sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

E meu castelo se desfaz

"Já está escrito, já está previsto Por todas as videntes, pelas cartomantes Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas No jogo dos búzios e nas profecias" Clareana Joyce Moreno Um coração De mel de melão De sim e de não É feito um bichinho No Sol de manhã Novelo de lã No ventre da mãe Bate um coração De Clara, Ana E quem mais chegar Água, terra, fogo e ar Composição: Joyce / Mauricio Maetro. Esse jogo não pode ser 1 a 5: a eleição de 2026 exigirá de todos nós escolhas importantes. Vamos votar para deputado federal e estadual, dois senadores, governador e presidente. Em 1960, há 66 anos, poucos ainda vivos — já nascidos antes de 1942 — participaram daquela ode à cidadania sob a égide da Constituição de 1946. A história, pragmaticamente, registra apenas a morte de um peixe vivo e a vitória de caspas em forma de pó de giz ou talco a ascender a rampa erguida pelo incumbente, com uma campanha de volta em 1965 — que não houve para nenhum dos dois, nem para quem mais viesse, como cantaria Joyce Moreno. O texto reflete sobre a complexidade do sistema proporcional e majoritário nas eleições de 2026, traçando um paralelo histórico com o pleito de 1960. Naquele ano, sob a Constituição de 1946, o Brasil viveu uma de suas últimas experiências democráticas antes do regime militar. A referência ao "peixe vivo" e à "vitória de caspas" alude a figuras centrais daquela era: Juscelino Kubitschek (o "Peixe Vivo"): O incumbente que construiu Brasília e esperava retornar ao poder em 1965. Jânio Quadros (o "Pó de Giz"): Conhecido por usar talco ou pó de giz nos ombros para simular caspa e parecer um "homem comum", Jânio venceu a eleição com o símbolo da vassoura, mas renunciou em menos de um ano. Em 2026, o eleitorado enfrentará novamente a responsabilidade de preencher seis cargos, incluindo a renovação de dois terços do Senado. Para entender melhor como funciona o sistema de votação e as atribuições de cada cargo, você pode consultar o Guia do Eleitor no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para acompanhar o calendário e a regularidade do seu título para 2026, acesse o serviço de Situação Eleitoral. Um a Um Jackson do Pandeiro Esse jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Ah, olhe o jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) O meu clube tem time de primeira Sua linha atacante é artilheira A linha média é tal qual uma barreira O center-forward corre bem na dianteira A defesa é segura e tem rojão E o goleiro é igual um paredão Esse jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Mato um mais o jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) É encarnado e branco e preto É encarnado e branco É encarnado e preto e branco É encarnado e preto É encarnado e branco e preto É encarnado e branco É encarnado e preto e branco É encarnado e preto O meu clube jogando, eu aposto Quer jogar, um empate é pra você Eu dou um zurra a quem aparecer Um empate pra mim já é derrota Mas confio nos craques da pelota E o meu clube só joga é pra vencer O meu clube tem time de primeira Sua linha atacante é artilheira A linha média é tal qual uma barreira O center-forward corre bem na dianteira A defesa é segura e tem rojão E o goleiro é igual um paredão Esse jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Mato um mais o jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) É encarnado e branco e preto É encarnado e branco É encarnado e preto e branco É encarnado e preto É encarnado e branco e preto É encarnado e branco É encarnado e preto e branco É encarnado e preto Esse jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Mato um mais o jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) " Mas rapaz uma coisa dessa também tá demais O juiz ladrão, rapaz! Eu vi com esses dois olhos que a terra há de comer Quando ele pegou o rapaz pelo calção O rapaz ficou sem calção! " Ah, olho o jogo não pode ser um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Mato um mais o jogo não é um a um (Se o meu clube perder é zum-zum-zum) Composição: Edgar Ferreira.
Mergulhados na conspiração Ivan Lins - Cartomante Nos dias de hoje é bom que se proteja Ofereça a face pra quem quer que seja Nos dias de hoje esteja tranqüilo Haja o que houver pense nos seus filhos Não ande nos bares, esqueça os amigos Não pare nas praças, não corra perigo Não fale do medo que temos da vida Não ponha o dedo na nossa ferida Nos dias de hoje não lhes dê motivo Porque na verdade eu te quero vivo Tenha paciência, Deus está contigo Deus está conosco até o pescoço Já está escrito, já está previsto Por todas as videntes, pelas cartomantes Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas No jogo dos búzios e nas profecias Cai o rei de Espadas Cai o rei de Ouros Cai o rei de Paus Cai, não fica nada. Composição: Vitor Martins / Ivan Lins. Flor Esmaecida Jovelina Pérola Negra Ah... Se eu pudesse afastar a dor Se eu pudesse aproximar o amor Seria tudo bom demais Infelizmente a felicidade Parte de leve eu fico na saudade E o meu castelo se desfaz Mas mesmo assim vou brincar o carnaval Dor, tristeza É coisa natural Ah... Todo poeta é um sonhador Embora eu sempre sofra um mal de amor Buscar num canto a sua paz (a sua paz) Molha de pranto a flor esmaecida E quando pensa que é feliz na vida O seu castelo se desfaz Mas mesmo assim vou brincar o carnaval Dor,tristeza É coisa natural Composição: Toco Da Mocidade. Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também) Parece que você está descrevendo detalhes do evento Sena da Virada, realizado para celebrar a chegada de 2026. O evento destacou-se por: 14 horas de música ao vivo: Uma maratona de shows que acompanhou o público durante a virada de 2025 para 2026. 15 minutos de fogos silenciosos: Uma tendência crescente em grandes eventos para garantir a inclusão de pessoas com hipersensibilidade auditiva e a proteção de animais de estimação. Vistoria Técnica: Procedimento padrão realizado por órgãos de segurança e pela organização para garantir a integridade das estruturas do palco antes do início das festividades. Se você precisa de informações específicas sobre a premiação da Mega da Virada 2025/2026, os resultados oficiais e o resgate de prêmios podem ser consultados diretamente no site das Loterias Caixa. Nenhum resultado encontrado para "Durante a última vistoria técnica no palco da 'Sena' da 'Virada', que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos." Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também). Resultados para Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada , que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também) (sem aspas): Não há registros oficiais de um evento chamado "Sena da Virada" realizado pela Caixa Econômica Federal em 2026 com essas características específicas (14 horas de música e 15 minutos de fogos silenciosos). É provável que você esteja se referindo ao Réveillon da Paulista 2026, em São Paulo, ou a eventos patrocinados pelas Loterias Caixa, como a Mega da Virada. Para informações oficiais sobre os eventos e sorteios da Caixa, você deve consultar o site das Loterias Caixa ou acompanhar as atualizações da Prefeitura de São Paulo para detalhes sobre vistorias técnicas em palcos de grande porte na capital paulista. Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também) Parece que sua mensagem foi interrompida, mas os detalhes referem-se ao evento realizado na virada de 2025 para 2026. A "Sena da Virada" (muitas vezes confundida com a Mega da Virada) é o sorteio especial da Caixa Econômica Federal. No contexto de eventos e vistorias técnicas: Resultados e Premiação: O sorteio da Mega da Virada 2025 ocorreu em 31/12/2025. Você pode conferir os números oficiais e o rateio dos prêmios no site oficial das Loterias Caixa. Logística de Eventos: Vistorias técnicas para grandes palcos de Réveillon, como os realizados na Avenida Paulista ou em Copacabana, focam na segurança da estrutura para apresentações de longa duração (como as 14 horas citadas) e na conformidade de leis ambientais, como o uso de fogos de artifício silenciosos (com efeito visual e baixo ruído), que se tornaram padrão em diversas capitais brasileiras para proteger animais e pessoas com sensibilidade auditiva. Se você precisa de informações específicas sobre o prefeito de uma cidade em particular ou detalhes de um edital da Caixa, por favor, forneça o nome do município. Durante a última vistoria técnica no palco da Sena da Virada, que teve 14 horas de música ao vivo e 15 minutos de queima de fogos silenciosos. Prefeito da Caixa (Vem pra ela você também) A frase apresentada parece ser um fragmento ou um resumo de um evento ocorrido durante a virada de ano para 2026. As informações centrais do evento mencionado são: Duração Musical: 14 horas de música ao vivo. Pirotecnia: 15 minutos de queima de fogos silenciosos (uma tendência crescente para reduzir o impacto sonoro em animais e pessoas sensíveis). Contexto: O termo "Prefeito da Caixa" associado ao slogan "Vem pra ela" sugere uma ação publicitária ou patrocínio direto da Caixa Econômica Federal, que tradicionalmente organiza a Mega da Virada. Se você precisa de detalhes sobre os resultados do sorteio de 2026 ou sobre a programação específica de um dos palcos patrocinados, verifique as atualizações oficiais no site de Loterias da Caixa. Esse jogo não pode ser 1 a 5 : A eleição de 2026 exigirá de todos nós escolhas importantes. Vamos votar para deputado federal e estadual, dois senadores, governador e presidente. Em 1960, 56 anos passados, poucos vivos, já nascidos antes de 1942, cidadãos com título de eleitoral participaram daquela ode à cidadania sob égide da Constituição de 1946. A história pragmaticamente só registra a morte de um peixe vivo e vitória de caspas em forma de pó de giz ou talco ascender a rampa erguida pelo incumbente com campanha de volta em 1965, que não houve para os dois e quem mais viesse como cantaria Joice Moreno. O texto reflete sobre a complexidade da eleição de 2026, na qual os brasileiros escolherão seis representantes (Presidente, Governador, dois Senadores, Deputado Federal e Deputado Estadual). A analogia histórica com 1960 resgata a última eleição direta para presidente antes do regime militar, marcada pela vitória de Jânio Quadros (as "caspas" e a "vassoura" que varreria a corrupção) sobre Henrique Lott (apoiado pelo incumbente Juscelino Kubitschek, o "peixe vivo"). A menção a 1965 refere-se à eleição que nunca ocorreu devido ao golpe de 1964, frustrando os planos de retorno de JK e a continuidade democrática. Para se preparar para o pleito de 2026, você pode: Consultar sua situação eleitoral: Verifique se seu título está regular no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Acompanhar o calendário: Fique atento às datas de transferência de domicílio e biometria pelo aplicativo e-Título. Pesquisar mandatos atuais: Avalie o desempenho dos atuais congressistas e governantes no portal Transparência Brasil para fundamentar suas escolhas. O "jogo" de 2026, como sugere o texto, exige atenção para que o voto para o legislativo (os 5) tenha a mesma relevância do voto para o executivo (o 1), evitando que a história se repita apenas como retórica ou ruptura.
Jornal de Debates Relato faccioso Edição 763 por Mauro Malin 10 de setembro de 2013 O golpe de 1964 não foi uma reação a desmandos do presidente da República, João Goulart, como sugere o documento com que o jornal O Globo procurou, na edição de 1/9, esconjurar simbolicamente uma imagem de reacionarismo que teima em acompanhá-lo. No quinto parágrafo do texto (ver aqui), lê-se que a divisão ideológica do mundo entre Leste e Oeste era aguçada e aprofundada no Brasil “pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros”. Facciosa apresentação dos fatos. Parece que haviam feito um grande favor a Goulart permitindo-lhe assumir o cargo para o qual fora eleito (em votação separada, como se fazia, erroneamente, naquela época) e que ele, o ingrato, “radicalizou” depois de vitorioso num plebiscito que lhe restituiu plenos poderes presidenciais. O “não” ao parlamentarismo obteve 9,4 milhões de votos, ante 2 milhões para o “sim”; houve ainda 1,2 milhão de votos nulos e em branco. Para efeito de comparação, anote-se que Jânio teve 5,6 milhões de votos para presidente e o próprio Goulart, 4,5 milhões para vice-presidente (mais do que o candidato a presidente de sua chapa, general Henrique Lott, que teve 3,8 milhões de votos). Janismo Recue-se um pouquinho para entender por que houve plebiscito. Jânio Quadros, candidato apoiado entusiasticamente pelo O Globo, como se vê na capa abaixo, do dia da eleição presidencial (3/10/1960), tentou dar um golpe de Estado mediante o que seria uma falsa renúncia. O atentado à democracia falhou porque o Congresso Nacional, para surpresa de Quadros e conselheiros, imediatamente acatou o pedido de renúncia. Como o vice, Jango, estava na China em viagem oficial, assumiu o segundo na linha sucessória, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli (PSD-SP). Qualquer compêndio de História do Brasil dotado de um mínimo de qualidade anotará que partiu dos reacionaríssimos ministros militares de Jânio (Odylio Denys, da Guerra; Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica; e Silvio Heck, da Marinha), derrotados em 1954 pelo gesto extremo de Getúlio Vargas, o “veto” à posse de Jango. Consultemos, entretanto, um livro de alta qualidade. Recentemente, foi publicado o quarto volume da História do Brasil Nação: 1808-2010, coleção dirigida por Lilia Moritz Schwarcz. A historiadora encarregada de organizar esse volume, Olhando para dentro, 1930-1964, Angela de Castro Gomes, convocou para escrever sobre a Vida Política o craque Boris Fausto. Ele diz: “Os ministros militares, filiados à corrente ultraconservadora das Forças Armadas, vetaram a volta de Goulart ao Brasil, alegando razões de segurança nacional. (…) A essa altura, é preciso considerar a conjuntura em que o novo presidente assumiu o poder, caracterizada por avanços na organização e na mobilização dos trabalhadores urbanos, de camponeses e de trabalhadores rurais. Esse quadro já permeara o governo JK, mas ganhou maior significado no governo Goulart, quando se tornou aguda a confrontação social entre os movimentos populares e setores conservadores e da extrema direita”. A divisão ideológica foi um ingrediente, mas o pano de fundo era a luta social, que infelizmente não avançou nos últimos 50 anos como se esperava naquele tempo de grande otimismo. Voltemos ao documentado trabalho de Carlos Chagas de que nos valemos no tópico “Jornal não ‘concordou’ com o golpe, provocou-o“, o livro O Brasil sem retoque, 1808-1964, publicado em dois volumes. Chagas acompanha o saudoso René Dreifuss (1964 – A conquista do Estado) na descrição da atividade conspiratória realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), pelo embrião do SNI, montado pelo general da reserva Golbery do Couto e Silva, e pelo Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), três instituições parceiras do Globo (e de outros jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão) na articulação do golpe. Chagas era editor de Política do Globo na época do golpe. Escreve (o livro foi publicado em 2001) sem ranço de má vontade ou ânimo difamatório. Eis alguns trechos esclarecedores da posição dos grandes jornais favoráveis ao golpe e do Globo especificamente. Verbas secretas >> “O general Golbery começou a torna-se conhecido do empresariado e, mais importante, aprendeu a conhecer os empresários, a saber em quais confiar e a distingui-los dos exibicionistas, dos malandros e dos picaretas. Haroldo Polland e Jorge Behring de Mattos cuidavam especialmente das relações com os grandes donos de jornal, logo integrados no espírito da coisa”. >> “Importantes seções do Ipes eram o GAP (Grupo de Assessoria Parlamentar), que orientava deputados e senadores, e o GOP (Grupo de Opinião Pública), cuja função era manipular a mídia. Glycon de Paiva [um dos fundadores do Ipes] chegou a dizer que ‘opinião pública era dinheiro’, e aos jornais, revistas, rádios e televisões jamais faltaram vultosas verbas de publicidade oculta, sem necessidade de publicar ou divulgar anúncios, mas apenas de seguir a linha ditada pela entidade”. Identidade de interesses >> “Mobilizadas, as elites tinham medo e se preparavam para resistir [ao que o autor chama de bagunça generalizada do governo Goulart]. De início, jamais para investir. Perceberam, com o tempo, que seria fácil mobilizar outros setores, a começar pela imprensa, já que os interesses dos proprietários de jornais, revistas, rádios e televisões eram os mesmos deles”. A caravana Chagas lista segmentos que se incorporaram à preparação do golpe: empresários urbanos e rurais. Ressentidos, idealistas, faltos de espaço. Os assustados “com o que imaginavam ser a comunização do país, preocupados com a fantasiosa ascensão das massas, se não aos privilégios, ao menos às decisões”. Os que hesitaram em se desligar do apoio à hierarquia. E acrescenta: >> “Junto com os referidos, tinha de tudo. Aventureiros, gente bem-intencionada, religiosos, dondocas do society, intelectuais e políticos em profusão, daqueles que sentem o vento mudar antes mesmo de cessar a tempestade. E jornalistas. Foi mesmo um golpe, jamais uma revolução, como disseram depois seus artífices e, em especial, aqueles que com pouco ou nada contribuíram para sua eclosão”. Editoriais pautavam reportagens >> “Os jornais haviam perdido a isenção, os editoriais pautavam as reportagens. O Jornal do Brasil ainda procurava constitui-se na exceção. Carlos Castello Branco, em sua coluna política [todas as colunas de Castellinho estão disponíveis aqui], explicava ter o presidente se colocado à frente da onda para não ser tragado por ela, ou seja, radicalizara, no dia 13 [de março, quando se realizou na Central do Brasil, no Rio, o Comício das Reformas] para não ser ultrapassado pelo cunhado [Leonel Brizola] e as forças mais extremadas”. >> “O presidente está preocupado com a mídia e, através de Jorge Serpa, pede a Nascimento Brito [dono do JB] que não seja violento nos editoriais da edição de domingo. Não é atendido, porque o editorial se intitula ‘Na ilegalidade’, e conclui: ‘O presidente não vai dar o golpe. Já deu…’ Não há como negar, a sublevação [de marinheiros, liderados pelo agente da CIA Cabo Anselmo] no Sindicato dos Metalúrgicos assustou meio mundo, na classe média, a ponto de o líder do PSD na Câmara, deputado Martins Rodrigues, conhecido por suas posições progressistas, favorável às reformas, me haver declarado na segunda-feira [30/3/1964] que ‘estavam criando um soviete na Marinha de Guerra, algo inadmissível e preocupante’. Por ordens diretas de Roberto Marinho, aquela foi a manchete da edição de O Globo de terça-feira, em oito colunas”. Mergulhados na conspiração >> “Os donos de jornal já se encontravam mergulhados até o pescoço na conspiração, colocando a notícia a serviço da precipitação da queda do governo. Em O Globo, poucos jornalistas sabiam da estratégia dos patrões, mas no Estado de S. Paulo a participação dos profissionais era ostensiva. Flávio Galvão tinha sido até dispensado de suas funções redacionais para dedicar-se em tempo integral à conspiração, entrosadíssimo com oficiais do Exército e da Aeronáutica. Os três filhos de Júlio de Mesquita Filho, Júlio Neto, Ruy e Carlão, participavam das démarches do pai, que sempre acompanhavam (….)”. >> “Nesse domingo, 29, continua a peregrinação dos emissários de Magalhães Pinto [governador de Minas Gerais] no Rio. José Luís de Magalhães Lins, Oswaldo Pieruccetti e José Monteiro de Castro vão rodar 240 quilômetros, de carro, visitando, entre outros, [os generais] Castello Branco, Cordeiro de Farias, Eurico Dutra e os diretores de jornal Roberto Marinho, Nascimento Brito e Niomar Muniz Sodré”. No dia 31 de março, “cada um dos grandes jornais, todos já posicionados e integrados no golpe, pinçariam as frases que bem entenderam para suas manchetes, acirrando ainda mais a opinião pública”. Conjura dos poderosos Uma palavra de Jango, dada ao Diário de Notícias no Uruguai, depois da queda, citada por Carlos Chagas, serve como fecho de mais este tópico suscitado pela manobra falsificadora da História do Globo: >> “Caí abatido pela conjura dos poderosos que estabeleceram o controle total dos meios de difusão. Foi fácil o envenenamento da opinião pública e dos escalões intermediários das Forças Armadas”. Leia também Resposta velha para um Brasil novo – M.M. Jornal não ‘concordou’ com o golpe, promoveu-o – M.M.
Analisar criticamente a afirmação “Há uma crise das direitas no Brasil” partindo da provocação feita com o trocadilho, "Crise das tortas" em relação ao artigo:"sexta-feira, 2 de janeiro de 2026 Direita se confundiu com extrema direita e precisa de autocrítica para superar crise, diz historiador Por Arthur Guimarães de Oliveira / Folha de S. Paulo Odilon Caldeira Neto analisa como campo se radicalizou e perdeu identidade política moderada Pesquisador aponta tendência de candidatos como Marçal nas eleições para deputado de 2026 São Paulo - Há uma crise das direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se confundir com ela. Para Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica. Em entrevista à Folha, o pesquisador do neofascismo e da extrema direita no país revela a simbologia cifrada que esse grupo usa para se comunicar, aborda a tendência do surgimento de figuras como o influenciador Pablo Marçal nas eleições de 2026 e defende a atualização do arcabouço de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional. O que é extrema direita hoje e como ela se manifesta no Brasil? A extrema direita é um universo próprio. É definida pelo culto à autoridade e autoritarismo, pela xenofobia, pelo culto ao passado, pela defesa de um tipo bem específico de nacionalidade. Sobretudo, ela é, do ponto de vista ideológico, programático, discursivo e efetivo, antidemocrática. Tem a ambição de subverter a democracia, não de reformá-la. O caso brasileiro foi muito nítido recentemente. Quando olhamos para o caso de Jair Bolsonaro, ou daquilo que podemos eventualmente chamar de bolsonarismo, vemos um padrão histórico consolidado, mas, ao mesmo tempo, Bolsonaro, no primeiro momento, se consolidou a partir de um processo eleitoral. Na reeleição, teve uma busca por uma ruptura antidemocrática. Então, essas categorias, por mais que sejam úteis, analiticamente, são tênues e finíssimas linhas na realidade política. Se a utilizarmos uma categoria interpretativa para o primeiro Bolsonaro, ele estaria mais no campo da direita radical. Depois, não há dúvida que é uma figura de extrema direita. Precisamos olhar para a extrema direita a partir desse jogo de passado e presente e das mutações ao longo dos anos. O sr. balançou a cabeça quando falou de bolsonarismo. Dá para falar em bolsonarismo, como conceito? Do ponto de vista acadêmico, está em aberto. Em alguma medida, se consolidou utilizar o bolsonarismo como uma categoria analítica, mais do que um conceito. É minimamente viável quando vamos entender como Bolsonaro consegue estabelecer um ponto de convergência entre diversos atores políticos, [como] vai amalgamar facetas diversificadas da extrema direita, da direita radical brasileira, do conservadorismo católico, do conservadorismo neopentecostal, do agronegócio, dos militares, dos antifeminismos, da misoginia. Esse universo tão plural acaba sendo involucrado pelo Bolsonaro —já não sei se é tanto pela capacidade política do próprio Bolsonaro ou não. O mais importante é o fato de que Bolsonaro, ou o bolsonarismo, é um fenômeno da extrema direita. Do ponto de vista analítico me parece mais importante pontuar essas categorias que são menos associadas a figuras políticas eventuais. Não falamos em janismo para falar de Janio Quadros, de malufismo, do ponto de vista da academia, de eneísmo para falar de Enéas. O mais importante é uma categoria que consiga nos auxiliar a olhar o quadro de uma maneira mais ampla. Extrema direita e seus correlatos são mais úteis à curta, média e longa duração. Com o ex-presidente preso, a tendência é que permaneçamos com o discurso extremista ou podemos pensar uma direita moderada nos próximos anos? Devemos nos acostumar com o extremismo? Nunca podemos nos acostumar com o extremismo... Uma questão muito necessária, embora pouquíssimo provável, é a necessidade de uma autocrítica imensa das direitas brasileiras, porque o descrédito aos processos políticos eleitorais, à inviolabilidade das urnas eletrônicas antecedem… Foram naturalizados mesmo antes da ascensão de Bolsonaro. Isso, paulatinamente, se intensifica, sobretudo após o processo de chegada de Bolsonaro à liderança do campo político e, posteriormente, à eleição, levando a uma radicalização do campo conservador. O campo conservador brasileiro começa a falar a partir de uma linguagem de extrema direita. Até a identidade política direita no Brasil se confunde com a identidade política de extrema direita. É pouco provável, mas necessário que a direita faça uma autocrítica para entender o que se perdeu, o que é necessário fazer daqui em diante. Podemos almejar esse retorno a uma normalidade. Existe uma crise das direitas no Brasil que se deixaram levar à sua própria radicalização, e é necessário que essa crise seja resolvida com uma série de autocrítica. O sr. acredita que uma figura como Pablo Marçal pode surgir nas eleições presidenciais de 2026 ou nas proporcionais, com esse perfil digital, disruptivo? É uma tendência, por diversas razões. Do ponto de vista majoritário, me parece pouco provável. O arranjo que se tem do campo bolsonarista é a tentativa de manter uma coesão. A estratégia política que parece estar sendo adotada por Jair Bolsonaro e pelas figuras-chave do clã Bolsonaro é uma tentativa de manutenção do poder. Neste momento, uma figura mais disruptiva, não somente para o centro nevrálgico do bolsonarismo, mas do ponto de vista estratégico, não fará frente à figura do campo bolsonarista. Agora, se olharmos para o universo mais amplo, para o campo de deputados estaduais, federais, sem dúvida alguma vamos ter uma pulverização do repertório da extrema direita por pautas associativas das mais diversificadas, que podem estar associadas ao universo do ultraliberalismo, fazendo aceno não apenas aos expoentes do próprio campo bolsonarista, mas tendo as estratégias de figuras como Javier Milei. A lógica do ultraliberalismo, do self-made man, que já foi tão trazida por Pablo Marçal nas eleições mais recentes, tendem a se intensificar. Do ponto de vista da política local, das pautas de identidade, das questões dos direitos reprodutivos, do conservadorismo moral e religioso, são questões mais intensificadas. Neste ano, ganhou muita proeminência a série "Adolescência", com a questão de adolescentes usarem simbologia de red pills. Também houve o caso do vídeo do Felca, em que [foi revelado que] pedófilos usavam uma linguagem para ficar fora do radar. O sr. tem um trabalho nesse sentido [de estudo da simbologia], a Topografia do Extremismo. Existem símbolos políticos sendo usados fora do radar? Nesse universo da radicalização online, existe um espaço de simbologia, de discurso, identidade política muito fluido. É aquilo que prefiro chamar de universo do próprio neofascismo, que transcende a política institucional. São organizações, tendências políticas que olham com absoluto descrédito e ojeriza às instituições políticas democráticas e passam a fazer tanto um resgate do passado, do nacional-socialismo, do integralismo brasileiro, do fascismo italiano, como atualizar os seus repertórios. Logo, esses grupos anti-institucionais, esses grupelhos de extrema direita neofascista vão utilizar simbologias que estão fora do mainstream da política. Seja porque são simbologias que foram usadas há dezenas de anos no universo do fascismo histórico, seja porque vão utilizar simbologias cifradas que fazem referência a esse universo, como alguns emojis. Por exemplo, a caveira, pode significar a ideia tanto do culto à morte quanto a ideia de uma identidade do aceleracionismo, que é uma subvertente das extremas direitas mais recentes. A ideia da espada, do copo de leite, da taça de vinho, dos relâmpagos, fazendo referência, duplicado, com as SS nazista. A legislação brasileira proíbe explicitamente a simbologia nazista, da suástica, apologia ao nazismo. Que outros símbolos e correntes de extrema direita o senhor adicionaria a esse rol? O problema da extrema direita, como pensado no Brasil, deu conta de responder às urgências da transição democrática, quando começou a existir no Brasil a formação de um neofascismo tardio: neonazismo, neofascismo, e neointegralismo. Na atualidade existe um universo simbólico muito distinto. Será que apenas uma questão de atualização da proibição de símbolo: em vez de ter um símbolo, seria necessário ter 30 símbolos a serem proibidos? Esse é um debate, mas não se exaure dessa maneira, porque as simbologias vão sendo construídas. É importante a manutenção e a ampliação pelos órgãos de segurança da percepção sobre a complexidade desse universo. Ou seja, mais do que fixar apenas o ponto de vista jurídico, é necessária a ampliação no cenário de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional. Se a questão fosse solucionada exclusivamente do ponto de vista jurídico, pela discussão de quais símbolos são ou não proibidos, quais são legalizados com ressalvas, deixamos de pensar na prevenção e na leitura do fenômeno. Mas, sem dúvida, é necessário também um debate sobre a atualização dessas simbologias e olhar para casos de sucesso, como o da Alemanha e de outros países. *Historiador, professor de história contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador do CNPq, é coordenador do Observatório da Extrema Direita e do Laboratório de História Política e Social da UFJF e autor de "Neofascism and the Far Right in Brazil" (Cambridge University Press, 2025) e coautor de "O Fascismo em Camisas Verdes" (FGV Editora, 2020)."
jornaldebrasilia.ofc 1 d Há uma crise das direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se confundir com ela. Para Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica. 📰Veja mais em nosso site, link na bio. #jornaldebrasilia #politica #direitabrasileira #conservadorismo #extremadireita #debatepolitico #Brasil Segue uma análise crítica que parte do trocadilho “Crise das tortas” para tensionar a afirmação “Há uma crise das direitas no Brasil”, dialogando diretamente com a provocação e com os argumentos expostos por Odilon Caldeira Neto na entrevista. Crise das tortas: quando a direita perde o eixo O trocadilho “Crise das tortas” funciona como mais do que um recurso retórico espirituoso. Ele sugere uma imagem precisa: algo que saiu do eixo, que perdeu o alinhamento, que já não se sustenta de forma equilibrada. Ao deslocar “direitas” para “tortas”, a provocação aponta para uma crise que não é apenas eleitoral ou conjuntural, mas identitária, simbólica e estratégica. A afirmação de que “há uma crise das direitas no Brasil”, tal como formulada por Odilon Caldeira Neto, não descreve um enfraquecimento simples do campo conservador. Pelo contrário: trata-se de uma crise paradoxal, em que a direita cresce em presença, mas se esvazia como projeto político plural, ao se confundir progressivamente com a extrema direita. Quando a direita vira extrema (e deixa de ser direita) O ponto central da análise de Caldeira Neto é que a direita brasileira abdicou de sua linguagem própria. Ao adotar repertórios discursivos, simbólicos e afetivos da extrema direita — antidemocráticos, conspiratórios, autoritários — ela deixou de operar como direita liberal, conservadora ou reformista nos marcos da democracia representativa. Essa confusão não é meramente semântica. Ela tem efeitos concretos: a naturalização da deslegitimação das eleições; o descrédito sistemático das instituições; a incorporação de símbolos e códigos neofascistas; a transformação do adversário político em inimigo moral. Nesse sentido, a “crise das direitas” não é uma crise por falta de força, mas por excesso de radicalização. A direita não perdeu espaço porque foi derrotada; ela perdeu o centro porque decidiu abandoná-lo. A torta como metáfora política O trocadilho permite ir além: a “torta” é aquilo que não se apresenta frontalmente, que vem enviesado, cifrado. Essa imagem dialoga diretamente com a análise do entrevistado sobre a linguagem codificada da extrema direita, seus símbolos aparentemente banais (emojis, referências culturais, discursos de autoajuda ultraliberal) que mascaram projetos antidemocráticos. A crise, portanto, também é cognitiva e comunicacional. Parte da direita passou a operar: mais por afetos do que por programas; mais por identidades ressentidas do que por propostas; mais por performance digital do que por mediação institucional. Figuras como Pablo Marçal, mencionadas na entrevista, são sintomas dessa lógica: não representam uma direita programática, mas uma política de si, do “empreendedor de si mesmo”, em que o ultraliberalismo se mistura ao messianismo moral e ao desprezo pelas regras do jogo democrático. Autocrítica impossível? Caldeira Neto aponta a autocrítica como condição necessária — ainda que improvável — para superar a crise. Aqui, o diagnóstico se torna mais duro: a crise das direitas é também uma crise de responsabilidade histórica. Reconhecer que a radicalização precede Bolsonaro, que foi naturalizada por décadas, implica admitir cumplicidades, silêncios e oportunismos. Sem essa autocrítica, a direita permanece “torta”: incapaz de se diferenciar da extrema direita, refém de seus símbolos e de sua agenda, e prisioneira de uma lógica de mobilização permanente contra a democracia que, paradoxalmente, a sustenta. Conclusão: não é falta de rumo, é escolha A provocação “Crise das tortas” ajuda a revelar que a crise das direitas no Brasil não decorre de um acidente, mas de uma trajetória. A direita não se perdeu: ela escolheu se radicalizar, escolheu falar como extrema direita, escolheu tensionar os limites democráticos — e agora enfrenta o custo dessa escolha. Enquanto não houver uma reconstrução consciente de identidade, linguagem e compromisso democrático, a direita brasileira continuará existindo, mas seguirá fora do prumo: numerosa, barulhenta e politicamente torta.

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