quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tia Eron Maravilha, nós gostamos de você...

...Tia Maravilha, faz mais um pra gente ver



Reprodução da Tribuna de Minas, por MÁRIO TARCITANO






Ninguém manda nessa "nega aqui", afirma Tia Eron



Maria Alcina fio maravilha


Enviado em 18 de jan de 2009
Maria Alcina cantando no Festival da canção da Rede Globo de 1972, a música Fio Maravilha (que foi feita por Jorge Ben em homenagem ao jogador Fio Maravilha)
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Entretenimento
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Maria Alcina
Fio Maravilha
Violão: Principal
Tom: A
F#m                 D   E         F#m    D  E
E novamente ele chegou com inspiração
F#m                 D   E           F#m         D  E
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol, gol
F#m                 D   E                 F#m       D  E
Sacudindo a torcida aos 32 minutos, do segundo tempo
F#m                 D   E         F#m    D  E
Depois de fazer uma jogada celestial em gol
F#m                 D   E         F#m                     D  E
Tabelou, driblou dois zagueiros, deu um toque driblou o goleiro.
F#m                        D   E            F#m            D  E
Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol, gol
F#m                      D   E            F#m             D  E
Foi um gol de classe onde ele mostrou sua malícia e sua raça
F#m                       D              E
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
F#m                 D           E
Que a galera agradecida assim cantava
F#m                       D              E
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
F#m                 D           E
Que a galera agradecida assim cantava

(refrão)
F#m          Bm            C#m
FIO MARAVILHA, NÓS GOSTAMOS DE VOCÊ.
F#m           Bm        C#m         F#m Bm C#m
FIO MARAVILHA, FAZ MAIS UM PRA GENTE VER
F#m          Bm            C#m
FIO MARAVILHA, NÓS GOSTAMOS DE VOCÊ.
F#m           Bm        C#m         F#m Bm C#m
FIO MARAVILHA, FAZ MAIS UM PRA GENTE VER
Composição: Jorge Ben










Ninguém manda nessa ‘nega aqui’, diz Tia Eron

Josias de Souza
14/06/2016 22:55

Empurrada para dentro do Conselho de Ética como uma espécie de coelho que Eduardo Cunha tiraria da cartola na última hora, Tia Eron (PRB-BA) subverteu a expectativa do mentor da manobra. Ao votar, a deputada disse “sim” à cassação de Cunha como quem tira uma cartola de dentro do coelho. Antes, afirmara que ninguém manda “na nega aqui”.
Ao farejar a derrota do aliado, o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que acabara de discursar sobre a falta de provas contra Cunha, traiu a própria (in)consciência. Deve ter sentido o hálito da Opinião Pública. E Cunha, que esperava prevalecer por 11 a 9, perdeu pelo mesmo placar.










Tia Eron vota pela cassação de Cunha: "Ninguém manda nessa nega aqui!"

Publicado em 14 de jun de 2016
Tia Eron tira sarro com os deputados "homens".
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Notícias e política
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Tia Eron na Cassação de Cunha: “NINGUÉM MANDA NESSA NEGA AQUI”


Publicado em 14 de jun de 2016
14/06/2016 - Antes da votação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, nesta terça-feira (14), deputados e líderes se manifestaram sobre o voto do relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO). Uma das manifestações mais aguardadas era a da deputada Tia Eron (PRB-BA): "Ninguém manda nessa nega aqui. Quero olhar nos olhos de cada um. Os olhos refletem o que a boca não tem coragem de dizer. Eu não fui abduzida", disse, se referindo às criticas recebidas pela sua ausência na última reunião do conselho.

 “Chamaram Tia Eron para resolver o problema que os homens desse conselho não conseguiram resolver. Não era para resolver? Tia Eron vai resolver!", disse a parlamentar.
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Esportes
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Fio Maravilha Jorge Bem

Enviado em 27 de jan de 2010
"Fio Maravilha" (também conhecida por "Filho Maravilha") é uma canção do compositor brasileiro Jorge Ben, lançada no álbum Ben, de 1972. Seu título é uma homenagem ao futebolista João Batista de Sales, que era conhecido pelo apelido . Anos mais tarde o compositor teve de mudar a letra para "Filho Maravilha", depois de uma série de questões jurídicas sobre os seus direitos autorais. Em 2007, em uma entrevista à Rede Globo, Fio Maravilha, então ex-jogador de futebol, autorizou Jorge Ben a usar novamente o famoso pseudônimo "Fio Maravilha", nome original.
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"Fio Maravilha (Ao Vivo)" por Jorge Ben Jor ( • )






filho maravilha-jorge Benjor

Enviado em 3 de dez de 2007
a cancion do filho maravilha pelo gran jorge
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"Filho Maravilha (Club Dance Version)" por Jorge Ben Jor ( • )



Admirador de Machado de Assis desde adolescente, o crítico marxista Astrojildo Pereira deixou alguns dos estudos mais argutos, originais e reveladores sobre a obra do escritor
Hélio de Lena Júnior
9/9/2007 

os dias 30 de setembro e 1º de outubro de 1908, o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, publicou uma crônica de Euclides da Cunha intitulada “A última visita”, sobre a agonia e morte de um dos maiores romancistas brasileiros de todos os tempos, Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908). O texto de Euclides, também ele um de nossos grandes escritores, não seria tão instigante se não mencionasse a visita misteriosa que o autor de Dom Casmurro recebeu nos seus momentos derradeiros.
Tratava-se de um rapaz de 18 anos que, no meio da noite, foi à casa de Machado, no bairro carioca do Cosme Velho, e pediu licença para ver o velho mestre. A residência estava repleta de figuras importantes do meio literário da época, silenciosas e consternadas, enquanto Machado, no quarto, agonizava. Mesmo assim, o jovem e desconhecido visitante não se inibiu diante de todos aqueles medalhões e conseguiu ser conduzido até o leito do escritor. “Chegou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu.”
Na sua crônica, Euclides não diz o nome do “anônimo juvenil”, porque, segundo ele, isso importava pouco. “Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento, o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo – no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis –, aquele menino foi o maior homem de sua Terra”. A identidade do admirador precoce do “Bruxo do Cosme Velho” permaneceria envolta em mistério por muitos anos, até ser revelada pela grande biógrafa de Machado, Lúcia Miguel Pereira. Quanto ao prognóstico de Euclides, de que o jovem visitante noturno “nunca mais subirá tanto na vida”, este revelou-se equivocado. Astrojildo Pereira Duarte da Silva, o rapaz que reverenciou Machado no seu leito de morte, se tornaria na maturidade um importante intelectual, além de respeitado propagador do pensamento marxista no Brasil. 
Astrojildo Pereira nasceu em Rio Bonito, no interior fluminense, em 1890. Muito jovem, tornou-se ativista político, freqüentando organizações operárias de orientação anarquista. Em 1918, redigiu, publicou e distribuiu, praticamente sozinho, o jornal Crônica Subversiva. Nesse mesmo ano, participou ativamente dos preparativos de uma frustrada insurreição anarquista e, por conta disso, foi preso pela primeira vez. Libertado em 1919, distanciou-se do anarquismo e, influenciado pelas idéias bolcheviques, passou a defender aqui os rumos tomados pela Revolução Russa.
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Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda do poeta, em Laranjeiras, não acreditaria que estivesse tão próximo o triste desenlace da sua enfermidade. Na sala de jantar, para onde dava o quarto do querido mestre, um grupo de senhoras ­ ontem meninas que ele carregava nos braços carinhosos, hoje nobilíssimas mães de famílias ­ comentavam lhe os lances encantadores da vida e reliam lhe antigos versos, ainda inéditos, avaramente guardados nos álbuns caprichosos. As vozes eram discretas, as mágoas apenas rebrilhavam nos olhos marejados de lágrimas, e a palidez completa no recinto onde a saudade glorificava uma existência, além da morte.
No salão de visitas viam se alguns discípulos dedicados, também aparentemente tranqüilos.
E compreendia se desde logo a antilogia de corações tão ao parecer tranqüilos na iminência de uma catástrofe. Era o contágio da própria serenidade incompatível e emocionante em que ia a pouco e pouco extingüindo­-se o extraordinário escritor. Realmente, na fase aguda de sua moléstia, Machado de Assis, se por acaso traía com um gemido e uma contração mais viva o sofrimento, apressava se em pedir desculpas aos que o assistiam, na ânsia e no apuro gentilíssimo de quem corrige um descuido ou involuntário deslize. Timbravam em sua primeira e última dissimulação: a dissimulação da própria agonia, para não nos magoar com o reflexo de sua dor. A sua infinita delicadeza de pensar, de sentir, e de agir, que no trato vulgar dos homens se exteriorizava em timidez embaraçadora e recatado retraimento, transfigurava se em fortaleza tranqüila e soberana.
E gentilissimamente bom durante a vida, ele se tornava gentilmente heróico na morte...
Desapontamento. Mas aquela placidez augusta despertava na sala principal, onde se reuniam Coelho Neto, Graça Aranha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e Rodrigo Octavio, comentários divergentes. Resumia-­os um amargo desapontamento. De um modo geral, não se compreendia que uma vida que tanto viveu as outras vidas, assimilando­-as através de análises sutilíssimas, para no­-las transfigurar e ampliar, aformoseadas em sínteses radiosas –, que uma vida de tal porte desaparecesse no meio de tamanha indiferença, num círculo limitadíssimo de corações amigos. Um escritor da estatura de Machado de Assis só devera extinguir­se dentro de uma grande e nobilitadora comoção nacional.
Era pelo menos desanimador tanto descaso – a cidade inteira, sem a vibração de um abalo, derivando imperturbavelmente na normalidade de uma existência complexa – quando faltavam poucos minutos para que se cerrassem 40 anos de literatura gloriosa...
Neste momento, precisamente ao anunciar­-se esse juízo desalentado, ouviram-­se umas tímidas pancadas na porta principal da entrada.
Abriram-­na. Apareceu um desconhecido: um adolescente, de 16 ou 18 anos, no máximo. Perguntaram-­lhe o nome. Declarou ser desnecessário dizê-­lo: ninguém ali o conhecia; não conhecia por sua vez ninguém; não conhecia o próprio dono da casa, a não ser pela leitura de seus Livros, que o encantavam. Por isso, ao ler nos jornais da tarde que o escritor se achava em estado gravíssimo, tivera o pensamento de visitá­-lo. Relutara contra essa idéia, não tendo quem o apresentasse: mas não lograva vencê-­la. Que o desculpassem, portanto. Se lhe não era dado ver o enfermo, dessem-­lhe ao menos notícias certas de seu estado.
E o anônimo juvenil – vindo da noite – foi conduzido ao quarto do doente. Chegou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-­se. Tomou a mão do mestre, beijou-­a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-­o depois por algum tempo ao peito. Levantou­-se e, sem dizer palavra, saiu.
A porta, José Veríssimo perguntou-­lhe o nome. Disse-­lho.
Mas deve ficar anônimo. Qualquer que seja o destino desta criança, ela nunca mais subirá tanto na vida.2
Naquele momento o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo – no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis, aquele menino foi o maior homem de sua terra.
Ele saiu – e houve na sala, há pouco invadida de desalentos, uma transfiguração. 
No fastígio de certos estados morais concretizam-­se às vezes as maiores idealizações. 
Pelos nossos olhos passara a impressão visual da Posteridade...

1. Publicado no Jornal do Commercio em 30 de setembro de 1908.


2. Lúcia Miguel­ Pereira, na obra Machado de Assis, de 1936, identificou o jovem visitante como sendo Astrojildo Pereira (1890­1965), autor que posteriormente dedicaria uma série de estudos críticos à obra de Machado de Assis. Em que pese a qualidade desses estudos reconhecida pela crítica machadiana, Astrojildo tornar­-se-ia mais conhecido por sua militância política, como militante comunista e membro ­fundador do PCB.






Alexandre Rodrigues Alves




Quebrando, de certa forma, seu compromisso com a imortalidade, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, quando a Academia Brasileira de Letras ainda tomava fôlego para alcançar o futuro. Segundo diziam, morreu em consequência das saudades que sentia de Carolina, sua mulher, morta quatro anos antes, cuja ausência fizera muito mal à saúde do escritor. Dia 1° de agosto ele comparecera a uma última reunião da ABL, e ainda na véspera de seu desaparecimento passeou pela cidade com José Veríssimo. Mas nem o convívio com os amigos nem o trabalho intelectual foram capazes de reverter o triste rumo dos acontecimentos.
O velório teve lugar primeiro em sua casa, no Cosme Velho. Euclides da Cunha, jornalista e romancista, eleito para a ABL em 1903, conta em seu artigo A última visita como foram os momentos finais em volta do mestre.
Mas aquela placidez augusta [de Machado no leito de morte] despertava na sala principal, onde se reuniam Coelho Neto, Graça Aranha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e Rodrigo Octavio, comentários divergentes. Resumia-os um amargo desapontamento. De um modo geral, não se compreendia que uma vida que tanto viveu as outras vidas, assimilando-as através de análises sutilíssimas, para no-las transfigurar e ampliar, amorfoseadas em sínteses radiosas –, que uma vida de tal porte desaparecesse no meio de tamanha indiferença, num círculo limitadíssimo de corações amigos. [...] Nesse momento, precisamente ao enunciar-se esse juízo desalentado, ouviram-se umas tímidas pancadas na porta principal da entrada. Abriram-na. Apareceu um desconhecido, um adolescente de dezesseis ou dezoito anos no máximo. [...] Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu. [...] Pelos nossos olhos passara a impressão visual da Posteridade.
A partir das 19h30min, o velório passou para o Silogeu, a então sede da Academia. Admiradores, autoridades políticas e acadêmicos juntaram-se para as homenagens, que seguiram até as 16h do dia seguinte, quando começou o enterro.
Junto ao caixão, Rui Barbosa, o orador supremo da época, escalado como porta-voz da ABL, deu sua definição de Machado de Assis:
Eu quase não sei dizer mais. [...] Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer; é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom.
Trecho elaborado a partir do livro 110 anos da Academia Brasileira de Letras, com texto de Rodrigo Lacerda.
Publicado em 30 de setembro de 2008.




Após uma longa batalha dos abolicionistas para acabar com a escravidão no Brasil no século XIX, no dia 13 de maio de 1888 finalmente é sancionada a Lei Áurea, que tinha por finalidade libertar todos os escravos que dependiam dos senhores de engenho e da elite cafeeira.



Até a promulgação definitiva da abolição da escravatura, muitas leis foram criadas no sentido de ‘libertar lentamente’ os trabalhadores forçados. Em setembro de 1871 foi criada a Lei do Ventre Livre, que proibia o trabalho de negros escravizados que não haviam atingido a maioridade; e a Lei dos Sexagenários, favorável aos escravos de mais de 60 anos.
Como regente do Brasil na época, a Princesa Isabel foi a responsável por assinar a Lei Áurea, depois de diversas tentativas empenhadas pelos integrantes da Campanha Abolicionista, que se desenvolvia desde 1870.
Também houve grande envolvimento com a liberdade dos escravos da própria Princesa Isabel. Ela votou a favor à Lei do Ventre Livre como senadora do Parlamento e financiou quilombos e refúgios de escravos com o fim de libertá-los.
O projeto da Lei Áurea foi apresentado pela primeira vez uma semana antes de ser aprovado pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva. Passou pela Câmara e foi rapidamente avançado pelo Senado, para sanção da princesa regente. Foi uma medida estratégica, porque os deputados e alguns senadores queriam que o projeto de lei fosse aprovado de qualquer maneira enquanto o rei D. Pedro II viajava para o exterior.
A aprovação da lei acabou se tornando uma faca de dois gumes para a princesa. Se por um lado ela pretendia alavancar sua carreira política, acabou arruinando todas as possibilidades ao assinar a Lei Áurea. De fato, a sanção foi um enorme passo dado pelos liberais, que um ano mais tarde iriam derrubar o sistema monárquico em favor da Proclamação da República.
Por mais que a libertação dos escravos representasse a vitória de uma árdua batalha contra as elites, os negros não foram absolvidos em sua totalidade. Primeiramente, não houve um projeto efetivo de integração que permitisse que os antigos escravos se sustentassem de forma independente. Assim, muitos continuaram prestando serviços aos seus senhores para garantir moradia e alimentação.
De todos os países do continente americano, o Brasil foi o último a abolir a escravidão. Ainda hoje, mais de um século depois de aprovada a Lei Áurea, o regime escravocrata ainda resiste em lavouras e grandes pedaços de terra.



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Tia Eron pela RAÇA BRASIL


TIA ERON


POR MAURÍCIO PESTANA | FOTOS TICIANA BITENCOURT/DIVULGAÇÃO


Ela nasceu em Salvador, em 1972 e, contrariando o destino marcado pela maioria das jovens negras de sua cidade, Eronildes Vasconcellos Carvalho - mais conhecida como Tia Eron - foi a primeira mulher negra filiada a um partido de direita, o (DEM), a tornar-se vereadora por três legislaturas na história da capital baiana.

Mas não parou por aí: embora nascida e criada em Salvador, local de maior concentração de templos de religiões de matrizes africanas, principalmente o cadomblé, Eron é membro ativa da Igreja Universal do Reino de Deus, cujos atritos com religiões de matrizes africanas são muitos. Seu trabalho em prol de crianças carentes ganhou bairros, como os de Saramandaia, despertando nos dirigentes da Universal, o desejo em investir em seu projeto político. Saiba o que pensa a jovem liderança negra do DEM e da IURD, que também preside a comissão de direitos da mulher da Câmara Municipal de Salvador




Mulher, negra, evangélica e de direita, em uma cidade como Salvador. A discriminação em seu caso ultrapassa os limites da cor?
Sem dúvida nenhuma e tem várias questões: a de ser mulher, depois a de ser negra e, por último, a fé, porque sou evangélica. Nesse aspecto existem questionamentos de como eu me visto e me adapto nesses lugares onde a questão racial é discutida. A tendência é sempre sofrer este tipo de violação, que é um direito que eu tenho. Mas não tem jeito, a gente vai ter que passar por este vale.
Como começou seu interesse pela política?
Eu fazia um trabalho social e isso começou mais especificamente com crianças em escolas públicas em bairros humildes, onde pais, mães ou as próprias crianças estão nas entranhas desses bairros. Elas vinham na igreja para comer, não tinham comida em casa, não tinham café da manhã, lanche, não tinham nada, e nós tínhamos um lugar para acolher esses meninos e meninas.
Esse trabalho foi crescendo, também acompanhando essa tendência de dentro da comunidade que é formada por muitas crianças pobres, que não tinham oportunidade de educação, saúde, de nada. Lá elas tomavam banho, comiam, assistiam TV e ouviam histórias. Várias crianças iam até sem seus pais. O trabalho cresceu tanto que passamos a fazê-lo nas ruas, pois no local não cabia tanta gente. Diziam que isso tudo tinha a ver com política, mas não sei onde havia política. Para mim havia mesmo era vontade e disposição de trabalhar e servir o outro, uma causa humanística. Esse trabalho foi o pontapé inicial para a vida pública e política.
Como evangélica da Universal do Reino de Deus, qual é a sua relação com as lideranças e os adeptos das religiões de matrizes africanas de Salvador?
Bastante pacífica, até porque não olho a convicção de fé desses líderes religiosos. Desde espírita, candomblecista, umbanda, quimbanda, eu não olho. Eu olho para o ser humano. E foi com esse olhar que a gente começou a fazer o trabalho dentro do terreiro.
Trabalho dentro de terreiro?
Sim! Fui convidada pela comunidade no Cabula, Comunidade de Vila Nova, que é uma cidade, um submundo de pobreza, de miserabilidade, de sofrimento. A melhor casa que tinha dentro da comunidade era um terreiro, minha primeira reação foi: "Caramba! Me trouxeram para o lugar errado." Mas fiquei quetinha e até mesmo confiando em quem estava me recomendando. Eu não fui lá bater na porta, me mandaram até pela forma que vinha me propondo a trabalhar. Imagine que coisa louca, havia acreditado em mim e eu, no primeiro momento, estava assustada? Nossas reuniões eram e são feitas até hoje com a mãe de santo do local, de forma harmoniosa.. Ali começamos a bancar um trabalho com sopa e pão. Eu brincava com ela: "Acho que você vai ser reprimida." E a mãe de santo respondia: "Quem manda aqui sou eu e quem decide aqui sou eu, você é minha filha." Essa palavra de sentido duplo confundiu muita gente.
É um caso bastante inusitado...
Quando falávamos sobre isso, ninguém acreditava, até que um grande amigo - que hoje é secretário municipal da reparação - contou que viu uma foto minha dentro do terreiro, a gente fazendo alguns trabalhos sociais. "A vereadora Eron frequenta aqui?" "A Eron é minha filha." Ele tomou um susto! "Ela é da igreja ou do candomblé? Eu tinha uma desconfiança."




Tia Eron pela Sensacionalista isenta de verdade






Onde está Tia Eron? Hoje, ela diz se Eduardo Cunha terá ou não o mandato cassado. A deputada federal baiana pode empatar a votação do Conselho de Ética e deixar Cunha nas mãos do relator, que já disse que é à favor do afastamento definitivo do deputado.
Na semana passada, Tia Eron sumiu. Foi comer frutas trancadas na sede do PRB. Hoje, só Deus sabe.
Como não somos Deus, vamos conhecer um pouco da história da deputada baiana para tentar descobrir o que ela fará – se vota contra ou a favor de Cunha, se finge que a bisavó morreu e diz que tem que ir ao enterro, se muda de nome para não votar, se é abduzida por alienígenas, etc.
Só temos certeza de uma coisa: depois de ler, você vai achar que qualquer uma dessas coisas pode acontecer.
(M Zorzanelli)





Tratava-se de uma jovem de 44 anos que, no meio da tarde, foi à casa legislativa de Cunha, na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados Federais, em Brasília, e pediu licença para tratar do tema do velho mestre. A sala de reuniões estava repleta de figuras importantes do meio político da época, silenciosas e consternadas, enquanto Cunha, na casa, agonizava. Mesmo assim, a jovem e desconhecida oradora não se inibiu diante de todos aqueles medalhões e conseguiu ser conduzida até o cadafalso do representado. “Chegou. Não disse poucas palavras. Sentou-se. Tomou do microfone para tratar do mestre; respeitou-o num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se, após dizer muitas palavras, e saiu.”
Na sua crônica, Jornalista não diz o nome completo da “anônima jovem”, porque, segundo ela, isso importava pouco. “Qualquer que seja o destino dessa mulher, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento, o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquela meia hora – na meia hora em que ela estreitou figurativamente o peito moribundo de Eduardo da Cunha –, aquela menina foi o maior homem de sua Terra”. A identidade da admiradora precoce do “Bruxo da Guanabara” permaneceria envolta em mistério por muitos anos, até ser revelada pela grande biógrafa de Cunha, Célia Cruz. Quanto ao prognóstico de Euclides, de que o jovem visitante noturno “nunca mais subirá tanto na vida”, este revelou-se equivocado.


Deputada rebate colegas: 'Chama a Tia Eron para decidir o que vocês, homens, não conseguiram'







POR ISABEL BRAGA E MARIA LIMA /
14/06/2016 14:28 / atualizado 14/06/2016 18:25

Tia Eron (PRB-BA) chega ao plenário e é recebida pelo relator, deputado Marcos Rogério - Jorge William / Agência O Globo
BRASÍLIA — A deputada Tia Eron (PRB-BA) pediu a palavra para falar, mas manteve o suspense e não declarou abertamente seu voto.Sua fala, no entanto, foi recheada de ironia e até um certo deboche, ela criticou os colegas do conselho que na semana passada cobraram sua presença na reunião do Conselho de Ética. Ela foi levemente aplaudida quando disse que estava sendo chamada a resolver “o que os homens não resolveram” até agora.
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— Estamos aqui como julgadores e como tais, a primeira função que esse conselho precisa ter é a capacidade de olhar para dentro de si. E se a perdermos, esse conselho precisa ser ressignificado. Eu não compreendo como é que depois de sete meses, claro, os senhores todos homense não sabem o que é gestar, como é parir esse processo depois de sete meses, então chama "cadê Tia Eron?" para decidir o que vocês, homens, não conseguiram resolver. Então eu vou resolver — afirmou Tia Eron.
A deputada chegou às 14h23m para a reunião do Conselho de Ética. Tia Eron afirmou que votará "com sua consciência", mas disse que o colegiado precisa levar em conta que o Brasil fala com o Parlamento e que políticos cassados voltar ao Parlamento com o apoio de votos da sociedade.
— Fui tão citada, tripudiada, requisitada. Aqui estou, como sempre me comprometi com esse Brasil. Este conselho precisa ser ressignificado porque o Brasil está conosco, Podemos cassar sim, mas essa sociedade devolverá à essa Casa. Vimos isso várias vezes no Nordeste — disse Tia Eron.
A deputada começou sua fala afirmando que os deputados que ironizaram sua ausência, esta semana não agiram da mesma forma:
— Entenderam que, de fato, não mandam nessa nega aqui, nenhum dos senhores mandam.
Segundo a deputada, na semana passada ela não compareceu porque estava acompanhando da TV a fala de cada um dos conselheiros. Ela citou nominalmente o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), que, na semana passada, perguntou se ela tinha sido abduzida. Disse que se o pai do deputado estivesse aqui, não agiria dessa forma com ela. A deputada saiu em defesa do presidente licenciado de seu partido, Marcos Pereira, que hoje é ministro da Indústria e Comércio, mas protestou contra as cobranças, citando os candidatos do seu partido às eleições municipais, Celso Russomano (São Paulo) e Marcelo Crivella ( Rio)
— Marcos Pereira, professor, deveriam ter uma aula com ele. Me deu a livre tranquilidade para eu fazer esse julgamento. Marcos Pereira teve essa capacidade. Chegou a ser ministro, não precisou negociar cargos. Vossas excelência julgam pelo que são! — acusou Tia Eron.
Na discussão no Conselho de Ética, o deputado Nélson Marchezan Júnior (PSDB-RS) rechaçou a possibilidade de um “acordão” para salvar o mandato de Cunha, em troca de sua renúncia a presidência da Casa.
— O acordão para dar a Cunha uma pena mais branda em troca da renúncia a presidência é uma afronta ao Parlamento. Se não cumprirmos nossa tarefa de cassar o mandato de Cunha, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal vão tirar sua liberdade decretando sua prisão. Se a Justiça, que já o afastou do mandato, pode passar novamente na nossa frente, e isso será uma vergonha — discursou Marchezan.
Um dos alvos da ira de Tia Eron foi o deputado José Geraldo (PT-PA) apelara, antes, para que seu voto seja pela cassação de Eduardo Cunha, pois, do contrário, o PRB irá “sofrer um grande revés” nas eleições em outubro.
— Há uma grande expectativa pelo voto do PRB. Não acredito que a Igreja Universal vá influenciar para que um membro de seu partido vá contribuir com o reino do diabo aqui no Conselho — apelou José Geraldo.
Irritada, Tia Eron disse que José Geraldo deveria "higienizar a boca" para falar de nomes do PRB e da Igreja Universal
O líder do PSOL, deputado Ivan Valente(SP), disse que se o relatório de Marcos Rogério, pela cassação, não for aprovado, seu partido irá entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para restabelecer a soberania do plenário de mudar a pena na votação final
DEPUTADOS TENTAM CONVENCER TIA ERON
Durante a discussão no Conselho de Ética, os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), tentam convencer Tia Eron a votar a favor da aprovação da cassação de Eduardo Cunha. Nas conversas, ela reclamou que está sofrendo pressão de todo lado, mas ficou irritada especialmente com a cobrança dos deputados do colegiado. Confidente da deputada baiana, Júlio disse que subiram de 5% para 15% as chances de um voto contra Cunha.
— Mas a marcação dos aliados de Cunha em cima de Tia Eron está violenta. Mandaram o Nélson Meurer se sentar do lado dela para me tirar do seu lado. Ela está dizendo que vai seguir o conselho que meu irmão me deu quando fui votar o impeachment de Dilma. Vai votar com sua consciência, a única coisa que nos acompanha quando todos nos abandonam — disse Júlio Delgado.
— A Tia Eron fez mistério do seu voto no discurso, mas está se comportando como quem vai votar a favor da aprovação do pedido de cassação. Estou achando que ela vai votar pela cassação — disse o líder Pauderney Avelino.
SUPLENTES DISPUTAM PRESENÇA
Sem saber se a deputada compareceria, deputados suplentes do bloco partidário do PRB disputaram, segundo a segundo, o registro de presença na sessão desta terça-feira. O deputado Mandetta (DEM-MS) — a favor da cassação — levou a melhor por alguns milésimos de segundos.
Apesar de o aliado mais enfático de Cunha no conselho, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), ter se preparado para repetir a performance da semana passada, quando ganhou a disputa e foi o primeiro a registrar presença, nesta terça-feira, a briga ficou entre dois novatos no conselho: Mandettta e o deputado Marcelo Aro (PHS-MG), também aliado próximo de Cunha.
Assim que o painel de registro foi aberto, os suplentes marcaram presença. Mandetta e Aro empataram, registrando a presença em 14 segundos. Os assessores do conselho, então, foram verificar os milésimos de segundos. Mandetta marcou em 14,5 segundos; Aro, em 14,9 segundos.
— Tem uma vantagem eu ter perdido. O presidente não precisará adiar, de forma sorrateira, a sessão do conselho — disse Marun.
Na chegada, Tia Eron cumprimentou deputados, entre eles o relator do Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO) e também conversou rapidamente com o advogado de Cunha, Marcelo Nobre.
Ela saiu da sala para ir ao banheiro e retocar a maquiagem, mas antes de sair da sala respondeu, irritada, às perguntas dos jornalistas sobre o voto dela na reunião de hoje do conselho. Os jornalistas perguntaram se ela já tinha definido o voto.
— Vou no toalete. Não acredito, vocês já puseram o voto por mim - respondeu de forma irônica e bastante irritada.
Os jornalistas insistiram em perguntar se ela ficaria até o final e se votaria.
— Se vocês me derem paz!
Antes de sair da sala, a deputada Tia Eron conversou rapidamente com o advogado de Cunha, Marcelo Nobre, que estava próximo da saída.
Marcos Rogério disse que ela apenas o cumprimentou, mas não revelou o voto
— Eu abracei, desejei força a ela. Acho que ela vai surpreender. Pelo que conversei com ela, lá atrás, estou confiante — disse Rogério.
Na volta, a deputada sentou-se ao lado do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que que "se lixa" para a opinião pública e vota a favor da absolvição de Cunha. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), sentou-se do outro lado.
RELATÓRIO DO BANCO CENTRAL
O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), abriu a reunião relatando aos integrantes que o Banco Central entregou, na manhã desta terça-feira, o relatório que afirma que Cunha e sua mulher, Cláudia Cruz, mantinham contas não declaras no exterior entre 2007 e 2014. O relatório concluiu que os dois cometeram irregularidades e cobra multa do casal, sendo R$ 1 milhão do presidente afastado (pelo período de 2007 a 2014) e outros R$ 132, 4 mil de Cláudia, por contas mantidas entre 2009 e 2011. (CONFIRA A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DO BANCO CENTRAL)
O relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), afirmou que em respeito ao Código de Ética, não poderia acolher esse novo documento porque a fase de instrução de provas já foi encerrada. Mas deixou claro que os integrantes podem nortear seu votos pelo que está em seu parecer e também pelos acontecimentos dos últimos dias, incluindo esse novo relatório.
— Eu devolvo os documentos, por parte desse relator não constaram desse relatório, em respeito às regras. Obviamente que o convencimento se dá pelo conjunto das provas. Mas, pela natureza do processo nesse conselho ao formar seu convencimento, os deputados tomam por base o que está nos autos e nos acontecimentos — disse Rogério.
Apesar do pedido do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), Araújo não quis debater o documento do BC no colegiado. Ele justificou sua decisão dizendo que o relatório não seria incluído no parecer de Marcos Rogério.
Por meio de sua assessoria, o advogado de Cunha, Marcelo Nobre, avisou que a defesa vai questionar e recorrer da decisão do Banco Central. "Declarar o Trust como gostaria o Banco Central é crime! A propriedade não é do deputado e portanto declarar como dele seria crime de falsidade", diz Nobre, por meio de torpedo.
Na avaliação do Marcelo Nobre, a decisão do Banco Central será reformada com certeza. O advogado destaca ainda que o documento do BC "só corrobora a defesa no Conselho de Ética: em nenhum momento se fala da existência de conta em nome do cliente no exterior."



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