terça-feira, 31 de março de 2026

Ai que saudades daquela polarização de antanho

Henricão - Só vendo que beleza How to Fade In from Black or White in Canva - Lesson 49 Canva Video Editing Tutorial Ai que saudades daquela polarização de antanho Ensaio-dossiê em clave intimista À maneira de Ensaio, sob a condução silenciosa de Fernando Faro. I. Abertura: o silêncio antes da memória A câmera não começa no presente. Ela recua. O rosto que surge — qualquer rosto — já não é apenas individual. Carrega uma data que dispensa explicação: o Golpe de 1964. Com ele, suspende-se a ordem da Constituição de 1946. Não há ênfase. Apenas a constatação: a democracia foi interrompida e substituída por outra gramática — a do arbítrio. II. A palavra que permanece: “fascistização” O termo não é explicado; é deixado em suspensão. No documento do Partido Comunista Brasileiro, apresentado por Armênio Guedes, surge como diagnóstico e advertência. Não se trata apenas de um governo, mas de um processo: restrição progressiva de liberdades; concentração do poder em núcleos opacos; substituição da política pelo controle. Nada acontece de uma vez. Tudo se acumula. III. 1968–1970: da ofensiva ao recuo O silêncio pesa mais. O Ato Institucional nº 5 organiza o período sem precisar ser descrito. Sua sombra basta. O que se delineia: dispersão das forças democráticas; colapso das formas abertas de oposição; passagem da ofensiva à resistência. Aqui se revela uma genealogia: a resistência como identidade política não nasce no presente — ela é herdada. E ressurge, décadas depois, em figuras como Dilma Rousseff. IV. O erro e o desespero O ensaio distingue sem dramatizar. Entre organização paciente e ação imediata, o documento de 1970 recusa o atalho do gesto isolado. A crítica ao “foquismo” aponta para um risco constante: quando a política se desconecta das massas, a ação perde eficácia e se fecha sobre si mesma. O isolamento, aqui, não é acidente. É estrutura. V. Crescimento e fratura O plano se abre. Há crescimento econômico — e isso não é negado. Mas a pergunta permanece: crescimento para quem? O diagnóstico indica: concentração de renda; compressão salarial; dependência externa. Desenha-se um paradoxo duradouro: um país que cresce enquanto restringe sua própria base social. A crítica contemporânea ao modelo econômico ecoa esse mesmo dilema, ainda que com outras palavras. VI. A frente ampla: política como recomposição O gesto agora é estratégico. Não o heroísmo isolado, mas a construção paciente: alianças amplas; articulação com setores democráticos diversos; reconstrução do movimento de massas. Se a sobrevivência política exigia abertura, a pergunta se impõe — ainda que silenciosa: o que acontece quando a política se fecha? VII. A geografia do conflito O ensaio ganha território. A antiga Guanabara aparece como epicentro — densidade política, tradição oposicionista, capacidade de irradiar tensões. E, por isso mesmo, alvo preferencial do controle. Onde há mais política, há também maior esforço para contê-la. VIII. Polarização: memória ou construção? O título retorna, mas transformado: “Ai que saudades daquela polarização de antanho.” Não há nostalgia simples. Há interrogação. A polarização dos anos 60 e 70 implicava risco concreto, repressão real, organização necessária. Não era apenas discurso — era condição histórica. Talvez a saudade não seja da polarização em si, mas da densidade política que ela exigia. IX. Último plano: continuidade e ruptura A câmera fecha. Entre passado e presente, não há linha reta — mas há ecos persistentes: resistência como virtude; Estado como arena decisiva; isolamento como risco recorrente. A trajetória de Dilma Rousseff surge como possível continuidade dessa tradição — com suas forças e seus limites. E a pergunta final permanece, sem resposta explícita: o Brasil superou aquele ciclo histórico, ou apenas transformou a linguagem de seus conflitos? Fade out. The SECRET to a CINEMATIC FADE OUT | After Effects tutorial/Preset included Foto do perfil de somdoanimal somdoanimal 63 sem No dia 11 de janeiro de 1908, nascia em Itapira – SP, o cantor, compositor, ator e jogador de futebol Henrique Felipe da Costa, o qual ganhou a eternidade simplesmente como Henricão! Depois de jogar por times de Rio Claro (São Paulo) e Amparo, Sao Paulo, Brazil, Henricão rumou para a capital jogar pelo SC Corinthians Paulista, sendo que na década de 1930 participa da fundação do Cordão Carnavalesco Vai-Vai, do bairro da Bela Vista, o qual gerou a Escola de Samba Vai-Vai! Em viagem ao Rio de Janeiro, participa de um programa de rádio com Ataulfo Alves, que o apresenta à cantora Carmen Costa, formando a dupla mais famosa de sua carreira! Gravam dezenas de músicas, com destaque para ‘Só Vendo que Beleza’ e ‘Está Chegando a Hora’, em parceria com Rubens Campos, ambas lançadas em disco no ano 1942! Um verdadeiro clássico de nosso cancioneiro, ‘Só Vendo que Beleza’ teve regravações de Elza Soares e Elis Regina, além de Maria Bethania e Omara Portuondo, dentre tantos outras! Por muito tempo, o saudoso Henricão ficou sem gravar como cantor, período em que se dedicou a diversos ofícios, tais como ator, motorista particular, vendedor de automóveis, além de tornar-se o primeiro Rei Momo negro do Carnaval paulistano! Como legado, deixa uma obra que sofre influências do samba rural, típico do interior paulista, no qual as letras remetem a cenas do cotidiano e a uma interpretação informal! Ouçam o grande sucesso de Henricão, ‘Só Vendo que Beleza’, em apresentação de 1973, no programa MPB Especial, de Fernando Faro, acompanhado do conjunto de choro Evandro e seu Regional! Inesquecível, Henricão - Henrique Felippe da Costa! #henricao #samba #musicapopular #cultura #carnaval #mpb #somdoanimal MPB Século XX Vol 077 Henricão Acervo da Música Brasileira

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