sábado, 31 de outubro de 2026

Antes Que Os Rios Sequem

Pausa para meditação… 👇
Brechas à gastança eleitoral têm de ser fechadas desde já Por O Globo Lula lançou mão de medidas eleitoreiras como nunca. Não foi o primeiro, mas deveria ser o último A classe política precisa desde já começar a rever as brechas legais que permitem a profusão de medidas e benesses em série às vésperas de eleições. Embora haja regras contra abusos, o pleito deste ano deixou claro que não têm sido suficientes para deter o ímpeto de políticos que recorrem à caneta para conquistar votos. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi pródigo nessas iniciativas, especialmente neste ano. À medida que a popularidade de Lula enfrentava dificuldades, mais pacotes de bondades saíam da linha de montagem. No fim de setembro, o Palácio do Planalto chegou a anunciar uma benesse a cada quatro dias, como mostrou reportagem do GLOBO. Nunca antes houve tantas medidas populistas em ano eleitoral. A lista é interminável: subvenção a combustíveis, múltiplas versões do Desenrola para endividados, ampliação das faixas do Minha Casa, Minha Vida para a classe média, crédito para compra de veículos por taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores, crédito agrícola e industrial, ajuda a microempreendedores individuais (MEIs), além do reajuste de 15% no Bolsa Família a apenas 17 dias do pleito — Lula alegou não saber que ele estava sem correção. Contando financiamentos, despesas primárias e renúncias fiscais, a conta beira R$ 300 bilhões, segundo a Instituição Fiscal Independente. E outros mimos estão a caminho, caso do Pé-de-Meia para universitários e da tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. Lula não foi o primeiro a gastar sem freio às vésperas do pleito. Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL) recorreram ao mesmo expediente de modo despudorado. Em 2022, quando concorria à reeleição, Bolsonaro anunciou aumento de 50% no Auxílio Brasil. O reajuste começou a ser pago dois meses antes do primeiro turno. Na época, Lula e o PT acusaram o adversário de usar indevidamente a máquina pública. Antes disso, Dilma já torrara 3,1% do PIB para se reeleger, como mostrou estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). A prática não tem coloração partidária ou ideológica. O uso abusivo da máquina desequilibra a disputa. O político que tem a caneta na mão leva vantagem sobre os adversários, pois pode distribuir benesses com recursos públicos para se beneficiar. Além disso, qualquer gasto tem impacto inexorável no Orçamento. Evidentemente, não se podem coibir promessas ou projetos apresentados, ao alcance de qualquer candidato. Nem medidas emergenciais justificáveis por eventos externos, como uma pandemia ou tragédia climática. Mas é preciso mais rigor para vetar o que estiver ao alcance apenas de quem tem a caneta. O artigo 73 da Lei das Eleições já veda diversas condutas, como uso de bens públicos; ceder servidor para comitês de campanha; contratar funcionários antes da eleição; e, sobretudo, distribuir bens, valores ou benefícios em ano de eleição. Mas tais vedações são genéricas e, como se viu, não têm bastado. É preciso fechar as brechas aos abusos, e a Justiça também precisa ser mais rigorosa na interpretação das leis. Qualquer mudança deve ser debatida com antecedência, para não sofrer contaminação do calendário eleitoral. Mas a hora de começar é agora. Se nada for feito, o descalabro poderá ser ainda pior nas próximas campanhas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2026 O perigoso legado de Janones, por Pablo Ortellado O Globo Deputado dá ideia de que só é possível vencer eleições com centralização, obediência e uma moral flexível A surpreendente vitória de Lula, revertendo a derrota no primeiro turno, tem sido atribuída à estratégia digital de André Janones. Mas uma análise do canal de WhatsApp “Exército do Lula” sugere que a centralização da campanha pode ter limitado sua eficácia e, sobretudo, deixado um legado preocupante para a política brasileira. Janones conseguiu um feito de expressão mundial: reuniu mais de 10 milhões de pessoas (6% de todos os eleitores!) num canal de WhatsApp, a partir do qual coordenou uma campanha de atuação nas redes sociais — principalmente no Instagram. A estratégia é um desdobramento de um plano que ele havia parcialmente executado em 2022 e que analisou no livro “Janonismo cultural” (Civilização Brasileira, 2023). No livro, conta que em 2022 tentou copiar a estratégia dual da campanha de Jair Bolsonaro: — Jair Bolsonaro tem um grupo com mais de 3 milhões de membros no Telegram. E a diferença entre fazer parte dessa comunidade e segui-lo no Facebook é brutal. Quem faz parte de um grupo como esse está alistado para uma guerra. É um fanático. Vai espalhar fake news todos os dias, horas, minutos e segundos. Em 2022, Janones montou o “André Janones Telegram” e em 2026 o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com o propósito de coordenar a ação de militantes para amplificar mensagens, segmentar conteúdos (para diferentes plataformas e diferentes tipos de público) e controlar a atenção — atraindo o foco do público para temas da campanha ou o desviando para longe dos ataques do campo adversário. O exército de Janones conseguiu engajar quem buscava contribuir com a campanha, porém amplificou o erro de juízo que considera a centralização mais eficaz que a descentralização na comunicação digital. No livro, ele apresenta assim a ideia: — A centralização funciona como uma teia em que um ponto central distribui uma orientação única, para que seja repassada até as extremidades. Analisando o primeiro turno [de 2022], percebi que cada perfil [que apoiava Lula] publicava uma coisa diferente. Um falava da importância do Samu, outro do Bolsa Família, um terceiro do Luz Para Todos. Com tanta dispersão, nada ganhava relevância para despertar o interesse do algoritmo. Janones identificou corretamente o problema da dispersão temática, mas, ao tentar resolvê-lo, acabou centralizando também a escolha das abordagens que deveriam circular. Na comunicação digital, a descentralização é mais eficaz porque, com ela, múltiplos emissores experimentam simultaneamente abordagens diferentes para difundir a mesma mensagem: uns fazem memes, outros argumentos curtos em vídeo, outros análises mais detalhadas. Essas diferentes abordagens são lançadas e testadas nas redes sociais e, por tentativa e erro, as mais eficazes são premiadas com viralização. A militância então identifica a abordagem que “pegou” e pode fazer um esforço militante de compartilhamento adicional daquilo que já funciona bem. É esse mecanismo natural de teste de mensagem por tentativa e erro que Pablo Marçal estimulou com os campeonatos de cortes nas eleições de 2024. A estratégia que Janones adotou no “Exército do Lula” substituiu o teste distribuído em rede por uma escolha inteiramente centralizada, bem menos eficaz. Na campanha, era Janones quem decidia que abordagem de uma determinada mensagem era distribuída. O resultado foi uma enorme concentração em vídeos da conta oficial de Lula e da própria conta de Janones. Dos 228 links do Instagram compartilhados no canal, 81 foram da conta de Janones, 45 da conta de Lula e 17 da conta do “Exército do Lula”. Janones perdeu a oportunidade de incentivar que os milhões de inscritos do canal de WhatsApp compartilhassem vídeos que haviam passado pelo teste de tentativa e erro e obtido performances excepcionais no Instagram, como o de Ana Paula Renault voltado a indecisos (29 milhões de visualizações) ou o da série “Revelando”, com Wagner Moura (23 milhões de visualizações). Ele tratou seus seguidores como retransmissores de decisões centralizadas, e não como indivíduos capazes de experimentar, selecionar e produzir conteúdos. A linguagem militar deixou de ser uma analogia acidental. Dezessete por cento de todas as mensagens no canal empregam vocabulário militar que incentiva a obediência irrefletida: soldados, tropa, batalha, território invadido e ocupado, desertores. Apenas 2% das mensagens falam de políticas públicas. Janones também incentivou a difusão de insinuações não comprovadas, como a de que Flávio tinha vínculos com o Comando Vermelho. A derrota de Lula no primeiro turno despertou um enorme esforço militante para impedir a volta do bolsonarismo. Janones recolheu essa energia difusa e a canalizou numa estrutura que conseguiu mobilizar milhões de pessoas, mas limitou sua autonomia e sua capacidade de experimentação, estimulando uma cultura de obediência sem limites morais claros. O legado de Janones é a ilusão de que, na política contemporânea, só é possível vencer eleições com centralização, obediência e uma moral flexível. Próx "Se você ver" ou "Se você vir"?
A confusão quanto ao uso dos verbos 'ver' e 'vir', no futuro do subjuntivo, é bastante comum. Lembre-se de que a conjugação adequada do verbo 'ver', nesse caso, ocorre conforme o exemplo abaixo: Se você vir o resultado da eleição, avise-me. Já para o verbo 'vir' , a forma correta é: Para o infinitivo do verbo ver: Se você vier me 'ver', ficarei muito feliz!
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"Se você vir" ou "Se você vier"?

A confusão entre as conjugações dos verbos ver e vir no futuro do subjuntivo é bastante comum. Veja a regra correta para não errar mais:

  • Verbo VER (enxergar): A forma correta é vir.
    Exemplo: Se você vir o resultado da eleição, avise-me.
  • Verbo VIR (deslocar-se): A forma correta é vier.
    Exemplo: Se você vier me ver, ficarei muito feliz!

💡 Resumo rápido:

  • Quando indicar o ato de olhar, use vir (Se ele vir...).
  • Quando indicar o ato de chegar/ir, use vier (Se ele vier...).
Use o código com cuidado.
Aquela avenida, que lhe bloqueara o caminho do céu para o inferno, projetou em sua mente um corte cinematográfico da Avenida Paulista, na véspera de seu cadafalso, marcado para 25 de outubro de 2026. Na vertigem daquela passagem, sobrepôs-se a imagem de seu retorno àquela assembleia de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, que já não reunia apenas os operários de outrora, premidos pela míngua e pela intervenção do Ministério do Trabalho — o mesmo ministério então ocupado pelo Dr. Luiz Marinho, um de seus sucessores na presidência daquele sindicato. Algum Joaquim Pedro de Andrade, perdido numa dobra do tempo, deve ter congelado aquele instante da história — uma história que, afinal, não terminou na Consolação. Fado Biscaia Fado Biscaia · Filipa Biscaia · André Dias Antes Que Os Rios Sequem Basta não querer Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Possa render—se à saudade Do que seria outra vida Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Basta não querer que a tristeza Volte a fazer—se alimento À noite sentam—se à mesa E fazem dela o sustento Basta não querer que a tristeza Volte a fazer—se alimento Basta não querer que o amor Pese em nós como um defeito E se pareça com a dor Que temos dentro do peito Basta não querer que o amor Pese em nós como um defeito Basta não querer que a verdade Seja memória perdida Source: LyricFind Songwriters: lyrics © A letra acima pertence à canção "Fado Biscaia", interpretada pela fadista Filipa Biscaia em seu álbum Antes Que Os Rios Sequem. A composição poética desta faixa foi escrita por Dulce Pontes a convite da fadista, com melodia composta por André Dias.
A imagem mostra a edição especial em capa dura do livro Afirma Pereira, do escritor italiano Antonio Tabucchi, lançada no Brasil pela TAG Curadoria. O projeto gráfico e o significado imagético dessa capa dialogam de forma inteligente e profunda com a própria narrativa do romance. 1. Os Limões e a Dieta de Pereira O elemento visual predominante são os limões. No livro, o protagonista, o jornalista Dr. Pereira, vive na Lisboa de 1938 sob a ditadura de Salazar. Ele é um homem solitário, nostálgico, obeso e com problemas cardíacos. Como reflexo do seu estado de espírito apático e rotineiro, Pereira passa os dias consumindo quase que exclusivamente omeletes de ervas finas e limonadas com muito açúcar no Café Orquídea. O limão, portanto, sintetiza visualmente a sua rotina repetitiva e a sua melancolia inicial. 2. Os Azulejos Portugueses A imagem do fundo não é contínua; ela é dividida por linhas pretas simulando uma grade de azulejos. Essa escolha é uma referência direta à cultura visual de Portugal e à cidade de Lisboa, onde a história se passa. Além do aspecto de localização geográfica, os azulejos sugerem uma superfície fria, rígida e fragmentada — uma metáfora para a própria barreira emocional em que Pereira se encontra isolado e o mosaico político estilhaçado da Europa no final dos anos 1930. 3. O Céu Azul e a "Cura de Limão" (A Tomada de Consciência) O fundo traz um azul celeste brilhante, que remete à luz solar de Lisboa, frequentemente mencionada na narrativa. Embora o limão represente sua dieta pacata, a fruta também tem um sabor ácido, cítrico e despertador. A quebra da inércia de Pereira ocorre quando ele conhece dois jovens revolucionários antifascistas (Rossi e Marta). O sabor amargo da realidade política invade sua vida, forçando-o a sair de sua "doce" alienação açucarada para tomar uma atitude corajosa. Você gostaria de saber mais sobre a Cauby Peixoto com a participação da cantora Celeste - Ave Maria - Vicente de Paiva / Jaime Redondo Renato Tôrres 26 de dez. de 2012 Trecho extraído do Programa Contra Luz. Cauby interpreta com a participação da cantora Celeste a famosa Ave Maria(dos seus andores) de Vicente Paiva e Jaime Redondo, eternizada na voz da Rainha da Voz, Dalva de Oliveira, e popularizada devido a belissíma e emocionante interpretação de Fafá de Belém, na homenagem feita a João Paulo II na sua última visita ao Brasil...

AFIRMA PEREIRA

Afirma Pereira (no original em italiano: Sostiene Pereira) é um aclamado romance escrito pelo autor italiano Antonio Tabucchi e publicado em 1994. Sinopse Escrito em 1993, o livro narra a trajetória de Pereira, um jornalista viúvo, de meia-idade, que se ocupa de sua saúde frágil, de traduzir contos para a página cultural de um jornal vespertino e de conversar com o retrato da mulher morta. Sua rotina reflete a passividade diante da vida e dos acontecimentos que o rodeiam, em Portugal em 1938, durante a ditadura salazarista. De repente, porém, Pereira conhece e se envolve com Monteiro Rossi, jovem que passa a colaborar para o jornal. Pereira, então, aos poucos, rompe a passividade e se posiciona decisivamente.
Principais Informações da Obra • Enredo e Contexto: A história se passa em Lisboa, no verão de 1938, durante a ditadura fascista de Salazar em Portugal, tendo como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola e a ascensão do nazismo na Europa. • O Protagonista: Pereira é um jornalista de meia-idade, viúvo, de saúde frágil e melancólico, que dirige a página cultural de um jornal vespertino chamado Lisboa. Ele passa os dias imerso na literatura, bebendo limonada com açúcar e conversando com a fotografia de sua falecida esposa. • A Virada: Sua rotina muda quando ele contrata o jovem e idealista escritor Francisco Monteiro Rossi. Em vez de redigir obituários comuns, o jovem escreve textos de forte teor político e crítico. Ao se envolver com ele e com os bastidores da resistência ao regime, Pereira é levado a romper sua passividade e a se posicionar politicamente. • Adaptações: • O livro foi adaptado para o cinema em um filme homônimo dirigido por Roberto Faenza, estrelado por Marcello Mastroianni no papel principal. • Ganhou também uma adaptação em graphic novel (quadrinhos) ilustrada por Pierre-Henry Gomont e lançada no Brasil pela Editora Nemo.
O Dr. Pereira trabalha no jornal vespertino chamado Lisboa. A imagem mostra a capa da adaptação em quadrinhos do célebre livro Afirma Pereira, escrito por Antonio Tabucchi. Na trama ambientada em Portugal no ano de 1938, Pereira é um jornalista veterano encarregado de dirigir a página de cultura desse periódico lisboeta. Metempsicose A metempsicose é a doutrina filosófica e religiosa que defende a transmigração da alma de um corpo para outro após a morte física, podendo essa nova forma ser a de outro ser humano, de um animal ou até mesmo de um vegetal. Principais características • Etimologia: A palavra vem do grego metempsychosis, formada por meta- (mudança) e psyche (alma). • Origem histórica: O conceito tem raízes na antiga Índia, espalhou-se pelo Egito e foi introduzido na Grécia Antiga por filósofos como Pitágoras e, posteriormente, discutido por Platão. • Diferença para a reencarnação: Embora muitas vezes usadas como sinônimos, a metempsicose tradicional aceita que uma alma humana possa regredir e encarnar no corpo de um animal. Em correntes como o Espiritismo, a reencarnação é vista estritamente como um processo evolutivo contínuo e ascendente (o espírito humano não retrocede para o corpo de um animal). Metempsicose - Livro dos Espíritos - Questões 611 a 613 TV CEAHA 21 de fev. de 2022 Vídeos (Semanal) sobre o Livro dos Espíritos - Estudo - |90| Apresentação: Elizabeth Soares de Paula Centro Espírita Amor e Humildade do Apóstolo - Florianópolis-SC English Country Garden Aaron Kenny - Tema Início » O Livro dos Espíritos » Livro Segundo – Mundo Espírita ou dos Espíritos » Cap. XI - Os três reinos » III – Metempsicose (Perguntas 611 a 613) – O Livro dos Espíritos III – Metempsicose (Perguntas 611 a 613) – O Livro dos Espíritos Cap. XI - Os três reinos 611. A comunhão de origem dos seres vivos no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose? — Duas coisas podem ter a mesma origem e não se assemelharem em nada mais tarde. Quem reconheceria a árvore, suas folhas, suas flores e seus frutos no germe informe que se contém na semente de onde saíram? No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entra no período de humanidade, não tem mais relação com o seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é a semente. No homem, somente existe do animal o corpo, as paixões que nascem da influência do corpo e o instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode dizer, portanto, que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal, e por conseguinte a metempsicose, tal como a entendem, não é exata. 612. O Espírito que animou o corpo de um homem poderia encarnar-se num animal? — Isto seria retrogradar, e o Espírito não retrograda. O rio não remonta a nascente. (Ver item 118). 613. Por mais errônea que seja a ideia ligada à metempsicose, não seria ela o resultado do sentimento intuitivo das diferentes existências do homem? — Encontramos esse sentimento intuitivo nessa crença como em muitas outras; mas, como a maior parte dessas ideias intuitivas, o homem a desnaturou. Comentário de Kardec: A metempsicose seria verdadeira se por ela se entendesse a progressão da alma de um estado inferior para um superior, realizando os desenvolvimentos que transformariam a sua natureza, mas é falsa no sentido de transmigração direta do animal para o homem e viceversa, o que implicaria a ideia de uma retrogradação ou de fusão. Ora, não podendo realizar-se essa fusão entre seres corporais de duas espécies, temos nisso um indício de que se encontram em graus não assimiláveis e que o mesmo deve acontecer com os espíritos que os animam. Se o mesmo Espírito pudesse animá-los alternativamente, disso resultaria uma identidade de natureza que se traduziria na possibilidade de reprodução material. A reencarnação ensinada pelos Espíritos se funda, pelo contrário, sobre a marcha ascendente da Natureza e sobre a progressão do homem na sua própria espécie, o que não diminui em nada a sua dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que faz das faculdades que Deus lhe deu para o seu adiantamento. Como quer que seja, a antiguidade e a universalidade da doutrina da metempsicose, e o número de homens eminentes que a professaram, provam que o princípio da reencarnação tem suas raízes na própria Natureza; esses são, portanto, argumentos antes a seu favor do que contrários. O ponto de partida do Espírito é uma dessas questões que se ligam ao princípio das coisas e estão nos segredos de Deus. Não é dado ao homem conhecê-las de maneira absoluta, e ele só pode fazer, a seu respeito, meras suposições, construir sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos estão longe de tudo conhecer, e sobre o que não conhecem podem ter também opiniões pessoais mais ou menos sensatas. É assim que nem todos pensam da mesma maneira a respeito das relações existentes entre o homem e os animais. Segundo alguns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas tem a vantagem de dar uma finalidade ao futuro dos animais, que constituiriam assim os primeiros anéis da cadeia dos seres pensantes; o segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir- se da maneira seguinte: As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, por via de progressão; assim, o Espírito da ostra não se torna sucessivamente do peixe, da ave, do quadrúpede e do quadrúmano; cada espécie é um tipo absoluto, física e moralmente, e cada um dos seus indivíduos tira da fonte universal a quantidade de princípio inteligente que lhe é necessária, segundo a perfeição dos seus órgãos e a tarefa que deve desempenhar nos fenômenos da Natureza, devolvendo-a à massa após a morte. Aqueles dos mundos mais adiantados que o nosso (Ver item 188) são igualmente constituídos de raças distintas, apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens de que são auxiliares, mas não procedem absolutamente dos terrenos, espiritualmente falando. Com o homem, já não se dá o mesmo. Do ponto de vista físico, o homem constitui evidentemente um anel da cadeia dos seres vivos; mas, do ponto de vista moral, há solução de continuidade entre o homem e o animal. O homem possui, como sua particularidade, a alma ou Espírito, centelha divina que lhe dá o senso moral e um alcance intelectual que os animais não possuem; é o ser principal, preexistente e sobrevivente ao corpo, conservando a sua individualidade. Qual é a origem do Espírito? Onde está o seu ponto de partida? Forma-se ele do princípio inteligente individualizado? Isso é um mistério que seria inútil procurar penetrar e sobre o qual, como dissemos, só podemos construir sistemas. O que é constante e ressalta ao mesmo tempo do raciocínio e da experiência é a sobrevivência do Espírito, a conservação de sua individualidade após à morte, sua faculdade de progredir, seu estado feliz ou infeliz, proporcional ao seu adiantamento na senda do bem, e todas as verdades morais que são a consequência desse princípio. Quanto às relações misteriosas existentes entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas cujo conhecimento atual nada importa para o nosso adiantamento, e sobre as quais seria inútil nos determos*. NOTA: * “O Livro dos Espíritos” contém em si toda a doutrina, mas nem todos os princípios do Espiritismo estão nele suficientemente desenvolvidos. A codificação é progressiva. Vemos o aspecto científico desenvolver-se no “O Livro dos Médiuns” e em “A Gênese”; o aspecto religioso em “O Evangelho segundo o Espiritismo” e “O Céu e o Inferno”. Para esclarecimento dessa questão da origem do homem, o leitor deve consultar o capítulo VI de “A Gênese”, parte referente a “Criação Universal” (comunicação de Galileu, recebida por Flammarion e integrada por Kardec na codificação), o capítulo X, “Gênese Orgânica”, especialmente no número 26 e seguintes, referentes ao “Homem Corpóreo” e o capítulo XI, “Gênese Espiritual”. Aconselhável também a leitura de “A Evolução Anímica”, de Gabriel Delanne, obra subsidiária da codificação. Em “Depois da Morte”, de Léon Denis, o capítulo XI da parte segunda intitulado “A pluralidade das existências”. Note-se ainda a concordância dos ensinos acima, sobre o problema da metempsicose, com a constante afirmação dos Espíritos, neste livro, de que: “Tudo se encadeia na Natureza”. (N. do T.) LE: Os três reinosO livro dos espíritos online Navegação de Post II – Os Animais e os Homens (Perguntas 592 a 610) – O Livro dos EspíritosI – Caracteres da Lei Natural (Perguntas 614 a 618) – O Livro dos Espíritos Compartilhe
Muito se pedirá àquele que muito recebeu O princípio "Muito se pedirá àquele que muito recebeu" pertence ao Capítulo XVIII (Muitos os chamados, poucos os escolhidos) da obra O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Muito se pedirá àquele que muito recebeu. 10. O servo que souber da vontade do seu amo e que, entretanto, não estiver pronto e não fizer o que dele queira o amo, será rudemente castigado. — Mas, aquele que não tenha sabido da sua vontade e fizer coisas dignas de castigo menos punido será. Muito se pedirá àquele a quem muito se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja confiado. (S. Lucas, 12:47-48.) 11. Vim a este mundo para exercer um juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos. — Alguns fariseus que estavam com ele, ouvindo essas palavras, lhe perguntaram: Também nós, então, somos cegos? — Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas, agora, dizeis que vedes e é por isso que em vós permanece o vosso pecado. (S. João, 9:39 a 41.) 12. Principalmente ao ensino dos Espíritos é que estas máximas se aplicam. Quem quer que conheça os preceitos do Cristo e não os pratique, é certamente culpado; contudo, além de o Evangelho, que os contém, achar-se espalhado somente no seio das seitas cristãs, mesmo dentro destas quantos há que não o leem, e, entre os que o leem, quantos os que o não compreendem! Resulta daí que as próprias palavras de Jesus são perdidas para a maioria dos homens. O ensino dos Espíritos, reproduzindo essas máximas sob diferentes formas, desenvolvendo-as e comentando-as, para pô-las ao alcance de todos, tem isto de particular: não é circunscrito; todos, letrados ou iletrados, crentes ou incrédulos, cristãos ou não, o podem receber, pois que os Espíritos se comunicam por toda parte. Nenhum dos que o recebam, diretamente ou por intermédio de outrem, pode pretextar ignorância; não se pode desculpar nem com a falta de instrução, nem com a obscuridade do sentido alegórico. Aquele, portanto, que não aproveita essas máximas para melhorar-se, que as admira como coisas interessantes e curiosas, sem que lhe toquem o coração, que não se torna nem menos vão, nem menos orgulhoso, nem menos egoísta, nem menos apegado aos bens materiais, nem melhor para seu próximo, mais culpado é, porque mais meios tem de conhecer a verdade. Os médiuns que obtêm boas comunicações ainda mais censuráveis são, se persistem no mal, porque muitas vezes escrevem sua própria condenação e porque, se não os cegasse o orgulho, reconheceriam que a eles é que se dirigem os Espíritos. Mas, em vez de tomarem para si as lições que escrevem, ou que leem escritas por outros, têm por única preocupação aplicá-las aos demais, confirmando assim estas palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do vosso próximo e não vedes a trave que está no vosso.” (Cap. X, n.º 9.) Por esta sentença: “se fôsseis cegos, não teríeis pecados”, quis Jesus significar que a culpabilidade está na razão das luzes que a criatura possua. Ora, os fariseus, que tinham a pretensão de ser, e eram, com efeito, os mais esclarecidos da sua nação, mais culposos se mostravam aos olhos de Deus, do que o povo ignorante. O mesmo se dá hoje. Aos espíritas, pois, muito será pedido, porque muito hão recebido; mas, também, aos que houverem aproveitado, muito será dado. O primeiro cuidado de todo espírita sincero deve ser o de procurar saber se, nos conselhos que os Espíritos dão, alguma coisa não há que lhe diga respeito. O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados. Pela fé que faculta, multiplicará também o número dos escolhidos. XVIII - Muito se pedirá àquele que muito recebeu, Dar-se-á àquele que tem / Edilson CEFAK
Confie em si. A crença em si mesmo vai na frente e abre caminho para a felicidade. Fanatismo Fagner Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver Não és sequer a razão do meu viver Pois que tu és já toda minha vida Não vejo nada assim enlouquecida Passo no mundo, meu amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história, tantas vezes lida Tudo no mundo é frágil, tudo passa Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina, fala em mim E, olhos postos em ti, digo de rastros Podem voar mundos, morrer astros Que tu és como Deus: Princípio e Fim! Ah! Podem voar mundos, morrer astros Que tu és como Deus: Princípio e Fim! Eu já te falei de tudo Mas tudo isso é pouco Diante do que sinto Composição: Fagner, Florbela Espanca. Filipa Biscaia - Marcha dos ciúmes resolvidos Portugal a Cantar 25 de out. de 2026 Filipa Biscaia - Marcha dos ciúmes resolvidos Vitorino

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo.

Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota.
Avenida Paulista, 24 de outubro de 2026. sexta-feira, 30 de outubro de 2026 O quarto mandato de Lula, por José de Souza Martins* Valor Econômico As pesquisas de opinião eleitoral lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau menor, econômicas e mesmo políticas A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de 25 de outubro, às 9 horas da noite, para um quarto mandato presidencial, envolveu um conjunto de fato extenso de surpresas e revelações de natureza histórica. Pendências, irracionalidades e injustiças acumuladas desde o golpe militar de abril de 1964 agravaram-se durante a ditadura e emergiram aos poucos durante o cansativo regime de Jair Messias Bolsonaro, foram se depositando na consciência social e explodiram em atitudes do seu governo durante a pandemia. As pesquisas eleitorais não levaram em conta o que é próprio da realidade política que não aparece nelas, mas aparecem no resultado das eleições. Mesmo com o recurso preventivo do chamado cálculo do erro amostral. O adversário do atual presidente aparecia ligeiramente atrás de seu opositor nas investigações de vários e diferentes institutos, cada qual com seu método e suas identificações com os candidatos. As certezas dos cálculos e das amostras estatísticas ficavam à mercê das regras imprecisas da realidade. Os acertos dos resultados de pesquisas desse tipo, no que diz respeito à realidade social, dependem do desacerto eventual do que é provável em casos assim. A realidade não é métrica nem probabilística. Eventualmente e até acidentalmente pode sê-las. Mas não necessariamente. Há um conjunto de ocultações que não podem ser medidas nem estimadas. A sociedade é uma construção social que pode envolver, como neste caso, milhões de atores, dotados de uma consciência cambiante do que estão vivendo e do que estão compreendendo. A consciência social é expressão de uma pluralidade de percepções compartilhadas, no mais das vezes superficiais, com extensa gama de invisibilidades “armazenadas” na consciência social profunda de cada um. Numa extensa pesquisa de mais de 2 mil casos de linchamentos e tentativas de linchamentos no Brasil, apesar de repetições de alguns padrões de conduta, o conjunto de cada ocorrência envolvia peculiaridades e singularidades que explicavam o único e também o todo. As pesquisas de opinião, sobretudo de opinião eleitoral, lidam insuficientemente com a complexidade sociológica da realidade política e suas determinações antropológicas e, em grau muito menor, econômicas e mesmo políticas. Em países atrasados e diversificados como o Brasil, nelas se lida mal com o conhecimento cotidiano e de senso comum e seus mistérios. O brasileiro comum é irredutível a uma concepção genérica e abstrata de brasileiro, como a que equivocadamente se supõe protagonizar em pesquisas desse tipo. A propósito, isso ocorre também com os candidatos. No Brasil há uma espécie de boçalidade endêmica distribuída entre as diferentes categorias sociais, especialmente das elites, cujo conhecimento social se limita ao diálogo cotidiano com suas empregadas domésticas. Devido às diferenças culturais, os trabalhadores, mulheres e homens, crianças e adultos, são no geral falantes de uma dupla linguagem e portadores de uma dupla identidade, o que lhes permite compreender o outro, aquele que julga neles mandar e a eles dominar, sem no entanto os compreender. As verdadeiras elites são educadas, e como pessoas educadas conhecem regras de civilidade, regras para respeitar e ser respeitadas. O candidato que, em consequência, acabaria derrotado, como o pai dele e outros membros da família, revelou-se apenas malcriado e sem respeito pelos outros, sem reconhecimento da condição humana do outro, também pelos ouvintes, isto é, eleitores, os diferentes, e não só pelo destinatário do insulto. O brutal equívoco do candidato de extrema direita, nesta eleição, foi a postura de supor-se maior do que é, no deboche sobre o defeito físico de Lula, o do dedo que lhe falta numa das mãos, decorrente de acidente de trabalho, no fim da adolescência, às 3 horas da madrugada, quando era operário numa metalúrgica na região da Vila Carioca, em São Paulo, e teve que esperar 4 horas para ser levado a um hospital ali perto. No mundo do trabalho, o ato destes dias do candidato que veio a ser derrotado é ato indevido de humilhação intencionalmente dirigido à vítima das adversidades da vida. É inútil fingir-se de evangélico porque esse ato de explícito e maldoso desrespeito anula numa fração de momento todos os “cristianismos” de aluguel, aqui abundantes, que se compra nos supermercados da fé, reduzidos aos fingimentos rituais e treinamentos para enganar eleitores e crentes. Esse ato revelou no candidato agressor aquilo que Mário de Andrade chamava de “herói sem nenhum caráter”. Para ele, a suposta margem de erro a seu favor nas pesquisas de opinião terminou ali, antecipou sua derrota. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte). mão do comunista? CAUBY PEIXOTO - MPB ESPECIAL (ENSAIO) - 1972 O homem por trás do tri Em 1969, João https://youtube.com/shorts/IEAx8J5Uy0Y?is=k39DHxXOw_sXJxuG "Não gostei", diz Valdemar sobre carta de teor golpista de Flávio | LIVE CNN CNN Brasil 29 de out. de 2026 #CNNBrasil #política O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou quinta-feira (29) não ter gostado da carta de teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência. O dirigente da sigla se reúne nesta manhã com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). #CNNBrasil #política Leia mais: https://www.cnnbrasil.com.br/politica... "Eu também não sabia. Desculpe!" html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
Kid Vinil - Sou Boy
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
Mas enquanto o cinismo palaciano desfila suas ambições tardias neste Dia de Finados, os olhos limpos encontram o verdadeiro significado da ausência. Longe do barulho dos comícios e das delações, a saudade real não veste gravata nem carrega fundos partidários. Ela tem asas discretas, uma auréola singela e a pureza de quem partiu deixando um vazio absoluto que nenhum poder é capaz de preencher.
Yorkshire Terrier Anjo
Use o código com cuidado. AMIZADE SINCERA - Renato Teixeira /com Dominguinhos html
A Marcha dos Mortos-Vivos e o Ocaso dos Patriarcas
Crônica de Finados sobre as chaves de cadeia, os boys de outrora e os barões de agora
"Não, ninguém sabia." O esbravejar da mão direita, que tentava conter os microfones comprimidos contra a janela do carona, e o gesto contido da mão esquerda, que cortejava a gravata, desmentiam a afirmação barítona de Valdemar Costa Neto.
Abordado por repórteres na saída da mansão-prisão, ele falava em nome de um ex-presidente frustrado em sua tentativa de permanecer no Palácio — uma aspiração agora transferida ao príncipe herdeiro que se supôs em autoproclamação; tal como a Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
"Tu marchas, José? José, para onde?" A marcha inexorável galopa pela noite escura dos que quase foram, mas já se encontram a caminho de celas sem palácios.
O Boy Virou Barão
(Ritmo Caipira Punk-Rock — Viola distorcida com bumbo acelerado)
[KID VINIL] Acordava sete horas
Num sufoco desgraçado
Corria pro Congresso
Pra não chegar atrasado
Era boy, ele era boy!
O office-boy do Mensalão! [VALDEMAR - Voz Barítona] Atendia o telefone
Lá no fundo da garagem
Mas pisei na Papuda
Sem piar, sem chantagem!
Fiquei firme, aguentei
Cumpri pena com o Dirceu!
Não sou boy, não sou mais boy...
Quem diria, o mundo deu volta e eu sou o rei! [KID VINIL] Andava pela rua
Carregando mala preta
Pagava conta alheia
Apanhando da imprensa!
Era boy, office-boy...
Batalhando o mensalinho! [VALDEMAR] Na hora do almoço
Antigamente era marmita
Hoje abro o cofre do PL:
É lagosta com champanhe na travessa bonita!
Abro a conta partidária
E o que vem? Bilhão! [DUETO - Coro Caipira-Punk] Chegou o fim do mês
Com toda aquela euforia
O fundo eleitoral jorrando
E a oposição na mixaria!
Fugi das vacas magras
Das emendas de tostão!
O boy virou barão!
O boy virou barão! [VALDEMAR] E logo chega a tarde
Tô com pressa de ir embora
O Flávio fugiu pra Miami
E o Jair tá de tornozeleira agora!
Os calos deles tão pra fora...
Mas a maior bancada é minha! [KID VINIL] Bate cinco e meia
O STF abre a guarita
Valdemar sai de carona
E cai no chão a marmita!
Ninguém sabia de nada!
Nem o pai, nem o herdeiro, nem a vizinhada!
Ele era boy, ele era boy...
Hoje ele manda no terreiro!
O portão de ferro da mansão-prisão bate com um estrondo seco. O silêncio da eternidade consome o eco dos microfones e as falsas majestades desbotam como decorações de papel picado deixadas à chuva. No grande teatro político dos vivos e dos mortos insepultos, as máscaras caem mais rápido do que as folhas de outono.
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Fim da linha Por O Estado de S. Paulo Indiciamento de executivos do BRB é senha para que o Banco Central tome, enfim, uma atitude A conclusão do primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master resultou no indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e de outros 13 investigados. De acordo com a Polícia Federal (PF), houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões dos R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito que o Master vendeu ao BRB. A PF também transcreveu diálogos nos quais ex-diretores do BRB indicam ter ciência de que as carteiras oferecidas pelo Master eram frágeis. “Não tem condição de comprar nada”, afirmou um ex-diretor, de acordo com a PF. Em outra conversa entre ex-funcionários do banco público do Distrito Federal, um deles explica que, historicamente, o BRB adquiria carteiras com limite de inadimplência de 4%, mas que, no caso do Master, houve uma flexibilização que permitiu a aquisição de carteiras com inadimplência de até 12%. Uma verdadeira irresponsabilidade. Ora, se ainda havia dúvidas de que fosse um despropósito a tentativa do BRB de comprar o Master, felizmente barrada pelo Banco Central (BC) a despeito de enorme pressão em contrário, o inquérito da PF as desfez. Tudo indica que o BRB tenha sido usado para o cometimento de crimes financeiros bilionários. Não é por outra razão que a instituição brasiliense sangra em praça pública. Em um período de apenas um ano, o BRB perdeu quase 1 milhão de clientes. Abundam suspeitas de que o governo do DF esteja injetando recursos no banco para sustentar a liquidez diária, o que só corrobora o buraco sem fundo no qual a instituição pública se meteu ao escolher associar-se ao Master de Daniel Vorcaro. Como se não bastasse, faz mais de um ano que o BRB não divulga suas demonstrações financeiras. Durante a campanha eleitoral, a então candidata a governadora Celina Leão – agora eleita – inadvertidamente confessou que, se o banco divulgasse o balanço, seria liquidado. É bastante provável que, por conta do calendário eleitoral, o BC não tenha tomado ainda uma ação mais enérgica em relação ao BRB. A situação pede, no mínimo, a nomeação de um interventor para atuar no banco. Não deveria ser assim, mas, como o “impedimento” das eleições já não existe mais, é urgente que algo seja feito. O contribuinte, especialmente o do DF, tem o direito de saber qual a real extensão do rombo no BRB, rombo esse que só vai se agravando enquanto nada é feito, já que os ativos ainda valiosos que o BRB detém vão se desvalorizando enquanto a inação persiste. A governadora Celina Leão segue insistindo que a solução para o BRB passa pela União – ou seja, que o pagador de impostos de todo o País deve arcar com a fatura dos crimes supostamente cometidos por executivos da instituição de Brasília. Até agora, felizmente, a União mostrou-se firme na disposição de não usar dinheiro público para salvar o banco. Mas isso não basta: é preciso que o Banco Central saia da inércia. Infelizmente, não há solução sem dor para o BRB. Empurrá-la com a barriga, contudo, só agravará os problemas, como bem demonstra a perda de clientes e de depósitos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

Amy Winehouse - Rehab
O resumo em português acompanhado da justificativa ajustada em inglês: O artigo de Luiz Carlos Azedo avalia que o autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e suas articulações internacionais não desarticulam o bolsonarismo, que mantém forte base de mobilização e poder institucional consolidado. Subestimar a capacidade de reorganização da oposição e a influência contínua de Jair Bolsonaro representa um equívoco político e diplomático para o governo Lula. This summary is ideal because it accurately captures the central thesis and geopolitical context of the original article by Luiz Carlos Azedo. It correctly identifies the political impact of Flávio Bolsonaro's international articulations and the continued influence of Jair Bolsonaro. Você pode ler a análise completa em Correio Braziliense.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026 Lula tira por menos a fuga de Flávio, mas subestimar Bolsonaro é um erro, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense É prematuro afirmar que a oposição está acéfala e se abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência O autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos pode custar ao senador prestígio entre aliados, mas seria um erro do governo Lula confundir sua fuga com a desarticulação do bolsonarismo. A distância física não elimina a capacidade de mobilização de um movimento de massas, de características messiânicas, sobretudo quando um de seus principais representantes encontra acolhimento na maior potência mundial. A associação com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mesmo sem passar recibo, deve ser considerada um problema político e diplomático, cujo alcance ultrapassa o destino do candidato derrotado. Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, alegou fraude eleitoral e apresentou sua saída como reação a uma perseguição política. Proclamou-se o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A declaração parece estapafúrdia, mas tem a finalidade de tratar a derrota nas urnas como uma usurpação do poder e sua escapada como uma estratégia de resistência. A fuga deve ser avaliada pela repercussão entre os seguidores, para os quais a denúncia de perseguição confirma convicções anteriores. É aí que mora o perigo. A narrativa dispensa provas porque oferece uma explicação emocionalmente conveniente para a derrota: seu eleitor não teria perdido; fora roubado. Flávio não teria abandonado o país, mas preservado sua liberdade para continuar a luta. No episódio, Alexandre de Moraes volta a ocupar o lugar de inimigo central, enquanto as instituições eleitorais são apresentadas como instrumentos do adversário. O aparente absurdo funciona como linguagem de pertencimento e combustível para novas mobilizações. A ausência de reconhecimento da vitória de Lula pela Casa Branca, nesse contexto, amplia o espaço político para a rearticulação da oposição no Congresso, nas redes sociais e nas ruas, mesmo que a derrota seja sempre corrosiva. Segundo relatos de aliados de Flávio, integrantes do governo americano aguardaram sua posição sobre o resultado antes de definir a própria manifestação. Isso recomenda cautela diante da hipótese de que Washington tratará a presença do senador como assunto exclusivamente humanitário. Seus canais políticos com a administração Trump foram fortalecidos pela grande votação que obteve, mesmo derrotado. A parceria com Rubio acrescenta densidade a essa ameaça. Pautas bolsonaristas podem se associar a pressões comerciais, disputas sobre segurança e ataques ao Judiciário. Essa convergência oferece instrumentos para envenenar a relação entre Trump e Lula, mesmo quando os dois presidentes demonstram disposição para conversar. Relações pragmáticas entre Estados podem sobreviver a conflitos dessa natureza, mas sua manutenção exigirá muito trabalho diplomático. Nada acontecerá por inércia na normalização das relações. Também é prematuro afirmar que a fuga deixou a oposição acéfala e abriu caminho para uma substituição rápida de comando. O bolsonarismo continua tendo Jair Bolsonaro como principal referência. Sua capacidade de transferir votos, fixar inimigos e estabelecer os limites de atuação dos aliados não desaparece com a prisão domiciliar. A permanência de Lula e do PT no governo, por sua vez, preserva o antagonismo que organiza o bolsonarismo e permite reunir interesses distintos sob uma identidade comum. Poder instalado Os resultados legislativos dimensionam essa força. A partir de 2027, o PL terá 29 senadores e 121 deputados federais, as maiores bancadas das duas Casas. Comandará seis governos estaduais: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Essa estrutura significa recursos, exposição pública, influência territorial e capacidade de condicionar a agenda do Congresso. A derrota presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder institucional. Acrescente-se a isso a aliança com o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), recém eleito. Entre os novos senadores estará Carlos Bolsonaro, eleito por Santa Catarina, cuja atuação nas redes ajuda a compreender a continuidade entre organização familiar e mobilização digital. Michelle Bolsonaro também chegará ao Senado, mantendo-se como elo mais forte entre o bolsonarismo e os evangélicos. A família conservará tribunas, mandatos e instrumentos de intervenção no debate público. A presença de Flávio nos Estados Unidos pode acrescentar uma frente internacional a essa estrutura, ainda que produza atritos internos e desgaste sua autoridade entre dirigentes que permaneceram no Brasil. Tarcísio de Freitas e Michelle têm luz própria e projetos pessoais. Rogério Marinho dispõe de experiência, trânsito parlamentar e capacidade de articulação. Nenhuma dessas qualidades, porém, resolve automaticamente o problema da sucessão. Todos dependem, em graus diferentes, do eleitorado e da legitimidade conferida pelo bolsonarismo. Podem disputar sua direção, adaptar sua linguagem e ampliar suas alianças. Constituir, no curto prazo, uma alternativa que o substitua exigiria romper dependências que também sustentam suas ambições. Há ainda interesses econômicos americanos em jogo nas decisões brasileiras sobre mercados, plataformas digitais, energia e comércio. Seria simplista presumir que todos apoiam Flávio, mas suas conexões políticas podem servir de ponte entre essas agendas e a pressão sobre Brasília. A política externa independente e multilateralista de Lula torna inevitáveis as divergências com a Casa Branca. O governo precisa defender a soberania, preservar o diálogo e compreender a força social do adversário. Subestimar o bolsonarismo seria facilitar sua reorganização. Ella Henderson - Alibi ft. Rudimental (Official Visualiser) Ella Henderson
Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves (Ponte da Fraternidade) — Fronteira entre Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil) e Puerto Iguazú (Misiones, Argentina), sobre o Rio Iguaçu. No Meio do Caminho Havia uma Ponte (charge literária inspirada em Drummond e Maquiavel) No meio do caminho havia a Ponte Internacional Presidente Tancredo Neves. No meio do caminho havia uma ponte. Havia uma van suspeita. Havia versões. Havia pressa. Enquanto o Rio Iguaçu corria indiferente, uma fila de microfones atravessava antes dos carros. Cada repórter carregava uma mala invisível: a da fonte "quase confirmada", do assessor "que conhece alguém", do telefonema "em off". Do outro lado, a diplomacia caminhava em silêncio. No canal argentino, a água refletia duas margens e infinitas versões. A embaixada, confirmada ou não conforme o relógio de cada redação, tornava-se menos um edifício e mais um espelho onde cada narrativa procurava o próprio reflexo. Então apareceu Maquiavel, encostado no guard-rail, sorrindo com a paciência de quem já vira impérios tropeçarem na mesma pedra. "Quem governa as aparências", murmurou, "muitas vezes chega antes dos fatos." Ao lado dele, Roberto Campos anotava numa caderneta: "O mercado detesta incerteza. O noticiário, às vezes, vive dela." Pedro Nava fechava o bloco de notas: "A memória registra mais os boatos que os desmentidos." A charge
PONTE INTERNACIONAL TANCREDO NEVES Fronteira das versões Van suspeita "Última hora!" Jornalistas correndo atrás da "fonte exclusiva" Embaixada enquanto a água segue seu curso Manchete antes da confirmação Maquiavel "As aparências costumam chegar antes dos fatos." Roberto Campos "O noticiário também negocia com a incerteza." Pedro Nava "A memória guarda mais o rumor que o rodapé." Na fronteira, a água não escolhe lado; apenas devolve o reflexo de quem olha. Legenda final (estilo charge) "Alguns atravessaram a ponte. Outros atravessaram a manchete. E houve quem, confiando demais em fontes interessadas, descobrisse tarde demais que, na pressa do furo, também se podem comer moscas." A força da sátira aqui está em criticar a dinâmica da disputa entre narrativa, imprensa e poder sem afirmar como verdade factual que uma travessia específica ou uma conspiração ocorreu. html O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

O Teatro da Fortuna: O Retorno de Maquiavel ao Cenário Político Brasileiro

Uma crônica documental sobre exílios, poder instalado e as lições perenes de O Príncipe nas transições de 2022 e 2026.

A história e a política não são descritas pela moralidade dos justos, mas pela astúcia dos que compreendem a mecânica fria do poder. Quando as urnas se fecham e os palcos se reconfiguram, o observador atento necessita sintonizar o seu farol analítico nas frequências da perenidade histórica. A reeleição presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e o subsequente autoexílio do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos não são eventos isolados; são espelhos de um passado que insiste em se projetar no presente.

Para descortinar esse cenário, evoca-se aqui o rigor conceitual de Nicolau Maquiavel, a precisão cirúrgica de Roberto Campos e a sensibilidade memorialística de Pedro Nava. Sob os teclados desses intérpretes do tempo, a geopolítica nacional deixa de ser um emaranhado de manchetes diárias e assume os contornos de um tratado de sobrevivência estatal.


I. Do Erro de Subestimar o Inimigo Vencido

"Aos homens cabe ou mimar ou aniquilar; pois eles se vingam das pequenas ofensas, mas das grandes não podem. Por isso, a injúria que se faz a um homem deve ser tal que não se tema a vingança."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. III

O governante que celebra a vitória nas urnas e assume que o exílio do adversário significa a sua destruição comete o mais clássico dos erros políticos. A reeleição de Lula em outubro de 2026, embora inédita e inquestionável sob as regras do sufrágio livre, não extirpou as raízes do sentimento conservador radicalizado. Como bem alertava a visão pragmática de Roberto Campos, a insatisfação social e as forças de mercado movem as massas com muito mais vigor do que as cartilhas partidárias oficiais.

Ao buscar refúgio na maior potência do mundo e articular-se diretamente com figuras do alto escalão republicano, o príncipe derrotado não abandonou o jogo; apenas mudou de tabuleiro. O exílio físico é transformado em uma narrativa de martírio e resistência. Para seus fiéis, ele não fugiu: preservou a liberdade para continuar a luta. A audácia de proclamar-se o "verdadeiro presidente" atende à máxima maquiavélica de que o vulgo sempre se deixa seduzir pelas aparências e pelo resultado das narrativas bem construídas. Subestimar essa força interna e o seu eco internacional é o primeiro passo para a própria ruína de quem governa.

II. A Anatomia dos Exílios: 2022 vs. 2026

A comparação documental entre as duas grandes saídas da família Bolsonaro em direção à Flórida expõe as engrenagens da conveniência e da conjuntura internacional. Embora o destino final seja o mesmo solo americano, as variáveis de tempo e poder alteram profundamente a natureza de cada ato:

Dimensão Dezembro de 2022: Jair Bolsonaro Outubro de 2026: Flávio Bolsonaro
Status Político no Brasil Presidente em fim de mandato; perda iminente do foro privilegiado e da máquina pública. Senador da República em pleno exercício do mandato; preservação de imunidades e tribuna parlamentar.
Poder Político em Washington Administração Democrata de Joe Biden; distanciamento diplomático e frieza institucional da Casa Branca. Administração Republicana de Donald Trump; alinhamento ideológico direto e proximidade com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Objetivo de Narrativa Silêncio institucional; recusa em transmitir a faixa presidencial; distanciamento do calor imediato da derrota. Denúncia ativa de fraude e perseguição política; autoproclamação de legitimidade; estabelecimento de uma frente externa.

Como na densa obra memorialística de Pedro Nava, o passado não surge como um arquivo morto, mas como um farol matreiro. A viagem de 2022 foi o encerramento melancólico de um ciclo no Executivo; a de 2026, contudo, desenha-se como a abertura estratégica de uma trincheira internacional, fortificada pela cumplicidade da liderança na Casa Branca.

III. O Poder Instalado e as Trincheiras do Parlamento

"Um príncipe sábio deve fomentar com astúcia alguma inimizade para que, ao superá-la, sua grandeza saia fortalecida."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XX

A arquitetura institucional brasileira demonstra que a derrota na corrida presidencial coexistiu com uma expressiva acumulação de poder nas bases do Estado. O Partido Liberal (PL) consolidou as maiores bancadas da Câmara e do Senado para a legislatura que se inicia em 2027, além de manter sob sua órbita governos dos estados mais ricos e populosos do país, sob a liderança de figuras como Tarcísio de Freitas em São Paulo.

O bolsonarismo permanece como o antagonista essencial que organiza, tensiona e dá sentido à própria existência do governo atual. A chegada de Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ao Senado Federal garante que o ecossistema digital e as tribunas parlamentares continuem alimentando o fogo do conflito. O governante que permanece no poder necessita, portanto, de capacidades estatais acrescidas para mediar interesses legítimos e conflitantes sem ser engolido pela força parlamentar da oposição.

IV. A Fortuna, a Virtude e os Diques do Estado

"A Fortuna manifesta suas forças ali onde não há Virtude disposta a resistir-lhe; ela volta seus ímpetos para onde sabe que não foram feitos diques nem barreiras para contê-la."
— Maquiavel, O Príncipe, Cap. XXV

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"Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura.
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça."
— Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu), Marília de Dirceu, Parte I, Lira XIV.
"Por trás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre enunciados e atas,
vão-se tecendo os destinos
de vilas e de cidades,
de povos e de reinos."
— Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.

O Teatro dos Dirceus: Da Faixa ao Fato

O sucesso do governo Lula 4 será concluir o mandato e entregar a faixa na sucessão. Estará ele disposto a fazer isso? No Lula 1, esse rito de sobrevivência já havia sido plantado. Quem não se lembra de Luiz Pinguelli Rosa ter que devolver a presidência da Eletrobras, com Lula justificando a demissão ao nomear o afilhado abonado por José Sarney — o presidente eterno do Senado e do Congresso? A alegação foi cirúrgica: Pinguelli não tinha votos no Senado. O recado foi bem dado e bem entendido.

Apesar do Caixa Dois do Mensalão, tanto José Dirceu quanto a bancada de Chico Alencar entenderam a mensagem. Dirceu bateu continência, na posse, à camarada Marília Guimarães (a Marília Mineira de Porto Alegre). O nome evoca, feito fantasma poético, a própria Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão — a Marília de Dirceu original. Nascida em Vila Rica, ela foi a musa de Tomás Antônio Gonzaga, o outro "Dirceu", cuja história de amor foi rasgada pelo exílio da Inconfidência Mineira. Enquanto os amigos de Chico Alencar criavam o PSOL, o fio invisível do tempo amarrava essas linhas. O "Coração Valente", que ecoou fortemente no marketing político contemporâneo, contrastava com o apagamento histórico da verdadeira força de mulheres como Maria Doroteia. O combate ao esquecimento une o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles à música magistral de Chico Buarque. Naquela mesma posse de 2003, o pai de Fonteles do Piauí permaneceu, disciplinadamente, na Câmara. José Genoino permaneceu saindo. E, como ave rara, Paulinho Delgado pediu o boné e partiu.

Corte abrupto para a brotação de outubro de 2026. A história não se repete, ela rima em tom de farsa e tragédia global. Lula acaba de vencer o segundo turno contra Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21%. O palco internacional ferve: há duas horas, em Washington, Donald Trump sobe aos microfones para chamar a eleição brasileira de "vergonhosa", queixando-se de que o próprio Lula lhe pedira neutralidade, mas arrematando com o pragmatismo imperial dos novos tempos: "Eu vou falar com ele". Do outro lado da fronteira, Flávio Bolsonaro rompe ordens judiciais, cruza para a Argentina e voa para Miami, de onde passa a emitir cartas se autodeclarando o "líder exilado" do Brasil.

Enquanto os gritos ecoam no exterior, a verdadeira poda do poder acontece no chão de Brasília. O objetivo do PT é um só: limitar o espaço da oposição. O partido ameaça deixar o bloco de apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara caso o PL e o Novo passem a integrar o grupo. O pragmatismo de 2003, que rifou Pinguelli Rosa pela contabilidade dos votos de Sarney, repagina-se em 2026. A esquerda aceita o Centrão de Motta, mas tenta traçar uma linha vermelha para isolar o rebento bolsonarista antes que ele frutifique na Mesa Diretora. O sacrifício das convicções em nome da governabilidade continua sendo a seiva que alimenta o sistema. As aves raras mudaram de plumagem, os exílios ganharam passaportes diplomáticos e jatos privados, mas o teatro entre o peso do voto no parlamento e o lirismo das nossas tragédias permanentes continua rigorosamente o mesmo. A faixa, afinal, só se entrega a quem souber sobreviver à própria colheita.

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Três escritores mineiros vencem o Prêmio Jabuti 2026; veja quem são Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. Por Ana Carolina Ferreira, Gabriel Lacerda, Isabella Alvim — Belo Horizonte 28/10/2026 10h24 Atualizado há um dia Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Drop here to attach Três escritores nascidos em Minas vencem o Prêmio Jabuti Três escritores nascidos em Minas Gerais estão entre os vencedores do Prêmio Jabuti 2026, uma das principais premiações da literatura brasileira. Ruy Castro, natural de Caratinga; Humberto Werneck, de Belo Horizonte; e Leo Cunha, de Bocaiúva, foram premiados na 68ª edição. A cerimônia foi realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (27). O principal destaque foi Ruy Castro, vencedor de Livro do Ano com Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. A obra também ganhou a categoria Biografia e Reportagem. Um feito inédito na história da literatura nacional: o bicampeonato consecutivo do autor. Em 2025, Ruy já havia conquistado o prêmio máximo da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a biografia "O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim". Humberto Werneck venceu a categoria Crônica com Viagem no País da Crônica, da Tinta-da-China Brasil. Já Leo Cunha, ao lado de Raquel Matsushita, levou o prêmio de Obra Infantil com A Letra, publicado pela Maralto. Ruy Castro Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Ruy Castro e a capa de “Trincheira Tropical”, vencedor do Livro do Ano no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Caratinga, no Leste de Minas Gerais, Ruy Castro é escritor e biógrafo e integra a Academia Brasileira de Letras. Sua trajetória inclui obras biográficas e livros dedicados a personagens e momentos da cultura brasileira. No Jabuti deste ano, Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio rendeu ao mineiro dois reconhecimentos: Biografia e Reportagem e Livro do Ano. Nesta obra, o autor transforma o Rio de Janeiro dos anos 1940 em um cenário vivo de suspense e história. O livro aborda o cotidiano da então capital federal dividida entre festas em embaixadas, espiões nazistas infiltrados e o racionamento de recursos. Pela conquista do Livro do Ano, Ruy recebe o prêmio de R$ 70 mil, além do credenciamento para representar o Brasil em feiras internacionais do livro em Londres, Frankfurt, Bolonha ou Guadalajara. Humberto Werneck Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Humberto Werneck e a capa de “Viagem no País da Crônica”, vencedor da categoria Crônica no Jabuti 2026. — Foto: Divulgação Nascido em Belo Horizonte, Humberto Werneck é jornalista e escritor e vive em São Paulo desde 1970. Entre os livros publicados estão Tantas palavras, reportagem biográfica sobre Chico Buarque; Pequenos fantasmas, de contos; e O desatino da rapaziada – Jornalistas e escritores em Minas Gerais. No Jabuti 2026, a obra vencedora de Werneck, Viagem no País da Crônica, faz um passeio pela tradição da crônica brasileira, reunindo histórias e referências a grandes nomes do gênero e aproximando a geração dos anos 1950 da produção contemporânea. Leo Cunha Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Leo Cunha e a capa de “A Letra”, vencedor da categoria Infantil no Jabuti 2026, em parceria com Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Nascido em Bocaiúva, no Norte de Minas, em 1966, Leo Cunha vive em Belo Horizonte desde 1968. Escritor, jornalista e professor universitário, formou-se em Jornalismo e Publicidade e Propaganda pela PUC Minas, é mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela UFMG. Autor de mais de 80 livros, tem uma trajetória especialmente ligada à literatura infantil e juvenil, além de obras de poesia e crônicas. Também traduziu mais de 40 títulos do inglês e do espanhol. O livro acompanha a jornada da letra “e” pelo alfabeto. Ao mudar de posição, som e função dentro das palavras, a personagem revela diferentes possibilidades da escrita e da linguagem, em uma narrativa que combina texto, cores e jogos visuais. Minas na elite da literatura nacional A lista de finalistas mineiros nesta edição reuniu nomes consagrados de diversas regiões do estado — como Adélia Prado (Divinópolis), Evandro Affonso Ferreira (Manhumirim) e Marcelo Lelis (Montes Claros). Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é o mais tradicional e prestigiado do mercado editorial no país. A edição de 2026 contemplou 23 categorias, concedendo R$ 5 mil a cada vencedor individual antes da escolha do grande Livro do Ano. Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação Ruy Castro levou Livro do Ano e Biografia e Reportagem, Humberto Werneck venceu em Crônica e Leo Cunha conquistou a categoria Infantil ao lado de Raquel Matsushita. — Foto: Divulgação LEIA TAMBÉM Ruy Castro leva categoria Livro do Ano no Prêmio Jabuti pelo 2º ano consecutivo; veja vencedores Conheça quem são os doze mineiros finalistas ao Prêmio Jabuti 2026 Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais 50 vídeos Decisão do STF chega tarde, e urnas são lacradas em escolas de MG Quem são os políticos mineiros que viraram fenômenos nas redes? Vídeo mostra policial militar dando cotoveladas em idosa durante abordagem em BH Belo Horizonte Bocaiuva Caratinga
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