quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Artigo: Zeitgeist, o espírito do tempo

Pai contra Mãe de Machado de Assis no YouTube (que está no domínio público ou publicado livremente pelos criadores): Áudiobook PAI CONTRA MÃE de Machado de Assis por Miriam Bevilacqua Não há, em “Pai contra Mãe”, uma “réplica” literal ou direta no sentido de um embate entre magistrados e cidadãos comuns. Ainda assim, o conto de Machado de Assis explora uma dinâmica de poder que pode ser interpretada como o conflito entre aqueles que detêm ou executam a lei e aqueles que sofrem suas consequências. A narrativa evidencia como as instituições jurídicas da escravidão legitimavam a desumanização. O protagonista, Cândido Neves, atua como um agente executor dessa ordem social ao capturar escravizados fugidos, um ofício visto como “nobre” justamente por se alinhar à legalidade vigente. O conflito central do conto, sugerido pelo título, dá-se entre Cândido (o pai) e Arminda (a mãe): ele a captura para obter a recompensa que lhe permitirá evitar o abandono do próprio filho na roda dos enjeitados. Trata-se, portanto, de um choque entre misérias, em que indivíduos igualmente marginalizados são colocados em oposição. Machado desloca o foco dos grandes senhores ou magistrados — figuras quase ausentes — para mostrar como a estrutura legal força os pobres a oprimirem outros pobres como estratégia de sobrevivência. Assim, a obra questiona a noção de justiça de uma lei que sustentava a escravidão, revelando que a magistratura e o sistema jurídico da época garantiam a manutenção da propriedade humana, mesmo à custa da violência e da negação da dignidade. S quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026 A questão moral, por Marcelo Godoy
Quando a crise afeta políticos de todos os lados e magistrados, o que precisa mudar não são as pessoas O Estado de S. Paulo Era 28 de outubro de 1980 quando o general Raffaele Giudice chegou preso ao cárcere de Casale Monferrato. Ex-comandante da Guardia di Finanza, a polícia fazendária italiana, ele era um dos acusados da “rapina do século”, o escândalo de corrupção e fraude petrolífera que, segundo os cálculos do procurador Domenico Labozzetta, movimentara o equivalente a ¤ 1,2 bilhão. A quantidade de políticos, empresários e a ligação deles com magistrados fizeram com que o jurista Stefano Rodotà escrevesse: “Quando o fenômeno se alarga até envolver os chefes da Finança, de grandes escritórios de advocacia, os serviços secretos, políticos de primeiro plano e seus colaboradores, é indispensável não se deter nas pessoas e olhar, em vez disso, para o sistema que tornou possível seus empreendimentos criminosos.” É a isto que o Brasil está assistindo no escândalo do Banco Master. Quando um empresa criminosa conta com uma bancada no Congresso que busca mudar leis para anular investigações é porque a ousadia não se detém diante da luz do dia. A reportagem do Estadão que mostrou essa bancada deve servir de guia ao eleitor para punir todo político que teve o nome envolvido nas manobras que buscavam esconder a rapina do século, que ameaça pôr o petrolão no chinelo. Este não é um escândalo de esquerda ou de direita. Ele é de todos, mas, principalmente, da turma que usa a direita e a esquerda como biombo para se apossar de recursos públicos, seja qual for o presidente. É aqui que renasce a Questão Moral, tão bem definida por Rodotà. E é nesse contexto que o Instituto Ética e Democracia lançou o manifesto Fortalecer o diálogo para aprofundar a democracia. O documento diz o óbvio nessas horas: não pode haver democracia sem boas instituições, cidadãos politicamente educados e diálogo. “A crise da democracia não será superada pela substituição de uma narrativa fechada por outra. Seu enfrentamento necessita de conhecimento qualificado, debates propositivos e uma sociedade civil atuante.” Nossa democracia – diz o documento – está ameaçada por forças autoritárias, pela degradação do debate público e pela substituição da razão por narrativas emocionais. “A política se converteu em espetáculo permanente de antagonismos.” O acerto de contas com um sistema político que surgiu dos escombros da Lava Jato e se valeu da ascensão das redes sociais para estabelecer seu reino de ostentação, desvios e golpes não deve converter o conflito em ódio e a divergência em desumanização do outro, ainda que, como disse Rodotà, seja preciso não lhe dar trégua nessa luta, caso contrário o País verá “surgir outros dez mil escândalos”. A história lhe deu razão.
Quaest: Aprovação do governo Lula cai numericamente pelo 2º mês seguido, a 45% Queda numérica, no entanto, ficou dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais Paulo Barros 11/02/2026 14h01 • Atualizado 16 minutos atrás A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou numericamente para baixo pelo segundo mês consecutivo, mostra nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados afirmam aprovar a gestão do petista, ante 47% em janeiro e 48% em dezembro. Já os que dizem desaprovar são os mesmos 49% do mês passado. Em dezembro eram 50%. Outros 6% não souberam ou não quiseram opinar. Apesar disso, a variação no último mês ficou dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais.
(Fonte: Pesquisa Genial/Quaest) O levantamento também avaliou a percepção geral sobre a administração federal. Para 39% dos entrevistados, o governo Lula é considerado negativo, mesmo número do mês anterior. Já a avaliação positiva oscilou um ponto percentual para cima, a 33%. O instituto também voltou a questionar o eleitor sobre o medo da permanência de Lula por mais um mandato, e da volta da família Bolsonaro ao poder. O percentual que teme mais Lula oscilou um ponto para cima, a 41%, enquanto os que têm maior receio dos Bolsonaro recuou também dentro da margem de erro, de 46% para 44%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00249/2026. Tópicos relacionados Política aprovação Eleições 2026 Hard News Luiz Inácio Lula da Silva Pesquisa Quaest Paulo Barros Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa) Conto "Mariana" | Análise Literária - Brasil Escola
O PATRIOTISMO COMO REFÚGIO RETÓRICO E A SIMPLICIDADE COMO VIRTUDE DEMOCRÁTICA 1. Introdução — A crítica necessária “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, escreveu Samuel Johnson no século XVIII. A frase, frequentemente mal interpretada, não constitui um ataque ao amor genuíno à pátria, mas uma advertência filosófica contra o uso do patriotismo como substituto moral e intelectual quando faltam argumentos, responsabilidade ética e compromisso institucional. Essa advertência revela-se particularmente atual no debate sobre a sociedade norte-americana no período pós-presidencial recente. O contexto analisado insere-se em uma discussão mais ampla sobre se tal governo representou uma ruptura definitiva da ordem democrática ou, antes, um desvio histórico passível de correção. A hipótese central aqui adotada é a segunda: crises políticas intensas tendem a gerar ruído, mas não anulam, necessariamente, estruturas democráticas consolidadas. 2. O patriotismo quando a bandeira substitui o argumento Em contextos de crise, o discurso patriótico tende a ser instrumentalizado. A complexidade dos problemas sociais, econômicos e institucionais é reduzida a slogans, símbolos e apelos emocionais. O que deveria ser objeto de análise transforma-se em objeto de devoção. Nesse cenário, o patriotismo deixa de operar como valor cívico e passa a funcionar como escudo retórico: quem questiona é acusado de traição; quem simplifica excessivamente é celebrado. A crítica racional é silenciada em nome de uma unidade artificial, construída mais sobre emoção do que sobre deliberação. É precisamente esse mecanismo que permite compreender por que períodos de intensa polarização produzem narrativas grandiosas, inimigos abstratos e discursos heroicos — todos sinais de uma carência de soluções concretas. 3. A simplicidade como virtude do pensamento político Contra esse ruído, impõe-se uma distinção fundamental: simplicidade não é simplismo. Ao contrário, a simplicidade representa a depuração do pensamento. A navalha de Ockham já advertia que explicações excessivamente complexas frequentemente ocultam confusão, não profundidade. A verdadeira sofisticação intelectual consiste em identificar o essencial, nomear o problema com precisão e resistir à inflação retórica que encobre a realidade. Discursos inflamados raramente são profundos; na maioria das vezes, são compensatórios. Onde há reflexão, há nuance; onde há propaganda, há grito. Essa ética da clareza é central para compreender análises que rejeitam leituras apocalípticas sobre a democracia norte-americana e insistem em uma abordagem histórica e institucional. 4. A restauração democrática como hipótese histórica É nesse ponto que se insere o artigo de opinião “A post-Trump restoration is still possible”, assinado por Gideon Rachman e publicado em fevereiro de 2026 em um veículo de referência internacional. O autor propõe uma leitura de longo prazo da política norte-americana, argumentando que, apesar dos danos causados à confiança institucional e ao debate público, a restauração democrática permanece possível. A fundamentação desse argumento apoia-se na ideia de que democracias consolidadas dispõem de mecanismos institucionais, culturais e sociais capazes de absorver choques sem colapsar. Eleições subsequentes, atuação do Judiciário, imprensa livre e engajamento da sociedade civil operam como instrumentos de correção de rumos. Ao afirmar que a restauração “ainda é possível”, o autor evita determinismos e reconhece que a memória histórica tende a reinterpretar períodos de instabilidade como exceções, e não como mudanças permanentes de trajetória. 5. Conclusão — A ética da clareza e os limites do ruído Conclui-se que tanto a crítica ao patriotismo instrumentalizado quanto a análise institucional do pós-Trump convergem para um mesmo ponto: o excesso de ruído político é sintoma de fragilidade argumentativa, não de força democrática. A democracia não se sustenta por slogans, mas por instituições, procedimentos e pensamento crítico. A restauração, portanto, não é automática nem simples, mas permanece viável justamente porque democracias maduras não dependem de líderes providenciais, e sim de estruturas capazes de corrigir seus próprios desvios. No fim, a simplicidade é, ironicamente, o último grau da sofisticação. Ela exige coragem: a coragem de pensar sem slogans, de discordar sem ódio e de amar uma pátria sem transformá-la em dogma. Entre o ruído patriótico e o silêncio reflexivo, é neste último que o pensamento amadurece e a ética democrática se sustenta. Breve perfil do autor — Gideon Rachman Gideon Rachman é jornalista e analista político britânico, amplamente reconhecido por sua atuação nas áreas de política internacional e geopolítica. Colunista de opinião em um dos mais influentes jornais econômicos e políticos do mundo, destaca-se por análises históricas, comparativas e institucionais sobre democracia, poder global e relações internacionais. Sua formação combina jornalismo, história e ciência política, resultando em textos marcados pela moderação argumentativa, pelo rigor analítico e pela rejeição de posições extremadas. Rachman é considerado uma referência contemporânea no debate sobre o futuro das democracias liberais.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 Jogo de máscaras. Por Merval Pereira O Globo Lula mantém negociações políticas com partidos do Centrão, e Flávio não se distancia dos radicais bolsonaristas O chamado à guerra feito por Lula para a militância do PT no fim de semana reflete a redução do espaço político de sua candidatura, enquanto o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, procura vender uma imagem de moderação que lhe amplie o eleitorado para além do radicalismo bolsonarista. Os dois sofrem alta rejeição justamente pelo receio de que representem o extremismo político que encarnam. O presidente Lula, ainda visto como comunista por boa parte do eleitorado oposicionista, e os Bolsonaro, que custarão a se livrar da pecha de golpista que levou o patriarca à cadeia. Assim como Lula, ao lado da retórica raivosa, mantém negociações políticas com partidos do Centrão, também Flávio não se distancia dos radicais bolsonaristas. Se o candidato fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não precisaria vender a imagem de moderado, pois foi ela que o inviabilizou como opção da extrema direita bolsonarista, por não confiar em sua fidelidade. Por isso mesmo, a mudança de perfil de Flávio é mais difícil de colar no eleitor moderado de centro que a agressividade do petismo eleitoral de Lula. A prática de governo lulista mostra há muito tempo que a tendência à esquerda de sua política externa não passa de efeito colateral da sua vivência com a esquerda internacional, sem significar que esteja empenhado em implantar um governo autoritário no país. Ao contrário de Bolsonaro, que já pôs em prática uma tentativa de golpe de Estado que levaria o país ao retrocesso de uma ditadura cívico-militar. Lula tem o espírito de negociação do líder sindical e uma flexibilidade ideológica que lhe permite governar com ministros e um vice-presidente que não comungam com suas ideias esquerdistas, mesmo que, no caso de Alckmin, cantem juntos a Internacional Socialista. O critério de nomeação para o Supremo diz muito sobre a flexibilidade ideológica de Lula. Nomeou dois comunistas: Eros Grau e Flávio Dino. Mas indicou também um jurista católico de direita, Carlos Alberto Direito. Na fase atual, em que a confiança vale mais que os méritos jurídicos, escolheu seu advogado pessoal e tenta aprovar o advogado-geral da União, o evangélico Jorge Messias. O que é um obstáculo sério para Lula, e não menor para Flávio, é a corrupção. O ambiente do país no momento é de indignação apartidária com a corrupção institucionalizada. Isso leva o governo incumbente de roldão nas suas negociações atípicas com o Congresso e com o Supremo Tribunal Federal (STF). Quando Lula diz, em seu discurso raivoso para o PT, que “a política apodreceu”, o tom não é de autocrítica, mas deveria ser. Tirar a si próprio, e o PT, de crises de corrupção como mensalão e petrolão, e tentar se distanciar do escândalo do Master, quando ele próprio se deixou usar num esquema de conflito de interesses ao receber o presidente do banco, Daniel Vorcaro, levado pelo ex-ministro Guido Mantega, colocado no conselho do banco a seu pedido, não é plausível. Com o agravante de que Gabriel Galípolo, já indicado por Lula para presidir o BC, esteve presente à reunião sobre uma crise financeira com que teria de lidar. Receber o banqueiro envolvido em denúncias, ao lado do futuro presidente do BC, é uma indicação de proteção presidencial que, se não foi concretizada, como alega Lula, não tem menor importância. O ambiente crítico neste momento não significa, porém, que o bolsonarismo possa tirar proveito completo para melhorar sua posição competitiva. A instabilidade que a família Bolsonaro trouxe ao país com a tentativa de golpe, a defesa posterior da taxação de Trump e o envolvimento de seus integrantes em acusações de corrupção moral e material, não os deixa livres de ataques nesse mesmo flanco. Correio Braziliense postado em 29/07/2022 06:00
(crédito: Caio Gomez) OTÁVIO RÊGO BARROS - General de Divisão da Reserva, ex-chefe do Centro de Comunicação Social do Exército O conceito de Zeitgeist — espírito do tempo — teve origem na intelectualidade alemã. Basicamente se revela quando os atos e omissões da sociedade se ajustam às vagas da opinião que se forma em um determinado momento. As pessoas refletem sobre os acontecimentos anteriores e, quando esses acontecimentos parecem lhes dizer respeito, muitas vezes tentam, consciente ou inconscientemente, projetar e ajustar seu comportamento de modo a atingir ou a evitar um resultado comparável. Em face das disputas eleitorais, estamos refletindo um espírito do tempo que não está encaixado com a realidade nacional e internacional. Naturalmente, a sociedade brasileira passará por solavancos poderosos — choro e ranger de dentes — até a finalização da corrida eleitoral. Os interesses pessoais e grupais já demonstram essa linha de agressividade. Os candidatos mais próximos a tomarem assento no Planalto estão usando uma polaridade exacerbada, que se estabeleceu por ausência de terceiros, para manter o caldeirão de emoções em fervura elevada. Todavia, acreditar que existam condições de golpes armados ou institucionais à semelhança daqueles desencadeados em meados do século passado é observar o cenário com antolhos. Quando um país é parte de uma comunidade ideológica internacional onde a democracia é quase incontestada na sua essência, sendo usada inclusive como muleta a partidos autoritários para chegada ao poder, as chances de esse país subverter os princípios que ela defende são menores. Quando se somam à influência ideológica, as necessidades econômicas, tecnológicas, militares, migratórias, psicossociais, ambientais etc., amalgamadas em interesses geopolíticos históricos de países hegemônicos, praticamente elas desaparecem. Voltando ao Brasil. Discursos de campanha são inspiradoras de seguidores e tentativas de mudança de opinião a indecisos e até a adversários. Podem não ter substância, serem chulos, despreocupados com a realidade do país e até instigarem violência. Podem ser desconcertantes perante outros países, alvo de escárnio interno e não oferecerem soluções a desafios prementes. Mas eles só se transformarão em instrumentos de conturbação social se a sociedade aceitar ser empurrada para o precipício da confrontação. Se as Instituições demonstrarem flacidez em suas respostas corretivas. Se organizações que lidam com a segurança e defesa em nome do Estado abdicarem de seus papéis de ferramenta da estabilidade e legalidade constitucionais. A sociedade, ainda que dividida, não parece querer marchar como gado para o corredor do abate. As instituições, ainda que sofrendo ataques diários, não parecem querer a briga de rua inconsequente. As forças de segurança e defesa, ainda que pressionadas, não parecem querer trilhar um caminho de aventuras como no passado. A imprensa também se faz vigilante, a academia se faz vigilante, o PIB se faz vigilante, a Igreja se faz vigilante, muitos estão vigilantes. A opção de governos militares (temor que se revela em comentários diários em diversos círculos de opinião), perseguida por muitos países no último século, contribuiu para uma profunda revalorização da democracia não apenas como um instrumento tático de poder, mas como um valor espiritual em si. As Forças Armadas brasileiras, seus comandantes e seus quadros acompanharam institucionalmente esse movimento. A guerra fria, como justificativa para agrupamentos de países em torno das duas potências, ficou pelo caminho. Trinta anos após o "fim da história", o que se vê são movimentos mais amplos de reacomodação dos interesses geopolíticos com base em reafirmação de preeminências pretéritas. Estados Unidos, China, União Europeia e Rússia, os hegemônicos, seguidos por potências com interesses regionais como o Japão, a Índia, a Austrália, o Irã, a África do Sul e o próprio Brasil se ajustam ao novo ritmo. O espírito do tempo não parece estar alinhado com fricções que levem a derrubadas ou tomadas de poder semelhantes àquele período bipolar. O comunismo era uma experiência nova que na opinião de muitos mostrava-se altamente promissora. Faliu.O fascismo, com suas manifestações nacionalistas, chegou a ser elogiado pelos Estados Unidos. Faliu. Alguém pode afirmar que um fascismo com cores modernas está se assumindo como contraponto à democracia. Talvez. Mas qual o Zeitgeist para que ele se torne verdadeiramente ameaçador? Dificilmente as lideranças dos países "donos do mundo" gastarão energia para intervir no quintal de outro bloco. Mas certamente estarão dispostas a arcar com o ônus dessa ação se lhes for tentado tirar o espaço de proteção geográfico vital ao seu povo e a seus aliados mais próximos. Portanto, a Sociedade (lato sensu) atenta não será levada ao cadafalso. E as lideranças que buscam a instabilidade em benefício de um projeto patrimonialista, muita atenção. Cada um no seu quadrado. Paz e bem. Saiba Mais Opinião Visão do Correio: Forças Armadas e o respeito à democracia Opinião Artigo: Negro, sim Opinião Artigo: O Peru celebra a vizinhança bicentenária com o Brasil Opinião Artigo: 2022 e 2023. O que teremospela frente Notícias pelo celular Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp. Dê a sua opinião O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. 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eu, robô Você sabe como reconhecer uma imagem criada por inteligência artificial? Preste atenção às simetrias dos rostos e corpos, possíveis manchas, borrões e detalhes incomuns da imagem 1.abr.2023 - 13:03 São Paulo (SP) Mariana Lemos Moraes e Toffoli estão fazendo 'contorcionismo verbal' para não responder o que está em jogo Rádio CBN 5 de fev. de 2026 Malu Gaspar - Conversa de Bastidor Malu Gaspar repercute os discursos dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (4). 'Por que esses ministros estão fazendo todo esse contorcionismo verbal, desviando o curso da discussão? Porque eles não querem responder o que está de fato em jogo' Visão geral criada por IA O "espírito do tempo" (do alemão Zeitgeist) refere-se ao conjunto de ideias, normas, valores e tendências culturais e intelectuais que caracterizam um determinado período histórico. Ele representa a vibração coletiva, o clima psicológico e as convicções dominantes que moldam o comportamento, a moda, a arte e as crenças de uma época. Principais Aspectos do Zeitgeist: Definição: É a "atmosfera" predominante que influencia como as pessoas veem o mundo e vivem suas vidas em uma era específica, conforme explicado no Universo Retrô. Origem: O termo foi introduzido por pensadores alemães como Johann Gottfried von Herder e explorado por Hegel, destacando a conexão entre a cultura e a arte de cada época. Aplicações: Muito utilizado no marketing, na psicologia e nas artes, ajuda a entender comportamentos coletivos, como a transição da posse para o acesso (economia de compartilhamento) ou o foco atual em saúde mental e inteligência artificial. Marcas e Sociedade: Marcas que compreendem o Zeitgeist e se alinham às mudanças sociais têm maior sucesso, conectando-se com os anseios do público. Dinâmica: Embora represente uma época, o Zeitgeist é mutável, evoluindo à medida que a sociedade se transforma. Entender o espírito do tempo é, portanto, compreender os sinais e as tendências que definem o presente. O termo "espírito do tempo" é a tradução do alemão Zeitgeist, que descreve o clima intelectual e cultural predominante em uma determinada época. O Zeitgeist refere-se ao conjunto de ideias, valores, crenças, atitudes e tendências que caracterizam um período histórico específico e moldam o pensamento e o comportamento das pessoas que vivem nele. Conceito e Significado Origem e Uso: O termo foi popularizado pelo filósofo alemão Georg Hegel, que argumentava que cada forma de arte expressa o Zeitgeist de sua época. Embora Hegel seja frequentemente associado à sua criação, o termo já era utilizado no século XVIII por escritores românticos como Johann Gottfried von Herder. Natureza Abrangente: O Zeitgeist não se limita a uma única área; ele permeia diversos aspectos da sociedade, como moda, música, literatura, filmes, tecnologia, movimentos sociais e até mesmo estratégias de negócios. Influência e Identificação: Identificar o espírito do tempo envolve observar padrões culturais específicos. As marcas e indivíduos que compreendem e se alinham ao Zeitgeist conseguem se manter relevantes e estabelecer conexões mais duradouras com o público. Exemplos na Cultura e História Arte e Arquitetura: Ao longo do século XX, a arte e a arquitetura foram vistas como transmissoras do "espírito da época", refletindo os valores e as inovações tecnológicas de cada período. Moda: A moda é considerada uma materialização visível do Zeitgeist em vestuário e movimentos estéticos, capturando as atitudes e humores de uma era. Psicologia: Na psicologia, o termo é usado para descrever o "clima psicológico" de uma geração, o conjunto de normas sociais e tendências culturais que influenciam a mentalidade coletiva. Em resumo, o Zeitgeist é a essência cultural e intelectual que define uma era, uma força coletiva invisível que direciona a sociedade em determinado momento. Senador Alessandro na BandNews TV: requerimento de convocação da esposa de Moraes - 5/2/2026 Senador Alessandro Vieira 9 de fev. de 2026 Nesta entrevista, o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, explica os motivos que o fizeram protocolar requerimentos solicitando a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além do levantamento dos registros telefônicos, bancários e fiscais da advogada. Alessandro também comenta sobre a necessidade de postura ética por parte dos membros do STF e rebate declarações do ministro Dias Toffoli. Por fim, ele explana sobre a criação de um Grupo de Trabalho no Senado para auxiliar nas investigações referentes ao Banco Master. Alessandro é um dos integrantes do GT.
Meu mounjaro, minha vida | Meio-Dia em Brasília - 10/02/2026 terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 Oposição flerta com o abismo. Por Dora Kramer Folha de S. Paulo Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo. É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local. Em São Paulo, há ameaças de lançamentos de nomes ao governo do estado para competir com Tarcísio no mesmo campo. A briga entra pela indicação de candidatos a vice e ao Senado mais identificados com o bolsonarismo, contrariando a lógica da aliança de políticos da centro-direita para ampliar o escopo de atração do eleitorado. Enquanto a oposição desorganiza o próprio terreiro, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mostra que não está para brincadeiras. Entra em campo pintado para a guerra. E com a vantagem de reconhecer as desvantagens. No palanque, Lula canta vitória na retórica, mas na prática atua com consciência das dificuldades. Soou claríssima a convocatória pública para Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad (PT) cumprirem "papel importante" em São Paulo. Está ainda obscura, mas evidentemente em curso, qual a jogada que o presidente fará para compor a chapa à reeleição. O impacto da aliança com Alckmin em 2022 passou. Precisará de outro lance igualmente impactante para afastar os oponentes da direita dos calcanhares. Na boca de cena desenha-se a cooptação do MDB. No bastidor, no entanto, é que se rabisca o roteiro dos próximos capítulos. Neles, não é prudente descartar o papel de protagonista engajado que venha a desempenhar Gilberto Kassab com um capital de três pretendentes à Presidência no PSD. O Antagonista Transmissão iniciada há 29 minutos Meio-Dia em Brasília | 2026 Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília. Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 O fim da escala 6 por 1, a “economia do afeto” e a reeleição de Lula. Por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Governo e partidos da base do presidente Lula já disseram ser favoráveis a uma redução da jornada de trabalho, mas dificilmente a jornada de 4 x 3 será aprovada O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou, ontem, o envio da Proposta de Emenda da Constituição (PEC) que põe fim à escala 6 x 1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Admitida a constitucionalidade, será formada uma comissão especial para ouvir economistas, empregados e patrões para se chegar a uma mudança “com equilíbrio e responsabilidade”. “O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, disse Motta, que aglutinou os projetos da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que acaba com a escala 6 x 1, e um texto apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sobre o mesmo assunto. A redução da jornada de trabalho é música aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aposta na “economia do afeto” — a essencia do lulismo, na feliz expressão do historiador Alberto Aggio– para se reeleger. Lula já se beneficia dos programas de transferência de renda, como Bolsa Família e Vale Gás, e dos aumentos de salário real, da queda da taxa de emprego e da isenção do pagamento de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. O fim da jornada de 6 x 1 possibilitará a mobilização dos trabalhadores via sindicatos, depois do fracasso do governo ao discutir propostas de regulamentação do trabalho por aplicativos, que enfrentou forte rejeição dos interessados. De certa forma, essa redução será associada à ampliação da possibilidade de trabalho via aplicativos e, também, de empreendedorismo, com o aumento das horas vagas. No Brasil, a questão do trabalho tem um sentido especial. Muitas vezes foi tratada como caso de polícia. A escravidão, com sua violência estrutural, impregnou a estrutura social de tal forma que as relações de trabalho se mantiveram como conflito, mesmo depois da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a grande herança da Era Vargas. Daí decorre o desrespeito, os assédios sexual e moral, a redução dos direitos sociais, o trabalho sem carteira assinada e as jornadas excessivas sem pagamento das respectivas horas extras, as diferenças salariais entre homens e mulheres e em relação aos negros e pardos. Não passamos pela construção de uma “ética do trabalho”. Max Weber, em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (Companhia das Letras), destaca o trabalho árduo, racional e disciplinado como “vocação”, impulsionado pela ética calvinista, que transformou o acúmulo de riqueza fruto do trabalho em sinal de salvação. Aqui, trabalho árduo, racional e disciplinado veio acompanhado dos grilhões e, depois, acompanhado, na maioria das vezes, de uma péssima remuneração. O trabalho intelectual é tão desvalorizado quanto o manual. A categoria dos professores, cujo trabalho é considerado “vocação”, é um bom exemplo. Como o “chão de fábrica” como locus do trabalho produtivo é cada vez mais minoritário, o fim da jornada 6 x 1 beneficiará diretamente os trabalhadores desses e de outros setores que ainda são obrigados a marcar o relógio de ponto. Tendência mundial A iniciativa nasceu do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que ganhou força nas redes e somou 1,5 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado que pede à Câmara dos Deputados a revisão da escala 6 x 1. A proposta de Erika Hilton prevê estabelecer que a jornada de trabalho normal não poderá ser superior a oito horas diárias; não poderá ultrapassar 36 horas semanais; e será de quatro dias por semana. Segundo o texto, as mudanças entrariam em vigor depois de 360 dias da eventual promulgação da PEC. De acordo com a legislação vigente, a jornada-padrão é de oito horas diárias, somando 44 horas semanais, e um dia de folga por semana, preferencialmente aos domingos. Se o trabalhador ultrapassar essa jornada, a CLT garante que receba adicional de 50% sobre a hora extra (e 100% em domingos e feriados, se aplicável). Nada impede uma empresa no Brasil que encurte a jornada de trabalho para apenas quatro dias por semana. Mas uma mudança geral exigiria emenda constitucional aprovada pelo Congresso, onde a correlação de forças é desfavorável à mudança dessa ordem. O governo e partidos da base de Lula já disseram ser favoráveis a uma redução, mas dificilmente a jornada de 4 x 3 será aprovada. O mais provável é que se aprove a jornada 5 x 2, que já ocorre em muitos setores — ou 4,5 x 3,5 se houver um avanço maior. A gradativa redução da jornada de trabalho nasceu nos Estados Unidos. Em meados do século XIX, trabalhar mais de 70 horas por semana era comum. Eram jornadas de 12 horas, seis dias por semana. Em 1926, a Ford Motor Company, sob a liderança de Henry Ford, instituiu uma semana de trabalho de oito horas por dia e cinco dias por semana. Hoje, o Brasil ocupa a 29ª posição no ranking global (OCDE) de carga horária, com uma jornada padrão de oito horas diárias e 44 horas semanais. Entre os países com as menores jornadas de trabalho estão a Alemanha, com uma carga média de 26,3 horas semanais; a Dinamarca, 27,3 horas; a Noruega, 27,5 horas; a França, 30 horas; e a Itália, com média de 35,6 horas semanais. Jornadas reduzidas resultam em melhor saúde mental, maior qualidade de vida e maior eficiência no ambiente de trabalho.
Trabalho, tempo e política: a escala 6x1 entre afeto, economia e exaustão Introdução O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil ultrapassa a esfera técnica da legislação trabalhista. Ele revela uma disputa mais profunda sobre o sentido do trabalho, o controle do tempo e o papel do Estado na mediação entre capital e sociedade. A Proposta de Emenda à Constituição que propõe a redução da jornada emerge, simultaneamente, como resposta a demandas legítimas por qualidade de vida e como instrumento político inserido na lógica da “economia do afeto” associada ao lulismo. Para compreendê-la plenamente, é necessário articular três planos: a estratégia política contemporânea, a racionalidade econômica institucionalista e a dimensão histórica e quase antropológica do trabalho exaustivo, magistralmente retratada por Émile Zola em Germinal. Tese: a redução da jornada como avanço civilizatório e recomposição do humano A defesa do fim da escala 6x1 se sustenta, прежде de tudo, em um argumento civilizatório. Jornadas excessivas não produzem apenas cansaço físico, mas corroem o tempo social necessário à vida familiar, ao estudo, ao descanso e à participação cívica. O trabalhador submetido a seis dias consecutivos de trabalho não dispõe de tempo suficiente para recompor-se subjetivamente. Nesse sentido, a redução da jornada aparece como: política de saúde mental, mecanismo de valorização do trabalho humano, e tentativa de corrigir uma herança histórica marcada pela escravidão e pela naturalização da exploração. O argumento encontra respaldo em experiências internacionais e em evidências de que jornadas mais curtas tendem a elevar a produtividade, reduzir afastamentos por adoecimento e melhorar o clima organizacional. No Brasil, onde a ética do trabalho nunca se desvinculou plenamente da coerção e da baixa remuneração, a medida simbolizaria uma ruptura com a lógica segundo a qual o valor do trabalhador se mede pelo tempo de submissão ao relógio. Contra-tese: o risco econômico e a abstração legal O contraponto institucionalista, representado por analistas como José Pastore, alerta para os limites dessa abordagem quando transposta de forma uniforme para um mercado de trabalho profundamente desigual. O Brasil não dispõe de um tecido produtivo homogêneo capaz de absorver, sem impactos, uma redução drástica e compulsória da jornada. Do ponto de vista econômico: pequenas e médias empresas, sobretudo no setor de serviços, dependem da escala 6x1 para sobreviver; o aumento de custos pode gerar informalização, rotatividade ou redução de postos de trabalho; a rigidez legal pode proteger quem já está protegido e excluir os mais vulneráveis. Além disso, há um risco político subjacente: a transformação da política trabalhista em instrumento de mobilização afetiva, mais voltado à construção de lealdade eleitoral do que à reorganização estrutural das relações de produção. Nesse cenário, o tempo “liberado” pode não se converter em autonomia, mas em novas formas de precarização, como o trabalho por aplicativos ou o empreendedorismo forçado. Síntese crítica: Zola e o trabalho como destino É nesse ponto que a leitura de Germinal oferece uma chave interpretativa decisiva. Zola não descreve apenas a pobreza dos mineiros, mas a forma como o trabalho totaliza a existência humana. O meio — a mina — molda corpos, hábitos e expectativas, reduzindo o indivíduo à sua função produtiva. A escala 6x1, embora distante das jornadas brutais do século XIX, reproduz um princípio semelhante: o trabalho ocupa quase todo o tempo vital, deixando ao descanso apenas a função de restaurar a força de trabalho. O determinismo naturalista de Zola, hoje, não se manifesta pela fome, mas pelo esgotamento crônico, pelo burnout e pela dissolução da fronteira entre vida e trabalho. Assim, a redução da jornada só se tornará emancipatória se romper com essa lógica totalizante — e não se limitar a redistribuir o tempo de exaustão. Conclusão O debate sobre o fim da escala 6x1 não pode ser reduzido a uma disputa entre progresso social e viabilidade econômica. Ele revela uma tensão estrutural entre três projetos: o político, que busca reconstruir laços afetivos entre Estado e trabalhador; o econômico, que exige flexibilidade e sustentabilidade; e o humano, que reivindica tempo para existir para além do trabalho. Sem uma transformação mais profunda da organização produtiva e das formas de inserção no mercado, a redução da jornada corre o risco de ser apenas um gesto simbólico — potente eleitoralmente, mas limitado socialmente. O desafio brasileiro não é apenas trabalhar menos, mas redefinir o lugar do trabalho na vida, para que ele deixe de ser destino e volte a ser meio. Nesse sentido, a pergunta que permanece não é quantos dias se trabalha por semana, mas quem controla o tempo e para quê.
O beijo da Natália, por Alfredo Maciel da Silveira É de um grande quadro brasileiro, Sergio Augusto de Moraes, ex-membro do Comitê Central do PCB, frase que sempre repito, e com a qual aqui encerro: __ “Que falta faz o Partidão!”

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