sexta-feira, 26 de junho de 2026

Shanghai Express (1932) trailer

Ulisses Guimarães na rampa do Congesso, quatro dias antes de sua morte. Outubro de 1992. Acervo pessoal
26/6/2024 Até 3 dias antes da eleição do 1º turno e até 1 semana antes da eleição do 2º turno podem ocorrer surpresas. O Brasil, no meu espelho, é conservador. Hoje, contra Lula. Ontem, a favor de Lula. E, mesmo depois da eleição, pode surgir um novo líder. FHC no governo Itamar. Jaques Wagner, líder de Lula, foi como Roberto Freire, líder de Itamar. Aquela URV foi amplamente combatida. "Drible de vaca" de um alienado do mundo futebolístico. ------------- 26/6/26 BM amplo, geral e irrestrito. BB: banco dos bobos — dão poupança de juros zero. BRB: Banco Régio de Bocadas. Três forças: Imprensa PF André Mendonça 4ª força: Opinião Pública (OP) O povo para populistas de extremos pelo alto. Artigo brilhante de PM — não, senhores meganhas, M de Malan. Pedro Sim, sem ser I ou II, republicano raiz. "Vivido eu sou, analista..." ----------- Sagaz 1 26/6/24 Teve até cambalhotas em seu período de gestão na rampa do Palácio do Planalto, que o timoneiro da democracia, Ulysses Guimarães, só pôde usufruir em uma foto tirada por um fotógrafo-repórter profético, com premonições trágicas, talvez gatilhadas pelo nome do personagem. Foto emblemática de alguém que, quatro dias depois, desapareceria para sempre nas águas do mar. 2 26/6/24 Votar PEC basta? Propostas? Detalhes, para Zélia. Anarquicamente, sem sobrenome de Jorge. ------------ Políticas para se manter no poder. O mundo hoje demanda políticas monumentais. Caiado do século XX, sem alma do XXI. ------------- O que conheço: comportamento espetacular, sem perder a ideologia de direita. 3 Para isso serve a política. Amizade é acidente. --------------- É impossível não ser cordial como deputado pela convivência: "Minha neta nasceu", "Minha filha casou". -------------- Exceção — mesmo assim, não era grosseiro. Maria do Rosário foi vítima de um abuso — exceção. ----------- Questão da economia: Coisas intrincadas. Déficit público para o futuro. O país crescer sem ser voo de galinha. Domínio da criminalidade. 4 26/6/26 Economia dinâmica domina o desequilíbrio. 2027: ano-chave para déficit fiscal e custo da dívida — artigo de Armínio. Macroeconomia. Equilíbrio fiscal. Dólar flutuante. A.F. (artigo). Segurança dominada pela corrupção; e corrupção dominada pela segurança. ------------ Há 2 anos: "O crime está horroroso, vamos chamar a polícia." Hoje: "A corrupção está horrorosa, vamos afastar a polícia." 5 26/6/26 A gente vai ser condenada a uma crepitude nacional. Com a chefa no próximo programa! ------------- "Tô torcendo pela seleção brasileira de futebol." Sem branca, verde, amarela ou azul — seleção brasileira de futebol. Corte do vídeo: 31:02 6 Michelle rompe com Flávio Bolsonaro | Não é Bem Assim Meio Estreou em 25 de jun. de 2026 #michellebolsonaro #flaviobolsonaro #eleições2026 No episódio desta semana do Não é bem assim, Pedro Paulo Magalhães, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Manuel Thedim analisam a entrevista de Gilmar Mendes ao Roda Viva, o posicionamento de André Mendonça, o distanciamento público de Michelle Bolsonaro em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, a investigação envolvendo Jaques Wagner e os impactos dessas crises sobre a eleição presidencial de 2026. _ O Meio é um canal de jornalismo independente, atualizado todos os dias. Vídeos com análise e informação, colunas de opinião, programas que vão de mini documentários a entretenimento, lives e shorts. Tudo isso você encontra aqui, no Youtube do Meio. Inscreva-se! ⭐ Assista ao episódio novo do Ponto de Partida, a Série: https://nomeio.com.br/neb_nosbr The Police - Every Breath You Take (Official Music Video) The Police Every Breath You Take The Police Cada Suspiro Que Você Der Every Breath You Take Cada suspiro que você der Every breath you take E cada movimento que você fizer And every move you make Cada laço que você quebrar Every bond you break Cada passo que você der Every step you take Eu estarei te observando I'll be watching you Todo santo dia Every single day Cada palavra que você disser Every word you say Cada jogo que você jogar Every game you play Cada noite que você ficar Every night you stay Eu estarei te observando I'll be watching you Oh, será que você não enxerga Oh, can't you see Que você pertence a mim? You belong to me? Como o meu pobre coração dói How my poor heart aches Com cada passo que você dá? With every step you take? Cada movimento que você fizer Every move you make E cada promessa que você quebrar And every vow you break Cada sorriso que você fingir Every smile you fake Cada reivindicação que você fizer Every claim you stake Eu estarei te observando I'll be watching you Desde que você se foi, eu tenho estado perdido, sem rumo Since you've gone, I've been lost without a trace Eu sonho à noite e só consigo ver o seu rosto I dream at night, I can only see your face Eu olho em volta, mas é você que eu não consigo substituir I look around, but it's you I can't replace Eu sinto tanto frio e anseio pelo seu abraço I feel so cold and I long for your embrace Eu continuo gritando: Querida, querida, por favor I keep crying: Baby, baby, please Hum, hum, hum, hum Mmm, mmm, mmm, mmm Hum, hum, hum Mmm, mmm, mmm Oh, será que você não enxerga Oh, can't you see Que você pertence a mim? You belong to me? Como o meu pobre coração dói How my poor heart aches Com cada passo que você dá? With every step you take? Cada movimento que você fizer Every move you make E cada promessa que você quebrar And every vow you break Cada sorriso que você fingir Every smile you fake Cada reivindicação que você fizer Every claim you stake Eu estarei te observando I'll be watching you Cada movimento que você fizer Every move you make Cada passo que você der Every step you take Eu estarei te observando I'll be watching you Eu estarei te observando I'll be watching you (Cada suspiro que você der) (Every breath you take) (Cada movimento que você fizer) (Every move you make) (Cada laço que você quebrar) (Every bond you break) (Cada passo que você der) (Every step you take) Eu estarei te observando I'll be watching you (Todo santo dia) (Every single day) (Cada palavra que você disser) (Every word you say) (Cada jogo que você jogar) (Every game you play) (Cada noite que você ficar) (Every night you stay) Eu estarei te observando I'll be watching you (Cada movimento que você fizer) (Every move you make) (E cada promessa que você quebrar) (Every vow you break) (Cada sorriso que você fingir) (Every smile you fake) (Cada reivindicação que você fizer) (Every claim you stake) Eu estarei te observando I'll be watching you (Todo santo dia) (Every single day) (Cada palavra que você disser) (Every word you say) (Cada jogo que você jogar) (Every game you play) (Cada noite que você ficar) (Every night you stay) Eu estarei te observando I'll be watching you (Cada suspiro que você der) (Every breath you take) (Cada movimento que você fizer) (Every move you make) (Cada laço que você quebrar) (Every bond you break) (Cada passo que você der) (Every step you take) Eu estarei te observando I'll be watching you (Todo santo dia) (Every single day) (Cada palavra que você disser) (Every word you say) (Cada jogo que você—) (Every game you—) Composição: Sting.
I’ll be watching you 🎼
26/06/2024 Boa Noite 24/7 – Ao vivo Leonardo Trevisan: “O pensamento progressista precisa discutir política de defesa” TV 24/7 – 21 mil visualizações Há 2 dias: Leonardo Trevisan – Prof. de Relações Internacionais Márcia Carmo – Bogotá Tereza Cruvinel – colunista do Brasil 247 (Brasília) Florestan Fernandes Jr. – São Paulo João Carlos Miola – Porto Alegre Sara Goes – âncora da TV 247 (Fortaleza – CE) Corte do vídeo: 33:24 Andra Trus – âncora da TV 247 (SP) Você provavelmente está se referindo ao clássico Introdução à Análise Econômica (título original: Economics), escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel americano Paul A. Samuelson. Lançado originalmente em 1948, o "livrão alaranjado" foi adotado massivamente por faculdades de economia no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. A obra foi fundamental para a popularização do modelo de síntese neoclássica e o ensino de macroeconomia keynesiana no país. Se você deseja encontrar edições antigas para comprar ou ler mais sobre o impacto do manual, confira os links abaixo: Explore opções de edições clássicas no maior acervo de sebos em Estante Virtual. Leia um artigo sobre a biografia e a importância do autor no Wikipedia. Veja detalhes sobre uma das versões em português no Google Livros.
sexta-feira, 26 de junho de 2026 Michelle demarca território, Flávio resiste; o pós-Bolsonaro já começou, por Luiz Carlos Azedo Correio Braziliense Pela primeira vez, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada pelo senador e pela ex-primeira-dama, foi travada em praça pública O conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro extrapolou o terreno das relações familiares e se tornou um dos episódios mais reveladores das contradições no clã Bolsonaro nesta pré-campanha presidencial. Pela primeira vez, desde que Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho como sucessor, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada por ambos, foi travada em praça pública. À primeira vista, Michelle parecia ter produzido um enorme desgaste para a candidatura de Flávio. Principal liderança feminina da direita e responsável pela interlocução do PL com o eleitorado evangélico, acusou o enteado de tê-la “desrespeitado”, “maltratado” e “humilhado”. Gravou um vídeo muito bem produzido e de cabeça pensada, com objetivo claro de ser contundente: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Segundo Michelle, naquele momento compreendeu que sua participação na campanha de Flávio Bolsonaro era considerada irrelevante. “Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. Então eu me recolhi”. Ao exumar um episódio ocorrido há meses, durante as negociações do PL no Ceará, porém, mais do que um desabafo, fez uma afirmação de legitimidade política, de quem avalia que tem luz própria. Michelle lembrou que Jair Bolsonaro havia determinado apoio à candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado no Ceará e disse que suas posições refletiam a vontade do marido. Ou seja, a ex-primeira-dama disputa “lugar de fala” em nome do legado político do ex-presidente. A demarcação de território, porém, até agora, teve efeito contrário nas bases bolsonaristas. Segundo levantamento da AP Exata Inteligência, a presença de Michelle nas conversas digitais saltou de 5% para 16,4% entre os presidenciáveis em apenas quinze horas — crescimento de 228% — enquanto seus vídeos ultrapassaram milhões de visualizações. Entretanto, o aumento da exposição não foi acompanhado por melhora equivalente na percepção pública. Seu índice de confiança permaneceu praticamente estável, com pequena queda de 0,3 ponto percentual, enquanto as menções positivas recuaram para 45,5%. Já Flávio Bolsonaro experimentou movimento inverso. Seu índice de confiança cresceu 1,2 ponto e as menções positivas avançaram 3,5 pontos, atingindo o melhor desempenho dos últimos dez dias. O fenômeno confirma uma característica recorrente das comunidades políticas altamente organizadas nas redes sociais: tendem a reagir rapidamente quando identificam um ataque dirigido ao líder escolhido pelo grupo. Roupa suja Sérgio Denicoli, responsável pela pesquisa, em diversos estudos sobre comportamento digital, verificou que comunidades políticas consolidadas costumam produzir um processo de “blindagem narrativa”. Quando percebem risco ao projeto coletivo, reorganizam espontaneamente suas mensagens para proteger o principal ativo político. Foi exatamente o que ocorreu. Em poucas horas, grande parte da militância bolsonarista passou a enquadrar Flávio como vítima da exposição pública de uma divergência privada. Prevaleceu o conceito de que “roupa suja se lava em casa”. O foco deixou de ser a acusação feita por Michelle para concentrar-se na necessidade de preservar a candidatura presidencial. Flávio Bolsonaro assimilou o golpe não somente nas redes sociais. Seu pedido de desculpas revelou uma clara intenção de redução de danos. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas.” Na sequência, deslocou o eixo da discussão para a disputa pela orientação da campanha: “Divergências de estratégia não significam divergências de princípios”. Não falou para Michelle, mas para o eleitorado conservador, que tenta conquistar com uma narrativa mais moderada do que a dos irmãos Carlos e Eduardo e de Michelle: “O Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade”. Michelle também retrocedeu no confronto. “Não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada”, disse nas redes sociais. E acrescentou: “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno”. O problema é que a dimensão estratégica do confronto foi escancarada. Há duas vertentes no bolsonarismo. Flávio controla a máquina partidária, o respaldo formal do PL e a indicação feita por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência. Michelle tem o apoio do eleitorado feminino conservador, de lideranças evangélicas e mais carisma pessoal para mobilizar emocionalmente seus apoiadores. Se Flávio vencer a eleição presidencial, Michelle provavelmente será senadora pelo Distrito Federal. Se ele perder, também. Mas ampliará sua autonomia, com mais visibilidade nacional e independência política. A herança do bolsonarismo já está em disputa.
A ministra Damares Alves, Regina Duarte e Michelle Bolsonaro no Palácio do Planalto> 2020. Acervo pessoal PARECER TÉCNICO-ANALÍTICO #024/2026 ASSUNTO: Análise Semiótica e Discursiva do Pronunciamento em Vídeo de Michelle Bolsonaro (24/06/2026) CONSULTORIA: Engenharia de Comunicação Política e Pragmática de Dados 1. O Escopo da Autoria: Da Hipótese do Ghostwriting ao Algoritmo Híbrido No ecossistema da comunicação hiperconectada, o conceito tradicional de ghostwriter transmuta-se em um fenômeno de coautoria aumentada. O pronunciamento de 27 minutos não se configura como uma peça literária monolítica, mas como uma matriz polifônica onde a vivência analógica é refinada por inteligência preditiva. A sofisticação performática e a exatidão cirúrgica do encadeamento dos argumentos sugerem o uso de sistemas avançados de modelagem linguística para estruturar as seguintes forças motrizes :Sintetização Pragmática de Dados: A conversão de métricas complexas de desempenho do PL Mulher (crescimento de 45,8% de eleitas em 2024 e capilaridade territorial) em narrativas de forte apelo emocional reflete a aplicação de engenharia de prompting político. O texto opera uma transição matematicamente precisa entre o afetivo e o factual, neutralizando ruídos e otimizando a clareza do relatório de gestão .Convergência de Vetores Ideológicos: O alinhamento semântico milimétrico com as pautas da ala conservadora indica que o discurso passou por uma filtragem de consistência léxica. Processadores de linguagem natural (LLMs) são rotineiramente empregados em gabinetes estratégicos para testar a aderência de termos antes da gravação, garantindo o amálgama perfeito entre o desabafo e a agenda do bloco feminino. 2. Semiótica de Rede: O Ethos da Humildade e o Logos Computacional Do ponto de vista semiótico, o vídeo opera em uma dupla camada de significação projetada para maximizar o engajamento algorítmico, explorando uma tensão dialética clássica :[ ETHOS DE VULNERABILIDADE ] ──(Otimização de Fluxo)──> [ LOGOS DE EFICÁCIA ] (Gatilhos de Empatia Humana) (Estrutura Logística de Dados) A Estética da Espontaneidade: A simulação de intimidade e o tom de desabafo pessoal funcionam como "iscas de retenção". A recusa calculada à sintaxe burocrática do establishment mimetiza a autenticidade valorizada pelas redes. Há uma engenharia invisível projetada para furar bolhas e acionar o arquétipo da resiliência .A Auditoria Algorítmica de Resultados: Ao rebater a premissa de que "não entende de política", o discurso abandona a passividade através de uma defesa baseada em evidências. A inserção de dados estatísticos precisos desconstrói a autoridade técnica do interlocutor (Flávio Bolsonaro), transformando o ressentimento humano em capital político processável e altamente compartilhável. 3. Pragmatismo Dinástico: Validação de Cúpula e Engenharia de Cenários Na semiótica do poder, o vazamento de um racha familiar possui alta voltagem destrutiva. A validação tácita de Jair Bolsonaro funciona como a chave de legibilidade para o sistema de comunicação. A elaboração deste discurso pressupõe a antecipação de múltiplos cenários de crise — uma especialidade de análises preditivas baseadas em IA. Ao receber a anuência do patriarca, o pronunciamento ganha o selo de legitimidade necessário para operar como uma intervenção corretiva automatizada. O ex-presidente atua como o fiador silencioso da narrativa, permitindo que a ex-primeira-dama execute a fricção pública que o cálculo puramente institucional dele impede de realizar diretamente. 4. Conclusão Provisória O vídeo em análise afasta-se da lógica da "ventriloquia política" rudimentar. Trata-se de uma peça de comunicação simbiótica e assistida: a matéria-prima do ressentimento é humana e autêntica de Michelle Bolsonaro, mas a sua lapidação retórica, a blindagem estatística e a oportunidade cronológica refletem uma engenharia cibernética sofisticada. O discurso foi lapidado por uma inteligência que compreende, de forma profunda, a gramática das emoções humanas e as regras do jogo do poder digital.
Shanghai Express (1932) trailer films411 sexta-feira, 26 de junho de 2026 Que trem é esse? Por José de Souza Martins* Valor Econômico O lucro mais fácil do transporte de minérios e de produtos agrícolas, aos olhos do empreendedorismo superficial, desvaloriza ideologicamente o lucro possível no transporte de passageiros A atualização e expansão da rede ferroviária brasileira, voltada para o agronegócio e a mineração, levanta a questão social do que nela sobrará para o chamado passageiro, como seu usurário e beneficiário. As ferrovias são fatores de criação de renda diferencial da terra na medida em que colocam os territórios que percorrem mais próximos dos mercados que se situam em seus respectivos destinos. A diminuição do tempo de um percurso opera na prática como diminuição da distância em relação ao mercado e ao mundo urbano. O lucro mais fácil do transporte de minérios e de produtos agrícolas de exportação, aos olhos do empreendedorismo superficial, desvaloriza ideologicamente o lucro adicional possível no transporte de passageiros, viabilizável pelo uso de equipamentos e infraestrutura subutilizados. Esquecem que o pequeno lucro, o chamado lucro extraordinário, também é lucro e, nesse caso, resulta num serviço social. Só num capitalismo mínimo e decadente o potencial usuário e consumidor é visto e tratado como fator de prejuízo. É a neoeconomia do subdesenvolvimento lucrativo. Na atual onda ferroviária, há exceções. Refiro-me às duas linhas de passageiros da Vale. A Vitória-Minas, de Cariacica, no Espírito Santo, a Belo Horizonte, e a de São Luís, no Maranhão, a Parauapebas, no Pará, além de Carajás. São ferrovias com composições de padrão europeu, com carros de classe econômica e de classe executiva, com restaurante e lanchonete, carro especial para pessoas com deficiência em cadeira de rodas. Na de Carajás há até carro de lazer educativo para crianças com serviço de monitores. É claro que os lucros das duas ferrovias transportadoras de minérios subsidiam esse serviço de transporte para passageiros embarcados e desembarcados em cidades e localidades ao longo de seus trajetos. Mas, na verdade, esse transporte se faz com o uso da capacidade ociosa própria das ferrovias, nos intervalos do tráfego das composições do transporte economicamente principal. O Brasil já teve uma rede ferroviária notável, documentada nas páginas do mais que centenário Guia Levi com arrolamento minucioso dos horários de trens de passageiros do país inteiro e suas conexões com os trens de países vizinhos. O aproveitamento da ociosidade de equipamentos ferroviários foi exemplar na São Paulo Railway, de 1866, que ia de Jundiaí a Santos. Até por ocasião de festas religiosas de subúrbio havia trens especiais para o serviço dos devotos. A SPR lucrava com café e algodão, mas também com os pecadores. A Paulista vivia do café. E era um luxo com os passageiros. Bauru fazia conexão com a Noroeste do Brasil até Corumbá, na fronteira com a Bolívia. De lá, pelo Ferrocarril Brasil-Bolívia ia-se até Santa Cruz de la Sierra. Subia-se os Andes de ônibus e voltava-se ao trem no Altiplano, que chegava até ruínas da cidade pré-incaica de Tihuanaco no rumo do Lago Titicaca e do Chile. Viagem que fiz em 1958. Uma semana para percorrer 600 km. Duas horas depois de Roboré, o trem semanal estacou. Um passageiro fora deixado para trás. Chegaria uma hora depois, a cavalo, com um menino que o levasse de volta. O cavalo fora mais rápido que o trem. Em meados dos anos 1950, começo da decadência ferroviária brasileira, a rede tornara-se tão expressiva que se podia ir de São Luís, no Maranhão, a Buenos Aires de trem. Três vezes por semana havia trens de São Paulo a Buenos Aires. Como o Brasil, a Argentina fora destino de milhares de imigrantes, italianos e espanhóis desde fins do século XIX. Famílias embarcadas da Itália e da Espanha imaginavam estar emigrando para a América. Porém, qual América? Separadas no embarque acabavam em portos diferentes do pretendido. Ou em Santos ou em Buenos Aires. Com o tempo, o sistema ferroviário que conectava os dois países permitiam-lhes reencontrarem-se eventualmente e episodicamente. Fiz um trecho dessa viagem para ir a um seminário em Joaçaba (SC). Ao embarcar, em União da Vitória, vi que a composição tinha um carro-restaurante. Com fome, fui a ele e descobri que era um carro vazio, só mesas e cadeiras, uma cozinha com fogão aceso para ferver a água para as cuias de chimarrão dos viajantes gaúchos. Em 1983, fui a Goiás Velho a trabalho. Decidi levar a família e ir de trem para que minhas filhas tivessem a oportunidade de fazer uma viagem dessas. Da Luz fomos a Campinas, onde fizemos baldeação para o trem que de lá ia até Brasília, duas cabinas-dormitório, conectadas, com banheiro e lavabo, carro-restaurante. Em Brasília, a estação rodoviária era também estação ferroviária final. Foi uma viagem de despedida de um Brasil que desaparecia, o Brasil de gente, e um outro Brasil, em que transportar gente não vale a pena. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte). "Em 1983, fui a Goiás Velho a trabalho. Decidi levar a família e ir de trem para que minhas filhas tivessem a oportunidade de fazer uma viagem dessas. Da Luz fomos a Campinas, onde fizemos baldeação para o trem que de lá ia até Brasília, duas cabinas-dormitório, conectadas, com banheiro e lavabo, carro-restaurante. Em Brasília, a estação rodoviária era também estação ferroviária final. Foi uma viagem de despedida de um Brasil que desaparecia, o Brasil de gente, e um outro Brasil, em que transportar gente não vale a pena. *José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte)." * _'Brazileiros são tõ bonzinhos, ouvido em Xangai, em tradução livre do mandarim'_* https://gilvanmelo.blogspot.com/2026/06/que-trem-e-esse-por-jose-de-souza.html#more Leonardo Trevisan: 'O pensamento progressista precisa discutir política de defesa' TV 247 23 de jun. de 2026 Entrevistas Especiais Os jornalistas Sara Goes, Andrea Trus e Joaquim de Carvalho recebem convidados especiais e debatem as principais notícias do Brasil e do mundo. No painel, Florestan Fernandes Júnior, Jeferson Miola, Mario Vitor Santos e Tereza Cruvinel analisam os grandes fatos da política e da economia. Paulo Moreira Leite também comentam sobre os grandes fatos do dia. Pedro Paiva e Marcia Carmo fazem a cobertura a partir de Nova Iorque e Buenos Aires.
Leonardo Trevisan: 'O pensamento progressista precisa discutir política de defesa' Professor analisa o avanço da direita na América Latina e o peso crescente da China na região 24 de junho de 2026, 10:49 hAtualizado em 24 de junho de 2026, 10:50 h 247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o professor Leonardo Trevisan analisou o avanço da extrema direita na América Latina, a disputa entre Estados Unidos e China na região e a necessidade de o campo progressista abandonar o tabu em torno da política de defesa. Para Trevisan, a ascensão de governos e candidatos de direita no continente não pode ser compreendida apenas pela lente ideológica. Segundo ele, há um elemento econômico incontornável: a dependência dos países latino-americanos das commodities e do mercado chinês. “Em vez de olhar para eles a partir da ideologia, eu olho para eles a partir do bolso”, afirmou. “Todos esses países dependem essencialmente do bom humor chinês para comprá-las.” O professor sustentou que a China está “especialmente instalada” na América Latina e que isso limita a capacidade de governos alinhados a Washington de simplesmente virarem as costas ao Brasil ou ao eixo econômico regional. Ele citou como exemplo a integração produtiva entre Brasil e Argentina, especialmente no setor automotivo, que continuaria existindo independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto ou a Casa Rosada. “Pouco importa o inquilino que está no Palácio do Planalto ou na Casa Rosada. A Fiesp daqui e a Fiesp de lá têm interesses em comum”, disse. Trevisan também avaliou que as vitórias recentes da direita no continente não nasceram apenas das urnas, mas sobretudo das redes sociais. Em sua visão, o celular tornou-se uma ferramenta decisiva para destruir posições de centro e ampliar a polarização política. “Essas vitórias não aconteceram na urna. Essas vitórias aconteceram no celular”, afirmou. “É uma vitória do celular que destruiu as posições de centro na América Latina.” Ao comentar a polarização na Colômbia, Trevisan observou que a sociedade não está simplesmente dividida em dois blocos equivalentes. Para ele, a abstenção revela a existência de uma parcela expressiva da população que não aderiu a nenhum dos polos. “Quando a gente fala que a Colômbia está dividida no meio, não. A Colômbia tem três terços. E um terço não aceitou os outros dois”, declarou. O professor também chamou atenção para o crescimento da produção de coca na Colômbia e para a sofisticação econômica do crime organizado. Segundo ele, os grupos criminosos já operam em mercados financeiros, lavam dinheiro e retornam fortalecidos para outras atividades. Nesse contexto, Trevisan defendeu que a esquerda e o campo progressista passem a discutir seriamente a defesa nacional. Para ele, fugir desse debate significa deixar um tema estratégico nas mãos da direita. “O pensamento progressista precisa discutir política de defesa. Se o pensamento progressista não discutir política de defesa, ele será engolido”, afirmou. Trevisan citou o Atlântico Sul como área central para a soberania brasileira e disse que o Brasil é peça essencial no tabuleiro estratégico regional. Segundo ele, a relação entre militares brasileiros e norte-americanos também precisa ser compreendida à luz da disputa com a China. “O Brasil é essencial para a segurança do Atlântico Sul. É fundamental”, declarou. Na parte final da entrevista, o professor defendeu a reconstrução de um centro democrático, capaz de dialogar tanto com a centro-esquerda quanto com a centro-direita. Para ele, sem enfrentar a desigualdade estrutural e o patrimonialismo latino-americano, a região continuará vulnerável a saídas autoritárias e falsas promessas de segurança. “Ou nós reconstruímos o centro democrático de centro-esquerda e centro-direita, ou nós não vamos a lugar nenhum”, afirmou. Trevisan também criticou a estrutura tributária brasileira, que pesa sobre o consumo e penaliza os mais pobres. Em sua avaliação, qualquer projeto democrático consistente precisa enfrentar a desigualdade de renda e a baixa conversão da carga tributária em bem-estar social. Ao concluir, o professor ironizou a crescente influência chinesa na economia regional e afirmou que as elites latino-americanas terão de se adaptar ao novo cenário geopolítico. “A escola de mandarim tem futuro”, disse. “A elite aqui e o nosso negócio vão acabar tendo que aprender mandarim.”

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