Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
quarta-feira, 25 de março de 2026
DO “APERFEIÇOAMENTO DO IMPERFEITO” À PIRÂMIDE INVERTIDA
Uma leitura crítica da reestruturação policial paulista sob o crivo da cultura, da política e da rua
“Na lógica vigente em São Paulo, o coronel ocupa o lugar de Pelé, enquanto o praça é tratado como Tostão. Já o 2º tenente, rebaixado na prática, vê-se empurrado para uma condição intermediária — evocando o ‘Juruna’ de experiências administrativas como a de Minas Gerais.”
📰 JORNAL DOS PRAÇAS DA SÉ E DA FÉ
Editoria: Praça Juruna & Conselho dos Tostões da Ordem
DO “APERFEIÇOAMENTO DO IMPERFEITO” À PIRÂMIDE INVERTIDA
Uma leitura crítica da reestruturação policial paulista sob o crivo da cultura, da política e da rua
✦ EPÍGRAFE EDITORIAL
“Na lógica vigente em São Paulo, o coronel ocupa o lugar de Pelé, enquanto o praça é tratado como Tostão. Já o 2º tenente, rebaixado na prática, vê-se empurrado para uma condição intermediária — evocando o ‘Juruna’ de experiências administrativas como a de Minas Gerais.”
Desigualdade à vista no estádio
🖼️ IMAGEM 1 — A PIRÂMIDE INVERTIDA (ABERTURA)
Descrição para publicação: Estádio em plano geral. No topo (camarote), autoridades e coronéis em conforto e prestígio. Na base, poucos policiais e ruas vazias.
Legenda: Quando o comando sobe demais, a rua fica para trás.
I. PREÂMBULO — A VOZ QUE ECOA DA BASE
Circula entre a tropa — já não como mero desabafo, mas como síntese simbólica — a percepção de que a hierarquia foi reconfigurada menos pela lógica operacional e mais por conveniências administrativas.
Sob a gestão de Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite, a política remuneratória tem sido percebida como assimétrica, tensionando a relação entre base, meio e cúpula.
🖼️ IMAGEM 2 — PELÉ E TOSTÃO (METÁFORA)
Descrição: Um jogador no camarote (destaque e privilégio) e outro no campo carregando peso.
Legenda: Nem todo time que tem Pelé valoriza seu Tostão.
II. DO QUADRO FÁTICO — A “FARRA” COMO ESTRUTURA
A análise do jornalista Marcelo Godoy aponta para um fenômeno de expansão do topo hierárquico sem o correspondente fortalecimento da base operacional.
A ampliação de cargos superiores, somada ao deslocamento de efetivo para funções administrativas, sugere uma reorganização que impacta diretamente o policiamento ostensivo.
🔎 LEITURA COMPLEMENTAR
quarta-feira, 25 de março de 2026
Tarcísio e a farra dos coronéis, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Em dezembro, a PM de São Paulo mandou ao governador Tarcísio de Freitas um plano curioso: aumentar de 64 para 94 o número de coronéis sem criar uma única vaga de cabo ou de soldado – o plano inicial do secretário Guilherme Derrite era ter 50 novos chefes sem demonstrar a necessidade operacional da medida.
Pior do que aumentar os caciques era a consequência do plano. Soldados, cabos e sargentos são os policiais que estão nas ruas. Com os novos coronéis, uma companhia de praças seria retirada do patrulhamento para servir aos chefes como motoristas, seguranças e ajudantes. O projeto da farra ficou parado três meses no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio o mandou à Assembleia. Agora, não são mais 30 novos coronéis, mas “só” dez. Cada um terá direito a dois carros novos e a seis policiais para ajudá-los.
O projeto foi desidratado, mas permanece o aumento de coronéis, o que só vai retirar policiais das ruas que trabalham para deter ladrões e malfeitores. A situação é pior em razão do encolhimento da PM na última década. Ela se aproximou do efetivo mínimo histórico, registrado em 2023 (80.137). Por lei, a corporação deveria ter 93.802 policiais e 477 oficiais médicos. Mas em 9 de janeiro, tinha 81.594 policiais. A retirada de policiais do patrulhamento acompanha ainda o aumento de 65% do total de PMs servindo autoridades do Executivo,
População vai pagar a conta de R$ 0,5 bi em 3 anos sem ter um único soldado a mais nas ruas
com a criação de novas assessorias para secretários terem PMs carregando suas pastas enquanto os bandidos carregam os celulares da população.
O projeto também prevê o aumento do número dos demais oficiais, dos atuais de 5.483 para 6.209. Ou seja, além dos coronéis, o inchaço de chefes seria acompanhado por um aumento das demais patentes, o que multiplicaria o “trem da alegria” para escalões intermediários, com promoções em cascata.
Ao anunciar o projeto ao mesmo tempo em que aumentou os salários da polícia, o governo divulgou o fim dos soldados de 2.ª classe. Todos serão promovidos, mas o total de soldados e de cabos será o mesmo. Também promoverá por merecimento todos os 2.º tenentes a 1.º tenente – 2.º tenente se tornará patente de praças. Ou seja, em vez de modernizar a carreira, usa-se os graus hierárquicos como política salarial. É o ano eleitoral.
Como já alertou o coronel José Vicente, ex-secretário nacional de Segurança, “é necessário sobriedade nessas questões organizacionais”. “Todo mundo quer pirâmide invertida, muito chefe e pouco índio.” Essa situação comum nas PMs do Nordeste está chegando a São Paulo. Afinal, o que deseja Tarcísio? O cidadão vai pagar em três anos a conta de R$ 450 milhões, prevista pelo governo, sem ter um único soldado a mais nas ruas.
“A farra dos coronéis da PM de SP” — Marcelo Godoy
Publicado em O Estado de S. Paulo
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🖼️ IMAGEM 3 — A PIRÂMIDE INVERTIDA (ESTRUTURA)
Descrição: Pirâmide larga no topo e estreita na base.
Legenda: Mais chefes, menos rua: a inversão da lógica operacional.
III. DA FUNDAMENTAÇÃO CULTURAL — O MEIO DE CAMPO
Na canção “Meio de Campo”, interpretada por Elis Regina e composta por Gilberto Gil, encontra-se a chave simbólica desta análise:
“Aperfeiçoando o imperfeito…”
O praça — figura central da engrenagem — não reivindica protagonismo heroico, mas permanência no jogo. Sem ele, não há meio de campo; sem meio de campo, não há sistema.
🎵 BLOCO MULTIMÍDIA — MÚSICA
JORNAL DA CULTURA | 25/03/2026
Jornalismo TV Cultura
Meio De Campo
Elis Regina
Prezado amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando tempo, dando um jeito
Desprezando a perfeição
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou Pelé, nem nada
Se muito for eu sou um Tostão
Fazer um gol nesta partida não é fácil, meu irmão
Entrou de bola, e tudo!
Composição: Gilberto Gil.
Legenda: Entre a perfeição ideal e a realidade concreta, quem sustenta o jogo é o meio de campo.
IV. DO MÉRITO — VOTO-SÍNTESE
Data venia, a reestruturação em exame revela indícios de desvio de finalidade ao promover a hipertrofia do oficialato superior sem o correspondente reforço da base operacional, configurando quadro de disfuncionalidade administrativa com impacto potencial na eficiência do serviço público.
🖼️ IMAGEM 4 — ENTRE O TRIBUNAL E A RUA
Descrição: Metade institucional (tribunal), metade rua vazia.
Legenda: A norma decide; a rua sente.
V. DO “JURUNA” — A PERDA SIMBÓLICA
No vocabulário informal da tropa, emerge a figura do “Juruna” como representação simbólica de um processo de desidratação funcional.
Não se trata de categoria formal, mas de percepção:
perda de identidade hierárquica;
redução de protagonismo;
deslocamento de função.
🖼️ IMAGEM 5 — A CHARGE DO JURUNA
Descrição: Policial em posição ambígua, entre comando e execução.
Legenda: Quando a função perde forma, a identidade se dissolve.
VI. CONCLUSÃO — O JOGO SEM MEIO DE CAMPO
O discurso é de modernização.
A prática sugere concentração.
Sem base, não há sustentação.
Sem rua, não há segurança.
🖼️ IMAGEM 6 — CAMPO VAZIO
Descrição: Campo de futebol sem jogadores; arquibancada cheia.
Legenda: O público espera. O jogo não começa.
EPÍLOGO EDITORIAL
Este jornal — erguido por Tostões da cultura e da ordem — reafirma:
não há comando legítimo sem base valorizada;
não há política pública sem efetividade;
não há segurança sem presença.
E seguimos, como na canção:
aperfeiçoando o imperfeito — sem aceitar a inversão do jogo.
Praça Juruna
Editor-Chefe (simbólico)
S
AO VIVO: WW - STF LIMITA PENDURICALHOS, MAS PRESERVA ABUSOS CONSAGRADOS - 25/03/2026
CNN Brasil
VEJA POR QUE A TERCEIRA VIA PODE SURPREENDER E MUDAR A ELEIÇÃO DE 2026
MyNews
Estreou há 6 horas #politica #eleicoes2026 #terceiravia
O cenário político de 2026 já começou — e novos nomes surgem como possíveis alternativas à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Neste episódio do Não é bem assim, os analistas Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães discutem a possível candidatura de Ronaldo Caiado e analisam se existe espaço real para uma terceira via no Brasil.
👉 A polarização está enfraquecendo ou se consolidando ainda mais?
👉 O eleitor brasileiro quer mudança ou continua dividido?
👉 O centro político tem força suficiente para competir?
Além disso, o debate passa por nomes como Eduardo Leite e Romeu Zema, e os desafios econômicos que o próximo presidente vai enfrentar.
📌 Assista até o final para entender os bastidores e os possíveis cenários para 2026.
#politica #eleicoes2026 #terceiravia #lula #bolsonaro #ronaldocaiado #eduardoleite #romeuzema #politicabrasileira #brasil #analisepolitica #noticias #atualidades #cenariopolitico #mynews
O texto descreve o dilema político de Gilberto Kassab após a desistência de Ratinho Júnior de disputar a Presidência. Kassab precisa escolher entre dois candidatos do PSD: Ronaldo Caiado e Eduardo Leite — uma situação comparada à “Escolha de Sofia”, ou seja, uma decisão difícil com perdas inevitáveis.
A saída de Ratinho Júnior ocorreu por cálculo político, diante da força de adversários como Sergio Moro e do risco de derrota nacional e estadual. Com isso, a disputa interna no PSD se intensificou.
Caiado aparece como candidato de direita, experiente e bem posicionado nas pesquisas, enquanto Leite representa uma alternativa mais ao centro, com discurso de união e despolarização.
Apesar da escolha, o texto sugere que a candidatura do PSD pode ser apenas estratégica, já que o partido está dividido e pode apoiar outros nomes fortes, como Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro no segundo turno, buscando manter influência política.
quarta-feira, 25 de março de 2026
Caiado ou Eduardo, a escolha de Sofia de Kassab para candidato do PSD, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O líder do PSD vive um drama político. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o partido, mas mal consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior
Com a surpreendente desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de se candidatar à Presidência da República, o ex-prefeito Gilberto Kassab está diante de uma escolha de Sofia: tem dois nomes para substituí-lo, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande Sul, Eduardo Leite, e precisa indicar um deles para concorrer à Presidência. No jargão político, a expressão é usada para descrever situações muito difíceis, em que qualquer decisão representa uma grande perda, como no romance A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice, em inglês), de William Styron, publicado em 1979.
O livro relata a história de Stingo, um jovem sulista aspirante a escritor que vai morar em uma pousada no Brooklyn, onde conhece um casal que vive um turbulento caso de amor e ódio, Nathan Landau, um judeu que se apresenta como um cientista, e Sofia Zawistowk, uma polonesa sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Stingo se envolve com a bela Sofia, assombrada pelas lembranças da terrível escolha que precisou fazer um dia.
No cinema, a história valeu o Oscar de melhor atriz para Meryl Streep e popularizou a expressão mundialmente. A trama dirigida por Alan J. Pakula conta a história de Sofia, uma polaca acusada de contrabando, que é presa com seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, no campo de concentração de Auschwitz durante a II Guerra. Um sádico oficial nazista dá a ela a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando-a à terrível decisão. O trauma é relembrado por Sofia em 1947, ao viver o triângulo amoroso com o jovem escritor.
Com as devidas ressalvas, Kassab vive um drama de opção política. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o PSD, mas mal consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior, que resolveu permanecer no governo do Paraná até o final do mandato, com objetivo de fazer seu sucessor. “A decisão foi tomada na noite de domingo, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab”, diz o comunicado. Ratinho Júnior “pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.
Na verdade, Ratinho Júnior foi atropelado pela filiação ao PL do senador Sergio Moro, o ex-juiz de Curitiba do caso Lava-Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Embora fosse o candidato com mais possibilidades eleitorais na lista do PSD, o governador do Paraná chegou à conclusão de que perderia a eleição para Presidência e, com a eleição de Moro, a sua própria sucessão no estado.
A disputa pela indicação agora é entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Nesta terça-feira, Leite publicou um vídeo mirando os eleitores de Ratinho Júnior: “Estou com energia, disposição e verdadeiramente interessado em liderar um projeto que ajude a despolarizar o país. Quero muito ajudar o país a encontrar um caminho que una os brasileiros, não no mesmo pensamento, mas no mesmo propósito. Tenho certeza de que é uma eleição possível”, afirmou.
Dois perfis
Entretanto, quem primeiro se encontrou com Kassab foi o governador de Goiás. Segundo o presidente do PSD, Caiado apenas manifestou sua disposição e motivação em ser candidato. “A questão (por quem será escolhido) é política. Envolve muita conversa com pessoas que torcem para que o partido tenha o melhor desempenho possível. Não é disputa, é convergência”, disse Kassab, que não pretende fazer prévias nem decidir apenas com base em pesquisas, e chamou o governador Eduardo Leite para uma conversa, amanhã.
Leite seria o substituto natural de Ratinho Júnior, mas a filiação de Caiado ao PSD mudou o cenário. A avaliação positiva do governo de Goiás é a mais alta do país, e Caiado está à frente de Leite nas pesquisas eleitorais. Ninguém sabe os critérios adotados por Kassab para ungir o seu candidato, mas todos sabem que seus governadores, prefeitos e deputados estão liberados para apoiar Flávio Bolsonaro ou a reeleição do presidente Lula. Isso pode resultar na inevitável “cristianização” do candidato a presidente da República do PSD.
Parece uma grande contradição, mas não é. Uma candidatura para inglês ver deixaria o terreno livre para que Kassab possa administrar as contradições da legenda nos estados e somar forças para apoiar o candidato que esteja à frente nas pesquisas. Seus ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (trocará a Pesca e Aquicultura pela Agricultura) permanecem no governo; Carlos Fávaro (Agricultura) deixará o governo para renovar seu mandato na Câmara, mas manterá seus aliados na pasta.
Como as eleições estão muito polarizadas entre o presidente Lula, que pretende continuar na Presidência, e o senador Flávio Bolsonaro, mantendo uma candidatura à Presidência, pode ser que o PSD tenha votos suficientes para decidir a eleição no segundo turno. Caiado e Leite têm perfis muito diferentes, embora sustentem que se apoiarão reciprocamente, ou seja, qualquer que seja a escolha.
Caiado é um candidato claramente de direita, muito combativo, com um currículo político de quem passou por tudo na política brasileira: foi candidato a presidente em 1989, exerceu dois mandatos de deputado federal e dois de senador, governa Goiás desde 2019. Leite foi vereador e prefeito de Pelotas, está no segundo mandato de governador e não tem o mesmo trânsito de seu concorrente no Congresso. Seu diferencial é uma trajetória política de centro-esquerda, que agora deriva à centro-direita.
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