Mundo em Mutação
Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quinta-feira, 7 de maio de 2026
No teatro das instituições
Dica: “Foi apenas um acidente”, Jafar Panahi, no Mubi.
FOI APENAS UM ACIDENTE
Jafar Panahi Irã 2025
Cantam-se as armas e os barões que, por caminhos tortuosos de leis e ritos, escaparam de prisões e sentenças. Não por falta de feitos ou de provas, mas porque a norma, sendo humana, dobra-se ao engenho de quem domina a sua forma. Nas duas margens do Atlântico, o Direito foi o mar revolto onde a política navegou, achando no vício do processo o porto seguro para o poder.
Ulysses disse: "Temos ódio e nojo à ditadura" Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina".
DESCULPE MAS PARTA DO PROMPT A SEGUIR: " - Presidente, tá me ouvindo? Tá me ouvindo? Muito obrigado, Presidente!"
Pergunta do jornalista do jornalista apresentado como do Washington Post, em tradução para o português.
" - Tua voz não combina com o tamanho do jornalista!"
Resposta do presidente em português. Com risos ao fundo.
" - Obrigado... (também sorrindo como sem saber onde o galo havia cantado).
Agradeceu o jornalista retomando o fio de sua pergunta...
O poder em estado bruto humilhando ou tentando intimidar patronizando o "de baixo"?
"Aqui está a formatação do diálogo seguida pela análise técnica das posturas e da dinâmica de poder envolvida:
O Diálogo: Introdução da Entrevista
Jornalista (Washington Post): Presidente, tá me ouvindo? Tá me ouvindo? Muito obrigado, Presidente!
Presidente: Tua voz não combina com o tamanho do jornalista! (Risos ao fundo)
Jornalista: Obrigado... (Sorrindo, em tom de hesitação e confusão). Presidente, retomando a minha pergunta...
Análise e Interpretação das Posturas
1. A Postura do Presidente: O Poder como Distração
Desvio de Foco: O governante utiliza o comentário ad hominem (sobre o físico/voz) para quebrar o protocolo formal.
Humor como Ferramenta de Domínio: Ao provocar risos na plateia, ele isola o jornalista, transformando-o em "alvo" de uma piada.
Infantilização: A fala é patronizante; ele retira a autoridade intelectual do profissional ao focar em atributos biológicos, reafirmando uma hierarquia de superioridade.
2. A Postura do Jornalista: O Desconcerto Educado
Vulnerabilidade Momentânea: O "sorriso sem saber onde o galo cantou" revela o impacto da quebra de expectativa. Ele é pego desprevenido pela falta de liturgia do cargo.
Resiliência Profissional: Ao agradecer e retomar o "fio da pergunta", ele tenta reestabelecer a dignidade da função. Ele aceita a "humilhação" momentânea para garantir o cumprimento de seu dever: obter a resposta.
Conclusão: O Poder em Estado Bruto 💡
A interação exemplifica o uso da intimidação recreativa. Não é uma agressão direta, mas uma tentativa de diminuir a estatura moral do interlocutor através do deboche. O "poder em estado bruto" manifesta-se aqui na liberdade que o ocupante do cargo máximo sente de ignorar a etiqueta profissional, forçando o "de baixo" a aceitar a brincadeira para não perder o acesso à informação.Se você quiser
Lula é recepcionado por Trump com tapete vermelho na Casa Branca
Terra Brasil
7 de mai. de 2026 #terranoticias
Com tapete vermelho, Lula é recepcionado por Trump ao chegar à Casa Branca. O presidente brasileiro foi recepcionado nesta quinta-feira, 7, pelo republicano durante viagem oficial aos Estados Unidos. A reunião ocorre em um momento de desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. Segundo integrantes dos dois governos, pelo menos cinco temas devem dominar as conversas: facções criminosas e segurança, pix e economia, guerra, Venezuela e posições internacionais, terras raras e minerais estratégicos, eleições e relação diplomática. #terranoticias
Reproduçõ/MargoMartin47/X
O encontro de maio de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald J. Trump exemplifica a normalização de lideranças com alta vulnerabilidade judicial, utilizando narrativas de perseguição política e legitimação eleitoral para consolidar poder. A reunião em Washington focou na cooperação estratégica, com ambos os líderes posando como representantes da soberania popular, apesar de históricos de intervenção judicial em seus respectivos países. Mais detalhes sobre a reunião podem ser vistos no YouTube.
Veja a coletiva do presidente Lula após encontro com Trump nos EUA
Band Jornalismo
🇺🇸 Original (English - Truth Social)"Just concluded my meeting with Luiz Inacio Lula da Silva, the very dynamic President of Brazil. We discussed many topics, including Trade and, specifically, Tariffs. The meeting went very well. Our Representatives are scheduled to get together to discuss certain key elements. Additional meetings will be scheduled over the coming months, as necessary." — Donald Trump, 7 de maio de 2026Este vídeo mostra Donald Trump elogiando a reunião e chamando Lula de dinâmico:
Trump says Lula is 'very dynamic,' praises meeting, and says new ...
YouTube
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Rede Gospel de Televisão
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7 de mai. de 2026
🇧🇷 Tradução (Português)"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião correu muito bem. Nossos representantes estão agendados para se reunir para discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário." — Donald Trump, 7 de maio de 2026Pontos-chave da nota:Adjetivo: Donald Trump chamou Lula de "muito dinâmico".Foco: Comércio e tarifas.Clima: O encontro foi descrito como "muito bem" (very well).Continuidade: Novas reuniões entre representantes foram agendadas.O encontro ocorreu no Salão Oval da Casa Branca e durou aproximadamente três horas, tratando também de segurança e minerais críticos.
Verbete: Resiliência Plebiscitária e Hiperpresidencialismo de Confronto
O cenário contemporâneo revela uma mutação constitucional onde o rito de passagem pelo sistema de justiça deixa de ser um impedimento burocrático-moral para se tornar um catalisador de legitimidade carismática. No caso das democracias brasileira e estadunidense, observa-se a instrumentalização do lawfare — real ou percebido — como ferramenta de mobilização de massas.
1. A Judicialização da Política e a Resposta Populista
A entrada de atores do Judiciário no vácuo de poder político gerou um efeito de "pendularidade institucional". Quando as cortes passam a atuar como árbitros da moralidade pública, líderes com perfil de "outsider" ou de "resistência" operam uma inversão narrativa. O processo judicial não é lido como aplicação da norma, mas como uma patologia do sistema (o deep state ou a elite burocrática) contra a soberania popular.
2. O Constitucionalismo Abusivo e a Revalidação das Urnas
A teoria do constitucionalismo abusivo explica como normas democráticas são utilizadas para subverter a própria democracia. No entanto, o "paradoxo da impunidade percebida" ocorre quando a absolvição jurídica ou a anulação de processos por vícios formais é equiparada, no discurso político, a uma "santificação ética". A legitimidade formal (o devido processo) é fundida à legitimidade substancial (o voto), criando uma blindagem onde a crítica jurídica é descartada como perseguição ideológica.
3. Mecanismos de Sobrevivência Institucional
Captura de Narrativa: A conversão do réu em mártir ou perseguido político, transferindo o julgamento do tribunal para a praça pública.
Plebiscitarismo de Identidade: O eleitor não vota em um programa, mas em uma identidade que se opõe ao sistema legal que o constrange.
Degradação da Verdade Jurídica: A erosão do consenso sobre fatos comprovados em juízo, substituídos pela "verdade política" de conveniência.
💡 Ponto Analítico CentralO sucesso desses líderes demonstra o esgotamento do modelo de "Democracia Militante", que pressupõe que o sistema de justiça pode filtrar candidatos por critérios éticos. Na prática, a polarização transformou as cortes em arenas de combate, onde o veredito final é dado pela aritmética eleitoral, e não pela hermenêutica constitucional. A "lisura" democrática, portanto, é performática: ambos posam como guardiões da Constituição enquanto tensionam suas costuras para acomodar suas próprias sobrevivências jurídicas.
Esta análise técnica, pautada pelo rigor do constitucionalismo crítico e pela densidade da ciência política, inicia-se pelo primeiro pilar de sua proposta. Para honrar a herança de Camões — o "Pai da Língua" — busco uma síntese que equilibre a precisão do termo jurídico com a elegância da forma, tal qual o "engenho e a arte" descritos n'Os Lusíadas.
I. Mecanismos de Anulação Processual: Um Estudo Comparado
No teatro das instituições, a sobrevivência política de líderes sob cerco judicial muitas vezes não se dá pela prova da inocência material, mas pela maestria sobre a forma processual. O Direito, aqui, não atua como espada da justiça, mas como escudo de nulidades.
O Modelo Brasileiro: O Garantismo e a Incompetência de Juízo
No Brasil, a anulação dos processos de Luiz Inácio Lula da Silva operou-se pelo reconhecimento de vícios de competência territorial e suspeição.
Incompetência Territorial: O STF determinou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era o "juiz natural" para os casos, deslocando o eixo geográfico da punição para Brasília.
A Suspeição (Partiality): O reconhecimento da parcialidade do magistrado condutor invalidou o arcabouço probatório, sob a tese de que um juiz que se torna "parte" corrompe a teleologia da norma.
Efeito: A nulidade ex tunc (desde o início) restaurou os direitos políticos, permitindo que a "fênix eleitoral" surgisse das cinzas do processo sem o selo da condenação.
O Modelo Estadunidense: Prerrogativas e a Imunidade Presidencial
No caso de Donald Trump, a arquitetura da defesa deslocou-se do rito processual para a interpretação constitucional da função.
Imunidade Executiva: A Suprema Corte dos EUA estabeleceu um precedente histórico ao distinguir atos oficiais de atos privados. Ao conferir imunidade absoluta (ou presuntiva) para atos da presidência, a justiça criou um vácuo de punibilidade.
O "Special Counsel" em Xeque: Decisões recentes questionaram a própria legalidade da nomeação de procuradores especiais, atacando a raiz burocrática da acusação (caso dos documentos em Mar-a-Lago).
Efeito: Enquanto no Brasil anula-se o passado (o processo feito), nos EUA busca-se anular a capacidade do Estado de processar o ocupante do cargo.
⚓ Síntese Camoniana
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🌞🙏🏽 Bom dia! Coluna desta quinta-feira: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/lula-corre-grandes-riscos-mas-nao-poderia-recusar-o-convite-de-trump/
Lula corre grandes riscos, mas não poderia recusar o convite de Trump
Publicado em 07/05/2026 - 05:42 Luiz Carlos Azedo
Se o convite ocorreu de uma hora para outra, a agenda do encontro está sendo negociada pelo Itamaraty desde a primeira conversa entre ambos
A visita do presidente João Goulart (Jango) aos Estados Unidos, realizada em abril de 1962, é considerada um marco da deterioração das relações Brasil-EUA. Foi decisiva para o cenário de desestabilização que levou ao golpe de 1964. Embora tenha sido recebido com toda pompa por John F. Kennedy, o resultado prático foi um estrondoso fracasso econômico e político. Jango tinha a vã esperança de receber a ajuda da Casa Branca. Kennedy condicionou qualquer ajuda à adesão rígida às normas do FMI, à contenção de salários e a medidas fiscais rigorosas, algo que Jango queria evitar para não penalizar a população mais pobre.
A política de não intervenção em Cuba e o diálogo com a União Soviética e a China, na linha da política externa independente de Jango, eram o grande contencioso entre os dois países no plano internacional. Mas havia também fatores internos, principalmente a nacionalização de subsidiárias de empresas americanas (como a ITT) no Brasil, realizada por Leonel Brizola, cunhado de Jango. Os EUA não somente suspenderam os empréstimos como exigiam indenização imediata.
Após a visita, a inteligência americana (CIA) passou a monitorar e buscar brechas para derrubar Jango, considerando-o um “radical pró-comunista”. A partir de 1962, os EUA aumentaram o financiamento a grupos conservadores, partidos de oposição (como a UDN) e à imprensa de direita para desestabilizar o governo. A “Operação Brother Sam” consolidou a visão de que Jango era um inimigo na América do Sul e culminou no apoio direto dos EUA ao golpe militar de 1964.
Leia também: Adeus reformas. Agenda possível é mais modesta
Quando o golpe ocorreu, os Estados Unidos já não eram os mesmos. O livro “Tabloide Americano” (Record), de James Ellroy, um romance policial noir, mostra o lado sujo da América nos anos que antecederam o assassinato do presidente Kennedy. Retrata a rede de ligações dos principais atores políticos da época: John e seu irmão Robert Kennedy, implacável perseguidor da máfia, o milionário Howard Hughes, J. Edgard Hoover, o todo-poderoso chefe do FBI, e até Frank Sinatra e Marilyn Monroe tornam-se ilustres coadjuvantes.
A Revolução Cubana e a desastrada invasão da Baía dos Porcos, a campanha presidencial de Kennedy, a luta por direitos civis no sul do país e o jogo mais que sujo do tráfico de heroína une castristas, anticastristas, a CIA e a máfia. Ellroy descreve a cadeia de acontecimentos que culminaram na morte de Kennedy, mas não se dá ao luxo de se conformar com as versões dos fatos. Denuncia a conspiração para matá-lo.
É nesse cenário que a visita de Kennedy ao Brasil foi sucessivamente adiada. Após seu assassinato, em 1963, o vice Lyndon B. Johnson assumiu o poder e, com isso, os candidatos oposicionistas no Brasil receberam milhões de dólares nas eleições de 1962. A assistência econômica era redirecionada aos governos estaduais oposicionistas, as “ilhas de sanidade administrativa”, como a antiga Guanabara, governada por Carlos Lacerda. A Embaixada dos EUA no Brasil, sob Lincoln Gordon, operou a aliança com os políticos e os militares.
Pelo telefone
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa foi amistosa. Trump teria dito que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do presidente brasileiro. Lula, por sua vez, afirmou que queria tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas relacionados a conflitos internacionais e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
Trump respondeu que tem interesse em ouvir as opiniões de Lula sobre esses assuntos e convidou-o para uma conversa no Salão Oval da Casa Branca, o que deve ocorrer hoje. Essa conversa “olho no olho” com Trump foi adiada desde a guerra no Oriente Médio. A expectativa de Lula é que reunião possa normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e aumento de tarifas de importação.
Se o convite ocorreu de uma hora para outra, a agenda do encontro está sendo negociada pelo Itamaraty desde a primeira conversa entre ambos, por telefone, em 26 de janeiro de 2026, que durou 50 minutos. O contencioso com a Casa Branca envolve a existência do PIX, a transnacionalização do crime organizado e do narcotráfico brasileiro, a exploração de terras raras e outros minerais críticos, a geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU e as eleições no Brasil.
Leia mais: O que os dois presidentes querem ganhar com encontro na Casa Branca?
Nesse ínterim, as divergências entre Lula e Trump escalaram com a tensão no cenário internacional e a aproximação das eleições, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para acirrar as contradições. A extrema-direita na Casa Branca não esconde o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), que agora rivaliza com Lula na liderança das pesquisas eleitorais.
A máxima de que esse tipo de encontro “só acontece quando tudo está resolvido” não vale para Trump. Lula corre riscos, mas não poderia recusar o convite. O resultado da conversa entre ambos depende muito da “química” entre os dois e, obviamente, da natureza das exigências de Trump e das concessões que Lula admite fazer à Casa Branca. Ou seja, o resultado é imprevisível, ainda que o petista seja tratado com toda pompa, como fora Jango.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Bolsonaro, #Gaza, #Irã, #Narcotráfico, #Pix, #Tarifas, #Trump, Lula
Remoção da Favela da Praia do Pinto (2/4) - De Lá Pra Cá - 11/05/2009
TV Brasil
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TV Brasil é financiada total ou parcialmente pelo governo do Brasil. Wikipedia (Inglesa)
2 de jun. de 2009
Exibição: 11/05/2009
Programa sobre a Remoção da Favela da Praia do Pinto, que completa 40 anos.
"A FAVELA DO PINTO NA LAGOA ERA A FAIXA DE GAZA ENTRE JARDIM BOTÂNICO E COPACABANA A SER REMOVIDA PARA A FAVELA DA VILA KENEDY E SE TRANSFORMAR EM MAIS UMA ARRANHÃ CÉU EM BUSCA DE DEUS QUE TAMBÉM ERA O DE GIL, DA COBERTURA DO CHICO EM UM DIA DA PAIXÃO DE CRISTO, DO OUTRO LADO DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS. A Favela do Pinto, que ocupava o que hoje é o condomínio Selva de Pedra no Leblon/Lagoa, é um dos marcos mais dramáticos das remoções habitacionais no Rio de Janeiro durante a ditadura militar.📍 O Epicentro do ConflitoLocalização: Entre o Corte do Cantagalo e a rua Humberto de Campos.Ocupação: Área nobre cobiçada pelo mercado imobiliário nos anos 60.O Incêndio: Em 1969, um fogo "misterioso" destruiu a favela.Desfecho: Moradores foram transferidos para a Vila Kennedy (Zona Oeste).🏗️ A Metamorfose UrbanaArranha-céus: No lugar dos barracos, surgiu o Selva de Pedra.Verticalização: O projeto visava modernizar a Lagoa para a elite.Segregação: A remoção empurrou a pobreza para longe dos olhos da orla.🕊️ O "Deus" e a Cultura na LagoaGilberto Gil: Compôs sobre a desigualdade e a espiritualidade baiana e carioca.Chico Buarque: Morador emblemático de coberturas próximas, cronista da cidade.Simbolismo: A Paixão de Cristo na Lagoa contrasta o luxo e o sofrimento social.💡 Curiosidade: A remoção da Favela do Pinto foi o primeiro grande passo para a gentrificação total da orla da Zona Sul, mudando para sempre a demografia do Rio.Se você quiser, posso pesquisar detalhes sobre o incêndio de 1969 ou a história da Vila Kennedy. Como prefere continuar?4 sitesVocê sabia? No meio do Leblon o bairro mais rico do Brasil, havia uma favela com mais de 15 mil habitantes era a favela da Praia do Pinto, que hoje dá lugar a um Shopping e Condomínios de luxo. Na época os moradores resistiam em deixar o local foi quando em 11 de maio de 1969 a favela foi acometida por um misterioso incêndio e os moradores foram realocados pelos governantes em habitações bem distantes da Zona Sul, com muitas famílias indo para Cidade de Deus e Cidade Alta.6 de jul. de 2025 — Ainda existe uma favela vertical, atrás do shopping Leblon. No local da antiga favela "praia do pinto", foi construído o condomíni...InstagramFoto de 1965 da Favela da Praia do Pinto. Ela ficava entre os bairros do Leblon e Lagoa, bem próxima a sede do Clube de Regatas do Flamengo. A favela foi destruída por um incêndio em 1969, quatros anos após essa foto, e em seu lugar foi construído o condomínio Selva de Pedra com 40 edifícios altos e 2.251 apartamentos. O plano de construção da Selva de Pedra começou após o incêndio, na madrugada do dia 11 de maio de 1969, dessa favela. Durante cinco dias, o fogo consumiu boa parte dos barracos. Na época, moradores acusaram os bombeiros de não atender aos pedidos de socorro e levantaram suspeitas de que o incêndio tivesse sido proposital. Nessa foto podemos observar algumas construções das ruas: Humberto de Campos, José Linhares, Cupertino Durão, Carlos Góes e Almirante Guilhem. Nessa época os apartamentos e terrenos próximos a comunidade eram muito mais baratos que em outros bairros. Algumas construções antigas do Leblon estarão no livro 2 Rio - Casas & Prédios Antigos. Acesse catarse.me/livro2rio e garanta o seu. #favela #praiadopinto #riodejaneiro #rj #arquitetura #incendio #livro2rio #livro #rio #riodeontem #zonasulrio #casas23 de nov. de 2018 — Foto de 1965 da Favela da Praia do Pinto. Ela ficava entre os bairros do Leblon e Lagoa, bem próxima a sede do Clube de Regatas do...FacebookFavela do Pinto no Leblon, década de 1960. Após a comunidade ser vítima de um incêndio criminoso, seus moradores foram removidos de lá no meio das políticas de remoção de favelas nos governos Lacerda e Negrão de Lima, e transferidos para conjuntos habitacionais nas zonas norte/oeste longe das vistas das classes altas da cidade. Cerca de 10.000 pessoas moravam na favela11 de dez. de 2025 — Bom dia, não querendo defender Político, mas a Vila Kennedy, foi criada, para abrigar Pessoas de uma Favela, não lembro qual, send...Facebook"
Remoção da Favela da Praia do Pinto (4/4) - De Lá Pra Cá - 11/05/2009
TV Brasil
2,77 mi de inscritos
2 de jun. de 2009
Exibição: 11/05/2009
Programa sobre a Remoção da Favela da Praia do Pinto, que completa 40 anos.
https://www.youtube.com/watch?v=du3VM1p5MgE
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades – Luís de Camões
"Eu na verdade indiretamente
Sou culpado da tua infelicidade
Mas se eu for condenado
A tua consciencia sera meu advogado"
Errei Erramos
Ataulfo Alves
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.
Nota biográfica
Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, Portugal, em 1524. Foi uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental. A sua obra magna, Os Lusíadas, é considerada a epopeia portuguesa por excelência. Camões foi louvado por diversos luminares não-lusófonos da cultura ocidental.
Mônica Bergamo: Lula deve pedir fim da investigação americana sobre Pix
Rádio BandNews FM
"Tem um leitor aqui perguntando: 'pra que tantos dedos para elogiar o Lula?' Primeiro que não foi um elogio, foi uma constatação. Constatação de um talento que ele tem, assim como o Ciro o chamou de encantador de serpentes, né. É... e, de fato, eu não gosto de elogiar político não, porque já tem gente muito bem paga para fazer isso. O meu trabalho é outro."
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Lula e o fantasma das Laranjeiras, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
O último dos espíritos que rondam Brasília aparece a Lula nas noites insones do Alvorada
Em 30 de outubro de 1897 o Jornal do Brasil noticiou em sua primeira página: “Às primeiras badaladas da meia-noite, descia a Ladeira do Ascurra nas Laranjeiras, no Rio, em direção ao Largo do Machado, um vulto de mulher, ora decapitado, ora ostentando uma cabeça povoada de cabelos negros”. Milhares acorreram nos dias seguintes à ladeira para tentar flagrar a assombração.
A história do fantasma que apavorou a capital federal meses antes do atentado contra o presidente Prudente de Morais está no livro 1897, A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais, do professor Ely Carneiro de Paiva, da Unicamp. Ela marcou o último ano do primeiro governo civil da República. Na noite de quinta-feira, dia 30 de abril, milhares de pessoas se aglomeraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, no centro de São Paulo. Chegaram pouco a pouco em suas motocicletas e com seus baús e mochilas.
Um deles explicou à coluna. Estava lá para “assar uma carne”, “conversar”, “confraternizar”. Entregadores, sem outro vínculo que não o de seu trabalho – de forma que alguns desavisados chamariam de “espontânea” –, inundaram a praça com seu destino comum, suas vidas, esperanças e inseguranças. Todos invisíveis ao governo e às centrais sindicais. Ali passeava um fantasma. Não o da mulher sem cabeça, mas o de uma esquerda que não soube conversar com esse mundo, como mostrou a repórter Cristiane Barbieri em sua série sobre a nova realidade do trabalho. De fato, na noite de quinta-feira, não havia um único dirigente da CUT ou do PT na Praça Charles Miller.
O fantasma da falta de conexão com o novo mundo do trabalho não é o único a apavorar Lula e o PT neste 2026. A ele se junta o fantasma das relações civis e militares. Se a oficialidade se descolou, em sua maioria, do bolsonarismo em 2023, tampouco passou a nutrir simpatias pelo petismo, mesmo após os ataques da extrema direita ao Exército, que se manteve na legalidade e não embarcou no Plano Punhal Verde e Amarelo.
Uma terceira assombração resolveu reaparecer em Brasília. E à luz do dia. Ela não se mostrava assim desde o governo de Floriano Peixoto, o marechal que antecedera Prudente de Morais. Trata-se da crise do mundo político com aquele habitado, hoje, por dez magistrados. Há muita gente se preparando para assistir a um novo espetáculo, que até bem pouco só existia no mundo sobrenatural. O desfile de decapitados de 2027 não descerá a Ladeira do Ascurra – dizem esses áugures –, mas ocorrerá no STF. Por fim, o último dos fantasmas que rondam Brasília é o que aparece a Lula nas noites insones do Alvorada. Ele tem as vestes do Bolsonaro Acorrentado e sobe a rampa do Planalto.
Bayes' Theorem updates your belief about something after seeing new evidence.
Vale a pena guardar
Entre 1989 e 2026: repetição ou metamorfose? Uma leitura da política brasileira à luz de Camões
Por uma ciência política de divulgação
A eleição presidencial de 1989 ocupa um lugar singular na história brasileira. Primeira após a ditadura militar, reuniu 22 candidatos e simbolizou um país em reconstrução institucional, marcado pela fragmentação partidária e pela busca de identidade democrática. Nomes como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva representavam projetos distintos de país, enquanto Fernando Collor de Mello emergia como o “novo”, um outsider que capitalizou o desgaste das elites tradicionais.
Passadas quase quatro décadas, a eleição de 2026 se desenha em um cenário profundamente diferente — mas não totalmente desconectado. A questão que se impõe é: estamos diante de uma repetição histórica ou de uma transformação estrutural com aparência de continuidade?
Da fragmentação à polarização
Se 1989 foi marcado pela dispersão — 22 candidaturas, múltiplos projetos e baixa coordenação partidária —, o Brasil contemporâneo caminha na direção oposta: a polarização.
Nas eleições recentes, o número de candidaturas diminuiu significativamente, e o sistema político passou a se organizar em torno de dois grandes polos. Nesse contexto, a possível presença de Luiz Inácio Lula da Silva como figura central em 2026 não representa apenas continuidade pessoal, mas a consolidação de um eixo político que estrutura o debate nacional há pelo menos duas décadas.
Por outro lado, nomes como Ronaldo Caiado ilustram a reorganização do campo oposicionista, que já não se ancora nas mesmas siglas ou lideranças de 1989, mas mantém a lógica de contraposição.
Partidos: permanência nominal, mutação substantiva
Um dos aspectos mais intrigantes da comparação entre 1989 e 2026 é a sobrevivência das siglas. O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, permanece como protagonista. No entanto, sua posição no sistema político mudou: de força emergente em 1989 a eixo estruturante do debate político contemporâneo.
Outras siglas desapareceram, se fundiram ou perderam relevância. Isso revela uma característica central do sistema partidário brasileiro: alta volatilidade institucional combinada com continuidade simbólica.
A ideia de um “terceiro partido” com papel semelhante ao do antigo PRN — legenda de Collor — também ressurge ciclicamente. Contudo, diferentemente de 1989, esse espaço tem encontrado dificuldade em se consolidar de forma duradoura, sendo frequentemente absorvido pela dinâmica polarizada.
O mito da repetição histórica
Há uma tentação recorrente, no jornalismo e na análise política, de interpretar o presente como espelho do passado. A presença de nomes conhecidos, a permanência de siglas e a reedição de antagonismos sugerem uma espécie de déjà vu institucional.
No entanto, essa leitura ignora transformações profundas:
O papel das redes sociais na formação da opinião pública
A profissionalização das campanhas
A judicialização da política
A mudança no perfil do eleitorado
Assim, ainda que Luiz Inácio Lula da Silva possa disputar novamente sob a mesma sigla, o contexto em que isso ocorre é radicalmente distinto daquele de 1989.
Camões e a política: mudança como regra
É nesse ponto que a leitura do poema de Luís de Camões se torna mais do que um recurso literário — ela se transforma em chave analítica:
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.”
A política brasileira exemplifica com precisão essa dinâmica. O que parece repetição é, na verdade, reconfiguração. As mesmas palavras — democracia, povo, mudança — ganham novos significados conforme o contexto histórico.
Conclusão: entre a memória e a transformação
A eleição de 2026 não será uma nova versão de 1989, ainda que dialogue com ela. O Brasil de hoje é menos fragmentado, mais polarizado e institucionalmente mais complexo.
Se em 1989 a novidade era um outsider como Fernando Collor de Mello, em 2026 a novidade pode residir justamente na dificuldade de emergência de um novo polo fora da lógica dominante.
No fim, como sugere Camões, não é apenas o tempo que muda — muda a própria forma de mudar.
E talvez seja esse o verdadeiro “imbróglio”: reconhecer que a política brasileira não se repete, mas também nunca rompe completamente com o seu passado.
O Partido Invisível: rejeição, simetria e o eco de 1989 na eleição de 2026
Por uma leitura de ciência política aplicada ao jornalismo
A eleição presidencial de 1989 marcou a retomada democrática no Brasil com uma característica central: a fragmentação. Foram 22 candidatos, múltiplos projetos e um eleitorado ainda em processo de reorganização após duas décadas de regime militar. Nesse cenário, um elemento inesperado emergiu: a vitória de Fernando Collor de Mello, então filiado ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN), uma legenda pequena que capturou um sentimento difuso de insatisfação nacional.
Quase quarenta anos depois, a eleição de 2026 se apresenta sob outra lógica. Menos fragmentada, mais polarizada e estruturada em torno de poucos polos de poder, ela sugere uma transformação profunda no funcionamento da democracia brasileira. No entanto, sob essa mudança aparente, pode-se identificar uma permanência mais sutil — não de partidos ou nomes, mas de funções políticas.
Do partido formal ao “partido invisível”
Em 1989, o PRN era uma legenda concreta, institucional, ainda que pouco expressiva. Hoje, ele pode ser reinterpretado como algo diferente: não mais um partido formal, mas uma função política difusa, que atravessa siglas e candidaturas.
Esse “novo PRN” — que aqui se pode chamar, por ironia ou precisão analítica, de “Partido da Rejeição Nacional” — não se define por um programa, mas por um afeto: a rejeição.
Trata-se de um fenômeno conhecido na ciência política como voto negativo, no qual o eleitor não escolhe propriamente um projeto, mas se posiciona contra outro. Nesse sentido, a política deixa de ser apenas disputa de propostas e passa a ser também disputa de rejeições.
A simetria dos polos
A dinâmica eleitoral contemporânea no Brasil tem se estruturado em torno de um eixo central, frequentemente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e à figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse polo organiza não apenas apoios, mas também resistências.
É nesse ponto que o “Partido da Rejeição Nacional” ganha forma: ele surge como imagem invertida desse polo dominante. Sua identidade não é autônoma, mas relacional — define-se pela oposição.
Diferentemente de 1989, quando o “novo” se apresentava como promessa de reconstrução, o que se observa agora — ao menos como tendência — é a emergência de um “novo” que se estrutura como negação.
Renovação que se torna rejeição
A transformação semântica proposta — de “Reconstrução” para “Rejeição” — não é apenas retórica. Ela aponta para uma mudança na própria natureza da política:
antes, a mobilização se dava pela esperança de mudança
agora, pela recusa da continuidade (ou do adversário)
Esse deslocamento não elimina a política, mas altera seu eixo. O debate deixa de girar exclusivamente em torno de projetos de futuro e passa a ser fortemente influenciado por avaliações negativas do presente ou do outro.
Camões e a lógica da mudança
A leitura desse processo encontra eco no poema de Luís de Camões, especialmente quando afirma:
“todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.”
Na política brasileira, essa ideia se materializa de forma evidente. As estruturas permanecem, mas seus significados se transformam. As siglas sobrevivem, mas já não representam o mesmo. E até mesmo a ideia de “novo” se reinventa — ora como construção, ora como rejeição.
Mais adiante, o poeta aprofunda:
“outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.”
Aqui está o ponto central: não apenas mudam os atores e as circunstâncias — muda a própria forma de mudança. A política deixa de operar segundo padrões previsíveis e passa a incorporar dinâmicas mais voláteis, emocionais e reativas.
O limite da simetria
Embora a ideia de uma oposição perfeitamente simétrica seja analiticamente elegante, a realidade política impõe limites. O Brasil continua sendo marcado por:
diversidade regional
fragmentação partidária no Legislativo
surgimento recorrente de novos atores
Isso significa que o “Partido da Rejeição Nacional” dificilmente se consolidará como uma força única e estável. Ele tende a se manifestar de forma dispersa, adaptando-se às circunstâncias e às lideranças disponíveis.
Conclusão: o passado como linguagem do presente
A eleição de 2026 não será uma repetição de 1989. No entanto, ela pode ser compreendida a partir de uma gramática semelhante, na qual sentimentos coletivos encontram expressão em candidaturas específicas.
Se em 1989 o PRN foi o veículo de um outsider que prometia reconstrução, em 2026 o que se observa — ao menos como hipótese interpretativa — é a emergência de um “partido invisível”, movido pela rejeição e estruturado em torno da oposição a um polo dominante.
No fim, a política brasileira confirma a intuição de Camões:
não há repetição pura, mas transformação contínua.
E, talvez, o maior desafio analítico seja justamente este:
reconhecer que, por trás dos mesmos nomes e siglas, operam sempre novas qualidades de mudança.
Vale a pena guardar
O Partido Invisível (Parte II): o agronegócio e a base material da rejeição
Se, na primeira parte, identificamos a emergência de um “Partido da Rejeição Nacional” como função simbólica da política brasileira, é necessário agora observar sua base material. Afinal, rejeições não surgem no vazio: elas se organizam sobre estruturas sociais concretas.
Entre essas estruturas, nenhuma é tão decisiva — e ao mesmo tempo tão heterogênea — quanto o agronegócio.
Um quarto do país que trabalha
Hoje, o agronegócio brasileiro reúne aproximadamente 28 milhões de trabalhadores, o que corresponde a cerca de um em cada quatro ocupados no país. Trata-se do maior contingente setorial quando considerado em sua forma ampliada, que inclui:
produção agropecuária
agroindústria
cadeias de insumos
logística e comercialização
No entanto, esse número esconde uma divisão fundamental.
O chamado núcleo primário — o trabalho diretamente no campo — concentra cerca de 8 milhões de pessoas, com rendimento médio mensal próximo de R$ 2.300, significativamente abaixo da média nacional.
Dualidade estrutural: modernidade e precariedade
O agronegócio brasileiro é frequentemente descrito como moderno, tecnológico e competitivo. E isso é verdade — em parte.
Na camada superior do setor, encontram-se:
grandes produtores altamente mecanizados
cadeias exportadoras eficientes
profissionais qualificados com rendimentos elevados
Mas, na base, predomina outra realidade:
alta informalidade
trabalho sazonal
baixa renda
vulnerabilidade econômica
Essa dualidade cria um fenômeno típico de economias desiguais:
👉 um mesmo setor abriga tanto o topo quanto a base da pirâmide social
Da condição econômica ao comportamento político
É nesse ponto que o agronegócio se conecta diretamente ao argumento da Parte I.
A heterogeneidade do setor produz respostas políticas distintas:
segmentos mais capitalizados tendem a se alinhar com agendas de mercado, estabilidade e previsibilidade
segmentos mais vulneráveis são mais sensíveis a variações de renda, custo de vida e políticas públicas
No entanto, ambos podem convergir em um elemento comum:
👉 a rejeição
rejeição a políticas percebidas como ameaças econômicas
rejeição a atores políticos associados à instabilidade
rejeição ao “outro polo” da disputa
Assim, o agronegócio não forma um bloco político homogêneo, mas contribui decisivamente para alimentar o que chamamos de “Partido Invisível”.
Simetria imperfeita: produção e reação
Na dinâmica descrita anteriormente — um polo dominante e um polo opositor — o agronegócio atua como campo de disputa, não como ator único.
Parte dele pode se alinhar ao eixo representado pelo Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Partido dos Trabalhadores, especialmente em regiões onde políticas públicas têm impacto direto.
Outra parte, porém, se organiza como força de contenção — não necessariamente por identidade ideológica, mas por cálculo econômico e percepção de risco.
É nesse deslocamento que a rejeição ganha densidade social.
Camões revisitado: a mudança na base
Se, na dimensão simbólica, Luís de Camões nos ajuda a compreender a mutação dos significados, na dimensão material ele nos lembra que a mudança é contínua, mas desigual:
“O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria…”
A metáfora é precisa:
o mesmo solo — aqui entendido como o agronegócio — assume formas distintas ao longo do tempo, mas não perde sua centralidade.
Conclusão: o invisível tem base concreta
O “Partido da Rejeição Nacional” não é apenas uma construção discursiva. Ele se ancora em experiências reais de milhões de trabalhadores que:
vivem oscilações econômicas
enfrentam insegurança de renda
percebem a política como risco ou ameaça
O agronegócio, nesse contexto, funciona como um dos principais terrenos onde essa percepção se forma e se difunde.
Se em 1989 um partido pequeno canalizou a insatisfação nacional, em 2026 essa insatisfação tende a ser mais difusa — menos institucional, mais espalhada —, mas não menos poderosa.
No fim, a política brasileira continua confirmando a intuição camoniana:
não apenas mudam os nomes e as formas,
mas também as raízes sociais da mudança.
E é nelas — mais do que nas siglas — que reside o verdadeiro sentido do jogo político.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões
terça-feira, 5 de maio de 2026
A esperança — essa, sim — não estava fora.
Estava no ato de continuar.
As lições do governo Allende, as eleições abertas e a solidão do poder
Publicado em 05/05/2026 - 11:28 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Guerra, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Trabalho
Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo
Adeus, senhor presidente, de Carlos Matus Romo, é uma obra singular no campo da reflexão sobre governo e poder na América Latina. Mais do que um manual de gestão, é um diálogo dramático entre um presidente fictício e seu assessor, no crepúsculo de um governo. Matus nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955, na Escola de Economia da Universidade do Chile. Fora assessor do ministro da Fazenda e ministro da Economia do governo de Salvador Allende, de 1971 a 1973, antes de se tornar o maior estudioso latino-americano sobre planejamento de governo e governabilidade.
Após o sangrento golpe do general Augusto Pinochet, no Chile, em 11 de setembro de 1973, Matus passou dois anos preso nos campos de concentração de Isla Dawson e Ritoque. Durante esse período, com base na experiência do governo Allende, desenvolveu suas teorias e conceitos sobre planejamento estratégico e gestão pública. Libertado em 1975, partiu para o exílio na Venezuela e buscou responder à seguinte pergunta: “Por que um governo com tanta popularidade e com tão boas intenções caiu de forma tão fragorosa, diante de um golpe militar?”
Matus faleceu em 21 de dezembro de 1998, em Caracas. Sonhava regressar ao Chile. Suas cinzas foram espalhadas em sua casa em Isla Negra, diante do mesmo mar sobre o qual o poeta Pablo Neruda teceu seus poemas e passou seus últimos dias. O Líder sem estado-maior e Estratégias políticas: chimpanzé, Maquiavel e Gandhi são outras obras do economista chileno conhecidas no Brasil.
Há um paralelo entre Adeus, senhor presidente e a situação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A obra de Matus é um balanço tardio do poder, feito quando já não há mais espaço para ilusões. O presidente fictício descobre, no fim do mandato, que governar não é executar um programa, mas administrar conflitos, limitações e, sobretudo, a perda progressiva de controle sobre a própria agenda.
É mais ou menos o que acontece com o presidente Lula. Na disputa eleitoral na qual busca a reeleição, já não é o líder absoluto, mobilizador, capaz de representar grandes esperanças, dono da expectativa de poder. É um governante em apuros, pressionado por contingências que não controla, como a crise do mercado de petróleo, provocada pela guerra do Irã, e uma correlação de forças adversa no Congresso e na sociedade, que agora o obrigam a operar no “modo sobrevivência”.
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Governabilidade depende da articulação política e da capacidade administrativa, dizia Matus. Quando essa integração falha, o governante passa a ser refém de estruturas que não controla e da avaliação negativa do governo. No caso de Lula, a rejeição inédita de um indicado ao Supremo Tribunal Federal, fato sem precedentes desde o século XIX, sinaliza exatamente isto: o presidente perdeu capacidade de coordenação sobre a engrenagem central do sistema político.
Sem respostas
Na linguagem de Matus, a agenda governamental está sendo capturada por outros atores. É o caso da segurança pública e das terras raras, por exemplo. É o que também pode acontecer com outras bandeiras do governo, como o fim da escala 6 x 1. O presidente fictício de Matus percebeu tarde demais que sua ação foi condicionada por forças que subestimou. É a situação de Lula, principalmente no Congresso. O Senado, sob liderança de Davi Alcolumbre, afirmou-se como poder autônomo e impõe limites claros ao Executivo.
Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao envolvimento de alguns magistrados na disputa. O fato novo não é mais a dinâmica das sucessivas pesquisas eleitorais, mas a mudança de correlação de forças no “poder instalado”, a perda de capacidade de coordenação sobre uma engrenagem central do sistema político, com a entrada em cena de um Corte cuja dinâmica interna cada vez mais se entrelaça com interesses políticos.
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Há também o componente da solidão do poder. Em Adeus, senhor presidente, o governante se vê isolado no momento decisivo, cercado por assessores, mas sem um verdadeiro “estado-maior” capaz de formular e executar estratégias consistentes. É prisioneiro de uma “jaula de cristal”, na qual só escuta quem está dentro dela, enquanto os que estão fora observam o que acontece na sua cozinha, como a “paparicação” dos puxa-sacos e a redução do círculo decisório. No Palácio do Planalto, hoje, o fenômeno se repete: quanto mais a crise avança, mais o poder se concentra e, ao mesmo tempo, mais vulnerável se torna.
O governo precisa responder a perguntas incômodas sobre o que deixou de fazer e o que não deu certo. Quais compromissos foram preservados ou abandonados? Esse balanço começa a ser antecipado pela conjuntura eleitoral. O elevado endividamento das famílias, a pressão inflacionária recente e a dificuldade de transformar políticas públicas em percepção positiva indicam que os resultados concretos não produziram o retorno político esperado.
E as pesquisas mostram um país fragmentado, com forte tendência ao posicionamento “independente” dos candidatos nos principais estados, que tangenciam o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no plano nacional. A polarização persiste, mas perdeu capacidade de organizar plenamente o sistema político. É como se o eleitorado tivesse abandonado as ilusões simplificadoras em relação aos dois líderes da disputa. Nesse sentido, as eleições são um “jogo aberto”, que não segue necessariamente as regras previsíveis do confronto clássico governo e oposição. Há um terreno muito pantanoso a ser atravessado.
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1970: Allende é eleito presidente do Chile
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O 11 de setembro da América Latina marca o início de mais uma ditadura na região. Há 52 anos, Salvador Allende era destituído e morto pelas forças golpistas. A ditadura comandada pelo
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1970: Allende é eleito presidente do Chile
Mirjiam Gehrke Publicado 04/09/2016Publicado 4 de setembro de 2016Última atualização
04/09/2020Última atualização 4 de setembro de 2020
No dia 4 de setembro de 1970, Salvador Allende foi eleito presidente do Chile. Pela primeira vez na América Latina, um político socialista chegava ao poder de forma democrática.
"Em termos de síntese curta , densa e quase sentenciosa :
No Chile de 1973, sob Salvador Allende , confrontaram-se dois paradigmas: um que buscava realizar transformações sociais pela via constitucional, democrática e pacífica; outro que, por distintas razões, passou a considerar a ordem jurídica insuficiente ou dispensável, admitindo sua ruptura em nome da ordem, da segurança ou de um projeto de poder.
Daí decorre que a estabilidade institucional não se rompe apenas por força material, mas pela prévia corrosão simbólica da Constituição — quando adversários são convertidos em inimigos e o conflito político deixa de ser mediado pelas regras comuns.
Conclusão: onde a Constituição é limite compartilhado, há política; onde se torna descartável, instala-se a exceção.
🌀 O LABIRINTO DAS IDEIAS
(Som • Imagem • Texto em Transe)
Imagem (composição pictórica):
📍 /mnt/data/a_dense_surreal_collage_illustration_scene_overal.png
🎧 PROPOSTA SONORA (trilha integrada ao texto)
A trilha deve entrar em pontos específicos, como se fosse respiração do labirinto
Referência estética: anos 1960–70 (eco do Cinema Novo)
Tons: experimental, político, tenso, mas com lampejos de esperança
Mini conto (com trilha sugerida)
[🎵 ENTRADA 1 — som ambiente + violão dissonante, estilo Caetano Veloso em fase tropicalista | volume baixo]
Dizem que o labirinto começou a ser construído há 62 anos, embora ninguém consiga provar onde está sua primeira pedra. Alguns afirmam que nasceu com uma câmera erguida contra o sol; outros, que surgiu de uma frase — uma dessas frases que sobrevivem aos homens. Desde então, ele cresce, não em largura, mas em repetições.
[🎵 ENTRADA 2 — percussão leve e tensão crescente, evocando Gilberto Gil | ritmo irregular]
Entrei por uma folha de papel.
Não era um portal evidente — apenas um manuscrito inclinado, palavras apressadas, nomes próprios como ecos: José Genoino, Jair Messias Bolsonaro. Cada nome abria um corredor. Cada corredor conduzia a outro nome, a outra acusação, a outra memória. Compreendi cedo que ali não se buscava a verdade, mas a permanência do enigma.
[🎵 ENTRADA 3 — som de projetor antigo + ruído analógico | transição para silêncio denso]
No centro — ou naquilo que o labirinto fingia ser o centro — havia uma lâmpada suspensa. Sob ela, uma câmera imóvel e um celular aceso. Lembrei-me do antigo axioma do Cinema Novo: uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Mas ali a ordem se invertera — a ideia já não nascia; ela circulava. Talvez sempre tivesse circulado.
[🎵 ENTRADA 4 — cordas tensas + atmosfera dramática, referência indireta a Terra em Transe | crescendo lento]
Caminhei mais. As paredes eram feitas de páginas C2 e C3, dobradas como mapas de um país impossível. Nelas, Ruy Guerra ainda filmava, aos 94 anos, um Brasil que insistia em não terminar. Seus personagens — um político, outro empresário — repetiam gestos antigos, como se encenassem um pacto que jamais fora escrito, mas sempre cumprido. Pensei em Lima Duarte e Daniel Filho não como homens, mas como arquétipos condenados à representação.
[🎵 ENTRADA 5 — ruídos urbanos + rádio fragmentado (vozes políticas sobrepostas) | sensação de caos]
Em um dos corredores, encontrei um hospital que funcionava. Em outro, uma lei vetada. Mais adiante, uma decisão aguardava julgamento no Supremo Tribunal Federal. Cada fato parecia uma saída — mas, ao atravessá-lo, eu retornava ao mesmo ponto. Foi então que compreendi: o labirinto não aprisiona pelo erro, mas pela verossimilhança.
[🎵 ENTRADA 6 — silêncio quase total + uma única nota grave sustentada]
Lembrei-me de Getúlio Vargas — ou talvez de sua voz: “eu não sou mais eu… o eu ideia fica livre com vocês.” Ali, enfim, entendi o mecanismo. Os corpos eram apenas passagens. As ideias, essas sim, eram as verdadeiras paredes.
[🎵 ENTRADA 7 — repetição rítmica minimalista (ciclo), evocando esforço contínuo | pulsação constante]
Continuei, já sem esperança de sair. E, paradoxalmente, foi nesse abandono que algo mudou. Percebi que o labirinto não exigia uma saída — exigia um movimento. Como Sísifo empurrando sua pedra, o sentido não estava no fim, mas na repetição consciente.
[🎵 ENTRADA 8 — retorno melódico suave, quase esperançoso, com acorde aberto]
Ao longe — ou talvez dentro de mim — ouvi um eco de Terra em Transe. O transe não cessara. O país, como o labirinto, persistia em seu estado de suspensão: nem ruína completa, nem redenção plena.
[🎵 FINAL — dissolução sonora: ruído + acorde maior sutil | esperança ambígua]
Antes de desaparecer entre as páginas, toquei a superfície de uma delas. Estava quente, como se ainda estivesse sendo escrita.
E compreendi, enfim, que aquilo que chamávamos de “podres poderes” não era o centro do labirinto, mas apenas mais um de seus caminhos.
A esperança — essa, sim — não estava fora.
Estava no ato de continuar.
“Um ministro, desses que o presidente ainda ouve, teria dito:
‘Seu maior adversário é o povo.’
Ao que o presidente — talvez por lucidez, talvez por ironia — poderia responder:
‘Não. Meu maior adversário sou eu mesmo.’
Porque, no fim, só resta ouvir o cidadão.
Todo poder emana do povo —
mas só o cidadão vota.”
🕊️ EPÍLOGO — O ADVERSÁRIO
(Diálogo final entre o Presidente e seu Assessor)
Assessor:
Senhor Presidente, permito-me insistir numa hipótese incômoda:
dizem que vosso maior adversário é o povo.
Asesor:
Señor Presidente, permítame insistir en una hipótesis incómoda:
dicen que su mayor adversario es el pueblo.
Presidente (após silêncio):
Não. Essa é a forma mais fácil de errar.
Presidente:
No. Esa es la forma más fácil de equivocarse.
Presidente:
O povo não é adversário.
É condição.
Presidente:
El pueblo no es adversario.
Es condición.
Presidente:
Se há um adversário real, ele não está fora.
Está na distância entre o que penso governar
e o que de fato consigo governar.
Presidente:
Si hay un adversario real, no está afuera.
Está en la distancia entre lo que creo gobernar
y lo que realmente puedo gobernar.
Assessor:
Então o adversário…?
Asesor:
Entonces el adversario…?
Presidente:
Sou eu.
Ou melhor:
minha incapacidade de transformar intenção em direção.
Presidente:
Soy yo.
O mejor dicho:
mi incapacidad de transformar intención en dirección.
(Pausa longa)
Presidente:
No fim, tudo se reduz a uma escuta.
Presidente:
Al final, todo se reduce a una escucha.
Presidente:
Mas não qualquer escuta —
não a dos corredores,
não a dos ministros,
não a dos ecos.
Presidente:
Pero no cualquier escucha —
no la de los pasillos,
no la de los ministros,
no la de los ecos.
Presidente:
A escuta do cidadão.
Presidente:
La escucha del ciudadano.
Assessor (quase em sussurro):
E o povo?
Asesor:
¿Y el pueblo?
Presidente:
O povo é princípio.
O cidadão é decisão.
Presidente:
El pueblo es principio.
El ciudadano es decisión.
Presidente:
Dizem que todo poder emana do povo.
Presidente:
Dicen que todo poder emana del pueblo.
Presidente:
Mas esquecem —
ou fingem esquecer —
que só o cidadão vota.
Presidente:
Pero olvidan —
o fingen olvidar —
que solo el ciudadano vota.
(Silêncio final — o poder já não responde)
🔎 Observação de estilo (breve)
Autocrítica do governante → núcleo matusiano
Centralidade da “capacidade de governo” → não intenção, mas execução
Deslocamento do conflito externo para interno → o verdadeiro adversário
Distinção conceitual (povo vs cidadão) → fechamento filosófico
Se quiser
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende
10, 12, 27, 29, 34, 53
Comício à sombra das árvores (tela de G.C. Bingham, 1854).
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Opinião do dia – Alexis de Toqueville*
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
*Alexis de Toqueville (1805-1859), “Lembranças de 1848”, p. 117, Companhia das Letras, 2011.
Governo entra em pânico após derrota histórica no Congresso
Rejeição inédita de indicação ao STF expõe fragilidade da base aliada e força articulação entre oposição e centrão
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta sua semana mais crítica após uma sequência de derrotas no Congresso. A principal delas foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, um episódio raro que evidenciou a perda de força da base aliada.
Nos bastidores, o resultado foi visto como uma demonstração clara de que o governo perdeu controle político. A votação terminou muito abaixo do esperado e revelou uma articulação eficiente entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise ganhou força no dia seguinte. A análise no Congresso é que a derrota virou um verdadeiro símbolo de fraqueza do governo. Parlamentares chegaram até a celebrar o resultado em plenário.
O governo prepara medidas para recuperar popularidade e tentar retomar influência no Legislativo. No entanto, sem apoio popular, ficará ainda mais difícil aprovar projetos e evitar novas derrotas.
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"O QUE O GOVERNO PROPÕE PARA ALIVIAR AS SUAS DÍVIDAS E O QUE ELE MESMO FAZ PARA TAMBÉM AMENIZAR A SUA PRÓPRIA DÍVIDA? QUEM GARANTIRÁ OS DOIS ALÍVIOS?
Maria Boa
Maria Alcina
Para o PT, o futuro é o passado
Por O Estado de S. Paulo
Manifesto divulgado no congresso do partido recicla a retórica da ‘herança maldita’ e subordina o discurso de futuro ao objetivo central do lulopetismo: garantir a reeleição de Lula
Aprovado no 8.º Congresso Nacional do PT, sob aplausos de sua ao mesmo tempo assustada e tinhosa militância, o manifesto do partido foi apresentado como uma bússola para o País. Nada mais petista do que o que se viu naquele encontro, realizado em Brasília. O documento tem título curioso – “Construindo o futuro” –, ao projetar-se para adiante enquanto revisita longamente o passado sob domínio da legenda. Combina, de forma previsível, o triunfalismo em torno do que Lula teria realizado com o alerta de tom sombrio sobre o que pode nos acontecer caso ocorra o que, para a companheirada, seria impensável: sua derrota em outubro. Fala em longo prazo com retórica inflamada, mas permanece preso ao curtíssimo prazo – a reeleição do presidente. O futuro, aqui, não passa de um nome elegante dado a uma necessidade imediata.
A leitura do manifesto não tarda a revelar o roteiro conhecido. Logo de saída, o PT se entrega ao que sabe fazer como poucos: um longo, minucioso e quase obsessivo arrazoado comparativo entre o terceiro mandato de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro. Páginas e páginas são dedicadas a reiterar a velha cantilena de que o País foi entregue em frangalhos, devastado, destruído, uma terra arrasada que só agora estaria sendo reconstruída sob a liderança iluminada do lulopetismo. Há, evidentemente, fatos que não podem ser ignorados. O governo Bolsonaro promoveu desmontes relevantes, sobretudo em educação, ciência e meio ambiente, com custos reais. Também é justo reconhecer resultados pontuais do atual governo. Mas nada disso autoriza o exagero de pintar o Brasil pré-2023 como cenário apocalíptico.
É nesse ponto que emerge o velho vício petista, cultivado desde 2003 como tradição: a “herança maldita”. A lógica é simples. Se o governo vai bem, o mérito é do PT; se vai mal, a culpa é sempre do antecessor. Foi Fernando Henrique Cardoso ontem, é Jair Bolsonaro hoje, será qualquer outro amanhã. Trata-se de um expediente tão repetido que já não convence além dos convertidos. Ao recorrer mais uma vez a essa muleta retórica, o partido revela menos sobre o passado que critica e mais sobre o presente que tenta justificar.
Esse padrão se completa com o maniqueísmo de sempre. Na cosmologia petista, o mundo segue dividido entre o bem (o próprio partido) e o mal, ocupado por qualquer adversário. Não há nuances nem autocrítica, apenas a reafirmação de uma superioridade moral que, de tanto repetida, já perdeu eficácia. O problema é que o tempo passou. Lula está em seu terceiro mandato, o PT acumula décadas no centro do poder, e a insistência em se apresentar como vítima de heranças alheias soa cada vez mais deslocada. Um governo que ainda precisa se explicar pelo passado revela, por contraste, a dificuldade de sustentar um legado próprio.
Quando o manifesto se volta ao futuro, o quadro pouco muda. A lista de propostas é extensa, mas familiar. Passa por reindustrialização conduzida pelo Estado, protagonismo estatal em setores estratégicos, planejamento econômico robusto e soberania produtiva. Tudo embalado em linguagem atualizada, mas ancorado no repertório de sempre. É o desenvolvimentismo clássico reapresentado como novidade. Falta-lhe, sobretudo, concretude. Nesse vazio, cresce a impressão de que o governo Lula 3 ainda não encontrou suas próprias marcas. Administra, reage, ajusta, mas não imprime direção clara. Longe de dissipar essa percepção, o manifesto acaba por cristalizá-la.
Não por acaso, o texto surgiu “amaciado”, desidratado de temas espinhosos. Evitam-se conflitos, suavizam-se formulações, calibram-se palavras, de modo a conciliar a grita habitual da militância do partido enquanto seus morubixabas tentam compensar as agruras políticas do atual mandato à construção de alianças convenientes País afora. O objetivo é não criar ruídos desnecessários, para não comprometer o projeto central. Qual projeto? A reeleição, naturalmente.
No fim, o manifesto cumpre o papel involuntário de expor o esgotamento de uma fórmula e escancara a dificuldade do lulopetismo de sair de si mesmo. O futuro que anuncia não chega a ser uma promessa. É, quando muito, uma reprise, cuidadosamente empacotada, mas reconhecível desde as primeiras linhas.
A Opep em xeque
Por O Estado de S. Paulo
Saída dos Emirados Árabes é desafio para o cartel do petróleo, cujo poder de controlar preços já vinha sendo minado pela emergência de potências produtoras como EUA, Venezuela e Brasil
Um dos principais produtores de petróleo do mundo, os Emirados Árabes Unidos acabam de anunciar que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O anúncio é um golpe para a organização – um cartel liderado pela Arábia Saudita que ao longo de décadas busca influenciar os preços do petróleo por meio da determinação de cotas de produção.
Fundada nos anos 1960, a Opep viveu o auge de seu poder na década de 1970. À época, havia bem menos países produtores da commodity, o que permitiu ao cartel, em 1973, embargar o envio de petróleo aos EUA, então altamente dependente de importações de membros da Opep.
Nos últimos anos, porém, o surgimento de novos atores capazes de produzir volumes consideráveis da commodity foi diminuindo o poder do cartel. Apenas nas Américas, Brasil, Guiana e EUA converteram-se em grandes países produtores. Hoje, os EUA são os maiores produtores mundiais de petróleo, à frente da Arábia Saudita.
Foi nesse contexto que os Emirados Árabes Unidos resolveram retirar-se, de forma contundente, da Opep. Fora do cartel, o país pretende ampliar sua produção para 5 milhões de barris diários até 2027.
Em 2019, o Catar já havia deixado a Opep, mas sem causar o ruído provocado pela decisão emiradense. Pequeno produtor de petróleo, o Catar escolheu priorizar a sua produção de gás natural.
Já a saída de um membro da estatura dos Emirados Árabes pode levar a novas debandadas da Opep. Por ora, no entanto, a saída não exerce impacto relevante nem sobre os preços nem sobre a produção de petróleo, uma vez que o conflito entre EUA, Israel e Irã reduziu significativamente as atividades produtivas de países do Golfo Pérsico, como os próprios Emirados e a Arábia Saudita.
Contudo, se há um vencedor claro nessa história, ele é obviamente o presidente dos EUA, Donald Trump, que inúmeras vezes pressionou a Opep a ampliar sua produção petrolífera para que o preço da commodity caísse.
Trump chegou a acusar a Opep de produzir pouco petróleo para inflar os preços, ajudando a Rússia, grande produtora associada ao cartel, a financiar sua campanha de agressão à Ucrânia. Ao romper com a Opep, os Emirados Árabes Unidos emitem um sinal de que não estão alinhados à Rússia, mas ao próprio Trump.
Além disso, os Emirados Árabes Unidos escalam a disputa cada vez menos silenciosa com a Arábia Saudita pela capacidade de liderar os países do Golfo, grupo que também inclui Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã.
É difícil antever as implicações dessa rivalidade sobre o delicado alinhamento entre os países do Golfo, especialmente os árabes. O que é certo, porém, é que a demanda por energia não para de crescer e, a despeito do aumento considerável de fontes renováveis, o petróleo segue sendo um ativo de grande importância em todo o mundo.
No ano passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a demanda global por petróleo seguirá crescendo até 2050, revertendo previsão feita no ano anterior de que o pico do interesse por petróleo se daria já em 2030.
Abalada pela deserção dos Emirados Árabes Unidos, a Opep também deve preocupar-se com o aumento da produção na Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Formalmente membro do cartel, a Venezuela agora encontra-se sob influência direta de Trump e certamente não se orientará pelas cotas da organização.
É verdade que o petróleo pesado venezuelano é mais difícil de refinar que o produzido em países do Golfo. Contudo, ele se encontra em uma região bem menos propensa a crises geopolíticas como a que se desenrola atualmente no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% da produção mundial de petróleo.
A conta é simples: refinar o petróleo venezuelano sai mais barato que depender da produção de uma região altamente instável como o Golfo Pérsico.
Antes uma potência global por força do seu poder regional praticamente indisputável, a Opep, que em outros tempos submetia o mundo a seus desígnios, agora é tragada por suas disputas internas e por uma produção de petróleo cada vez mais diversa.
Manhattan Connection | 03/05/2026
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Manhattan Connection
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4 de mai. de 2026
Fado Tropical (part. Ruy Guerra)
Chico Buarque
O Centrão, o STF e o Partido do Master | Central Meio
Meio
ao vivo realizada há 4 horas #Centrão #Master #Dosimetria
No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Flávia Tavares e o cientista político e colunista do Meio Christian Lynch conversam sobre as consequências e os significados das recentes derrotas sofridas pelo Governo Lula no Legislativo: a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF, e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por golpe de estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falas
TV 247
Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas
Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1.
Genoino: Lula precisa chamar Jaques Wagner às falas
TV 247
Transmitido ao vivo em 1 de mai. de 2026 Entrevistas
Confira a entrevista com José Genoino durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira 1.
José Genoíno, Jaques Wagner e Lula (Foto: Reprodução | Ag. Senado | Ricardo Stuckert)
Mauro Lopes
Conteúdo postado por:
Mauro Lopes
247 - O ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino questionou duramente a crítica do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao ex-presidente Lula pelos resultados do PT nas eleições municipais. Foi numa entrevista aos jornalistas Luís Costa Pinto e Eumano Silva: “Esses que querem cancelar o Lula são justamente os que querem fazer pactos. O Jaques Wagner perde a eleição na Bahia e a culpa é do Lula e do PT? O PT não pode entrar na lógica da conciliação com as elites. Porque as elites não querem pactuar com o PT. O partido precisa voltar a ser o grande rebelde da política brasileira. E o Lula tem que ser o líder desse processo. Caso contrário, morreremos”.
Genoino é ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, ex-deputado federal pelo PT São Paulo. Foi militante do movimento estudantil na virada dos anos 1960-70 e participou da guerrilha do Araguaia, sendo preso e barbaremene torturado pelo Exército. Foi perseguido durante a campanha que ficou conhecida como “mensalão” em 2005, condenado e preso injustamente. Teve sua pena extinta pelo STF em 2014.
🎭 Que Vantagem Maria Leva?
(à moda de Assis Valente, com o veneno doce de Maria Alcina)
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Nome limpo lá na praça?
À toa!
Com quem é que o lucro fica?
No banco!
E o dinheiro da Maria?
É branco!
Verso 1
É branco, é branco
O saldo do FGTS
Que o governo liberou
Com discurso e com promessa
De bondade e proteção
Mas era o suor da Maria
Virando prestação
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Como é que o político vive?
À toa!
Onde é que o cofre mora?
Não digo!
Mas no fundo garantido
Maria perdeu o abrigo
Verso 2
Não digo, não digo
Que eu conheço essa história
Tem caneta, tem decreto
Tem discurso e tem memória
Vende alívio embrulhado
Pra dor virar eleição
E o povo sai devendo
Com sorriso na mão
Refrão
Que vantagem Maria leva?
É boa!
A dívida se renova?
À toa!
Quem garante esse enredo?
É o FGO!
Mas se a conta não fecha
Quem paga é o povão depois
Ponte (falado, com ironia)
“Minha filha…
Te deram desconto,
Mas levaram teu descanso…
Te limparam o nome,
Mas hipotecaram teu amanhã…”
Verso 3
Maria sai cantando
Livre do SPC
Mas não vê que a corrente
Só mudou de endereço
Troca juros de susto
Por parcela comportada
Mas o banco agradece
E a dívida é alongada
Refrão Final
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Sai do aperto ligeiro?
À toa!
Quem lucra com a folia?
Eu não digo…
Mas quem dança nessa história
Nunca é só o perigo
Final
Não digo, não digo
Mas tenho certeza
Que a minha Maria
Já viu essa esperteza
De quem fala macio
Prometendo salvação
Mas faz da dor alheia
Campanha e reeleição
Se
📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende
Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53
📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026
📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011.
🎥 Análise política do dia
📍 Governo sob pressão no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma de suas semanas mais delicadas no Congresso Nacional após sucessivas derrotas.
A mais emblemática foi a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF — um fato raro que expôs fragilidade da base aliada e força da articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, a leitura é direta:
➡️ perda de controle político
➡️ dificuldade de coordenação
➡️ risco de novas derrotas
Parlamentares chegaram a comemorar o resultado em plenário, reforçando o simbolismo da derrota.
❓ Pergunta central do dia
O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida?
Quem garante esses dois alívios?
💰 1. Alívio das dívidas das pessoas (Desenrola Brasil 2.0)
O governo aposta na ampliação do programa Desenrola Brasil, com foco em renegociação:
💸 Descontos: até 90%
👥 Público: renda de até 5 salários mínimos
🏦 Dívidas incluídas: cartão, cheque especial, CDC e Fies
📊 Juros: limitados (até ~1,99% ao mês)
🪪 Regra adicional: possível bloqueio de CPF para apostas por 12 meses
🏗️ Uso do FGTS: até 20% para quitar débitos
🏛️ 2. Alívio da dívida do governo
A estratégia do governo envolve:
📈 Meta de superávit primário: cerca de 0,25% do PIB
💰 Aumento de arrecadação: IOF, importações
⚙️ Reforma tributária (CBS)
✂️ Contenção de gastos públicos
📊 Gestão da dívida via Tesouro Nacional
🛡️ 3. Quem garante os alívios?
Tipo de dívida Garantia
Pessoas Fundo de Garantia de Operações (FGO) + FGTS
Governo Tesouro Nacional + arrecadação
👉 Ponto-chave:
O risco final pode recair sobre o próprio Estado — e, portanto, sobre o contribuinte.
⚖️ 4. Conceitos essenciais explicados
🧩 Mínimo Existencial
Derivado do princípio constitucional da dignidade humana:
Garante o básico: alimentação, moradia, saúde
Impede que dívidas comprometam a sobrevivência
Base para renegociação judicial
⚖️ Lei da Usura e seus limites
Decreto de 1933 limita juros abusivos
⚠️ Mas: não se aplica plenamente aos bancos (STF – Súmula 596)
📜 Complemento: Lei do Superendividamento (2021)
👉 Resultado:
Não cancela automaticamente dívidas, mas permite revisão judicial.
🏦 5. Como funciona o FGO na prática
O governo atua como fiador do banco
Se o devedor não pagar → o governo cobre
Recursos vêm do Tesouro Nacional
👉 Tradução simples:
Lucro privado com risco parcialmente público.
🧾 6. O FGTS como garantia
Trabalhador usa seu próprio saldo
Banco bloqueia valores futuros
Saques ficam comprometidos
⚠️ Risco:
Perda de proteção em caso de demissão.
🎯 7. Quem ganha com isso?
👤 Devedor (Maria)
Limpa o nome
Reduz juros
Ganha fôlego imediato
🏦 Banco
Recupera crédito perdido
Reduz risco (garantia pública)
🏛️ Governo
Estimula consumo
Aumenta arrecadação indireta
Reduz inadimplência sistêmica
⚠️ 8. A crítica central
O mecanismo pode representar:
Uso de dinheiro do próprio trabalhador
Transferência indireta de risco ao Estado
Manutenção do ciclo de endividamento
👉 Em resumo:
alívio de curto prazo, custo potencial de longo prazo
🗳️ 9. Impacto político e eleitoral (2026)
Vantagens para quem está no poder:
Capital político imediato
Controle da agenda pública
Visibilidade institucional
Problema:
Possível desequilíbrio na disputa eleitoral
(princípio da paridade de armas)
📜 Avaliação
Critério Situação
Legalidade ✔️ Legal
Constitucionalidade ⚠️ Debate
Democracia ❗ Questionável
⛪ 10. Dimensão ética
✔️ Ajuda ao endividado → justiça social
❗ Uso político do benefício → questionável
👉 Dilema:
assistência legítima ou instrumento de poder?
📰 Editorial
📌 “Para o PT, o futuro é o passado”
Por O Estado de S. Paulo
O manifesto do partido reforça:
Retórica da “herança maldita”
Foco na reeleição
Propostas com baixa inovação
👉 Crítica central:
dificuldade de apresentar projeto realmente novo.
🌍 Geopolítica do petróleo
A saída dos Emirados Árabes da Opep sinaliza:
Enfraquecimento do cartel
Crescente protagonismo de EUA, Brasil e Venezuela
Disputa por liderança no Golfo
🎶 Trilha sonora do dia
🎤 Maria Alcina – Maria Boa
🎼 Chico Buarque – Fado Tropical
🎭 Encerramento
A pergunta permanece — com ironia digna de Assis Valente:
Que vantagem Maria leva?
Entre o alívio imediato e o custo invisível,
entre o discurso e a prática,
entre o presente e o futuro —
📌 algumas vezes se ganha, outras vezes se aprende.
Se quiser,
📰 Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende
Números do dia: 10, 12, 27, 29, 34, 53
📅 Segunda-feira, 4 de maio de 2026
📌 Opinião do dia – Alexis de Tocqueville
“Cada um propunha seu plano: este apresentava-o nos jornais, aquele nos cartazes que logo cobriram os muros, o outro, pela palavra, aos quatro ventos. Um pretendia eliminar a desigualdade das fortunas, outro a das luzes, um terceiro aspirava a nivelar a mais antigas das desigualdades, a existente entre o homem e a mulher; receitavam-se medicamentos específicos contra a pobreza e contra o mal do trabalho, que atormenta a humanidade desde que ela existe.”
Fonte: “Lembranças de 1848”, Companhia das Letras, 2011.
🎥 Análise política do dia
📍 Governo sob pressão no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa uma das semanas mais críticas após derrotas no Congresso.
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF evidenciou fragilidade da base e articulação entre oposição e centrão, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
▶️ Vídeo – Análise da crise política
🔗 Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=B3y5L1DVs_U
❓ Pergunta central do dia
O que o governo propõe para aliviar as suas dívidas — e o que faz para aliviar a própria dívida? Quem garante esses dois alívios?
💰 Alívio das dívidas – Desenrola Brasil 2.0
Descontos de até 90%
Uso do FGTS
Juros limitados
Público ampliado (até 5 salários mínimos)
🛡️ Quem garante?
Pessoas → FGO + FGTS
Governo → Tesouro Nacional
👉 O risco final pode recair sobre o contribuinte.
⚖️ Conceitos-chave
Mínimo Existencial
Garantia constitucional de sobrevivência básica.
Lei da Usura
Limitada para bancos; revisões ocorrem via Justiça.
🏦 Como funciona o FGO
Governo garante o banco
Se houver calote → Tesouro paga
🎯 Quem ganha?
👤 Devedor: alívio imediato
🏦 Banco: recuperação com baixo risco
🏛️ Governo: estímulo econômico
🎥 Debates e análises complementares
▶️ Manhattan Connection
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=i-9yNU6Y0dA
▶️ Central Meio – análise política
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=d0bEJwkHum0
Debate com foco nas derrotas do governo e articulações políticas.
▶️ TV 247 – Entrevista com José Genoino
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=PX9f9TVCtj4
Análise crítica interna sobre os rumos do governo e do PT.
📰 Editorial
📌 “Para o PT, o futuro é o passado”
Por O Estado de S. Paulo
Retórica recorrente
Foco na reeleição
Falta de inovação política
🌍 Geopolítica do petróleo
Saída dos Emirados Árabes da Opep:
Enfraquecimento do cartel
Ascensão de novos produtores
Impacto global no mercado
🎶 Trilha sonora do dia
▶️ Maria Boa – Maria Alcina
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=GyIA-7IR6GI
▶️ Fado Tropical – Chico Buarque
🔗 https://www.youtube.com/watch?v=NfjaFMah7sE
🎭 Encerramento – Sátira musical
Inspirado em Assis Valente e no estilo de Maria Alcina:
Que vantagem Maria leva?
(trecho)
Que vantagem Maria leva?
É boa!
Nome limpo lá na praça?
À toa!
Com quem é que o lucro fica?
No banco!
E o dinheiro da Maria?
É branco!
🧠 Reflexão final
Entre o alívio imediato e o custo invisível,
entre o discurso e a prática,
entre o presente e o futuro:
Algumas vezes você ganha, outras vezes você aprende.
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