sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sexo

Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda. – Paulo. (Romanos, 14:14.) Quando Paulo de Tarso escreveu esta observação aos romanos, referia-se à alimentação que, na época, representava objeto de áridas discussões entre gentios e judeus. Nos dias que passam, o ato de comer já não desperta polêmicas perigosas, entretanto, podemos tomar o versículo e projetá-lo noutros setores de falsa opinião. Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Profundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência. Realizações das mais belas, na luta planetária, quais sejam as da aproximação das almas na paternidade e na maternidade, a criação e a reprodução das formas, a extensão da vida e preciosos estímulos ao trabalho e à regeneração foram proporcionadas pelo Senhor às criaturas, por intermédio das emoções sexuais; todavia, os homens menoscabam o lugar santo, povoando-lhe os altares com os fantasmas do desregramento. O sexo fez o lar e criou o nome de mãe, contudo, o egoísmo humano deu-lhe em troca absurdas experimentações de animalidade, organizando para si mesmo provações cruéis. O Pai ofereceu o santuário aos filhos, mas a incompreensão se constituiu em oferta deles. É por isto que romances dolorosos e aflitivos se estendem, através de todos os continentes da Terra. Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pe la educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se a santa noção da divindade do poder criador, porque, enquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas. Livro PÃO NOSSO – EMMANUEL / Chico Xavier – 94 – Sexo Centro Espírita No Caminho da Luz - Espiritismo Cristão Chico Xavier 12 de junho de 2015 | 1 94 Sexo Pão Nosso #094 - Sexo NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 30 de mar. de 2023 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
A estação de Peirópolis, sem data. Foto cedida por A. C. Belviso PAINEIRASFrederico Peiró residia a quatro léguas da nascente do rio Uberaba, próximo à estação ferroviária de Paineiras — mais tarde, Peirópolis, em homenagem aos grandes serviços que ele prestara ao local — ao pé de uma cadeia de alterosas serras, que descrevem uma curva circular quase fechada, compostas algumas delas de enormes moles de rocha calcárea, donde graças a essa riqueza e ao gênio empreendedor de Peiró, formou-se um núcleo considerável de população laboriosa e próspera, à qual não faltava a escola, a Agência do Correio, o Telefone, a Farmácia Espírita gratuita e outros benefícios. Aquelas rochas são ali convertidas em alta escala, em alvo e saboroso pão, em fartura para toda aquela pequena colmeia humana. Pois não há só indivíduo completamente pobre: têm tudo o que é indispensável à vida, mesmo aqueles que não podem trabalhar por doença ou velhice.” Recolhemos esses dados da Gazeta de Uberaba, de 12 de março de 1910. Transcrevemos da mesma excelente crônica, o extraordinário retrato do espanhol, que teve papel destacado no pioneirismo Espírita do Brasil, em nossa região. 68 Corina Novelino Ei-lo: É um homem de estatura mediana, bem proporcionado, rosto sensivelmente redondo e de traços regulares, cabelos e bigode loiros, olhos azuis, fisionomia simpática e aspecto de bondade. É singelo no vestir e no dizer e jamais faz alarde de suas obras. À primeira vista parecer anglo-saxão; mas viu a luz primeira no esplendoroso sol da zona temperada do hemisfério setentrional, na pitoresca Ibéria, sob céu azul da Andaluzia, no ubérrimo solo da Província de Jean, em Linares. Há cerca de três lustros reside nesta vasta, fértil e encantadora Minas. Emprega a sua atividade, com inteligência, na indústria, no comércio e na agricultura, auferindo bons resultados. Nunca, porém, será grande pela riqueza, pois professa a religião do Bem e essas duas grandezas são, no mesmo indivíduo e no estado atual das coisas, incompatíveis (sic). É um propagandista incansável da evolução, do aperfeiçoamento humano. Acorre e auxilia, moral e materialmente, todas as causas e idéias, que tendem ao bem geral. É justamente estimado por todos aqueles que vivem a seu redor, seguindo-lhe de maneira louvável os exemplos, a sã orientação, que ele sabe imprimir aos seus atos. É um dos poucos homens que têm coração, que sentem os males alheios, que têm a noção das causas que se originam e que cumprem com assombro dever combater estas e diminuir aqueles, na medida de suas possibilidades, prestando aos seus semelhantes a maior soma possível de benefícios. Onde há sofrimentos a mitigar, necessidades a socorrer, enfermos a assistir, prejuízos a combater, aí está o humano indivíduo, cuja imagem tive por um instante ante o objetivo, pronto a prestar todo o seu valioso concurso, a praticar a sublime religião, cujo único ídolo é o Bem. Como se vê, o homem e suas tarefas edificadoras foram focados com respeito, lealdade e abertamente. Todavia, a Doutrina Espírita, que ele professava desde 1896, aparece na imprensa leiga da época sob um véu sutil... Mas, o essencial é salientar a personalidade, seus esforços nas tarefas doutrinárias e fraternas. Um opúsculo, divulgado em 1915, dedicado a Frederico Peiró pela colônia espanhola, de Uberaba, traz importante registro histórico, no campo do Espiritismo, em Minas Gerais. Acentua o valioso documentário que, até 1893, Frederico Peiró era materialista, adiantando, que, nesse tempo, freqüentou sessões espíritas, Eurípedes — o Homem e a Missão 69
O mandamento maior 4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; – e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: – Mestre, qual o grande mandamento da lei? – Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. – Esse o maior e o primeiro mandamento. – E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, 22: 34 a 40.) 5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep95] Parábola do Bom Samaritano (cap XV, 1-3)
Náo perca a chance de ser feliz. A felicidade de um instante fica gravada para sempre no coração.
PEIRÓPOLIS 🦕 Do presente ao passado: A História de Peirópolis antes dos fósseis setembro 23, 2019 Pet História Peirópolis, bairro uberabense ícone da Paleontologia, tem uma História singular. Quando passeamos pelos jardins ou visitamos o Museu, deslumbrados pelo bucolismo do lugar, quase ninguém percebe que ali já foi uma estação ferroviária. Este espaço, bem como outra dezena de construções da região central do bairro passaram,desde 1992, por processos de tombamentos pelo Patrimônio Histórico de Uberaba. Todo este processo e a conversão do prédio da antiga estação férrea em Museu Paleontológico foi uma luta empenhada pelos moradores da comunidade. No fim da década de 1980, eles se uniram, através da Associações do Amigos e Moradores de Peirópolis, para barrar a dinamitação das rochas para exploração do calcário, já que elas continham grande quantidade de fósseis por escavar. Além disso, munidos de um sentimento coletivo e conscientes da riqueza patrimonial dos fósseis, os moradores lutaram por um espaço de pesquisa e exposição dos fósseis encontrados no bairro, pois, na ausência deste espaço, eles eram levados para o Rio de Janeiro. Trabalho este articulado pelo renomado cientista – e que hoje nomeia o museu – Dr. Llewellyn Ivor Price (1905- 1980). Assim, a comunidade conquistou este espaço de pesquisa e exposição no prédio da antiga estação férrea. Ela esteve abandonada desde 1970, quando foi desativada. Neste intervalo (1970-1992), o bairro teve uma estagnação do grande movimento que a ferrovia proporcionava. A causa disso? Um trágico acidente em 28 de setembro de 1970. O trem descarrilou em uma subida e os vagões de cimento tombaram sobre os vagões de pessoas. A tragédia deixou uma comunidade de famílias em luto e encerrou a célebre ferrovia. Ela representa uma saudade constante de um bairro distante da urbanidade, porém, completamente antenado. A ferrovia integrava o bairro com todas as cidades vizinhas através do transporte de pessoas, além de escoar a produção do cal. Peirópolis que antes se chamava Paineiras (1899), foi reflexo do progresso brasileiro dos anos 1910 e 1920. Além da prosperidade econômica na figura da ferrovia, o bairro era rural, mas se comunicava com outros lugares através da linha telefônica na Casa da Telefonista e um posto dos Correios e Telégrafos na estação, que recebia correspondências diariamente. O nome que homenageia a estação em 1924 é do imigrante espanhol Frederico Peiró (1859-1915). Empreendedor e visionário, ele chega ao bairro na mesma década que a ferrovia, em meados de 1890. Peiró é o precursor de dois eventos marcantes e que atravessam a história do lugar: a religião e a escola. Amigo de Eurípedes Barsanulfo, Peiró estimulou o espiritismo, sendo que, esta foi a religião preponderante no bairro, que possui três centros espíritas. Nos dias de hoje, o espiritismo teve uma pequena decadência, mas ainda é forte e coexiste pacificamente com católicos e protestantes. A escola também é icônica: datando de 1910, em um período em que a educação era elitizada, o espanhol construiu uma escola para os filhos de seus funcionários. Atualmente ela está sob a gestão municipal. Assim, do Passado ao Presente, na Pacata Paineiras, passou Peiró com o Progresso, passou o Price com a Paleontologia e a peculiar Peirópolis pode parecer um pedacinho do paraíso.
Fontes ¹http://www.portaluberaba.online/peiropolis-e-tema-de-livro-que-sera-entregue-com-sessao-de-autografos-no-dia-28-de-junho/ ²http://www.curtamais.com.br/uberaba/peiropolis-a-terra-dos-dinossauros-e-um-dos-passeios-imperdiveis-em-uberaba ³Acervo PET História UFTM, 2019. ⁴Acervo PET História UFTM, 2019 ⁵Acervo PET História UFTM, 2019 ⁶Associação dos Amigos e Moradores de Peirópolis, sem data. ⁷Acervo da Associação de Amigos de Peirópolis, década de 1980 ⁸Acervo da Associação de Amigos de Peirópolis, 1989 ⁹Lista de Agências Postais em 1911 enumera uma agência na Estação Paineiras em Uberaba - Hemeroteca Digital. Diccionario Postal Brasileiro, 1911. Edição A00068, p.66. Disponível em: http://bit.ly/2kWZ6Jn ¹⁰Lista de ida e volta de trens na Estação Paineiras da Companhia Mogyana. Almanak Laemmert, 1910, Edição A00067, p.399. Disponível em: http://bit.ly/2mzTpkM
Tobias Rosa foi um dos dirigentes do Jornal Gazeta de Uberaba. Imagem do final do século XIX. Acervo: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba. Jornal Gazeta de Uberaba Acervo: 1879 a 1912 A Imprensa no Brasil: Os jornais são referências fundamentais para as pesquisas historiográficas por garantirem acesso à informação e revelarem ideologias diferenciadas, as tradições, os usos, os costumes, as atividades comerciais, os aspectos políticos, sociais, culturais e econômicos, que marcaram a trajetória de um povo. No Brasil, qualquer atividade de imprensa era proibida antes de 1808 e, consequentemente a imprensa brasileira nasceu tardiamente, assim como o ensino superior, as manufaturas, a própria independência política e a abolição da escravatura. Ao contrário dos principais países latino-americanos, o Brasil entrou no século XIX sem tipografia, sem jornais e sem universidades, inviabilizando a formação do público leitor. Isso gerou um legado de analfabetismo, sentido até hoje. A primeira tipografia a funcionar de forma duradoura no País viria a bordo da nau Medusa, integrante da esquadra que transferiu a Corte Portuguesa para o Brasil em 1808, fugindo das tropas napoleônicas. Utilizando-se desse material tipográfico o príncipe D. João baixou um decreto em 13 de maio de 1808, determinando a instalação da Impressão Régia no Rio de Janeiro, com a ressalva de que nela “se imprimam exclusivamente toda a legislação e papéis diplomáticos que emanarem de qualquer repartição do meu real serviço, e se possam imprimir todas e quaisquer obras, ficando inteiramente pertencendo seu governo e administração à mesma Secretaria”. A imprensa brasileira tem como marcos fundadores: o lançamento, em Londres, do Correio Braziliense, em 1º de junho, e a criação da Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de setembro, ambos de 1808. Apesar dos percalços e limitações, a imprensa brasileira conquistou espaço em sua trajetória histórica e possui um número apreciável de jornais que têm revelado notável capacidade de inovação técnica e editorial, o que lhes permitem vencer todos os desafios surgidos até hoje. A Imprensa em Uberaba: Em Uberaba, a imprensa surgiu em fins do século XIX e desde então revela fatos importantes que marcaram a história da cidade e do Brasil. Os jornais fundados na cidade tiveram o desafio de construir um jornalismo informativo, crítico e esclarecedor. O primeiro jornal impresso que se tem notícia no Triângulo Mineiro surgiu em Uberaba, intitulado O Paranaíba, que segundo o pesquisador Hildebrando Pontes[1], foi criado pelo médico francês Henriques Raimundo des Genettes em 01 de outubro de 1874. Hildebrando Pontes revela que a maioria dos primeiros impressos obedecia a fins políticos, “daí ser a política uma das causas que mais eficazmente contribuíram para o progressivo desenvolvimento da imprensa entre nós” [2]. Lembra que por estes impressos manterem posicionamentos políticos em suas abordagens, alguns jornalistas sofreram violências das partes ofendidas. Segundo Hildebrando Pontes, em boa parte era graças aos jornais que a civilização ganhava força: “Hoje, graças ao benemérito influxo da civilização, cuja maior parte se deve à imprensa, a leitura de jornais é tão necessária ao espírito como o alimento que da vida e força ao organismo. Um fato parece não ter importância se dele não se ocupa a imprensa”. Jornal Gazeta de Uberaba: Com a preocupação em viabilizar para o público o acesso às informações pertinentes à imprensa de Uberaba, a Superintendência do Arquivo Público tem como um dos objetivos recuperar acervos documentais. Diante disso, intermediou junto a Arnaldo Rosa Prata, ex-prefeito de Uberaba, a disponibilização do Jornal Gazeta Uberaba para ser digitalizado e disponibilizando via internet para o público. O Gazeta de Uberaba foi distribuído pela primeira vez em 1875 e teve como primeiro diretor e redator José Alexandre de Paiva Teixeira. Na primeira etapa de sua existência foi publicado até fevereiro de 1876. Em 27 de abril de 1879 o mesmo jornal foi recriado por João Caetano e Tobias Rosa (tio de Arnaldo Rosa Prata) e nessa época o impresso manteve uma atuação político-partidária oponente ao Partido Liberal que era representado por outro jornal com o título de Correio Uberabense. O Jornal Gazeta de Uberaba foi o quarto periódico criado em Uberaba. Arnaldo Rosa Prata resguarda o acervo há anos e gentilmente emprestou os jornais para serem digitalizados pela Superintendência do Arquivo Público de Uberaba. Um acervo de grande importância para a história do município e região e se refere ao período de 27 de abril de 1879 a 1912. O Gazeta de Uberaba era um periódico semanal, que após 30 de novembro de 1894 passou a circular seis vezes por mês. Em 1º de janeiro de 1903, a circulação passou a ser diária e tornou-se o primeiro jornal diário que Uberaba teve. Nas oficinas montadas com capricho, na Rua Tristão de Castro, nº 2, executavam-se excelentes trabalhos de arte tipográfica. A sua tiragem era de 1.200 exemplares impressos em 4 a 6 páginas. Na sua existência de aproximadamente meio século de circulação, o Gazeta de Uberaba contava com um numeroso corpo de colaboradores representados por distintos jornalistas nacionais e estrangeiros. Em 1891 assumiu a direção do jornal o professor Alexandre Barbosa, sucedido pelo promotor de justiça pública de Uberaba, Joaquim José Saraiva Júnior, que também não permaneceu por muito tempo na direção, uma vez que foi transferido para a Promotoria de Monte Alegre. Sendo assim, a coordenação e redação passaram para as mãos de Chrispiniano Tavares, José Maria Teixeira de Azevedo e outros. Quando entrou em cena a República, a aderência política afeita pela folha ajustou-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM). Já no ano de 1895, o então proprietário do jornal Gazeta de Uberaba, Tobias Antônio Rosa, mudou-se para o município de Ribeirão Preto, levando consigo o jornal, que passou a ser intitulado São Paulo e Minas. Em 1897 Tobias Antônio Rosa voltou para Uberaba e reabriu as portas da redação do jornal com o seu nome anterior, Gazeta de Uberaba. Na sucessão da presidência do Estado de Minas Gerais, de Bias Fortes, para Silviano Brandão, surgiu em Uberaba o Partido da Lavoura e Comércio, entidade que representava os interesses de segmentos econômicos da região que eram contrários às taxações cobradas em detrimento aos seus interesses financeiros. Assim nasceu também o jornal Lavoura e Comércio, em 1889, de propriedade de Antônio Garcia de Adjunto. O embate de interesses políticos na região ficou marcado claramente nas linhas editorias dos dois jornais: de um lado estava o Gazeta de Uberaba, alinhado com as proposições políticas do governo de Minas Gerais, de Silviano Brandão; do outro lado, o Lavoura e Comércio, entrincheirando os interesses classistas locais. A oposição do jornal Gazeta de Uberaba ao jornal Lavoura e Comércio se deu até a fusão do Partido da Lavoura e Comércio com o Partido Republicano Mineiro, em janeiro de 1903. Após esse período o Gazeta de Uberaba centrou-se noutras questões de interesses gerais como relata Pontes[3]. Hildebrando Pontes, mostra no seu estudo sobre a imprensa de Uberaba que, o Gazeta de Uberaba, a partir de 1909, ajustou seu enfoque editorial à defesa do recém-criado Partido Civilista, contrário a indicação feita pela convenção nacional ao pleito da Presidência da República. Hildebrando Pontes ainda conta que o jornal tomou outra linha absolutamente diferente pela marcada até então, quando: [...] Entretanto por transação de 21 de janeiro do ano seguinte, entre os diretores os senhores Tobias Rosa e Filho e o Coronel Américo Brasileiro Fleury, passou a ser, a Gazeta de Uberaba, desse dia em diante propriedade do último. Essa transação inverteu diametralmente, os pólos de defesa política do jornal, que passou a ser agora, órgão francamente hermista, politicamente redigida pelo deputado Afrânio de Mello Franco, e literariamente redigido pelo José Afonso de Azevedo, figurando, ainda, no seu corpo de colaboradores, além de outros, o Dr. José Julio de Freitas Coutinho, Juiz Municipal de Uberaba. Cessada a campanha hermista, continuou como órgão do PRM, redactoriado pelos doutores Lauro de Oliveira Borges, Alaor Prata Soares e José Julio de Freitas Coutinho. (PONTES, JORNAL CORREIO CATÓLICO, 1931. n/p). A partir de 24 de janeiro de 1911, o jornal Gazeta de Uberaba tornou-se “Propriedade de uma Associação”, dirigida pelos mesmos senhores, menos o Dr. Coutinho, que se retirou. No entanto, o Jornal Gazeta de Uberaba teve suas atividades interrompidas em 1912. Em novembro de 1913, o coronel Tobias Rosa, fundou a Gazeta do Triângulo, uma associação que defendia os interesses do PRM – Democrata. Em 1915 rearticulou a volta do Gazeta de Uberaba, que dessa vez atendia aos interesses do “Partido da Concentração Municipal de Uberaba”. Desse modo, o Gazeta de Uberaba funcionou até 1917, ano em que faleceu o coronel Tobias Antônio Rosa. Marta Zednik de Casanova Superintendente do Arquivo Público de Uberaba
Jornal: O Estado de S. Paulo Data: Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 Seção: Cultura & Comportamento Autor: Roberto DaMatta Política no carnaval? O carnaval tem um lado esquecido que define seu paradoxal temperamento de ser, ao mesmo tempo, uma festa profana e sagrada. Se no carnaval as irreverências são possíveis, deve-se lembrar que ele ocorre entre o Advento e a Quaresma — o nascimento e a paixão de Cristo. O carnaval inventa um intervalo libertino entre dois eventos cruciais da religiosidade católica: o nascimento, a morte e a ressurreição de Deus encarnado em Jesus Cristo. A festa de Momo é um espaço de licenciosidades que invertem o cotidiano — gênero e idade são neutralizados; a rua vira casa e a noite, dia; o bloco voluntário substitui a compulsão da família; o canto malicioso, o discurso e a prece; e a estrutura social fantasiosamente se inverte: pobre vira nobre e negro ganha a liberdade do branco. Depois dessa liberdade cósmica expressa no abuso do corpo ou carne — pois carnaval (carne levare) significa “abandonar a carne” —, chega a Quaresma exprimindo uma polaridade comum em todas as sociedades: depois do excesso e da guerra, vêm a disciplina e a paz. Conforme afirmei nas minhas pesquisas, o papel do carnaval neste Brasil legislado e dominado por gente branca que ocupa altos cargos e se culpada escapa da lei pela lei, o carnaval se modernizou. Incorporou dimensões capitalistas, organizando-se em grupos profissionais, com desfiles competitivos, ingressos, tempo regulado e prêmios. Nesses tempos de modernização e desencanto, o “brincar” tem sido vencido pela competição que — como no esporte e na vida em geral — determina o campeão e o prêmio. Tudo realizado sob a égide do “progresso” que calcula, racionaliza e, como dizia Max Weber, desencanta. É dentro desse contexto que ocorre a guinada dos deuses, orixás, fadas e outras figuras encantadas para as celebridades. Tudo se passa, como é típico do capitalismo, no movimento que vai dos céus à crueza do mundo real. A fantasia tem sido absorvida pela voracidade capitalista da luta por dinheiro e, com ela, por uma ameaça ainda mais perversa: a da propaganda político-partidária. Se esse movimento infeliz de abrir o carnaval para a louvação e a adesão política, como fez a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói ao petismo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o carnaval será canibalizado pelo que ele sublima: a luta de classes, sem pandeiro, mas com guilhotinas. Seria o fim do que o carnaval expressa como alternativa simbólica. Será a morte de Dom Carnal pela convencionalidade burra, hipocrisia, mentira e pelas regras que, desde a sua invenção, celebram o lado mais humano da nossa humanidade. O riso pelo riso e a vida mesmo sabendo que se morre. Nota: Se conservador é simbolizado como lata de conserva, todo canhoto seria esquerdista; e os destros, fascistas. PS: Expresso aqui meus sentimentos pela morte do prof. João Baptista Borges Pereira, um companheiro profissional afetuoso. Roberto DaMatta é antropólogo, escritor e autor de “Carnavais, Malandros e Heróis”.

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