Inspirados já nos ensinamentos de Sófocles, aqui, procurar-se-á a conexão, pelo conhecimento, entre o velho e o novo, com seus conflitos. As pistas perseguidas, de modos específicos, continuarão a ser aquelas pavimentadas pelo grego do período clássico (séculos VI e V a.C).
sexta-feira, 5 de junho de 2026
O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder
Arrumando o discurso
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Afagos e pontapés, por William Waack
O Estado de S. Paulo
Lula mal cabe em si no papel de que mais gosta, o de grande estadista mundial, no qual sua torrente incessante de palavras contrasta com seus efeitos práticos – ou seja, a capacidade de realizar o que diz. Mas é o papel que seus adversários insistem em dar-lhe de presente.
Jair Bolsonaro nunca teve inteligência estratégica, vide onde foi parar. Seus dois filhos conseguem ser piores. Enxergam em Donald Trump uma espécie de Guia Genial da superpotência americana, cuja condição de hegemonia planetária ele se empenha em diminuir.
Em relação ao Brasil, porém, os interesses de Trump estão definidos. Somos um tipo de peão fornecedores de commodities, especialmente as de importância geopolítica, e irritantes cerceadores das atividades de empresas americanas (ênfase no setor financeiro e digital) que precisam ser disciplinados.
Via coerção política, comercial e, potencialmente, através de ferramentas financeiras. Coerção militar não se vislumbra nem de longe neste momento, mesmo com a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, em parte pelos próprios militares americanos não verem nenhuma utilidade nisso.
São chicotes poderosos que causam prejuízos à economia brasileira, empurram o Brasil do ponto de vista geopolítico a ter de tomar uma decisão binária (China ou EUA) e tentam condicionar decisões domésticas políticas brasileiras aos humores de Trump e seus interesses do momento – para os quais ele não diferencia entre Lula e os Bolsonaros.
O problema é que os irmãos Bolsonaros encaram pontapés como afagos, e cotovelada na boca como cafuné. Suas manifestações de fé profunda na sabedoria de tudo o que Trump faz e a disposição de se alinhar a qualquer coisa que ele diga são uma manifestação explícita de crassa ignorância do básico do básico nas relações internacionais (potências não têm amigos, só interesses).
E superestimam a capacidade da bolha que dirigem de se sobrepor ao que é “atávico” no comportamento de grande parte dos países, não importam época e continente. Não é necessário ser xenófobo para repelir interferências externas de qualquer tipo. Nesse sentido, Lula se beneficia de algo que ele nem sequer precisou criar: uma grande indignação de quem se sente tratado a coices.
Lula sempre confundiu suas posturas ideologizadas com “interesses nacionais”, e o clã Bolsonaro repete a fórmula com sinal inverso. Como o Brasil carece de qualquer “projeto nacional” de aceitação ampla – ou conduzido por elites com um mínimo de empenho nisso –, a palavra “soberania” acaba sendo empregada à vontade pelas duas bolhas sem que tenha qualquer significado prático além de possíveis vantagens na luta eleitoral.
Em algum momento vai doer bastante ser chutado do berço esplêndido.
Giuseppe Vacca e o estudo historiográfico da política italiana
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Opinião do dia - Giuseppe Vacca*
“Não há dúvida de que as “ideologias” têm para Gramsci peso maior do que para qualquer outro pensador marxista, mas afirmar que “tornam-se o momento primário da história” equivale a inserir seu pensamento nos quadros conceituais da “filosofia do espírito” de Benedetto Croce. É verdade que Bobbio aplica ao pensamento gramsciano um paradigma dicotômico (estrutura/superestrutura) que não se lhe adapta. A “distinção entre sociedade política e sociedade civil” – escreve Gramsci – é uma “distinção metodológica”, não “orgânica”. “Sociedade civil e Estado se identificam na realidade dos fatos”. É um dos trechos mais conhecidos do Caderno 13, no qual Gramsci polemiza com o liberalismo porque, considerando “orgânica” o que deveria ser uma distinção “metodológica”, contrapõe o mercado ao Estado, ignorando que “também o liberismo é uma ‘regulamentação’ de caráter estatal, introduzida e mantida por via legislativa e coercitiva”[1]. Além disso, para Gramsci, a distinção entre estrutura e superestrutura é de caráter “metodológico”, tanto que a “metáfora arquitetônica”, em certo momento, cede o passo a outras conceituações.”
*Giuseppe Vacca, Modernidades alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267
[1] A. Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.
ARRUMANDO O DISCURSO
Lula: "Eu nem ia no G7 mas agora vou. Alguém precisa botar ordem na casa"
Metrópoles
3 de jun. de 2026 #Notícias #Jornalismo #Brasil
"Esse país não adotará a política do vira-lata diante das grandes potências. Nóos não somos melhres do que ningUém.Mas também não somos piores.Nós queremos respeitar todo mundo. Mas nós também queremos respeito.E é assim qua nós vamos contiunar tratando esse país. E é assim que vocês ministros não pode deixar de dizer isso. Tá? De dizer isso alto e bom som. Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhosl. Com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoralem qualquer páis do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria.Alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles."
"Então, nesta reunião aqui, é uma arrumação de discurso para todo mundo. Ninguém tem que ter medo de nada, porque a gente não vai baixar a cabeça. A gente vai continuar fazendo o que nós estamos acostumados a fazer. Vamos continuar conversando com todo mundo. Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou. Nem ia ao G7, mas agora eu vou ao G7. O que é preciso é tentar alguém botar ordem na casa e dar um paradeiro nesta coisa que está acontecendo: desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é fortalecendo a ONU. E o que é que o Brasil está reivindicando há muito tempo? Está reivindicando que haja mais países-membros no Conselho de Segurança Permanente. O Brasil..."
Elaboremos agora, de modo cáustico e ácido, algo que se assemelhe ao estilo de Walt Whitman, com o título provocativo: Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT.
Filtros de Arrumação do Discurso do Poder: do Itamaraty para Sidônio Palmeira; deste para o teleprompter presidencial; deste para a fala bailada do presidente; deste para o filtro virtual de IA do ChatGPT.
Então — nesta sala morna onde se penteiam palavras —
ergue-se a liturgia da coragem ensaiada:
ninguém, dizem, deve temer nada,
porque a cabeça — ah, a cabeça — não se curva (repete-se, insiste-se, proclama-se).
E a gente — sempre “a gente”, esse sujeito difuso, confortável —
continua fazendo o que sempre fez:
rodopia frases, afaga consensos,
conversa com todo mundo
(e com ninguém, no fundo, no osso da verdade).
Eu não ia ao G7 —
mas agora eu vou,
repito: agora eu vou,
como se a repetição fosse músculo,
como se insistir fosse governar.
E então alguém há de pôr ordem na casa — dizem —
como se a casa ainda tivesse paredes,
como se não estivéssemos já
no escombro elegante do multilateralismo,
na coreografia cansada da democracia,
no teatro de instituições que se desfazem
enquanto são nomeadas.
A ONU — invocada como relíquia e desculpa —
não se salva pela ruína,
não se corrige pelo colapso,
mas pela fé reiterada de quem ainda pronuncia seu nome
como quem acredita que nomear é restaurar.
E o Brasil — esse verbo em suspenso —
reivindica, há muito, diz-se, insiste-se, ecoa-se:
mais vozes, mais assentos, mais presença
no conselho onde poucos decidem por muitos.
Mas a frase quebra —
“O Brasil...” —
e fica no ar, incompleta,
como tudo que passa pelos filtros:
do gabinete ao roteiro,
do roteiro à tela,
da tela à fala,
da fala ao algoritmo —
até restar apenas o eco domesticado
de um discurso que já não pertence
a quem o pronuncia.
Aceitação e a metáfora do Homem no Buraco
Pelo buraco do Brasil eu vi uma metáfora de metáfora em cascata (ou: a pedagogia do vazio filtrado)
O discurso não nasce — ele é produzido.
E, mais do que produzido, ele é filtrado.
Entre a enunciação e a emissão, há um percurso:
Itamaraty → assessoramento político → teleprompter → performance presidencial → mediação algorítmica.
Esse percurso não é acidental. É estrutural.
O que se apresenta como “fala” é, na realidade, o resultado de sucessivas operações de depuração, nas quais o conteúdo não é apenas organizado — é domesticado. A chamada “arrumação de discurso” não constitui um momento secundário da política, mas seu próprio núcleo operativo: é ali que se decide o que pode ser dito, como deve ser dito e, sobretudo, o que deve ser neutralizado.
Nesse sentido, a distinção entre espontaneidade e cálculo — frequentemente evocada para preservar uma ideia de autenticidade — revela-se metodológica, não real. A fala presidencial, mesmo quando recorre ao registro coloquial (“a gente”, “ninguém precisa ter medo”), não escapa ao regime de produção que a antecede. A informalidade, aqui, é técnica.
O efeito mais evidente desse processo é a produção de um discurso sem risco.
Reitera-se: “não vamos baixar a cabeça”, “vamos continuar fazendo o que sempre fizemos”, “vamos conversar com todos”. Trata-se de fórmulas de estabilização simbólica, cujo objetivo não é intervir na realidade, mas impedir sua desorganização perceptiva.
A repetição — como no caso do “eu vou ao G7” — não é falha retórica, mas mecanismo de reforço. Ela substitui a decisão pela sua simulação performativa. Ao repetir, o discurso não avança; ele se ancora.
O mesmo ocorre com a enumeração das crises: “desmonte do multilateralismo”, “desmonte da democracia”, “desvalorização das instituições”. A nomeação em série sugere diagnóstico, mas opera como inventário. Não há hierarquia, não há causalidade, não há mediação — apenas listagem. O mundo é reduzido a itens discursivos.
A invocação da ONU ilustra o ponto. Afirma-se que sua crise não se resolve pela destruição, mas pelo fortalecimento. No entanto, essa formulação permanece no plano declaratório. Não se trata de uma proposição estratégica, mas de uma reafirmação normativa. O discurso reafirma aquilo que não controla.
Por fim, o caso mais revelador: “O Brasil...”
A suspensão não é apenas estilística; é sintomática.
O sujeito do enunciado não se completa porque sua determinação permanece indeterminada. Reivindica-se “mais assentos”, “mais participação”, mas sem deslocar as condições que estruturam o próprio campo em que tais reivindicações se inscrevem.
Assim, o que se observa não é apenas um discurso filtrado, mas um sistema de produção de enunciados cuja função é preservar a inteligibilidade do poder sem expô-lo ao conflito real.
A metáfora, então, se dobra sobre si mesma:
o país que fala é o país que se ouve filtrado;
o sujeito que enuncia é o produto de sua própria mediação.
Pelo buraco do Brasil, não se vê o real —
vê-se a forma pela qual o real é tornável dizível.
E isso basta para compreender o essencial:
não é o discurso que representa o poder —
é o poder que se mantém ao reduzir o discurso àquilo que pode ser dito sem consequências.
O Espelho da Vaidade e o Teatro do Poder
Tudo começou na arena do mundo, onde as palavras se cruzam como espadas. Um tribuno do Norte, movido pela altivez do seu cargo, riscou o mapa do continente e empurrou o governante do Sul para o limbo dos excluídos. O golpe não feriu a carne, mas o brio; não ameaçou as fronteiras, mas o ego. A reação que se seguiu — carregada de labéus e ressentimentos — não foi a voz da força, mas o eco da humilhação mascarada de soberba. Duas vaidades se mediram, esquecidas de que o poder humano é como o Hevel de Qohelet: um vapor que deslumbra os olhos, mas se dissipa na primeira viração da tarde.
O Condor e a Sombra da História
O engenho desta jornada elevou-se depois aos píncaros dos Andes, invocando o Condor com seu duplo e trágico sentido. A ave que Deus criou para voar livre foi outrora o nome de um pacto de sombras e violência, onde elites latino-americanas sacrificaram a democracia no altar do próprio interesse. O paradoxo moderno revela-se quando aqueles que outrora combateram as sombras do passado caem hoje na mesma armadilha do autoritarismo verbal, trocando a caridade da justiça pela intolerância do insulto.
A Súplica e a Luz de Pentecoste
Por fim, despimo-nos das vestes da disputa cívica para entrar no santuário da prece. Ali, onde os poderosos se proclamam cristãos apenas por vãos sopros interesseiros, ergueu-se a súplica pela regeneração do ofensor dos ofensores. Que a imprudência que outrora levou o Cristo à Cruz seja convertida pelo fogo purificador de Pentecoste. Só há um remédio para a vertigem do poder: reconhecer que o trono é feito de poeira e que a única grandeza perene reside na humildade e no serviço ao bem comum.SÍNTESE CONCLUSIVA AO ESTILO DE VIEIRA:
"Ó príncipes da terra, que do alto dos vossos palácios diciais o destino dos povos e trocais insultos como se governásseis o firmamento: olhai para as vossas mãos e vede que nelas só há terra; olhai para os vossos decretos e vede que neles só há vento. O secretário que exclui e o presidente que se ofende bebem, ambos, do mesmo cálice da humana fraqueza. Julgais-vos monumentos de bronze, mas sois apenas estátuas de sal que a primeira chuva da história há de desmanchar. Que o Espírito de Deus vos conceda a suprema ciência de saberdes baixar as cabeças, para que, aprendendo a ser homens na humildade, possais finalmente ser pastores na caridade. Porque no grande dia do Juízo, o tribunal do Tempo não vos perguntará quantas injúrias revidastes, mas quantas lágrimas enxugastes ao sul do Rio Grande."
Rubio diz que Brasil não é ‘amigável’ aos EUA, assim como Cuba e Venezuela; Lula rebate
Rádio CBN
2 de jun. de 2026 #marcorubio #diplomacia #lula
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em audiência no Senado que o Brasil não faz parte da lista de "países amigáveis" aos Estados Unidos na América Latina, comparando a postura brasileira à de nações como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Rubio defendeu a política externa do governo Donald Trump e destacou a formação de uma coalizão de aliados na região, da qual o Brasil estaria excluído.
A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática, logo após a Casa Branca propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Em resposta, o presidente Lula rebateu as críticas, afirmando que Rubio é "anti-América Latina" e não gosta do Brasil.
Fotos: Andrew Harnik / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP e Wallison Breno/PR
Hannah Arendt: How did this come to be? (1967)
We need to be reminded of this statement more than ever in today's world. It still holds true that we are never more than one step away from this form of sanitised barbarism.
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2 de jun.
2026
Hannah Arendt: How did this come to be? (1967)
In this episode of The Ancient Dog, we’re stepping into the intense, smoke-filled atmosphere of a university lecture hall in 1967 for an intimate, fictional (but historically and philosophically accurate) look at the thinker who stared directly into the abyss of modern bureaucracy: Hannah Arendt. Fast, intense, and intellectually unsparing, Arendt delivers a powerful classroom lecture to break down her most sobering insights and completely upend how we understand morality, complicity, and the true nature of modern evil.
We dive right into a Masterclass on the raw mechanics of control across 5 profound lessons from Eichmann in Jerusalem. Standing at the chalkboard, Arendt peels back the layers of historical horror to challenge our deepest coping mechanisms. She explains that while we expect the architects of genocide to be ideological monsters, they are often terrifyingly ordinary; maps out how stock phrases and "officialese" act as armor to insulate bureaucrats from reality; reveals the chilling comfort of the Wannsee Conference—where the elite elite relieved individuals of their own judgment; exposes the darkest chapter of compliance within the Jewish Councils; and finally demands the ultimate realization: that hanging the man didn't destroy the conditions that made him possible. It is a solo lecture that shatters comfortable daily illusions, urging us to quiet the noise of inherited dogmas and see how easily obedience replaces conscience.
Wait, is this real? That’s all AI magic. 🤖✨ I use AI tools to breathe life into these "what if" moments from history, recreating the intense, brilliant, and deeply poetic voice of a legend whose true essence is often buried under dense text.
Love this typa stuff? My whole channel is dedicated to recreating these legendary historical scenes. If you want to see more icons from the past hanging out and talking shop, hit that SUBSCRIBE button and join the pack! 🐾 Let me know in the comments: Who should take the podium next? 👇 #hannaharendt #History #Philosophy
Sources — What This Script Is Based On
Arendt, H. (1963). Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. The primary source text for all five segments. It provides the core philosophical framework regarding Adolf Eichmann’s trial, the linguistic analysis of "officialese" (Sprachregelung), the historical breakdown of the Wannsee Conference, the highly controversial analysis of the Jewish Councils (Judenräte), and the ultimate conceptualization of the "banality of evil."
Arendt, H. (1971). The Life of the Mind. Supplementary source grounding the connection between the absence of thinking (the inability to judge or reflect from the standpoint of another) and the manifestation of moral collapse in ordinary individuals.
House, J. (Director). (1961). The Eichmann Trial Transcripts. Cross-referenced to precisely ground the specific testimony details described across the segments, including the psychiatric evaluations of Eichmann's "normality" and his final spoken words before execution.
Historical Context of 1967. Positioned during Arendt's tenure as a professor at the Graduate Faculty of the New School for Social Research in New York. Setting this in 1967 captures her delivering these ideas directly to a younger generation of students in a seminar environment, contextualizing her thesis amidst the broader 1960s student movements and anti-authoritarian critiques.
Note on Dramatization: All spoken lines are adapted into a fluid, contemporary monologue register optimized for synthetic voice performance. Direct conceptual pairings and signature paradoxes from the original text (such as the "inability to think," the Pontius Pilate feeling, and the banality of evil) are integrated to maintain strict theoretical and historical fidelity to the 1967 lecture setting.
Como este conteúdo foi criado
Criado com IA
Os sons ou recursos visuais foram alterados ou totalmente gerados por IA. Saiba mais
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Intervenção sem tiro nem bomba, por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Medidas de Trump mudam foco do debate para beneficiar Flávio e dificultar reeleição de Lula
Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa.
Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido.
A sequência da intervenção veio com o anúncio do novo pacote de barreiras tarifárias ao Brasil. Trump conseguiu não apenas desviar a pauta do debate eleitoral, mas ameaçar o País com danos econômicos na reta final do governo Lula.
Flávio capitalizou com as medidas. Posou em foto ao lado de Trump na Casa Branca. Na semana passada, se contorcia diante das câmeras para explicar as suspeitas de ter se beneficiado do esquema de fraudes financeiras de Daniel Vorcaro.
Em suma: qualquer atitude dos EUA com impacto na economia ou na soberania brasileira agora interfere no processo eleitoral, ainda que o país de Trump siga poupando tiros e bombas até outubro.
Ao menos dois ministros – um do Supremo Tribunal Federal (STF) e outro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – consideram que os EUA podem incrementar a “intervenção soft” com outras medidas – como o financiamento de defensores de ideias alinhadas às de Trump e o incentivo a candidaturas de direita. Para esses ministros, Trump não está preocupado com o combate ao terrorismo, e sim com a subida de aliados ao poder na América Latina.
Um segundo ministro do TSE, também em caráter reservado, considera cedo para entender como os EUA podem interferir nas eleições brasileiras, mas tem como certo que Lula sai perdendo na primeira investida.
A coluna também ouviu outros dois ministros, um do STF e outro do TSE, que não estão preocupados com tentativas de influência dos EUA nas eleições deste ano. Eles consideram o Brasil imune a esse tipo de ameaça.
As pesquisas de opinião ainda não mediram as consequências para as candidaturas após a mudança de foco no debate eleitoral. Mas já é possível concluir que investigações criminais e estratégia política vão ditar o sobe e desce das campanhas. As propostas dos candidatos, mais uma vez, serão coadjuvantes nas eleições.
#noticias #politicaexterna #brasil #eua #marcorubio #lula #diplomacia #economia #radiocbn
https://www.instagram.com/reel/DZH55dWgSw7/?igsh=a2x5M3NlOGcyamc%3D
saudade
Há 40 anos, Dina Sfat desconcertava general e roubava a cena em programa de entrevistas
Por Ancelmo Gois
02/10/2021 • 09:00
Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura Dina Sfat: provocação a general em programa de TV, durante a ditadura | Luiz Pinto
Quem lembrou foi o historiador Carlos Fico, um estudioso da ditadura militar. Há 40 anos, a grande atriz Dina Sfat (1938-1989) chamou a atenção da cena política brasileira. Ela tinha sido convidada por Fernando Barbosa Lima para entrevistar o general Dilermando Gomes Monteiro (1913-1994), em plena ditadura, no programa “Canal livre”, comandado por Roberto D’Avila na Band.
A atriz era, de certa forma, uma estranha no ninho de entrevistadores. Os outros convidados eram o historiador Hélio Silva, o jurista Carlos Alberto Direito e os jornalistas Audálio Dantas, Cícero Sandroni e Fenando Pedreira. O general Dilermando era muito respeitado porque, cinco anos antes, havia assumido o II Exército — foi sob o comando de seu antecessor, Ednardo D’Ávila Mello, que ocorreram os assassinatos de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, nas dependências do DOI-CODI.
Em sua biografia, escrita com a ajuda de Mara Caballero, Dina contou que ficou aflita ali “por não estar falando de cinema, teatro ou TV”. Só que o ponto alto do programa foi quando, em vez de fazer uma pergunta, ela acabou desabafando: “Eu tenho medo de generais”. A atriz , pondera o historiador Fico, não estava sendo apenas sincera. “Usou todo seu talento dramático para apontar a tensão”. Dois meses antes, uma ação terrorista de militares, que pretendiam jogar uma bomba num show de MPB no Riocentro, foi frustrada porque o artefato explodiu no colo de um sargento. Anos depois, Dina reconheceu :“Fui passional, prevaleceu a paixão”. Fez bem.
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