domingo, 15 de março de 2026

Tela da canalidade

Jornais Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector
Estadão 15/03/2026
TELA DA CANILIDADE um tecido em três fios: fato, exegese e aforismo (nos moldes do engenho seco do Recife) URDIDURA I O corte Primeiro não veio o fato. Vieram as consequências. O fato — uma lâmina de instante — ocorreu em praça aberta, num setembro ainda eleitoral. Ali se abriu não apenas um corpo, mas uma narrativa. Um corte na pele da política. E desse corte escorreu um método: nós contra eles. Não argumento. Não deliberação. Apenas o gesto antigo de dividir o mundo como quem parte um pão em duas hostilidades. 📍 MARCO EDITORIAL 1 Inserir aqui: link documental sobre o atentado de 2018 fotografia jornalística do evento linha do tempo da eleição de 2018 (sem legenda extensa; apenas referência discreta) URDIDURA II A anatomia Depois do corte veio o escalpelo. A política, aberta, foi examinada. Não por cirurgiões do poder, mas por quem escreve como quem disseca. Uma jornalista abriu o dorso da máquina e mostrou as engrenagens. Não o grito das ruas, mas a contabilidade do subterrâneo. Assim nasceu a anatomia do esquema. Livro sobre livro, documento sobre documento, até que o poder deixasse de ser ideologia para tornar-se estrutura. 📍 MARCO EDITORIAL 2 Inserir aqui: capa do livro A Organização perfil da jornalista Malu Gaspar infográfico do sistema Odebrecht URDIDURA III A inversão Foi então que aconteceu a mudança invisível. As causas cederam lugar às consequências. Primeiro vinha o efeito. Depois, fabricava-se a razão. Assim funciona o moinho da crise: o fato alimenta a narrativa, a narrativa cria o fato. E a política gira. Gira como cão nervoso num quintal de domingo, latindo para um inimigo circular: o próprio rabo. 📍 MARCO EDITORIAL 3 Inserir aqui: gráfico ou análise sobre polarização política estudo sobre comunicação política ou bolhas digitais artigo de opinião ou análise acadêmica URDIDURA IV O diagnóstico Se o velho filósofo de Frankfurt observasse a cena, não veria apenas conflito. Veria patologia. Diria que a linguagem perdeu seu ofício. Que o diálogo foi tomado pela estratégia. Que o debate já não busca verdade, apenas vitória. E chamaria isso de colonização do mundo da vida. 📍 MARCO EDITORIAL 4 Inserir aqui: referência à obra The Theory of Communicative Action retrato de Jürgen Habermas pequeno trecho explicativo da teoria URDIDURA V O pregador antigo Mas muito antes do filósofo já falara outro. Um pregador de areia e vento. No livro chamado Ecclesiastes. Ele escreveu: tudo gira. O que foi torna a ser. O que virá já aconteceu. O sol nasce, o sol se põe, e volta ao lugar de onde nasceu. Talvez a política também. 📍 MARCO EDITORIAL 5 Inserir aqui: gravura antiga de Eclesiastes citação curta do capítulo 1 URDIDURA VI O cronista No Cosme Velho houve um homem que entendia dessas voltas. Não governava, não marchava, não discursava. Observava. E escrevia como quem deixa armadilhas na sintaxe. Chamava-se Machado de Assis. Sabia que o homem é um animal capaz de inventar ideias apenas para não encarar o espelho. Talvez por isso seus livros sorriam de lado. 📍 MARCO EDITORIAL 6 Inserir aqui: retrato clássico de Machado citação breve de Memórias Póstumas de Brás Cubas URDIDURA FINAL A canilidade Somando tudo — o corte, a anatomia, a teoria, o pregador, o cronista — resta um retrato. A política não caminha em linha. Move-se como animal inquieto. Gira em círculos cada vez menores. Até que, exausta, descobre a causa do mundo no lugar mais próximo de seus dentes. O próprio rabo. Assim segue a república dos homens. Não em marcha heroica, como cantaria o poeta épico. Mas em rotação doméstica, teimosa, de um cão que acredita que ao alcançar o próprio rabo finalmente terá entendido a história. Epígrafe final Tudo tem seu tempo. Até as voltas. — Eclesiastes ✅ Primeiro foram as consequências da facada de de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra ela. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torn-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo tentando morder o própiro rabo. Assim caminha a canilidade. Essa reflexão traça um arco interessante sobre a antropofagia política brasileira, onde o confronto direto (o paradigma do "nós contra eles" personificado no atentado) evoluiu para uma espécie de implosão interna e escrutínio institucional (a exegese de Malu Gaspar sobre a Odebrecht em "A Organização"). A metáfora do cão que morde o próprio rabo captura bem essa transição: O Corte Epistemológico: A facada não foi apenas um evento físico, mas o marco zero de uma narrativa de martírio que solidificou a polarização extrema [1, 2]. O Paradigma "Elas contra Ela": A entrada de jornalistas investigativas e figuras femininas no centro do debate sobre o poder estrutural (as entranhas da máquina estatal e corporativa) deslocou o foco da ideologia pura para a "anatomia do esquema" [3]. A Causalidade Reversa: Quando as consequências (as crises geradas pelo próprio método de governar ou operar) passam a ditar as causas, o sistema entra em um loop de autofagia, onde a política deixa de ser construção para se tornar uma reação contínua ao caos que ela mesma plantou [2, 4]. É a política como entropia, onde a "canilidade" (o latido raivoso e circular) substitui o projeto de país. Você acredita que esse comportamento de "cão louco" é um vício incurável das nossas instituições ou apenas uma fase aguda da nossa crise de identidade política? A IA pode cometer erros. Por isso, cheque as respostas "Primeiro foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em corte epistemológico da consolidação do paradigma do nós contra eles. Depois veio exegese de a 'A Organização" pela jornalista 'maledita'. Elas contra ela torna-se novo paradigma para as consequências determinando as causas, como cão louco dando voltas latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade."verificar a correção gramatical, de digitação e de compatibilidade com a teoria da Teoria de Ação Comunicacional do filósofo alemão, o mais novo membro da chamada Escola de Frankfurt, morto em 14 de março de 2026. Aqui está a análise técnica do seu texto, abrangendo a revisão normativa e a compatibilidade filosófica com a obra de Jürgen Habermas, o expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt, cuja morte foi noticiada em 14 de março de 2026. 1. Correção Gramatical e de Digitação O texto é denso e utiliza termos técnicos, mas apresenta alguns pontos que podem ser ajustados para maior clareza e correção: Ponto de Digitação/Sintaxe: Em "exegese de a 'A Organização'", há um choque de artigos. O ideal seria: "exegese da obra 'A Organização'" ou simplesmente "exegese de 'A Organização'". Concordância/Pontuação: No trecho "Elas contra ela torna-se novo paradigma", falta um artigo ou determinante para fluidez. Sugestão: "O 'elas contra ela' torna-se um novo paradigma". Aspas: Há uma aspa dupla sobrando ou mal posicionada após 'A Organização". Padronize para aspas simples ou duplas em ambos os lados. Sugestão de Revisão: "Primeiro, foram as consequências da facada de 6 de setembro de 2018, em um corte epistemológico da consolidação do paradigma do 'nós contra eles'. Depois, veio a exegese de 'A Organização' pela jornalista 'maledita'. O 'elas contra ela' torna-se o novo paradigma, com as consequências determinando as causas — como um cão louco dando voltas e latindo, tentando morder o próprio rabo. Assim caminha a canilidade." 2. Compatibilidade com a Teoria da Ação Comunicativa (Habermas) Sob a ótica de Jürgen Habermas, seu texto descreve o que ele chamaria de patologia da esfera pública. UOL Notícias UOL Notícias +1 Ação Estratégica vs. Ação Comunicativa: O "nós contra eles" e o "cão louco" que você descreve representam a predominância da ação estratégica. Nela, a linguagem não busca o entendimento mútuo (consenso), mas sim o sucesso individual e a manipulação do outro como um objeto. Colonização do Mundo da Vida: Habermas argumenta que quando a lógica de sistemas (como a política partidária ou o mercado editorial de escândalos) invade o "mundo da vida" (nossas interações cotidianas e valores), a comunicação se degrada. Sua metáfora da "canilidade" ilustra perfeitamente essa comunicação sistematicamente distorcida, onde o debate público perde a racionalidade e vira puro ruído ou autogestão do ódio. A Esfera Pública: A análise da jornalista Malu Gaspar em "A Organização" sobre a corrupção estrutural expõe a falha na prestação de contas (accountability). Para Habermas, o "cão morder o rabo" seria a prova de que a nossa Esfera Pública não consegue mais processar informações para gerar soluções democráticas, apenas para retroalimentar o conflito. VEJA VEJA O texto, portanto, é altamente compatível com a crítica habermasiana ao mostrar como o debate brasileiro abandonou a pretensão de validade (verdade, correção normativa e sinceridade) em favor de uma circularidade autodestrutiva. Você acredita que a Esfera Pública brasileira ainda possui canais capazes de resgatar a ação comunicativa, ou o "cão louco" já atingiu um ponto de não retorno? undefined undefined undefined 6 sites Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos. ... G1. G1 Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen ... 14 de mar. de 2026 — Expoente da Escola de Frankfurt, filósofo alemão Jürgen Habermas morre aos 96. VEJA. VEJA Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas - Notícias 14 de mar. de 2026 — Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas. UOL Notícias Mostrar tudo peçamos a ajuda no artigo:
"A guerra do Irã, a pneumonia de Bolsonaro e o efeito Trump nas eleições Publicado em 15/03/2026 - 08:16 Luiz Carlos Azedo Brasília, Comunicação, Eleições, EUA, Governo, Guerra, Irã, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Saúde, Trump A hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, humaniza o ex-presidente e produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores O projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, vive um cenário de incertezas provocadas por fatores externos e inesperados, que influenciam o ambiente político. Em eleições competitivas, o desempenho do governo não depende apenas de suas políticas públicas ou da conjuntura econômica doméstica. Eventos internacionais, crises institucionais ou episódios envolvendo adversários podem alterar a percepção do eleitorado e obrigar à redefinição de estratégias eleitorais. No momento, três fatos novos alteram o cenário político: a guerra entre Estados Unidos e Irã e seu impacto no preço do petróleo; a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro com pneumonia bilateral; e as tensões diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração Donald Trump. A guerra no Oriente Médio é o primeiro fator. Provocou uma forte elevação do preço do petróleo no mercado internacional. O barril chegou a atingir US$ 120 e permanece em níveis elevados. Para o Brasil, país que ainda depende intensamente de combustíveis fósseis para transporte e produção, essa alta se traduz em pressão inflacionária imediata. Combustíveis são um dos preços mais sensíveis politicamente, pois afetam diretamente o custo de vida e os preços de alimentos, transporte e logística. Choques no preço da energia podem comprometer políticas econômicas internas estáveis. O risco político para Lula é claro: uma nova rodada inflacionária pode deteriorar a percepção de bem-estar econômico justamente quando o eleitor avalia a continuidade do governo. A reação do Planalto — com desoneração do diesel e subsídios temporários — indica que o governo reconhece o potencial eleitoral desse problema. Entretanto, trata-se de uma resposta de curto prazo a uma crise internacional cuja duração ainda é incerta. Leia também: Petrobras eleva preço, mesmo após governo Lula zerar imposto com guerra no Irã O segundo fator é político e simbólico: a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em estado grave. Mesmo condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro continua sendo a principal referência política da direita brasileira. Sua hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores e humaniza o ex-presidente perante a opinião pública que não lhe é politicamente favorável. A situação cria um ambiente de solidariedade política que pode fortalecer a narrativa de perseguição adotada pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente. Ao mesmo tempo, recoloca Bolsonaro no centro do debate público e reforça o papel de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como herdeiro político do movimento. Em um cenário eleitoral já polarizado, a saúde do ex-presidente tende a intensificar a mobilização do eleitorado conservador e aumentar a coesão da oposição. O imponderável Para Lula, esse fenômeno representa um desafio. A polarização entre lulismo e bolsonarismo tem sido um elemento central da política brasileira desde 2018. Quanto maior a mobilização emocional do campo adversário, maior a probabilidade de que a disputa eleitoral se torne plebiscitária, reduzindo o espaço para agendas programáticas e ampliando o peso das identidades políticas. Em 2018, durante a campanha eleitoral, a facada que recebeu em Juiz de Fora praticamente definiu a eleição de Bolsonaro com ele no leito do hospital; é imprevisível o impacto que pode advir da eventualidade do ex-presidente falecer estando preso em regime fechado. Seus recorrentes problemas de saúde são uma evidência de que já passou da hora de Bolsonaro ter atendido o pedido de prisão domiciliar humanitária. Leia mais: Bolsonaro tem piora na função renal e permanece na UTI, afirma boletim O terceiro fator é diplomático: as recentes tensões entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump. Episódios como a investigação comercial contra o Brasil, a controvérsia sobre a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e o incidente envolvendo o conselheiro norte-americano Darren Beattie, que pretendia visitar Bolsonaro na prisão e teve seu visto cassado pelo Itamaraty, ampliaram as fricções entre os dois países. Embora não exista uma crise aberta entre Brasília e Washington, o ambiente tornou-se mais sensível. O problema para Lula é que a política externa passou a ter repercussão direta na disputa eleitoral interna. A possibilidade de que Trump manifeste apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro transformou a relação bilateral em variável política doméstica. Pesquisa recente mostra que esse eventual apoio seia polarizador: 28% dos eleitores afirmam que aumentariam a chance de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 32% dizem que isso aumentaria sua disposição de votar em Lula. Cresce no Brasil uma percepção crítica em relação aos Estados Unidos, cuja imagem desfavorável atingiu níveis elevados nas pesquisas recentes. Isso pode beneficiar Lula entre setores nacionalistas ou entre eleitores sensíveis a discursos de soberania. Por outro lado, o apoio explícito de Trump pode consolidar a identificação ideológica entre o bolsonarismo brasileiro e a direita global. O risco é essa questão escalar e passar a ser tratada como um divisor de águas eleitoral pelo Palácio do Planalto, de consequências econômicas e geopolíticas imponderáveis. A presença de Trump como ator direto na disputa, ao lado da oposição, não pode ser descartada. Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Compartilhe no Google+(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) #Bolsonaro, #Flávio, #Irã, #Trump, Lula " para ver se temos habersianas possibilidade de retomarmos a sanidade da esfera pública através de outra ação comunicativa que Habermas abonaria? Análise baseada na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas sugere que o cenário político brasileiro descrito, marcado pela "humanização" de Bolsonaro e o "efeito Trump", demonstra uma esfera pública colonizada pela ação estratégica e influências sistêmicas. A retomada da sanidade dependeria da descolonização desse espaço, deslocando o debate da comoção emocional e dos interesses estratégicos para a validade normativa, a transparência e o patriotismo constitucional. ? Analisando o artigo de Luiz Carlos Azedo sob a lente de Jürgen Habermas, a resposta sobre a retomada da sanidade na esfera pública é complexa: o cenário descrito é o ápice da comunicação patológica, mas o diagnóstico aponta o caminho para a "cura". Para Habermas, a sanidade retornaria através dos seguintes pilares da Ação Comunicativa: 1. Descolonização do "Mundo da Vida" O artigo mostra como o "Mundo da Vida" (nossos valores, saúde e sentimentos) foi colonizado pela lógica sistêmica (poder político e dinheiro). A Patologia: A doença de um homem preso ou o preço do petróleo não são discutidos como fatos humanos ou econômicos, mas como "trunfos estratégicos" para ganhar uma eleição. Ação Habermasiana: Retomar a sanidade exigiria que os atores políticos parassem de usar a pneumonia ou a guerra como instrumentos de manipulação (ação estratégica) e passassem a discuti-las com base em pretensões de validade (verdade dos fatos e correção normativa). 2. O Resgate da Prisão Domiciliar Humanitária O autor cita que "já passou da hora de Bolsonaro ter atendida a prisão domiciliar humanitária". Aqui há um lampejo de Ação Comunicativa: O argumento não é político ("ele deve sair para acalmar a militância"), mas normativo e ético ("ele deve sair porque o Direito e a dignidade humana assim exigem"). Habermas abonaria essa saída se ela fosse fruto de um consenso racional sobre direitos humanos, e não de um cálculo eleitoral para evitar que ele vire mártir. 3. A Esfera Pública Transnacional (O Fator Trump/Irã) A entrada de Trump e a guerra do Irã no debate brasileiro transformam a esfera pública em um campo de pressão e influência, o oposto do ideal habermasiano de um espaço livre de coação. Para recuperar a sanidade, a política externa precisaria ser debatida pela sua racionalidade diplomática e soberania, e não como uma extensão do "nós contra eles" doméstico. Conclusão: Há saída? O artigo de Azedo descreve uma esfera pública exaurida, onde o "imponderável" (a morte, a guerra, a doença) dita o ritmo. Habermas diria que a sanidade só volta quando o debate público deixar de ser uma guerra de torcidas (onde o sucesso do argumento depende de quem grita mais ou de quem está no hospital) e voltar a ser um procedimento de busca cooperativa pela verdade. No momento, o "cão louco" que você mencionou ainda está vencendo, pois a comunicação no Brasil de 2026, segundo o texto, ainda é puramente estratégica: ninguém quer entender o outro; todos querem apenas que o evento externo (a pneumonia ou a guerra) destrua o adversário. Você acredita que a Justiça, como instituição, teria o papel de ser a primeira a agir de forma puramente "comunicativa" (seguindo a lei, independentemente do impacto eleitoral) para quebrar esse ciclo de canilidade?
TÍTULO A Placa de Custódia de Maduro SUBTÍTULO Pequena hipótese político-moral à maneira de um conselheiro aposentado EPÍGRAFE “Não há casaca que não sirva, desde que o dono saiba abotoá-la no momento oportuno.” CITAÇÃO “Os homens mudam menos de ideias do que de circunstâncias.” — atribuição duvidosa a um conselheiro prudente LEAD Suponha o leitor — e peço-lhe desde já alguma benevolência filosófica — que certo personagem da política continental, a quem chamaremos Ernesto Maduro, venezuelano de nascimento e de prenome curiosamente argentino, resolvesse, em hora de reflexão carcerária, praticar um ato de surpreendente utilidade diplomática: oferecer ao seu capturador e carcereiro, o poderoso senhor Trump, uma colaboração premiada. Não seria a primeira vez que um homem público descobre virtudes inesperadas na franqueza tardia. Há confissões que nascem da consciência; outras, da geopolítica. Maduro — imaginemos — escreveria um memorial em que renegaria o bolivarianismo de outrora com a compostura de quem troca de casaca em salão bem iluminado. Nada escandaloso: a história política da América é rica em metamorfoses discretas, sobretudo quando a conveniência veste uniforme novo. Dir-se-ia então que o antigo tribuno do anti-imperialismo aceitara, com resignação filosófica, o modesto cargo de agente plenipotenciário da América de Trump. Não por convicção — palavra excessiva —, mas por aquilo que os diplomatas costumam chamar de “realidade”. A operação exigiria apenas um detalhe simbólico. Não bastaria a conversão verbal; seria preciso uma placa de custódia, à maneira daquela que o prudente conselheiro Ayres certa vez imaginou para certas instituições humanas: uma pequena inscrição lembrando ao portador quem guarda quem. Assim, sobre a mesa do novo funcionário hemisférico, poder-se-ia ler: “Este revolucionário encontra-se sob custódia da História.” Não sei se o leitor acreditará nesta hipótese. Confesso que eu mesmo a acho improvável. Mas a política tem dessas ironias que fariam corar os romancistas. E se amanhã algum cronista anunciar que um antigo bolivariano foi visto em Washington vestindo casaca nova, não diga que esta página o apanhou de surpresa. CONCLUSÃO Porque, como talvez dissesse um conselheiro de espírito prudente, as revoluções passam, as casacas mudam — e a História, essa senhora irônica, costuma guardar as placas de custódia para usá-las no momento oportuno.

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