domingo, 30 de agosto de 2026

A verdade

Editado com brilho, contraste e saturação. (V.M.) (29/08/2026) A Space Odyssey (1968) 58 years before ChatGPT, Kubrick gave us the ultimate AI nightmare: calm, logical, polite, and completely uncompromising. 'I'm sorry, Dave. I'm afraid I can't do that' remains the single most bone-chilling line in sci-fi history Vinha de Luz #000 - Brilhe vossa luz NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 13 de jan. de 2026 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Vinha de Luz", de Emmanuel/Chico Xavier.
Tema principal “Eu sou o caminho e a verdade.” — Jesus. (JOÃO, 14.6) 1 Por enquanto, ninguém se atreverá, em boa lógica, a exibir, na Terra, a verdade pura, ante a visão das forças coletivas. 2 A profunda diversidade das mentes, com a heterogeneidade de caracteres e temperamentos, aspirações e propósitos, impede a exposição da realidade plena ao espírito das massas comuns. 3 Cada escola religiosa, em razão disso, mantém no mundo cursos diferentes da revelação gradativa. A claridade imaculada não seria, no presente estágio da evolução humana, assimilável por todos, de imediato. 4 Há que esperar pela passagem das horas. Nos círculos do tempo, a semente, com o esforço do homem, provê o celeiro; e o carvão, com o auxílio da natureza, se converte em diamante. 5 Por isto, vemos verdades estagnadas nas igrejas dogmáticas, verdades provisórias nas ciências, verdades progressivas nas filosofias, verdades convenientes nas lides políticas e verdades discutíveis em todos os ângulos da vida civilizada. 6 Semelhante imperativo, porém, para a mentalidade cristã, apenas vigora quanto às massas. 7 Diante de cada discípulo, no reino individual, Jesus é a verdade sublime e reveladora. 8 Todo aquele que lhe descobre a luz bendita, absorve-lhe os raios celestes, transformadores… 9 E começa a observar a experiência sob outros prismas, elege mais altos padrões de luta, descortina metas santificantes e identifica-se com horizontes mais largos. 10 O reino do próprio coração passa a gravitar ao redor do novo centro vital, glorioso e eterno. 11 E à medida que se vai desvencilhando das atrações da mentira, cada discípulo do Senhor penetra mais intensivamente na órbita da Verdade, que é a Pura Luz. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 175 A verdade
sábado, 29 de agosto de 2026 Começar de novo, por Marco Aurélio Nogueira* O Estado de S. Paulo Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência E se de repente alguém virasse a ampulheta e nos projetasse para onde tudo começou? E se insistíssemos numa rota já estabelecida, para reiniciar de onde paramos ou tropeçamos? Nas eleições de 2026, os candidatos mais fortes querem manter vivo um caminho já trilhado. Lula quer fazer o que não conseguiu em seus três mandatos, mas não deseja voltar às origens, coisa que o levaria às promessas mais “puras” e radicais do PT de 1982. Flávio Bolsonaro, por sua vez, quer dar sequência à herança deixada pela Presidência de seu pai, patrimônio de valor discutível, mas não quer ir muito para trás e se deparar com um vazio improdutivo. O Brasil não vive um bom momento. A polarização é resiliente. Candidatos menos expressivos rondam a arena principal, mas não abalam os principais. Não há “terceira via”, embora algum azarão possa surpreender. A repetição de promessas passa longe do que se poderia chamar de prioridades estratégicas. Não há planos de metas ou projetos. Cada candidato imagina um país. Improvisos e ênfases demagógicas tomam conta do cenário. Talvez seja hora de começarmos de novo. Voltar à redemocratização dos anos 1980, nosso maior baú de boas ideias e intenções. Lá havia esperança, disposição de luta e uma causa comum. Revisitá-lo criticamente pode nos ajudar a ver onde foi que erramos. Corrigir o que está torto, ou seja, quase tudo. Houve avanços na assistência social, o SUS se consolidou, o País se modernizou e a industrialização foi em frente. A desigualdade, porém, não retrocedeu. A revolução digital nos pegou em cheio. Sacode a sociedade de cima a baixo, sem que se saiba se estamos absorvendo o que ela traz de positivo. Depois de oito anos de Fernando Henrique e 20 anos de governos petistas-lulistas, quase nenhuma instituição funciona bem. Até o Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu o prumo. Os partidos feneceram. Estamos sem garantias de que a política produzirá bons governos e de que a justiça será feita sem histrionismos personalistas. O País não está à deriva, mas claudica em diversas áreas, sentindo falta de um eixo organizador. As múltiplas e complexas pautas têm sido deixadas de lado ou são superficialmente abordadas. Hoje não sabemos em qual direção o Brasil caminha. Estamos honrando a tradicional independência de nossa diplomacia? Mantemos nossos vínculos “ocidentais” ou estamos tateando em busca de algum reposicionamento? Na segurança pública, temos ido piorando. A “profissionalização” do crime organizado exacerba a ausência de uma consistente política nacional. Dá-se mais importância aos casos de corrupção – que são gravíssimos e respingam por todos os lados – do que às mortes bestas motivadas pelo tráfico. Bons documentos oficiais ficam nas prateleiras, a sugerir que falta algo para que sejam executados. O lapso entre o que se escreve neles e a execução é recorrente. O País está digitalizado. Quase toda a população se move com um celular nas mãos. O home office bomba em muitos setores. O delivery está nas ruas. Mas o País controla pouco os dados manuseados pelas grandes plataformas digitais. Sua soberania é mais ameaçada por isso do que pelas investidas maníacas de Trump. Se os dados digitais impactam a vida, quem os controla tem poder. Poderá não ser dono do mundo, mas terá, ao menos, condições de confrontar os que pretendem dirigir o mundo. E as terras raras? E a crise fiscal, que nos dizem ser grave? Não faltam problemas. A educação exige atenção dedicada, ferrenha. É a principal ferramenta do progresso. Índices de desempenho à parte, não estamos saindo do lugar. Ainda nos enroscamos em temas menores, tipo “os estudantes não devem usar a inteligência artificial (IA) para estudar”, sem darmos atenção ao letramento digital, ao ensino dos métodos para que estabeleçam relações inteligentes, autônomas e reflexivas com a IA. A escola básica de massa continua repleta de carências e desigualdades. As universidades têm insuficiências de ordem material, financeira e pedagógica. A pesquisa é feita, mas não se espalha, concentra-se em poucas unidades de ponta. Começar de novo não é esperar que o baú dos anos 1980 nos diga o que fazer. É usá-lo como referência. Um novo reformismo seria o bálsamo de que necessitamos. Precisaria ser profundo, deitar raízes na sociedade. Mas não poderá ser feito de supetão, nem de modo “revolucionário”, com a explosão de todas as casamatas. Terá de se basear num refinado mapa que possibilite a navegação por entre as ilhas nacionais (políticas, ideológicas, culturais, regionais), de modo a articulá-las paulatinamente. O problema é encontrar o agente que encarnará um projeto dessa magnitude. Poderiam ser os democratas progressistas, mas eles andam tão desencontrados e retraídos que, no momento, inspiram pouca confiança. Quem sabe não devem eles também começar de novo? Mobilizando a sociedade numa direção oposta aos populismos atuais. Precisamos parar de viver à procura de um “grande líder”. O importante é unir forças, construir uma agenda de reformas e uma gestão corajosa. *Professor titular de Teoria Política da Unesp P. Da Viola & M. Bethania - Coração Vulgar (1969) Chords and Tabs 195.725 visualizações 19 de jan. de 2010 Paulinho da Viola & Maria Bethania - Coraçao Vulgar (Conjunto A Voz Do Morro) - 1969 👆”Essa belíssima e poética evocação nos transporta diretamente para o histórico documentário Saravah (1969), dirigido pelo cineasta e músico francês Pierre Barouh. Na cena em questão, gravada no Rio de Janeiro sob a atmosfera plúmbea da ditadura militar, um jovem Paulinho da Viola dedilha no violão a sua composição Coração Vulgar. Ao cantar os versos: "Um verdadeiro amor nunca fenece / E pouca gente ainda o conhece..." A também jovem Maria Bethânia, completamente extasiada com a sofisticação da linguagem do amigo, interrompe o ensaio e diz ao diretor francês: "É lindo, né, Pierre? Não existe! 'Fenece' é a palavra mais bonita que tem no mundo." A frase, carregada de lirismo e sensibilidade, cruza o tempo. Usar o verbo "fenecer" (que significa murchar, morrer, acabar) para falar sobre o fim das agremiações políticas — "Os partidos feneceram" — resgata exatamente essa mesma elegância melancólica que os jovens artistas cariocas eternizaram naquele quintal nos anos 1960, transformando a crueza dos tempos políticos em pura poesia.” Pedro Malan analisa gestão econômica do primeiro mandato de Lula Roda Viva 29 de ago. de 2022 #RodaViva O economista e ex-ministro da Fazenda Pedro Malan falou ao Roda Viva sobre os fatores que favoreceram a gestão econômica do primeiro mandato de Lula (PT), em 2022. "É sintomático que ao ser eleito, em 2002, ele não levou nenhuma das grandes estrelas econômicas do PT para trabalhar na área econômica do governo", declarou. 👆”Em suma: O trânsito livre e o respeito que Malan possuía junto ao Tesouro Americano, ao FMI e ao Banco Mundial serviram como uma "fiança institucional". Ele avalizou a maturidade da política brasileira perante o exterior, abrindo caminhos para que a transição de poder ocorresse de forma pacífica, previsível e economicamente estável.” “Resta-nos, pois, aguardar pelo próximo artigo de Pedro Malan. Será, por certo, mais uma lição de altivez e elegância, demonstrando como a precisão técnica e o espírito público são capazes de rechaçar, sem alarde, a retórica da ingratidão - vinda de quem recebeu os trilhos da estabilidade em 2002 e o aval democrático em 2022, mas insiste em desdenhar de seus próprios fiadores." O Berro do Boi #1 - A cria revista piauí e Trovão Mídia Estreou em 28 de jul. de 2026 O Berro do Boi Em 2017, uma gravação feita por Joesley Batista quase derrubou o presidente Michel Temer, transformou os donos da JBS em inimigos públicos – e os levou à prisão. Oito anos depois, em 2025, a mesma família celebrou sua chegada à Bolsa de Nova York, o epicentro do capitalismo global. Consuelo Dieguez revela os bastidores da impressionante recuperação de Wesley e Joesley Batista e apresenta a pergunta central da série: como os irmãos goianos conseguiram voltar ainda mais ricos e poderosos depois de atravessar uma das maiores crises da história recente do país? A Saga dos Irmãos Batista e JBS | Curioso Entrevista: Consuelo Dieguez Curioso Mercado 24 de ago. de 2026 No primeiro episódio do Curioso Entrevista, recebemos Consuelo Dieguez — repórter da revista piauí e voz do podcast O Berro do Boi — pra falar sobre a saga dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, donos da JBS, a maior empresa de carne do mundo. Do açougue no interior de Goiás ao BNDES, da delação à volta por cima: Consuelo acompanha os Batista há mais de uma década e revela os bastidores dessa apuração — e o que ninguém entendeu sobre a ascensão deles.
O baú de Pedro Nava Sergio Amaral Silva O domingo, 13 de maio de 1984, já tinha quase acabado. Era aquela hora em que a maioria das pessoas tem certeza de que não vai acontecer mais nada e se prepara para dormir, ante a expectativa de uma nova semana. Pouco antes das dez da noite, o telefone tinha tocado no apartamento do 7º andar da Rua da Glória, 190. Dona Antonieta atendeu. Do outro lado da linha, uma voz de homem pediu para chamar Pedro Nava. Ao desligar, minutos depois, parecendo transtornado, Nava teria dito à esposa, companheira de quarenta anos, algo como: “um trote de mau gosto” ou, segundo outra versão, “nunca ouvi nada tão aviltante (ou obsceno) pelo telefone”. A pesquisadora francesa Monique le Moing, na biografia A solidão povoada (Nova Fronteira, 1996), levantou a hipótese de que a eventual ameaça ou tentativa de chantagem estivesse ligada à homossexualidade. Para isso, apoiou-se num argumento discutível: a “evidência literária” das páginas finais do último livro de Nava, que termina quando o personagem Conselheiro faria uma revelação bombástica sobre o tema. O desenlace, supostamente, ocorreria no volume seguinte, o sé­timo, que ficou inacabado. Levando consigo o segredo, Nava saiu pouco depois, sem se despedir da mulher, levando no bolso o revólver Taurus 32 cano longo, que havia comprado quatro anos antes, e que ela não conhecia, além de vários documentos, que ele não tinha o hábito de carregar. Atravessou a rua, andou menos de duzentos metros e chegou a ser visto sentado num banco de jardim da vizinhança, com uma “atitude desolada”. Por volta das onze e meia da noite, parou junto a uma árvore e disparou contra a têmpora direita. Dizem que alguém acendeu um toco de vela ao lado do cadáver, que, coberto por um jornal, só foi liberado depois das duas da manhã. O corpo foi embalsamado por dois amigos médicos, que ele próprio escolhera numa carta escrita em 1975, na qual dava instruções sobre seu sepultamento. O gesto extremo causou enorme surpresa. Primeiro, porque suicídios de escritores não são comuns. Dentre as exceções estão Ernest Hemingway e, no Brasil, Her­mes Fontes e Stefan Zweig. Segundo, porque, em sua obra, Nava procurava reconstruir o passado, fazê-lo durável, o que não combina com a decisão de pôr fim à própria vida. Além disso, os amigos o descreviam como extrovertido, falante e bem-humorado, sem os traços da depressão que alguns procuraram diagnosticar depois do episódio final. Tudo a reforçar a tese de que o impulso suicida foi mesmo momentâneo, provocado pelo misterioso telefonema. O cineasta Joaquim Pedro de Andrade, na ocasião, foi direto: “Há um assassino solto, alguém que tornou a vida insuportável para Nava. Ele foi morto por um telefonema.” Já a escritora Nélida Piñon disse: “Sua obra pertence a nós, mas o mistério de sua morte pertence a ele. De agora em diante, sua obra vai ter que ser vista sob a ótica do mistério de sua partida.” Na véspera da tragédia, como fazia há mais de vinte anos, Nava foi à casa do bibliófilo Plínio Doyle, onde todos os sábados se reunia um seleto grupo de intelectuais que incluía Drummond, Afonso Ari­nos e Américo Jacobina Lacombe: eram os famosos saba­doyles. Nesse dia, os amigos não identificaram qualquer diferença em Nava, “alegre e cheio de vida, com a verve de sempre”, como disse Alphonsus de Guimarães Filho. O dia seguinte foi dedicado à elaboração do discurso de agradecimento pelo título de Cidadão Fluminense, que receberia na Assembléia Legislativa dentro de alguns dias. O discurso, que seria a última página escrita por Nava, é uma espécie de balanço sentimental dos 51 anos vividos na cidade do Rio de Janeiro. Na derradeira frase, o escritor promete guardar os nomes dos deputados que o homenageiam “na coluna positiva do deve-e-haver do meu cansado coração”. Pedro Nava não pretendia se matar: tinha planos, como celebrar os 81 anos, dentro de três semanas; bem como concluir o sétimo volume de memórias (Cera das almas, interrompido na página 36) e em seguida escrever um livro sobre os médicos brasileiros. Numa entrevista, declarou: “Eu gosto da vida, apesar de não ser feliz. Gostaria de prolongar a vida um pouco mais, mesmo sabendo que muita coisa vai diminuindo com a idade.” Pedro da Silva Nava nasceu há um século, em 5 de junho de 1903, na cidade mineira de Juiz de Fora, o antigo Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais. No início dos anos 1920, mudou-se para Belo Horizonte. Ali, por volta de 1925, em companhia de jovens modernistas “dados às letras”, como Drummond ou Emílio Moura, colaborou, publicando poemas, com A Revista. Poeta e desenhista, chegou a ter ilustrações suas numa edição de Ma­cunaíma, do amigo Mário de An­drade, de 1929. Mário, com quem se correspondeu durante muitos anos, identificava em seus versos uma “sun­tuosidade artística”. Estudou Medicina, formando-se em 1927 pela Universidade de Minas Gerais. Antes de estabelecer seu consultório no Rio de Janeiro, onde também era professor universitário, o doutor Nava clinicou em Juiz de Fora, Belo Horizonte e Monte Aprazível. Ao longo de cinqüenta anos de exercício profissional, assumiu um lugar de destaque na medicina brasileira ao se tornar o pioneiro de uma especialidade que ele trouxe para Brasil depois de um estágio na Europa, nos anos 1940: a reumatologia, da qual foi considerado o melhor de seu tempo. Escreveu dezenas de artigos, ensaios e livros sobre temas médicos, a partir de Território de Epi­dauro, de 1947. Tomando a decisão de se aposentar, fecha o consultório para se dedicar integralmente à paixão que o acompanhou desde a juventude: a literatura. Em 1972, publica pela Editora Sabiá seu primeiro volume de memórias: Baú de ossos, em que narra a história de seus antepassados portugueses, italianos, cearenses e mineiros. Muito mais que isso, o livro não se limita a descrever episódios vividos pelo autor: revela o ambiente social, político e cultural do Brasil na primeira metade do século, levando o leitor a compreender, mais do que o homem, a época em que viveu. Para ele, como em Proust, a busca do tempo perdido, através de fatos e personagens, é antes de tudo um modo de chegar ao conhecimento de si mesmo. Antes de 1972, Pedro Nava era conhecido como médico e amigo de escritores, embora um poema seu tenha sido incluído por Manuel Bandeira numa Antologia de poetas bissextos. Sua estréia como memorialista, aos 69 anos, foi saudada pela crítica, que viu no livro a reinauguração, renovada, de um gênero pouco exercitado na literatura brasileira. Baú de ossos foi também um sucesso de público, esgotando seis edições até 1980. Seguiram-se quatro livros lançados pela José Olympio, a editora do velho amigo e vizinho: Balão cativo (1973), relembrando a infância em Juiz de Fora e a vida no bairro carioca do Rio Comprido; Chão de ferro (1976), em que o escritor conta sua adolescência; Beira-Mar (1978), que termina no momento em que Nava revela a aspiração de dedicar-se à medicina; e Galo-das-trevas (1981), que fala sobre sua clínica em Belo Horizonte, Caeté, Juiz de Fora e a Revolução de 1930. O sexto volume, O círio perfeito, cobrindo o período de 1930 a 1940, saiu em 1983 pela Nova Fronteira. Com essa editora, que lançaria em dezembro o sétimo volume, o autor tinha um contrato que incluía, além dos próximos livros, a reedição daqueles lançados pela José Olympio, assim que esgotados. A Nova Fronteira já publicara, em 1981, a sétima edição de Baú de ossos. A obra de Pedro Nava, que ficou praticamente esquecida durante quinze anos – a ponto de, nos anos 1990, ser quase impossível encontrar um de seus livros nas livrarias –, foi saudada à época de sua morte como das mais importantes que vinham sendo construídas no Brasil, “um verdadeiro monumento literário, desses raros monumentos que se levantam de cem em cem anos”, destacou o escritor Francisco de Assis Barbosa. Essa grandeza chegou a ser comparada por vários críticos à de outro mineiro, também médico e autêntico mestre no domínio das palavras: Guimarães Rosa. Inconformado com o fato da Nova Fronteira ter publicado a biografia em que Monique le Moing abordava a suposta homossexualidade de Pedro Nava, seu sobrinho e herdeiro Paulo Penido decidiu não renovar o contrato, entregando os direitos sobre a obra do tio a duas editoras paulistanas: a Giordano e a Ateliê Editorial. Os seis volumes voltaram a ser editados recentemente, ao lado de cadernos de anotações do autor; notas de viagem; do Correspondente contumaz, contendo as cartas trocadas com Mário de Andrade; dos textos e desenhos de O bicho Urucutum. Paralelamente, vêm proliferando teses universitárias sobre aspectos de sua obra. Essa obra revela uma profunda paixão pela palavra, que é tratada sensual, sensorial, barrocamente, como objeto a serviço de um retrato que ele, também artista plástico, não se furtava a esboçar. Um exemplo? Este trecho de Baú de ossos, em que Nava discorre sobre a versatilidade do açúcar: “Batida, no Ceará, é uma rapadura especial, feita com melado sovado e arejado a colher de pau, até o ponto de açucarar. Com que também perde o gosto de rapadura. Vira noutra coisa, devido à versatilidade do açúcar, que é um em cada consistência, e que é ainda um a quente e outro a frio. Que é ainda ostensivo ou discreto, acessório ou predominante, substantivo ou adjetivo segundo se combine ao duro, ao mole, ao líquido, ao pulverulento, ao pastoso, ao espumoso, ao sol e ao gel. Compor com açúcar é como compor com a nota musical ou a cor, pois uma e outra variam e se desfiguram, configuram ou transfiguram segundo os outros sons e os outros tons que se lhe aproximam ou avizinham. É por isso que tudo que se faz com açúcar ou se mistura ao açúcar pede deste a forma especial e adequada – que favoreça a síntese do gosto.” Pedro Nava era descrito pelos amigos como modesto, acessível, generoso, falante e bem-humorado. Deixou uma obra grandiosa, interrompida pela morte trágica, cuja motivação provavelmente nunca será conhecida. Passados cem anos de seu nascimento e quase vinte daquele domingo de brumas, ainda aguarda o reconhecimento como um dos maiores escritores brasileiros, daqueles mestres que sempre têm uma nova lição a ensinar. Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador em 2002 do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria “Literatura”. (1) Comentário PAULINHO DA VIOLA - Coração Vulgar alfeuRIO 29 de dez. de 2013 Música de Paulinho da Viola, álbum "Roda de Samba" (1965), sêlo Multidisc Com o Conjunto A Voz do Morro: Paulinho da Viola Anescarzinho do Salgueiro Zé Keti Elton Medeiros Nelson Sargento Zé Cruz Jair do Cavaquinho Coração Vulgar Paulinho da Viola Morre mais um amor num coração vulgar Deixa desilusão a quem não sabe amar E quem não sabe amar há de sofrer Porque não poderá compreender Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Que o amor que morre é uma ilusão E uma ilusão deve morrer Um verdadeiro amor nunca fenece E pouca gente ainda o conhece Meu bem, se o teu amor morreu É porque ninguém o entendeu Deixa o teu coração viver em paz O teu pecado é querer amar demais Composição: Paulinho da Viola. JORNAL DA CULTURA | 29/08/2026 Jornalismo TV Cultura Transmissão ao vivo realizada há 3 horas Jornal da Cultura | 2026 No Jornal da Cultura deste sábado (29), você vai ver: aumento do número de eleitores com mais de 60 anos reflete o envelhecimento da população brasileira; perdas na rede elétrica por erros técnicos e furtos geram prejuízo de R$ 11,5 bilhões; Nepal chega ao quinto dia de buscas após avalanche de lama, com mais de 600 mortos e 3 mil desaparecidos; guerra entre Estados Unidos e Irã chega a seis meses e já deixou 8 mil mortos; Big Techs fazem manifesto por mais segurança diante do uso da inteligência artificial em ciberataques; e Isaquias Queiroz supera favorito e conquista sua oitava medalha de ouro em campeonatos mundiais de canoagem. O Jornal da Cultura é exibido de segunda a sábado, às 21h, na TV Cultura, no site da emissora e no YouTube. #JornalDaCultura #TVCultura #SomosCultura

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