Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 12 de junho de 2026
De Villa para patetas e malandros
Discurso da Servidão Voluntária
por Étienne de La Boétie (Autor)
👆A China é aqui.
Da Serra do Navio às terras raras de Goiás, passando pelo minério de Itabira
Minas?
Confidência do Itabirano
Carlos Drummond de Andrade
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
Composição: Carlos Drummond de Andrade.
"O editorial do jornal O Estado de S. Paulo critica a gestão do setor elétrico brasileiro, apontando que a má governança, subsídios excessivos e influência de lobbies geram contas de luz abusivas. A publicação argumenta que falhas de planejamento, incluindo contratações de reserva desnecessárias e caras, sobrecarregam o consumidor enquanto beneficiam setores específicos."
A várzea do setor elétrico
Por O Estado de S. Paulo
O consumidor paga caro demais por energia limpa ou suja, nova ou velha, no Brasil e no Paraguai. Farra promovida pelo governo, pelo Congresso e pelos lobbies precisa acabar
O setor elétrico muitas vezes parece incompreensível. É difícil entender por que um país que é dono de uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo subsidia usinas a carvão. É difícil entender como corremos o risco de sofrer apagões tanto por falta quanto por excesso de energia ao longo de um mesmo dia. É difícil entender por que a abundância de recursos naturais para produzir eletricidade não se reverte numa conta de luz barata. Há argumentos técnicos para explicar cada uma dessas questões. Mas, em maior ou menor grau, todas elas se devem a falhas de planejamento que se acumulam há anos, com o custo invariavelmente repassado aos consumidores.
No domingo, 7 de junho, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou um plano emergencial para impedir um blecaute por sobrecarga na rede. Além de ter determinado que usinas eólicas e solares centralizadas sob sua gestão cortassem em 30% sua geração, o ONS mandou 12 distribuidoras em todo o País cortarem a produção de pequenas usinas conectadas a elas.
Há, portanto, uma sobra de eletricidade no sistema, ao menos durante alguns momentos do dia, sobretudo em razão da profusão de painéis solares instalados em telhados e condomínios. De certa forma, seria um alento para um País que há 25 anos pagou um custo alto ao se submeter a um racionamento de energia motivado pela combinação entre falta de chuvas, baixos investimentos em geração e transmissão e alta demanda de energia.
Como explicar então que, a despeito dessa fartura, esse mesmo país acaba de realizar um leilão para contratar usinas para ficarem à disposição do sistema, ou seja, para gerar energia apenas quando for realmente necessário, pela bagatela de até R$ 800 bilhões? Se a física não consegue esclarecer, a política tem a resposta na ponta da língua: isso se deve à escolha política deliberada de atender a lobbies setoriais em detrimento da tarefa de arrumar a bagunça do setor elétrico.
Há décadas o País mantém usinas antigas e de custo elevado em funcionamento sob a justificativa de não prejudicar municípios e empresários que dependem delas para se sustentar. Novas tecnologias têm sido incorporadas ao sistema dentro dessa mesma lógica, composta por subsídios eternizados, baixa transparência sobre os reais custos e benefícios e margens elevadas para investidores.
Parece claro que o modelo de negócios do setor tem alocado custos e riscos excessivos ao consumidor, sem garantir segurança ao abastecimento de energia. O problema não começou com o atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas certamente se agravou sob sua gestão.
Afinal, em vez de enfrentar esses problemas, o ministro preferiu compactuar com eles. O resultado foi o leilão de reserva de capacidade realizado em março, no qual se contratou mais empreendimentos que o necessário, preços-teto foram elevados às vésperas da disputa e houve baixíssima concorrência e, evidentemente, deságios pífios. A peso de ouro, termoelétricas vão cobrir o buraco que se abre no sistema quando o sol se põe e os ventos cessam.
Associações que representam fontes renováveis se sentiram desprestigiadas. Queriam ter participado da disputa com baterias. Qual foi a solução apresentada pelo ministro? Dobrar a aposta: haverá mais um leilão para contemplá-las no final deste ano. No setor privado, seria caso de demissão, mas isso só fortalece a inabalável posição de Silveira no governo Lula e no setor elétrico.
O Congresso replica esse modus operandi. Todo projeto de lei que chega ou sai do Legislativo visa a prorrogar subsídios que já deveriam ter acabado e assegurar essas mesmas vantagens a segmentos nascentes, caso das usinas a hidrogênio e das eólicas em alto-mar.
Cada privilégio concedido amplia distorções e custos, que, por óbvio, não desaparecem – apenas ficam disfarçados nos indecifráveis encargos embutidos nas contas de luz. O consumidor provavelmente não sabe, mas ele paga bem mais do que deveria por energia de todo tipo: limpa ou suja, nova ou velha, em todo o Brasil e – pasmem – até mesmo no Paraguai. Essa farra promovida pelo governo, pelo Congresso e pelos lobbies precisa acabar.
Um expurgo necessário
O paradoxo mineral: a China é aqui, a riqueza vai para lá.
Da Serra do Navio às terras raras de Goiás, o Brasil sangra suas entranhas para alimentar a engrenagem industrial do outro lado do mundo. Exportamos o minério bruto de Itabira; importamos de volta o plástico barato que lota os corredores do comércio popular. Viramos fornecedores do solo que nos sustenta, enquanto a soberania tecnológica nos escapa pelas mãos.
No fim, resta o contraste visual desse mercado urbano sobre o calçadão de pedras portuguesas. O progresso prometido pela mineração virou mercadoria estrangeira.
Itabira é apenas um contêiner no porto.
Mas como dói!
"Neste episódio ao vivo de Berlim do podcast Ones and Tooze, Adam Tooze e Cameron Abadi analisam as propostas alemãs de reforma do Estado de bem-estar social, incluindo mudanças nas leis trabalhistas e idade de aposentadoria. O debate também aborda a crise habitacional na cidade e a controversa proposta de construção no parque Tempelhofer Feld."
Adam Tooze Live in Berlin: The AfD, Tempelhofer Feld, and FIFA World Cup | Ones and Tooze Ep. 246
Foreign Policy
12 de jun. de 2026 Ones and Tooze | FP's Global Economics Podcast w/ Adam Tooze
Germany is considering a package of reforms to reduce its welfare state and make the economy more productive. This would include changes to labor laws, welfare payments to the unemployed, and the retirement age. In this live show in Berlin, Adam and Cameron discuss the potential reforms and also the Tempelhofer Feld, a huge park in Berlin where some Germans now want to build apartments to address the city's housing crisis—and the FIFA World Cup.
Foreign Policy economics columnist Adam Tooze, a history professor and a popular author, is encyclopedic about basically everything: from the COVID shutdown, to climate change, to pasta sauce. On FP’s hit podcast, Tooze and FP deputy editor Cameron Abadi look at two data points each week that explain the world: one drawn from the week’s headlines and the other from just about anywhere else Tooze takes us.
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Listen to more episodes of Ones and Tooze:
https://foreignpolicy.com/podcasts/on... https://podcasts.apple.com/us/podcast... https://open.spotify.com/show/44pekaw...
De Villa para patetas e malandros
12/06/26 - Juros e dívida impedem o crescimento. Lula e Flávio Bolsonaro fingem não ver.
Marco Antonio Villa
De Villas para patetas e malandros
Discurso da Servidão Voluntária
Edição Português por Étienne de La Boétie (Autor) Formato: Capa comum
Poucos anos antes de morrer, aos 32 anos, Étienne de La Boétie (1530-1563) deixou em testamento seus escritos a Montaigne, o qual, mais tarde, destacou os méritos nos Ensaios e em várias cartas, apontando aquele autor como um importante homem de seu século. O prestígio de La Boétie vem desta obra, "Discurso da Servidão Voluntária", em que afirma que é possível resistir à opressão sem recorrer à violência - a tirania se destrói sozinha quando os indivíduos se recusam a consentir com sua própria escravidão. Como a autoridade constrói seu poder principalmente com a obediência consentida dos oprimidos, uma estratégia de resistência sem violência é possível, organizando coletivamente a recusa de obedecer ou colaborar. Foi com essa ideia que se construíram inúmeras lutas de desobediência civil no século XX, e a mesma ideia levou, entre outros motivos, à queda pacífica de muitas ditaduras.
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