Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos.
As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
"E ainda o barbeiro Nequete, que citava Lênin a três por dois."#EspaçoAberto | Luiz Sérgio HenriquesA dupla asfixia de Cuba - O caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis
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📸Yamil Lage/AFP
domingo, 26 de abril de 2026
A dupla asfixia de Cuba, por Luiz Sérgio HenriquesO Estado de S. PauloO caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis
Cuba parece estar em suspensão, à espera de acontecimentos que remodelarão sua fisionomia em futuro mais ou menos próximo. Vive uma drôle de guerre, dir-se-ia, assemelhada à que acometeu os franceses em 1940, antes da guerra propriamente dita.
Bem verdade que as diferenças também são cruciais. Agora, prevalecendo minimamente a lógica, não se espera invasão por terra ou chuva de bombas aéreas. Em compensação, os sofrimentos humanos já são reais e não podem ser dissimulados, como se a vida pudesse seguir com a aparência de sempre. A crueldade de Donald Trump não só afeta a economia da ilha, mas irrompe na emergência dos hospitais, nos cortes de água, na escassez de alimentos e remédios.
Nisto que parece ser o ato final, o bloqueio norte-americano reitera sua dimensão tacanha. Desde que se estabeleceu há quase sete décadas, nem de longe cumpriu o objetivo declarado de cercar, enfraquecer ou derrubar o regime. Antes o fortaleceu, dando-lhe a possibilidade de arregimentar a população contra o inimigo externo, uma das armas clássicas para calar toda e qualquer dissidência, caracterizada invariavelmente como antinacional e instrumento do imperialismo.
O caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis – uma das capacidades humanas menos empregadas. Ao longo do tempo, suscitou adesões e repulsas ideologicamente carregadas que expulsaram, e expulsam, o espírito crítico e a argumentação serena.
Fácil demais, à direita, demonizar a ilha e suas tentativas – na verdade, quixotescas – de exportar o modelo revolucionário para uma América Latina supostamente em chamas, pronta para gerar “um, cem, mil Vietnãs”. Não menos fácil, à esquerda, dobrar-se ao mito do “território livre das Américas” e incorrer em rituais duvidosos, como o culto à personalidade do homem providencial ou a celebração de um tipo de sociedade e de Estado crescentemente autoritários.
A socióloga argentina Claudia Hilb, num pequeno e precioso livro, chamou a atenção para a substancial inaptidão para decifrar o regime da Revolução Cubana por parte de variados setores da esquerda democrática. Em Silêncio, Cuba (Paz e Terra, 2010), tratou de decifrar a antinomia fundamental do “paradigma revolucionário”: conquistas sociais na educação ou na saúde, por exemplo, se mostraram indissociáveis da concentração tendencialmente absoluta do poder político. Por isso, o grau relativamente mais elevado de igualdade, para os padrões latinoamericanos, teve como contrapartida necessária a compressão das liberdades civis.
No plano “estrutural”, a economia centralizada nunca constituiu base sólida para o welfare à cubana dos anos 1970-1980. No seu auge, devia ser apoiada externamente pela distante União Soviética, interessada em cravar um espinho nas costas da Flórida, assim como, já no seu declínio, passaria a depender cada vez mais da precária Venezuela chavista. No plano “superestrutural”, a direção única seguia o caminho do controle ideológico e da difusão do conformismo como princípio regente do comportamento cotidiano. (Hilb, aliás, fala diretamente do medo como princípio de ação.)
“Dentro da revolução, tudo; fora da revolução, nada” – a consigna popularizada por Fidel Castro desde a fase heroica não pôde se manter quando a esquerda, ou parte dela, trocou o paradigma revolucionário pelo democrático. As muitas vozes de uma sociedade plural e moderna não permitem que uma só voz defina o que é revolução, o que ela inclui e o que exclui. Em Cuba, desde o início muita gente foi excluída e passou a viver o drama do exílio e da separação, que não é lícito ignorar porque alegadamente afetaria só os que são “de direita” e fugiram para os Estados Unidos, México ou Espanha.
Muito pelo contrário, a emigração assumiu caráter de massa, tanto pelo bloqueio norte-americano quanto, sobretudo, pelos fundamentos estreitos da economia cubana. As sucessivas vagas migratórias acabaram por criar um problema demográfico de difícil resolução, expulsando os jovens e deixando para trás os necessitados de cuidado, que os serviços sociais desmantelados não conseguem atender. Para analistas sagazes, o paradoxo final é que assim, involuntariamente, Cuba e Estados Unidos, com milhões de exilados, se tornaram ainda mais entrelaçados nesta passagem de época repleta de tiranias locais e pulsões imperialistas.
A degradação da democracia na América faz temer o pior. Estamos longe de um Barack Obama que há exatos dez anos restabelecia relações diplomáticas e econômicas entre os dois países, ainda que sem pular a barreira do Congresso para suspender o bloqueio comercial. Tratava-se, segundo Obama, de encerrar o último legado da guerra fria no Hemisfério e propiciar reformas paulatinas na economia e na política.
Hoje, porém, pratica-se a “decapitação” das direções adversárias – bem-sucedida, por assim dizer, na Venezuela, e calamitosamente fracassada no Irã. Parafraseando o poeta, a violência da linguagem dá perfeita ideia da violência propriamente dita inerente aos desatinos de Trump.
*Tradutor e ensaísta, é coeditor das obras de Gramsci no Brasil
RESUMO:
O artigo analisa a situação de Cuba como um caso complexo, marcado por contradições difíceis de conciliar. O país vive uma crise prolongada, com graves dificuldades econômicas e sociais, agravadas pelo bloqueio dos Estados Unidos — intensificado durante o governo de Donald Trump — que afeta diretamente a vida da população, com falta de alimentos, água e medicamentos.
No entanto, o texto argumenta que o bloqueio, longe de enfraquecer o regime, acabou fortalecendo-o ao permitir que o governo mobilize a população contra um inimigo externo e justifique a repressão interna.
Ao mesmo tempo, critica tanto visões simplistas da direita, que demonizam Cuba, quanto da esquerda, que romantiza o regime. A socióloga Claudia Hilb é citada para destacar o paradoxo central da Revolução Cubana: avanços sociais importantes (como saúde e educação) vieram acompanhados de forte concentração de poder e restrição das liberdades civis.
O modelo econômico centralizado também se mostrou insustentável, dependendo historicamente de apoio externo (primeiro da União Soviética e depois da Venezuela). Isso contribuiu para uma crise estrutural e para grandes ondas migratórias, que hoje geram problemas demográficos.
O texto conclui que Cuba e Estados Unidos permanecem profundamente interligados, apesar do conflito, e alerta para o risco de agravamento das tensões no cenário atual. Em contraste com a tentativa de reaproximação no governo Barack Obama, o momento atual é marcado por maior radicalização e uso de estratégias agressivas na política internacional.
Do Fogo da Resistência ao Pragmatismo da Democracia Cristã
"A poesia não é coisa brilhante, é coisa que brilha na escuridão."— Ferreira Gullar"Ninguém me contou como foi a ditadura. Eu vi os presídios, eu vi os rostos, eu ouvi os gritos pela anistia."— Teotônio Vilela (referência ao seu périplo nacional)
RESUMO ANALÍTICO
Este texto traça a linhagem dialética do movimento estudantil brasileiro, confrontando o heroísmo sacrificial do passado com os novos arranjos do presente. Através do conceito "Três por Duas", estabelecemos um diálogo entre cinco figuras fundamentais:
O Triunvirato da Resistência: O poeta Ferreira Gullar, voz estética do inconformismo; o senador Teotônio Vilela, o "Menestrel" que desertou da ARENA para carregar a bandeira da Anistia; e Aldo Rebelo, o ex-líder da UNE que hoje, em uma manobra de sobrevivência nacionalista, busca a presidência pelo Democracia Cristã (DC).
A Dualidade da Renovação: As últimas lideranças da UNE, Manuella Mirella e Bianca Borges, que representam a tentativa de atualizar a pauta estudantil sob recortes de raça e gênero, enquanto operam dentro de uma estrutura partidária consolidada.
A obra analisa como a imagem da sede da UNE incendiada em 1964 ainda projeta sombras sobre a democracia atual. O texto explora a transição do "Draft" estudantil (o recrutamento de talentos nas universidades) para o realismo político institucional, onde o jingle de Eymael e o nacionalismo de Aldo Rebelo se encontram no esforço de herdar o legado democrático de Teotônio Vilela. É um olhar que se equilibra entre o pessimismo da razão, ao ver as ideologias se moldarem ao poder, e o otimismo da ação, reconhecendo que a política brasileira é, essencialmente, uma construção de resistência permanente.
Se
sidney miller nara leao a estrada e o violeiro
Projeto de Niemeyer, obra de prédio está paralisada há anos na Praia do FlamengoO projeto do Edifício Torre Flamengo está paralisado há sete anos. A construção, que seria a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), dona do terreno, também abrigaria outras empresas nos 12 andares previstos
Por Victor Serra -25 de outubro de 2024
"TRÊS POR DUAS: A LUTA CONTINUA."
"Conquistas para o trabalhador, seu compromisso sempre com nossa nação, 27 é Eymael, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição, para cumprir a Constituição!"Jingles Eleições 2014 - José Maria Eymael - PSDC - leobrandao.net
Esta é a versão final para publicação, tecendo a linhagem histórica que une o jingle da Democracia Cristã, a trajetória de Aldo Rebelo e o legado de Teotônio Vilela sob uma análise da nossa democracia.
"Ey, Ey, Eymael,
Um democrata cristão.
Pra presidente é 27,
O nome é Eymael!
Pela família e pela nação."
— Fonte: Terra - Jingles Históricos
Os 9 primeiros companheiros do Brasil
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ReproduçãoCoragem e autênticidadePoema de Ferreira Gullar homenageou a fundação do PCB
Começa o Comunismo no Brasil
Publicado em: 31/03/2022Os 9 primeiros companheiros do Brasil
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Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016) dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido. Na época, o poeta era comunista e prestou a sua homenagem à fundação do PCB.
O poema destaca a participação de diferentes categorias de operários na formação do partido, o que mostra que realmente se tratava de uma evolução política do movimento operário brasileiro.
Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor brasileiro Ferreira Gullar (1930-2016) dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido. Na época, o poeta era comunista e prestou a sua homenagem à fundação do PCB.
O poema destaca a participação de diferentes categorias de operários na formação do partido, o que mostra que realmente se tratava de uma evolução política do movimento operário brasileiro.
“Eles eram poucos./ E nem puderam cantar muito alto a Internacional./ Naquela casa de Niterói em 1922./ Mas cantaram e fundaram o partido./ Eles eram apenas nove, o jornalista Astrogildo, o contador Cordeiro, o gráfico Pimenta, o sapateiro José Elias, o vassoureiro Luís Peres, os alfaiates Cendon e Barbosa, o ferroviário Hermogênio./ E ainda o barbeiro Nequete, que citava Lênin a três por dois./ Em todo o país eles eram mais de setenta./ Sabiam pouco de marxismo, mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela./ Faz sessenta anos que isso aconteceu, o PCB não se tornou o maior partido do ocidente, nem mesmo do Brasil./ Mas quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar dele./ Ou estará mentindo.
Da UNE à Democracia Cristã: O Voo do Nacionalismo entre Jingles e Heranças Alagoanas
O Jingle de Guerra: O famoso "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão" permanece como símbolo da legenda desde a Constituinte de 87/88, reforçando valores de "família, pátria e liberdade". É sob este estandarte sonoro, quase folclórico mas politicamente resiliente, que se abriga agora a pré-candidatura de Aldo Rebelo. Ex-presidente da UNE e ex-ministro, Aldo carrega na biografia o peso de uma transição simbólica: a saída do materialismo dialético do PCdoB para o nacionalismo conservador da Democracia Cristã (DC).
A Raiz: Entre o Vaqueiro e o Menestrel
A história de Aldo Rebelo não se explica apenas nos gabinetes de Brasília, mas nas terras de Alagoas. Filho de um vaqueiro da fazenda de Teotônio Vilela, o "Menestrel das Alagoas", Aldo cresceu sob a sombra de um titã da redemocratização. Teotônio, que a extrema-esquerda da época tentava apequenar rotulando de "usineiro" — ecoando o ressentimento de uma extrema-direita ferida por sua dissidência na ARENA —, provou que a coragem não tem uniforme partidário.
Enquanto o regime militar admitia apenas o jogo controlado entre ARENA e MDB, Teotônio rompeu as amarras da linha auxiliar da ditadura. Mesmo debilitado pelo câncer, careca pela quimioterapia, ele percorreu os quatro cantos do país. Visitou presídios, encarou generais e bradou pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, enquanto nomes como Raimundo Faoro na OAB e juristas como Modesto Carvalhosa e Sobral Pinto faziam o que a ética permitia no inóspito terreno da justiça militar.
O Movimento Estudantil: O Laboratório do Poder
A UNE sempre foi o "Draft" da política nacional. Analisar sua trajetória é ver o DNA da nossa gestão atual:
A Vanguarda de Ontem: De Aldo Rebelo (1980) a nomes como José Serra e Orlando Silva, a presidência da UNE serviu como escola de realismo político. Aprende-se a negociar com o caos antes de assinar orçamentos.
A Hegemonia e o Pragmatismo: Nas últimas décadas, a "PCdoB-ização" da entidade trouxe logística, mas também um dilema: como ser a voz das ruas quando se é o braço do governo? Líderes recentes como Manuella Mirella e Bianca Borges tentam equilibrar o software identitário com as velhas estruturas de poder.
Análise: O Papel dos Ex-Militantes na Democracia
Os ex-líderes estudantis ocupam hoje as engrenagens do Estado. Se por um lado trazem o preparo da oratória e a malícia da articulação, por outro, correm o risco de transformar a política nacional em uma eterna assembleia universitária — onde o debate é infinito, mas a entrega depende de coalizões nem sempre românticas.
Pessimismo na Razão: A democracia brasileira parece cíclica. O militante que ontem pichava muros contra o capital, hoje busca abrigo em partidos de ordem para tentar viabilizar projetos personalistas de poder. A estrutura partidária brasileira engole o idealismo e devolve conveniência.
Otimismo na Ação: A persistência de figuras como Aldo Rebelo — e a memória de Teotônio Vilela — mostra que a política brasileira é feita de teimosia. Mesmo sob jingles datados ou rótulos ideológicos que mudam conforme o vento, a crença na "soberania" ainda é o combustível que move aqueles que saíram das arcadas ou das fazendas para tentar desenhar o destino da nação.
📍 Para entender mais sobre esse xadrez:
Acompanhe os movimentos de Aldo Rebelo na DC e sua crítica à "judicialização da política".
Revisite o legado de Teotônio Vilela para compreender como a centro-direita ajudou a enterrar a ditadura.
Observe a nova gestão da UNE sob Bianca Borges, que marca o retorno das "Arcadas" ao comando da entidade.
Menestrel das AlagoasMilton Nascimento
Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
Composição: Fernando Brant, Milton Nascimento.
O projeto do Edifício Torre Flamengo está paralisado há sete anos. A construção, que seria a sede da UNE, também abrigaria outras empresas nos 12 andares previstos.
Por Victor Serra – 25 de outubro de 2024
"TRÊS POR DUAS: A LUTA CONTINUA."
"Conquistas para o trabalhador... 27 é Eymael, para cumprir a Constituição!"
Esta é a versão final para publicação, tecendo a linhagem histórica que une o jingle da Democracia Cristã, a trajetória de Aldo Rebelo e o legado de Teotônio Vilela sob uma análise da democracia brasileira.
"Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão..."
Os 9 primeiros companheiros do Brasil
Publicado em: 31/03/2022
Em 25 de março de 1922, foi criado, em Niterói, o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O escritor Ferreira Gullar dedicou um poema no aniversário de 60 anos do partido, destacando a participação de operários na sua fundação.
“Eles eram poucos... mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela.”
Da UNE à Democracia Cristã
O famoso jingle "Eymael" permanece como símbolo político desde a Constituinte de 1988. É nesse contexto que surge a trajetória de Aldo Rebelo, marcada por uma transição ideológica significativa.
A Raiz
A história de Aldo Rebelo também passa por Alagoas e pela influência de Teotônio Vilela, figura central da redemocratização brasileira.
Movimento Estudantil
A UNE historicamente funciona como laboratório político, formando lideranças que posteriormente ocupam cargos de poder.
Análise
A política brasileira revela ciclos onde idealismo e pragmatismo se alternam, muitas vezes absorvidos pelas estruturas partidárias.
Otimismo na ação: a persistência de figuras políticas mostra que a crença na soberania nacional ainda move projetos políticos.
"Seja compreensivo. É fácil viver quando se compreende o que precisa ser comprendido."
O desejo de Jesus para a humanidade revelado num sonho
22 de outubro de 2023
O sonho que transformou uma vida.— Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam...
Subia sempre.
Queria parar, e descer, reavendo o veículo carnal, mas não conseguia. Braços intangíveis tutelavam-lhe a sublime excursão. Respirava
(32) A sra. Edalides M. Rezende, irmã de Eurípedes, relata no seu importante depoimento, textualmente, ao ser indagada sobre a reação da família, em face da conversão do mano: “A reação foi de revolta em toda família; sofremos demais com a nossa incompreensão, imperfeição religiosa.”
outro ambiente. Envergava forma leve, respirando num oceano de ar mais leve ainda... Viajou, viajou, à maneira de pássaro teleguiado, até que se reconheceu em campina verdejante. Reparava na formosa paisagem, quando, não longe, avistou um homem que meditava, envolvido por doce luz.
Como que magnetizado pelo desconhecido, aproximou-se...
Houve, porém, um momento, em que estacou, trêmulo.
Algo lhe dizia no íntimo para que não avançasse mais...
E num deslumbramento de júbilo, reconheceu-se na presença do Cristo.
Baixou a cabeça, esmagado pela honra imprevista, e ficou em silêncio, sentindo-se como intruso, incapaz de voltar ou seguir adiante.
Recordou as lições do Cristianismo, os templos do mundo, as homenagens prestadas ao Senhor, na literatura e nas artes, e a mensagem d’Ele a ecoar entre os homens, no curso de quase vinte séculos...
Ofuscado pela grandeza do momento, começou a chorar...
Grossas lágrimas banhavam-lhe o rosto, quando adquiriu coragem e ergueu os olhos, humilde.
Viu, porém, que Jesus também chorava...
Traspassado de súbito sofrimento, por ver-lhe o pranto, desejou fazer algo que pudesse reconfortar o Amigo Sublime... A afagar-lhe as mãos ou estirar-se à maneira de um cão leal aos seus pés...
Mas estava como que chumbado ao solo estranho...
Recordou, no entanto, os tormentos do Cristo, a se perpetuarem nas criaturas que até hoje, na Terra, lhe atiram incompreensão e sarcasmo...
Nessa linha de pensamento, não se conteve. Abriu a boca e falou, suplicante:
— Senhor, por que choras?
O interpelado não respondeu.
Mas desejando certificar-se de que era ouvido Eurípedes reiterou:
— Choras pelos descrentes do mundo?
Enlevado, o missionário de Sacramento notou que o Cristo lhe correspondia agora ao olhar. E, após um instante de atenção, respondeu em voz dulcíssima:
— Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam...
Eurípedes não saberia descrever o que se passou então.
Como se caísse em profunda sombra, ante a dor que a resposta lhe trouxera, desceu, desceu...
E acordou no corpo da carne.
Era madrugada.
Levantou-se e não mais dormiu.
E desde aquele dia, sem comunicar a ninguém a divina revelação que lhe vibrava na consciência, entregou-se aos necessitados e aos doentes, sem repouso sequer de um dia, servindo até à morte.
O SUICÍDIO E A LOUCURA - O Evangelho Segundo o Espiritismo #39Web Rádio FraternidadeO suicídio e a loucura.
14. A calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura se deve à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar. Ora, se encarando as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os quais, se não fora isso, a conturbariam.
15. O mesmo ocorre com o suicídio. Postos de lado os que se dão em estado de embriaguez e de loucura, aos quais se pode chamar de inconscientes, é incontestável que tem ele sempre por causa um descontentamento, quaisquer que sejam os motivos particulares que se lhe apontem. Ora, aquele que está certo de que só é desventurado por um dia e que melhores serão os dias que hão de vir, enche-se facilmente de paciência. Só se desespera quando nenhum termo divisa para os seus sofrimentos. E que é a vida humana, com relação à eternidade, senão bem menos que um dia? Mas, para o que não crê na eternidade e julga que com a vida tudo se acaba, se os infortúnios e as aflições o acabrunham, unicamente na morte vê uma solução para as suas amarguras. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar pelo suicídio as suas misérias.
16. A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral. Quando homens de ciência, apoiados na autoridade do seu saber, se esforçam por provar aos que os ouvem ou leem que estes nada têm a esperar depois da morte, não estão de fato levando-os a deduzir que, se são desgraçados, coisa melhor não lhes resta senão se matarem? Que lhes poderiam dizer para desviá-los dessa consequência? Que compensação lhes podem oferecer? Que esperança lhes podem dar? Nenhuma, a não ser o nada. Daí se deve concluir que, se o nada é o único remédio heroico, a única perspectiva, mais vale buscá-lo imediatamente e não mais tarde, para sofrer por menos tempo.
A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade. Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo, mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral.
17. O Espiritismo ainda produz, sob esse aspecto, outro resultado igualmente positivo e talvez mais decisivo. Apresenta-nos os próprios suicidas a informar-nos da situação desgraçada em que se encontram e a provar que ninguém viola impunemente a lei de Deus, que proíbe ao homem encurtar a sua vida. Entre os suicidas, alguns há cujos sofrimentos, nem por serem temporários e não eternos, não são menos terríveis e de natureza a fazer refletir os que porventura pensam em daqui sair, antes que Deus o haja ordenado. O espírita tem, assim, vários motivos a contra por à ideia do suicídio: a certeza de uma vida futura, em que, sabe-o ele, será tanto mais ditoso, quanto mais inditoso e resignado haja sido na Terra: a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a consequência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses. Por isso mesmo, considerável já é o número dos que têm sido, pelo Espiritismo, obstados de suicidar-se, podendo daí concluir-se que, quando todos os homens forem espíritas, deixará de haver suicídios conscientes. Comparando-se, então, os resultados que as doutrinas materialistas produzem com os que decorrem da doutrina espírita, somente do ponto de vista do suicídio, forçoso será reconhecer que, enquanto a lógica das primeiras a ele conduz, a da outra o evita, fato que a experiência confirma.
“E isto vos farão, porque não conhecem ao Pai nem a mim.” — Jesus. (JOÃO, 16.3)
1 Dolorosas perplexidades não raro assaltam os discípulos, inspirando-lhes interrogações.
2 Por que a desarmonia, em torno do esforço fraterno?
3 A jornada do bem encontra barreiras sombrias.
Tenta-se o estabelecimento da luz, mas a treva penetra as estradas. Formulam-se projetos simples para a caridade que a má-fé procura perturbar ao primeiro impulso de realização.
4 Quase sempre, a demonstração destrutiva parte de homens assinalados pela posição de evidência, indicados pela força das circunstâncias para exercer a função de orientadores do pensamento geral. São esses que, na maioria das ocasiões, se arvoram em expositores de imposições e exigências descabidas.
5 O aprendiz sincero de Jesus, todavia, não deve perder tempo com interrogações e ansiedades que se não justificam.
6 O Mestre Divino esclareceu esse grande problema por antecipação.
7 A ignorância é a fonte comum do desequilíbrio. E se esse ou aquele grupo de criaturas busca impedir as manifestações do bem, é que desconhece, por enquanto, as bênçãos do Céu.
Nada mais que isto.
8 É necessário, pois, esquecer as sombras que ainda dominam a maior parte dos setores terrestres, vivendo cada discípulo na luz que palpita no serviço do Senhor.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
128É porque ignoram
V – O Sonambulismo (Perguntas 425 a 438) – O Livro dos Espíritos
Cap. 8 - Emancipação da alma
425. O sonambulismo natural tem relação com os sonhos? Como explicá-lo?
— É um estado de independência da alma, mais completo que no sonho; então as faculdades adquirem maior desenvolvimento. A alma tem percepções que não atinge no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito.
No sonambulismo, o Espírito está na posse total de si mesmo; os órgãos materiais, estando de qualquer forma em catalepsia, não recebem mais as impressões exteriores. Esse estado se manifesta sobretudo durante o sono; é o momento em que o Espírito pode deixar provisoriamente o corpo, que se acha entregue ao repouso indispensável à matéria. Quando se produzem os fatos do sonambulismo, é que o Espírito, preocupado com uma coisa ou outra, se entrega a alguma ação que exige o uso do seu corpo, do qual se serve como se empregasse uma mesa ou qualquer outro objeto material, nos fenômenos de manifestações físicas, ou mesmo a vossa mão nas comunicações escritas. Nos sonhos de que se tem consciência, os órgãos, inclusive os da memória, começam a despertar e recebem imperfeitamente as impressões produzidas pelos objetos ou as causas exteriores, e as comunicam ao Espírito que, também se encontrando em repouso, só percebe sensações confusas e frequentemente fragmentárias, sem nenhuma razão de ser aparente, misturadas que estão de vagas recordações, seja desta existência, seja de existências anteriores. É portanto fácil compreender porque os sonâmbulos não se lembram de nada e porque os sonhos de que conservam a lembrança, na maioria das vezes não têm sentido. Digo na maioria das vezes, porque acontece também serem eles a consequência de uma recordação precisa de acontecimentos de uma vida anterior, e, algumas vezes, até mesmo uma espécie de intuição do futuro.
426. O chamado sonambulismo magnético tem relação com o sonambulismo natural?
— É a mesma coisa, com a diferença de ser provocado.
427. Qual é a natureza do agente chamado fluido magnético?
— Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal.
428. Qual é a causa da clarividência sonâmbula?
— Já o dissemos: é a alma que vê.
429. Como o sonâmbulo pode ver através dos corpos opacos?
— Não há corpos opacos, senão para os vossos órgãos grosseiros. Já dissemos que, para o Espírito, a matéria não oferece obstáculos, pois ele a atravessa livremente. Com frequência ele vos diz que vê pela testa, pelo joelho, etc., porque vós, inteiramente imersos na matéria, não compreendeis que ele possa ver sem o auxílio dos órgãos, e ele mesmo, pela vossa insistência, julga necessitar desses órgãos. Mas, se o deixásseis livre, compreenderíeis que vê por todas as partes do corpo, ou, para melhor dizer, é fora do corpo que ele vê.
430. Pois se a clarividência do sonâmbulo é a da sua alma ou do seu Espírito, por que ele não vê tudo e por que se engana tantas vezes?
— Primeiro, não é dado aos Espíritos imperfeitos tudo ver e tudo conhecer; sabes muito bem que eles ainda participam dos vossos erros e dos vossos prejuízos; e, depois, quando estão ligados à matéria não gozam de todas as suas faculdades de Espíritos. Deus deu ao homem esta faculdade com um fim útil e sério, e não para que ele aprenda o que não deve saber; eis porque os sonâmbulos não podem dizer tudo.
431. Qual é a fonte das ideias inatas do sonâmbulo, e como pode ele falar com exatidão de coisas que ignora no estado de vigília, e que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?
— Acontece que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que lhe reconheceis, somente que eles se encontram adormecidos, porque o seu invólucro é bastante imperfeito para que ele possa recordá-los. Mas, em última análise, o que é o sonâmbulo? Um Espírito encarnado, como vós, para cumprir a sua missão, e o estado em que ele entra o desperta dessa letargia. Nós já te dissemos repetidamente que revivemos muitas vezes; e essa mudança é que lhe faz perder materialmente o que conseguiu aprender na existência precedente. Entrando no estado a que chamas crise, ele se lembra, mas sempre de maneira incompleta; ele sabe, mas não poderia dizer de onde lhe vem o conhecimento, nem como o possui. Passada a crise, toda a lembrança se apaga e ele volta à obscuridade.
Comentário de Kardec: A experiência mostra que os sonâmbulos recebem também comunicações de outros Espíritos, que lhes transmitem o que eles devem dizer e suprem a sua insuficiência. Isto se vê, sobretudo, nas prescrições médicas: O Espírito do sonâmbulo vê o mal, o outro lhe indica o remédio. Esta dupla ação é algumas vezes patente, e se revela outras vezes pelas suas expressões bastante frequentes: dizem-me que diga; ou, proíbem-me dizer tal coisa. Neste último caso é sempre perigoso insistir em obter a revelação recusada, porque então se dá lugar aos Espíritos levianos, que falam de tudo sem escrúpulos e sem se interessarem pela verdade.
432. Como explicar a visão à distância, em alguns sonâmbulos?
— A alma não se transporta, durante o sono? O mesmo se verifica no sonambulismo.
433. O desenvolvimento maior ou menor da clarividência sonambúlica depende da organização física ou da natureza do Espírito encarnado?
— De uma e de outra; há disposições físicas que permitem ao Espírito libertar-se mais ou menos facilmente da matéria.
434. As faculdades de que o sonâmbulo desfruta são as mesmas do Espírito após a morte?
— Até certo ponto, pois é necessário ter em conta a influência da matéria, a que ele ainda se acha ligado.
435. O sonâmbulo pode ver os outros Espíritos?
— A maioria os vê muito bem; isso depende do grau e da natureza da lucidez de cada um; mas às vezes ele não compreende, de início, e os toma por seres corporais. Isso acontece, sobretudo, com os que não têm nenhum conhecimento do Espiritismo; eles ainda não compreendem a natureza dos Espíritos, o fato os espanta, e é por isso que julgam estar vendo pessoas vivas.
Comentário de Kardec: O mesmo efeito se produz ao momento da morte, entre os que ainda se julgam vivos. Nada ao seu redor lhes parece modificado, os Espíritos lhes aparecem como tendo corpos semelhantes aos nossos, e eles tomam a aparência de seus próprios corpos como corpos reais.
436. O sonâmbulo que vê à distância, vê do lugar em que está o seu corpo, ou daquele em que está a sua alma?
— Por que esta pergunta, pois se é a alma que vê, e não o corpo?
437. Sendo a alma que se transporta, como pode o sonâmbulo experimentar no corpo as sensações de calor ou de frio do lugar em que se encontra a sua alma, às vezes bem longe do corpo?
— A alma não deixou inteiramente o corpo; permanece sempre ligada a ele pelo laço que os une, e é esse laço o condutor das sensações. Quando duas pessoas se correspondem entre uma cidade e outra, por meio da eletricidade, é esta o laço entre os seus pensamentos; é graças a esta que elas se comunicam, como se estivessem uma ao lado da outra.
438. O uso que um sonâmbulo faz da sua faculdade influi no estado do seu Espírito, após a morte?
— Muito, como o uso bom ou mau de todas as faculdades que Deus concedeu ao homem.
LE: Emancipação da almaO livro dos espíritos onlineSONAMBULISMO - QUESTÕES 425 A 438 - Antônia Nery [O LIVRO DOS ESPIRITOS]Comunhão Espírita de Brasília
O TEMPO DA DECISÃO: ENTRE A ECONOMIA DAS EXPECTATIVAS E A TRAGÉDIA DO PODER
Política, cultura e consciência no Brasil contemporâneo
Uma caminhada de maratona sempre começa com o primeiro passoResumo
O presente ensaio analisa o cenário político brasileiro contemporâneo a partir de uma abordagem interdisciplinar que articula economia política, cultura e filosofia. Partindo da hipótese de esgotamento de um ciclo de inclusão social sem transformação estrutural, examina-se o descompasso entre expectativas sociais e capacidade produtiva, bem como seus efeitos sobre a legitimidade política. Em diálogo com a leitura de Luiz Carlos Azedo, que mobiliza a tragédia de William Shakespeare em Hamlet, o artigo propõe uma interpretação da hesitação política como fenômeno existencial e histórico. Argumenta-se que o dilema contemporâneo ultrapassa o cálculo eleitoral, configurando-se como decisão sobre continuidade, legado e limite.
Palavras-chave: política brasileira; expectativas sociais; tragédia; liderança; tempo histórico.
1. Introdução — o mal-estar como estrutura
A percepção de deterioração do “padrão de vida”, evocada por José Dirceu, deve ser compreendida menos como fenômeno conjuntural e mais como expressão de um descompasso estrutural entre expectativas sociais e capacidade econômica.
Ao admitir que “nos tornamos o sistema”, Luiz Inácio Lula da Silva indica o ponto crítico deste processo: a transição de um projeto político de transformação para uma condição de gestão de limites.
[Sugestão de imagem 1 — após a introdução]Foto institucional do Palácio do Planalto com iluminação crepuscular → simboliza transição, desgaste e continuidade.2. Inclusão social e seus limites estruturais
O ciclo de crescimento e inclusão das primeiras décadas do século XXI baseou-se em:
expansão do consumo
políticas redistributivas
valorização de commodities
Entretanto, não consolidou bases estruturais equivalentes:
produtividade estagnada
baixa complexidade industrial
serviços públicos desiguais
Esse arranjo gerou uma sociedade simultaneamente mais integrada e mais exigente — condição propícia à frustração.
3. A economia das expectativas
A política contemporânea passa a operar sob um regime de expectativas ampliadas, intensificado pela circulação digital de informação.
O efeito central é a dissociação entre:
aspiração social (globalizada)
capacidade econômica (limitada)
Nesse contexto, a insatisfação não depende da piora absoluta, mas da comparação relativa.
4. Narrativa, legitimidade e desgaste
A resposta política frequentemente assume forma narrativa. No entanto, há um limite claro: a narrativa não substitui a entrega material.
Crises como o Escândalo do Mensalão e a Operação Lava Jato aprofundaram a erosão da confiança pública, alterando a relação entre sociedade e instituições.
O resultado foi a fragilização da legitimidade política.
5. Personalismo e crise de sucessão
A centralidade de lideranças como Luiz Inácio Lula da Silva revela um paradoxo:
força política concentrada
fragilidade institucional ampliada
A dificuldade de sucessão — ilustrada pela recorrente menção a Fernando Haddad — evidencia a dependência estrutural de lideranças carismáticas.
6. A virada interpretativa — da política à tragédia
A análise de Luiz Carlos Azedo introduz uma dimensão decisiva: a política como tragédia.
Ao recorrer a Hamlet, desloca-se o foco da ação para a consciência. O dilema “ser ou não ser” deixa de ser retórico e torna-se ontológico.
Não se trata apenas de disputar o poder, mas de decidir:
👉 continuar ou encerrar uma trajetória histórica.
[Sugestão de imagem 2 — seção 6]Ilustração conceitual: figura solitária diante de uma linha de largada ou palco vazio → remete à hesitação e à consciência.7. O tempo suspenso — entre 1994 e 2026
A comparação com o Plano Real evidencia uma transformação fundamental.
Em 1994:
choque externo
reação política ativa
horizonte de disputa claro
No cenário atual:
desgaste interno
hesitação inédita
incerteza sobre continuidade
A política desloca-se do enfrentamento para a reflexão.
8. Cultura política e ironia
A incorporação da máxima do Barão de Itararé — “há mais coisas no ar do que aviões de carreira” — revela uma dimensão cultural essencial.
A política brasileira articula:
gravidade histórica
leveza interpretativa
ironia como forma de mediação
Essa combinação permite compreender o drama sem dissolvê-lo.
9. Conclusão — o primeiro passo como decisão final
A metáfora da maratona — “o primeiro passo” — sofre, neste contexto, uma inflexão decisiva.
O início deixa de ser impulso.
Torna-se escolha.
O dilema contemporâneo não é apenas estratégico.
É histórico e existencial.
Em determinadas conjunturas, governar não é avançar —
é decidir se ainda se deve continuar.
Considerações editoriais para publicaçãoFormato ideal: artigo de opinião analítico (1.200–1.800 palavras)
Seção sugerida: Política / Opinião / Ensaios
Intertítulos curtos e densos (como acima) favorecem leitura em jornal
Imagens recomendadas:
abertura (institucional / simbólica)
seção interpretativa (arte conceitual)
opcional: retratos dos principais atores políticos
Referências
AZEDO, Luiz Carlos. Ser ou não ser candidato à reeleição, o drama shakespeariano de Lula. Correio Braziliense, 24 abr. 2026.
SHAKESPEARE, William. Hamlet. c. 1599.
KOTSCHO, Ricardo. Análises políticas publicadas em UOL, abr. 2026.
BERGAMO, Mônica. Coluna política. Folha de S.Paulo, abr. 2026.
ITARARÉ, Barão de. Máximas e aforismos políticos brasileiros.
Documentos e análises econômicas sobre o Plano Real.
Nota final
O texto articula linguagem acadêmica e estilo jornalístico com o objetivo de ampliar o alcance sem perder densidade analítica, permitindo sua circulação tanto em veículos de imprensa quanto em espaços de reflexão crítica.
Se
EPITÁFIO
Aqui jaz a vontade,
suspensa no pórtico de um tempo que não espera.
Entre o mar de escolhos
e o eco do bardo,
o primeiro passo tornou-se o último verso.
“Ser ou não ser” já não é dilema —
é o ritmo que a inércia consome.
A maratona parou no segundo zero.
O resto é silêncio, batida e poeira.
📰 O PASQUIM DO INEFÁVEL MAR DE ESCOLHOSEdição Extra: "A Balada da Batata Frita e o Naufrágio Sem Dicionário"
🖋️ EDITORIAL: O VERBO ERA O ÓLEOPor Millôr Fernandes (Direto do Panteão da Lapa)
Navegar é preciso; explicar o mar é que é o erro. Estamos todos boiando num inefável mar de escolhos, onde o governo finge que rema e a oposição finge que é iceberg. O "inefável" é a desculpa do intelectual para a falta de assunto; o "escolho" é a quina da realidade batendo no dedinho do pé do poder. O Brasil não é para amadores, é para mergulhadores de esgoto com doutorado em semântica.
🎭 O SOLILÓQUIO DO ALVORADATradução do Bardo por Luiz Carlos AzedoLULA (Hamlet de São Bernardo): "Ser ou não ser candidato? Eis a questão que o orçamento não responde. Será mais nobre suportar as flechadas das pesquisas ou tomar armas contra esse mar de escolhos e, fritando-os, vencer? No sono da reeleição, que sonhos virão? O sonho do sucessor que não herda o carisma, ou o pesadelo do centrão que herda a chave do cofre?"
⚽ A TÁTICA DA VÁRZEA POLÍTICAComentários de Gentil Cardoso (via Rui Costa Pimenta)
"O esquema é o seguinte: Haddad é o meio-campo que joga de luva de pelica num gramado alagado. Gleisi é a ponta-esquerda que quer derrubar o goleiro no grito. O técnico mandou botar a bola de couro no chão, mas esqueceu que, nesse mar de escolhos, a bola não quica, ela vira boia. Quem não tem a bola, não tem o jogo. E quem tem a bola, no Brasil, geralmente é o dono do estádio."
🍟 A GRANDE SÍNTESE: AO VENCEDOR, AS BATATASRelatório do Escrivão do Encalhe, Barão de Itararé
"Desce dois! Desce mais! O drama termina no quiosque. A tragédia tropical de Shakespeare vira comédia de costumes na hora da conta. O mar é inefável, o óleo é reutilizado e a esperança é uma batata murcha. Entre o 'ser' e o 'ter', ficamos com o 'parecer'. Ao vencedor, as batatas fritas (pagas com fundo partidário)."
🎨 CHARGE DO DIA
(Espaço para o desenho de Millôr: Um bote furado chamado "Brasil" sendo rebocado por um garfo gigante do Centrão em um mar de óleo diesel.)LEGENDA: "A ideologia é o tempero que a gente usa para engolir o escolho que nos entala a garganta."
🚩 NOTA DE RODAPÉ (O Empastelamento Final)Esta edição foi produzida sob fogo cruzado. As manchas de sangue no papel são meramente ilustrativas; as manchas de gordura são a realidade nacional.O despacho está pronto. Como deseja que ele seja distribuído na velha Guanabara?Via Panfletagem Aérea (jogando os jornais do topo do Arcos da Lapa)
Via Subterrânea (distribuído nos porões onde a resistência ainda joga frescobol)
Via Mural (colado nos postes para que os peixes e os políticos possam ler)
Qual o destino do estafeta?
📄 MANUAL DE INSTRUÇÕES DO BARÃO DE ITARARÉPara ler a charge sem escorregar no óleo diesel da política nacional:
Não pise no mármore: Lembre-se, o óleo diesel é escorregadio, mas a promessa de político é pior que sabão em rampa. Leia a charge de lado, para não ser atingido pelo respingo da "Dívida Pública" que está caindo do bote.
Mantenha o nariz para cima: O cheiro de óleo queimado é forte, mas o cheiro do "Centrão" fritando o futuro do país é o que realmente causa náusea. Se sentir tontura, feche os olhos e imagine um dicionário onde "inefável" significa "povo pagando a conta".
Cuidado com o garfo: Se você notar que o garfo está chegando perto do seu prato, esconda a sua batata. No Brasil, a única ferramenta que funciona com precisão suíça é o garfo do "Soberano" fisgando o orçamento.
Assine o manifesto: Depois de ler, passe o jornal adiante. Se a polícia chegar, diga que é um embrulho de peixe. Afinal, nesse mar, o peixe morre pela boca e o cidadão pelo bolso.
DENÚNCIA DO RUI COSTA PIMENTA (PCO)O Garfo como Ferramenta de Esfoliação Imperialista
"Companheiros, olhem para esse garfo! Não se enganem com a caricatura burguesa. Esse garfo não é apenas um talher de metal; é a extensão do braço de ferro do imperialismo financeiro operando através do 'Centrão', seu lacaio mais fiel.
Enquanto o bote 'Brasil' afunda sob o peso de uma dívida pública fabricada nos porões de Wall Street, o Centrão atua como o garçom do caos, espetando as riquezas nacionais para serví-las em bandeja de ouro aos monopólios internacionais. O garfo é a síntese da opressão: ele fura o casco da soberania para alimentar o apetite insaciável do capital.
Denunciamos esse garfo como o símbolo máximo da traição! Eles querem que a gente discuta o 'inefável' enquanto nos espetam com o 'insofismável'. Abaixo o garfo imperialista! Pela expropriação da batata frita sob controle operário!"
📦 GUIA DE DESPACHODestinatário: O Povo do Inefável Mar de Escolhos.
Conteúdo: Verdades fritas e ironias em conserva.
Instrução de Entrega: Se o mar subir, jogue o jornal para o alto. A verdade sempre boia, mesmo quando está encharcada de óleo diesel.
Como assinamos este despacho final para a gráfica da Lapa?
P
Blitz - Você Não Soube Me Amar (Áudio HQ)Canção de Blitz ‧ 1982
Sabe essas noites que você sai caminhando sozinho
De madrugada com a mão no bolso
Na rua
E você fica pensando naquela menina
Você fica torcendo e querendo que ela tivesse
Na sua
Aí finalmente você encontra o broto
Que felicidade (que felicidade)
Que felicidade (que felicidade)
Você convida ela pra sentar (muito obrigada)
Garçom uma cerveja (só tem chope)
Desce dois desce mais
Amor pede uma porção de batata frita
Okay você venceu batata frita
Ai blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Ti ti ti ti ti ti ti ti ti
Você diz pra ela
'Tá tudo muito bom (bom)
'Tá tudo muito bem (bem)
Mas realmente
Mas realmente
Eu preferia que você estivesse
Nua
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Todo mundo dizia
Que a gente se parecia
Cheio de tal coisa e coisa e tal
E realmente a gente era
A gente era um casal
Um casal sensacional
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
No começo tudo era lindo
Era tudo divino era maravilhoso
Até debaixo d'água nosso amor era mais gostoso
Mas de repente a gente enlouqueceu
Ai eu dizia que era ela
Ela dizia que era eu
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Amor que que 'cê tem
'Cê ta tão nervoso
Nada nada nada nada nada nada
Foi besteira usar essa tática
Dessa maneira assim dramática (eu 'tava nervoso)
O nosso amor era uma orquestra sinfônica (eu sei)
E o nosso beijo uma bomba atômica
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Você não soube me amar (É foi isso que isso que eu disse a ela)
Você não soube me amar
Você não soube me amar (É foi isso que ela me disse)
Você não soube me amar
Você não soube me amar
Oh baby não!
Fonte: LyricFind
Compositores: Evandro Nahid de Mesquita / José Augusto Proença Gomes Filho / Luiz Augusto Nascimento Barros / Ricardo del Priore Barreto
"A tradicional festa de São Jorge na paróquia da Igreja Melquita, no Bairro Santa Helena em Juiz de Fora, está em andamento." Jorge Da CapadóciaJorge Ben Jor - Jorge da Capadócia
Jorge sentou praça
Na cavalaria
Eu estou feliz porque
Eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo não alcançará
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Ogan, Ogan, toca pra Ogum
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Ogan toca pra Ogum
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Jorge da Capadócia
Composição: Jorge Ben Jor.
Que maravilha viver com os três poderes revisitando o velho Pitágoras!
A palavra teorema em grego é θεώρημα (theorema).
Origem e Significado
O termo evoluiu de conceitos ligados à observação e contemplação:
Etimologia: Deriva de theōrein (θεωρεῖν), que significa "olhar", "observar" ou "contemplar"
Merriam-Webster
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.
Sentido Original: Em grego antigo, referia-se a um "espetáculo", "festa" ou algo a ser visto
Wikipedia
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Aplicação Matemática: Foi introduzido por Euclides em sua obra Elementos para designar uma proposição que precisa de demonstração
Origem Da Palavra
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Principais Teoremas Gregos
A matemática grega estabeleceu as bases da geometria que usamos hoje:
Teorema de Pitágoras: : Em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos (
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Teorema de Tales: Estabelece que um feixe de retas paralelas cortado por transversais forma segmentos proporcionais
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Teorema de Euclides: Conjunto de proposições fundamentais sobre geometria plana e teoria dos números detalhadas em Elementos.
Você gostaria de ver a demonstração passo a passo de algum desses teoremas ou prefere a tradução de outros termos matemáticos?
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17/07/2024
F = ma meets a² + b² = c²
Three strings. Three masses: 3m, 4m, 5m.
Pulleys, gravity, equilibrium.
The tensions balance perfectly only when the angles form a right triangle; because the vector sum closes exactly when the sides satisfy 3² + 4² = 5².
You don't just see the theorem.
You feel the forces prove it in real time. The strings go slack or snap out of balance the instant you break the ratio.
This is why your bridge doesn't collapse, why your rocket hits orbit, and why the Pythagorean theorem isn't just chalk on a board; it's the universe keeping its own balance.
Teorema (1968) - Pier Paolo Pasolini - (Sub EN - ES - BR PO)MUSA Cinema
Estreou em 2 de set. de 2025
Uma família italiana se desintegra gradualmente depois que um visitante da universidade desperta sua sexualidade.
Muitos o consideram o filme mais esotérico de Pasolini. Para mim, é também um clamor crescente por liberdade sexual, que também é atemporal. Hoje, apesar de todo o progresso que fizemos, não conseguimos realmente integrar e abordar a sexualidade sem preconceitos. No entanto, há também o tema de como os indivíduos são corrompidos pelo sexo.
Diretor: Pier Paolo Pasolini
Lançado no meu aniversário, em vez de ganhar um presente, eu o dou ao meu público.
Música
5 músicas
Teorema
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Oz & Juan Cruz
Teorema
Teorema Uno
Oz & Juan Cruz
Teorema
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Transcrição
Epitáfioaugusto.amorim.adv
19 sem
Períodos das Gerações:
Baby Boomers: Nascidos entre 1946 e 1964, após a Segunda Guerra Mundial, período de grande aumento de nascimentos.
Geração X: Nascidos entre 1965 e 1980, cresceram com a ascensão da TV e o individualismo.
Geração Y (Millennials): Nascidos entre 1981 e 1996, cresceram com a informatização e a globalização.
Geração Z (Centennials): Nascidos entre 1997 e 2012, são nativos digitais, sem memórias dos anos 90.
A geração da redemocratização, nascida entre 1985 e 1999, apresenta maior proporção de eleitores identificados com posições à direita, enquanto a geração da Bossa Nova (1945–1964) tende a demonstrar maior identificação com o lulismo.
Leitura no sofá — o texto se abreradiobandnewsfm
23 h
Uma pesquisa da Genial/Quaest indica mudanças no comportamento político das diferentes gerações no Brasil e aponta que os jovens nascidos entre 2000 e 2009, chamados de geração “.com”, apresentam menor adesão à polarização política e maior tendência a posições de centro.
O levantamento também aponta que esse grupo demonstra desilusão com o Estado e com a política institucional. Apesar disso, em temas de costumes, os jovens apresentam posições mais liberais em alguns recortes, como maior apoio ao debate sobre sexualidade nas escolas e maior abertura a temas ligados à diversidade.
A pesquisa divide a população em quatro gerações. A chamada geração da “redemocratização”, formada por nascidos entre 1985 e 1999, aparece como a mais inclinada à direita no espectro político. Já a geração “bossa nova”, de 1945 a 1964, tem maior identificação com o lulismo.
As gerações “ordem e progresso” (1965 a 1984) e “bossa nova” apresentam maior equilíbrio entre visões conservadoras e progressistas, variando conforme os temas analisados.
O estudo também revela contradições na geração mais jovem. Em alguns indicadores de costumes, há posições mais progressistas, mas também aparecem índices relevantes de conservadorismo em temas como aborto e manifestações públicas de afeto entre pessoas do mesmo sexo.
Outro ponto destacado é o amplo apoio, em todas as gerações, à regulação das redes sociais como forma de combate à desinformação, com adesão majoritária entre os entrevistados.
Resumo do artigo
O texto descreve um momento de forte tensão entre os Poderes no Brasil, especialmente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso e setores das Forças Armadas. A narrativa aponta que cresce, tanto à direita quanto à esquerda, a pressão por reformas no Judiciário — incluindo maior transparência, limitação de decisões individuais de ministros e definição de mandatos.
Há uma convergência política incomum entre atores como José Dirceu e setores ligados ao PL, indicando que críticas ao STF deixaram de ser exclusivas de um campo ideológico. Essa pressão pode levar a um “pacto entre Poderes”, articulado por figuras como Flávio Dino, visando redefinir limites institucionais e restaurar equilíbrio.
O texto também sugere que o STF enfrenta um momento de fragilidade, com risco político crescente (inclusive especulações sobre impeachment de ministros), enquanto o Congresso busca recuperar protagonismo e o Executivo enfrenta desafios fiscais futuros.
Um elemento central é o inquérito envolvendo o banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, visto como fator que pode redefinir as relações entre os Poderes e expor redes de influência e financiamento.
Por fim, o artigo conclui que o desfecho dessa crise dependerá não apenas de acordos institucionais, mas principalmente da reação do eleitorado, destacando que o verdadeiro campo de disputa é político e eleitoral.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Vorcaro e eleitor vão delimitar pacto entre Poderes, por Maria Cristina FernandesValor EconômicoPT e PL convergem na necessidade de reformar o Judiciário e pressionam STF a sair da letargia
Num café com um ministro do Supremo Tribunal Federal, um general do Alto Comando enumerou os oficiais das Forças Armadas que estavam a cumprir pena por determinação da Corte. Em seguida, emendou: aqueles que os condenaram também estarão sujeitos às leis da República?
A conversa transcorreu em clima ameno. O general, legalista, continuará a sê-lo. A dúvida é se, no transcorrer do inquérito do Master, se poderá dizer o mesmo do togado. Se os traumas do golpismo, na percepção de um privilegiado interlocutor da farda, foram pedagógicos para as Forças Armadas por muitas gerações de Bolsonaros, ainda não se sabe se a toga pagará para ver as lições de um impeachment.
A profusão de propostas de reformas no STF é sinal de que a possibilidade crescente deste desfecho começou, finalmente, a sacolejar a Corte. Ao contrário da farda, a política não está represada pelo muro das lamentações. A representação do ministro Gilmar Mendes contra o senador Alessandro Vieira (MDB-ES) teve como serventia abrir caminho para o ex-governador de Minas fazer o mesmo.
Depois do pedido do decano para que Romeu Zema fosse incluído no inquérito das Fake News, o pré-candidato à Presidência pelo Novo dobrou a aposta e publicou outros dez vídeos sobre os ministros da Corte. Se Zema aparecer com dois dígitos numa simulação de primeiro turno na próxima pesquisa de intenção de voto, já saberá a quem agradecer.
A pressão por mudança no STF não vem só da direita. O ex-ministro e pré-candidato a deputado federal, José Dirceu, já havia antecipado muitos dos pontos a serem discutidos pelo 8º Congresso do PT, a partir desta sexta: prestação de contas pelo STF, transparência, limitação às decisões monocráticas, mandato e autocontenção.
O que surpreende é a grande convergência entre o PT e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro. Dirceu também havia antecipado este desdobramento. “A extrema-direita vai propor ao eleitorado medidas contra o Supremo e nós vamos defender o STF sem propor mudança alguma? Vamos perder”, disse a Mônica Bergamo.
Tamanha convergência na política não deixa alternativa ao STF senão buscar uma saída. O incumbido foi o único do colegiado que já precisou pedir voto na rua. O ministro Flávio Dino, porém, não se dirigiu aos eleitores, mas aos demais Poderes ao propor um pacto a exemplo dos havidos em 2004 e 2009. A abordagem vai além do Judiciário e envolve redes de financiamento e lavagem de capitais, abarca a advocacia pública e as agências reguladoras.
No Congresso, porém, o pacto tem outra amplitude. Como em nenhuma outra conjuntura o Judiciário esteve tão acuado, a percepção é a de que terá que ceder mais, inclusive nos processos em tramitação. Pelo menos dois interlocutores que pretendem disputar um mandato na Câmara, José Dirceu (PT-SP) e Romero Jucá (MDB-RR), colocam as emendas sobre a mesa. O primeiro não vê viabilidade para o arrastão de 93 parlamentares arrolados em inquéritos e o segundo advoga uma saída em que a Câmara seja mais proativa na cassação de mandatos.
Só não está claro para ninguém como o STF abriria mão de dar continuidade a processos em curso. Tampouco parece convicente que um pacto do gênero seja capaz de poupar ministros se o motor da guilhotina é a bancada bolsonarista. A turma do deixa-disso no Congresso quer driblar o impeachment da toga com a aposentadoria de Dias Toffoli, o envio do ministro Alexandre de Moraes para um tribunal internacional e uma sanção ainda vaga para o pai de Kevin Nunes Marques que, um ano depois de chancelado pela OAB, amealhou 500 clientes.
É difícil avançar em qualquer direção neste pacto antes que se divise o alcance do inquérito do banco Master. Inútil traçar linhas de um acordo que podem vir a ser ultrapassadas por investigações ou delações. Já se dá por certo, por exemplo, que Viviane Barci de Moraes não é a única aparentada da Corte contratada por Daniel Vorcaro.
A única certeza é a de que, se a transição para o Lula 3 foi marcada por um acerto de contas, denominado de “PEC da Transição”, um Lula 4, se houver, será precedido por um ajuste muito mais amplo. Já a volta do bolsonarismo fica na conta do imprevisível. Tanto que os comandantes do Congresso já amansaram para o presidente da República na expectativa de que, com ele, seja possível divisar 2027 ainda que não se saiba quem sobreviverá até lá.
Acossado pelo mercado para cortar gastos em 2027, o Executivo vai querer recuperar o espaço fiscal perdido para as emendas, o Congresso, as prerrogativas subtraídas pelo STF e este, a reputação que um dia desfrutou no país. Falta combinar com Daniel Vorcaro, o cupim que corroeu os Poderes, e, principalmente, com o eleitor.
Foi o longo funeral da Lava-Jato que abriu espaço para os larápios do Master. O banco fincou suas bases na ausência de regulação dos mercados sobre a lavagem de dinheiro numa economia que promoveu um avanço predatório sobre a renda e o crédito dos brasileiros. Associou-se aos superpoderes do STF e do Congresso e às muletas do Executivo. O desfecho deste inquérito não será capaz de levar a novas conspirações da farda. O campo de batalha é a urna e o alvo, a zanga do eleitor.
Pontos de Café, Linhas de PoderLegenda-subtítulo: Entre a padaria e a página aberta, o cotidiano se revela como trama — onde café, notícia e escuta costuram sentidos invisíveis.Epígrafe
“É como eu disse antes, mentiras têm pernas curtas.”
Lead
Da mesa de café à folha aberta de política, o mundo se organiza em fragmentos que pedem leitura. Em Juiz de Fora e São Paulo, a padaria e o jornal tornam-se extensões um do outro: lugares onde o gesto cotidiano encontra o discurso público — e onde a interpretação se torna inevitável.
Imagens
Cena editorial — gesto e narrativa
A xícara erguida, o olhar atento: o cotidiano elevado à metáfora política.
Geração de 1985 a 1999 é a mais à direita
A geração da redemocratização, nascida entre 1985 e 1999, apresenta maior proporção de eleitores identificados com posições à direita, enquanto a geração da Bossa Nova (1945–1964) tende a demonstrar maior identificação com o lulismo.
Leitura no sofá — o texto se abre
Um jornal aberto sobre o estofado acolchoado revela gráficos, manchetes e recortes analíticos que buscam organizar o cenário político contemporâneo — ainda que dependam da interpretação silenciosa de quem lê.
Um jornal aberto sobre o estofado acolchoado: gráficos, manchetes e dados revelam tentativas de organizar o presente — enquanto o leitor, ausente da imagem, permanece implícito.
Resumo
A costura se amplia: da padaria ao jornal. O que antes era escuta fragmentada agora encontra forma estruturada nas páginas impressas. Ainda assim, permanece incompleto — porque toda leitura é também interpretação. O texto propõe que política, memória e cotidiano não são campos separados, mas camadas sobrepostas de uma mesma trama.
Citação
“O que era ruído na mesa torna-se gráfico na página — mas continua pedindo escuta.”
Texto principal
O jornal aberto não responde — ele propõe.
Sobre o sofá, suas páginas expõem gráficos, cores, porcentagens. Tentam dar forma ao que, na padaria, era apenas murmúrio. Ali, as vozes eram quebradas. Aqui, são organizadas.
Mas organização não é conclusão.
A manchete fala em caminhos, rupturas, gerações.
Os dados sugerem direção.
Mas o sentido — esse ainda depende de quem lê.
Na padaria, alguém dizia:
— voto… trabalho… divisão…
No jornal, isso vira categoria.
Vira índice.
Vira análise.
E ainda assim, algo escapa.
Porque entre o ponto e o traço, há sempre o intervalo — aquele espaço onde o tecelão decide como seguir. O leitor agora ocupa esse lugar.
A xícara e o jornal pertencem ao mesmo sistema.
Um capta.
O outro organiza.
Nenhum encerra.
E o algoritmo — silencioso — continua aprendendo com ambos.
Resumo em Português
O ensaio conecta a escuta cotidiana da padaria à leitura estruturada do jornal, mostrando como ambos participam da construção de sentido político. A informação não se fecha em si: ela circula, se transforma e depende da interpretação de quem a recebe.
Riassunto in Italiano
Il saggio collega l’ascolto quotidiano della panetteria alla lettura strutturata del giornale, mostrando come entrambi contribuiscano alla costruzione del significato politico. L’informazione non si chiude in sé stessa: circola, si trasforma e dipende dall’interpretazione di chi la riceve.
Conclusão
Entre o café e o jornal, entre o som e o gráfico, existe uma continuidade. O mundo não muda de natureza — apenas de forma.
O que se ouve vira dado.
O que se lê vira interpretação.
E o que se interpreta volta ao mundo como novo ponto.
Nada termina.
Tudo se reescreve.
Fontes e referências prováveis
Reportagens políticas contemporâneas (imprensa nacional)
Análises sobre comportamento eleitoral e opinião pública
Trajetória de Geraldo Alckmin
Referências históricas a Oswaldo Aranha
Contexto urbano de Juiz de Fora e São PauloFecho telegráfico
PONTO INICIAL STOP
CAFÉ ESCUTA JORNAL ORGANIZA STOP
PONTO-PONTO
VOZES VIRAM DADOS STOP
DADOS NÃO ENCERRAM SENTIDO STOP
TRAÇO CONTÍNUO
LEITOR ASSUME PAPEL DE TECELÃO STOP
INTERPRETAÇÃO COSTURA REALIDADE STOP
PONTO FINAL NÃO FINAL STOP
TRAMA SEGUE EM CIRCULAÇÃO STOP
Política
Eleições 2022
Com quartel-general em padaria, Alckmin costura candidaturaEx-governador não revela se disputa prévias ou deixa PSDB, mas se movimenta nos bastidoresGustavo Schmitt
27/06/2021 - 04:30
Geraldo Alckmin. Ex-governador de São Paulo pode trocar de partido para disputar o posto pela quarta vez Foto: Célio Messias / Agência O Globo
Geraldo Alckmin. Ex-governador de São Paulo pode trocar de partido para disputar o posto pela quarta vez Foto: Célio Messias / Agência O Globo
SÃO PAULO - Na manhã da última terça-feira, Geraldo Alckmin (PSDB) foi apresentado a uma plateia de 70 pessoas na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios de São Paulo (Sindifícios), no Centro da cidade, como “eterno” e “futuro” governador, cuja gestão “reduziu o ICMS”. Recebeu uma salva de palmas e discursou. Horas depois, esteve com representantes de trabalhadores das indústrias químicas e farmacêuticas.
Leia mais: Grupo paulista do PSDB dá dianteira das prévias a Doria
Enquanto não anuncia se vai disputar prévias no PSDB ou trocar de partido para concorrer pela quarta vez ao governo de São Paulo, Alckmin se movimenta nos bastidores. Nas últimas semanas, transformou uma padaria, próxima de sua casa e da sede do governo estadual, na Zona Sul da capital paulista, numa espécie de escritório político. Não por acaso, também fez uma reunião no Sindicato dos Padeiros. Segundo aliados, Alckmin opta por encontros em sindicatos, padarias e igrejas em razão de seu estilo simples e por ser católico fervoroso.
Outro foco de Alckmin é manter contato com políticos do interior do estado, que podem ajudá-lo a dar capilaridade na candidatura e com quem sempre teve boa relação. Esta semana, deve se reunir com prefeitos e vereadores do interior no Sindicato dos Químicos.
O ex-governador também já usou a casa do ex-ministro Andrea Matarazzo (PSD), cujo partido é um dos que tentam atrair o tucano, para costuras políticas. Foi lá, no início de maio, que recebeu o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos. Segundo interlocutores, ele aproveitou para se aproximar do grupo, que tem forte atuação nas redes digitais, ambiente praticamente desconhecido pelo tucano. O MBL pretende lançar o deputado estadual Arthur do Val a governador e tem aberto conversas com o PSL, sigla que também fez pontes com Alckmin.
Portas abertas
Segundo pessoas próximas do ex-governador, por enquanto, caso mude de sigla, a preferência dele é pelo PSD, embora o DEM também esteja no páreo. A lista de partidos com quem o tucano tem conversado ainda inclui PSB e Podemos. A expectativa é que, em breve, ele anuncie a decisão de mudar de legenda. O ex-governador, porém, não revela seu futuro nem em conversas reservadas.
— O PSD está não só de portas abertas, como já o convidou para se filiar. É um quadro importante, sério, preparado, respeitado. Em todos os momentos em que esteve à frente de missões na vida pública se saiu muito bem — afirma o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
Veja também: Doria fará ofensiva para conquistar apoio de prefeitos na disputa das prévias do PSDB
No DEM, Alckmin tem o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, além da simpatia dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Mendonça Filho. Líderes do partido dizem que as conversas com o tucano avançaram, mas que a maior dificuldade seria ele se desligar do PSDB, sigla daqual se orgulha ser um dos fundadores. Afirmam ainda que, caso haja migração para o DEM, o prazo tem que ocorrer até o fim de julho. Se o namoro com o ex-governador não vingar, a legenda deve apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia, que trocou o DEM pelo PSDB no mês passado.
Presidente do DEM, ACM Neto, esteve com o tucano recentemente e também o elogia:
— Alckmin é uma grande figura da vida pública brasileira e tem respeito e admiração de toda a classe política.
Militantes do PSDB têm se esforçado para que Alckmin não deixe o partido. Surgiu na semana passada o movimento “Fica Geraldo”. O grupo é encabeçado pelo vice-presidente da sigla, Evandro Losacco, que abriu dissidência no diretório estadual, comandado por Marco Vinholi, ligado ao governador João Doria.
Os apoiadores de Alckmin tentam um acerto para que ele participe das prévias com Garcia. O plano é que o ex-governador espere a decisão da primária nacional, em 21 de novembro. Segundo aliados, se Doria perder, Alckmin disputaria com Garcia. Caso Doria ganhe, o ex-governador reavaliaria o cenário.
O
https://oglobo.globo.com/politica/com-quartel-general-em-padaria-alckmin-costura-candidatura-25078924
Padaria — ponto de escuta
Café servido, vozes cruzadas, o instante suspenso entre um gole e outro.
Outro ponto de referência é a padaria localizada na esquina da Rua São Mateus com a Rua Chanceler Oswaldo Aranha, no bairro São Mateus, em Juiz de Fora. Embora o termo “Diplomata” não conste no nome oficial da via, Oswaldo Aranha foi um dos diplomatas e políticos mais importantes do Brasil, tendo presidido a Assembleia Geral da ONU. Juiz de Fora integra a Minas Gerais de José Maria Alkmin, primo de Geraldo Alckmin.
Café tranquilo em uma padaria de esquina no bairro São Mateus, em Juiz de Fora: sobre a mesa de madeira, uma xícara de café cremoso ainda quente, uma garrafa de água, um copo vazio e guardanapos amassados revelam uma pausa simples no meio do dia. Ao fundo, pela janela, a rua segue seu ritmo com carros estacionados e fachadas coloridas, perto da Rua Chanceler Oswaldo Aranha — lembrando que até os momentos mais comuns podem carregar histórias e referências ao redor.
Pelos tímpanos, sentado em mesa próxima ao balcão, os sons chegam como o martelo de um velho telégrafo — como aqueles que JK e seu amigo Alkmin, futuros cunhado e companheiro de trajetória política municipal, estadual e federal, operavam ao chegar a BH em busca de trabalho e estudo. Contos ouvidos como pontos de uma costureira, alinhavados um a um. Decodificados em ponto corrido, sem cicatrizes aparentes. Causas que traçam consequências na forma de pontos: por IA, costurados como pontos internos — como teflon — absorvidos pelo organismo, sem marcas nem manchas, desde que haja proteção.
Aos causos, em forma de pontos, dados por uma cliente e arrematados pela balconista:
— Sou funcionária do PT. Voto nele.
— Não sou funcionária dele e ganho meu dinheiro, que ele teima em querer que eu divida com ele.
Agora é com o algoritmo de IA: pegar os laços e seguir transformando em conto — na forma de ponto interno embutido — como teflon a ser absorvido, sem deixar marcas. Nem manchas.
Dóris Monteiro canta "Mudando de Conversa" 1977Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do LeblonMudando de conversaDóris Monteiro
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon
Meu Deus do céu, que tempo bom!
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
E acabava em samba
Que é a melhor maneira de se conversar
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma
Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba
Me perdi de mim, não achei mais nada
O que vou fazer?
Mas eu queria tanto, precisava mesmo de abraçar você
De dizer as coisas que se acumularam
Que estão se perdendo sem explicação
E sem mais razão e sem mais porque
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade
Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon
Meu Deus do céu, que tempo bom!
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
E acabava em samba
Que é a melhor maneira de se conversar
Composição: Hermínio Bello de Carvalho, Maurício Tapajós.
Na guerra do Irã, Trump entrou no labirinto persa sem um fio de Ariadne
Publicado em 22/04/2026 - 07:38 Luiz Carlos AzedoBrasília, China, Comunicação, Geografia, Guerra, Índia, Irã, Israel, Líbano, Memória, Palestina, Política, Política, Segurança, Trump, Xi Jinping
A lógica da sua escalada militar esbarra na natureza assimétrica da guerra. O Irã não enfrenta seus oponentes em campo aberto, mas por meio de milícias, outros atores regionais e ações indiretas, como o fechamento de Ormuz
O mito Teseu e o Minotauro, uma criatura metade homem metade touro, é uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega. Para vingar a morte de um filho, o rei Minos de Creta exigia que Atenas enviasse a cada nove anos sete rapazes e sete donzelas para serem devorados pelo Minotauro, um monstro aprisionado no Labirinto de Creta. Teseu, filho do rei de Atenas, voluntariou-se para ir a Creta com o objetivo de matar o Minotauro e acabar com o sacrifício.
Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se por Teseu e, para ajudá-lo, secretamente, deu-lhe um novelo de lã, o famoso “fio de Ariadne”, com o qual Teseu entrou no labirinto. Após amarrar a ponta do fio na entrada, foi desenrolando-o enquanto avançava. No centro do labirinto, matou o Minotauro e, seguindo o fio de volta, conseguiu sair do labirinto. Teseu fugiu de Creta com Ariadne, mas, ao retornar a Atenas, esqueceu-se de trocar as velas do navio de pretas para brancas, um código que sinalizaria seu sucesso, o que levou seu pai, Egeu, a se suicidar por acreditar que o filho estava morto.
João Saldanha, o cronista esportivo que foi técnico da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 1970, no México, resumiu a ópera com um comentário muito espirituoso: “Só uma toupeira entra num buraco sem saída, mas é o mais estúpido dos animais”. Com licença poética, é mais ou menos a situação do presidente dos Estados Unidos na guerra do Irã. No mito do labirinto de Creta, não bastava a força, era preciso estratégia, previsão e uma rota de saída. É o que falta à aventura militar de Trump no Oriente Médio.
Trump entrou no labirinto persa sem dispor de um “fio de Ariadne”. A lógica da sua escalada militar, que combina demonstração de força e poder de dissuasão, esbarra na natureza assimétrica da guerra. O Irã não enfrenta seus oponentes em campo aberto, mas por meio de milícias, outros atores regionais e ações indiretas, como o fechamento do Estreito de Ormuz. Com isso, explora vulnerabilidades e evita ao máximo confronto direto com os Estados Unidos. O labirinto não é apenas militar, mas político e estratégico.
A doutrina de guerra assimétrica não é estranha aos Estados Unidos. Ao longo do século XX, especialmente em conflitos como o Vietnã e, mais recentemente, no Iraque e no Afeganistão, os americanos enfrentaram formas indiretas de combate, nas quais o poder convencional perde eficácia diante de inimigos difusos, descentralizados e resilientes. O Irã, ao estruturar sua estratégia regional com base em redes de influência e grupos aliados, apropriou-se dessa lógica. Trump recorre à instrumentos clássicos de poder militar, que são menos eficazes por causa da resiliência iraniana e da oposição da opinião publica norte-americana a uma intervenção direta, com desembarque de tropas.
Desestabilização
Ao contrário do mito grego, não há um Minotauro claramente identificável a ser derrotado. A prova disso é eliminação do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, em ataque conjunto dos EUA e de Israel em Teerã, no fim de fevereiro passado. A operação incluiu o uso de mísseis e resultou na morte de familiares de Khamenei e altos comandantes. Não deu certo na política nem no aspecto militar. O inimigo não está concentrado num único ponto, mas disperso em múltiplas frentes — do Líbano ao Iêmen, passando pela Síria e pelo Golfo Pérsico.
Cada ação militar intempestiva de Trump gera repercussões imprevisíveis, abre novos corredores no labirinto e amplia a complexidade do conflito. Sem uma estratégia de saída clara, cada movimento aprofunda o envolvimento, amplia o conflito e reduz as opções de saída. Não se trata apenas de um confronto militar, o labirinto também é econômico, por causa do impacto no mercado de petróleo. Qualquer instabilidade na região do Golfo repercute imediatamente nos preços internacionais. A elevação do barril pressiona cadeias produtivas, alimenta a inflação global e afeta diretamente economias dependentes de importação de energia.
Nesse contexto, a guerra deixou de ser um conflito regional para se tornar um fator de desorganização sistêmica da economia mundial. Enquanto Trump tateia no escuro, outros atores operam com maior clareza estratégica. Benjamin Netanyahu, por exemplo, emerge como um dos principais beneficiários imediatos da escalada. Seu interesse na manutenção do conflito é evidente: a guerra prolongada reforça sua narrativa de segurança existencial de Israel, consolida apoio interno, mantém a tensão internacional focada no Irã e desvia as atenções de outros impasses regionais, como sua investida no Líbano. Para Netanyahu, a guerra com o Irã é um ambiente no qual opera com relativa previsibilidade.
Já o líder chinês Xi Jinping atua de forma mais sutil, porém muito eficaz. Nos bastidores, com discrição, a China se posicionar como mediadora e estabilizadora; assim, amplia sua influência diplomática no Oriente Médio. Aliada ao Paquistão, que também disputa influência com a Índia, Pequim trabalha para construir alternativas à lógica de confronto direto, explora sua capacidade de articulação econômica e política. Xi tece com seda o seu próprio “fio de Ariadne”, ao ampliar sua projeção geopolítica. Trump entrou na guerra a reboque de Netanyahu e caiu numa armadilha regional; a China atua nos bastidores da crise do Oriente Médio para ampliar sua influência global. Sua economia exportadora depende da previsibilidade e da segurança econômica que só a paz oferece. Nisso aí, não está sozinha.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Guerra, #Irã, #Jinping, #Metanyahu, #Mitologia, #Trump
O Último Dos MohicanosMoreira da Silva
9 de nov. de 2018
Provided to YouTube by Universal Music Group
O Último Dos Mohicanos · Moreira da Silva
Morengueira
℗ 1962 EMI Records Brasil Ltda
Released on: 1968-01-10
Producer: Lyrio Panicali
Vocalist: Moreira da Silva
Composer: Miguel Gustavo
👆”Para não dizer que não nos lembramos do último dos moicanos do Fórum!Sr. Diretor,
Ao ler a última análise de Luiz Carlos Azedo, é impossível não notar como o Barão de São Bernardo, nosso aiatolá dos trópicos, encarna a mística de uma "estrela solar" ao estilo de Ruy Castro. Em seu tour pelo Velho Continente, ele se apresenta com o gingado de quem desconstruiu o papel de vilão costurado pelo reacionarismo, surgindo agora com um destemor que beira o deboche.
Ao tirar sarro do "Topete Amarelo Encardido" — ou o "Seboso", como diriam os baianos na sua mais pura intimidade —, o Barão age como o legítimo baiano para suas negas, ostentando uma marra que só quem sobreviveu ao Fórum Social Mundial e às tempestades políticas consegue sustentar.
Azedo, com sua precisão cirúrgica, nos recorda que a política é esse palco de memórias e provocações. Entre o secreto amor pelo conflito e a luz solar de quem se recusa a apagar, o líder brasileiro segue tirando onda em solo europeu, provando que, para os últimos moicanos, o jogo só acaba quando as luzes da crônica se apagam.”
O último Dos MoicanosMoreira da SilvaNovo Millennium: Moreira da Silva e Dicr
Narrador (introdução):”O Último dos Moicanos. Novo super
bangue-bangue de Michael Gustav com Kid Morengueira!
Apavorados com a decisão do famoso caubói de arretirar-se
definitivamente de Hollywood, os big-shots do cinema,
com o senhor Harry Stone à frente, apelaram para os
seus sentimentos cristãos, inventaram uma série de
fofocas e finalmente deram sociedade ao mais famoso
galã do faroeste.
Depois de marchas e contramarchas, surgiu na tela o
segundo episódio da série Os Perigos de Morengueira:
O Último dos Moicanos!”
Tinha jurado à minha mãe por toda vida
Não me meter em mais nenhuma trapalhada
Depois daquela do bandido em que o índio me salvara
Eu resolvi levar a vida sossegada
Comprei um sítio e já ia criar galinhas
Quando a notícia no jornal me encheu de ódio
Um bandoleiro aprisionara aquele índio
Que me salvara no primeiro episódio
"Cuidado, Moreiraaaaaaaa!"
E a tal viúva do bandido que eu matara
Com quem casei perante o padre do local
Vendeu me rancho e fugiu para Nevada
Apaixonada por um velho marginal
A minha noiva por quem tanto andei lutando
Estava dançando num saloon fora da linha
Como é que pode um pistoleiro aposentar-se
Comprar um sítio e querer criar galinha
"có, có, có, có, có, có"
Montei de novo num cavalo mais ligeiro
Em Hollywood, o Harry Stone me esperava
O Johnny Ford chamava os extras para a cena
Enquanto a câmera já me focalizava
A luta agora era com os indios Moicanos
Que pelos canos nos empurram devagar
Me disfarcei, pintei a cara e apanhei a machadinha
E com a princesa comecei a namorar
"- Indio cara-pálida chamar Morengueira"
"- Morengueira que não é Seu Loca vai dar no pé"
Voltei à vila, arrasei os inimigos
Salvei o índio, minha dívida paguei
Dei uma surra na viúva e minha noiva
Naquele mesmo cabaré a desposei
E ao terminar mais esse filme americano
Como Hollywood está meio desmilingüida
Eu vou passar para o cinema italiano
Pra descansar eu vou filmar La Dolce Vita
Não filmo agora que a censura não quer cena proibida
Perto de mim o Mastroianni não vai dar nem pra partida
Sofia Loren vem chegando mas eu já estou de saída
Arrivederci Roma...
Compositor: Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins (Miguel Gustavo) (UBC)
Editor: Fermata (UBC)