Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
De Chaves à química fina: os elementos-chave da soberania perdida
Santos Reis - Pena Branca e Xavantinho
Porque hoje é 6 de janeiro.
Dia de Santo Reis, como cantou Tim Maia sem pedir licença à liturgia, misturando devoção, groove e rua. Dia de Reisada, de Xavantinho e Pena Branca, onde o tempo anda em círculo, a viola conversa com os antepassados e o Brasil profundo insiste em lembrar que a modernidade nunca chegou sozinha.
Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquecido
Mas é o dia da festa de Santo Reis
Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquisito
Mas é o dia da festa de Santo Reis
A Festa Do Santo Reis
Dia também do Astrólogo do Eh, de Raul Seixas — que entendia como poucos que o futuro não é profecia, é sintoma, e que toda sociedade carrega seu Al Capone doméstico, seu delírio organizado, sua ordem paralela.
"Hei, Al Capone,
Vê se te orienta.
Assim dessa maneira, nego,
Chicago não aguenta.
Eu sou astrólogo,
Eu sou astrólogo,
Vocês precisam acreditar em mim
Eu sou astrólogo,
Eu sou astrólogo,
E conheço a história do princípio ao fim."
Raul Seixas - Al Capone - (Com Letra na Descrição) - Legendas - (CC)
Não é coincidência. O 6 de janeiro é esse ponto estranho do calendário em que o sagrado popular, a música, a irreverência e a visão se encontram. Um dia em que o passado não repousa — ele canta, dança, ironiza e antecipa. Tim, Raul, Xavantinho, Pena Branca não sonorizam apenas uma data: eles atravessam o tempo, falando de um Brasil que ainda tenta chegar a si mesmo, tropeçando entre fé, festa, crítica e revelação.
O Dia da Gratidão é comemorado anualmente em 6 de janeiro no Brasil.
Gratidão a esses artistas que nos ajudam a ouvir o presente com ecos do que ainda não passou. Porque, como sabiam — cada um à sua maneira — o futuro nunca começa amanhã. Ele sempre esteve aí, disfarçado de canto antigo, esperando alguém prestar atenção.
Ao sequestrar Maduro, Trump manda um recado ao mundo
Publicado em 06/01/2026 - 07:23 Luiz Carlos Azedo
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Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar a América Latina. E não esconde o interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas
A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, seguida de sua apresentação algemado em um tribunal de Nova York, não é apenas um ato de força na crise venezuelana. O presidente Donald Trump sinaliza que considera o Hemisfério Ocidental sua área de influência direta e o continente americano um ativo econômico e de segurança dos Estados Unidos. A operação — executada sem autorização do Congresso e justificada como ação contra o narcotráfico — foi celebrada publicamente por Trump e por seu secretário de Estado, Marco Rubio, como prova de que Washington está disposto a “sustentar palavras com ação militar”.
A narrativa oficial insiste que os EUA não estão em guerra contra a Venezuela, mas contra organizações criminosas. No entanto, o próprio Trump desmente essa tese ao afirmar que os EUA “governarão” a Venezuela até uma transição “segura, adequada e justa”, e ao falar abertamente em administrar a indústria petrolífera do país como compensação histórica. Esse gesto recoloca no centro do tabuleiro a lógica da Doutrina Monroe, agora rebatizada de forma explícita e provocativa como “Doutrina Donroe”.
Ao afirmar que a dominância norte-americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”, Trump atualiza uma tradição intervencionista que atravessa dois séculos e reaparece, ciclicamente, sempre que Washington decide substituir a diplomacia pela força. A diferença, agora, é a franqueza: não se trata de promover democracia, mas de impor ordem, controle e acesso a recursos. Mas a crise está longe de terminar com o sequestro de Maduro e a retórica neoimperialista.
A posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, conduzida pelo irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, está em contradição com o status venezuelano anunciado por Trump. Embora afirme ter obtido cooperação de Delcy, o discurso da nova presidente interina denuncia “agressão militar ilegítima” e exalta Maduro e Cília Flores como “heróis”. O regime chavista não colapsou automaticamente. Suas redes militares, civis e econômicas permanecem, em grande medida, intactas.
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Entretanto, o recado de Trump não se limita a Caracas. Ao ameaçar o presidente colombiano Gustavo Petro, sugerir que “algo terá de ser feito” com o México e recolocar Cuba no radar, Washington deixa claro que a soberania regional é relativa quando confronta interesses estratégicos americanos. A reação de Petro — ao admitir, ainda que retoricamente, a disposição de “pegar em armas” para defender seu país — evidencia o potencial efeito dominó de uma política que reabilita o uso da força como base para a diplomacia e não a institucionalidade das relações internacionais.
Desestabilização
No plano internacional, a repercussão foi imediata. No Conselho de Segurança da ONU, a maioria dos países rejeitou a intervenção e invocou a Carta das Nações Unidas. Ainda assim, a condenação diplomática pouco altera o fato consumado: os EUA capturaram um chefe de Estado estrangeiro e o submeteram à sua jurisdição. A fragilização das regras internacionais — já abalada antes —, porém, pode servir às potências concorrentes. O senador americano Mark Warner alertou que, se Washington se arroga o direito de sequestrar líderes acusados de crimes, ações semelhantes da China sobre Taiwan ou da Rússia em outros teatros também podem ocorrer.
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Militarmente, Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar os recursos estratégicos da América Latina. Não esconde seu interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas, nem a intenção de reabrir espaço para empresas americanas. Ao afirmar que a riqueza extraída beneficiará também os EUA “na forma de compensação”, o presidente norte-americano explicita uma visão patrimonial das relações internacionais: territórios instáveis tornam-se ativos a serem administrados por quem detém poder militar. Essa lógica não se restringe ao sul. Trump quer anexar a Groenlândia e ameaça o México e o Canadá.
No curso prazo, Trump ostenta uma força irresistível, porém os ciclos históricos mostram o contrário: no Iraque e no Afeganistão, vitórias militares rápidas produziram derrotas políticas duradouras. Na América Latina, o Haiti permanece como advertência viva: a mudança de regime imposta de fora abriu caminho para décadas de colapso. A Venezuela, com suas milícias, redes criminosas e a presença de grupos armados transnacionais, reúne ingredientes semelhantes para o caos, com fortes repercussões para a Colômbia, o Brasil, a Guiana e o Caribe.
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Ao final, o julgamento de Maduro é menos sobre justiça e mais sobre demonstração de hegemonia. Trump anuncia que os EUA definem as regras no Hemisfério Ocidental e que estão dispostos a convertê-lo em espaço de segurança e exploração econômica sob tutela norte-americana. O gesto rende ganhos táticos e aplausos domésticos, mas é um erro estratégico: abala o direito internacional, amplia a instabilidade regional e convida outras potências a imitarem o método, para manter e/ou ampliar suas áreas de influência. É como se fosse uma nova divisão do mundo sem Conferência de Yalta. Trump abre um novo ciclo de turbulência, no qual o continente é tratado como propriedade geopolítica. Historicamente, isso nunca deu certo.
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1. Resumo analítico do conteúdo do artigo
O artigo sustenta que a prisão de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos , realizada sem autorização do Congresso americano e à margem do direito internacional, representa muito mais do que uma operação judicial contra o narcotráfico. Trata-se de um gesto explícito de hegemonia geopolítica , no qual Donald Trump reafirma o Hemisfério Ocidental como área de influência direta dos EUA, retomando a lógica da Doutrina Monroe , agora assumida sem verniz diplomático.
Em síntese, “sequestrar” não é um exagero retórico, mas um gesto epistemológico : o autor escolhe um verbo que expõe a assimetria de poder, a fragilidade do direito internacional e o retorno explícito da política de força como princípio ordenador das relações entre Estados.
Em síntese, a imagem critica a forma como certos grupos dominantes aceitam a diversidade apenas de maneira subordinada , exigindo que ela se adeque aos seus valores, enquanto desqualificam expressões populares e políticas que desafiam essa hierarquia.
De Chaves à química fina: os elementos-chave da soberania perdida
Do petróleo pesado venezuelano ao apagão exportado: quando riqueza subterrânea não vira poder tecnológico
BREAKING NEWS (OU QUASE):
Ainda era madrugada quando a notícia correu mais rápido que a eletricidade. O presidente da Venezuela havia sido sequestrado, trasladado e apresentado algemado a um tribunal em Nova York. Sem autorização multilateral, sem sutileza diplomática e com transmissão política em tempo real. Washington chamava de ação judicial; o resto do mundo, de força bruta. A diferença era apenas semântica — e estratégica.
Enquanto analistas discutiam doutrinas ressuscitadas e o direito internacional perdia mais uma camada de verniz, o efeito colateral mais revelador surgia longe de Caracas. Em São Paulo, na comunidade conhecida como Venez City, um apagão interrompeu luz e internet. À mesa, à luz de vela, um imigrante venezuelano nascido em Barcelona de Venezuela, a 300 quilômetros da capital, riu e resumiu: “Estamos como na Venezuela”. O humor ácido não era piada — era memória.
A cena explica mais que muitos relatórios. Um país assentado sobre a maior reserva de petróleo do planeta nunca dominou plenamente a química necessária para transformar óleo pesado em produtos de alto valor. Exportou commodity, importou tecnologia e naturalizou a precariedade. Sem química fina, não há soberania energética; sem soberania energética, não há Estado funcional. O chavismo distribuiu renda enquanto pôde, mas não quebrou o ciclo estrutural da dependência.
URGENTE (PARA CONSUMO INTERNO):
No plano doméstico brasileiro, o reflexo foi imediato. O ministro das Relações Exteriores teria esperado o dia clarear — e o presidente acordar — para comunicar o sequestro e o traslado do aliado venezuelano a Nova York. Mas a lógica eleitoral despertou antes. Em poucas horas, o episódio já produzia nota oficial para consumo da própria bolha, com cópia protocolar à embaixada: o governo ingressaria na Justiça americana pedindo prisão domiciliar no Palácio de Miraflores, em Caracas, alegando o “abalo” causado pelo transporte. Diplomacia, ali, era detalhe; o essencial era ocupar o noticiário antes que o eleitor ligasse o celular.
O presidente, ao que consta, dormira tranquilo na noite anterior após ler a mensagem de Warren Rena, que cravou com frieza técnica: “com as informações disponíveis até aqui, trata-se de um jogo de soma zero, sem efeitos relevantes de conversão eleitoral”. Ao amanhecer, porém, a política desmentiu a matemática. O sequestro virou nota; a nota, gesto; o gesto, narrativa. Tudo muito rápido, tudo muito urgente — e tudo estranhamente igual.
A charge que acompanha este texto não precisa de legenda longa. Dois imigrantes, uma vela, um celular sem sinal. Ao fundo, sombras de refinarias e linhas de transmissão. Nenhum slogan. Apenas a constatação silenciosa de que a riqueza que não vira conhecimento reaparece como apagão — dentro ou fora do país.
FRASE FINAL (DOMINGO):
Na política, quando todos dizem que nada mudou, é sinal de que o roteiro já foi reescrito — só ainda não avisaram o público.
Exemplos de operações de processamento químico
Da metalurgia (“chaves”) à química fina: como surgem os elementos-chave da indústria moderna
1. Ponto de partida: matérias-primas e química de base
A indústria começa com recursos naturais relativamente simples:
Minérios metálicos (ferro, cobre, níquel, zinco, alumínio)
Fontes carbonadas (petróleo, gás natural, biomassa)
Sais minerais, água e gases industriais
A química de base atua aqui:
separando metais dos minérios
removendo impurezas
produzindo ácidos, bases, solventes e gases
➡️ Resultado: insumos químicos genéricos, porém indispensáveis.
2. Metalurgia e materiais: o exemplo da “chave”
Uma chave metálica não é apenas “metal moldado”. Ela é um material quimicamente projetado.
Exemplo típico:
Aço carbono ou aço inox
Latão (Cu + Zn)
Elementos-chave na liga:
Carbono → dureza e resistência mecânica
Cromo → resistência à corrosão
Níquel → tenacidade e estabilidade estrutural
Além disso, entram:
tratamentos térmicos
banhos químicos
passivação de superfície
➡️ Aqui, a química define a função do objeto, não só sua forma.
3. Onde começa a química fina
A química fina entra quando o processo exige:
Controle molecular preciso
Alta seletividade
Pureza elevada (≥ 99%)
Reações sob condições controladas
Ela não produz “elementos da Tabela Periódica”, mas sim:
compostos altamente específicos
substâncias estratégicas
intermediários de alto valor agregado
Esses são os verdadeiros elementos-chave do processo industrial.
4. Exemplos concretos de “elementos-chave” da química fina
🔹 Catalisadores
Compostos de paládio, platina, ródio, níquel
Permitem:
menor consumo de energia
reações mais limpas
controle estrutural do produto final
Sem eles, muitos processos seriam inviáveis industrialmente.
🔹 Tratamentos de superfície
Sais de níquel e cromo
Fosfatos e compostos organometálicos
Inibidores de corrosão
➡️ São invisíveis no produto final, mas determinam:
durabilidade
segurança
desempenho
🔹 Aditivos de precisão
Usados para ajustar:
dureza
resistência térmica
estabilidade química
condutividade elétrica
Essenciais em:
metalurgia avançada
polímeros
eletrônica
energia
5. Por que a química fina é estratégica
Do ponto de vista industrial, ela:
agrega alto valor econômico
reduz desperdício
diminui impacto ambiental
viabiliza tecnologias críticas
Sem química fina, a indústria ficaria restrita a:
produtos genéricos
baixo desempenho
pouca inovação
6. Encadeamento final (visão sistêmica)
Matéria-prima
→ química de base
→ metalurgia e materiais
→ química fina
→ elementos-chave funcionais
→ produto final eficiente (ex.: a “chave”)
As “chaves” são o objeto visível.
A química fina fornece os componentes invisíveis, mas decisivos, que tornam esse objeto funcional, durável e tecnologicamente possível.
Conclusão
A passagem “das chaves à química fina” não é apenas industrial, mas estrutural:
o valor da indústria moderna não está no volume de matéria, mas na precisão química que transforma materiais comuns em soluções estratégicas.
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