sábado, 27 de junho de 2026

Elogios

João Cabral de Melo Neto - "Tecendo a Manhã" (poesia poema verso literatura) João Araújo
Pão Nosso #070 - Elogios NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo Transmitido ao vivo em 6 de dez. de 2022 Série de estudos, com Artur Valadares, da obra "Pão Nosso", de Emmanuel/Chico Xavier.
“Mas ele disse: — Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.” — (LUCAS, 11.28) 1 Dirigira-se Jesus à multidão, com o enorme poder do seu amor, conquistando geral atenção. Mal terminara as observações amorosas e sábias, eis que uma senhora se levanta no seio da turba e, magnetizada pela sua expressão de espiritualidade sublime, reporta-se, em alta voz, às bem-aventuranças que deviam caber a Maria, por haver contribuído na vinda do Salvador à face da Terra. 2 Mas, prestamente, na perfeita compreensão das consequências infelizes que poderiam advir da atitude impensada, responde o Mestre que, antes de tudo, serão bem-aventurados os que ouvem a revelação de Deus e lhe praticam os ensinamentos, observando-lhe os princípios. 3 A passagem constitui esclarecimento vivo para que não se amorteça, entre os discípulos sinceros, a campanha contra o elogio pessoal, veneno das obras mais santas a sufocar-lhes propósitos e esperanças. 4 Se admiras algum companheiro que se categoriza a teus olhos por trabalhador fiel do bem, não o perturbes com palavras, das quais o mundo tem abusado muitas vezes, construindo frases superficiais, no perigoso festim da lisonja. 5 Ajuda-o, com boa vontade e entendimento, na execução do ministério que lhe compete, sem te esqueceres de que, acima de todas as bem-aventuranças, brilham os divinos dons daqueles que ouvem a Palavra do Senhor, colocando-a em prática. Emmanuel Texto extraído da 1ª edição desse livro. 70 Elogios
Título: 21 - O COMEÇO DO FIM. OS ANÚNCIOS CONTINUAM Autor: Corina Novelino Página: 224 Transcrição integral: Os avisos de Eurípedes relacionados à próxima desencarnação continuaram como um preparo inevitável para os corações amigos. Sucederam-se a tal ponto, que se espalharam pelas localidades vizinhas. O segundo anúncio, D. Amália recolheu-o do próprio Eurípedes. Relatou-lhe ele uma conversa que mantivera com D. Chiquinha, a velha avó da secretária — que o havia interpelado sobre a saúde de D. Meca. — Minha velha — acentuou Eurípedes — apesar de muito compreensiva e resignada acha-se muito abatida com o desencarne de Cora. Porque é o primeiro membro adulto da família que se vai. Mas, ela vai perder logo outro familiar, fato que a fará sofrer muito mais. A neta foi toda de branco e esse outro irá de preto... A secretária compreendeu que se tratava da repetição daqueles avisos de morte. Cora Natal era filha de Eulógio e desencarnou aos 19 anos, cheios de esperanças e de sonhos, emoldurados pela grande beleza da jovem e por predicados incomuns do Espírito. No dia subseqüente ao do enterro de Cora, quando Eurípedes tomava o seu costumeiro banho de imersão, viu-se todo de preto, na câmara mortuária, na sala de sua residência. Esse fato fora relatado à D. Amália e a alguns auxiliares da Farmácia, que dele ainda se recordam com profunda emoção e tristeza. Certa manhã, Eurípedes, contrariamente ao hábito de relacionar as ocorrências da noite, no campo espiritual, sentou-se à mesa de trabalho. Imediatamente, viram-no em atitude de recolhimento. D. Amália julgou-o muito fatigado e que, naquelas circunstâncias, ele recebia o receituário por via mecânica. Mas, em poucos minutos, dirigiu-se à secretária: — D. Amália, prepare-se para anotar o que vou descrever. São Vicente de Paulo está a meu lado convida-me para um passeio muito longo, na companhia dele. Trata-se de uma excursão espiritual. A secretária colocou-se em posição de atender à recomendação do mentor. Eurípedes continua: Resumo rigoroso (breve): O texto relata a continuidade dos avisos espirituais de Eurípedes sobre mortes iminentes, incluindo a previsão de nova perda familiar após o falecimento de Cora Natal. Descreve-se um episódio visionário em que Eurípedes se vê em ambiente mortuário, reforçando tais presságios. Em seguida, narra-se um momento em que, sob recolhimento, ele comunica à secretária um convite espiritual de Vicente de Paulo para uma longa excursão no plano espiritual. Arvo Pärt- Spiegel im Spiegel playingmusiconmars 2 de jun. de 2010 Performed by Jürgen Kruse (Piano) and Benjamin Hudson (viola) Título da obra: Eurípedes – O Homem e a Missão Autor: Corina Novelino Página: 225 Transcrição integral: — São Vicente me toma as mãos e diz-me: “Vamos, meu filho. Diga à D. Amália que não se preocupe, e tome nota de tudo”. Eurípedes anuncia à D. Amália: — Caminhamos por uma estrada clara, cheia de luminosidades intensas. As campinas floridas sucedem-se neste caminho de luz. Andamos ainda estrada afora. O vento leve perpassa pelos prados, estabelece-se um ondulado belíssimo, envolto em melodiosos sons. De quando em quando, Eurípedes reafirma: — Estamos andando e a paisagem é a mesma. E continua, a certa altura: — Avistamos uma árvore muito frondosa, ao longe, e caminhamos na sua direção. Estamos nos aproximando... Chegamos... Eurípedes descreve a amenidade da sombra daquela árvore, onde o viajor exausto encontra conforto e descanso. Após significativa pausa, Eurípedes prossegue: — D. Amália, esta árvore é tão maravilhosamente bela que não encontro comparação para que a senhora possa ter uma ideia de seu esplendor. Na Terra nada existe que se assemelhe às fulgurações dela. Todavia, tentarei um recurso comparativo: Imagine a senhora que este vegetal seja constituído inteiramente de ouro lavrado, batido pelos raios solares e terá uma ideia remota da realidade. Em cada folha, há uma palavra escrita — assinala Eurípedes — como: Deus. Jesus. Amor. Justiça. Tolerância. Paz. Esperança. Luz. Renúncia. Devotamento. Beneficência. Trabalho. Compreensão. E novamente, à secretária: — D. Amália, não é preciso que eu leia mais. A senhora compreendeu muito bem a significação desta árvore magnífica. Como a interpretaria a senhora? — A árvore simboliza a meu ver, o Cristianismo puro porque consubstancia todos os princípios salvadores exarados por Jesus. — Sua interpretação está boa, mas conversaremos a este respeito, quando fizermos um estudo mais detalhado do assunto. Nessa altura, prossegue: — São Vicente convida-me a prosseguir na viagem. Saímos. A estrada é a mesma. Andamos sempre sem parar. Avisto uma escada ao longe. Vai da Terra ao Infinito. Digo infinito, D. Amália, porque não diviso o seu fim. A seguir, Eurípedes afirma que havia alcançado, juntamente ao bondoso Guia, a base da escada. Resumo rigoroso (breve): O texto descreve a experiência espiritual de Eurípedes guiado por São Vicente de Paulo por uma paisagem luminosa. Destaca-se a visão de uma árvore simbólica, cujas folhas contêm valores cristãos fundamentais, interpretada como representação do Cristianismo puro. A narrativa prossegue com a continuação da jornada até a visão de uma escada que se estende da Terra ao Infinito, cuja base é alcançada por Eurípedes. Título da obra: Eurípedes – O Homem e a Missão Autor: Corina Novelino Página: 226 Transcrição integral: — Chegamos à escada. Começamos a subir... estamos subindo... subindo muito levemente, com asas nos pés... Eurípedes acha-se na posição inicial — olhos fechados, enquanto o Espírito prossegue na viagem, rumo às alturas siderais. A descrição da subida continua até que Eurípedes declara: Atingimos o topo da escada. São Vicente afirma, quando colocamos o pé direito no último degrau: — “Meu filho, está terminada a nossa missão na Terra. Estamos atingindo outra esfera.” — D. Amália — diz Eurípedes — a estrutura deste mundo é desconhecida para mim. Não lhe conheço os elementos físicos. Mas, para que a senhora tenha uma idéia aproximada do embasamento cósmico deste Plano, imagine-o constituído de mármore ou de jaspe. Porém, de um mármore com reverberações fascinantes. A superfície esplende-se em luminosidades próprias, verdadeiramente estonteantes. Não consigo traduzir senão vagamente para que a senhora tenha uma pálida visão da realidade. — São Vicente acentua: “Meu filho, este plano é uma mansão de Paz e bem-aventurança. Aqui é a morada daqueles que souberam bem desempenhar a sua tarefa de Amor, na Terra. É aqui sua morada, meu filho.” Prosseguindo, Eurípedes informa: — E agora, D. Amália, vejo chegar um número incalculável de cartas e telegramas... a senhora talvez tenha de tomar um secretário para auxiliá-la na tarefa de agradecimento. O transe sonambúlico chegara ao fim. Havia decorrido meia hora. Nessa altura, D. Amália coloca-se em expectativa, sem saber se o despertaria ao leve toque de suas mãos ou se o chamaria. Optou pelo vocativo: — S’Eurípedes! S’Eurípedes! — Senhora! Estou desperto... Ele sorriu de leve. Retomaram posição para os serviços de rotina. O calendário marcava: 25 de abril de 1918. Resumo rigoroso (breve): O texto conclui a experiência espiritual com a subida de Eurípedes por uma escada até outra esfera, onde São Vicente declara encerrada sua missão terrena e descreve um plano de paz destinado aos que cumpriram a lei do amor. Após a visão, Eurípedes menciona a chegada de numerosas mensagens, e o transe termina, com retorno às atividades normais em 25 de abril de 1918. REGRESSO - RAUL MORAES - Cantam: Hamilton Florentino , Tatiana Monteiro e Lília - EDITORA SONOCOM Sonocom Gravações e Edições Musicais 3 de abr. de 2020 #raulmoraes #editorasonocom Regresso Composição:Raul Moraes Cantam: Hamilton Florentino , Tatiana Monteiro e Lília Raul Corumila de Morais (Raul Moraes) 2/2/1891 Recife, PE 7/9/1937 Recife, PE Ainda jovem começou a se apresentar em diversas casas noturnas do Recife, entre as quais, o Café Chic Juventude e Cine Teatro Helvética. Em 1910 passou a atuar como pianista da dupla de cançonetistas "Os Geraldos", que naquele ano, realizaram excursão ao norte e ao sul do país. Apresentou-se em Porto Alegre, tendo sido na ocasião convidado a ministrar aulas na Academia de Canto Musical daquela cidade. Viveu por dez anos na cidade de Porto Alegre. Em 1920, retornou ao Recife. Compôs marchas de carnaval para inúmeros blocos da cidade, tendo participado de inúmeros festivais de música. Trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco como maestro. Em 1927, sua canção "Na praia", foi gravada na Odeon pelos Turunas da Mauricéia, com Augusto Calheiros no vocal. Em 1930 Francisco Alves gravou as marchas "Cruzes...figa prá você" e "Aguenta quem pode". No mesmo ano, teve mais dez composições gravadas. Paraguassu e Zilda Morais gravaram o samba "Meu bem vem cá", e o maxixe "Tá tudo se acabando". Elsie Houston gravou a modinha "Por teu amor, por ti", Januário de Oliveira gravou as marchas "Eu só gosto é de você" e "Regresso", e Januário de Oliveira e Elsie Houston gravaram a marcha "Tá zangadinha?". Teve ainda a canção "Rosa do sul" gravada por Paraguassu, a marchinha "Eu só digo a você" lançada por Ildefonso Norat, a canção "O beijo", por Abgail Parecis, e o coco "Lenhadô", por Stefana de Macedo. Apresentou-se em diversos países, entre os quais, Argentina, Alemanha e Portugal. Entre suas composições estão marchas, valsas, hinos religiosos, foxes, dobrados e marchas patrióticas. Em 1974, foi lançado o disco "Edgar e Raul Morais", pela gravadora Rozenblit, de Pernambuco, onde aparecem algumas obras de sua autoria, entre as quais, "Marcha da folia", "Adeus pirilampos", "Despedida" e "Batutas brejeiros", esta feita em homenagem ao Bloco Batutas da Boa Vista. Um de seus maiores sucesso foi a marcha "Regresso", que foi evocada por Nelson Ferreira no clássico frevo "Evocação nº 1", que também homenageia seu nome, Raul Morais, antecedendo-lhe pelo adjetivo "Velho". Em 1999 teve a sua "Marcha da folia" gravada por Antônio Nóbrega no CD "Na pancada do ganzá". Em 2008, teve a música "Valores do passado", de sua autoria, gravada pelo cantor e compositor André Rio, no CD "Cem Carnavais", lançado através de produção independente. Orquestra Nelson Ferreira - Evocação Nº 1 Evocação Nº 1 Nelson Ferreira Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon Cadê teus blocos famosos? Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, apôs-fum Dos carnavais saudosos Na alta madrugada O coro entoava Do bloco a marcha-regresso E era o sucesso dos tempos ideais Do velho Raul Moraes Adeus, adeus minha gente Que já cantamos bastante E Recife adormecia Ficava a sonhar Ao som da triste melodia Composição: Nelson Ferreira.
A todos os que podem dar, pouco ou muito, direi, pois: dai esmola quando for preciso; mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a receba não se envergonhe dela.Fénelon. (Argel, 1860.) “Que o seu sábado tenha a mesma leveza que você oferece ao mundo.” #139 - DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS - PALESTRA ESPÍRITA Grupo Espírita Beneficente Dr. Hermann Transmitido ao vivo em 28 de ago. de 2020 GRUPO ESPÍRITA BENEFICENTE DR HERMANN DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS - PALESTRA ESPÍRITA Grupo Espírita Beneficente Dr. Hermann O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVI, Itens 14 e 15. Expositora: Marcelle Desprendimento dos bens terrenos 14. Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos o meu óbolo, a fim de vos ajudar a avançar, desassombradamente, pela senda do aperfeiçoamento em que entrastes. Nós nos devemos uns aos outros; somente pela união sincera e fraternal entre os Espíritos e os encarnados será possível a regeneração. O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios os cofres, não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de flores não há sempre oculto um réptil? Compreendo a satisfação, bem justa, aliás, que experimenta o homem que, por meio de trabalho honrado e assíduo, ganhou uma fortuna; mas, dessa satisfação, muito natural e que Deus aprova, a um apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração vai grande distância, tão grande quanto a que separa da prodigalidade exagerada a sórdida avareza, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, santa e salutar virtude que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem baixeza. Quer a fortuna vos tenha vindo da vossa família, quer a tenhais ganho com o vosso trabalho, há uma coisa que não deveis esquecer nunca: é que tudo promana de Deus, tudo retorna a Deus. Nada vos pertence na Terra, nem sequer o vosso pobre corpo: a morte vos despoja dele, como de todos os bens materiais. Sois depositários e não proprietários, não vos iludais. Deus vo-los emprestou, tendes de lhos restituir; e ele empresta sob a condição de que o supérfluo, pelo menos, caiba aos que carecem do necessário. Um dos vossos amigos vos empresta certa quantia. Por pouco honesto que sejais, fazeis questão de lha restituirdes escrupulosamente e lhe ficais agradecido. Pois bem: essa a posição de todo homem rico. Deus é o amigo celestial, que lhe emprestou a riqueza, não querendo para si mais do que o amor e o reconhecimento do rico. Exige deste, porém, que a seu turno dê aos pobres, que são, tanto quanto ele, seus filhos. Ardente e desvairada cobiça despertam nos vossos corações os bens que Deus vos confiou. Já pensastes, quando vos deixais apegar imoderadamente a uma riqueza perecível e passageira como vós mesmos, que um dia tereis de prestar contas ao Senhor daquilo que vos veio dEle? Olvidais que, pela riqueza, vos revestistes do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes? Portanto, quando somente em vosso proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao Amigo que vos favorecera e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz. Em vão procurais na Terra iludir-vos, colorindo com o nome de virtude o que as mais das vezes não passa de egoísmo. Em vão chamais economia e previdência ao que apenas é cupidez e avareza, ou generosidade ao que não é senão prodigalidade em proveito vosso. Um pai de família, por exemplo, se abstém de praticar a caridade, economizará, amontoará ouro, para, diz ele, deixar aos filhos a maior soma possível de bens e evitar que caiam na miséria. É muito justo e paternal, convenho, e ninguém pode censurar. Mas será sempre esse o único móvel a que ele obedece? Não será muitas vezes um compromisso com a sua consciência, para justificar, aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo, seu apego pessoal aos bens terrenais? Admitamos, no entanto, seja o amor paternal o único móvel que o guie. Será isso motivo para que esqueça seus irmãos perante Deus? Quando já ele tem o supérfluo, deixará na miséria os filhos, por lhes ficar um pouco menos desse supérfluo? Não será, antes, dar-lhes uma lição de egoísmo e endurecer-lhes os corações? Não será estiolar neles o amor ao próximo? Pais e mães, laborais em grande erro, se credes que desse modo granjeais maior afeição dos vossos filhos. Ensinando-lhes a ser egoístas para com os outros, ensinais-lhes a sê-lo para com vós mesmos. A um homem que muito haja trabalhado, e que com o suor de seu rosto acumulou bens, é comum ouvirdes dizer que, quando o dinheiro é ganho, melhor se lhe conhece o valor. Nada mais exato. Pois bem! Pratique a caridade, dentro das suas possibilidades, esse homem que declara conhecer todo o valor do dinheiro, e maior será o seu merecimento, do que o daquele que, nascido na abundância, ignora as rudes fadigas do trabalho. Mas, também, se esse homem, que se recorda dos seus penares, dos seus esforços, for egoísta, impiedoso para com os pobres, bem mais culpado se tornará do que o outro, pois, quanto melhor cada um conhece por si mesmo as dores ocultas da miséria, tanto mais propenso deve sentir-se em aliviá-las nos outros. Infelizmente, sempre há no homem que possui bens de fortuna um sentimento tão forte quanto o apego aos mesmos bens: é o orgulho. Não raro, vê-se o arrivista atordoar, com a narrativa de seus trabalhos e de suas habilidades, o desgraçado que lhe pede assistência, em vez de acudi-lo, e acabar dizendo: “Faça o que eu fiz.” Segundo o seu modo de ver, a bondade de Deus não entra por coisa alguma na obtenção da riqueza que conseguiu acumular; pertence-lhe a ele, exclusivamente, o mérito de a possuir. O orgulho lhe põe sobre os olhos uma venda e lhe tapa os ouvidos. Apesar de toda a sua inteligência e de toda a sua aptidão, não compreende que, com uma só palavra, Deus o pode lançar por terra. Esbanjar a riqueza não é demonstrar desprendimento dos bens terrenos: é descaso e indiferença. Depositário desses bens, não tem o homem o direito de os dilapidar, como não tem o de os confiscar em seu proveito. Prodigalidade não é generosidade: é, freqüentemente, uma modalidade do egoísmo. Um, que despenda a mancheias o ouro de que disponha, para satisfazer a uma fantasia, talvez não dê um centavo para prestar um serviço. O desapego aos bens terrenos consiste em apreciá-los no seu justo valor, em saber servir-se deles em benefício dos outros e não apenas em benefício próprio, em não sacrificar por eles os interesses da vida futura, em perdê-los sem murmurar, caso apraza a Deus retirá-los. Se, por efeito de imprevistos reveses, vos tornardes qual Job, dizei, como ele: “Senhor, tu mos havias dado e mos tiraste. Faça-se a tua vontade.” Eis aí o verdadeiro desprendimento. Sede, antes de tudo, submissos; confiai nAquele que, tendo-vos dado e tirado, pode novamente restituir-vos o que vos tirou. Resisti animosos ao abatimento, ao desespero, que vos paralisam as forças. Quando Deus vos desferir um golpe, não esqueçais nunca que, ao lado da mais rude prova, coloca sempre uma consolação. Ponderai, sobretudo, que há bens infinitamente mais preciosos do que os da Terra e essa idéia vos ajudará a desprender-vos destes últimos. O pouco apreço que se ligue a uma coisa faz que menos sensível seja a sua perda. O homem que se aferra aos bens terrenos é como a criança que somente vê o momento que passa. O que deles se desprende é como o adulto que vê as coisas mais importantes, por compreender estas proféticas palavras do Salvador: “O meu reino não é deste mundo.” A ninguém ordena o Senhor que se despoje do que possua, condenando-se a uma voluntária mendicidade, porquanto o que tal fizesse tornar-se-ia em carga para a sociedade. Proceder assim fora compreender mal o desprendimento dos bens terrenos. Fora egoísmo de outro gênero, porque seria o indivíduo eximir-se da responsabilidade que a riqueza faz pesar sobre aquele que a possui. Deus a concede a quem bem lhe parece, a fim de que a administre em proveito de todos. O rico tem, pois, uma missão, que ele pode embelezar e tornar proveitosa a si mesmo. Rejeitar a riqueza, quando Deus a outorga, é renunciar aos benefícios do bem que se pode fazer, gerindo-a com critério. Sabendo prescindir dela quando não a tem, sabendo empregá-la utilmente quando a possui, sabendo sacrificá-la quando necessário, procede a criatura de acordo com os desígnios do Senhor. Diga, pois, aquele a cujas mãos venha o que no mundo se chama uma boa fortuna: Meu Deus, tu me destinaste um novo encargo; dá-me a força de desempenhá-lo segundo a tua santa vontade. Aí tendes, meus amigos, o que eu vos queria ensinar acerca do desprendimento dos bens terrenos. Resumirei o que expus, dizendo: Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, porquanto a riqueza não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que os bens de que dispondes apenas vos estão confiados e que tendes de justificar o emprego que lhes derdes, como se prestásseis contas de uma tutela. Não sejais depositário infiel, utilizando-os unicamente em satisfação do vosso orgulho e da vossa sensualidade. Não vos julgueis com o direito de dispor em vosso exclusivo proveito daquilo que recebestes, não por doação, mas simplesmente como empréstimo. Se não sabeis restituir, não tendes o direito de pedir, e lembrai-vos de que aquele que dá aos pobres, salda a dívida que contraiu com Deus. Lacordaire. (Constantina, 1863.) 2ª Parte - Cap I - Origem e Natureza dos Espíritos; Mundo Normal Primitivo; Perispírito / Leda CEFAK Transmitido ao vivo em 17 de mai. de 2017 Centro Espírita Fraternidade Allan Kardec - CEFAK www.cefak.org.br Inscreva-se no Canal https://goo.gl/pxBQSR Esta é uma gravação de uma reunião realizada no CEFAK.
PPT - Sobre a estrutura didática de “O livro dos Espíritos” Parte segunda — Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos Capítulo I — Dos Espíritos Origem e natureza dos Espíritos. 76. Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o universo, fora o mundo material.” NOTA: A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente universal. 77. Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus? “Meu Deus! São obra de Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do homem, não é o próprio homem. Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem, o mesmo se dá com relação a Deus: somos seus filhos, pois que somos obra sua.” 78. Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade? “Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação sua e se acham submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável. Quanto, porém, ao modo pelo qual nos criou e em que momento o fez, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se quiseres com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito-te, nenhum o sabe: aí é que está o mistério.” 79. Pois que há dois elementos gerais no universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material? “Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.” 80. A criação dos Espíritos é permanente, ou só se deu na origem dos tempos? “É permanente. Quer dizer: Deus jamais deixou de criar.” 81. Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros? “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.” 82. Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais? “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação, e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.” Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque sua essência difere de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as ideias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação. 83. Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim. “Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer.”
Seja uma pessoa sábia. A sabedoria entra quando você lhe abre as portas.

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