terça-feira, 10 de março de 2026

Três Amigos “Mui Amigos”: O Trilema da Terceira Via

Congresso Nacional do Chile, Valparaíso VALPARAÍSO — Fachada da sede do Congresso Nacional do Chile, onde tradicionalmente ocorrem as cerimônias de transmissão do poder presidencial. Localizado na cidade portuária de Valparaíso, o edifício abriga o Senado e a Câmara de Deputados e tornou-se símbolo da institucionalidade democrática chilena desde a redemocratização do país. O local é apontado como palco da cerimônia de posse presidencial de José Antonio Kast, evento que marcaria o início de um novo ciclo político no Chile. 🇨🇱🏛️ Foto: Congresso Nacional do Chile / Valparaíso. Parliament Building - Valparaiso O presidente Lula viaja para o Chile na terça-feira (10) para a posse do presidente direiƟsta José Antonio Kast.
Valparaíso, Chile: a cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade Poesia |Saudade, de Pablo Neruda Composição: Klécius Caldas / Waldir Azevedo. Música | Ademilde Fonseca - Cinema Mudo Rochedo Beth Carvalho Está mais pra chorar do que sorrir Está mais pra perder do que ganhar Está mais pra sofrer que se alegrar Está mais para lá do que pra cá Amigo, esta vida não tá boa O sufoco vem à proa Desse barco que é a vida E nessa briga da maré contra o rochedo Sou marisco e tenho medo De não ter uma saída Composição: Noca da Portela / Zé Do Maranhão.
terça-feira, 10 de março de 2026 Kassab antecipa escolha de candidato para viabilizar terceira via, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense A legenda abriga hoje três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás) A decisão do PSD de antecipar a definição de sua candidatura presidencial para 2026, anunciada por seu presidente, o ex-prefeito Gilberto Kassab, revela mais do que uma simples mudança de tática partidária. Na verdade, é o reconhecimento de um problema político cada vez mais evidente: o espaço para uma terceira via na disputa presidencial está se fechando rapidamente. A máxima política “quem tem três candidatos não tem nenhum” sintetiza o “trilema” enfrentado por Kassab. O PSD abriga, hoje, três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), este último recém-integrado à legenda. Nenhum outro partido de oposição tem um naipe de pré-candidatos com essa qualificação política e administrativa. Porém, sem uma definição, o partido perde votos e isso inviabiliza qualquer projeto de alternativa de poder. A necessidade de mudança do “pas de trois” para a marcha forçada ficou evidente com a divulgação da nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. O levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 43%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Essa diferença numérica confirma a tendência de que o país volte a se estruturar eleitoralmente em torno de dois polos claros: de um lado o lulismo, que representa a continuidade do atual governo; de outro o bolsonarismo, que se reorganiza para disputar o poder. Quando essa polarização se consolidar, o espaço para candidaturas intermediárias tenderá a desaparecer. Os números do primeiro turno reforçam essa tendência. No cenário de potencial de votos testado pelo Datafolha, Lula aparece com 41%; Flávio com 18%; Ratinho, 12%; Caiado, 7%; e Eduardo Leite, 3%. O esforço iniciado por Kassab visa evitar o efeito de coordenação de voto, no qual eleitores migram para candidaturas que aparecem como reais alternativas de poder, o que resulta no “voto útil” do dia da eleição. Ou seja, o candidato do PSD precisa ganhar musculatura mais cedo para não virar marisco entre o mar e o rochedo. Com três candidatos, será impossível um deles sobreviver. É preciso concentrar força naquele que for o mais competitivo e com gana para disputar a eleição. Essa avaliação de risco levou Kassab a antecipar a escolha do candidato do PSD. Como o partido não realizará previas, o desempenho nas pesquisas e a capacidade de articulação política, principalmente com a elite paulista e as lideranças de centro que rejeitam Lula e Bolsonaro, determinarão o escolhido. Ao tentar antecipar a escolha de seu candidato, Kassab busca resolver esse problema. Mas não é escolha fácil. “Aux trois amis” Governador do Paraná desde 2019, Ratinho Jr. construiu carreira política ancorada na popularidade do pai, o apresentador de TV Ratinho, e numa imagem de gestor moderno. Foi deputado estadual, federal e secretário de Desenvolvimento Urbano antes de chegar ao governo. Seu perfil combina liberalismo econômico moderado com conservadorismo pragmático, dialogando com o eleitorado de centro-direita. Tem forte base eleitoral no Sul e boa avaliação administrativa no Paraná. Seu desafio nacional é ampliar conhecimento fora da região e se diferenciar do bolsonarismo. Caiado conclui seu segundo mandato como governador de Goiás com alto índice de aprovação. É o mais experiente dos três pré-candidatos e tem longa trajetória na política nacional. Médico de formação, destacou-se como líder da União Democrática Ruralista e disputou as eleições presidenciais de 1989. Foi deputado federal e senador antes de chegar ao governo em 2018. Representa uma direita conservadora tradicional, com forte vínculo com o agronegócio e discurso duro na área de segurança pública. Tem base política sólida no Centro-Oeste e forte apoio no setor rural. O principal desafio é ampliar seu alcance para além do eleitorado conservador e competir com o capital político do bolsonarismo. Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, surgiu como uma das principais lideranças jovens do campo liberal. Iniciou a carreira como vereador e prefeito de Pelotas antes de chegar ao governo estadual em 2018. Filiado historicamente ao PSDB e hoje no PSD, representa a vertente moderada da centro-direita, com discurso de responsabilidade fiscal e modernização do Estado. Possui boa interlocução com setores empresariais e urbanos. Seu desafio eleitoral é superar a baixa densidade nacional e competir num cenário de forte polarização. A dificuldade para viabilizar uma terceira via não é nova. Em 2022, diversas tentativas de construção de uma candidatura de centro robusta fracassaram pela incapacidade de unificar forças políticas e produzir uma liderança nacional competitiva. Candidata do MDB, Simone Tebet tentou ocupar esse espaço, mas logo após o segundo turno, no qual deu um apoio decisivo para a eleição de Lula, aceitou o cargo de ministra do Planejamento do governo e desistiu do projeto de construção de uma nova alternativa de poder.
Três Amigos “Mui Amigos”: O Trilema da Terceira Via Trois Amis « Comme Cochons » : Le Trilemme de la Troisième Voie Tres Amigos “Muy Amigos”: El Trilema de la Tercera Vía Brasília, março de 2026 Quem tem três candidatos pode acabar sem nenhum. No tabuleiro polarizado da política brasileira, o centro corre o risco de ser esmagado entre dois gigantes. 🇧🇷 Português O pas de trois de Gilberto Kassab, dirigente do PSD, deixou de ser uma coreografia elegante para transformar-se numa marcha forçada. Ao antecipar a escolha entre três governadores — Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite — o habilidoso “amigo de todos” reconhece o dilema clássico da política: quem tem três candidatos pode terminar sem nenhum. Enquanto isso, no campo governista, Edinho Silva assume papel central na engrenagem do PT. Sua missão é blindar o capital político de Luiz Inácio Lula da Silva e manter o PSD suficientemente próximo para evitar uma debandada rumo à oposição. Do outro lado da arena, Valdemar Costa Neto reorganiza o tabuleiro do PL apostando no protagonismo de Flávio Bolsonaro como forma de preservar a mobilização do campo bolsonarista. As pesquisas do Datafolha sugerem um cenário implacável: a polarização opera como um buraco negro eleitoral, sugando o espaço político intermediário. No Brasil contemporâneo, nuance raramente vence manchetes — e quase nunca vence eleições. O Trilema do Centro Para Kassab, o desafio não é apenas escolher um nome, mas escolher o momento. O PSD reúne governadores com densidade política regional, mas nenhum deles, isoladamente, demonstrou até agora capacidade de romper o duopólio narrativo que domina o debate nacional. Ratinho Jr. representa a continuidade administrativa e o pragmatismo. Caiado projeta firmeza e discurso de ordem. Leite tenta encarnar a modernização liberal do centro político. Três perfis distintos — e um mesmo problema estratégico. 🇫🇷 Français Le pas de trois de Gilberto Kassab s’est transformé en marche forcée. En avançant le choix entre Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado et Eduardo Leite, l’architecte du centre brésilien reconnaît une vérité politique simple : celui qui possède trois candidats risque de n’en avoir aucun. Pendant ce temps, Edinho Silva consolide sa position au sein du PT en protégeant l’héritage politique de Luiz Inácio Lula da Silva, tandis que Valdemar Costa Neto mise sur Flávio Bolsonaro pour maintenir la mobilisation du camp conservateur. Les sondages de Datafolha confirment une dynamique brutale : la polarisation agit comme un trou noir électoral qui absorbe toutes les nuances. 🇪🇸 Español El pas de trois de Gilberto Kassab se ha convertido en una marcha forzada. Al adelantar la decisión entre Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado y Eduardo Leite, el estratega del PSD admite una realidad política conocida: quien tiene tres candidatos puede terminar sin ninguno. Mientras tanto, Edinho Silva consolida su papel dentro del PT al proteger el legado de Luiz Inácio Lula da Silva, y Valdemar Costa Neto apuesta por Flávio Bolsonaro para mantener viva la movilización del campo bolsonarista. Las encuestas de Datafolha reflejan una dinámica implacable: la polarización funciona como un agujero negro que absorbe los matices políticos. No jargão político brasileiro, diz-se que o marisco sofre quando o mar bate no rochedo. No cenário atual, o centro corre exatamente esse risco: ser esmagado entre duas forças maiores. Para Gilberto Kassab, portanto, a equação não é apenas escolher um candidato. É escolher quando e como apresentá-lo antes que o “voto útil” transforme os governadores do PSD em meros figurantes de um duelo entre gigantes. S Análise: Cancelamento de viagem de Lula ao Chile pode gerar desgaste político | BASTIDORES CNN CNN Brasil #CNNBrasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou sua viagem para comparecer à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast. Segundo a analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, a decisão pode gerar desgaste político caso o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, tenham sido apenas “convidados genéricos”. #CNNBrasil
O escritor não teve uma grande produção literária, e Marília de Dirceu é sua obra mais importante. Mas ele escreveu uma outra obra, do gênero epistolar, ou seja, através de cartas, chamada Cartas Chilenas, que durante bastante tempo não se sabia quem era o autor, pois tinha sido escrita com um pseudônimo. E nessa obra, que é uma sátira, o escritor retrata Vila Rica, nome antigo de Ouro Preto, mas como se fosse a cidade de Santiago no Chile. Foi escrita com um pseudônimo, em virtude da censura, porque mostrava todos os problemas que Vila Rica enfrentava com a colonização portuguesa, como cobrança de altos impostos, injustiças e corrupção. MARÍLIA DE DIRCEU Nada Vai Mudar Isso Cássia Eller Composição: Paulinho Moska.
Diálogos de Moraes com Vorcaro vão impulsionar candidatura de Flávio Por Thomas Traumann 09/03/2026 14h38 Atualizado há 12 horas Oi, a divulgação dos diálogos do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro deu duas narraƟvas para Flávio Bolsonaro: (a) o seu pai foi condenado por um juiz com relações com um banqueiro corrupto; (b) o STF age acima da lei e precisa ser depurado por impeachments de alguns ministros. Esse discurso terá efeito na corrida presidencial, ao menos no curto prazo. Nesta edição da newsleƩer, comento ainda como a polarização calcificada explica o empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno na pesquisa Datafolha, o que o governo prepara para impulsionar a economia e o deserto que o advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta para chegar ao STF. Nesta edição: 1. Caso Xandão vai impulsionar candidatura de Flávio 2. É a calcificação, estúpido! 3. Dinheiro de helicóptero 4. Medo e delírio 5. Messias na chuva 6. Enfim, a paz 7. O impasse de Galípolo 8. Falando com as paredes 9. O novo ministro 10. Lobo subiu no telhado 11. A incerteza mineira 12. Fique atento 1. Caso Xandão vai impulsionar candidatura Flávio A citação do ministro do STF Alexandre de Moraes no escândalo do Banco Master vai, ao menos no curto prazo, impulsionar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Relator do julgamento que condenou Jair Bolsonaro por golpe de Estado, Moraes sobreviveu a um plano para assassiná-lo e à maior agressão comercial dos EUA ao Brasil na História, mas hoje está fragilizado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Fraude financeira de R$ 52 bilhões, o escândalo que começou como Caso Master e evoluiu para Caso Toffoli, com as suspeitas de que o ministro do STF estava bloqueando as invesƟgações, agora virou Caso Xandão. A informação da colunista Malu Gaspar, de O GLOBO, de que Alexandre de Moraes trocou várias mensagens com Vorcaro desde a manhã do dia da sua primeira prisão, em 17 de novembro, e as explicações pouco convincentes do STF para jusƟficar o episódio empurram a insƟtuição para o epicentro da crise. O corporaƟvismo da Corte só piora as coisas. De uma tacada só, Flávio Bolsonaro ganhou de presente duas narraƟvas para basear a sua campanha presidencial: (a) seu pai foi condenado por um juiz com relações com um banqueiro corrupto; (b) o STF age acima da lei e precisa ser depurado pelos impeachments de alguns ministros. É fato que há dezenas de bolsonaristas tão ou mais enrolados com Vorcaro do que Moraes, como por exemplo o senador Ciro Nogueira, os governadores Claudio Castro e Ibaneis Rocha e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Mas o cumprimento rigoroso e impiedoso da lei no julgamento de Jair Bolsonaro e dos demais golpistas fazem de Alexandre de Moraes o personagem maior dessa crise. Vorcaro foi preso pela segunda vez na quarta-feira (4), depois que as invesƟgações da Polícia Federal mostraram que ele comandava uma gangue para inƟmidar e agredir desafetos , entre eles o colunista de O GLOBO Lauro Jardim. Na sexta-feira, ele foi transferido para um presídio em Brasília. Um de seus comparsas, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, teria se suicidado logo depois de ser preso na sede da PF em Belo Horizonte. A morte está sendo invesƟgada. De acordo com as apurações de Malu Gaspar, as conversas extraídas do celular de Vorcaro sugerem que o banqueiro informava Moraes de cada passo das negociações para vender o Master ao grupo Fictor, operação que o Banco Central comprovou ser fraudulenta. Em algumas mensagens, o banqueiro indica que sabia de um inquérito sigiloso contra ele na JusƟça Federal de Brasília. Na manhã de 17 de novembro, segundo a apuração, Vorcaro por duas vezes pergunta a Moraes se havia novidade e quesƟona: “Conseguiu bloquear?”. Horas depois, a assessoria do banco anunciou a falsa oferta de compra do Master pela Fictor. Vorcaro foi preso na noite daquele dia quando tentava embarcar para Malta. Em nota divulgada pela assessoria do Supremo, o gabinete de Moraes negou que o ministro fosse o desƟnatário das mensagens de Vorcaro. Com base nos arquivos cedidos à CPMI do INSS, a assessoria afirmou que os prints dos textos enviados por Vorcaro "estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados" a Moraes. Diferentemente do material enviado à CPMI do INSS, o material a que O GLOBO teve acesso não é fruto de comparação entre os horários dos textos que constam em blocos de notas de Vorcaro e as mensagens enviadas por ele, embora coincidam, e sim resultado da extração realizada por um soŌware específico que exibe conjuntamente as mensagens e os arquivos enviados, revertendo, na práƟca, a visualização única da mensagem. No material exibido pelo GLOBO, constam no envio das mensagens o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes, que foi conferido e checado pelo jornal. Para proteger informações pessoais do ministro, o número de Moraes usado à época dos diálogos com Vorcaro foi coberto nos prints publicados nas edições impressa e digital da reportagem. O número uƟlizado por Moraes não só respondeu quatro vezes às mensagens de Vorcaro com imagens de visualização única, como respondeu com emojis de aprovação à primeira e à úlƟma mensagem enviada. Em dezembro, Malu Gaspar havia noƟciado que o escritório de advocacia Barci de Moraes, onde trabalham a mulher e dois filhos de Alexandre de Moraes, havia sido contratado pelo Master em janeiro de 2024. O contrato tem um fee mensal de R$ 3,6 milhões e duração de três anos. Ao episódio Moraes se somam as transações imobiliárias de Dias Toffoli e seus familiares com Fabiano ZeƩel, cunhado de Vorcaro e também preso pela Polícia Federal. Depois de chamar para si a condução do inquérito do Master com pretextos frágeis, Dias Toffoli tentou atrasar as invesƟgações e só deixou o caso quando se descobriu que era sócio do resort Tayayá, no Paraná, vendido a ZeƩel. No domingo, os repórteres Luiz Vassallo, Pedro Augusto Figueiredo e CrisƟane Barbieri, do Estadão, mostraram que, em 2016, o resort Tayayá conseguiu R$ 20 milhões de emprésƟmo do Bradesco e renegociou a dívida sem multas e com juros abaixo dos praƟcados no mercado. Juízes fazem péssimos heróis. Relator do inquérito do Mensalão, Joaquim Barbosa ensaiou ser candidato a presidente em 2018, mas sem o trabalho de pedir votos. Queria ser consagrado sem precisar fazer campanha. Juiz da Lava-Jato, Sergio Moro mexeu o andamento do processo para prejudicar o PT e ajudar Jair Bolsonaro a ser eleito em 2018. Virou ministro da JusƟça com a promessa de ser nomeado ao STF e deixou o governo acusando Jair Bolsonaro de interferir nas invesƟgações sobre corrupção de Flávio Bolsonaro. Hoje ele pede o apoio do mesmo Flávio para ser candidato a governador do Paraná. O STF foi fundamental para impedir que Bolsonaro prejudicasse a vacinação contra Covid e, depois de derrotado, jogasse o país numa nova ditadura militar. Por isso mesmo, o padrão de transparência de seus ministros deveria ser maior do que os demonstrados por Alexandre e Dias Toffoli no caso Master. 2. É a calcificação, estúpido! A recente pesquisa Datafolha mostra que a polarização entre Lula e os Bolsonaros é a única certeza de um cenário incerto. Desde que foi escolhido como candidato pelo pai, Jair Bolsonaro, Flávio se consolidou no segundo lugar no primeiro turno, empatou nas simulações de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem chances reais de vencer em outubro. É provável que, assim como em 2022, o resultado da próxima eleição será no fotochart. O crescimento verƟginoso de Flávio nas pesquisas só surpreende quem não compreendeu o fenômeno Jair Bolsonaro e como ele consolidou em torno de si o núcleo do anƟpeƟsmo. Tivesse Jair escolhido a mulher Michelle ou o governador Tarcísio de Freitas, o resultado seria o mesmo. Como o cienƟsta políƟco Felipe Nunes e eu mostramos no livro “Biografia do Abismo”, desde 2018 o Brasil vive uma polarização calcificada, em que dois grandes grupos se alimentam não mais de uma divergência políƟca, mas de uma disputa de valores. Essas duas bolhas, o lulismo e o anƟlulismo, consideram que a vitória do outro é uma ameaça ao seu esƟlo de vida, suas crenças e até a sua existência. É um cenário de intolerância que muitos gostariam de superar, mas a realidade só muda quando a maioria quer. Os fatos são teimosos. A calcificação entre Lula e o anƟlula se comprova nas várias simulações de segundo turno mostrando disputas renhidas. Na simulação de segundo turno do Datafolha, Lula tem 46% e Flávio 43%. Em dezembro, Lula liderava com 47% e Flávio marcava 42%. No cenário mais provável de primeiro turno, o Datafolha mostrou:  Lula 38%  Flávio 32%  RaƟnho 7%  Zema 4%  Renan Santos 3%  Aldo Rebelo 2%  Nenhum 11%  Não sabe 3% A simulação não pode ser comparada com a pesquisa do início de dezembro, quando o Datafolha incluía na lista o governador de Goiás, Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro não havia ainda decidido pelo filho mais velho. Naquele momento, Lula marcava 41%, Flávio 18% e RaƟnho 12%. A dicotomia entre Lula e os Bolsonaros indica que, desde o começo, a campanha de 2026 será num clima de segundo turno. Num cenário desses, onde desde o início 80% dos votos já estão garanƟdos para um dos dois lados, a vitória pode ser definida por fatos conjunturais, como os desdobramentos do escândalo do caso Master, a repercussão do fim da escala de trabalho 6x1 ou a reação a uma intervenção eleitoral de Donald Trump. A consolidação de Flávio como a opção majoritária dos anƟlulistas torna muito diİcil o futuro de alternaƟvas como RaƟnho Junior e Romeu Zema. É diİcil ser Botafogo quando todos os olhos estão atentos ao Fla-Flu. Mesmo com os erros evidentes do governo Lula no carnaval e no zigue-zague do aumento de imposto sobre celulares, o Datafolha mostrou uma oscilação dentro da margem de erro na aprovação do governo: 49% dos brasileiros reprovam o governo Lula (eram 48%) em dezembro, enquanto 47% aprovam (eram 49%). Pesquisas no primeiro trimestre são geralmente ruins para os incumbentes, devido ao mau humor do eleitor com os vários gastos extras com IPTU, IPVA e material escolar. Por isso, é cedo para descartar os possíveis efeitos pró-Lula da isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, assim como o impulso que a campanha de Flávio vai ganhar com o envolvimento de ministros do STF no escândalo do Master. Para o eleitor médio, o STF é Lula, e Lula é o STF. 3. Dinheiro de helicóptero Duas coisas que o governo Lula deve fazer para dar tração à economia antes da eleição: pagar o 13º salário dos servidores públicos federais em junho e antecipar a quitação de cerca de R$ 60 bilhões de precatórios. 4. Medo e delírio Os primeiros vazamentos das conversas de Daniel Vorcaro mulƟplicaram a paranoia no Congresso: existe uma quase certeza entre os líderes dos parƟdos que, com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sob pressão, o STF irá se defender atacando, e que o alvo será o Congresso. Em conversas privadas de 2024, Vorcaro qualifica o senador Ciro Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida” por ter apresentado emenda para elevar a cobertura do Fundo GaranƟdor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante. Se aprovada, a emenda permiƟria ao Master mulƟplicar as fraudes, hoje calculadas em R$ 52 bilhões. Em setembro de 2025, quando o Banco Central segurava a autorização da compra do Master pelo BRB, o deputado Dr. Luizinho apresentou projeto para acabar com a autonomia do BC e permiƟr à Câmara afastar seus diretores. Cautelosos, os líderes da Câmara decidiram só ter sessões virtuais nesta semana. No fim de semana, corria o rumor de operações policiais envolvendo políƟcos nos inquéritos sobre corrupção na distribuição de emendas parlamentares, o que os deputados consideravam a forma mais fácil de o STF Ɵrar de si o foco das denúncias 5. Messias na chuva 109 dias depois de ter sido indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula, o advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda não tem perspecƟva de ser sabaƟnado no Senado. Rejeitado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Messias repete o roteiro de seu amigo, o ministro do STF André Mendonça, que esperou 142 dias para que marcassem a votação do seu nome no plenário. Messias, no entanto, tem um agravante: suas chances diminuem a cada passo das invesƟgações da Polícia Federal sobre os negócios do Banco Master no Amapá , o estado de Alcolumbre. Na invesƟgação, a PF apontou que os gestores do fundo de Previdência do Amapá ignoraram alertas internos e pressionaram para aprovação e execução de invesƟmentos de R$ 400 milhões em Letras Financeiras emiƟdas pelo Banco Master. O fundo é controlado por apadrinhados de Alcolumbre. 6. Enfim, a paz O governo Lula terá uma novidade em abril, quando Miriam Belchior assumirá a Casa Civil e Dario Durigan será o novo ministro da Fazenda: ao contrário de hoje, os donos das pastas mais importantes do governo vão se falar. 7. O impasse de Galípolo É uma questão de tempo para os efeitos da guerra no Irã chegarem à economia. Com tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz praƟcamente interrompido e a escolha do novo aiatolá no Irã, o preço do barril de petróleo ultrapassou a barreira dos US$ 100 no domingo à noite. Ao jornal britânico Financial Times, o ministro de Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, previu que o barril chegará a US$ 150 se a guerra se alastrar para além do Irã, como parece ser o caso. Para além do efeito na geopolíƟca, haverá mais inflação. A Petrobras tem condições de segurar os preços da gasolina por alguns meses, mas a pressão sobre diesel e ferƟlizantes já é um fato da vida, assim como a previsível valorização do dólar ante o real. Ao longo da primeira semana de guerra, o mercado financeiro reduziu a precificação do início do ciclo de corte de juros de 0,5 ponto percentual para 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de PolíƟca Monetária do dia 18. A aposta traz uma armadilha para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Dragado para o tsunami do escândalo Master, o BC vive sob uma pressão na qual STF, Congresso e TCU tentam acabar com sua independência. Era o momento para o BC iniciar um corte técnico de juros e ficar longe de qualquer polêmica. Mas se o ciclo começar com apenas 0,25 pp, o chumbo grosso do PT contra Galípolo será enorme e ele vai perder os úlƟmos aliados no Palácio do Planalto. 8. Falando com as paredes Candidato a uma vaga na diretoria do Banco Central, o economista Guilherme Mello teve encontro com vários execuƟvos da Faria Lima. Nas conversas, Mello tentou afastar a fama de heterodoxo e defendeu a políƟca de cautela do atual BC. Não convenceu ninguém. 9. O novo ministro Ex-procurador-geral de JusƟça de São Paulo e principal assessor de Geraldo Alckmin, Marcio Elias Rosa será o novo ministro da Indústria e Comércio. 10. Lobo subiu no telhado O governo deve recuar na indicação do advogado OƩo Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão que deveria fiscalizar o mercado de capitais. Como diretor da CVM, Lobo pediu vistas de um processo sobre irregularidades comeƟdas pelo Master. Só levou o projeto à votação depois que o banco já havia sido liquidado pelo BC. 11. A incerteza mineira Ganha uma garrafa de cachaça de Salinas quem antecipar a situação eleitoral em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Líder nas pesquisas, o senador CleiƟnho Azevedo, do Republicanos, tende a manter sua candidatura e impedir a união da direita em torno do vicegovernador Matheus Simões, do PSD. Juntar os dois seria o melhor cenário para Flávio Bolsonaro. O palanque de Lula também está sob risco. O escolhido de Lula, o senador Rodrigo Pacheco voltou a ficar indeciso. Alexandre Kalil, que Lula quer como candidato ao Senado, voltou a preferir ser candidato a governador. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro em Minas no fio da navalha: 6,19 milhões de votos (50,2%) contra 6,14 milhões (49,8%). 12. Fique atento  A força dos ataques aéreos dos EUA e Israel sobre o Irã no sábado e a declaração de Donald Trump de que só aceita uma “rendição incondicional” darão o tom da segunda semana do conflito.  Ninguém mais dorme em Brasília com os vazamentos de informação do Caso Master. Com medo de operações da Polícia Federal, a Câmara decidiu fazer apenas sessões virtuais. O Senado, que na quarta-feira deve aprovar a PEC da Segurança, pode seguir o exemplo.  A PF prepara novos vazamentos sobre a situação financeira do filho mais velho do presidente, Fábio Lula da Silva, o Lulinha.  Está aberta a temporada para políƟcos trocarem de parƟdo. Com 58 deputados, o União Brasil está sendo víƟma de um ataque especulaƟvo do PL.  O presidente Lula viaja para o Chile na terça-feira (10) para a posse do presidente direiƟsta José Antonio Kast.  Começa na sexta-feira (13) o julgamento em plenário virtual da decisão do ministro André Mendonça de mandar prender Daniel Vorcaro. A expectaƟva é se Dias Toffoli vai votar, apesar do evidente conflito de interesses. O placar deve ser de 5x0 a favor da decisão de Mendonça.

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