segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

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Saveiros e Cantador como onda em mar sem cabelo "Um dia o sonho acaba, eu estou esperando ele acabar." Elis Regina Fascinação Fascinação Elis Regina Os sonhos mais lindos sonhei De quimeras mil, um castelo ergui E no teu olhar, tonto de emoção Com sofreguidão, mil venturas previ O teu corpo é luz, sedução Poema divino, cheio de esplendor Teu sorriso prende, inebria e entontece És fascinação, amor Teu sorriso prende, inebria e entontece És fascinação, amor Composição: M. de Feraudy / F.D. Marchetti.
Umberto na pele do querido Padre Romão, conhecido em toda cidade (Foto: Globo/Caiuá Franco) Esta é uma crônica escrita ao estilo de Rubem Braga, o "Sabiá da Crônica", trocando a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola.
Amanhecer poético na cidade carioca O Mar Não Tem Cabelo Olho daqui da minha varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e me lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão, e a razão dos velhos marinheiros é coisa que código nenhum de jurista consegue revogar: o mar não tem cabelo. É liso, é vago, é um abandono azul onde a gente tenta cravar as unhas da alma, mas só encontra a espuma do que passou. A gente passa a vida tentando grampear a realidade. Inventamos Códigos Civis, relatorias no Supremo, protocolos de palácio. Mas o Brasil, meu caro, é um agosto eterno. É o mês em que o ar fica pesado no Catete e o "ancião precoce" de 71 anos decide que só o tiro no peito é capaz de parar o moinho. Agenor, o nosso Cartola, andava por aqueles corredores de vassoura na mão, vendo a história ser escrita com sangue antes de ir lavá-la com o balde. Ele sabia, com aquela discrição de quem já nasceu sabendo, que o mundo ia triturar tudo. Depois veio o barquinho de papel do João. Uma leveza de bossa que parecia dizer: “agora o mar é nosso, é manso”. Doce ilusão de quem nunca viu Glauber Rocha entrar em transe. O barquinho de João Gilberto não aguentou o mar de Caymmi — aquele mar que exige o corpo do pescador como tributo. A Bossa virou Cinema Novo, e o cinema virou esse transe que a gente ainda vive hoje, onde as Excelências se alteram e os advogados flanam com a elegância de quem sabe que a justiça, no fim, é uma farsa que se repete para não virar tragédia de vez. Vejo o Osmar Prado, o ator, encarnando o morto longevo de 54 no pátio de um sindicato de 2018. É a mesma cena, mudam-se os figurinos, mas o mar... ah, o mar continua sem cabelo. A gente tenta segurar no leme do Mensalão I, do Mensalão II, das anulações e das relatorias, mas a maré sempre volta para buscar o que é dela. Aqui do meu canto, entre o Espírito Santo da minha infância e o Rio dessa minha maturidade cansada, eu só peço uma coisa: que a gente não perca a poesia da moenda. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja um pó de estrela, ou o pó de café que agora esfria na minha xícara. O mar não tem cabelo, é verdade. Mas enquanto houver um samba do Agenor para cantar no convés, a gente vai navegando. Mesmo que seja para lugar nenhu Saveiros Nana Caymmi - Tema Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. (In: A educação pela pedra) Viu ao só e cantou o Como Uma Onda Tim Maia Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará A vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo no mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora Há tanta vida lá fora, aqui dentro Sempre como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará A vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo no mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora Há tanta vida lá fora, aqui dentro Sempre como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Como uma onda no mar Composição: Lulu Santos / Nelson Motta. Saveiros Dori Caymmi Nem bem a noite terminou Vão os saveiros para o mar Levam no dia que amanhece As mesmas esperanças Do dia que passou Quantos partiram de manhã? Quem sabe quantos vão voltar? Só quando o Sol descansar E se os ventos deixarem Os barcos vão voltar Quantas histórias pra contar? Em cada vela que aparece Um canto de alegria De quem venceu o mar Em cada vela que aparece Um canto de alegria De quem venceu o mar Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta. Igual ao que viu ou o que viu ? Tim Maia viu ao e cantou o ? A confusão comum entre o que as pessoas ouvem e o que o síndico realmente cantou costuma girar em torno da música "Azul da Cor do Mar". Na letra oficial de Azul da Cor do Mar no Letras.mus.br, o verso correto é: "Enquanto outro ri" Muitas pessoas acreditam ouvir "Igual ao que vi" ou variações similares devido à dicção característica e ao balanço do soul de Tim Maia. Outra confusão famosa de "audição" em suas músicas ocorre em "Acenda o Farol", onde internautas brincam que ele diria "send far all" em vez do título em português. Você estava se referindo a esse trecho de "Azul da Cor do Mar" ou a alguma outra pérola do Tim? Saveiros e Cantador como Onda em mar sem cabelo O Cantador Elis Regina Amanhece, preciso ir Meu caminho é sem volta e sem ninguém Eu vou pra onde a estrada levar Cantador, só sei cantar Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor Cantador não escolhe o seu cantar Canta o mundo que vê E pro mundo que vi meu canto é dor Mas é forte pra espantar a morte Pra todos ouvirem a minha voz Mesmo longe ... De que servem meu canto e eu Se em meu peito há um amor que não morreu Ah! se eu soubesse ao menos chorar Cantador, só sei cantar Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta. O Cantador (Dori Caymmi/Nelson Motta) - O ARRANJO #77 Flavio Mendes A parceria entre Dori Caymmi e Nelson Motta foi uma das mais vitoriosas na era de ouro dos festivais, rendendo clássicos imediatos da MPB. Os momentos de maior destaque foram: "Saveiros" (1966): Venceu a fase nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo. Interpretada por Nana Caymmi, a música é famosa por ter recebido a primeira grande vaia da história dos festivais após ser anunciada campeã, já que o público preferia "O Galo Cantou", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. "O Cantador" (1967): Apresentada no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Embora não tenha levado o prêmio principal de composição, a interpretação magistral de Elis Regina rendeu a ela o prêmio de Melhor Intérprete daquela edição. "Cantiga" (1967): Defendida pelo grupo MPB-4 no II Festival Internacional da Canção. A vitória em 1966 foi o ponto de partida para a projeção nacional de Dori como compositor e de Nelson Motta como letrista, consolidando um estilo refinado que unia o lirismo praieiro da família Caymmi ao frescor da nova cena carioca. Você gostaria de saber mais detalhes sobre a polêmica das vaias em "Saveiros" ou sobre outras parcerias de Nelson Motta? Saveiros e Cantador como onda em mar sem cabelo “Um dia o sonho acaba, eu estou esperando ele acabar.” Elis Regina, Fascinação 🎶 Vídeo de abertura Elis Regina – “Fascinação” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=H79A4iV-QsM 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/elis-regina/45673/ Os sonhos mais lindos sonhei De quimeras mil, um castelo ergui… Composição: M. de Feraudy / F. D. Marchetti 🖼️ Imagem 1 Umberto Magnani como Padre Romão 📷 https://s2.glbimg.com/_9FvhpurTAxYlcgAQkwPDn6Cm0k=/0x0:689x465/690x0/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/apis/906fefd4851e40e6865fb15c2e787ea4/257523.jpg Umberto na pele do querido Padre Romão, conhecido em toda cidade (Foto: Globo / Caiuá Franco) 📝 Nota de estilo Esta é uma crônica escrita à maneira de Rubem Braga, o “Sabiá da Crônica”. Troca-se aqui a secura brutalista de Rubem Fonseca pela melancolia solar e lírica do capixaba radicado no Rio. É o olhar de quem observa o mar de Ipanema, mas enxerga nele as sombras do Catete e as engrenagens de Cartola. 🖼️ Imagem 2 Amanhecer poético na cidade carioca 📷 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiA36_JkQiExyC-76RtDHK7ta0QnDpQeoNFxBRbeORiNzN1iaVY2JUMoGUZ1Ye5W8ewVpbCIROB0lUN5GFDnTSft8b5MEhUMLCUmuWTlHMF1ZWp-0yQI336Oa_Yvap4W6qZNpek5r0pfPPysoKlN7R5ett1WKlEZv0vef5Pe4SiB11p1_tWn2znCQBSAAc/s1536/7377b8de-46ae-46e1-b173-f8b913c182ec.png 🌊 O mar não tem cabelo Olho daqui da varanda, entre um gole de café e o passarinho que me visita, e lembro do Mestre Antenor. Ele tinha razão — e a razão dos velhos marinheiros nenhum código de jurista revoga: o mar não tem cabelo. É liso, vago, abandono azul onde tentamos cravar as unhas da alma e só encontramos espuma do que passou. Inventamos Códigos Civis, relatorias, protocolos de palácio. Mas o Brasil é um agosto eterno. O mês em que o ar pesa no Catete e o ancião precoce decide que só o tiro no peito interrompe o moinho. Cartola — Agenor — varria corredores sabendo que a história seria escrita com sangue antes de ser lavada com balde. Depois veio o barquinho de João Gilberto, prometendo um mar manso. Ilusão. O mar de Dorival Caymmi cobra tributo: exige corpo, exige canto. A Bossa virou Cinema Novo. E o transe continua. Mudam os figurinos, mas o mar — ah, o mar — continua sem cabelo. Se o moinho vai nos reduzir a pó, que seja pó de estrela ou pó de café, esfriando agora na xícara. 🎶 Saveiros – tema recorrente 🎥 Vídeo Nana Caymmi – “Saveiros” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=sBwrLFliNJA 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/dori-caymmi/saveiros/ 📜 Poesia em diálogo “Tecendo a manhã” — João Cabral de Melo Neto 🔗 https://www.tirodeletra.com.br/poesia/JoaoCabral-Tecendoamanha.htm Um galo sozinho não tece uma manhã… (In: A educação pela pedra) 🌊 Como uma onda 🎥 Vídeo Tim Maia – “Como Uma Onda” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=gN6tfbapqyM 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/tim-maia/618638/ Composição: Lulu Santos / Nelson Motta Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia… 📝 Nota cultural — “ouvido popular” Há confusões clássicas de audição nas músicas de Tim Maia. Em “Azul da Cor do Mar”, o verso correto é “Enquanto outro ri”, embora muitos ouçam “igual ao que vi”. A dicção e o balanço criaram lendas — parte do charme. 🎶 O Cantador 🎥 Vídeo Elis Regina – “O Cantador” ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=LMPqZX7JSOY 🔗 Letra: https://www.letras.mus.br/elis-regina/45680/ Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta Cantador não escolhe o seu cantar Canta o mundo que vê… 🎼 Versão comentada / arranjo Flávio Mendes – O ARRANJO #77 ▶️ https://www.youtube.com/watch?v=cNEAPwh4Aeo 🏆 Contexto histórico — Festivais da Canção A parceria Dori Caymmi & Nelson Motta marcou a era dos festivais: “Saveiros” (1966) 🏆 Vencedora do Festival Internacional da Canção 🎤 Interpretada por Nana Caymmi 🔔 Primeira grande vaia da história dos festivais “O Cantador” (1967) 🎤 Elis Regina — Melhor Intérprete no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record “Cantiga” (1967) 🎶 Defendida pelo MPB-4 Essa vitória projetou Dori nacionalmente e consolidou Nelson Motta como letrista central da MPB. 🌊 Epílogo Saveiros. Cantador. Onda. O mar não tem cabelo. Mas enquanto houver samba no convés, seguimos navegando — mesmo que seja para lugar nenhum. S

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