segunda-feira, 11 de maio de 2026

PARA ISTO

PARA ESTE FIM "A política é teatro, e Trump e Lula sabem atuar."
domingo, 10 de maio de 2026 Lula e Trump dominam teatro político, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo Uma semana antes de visitar Xi Jinping em Pequim, Donald Trump se reuniu com Lula. Embora fosse um pedido antigo do Brasil, a reunião foi marcada às pressas. Não havia agenda preparada com antecedência pelos diplomatas dos dois lados. A substância dos assuntos não era importante. Para Trump e Lula, a reunião bastava. Por isso ela foi um sucesso: as muitas divergências não foram endereçadas. Cada um disse o que quis, sem contestação. Os assuntos foram lançados, sem um objetivo que não a simples ocorrência de uma conversa longa e amistosa. O quase monopólio da China sobre minerais críticos fragiliza os EUA. A guerra contra o Irã agravou a situação. O Pentágono informou em sessões sigilosas com integrantes das Comissões de Defesa da Câmara e do Senado que consumiu metade dos seus mísseis mais sofisticados – Tomahawk, Atacms, Thaad e Patriot. A principal hipótese de emprego dessas armas é contra a China, diante de eventual anexação de Taiwan e das disputas na região Ásia-Pacífico. Agora, para repor os estoques, os EUA precisam de minerais críticos. É aí que entra a reunião com Lula. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 17%, embora esse mapeamento esteja incompleto e a fatia possa ser maior. A China encabeça o ranking, com cerca de 40%. Trump quis demonstrar que o Brasil não está sob a órbita chinesa. MARCO REGULATÓRIO. A empresa americana USA Rare Earth comprou por US$ 2,8 bilhões uma mina em Minaçu, Goiás, a única fora da China com matérias-primas para a produção de ímãs permanentes. Na véspera da cúpula, a Câmara aprovou o marco regulatório para os minerais críticos, para dar segurança jurídica a investimentos. Lula disse a Trump que o Senado também o aprovaria naquela mesma noite, o que não ocorreu, mas revela o entusiasmo dele por esse fator de magnetismo do Brasil em face aos EUA. Quando lhe perguntaram como foi a reunião, Trump respondeu que tinha sido boa, que Lula é um “bom homem”, um “cara inteligente”, que os EUA querem mais comércio com o Brasil, e que os brasileiros pediram “alívio nas tarifas”. Essas frases, combinadas com o post no Truth Social em seguida ao encontro, revelam a boa vontade de Trump, que aceitou criar um grupo de trabalho com prazo de 30 dias para discutir o tarifaço americano. Nada disso garante que ele vá desistir de impor novas tarifas. Lula, por sua vez, tinha o interesse de se projetar como estadista e provar capacidade de lidar com Trump, apesar das intrigas da oposição. O timing para ele era importante também, depois de duas derrotas sucessivas no Congresso. Política é teatro, e Trump e Lula sabem atuar. Análise: Trump destaca conversas com Lula sobre tarifaço Lourival Sant'Anna avalia que encontro entre os dois líderes rendeu prazo extra ao Brasil para apresentar defesa em investigação comercial americana Da CNN Brasil 07/05/26 às 21:24 | Atualizado 07/05/26 às 21:24 ouvir notícia Em post em suas redes sociais, Donald Trump destacou os temas econômicos discutidos em seu encontro com Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o analista de Internacional Lourival Sant'Anna, a reunião entre os dois líderes representou um dos momentos mais importantes para o Brasil no âmbito das relações comerciais com os Estados Unidos. Na avaliação de Lourival, a conversa não deve alterar a substância da investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas, mas pode impactar o prazo do processo. "Na substância, em princípio, não, mas no prazo, provavelmente, sim", afirmou o analista durante o CNN Prime Time desta quinta-feira (7). Segundo Sant'Anna, Lula teria obtido de Trump um prazo adicional de 30 dias para que o Brasil possa apresentar sua defesa ou reiterar argumentos já expostos anteriormente. Esse entendimento estaria subentendido também em publicação feita pelo próprio Trump sobre o encontro. Lula: “Trump repete muitas vezes que ama o Brasil” Lula deixa Washington após reunião com Donald Trump Quero que os EUA voltem a ver no Brasil um parceiro importante, diz Lula Play Video A investigação americana teve início em julho do ano passado e tem previsão de encerramento em julho deste ano, completando 12 meses. Com o prazo extra, o Brasil ganha tempo para ponderar e continuar negociando, o que, na avaliação do analista, demonstra boa vontade por parte de Trump. Sant'Anna destacou ainda a composição da delegação americana presente na reunião. "Essa equipe do presidente Trump que estava ali era uma equipe toda econômica e toda técnica.", observou. A ausência de Marco Rubio, que representa o Departamento de Estado e é descrito por Sant'Anna como o elemento mais ideológico e mais contrário ao governo Lula, foi considerada favorável ao Brasil. Rubio estava no Vaticano, em encontro com o papa Leão XIV. "Isso foi muito bom para o presidente Lula, porque o Marco Rubio poderia ter trazido questões mais inconvenientes e complicadas", ressaltou o analista. No lugar de Rubio, esteve presente Jameson Greer, representante do comércio dos Estados Unidos, que trouxe à mesa as questões ligadas ao protecionismo americano. Entre os temas considerados "irritantes" na relação entre os dois países, Sant'Anna citou o PIX, as patentes, as tarifas e a proteção ao etanol, sobretudo o produzido no Nordeste brasileiro. "Lula conseguiu essa concessão [de prazo] que foi um dos pontos altos dessa reunião, uma das coisas mais importantes para o Brasil", avaliou Sant'Anna. CNN Brasil Disseram Que Eu Voltei Americanizada Carmen Miranda Me disseram que eu voltei americanizada Com o burro do dinheiro, que estou muito rica Que não suporto mais o breque do pandeiro E fico arrepiada ouvindo uma cuíca Disseram que com as mãos estou preocupada E corre por aí que eu sei certo zum zum Que já não tenho molho, ritmo, nem nada E dos balangandans já nem existe mais nenhum Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno? E eu posso lá ficar americanizada? Eu que nasci com o samba e vivo no sereno Topando a noite inteira a velha batucada Nas rodas de malandro, minhas preferidas Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you Enquanto houver Brasil na hora das comidas Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu Me disseram que eu voltei americanizada Com o burro do dinheiro, que estou muito rica Que não suporto mais o breque do pandeiro E fico arrepiada ouvindo uma cuíca Me disseram que com as mãos estou preocupada E corre por aí que eu sei certo zum zum Que já não tenho molho, ritmo, nem nada E dos balangandans já nem existe mais nenhum Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno? Eu posso lá ficar americanizada? Eu que nasci com o samba e vivo no sereno Topando a noite inteira a velha batucada Nas rodas de malandro, minhas preferidas Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you Enquanto houver Brasil na hora das comidas Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu Mas pra cima de mim pra quê tanto veneno? Eu posso lá ficar americanizada? Eu que nasci com o samba e vivo no sereno Topando a noite inteira a velha batucada Nas rodas de malandro, minhas preferidas Eu digo é mesmo eu te amo, e nunca I love you Enquanto houver Brasil na hora das comidas Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu Composição: Vicente Paiva, Luís Peixoto. Falando direito | 4° episódio - Significado e pronúncia de AD HOC. Aglene Sotero Dizem que a língua é viva. Eu desconfio que, às vezes, ela também gosta de pregar peças — especialmente quando encontra um “coleguinha” animado e um latinismo pela frente. A cena foi simples, quase inocente: alguém solta um elegante “ad hoc” no meio da conversa. Era para soar clássico, daqueles que vêm direto das arcadas romanas, com toga e tudo — afinal, “ad hoc” significa justamente isso: para isso, para esse fim. Mas o coleguinha, talvez inspirado por séries, filmes ou por um suposto intercâmbio imaginário na Casa Branca, resolveu temperar a expressão. Saiu algo como “ád róqui”, com direito a sotaque importado e confiança de quem acabou de voltar de um café com Donald Trump. Foi nesse momento que, em algum plano etéreo da cultura brasileira, Carmen Miranda ergueu uma sobrancelha. Porque, veja bem, a história se repete — só muda o idioma. Lá atrás, disseram que ela tinha voltado “americanizada”. Que já não tinha o molho, o ritmo, o balanço. Ela, com seu turbante e sua ironia afiada, respondeu sambando, com a graça de quem não precisa provar nada a ninguém. Seguiu firme, entre o pandeiro, a cuíca e o camarão com chuchu, reafirmando sua identidade sem pedir licença. Hoje, o nosso coleguinha faz algo parecido — só que ao contrário. Não foi para fora, mas parece ter voltado. Não trocou o samba pelo jazz, mas trocou o latim pelo inglês… sem precisar. O pobre “ad hoc”, que em sua origem pede apenas um sopro discreto — o “h” mudo, o som correndo junto, quase tímido — virou espetáculo. Um “ád róqui” cheio de efeitos especiais, como se cada sílaba tivesse passado pela alfândega linguística e voltado com selo internacional. E o mais curioso: ninguém pediu. Talvez seja esse o grande drama contemporâneo: não basta falar, é preciso performar. Não basta saber, é preciso parecer que sabe… de preferência com sotaque. O latim, coitado, que já é uma língua aposentada, ainda precisa aguentar esse tipo de reencarnação improvisada — às vezes mais caricata do que erudita. É aí que entra o contraponto necessário — quase um antídoto ad hoc — oferecido por quem se dedica a explicar, com clareza e leveza, o sentido real das palavras. No episódio “Falando direito”, a professora Aglene Sotero resgata o que parecia perdido: o significado correto, a pronúncia adequada, o respeito à origem. Sem afetação, sem espetáculo — apenas compreensão. 🎥 Vídeo de referência (significado e pronúncia de “ad hoc”): Falando direito | 4° episódio - Significado e pronúncia de AD HOC E então, no teatro imaginário desta crônica, forma-se um encontro improvável: de um lado, Carmen, abanando seu leque e dizendo “eu sou do samba”; do outro, o coleguinha, ajustando o colarinho invisível e insistindo no “ád róqui”. Ao fundo, quase como narradora silenciosa, Aglene organiza o palco, devolvendo às palavras o seu lugar. Carmen sorri — aquele sorriso enviesado que já atravessou oceanos e críticas — e talvez diga: “Meu bem, se é pra inventar moda… pelo menos faça com ritmo.” Porque, seja no português, no latim ou no inglês, há uma regra que ninguém consegue americanizar: a elegância está menos no som e mais no sentido. E, convenhamos, não há nada mais “ad hoc” — para isso, para esse fim — do que usar a palavra certa… do jeito certo. Créditos: Esta crônica dialoga com o conteúdo didático apresentado por Aglene Sotero, responsável pelo vídeo indicado, que aborda o significado e a pronúncia correta da expressão latina “ad hoc”.

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