domingo, 30 de agosto de 2026

A verdade

Editado com brilho, contraste e saturação. (V.M.) (29/08/2026) A Space Odyssey (1968) 58 years before ChatGPT, Kubrick gave us the ultimate AI nightmare: calm, logical, polite, and completely uncompromising. 'I'm sorry, Dave. I'm afraid I can't do that' remains the single most bone-chilling line in sci-fi history Vinha de Luz #000 - Brilhe vossa luz NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 13 de jan. de 2026 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Vinha de Luz", de Emmanuel/Chico Xavier.
Tema principal “Eu sou o caminho e a verdade.” — Jesus. (JOÃO, 14.6) 1 Por enquanto, ninguém se atreverá, em boa lógica, a exibir, na Terra, a verdade pura, ante a visão das forças coletivas. 2 A profunda diversidade das mentes, com a heterogeneidade de caracteres e temperamentos, aspirações e propósitos, impede a exposição da realidade plena ao espírito das massas comuns. 3 Cada escola religiosa, em razão disso, mantém no mundo cursos diferentes da revelação gradativa. A claridade imaculada não seria, no presente estágio da evolução humana, assimilável por todos, de imediato. 4 Há que esperar pela passagem das horas. Nos círculos do tempo, a semente, com o esforço do homem, provê o celeiro; e o carvão, com o auxílio da natureza, se converte em diamante. 5 Por isto, vemos verdades estagnadas nas igrejas dogmáticas, verdades provisórias nas ciências, verdades progressivas nas filosofias, verdades convenientes nas lides políticas e verdades discutíveis em todos os ângulos da vida civilizada. 6 Semelhante imperativo, porém, para a mentalidade cristã, apenas vigora quanto às massas. 7 Diante de cada discípulo, no reino individual, Jesus é a verdade sublime e reveladora. 8 Todo aquele que lhe descobre a luz bendita, absorve-lhe os raios celestes, transformadores… 9 E começa a observar a experiência sob outros prismas, elege mais altos padrões de luta, descortina metas santificantes e identifica-se com horizontes mais largos. 10 O reino do próprio coração passa a gravitar ao redor do novo centro vital, glorioso e eterno. 11 E à medida que se vai desvencilhando das atrações da mentira, cada discípulo do Senhor penetra mais intensivamente na órbita da Verdade, que é a Pura Luz. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 175 A verdade
sábado, 29 de agosto de 2026 Começar de novo, por Marco Aurélio Nogueira* O Estado de S. Paulo Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência E se de repente alguém virasse a ampulheta e nos projetasse para onde tudo começou? E se insistíssemos numa rota já estabelecida, para reiniciar de onde paramos ou tropeçamos? Nas eleições de 2026, os candidatos mais fortes querem manter vivo um caminho já trilhado. Lula quer fazer o que não conseguiu em seus três mandatos, mas não deseja voltar às origens, coisa que o levaria às promessas mais “puras” e radicais do PT de 1982. Flávio Bolsonaro, por sua vez, quer dar sequência à herança deixada pela Presidência de seu pai, patrimônio de valor discutível, mas não quer ir muito para trás e se deparar com um vazio improdutivo. O Brasil não vive um bom momento. A polarização é resiliente. Candidatos menos expressivos rondam a arena principal, mas não abalam os principais. Não há “terceira via”, embora algum azarão possa surpreender. A repetição de promessas passa longe do que se poderia chamar de prioridades estratégicas. Não há planos de metas ou projetos. Cada candidato imagina um país. Improvisos e ênfases demagógicas tomam conta do cenário. Talvez seja hora de começarmos de novo. Voltar à redemocratização dos anos 1980, nosso maior baú de boas ideias e intenções. Lá havia esperança, disposição de luta e uma causa comum. Revisitá-lo criticamente pode nos ajudar a ver onde foi que erramos. Corrigir o que está torto, ou seja, quase tudo. Houve avanços na assistência social, o SUS se consolidou, o País se modernizou e a industrialização foi em frente. A desigualdade, porém, não retrocedeu. A revolução digital nos pegou em cheio. Sacode a sociedade de cima a baixo, sem que se saiba se estamos absorvendo o que ela traz de positivo. Depois de oito anos de Fernando Henrique e 20 anos de governos petistas-lulistas, quase nenhuma instituição funciona bem. Até o Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu o prumo. Os partidos feneceram. Estamos sem garantias de que a política produzirá bons governos e de que a justiça será feita sem histrionismos personalistas. O País não está à deriva, mas claudica em diversas áreas, sentindo falta de um eixo organizador. As múltiplas e complexas pautas têm sido deixadas de lado ou são superficialmente abordadas. Hoje não sabemos em qual direção o Brasil caminha. Estamos honrando a tradicional independência de nossa diplomacia? Mantemos nossos vínculos “ocidentais” ou estamos tateando em busca de algum reposicionamento? Na segurança pública, temos ido piorando. A “profissionalização” do crime organizado exacerba a ausência de uma consistente política nacional. Dá-se mais importância aos casos de corrupção – que são gravíssimos e respingam por todos os lados – do que às mortes bestas motivadas pelo tráfico. Bons documentos oficiais ficam nas prateleiras, a sugerir que falta algo para que sejam executados. O lapso entre o que se escreve neles e a execução é recorrente. O País está digitalizado. Quase toda a população se move com um celular nas mãos. O home office bomba em muitos setores. O delivery está nas ruas. Mas o País controla pouco os dados manuseados pelas grandes plataformas digitais. Sua soberania é mais ameaçada por isso do que pelas investidas maníacas de Trump. Se os dados digitais impactam a vida, quem os controla tem poder. Poderá não ser dono do mundo, mas terá, ao menos, condições de confrontar os que pretendem dirigir o mundo. E as terras raras? E a crise fiscal, que nos dizem ser grave? Não faltam problemas. A educação exige atenção dedicada, ferrenha. É a principal ferramenta do progresso. Índices de desempenho à parte, não estamos saindo do lugar. Ainda nos enroscamos em temas menores, tipo “os estudantes não devem usar a inteligência artificial (IA) para estudar”, sem darmos atenção ao letramento digital, ao ensino dos métodos para que estabeleçam relações inteligentes, autônomas e reflexivas com a IA. A escola básica de massa continua repleta de carências e desigualdades. As universidades têm insuficiências de ordem material, financeira e pedagógica. A pesquisa é feita, mas não se espalha, concentra-se em poucas unidades de ponta. Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência. Um novo reformismo seria o bálsamo de que necessitamos. Precisaria ser profundo, deitar raízes na sociedade. Mas não poderá ser feito de supetão, nem de modo “revolucionário”, com a explosão de todas as casamatas. Terá de se basear num refinado mapa que possibilite a navegação por entre as ilhas nacionais (políticas, ideológicas, culturais, regionais), de modo a articulá-las paulatinamente. O problema é encontrar o agente que encarnará um projeto dessa magnitude. Poderiam ser os democratas progressistas, mas eles andam tão desencontrados e retraídos que, no momento, inspiram pouca confiança. Quem sabe não devem eles também começar de novo? Mobilizando a sociedade numa direção oposta aos populismos atuais. Precisamos parar de viver à procura de um “grande líder”. O importante é unir forças, construir uma agenda de reformas e uma gestão corajosa. *Professor titular de Teoria Política da Unesp P. Da Viola & M. Bethania - Coração Vulgar (1969) Chords and Tabs 195.725 visualizações 19 de jan. de 2010 Paulinho da Viola & Maria Bethania - Coraçao Vulgar (Conjunto A Voz Do Morro) - 1969 👆”Essa belíssima e poética evocação nos transporta diretamente para o histórico documentário Saravah (1969), dirigido pelo cineasta e músico francês Pierre Barouh. Na cena em questão, gravada no Rio de Janeiro sob a atmosfera plúmbea da ditadura militar, um jovem Paulinho da Viola dedilha no violão a sua composição Coração Vulgar. Ao cantar os versos: "Um verdadeiro amor nunca fenece / E pouca gente ainda o conhece..." A também jovem Maria Bethânia, completamente extasiada com a sofisticação da linguagem do amigo, interrompe o ensaio e diz ao diretor francês: "É lindo, né, Pierre? Não existe! 'Fenece' é a palavra mais bonita que tem no mundo." A frase, carregada de lirismo e sensibilidade, cruza o tempo. Usar o verbo "fenecer" (que significa murchar, morrer, acabar) para falar sobre o fim das agremiações políticas — "Os partidos feneceram" — resgata exatamente essa mesma elegância melancólica que os jovens artistas cariocas eternizaram naquele quintal nos anos 1960, transformando a crueza dos tempos políticos em pura poesia.” Pedro Malan analisa gestão econômica do primeiro mandato de Lula Roda Viva 29 de ago. de 2022 #RodaViva O economista e ex-ministro da Fazenda Pedro Malan falou ao Roda Viva sobre os fatores que favoreceram a gestão econômica do primeiro mandato de Lula (PT), em 2022. "É sintomático que ao ser eleito, em 2002, ele não levou nenhuma das grandes estrelas econômicas do PT para trabalhar na área econômica do governo", declarou. 👆”Em suma: O trânsito livre e o respeito que Malan possuía junto ao Tesouro Americano, ao FMI e ao Banco Mundial serviram como uma "fiança institucional". Ele avalizou a maturidade da política brasileira perante o exterior, abrindo caminhos para que a transição de poder ocorresse de forma pacífica, previsível e economicamente estável.” “Resta-nos, pois, aguardar pelo próximo artigo de Pedro Malan. Será, por certo, mais uma lição de altivez e elegância, demonstrando como a precisão técnica e o espírito público são capazes de rechaçar, sem alarde, a retórica da ingratidão - vinda de quem recebeu os trilhos da estabilidade em 2002 e o aval democrático em 2022, mas insiste em desdenhar de seus próprios fiadores." O Berro do Boi #1 - A cria revista piauí e Trovão Mídia Estreou em 28 de jul. de 2026 O Berro do Boi Em 2017, uma gravação feita por Joesley Batista quase derrubou o presidente Michel Temer, transformou os donos da JBS em inimigos públicos – e os levou à prisão. Oito anos depois, em 2025, a mesma família celebrou sua chegada à Bolsa de Nova York, o epicentro do capitalismo global. Consuelo Dieguez revela os bastidores da impressionante recuperação de Wesley e Joesley Batista e apresenta a pergunta central da série: como os irmãos goianos conseguiram voltar ainda mais ricos e poderosos depois de atravessar uma das maiores crises da história recente do país? A Saga dos Irmãos Batista e JBS | Curioso Entrevista: Consuelo Dieguez Curioso Mercado 24 de ago. de 2026 No primeiro episódio do Curioso Entrevista, recebemos Consuelo Dieguez — repórter da revista piauí e voz do podcast O Berro do Boi — pra falar sobre a saga dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, donos da JBS, a maior empresa de carne do mundo. Do açougue no interior de Goiás ao BNDES, da delação à volta por cima: Consuelo acompanha os Batista há mais de uma década e revela os bastidores dessa apuração — e o que ninguém entendeu sobre a ascensão deles.
O baú de Pedro Nava Sergio Amaral Silva O domingo, 13 de maio de 1984, já tinha quase acabado. Era aquela hora em que a maioria das pessoas tem certeza de que não vai acontecer mais nada e se prepara para dormir, ante a expectativa de uma nova semana. Pouco antes das dez da noite, o telefone tinha tocado no apartamento do 7º andar da Rua da Glória, 190. Dona Antonieta atendeu. Do outro lado da linha, uma voz de homem pediu para chamar Pedro Nava. Ao desligar, minutos depois, parecendo transtornado, Nava teria dito à esposa, companheira de quarenta anos, algo como: “um trote de mau gosto” ou, segundo outra versão, “nunca ouvi nada tão aviltante (ou obsceno) pelo telefone”. A pesquisadora francesa Monique le Moing, na biografia A solidão povoada (Nova Fronteira, 1996), levantou a hipótese de que a eventual ameaça ou tentativa de chantagem estivesse ligada à homossexualidade. Para isso, apoiou-se num argumento discutível: a “evidência literária” das páginas finais do último livro de Nava, que termina quando o personagem Conselheiro faria uma revelação bombástica sobre o tema. O desenlace, supostamente, ocorreria no volume seguinte, o sé­timo, que ficou inacabado. Levando consigo o segredo, Nava saiu pouco depois, sem se despedir da mulher, levando no bolso o revólver Taurus 32 cano longo, que havia comprado quatro anos antes, e que ela não conhecia, além de vários documentos, que ele não tinha o hábito de carregar. Atravessou a rua, andou menos de duzentos metros e chegou a ser visto sentado num banco de jardim da vizinhança, com uma “atitude desolada”. Por volta das onze e meia da noite, parou junto a uma árvore e disparou contra a têmpora direita. Dizem que alguém acendeu um toco de vela ao lado do cadáver, que, coberto por um jornal, só foi liberado depois das duas da manhã. O corpo foi embalsamado por dois amigos médicos, que ele próprio escolhera numa carta escrita em 1975, na qual dava instruções sobre seu sepultamento. O gesto extremo causou enorme surpresa. Primeiro, porque suicídios de escritores não são comuns. Dentre as exceções estão Ernest Hemingway e, no Brasil, Her­mes Fontes e Stefan Zweig. Segundo, porque, em sua obra, Nava procurava reconstruir o passado, fazê-lo durável, o que não combina com a decisão de pôr fim à própria vida. Além disso, os amigos o descreviam como extrovertido, falante e bem-humorado, sem os traços da depressão que alguns procuraram diagnosticar depois do episódio final. Tudo a reforçar a tese de que o impulso suicida foi mesmo momentâneo, provocado pelo misterioso telefonema. O cineasta Joaquim Pedro de Andrade, na ocasião, foi direto: “Há um assassino solto, alguém que tornou a vida insuportável para Nava. Ele foi morto por um telefonema.” Já a escritora Nélida Piñon disse: “Sua obra pertence a nós, mas o mistério de sua morte pertence a ele. De agora em diante, sua obra vai ter que ser vista sob a ótica do mistério de sua partida.” Na véspera da tragédia, como fazia há mais de vinte anos, Nava foi à casa do bibliófilo Plínio Doyle, onde todos os sábados se reunia um seleto grupo de intelectuais que incluía Drummond, Afonso Ari­nos e Américo Jacobina Lacombe: eram os famosos saba­doyles. Nesse dia, os amigos não identificaram qualquer diferença em Nava, “alegre e cheio de vida, com a verve de sempre”, como disse Alphonsus de Guimarães Filho. O dia seguinte foi dedicado à elaboração do discurso de agradecimento pelo título de Cidadão Fluminense, que receberia na Assembléia Legislativa dentro de alguns dias. O discurso, que seria a última página escrita por Nava, é uma espécie de balanço sentimental dos 51 anos vividos na cidade do Rio de Janeiro. Na derradeira frase, o escritor promete guardar os nomes dos deputados que o homenageiam “na coluna positiva do deve-e-haver do meu cansado coração”. Pedro Nava não pretendia se matar: tinha planos, como celebrar os 81 anos, dentro de três semanas; bem como concluir o sétimo volume de memórias (Cera das almas, interrompido na página 36) e em seguida escrever um livro sobre os médicos brasileiros. Numa entrevista, declarou: “Eu gosto da vida, apesar de não ser feliz. Gostaria de prolongar a vida um pouco mais, mesmo sabendo que muita coisa vai diminuindo com a idade.” Pedro da Silva Nava nasceu há um século, em 5 de junho de 1903, na cidade mineira de Juiz de Fora, o antigo Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais. No início dos anos 1920, mudou-se para Belo Horizonte. Ali, por volta de 1925, em companhia de jovens modernistas “dados às letras”, como Drummond ou Emílio Moura, colaborou, publicando poemas, com A Revista. Poeta e desenhista, chegou a ter ilustrações suas numa edição de Ma­cunaíma, do amigo Mário de An­drade, de 1929. Mário, com quem se correspondeu durante muitos anos, identificava em seus versos uma “sun­tuosidade artística”. Estudou Medicina, formando-se em 1927 pela Universidade de Minas Gerais. Antes de estabelecer seu consultório no Rio de Janeiro, onde também era professor universitário, o doutor Nava clinicou em Juiz de Fora, Belo Horizonte e Monte Aprazível. Ao longo de cinqüenta anos de exercício profissional, assumiu um lugar de destaque na medicina brasileira ao se tornar o pioneiro de uma especialidade que ele trouxe para Brasil depois de um estágio na Europa, nos anos 1940: a reumatologia, da qual foi considerado o melhor de seu tempo. Escreveu dezenas de artigos, ensaios e livros sobre temas médicos, a partir de Território de Epi­dauro, de 1947. Tomando a decisão de se aposentar, fecha o consultório para se dedicar integralmente à paixão que o acompanhou desde a juventude: a literatura. Em 1972, publica pela Editora Sabiá seu primeiro volume de memórias: Baú de ossos, em que narra a história de seus antepassados portugueses, italianos, cearenses e mineiros. Muito mais que isso, o livro não se limita a descrever episódios vividos pelo autor: revela o ambiente social, político e cultural do Brasil na primeira metade do século, levando o leitor a compreender, mais do que o homem, a época em que viveu. Para ele, como em Proust, a busca do tempo perdido, através de fatos e personagens, é antes de tudo um modo de chegar ao conhecimento de si mesmo. Antes de 1972, Pedro Nava era conhecido como médico e amigo de escritores, embora um poema seu tenha sido incluído por Manuel Bandeira numa Antologia de poetas bissextos. Sua estréia como memorialista, aos 69 anos, foi saudada pela crítica, que viu no livro a reinauguração, renovada, de um gênero pouco exercitado na literatura brasileira. Baú de ossos foi também um sucesso de público, esgotando seis edições até 1980. Seguiram-se quatro livros lançados pela José Olympio, a editora do velho amigo e vizinho: Balão cativo (1973), relembrando a infância em Juiz de Fora e a vida no bairro carioca do Rio Comprido; Chão de ferro (1976), em que o escritor conta sua adolescência; Beira-Mar (1978), que termina no momento em que Nava revela a aspiração de dedicar-se à medicina; e Galo-das-trevas (1981), que fala sobre sua clínica em Belo Horizonte, Caeté, Juiz de Fora e a Revolução de 1930. O sexto volume, O círio perfeito, cobrindo o período de 1930 a 1940, saiu em 1983 pela Nova Fronteira. Com essa editora, que lançaria em dezembro o sétimo volume, o autor tinha um contrato que incluía, além dos próximos livros, a reedição daqueles lançados pela José Olympio, assim que esgotados. A Nova Fronteira já publicara, em 1981, a sétima edição de Baú de ossos. A obra de Pedro Nava, que ficou praticamente esquecida durante quinze anos – a ponto de, nos anos 1990, ser quase impossível encontrar um de seus livros nas livrarias –, foi saudada à época de sua morte como das mais importantes que vinham sendo construídas no Brasil, “um verdadeiro monumento literário, desses raros monumentos que se levantam de cem em cem anos”, destacou o escritor Francisco de Assis Barbosa. Essa grandeza chegou a ser comparada por vários críticos à de outro mineiro, também médico e autêntico mestre no domínio das palavras: Guimarães Rosa. Inconformado com o fato da Nova Fronteira ter publicado a biografia em que Monique le Moing abordava a suposta homossexualidade de Pedro Nava, seu sobrinho e herdeiro Paulo Penido decidiu não renovar o contrato, entregando os direitos sobre a obra do tio a duas editoras paulistanas: a Giordano e a Ateliê Editorial. Os seis volumes voltaram a ser editados recentemente, ao lado de cadernos de anotações do autor; notas de viagem; do Correspondente contumaz, contendo as cartas trocadas com Mário de Andrade; dos textos e desenhos de O bicho Urucutum. Paralelamente, vêm proliferando teses universitárias sobre aspectos de sua obra. Essa obra revela uma profunda paixão pela palavra, que é tratada sensual, sensorial, barrocamente, como objeto a serviço de um retrato que ele, também artista plástico, não se furtava a esboçar. Um exemplo? Este trecho de Baú de ossos, em que Nava discorre sobre a versatilidade do açúcar: “Batida, no Ceará, é uma rapadura especial, feita com melado sovado e arejado a colher de pau, até o ponto de açucarar. Com que também perde o gosto de rapadura. Vira noutra coisa, devido à versatilidade do açúcar, que é um em cada consistência, e que é ainda um a quente e outro a frio. Que é ainda ostensivo ou discreto, acessório ou predominante, substantivo ou adjetivo segundo se combine ao duro, ao mole, ao líquido, ao pulverulento, ao pastoso, ao espumoso, ao sol e ao gel. Compor com açúcar é como compor com a nota musical ou a cor, pois uma e outra variam e se desfiguram, configuram ou transfiguram segundo os outros sons e os outros tons que se lhe aproximam ou avizinham. É por isso que tudo que se faz com açúcar ou se mistura ao açúcar pede deste a forma especial e adequada – que favoreça a síntese do gosto.” Pedro Nava era descrito pelos amigos como modesto, acessível, generoso, falante e bem-humorado. Deixou uma obra grandiosa, interrompida pela morte trágica, cuja motivação provavelmente nunca será conhecida. Passados cem anos de seu nascimento e quase vinte daquele domingo de brumas, ainda aguarda o reconhecimento como um dos maiores escritores brasileiros, daqueles mestres que sempre têm uma nova lição a ensinar. Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador em 2002 do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria “Literatura”. (1) Comentário PAULINHO DA VIOLA - Coração Vulgar alfeuRIO 29 de dez. de 2013 Música de Paulinho da Viola, álbum "Roda de Samba" (1965), sêlo Multidisc Com o Conjunto A Voz do Morro: Paulinho da Viola Anescarzinho do Salgueiro Zé Keti Elton Medeiros Nelson Sargento Zé Cruz Jair do Cavaquinho Coração Vulgar Paulinho da Viola Morre mais um amor num coração vulgar Deixa desilusão a quem não sabe amar E quem não sabe amar há de sofrer Porque não poderá compreender Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Um verdadeiro amor nunca fenece E pouca gente ainda o conhece Meu bem, se o teu amor morreu É porque ninguém o entendeu Deixa o teu coração viver em paz O teu pecado é querer amar demais Composição: Paulinho da Viola. JORNAL DA CULTURA | 29/08/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 3 horas Jornal da Cultura | 2026 No Jornal da Cultura deste sábado (29), você vai ver: aumento do número de eleitores com mais de 60 anos reflete o envelhecimento da população brasileira; perdas na rede elétrica por erros técnicos e furtos geram prejuízo de R$ 11,5 bilhões; Nepal chega ao quinto dia de buscas após avalanche de lama, com mais de 600 mortos e 3 mil desaparecidos; guerra entre Estados Unidos e Irã chega a seis meses e já deixou 8 mil mortos; Big Techs fazem manifesto por mais segurança diante do uso da inteligência artificial em ciberataques; e Isaquias Queiroz supera favorito e conquista sua oitava medalha de ouro em campeonatos mundiais de canoagem. O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube. #JornalDaCultura #TVCultura #SomosCultura

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APITO DE CACHORRO EM SABATINAS E ENTREVISTAS AO VIVO

O som invisível do discurso: Político emite mensagem codificada em sabatina ao vivo. Enquanto a jornalista e o público geral reagem com indiferença ou dúvida (Grupo A), a base radicalizada capta o sinal oculto pelos celulares (Grupo B), consolidando a estratégia do apito de cachorro.
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Bastidores de sabatina jornalística na TV

Análise semiótica do posicionamento de câmeras e cenário em estúdios de televisão.

Análise Semiótica da Sabatina: Linguagem Corporal e Dinâmica Espacial

A composição visual de uma entrevista televisiva envolve uma série de fatores técnicos e estéticos. Embora o posicionamento e o enquadramento de um entrevistado possam sugerir disparidades de poder no estúdio, a dinâmica real dos bastidores costuma responder a padrões rígidos de cenografia e geometria óptica.

1. O Padrão Cenográfico e a Isometria das Cadeiras

Ao contrário do que pode parecer pelo ângulo das câmeras, as cadeiras disponibilizadas nos grandes estúdios jornalísticos são idênticas e reguladas em uma altura estandardizada. O modelo de assento com encosto alto é mantido igual tanto para os entrevistadores quanto para os candidatos, garantindo uma base física neutra que atende aos princípios de isonomia exigidos pela cobertura eleitoral.

2. O Efeito Óptico da Mesa Triangular (Perspectiva e Lentes)

A aparente diferença de dimensão percebida na tela não decorre da altura física do assento, mas sim da arquitetura do cenário e das lentes utilizadas:

  • Geometria do Cenário: Bancadas desenhadas em formato de "V" colocam o entrevistado no vértice isolado, enquanto os entrevistadores ocupam o lado oposto, visualmente mais largo.
  • Profundidade de Campo: Planos abertos e lentes grande-angulares tendem a distorcer as proporções das extremidades da tela, fazendo com que indivíduos localizados nas bordas do enquadramento pareçam menores do que os que ocupam a área central.

3. O Papel da Assessoria de Imprensa nos Bastidores

Em transmissões com forte controle institucional, as assessorias de comunicação realizam vistorias prévias no estúdio (conhecidas como reconhecimento de espaço), testando parâmetros de áudio e iluminação. No entanto, elas não têm autonomia para alterar o mobiliário fixo ou modificar o plano de câmeras preestabelecido pela direção do programa, aceitando as regras técnicas acordadas previamente por todos os participantes.

4. A Postura Corporal diante do Confronto

A projeção corporal do entrevistado — como inclinar-se ligeiramente para a frente ou apoiar-se nos braços da cadeira — costuma ser uma reação física espontânea à intensidade de questionamentos prolongados. Elementos estéticos adicionais, como o uso de chapéus, criam sombras que alteram a percepção dos contornos faciais, acentuando o contraste visual com a postura ereta e formal dos entrevistadores atrás de suas bancadas de trabalho.

Use o código com cuidado.
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Notícias — 28/08/26

A cena analisada pode ser lida como um exemplo prático de como a notícia é construída, selecionada e apresentada. A partir dela, os tópicos de produção e análise jornalística podem ser organizados da seguinte forma:

1. Curadoria

É o processo de selecionar o que será transformado em notícia. O jornalista decide o que merece destaque e o que ficará de fora. Na imagem, a entrevista e a escolha das perguntas mostram que a informação não chega ao público de forma neutra: existe uma seleção prévia.

2. Hierarquia

Depois de selecionar as informações, é preciso definir o que vem primeiro e o que recebe maior destaque. Manchete, chamada, imagem, posição da matéria e tempo de exposição são formas de estabelecer essa hierarquia. A imagem destaca o confronto entre o entrevistado e os jornalistas, fazendo desse embate o elemento central da cena.

3. Seleção de matérias

Nem tudo o que acontece pode virar notícia. São considerados critérios como relevância, atualidade, impacto, proximidade, conflito, interesse público e capacidade de gerar repercussão. A seleção, portanto, determina parcialmente aquilo que o público perceberá como importante.

4. O que está “de pé”

Refere-se àquilo que se sustenta como notícia: fatos, informações e acontecimentos que têm relevância e podem ser confirmados. É importante diferenciar fato, opinião, interpretação e acusação. Diante do cenário exposto, evidencia-se a constante necessidade de verificar e contextualizar aquilo que é apresentado ao público.

5. Lógica da Curadoria

A curadoria jornalística envolve uma sequência cronológica rígida:

acontecimentos → seleção → apuração → hierarquização → enquadramento → apresentação ao público

Ou seja, o jornalista não apenas "conta o que aconteceu". Ele precisa decidir qual acontecimento será abordado, por qual ângulo, com quais informações e com que destaque.

6. Individualização da notícia

Uma mesma notícia pode ser apresentada de maneira diferente dependendo do veículo, jornalista, público e linha editorial. A escolha das palavras, da pergunta, do entrevistado, das imagens e do enquadramento produz uma versão específica daquele acontecimento. A crítica reside justamente na expectativa de como as perguntas são formuladas, mostrando que a forma de interrogar também interfere na construção da notícia.

Roteiro × Roteirizar

Roteiro é a estrutura planejada da matéria:

  • Abertura;
  • Apresentação do fato;
  • Contextualização;
  • Entrevistas/fontes;
  • Desenvolvimento;
  • Fechamento.

Roteirizar é o processo de transformar as informações apuradas em uma sequência narrativa, decidindo o que será dito, mostrado e ouvido e em que ordem.

Em resumo:

Curadoria escolhe → hierarquia organiza → apuração sustenta → roteiro estrutura → roteirização transforma em narrativa → público recebe a notícia.

Use o código com cuidado. Lula mente que nem sente na TV Globo | Meio-Dia em Brasília - 27/08/2026 O Antagonista Transmissão ao vivo realizada há 4 horas Meio-Dia em Brasília | 2026 O programa Meio-Dia em Brasília desta sexta-feira, 28, fala sobre a entrevista concedida pelo presidente Lula na TV Globo e como ele foi pego em flagrante mentindo em rede nacional. Além disso, o jornal também aborda a tentativa de Pablo Marçal manter viva a sua candidatura à Presidência da República e também destaca os melhores, os piores da semana e as principais reportagens da Revista Crusoé. Assista: Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.
A LACRAÇÃO MATOU OS DEBATES, E NÃO HÁ VOLTA SERGIO DENICOLI ESTADO DE S. PAULO Sergio Denicoli @Denicoli CEO da AP Exata, colunista do Estadão, pós-doutor em Comunicação e cientista de dados. Vitória, Brasil apexata.com Participa desde March 2009 Lula na defensiva sobre Lulinha e escândalo do INSS | Central Meio Meio Transmissão ao vivo realizada há 5 horas #Lula #Sabatina #Lulinha A sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na TV Globo foi marcada por momentos de tensão, com o petista na defensiva ao ser questionado sobre as denúncias envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o esquema do INSS. Durante a entrevista, Lula se irritou, chamou a lobista Roberta Luchsinger de "pilantra" e afirmou nunca tê-la visto na vida — mas fotos nas redes sociais desmentem essa declaração. Com Flávia Tavares, Pedro Doria, Yasmim Restum e o analista político Alexandre Borges, o Central Meio desta sexta-feira (28/08/2026) analisa o desempenho do presidente, da imprensa e os possíveis desdobramentos políticos da sabatina na corrida eleitoral. E ainda: as dicas culturais para o fim de semana com Guilherme Werneck. —
Sergio Denicoli profile banner Sergio Denicoli @Denicoli CEO da AP Exata, colunista do Estadão, pós-doutor em Comunicação e cientista de dados. Vitória, Brasil apexata.com Participa desde March 2009 1.509 Seguindo 2.361 Seguidores user avatar Sergio Denicoli @Denicoli 1h 🛜 AP EXATA ALERTA - Dados da AP Exata mostram Augusto Cury com 52% de positividade e forte avanço no volume de menções nas redes, sobretudo entre eleitores de centro. Augusto Cury apresenta forte crescimento nas redes. Segundo os dados da AP Exata, até 23 de agosto ele tinha média de apenas 0,35% das menções aos candidatos, mas chegou a 13,5% nesta quinta-feira, enquanto sua positividade atingiu 52%, a maior entre todos os presidenciáveis. Costumes, Educação e Saúde somam 58,3% de toda a conversa temática relacionada a Cury. Portanto, temas mais polêmicos, como Trump, STF, Lulinha e caso Master não aparecem de forma significativa nas conversas sobre Cury. Costumes representam 21,2% das conversas sobre ele, mas não de forma crítica a temas como casamento de pessoas do mesmo sexo, etc. No caso de Cury, a crítica ao outro não aparece e o que se destaca são discussões mais inclusivas, relacionadas principalmente à importância das boas relações familiares e das relações saudáveis entre casais, condenação à violência contra a mulher, efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes e defesa de relações menos agressivas. Educação aparece com 20,9%, muito acima dos 5,3% registrados no conjunto geral das conversas sobre os presidenciáveis, puxada por propostas e falas sobre educação emocional, raciocínio lógico, excesso de telas, formação de professores, educação financeira e inclusão de autistas, pessoas com TDAH, dislexia e outros neurodivergentes. Saúde responde por 16,1%, com forte presença de saúde mental, ansiedade, depressão, burnout, prevenção do suicídio e saúde emocional de crianças e adolescentes. A questão da autoestima também é mencionada. Nas conversas, aparecem com frequência referências a Cury como educado, equilibrado, sensato e menos agressivo que os demais candidatos, o que agrada a um eleitor cansado da briga política. Outro elemento que começa a caracterizar sua candidatura é a tentativa de ocupar o centro político por meio da crítica à idealização de líderes. Cury tem questionado os chamados "ismos", incluindo lulismo e bolsonarismo, argumentando que a idealização excessiva de políticos reduz a capacidade crítica dos eleitores e dificulta a avaliação de erros e acertos. Os dados mostram que ele tem conseguido atrair a atenção de moderados. Esse discurso, combinado à rejeição da agressividade e da polarização na política, cria para Cury um espaço relativamente próprio nas redes. Ele começa a ser percebido não apenas como o candidato ligado à educação e à saúde mental, mas também como uma alternativa de centro, entre quem rejeita a polarização. Há também nas redes muitas publicações suspeitando que o crescimento de Cury nas redes não é algo orgânico. De qualquer forma, mesmo sendo impulsionado, o fato é que ele entrou no radar dos eleitores e encontrou espaço próprio em um ambiente onde a atenção é algo difícil de alcançar, conseguindo, inclusive, espaço amplo nos veículos de imprensa.
Mariana Schreiber Role,Da BBC News Brasil em Brasília Published 28 agosto 2026, 06:44 -03 Atualizado 28 agosto 2026, 06:54 -03 Tempo de leitura: 18 min As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não devem ser decisivas na disputa pela Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), acredita Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto de pesquisa Ideia. Na sua visão, será a economia que influenciará o voto de cerca de 5 milhões de pessoas que definirão a eleição presidencial. Esse é o grupo que ainda não decidiu seu voto e pode optar tanto por Lula como por Flávio Bolsonaro. Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um segundo turno contra o senador, Lula teria 45% das intenções, contra 43%. "Quando olhamos os 3% a 4% dos eleitores que achamos que vão decidir a eleição, eles já consideram basicamente todos os lados corruptos e não é isso que vai ser o fator decisivo. Então eu acho que [a investigação sobre suposta corrupção] é mais um tema de 'bolhas' do que um tema relevante para a eleição", disse, em entrevista à BBC News Brasil. Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal. Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (27/08), Lula classificou como "ilações" as acusações que estão circulando contra Lulinha e prometeu que ele "não será protegido" por ser seu filho.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lá eu sou amigo do rei

Rosa de Hiroshima ℗ 1973 Warner Music Brasil Ltda. Producer: Secos and Molhados Composer: Gerson Conrad Composer: Vinícius de Moraes Seu Saraiva ( Francisco Milani) #humor #humorbrasil
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Cenário: O estúdio da rádio. Juninho está sentado entre duas lendas do humor rabugento: Seu Saraiva (de braços cruzados, bufando) e Pedro Pedreira (com uma pasta cheia de papéis velhos e um terno surrado).


Esquete 1: O Filho do Dono e a Estabilidade

JUNINHO:
— Seu Saraiva, se o filho do presidente pode despachar no palácio sem ter cargo, o filho do dono da rádio pode me expulsar do estúdio?

SEU SARAIVA (Olhar fulminante, veia da testa saltada):
— Mas é claro que não, meu dinâmico e perspicaz garoto! O filho do dono vai entrar aqui, vai pegar o microfone da minha mão, vai me dar um pontapé na bunda e me mandar pro olho da rua!

JUNINHO (Assustado):
— Vai?!

SEU SARAIVA (Olha fixamente para a câmera, com um sorriso de puro escárnio):
E ele acreditou! Pergunta idiota, tolerância zero! O moleque não assina nem a própria carteira de identidade e vai demitir profissional com quarenta anos de casa? Vá caçar o que fazer, Juninho!


Esquete 2: O Diário Oficial do Absurdo

PEDRO PEDREIRA (Bate com a palma da mão na mesa, interrompendo):
— Não, não, não! Parem o bonde! Que história é essa de "incursões livres" nos palácios? Que o filho do homem manda e desmanda sem crachá? Eu não aceito essa conversa fiada de bastidor de Brasília!

JUNINHO:
— Mas Seu Pedro, passou no jornal de ontem à noite! Todo mundo viu!

PEDRO PEDREIRA (Ajusta os óculos na ponta do nariz, abre a pasta de couro e aponta o dedo indicador na cara do menino):
— Passou no jornal? E desde quando jornal substitui a burocracia estatal, meu jovem tuco-tuco? Cadê a nomeação dele em três vias? Cadê o extrato de função gratificada publicado no Diário Oficial da União com assinatura do ministro da Casa Civil? Não tem? Então me comprove! Me comprove! Sem papel passado, para mim, o filho do homem é só um turista de luxo gastando o dinheiro do contribuinte no Palácio do Planalto!


Esquete 3: O Desfecho Cortante

JUNINHO (Olha para um, depois para o outro, confuso):
— Então nenhum dos dois tem medo de ser mandado embora por ele?

SEU SARAIVA:
— Eu tenho medo é da sua ignorância, menino! Se ele pisar aqui, eu jogo a mesa de som na cabeça dele!

PEDRO PEDREIRA:
— E eu processo por usurpação de função pública! Sem portaria, ele não demite nem o motorista do Uber!

JUNINHO (Inocente):
— Puxa... vocês são corajosos. Achei que o governo mandava em tudo.

(Saraiva e Pedro Pedreira se olham por dois segundos. A ficha cai para os dois sobre a realidade do país).

SEU SARAIVA (Puxa o fone de ouvido, derrotado):
— Quer saber? Corta o microfone. Abre o comercial.

PEDRO PEDREIRA (Guardando os papéis, resmungando):
— É... contra o QI (Quem Indica) e o nepotismo cruzado, não há documento que dê jeito. Vamos pro café, Saraiva.

(Os dois levantam e saem pisando duro, deixando Juninho sozinho no estúdio).


Esquete Extra: O "QI" e o Dono do Poder

(O estúdio continua em silêncio por dois segundos antes de eles pegarem os paletós. Juninho cutuca o braço de Pedro Pedreira).

JUNINHO:
— Mas Seu Pedro... Se o filho do homem não tem portaria nem papel passado, por que os ministros de verdade levantam da cadeira quando ele entra na sala?

PEDRO PEDREIRA (Para no meio do caminho, vira-se lentamente, fuzilando o menino com o olhar):
— Levantam porque sofrem de um mal crônico, meu jovem e desprovido de discernimento! O mal da espinha ereta flácida diante do sobrenome! Eles não respeitam o cargo, respeitam o DNA do chefe!

SEU SARAIVA (Interrompendo, com os punhos cerrados):
— Respeitam uma ova, Pedreira! Eles levantam porque têm medo de perder a boquinha! É o medo de voltar a trabalhar de verdade!

JUNINHO:
— Mas o poder não emana do povo, Seu Saraiva?

SEU SARAIVA (Solta uma gargalhada histérica, bate a mão na mesa e aponta para o teto):
— Do povo?! Olha lá, Pedreira! O moleque acha que o poder emana do voto que ele ainda nem tem idade para dar! E ele acreditou! Pergunta idiota, tolerância zero! O poder no Brasil emana da caneta de quem distribui cargo de confiança, Juninho! O povo só emana o imposto para pagar o cafezinho do palácio!

PEDRO PEDREIRA (Fecha a pasta com um estrondo seco):
— Perfeito, Saraiva. Sem mais perguntas de menor de idade neste recinto. Vamos embora antes que nos nomeiem para algum ministério sem a gente saber.

(Os dois saem batendo a porta de vidro, deixando Juninho no vácuo).

Use o código com cuidado.Se










Há momentos para gestos, palavras e bravatas...
... ou inclinando levemente a cabeça.
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA A maior proeza de Lula 3.0 "Numa entrevista à repórter Bela Megale, o brigadeiro disse que, durante a fervura, ele advertiu Bolsonaro: “Presidente, olha aqui o que está acontecendo. Depois de tudo isso, quem vai levar toda essa carga são as Forças Armadas”. Bingo. Pelo comportamento de Bolsonaro, o golpismo estava deslizando para o colo dos militares. Baptista Junior reconheceu que essa incerteza teve um preço: “As Forças perderam confiabilidade, talvez seja essa palavra”. Não é. A palavra é confiança. Felizmente a desconfiança durou pouco, graças a atitudes como a de Baptista Junior, Lula está no Planalto e 23 notáveis da trama estão presos, inclusive Bolsonaro. Pode-se achar que o governo de Lula não tem marca, mas ter retirado as Força Armadas da frigideira foi sua maior proeza, o que não é pouca coisa."
Plataforma do Mestre "O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General." http://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2026/08/plataforma-do-mestre.html
No dia do Soldado, Lula afaga militares e evita caso Lulinha / O Estado de S. Paulo
Lula faz novo aceno às Forças Armadas em evento no Exército e não responde sobre Lulinha e Marcola - Estadão Curador: Wilton Junior/ Estadão
Lula evita perguntas sobre Lulinha e Marcola após cerimônia no Exército / Gazeta de Alagoas
O ruído entre os comandantes das Forças Armadas sobre Bolsonaro Entenda Por Matheus Leitão 21 Maio 2025, 18h53 / veja PREPARAÇÃO - Bolsonaro e comandantes das Forças Armadas: minuta de decreto golpista foi discutida entre eles no Palácio da Alvorada  (Isac Nobrega/PR) Ex-comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior resolveu, com toda educação do mundo, manter a versão dada à Polícia Federal em relação ao colega de farda do Exército, general Freire Gomes, sobre a ameaça de prisão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.  Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal no processo da trama golpista, o ex-chefe militar mostrou que a tropa anda desalinhada e afirmou ter ouvido aquilo que nem mesmo o próprio Freire Gomes quis repetir em frente a Alexandre de Moraes.  O resto os leitores da coluna já sabem. Virou história: Freire Gomes levou um pito daqueles, bem ao estilo do “Xerife do STF”. Mas o interessante é a forma como Baptista Júnior entregou a “mentira” de Freire Gomes.   “O general Freire Gomes é uma pessoa polida. Ele não falou com agressividade com o presidente, ele não faria isso. Mas é isso [prisão] que ele falou. Com muita tranquilidade, com muita calma. ‘Se fizer isso, vou ter que lhe prender’. Eu vi a discordância do que ele falou e o que eu estou falando”, afirmou sobre o episódio, agora controverso. “Não é uma coisa simples você esquecer o comandante do Exército dizendo de uma possibilidade, ele estava tratando de hipótese. […] Mas eu já disse que a minha palavra eu mantenho: ele disse com toda educação ao presidente que, por hipótese, que se ele tentasse, teria de prender”, repetiu. Juridicamente a confusão desses depoimentos pode até não mudar nada no caso, pois, sabe-se em Brasília, que o STF pende por uma convocação da sentença. Politicamente, contudo, qualquer ruído no julgamento é bom para o palanque bolsonarista. COMANDANTE DA MARINHA Outra contradição com o depoimento do ex-chefe do Exército está na participação do Almirante Almir Garnier, da Marinha. Enquanto Freire Gomes disse que não interpretou qualquer tipo de conluio em relação ao também colega de farda, acusado de colocar a tropa à disposição do líder da extrema-direita, Baptista Junior foi enfático.  “Eu lembro que o Paulo Sérgio, Freire Gomes e eu conversávamos mais, debatíamos mais, tentávamos demover o presidente. Em uma dessas (reuniões), chegou o ponto em que ele falou que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente”, contou o antigo chefe da Aeronáutica sobre Garnier. Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao/o-ruido-entre-os-comandantes-das-forcas-armadas-sobre-bolsonaro/
Análise de Malu Gaspar (27/08/2026) aponta que os casos Dark Horse, Lulinha e Banco Master, tramitando no STF, definem a eleição presidencial de 2026 e o controle do tribunal, sobrepondo batalhas políticas à sobrevivência jurídica dos envolvidos. O texto destaca o conflito entre o ministro André Mendonça e a PF, com a retenção de dados brutos da investigação no gabinete de Mendonça gerando riscos de nulidades processuais e vazamentos seletivos focados nas investigações do caso Lulinha. O texto jornalístico valida a tese de que a retenção de provas e a batalha entre PF e STF podem levar à anulação de inquéritos, servindo como blindagem técnica para figuras da República. Para mais detalhes sobre as disputas de poder, leia a análise completa no O Globo.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026 A batalha decisiva, por Malu Gaspar O Globo A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal. À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS. Sob essa guerra de tronos, porém, há também uma batalha pela sobrevivência política e judicial de alguns personagens, que aparece para o público na forma de um embate entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Resumidamente, o ministro desconfia que Andrei use o cargo para atrapalhar as investigações, enquanto o chefe da PF o acusa de tentar dirigi-las politicamente para prejudicar Lula e favorecer Flávio. Num dos últimos capítulos dessa história, Mendonça determinou que os delegados deixassem sob custódia em seu gabinete os dados brutos obtidos nas apurações sob seu comando, incluindo os resultantes da quebra de sigilo telemático e fiscal. Mandou, ainda, que não compartilhassem informações com os superiores hierárquicos (leia-se, diretor-geral) e que as eventuais trocas nas equipes fossem submetidas a ele. No final de junho, Mendonça ordenou que os investigadores do INSS entregassem os relatórios de apurações que se arrastavam havia meses sem conclusão. Só depois disso, as suspeitas de tráfico de influência contra Lulinha e sua turma se transformaram nos três inquéritos que passaram a assombrar a candidatura de Lula. Foi aí que Andrei recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU), pedindo que tentasse revogar as medidas de Mendonça, que classificou como inconstitucionais e abusos de poder capazes de gerar nulidades no processo. Com isso, emparedou Messias, o advogado-geral da União, que é aliado de Mendonça e tenta encontrar uma solução para a crise sem ter de atender Andrei. A autonomia da PF é essencial para o avanço de apurações sensíveis e importantes, por isso é de espantar que um ministro do STF queira interferir no dia a dia de uma investigação. Só intriga que não se tenha ouvido uma palavra da PF quando os ministros em questão eram Moraes, que controlava de perto cada etapa do caso da trama golpista, ou Dias Toffoli, que também tentou impedir policiais de acessar dados do Master fora do seu gabinete e ainda tentou nomear, ele mesmo, peritos para analisar quebras de sigilo de Daniel Vorcaro. Naquele momento, Andrei entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas descrevendo em minúcias os negócios de Toffoli e Vorcaro, mas o STF arquivou o relatório. Toffoli deixou o comando do caso, mas continuou ministro. Como se sabe, as relações de Moraes com o dono do Master são tão ou mais flagrantes, mas não houve relatório do diretor-geral da PF. Pelo contrário. Embora os últimos meses tenham sido repletos de divulgação de informações sigilosas de todo matiz, as únicas investigações de vazamento que tiveram alguma consequência são as relativas a Moraes. O último episódio ocorreu no caso Lulinha, numa ação disseminada que expôs principalmente os inquéritos relatados por Mendonça — há um com Flávio Dino, mas sobre esse não se sabe quase nada. A partir daí, a defesa de Fábio Luís passou a falar em vazamentos seletivos e direção política, evocando a lembrança da Lava-Jato e o argumento da perseguição judicial — que também tem como meta final alegar nulidades no processo, tornando ainda mais complicada qualquer tentativa de apaziguar os ânimos entre Andrei e Mendonça. A esta altura, já não há mais como impedir que os casos Lulinha e Dark Horse produzam estragos para Lula e Flávio, já que nenhum dos inquéritos terminará antes da eleição. Mas ainda há como evitar que muita coisa do caso Master venha à tona, e é isso o que acontecerá caso as nulidades plantadas pelo conflito entre Andrei e Mendonça emplaquem. Para alguns figurões, isso é muito mais importante do que ganhar a eleição.
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O Controle Judicial de Dados e o Compartilhamento de Provas nos Inquéritos do STF: Limites de Competência, Cadeia de Custódia e a Vedação ao Fishing Expedition

Introdução

O Estado de Direito apoia-se no equilíbrio entre a eficiência da persecução penal e a higidez das garantias fundamentais. No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), a condução de inquéritos supervisionados por relatores tem submetido o ordenamento processual a testes interpretativos complexos. O cerne do debate reside na delimitação dos poderes do Juiz Supervisor frente aos órgãos de polícia judiciária e aos juízos de instâncias inferiores.

Este artigo analisa, sob o prisma estritamente técnico e constitucional, os limites normativos de duas dinâmicas procedimentais recentes: a avocação direta de dados brutos de busca e apreensão pelo relator junto à Polícia Federal e a atração/compartilhamento de elementos informativos colhidos por juízos de primeiro grau. Avaliam-se os mecanismos de controle contra a nulidade processual, o respeito à cadeia de custódia e as balizas de caracterização da pescaria probatória (fishing expedition).

1. O Controle Judicial da Prova perante a Polícia Federal: Prerrogativa de Supervisão versus Sistema Acusatório

A determinação de relator no STF para que a Polícia Federal promova a remessa direta e imediata de dados brutos colhidos em medidas de busca e apreensão ao gabinete do juízo funda-se na natureza judicializada das investigações de competência originária da Suprema Corte.

Fundamentação Normativa

O magistrado atua como garantidor das liberdades públicas na fase inquisitorial, conforme o modelo do Juiz das Garantias positivado nos artigos 3º-A a 3º-F do Código de Processo Penal (CPP). A requisição de dados fundamenta-se no artigo 13, inciso II, do CPP, c/c o artigo 21 do Regimento Interno do STF (RISTF), que outorgam ao relator o poder de requisitar informações e determinar diligências necessárias à instrução.

Justificativa Técnico-Processual

A transferência direta ao gabinete do Relator visa resguardar o segredo de justiça (Art. 20, CPP) e a intimidade de terceiros alheios à infração (Art. 5º, inciso X, CF/88). Todavia, para que o ato não incorra em vício de nulidade absoluta, duas balizas procedimentais são de observância obrigatória:

[Dados Brutos na PF] ──► [Remessa ao Gabinete do Relator] ──► [Abertura de Vista Imediata ao MPF (Art. 129, I, CF)] │ └───► Sob pena de violação do Sistema Acusatório
  • Inviolabilidade do Sistema Acusatório: Conforme o artigo 129, inciso I, da CF/88, o Ministério Público é o titular exclusivo da ação penal pública. O represamento ou a retenção prolongada de dados brutos no gabinete do magistrado, sem a imediata abertura de vista ao órgão ministerial, desidrata a função acusatória e viola o artigo 3º-A do CPP, gerando nulidade por subversão do sistema acusatório.
  • Cadeia de Custódia Logística e Digital: O ingresso de mídias e HDs no ambiente do Tribunal exige o estrito cumprimento das etapas de recebimento, processamento e armazenamento fixadas nos artigos 158-A a 158-F do CPP. A ausência de termos de abertura de lacre ou de registro auditável de acesso lógico aos dados brutos implica a quebra da cadeia de custódia, retirando a confiabilidade da prova e impondo sua inadmissibilidade (Art. 157, caput, CPP).

2. A Atração de Elementos de Instâncias Inferiores: Conexão e o Princípio do Juiz Natural

O cenário no qual o relator do STF determina a remessa de dados colhidos por juízo de primeira instância em investigação autônoma tensiona as regras de fixação da competência penal originária.

Fundamentação Normativa

A competência do STF para processar e julgar infrações penais comuns é fixada em rol taxativo (numerus clausus) pelo artigo 102, inciso I, alíneas "b" e "c", da CF/88, em razão da prerrogativa de função. Sempre que indícios de autoria atinjam autoridade detentora de foro especial, cessa a competência do juízo de piso, impondo-se a remessa imediata dos autos à Suprema Corte, instrumento operacionalizado pela Reclamação Constitucional (Art. 102, I, "l", CF/88 c/c Art. 988, I, CPC).

Justificativa Técnico-Processual

Para que a incorporação de provas de primeira instância seja lícita e apta a produzir efeitos, exige-sa a demonstração de conexão ou continência (Art. 76 e 77, CPP), atraindo a incidência do artigo 78, inciso I, do CPP, que estabelece a prevalência da jurisdição de maior graduação hierárquica.

┌──────────────────────────────────────────────────────────┐ │ Investigação Autônoma em Primeira Instância │ └────────────────────────────┬─────────────────────────────┘ │ Há indício contra detentor de foro? │ ┌──────────────┴──────────────┐ Sim Não │ │ ┌─────────────▼─────────────┐ ┌─────────────▼─────────────┐ │ Remessa Imediata ao STF │ │ Atração Irregular pelo STF│ │ (Art. 102, I, "b", CF) │ │ (Nulidade: Juiz Natural) │ └─────────────┬─────────────┘ └─────────────┬─────────────┘ │ │ Conduta Válida Prova Ilícita (Art. 157)

O risco de nulidade absoluta por violação ao Princípio do Juiz Natural (Art. 5º, inciso LIII, CF/88) materializa-se caso o STF avoque dados de procedimentos em que não figure investigado com prerrogativa de foro ou liame factual indissociável. A atração de feitos sem justa causa federativo-constitucional configura incompetência absoluta do juízo (Art. 564, I, CPP), gerando a ilicitude por derivação dos elementos colhidos (Teoria dos Frutos da Árvore EnvenenadaArt. 157, § 1º, CPP).

3. Caracterização da Pescaria Probatória (Fishing Expedition) nos Cenários Analisados

A pescaria probatória consiste na utilização de meios formais de investigação, de caráter genérico ou especulativo, para buscar elementos de convicção sem alvo definido e sem causa provável prévia.

Critérios de Configuração no Controle de Dados Brutos

Na relação entre o relator e o órgão policial, o fishing expedition corporifica-se quando o magistrado transmuda a cautelar de busca e apreensão — que exige objeto delimitado e fundadas razões (Art. 240, § 1º, CPP) — em um salvo-conduto para vasculhar o patrimônio informativo digital do investigado em busca de qualquer crime.

Use o código com cuidado. Critério de Ilicitude: Se o gabinete do relator, ao deter dados brutos, passar a realizar cruzamentos ou triagens de informações desconexas com a hipótese criminal que autorizou a medida, restará configurado o desvio de finalidade. A prova obtida por esse método é nula por violação dos direitos à intimidade e ao devido processo legal substancial (Art. 5º, LIV, CF/88). Critérios de Configuração na Atração de Provas da 1ª Instância Na relação de atração interjurisdicional, a pescaria probatória manifesta-se pela subversão do instituto da serendipidade (encontro fortuito de provas). O encontro fortuito pressupõe casualidade no curso de uma linha investigativa legítima. Critério de Ilicitude: O vício se consolida se a instância inferior instaurar ou estender o escopo de procedimento genérico e difuso, desprovido de delimitação factual fática, com o propósito camuflado de esbarrar em alvos políticos dotados de foro especial, forçando a atuação do STF. A posterior convalidação ou atração desses dados pelo Tribunal superior não sana o vício de origem; a ausência de justa causa originária contamina o acervo compartilhado, tornando-o imprestável para fins de persecução criminal. Conclusão A preservação da higidez do processo penal na fase de inquérito perante o Supremo Tribunal Federal impõe o estrito cumprimento das balizas formais contidas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. 1. A concentração de dados sob a guarda do Relator afasta ingerências externas, mas subordina-se, sob pena de nulidade insanável, à franquia de acesso imediato ao Ministério Público Federal e ao registro ininterrupto da cadeia de custódia. 2. A recepção de elementos informativos provenientes de juízos de primeiro grau é condicionada à demonstração objetiva de conexão e à preservação das competências constitucionais originárias, sendo inadmissível o sancionamento de investigações especulativas. O combate à criminalidade não prescinde da regularidade formal dos atos investigativos. O desvio dos parâmetros normativos sob pretexto de eficiência persecutória gera o efeito reverso: a declaração de nulidade absoluta das provas, o trancamento das apurações e a consequente impunidade. O rigor processual é, portanto, garantia de eficácia da repressão penal dentro dos limites do Estado de Direito.
Aqui está o volume completo, estruturado e formatado em Markdown limpo pronto para ser colado diretamente no editor de postagens do seu Blogspot / Blogger.
Para garantir que a formatação não quebre no Blogger, utilizei cabeçalhos padrão (###), blocos de citação (>) bem definidos e linhas de separação (---). Quando colar no Blogger, certifique-se de que o editor esteja no modo "Visualizar" (Compose View) ou, se preferir o modo "HTML", o Blogger converterá essas marcações perfeitamente.
Coloque o seguinte conteúdo no corpo da sua postagem:

CRÔNICAS DE UM ANACRONISMO ANUNCIADO
Três Encontros Apócrifos no Minhocão (1973)
Prefácio Editorial: O Cimento e a Carne
Estilo: Graciliano Ramos (Memórias do Cárcere, Vidas Secas)
Tom: Seco, despojado de adornos, focado na aspereza da realidade, na burocracia sufocante e na opressão do ambiente.
O leitor não encontrará nestas páginas o artifício das palavras fáceis. O cimento da Universidade de Brasília, naquele ano de 1973, era frio e áspero como a pele de um bicho morto. Não havia espaço para idílios. De um lado, um rapaz de dezoito anos, vindo do Mato Grosso, com os olhos enterrados em calhamaços de Direito Romano, buscando na burocracia dos códigos uma ordem que o mundo exterior desmentia a cada esquina. Do outro, um espectro. Honestino Guimarães já não pertencia à folha de frequência da instituição; era uma ausência que pesava, um homem caçado cujo nome os professores evitavam pronunciar para não atrair a atenção dos homens de farda que vigiavam os corredores.
Reunir Gilmar Mendes e Honestino no mesmo plano temporal é um contrassenso histórico, bem sei. A cronologia é implacável e não perdoa os furos da memória. Mas a literatura tem dessas sem-vergonhices: força o encontro da carne que já apodrecia nos porões da ditadura com o burocrata em formação que, décadas mais tarde, ditaria as normas da República.
Os três relatos que se seguem não pretendem suavizar o gesso das paredes do Minhocão. São tentativas de fixar, pelo avesso da ficção, a gravidade de um tempo em que pensar era um crime de lesa-pátria e sobreviver exigia uma rigidez que transformava homens em estátuas de sal. O leitor que julgue se o esforço valeu a pena ou se tudo não passa de fumaça jurídica.

Conto 1: O Silêncio das Pedras de Antares
Estilo: Érico Veríssimo (O Tempo e o Vento, Incidente em Antares)
Tom: Realismo social e crônica histórica.
Naquele inverno de 1973, Brasília não tinha o calor do Rio Grande, mas um vento frio e seco que cortava os vãos do Minhocão como uma lâmina de adaga. O jovem Gilmar, com seus dezoito anos recém-saídos do Mato Grosso, caminhava pelos corredores de concreto da UnB carregando uma pasta de couro e o peso dos compêndios de Direito Romano. Ele olhava para as paredes de cimento bruto e via nelas a solidez do Estado, a ordem que as leis deveriam garantir, mesmo quando o mundo parecia desmoronar do lado de fora.
Foi perto do subsolo que ele o viu. O homem de cabelos desalinhados e olhos febris que parecia feito da mesma matéria da terra. Era Honestino. Para Gilmar, que lia os códigos com o respeito de quem busca a estrutura do mundo, aquele homem era um espectro de outra era — um fantasma de 1968 que teimava em caminhar por um campus sitiado por jipes e coturnos.
— Você estuda o que não existe mais, guri — disse Honestino, com uma voz que parecia vir do fundo de uma caverna, os olhos vigiando as sombras do vão central. — O direito aqui virou cinza. A verdadeira lei está sendo escrita nas celas.
Gilmar ajeitou os óculos, a voz firme, embora o coração batesse mais rápido contra as costelas:
— A lei é a única coisa que nos protege do caos, senhor Guimarães. Sem ela, somos apenas bárbaros.
Honestino sorriu, um sorriso amargo de quem já tinha visto a morte de perto.
— Em Antares, os mortos se levantaram da tumba porque não os deixavam sepultar a verdade. Aqui, Gilmar, os vivos estão sendo enterrados no silêncio. Cuidado para não se tornar o burocrata que assina a certidão de óbito da nossa história.
O jovem estudante piscou, e quando ergueu os olhos da sua apostila, o líder estudantil havia desaparecido entre as colunas de concreto, deixando no ar o cheiro de poeira e o pressentimento de que, muito em breve, a terra de Brasília também cobraria o seu preço aos que fingiam não ver os cadáveres insepultos da nação.

Conto 2: O Labirinto dos Espelhos de Macondo
Estilo: Gabriel García Márquez (Cem Anos de Solidão, Viver para Contar)
Tom: Realismo fantástico e solidão cíclica.
Muitos anos depois, diante do tribunal que decidiria os destinos de uma república esquecida, o Ministro Gilmar Mendes haveria de recordar aquela tarde remota em que seu destino se cruzou com o do homem que conhecia o segredo das pedras. A UnB era então uma aldeia de concreto pré-moldado, construída à beira de um lago artificial onde os peixes morriam de tédio e o pó vermelho cobria os sapatos dos homens com a mesma persistência da insônia.
Gilmar cruzou o corredor e encontrou Honestino Guimarães sentado sobre um bloco de granito, examinando um fóssil com uma lupa de ourives. Honestino não pertencia ao tempo presente; ele habitava uma dimensão onde o passado e o futuro aconteciam na mesma quarta-feira de cinzas.
— Veja este padrão, Gilmar — sussurrou Honestino, sem olhar para o rapaz, cujas mãos já guardavam a rigidez dos decretos futuros. — Esta linha na pedra é a mesma linha que desenhará a sua assinatura daqui a trinta anos. Você vai governar as leis de um país que ainda não aprendeu a existir.
— Eu procuro a estabilidade das instituições — respondeu o jovem Gilmar, sentindo que um vento de cem anos de solidão começava a soprar dentro de suas orelhas, trazendo o eco de cornetas militares e correntes arrastadas.
— Não há estabilidade nesta planície de poeira — sentenciou Honestino, cujas mãos começavam a se tornar transparentes, revelando os ossos de um geólogo que nunca chegaria a envelhecer. — O poder é um espelho que reflete apenas a própria solidão. Eu serei esquecido nas gavetas do esquecimento, e você será lembrado em praça pública, mas ambos estaremos presos no mesmo labirinto de concreto.
Quando as patrulhas da ditadura dobraram a esquina do bloco de Geociências, um bando de borboletas amarelas brotou subitamente das páginas do livro de introdução ao Direito de Gilmar. Honestino levantou-se e caminhou em direção aos soldados, desfazendo-se em fumaça e poeira vermelha antes que o primeiro homem pudesse tocá-lo, condenando a universidade a mais meio século de uma chuva fina e invisível de melancolia.

Conto 3: O Aleph do Sertão Central
Estilo: Jorge Luis Borges (O Aleph, Ficções) fundido à linguagem de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)
Tom: Metafísico e metalinguístico.
Li uma vez em um manuscrito apócrifo de um frade dominicano que o cerrado não é geografia, mas um estado da alma jurídica do mundo. Naquela tarde de pó e presságios em 1973, o Minhocão da UnB não era um edifício de concreto; era uma vereda de infinitos corredores ramificados, onde cada curva ocultava o começo e o fim de todas as repúblicas possíveis.
Eu, Gilmar, jovem estudante de dezoito invernos, tateava as paredes cinzentas buscando o rigor das ordenações, quando esbarrei no homem que os outros chamavam de Honestino. Ele trazia nos olhos o azul-violento dos horizons do Urucuia e nas mãos um caderno de geólogo que continha, desenhado em minúsculas letras de fumaça, o mapa de um labirinto sem saída.
— O senhor estuda o chão, seu Honestino? — perguntei, no sotaque que me restava das franjas do Mato Grosso.
— Riobaldo dizia que o real não está na saída nem na chegada, moço Gilmar. O real se dispõe para a gente é no meio da travessia — respondeu ele, com aquela fala cheia de travessuras sintáticas, arcaica e eterna como o próprio diabo na rua, no meio do redemunho. — Mas o concreto deste campus finge que prende o tempo. Não prende. O tempo carece de ser lido como um livro que se escreve enquanto a gente caminha.
Honestino abriu o caderno de notas na página 412. Olhei para o papel e sofri a vertigem do infinito. Vi o Aleph. Mas não era o Aleph dos porões de Buenos Aires; era o Aleph do sertão roseano. Vi, simultaneamente, o jagunço Diadorim tombando no meio do poeira, vi os decretos e as liminares que eu mesmo haveria de assinar no próximo século, vi a praça dos Três Poderes submersa em uma neblina de silêncio e vi o corpo do próprio Honestino flutuando nas águas invisíveis da memória de uma nação.
— Tudo é travessia e perigo — sussurrei, sentindo o peso do infinito me curvar os ombros. — Deus é paciência, o demo é o capricho da lei.
— Viver é muito perigoso, Gilmar — Honestino sorriu, e sua figura começou a alternar-se entre o líder estudantil caçado e um cavaleiro que cruzava o Liso do Sussuarão. — Você guardará a ordem do labirinto nos seus livros de capa preta. Eu serei a palavra que escapa pelas margens. Mas o texto, moço... o texto é um só. Nós somos apenas os parágrafos que o destino risca para que o sertão continue sendo o mundo.
Fechei os olhos para não enlouquecer diante daquela metalinguagem de pedras e veredas. Quando os abri, Honestino tinha se tornado uma citação em nota de rodapé, uma ausência grávida de futuro que ecoava pelo vão do Minhocão, provando que o cerrado, tal qual a biblioteca de Babel, é um labirinto cujo centro está em toda parte e a justiça em lugar nenhum.

Se você precisar, posso sugerir uma lista de tags/marcadores estratégicos para você usar nessa postagem do Blogger (como Literatura Brasileira, UnB, Ficção Histórica) ou até uma sugestão de título chamativo para as redes sociais. O que acha?






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O cimento da Universidade de Brasília, naquele ano de 1973, era frio e áspero como a pele de um bicho morto. Não havia espaço para idílios. De um lado, um rapaz de dezoito anos, vindo do Mato Grosso, com os olhos enterrados em calhamaços de Direito Romano, buscando na burocracia dos códigos uma ordem que o mundo exterior desmentia a cada esquina. Do outro, um espectro. Honestino Guimarães já não pertencia à folha de frequência da instituição; era uma ausência que pesava, um homem caçado cujo nome os professores evitavam pronunciar para não atrair a atenção dos homens de farda que vigiavam os corredores.Reunir Gilmar Mendes e Honestino no mesmo plano temporal é um contrassenso histórico, bem sei. A cronologia é implacável e não perdoa os furos da memória. Mas a literatura tem dessas sem-vergonhices: força o encontro da carne que já apodrecia nos porões da ditadura com o burocrata em formação que, décadas mais tarde, ditaria as normas da República.Os três relatos que se seguem não pretendem suavizar o gesso das paredes do Minhocão. São tentativas de fixar, pelo avesso da ficção, a gravidade de um tempo em que pensar era um crime de lesa-pátria e sobreviver exigia uma rigidez que transformava homens em estátuas de sal. O leitor que julgue se o esforço valeu a pena ou se tudo não passa de fumaça jurídica.Conto 1: O Silêncio das Pedras de AntaresEstilo: Érico Veríssimo (O Tempo e o Vento, Incidente em Antares)Tom: Realismo social e crônica histórica.Naquele inverno de 1973, Brasília não tinha o calor do Rio Grande, mas um vento frio e seco que cortava os vãos do Minhocão como uma lâmina de adaga. O jovem Gilmar, com seus dezoito anos recém-saídos do Mato Grosso, caminhava pelos corredores de concreto da UnB carregando uma pasta de couro e o peso dos compêndios de Direito Romano. Ele olhava para as paredes de cimento bruto e via nelas a solidez do Estado, a ordem que as leis deveriam garantir, mesmo quando o mundo parecia desmoronar do lado de fora.Foi perto do subsolo que ele o viu. O homem de cabelos desalinhados e olhos febris que parecia feito da mesma matéria da terra. Era Honestino. Para Gilmar, que lia os códigos com o respeito de quem busca a estrutura do mundo, aquele homem era um espectro de outra era — um fantasma de 1968 que teimava em caminhar por um campus sitiado por jipes e coturnos.— Você estuda o que não existe mais, guri — disse Honestino, com uma voz que parecia vir do fundo de uma caverna, os olhos vigiando as sombras do vão central. — O direito aqui virou cinza. A verdadeira lei está sendo escrita nas celas.Gilmar ajeitou os óculos, a voz firme, embora o coração batesse mais rápido contra as costelas:— A lei é a única coisa que nos protege do caos, senhor Guimarães. Sem ela, somos apenas bárbaros.Honestino sorriu, um sorriso amargo de quem já tinha visto a morte de perto.— Em Antares, os mortos se levantaram da tumba porque não os deixavam sepultar a verdade. Aqui, Gilmar, os vivos estão sendo enterrados no silêncio. Cuidado para não se tornar o burocrata que assina a certidão de óbito da nossa história.O jovem estudante piscou, e quando ergueu os olhos da sua apostila, o líder estudantil havia desaparecido entre as colunas de concreto, deixando no ar o cheiro de poeira e o pressentimento de que, muito em breve, a terra de Brasília também cobraria o seu preço aos que fingiam não ver os cadáveres insepultos da nação.Conto 2: O Labirinto dos Espelhos de MacondoEstilo: Gabriel García Márquez (Cem Anos de Solidão, Viver para Contar)Tom: Realismo fantástico e solidão cíclica.Muitos anos depois, diante do tribunal que decidiria os destinos de uma república esquecida, o Ministro Gilmar Mendes haveria de recordar aquela tarde remota em que seu destino se cruzou com o do homem que conhecia o segredo das pedras. A UnB era então uma aldeia de concreto pré-moldado, construída à beira de um lago artificial onde os peixes morriam de tédio e o pó vermelho cobria os sapatos dos homens com a mesma persistência da insônia.Gilmar cruzou o corredor e encontrou Honestino Guimarães sentado sobre um bloco de granito, examinando um fóssil com uma lupa de ourives. Honestino não pertencia ao tempo presente; ele habitava uma dimensão onde o passado e o futuro aconteciam na mesma quarta-feira de cinzas.— Veja este padrão, Gilmar — sussurrou Honestino, sem olhar para o rapaz, cujas mãos já guardavam a rigidez dos decretos futuros. — Esta linha na pedra é a mesma linha que desenhará a sua assinatura daqui a trinta anos. Você vai governar as leis de um país que ainda não aprendeu a existir.— Eu procuro a estabilidade das instituições — respondeu o jovem Gilmar, sentindo que um vento de cem anos de solidão começava a soprar dentro de suas orelhas, trazendo o eco de cornetas militares e correntes arrastadas.— Não há estabilidade nesta planície de poeira — sentenciou Honestino, cujas mãos começavam a se tornar transparentes, revelando os ossos de um geólogo que nunca chegaria a envelhecer. — O poder é um espelho que reflete apenas a própria solidão. Eu serei esquecido nas gavetas do esquecimento, e você será lembrado em praça pública, mas ambos estaremos presos no mesmo labirinto de concreto.Quando as patrulhas da ditadura dobraram a esquina do bloco de Geociências, um bando de borboletas amarelas brotou subitamente das páginas do livro de introdução ao Direito de Gilmar. Honestino levantou-se e caminhou em direção aos soldados, desfazendo-se em fumaça e poeira vermelha antes que o primeiro homem pudesse tocá-lo, condenando a universidade a mais meio século de uma chuva fina e invisível de melancolia.Conto 3: O Aleph do Sertão CentralEstilo: Jorge Luis Borges (O Aleph, Ficções) fundido à linguagem de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)Tom: Metafísico e metalinguístico.Li uma vez em um manuscrito apócrifo de um frade dominicano que o cerrado não é geografia, mas um estado da alma jurídica do mundo. Naquela tarde de pó e presságios em 1973, o Minhocão da UnB não era um edifício de concreto; era uma vereda de infinitos corredores ramificados, onde cada curva ocultava o começo e o fim de todas as repúblicas possíveis.Eu, Gilmar, jovem estudante de dezoito invernos, tateava as paredes cinzentas buscando o rigor das ordenações, quando esbarrei no homem que os outros chamavam de Honestino. Ele trazia nos olhos o azul-violento dos horizons do Urucuia e nas mãos um caderno de geólogo que continha, desenhado em minúsculas letras de fumaça, o mapa de um labirinto sem saída.— O senhor estuda o chão, seu Honestino? — perguntei, no sotaque que me restava das franjas do Mato Grosso.— Riobaldo dizia que o real não está na saída nem na chegada, moço Gilmar. O real se dispõe para a gente é no meio da travessia — respondeu ele, com aquela fala cheia de travessuras sintáticas, arcaica e eterna como o próprio diabo na rua, no meio do redemunho. — Mas o concreto deste campus finge que prende o tempo. Não prende. O tempo carece de ser lido como um livro que se escreve enquanto a gente caminha.Honestino abriu o caderno de notas na página 412. Olhei para o papel e sofri a vertigem do infinito. Vi o Aleph. Mas não era o Aleph dos porões de Buenos Aires; era o Aleph do sertão roseano. Vi, simultaneamente, o jagunço Diadorim tombando no meio do poeira, vi os decretos e as liminares que eu mesmo haveria de assinar no próximo século, vi a praça dos Três Poderes submersa em uma neblina de silêncio e vi o corpo do próprio Honestino flutuando nas águas invisíveis da memória de uma nação.— Tudo é travessia e perigo — sussurrei, sentindo o peso do infinito me curvar os ombros. — Deus é paciência, o demo é o capricho da lei.— Viver é muito perigoso, Gilmar — Honestino sorriu, e sua figura começou a alternar-se entre o líder estudantil caçado e um cavaleiro que cruzava o Liso do Sussuarão. — Você guardará a ordem do labirinto nos seus livros de capa preta. Eu serei a palavra que escapa pelas margens. Mas o texto, moço... o texto é um só. Nós somos apenas os parágrafos que o destino risca para que o sertão continue sendo o mundo.Fechei os olhos para não enlouquecer diante daquela metalinguagem de pedras e veredas. Quando os abri, Honestino tinha se tornado uma citação em nota de rodapé, uma ausência grávida de futuro que ecoava pelo vão do Minhocão, provando que o cerrado, tal qual a biblioteca de Babel, é um labirinto cujo centro está em toda parte e a justiça em lugar nenhum.Se você precisar, posso sugerir uma lista de tags/marcadores estratégicos para você usar nessa postagem do Blogger (como Literatura Brasileira, UnB, Ficção Histórica) ou até uma sugestão de título chamativo para as redes sociais. O que acha?