Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
O problema não é a ausência de virtude, mas a irrelevância que o sistema lhe atribuiu.
"Trappola" (Armadilha, em italiano), criada em 1968 por Pino Pascali, é uma obra de arte notável do movimento Arte Povera. A escultura é feita de palha de aço trançada e está exposta na Tate Modern, em Londres.
Regina Caeli (latim)
Músicas Católicas
Rainha Do Céu
Regina Caeli (latim)
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruisti portare
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nobis Deum
Aleluia
Alleluia
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruísti portáre
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nóbis Deum
Aleluia
Alleluia
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruísti portáre
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nóbis Deum
Aleluia
Alleluia
Composição: Papa Gregório I.
Samba Da Bênção
Odette Lara - Tema
Trechos
‘Uma crise chamada Brasil’: a década em que a política colapsou
Conrado Corsalette
26 de maio de 2023
Temas
Brasil
Política
Sociedade
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O ‘Nexo’ publica um trecho de ‘Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova República e a erupção da extrema direita’, de Conrado Corsalette, cofundador e editor-chefe do ‘Nexo’. Na obra, o jornalista destrincha os últimos dez anos da disputa de poder no país.
Populações de diversos países tomaram as ruas em 2011. As manifestações eclodiram do Ocidente ao Oriente Médio. No Brasil, o levante popular de dois anos depois deixou imprensa, governos e partidos completamente desnorteados, expondo um establishment despreparado para lidar com a situação que emergia. Antigas respostas mostraram-se insuficientes para aplacar as demandas naquele novíssimo momento nacional. Uma energia diferente surgiu em 2013.
Uma energia que veio tanto da esquerda quanto da direita e que transbordou para as ruas quando o país parecia ir bem. Um grito de várias vozes por mais acesso a serviços públicos, por mais representatividade política. Um grito que depois ganhou múltiplos tons.
Longe de uma explicação fácil de causa e consequência para o que veio depois, sociólogos, cientistas políticos, ativistas e jornalistas ainda tentam decifrar que grito foi esse.
Mobilizações como Occupy Wall Street, Indignados e Primavera Árabe tiveram seus contextos particulares. Mas elas tinham alguns pontos em comum: busca por mais igualdade econômica e por mais representatividade política. Em resumo, os atos foram um grito contra o poder constituído, contra um establishment que parecia não atender mais às demandas de uma população inquieta.
As manifestações nas várias partes do planeta vinham acompanhadas de uma nova dinâmica digital, em que a comunicação em rede e o uso do celular ampliavam as possibilidades de se organizar e davam protagonismo a uma nova geração, espalhando um sentimento de que estar ali era fazer parte de um momento histórico. Ir para a rua se tornou urgente. E esse espírito do tempo também tomou o Brasil.
Sim, o mundo já tinha vivido outros ciclos de mobilização popular. Só que naquele início da década de 2010 havia novos elementos em jogo: novas mensagens, novos meios. Alguns sinais já apareciam nas ruas brasileiras, inclusive, antes de junho de 2013, momento-chave para o país.
Um episódio ocorrido em abril de 2011 é bastante revelador do que viria a ocorrer nos anos seguintes. Usando as redes sociais como forma de mobilização, um grupo neofascista foi à avenida Paulista dar apoio ao deputado Jair Bolsonaro, à época presença recorrente em programas de variedades na tv por causa dos absurdos que costumava dizer em público. Com o grito de guerra “fora, kit gay”, o grupo extremista reproduzia desinformação sob o vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Do outro lado de um cordão policial, representantes dos movimentos LGBTQIAP+, feminista, negro, além de anarquistas, faziam um contraponto ao defender direitos que vinham ganhando mais visibilidade no debate público, mas ainda eram institucionalizados a conta-gotas. Eram movimentos sociais alinhados à esquerda, mas que questionavam os governos, inclusive a administração federal do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que tinha passado oito anos no comando do Brasil com Luiz Inácio Lula da Silva e estava então num novo mandato com a presidente Dilma Rousseff.
O cordão policial que separava o grupo neofascista do grupo que defendia direitos das minorias era, já naquele momento, uma prévia de uma divisão nacional que ficaria escancarada anos depois — uma divisão permeada por falsas equivalências.
Em maio de 2011, um mês depois daquele encontro no vão do Masp, a Marcha da Maconha, que anualmente pede a legalização da droga, foi fortemente reprimida pela Polícia Militar ali na mesma avenida Paulista. Na época, a marcha tinha sido proibida pela Justiça, numa tendência de tribunais por todo o país. Foi preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF), corte máxima brasileira, garantisse a realização dela numa decisão de junho do mesmo ano. Numa nova mobilização realizada naquele mês, a Marcha da Maconha virou Marcha da Liberdade.
O primeiro semestre de 2011 viu também manifestações inusitadas, como o “churrascão da gente diferenciada”, uma ironia surgida no Facebook por causa da resistência dos moradores de Higienópolis, bairro rico de São Paulo, à construção de uma estação de metrô nos arredores. Esses moradores temiam que a ampliação do acesso ao transporte público na região fosse atrair “gente diferenciada”, numa referência a pessoas com renda mais baixa. A ironia do Facebook virou um protesto em clima de festa bem-humorada, que reuniu centenas de pessoas.
As redes sociais mostravam que o engajamento poderia ser mais que apenas virtual. Algo estava sendo gestado naqueles primeiros atos do início da década. A socióloga Angela Alonso, coautora do documentário Junho 2013: o começo do avesso, lembra de dois movimentos estrangeiros que considera importantes para o que estava prestes a acontecer no Brasil, anteriores ao Occupy Wall Street, aos Indignados e à Primavera Árabe. Movimentos que vieram dar inspiração para a direita e para a esquerda não institucionalizadas brasileiras — ou seja, grupos que faziam política fora das estruturas formais como partidos e sindicatos.
Como influência para a direita, Angela Alonso destaca o Tea Party, que surgiu nos Estados Unidos após a chegada de Barack Obama à Casa Branca, em 2009. O nome do grupo ultraconservador faz referência à Festa do Chá de Boston do fim do século 18, quando colonos ingleses na América protestaram contra os impostos do governo britânico, num evento determinante para a independência americana:
Foi uma reação não só a uma vitória do Partido Democrata, mas à vitória de um negro. Não foi tão explícita assim a agenda antirracial, mas teve também esse componente, assim como um nacionalismo muito exacerbado. O próprio nome, Tea Party, tem uma agenda antitaxação. Você teve símbolos religiosos, símbolos nacionalistas e o antipoliticamente correto.
Como influência para a esquerda, a socióloga destaca os movimentos antiglobalização de Seattle dos anos 1990. Foi nos protestos durante um encontro da Organização Mundial do Comércio (omc) na cidade americana no fim daquela década que a tática black bloc se internacionalizou. E também despertou uma reação policial muito forte, algo que viria depois a se repetir no Brasil.
Existe todo um rol de expressões e conceitos em torno das manifestações do início da década de 2010. Os black blocs, que tomaram as manchetes da imprensa brasileira em 2013, usam uma tática para defender manifestantes diante de forças policiais. Eles também fazem ataques a prédios considerados símbolos do capitalismo, como os bancos. Outro termo comum que perpassa a discussão desse período é o movimento autonomista, cuja ação política passa ao largo de sindicatos e dos partidos políticos. Ouviu-se muito falar também em horizontalidade de organização, em que cada participante de um movimento tem seu protagonismo, sem lideranças definidas. Há ainda eventos especialmente importantes para os novos movimentos de esquerda, como o Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
Mayara Vivian, ativista que já teve forte atuação no Movimento Passe Livre (MPL), destaca a importância do Fórum na formação dos movimentos autonomistas brasileiros:
Eu comecei no MPL desde antes da sua fundação, que foi em 2005, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Sempre estudei em escola pública e, junto com outras pessoas que estudavam em escola pública e que sentiam um grande descontentamento com as possibilidades de atuação que estavam colocadas naquele momento, decidimos nos organizar de maneira autônoma.
O MPL é um movimento que, como diz o nome, defende a gratuidade do transporte público. Um movimento que se organizou em torno dessa pauta e que costuma promover mobilizações contra aumentos de passagem. Em junho de 2013, o grupo se tornaria o pivô das maiores manifestações de rua do Brasil desde os “caras-pintadas” do impeachment de Fernando Collor de Mello. Manifestações essas que chamariam atenção não apenas pelo volume de pessoas, mas também pelo turbilhão que provocariam na política nacional.
São Paulo
Morre em São Paulo o jornalista Conrado Corsalette, aos 47 anos
Jornalista, que deixa duas filhas, foi encontrado morto em casa pela namorada. Não há informações sobre a causa da morte
Angélica Sales
08/01/2026 12:45, atualizado 08/01/2026 12:58
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UMA CRISE CHAMADA BRASIL: A QUEBRA DA NOVA REPÚBLICA E A ERUPÇÃO DA EXTREMA DIREITA
Conrado Corsalette
Editora Fósforo
368 páginas
Lançamento em 8 de junho
Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/estante-trechos/2023/05/26/uma-crise-chamada-brasil-a-decada-em-que-a-politica-colapsou
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Nicanor Bellas Artes
Nicanor Belas Artes
Comiendo lista en la esquina del pecado,
Comendo lista na esquina do pecado,
Nicanor era el protegido del jefe de la lotería clandestina,
O nicanor era reserva de bicheiro,
Un negro bueno que se llevaba bien con la pandilla
Crioulo bom se dava bem com a curriola
Y en la escuela tocaba el pandero.
E lá na escola dava bola no pandeiro.
Pero de repente Nicanor se adelantó,
Mas de repente o nicanor saiu em frente,
Bajó del cerro y se hizo el importante.
Desceu o morro e botou banca de bacana.
El comisario en el distrito anda preocupado,
O delegado no distrito anda cabreiro,
Porque Nicanor, el jefe de la lotería clandestina,
Porque o nicanor bicheiro
Nunca más fue arrestado.
Nunca mais entrou em cana.
Él que tenía un solo diente,
Ele que tinha um dente só,
Ahora tiene dentadura,
Agora está de dentadura,
Ya no es el tenedor de dulces,
Não é mais garfo de doceiro,
Ahora es la boca de la abundancia.
Agora é boca de fartura.
Y para mostrar a todos
E pra mostrar a toda gente
Que tiene dientes en la boca,
Que tem dente na fachada,
Incluso cuando ve un desastre,
Até quando vê desastre
Nicanor se ríe a carcajadas.
O nicanor cai na risada.
Composição: Chico Anysio / João Nogueira.
Lula veta nova dosimetria e bate de frente com o Congresso
Publicado em 09/01/2026 - 06:31 Luiz Carlos AzedoBrasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política, Segurança, Violência
Mudança poderia beneficiar condenados e investigados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro e foi aprovada sob o argumento de que corrigiria excessos do Supremo
Em cerimônia de grande simbolismo, para marcar o fracasso da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 e a punição dos seus responsáveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que alterava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas, entre os quais o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão colocou o Palácio do Planalto em rota direta de colisão com o Congresso Nacional, que havia aprovado a proposta por ampla maioria, com apoio do Centrão e da oposição bolsonarista. Após o anúncio do veto, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar apoiadores, em um gesto político calculado, que mirou a campanha eleitoral deste ano.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram ao ato que lembrou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes. Em discurso, Lula afirmou que o 8 de Janeiro demonstrou que “a democracia não é uma conquista inabalável”, mas uma obra permanente, sujeita ao assédio de “velhos e novos candidatos a ditadores”. O público respondeu com gritos de “sem anistia” e palavras de ordem em apoio ao presidente.
O veto foi anunciado no Salão Nobre do Planalto, diante de ministros, parlamentares e convidados. A mudança de dosimetria poderia beneficiar condenados e investigados pelos ataques às instituições e era defendida por setores da oposição sob o argumento de corrigir excessos na fixação das penas, depois que desistiram de tentar aprovar uma anistia. Lula sabe muito bem que será acusado de revanchismo e o veto será derrubado pelo Congresso, mas decidiu transformá-lo em um divisor de águas da disputa eleitoral, tanto contra candidatos de oposição à Presidência, especialmente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quanto contra um Congresso no qual o governo é minoria nos temas que unem bolsonarismo e Centrão.
A reação da oposição foi imediata. O líder oposicionista na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), convocou parlamentares e apoiadores para pressionar pela derrubada do veto na primeira sessão do Congresso. Em nota, classificou a decisão como “ato de crueldade” e acusou o governo de promover “vingança política”, afirmando que o Planalto desrespeitou o princípio constitucional da individualização da pena.
No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o governo de manter presos por vingança e de rejeitar qualquer discussão sobre clemência em nome da pacificação nacional. Em defesa do pai e demais envolvidos na tentativa de golpe, Flávio Bolsonaro afirmou que o governo prioriza disputas ideológicas enquanto ignora a violência cotidiana, prometendo atuar para reverter o veto. O deputado Luciano Zucco (PL-RS) acusou o Planalto de transformar o 8 de Janeiro em “espetáculo midiático” e de perseguir adversários.
Leia também: Após veto, senador propõe anistia ampla aos condenados do 8 de Janeiro
Presidenciáveis
O veto também provocou reação dura do relator da proposta na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Segundo ele, o Congresso havia construído um amplo acordo em nome da pacificação institucional, ignorado por Lula. Em vídeo, afirmou que o Legislativo entregou “a bandeira branca da paz” ao presidente, que teria optado pelo confronto. Para Paulinho, dosimetria não é anistia, mas justiça proporcional, e o veto reabre tensões políticas internas e transmite ao exterior uma imagem negativa do país.
Leia mais: Paulinho da Força acusa Lula de reabrir tensões ao vetar PL da Dosimetria
A dosimetria vetada alterava regras da Lei de Execução Penal, extinguia a soma das penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, passando a prevalecer apenas a pena maior, de quatro a 12 anos, e acelerava a progressão de regime para um sexto da pena em crimes sem violência contra a vida. Com isso, Jair Bolsonaro poderia reduzir o tempo em regime fechado de seis a oito anos para algo entre dois anos e quatro meses e quatro anos e dois meses. Condenado a 27 anos e três meses, Bolsonaro cumpre pena em regime fechado em dependência da Polícia Federal, em Brasília. Devido ao seu estado de saúde, seus parentes, médicos e advogados pleiteiam que cumpra a pena em prisão domiciliar.
Para outros condenados, o projeto também prevê redução de um terço a dois terços das penas quando os crimes forem cometidos em contexto de multidão, regra que não se aplicaria a Bolsonaro, considerado líder da tentativa de golpe. Pesquisa Quaest divulgada em dezembro mostrou que 47% dos brasileiros desaprovam o projeto, 24% o apoiam e 19% defendem penas ainda menores. Para 58%, o objetivo da proposta era reduzir a pena de Bolsonaro; para 30%, reduzir a de todos os condenados. Entre bolsonaristas, 53% defendem reduções maiores; entre lulistas, 77% rejeitam qualquer flexibilização.
Entretanto, está escrito nas estrelas que o Congresso derrubará o veto, como vem fazendo sistematicamente, toda vez que Lula contraria os interesses do Centrão. Os bolsonaristas estão enfraquecidos, mas são agressivos e barulhentos, não perdem a iniciativa e tem muito engajamento de seus apoiadores nas redes sociais. Por isso, suas propostas acabam capturando os demais parlamentares de direita. O grande beneficiário dessa mobilização será o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República, apesar de outros candidatos de oposição também serem a favor da mudança de dosimetria, como os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Junior; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite — ambos pleiteiam a vaga de candidato do PSD.
Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo
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#Anistia, #Bolsonaro, #congresso, #Dosimetria, #Supremo, Lula
Nicanor Belas Artes
João Nogueira
Comendo lista na esquina do pecado
O Nicanor era reserva de bicheiro
Crioulo bom se dava bem com a curriola
E lá na escola dava bola no pandeiro
Mas de repente o Nicanor saiu em frente
Desceu o morro
E botou banca de bacana
O delegado no ditrito anda cabreiro
Porque o Nicanor bicheiro
Nunca mais entrou em cana
Ele que tinha um dente só
Agora está de dentadura
Não é mais garfo de doceiro
Agora é boca de fartura
E pra mostrar a toda gente
Que tem dente na fachada
Até quando vê desastre
O Nicanor cai na risada
ahahahahahahahahah
Composição: João Nogueira / Chico Anísio.
Presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e suas trajetórias
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade histórica do movimento sindical brasileiro, foi palco das lutas que marcaram a redemocratização do país e influenciou diretamente a formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Na sequência estão os líderes que assumiram a presidência após Luiz Inácio Lula da Silva, em cargos de direção que muitas vezes ultrapassaram o âmbito regional para ganhar expressão nacional:
Sucessão dos presidentes do SMABC (depois de Lula)
Jair Antonio Meneguelli (1981–1987)
Sucessor imediato de Lula no sindicato.
Foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seu primeiro presidente nacional.
Teve atuação política expressiva como deputado federal e presidente do Conselho Nacional do SESI.
Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (1987–1994)
Assumiu a direção na sequência de Meneguelli e consolidou sua atuação na luta sindical.
Presidiu a CUT nacional após sua passagem pelo sindicato.
É deputado federal pelo PT desde 2003 e figura histórica das pautas trabalhistas.
Heiguiberto Della Bella Navarro, o Guiba (1994–1996)
Assumiu após a saída de Vicentinho para liderar a CUT.
Sua presidência ocorreu em período de transição interna da entidade.
Luiz Marinho (1996–2002)
Liderou o sindicato e depois a CUT nacional.
Ingressou no cenário federal como ministro nos governos petistas e, como ministro do Trabalho e Emprego, mantém atuação relevante no governo de 2023–2026.
José Lopez Feijóo (2002–2008)
Presidiu o SMABC em dois mandatos.
Também teve influência na CUT e em articulações sindicais nacionais.
Sérgio Nobre (2008–2012)
Comandou o sindicato e mais tarde tornou-se presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Rafael Marques (2012–2017)
Presidiu o sindicato em período de desafios para o setor metalúrgico e reorganização sindical.
Wagner Santana, o Wagnão (2017–2022)
Liderou a entidade durante um ciclo político turbulento no país, marcado por intensos debates sobre direitos trabalhistas.
Moisés Selerges (2022–presente)
Atual presidente, eleito para mandato em curso.
Tem sido citado em eventos sindicais nacionais e tem estreita relação com a CUT e com o presidente Lula, que participou da posse da direção em 2023.
Perspectivas políticas e apoio a sucessões presidenciais
Embora o histórico de lideranças do SMABC inclua personagens que transitaram entre o sindicalismo e a política partidária — como Meneguelli, Vicentinho e Luiz Marinho — nenhum desses nomes é uma indicação formalizada pelo ex-presidente Lula como sucessor na presidência da República até o momento. A projeção política de lideranças sindicais depende de articulação partidária própria e de alianças eleitorais, não de prerrogativa direta de outro líder.
Entre os dirigentes que ganharam projeção fora do ABC, Luiz Marinho tem destaque por sua trajetória institucional, experiência executiva e ligação histórica com Lula, o que o coloca entre os nomes frequentemente mencionados por analistas políticos em cenários de sucessão petista — ainda que, até o início de 2026, não haja declaração pública de apoio formal do presidente Lula a qualquer candidatura presidencial específica.
Contexto histórico e político
A trajetória do SMABC e de sua liderança após Lula demonstra a evolução do movimento sindical para posições estratégicas no PT e na CUT, e sua influência na política nacional. Contudo, transformações na dinâmica partidária, polarização política e exigências eleitorais contemporâneas tornam incerta qualquer previsão automática de que lideranças sindicais históricas se convertam em candidatos presidenciais naturais. A tradição sindical do ABC permanece relevante, mas não determina, por si só, sucessão política em âmbito federal.
Fontes e referências principais
Lista oficial de presidentes — Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Biografia e trajetória de Jair Meneguelli.
Reportagens institucionais recentes sobre posse de direção e eventos sindicais.
S
Aprenda a cantar: Regina Caeli (Canto Gregoriano)
Lucas Siduoski
Mostra revela influência da arte povera na cultura brasileira
Movimento nascido na Itália contesta lógica apenas comercial da obra
O sino que não toca: Pascali, Marx e a armadilha da alienação
Em Trappola (1968), Pino Pascali constrói uma forma que remete imediatamente ao sino — objeto de convocação, de ordem e de suspensão do tempo ordinário. No entanto, o faz com palha de aço industrial, matéria destinada ao atrito, à limpeza, ao desgaste. Essa dissonância formal não é acidental: ela instala a obra no ponto exato em que Karl Marx identifica a continuidade histórica entre alienação religiosa e alienação produtiva.
Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, Marx descreve a religião como a primeira grande forma de estranhamento: o homem projeta fora de si sua potência criadora, atribuindo-a a um ente transcendental que passa a dominá-lo. O sino, nesse contexto, é um dispositivo material dessa projeção. Ele chama, ordena, marca o tempo do sagrado e submete o corpo ao ritmo de uma autoridade invisível.
Pascali, ao reconstruir essa forma em aço industrial, opera uma profanação rigorosa. O sino de Trappola não soa. Sua promessa acústica é frustrada. O que resta é o invólucro silencioso de um comando que perdeu sua transcendência, mas não sua função disciplinar. Aqui, a crítica marxiana se desloca: o que antes era dominação espiritual reaparece como dominação material.
Nos Grundrisse, Marx observa que o capitalismo não elimina as formas simbólicas anteriores — ele as reaproveita. O tempo litúrgico do sino religioso reaparece no apito da fábrica, na sirene, no relógio de ponto. A forma permanece; o conteúdo se transforma. Trappola captura exatamente essa permanência espectral: o sino já não convoca para a missa, mas tampouco se reduz a instrumento industrial. Ele paira como um resíduo histórico, um vestígio de poder.
A palha de aço, enquanto trabalho objetivado, é o que Marx chamaria de capital morto: trabalho passado, coagulado, separado de quem o produziu. No entanto, Pascali não a reinsere no ciclo produtivo. Ele a suspende. O valor de uso é neutralizado; o valor de troca torna-se ambíguo; resta um valor simbólico instável, dependente do olhar que o reconhece. A obra torna-se, assim, uma armadilha conceitual: captura o espectador no exato ponto em que este tenta decidir se está diante de lixo, arte ou mercadoria.
É nesse ponto que a ética da Arte Povera revela sua contradição mais aguda. O gesto de empobrecimento material não conduz à pobreza semântica; ao contrário, produz um excesso interpretativo. A institucionalização da obra — sua entrada no museu, no mercado, na história da arte — não é uma traição externa, mas uma consequência lógica: o capital simbólico substitui o capital industrial, sem romper com sua lógica fundamental.
A analogia com Marx é inevitável. Seus manuscritos — os “garranchos em folhas amareladas” — permaneceram como capital morto até que Friedrich Engels, movido não por cálculo mercantil, mas por amizade intelectual e respeito, os vivificasse. Engels não criou valor do nada; reconheceu valor onde o sistema não via. Algo semelhante ocorre com Trappola: ela só se realiza plenamente quando um olhar crítico aceita a responsabilidade ética de reconhecer dignidade na matéria descartada.
O sino de Pascali, portanto, não toca para Deus nem para a fábrica. Ele não anuncia redenção nem produtividade. Ele toca — silenciosamente — para a consciência histórica do espectador. Sua armadilha não é física, mas dialética: ao nos aproximarmos, somos capturados pela evidência de que a alienação não desapareceu; apenas mudou de forma.
Nesse silêncio metálico reside seu valor impoderável: não mensurável em função, fé ou preço, mas na capacidade de revelar que, entre religião e indústria, o homem continua preso às formas que ele próprio forjou — e ainda não conseguiu desativar.
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