Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quinta-feira, 28 de maio de 2026
OS PACIENTES DELES VÊM E VÃO
A Banca do Distinto
Dolores Duran
Não fala com pobre
Não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor?
Pra que esse orgulho?
A bruxa, que é cega
Esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarto lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto
Esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde
Ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro
Maior é o tombo do coco, afinal
Todo mundo é igual
Quando o tombo termina
Com terra por cima
E na horizontal
Composição: Billy Blanco.
"LAUDO EPILOGAL AO MODO ABADIANAMIAL: "DA MINHA PARTE NÃO HÁ NADA MAIS A FAZER" DEIXANDO O BOLEIRO COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA: BOA OU MÁ NOTÍCIA? No jargão médico sutil e quase literário — evocando o estilo de um grande mestre da semiologia e da patologia, como se o clássico patologista Prof. Abadias Anami [1] (ou uma fusão de mestres da medicina brasileira) estivesse assinando o documento —, a frase "Da minha parte não há nada mais a fazer" colocada em um laudo epilogal é a clássica falsa má notícia . Para o boleiro que lê o papel com a pulga atrás da orelha, a resposta direta é: é uma EXCELENTE notícia .
Maria Rita e Elis Regina Encontros e Despedidas
ELIS, A IMORTAL
18 de jan. de 2025
Compositores: Milton Nascimento/Fernando Brant
Vídeos utilizados:
Documentário 130 anos da Ferrovia Paranaguá/Curitiba by Sie Entertainment
L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat (1895) by Cine All
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BEM PENSADO / "O que é verdadeiro não vai, permanece " Nicholas Sparks
Encontros e Despedidas
Milton Nascimento
Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida
Composição: Fernando Brant, Milton Nascimento.
Encontros e Despedidas
Maria Rita
Sueño con serpientes (part. Chico Buarque)
Silvio Rodriguez
Ainda não temos a cifra desta música. Contribua!
Hay hombres que luchan un día y son buenos
Hay otros que luchan un año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles
Sueño con serpientes, con serpientes de mar
Con cierto mar, ay, de serpientes sueño yo
Largas, transparentes, y en sus barrigas llevan
Lo que puedam arrebatarle al amor
Oh, la mato y aparece una mayor
Oh, con mucho más infierno en digestión
No quepo en su boca, me trata de tragar
Pero se atora con un trébol de mi sien
Creo que está loca: Le doy de masticar una paloma e la enveneno de mi bien
Oh, la mato y aparece una mayor
Esta afin me enguye, y mientras por su esofago
Paseo, voy pensando en qué vendrá
Pero se destruye cuando llego a su estomago
Y planteo con un verso una verdad
Oh, la mato y aparece una mayor
Silvio Rodriguez canta "Sueño Con Serpientes" no programa "Chico e Caetano", em 1986 na TV Globo.
Silvio Rodriguez - Sueño Con Serpientes - Programa Chico e Caetano - 1986 - Rede Globo
CENA ÚNICA
Cenário: Interior do departamento médico de última geração na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Paredes brancas reluzentes, macas estofadas, telas de computador exibindo gráficos biomecânicos e exames de imagem. Ao fundo, uma grande janela de vidro revela a névoa característica da Região Serrana fluminense cobrindo os campos de treino.
Personagens:
NEYMAR JR. (34 anos): Camisa 10 da Seleção Brasileira. Veste o uniforme oficial de treino (calção azul e camiseta amarela). Está sentado na maca, com expressão tensa, encarando o próprio tornozelo e a panturrilha direita.
DOUTOR (50 anos): Chefe do departamento médico da CBF. Veste calça esportiva escura, jaleco branco com o escudo da CBF bordado no peito e carrega um tablet nas mãos. Expressão serena, mas firme.
(O som ambiente é o bipe sutil de um aparelho de ultrassom. O DOUTOR entra na sala olhando fixamente para a tela do tablet. NEYMAR levanta a cabeça imediatamente.)
NEYMAR
(Ansioso, ajeitando o boné para trás)
E aí, Doutor? Abre o jogo. Dá para ir para o sacrifício na terça-feira ou o bicho pegou de verdade?
DOUTOR
(Aproxima-se da maca com passos calmos, suspirando de leve)
Ney, senta direito primeiro. Deixa a perna relaxada. Acabei de receber o laudo completo e comparei com a imagem que fizemos ontem aqui na Granja.
NEYMAR
(Bate com a mão na coxa)
Eu conheço meu corpo, Doc. Tá inchado, tá dolorido para apoiar o calcanhar, mas com uma infiltração e uma boa bandagem eu corro. Copa do Mundo não dá para assistir da arquibancada.
DOUTOR
(Mostra a tela do tablet para Neymar, apontando para uma mancha escura na imagem)
Olha aqui. Isso não é só o edema inflamatório que você sentiu no campo. Está vendo essa descontinuidade na transição do gastrocnêmio medial? Bem aqui, perto do tendão. É uma lesão muscular de Grau 2.
NEYMAR
(Muda o semblante, o tom de voz cai)
Grau 2... Ruptura?
DOUTOR
Ruptura parcial. Cerca de trinta por cento das fibras do músculo da panturrilha foram afetadas. Se eu colocar uma infiltração em você e te jogar em campo na terça, esse tecido rasga por completo. Aí viramos Grau 3, caso cirúrgico, e o seu ano acaba aqui.
NEYMAR
(Passa a mão pelo rosto, frustrado. Olha para a janela, observando o campo de treino encoberto pela fumaça)
Quatro semanas de preparação aqui em Teresópolis, no frio, voando nos treinos... para o músculo travar no primeiro pique do jogo principal? Não faz sentido, Doutor. Minha cabeça tá boa, eu aguento a dor.
DOUTOR
(Põe a mão no ombro de Neymar, com empatia profissional)
Eu sei que você aguenta. O problema não é a sua mente, é a física. Com a panturrilha lesionada, seu cérebro vai tentar proteger a perna direita de forma automática. Sabe o que acontece? Você muda a pisada. Transfere todo o impacto do arranque para o joelho esquerdo ou para o tornozelo que a gente já operou. É a biomecânica cobrando a conta.
NEYMAR
(Olha para o chão, balançando a cabeça)
E o tempo? Me dá o número real. Quanto tempo na fisioterapia até eu poder pelo menos calçar a chuteira?
DOUTOR
Em alto rendimento, trabalhando em três turnos aqui na Comary, com plasma e laser de alta intensidade, nós conseguimos cicatrizar esse colágeno de forma segura em três a quatro semanas. Menos que isso é utopia. É o tempo de curar a estrutura.
NEYMAR
(Aperta as mãos, pensativo, depois olha fixamente para o médico)
A final é daqui a exatamente vinte e cinco dias. Se o grupo segurar a onda na fase de grupos e no primeiro mata-mata... eu jogo a final?
DOUTOR
(Dá um meio sorriso, realista, mas encorajador)
Se você se entregar cem por cento ao protocolo que eu desenhar agora, sem pular nenhuma etapa na piscina e na academia... eu te entrego para o treinador na semana da final. Mas o trabalho começa agora. Gelo e repouso absoluto hoje. Fechado?
NEYMAR
(Solta o ar com força, resignado, e estende a mão para o médico)
Fechado, Doutor. Liga os aparelhos. Se é para operar milagre, a Granja Comary é o lugar certo.
(O DOUTOR aperta a mão de Neymar, liga o monitor do aparelho de fisioterapia ao lado da maca e a luz da sala diminui levemente.)
FIM DA CENA
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