Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
segunda-feira, 8 de junho de 2026
🎵 O BRASIL NÃO CONHECE BRAZÓPOLIS: O BRAZIL NÃO CONHECE ITAMAR
A IA não conhece Mamão, o Mamão desconhece a IA.
The Untold Story of 'o amigo do amigo do meu pai."
Elis Regina - Querelas do Brasil (Legendado/PT - BR)
A história não contada de Dias Toffoli
Spotniks
The Untold Story of Dias Toffoli
Entrevista: 'Defesa do Pix materializa a soberania, sai do abstrato’, diz cientista político Guilherme Casarões
Professor e pesquisador da política externa brasileira vê saldo desfavorável ao bolsonarismo após casos envolvendo os EUA
Por Caio Sartori
07/06/2026 03h30 Atualizado há um dia
O professor e especialista em Relações Internacionais Guilherme Casarões — Foto: Divulgação
RESUMO
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Professor da Florida International University e coordenador do Observatório da Extrema Direita, o cientista político Guilherme Casarões afirma que os ataques americanos ao Pix ajudam o presidente Lula a transformar a defesa da soberania em algo palpável. Avalia ainda que o vaivém de Donald Trump na relação com o Brasil se dá na esteira de disputas internas de poder no governo americano.
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Política: Pré-candidatos aliados de Lula e Flávio Bolsonaro modulam tom sobre os EUA para não se expor e defender padrinhos
O que explica as ações dos EUA depois de um encontro que pareceu bem-sucedido entre Lula e Trump?
Essas agendas já tinham começado no ano passado. O governo Trump se move de maneira meio descoordenada. Há muitos núcleos de interesse dentro do governo, cada um tocando suas agendas setoriais. O (secretário de Estado) Marco Rubio, em particular, é o operador de uma política muito específica para a América Latina, em que o Brasil é considerado rival. Tanto que foi quem menos se engajou com Lula. Tendemos sempre a olhar para tudo que Trump faz como parte de uma estratégia. Claro que parte disso é calculado, mas existe também um timing que vai ao sabor de disputas internas do governo.
Mas chama atenção Trump postar foto com Flávio no dia do anúncio das tarifas.
Esse é o ponto mais estranho. Pode ser que Trump tenha feito o cálculo de achar que poderia impulsionar Flávio. Na reunião com Flávio, no entanto, ele elogiou Lula. Então não sei o quanto Trump está entendendo o tamanho do impacto dos atos dele para a dinâmica eleitoral do Brasil.
O novo tarifaço e os ataques ao Pix têm potencial para ajudar Lula de novo, como aconteceu no ano passado?
Acredito que sim. No momento da designação do PCC e do CV como terroristas, avaliei que Flávio tinha conseguido tomar a rédea da narrativa: deu coletiva em Washington, falou que tinha pedido abertamente a Trump, e a denominação saiu pouco depois. Ficaria muito difícil o governo Lula criticar a decisão de Trump sem parecer que estava “defendendo bandido”. Mas vieram as tarifas logo na sequência, e o vídeo atrapalhado do Eduardo Bolsonaro (em que sugere a possibilidade de trocar o Pix por um modelo americano). Lula conseguiu entrar na ofensiva quando se encontrou com Trump. Flávio vai aos EUA, vira a página e coloca o governo na defensiva, mas agora com as tarifas é de novo o bolsonarismo quem está se defendendo, e de maneira meio histérica.
Lula ganhou o Pix de bandeja como arma eleitoral?
Diria que sim, porque a questão do Pix fala, no fim das contas, de soberania, por ser um mecanismo de pagamentos desenvolvido pelo Brasil, que incluiu milhões de pessoas no sistema bancário. Tem uma questão de orgulho nacional, que por muito tempo o próprio bolsonarismo tentou capitalizar. Há duas semanas, eu pensava que ficaria muito difícil Lula defender soberania no abstrato. A questão do Pix materializa a defesa da soberania em algo que todo mundo usa, sai do abstrato.
A denominação de CV e PCC ainda pode ser uma arma forte para o bolsonarismo?
Como segurança pública é um tema central do debate eleitoral, tenho certeza que isso renderá. E é claro que Trump pode tomar alguma outra medida, o que é o grande perigo dessa denominação: abrir precedente para que os EUA realizem medidas de ordem econômica, jurídica ou mesmo militar contra o Brasil, a fim de dar um empurrãozinho na candidatura do Flávio. O que tem que ser calculado por eles é se uma interferência mais ostensiva dos EUA com base nessa decisão vai de fato ajudar o Flávio ou contribuir para a posição do governo Lula.
Quais riscos de intervenção o senhor enxerga?
Embora o risco seja muito pequeno, até porque CV e PCC não têm conexões diretas com os EUA, e sim por meio de intermediários, isso começa a ficar mais tangível no sentido de congelamento de ativos financeiros de empresas que são suspeitas de ter relação com as facções. O grande problema é esse, abrir a possibilidade de uma interferência pela via econômica e ter um impacto que transborde para todo o sistema, desde fintechs a bancos e o próprio Pix.
Uma máxima atribuída a Ulysses Guimarães diz que política externa só dá voto no Burundi. Isso ficou ultrapassado? Vemos hoje um protagonismo inédito da pauta?
Já houve a percepção de que era importante internacionalizar a campanha, mas isso é diferente de política externa. Trazer temas de política externa é algo recente. Tivemos alguns ensaios, mas quem faz isso de fato é Bolsonaro em 2018, com promessas sobre Venezuela, alinhamento com Trump e a história de mudança da embaixada de Israel para Jerusalém. Agora, a política externa volta a importar porque os EUA se debruçam sobre a América Latina de maneira fundamentalmente nova. Não é a Doutrina Monroe do século XIX; é muito mais que isso. Não se trata de falar “América para os americanos” e resguardar o continente. A extensão dos instrumentos que os EUA têm hoje é muito maior. São capazes de retirar empresas do setor financeiro, penalizar autoridades com restrição de visto e de acesso ao sistema financeiro — caso da Magnitsky — e de designar grupos como terroristas e abrir portas para intervenção. E Trump usou praticamente tudo contra o Brasil.
Versão: Na Cadência do Canhota de Ouro
"Olha aqui, malandro, presta atenção no serviço. Quem viu as arrancadas do Eurico pelo corredor esquerdo sabe muito bem do que eu estou falando. O cara saiu lá do nosso querido Canto do Rio de Niterói — mesma escola onde eu comecei a gastar a bola — para deitar e rolar no time carijó de Santa Terezinha.
Quem conhece o riscado olhou para aquele garoto que substituiu o Ronaldinho aos 45 minutos do segundo tempo e matou a charada na hora: mesmo biotipo, mesmo topetinho de Zé Bento e a mesmíssima função tática. Foi uma jogada de xadrez. O Denílson entrou ali na canhota puramente para preencher espaço, prender a bola no campo de ataque e fazer o relógio correr. Se precisasse, ele tinha recurso para ir à linha de fundo e cruzar, claro. Mas a ordem do banco não era essa; o negócio era reter o entono no setor ofensivo e picotar o ritmo do jogo. Basta ver o volume que ele arrumou naqueles breves segundos de catimba. O destro Joacy Soares Lima cansou de fazer exatamente esse papel, respeitando rigidamente a lousa e os comandos do Magela.
O Eurico, é verdade, não levantou taça de Copa do Mundo e nem precisou entrar no finzinho de um Mundial para aparecer nos livros de história. Mas escuta essa: o que esse bloco aprontou no final da década de 1960 não foi brincadeira. Ele arrancou lá de Niterói para se juntar aos companheiros do Tupi e assombrar os chamados 'grandes' de Belo Horizonte dentro do Mineirão recém-inaugurado. Não é à toa que aquele Galo Carijó virou o legítimo 'Fantasma do Mineirão'. Ali tinha tática, tinha malandragem e, acima de tudo, tinha bola!"
O Tempo e o Senhor da Razão
Fernando Henrique Cardoso, antes de ser o intelectual da Sorbonne ou o presidente do Plano Real, foi um jovem panfletário. Na década de 1950, carregava as pastas do pai, o general Leônidas Cardoso, deputado pelo PTB de Getúlio Vargas, na emblemática campanha do "O Petróleo é Nosso". Havia ali um paradoxo que o tempo destrincharia: o desenho final da Petrobras brotou não do nacionalismo getulista, mas de um substitutivo da UDN, que ampliava a estatização para desidratar o projeto do Executivo.
A herança mais pesada da era Vargas, contudo, não estava no subsolo, mas nas fábricas. O DNA do trabalhismo assentava-se na unicidade sindical — cópia carbono da fascista Carta del Lavoro de Benito Mussolini. Décadas depois, nos anos 1970, um jovem líder grevista do ABC paulista ganharia o país justamente pregando o enterro desse entulho corporativista e pelego, exigindo o pluralismo nas bases.
A roda da história é caprichosa e adora uma ironia de gabinete. Em 1990, o Palácio do Planalto foi ocupado por Fernando Collor de Mello, neto de Lindolfo Collor, o mesmíssimo primeiro titular do Ministério do Trabalho criado por Vargas para enquadrar os operários em 1930. Na vice-presidência de Collor, assentava-se o topete de Itamar Franco, um histórico e autêntico petebista da Juiz de Fora dos anos 1950, órfão da legenda extinta pelo golpe de 1964.
Collor detestava o Palácio da Alvorada; preferia o isolamento da Casa da Dinda. De lá saía para seus rituais de jogging matinal, transformados em comícios mudos pelo gênio de seus marqueteiros. O "Caçador de Marajás" usava o próprio peito como outdoor, exibindo camisetas com frases de efeito. Numa manhã cinzenta, desfilou exibindo em letras garrafais uma máxima que carregava tanto de premonição quanto de deboche: "O Tempo É O Senhor Da Razão".
Diante do que o destino reservava a cada um desses personagens, o cronista só pode murmurar: pois é.
Síntese Final
Conclui-se, portanto, que o embate entre o "Brasil" e o "Brazil" é uma ferida aberta e produtiva. Em vez de uma sucessão cronológica onde uma música supera a outra, o que existe é uma coexistência tensa e dialética. As águas de Tom Jobim continuam a correr e a fechar o verão, enquanto o batuque de Maurício Tapajós e Aldir Blanc segue cobrando o reconhecimento das nossas fraturas sociais. É na impossibilidade de se resolver esse nó que reside a riqueza inesgotável da música popular brasileira.
domingo, 7 de junho de 2026
Era no tempo do Lalau, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Em testemunho inédito, ex-presidente narra manobras do Congresso para sangrar o orçamento na República Velha
Esqueça o Brasil polarizado de hoje. Em 1914, a eleição presidencial teve um único candidato: Wenceslau Braz. O mineiro foi ungido pela política do café com leite, pacto de oligarquias rurais que dirigia a República Velha. Sem adversários após a desistência de Ruy Barbosa, só precisou vencer a própria insegurança para assumir o poder.
“Me julgava pequenino ante tamanha responsabilidade”, confessa, em depoimento que chega às livrarias nos 60 anos de sua morte. “Convicção de meu pouco preparo ou comodismo, o certo é que o posto mais alto jamais aspirei”, justifica-se.
As memórias póstumas logam luz sobre o nono presidente brasileiro, que era ridicularizado pela imprensa e descrito como azarado e indeciso. No texto, “Seu Lalau” se apresenta como um político de pouca ambição, mas com alma de estadista.
“Assumi o cargo sem compromissos senão aqueles que a honra e o patriotismo impõem”, assegura. Ele descreve a rotina no Catete como uma vida de sacrifícios. “É de ver-se quanto trabalhei, que esforço supremo empreguei para cumprir o penoso dever! Dia e noite dediquei-me ao serviço público, despreocupado de mim e de minha família”, valoriza.
Wenceslau foi vice do antecessor, o marechal Hermes da Fonseca. Com medo de ser visto como traíra, prometeu ficar longe do Rio para evitar “intrigas e mexericos”. “Toda oposição aspira atirar o vice-presidente contra o presidente”, explica.
Eleito chefe de governo, ele diz ter encontrado uma calamidade nas finanças. “Fiquei estarrecido! Sem dinheiro, sem crédito, quase sem renda e devendo os cabelos da cabeça, eis a situação!”, exclama. Passou a tesourar gastos, incluindo os do palácio. “Minhas filhas ou andavam de bond ou de taxis pagos pelo meu bolso”, orgulha-se.
O mineiro viveu tempos turbulentos. Seu mandato coincidiu com a Primeira Guerra Mundial, a gripe espanhola e a Greve Geral de 1917. Ele não escreve uma linha sobre o levante operário, que mandou reprimir com violência. Ao narrar a vida de industrial após deixar a política, diz que tratava os trabalhadores “como amigos, quase como filhos”.
A entrada na política se deu pela via do familismo. O “venerando pai”, Francisco Braz, era chefe conservador no interior de Minas. “Fui político, muito político desde meus 12 anos”, escreve Wenceslau. Aos 24, ele se elegeu deputado estadual graças à máquina operada pelo clã. “Prestígio no estado não tenho, nem poderia ter”, admitiu a um amigo. Sua cidade natal, São Caetano da Vargem Grande, viraria Brazópolis em homenagem ao patriarca.
O ex-presidente rascunhou as memórias num caderno de capa dura, “para conhecimento de meus descendentes.” O documento ficou guardado por seis décadas, até que os herdeiros autorizaram a publicação sob o título “Esboço de minha vida política”. No posfácio, o historiador Francisco Alambert observa que o ex-presidente, “certamente sem se dar conta, descreve o passo a passo da política de compadrio, favorecimento e concentração de poder” que marcou a Primeira República.
O Brasil mudou muito, mas não mudou em tudo. Ao relembrar embates com o Congresso, Wenceslau critica as “caudas orçamentárias”, antepassadas do orçamento secreto. “Não se pode imaginar os escândalos que houve”, afirma. O ex-presidente diz que os parlamentares criavam dificuldades para emplacar emendas pouco republicanas, que causavam “verdadeiras sangrias no pobre Tesouro”. “Despesas sumptuárias, favores pessoais, eram por essa forma aprovados”, conta.
TRISTEZA PÉ NO CHÃO CLARA NUNES
Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação
Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Fiz o estandarte com as minhas mágoas
Usei como destaque a tua falsidade
Do nosso desacerto fiz meu samba enredo
Do velho som do minha surda dividi meus versos
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Nas platinelas do pandeiro coloquei surdina
Marquei o último ensaio em qualquer esquina
Manchei o verde esperança da nossa bandeira
Marquei o dia do desfile para quarta-feira
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Música
1 músicas
Tristeza Pé No Chão
Clara Nunes
🎵 O BRASIL NÃO CONHECE BRAZÓPOLIS: O BRAZIL NÃO CONHECE ITAMAR
(Versão Harmônica Avançada)
(Introdução: Am6 / E7(b9) / Am6 / E7(b9))
[Verso 1]
Am6 A7(b13)
O Brasil que se diz tão sabidoDm7 G7(9) C7M F7MAnda cego, não quer enxergar!Bm7(b5) E7(b9) Am6O Brasil não conhece Brazópolis,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O Brazil não conhece Itamar!Am6 A7(b13)Lá no Sul de Minas Gerais,Dm7 G7(9) C7M F7MOnde a lua parece reinar,Bm7(b5) E7(b9) Am6Tem luneta espiando o espaçoBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7 (Baixada para o Refrão)E um Fusca querendo rodar![Refrão - Transição para Lá Maior]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro,Bm7 E7(9) A7M E7(9)Guardada no pé da subida!Em7 A7(9) D7M Dm6Itamar nasceu lá no terreiro,C#m7 F#7(b13) Bm7 E7(9) (Na 2ª vez resolve em Am6)Bahia foi onde deu vida!Am6 A7(b13)O Brasil não conhece Brazópolis,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O Brazil não conhece Itamar![Verso 2]Am6 A7(b13)Disseram que veio do mar,Dm7 G7(9) C7M F7MNum navio jogado ao vento,Bm7(b5) E7(b9) Am6Mas a Ladeira Fonte das PedrasBb7M E7(b9) Am6 E7(b9)Assina o seu nascimento!Am6 A7(b13)Seu pai não foi homem de guerra,Dm7 G7(9) C7M F7MNem farda mandou costurar.Bm7(b5) E7(b9) Am6Augusto era só engenheiro,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)E a régua ajudou a traçar!Am6 A7(b13)Enquanto a história se perdeDm7 G7(9) C7M F7MNesse imenso e confuso país,Bm7(b5) E7(b9) Am6Brazópolis chora a geadaBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7E abraça o seu Wenceslau Braz![Refrão]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro...[Verso 3]Am6 A7(b13)Falaram que em junho choveu,Dm7 G7(9) C7M F7MQue o granizo caiu na calçada,Bm7(b5) E7(b9) Am6Mas era mentira de rádio,Bb7M E7(b9) Am6 E7(b9)O tempo era só de invernada!Am6 A7(b13)São oito graus na Mantiqueira,Dm7 G7(9) C7M F7MJuiz de Fora a ver o Rio passar...Bm7(b5) E7(b9) Am6Mais de trezentos quilômetrosBb7M E7(b9) Am6 Em7(b5) A7Pra Gardênia poder te levar![Refrão]A7M F#7(b13) Bm7 E7(9)Brazópolis tem "Z" no letreiro...[Coda / Encerramento]Am6 A7(b13)Sai Sarney com seu velho bigode,Dm7 G7(9) C7M F7MVem o Collor e perde o lugar...Bm7(b5) E7(b9) Am6Quem governa esse povo esquecidoBb7M E7(b9) Am6 E7(b9)É o topete que veio de lá!Am6 A7(b13)Olha o samba na Zona da Mata!Dm7 G7(9) C7M F7MOlha o telescópio a brilhar!Bm7(b5) E7(b9) Am6Se o Brasil não conhece Brazópolis...(Pausa na harmonia - Deixa o acorde Am6 vibrando)N.C. (Sem Acorde)Bota o disco do Mamão pra tocar!(Batida final seca e estalada no Tamborim)S
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nasce um otário por segundo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
No Brasil, um influencer que se preze tem de 1 milhão a 100 milhões de seguidores
Quem serão esses milhões que seguem Camila Pudim, Pamela Fuego e Leuriscleia?
Perguntaram-me quantos "seguidores" eu calculava que tivesse. Embatuquei: "Sei lá, nunca pensei nisso. Acho que nenhum". O outro insistiu: "Não é possível. Você está na imprensa há milhões de anos, escreve livros, dá entrevistas. É um dos principais influencers do país". Reagi com "Deus me livre, imagine a responsabilidade de influenciar alguém, de ser responsável por algo que uma pessoa faça ou deixe de fazer!". É verdade. Mal consigo dar conta de mim mesmo e meus gatos Bing, Dixie e Bizu acham ridículas minhas tentativas de ensiná-los a miar em francês. Além disso, em que um "influencer" influencia seus "seguidores"?
Não faltou quem me instruísse. Um influencer é alguém que usa instagrams, youtubes, tiktoks e que tais para produzir vídeos, fotos e textos sobre si mesmo e atrair seguidores que se deixam "impactar por suas opiniões, sugestões, rotinas, atitudes e opções de consumo". E que, devidamente impactados, passam a regular por ele suas preferências. Em quê? "Em tudo: moda, games, viagens, gastronomia, até aplicações financeiras". "Sério?", perguntei. E o que o influencer ganha com isso? "Fábulas —é pago pelos serviços e marcas que ‘recomenda’. Descubra quantos o seguem e calcule a grana que isso rende."
No Brasil, me disseram, um influencer que se preze tem de 1 milhão a 100 milhões de seguidores. Quis saber quais eram os principais e ouvi nomes como Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Anitta, Vinicius Jr., Ivete Sangalo. Até aí tudo bem —são famosos, com profissão definida, não falta quem queira ser como eles.
Mas quem é Virginia Fonseca, com 56 milhões de seguidores? O que ela faz? E Camila Pudim, Açucena Guerra, Gustavo Tubarão, Pamela Fuego, Andressa Suíta? E sumidades com nomes como Hytalo, Thallysson, Sunaika, Pkllipe, Wueverton e Leuriscleia? Mais importante ainda: quem são os milhões de brasileiros que os seguem?
P.T. Barnum (1810-91), inventor do mafuá de horrores, deixou uma frase que parecia imortal: "Nasce um otário por minuto". Isso já era. Hoje é por segundo.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nota sobre relações de força, por Antonio Gramsci *
As notas escritas a propósito do estudo das situações e do que se deve entender por “relações de força”. O estudo sobre como se devem analisar as “situações”, isto é, sobre como se devem estabelecer os diversos níveis de relação de forças, pode servir para uma exposição elementar de ciência e arte política, entendida como um conjunto de regras práticas de pesquisa e de observações particulares úteis para despertar o interesse pela realidade efetiva e suscitar intuições políticas mais rigorosas e vigorosas. Ao mesmo tempo, é preciso expor o que se deve entender em política por estratégia e tática, por “plano” estratégico, por propaganda e agitação, por “orgânica” ou ciência da organização e da administração em política. Os elementos de observação empírica que habitualmente são apresentados de modo desordenado nos tratados de ciência política (pode-se tomar como exemplar a obra de G. Mosca: Elementi di scienza politica) deveriam, na medida em que não são questões abstratas ou sem fundamento, ser situados nos vários níveis da relação de forças, a começar pela relação das forças internacionais (onde se localizariam as notas escritas sobre o que é uma grande potência, sobre os agrupamentos de Estados em sistemas hegemônicos e, por conseguinte, sobre o conceito de independência e soberania no que se refere às pequenas e médias potências), passando em seguida às relações objetivas sociais, ou seja, ao grau de desenvolvimento das forças produtivas, às relações de força política e de partido (sistemas hegemônicos no interior do Estado) e às relações políticas imediatas (ou seja, potencialmente militares).
As relações internacionais precedem ou seguem (logicamente) as relações sociais fundamentais? Indubitavelmente seguem. Toda inovação orgânica na estrutura modifica organicamente as relações absolutas e relativas no campo internacional, através de suas expressões técnico-militares. Até mesmo a posição geográfica de um Estado nacional não precede, mas segue (logicamente) as inovações estruturais, ainda que reagindo sobre elas numa certa medida (exatamente na medida em que as superestruturas reagem sobre a estrutura, a política sobre a economia, etc.). De resto, as relações internacionais reagem passiva e ativamente sobre as relações políticas (de hegemonia dos partidos). Quanto mais a vida econômica imediata de uma nação se subordina às relações internacionais, tanto mais um determinado partido representa esta situação e a explora para impedir o predomínio dos partidos adversários (recordar o famoso discurso de Nitti sobre a revolução italiana tecnicamente impossível!). Desta série de fatos, pode-se chegar à conclusão de que, com frequência, o chamado “partido do estrangeiro” não é propriamente aquele que é habitualmente apontado como tal, mas precisamente o partido mais nacionalista, que, na realidade, mais do que representar as forças vitais do próprio país, representa sua subordinação e servidão econômica às nações ou a um grupo de nações hegemônicas (uma referência a este elemento internacional “repressivo’’ das energias internas encontra-se nos artigos publicados por G. Volpe no Corriere della Sera de 22 e 23 de março de 1932).
*Antonio Gramsci (1891-1937), Caderno 13 (1932-1934): Cadernos do Cárcere, V. 3 -3ª Edição - p.19. Editora Civilização Brasileira, 2007.
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