No histórico discurso realizado no Estádio da Vila Euclides (Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo), a primeira-dama Janja da Silva destacou suas origens ao declarar orgulhosamente que tem "Silva no nome". Durante o ato, ela homenageou a ex-primeira-dama Marisa Letícia da Silva, relembrando que foi ela quem bordou a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT), cuja identidade visual possui apenas uma estrela.
Expandindo essa metáfora para a dimensão oficial e soberana do país, existem hoje cerca de 34 milhões de pessoas com o sobrenome Silva no Brasil. Para todos esses cidadãos, sem exceção, a bandeira que os representa de fato possui 27 estrelas, espalhadas e consolidadas sob o céu do Cruzeiro do Sul.
Os Silvas e as Dimensões Continentais da "Verdadeira Cruz"
De acordo com os dados estatísticos oficiais do Censo do Portal Oficial do PT, o sobrenome Silva é o mais comum do país, cobrindo quase 17% de toda a população nacional. Essa imensa comunidade compartilha a mesma soberania sobre o território brasileiro, que é delimitado exatamente pelos seus quatro pontos cardeais extremos:
- Norte: Nascente do Rio Ailã, no Monte Caburaí (Roraima).
- Sul: Leito do Arroio Chuí (Rio Grande do Sul).
- Leste: Ponta do Seixas (Paraíba).
- Oeste: Nascente do Rio Moa, na Serra da Contamana / Serra do Divisor (Acre).
O Significado Histórico e Geográfico da Cruz
A união geométrica traçada entre esses extremos territoriais forma uma imensa linha cruzada sobre o continente sul-americano. Essa disposição geográfica conecta-se diretamente ao primeiro nome dado pelos colonizadores portugueses em 1500: Terra de Santa Cruz (que significa originalmente "Verdadeira Cruz").
A escolha feita pela frota de Pedro Álvares Cabral esteve fortemente ligada à profunda religiosidade da época e aos crucifixos levados nas caravelas. Além disso, gerou uma coincidência simbólica inegável com as grandes distâncias do território, cruzado perfeitamente de norte a sul e de leste a oeste.
Para cada um dos 34 milhões de Silvas que habitam do Chuí ao Caburaí, a bandeira nacional carrega os 26 estados e o Distrito Federal representados em suas 27 estrelas, abrigados sob o mesmo solo e o mesmo céu cósmico.
Assista ao Vídeo do Discurso
O trecho emocionante desse discurso na Vila Euclides, detalhando a homenagem a Dona Marisa e a menção ao sobrenome que une o Brasil, foi registrado pela cobertura oficial e de imprensa. Você pode acompanhar a declaração na íntegra assistindo ao vídeo disponível no Poder360 ou no relato completo de bastidores do Brasil 247.
Use o código com cuidado.Legenda: Quando a geografia de proporções continentais e a astronomia oficial de 27 estrelas precisam fazer um desvio poético e se encolher para caber em uma única estrela partidária. Um esforço retórico digno de quem tenta traçar uma linha reta ligando o Monte Caburaí ao Arroio Chuí usando apenas um carretel de linha vermelha e muita força de vontade metafórica. (Ilustração: Fair Play / Blog)
Use o código com cuidado. domingo, 16 de agosto de 2026 O desafio de Lula, por Sergio Fausto O Estado de S. Paulo O ajuste fiscal é um meio para defender objetivos que são caros a Lula e fundamentais para o Brasil Lula se apresenta como defensor da soberania nacional e dos mais pobres. Acumulou credenciais para tanto. Se quiser preservá-las, terá de imprimir novo rumo à política fiscal, na hipótese de vir a ser reeleito. O atual levará o País, cedo ou tarde, a uma crise econômica. Um outro caminho é possível. A genuína preocupação de Lula com os mais pobres é inquestionável. Trata-se de uma marca dos seus três mandatos, não de oportunismo eleitoral. Com Lula na Presidência, a pobreza se reduziu de maneira importante. É uma obra coletiva, erguida sobre as bases estabelecidas pelo Plano Real. Suas credenciais na defesa da soberania nacional se reforçaram no último ano. Fora excessos retóricos desnecessários, conduziu bem a reação às arbitrárias medidas adotadas pelos Estados Unidos para forçar o Brasil a seguir as ordens ditadas pela nova doutrina de segurança nacional do governo americano. É abundante a evidência histórica de que crises econômicas atingem de maneira desproporcional os mais pobres. As razões são claras: quanto mais pobre a pessoa, mais vulnerável ela é a quedas abruptas da atividade econômica e menores as reservas financeiras de que dispõe para fazer frente à consequente perda de renda. Perdas na renda corrente de famílias pobres podem lançá-las à pobreza extrema. O seguro-desemprego e programas como o Bolsa Família amortecem a violência da queda, mas apenas parcial e temporariamente, sobretudo para os que não estão no mercado formal de trabalho, a maioria entre os mais pobres. Recessões prolongadas tendem a provocar danos duradouros nas trajetórias de vida de indivíduos e famílias pobres, entre outras razões porque com frequência obrigam crianças e adolescentes a abandonar a escola para ajudar no sustento da família. Não menos abundante é a evidência histórica de que crises econômicas fragilizam a soberania nacional. Temos um exemplo claro num país vizinho. O recorrente desequilíbrio macroeconômico da Argentina ao longo de muitas décadas, com momentos dramáticos de perda de acesso ao crédito externo e aversão à moeda nacional, reduziu drasticamente a autonomia que o país tem para fazer escolhas. A subordinação de Javier Milei a Donald Trump não se explica apenas pelas afinidades ideológicas entre ambos. Não é preciso ser economista para saber que a política fiscal no Brasil está descalibrada e dificulta o trabalho do Banco Central na condução da política monetária. A curva de juros, cada vez mais empinada nos prazos de vencimento mais longos, reflete em larga medida o tamanho da desconfiança do “mercado” na disposição do futuro governo de fazer o “ajuste fiscal necessário”. Essa desconfiança se aplica aos dois principais concorrentes à Presidência, mas sobretudo a Lula. O “mercado” tem vieses, mas a desconfiança que expressa por meio da curva de juros cria uma realidade objetiva. Não raro exagera, cobrando um prêmio de risco excessivo. Por exemplo, a situação fiscal do Brasil seria tão pior que a do México para explicar uma taxa real de juros duas vezes superior em títulos de prazos semelhantes? Exageros à parte, o governo Lula dá motivos de sobra para a desconfiança do “mercado”, a despeito dos esforços do ex-ministro Fernando Haddad. Em 2026, ano de eleições, a expansão do gasto e a criação de novas despesas futuras se aceleraram, com o Executivo e o Congresso competindo em matéria de prodigalidade fiscal. É verdade que, em 2022, com a adoção da PEC Kamikaze pelo governo Bolsonaro, em desesperada tentativa de se reeleger, foi também grande o aumento do gasto. Mas é igualmente verdade que a relação dívida/PIB está hoje em nível mais alto do que há quatro anos e o custo médio da dívida atinge níveis recordes. Reverter essa dinâmica insustentável requer que a política fiscal pise no freio para que o Banco Central faça o movimento contrário. A sincronia correta desses dois movimentos é crucial para que o crescimento da economia se acelere mais à frente, sem comprometer o controle sobre a inflação. Só assim será possível ao País escapar do ciclo vicioso da crônica piora fiscal, reduzir o custo de capital e destravar o investimento privado. Em infraestrutura, ele cresceu expressivamente neste governo, e poderá crescer ainda mais no próximo, com uma redução sustentável da taxa real de juros de longo prazo. Nesse cenário, poderemos colher as oportunidades da transição ecológica, na linha apontada pelo recém-lançado estudo Brazil’s investment-led growth in the ecological transition, elaborado por Luiz Awazu Pereira da Silva e coautores. Dada a deterioração das expectativas, é indispensável que o compromisso com o ajuste fiscal venha primeiro. Quanto antes, melhor. E que seja estabelecido em bases duradouras. É possível fazer um ajuste com maior equidade, mas não mais deixar à margem os mecanismos que impulsionam automaticamente o gasto social, em particular a indexação de benefícios sociais e previdenciários ao salário mínimo. O ajuste fiscal não é um fim em si mesmo, mas um meio para defender valores e objetivos que são caros ao presidente Lula e fundamentais para o Brasil. *Diretor-Geral da Fundação FHC, é membro do Gacint-USP domingo, 16 de agosto de 2026 A coalizão anticartéis de Trump, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo Cinco países da América Latina aceitaram o emprego de militares dos EUA em seus territórios para combater o crime organizado. Eles fazem parte de um grupo de 19 países que aderiram à Coalizão Anticartéis das Américas. O presidente Donald Trump tem mantido posição ambígua em relação à possibilidade de intervenção militar sem autorização de governos. Os países que já assinaram a autorização são Guatemala, Honduras, Jamaica, Colômbia e Equador. Do total de 19 países, apenas dois não estão sob governos de direita: Guatemala e Bahamas. A Colômbia aderiu depois da posse do presidente Abelardo de la Espriella, no dia 7. Seu antecessor, Gustavo Petro, rejeitava ação militar americana, da mesma forma que a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Mesmo assim, Trump se negou a responder se poderia ou não ordenar ações militares nos dois países. A coalizão tem origem em uma reunião de cúpula realizada em março na Flórida. A tese da ação militar americana é apoiada pela designação de narcotraficantes como terroristas. Em 28 de maio, o Departamento de Estado incluiu o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho nessa lista, composta por 12 grupos da América Latina. A medida foi adotada logo depois de o senador Flávio Bolsonaro, agora candidato à Presidência, entregar em Washington um dossiê defendendo a designação. Em vídeo divulgado na quinta-feira, em que aparece com uma camiseta da unidade de selva do exército americano, e cercado de militares, o secretário de Defesa Pete Hegseth avisa que os narcotraficantes serão tratados como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. O Comando Sul conduziu desde setembro ao menos 59 bombardeios contra barcos no Caribe e no Pacífico, provenientes de Venezuela, Colômbia e Equador, deixando 196 mortos. Segundo relatos de moradores, havia pescadores entre eles. Nenhuma evidência foi apresentada pelo Pentágono de que se tratava de criminosos. Os documentos de Estratégia de Segurança e de Defesa dos EUA preveem a concentração de forças militares nas Américas, para fazer frente à influência chinesa e projetar poder na região. Na hipótese de eleição de Flávio Bolsonaro, o Brasil deverá ser incluído na coalizão, e talvez na lista menor dos países que aceitam o emprego de forças americanas em seu território. O senador comentou no X, em 23 de outubro, um post de Hegseth, mostrando um ataque contra uma embarcação. Ele escreveu em inglês: “Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil de drogas. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?” • domingo, 16 de agosto de 2026 Cuba é troféu para os EUA, por Dorrit Harazim Por O Globo País é a tentação fundamental para todo ocupante da Casa Branca desde que os barbudos de Fidel Castro tomaram o poder Dias atrás, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, mostrou-se satisfeito por ser inquirido sobre Cuba. Era, finalmente, uma ocasião de ostentar musculatura fácil, mudar o foco da desconcertante humilhação que vem sofrendo há seis meses com a exasperante guerra sem heróis contra o Irã. — Todas as opções estão na mesa, o que inclui opções militares, e seria sensato por parte de Cuba prestar atenção às declarações do presidente Trump sobre as prerrogativas estratégicas dos americanos — respondeu. — Com certeza [Cuba] não é páreo para os Estados Unidos... Estou animado com as muitas opções que temos. Vestia uma camiseta verde-oliva que deixava à mostra o “We the People” da Constituição tatuado em letras garrafais no antebraço direito. Imagem, para Hegseth, é crucial. Apesar de estar no comando do Pentágono e rebatizá-lo de Departamento de Guerra, ele conta com pouco mais do que sua estampa para sobreviver no cargo até o fim do mandato de Trump, em 2028. A audácia do rapto e substituição de Nicolás Maduro na calada da noite, na Venezuela, lhe rendeu bons louros graças à indiferença do mundo diante de violação tão gritante da ordem internacional. Mas, de resto, nada mais parece funcionar para Hegseth — nem no Irã, nem no Oriente Médio, nem com seus éditos sobre o baixo nível de testosterona nas casernas. Até o presidente Trump vem dando mostra de exasperação com seu protegido. É nesse panorama que Cuba se apresenta de forma tentadora também para Hegseth. O “também”, no caso, importa, pois tem gente mais graúda de olho nesse troféu. Antes de tudo, Cuba é a tentação fundamental para todo ocupante da Casa Branca desde que os barbudos de Fidel Castro tomaram o poder na ilha em 1959. Já são 13 os presidentes americanos consecutivos, de Dwight Eisenhower a Donald Trump (seis democratas e sete republicanos), que tentaram remover, isolar ou mudar estruturalmente o regime cubano. Alternaram-se apenas as abordagens táticas — de tentativas de assassinato e operações clandestinas a décadas de asfixiamento econômico e alguma diplomacia na era Barack Obama. Trump, que já prometeu acabar com duas guerras em 24 horas e está atolado em três, deposita no almejado retorno de Cuba à esfera de influência dos Estados Unidos a chance de conseguir o que a História certamente lhe negará — ser chamado de estadista. O secretário de Estado, Marco Rubio, tem interesses mais terrenos: se conseguir colocar as mãos em Cuba em tempo hábil, suas chances como presidenciável republicano em 2028 dão um salto de catapulta. A ponto de empalidecer seu concorrente mais imediato, o atual vice-presidente J.D. Vance, cuja esfera de poder passa ao largo do Hemisfério Ocidental idealizado por Trump. Com esse pano de fundo, merece atenção um relatório divulgado duas semanas atrás pelo Departamento de Estado de Rubio. “Cuba, a Capital Comunista do Século XXI”, diz o título. O preâmbulo não é menos alarmado: — O ataque de Cuba aos Estados Unidos nunca foi, em sua essência, uma disputa sobre política econômica, soberania ou mesmo posse de um determinado território. Foi uma revolução contra a própria civilização ocidental — travada, em parte, pelo método inédito e insidioso de persuadir os filhos do Ocidente a se voltar contra sua própria herança. Essa é a campanha que Castro lançou em 1959, e é a campanha que seus herdeiros estão travando. Ao longo de 99 páginas, o relatório afirma que “mesmo com sua economia à beira do colapso, o objetivo fundamental do regime cubano permanece sendo a revolução marxista hemisférica capaz de apagar os Estados Unidos da face da Terra”. Não fica muito claro como ela se daria. Isso porque, “um dos maiores, mais sofisticados e perigosos vetores de influência estrangeira hostil na História moderna americana” são, segundo o documento, as ONGs, organizações ativistas, redes ideológicas e grupos de fachada cubanos. Dos tumultos antirracistas decorrentes do assassinato a frio de George Floyd à explosão do ativismo pró-Palestina nos campi universitários, tudo tem ligação “de alguma forma, à influência cubana” e sua “revolução existencial contra os Estados Unidos”. Caramba! Philip Agee foi agente da CIA por nove anos na década de 1960. Nascido na Flórida de Rubio (cujos pais cubanos emigraram antes da revolução), morreu na Havana de Fidel Castro em 2008, execrado pela agência por ter publicado um catatau autobiográfico de quase 700 páginas narrando sua vida de espião. “Dentro da ‘Companhia’: Diário da CIA”, publicado no Brasil pelo Círculo do Livro em 1974, tornou-se um clássico. A avaliação de Agee dos motivos que levam os Estados Unidos a precisar estrangular Cuba foi feita em entrevista ao programa de TV “Alternative View” e data dos anos 1970: — Se Cuba, um país pobre, conseguisse demonstrar que é capaz de oferecer cuidados de saúde melhores e outros avanços sociais, isso representaria uma ameaça à narrativa dos Estados Unidos sobre a superioridade de seu modelo. Muitos americanos poderiam olhar para Cuba e pensar: “Se eles conseguem fazer isso com uma renda per capita de US$ 2.000/US$ 2.500, enquanto a nossa é de US$ 22.500, que problemas existem em nosso próprio sistema? Continua valendo. Postado por Gilvan Cavalcanti de Melo às 07:49:00 Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar com o Pinterest Um comentário: Anônimo disse... Excelente texto! Trump e seu governo são fortes contra os mais fracos (Venezuela, Cuba), e fracos contra os fortes (Putin, China). 16/8/26 12:47




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