quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Saúde e avante!

"Mas quem tem defeito que se cale agora / Ou que dê um jeito de ficar de fora" Elegia 1938 | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas Mundo Dos Poemas A Sociedade em Rede no Século XXI: uma Perspectiva Retrospectiva Fundação FHC 2 de jul. de 2026 A Fundação FHC realizou um webinar com o renomado sociólogo espanhol Manuel Castells. Os livros de Castells sobre a era da informação, as sociedades em rede e o poder das identidades marcaram época na interpretação das diversas facetas da globalização na virada do século 20 para o 21. Neste evento on-line, ele revisitou essas ideias à luz das transformações recentes do mundo contemporâneo, marcado por inovações tecnológicas como a IA, pela crise da democracia, pela ascensão de regimes autocráticos e pelo recrudescimento das rivalidades geopolíticas. A mediação foi de Sergio Fausto, diretor geral da Fundação FHC. CONVIDADO: MANUEL CASTELLS Sociólogo espanhol, é professor de Tecnologia da Comunicação e Sociedade na University of Southern California, professor emérito de Sociologia e Planejamento na University of California, Berkeley e professor honorário de Comunicação na Tsinghua University (Pequim). É membro da American Academy of Arts and Sciences, da British Academy e da Real Academia de Ciencias Económicas y Financieras. MEDIAÇÃO: SERGIO FAUSTO Diretor geral da Fundação FHC, cientista político e Distinguished Fellow of the Kellogg Institute for International Studies. Formiga Miúda / Shopping Samba Zeca Pagodinho Formiga miúda Lua que não muda não muda maré Você não se iluda Formiga miúda não morde o meu pé Êta, samba feito pra dizer verdade Quem tiver vontade basta abrir o peito Mas quem tem defeito que se cale agora Ou que dê um jeito de ficar de fora Por quê? Se a dor da queixa fica sem resposta A roda fecha mal a gente encosta E quando abre deixa a ferida exposta E quando abre deixa a ferida exposta Lua que não muda não muda maré Você não se iluda Formiga miúda não morde o meu pé Êta, samba rude pra cantar na praça Entre uma atitude e outra cachaça Quem tiver virtude que puxe o refrão Antes que ele mude de opinião Por quê? A mão que afaga não afoga o trauma E só se apaga uma dor da alma Quando o samba esmaga palma contra palma Quando o samba esmaga palma contra palma Shopping samba Vou te contar, rapaz Tem malandro enrolando demais No shopping samba O barato tá no cartaz Mocotó, mocotó sem tornozelo Sacolé fora do gelo Feijoada de sagu Agrião de talo grosso Carne-seca de pescoço Nessa todo mundo vem É melaço de urutu Não vai sobrar nada pra ninguém Afoxé, Afoxé da Argentina Rock and roll da Cochinchina Rumba de Waterloo Boi bumbá de Nova Iorque Foxtrote do Oiapoque Nessa todo mundo vem É pagode de Seul Não vai sobrar nada pra ninguém Composição: Rita de Cassia, Sergio Fonseca, Wilson Moreira, Marcos Paiva. Cleitinho volta atrás e pede para disputar governo de MG: "Quem nunca errou?" "Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão por favor?" Cleitinho (04/08/2026) LINDA FLOR - ELIZETH CARDOSO Ai iô iô! Linda Flor Elizeth Cardoso Ai, Ioiô Eu nasci pra sofrer Fui olhar pra você, meus olhinhos fechou E quando os olhos abri, quis gritar, quis fugir Mas você, eu não sei porque Você me chamou Ai, Ioiô Tenha pena de mim Meu Senhor do Bonfim pode inté se zangá Se ele um dia souber Que você é que é, o Ioiô de Iaiá Chorei toda noite, pensei Nos beijos de amor que te dei Ioiô, meu benzinho do meu coração Me leva pra casa, me deixa mais não Ai, Ioiô Tenha pena de mim Meu Senhor do Bonfim pode inté se zangá Se ele um dia souber Que você é que é, o Ioiô de Iaiá Composição: Luís Peixoto, Henrique Vogeler, Marques Porto. Você Não Passa de uma Mulher Você não passa de um avatar. Mulher preguiçosa, mulher tão dengosa, mulher Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Mulher tão bacana e cheia de grana, mulher Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Você não passa de uma mulher (ah, mulher) Você não passa de uma mulher Minha Mãe Me Deu Um Lenço Amália Rodrigues "Engambela a dor com arte." Minha mãe me deu um lenço E meu pai uma blusa Eu quero andar em cabelo Que o que se agora usa Eu perdi o meu lencinho Num bailarico a bailar Minha mãe não me dá outro Em cabelo eu hei de andar Nada Será Como Antes - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos - José Cândido - História e Música "agora promete 'fazer diferente'" Se Você Pensa (Versão remasterizada) Roberto Carlos 17 de out. de 2015 Provided to YouTube by Sony Music Entertainment Se Você Pensa (Versão remasterizada) · Roberto Carlos O Inimitável ℗ 1968 Sony Music Entertainment (Brasil) I.C.L. Released on: 1968-04-07 Daqui pra frente tudo vai ser diferente. Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Um novo tempo. Malu Mulher - Regina Duarte MPB4 - Vira Virou (DVD O Sonho, A Vida, A Roda Viva!) [Vídeo Oficial] MPB :: As Melhores! 24 de mar. de 2018 Essa faixa pertence ao álbum "O Sonho, A Vida, A Roda Viva!", do MPB4. Para ouvir de graça, clique no link: https://SomLivre.lnk.to/osonhoavidaar... Vira Virou MPB-4 Vou voltar na primavera, Que era tudo que eu queria Levo terra nova daqui Quero ver o passaredo Pelos portos de Lisboa Voa, voa, que eu chego já Mas se alguém segura o leme Dessa nave incandescente Que incendeia minha vida Que era viajante lenta Tão faminta da alegria Hoje é porto de partida Ah, vira, virou, meu coração navegador Ah, gira, girou, essa galera Composição: Kleiton Ramil.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Eleitorado neste ano vai às urnas ressentido, por Dora Kramer Folha de S. Paulo Há menos uma guerra ideológica que um embate de sentimentos negativos mutuamente alimentados Favoritos alimentam esse ambiente de mal-estar geral, na falta de terem algo melhor a dizer à população Eleições são ganhas com apoio popular, respaldo político-partidário e expertise para se valer de erros do campo adversário. Foi assim que Tancredo Neves chegou vitorioso ao colégio eleitoral de 1985, marco fundador da transição democrática. O mineiro administrou a frustração com a derrota da emenda Dante de Oliveira, atraiu o capital da movimentação nacional em prol das diretas-já, aproveitou-se da desorganizada divisão do governo em torno dos nomes de Paulo Maluf, Mário Andreazza, Aureliano Chaves e do desejo do que seria o último ditador em prorrogar o próprio mandato. A história do Brasil nos fornece lições. Na campanha em curso, nenhum dos favoritos é detentor de apoio irrestrito. Ambos têm rejeições que os colocam num cenário de aceitação que decorre do repúdio ao oponente. Não há a materialidade de um plano econômico, como o que fez o eleitorado aderir ao projeto de saída do inferno da inflação e levou Fernando Henrique Cardoso à Presidência numa aliança da centro-esquerda com a direita. Ali, o PT errou ao se opor ao Plano Real, contrapondo-se à preferência nacional. Não há a mobilização da esperança por um país mais igual, socialmente inclusivo, que fez o eleitorado abrir à esquerda o espaço que três vezes negara a Luiz Inácio da Silva. Ali, os tucanos erraram ao não saber dar continuidade ao próprio legado. Hoje, o que há? Um embate de ressentimentos que se convencionou qualificar como guerra ideológica, cujo caráter doutrinário não se sustenta à luz de pesquisas que mostram eleitores ditos de esquerda escolhendo Flávio Bolsonaro (PL) e declarados direitistas preferindo votar em Lula. Ocupados com a repulsa que sentem uns pelos outros, os grupos que aparecem como retratos da maioria interditam o espaço para escuta dos demais candidatos ou até de gente que, estimulada, poderia vir a concorrer. Os chefes dessas torcidas se alimentam do mal-estar na falta de algo melhor a dizer ao eleitor, que vê na urna um poço de mágoas.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Escândalo do INSS chega ao Planalto e põe campanha de Lula na defensiva, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense O caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do rombo do Banco Master Era pedra cantada que o escândalo do INSS se transformaria numa dor de cabeça para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que não estava no radar dos gerenciadores de crise do Palácio do Planalto era que, além das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o caso chegaria a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, assessor discreto e poderoso, que atendia as ligações para o celular do presidente da República e entrava no seu gabinete sem se anunciar. Marcola afirmou ter transferido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e apontada como amiga e possível intermediária de interesses do filho de Lula. Marcola afirma que o dinheiro foi para quitar um empréstimo pessoal. O problema político é que, até agora, não apresentou publicamente os comprovantes da contratação e do pagamento. Surpreendido, Lula cobrou explicações de seu ex-auxiliar, que deixou o gabinete para atuar na campanha há algumas semanas. Mais do que um constrangimento para o Palácio do Planalto, o episódio criou uma crise na campanha de Lula, porque a movimentação financeira partiu de uma personagem investigada no escândalo do INSS, com práticas de lobista que levaram a Polícia Federal a abrir três frentes de apuração envolvendo Lulinha. De certa forma, o caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master. O escândalo do INSS ressurgiu no pior momento. Depois de gastar bilhões de reais para ressarcir aposentados e pensionistas pelos descontos associativos não autorizados em seus benefícios, o governo esperava virar a página da Operação Sem Desconto. A restituição reduziu o prejuízo imediato das vítimas, porém não eliminou as perguntas mais perigosas: quem se beneficiou do esquema e até onde chegavam suas conexões dentro do poder? As investigações começaram pela cobrança irregular de mensalidades de associações e sindicatos nos benefícios previdenciários. Segundo a Polícia Federal, entidades obtinham autorizações inexistentes ou fraudulentas e descontavam valores diretamente de aposentadorias e pensões. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é apontado como um dos principais operadores do esquema, que envolve servidores, dirigentes de entidades, empresários e agentes políticos na arrecadação, intermediação e/ou da lavagem do dinheiro. O nome de Lulinha apareceu a partir das relações de Antunes com Roberta Luchsinger. Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS, declarou que o lobista teria feito um pagamento milionário ao filho do presidente e lhe repassaria uma “mesada” de R$ 300 mil. Uma mensagem analisada pelos investigadores registra Antunes indicando “o filho do rapaz” como destinatário de um pagamento, seguido de uma transferência de R$ 300 mil para uma empresa de Roberta. A interpretação de que a expressão se referia a Lulinha é uma hipótese ainda sob investigação. Tráfico de influência A Polícia Federal também identificou viagens de Lulinha, Antunes e Roberta à Europa em períodos coincidentes. A defesa reconhece que Lulinha viajou a convite do empresário para conhecer um projeto relacionado a medicamentos à base de canabidiol, mas nega que os dois tenham mantido negócios. Também rejeita a acusação de que o filho de Lula tenha recebido dinheiro do Careca do INSS ou atuado para facilitar seus interesses no governo. A primeira investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em favor de Antunes. O objetivo é verificar se Lulinha teria usado sua proximidade com o presidente para abrir portas no Ministério da Saúde e em outros órgãos para projetos de cannabis medicinal e telemedicina. A segunda apura uma possível atuação em benefício de empresários interessados em contratos da Dataprev, empresa pública que administra dados previdenciários. A terceira, autorizada pelo ministro Flávio Dino, examina negócios supostamente irregulares de um grupo ligado a Roberta Luchsinger em diferentes áreas da administração federal. Os detalhes permanecem sob sigilo. A defesa diz que Lulinha se colocará à disposição das autoridades, nega qualquer relação direta ou indireta com irregularidades e acusa setores da Polícia Federal de promover vazamentos seletivos com objetivos eleitorais. Dino autorizou uma investigação específica sobre a divulgação ilegal de informações sigilosas. Lula, por sua vez, adotou a única posição defensável: afirmou que não protegerá o filho e que ele responderá como qualquer cidadão. Tudo isso já era sabido. A novidade é o caso de Marcola. O ex-chefe de gabinete não é acusado de participar das fraudes contra aposentados. Entretanto, a PF apura a origem, a finalidade e a documentação dos R$ 80 mil que teria recebidos de Roberta. Mesmo que o empréstimo seja comprovadamente lícito, sua existência amplia a proximidade da empresária com o círculo pessoal e político de Lula. O escândalo bateu à porta do Planalto. A consequência eleitoral pode ser grave porque o desgaste ocorre quando Lula e Flávio Bolsonaro já aparecem tecnicamente empatados. Pesquisa Nexus/BTG, divulgada em 3 de agosto, mostra Lula com 46% e Flávio com 45% num eventual segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos. Já a pesquisa Quaest divulgada ontem (5) mostra o presidente Lula (PT) com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que tem 39%.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa O Estado de S. Paulo Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT. Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça. Andrei reagiu e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU). Mas Jorge Messias, chefe da AGU, não vai comprar briga com Mendonça e tenta promover o armistício. O imbróglio, no entanto, não para aí. Nos bastidores, uma ala do PT ataca Andrei, sob o argumento de que ele não tem pulso para conter os “setores bolsonaristas” da PF. Na outra ponta, ministros avaliam que Marcola – como é conhecido o ex-chefe de gabinete – pode ter de deixar a coordenação da campanha para evitar que as investigações sejam mais uma ponta de lança contra Lula. Homem da confiança do presidente, e responsável por marcar as suas audiências, Marcola disse, em nota, ter feito um empréstimo com Roberta Luchsinger, quitado com uma transferência bancária de R$ 249 mil. O problema é que todas as diligências têm como alvo Lulinha e suas articulações para mostrar influência no governo. Roberta, por sua vez, é apontada como lobista e atua em negócios com o Careca do INSS. Apesar de contar com o apreço de Lula, Marcola enfrenta “fogo amigo” no governo, principalmente na Secretaria de Comunicação Social (Secom). Pouco antes de deixar o cargo no Planalto para entrar na campanha, por exemplo, ele teve uma discussão acalorada com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. Marcola e sua mulher Nicole, que administra os perfis de Lula nas redes sociais, ao lado do fotógrafo Ricardo Stuckert, sempre acharam que Sidônio vende uma imagem “adocicada” de Lula. O ex-chefe de gabinete disse ao ministro, com todas as letras, que uma campanha que tem Flávio Bolsonaro (PL) como principal oponente não pode recorrer a “gatinhos” e “capivaras” para explicar programas do governo. O presidente concordou com o diagnóstico. Não foi à toa que, na convenção do PT, realizada no domingo, Lula disse que não vai ser mais “Lulinha paz e amor”. Até agora, porém, ninguém sabe qual será, na prática, o figurino do “Lulinha porreta” que ele pretende vestir. •
quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari O Globo Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética. É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada. A Embraer deu certo. A fabricação do tanque Osório deu errado. Acabou com a falência da Engesa, queridinha de alguns generais. Dois protótipos foram para museus. (Em 1993, Saddam Hussein, então ditador do Iraque, disse a um embaixador brasileiro, referindo-se ao dono da empresa: “Diga a ele para não nos oferecer o que não tem”. Era a fabricação de uma bomba atômica.) Lula só fala com a alma improvisando enquanto caminha no palanque. Insultou os advogados: “Criminalista não sabe defender inocente, só sabe defender bandido”. Sem os criminalistas, ele não teria passado de ex-dirigente sindical. E, sem o advogado Cristiano Zanin, não teria anulado as sentenças do juiz Sergio Moro. Noutro lance, Lula anunciou que, depois dele, Fernando Haddad será o próximo presidente. Partiu de um pressuposto, provável, de que se reelege pela terceira vez e de outro, apenas possível, de que o ex-ministro da Fazenda ganha em São Paulo. Haddad elegeu-se prefeito de São Paulo em 2012 e perdeu a reeleição em 2016. Foi para o sacrifício como candidato à Presidência e perdeu para Bolsonaro em 2018. Em 2022, Tarcísio de Freitas bateu-o elegendo-se governador de São Paulo. Em outubro, os dois disputarão novamente o cargo. Ganhou só a primeira. Lula começou sua campanha com seu próprio script. Ele é repetitivo, muitas vezes inoportuno e quase sempre estranho à agenda da campanha, a começar pela duração. Na reunião dos petistas, ele não combinou com os ônibus que haviam trazido a plateia, e muitos foram embora para não perder a condução. A campanha de 2026 é inédita. Seu principal adversário coleciona crises, enquanto os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina fustigam-no com o objetivo expresso de interferir na eleição brasileira. Nunca se viu isso, nem com tarifas (no caso de Donald Trump), nem com baixarias (no caso de Javier Milei). A própria campanha de Lula reconhece que pode enfrentar problemas num segundo turno, dada sua dificuldade para atrair indecisos e para virar votos de outros candidatos. A última pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, informou que a diferença entre ele e Flávio Bolsonaro no primeiro turno caiu de 9 para 4 pontos. No segundo turno, estão tecnicamente empatados. As barreiras que o desafiam não serão rompidas repetindo o que disse aos petistas: — No quarto mandato, eu não quero Lulinha paz e amor, quero Lulinha porreta.
Lula, mais uma vez Por O Estado de S. Paulo Será a sétima eleição com Lula na cédula. Portanto, os brasileiros estão cansados de saber quem ele é. Mas o petista é imbatível na arte de engambelar: agora promete ‘fazer diferente’ O nome do petista Luiz Inácio Lula da Silva aparece na cédula eleitoral como candidato a presidente desde os tempos imemoriais do voto em papel, lá se vão quase 40 anos. Anteontem, o presidente foi oficializado como candidato pela sétima vez, e estará em busca de seu quarto mandato. Logo, os eleitores brasileiros estão cansados de saber quem ele é e o que é capaz de fazer quando está no poder. Mas Lula é imbatível na arte de engambelar: agora ele promete fazer diferente, “fazer o que a gente ainda não fez”. Na convenção do PT que oficializou sua nova candidatura, Lula encarnou um super-herói boquirroto disposto a salvar o Brasil de vilões daqui e de fora. O petista prometeu blindar as terras raras da cobiça estrangeira, jurou que investirá em defesa para que o País jamais seja “invadido” como a Venezuela pelos EUA e anunciou que brigará com o Congresso para, ora vejam, retomar o controle do Orçamento e pôr fim à “promiscuidade” do Fundo Partidário. Para ficar perfeito na personagem, só faltou Lula vestir uma esvoaçante capa vermelha com a estrela do PT. Esse Lula vingador mascarado é o mesmo que, na campanha de 2022, prometeu acabar com o orçamento secreto, mas que, uma vez no poder, deixou tudo como está. O insulto à inteligência alheia também vale para o suposto combate ao Fundo Partidário. Mas o auge da farsa lulopetista veio no momento em que Lula anunciou que vai “mudar muita coisa neste país”. Para começar, o petista disse que vai recuperar os “direitos” do presidente da República, entre os quais o de definir o Orçamento, cada vez mais capturado pelos parlamentares e seus interesses paroquiais. Lula disse que não dá mais para ficar “chorando atrás da miséria que sobra do Orçamento”. Ora, com que base parlamentar Lula pretende fazer isso? Se hoje o governismo no Congresso é uma massa disforme e incontrolável, a próxima legislatura promete ser ainda mais hostil ao presidente petista. Num surto delirante, Lula pode escolher a ingovernabilidade e brigar com o Congresso, mas, depois de tanto tempo no poder, ele sabe que isso não acaba bem. Contando com a ingenuidade dos eleitores, contudo, Lula anunciou que será “mais ousado”: “Eu não quero o Lulinha Paz e Amor, eu quero o Lulinha Porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos, o povo já está comendo. Agora que estamos com o básico garantido, agora é hora de dar um salto de qualidade”. Trata-se de uma fantasia recorrente do lulopetismo. Se estivesse realmente interessado num “salto de qualidade”, Lula teria ao menos mencionado a necessidade urgente de um ajuste fiscal. Mas esse tema, obviamente, esteve ausente do palavrório do presidente. Aqui e ali, gente do governo diz que o quarto mandato será diferente. O último a fazê-lo foi o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que disse ao jornal Valor que o “ajuste fiscal do próximo governo” teria “vários caminhos” e que seria preciso discutir “poupança de longo prazo” e mecanismos para estimular famílias e o poder público a poupar mais. Chega a ser ultrajante ouvir de um assessor de Lula que, depois de décadas incentivando os brasileiros a gastar o que têm – e, principalmente, o que não têm –, o governo petista agora acha que é o caso de estimular a poupança dos brasileiros. Os números desmentem o suposto compromisso com a responsabilidade fiscal até como discurso. O País bateu recorde de arrecadação no primeiro semestre – R$ 1,587 trilhão – e, mesmo assim, fechou o período com déficit de R$ 92,2 bilhões, o segundo pior resultado desde 1997. A dívida pública federal chegou a R$ 9,268 trilhões em junho e deve encerrar o ano em R$ 10,3 trilhões, cerca de 82% do PIB, com custo médio no maior patamar desde a recessão de 2016. Com esse histórico, Lula pode achar que ainda ilude os incautos com seu discurso de “fazer diferente” e “dar um salto de qualidade”, mas a verdade é que, se vencer a eleição, não será porque os eleitores acreditaram nessa patacoada, e sim porque a ojeriza ao bolsonarismo terá se provado maior do que a hostilidade ao lulopetismo.

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