Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
domingo, 14 de junho de 2026
História, memória... e ETC
"11 de junho de 1984: O adeus a Berlinguer"
11 giugno 1984: L’addio a Berlinguer
Poesia | Futebol, de Carlos Drummond de Andrade, por Pelé
Copa do Mundo, o jogo do torcedor, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
Durante aquelas semanas de 1998, não houvera na cidade de São Paulo nenhum crime, nem mesmo crime violento. O mesmo em outros lugares do país
Quando da Copa de 1998, resolvi fotografar os torcedores no Vale do Anhangabaú diante do telão. Não vi os jogos. Vi emoções e expressões.
Vi o inesperado. O centro da cidade, de lugar do desencontro tenso dos pedestres, desconfiados e antissociais, em questão de alguns minutos, tornara-se lugar de encontro. O centro de São Paulo era conhecido e temido pela ação dos chamados “trombadinhas”, as crianças e adolescentes que assaltavam transeuntes desatentos. Mas havia, também, os “trombadões” que assaltavam idosos e pessoas claramente vulneráveis.
O centro revelava sua face oculta. A suspeita de que as pessoas em situação de rua eram inimigos da sociabilidade civilizada e acolhedora revelava-se profundamente injusta. Comportavam-se como anfitriões, donos e conhecedores da rua. Conversavam com os forasteiros contentes com tanta gente diferente entrando em suas casas: a rua.
Pessoas em situação de rua enturmaram-se com os demais participantes da multidão. Inúmeras pessoas vindas dos bairros distantes, bairros ricos, madames bem-vestidas, bairros operários e de classe média. Vieram para ver a Copa e “ver o povo”. “São iguais a gente”, comentou uma grã-fina.
À medida que as partidas se desenvolviam, com seus momentos emocionantes de alegria ou de tristeza, manifestações claras de solidariedade e de apoio recíproco se multiplicaram. De repente um trombadão abraçado com uma madame. Ou uma pessoa em situação de rua, com um cachecol elegante ao redor do pescoço, seu traje de gala, levara num carrinho de supermercado seu gato de estimação. Explicou-me que quase tudo que conseguia como pedinte gastava com o gato. Veterinário, remédios, comida. O gato era o ser humano do tabique em que morava com o bicho. Seu alter ego.
Eu estava diante de um fenômeno sociológico pouco estudado numa das suas variantes mais inesperadas. O mundo invertido da sociabilidade de multidão. Gustave Le Bon, pioneiro no estudo do assunto, já havia constatado que a situação de multidão promove a emergência, em cada participante, de uma segunda e inesperada personalidade. O eu oculto do avesso.
Minha pesquisa, no Brasil, de 2.028 casos de linchamentos e tentativas de linchamento, mostrou-me que somos portadores de uma variante profunda da estrutura de personalidade que se manifesta em momentos sociais de medo ou de euforia, nas situações sociais de multidão. As pessoas se tornam irreconhecíveis se confrontadas com os padrões cotidianos de sociabilidade.
Uma indicação de mudança de personalidade e de comportamento apareceu nos relatórios policiais relativos aos dias da Copa. Durante aquelas semanas, não houvera na cidade de São Paulo nenhum crime, nem mesmo crime violento. O mesmo em outros lugares do país. Nem linchamentos, a que a situação de multidão é propícia. O primeiro linchamento ocorreu em outro estado poucas horas depois do fim da Copa, com a vitória da França sobre o Brasil por 3 x 0.
Na expectativa da vitória, uma sociedade como a nossa tem comparativamente poucos campos socialmente reconhecidos de afirmação de sua identidade. E insuficientes informações para motivos de orgulho nacional. A emoção da Copa aglutina monumentais emoções identitárias no Brasil pobre delas.
Não obstante haja todos os dias motivos, mas não motivações, para nos orgulharmos com o que muitos brasileiros altruisticamente fazem. Somos um povo criativo e capaz.
Algumas de nossas universidades estão em posições de destaque internacional nos índices de excelência, a USP reiteradamente em primeiro lugar. No entanto, o Brasil do noticiário cotidiano é outro, o dos corruptos e oportunistas. O país inteiro é colocado nas páginas policiais tal a força que a delinquência alcançou entre nós.
Os desafios e esforços do trabalho científico nas universidades brasileiras raramente viram manchete. Se os índices da USP caem um ou dois por cento em relação ao ano anterior, embora continue em primeiro lugar, é essa queda que tem destaque.
Aparentemente não sabemos a diferença entre uma descoberta científica e uma vitória em partida de futebol. Embora a universidade se refaça todo o tempo para ser melhor do que foi no ano anterior. O que a faz a primeira da lista latino-americana na formação de um número crescente de cientistas em todas as áreas de conhecimento.
Diferentemente de uma partida de futebol, isso não se dá por acaso. Pública, laica e gratuita, como a propôs seu fundador, Júlio de Mesquita Filho, a USP foi criada menos de meio século depois da abolição da escravatura, quando o Brasil era um país de analfabetos. Quando as grandes universidades do mundo tinham mais de 600 anos de fundação. Hoje a USP e outras universidades brasileiras competem com elas e são respeitadas.
*José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte).
O Último Comício de Enrico Berlinguer
Enrico Berlinguer
3 de jun. de 2012
Pádua, 7 de junho de 1984. Enrico Berlinguer encontra-se na cidade para a campanha das eleições europeias. Durante o comício, é atingido por um derrame, mas continua o seu discurso até o fim.
Imagens extraídas de "A Despedida a Berlinguer", documentário coletivo filmado durante o funeral de Enrico Berlinguer em 1984.
L'Addio a Berlinguer (YouTube)
Transcrição
L'Ultimo Comizio di Enrico Berlinguer
Enrico Berlinguer
3 de jun. de 2012
Padova, 7 giugno 1984. Enrico Berlinguer si trova in città per la campagna per le elezioni europee. Durante il comizio, viene colpito da un ictus, ma continua il suo comizio, fino alla fine.
Immagini tratte da "L'Addio a Berlinguer", documentario collettivo girato durante i funerali di Enrico Berlinguer nel 1984.
Transcrição
I più grandi funerali della storia d’Italia - Enrico
Copa do Mundo FIFA 2026™
Brasil 1 x 1 Marrocos | Melhores momentos | 1ª rodada | Copa do Mundo FIFA 2026
Classificação etária: livreL
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Gênero: Esporte
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CazéTV
Tostão fala sobre João Saldanha
Magalhães Jr.
2 de nov. de 2010
Tostão dá depoimento sobre João Saldanha - técnico da seleção brasileira nas eliminatórias de 1969. Narração dos [gols] nas vozes de Oduvaldo Cozzi, Geraldo José de Almeida, Alexandre Santos e Fernando Solera.
“O passado não está morto, não é nem mesmo passado”, escreveu William Faulkner em Requiem for a nun. A bela frase lembra Borges, para o qual sempre haveria “o presente do passado, ao qual chamamos memória”. Um presente que sempre contém sonhos, desejos e expectativas – de pessoas e de países – sobre o por vir. E estes, quer se realizem, quer não, constituem o que Borges chamou de Memórias do futuro. O Brasil terá de se erguer à altura dos seus inúmeros desafios. Já o fizemos no passado."
Copa do Mundo de 1958 (Final) Brasil 5 x 2 Suécia
tooothen
9 de mar. de 2008
O Brasil bateu os donos da casa, Suécia, na final por 5 a 2 , ganhando sua primeira Copa do Mundo e se tornando a primeira nação a ganhar um título de Copa do Mundo fora de seu próprio continente.
Gols:
Liedholm 3' (Suécia)
Vavá 9', 32' (Brasil)
Pelé 55', 90' (Brasil)
Zagallo 68' (Brasil)
Simonsson 80' (Suécia)
La finale de la Coupe du Monde 1958 se joue sous la pluie au stade Råsunda de Stockholm. Le favori brésilien affronte le pays
Copa do Mundo de 1958 (Final) Brasil 5 x 2 Suécia
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tooothen
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9 de mar. de 2008
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota a está convencido de que as russas e ucranianas levadas para as farofas do banqueiro Daniel Vorcaro eram estudiosas do Direito. O que o cretino não entende é a fogueira de vaidades em que se transformou o processo de sua colaboração com a Viúva.
Pelo que lhe contam, Vorcaro se julga inocente, vítima de uma perseguição. É possível. Nesse caso, nada há a negociar. Ele espera o julgamento. Se for absolvido vai pra casa. Condenado, rala.
Fila do INSS
Tendo prometido acabar com a “vergonhosa fila do INSS” no seu primeiro dia do seu terceiro mandato, Lula promete acabar com ela até o fim do ano.
Já a nova presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, é mais precisa e diz que zera a fila até setembro, um mês antes da eleição.
Ela está em queda mas tem 2,2 milhões de vítimas.
A ver.
Malan e economistas do Plano Real visitam FHC antes de evento em São Paulo
A visita ocorreu no fim da manhã desta segunda-feira (24), na residência de FHC, na capital paulista. Em seguida, por volta das 12h30, o ex-presidente recebeu a visita de Lula
Fábio Matos
24/06/2024 15h16 • Atualizado 2 anos atrás
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebe a visita de economistas que ajudaram na formulação do Plano Real (Foto: Vinicius Doti/Fundação FHC)
Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recebeu, nesta segunda-feira (24), a visita de alguns dos principais economistas que participaram da elaboração do Plano Real, que pôs fim à hiperinflação no Brasil.
A conta oficial da Fundação FHC no X (antigo Twitter) publicou uma imagem do ex-presidente ao lado do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e dos ex-presidentes do Banco Central (BC) Persio Arida e Gustavo Franco.
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A visita ocorreu no fim da manhã desta segunda, na residência de FHC, na capital paulista. Em seguida, por volta das 12h30, o ex-presidente recebeu a visita de Lula.
Nesta tarde, Malan, Persio e Franco participam de um debate promovido pela Fundação FHC sobre os 30 anos do real. Além deles, também estará presente o ex-presidente do BC Armínio Fraga , de forma remota, o economista Edmar Bacha e o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero.
Os “pais” do real
Armínio Fraga foi presidente do Banco Central (BC) durante o segundo mandato de FHC, de 1999 até o final de 2002, depois da saída de Gustavo Franco.
Pedro Malan foi ministro da Fazenda durante os 8 anos do governo FHC. Também ocupou a presidência do BC entre 1993 e 1995, no governo de Itamar Franco.
Persio Arida comandou o BC, em 1995, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de 1993 a 1995, também na gestão Itamar. É apontado como um dos “pais do Plano Real”, assim como Edmar Bacha.
Gustavo Franco foi presidente do BC entre 1997 e 1999, entre o primeiro e o segundo mandatos de FHC no Palácio do Planalto.
Rubens Ricupero, que também participa do evento na Fundação FHC, foi ministro da Fazenda no governo Itamar, em 1994, sucedendo o próprio FHC no comando da pasta.
Leia também
Antigos adversários: em São Paulo, Lula visita ex-presidente FHC, de 93 anos
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) governou o Brasil por 8 anos, de 1995 a 2002; o tucano derrotou Lula nas eleições de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno. O PT fez dura oposição aos dois governos do PSDB
30 anos do real
De 1986 a 1994, antes do real, o Brasil teve quatro moedas e seis planos econômicos que fracassaram no controle da inflação. Nascido em meio à descrença de muitos, o Plano Real foi o único a derrotar a escalada dos preços – que, em 1993, alcançou 2.500%, quando medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O real completa 30 anos no dia 1º de julho e carrega consigo o sucesso da estabilização econômica. Até lá, o InfoMoney publicará uma longa série de conteúdos multimídia que abordam os diferentes aspectos envolvidos no Plano Real.
A série começou na última quinta-feira (20) com uma edição especial do podcast Stock Pickers, que entrevistou o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, que também é sócio-fundador da gestora Rio Bravo. Franco esteve na equipe econômica que desenhou e colocou de pé o Plano Real. Ao Stock Pickers, relembrou momentos marcantes do processo e analisou o futuro da moeda e da economia brasileira.
Veja as reportagens já publicadas:
Gustavo Franco: Brasil tem inflação de 1º mundo e contas de “adolescente rebelde”
A trajatória de Gustavo Franco, um dos “pais” do Plano Real
Persio Arida: quem é o economista liberal cotado para o governo Lula
O que era possível comprar com R$ 1 em 1994, quando real foi criado?
Febre na década de 1990, “lojas de R$ 1,99” desenrolaram fio do Plano Real
Reveja propagandas e reportagens dos primeiros anos do Plano Real
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Fábio Matos
Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”
domingo, 14 de junho de 2026
História, memória... e FHC, por Pedro Malan*
O Estado de S. Paulo
As palavras de FHC continuam expressando no Brasil de hoje, passados mais de 32 anos, necessidade, relevância e urgência
Este artigo é uma homenagem aos 95 anos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e à sua contribuição para a modernização do Brasil. É também um apelo por uma resposta, com visão de futuro, para a situação econômica, social e político-institucional do Brasil nesta quadra difícil e perigosa em que se encontram nosso País e o mundo. Já o fizemos no passado. Será necessário voltar a tentar, e com sentido de urgência.
Em 13 de junho de 1993, menos de um mês depois de FHC ter assumido o Ministério da Fazenda, foi dado a público o Programa de Ação Imediata. Visto em perspectiva histórica, o documento representa um marco importante por razões que guardam relevância para a situação do Brasil de hoje. O programa abre com a seguinte frase: “Somente quatro países do mundo tiveram inflação superior a 1.000% (em 1992): a Rússia, a Ucrânia, o Zaire (Congo) e o Brasil.” O documento deixava claro que o fim da inflação não era objetivo que se esgotasse em si mesmo.
O desafio à frente era assim sintetizado: “1) O Brasil só consolidará sua democracia e reafirmará sua unidade como nação soberana se superar as carências agudas e os desequilíbrios sociais que infernizam o dia a dia da população; 2) A dívida social só será resgatada se houver ao mesmo tempo a retomada do crescimento autossustentado da economia; 3) A economia brasileira só voltará a crescer de forma duradoura se o País derrotar a superinflação que paralisa os investimentos e desorganiza a atividade produtiva; 4) A superinflação só será definitivamente afastada do horizonte quando o governo acertar a desordem das suas contas, tanto na esfera da União como dos Estados e municípios; e 5) E as contas públicas só serão acertadas se as forças políticas decidirem caminhar com firmeza nessa direção, deixando de lado interesses menores”.
Havia sentido de rumo, direção e visão de curto, médio e longo prazos, que foram reafirmados nos meses subsequentes, com a conclusão dos acordos da dívida externa com credores privados. E, fundamentalmente, com a Exposição de Motivos (EM) n.º 395, de dezembro de 1993, intitulada “Programa de Estabilização”.
O importante documento continha “um breve diagnóstico da crise fiscal brasileira e proposições relativas à estabilização da economia em três frentes de atuação: a) equilíbrio orçamentário no biênio 1994-1995; b) sugestões à revisão constitucional; c) reforma monetária”. Esta última consistia na criação da Unidade Real de Valor (URV), a que se seguiria a introdução da nova moeda, que naquele momento ainda não havia sido batizada de Real. Esse conjunto consubstanciou, no dizer preciso de Edmar Bacha, o que se convencionou chamar de Plano Real.
Sugestões à revisão constitucional eram, portanto, parte integrante do Programa de Estabilização. Ao justificar as emendas propostas, em parágrafo escrito pelo próprio ministro Fernando Henrique, que havia participado da Constituinte, a Exposição de Motivos dizia: “Faltou-nos (aos constituintes de 1988) a percepção realista dos mecanismos de financiamento do gasto social e faltounos a decisão de efetivamente reconstruir o Estado em bases de competência e eficiência.”
As palavras de FHC continuam expressando no Brasil de hoje, passados mais de 32 anos, necessidade, relevância e urgência. Estamos num desses momentos críticos para tal, no Brasil, como no mundo. Afinal, as três perguntas de Marcos Mendes continuam a reverberar como o “deciframe ou te devoro” da esfinge milenar: 1) Por que o Brasil cresce pouco?; 2) Por que o Brasil é um país tão desigual?; e 3) Por que é tão difícil fazer reforma no Brasil (para lidar com as duas perguntas anteriores)? Entendamos os desafios, ou seremos vencidos por eles.
Toda sociedade precisa ter algum grau de consciência de seu passado para que, com base em seus acertos e desacertos, orgulho e autoestima, possa vislumbrar seus possíveis futuros. Iniciativas recentes do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), da Casa das Garças e do Movimento Brasil Adiante representam tentativas sérias que espero possam motivar parte relevante da sociedade a pensar o Brasil e seu futuro e melhorar a qualidade do debate público nesses meses que antecedem as eleições deste ano. Foi em outro mês de junho, em 2002, que o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva divulgou sua carta-compromisso ao povo brasileiro na qual afirmava que, se eleito fosse: “Faria o esforço fiscal necessário para estabilizar a relação dívida/PIB, comprometiase a respeitar contratos, a preservar a inflação sob controle”. Quão bom seria se Lula reeditasse os seus compromissos de junho de 2002 neste conturbado junho de 2026.
“O passado não está morto, não é nem mesmo passado”, escreveu William Faulkner em Requiem for a nun. A bela frase lembra Borges, para o qual sempre haveria “o presente do passado, ao qual chamamos memória”. Um presente que sempre contém sonhos, desejos e expectativas – de pessoas e de países – sobre o por vir. E estes, quer se realizem, quer não, constituem o que Borges chamou de Memórias do futuro. O Brasil terá de se erguer à altura dos seus inúmeros desafios. Já o fizemos no passado.
*Economista, foi ministro da Fazenda no governo FHC.
STF
Turma de 1990 da USP pode emplacar 2º ministro no STF
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estudaram na mesma turma na USP
Ricardo Peake Braga
13/02/2017
|
13:31
Atualizado em 13/02/2017 às 12:33
Listas com classificações ofensivas a calouros gera mal-estar na USP
Faculdade de Direito da USP. Crédito: JOTA Imagens / Luiz Maximiano
Alexandre de Moraes fará companhia a Dias Toffoli, Celso de Mello e aos demais ministros no Supremo Tribunal Federal (STF), ao que tudo indica. Será o 55º ministro formado nas Arcadas franciscanas, assim como Celso, e o segundo da Turma de 1990, que ao lado de Alexandre e Toffoli, produziu também brilhantes professores, advogados, magistrados, promotores, procuradores, todos formados num período de intensas transformações no Brasil e no mundo.
O ano de ingresso (1986) trouxe ao velho Centro de São Paulo moças e rapazes nascidos, em sua maioria, em 1968 e 1967. Uma geração nascida e criada sob o regime militar, que atingia a maioridade ao mesmo tempo em que sopravam os ventos otimistas da redemocratização. Uma geração que sentia a mudança acontecendo e que queria entender como opinar e participar dessa mudança.
E não havia lugar melhor para isso que a lendária Faculdade do Largo São Francisco, escola onde estudaram 13 presidentes da república (de Prudente de Moraes a Michel Temer), ministros, poetas e escritores (Castro Alves, Álvares de Azevedo. Monteiro Lobato, Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade - este, aliás, o nome oficial da Turma de 1990 - , Paulo Bomfim etc.), políticos (Joaquim Nabuco, Antonio da Silva Prado, Ruy Barbosa, Ulysses Guimarães, Franco Montoro e tantos outros), artistas (Paulo Autran, Di Cavalcanti) e, claro, inúmeros juristas.
Naquele ano, como de resto desde sempre, os calouros iam chegando, cheios de si, com a autoestima em alta após o sucesso no mais concorrido vestibular de Direito do País. Mas, tranposto o enorme portal de entrada, a cada passo dado para o interior daquele magnífico prédio, cinza, mal iluminado, cheio de sombras, corredores, portais, estátuas, quadros a óleo de antigos professores, rapidamente crescia a sensação de se estar entrando numa sociedade secreta, numa espécie de escola de iniciados onde, muito mais que Direito, aprenderíamos grandes segredos sobre o Poder. A aula inaugural foi ministrada pelo carismático Goffredo da Silva Telles, que se aposentara no final do ano anterior.
1986 foi marcado pelo malfadado Plano Cruzado, que queria acabar com a inflação por decreto. O resultado foi uma longa e profunda crise econômica, bastando dizer que o governo Sarney terminou com a inflação a 84% ao mês!! Os muitos jornais acadêmicos, editados por alunos cheios de ideias para o mundo, eram distribuídos à farta. Os artigos, em sua grande maioria, tratavam de política, economia e Direito, estes escritos por alunos dos anos já mais próximos da graduação. Nos jornais dos calouros predominavam poemas, contos, crônicas, política e economia. A liberdade na faculdade era tanta que chegava a ser caótica. Os novos alunos perdiam-se entre tantos novos amigos, tantas descobertas intelectuais, novos amores, festas.
Nos anos de 1987 e 1988, todos acompanhavam os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, que tentava refundar as bases jurídicas do País, num clima de esperança e idealismo. Ulysses Guimarães buscava consensos difíceis entre socialistas, empresários, interesses corporativos, regionais e locais, e oportunistas políticos de todo gênero. E essa polarização era ainda maior no ambiente estudantil, época em que todos têm convicção de que têm a receita para salvar o mundo.
O resultado foi a Constituição de 1988, uma colcha de retalhos democrática, garantista, generosa e detalhista.
No final de 1989, cai o Muro de Berlim, construído pela Alemanha Oriental comunista para evitar a fuga de seus habitantes para o lado Ocidental capitalista. E, com ele, implodem a União Soviética e os regimes comunistas do leste europeu. Era, segundo Eric Hobsbawn, o término antecipado do século XX. Era o fim de um mundo dividido entre capitalismo e socialismo; entre Ocidente e Oriente; entre democracia e comunismo; era, enfim, o fim do mundo no qual aquela geração, agora com vinte e poucos anos, nascera e crescera.
Imediatamente, a Constituição de 88, com apenas um ano de idade, pensada e criada num mundo que não mais existia, parecia estranhamente velha...
Em 1989, ocorreu a primeira eleição democrática de um presidente da República em quase trinta anos. O segundo turno entre Collor e Lula foi um certo anti-climax para muitos e acirrou ainda mais uma polarização ideológica que, paradoxalmente, parecia ter menos sentido após a derrocada do bloco soviético. Collor, o eleito, herdou do desastroso governo Sarney uma inflação de 84% ao mês e iniciou seu governo, em 1990, bloqueando todas contas bancárias e aplicações financeiras acima de um determinado (e baixo) valor. A perplexidade foi geral. Cidadãos recorreram à Justiça, que, nas primeira e segunda instâncias, não se furtou a seu papel de garantir o Direito e a Constituição e liberar os valores. O STF, na época, não se manifestou. Um verdadeiro “grand finale” político-econômico para uma Turma que já navegara mares tempestuosos desde o já longínquo ano de 1986.
Em meio a esse cenário histórico, professores famosos (Alexandre Correia, o filho, Dalmo Dallari, Antonio Junqueira de Azevedo, Tércio Sampaio Ferraz Jr., Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Ada Pellegrini Grinover, Antonio Carlos de Araújo Cintra - paraninfo da Turma-, Celso Lafer, Cândido Rangel Dinamarco, Fabio Comparato, José Rogério Tucci, Carlos Alberto Carmona, Otávio Bueno Magano, Amauri Mascaro Nascimento, José Eduardo Faria, Odete Medauar, Newton Silveira, Aníbal Fernandes, José Cretella Jr., Yussef Said Cahali, Eros Roberto Grau, Sérgio Pitombo, Ricardo Lewandowski e tantos outros), muitas festas, peruadas históricas, bebedeiras e debates políticos no XI de Agosto, rituais pagãos no túmulo de Julius Frank, viagens memoráveis com a Atlética, poesia, música nas Arcadas e, acima de tudo, alunos do mais alto nível, de diferentes origens, do Brasil todo, do estrangeiro, pobres e ricos, comunistas, sociais democratas, liberais e conservadores, todos vivendo juntos o sonho e no ideal de aprender o Direito na lendária Faculdade do Largo São Francisco.
Ao final, orgulhosos de nosso diploma e já saudosos da escola onde mora a amizade, saímos pelos imponentes portais, para dar os primeiros passos do resto de nossas vidas.logo-jota
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STF
sábado, 13 de junho de 2026
Trabalho e realização humana, por Marcus Pestana
O tema mais quente, no momento, é a introdução da escala de trabalho 5x2. O trabalhador teria direito legal a dois dias de descanso e a jornada de trabalho seria reduzida de 44 para 40 horas semanais. A PEC, aprovada na Câmara dos Deputados, prevê uma transição rápida de apenas quatorze meses.
É evidente que do ponto de vista da qualidade de vida dos trabalhadores é mais do que justo ter mais tempo para a família e o lazer. A redução da jornada de trabalho é reivindicação antiga do movimento sindical. Já em 1880, Paul Lafargue, em seu livro “O Direito à Preguiça” afirmava: “O trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica”. Em seu manifesto anticapitalista critica a ideia de que “o trabalha dignifica o homem”. Apontando a exaustão física e mental como o verdadeiro mal da humanidade. O tempo de ociosidade seria o caminho da emancipação.
Mais tempo para aquilo que o italiano Domenico Masi chamou de ócio criativo. Ele propunha a fusão entre trabalho, estudo e lazer. Produção de riqueza, realização profissional, expansão do conhecimento e espaço para a criatividade, unidos na potencialização dos talentos e da felicidade humana.
Nos tempos de Lafargue, vigia ainda o “capitalismo selvagem”. A exploração do operariado era intensa; as jornadas diárias eram de 14 a 16 horas; os salários mal davam para a subsistência; havia o emprego extensivo de mão de obra infantil; não havia legislação trabalhista. Além disso, o trabalho era alienante, as tarefas enfadonhas e repetitivas. Charles Chaplin retratou isso magnificamente em “TEMPOS MODERNOS”. A luta dos sindicatos e da socialdemocracia reformou o sistema, fez avançar a legislação, conquistou direitos para os trabalhadores.
A votação da PEC da escala 5x2 no Senado Federal será mais um passo nessa caminhada. Irá aprofundar as discussões sobre as múltiplas implicações e consequências da medida. Diminuir a carga de trabalho é justo, mas alguns aspectos merecem atenção.
A medida alcançará apenas a maioria dos trabalhadores com relações formais de trabalho. Dos 102 milhões de brasileiros ocupados, 63,5 milhões são trabalhadores formais, inclusive os MEIs, 38,5 milhões vivem na informalidade. Autônomos, alguns formais, como motoristas de taxi, condutores de UBER, entregadores de IFood, feirantes, ambulantes, pequenos empreendedores, entre outros, se autorregulam e trabalham bem mais de oito horas diárias e, muitas vezes, sete dias por semana.
Em segundo lugar, a economia de mercado é dinâmica e reage. É preciso ficar atento ao aumento do nível de informalidade e de desemprego. Às vezes, as consequências se descolam das intenções.
Por último, o Brasil , nas últimas décadas, tem crescido muito menos que os países emergentes, registrando um aumento pífio da produtividade de sua economia, perdendo posições no ranking global de renda per capita. Diminuir a carga de trabalho traz felicidade, sem dúvida. Mas, é a geração acelerada de riqueza que pode patrocinar um salto na qualidade de vida da população brasileira, ainda muito pobre. O aumento da produtividade não virá automaticamente, como alguns têm dito. Temos que cuidar melhor do sistema educacional, da qualificação profissional e da inovação tecnológica-produtiva para compensar as horas que deixarão de ser trabalhadas.
PARECER TÉCNICO-POLÍTICO
A ROTA DO RESGATE – DA LONA À RIBALTA ELEITORAL
Subtítulo: A exploração amoral da pauta 5x2 (da lona à ribalta sem escrúpulos)
Data: 14 de junho de 2026
I. NOTA INTRODUTÓRIA: O PRAGMATISMO DA SOBREVIVÊNCIA
O presente parecer analisa a viabilidade de sobrevivência e ascensão política para agrupamentos que atualmente se encontram no “grau zero” de capital institucional.
Em um sistema estruturado para restringir a atuação de forças menores, a busca por frentes amplas ou a concentração exclusiva em disputas majoritárias de segundo turno configuram estratégias de alto risco. A sustentação política não se encontra no topo da pirâmide, mas na base que viabiliza o poder: a formação de uma bancada de deputados federais.
II. O DIAGNÓSTICO DO CAOS (O VALE DA MISÉRIA ETERNA)
A Cláusula de Barreira como mecanismo de exclusão
O atual sistema político impõe critérios mínimos de desempenho eleitoral. O não atingimento desses parâmetros resulta na perda de acesso ao Fundo Partidário, ao Fundo Eleitoral e ao tempo de propaganda, comprometendo a própria existência jurídica da legenda.
A limitação das estratégias majoritárias isoladas
A concentração de esforços em candidaturas com baixa viabilidade eleitoral reduz a capacidade de influência institucional. O poder político, na prática, decorre da capacidade de articulação e negociação no âmbito legislativo.
III. A ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA INSTITUCIONAL
Para agrupamentos em condição de fragilidade estrutural, a alocação eficiente de recursos torna-se fator determinante.
Prioridades estratégicas:
Câmara dos Deputados como eixo central
A eleição de deputados federais assegura acesso a recursos institucionais e amplia o poder de negociação política.
Senado como instrumento de projeção nacional
A obtenção de cadeiras no Senado fortalece a visibilidade e a capacidade de influência nas decisões estruturais do país.
Fluxo estratégico:
Recursos escassos → Foco em nichos eleitorais → Eleição de deputados federais → Acesso a financiamento e capacidade de negociação
IV. ADENDO TÁTICO: A DINÂMICA DAS PAUTAS DE ALTA VISIBILIDADE
A pauta da redução da jornada de trabalho (escala 6x1) emergiu como tema de grande repercussão pública.
Independentemente de sua viabilidade econômica, tais temas apresentam elevado potencial de mobilização social e engajamento político, sendo relevantes no contexto de disputas eleitorais.
V. COMUNICAÇÃO POLÍTICA EM AMBIENTES POLARIZADOS
Em cenários de alta fragmentação, diferentes segmentos do eleitorado respondem a abordagens distintas.
Dimensões de comunicação:
Discurso público
Ênfase em valores sociais, qualidade de vida e dignidade do trabalho.
Diálogo com setores produtivos
Discussões voltadas à sustentabilidade econômica, produtividade e impactos regulatórios.
Essa diferenciação reflete a diversidade de interesses presentes no ambiente político e econômico.
VI. PLANO DE AÇÃO PARA CANDIDATURAS PROPORCIONAIS
1. Foco territorial e segmentado
Identificação de regiões e grupos específicos com maior potencial de conversão eleitoral.
2. Posicionamento estratégico
Diferenciação em relação a atores políticos consolidados, com ênfase na consistência programática.
3. Engajamento de segmentos sub-representados
Atenção a trabalhadores informais e grupos com menor inserção institucional.
4. Fortalecimento de candidaturas competitivas
Apoio a lideranças com capacidade de ampliar a votação da legenda.
5. Autonomia decisória
Avaliação criteriosa de alianças, considerando impactos sobre candidaturas proporcionais.
6. Atuação legislativa futura
Utilização da representação parlamentar como instrumento legítimo de negociação e influência institucional.
VII. CONCLUSÃO
O sistema político brasileiro favorece estruturas organizadas e com presença legislativa consolidada.
A formação de uma bancada parlamentar constitui elemento central para a sustentabilidade institucional, garantindo acesso a recursos, visibilidade e capacidade de atuação no processo decisório.
Nesse contexto, a estratégia eleitoral deve priorizar a construção de base legislativa sólida como condição para inserção e permanência no cenário político nacional.
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