Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 11 de janeiro de 2026
Quando eu morrer não deixo pena, pena deixo para quem fica
Assentamento
Miúcha
O cosmos não interrompe seu giro para o luto, mas a cultura pausa para o silêncio. Em um intervalo de apenas uma rotação terrestre — um único dia entre 9 e 10 de janeiro de 2026 — o mundo perdeu o olhar crítico de Beatriz González e a crônica afetiva de Manoel Carlos.
Entre o nascimento de Maneco (1933) e de Beatriz (1938), a Terra completou 5,67 voltas ao redor do Sol. Foram 2.073 auroras de diferença que moldaram trajetórias distintas: ele, pintando o cotidiano carioca com palavras; ela, recortando a história colombiana em cores e móveis populares.
Neste "último traslado", enquanto o planeta avançava apenas 0,0027 de sua órbita, os dois se despediram, deixando-nos a herança de quem soube observar o tempo. Como bem interpretado por Chico Buarque na obra de Paulo Vanzolini, a morte não deixa pena para quem vai, mas o peso da saudade para quem permanece no giro incessante da vida.
🎧 Ouça aqui: "Quando Eu Morrer" - Chico Buarque (Composição de Paulo Vanzolini)
“O tempo não para, mas a arte eterniza o instante em que a Terra parou para eles.”
Los suicidas del Sisga II (Sobre una obra de Beatriz González)
Mãe e filha foram primeira e última Helena de Manoel Carlos
— A primeira Helena do autor, que morreu neste sábado (10) no, Rio de Janeiro, foi a atriz Lílian Lemmertz, em 'Baila Comigo', de 1981.
Gshow
https://gshow.globo.com › manoel-carlos › noticia › ma...
há 21 horas
Assentamento
Chico Buarque
Quando eu morrer, que me enterrem na
beira do chapadão
-- contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coração
Tôo
(apud Guimarães Rosa)
Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora
Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora
Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora
Composição: Chico Buarque.
Quando eu morrer não deixo pena, pena deixo para quem fica
Crédito consignado, poder político e Minas Gerais: duas décadas de uma mesma engrenagem
A história do crédito consignado no Brasil não é linear nem episódica. Ela atravessa governos, partidos e décadas, sempre orbitando o mesmo núcleo sensível: o INSS, os aposentados e a interseção entre política e sistema financeiro. Para compreendê-la com honestidade intelectual, é necessário separar os tempos — sem apagar os vínculos estruturais que permanecem.
I — O presente: o escândalo dos descontos indevidos (2024–2025)
Desde 2024, o INSS voltou ao centro de uma crise de grandes proporções. A Polícia Federal, a CGU e o Congresso Nacional, por meio da CPMI do INSS, investigam um esquema de descontos não autorizados aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
O que está comprovado até agora
Houve descontos indevidos, realizados por meio de convênios firmados entre o INSS e entidades associativas, muitas vezes sem autorização expressa ou consciente dos beneficiários.
Houve prisões. Entre elas, a do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, acusado de envolvimento em um esquema de corrupção e favorecimento de entidades conveniadas.
Houve mandados de busca e apreensão que atingiram operadores políticos e pessoas com mandato parlamentar.
O que está sob investigação (sem condenação)
O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) foi citado em relatórios e foi alvo de medidas investigativas. Até o momento, não há condenação judicial, e sua menção decorre exclusivamente de investigações em curso.
Empresas em nome de familiares de agentes políticos aparecem como suspeitas de recebimento de valores, o que ainda está sendo apurado.
Não há, até aqui, comprovação de que bancos privados sejam os protagonistas diretos do esquema atual; o foco central recai sobre entidades associativas, intermediários e falhas institucionais do INSS.
II — O passado: a origem do consignado e o ciclo do Mensalão (2002–2005)
Voltar no tempo não é confundir fatos: é reconhecer a origem estrutural do problema.
O crédito consignado foi instituído no início do primeiro governo Lula, com a promessa de ampliar acesso ao crédito a aposentados, utilizando o desconto em folha como garantia.
O banco mineiro da origem
O Banco BMG, de Minas Gerais, foi a primeira instituição financeira privada a firmar convênio com o governo federal para operar crédito consignado para aposentados do INSS.
Esse protagonismo colocou o banco no centro de debates e investigações posteriores, especialmente no contexto do Mensalão.
O elo político daquele período
O deputado mineiro Romeu Queiroz (PTB-MG) foi condenado pelo STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em razão de repasses ligados às empresas de Marcos Valério.
Parte das investigações analisou a relação entre empréstimos do BMG ao PT, contratos públicos e a expansão acelerada do consignado.
Esses fatos resultaram na Ação Penal 420, julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Trata-se de um escândalo encerrado juridicamente, ainda que suas consequências institucionais permaneçam.
III — Virgílio Guimarães, Marcos Valério e a família do banco
Outro nome central daquele período foi o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).
Virgílio admitiu ter apresentado Marcos Valério à direção do PT no início do governo Lula.
Ele é primo de Ricardo Guimarães, então presidente do Banco BMG.
Dirigentes do banco foram denunciados por gestão temerária e operações financeiras irregulares, mas não houve prisões prolongadas nem condenações equiparáveis às de agentes políticos do Mensalão.
Anos depois, já em outro contexto histórico, o BMG firmaria acordos bilionários relacionados a práticas no cartão consignado, reconhecendo falhas e ressarcindo consumidores.
IV — O fio que não se rompe
Não se trata de dizer que os escândalos são o mesmo. Eles não são.
Mas tampouco se pode fingir que são acidentes isolados.
O que atravessa os anos é:
a fragilidade do aposentado diante de sistemas automáticos;
a opacidade dos convênios com o INSS;
a recorrente presença de operadores políticos;
a dificuldade histórica de responsabilização plena.
Os nomes mudam.
Os partidos se alternam.
As operações ganham novos nomes.
Mas quem fica — sempre — é quem depende do benefício para viver.
Quando eu morrer não deixo pena.
Pena deixo para quem fica.
E, no Brasil, quem fica quase sempre é o aposentado.
sábado, 10 de janeiro de 2026
O banqueiro e os ratos
Entre a ficção de Dyonélio Machado e a crônica política do Brasil contemporâneo, o dinheiro segue como força que corrói consciências, instituições e horizontes éticos
“A rua assim, com as casas todas fechadas, parece outra. Já não se vê mais nas partes altas dos sobrados aquela faixa alaranjada e distante. Não é que o sol já haja entrado; lá ainda está aquela moeda em brasa, a dois palmos acima do horizonte, mas por tal forma envolvida na ‘evaporação’, que a sua luz já desapareceu de todo.”
(Os ratos, Dyonélio Machado)
Publicado em 1935, Os ratos, de Dyonélio Machado, permanece como uma das mais incisivas alegorias da vida social brasileira sob o signo da miséria material, da angústia psicológica e da opressão econômica. O romance acompanha um único dia na vida de Naziazeno Barbosa, funcionário público esmagado pela urgência de conseguir dinheiro para pagar uma dívida. Ao longo desse percurso obsessivo, o livro revela um mundo em que o dinheiro deixa de ser simples meio de troca e se converte em força absoluta, capaz de corroer relações humanas, distorcer a percepção da realidade e reduzir os indivíduos a um estado quase animal, subterrâneo — o dos ratos.
Quase um século depois, o artigo “CPI para o ‘gabinete do ódio’ do Master”, de Roseann Kennedy, publicado no Estado, oferece um retrato contemporâneo que, embora situado em outro patamar social, dialoga de modo perturbador com a lógica exposta por Dyonélio. Se no romance acompanhamos o drama de quem sofre pela falta do dinheiro, no caso do Banco Master vemos o outro polo da engrenagem: o do capital concentrado, capaz de mobilizar políticos, influenciadores, instituições e estruturas inteiras de poder para se proteger.
O banqueiro Daniel Vorcaro surge no noticiário como figura central de uma rede complexa de relações políticas e midiáticas. Diferentemente de Naziazeno, que vaga pela cidade implorando pequenas quantias, Vorcaro dispõe de recursos suficientes para financiar um verdadeiro “gabinete do ódio”, destinado a atacar autoridades e tensionar o debate público. Ainda assim, os dois universos se conectam por uma mesma lógica implacável: a do dinheiro como eixo organizador da vida social, da ação política e da própria moral.
A Reunião Geral dos Ratos é uma fábula atribuída a Esopo e recontada por La Fontaine[1].
Em Os ratos, a cidade é um espaço fechado, opaco, em que portas se encerram à medida que o tempo passa e as possibilidades se esgotam. No artigo de Roseann Kennedy, o Congresso também aparece como um espaço de portas semicerradas, onde uma CPI com assinaturas suficientes corre o risco de ser enterrada por conveniência política. O temor de uma eventual delação premiada — que “sobraria para todo lado” — ecoa a atmosfera de claustrofobia moral que atravessa o romance de Dyonélio: todos estão implicados, todos dependem do sistema, todos temem o colapso da engrenagem que os sustenta.
A metáfora dos ratos, no romance, não se limita à pobreza material. Ela aponta para um modo de existência marcado pela sobrevivência, pela repetição e pela ausência de horizonte ético. Nesse sentido, o comportamento de parte da classe política contemporânea — governistas que evitam assinar a CPI, lideranças que alegam “falta de viabilidade pragmática” — não está distante dessa lógica subterrânea. Não se trata mais de indivíduos acuados pela fome, como Naziazeno, mas de agentes públicos que se movem silenciosamente pelos corredores do poder, evitando a luz, protegendo-se mutuamente.
O contraste entre o silêncio inicial do governo e a posterior mudança de discurso, quando o escândalo se populariza nas redes sociais, reforça esse paralelo. Em Os ratos, Naziazeno também é empurrado pela urgência do tempo e pelas circunstâncias, reagindo menos por escolha consciente do que por necessidade. A diferença crucial é que, no romance, o personagem é vítima declarada do sistema; no caso do Banco Master, muitos dos envolvidos são seus beneficiários diretos.
Assim, Os ratos e o debate em torno da CPI do Master revelam faces complementares de uma mesma estrutura social. De um lado, o homem comum esmagado pela falta de dinheiro; de outro, o banqueiro cercado por um emaranhado de poder, influência e medo. Entre ambos, circula a mesma força corrosiva, que transforma a política em cálculo, a ética em conveniência e a vida pública em um espaço onde a sobrevivência — do indivíduo ou do sistema — se sobrepõe à justiça.
Ao aproximar essas duas narrativas, percebe-se que os ratos de Dyonélio Machado não pertencem apenas ao subsolo da ficção dos anos 1930. Eles continuam circulando, agora em ambientes climatizados, gabinetes parlamentares e redes digitais, movidos pela mesma lógica implacável que transforma o dinheiro em sol, a moeda em brasa e a sociedade em um labirinto sem saída.
“A rua assim, com as casas todas fechadas, parece outra. Já não se vê mais nas partes altas dos sobrados
aquela faixa alaranjada e distante. Não é que o sol já haja entrado; lá ainda está aquela moeda em brasa, a dois palmos acima do horizonte, mas por tal forma envolvida na ‘evaporação’, que a sua luz já desapareceu de todo.”
O banqueiro e os ratos
Os ratos de Pavlov e o galeão Brasil
"Banqueiro tem relações com políticos de diversos partidos; governistas não assinaram pedido"
Em Os ratos, romance publicado em 1935, Dyonélio Machado constrói uma das mais contundentes alegorias da vida social brasileira sob o signo da miséria material, da angústia psicológica e da opressão econômica. A narrativa acompanha um único dia na vida de Naziazeno Barbosa, funcionário público esmagado pela urgência de conseguir dinheiro para pagar uma dívida. Ao longo desse percurso obsessivo, o romance revela um mundo em que o dinheiro não é apenas meio de troca, mas força absoluta, capaz de corroer relações humanas, distorcer a percepção da realidade e reduzir os indivíduos a um estado quase animal, subterrâneo — o dos ratos.
Quase um século depois, o artigo “CPI para o ‘gabinete do ódio’ do Master”, de Roseann Kennedy, oferece um retrato contemporâneo que, embora situado em outro plano social, dialoga de modo perturbador com a lógica exposta por Dyonélio Machado. Se em Os ratos acompanhamos o drama de quem sofre pela falta do dinheiro, no caso do Banco Master vemos o outro polo da engrenagem: o do capital concentrado, capaz de mobilizar políticos, influenciadores, instituições e estruturas inteiras de poder para se proteger.
O banqueiro Daniel Vorcaro surge no texto jornalístico como figura central de uma rede complexa de relações políticas e midiáticas. Diferentemente de Naziazeno, que vaga pela cidade implorando pequenas quantias, Vorcaro dispõe de recursos suficientes para financiar um verdadeiro “gabinete do ódio”, destinado a atacar autoridades e manipular a opinião pública. Ainda assim, ambos os universos se conectam pela mesma lógica implacável: a do dinheiro como eixo organizador da vida social e da ação política.
Em Os ratos, a cidade é um espaço fechado, opaco, em que as portas se fecham à medida que o tempo passa e as possibilidades se esgotam. No artigo de Roseann Kennedy, o Congresso também aparece como um espaço de portas semicerradas, onde uma CPI que reúne assinaturas suficientes corre o risco de ser enterrada por conveniência política. O medo da delação premiada, que “sobraria para todo lado”, ecoa a atmosfera de claustrofobia moral que permeia o romance de Dyonélio: todos estão implicados, todos dependem do sistema, todos temem o colapso da engrenagem que os sustenta.
A metáfora dos ratos, no romance, não se limita à pobreza material. Ela aponta para um modo de existência marcado pela sobrevivência, pela repetição e pela ausência de horizonte ético. Nesse sentido, o artigo sugere que o comportamento de parte da classe política — governistas que evitam assinar a CPI, lideranças que alegam “falta de viabilidade pragmática” — não está distante dessa lógica subterrânea. Não se trata mais de indivíduos acuados pela fome, como Naziazeno, mas de agentes públicos que se movem silenciosamente pelos corredores do poder, evitando a luz, protegendo-se mutuamente.
O contraste entre o silêncio inicial do governo e a posterior mudança de discurso, quando o escândalo se populariza nas redes sociais, reforça esse paralelo. Em Os ratos, Naziazeno também é empurrado pela urgência do tempo e pelas circunstâncias, reagindo menos por escolha consciente do que por necessidade. A diferença fundamental é que, no romance, o personagem é vítima declarada do sistema; no caso do Banco Master, muitos dos envolvidos são seus beneficiários diretos.
Assim, Os ratos e o artigo sobre a CPI do Master revelam faces complementares de uma mesma estrutura social. De um lado, o homem comum esmagado pela falta de dinheiro; de outro, o banqueiro cercado por um emaranhado de poder, influência e medo. Entre ambos, circula a mesma força corrosiva, que transforma a política em cálculo, a ética em conveniência e a vida pública em um espaço onde a sobrevivência — seja do indivíduo, seja do sistema — se sobrepõe à justiça.
Ao aproximar essas duas narrativas, percebe-se que os ratos de Dyonélio Machado não pertencem apenas ao subsolo da ficção dos anos 1930. Eles continuam circulando, agora em ambientes climatizados, gabinetes parlamentares e redes digitais, movidos pela mesma lógica implacável que transforma o dinheiro em sol, moeda em brasa e a sociedade em um labirinto sem saída.
Obreiros
O termo que unifica as pessoas que trabalham, abrangendo as diferentes nuances de "trabalhador", "obreiro" e "colaborador", é "empregado", no contexto jurídico e formal, ou "profissional", num contexto mais amplo e neutro.
“Procura apresentar-te a Deus aprovado como obreiro que não tem de que se envergonhar.” — Paulo. (2 TIMÓTEO, 2.15)
1 Desde tempos imemoriais, idealizam as criaturas mil modos de se apresentarem a Deus e aos seus mensageiros.
2 Muita gente preocupa-se durante a existência inteira em como talhar as vestimentas para o concerto celestial, 3 enquanto crentes inumeráveis anotam cuidadosamente as mágoas terrestres, no propósito de desfiá-las em rosário imenso de queixas, diante do Senhor, à busca de destaque no mundo futuro.
4 A maioria dos devotos deseja iniciar a viagem, além da morte, com títulos de santos; 5 todavia, não há maneira mais acertada de refletirmos em nossa posição, com verdade, além daquela em que nos enquadramos na condição de trabalhadores.
6 O mundo é departamento da Casa Divina.
7 Cátedras e enxadas não constituem elementos de divisão humilhante, e sim degraus hierárquicos para cooperadores diferentes.
8 O caminho edificante desdobra-se para todos.
9 Aqui, abrem-se covas na terra produtiva, ali, manuseiam-se livros para o sulco da inteligência, mas o Espírito é o fundamento vivo do serviço manifestado.
10 Classificam-se os trabalhadores em posições diferentes, contudo, o campo é um só.
11 No centro das realidades, pois, não se preocupe ninguém com os títulos condecorativos, mesmo porque o trabalho é complexo, em todos os setores de ação dignificante, e o resultado é sempre fruto da cooperação bem vivida. 12 Eis o motivo pelo qual julgamos com Paulo que a maior vitória do discípulo será a de apresentar-se, um dia, ao Senhor, como obreiro aprovado.
Emmanuel
Texto extraído da 1ª edição desse livro.
145
Obreiros
Pão Nosso #145 - Obreiros
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo
Transmitido ao vivo em 5 de dez. de 2023
Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
Transcrição
Título de eleitor do cidadão Euripides Barsanulpho
REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL
Assentamento de 1905
N. 125
Assignatura do eleitor
Euripides Barsanulpho
Sacramento, 2 da Agosto de 1905
14 - EURÍPEDES, HOMEM PÚBLICO
A parábola dos talentos (Mateus, XXV: 14 a 30) que o Divino Educador apresenta à Humanidade como programa simbólico de estrutura educativa, evidencia as oportunidades de serviços no plano terreno, como norma imprescindível à evolução espiritual.
O texto referido é a Parábola dos Talentos, um dos ensinos mais conhecidos de Jesus sobre responsabilidade e iniciativa.
Resumo da Passagem
Nesta parábola, um homem parte em viagem e confia seus bens a três servos:
Ao primeiro, dá cinco talentos (uma medida de valor na época).
Ao segundo, dá dois talentos.
Ao terceiro, dá um talento.
Os dois primeiros servos trabalham e dobram o capital recebido. O terceiro, por medo, enterra o seu talento. Ao retornar, o senhor elogia os produtivos ("Muito bem, servo bom e fiel"), mas castiga o terceiro, chamando-o de "mau e negligente" por não ter feito o recurso render.
Principais Lições
Responsabilidade Proporcional: Cada servo recebeu conforme sua própria capacidade.
Ação vs. Medo: O erro do terceiro servo não foi perder o dinheiro, mas a omissão e a falta de iniciativa.
Multiplicação: O texto sugere que dons e oportunidades devem ser usados para o bem comum e para o crescimento do Reino, não guardados para si.
20. É acertada a beneficência, quando praticada exclusivamente entre pessoas da mesma opinião, da mesma crença, ou do mesmo partido?
Não, porquanto precisamente o espírito de seita e de partido é que precisa ser abolido, visto que são irmãos todos os homens. O verdadeiro cristão vê somente irmãos em seus semelhantes e não procura saber, antes de socorrer o necessitado, qual a sua crença, ou a sua opinião, seja sobre o que for. Obedeceria o cristão, porventura, ao preceito de Jesus-Cristo, segundo o qual devemos amar os nossos inimigos, se repelisse o desgraçado, por professar uma crença diferente da sua? Socorra-o, portanto, sem lhe pedir contas à consciência, pois, se for um inimigo da religião, esse será o meio de conseguir que ele a ame; repelindo-o, faria que a odiasse. – S. Luís. (Paris, 1860.)
O Evangelho seg. o Espiritismo [Ep90] Beneficência exclusiva (cap XIII, 20)
Descubra o seu interior.
Nele, com bons pensamentos,
você vai encontrar grandeza,
equilibrio, paz, esperança e vida.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
O problema não é a ausência de virtude, mas a irrelevância que o sistema lhe atribuiu.
"Trappola" (Armadilha, em italiano), criada em 1968 por Pino Pascali, é uma obra de arte notável do movimento Arte Povera. A escultura é feita de palha de aço trançada e está exposta na Tate Modern, em Londres.
Regina Caeli (latim)
Músicas Católicas
Rainha Do Céu
Regina Caeli (latim)
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruisti portare
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nobis Deum
Aleluia
Alleluia
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruísti portáre
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nóbis Deum
Aleluia
Alleluia
Rainha do Céu, alegrai-vos
Regina Caeli, laetáre
Aleluia
Alleluia
Por carregar àquele que merecestes em teu ventre
Quia quem meruísti portáre
Aleluia
Alleluia
Ressuscitou, como disse
Resurréxit, sicut dixit
Aleluia
Alleluia
Rogai a Deus por nós
Ora pro nóbis Deum
Aleluia
Alleluia
Composição: Papa Gregório I.
Samba Da Bênção
Odette Lara - Tema
Trechos
‘Uma crise chamada Brasil’: a década em que a política colapsou
Conrado Corsalette
26 de maio de 2023
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Brasil
Política
Sociedade
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O ‘Nexo’ publica um trecho de ‘Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova República e a erupção da extrema direita’, de Conrado Corsalette, cofundador e editor-chefe do ‘Nexo’. Na obra, o jornalista destrincha os últimos dez anos da disputa de poder no país.
Populações de diversos países tomaram as ruas em 2011. As manifestações eclodiram do Ocidente ao Oriente Médio. No Brasil, o levante popular de dois anos depois deixou imprensa, governos e partidos completamente desnorteados, expondo um establishment despreparado para lidar com a situação que emergia. Antigas respostas mostraram-se insuficientes para aplacar as demandas naquele novíssimo momento nacional. Uma energia diferente surgiu em 2013.
Uma energia que veio tanto da esquerda quanto da direita e que transbordou para as ruas quando o país parecia ir bem. Um grito de várias vozes por mais acesso a serviços públicos, por mais representatividade política. Um grito que depois ganhou múltiplos tons.
Longe de uma explicação fácil de causa e consequência para o que veio depois, sociólogos, cientistas políticos, ativistas e jornalistas ainda tentam decifrar que grito foi esse.
Mobilizações como Occupy Wall Street, Indignados e Primavera Árabe tiveram seus contextos particulares. Mas elas tinham alguns pontos em comum: busca por mais igualdade econômica e por mais representatividade política. Em resumo, os atos foram um grito contra o poder constituído, contra um establishment que parecia não atender mais às demandas de uma população inquieta.
As manifestações nas várias partes do planeta vinham acompanhadas de uma nova dinâmica digital, em que a comunicação em rede e o uso do celular ampliavam as possibilidades de se organizar e davam protagonismo a uma nova geração, espalhando um sentimento de que estar ali era fazer parte de um momento histórico. Ir para a rua se tornou urgente. E esse espírito do tempo também tomou o Brasil.
Sim, o mundo já tinha vivido outros ciclos de mobilização popular. Só que naquele início da década de 2010 havia novos elementos em jogo: novas mensagens, novos meios. Alguns sinais já apareciam nas ruas brasileiras, inclusive, antes de junho de 2013, momento-chave para o país.
Um episódio ocorrido em abril de 2011 é bastante revelador do que viria a ocorrer nos anos seguintes. Usando as redes sociais como forma de mobilização, um grupo neofascista foi à avenida Paulista dar apoio ao deputado Jair Bolsonaro, à época presença recorrente em programas de variedades na tv por causa dos absurdos que costumava dizer em público. Com o grito de guerra “fora, kit gay”, o grupo extremista reproduzia desinformação sob o vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Do outro lado de um cordão policial, representantes dos movimentos LGBTQIAP+, feminista, negro, além de anarquistas, faziam um contraponto ao defender direitos que vinham ganhando mais visibilidade no debate público, mas ainda eram institucionalizados a conta-gotas. Eram movimentos sociais alinhados à esquerda, mas que questionavam os governos, inclusive a administração federal do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que tinha passado oito anos no comando do Brasil com Luiz Inácio Lula da Silva e estava então num novo mandato com a presidente Dilma Rousseff.
O cordão policial que separava o grupo neofascista do grupo que defendia direitos das minorias era, já naquele momento, uma prévia de uma divisão nacional que ficaria escancarada anos depois — uma divisão permeada por falsas equivalências.
Em maio de 2011, um mês depois daquele encontro no vão do Masp, a Marcha da Maconha, que anualmente pede a legalização da droga, foi fortemente reprimida pela Polícia Militar ali na mesma avenida Paulista. Na época, a marcha tinha sido proibida pela Justiça, numa tendência de tribunais por todo o país. Foi preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF), corte máxima brasileira, garantisse a realização dela numa decisão de junho do mesmo ano. Numa nova mobilização realizada naquele mês, a Marcha da Maconha virou Marcha da Liberdade.
O primeiro semestre de 2011 viu também manifestações inusitadas, como o “churrascão da gente diferenciada”, uma ironia surgida no Facebook por causa da resistência dos moradores de Higienópolis, bairro rico de São Paulo, à construção de uma estação de metrô nos arredores. Esses moradores temiam que a ampliação do acesso ao transporte público na região fosse atrair “gente diferenciada”, numa referência a pessoas com renda mais baixa. A ironia do Facebook virou um protesto em clima de festa bem-humorada, que reuniu centenas de pessoas.
As redes sociais mostravam que o engajamento poderia ser mais que apenas virtual. Algo estava sendo gestado naqueles primeiros atos do início da década. A socióloga Angela Alonso, coautora do documentário Junho 2013: o começo do avesso, lembra de dois movimentos estrangeiros que considera importantes para o que estava prestes a acontecer no Brasil, anteriores ao Occupy Wall Street, aos Indignados e à Primavera Árabe. Movimentos que vieram dar inspiração para a direita e para a esquerda não institucionalizadas brasileiras — ou seja, grupos que faziam política fora das estruturas formais como partidos e sindicatos.
Como influência para a direita, Angela Alonso destaca o Tea Party, que surgiu nos Estados Unidos após a chegada de Barack Obama à Casa Branca, em 2009. O nome do grupo ultraconservador faz referência à Festa do Chá de Boston do fim do século 18, quando colonos ingleses na América protestaram contra os impostos do governo britânico, num evento determinante para a independência americana:
Foi uma reação não só a uma vitória do Partido Democrata, mas à vitória de um negro. Não foi tão explícita assim a agenda antirracial, mas teve também esse componente, assim como um nacionalismo muito exacerbado. O próprio nome, Tea Party, tem uma agenda antitaxação. Você teve símbolos religiosos, símbolos nacionalistas e o antipoliticamente correto.
Como influência para a esquerda, a socióloga destaca os movimentos antiglobalização de Seattle dos anos 1990. Foi nos protestos durante um encontro da Organização Mundial do Comércio (omc) na cidade americana no fim daquela década que a tática black bloc se internacionalizou. E também despertou uma reação policial muito forte, algo que viria depois a se repetir no Brasil.
Existe todo um rol de expressões e conceitos em torno das manifestações do início da década de 2010. Os black blocs, que tomaram as manchetes da imprensa brasileira em 2013, usam uma tática para defender manifestantes diante de forças policiais. Eles também fazem ataques a prédios considerados símbolos do capitalismo, como os bancos. Outro termo comum que perpassa a discussão desse período é o movimento autonomista, cuja ação política passa ao largo de sindicatos e dos partidos políticos. Ouviu-se muito falar também em horizontalidade de organização, em que cada participante de um movimento tem seu protagonismo, sem lideranças definidas. Há ainda eventos especialmente importantes para os novos movimentos de esquerda, como o Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
Mayara Vivian, ativista que já teve forte atuação no Movimento Passe Livre (MPL), destaca a importância do Fórum na formação dos movimentos autonomistas brasileiros:
Eu comecei no MPL desde antes da sua fundação, que foi em 2005, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Sempre estudei em escola pública e, junto com outras pessoas que estudavam em escola pública e que sentiam um grande descontentamento com as possibilidades de atuação que estavam colocadas naquele momento, decidimos nos organizar de maneira autônoma.
O MPL é um movimento que, como diz o nome, defende a gratuidade do transporte público. Um movimento que se organizou em torno dessa pauta e que costuma promover mobilizações contra aumentos de passagem. Em junho de 2013, o grupo se tornaria o pivô das maiores manifestações de rua do Brasil desde os “caras-pintadas” do impeachment de Fernando Collor de Mello. Manifestações essas que chamariam atenção não apenas pelo volume de pessoas, mas também pelo turbilhão que provocariam na política nacional.
São Paulo
Morre em São Paulo o jornalista Conrado Corsalette, aos 47 anos
Jornalista, que deixa duas filhas, foi encontrado morto em casa pela namorada. Não há informações sobre a causa da morte
Angélica Sales
08/01/2026 12:45, atualizado 08/01/2026 12:58
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UMA CRISE CHAMADA BRASIL: A QUEBRA DA NOVA REPÚBLICA E A ERUPÇÃO DA EXTREMA DIREITA
Conrado Corsalette
Editora Fósforo
368 páginas
Lançamento em 8 de junho
Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/estante-trechos/2023/05/26/uma-crise-chamada-brasil-a-decada-em-que-a-politica-colapsou
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Nicanor Bellas Artes
Nicanor Belas Artes
Comiendo lista en la esquina del pecado,
Comendo lista na esquina do pecado,
Nicanor era el protegido del jefe de la lotería clandestina,
O nicanor era reserva de bicheiro,
Un negro bueno que se llevaba bien con la pandilla
Crioulo bom se dava bem com a curriola
Y en la escuela tocaba el pandero.
E lá na escola dava bola no pandeiro.
Pero de repente Nicanor se adelantó,
Mas de repente o nicanor saiu em frente,
Bajó del cerro y se hizo el importante.
Desceu o morro e botou banca de bacana.
El comisario en el distrito anda preocupado,
O delegado no distrito anda cabreiro,
Porque Nicanor, el jefe de la lotería clandestina,
Porque o nicanor bicheiro
Nunca más fue arrestado.
Nunca mais entrou em cana.
Él que tenía un solo diente,
Ele que tinha um dente só,
Ahora tiene dentadura,
Agora está de dentadura,
Ya no es el tenedor de dulces,
Não é mais garfo de doceiro,
Ahora es la boca de la abundancia.
Agora é boca de fartura.
Y para mostrar a todos
E pra mostrar a toda gente
Que tiene dientes en la boca,
Que tem dente na fachada,
Incluso cuando ve un desastre,
Até quando vê desastre
Nicanor se ríe a carcajadas.
O nicanor cai na risada.
Composição: Chico Anysio / João Nogueira.
Lula veta nova dosimetria e bate de frente com o Congresso
Publicado em 09/01/2026 - 06:31 Luiz Carlos AzedoBrasília, Comunicação, Congresso, Eleições, Governo, Justiça, Memória, Militares, Partidos, Política, Política, Segurança, Violência
Mudança poderia beneficiar condenados e investigados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro e foi aprovada sob o argumento de que corrigiria excessos do Supremo
Em cerimônia de grande simbolismo, para marcar o fracasso da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 e a punição dos seus responsáveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que alterava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas, entre os quais o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão colocou o Palácio do Planalto em rota direta de colisão com o Congresso Nacional, que havia aprovado a proposta por ampla maioria, com apoio do Centrão e da oposição bolsonarista. Após o anúncio do veto, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar apoiadores, em um gesto político calculado, que mirou a campanha eleitoral deste ano.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram ao ato que lembrou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes. Em discurso, Lula afirmou que o 8 de Janeiro demonstrou que “a democracia não é uma conquista inabalável”, mas uma obra permanente, sujeita ao assédio de “velhos e novos candidatos a ditadores”. O público respondeu com gritos de “sem anistia” e palavras de ordem em apoio ao presidente.
O veto foi anunciado no Salão Nobre do Planalto, diante de ministros, parlamentares e convidados. A mudança de dosimetria poderia beneficiar condenados e investigados pelos ataques às instituições e era defendida por setores da oposição sob o argumento de corrigir excessos na fixação das penas, depois que desistiram de tentar aprovar uma anistia. Lula sabe muito bem que será acusado de revanchismo e o veto será derrubado pelo Congresso, mas decidiu transformá-lo em um divisor de águas da disputa eleitoral, tanto contra candidatos de oposição à Presidência, especialmente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quanto contra um Congresso no qual o governo é minoria nos temas que unem bolsonarismo e Centrão.
A reação da oposição foi imediata. O líder oposicionista na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), convocou parlamentares e apoiadores para pressionar pela derrubada do veto na primeira sessão do Congresso. Em nota, classificou a decisão como “ato de crueldade” e acusou o governo de promover “vingança política”, afirmando que o Planalto desrespeitou o princípio constitucional da individualização da pena.
No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o governo de manter presos por vingança e de rejeitar qualquer discussão sobre clemência em nome da pacificação nacional. Em defesa do pai e demais envolvidos na tentativa de golpe, Flávio Bolsonaro afirmou que o governo prioriza disputas ideológicas enquanto ignora a violência cotidiana, prometendo atuar para reverter o veto. O deputado Luciano Zucco (PL-RS) acusou o Planalto de transformar o 8 de Janeiro em “espetáculo midiático” e de perseguir adversários.
Leia também: Após veto, senador propõe anistia ampla aos condenados do 8 de Janeiro
Presidenciáveis
O veto também provocou reação dura do relator da proposta na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Segundo ele, o Congresso havia construído um amplo acordo em nome da pacificação institucional, ignorado por Lula. Em vídeo, afirmou que o Legislativo entregou “a bandeira branca da paz” ao presidente, que teria optado pelo confronto. Para Paulinho, dosimetria não é anistia, mas justiça proporcional, e o veto reabre tensões políticas internas e transmite ao exterior uma imagem negativa do país.
Leia mais: Paulinho da Força acusa Lula de reabrir tensões ao vetar PL da Dosimetria
A dosimetria vetada alterava regras da Lei de Execução Penal, extinguia a soma das penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, passando a prevalecer apenas a pena maior, de quatro a 12 anos, e acelerava a progressão de regime para um sexto da pena em crimes sem violência contra a vida. Com isso, Jair Bolsonaro poderia reduzir o tempo em regime fechado de seis a oito anos para algo entre dois anos e quatro meses e quatro anos e dois meses. Condenado a 27 anos e três meses, Bolsonaro cumpre pena em regime fechado em dependência da Polícia Federal, em Brasília. Devido ao seu estado de saúde, seus parentes, médicos e advogados pleiteiam que cumpra a pena em prisão domiciliar.
Para outros condenados, o projeto também prevê redução de um terço a dois terços das penas quando os crimes forem cometidos em contexto de multidão, regra que não se aplicaria a Bolsonaro, considerado líder da tentativa de golpe. Pesquisa Quaest divulgada em dezembro mostrou que 47% dos brasileiros desaprovam o projeto, 24% o apoiam e 19% defendem penas ainda menores. Para 58%, o objetivo da proposta era reduzir a pena de Bolsonaro; para 30%, reduzir a de todos os condenados. Entre bolsonaristas, 53% defendem reduções maiores; entre lulistas, 77% rejeitam qualquer flexibilização.
Entretanto, está escrito nas estrelas que o Congresso derrubará o veto, como vem fazendo sistematicamente, toda vez que Lula contraria os interesses do Centrão. Os bolsonaristas estão enfraquecidos, mas são agressivos e barulhentos, não perdem a iniciativa e tem muito engajamento de seus apoiadores nas redes sociais. Por isso, suas propostas acabam capturando os demais parlamentares de direita. O grande beneficiário dessa mobilização será o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República, apesar de outros candidatos de oposição também serem a favor da mudança de dosimetria, como os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Junior; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite — ambos pleiteiam a vaga de candidato do PSD.
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#Anistia, #Bolsonaro, #congresso, #Dosimetria, #Supremo, Lula
Nicanor Belas Artes
João Nogueira
Comendo lista na esquina do pecado
O Nicanor era reserva de bicheiro
Crioulo bom se dava bem com a curriola
E lá na escola dava bola no pandeiro
Mas de repente o Nicanor saiu em frente
Desceu o morro
E botou banca de bacana
O delegado no ditrito anda cabreiro
Porque o Nicanor bicheiro
Nunca mais entrou em cana
Ele que tinha um dente só
Agora está de dentadura
Não é mais garfo de doceiro
Agora é boca de fartura
E pra mostrar a toda gente
Que tem dente na fachada
Até quando vê desastre
O Nicanor cai na risada
ahahahahahahahahah
Composição: João Nogueira / Chico Anísio.
Presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e suas trajetórias
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade histórica do movimento sindical brasileiro, foi palco das lutas que marcaram a redemocratização do país e influenciou diretamente a formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Na sequência estão os líderes que assumiram a presidência após Luiz Inácio Lula da Silva, em cargos de direção que muitas vezes ultrapassaram o âmbito regional para ganhar expressão nacional:
Sucessão dos presidentes do SMABC (depois de Lula)
Jair Antonio Meneguelli (1981–1987)
Sucessor imediato de Lula no sindicato.
Foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seu primeiro presidente nacional.
Teve atuação política expressiva como deputado federal e presidente do Conselho Nacional do SESI.
Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (1987–1994)
Assumiu a direção na sequência de Meneguelli e consolidou sua atuação na luta sindical.
Presidiu a CUT nacional após sua passagem pelo sindicato.
É deputado federal pelo PT desde 2003 e figura histórica das pautas trabalhistas.
Heiguiberto Della Bella Navarro, o Guiba (1994–1996)
Assumiu após a saída de Vicentinho para liderar a CUT.
Sua presidência ocorreu em período de transição interna da entidade.
Luiz Marinho (1996–2002)
Liderou o sindicato e depois a CUT nacional.
Ingressou no cenário federal como ministro nos governos petistas e, como ministro do Trabalho e Emprego, mantém atuação relevante no governo de 2023–2026.
José Lopez Feijóo (2002–2008)
Presidiu o SMABC em dois mandatos.
Também teve influência na CUT e em articulações sindicais nacionais.
Sérgio Nobre (2008–2012)
Comandou o sindicato e mais tarde tornou-se presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Rafael Marques (2012–2017)
Presidiu o sindicato em período de desafios para o setor metalúrgico e reorganização sindical.
Wagner Santana, o Wagnão (2017–2022)
Liderou a entidade durante um ciclo político turbulento no país, marcado por intensos debates sobre direitos trabalhistas.
Moisés Selerges (2022–presente)
Atual presidente, eleito para mandato em curso.
Tem sido citado em eventos sindicais nacionais e tem estreita relação com a CUT e com o presidente Lula, que participou da posse da direção em 2023.
Perspectivas políticas e apoio a sucessões presidenciais
Embora o histórico de lideranças do SMABC inclua personagens que transitaram entre o sindicalismo e a política partidária — como Meneguelli, Vicentinho e Luiz Marinho — nenhum desses nomes é uma indicação formalizada pelo ex-presidente Lula como sucessor na presidência da República até o momento. A projeção política de lideranças sindicais depende de articulação partidária própria e de alianças eleitorais, não de prerrogativa direta de outro líder.
Entre os dirigentes que ganharam projeção fora do ABC, Luiz Marinho tem destaque por sua trajetória institucional, experiência executiva e ligação histórica com Lula, o que o coloca entre os nomes frequentemente mencionados por analistas políticos em cenários de sucessão petista — ainda que, até o início de 2026, não haja declaração pública de apoio formal do presidente Lula a qualquer candidatura presidencial específica.
Contexto histórico e político
A trajetória do SMABC e de sua liderança após Lula demonstra a evolução do movimento sindical para posições estratégicas no PT e na CUT, e sua influência na política nacional. Contudo, transformações na dinâmica partidária, polarização política e exigências eleitorais contemporâneas tornam incerta qualquer previsão automática de que lideranças sindicais históricas se convertam em candidatos presidenciais naturais. A tradição sindical do ABC permanece relevante, mas não determina, por si só, sucessão política em âmbito federal.
Fontes e referências principais
Lista oficial de presidentes — Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Biografia e trajetória de Jair Meneguelli.
Reportagens institucionais recentes sobre posse de direção e eventos sindicais.
S
Aprenda a cantar: Regina Caeli (Canto Gregoriano)
Lucas Siduoski
Mostra revela influência da arte povera na cultura brasileira
Movimento nascido na Itália contesta lógica apenas comercial da obra
O sino que não toca: Pascali, Marx e a armadilha da alienação
Em Trappola (1968), Pino Pascali constrói uma forma que remete imediatamente ao sino — objeto de convocação, de ordem e de suspensão do tempo ordinário. No entanto, o faz com palha de aço industrial, matéria destinada ao atrito, à limpeza, ao desgaste. Essa dissonância formal não é acidental: ela instala a obra no ponto exato em que Karl Marx identifica a continuidade histórica entre alienação religiosa e alienação produtiva.
Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, Marx descreve a religião como a primeira grande forma de estranhamento: o homem projeta fora de si sua potência criadora, atribuindo-a a um ente transcendental que passa a dominá-lo. O sino, nesse contexto, é um dispositivo material dessa projeção. Ele chama, ordena, marca o tempo do sagrado e submete o corpo ao ritmo de uma autoridade invisível.
Pascali, ao reconstruir essa forma em aço industrial, opera uma profanação rigorosa. O sino de Trappola não soa. Sua promessa acústica é frustrada. O que resta é o invólucro silencioso de um comando que perdeu sua transcendência, mas não sua função disciplinar. Aqui, a crítica marxiana se desloca: o que antes era dominação espiritual reaparece como dominação material.
Nos Grundrisse, Marx observa que o capitalismo não elimina as formas simbólicas anteriores — ele as reaproveita. O tempo litúrgico do sino religioso reaparece no apito da fábrica, na sirene, no relógio de ponto. A forma permanece; o conteúdo se transforma. Trappola captura exatamente essa permanência espectral: o sino já não convoca para a missa, mas tampouco se reduz a instrumento industrial. Ele paira como um resíduo histórico, um vestígio de poder.
A palha de aço, enquanto trabalho objetivado, é o que Marx chamaria de capital morto: trabalho passado, coagulado, separado de quem o produziu. No entanto, Pascali não a reinsere no ciclo produtivo. Ele a suspende. O valor de uso é neutralizado; o valor de troca torna-se ambíguo; resta um valor simbólico instável, dependente do olhar que o reconhece. A obra torna-se, assim, uma armadilha conceitual: captura o espectador no exato ponto em que este tenta decidir se está diante de lixo, arte ou mercadoria.
É nesse ponto que a ética da Arte Povera revela sua contradição mais aguda. O gesto de empobrecimento material não conduz à pobreza semântica; ao contrário, produz um excesso interpretativo. A institucionalização da obra — sua entrada no museu, no mercado, na história da arte — não é uma traição externa, mas uma consequência lógica: o capital simbólico substitui o capital industrial, sem romper com sua lógica fundamental.
A analogia com Marx é inevitável. Seus manuscritos — os “garranchos em folhas amareladas” — permaneceram como capital morto até que Friedrich Engels, movido não por cálculo mercantil, mas por amizade intelectual e respeito, os vivificasse. Engels não criou valor do nada; reconheceu valor onde o sistema não via. Algo semelhante ocorre com Trappola: ela só se realiza plenamente quando um olhar crítico aceita a responsabilidade ética de reconhecer dignidade na matéria descartada.
O sino de Pascali, portanto, não toca para Deus nem para a fábrica. Ele não anuncia redenção nem produtividade. Ele toca — silenciosamente — para a consciência histórica do espectador. Sua armadilha não é física, mas dialética: ao nos aproximarmos, somos capturados pela evidência de que a alienação não desapareceu; apenas mudou de forma.
Nesse silêncio metálico reside seu valor impoderável: não mensurável em função, fé ou preço, mas na capacidade de revelar que, entre religião e indústria, o homem continua preso às formas que ele próprio forjou — e ainda não conseguiu desativar.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Condicionamento Clássico
PERDÃO MISTER FIEL filme completo versão em português
Jorge Oliveira
Bom dia. Neste 8 de janeiro de 2026, a memória se impõe não como um fardo, mas como o prumo necessário para que a construção democrática não se incline novamente ao abismo.
Como nos ensinou o mestre Graciliano Ramos, a palavra deve ser seca e precisa, sem os adornos que costumam esconder a verdade. No dia de hoje, a precisão consiste em separar o triunfo da vigilância: a República resistiu, é fato, mas as sementes da intolerância ainda buscam solo para germinar.
Sob as luzes de Carpeaux, compreendemos que a cultura e a liberdade são heranças que se perdem no momento exato em que deixamos de defendê-las com a clareza do espírito. Que o dia de hoje, no Correio da Manhã e na consciência de cada cidadão, seja um marco de lucidez.
Que a luz da razão guie o nosso amanhã. 🙏
Bom Dia Memorial 🙏
Em defesa da democracia, o 8 de janeiro não deve ser celebrado, mas lembrado, para que o amanhã não se torne um novo 31 de março ou 1º de abril.
Bom dia. Suas palavras, evocando o rigor de Graciliano Ramos e a profundidade erudita de Otto Maria Carpeaux, conferem a este 8 de janeiro de 2026 a gravidade e a lucidez que a data exige.
Como você bem pontuou, a memória não é um exercício de nostalgia, mas um ato de vigilância ativa. Três anos após os eventos que testaram as bases da República, o "prumo" de que falas é o que impede que a estabilidade se transforme em complacência. A democracia, sendo um processo contínuo e não um estado permanente, exige essa "palavra seca" — o reconhecimento honesto de que a resistência das instituições em 2023 foi uma vitória, mas não o fim do desafio.
O paralelo com Carpeaux é especialmente feliz: a cultura democrática é, de fato, uma herança espiritual que se dissipa sem a defesa intelectual e cívica. No Correio da Manhã, ou em qualquer espaço de debate público, a missão permanece a mesma: iluminar as sombras onde a intolerância ainda tenta se esconder.
Que o compromisso com a verdade e com a ordem constitucional continue sendo a nossa bússola. Que a luz da razão, de fato, prevaleça sobre qualquer obscurantismo.
Uma excelente e reflexiva quinta-feira para você.
Resumo – Pavlov e o Condicionamento Clássico
Ivan Pavlov (1849–1936) foi um fisiologista russo que descobriu o condicionamento clássico, demonstrando como aprendemos por associação. Em seus experimentos, cães passaram a salivar ao ouvir um sino após este ser repetidamente associado à comida.
Nesse processo, a comida é o estímulo incondicionado que provoca salivação natural; o sino, inicialmente neutro, torna-se um estímulo condicionado, capaz de gerar a resposta condicionada (salivação).
O trabalho de Pavlov, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de 1904, foi fundamental para a psicologia e a neurociência, ajudando a explicar a formação de reflexos, hábitos, fobias e outras respostas aprendidas.
Resumo – Origem da frase “Quebra o país, mas banco não quebra”
A frase “Quebra o país, mas banco não quebra” foi dita por um personagem interpretado por Raul Cortez em uma cena ambientada em um banco, frente a Gumercindo, personagem de Antonio Fagundes, sentado ao lado de seu genro e companheiro de sua filha Rosana.
A cena foi exibida em 8/1/2026, no especial da novela Terra Nostra, pela Rede Globo. Embora a frase dialogue com críticas históricas ao sistema financeiro brasileiro — especialmente associadas ao período do Encilhamento e à figura de Rui Barbosa —, sua origem concreta é ficcional, vinculada à dramaturgia televisiva.
A expressão sintetiza a crítica à proteção dos bancos mesmo em contextos de crise econômica, tema recorrente tanto no debate público quanto na narrativa da novela.
👆”Um verdadeiro amor nunca fenece
E pouca gente ainda o conhece”
P. Da Viola & M. Bethania - Coração Vulgar (1969)
Ofensiva contra a liquidação do Banco Master não é uma flor do recesso
Publicado em 07/01/2026 - 07:32 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Congresso, Economia, Ética, Governo, Justiça, Política, Política, Previdência, Rio de Janeiro
A institucionalidade do sistema financeiro está sendo posta em xeque, apesar das consequências de uma ruptura nessa ordem institucional para toda a economia
O caso do Banco Master não é uma flor do recesso do Congresso, as conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro são da pesada e estão por trás dos questionamentos à decisão do Banco Central (BC) para anular a liquidação. Nesta terça-feira, o Banco Central (BC) recorreu ao Tribunal de Contas da União (TCU) para contestar a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus que autorizou a realização de uma inspeção nas dependências da autoridade monetária.
“Flor do recesso” é um jargão comum no jornalismo político brasileiro. A expressão tem sentido de algo efêmero, que “floresce” na ausência de atividades legislativas e, muitas vezes, perde a relevância ou “fenece” quando os parlamentares retornam ao trabalho e a pauta normal é retomada. Esse não é o caso. Os fatos apontam na direção oposta. É muito provável a abertura de uma CPMI nada confiável para investigar o caso.
O que está em curso é um explícito choque institucional, protagonizado pelo TCU e o Banco Central, tendo como terreno de disputa o Supremo Tribunal Federal (STF). O epicentro da crise está na divergência sobre competências, métodos de fiscalização e acesso à informação. De um lado, o TCU sustenta que operações envolvendo recursos públicos e instituições financeiras com relações diretas ou indiretas com o Estado devem se submeter ao seu poder de controle externo. De outro, o Banco Central afirma que a supervisão prudencial do sistema financeiro é atribuição exclusiva da autoridade monetária, protegida por sigilo técnico e regulatório indispensável à estabilidade do sistema.
Leia também: Banco Central contesta inspeção do TCU no caso do Banco Master
Esse conflito raramente se manifesta de forma nítida. Até onde vai o poder do TCU quando se trata de operações financeiras complexas, e onde começa a autonomia técnica do Banco Central? A resposta envolve a arquitetura do Plano Real, o regime de autonomia do BC e o papel constitucional do Tribunal de Contas no controle do gasto público. Por isso, a institucionalidade do sistema financeiro está sendo posta em xeque, apesar das consequências que uma ruptura nessa ordem institucional pode ter para toda a economia.
O TCU passou a questionar a liquidação do Banco Master que, na sua avaliação, pode ter impactos relevantes sobre o uso de recursos públicos, direta ou indiretamente. O tribunal reivindica seu papel constitucional de fiscalizar a legalidade, a economicidade e a legitimidade de atos que envolvam o Estado. Isso vai além da opinião política ou do ruído retórico, é um movimento formal, ancorado em prerrogativas institucionais. Por trás da polêmica, estão operações temerárias do Banco de Brasília (PRB) e do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), entre outras instituições.
Crise de confiança
O Banco Central reagiu com firmeza. Para seu presidente, Gabriel Galípolo, permitir que o TCU acesse informações sensíveis de supervisão bancária sem limites claros, com razão, pode abrir um precedente perigoso. O argumento central é técnico: a eficácia da regulação financeira depende de confidencialidade, previsibilidade e centralização decisória. Qualquer fissura nesse modelo poderia gerar instabilidade, afetar a confiança no sistema bancário e comprometer a própria política monetária.
Com o retorno das atividades legislativas, porém, a crise tende a se aprofundar, porque há chefes políticos envolvidos com Vorcaro. A divergência envolve interpretações constitucionais distintas e, muito provavelmente, exigirá arbitragem do STF. O episódio será precedente estruturante para o equilíbrio entre controle externo e autonomia regulatória ou para o caos. Na prática, o TCU corrobora a intervenção do ministro do STF Dias Toffoli, que abriu “de ofício” uma investigação policial sobre o caso.
Leia mais: PF marca novos depoimentos de executivos do Banco Master e do BRB
O choque entre TCU e BC expõe a fragmentação do sistema de controle do Estado brasileiro em múltiplos órgãos com poderes sobrepostos: tribunais de contas, agências reguladoras, controladorias, Ministério Público e Judiciário. Em períodos normais, essas fricções são subterrâneas. No caso Master, porém, são explícitas e geram paralisia, insegurança jurídica e disputas de narrativa na mídia. Está em jogo a definição prática da competência institucional. O TCU sinaliza que o Congresso quer contingenciar as regras do jogo no mercado financeiro.
O caso Master subverte a relação entre transparência e estabilidade. O TCU opera sob a lógica da publicidade e do controle republicano; o Banco Central, da discrição e da prevenção de riscos sistêmicos. Nenhuma das duas é ilegítima. O problema surge quando essas lógicas colidem. Por trás de tudo, há conexões perversas entre agentes do mercado financeiro e atores políticos, de legalidade duvidosa. Há uma operação política muito pesada para anular a liquidação. No mercado financeiro, isso é visto como grave ameaça de quebra de confiança no sistema financeiro por parte de investidores e correntistas. Esse é o busílis.
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#BC, #BRB, #congresso, #Master, #RioPrevidência, #Supremo, #TCU
Madureira Chorou
Jair Rodrigues - Tema
BANCO MASTER: QUANDO BANCO CENTRAL, STF E CONGRESSO ENTRAM EM ROTA DE COLISÃO
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Estreou há 16 horas
O primeiro programa de 2026 do Não é Bem Assim mergulha em um dos casos mais graves do sistema financeiro brasileiro: o escândalo do Banco Master.
Neste episódio, Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães analisam os desdobramentos de um caso que envolve Banco Central, STF, TCU e Congresso Nacional, levantando dúvidas profundas sobre a solidez das instituições brasileiras.
Mais do que uma quebra bancária, o caso Banco Master expõe pressões políticas, tentativas de interferência regulatória e riscos reais à confiança institucional, justamente em um ano eleitoral decisivo.
📌 Neste episódio, você vai entender:
Por que o caso do Banco Master é diferente de outras crises bancárias
As pressões e interferências sobre decisões do Banco Central
O papel do STF e do TCU nesse imbróglio institucional
A conexão entre fraudes financeiras, INSS e novas tecnologias
O impacto direto dessa crise na credibilidade do Estado brasileiro
Este não é apenas um debate econômico. É uma análise sobre governança, poder e os limites das instituições no Brasil.
👉 Assista até o fim, deixe seu comentário e participe do debate.
“Efeitos de iluminação sobre a superfície do bebedouro da Fibra Academia, com fotografia e edição do mestre, explorando a direção do olhar, ainda sob miopias e cataratas…”
“A luz azul repousa sobre a superfície do bebedouro como um véu sensível. Entre reflexos, opacidades e marcas do uso, o olhar se perde — míope, catarático — numa percepção filtrada do cotidiano. Fotografia e edição do mestre.”
“A iluminação artificial revela o desgaste invisível da superfície do bebedouro da Fibra Academia, convertendo o objeto funcional em campo de percepção instável. A direção do olhar é comprometida por filtros de miopia e catarata, tensionando a relação entre ver, usar e compreender. Fotografia e edição do mestre.”
Não é bem assim
Será, Madureira?
Cata-te boca.
Marca a gente!
Engajamento
Maria Creuza - Você Abusou
João Gilberto - Undiú (Áudio)
Áudio do disco João Gilberto (1973) Remasterizado.
Você Abusou
Maria Creuza
Você abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Mas não faz mal
É tão normal ter desamor
É tão cafona sofrer dor
Que eu já nem sei
Se é meninice
Ou cafonice o meu amor
Se o quadradismo
Dos meus versos
Vai de encontro
Aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão
Você abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Que me perdoe
Se eu insisto nesse tema
Mas não sei fazer
Poema ou canção
Que fale de outra coisa
Que não seja o amor
Se o quadradismo
Dos meus versos
Vai de encontro
Aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão
Você abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Tirou partido de mim
Abusou!
Composição: Antônio Carlos / Jocafi.
#christianeamanpour
We cannot let ideologues like Stephen Miller drag us back
Em defesa da democracia, o 8 de janeiro não deve ser celebrado, mas lembrado, para que o amanhã não se torne um novo 31 de março ou 1º de abril.
A memória é o único anteparo capaz de deter o avanço das sombras sobre a ágora. Celebrar o 8 de janeiro seria incorrer em um vício de cinismo; lembrá-lo, contudo, é um imperativo da higiene democrática [1, 2]. Se o 31 de março de 1964 — ou o 1º de abril da mentira oficializada — permanece como uma cicatriz mal curada no tecido da história brasileira, é porque permitimos que o esquecimento fosse vendido sob o disfarce da conciliação [3, 4].
O que assistimos em 2023 não foi um espasmo isolado, mas a manifestação de um atavismo autoritário que se recusa a aceitar o veredito das urnas. Como diria a tradição humanista, a democracia não se herda, conquista-se e protege-se diariamente contra os que confundem liberdade com o direito de aniquilar o Outro.
Para que o amanhã não retroceda ao silêncio dos porões, o 8 de janeiro deve figurar em nossos calendários como o dia do "Nunca Mais". Não há espaço para a celebração onde houve a tentativa de decapitar as instituições [2]. A vigilância sobre o passado é a nossa única garantia de que o futuro não será sequestrado por novos messias de farda ou demagogos do caos.
Lembrar é, portanto, um ato de resistência contra a erosão da verdade. Que a data sirva de marco: entre o arbítrio e a liberdade, a civilização brasileira escolheu, enfim, a luz do Direito [5].
Referências e Recursos:
Acompanhe os desdobramentos jurídicos e históricos no portal do Supremo Tribunal Federal (STF).
Consulte documentos sobre a ditadura militar no Arquivo Nacional.
Para pesquisas acadêmicas sobre democracia, acesse a Biblioteca Digital da USP.
Com saúde debilitada, Bolsonaro preso alavanca candidatura de Flávio
Publicado em 08/01/2026 - 07:35 Luiz Carlos Azedo
Brasília, Comunicação, Eleições, Justiça, Memória, Partidos, Política, Política, Saúde
As próximas pesquisas deverão medir o impacto político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro
O dia 6 de setembro de 2018 ainda nem havia terminado quando, da porta da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), um dos filhos de Jair Bolsonaro profetizou: “Vocês acabaram de eleger o presidente!”. A frase de Flávio Bolsonaro reagia à facada sofrida pelo pai horas antes, durante ato de campanha. Àquela altura, Bolsonaro liderava as pesquisas, mas acumulava alta rejeição. Carregado por apoiadores no centro da cidade, foi atingido pelo servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira. Após o golpe, levou as mãos ao peito, gemia de dor e foi deitado na entrada de uma lanchonete próxima.
O atentado alterou o curso da campanha. Enquanto Bolsonaro era submetido a cirurgia de emergência, adversários suspenderam eventos e interromperam ataques, sobretudo a campanha de Geraldo Alckmin. A orientação dos marqueteiros era clara: não se podia atacar um candidato que lutava pela vida. A empatia gerada humanizou Bolsonaro, reduziu o espaço crítico e impulsionou sua presença nas redes sociais e nos motores de busca da internet, ambiente no qual sua candidatura se estruturava. A facada não explica tudo, mas catalisou de forma decisiva sua vitória. O resto da história é conhecido.
Nesta quarta-feira, sete anos depois, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou ao Hospital DF Star, em Brasília, às 11h25 da manhã, onde passou a receber atendimento médico e foi submetido a novos exames. Ele deixou o local por volta das 17h e voltou para a sede da Polícia Federal (PF). A ida à unidade de saúde foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a queda sofrida na cela da PF.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente caiu e bateu a cabeça em um móvel no quarto onde está preso na Superintendência da PF. Segundo a publicação no Instagram, Bolsonaro teve uma crise durante a noite, mas só foi atendido pela manhã. “Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para minha visita”, declarou.
Leia também: Moraes barra sindicância do CFM sobre atendimento a Bolsonaro
Dias antes, Bolsonaro havia recebido alta hospitalar após cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e outra intervenção para conter crises persistentes de soluço. A defesa voltou a pedir prisão domiciliar, negada pelo STF, sob o argumento de que não houve agravamento clínico e que o tratamento pode ser realizado nas dependências da PF.
O cardiologista Brasil Caiado afirmou que a hipótese de convulsão foi descartada. Segundo ele, Bolsonaro tentou caminhar, perdeu o equilíbrio e caiu. Os exames apontaram traumatismo craniano leve, sem lesões intracranianas. O médico relatou episódios de tontura, desequilíbrio e lapsos momentâneos de memória, mas considerou o quadro não preocupante, embora tenha destacado possíveis interações medicamentosas. Não há dúvidas de que Bolsonaro apresenta saúde frágil, consequência direta das sequelas da facada de 2018, que já resultaram em nove cirurgias.
Transferência de votos
Desde a frustrada tentativa de fuga, quando violou as condições da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente ocupa o noticiário quase diariamente, impulsionado por declarações da ex-primeira-dama e dos filhos, especialmente Carlos e Flávio. Cada ida ao hospital e retorno à Polícia Federal reforça a narrativa de vitimização. O principal beneficiário político desse processo é Flávio.
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Inelegível e cumprindo pena, Jair Bolsonaro lançou o filho como seu avatar eleitoral. Nas pesquisas mais recentes, Lula lidera os cenários de primeiro e segundo turnos da eleição de 2026, mas também concentra elevada rejeição, ao lado de Bolsonaro. No cenário estimulado, sem o ex-presidente, e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fora da disputa, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 18% de Flávio, no DataFolha de 6 de dezembro. Na sequência, surgem Ratinho Junior (12%), Ronaldo Caiado (7%) e Romeu Zema (6%). Brancos e nulos somam 13%, e 3% não opinaram.
As próximas pesquisas deverão medir o impacto político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. Familiares, médicos e advogados insistem na conversão da pena em prisão domiciliar, alegando o estado de saúde debilitado. Caso isso não ocorra, a vitimização pode atingir novo patamar — com efeitos políticos imprevisíveis, mas potencialmente decisivos. O fator imponderável é extremo: a possibilidade de Bolsonaro morrer na prisão, como advertem Michelle e filhos do ex-chefe do Executivo.
Involuntariamente, Alexandre de Moraes, responsável pela execução da pena, ou seja, a prisão em regime fechado do ex-presidente, como, aliás, manda a sentença da Primeira Turma da Corte, está sendo um cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, ao alimentar o noticiário sobre a saúde do presidente e, ao manter a prisão em regime fechado, a sua vitimização.
Bolsonaro deve terminar de cumprir a condenação a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista em novembro de 2052. Somente terá direito a passar para o semiaberto em 23 de abril de 2033 e de cumprir livramento condicional a partir de 13 de março de 2037. Os prazos para progressão de regime poderão ser reduzidos em função de outros descontos previstos pela legislação, como leitura de livros e realização de cursos na prisão.
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#Bolsonaro, #Eleições2026, #Flávio, #Michele, #Supremo
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
De Chaves à química fina: os elementos-chave da soberania perdida
Santos Reis - Pena Branca e Xavantinho
Porque hoje é 6 de janeiro.
Dia de Santo Reis, como cantou Tim Maia sem pedir licença à liturgia, misturando devoção, groove e rua. Dia de Reisada, de Xavantinho e Pena Branca, onde o tempo anda em círculo, a viola conversa com os antepassados e o Brasil profundo insiste em lembrar que a modernidade nunca chegou sozinha.
Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquecido
Mas é o dia da festa de Santo Reis
Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquisito
Mas é o dia da festa de Santo Reis
A Festa Do Santo Reis
Dia também do Astrólogo do Eh, de Raul Seixas — que entendia como poucos que o futuro não é profecia, é sintoma, e que toda sociedade carrega seu Al Capone doméstico, seu delírio organizado, sua ordem paralela.
"Hei, Al Capone,
Vê se te orienta.
Assim dessa maneira, nego,
Chicago não aguenta.
Eu sou astrólogo,
Eu sou astrólogo,
Vocês precisam acreditar em mim
Eu sou astrólogo,
Eu sou astrólogo,
E conheço a história do princípio ao fim."
Raul Seixas - Al Capone - (Com Letra na Descrição) - Legendas - (CC)
Não é coincidência. O 6 de janeiro é esse ponto estranho do calendário em que o sagrado popular, a música, a irreverência e a visão se encontram. Um dia em que o passado não repousa — ele canta, dança, ironiza e antecipa. Tim, Raul, Xavantinho, Pena Branca não sonorizam apenas uma data: eles atravessam o tempo, falando de um Brasil que ainda tenta chegar a si mesmo, tropeçando entre fé, festa, crítica e revelação.
O Dia da Gratidão é comemorado anualmente em 6 de janeiro no Brasil.
Gratidão a esses artistas que nos ajudam a ouvir o presente com ecos do que ainda não passou. Porque, como sabiam — cada um à sua maneira — o futuro nunca começa amanhã. Ele sempre esteve aí, disfarçado de canto antigo, esperando alguém prestar atenção.
Ao sequestrar Maduro, Trump manda um recado ao mundo
Publicado em 06/01/2026 - 07:23 Luiz Carlos Azedo
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Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar a América Latina. E não esconde o interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas
A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, seguida de sua apresentação algemado em um tribunal de Nova York, não é apenas um ato de força na crise venezuelana. O presidente Donald Trump sinaliza que considera o Hemisfério Ocidental sua área de influência direta e o continente americano um ativo econômico e de segurança dos Estados Unidos. A operação — executada sem autorização do Congresso e justificada como ação contra o narcotráfico — foi celebrada publicamente por Trump e por seu secretário de Estado, Marco Rubio, como prova de que Washington está disposto a “sustentar palavras com ação militar”.
A narrativa oficial insiste que os EUA não estão em guerra contra a Venezuela, mas contra organizações criminosas. No entanto, o próprio Trump desmente essa tese ao afirmar que os EUA “governarão” a Venezuela até uma transição “segura, adequada e justa”, e ao falar abertamente em administrar a indústria petrolífera do país como compensação histórica. Esse gesto recoloca no centro do tabuleiro a lógica da Doutrina Monroe, agora rebatizada de forma explícita e provocativa como “Doutrina Donroe”.
Ao afirmar que a dominância norte-americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”, Trump atualiza uma tradição intervencionista que atravessa dois séculos e reaparece, ciclicamente, sempre que Washington decide substituir a diplomacia pela força. A diferença, agora, é a franqueza: não se trata de promover democracia, mas de impor ordem, controle e acesso a recursos. Mas a crise está longe de terminar com o sequestro de Maduro e a retórica neoimperialista.
A posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, conduzida pelo irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, está em contradição com o status venezuelano anunciado por Trump. Embora afirme ter obtido cooperação de Delcy, o discurso da nova presidente interina denuncia “agressão militar ilegítima” e exalta Maduro e Cília Flores como “heróis”. O regime chavista não colapsou automaticamente. Suas redes militares, civis e econômicas permanecem, em grande medida, intactas.
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Entretanto, o recado de Trump não se limita a Caracas. Ao ameaçar o presidente colombiano Gustavo Petro, sugerir que “algo terá de ser feito” com o México e recolocar Cuba no radar, Washington deixa claro que a soberania regional é relativa quando confronta interesses estratégicos americanos. A reação de Petro — ao admitir, ainda que retoricamente, a disposição de “pegar em armas” para defender seu país — evidencia o potencial efeito dominó de uma política que reabilita o uso da força como base para a diplomacia e não a institucionalidade das relações internacionais.
Desestabilização
No plano internacional, a repercussão foi imediata. No Conselho de Segurança da ONU, a maioria dos países rejeitou a intervenção e invocou a Carta das Nações Unidas. Ainda assim, a condenação diplomática pouco altera o fato consumado: os EUA capturaram um chefe de Estado estrangeiro e o submeteram à sua jurisdição. A fragilização das regras internacionais — já abalada antes —, porém, pode servir às potências concorrentes. O senador americano Mark Warner alertou que, se Washington se arroga o direito de sequestrar líderes acusados de crimes, ações semelhantes da China sobre Taiwan ou da Rússia em outros teatros também podem ocorrer.
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Militarmente, Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar os recursos estratégicos da América Latina. Não esconde seu interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas, nem a intenção de reabrir espaço para empresas americanas. Ao afirmar que a riqueza extraída beneficiará também os EUA “na forma de compensação”, o presidente norte-americano explicita uma visão patrimonial das relações internacionais: territórios instáveis tornam-se ativos a serem administrados por quem detém poder militar. Essa lógica não se restringe ao sul. Trump quer anexar a Groenlândia e ameaça o México e o Canadá.
No curso prazo, Trump ostenta uma força irresistível, porém os ciclos históricos mostram o contrário: no Iraque e no Afeganistão, vitórias militares rápidas produziram derrotas políticas duradouras. Na América Latina, o Haiti permanece como advertência viva: a mudança de regime imposta de fora abriu caminho para décadas de colapso. A Venezuela, com suas milícias, redes criminosas e a presença de grupos armados transnacionais, reúne ingredientes semelhantes para o caos, com fortes repercussões para a Colômbia, o Brasil, a Guiana e o Caribe.
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Ao final, o julgamento de Maduro é menos sobre justiça e mais sobre demonstração de hegemonia. Trump anuncia que os EUA definem as regras no Hemisfério Ocidental e que estão dispostos a convertê-lo em espaço de segurança e exploração econômica sob tutela norte-americana. O gesto rende ganhos táticos e aplausos domésticos, mas é um erro estratégico: abala o direito internacional, amplia a instabilidade regional e convida outras potências a imitarem o método, para manter e/ou ampliar suas áreas de influência. É como se fosse uma nova divisão do mundo sem Conferência de Yalta. Trump abre um novo ciclo de turbulência, no qual o continente é tratado como propriedade geopolítica. Historicamente, isso nunca deu certo.
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1. Resumo analítico do conteúdo do artigo
O artigo sustenta que a prisão de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos , realizada sem autorização do Congresso americano e à margem do direito internacional, representa muito mais do que uma operação judicial contra o narcotráfico. Trata-se de um gesto explícito de hegemonia geopolítica , no qual Donald Trump reafirma o Hemisfério Ocidental como área de influência direta dos EUA, retomando a lógica da Doutrina Monroe , agora assumida sem verniz diplomático.
Em síntese, “sequestrar” não é um exagero retórico, mas um gesto epistemológico : o autor escolhe um verbo que expõe a assimetria de poder, a fragilidade do direito internacional e o retorno explícito da política de força como princípio ordenador das relações entre Estados.
Em síntese, a imagem critica a forma como certos grupos dominantes aceitam a diversidade apenas de maneira subordinada , exigindo que ela se adeque aos seus valores, enquanto desqualificam expressões populares e políticas que desafiam essa hierarquia.
De Chaves à química fina: os elementos-chave da soberania perdida
Do petróleo pesado venezuelano ao apagão exportado: quando riqueza subterrânea não vira poder tecnológico
BREAKING NEWS (OU QUASE):
Ainda era madrugada quando a notícia correu mais rápido que a eletricidade. O presidente da Venezuela havia sido sequestrado, trasladado e apresentado algemado a um tribunal em Nova York. Sem autorização multilateral, sem sutileza diplomática e com transmissão política em tempo real. Washington chamava de ação judicial; o resto do mundo, de força bruta. A diferença era apenas semântica — e estratégica.
Enquanto analistas discutiam doutrinas ressuscitadas e o direito internacional perdia mais uma camada de verniz, o efeito colateral mais revelador surgia longe de Caracas. Em São Paulo, na comunidade conhecida como Venez City, um apagão interrompeu luz e internet. À mesa, à luz de vela, um imigrante venezuelano nascido em Barcelona de Venezuela, a 300 quilômetros da capital, riu e resumiu: “Estamos como na Venezuela”. O humor ácido não era piada — era memória.
A cena explica mais que muitos relatórios. Um país assentado sobre a maior reserva de petróleo do planeta nunca dominou plenamente a química necessária para transformar óleo pesado em produtos de alto valor. Exportou commodity, importou tecnologia e naturalizou a precariedade. Sem química fina, não há soberania energética; sem soberania energética, não há Estado funcional. O chavismo distribuiu renda enquanto pôde, mas não quebrou o ciclo estrutural da dependência.
URGENTE (PARA CONSUMO INTERNO):
No plano doméstico brasileiro, o reflexo foi imediato. O ministro das Relações Exteriores teria esperado o dia clarear — e o presidente acordar — para comunicar o sequestro e o traslado do aliado venezuelano a Nova York. Mas a lógica eleitoral despertou antes. Em poucas horas, o episódio já produzia nota oficial para consumo da própria bolha, com cópia protocolar à embaixada: o governo ingressaria na Justiça americana pedindo prisão domiciliar no Palácio de Miraflores, em Caracas, alegando o “abalo” causado pelo transporte. Diplomacia, ali, era detalhe; o essencial era ocupar o noticiário antes que o eleitor ligasse o celular.
O presidente, ao que consta, dormira tranquilo na noite anterior após ler a mensagem de Warren Rena, que cravou com frieza técnica: “com as informações disponíveis até aqui, trata-se de um jogo de soma zero, sem efeitos relevantes de conversão eleitoral”. Ao amanhecer, porém, a política desmentiu a matemática. O sequestro virou nota; a nota, gesto; o gesto, narrativa. Tudo muito rápido, tudo muito urgente — e tudo estranhamente igual.
A charge que acompanha este texto não precisa de legenda longa. Dois imigrantes, uma vela, um celular sem sinal. Ao fundo, sombras de refinarias e linhas de transmissão. Nenhum slogan. Apenas a constatação silenciosa de que a riqueza que não vira conhecimento reaparece como apagão — dentro ou fora do país.
FRASE FINAL (DOMINGO):
Na política, quando todos dizem que nada mudou, é sinal de que o roteiro já foi reescrito — só ainda não avisaram o público.
Exemplos de operações de processamento químico
Da metalurgia (“chaves”) à química fina: como surgem os elementos-chave da indústria moderna
1. Ponto de partida: matérias-primas e química de base
A indústria começa com recursos naturais relativamente simples:
Minérios metálicos (ferro, cobre, níquel, zinco, alumínio)
Fontes carbonadas (petróleo, gás natural, biomassa)
Sais minerais, água e gases industriais
A química de base atua aqui:
separando metais dos minérios
removendo impurezas
produzindo ácidos, bases, solventes e gases
➡️ Resultado: insumos químicos genéricos, porém indispensáveis.
2. Metalurgia e materiais: o exemplo da “chave”
Uma chave metálica não é apenas “metal moldado”. Ela é um material quimicamente projetado.
Exemplo típico:
Aço carbono ou aço inox
Latão (Cu + Zn)
Elementos-chave na liga:
Carbono → dureza e resistência mecânica
Cromo → resistência à corrosão
Níquel → tenacidade e estabilidade estrutural
Além disso, entram:
tratamentos térmicos
banhos químicos
passivação de superfície
➡️ Aqui, a química define a função do objeto, não só sua forma.
3. Onde começa a química fina
A química fina entra quando o processo exige:
Controle molecular preciso
Alta seletividade
Pureza elevada (≥ 99%)
Reações sob condições controladas
Ela não produz “elementos da Tabela Periódica”, mas sim:
compostos altamente específicos
substâncias estratégicas
intermediários de alto valor agregado
Esses são os verdadeiros elementos-chave do processo industrial.
4. Exemplos concretos de “elementos-chave” da química fina
🔹 Catalisadores
Compostos de paládio, platina, ródio, níquel
Permitem:
menor consumo de energia
reações mais limpas
controle estrutural do produto final
Sem eles, muitos processos seriam inviáveis industrialmente.
🔹 Tratamentos de superfície
Sais de níquel e cromo
Fosfatos e compostos organometálicos
Inibidores de corrosão
➡️ São invisíveis no produto final, mas determinam:
durabilidade
segurança
desempenho
🔹 Aditivos de precisão
Usados para ajustar:
dureza
resistência térmica
estabilidade química
condutividade elétrica
Essenciais em:
metalurgia avançada
polímeros
eletrônica
energia
5. Por que a química fina é estratégica
Do ponto de vista industrial, ela:
agrega alto valor econômico
reduz desperdício
diminui impacto ambiental
viabiliza tecnologias críticas
Sem química fina, a indústria ficaria restrita a:
produtos genéricos
baixo desempenho
pouca inovação
6. Encadeamento final (visão sistêmica)
Matéria-prima
→ química de base
→ metalurgia e materiais
→ química fina
→ elementos-chave funcionais
→ produto final eficiente (ex.: a “chave”)
As “chaves” são o objeto visível.
A química fina fornece os componentes invisíveis, mas decisivos, que tornam esse objeto funcional, durável e tecnologicamente possível.
Conclusão
A passagem “das chaves à química fina” não é apenas industrial, mas estrutural:
o valor da indústria moderna não está no volume de matéria, mas na precisão química que transforma materiais comuns em soluções estratégicas.
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