Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
O "S" QUE MUDA TUDO: De Trump a Olivetto 🌎
AQÜEM
"Nós queremos uma América do Sul que nos obedeça."
Como a Casa Branca teria definido o seu problema de segurança nacional, segundo dedução de WW, em 03 de fevereiro de 2026, questionanando Lourival Santana.
QÜEM, QÜEM, QÜEM
Essa grafia, embora em desuso desde o Acordo Ortográfico de 1990, remete à sonoridade onomatopeica imortalizada na canção "O Pato", de Jayme Silva e Neuza Teixeira, famosa na voz de João Gilberto e interpretada pelo mestre da Bossa Nova, Roberto Menescal.
A imagem funciona como um atlas em movimento, onde os personagens não são retratos, mas forças simbólicas atravessando séculos. Trump surge como a voz do império que nomeia, herdeiro direto do século XIX, quando dar nome era dar posse. Petro ocupa o lugar do contranome, o gesto do século XXI que desloca o centro e pluraliza o mapa — não muda a terra, muda o sentido. Washington Olivetto aparece como o mediador poético: publicitário, tradutor cultural, alguém que entende que uma letra, um slogan ou um “s” podem reordenar o mundo mais rápido que exércitos.
O atlas escolar dos anos 1960 — com Holanda, Inglaterra e França cravadas no norte do Brasil — representa a gramática colonial explícita. No mapa contemporâneo, Holanda e Inglaterra desaparecem como nomes, mas não como herança; a França permanece, não mais como “coisa da França”, e sim como anomalia histórica viva, um resto que denuncia a persistência do passado no presente.
As canoas anacrônicas ligando Brasil e Europa são o elo central: não caravelas, não aviões — canoas. Elas dizem que o trânsito agora é simbólico, cultural, semântico. Vai-se e volta-se em ideias, narrativas, marcas, linguagens. Os mesmos “componentes romanos” — poder, território, identidade — seguem ali, mas a ordem foi embaralhada. O que era centro vira margem; o que era colônia passa a nomear.
No fim, sugere com ironia precisa: C’est la vie. Ou Così è la vita. A vida — e a história — não mudam de peças, mudam de arranjo. E às vezes, basta uma letra para isso.
W / Brasil (Chama o síndico)
Jorge Ben Jor
"O "S" QUE MUDA TUDO: De Trump a Olivetto 🌎✍️ A simples adição de um "s" transforma "America for America" em "AMERICA FOR AMERICAS". No encontro entre Trump e Petro, esse detalhe resgata o espírito anticolonial: o continente deixa de ser o quintal de uma nação para ser a casa de todas. A ironia poética fecha o ciclo: Washington Olivetto, o gênio brasileiro com nome de capital americana, viveu seus últimos dias em Londres (a antiga metrópole), provando que a criatividade latina consegue subverter o poder com apenas uma letra. Do Atlas do ginasial às manchetes de hoje, a geografia muda, mas a luta pela soberania semântica continua. #WashingtonOlivetto #Geopolitica #Marketing #AmericaParaAsAmericas #Petro #Trump"
WW - LULA REFORÇA CONTROLE POLÍTICO SOBRE A ECONOMIA - 03/02/2026
CNN Brasil
Julgamento de Bolsonaro e generais no STM será teste de democracia
Publicado em 04/02/2026 - 07:32 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Justiça, Memória, Militares, Política
A questão é simples e existencial: a hierarquia e a disciplina, em regime democrático, exigem lealdade constitucional ou podem coexistir com a ruptura planejada?
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É a agenda que escolhe o candidato
É a agenda que escolhe o candidato
Mauricio Moura e Cila Schulman
04/02/26
A eleição de 2026 já tem dois problemas definidos antes mesmo de ter candidatos: a oposição ainda não tem projeto, e o governo já tem fragilidades claras em segurança pública e ainda patina na economia. Para o campo oposicionista, o problema é duplo: a dificuldade de definir nomes competitivos e, sobretudo, a ausência de um projeto de país que vá além do antipetismo e que não fique atolado somente nas demandas do bolsonarismo. Para o governo, o desafio é mais objetivo: a pesquisa Meio/Ideia de fevereiro indica que suas maiores fragilidades estão nas avaliações negativas em segurança pública e na economia, dois temas que caminham para se tornarem a agenda da sociedade neste ciclo eleitoral. E, segurança pública, por exemplo, é um tema que puxa para baixo a aprovação e avaliação geral do atual governo.
Tanto em economia quanto em segurança pública, é maior o percentual de avaliação ruim/péssima quando comparado ao ótimo/bom. No caso da segurança, o percentual de avaliação ótimo/bom é aproximadamente 13 pontos percentuais inferior ao da avaliação geral do governo e ruim/péssimo é quase 9 pontos percentuais superior ao geral.
Esse padrão da agenda da sociedade definir o pleito não é novo. Antes da oficialização das candidaturas, os problemas que organizam o voto costumam aparecer antes dos personagens que os representarão.
Em 1989, antes das convenções, o quadro era fluido, mas a agenda era clara: inflação, crise econômica e rejeição às elites políticas (os famosos “marajás”). Fernando Collor venceu por encarnar a ruptura. Em 1994, os nomes se estabilizaram cedo porque a agenda era inequívoca: controlar a inflação. O Plano Real definiu a eleição. Em 1998, a prioridade era a continuidade da estabilidade monetária, o que estruturou a reeleição.
Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra já estavam colocados, mas o eixo foi a combinação entre continuidade econômica e ampliação social. Lula venceu quando se alinhou a esse pacto. Em 2006, Lula era o incumbente sob desgaste do mensalão, mas a agenda ainda era de crescimento e expansão dos programas sociais, e a oposição demorou a se organizar. Em 2010, os nomes ainda estavam em construção, e Dilma Rousseff só se firmou quando passou a representar a agenda de crescimento com inclusão como continuidade de Lula. Em 2014, Dilma era candidata natural, mas a oposição buscava um nome. A agenda era o esgotamento do modelo. Eduardo Campos tentou capturar esse cansaço, e sua morte reconfigurou a disputa e levou Marina Silva ao centro do cenário. Aécio Neves no segundo turno foi derrotado por não conseguiu ir além do antipetismo.
Em 2018, o quadro estava longe de ser definido. Lula era tratado como candidato, Jair Bolsonaro era outsider viável e Fernando Haddad não figurava como presidenciável. A agenda era Lava Jato, corrupção e antipolítica. Bolsonaro venceu por personificar esse sentimento. Em 2022, Lula e Bolsonaro dominavam o debate, tendo na agenda a má gestão da pandemia, a inflação e a reconstrução institucional.
Há uma regularidade importante: quando há reeleição, o primeiro peão do tabuleiro é o incumbente. É ele quem concentra avaliações e obriga os adversários a se definirem por oposição. Nesse aspecto, a pergunta da pesquisa Meio/Ideia sobre se o presidente Lula merece ou não continuar é crítica (talvez a mais importante a ser acompanhada nas pesquisas). Em fevereiro, 47% dos entrevistados acham que o presidente merece continuar e 51% são contrários. Ou seja, o país segue fortemente dividido e os indicadores apontam para uma disputa muito apertada. Diante disso, quanto mais clara é a agenda, mais cedo o incumbente é enquadrado; quanto mais difusa, mais tempo o cenário permanece aberto.
Hoje, a agenda já se organiza em torno da má avaliação da segurança e da economia, enquanto o campo oposicionista ainda busca algo que vá além da negação do governo e do passado recente. Antes das convenções, a disputa central não é quem será candidato, mas quem conseguirá transformar esses desafios em projeto político crível. Para a oposição, isso passa por superar o antipetismo como único eixo. Para o governo, por responder às suas fragilidades mais visíveis. A história eleitoral brasileira sugere uma regra simples: a agenda vem antes dos nomes, e é ela que acaba escolhendo quem sobrevive .
Resposta Ao Tempo
Aldir Blanc
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
Argumento
Mas fico sem jeito, calado
E ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão, sinto o vento
E há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
E eu liberto
Que ele adormece as paixões
E eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Composição: Aldir Blanc / Cristóvão Bastos.
O Meu Guri
Elza Soares
Quando seu moço nasceu
Meu rebento não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
Eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando não sei lhe explicar
Fui assim levando, ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí o meu guri, olha aí
Olha aí
É o meu guri, e ele chega
Chega suado, veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço, uma penca de documentos
Pra, finalmente, eu me identificar, olha aí
Olha aí, olha aí
Olha aí o meu guri, olha aí
Olha aí
É o meu guri, e ele chega
Chega no morro como carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar lá do alto
Essa onda de assalto está um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, olha aí
Olha aí o meu guri, olha aí
Olha aí
É o meu guri, e ele chega
Chega estampado, retrato com vendas
Nos olhos legendas e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
Um guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo, de papo pro ar
Desde o começo eu lhe disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí o meu guri, olha aí
Olha aí
É o meu guri
Composição: Chico Buarque.
Dois no gabinete, sim — mas o alvo é maior. A charge mostra que, quando o poder não consegue virar crença, vira expediente; quando não funda hegemonia, apela à trapaça ou à farda. Machado já tinha avisado: o ridículo mora onde o poderoso se leva a sério demais. Gramsci completou: sem consentimento, não há mando — há apenas administração do medo. No século XXI, os impostores insistem em ideias de jirico do XIX, certos de que força substitui cultura e carisma compra absolvição. O leitor atento percebe: não é só sátira política, é anatomia moral — e o bisturi ainda corta.
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