domingo, 9 de agosto de 2026

JURO ALTO

Pais, feliz dia! Jura Sinhô Sinhô - Jura! (Marco Bernardo, piano) Jura, jura, jura Pelo Senhor Jura pela imagem Da Santa Cruz Do Redentor Pra ter valor a tua jura Jura, jura, jura De coração Para que um dia Eu possa dar-te o amor Sem mais pensar na ilusão Daí então Dar-te eu irei O beijo puro Da catedral do amor Dos sonhos meus Bem junto aos teus Para fugirmos Das aflições da dor Jura, jura, jura Composição: Orlann Divo, Sinho, Nani Palmeira.
A manchete do jornal O Estado de S. Paulo de 9 de agosto de 2026 destacou que a inflação e os juros altos reduzem a renda das famílias brasileiras, pressionando o custo de vida e o orçamento. Esse cenário freia o consumo e diminui o poder de compra, dificultando o planejamento financeiro, informa o O Estado de S. Paulo.
Inflação e juro alto reduzem renda disponível de brasileiro ‘Sobra’ de 21,7% ronda os níveis mais baixos já apurados Com a inflação e, principalmente, os juros em níveis elevados, de cada R$ 100 que o brasileiro recebe mensalmente, sobram apenas R$ 21,70 para o consumo após o pagamento de itens essenciais e do serviço de dívidas, como empréstimos e financiamentos, informam Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira. O dado, referente ao mês de maio, é o mais recente apurado pela consultoria Tendências. A folga no orçamento ronda os patamares mais baixos já detectados pela consultoria. O pior resultado da série histórica foi observado em janeiro e fevereiro: R$ 21. Em maio, a renda disponível depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos – mas sem o custo de juros das dívidas – era de 41,64% do total recebido (ou R$ 41,64 de cada R$ 100).
“Aqui jaz a precisão linguística: a redução de ‘juros altos’ a ‘juro alto’ singulariza indevidamente o fenômeno, desloca a categoria gramatical e compromete o sentido analítico.”
domingo, 9 de agosto de 2026 O ‘comunista’ de Trump, por Dorrit Harazim O Globo Pelo receituário do presidente dos EUA, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário Cassius Clay tinha só 22 anos e uma insolência já borbulhante quando proclamou, na histórica noite de 25 de fevereiro de 1964: — Sou o rei do mundo! Sou lindo e malvado! Eu sacudi o mundo. Era verdade. Ele acabara de derrotar por nocaute técnico o campeoníssimo Sonny Liston, favorito absoluto nas casas de apostas globais. O feito no ringue fez dele muito mais que um fenômeno do boxe — tornou-se força cultural duradoura. Nove dias depois, anunciou ao mundo sua conversão ao islamismo e passou a se chamar Muhammad Ali. O sanitarista americano Abdul El-Sayed, nascido no estado de Michigan 42 anos atrás, não precisou trocar de nome — Abdulrahman Mohamed El-Sayed é muçulmano de berço. Suas primeiras palavras ao saber que será o nome do Partido Democrata para disputar uma cadeira no Senado, em novembro próximo, foram inspiradas em Ali: — Nós sacudimos o mundo. O mundo, ele e seus eleitores não sacudiram, mas o neurastênico cenário político-partidário americano, certamente. El-Sayed saiu-se vencedor nas primárias da terça-feira passada montado num programa arriscado, por progressista e populista: 1) A favor da abolição do ICE (o Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro que, sob o governo de Donald Trump, atua como caçador de imigrantes sem documentação regularizada); 2) A favor da ampliação do esquálido seguro hospitalar e médico, o Medicare, que nos Estados Unidos contempla apenas contribuintes com mais de 65 anos e portadores de deficiências; 3) Radicalmente oposto a qualquer ajuda dos Estados Unidos ao governo de Israel; 4) A favor de mais impostos para os mais ricos e contra o predomínio do dinheiro sobre o exercício da política. El-Sayed teve por adversária Haley Stevens, uma experiente congressista moderada de quatro mandatos no Capitólio. Ela contou com o apoio ostensivo do establishment democrata — a mesma liderança partidária que, há anos encastelada, acumula erros e foi perdendo o pulso da nação. Não fosse o incontornável senador Bernie Sanders, que aos 84 anos continua sendo o grande ícone mobilizador do eleitorado jovem e progressista, El-Sayed talvez não tivesse alcançado o 1% de votos que faltou a Stevens. Contudo coube ao poderoso lobby pró-Israel agrupado sob a sigla Aipac (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel) o inglório papel de goleador contra a candidatura que apoiava. A derrama de mais de US$ 30 milhões na campanha da congressista que se orgulha de ser sionista bateu de frente com os itens 3 e 4 do programa de El-Sayed. Afugentou um eleitorado democrata cada vez menos disposto a defender Israel acima de tudo, como se a desumanização de Gaza e a metódica erradicação da vida palestina na Cisjordânia não existissem. A sigla Aipac começou a tornar-se tóxica quando acoplada a candidaturas democratas — segundo divulgou o New York Times na semana passada, a palavra “Israel” praticamente sumiu da maioria das peças de propaganda eleitoral financiadas pela entidade. A causa agora atende pelo nome de United Democracy Project. Por ora, a maioria dos analistas dá como pouco provável a eleição do epidemiologista e Rhodes Scholar El-Sayed em novembro — ele seria o primeiro muçulmano a ocupar assento no Senado dos Estados Unidos. Até porque o estado de Michigan, como um todo, é um dos campos eleitorais mais imprevisíveis e cambiantes do país (Trump saiu-se vencedor em 2016, perdeu em 2020 e venceu em 2024, sempre com margens apertadíssimas). Para o ocupante da Casa Branca, El-Sayed é “esse comunista que odeia os judeus e Israel”, fácil de ser derrotado pelos republicanos. O epíteto “comunista” tem sido usado por Trump a torto e a direito em suas postagens e discursos. Não raro, atropela e embaralha cruamente o que, exatamente, entende por “comunista”, “marxista” ou “leninista”. Compreende-se: quando até a centenária The Economist, que Lênin descreveu como publicação para milionários britânicos, admitiu em edição recente que empresas capitalistas têm poucas chances de competir com a China “ecoautoritária e leninista, governada por Xi Jinping, um pioneiro do capitalismo de risco”, o xingamento pode parecer elogio. Pelo receituário de Trump, saúde pública é commodity, educação é mercadoria, moradia é mercado imobiliário, e pobreza é defeito do indivíduo. Privatizada a sobrevivência, dá-se ao que sobra da vida o nome de liberdade. Faltam três meses para o eleitor americano dizer do que tem mais medo. Cassius Clay vs. Sonny Liston - 1964 Boxing kumite27 10.237.665 visualizações 30 de mai. de 2013 Cassius Clay vs. Sonny Liston war ein historischer Boxkampf zwischen dem damals amtierenden Weltmeister im Schwergewicht, Sonny Liston und dem Herausforderer Muhammad Ali, damals noch unter seinem Geburtsnamen Cassius Clay. Er fand am 25. Februar 1964 in Miami Beach, Florida statt und war das erste von zwei Aufeinandertreffen der Kontrahenten. Er ist der offiziell letzte Kampf, bei dem Cassius Clay mit seinem Geburtsnamen kämpfte, da er zum Islam konvertierte und den Namen Muhammad Ali annahm. Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. In this 1964 championship bout, the outspoken challenger faces off against the imposing titleholder at the Miami Beach Convention Hall. Commentators Joe Louis and Rocky Marciano analyze the action as the contender utilizes speed and jabs to disrupt the champion's traditional fighting style.
domingo, 9 de agosto de 2026 Sucesso chinês: educação, tecnologia e abertura, por Pedro S. Malan O Estado de S. Paulo Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do Brasil Na raiz de nossos problemas de pobreza e de desigualdade de renda e riqueza está a questão fundamental a ser atacada: a desigualdade de oportunidades, que surge já no nascimento. É função de políticas públicas nas áreas de educação (e de saúde) procurar reduzir estes diferenciais nos anos iniciais de vida das crianças, como é hoje amplamente reconhecido por especialistas em educação no Brasil e no mundo. Em 1981, por iniciativa de Deng Xiaoping, o Banco Mundial aprovou um empréstimo para a China no montante de US$ 200 milhões, equivalentes a cerca de US$ 750 milhões de hoje. Era inteiramente destinado à ciência e educação, e seus objetivos eram claros: formar gente qualificada em ciência, tecnologia, engenharia, matemática, computação; enviar estudantes chineses às melhores universidades dos EUA e da Europa; promover interação entre universidades chinesas e estrangeiras na área científica. Metade dos recursos vinha da International Development Association, braço concessional do grupo do Banco Mundial para países mais pobres, o que era a China à época. A operação contou com a aprovação dos EUA, que tinham (e ainda têm) poder de veto na instituição. Entre 1981 e 2020, cerca de 6 milhões de chineses estudaram no exterior, dos quais 20 a 30% cursaram pós-graduação. Estima-se que entre 300 mil e 500 mil tenham obtido o título de doutor em universidades dos EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Alemanha, Japão e Singapura, nas áreas de engenharia, matemática, ciência da computação, física, química e ciências biomédicas. Antes de 2000, menos da metade retornava à China; naquele ano foram criados programas de incentivo ao retorno, e após 2010, mais de 80% passavam a retornar ao país em algum momento da carreira. A política foi um extraordinário sucesso. Em 2025, segundo o índice global de inovação da World Intellectual Property Organization (Wipo), das 100 principais clusters de inovação no mundo, a China tinha 24 e os EUA 22. O Brasil, 1. O ex-presidente Barack Obama, que tinha profundo interesse nesse processo, afirmou repetidas vezes ao longo dos anos que educação de qualidade mundial era prérequisito para o sucesso de qualquer país. “Countries that outeducate us today will out-compete us tomorrow” (“os países que hoje investem mais e melhor em educação amanhã serão mais competitivos do que nós”, em tradução livre), explicava. A rivalidade EUA/China continuará impulsionando a competição geopolítica global. Os EUA lideram na inovação de ponta, especialmente em semicondutores e (ainda) na fronteira de inteligência artificial (IA), enquanto a China se destaca na implementação de IA em larga escala, na manufatura e no controle de cadeias de suprimentos, de minerais críticos e de outros insumos industriais. Mas não é menos certo que aos dois rivais interessa aquilo que os chineses chamam de “estabilidade estratégica construtiva”, expressão que é manifestação de ambiguidade construtiva da China enquanto segue na disputa por esferas de influência no mundo. Em entrevista recente, Xi Jinping ofereceu sua própria definição da armadilha de Tucídides: “We all need to work together to avoid the Thucydides Trap – destructive tensions between an emerging power and established powers” (“Todos precisamos trabalhar juntos para evitar a Armadilha de Tucídides – tensões destrutivas entre uma potência emergente e as potências estabelecidas”, em tradução livre). É possível fazer um paralelo entre aquele amplo programa de financiamento à ciência e educação, do qual a China foi beneficiária, com a ambiciosa iniciativa que agora põem em marcha os chineses. Em meados de julho, realizou-se em Xangai uma conferência que reuniu outros 29 países, ao cabo da qual foi criada a World Artificial Intelligence Cooperation Organization (Waico), descrita por Xi Jinping na abertura oficial do encontro como um importante marco na história do desenvolvimento da inteligência artificial no mundo. Companhias chinesas deverão tornar a IA amplamente disponível por meio de open source models, e o governo chinês propõe-se a treinar países a capacitar milhares de pessoas na aplicação de IA. Foram anunciados a oferta de “5 mil oportunidades” de treinamento, programas e seminários nos próximos cinco anos, e o desenvolvimento de International AI Applications Centres (IAICC). Xi apresentou a organização como instrumento para ampliar a participação dos países do Sul Global na definição das normas internacionais de IA – por meio da adoção de código aberto, cooperação tecnológica e acesso amplo às capacidades de IA. Respondendo em 1995 a uma pergunta sobre desenvolvimento tecnológico, Celso Furtado afirmou: “O que interessa no progresso tecnológico é a qualidade do fator humano, o que não se improvisa. Não basta investir, botar mais dinheiro. Toma tempo formar de verdade gente qualificada. (...) O progresso tecnológico depende da qualidade de material humano”. Pena que educação e saúde não pareçam constituir, como deveriam, áreas de obsessivo e construtivo interesse por parte das lideranças políticas do País. Talvez o debate público em 2026 ainda possa levar candidatos a procurar, em prazo hábil, agregar equipes competentes nessas áreas. E a promover discussão apta a permitir diagnóstico claro para a sociedade sobre a situação atual, como a ela chegamos e, principalmente, a descortinar como avançar com a necessária visão de longo prazo sobre nosso futuro nesta área. Pais, feliz dia! •
https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ Livro “O novo perfil eleitoral do Brasil” já está disponível no portal da Fundação João Mangabeira Você está aqui: A Fundação João Mangabeira disponibiliza gratuitamente, em seu portal, o livro O novo perfil eleitoral do Brasil – Como pensa e como vota o brasileiro. A obra apresenta uma análise inédita sobre o comportamento do eleitor brasileiro, reunindo dados de pesquisa e reflexões sobre os fatores que influenciam a formação do voto. O estudo aborda temas como juventudes, mulheres, eleitorado evangélico, valores, identidade, comportamento político e as transformações do cenário eleitoral brasileiro. A publicação é uma importante ferramenta para pesquisadores, dirigentes partidários, candidatos, gestores públicos e todos os interessados em compreender as mudanças que estão redesenhando a política no país. 📖 Acesse gratuitamente: https://www.fjmangabeira.org.br/estante/o-novo-do-brasil-perfil-eleitoral/ 17 de julho de 2026 https://www.fjmangabeira.org.br/livro-o-novo-perfil-eleitoral-do-brasil-ja-esta-disponivel-no-portal-da-fundacao-joao-mangabeira/
domingo, 9 de agosto de 2026 Emendas parlamentares transformaram o Congresso em casa de negócios, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho do dinheiro público, identificar o responsável por sua destinação ou comprovar o benefício gerado O crescimento vertiginoso das emendas parlamentares impositivas produziu uma mudança estrutural nas relações entre o Executivo e o Legislativo e, sobretudo, nas próprias disputas eleitorais. Concebidas originalmente para permitir que deputados e senadores atendessem demandas legítimas de estados e municípios, com essas emendas o Congresso abocanhou parcelas crescentes do orçamento de investimentos. As emendas passaram a movimentar dezenas de bilhões de reais sem a correspondente comprovação da correta execução financeira, da conclusão das obras e dos resultados efetivamente entregues à população. Esse descompasso fortalece os parlamentares com mandato, blinda o Congresso de renovação e converte o Orçamento da União em instrumento de reprodução do poder político. A fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, examinou 100 repasses realizados entre 2020 e 2024, destinados a 73 municípios e aos estados do Pará e de São Paulo, num total de R$ 198 milhões. Foram encontradas irregularidades em 82% das transferências e em 82,4% dos beneficiários, com prejuízo potencial estimado em R$ 49 milhões, equivalente a 25% do valor fiscalizado. Há movimentação de dinheiro em contas não específicas, ausência de notas fiscais idôneas, pagamentos estranhos aos planos apresentados, obras inacabadas, superfaturamento, licitações simuladas e contratação de empresas declaradas inidôneas. Muitas vezes não se consegue reconstituir o caminho percorrido pelo dinheiro público, identificar o responsável político pela destinação ou comprovar o benefício gerado. Diante desse quadro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar indícios de crimes na execução das emendas. O problema é agravado pelas emendas de comissão e pelas chamadas emendas de liderança, sucedâneas do orçamento secreto declarado inconstitucional pelo STF. Em 2025, a Câmara executou cerca de R$ 1,3 bilhão em indicações registradas apenas em nome de líderes partidários, sem revelar qual parlamentar escolheu cada uma das 1.341 emendas desse tipo. Em muitos casos, nem sequer foi possível identificar os beneficiários finais ou os municípios onde o dinheiro seria aplicado. Neste ano, a farra continuou. Não se trata apenas de um problema administrativo ou penal. Há uma distorção profunda na competição eleitoral. Um deputado que dispõe de R$ 60 a R$100 milhões para pavimentar ruas, comprar máquinas, financiar serviços de saúde e atender prefeituras entra na campanha em posição incomparavelmente superior à de qualquer concorrente sem mandato. Fora do jogo Forma-se um círculo de autoproteção, há uma recidiva do patrimonialismo. O parlamentar destina recursos aos municípios; prefeitos, vereadores, fornecedores e lideranças locais passam a depender de sua intermediação; essa rede mobiliza votos para reelegê-lo; e o novo mandato lhe assegura acesso a uma quantidade ainda maior de emendas. A disputa deixa de ser entre ideias, programas e trajetórias para se transformar numa luta desigual pelo controle de verbas públicas, o que explica o pacto perverso do colégio de líderes, cujos nomes a maioria desconhece, para votações relâmpago após reuniões sigilosas, sem debate em plenário. Quadros experientes e programáticos são agora o “baixo clero” da política nacional. Não se pode atribuir toda essa situação exclusivamente às emendas, mas é inegável que o modelo seleciona seus participantes. Rubens Bueno, Paulo Delgado, Miro Teixeira, Heráclito Fortes, Perpétua Almeida, Luzia Ferreira, José Aníbal, José Carlos Aleluia, Benito Gama , Marcus Pestana e José Eduardo Cardozo, por exemplo, se afastaram das disputas eleitorais ou perderam espaço num ambiente em que reputação, experiência e formulação já não superavam a “disparidade de armas”. Uma exceção simbólica é Cristovam Buarque, que decidiu voltar às urnas como candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, aos 82 anos, apostando numa campanha baseada em educação, ideias e trajetória pública ilibada. Quem controla diretórios partidários, fundos eleitorais, cargos públicos e transferências orçamentárias acumula uma vantagem quase intransponível. Quem depende apenas de opinião, militância e reconhecimento público enfrenta enormes dificuldades. A renovação é exceção, ocorre mais em razão de “influenciadores”, reprodução de oligarquias políticas, grupos econômicos, corporações e igrejas capazes de construir estruturas próprias. Max Weber, em A política como vocação, distinguia os que vivem “para” a política e aqueles que vivem “da” política. A profissionalização permite que pessoas sem patrimônio também exerçam funções públicas, porém, a degeneração começa quando o mandato e o controle dos recursos deixam de ser um projeto coletivo e se tornam instrumento de enriquecimento pessoal. O Congresso, então, deixa de ser a casa do “bem comum” para se transformar no centro da política como grandes negócios. Funeral de um lavrador, trecho do filme: Morte e Vida Severina (1977) Mario Junior Contini 100.657 visualizações 11 de out. de 2016 Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955. O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pelo personagem. O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante sertanejo (retirante) em busca de uma vida mais fácil e favorável na capital pernambucana. Em 1965, Roberto Freire, diretor do teatro TUCA da PUC de São Paulo pediu ao então muito jovem Chico Buarque que musicasse a obra. A obra foi parcialmente adaptada ao cinema em 1977, por Zelito Viana com participação de, entre outros José Dumont no papel de Severino, Sebastião Vasconcelos como Mestre Carpina e Tânia Alves Resumo do vídeo gerado por IA A qualidade e a precisão podem variar. O poema narrado reflete sobre a vida e a morte de um trabalhador rural no Nordeste brasileiro. Acompanha-se o cortejo fúnebre enquanto se destaca a dura realidade da desigualdade na distribuição de terras.
domingo, 9 de agosto de 2026 Lula agiu como se o Estado fosse ele, por Lourival Sant’Anna O Estado de S. Paulo O governo brasileiro rebaixou o status das relações diplomáticas com dois de seus principais parceiros, Estados Unidos e Argentina. As hostilidades partiram deles. O Brasil poderia ter manifestado sua reprovação de forma a estancar as crises. Mas preferiu agravá-la, por um cálculo eleitoral, com consequências prejudiciais para o País. O Departamento de Estado anunciou, no dia 1.º de junho, a designação do deputado republicano Daniel Perez para o posto de embaixador em Brasília. Fez isso sem antes consultar o governo brasileiro, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Diante da afronta, o Itamaraty congelou o pedido de agrément, sem o qual Perez não pode assumir o posto. O Departamento de Estado seguiu nos trâmites para a nomeação no Senado, concluídos na sextafeira, como parte de um pacote de 74 novos embaixadores. Além disso, o Itamaraty recusou vistos a três funcionários do Departamento de Estado: Darren Beatty, chefe da pasta de Brasil, que tentou vir em março visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão; Riley Barnes e Samuel Samson, do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e do Trabalho, que buscavam esclarecimentos sobre o sistema eleitoral. Em resposta, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela pode continuar representando o Brasil em Washington, mas, se deixar os EUA, terá de pedir novo visto para voltar. O Itamaraty reagiu dizendo que não concederá o agrément antes das eleições de outubro, nas quais esses funcionários teriam planos de interferir. RESPOSTA. A diplomacia brasileira poderia ter protestado contra o atropelo da praxe diplomática na designação de Perez e concedido o agrément. Poderia, igualmente, ter permitido a entrada dos funcionários americanos e demonstrado a eles a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O presidente Javier Milei veio à convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, expressou apoio ao candidato e chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”. De volta à Argentina, repetiu os insultos. Lula não respondeu, mas chamou de volta o embaixador Júlio Bitelli e rebaixou a representação em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Isso, apesar de o chanceler argentino, Pablo Quirno, ter manifestado o desejo de manter boas relações diplomáticas, e de Milei ter autorizado a entrada de militares e embarcações do Brasil para um exercício conjunto entre os dias 13 a 24. À maneira do absolutismo, Lula agiu como se o Estado fosse ele. O certo seria deixar argentinos e americanos falando sozinhos. Ou responder, mas sem arrastar a diplomacia junto.

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