domingo, 23 de agosto de 2026

Porque, nas Arcadas, até a ironia precisava ter educação.

ELIANA CALMON, EX-MINISTRA DO STJ E CNJ RESPONDE: "E o professor Calmon de Passos lembrava sempre uma fala (frase) dita por um baiano - um político baiano, chamado João Mangabeira que estava para (eu até pensava que a frase era dele mesmo) do João Mangabeira, mas depois eu fui estudar e verifiquei, e ele falou o que Rui Barbosa disse: "olha, em toda a República, o poder que mais faltou a essa República foi o Poder Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal". Isso foi dito por Rui Barboa, né? E eu achei aquilo muito interessante à época. Mas faltou como? Casos isolados que podem ser ditos faltou à República.Mas quando nós vamos examinar o que foi o Supremo, que teve os seus erros, teve os seus equívocos, naturalmente, nós vamos encontrar pessoas que se mantiveram uma postura exemplar, sempre. Eu, levei muitos anos acreditando piamente nisso.Eu olhava para um minstro do Supremo. E eu baixava a cabeça. Eu reverenciava.E eu não sou assim tão humilde.Para entender e referenciar uma autoridade. Eu reverenciava aquele homem que pelo seu poder, pela sua discreção era possível referenciar. De forma que este era o sentidmento da Nação, com relação ao Supremo Tribunal Federal." https://x.com/Elisabete212046/status/2090129115244347754?s=48 https://x.com/Elisabete212046/status/2090129115244347754/photo/1 'Ministros do STF concentraram todo o poder do Judiciário', adverte Eliana Calmon
Relato de Belisário dos Santos Júnior (Visão do Aluno) A data marcante: O autor completou 20 anos no exato dia da ocupação, quando cursava o 3º ano da Faculdade de Direito.A senha da invasão: A senha para o início da ação foi a encenação de textos de Joana D'Arc pelo grupo de jograis "Segréis das Arcadas" na Aclimação.Ocupação pacífica: A entrada no prédio ocorreu perto da meia-noite, vinda do XI de Agosto, realizada apenas com escalada e destreza, sem danos ao patrimônio histórico.Espaço de reflexão: Durante um mês, o local virou um espaço de debates sobre a nova Universidade, reunindo alunos, filósofos e professores.Consequências políticas: Apesar da posterior desocupação policial e de processos administrativos (que acabaram arquivados), o ato gerou um movimento estudantil forte e vitorioso nas eleições acadêmicas seguintes.Relato de José Ignácio Botelho de Mesquita (Visão do Professor)O impacto do evento: Compara a ocupação a um tsunami sobre um dos símbolos mais venerados de São Paulo, algo impensável e impactante para a época.As motivações estudantis: Destaca que, influenciados pelo maio de 1968 na França, os alunos buscavam o fim dos defeitos do ensino jurídico, protestavam contra a ditadura militar e exigiam uma gestão paritária na Congregação.Divisão no corpo docente: A reação autoritária da Congregação (que pediu a reintegração de posse) dividiu os professores entre a minoria que apoiava as demandas e a maioria alinhada aos métodos da ditadura.Perseguição ideológica: Relata que qualquer opositor ao regime era falsamente tachado de comunista, mencionando o professor Alberto da Rocha Barros, que sofreu represálias do grupo extremista CCC por dar aulas aos alunos ocupantes.Importância da memória: Enfatiza que a história precisa ser contada porque houve uma forte pressão de setores poderosos para que esses fatos fossem esquecidos e sepultados. https://www.migalhas.com.br/quentes/63203/quarenta-anos-da-ocupacao-das-arcadas
wirapaye 16 sem Muito antes de 1500 e de qualquer contato europeu, a Amazônia era ocupada por sociedades indígenas numerosas e organizadas em larga escala. https://www.instagram.com/reel/DXkaPAGEWlx/
Esquete — “Discreção nas Arcadas” Cenário: uma sala austera do Supremo. Duas capas pretas sobre as cadeiras. De um lado, o NOVIÇO, ministro jovem, elétrico, satisfeito consigo mesmo. Do outro, o DECANO APOSENTADO, seu antigo professor nas Arcadas de São Francisco. Sobre a mesa, um exemplar da Constituição de 1988 e outro de Rui Barbosa. NOVIÇO: Professor, o senhor há de concordar comigo: discreção não existe. O correto é discrição. E convenhamos: usar “discreção” para falar do Supremo é um tanto... pitoresco. DECANO: Meu caro, Vossa Excelência descobriu a ortografia. É um começo. Só não a confunda com a História. NOVIÇO: Mas a senhora ex-ministra falou em “discreção”! Uma jurista daquele porte! DECANO: Justamente. E Vossa Excelência, que tanto aprecia o mérito, poderia começar praticando o seu. NOVIÇO: O senhor está dizendo que “discreção” está correto? DECANO: Estou dizendo que o mundo é um pouco maior que o seu dicionário de bolso. NOVIÇO: Mas, professor... DECANO: “Discrição” pode ser reserva, prudência, compostura. Já a tradição jurídica conheceu “discreção” para designar o poder de decidir dentro da autoridade conferida pela lei — aquilo que hoje Vossa Excelência chama, com ar de descoberta científica, de poder discricionário. NOVIÇO: Então ela não estava necessariamente errada? DECANO: Não. Mas Vossa Excelência estava muito seguro de que ela estava. NOVIÇO: Eu apenas fiz uma brincadeira. DECANO: Ah, sim. A velha e respeitável instituição da brincadeira feita por quem ainda não estudou o assunto. NOVIÇO: O senhor está sendo severo. DECANO: Estou sendo professor. A severidade é apenas a forma mais econômica da pedagogia. NOVIÇO: E o cavalheirismo? Não vale nada nesta Corte? DECANO: Vale. Sobretudo quando se fala de uma senhora que já ocupou esta Corte e o Conselho Nacional de Justiça com trajetória acadêmica e jurídica que Vossa Excelência ainda está construindo. NOVIÇO: Então devo pedir desculpas? DECANO: Não necessariamente. Primeiro, faça algo mais difícil: leia. (Pausa. O NOVIÇO olha para Rui Barbosa.) NOVIÇO: E o que Rui Barbosa diria disso? DECANO: Provavelmente escreveria quarenta páginas para dizer o que eu lhe digo em quatro palavras. NOVIÇO: Quais? DECANO: Tenha discrição, rapaz. (O NOVIÇO sorri.) NOVIÇO: Ou... discreção? DECANO: Agora está aprendendo. (Silêncio. O DECANO fecha o livro.) DECANO: E não se esqueça de Nabuco. NOVIÇO: Por quê? DECANO: Porque, nas Arcadas, até a ironia precisava ter educação. (Luzes baixam.) FIM

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