domingo, 23 de agosto de 2026

Plataforma do Mestre

"O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General."
Entre o poeta, o músico e o estudante, o denominador comum foi a barbárie.
O Resedá é uma árvore ornamental muito apreciada por seu florescimento exuberante e prolongado, que ocorre principalmente no verão. Produz cachos de flores em cores que variam do rosa ao roxo, atraindo abelhas, borboletas e outros polinizadores. De crescimento rápido e porte médio, é indicada para paisagismo, jardins, calçadas e praças. A espécie é rústica, adaptável a diferentes tipos de solo e requer manutenção mínima, tornando-se ideal para quem busca beleza aliada à praticidade.
📸Wilton Junior/Estadão Opinião Estadão no X: "#EspaçoAberto | Luiz Sérgio Henriques Considerações sobre o ‘interregno’ - A reconstrução da sociedade civil é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva Opinião Estadão @opiniao_estadao 📸Wilton Junior/Estadão 7:00 · 23 de ago. de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026 Considerações sobre o ‘interregno’, por Luiz Sérgio Henriques* O Estado de S. Paulo A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva Como tudo na vida, palavras envelhecem, e talvez seja essa a sensação que nos assalta ao depararmos com o uso reiterado de “interregno” para indicar o atual estado das coisas. Na conhecida formulação de Gramsci, a velha ordem está morta e não mais regula corações e mentes, enquanto a nova ainda não consegue se afirmar. No intervalo entre ambas, o mundo se enche de sintomas mórbidos. Provocadora, a imagem parece explicar o caos ao redor, mas há quem nela observe a persistência de uma certeza anacrônica sobre a nova ordem que viria a se impor por meio da revolução. Admitida a observação, pode-se ainda teimar em que a metáfora ao menos chama a atenção para os riscos próprios de épocas de transição como a nossa. Não por acaso, circulam por aí ideias-zumbis e figuras extravagantes, que recusam comportamentos baseados em regras, ainda que imperfeitas, e proclamam a lei do mais forte. Os sintomas precisam ser pesquisados, assim como buscados os remédios, todos eles políticos, naturalmente. Essa procura incessante, sem prescindir de analogias, não pode se limitar a elas – os adversários da sociedade aberta não são os mesmos de 1930 nem liquidá-los como “fascistas” nos deixa necessariamente em posição mais segura. Pode ser que estejamos de novo em plena mudança estrutural do espaço público – mudança que, significativamente, Anton Jäger, pesquisador belga da Universidade de Oxford, descreve em termos de “hiperpolítica” (cf. Hyperpolitics: Extreme Politicization Without Political Consequences, Verso Books). Para onde quer que olhemos, pessoas comuns estão em meio a polêmicas ferozes e a contraposições intratáveis. Parecem se contentar com identidades fixas numa sequência interminável de guerras digitais. Algoritmos invisíveis confinam em guetos até quem, pouco antes da entronização das redes sociais, tocava em paz a vida, imerso no próprio mundo privado. Uma politização inflamada, sem dúvida, mas de modo geral sem engajamento em partido, sindicato ou associação “real”. De fato, essa não é a política de massas da alta modernidade. Para o bem e para o mal, os partidos eram como que a “nomenclatura das classes”. Partidos conservadores podiam ter uma base popular considerável ou, se fossem democratascristãos, inseriam uma dimensão solidária no liberalismo. Partidos trabalhistas ou comunistas enraizavam-se na vida sindical, buscando integrar institucionalmente os “de baixo” ou mobilizá-los para a utópica nova ordem anteriormente mencionada. Tudo somado, um processo amplo de incorporação política, abalado, de tempos em tempos, por choques ideológicos que levaram a sacrifícios enormes e a guerras de violência sem precedentes. A globalização neoliberal dos anos 1990 significa ruptura radical com este “mundo de ontem”. A revolução assim desencadeada, disseminando a mercantilização de todos ou quase todos os âmbitos da vida, teve uma característica singular: fez da economia o fator de ordenação tendencialmente total. Com Reagan e Thatcher, o capitalismo se reinventa e mais uma vez dissolve no ar tudo o que aparentava solidez. A administração das coisas predomina, as instituições se esvaziam, os partidos apresentam programas que mal se distinguem uns dos outros. Afinal, “não havia alternativa”, uma frase de rara soberba que se proclamava aos quatro ventos. O século 21, sobretudo a partir da grande crise de 2008, se encarregou de liquidar as ilusões economicistas da “póspolítica” – e aqui voltamos ao argumento mais original de Jäger sobre o “interregno”. Coletivamente não nos livramos da rarefação institucional anterior, até porque não se interrompeu a individualização frenética da vida. Movemo-nos como átomos, as mobilizações hiperpolíticas podem ser intensas, mas são também fugazes e instáveis. E o drama maior é que não há caminho de volta: impossível, ou inaceitável, voltar às formas organizacionais da maior parte do século passado, que não mais seriam vividas como vetores de liberdade. A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva. No variado espectro do liberalismo, há gente disposta a experimentar formas inovadoras de mudança e recriação da vida social. E, felizmente, o mesmo pode ser dito dos socialistas que não se curvaram ao canto das sereias populistas e à sua recorrente desconfiança dos procedimentos democráticos. Fazer com que aqui e ali, e ainda que aos poucos, se estabeleçam nexos entre essas duas grandes áreas político-culturais é um objetivo permanente, não uma tática para circunstâncias críticas. O motor de tal convergência é a constatação de que, no presente “interregno”, o frenesi hiperpolítico e a pobreza institucional formam terreno propício para a recomposição dos poderes fortes e a afirmação dos homens providenciais. Tais processos negativos – é dispensável dizer – constituem o núcleo dos sintomas mórbidos que vêm corroendo por dentro as modernas democracias e o sistema de liberdades que lutas seculares nelas inscreveram. *Tradutor e ensaísta, é coeditor das obras de Gramsci no Brasil Aracy Côrtes - VERDE E AMARELO - samba de Orestes Barbosa e J Thomaz. Gravação de 1932. Verde e Amarelo - Brazilian Patriotic Song Sam! 10 de jul. de 2020 I'm not in a good mood to post anything today, but... here... Music composed in 1932 performed by Aracy Cortes, signs of a new time. To accentuate the Nationalist atmosphere in this song, it is interspersed with chords from the National Anthem. In the following verses: “Nesta terra de Palmeiras Onde canta o sabiá As almas das brasileiras São da flor do resedá, nothing is casual about it: the finish recalls the yellow color of the resedá flower.
domingo, 23 de agosto de 2026 Mesmo ausentes, Lula e Flávio são os protagonistas do debate na tevê, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente o principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, marcado para hoje, às 20h, na Band, terá dois protagonistas invisíveis: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), representante do PL. Os líderes das pesquisas decidiram não comparecer, deixando o palco para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A ausência expressa o cálculo político de ambos: evitar desgastes, reduzir o risco de surpresas e manter a disputa confinada à polarização que interessa aos dois. A resistência dos favoritos aos debates não começou agora. Em 1989, Fernando Collor evitou os confrontos do primeiro turno e apareceu somente nos dois encontros finais com Lula. O segundo debate ficou marcado pela controvérsia sobre a edição exibida no “Jornal Nacional”, episódio que expôs a influência da tevê sobre a percepção dos candidatos. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso recusou-se a participar dos debates, que acabaram não acontecendo, e venceu a eleição no primeiro turno. Em 2006, Lula também se ausentou dos encontros iniciais, comparecendo apenas no segundo turno, contra Geraldo Alckmin. Em 2018, Jair Bolsonaro participou dos primeiros debates, mas ficou afastado depois do atentado sofrido durante a campanha e não enfrentou Fernando Haddad na etapa final. Já em 2022, Lula e Bolsonaro participaram de confrontos televisionados, marcados pela intensidade da polarização. Os números do Datafolha divulgados na sexta-feira corroboram a decisão. Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Caiado registra 5%; Renan Santos, 4%; Zema, 3%; e Cury, 2%. Num eventual segundo turno, o presidente soma 47%, diante de 43% do principal adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Lula mantém a dianteira, mas enfrenta uma disputa apertada, que pode transformar qualquer episódio inesperado em ameaça real à sua posição. Para Lula, preservar a liderança significa conservar a expectativa de poder, que atrai alianças, financia mobilizações políticas, estimula apoiadores e mantêm palanques estaduais organizados. Uma eventual ultrapassagem de Flávio, ainda que estatisticamente limitada, pode ser desastrosa, maior do que os próprios números, abrindo espaço para deserções, hesitações no centro e mudanças na percepção de quem reúne condições reais de vencer. Novas denúncias contra seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixaram o petista na defensiva. Num debate com adversários à direita, seria o alvo principal de questionamentos sobre denúncias relacionadas ao INSS, investigações envolvendo pessoas do seu entorno político, dificuldades econômicas e o desgaste natural do governo. Em termos práticos, sua ausência evita exposição a vários ataques. Mas isso não significa que deixarão de existir. Congelamento Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente seu principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan, candidatos que disputam o eleitorado conservador, com objetivo de chegar ao segundo turno em seu lugar. Teria de responder a questionamentos sobre seu histórico político, suas relações com personagens investigados e o legado do bolsonarismo, enquanto seus concorrentes se apresentariam como uma direita menos vulnerável e mais confiável. Em eventual segundo turno, Flávio recebe votos de apenas parte do eleitorado dos demais candidatos à direita: 60% dos apoiadores de Zema, 54% dos eleitores de Caiado e 48% dos que preferem Renan. Confrontá-los diretamente poderia dificultar a reunião dessas forças na etapa seguinte. Sua prioridade é se apresentar como o único adversário viável contra Lula e esvaziar uma alternativa de centro-direita ou antissistema. Lula quer impedir que Flávio o ultrapasse e evitar que outro concorrente cresça a ponto de reorganizar a disputa. Flávio pretende consolidar sua condição de representante principal da oposição, bloqueando qualquer movimento de substituição dentro do campo conservador. Formam, assim, uma espécie de muralha na qual eles disputam a liderança na parte de dentro e os demais candidatos ficam do lado de fora. Mas essa tática pode resultar num cerco perigoso. Segundo o Datafolha, 72% dos eleitores afirmam estar decididos, enquanto 27% admitem mudar de voto. Entre os apoiadores de Lula, 82% se dizem convictos; entre os de Flávio, 78%. Há ainda 30% que declaram votar principalmente para impedir a vitória de outro candidato, ou seja, são eleitores voláteis, suscetíveis a acontecimentos novos, desempenho em debates e mudanças no ambiente político. Portanto, a segmentação do eleitorado ajuda a explicar a cautela. Num eventual segundo turno, Lula lidera entre as mulheres, por 51% a 38%; entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, por 55% a 35%; e no Nordeste, por 61% a 30%. Flávio predomina entre evangélicos, por 62% a 29%; e entre eleitores de renda mais alta. No Sudeste, região decisiva pelo tamanho do eleitorado, há empate técnico. O mau desempenho no debate poderia tornar-se uma armadilha, capaz de alterar percepções nesses segmentos e modificar o equilíbrio da disputa. A Tua Presença Morena Maria Bethânia - Tema
“Até o último homem” é bom, mas não é filme de Oscar João Paulo Lopes Tito 04 fevereiro 2017 às 10h03 Com uma violência que funciona praticamente como personagem autônomo, o longa, que marca o retorno de Mel Gibson à direção, foi salvo por Andrew Garfield A frase "ao soldado humílimo são defesos os planos do General" faz parte da mensagem espiritual "Plataforma do Mestre", psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier através do espírito Emmanuel, e publicada no livro Vinha de Luz. Vinha de luz — Emmanuel 174
Plataforma do Mestre Tema principal “Ele salvará seu povo dos pecados deles.” — (MATEUS, 1.21) 1 Em verdade, há dois mil anos, o povo acreditava que Jesus seria um comandante revolucionário, como tantos outros, a desvelar-se por reivindicações políticas, à custa da morte, do suor e das lágrimas de muita gente. 2 Ainda hoje, vemos grupos compactos de homens indisciplinados que, administrando ou obedecendo, se reportam ao Cristo, interpretando-o qual se fora patrono de rebeliões individuais, sedento de guerra civil. 3 Entretanto, do Evangelho não transparece qualquer programa nesse sentido. 4 Que Jesus é o Divino Governador do Planeta não podemos duvidar. O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General. 5 A Boa Nova, todavia, é muito clara, quanto à primeira plataforma do Mestre dos Mestres. Ele não apresentava títulos de reformador dos hábitos políticos, viciados pelas más inclinações de governadores e governados de todos os tempos. 6 Anunciou-nos a celeste revelação que Ele viria salvar-nos de nossos próprios pecados, libertar-nos da cadeia de nossos próprios erros, afastando-nos do egoísmo e do orgulho que ainda legislam para o nosso mundo consciencial. 7 Achamo-nos, até hoje, em simples fase de começo de apostolado evangélico — Cristo libertando o homem das chagas de si mesmo, para que o homem limpo consiga purificar o mundo. 8 O reino individual que puder aceitar o serviço liberatório do Salvador encontrará a vida nova. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro.
Sinopse: Um estudo com entoque em questões como: que princípios deveriam reger as relações presentes dos militares com o Estado? Pode uma democracia desfrutar de segurança militar sem sacrificar as instituições políticas? Quais os efeitos da crescente influência militar americana desde a década de 1940? A sua reedição é uma importante contribuição aos debates, ainda atuais, sobre o papel do militar na sociedade.
O soldado absoluto Uma biografia do marechal Henrique Lott Autor: Wagner William Sinopse " Wagner William resgata a trajetória do Marechal que é um dos mais esquecidos personagens da história política brasileira do século XX. O SOLDADO HUMÍLIMO E O GENERAL Uma leitura para o mundo da geopolítica de 2026 “O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos, porque ao soldado humílimo são defesos os planos do General.” Leitura para o mundo da geopolítica de 2026 dos dizeres de um senador do Império Romano, tendo em mente as disputas e guerras entre potências novas em ascensão, tentando dominar a hegemonia do mundo, e o Império resistindo nesse interregno. A frase pode ser lida de maneira particularmente fértil à luz da geopolítica de 2026 — desde que se preserve a distância entre o sentido original e a aplicação contemporânea. A imagem central é a de uma assimetria entre o combatente e o comandante. O soldado vê apenas o setor do campo de batalha que lhe foi confiado; o general conhece — ou pretende conhecer — o desenho maior da campanha. Aplicada à ordem internacional, a frase sugere uma postura de humildade epistemológica diante de um mundo em transição hegemônica: os atores que hoje disputam territórios, rotas, mercados, tecnologias e alianças talvez estejam participando de uma transformação histórica cujo resultado nenhum deles consegue enxergar integralmente. 1. O “mundo redimido” como uma ordem ainda não revelada “O que fará Ele do mundo redimido ainda não sabemos” contém uma ideia poderosa: a superação de uma ordem antiga não determina automaticamente a forma da ordem nova. Isso se encaixa muito bem no atual interregno. A ordem construída sob predominância norte-americana depois de 1945 — e especialmente depois de 1991 — não desapareceu, mas tampouco possui a mesma capacidade de organizar o sistema internacional sem contestação. Ao mesmo tempo, a ascensão de China, Índia e outras potências, a recuperação estratégica da Rússia, a autonomia crescente de potências regionais e a maior capacidade de barganha do chamado Sul Global não significam que exista simplesmente um “novo império” pronto para substituir o anterior. Estamos diante de algo mais interessante: a antiga hegemonia ainda possui enorme poder, enquanto as forças capazes de modificá-la ainda não produziram uma nova arquitetura internacional. É precisamente aí que surge o interregno. 2. O “General” e o problema da hegemonia Se transportarmos a metáfora para 2026, o “General” poderia representar a força histórica que produz a transformação do sistema, e não necessariamente uma pessoa ou Estado específico. Os Estados Unidos continuam possuindo atributos extraordinários de poder: capacidade militar global, centralidade financeira, alianças, tecnologia, instituições e enorme capacidade de projeção. Mas enfrentam uma realidade diferente daquela do imediato pós-Guerra Fria. A China, por sua vez, não é simplesmente uma potência revisionista clássica. Ela está construindo capacidades econômicas, industriais, tecnológicas, financeiras e militares que permitem disputar partes fundamentais da ordem mundial. O ponto essencial é que nenhum desses movimentos garante antecipadamente quem será o “General” da próxima ordem. Pode haver uma hegemonia chinesa? Pode haver uma renovação da primazia americana? Pode haver uma bipolaridade? Pode consolidar-se uma multipolaridade competitiva? Ou pode simplesmente surgir uma ordem mais fragmentada, em que diferentes potências dominem diferentes dimensões do sistema? A frase romana é interessante justamente porque se recusa a fingir que o soldado sabe a resposta. 3. O soldado humílimo como metáfora dos Estados “O soldado humílimo” pode representar, no mundo contemporâneo, os próprios Estados e seus dirigentes, inclusive os mais poderosos. Os Estados Unidos formulam estratégias de contenção. Pequim formula estratégias de longo prazo. Moscou procura recuperar profundidade estratégica. Índia procura ampliar sua autonomia. Países europeus tentam reconstruir capacidade própria. Potências médias procuram não ficar subordinadas a nenhum dos grandes polos. Cada um age racionalmente segundo seus interesses. Mas existe um paradoxo: a soma das estratégias nacionais pode produzir um resultado que nenhum dos estrategistas pretendia. É talvez a melhor leitura geopolítica da frase. 4. As guerras como sintomas do interregno Sob essa interpretação, as guerras contemporâneas não precisam ser entendidas apenas como conflitos isolados. Elas podem ser vistas como zonas de fricção de uma transformação sistêmica. A guerra na Ucrânia, as tensões no Indo-Pacífico, a competição tecnológica sino-americana, as disputas pelo controle de cadeias produtivas, energia, semicondutores, inteligência artificial, rotas marítimas e minerais estratégicos têm uma característica comum: poder militar, poder econômico e poder tecnológico estão novamente se fundindo. A guerra deixa de ser apenas uma questão de fronteiras. Passa a ser também uma disputa pela arquitetura da ordem internacional. Nesse sentido, o “Império resistindo” não precisa ser entendido literalmente como Roma. Ele pode representar uma potência hegemônica que, diante da ascensão de competidores, procura preservar as estruturas que sustentam sua primazia. E aqui aparece uma diferença importante: impérios em declínio não necessariamente caem rapidamente. Às vezes, a fase mais perigosa começa justamente quando o império ainda é extremamente poderoso, mas percebe que sua superioridade relativa já não é garantida. 5. O verdadeiro significado do “interregno” Há uma formulação famosa de Antonio Gramsci que ajuda a iluminar essa situação: “o velho está morrendo e o novo não pode nascer”. O intervalo entre ambos produz fenômenos particularmente perigosos. A frase romana oferece uma espécie de contraponto espiritual a essa ideia. Gramsci pergunta: o que acontece quando a velha ordem perde sua capacidade de organizar o mundo e a nova ainda não nasceu? A frase do senador responde, em outro registro: não sabemos o que virá depois. E essa incerteza não é fraqueza intelectual. É reconhecimento da escala histórica do processo. 6. A grande ironia de 2026 Talvez a leitura mais profunda seja esta: as grandes potências atuais podem estar lutando desesperadamente por uma ordem que nenhuma delas será capaz de controlar completamente. Os Estados Unidos podem tentar preservar a primazia. A China pode tentar estabelecer uma esfera de influência cada vez maior. A Rússia pode procurar impedir uma expansão estratégica que considera ameaçadora. A Índia pode buscar tornar-se um polo independente. A Europa pode procurar preservar autonomia. Países do Oriente Médio, África, América Latina e Sudeste Asiático podem explorar a rivalidade entre os grandes para ampliar sua margem de manobra. Mas o resultado final pode ser algo que não corresponde integralmente ao projeto de nenhum deles. É exatamente aí que a metáfora do soldado se torna extraordinariamente atual. 7. “São defesos os planos do General” Talvez esta seja a parte mais importante da frase. Ela não diz simplesmente: não sabemos o futuro. Ela diz algo mais forte: não nos é dado conhecer o plano inteiro enquanto estamos dentro da batalha. Para um analista de 2026, isso deveria funcionar como uma advertência contra três tentações. Primeira: declarar prematuramente o “fim do império americano”. Segunda: imaginar que a ascensão chinesa implica automaticamente uma substituição da hegemonia americana por uma hegemonia chinesa. Terceira: acreditar que as guerras atualmente em curso necessariamente produzirão a ordem desejada por qualquer uma das grandes potências. Talvez nenhuma dessas previsões esteja correta. 8. A leitura romana aplicada ao século XXI Há, portanto, uma espécie de estrutura paralela: Roma Geopolítica contemporânea Império Ordem internacional dominante Povos e potências em disputa Potências ascendentes e revisionistas General Dinâmica histórica maior que as estratégias individuais Soldado Estado, governo ou sociedade que atua no campo Batalha Guerras e disputas estratégicas atuais Mundo redimido Ordem internacional que surgirá do processo “Não sabemos” Incerteza estrutural do interregno E existe uma conclusão particularmente romana nisso tudo. Um império pode sobreviver às suas guerras e ainda assim perder o mundo que essas guerras pretendiam preservar. Da mesma maneira, uma potência ascendente pode vencer batalhas decisivas e ainda descobrir que a ordem resultante não é aquela que imaginava construir. Por isso, para 2026, eu leria a sentença não como uma profecia sobre quem vencerá, mas como uma advertência sobre a nossa incapacidade de enxergar o desenho completo enquanto participamos da transformação. O soldado vê a batalha. O Estado vê sua estratégia. A potência vê seu século. Mas a História vê algo maior. E talvez seja justamente essa a força da frase: no meio de um interregno, todos os protagonistas acreditam estar construindo o futuro — quando talvez estejam apenas fornecendo, sem saber, os materiais com que outro mundo será construído.
sábado, 22 de agosto de 2026 O que Odisseu pode ensinar ao liberalismo, por Fareed Zakaria* O Estado de S. Paulo Desafio é preservar dignidade humana enquanto recuperamos nossa capacidade de ambição heroica As nações ocidentais nos séculos 19 e 20 foram, em sua época, as sociedades mais liberais da história Finalmente fui assistir ao novo filme de Christopher Nolan, A Odisseia, para curtir um grande sucesso de bilheteria – e ele superou todas as expectativas. Não tinha a intenção de comentar as várias polêmicas em torno do filme, desde as críticas de que ele é “woke” até as alegações de que é historicamente impreciso (pelo amor de Deus, trata-se de uma história de quase 3 mil anos repleta de deuses e deusas, gigantes caolhos e magia!). Mas o comentário de Ezra Klein sobre o filme me levou a refletir sobre as questões mais amplas que ele levanta, as quais me parecem interessantes e importantes. Klein argumenta que, embora a crítica à Odisséia de Nolan como sendo “woke” – por ter escalado uma atriz negra para o papel de Helena – seja trivial e superficial, o filme é liberal em um sentido mais profundo. Nolan substitui fundamentalmente a moralidade do mundo antigo – em que a conquista e a vitória eram celebradas sem pudor – por uma moralidade mais matizada. Enquanto o Odisseu de Homero era constantemente elogiado por suas artimanhas inteligentes e astutas, o Odisseu de Nolan é assombrado pelas devastações da guerra e por seu próprio ardil, que esteve no centro da vitória: o cavalo de Troia. A partir do cristianismo, o Ocidente substituiu gradualmente a ética pagã da conquista e dominação descaradas por uma centrada na dignidade humana universal, na compaixão e na empatia. “Bemaventurados os mansos, porque herdarão a terra”, diz o Evangelho segundo Mateus – palavras que nenhum herói homérico jamais proferiria. HUMANIDADE. Os valores précristãos estão voltando à tona atualmente, à medida que a direita populista, muitas vezes acompanhada por um novo grupo de bilionários do setor de tecnologia, olha para trás com admiração para um mundo antigo em que força, dominação e vitória eram mais importantes do que empatia e igualdade. Para Donald Trump, “vencer” é tudo o que importa, justificando todos os meios. Ele usa essa palavra incessantemente. Em entrevista ao programa 60 Minutes, em 2018, quando questionado sobre seus comentários depreciativos a Christine Blasey Ford, a mulher que acusou Brett Kavanaugh de agressão sexual, Trump disse simplesmente: “Não importa. Nós vencemos.” Em seu livro Suicidal Empathy, Gad Saad – um dos escritores favoritos de Elon Musk – argumenta que o Ocidente está em declínio porque se preocupa demais com muitas pessoas: os marginalizados, as minorias e até mesmo seus inimigos. De fato, a maior conquista moral do Ocidente nos últimos dois milênios, e especialmente desde o Iluminismo, tem sido a ampliação do círculo de pessoas consideradas plenamente humanas, com igual dignidade e direitos iguais. Passamos a reconhecer a humanidade de pessoas antes rejeitadas como escravos, servos e cidadãos de segunda classe – estrangeiros, mulheres, minorias raciais, pessoas com orientações sexuais diferentes. Essas ideias se espalharam pelo mundo porque são, nas palavras da Declaração da Independência dos EUA, “evidentes por si mesmas”. Essa é uma das maiores conquistas do Ocidente, não uma doença decadente. Mas há uma crítica séria enterrada por trás dos ataques grosseiros do movimento trumpista. É uma crítica que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche formulou e está sendo retomada por alguns dos “tech bros” de hoje. Nietzsche temia que as ideias igualitárias do cristianismo nos tornassem menos propensos a ser extremamente ambiciosos, ávidos por riscos e temerários. Será que nos tornamos tão humanos a ponto de termos perdido os impulsos primitivos que nos tornavam heroicos? Não devemos romantizar civilizações construídas sobre sangue, violência e conquista simplesmente porque geraram heróis. Mas elas construíram mais do que isso. As pirâmides, as catedrais góticas, as viagens de descoberta, a Revolução Industrial – tudo isso surgiu de sociedades movidas pela ambição, pela confiança e pela disposição para o sacrifício. Muitas vezes, elas vinham acompanhadas de hierarquia e de um foco obstinado na grandeza. Parte do apelo do populismo hoje reside menos em políticas específicas do que na promessa de restaurar a grandeza nacional – de construir, de alcançar, de vencer. Mas será que precisamos escolher entre grandeza e bondade? Afinal, as nações ocidentais nos séculos 19 e 20 foram, em sua época, as sociedades mais liberais da história da humanidade. E elas não eram nada tímidas. Construíram ferrovias atravessando continentes, aboliram a escravidão, industrializaram o mundo, criaram a bomba atômica, reconstruíram a Europa e o Japão, levaram o homem à Lua e criaram a internet. Pense nos EUA de meados do século 20, o país que criou o moderno Estado de bem-estar social, derrotou o fascismo, construiu rodovias e aeroportos, combateu o comunismo e começou a desmantelar o legado da escravidão. Essas foram civilizações de imensa ambição. ROOSEVELT. Os liberais não devem se desculpar por acreditarem que todo ser humano possui igual dignidade. As grandes democracias liberais do mundo conseguiram ampliar nosso universo moral ao mesmo tempo que expandiram nosso universo físico. O desafio é recuperar essa tradição liberal mais antiga. Esse espírito será extremamente necessário à medida que desenvolvemos o que talvez seja a tecnologia mais transformadora de todos os tempos, a inteligência artificial, pois precisaremos garantir que seu incrível poder esteja enraizado em um sistema de ética e valores que valorize a dignidade humana e a igualdade – exatamente os valores que o cristianismo foi pioneiro em defender e o Ocidente fortaleceu de forma tão poderosa. Não precisamos voltar a Homero. Recuperar o espírito de Franklin Roosevelt já seria suficiente. *É colunista do ‘Washington Post’
domingo, 23 de agosto de 2026 A barbárie que une García Lorca, Victor Jara e Honestino, por Dorrit Harazim O Globo É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente Três gerações depois do sombrio 18 de agosto de 1936, ainda é proibido esquecer. Passaram 90 anos desde o fuzilamento do poeta Federico García Lorca por falangistas de Granada. Seu corpo nunca foi encontrado. Segunda-feira passada, dia 17, a homenagem mais vibrante e desempoeirada ocorreu nas ruas de Madri, quando uma ruidosa centena de jovens artistas emergiu do Palácio de Velázquez carregando (com autorização do Ministério da Igualdade) uma pequena estátua de Lorca sorridente. Num misto de “procissão laica” com flashmob a que foram se juntando cidadãos comuns, o cortejo seguiu até a Plaza de Santa Ana, no Barrio de las Letras. Ali, cantaram, declamaram e dançaram aos pés da estátua oficial, em bronze e tamanho natural, do cultuado dramaturgo de “La Casa de Bernarda Alba”. Uma imensa faixa com a conhecida estrofe de um poema de Lorca fez parte do cortejo: Quiero dormir un rato,/Um rato, un minuto, un siglo;/pero que todos sepan que no he muerto. Recapitulando. Ao arrepio da ascensão do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália, o ano de 1936 começara na Espanha com a vitória eleitoral de uma Frente Popular que reuniu socialistas, comunistas, anarquistas e organizações operárias. Ficaram no poder por pouco tempo — menos de quatro meses. Em julho daquele ano, a efêmera República foi derrubada. A Guerra Civil de três anos que se seguiu, cujo horror foi imortalizado por Picasso em “Guernica”, causou a morte direta de cerca de 500 mil pessoas. A ditadura de Franco durou 36 anos, sua teia de cicatrizes ainda lateja, e a Espanha até hoje não conseguiu enterrar boa parte daqueles mortos. Lorca foi preso e assassinado logo no primeiro mês, apesar de não ser filiado a nenhum partido de esquerda. As acusações contra ele, extraídas dos arquivos públicos, dizem o essencial: — Se ignora sua filiação política, mas sua ideologia é francamente esquerdista [...] publicou várias poesias negando a existência de Deus [...] Conceitualização de sua vida privada: un invertido (homossexual). Foi esse o pecado capital do cultuado poeta nacional que, à época do fuzilamento, tinha 38 anos e se preparava para assumir uma relação com um jovem de 19. O paradeiro exato de seu corpo continua desconhecido, apesar das periódicas escavações nas montanhas entre Viznar e Alfacar, salpicadas de valas comuns do horror falangista. Mesmo decorrido quase um século, é proibido esquecer. À falta de justiça, cabe à memória atravessar o tempo para alcançar novas gerações. É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente. Semanas atrás foi noticiada a captura do coronel reformado Nelson Haase Mazzei, um dos oito militares chilenos responsáveis pela morte sob tortura do cantor Victor Jara, 53 anos atrás. Haase integrava a notória Brigada Tejas Verdes quando os militares derrubaram o governo socialista de Salvador Allende, em 1973, inaugurando uma das ditaduras mais hediondas do hemisfério. Logo nos primeiros dias do golpe, o músico-ícone de 40 anos foi preso e submetido a torturas no Estádio de Chile (hoje rebatizado de Estádio Victor Jara). Seu corpo foi encontrado perto do principal cemitério de Santiago, com 44 perfurações de balas. Tinha as duas mãos quebradas e o crânio esmagado. A bailarina britânica e ativista Joan Jara, viúva do cantor, morreu aos 96 anos, em 2023, sem ter podido presenciar esse ato final de justiça. Haase Mazzei, de 80 anos, havia conseguido fugir para o sul do país após ser condenado a 25 anos de prisão em 2023 com os demais implicados. Um deles, Hernán Chacón, suicidou-se aos 86 anos quando a polícia foi prendê-lo em sua residência. Outro, Pedro Barrientos, havia fugido para os Estados Unidos, onde viveu por 34 anos até ser extraditado e preso três anos atrás. Sua sentença será proferida em dezembro de acordo com o Código Penal chileno específico para os 17 anos de crimes da ditadura militar. E o brasileiro Honestino? O estudante de geologia da UnB, militante da Ação Popular e líder da União Nacional dos Estudantes do Distrito Federal, tinha 26 anos em 1973 quando foi assassinado e “desaparecido” pelos órgãos da repressão militar brasileira. Foi “sumido” há 53 anos, portanto, com graus de crueldade não incomuns numa ditadura. No segundo mês sem notícias do filho, a mãe ouviu de militares que ele estava preso no Pelotão de Investigações Criminais da capital, ela poderia visitá-lo no dia de Natal. Família e amigos prepararam bolos, guloseimas. A mãe esperou seis horas em vão. Segundo depoimento do sobrinho de Honestino à Agência Brasil, “levaram-na para uma cela que estava cheia de sangue e disseram que o preso não estava mais lá”. Por que falar de Honestino agora? Porque é preciso. Porque no Brasil, ao contrário do Chile e da Argentina, os crimes da repressão militar foram anistiados. Porque a cinebiografia “Honestino” está em cartaz nos cinemas do país, e é desalentador ver apenas três cidadãs idosas numa das sessões. Porque o filme e o caso dos desaparecidos deveriam estar nas televisões e em sessões grátis nas universidades. Porque já são duas as gerações de brasileiros que podem ter esquecido. Porque dependemos da memória dos ainda vivos. Entre o poeta, o músico e o estudante, o denominador comum foi a barbárie. Αbertura Avenida Brasil (Oi oi oi) “O acadêmico da ABL propôs que a IA, assim como o IO, fossem substituídos pela II do Intangível; IM do Mágico: o que não tem resposta, nem nunca terá. AI, IO, IO, IO 🎼.” Linda Flor Yaya Araci Cortes Ai! Yoyô Eu nasci pra sofrê Fui oiá pra você Meus olhinho fechou! E, quando os olho eu abri Quis gritá, quis fugi Mais você, Eu não sei porque Você me chamou. Ai! Yoyô Tenha pena de mim Meu Sinhô do Bonfim Pode inté se zangá Se ele um dia soubé Que você é que é O Yoyô de Yayá! Chorei toda a noite, pensei Nos beijos de amô que eu te dei Yoyô, meu benzinho do meu coração Me leva pra casa! Me deixa mais não. Composição: Henrique Vogeler, Marques Porto, Luiz Peixoto.
Como dilapidar uma superpotência Por O Estado de S. Paulo Em poucos dias, Trump maltratou aliados e cortejou inimigos, arruinando de vez a capacidade dos EUA de converter sua superioridade militar e econômica em poder de fato O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã, um aliado dos americanos, no momento em que precisa do sultanato para mediar uma saída da guerra contra o Irã. Na Ásia, Trump reduziu a participação americana em exercícios militares com a aliada Coreia do Sul enquanto corteja o ditador norte-coreano Kim Jong-un, que recebeu prestígio sem entregar seu arsenal nuclear. Em poucos dias, para resumir, o presidente americano investiu contra um mediador de que necessita, enfraqueceu um aliado que o fortalece e afagou um adversário que não cede. Foi um capítulo especial da tragicômica série estrelada por Trump na qual ele, em um par de anos, arruína a política externa americana laboriosamente construída por seus antecessores ao longo de décadas. Os EUA dispõem das Forças Armadas mais poderosas, do mercado mais cobiçado e da moeda vital do planeta. Sua influência, porém, extrapola a soma desses recursos. Aliados oferecem bases e inteligência, e compromissos previsíveis os levam a correr riscos por Washington. Por décadas, essa rede permitiu transformar superioridade material em resultados políticos sem impor obediência a cada passo. Trump explora esse patrimônio como reserva para liquidação imediata. Alianças viram faturas, e dependência, ocasião para chantagem. As negociações servem de palco para vitórias pessoais. O método arranca concessões momentâneas, mas ensina cada interlocutor a reduzir a exposição à próxima ameaça. O ganho aparece no anúncio; o custo se acumula fora das câmeras. A ascensão da China, o cansaço com guerras prolongadas e a frustração com aliados alimentaram entre os americanos uma demanda legítima por prioridades mais claras. Trump respondeu à ansiedade de uma superpotência que teme perder posição com uma política de performance e humilhação. Sua necessidade patológica de exibir domínio oferece aos autocratas uma chave conveniente: deferência pessoal vale mais na Casa Branca que reciprocidade verificável. Trump tinha razão ao exigir que europeus gastassem mais na própria defesa, e sua pressão ajudou a produzir esse resultado. Uma Europa mais capaz, integrada a uma estratégia comum, repartiria o peso da segurança ocidental. Mas uma Europa que se arma por temer o abandono constrói uma apólice contra Washington. A distinção vale no Pacífico. Os exercícios com Seul compram prontidão e dissuasão. Reduzi-los para punir o aliado barateia a presença americana e debilita a defesa que evita custos maiores. Os adversários tomam nota. Pequim passou anos mapeando gargalos comerciais e tecnológicos, preparou instrumentos de retaliação e aprendeu a explorar a ansiedade de Trump por troféus. Pode oferecer compras, tréguas ou um retorno tático ao ponto de partida, permitindo que Trump anuncie triunfos enquanto usa a pausa para minimizar vulnerabilidades. A imprevisibilidade ainda intimida alvos frágeis. Repetida como método, revela os limites que pretendia ocultar. A guerra contra o Irã expõe a mesma distância entre força e resultado. Os EUA podem destruir instalações e infligir danos devastadores. Ainda assim, não controlam o compasso do conflito: ele depende da reação de Teerã, da vulnerabilidade de Ormuz e da disposição dos países do Golfo de ajudá-lo. Cada rodada militar estreita as opções de saída. Ameaçar Omã equivale a chutar a porta por onde se pretende escapar. Os efeitos se acumulam à medida que aliados diversificam parcerias, alvos das tarifas reorganizam cadeias produtivas e mediadores evitam riscos. Os rivais testam os limites já revelados. Pequim não precisa substituir Washington para lucrar. Basta que os parceiros dos EUA confiem menos neles e que a China já não pareça a única grande potência da qual é prudente se proteger. Washington continuará capaz de sancionar, bombardear e obter concessões. À medida que sua liderança perde legitimidade, porém, precisa recorrer mais à coerção em troca de cooperação. A ordem resultante será mais armada e fragmentada, com menos espaço para os EUA e mais oportunidades para seus rivais. Essa degradação é tanto mais trágica quanto é desnecessária. Nenhum rival poderia arrancar facilmente dos EUA sua rede de alianças e a confiança acumulada durante gerações. Trump faz esse trabalho por eles.
A maior proeza de Lula 3.0 "Numa entrevista à repórter Bela Megale, o brigadeiro disse que, durante a fervura, ele advertiu Bolsonaro: “Presidente, olha aqui o que está acontecendo. Depois de tudo isso, quem vai levar toda essa carga são as Forças Armadas”. Bingo. Pelo comportamento de Bolsonaro, o golpismo estava deslizando para o colo dos militares. Baptista Junior reconheceu que essa incerteza teve um preço: “As Forças perderam confiabilidade, talvez seja essa palavra”. Não é. A palavra é confiança. Felizmente a desconfiança durou pouco, graças a atitudes como a de Baptista Junior, Lula está no Planalto e 23 notáveis da trama estão presos, inclusive Bolsonaro. Pode-se achar que o governo de Lula não tem marca, mas ter retirado as Força Armadas da frigideira foi sua maior proeza, o que não é pouca coisa."

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