Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 8 de março de 2026
No princípio era o verbo
Bom dia de domingo sem derramar o leite da garrafa de pilha!
Concepção artística da criação, por Gustave Doré.
Velha Roupa Colorida
Belchior
Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Nunca mais meu pai falou: She's leaving home
E meteu o pé na estrada, like a rolling stone
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro
Loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento
Amor e flor, quêde o cartaz?
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho
Black bird, assum-preto, o que se faz?
E raven, never, raven, never, raven
Never, raven, never, raven
Assum-preto, pássaro-preto, black bird, me responde
Tudo já ficou atrás
E raven, never, raven, never, raven
Never, raven, never, raven
Black bird, assum-preto, pássaro-preto, me responde
O passado nunca mais
Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
Composição: Belchior.
CONGONHAS EM PRETO & BRANCO
Deise Lucid
Congonhas do Campo - MG [Filme antigo]
Filme antigo da cidade de Congonhas do Campo - MG hoje Congonhas - MG.
Estradeiros da Real MC
12 de jun. de 2017
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - MORTE DO LEITEIRO
Morte do Leiteiro
Carlos Drummond de Andrade
A Cyro Novaes
Há pouco leite no país
É preciso entregá-lo cedo
Há muita sede no país
É preciso entregá-lo cedo
Há no país uma legenda
Que ladrão se mata com tiro
Então o moço que é leiteiro
De madrugada com sua lata
Sai correndo e distribuindo
Leite bom para gente ruim
Sua lata, suas garrafas
E seus sapatos de borracha
Vão dizendo aos homens no sono
Que alguém acordou cedinho
E veio do último subúrbio
Trazer o leite mais frio
E mais alvo da melhor vaca
Para todos criarem força
Na luta brava da cidade
Na mão a garrafa branca
Não tem tempo de dizer
As coisas que lhe atribuo
Nem o moço leiteiro ignaro
Morador na Rua Namur
Empregado no entreposto
Com 21 anos de idade
Sabe lá o que seja impulso
De humana compreensão
E já que tem pressa, o corpo
Vai deixando à beira das casas
Uma apenas mercadoria
E como a porta dos fundos
Também escondesse gente
Que aspira ao pouco de leite
Disponível em nosso tempo
Avancemos por esse beco
Peguemos o corredor
Depositemos o litro
Sem fazer barulho, é claro
Que barulho nada resolve
Meu leiteiro tão sutil
De passo maneiro e leve
Antes desliza que marcha
É certo que algum rumor
Sempre se faz: Passo errado
Vaso de flor no caminho
Cão latindo por princípio
Ou um gato quizilento
E há sempre um senhor que acorda
Resmunga e torna a dormir
Mas este acordou em pânico
(Ladrões infestam o bairro)
Não quis saber de mais nada
O revólver da gaveta
Saltou para sua mão
Ladrão? Se pega com tiro
Os tiros na madrugada
Liquidaram meu leiteiro
Se era noivo, se era virgem
Se era alegre, se era bom
Não sei
É tarde para saber
Mas o homem perdeu o sono
De todo, e foge pra rua
Meu Deus, matei um inocente
Bala que mata gatuno
Também serve pra furtar
A vida de nosso irmão
Quem quiser que chame médico
Polícia não bota a mão
Neste filho de meu pai
Está salva a propriedade
A noite geral prossegue
A manhã custa a chegar
Mas o leiteiro
Estatelado, ao relento
Perdeu a pressa que tinha
Da garrafa estilhaçada
No ladrilho já sereno
Escorre uma coisa espessa
Que é leite, sangue... Não sei
Por entre objetos confusos
Mal redimidos da noite
Duas cores se procuram
Suavemente se tocam
Amorosamente se enlaçam
Formando um terceiro tom
A que chamamos aurora
Composição: Carlos Drummond de Andrade.
O Leiteiro - curta feito com fotos antigas da cidade de Congonhas - MG, por volta de 1940. O personagem IA que criei o leiteiro foi baseado em um leiteiro real que vi em uma dessas fotos antigas de Congonhas.
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A voz e o poema é do próprio Carlos Drummond de Andrade e o poema é "A Morte do Leiteiro".
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Algumas das fotos foram cedidas pelo fotógrafo Welerson @welersonathaydes outras encontrei no acervo online do André Candreva @andrecandreva8050 outras encontrei no acervo do site do IMS que são do fotógrafo Marcel Goterrot. Outra inserção foi frames do filme Congonhas do Campo em preto e branco do Humberto Mauro da parte da Maria fumaça que resolvi ilustrar também essa coisa linda que é trem como transporte público, hoje só funciona pra mineração em grande parte :'(
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Algumas pessoas que aparecem realmente são das fotos outras são criação de IA.
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Produção: Marcelo Heidenreich
'Sicário' de Vorcaro morre no hospital, diz advogado
Segundo a defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o óbito foi confirmado às 18h55 desta sexta (6), após o encerramento do protocolo de morte encefálica.
Por Ernane Fiuza, g1 e TV Globo — Brasília
06/03/2026 23h58 Atualizado há um dia
portalg1
22 h
#CasoMaster - O corpo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, conhecido como “Sicário” de Vorcaro, deu entrada no Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IML), em Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que informou que o corpo passará por exames antes de ser liberado aos familiares.
Mourão morreu nesta sexta-feira (6). Segundo a defesa dele, o óbito foi declarado às 18h55 após o encerramento do protocolo de morte encefálica, iniciado por volta das 10h15 do mesmo dia.
Ele estava sob custódia da Polícia Federal (PF) depois de ter sido preso na Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (4). A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Leia mais no #g1
#casomaster #vorcaro #sicario #bancomaster #minasgerais
Bom dia de domingo sem derramar o leite da garrafa de pilha!
"O Partido está com a metade da idade de vida dele, ainda que mais velho em dobro."
"A regra de três costuma, para os meus, ser simples; composta, para os outros."
"Diretamente proporcional e inversamente proporcional: aí depende, ponto."
"Proteger é um verbo, cuidar é outro. A escolha deve ser e vir de quem a verbaliza ou a requer."
"No princípio era o verbo."
"O verbo não comporta adjetivos."
"O substantivo às vezes pode se dar ao desfrute, mas não dispensa o indefectível verbo para evitar relações perigosas."
domingo, 8 de março de 2026
O mito do herói e a desconstrução do ministro Xandão no caso Master, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O apelido Alexandre de Moraes não é apenas um “meme” das redes sociais. É a tradução simbólica de uma persona investida de atributos como firmeza, coragem e poder de decisão
A trajetória recente do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal produziu um fenômeno raro no Judiciário brasileiro: a construção de uma figura pública dotada de forte capital simbólico. Ao conduzir investigações e julgamentos ligados aos ataques à democracia e às articulações golpistas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes passou a ser visto por amplos setores da opinião pública como o principal fiador institucional da ordem constitucional, um herói da democracia.
Daí nasceu o “Xandão”. O apelido popular não é apenas um “meme” das redes sociais. É a tradução da construção de uma “persona” institucional investida de atributos extraordinários: firmeza, coragem, capacidade de decisão em momentos críticos. Trata-se, em termos teóricos, de um fenômeno antigo da política: o mito homérico de Ulysses. A filósofa Hannah Arendt, em A Condição Humana, analisa essa figura a partir da tradição da pólis grega.
Para Arendt, o herói homérico se revela no espaço público por meio da ação e do discurso. Sua grandeza não deriva apenas do resultado de seus atos, mas do fato de agir diante dos outros, sob o olhar da comunidade política. A ação extraordinária rompe a rotina do comportamento cotidiano e projeta o indivíduo na história. O herói busca aquilo que os gregos chamavam de imortalidade da fama. Sua biografia passa a ser construída pelas ações que realiza diante da coletividade. A política, nesse sentido, é o espaço onde o indivíduo deixa o âmbito privado para se expor ao julgamento público.
Nos últimos anos, Moraes passou a ocupar esse lugar simbólico na política brasileiro. Sua atuação firme contra a radicalização antidemocrática transformou-o em protagonista de uma narrativa institucional de resistência. Para muitos, ele encarnava o magistrado capaz de enfrentar o poder político quando este ameaça as regras do jogo democrático. O problema das narrativas heroicas, que situam o indivíduo acima das instituições, é que são voláteis. Dependem de uma coerência permanente entre a figura pública e a conduta privada. Qualquer fissura nessa coerência pode provocar a desmitificação.
Relações perigosas
Esse fenômeno está em curso com as revelações relacionadas ao escândalo do Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A existência de um contrato milionário entre o banco e o escritório de advocacia da mulher do ministro, no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master já havia despertado questionamentos sobre eventual conflito de interesses. Ainda que não haja demonstração de ilegalidade, esse vínculo econômico entre o grupo investigado e a família de Moraes levanta inevitáveis dúvidas institucionais.
A situação tornou-se mais delicada com a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo reportagens, o banqueiro teria trocado contatos com Moraes no dia em que sua prisão foi decretada. Mesmo sem o conteúdo completo das respostas atribuídas ao ministro, o simples registro dessas interações no sentido inverso ao da construção do mito do herói, ou seja, da transição do bem comum para os interesses privados, detona um processo de desconstrução de sua imagem, o mito do Xandão teria pés de barro. O problema é que isso mina a confiança na imparcialidade das instituições. Quando surgem dúvidas sobre relações privadas entre magistrados e personagens investigados, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser essencialmente político.
O episódio ganha dimensão ainda maior porque envolve também o ministro do STF Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após revelações sobre transações envolvendo empresa da qual é sócio e fundos ligados ao mesmo grupo empresarial. A coincidência amplia a repercussão do escândalo e alimenta a percepção de promiscuidade entre interesses privados e esferas de poder. Até o momento, não há prova de irregularidade por parte de Moraes. O desgaste de sua imagem não decorre das acusações formais, sim da erosão do capital simbólico construído ao longo dos últimos anos. A força de sua autoridade estava ancorada na percepção de independência e rigor institucional.
Há uma distinção entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade. A primeira orienta aqueles que agem movidos por princípios e valores absolutos, como os políticos, por exemplo. A segunda exige que o agente público responda pelas consequências de seus atos e pela confiança que inspira na sociedade, sua responsabilidade é zelar pela legitimidade dos meios utilizados na ação política. Na construção do mito do Xandão, a linha que separa a convicção da responsabilidade era tênue e sinuosa, mas legitimada pela defesa da democracia.
Ministros do Supremo cruzam essa fronteira com frequência, sob permanente tensão para equilibrar a ação em defesa da Constituição e a responsabilidade de assegurar a legitimidade do sistema jurídico. Entretanto, é um autoengano supor que a autoridade de um ministro do Supremo deriva apenas da Constituição ou da força de suas decisões. O herói da tradição clássica buscava a imortalidade da fama. Na democracia, porém, a verdadeira grandeza está na confiança pública na integridade de sua conduta. Nesse espaço, o “terrivelmente evangélico” ministro André Mendonça assume cada vez mais protagonismo.
Brasil
Corpo de “Sicário”, o espião de Vorcaro, é liberado pelo IML de BH
Segundo a PF, Luiz Phillipi Machado tentou suicídio depois de ser preso na investigação do Banco Master. Corpo passou por exames
Luana Patriolino
07/03/2026 15:32, atualizado 07/03/2026 16:20
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Material cedido ao Metrópoles
Sicário
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O corpo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 43 anos, conhecido como “Sicário”, chegou ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IML), em Belo Horizonte, na tarde deste sábado (7/3). Ao Metrópoles, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o cadáver foi liberado após exames para a família dar prosseguimento ao velório e ao sepultamento. Ele morreu nessa sexta-feira (6/3) após dois dias internado em um hospital da capital mineira.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, havia suspeita de morte cerebral. O óbito foi declarado às 18h55 após o encerramento do protocolo de morte encefálica, iniciado por volta das 10h15 do mesmo dia. A defesa disse que não há informação sobre o enterro de Sicário.
A Polícia Federal relatou que Luiz Phillipi tentou suicídio na Superintendência Regional da PF depois de ser preso na terceira fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude no Banco Master.
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Corpo de “Sicário”, o espião de Vorcaro, é liberado pelo IML de BH - destaque galeria
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PF investiga suposta tentativa de suicídio de "Sicário" de Vorcaro
PRF apreendeu blindado
Luiz Phillipe Machado Mourão, é conhecido como "Felipe Mourão" e Sicário
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Extensa ficha: a vida criminosa de “Sicário”, o espião de Vorcaro
Luiz Phillipi é apontado como um dos contratados da “milícia pessoal” do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também preso na força-tarefa. A investigação aponta que o Sicário exercia papel central na coordenação operacional de um grupo denominado “A Turma”. Eles atuavam na coleta de informações, monitoramento e intimidação de pessoas consideradas adversárias, como autoridades, ex-funcionários e jornalistas.
Stories
O homem tem uma extensa ficha criminal, com passagens por furto qualificado, ameaças e crimes de trânsito. Ele também já tinha sido investigado por estelionato e associação criminosa.
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