Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 17 de maio de 2026
TRÊS PISTOLAS PARA TRÊS BALAS DE PRATA: DOIS BALEADOS E UM BANDO ALVORAÇADO
Guatá significa caminhar na língua guarani.
Chet Baker + Rain
Algumas vezes você aprende,
outras vezes você ganha.
Carlinhos Vergueiro - Linhas de Prazer
deniseornellas
19 de jun. de 2010
Relançamento do CD Contra-Ataque - 2010
Composição: Carlinhos Vergueiro
Distribuição: Biscoito Fino
Porque meu filho se chamaria Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe de Araújo
Por Washington Luiz de Araújo –
Casos recentes envolvendo agentes políticos e setor financeiro ampliam o debate sobre a presença do crime organizado nas estruturas do Estado
Lead:
Em paralelo ao anúncio de um novo plano federal de enfrentamento ao crime organizado, centrado nas facções armadas que controlam territórios, vieram a público episódios que deslocam o foco da discussão para o interior das instituições. Investigações e revelações divulgadas pela imprensa apontam para possíveis vínculos entre agentes políticos e interesses privados sob suspeita. O contraste entre a agenda oficial e esses episódios reforça o debate sobre a complexidade do fenômeno e seus desdobramentos no cenário político.
Crime Organizado e a Política no Brasil
Por Revista Será?
Quando se fala em crime organizado, a primeira imagem costuma estar associada aos dois poderosos grupos criminosos — o PCC e o Comando Vermelho — que controlam cerca de 20% do território nacional, como quase Estados paralelos tomados do Estado brasileiro. Esta é a face mais visível do crime organizado no Brasil, marcada pela escala da violência e pelo domínio territorial.
Mas o Estado brasileiro está contaminado por dentro por diversos grupos criminosos que nem sempre precisam de armas, combinando corrupção, fraudes, troca de favores, lavagem de dinheiro, coerção, extorsão e ameaças. A atuação desses grupos penetra em praticamente todas as instituições da República — na política, no Judiciário e no sistema financeiro — irradiando poder e influência nos núcleos duros do Estado brasileiro.
Para dominar territórios, esses grupos precisam de um exército. Para corroer o Estado por dentro, os meios são outros, mais refinados, quase sempre envolvendo corrupção em larga escala, movimentação financeira sofisticada e, quando necessário, intimidação e ameaças.
Na verdade, é cada vez menor a diferença entre os dois tipos de organizações criminosas — PCC e Comando Vermelho, de um lado, e criminosos de “colarinho branco”, de outro —, assim como se tornam mais evidentes as formas de cooperação entre eles. O PCC e o Comando Vermelho também estão infiltrados nas instituições brasileiras, apoiando e elegendo políticos, investindo em negócios formais para dar aparência de legalidade às suas operações e utilizando o sistema financeiro em sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro. Da mesma forma, o grupo criminoso de Vorcaro contava com uma espécie de milícia privada capaz de “quebrar os dentes” daqueles que tentassem impedir suas operações, além de um “núcleo de serviço sujo” destinado a coagir testemunhas, jornalistas e intimidar funcionários.
O escândalo do Banco Master é emblemático pela amplitude de sua atuação criminosa, pela presença e pela cooptação de figuras destacadas das instituições da República. Além das suspeitas de fraude financeira, corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, as evidências indicam que Vorcaro teria corrompido funcionários do Banco Central, montado uma rede de operadores a serviço de suas atividades criminosas e contado com o apoio de políticos influentes no Congresso e em alguns estados da Federação, alcançando até mesmo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
De forma crescente, o crime organizado penetra e impacta a política brasileira. Quase ao mesmo tempo em que o governo federal anunciava, com estardalhaço, mais um plano de enfrentamento ao crime organizado — voltado aos grupos armados que controlam territórios —, a Polícia Federal descobria conversas de Vorcaro indicando que o banqueiro concedia uma milionária mesada ao senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes do Centrão.
Pouco depois, o Intercept divulgou uma mensagem em vídeo do senador Flávio Bolsonaro, candidato do bolsonarismo à Presidência da República, pedindo dinheiro ao banqueiro, supostamente para financiar a produção de um filme sobre seu pai.
É lícito duvidar da eficácia do plano de enfrentamento ao crime organizado, sobretudo no restante do atual mandato presidencial. Entretanto, a revelação da mensagem de Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao banqueiro mafioso já provoca um terremoto político no bolsonarismo, com possíveis impactos relevantes nas eleições de outubro. De imediato, o episódio favorece a reeleição do presidente Lula da Silva. Ao mesmo tempo, pode estimular um descolamento da direita civilizada em relação à liderança da extrema direita bolsonarista.
Resenha crítica
O artigo propõe uma leitura abrangente do crime organizado no Brasil ao deslocar o foco das facções armadas para as engrenagens internas do Estado. Seu principal mérito está em destacar a convergência entre diferentes modalidades de criminalidade — territorial e financeira —, sugerindo que a distinção entre elas se torna cada vez menos operacional diante das dinâmicas contemporâneas de poder e influência.
A argumentação é construída de forma progressiva, partindo de um diagnóstico conhecido (o domínio territorial de facções) para alcançar uma tese mais complexa: a infiltração sistêmica de práticas ilícitas nas instituições. Ao incorporar exemplos concretos e recentes, o texto ganha atualidade e força narrativa, ainda que esses episódios apareçam mais como ilustração do argumento do que como objetos de análise detalhada.
Do ponto de vista editorial, o texto adota um tom assertivo e, em alguns momentos, interpretativo, especialmente ao sugerir impactos eleitorais e rearranjos políticos. Isso pode ampliar seu poder de persuasão, mas também exige do leitor cautela quanto à distinção entre fatos comprovados, indícios e inferências.
Em síntese, trata-se de um artigo que contribui para o debate público ao enfatizar a complexidade do crime organizado no país, mas cuja leitura se beneficia de complementação por outras fontes e abordagens, sobretudo no que diz respeito à verificação das acusações e à pluralidade de interpretações sobre seus desdobramentos políticos.
“Foi considerado o maior ataque do futebol mundial: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Onde eu era — e sempre falo —, eu era o único cara pálida do ataque.”
Série “Essa tem História” estreia neste domingo (17) com Pepe, ídolo do Santos | AGORA CNN
CNN Esportes
16 de mai. de 2026 #CNNBrasil
Pepe, o lendário Canhão da Vila, é uma página viva da trajetória do Santos e da Seleção Brasileira. O craque das Copas de 1958 e 1962 recebeu a equipe da CNN para o primeiro episódio de "Essa Tem História", série que estreia neste domingo (17), e que aposta na emoção e na nostalgia por trás de camisas que marcaram gerações para narrar a história do futebol brasileiro e mundial. #CNNBrasil
domingo, 17 de maio de 2026
O poder de uma ilha entre potências, por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
Xi Jinping elevou Taiwan ao topo da agenda nas relações com os EUA, de forma ameaçadora. Todos os outros pontos de disputa passam pela ilha aliada dos EUA e cobiçada pela China: o acesso chinês a chips sofisticados, o acesso americano a minerais críticos, o aumento das exportações americanas e a ajuda de Xi na solução do impasse com o Irã.
“Se Taiwan for tratada adequadamente, as relações China-EUA desfrutarão de estabilidade geral”, disse Xi a Donald Trump, em Pequim. “Se for tratada de forma inadequada, os dois países poderão colidir ou até entrar em conflito, empurrando toda a relação ChinaEUA para uma situação extremamente perigosa.”
Xi também pontuou: “Todos nós precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides”.
Eu assisti à palestra de Graham Allison no lançamento do livro Destinados à Guerra: Podem a América e a China Escapar da Armadilha de Tucídides, em 2018, no auditório lotado da Universidade Fudan, em Xangai. Allison analisou 16 casos ao longo da história de nações emergentes que contestam a hegemonia de potências. Em 12 deles, a disputa levou à guerra. O livro, que impactou o establishment chinês, discute como evitar que isso se repita entre China e EUA.
AMBIGUIDADE. Na menção de Xi estão embutidas premissas incômodas para os EUA: de que a China, como Atenas, exibe um sistema superior, que sua ascensão é inexorável e que cabe a Trump escolher se será pacífica ou mediante uma guerra do Peloponeso com armas nucleares e inteligência artificial.
Indagado sobre se defenderia Taiwan, Trump seguiu a tradicional ambiguidade estratégica: “Essa pergunta me foi feita pelo presidente Xi. Eu disse: ‘Eu não falo sobre isso. Só existe uma pessoa que sabe disso, e sou eu’”.
Mas ele demonstrou falta de apetite para uma guerra por Taiwan e fadiga com a guerra contra o Irã: “Acho que a última coisa de que precisamos agora é de uma guerra a 9,5 mil milhas (cerca de 15,2 mil km) de distância. Nós estamos a 9,5 mil milhas. Ele está a 67 milhas. É uma pequena diferença”.
A TSMC fabrica em Taiwan 90% dos chips mais sofisticados, incluindo os da americana Nvidia. A política industrial de Trump possibilitou a criação de um câmpus da empresa taiwanesa no Arizona. Lá se realizam as etapas iniciais, como litografia e gravação dos circuitos nos wafers de silício. Mas eles precisam ser enviados para Taiwan para concluir as etapas seguintes, como encapsulamento, integração 3D e montagem nos substratos.
A ilha contém o cluster de serviços necessários ao ecossistema dos chips. Replicá-lo levaria décadas. Daí a centralidade de Taiwan para a dominância tecnológica. É isso que está escapando das mãos dos EUA.
GUERRA NA UCRÂNIA: AMÉRICO MARTINS ESTÁ NO PAÍS E ATUALIZA SITUAÇÃO | Fora da Ordem
CNN Brasil
Transmitido ao vivo em 15 de mai. de 2026 FORA DA ORDEM | 2ª TEMPORADA 🌎
A relação entre China e Estados Unidos voltou ao centro da geopolítica mundial após a cúpula histórica entre Donald Trump e Xi Jinping. Os líderes discutiram a guerra no Irã, a crise em Taiwan, a segurança no Estreito de Ormuz e os impactos globais da escalada militar no Oriente Médio. Xi chegou a oferecer ajuda para mediar o conflito, enquanto Trump afirmou que os EUA não precisam da mediação chinesa.
No Fora da Ordem, você acompanha os principais desdobramentos da reunião entre Trump e Xi Jinping, os alertas da China sobre Taiwan, as últimas notícias da guerra na Ucrânia e a ofensiva russa com drones contra civis. Direto da Ucrânia, Américo, correspondente da CNN Brasil, traz atualizações sobre os bombardeios e o teste de um novo míssil nuclear russo capaz de atingir EUA e Europa.
Toda sexta-feira, às 13h, Lourival Sant’Anna, Américo Martins, direto de Londres, e a correspondente Priscila Yazbek, de Nova York explicam as transformações e tensões da política internacional.
domingo, 17 de maio de 2026
Direita se desarruma e abre a cena eleitoral, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Desafio do senador é sobreviver até a convenção do PL sem tornar sua candidatura radioativa
Família Bolsonaro pode ter caído na própria arapuca ao obrigar Tarcísio a deixar passar o cavalo selado
A trombada foi feia, obrigou Flávio Bolsonaro (PL) a sair da inércia, levou o PT a acionar a artilharia antes do previsto, escancarou as divergências na direita e pode mudar o rumo da corrida eleitoral.
Em qual direção, ainda não sabemos. Depende do quão perigosas se mostrem as ligações do senador com o esquema de Daniel Vorcaro.
Decerto, temos apenas a comprovação de que sabem muito bem do que vêm falando olheiros qualificados do humor do eleitorado como Felipe Nunes (Quaest), Renato Meireles (Locomotiva), Antônio Lavareda (Ipespe) Murilo Hidalgo (Paraná) e Maurício Moura (Ideia).
Todos eles têm alertado para a instabilidade do quadro. Aconselham a não dar como certa a consolidação da disputa e muito menos a vitória de um dos lados prévia e emocionalmente comprometidos com as torcidas lulista e bolsonarista. Apontam que a eleição ainda não chegou ao cotidiano da maioria do eleitorado e que não se deve desconsiderar a existência de largo contingente de independentes.
No campo dos especialistas em pesquisas, não há divergência quanto ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT), ou eventual substituto, ter lugar no segundo turno. Isso não desobriga o governo de se atentar ao fato de que nanicos no primeiro aparecem nos levantamentos como ameaça concreta a Lula, mas dá algum conforto.
O desacerto agora senta praça na antessala da direita. O desafio de Flávio Bolsonaro já não é se mostrar moderado nem escolher a companhia ideal para vice na chapa. A tarefa é sobreviver até a convenção do PL sem se tornar um personagem radioativo a ponto de ter a candidatura rifada.
Antes terá de se livrar da pecha de mentiroso e emprestar coerência à figura cuja retidão não vê mal em se valer de uma rede financeira fraudulenta para patrocinar peça de propaganda com intuito de usar o pai preso como cabo eleitoral.
Caso não consiga, a família Bolsonaro terá caído na arapuca que armou para si ao obrigar Tarcísio de Freitas (Republicanos) a deixar passar o cavalo selado.
O Correr da Vida - Guimarães Rosa
Poesia Todo Dia
Ana Maria De Oliveira interpreta O Correr da Vida
Guimarães Rosa
O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.”
João Guimarães Rosa (1908-1967), escritor e diplomata brasileiro. O texto é um trecho do romance Grande Sertão Veredas.
Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Poesia | O Correr da Vida, de Guimarães Rosa
Música | Moacyr Luz - Vai Passar (Chico Buarque)
blue in green chet baker
Desafio
Dorival Caymmi
Éramos eu e um cavalo
No seu galope macio
Pulando cerca de arame
Pisando morro de pedra
Andando em leito de rio
Éramos eu e um cavalo
E era um cavalo bravio
Casco de lâmina forte
Anca de chão de montanha
Crina de vela e pavio
Ele bufando fagulha
Eu contraído de frio
Montando em pêlo barroso
Éramos eu e um cavalo
Indo de encontro ao vazio
Éramos nós e os cavalos
Feitos do mesmo feitio
Vindo de todos os lados
E sobre eles sangrentos
Seus cavaleiros sombrios
Éramos nós e os cavalos
A nos causar calafrios
Todos os outros já mortos
Por essa causa contrária
A que se chamou poderio
E eu com uma bala no peito
Meu alazão nos baixios
Caímos de cordilheira
Deixando a causa nas lendas
Pra quem quiser desafio.
Composição: Dorival Caymmi.
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