de 20 anos para levar à Presidência da República, não foi adotada nem mesmo pelos nossos maiores inimigos nas campanhas eleitorais. Perdoe-me, mas não posso concordar com isso', declarou Bernardo. Fontes rebateu o ataque do governista. Ele voltou a usar a ironia, chamando os defensores do governo de "babões". "Já fui chamado e questionado por S.Exa. se eu ficaria com ele ou com a esquerda do PT, do Deputado Babá. Disse-lhe que prefiro ficar com o Babá do que os babões. Prefiro ficar com os Deputados Babá e Luciana Genro, com a Senadora Heloísa Helena (PT-AL) e com vários Parlamentares coerentes que defendem o que o PT sempre defendeu do que me curvar', disse o radical. Ao finalizar seu pronunciamento , Fontes reafirmou a decisão de votar contra a taxação dos inativos e declarou que não se "curvará" ao Palácio do Planalto. "Sr. Presidente, Sras. e Srs. deputados, ao rei se dá tudo, menos a honra. Não poderia ficar omisso nessa estória e ver os servidores públicos serem execrados e o serviço público desmontado. Quero errar lutando pelas minhas convicções, sendo fiel àquilo que preguei nas praças públicas, que fez o povo do meu Estado, por quem tenho o maior carinho, trazer-me a esta Casa como o único representante do PT". Eleição 2026, lulismo, bolsonarismo e +: Entrevista d’A Hora com Cesar Zucco, professor de Columbia
Edição de Sábado: ‘Lula está pedindo para perder a eleição’ "Ótima entrevista de Romero Jucá ao Canal Meio. Sem dúvida, é um dos mais experientes políticos brasileiros com histórico de atuação no parlamento como líder de diversos governos desde FHC até Temer. Trata-se de leitura obrigatória para quem não demoniza a política." Edição de Sábado: ‘Lula está pedindo para perder a eleição’ Por Flávia Tavares e Giullia Chechia Apesar de ter dedicado 24 anos de sua vida ao Senado e de ter sido um dos principais articuladores políticos de Brasília, líder de quatro governos no Congresso — Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer —, além de ministro da Previdência no primeiro mandato de Lula e do Planejamento no governo Temer, ele prefere dispensar os títulos. “Me chama só de Romero.” É desse lugar, fora dos cargos, mas ainda no centro das engrenagens do poder, que Romero Jucá observa o tabuleiro político com a frieza de quem passou décadas costurando acordos, prevendo movimentos e administrando crises. Para ele, o Brasil vive hoje uma de suas fases institucionais mais delicadas: um Legislativo hipertrofiado pelo controle do orçamento, um Supremo cada vez mais protagonista e um Executivo fragilizado, em meio à polarização que lança agora os campos da direita e da esquerda numa disputa para ver “quem erra mais” até a eleição. Na longa entrevista que concedeu ao Meio, e que você pode conferir na íntegra em vídeo, Jucá revisita bastidores de governos, analisa a transformação do Centrão, os efeitos das emendas impositivas, o desgaste das lideranças parlamentares, o protagonismo crescente do Judiciário e os impactos políticos do escândalo do Banco Master. Político experiente que é, não se furta a tratar de momentos delicados de sua trajetória, incluindo a infame gravação em que, num papo com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, debatia como “estancar a sangria” no auge da Lava Jato. Defensor de uma reconstrução que passe pela pacificação institucional e pela revalorização do centro democrático, ele sustenta que o MDB deve evitar protagonismo na disputa presidencial e se preparar para exercer um papel de equilíbrio no pós-eleição. A seguir, os principais trechos da entrevista. O senhor é conhecido como hábil articulador e um dos líderes do Centrão. Como avalia o papel desse bloco político hoje e nos últimos dez anos? Primeiro, vamos fazer uma distinção. Quando se fala em Centrão, as pessoas se referem a um centro mais expandido ou ao centro democrático, que são partidos de centro, sem uma visão extrema à direita ou à esquerda. Mas há também um Centrão específico, que é mais um ajuntamento de partidos, notadamente PP e União Brasil e, às vezes, Republicanos. Então, o Centrão partido é mais restrito. O Centrão força política é mais extenso. O MDB não faz parte do Centrão específico, mas faz parte do centro democrático. O PSD, a mesma coisa. O Republicanos, às vezes. O fato é que há um centro expandido na política que é o definidor de eleições no Brasil. Lula, quando se elegeu a primeira vez, foi com o apoio desse centro democrático. Ele governou nas duas gestões com esse grupo, inclusive com um discurso, na economia, de centro democrático, mais liberal. Eu posso falar porque fui líder do presidente Lula nos governos 1 e 2 e tinha sido líder do Fernando Henrique. O que eu discutia com Pedro Malan, ministro da Fazenda de FHC, eram os mesmos assuntos, com os mesmos objetivos, encaminhando as mesmas questões que eu tratava com Antônio Palocci no governo Lula. Isso mudou? Quando veio a Dilma, ela não seguiu a mesma linha. Ela refluiu para a esquerda, fez um discurso mais socialista. Eu fui líder da presidente Dilma por um ano. Saí dizendo que o governo ia ter problemas, porque não fazia conta, começou a descuidar do fiscal, e também descuidou da política, brigou com o Congresso. Deu no que deu. Depois, veio Michel Temer e recompôs essa força democrática de centro. Não o Centrão, mas estavam lá MDB, PSD, PP, União Brasil, que ainda tinha outro nome. Havia outros partidos também. O centro democrático, quando foi chamado, respondeu bem. O governo Bolsonaro teve o condão de sair da eleição com aprovação, com um país com viés liberal e se reafirmando conservador nos costumes. Ele poderia ter continuado a linha da economia que nós deixamos com Temer, de quem fui líder também. Mas o presidente Bolsonaro terminou descuidando disso, se fechou na questão política e teve dificuldades com o Congresso. Só deixou de ter dificuldade quando vieram Ciro Nogueira, Arthur Lira. Aí sim o Centrão específico, o núcleo de PP e União Brasil, veio dar as cartas políticas. O governo se estabilizou um pouco, mas não conseguiu, por uma série de erros, na economia e na própria postura política do presidente, consolidar a reeleição. E no governo Lula 3? Que Centrão está presente? Para ganhar a eleição, Lula veio novamente buscar a receita da vitória lá detrás. Colocou Geraldo Alckmin de vice, alguém de centro. Na campanha, o tempo todo o presidente Lula acenou para o centro. No segundo turno, a Simone Tebet, que foi a candidata do MDB, teve um papel importante. Foi uma vitória apertada, na régua. Mas o presidente Lula não colocou o centro democrático na linha de definições políticas do governo. Ele deu ministérios aos partidos, mas o palácio só tem petista. Nos governos Lula 1 e 2, o Planalto era plural, mais ampliado do que o PT. Eu estava lá dentro, o ministro José Múcio, o ministro Walfrido dos Mares Guia. Havia uma discussão mais abrangente. Agora, Lula montou o governo buscando um pouco mais a esquerda. E a eleição não está definida para ele. A eleição está completamente aberta. O senhor não o vê como favorito? Um ano atrás, Lula talvez nem fosse candidato. A direita conseguiu, em um passe de mágica — por erro do Eduardo Bolsonaro, do próprio Jair, desse pessoal —, colocar no colo do Lula bandeiras que eram da direita. Mas se você pegar a análise da aprovação e desaprovação do presidente Lula há um ano e agora, tirando o viés de um instituto ou de outro, e considerando a margem de erro, vai ver que os números são parecidos. Metade aprova e metade desaprova. Só que quem tem metade contra e metade a favor ganha ou perde a eleição num detalhe. Então, se Lula tivesse, depois dos erros da extrema direita, crescido a aprovação para mais de 60%, a eleição estaria ganha. Se manteve o mesmo patamar, quer dizer que ainda tem uma população grande em dúvida. E quem é essa população? É o centro. O centro que é jogado de lado pela extrema direita, pela extrema-esquerda e pelo governo. Quando Lula faz uma opção pelo [Guilherme] Boulos, não está fazendo uma opção pelo centro. Quando a direita faz a opção pelo Flávio Bolsonaro, em uma candidatura familiar raiz, não está fazendo a construção para o centro. Então, você tem hoje um centro desprezado. E uma batalha de rejeições. Sim, as rejeições estão imperando nessa situação. Há quatro anos, nós tivemos um império da rejeição definindo a eleição também. Bolsonaro todo dia pediu para perder a eleição, cada dia dizia uma barbaridade diferente. E Lula agora está pedindo para perder a eleição todo dia também, são sucessões de erros. É como se a gente estivesse vivendo um campeonato de disputa para ver quem erra mais. De um lado, montam aquela lambança que fizeram no desfile do Carnaval. O outro vai e faz não sei o quê. É inacreditável o que a gente está vivendo na política brasileira. Retomando a questão da governabilidade, vimos emergir algumas ferramentas como o orçamento secreto, com verbas cada vez maiores, e que mudam a dinâmica de negociação no Legislativo. O senhor considera que hoje o Congresso é mais poderoso do que o próprio Executivo? Essa dinâmica é variável. O orçamento impositivo começou na gestão Dilma. Pouca gente se lembra. Ela não atendia nem os adversários nem os aliados. Então, os aliados se juntaram e criaram as emendas individuais impositivas. Depois, Michel administrou, atendeu todo mundo e ficou por isso mesmo. Quando veio o Paulo Guedes, ele não entendia desse jogo político e começou naquela conversa “menos Brasília e mais Brasil” e os deputados e senadores foram lá e créu, levaram o dinheiro embora. Quem tem dinheiro hoje para investimento, para atendimento, não é o Executivo, é o Legislativo. Isso não volta mais. A proeminência do Congresso se consolidou. É um cenário irreversível? O Congresso conseguiu um feito enorme, que foi ter recursos para manusear através de emendas. Mas começa a pagar um preço caro pelo erro na execução e na alocação dessas emendas. Então, não tem sentido o Congresso não se autofiscalizar e se autorregular. Já disse isso para alguns congressistas. O Congresso não pode ser regulado pelo Supremo ou pelo Tribunal de Contas. O próprio parlamento pode acompanhar as emendas, mandar para o Conselho de Ética o parlamentar que fizer coisa errada, que pegar propina. Ou seja, o Congresso pode atuar de forma que respalde a decisão política de alocar as emendas de acordo com a vontade do próprio Congresso, porque é assim em outros países. Por que está dando errado aqui? Porque virou uma promiscuidade. E quem tem de fiscalizar isso? O próprio Congresso pode fazer isso. Eu digo sempre, brincando, o seguinte: O leão, que é o Congresso, comia ração. Depois que o leão começou a comer filé, não tem como tirar o filé e voltar à ração, chance zero. Agora, tem como você dosar o filé, tem como você fazer a dieta correta para o leão não ficar doente. E dividir um pouquinho do filé com o Executivo de volta, o senhor acha que não tem mais como? Ah, não. Esse recurso de emenda não retroagirá. O que tem de fazer agora é criar parâmetro de como essas emendas serão alocadas. Esse é o grande desafio do Congresso para 2027. Mas não fica faltando um elemento político de coordenação de como investir esses recursos em linha com o Executivo, que foi eleito para executar um plano de governo? Sim, mas aí o Executivo cria programas, cria linhas prioritárias de análise dos processos. Só que você tem de ter a transparência de dizer onde é que vai executar. Hoje não tem. Você manda emenda pix sem dizer para onde é que vai, nem para fazer o que. Tem que ter decisão política do Congresso de fazer essa autorregulação e separar o joio do trigo. Não tem sentido vinte ou trinta parlamentares que fazem errado colocarem na lama todo o Congresso por conta de picaretagem em emenda parlamentar. Tem de se rebelar contra os maus. E o comando do Congresso tem de tomar parte nisso. Não adianta ficar com os braços cruzados porque vai todo mundo na enxurrada. Eles vão ter que tomar esse tipo de providência. E o governo, fazer mais política. Como o senhor avalia a atual articulação do Planalto no Congresso? Eu fui líder de quatro governos. Sou um cara de centro. Hoje, o governo é de esquerda. O Congresso é de centro-direita conservador. Sou muito amigo dos três líderes do governo, mas os três são de esquerda. Isso quer dizer que tem um diálogo muito mais difícil do que precisava ter se fossem líderes que tivessem uma relação de igualdade e de proximidade com as pessoas. A política tem de ser exercida na sua plenitude. A política é construção de convergência. Não é você ganhar do outro, mandar um lado aniquilar o outro. Isso não é política, é guerra. E você não pode viver em guerra o tempo todo. Mas o Brasil está vivendo em guerra nos Três Poderes. A gente tem de apaziguar, de acalmar o país. O senhor enxerga uma contradição no fato de a gente ter um Congresso com o maior poder orçamentário da história e com lideranças aparentemente mais frágeis? Hoje nós estamos vivendo o pior dos mundos. O Congresso cria despesa e o Executivo paga a despesa. Quando o Executivo não tem como pagar a despesa, manda para o Congresso um projeto que aumenta o imposto, que é aprovado. E muitas vezes essa despesa ainda é excepcionalizada do controle do gasto público. Não tem estabilidade, não tem análise econômica que resista. Do jeito que está indo, que o país está caminhando célere para o semiparlamentarismo. Para aprovação de uma emenda que você vai ter a presidência da República e um Congresso executando a política pública do dia como se fosse um ministro geral, um secretário geral, porque a conta não fecha. Hoje o Congresso não tem o ônus de fazer isso. O ônus, no máximo, é do desgaste de aumentar o imposto, mas é um ônus diluído. Quem tem ônus mesmo é a sociedade. Ela paga a conta sempre. Existe uma percepção na população de desgaste, de muito escândalo, de um noticiário político cansativo. Muita gente recorre à máxima de Ulysses Guimarães, sobre como o pior Congresso é sempre o próximo. Como se reverte isso? Vamos continuar elegendo parlamentares cada vez piores? Aqui cabe uma discussão de modelo eleitoral. Primeiro, hoje você tem o celular, a rede social, em que você produz o que quiser. Tem gente que se elege brigando, tem gente que se elege com dancinha, tem gente que se elege utilizando instrumentos variados. Cada vez a política fica menor. Então, vai se discutir em 2027, por exemplo, a questão do voto distrital. O voto distrital aproxima a base daquele candidato. Você vira um deputado-federal-vereador de uma região. Isso cria transparência e cobrança direta porque, depois, o cara vai ter que voltar para se eleger ali. A eleição não é difusa no estado. Num determinado momento você pode até rebaixar um pouco o perfil de alguns eleitos, mas você cria identidade. Nos Estados Unidos é assim: com raríssimas exceções, você não vê deputado se candidatando à presidente dos Estados Unidos. Você vê senador ou governador, que são eleitos no estado todo. Por que o modelo atual não funciona? Como é hoje, daqui a pouco você pode ter a maioria de influencers e artistas, tirando o conceito da política do processo eleitoral. Porque tem muita gente se elegendo dizendo: “Eu sou contra a política”. Você está entrando na política para fazer o quê? É para fazer política ou é para acabar com a política? Esse é um questionamento que tem de ser feito em um debate sério, e não em época de eleição. Mas, em 2027, nós vamos ter de discutir o modelo político que nós queremos criar para dar sustentabilidade política ao país. Sem política, um país não avança. A ausência da política é a aventura. É um processo que pode dar em qualquer coisa. É a instabilidade. E um país como o Brasil, um porto de investimentos, com condições maravilhosas em comparação com outros lugares do mundo, tudo o que a gente não tem que ter é instabilidade política, econômica, jurídica. E é tudo que a gente tem hoje. E ainda tem mais um escândalo, o do Banco Master. Suas implicações ainda não estão claras, mas os efeitos já podem ser sentidos em Brasília. Há até a suspeita de um envolvimento de ministro do STF. O senhor ficou muito conhecido no Brasil também por aquela gravação em que debatia, no auge da Lava Jato, como “estancar a sangria” num acordo “com o Supremo, com tudo”. Acredita que isso pode acontecer agora? Deixa eu contextualizar aquele diálogo. Ali, foi uma conversa com o Sérgio Machado [ex-presidente da Transpetro], ele foi na minha casa para me gravar, para tentar soltar os filhos do processo de corrupção em que estavam todos envolvidos. E, naquela conversa, a gente conversou sobre política. O governo da Dilma estava um desastre e eu disse: “Nós temos de afastar a Dilma. Tem de estancar essa sangria. Tem que haver um acordo do país”. Aí o Sérgio falou: “Com o Supremo, com tudo”. Não fui eu que falei, foi ele. E eu digo: “O acordo tem que estar todo mundo”, porque para afastar o presidente, se você não tiver o entendimento do Supremo de que o processo é correto, o Supremo barra. Quem preside a cassação de um presidente no Senado é o presidente do Supremo. No caso, foi o [Ricardo] Lewandowski. Então, aquela conversa não era sobre barrar a investigação. Antes, o Sérgio perguntou para mim: “Você conhece algum dos ministro do Supremo, você pode interferir?”. Eu disse que não tinha como interferir em nada disso, como falar com ninguém. E o Sérgio foi me gravar para tentar fazer uma delação. Ele não falou em nenhum momento de corrupção, de dinheiro pra mim. Nada. Se eu tivesse alguma coisa errada, a gente teria conversado sobre isso. E não teve esse tipo de conversa. Era uma conversa sobre política? Isso. Falamos sobre a reunião do PSDB, eu disse: “o PSDB está achando que tem de ter eleição, mas tem que ter cassação, tá certo? Porque uma eleição agora abre ferida, vai ser uma confusão, ninguém vai se entender. O Aécio até está achando que pode concorrer à eleição, mas não vai, porque ele também vai ser vítima desse tiroteio todo. Todos os políticos serão”. Todo mundo que era político importante levou chumbo. Eu passei de oito a dez anos sendo investigado, não apareceu nada, fui inocentado em tudo, porque não tinha nada. Passei dez anos da minha vida levando pancada e sem poder explicar muito porque a imprensa não queria ouvir. O caso Master pode ter o mesmo efeito na política? Quando eu falei dessa questão do Lula, do eleitorado metade sim, metade não, não levei em conta ainda o fator Master. O caso Master pega tanta gente, e o que a gente vai ter de ver? Qual a narrativa que vai colar contra quem. Vai ser contra a direita? Contra a esquerda? Contra o governo? Contra o Congresso? Contra o Supremo? Isso não está claro. A consequência política ainda não está delineada. Com tantos envolvidos, será que o caso não vai para debaixo do tapete? Pode ser que um acordão seja feito? Olha, eu acho muito difícil porque virou um escândalo nacional. O povo entende isso. Aliás, nós estamos com dois escândalos, ainda tem o escândalo do INSS, que virou subproduto por causa do escândalo do Master. Isso tem uma consequência política. Eu não sei qual vai ser ainda. Vamos ver os atores como vão se sair, o Supremo está numa situação de muita dificuldade nisso. Muita dificuldade. Para as eleições no Senado, uma das plataformas eleitorais centrais deste ano pela direita é advogar em prol do impeachment de ministros. Já tem gente no Norte do país fazendo campanha falando isso: “vote em mim que eu vou impichar fulano de tal”. Como o senhor acha que isso pode impactar a relação entre os Poderes que já vem sendo tumultuada há alguns anos? Nós temos de repactuar isso, mas entendo que cada Poder tem de lavar a sua roupa suja e criar suas regras de controle. Você não pode esperar que um aponte o defeito do outro. Isso não vai para canto nenhum, porque todo mundo tem defeito, então vira uma guerra. O Congresso tem que tomar providência sobre as emendas. No Supremo, as questões aí passaram do limite. Qual é a regra que vai ter? O ministro Fachin está com a história de criar o estatuto [código de ética]. E no Executivo, qual é a regra? Essa investigação do Banco Master vai ter de ser capitaneada pela Polícia Federal e pelo Banco Central, que são os dois órgãos, em tese, mais isentos desse processo. Não é uma CPMI do Congresso que vai dar qual é a posição do Banco Master, porque ali um lado ou outro vai ter maioria e aí fica complicado. O próprio Supremo, nessa condição, o que que eles vão fazer? Alguém vai se autoimolar ali? Não acredito. Mas nós temos que ajustar essa relação institucional que está rompida, quebrada, rachada. Essa posição de protagonismo do Supremo é algo natural depois de passarmos por Mensalão, Lava Jato, tentativa de golpe e de um hábito dos próprios legisladores de recorrerem muito ao Supremo para judicializar a política? O Supremo não pode ser o protagonista porque quando o julgador vira o protagonista ele julga, condena e executa. Um exemplo de protagonismo que não deu certo: Revolução Francesa. Os caras foram lá na praça da Concórdia, montaram a guilhotina, começaram a guilhotinar um monte de gente e terminaram guilhotinados também. É um processo que desanda, perde a referência, perde o consenso. Para onde o MDB vai caminhar na eleição de 2026? Quem vai apoiar? E o senhor vai ser candidato a algo? Sobre mim, ainda estou pensando, não sei se eu vou ser candidato. Sobre o partido, se depender de mim, o MDB não vai participar diretamente de chapa nessa disputa fratricida. A gente não tem que fazer uma opção de “você quer matar o outro pela esquerda ou pela direita?”. Essa não é a praia do MDB. A praia do MDB é democracia, a gente enfrentou a reconstrução do país. Então, o MDB não definiu isso ainda, mas eu estou muito preocupado de a gente virar sectário de alguém numa altura dessa. Até porque tem que ter gente isenta do lado de fora para ajudar a reconstruir depois. O MDB tem uma força jovem de pessoas extremamente competentes, como o governador Helder Barbalho e o ministro Renan Filho. Dois craques da nova geração. Esses ocuparão no futuro cadeiras importantes no país, não tenho dúvida disso. O MDB hoje é um partido nacional, com grandes lideranças de regiões com características políticas diferentes. No Sul e no Centro-Oeste, é forçosamente de direita conservadora. No Sudeste é dividido mais para direita conservadora. Se você pegar o Nordeste é mais para esquerda liberal, uma centro-esquerda. Se você pegar o Norte é dividido com maioria para a direita conservadora. Não sei se o melhor caminho do MDB é virar sectário de uma corrente de briga neste momento. Ou se não é melhor eleger uma grande bancada e estar habilitado com pessoas com qualidade para discutir o novo caminho que o Brasil tem que tomar ali na frente.
Encontro entre Assis e Gramsci 👆Se Antonio Gramsci e Machado de Assis analisassem a possibilidade de Benito Mussolini “virar” um Donald Trump no século XXI — e de o Brasil eleger em 2018 um admirador desse estilo, como Jair Bolsonaro — o resumo provável seria: Gramsci veria o fenômeno como resultado de crises de representação, disputas por hegemonia cultural e rearranjos de forças sociais. Não falaria em simples repetição do fascismo, mas em novas formas de liderança personalista que emergem quando instituições e consensos enfraquecem. Machado enfatizaria o aspecto humano e moral: a sedução do homem forte em tempos de descrédito político, a facilidade com que o público troca prudência por promessa de ordem, e a recorrência histórica de líderes que exploram ressentimentos. Conclusão comum : não se trata de repetição mecânica da história, mas de padrões que reaparecem sob novas roupagens quando há crise, polarização e desgaste institucional. Mudam os nomes, mudam os meios; permanecem certas disposições sociais e psicológicas. Mudaria a sangria ou mudei eu? (hipótese de uma página carcerária de Antonio Gramsci, à sombra de Machado de Assis) Da cela, o mundo chega-me por fragmentos: recortes, ecos, relatos truncados. Não vejo a praça; ouço-lhe os rumores. Fala-se, como outrora, em estancar a sangria. Outras bocas preferem apaziguar o país. Mudam-se os verbos; persiste o sangue. Aprendi, com certo escritor do Rio de Janeiro, que a ironia é uma forma superior de pudor. Não se diz tudo; sugere-se. A dúvida é mais cortante que a acusação. Pergunto, pois: a sangria é fato novo ou apenas nome renovado de uma velha estrutura? Os homens de Estado declaram guerra à guerra e prometem concórdia entre os Poderes. Contudo, a política não é um acidente moral: é organização de forças. Quando dizem “acalmar”, desejam consenso; quando dizem “estancar”, temem a expansão do conflito. Em ambos os casos, trata-se de direção — de quem conduz e de quem consente. Talvez a sangria não seja só crise passageira, mas sintoma de uma ordem que se defende. Há momentos em que o velho mundo hesita em morrer e o novo não logra nascer; nesse intervalo, multiplicam-se os curativos e os discursos pacificadores. Não é o sangue que escandaliza; é a possibilidade de que ele revele as fissuras do edifício. E eu? Terei mudado? O cárcere educa o olhar. Onde antes via episódios, vejo agora processos; onde via homens, vejo funções; onde via escândalos, percebo hegemonias. A maturidade — se assim posso chamar — não extingue a esperança, mas a submete à disciplina da análise. Se Machado interrogava a si mesmo diante da perda do encanto, eu me interrogo diante da persistência do conflito: mudou a sangria ou amadureceu a consciência que a observa? Talvez ambas as coisas. O fenômeno altera a forma; a estrutura resiste. O observador perde a ingenuidade; ganha responsabilidade. No silêncio da cela, concluo sem grandiloquência: não basta estancar, nem basta apaziguar. É preciso compreender quem sangra, quem lucra com o estancamento e quem define o que seja paz. Se mudei, foi para suspeitar das palavras que pretendem pacificar o que ainda não foi transformado. Mudaria a sangria ou mudei eu? (em homenagem a Machado de Assis) Naquela noite — não de Natal, mas de noticiário — sentei-me diante das palavras como quem encara um espelho indiscreto. Outrora, quando ouvi falar em “estancar a sangria”, vi na frase a urgência dos curativos e a pressa dos conchavos. Era tempo de Operação Lava Jato, e os homens graves desciam as escadas do poder como quem desce ao porão para salvar a prataria. Hoje, fala-se em apaziguar, acalmar o país, reconciliar os Três Poderes — o Executivo, o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal — como se o verbo fosse um bálsamo e a política, subitamente, tivesse aprendido a arte da ternura. Mudaram as palavras; não sei se mudaram as intenções. Recordo a antiga gravação, atribuída a Romero Jucá, e comparo com os discursos atuais, tão cheios de centro, tão cheios de pontes, tão cheios de paz. O país, dizem, vive em guerra. E guerra cansa. Mas também cansa a paz de conveniência. Pergunto-me, com a mesma dúvida daquele soneto remoto: teria mudado a sangria — antes explícita, agora difusa — ou mudei eu, que já não me espanto com as hemorragias verbais nem com os curativos institucionais? Talvez a política continue a mesma, variando apenas o figurino: ontem, estancar; hoje, apaziguar. Ontem, conter; hoje, convergir. E eu, que outrora cria na força redentora das palavras, agora as observo com a indulgência de quem sabe que, em política, os verbos raramente sangram — quem sangra é o tempo. No fim, não sei se mudou a crise ou se amadureceu o meu olhar. Como no verso antigo, fico suspenso entre a suspeita e a saudade: mudaria a sangria — ou mudei eu? 👆Se Antonio Gramsci e Machado de Assis analisassem a possibilidade de Benito Mussolini “virar” um Donald Trump no século XXI — e de o Brasil eleger em 2018 um admirador desse estilo, como Jair Bolsonaro — o resumo provável seria: Gramsci veria o fenômeno como resultado de crises de representação, disputas por hegemonia cultural e rearranjos de forças sociais. Não falaria em simples repetição do fascismo, mas em novas formas de liderança personalista que emergem quando instituições e consensos enfraquecem. Machado enfatizaria o aspecto humano e moral: a sedução do homem forte em tempos de descrédito político, a facilidade com que o público troca prudência por promessa de ordem, e a recorrência histórica de líderes que exploram ressentimentos. Conclusão comum : não se trata de repetição mecânica da história, mas de padrões que reaparecem sob novas roupagens quando há crise, polarização e desgaste institucional. Mudam os nomes, mudam os meios; permanecem certas disposições sociais e psicológicas. Análise: ainda há espaço para a diplomacia no conflito? | BandNews TV MUDARIA A DIPLOMACIA OU MUDOU O CONFLITO?