quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

QUATRO ANOS DE HISTÓRIA

Silêncio De Um Minuto Não te vejo e não te escuto O meu samba está de luto Eu peço o silêncio de um minuto Homenagem a história De um amor cheio de glória Que me pesa na memória Nosso amor cheio de glória De prazer e de emoção Foi vencido e a vitória Cabe à tua ingratidão Tu cavaste a minha dor Com a pá do fingimento E cobriste o nosso amor Com a cal do esquecimento Teu silêncio absoluto Obrigou-me a confessar Que o meu samba está de luto Meu violão vai soluçar Luto preto é vaidade Neste funeral de amor O meu luto é saudade E saudade não tem cor Maria Bethânia Composição: Noel Rosa. WW - UCRÂNIA TRANSFORMA SOBREVIVÊNCIA EM TRUNFO - 24/02/2026 CNN Brasil
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 Julgamento de mandantes do assassinato de Marielle será divisor de águas, Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos verdadeiros assassimos e seus mandantes A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou ontem o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, com o pedido de condenação dos réus pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e as defesas dos acusados. Marielle foi morta a tiros em 14 de março de 2018, no bairro da Lapa, na região central da capital fluminense. A vereadora, que saía de um evento com mulheres negras, foi assassinada com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava, foi atingido por três projéteis nas costas e morreu. Advogados dos denunciados pediram a absolvição do grupo; alegam falta de provas e questionam a veracidade da delação do principal responsável pela execução de Marielle e Anderson, o ex-policial militar Ronnie Lessa. Querem a absolvição de Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; João Francisco Inácio Brazão, deputado federal cassado; Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ, Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar; e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão. Todos acusados de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, além de organização criminosa. Hoje, os ministros deverão apresentar seus votos, sendo relator o ministro Alexandre de Moraes. Em circunstâncias normais, todos seriam submetidos ao 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e julgados por cidadãos comuns, como aconteceu com Ronie Lessa e Élcio Queiroz. Ocorre que Chiquinho Brazão, um dos envolvidos, tem foro privilegiado por ter ocupado o cargo de deputado federal. Somente seis anos depois do crime, foram condenados os ex-policiais militares Ronnie Lessa, que reconheceu ter sido autor dos disparos, a 78 anos e 9 meses de prisão; e Élcio Queiroz, que confessou ter dirigido o carro usado no crime, aos 59 anos e oito meses. O Caso Marielle é um divisor de águas porque desnuda a conexão entre a política fluminense, o crime organizado e a corrupção no sistema de segurança pública. Tanto que a defesa de Rivaldo Barbosa se empenhou em desqualificar a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a defesa, não haveria prova de pagamentos ao delegado nem de que foi nomeado para o cargo por influência dos irmãos Brazão. Ronnie Lessa, entretanto, revelou a existência de negócios milionários dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão por trás das execuções. A vereadora atrapalhava a venda de terrenos e imóveis em loteamentos ilegais na região de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que poderiam render milhões de dólares. “Era muito dinheiro”, disse o ex-policial militar, ligado ao chamado Escritório do Crime. Lessa disse que o crime foi encomendado por Domingos, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e seu irmão, o deputado federal Chiquinho, sob promessa de que receberia um loteamento clandestino que poderia render até R$ 20 milhões, e passaria a ser um chefe de milícia. “Na verdade, não fui contratado para matar Marielle, como um assassino de aluguel. Eu fui chamado para uma sociedade”, disse. Segundo Lessa, houve três reuniões para discutir a execução de Marielle. Negócio milionário A formação de milícias é um negócio milionário no Rio de janeiro, porque envolve venda de terrenos, construção e aluguéis de imóveis; exploração de comércio ilegal, como venda de botijões de gás, internet e tevê a cabo piratas; gatos nas redes elétrica e de distribuição de água, serviços de van e motoboys. Ou seja, toda a economia informal que se forma nessas regiões é controlada pelas milícias, que ocupam o espaço deixado pelo poder público, cujas políticas públicas são capturadas por grandes interesses privados. Assim como territórios dominados por traficantes, o mercado imobiliário das milícias está acoplado ao uso eleitoral do controle sobre a população, daí a forte conexão com o mundo político e setores da segurança pública, que deveriam combater as organizações criminosas. O que deseja um cidadão de periferia é um mínimo de qualidade de vida — ou seja, água, esgoto, energia, meios de comunicação, saúde, educação e cultura, meios de transporte e abastecimento de gêneros adequados. Onde o poder público não garante esses serviços, as milícias têm um terreno fértil: achacam, chantageiam e matam, como os traficantes. Para agravar a situação, o envolvimeto dos milicianos com políticos faz com que até os serviços fornecidos pelo Estado passem a ser explorados pelo crime organizado. A morte de Marielle Franco é o exemplo das conexões do crime organizado com a política e as dificuldades de combatê-lo, por causa da sua infiltração no aparelho de segurança. Marielle foi assassinada em plena atividade política como parlamentar, que debatia o tema da violência. O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos mandantes. Somente após a Polícia Federal entrar no caso é que o crime foi elucidado, e Barbosa foi preso. O delegado chegou a prometer aos pais de Marielle que o assassinato não ficaria impune. Caçada Chico Buarque Não conheço seu nome ou paradeiro Adivinho seu rastro e cheiro Vou armado de dentes e coragem Vou morder sua carne selvagem Varo a noite sem cochilar, aflito Amanheço imitando o seu grito Me aproximo rondando a sua toca E ao me ver você me provoca Você canta a sua agonia louca Água me borbulha na boca Minha presa rugindo sua raça Pernas se debatendo e o seu fervor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Eu me espicho no espaço feito um gato Prá pegar você bicho do mato Saciar a sua avidez mestiça Que ao me ver se encolhe e me atiça E num mesmo impulso me expulsa e abraça Nossas peles grudando de suor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador De tocaia fico a espreitar a fera Logo dou-lhe o bote certeiro Já conheço seu dorso de gazela Cavalo brabo montado em pelo Dominante, não se desembaraça Ofegante, é dona do seu senhor Hoje é o dia da graça Hoje é o dia da caça e do caçador Composição: Chico Buarque. A simple way to understand wave motion A ELEIÇÃO MAIS IMPORTANTE DO BRASIL NÃO É A PRESIDENCIAL: ISSO EXPLICA MUITA COISA DA POLÍTICA BRASILEIRA Por analogia ao estilo analítico de Antonio Lavareda A obsessão presidencialista A cada ciclo eleitoral no Brasil , repete-se um fenômeno previsível: o debate público concentra-se quase inteiramente na disputa pelo Palácio do Planalto . A imprensa, as redes sociais e a militância tratam a eleição presidencial como se fosse o único pleito relevante. Essa leitura, embora compreensível, é incompleta. O sistema político brasileiro é presidencialista, mas opera sobre uma engrenagem parlamentar complexa. Quem ignora isso costuma se surpreender quando um presidente recém-eleito descobre que ganhar a eleição não significa, necessariamente, governar. A chave está nas eleições legislativas. Em 2026 , os eleitores brasileiros não escolherão apenas o presidente da República. Estarão também renovando toda a Câmara dos Deputados e dois terços do Senado. E é aí que a equação política realmente se define. O poder decisivo da Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados é o verdadeiro centro gravitacional do poder legislativo brasileiro. São 513 deputados , eleitos proporcionalmente nos estados. Toda a Casa é renovada a cada eleição. É nela que: nascem a maior parte dos projetos de lei se decide o orçamento federal são instaladas CPIs e, sobretudo, se autoriza ou não a abertura de processos de impeachment . Em termos práticos, o presidente governa apenas se tiver maioria na Câmara — ou se conseguir construí-la por meio de coalizões. A história recente confirma esse padrão. Tanto Fernando Collor quanto Dilma Rousseff perderam seus mandatos após perderem sustentação parlamentar. O papel estratégico do Senado Se a Câmara define o ritmo da política cotidiana, o Senado Federal funciona como uma espécie de câmara de estabilidade institucional. São 81 senadores , com mandatos de oito anos. Em 2026, 54 cadeiras (dois terços da Casa) estarão em disputa. O Senado possui atribuições que influenciam diretamente o equilíbrio entre os poderes: aprova ministros do Supremo Tribunal Federal julga processos de impeachment sabatina autoridades indicadas pelo governo decide questões institucionais sensíveis. Por isso, o resultado dessa eleição pode definir o ambiente político de todo um governo. O sistema de coalizões e o papel do centro Outro elemento decisivo da política brasileira é a fragmentação partidária. O Congresso costuma reunir mais de uma dezena de partidos relevantes, o que torna inevitável a formação de coalizões. Nesse contexto, blocos pragmáticos do centro político — frequentemente associados ao chamado Centrão — tornam-se pivôs da governabilidade. Eles raramente definem eleições presidenciais. Mas quase sempre definem quem consegue governar depois delas . 2026: duas eleições em uma As eleições de 2026 terão, portanto, duas camadas simultâneas. A primeira é a disputa presidencial, ainda marcada pela polarização entre campos políticos associados a Luiz Inácio Lula da Silva e J air Bolsonaro. A segunda, menos visível mas possivelmente mais decisiva, será a formação do novo Congresso. O resultado dessa eleição legislativa responderá perguntas fundamentais: O presidente eleito terá maioria parlamentar? A oposição controlará a agenda do Congresso? O centro político continuará atuando como fiel da balança? Sem essas respostas, qualquer análise presidencial fica incompleta. O verdadeiro termômetro do poder Há uma lição recorrente na experiência política brasileira. Presidentes podem vencer eleições com grande votação popular e ainda assim enfrentar enormes dificuldades para governar. Isso acontece porque, no desenho institucional brasileiro, o poder é distribuído entre Executivo e Legislativo de forma muito mais equilibrada do que a narrativa pública costuma admitir. Por essa razão, analistas experientes frequentemente fazem uma provocação que parece contraintuitiva: a eleição mais importante do Brasil não é a presidencial . É a eleição para o Congresso. A presidência define quem ocupa o comando formal do governo. Mas é o Congresso que determina até onde esse comando pode ir . AO VIVO: WW - 25/02/2026 CNN Brasil Chico Buarque - 1994 - Programa Ensaio / TV Cultura

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