sexta-feira, 29 de maio de 2026

OPERAÇÃO PAPEL CARBONO

O Pacto de Conveniência: Quando Lula e FHC se Uniram pelo Apoio de Bush "Faça o que eu mando, não o que eu faço. Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush."
Opinião do dia - Nicolau Maquiavel* (ricos e pobres) “Tratemos agora do outro aspecto da questão, isto é, vejamos o que ocorre quando um cidadão torna-se príncipe de sua pátria, não por meio de crime ou de outra intolerável violência, mas com a ajuda dos seus compatriotas. O principado assim constituído podemo-lo chamar civil, e para alguém chegar a governá-lo não precisa de ter ou exclusivamente virtude [virtù] ou exclusivamente fortuna, mas, antes, uma astúcia afortunada. Pois bem, a ajuda nesse caso é prestada pelo povo ou pelos próceres locais. É que em qualquer cidade se encontram estas duas forças contrárias, uma das quais provém de não desejar o povo ser dominado nem oprimido pelos grandes, e a outra de quererem os grandes dominar e oprimir o povo. Destas tendências opostas surge nas cidades, ou o principado ou a liberdade ou a anarquia. O principado origina-se da vontade do povo ou da dos grandes, conforme a oportunidade se apresente a uma ou a outra dessas duas categorias de indivíduos: os grandes, certos de não poderem resistir ao povo, começam a dar força a um de seus pares, fazem-no príncipe, para à sombra dele terem ensejo de dar largas aos seus apetites; o povo, por sua vez, vendo que não pode fazer frente aos grandes, procede pela mesma forma em relação a um deles para que esse o proteja com a sua autoridade” *Nicolau Maquiavel (1469-1527) filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico de origem florentina do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política. O Principe (1515), Capitulo lX, p. 45. Editora Martins Afonso, 2014
sexta-feira, 29 de maio de 2026 Decisão dos EUA afetará cooperação internacional contra PCC e CV, por Marcelo Godoy O Estado de S. Paulo Gakiya, maior autoridade no País no combate ao PCC, e Sarrubbo, que foi chefe do MP-SP, afirmaram que decisão transfere da DEA e do FBI para a CIA o combate às duas facções o que pode impedir a acessos a informações e prejudicar combate ao crime O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o procurador de Justiça e ex-secretário Nacional de Segurança Pública Mário Luiz Sarrubbo afirmaram ao Estadão que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas deve afetar a cooperação internacional para o combate ao narcotráfico, favorecendo criminosos em vez de endurecer o combate ao crime. Isso porque, ao aumentar o nível de risco apresentado pelas duas facções, o governo americano deixa de tratá-las como um caso de polícia e passa a considerá-la um problema militar. A consequência disso é que a Drug Enforcement Agency (DEA), a agência antidrogas americana, e o FBI, a polícia federal americana, deixam de investigar as facções, que passam a ser um problema da CIA, a agência de inteligência americana e das Forças Armadas dos EUA. “”Eu, por exemplo, troco informações toda semana com a DEA e com o FBI e com a transferência para a CIA, isso não vai ocorrer”, afirmou Gakiya. Jurado de morte pelo PCC, Gakiya é a maior autoridade do país no combate à facção paulista, sendo responsável direto por algumas das mais fortes operações contra a o grupo, como a Ethos, a Sharks e a Fim de Linha. Ele também participou das Operações Carbono Oculto e Vérnix. O promotor ressalta que ainda é preciso saber o alcance da medida, que visa bloquear ativos e bens que estiverem nos EUA que pertençam a acusados de participar ou manter relações com as duas facções. “A medida veda a qualquer cidadão americano de transacionar com pessoas e grupos, como o PCC. São sanções de natureza econômica, que podem ter aplicação ampla, vedando o acesso dos atingidos ao sistema financeiro americano. É preciso ainda saber quais seus efeitos imediatos”, afirmou. Gakiya é um dos maiores defensores no País da cooperação internacional. Recentemente, ele foi para a Itália na tentativa de prender a advogada Deolane Bezerra dos Santos, que estava em Roma e era acusada de lavar dinheiro de Marcola. Gakiya apontou ainda outro risco para o País com a classificação. Pela legislação americana, ela autoriza a execução pela CIA pelas Forças Armadas americanas de ações militares em qualquer parte do globo para neutralizar essa ameaça, o que pode levar, ainda que o risco atual seja remoto, a ações no Brasil, violando a soberania do País. “O Departamento de Estado passa a tratar essas organizações como um problema de defesa e não mais de polícia. Sobe para a CIA e a área militar e sai da área policial. Isso permite operações militares até mesmo no Brasil”, disse. O ex-secretário nacional de Segurança concordou com Gakiya. Mário Sarrubo criticou a medida. “Isso é muito ruim para o combate ao crime organizado e, em especial, para algo que o País tem feito muito bem, que é a cooperação internacional, que é o diálogo entre as forças policiais brasileiras e americanas, mas também o diálogo com outras forças dos países vizinhos aqui da América do Sul, da América Latina como um todo”. Sarrubbo trabalhou no combate à corrupção e ao crime organizado quando era promotor. Depois, nomeado procurador-geral de Justiça em São Paulo (2020 a 2024) esteve à frente da instituição durante algumas das principais operações de combate ao PCC, como as Operação Sharks, a primeira a flagrar a lavagem bilionário de recursos do PCC, que incluía remessas de recursos para o Paraguai. Em 2024, a convite do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, assumiu a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), onde participou da elaboração do projeto de lei antifacção, aprovado pelo Congresso em 2025. Segundo ele, “a decisão americana deteriora o sistema de cooperação, porque nós deixaremos de tratar a respeito de facções com DEA e com FBI e passaremos a ter que lidar com a CIA, que não conversa com ninguém”. E completou: “A CIA, efetivamente, não tem diálogo, não conversa com outras agências, de maneira que haverá aí uma deterioração nessa no sistema de cooperação internacional”. Sarrubbo concluiu que “isso (a decisão americana) não traz nada de bom para o Brasil e não qualifica o combate ao crime organizado”. Em 2020, foi com a DEA que prendeu em Moçambique o traficante de drogas Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, apontado como o braço-direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), no tráfico internacional de drogas. Sarrubbo, por fim, lembrou ainda que a medida “prejudica o Brasil economicamente”, pois “traz dificuldades para as empresas brasileiras nos Estados Unidos”. Em 2025, tanto Gakiya como Sarrubbo se manifestaram contra a proposta de classificar as facções como terroristas no Brasil também em função do conflito judicial que a medida podia causar, anulando operações e levando à impunidade de criminosos.
quinta-feira, 28 de maio de 2026 Mercado, política e ‘racionalidade’ ideológica, por José Serra O Estado de S. Paulo É legítimo precificar política, mas é ilegítimo vender essa precificação como análise técnica e neutra A divulgação, em 13 de maio, dos áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro produziu uma reação clássica e didática do mercado financeiro brasileiro: dólar a R$ 5,00, com alta de 2,31%, e Bolsa em queda de 1,80%, acompanhados de salto nos juros futuros. Uma plataforma de apostas em previsões que parte da Faria Lima adotou como termômetro do humor político passou a indicar que as chances de Flávio Bolsonaro haviam caído de 44% para cerca de 28%, enquanto Lula assumia o favoritismo com 45%. O episódio expõe, de forma incômoda, o que esse mercado de fato precifica, ficando claro que é muito distante do que alega precificar. A versão oficial dos players do mercado é a do “risco fiscal”, focado na crença de que o governo petista sempre será um perdulário, sem compromisso com o equilíbrio fiscal. Isso já até foi verdade, mas convenhamos que os governos petistas têm sido cada vez mais aderentes ao sistema econômico do ideário conservador. Mas qual seria o problema macroeconômico de perder o candidato Flávio Bolsonaro? Ele nunca apresentou trajetória executiva relevante, não tem um programa econômico articulado nem mesmo uma equipe técnica reconhecida. A realidade, sempre cruel, mostra que a candidatura do senador foi construída menos por méritos individuais e mais pela escolha do ex-presidente Bolsonaro. Este último, ao perder seus direitos políticos pela tentativa de golpe de Estado, optou por um nome que carrega o sobrenome da família, para preservar sua influência e consolidar seu clã. O mercado, que se autodescreve como reino da análise meritocrática, comprou esse “ativo” denominado Flávio sem ter a menor ideia do retorno esperado e agora amarga o prejuízo. Mais revelador é que os players de mercado, aqui no sentido de jogadores mesmo, não se incomodam tanto com o conteúdo das conversas vazadas. Na visão deles, é a contradição entre o que Flávio disse a interlocutores do mercado nos últimos meses, que não tinha qualquer relação com Vorcaro, a quem teria visto pessoalmente apenas uma vez, e o que os áudios revelaram. Ou seja: o pecado capital não é a interlocução com o dono de um banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 nem o pedido exorbitante de R$ 134 milhões para um filme de exaltação familiar. O problema foi ter faltado com a verdade aos seus “clientes”. Uma ética comercial, jamais republicana. Há ainda a curiosa flexibilidade moral desse ambiente. O mesmo ecossistema que exige rigor de conduta das empresas listadas em bolsa, premia boa governança nas avaliações de quanto vale uma companhia e faz sermões ao setor público sobre transparência, abraçou, sem hesitação, um pré-candidato cuja principal credencial era o sobrenome. A reação tardia, apenas após o vazamento, sugere que o filtro ético do “mercado” opera por reputação aparente, não pela análise dos fundamentos. Não dá para esquecer que quem sempre criticou a insegurança jurídica abraçou o “herdeiro do golpe” sem pensar um minuto. O conceito espúrio do site de apostas merece nota à parte. A plataforma já movimenta cerca de US$ 79 milhões no mercado relacionado à eleição presidencial brasileira de 2026, e seus preços passaram a figurar em relatórios de bancos e corretoras como “termômetro” da corrida. Tratar uma casa de apostas em criptomoedas, vulnerável a grandes apostadores que distorcem preços e a amostras que nada têm de representativas do eleitorado, como métrica orientadora de decisões de investimento revela menos sobre o futuro da democracia brasileira do que sobre a fragilidade analítica de uma “indústria” que se diz orientada por dados. É o mercado fabricando seu próprio espelho e nele se enxergando como oráculo. A alta dos juros futuros no dia do vazamento merece um olhar específico. Os juros futuros são, em essência, o preço pelo qual investidores aceitam emprestar dinheiro ao governo brasileiro por prazos que vão de alguns meses a vários anos e funcionam como uma espécie de termômetro do quanto o País inspira confiança lá na frente. Em 13 de maio, nada havia mudado nos fundamentos da economia: a inflação não pulou, o governo não anunciou novos gastos, o Banco Central não sinalizou mudança de rumo, o cenário internacional seguiu sem novidades na instabilidade da guerra. A macroeconomia não mudou, mas o custo de financiamento do País subiu por causa do mau humor. O mundo real é que paga a conta. Não porque o Brasil ficou objetivamente mais arriscado, mas porque um candidato preferido do “mercado” ficou mais frágil. É lamentável que a fronteira entre análise de risco e preferência política seja tão tênue. Só que o mau humor vira perda real para empresas e consumidores. É legítimo precificar política, mas é ilegítimo vender essa precificação como análise técnica e neutra. O áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não revelou apenas um pedido de dinheiro a um banqueiro problemático, mostrou o peso da ideologia na “racionalidade do mercado”.
Antes da hora. Fernando Henrique senta na cadeira do prefeito na véspera da eleição em que perdeu para Jânio Quadros Reginaldo Manente 14/11/1985 / Agência Estado
EM WALL STREET José Dirceu em Nova York, em julho de 2002. Uma viagem para tranquilizar os americanos sobre o PT no poder (Foto: Alcy M. da Silva/Folhapress)
ACERTO Lula e Bush, na Casa Branca, em dezembro de 2002. A cooperação mais estreita da história diplomática de Brasil e EUA (Foto: Paul J. Richards/AFP)
A OBRA Esta narrativa traz fragmentos de 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush (Editora Objetiva) (Foto: Divulgação)
O AUTOR Matias Spektor é professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (Foto: )
Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca Viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro com aliados ideológicos de Trump. Membros da comitiva disseram que documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. Por Túlio Amâncio, TV Globo e g1 26/05/2026 17h50
O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump na Casa Branca, em 26 de maio de 2026Foto: Reprodução Flávio chegou aos EUA na segunda-feira (25). A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Eduardo está nos EUA há mais de um ano. No Brasil, ele é alvo de investigação e atua politicamente no exterior, principalmente com aliados de Trump. Também é citado em apurações sobre suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras “Lulopetismo terceirizou para Flaviopelismo ‘pegação no pé’”, para todos os próceres 'A palavra “populismo” refere-se a uma tal diversidade de fenômenos, movimentos políticos e regimes que dificilmente seriam compreensíveis na mesma rubrica.' "Por que José Dirceu pôde desembarcar em Wall Street, enquanto Fernando Gabeira — seu libertador no sequestro do embaixador americano — até hoje não conseguiu essa concessão dos governantes americanos?" A diferença de tratamento ocorre porque José Dirceu viajou aos Estados Unidos em missão diplomática e de negócios como ex-Ministro da Casa Civil, enquanto Fernando Gabeira teve seus vistos negados pelo Departamento de Estado dos EUA devido à aplicação estrita da lei de imigração americana, que proíbe a entrada de envolvidos em atos classificados como terroristas, como o sequestro do embaixador Charles Elbrick em 1969.
O ex-ministro José Dirceu (PT) declarou apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo ou ao Senado nas eleições, reforçando o nome do ministro da Fazenda como opção competitiva no estado. Dirceu também defendeu a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial com Lula (PT), destacando a aliança política que venceu a última disputa.#3em1 José Dirceu nos EUA: Diplomacia: Na condição de presidente nacional do PT e principal articulador político, Dirceu visitou Wall Street, bancos de investimento e autoridades em Washington em 2002. A viagem buscou apaziguar o mercado financeiro e governantes americanos sobre as propostas econômicas do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Segurança Nacional: Vistos diplomáticos ou de negócios (como o de trânsito) são emitidos mediante avaliação de interesse do governo americano, podendo ser concedidos mesmo a pessoas com antecedentes controversos para garantir canais de diálogo político e relações de Estado. Fernando Gabeira e os EUA: Lei de Imigração: Por ter participado diretamente da logística do sequestro do embaixador dos EUA no Brasil em 1969, Gabeira foi enquadrado sob a seção da lei americana que barra a entrada de estrangeiros que cometeram ou participaram de atos de violência política contra cidadãos ou representantes diplomáticos do país. Vistos Negados: O ex-deputado teve solicitações negadas em múltiplas ocasiões (como em 1996 e 1998). Mesmo com o apelo de diplomatas e parlamentares, o governo dos Estados Unidos manteve a restrição sob a justificativa legal de proteger a segurança interna. Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões Música | Quero Morrer na Portela - Zé Ketti Mônica Bergamo: Lula faz reunião com ministros para avaliar resposta aos EUA Rádio BandNews FM 29 de mai. de 2026 O Governo Federal ainda estuda uma resposta para os Estados Unidos depois que o Departamento de Estado americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo a apuração da colunista Mônica Bergamo, o presidente Lula se reúne hoje (29) com ministros, para descobrir como agir.

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