segunda-feira, 25 de maio de 2026

De Carta em Carta: "Na Cadência do Samba"

Os Poetas, os Prosadores e o Mistério Oculto nas Quatro Linhas "Confesso que o Futebol me aturde porque não sei chegar até o seu Mistério." — Carlos Drummond de Andrade No dia 3 de janeiro de 1971, nas páginas do prestigiado jornal italiano Il Giorno, o cineasta e intelectual Pier Paolo Pasolini eternizou o histórico ensaio intitulado "Il calcio ‘è’ un linguagem con i seus poeti e prosatori" ("O futebol 'é' uma linguagem com os seus poetas e prosadores"). Utilizando como pano de fundo a mítica final da Copa do Mundo do México entre Brasil e Itália, o diretor de obras-primas como Mamma Roma e Teorema teceu uma das mais belas e profundas definições da história da literatura esportiva mundial. " Na Cadência Do Samba/ Que Bonito É " - (Luiz Bandeira) - Nelson Gonçalves LeCommedieDellArte 12 de jul. de 2014 Na Cadência Do Samba (Que Bonito É ) - Nelson Gonçalves ( Luiz Bandeira ) Samba representa uma Nação Samba, orgulho da gente Retrato de um povo De alma e coração Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Que bonito é Ver um samba no terreiro Assistir a um batuqueiro Numa roda improvisar Que bonito é A mulata requebrando Os tambores repicando Uma escola a desfilar Que bonito é Pela noite enluarada Numa trova apaixonada Um cantor desabafar Que bonito é Gafieira salão nobre Seja rico ou seja pobre Todo mundo a sambar O samba é romance O samba é fantasia O samba é sentimento O samba é alegria Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Que bonito é Ver um samba no terreiro Assistir a um batuqueiro Numa roda improvisar Que bonito é A mulata requebrando Os tambores repicando Uma escola a desfilar Que bonito é Pela noite enluarada Numa trova apaixonada Um cantor desabafar Que bonito é Gafieira salão nobre Seja rico ou seja pobre Todo mundo a sambar O samba é romance O samba é fantasia O samba é sentimento O samba é alegria Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também Bate que vai batendo A cadência boa que o samba tem Bate que repicando Pandeiro vai, tamborim também ---------------------------- Presentação da Carta Encíclica “Magnifica Humanitas”, 25 de maio de 2026 – Papa Leão XIV VASCO 0 X 3 BRAGANTINO | MELHORES MOMENTOS | 17ª RODADA DO BRASILEIRÃO 2026 | ge.globo ge tv 24 de mai. de 2026 #Brasileirão #Vasco #Bragantino Bragantino passeia contra o Vasco fora de casa e cola no G-4 do Brasileirão Rodriguinho, Pitta e Fernando marcam em grande atuação dos paulistas. Vascaínos ficam a dois pontos da zona de rebaixamento
📰 CRÔNICA DOS BASTIDORES CELESTIAIS Por Aníbal Teodoro Serviço Especial para o Diário dos Gramados BRAGANÇA PAULISTA — Os ecos do retumbante três a zero aplicado pelo esquadrão do Bragança sobre o onze alvinegro de São Januário ainda fazem tremer as estruturas do Velho Continente e, pelo que se ouve nas altas esferas, também as do próprio firmamento. Nosso correspondente de além-túmulo relata que o camarote celestial transformou-se em verdadeiro campo de batalha retórica. O Dr. Eurico Miranda, benemérito e irascível timoneiro das caravelas cruzmaltinas, esbravejou contra os astros, a arbitragem e as leis da física. De charuto partido ao meio pela precisão dos lances bragantinos, o icônico cartola carioca bradou aos quatro ventos que o prélio fora fruto de uma conspiração de proporções interplanetárias. Para o Dr. Eurico, nem o gênio de Romário ou a elegância de Bebeto seriam capazes de aplacar a astúcia do "energético voador". Do outro lado da mesa, refestelado em sua poltrona de ouro e munido de seu indefectível rádio de pilha, o paulistano Nabi Abi Chedid sorria com a bonomia dos justos e dos vitoriosos. Com a fidalguia que lhe era peculiar nos momentos de triunfo, o patrono do Bragança desdenhou dos cobres da aposta legalmente firmada. — “Toma lá teus trocados, Eurico! Guarda-os para o frete das caravelas, pois a alegria de ver o Massa Bruta dar tamanho vareio não há ouro no mundo que pague” — teria dito o prócer de Bragança, enquanto devolvia o saco de patacas ao rival. A charge que hoje ilustra nossa edição imortaliza o exato instante em que o pragmatismo bandeirante dobrou o orgulho da Colina. O futebol, senhores, continua sendo a mais bela das óperas — mesmo quando encenada acima das nuvens. O Gol Mais Bonito das Copas? A Obra-
A cena ilustra a atmosfera nostálgica das transmissões esportivas do século XX, com o microfone em punho apontado para o gramado do Estádio Sales de Oliveira na histórica Rua Santa Terezinha. Pelas amplas janelas de madeira da cabine da PRB3, localizada acima da Tribuna de Honra, observa-se a exata geografia descrita em suas crônicas: a imponente elevação do Morro do Imperador posicionada à esquerda e, na extremidade direita, a densa Mata do Klabenck margeando o leito sinuoso do Rio Paraibuna. 📰 SUPLEMENTO ESPECIAL: O PALPITAR DAS GERAIS Por Aníbal Teodoro Crônica das Três Fronteiras Futebolísticas EPÍGRAFE “Moreira Salles manjava dos paranauês, Salgado dos auês. Eu torcia mesmo era para o Tupy Football Club!” ⚽ A Essência do Futebol Romântico A frase, lapidada com a precisão de um chute de trivela no ângulo do Estádio Sales de Oliveira, na histórica Rua Santa Terezinha, resume com perfeição a alma do verdadeiro torcedor das Alterosas. Enquanto os grandes magnatas das finanças e os barões dos bastidores dividiam-se entre os cifrões bilionários do eixo Rio-São Paulo e as articulações políticas das federações, o coração do colunista — e de toda uma estirpe de românticos da bola — batia ritmado pelo Carijó de Juiz de Fora. 🎙️ O Clamor que Vem das Ondas do Rádio Lá do alto, acima da Tribuna de Honra, onde o estúdio da lendária PRB3 serve de sentinela para o espetáculo, a voz empolgada do narrador ecoava pelas janelas abertas. Olhando para a esquerda, a imponência do Morro do Imperador abençoava o gramado; à direita, a densa Mata do Klabenck emoldurava o curso sinuoso do Rio Paraibuna. Era desse cenário idílico que a crônica esportiva ganhava vida, capturando o suor, o drama e a glória do futebol raiz. 🐓 A Resistência do Galo Carijó Nem os "paranauês" bancários das SAFs paulistas, nem os "auês" midiáticos das diretorias cariocas. A verdadeira paixão reside na mística do manto alvinegro fincado no coração de Minas Gerais. Para quem conhece o peso da tradição centenária, nenhum placar celestial ou aposta entre cartolas de Bragança e da Colina brilha mais do que o brio e a raça do querido Tupy Football Club. No tabuleiro do futebol moderno, os reis passam, as fortunas flutuam e os estádios mudam de nome, mas o Galo Carijó permanece eterno, gravado na memória de quem viveu a era de ouro do futebol juiz-forano. BRASIL 4 X 1 ITÁLIA - FINAL DA COPA DE 1970 - GOLS E MELHORES MOMENTOS SportSZone 2 de out. de 2020 REVEJA FINAL DA COPA DE 1970, BRASIL CAMPEÃO EM CIMA DA ITÁLIA EM UM GRANDE JOGO. Sinfonia Subversiva: O Mistério de 1970 — Uma sinfonia subversiva sob a sombra dos Atos Institucionais? Talvez. Olhar para a final de 1970 no Estádio Azteca é enxergar o Brasil em sua mais dolorosa dualidade. Vivíamos sob o manto pesado do AI-5, o ápice do autoritarismo do regime militar. João Saldanha — militante comunista e jornalista audaz — fora escalado em 1969 não para impor a disciplina da caserna, mas para resgatar a dignidade técnica e a arte do nosso futebol após o fiasco da Copa de 1966. Saldanha caiu antes do México por não se curvar aos ditames dos generais, mas as suas "Feras" fincaram as raízes daquela revolução lírica operada no gramado. — E as engrenagens da propaganda oficial? Elas funcionavam a pleno vapor na pátria de chuteiras. O General Emílio Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, posava com seu indefectível rádio de pilha, instrumentalizando o ufanismo. No campo, o lateral-esquerdo Everaldo representava o Sul pelo Grêmio. Mas o futebol insiste em driblar a história oficial. O goleiro Félix, embora eternizado em suas origens na Portuguesa de Desportos, já defendia as cores do Fluminense. O Canindé paulistano, aliás, margeia o Rio Tietê, distante da Favela do Canindé (onde Audálio Dantas descobriu os diários de Carolina Maria de Jesus e que deu lugar à Marginal), mas o eco da periferia invisibilizada subia aos céus a cada defesa. — No gramado do Azteca, o adversário era o espelho do passado. A Itália que o Brasil enfrentava já não era a Azzurra fascista de Benito Mussolini das Copas de 1934 e 1938, mas sim uma República democrática. Ainda assim, o peso do confronto carregava o drama dos velhos impérios. E foi ali, na cadência do toque de bola, que o mistério se fez carne. — A jogada começa no recuo, na calmaria que antecede a tempestade. Tostão, o gênio do Cruzeiro das Alterosas, recua a bola. Ela chega a Clodoaldo. O garoto da Vila Belmiro, com as meias arriadas em pura picardia moleque, carregava nas costas o número 5. Um número que, fora dos estádios, silenciava o país; mas que, sob as traves mexicanas, virou o algarismo do drible. Clodoaldo limpou quatro italianos com a naturalidade de quem desfaz nós cegos. A bola correu limpa até Rivelino, o reizinho do Parque São Jorge, que com suas meias também desabadas, achou Jairzinho na esquerda.— O ápice da geometria poética. Jairzinho acionou Pelé na entrada da área. O Rei, com a clarividência dos deuses, não olhou. Apenas rolou a bola para o vazio da ala direita. Carlos Alberto Torres, o "Capita", surgiu como uma força da natureza e soltou uma bomba cruzada. A bola estufou as redes e voltou ao gramado. Tostão, o operário daquela pintura coletiva que acompanhara o lance desde a defesa, correu para dentro da meta e chutou a bola novamente contra o fundo da rede azul — um desabafo visceral, o ponto final na obra de arte tecida pela camisa amarelinha. Foi o triunfo da beleza em tempos estranhos. Uma crônica escrita com os pés, onde a rebeldia vestiu a farda do talento para libertar, ainda que por noventa minutos, um povo aprisionado. "Confesso que o Futebol me aturdeporque não sei chegar até o seu Mistério." (Carlos Drummond de Andrade)
Il calcio "è" un linguaggio con i suoi poeti e prosatori (di Pier Paolo Pasolini)* foto pasolini Nel dibattito in corso sui problemi linguistici che artificialmente dividono letterati da giornalisti e giornalisti da calciatori sono stato interrogato da una gentile giornalista per l'Europeo: ma le mie risposte sul rotocalco sono risultate un po' menomate e fioche (per via delle esigenze giornalistiche!). Siccome l'argomento mi piace, vorrei ritornarci sopra con un po' di calma e con la piena responsabilità di ciò che dico. Che cos'è una lingua? "Un sistema di segni", risponde nel modo oggi più esatto, un semiologo. Ma questo "sistema di segni" non è solo necessariamente una lingua scritto-parlata (questa qui che usiamo adesso, io scrivendo, e tu, lettore, leggendo). I "sistemi di segni" possono essere molti. Prendiamo un caso: io e tu, lettore, ci troviamo in una stanza dove sono presenti anche Ghirelli e Brera, e tu vuoi dirmi di Ghirelli qualcosa che Brera non deve sentire. Allora non puoi parlarmi per mezzo del sistema di segni verbali: devi per forza adottare un altro sistema di segni: per esempio, quello della mimica: allora cominci a torcere gli occhi, a fare delle boccacce, ad agitare le mani, ad accennare dei gesti coi piedi ecc. ecc. Sei il "cifratore" di un discorso "mimico" che io decifro: ciò significa che possediamo in comune un codice "italiano" di un sistema di segni mimico. Ci sono ventidue "podemi". Un altro sistema di segni non verbale è quello della pittura; o quello del cinema; o quello della moda (oggetto di studi di un gran maestro in questo campo, Roland Barthes) ecc. ecc. Il gioco del football è un "sistema di segni"; è, cioè, una lingua, sia pure non verbale. Perché faccio questo discorso (che voglio poi schematicamente proseguire)? Perché la querelle che pone uno contro l'altro il linguaggio dei letterati e quello dei giornalisti è falsa. E il problema è un altro. Vediamo. Ogni lingua (sistema di segni scritti-parlati) possiede un codice generale. Prendiamo l'italiano: io e tu, lettore, usando questo sistema di segni, ci comprendiamo, perché l'italiano è un nostro patrimonio comune, "una moneta di scambio". Ogni lingua, però, è articolata in varie sottolingue, di cui ognuno possiede un codice: e allora gli italiani medici si comprendono fra loro - quando parlano il loro gergo specializzato - perché ognuno di essi conosce il sottocodice della lingua medica; gli italiani teologi si comprendono fra loro perché possiedono il sottocodice del gergo teologico, ecc. ecc. Anche la lingua letteraria è una lingua gergale che possiede un sottocodice (in poesia, per es., invece di dire "speranza" si può dire "speme", ma ognuno di noi non si meraviglia di questa cosa buffa, perché è a conoscenza che il sottocodice della lingua letteraria italiana richiede e ammette che in poesia si usino latinismi, arcaismi, parole tronche ecc. ecc.). Il giornalismo non è un ramo minore della lingua letteraria: per comprenderlo noi ci valiamo di una specie di sottocodice. In parole povere, i giornalisti altro non sono che degli scrittori, che, per volgarizzare e semplificare concetti e rappresentazioni, si valgono di un codice letterario diciamo - per restare in campo sportivo - di serie B. Anche il linguaggio di Brera è di serie B rispetto al linguaggio di Carlo Emilio Gadda e di Gianfranco Contini. E quello di Brera è forse il caso più dignitosamente qualificato del giornalismo sportivo italiano. Non esiste dunque conflitto "reale" tra scrittura letteraria e scrittura giornalistica; è questa seconda, che, ancillare com'è sempre stata, esaltata ora dal suo impiego nella cultura di massa (che non è popolare!!), accampa pretese un po' superbe, da parvenue. Ma veniamo al football. Il football è un sistema di segni, cioè un linguaggio. Esso ha tutte le caratteristiche fondamentali del linguaggio per eccellenza, quello che noi ci poniamo subito come termine di confronto, ossia il linguaggio scritto-parlato. Infatti le "parole" del linguaggio del calcio si formano esattamente come le parole del linguaggio scritto-parlato. Ora, come si formano queste ultime? Esse si formano attraverso la cosiddetta "doppia articolazione" ossia attraverso le infinite combinazioni dei "fonemi": che sono, in italiano, le 21 lettere dell'alfabeto. I "fonemi" sono dunque le "unità minime" della lingua scritto-parlata. Vogliamo divertirci a definire l'unità minima della lingua del calcio? Ecco: "Un uomo che usa i piedi per calciare un pallone" è tale unità minima: tale "podema" (se vogliamo continuare a divertirci). Le infinite possibilità di combinazione dei "podemi" formano le "parole calcistiche"; e l'insieme delle "parole calcistiche" forma un discorso, regolato da vere e proprie norme sintattiche. I "podemi" sono ventidue (circa, dunque, come i fonemi); le "parole calcistiche" sono potenzialmente infinite, perché infinite sono le possibilità di combinazione dei "podemi" (ossia, in pratica, dei passaggi del pallone tra giocatore e giocatore); la sintassi si esprime nella "partita", che è un vero e proprio discorso drammatico. I migliori dribblatori del mondo. I cifratori di questo linguaggio sono i giocatori, noi, sugli spalti, siamo i decifratori: in comune dunque possediamo un codice. Chi non conosce il codice del calcio non capisce il "significato" delle sue parole (i passaggi) né il senso del suo discorso (un insieme di passaggi). Non sono né Roalnd Barthes né Greimas, ma da dilettante, se volessi, potrei scrivere un saggio ben più convincente di questo accenno, sulla "lingua del calcio". Penso, inoltre, che si potrebbe anche scrivere un bel saggio intitolato Propp applicato al calcio: perché naturalmente, come ogni lingua, il calcio ha il suo momento puramente "strumentale" rigidamente e astrattamente regolato dal codice e il suo momento "espressivo". Ho detto infatti qui sopra come ogni lingua si articoli in varie sotto lingue, in possesso ciascuna di un sottocodice. Ebbene, anche per la lingua del calcio si possono fare distinzioni del genere; anche il calcio possiede dei sottocodici, dal momento in cui, da puramente strumentale, diventa espressivo. Ci può essere un calcio come linguaggio fondamentalmente prosastico e un calcio come linguaggio fondamentalmente poetico. Per spiegarmi, darò - anticipando le conclusioni - alcuni esempi: Bulgarelli gioca un calcio in prosa: egli è un "prosatore realista"; Riva gioca un calcio in poesia: egli è un "poeta realista". Corso gioca un calcio in poesia: ma non è un "poeta realista": è un poeta un po' maudit, extravagante. Rivera gioca un calcio in prosa: ma la sua è una prosa poetica, da "elzeviro". Anche Mazzola è un elzevirista, che potrebbe scrivere sul "Corriere della Sera": ma è più poeta di Rivera; ogni tanto egli interrompe la prosa, e inventa lì per lì due versi folgoranti. Si noti bene che tra la prosa e la poesia non faccio distinzione di valore: la mia è una distinzione puramente tecnica. Tuttavia intendiamoci; la letteratura italiana, specie recente, è la letteratura degli "elzeviri": essi sono eleganti e al limite estetizzanti; il loro fondo è quasi sempre conservatore e un po' provinciale... insomma, democristiano. Fra tutti i linguaggi che si parlano in un Paese, anche i più gergali e ostici, c'è un terreno comune: che è la "cultura di quel Paese: la sua attualità storica. Così, proprio per ragioni di cultura e di storia, il calcio di alcuni popoli è fondamentalmente in prosa: prosa realistica o prosa estetizzante (quest'ultimo è il caso dell'Italia): mentre il calcio di altri popoli è fondamentalmente in poesia. Ci sono nel calcio dei momenti esclusivamente poetici: si tratta dei momenti del "goal". Ogni goal è sempre un'invenzione, è sempre una sovversione del codice:ogni goal è ineluttabilità, folgorazione, stupore, irreversibilità. Proprio come la parola poetica. Il capocannoniere di un campionato è sempre il miglior poeta dell'anno. In questo momento lo è Savoldi,. Il calcio che esprime più goal è il calcio più poetico. Anche il "dribbling" è di per sé poetico (anche se non "sempre" come l'azione del goal). Infatti il sogno di ogni giocatore (condiviso da ogni spettatore) è partire da metà campo, dribblare tutti e segnare. Se, entro i limiti consentiti, si può immaginate nel calcio una cosa sublime, è proprio questa. Ma non succede mai. È un sogno (che ho visto realizzato solo nei "Maghi del pallone" da Franco Franchi, che, sia pure a livello brado, è riuscito a essere perfettamente onirico). Chi sono i migliori "dribblatori" del mondo e i migliori facitori di goal? I brasiliani. Dunque il loro calcio è un calcio di poesia: ed esso è infatti tutto impostato sul dribbling e sul goal. Il catenaccio e la triangolazione (che Brera chiama geometria) è un calcio di prosa:esso è infatti basato sulla sintassi, ossia sul gioco collettivo e organizzato: cioè sull'esecuzione ragionata del codice. Il suo solo momento poetico è il contropiede, con l'annesso "goal" (che, come abbiamo visto, non può che essere poetico). Insomma, il momento poetico del calcio sembra essere (come sempre) il momento individualistico (dribbling e goal; o passaggio ispirato). Il calcio in prosa è quello del cosiddetto sistema (il calcio europeo): il suo schema è il seguente: catenaccio --> triangolazioni --> conclusioni Il "goal"in questo schema, è affidato alla "conclusione", possibilmente di un "poeta realistico" come Riva, ma deve derivare da una organizzazione dei gioco collettivo, fondato da una serie di passaggi "geometrici" eseguiti secondo le regole del codice (Rivera in questo è perfetto: a Brera non piace perché si tratta di una perfezione un po' estetizzante, e non realistica, come nei centrocampisti inglesi o tedeschi). Il calcio in poesia è quello del calcio latinoamericano: il suo schema è il seguente: discese concentriche --> conclusioni Schema che per essere realizzato deve richiedere una capacità mostruosa di dribblare (cosa che in Europa è snobbata in nome della "prosa collettiva"): e il goal può essere inventato da chiunque e da qualunque posizione. Se dribbling e goal sono i momenti individualistici poetici del calcio, ecco quindi che il calcio brasiliano è un calcio di poesia. Senza far distinzione di valore, ma in senso puramente tecnico, in Messico è stata la prosa estetizzante italiana a essere battuta dalla poesia brasiliana. * Da Il giorno, 3 gennaio 1971 Tutti i libri di Pier Paolo Pasolini torna all'inizio | home |

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